ORGANIZANDO, AMPLIANDO E FORTALECENDO UMA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE Organizando, Ampliando e Fortalecendo uma Célula Zonal do Partido Verde 1 Salvador-BA Setembro de 2011 ORGANIZANDO, AMPLIANDO E FORTALECENDO UMA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE Cartas Na Mesa Mosiah Composição: Mosiah Eu vou lhe fazer uma confissão não está dando mais para aguentar Miséria na rua descaso com o povo aonde é que isso vai dar? 2 Pois quem tem amor a natureza Não é capaz de aceitar Crianças vagando chorando de fome Sem lugar para morar Os ricos ficando cada vez mais ricos E os pobres ficando cada vez mais pobres A paz entre os homens correndo perigo nos contamos com a sorte Todo sofrimento que o povo sente È dado o momento de acabar Seja consciente abra sua mente Já é hora de mudar Já é hora de botar as cartas na mesa Hora de solucionar antigos problemas Pois amigo o mundo gira, amanhã de ajuda você vai precisar Por isso eu vou além expediente Cartilha Institucional do Partido Verde Salvador | Espaço Terra Gaya | Rua João Gomes, 160, Rio Vermelho CEP 41.950-640 | Salvador - Bahia | Tel.: (71) 3017-5860 | E-mail: [email protected] Presidente do PV Salvador: André Fraga | Textos: André Fraga e Marcelo Domingos Ilustrações: Google com adaptações de Hendrik | Capa, projeto gráfico e diagramação: Hendrik Aquino ORGANIZANDO, AMPLIANDO E FORTALECENDO UMA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE Índice 1 - Apresentação .................................................................................. 4 2 - Contextualização ...................................................................... 9 3 - A Célula do Partido Verde .............................................................. 10 4 - Os primeiros passos ................................................................. 11 5 - Como iniciar uma célula? ............................................................... 12 6 - Estudo da realidade ................................................................. 13 7 - A convivência ................................................................................. 13 8 - A formulação dos objetivos ...................................................... 14 9 - O planejamento .............................................................................. 15 10 - A ação .................................................................................... 19 11 - Conecte-se ................................................................................... 22 12 - Referências ............................................................................ 23 13 - Anexos ......................................................................................... 27 13.1 - Regimento interno .......................................................... 27 13.2 - Os 12 Valores Fundamentais dos Verdes ............................. 29 13.3 - Zonas eleitorais e respectivos bairros de Salvador - BA ................................................................. 31 14 - Textos para formação ................................................................... 32 14.1 - Partido Político .......................................................33 14.2 - Política e Poder ..............................................................33 14.3 - O Partido Verde ......................................................35 15 - Textos para discussão ...................................................................37 15.1 - Política é o fim? – Marcelo Ridenti .........................38 15.2 - Ambientalista é a mãe – Washington Novaes ............... 42 15.3 - O Partido Político – Antônio Gramsci .................... 44 3 ORGANIZANDO, AMPLIANDO E FORTALECENDO UMA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE 4 1 - Apresentação ORGANIZANDO, AMPLIANDO E FORTALECENDO UMA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE Organismo Verde Há milhões de anos atrás, a necessidade de seres unicelulares sobreviverem, fez com que eles se juntassem e formassem seres mais complexos: os seres multicelulares. Surgiram então características particulares: a colaboração e a divisão do trabalho entre as células e tecidos. Para que esta mudança ocorresse, algumas células evoluíram para se reconhecer como sendo de um mesmo organismo. Em um ser multicelular todas as suas células são provenientes de uma única célula mãe, que se dividiu inúmeras vezes, e cujas células filhas se especializam, desempenhando diferentes funções, essenciais para o equilíbrio do organismo. Há animais, como as esponjas, que são compostos de 3 camadas de células em que é possível separar totalmente essas células, com a utilização de um produto bioquimico. Mas o que acontece então? Suas células morrem? Não, elas se reagrupam e se reordenam de modo a reconstituir inteiramente o animal. Por que? Porque elas conseguem se reconhecer como parte de um mesmo sistema vivo: possuem os mesmos “sinais de identidade” nas suas superfícies. Os parágrafos acima são nada mais que uma analogia que faz entender a motivação para o desenvolvimento e organização das Células do Partido Verde pelo PV de Salvador, bem como sua estrutura de funcionamento. O momento que vivemos no PV de Salvador é, sem dúvidas, o melhor em uma década. Reuniões, debates, manifestações, participação! Impôs-se então um desafio: como fazer a construção partidária na base? Nas ruas, nos bairros, no cotidiano do cidadão soteropolitano? Entendemos o Partido como um organismo vivo em que cada célula (filiado) cumpre sua missão/função para que ele se mantenha saudável e equilibrado. O que no nosso caso significa compreendermos os problemas de nossa cidade, e transformarmos o PV em um autentico instrumento social. Para isso organização é palavra obrigatória. E esse pequeno documento foi idealizado no sentido de capacitar nossos militantes e dirigentes e efetivarmos uma sólida politica de organização partidária e formação política verde. Pensamos então em desenvolver uma publicação que não fosse nem tão teórica, com muitos conceitos e conteúdo, nem tão prática, como um livro de receita, mas sim um documento que contribuísse com a formação dos quadros do PV e ao mesmo tempo os orientasse em sua organização cotidiana e garantia de espaço político. Boa leitura. Boa luta. André Fraga Presidente PV Salvador 5 ORGANIZANDO, AMPLIANDO E FORTALECENDO UMA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE Coletivo Verde É com grande satisfação que nós do Partido Verde de Salvador anunciamos uma nova fase no processo de constante crescimento do nosso “Coletivo Verde”. Coletivo Verde? Sim, Coletivo Verde, pois é o que estamos praticando no PV de Salvador. A cada reunião, encontro, debate e conversa nos conhecemos mais, a cada reunião aprendemos a conviver de forma harmoniosa, a cada reunião nos multiplicamos em pessoas e idéias, a cada reunião ajudamos a forjar um novo modelo de fazer política. E é fundamentado no objetivo da construção desse novo modelo que estamos lançando mais uma ferramenta: o projeto “PV nos Bairros”, que consiste na criação das Células do PV nas 20 zonas eleitorais soteropolitanas. E o primeiro passo para isso esta sendo dado nesse exato momento com o lançamento dessa cartilha informativa. 6 Essa cartilha funcionará como guia para a formulação e nascimento das células do PV nas zonas, será um suporte aos membros do coletivo que se dedicarão a implantação das células em seus bairros, por fim, será uma referência para atingirmos êxito nesse processo. Esperamos que o conteúdo abordado, as discussões realizadas e as experiências compartilhadas ao longo da leitura possam contribuir para o enriquecimento do conhecimento para o desenvolvimento do partido, somando-se assim para melhoria do processo de estruturação, diversificação e reconhecimento do Partido Verde Soteropolitano. Temos ainda um grande caminho a trilhar, mas temos também a certeza que os primeiros passos já foram dados, portanto, a participação de cada um(a) é de vital impôrtancia para que possamos, juntos, multiplicar os conhecimentos adquiridos durante esse período de convivência e assim contribuir efetivamente para o desenvolvimento e contínuo aperfeiçoamento nosso “Coletivo Verde”. Nasce o PV nos Bairros, nasce a Célula Verde, surge uma nova política soteropolitana. Marcelo Domingos Secretário de Organização Partidária do PV Salvador ORGANIZANDO, AMPLIANDO E FORTALECENDO UMA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE Salvador Verde! Tenho acompanhado de perto a organização do Partido Verde em Salvador para fazer frente ao grande desafio que está colocado, seja para a cidade, seja para o próprio partido. Vivemos em uma cidade onde os problemas nos encontram em cada esquina, e as soluções nos parecem cada vez mais distantes, a cada dia que passa. Para o PV na Bahia e em Salvador o desafio reside em mantermos acesa a chama dos quase 30% dos votos válidos recebidos em 2010. Somos pequenos e temos dificuldades estruturais, com vontade e dedicação conseguiremos levar a mensagem verde ao povo soteropolitano. Uma outra forma de fazer política e ver o mundo nos orienta desde nossa fundação na década de oitenta. Lá tivemos a coragem de defender bandeiras que ninguém ousava, o que sempre colocou o PV na vanguarda da política brasileira. É interessante perceber que outros partidos trazem o debate ambiental em seus programas televisivos e partidários, nos dando a certeza de que quando o PV foi fundado em 1986, estávamos olhando à frente, além do horizonte. Aqui na Bahia iniciamos o grande projeto politico do PV no estado em 2010. Candidato a governador, senador e chapas proporcionais próprias nos mostraram que é possível sim caminharmos com nossas próprias pernas e defendermos nossas ideais, encontrando ressonância na sociedade, multiplicando nossos votos em todos os aspectos. Organizar a casa, debater nossas questões, discutir os problemas de nossas cidades, ampliar nossa base. É isso que tenho visto em Salvador. Ivanilson Gomes Presidente PV Bahia 7 ORGANIZANDO, AMPLIANDO E FORTALECENDO UMA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE 8 Organizando, Ampliando e Fortalecendo uma Célula Zonal do Partido Verde C ORGANIZANDO, AMPLIANDO E FORTALECENDO UMA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE 2 - CONTEXTUALIZAÇÃO “O acesso a um conhecimento mais amplo, a maiores e mais compreensivos meios de orientação, incrementa o poder potencial dos grupos humanos.” Norbert Elias Envolver o cidadão de bem na discussão e no engajamento político e na temática ambiental é um dos desaUm partido fios postos ao Partido Verde na atualidade. Pesquisas cresce em desenvolvidas ao longo da última década mostram que movimento. a temática ambiental tem forte potencial de mobilização e que pode abrir canais de atuação política e possibilidades de transformações sociais, ambientais e culturais profundas e efetivas. Um partido cresce em movimento. As motivações para a mobilização nascem das necessidades das pessoas no dia a dia. As mobilizações 9 podem acontecer por diferentes razões, basta interpretar as necessidades que o povo tem e buscar as formas para que este se organize e participe. As mobilizações podem ser apenas esporádicas e temporárias, a organização deve ser permanente. Para tal, a organização de Células do Partido Verde intenciona viabilizar e incentivar a participação cidadã no engajamento político e na temática socioambiental. Além de envolver os que já militam no partido as Células podem favorecer a chegada As mobilizações pode outros cidadãos e cidadãs nesse processo, aqueles que já ouviram falar sobre meio dem ser apenas esporáambiente, política e PV, mas que ainda dicas e temporárias, a não tinham sentido vontade, ou tiveram organização deve ser a oportunidade de envolver-se. A organizapermanente. ção se faz através de uma estrutura orgânica, que dê forma e “corpo” a este movimento. Portanto, a organização não toma forma espontaneamente, é um processo que se vai construindo e desenvolvendo de maneira às vezes rápida, às vezes lenta. A mobilização é o elemento fundamental para organizar, mas não pode ser o único. A ORGANIZANDO, AMPLIANDO E FORTALECENDO UMA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE Aqui iremos sugerir alguns passos iniciais para orientar a criação, ampliação e fortalecimento de uma Célula local do Partido Verde. A célula do Partido Verde foi pensada inicialmente para a organização das 20 zonas eleitorais na cidade de Salvador-BA, mas podem também ser pensadas para diferentes contextos e abrangências, englobando segmentos, vilas, bairros, comunidades, distritos e municípios. 3 - A CÉLULA DO PARTIDO VERDE A Célula do PV é um espaço político de militância dos filiados e simpatizantes do PV localmente. Constitui a base política do PV, é a militância organizada para o trabalho na base. Também organiza os trabalhadores em seu local de trabalho e por setor profissional, a população em seu local de moradia (Célula de bairro, rua, conjunto, etc...), os estudantes em seus locais de estudo (escolas, universidades, etc.), e as pessoas por área de interesse (movimento ecológico e/ou meio ambiente, direitos A Célula do PV 10 humanos, solidariedade internacional, é um espaço político juventude, negro, mulher, etc...). de militância dos filiados e simpatizantes do PV localmente. A Célula do PV é um instrumento orgânico, a forma de organização capaz de transformar o PV em um partido que compreenda as demandas da sociedade brasileira. A Célula do Partido Verde nasce da necessidade em se constituir um espaço político de militância dos filiados e simpatizantes do PV na base. A Célula constitui a base política real do PV, é a sua militância organizada para o trabalho junto ao povo e na sua luta política. Um ambiente propício para o crescimento salutar da semente ideológica e visionária verde. ORGANIZANDO, AMPLIANDO E FORTALECENDO UMA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE O perfil dos membros de uma Célula é diverso: alguns já têm experiência e compromisso no PV, nos sindicatos e movimentos populares, outros não possuem engajamento nenhum, todos devem de alguma forma, participar da vida da célula. A Célula é o instrumento orgânico, a forma de organização, capaz de criar condições de transformar o PV em um partido que compreenda as demandas sociais e consiga avançar com seu ideário na sociedade. O As Células são organizadas como uma necessidade política, em função das reivindicações do povo, da necessidade de organização das lutas populares. As Células desenvolvem, permanentemente, um trabalho de conscientização política dos filiados ao PV, dos simpatizantes e dos ambientalistas em geral e um trabalho de agitação e propaganda junto à área de atuação. 4 - OS PRIMEIROS PASSOS Como encaminhar a construção de uma Célula? Em linhas gerais, qual o caminho que o militante deve seguir para construir uma Célula em seu local de moradia, trabalho, estudo, etc.? Primeiro é preciso que cada filiado, militante se perceba como um sujeito que traz consigo uma série de sonhos, vontades, atitudes, interesses etc. Um exercício interessante é mergulhar em si próprio e perceber que podemos compartilhar com outros cidadãos, que podemos pensar em coisas semelhantes e unir esforços para colocar em prática esses sonhos e interesses. Cada Célula tem suas características próprias, que estão relacionadas com a “área” onde é organizado, com os seus objetivos e com a sua militância, porém também possuem uma característica geral que está ligada ao programa partidário. Não existem caminhos infalíveis e rígidos a seguir, e nem receitas prontas e acabadas, apenas contribuições e experiências a serem assimiladas. 11 C ORGANIZANDO, AMPLIANDO E FORTALECENDO UMA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE 5 - COMO INICIAR A CÉLULA? O primeiro passo é reunir os militantes e simpatizantes do PV que estão no bairro/zonal/segmento que se pretende organizar a luta, mostrandolhes a importância da construção da Célula do PV. Pergunte-se: onde encontrar outros cidadãos ou grupos que podem se interessar? Como se encontrar, como mobilizar? Há diversas maneiras de mobilizar pessoas como desenvolver uma atividade mobilizadora (exibição de filmes, documentários, lazer, manifestação, encontro, festival, distribuição de impressos do PV, etc.) ajuda a despertar e sensibilizar as pessoas. Essa ação de mobilização contribui não só para atrair membros para a constituição da Célula, como também para atrair novos membros ao Partido Verde. São pessoas que tomam conhecimento da existência do grupo, compartilham o tema e se engajam na sua atuação. Ao se pensar ações 12 de mobilização e definir os meios de fazê-las, deve-se necessariamente ter clareza de informações básicas, como: • O que é esta Célula? Para quê ele serve? Com que ela atua? Quais são seus objetivos? • Quem faz parte dela? Qual o perfil dos seus participantes? • Por que mobilizar mais gente para o grupo? Queremos mobilizar pessoas, organizações ou ambos? • O que faremos com a chegada de novas pessoas que ficaram interessadas com nossa mobilização? Temos estratégias de acolhimento de novos participantes? É preciso também lembrar que a questão ambiental envolve múltiplas dimensões Lembre-se: e que, portanto, se articula com outras sem estudo e conheáreas e temas, como cultura, arte, cimento é impossível saturismo, agricultura, desenvolvimento ber por onde começar e etc. Dessa forma, ao se pensar em por onde conduzir o mobilização de pessoas e organizatrabalho. ções, fique atento para ampliar essa chamada a organizações diversas, não somente ORGANIZANDO, AMPLIANDO E FORTALECENDO UMA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE E aquelas claramente envolvidas com a questão ambiental, porque certamente muitas delas já têm alguns trabalhos nessa área, têm interfaces ou têm interesse em atuar com ela. 6 - ESTUDO DA REALIDADE A partir da constituição de uma célula verde é indispensável que se domine o conhecimento da realidade. Lembre-se: sem estudo e conhecimento é impossível saber por onde começar e por onde conduzir o trabalho. É preciso impor-se este desafio. É preciso “ver”, coletivamente, com os verdes, a realidade de onde está sendo construída a Célula, conhecer o terreno onde se está pisando, arrancar da realidade as “questões”, “problemas”, “desafios” e “aspirações” da vida concreta. É se perguntar: “qual o problema?”, “quais são os maiores desafios sentidos pelas pessoas do lugar?”, “quais as lutas?”, “qual o grau de organização do povo e do PV?”, “quais as debilidades?”, etc... As respostas a estas perguntas permitirão que se passe à análise e à reflexão do que há “por trás” do que aparece nestas respostas, quais são as causas do que está acontecendo e, con13 sequentemente, a definição dos objetivos e prioridades da célula verde. A Para ver-se através das aparências que escondem a realidade, necessitamos de consciência crítica, e esta não surge do nada e de repente, é fruto do conhecimento do programa e da linha política do PV, do aprofundamento da formação política e da prática. Trata-se de ver e captar as causas ou raízes da situação e, para isto, não basta trocar idéias ou impor opiniões, é necessário aprender e estudar coletivamente, organizando grupos de estudo ou cursos de formação política. 7 - A CONVIVÊNCIA Do conhecimento da realidade deve provir a convivência. Não basta ler livros ou elaborar teses sobre o assunto, a organização também tem seu lado afetivo. Só é possível ganhar o reconhecimento e o respeito das pessoas se estivermos juntos delas. A convivência, que é o contato direto com o ou- ORGANIZANDO, AMPLIANDO E FORTALECENDO UMA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE tro, pode se dar de diferentes formas, O povo se basta estarmos atentos e aproveiagrupa em torno de tarmos as oportunidades que a propostas concretas que viprópria pessoa oferece. É preciso sem resolver seus problemas criar as formas e buscar os meios imediatos, sejam econômicos, para construir este relacionamento. de saúde, educação, moradia, terra, etc. Estes contatos não podem ser espo- rádicos e oportunistas, que só favoreçam nossos interesses particulares ou eleitorais. Precisam ser permanentes, contínuos. As práticas podem ser as mesmas no meio político brasileiro, mas nunca para os verdes, somos diferentes e por sermos diferentes faremos política de modo e objetivos bem diferentes. Estaremos sempre junto às comunidades sempre, com mandatos ou sem, em ano eleitoral ou não. O processo deve ser permanente. A 8 - A FORMULAÇÃO DOS OBJETIVOS 14 O povo pode não ter consciência dos problemas que tem, mas sabe, na “labuta diária”, as dificuldades que enfrenta. Ele sabe tudo o que falta, mas não sabe das causas e quem são os culpados por tudo isso. O povo se agrupa em torno de propostas concretas que visem resolver seus problemas imediatos, sejam econômicos, de saúde, educação, moradia, terra, etc.. Vale ressaltar que a credibilidade popular em relação à política e aos políticos esta profundamente abalada e por isso será árduo o trabalho para tornar possível resgatar tal credibilidade, mas somos verdes e a nossa cor simboliza a esperança, como a natureza não desistimos nunca de tornar a vida possível. Nossos dirigentes precisam saber formular propostas e ter capacidade de envolvimento sobre quais são as melhores propostas. Para tanto, a proposta tem que ser fundamentada sobre quatro vertentes: • Realizável: primordialmente que possa ter viabilidade concreta; ORGANIZANDO, AMPLIANDO E FORTALECENDO UMA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE • Concreta: ligada diretamente ao problema que o povo enfrenta; • Compreensível: que esteja claro para todos o que está sendo proposto; • Justa: que seja feita no momento certo, de acordo com a situção concreta. O O convencimento não pode ser pela imposição da proposta, mas pela discussão e compreensão de que chegou o momento esperado. Para definir os objetivos pergunte-se: • Onde se pretende chegar com a Célula? Ela pretende modificar alguma situação ou reverter algum problema do bairro? • Como a Célula contribui para a sociedade? 9 - O PLANEJAMENTO Precisamos, também, “pensar a ação”, definir como levar a prática os nossos objetivos. É o momento de planejar a ação, 15 organizar o trabalho. Significa saber destacar os objetivos principais dos secundários, escolhendo prioridades e aproveitando ampla e coerentemente os recursos e capacidades. Significa organizar todas as tarefas em uma programação e, principalmente, através da discussão coletiva e da responsabilidade individual, planejar o trabalho de base da Célula. Neste momento, temos que tomar cuidado para não darmos um passo maior do que as pernas. Não atingiremos os objetivos apenas com o esforço, a luta e o compromisso, “enfrentando”, “botando pra quebrar”, “na marra”. É preciso avaliar as possibilidades de ação ou, então, o que se faz é “dar murros em ponta de faca”. Nem tudo depende de boa vontade ou da força de vontade. Planificar significa organizar o tempo, os recursos materiais e humanos, criar condições políticas e de infraestrutura para se atingir os objetivos programados, dentro do período determinado, estabelecendo formas adequadas para isto. Toda formulação e apresentação de proposta deve vir acompanhada do planejamento para sua execução. Do planejamento devem constar cinco partes fundamentais: ORGANIZANDO, AMPLIANDO E FORTALECENDO UMA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE A) Definir os objetivos - Os objetivos são as determinações do que se quer alcançar. Por isso não podem ser tão “estreitos” que não visem resultados satisfatórios, nem tão amplos que jamais serão atingidos. B) Definir atividades e buscar meios - As atividades devem ser definidas de acordo com os objetivos, visando sua realização. Não basta definir as atividades, é preciso buscar os meios necessários, tendo o entendimento de que todas as atividades são importantes. C) Definir tarefas e responsáveis - Para cada atividade devem ser definidas as tarefas e os responsáveis para executá-las. Existem tarefas para todos. Na distribuição das mesmas deve-se levar em consideração a capacidade dos militantes para que sejam realizadas de forma completa. a. Mobilização: preocupado em mobilizar mais membros ou determinado público estratégico para uma ação ou um projeto que a Célula esteja atuando. Este núcleo exige desenvoltura, energia e uma boa gama de contatos com pessoas e organizações; b. Comunicação Interna: uma boa e ágil comunicação interna em qualquer grupo é fundamental. Estabelecer um núcleo que pense em 16 formas de facilitar o fluxo de informações entre os participantes do coletivo já é uma importante ação. Há diversas formas de fazê-lo (como listas de discussão da internet, relação de contatos dos membros, mural etc.) e o núcleo pode experimentá-las em diferentes situações, o que pode ser interessante para o grupo. Este núcleo exige boa capacidade de comunicação e agilidade para circular as informações de forma rápida e precisa a todos os interessados; c. Divulgação: seria a ação do grupo anterior voltada para fora do coletivo, para divulgar as ações e atividades da Célula. Este núcleo exige habilidade em elaboração de notícias e boa articulação com as diferentes mídias; d. Formação e Estudos: um núcleo preocupado em aprofundar conceitos, debater assuntos atuais, estudar e refletir conjuntamente pode ser uma boa opção ao grupo. Ao longo da caminhada do grupo, percebese a necessidade de estudos e de formação tanto do grupo quanto dos seus membros. Há várias formas de fazê-lo, e este núcleo pode pensar e organizar isso, exigindo boa leitura de textos de fontes variadas e percepção para questões e situações atuais (locais e globais); D) Plano de ação: definição de metas e prazos - deve prever metas a curto, médio e longo prazos, baseadas nos objetivos definidos. Para ORGANIZANDO, AMPLIANDO E FORTALECENDO UMA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE 17 ORGANIZANDO, AMPLIANDO E FORTALECENDO UMA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE cada meta deve haver a previsão de tempo necessário para ser atingida. Um militante nunca deve ficar ocioso. Caso sua tarefa seja realizada antes do tempo determinado deve-se buscar outra para que ele permaneça em constante atividade. a. diagnóstico participativo da situação: conhecer o cenário onde a Célula pretende atuar (ou já atua) constitui num passo importante para ajudar na elaboração do Plano de Ação. É preciso saber ouvir as pessoas, criar condições de participação na identificação de quais são as questões prioritárias que a Célula pretende trabalhar e colaborar para descobrir a melhor forma de encaminhar esses problemas prioritários; b. projetos próprios e projetos de interesse que o coletivo vai realizar e pretende se envolver ou apoiar: é importante definir quais são os projetos que o próprio núcleo pretende implementar durante um determinado período de tempo. Eles podem se relacionar com projetos de outras organizações, mas devem ter vida própria dentro da Célula. Além dos projetos próprios, a Célula pode também identificar projetos de outras organizações que têm interesse em apoiar; c. relação de todas as ações, tarefas, cronograma, responsáveis, 18 recursos necessários etc.: isso pressupõe saber olhar para o planejamento macro ao mesmo tempo que se olha para o futuro próximo – semana a semana, mês a mês, semestre a semestre, ano a ano etc; d. eventos que o coletivo vai realizar e pretende apoiar de alguma forma: sabemos que organizar e participar de eventos são oportunidades de conhecer novas pessoas e novas experiências, trocar ideias, divulgar seu trabalho, construir novas parcerias, e aí por diante. Realizar eventos exige organização prévia cuidadosa, para pensar e construir o projeto do evento que se quer organizar, para buscar parceiros, para divulgar e atrair participantes. Tudo isso requer tempo e dedicação do coletivo e pode ajudá-lo a se fortalecer e a ampliar e reforçar relações de amizade e confiança entre seus membros. Por outro lado, se mal planejado e feito às pressas, um evento pode prejudicar o núcleo, deixando uma imagem negativa para a sociedade, para potenciais parceiros e possíveis novos participantes. Pode inclusive desagregar o próprio núcleo, promovendo a saída de membros, dentre outras dificuldades. A E) Avaliações constantes - As avaliações não devem ser efetuadas somente no final do tempo previsto. Elas devem ser constantes e permanentes, para corrigir os erros, retificar a prática e avaliar o desempenho dos militantes. ORGANIZANDO, AMPLIANDO E FORTALECENDO UMA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE 10 - A AÇÃO A ação concreta é a prática de tudo que foi esPrática sem tudado, discutido e planejado. É quando as teoria não tem ideias são levadas à ação e melhoram a muito futuro, e uma vida das pessoas. Prática sem teoria não tem muito futuro, e uma teoria sem práti- teoria sem prática não ca não muda a realidade das pessoas. A muda a realidade das Célula não nasce pronta. É o resultado de pessoas. um trabalho cotidiano coletivo, paciente e muitas vezes longo dos militantes. Esse trabalho coletivo tem aspectos complementares: a implantação, a ampliação ou influência, a estruturação e a direção. Reforça-se um ou outro ponto a depender do momento. Todo trabalho popular necessita dessas duas coisas ligadas entre si: a teoria e a prática. A teoria existe em função da prática, pois é a ação 19 que nos permite transformar a realidade e aproximar-se cada vez mais de nossos objetivos. Depois da ação, analisa-se novamente a realidade transformada e se reinicia de novo o caminho. Esse “partir da realidade” tornar-se-á uma atividade permanente que tem relação com a avaliação e revisão permanente do trabalho da Célula. O último passo é a ação concreta; é levar à prática o que foi discutido. É nessa articulação entre a cabeça (analisar, refletir e pensar a ação) e as mãos (agir) que se realiza o trabalho popular. A união da prática (ação) com a teoria (análise, reflexão e planejamento da ação) é que orienta o trabalho popular da Célula. Uma prática sem teoria é uma prática cega ou, no máximo, míope, fazendo com que o núcleo não enxergue bem ou não enxergue longe. A) Implantação A implantação é um trabalho paciente, o contato direto, a presença o enraizamento da Célula. Nessa etapa conquistam-se pessoas. O militante ouve, aprende e ensina. É nesse momento que se convence o cidadão que as ideias do PV são possíveis de melhoria de suas vidas. Essa etapa ORGANIZANDO, AMPLIANDO E FORTALECENDO UMA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE nunca termina. Sempre há um novo cidadão a ser conquistado. As principais tarefas são contatar, esclarecer, organizar e encaminhar para a luta a ação política de forma permanente. B) Ampliação É espalhar a experiência, contribuir, dar ideias e sugestões aos cidadãos que estão tentando se organizar. É aprender com eles ideias e respostas para reforçar o trabalho da Célula. É o momento de fazer jornais, atos públicos, ir a rádios, etc. Não adianta a Célula juntar apenas cidadãos com boas intenções e belos discursos. Toda articulação ampla só dá certo se houver trabalho. A Célula se constrói na ação. É preciso avançar, multiplicar-se. Célula que não se amplia, morre. Militante tem uma relação direta com ação. Militante conquista militante e assim multiplica-se a força do Partido Verde. C) Direção A direção é necessária para fazer andar a nossa proposta. A direção coordena e controla o trabalho planejado. É importante que a direção defina coletivamente, junto aos militantes da Célula, as linhas políticas as condutas, atividades e tarefas, controlando sua aplicação para ajustar a prática 20 aos objetivos propostos. Nenhum núcleo funciona se não tiver uma coordenação das diversas fases do trabalho político, das inúmeras tarefas. Assim, todo trabalho exige verdes competentes para orientar e dar rumo á Célula. A direção orienta a ação. D) Avaliação É preciso avaliar para comprovar se as diretrizes traçadas estão sendo aplicadas, e de que forma. As decisões precisam ser postas em prática. A avaliação faz o núcleo perceber se as decisões tomadas estão atingindo os objetivos, se devem ser modificadas, se surgiram aspectos inesperados, etc. A avaliação crítica e autocrítica permite fazer mudanças no trabalho, corrigir falhas e aproveitar os momentos que surgem para o avanço do trabalho. E) Articulação A articulação das lutas é ponto importante. A Célula não deve se fixar apenas em uma forma de luta e de pressão. Deve-se buscar a combinação de diferentes formas de luta, atuando em diferentes frentes para atingir os objetivos. A permanência e durabilidade de um núcleo da Célula é o resultado do equilíbrio permanente entre implantação, ampliação e direção. Um aspecto serve ao outro e os três conduzem a um trabalho sólido. Acentuar somente ampliação conduz ao descrédito e ao discurso vazio. Acentuar só a direção termina em imobilismo e carreirismo político. ORGANIZANDO, AMPLIANDO E FORTALECENDO UMA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE Acentuar unicamente a implantação pode levar ao desperdício de energias em tarefas desnecessárias para os objetivos. Porém a implantação deve ser prioridade permanente. Para tornar uma Célula ampla e duradoura, temos de procurar um equilíbrio permanente entre implantação, ampliação e direção. Um aspecto serve ao outro e os três conduzem a um trabalho sólido. Acentuar somente a ampliação conduz ao descrédito e ao discurso vazio. Acentuar só a direção termina em imobilismo e carreirismo político. Acentuar unicamente a implantação pode levar ao desperdício de energias em tarefas desnecessárias para nossos objetivos. Porém, é preciso assegurar sempre a prioridade da implantação permanente. Essas orientações não são propostas prontas e acabadas. Deve-se aproveitar o que fizer o trabalho popular da Célula Verde avançar, o que fizer a Célula crescer com garra e criatividade. 21 C ORGANIZANDO, AMPLIANDO E FORTALECENDO UMA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE 11 - CONECTE-SE Conecte-se, navegue, organize, divulgue e mobilize! www.pvsalvador.org.br Site do Diretório Muncipal do PV em Salvador com noticias, documentos e textos. Acompanhe as ações e atividades do PV soteropolitano. www.pvbahia.org.br Site do Diretório Estadual do PV na Bahia com noticias, vídeos, textos, documentos, etc. www.pv.org.br Site do Diretório Nacional do PV com informações e noticias nacionais sobre o PV, os parlamentares verdes e agenda ambiental. www.fvhd.org.br Site da Fundação Verde Herbert Daniel com documentos, informações e material de formação politica. Acesse a revista Pensar Verde. REDES SOCIAIS 22 As redes sociais na internet congregam 29 milhões de brasileiros por mês. Nada menos que oito em cada dez pessoas conectadas no Brasil têm o seu perfil estampado em algum site de relacionamentos. Elas usam essas redes para manter contato com os amigos, conhecer pessoas, mobilizar e organizar ações e atividades. www.facebook.com A mais popular atualmente, possui uma série de elementos que permintem integração cada vez maior. www.orkut.com.br Rede social muito popular ainda. www.twitter.com Microblog que permite a inserção de frases curtas. www.youtube.com Plataforma on line de exibição e compartilhamento de vídeos. www.flckr.com Plataforma on line para a exibição e compartilhamento de fotos. www.ning.com Plataforma que permite a criação e gerenciamento de comunidades on line. R ORGANIZANDO, AMPLIANDO E FORTALECENDO UMA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE 12 - REFERÊNCIAS ARISTÓTELES. A Política. SP, Martins Fontes, 1991. ARENDT, Hannah. Entre o Passado e o Futuro. SP, Perspectiva, 1979, 2ª ed. ARENDT, Hannah. Da Revolução. SP/Brasília, Ática/Ed. UnB, 1988. BOBBIO, Norberto. Dicionário de Política. Brasília: UNB, 2007. Brasil. Ministério do Meio Ambiente. Diretoria de Educação Ambiental. Ministério da Educação. Coordenação-Geral de Educação Ambiental. Coletivos Jovens de Meio Ambiente: Manual Orientador. Brasília – DF. 40 p.: il.; CATANI, Afrânio Mendes & GILIOLI, Renato de Sousa Porto. Culturas Juvenis: Múltiplos Olhares. São Paulo: Editora UNESP, 2008 (Paradidáticos. Série Cultura). CORBISIER, Ana & STEDILLE, Miguel Henrique (Org. e Trad.). As tarefas revolucionárias da juventude. Textos de Lênin, Fidel Castro e Frei Betto. 4ª Ed. São Paulo: Expressão Popular, 2005. Direção Executiva Estadual do Partido Verde Bahia- Secretaria de Juventude. COMO ORGANIZAR, AMPLIAR E FORTALECER UM NÚCLEO MUNICIPAL OU SETORIAL DA JPV. Bahia: 2009. 23 FUNDAÇÃO LEONEL BRIZOLA-ALBERTO PASQUALINI. A Formação de Núcleos de Base. Rio de Janeiro: 2007. GUIMARÃES, Thelma. (Org.) Meio Ambiente e Sociedade. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2008. KOTLER, Philip. Administração de marketing. São Paulo : Atlas, 1975. KRANZ, Patrícia. (Org.) Partido Verde: propostas de ecologia política; textos de Fernando Gabeira, Alfredo Sirkis, Julio Cesar Monteiro Martins, Carlos Minc, Herbert Daniel, José Augusto Pádua, Antônio Lago, Luiz Alberto Py, Vilmar Berna, Liszt Vieira e Denise Crispum. Rio de Janeiro: Editora Anima, 1986. PÀDUA, José Augusto (org). Ecologia e Política no Brasil. 2ª Ed. Rio de Janeiro: Espaço e Tempo: IUPERJ, 1987. POERNER, Arthur. O Poder Jovem: história da participação política dos estudantes brasileiros. 5ª Ed. Ilustrada, rev., ampl. e atual. Rio de Janeiro: Book Link, 2004. SIERNA, Ernesto Guevara de la. Socialismo e Juventude. São Paulo: Anita Garibaldi, 2005. TURTELLI, Claudio. Partido Verde – Do Sonho ao Projeto Real de Poder. Bauru-SP: Editora Thangka, 2009. ORGANIZANDO, AMPLIANDO E FORTALECENDO UMA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE 24 ORGANIZANDO, AMPLIANDO E FORTALECENDO UMA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE 25 ORGANIZANDO, AMPLIANDO E FORTALECENDO UMA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE 26 13 - Anexos R ORGANIZANDO, AMPLIANDO E FORTALECENDO UMA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE 13.1 - REGIMENTO INTERNO DA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE Artigo 1º - A Célula Zonal do Partido Verde é um órgão de base da estrutura partidária e uma unidade de cooperação e mobilização do Partido, organizada por zona eleitoral de Salvador vinculada ao Diretório Municipal. Artigo 2º - A Célula Zonal do Partido Verde tem por finalidade: a) Organizar a ação política dos filiados segundo a orientação do Diretório Municipal do Partido Verde de Salvador, estreitando a ligação do Partido com os movimentos sociais; b) Propagar os ideais verdes presentes nos 12 valores Fundamentais dos Verdes, no Manifesto de Fundação do Partido Verde e no Programa do PV; c) Participar das atividades do Partido, transmitir ao conjunto da sociedade a doutrina partidária conforme o estatuto e resoluções, dentro dos aspectos éticos, democráticos e ambientais do ideal do PV; d) Fortalecer as entidades da sociedade civil e estimular a militância a 27 se engajar nos movimentos populares e campanhas reivindicatórias em todos os níveis; e) Participar dos movimentos sociais, orientar e encaminhar a ação política dos militantes de núcleo nos movimentos sociais organizados; f) Defender as administrações públicas municipal, estadual e nacional em que o PV seja o principal condutor, como também, apoiar incondicionalmente os verdes que estiverem à frente de órgãos de administrações que sejam fruto de alianças políticas, garantindo assim, a ética e a democracia partidária; g) Promover a educação política e ambiental dos militantes e filiados(as) e também da comunidade local; h) Ampliar o numero de filiações em sua zona. Artigo 3º - A Célula é uma unidade de cooperação e mobilização, constituída por pessoas de ambos os gêneros, com participação destacada na sociedade local, composta por, no mínimo, 5 membros: a) 1 Coordenador (a) de Comunicação b) 1 Coordenador (a) de Mobilização c) 1 Coordenador (a) de Formação d) 1 Coordenador (a) de Juventude ORGANIZANDO, AMPLIANDO E FORTALECENDO UMA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE e) 1 Coordenadora de Mulher Parágrafo único: Outras coordenações poderão ser criadas a depender das necessidades locais. Artigo 4º - A Célula Zonal deverá cumprir metas estabelecidas pela Direção Municipal, bem como enviar relatórios de atividades mensais. Parágrafo único: O não cumprimento das metas estabelecidas pela Direção Municipal poderá acarretar na destituição da coordenação zonal. Artigo 5º - As reuniões deverão registradas com fotografias e em ata, assinadas pelos presentes, constando desta, no mínimo: lista de presentes, propostas apresentadas, respectivas votações, data, local e horário da realização da mesma. Artigo 6º - A Célula Zonal deverá reunir-se, no mínimo 1 vez por mês, sendo convocada pelo Coordenador da Célula com antecedência mínima de 4 (quatro) dias. 28 Artigo 7º - As deliberações sobre assuntos incluídos na ordem do dia farse-ão por maioria simples de seus membros, presentes à reunião. Artigo 8º - Os casos omissos deverão ser encaminhados à Executiva Municipal que deliberará e encaminhará à Célula. Salvador, 27 de setembro de 2011. O ORGANIZANDO, AMPLIANDO E FORTALECENDO UMA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE 13.2 - OS 12 VALORES FUNDAMENTAIS DOS VERDES São Valores Fundamentais que todo militante, filiado e simpatizante do Partido Verde deve conhecer, defender, praticar e divulgar: 1. A ECOLOGIA: A preservação do meio ambiente, o ecodesenvolvimento (ou desenvolvimento sustentável), a reciclagem e a recuperação ambiental permanente. 2. A CIDADANIA: O respeito aos direitos humanos, o pluralismo, a transparência, o pleno acesso à informação e a mobilização pela transformação pacífica da sociedade. 3. A DEMOCRACIA: O exercício da democracia representativa, através do processo eleitoral e da existência de um poder público eficiente e profissionalizado, combinado com mecanismos participativos e de democracia direta, sobretudo a nível local, através de formas de organização da sociedade civil e conselhos paritários com o poder público. 4. A JUSTIÇA SOCIAL: Condições mínimas de sobrevivência com dignidade para todas as pessoas. Direitos e oportunidades iguais para todos. O poder público como regulador do mercado, protegendo os mais fracos e necessitados, garantindo o acesso à terra e promovendo a redistribuição da renda, através de mecanismos tributários e do investimento público. 5. A LIBERDADE: A liberdade de expressão política e cultural, criação artística e informação; o direito à privacidade; o livre arbítrio em relação ao próprio corpo e à iniciativa privada, no âmbito econômico. 6. O MUNICIPALISMO: O fortalecimento, cada vez maior, do poder local, das competências municipais e das formas de organização e participação da comunidade. Para transformar globalmente é preciso agir localmente. 7. A ESPIRITUALIDADE: A transformação interior das pessoas para a melhoria do planeta. Reconhecendo a pluralidade de caminhos na busca da transcendência através de práticas espirituais e de meditação, ao livre arbítrio de cada um. 29 ORGANIZANDO, AMPLIANDO E FORTALECENDO UMA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE 8. O PACIFISMO: O desarmamento planetário e local, a busca da paz e o compromisso com a não-violência e a defesa da vida. O multiculturalismo. 9. A DIVERSIDADE: A diversidade, a troca e a integração cultural, étnica e social para uma sociedade democrática e existencialmente rica. Preservação do patrimônio cultural. Contra todas as formas de preconceito e discriminação racial, cultural, etária ou de orientação sexual. 10. O INTERNACIONALISMO: A solidariedade planetária e a fraternidade internacional diante das tendências destrutivas do chauvinismo, etnocentrismo, xenofobia, integrismo religioso, racismo e do neofascismo, a serem enfrentados em escala planetária, assim como as agressões ambientais de efeito global. 11. A CIDADANIA FEMININA: A questão masculino/feminino deve ser entendida de forma democrática, avançando no sentido de se conceber uma profunda interação entre os dois pólos nos diversos setores da sociedade, visando uma real adequação às necessidades circunstanciais. Homem 30 e mulher devem buscar, como integrantes do sistema social, mudanças e transformações internas, que venham a se traduzir numa prática de caráter fundamentalmente cooperativo. Maior poder, maior participação e maior afirmação da mulher, dos valores e sensibilidade feminina, além do combate a todas as formas de discriminação machista ou sexista, pôr uma comunidade mais harmônica e pacífica. 12. O SABER: O investimento no conhecimento, como única forma de sair da indigência, do subdesenvolvimento e da marginalização para uma sociedade mais informada e preparada para o novo século. Erradicação do analfabetismo, educação permanente a reciclagem do conhecimento durante toda a vida. Prioridade ao ensino básico, garantia de escola pública, gratuita e de qualidade, para todos. ORGANIZANDO, AMPLIANDO E FORTALECENDO UMA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE 13.3 - ZONAS ELEITORAIS E RESPECTIVOS BAIRROS DE SALVADOR - BA 31 OBS.: É preciso atenção, pois há bairros que pertencem há mais de uma zona eleitoral a exemplo da Pituba, Rio vermelho, Periperi, Cabula, Liberdade, San Martin, Pau da Lima. ORGANIZANDO, AMPLIANDO E FORTALECENDO UMA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE 32 14 - Textos para formação T ORGANIZANDO, AMPLIANDO E FORTALECENDO UMA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE 14.1 - PARTIDO POLÍTICO O surgimento e a posterior evolução dos partidos políticos estão relacionados ao desenvolvimento do sistema político democrático e à conquista - e conseqüente extensão - dos direitos políticos(direito de eleger e de ser eleito) a todos os cidadãos adultos. Os partidos políticos são organizações essenciais e imprescindíveis ao bom funcionamento da democracia, seu papel é estabelecer o elo entre a sociedade e o Estado. Eles desempenham a importante tarefa de canalizar as demandas do eleitorado e, depois, transformá-las em conteúdos políticos programáticos, de modo que possam ser plena ou parcialmente viabilizadas no plano governamental. Os partidos contribuem, ou deveriam, portanto, para a formação e a expressão da vontade e dos anseios do eleitorado. É importante lembrar que a democracia moderna está fundamentada no princípio de participação dos cidadãos a partir da escolha de representantes políticos. Estes, por sua vez, se encarregam de tomar as decisões que dizem respeito aos interesses coletivos ou públicos da sociedade, conformando o que chamamos de governo representativo. Resumindo: sem partidos políticos não há democracia! Sem o sistema partidário, os únicos métodos para chegar-se a uma mudança de governo são o golpe de Estado e a Revolução. Os partidos servem para exprimir e para formar a opinião pública. São um foco permanente de difusão do pensamento político, além de estimular os indivíduos a manter, exprimir e defender suas opiniões. 14.2 - POLÍTICA E PODER Escândalos, corrupção desinteresse. Parece que tudo acaba levando ao descrédito público com a política. De forma geral, fazer política é praticamente uma confissão de culpa: o sujeito deve estar metido em algum trambique. O sentido radical da palavra e do fazer política precisam ser resgatados. As dificuldades em se sentir representado pelo atual modelo, de ter acesso às informações referentes ao fazer público, as constantes noticias de escândalos envolvendo parlamentares e gestores públicos acabam por jogar na mesma vala todos que participam da vida pública e todos os partidos políticos, como simples instrumen- 33 ORGANIZANDO, AMPLIANDO E FORTALECENDO UMA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE tos para o enriquecimento e a operação fraudulenta de recursos. A palavra política, originária do grego pólis (politikós), se refere ao que é urbano, civil, público, enfim, ao que é da cidade (da pólis). Lá, nas cidades gregas, os cidadãos participavam de assembleias para discutir os problemas comuns á todos e tomar decisões no sentido de solucioná-los. Aristóteles, filosofo grego, identificava a política como a ciência e a arte do bem comum. Era o governo de todos, com todos e para todos. Maquiavel, pensador italiano, deu uma definição diferente de política. Em sua obra mais famosa, O Príncipe, ele define política como sinônimo de luta para conquistar e manter o poder. O conceito de poder, potentia em latim, dynamis em grego varia no tempo e em função da corrente de pensamento que trata a diversidade de pensadores que se dedicaram ao tema. Nicos Poulantzas, a partir de Marx e Lênin, e da teoria da luta de classes, chama de poder “a capacidade de uma classe social de realizar os seus interesses objetivos específicos”. É uma definição corrente entre os adeptos da teoria política marxista. Para 34 Harold Lasswell, poder é “o fato de participar da tomada das decisões”. Para Max Weber é “a probabilidade de um certo comando com um conteúdo específico ser obedecido por um grupo determinado”. Para a filósofa política alemã Hannah Arendt, o poder existe sempre que dois ou mais sujeitos se reúnem e decidem agir em conjunto. Neste processo, gera-se um espaço público, virtual e simbólico. O Dicionário de Política diz que poder é a capacidade ou possibilidade de agir, produzir efeitos, tanto por parte de um indivíduo como de grupos, sobre o comportamento de outro(s) indivíduo(s) ou grupo(s). Arendt assume que “o poder só é efetivado enquanto a palavra e o ato não se divorciam, quando as palavras não são vazias e os atos não são brutais”. O poder é a condição humana da pluralidade e pode ser dividido sem ser reduzido, pelo contrário em contexto dialético, a divisão do poder pode gerar mais poder. O exercício do poder político pode-se dar de formas variadas. Normalmente, temos duas mais comuns. O privilégio da força física para obrigar as pessoas à determinada situação ou a utilização da habilidade de convencimento, influenciando ao comportamento que se deseja. O poder político na democracia é relacional, e se dá através de relações entre indivíduos. ORGANIZANDO, AMPLIANDO E FORTALECENDO UMA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE Para Norbert Elias, sociólogo alemão, “o acesso a um conhecimento mais amplo, a maiores e mais compreensivos meios de orientação, incrementa o poder potencial dos grupos humanos”. Podemos dizer então que Política é a prática do diálogo acerca de assuntos comuns tendo em vista o alcance de objetivos pela cooperação. Alguns dizem que política é a arte do possível, mas é importante perceber que falar de política é muito mais amplo do que falar de partidos políticos e de eleições. Passa por assumirmos que somos pessoas “não-neutras” no mundo e que nos posicionamos politicamente, de maneira clara ou sem perceber, o tempo todo. Fazemos isso quando escolhemos determinado produto como consumidores que somos; quando estamos envolvidos em ações de engajamento social e em muitas outras situações. 14.3 - O PARTIDO VERDE O Partido Verde surgiu como instituição política na Tasmânia (Austrália). Um grupo de ecologistas denominado United Tasmanian Group se reuniu pela primeira vez em 1972 com o objetivo de impedir o transbordamento 35 do Lago Pedder. Mais tarde o grupo adotou o nome de Green Party (Partido Verde em inglês). Na Europa os Verdes surgiram nos anos 70 e se consolidaram como partidos políticos nos anos 80. No Brasil o Partido Verde surgiu em 1986, na cidade do Rio de Janeiro. A ideia partiu de um grupo de ecologistas, artistas, intelectuais e ativistas, principalmente do movimento antinuclear. Boa parte dos membros que ajudaram a dar origem ao PV no Brasil passou pelo exílio durante o regime militar, mantendo, nesta época, contato com os movimentos ecologistas e alternativos da Europa. O retorno dos exilados deu um forte impulso ao movimento, mas não conduziu de imediato à organização de um partido político Verde. Erroneamente, pensava se que a política Verde poderia ser executada dentro dos partidos de esquerda, tão somente. Com o fim do regime militar, em 1985, surgiu um novo ambiente político que acabou por estimular a organização política dos Verdes. Dentro dos movimentos ecologistas da época, o debate em dar forma ou não a um Partido Verde foi longo e áspero. No começo de 1986, um grupo composto por escritores, jornalistas, ecologistas, artistas e também por ex-exila- ORGANIZANDO, AMPLIANDO E FORTALECENDO UMA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE dos políticos começou a dar forma ao PV. As circunstâncias políticas da época eram muito positivas, levadas por influência das ideias ecologistas e alternativas que vinham da Europa, especialmente dos Verdes da Alemanha Ocidental. De lá pra cá, o PV se organizou em todos os estados elegendo vereadores, prefeitos, deputados e senadores, propondo uma nova forma de fazer política, integrando o homem em seu ambiente, mostrando que pobreza, injustiça social e devastação dos recursos naturais são faces da mesma moeda. Da Austrália para a Nova Zelândia, depois para Europa e hoje em todo o mundo. O Partido Verde está constituído em mais de 120 países. Durante a conferência de UNCED RIO92, a ECO 92, o PV brasileiro promoveu a primeira reunião planetária dos Verdes. Foi a primeira vez que os Verdes de todo o planeta se encontraram para trocar experiências. A partir de então se iniciou a formação das Federações de Partidos Verdes com o objetivo de cooperação, troca de experiências e consolidação programática. 36 Hoje os verdes estão organizados em 4 Federações: A Federação Eu- ropéia dos Partidos Verdes, a Federação dos Partidos Verdes das Américas, a Federação dos Partidos Verdes da África e a Federação dos Partidos Verdes da Ásia e Oceania. Em 2001, em Canberra, Austrália, aconteceu o Global Greens 2001, encontro mundial dos Partidos Verdes quando foi aprovada a Carta Verde da Terra o primeiro documento unificado dos Partidos Verdes Mundiais. O Brasil foi sede para o Global Greens 2008, que aconteceu em são Paulo e reuniu quase uma centena dos Partidos Verdes. Hoje o Partido Verde na Europa participa de vários governos e é a quarta maior bancada no Parlamento Europeu. Na Austrália é parte decisiva na política australiana tendo elegido deputados e senadores. ORGANIZANDO, AMPLIANDO E FORTALECENDO UMA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE 15 - Textos para discussão 37 ORGANIZANDO, AMPLIANDO E FORTALECENDO UMA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE 15.1 - POLÍTICA É O FIM? Marcelo Ridenti, originalmente publicado em POLÍTICA PRA QUÊ? Atuação Partidária no Brasil contemporâneo. 5ª Edição. São Paulo: Atual, 1992. Política é o fim, desabafa o personagem de uma canção de Caetano Veloso, saturado da política brasileira. Não é para menos, após séculos de colônia, dezenas de anos sob o Império escravocrata, outras décadas sob as oligarquias da República Velha, sucedida pela ditadura de Vargas. Em Seguida o populismo, culminando em vinte anos de ditadura militar, que desembocaram nos governos Sarney e Collor, cômicos 38 se não fossem trágicos. Depois de tudo isso no meio de uma crise política, social, econômica e ideológica que se converte num pesadelo inacabado, como não concluir que, de fato, ”política é o fim”? Diariamente aumentam a miséria, a criminalidade, o extermínio de crianças e adolescentes de rua, a irresponsabilidade no trânsito, o arrocho salarial, os assassinatos de líderes sindicais e políticos rurais, a agressão ao meio ambiente, o desrespeito aos direitos humanos e de cidadania. Deterioram – se as condições de educação e saúde públicas. Prevalece a impunidade para os crimes de colarinho – branco. A corrupção penetra em cada poro da sociedade. Enquanto isso, elites governamentais aplicam suas receitas econômicas e sociais de cima para baixo, com os resultados que conhecemos. Os inúmeros escândalos, concorrências fraudulentas, negociatas de todas espécies com o dinheiro público, políticos pobres que enriquecem da noite para o dia, o famoso “caixa 2” para sustentar campanhas que garantem reeleições, o poder do dinheiro comprando corações, mentes e corpos, tudo parece um círculo vicioso e corrupto da política, onde quem pode mais chora menos. É cada um por si e Deus por todos. Deus não é brasileiro? Um sambista já dizia: “ Deus dá o frio conforme o cobertor”. E, por falar em Deus, certos parlamentares brasileiros aplicam á sua maneira a máxima de São Francisco de Assis, “é dando que se recebe” – um favor ou um cargo público para cá, um voto no Congresso favorável ao governo para lá. Os cínicos dirão que fazer política é um bom negócio para os que se ORGANIZANDO, AMPLIANDO E FORTALECENDO UMA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE elegem a cargos públicos. Dá para pôr em ordem a vida da família, dos amigos e dos parentes. Não é á toa que em todas as eleições cresce o número de interessados em se candidatar a postos eletivos. Parece – lhes o meio mais fácil e rápido de subir na vida. O Trágico é que aos poucos nos acostumamos com toda essa situação. É como se ela fosse natural, inevitável. Vamos perdendo a capacidade de nos indignar. A violência do cotidiano social, político e econômico se banalizar. Fechamos nossas janelas de frente para o crime e ficamos sentados em frente da TV, “com a boca escancarada, esperando a morte chegar”, como diriam, respectivamente, Aldir Blanc e Raul Seixas. Pior, a indignação – quando aparece – tende a ser canalizado para alvos antidemocráticos: pena de morte, fechamento do Congresso Nacional, perseguição aos migrantes pobres, etc. E o risco maior é que a desilusão com os políticos e com a política redunde em apoio a um golpe de Estado, para supostamente restabelecer a ordem e a moralidade. Quem conhece um pouco de história sabe que esse desfecho e freqüente, mas a médio e longo prazos, só faz agravar a situação política. Por exemplo, os golpistas de 1964 no Brasil alegavam pretender salvaguardar a ordem democrática, eliminar os corruptos, restabelecer a moralidade no país. E o que legaram foi o inverso do que diziam pretender. “E agora, José, para onde?”, perguntaria o poeta. ”Que fazer?”, indagaria Lênin, o revolucionário russo do começo do século. Não estamos mais em época que permita ilusões de ter as respostas prontas. Não cabe, por exemplo, apontar 39 para a militância num partido dito de vanguarda, que supostamente teria a chave das leis da história, ensinando os caminhos para a libertação popular, prometendo o paraíso na Terra. Mas tampouco cabe esperar que tudo se resolva por si só, ou que o barco afunde de vez. A postura do avestruz não resolve os problemas. Resta ainda a tentação de ir embora, fazer a vida no Japão, nos Estados Unidos, na Itália, na França ou no Canadá, para logo percebemos que seremos lá o que são os nordestinos em São Paulo. Estamos condenados a viver em sociedades governadas pela lógica do dinheiro, pelo poder ORGANIZANDO, AMPLIANDO E FORTALECENDO UMA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE do capital, sejam elas mais ou menos desenvolvidas, tenham instituições menos ou mais sólidas, mais ou menos corrompidas. Ou será que pode ser diferente, que um dia “vai passar nessa avenida um samba popular”? A saída é enfrentar os problemas, procurar resolvê – los. Se não o fizemos, outros o farão, mas dificilmente em benefício coletivo. Caberá, então encarar a necessidades da atuação política consciente. Não será possível fazer omelete sem quebrar os ovos. A difícil arte 40 de fazer uma política de novo tipo consiste em envolver–se na política que está aí, sem sucumbir ou afogar- se nela. Infelizmente, não há uma receita pronta que nos mostre como fazer isso. O desinteresse político e seus beneficiários A sociedade brasileira tem sido considerada pelos analistas como despolitizada. Seus cidadãos seriam na maioria desinteressados politicamente, cada um tratando de cuidar de seus interesses particulares, deixando as decisões políticas nas mãos de técnicos e políticos profissionais do governo. O senso comum identifica a política com decisões governamentais que vêm prontas de cima para baixo, devendo ser cumpridas independentemente de nossas vontades individuais. Isso vai ao encontro do velho pensamento positivista conservador de Auguste Comte ( 1798 – 1857): “ Quão doce é obedecer quando podemos desfrutar da felicidade de estarmos desobrigados, por dirigentes sábios e ilustres, da responsabilidade premente da direção geral do nossa conduta.” Mas o obediência torna- se de fato amarga, pois os dirigentes raramente são sábios e ilustres, e, mesmo quando o são, costumam tomar decisões tendentes a privilegiar as elites, em detrimento da maioria da população. De modo que os atos do governo geralmente são impopulares, gerando insatisfação, que se transforma em decepção com a própria política e com os políticos em geral. Ao invés de perceber-se como sujeito político, que pode atuar para a transformação social, o cidadão em potencial prefere fechar – se em seu mundo privado, desencantado com a política. Esse aparente desinteresse político no fundo indica distanciamento crítico da política governamental, mas acaba parado- ORGANIZANDO, AMPLIANDO E FORTALECENDO UMA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE xalmente por reforçá –la: quem cala consente. Todos sofrem as consequências dos atos políticos do governo, que tendem a perpetuar-se caso não surja uma posição organizada e combativa contra eles. Assim, o desinteresse político, a recusa em assumir uma posição política, não deixa de significar uma tomada de posição política, que referenda a ordem estabelecida, como se ela fosse natural e inevitável. O desprezo pela política, ao invés de negar a política que é feita, acaba garantindo a sua continuidade. 41 ORGANIZANDO, AMPLIANDO E FORTALECENDO UMA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE 15.2 - AMBIENTALISTA É A MÃE Washington Novaes (Publicado originalmente no jornal “O Pasquim 21”, dia 26/02/2002). Não há nada mais irritante que ser chamado de ambientalista. Como se o mundo pudesse ser dividido entre ambientalistas e não-ambientalistas. Como se os primeiros fossem seres mais ou menos excêntricos, preocupados com florzinhas, passarinhos e verdinhos. E os segundos, seres despreocupados, porque o que comem não vem do meio ambiente e nele não tem repercussões, o carro que usam não gerasse poluentes e não contribuísse para mudanças climáticas, a casa que moram não fosse feita de materiais retirados ambiente e com conseqüências 42 do dessa retirada, o computador que usam não utilizasse energia retirada do ambiente, a água que consomem não estivesse no ambiente, sem relação com o que se faça ao redor. E assim por diante. Mas a despreocupação é muito vantajosa, permite agir - como político, como empresário, como cidadão - como se nada estivesse repercutindo no meio ambiente - no solo, na água, no ar, nos seres vivos. E assim continuar a ganhar a vida, ganhar dinheiro, despreocupado, transferindo os custos para a sociedade. E, nesta, para os que podem menos. Pior ainda é ser considerado jornalista e ambientalista. Como se fosse possível ser jornalista num mundo sem relações complexas com o entorno. Fazendo de conta que o planejamento dos transportes no governo não afetasse os lugares onde as obras vão acontecer. Que o ordenamento financeiro não destinasse mais ou menos recursos para esta ou aquela área e que isso tenha consequências no ambiente. Que a agricultura se exerça num espaço abstrato, sem efeitos no solo, na água, no ar. Que a educação não tenha nada a ver com isso, não precise ensinar às pessoas as repercussões de cada ato, cada gesto, em sua vida. Que a saúde também se exerça num espaço abstrato, sem relação com o que se come, se bebe, se respira - e se evacua. Que cada ser humano não consuma 200 litros de água por dia, em média, e produza o mesmo tanto de efluentes (esgotos), acrescido de suas fezes (pelo menos 250 gramas/dia) e que estas não afetam o ambiente. Depois de tantas abstrações, seria possível exercer o jornalismo esquecendo também que os modos inadequados de viver estão gerando ameaça de mudanças climáticas. Que um bilhão de pessoas já sofrem com a falta de água em boas condições. Que dois bilhões e meio não tem rede de esgotos. Que a chamada crise da água é a pior deste século e já provoca guerra entre países. Que o desmatamento de florestas ORGANIZANDO, AMPLIANDO E FORTALECENDO UMA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE tropicais continua a avançar à razão de 150 mil quilômetros quadrados por ano. Que essa é uma das principais causas da desertificação que avança 60 mil quilômetros quadrados por ano e já abrange um terço das terras agricultáveis do planeta. Que a erosão do solo pela agricultura provoca a perda de 23 bilhões de toneladas de solo fértil por ano (um bilhão no Brasil). Que tudo pode agravar-se porque a tendência é passarmos dos 6 bilhões de pessoas de hoje para 8,5 ou 9 bilhões em 50 anos. Seria possível fazer de conta que não se viu o relatório do programa das Nações Unidas para o meio ambiente e WWF, no começo de 2001, dizendo que já estamos consumindo 42,5% acima da capacidade de reposição da biosfera e aumentando o déficit de 2,5% ao ano. Que se todos os habitantes do planeta consumissem como os norte-americanos ou europeus, precisaríamos de três planetas como a terra, e não um. Que já estamos falidos, gastando mais que o orçamento e agravando o déficit. Seria possível esquecer que os países industrializados, com 19% da população, consomem 85% do que se produz no mundo e respondem por outro tanto do comércio mundial. Que na chamada era do conhecimento eles detêm 90% das patentes novas requeridas no planeta. Que as três pessoas mais ricas do mundo têm ativos superiores ao PIB (Produto Interno Bruto) dos 48 países mais pobres do mundo, onde vivem 600 milhões de pessoas (Relatório do Desenvolvimento Humano do PNDU, ONU). Que pouco mais de duzentas pessoas, com ativos superiores a US$1 bilhão cada, detêm, juntas, mais que a renda de 45% da humanidade, 2,7 bilhões de pessoas. Se for possível esquecer tudo isso, também prefiro não ser ambientalista, viver e dormir mais tranquilo todos os dias. Se não for, terei de continuar, como há 45 anos, preocupando-me profissionalmente com essas coisas, tentando entender a relação entre elas e as atividades humanas, para transmitir aos pou43 cos os que têm paciência de ler, ouvir, ver. ORGANIZANDO, AMPLIANDO E FORTALECENDO UMA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE 15.3 - O PARTIDO POLÍTICO Antônio Gramsci (Cientista político italiano) Quando é que um partido se torna “necessário” historicamente? Quando as condições para o seu “triunfo”, para sua inevitável transformação em Estado, estão ao menos em via de formação e permitem prever normalmente os seus desenvolvimentos ulteriores. Mas quando se pode dizer, em tais condições, que um partido não pode ser destruído por meios normais? Para responder a esta questão, é necessário desenvolver um raciocínio: para que um partido exista é necessária 44 a convergência de três elementos fundamentais (isto é, três grupos de elementos): 1. Um elemento difuso de homens comuns, médios, cuja participação é dada pela disciplina e pela fidelidade e não pelo espírito criativo e altamente organizativo. Sem este grupo o partido não existiria, é verdade, mas é também verdade que o partido não existiria “somente” com eles. Eles constituem uma força na medida em que houver quem os centralize, organize, discipline. Na ausência dessa força de coesão, eles se anulariam e se dispersariam em uma poeira impotente. Não é questão de negar que cada um desses elementos possa transforma-se em uma das forças coesivas, mas estamos falando precisamente do momento em que eles não o são e não estão em condições de sê-lo ou, se o forem, o serão somente em um círculo restrito, politicamente ineficiente e sem consequência; 2. Elemento principal de coesão que centraliza no plano nacional, que torna eficiente e potente um conjunto de forças que, sozinhas, valem zero ou poucos mais. Este elemento é dotado de força altamente coesiva, centralizadora e disciplinadora e até – talvez por isso mesmo – “inventiva” (se entendermos a inventividade em certa direção, segundo as linhas de força, perspectivas e mesmo certas premissas). É verdade que sozinho ele também não formaria um partido, mas teria mais condições de formá-lo que o primeiro elemento considerado. Fala-se de capitães sem exército, mas na verdade é mais fácil formar um exército do que formar capitães. Tanto isso é verdade que mesmo um exército já formado pode ser destruído se lhe faltam os capi- ORGANIZANDO, AMPLIANDO E FORTALECENDO UMA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE tães, enquanto a existência de um grupo de capitães harmônico, coeso entre si, com objetivos comuns pode rapidamente formar um exército, mesmo onde não existe nada; 3. Um elemento médio, que articule o primeiro com o segundo, que os coloque em contato não só ”físico”, mas moral e intelectual. Na realidade, para cada partido existem ”proporções definidas” entre esses três elementos e o máximo de eficiência são atingidos quando tais ”proporções definidas” se realizem. Depois destas considerações, podemos dizer que um partido não pode ser destruído por meios normais quando o segundo elemento – cujo nascimento é ligado á existência de condições matérias objetivas – existe necessariamente (e, se esse segundo elemento não existir, todo raciocínio é vazio), mesmo em um estado disperso e errante. Então os outros dois não podem deixar de se formar, isto é, o primeiro elemento que necessariamente cria o terceiro como sua continuação e meio de expressão. É preciso, para que isso aconteça que se forme a convicção férrea de que uma determinada solução dos problemas é necessária. Sem esta convicção, o segundo elemento, cuja destruição é mais fácil por seu pequeno número, não se formará. Mas é necessário que este segundo, se for destruído, tenha deixado como herança um fermento que permita que ele se refaça. E onde este fermento poderá subsistir e se formar melhor do que no primeiro e no terceiro elementos, que são da mesma natureza que o segundo? A atividade que o segundo elemento vai dedicar á constituição desse fermento é, então fundamental: o critério de julgamento deste segundo elemento dever ser procurado primeiro naquilo que ele realmente 45 faz e, depois, naquilo que prepara para enfrentar a hipótese de sua própria destruição. É difícil dizer qual destas duas atividades é mais importante, pois na luta deve-se sempre prever a derrota e a preparação dos próprios sucessores é tão importante quanto aquilo que se faz para obter a vitória. ORGANIZANDO, AMPLIANDO E FORTALECENDO UMA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE Anotações: _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ 46 _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ ORGANIZANDO, AMPLIANDO E FORTALECENDO UMA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE É fogo Lenine (Cantor e compositor pernambucano) Composição: Lenine / Carlos Rennó Éramos uma pá de apocalípticos, De meros hippies, com um falso alarme... Economistas, médicos, políticos Apenas nos tratavam com escárnio. Nossas visões se revelaram válidas, E eles se calaram mas é tarde. As noites tão ficando meio cálidas... E um mato grosso em chamas longe arde O verde em cinzas se converte logo, logo... É fogo! é fogo! Éramos uns poetas loucos, místicos Éramos tudo o que não era são; Agora são com dados estatísticos Os cientistas que nos dão razão. De que valeu, em suma, a suma lógica Do máximo consumo de hoje em dia, Duma bárbara marcha tecnológica E da fé cega na tecnologia? Há só um sentimento que é de dó e de Malogro... É fogo... é fogo... Doce morada bela, rica e única, Dilapidada só como se fôsseis A mina da fortuna econômica, A fonte eterna de energias fósseis, O que será, com mais alguns graus celsius, De um rio, uma baía ou um recife, Ou um ilhéu ao léu clamando aos céus, se os Mares subirem muito, em tenerife? E dos sem-água, o que será de cada súplica, De cada rogo É fogo... é fogo... Em tanta parte, do ártico à antártida Deixamos nossa marca no planeta: Aliviemos já a pior parte da Tragédia anunciada com trombeta. O estrago vai ser pago pela gente toda; É foda! é fogo!... É a vida em jogo! 47 ORGANIZANDO, AMPLIANDO E FORTALECENDO UMA CÉLULA ZONAL DO PARTIDO VERDE Somos a maioria Herbert Daniel 48 Somos a maioria Somos quem quer a paz Somos quem acha que machismo não é papel de homem Somos quem quer que as mulheres tenham lugar em todos os lugares da vida Somos quem não quer ver rios assassinados Somos quem não quer uma escola que prenda, Somos quem quer um ensino que aprenda da vida. Somos quem não quer a tecnologia da doença mas a arte da saúde. Somos quem não quer cultura popular domesticada. Somos quem quer rádios livres, televisões livres, ouvintes livres. Somos quem quer nuclear nossas energias, para não mais precisar de energia nuclear. Somos quem não quer ser exportador de morte feito aço de canhão. Somos quem quer menos leis, porem melhores e mais justas. Somos quem não quer ser obrigado a sempre escolher entre coisas que não quer. Somos quem quer. Somos contra quem só pode mandar e impedir. Somos quem faz. Somos todos nós, quem cria. E quem faz, não precisa mandar nem pedir. Faz. Herbert Daniel, jornalista, escritor e sociólogo foi um dos fundadores do Partido Verde.