ANAIS DO III ENCONTRO CIENTÍFICO NACIONAL DE PESQUISADORES EM DANÇA
Comitê Dança em Configurações Estéticas – Maio/2013
EXPERIÊNCIAS PROFISSIONAIS NA
UFRJ - ARRISCADO: UM DIÁLOGO
ENTRE DANÇA E ACROBACIA
AMANDA SANTANA, BEATRIZ BELOS, BEATRIZ PIZARRO, CARLOS
VINÍCIUS RANGEL, EMANUELLE ROCHA, FERNANDA NOVAES, JÉSSICA
LIMA, LUANA GARCIA (UFRJ).
ISABELA BUARQUE (Or. /UFRJ)
RESUMO
O projeto de pesquisa Arriscado: um diálogo entre dança e acrobacia, busca
aprofundar as relações entre essas duas experiências artísticas, a partir de
propostas que permeiam a teoria e a prática. Configura-se como uma
oportunidade de investigação e aprofundamento profissional, já que promove
ampliação de vocabulário técnico e estimula os meios criativos. Trabalhamos o
estudo das origens e o percurso tanto da arte circense quanto da dança
contemporânea, com o intuito de entender de que maneira ambas dialogam
atualmente, mesclando-se e tornando-se uma só dança. O desafio é descobrir
como construir uma dança virtuosa e acrobática, mas que, ao mesmo tempo,
seja imbuída de expressividade e poética. A proposta deste grupo é compor um
trabalho prático que exponha os riscos permanentes que a vida nos coloca.
PALAVRAS-CHAVE: Dança, Contemporâneo, Acrobacias.
ARRISCADO: A DIALOGUE BETWEEN DANCE AND
ACROBATICS
ABSTRACT
Arriscado: a dialogue between dance and acrobatics, is a research project that
looks for deepening the relations between these two artistical experiences, from
proposals that permeate the theory and practice. It’s configured as an oportunity
of investigation and professional deepening, since it promotes expansion of
technical vocabulary and stimulates creatives ways. We work the study of
origins and the route of both circus art and contemporary dance, with the
intention of understanding how both dialogue nowadays, merging and becoming
one dance. The challenge is to find the way to create a virtuous and acrobatic
dance, but that, at the same time, is imbued with expressivity and poetic. The
proposal of this group is to compose a practical work that exposes the
permanent risks that life puts us on.
KEYWORDS: Dance, Contemporary, Acrobatics.
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O projeto de pesquisa Arriscado teve como impulso para a sua criação o
desejo dos alunos em dar continuidade a uma prática presente na disciplina
Fundamentos da Ginástica Artística, obrigatória para o Curso de Bacharelado
em Dança da UFRJ e eletiva para os outros dois cursos, Licenciatura em
Dança e Bacharelado em Teoria da Dança. Apesar deste fato, a presença
desses alunos na disciplina é muito frequente. Ministrada pela Professora
Mestra Isabela Buarque, a disciplina tem por objetivo apresentar os
fundamentos da Ginástica Artística de forma que possa se configurar como
uma possibilidade criativa ao intérprete da dança. Assim, o contato com as
acrobacias, tanto individuais, quanto de grupo, tem o intuito de expandir o
repertório de movimento dos alunos e instigá-los sobre como cada um pode
trazer esses elementos para a sua dança, tornando-os parte de sua expressão.
Devido ao interesse dos alunos nessa pesquisa e nas descobertas
recorrentes nos produtos finais da disciplina, ou seja, criações coreográficas
como trabalho de conclusão da disciplina (em diferentes períodos), Isabela
Buarque criou o projeto de pesquisa, dialogando com o desejo dos alunos em
estudar a acrobacia. O projeto conta com alunos das três graduações e hoje é
formado por dez alunos que dividem as tarefas dentro do grupo.
Além da curiosidade sobre a proposta de investigação, estar num projeto
de pesquisa dentro da Universidade configura-se como uma oportunidade
acadêmica e profissional, que permite aprofundar os conhecimentos do curso
pela experiência prática e ainda investir teórica, técnica e artisticamente nas
respectivas carreiras. O que permite esse desenvolvimento é a maneira como
se dá a participação dos alunos dentro do projeto. É ofertada a experimentação
de diversos papéis, pois não assumimos apenas o lugar de intérpretes, mas
também de professores, pois damos aula uns para os outros, de
pesquisadores, através da discussão de textos e participação em congressos e
encontros de dança, e de criadores, atuando no processo de composição
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coreográfica.
Ou
seja,
aprendemos
várias
funções
que
poderemos
desempenhar na vida profissional.
A pesquisa visa compreender e aprofundar as relações entre dança
contemporânea e acrobacia, como mencionado anteriormente. Partimos do
entendimento de que a dança contemporânea se encontra no lugar da
multiplicidade. Segundo Ana Maria de São José (2011: 2):
a possibilidade de criar, inovar, romper com normas, regras e padrões
hierárquicos, de se diferenciar e ser diferenciado (...), demonstrando
seu modo de ver-sentir-pensar e estar em comunicação com a
realidade e com o mundo.
Nesse sentido, não corresponde à dança contemporânea um conceito
fechado, mas sim um espaço para uma diversidade de técnicas e estilos e,
principalmente, para o diálogo entre manifestações artísticas e diferentes
estéticas.
Desta forma, em torno de um desejo comum, buscamos trazer algo que
se destaque das práticas habituais em nosso ambiente acadêmico. Para isso,
relacionamos com a expressão corporal os elementos acrobáticos do circo e da
ginástica, partindo das relações de contatos e apoios para criação coreográfica
e da incorporação de elementos eminentemente gímnicos como invertidas,
rolamentos e princípios de flexibilidade e força de ambas as práticas.
Estas práticas corporais geralmente trazem como característica
marcante o virtuosismo dos movimentos, que se configura como ponto
determinante do nosso estudo: não só encontrá-lo através da dificuldade dos
elementos acrobáticos, mas também através da intensidade dos gestos e da
entrega do intérprete na potência máxima do corpo. Essa potência, de que
falamos, está relacionada tanto ao movimento quanto à expressividade, à
intenção que se coloca em cena.
A expressividade da nossa pesquisa é o risco em todas as suas
possibilidades, presente em várias instâncias e particularidades. Procurando
inseri-lo na cena, o risco encontra-se nas movimentações entre os intérpretes,
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não só através do exercício dos corpos, mas também por jogos corporais e
disposições espaciais. De uma forma geral, o risco é o enredo deste trabalho,
pois buscamos evidenciar como ele está presente no nosso cotidiano, através
das relações interpessoais e do indivíduo com ele mesmo.
Nossos encontros ocorrem duas vezes na semana com duração de
aproximadamente três horas cada, dividindo-se em técnicas variadas e
acrobacia. Estabelecemos um rodízio de aulas, em que cada um levou uma
técnica ou estilo de dança. Assim, visitamos o balé, a dança contemporânea, o
hip hop, a dança do ventre e o jazz. Acreditamos que, num primeiro momento,
essa variedade proporcionou a descoberta de corpos com múltiplas potências e
disponibilidade, corpos híbridos.
Na sequência das aulas, ocorrem os laboratórios, cuja finalidade ou cujo
processo depende daquilo que necessitamos em determinado momento. O
primeiro laboratório que tivemos foi o que deu início à composição coreográfica
do fragmento que temos hoje. Ele se deu ainda no período de seleção para o
projeto e foi proposto que compuséssemos uma sequência coreográfica que
expressasse o que era o risco para nós. Daí iniciaram-se as relações e as
frases de movimento que se mantêm até hoje. No segundo laboratório, a
sequência em grupo a partir de uma letra de música, apenas com o estímulo
textual. Buscamos encontrar nas letras o risco e interpretá-los, expressando-os
pelo movimento. Depois, a melodia foi acrescentada e ouvimos várias versões
das mesmas músicas, percebendo as diferentes nuances que cada uma
poderia ter.
Os laboratórios que se sucederam auxiliaram na ampliação do nosso
estado de cena e no aprimoramento do fruto dos laboratórios anteriores. Eles
foram essenciais para um dos pontos-chave de nossa pesquisa: não deixar que
a poética se perca nos movimentos, mas pelo contrário, trazê-la e deixá-la
latente por meio deles. Foi um desafio deixar as sensações vazarem pelo olhar
e pela expressão corporal e também manter viva a ideia do risco, alargando
cada vez mais os nossos limites na execução da coreografia já incorporada.
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A repetição dos ensaios foi fundamental para aumentar o fluxo e
desenvolver as relações dentro da cena, já sendo perceptível um grande
crescimento e o entendimento na prática daquilo que acreditamos e que é o
foco de nosso estudo.
Pretendemos, como objetivo maior, a montagem de um espetáculo
completo. Até o atual momento, temos como resultados a cena chamada
Primeiros Riscos, que conta com uma música produzida por Bruno Costa
especificamente para ela, fazendo com que as nuances destacadas pelos
intérpretes sejam potencializadas.
Referências
DE SÃO JOSÉ, Ana Maria. Dança Contemporânea: Um conceito possível? V
COLÓQUIO INTERNACIONAL “EDUCAÇÃO E CONTEMPORANEIDADE”.
São Cristovão-SE/Brasil. 2011.
BRASILEIRA, Lívia Tenorio e MARCASSA, Luciana Pedrosa. Linguagens do
corpo: dimensões expressivas e possibilidades educativas da ginástica e da
dança. Pro-posições, v.19, n.3 (57) -set/dez- 2008.
DE ARAÚJO, Leila Bezerra. Significados de um processo de criação em dança.
V Reunião Científica De Pesquisa E Pós-Graduação Em Artes Cênicas. 2007.
BUARQUE, Isabela Maria A. G. Investigando a presença da linguagem
circense na Dança Contemporânea. Monografia apresentada como requisito
parcial à Obtenção do Grau de Bacharel em Dança pela Universidade Federal
do Rio de Janeiro. 2006.
SANTANA, Gabriela Santos Cavalcante. Um estudo sobre conexões entre
capoeira e dança: Pesquisas de linguagens híbridas. IV ENECULT- Encontro
de Estudos Multidisciplinares em Cultura, Escola de dança da UFBA. 2008.
Amanda Santana
Intérprete, graduando em Bacharelado em dança pela UFRJ.
E-mail: [email protected]
Beatriz Belos
Intérprete, graduando em Licenciatura em dança pela UFRJ.
[email protected]
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Beatriz Pizarro
Intérprete, graduando em Bacharelado em dança pela UFRJ.
[email protected]
Carlos Vinicius C. Rangel
Intérprete, graduando em Licenciatura em dança pela UFRJ.
[email protected]
Emanuelle Rocha
Intérprete, graduando em Bacharelado em dança pela UFRJ.
[email protected]
Fernanda Novaes
Intérprete, graduando em Bacharelado em dança pela UFRJ.
[email protected]
Jéssica Lima
Intérprete, graduando em Bacharelado em dança pela UFRJ.
[email protected]
Luana Garcia
Intérprete, graduando em Bacharelado em dança pela UFRJ.
[email protected]
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