A SATISFAÇÃO DOS PROFISSIONAIS CONTADORES: UM ESTUDO APLICADO EM ESCRITÓRIOS DE CAMPO MOURÃO Dayana Vitória Alflen, Unespar – Câmpus de Campo Mourão, [email protected] Ligiane Louback, Unespar – Câmpus de Campo Mourão, [email protected] Jorge Leandro Delconte Ferreira,(OR), Unespar – Câmpus de Campo Mourão , [email protected] RESUMO: O dinamismo do ambiente de trabalho da Contabilidade, com alterações muito frequentes na legislação e nos procedimentos a serem adotados, implica muito esforço do profissional de Contabilidade para se manter atualizado no mercado. Diante disso, a pesquisa vem analisar a satisfação dos profissionais contábeis, levando em consideração como eles conciliam a vida pessoal com a profissão, estimulando os próprios entrevistados a refletir sobre sua satisfação no trabalho. A pesquisa analisou a satisfação dos profissionais contadores dos escritórios da cidade de Campo Mourão - Paraná, baseado em sete variáveis: perfil, a satisfação com os colegas de trabalho, com o salário, com o sucesso entre a vida profissional e pessoal, com a natureza do trabalho, com as promoções e com o escritório. Para tanto, foi realizada uma pesquisa descritiva, com abordagem quantitativa, que visou verificar o grau de satisfação por cada dimensão. Os dados foram coletados por meio de entrevista direta com profissionais dos escritórios de Contabilidade de Campo Mourão - PR. De acordo com as análises, na média os Contabilistas estão satisfeitos em todas as dimensões. Contudo, os dados sugerem a ocorrência de insatisfação em três das dimensões: satisfação com promoções, satisfação com o salário e satisfação com a natureza do trabalho. Palavras-chave: Satisfação no Trabalho. Insatisfação. Contador. INTRODUÇÃO Atualmente o Brasil aumentou seu índice de progresso social, expresso em moradia, educação, trabalho. Porém, a qualidade de vida no trabalho vem sendo uma preocupação, uma vez que o bem-estar profissional influencia o indivíduo no alcance dos seus objetivos. Isso é importante, porque os prestadores de serviço em geral são cada vez mais cobrados por produtividade, eficiência e resultados. Nesse sentido, Marion (2003, p. 22) reforça que “com relação aos profissionais de Contabilidade, é evidente que deverão se aprimorar cada vez mais para enfrentar uma sociedade empresarial carente de apoio e acompanhamento”. Complementando o argumento, Silva (2003, p. 33), declara que “os conhecimentos e as habilidades que o Contador possui têm o seu valor nesse mercado: cabe então a esse profissional estar ciente do que ele precisa saber e ser para que possa competir no mesmo”. Uma questão a ser discutida é como fazer para se adaptar como indivíduo a uma carreira nesse complexo mercado de trabalho e se antecipar às mudanças. Quanto a esse aspecto, Silva (2003) constata que aquele que desejar se tornar um Contador deverá conhecer o novo perfil que o mercado requer e estar propenso a investir cada vez mais no desenvolvimento de sua carreira. Essa manifestação não deve passar somente pelo aspecto do mercado de trabalho, mas o indivíduo deve levar em consideração seus valores e aptidões, inserido em um momento econômico e social dentro de suas características, antecipando-se às novas tendências, inovando e, cada vez mais, capacitando-se. IX EPCT – Encontro de Produção Científica e Tecnológica Campo Mourão, 27 a 31 de Outubro de 2014 ISSN 1981-6480 Quanto mais intensas essas ações, menor será a visão de que o contador é apenas um lançador de débito e crédito. Nesse cenário, o contador é pressionado a mudar constantemente e a buscar novos conhecimentos diariamente para a profissão, às vezes, deixando de lado até mesmo, sua vida pessoal. Dessa forma, o problema da pesquisa investigado neste trabalho é expresso pela seguinte pergunta: Qual o nível de satisfação dos contadores que trabalham nos escritórios de prestação de serviços contábeis da cidade de Campo Mourão? A pesquisa, portanto, é orientada para o tema Satisfação dos Contadores no Exercício da Profissão. O objetivo geral deste trabalho é identificar o nível de satisfação declarada pelos contadores no exercício da atividade profissional nos escritórios de Contabilidade de Campo Mourão. Como desdobramento desse objetivo geral buscou-se evidenciar as características sócio-econômicas dos contadores entrevistados, bem como mensurar a satisfação declarada nas seguintes dimensões: com os colegas de trabalho, com o salário, com o equilíbrio entre vida profissional e pessoal, com a natureza do trabalho, com as promoções e com o escritório. Além desta seção introdutória, o trabalho está organizado em mais cinco seções. A próxima seção apresenta conceitos e definições sobre o profissional contábil e sua área de atuação. Em seguida, é discutido o tema satisfação, apresentando conceitos e formas de mensuração. A quarta seção apresenta os procedimentos metodológicos que orientaram este trabalho. Na sequência, os resultados são apresentados e discutidos, reservando-se a última seção para conclusões e considerações finais. O PROFISSIONAL CONTÁBIL O Contador é o profissional responsável pelo zelo do patrimônio dos seus clientes. Isso implica um conjunto bastante extenso de atividades, como elaborar declarações, demonstrativos, relatórios, entre outros documentos, para se obter o controle do que entra e o que sai, como no caso do caixa, bancos, avaliando assim os ativos da empresa, de forma que o patrimônio possa ser adequadamente mensurado e representado. Portanto o profissional contábil é imprescindível, devido a sua capacidade técnica de avaliar o patrimônio, bem como orientar. Segundo Drummond (1995, p. 78, apud Zanna, 2007, p. 87): O profissional de Ciências Contábeis deve ser, portanto, o especialista que conheça a doutrina e a técnica e, principalmente, o pensamento contábil. Deve ser um analista, um pensador, buscando assumir a responsabilidade social que lhe é imputada perante a entidade e a sociedade que a cerca, possuindo isenção para praticar a sua profissão e revelando seu valor por sua existência, sua fala e sua ação. A função básica do contador é produzir informações úteis aos usuários da contabilidade para tomada de decisões. Entretanto, no caso brasileiro, em alguns segmentos de economia, principalmente IX EPCT – Encontro de Produção Científica e Tecnológica Campo Mourão, 27 a 31 de Outubro de 2014 ISSN 1981-6480 na pequena empresa, a função do contador foi distorcida, estando voltada exclusivamente para satisfazer às exigências do fisco. (Marion, 2009). Essa distorção prejudica a função social do contador, explicada por Montaldo (1995, p. 32), que enfatiza que o contador: (...) deve desempenhar aqui um papel importante nas negociações inter-regionais, assessorando, pesquisando, trazendo informações e elementos que assegurem o fluxo de informação contínua, que leva a uma tomada de decisão racional, devendo oferecer um serviço socialmente útil e profissionalmente eficiente, que não seja apenas fruto da experiência e da formação universitária recebida, mas também de seu compromisso de incrementar e renovar constantemente o caudal de seus conhecimentos em prol da unidade regional. Em concordância com essa visão, o CRC afirma que o contabilista necessita focar situações estratégicas, estar preparado para ser um gerente de informações. Cada vez mais é comum as empresas consultarem os profissionais contábeis sobre composição de seus custos, para formação seu preço de venda, análise de ponto de equilíbrio, alavancagem financeira, análises do balanço e outras situações gerenciais. Conforme divulgado no Portal da Contabilidade (2014, on line): Os contabilistas têm tudo para serem extremamente importantes nas organizações, pois, além de suas funções tributárias (o que, por si só, já o remetem a administrar quase 40% do faturamento de uma empresa), poderão trazer para a organização um leque de análises, informações e ideias que podem significar a diferença entre o sucesso e o fracasso empresarial. Num mundo competitivo e global, quem errar em custos e formação de preços, fluxo de caixa e gestão de crédito, está fadado ao fracasso. Contudo, preocupado em atender às inúmeras exigências principais e acessórias dos fiscos (municipal, estadual e federal), o contador às vezes não dispõe de tempo para situações que demandam análises estratégicas, o que o tornaria, de fato, um gestor de informações. No entanto, a atuação como responsável pela prestação de serviços de escrituração não é a única alternativa profissional de um bacharel em Ciências Contábeis. A Contabilidade é uma das áreas que mais proporcionam oportunidades profissionais. Segundo Silva, (1994, p.22 apud Zanna 2007), as principais especializações da Contabilidade são: Controle Contábil, Contabilidade de Custos, Contabilidade Gestorial, Análise de Balanços, Auditoria e Pericia Contábil. Mas o estudante que optou por um curso superior de Contabilidade, tem inúmeras alternativas de atuação profissional, entre as quais: • Contador: exerce as funções contábeis, sejam elas, financeira, gerencial e administrativa; • Auditor: verifica a exatidão dos procedimentos contábeis, sendo ele não empregado na empresa (independente) ou empregado na empresa (interno); • Analista Financeiro: analisa a situação financeira da empresa; • Perito contábil: verifica os registros contábeis, solicitado pela justiça; IX EPCT – Encontro de Produção Científica e Tecnológica Campo Mourão, 27 a 31 de Outubro de 2014 ISSN 1981-6480 • Consultor Contábil: se restringe a ajuda profissional, quanto a duvidas em relação a exportação, setor fiscal, informática e etc; • Professor de Contabilidade: Exerce o magistério; • Pesquisador Contábil: explora e investiga a contabilidade; • Cargos Públicos: realizam concursos, tanto na área Federal, Estadual e na Municipal; • Cargos Administrativos: cargos de assessoria, chefia, gerência e até mesmo diretoria. Segundo Marion e Santos (2014), o contador dos dias atuais deve estar em constante evolução, pois, além de uma série de atributos indispensáveis nas diversas especializações da profissão contábil, não é mais possível sobreviver no momento atual com aquela postura de escriturador, ‘guarda-livros’, ‘despachante’ e atividades burocráticas de maneira geral. Nesse sentido, convém destacar a diferença do bacharel em Ciências Contábeis e do Técnico em Contabilidade. Os contadores são os que se formam ou concluem o curso de nível superior, já os técnicos, apenas fizeram o curso técnico em contabilidade. Mas ambos, para exercer o cargo e realizar funções de contador, devem realizar o exame de suficiência adquirindo o registro no CRC. SATISFAÇÃO NO TRABALHO Apesar de os estudos sobre satisfação terem se iniciado na década de 1930, foi entre as décadas de 1970 e 1980 que a satisfação no trabalho passou a ser uma característica importante e bastante considerada nas organizações, exigindo maior responsabilidade social por parte das empresas e despertando muito interesse entre pesquisadores. De acordo com Spector (2003, p. 221), a satisfação no trabalho é uma variável de atitude que mostra como as pessoas se sentem em relação ao seu trabalho, seja no todo, seja em relação a alguns de seus aspectos. Para Pereira (2004) quando se avalia a satisfação, devem-se usar uma variável bipolar ou duas variáveis distintas, satisfação e insatisfação. Isso porque o oposto da satisfação é a não satisfação e o da insatisfação é a não insatisfação. Com isso, um mesmo fator pode gerar tanto satisfação quanto insatisfação. Quando se discute sobre satisfação no trabalho, não raro se percebe que poucos indivíduos estão completamente satisfeitos. White (1992, p. 14) considera que: (...) quando discutimos este dilema com as pessoas, verificamos que poucos estão completamente satisfeitos com o seu trabalho e poucos sabem onde o trabalho deve condizer com as demais coisas de suas vidas. Os conflitos pessoais, trabalho excessivo, ambição excessiva, pressões financeiras, receio de desemprego, tédio, falta de oportunidade e incontáveis outros problemas atormentam sua existência. Alguns gostam de trabalhar em demasia, e negligenciam a família; outros detestam o IX EPCT – Encontro de Produção Científica e Tecnológica Campo Mourão, 27 a 31 de Outubro de 2014 ISSN 1981-6480 trabalho, e receiam a vida diária; alguns ignoram os problemas e atravessam o dia como robôs. No entanto, há correntes de pensamento que afirmam que a insatisfação pode ser ainda maior do que a revelada pelas pesquisas. Segundo Friedmann (1972, p. 168): (...) há os que não se confessam sua insatisfação, como se dizem e se crêem felizes e satisfeitos em seu trabalho, sem o serem realmente. De resto, a experiência psicanalítica demonstra que o sentimento de estar insatisfeito no trabalho, e mesmo infeliz, pode ser profundamente reprimido, como o é no casamento, onde se vêem numerosos casais que não querem confessar a si próprios, nem aos outros, sua inadaptação conjugal e o insucesso de seu lar. Não obstante, malgrado a expressão oral da satisfação, sintomas, que não escapam ao analista, como os sonhos, a tensão nervosa, a insônia, a fadiga geral, a hipertensão arterial, as úlceras e outras manifestações psicossomáticas, podem revelar a existência destes sentimentos inconscientes. Jardim, Silva e Ramos (2004), apud Jesus e Jesus (2012) defendem a satisfação no trabalho como um componente da motivação que leva o trabalhador a apresentar indicadores de comportamentos importantes para os interesses da organização, tais como o aumento da produtividade, o compromisso com suas atribuições, a permanência na empresa e a ausência de faltas ao trabalho. Ainda segundo os autores, a satisfação no trabalho é uma ‘causa’ de comportamento no trabalho. Para Spector (2003), no estudo da satisfação no trabalho existem duas abordagens: i) A abordagem global que, considera a satisfação no trabalho como um sentimento único, como um todo, apresentando um único índice geral da satisfação; e ii) A abordagem em facetas ou aspectos. Assim, a satisfação global pode ser interpretada como um índice geral da satisfação ou como um índice de diferentes facetas. Um fator importante a ser destacado, é que os motivos que podem gerar satisfação em uma determinada cultura, não necessariamente são os mesmos fatores que geram satisfação em outras culturas. Spector (2003, p. 224) diz que pessoas apresentam sentimentos diferentes em relação ao trabalho, isso envolve valores básicos que variam de local para local. A variação também pode ocorrer de indivíduo para indivíduo, fazendo com que nem tudo que é satisfação para uma pessoa, pode ser para outra e vice versa. METODOLOGIA Os procedimentos metodológicos elencados em um trabalho de pesquisa objetivam detalhar os procedimentos que serão realizados. Por isso, é necessário definir a tipologia da pesquisa de forma a se adequar ao problema de pesquisa formulado (BEUREN, 2009). Nesse sentido, Lakatos e Marconi (2007) dizem que a especificação da metodologia de pesquisa responde, a um só tempo, às dúvidas IX EPCT – Encontro de Produção Científica e Tecnológica Campo Mourão, 27 a 31 de Outubro de 2014 ISSN 1981-6480 sobre como, com quem e quando foi realizada a pesquisa. Dessa forma, serão detalhadas nesta seção a tipologia da pesquisa, a coleta e o tratamento dos dados. Tipologia da Pesquisa Uma das coisas essenciais em uma pesquisa é definir sua tipologia, ou seja, classificá-la. Segundo Beuren (2009), podem-se classificar as pesquisas segundo três principais critérios. Quanto aos objetivos, a pesquisa se divide em exploratória, descritiva ou explicativa. Em relação aos procedimentos, os principais tipos são o estudo de caso, o levantamento, a pesquisa bibliográfica, documental, participante e experimental. Por fim, a abordagem do problema pode ser qualitativa ou quantitativa. Quanto aos objetivos do problema, esta pesquisa tem natureza descritiva, pois visa descrever aspectos sócio-econômicos dos entrevistados, bem como sua percepção em relação à própria satisfação profissional. Segundo Gil (2008), as pesquisas descritivas visam principalmente à descrição das características de determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis. A pesquisa, quanto aos procedimentos, é classificada como de levantamento, pelos procedimentos que envolvem investigação com base em entrevistas diretas com o público-alvo de interesse. Em relação à abordagem do problema, optou-se por uma pesquisa quantitativa, dado que tais pesquisas, para Beuren (2009), caracterizam-se pelo emprego de instrumentos estatísticos, tanto na coleta quanto no tratamento dos dados. Esse procedimento não é tão profundo na investigação da realidade dos fenômenos, uma vez que se preocupa com o comportamento geral dos acontecimentos. Público Alvo, Coleta e Tratamento dos Dados É importante descrever na metodologia a população e amostra a ser pesquisada, revelando informações sobre o universo a ser estudado, a extensão da amostra e a maneira como será selecionada. Também é fundamental a descrição de técnicas a serem utilizadas na coleta de dados e na análise dos mesmos, ou seja, descrever os procedimentos a serem adotados para a análise quantitativa ou qualitativa (GIL, 2008). O universo desta pesquisa corresponde aos contadores dos Escritórios Contábeis de Campo Mourão, abrangendo todos os servidores da área. Em informação obtida com o Sindicato dos Contabilistas de Campo Mourão, estima-se que existam em operação cerca de 53 escritórios de Contabilidade na cidade. Já a amostra é caracterizada por 148 profissionais da área que se dispuseram a responder ao questionário. Segundo MATTAR (1999), amostra é uma parte de uma população que IX EPCT – Encontro de Produção Científica e Tecnológica Campo Mourão, 27 a 31 de Outubro de 2014 ISSN 1981-6480 atenda aos propósitos da pesquisa, definida através de um processo de seleção que proporcione pesquisar apenas esta parte da população, inferindo o conhecimento ao todo. Foi utilizado como instrumento de coleta de dados um questionário composto por trinta e uma perguntas fechadas. A primeira parte do questionário continha seis questões que visavam construir um perfil sócio-econômico do respondente (gênero, idade, tempo de carreira, estado civil, número de filhos, renda média). A segunda parte do questionário visava identificar, a partir de blocos de questões, a auto-percepção em relação a satisfação nos seguintes aspectos de satisfação: com os colegas de trabalho, com o salário, com o sucesso entre a vida profissional e pessoal, com a natureza do trabalho, com as promoções e com o escritório. Após aplicados os questionários (de forma presencial, no mês de agosto de 2014), os dados foram tabulados em software (excell) e as informações foram consolidadas em tabelas e gráficos, para facilitar sua interpretação. ANÁLISE DOS RESULTADOS A primeira parte da entrevista realizada consistia em caracterizar os respondentes. O gráfico 01 a seguir apresenta as características gerais dos entrevistados. Gráfico 1 – Perfil dos Respondentes. Fonte: Dados da pesquisa. IX EPCT – Encontro de Produção Científica e Tecnológica Campo Mourão, 27 a 31 de Outubro de 2014 ISSN 1981-6480 Ao realizar essa pesquisa, foi possível observar que a maioria dos respondentes é do sexo feminino, com 51%, já os homens representam 49%. Em relação à faixa etária, a maioria dos colaboradores, 36% tem entre 24 e 33 anos, sendo que apenas 4% dos respondentes têm acima de 54 anos. A maior parte dos respondentes 51% são casados/união estável, sendo 39% solteiros e 9% divorciado. De acordo com o grau de escolaridade, pontua-se que a maior parte dos servidores possui o ensino superior completo, o que corresponde a 50%. Os servidores com ensino superior incompleto, ou seja, que estão cursando graduação, representam 29%, enquanto somente 12% possuem pósgraduação e 9% ensino técnico. Em relação ao tempo de serviços na empresa, a maior parcela de entrevistados (28%) tem de 1 a 3 anos na empresa, contra a menor parcela (13%) que é representada pelos profissionais que atuam há mais de 15 anos na empresa. Por fim, na parte geral do questionário, a maioria dos entrevistados (82%) declarou estar satisfeita com seu ambiente de trabalho em geral. O gráfico 2 demonstra o grau da satisfação dos servidores com seus colegas. Observa-se que a satisfação com esse item é modo geral satisfatória, pois os respondentes indicam alto grau de satisfação nos três aspectos investigados: relacionamento, relação entre tamanho da equipe e carga de trabalho e apoio e cooperação recebido dos colaboradores. Observa-se que, embora todos os itens tenham tido avaliação positiva, o que apresentou maior número de indicações de discordância foi a relação entre a quantidade de colaboradores e o volume de serviços. Gráfico 2 – Satisfação dos Respondentes com os Colegas de Trabalho. Fonte: Dados da Pesquisa. IX EPCT – Encontro de Produção Científica e Tecnológica Campo Mourão, 27 a 31 de Outubro de 2014 ISSN 1981-6480 De acordo com o Gráfico 3, observa-se que a maioria dos respondentes se encontram satisfeitos com seu salário, e os privilégios ou benefícios concedidos. Já o salário comparado com os esforços se encontra no mesmo grau. O salário comparado com o custo de vida tem insatisfação de 28%, a maior insatisfação deste grupo de avaliação. A dimensão de comparação do salário com a capacidade profissional também indica uma insatisfação relativamente elevada. Gráfico 3 – Satisfação dos Respondentes com o Salário. Fonte: Dados da Pesquisa. Grande parte dos servidores sente realização profissional no cargo em que ocupam e felicidade por suas funções, pois assim tem a possibilidade de se desenvolver profissionalmente. Isso pode ser percebido no Gráfico 4, exibido a seguir. Além disso, o prestígio do contabilista ser membro do escritório é relevante pela família e amigos. No que diz respeito aos limites entre tarefas executadas no local de trabalho e na residência, o grau de satisfação também é elevado. Contudo, dez por cento declaram alguma insatisfação e três por cento indicam elevada insatisfação no que diz respeito a esse item. IX EPCT – Encontro de Produção Científica e Tecnológica Campo Mourão, 27 a 31 de Outubro de 2014 ISSN 1981-6480 Gráfico 4 – Satisfação dos Respondentes com a relação entre Vida Profissional e Pessoal. Fonte: Dados da Pesquisa. A satisfação dos respondentes com a natureza das atividades profissionais desenvolvidas é demonstrada no gráfico 5, apresentado a seguir. De acordo com a pesquisa, os contabilistas se encontram amplamente satisfeitos com seu horário de trabalho. Também é alvo de satisfação expressiva a satisfação com o conforto e com o bem-estar físico dos respondentes. Em ambas as dimensões, os que se declaram satisfeitos ou muito satisfeitos são em torno de quatro respondentes a cada cinco entrevistados (cerca de 80%). Contudo, quando se analisam as demais dimensões compreendidas na avaliação de satisfação com a natureza do trabalho desenvolvido, observa-se um resultado um pouco diferente, conforme se visualiza graficamente. Cerca de 35% dos respondentes informa que executa funções além das suas atribuições com certa regularidade. Outro dado que chama a atenção é que 44% consideram sua carga de trabalho excessiva (sendo que 11% concordam totalmente com essa afirmação). Por fim, e ainda mais preocupante, é a informação de que 55% apontam relação entre as responsabilidades do trabalho e o nível de estresse. Detalhando essa informação, 41% mostram concordar em partes e 14% concordam totalmente que o trabalho e suas responsabilidades acabam resultando em situações estressantes. IX EPCT – Encontro de Produção Científica e Tecnológica Campo Mourão, 27 a 31 de Outubro de 2014 ISSN 1981-6480 Gráfico 5 – Satisfação dos Respondentes com a Natureza do Trabalho. Fonte: Dados da Pesquisa. Referente às promoções, o gráfico 6 consolida as respostas em três dimensões: expectativa de ser promovido, satisfação com promoções recebidas e satisfação com o reconhecimento. Gráfico 6 – Satisfação dos Respondentes com as Promoções. Fonte: Dados da Pesquisa. IX EPCT – Encontro de Produção Científica e Tecnológica Campo Mourão, 27 a 31 de Outubro de 2014 ISSN 1981-6480 Analisando-se os dados, é possível perceber elevado grau de indiferença nas três dimensões pesquisadas. Destaca-se também que o percentual de respondentes satisfeitos com as promoções recebidas é de apenas 45%. No que diz respeito ao reconhecimento por parte do empregador, a situação é ainda menos animadora: somente 43% apontam satisfação com o reconhecimento por seu trabalho, dedicação e esforço na função. Quando se olha essa questão de forma espelhada, pode-se dizer que 57% não percebem adequado reconhecimento por sues préstimos. Qual funcionário que não gosta de ser bem tratado? Nessa pesquisa, como demonstra o gráfico 7, os respondentes concordam com a afirmação: que devem ser bem tratados. Também é bastante positiva a opinião sobre a qualidade dos serviços prestados no escritório, pois apenas 4% discordam parcialmente e 1% discorda totalmente dessa afirmação. Gráfico 7 – Satisfação dos Respondentes com o Escritório. Fonte: Dados da Pesquisa. Quando se avalia a preocupação da empresa com a satisfação de seus colaboradores, no entanto, a resposta não é unânime. Dos respondentes, 12% discorda parcialmente dessa afirmação e 4% discorda totalmente. Além disso, 20% não concordam com a afirmação de que a empresa esteja em constante melhoria, oferecendo boas perspectivas para o futuro. O gráfico 8 consolida todas as medidas de satisfação realizadas, apresentando a média e o desvio padrão para cada uma delas, de forma a permitir comparações entre as medidas de satisfação realizadas. É importante destacar que as medidas de satisfação foram construídas de forma que IX EPCT – Encontro de Produção Científica e Tecnológica Campo Mourão, 27 a 31 de Outubro de 2014 ISSN 1981-6480 respostas positivas e negativas fossem somadas, de forma a resultar em uma nota que oscilou de -10 a +10 (normalmente, as respostas do tipo ‘concordo’ e do tipo ‘concordo totalmente’ foram consideradas como positivas, e as opostas - ‘discordo’ e ‘discordo totalmente’ - como negativas). Gráfico 8 – Satisfação dos Respondentes por item pesquisado. Fonte: Dados da Pesquisa. Observa-se que embora as médias sejam positivas para todas as variáveis, nas dimensões cuja média foi mais baixa (natureza do trabalho, salário e promoções), o desvio padrão também revelou-se mais elevado, sugerindo que não apenas a satisfação nesses itens é menor, como também que há menor consenso em relação aos elementos indicativos de satisfação de tais dimensões. CONSIDERAÇÕES FINAIS Para se alcançar o sucesso no trabalho, a valorização e motivação são fatores essenciais, pois assim os servidores trabalham com satisfação, Caso o contrário, o mesmo poderá gerar consequências para o escritório, podendo ser essas negativas. Através das entrevistas podemos chegar à definição das características socioeconômicas que os profissionais contadores dos escritórios de Campo Mourão tem em relação à satisfação no trabalho. Para isso, foi realizada uma pesquisa que compreendeu as sete variáveis da satisfação no trabalho: o perfil dos respondentes, a satisfação com os colegas, com o salário, com o sucesso entre a vida profissional e pessoal, com a natureza do trabalho, com as promoções e com o escritório. IX EPCT – Encontro de Produção Científica e Tecnológica Campo Mourão, 27 a 31 de Outubro de 2014 ISSN 1981-6480 As principais conclusões do trabalho são sumarizadas a seguir: i) Não se verificou, na média, a ocorrência de insatisfação, mas apenas de satisfação (conforme demonstrado no gráfico 8; ii) O grau de satisfação foi bastante elevado, superando cinco pontos, nas dimensões Colegas, Escritório e Vida Profissional e Pessoal; iii) Nas dimensões Natureza do Trabalho, Salário e Promoções, não só a satisfação foi baixa como também o desvio padrão foi bastante elevado, sugerindo que há quantidade significativa de indivíduos insatisfeitos, embora a média seja de satisfação. REFERÊNCIAS BEUREN, Ilse Maria (Org.). Como elaborar trabalhos monográficos em contabilidade: teoria e prática. São Paulo: Atlas, 2009. FRIEDMANN, Georges. O Trabalho em Migalhas. São Paulo: Perspectiva, 1972. GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 3ª. Edição. São Paulo: Atlas, 1991. JARDIM, S. 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