A SATISFAÇÃO DOS PROFISSIONAIS CONTADORES: UM ESTUDO APLICADO EM
ESCRITÓRIOS DE CAMPO MOURÃO
Dayana Vitória Alflen, Unespar – Câmpus de Campo Mourão, [email protected]
Ligiane Louback, Unespar – Câmpus de Campo Mourão, [email protected]
Jorge Leandro Delconte Ferreira,(OR), Unespar – Câmpus de Campo Mourão ,
[email protected]
RESUMO: O dinamismo do ambiente de trabalho da Contabilidade, com alterações muito frequentes
na legislação e nos procedimentos a serem adotados, implica muito esforço do profissional de
Contabilidade para se manter atualizado no mercado. Diante disso, a pesquisa vem analisar a
satisfação dos profissionais contábeis, levando em consideração como eles conciliam a vida pessoal
com a profissão, estimulando os próprios entrevistados a refletir sobre sua satisfação no trabalho. A
pesquisa analisou a satisfação dos profissionais contadores dos escritórios da cidade de Campo
Mourão - Paraná, baseado em sete variáveis: perfil, a satisfação com os colegas de trabalho, com o
salário, com o sucesso entre a vida profissional e pessoal, com a natureza do trabalho, com as
promoções e com o escritório. Para tanto, foi realizada uma pesquisa descritiva, com abordagem
quantitativa, que visou verificar o grau de satisfação por cada dimensão. Os dados foram coletados por
meio de entrevista direta com profissionais dos escritórios de Contabilidade de Campo Mourão - PR.
De acordo com as análises, na média os Contabilistas estão satisfeitos em todas as dimensões.
Contudo, os dados sugerem a ocorrência de insatisfação em três das dimensões: satisfação com
promoções, satisfação com o salário e satisfação com a natureza do trabalho.
Palavras-chave: Satisfação no Trabalho. Insatisfação. Contador.
INTRODUÇÃO
Atualmente o Brasil aumentou seu índice de progresso social, expresso em moradia, educação,
trabalho. Porém, a qualidade de vida no trabalho vem sendo uma preocupação, uma vez que o bem-estar
profissional influencia o indivíduo no alcance dos seus objetivos. Isso é importante, porque os
prestadores de serviço em geral são cada vez mais cobrados por produtividade, eficiência e resultados.
Nesse sentido, Marion (2003, p. 22) reforça que “com relação aos profissionais de Contabilidade, é
evidente que deverão se aprimorar cada vez mais para enfrentar uma sociedade empresarial carente de
apoio e acompanhamento”. Complementando o argumento, Silva (2003, p. 33), declara que “os
conhecimentos e as habilidades que o Contador possui têm o seu valor nesse mercado: cabe então a esse
profissional estar ciente do que ele precisa saber e ser para que possa competir no mesmo”.
Uma questão a ser discutida é como fazer para se adaptar como indivíduo a uma carreira nesse
complexo mercado de trabalho e se antecipar às mudanças. Quanto a esse aspecto, Silva (2003)
constata que aquele que desejar se tornar um Contador deverá conhecer o novo perfil que o mercado
requer e estar propenso a investir cada vez mais no desenvolvimento de sua carreira. Essa
manifestação não deve passar somente pelo aspecto do mercado de trabalho, mas o indivíduo deve
levar em consideração seus valores e aptidões, inserido em um momento econômico e social dentro de
suas características, antecipando-se às novas tendências, inovando e, cada vez mais, capacitando-se.
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Quanto mais intensas essas ações, menor será a visão de que o contador é apenas um lançador de
débito e crédito.
Nesse cenário, o contador é pressionado a mudar constantemente e a buscar novos
conhecimentos diariamente para a profissão, às vezes, deixando de lado até mesmo, sua vida pessoal.
Dessa forma, o problema da pesquisa investigado neste trabalho é expresso pela seguinte pergunta:
Qual o nível de satisfação dos contadores que trabalham nos escritórios de prestação de serviços
contábeis da cidade de Campo Mourão?
A pesquisa, portanto, é orientada para o tema Satisfação dos Contadores no Exercício da
Profissão. O objetivo geral deste trabalho é identificar o nível de satisfação declarada pelos contadores
no exercício da atividade profissional nos escritórios de Contabilidade de Campo Mourão. Como
desdobramento desse objetivo geral buscou-se evidenciar as características sócio-econômicas dos
contadores entrevistados, bem como mensurar a satisfação declarada nas seguintes dimensões: com os
colegas de trabalho, com o salário, com o equilíbrio entre vida profissional e pessoal, com a natureza
do trabalho, com as promoções e com o escritório.
Além desta seção introdutória, o trabalho está organizado em mais cinco seções. A próxima
seção apresenta conceitos e definições sobre o profissional contábil e sua área de atuação. Em seguida,
é discutido o tema satisfação, apresentando conceitos e formas de mensuração. A quarta seção
apresenta os procedimentos metodológicos que orientaram este trabalho. Na sequência, os resultados
são apresentados e discutidos, reservando-se a última seção para conclusões e considerações finais.
O PROFISSIONAL CONTÁBIL
O Contador é o profissional responsável pelo zelo do patrimônio dos seus clientes. Isso
implica um conjunto bastante extenso de atividades, como elaborar declarações, demonstrativos,
relatórios, entre outros documentos, para se obter o controle do que entra e o que sai, como no caso do
caixa, bancos, avaliando assim os ativos da empresa, de forma que o patrimônio possa ser
adequadamente mensurado e representado. Portanto o profissional contábil é imprescindível, devido a
sua capacidade técnica de avaliar o patrimônio, bem como orientar. Segundo Drummond (1995, p. 78,
apud Zanna, 2007, p. 87):
O profissional de Ciências Contábeis deve ser, portanto, o especialista que conheça a
doutrina e a técnica e, principalmente, o pensamento contábil. Deve ser um analista,
um pensador, buscando assumir a responsabilidade social que lhe é imputada
perante a entidade e a sociedade que a cerca, possuindo isenção para praticar a sua
profissão e revelando seu valor por sua existência, sua fala e sua ação.
A função básica do contador é produzir informações úteis aos usuários da contabilidade para
tomada de decisões. Entretanto, no caso brasileiro, em alguns segmentos de economia, principalmente
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na pequena empresa, a função do contador foi distorcida, estando voltada exclusivamente para
satisfazer às exigências do fisco. (Marion, 2009). Essa distorção prejudica a função social do contador,
explicada por Montaldo (1995, p. 32), que enfatiza que o contador:
(...) deve desempenhar aqui um papel importante nas negociações inter-regionais,
assessorando, pesquisando, trazendo informações e elementos que assegurem o
fluxo de informação contínua, que leva a uma tomada de decisão racional, devendo
oferecer um serviço socialmente útil e profissionalmente eficiente, que não seja
apenas fruto da experiência e da formação universitária recebida, mas também de
seu compromisso de incrementar e renovar constantemente o caudal de seus
conhecimentos em prol da unidade regional.
Em concordância com essa visão, o CRC afirma que o contabilista necessita focar situações
estratégicas, estar preparado para ser um gerente de informações. Cada vez mais é comum as empresas
consultarem os profissionais contábeis sobre composição de seus custos, para formação seu preço de
venda, análise de ponto de equilíbrio, alavancagem financeira, análises do balanço e outras situações
gerenciais. Conforme divulgado no Portal da Contabilidade (2014, on line):
Os contabilistas têm tudo para serem extremamente importantes nas organizações,
pois, além de suas funções tributárias (o que, por si só, já o remetem a administrar
quase 40% do faturamento de uma empresa), poderão trazer para a organização um
leque de análises, informações e ideias que podem significar a diferença entre o
sucesso e o fracasso empresarial. Num mundo competitivo e global, quem errar em
custos e formação de preços, fluxo de caixa e gestão de crédito, está fadado ao
fracasso.
Contudo, preocupado em atender às inúmeras exigências principais e acessórias dos fiscos
(municipal, estadual e federal), o contador às vezes não dispõe de tempo para situações que
demandam análises estratégicas, o que o tornaria, de fato, um gestor de informações.
No entanto, a atuação como responsável pela prestação de serviços de escrituração não é a
única alternativa profissional de um bacharel em Ciências Contábeis. A Contabilidade é uma das áreas
que mais proporcionam oportunidades profissionais. Segundo Silva, (1994, p.22 apud Zanna 2007), as
principais especializações da Contabilidade são: Controle Contábil, Contabilidade de Custos,
Contabilidade Gestorial, Análise de Balanços, Auditoria e Pericia Contábil. Mas o estudante que optou
por um curso superior de Contabilidade, tem inúmeras alternativas de atuação profissional, entre as
quais:
•
Contador: exerce as funções contábeis, sejam elas, financeira, gerencial e administrativa;
•
Auditor: verifica a exatidão dos procedimentos contábeis, sendo ele não empregado na
empresa (independente) ou empregado na empresa (interno);
•
Analista Financeiro: analisa a situação financeira da empresa;
•
Perito contábil: verifica os registros contábeis, solicitado pela justiça;
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•
Consultor Contábil: se restringe a ajuda profissional, quanto a duvidas em relação a
exportação, setor fiscal, informática e etc;
•
Professor de Contabilidade: Exerce o magistério;
•
Pesquisador Contábil: explora e investiga a contabilidade;
•
Cargos Públicos: realizam concursos, tanto na área Federal, Estadual e na Municipal;
•
Cargos Administrativos: cargos de assessoria, chefia, gerência e até mesmo diretoria.
Segundo Marion e Santos (2014), o contador dos dias atuais deve estar em constante evolução,
pois, além de uma série de atributos indispensáveis nas diversas especializações da profissão contábil,
não é mais possível sobreviver no momento atual com aquela postura de escriturador, ‘guarda-livros’,
‘despachante’ e atividades burocráticas de maneira geral. Nesse sentido, convém destacar a diferença
do bacharel em Ciências Contábeis e do Técnico em Contabilidade. Os contadores são os que se
formam ou concluem o curso de nível superior, já os técnicos, apenas fizeram o curso técnico em
contabilidade. Mas ambos, para exercer o cargo e realizar funções de contador, devem realizar o
exame de suficiência adquirindo o registro no CRC.
SATISFAÇÃO NO TRABALHO
Apesar de os estudos sobre satisfação terem se iniciado na década de 1930, foi entre as
décadas de 1970 e 1980 que a satisfação no trabalho passou a ser uma característica importante e
bastante considerada nas organizações, exigindo maior responsabilidade social por parte das empresas
e despertando muito interesse entre pesquisadores.
De acordo com Spector (2003, p. 221), a satisfação no trabalho é uma variável de atitude que
mostra como as pessoas se sentem em relação ao seu trabalho, seja no todo, seja em relação a alguns
de seus aspectos. Para Pereira (2004) quando se avalia a satisfação, devem-se usar uma variável
bipolar ou duas variáveis distintas, satisfação e insatisfação. Isso porque o oposto da satisfação é a não
satisfação e o da insatisfação é a não insatisfação. Com isso, um mesmo fator pode gerar tanto
satisfação quanto insatisfação.
Quando se discute sobre satisfação no trabalho, não raro se percebe que poucos indivíduos
estão completamente satisfeitos. White (1992, p. 14) considera que:
(...) quando discutimos este dilema com as pessoas, verificamos que poucos estão
completamente satisfeitos com o seu trabalho e poucos sabem onde o trabalho deve
condizer com as demais coisas de suas vidas. Os conflitos pessoais, trabalho
excessivo, ambição excessiva, pressões financeiras, receio de desemprego, tédio,
falta de oportunidade e incontáveis outros problemas atormentam sua existência.
Alguns gostam de trabalhar em demasia, e negligenciam a família; outros detestam o
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trabalho, e receiam a vida diária; alguns ignoram os problemas e atravessam o dia
como robôs.
No entanto, há correntes de pensamento que afirmam que a insatisfação pode ser ainda maior
do que a revelada pelas pesquisas. Segundo Friedmann (1972, p. 168):
(...) há os que não se confessam sua insatisfação, como se dizem e se crêem felizes e
satisfeitos em seu trabalho, sem o serem realmente. De resto, a experiência
psicanalítica demonstra que o sentimento de estar insatisfeito no trabalho, e mesmo
infeliz, pode ser profundamente reprimido, como o é no casamento, onde se vêem
numerosos casais que não querem confessar a si próprios, nem aos outros, sua
inadaptação conjugal e o insucesso de seu lar. Não obstante, malgrado a expressão
oral da satisfação, sintomas, que não escapam ao analista, como os sonhos, a tensão
nervosa, a insônia, a fadiga geral, a hipertensão arterial, as úlceras e outras
manifestações psicossomáticas, podem revelar a existência destes sentimentos
inconscientes.
Jardim, Silva e Ramos (2004), apud Jesus e Jesus (2012) defendem a satisfação no trabalho
como um componente da motivação que leva o trabalhador a apresentar indicadores de
comportamentos importantes para os interesses da organização, tais como o aumento da produtividade,
o compromisso com suas atribuições, a permanência na empresa e a ausência de faltas ao trabalho.
Ainda segundo os autores, a satisfação no trabalho é uma ‘causa’ de comportamento no trabalho.
Para Spector (2003), no estudo da satisfação no trabalho existem duas abordagens: i) A
abordagem global que, considera a satisfação no trabalho como um sentimento único, como um todo,
apresentando um único índice geral da satisfação; e ii) A abordagem em facetas ou aspectos. Assim, a
satisfação global pode ser interpretada como um índice geral da satisfação ou como um índice de
diferentes facetas.
Um fator importante a ser destacado, é que os motivos que podem gerar satisfação em uma
determinada cultura, não necessariamente são os mesmos fatores que geram satisfação em outras
culturas. Spector (2003, p. 224) diz que pessoas apresentam sentimentos diferentes em relação ao
trabalho, isso envolve valores básicos que variam de local para local. A variação também pode ocorrer
de indivíduo para indivíduo, fazendo com que nem tudo que é satisfação para uma pessoa, pode ser
para outra e vice versa.
METODOLOGIA
Os procedimentos metodológicos elencados em um trabalho de pesquisa objetivam detalhar os
procedimentos que serão realizados. Por isso, é necessário definir a tipologia da pesquisa de forma a se
adequar ao problema de pesquisa formulado (BEUREN, 2009). Nesse sentido, Lakatos e Marconi
(2007) dizem que a especificação da metodologia de pesquisa responde, a um só tempo, às dúvidas
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sobre como, com quem e quando foi realizada a pesquisa. Dessa forma, serão detalhadas nesta seção a
tipologia da pesquisa, a coleta e o tratamento dos dados.
Tipologia da Pesquisa
Uma das coisas essenciais em uma pesquisa é definir sua tipologia, ou seja, classificá-la.
Segundo Beuren (2009), podem-se classificar as pesquisas segundo três principais critérios. Quanto
aos objetivos, a pesquisa se divide em exploratória, descritiva ou explicativa. Em relação aos
procedimentos, os principais tipos são o estudo de caso, o levantamento, a pesquisa bibliográfica,
documental, participante e experimental. Por fim, a abordagem do problema pode ser qualitativa ou
quantitativa.
Quanto aos objetivos do problema, esta pesquisa tem natureza descritiva, pois visa descrever
aspectos sócio-econômicos dos entrevistados, bem como sua percepção em relação à própria satisfação
profissional. Segundo Gil (2008), as pesquisas descritivas visam principalmente à descrição das
características de determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis.
A pesquisa, quanto aos procedimentos, é classificada como de levantamento, pelos
procedimentos que envolvem investigação com base em entrevistas diretas com o público-alvo de
interesse.
Em relação à abordagem do problema, optou-se por uma pesquisa quantitativa, dado que tais
pesquisas, para Beuren (2009), caracterizam-se pelo emprego de instrumentos estatísticos, tanto na
coleta quanto no tratamento dos dados. Esse procedimento não é tão profundo na investigação da
realidade dos fenômenos, uma vez que se preocupa com o comportamento geral dos acontecimentos.
Público Alvo, Coleta e Tratamento dos Dados
É importante descrever na metodologia a população e amostra a ser pesquisada, revelando
informações sobre o universo a ser estudado, a extensão da amostra e a maneira como será
selecionada. Também é fundamental a descrição de técnicas a serem utilizadas na coleta de dados e na
análise dos mesmos, ou seja, descrever os procedimentos a serem adotados para a análise quantitativa
ou qualitativa (GIL, 2008).
O universo desta pesquisa corresponde aos contadores dos Escritórios Contábeis de Campo
Mourão, abrangendo todos os servidores da área. Em informação obtida com o Sindicato dos
Contabilistas de Campo Mourão, estima-se que existam em operação cerca de 53 escritórios de
Contabilidade na cidade. Já a amostra é caracterizada por 148 profissionais da área que se dispuseram
a responder ao questionário. Segundo MATTAR (1999), amostra é uma parte de uma população que
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atenda aos propósitos da pesquisa, definida através de um processo de seleção que proporcione
pesquisar apenas esta parte da população, inferindo o conhecimento ao todo.
Foi utilizado como instrumento de coleta de dados um questionário composto por trinta e uma
perguntas fechadas. A primeira parte do questionário continha seis questões que visavam construir um
perfil sócio-econômico do respondente (gênero, idade, tempo de carreira, estado civil, número de
filhos, renda média). A segunda parte do questionário visava identificar, a partir de blocos de questões,
a auto-percepção em relação a satisfação nos seguintes aspectos de satisfação: com os colegas de
trabalho, com o salário, com o sucesso entre a vida profissional e pessoal, com a natureza do trabalho,
com as promoções e com o escritório.
Após aplicados os questionários (de forma presencial, no mês de agosto de 2014), os dados
foram tabulados em software (excell) e as informações foram consolidadas em tabelas e gráficos, para
facilitar sua interpretação.
ANÁLISE DOS RESULTADOS
A primeira parte da entrevista realizada consistia em caracterizar os respondentes. O gráfico
01 a seguir apresenta as características gerais dos entrevistados.
Gráfico 1 – Perfil dos Respondentes.
Fonte: Dados da pesquisa.
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Ao realizar essa pesquisa, foi possível observar que a maioria dos respondentes é do sexo
feminino, com 51%, já os homens representam 49%. Em relação à faixa etária, a maioria dos
colaboradores, 36% tem entre 24 e 33 anos, sendo que apenas 4% dos respondentes têm acima de 54
anos. A maior parte dos respondentes 51% são casados/união estável, sendo 39% solteiros e 9%
divorciado.
De acordo com o grau de escolaridade, pontua-se que a maior parte dos servidores possui o
ensino superior completo, o que corresponde a 50%. Os servidores com ensino superior incompleto,
ou seja, que estão cursando graduação, representam 29%, enquanto somente 12% possuem pósgraduação e 9% ensino técnico. Em relação ao tempo de serviços na empresa, a maior parcela de
entrevistados (28%) tem de 1 a 3 anos na empresa, contra a menor parcela (13%) que é representada
pelos profissionais que atuam há mais de 15 anos na empresa.
Por fim, na parte geral do questionário, a maioria dos entrevistados (82%) declarou estar
satisfeita com seu ambiente de trabalho em geral.
O gráfico 2 demonstra o grau da satisfação dos servidores com seus colegas. Observa-se que a
satisfação com esse item é modo geral satisfatória, pois os respondentes indicam alto grau de
satisfação nos três aspectos investigados: relacionamento, relação entre tamanho da equipe e carga de
trabalho e apoio e cooperação recebido dos colaboradores. Observa-se que, embora todos os itens
tenham tido avaliação positiva, o que apresentou maior número de indicações de discordância foi a
relação entre a quantidade de colaboradores e o volume de serviços.
Gráfico 2 – Satisfação dos Respondentes com os Colegas de Trabalho.
Fonte: Dados da Pesquisa.
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De acordo com o Gráfico 3, observa-se que a maioria dos respondentes se encontram
satisfeitos com seu salário, e os privilégios ou benefícios concedidos. Já o salário comparado com os
esforços se encontra no mesmo grau. O salário comparado com o custo de vida tem insatisfação de
28%, a maior insatisfação deste grupo de avaliação. A dimensão de comparação do salário com a
capacidade profissional também indica uma insatisfação relativamente elevada.
Gráfico 3 – Satisfação dos Respondentes com o Salário.
Fonte: Dados da Pesquisa.
Grande parte dos servidores sente realização profissional no cargo em que ocupam e felicidade
por suas funções, pois assim tem a possibilidade de se desenvolver profissionalmente. Isso pode ser
percebido no Gráfico 4, exibido a seguir. Além disso, o prestígio do contabilista ser membro do
escritório é relevante pela família e amigos. No que diz respeito aos limites entre tarefas executadas no
local de trabalho e na residência, o grau de satisfação também é elevado. Contudo, dez por cento
declaram alguma insatisfação e três por cento indicam elevada insatisfação no que diz respeito a esse
item.
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Gráfico 4 – Satisfação dos Respondentes com a relação entre Vida Profissional e Pessoal.
Fonte: Dados da Pesquisa.
A satisfação dos respondentes com a natureza das atividades profissionais desenvolvidas é
demonstrada no gráfico 5, apresentado a seguir. De acordo com a pesquisa, os contabilistas se
encontram amplamente satisfeitos com seu horário de trabalho. Também é alvo de satisfação
expressiva a satisfação com o conforto e com o bem-estar físico dos respondentes. Em ambas as
dimensões, os que se declaram satisfeitos ou muito satisfeitos são em torno de quatro respondentes a
cada cinco entrevistados (cerca de 80%).
Contudo, quando se analisam as demais dimensões compreendidas na avaliação de satisfação
com a natureza do trabalho desenvolvido, observa-se um resultado um pouco diferente, conforme se
visualiza graficamente. Cerca de 35% dos respondentes informa que executa funções além das suas
atribuições com certa regularidade. Outro dado que chama a atenção é que 44% consideram sua carga
de trabalho excessiva (sendo que 11% concordam totalmente com essa afirmação).
Por fim, e ainda mais preocupante, é a informação de que 55% apontam relação entre as
responsabilidades do trabalho e o nível de estresse. Detalhando essa informação, 41% mostram
concordar em partes e 14% concordam totalmente que o trabalho e suas responsabilidades acabam
resultando em situações estressantes.
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Gráfico 5 – Satisfação dos Respondentes com a Natureza do Trabalho.
Fonte: Dados da Pesquisa.
Referente às promoções, o gráfico 6 consolida as respostas em três dimensões: expectativa de
ser promovido, satisfação com promoções recebidas e satisfação com o reconhecimento.
Gráfico 6 – Satisfação dos Respondentes com as Promoções.
Fonte: Dados da Pesquisa.
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Analisando-se os dados, é possível perceber elevado grau de indiferença nas três dimensões
pesquisadas. Destaca-se também que o percentual de respondentes satisfeitos com as promoções
recebidas é de apenas 45%. No que diz respeito ao reconhecimento por parte do empregador, a
situação é ainda menos animadora: somente 43% apontam satisfação com o reconhecimento por seu
trabalho, dedicação e esforço na função. Quando se olha essa questão de forma espelhada, pode-se
dizer que 57% não percebem adequado reconhecimento por sues préstimos.
Qual funcionário que não gosta de ser bem tratado? Nessa pesquisa, como demonstra o gráfico
7, os respondentes concordam com a afirmação: que devem ser bem tratados. Também é bastante
positiva a opinião sobre a qualidade dos serviços prestados no escritório, pois apenas 4% discordam
parcialmente e 1% discorda totalmente dessa afirmação.
Gráfico 7 – Satisfação dos Respondentes com o Escritório.
Fonte: Dados da Pesquisa.
Quando se avalia a preocupação da empresa com a satisfação de seus colaboradores, no
entanto, a resposta não é unânime. Dos respondentes, 12% discorda parcialmente dessa afirmação e
4% discorda totalmente. Além disso, 20% não concordam com a afirmação de que a empresa esteja
em constante melhoria, oferecendo boas perspectivas para o futuro.
O gráfico 8 consolida todas as medidas de satisfação realizadas, apresentando a média e o
desvio padrão para cada uma delas, de forma a permitir comparações entre as medidas de satisfação
realizadas. É importante destacar que as medidas de satisfação foram construídas de forma que
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respostas positivas e negativas fossem somadas, de forma a resultar em uma nota que oscilou de -10 a
+10 (normalmente, as respostas do tipo ‘concordo’ e do tipo ‘concordo totalmente’
foram
consideradas como positivas, e as opostas - ‘discordo’ e ‘discordo totalmente’ - como negativas).
Gráfico 8 – Satisfação dos Respondentes por item pesquisado.
Fonte: Dados da Pesquisa.
Observa-se que embora as médias sejam positivas para todas as variáveis, nas dimensões
cuja média foi mais baixa (natureza do trabalho, salário e promoções), o desvio padrão também
revelou-se mais elevado, sugerindo que não apenas a satisfação nesses itens é menor, como também
que há menor consenso em relação aos elementos indicativos de satisfação de tais dimensões.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Para se alcançar o sucesso no trabalho, a valorização e motivação são fatores essenciais, pois
assim os servidores trabalham com satisfação, Caso o contrário, o mesmo poderá gerar consequências
para o escritório, podendo ser essas negativas.
Através das entrevistas podemos chegar à definição das características socioeconômicas que
os profissionais contadores dos escritórios de Campo Mourão tem em relação à satisfação no trabalho.
Para isso, foi realizada uma pesquisa que compreendeu as sete variáveis da satisfação no trabalho: o
perfil dos respondentes, a satisfação com os colegas, com o salário, com o sucesso entre a vida
profissional e pessoal, com a natureza do trabalho, com as promoções e com o escritório.
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As principais conclusões do trabalho são sumarizadas a seguir: i) Não se verificou, na média, a
ocorrência de insatisfação, mas apenas de satisfação (conforme demonstrado no gráfico 8; ii) O grau
de satisfação foi bastante elevado, superando cinco pontos, nas dimensões Colegas, Escritório e Vida
Profissional e Pessoal; iii) Nas dimensões Natureza do Trabalho, Salário e Promoções, não só a
satisfação foi baixa como também o desvio padrão foi bastante elevado, sugerindo que há quantidade
significativa de indivíduos insatisfeitos, embora a média seja de satisfação.
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