UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” PROJETO A VEZ DO MESTRE Gestão Estratégica Como Instrumento de Sucesso para o Cirurgião-Dentista Por: Mônica Cristina Marques Pavani Orientador Profª Mse. Fabiane Muniz Co-orientador: Prof. Adélia Maria de Oliveira Araújo Rio de Janeiro 2003 2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” PROJETO A VEZ DO MESTRE Gestão Estratégica Como Instrumento de Sucesso para o Cirurgião-Dentista Apresentação de monografia à Universidade Candido Mendes como condição prévia para a conclusão do Curso de Pós-Graduação “Lato Sensu” em Gestão Estratégica e Qualidade Por: Mônica Cristina Marques Pavani 3 AGRADECIMENTOS ....ao Prof. Mario Luiz por me ensinar que uma ameaça pode ser uma oportunidade e, em especial, à Profª Adélia por ter transformar a oportunidade. me ajudado ameaça a em 4 DEDICATÓRIA a todos os profissionais de odontologia que, embora tecnicistas, não tenham desistido de seus sonhos. 5 RESUMO Em tempos de turbulência na economia, percebe-se mais do que nunca a necessidade de estratégias que mantenham os profissionais liberais que escolheram o caminho da atividade autônoma (ou seja, do negócio próprio), exercendo suas atividades de forma lucrativa. A socialização da odontologia aliada às mudanças constantes que ocorrem na sociedade vem causando a desestabilização e a quebra de paradigmas dentre os quais o da odontologia como de profissão tecnicista de alta remuneração. Em contra partida as grades curriculares das universidades ainda não se adequaram a missão de preparar os profissionais dessa nova era que exige visão estratégica. Somando-se a isso ainda é tímida ou quase inexistente a realização de cursos de Pósgraduação que atendam a necessidade de atualizar e compatibilizar o profissional de odontologia para a atuação num mercado competitivo e instável que é a área onde todas as relações de troca são realizadas. Em um tempo de tantas turbulências, surge a identificação da importância do planejamento estratégico que é a administração dinâmica com vistas na manutenção da atividade do empreendimento, através dos tempos. A proposta de planejamento estratégico começa por uma análise de ambiente, de onde são extraídas informações sobre seus pontos fortes e fracos, ameaças e oportunidades que sejam neutralizadas e exploradas respectivamente, nessa ordem, mesclando-se a isso temos a importância da ética permeando todos os processos administrativos. 6 METODOLOGIA Partimos de um referencial teórico constiuído a partir de pesquisa bibliográfica em autores da área de administração como Chiavenato, Ansoff, Certo; Kotler, na área de marketing e; Saquy e Caproni da área odontológica. O presente trabalho pautou-se em pesquisa de campo, utilizando-se como retórica para a coleta de dados , a observação do comportamento da classe odontológica e os referenciais empíricos da vivência profissional. Nosso campo de pesquisa compreende a prática profissional dos cirurgiões dentistas no mercado atual e os cursos de graduação para a formação dos profissionais de odontologia que disponibilizam informações em jornais especializados destinados à classe odontológica bem como na internet através de suas páginas. 7 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 09 CAPÍTULO I - Uma Revisão Histórica 11 I.1.Surgimento e a evolução da odontologia no Brasil 12 I.2.Curiosidades 13 I..3 .Administração Estratégica - surgimento e evolução 17 I. 4 A relação entre o exercício da odontologia e da adminsitração estratégica CAPÍTULO II - A Formação do Profissional de Odontologia 19 21 II.1. A capacitação técnica e a deficiência na formação para gestão de negócios da grades curriculares do cursos de Odontologia, no Brasil 22 II.2 Pós-graduação: um caminho a ser descoberto 24 CAPÍTULO III- A Administração Estratégica como fator de sucesso 29 na carreira odontológica como profissional autônomo III.1 Planejamento Estratégico 30 III.2 A importância da integração entre finanças, marketing e operações. 34 CONCLUSÃO 50 BIBLIOGRAFIA 52 8 ANEXOS 54 FOLHA DE AVALIAÇÃO 55 9 INTRODUÇÃO O Conselho Federal de Odontologia (CFO), órgão que regulamenta o exercício da odontologia no Brasil desde 1964, em pesquisas divulgadas no ano de 2000 mostra que havia naquele ano 155.000 dentistas sendo este número acrescido pelo aporte de mais 11.000 profissionais de odontologia que chegam anualmente ao mercado. Em tempos de globalização devemos atentar para o quanto é importante tomarmos consciência de uma das mais antigas leis da economia: a lei da oferta e da procura. Quanto maior o número de profissionais oferecendo o mesmo serviço, menor, o valor desse serviço no mercado. “Não podemos deixar de reconhecer o momento de transição por que passa a odontologia, e os profissionais devem estar preparados para atuarem neste novo contexto, onde estão inseridos no fenômeno da globalização e socialização dos cuidados de saúde que devem ser compreendidos em toda a sua complexidade” (Ricardo Massayuki Assada,2002, www.odontoartigos/mkt/cirugiao.asp.) As universidades pouco se dão conta da complexidade e das exigências desse fenômeno e continuam formando profissionais altamente tecnicistas que se especializaram em seguida mas que não estão preparados para perceber o consultório dentário como uma unidade organizacional que precisa ser gerenciada como tal ou para perceber o caráter global de sua atuação profissional. A necessidade de uma formação que envolva conhecimentos de gestão fica negligenciada e resulta numa alienação do profissional como afirma ASSADA: “A tecnificação do trabalho odontológico em detrimento das questões multifatoriais que compõem o 10 quadro atual, traz consigo uma alienação que direta ou indiretamente nos afeta” (ASSADA, Ricardo Massayuki,2002, www.odontoartigos/mkt/cirugiao.asp.) Esse trabalho pretende iniciar uma reflexão em busca do preenchimento da lacuna deixada pela formação acadêmica convencional, discutindo aspectos da formação e da gestão e sua relação com o sucesso profissional. Iniciando por uma revisão histórica que objetiva mostrar a evolução da odontologia, a evolução da administração estratégica e a relação entre as duas disciplinas na sociedade pós-industrial, analisando em seguida a formação do profissional de odontologia no Brasil através da apresentação da grade curricular do curso de odontologia nas várias regiões e concluindo com a demonstração da importância da administração estratégica como ferramenta imprescindível para o sucesso do profissional autônomo do século XXI. Como fazer sucesso em tempos tão confusos? Qual seria o diferencial para o sucesso de um cirurgião-dentista quando este opta pela carreira autônoma ? Essas questões,cada vez mais presentes no cotidiano dos cirurgiõesdentistas nos fazem crer que é necessário promover uma discussão em torno dessa questão. A discussão que iniciamos deve viabilizar a construção de respostas para as perguntas acima e provocar a transformação das questões em ações mais eficazes , com a ajuda da administração estratégica. 11 CAPÍTULO I UMA REVISÃO HISTÓRICA “Eu vejo o futuro repetir o passado... Eu vejo um museu de grandes novidades... O tempo não para.” (Cazuza) 12 CAPÍTULO I – UMA BREVE REVISÃO HISTÓRICA Todos os ofícios evoluem através dos tempos : uns se modificam e outros , simplesmente desaparecem por causa dos avanços tecnológicos. Quando analisamos percebemos como e com que rapidez o progresso aconteceu nos permitindo concluir que a profissão e a adequação desta às necessidades da sociedade caminham lado a lado. As evoluções vão surgindo, naturalmente, refletindo os anseios e a própria evolução do grupo social no qual ele está inserido. Conhecendo a história da profissão, podemos por analogia, tentar enxergar em que direção está indo, que necessidades sociais ela precisa atender, e por que tipo de transformação ela precisa passar para se adequar a um tempo onde a única constante é a mudança; característica da sociedade pós-industrial, onde o maior ativo é o conhecimento; ou seja: a informação aplicada de forma correta eficaz. “A partir de meados da década de 1950, houve uma aceleração e uma acumulação de eventos que começaram a alterar as fronteiras, a estrutura e a dinâmica do ambiente empresarial. As empresas passaram a se defrontar com desafios novos e imprevistos que eram de alcance tão longo que Peter Drucker chamou o novo período de “era de descontinuidade”. Daniel Bell usou o termo era pósindustrial.........A era da representou um esforço necessidades fundamentais produção em para satisfazer de conforto massa físico as e segurança da população. A era do marketing em massa elevou as aspirações em nível do conforto e da segurança por uma busca de riqueza. A era pósindustrial representa o advento da 13 riqueza.”(ANSOFF,H.Igor – Implantando a Administração Estratégica, p.28,29, ed. Atlas, 1993) A odontologia foi criada com o objetivo de solucionar os problemas que havia na cavidade bucal. Esculápio que viveu 13 séculos antes de Cristo teria sido o seu precursor, embora relatos mais antigos -contidos no papiro de Ebers relacionem 14 tipos de doenças bucais. Nesse tempo a sociedade necessitava de cura para os seus males .A ignorância da época, em relação ao que se conhece de conforto nos dias atuais, fazia com que só esse tipo de carência fosse percebido. Não havia o conhecimento de medidas de prevenção e a odontologia se desenvolveu com uma filosofia curativa. O tempo passou, as sociedades evoluíram , a necessidade de cura foi dividindo espaço com a conscientização para as necessidades de prevenção. Mas só isso: curar e prevenir foi ficando aquém dos desejos da sociedade que começou a exigir um profissional com visão holística; que o atenda, também, como ser social que tem anseios e outras necessidades que são muito maiores que restaurar ou substituir um dente perdido. Criou-se então a necessidade de aliar a formação técnica à formação humana e coordenar as duas faces da carreira usando ferramentas administrativas . Essa conclusão tornou-se possível graças ao conhecimento da história da profissão e suas relações com a sociedade. I.1. A EVOLUÇÃO DA ODONTOLOGIA NO BRASIL: A Carta Régia de 9 de novembro de 1629 e o Regimento do Ofício de cirurgião-mor de 1631 foram os primeiros documentos a regularizar a arte dentária no Brasil. Seu objetivo era autorizar e fiscalizar as pessoas que tiravam dentesJoaquim Silvério dos Reis (Tiradentes) foi a primeira pessoa a ser citada como entendido na arte de tirar os dentes. 14 O termo dentista surgiu em 1800, ano em que houve uma proposição de um Plano de Exames (cujo objetivo era autorizar o profissional a exercer o ofício de dentista) pela Real Junta que era responsável pela concessão de cartas e licenças para o exercício profissional. Nesses exames, o candidato ao ofício de dentista era avaliado em seus conhecimentos de anatomia, métodos terapêuticos e operatórios . Com a chegada da Família Real em 1808, o Brasil, começou a desenvolver-se mais aceleradamente. Houve nessa fase a criação das escolas de Cirurgião no Hospital São José, na Bahia e da Escola Anatômica e Médica do Hospital Militar que mais tarde se transformou em Faculdade de Medicina. Em 1856, o decreto nº 1754 tornava obrigatória a realização de exames, nas faculdades de Medicina do Rio de janeiro e Bahia para a obtenção do título de dentista. Vários decretos foram baixados no intuito de inibir a ação de charlatães mas foi no dia 25 de outubro de 1884 que por decreto de D. Pedro II, foi oficializado o curso de Odontologia. Em 1900, o pai da Odontologia Brasileira, Augusto Coelho e Souza publicou o livro : Manual Odontológico, ocupando lugar de destaque , na época na literatura brasileira; em 1922 e ainda hoje como história da odontologia. Coleho e Souza também publicou A História da Odontologia no Brasil desde a Era Colonial até os Nossos Dias.. Nas décadas de 20 e 30 houve uma grande preocupação com o exercício legal da odontologia e em 1933 a Faculdade de Odontologia separou-se da Faculdade de Medicina e passa a trilhar o seu próprio caminho e conquistar o merecido prestígio. Em 1964, refletindo os anos de repressão e controle do governo militar, foram criados o Conselho Federal de Odontologia e os Conselhos Regionais de odontologia (1 para cada estado). Instituições que permanecem até hoje e além de apenas fiscalizar,orientam para o exercício correto da profissão odontológica oferecendo cursos em suas sedes, bibliotecas e serviços de orientação jurídica. 15 A odontologia nos dias atuais é o resultado de anos de luta pela sua regularização e exercício digno sempre refletindo as necessidades dos profissionais da classe em relação ao exercício profissional e da sociedade , em relação a este profissional. O resultado desse trabalho é materializado nas propostas de mudança no Código de Ética Odontológica, com relação as normas de divulgação, a criação de várias especialidades como odontologia do trabalho, odontogeriatria, atendimento a pacientes especiais e outras autorizadas pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO) no ano de 2002 são o reflexo da atenção às necessidades tanto dos profissionais como da própria sociedade. Segundos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no ano de 2001, as mulheres são a maioria no exercício da profissão. Na parte técnico-científica houve muitas descobertas e a evolução vem sendo muito rápida, especialmente depois de o advento da internet que disponibiliza inúmeras facilidades que contribuem para o desenvolvimento profissional dos cirurgiões-dentistas. Como reflexo dos novos tempos, surgiu o ensino à distância. Cursos podem ser feitos via internet e já há até um mestrado a distância, viabilizado pela ABO RJ. Paradoxalmente, muitos brasileiros não tem condição econômica para freqüentar os dentistas .Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) deverá existir 1 dentista para cada 1500 habitantes, no Brasil essa relação é de 1 dentista para cada 1033 . Esses dados refletem que há profissionais suficientes para a demanda e que ainda assim há brasileiros que nunca foram ao dentista e que provavelmente só irão em caso de dor, e assim mesmo procurarão preferencialmente o atendimento público gratuito. Os planos na saúde pública são ainda deficientes. “Mesmo com todos os avanços, a Odontologia,atual....atravessa um momento delicado. Há uma excessiva oferta de faculdades, colocando no mercado, profissionais despreparados e cerca de 30% da população nunca foi ao dentista. Mas essas dificuldades , como comprovam os próprios CD’s no decorrer de sua história não são suficientes para 16 desistir da luta.”(VAZ, Andréa e Cols. Jornal da ABO RJ,p.23 , outubro de 2002) Nesse raciocínio surge a era da socialização da odontologia que se inicia com a oferta muito maior do que a procura, acompanhada de o surgimento das empresas de convênios e credenciamentos que em sua maioria remunera mal o profissional credenciado. “Tenho testemunhado a gravidade da situação.Os convênios espalhados pelo país afora, sem o mínimo de regulamentação através das entidades específicas, acham-se no direito de explorar esta mãode-obra farta do jeito que lhes aprouver. Após o ridículo de pagarem R$ 5,00 a R$ 8,00, em média por uma restauração de amálgama ou de resina composta, agora exigem também que os profissionais sejam especialistas em sua área de atuação....... Já fui informado que existem várias clínicas de atendimento a convênios que empregam CDs pagando-lhes uma comissão de 25% sobre os trabalhos executados, ou seja, numa restauração de R$ 5,00, o especialista que a executou receberá R$ 1,25.....(SANCHEZ, Reynaldo, ABO RJ, Jornal da, p.15). 1.2. CURIOSIDADES A RESPEITO DA ODONTOLOGIA: Os primeiros achados sobre odontologia, contidos no Papiro de Ebers, têm mais ou menos 56 séculos de existência. Eram relatos de doenças nos dentes e nas gengivas e mais ou menos 14 prescrições relacionadas a essas doenças. Nesse tempo não se separava a medicina em partes. 17 Sabe-se da existência de dentes com pivot entre os egípcios 15 séculos antes de Cristo. No séc. XVI é realizada a primeira coroa de ouro – quiseram que parecesse milagre de uma criança já Ter nascido com um dente de ouro ... No séc. XVIII Pierre Fauchard fundou a odontologia moderna que até então vinha sendo praticada por barbeiros. No séc XIX vários fatos ocorreram; desde a primeira mulher que exerceu a odontologia passando pela descoberta da anestesia, construção do 1º extirpa-nervos construído a partir de uma mola de relógio, a criação do curso de odontologia no Rio de Janeiro e Bahia por decreto imperial, Radiografias... No séc XX, muitas evoluções; as resinas acrílicas em 1940, a alta rotação em 1950, as resinas fotopolimerizáveis nos anos 70, laser como grande evolução nos anos 90. “O desenvolvimento de uma profissão é árduo e trabalhoso, principalmente em se tratando da arte de curar, porque implica em um trabalho no ser humano, para o ser humano e com o ser humano.”( PÉCORA Jesus Djalma; SILVA Ricardo Gariba, Manuel D. SOUSA Neto & SAQUY Paulo César, Orientação Profissional em Odontologia, p. 13, São Paulo, 1996) 18 I.3 ADMINISTRAÇÃO ESTRATÉGICA - EVOLUÇÃO Bem mais nova que a odontologia, a administração estratégica também vem evoluindo. O estudo da administração estratégica teve sua forma definida pela primeira vez após a fundação Ford e a Carnegie Corporation patrocinarem nos anos 50 a pesquisa no curriculum das escolas de negócios. Essa pesquisa batizada como Relatório Gordon-Howell . apresenta em sua conclusão a exigência de um ensino que tivesse uma natureza mais ampla e incluísse a disciplina Política de negócios que se baseava na análise de casos reais –identificação, análise e solução dos problemas. Com o tempo, as mudanças no mundo do trabalho,as mudanças sociais e econômicas, essa disciplina evoluiu para a que hoje se chama administração estratégica. Administração = ato de administrar (= manter o controle de um grupo ou situação). Estratégica vem de estratégia que é um termo militar que é definido com a arte de planejar, e executar movimentos e operações de tropas , navios, aviões visando alcançar e manter posições relativas e potenciais bélicos favoráveis a futuras ações táticas No dicionário Mini-Aurélio, estratégia significa “arte de aplicar os meios disponíveis ou explorar condições favoráveis com vistas a objetivos específicos”. “O conceito de administração estratégica tem evoluído através do tempo e continuará a evoluir. Como resultado, é perceptível a falta de consenso sobre o que precisamente o termo significa”(Kaiser M,1982, pág.6 anual Report) A administração estratégica busca criar uma vantagem competitiva através do conhecimento dos pontos fortes e fracos de uma organização em relação ao ambiente em que ela atua. E como o ambiente age na 19 organização através do oferecimento de ameaças e oportunidades para o negócio em questão. 1.4 A RELAÇÃO ENTRE O EXERCÍCIO DA ODONTOLOGIA E A ADMINISTRAÇÃO ESTRATÉGICA : E chegamos ao século XXI onde temos mais de 155 mil dentistas com o acréscimo de 11 mil formados todos os anos. A alta concorrência somada ao surgimento de novas relações de trabalho como as de convênios e credenciamentos além da exploração da mão-de-obra do recém-formado que é paga contrariando a todas as leis trabalhistas, nos faz pensar que para sobrevivermos num mercado tão competitivo precisamos saber administrar . As universidades pouco se dão conta que o tempo da profissão de elite, do profissional tecnicista, da alta remuneração, acabou. Hoje em dia se exige um profissional que tenha uma formação holística . “...Num mercado competitivo,se especializar não é mais o suficiente para torna-lo diferente e atrativo para os clientes ...” Podemos buscar um diferencial competitivo indo além do aspecto biológico, isto é , tendo como referência os aspectos psíquico e social de nossa atividade profissional”(Caproni, Roberto - Em Busca de Diferencial Competitivo de Mercado - artigo, 26/02/2002). Os dentistas se formam e em geral, o sonho é ter o seu próprio consultório que demanda além do conhecimento técnico-científico que exige constate atualização dada a evolução rápida de materiais e técnicas; o conhecimento das leis e normas que regem a profissão; além é claro de conhecimentos de finanças, marketing, operações; além de uma atualização constante com as notícias sócio-político-econômicas do mundo que o cerca. 20 O dentista dos dias atuais precisa se conscientizar que o consultório é uma empresa e que precisa ser gerido como tal. E a capacitação para gerirmos essa empresa, será que temos? A discussão que propomos deve provocar ações eficazes para o preenchimento dessa lacuna, levando os profissionais a refletirem sobre a união dos conhecimentos técnicos a ferramentas de administração. Falamos em guerra, e a administração estratégica é uma das armas para sobreviver e vencer num mercado tão competitivo. 21 CAPÍTULO II A FORMAÇÃO DO PROFISSIONAL DE ODONTOLOGIA NO BRASIL II. A FORMAÇÃO DO ODONTOLOGIA NO BRASIL: PROFISSIONAL DE 22 Há perto de 170 mil dentistas no país e mais de 11 mil são colocados no mercado todos os anos. A evolução de uma profissão liberal pode ser analisada sob vários ângulos;um deles, é o seu ensino de graduação. A evolução curricular, que é da maior relevância, se faz em consonância com várias determinantes, entre as quais se constituem como principais: ) a ampliação dos limites legais do exercício profissional ao longo dos anos, a responsabilidade social da profissão; ) a quantidade e qualidade de conhecimentos que se visa transmitir e uma delimitação precisa de cada área de atuação. ”Nos 1 08 anos de ensino odontológico no Brasil tivemos doze currículos: o primeiro no Império, e nove outros em fases republicanas diversas. O curso inicialmente foi de três anos (1884); depois reduzido inoportunamente para dois anos letivos (1891, 1893, 1901 e 1911); novamente elevado para três anos (1915, 1919, já que a tentativa de quatro anos não teve êxito, 1925 e 1931); elevado para quatro anos em 1962, permanecendo com o mesmo termo médio em 1970 e em 1982 admitido o termo médio de cinco anos. Os nove primeiros, de 1 884 a 1931, eram constituídos de cadeiras obrigatórias em todas as unidades do pais; e os três últimos formulados em dois ciclos distintos, um básico e outro profissional, integrados por matérias, que desdobradas em disciplinas, constituíam (e ainda constituem) o currículo mínimo obrigatório, ao qual facultava-se (e ainda se faculta) às Faculdades incluir outras, em caráter obrigatório ou optativo, formando-se o currículo pleno. O número de horas-aula das mil e poucas na fase 23 inicial elevou-se a pouco mais de quatro mil horas na atualidade. Há um excelente currículo odontológico proposto para a futura Faculdade de Odontologia da Universidade de Fortaleza (Fundação Edson Oueiroz) que se eleva a 4.635 horas-aula. A formulação curricular inicial, pioneira, ainda foi muito restritiva em materias básicas, adjetivando-as com o adjetivo "Dentária" (Histologia Dentária, Fisiologia Dentária por exemplo), fato depois corrigido, passando o ensino a ser feito em caráter geral e especial ou aplicado. Ampliaram-se necessárias matérias e, básicas incluíram-se absolutamente entre as chamadas profissionais, outras exigidas pelo progresso cientifico e tecnológico da Odontologia. O ensino ganhou maior majestade na prática. Exigiramse estágios obrigatórios e até atividades extra-murais. O ensino de caráter quase exclusivamente curativo, vem se integrando também com finalidades preventivas, que se vai aos poucos ampliando. Dessa sorte, tem-se buscado atender àqueles postulados exigidos da graduação, a fim de que se tenha melhor formação graduada, capaz de atender aos reclamos científicos e sociais da profissão, e, ao mesmo tempo, buscando-se aprimorar a formação profissional na pós-graduação.” (http://www.cro- pe.org.br/hist-pg14.html, em 16/01/2003). A concessão para criar faculdades de odontologia continua existindo. 24 Qual o fascínio que a carreira exerce nos jovens para que seja uma das mais concorridas nos vestibulares? II.1 A CAPACITAÇÃO TÉCNICA E A DEFICIÊNCIA NA FORMAÇÃO PARA GESTÃO DE NEGÓCIOS NAS GRADES CURRICULARES DOS CURSOS DE ODONTOLOGIA NO BRASIL : Em tempos de globalização, onde todas as áreas de conhecimento se renovam de forma assustadora, promover a alteração da grade curricular dos cursos de odontologia, tornou-se imperativo. Há uma predominância de disciplinas ligadas a parte curativa e preventiva das doenças bucais, há preocupação com programas voltados para a sociedade como atendimento a populações carentes, realizados por acadêmicos, durante o curso como estágio, o atendimento nas próprias universidades, a baixo custo etc. No entanto, há ainda uma enorme deficiência no preparo dos futuros cirurgiões-dentistas, no sentido de que serão futuros administradores de seus próprios consultórios. Disciplinas como finanças e marketing ainda passam longe das grades curriculares dos cursos de Odontologia no Brasil, deixando em seu rastro uma deficiência de preparo para o recém-formado que opta pela carreira autônoma se lançando no seu primeiro empreendimento profissional sem o adequado respaldo acadêmico nessa área. O profissional não tem em sua formação, uma visão econômicoadminstrativa; em suma : uma visão estratégica que é fundamental para a sobrevivência no mercado nos dias atuais. “A disputa de mercado na odontologia privada é acirrada. A cada ano, entram no mercado cerca de 10.000 novos profissionais .Soma-se a isso, o fato da clientela-alvo da atividade odontológica, constituída basicamente por segmentos das classes média e alta, não apresentar o mesmo crescimento. 25 Nesse ambiente extremamente competitivo, a capacitação técnica do cirurgião-dentista e a qualidade do serviço odontológico são requisitos obrigatórios mas não suficientes para o pleno êxito profissional. Não bastará ao cirurgião-dentista realizar excelentes restaurações ou próteses, o mercado exige, além do aprimoramento científico, a aplicação de técnicas administrativas que possam melhorar o seu profissionalismo e possibilitar a sua melhor inserção no mercado.” (ALCÂNTARA Mendez e Alexandre Augusto Loper – Artigo publicado na internet em maio/2002) O texto transcrito a seguir, da página da internet da Universidade Metodista de São Paulo, , reflete a priorização da formação técnico-científica a despeito da formação para gestão de uma carreira de profissional liberal e autônomo. “O CURSO O curso integra a Faculdade de Odontologia da Universidade Metodista de São Paulo. Seu objetivo principal é oferecer formação consolidada, preparando o odontólogo para atender às necessidades da população, com ênfase à Odontologia Preventiva, em que as comunidades carentes possam ser educadas para a preservação da saúde. A ação educativa do curso desenvolve-se em aulas teóricas, laboratórios específicos e clínicas. As atividades são conduzidas dentro e fora da Universidade, levando o aluno ao contato com a realidade e motivando-o à melhoria das condições de saúde do ser humano. A equipe docente do curso é 26 formada por cerca de 120 professores especializados e com ampla experiência profissional.... Duração: 10 semestres Período: integral/noturno Número de vagas: 80/80 Mercado de Trabalho A Odontologia é um campo de trabalho que, nos últimos anos, vem passando por um processo de reformulação, em virtude das exigências do mercado. Assim, ao mesmo tempo em que as áreas existentes acompanham as modificações, surgem várias novas opções de atuação para o odontólogo. Especializações como Geriatria, Clínica para Bebês e Odontologia Legal são exemplos de áreas que foram adequadas às condições atuais. Tanto no Grande ABC paulista quanto em outras regiões do país, cresce a demanda por novos profissionais, com formação generalista e qualificação profissional atualizada, direcionada às diversas possibilidades de atuação. A docência no Ensino Superior e a atuação em estudos avançados e projetos de pesquisa são outras opções de trabalho para o odontólogo.”(http://www.metodista.br/index.php, 16/01/2003) Transcrita da mesma página da internet , a seguir vejamos a grade curricular: “ A grade curricular do curso de Odontologia da Metodista estrutura-se de modo a promover a formação profissional qualificada. O currículo divide-se nos conteúdos básicos e profissionalizantes: 27 Conteúdos básicos: Ciências Morfológicas: Biologia, Evolução, · Histologia, Ciências Embriologia Fisiológicas: e Bioquímica, Anatomia Fisiologia e Farmacologia · Ciências Patológicas: Patologia Geral, Microbiologia, Parasitologia e Imunologia · Ciências Sociais: Filosofia, Ética e Cidadania e Psicologia aplicados à Odontologia · Metodologia Científica Conteúdos profissionalizantes: Propedêutica Clínica: Patologia Bucal, Semiologia e Radiologia · Clínica Odontológica: Materiais Dentários, Oclusão, Dentística, Endodontia, Periodontia, Prótese, Cirurgia e Traumatologia, · Prótese Odontologia Buco-Maxilo-Facial Pediátrica: Odontopediátrica e Patologia, Ortodôntica Clínica Preventiva · Odontologia Social: Saúde Coletiva, Orientação Legal, Profissional, Ética e Deontologia A grade curricular do curso de Odontologia da Metodista estrutura-se de modo a promover a formação profissional qualificada. O currículo divide-se nos conteúdos básicos e profissionalizantes: Conteúdos básicos: Ciências Morfológicas: Biologia, Evolução, · Histologia, Ciências Embriologia Fisiológicas: Bioquímica, e Anatomia Fisiologia e Farmacologia · Ciências Patológicas: Patologia Geral, Microbiologia, Parasitologia e Imunologia · Ciências Sociais: Filosofia, Ética e Cidadania e Psicologia aplicados · Metodologia Científica à Odontologia 28 Conteúdos profissionalizantes Propedêutica Clínica: Patologia Bucal, Semiologia e Radiologia · Clínica Odontológica: Materiais Dentários, Oclusão, Dentística, Endodontia, Periodontia, Prótese, Cirurgia e Traumatologia, ·Odontologia Prótese Pediátrica: Odontopediátrica e Buco-Maxilo-Facial Patologia, Ortodôntica Clínica Preventiva · Odontologia Social: Saúde Coletiva, Orientação Legal, Profissional, Ética e Deontologia “(www.metodista.br/index.php, 16/01/2003) A grade curricular totalmente despida de disciplinas sobre empreendedorismo e de gestão levando-nos à conclusão de que a formação não prepara para o mercado competitivo. 29 CAPÍTULO III A ADMINISTRAÇÃO ESTRATÉGICA COMO FATOR DE SUCESSO NA CARREIRA ODONTOLÓGICA COMO PROFISSIONAL AUTÔNOMO III.1 PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO A administração estratégica busca criar uma vantagem competitiva através do conhecimento dos pontos fortes e fracos de uma organização em relação ao ambiente em que ela atua. 30 Não há formulas mágicas. Há uma seqüência que se for bem observada leva a possibilidade de organização de estratégias de sucesso. “Uma organização pode obter diversos benefícios praticando apropriadamente a administração estratégica. Talvez o benefício mais importante seja a tendência de tais organizações aumentarem seus níveis de lucro.” (CERTO,Samuel C. & PETER,J. Paul Administração Estratégica - Planejamento e Implantação da Estratégia p.8, São Paulo, 1993) Começamos componentes pela análise de ambiente externo, analisando sócio-econômicos, político, legais pois dessa forma conheceremos o mercado (o conjunto de regras formais e informais que coordenam as trocas de bens e serviços entre as pessoas) onde estamos inseridos e queremos vender os nossos serviços. Da análise do ambiente externo é que resulta o conhecimento das possíveis ameaças e oportunidades. Partimos então para o ambiente interno onde analisaremos o nosso serviço . Da análise de ambiente interno, resulta a percepção dos nossos pontos fracos (weakness), que devem ser eliminados e os pontos fortes (strenghtness) que devem ser explorados. Claro que a divisão de análise de ambiente é didática pois sempre o ambiente externo estará em relação com o ambiente interno. As ameaças, oportunidades, fraquezas e pontos fortes serão sempre resultado dessa relação. A Análise de Ambiente pode ser relatada de várias formas, mas adotando as diretrizes de Samuel C. Certo & J.Paul Peter trabalharemos aqui com a a matriz SWOT que é uma sigla formada pelo acrônimo palavras em inglês que representam pontos fortes (stranghtness), fraquezas (weaknesses), ameaças (threats) e oportunidades (oportunities). Que depois de conhecidas nos permitirão traçar a missão e objetivos da empresa. 31 Após a anaálise, se faz o plano estratégico que se baseia em: explorar os pontos fortes, eliminaros os pontos fracos, aproveitar as oportunidades vislumbradas, na análise de ambiente e neutralizar as ameaças que foram previamente detectadas. Para que todos esses passos sejam cumpridos, são necessários planos nas seguintes áreas: operacional (processos de produção e qualidade), financeira (lucro, investimentos, custo) e marketing (relacionamento com o cliente eu é a fonte do lucro, razão da existência da empresa). Segundo Ansoff, “o processo de planejamento estratégico produz dois conjuntos de metas e objetivos: operacionais, para a geração de lucros a curto prazo e estratégicos para o desenvolvimento potencial de lucros futuros”. Ainda segundo Ansoff, as metas de lucro são convertidas em planos de operações enquanto as metas de desenvolvimento são traduzidas em planos de inovação (também chamados de planos de desenvolvimento). A esses planos integrados e mais o controle deles através de alguns instrumentos de mensuração, chamamos de planejamento estratégico. Feito o planejamento estratégico, há um período onde ele será implantado, onde a comunicação é fundamental e a fase seguinte é de controle em que se faz numa comparação entre os resultados planejados e os resultados conseguidos e se necessário (e, geralmente o é) passamos à fase da correção. Ao se fazer o planejamento estratégico deve-se ter em mente algumas questões como : onde se está, como se está, para se vai, como se vai e em que tempo se quer chegar ao destino final (objetivo). É como planejar uma viagem: o ponto de partida (uma avaliação crítica, de formação profissional, bagagem – coisas úteis e inúteis), o meio de transporte (veículo), os caminhos por onde vamos passar ( as correntes e ventos a favor = oportunidades), que tipo de auxiliares serão necessários o empreendimento fornecedores e pessoal auxiliar) e principalmente , o lugar onde queremos chegar, em que prazo chegaremos ao destino (objetivo). 32 “Não existe uma forma ideal de se realizar um análise ambiental. Entretanto, determinar a relevância para a organização dos diversos níveis ambientais, bem como das diversas questões estratégicas, pode ajudar a melhorar a qualidade da análise ambiental independente do método usado. Diversas técnicas estão disponíveis para ajudar a administração a desenvolver uma análise ambiental valiosa. O exame ambiental é a técnica através da qual o administrador revê as informações derivadas de diversos níveis de ambientes organizacional para manter no mesmo nível as questões ambientais e os eventos críticos. A análise de riscos e oportunidades não apenas ajuda os administradores a organizar a informação ambiental, como também, força-o a formular conclusões baseadas nessa informação. A previsão ambiental é a técnica por meio da qual os administradores tentam prever as características futuras do ambiente organizacional e, conseqüentemente, tomar decisões que ajudem a empresa a lidar com o ambiente de amanhã.” (CERTO, Samuel C.& PETER, J. Paul, Administração Estratégica – Planejamento e Implantação da Estratégia,1993, p. 69) Da análise da matriz SWOT surgem os a definição da missão do empreendimento, sua visão e seus objetivos. A missão é a razão pela qual o empreendimento existe.A declaração de missão é o resumo e a documentação da missão do negócio que contém que tipos de clientes pretende atender, que serviços se vai prestar,qual a tecnologia será empregada,a imagem pública que se tem e que se quer construir, quais os seus valores mais importantes. A declaração de missão é importante, pois ajuda a manter os alvos do negócio, em mente. Poupa tempo, ao passo que evita que o empreendedor 33 persiga propósitos conflitantes, permite que os recursos, o lucro do consultório ou clínica dentária, por exemplo sejam investidos em áreas necessárias, evitando os desperdícios e os desvios na rota estabelecida. “Uma missão organizacional deve ajudar a concentrar o esforço, garantir a compatibilidade dos processos organizacionais, fornecer uma razão lógica para a alocação de recursos, indicar as áreas gerais de responsabilidade funcional e fornecer os fundamentos para os objetivos organizacionais. Normalmente, a missão está voltada para os tópicos de produtos ou serviços, marketing e tecnologia da companhia e os objetivos, filosofia, autoconceito e imagem da companhia.”(CERTO, Samuel C.& PETER, J. Paul, Administração Estratégica – Planejamento e Implantação da Estratégia,1993, p. 104) Estabelecida a missão partimos para a determinação e o desenvolvimento dos objetivos que podem ser de curto ou longo prazo. Da mesma forma que é necessária a seleção de materiais, a divisão em tempos operatórios torna-se importante, além do planejamento clínico, um planejamento econômico e financeiro. O planejamento estratégico gerará planos estratégicos ligados às diversas áreas do empreendimento como marketing, operações e finanças que são interligadas entre si, conforme poderemos concluir mais adiante. 3.2 A IMPORTÂNCIA DA INTEGRAÇÃO ENTRE MARKETING, FINANÇAS E OPERAÇÕES . Segundo Phillip Kotler, marketing é a ciência e a arte de conquistar, manter e desenvolver relacionamentos lucrativos com os clientes. 34 Essa conquista, manutenção e lucratividade envolve os seguintes passos: localizar e atrair clientes em potencial, “vender” o serviço pela primeira vez, manter e fazer com que essa “venda” cresça através de indicações. Para que esse processo ocorra o dentista deve ter em mente alguns conceitos de marketing como, por exemplo, a diferença entre cliente e usuário; cliente é quem paga pelo serviço e usuário é quem o usa. Isso parece o óbvio mas pode ser bastante relevante para a preparação de um plano estratégico. Especialmente porque nos dias atuais a relação com convênios e credenciamentos faz parte da realidade da maioria dos dentistas. Devemos compreender que quando há o credenciamento por algum convênio, o cliente é, em geral, o convênio (remunera os serviços em um prazo médio de 30 a 60 dias após a apresentação da fatura, relatório de serviços prestados ou qualquer outro documento correspondente) “A Fatura é um documento de caráter essencialmente comercial que deve ser emitido nas vendas a prazo com vencimento superior a 30 dias.”(RIBEIRO, Osni Moura, Contabilidade Básica,Ed. Saraiva,1999, p.282). O paciente, na maioria dos casos fica numa situação mista de cliente e usuário; uma vez que nem todos os serviços são remunerados pela empresa com quem o convênio ou credenciamento foi realizado. O primeiro passo na preparação de um plano estratégico em marketing é analisar a relação entre o serviço e o consumidor que para o dentista já é desfavorável . Segundo Kotler, "A Odontologia, o serviço funerário, vasectomia e as vacinações possuem demanda negativa e ninguém gosta e paga para evitá-los. “A primeira etapa na preparação de uma estratégia de marketing é analisar a relação consumidor/produto..(CERTO, Samuel C.; PETER, J. Paul, Administração Estratégica – Planejamento e Implantação da Estratégia,1993,p.412) 35 O marketing tem a função de encantar os pacientes. Podemos diminuir essa rejeição através de um trabalho sério em cima dos 4 P’s que constituem o mix de marekting: preço, praça, produto e promoção;e do 5º P de que nos fala Roberto Caproni, que se refere a pessoa (ao indivíduo, sua percepção, seu comportamento em relação ao seu grupo social). Esse 5º elemento representado pela palavra pessoa é que é a razão do marketing é a razão de todo o empreendimento na área de prestação de serviços. Só existirá preço se houver quem pague por ele; um consultório só será bem localizado (praça/ponto) se levarmos em consideração, as pessoas que chegarão até lá; o serviço que é representado, genericamente pelo P do produto (Kottler, classifica serviço como produto/serviço.), só será possível em função da pessoa que chega ao consultório para se tornar nosso paciente/cliente e a promoção desse serviço que não tem uma embalagem objetiva, uma vez que é um serviço também só será feita se tivermos a oportunidade de oferecermos ao nosso cliente a percepção da qualidade que oferecemos (mais uma vez a relação entre o P do marketing e a pessoa-indivíduo) Há aspectos peculiares, na venda e uso de serviços, que precisam ser reconhecidos para efeito da aplicação de técnicas de marketing nesta área. Os serviços são intangíveis, isto é, não é possível ver suas características antes dos mesmos serem comprados e usados pelos usuários. Serviços não podem ser colocados em " estoque" ou seja, devem ser produzidos e usados no momento da transação, por exemplo: quando um cliente perde um horário marcado no dentista, o profissional não colocar em estoque a hora ociosa; da mesma forma se não houver horas marcadas o horário vazio do profissional será inevitavelmente perdido em termos de renda. Outra diferença entre serviços e produtos está no fato de que quem presta o serviço deverá necessariamente estar em contato com quem 36 recebe, por exemplo: uma restauração só poderá ser feita se o dentista estiver perto do cliente. Pode-se afirmar que os serviços ao contrário dos produtos variam muito mais em termos de qualidade e eficiência, por estas razões afirmam os mercadólogos que os serviços são de natureza "inconsistente". Nesse caso, todos os aspectos deste contato funcionam como “embalagem” para este “produto” intangível que é o serviço. A ambiência: um consultório ergonômico e organizado; uma aparência impecável do dentista e de sua equipe auxiliar, pontualidade no atendimento, arquivos bem organizados e funcionais, presteza resultaram em segurança e, geralmente, se traduziram como eficiência, aos olhos do cliente diminuindo os efeitos da rejeição ao consumo dos serviços odontológicos e de sua demanda negativa. Outro fator importante para plano de marketing em serviços odontológicos e para trabalharmos os 4 P’s é a segmentação de mercado, ou seja, focalizar os potenciais clientes de acordo com algumas características básicas que definirão que tipo de clientes temos, teremos ou que queremos ter. “A segmentação de mercado é o processo de divisão de um mercado em grupos de consumidores similares e seleção do grupo ou grupos mais adequados.” (CERTO Samuel C ; PETER Jean Paul, Administração Estratégica p. 412 ,1993) Essa segmentação,entre outras coisas, poderá ser geográfica, por renda, por cultura e até por hobby ,como por exemplo, um dentista que segmentou seu público e faz o seu atendimento voltado para os surfistas. Existem dentistas que buscam seus potenciais clientes em grupos evangélico, por exemplo;e em cima dessa segmentação é que se trabalham os 4 P’s. Seria muito difícil, por exemplo, um dentista com um consultório em Madureira - zona norte do Rio de Janeiro onde não há praia - investir em 37 atendimento a surfistas. Aqui haveria uma dificuldade do P que significa ponto. Abrir consultório em Madureira para atender a surfistas é insensato e tenderia ao fracasso. Assim como, montar um consultório num bairro de classe média baixa e querer oferecer os melhores serviços em prótese sobre implantes é querer fracassar em seus empreendimentos porque a condição financeira da maioria dos moradores do bairro não comporta esse tipo de serviço. Digamos que anunciar o produto num lugar incompatível com a sua necessidade prejudicaria mais 2 P’s: o de produto/serviço e preço Para o plano de marketing, também se estabelece a missão, a visão e finalmente, as ações. O plano de marketing se utilizará da análise de ambiente e verá quais os pontos fortes que precisam ser explorados; o marketing tem a função de fazer o cliente perceber as nossas qualidades. As estratégias do marketing estarão voltadas para fazer aumentar a percepção da qualidade de nossos serviços pelos clientes e sendo assim, eles se tornarão os vetores de nossa propaganda a literal, ética e oportuna propaganda boca a boca. Divulgação que nos é valiosíssima, uma vez que somos limitados pelo Código de Ética Odontológica nos artigos 29º a 32 º que abrange as pessoas físicas e jurídicas, no sentido da divulgação dos serviços odontológicos que prestamos. “Odontologia obedecerá ao disposto neste Capítulo e às especificações dos Conselhos Regionais, aprovados pelo Conselho Federal. Seção l Do Anúncio, da Propaganda e da Publicidade Art. 29º. Os anúncios, a propaganda e a publicidade poderão ser feitos através dos veículos de comunicação, obedecidos os preceitos deste Código e da veracidade, da decência, da respeitabilidade e da honestidade. 38 Art. 30º. Nos anúncios, placas e impressos deverão constar: - o nome do profissional; - a profissão; - o número de inscrição no Conselho Regional. Parágrafo único. Poderão ainda constar : I - as especialidades nas quais o cirurgião-dentista esteja inscrito; II - os títulos de formação acadêmica "stricto sensu" e do magistério relativos à profissão; III - endereço, telefone, fax, endereço eletrônico, horário de trabalho, convênios e credenciamentos; IV - instalações, equipamentos e técnicas de tratamento; V - logomarca e/ou logotipo; VI - a expressão "CLÍNICO GERAL", pelos profissionais que exerçam atividades pertinentes à Odontologia decorrentes de conhecimentos adquiridos em curso de graduação. Art. 31º. Constitui infração ética: I - anunciar preços e modalidade de pagamento; II - anunciar títulos que não possua; III - anunciar técnicas e/ou tratamentos que não tenham comprovação científica; IV - criticar técnicas utilizadas por outros profissionais como sendo inadequadas ou ultrapassadas; V - dar consulta, diagnóstico ou prescrição de tratamento por meio de qualquer veículo de comunicação de massa, bem como permitir que sua participação na divulgação de assuntos odontológicos deixe de ter caráter exclusivo de esclarecimento e 39 educação da coletividade; VI - divulgar nome, endereço ou qualquer outro elemento que identifique o paciente, a não ser com o seu consentimento livre e esclarecido, ou de seu responsável legal; VII - aliciar pacientes; VIII - induzir a opinião pública a acreditar que exista reserva de atuação clínica para determinados procedimentos; IX - anunciar especialidade odontológica não regulamentada pelo Conselho Federal de Odontologia; X - divulgar ou permitir que sejam divulgadas publicamente observações desabonadoras sobre a atuação clínica ou qualquer manifestação relativa à atuação de outro profissional. Art. 32°. Às empresas que exploram os vários ramos da Odontologia, tais como clínicas, cooperativas, planos de assistência à saúde, convênios, credenciamentos, administradoras, intermediadoras, seguradoras de saúde e congêneres aplicam-se as normas deste Capítulo. (CÓDIGO DE ÉTICA ODONTOLÓGICA, CFO, 2003 , www.crorj.org.br, fevereiro 2003) Em relação a qualidade dos serviços odontológicos, isso remete aos processos de produção e operações. Conceitos como ergonomia e produtividade, implantação de programas como o dos 5 S’s poderão ser úteis não só aos processos produtivos, mas também a saúde do cirurgião-dentista e pessoal auxiliar prevenindo lesões e doenças ocupacionais que são as moléstias resultantes do exercício profissional quando exercido fora das condições padronizadas pela OMS -Organização Mundial de Saúde. 40 Além de ser um excelente ponto a ser explorado pelas estratégias de marketing,na letra P de promoção, dentro de um mix de marketing. Poderá ser trabalhada no sentido de embalagem do serviço. Por exemplo , os processos de biossegurança utilizados no consultório, a organização de fichas e materiais, o aspecto visual do ambiente tudo isso é também marketing . Sinais que são percebidos ou poderão ser percebidos como fator de diferenciação,para bem e para mal, aos olhos do cliente/usuário. Esses conjuntos de sinais são percebidos pelos clientes especialmente em tempos de AIDS, Hepatite C, e outras doenças divulgadas pela mídia ,no caso dos procedimentos de biossegurança; e a eficiência que pode ser divulgada através da organização do ambiente,materiais, equipamentos, fichas, esterilização ou seus sinais visíveis para os pacientes. Quando Kottler compara serviços odontológicos e serviços funerários em relação a rejeição pelos possíveis clientes muito provavelmente o desconforto alegado , no caso dos serviços odontológicos pode ser um ponto negativo que facilmente transformaremos em positivo através da utilização das estratégias de marketing; utilizando processos de qualidade podemos diminuir esse desconforto atribuído ao atendimento odontológico,fazendo com que as medidas de segurança sejam percebidas pelos clientes e se reflitam num comportamento mais calmo . A respeito do 5º P do marketing: aquele que se refere à pessoa (cliente e/ou usuário), encontra-se na citação a seguir, de data de 1926, uma tradução clara, embora antecipada, do cliente como peça chave no processo de prestação de serviços. “MARKETING Um comerciante, qualquer que seja, não é mais do que um servidor do público, ou de um público; e recebe uma paga,a que chama o seu “lucro” pela prestação desse serviço. Ora toda a gente que serve deve, parece-nos, buscar agradar a quem serve. Para isso é preciso estudar a quem serve - mas estudá-lo sem preconceitos nem antecipações, partindo, não do 41 princípio de que os outros pensam como nós, ou devem pensar como nós - porque em geral não pensam como nós - mas do princípio de que, se queremos servir os outros (para lucrar com isso ou não), nós é que devemos pensar como eles. O que temos de ver é como eles efectivamente pensam, e não como nos seria agradável ou conveniente que eles pensassem”. (PESSOA,Fernando Revista de Contabilidade e Comércio, Março de 1926). Nesse ponto, a qualidade se intercepta o marketing e vice-versa. Além de realizarmos o nosso serviço direcionando para erro zero, podemos diminuir o desconforto do paciente através de processos de qualidade. A implantação da qualidade no 1º atendimento (que começa no primeiro contato telefônico) onde a secretária, pode ser comparada a embalagem do serviço . Uma acolhida simpática por parte da mesma já diminui o desconforto fazendo aumentar as chances de o paciente comparecer à consulta marcada. Em um outro momento, a qualidade no atendimento que se traduz por: cordialidade,segurança e eficiência no momento em que o paciente está em contato direto com o profissional e com seu consultório. Nisso está incluída a divulgação dos nossos processos de qualidade como oferecer ao paciente um informativo sobre as questões de biossegurança - conjunto de medidas de desinfecção, esterilização e ergonomia, fazê-lo perceber a qualidade do nosso produto/serviço. A administração estratégica também se remete muito a questão dos processos produtivos e programas de qualidade , dos custo que em última análise, devem ser reduzidos ao máximo a partir de o planejamento estratégico. Quando bem estruturado, terá como resultado um consultório ergonômico que evitará o re-trabalho, produzirá a economia de materiais e tempo como afirma a Health Latin América em uma de suas pesquisas. 42 Como se sabe, a ergonomia busca uma melhor relação do homem com o seu ambiente de trabalho que resulta numa economia de tempo, de saúde, de dinheiro à medida que otimiza o espaço e o tempo diminuindo assim, o desgaste do profissional e de sua equipe. “Uma das causas da baixa produtividade pode ser o desconforto que entre as suas várias causas está diretamente ligada à adequação do corpo frente a um determinado equipamento. A questão da iluminação, que além de poder causar danos a visão, contribui significativamente na baixa pessoal da capacidade de produção de uma pessoa, quer seja em um escritório, indústria, como até mesmo em ambientes de trabalho mais sofisticados. Além disso, os ruídos e mudanças de temperatura também influem negativamente neste processo.”Copyright © 2000 eHealth Latin America Um consultório dentário tem seus custos de funcionamento. Esses custos poderão ser divididos em custos fixos como,por exemplo: aluguel, tarifas mínimas de água e energia elétrica, ISS, salário e encargos de funcionários e custos variáveis ,como por exemplo: pulsos telefônicos, material dentário, material de escritório, por exemplo.. Os processos de qualidade, através de ergonomia entendida como uma melhor relação entre dentista e equipamentos/ambiente de trabalho são imprescindíveis na hora do controle de custos, uma vez que permitem diminuí-los através da economia de material e tempo: e da diminuição do desgaste do profissional no ambiente de trabalho. Uma das ferramentas da qualidade é a implantação do programa dos 5 S’s que consiste na aplicação de 5 princípios denominados sensos que em japonês seriam plavrascomeçadas pela letra S como nos deifne a profª Emília Parentoni ,em sua apostila sobre qualidade, trabalhada no Projeto A Vez do Mestre no ano de 2002. O 1º Senso (seiri) é o da utilização. Ele trabalha o descarte e facilita as primeiras ações; uma vez que se refere à identificação, classificação e remanejamento de recursos que não úteis ao fim desejado, livrando o local 43 de trabalho de tudo que é desnecessário. No consultório dentário, devemos descartar embalagens, panfletos, correspondências desnecessárias, tabelas antigas, etc... O 2º Senso (seiton) é o de Ordenação e este se refere a posição sistemáticade objetos e dados aplicando-se a realidade do consultório da seguinte forma: instrumentais e materiais na ordem dos tempos operatórios, por exemplo; fichas , relatórios e documentos de convênios arrumados em ordem de data de entrega, evitando assim a perda de prazo, e a postergação do pagamento por parte dos convênios e credenciamentos, as fichas arrumadas em ordem alfabética, facilitando seu acesso e diminuindo o tempo de atendimento e o desgaste do profissional. O 3º Senso (seiso) é o da limpeza e também conservação do ambiente e equipamentos, critérios pré-estabelecidos de desinfecção resultando em maior saúde para os profissionais e pacientes que circulam pelo loca O 4º Senso (seiketsu) é o da saúde, manter condições físicas favoráveis como iluminação, postura, arejamento do ambiente, cuidando da aparência e da higiene nos mínimos detalhes, eliminando os agentes agressivos ao trabalho. O 5º Senso (shitsuke) é o de autodisciplina é o cumprimento rigoroso das normas estabelecidas para o funcionamento do programa 5 S.Buscando o desenvolvimento individual através do autocontrole, e equilíbrio. Um dos pontos de intercessão da qualidade e do marketing é a parte tangente a pesquisa de opinião junto aos clientes já que segundo Corwin Edwards, “qualidade consiste na capacidade de satisfazer desejos” . Pensando estratégcamente devemos nos preocupar com a eficácia da Administração financeira e com o lucro. Pode-se dizer que o lucro de forma simplificada, é o resultado das entradas de dinheiro subtraído das saídas (pagamentos de contas de material dentário, aluguel etc...) :. Isso significa exemplo, ser possível diminuir o custo da hora clínica, reduzindo o custo de material, através de pesquisa de preços nas dentais-lojas de material dentário, é possível ainda, negociar prazos e repassa-los aos nossos clientes, aumentando a possiblidade de relacionamento com eles. Com 44 material mais barato e maior número de clientes com melhores condições de pagamento estaremos, automaticamente, aumentando o nosso lucro. Saber o quanto custa a hora clínica também é um fator de relevância para o planejamento estratégico do dentista. Para saber o quanto custa, o profissional deve ter um controle de todos os procedimentos, custos fixos e custos variáveis de seu estabelecimento. Custos são todos os recursos empregados na execução de um serviço. Eles se dividem, como já vimos, em custos fixos e custos variáveis. Os custos fixos são aqueles que não se alteram. Valores como pagamento de aluguel, tarifa mínima das concessionárias de serviços públicos tais como telefone, água, energia elétrica. São valores que continuam a ser pagos, nas férias por exemplo, mesmo que o consultório permaneça fechado. Os custos variáveis são os que se modificam em razão de uma maior ou menor produção de serviços. Neles estão embutidos os pulso excedentes de telefonia, as compras de material nas dentais, a variação além da taxa mínima de energia elétrica, a remuneração ao protético, gastos com transporte de funcionários,correios etc. Para saber se um empreendimento está tendo lucro, numa análise simplista devemos ver a seguinte equação contábil: lucro = receitas - custos . As receitas -entradas de dinheiro- surgem do aporte de pacientes ao consultório, somado aos processos de qualidade que otimizam o tempo, os custos e mantém a saúde do empreendimento, do profissional e de sua equipe . Para que seja possível coordenar e otimizar resultados, é fundamental o conhecimento de alguns termos financeiros e suas aplicações. O planejamento tributário torna-se peça chave para o controle e a redução de custos além do que , através de sua observação o profissional autônomo estará apto a decidir permanecer como pessoa física para o exercício profissional ou se transformar em pessoa jurídica. Compreender regulamentação da Receita Federal em relação ao imposto de renda, pode ser um grande instrumento para o profissional; uma 45 vez que o cirurgião-dentista paga imposto de renda como qualquer outra pessoa física que não tem gastos no exercício de sua profissão. A compreensão disto poderá ajudar o profissional a deduzir do seu imposto, além das deduções com dependentes, despesas médicas, pensão alimentícia, entre outras; as despesas necessárias ao seu exercício profissional. Despesas estas, que devem estar escrituradas no livro-caixa. O planejamento estratégico, no que tange às finanças tem a função de organizar os números do funcionamento, fazendo com que esses resultados possam ser otimizados refletindo uma correta alocação de recursos, manutenção da qualidade de vida e manutenção do prestígio social do cirurgião-dentista, bem como de sua equipe. “Verifique a origem dos seus clientes e a receita gerada por cada um dos diferentes grupos de clientes atendidos por você. Mensure a receita bruta mensal, o lucro líquido, as despesas, o grau de satisfação dos seus clientes, o número de novos clientes e o percentual de clientes que retornam após a 1ª consulta para Transforme fazer todos o estes tratamento. dados em informações gerenciáveis que possam ser utilizadas para provocar mudanças na sua forma de conduzir a sua vida profissional. Este será o seu mapa, o que orientará você na tomada de decisões, impedindo-o de errar o caminho em direção ao seu objetivo: melhor resultado financeiro, qualidade de vida e prestígio social.”(CAPRONI, www.caproni.com.br- julho 2002). As estratégias financeiras para o funcionamento de um consultório podem ser extremamente simples, com registros em livro diário, livro-caixa, fluxos de caixa e planejamento mensal, trimestral, semestral e anual de todos os processos empregados . Para ajudar a ajustar a percepção estratégica pode-se utilizar, entre outras ferramentas, manuais e/ou eletrônicas, um plano de contas que é um 46 resumo de todas as entradas e saídas de dinheiro durante um período de tempo,geralmente 1 mês. O plano de contas é um resumo do livro caixa uma vez que classifica as informações nele contidas em custos fixos e variáveis permitindo após sua análise, uma planificação mais ajustada em relação a custos. De posse dessas informações pode-se elaborar um fluxo de caixa uma planilha organizada sob forma de gráfico ou tabela, onde registram-se entradas e saídas de recursos provisionados -que ainda não ocorreram mas que estão certos de ocorrer. O Fluxo de caixa é a distribuição de receitas e despesas pela linha de tempo. O livro-caixa é escriturado com base em fatos já ocorridos, o fluxo de caixa é uma programação que ajuda no planejamento estratégico, uma vez que a partir de sua consulta pode-se decidir, por exemplo, a melhor hora de comprar um material ou equipamento, o melhor período para férias e outras informações estratégicas. Por isso, um controle bem detalhado deve ser feito, visando corrigir as possíveis falhas do planos estratégicos de cada área - marketing, operações e finanças- reconduzindo rumo aos objetivos pré-estabelecidos, se for o caso. Os relatórios e registros contábeis são fundamentais para o controle das estratégias dos profissionais autônomos da odontologia. Por isso, além de o apoio de um contabilista, o profissional precisa de livros específicos para registro e da elaboração de estudos baseados nestes relatórios e ações compatíveis com as informações que eles fornecem. A fase de controle do planejamento estratégico fundamenta-se em um processo decisório com base em dados e fatos; viabilizado da análise dos documentos e processos operacionais do consultório ou clínica; ajustando ou alterando esses mecanismos (os processos) para que as ações não escapem das metas do planejamento estratégico. Quando a avaliação é concluída decidindo-se por alterar uma das fases, um novo plano é feito, implementado e novamente controlado fazendo 47 da administração estratégica um processo dinâmico e contínuo, em sua essência. Não se pode deixar de ressaltar a responsabilidade social do empreendimento odontológico. Uma vez estabelecido, o cirurgião-dentista precisa estar ciente de que 5 entes precisam ser atendidos quanto a esse quesito: proprietários, empregados, clientes, fornecedores e comunidade onde atua. “Uma empresa tem responsabilidades éticas para com proprietários, empregados, clientes, fornecedores, a comunidade onde ela opera e o público em geral.” (THOMPSON JR., Arthur A. ; STRICKLAND III, A. J.,Planejamento Estratégico- Elaboração Implementação e Execução). Em relação a responsabilidade social, todo negócio tem responsabilidade para com 5 elementos: o proprietário, os funcionários, os clientes , os fornecedores e a comunidade onde ela presta os seus serviços. Com o proprietário, a responsabilidade de tornar o investimento lucrativo, recompensando-lhe os esforços e capital empregado; para os empregados, uma estratégia ética é a que visa seu bem estar físico, mental e social garantido-lhe viver em condições de dignidade, recompensando-lhe pelo esforço empregado na consecução das metas estabelecidas na estratégia; com o cliente a responsabilidade se reflete na satisfação da expectativa criada na venda do serviço (ou seja procedimentos técnicocientíficos atendidos e visão holística do ser humano);com o fornecedor honrando os compromissos dentro de acordos pré-estabelecidos etc.,com a comunidade é ético pagar os impostos, tomando os cuidados com os ataques que possa fazer ao meio-ambiente e respeitando todas as normas leis que a sociedade impõe aos negócios na área de saúde. 48 CONCLUSÃO 49 Em um tempo de profundas transições no Brasil e no Mundo, devemos , cada vez mais estar cientes do quanto todos os fatores externos ã nossa profissão nos afetam. Num mercado onde a taxa de crescimento prevista para os próximos anos é para em torno de 2 a 3% traduzida economicamente pela retração de consumo o que significa aumento de concorrência e competitividade, aliado à redução das faixas salariais e aumento da pobreza, a luta por um lugar ao sol é intensificada. A preparação para uma verdadeira guerra é fundamental no sentindo de poder continuar a existir enquanto profissionais liberais e autônomos. É preciso excelente na nossa formação técnica e a ela, devem ser agregados conhecimentos de economia, de legislação, de sociedade; e em fim, de toda a complexidade que nos cerca pois todos esses fatores compõem o mercado competitivo onde atua ou irá atuar o dentista autônomo. Vivemos na era da informação; leva vantagem, o profissional que tem visão holística e capacidade de compreender a complexidade e de selecionar as informações que lhe permitirão traçar a diretriz para os seus negócios. É fundamental a compreensão de que haverá maiores chances para aqueles que agregarem ao seu conhecimento os princípios e técnicas da administração estratégica. De posse de todas essas armas, uma vez que estamos fazendo uma comparação com a guerra, o profissional de odontologia; seja ele veterano ou recém-formado, aumentará suas chances de sobrevivência num mercado tão recessivo. Entendendo sobrevivência em tempos de recessão como sucesso é possível afirmar que o sucesso pertencerá àqueles que estrategicamente conseguirem sobreviver. 50 ANEXO INTERNET Ano V - Nº 61 - fevereiro de 2003 - 1ª Quinzena Dr., invista no seu desenvolvimento profissional Maria Cristina S. Amorim* Eduardo B. F. Perillo** Que tal refletir sobre a formação e atuação do odontólogo no Brasil e sua inserção no assim denominado ‘mercado’, visto que um novo ano e um novo governo se iniciam? Para começar, alguns conceitos-chave. Primeiro, mercado, essa entidade pairando sobre tudo e todos, é tão somente o conjunto de regras formais e informais que coordenam as trocas de bens e serviços entre as pessoas, seja ele mais livre, conforme os interesses dos agentes econômicos, ou mais controlado por instituições e leis. Quanto mais livre o mercado, mais favorável será aos agentes de maior poder econômico e/ou político. Quando a taxa de crescimento da economia é muito elevada, digamos 6% ao ano, afirmamos que o mercado é comprador, pode-se vender serviços e produtos sem muito esforço. Quando a taxa de crescimento é pequena, há muita dificuldade em vender e o mercado torna-se mais competitivo. Para os próximos dois anos, as expectativas mais otimistas prevêem crescimento máximo de 2-3% para a economia brasileira, ou seja, não teremos mercado comprador. O que os odontólogos têm a ver com isso? Tudo: maior competição entre os profissionais, disputando clientela menor, maior disputa pela renda disponível do consumidor, que terá que escolher entre tratamento dentário e chamadas pelo telefone celular, ou anuidade escolar, por exemplo. Não bastasse o acirramento da competição, os valores da sociedade e seus hábitos de consumo mudaram; basta ver o crescimento da chamada ‘odontologia estética’. Uma das causas? Simples, as mulheres estão adquirindo mais renda e autonomia, casando mais tarde, adiando o nascimento dos filhos. E daí? Ora, mulheres com renda própria e sem filhos gastam mais com cuidados pessoais. O profissional capaz de acompanhar esses movimentos sociológicos e econômicos, terá benefícios em sua carreira. Quando a competição fica mais acirrada, o profissional precisa mais do que o saber técnico. Desenvolver competências de gestão e análise econômica torna-se condição de sobrevivência no mundo do trabalho, pois já não basta participar de todos os congressos e atualizar-se com as novas tecnologias. Para enfrentar a competição, que costuma surgir na forma da redução do número de pacientes, recomenda-se segmentar o foco de atuação e diferenciar o produto, por exemplo. Perceber tendências e saber traduzi-las em novas formas de trabalho requer saber economia brasileira e internacional. Não tenha dúvida, entender de política cambial pode poupá-lo de endividar-se em dólar e reduzir o endividamento por meio do adiamento ou adiantamento de pagamentos. O que se sugere ao odontólogo é refletir o quanto sua formação e cultura profissionais, adquiridas desde a universidade, são compatíveis com as demandas atuais do mundo do trabalho. Para a maioria desses profissionais, o exercício da Odontologia resume-se às atividades do consultório, sem a percepção de sua inserção em um sistema de saúde crescentemente capitalista, no qual o sucesso profissional depende não só da competência técnica, mas também da qualidade dos processos organizacionais e, sobretudo, de visão do negócio. Quanto o odontólogo entende de gestão organizacional, 51 de finanças, de trabalho em equipe, de economia, de política? Trata-se não de propor a hegemonia do saber econômico, mas de reconhecer que as regras do jogo econômico são determinantes. Em 2002, o MBA em Economia e Gestão das Organizações de Saúde da PUC-SP promoveu mais de 30 palestras com renomados e diferenciados profissionais da área. Beneficiados pela liberdade de expressão própria da universidade, ouvimos variadas e até mesmo antagônicas posições. Evidenciou-se a crescente complexidade da prática da saúde bucal no Brasil de hoje, e a grandiosidade de seus problemas e potencialidades. Os odontólogos, personagens fundamentais dessa história, não deveriam se limitar à formação básica em Odontologia. *Maria Cristina S. Amorim – Economista, doutora em Política, coordenadora do MBA em Economia e Gestão das Organizações de Saúde da PUC-SP. [email protected] **Eduardo B. F. Perillo – Médico, mestre em Administração, coordenador técnico do MBA em Economia e Gestão das Organizações de Saúde da PUC-SP. [email protected] www.crorj.org Odontologia obedecerá ao disposto neste Capítulo e às especificações dos Conselhos Regionais, aprovados pelo Conselho Federal. Seção l Do Anúncio, da Propaganda e da Publicidade Art. 29º. Os anúncios, a propaganda e a publicidade poderão ser feitos através dos veículos de comunicação, obedecidos os preceitos deste Código e da veracidade, da decência, da respeitabilidade e da honestidade. Art. 30º. Nos anúncios, placas e impressos deverão constar: - o nome do profissional; - a profissão; - o número de inscrição no Conselho Regional. Parágrafo único. Poderão ainda constar : I - as especialidades nas quais o cirurgião-dentista esteja inscrito; II - os títulos de formação acadêmica "stricto sensu" e do magistério relativos à profissão; III - endereço, telefone, fax, endereço eletrônico, horário de trabalho, convênios e credenciamentos; IV - instalações, equipamentos e técnicas de tratamento; V - logomarca e/ou logotipo; VI - a expressão "CLÍNICO GERAL", pelos profissionais que exerçam atividades pertinentes à Odontologia decorrentes de conhecimentos adquiridos em curso de graduação. Art. 31º. Constitui infração ética: I - anunciar preços e modalidade de pagamento; II - anunciar títulos que não possua; 52 III - anunciar técnicas e/ou tratamentos que não tenham comprovação científica; IV - criticar técnicas utilizadas por outros profissionais como sendo inadequadas ou ultrapassadas; V - dar consulta, diagnóstico ou prescrição de tratamento por meio de qualquer veículo de comunicação de massa, bem como permitir que sua participação na divulgação de assuntos odontológicos deixe de ter caráter exclusivo de esclarecimento e educação da coletividade; VI - divulgar nome, endereço ou qualquer outro elemento que identifique o paciente, a não ser com o seu consentimento livre e esclarecido, ou de seu responsável legal; VII - aliciar pacientes; VIII - induzir a opinião pública a acreditar que exista reserva de atuação clínica para determinados procedimentos; IX - anunciar especialidade odontológica não regulamentada pelo Conselho Federal de Odontologia; X - divulgar ou permitir que sejam divulgadas publicamente observações desabonadoras sobre a atuação clínica ou qualquer manifestação relativa à atuação de outro profissional. Art. 32°. Às empresas que exploram os vários ramos da Odontologia, tais como clínicas, cooperativas, planos de assistência à saúde, convênios, credenciamentos, administradoras, intermediadoras, seguradoras de saúde e congêneres aplicam-se as normas deste Capítulo. Seção II Da Entrevista Art. 33º. O profissional inscrito pode utilizar-se de veículos de comunicação para conceder entrevistas ou divulgar palestras públicas sobre assuntos odontológicos de sua atribuição, com finalidade educativa e interesse social. Seção III Da Publicação Científica Art. 34º. Constitui infração ética: I - aproveitar-se de posição hierárquica para fazer constar seu nome na co-autoria de obra científica; II - apresentar como usa, no todo ou em parte, obra científica de outrem, ainda que não publicada; III - publicar, sem autorização, elemento que identifique o paciente; IV - utilizar-se, sem referência ao autor ou sem sua autorização expressa, de dados, informações ou opiniões coletadas em partes publicadas ou não de sua obra; V - falsear dados estatísticos ou deturpar sua interpretação. s(*) Redação dada pelo Regulamento no 01. de 05.06.98. 53 BIBLIOGRAFIA ANSOFF,H. Igor; MC DONNEL,Edward Implantando a Administração Estratégica. São Paulo, Atlas, 1993. CERTO,Samuel C.; PETER,J. Paul Administração Planejamento e Implantação da Estratégia. Estratégica- São Paulo ,MAKRON Books,1993 COELHO,Edmundo Campos As Profissões Imperiais, São Paulo, RECORD,1999 SAQUY, Paulo César; PÉCORA, Jesus Djalma, Orientação Profissional em Odontologia, São Paulo,1996 RIBEIRO, Osni Moura, Contabilidade Básica Fácil, Editora Saraiva,1999 CHIAVENATO, Idalberto, Introdução à Teoria Geral da Administração, Rio de Janeiro, Campus 1999 CFO, Código de Ética Odontológica 2002 , Conselho Federal de Odontologia, Brasília 2002. ABO RJ, Jornal da, Ano XXXVII junho a dezembro de 2002. PARENTONI, Emília, Apostila de Qualidade para a turma 38 , Projeto A Vez do Mestre www.caproni.com.br www.questonline.com.br www.crorj.org 54 FOLHA DE AVALIAÇÃO Nome da Instituição: UCAM – Projeto A Vez do Mestre Título da Monografia: Gestão Estratégica Como Instrumento de Sucesso para o Cirurgião-Dentista Autor: Mônica Cristina Marques Pavani Data da entrega: 29/03/03 Avaliado por: Conceito: Avaliado por: Conceito: Avaliado por: Conceito: Conceito Final: