UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE - UNESC CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO DE RECURSOS NATURAIS CRISTINA DUTRA E DUTRA O JORNAL DA MANHÃ, (CRICIÚMA, SC) E O MEIO AMBIENTE: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DAS MATÉRIAS PUBLICADAS NOS ANOS DE 1994 E 2004 CRICIÚMA, DEZEMBRO DE 2005 CRISTINA DUTRA E DUTRA O JORNAL DA MANHÃ (CRICIÚMA, SC) E O MEIO AMBIENTE: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DAS MATÉRIAS PUBLICADAS NOS ANOS DE 1994 E 2004 Monografia apresentada à Diretoria de Pósgraduação da Universidade do Extremo Sul Catarinense - UNESC, para a obtenção do título de Especialista em Gestão de Recursos Naturais. Orientador: Prof. Dr. Geraldo Milioli CRICIÚMA, DEZEMBRO DE 2005 Aos meus queridos pais Luiz e Maria, por estarem sempre ao meu lado, dando o apoio necessário, para a realização deste trabalho. AGRADECIMENTOS A Deus por ser o criador do universo e por nunca nos abandonar... Na elaboração deste trabalho, recebi ajuda de diversas pessoas e gostaria de expressar meu agradecimento a algumas delas. De maneira especial: Aos meus queridos pais, a quem não dediquei a atenção desejada durante todo o período e finalização das pesquisas. Ao meu orientador Geraldo Milioli pelos preciosos ensinamentos transmitidos no decorrer deste estudo. Ao querido amigo e jornalista, Nei Manique por sua inteligência e amizade. Ao professor Robson dos Santos pela contribuição e sugestão do tema, na disciplina de metodologia científica lecionada nesta especialização. Á querida jornalista, Nádia Couto pelo material fornecido para o referencial teórico-conceitual deste trabalho. E, ao Jornal da Manhã por disponibilizar os arquivos para esta pesquisa, sobretudo, à editora-chefe, Karina Manarin; à coordenadora de redação, Marli Vitali; à gerente administrativo-financeiro, Karla Gomes Cunha; à diagramadora, Ana Luzia Nobre e à repórter Janaina Berti pela força e apoio. “Tudo o que existe e vive precisa ser cuidado para continuar a existir e a viver: uma planta, um animal, uma criança, um idoso, o planeta Terra”. Leonardo Boff RESUMO O presente trabalho trata de um estudo de caso referente às matérias jornalísticas sobre meio ambiente publicadas no Jornal da Manhã durante os meses de fevereiro, março e abril, nos anos de 1994 e 2004. O estudo compara os dois anos analisando os temas que foram abordados nestas matérias e também quantifica, além dessas matérias, as notas, os artigos e as cartas do leitor, que contém o assunto meio ambiente. Os procedimentos adotados para a realização deste trabalho, incluíram uma revisão bibliográfica do assunto, bem como, o levantamento do material dos arquivos do Jornal da Manhã e como a mídia impressa tem enfocado este assunto em suas publicações. Palavras-chave: meio ambiente, mídia impressa, desenvolvimento sustentável e jornalismo ambiental. . SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 9 1.1 Objetivos ........................................................................................................... 11 1.2 Justificativa ....................................................................................................... 12 2 REFERENCIAL TEÓRICO-CONCEITUAL ........................................................... 13 2.1 História da mídia impressa .............................................................................. 13 2.1.1 A escrita alfabética ........................................................................................ 13 2.1.2 Papiro ............................................................................................................. 14 2.1.3 Uma nova era com a impressão ................................................................... 15 2.2 No Brasil ............................................................................................................ 17 2.3 Em Santa Catarina ............................................................................................ 18 2.3.1 Os primeiros jornais diários de Santa Catarina .......................................... 22 2.3.1.1 O Estado ...................................................................................................... 22 2.3.1.2 A Notícia ...................................................................................................... 23 2.3.1.3 Jornal de Santa Catarina............................................................................ 25 2.3.1.4 Diário Catarinense ...................................................................................... 26 2.3.1.5 Correio Lageano ......................................................................................... 27 2.3.1.6 Diário da Manhã .......................................................................................... 28 2.3.1.7 Diário do Litoral .......................................................................................... 29 2.4 Breve histórico do jornal impresso na região Sul catarinense .................... 29 2.4.1 Araranguá....................................................................................................... 30 2.4.2 Criciúma ......................................................................................................... 31 2.4.3 Tubarão .......................................................................................................... 32 2.5 Jornal da Manhã ............................................................................................... 34 2.5.1 JM: 22 anos de história ................................................................................. 34 2.6 Mídia e Meio Ambiente ..................................................................................... 37 2.6.1 Mídia: o jornalismo dos jornais .................................................................... 37 2.6.1.1 Mas, o que é notícia e reportagem?.......................................................... 39 2.6.1.2 O texto jornalístico dos jornais ................................................................. 42 2.6.2 Mídia, meio ambiente e desenvolvimento sustentável............................... 44 2.6.2.1 Educação ambiental x Comunicação........................................................ 52 2.6.2.2 Informar muda o comportamento? ........................................................... 56 2.6.2.3 Jornalismo ambiental................................................................................. 60 3 CONSIDERAÇÕES SOBRE O PERFIL SOCIOECONÔMICO, POLÍTICO, CULTURAL E AMBIENTAL DA REGIÃO SUL DE SANTA CATARINA ................ 69 3.1 Localização ....................................................................................................... 69 3.2 Colonização e aspectos culturais ................................................................... 71 3.2.1 Etnia Italiana................................................................................................... 72 3.2.2 Etnia Polonesa ............................................................................................... 73 3.2.3 Etnia Portuguesa ........................................................................................... 75 3.2.4 Etnia Negra..................................................................................................... 75 3.2.5 Etnia Alemã .................................................................................................... 77 3.3 Aspectos políticos: uma breve história.......................................................... 78 3.4 A importância da economia do carvão para a região Sul ............................. 80 3.5 Os problemas socioambientais....................................................................... 83 4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS.............................................................. 89 5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS...................................................... 91 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................. 98 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...................................................................... 102 ANEXOS ................................................................................................................ 107 9 1 INTRODUÇÃO O interesse em fazer o trabalho O Jornal da Manhã (Criciúma, SC) e o Meio Ambiente: uma análise comparativa das matérias publicadas nos anos de 1994 e 2004 foi motivado a princípio pelo desejo de pesquisar como o Jornal da Manhã (JM) tem trabalhado as matérias jornalísticas referentes ao meio ambiente na região Sul catarinense. Por ser um tema inédito, o estudo de caso a ser realizado no veículo pretende integrar o conhecimento sobre meio ambiente junto ao jornalismo, pois enquanto mídia, o JM será analisado nos anos de 1994 e 2004, comparando como o jornal tem enfocado o assunto meio ambiente em suas matérias, e, qual a proporção de conteúdo publicado nestes dois anos, correspondente a uma década. Como veículo de comunicação diário, o jornal tem papel fundamental para a sociedade, enquanto formador de opinião, assim como despertar a conscientização ambiental nas pessoas. Por isso, muito mais que informar, os meios de comunicação, funcionam como um canal a qual, cada indivíduo pode e deve reivindicar seus direitos no meio em que vivem. Torna-se imprescindível que na Era da Informação, os profissionais da comunicação, considerados o quarto poder, atentem para a questão ambiental, pois meio ambiente ainda é uma questão superficial, porque não alcançou um sentido amplo de sua definição. Para melhor compreensão, Bortot define meio ambiente da seguinte maneira: A noção de meio ambiente é muito ampla, abrangendo todos os bens naturais, artificiais e culturais de valor juridicamente protegido, desde o solo, as águas, o ar, a fauna, as belezas naturais e artificiais, do ser humano ao patrimônio histórico, artístico, turístico, paisagístico, monumental arqueológico, além das variadas disciplinas urbanísticas e contemporâneas (2002, p.27). 10 O autor Lago, explica que na década de 50, insinuava-se uma consciência ecológica e como exemplo, utiliza o texto do ecologista Gates. Quem disser que o homem não deve explorar foge à realidade. É nosso modo de vida. Assim somos, assim atingimos nosso status tecnológico, assim desenvolvemos nosso tipo de civilização e nos libertamos da lida enfadonha de uma mera existência para alcançar coisas criativas e culturais. Porém, devemos explorar conservativamente... Precisamos compreender o que estamos fazendo (GATES, apud LAGO, 1991, p.57). Os assuntos abordados pelo veículo durante estes dois anos foram quantificados, bem como, mostra como a mídia pode ser uma ferramenta para a conscientização ambiental. O primeiro capítulo apresenta os objetivos e a justificativa deste trabalho. No segundo capítulo, o referencial teórico-conceitual abordará a história da mídia impressa e também conceitos pertinentes sobre o meio ambiente, bem como, a relação dos meios de comunicação com o meio ambiente, e, educação ambiental. No terceiro capítulo, será explanado o perfil socioeconômico, político, cultural e ambiental da região Sul de Santa Catarina, e, sobre a importância da economia do carvão para a região Sul e os problemas socioambientais. A seguir, têm-se os procedimentos metodológicos e, por fim, a apresentação e interpretação dos dados, bem como, as considerações finais. Em linhas gerais pode-se dizer que o jornalista é responsável por extrair a informação, de onde quer que ela se encontre, levando-a até os interessados por ela. Neste caminho entre fonte da informação e público-alvo, o jornalista processa a informação que será veiculada. Por isso, o compromisso e a responsabilidade devem ser aliados do veículo e também do profissional, na busca pelo conhecimento da área ambiental para desempenhar o papel de agente multiplicador do conhecimento através das publicações. 11 Quando surgiu o termo desenvolvimento sustentável na Rio-92, como resposta ao esgotamento dos recursos naturais, não se imaginava que sua abrangência fosse englobar não somente a questão econômica, mas todo um conjunto de fatores que cerca a sociedade, como as questões que envolvem dimensões na política, no social, cultural, ecológica, demográfica, institucional e espacial. Na verdade, todas as áreas do saber devem estar inter-relacionadas. O indivíduo faz parte do meio ambiente e ambos devem estar em sintonia para que a sociedade humana seja harmoniosa. Desenvolvimento sustentável hoje significa gerenciar os recursos naturais de forma a ser auto-sustentável, colaborando para a preservação e a continuidade deste sistema complexo que é a sociedade. 1.1 Objetivos a) Analisar as matérias sobre meio ambiente do Jornal da Manhã publicadas nos anos de 1994 e 2004, verificando a importância de seus conteúdos. b) Quantificar os assuntos que mais foram abordados pelo veículo durante estes anos; c) Verificar como o jornal tem enfocado as matérias de caráter denunciatório e informativo para os leitores e; d) Mostrar como a mídia pode ser uma ferramenta para a conscientização ambiental. 12 1.2 Justificativa A realização deste trabalho tem por fim, verificar a importância dos meios de comunicação, para a conscientização ambiental tendo como universo de pesquisa, o Jornal da Manhã, através de um estudo comparativo das matérias publicadas sobre meio ambiente nos anos de 1994 e 2004. Nesta leitura, pretendese também analisar estas publicações verificando entre essas matérias, qual conteúdo foi mais explorado pelo Jornal da Manhã e ressaltar que este estudo se faz necessário para averiguar também, o contexto destas publicações enquanto meio de comunicação e, portanto, um formador de opinião na sociedade. O trabalho propõe uma reflexão sobre o meio em que estamos. Hoje vivemos a Era da Informação. Com a correria do cotidiano e a velocidade de informação que surge a cada instante, nos mostra como a tecnologia está ao nosso alcance, mas também evidencia, que a utilizamos incorretamente - agredindo o meio ambiente e a nós mesmos. Mecanismos há para evitar a degradação ambiental, através do poder público, mas falta a conscientização das pessoas e, em alguns casos, a instrução das comunidades locais, sobre como fazer o manejo adequado dos recursos naturais, a começar pela sua região. E a mídia considerada o quarto poder, deve ser uma grande aliada em difundir essa conscientização, através de suas reportagens informando e, ou denunciando empresas que estejam cometendo algum crime ambiental. Muito mais que um veículo jornalístico, os meios de comunicação servem de porta-voz para a sociedade. 13 2 REFERENCIAL TEÓRICO-CONCEITUAL 2.1 História da mídia impressa 2.1.1 A escrita alfabética Na história da humanidade, o homem e a comunicação sempre evoluíram juntos. À medida que desenvolvia a sua maneira de interagir com o mundo, também alterava o jeito de se expressar, assim como na forma de se comunicar, através de imagens, fotos, sinais, cores e os cinco sentidos. DeFleur e Ball-Rokeach em seu livro Teorias da Comunicação de Massa afirmam que se levou milhões de anos para que os humanos adquirissem a capacidade de usar a linguagem e muitos séculos também, para que o ato de escrever se tornasse fato real. Na Mesopotâmia e no Egito surgiram as primeiras inscrições associadas a significados, por volta de 4000 a.C. Os registros foram através de imagens desenhadas ou rabiscadas em superfícies semelhantes ou similares. Os egípcios inovaram na comunicação, criando um sistema complicado denominado de hieróglifos, que consistia em caracteres simbólicos gravados em pedras, que posteriormente, passou a serem desenhados e pintados. Este sistema era como o chinês, onde cada símbolo representava um conceito, uma idéia ou coisa. “A par das ferramentas, do fogo, e da própria língua, a escrita alfabética foi uma das mais significativas realizações dos seres humanos” (DEFLEUR E BALLROKEACH, 1993, p.35). Após inúmeras variações, os gregos por volta de 500 a.C, padronizaram e simplificaram o alfabeto de forma, que se tornou amplamente utilizado. O alfabeto latino impresso partiu de um projeto de Nicolas Jansen. No 14 início da Era Moderna, “tomou como referência, para as maiúsculas, as inscrições romanas e, para as minúsculas, as letras usadas pelos escribas carolíngios (do tempo de Carlos Magno)” (LAGE, 2001, p.22), Assim, as letras que hoje, usamos para nos comunicar foram uma das mais significativas realizações da humanidade, pois sem essa escrita alfabética, grande parte da população no mundo, ainda seria analfabeta. 2.1.2 Papiro Os egípcios descobriram em 2.500 a.C um modo de fazer papel utilizando o papiro, que, comparado com a pedra era mais leve, permitindo o fácil transporte e por ser melhor de escrever, já que na pedra era preciso talhar com cuidado os hieróglifos. O material era retirado do junco, cortado e descascado em tiras finas e depois malhado até virar uma única massa, que era comprimido e secado. O papiro podia ser encontrado somente no delta do rio Nilo. Rolos compridos eram preparados juntando uma folha à outra. Os escribas utilizavam dois tipos de tintas: a preta e a vermelha. Na população dos maias, descobriram, que através das tiras de cortiça dos pés de fícus se podia fazer tiras de 15 a 20 centímetros de largura, com cumprimento de até seis metros, e, quando dobradas ao cumprido e franzidas, transformavam-se em livro, onde suas páginas finais eram em madeira, fechadas como um acordeão. Os hieróglifos eram enfeitados para dar beleza às páginas. Estes livros eram verdadeiras obras de arte, mas, muitos exemplares foram destruídos pelos conquistadores espanhóis, na tentativa de reduzir o poder dos líderes desses povos, como também dos sacerdotes. Assim, ressalta-se que a 15 mudança da “pedra pesada para veículos leves e portáteis” possibilitou uma significativa organização social e cultural da sociedade (DEFLEUR E BALLROKEACH, 1993, p.36). 2.1.3 Uma nova era com a impressão Antes do século XV, os livros eram preparados na Europa, de maneira manu scripti, ou seja, os exemplares existentes eram reproduzidos trabalhosamente à mão. É relevante mencionar, que, os livros disponíveis, por serem em número restrito, estes eram adquiridos pelas pessoas que detinham recursos financeiros. Com a impressão, os livros puderam ser reproduzidos aos milhares. O processo de impressão realizado com um sinete consistia em gravar um selo em relevo ou baixorelevo com as iniciais de quem o usava. Com um rolo de pastel, os símbolos eram gravados para imprimir a imagem em barro mole, uma técnica antiga. Os chineses, por sua vez, para imprimirem uma página inteira de texto, utilizavam-se de um bloco de madeira lisa, onde era esculpida a imagem invertida, e, posteriormente, passava-se a tinta, apertando-a em cima de um papel. Por muito tempo, este foi o recurso de impressão. Por volta do ano 800 d.C., foi impresso o Sutra do Diamante, séculos antes da impressão surgir no mundo ocidental. Contudo, muito levaria para que, as letras, de forma individual fossem moldadas em metal. Com Johannes Gutenberg, um ourives de Mainz, na Alemanha, isto se tornou real. A impressão tal como conhecemos hoje, foi desenvolvida a partir de sua idéia, que concebeu um meio inovador de fazer tipos. Gutenberg após fazer um molde de aço para cada letra, produziu um molde pequeno de barro para que o chumbo quente fosse despejado dentro do molde da letra. Através desse molde, o 16 impressor poderia moldar quantas letras quisesse, na qual, depois eram alinhadas formando palavras e frases. O resultado foi de uma imagem nítida. Para aperfeiçoar o invento, Gutenberg modificou uma grande prensa de vinho das uvas, arrumando uma plataforma para a bandeja de tipos, onde deveria ser comprimido o papel. Para sua surpresa, a impressão foi perfeita e, com tal nitidez, que não havia erros na página, como costumava ocorrer nas cópias à mão. Atribuídos a Gutenberg estão a originalidade de seus inventos (LAGE, 2001). Como primeiro projeto, Gutenberg escolheu a Bíblia, pois assim, poderia vender aos ricos. A idéia deu certo e “a Bíblia com 42 linhas foi um dos mais belos exemplos jamais produzidos pela arte da impressão” (DEFLEUR E BALLROKEACH, 1993, p.38). A edição saiu em 1450, e se não foi o primeiro livro a ser impresso, sem dúvida, foi um dos primeiros exemplares de melhor qualidade produzido em sua oficina. De fato, o invento foi importantíssimo para todos nós, o que propiciou a produção de livros impressos e, conseqüentemente, o interesse pela aprendizagem da leitura. Depois da Bíblia, o primeiro veículo de massa impresso foi o Jornal de tostão, da cidade de Nova York, na década de 1830. A partir de então, o jornal de massa espalhara-se em várias partes do mundo. No final do século XIX, ficava claro que a nova tecnologia da impressão marcava a introdução do veículo de massa na esfera global, mudando as condições humanas nos padrões de interação em suas comunidades, como também nas perspectivas psicológicas das pessoas. A imprensa de massa surge e no fim século XX, o trabalho manual, antes realizado é substituído pela composição computadorizada. A Era da Comunicação de Massa vem para quebrar as barreiras de isolamento entre os indivíduos do planeta, como também, produzir significativas mudanças no funcionamento e 17 organização do meio social. Cooley diz o seguinte: “a nova comunicação de massa representou uma revolução em cada fase da vida: no comércio, na política, na educação, até na mera sociabilidade e tagarelice...” (COOLEY apud DEFLEUR E BALL-ROKEACH, 1993, p.40). E, ressalta, que o novo veículo noticioso impresso advindo do século XIX, com certeza modificara de uma vez, o pensamento do homem em sua perspectiva psicológica, assim como ocorreu com a sociedade. 2.2 No Brasil No Brasil é Impossível falar sobre a imprensa, sem mencionar a censura. O autoritarismo político em alguns períodos marcou a história não somente pelo governo de Getúlio Vargas, com a implantação do Estado Novo, ou mesmo pela vigência do AI-5, mas pelo paternalismo presente em fases da evolução política, como afirmam alguns historiadores. E, mais, o autor Pereira diz que “a imprensa brasileira já nasceu sob o regime da censura prévia governamental” (1992, p.33). O patrono da imprensa nacional, Hipólito da Costa lançou em Londres, o primeiro jornal brasileiro, intitulado Correio Braziliense, em 13 de junho de 1808. Este foi um dos sinais, indicando que o jornalismo vinha a serviço da causa patriótica, neste caso, a luta pela independência. O jornal de Hipólito da Costa não pôde circular no Brasil, devido à proibição da Coroa Portuguesa, mas ainda assim, um número razoável do exemplar circulava nas vilas. O Correio Braziliense continuou a ser editado, depois do grito do Ipiranga e tinha o apoio do Duque de Sussex. Pereira descreve da seguinte maneira, o pioneirismo do jornal Correio Braziliense no Brasil: Autores nacionais costumam atribuir pioneirismo erroneamente, segundo estudiosos e jornalistas respeitados 18 - ao jornal ‘Gazeta do Rio de Janeiro’, que passa a circular a 10 de setembro de 1808, justamente a data escolhida para as comemorações do ‘Dia da Imprensa’. Esta referência do calendário oficial vem merecendo, inclusive, sérios reparos nos meios jornalísticos (1992, p.33). O jornal Correio Braziliense foi de fato, o precursor na mídia impressa e possuía uma linha editorial independente. Já a edição do Gazeta do Rio de Janeiro foi conseqüência da criação da Impressão Régia, em 13 de maio de 1808, por D. João VI. Este, por sua vez, abrigou-se na colônia, após ser “varrido da Europa pelas tropas napoleônicas” (PEREIRA, 1992, p.34). Contudo, numa série de alvarás, D. João VI procurou organizar, a vida administrativa e política do Brasil. Pela concessão do governo, surge o primeiro jornal, o Diário Oficial, com o objetivo de divulgar os atos do Reino. Convém salientar, que faltava a liberdade de opinião do então jornal, ao contrário do Correio Braziliense. Por um curto período de duração, a impressão dos periódicos teve a marca da censura e do oficialismo. O governo português, numa tentativa de neutralizar o jornal Correio Braziliense, que a cada dia ganhava novos leitores no Brasil, subvencionou muitos jornais, como também, alguns veículos impressos em Londres. Entre eles: o Investigador Português, em 1811; O português, de 1814 e Padre Amaro, em 1820. Desta forma, o jornal liberado para os brasileiros era censurado e vinha com a marca do selo real, ao passo, que o veículo que se identificava com a nação era censurado no próprio Brasil e impresso na Europa (PEREIRA, 1992). 2.3 Em Santa Catarina Assim como no Brasil, a história da imprensa catarinense imprensa foi igualmente marcada pelas causas políticas e pela censura, ao ser defendida pelo 19 capitão engenheiro Jerônimo Francisco Coelho, o precursor da mídia impressa em Santa Catarina. Nasceu no município de Laguna, em 30 de setembro de 1806. “Empolgado com a causa nacionalista, não temia represálias oficiais, coordenando a distribuição de documentos contra o Reinado de D. Pedro I dentro do quartel do Campo do Manejo” (PEREIRA, 1992, p. 35), e repassando exemplares do Aurora Fluminense, um periódico nacional, de grande influência política para a época. Jerônimo Coelho não escondia sua insatisfação por D. Pedro I. Sobretudo, consciente do poder que a imprensa exercia na sociedade até então, em virtude do tempo que viveu no Rio de Janeiro e São Paulo, devido à demora com que as notícias do Rio levavam para chegar a Desterro, fez com que, partisse para uma ação concreta, fundando em 28 de julho de 1831, o primeiro exemplar de O Catharinense. A edição era vendida aos subscritores por sessenta réis, pois não havia jornaleiros. Quando comparado, o lançamento de O Catharinense, aconteceu num curto prazo em relação à inauguração do rádio e da televisão no Brasil, pois o rádio veio com uns trinta anos de atraso e a televisão com pelo menos vinte anos, ao passo, que o exemplar de Jerônimo Coelho, esteve disponível em Desterro, há pelo menos treze anos após a edição dos primeiros jornais brasileiros, entre eles, o Correio Braziliense e a Gazeta do Rio de Janeiro (PEREIRA, 1992). Desta forma, depois de um ano da edição do O Catharinense, lançou O Expositor, em conjunto com Feliciano Nunes Pires – presidente da então Província. A publicação era de responsabilidade da Sociedade Patriótica Catarinense e tinha como objetivo, defender a liberdade, a independência e a democracia. Em toda a história, a imprensa catarinense viveu períodos intensos de transformações. Na República Velha, o vínculo partidário e a regionalização assinalam o impulso da imprensa no estado. Os maçons fizeram-se presentes na criação, na manutenção e 20 na consolidação dos jornais, fazendo com que a maçonaria e a imprensa seguissem junto à política, assim como na estruturação partidária da Província (PEREIRA, 1992). A imprensa no estado é indissociável da história política, pois na época do Império, o jornalismo se mostrava engajada nas campanhas literárias e na própria política. A participação ativa nos movimentos abolicionista e republicano permitiu uma abertura dos jornais, que lutavam pela implantação do regime republicano. Com o fim da monarquia, os jornais republicanos se consolidam e junto, a expansão do jornalismo partidário. Em 19 de novembro de 1889, é publicado A República, periódico oficial do regime, a qual dois anos depois tem José Artur Boiteux como colaborador. A partir de 1896, o órgão oficial se transforma em Partido Republicano Federal. O empastelamento dos jornais ocasionado pelas disputas partidárias e, sobretudo pelos noticiários políticos, causou inúmeros incidentes. Entre estes, com o Correio da Manhã, na edição do dia 3 de novembro de 1895. Outro exemplo semelhante ocorreu com a Gazeta Catarinense, fundado em 15 de janeiro de 1908. Hercílio Pedro da Luz, Pascoal Simone, Crispim Mira e João Medeiros Filho, foram nomes ilustres deste periódico. A punição ao veículo aconteceu em 19 de setembro de 1910, com a destruição das oficinas dos jornais, realizada por policiais, além do Jornal do Povo, de Aquiles Wedekin dos Santos, Folha Nova, de Crispim Mira e Gazeta do Povo, de João de Oliveira, que foram alvos de policiais atiradores, por não concordarem com a ação do governo (PEREIRA, 1992). No estado catarinense, jornais partidários como: A República, de José A. Boiteux (Partido Republicano); O Dia, de Thiago da Fonseca (Partido Republicano); O Tempo, de Tito Carvalho e Nereu Ramos (Partido Republicano e da Aliança Liberal); A Pátria, de João Bayer Filho (Partido da Coligação Republicana); Flama 21 Verde, de Othon Gama d’Eça (Ação Integralista Brasileira). Um outro fator importante para a regionalização da imprensa no estado, se deu ainda na época do Império, pela língua estrangeira (PEREIRA, 1992). Devido à colonização de diversos povos, surgiram jornais na língua alemã e de cunho político, como o ColonieZeitung, impresso no dia 20 de dezembro de 1862, no município de Joinville, com circulação em Blumenau. Na região Sul catarinense, jornais da descendência italiana circulou em Florianópolis e Urussanga, mas sem a mesma relevância política. A língua portuguesa também foi difundida em outras regiões catarinenses, através dos jornais. Isto era possível pelo apoio partidário, político e comunitário; pela tiragem reduzida e pelos custos operacionais pagos com anúncios pequenos. Com a evolução da tecnologia e com a exigência dos novos padrões profissionais, a partir da Segunda Guerra Mundial, gradativamente, desaparecem em alguns municípios, títulos importantes, fenômeno este, que assinala a década de 60, como um período, em que a imprensa catarinense passa por profundas transformações gráficas, técnicas de impressão e também nos editoriais, marcando assim, de uma vez por todas, a história do jornal em Santa Catarina (PEREIRA, 1992). Na década de 70, com o ciclo de modernização no interior, o Jornal de Santa Catarina é lançado. Dirigido e produzido por uma equipe competente de profissionais gaúchos e catarinenses, é importante ressaltar, que essa modernização das redações, aconteceu no ápice da censura militar, aplicada à imprensa brasileira, de um modo geral. Desta forma, o desenvolvimento econômico de regiões como Vale do Itajaí e do Norte, coincide com a revolução da imprensa e, ressalta a relação do poder político com a comunicação no Estado (PEREIRA, 1992). Nos anos 80, a profissionalização tem suas peculiaridades, entre as quais se podem destacar a criação do Curso de Jornalismo da Universidade Federal de 22 Santa Catarina (UFSC), além de outros elementos que foram determinantes para a mudança da imprensa: “O movimento de oposição sindical, a eliminação da vinculação político-partidária ostensiva nos meios, o processo de abertura política e redemocratização do Brasil, a nova concepção empresarial do setor...” (PEREIRA, 1992, p.80). Estes fatores fizeram com que houvesse um aumento da concorrência e como conseqüência, o aperfeiçoamento dos profissionais. 2.3.1 Os primeiros jornais diários de Santa Catarina 2.3.1.1 O Estado Nas comemorações dos 27 anos de libertação dos escravos, o novo periódico passava a circular em Florianópolis. Um dos temas defendidos e, com bastante polêmica, foi sobre a Assembléia Estadual Constituinte de 1989, que reivindicava a mudança da capital de Florianópolis para Curitibanos, bandeira esta, muito defendida pelo veículo. Henrique Rupp Junior e Ulisses Costa lançavam a edição do mais antigo diário de Santa Catarina, em concorrência com os jornais A Opinião e A Semana, num período em que o engajamento partidário era influente nos meios de comunicação (PEREIRA, 1992). O Estado trazia um completo noticiário internacional, com informações sobre a batalha de Petrogrado, através dos telegramas, além dos conteúdos sobre política, economia e dos catarinenses que chegavam do Rio de Janeiro, bem como, os anúncios famosos das pomadas Minâncora e Emulsão de Scott. (PEREIRA, 1992). Uma impressora Kleo foi importada de Neuremberg, na Alemanha para a impressão do periódico. Em março de 1925, O Estado passa para a 23 responsabilidade de Victor Konder, ministro da Viação do governo Washington Luiz e direção de Altino Flores. Em 1945, o proprietário do jornal, passa a ser Moacyr Iguatemi da Silveira, pai de Luiz Henrique da Silveira, deputado federal, na época. No ano seguinte, a direção é de Sidnei Nocetti. Em 1947, o dono do jornal é Aderbal Ramos da Silva, ao mesmo tempo em que assume o governo de estado. O jornal passa a ser dirigido por profissionais catarinenses e gaúchos. Exemplar este, que passou a competir com o Jornal de Santa Catarina. A fase áurea do veículo ocorre em 13 de maio de 1977, quando acontece a inauguração da sede própria na SC-401, sob a direção de José Matusalém Comelli. Neste período, o mais antigo jornal tem seu prestígio reconhecido no estado. 2.3.1.2 A Notícia Aurino Soares foi o fundador do A Notícia (AN), no município de Joinville. Com espírito empreendedor, utilizava-se da criação permanente para inovar na área da comunicação, numa época difícil, em que as ferramentas eram rudimentares. No início do século 20, Soares foi para Curitiba e após um tempo de aprendizado na área jornalística, Soares vai para o Rio de Janeiro, onde trabalhou no jornal A Noite. Em seguida mudou-se para Florianópolis. Com o desejo de iniciar sua própria empresa, Soares foi para Joinville, em 1922. Uma cidade pequena e pacata, com características dos descendentes de origem alemã. A população urbana contava 20 mil habitantes e era considerada para a época, uma cidade com grandes perspectivas de crescimento no Sul do Brasil (TERNES, 2003, p.22). 24 Em 24 de fevereiro de 1923, circula o primeiro número do A Notícia. O jornal era semanário e chegava às mãos do público, aos sábados à tarde. Com quatro páginas, era escrito na língua portuguesa e não em alemão, como o jornal, Kolonie-Zeitung, criado por Ottokar Doerffel, em 1862. Em 1924, o semanário circula, a partir de dezembro, nas quartas-feiras e sábados. A primeira máquina própria de impressão é adquirida em 1929. Mas é em 11 de outubro de 1930, que o A Notícia passa a circular diariamente, com exceção das segundas-feiras. Em 28 de julho de 1931, o “empastelamento” (TERNES, 2003, p.17) pára o A Notícia por 12 dias. Termo este empregado para explicar a destruição das oficinas e também da redação como represália, devido às notícias publicadas pelo então delegado de polícia de Joinville, Heitor Azevedo, provocando reação por parte do poder policial. Em 1939, o AN é o primeiro a instalar uma moderna máquina de impressão, a primeira rotativa do estado, com capacidade de imprimir cadernos com 32 páginas. A Segunda Guerra Mundial inicia e o jornal assume e defende o regime nazista na Alemanha e também o governo getulista no Brasil. O jornalista e historiador Apolinário Ternes conta em seu livro, que Aurino Soares publicou um telegrama de cumprimentos enviado pelo Ministro da Propaganda de Hitler, Josef Goebbels. Quando o conflito chega ao Brasil, Soares muda sua posição editorial. A história do A Notícia pode ser delimitada em três fases: “de 1923 a 1944, com Aurino Soares; de 1946 a 1956, como empresa limitada; e de 1956 até os dias atuais como sociedade anônima” (PEREIRA, 1992, p.123). A partir de 31 de janeiro de 1980, o AN, instala a impressora off-set, e, entra na era da modernidade com equipamentos de telecomunicações, demonstrando aos seus leitores e autoridades, porque o A Notícia ainda é o melhor na cobertura jornalística do Estado. 25 2.3.1.3 Jornal de Santa Catarina A capital de Santa Catarina, Florianópolis é fundada em 1726. Em 1850, o Dr. Hermman Blumenau fixou-se no Vale do Itajaí e após 31 anos, o Dr. Ottokar Doerffel editava o Blumenauer-Zeitung, que era lido até mesmo na região de Dona Francisca, hoje, Joinville. A instalação do Jornal de Santa Catarina vem com a impressora off-set, pioneiro nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O novo diário foi dirigido pelo jornalista e professor da Famecos (Faculdade de Meios de Comunicação) da PUC de Porto Alegre (RS), Nestor Fedrizzi. O diário estadual foi implantado no Departamento de Telejornalismo da TV Coligadas. Havia sucursais em todo o estado. O grupo Coligadas possuía inúmeras emissoras de rádio, e, o jornal seria um complemento, numa época, em que a comunicação era difícil. Wilson de Freitas Melro, Caetano Deecke de Figueiredo e Flávio de Almeida Coelho eram empresários e diretores da TV Coligadas. Pretendiam fazer com que o Jornal de Santa Catarina, fosse publicado nos 197 municípios do Estado e, desta forma competir com o Correio do Povo, de Porto Alegre (RS), jornal de maior circulação em Santa Catarina, na década de 70 (PEREIRA, 1992). Na década de 70, uma impressora off-se foi adquirida para que o Jornal de Santa Catarina saísse com qualidade. Entre os profissionais, maioria do Rio Grande do Sul, podem ser citados, Mário Medaglia, Sérgio Becker, Airton Kanitz, Renan Ruiz e Paulo Cícero Casanova, responsáveis pelo planejamento da edição zero. Em 21 de setembro de 1971, Colombo Salles, governador na época, aciona a impressora, e, no dia seguinte, os leitores já recebiam o Jornal de Santa Catarina. 26 Em 1974, um grupo de empresários e políticos, formado por Mário Petrelli, Flávio Coelho, Lincoln Tarquini, Jorge Bornhausen, Alceu Gugelmim, Paulo Konder Bornhausen, Carlos Guilherme Addor e João Saad, assumem o controle acionário da empresa. Desde então, o Jornal de Santa Catarina perde sua independência e torna-se um veículo com vínculos na política, dos Konder Bornhausen (PEREIRA, 1992). Até 1983, a direção e o controle ficam restritos ao Flávio Coelho, Mário Petrelli e ao Rudi Bauer. Em 1985, Flávio Coelho transfere o jornal para o engenheiro Nilton José dos Reis. No governo de Fernando Collor de Mello, o jornal é negociado com empresários de Blumenau, e, passa a ser dirigido por profissionais indicados pelo governo do PMDB. Representantes das doze indústrias principais de Blumenau, conhecidas como “as 12 irmãs” (PEREIRA, 1992, p.126), passaram a administrar o veículo. Em 26 de julho de 1992, era publicado, que o conjunto da Santa Catarina Participações Societárias Ltda. e da Rede Sul Brasil, vinha oficializando as negociações para a compra do jornal, pela RBS, assumindo o controle da empresa, a Rede Brasil Sul, em 1º de setembro de 1992. 2.3.1.4 Diário Catarinense O sonho do jornalista Maurício Sirotsky Sobrinho em instalar o Diário Catarinense, se desenvolveu através de uma pesquisa de mercado. O grande complexo de comunicação social teve seu início com a TV Catarinense, no canal 12, em Florianópolis, que foi ao ar em 1º de maio de 1979. O DC não possuía uma boa imagem no estado e por um determinado tempo, foi nome do jornal do complexo de 27 comunicação. Por vários anos, o jornal foi redigido na capital e impresso nas oficinas do Jornal de Joinville. O diário chegou até a ser rodado na Imprensa Oficial do Estado, mas por falta de leitores e anunciantes desapareceu do mercado, sem diferenciar o comercial da linha editorial (PEREIRA, 1992). O jornalista Estácio Ramos obteve a concessão do título, com o também jornalista Paulo Cabral, presidente do Condomínio Associado. Com algumas pesquisas, definiram o tamanho tablóide para o DC, pois o líder do grupo no Rio Grande do Sul, o jornal Zero Hora, utilizava o mesmo formato e, já se destacava pela tiragem expressiva. A nova concepção gráfica multicolorida, auxilia a leitura sejam nas repartições públicas, nos carros particulares ou nos transportes coletivos. Em 1981, a RBS anunciava o novo veículo, quando Nelson Sirotsky, diretor no estado, se destacava no meio radiofônico e televisivo (PEREIRA, 1992). Implantar um novo jornal era um desafio, já que os veículos existentes não tinham credibilidade devido à dependência dos partidos políticos. Em 1986, havia 72 veículos de mídia impressa. A atuação era regionalizada e com um público-alvo definido. Contudo, não havia um jornal que atendesse todo o estado. Em 4 de maio do mesmo ano, o governador Esperidião Amin acionava as rotativas, oficializando a primeira edição do Diário Catarinense. Uma rotativa com capacidade para imprimir 30 mil exemplares por hora foi adquirida. Assim, no dia 5 de maio de 1986, o sonho de Maurício Sirotsky Sobrinho, fundador da Rede Brasil Sul tornou-se realidade. 2.3.1.5 Correio Lageano No dia 28 de junho de 1924 era fundado em Lages, o semanário denominado primeiramente, Correio de Lages, do órgão do Partido Republicano 28 Catarinense. Um moderno parque gráfico constituía a estrutura do veículo, que em 1930 teve encerrado suas atividades, quando o presidente Washington Luiz foi deposto. O jornal volta às bancas em 21 de outubro de 1939, desta vez, com o atual nome de Correio Lageano. Na publicação de 11 de agosto de 1951, os novos proprietários do jornal eram Evilásio Néri Caon, José Paschoal Baggio e Sirth de Aquino Nicolelli (PEREIRA, 1992). A partir de 1954 passou a circular duas vezes por semana e foi transformado em diário no dia 8 de outubro de 1967. No dia 10 de maio de 1980, o Correio Lageano começou a utilizar o sistema off-set, importado da Alemanha, e, nas comemorações do jubileu de ouro, adquiriu a moderna rotativa Solna, advindo da Suécia, com capacidade de impressão para trinta mil exemplares por hora. O jornal é dirigido pelo empresário José Paschoal Baggio e tem como editor-chefe Névio Fernandes (PEREIRA, 1992). 2.3.1.6 Diário da Manhã Fundado pelo jornalista Túlio Fontoura, o jornal Diário da Manhã, da cidade de Chapecó foi o primeiro veículo a circular na região Oeste de Santa Catarina, com tiragem de 2000 mil exemplares. A primeira edição saiu em outubro de 1981. O grupo também edita o Diário da Manhã, nos municípios de Passo Fundo, Carazinho, Pelotas e Erechim, no estado gaúcho (PEREIRA, 1992). No início, o jornal tinha o formato standard e depois passou a ser tablóide. Após o falecimento de Túlio Fontoura em 1979, o diretor-geral passa a ser Dyógenes Auildo Martins Pinto. Assim quando Dyógenes faleceu em 1998, sua filha Janesca Martins Pinto, diretora-presidente, passou ao comando do Diário da Manhã. 29 (http://www.diariodamanha.com, set. 2005). A edição do veículo está sob os cuidados da Empresa Jornalística Diário da Manhã Ltda, na qual, é redigido em Chapecó e impresso em Erechim, cidade gaúcha. O editor-chefe é Roman Vieda e nos últimos anos, Chapecó teve quatro importantes semanários: o Folha d’Oeste, Correio do Sul, Momentos do Povo e O Oestão. 2.3.1.7 Diário do Litoral Tem como diretor e principal redator, Dalmo Vieira. O jornal Diário do Litoral segue um estilo avesso aos demais. Em formato tablóide e com limitados recursos técnicos, o Diário do Litoral se destaca pelas matérias, cujos textos se valem do recurso agressivo, sensacionalista e debochado. O veículo também recorre às expressões populares e ao baixo calão, quando se trata de fatos políticos, policiais e administrativo. Com freqüência causam indignação ao que se denomina de “tradicional família catarinense” (PEREIRA, 1992, p.132), pela irreverência das notícias. 2.4 Breve histórico do jornal impresso na região Sul catarinense De 1831 a 1970, os jornais na região Sul eram sem exceção, semanários, quinzenários ou mensários. Nesta época, os veículos passavam por inúmeras dificuldades, desde os anúncios, que não cobriam sequer a tiragem final e nem as despesas administrativas das oficinas, redação e impressão. Com muita rapidez, os jornais surgiam e desapareciam do mercado. Desta forma, os autores Machado e Torres descrevem a situação da seguinte maneira: “no sul catarinense, entre os 30 jornais que perduraram por longo tempo em circulação constante, podem-se enumerar nos dedos. Duas mãos serão demais” (2000, p.78). 2.4.1 Araranguá Em 1926 era editado o Vanguarda, o primeiro jornal, que circulou entre o ano vigente e em 1930. Em 1929, surgiu O Campinas, de propriedade de Durval Matos, e, circulou por um ano. O veículo era da cidade de Passo Fundo, hoje, Santa Rosa do Sul, onde residia Durval Matos. No ano de 1950, é publicado o Folha Sulina, de propriedade do advogado Arno Duarte, tendo como redator, o Severiano Severino de Souza, também advogado. Na mesma época, o jornalista A. César Machado fundou o Tribuna do Sul, registrado em 23 de abril de 1955 e o jornalista-redator era Agilmar Machado. No dia 17 de setembro de 1956, o Tribuna do Sul teve sua circulação interrompida. Os dois veículos vinham de posições políticas divergentes. O Folha Sulina defendia o PSD (Partido Social Democrático) e o Tribuna do Sul era do UND (União Democrática Nacional) (MACHADO e TORRES, 2000). O jornal Correio de Araranguá, do médico Wladimir Luiz chegava ao leitor em 26 de janeiro de 1960, sendo impresso nas oficinas pertencentes ao Tribuna do Sul. Posteriormente, O Sul, de Osmar Nunes, em 31 de janeiro de 1964, impresso em Criciúma, na gráfica Tipoarte. Em 1965 foi fundado Nosso Tempo, dos diretores Aryovaldo e Agilmar Machado, irmãos e jornalistas, e, também pelo advogado Everaldo Ferreira. Mais tarde, a administração do veículo passou para o engenheiro Ênio Rosa de Souza e para os irmãos, Adão e Antônio Vignalli. Em 23 de fevereiro de 1978, era inaugurado pelo radialista, André Martins, o semanário, Jornal do Vale. 31 Outro veículo teve o registro em Criciúma e Tubarão: o Jornal Regional, de propriedade de Agilmar Machado, editado em maio do mesmo ano. Ainda em 1978, surge o Folha do Vale, de Edson Mattos Palmas e tinha o radialista hoje falecido, Paulo de Lima como redator. Nos anos 80, Claudenir Oliveira Souza e Juraci Fernandes fundaram o Preto no Branco. Já, em 19 de julho de 1990, o radialista Paulo Ignácio da Silva edita o Jornal da Cidade (MACHADO e TORRES, 2000). 2.4.2 Criciúma Em 1926, Marcos Rovaris (primeiro prefeito), Pedro Benedet e Frederico Minatto iniciavam a história do jornal impresso no município de Criciúma, através do veículo O Mineiro. No ano de 1928, A República era editado pelo redator Adolfo Campos. O Frege circulou entre os anos de 1945 e 1947. De propriedade de Rubens Sampaio, gerente do cinema da cidade, o “jornaleco” (MACHADO e TORRES, 2000, p.80) tinha um estilo crítico-humorístico. Em Criciúma, o primeiro jornal publicado com cores na capa, ocorreu entre os anos de 1949 e 1953, com Folha do Povo, pertencente ao advogado trabalhista, Pedro Vergara Corrêa, defensor dos direitos operários das minas de carvão. O Folha do Povo era redigido e impresso nos fundos da banca particular do advogado, ao lado do antigo Foto Zappelini (MACHADO e TORRES, 2000). Outros jornais fizeram parte da mídia local, como Luzes do Sul, de Maria Giselda Guglielmi, em 1958, Ouro Negro, de Lucas Cruz e O Combate, de Agilmar Machado, Dauro Martignago e Lourival Martins, ambos com publicação em 1961, além de Criciúma Nova, de propriedade de Otto Farias, em 1965. Hoje, a cidade 32 possui os seguintes jornais diários: Jornal da Manhã, Tribuna do Dia, fundado em 2 de maio de 1955 e hoje, tem como diretor geral, Marcos Marangoni e editora-chefe Mariju de Lima, além, do Diário de Criciúma, que tem Lúcio Flávio de Oliveira como diretor executivo e Régis Cristiano Silva da Silva, como editor-chefe. 2.4.3 Tubarão O Trabalho foi o primeiro jornal, a qual se tem registro histórico na cidade Azul. Sob a direção de Osni Martins e Antônio Medeiros, o veículo foi lançado em 1895, na comemoração do primeiro aniversário da freguesia de Tubarão. O Trabalho dava início à vida jornalística da então cidade. A Imprensa, sob a direção de Manoel Aguiar tem registro histórico na cidade Azul, em 1936. Os precursores da imprensa tubaronense eram lagunenses, pelo motivo de que Tubarão se desenvolvia economicamente, despertando a atenção do jornalismo lagunense. No século XIX há registros de publicações, como o jornal A Vanguarda, com direção do advogado José Acácio Moreira, em 23 de maio de 1897, sendo o primeiro a possuir a própria oficina de impressão. Cristiano Santa Helena era o chefe da tipografia e Luiz de Vasconcelos, titular do Cartório do Registro Civil de Tubarão. No ano de 1897, também surgiu o semanário O Desordeiro, de Antônio Medeiros e Luiz Martins Colaço. O manuscrito dava início ao ciclo da destacada presença da família Colaço, na história da imprensa. Encerrando o século XIX, no dia 12 de julho de 1900 surgia escrito em papel almaço e com pena de ganso, O Bode, na qual, “um único exemplar passava de mão em mão. Não constam registros de seus diretores” (MACHADO e TORRES, 2000, p.81). 33 O século XX chega e junto, novas publicações. Sob a direção de Antônio Souza, o primeiro órgão, precedendo o início do século, em 1901 é A Coisa, feito à mão. O jornal denominado Sete de Setembro é lançado, coincidindo com o dia da primeira publicação do exemplar. O diretor-gerente era Antônio Bibiano de Assumpção, responsável pela manutenção do veículo. Na 13ª edição, o jornal deixa de circular, devido a Bibiano estar acometido por uma doença. Em 2 de maio de 1902, o Sete de Setembro retorna, mas deixa de circular em novembro. Em 6 de setembro do mesmo ano, Hermínio de Menezes lançava O Vigilante. Com participação constante na sociedade, Hermínio é até hoje um nome “honroso” (MACHADO e TORRES, p.82) na imprensa catarinense. O legado passou ao Hermínio Menezes Filho, integrado à vida jornalística. Na década de 50, Manoel de Menezes, neto de Hermínio, marca para sempre a sua trajetória na imprensa. Manoel de Menezes foi um polêmico e destemido jornalista, sempre defendendo as classes mais modestas e com idéias políticas peculiares. O jornal A Verdade foi a marca registrada do jornalista. Convém ressaltar, que em 1921, Hermínio de Menezes, já havia lançado o jornal em Florianópolis. Desta forma, a família Menezes continua a sucessão no jornalismo, através de seus descendentes, como Cacau Menezes, por exemplo, atuante, no jornal, no rádio e na televisão. No dia 4 de agosto de 1902, Hermínio de Menezes, mais uma vez, lança o jornal: O Chicote. Já em 24 de outubro, acontece o lançamento de O Tubaronense, sob a direção de Antônio Bibiano de Assumpção, desta vez, recuperado da enfermidade. Muitos foram os jornais editados, mas foi através de Manoel de Menezes, conhecido por “Neco” (MACHADO e TORRES, 2000, p.85), que foi fundada a Rádio Jornal A Verdade, em defesa dos menos favorecidos. Hoje, o município de Tubarão conta com os seguintes diários: Notisul e Diário do Sul. 34 2.5 Jornal da Manhã Como em qualquer pólo econômico do estado, a região Sul de Santa Catarina é marcada por fases positivas e negativas. Durante algum tempo, teve uma base aérea diversificada com aviões modernos, helicópteros e jatinhos, em contraste ao quadro social vivido pelos mineiros. A indústria cerâmica e o setor têxtil impulsionaram a economia. E, mesmo com a instalação da TV Eldorado, emissora de televisão do estado, o município não possuía um veículo impresso de expressão no estado ou na região. Em 13 de agosto de 1976, passa a circular em Criciúma, o Correio do Sudeste, um jornal tablóide de 16 páginas e com tiragem de 1200 exemplares. Pereira assinala a iniciativa como “arrojada" (1992, p.130). O projeto elaborado pelo jornalista e professor gaúcho Anibal Benatti e sua esposa Iara Benatti, tinha como proprietários: Hamilton Feldmann (advogado), e, Edgar Martins (ambos do setor carbonífero), além de Alfredo Flávio Gazzola, Dauri Ferreira de Souza e Artêmio Jovin, que almejavam editar um veículo diário independente numa região com forte domínio político. Devido à censura política e econômica, o Correio do Sudeste enfrentou dificuldades, a partir de 1980. O radialista Carlos Eduardo Mendonça, conhecido como Bolinha assume a direção do jornal em 1983, mas no mesmo ano, a empreitada fracassa. 2.5.1 JM: 22 anos de história Em 23 de agosto de 1983 era publicado o primeiro exemplar do Jornal da Manhã, anteriormente, Correio Sudeste. A edição experimental de nº 0 trazia em seu editorial uma mensagem otimista e de perseverança ao novo veículo, por ser um dos 35 primeiros jornais, a estar no aconchego do lar ou mesmo, no ambiente de trabalho podendo ser folheado e apreciado. Sob a direção do empresário Pedro Hermann e de sua esposa, Zuleide Hermann, o jornal possuía uma tiragem de 600 exemplares. Pedro e Zuleide Hermann, proprietários do então, Correio Sudeste, venderam o jornal para um grupo de empresários de Florianópolis. Pouco tempo depois, havendo um desinteresse por parte do grupo, em 25 de agosto, o Jornal da Manhã era fundado pelo casal, dois dias após a edição experimental, data em que circulou a primeira edição oficial do JM (JORNAL DA MANHÃ, 1º set. 2003). O nome e o logotipo do jornal foram escolhidos por concurso. As primeiras edições eram impressas em gráficas da região ou em Porto Alegre. A primeira sede da redação e oficina estavam localizados na rua Barão do Rio Branco nº 323. O jornal circulava três vezes por semana: terças, quintas e sábados. Mesmo não havendo computador nem profissionais qualificados, o sonho de manter um periódico na cidade persistia e, assim, com dificuldades, Zuleide que sempre esteve presente no meio e gostava do que fazia, era responsável pelos suplementos Mulher e o Toda Sexta, que circulava uma vez por semana. No ano de 1984, o Jornal da Manhã se consolidava como um veículo na região. Divulgando sempre os fatos com veracidade, o veículo conquistava cada vez mais, sua credibilidade junto aos leitores. A equipe nesta época era formada pelo editor-chefe Osmar Nunes, pelo redator João Floriano de Cordes e o fotógrafo Ezequiel dos Passos. Em 1985, o JM foi vendido para Joceli Ribeiro. Nesta fase, o jornal era impresso na Ribeiro Editora e Gráfica Embalagens Ltda., em Içara. No edifício Place Royale nº 2607 funcionava a redação. Em 24 de setembro de 1986, o Jornal da Manhã passa a ser diário a partir da edição 193, conquistando uma nova etapa. A aquisição de uma impressora 36 própria e montagem da gráfica do jornal possibilitou que o veículo se tornasse diário. Uma atitude ousada, pois, o veículo lutava contra a falta de recursos e de tecnologia. Na redação trabalhavam Dante Bragatto Neto, Fernando Cidade, Quirino Filho, Ernesto Grechi Filho, José Luiz de Jesus, Ronald David e os fotógrafos Atílio Gabriel Torres e Mário Sérgio Farias (JORNAL DA MANHÃ, 1º set. 2003). No ano seguinte, em 1987, o JM deixa de circular por algumas edições, pois o prédio onde estava localizado, a Ribeiro Editora Gráfica e Embalagens Ltda foi interditado, por conseqüência das fortes chuvas que inundaram a sede. O jornal, nesta época contava com as colunas de esporte de João Nassif e Clésio Búrigo. Adelor Lessa na política e na redação fazia parte João Floriano de Cordes, o Jango, bem como Rogério Cândido e Vanderli Cortes (JORNAL DA MANHÃ, 1º set. 2003). Em 1988, Pedro Hermann está novamente no comando do JM. A editora responsável era a jornalista Janete Triches. Em 1990, o veículo foi vendido aos empresários Gilson Pinheiro, Deoclésio Pavei e Adelor Lessa. Em 1992, um grupo de 13 empresários, assume a direção do veículo e na administração, Milton Carvalho, Adelor Lessa e Valter Dieter. No dia 3 de novembro de 1997, o Jornal da Manhã adquire uma nova rotativa. O equipamento de fabricação norte-americano agilizou o processo de entrega das edições e reduziu o tempo de impressão de 14 horas para até uma hora. Ainda no mesmo ano, o jornal muda para a sede atual, localizada na Rua XV de Novembro nº 184 (JORNAL DA MANHÃ, 1º set. 2003) Atualmente, o JM vem inovando através do site on-line JM (http://www.jmnet.com.br). Com meio milhão de acessos, somente no mês de julho deste ano, o site tem totalizado um número de 43 países. O diferencial do site JM está no público-alvo, que atinge um considerável número de brasileiros residentes 37 em Boston, nos Estados Unidos. Na parte comercial, o site tem dado resposta positiva para o setor de construção civil, pois quem tem interesse, em algum empreendimento, aqui da região, basta acessar a página e conferir as ofertas (JORNAL DA MANHÃ, 25 ago. 2005). Em breve será instalada a Rádio JM com MP3 contendo diversas músicas, e, possibilitando também ao ouvinte, ter acesso ao noticiário, bem como conversar diretamente com o entrevistado. Para julho de 2006, a meta é montar um estúdio da TV JM, através do canal 28 da Via Max (canal fechado), que teve um crescimento de 43% e, só em Criciúma há 2.500 assinantes. A idéia da TV JM é elaborar um programa que seja regional, abrangendo jornalismo, lazer, cultura e esporte. Hoje, o quadro social do jornal é formado por nove empresários de diferentes segmentos, que funciona administrativamente como um conselho e o número de funcionários chega a aproximadamente 80 (JORNAL DA MANHÃ, 25 ago. 2005). Responde como superintendente Augusto Cancelier, como diretor Àmer Félix Ribeiro e Karla Gomes Cunha como gerente administrativo-financeiro. Na redação, Karina Manarin responde como editora-chefe. 2.6 Mídia e meio ambiente 2.6.1 Mídia: o jornalismo dos jornais Em 1836, quando James Gordon Bennett em seu jornal, Herald, de Nova Iorque escreveu sobre a mídia impressa, fez muitos inimigos por seus artigos polêmicos e escandalosos: 38 Os livros tiveram sua época - os teatros tiveram sua época o templo da religião teve sua época. Um jornal pode ser feito para assumir a liderança de todos eles nos grandes movimentos do pensamento humano e da civilização humana. Um jornal pode mandar mais almas para o Céu, e salvá-las mais do Inferno, do que todas as igrejas ou capelas de Nova York – além de ganhar dinheiro ao mesmo tempo (BARNOUW apud DEFLEUR E BALL-ROKEACH, 1993, p.69). O autor, já, naquela época percebia a influência do que viria ser os meios de comunicação na sociedade. Com a revolução da escrita e com o invento da impressão, o sociólogo americano, Charles Horton Cooley (apud DEFLEUR E BALLROKEACH, 1993) em 1909, observou que o novo meio, neste caso, o jornal, apresentara quatro fatores que o tornara mais eficiente: primeiro, a expressividade através das idéias e dos sentimentos, a permanência do registro com o passar do tempo, a rapidez e a difusão destes registros, além da possibilidade do acesso destas informações ser realizado por qualquer indivíduo. Assim, ficava cada vez mais claro, que a era da comunicação de massa transpassaria as barreiras do isolamento entre as pessoas, produzindo significativas mudanças na organização e no funcionamento da sociedade. Conforme Cooley se referiu: “a nova comunicação de massa representou uma revolução em cada fase da vida: no comércio, na política, na educação, até na mera sociabilidade e tagarelice...” (apud DEFLEUR E BALL-ROKEACH, 1993, p.40). Sem dúvida, a mídia impressa foi o início para a comunicação de massa. O autor Tavares, em seu livro Histórias que o rádio não contou, explica que em toda a sociedade humana, desde a primitiva à moderna, o homem se baseia na capacidade de transmitir intenções, conhecimentos, sentimentos e experiências, de pessoa para pessoa (1999). Os relatos de acontecimentos importantes fossem para os meios políticos, para o comércio, ou mesmo, para as manufaturas, as notícias eram assim, relacionadas até a Revolução Industrial. Como conseqüência, 39 as notícias passaram a ser artigos de consumo, conquistando um grande público de leitores. No início, a notícia de forma artesanal incorporava-se aos testemunhos das crenças e também nas perspectivas de cada indivíduo. Contudo, qualquer técnica redacional aplicada aos meios de comunicação implicaria na camuflagem dos preconceitos e dos “pontos de vista do grupo social dominante”, como destaca Lage: O maior prestígio recai sobre as notícias desprovidas de emoção, o que corresponde à preocupação de abarcar intelectualmente o mundo (conhecê-lo, dominá-lo) sem envolver-se afetivamente – proposta que está, sem dúvida, na raiz, tronco e ramos da neurose burguesa (2001, p.49). Noticiar um fato é muito mais que relatar um acontecimento. A notícia é o ato do descobrimento e por ser um produto industrial se torna depreciada, pois, incluída na comunicação de massa, passa a ser de “um público desconhecido e indiferenciado” (MIRANDA apud LAGE, 2001, p.50). Tavares diz que comunicação de massa também está direcionada para uma grande audiência, sendo esta, heterogênea e anônima, a qual pode ser caracterizada como pública, rápida e transitória. A notícia ocupa um importante espaço no rádio, na televisão e, sobretudo no jornal, bem como, através de conversas, relatórios de pesquisas, penetrando em todas as áreas do saber e reestruturando permanentemente o conhecimento. 2.6.1.1 Mas, o que é notícia e reportagem? Para compreendermos o jornalismo escrito, torna-se necessário esclarecer o que significa notícia e reportagem. Lage afirma que, “a notícia distingue-se com 40 certo grau de sutileza da reportagem, que trata de assuntos, não necessariamente de fatos novos; nesta, importam mais as relações que reatualizam os fatos, instaurando dado conhecimento do mundo” (2001, p.51). Os autores Ferrari e Sodré atribuem à notícia, “a função essencial de assinalar os acontecimentos, ou seja, tornar público um fato (que implica em algum gênero de ação), através de uma informação (onde se relata a ação em termos compreensíveis)” (1986, p.17). Nas palavras de Charnley, notícia “é a informação corrente dos acontecimentos do dia posta ao alcance do público”, e, completa: “notícia não é a morte do ditador, mas o relato que é feito dessa morte” (apud FERRARI e SODRÉ, 1986, p.17). Portanto, noticiar significa anunciar um determinado fato, independentemente da quantidade de acontecimentos que possam ocorrer, desta forma, somente será notícia, o que for anunciado. De acordo com a diversidade dos grupos sociais, com os quais os profissionais de jornalismo lidam no cotidiano, a notícia apresenta uma particularidade: o lide, que vem do verbo to lead em inglês e significa “guiar”, como define Roberto Villar Belmonte (2004, p.166), no Manual de comunicação e meio ambiente, através do Glossário ambiental. O lide é a abertura da notícia. Lage também diz que o lide nada mais é do que o primeiro parágrafo da notícia seja do jornal impresso, ou na abertura de textos radiofônicos. Nele está contido o sumário do acontecimento, e, é uma técnica de redação consagrada por manuais norteamericanos (MEDINA, 1990, p.92). As informações são ordenadas de acordo com sua importância. Deverá conter de três a cinco linhas datilografadas de 72 toques cada, respondendo as perguntas, que fazem parte da seguinte estrutura: Quem? O quê? Quando? Onde? Por quê? E como? Assim, Juarez Bahia descreve o lead como uma “mudança que 41 ocorreu na comunicação” (apud CASCAES, 2000, p.21), pois, tem como função limitar e auxiliar o repórter, para que, sejam utilizados apenas os dados e as palavras necessárias, na qual o leitor deverá ter compreensão da informação que está recebendo. Definido o que é notícia, o próximo passo é explicar como funciona a reportagem. Assim como na notícia, na reportagem, os conceitos de anunciar, enunciar e denunciar também podem ser estabelecidos, de forma tênue, quando a notícia traz uma informação contextualizada. “O jornal incorpora, assim, o tom do jornalismo de revista, que fala ao leitor como se este já tivesse tratado: seja através do rádio, da TV, de jornais ou de livros” (FERRARI e SODRÉ, 1986, p.32). E, mais, os autores apontam três formas de reportagem: 1. Reportagem de fatos (fact-story): consiste no relato breve dos acontecimentos, conforme ocorre na redação da notícia, em que os fatos são narrados pela ordem de importância, obedecendo ao modelo da pirâmide invertida. 2. Reportagem de ação (action-story): neste tipo de reportagem, o relato sempre inicia pelo fato mais atraente, para depois expor os detalhes. Neste caso, o importante, é que os acontecimentos sejam descritos, de maneira a envolver o leitor a visualizar as cenas da história, como acontece num filme. Na reportagem de ação, também pode ocorrer o inverso. A matéria pode conter referências documentais, como depoimentos de personagens ilustres, dados estatísticos e / ou informações sobre procedimentos técnicos (FERRARI e SODRÉ, 1986). Assim, a reportagem quando parte de uma notícia, permite, sobretudo, a informação pormenorizada do fato, passando a informar sobre o assunto. Os esquemas do texto podem ser de ordem cronológica, que ao contrário da pirâmide invertida, o texto pode ser iniciado pelo fato mais remoto. Ou, dialética, de forma 42 documental (quote-story), o texto apresenta um conteúdo de tese-antítese-tese, tratando de questões controvertidas. 3. Reportagem documental (quote-story): de forma objetiva o texto apresenta um relato documentado, com citações, que elucidam o assunto tratado. Embora seja, comum no jornalismo impresso, este modelo é mais freqüente nos documentários televisivos ou no cinema. A reportagem documental se enuncia como expositiva, aproximando-se da pesquisa, além de poder ser denunciativa, em alguns casos. Apoiada nesta gama de dados, conferem a este estilo, caráter pedagógico, pronunciando-se sobre o tema desejado (FERRARI e SODRÉ, 1986, p.64). 2.6.1.2 O texto jornalístico nos jornais A autora Gislane M. Cascaes em seu trabalho A informação através da linguagem visual - um estudo de caso do jornal Notisul de 2000 explica que com os signos comuns ao nosso alfabeto, nem sempre, o ato de escrever garante que o significado das palavras seja o mesmo em outros países. Neste caso, Lage afirma que definir a linguagem jornalística torna-se imprescindível. E, no registro dessa linguagem, duas formas podem ser mencionadas: o formal, característico da escrita e presente nas situações tensas e o coloquial, que representa a informalidade através da modalidade falada, seja, em ambiente familiar ou entre amigos (LAGE apud CASCAES, 2000, p. 20-21). Medina em seu livro Entrevista - o diálogo possível atenta que por mais conservadora que uma empresa jornalística seja, o registro formal estará sempre presente na fonte. A autora também revela que as normas adotadas por estas empresas são em função da “legislação a varejo” (1990, p.87), ou seja, a linguagem 43 empregada no texto deve ser leve, de modo simples, porém informativa, à parte do comercial. Para Hohenberg, “os fatos que são ou não notícias variam de um dia para outro, de país para país, de cidade para cidade e, sem dúvida, de jornal para jornal” (apud LAGE, 2001, p.53). Medina ainda ressalta, que os manuais de redação em maioria práticos, não auxilia em nada e, que em vez de recorrer a estes métodos, poder-se-ia simplesmente, ler em voz alta a frase, pois o ouvido sensível tem a capacidade de captar o problema e tentar superá-lo, sem utilizar as regras dos manuais de redação. Lage enfatiza, que para uma eficiente comunicação, o registro coloquial seria o adequado, pois é acessível para as pessoas de baixa escolaridade e também para as que são instruídas, já, que lidam rotineiramente com a linguagem formal, permitindo melhor entendimento e compreensão (apud MEDINA, 1990, p.86). Lage cita que “a língua natural é rica de possibilidades estilísticas” (2001, p.61) e o emissor com sua experiência sabe disto. Jakobson explica que entre as funções da linguagem, a função referencial tem a meta de se privilegiar na própria linguagem da notícia (apud LAGE, 2001, p.63). E enfatiza, que a indústria produtora se dirige ao leitor como se fosse isenta, sem nada ocultar, distorcer ou mesmo exagerar os fatos. Contudo, dentro do que propõe o texto jornalístico conforme suas regras, o jornalista jamais pode esquecer do compromisso da função de educar, de modo que, a redação estimule à cultura dos que a consomem e promova também a cidadania. No entanto, um texto bem elaborado tem a capacidade de seduzir e despertar emoções, que muitas vezes nem mesmo, o repórter sequer imaginou. Assim, é imprescindível ter a sensibilidade de saber lidar com as palavras, pois, ao mesmo 44 tempo, que, possuem o poder de contribuir para a felicidade podem também, destruir a imagem de uma pessoa. 2.6.2 Mídia, meio ambiente e desenvolvimento sustentável Discursar sobre meio ambiente é pensar no meio em que vivemos atualmente. E, colocando os meios de comunicação, como um ingrediente a mais neste contexto, relacionando o papel da mídia na divulgação de matérias sobre meio ambiente, veremos que o assunto é de extrema importância. No artigo Jornalismo científico aplicado à área de energia no contexto do desenvolvimento sustentável, os autores Mattozo, Camargo e Lage definem os meios de comunicação da seguinte maneira: A mídia, como instrumento de acesso às informações que circulam em espaços normalmente restritos, tem uma grande e ainda crescente importância no esclarecimento público sobre a questão da energia e suas implicações sociais, ambientais e econômicas, fornecendo subsídios para que o cidadão comum conheça os fatos e as perspectivas que cercam as suas condições de vida (17 jul. 2005, p.101). Ainda no mesmo artigo, os autores mencionam que na Agenda 21 há um capítulo dedicado exclusivamente ao papel da informação, estabelecendo os diversos conteúdos informativos de caráter científico, técnico-econômico, sociopolítico e geopolítico, de acordo a obter níveis de sustentabilidade na esfera social (MATTOZO, CAMARGO e LAGE, 17 jul. 2005, p. 102). Como elemento mediador no contato com os problemas ambientais, a mídia tem importância decisiva para a discussão, no que se refere aos modelos de desenvolvimento em nosso meio ambiente. O autor Fritjof Capra destaca a importância dos meios de comunicação de massa ao apontar que “para que a nova consciência ecológica passe a fazer parte 45 de nossa consciência coletiva, ela terá que ser transmitida, em última instância, através dos meios de comunicação de massa” (apud RIBEIRO, 1992, p.83). Ribeiro explica como se deu este envolvimento da mídia com a divulgação de conteúdos sobre meio ambiente: Na década de 90, o meio ambiente é a mensagem. A criação de editorias de meio ambiente nos principais meios de comunicação significa avanço importante para a veiculação de temas ecológicos e a imprensa alternativa também tem dado atenção especial ao meio ambiente. Ecologizar a imprensa significa introduzir em cada uma das editorias – de política, economia, cultura, cidades, etc. – o toque ecológico e ambiental, não segregando essa temática apenas às páginas ou programas de meio ambiente. Ela deve permear toda a comunicação de massa para ser eficaz como instrumento de mudança social (1992, p.83) Na história da humanidade atualmente, a sociedade vem passando por profundas transformações. A reflexão e a busca de alternativas para a problemática socioambiental, esboça nesta urgência, o estudo de propostas para o desenvolvimento sustentável. Renner (apud PELIZZOLI, 1999, p.91) diz que, “quem não está inteirado com a questão socioambiental não está de fato pronto hoje para gerenciar e governar”. Entre os vários temas abordados sobre meio ambiente, há a ecologia. O contraditório progresso urbano apresenta um cenário evidente de um período de ocultamento e recalque de possibilidade de qualquer construção, que seja, civilizatória, sendo almejada pelo saber tecnológico. Leff afirma o seguinte: A crise ambiental veio questionar a racionalidade e os paradigmas teóricos que impulsionaram e legitimaram o crescimento econômico, negando a natureza, A sustentabilidade ecológica aparece assim como um critério normativo para a sobrevivência humana e um suporte para chegar a um desenvolvimento duradouro, questionando as próprias bases da produção (2001, p.15). 46 Segundo Pelizzoli, ecologia vem de “eco (oikos) = casa” e “logia (logos) = racionalidade”, assim como a definição de economia: nomia = leis, que significa o gerenciamento da casa (1999, p.92). O autor menciona que a palavra ecologia sempre designa um resgate de harmonia entre as pessoas com sua casa. Como na hipótese de Gaia, formulada por James Lovelock e Lynn Margulis, em 1979, a terra é um único e complexo organismo, com capacidade de se auto-organizar e se autoregular. O nome Gaia é uma referência “a deusa grega da Terra” (MOUSINHO, 2003, p.352). Então, se há uma harmonia entre o indivíduo e sua moradia, numa esfera maior, a Gaia também será bem gerenciada. Nos anos 60, se torna evidente a crise ambiental e daí surge a consciência ambiental com a Primavera Silenciosa de Rachel Carson e, em 1972, expandiu-se posteriormente, após a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano realizada em Estocolmo. Os padrões dominantes de produção e de consumo delimitam os limites do crescimento econômico. Na Conferência das Nações Unidas realizada em junho 1992, sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, no estado do Rio de Janeiro, o discurso do desenvolvimento sustentável foi oficializado e amplamente difundido através deste evento. Nesta conferência, a Agenda 21 foi elaborada com a função de regulamentar o processo de desenvolvimento com base na sustentabilidade, com o intuito de uma política de mudança global, pela busca da dissolução às contradições entre meio ambiente e desenvolvimento. Com a necessidade de estancar o crescimento diante da possibilidade de um colapso ecológico, nos anos 70, a crise ambiental já dava o sinal de alerta (MEADOWS apud LEFF, 2001). O discurso neoliberal afirma que não há mais contradição entre crescimento e ambiente, pois 47 “os problemas ecológicos não surgem como resultado da acumulação de capital” (LEFF, 2001 p.22). O autor Leff ainda menciona que para conseguir o desenvolvimento sustentável, a proposta seria a atribuição dos direitos de propriedade junto aos bens e serviços da natureza, encarregando as leis de mercados de ajustar os desequilíbrios ecológicos, bem como, as diferenças sociais. “A natureza volta pois a ser o ator gigante e aterrador, ao mesmo tempo que fragilizando condições/contextos ecológicos das espécies, e que faz o feitiço voltar-se contra o feiticeiro [...]” (PELIZZOLI, 1999, p.23). O exacerbado crescimento da sociedade em função da utilização dos recursos naturais inesgotáveis, a Terra em seus 3,5 bilhões de anos, passou por inúmeros desequilíbrios naturais, e, pode muito bem continuar sem os humanos, fato este, que explica o desconhecimento do indivíduo, de que a natureza, já não mais suporta os níveis de degradação da natureza, melhor dizendo, as condições de vida de modo adequado, para vivermos. O desenvolvimento sustentável está numa política de representação segundo Escobar (apud LEFF, p.25), pois a complexidade implica nos processos naturais, destruindo a identidade cultural e interligando-se à razão, em que a estratégia se apropria da natureza como fonte de produção para a riqueza. O comportamento consumista insustentável do ser humano fez com que a natureza desse a resposta a esta consciência da degradação, através de exemplos. Entre estes, o efeito estufa, através do aumento da temperatura média em 0,6 graus, assim como as alterações na camada de ozônio, envenenamento das terras, o aparecimento de resistentes pragas, os alimentos transgênicos, a poluição da água, 48 o problema dos resíduos sólidos nos centros urbanos, além da distância do homem em relação ao ambiente. Pelizzoli diz o seguinte sobre o processo: Este é um século em que, definitivamente, nenhum de nós, visto que vivemos em laços (redes) humanos e ambientais, está sentindo-se ‘casa’; ao contrário, há uma inquietude e sentimento de sufoco a ser solvido, de deslocamento em relação ao mundo que se constrói, de perplexidade frente à ‘Máquina’ econômico-civilizacional que rege, de diversas formas, as sociedades globais (1999, p.94). Como um saber reintegrador da diversidade, o ambiente emerge e novos valores são agregados como a ética e o estético, com os processos ecológicos, tecnológicos e culturais. Leff destaca, que a degradação ambiental é um sintoma da crise da humanidade, marcada pelo próprio modelo de desenvolvimento em razão da tecnologia sobre a natureza. Toda a problemática da questão ambiental se encontra na “desconstrução” (2001, p.17) deste modelo em prol da modernidade. A palavra desenvolvimento sustentável embora utilizada em muitos países da Europa, Ásia e América Latina, surge pela primeira vez no documento chamado World Conservation Strategy, produzido em 1980, pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e pelo World Wildlife Fund, hoje denominado World Wide Fun for Nature (WWF), através de uma solicitação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Segundo este documento, para a conservação da natureza são necessários, que os processos ecológicos, bem como os sistemas naturais e desenvolvimento do ser humano sejam mantidos; que a diversidade genética seja preservada e; que, o aproveitamento sustentável do ecossistema e das espécies sejam asseguradas, constituindo a base da vida humana (BARBIERI, 1997, p.23). A Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD), conhecida também, como a Comissão Brundtland, devido a Gro Harlem Brundtland, que presidiu o evento em 1982, ressalta que “desenvolvimento sustentável é aquele 49 que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade das gerações futuras de atenderem as suas próprias necessidades” (apud BARBIERI, 1997, p.23). Segundo Brundtland, não há como desvincular o meio ambiente do indivíduo, uma vez, que este, já não mais existe como esfera que está à parte das ações, das ambições e necessidades humanas. Por isso, defender a palavra meio ambiente implica em levar em conta os problemas humanos, devido esta estar desvinculadas das ações, das ambições e das necessidades humanas. “Mas é no meio ambiente que todos vivemos; o desenvolvimento é o que fazemos ao tentar melhorar o que nos cabe neste lugar que ocupamos. Os dois são inseparáveis” (CNMAD apud BARBIERI, 1997, p.25). O autor Paulo Freire Vieira, explica que o meio ambiente é uma relação de interdependência e não um determinado objeto específico: “(‘natureza’, ‘espaços naturais’, ‘paisagens’, ‘assentamentos’)” (1995, p.49). Ainda no mesmo estudo é caracterizado como um conjunto de componentes biológicos e físico-químicos interligados aos fatores socioculturais que podem de alguma maneira atingir direta ou indiretamente os seres vivos, assim como suas atividades, na esfera globalizante. No que se refere ao meio ambiente podemos dizer que o estudo abrangeria as transformações da ecosfera, quanto à influência e manutenção das condições de sobrevivência humana sobre outras espécies vivas (MEADOWS; MESAROVIC apud VIEIRA, 1995, p.49). Os desequilíbrios ambientais são uma resposta pelo agravamento dos impactos destrutivos causados pelo homem sobre o ecossistema, comprometendo até mesmo, a sobrevivência da espécie. De acordo com Ignacy Sachs, o ecodesenvolvimento ou desenvolvimento sustentável tem sua abordagem na harmonização dos objetivos sociais, ambientais e econômicos. Desde a conferência de Estocolmo e Rio de Janeiro, pouco se alterou, mas que se torna válida, devido à 50 recomendação da utilização dos critérios de sustentabilidade, de forma parcial. O desenvolvimento sustentável é um jogo sem regras quanto ao mercado, na qual são “míopes para transcender os curtos prazos” (DEEPAK NAYYAR apud SACHS, 2002, p.55). Ecodesenvolvimento significa estimular a reflexão e tornar participativa a experimentação criativa, paralela ao crescimento econômico, permitindo a valorização do potencial dos recursos naturais, assim como humanos, num contexto específico regional, minimizando os custos ecológicos, para uma autonomia das populações envolvidas, ainda que forma lenta, mas que não seja obrigatório (VIEIRA, 1995, p.58). Para Kuttner, “nem tudo está à venda” (apud SACHS, 2002, p.56), ao passo em que se procura o equilíbrio entre mercado, Estado e também sociedade civil, pois estas são as instituições que devem e deverão fiscalizar e corrigir as deficiências do sistema. O redimensionamento da economia é essencial para a reabilitação do planejamento, com o propósito de promover as estratégias de desenvolvimento sustentável, sendo um desafio planetário como aponta Sachs (2002, p.58). O planejamento aqui, se refere como forma de atividade social em estágio embrionário segundo Vieira (1995, p.53), e que designa o conceito de ecodesenvolvimento, através do planejamento participativo de estratégias, para a intervenção, adaptando-as a contextos socioculturais e ambientais. No conjunto das sociedades contemporâneas, o desenvolvimento sustentável possui um enfoque reducionista na problemática ambiental. “O meio ambiente é por ela concebido como o meio físico, natural ou construído, mas em ambos os casos transformado pela mão do homem” (VIEIRA, 1995, p.57). 51 Vieira complementa que o meio ambiente vem como um fornecedor de recursos naturais e ao mesmo tempo serve de receptor dos dejetos produzidos, por nós humanos, quer dizer, na esfera onde se dão as relações sociais e naturais. Num sentido amplo da discussão, um habitat, na qual estão inseridos a qualidade de vida, o trabalho, a recreação e perpetuação das populações. De acordo com Leff, a degradação ambiental surgiu do crescimento e da globalização da economia (2001, p.56). O autor reafirma, que o impacto da degradação ambiental é muito mais grave do que a crise do capital, e, esta possibilitou um processo de transformação do conhecimento, de forma a gerar meios para se pensar de maneira integrada e multivalente sobre o que diz respeito aos problemas globais. A questão ambiental hoje deve atender à valorização da diversidade étnica e cultural da espécie humana e estimular diferentes jeitos de manejo da biodiversidade, tornando esta harmoniosa com a natureza. Para que haja o resgate da dimensão socioambiental, é importante frisar que a resolução da problemática está na tomada de consciência do que são os limites e a vulnerabilidade dos recursos naturais, na luta das desigualdades sociais nos países, que se apresentam em desenvolvimento. Concluindo, Sachs informa que “precisamos retornar à economia política, que é diferente da economia, e, a um planejamento flexível negociado e contratual, simultaneamente aberto para as preocupações ambientais e sociais” (2002, p.60). 52 2.6.2.1 Educação ambiental x Comunicação A história contemporânea se apresenta marcada pela crise ambiental, através da racionalidade econômica, ao passo, que emerge o pensamento epistemológico do saber no mundo. Nesta ótica surgem três fundamentos importantes, como destaca Leff. O primeiro se refere ao crescimento e a construção de um novo modelo de produção sustentável, o segundo é a quebra do conhecimento, pela teoria do pensamento complexo e terceiro, o surgimento do questionamento da concentração do poder pelo Estado e pelo mercado, para uma reivindicação de uma democracia justa, autônoma e cidadã (2001, p.236). Nas palavras de Vieira, parece que, nos inúmeros ramos da ciência e da tecnologia, a análise realizada não leva em consideração um ponto essencial, do mundo em que vivemos: “a interconexão dos fenômenos vivos”, pois na abordagem, a comunidade científica responde pela estratégia do “conhecer cada vez mais sobre fatias cada vez mais restritas da realidade” (1995, p.76). O efeito disto tem sido o mito da Torre de Babel, devido a um grande número de profissionais que dispõem cada vez mais de informação científica, mas que na realidade são incapazes de transpor energia suficiente à confrontação dos macroproblemas da crise do mundo. O autor Ribeiro diz que “investir na formação educacional e cultural de cada cidadão, ajudando a moldar a sociedade para maior consciência e responsabilidade, é crucial para se alcançar o ecodesenvolvimento” (1992, p.77). As crianças de hoje serão os adultos de amanhã. Esta frase enfatiza perfeitamente o que deva ser a educação para o cidadão. Na fase atual em que nos encontramos, é imprescindível desaprender os valores culturais que foram herdados e reaver o contexto em que se encontra o meio ambiente. 53 Para que a sociedade tenha uma economia próspera, sem desigualdades sociais e ecologicamente adequada, os cidadãos precisam ser conscientes e muito bem informados, a fim de que sejam participativos nas decisões que norteiam suas vidas. Contudo, a educação constitui um dos princípios primordiais para uma proposta de ecodesenvolvimento. O dom de aprender, como revela o Ribeiro (1992), é necessário para se obter o aprimoramento dos comportamentos, assim como as ações que se diz, ecologicamente corretas. O papel da educação ambiental não é somente conduzir o indivíduo, fazendo com que seja produzido nele uma visão de mundo, transmitida pelo professor, mas que seja criada condições para este indivíduo desenvolver sua criatividade específica, ser original, permitindo ser libertado e despertar algo que estava escondido no seu intrínseco. Leff (2001, p.247) acentua que na educação ambiental, a sustentabilidade, a complexidade e a interdisciplinaridade confluem. No entanto, as orientações e os conteúdos fazem parte das estratégias do poder que dispõem de discursos sobre sustentabilidade, transferindo-se para a área do conhecimento. Patrícia Mousinho (2003) descreve a educação ambiental como um processo que visa despertar no ser humano, a preocupação individual e coletiva para as questões do meio ambiente, de forma a permitir o acesso à informação com uma linguagem simples, porém, que contribua para o desenvolvimento de uma consciência crítica. Neste contexto, a educação ambiental tem o objetivo de desenvolver a complexidade, através da transformação social e não somente trabalhar a mudança social, permitindo que a crise ambiental seja assumida como uma questão política e ética e acima de tudo uma tomada de consciência transformadora para o meio ambiente. 54 Born adianta que para garantir ao público, acesso à informação é necessário haver uma pressão social e política maior em torno da questão ambiental, pois esta informação através da mídia possibilita a compreensão dos aspectos técnicos, sociais e institucionais (apud SOUSA e FERNANDES, 2005, p.3). A imprensa não tem desempenhado sua função para modificar a situação, mas como ocorre em outras esferas da sociedade, pode sim, ser capacitada para tratar as questões ambientais na perspectiva de sustentabilidade. Para a conscientização pública dos segmentos do meio ambiente em que vivemos, a comunicação é essencial para a promoção do desenvolvimento sustentável. O conhecimento científico e tecnológico deve ser democratizado, pois todos têm direito à informação, utilizando como suporte a imprensa, pois o papel da mídia é expressar as diversas opiniões em notícias controversas, proporcionando a não fragmentação do assunto. Em outras palavras, o ser humano tem o direito de ter e receber as informações de natureza não superficial. A busca simultânea da eficiência econômica, assim como a justiça social e a harmonia ecológica são os caminhos desse contexto mídia, a qual se destina a “informar, educar, entreter, persuadir, promover a integração individual e coletiva, na realização do bem-estar social” (BELTRÃO e AQUINO apud SOUSA e FERNANDES, 2005, p.4). Refletir os meios de comunicação enquanto função pedagógica no que diz respeito ao meio ambiente implica em algumas considerações. Ao mesmo tempo, em que a consciência ecológica é despertada, a mídia toma para si esta importante ferramenta, ressaltando os conceitos de responsabilidade social incluindo neste âmbito, a questão ambiental. Um outro ponto, são os conceitos trabalhados de forma superficial, como desenvolvimento 55 sustentável, amplamente discutida com a Rio 92. A ecocidadania tão comentada e difundida amplia estes conceitos, pois implica nas noções do que vem ser direitos, deveres e responsabilidades. Ainda sobre os meios de comunicação, há uma outra ressalva a fazer, a qual está relacionada com a educação básica. Bortolozzi em sua pesquisa, revela recentemente, “que boa parte das informações que os professores recebem sobre meio ambiente vem da mídia, especialmente da televisão” (apud SOUSA e FERNANDES, 2005, p.4). Então, o autor continua sua análise, dizendo, que o questionamento está em como o professor vai trabalhar este conteúdo em sala de aula e até que ponto isto é passado como verdade absoluta. A nova Lei de Diretrizes e Base (LDB) informa que a educação ambiental foi incluída nos currículos escolares da rede pública e particular do ensino fundamental ao ensino médio. A Conferência sobre Meio Ambiente acrescenta o seguinte: [...] Para fazê-lo, a educação ambiental deve capacitar ao pleno exercício da cidadania, através da formação de uma base conceitual abrangente, técnica e culturalmente capaz de permitir a superação dos obstáculos à utilização sustentada do meio. O direito à informação e o acesso às tecnologias capazes de viabilizar o desenvolvimento sustentável constituem, assim, um dos pilares desse processo de formação de uma nova consciência em nível planetário, sem perder a ótica local, regional e nacional. O desafio da educação, nesse particular, é o de criar as bases para a compreensão holística da realidade (DIAS apud SOUSA e FERNANDES, 2005, p.4-5). Assim, o objetivo aqui não é criticar os meios de comunicação, enquanto fonte de informação, mas sim sugerir uma leitura mais atenta dos jornais, das revistas e, sobretudo dos programas televisivos, antes, porém, de levá-los para a sala de aula. Segundo Moran, a finalidade da educação enquanto crítica da mídia é poder auxiliar em cada um a percepção ativa e centrada, de um acompanhamento 56 consciente sobre como viver em comunhão com o mundo sem nos afastar dos meios, mas que seja, uma comunicação forte e expressiva para o bom relacionamento do homem com a natureza (apud SOUSA e FERNANDES, 2005, p5). 2.6.2.2 Informar muda o comportamento? Joule e Bernard, no artigo Por uma nova abordagem de mudança social: a comunicação do compromisso, ressaltam que há uma distância entre o que denominamos de boas idéias e nossas atitudes. Para o comportamento ideal, não é suficiente apenas ter boas idéias, mas sim, a mudança de comportamento. Observe o seguinte texto: Votar, respeitar o código de trânsito, doar sangue, controlar o consumo de energia, bem como intervir para evitar que um roubo seja cometido, socorrer uma pessoa em perigo no metrô, todos estes atos pertencem à categoria de comportamentos de ‘cidadania’ bastante valorizados. Ouvese falar, quase todo dia, que a promoção destes comportamentos passa por uma mudança de mentalidades e que é preciso, antes de tudo, melhor informar, melhor convencer, enfim, torná-los objetos de uma ação pedagógica (JOULE e BERNARD, 2005, p.27). Na esfera global servem de recursos para esta ação pedagógica, os meios de comunicação em geral, como a escola, a família, além de outras instâncias sociais, que buscam nas virtudes da informação e na persuasão, fazer com que as crianças e os adultos adotem idéias e valores para uma sociedade melhor. Se a informação e a persuasão fazem parte do limite de ação na comunicação e são conhecidas por nós, estas, em contrapartida, também permitem modificar os atos e os saberes. Mas, na maioria das vezes, acontece o oposto. A princípio parece 57 confuso, mas Joule e Bernard, através de um estudo realizado nos Estados Unidos, há alguns anos relatam: [...] a probabilidade de ser um fumante aos 17 anos não é menor entre os alunos que freqüentaram pelo menos 65 sessões de ‘sensibilização’ entre oito e 17 anos (condição experimental) – e, portanto, perfeitamente informados dos prejuízos do tabaco – que nos alunos que não seguiram estas sessões (condição controle) (2005, p.27). Isto não quer dizer, que o ato de informar e argumentar não sejam válidos. Mas, ao longo do tempo, é sim, possível modificar estes saberes e estas idéias, e, até mesmo, provocar uma tomada de consciência. Lewin apud Joule e Bernard (2005) ressalta que há um elo intermediário na relação entre a idéia e o comportamento, pois esta, não é direta. Este elo nada mais é do que a decisão. Se por um lado, decidimos nos comportar de tal ou daquela maneira, é porque estamos assumindo de fato, uma mudança de comportamento. Por esta razão, as decisões são particulares, e, quando a tomamos, podem também nos comprometer. No âmbito do comportamento esperado pela sociedade, há uma técnica conhecida como “dar-o-primeiro-passo” (BURGER; FREEDMAN & FRASER apud JOULE e BERNARD, 2005, p.28), a qual consiste em preparar a decisão previamente, através do ato preparatório, ou seja, fazer com que o indivíduo tenha um comportamento desejado, exigindo dele pouco, antes de pedir muito. Através de pesquisas, os estudiosos resolveram provar a eficácia da técnica, a qual tinham por objetivo fazer as pessoas aceitarem a colocação de um out-door grande em seu jardim. O tema se tratava de pedir prudência aos motoristas, comportamento esperado, mas somente 17% aceitaram a solicitação. Utilizando a técnica do dar-o-primeiro-passo, a taxa foi de 76%, já que o pedido feito foi de colocar na beirada da janela, um pequeno adesivo, de 4 cm por 5 cm, sobre o mesmo tema. Assim, puderam verificar que o fato de um número maior 58 de pessoas aceitarem o ato cidadão e outras não, isto não representa que seus valores sejam diferentes, mas há o fato de terem sido levadas ou pelas circunstâncias a aceitarem um pequeno adesivo na janela (JOULE e BERNARD, 2005). Convém definir que “compromisso é o elo que une o indivíduo a seus atos comportamentais” (KIESLER E SAKUMURA apud JOULE e BERNARD, 2005, p.28). Com a técnica do dar-o-primeiro-passo, os pesquisadores conduziram um novo procedimento de comunicação, a qual é chamada de comunicação do compromisso. Experiências foram realizadas através de algumas ações. 1 Promover a eco-cidadania nas escolas – com a intenção de promover um comportamento eco-cidadão foi realizada em vários colégios, uma pesquisa junto aos alunos, que tinham idade entre nove e dez anos. Ao todo, onze escolas francesas participaram do programa europeu, envolvendo 700 famílias e 28 professores. Quatro tarefas foram passadas aos alunos, para serem cumpridas, ao longo de algumas semanas. A primeira foi de verificar através da observação, o que estava ou não bem em termos de economia de energia e da proteção do meio ambiente e fazer anotações – tarefa esta, considerado como o primeiro ato preparatório (JOULE e BERNARD, 2005). A segunda foi observar em casa os hábitos da família e também anotar o que poderia ser modificado, sem que isto perturbasse alguém (segundo ato preparatório). Como terceira tarefa, os alunos com a ajuda de seus pais responderam um longo questionário sobre economia de energia em casa, a fim de compromete-los também (terceiro ato preparatório) e como quarta etapa da atividade, colocar um adesivo na geladeira, sobre o meio ambiente (quarto ato preparatório). No fim do ano, crianças e pais se comprometeram por escrito, a 59 modificarem seus hábitos, como desligar o stand by da televisão ou mesmo deixar em casa, o carro para pequenos trajetos (JOULE e BERNARD, 2005). Estes compromissos foram realizados mediante dois contratos: um assinado pelo aluno sozinho e o outro em conjunto com os pais. Com o fim do ano letivo, os alunos promoveram uma exposição, para apresentar às famílias, a produção de alguns materiais, como cartazes, cd-rom, fotografias, filmes, além de outros. Com este evento, o resultado foi positivo. Em até 100% de algumas salas, os alunos e os próprios pais assumiram o compromisso por escrito de realizar os atos como baixar o consumo de energia. Contudo, em certas escolas, a dinâmica aplicada possibilitou que lâmpadas incandescentes fossem trocadas por lâmpadas de baixo consumo, que houvesse também a coleta seletiva de papéis, bem como, outras iniciativas, que permitiram às crianças exercerem a cidadania. 2 Promover a eco-cidadania na cidade – nesta situação, a pesquisa acontece numa cidade francesa, com população média de 80.000 habitantes. Os autores Joule e Bernard (2005), explicam que, através do voluntariado, vereadores, presidentes de associações, professores, líderes comunitários e comerciantes tiveram que desenvolver uma ação positiva em favor à proteção do meio ambiente, envolvendo o maior número possível de indivíduos, como escolas, clubes esportivos, Casa da Juventude e também associações. Estas ações são os atos preparatórios e, foram expostas numa jornada, para que cada um soubesse da ação do outro. Como parte de promover a eco-cidadania na cidade, esta foi uma oportunidade de obter um compromisso concreto dos moradores, através da assinatura em família, de um termo de compromisso. Numa lista de dez itens, pais e filhos definiam qual compromisso desejava assumir. Nesta lista havia, por exemplo, desde a diminuição do aquecedor à noite, 60 ou mesmo, a substituição de uma lâmpada. Ao final, mais de 500 compromissos foram assumidos e se constatou que o consumo de energia elétrica foi menor na cidade, quando esta utilizou a comunicação de compromisso (+ 6%), enquanto na outra cidade, onde a comunicação utilizada foi a clássica (cartazes e cartilhas), em que o aumento foi de mais de 14% (JOULE e BERNARD, 2005). Concluindo, Joule e Bernard ressaltam que os resultados são encorajadores, pois levam a refletir que a comunicação de massa, bem como a proximidade, a questão a se colocar, é que, quando se buscam os efeitos comportamentais, esta, não se deve ser limitar a: “quem diz o quem a quem?”, mas do “quem diz o que, a quem, fazendo-o fazer o quê?” (JOULE, PY e BERNARD apud JOULE e BERNARD, 2005, p.30). Nestas circunstâncias, se as boas questões permanecem, então os autores lançam as perguntas: “Quais são as boas informações a se transmitir? Quais são os melhores argumentos para tal caso particular? – inclui-se aqui uma outra pergunta: qual é ou quais são o(s) bom (bons) atos(s) preparatório(s) a se obter do receptor?” (JOULE, PY E BERNARD apud JOULE e BERNARD, 2005, p.30). Assim, deve se levar em consideração, o que distingue a comunicação de compromisso, de um procedimento de comunicação clássica, para se obter um comportamento esperado do indivíduo. 2.6.2.3 O jornalismo ambiental Na imprensa mundial, o jornalismo ambiental é uma tendência irreversível. Em 1968, ocorreu em Paris, a Conferência da Biosfera. Nesta mesma época surge na França a primeira organização de jornalistas especializados em meio ambiente dedicada à formação de profissionais, com a intenção de melhorar a qualidade das 61 matérias. No mesmo ano, era preso no Brasil, pela Operação Bandeirantes, o repórter Randau Marques, primeiro jornalista brasileiro, especialista em meio ambiente. O repórter foi considerado subversivo por escrever reportagens sobre a contaminação de peixes e intoxicação de agricultores pelos agrotóxicos, já, questionando a expressão “defensivos” (VILLAR, 2005, p.3). Randau escrevia para um jornal da cidade de Franca, em São Paulo. Nos anos 80, o boom da vez se dá com a descoberta do buraco na camada de ozônio e as primeiras análises sobre o impacto, em que as atividades humanas refletiram no aumento do aquecimento global. No Brasil, a preocupação e os estudos se voltaram para os problemas ambientais da Amazônia. No Manual de comunicação e meio ambiente, o texto Os ingredientes da boa comunicação: criatividade e alvo preciso de Patrícia Palumbo (2004, p.109) comenta que antes da realização da Rio 92, os jornalistas interessados no assunto sobre meio ambiente encontrava dificuldades nas redações, uma vez que, se buscava pautar uma matéria. Hoje, a situação é diferente. Há um maior número de jornalistas especializados no assunto e os conceitos também têm sido amplamente difundidos. Os veículos especializados no tema são poucos, mas uma adequada assessoria de imprensa ou consultoria em comunicação pode abrir o caminho para a divulgação destes assuntos por área de pesquisa ou atuação. Palumbo (2004) menciona que na filosofia existe o conceito de máscara definido por Gilles Deluze, que consiste em o indivíduo primeiro seduzir para depois mostrar o que interessa ser revelado. Assim também acontece com o jornalismo ambiental. Os acontecimentos degradatórios chegam com força nos meios de comunicação, pois é impossível explanar o mundo em que vivemos, sem considerar, 62 todavia, os crescentes impactos da mídia, que está cada vez mais presente, instantânea e sofisticada. O jornalismo ambiental não está vinculado somente à grande imprensa. O autor Roberto Villar (2004) comenta em seu artigo Jornalismo Ambiental - Evolução e Perspectivas, que os jornais de bairro, bem como rádios e emissoras de televisão comunitárias são recursos importantes, devido permitirem um envolvimento mais direto com o público. Têm características peculiares em cada região do Brasil e quanto à qualidade das matérias publicadas, esta, se encontra relacionada diretamente à mobilização da sociedade sobre o assunto. “A imprensa brasileira dificilmente trata dos problemas ambientais com profundidade na pauta das discussões públicas”, afirma Villar (2004, p.1). Por isso, há a necessidade de que haja mais veículos e jornalistas engajados nesta consciência ambiental. Um cidadão não poderá nem mesmo confrontar as informações, se houver apenas uma versão, ao passo, que o indivíduo só tem liberdade de escolha, quando se tem conhecimento de outras opções existentes. Quanto maior o conhecimento, ou seja, quanto mais especializado for o repórter ou editor, maior será o questionamento quanto à sua concepção de mundo e o seu estilo de vida. Como parte do processo de aprendizado do jornalismo ambiental, os jornalistas terão que mudar seu próprio estilo de vida. Jean Cocteau dizia que “o estilo é a arte de dizer o máximo com o mínimo de palavras” (apud VILLAR, 2005, p.2). A reportagem sobre meio ambiente deve ser novidade e de interesse coletivo, na qual, a linguagem deva ser simples. Regina Scharf, no texto Jornal impresso, da publicação Manual de Comunicação e Meio Ambiente descreve outros elementos que influenciam na qualidade do conteúdo: 63 Num jornal diário, a maioria dos repórteres tem poucas horas para descobrir, investigar, compreender e traduzir um fato num texto claro e sintético. Nesse curto espaço de tempo, o jornalista também terá de conceber textos acessórios, explicativos, com os antecedentes da notícia ou dos personagens envolvidos e ilustrações que ajudem o leitor a entender o que se passou (2004, p.72). Os veículos impressos não possuem a mesma agilidade e vivacidade que os outros meios de comunicação. E, acima de tudo chegam ao leitor “com um vago sabor de café requentado” (SCHARF, 2004, p.71), além de não dispor de sons nem movimentos, como ocorre com a televisão e o rádio. Porém, cabe somente ao jornal impresso, algumas características peculiares, como a reflexão e o porque dos fatos, onde o meio impresso tem um amplo espaço para desenrolar da notícia. No entanto, o livro Econautas: ecologia e jornalismo literário avançado, do autor Edvaldo Pereira Lima informa que “o texto jornalístico não é somente essa coisa sem graça, uniforme, sem brilho e sem profundidade, que vemos na maioria das vezes” (1996, p.8). O autor Peter Nelson, no texto Dez dicas práticas para reportagens sobre meio ambiente, explica que há dois pontos fundamentais, que servem de recomendação para jornalistas de qualquer parte do mundo. O primeiro deles é que “os jornalistas precisam pensar no seu ‘público” e o segundo, é que “jornalistas devem fazer perguntas” (NELSON, 1994, p.7), pois jornalistas que não perguntam e só concordam com os entrevistados, correm o sério risco de saírem da entrevista, sem nada entenderem do assunto. A principal responsabilidade do jornalista é para com os leitores ou telespectadores. Muitas pessoas utilizam as reportagens noticiosas como única fonte de informação sobre as complexidades do meio ambiente. Isso significa que o jornalista acaba agindo como educador ao explicar as informações técnicas para produzir uma matéria fácil de entender e interessante de ler (1994, p.7). 64 Nelson também afirma que as agências de notícias hoje, reconhecem que o meio ambiente é uma extensa fonte de pautas, capaz muitas vezes de mobilizar uma estrutura na cobertura de um assunto. “Meio ambiente só é notícia na sua forma trágica, em que o destaque dado é diretamente proporcional ao tamanho da catástrofe - como se natureza fosse apenas sinônimo de problema” (1994, p.8). A sociedade brasileira trilha os caminhos desconhecendo a extensão de seus problemas ambientais, em que a natureza também pode ser a solução. Meio ambiente não é prioridade porque os desmatamentos ou a biopirataria estão distantes demais da realidade do contribuinte/eleitor médio. “Isso não interessa ao leitor”, confirmarão boa parte dos editores dos nossos veículos de comunicação (LACAVA apud NELSON, 1994, p.8). Assim, em 2001, a Unesco lançou o relatório Perspectivas sobre a criança e a mídia, afirmando que “no ano de 1996 estimava-se que sete em cada dez domicílios em todo o mundo possuíam um aparelho de televisão – um número muito maior do que os que possuíam um telefone”, além de verificar que “a televisão reforçou sua posição de principal meio de comunicação de massa depois do rádio” (BUCHT apud TRIGUEIRO, p.78). Desta maneira, o relatório só vem a reforçar que o indivíduo se prende muito mais aos recursos de áudio-visual do que propriamente o texto, a qual se propõe a informação de uma notícia, em jornal impresso. A socióloga Samyra Crespo, do Instituto Superior de Estudos da Religião (ISER), encomendou uma pesquisa ao Ibope pelo Ministério do Meio Ambiente, a qual, revelou que “15% dos entrevistados lêem jornal diariamente e 90% têm na televisão a principal fonte de informação” (apud TRIGUEIRO, p.78). Sobre como a mídia vem tratando dos assuntos de meio ambiente é conveniente iniciar a discussão a respeito da televisão. Através de imagens e sons da vida na natureza, 65 este recurso vem se perpetuando ao longo do tempo, em contrapartida, à receptividade do público. Trigueiro explica que parte dos programas televisivos emite a idéia de que meio ambiente é somente fauna e flora. E mais, ainda sobre a pesquisa do ISER, mais da metade dos entrevistados interligou o meio ambiente aos reinos animal e vegetal. Assim, os profissionais da comunicação vivem a era da informação e pertencem ao que se chama de Quarto Poder, e, esclarece que meio ambiente é uma questão periférica, pois não ultrapassou os conceitos de fauna e flora. O autor ressalta que isto acontece devido a palavra meio ambiente: “meio (do latim mediu), que significa tudo aquilo que nos cerca, um espaço onde nós também estamos inseridos; e ambiente, palavra composta de dois vocábulos latinos: a preposição amb(o) (ao redor, à volta) e o verbo ire (ir)" (2003, 77). Ribeiro (1992) informa que a imprensa de um modo geral tem dedicado um crescente espaço aos temas ambientais. Na década de 90, o meio ambiente é uma mensagem que se interliga às áreas da política, economia, cultura, entre outras. A imprensa pode ser um importante agente multiplicador a expandir a consciência ecológica, pois pode tornar o indivíduo consciente em relação ao meio ambiente do qual se tira o sustento, podendo aguçar a percepção ambiental através da educação dos sentidos e influindo sobre os seus hábitos de consumo, e, também estimular “ações de respeito ao meio ambiente” (RIBEIRO, 1992, p.81). A mídia tem o potencial de adiantar as informações no estágio inicial, facilitando à comunidade a compreensão dos problemas ambientais, no sentido de prevenir antes de se tornarem graves. Muitas vezes, a veiculação de sucessos sobre uma ação ambiental pode refletir positivamente na sociedade, afetando o cotidiano, no âmbito local de ação. 66 No Manual de comunicação e meio ambiente, Marcelo Leite, em seu texto Interpretação informada e pessoas interessantes alerta que a questão ambiental parece receber da imprensa menos atenção do que sua importância estratégica. Esta percepção pode ser coerente ou não. “Correta, porque de fato se verifica aí uma desproporção quantitativa, e, ao mesmo tempo, incorreta, porque nem sempre a relevância jornalística coincide com o impacto de um setor no futuro do país” (2004, p.114). A problemática quanto à dificuldade jornalística em relação ao ambiente tem sua raiz na problemática de como definir a pauta nos meios de comunicação. Desta forma, o domínio da informação está interligado ao poder de reorientar e interferir na ação humana. A mídia é um excelente elemento mediador no contato com os problemas ambientais e no debate sobre modelos de desenvolvimento adotados. O intenso processo de industrialização fez com que estudiosos e pesquisadores se mobilizassem para o debate acerca do modelo de desenvolvimento praticado. Junto a estes estudos, os meios de comunicação abarcaram também essa discussão através das matérias. Sousa e Fernandes, no artigo Mídia e meio ambiente: limites e possibilidades, diz que “o interesse da mídia pelas questões ambientais é tão recente quanto a organização do movimento ambientalista, particularmente no Brasil” (2005, p.1). Ramos (apud SOUSA E FERNANDES, 2005) é decisivo ao concluir que essa abertura dos meios de comunicação sobre o tema, reforça a tese que a ecologia não passa de um modismo para os grupos conservadores de nossa sociedade. “Mídia e meio ambiente parecem se encontrar num momento crítico da história: o da crise dos modelos de desenvolvimento, calcados na exploração sem 67 limites dos recursos naturais e no conseqüente esgotamento destes últimos” (SOUSA E FERNANDES, 2005, p.2). No final dos anos 60, a mídia timidamente é provocada primeiro nos países da Europa e depois na América, pelas lutas políticosociais. E, desde então, os meios de comunicação contribuíram no aceleramento da consciência ambiental. Os autores revelam que se por um lado, o interesse dos meios de comunicação se eleva à medida que a sociedade se organiza e exige ações equilibradas, que sejam concretas em relação ao meio ambiente, em outra esfera tem-se o problema da qualidade do conteúdo exposto na televisão ou publicado em jornais, revistas e, também na internet. Os meios de comunicação social, em destaque para os privatizados e estabelecidos como redes nacionais, se preocupam com a extensão das tragédias ambientais, como os desmatamentos, a poluição da água e também do ar, mas as análises não vão além do sensacionalismo e da indignação. A mudança deve resultar na transformação do modelo de progresso. Deve-se abordar a realidade com razão e emoção, e, com a lógica e a intuição. No fundo, tudo está interligado. Por isso, se faz necessário estimular o leitor a captar o mundo como um todo, por igual e sem discrepâncias. Para completar esta discussão, Trigueiro ressalta que o jornalismo ambiental foge a questão da imparcialidade, conceito este, tão propalado nos cursos de graduação em comunicação social, uma vez que, se toma partido em favor das questões ambientais, entre elas, a sustentabilidade, o equilíbrio da relação do homem com a natureza, da utilização dos três erres do lixo: reduzir, reutilizar e reciclar, bem como, um novo modelo de civilização que não seja predatório, com 68 vistas, de poucos que se beneficiam do lucro, em detrimento da qualidade de vida de muitos. Quando essas idéias justificarem atitudes que se multipliquem pelo mundo inspirando a construção de uma nova civilização, um novo paradigma, talvez não exista mais a necessidade de existirem ambientalistas, assim como os abolicionistas deixaram de existir com o fim da escravidão. Também não haverá razão para ministérios do meio ambiente, secretarias estaduais e municipais, bem como ONG’s ambientais. Neste dia, o jornalismo ambiental terá cumprido a sua missão (TRIGUEIRO, 2003, p.89). Esta citação do autor Trigueiro encerra todas as perspectivas de discussão. A situação da sociedade hoje está crítica. O ser humano precisa entender e compreender, que o mundo tem seu funcionamento sincronizado e tudo que há no meio ambiente deve estar harmoniosamente interligado, pois nada é independente. O próprio indivíduo é parte desta cadeia, deste ciclo... portanto, parte essencial do meio ambiente, na conservação e preservação do sistema. 69 3 CONSIDERAÇÕES SOBRE O PERFIL SOCIOECONÔMICO, POLÍTICO, CULTURAL E AMBIENTAL DA REGIÃO SUL DE SANTA CATARINA 3.1 Localização De acordo com os dados do autor Milioli, “o estado de Santa Catarina representa cerca de 1,1% do território nacional brasileiro e concentra 3,0% de sua população, que equivale a 95.985 Km² e aproximadamente 4,4 milhões de habitantes” (1999, p.299). Para coordenar, ampliar e fortalecer os municípios de Santa Catarina, o estado foi dividido em 21 microrregiões (http://www.amurel.org.br, dez. 2005). As principais cidades são Criciúma, Tubarão, Gravatal, Araranguá e Urussanga. Conforme o mapa 1 abaixo, o Sul catarinense tem uma extensão de 9.955, 3 Km², correspondente a 9,95% da superfície do estado, tendo a população estimada em 800.000 habitantes. (MILIOLI, 1999, p. 299). A região Sul de Santa Catarina compreende três microrregiões. A primeira é a Associação dos Municípios do Extremo Sul Catarinense (Amesc) criada em 5 de setembro de 1979, através do Decreto Estadual nº 5.812 de 27 de novembro de 1978. Desta associação faz parte os municípios de Araranguá, Balneário Arroio do Silva, Balneário Gaivota, Ermo, Jacinto Machado, Maracajá, Meleiro, Morro Grande, Passo de Torres, Praia Grande, Santa Rosa do Sul, São João do Sul, Sombrio, Timbé do Sul e Turvo. A Amesc atua de forma dinâmica, oferecendo cursos de capacitação e palestras para agentes políticos e servidores públicos, com o objetivo de orientá-los no manuseio dos recursos públicos, desenvolvendo também, projetos sociais, bem como, o esporte amador com a realização da Copa Amesc de Seleções 70 (http://www.amesc.com.br/paginainicial.htm, dez. 2005). Tem como presidente, o prefeito de Sombrio, José Milton Scheffer. Mapa 1 - Estado de Santa Catarina e Região Sul do estado. Edição de imagens: Marta Oliveira e Miranda Fontes:< http://www.turismocatarinense.tur.br/mapas/mapa_regioes_sc.gif> <http://www.turismocatarinense.tur.br/mapas/regiaosul.gif> Como segunda microrregião se tem a Associação dos Municípios da Região Carbonífera (Amrec) desmembrada da Amsesc em 25 de abril de 1983. Até 1983, a Amrec fazia parte da Amsesc, que ia desde Lauro Muller até São João do Sul. Hoje, a associação é composta pelas seguintes cidades: Cocal do Sul, Forquilhinha, Içara, Lauro Muller, Morro da Fumaça, Nova Veneza, Siderópolis, Treviso e Urussanga, e, recentemente, Orleans, que, em maio de 2004 se tornou o 11º município integrante da Amrec. O presidente da associação é o prefeito de Forquilhinha, Paulo Hoepers. O objetivo é “fortalecer a capacidade administrativa, 71 econômica e social dos municípios membros” (JORNAL DA MANHÃ, 2005, p.9), através da assistência técnica, seja em assuntos técnicos ou assessoria em projetos e execução de obras e outros serviços. A Associação de Municípios da Região de Laguna (Amurel) foi fundada em 14 de agosto de 1970, devido à necessidade das administrações municipais, sobretudo, das pequenas cidades, que se defrontavam quando queriam que suas reivindicações fossem ouvidas. A associação é composta pelas cidades de Armazém, Braço do Norte, Capivari de Baixo, Grão Pará, Gravatal, Imaruí, Imbituba, Jaguaruna, Laguna, Pedras Grandes, Rio Fortuna, Sangão, Santa Rosa de Lima, São Ludgero, São Martinho, Treze de Maio e Tubarão. A Amurel tem como finalidade, “ampliar e fortalecer a capacidade administrativa, tecnológica e social dos municípios e prestar assistência técnica, administrativa, planejamento local e regional” (http://www.amurel.org.br, dez. 2005). O presidente da associação é o prefeito de Jaguaruna, Marcos Fabiano dos Santos Tibúrcio. 3.2 Colonização e aspectos culturais “O jeito simples de viver dos descendentes de imigrantes italianos é uma característica marcante da região. Quem a visita pode conhecer de perto as vinícolas e apreciar a cultura italiana em festas típicas” (http://www.sc.gov.br, dez. 2005). Segundo a história, o desenvolvimento da região Sul, se deve principalmente à ação constante de cinco grupos étnicos distintos: Italianos, Poloneses, Lusos, Negros e Alemães. De acordo com os levantamentos realizados por diversos autores, fica evidente, a etnia italiana como a primeira a se instalar na região. 72 Com a miscigenação destes povos, a cultura na região Sul do estado se tornou diversificada. Colombo explica que esta cultura está ligada ao cinema, às galerias de arte, cerâmicas artísticas, pintura, bem como, o folclore, através da música, das lendas e mitos, além, da medicina caseira. O artesanato produzido em vime, cipó, lã e algodão, marcam a arte dos artesãos. As festas e manifestações do povo, as cantigas de roda, as crendices e as expressões de religiosidade popular faz do Sul catarinense, uma região rica em cultura e costumes (1991, p.28-29). Abaixo, a descrição de cada uma destas colonizações. 3.2.1 Etnia Italiana Inúmeras foram às causas da emigração destes povos. Entre elas, podem ser citadas: a fome, a falta de terra para o plantio, a falta de emprego, a exploração do homem, as guerras, o domínio estrangeiro, a falta de liberdade política e religiosa, assim como a propaganda e a atração pela abundância de terras em território brasileiro, onde se prometia casa e alimentação por dois anos. Dois fatores foram preponderantes a esta emigração: A Revolução Francesa, que eclodiu em 1789 e a Revolução Industrial no século XVIII, uma vez que, existia o plano de interação entre os países de procedência e os países de destino, isto é, a Europa de onde emigraram, e, os países que receberam os imigrantes (ARNS, 1985). Segundo os escritos de Fabre em 1971, os imigrantes chegaram a princípio em Criciúma: A fundação e ocupação efetiva das terras que hoje compõem a sede urbana e adjacências deu-se a 06 de janeiro de 1880, por 31 famílias (italianas) dos imigrantes italianos, contanto 139 pessoas, entre homens mulheres e crianças, distribuídos pelos seguintes chefes-de-famílias: André Pizzetti, Martinho Scotti, José Scotti, Tereza Sonego (viúva), Giácomo / Biléssimo, Lourenço Benedet, Paulo Benedet, Pedro Benedet, Domingo Casagrande, Paulo de Luca (viúvo), Demétrio Dário, Antônio Pavan, Ângelo Pavan, Ângelo Netto, 73 Antônio Martinello, João Pierini, João Thomé, Batista Zanette, José Zanette, Antônio Zanette, Giácomo Milanez, João Milanez, Batista Darós, André Milanez, Santos Meller, Antônio Meller, Domingos Ortolan, / Carlos Piazza, Martin Milioli, João Barbieri (viúvo), Ângelo Venzon (solteiro), Natal Sonego (solteiro) (p.1). Estas famílias migraram da Itália, das regiões de Veneza, Beluno e Treviso. A travessia se deu do Atlântico até o estado do Rio de Janeiro, chegando a Imbituba pelo mar. A parte difícil do trajeto ficou entre Pedras Grandes e Criciúma, pois, foi realizada com carros-de-boi, pelos trilhos da Estrada de Ferro Dona Tereza Chistina, ferrovia esta iniciada em 1874 e, passando também por Azambuja, via Urussanga. Em 1891, as famílias Lodetti, Zangaletti, Magenes, Colombo, Pirolla e Cacfiatori formaram a segunda leva imigratória da Itália, vindo a seguir, em 1892, mais famílias italianas, entre elas: Bristot, Manganelli, Guidi, Ducioni, Beloli, Colonetti, Angeloni, Rovaris e Dal Pont. 3.2.2 Etnia Polonesa Os imigrantes poloneses foram motivados a deixarem seu país por diversas razões: os problemas de ordem política, ocasionados pelas potências estrangeiras da Rússia, Prússia e Áustria, bem como, o “excesso de população, a falta de espaço para o trabalho, o fato de terem que trabalhar quase na forma de arrendatários e o sistema de trabalho empregado na Polônia” (ARNS, 1985, p. 81). Ao mesmo tempo, havia na Polônia, propagandas brasileiras, anunciando que no Brasil tinha muito ouro e grande quantidade de terras e terrenos gratuitos, com auxílio alimentar por dois anos. Assim, com os problemas em seu país e a promessa de uma vida melhor no Brasil, muitos poloneses tomaram a decisão de virem para cá. 74 Desta forma, em 31 de outubro de 1890, chegam da Polônia, o primeiro grupo de imigrantes oriundos de diversas cidades, e, que se instalaram na zona leste de Criciúma, formando o primeiro núcleo de colonização nas localidades de Linha Batista, Linha Anta e Linha Cabral. Segundo o próprio relato de Leonardo Bialecki (apud ARNS, 1985, p.83), houve três grandes levas de imigrantes poloneses para o Sul catarinense nas últimas décadas do século XIX: Outros haviam, anteriormente, emigrado para o Paraná e o Rio Grande do Sul. A primeira leva, composta de quinze famílias, era assim constituída: Adão Maciejewski, Stefan Ptaszynski, Paulo Strzalkowski, Jacob Szlazski, Francisco Kurczewski, Eduardo Langer, Pedro Bykowski, Stanislau Kosztrzewski, Stanislau Kuroski, Francisco Bialecki, Leon Piechatoski, João Zemler, João Kuboski, Felix Opoczynski e Jeziorski, sendo os dois últimos ainda solteiros. Essa peregrinação durou três meses. Estes desbravadores desembarcaram no Porto do Rio de Janeiro pelo mar e chegaram à Florianópolis, seguindo para Laguna e alcançando Pedras Grandes por trem. O trajeto até a região Sul catarinense foi realizado por carros-de-boi até Azambuja. Travessia esta, já realizada anteriormente pelos imigrantes italianos. Três anos depois, mais famílias polonesas chegaram à região. Entre elas: Szulceski, Slovinski, Cizeski, Radwanski, Raiczyk, Smielewski, Ruzanski, Wronski, Novak, Kanarek, Rutkoski, Pusycky, Wroblescki, Wasnieski, Furmanski, Zadroski, Jabtonski, Kuniarski, Slachta, Wonsnieski, Ranachoski, Kupinski, Paluszek, Helinski, Bawolski, Kubacki. Na terceira e última leva de imigrantes, identifica-se as seguintes famílias: Wojeichowski, Milak, Selinger, Rzatki, Demboski, Tibincoski, Gaidzinski, Studzinski, Szotwinski, Budny, Machinski, Tszosek, Ptasinski, Stachoski, Bartosiak, Kasmierczak, Pietszak, Hoinacki, Klima, Mrocrkoski, Miezeieski, além de outras se fixaram também na Linha Batista. 75 3.2.3 Etnia Portuguesa Uma das mais antigas colonizações de Santa Catarinense é de origem bandeirante e lusitana. No século XVII, Laguna foi fundada pelos irmãos Domingos e Francisco Brito Peixoto, sendo estes os primeiros portugueses a virem para a região Sul, no ano de 1725. Este grupo se diferencia das outras etnias, por não se fixarem no município de Criciúma e também por não fundarem uma comunidade colonizadora. Desta forma, em Criciúma, o primeiro representante foi Nicolau de Souza Machado, neto de portugueses. Seu filho Estalício Machado de Souza relata seu pai Nicolau viajava para Mostarda, comprava animais e vinha negociando por esta colônia, principalmente Criciúma, de que ele gostava mais. Fez relações com alguns amigos que pediram que ele viesse porque precisavam dele (MACHADO apud ARNS, 1985, p.99). Na cidade, o português Nicolau integrou-se com a comunidade italiana e montou a primeira farmácia, bem como, carneou a primeira rês para vender carne e também foi o primeiro professor brasileiro. Outro nome importante, o qual podemos citar é o português de nascimento, Jorge da Cunha Carneiro, um homem representativo na indústria do carvão, além de mencionar a cultura portuguesa que trouxeram para o Sul - “cultura então dominante no Brasil” (COLOMBO, 1991, p. 17). 3.2.4 Etnia Negra Segundo a história, em 1905, o primeiro negro se fixou em Criciúma. Em 1910, chegou um grupo com mais sete pessoas e, em 1912, veio Manoel Estevão. Outros aportaram em épocas posteriores. Uma das causas que fez o negro se fixar 76 no município criciumense, foi a busca por emprego e, esta se deu por dois motivos: pela mina do carvão e pela construção da estrada de ferro Dona Teresa Cristina. Assim, como só havia o serviço da roça e eles precisavam de um trabalho para seu sustento, vieram de diversas localidades. Como: Gravatal, Braço do Norte, São Pedro, Laguna, Tubarão, Jaguaruna e Araranguá. “O negro sofreu ainda por algum tempo, o estigma da escravidão” (ARNS, 1985, p.106) e sobre a convivência com as demais etnias, havia “um pouco de desconfiança; outros, que não havia mistura”. “De modo geral havia, na opinião deles, um bom relacionamento, até amizade, com as pessoas de outras nacionalidades, porém, cada qual conservava-se em seu lugar” (ARNS, 1985, p.106). Nos relatos da professora da etnia negra, Maura Martins Vicência, sobre os negros, ficam evidentes as características desta raça: O negro é por sua índole romântico, sentimental e, sobretudo, alegre. A música lhe proporciona o poder de demonstrar a grandiosidade dos seus sentimentos. Através do canto e da dança, o negro extravasa o que lhe vai nas profundezas da alma. Em decorrência disso, os negros que aqui aportavam nos primórdios da colonização de Criciúma, gostavam de se reunir em um local determinado, que chamavam de “sede”, para dançar e falar das coisas de que eles gostavam, por exemplo, o esporte, hoje bem comum: o futebol. Através da dança, extravasavam e exteriorizavam o que lhes acalentava o intimo. Esta sede era o único lugar de que dispunham, de vez que as outras casas de diversões da época lhe eram fechadas por serem “negros”. Na sede, através da música dolente, exteriorizavam a melancolia, a saudade e qualquer outro sentimento que lhes oprimisse o íntimo. De outro lado, através do “samba rasgado” deixavam, como até hoje deixam, extravasar toda a alegria imensa, característica da raça forte, sadia, capaz de contagiar a todos com seu inigualável e jubiloso samba (ARNS, 1985, p.105). Dessa forma, para ilustrar o negro catarinense, temos o grande poeta, João da Cruz e Sousa, nascido em Desterro, no ano de 1869, na qual, seus pais 77 eram escravos do Marechal Guilherme Xavier de Souza, e, este os libertou, proporcionando educação e estudo ao jovem negro. 3.2.5 Etnia Alemã Assim como ocorreu com a Polônia, no fim do século passado, algumas famílias de imigrantes da Rússia vieram para o Brasil, com a proposta de colonizar áreas de terras devolutas. “No início do século XIX, a Rússia era um país de regime absolutista e autocrático” (ARNS, 1985, p.117). A sociedade era formada pelas classes sociais da nobreza, clero, burguesia e camponeses, esta última, considerada como a gleba, pois cultivavam as propriedades dos grandes senhores e eram sujeitados a todo tipo de violência. Em 1885, quando Alexandre II assumiu o poder, libertou todos os camponeses, mas as terras continuaram com seus senhores e a miséria aumentou, pois os colonos começavam a pagar impostos. Assim, como descreve Arns: A nobreza lembrava-se de seu povo apenas para seus próprios interesses. Pouco tempo tinham, os trabalhadores, para cuidar de seus próprias terras. O cultivo, principalmente de beterraba, da qual tiravam o açúcar, muitas vezes era perdido. Segundo Ricardo Linenburger, o motivo para a emigração de seus antepassados da Lituânia foi a quase escravidão em que viviam sob o domínio russo e o descontentamento com as exigências do governo (1985, p.117). As famílias pioneiras a chegarem foram: Maier, Grützmacher, Panzer, Linenburger, Nagel, Bernhard, Peplau, Brülinger, Reimand, Strelau, Meister, Werner, Pipke, Faber, Sandberg, Schwalbe, Heidrich, Hasseneimer, Sprunken, Jandzak, Neuman, Scharwart, Messinger. Os emigrantes partiram do porto de Hamburgo, passaram ao longo das Ilhas dos Açores, seguindo pelo Rio de Janeiro rumo à 78 Laguna, pois preferiram em maioria, a tranqüilidade do interior do Sul de Santa Catarina. A colonização dos teutos-russos luteranos, muitos advindos da Lituânia, Letônia e Ucrânia, formaram comunidades em Linha Anta e Três Ribeirões, no período de 1890 a 1917 e Forquilhinha, mais recentemente, pelas famílias “Arns, Back, Westrupp e Warmeling, cujos ancestrais por volta de 1828 haviam emigrado da região de Mozela, para a região de Palhoça” (BARRETO, p.13). Por falta de condições e pouca fertilidade nas terras, os emigrantes rumaram para o Sul. O Frei João Crisóstomo Arns, filho de um dos primeiros alemães e filho da terra, celebrou aqui, suas primícias em 08 de dezembro de 1938, tendo a comunidade de Forquilhinha grande expressão em Criciúma. O Frei foi responsável pela construção da primeira escola, primeira igreja, primeiro coral e tudo o que constituiu o ambiente de colonização da localidade. 3.3 Aspectos políticos: uma breve história A política exerce desde as épocas passadas e mesmo hoje, influências significativas na história, sobretudo, na região Sul de Santa Catarina, pois esta, se apresenta atrelada ao fator econômico, pela exploração do carvão. Em meados do século XIX, os imigrantes italianos que buscavam o “Eldorado da América” (FILHO, 1995, p.3) em terras do Brasil, estabeleceram-se na região e também no município de Araranguá, que se emancipara de Tubarão, em 1880. Criciúma por sua vez, instala o Núcleo Colonial São José de Cresciúma (assim denominada antigamente), subordinado administrativamente ao município de Araranguá, e, que se relacionava sob todos os aspectos com Urussanga, sobretudo, pela identidade étnica. Em 1882, 79 Cresciúma é elevada à categoria de Distrito de Paz, o 6º do Município de Araranguá e tem nomeado João Zanette como Intendente, o primeiro mandato exercido por um criciumense (FILHO, 1995). Laguna exercia forte influência em toda a região Sul, se destacando entre as cidades de Imaruí, Tubarão, Jaguaruna, Araranguá e Urussanga, que começavam a se desenvolver. Isto porque, o centro comercial, político, econômico e dos serviços do Sul de Santa Catarina, funcionava em torno da Cidade de Anita Garibaldi. O carvão já era a fonte de economia em Lauro Muller e região, e, também começava a ser explorado no território. Em 1900, Urussanga se emancipa do município de Tubarão. Em 1917, com a construção do ramal da Estrada de Ferro Dona Theresa Chistina, que ligava Imbituba-Tubarão a Araranguá, o Distrito de Cresciúma experimentava o desenvolvimento. O ramal foi inaugurado em 1º de janeiro de 1923, mas, em 1918, por meio de carros-de-boi, o mineral era levado até Pontão, imediações de Jaguaruna e, dali, embarcado em canoas para o Porto de Laguna, onde se fazia o transbordo para os navios que o levavam para os mercados consumidores. (FILHO, 1995, p.3-4). Assim, historicamente, o modelo extrativo vem a privilegiar no tempo e espaço, os aspectos econômicos e também políticos, em função do desenvolvimento da sociedade. Criciúma foi cidade-pólo do Sul do estado de Santa Catarina. Considerada capital do carvão mineral, pólo da cerâmica de revestimentos e das indústrias de confecção, a emancipação da cidade ocorreu em 4 de novembro do ano de 1925, conforme Lei Estadual n° 1.516, demonstrando até hoje, porque o município está entre os mais desenvolvidos do Sul catarinense. 80 3.4 A importância da economia do carvão para a região Sul A economia da região Sul de Santa Catarina é conhecida por sua forte vocação nos ramos cerâmico, têxtil, plástico, agricultura, químico... Não obstante, o carvão é historicamente a principal referência na dinâmica do desenvolvimento regional. Segundo os autores Belolli, Quadros e Guidi, no livro A história do carvão de Santa Catarina, as principais ocorrências do carvão mineral se localizam na região Sul, compreendendo o estado de São Paulo, passando pelo Paraná, Santa Catarina, estendendo-se até o Rio Grande do Sul (2002, p.11). Na região Sul do estado catarinense, a exploração do carvão desenvolveu-se nos municípios de Urussanga, Treviso, Lauro Müller, Criciúma, Forquilhinha, Morro da Fumaça, Içara, bem como, Maracajá. Cidades estas, que “foram geologicamente contempladas com vastas formações de carvão”, como esclarece Milioli (1995, p.17) em Mineração de Carvão e desenvolvimento sustentado no Sul de Santa Catarina: estudo exploratório de percepção, valores e atitudes do meio ambiente num bairro do município de Criciúma. De acordo com recentes pesquisas, as reservas de carvão mineral de Santa Catarina chegam a 3,2 bilhões de toneladas (BELOLLI, QUADROS e GUIDI, 2002, p.12) “O carvão mineral é um combustível fóssil formado a partir de vestígios de árvores e plantas que sofreram soterramento e compactação, em florestas densas, há milhões de anos” (SIECESC, 1996, P.11). Esta fonte de riqueza pode ser utilizada para os mais diversos setores industriais. Entre estes: gerar energia 81 elétrica, gerar calor para a indústria química, cimento, metais, papel, cerâmica e, também para a fabricação do coque nas indústrias siderúrgicas (SIECESC, 1996). Dois anos após a inauguração da Estrada de Ferro Dona Tereza Cristina em 1º de setembro de 1884, foi instalada a primeira mina de exploração do carvão em Santa Catarina, em 9 de fevereiro de 1886, com a companhia The Tubarão Coal Mining Company Limited, com sede em Londres, autorizada a operar no Brasil. A conquista foi através do segundo Visconde de Barbacena, o baiano Felisberto Caldeira Brandt Pontes, “com grande influência e prestígio em Londres (Inglaterra)” (BELOLLI, QUADROS e GUIDI, 2002, p.33). Assim, o presidente da província, Francisco José da Rocha, informava ao Governo Imperial através de ofício, a seguinte mensagem: Tenho honra de comunicar a Vossa Excelência que está inaugurado o tráfego de carvão das minas do Tubarão. Ontem chegou a Imbituba o primeiro trem com carvão, e amanhã deve seguir para Imbituba o vapor Senator para receber o primeiro carregamento, 700 toneladas, mais ou menos, que é destinado para Buenos Aires. Tenho convicção que este será o precursor de transações mais avultadas (DALL’ALBA apud BELOLLI, QUADROS e GUIDI, 2002, p.34). A bacia carbonífera catarinense tem uma faixa com cerca de cem quilômetros de comprimento e uma largura média de vinte quilômetros entre a Serra Geral a Oeste e o granítico da Serra do Mar a Leste, com orientação Norte-Sul (BELOLLI, QUADROS e GUIDI, 2002, p.11). Criciúma é o município que possui o maior centro populacional e também os mais importantes grupos econômicos atuantes na área de mineração. Até 1920, Criciúma se desenvolveu lentamente através de atividades agrícolas, época em que se inicia a extração do carvão em termos comerciais (MILIOLI, 1995, p.17). O Projeto conceitual para a recuperação ambiental da bacia carbonífera Sul catarinense, desenvolvido pelo Centro de Tecnologia Mineral (Cetem/MCT) em 82 janeiro de 2001, informa que a exploração do carvão brasileiro foi incentivada durante a Primeira Guerra Mundial, devido ao impedimento da importação do carvão europeu às empresas nacionais de iluminação, gás e ferrovia (2005, p.8). Após a Segunda Guerra Mundial, o mercado para o carvão metalúrgico nacional se expande com a inauguração da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), na cidade de Volta Redonda, no estado do Rio de Janeiro. Paralelo a este fato, o Lavador Central na cidade de Capivari de Baixo, em Santa Catarina vem com a finalidade de produzir o carvão metalúrgico para as coquerias da CSN, bem como, o carvão grosso para as locomotivas, navios e termelétricas, prestando serviços técnicos ao desenvolvimento da mineração, de onde partia o produto para os centros consumidores do país (BELOLLI, QUADROS e GUIDI, 2002, p.11). Na década de 80, a indústria carbonífera catarinense atingiu seu ápice, empregando cerca de 11 mil trabalhadores e provendo a subsistência de mais de 66 mil pessoas. Números estes, que somados a outros serviços correlatos, como a comercialização e os portuários, chegariam a 38 mil, os quais mantinham mais de 220 mil indivíduos. Na “era Collor de Melo”, como identifica o Projeto conceitual para a recuperação ambiental da bacia carbonífera Sul catarinense (2005, p.9), o setor carbonífero enfrenta uma grande crise. Em setembro de 1990, com a assinatura da Portaria Federal n° 801, o setor é desregulamentado, e, indiretamente o mercado do carvão metalúrgico no Brasil é afetado, reduzindo sua produção em Santa Catarina e, deixando desempregados milhares de trabalhadores. Desta forma, a produção anual de carvão brasileiro, praticamente se estabilizou entre 5 e 6 milhões de toneladas, a partir de 1990 (2005, p.10), ressaltando que “a mineração do carvão sempre exerceu um papel dominante na economia da região Sul do estado de Santa Catarina” (2005, p10). 83 3.5 Os problemas socioambientais No Brasil, o carvão mineral constitui-se na maior fonte de energia não renovável. Estas reservas representam cerca de 50%, vindo em seguida, a energia nuclear com 27% e o petróleo com 8%, além do gás natural com 2,5%, do óleo de xisto com 8% e do resto constituído por gás de xisto e turfa, segundo o Projeto conceitual para a recuperação ambiental da bacia carbonífera Sul catarinense (2005, p.17). O projeto também explica, que “a mineração, como qualquer empreendimento industrial, pode gerar impactos ambientais, desde alterações na paisagem, fauna e flora local, à contaminação do solo, água e ar” (2005, p.15). A imagem 1 mostra como fica uma área após a exploração do carvão. A Bacia do Rio Araranguá, do Rio Tubarão e do Rio Urussanga, são as três bacias hidrográficas do estado de Santa Catarina consideradas impactadas pela atividade mineradora do carvão. Na Bacia do Rio Araranguá, 80% da produção de carvão estava concentrada nesta área. Em Criciúma, a primeira firma de exploração do carvão foi a Lage e Irmãos (MILIOLI, 1995, p.31). A atividade mineradora em Santa Catarina tem dois aspectos que marcaram a evolução desta atividade no estado: A mineração de lavra manual com métodos precários, como foi praticada até a década de 50, oferecia poucos danos à natureza. Nas minas de poço e de encosta, a seleção de carvão era feita no fundo das minas. Todo o entulho de pedra, pirita e barro ficava nas galerias das minas e só o carvão era retirado. Nas bocas de minas havia uma segunda escolha; porém, os rejeitos significavam quantidades reduzidas frente ao volume do rejeitos atuais. A medida em que os métodos e técnicas de lavra foram se mecanizando, o processo de poluição ambiental tornou-se incontrolável e, pode-se dizer, irreversível. Foram extraídos aproximadamente 70 milhões de toneladas de carvão prélavado de 1920 até hoje. Metade desta quantia era carvão siderúrgico que foi consumido pelas usinas nacionais. A outra metade, de carvão energético, foi sendo estocado em extensas áreas a céu-aberto no banhado da Estiva em 84 Capivari, município de Tubarão, que as termoelétricas e outras indústrias não esgotam, pois estas reservas são continuamente renovadas pela mineração (VOLPATO apud MILIOLI, 1995, p.33). O autor Milioli ainda ressalta que os estudos de diagnóstico realizados pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRG) demonstraram em 1978, que 1/3 do sistema hídrico se apresentava comprometida, em decorrência dos cerca de 110 mil metros cúbicos por dia, de despejos líquidos e ácidos advindos da mineração (1995, p.34). O sistema hidrográfico da região, atualmente, está comprometido em 2/3 de sua extensão, em conseqüência do “lançamento de mais de 300 mil metros cúbicos diários de despejos ácidos gerados pela indústria do setor carbonífero, os quais enriquecidos com a drenagem de água subterrânea das minas” (FATMA apud MILIOLI, p.34-35). Em Santa Catarina, os maiores impactos sobre o meio ambiente estão relacionados, à degradação do solo, e, também, dos recursos hídricos, já que a partir da década de 40, a produção realizada de forma predatória acabava por as áreas mineradas serem abandonadas, à medida que os depósitos se extinguiam (SIECESC, 1996, p.21). “O efeito degradador dos efluentes líquidos sobre meio ambiente (água de rios por exemplo) pode começar no período inicial da atividade de uma mina, prolongando por décadas após o término de atividade da mesma mina” (PROGESC apud SIECESC, 1996, p.22). A imagem 1 mostra as conseqüências dos rejeitos de mineração despejados em rios. 85 Imagem 1 - Rio Língua do Dragão Fonte: Arquivo de Grayce Zacaron O Projeto conceitual para a recuperação ambiental da bacia carbonífera Sul catarinense (2005, p.16) apresenta alguns aspectos ambientais importantes associados à atividade de mineração e processamento mineral: a) Ar: dispersão de partículas, variação na composição do ar e poeira. b) Solo: fontes pontuais de contaminação, geração de resíduos, alteração na vegetação, instabilidade de taludes, variação de taludes, variação na morfologia do terreno e cavidades subterrâneas. c) Água superficial: contaminação química (drenagem ácida), sólidos em suspensão, desestabilização das margens, alteração dos cursos d’água, bem como, a criação de novos corpos hídricos. d) Água subterrânea: contaminação química, alteração na profundidade do nível d’água e variação nas propriedades dos aqüíferos. A poluição hídrica causada pelas drenagens ácidas é “o impacto mais 86 significativo das operações de mineração, beneficiamento e rebeneficiamento” (ALEXANDRE e KREBS ibidem 2005, p.16). Na imagem 2, o registro de mais um rio que sofreu degradação ambiental por mineração. Imagem 2 - Rio Língua do Dragão Fonte: Arquivo de Carlyle de Menezes A mineração do carvão também contamina o solo em áreas não cobertas por material estéril e por depósitos de rejeitos, através da inundação de uma região não contaminada com água de drenagem ácida (2005, p.16). Quanto ao ar, a poluição ocorre devido ao manuseio de material particulado produzido no processo de lavra e beneficiamento, bem como, no rebeneficiamento, a partir da combustão espontânea nos depósitos de rejeito. mineração do carvão. A imagem 3, mostra os dejetos após a 87 Imagem 3 - Pilhas de rejeitos do carvão Fonte: Arquivo de Grayce Zacaron Embora a exploração do carvão na região Sul catarinense seja o fator determinante quando se fala degradação do meio ambiente, outros fatores também contribuem para este cenário, como os resíduos e os efluentes das indústrias cerâmicas, metal-mecânica, química, alimentícia, atividades agro-industriais (rizicultura e fecularia), assim como a extração de argila e fluorita, além do despejo sem tratamento, de esgotos doméstico, industrial e comercial nos cursos d’água (ibidem 2005, p.19). Atrelada à questão da degradação ambiental, a mineração do carvão também traz sérios problemas à saúde humana. Milioli afirma que a poluição “afeta principalmente os aparelhos respiratório e digestivo”, levando a quadros de “bronquites, alergias pulmonares, gripes e dores de cabeça constante, amebíase, úlceras e lesões na pele”, além da pneumoconiose, muito freqüente na região, e, ocasionada “pelas condições insalubres e pelo processo produtivo que expõe os 88 mineiros à ação da poeira negra por longos períodos de tempo” (MILIOLI, 1995, p.40). Em decorrência destes fatores, o Sul catarinense foi classificado na década de 80, como a 14ª área crítica de poluição ambiental do Brasil. Em vista de tal contexto, nos últimos anos, a Secretária Municipal de Meio Ambiente, de Criciúma, tem desenvolvido atividades de preservação e conservação do ambiente natural e também na conscientização ecológica da cidade, através da educação ambiental. O envolvimento de instituições públicas e privadas, como prefeituras, universidades, entre elas, a Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc) e Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), bem como, Fundação do Meio Ambiente (Fatma), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), além de ong’s e da própria população tem permitido que estudos de monitoramento, controle de efluentes de produção e tratamento sejam realizados para mudar esta realidade. 89 4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Como primeiro passo, foi realizada uma revisão bibliográfica, consultada em livros, artigos de periódicos, além de publicações na internet, sobre o conteúdo mídia versus meio ambiente. Para este estudo, procedeu-se também uma pesquisa bibliográfica e documental junto aos arquivos do Jornal da Manhã. O autor Gil em seu livro Como elaborar projetos de pesquisa explica que “a pesquisa bibliográfica é desenvolvida a partir de material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos” (1991, p.48). E complementa: “embora em quase todos os estudos seja exigido algum tipo de trabalho desta natureza, há pesquisas desenvolvidas exclusivamente a partir de fontes bibliográficas” (1991, p.48). Paralela a esta etapa, um levantamento mensal foi realizado nos periódicos do Jornal da Manhã, em Criciúma, estado de Santa Catarina, nos anos de 1994 e 2004. De forma aleatória foram escolhidos os meses de fevereiro, março e abril, dos respectivos anos, para a pesquisa. Como fonte bibliográfica, Gil afirma, que “as principais publicações periódicas são os jornais e as revistas” (1991, p.50), pois as matérias dos jornais têm como característica a rapidez, enquanto os conteúdos das revistas tendem a ser mais profundo e melhor elaborado. De acordo com os critérios adotados, o trabalho partiu primeiramente, de uma análise quantitativa mensal dos conteúdos publicados no Jornal da Manhã relacionando o tema meio ambiente, fosse na forma de degradação ou preservação. Este cálculo das matérias foi realizado através de duas fórmulas. A primeira fórmula foi a da taxa em percentual, para verificar quanto do total de assuntos eram referentes às matérias, notas, artigos e cartas do leitor. Deste resultado, obteve-se o 90 percentual de cada categoria. A segunda fórmula utilizada foi a regra de três com grandeza diretamente proporcional, para averiguar o acréscimo de matérias publicadas em 1994 e 2004, com conteúdos referentes a meio ambiente. Em seguida, após a verificação do conteúdo, o mesmo foi dividido em categorias: matérias, notas, cartas do leitor e artigos. De posse destes valores foram realizados gráficos dos anos de 1994 e 2004. Focando ainda mais a pesquisa, deste conteúdo foram selecionadas somente as matérias jornalísticas para uma análise detalhada de quais assuntos foram abordados. Uma lista de 26 assuntos foi identificada e após este procedimento, verificou-se o acréscimo percentual que houve de um ano para outro. Um quadro foi organizado de acordo com a distribuição destes 26 itens, a qual está disposta na ordem em que foram encontradas nas matérias. Neste quadro ainda constam os percentuais de incidência de cada assunto registrado, tanto no ano de 1994 quanto em 2004. Desta forma, o parâmetro destes dois anos foi sugerido, devido a considerar que a diferença de dez anos seria tempo suficiente de verificar se houve mudança no que diz respeito às publicações das matérias sobre meio ambiente realizadas pelo Jornal da Manhã durante este intervalo. 91 5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS Para esta análise, foram utilizadas matérias jornalísticas dos meses de fevereiro, março e abril dos anos de 1994 e 2004. A análise partiu da observação realizada de quantas matérias haviam sido publicadas nos respectivos anos, que continham o assunto meio ambiente, relacionando degradação, propostas de recuperação, assim como, a tomada de decisões por meio de projetos junto à comunidade. No entanto, também foram levados em consideração, as notas, os artigos e as cartas do leitor, para efeitos quantitativos. No ano de 1994, o número de matérias que versavam sobre meio ambiente foi de 48 textos. Deste total, as matérias jornalísticas relacionadas com o conteúdo de meio ambiente foi de 58,33% enquanto que as notas vieram com 18,75%, os artigos com 8,33% e as cartas do leitor com 14,58%, conforme o gráfico 1. Vale ressaltar aqui, que as cartas do leitor e os artigos não são produzidos pela equipe do jornal, mas sim, textos enviados para a redação, escritos por leitores e articulistas. Ano de 1994 14,58% Matérias 8,33% 18,75% Notas 58,33% Artigos Cartas do leitor Gráfico 1 - Total de conteúdos publicados no JM sobre meio ambiente em 1994. Referente ao ano de 2004 tem-se o gráfico 2. Dos 61 textos presentes nos 92 meses de fevereiro, março e abril, que contém o tema meio ambiente, tem-se 62,29% de matérias, como ilustra o gráfico 2. A seguir, as notas com 26,22%, os artigos com 6,55%, bem como, as cartas do leitor com 4,91%. Nesta análise convém ressaltar, que neste intervalo de dez anos entre os anos de 1994 e 2004, ocorreu um acréscimo considerável de 35,71% referente às matérias jornalísticas presente nas publicações. Ano de 2004 4,91% 6,55% Matérias Notas 26,22% 62,29% Artigos Cartas do leitor Gráfico 2 - Total de conteúdos publicados no JM sobre meio ambiente em 2004. Desta análise inicial sobre os textos que versavam sobre meio ambiente, um levantamento detalhado foi realizado em torno dos temas abordados nas matérias jornalísticas, excluindo as notas, os artigos e também as cartas do leitor, pois se considera importante as notícias para a formação da opinião pública e também porque são textos, que se aprofundam no assunto. No quadro 1, os itens foram dispostos de acordo com a ordem em que as matérias se apresentavam no veículo Jornal da Manhã. Esta análise vem ao encontro, quando o autor Belmonte explica que meio ambiente é o “conjunto das condições que afetam a existência, o desenvolvimento e o bem-estar dos seres vivos. Não é um lugar no espaço, mas todas as condições físicas, químicas e biológicas” (2004, p.176), demonstrando que o estudo é relevante para compreender as condições ambientais em que se encontra o Sul catarinense. 93 Conforme o quadro 1, o primeiro item trata de matérias relacionadas à liberação de recursos financeiros para a recuperação do meio ambiente, na qual houve 14,28% de matérias publicadas em 1994, ao contrário de 2004, em que o registro foi de nenhuma matéria. Quanto à distribuição ilegal de aterro da praia houve apenas 3,57% em 1994 e em 2004 nenhuma matéria. Quanto ao percentual de matérias referentes à balneabilidade das praias na região, os números apontam para 7,14% em 1994 e 5,26% para o ano de 2004. ASSUNTOS ABORDADOS NAS MATÉRIAS 1 Liberação de recursos para o meio ambiente 2 Distribuição ilegal de aterro da praia 3 Balneabilidade das praias 4 Mineradoras sem projetos de recuperação 5 Desapropriação de terrenos devido à falta de limpeza por parte dos proprietários 6 Preservação das dunas em virtude dos eventos esportivos realizados na praia 7 Problemas com esgoto 8 Orientação à prefeitura em como lidar com questões de agressão ao meio ambiente 9 Preservação das praias 10 Exploração do carvão 11 Aterro sanitário e lixo 12 Poluição da água 13 Reserva ambiental 14 Implantação de usina 15 Preservação da água 16 Ong’s que atuam na defesa do meio ambiente 17 Gincanas ecológicas e projetos ambientais 18 Degradação pela extração de argila 19 Degradação pela rizicultura 20 Retirada de seixo nas margens de um rio 21 Reaproveitamento de resíduos sólidos 22 Instalação da ZPE de acordo com o Rima 23 Desmatamentos 24 Compostagem 25 Redução de energia elétrica 26 Falta de estrutura dos órgãos públicos para a fiscalização NÚMEROS EM % 1994 2004 14,28 3,57 7,14 3,57 7,14 0 0 5,26 0 0 7,14 0 3,57 3,57 5,26 2,63 0 17,85 7,14 3,57 0 0 7,14 0 14,28 3,57 0 0 0 3,57 0 0 0 3,57 2,63 10,52 10,52 10,52 10,52 2,63 7,89 2,63 13,15 0 2,63 2,63 2,63 0 2,63 2,63 2,63 0 Quadro 1 - Assuntos abordados nas matérias veiculadas pelo JM, nos meses de fevereiro, março e abril de 1994 e 2004. 94 Em relação ao conteúdo sobre mineradoras sem projetos de recuperação, houve apenas 3,57% de matérias publicadas em 1994, ao passo que em 2004 não se tem nenhuma publicação com tal abordagem. Paralelo a este conteúdo tem-se a questão da exploração do carvão, com maior número de publicações catalogado nesta pesquisa. Dentro deste contexto de exploração do carvão, se tem também, a tentativa de um vereador em fechar as minas devido a poluição ambiental. Embora na região Sul catarinense, a degradação ambiental seja visível em decorrência desta exploração por parte das carboníferas, no ano de 1994 se tem o registro de 17,85% e em 2004, os números são de 10,52%. O autor Milioli expõe como era o cenário, antes e depois das mineradoras de carvão e a imagem 4 exemplifica esta situação: “Os danos mais significativos são encontrados no município de Criciúma, que com uma área de 396 Km e 180.000 habitantes, aproximadamente, possuía em operação, até a década de 80, 15 minas exploratórias e 10 lavadores de carvão. Hoje, com 2 minas e 3 lavadores, os rejeitos continuam sendo depositados ao ar livre e sem planejamento prévio” (1995, p.35). Imagem 4 - Área com rejeito de carvão Fonte: Arquivo de Grayce Zacaron 95 No quinto item desta análise, a desapropriação de terrenos devido à falta de limpeza por parte dos proprietários foi de 7,14% em 1994, e, de nenhuma matéria em 2004, talvez em razão de a conscientização ambiental ter aumentado neste intervalo de tempo. No sexto item vem a preservação das dunas em virtude dos eventos esportivos realizados na praia, na qual, 7,14% compõem o ano de 1994, enquanto que em 2004, não há nenhuma notícia. O próximo problema vem com a falta de saneamento básico, ou seja, a rede de esgoto, na qual 3,57% foram publicadas e 5,26% no ano de 2004. No entanto, no que diz respeito à orientação dada à prefeitura em como lidar com questões de agressão ao meio ambiente, nestes dez anos de intervalo houve uma preocupação, ainda que em menor escala. Em 1994, este número foi de 3,57% e 2,63% em 2004. Já na questão de preservação das praias, nenhuma matéria foi assinalada, ao passo que em 2004 foi de 2,63%. Quanto ao aterro sanitário e problemas com o lixo, em 1994 estes números ficaram em 7,14% e 10,52% em 2004. A publicação de matérias em razão da poluição da água foi de 3,57% em 1994, enquanto que em 2004 foi de 10,52%. No que diz respeito à preservação da água, os valores ficaram equiparados, em 7,14% para 1994 e 7,89% para 2004. A preocupação com reservas ambientais mostrou-se maior em 2004, com 10,52% do que em 1994, na qual não houve nenhum registro. A Implantação da usina contra a vontade dos moradores também foi assinalada. Em 2004 foi de 2,63 enquanto que em 1994, o número foi de 0%. A preservação da água, que hoje é um tema tão discutido quanto ao risco iminente de sua escassez no futuro, em 2004 as matérias sobre este assunto ficaram em torno de 7,89%, ao passo que em 1994, este percentual esteve 7,14%. 96 Por outro lado, há também notícias sobre ong’s que atuam na defesa do meio ambiente estando representado com 2,63% em 2004 e nenhuma matéria em 1994. Para que se obtenha um comportamento adequado no que diz respeito aos atos de uma pessoa, as gincanas ecológicas e os projetos ambientais desenvolvidos em escolas contribuem em grande parcela, para que as crianças de hoje, sejam adultos responsáveis pela manutenção do meio ambiente em que vivem. Assim, em 1994, estes números são de 14,28% para 13,15% em 2004. A imagem 5, mais uma vez retrata a situação dos rios e mananciais da região carbonífera. Imagem 5 - Rio com rejeito de carvão Fonte: Arquivo de Grayce Zacaron Sobre a questão da educação ambiental e da ligação do indivíduo com o meio ambiente, Ribeiro diz o seguinte: “é tão forte a influência do meio ambiente sobre o ser humano e sua cultura que já se disse à questão de longo prazo não é saber que tipo de ambiente desejamos, mas que tipo de pessoas almejamos ser” (1992, 84). Esta citação abre portas para várias discussões, e, uma delas é de que 97 cada um tenha consciência e discernimento para analisar a sociedade e perceber que os recursos naturais não são pra sempre, e, que a exploração até a exaustão já está trazendo sérios danos à humanidade. A degradação pela extração de argila foi de 3,57% em 1994 e nenhuma em 2004. A degradação pela rizicultura, assim como a retirada de seixo nas margens de um rio e, também, o reaproveitamento de resíduos sólidos foi de 0% em 1994 e de 2,63% em 2004. Em relação sobre a instalação da Zona de Processamento de Exportação (ZPE), conforme o Relatório de Impacto do Meio Ambiente (Rima) em Imbituba, os números são 3,57% em 1994 e nenhuma em 2004. O índice de matérias sobre desmatamento, compostagem e redução de energia elétrica foi baixo, com apenas 2,63% em 2004 e nenhuma em 1994, em contrapartida, à falta de estrutura dos órgãos públicos para a fiscalização do meio ambiente, que esteve com 3,57% em 1994 e em 2004 com nenhuma notícia referente a este contexto. No entanto, parte-se do princípio que para o perfeito funcionamento da sociedade, sobretudo, do meio ambiente, é necessário aplicar os rigores da lei, através dos órgãos públicos. Para tanto, preciso é, primeiramente, que se tenha pessoal qualificado para exercer tal função e a consciência de ter um mundo melhor através de suas próprias ações. 98 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS O referente trabalho O Jornal da Manhã, (Criciúma, SC) e o Meio Ambiente: uma análise comparativa das matérias publicadas nos anos de 1994 e 2004 foi relevante, pois abordou diversos temas, como a história da cidade de Criciúma e sua colonização, a história dos meios de comunicação, neste caso, os impressos e ainda, a relação de como a mídia foca os assuntos sobre o meio ambiente. O Sul catarinense, por se tratar de uma região que se desenvolveu pela exploração do carvão, desde a colonização no século XIX, quando os povos italianos, poloneses, portugueses, alemães e negros aqui chegaram, ainda hoje é marcada pelos problemas ambientais presentes, em virtude do desenfreado desenvolvimento da sociedade. No contexto atual do mundo, o indivíduo está na era da informação. Grande é o volume de dados que as pessoas recebem todos os dias através dos meios de comunicação. Aliado a isto, está o consumismo exacerbado que faz com que o indivíduo tenha o estímulo visual de obter este ou aquele produto que está à venda. Embora, o ser humano esteja em constante processo de aprendizado, não se pode deixar de ressaltar que esta sociedade da informação levou o meio ambiente ao seu limite máximo de poluição e degradação. Como ponta pé inicial, a mídia vem tentando remediar esta situação, publicando nos jornais, rádios, emissoras de televisão, assim como na internet, matérias jornalísticas sobre a preservação ambiental. Uma vez que, o papel do jornalista seja democratizar o conhecimento, subentende-se, que qualquer pessoa deva ter o mesmo tipo de acesso ao saber, em razão, de ter as mesmas 99 oportunidades de escolha. No caso do estudo realizado com as matérias publicadas pelo Jornal da Manhã, nos anos de 1994 e 2004, que versavam sobre meio ambiente, pode se considerar que o acréscimo de 35,7% neste intervalo de dez anos foi relevante, devido o Sul de Santa Catarina ser assinalado por grandes contrastes na esfera política e econômica. Os municípios que compõem a região carbonífera viram na exploração do carvão, uma forma de se desenvolver economicamente, e, assim politicamente. Paralelamente, a esta situação, a sociedade contemporânea também está no momento, em constante e acelerada mudança. E, para que a população possa acompanhar este ritmo, o direito à informação é direito de qualquer cidadão, para que este possa julgar as ações dos governos, instituições, entidades e lideranças que interferem na qualidade de vida do meio ambiente. As vias de educação informal são as responsáveis por fazer o ser humano compreender e acompanhar as modificações bruscas e velozes da ciência, da tecnologia e do próprio ser enquanto parte inter-relacionada com o meio ambiente. À mídia cabe esta função. Quando se fala em informar, relatar, e, em muitos casos o de denunciar uma ação errada de uma determinada empresa, esta deve estar intrinsecamente arraigada ao compromisso do veículo, seja o impresso, radiofônico ou televisivo, de elaborar a matéria com veracidade, apurando os fatos e ao mesmo tempo criando um forte elo com as fontes de informação. Muito mais que um formador de opinião, os meios de comunicação de massa servem também como educador. Em se tratando deste estudo, a educação aqui mencionada é a ambiental. Longe de ter trazido uma nova compreensão do mundo no sistema educacional formal, a educação ambiental vem no sentido de 100 promover os princípios e os valores ambientais para uma pedagogia do meio ambiente, na intenção de enriquecer a pedagogia da complexidade, induzindo os educandos à uma nova visão de sociedade. O jornalista que escreve conteúdos sobre meio ambiente deve estar ciente da responsabilidade que há nesta estrutura. Textos com temas ambientais devem ser produzidos com o devido conhecimento especializado do repórter, o qual deverá estar inteirado sobre o assunto. Ao avaliar os resultados da análise da pesquisa no trabalho O Jornal da Manhã (Criciúma, SC) e o Meio Ambiente: uma análise comparativa das matérias publicadas nos anos de 1994 e 2004 fica a sugestão de que o mesmo estudo poderia ser aplicado também nos outros jornais diários da cidade de Criciúma, com o intuito de averiguar o número de matérias, assim como, os temas abordados em tais publicações. Um ponto importante a destacar ainda sobre as matérias do Jornal da Manhã é que dos 26 assuntos encontrados nas edições do veículo, a liberação de recursos financeiros para o meio ambiente foi de 14,28% em 1994 e nenhuma em 2004, o que demonstra que em 1994, a preocupação fosse maior em recuperar o meio ambiente do que em 2004. Outros temas como a exploração do carvão, que em 1994 foi de 17,85% e de 10,52% em 2004 assinala que houve uma diminuição da poluição gerada pela mineração, enquanto que as gincanas ecológicas e os projetos ambientais ficaram equiparados: 14,28% em 1994 e 13,15% em 2004, reforçando, que a sociedade tem buscado mudar este quadro de degradação do meio ambiente. Muito ainda há por ser feito, mas ter uma consciência de que o mundo grita por socorro e que somente o ser humano pode reverter esta situação, parece assustador e ao mesmo tempo distante, mas esta é a visão, as conseqüências pelo 101 que o homem vem praticando no meio ambiente, esquecendo que os recursos naturais não são renováveis, e, atualmente, necessário se faz uma política de desenvolvimento sustentável, bem como, uma educação ambiental e acima de tudo, o comprometimento e o engajamento da sociedade nesta mudança de conceito. Para finalizar, os objetivos do trabalho foram alcançados. No caso do Jornal da Manhã, a cobertura jornalística acontece, ainda que de forma, sutil. Segundo, que a realidade criciumense é de um município com sérios problemas ambientais, assim como as outras cidades que fazem parte da bacia carbonífera. Outro fator, ainda que em menor escala, se dá pelo fato de que a região por ser também, área agrícola, não há nenhum controle sobre os produtos químicos, utilizados pelos agricultores. E nesta esfera, a sociedade tem se mostrado preocupada em reverter esta situação, através de ações, já citadas no corpo deste estudo, dos mais variados segmentos da sociedade. 102 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMESC. Associação de Municípios do Extremo Sul Catarinense (Amesc). Araranguá, SC. Disponível em: <http://www.amesc.com.br/paginainicial.htm>. Acesso em: 1 dez. 2005. AMREC. Associação dos Municípios da Região Carbonífera (Amrec). Criciúma, SC. Disponível em: <http://www.amrec.com.br/conteudo/?PHPSESSID=59d71673b 07147a1abd0a2afd662e381&item=793&fa=788>. Acesso em: 1 dez. 2005. AMUREL. Associação de Municípios da Região de Laguna (Amurel). Tubarão, SC. Disponível em: <http://www.amurel.org.br/conteudo/?PHPSESSID=077259c66cc 9650f63d523057de6cce3&item=434&fa=431>. Acesso em: 1 dez. 2005. 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