UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE - UNESC
CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO
ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO DE RECURSOS NATURAIS
CRISTINA DUTRA E DUTRA
O JORNAL DA MANHÃ, (CRICIÚMA, SC) E O MEIO AMBIENTE:
UMA ANÁLISE COMPARATIVA DAS MATÉRIAS
PUBLICADAS NOS ANOS DE 1994 E 2004
CRICIÚMA, DEZEMBRO DE 2005
CRISTINA DUTRA E DUTRA
O JORNAL DA MANHÃ (CRICIÚMA, SC) E O MEIO AMBIENTE:
UMA ANÁLISE COMPARATIVA DAS MATÉRIAS
PUBLICADAS NOS ANOS DE 1994 E 2004
Monografia apresentada à Diretoria de Pósgraduação da Universidade do Extremo Sul
Catarinense - UNESC, para a obtenção do
título de Especialista em Gestão de Recursos
Naturais.
Orientador: Prof. Dr. Geraldo Milioli
CRICIÚMA, DEZEMBRO DE 2005
Aos meus queridos pais Luiz e Maria, por
estarem sempre ao meu lado, dando o apoio
necessário, para a realização deste trabalho.
AGRADECIMENTOS
A Deus por ser o criador do universo e por nunca nos abandonar...
Na elaboração deste trabalho, recebi ajuda de diversas pessoas e gostaria
de expressar meu agradecimento a algumas delas. De maneira especial:
Aos meus queridos pais, a quem não dediquei a atenção desejada durante
todo o período e finalização das pesquisas.
Ao meu orientador Geraldo Milioli pelos preciosos ensinamentos
transmitidos no decorrer deste estudo.
Ao querido amigo e jornalista, Nei Manique por sua inteligência e amizade.
Ao professor Robson dos Santos pela contribuição e sugestão do tema, na
disciplina de metodologia científica lecionada nesta especialização.
Á querida jornalista, Nádia Couto pelo material fornecido para o referencial
teórico-conceitual deste trabalho.
E, ao Jornal da Manhã por disponibilizar os arquivos para esta pesquisa,
sobretudo, à editora-chefe, Karina Manarin; à coordenadora de redação, Marli Vitali;
à gerente administrativo-financeiro, Karla Gomes Cunha; à diagramadora, Ana Luzia
Nobre e à repórter Janaina Berti pela força e apoio.
“Tudo o que existe e vive precisa ser
cuidado para continuar a existir e a viver:
uma planta, um animal, uma criança, um
idoso, o planeta Terra”.
Leonardo Boff
RESUMO
O presente trabalho trata de um estudo de caso referente às matérias jornalísticas
sobre meio ambiente publicadas no Jornal da Manhã durante os meses de fevereiro,
março e abril, nos anos de 1994 e 2004. O estudo compara os dois anos analisando
os temas que foram abordados nestas matérias e também quantifica, além dessas
matérias, as notas, os artigos e as cartas do leitor, que contém o assunto meio
ambiente. Os procedimentos adotados para a realização deste trabalho, incluíram
uma revisão bibliográfica do assunto, bem como, o levantamento do material dos
arquivos do Jornal da Manhã e como a mídia impressa tem enfocado este assunto
em suas publicações.
Palavras-chave: meio ambiente, mídia impressa, desenvolvimento sustentável e
jornalismo ambiental.
.
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 9
1.1 Objetivos ........................................................................................................... 11
1.2 Justificativa ....................................................................................................... 12
2 REFERENCIAL TEÓRICO-CONCEITUAL ........................................................... 13
2.1 História da mídia impressa .............................................................................. 13
2.1.1 A escrita alfabética ........................................................................................ 13
2.1.2 Papiro ............................................................................................................. 14
2.1.3 Uma nova era com a impressão ................................................................... 15
2.2 No Brasil ............................................................................................................ 17
2.3 Em Santa Catarina ............................................................................................ 18
2.3.1 Os primeiros jornais diários de Santa Catarina .......................................... 22
2.3.1.1 O Estado ...................................................................................................... 22
2.3.1.2 A Notícia ...................................................................................................... 23
2.3.1.3 Jornal de Santa Catarina............................................................................ 25
2.3.1.4 Diário Catarinense ...................................................................................... 26
2.3.1.5 Correio Lageano ......................................................................................... 27
2.3.1.6 Diário da Manhã .......................................................................................... 28
2.3.1.7 Diário do Litoral .......................................................................................... 29
2.4 Breve histórico do jornal impresso na região Sul catarinense .................... 29
2.4.1 Araranguá....................................................................................................... 30
2.4.2 Criciúma ......................................................................................................... 31
2.4.3 Tubarão .......................................................................................................... 32
2.5 Jornal da Manhã ............................................................................................... 34
2.5.1 JM: 22 anos de história ................................................................................. 34
2.6 Mídia e Meio Ambiente ..................................................................................... 37
2.6.1 Mídia: o jornalismo dos jornais .................................................................... 37
2.6.1.1 Mas, o que é notícia e reportagem?.......................................................... 39
2.6.1.2 O texto jornalístico dos jornais ................................................................. 42
2.6.2 Mídia, meio ambiente e desenvolvimento sustentável............................... 44
2.6.2.1 Educação ambiental x Comunicação........................................................ 52
2.6.2.2 Informar muda o comportamento? ........................................................... 56
2.6.2.3 Jornalismo ambiental................................................................................. 60
3 CONSIDERAÇÕES SOBRE O PERFIL SOCIOECONÔMICO, POLÍTICO,
CULTURAL E AMBIENTAL DA REGIÃO SUL DE SANTA CATARINA ................ 69
3.1 Localização ....................................................................................................... 69
3.2 Colonização e aspectos culturais ................................................................... 71
3.2.1 Etnia Italiana................................................................................................... 72
3.2.2 Etnia Polonesa ............................................................................................... 73
3.2.3 Etnia Portuguesa ........................................................................................... 75
3.2.4 Etnia Negra..................................................................................................... 75
3.2.5 Etnia Alemã .................................................................................................... 77
3.3 Aspectos políticos: uma breve história.......................................................... 78
3.4 A importância da economia do carvão para a região Sul ............................. 80
3.5 Os problemas socioambientais....................................................................... 83
4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS.............................................................. 89
5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS...................................................... 91
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................. 98
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...................................................................... 102
ANEXOS ................................................................................................................ 107
9
1 INTRODUÇÃO
O interesse em fazer o trabalho O Jornal da Manhã (Criciúma, SC) e o
Meio Ambiente: uma análise comparativa das matérias publicadas nos anos de 1994
e 2004 foi motivado a princípio pelo desejo de pesquisar como o Jornal da Manhã
(JM) tem trabalhado as matérias jornalísticas referentes ao meio ambiente na região
Sul catarinense. Por ser um tema inédito, o estudo de caso a ser realizado no
veículo pretende integrar o conhecimento sobre meio ambiente junto ao jornalismo,
pois enquanto mídia, o JM será analisado nos anos de 1994 e 2004, comparando
como o jornal tem enfocado o assunto meio ambiente em suas matérias, e, qual a
proporção de conteúdo publicado nestes dois anos, correspondente a uma década.
Como veículo de comunicação diário, o jornal tem papel fundamental para
a
sociedade,
enquanto
formador
de
opinião,
assim
como
despertar
a
conscientização ambiental nas pessoas. Por isso, muito mais que informar, os meios
de comunicação, funcionam como um canal a qual, cada indivíduo pode e deve
reivindicar seus direitos no meio em que vivem. Torna-se imprescindível que na Era
da Informação, os profissionais da comunicação, considerados o quarto poder,
atentem para a questão ambiental, pois meio ambiente ainda é uma questão
superficial, porque não alcançou um sentido amplo de sua definição. Para melhor
compreensão, Bortot define meio ambiente da seguinte maneira:
A noção de meio ambiente é muito ampla, abrangendo todos
os bens naturais, artificiais e culturais de valor juridicamente
protegido, desde o solo, as águas, o ar, a fauna, as belezas
naturais e artificiais, do ser humano ao patrimônio histórico,
artístico, turístico, paisagístico, monumental arqueológico,
além das variadas disciplinas urbanísticas e contemporâneas
(2002, p.27).
10
O autor Lago, explica que na década de 50, insinuava-se uma consciência
ecológica e como exemplo, utiliza o texto do ecologista Gates.
Quem disser que o homem não deve explorar foge à
realidade. É nosso modo de vida. Assim somos, assim
atingimos nosso status tecnológico, assim desenvolvemos
nosso tipo de civilização e nos libertamos da lida enfadonha
de uma mera existência para alcançar coisas criativas e
culturais.
Porém, devemos explorar conservativamente... Precisamos
compreender o que estamos fazendo (GATES, apud LAGO,
1991, p.57).
Os assuntos abordados pelo veículo durante estes dois anos foram
quantificados, bem como, mostra como a mídia pode ser uma ferramenta para a
conscientização ambiental. O primeiro capítulo apresenta os objetivos e a
justificativa deste trabalho. No segundo capítulo, o referencial teórico-conceitual
abordará a história da mídia impressa e também conceitos pertinentes sobre o meio
ambiente, bem como, a relação dos meios de comunicação com o meio ambiente, e,
educação ambiental. No terceiro capítulo, será explanado o perfil socioeconômico,
político, cultural e ambiental da região Sul de Santa Catarina, e, sobre a importância
da economia do carvão para a região Sul e os problemas socioambientais. A seguir,
têm-se os procedimentos metodológicos e, por fim, a apresentação e interpretação
dos dados, bem como, as considerações finais.
Em linhas gerais pode-se dizer que o jornalista é responsável por extrair a
informação, de onde quer que ela se encontre, levando-a até os interessados por
ela. Neste caminho entre fonte da informação e público-alvo, o jornalista processa a
informação que será veiculada. Por isso, o compromisso e a responsabilidade
devem ser aliados do veículo e também do profissional, na busca pelo conhecimento
da área ambiental para desempenhar o papel de agente multiplicador do
conhecimento através das publicações.
11
Quando surgiu o termo desenvolvimento sustentável na Rio-92, como
resposta ao esgotamento dos recursos naturais, não se imaginava que sua
abrangência fosse englobar não somente a questão econômica, mas todo um
conjunto de fatores que cerca a sociedade, como as questões que envolvem
dimensões na política, no social, cultural, ecológica, demográfica, institucional e
espacial. Na verdade, todas as áreas do saber devem estar inter-relacionadas. O
indivíduo faz parte do meio ambiente e ambos devem estar em sintonia para que a
sociedade humana seja harmoniosa. Desenvolvimento sustentável hoje significa
gerenciar os recursos naturais de forma a ser auto-sustentável, colaborando para a
preservação e a continuidade deste sistema complexo que é a sociedade.
1.1 Objetivos
a) Analisar as matérias sobre meio ambiente do Jornal da Manhã
publicadas nos anos de 1994 e 2004, verificando a importância de seus conteúdos.
b) Quantificar os assuntos que mais foram abordados pelo veículo durante
estes anos;
c) Verificar como o jornal tem enfocado as matérias de caráter
denunciatório e informativo para os leitores e;
d) Mostrar como a mídia pode ser uma ferramenta para a conscientização
ambiental.
12
1.2 Justificativa
A realização deste trabalho tem por fim, verificar a importância dos meios
de comunicação, para a conscientização ambiental tendo como universo de
pesquisa, o Jornal da Manhã, através de um estudo comparativo das matérias
publicadas sobre meio ambiente nos anos de 1994 e 2004. Nesta leitura, pretendese também analisar estas publicações verificando entre essas matérias, qual
conteúdo foi mais explorado pelo Jornal da Manhã e ressaltar que este estudo se faz
necessário para averiguar também, o contexto destas publicações enquanto meio de
comunicação e, portanto, um formador de opinião na sociedade.
O trabalho propõe uma reflexão sobre o meio em que estamos. Hoje
vivemos a Era da Informação. Com a correria do cotidiano e a velocidade de
informação que surge a cada instante, nos mostra como a tecnologia está ao nosso
alcance, mas também evidencia, que a utilizamos incorretamente - agredindo o meio
ambiente e a nós mesmos.
Mecanismos há para evitar a degradação ambiental, através do poder
público, mas falta a conscientização das pessoas e, em alguns casos, a instrução
das comunidades locais, sobre como fazer o manejo adequado dos recursos
naturais, a começar pela sua região. E a mídia considerada o quarto poder, deve ser
uma grande aliada em difundir essa conscientização, através de suas reportagens informando e, ou denunciando empresas que estejam cometendo algum crime
ambiental. Muito mais que um veículo jornalístico, os meios de comunicação servem
de porta-voz para a sociedade.
13
2 REFERENCIAL TEÓRICO-CONCEITUAL
2.1 História da mídia impressa
2.1.1 A escrita alfabética
Na história da humanidade, o homem e a comunicação sempre evoluíram
juntos. À medida que desenvolvia a sua maneira de interagir com o mundo, também
alterava o jeito de se expressar, assim como na forma de se comunicar, através de
imagens, fotos, sinais, cores e os cinco sentidos. DeFleur e Ball-Rokeach em seu
livro Teorias da Comunicação de Massa afirmam que se levou milhões de anos para
que os humanos adquirissem a capacidade de usar a linguagem e muitos séculos
também, para que o ato de escrever se tornasse fato real. Na Mesopotâmia e no
Egito surgiram as primeiras inscrições associadas a significados, por volta de 4000
a.C. Os registros foram através de imagens desenhadas ou rabiscadas em
superfícies semelhantes ou similares. Os egípcios inovaram na comunicação,
criando um sistema complicado denominado de hieróglifos, que consistia em
caracteres simbólicos gravados em pedras, que posteriormente, passou a serem
desenhados e pintados. Este sistema era como o chinês, onde cada símbolo
representava um conceito, uma idéia ou coisa.
“A par das ferramentas, do fogo, e da própria língua, a escrita alfabética foi
uma das mais significativas realizações dos seres humanos” (DEFLEUR E BALLROKEACH, 1993, p.35). Após inúmeras variações, os gregos por volta de 500 a.C,
padronizaram e simplificaram o alfabeto de forma, que se tornou amplamente
utilizado. O alfabeto latino impresso partiu de um projeto de Nicolas Jansen. No
14
início da Era Moderna, “tomou como referência, para as maiúsculas, as inscrições
romanas e, para as minúsculas, as letras usadas pelos escribas carolíngios (do
tempo de Carlos Magno)” (LAGE, 2001, p.22), Assim, as letras que hoje, usamos
para nos comunicar foram uma das mais significativas realizações da humanidade,
pois sem essa escrita alfabética, grande parte da população no mundo, ainda seria
analfabeta.
2.1.2 Papiro
Os egípcios descobriram em 2.500 a.C um modo de fazer papel utilizando
o papiro, que, comparado com a pedra era mais leve, permitindo o fácil transporte e
por ser melhor de escrever, já que na pedra era preciso talhar com cuidado os
hieróglifos. O material era retirado do junco, cortado e descascado em tiras finas e
depois malhado até virar uma única massa, que era comprimido e secado. O papiro
podia ser encontrado somente no delta do rio Nilo. Rolos compridos eram
preparados juntando uma folha à outra. Os escribas utilizavam dois tipos de tintas: a
preta e a vermelha.
Na população dos maias, descobriram, que através das tiras de cortiça
dos pés de fícus se podia fazer tiras de 15 a 20 centímetros de largura, com
cumprimento de até seis metros, e, quando dobradas ao cumprido e franzidas,
transformavam-se em livro, onde suas páginas finais eram em madeira, fechadas
como um acordeão. Os hieróglifos eram enfeitados para dar beleza às páginas.
Estes livros eram verdadeiras obras de arte, mas, muitos exemplares foram
destruídos pelos conquistadores espanhóis, na tentativa de reduzir o poder dos
líderes desses povos, como também dos sacerdotes. Assim, ressalta-se que a
15
mudança da “pedra pesada para veículos leves e portáteis” possibilitou uma
significativa organização social e cultural da sociedade (DEFLEUR E BALLROKEACH, 1993, p.36).
2.1.3 Uma nova era com a impressão
Antes do século XV, os livros eram preparados na Europa, de maneira
manu scripti, ou seja, os exemplares existentes eram reproduzidos trabalhosamente
à mão. É relevante mencionar, que, os livros disponíveis, por serem em número
restrito, estes eram adquiridos pelas pessoas que detinham recursos financeiros.
Com a impressão, os livros puderam ser reproduzidos aos milhares. O processo de
impressão realizado com um sinete consistia em gravar um selo em relevo ou baixorelevo com as iniciais de quem o usava. Com um rolo de pastel, os símbolos eram
gravados para imprimir a imagem em barro mole, uma técnica antiga.
Os chineses, por sua vez, para imprimirem uma página inteira de texto,
utilizavam-se de um bloco de madeira lisa, onde era esculpida a imagem invertida, e,
posteriormente, passava-se a tinta, apertando-a em cima de um papel. Por muito
tempo, este foi o recurso de impressão. Por volta do ano 800 d.C., foi impresso o
Sutra do Diamante, séculos antes da impressão surgir no mundo ocidental. Contudo,
muito levaria para que, as letras, de forma individual fossem moldadas em metal.
Com Johannes Gutenberg, um ourives de Mainz, na Alemanha, isto se tornou real.
A impressão tal como conhecemos hoje, foi desenvolvida a partir de sua
idéia, que concebeu um meio inovador de fazer tipos. Gutenberg após fazer um
molde de aço para cada letra, produziu um molde pequeno de barro para que o
chumbo quente fosse despejado dentro do molde da letra. Através desse molde, o
16
impressor poderia moldar quantas letras quisesse, na qual, depois eram alinhadas
formando palavras e frases. O resultado foi de uma imagem nítida. Para aperfeiçoar
o invento, Gutenberg modificou uma grande prensa de vinho das uvas, arrumando
uma plataforma para a bandeja de tipos, onde deveria ser comprimido o papel. Para
sua surpresa, a impressão foi perfeita e, com tal nitidez, que não havia erros na
página, como costumava ocorrer nas cópias à mão. Atribuídos a Gutenberg estão a
originalidade de seus inventos (LAGE, 2001).
Como primeiro projeto, Gutenberg escolheu a Bíblia, pois assim, poderia
vender aos ricos. A idéia deu certo e “a Bíblia com 42 linhas foi um dos mais belos
exemplos jamais produzidos pela arte da impressão” (DEFLEUR E BALLROKEACH, 1993, p.38). A edição saiu em 1450, e se não foi o primeiro livro a ser
impresso, sem dúvida, foi um dos primeiros exemplares de melhor qualidade
produzido em sua oficina.
De fato, o invento foi importantíssimo para todos nós, o que propiciou a
produção de livros impressos e, conseqüentemente, o interesse pela aprendizagem
da leitura. Depois da Bíblia, o primeiro veículo de massa impresso foi o Jornal de
tostão, da cidade de Nova York, na década de 1830. A partir de então, o jornal de
massa espalhara-se em várias partes do mundo. No final do século XIX, ficava claro
que a nova tecnologia da impressão marcava a introdução do veículo de massa na
esfera global, mudando as condições humanas nos padrões de interação em suas
comunidades, como também nas perspectivas psicológicas das pessoas.
A imprensa de massa surge e no fim século XX, o trabalho manual, antes
realizado é substituído pela composição computadorizada. A Era da Comunicação
de Massa vem para quebrar as barreiras de isolamento entre os indivíduos do
planeta, como também, produzir significativas mudanças no funcionamento e
17
organização do meio social. Cooley diz o seguinte: “a nova comunicação de massa
representou uma revolução em cada fase da vida: no comércio, na política, na
educação, até na mera sociabilidade e tagarelice...” (COOLEY apud DEFLEUR E
BALL-ROKEACH, 1993, p.40). E, ressalta, que o novo veículo noticioso impresso
advindo do século XIX, com certeza modificara de uma vez, o pensamento do
homem em sua perspectiva psicológica, assim como ocorreu com a sociedade.
2.2 No Brasil
No Brasil é Impossível falar sobre a imprensa, sem mencionar a censura.
O autoritarismo político em alguns períodos marcou a história não somente pelo
governo de Getúlio Vargas, com a implantação do Estado Novo, ou mesmo pela
vigência do AI-5, mas pelo paternalismo presente em fases da evolução política,
como afirmam alguns historiadores. E, mais, o autor Pereira diz que “a imprensa
brasileira já nasceu sob o regime da censura prévia governamental” (1992, p.33). O
patrono da imprensa nacional, Hipólito da Costa lançou em Londres, o primeiro
jornal brasileiro, intitulado Correio Braziliense, em 13 de junho de 1808.
Este foi um dos sinais, indicando que o jornalismo vinha a serviço da
causa patriótica, neste caso, a luta pela independência. O jornal de Hipólito da Costa
não pôde circular no Brasil, devido à proibição da Coroa Portuguesa, mas ainda
assim, um número razoável do exemplar circulava nas vilas. O Correio Braziliense
continuou a ser editado, depois do grito do Ipiranga e tinha o apoio do Duque de
Sussex. Pereira descreve da seguinte maneira, o pioneirismo do jornal Correio
Braziliense no Brasil:
Autores nacionais costumam atribuir pioneirismo erroneamente, segundo estudiosos e jornalistas respeitados
18
- ao jornal ‘Gazeta do Rio de Janeiro’, que passa a circular a
10 de setembro de 1808, justamente a data escolhida para
as comemorações do ‘Dia da Imprensa’. Esta referência do
calendário oficial vem merecendo, inclusive, sérios reparos
nos meios jornalísticos (1992, p.33).
O jornal Correio Braziliense foi de fato, o precursor na mídia impressa e
possuía uma linha editorial independente. Já a edição do Gazeta do Rio de Janeiro
foi conseqüência da criação da Impressão Régia, em 13 de maio de 1808, por D.
João VI. Este, por sua vez, abrigou-se na colônia, após ser “varrido da Europa pelas
tropas napoleônicas” (PEREIRA, 1992, p.34). Contudo, numa série de alvarás, D.
João VI procurou organizar, a vida administrativa e política do Brasil. Pela concessão
do governo, surge o primeiro jornal, o Diário Oficial, com o objetivo de divulgar os
atos do Reino. Convém salientar, que faltava a liberdade de opinião do então jornal,
ao contrário do Correio Braziliense. Por um curto período de duração, a impressão
dos periódicos teve a marca da censura e do oficialismo.
O governo português, numa tentativa de neutralizar o jornal Correio
Braziliense, que a cada dia ganhava novos leitores no Brasil, subvencionou muitos
jornais, como também, alguns veículos impressos em Londres. Entre eles: o
Investigador Português, em 1811; O português, de 1814 e Padre Amaro, em 1820.
Desta forma, o jornal liberado para os brasileiros era censurado e vinha com a marca
do selo real, ao passo, que o veículo que se identificava com a nação era censurado
no próprio Brasil e impresso na Europa (PEREIRA, 1992).
2.3 Em Santa Catarina
Assim como no Brasil, a história da imprensa catarinense imprensa foi
igualmente marcada pelas causas políticas e pela censura, ao ser defendida pelo
19
capitão engenheiro Jerônimo Francisco Coelho, o precursor da mídia impressa em
Santa Catarina. Nasceu no município de Laguna, em 30 de setembro de 1806.
“Empolgado com a causa nacionalista, não temia represálias oficiais, coordenando a
distribuição de documentos contra o Reinado de D. Pedro I dentro do quartel do
Campo do Manejo” (PEREIRA, 1992, p. 35), e repassando exemplares do Aurora
Fluminense, um periódico nacional, de grande influência política para a época.
Jerônimo Coelho não escondia sua insatisfação por D. Pedro I. Sobretudo,
consciente do poder que a imprensa exercia na sociedade até então, em virtude do
tempo que viveu no Rio de Janeiro e São Paulo, devido à demora com que as
notícias do Rio levavam para chegar a Desterro, fez com que, partisse para uma
ação concreta, fundando em 28 de julho de 1831, o primeiro exemplar de O
Catharinense. A edição era vendida aos subscritores por sessenta réis, pois não
havia jornaleiros. Quando comparado, o lançamento de O Catharinense, aconteceu
num curto prazo em relação à inauguração do rádio e da televisão no Brasil, pois o
rádio veio com uns trinta anos de atraso e a televisão com pelo menos vinte anos, ao
passo, que o exemplar de Jerônimo Coelho, esteve disponível em Desterro, há pelo
menos treze anos após a edição dos primeiros jornais brasileiros, entre eles, o
Correio Braziliense e a Gazeta do Rio de Janeiro (PEREIRA, 1992).
Desta forma, depois de um ano da edição do O Catharinense, lançou O
Expositor, em conjunto com Feliciano Nunes Pires – presidente da então Província.
A publicação era de responsabilidade da Sociedade Patriótica Catarinense e tinha
como objetivo, defender a liberdade, a independência e a democracia. Em toda a
história, a imprensa catarinense viveu períodos intensos de transformações. Na
República Velha, o vínculo partidário e a regionalização assinalam o impulso da
imprensa no estado. Os maçons fizeram-se presentes na criação, na manutenção e
20
na consolidação dos jornais, fazendo com que a maçonaria e a imprensa seguissem
junto à política, assim como na estruturação partidária da Província (PEREIRA,
1992). A imprensa no estado é indissociável da história política, pois na época do
Império, o jornalismo se mostrava engajada nas campanhas literárias e na própria
política. A participação ativa nos movimentos abolicionista e republicano permitiu
uma abertura dos jornais, que lutavam pela implantação do regime republicano.
Com o fim da monarquia, os jornais republicanos se consolidam e junto, a
expansão do jornalismo partidário. Em 19 de novembro de 1889, é publicado A
República, periódico oficial do regime, a qual dois anos depois tem José Artur
Boiteux como colaborador. A partir de 1896, o órgão oficial se transforma em Partido
Republicano Federal. O empastelamento dos jornais ocasionado pelas disputas
partidárias e, sobretudo pelos noticiários políticos, causou inúmeros incidentes. Entre
estes, com o Correio da Manhã, na edição do dia 3 de novembro de 1895.
Outro exemplo semelhante ocorreu com a Gazeta Catarinense, fundado
em 15 de janeiro de 1908. Hercílio Pedro da Luz, Pascoal Simone, Crispim Mira e
João Medeiros Filho, foram nomes ilustres deste periódico. A punição ao veículo
aconteceu em 19 de setembro de 1910, com a destruição das oficinas dos jornais,
realizada por policiais, além do Jornal do Povo, de Aquiles Wedekin dos Santos,
Folha Nova, de Crispim Mira e Gazeta do Povo, de João de Oliveira, que foram alvos
de policiais atiradores, por não concordarem com a ação do governo (PEREIRA,
1992).
No estado catarinense, jornais partidários como: A República, de José A.
Boiteux (Partido Republicano); O Dia, de Thiago da Fonseca (Partido Republicano);
O Tempo, de Tito Carvalho e Nereu Ramos (Partido Republicano e da Aliança
Liberal); A Pátria, de João Bayer Filho (Partido da Coligação Republicana); Flama
21
Verde, de Othon Gama d’Eça (Ação Integralista Brasileira). Um outro fator
importante para a regionalização da imprensa no estado, se deu ainda na época do
Império, pela língua estrangeira (PEREIRA, 1992). Devido à colonização de diversos
povos, surgiram jornais na língua alemã e de cunho político, como o ColonieZeitung, impresso no dia 20 de dezembro de 1862, no município de Joinville, com
circulação em Blumenau. Na região Sul catarinense, jornais da descendência italiana
circulou em Florianópolis e Urussanga, mas sem a mesma relevância política. A
língua portuguesa também foi difundida em outras regiões catarinenses, através dos
jornais. Isto era possível pelo apoio partidário, político e comunitário; pela tiragem
reduzida e pelos custos operacionais pagos com anúncios pequenos.
Com a evolução da tecnologia e com a exigência dos novos padrões
profissionais, a partir da Segunda Guerra Mundial, gradativamente, desaparecem em
alguns municípios, títulos importantes, fenômeno este, que assinala a década de 60,
como um período, em que a imprensa catarinense passa por profundas
transformações gráficas, técnicas de impressão e também nos editoriais, marcando
assim, de uma vez por todas, a história do jornal em Santa Catarina (PEREIRA,
1992). Na década de 70, com o ciclo de modernização no interior, o Jornal de Santa
Catarina é lançado. Dirigido e produzido por uma equipe competente de profissionais
gaúchos e catarinenses, é importante ressaltar, que essa modernização das
redações, aconteceu no ápice da censura militar, aplicada à imprensa brasileira, de
um modo geral. Desta forma, o desenvolvimento econômico de regiões como Vale
do Itajaí e do Norte, coincide com a revolução da imprensa e, ressalta a relação do
poder político com a comunicação no Estado (PEREIRA, 1992).
Nos anos 80, a profissionalização tem suas peculiaridades, entre as quais
se podem destacar a criação do Curso de Jornalismo da Universidade Federal de
22
Santa Catarina (UFSC), além de outros elementos que foram determinantes para a
mudança da imprensa: “O movimento de oposição sindical, a eliminação da
vinculação político-partidária ostensiva nos meios, o processo de abertura política e
redemocratização do Brasil, a nova concepção empresarial do setor...” (PEREIRA,
1992, p.80). Estes fatores fizeram com que houvesse um aumento da concorrência e
como conseqüência, o aperfeiçoamento dos profissionais.
2.3.1 Os primeiros jornais diários de Santa Catarina
2.3.1.1 O Estado
Nas comemorações dos 27 anos de libertação dos escravos, o novo
periódico passava a circular em Florianópolis. Um dos temas defendidos e, com
bastante polêmica, foi sobre a Assembléia Estadual Constituinte de 1989, que
reivindicava a mudança da capital de Florianópolis para Curitibanos, bandeira esta,
muito defendida pelo veículo. Henrique Rupp Junior e Ulisses Costa lançavam a
edição do mais antigo diário de Santa Catarina, em concorrência com os jornais A
Opinião e A Semana, num período em que o engajamento partidário era influente
nos meios de comunicação (PEREIRA, 1992).
O Estado trazia um completo noticiário internacional, com informações
sobre a batalha de Petrogrado, através dos telegramas, além dos conteúdos sobre
política, economia e dos catarinenses que chegavam do Rio de Janeiro, bem como,
os anúncios famosos das pomadas Minâncora e Emulsão de Scott. (PEREIRA,
1992). Uma impressora Kleo foi importada de Neuremberg, na Alemanha para a
impressão do periódico. Em março de 1925, O Estado passa para a
23
responsabilidade de Victor Konder, ministro da Viação do governo Washington Luiz
e direção de Altino Flores.
Em 1945, o proprietário do jornal, passa a ser Moacyr Iguatemi da Silveira,
pai de Luiz Henrique da Silveira, deputado federal, na época. No ano seguinte, a
direção é de Sidnei Nocetti. Em 1947, o dono do jornal é Aderbal Ramos da Silva, ao
mesmo tempo em que assume o governo de estado. O jornal passa a ser dirigido
por profissionais catarinenses e gaúchos. Exemplar este, que passou a competir
com o Jornal de Santa Catarina. A fase áurea do veículo ocorre em 13 de maio de
1977, quando acontece a inauguração da sede própria na SC-401, sob a direção de
José Matusalém Comelli. Neste período, o mais antigo jornal tem seu prestígio
reconhecido no estado.
2.3.1.2 A Notícia
Aurino Soares foi o fundador do A Notícia (AN), no município de Joinville.
Com espírito empreendedor, utilizava-se da criação permanente para inovar na área
da comunicação, numa época difícil, em que as ferramentas eram rudimentares. No
início do século 20, Soares foi para Curitiba e após um tempo de aprendizado na
área jornalística, Soares vai para o Rio de Janeiro, onde trabalhou no jornal A Noite.
Em seguida mudou-se para Florianópolis. Com o desejo de iniciar sua
própria empresa, Soares foi para Joinville, em 1922. Uma cidade pequena e pacata,
com características dos descendentes de origem alemã. A população urbana
contava 20 mil habitantes e era considerada para a época, uma cidade com grandes
perspectivas de crescimento no Sul do Brasil (TERNES, 2003, p.22).
24
Em 24 de fevereiro de 1923, circula o primeiro número do A Notícia. O
jornal era semanário e chegava às mãos do público, aos sábados à tarde. Com
quatro páginas, era escrito na língua portuguesa e não em alemão, como o jornal,
Kolonie-Zeitung, criado por Ottokar Doerffel, em 1862. Em 1924, o semanário
circula, a partir de dezembro, nas quartas-feiras e sábados. A primeira máquina
própria de impressão é adquirida em 1929. Mas é em 11 de outubro de 1930, que o
A Notícia passa a circular diariamente, com exceção das segundas-feiras.
Em 28 de julho de 1931, o “empastelamento” (TERNES, 2003, p.17) pára
o A Notícia por 12 dias. Termo este empregado para explicar a destruição das
oficinas e também da redação como represália, devido às notícias publicadas pelo
então delegado de polícia de Joinville, Heitor Azevedo, provocando reação por parte
do poder policial. Em 1939, o AN é o primeiro a instalar uma moderna máquina de
impressão, a primeira rotativa do estado, com capacidade de imprimir cadernos com
32 páginas.
A Segunda Guerra Mundial inicia e o jornal assume e defende o regime
nazista na Alemanha e também o governo getulista no Brasil. O jornalista e
historiador Apolinário Ternes conta em seu livro, que Aurino Soares publicou um
telegrama de cumprimentos enviado pelo Ministro da Propaganda de Hitler, Josef
Goebbels. Quando o conflito chega ao Brasil, Soares muda sua posição editorial.
A história do A Notícia pode ser delimitada em três fases: “de 1923 a 1944,
com Aurino Soares; de 1946 a 1956, como empresa limitada; e de 1956 até os dias
atuais como sociedade anônima” (PEREIRA, 1992, p.123). A partir de 31 de janeiro
de 1980, o AN, instala a impressora off-set, e, entra na era da modernidade com
equipamentos de telecomunicações, demonstrando aos seus leitores e autoridades,
porque o A Notícia ainda é o melhor na cobertura jornalística do Estado.
25
2.3.1.3 Jornal de Santa Catarina
A capital de Santa Catarina, Florianópolis é fundada em 1726. Em 1850, o
Dr. Hermman Blumenau fixou-se no Vale do Itajaí e após 31 anos, o Dr. Ottokar
Doerffel editava o Blumenauer-Zeitung, que era lido até mesmo na região de Dona
Francisca, hoje, Joinville. A instalação do Jornal de Santa Catarina vem com a
impressora off-set, pioneiro nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do
Sul. O novo diário foi dirigido pelo jornalista e professor da Famecos (Faculdade de
Meios de Comunicação) da PUC de Porto Alegre (RS), Nestor Fedrizzi.
O diário estadual foi implantado no Departamento de Telejornalismo da TV
Coligadas. Havia sucursais em todo o estado. O grupo Coligadas possuía inúmeras
emissoras de rádio, e, o jornal seria um complemento, numa época, em que a
comunicação era difícil. Wilson de Freitas Melro, Caetano Deecke de Figueiredo e
Flávio de Almeida Coelho eram empresários e diretores da TV Coligadas.
Pretendiam fazer com que o Jornal de Santa Catarina, fosse publicado nos 197
municípios do Estado e, desta forma competir com o Correio do Povo, de Porto
Alegre (RS), jornal de maior circulação em Santa Catarina, na década de 70
(PEREIRA, 1992).
Na década de 70, uma impressora off-se foi adquirida para que o Jornal de
Santa Catarina saísse com qualidade. Entre os profissionais, maioria do Rio Grande
do Sul, podem ser citados, Mário Medaglia, Sérgio Becker, Airton Kanitz, Renan Ruiz
e Paulo Cícero Casanova, responsáveis pelo planejamento da edição zero. Em 21
de setembro de 1971, Colombo Salles, governador na época, aciona a impressora,
e, no dia seguinte, os leitores já recebiam o Jornal de Santa Catarina.
26
Em 1974, um grupo de empresários e políticos, formado por Mário Petrelli,
Flávio Coelho, Lincoln Tarquini, Jorge Bornhausen, Alceu Gugelmim, Paulo Konder
Bornhausen, Carlos Guilherme Addor e João Saad, assumem o controle acionário
da empresa. Desde então, o Jornal de Santa Catarina perde sua independência e
torna-se um veículo com vínculos na política, dos Konder Bornhausen (PEREIRA,
1992).
Até 1983, a direção e o controle ficam restritos ao Flávio Coelho, Mário
Petrelli e ao Rudi Bauer. Em 1985, Flávio Coelho transfere o jornal para o
engenheiro Nilton José dos Reis. No governo de Fernando Collor de Mello, o jornal
é negociado com empresários de Blumenau, e, passa a ser dirigido por profissionais
indicados pelo governo do PMDB.
Representantes das doze indústrias principais de Blumenau, conhecidas
como “as 12 irmãs” (PEREIRA, 1992, p.126), passaram a administrar o veículo. Em
26 de julho de 1992, era publicado, que o conjunto da Santa Catarina Participações
Societárias Ltda. e da Rede Sul Brasil, vinha oficializando as negociações para a
compra do jornal, pela RBS, assumindo o controle da empresa, a Rede Brasil Sul,
em 1º de setembro de 1992.
2.3.1.4 Diário Catarinense
O sonho do jornalista Maurício Sirotsky Sobrinho em instalar o Diário
Catarinense, se desenvolveu através de uma pesquisa de mercado. O grande
complexo de comunicação social teve seu início com a TV Catarinense, no canal 12,
em Florianópolis, que foi ao ar em 1º de maio de 1979. O DC não possuía uma boa
imagem no estado e por um determinado tempo, foi nome do jornal do complexo de
27
comunicação. Por vários anos, o jornal foi redigido na capital e impresso nas oficinas
do Jornal de Joinville. O diário chegou até a ser rodado na Imprensa Oficial do
Estado, mas por falta de leitores e anunciantes desapareceu do mercado, sem
diferenciar o comercial da linha editorial (PEREIRA, 1992).
O jornalista Estácio Ramos obteve a concessão do título, com o também
jornalista Paulo Cabral, presidente do Condomínio Associado. Com algumas
pesquisas, definiram o tamanho tablóide para o DC, pois o líder do grupo no Rio
Grande do Sul, o jornal Zero Hora, utilizava o mesmo formato e, já se destacava pela
tiragem expressiva. A nova concepção gráfica multicolorida, auxilia a leitura sejam
nas repartições públicas, nos carros particulares ou nos transportes coletivos. Em
1981, a RBS anunciava o novo veículo, quando Nelson Sirotsky, diretor no estado,
se destacava no meio radiofônico e televisivo (PEREIRA, 1992).
Implantar um novo jornal era um desafio, já que os veículos existentes não
tinham credibilidade devido à dependência dos partidos políticos. Em 1986, havia 72
veículos de mídia impressa. A atuação era regionalizada e com um público-alvo
definido. Contudo, não havia um jornal que atendesse todo o estado. Em 4 de maio
do mesmo ano, o governador Esperidião Amin acionava as rotativas, oficializando a
primeira edição do Diário Catarinense. Uma rotativa com capacidade para imprimir
30 mil exemplares por hora foi adquirida. Assim, no dia 5 de maio de 1986, o sonho
de Maurício Sirotsky Sobrinho, fundador da Rede Brasil Sul tornou-se realidade.
2.3.1.5 Correio Lageano
No dia 28 de junho de 1924 era fundado em Lages, o semanário
denominado primeiramente, Correio de Lages, do órgão do Partido Republicano
28
Catarinense. Um moderno parque gráfico constituía a estrutura do veículo, que em
1930 teve encerrado suas atividades, quando o presidente Washington Luiz foi
deposto. O jornal volta às bancas em 21 de outubro de 1939, desta vez, com o atual
nome de Correio Lageano. Na publicação de 11 de agosto de 1951, os novos
proprietários do jornal eram Evilásio Néri Caon, José Paschoal Baggio e Sirth de
Aquino Nicolelli (PEREIRA, 1992).
A partir de 1954 passou a circular duas vezes por semana e foi
transformado em diário no dia 8 de outubro de 1967. No dia 10 de maio de 1980, o
Correio Lageano começou a utilizar o sistema off-set, importado da Alemanha, e,
nas comemorações do jubileu de ouro, adquiriu a moderna rotativa Solna, advindo
da Suécia, com capacidade de impressão para trinta mil exemplares por hora. O
jornal é dirigido pelo empresário José Paschoal Baggio e tem como editor-chefe
Névio Fernandes (PEREIRA, 1992).
2.3.1.6 Diário da Manhã
Fundado pelo jornalista Túlio Fontoura, o jornal Diário da Manhã, da
cidade de Chapecó foi o primeiro veículo a circular na região Oeste de Santa
Catarina, com tiragem de 2000 mil exemplares. A primeira edição saiu em outubro
de 1981. O grupo também edita o Diário da Manhã, nos municípios de Passo Fundo,
Carazinho, Pelotas e Erechim, no estado gaúcho (PEREIRA, 1992).
No início, o jornal tinha o formato standard e depois passou a ser tablóide.
Após o falecimento de Túlio Fontoura em 1979, o diretor-geral passa a ser Dyógenes
Auildo Martins Pinto. Assim quando Dyógenes faleceu em 1998, sua filha Janesca
Martins Pinto, diretora-presidente, passou ao comando do Diário da Manhã.
29
(http://www.diariodamanha.com, set. 2005). A edição do veículo está sob os
cuidados da Empresa Jornalística Diário da Manhã Ltda, na qual, é redigido em
Chapecó e impresso em Erechim, cidade gaúcha. O editor-chefe é Roman Vieda e
nos últimos anos, Chapecó teve quatro importantes semanários: o Folha d’Oeste,
Correio do Sul, Momentos do Povo e O Oestão.
2.3.1.7 Diário do Litoral
Tem como diretor e principal redator, Dalmo Vieira. O jornal Diário do
Litoral segue um estilo avesso aos demais. Em formato tablóide e com limitados
recursos técnicos, o Diário do Litoral se destaca pelas matérias, cujos textos se
valem do recurso agressivo, sensacionalista e debochado. O veículo também recorre
às expressões populares e ao baixo calão, quando se trata de fatos políticos,
policiais e administrativo. Com freqüência causam indignação ao que se denomina
de “tradicional família catarinense” (PEREIRA, 1992, p.132), pela irreverência das
notícias.
2.4 Breve histórico do jornal impresso na região Sul catarinense
De 1831 a 1970, os jornais na região Sul eram sem exceção, semanários,
quinzenários ou mensários. Nesta época, os veículos passavam por inúmeras
dificuldades, desde os anúncios, que não cobriam sequer a tiragem final e nem as
despesas administrativas das oficinas, redação e impressão. Com muita rapidez, os
jornais surgiam e desapareciam do mercado. Desta forma, os autores Machado e
Torres descrevem a situação da seguinte maneira: “no sul catarinense, entre os
30
jornais que perduraram por longo tempo em circulação constante, podem-se
enumerar nos dedos. Duas mãos serão demais” (2000, p.78).
2.4.1 Araranguá
Em 1926 era editado o Vanguarda, o primeiro jornal, que circulou entre o
ano vigente e em 1930. Em 1929, surgiu O Campinas, de propriedade de Durval
Matos, e, circulou por um ano. O veículo era da cidade de Passo Fundo, hoje, Santa
Rosa do Sul, onde residia Durval Matos. No ano de 1950, é publicado o Folha
Sulina, de propriedade do advogado Arno Duarte, tendo como redator, o Severiano
Severino de Souza, também advogado.
Na mesma época, o jornalista A. César Machado fundou o Tribuna do Sul,
registrado em 23 de abril de 1955 e o jornalista-redator era Agilmar Machado. No dia
17 de setembro de 1956, o Tribuna do Sul teve sua circulação interrompida. Os dois
veículos vinham de posições políticas divergentes. O Folha Sulina defendia o PSD
(Partido Social Democrático) e o Tribuna do Sul era do UND (União Democrática
Nacional) (MACHADO e TORRES, 2000).
O jornal Correio de Araranguá, do médico Wladimir Luiz chegava ao leitor
em 26 de janeiro de 1960, sendo impresso nas oficinas pertencentes ao Tribuna do
Sul. Posteriormente, O Sul, de Osmar Nunes, em 31 de janeiro de 1964, impresso
em Criciúma, na gráfica Tipoarte. Em 1965 foi fundado Nosso Tempo, dos diretores
Aryovaldo e Agilmar Machado, irmãos e jornalistas, e, também pelo advogado
Everaldo Ferreira. Mais tarde, a administração do veículo passou para o engenheiro
Ênio Rosa de Souza e para os irmãos, Adão e Antônio Vignalli. Em 23 de fevereiro
de 1978, era inaugurado pelo radialista, André Martins, o semanário, Jornal do Vale.
31
Outro veículo teve o registro em Criciúma e Tubarão: o Jornal Regional, de
propriedade de Agilmar Machado, editado em maio do mesmo ano. Ainda em 1978,
surge o Folha do Vale, de Edson Mattos Palmas e tinha o radialista hoje falecido,
Paulo de Lima como redator.
Nos anos 80, Claudenir Oliveira Souza e Juraci Fernandes fundaram o
Preto no Branco. Já, em 19 de julho de 1990, o radialista Paulo Ignácio da Silva
edita o Jornal da Cidade (MACHADO e TORRES, 2000).
2.4.2 Criciúma
Em 1926, Marcos Rovaris (primeiro prefeito), Pedro Benedet e Frederico
Minatto iniciavam a história do jornal impresso no município de Criciúma, através do
veículo O Mineiro. No ano de 1928, A República era editado pelo redator Adolfo
Campos. O Frege circulou entre os anos de 1945 e 1947. De propriedade de Rubens
Sampaio, gerente do cinema da cidade, o “jornaleco” (MACHADO e TORRES, 2000,
p.80) tinha um estilo crítico-humorístico.
Em Criciúma, o primeiro jornal publicado com cores na capa, ocorreu entre
os anos de 1949 e 1953, com Folha do Povo, pertencente ao advogado trabalhista,
Pedro Vergara Corrêa, defensor dos direitos operários das minas de carvão. O Folha
do Povo era redigido e impresso nos fundos da banca particular do advogado, ao
lado do antigo Foto Zappelini (MACHADO e TORRES, 2000).
Outros jornais fizeram parte da mídia local, como Luzes do Sul, de Maria
Giselda Guglielmi, em 1958, Ouro Negro, de Lucas Cruz e O Combate, de Agilmar
Machado, Dauro Martignago e Lourival Martins, ambos com publicação em 1961,
além de Criciúma Nova, de propriedade de Otto Farias, em 1965. Hoje, a cidade
32
possui os seguintes jornais diários: Jornal da Manhã, Tribuna do Dia, fundado em 2
de maio de 1955 e hoje, tem como diretor geral, Marcos Marangoni e editora-chefe
Mariju de Lima, além, do Diário de Criciúma, que tem Lúcio Flávio de Oliveira como
diretor executivo e Régis Cristiano Silva da Silva, como editor-chefe.
2.4.3 Tubarão
O Trabalho foi o primeiro jornal, a qual se tem registro histórico na cidade
Azul. Sob a direção de Osni Martins e Antônio Medeiros, o veículo foi lançado em
1895, na comemoração do primeiro aniversário da freguesia de Tubarão.
O
Trabalho dava início à vida jornalística da então cidade. A Imprensa, sob a direção
de Manoel Aguiar tem registro histórico na cidade Azul, em 1936. Os precursores da
imprensa tubaronense eram lagunenses, pelo motivo de que Tubarão se desenvolvia
economicamente, despertando a atenção do jornalismo lagunense.
No século XIX há registros de publicações, como o jornal A Vanguarda,
com direção do advogado José Acácio Moreira, em 23 de maio de 1897, sendo o
primeiro a possuir a própria oficina de impressão. Cristiano Santa Helena era o chefe
da tipografia e Luiz de Vasconcelos, titular do Cartório do Registro Civil de Tubarão.
No ano de 1897, também surgiu o semanário O Desordeiro, de Antônio
Medeiros e Luiz Martins Colaço. O manuscrito dava início ao ciclo da destacada
presença da família Colaço, na história da imprensa. Encerrando o século XIX, no
dia 12 de julho de 1900 surgia escrito em papel almaço e com pena de ganso, O
Bode, na qual, “um único exemplar passava de mão em mão. Não constam registros
de seus diretores” (MACHADO e TORRES, 2000, p.81).
33
O século XX chega e junto, novas publicações. Sob a direção de Antônio
Souza, o primeiro órgão, precedendo o início do século, em 1901 é A Coisa, feito à
mão. O jornal denominado Sete de Setembro é lançado, coincidindo com o dia da
primeira publicação do exemplar. O diretor-gerente era Antônio Bibiano de
Assumpção, responsável pela manutenção do veículo. Na 13ª edição, o jornal deixa
de circular, devido a Bibiano estar acometido por uma doença. Em 2 de maio de
1902, o Sete de Setembro retorna, mas deixa de circular em novembro.
Em 6 de setembro do mesmo ano, Hermínio de Menezes lançava O
Vigilante. Com participação constante na sociedade, Hermínio é até hoje um nome
“honroso” (MACHADO e TORRES, p.82) na imprensa catarinense. O legado passou
ao Hermínio Menezes Filho, integrado à vida jornalística. Na década de 50, Manoel
de Menezes, neto de Hermínio, marca para sempre a sua trajetória na imprensa.
Manoel de Menezes foi um polêmico e destemido jornalista, sempre
defendendo as classes mais modestas e com idéias políticas peculiares. O jornal A
Verdade foi a marca registrada do jornalista. Convém ressaltar, que em 1921,
Hermínio de Menezes, já havia lançado o jornal em Florianópolis. Desta forma, a
família Menezes continua a sucessão no jornalismo, através de seus descendentes,
como Cacau Menezes, por exemplo, atuante, no jornal, no rádio e na televisão.
No dia 4 de agosto de 1902, Hermínio de Menezes, mais uma vez, lança o
jornal: O Chicote. Já em 24 de outubro, acontece o lançamento de O Tubaronense,
sob a direção de Antônio Bibiano de Assumpção, desta vez, recuperado da
enfermidade. Muitos foram os jornais editados, mas foi através de Manoel de
Menezes, conhecido por “Neco” (MACHADO e TORRES, 2000, p.85), que foi
fundada a Rádio Jornal A Verdade, em defesa dos menos favorecidos. Hoje, o
município de Tubarão conta com os seguintes diários: Notisul e Diário do Sul.
34
2.5 Jornal da Manhã
Como em qualquer pólo econômico do estado, a região Sul de Santa
Catarina é marcada por fases positivas e negativas. Durante algum tempo, teve uma
base aérea diversificada com aviões modernos, helicópteros e jatinhos, em contraste
ao quadro social vivido pelos mineiros. A indústria cerâmica e o setor têxtil
impulsionaram a economia. E, mesmo com a instalação da TV Eldorado, emissora
de televisão do estado, o município não possuía um veículo impresso de expressão
no estado ou na região. Em 13 de agosto de 1976, passa a circular em Criciúma, o
Correio do Sudeste, um jornal tablóide de 16 páginas e com tiragem de 1200
exemplares. Pereira assinala a iniciativa como “arrojada" (1992, p.130).
O projeto elaborado pelo jornalista e professor gaúcho Anibal Benatti e sua
esposa Iara Benatti, tinha como proprietários: Hamilton Feldmann (advogado), e,
Edgar Martins (ambos do setor carbonífero), além de Alfredo Flávio Gazzola, Dauri
Ferreira de Souza e Artêmio Jovin, que almejavam editar um veículo diário
independente numa região com forte domínio político. Devido à censura política e
econômica, o Correio do Sudeste enfrentou dificuldades, a partir de 1980. O
radialista Carlos Eduardo Mendonça, conhecido como Bolinha assume a direção do
jornal em 1983, mas no mesmo ano, a empreitada fracassa.
2.5.1 JM: 22 anos de história
Em 23 de agosto de 1983 era publicado o primeiro exemplar do Jornal da
Manhã, anteriormente, Correio Sudeste. A edição experimental de nº 0 trazia em seu
editorial uma mensagem otimista e de perseverança ao novo veículo, por ser um dos
35
primeiros jornais, a estar no aconchego do lar ou mesmo, no ambiente de trabalho
podendo ser folheado e apreciado. Sob a direção do empresário Pedro Hermann e
de sua esposa, Zuleide Hermann, o jornal possuía uma tiragem de 600 exemplares.
Pedro e Zuleide Hermann, proprietários do então, Correio Sudeste, venderam o
jornal para um grupo de empresários de Florianópolis. Pouco tempo depois,
havendo um desinteresse por parte do grupo, em 25 de agosto, o Jornal da Manhã
era fundado pelo casal, dois dias após a edição experimental, data em que circulou
a primeira edição oficial do JM (JORNAL DA MANHÃ, 1º set. 2003).
O nome e o logotipo do jornal foram escolhidos por concurso. As primeiras
edições eram impressas em gráficas da região ou em Porto Alegre. A primeira sede
da redação e oficina estavam localizados na rua Barão do Rio Branco nº 323. O
jornal circulava três vezes por semana: terças, quintas e sábados. Mesmo não
havendo computador nem profissionais qualificados, o sonho de manter um
periódico na cidade persistia e, assim, com dificuldades, Zuleide que sempre esteve
presente no meio e gostava do que fazia, era responsável pelos suplementos Mulher
e o Toda Sexta, que circulava uma vez por semana.
No ano de 1984, o Jornal da Manhã se consolidava como um veículo na
região. Divulgando sempre os fatos com veracidade, o veículo conquistava cada vez
mais, sua credibilidade junto aos leitores. A equipe nesta época era formada pelo
editor-chefe Osmar Nunes, pelo redator João Floriano de Cordes e o fotógrafo
Ezequiel dos Passos. Em 1985, o JM foi vendido para Joceli Ribeiro. Nesta fase, o
jornal era impresso na Ribeiro Editora e Gráfica Embalagens Ltda., em Içara. No
edifício Place Royale nº 2607 funcionava a redação.
Em 24 de setembro de 1986, o Jornal da Manhã passa a ser diário a partir
da edição 193, conquistando uma nova etapa. A aquisição de uma impressora
36
própria e montagem da gráfica do jornal possibilitou que o veículo se tornasse diário.
Uma atitude ousada, pois, o veículo lutava contra a falta de recursos e de tecnologia.
Na redação trabalhavam Dante Bragatto Neto, Fernando Cidade, Quirino Filho,
Ernesto Grechi Filho, José Luiz de Jesus, Ronald David e os fotógrafos Atílio Gabriel
Torres e Mário Sérgio Farias (JORNAL DA MANHÃ, 1º set. 2003).
No ano seguinte, em 1987, o JM deixa de circular por algumas edições,
pois o prédio onde estava localizado, a Ribeiro Editora Gráfica e Embalagens Ltda
foi interditado, por conseqüência das fortes chuvas que inundaram a sede. O jornal,
nesta época contava com as colunas de esporte de João Nassif e Clésio Búrigo.
Adelor Lessa na política e na redação fazia parte João Floriano de Cordes, o Jango,
bem como Rogério Cândido e Vanderli Cortes (JORNAL DA MANHÃ, 1º set. 2003).
Em 1988, Pedro Hermann está novamente no comando do JM. A editora
responsável era a jornalista Janete Triches.
Em 1990, o veículo foi vendido aos empresários Gilson Pinheiro,
Deoclésio Pavei e Adelor Lessa. Em 1992, um grupo de 13 empresários, assume a
direção do veículo e na administração, Milton Carvalho, Adelor Lessa e Valter Dieter.
No dia 3 de novembro de 1997, o Jornal da Manhã adquire uma nova rotativa. O
equipamento de fabricação norte-americano agilizou o processo de entrega das
edições e reduziu o tempo de impressão de 14 horas para até uma hora. Ainda no
mesmo ano, o jornal muda para a sede atual, localizada na Rua XV de Novembro nº
184 (JORNAL DA MANHÃ, 1º set. 2003)
Atualmente,
o
JM
vem
inovando
através
do
site
on-line
JM
(http://www.jmnet.com.br). Com meio milhão de acessos, somente no mês de julho
deste ano, o site tem totalizado um número de 43 países. O diferencial do site JM
está no público-alvo, que atinge um considerável número de brasileiros residentes
37
em Boston, nos Estados Unidos. Na parte comercial, o site tem dado resposta
positiva para o setor de construção civil, pois quem tem interesse, em algum
empreendimento, aqui da região, basta acessar a página e conferir as ofertas
(JORNAL DA MANHÃ, 25 ago. 2005).
Em breve será instalada a Rádio JM com MP3 contendo diversas músicas,
e, possibilitando também ao ouvinte, ter acesso ao noticiário, bem como conversar
diretamente com o entrevistado. Para julho de 2006, a meta é montar um estúdio da
TV JM, através do canal 28 da Via Max (canal fechado), que teve um crescimento de
43% e, só em Criciúma há 2.500 assinantes. A idéia da TV JM é elaborar um
programa que seja regional, abrangendo jornalismo, lazer, cultura e esporte.
Hoje, o quadro social do jornal é formado por nove empresários de
diferentes segmentos, que funciona administrativamente como um conselho e o
número de funcionários chega a aproximadamente 80 (JORNAL DA MANHÃ, 25
ago. 2005). Responde como superintendente Augusto Cancelier, como diretor Àmer
Félix Ribeiro e Karla Gomes Cunha como gerente administrativo-financeiro. Na
redação, Karina Manarin responde como editora-chefe.
2.6 Mídia e meio ambiente
2.6.1 Mídia: o jornalismo dos jornais
Em 1836, quando James Gordon Bennett em seu jornal, Herald, de Nova
Iorque escreveu sobre a mídia impressa, fez muitos inimigos por seus artigos
polêmicos e escandalosos:
38
Os livros tiveram sua época - os teatros tiveram sua época o templo da religião teve sua época. Um jornal pode ser feito
para assumir a liderança de todos eles nos grandes
movimentos do pensamento humano e da civilização
humana. Um jornal pode mandar mais almas para o Céu, e
salvá-las mais do Inferno, do que todas as igrejas ou capelas
de Nova York – além de ganhar dinheiro ao mesmo tempo
(BARNOUW apud DEFLEUR E BALL-ROKEACH, 1993,
p.69).
O autor, já, naquela época percebia a influência do que viria ser os meios
de comunicação na sociedade. Com a revolução da escrita e com o invento da
impressão, o sociólogo americano, Charles Horton Cooley (apud DEFLEUR E BALLROKEACH, 1993) em 1909, observou que o novo meio, neste caso, o jornal,
apresentara quatro fatores que o tornara mais eficiente: primeiro, a expressividade
através das idéias e dos sentimentos, a permanência do registro com o passar do
tempo, a rapidez e a difusão destes registros, além da possibilidade do acesso
destas informações ser realizado por qualquer indivíduo.
Assim, ficava cada vez mais claro, que a era da comunicação de massa
transpassaria as barreiras do isolamento entre as pessoas, produzindo significativas
mudanças na organização e no funcionamento da sociedade. Conforme Cooley se
referiu: “a nova comunicação de massa representou uma revolução em cada fase da
vida: no comércio, na política, na educação, até na mera sociabilidade e tagarelice...”
(apud DEFLEUR E BALL-ROKEACH, 1993, p.40). Sem dúvida, a mídia impressa foi
o início para a comunicação de massa.
O autor Tavares, em seu livro Histórias que o rádio não contou, explica
que em toda a sociedade humana, desde a primitiva à moderna, o homem se baseia
na capacidade de transmitir intenções, conhecimentos, sentimentos e experiências,
de pessoa para pessoa (1999). Os relatos de acontecimentos importantes fossem
para os meios políticos, para o comércio, ou mesmo, para as manufaturas, as
notícias eram assim, relacionadas até a Revolução Industrial. Como conseqüência,
39
as notícias passaram a ser artigos de consumo, conquistando um grande público de
leitores.
No início, a notícia de forma artesanal incorporava-se aos testemunhos
das crenças e também nas perspectivas de cada indivíduo. Contudo, qualquer
técnica redacional aplicada aos meios de comunicação implicaria na camuflagem
dos preconceitos e dos “pontos de vista do grupo social dominante”, como destaca
Lage:
O maior prestígio recai sobre as notícias desprovidas de
emoção, o que corresponde à preocupação de abarcar
intelectualmente o mundo (conhecê-lo, dominá-lo) sem
envolver-se afetivamente – proposta que está, sem dúvida,
na raiz, tronco e ramos da neurose burguesa (2001, p.49).
Noticiar um fato é muito mais que relatar um acontecimento. A notícia é o
ato do descobrimento e por ser um produto industrial se torna depreciada, pois,
incluída na comunicação de massa, passa a ser de “um público desconhecido e
indiferenciado” (MIRANDA apud LAGE, 2001, p.50). Tavares diz que comunicação
de massa também está direcionada para uma grande audiência, sendo esta,
heterogênea e anônima, a qual pode ser caracterizada como pública, rápida e
transitória.
A notícia ocupa um importante espaço no rádio, na televisão e, sobretudo
no jornal, bem como, através de conversas, relatórios de pesquisas, penetrando
em todas as áreas do saber e reestruturando permanentemente o conhecimento.
2.6.1.1 Mas, o que é notícia e reportagem?
Para compreendermos o jornalismo escrito, torna-se necessário esclarecer
o que significa notícia e reportagem. Lage afirma que, “a notícia distingue-se com
40
certo grau de sutileza da reportagem, que trata de assuntos, não necessariamente
de fatos novos; nesta, importam mais as relações que reatualizam os fatos,
instaurando dado conhecimento do mundo” (2001, p.51). Os autores Ferrari e Sodré
atribuem à notícia, “a função essencial de assinalar os acontecimentos, ou seja,
tornar público um fato (que implica em algum gênero de ação), através de uma
informação (onde se relata a ação em termos compreensíveis)” (1986, p.17).
Nas palavras de Charnley, notícia “é a informação corrente dos
acontecimentos do dia posta ao alcance do público”, e, completa: “notícia não é a
morte do ditador, mas o relato que é feito dessa morte” (apud FERRARI e SODRÉ,
1986,
p.17).
Portanto,
noticiar
significa
anunciar
um
determinado
fato,
independentemente da quantidade de acontecimentos que possam ocorrer, desta
forma, somente será notícia, o que for anunciado.
De acordo com a diversidade dos grupos sociais, com os quais os
profissionais de jornalismo lidam no cotidiano, a notícia apresenta uma
particularidade: o lide, que vem do verbo to lead em inglês e significa “guiar”, como
define Roberto Villar Belmonte (2004, p.166), no Manual de comunicação e meio
ambiente, através do Glossário ambiental. O lide é a abertura da notícia. Lage
também diz que o lide nada mais é do que o primeiro parágrafo da notícia seja do
jornal impresso, ou na abertura de textos radiofônicos. Nele está contido o sumário
do acontecimento, e, é uma técnica de redação consagrada por manuais norteamericanos (MEDINA, 1990, p.92).
As informações são ordenadas de acordo com sua importância. Deverá
conter de três a cinco linhas datilografadas de 72 toques cada, respondendo as
perguntas, que fazem parte da seguinte estrutura: Quem? O quê? Quando? Onde?
Por quê? E como? Assim, Juarez Bahia descreve o lead como uma “mudança que
41
ocorreu na comunicação” (apud CASCAES, 2000, p.21), pois, tem como função
limitar e auxiliar o repórter, para que, sejam utilizados apenas os dados e as
palavras necessárias, na qual o leitor deverá ter compreensão da informação que
está recebendo.
Definido o que é notícia, o próximo passo é explicar como funciona a
reportagem. Assim como na notícia, na reportagem, os conceitos de anunciar,
enunciar e denunciar também podem ser estabelecidos, de forma tênue, quando a
notícia traz uma informação contextualizada. “O jornal incorpora, assim, o tom do
jornalismo de revista, que fala ao leitor como se este já tivesse tratado: seja através
do rádio, da TV, de jornais ou de livros” (FERRARI e SODRÉ, 1986, p.32). E, mais,
os autores apontam três formas de reportagem:
1. Reportagem de fatos (fact-story): consiste no relato breve dos
acontecimentos, conforme ocorre na redação da notícia, em que os fatos são
narrados pela ordem de importância, obedecendo ao modelo da pirâmide invertida.
2. Reportagem de ação (action-story): neste tipo de reportagem, o relato
sempre inicia pelo fato mais atraente, para depois expor os detalhes. Neste caso, o
importante, é que os acontecimentos sejam descritos, de maneira a envolver o leitor
a visualizar as cenas da história, como acontece num filme. Na reportagem de ação,
também pode ocorrer o inverso. A matéria pode conter referências documentais,
como depoimentos de personagens ilustres, dados estatísticos e / ou informações
sobre procedimentos técnicos (FERRARI e SODRÉ, 1986).
Assim, a reportagem quando parte de uma notícia, permite, sobretudo, a
informação pormenorizada do fato, passando a informar sobre o assunto. Os
esquemas do texto podem ser de ordem cronológica, que ao contrário da pirâmide
invertida, o texto pode ser iniciado pelo fato mais remoto. Ou, dialética, de forma
42
documental (quote-story), o texto apresenta um conteúdo de tese-antítese-tese,
tratando de questões controvertidas.
3. Reportagem documental (quote-story): de forma objetiva o texto
apresenta um relato documentado, com citações, que elucidam o assunto tratado.
Embora seja, comum no jornalismo impresso, este modelo é mais freqüente nos
documentários televisivos ou no cinema. A reportagem documental se enuncia como
expositiva, aproximando-se da pesquisa, além de poder ser denunciativa, em alguns
casos. Apoiada nesta gama de dados, conferem a este estilo, caráter pedagógico,
pronunciando-se sobre o tema desejado (FERRARI e SODRÉ, 1986, p.64).
2.6.1.2 O texto jornalístico nos jornais
A autora Gislane M. Cascaes em seu trabalho A informação através da
linguagem visual - um estudo de caso do jornal Notisul de 2000 explica que com os
signos comuns ao nosso alfabeto, nem sempre, o ato de escrever garante que o
significado das palavras seja o mesmo em outros países. Neste caso, Lage afirma
que definir a linguagem jornalística torna-se imprescindível. E, no registro dessa
linguagem, duas formas podem ser mencionadas: o formal, característico da escrita
e presente nas situações tensas e o coloquial, que representa a informalidade
através da modalidade falada, seja, em ambiente familiar ou entre amigos (LAGE
apud CASCAES, 2000, p. 20-21).
Medina em seu livro Entrevista - o diálogo possível atenta que por mais
conservadora que uma empresa jornalística seja, o registro formal estará sempre
presente na fonte. A autora também revela que as normas adotadas por estas
empresas são em função da “legislação a varejo” (1990, p.87), ou seja, a linguagem
43
empregada no texto deve ser leve, de modo simples, porém informativa, à parte do
comercial.
Para Hohenberg, “os fatos que são ou não notícias variam de um dia para
outro, de país para país, de cidade para cidade e, sem dúvida, de jornal para jornal”
(apud LAGE, 2001, p.53). Medina ainda ressalta, que os manuais de redação em
maioria práticos, não auxilia em nada e, que em vez de recorrer a estes métodos,
poder-se-ia simplesmente, ler em voz alta a frase, pois o ouvido sensível tem a
capacidade de captar o problema e tentar superá-lo, sem utilizar as regras dos
manuais de redação. Lage enfatiza, que para uma eficiente comunicação, o registro
coloquial seria o adequado, pois é acessível para as pessoas de baixa escolaridade
e também para as que são instruídas, já, que lidam rotineiramente com a linguagem
formal, permitindo melhor entendimento e compreensão (apud MEDINA, 1990, p.86).
Lage cita que “a língua natural é rica de possibilidades estilísticas” (2001,
p.61) e o emissor com sua experiência sabe disto. Jakobson explica que entre as
funções da linguagem, a função referencial tem a meta de se privilegiar na própria
linguagem da notícia (apud LAGE, 2001, p.63). E enfatiza, que a indústria produtora
se dirige ao leitor como se fosse isenta, sem nada ocultar, distorcer ou mesmo
exagerar os fatos.
Contudo, dentro do que propõe o texto jornalístico conforme suas regras, o
jornalista jamais pode esquecer do compromisso da função de educar, de modo que,
a redação estimule à cultura dos que a consomem e promova também a cidadania.
No entanto, um texto bem elaborado tem a capacidade de seduzir e despertar
emoções, que muitas vezes nem mesmo, o repórter sequer imaginou. Assim, é
imprescindível ter a sensibilidade de saber lidar com as palavras, pois, ao mesmo
44
tempo, que, possuem o poder de contribuir para a felicidade podem também, destruir
a imagem de uma pessoa.
2.6.2 Mídia, meio ambiente e desenvolvimento sustentável
Discursar sobre meio ambiente é pensar no meio em que vivemos
atualmente. E, colocando os meios de comunicação, como um ingrediente a mais
neste contexto, relacionando o papel da mídia na divulgação de matérias sobre meio
ambiente, veremos que o assunto é de extrema importância. No artigo Jornalismo
científico aplicado à área de energia no contexto do desenvolvimento sustentável, os
autores Mattozo, Camargo e Lage definem os meios de comunicação da seguinte
maneira:
A mídia, como instrumento de acesso às informações que
circulam em espaços normalmente restritos, tem uma grande
e ainda crescente importância no esclarecimento público
sobre a questão da energia e suas implicações sociais,
ambientais e econômicas, fornecendo subsídios para que o
cidadão comum conheça os fatos e as perspectivas que
cercam as suas condições de vida (17 jul. 2005, p.101).
Ainda no mesmo artigo, os autores mencionam que na Agenda 21 há um
capítulo dedicado exclusivamente ao papel da informação, estabelecendo os
diversos
conteúdos
informativos
de
caráter
científico,
técnico-econômico,
sociopolítico e geopolítico, de acordo a obter níveis de sustentabilidade na esfera
social (MATTOZO, CAMARGO e LAGE, 17 jul. 2005, p. 102). Como elemento
mediador no contato com os problemas ambientais, a mídia tem importância decisiva
para a discussão, no que se refere aos modelos de desenvolvimento em nosso meio
ambiente.
O autor Fritjof Capra destaca a importância dos meios de comunicação de
massa ao apontar que “para que a nova consciência ecológica passe a fazer parte
45
de nossa consciência coletiva, ela terá que ser transmitida, em última instância,
através dos meios de comunicação de massa” (apud RIBEIRO, 1992, p.83). Ribeiro
explica como se deu este envolvimento da mídia com a divulgação de conteúdos
sobre meio ambiente:
Na década de 90, o meio ambiente é a mensagem. A criação
de editorias de meio ambiente nos principais meios de
comunicação significa avanço importante para a veiculação
de temas ecológicos e a imprensa alternativa também tem
dado atenção especial ao meio ambiente.
Ecologizar a imprensa significa introduzir em cada uma das
editorias – de política, economia, cultura, cidades, etc. – o
toque ecológico e ambiental, não segregando essa temática
apenas às páginas ou programas de meio ambiente. Ela
deve permear toda a comunicação de massa para ser eficaz
como instrumento de mudança social (1992, p.83)
Na história da humanidade atualmente, a sociedade vem passando por
profundas transformações. A reflexão e a busca de alternativas para a problemática
socioambiental,
esboça
nesta
urgência,
o
estudo
de
propostas
para
o
desenvolvimento sustentável. Renner (apud PELIZZOLI, 1999, p.91) diz que, “quem
não está inteirado com a questão socioambiental não está de fato pronto hoje para
gerenciar e governar”. Entre os vários temas abordados sobre meio ambiente, há a
ecologia.
O contraditório progresso urbano apresenta um cenário evidente de um
período de ocultamento e recalque de possibilidade de qualquer construção, que
seja, civilizatória, sendo almejada pelo saber tecnológico. Leff afirma o seguinte:
A crise ambiental veio questionar a racionalidade e os
paradigmas teóricos que impulsionaram e legitimaram o
crescimento
econômico,
negando
a
natureza,
A
sustentabilidade ecológica aparece assim como um critério
normativo para a sobrevivência humana e um suporte para
chegar a um desenvolvimento duradouro, questionando as
próprias bases da produção (2001, p.15).
46
Segundo Pelizzoli, ecologia vem de “eco (oikos) = casa” e “logia (logos) =
racionalidade”, assim como a definição de economia: nomia = leis, que significa o
gerenciamento da casa (1999, p.92). O autor menciona que a palavra ecologia
sempre designa um resgate de harmonia entre as pessoas com sua casa. Como na
hipótese de Gaia, formulada por James Lovelock e Lynn Margulis, em 1979, a terra é
um único e complexo organismo, com capacidade de se auto-organizar e se autoregular. O nome Gaia é uma referência “a deusa grega da Terra” (MOUSINHO,
2003, p.352). Então, se há uma harmonia entre o indivíduo e sua moradia, numa
esfera maior, a Gaia também será bem gerenciada.
Nos anos 60, se torna evidente a crise ambiental e daí surge a consciência
ambiental com a Primavera Silenciosa de Rachel Carson e, em 1972, expandiu-se
posteriormente, após a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente
Humano realizada em Estocolmo. Os padrões dominantes de produção e de
consumo delimitam os limites do crescimento econômico. Na Conferência das
Nações
Unidas
realizada
em
junho
1992,
sobre
o
Meio
Ambiente
e
Desenvolvimento, no estado do Rio de Janeiro, o discurso do desenvolvimento
sustentável foi oficializado e amplamente difundido através deste evento.
Nesta conferência, a Agenda 21 foi elaborada com a função de
regulamentar o processo de desenvolvimento com base na sustentabilidade, com o
intuito de uma política de mudança global, pela busca da dissolução às contradições
entre meio ambiente e desenvolvimento. Com a necessidade de estancar o
crescimento diante da possibilidade de um colapso ecológico, nos anos 70, a crise
ambiental já dava o sinal de alerta (MEADOWS apud LEFF, 2001). O discurso
neoliberal afirma que não há mais contradição entre crescimento e ambiente, pois
47
“os problemas ecológicos não surgem como resultado da acumulação de capital”
(LEFF, 2001 p.22).
O autor Leff ainda menciona que para conseguir o desenvolvimento
sustentável, a proposta seria a atribuição dos direitos de propriedade junto aos bens
e serviços da natureza, encarregando as leis de mercados de ajustar os
desequilíbrios ecológicos, bem como, as diferenças sociais. “A natureza volta pois a
ser
o
ator
gigante
e
aterrador,
ao
mesmo
tempo
que
fragilizando
condições/contextos ecológicos das espécies, e que faz o feitiço voltar-se contra o
feiticeiro [...]” (PELIZZOLI, 1999, p.23).
O exacerbado crescimento da sociedade em função da utilização dos
recursos naturais inesgotáveis, a Terra em seus 3,5 bilhões de anos, passou por
inúmeros desequilíbrios naturais, e, pode muito bem continuar sem os humanos, fato
este, que explica o desconhecimento do indivíduo, de que a natureza, já não mais
suporta os níveis de degradação da natureza, melhor dizendo, as condições de vida
de modo adequado, para vivermos. O desenvolvimento sustentável está numa
política de representação segundo Escobar (apud LEFF, p.25), pois a complexidade
implica nos processos naturais, destruindo a identidade cultural e interligando-se à
razão, em que a estratégia se apropria da natureza como fonte de produção para a
riqueza.
O comportamento consumista insustentável do ser humano fez com que a
natureza desse a resposta a esta consciência da degradação, através de exemplos.
Entre estes, o efeito estufa, através do aumento da temperatura média em 0,6 graus,
assim como as alterações na camada de ozônio, envenenamento das terras, o
aparecimento de resistentes pragas, os alimentos transgênicos, a poluição da água,
48
o problema dos resíduos sólidos nos centros urbanos, além da distância do homem
em relação ao ambiente. Pelizzoli diz o seguinte sobre o processo:
Este é um século em que, definitivamente, nenhum de nós,
visto que vivemos em laços (redes) humanos e ambientais,
está sentindo-se ‘casa’; ao contrário, há uma inquietude e
sentimento de sufoco a ser solvido, de deslocamento em
relação ao mundo que se constrói, de perplexidade frente à
‘Máquina’ econômico-civilizacional que rege, de diversas
formas, as sociedades globais (1999, p.94).
Como um saber reintegrador da diversidade, o ambiente emerge e novos
valores são agregados como a ética e o estético, com os processos ecológicos,
tecnológicos e culturais. Leff destaca, que a degradação ambiental é um sintoma da
crise da humanidade, marcada pelo próprio modelo de desenvolvimento em razão
da tecnologia sobre a natureza. Toda a problemática da questão ambiental se
encontra na “desconstrução” (2001, p.17) deste modelo em prol da modernidade.
A palavra desenvolvimento sustentável embora utilizada em muitos países
da Europa, Ásia e América Latina, surge pela primeira vez no documento chamado
World Conservation Strategy, produzido em 1980, pela União Internacional para a
Conservação da Natureza (IUCN) e pelo World Wildlife Fund, hoje denominado
World Wide Fun for Nature (WWF), através de uma solicitação do Programa das
Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Segundo este documento, para a
conservação da natureza são necessários, que os processos ecológicos, bem como
os sistemas naturais e desenvolvimento do ser humano sejam mantidos; que a
diversidade genética seja preservada e; que, o aproveitamento sustentável do
ecossistema e das espécies sejam asseguradas, constituindo a base da vida
humana (BARBIERI, 1997, p.23).
A Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD),
conhecida também, como a Comissão Brundtland, devido a Gro Harlem Brundtland,
que presidiu o evento em 1982, ressalta que “desenvolvimento sustentável é aquele
49
que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade das
gerações futuras de atenderem as suas próprias necessidades” (apud BARBIERI,
1997, p.23). Segundo Brundtland, não há como desvincular o meio ambiente do
indivíduo, uma vez, que este, já não mais existe como esfera que está à parte das
ações, das ambições e necessidades humanas. Por isso, defender a palavra meio
ambiente implica em levar em conta os problemas humanos, devido esta estar
desvinculadas das ações, das ambições e das necessidades humanas.
“Mas é no meio ambiente que todos vivemos; o desenvolvimento é o que
fazemos ao tentar melhorar o que nos cabe neste lugar que ocupamos. Os dois são
inseparáveis” (CNMAD apud BARBIERI, 1997, p.25). O autor Paulo Freire Vieira,
explica que o meio ambiente é uma relação de interdependência e não um
determinado
objeto
específico:
“(‘natureza’,
‘espaços
naturais’,
‘paisagens’,
‘assentamentos’)” (1995, p.49). Ainda no mesmo estudo é caracterizado como um
conjunto de componentes biológicos e físico-químicos interligados aos fatores
socioculturais que podem de alguma maneira atingir direta ou indiretamente os seres
vivos, assim como suas atividades, na esfera globalizante. No que se refere ao meio
ambiente podemos dizer que o estudo abrangeria as transformações da ecosfera,
quanto à influência e manutenção das condições de sobrevivência humana sobre
outras espécies vivas (MEADOWS; MESAROVIC apud VIEIRA, 1995, p.49).
Os desequilíbrios ambientais são uma resposta pelo agravamento dos
impactos destrutivos causados pelo homem sobre o ecossistema, comprometendo
até mesmo, a sobrevivência da espécie. De acordo com Ignacy Sachs, o
ecodesenvolvimento ou desenvolvimento sustentável tem sua abordagem na
harmonização dos objetivos sociais, ambientais e econômicos. Desde a conferência
de Estocolmo e Rio de Janeiro, pouco se alterou, mas que se torna válida, devido à
50
recomendação da utilização dos critérios de sustentabilidade, de forma parcial. O
desenvolvimento sustentável é um jogo sem regras quanto ao mercado, na qual são
“míopes para transcender os curtos prazos” (DEEPAK NAYYAR apud SACHS, 2002,
p.55).
Ecodesenvolvimento significa estimular a reflexão e tornar participativa a
experimentação criativa, paralela ao crescimento econômico, permitindo a
valorização do potencial dos recursos naturais, assim como humanos, num contexto
específico regional, minimizando os custos ecológicos, para uma autonomia das
populações envolvidas, ainda que forma lenta, mas que não seja obrigatório
(VIEIRA, 1995, p.58).
Para Kuttner, “nem tudo está à venda” (apud SACHS, 2002, p.56), ao
passo em que se procura o equilíbrio entre mercado, Estado e também sociedade
civil, pois estas são as instituições que devem e deverão fiscalizar e corrigir as
deficiências do sistema. O redimensionamento da economia é essencial para a
reabilitação do planejamento, com o propósito de promover as estratégias de
desenvolvimento sustentável, sendo um desafio planetário como aponta Sachs
(2002, p.58). O planejamento aqui, se refere como forma de atividade social em
estágio embrionário segundo Vieira (1995, p.53), e que designa o conceito de
ecodesenvolvimento, através do planejamento participativo de estratégias, para a
intervenção, adaptando-as a contextos socioculturais e ambientais. No conjunto das
sociedades contemporâneas, o desenvolvimento sustentável possui um enfoque
reducionista na problemática ambiental. “O meio ambiente é por ela concebido como
o meio físico, natural ou construído, mas em ambos os casos transformado pela mão
do homem” (VIEIRA, 1995, p.57).
51
Vieira complementa que o meio ambiente vem como um fornecedor de
recursos naturais e ao mesmo tempo serve de receptor dos dejetos produzidos, por
nós humanos, quer dizer, na esfera onde se dão as relações sociais e naturais. Num
sentido amplo da discussão, um habitat, na qual estão inseridos a qualidade de vida,
o trabalho, a recreação e perpetuação das populações. De acordo com Leff, a
degradação ambiental surgiu do crescimento e da globalização da economia (2001,
p.56).
O autor reafirma, que o impacto da degradação ambiental é muito mais
grave do que a crise do capital, e, esta possibilitou um processo de transformação
do conhecimento, de forma a gerar meios para se pensar de maneira integrada e
multivalente sobre o que diz respeito aos problemas globais. A questão ambiental
hoje deve atender à valorização da diversidade étnica e cultural da espécie humana
e estimular diferentes jeitos de manejo da biodiversidade, tornando esta harmoniosa
com a natureza.
Para que haja o resgate da dimensão socioambiental, é importante frisar
que a resolução da problemática está na tomada de consciência do que são os
limites e a vulnerabilidade dos recursos naturais, na luta das desigualdades sociais
nos países, que se apresentam em desenvolvimento. Concluindo, Sachs informa
que “precisamos retornar à economia política, que é diferente da economia, e, a um
planejamento flexível negociado e contratual, simultaneamente aberto para as
preocupações ambientais e sociais” (2002, p.60).
52
2.6.2.1 Educação ambiental x Comunicação
A história contemporânea se apresenta marcada pela crise ambiental,
através da racionalidade econômica, ao passo, que emerge o pensamento
epistemológico do saber no mundo. Nesta ótica surgem três fundamentos
importantes, como destaca Leff. O primeiro se refere ao crescimento e a construção
de um novo modelo de produção sustentável, o segundo é a quebra do
conhecimento, pela teoria do pensamento complexo e terceiro, o surgimento do
questionamento da concentração do poder pelo Estado e pelo mercado, para uma
reivindicação de uma democracia justa, autônoma e cidadã (2001, p.236).
Nas palavras de Vieira, parece que, nos inúmeros ramos da ciência e da
tecnologia, a análise realizada não leva em consideração um ponto essencial, do
mundo em que vivemos: “a interconexão dos fenômenos vivos”, pois na abordagem,
a comunidade científica responde pela estratégia do “conhecer cada vez mais sobre
fatias cada vez mais restritas da realidade” (1995, p.76). O efeito disto tem sido o
mito da Torre de Babel, devido a um grande número de profissionais que dispõem
cada vez mais de informação científica, mas que na realidade são incapazes de
transpor energia suficiente à confrontação dos macroproblemas da crise do mundo.
O autor Ribeiro diz que “investir na formação educacional e cultural de
cada cidadão, ajudando a moldar a sociedade para maior consciência e
responsabilidade, é crucial para se alcançar o ecodesenvolvimento” (1992, p.77). As
crianças de hoje serão os adultos de amanhã. Esta frase enfatiza perfeitamente o
que deva ser a educação para o cidadão. Na fase atual em que nos encontramos, é
imprescindível desaprender os valores culturais que foram herdados e reaver o
contexto em que se encontra o meio ambiente.
53
Para que a sociedade tenha uma economia próspera, sem desigualdades
sociais e ecologicamente adequada, os cidadãos precisam ser conscientes e muito
bem informados, a fim de que sejam participativos nas decisões que norteiam suas
vidas. Contudo, a educação constitui um dos princípios primordiais para uma
proposta de ecodesenvolvimento. O dom de aprender, como revela o Ribeiro (1992),
é necessário para se obter o aprimoramento dos comportamentos, assim como as
ações que se diz, ecologicamente corretas.
O papel da educação ambiental não é somente conduzir o indivíduo,
fazendo com que seja produzido nele uma visão de mundo, transmitida pelo
professor, mas que seja criada condições para este indivíduo desenvolver sua
criatividade específica, ser original, permitindo ser libertado e despertar algo que
estava escondido no seu intrínseco. Leff (2001, p.247) acentua que na educação
ambiental, a sustentabilidade, a complexidade e a interdisciplinaridade confluem. No
entanto, as orientações e os conteúdos fazem parte das estratégias do poder que
dispõem de discursos sobre sustentabilidade, transferindo-se para a área do
conhecimento.
Patrícia Mousinho (2003) descreve a educação ambiental como um
processo que visa despertar no ser humano, a preocupação individual e coletiva
para as questões do meio ambiente, de forma a permitir o acesso à informação com
uma linguagem simples, porém, que contribua para o desenvolvimento de uma
consciência crítica. Neste contexto, a educação ambiental tem o objetivo de
desenvolver a complexidade, através da transformação social e não somente
trabalhar a mudança social, permitindo que a crise ambiental seja assumida como
uma questão política e ética e acima de tudo uma tomada de consciência
transformadora para o meio ambiente.
54
Born adianta que para garantir ao público, acesso à informação é
necessário haver uma pressão social e política maior em torno da questão
ambiental, pois esta informação através da mídia possibilita a compreensão dos
aspectos técnicos, sociais e institucionais (apud SOUSA e FERNANDES, 2005, p.3).
A imprensa não tem desempenhado sua função para modificar a situação, mas
como ocorre em outras esferas da sociedade, pode sim, ser capacitada para tratar
as questões ambientais na perspectiva de sustentabilidade.
Para a conscientização pública dos segmentos do meio ambiente em que
vivemos, a comunicação é essencial para a promoção do desenvolvimento
sustentável. O conhecimento científico e tecnológico deve ser democratizado, pois
todos têm direito à informação, utilizando como suporte a imprensa, pois o papel da
mídia é expressar as diversas opiniões em notícias controversas, proporcionando a
não fragmentação do assunto. Em outras palavras, o ser humano tem o direito de ter
e receber as informações de natureza não superficial.
A busca simultânea da eficiência econômica, assim como a justiça social e
a harmonia ecológica são os caminhos desse contexto mídia, a qual se destina a
“informar, educar, entreter, persuadir, promover a integração individual e coletiva, na
realização do bem-estar social” (BELTRÃO e AQUINO apud SOUSA
e
FERNANDES, 2005, p.4). Refletir os meios de comunicação enquanto função
pedagógica no que diz respeito ao meio ambiente implica em algumas
considerações.
Ao mesmo tempo, em que a consciência ecológica é despertada, a mídia
toma
para
si
esta
importante
ferramenta,
ressaltando
os
conceitos
de
responsabilidade social incluindo neste âmbito, a questão ambiental. Um outro
ponto, são os conceitos trabalhados de forma superficial, como desenvolvimento
55
sustentável, amplamente discutida com a Rio 92. A ecocidadania tão comentada e
difundida amplia estes conceitos, pois implica nas noções do que vem ser direitos,
deveres e responsabilidades.
Ainda sobre os meios de comunicação, há uma outra ressalva a fazer, a
qual está relacionada com a educação básica. Bortolozzi em sua pesquisa, revela
recentemente, “que boa parte das informações que os professores recebem sobre
meio ambiente vem da mídia, especialmente da televisão” (apud SOUSA e
FERNANDES, 2005, p.4). Então, o autor continua sua análise, dizendo, que o
questionamento está em como o professor vai trabalhar este conteúdo em sala de
aula e até que ponto isto é passado como verdade absoluta.
A nova Lei de Diretrizes e Base (LDB) informa que a educação ambiental
foi incluída nos currículos escolares da rede pública e particular do ensino
fundamental ao ensino médio. A Conferência sobre Meio Ambiente acrescenta o
seguinte:
[...] Para fazê-lo, a educação ambiental deve capacitar ao
pleno exercício da cidadania, através da formação de uma
base conceitual abrangente, técnica e culturalmente capaz
de permitir a superação dos obstáculos à utilização
sustentada do meio. O direito à informação e o acesso às
tecnologias capazes de viabilizar o desenvolvimento
sustentável constituem, assim, um dos pilares desse
processo de formação de uma nova consciência em nível
planetário, sem perder a ótica local, regional e nacional. O
desafio da educação, nesse particular, é o de criar as bases
para a compreensão holística da realidade (DIAS apud
SOUSA e FERNANDES, 2005, p.4-5).
Assim, o objetivo aqui não é criticar os meios de comunicação, enquanto
fonte de informação, mas sim sugerir uma leitura mais atenta dos jornais, das
revistas e, sobretudo dos programas televisivos, antes, porém, de levá-los para a
sala de aula. Segundo Moran, a finalidade da educação enquanto crítica da mídia é
poder auxiliar em cada um a percepção ativa e centrada, de um acompanhamento
56
consciente sobre como viver em comunhão com o mundo sem nos afastar dos
meios, mas que seja, uma comunicação forte e expressiva para o bom
relacionamento do homem com a natureza (apud SOUSA e FERNANDES, 2005,
p5).
2.6.2.2 Informar muda o comportamento?
Joule e Bernard, no artigo Por uma nova abordagem de mudança social: a
comunicação do compromisso, ressaltam que há uma distância entre o que
denominamos de boas idéias e nossas atitudes. Para o comportamento ideal, não é
suficiente apenas ter boas idéias, mas sim, a mudança de comportamento. Observe
o seguinte texto:
Votar, respeitar o código de trânsito, doar sangue, controlar o
consumo de energia, bem como intervir para evitar que um
roubo seja cometido, socorrer uma pessoa em perigo no
metrô, todos estes atos pertencem à categoria de
comportamentos de ‘cidadania’ bastante valorizados. Ouvese falar, quase todo dia, que a promoção destes
comportamentos passa por uma mudança de mentalidades e
que é preciso, antes de tudo, melhor informar, melhor
convencer, enfim, torná-los objetos de uma ação pedagógica
(JOULE e BERNARD, 2005, p.27).
Na esfera global servem de recursos para esta ação pedagógica, os meios
de comunicação em geral, como a escola, a família, além de outras instâncias
sociais, que buscam nas virtudes da informação e na persuasão, fazer com que as
crianças e os adultos adotem idéias e valores para uma sociedade melhor. Se a
informação e a persuasão fazem parte do limite de ação na comunicação e são
conhecidas por nós, estas, em contrapartida, também permitem modificar os atos e
os saberes. Mas, na maioria das vezes, acontece o oposto. A princípio parece
57
confuso, mas Joule e Bernard, através de um estudo realizado nos Estados Unidos,
há alguns anos relatam:
[...] a probabilidade de ser um fumante aos 17 anos não é
menor entre os alunos que freqüentaram pelo menos 65
sessões de ‘sensibilização’ entre oito e 17 anos (condição
experimental) – e, portanto, perfeitamente informados dos
prejuízos do tabaco – que nos alunos que não seguiram
estas sessões (condição controle) (2005, p.27).
Isto não quer dizer, que o ato de informar e argumentar não sejam válidos.
Mas, ao longo do tempo, é sim, possível modificar estes saberes e estas idéias, e,
até mesmo, provocar uma tomada de consciência. Lewin apud Joule e Bernard
(2005) ressalta que há um elo intermediário na relação entre a idéia e o
comportamento, pois esta, não é direta. Este elo nada mais é do que a decisão. Se
por um lado, decidimos nos comportar de tal ou daquela maneira, é porque estamos
assumindo de fato, uma mudança de comportamento. Por esta razão, as decisões
são particulares, e, quando a tomamos, podem também nos comprometer.
No âmbito do comportamento esperado pela sociedade, há uma técnica
conhecida como “dar-o-primeiro-passo” (BURGER; FREEDMAN & FRASER apud
JOULE e BERNARD, 2005, p.28), a qual consiste em preparar a decisão
previamente, através do ato preparatório, ou seja, fazer com que o indivíduo tenha
um comportamento desejado, exigindo dele pouco, antes de pedir muito. Através de
pesquisas, os estudiosos resolveram provar a eficácia da técnica, a qual tinham por
objetivo fazer as pessoas aceitarem a colocação de um out-door grande em seu
jardim. O tema se tratava de pedir prudência aos motoristas, comportamento
esperado, mas somente 17% aceitaram a solicitação.
Utilizando a técnica do dar-o-primeiro-passo, a taxa foi de 76%, já que o
pedido feito foi de colocar na beirada da janela, um pequeno adesivo, de 4 cm por 5
cm, sobre o mesmo tema. Assim, puderam verificar que o fato de um número maior
58
de pessoas aceitarem o ato cidadão e outras não, isto não representa que seus
valores sejam diferentes, mas há o fato de terem sido levadas ou pelas
circunstâncias a aceitarem um pequeno adesivo na janela (JOULE e BERNARD,
2005).
Convém definir que “compromisso é o elo que une o indivíduo a seus atos
comportamentais” (KIESLER E SAKUMURA apud JOULE e BERNARD, 2005, p.28).
Com a técnica do dar-o-primeiro-passo, os pesquisadores conduziram um novo
procedimento de comunicação, a qual é chamada de comunicação do compromisso.
Experiências foram realizadas através de algumas ações.
1 Promover a eco-cidadania nas escolas – com a intenção de promover
um comportamento eco-cidadão foi realizada em vários colégios, uma pesquisa junto
aos alunos, que tinham idade entre nove e dez anos. Ao todo, onze escolas
francesas participaram do programa europeu, envolvendo 700 famílias e 28
professores. Quatro tarefas foram passadas aos alunos, para serem cumpridas, ao
longo de algumas semanas. A primeira foi de verificar através da observação, o que
estava ou não bem em termos de economia de energia e da proteção do meio
ambiente e fazer anotações – tarefa esta, considerado como o primeiro ato
preparatório (JOULE e BERNARD, 2005).
A segunda foi observar em casa os hábitos da família e também anotar o
que poderia ser modificado, sem que isto perturbasse alguém (segundo ato
preparatório). Como terceira tarefa, os alunos com a ajuda de seus pais
responderam um longo questionário sobre economia de energia em casa, a fim de
compromete-los também (terceiro ato preparatório) e como quarta etapa da
atividade, colocar um adesivo na geladeira, sobre o meio ambiente (quarto ato
preparatório). No fim do ano, crianças e pais se comprometeram por escrito, a
59
modificarem seus hábitos, como desligar o stand by da televisão ou mesmo deixar
em casa, o carro para pequenos trajetos (JOULE e BERNARD, 2005).
Estes compromissos foram realizados mediante dois contratos: um
assinado pelo aluno sozinho e o outro em conjunto com os pais. Com o fim do ano
letivo, os alunos promoveram uma exposição, para apresentar às famílias, a
produção de alguns materiais, como cartazes, cd-rom, fotografias, filmes, além de
outros. Com este evento, o resultado foi positivo. Em até 100% de algumas salas, os
alunos e os próprios pais assumiram o compromisso por escrito de realizar os atos
como baixar o consumo de energia. Contudo, em certas escolas, a dinâmica
aplicada possibilitou que lâmpadas incandescentes fossem trocadas por lâmpadas
de baixo consumo, que houvesse também a coleta seletiva de papéis, bem como,
outras iniciativas, que permitiram às crianças exercerem a cidadania.
2 Promover a eco-cidadania na cidade – nesta situação, a pesquisa
acontece numa cidade francesa, com população média de 80.000 habitantes. Os
autores Joule e Bernard (2005), explicam que, através do voluntariado, vereadores,
presidentes de associações, professores, líderes comunitários e comerciantes
tiveram que desenvolver uma ação positiva em favor à proteção do meio ambiente,
envolvendo o maior número possível de indivíduos, como escolas, clubes esportivos,
Casa da Juventude e também associações. Estas ações são os atos preparatórios e,
foram expostas numa jornada, para que cada um soubesse da ação do outro. Como
parte de promover a eco-cidadania na cidade, esta foi uma oportunidade de obter
um compromisso concreto dos moradores, através da assinatura em família, de um
termo de compromisso.
Numa lista de dez itens, pais e filhos definiam qual compromisso desejava
assumir. Nesta lista havia, por exemplo, desde a diminuição do aquecedor à noite,
60
ou mesmo, a substituição de uma lâmpada. Ao final, mais de 500 compromissos
foram assumidos e se constatou que o consumo de energia elétrica foi menor na
cidade, quando esta utilizou a comunicação de compromisso (+ 6%), enquanto na
outra cidade, onde a comunicação utilizada foi a clássica (cartazes e cartilhas), em
que o aumento foi de mais de 14% (JOULE e BERNARD, 2005).
Concluindo,
Joule
e
Bernard
ressaltam
que
os
resultados
são
encorajadores, pois levam a refletir que a comunicação de massa, bem como a
proximidade, a questão a se colocar, é que, quando se buscam os efeitos
comportamentais, esta, não se deve ser limitar a: “quem diz o quem a quem?”, mas
do “quem diz o que, a quem, fazendo-o fazer o quê?” (JOULE, PY e BERNARD
apud JOULE e BERNARD, 2005, p.30).
Nestas circunstâncias, se as boas questões permanecem, então os
autores lançam as perguntas: “Quais são as boas informações a se transmitir? Quais
são os melhores argumentos para tal caso particular? – inclui-se aqui uma outra
pergunta: qual é ou quais são o(s) bom (bons) atos(s) preparatório(s) a se obter do
receptor?” (JOULE, PY E BERNARD apud JOULE e BERNARD, 2005, p.30). Assim,
deve se levar em consideração, o que distingue a comunicação de compromisso, de
um procedimento de comunicação clássica, para se obter um comportamento
esperado do indivíduo.
2.6.2.3 O jornalismo ambiental
Na imprensa mundial, o jornalismo ambiental é uma tendência irreversível.
Em 1968, ocorreu em Paris, a Conferência da Biosfera. Nesta mesma época surge
na França a primeira organização de jornalistas especializados em meio ambiente
dedicada à formação de profissionais, com a intenção de melhorar a qualidade das
61
matérias. No mesmo ano, era preso no Brasil, pela Operação Bandeirantes, o
repórter Randau Marques, primeiro jornalista brasileiro, especialista em meio
ambiente. O repórter foi considerado subversivo por escrever reportagens sobre a
contaminação de peixes e intoxicação de agricultores pelos agrotóxicos, já,
questionando a expressão “defensivos” (VILLAR, 2005, p.3). Randau escrevia para
um jornal da cidade de Franca, em São Paulo. Nos anos 80, o boom da vez se dá
com a descoberta do buraco na camada de ozônio e as primeiras análises sobre o
impacto, em que as atividades humanas refletiram no aumento do aquecimento
global. No Brasil, a preocupação e os estudos se voltaram para os problemas
ambientais da Amazônia.
No Manual de comunicação e meio ambiente, o texto Os ingredientes da
boa comunicação: criatividade e alvo preciso de Patrícia Palumbo (2004, p.109)
comenta que antes da realização da Rio 92, os jornalistas interessados no assunto
sobre meio ambiente encontrava dificuldades nas redações, uma vez que, se
buscava pautar uma matéria. Hoje, a situação é diferente. Há um maior número de
jornalistas especializados no assunto e os conceitos também têm sido amplamente
difundidos. Os veículos especializados no tema são poucos, mas uma adequada
assessoria de imprensa ou consultoria em comunicação pode abrir o caminho para a
divulgação destes assuntos por área de pesquisa ou atuação.
Palumbo (2004) menciona que na filosofia existe o conceito de máscara
definido por Gilles Deluze, que consiste em o indivíduo primeiro seduzir para depois
mostrar o que interessa ser revelado. Assim também acontece com o jornalismo
ambiental. Os acontecimentos degradatórios chegam com força nos meios de
comunicação, pois é impossível explanar o mundo em que vivemos, sem considerar,
62
todavia, os crescentes impactos da mídia, que está cada vez mais presente,
instantânea e sofisticada.
O jornalismo ambiental não está vinculado somente à grande imprensa. O
autor Roberto Villar (2004) comenta em seu artigo Jornalismo Ambiental - Evolução
e Perspectivas, que os jornais de bairro, bem como rádios e emissoras de televisão
comunitárias são recursos importantes, devido permitirem um envolvimento mais
direto com o público. Têm características peculiares em cada região do Brasil e
quanto à qualidade das matérias publicadas, esta, se encontra relacionada
diretamente à mobilização da sociedade sobre o assunto.
“A imprensa brasileira dificilmente trata dos problemas ambientais com
profundidade na pauta das discussões públicas”, afirma Villar (2004, p.1). Por isso,
há a necessidade de que haja mais veículos e jornalistas engajados nesta
consciência ambiental. Um cidadão não poderá nem mesmo confrontar as
informações, se houver apenas uma versão, ao passo, que o indivíduo só tem
liberdade de escolha, quando se tem conhecimento de outras opções existentes.
Quanto maior o conhecimento, ou seja, quanto mais especializado for o repórter ou
editor, maior será o questionamento quanto à sua concepção de mundo e o seu
estilo de vida.
Como parte do processo de aprendizado do jornalismo ambiental, os
jornalistas terão que mudar seu próprio estilo de vida. Jean Cocteau dizia que “o
estilo é a arte de dizer o máximo com o mínimo de palavras” (apud VILLAR, 2005,
p.2). A reportagem sobre meio ambiente deve ser novidade e de interesse coletivo,
na qual, a linguagem deva ser simples. Regina Scharf, no texto Jornal impresso, da
publicação Manual de Comunicação e Meio Ambiente descreve outros elementos
que influenciam na qualidade do conteúdo:
63
Num jornal diário, a maioria dos repórteres tem poucas
horas para descobrir, investigar, compreender e traduzir
um fato num texto claro e sintético. Nesse curto espaço de
tempo, o jornalista também terá de conceber textos
acessórios, explicativos, com os antecedentes da notícia
ou dos personagens envolvidos e ilustrações que ajudem o
leitor a entender o que se passou (2004, p.72).
Os veículos impressos não possuem a mesma agilidade e vivacidade que
os outros meios de comunicação. E, acima de tudo chegam ao leitor “com um vago
sabor de café requentado” (SCHARF, 2004, p.71), além de não dispor de sons nem
movimentos, como ocorre com a televisão e o rádio. Porém, cabe somente ao jornal
impresso, algumas características peculiares, como a reflexão e o porque dos fatos,
onde o meio impresso tem um amplo espaço para desenrolar da notícia. No entanto,
o livro Econautas: ecologia e jornalismo literário avançado, do autor Edvaldo Pereira
Lima informa que “o texto jornalístico não é somente essa coisa sem graça,
uniforme, sem brilho e sem profundidade, que vemos na maioria das vezes” (1996,
p.8).
O autor Peter Nelson, no texto Dez dicas práticas para reportagens sobre
meio ambiente, explica que há dois pontos fundamentais, que servem de
recomendação para jornalistas de qualquer parte do mundo. O primeiro deles é que
“os jornalistas precisam pensar no seu ‘público” e o segundo, é que “jornalistas
devem fazer perguntas” (NELSON, 1994, p.7), pois jornalistas que não perguntam e
só concordam com os entrevistados, correm o sério risco de saírem da entrevista,
sem nada entenderem do assunto.
A principal responsabilidade do jornalista é para com os
leitores ou telespectadores. Muitas pessoas utilizam as
reportagens noticiosas como única fonte de informação
sobre as complexidades do meio ambiente. Isso significa que
o jornalista acaba agindo como educador ao explicar as
informações técnicas para produzir uma matéria fácil de
entender e interessante de ler (1994, p.7).
64
Nelson também afirma que as agências de notícias hoje, reconhecem que
o meio ambiente é uma extensa fonte de pautas, capaz muitas vezes de mobilizar
uma estrutura na cobertura de um assunto. “Meio ambiente só é notícia na sua
forma trágica, em que o destaque dado é diretamente proporcional ao tamanho da
catástrofe - como se natureza fosse apenas sinônimo de problema” (1994, p.8). A
sociedade brasileira trilha os caminhos desconhecendo a extensão de seus
problemas ambientais, em que a natureza também pode ser a solução.
Meio ambiente não é prioridade porque os desmatamentos
ou a biopirataria estão distantes demais da realidade do
contribuinte/eleitor médio. “Isso não interessa ao leitor”,
confirmarão boa parte dos editores dos nossos veículos de
comunicação (LACAVA apud NELSON, 1994, p.8).
Assim, em 2001, a Unesco lançou o relatório Perspectivas sobre a criança
e a mídia, afirmando que “no ano de 1996 estimava-se que sete em cada dez
domicílios em todo o mundo possuíam um aparelho de televisão – um número muito
maior do que os que possuíam um telefone”, além de verificar que “a televisão
reforçou sua posição de principal meio de comunicação de massa depois do rádio”
(BUCHT apud TRIGUEIRO, p.78). Desta maneira, o relatório só vem a reforçar que
o indivíduo se prende muito mais aos recursos de áudio-visual do que propriamente
o texto, a qual se propõe a informação de uma notícia, em jornal impresso.
A socióloga Samyra Crespo, do Instituto Superior de Estudos da Religião
(ISER), encomendou uma pesquisa ao Ibope pelo Ministério do Meio Ambiente, a
qual, revelou que “15% dos entrevistados lêem jornal diariamente e 90% têm na
televisão a principal fonte de informação” (apud TRIGUEIRO, p.78). Sobre como a
mídia vem tratando dos assuntos de meio ambiente é conveniente iniciar a
discussão a respeito da televisão. Através de imagens e sons da vida na natureza,
65
este recurso vem se perpetuando ao longo do tempo, em contrapartida, à
receptividade do público.
Trigueiro explica que parte dos programas televisivos emite a idéia de que
meio ambiente é somente fauna e flora. E mais, ainda sobre a pesquisa do ISER,
mais da metade dos entrevistados interligou o meio ambiente aos reinos animal e
vegetal. Assim, os profissionais da comunicação vivem a era da informação e
pertencem ao que se chama de Quarto Poder, e, esclarece que meio ambiente é
uma questão periférica, pois não ultrapassou os conceitos de fauna e flora. O autor
ressalta que isto acontece devido a palavra meio ambiente: “meio (do latim mediu),
que significa tudo aquilo que nos cerca, um espaço onde nós também estamos
inseridos; e ambiente, palavra composta de dois vocábulos latinos: a preposição
amb(o) (ao redor, à volta) e o verbo ire (ir)" (2003, 77).
Ribeiro (1992) informa que a imprensa de um modo geral tem dedicado
um crescente espaço aos temas ambientais. Na década de 90, o meio ambiente é
uma mensagem que se interliga às áreas da política, economia, cultura, entre outras.
A imprensa pode ser um importante agente multiplicador a expandir a consciência
ecológica, pois pode tornar o indivíduo consciente em relação ao meio ambiente do
qual se tira o sustento, podendo aguçar a percepção ambiental através da educação
dos sentidos e influindo sobre os seus hábitos de consumo, e, também estimular
“ações de respeito ao meio ambiente” (RIBEIRO, 1992, p.81). A mídia tem o
potencial de adiantar as informações no estágio inicial, facilitando à comunidade a
compreensão dos problemas ambientais, no sentido de prevenir antes de se
tornarem graves.
Muitas vezes, a veiculação de sucessos sobre uma ação ambiental pode
refletir positivamente na sociedade, afetando o cotidiano, no âmbito local de ação.
66
No Manual de comunicação e meio ambiente, Marcelo Leite, em seu texto
Interpretação informada e pessoas interessantes alerta que a questão ambiental
parece receber da imprensa menos atenção do que sua importância estratégica.
Esta percepção pode ser coerente ou não. “Correta, porque de fato se verifica aí
uma desproporção quantitativa, e, ao mesmo tempo, incorreta, porque nem sempre
a relevância jornalística coincide com o impacto de um setor no futuro do país”
(2004, p.114). A problemática quanto à dificuldade jornalística em relação ao
ambiente tem sua raiz na problemática de como definir a pauta nos meios de
comunicação.
Desta forma, o domínio da informação está interligado ao poder de
reorientar e interferir na ação humana. A mídia é um excelente elemento mediador
no contato com os problemas ambientais e no debate sobre modelos de
desenvolvimento adotados. O intenso processo de industrialização fez com que
estudiosos e pesquisadores se mobilizassem para o debate acerca do modelo de
desenvolvimento praticado. Junto a estes estudos, os meios de comunicação
abarcaram também essa discussão através das matérias.
Sousa e Fernandes, no artigo Mídia e meio ambiente: limites e
possibilidades, diz que “o interesse da mídia pelas questões ambientais é tão
recente quanto a organização do movimento ambientalista, particularmente no
Brasil” (2005, p.1). Ramos (apud SOUSA E FERNANDES, 2005) é decisivo ao
concluir que essa abertura dos meios de comunicação sobre o tema, reforça a tese
que a ecologia não passa de um modismo para os grupos conservadores de nossa
sociedade.
“Mídia e meio ambiente parecem se encontrar num momento crítico da
história: o da crise dos modelos de desenvolvimento, calcados na exploração sem
67
limites dos recursos naturais e no conseqüente esgotamento destes últimos”
(SOUSA E FERNANDES, 2005, p.2). No final dos anos 60, a mídia timidamente é
provocada primeiro nos países da Europa e depois na América, pelas lutas políticosociais. E, desde então, os meios de comunicação contribuíram no aceleramento da
consciência ambiental.
Os autores revelam que se por um lado, o interesse dos meios de
comunicação se eleva à medida que a sociedade se organiza e exige ações
equilibradas, que sejam concretas em relação ao meio ambiente, em outra esfera
tem-se o problema da qualidade do conteúdo exposto na televisão ou publicado em
jornais, revistas e, também na internet.
Os meios de comunicação social, em destaque para os privatizados e
estabelecidos como redes nacionais, se preocupam com a extensão das tragédias
ambientais, como os desmatamentos, a poluição da água e também do ar, mas as
análises não vão além do sensacionalismo e da indignação. A mudança deve
resultar na transformação do modelo de progresso. Deve-se abordar a realidade
com razão e emoção, e, com a lógica e a intuição. No fundo, tudo está interligado.
Por isso, se faz necessário estimular o leitor a captar o mundo como um todo, por
igual e sem discrepâncias.
Para completar esta discussão, Trigueiro ressalta que o jornalismo
ambiental foge a questão da imparcialidade, conceito este, tão propalado nos cursos
de graduação em comunicação social, uma vez que, se toma partido em favor das
questões ambientais, entre elas, a sustentabilidade, o equilíbrio da relação do
homem com a natureza, da utilização dos três erres do lixo: reduzir, reutilizar e
reciclar, bem como, um novo modelo de civilização que não seja predatório, com
68
vistas, de poucos que se beneficiam do lucro, em detrimento da qualidade de vida
de muitos.
Quando essas idéias justificarem atitudes que se
multipliquem pelo mundo inspirando a construção de uma
nova civilização, um novo paradigma, talvez não exista mais
a necessidade de existirem ambientalistas, assim como os
abolicionistas deixaram de existir com o fim da escravidão.
Também não haverá razão para ministérios do meio
ambiente, secretarias estaduais e municipais, bem como
ONG’s ambientais. Neste dia, o jornalismo ambiental terá
cumprido a sua missão (TRIGUEIRO, 2003, p.89).
Esta citação do autor Trigueiro encerra todas as perspectivas de
discussão. A situação da sociedade hoje está crítica. O ser humano precisa entender
e compreender, que o mundo tem seu funcionamento sincronizado e tudo que há no
meio ambiente deve estar harmoniosamente interligado, pois nada é independente.
O próprio indivíduo é parte desta cadeia, deste ciclo... portanto, parte essencial do
meio ambiente, na conservação e preservação do sistema.
69
3 CONSIDERAÇÕES SOBRE O PERFIL SOCIOECONÔMICO, POLÍTICO,
CULTURAL E AMBIENTAL DA REGIÃO SUL DE SANTA CATARINA
3.1 Localização
De acordo com os dados do autor Milioli, “o estado de Santa Catarina
representa cerca de 1,1% do território nacional brasileiro e concentra 3,0% de sua
população, que equivale a 95.985 Km² e aproximadamente 4,4 milhões de
habitantes” (1999, p.299). Para coordenar, ampliar e fortalecer os municípios de
Santa Catarina, o estado foi dividido em 21 microrregiões (http://www.amurel.org.br,
dez. 2005). As principais cidades são Criciúma, Tubarão, Gravatal, Araranguá e
Urussanga. Conforme o mapa 1 abaixo, o Sul catarinense tem uma extensão de
9.955, 3 Km², correspondente a 9,95% da superfície do estado, tendo a população
estimada em 800.000 habitantes. (MILIOLI, 1999, p. 299).
A região Sul de Santa Catarina compreende três microrregiões. A primeira
é a Associação dos Municípios do Extremo Sul Catarinense (Amesc) criada em 5 de
setembro de 1979, através do Decreto Estadual nº 5.812 de 27 de novembro de
1978. Desta associação faz parte os municípios de Araranguá, Balneário Arroio do
Silva, Balneário Gaivota, Ermo, Jacinto Machado, Maracajá, Meleiro, Morro Grande,
Passo de Torres, Praia Grande, Santa Rosa do Sul, São João do Sul, Sombrio,
Timbé do Sul e Turvo. A Amesc atua de forma dinâmica, oferecendo cursos de
capacitação e palestras para agentes políticos e servidores públicos, com o objetivo
de orientá-los no manuseio dos recursos públicos, desenvolvendo também, projetos
sociais, bem como, o esporte amador com a realização da Copa Amesc de Seleções
70
(http://www.amesc.com.br/paginainicial.htm, dez. 2005). Tem como presidente, o
prefeito de Sombrio, José Milton Scheffer.
Mapa 1 - Estado de Santa Catarina e Região Sul do estado.
Edição de imagens: Marta Oliveira e Miranda
Fontes:< http://www.turismocatarinense.tur.br/mapas/mapa_regioes_sc.gif>
<http://www.turismocatarinense.tur.br/mapas/regiaosul.gif>
Como segunda microrregião se tem a Associação dos Municípios da
Região Carbonífera (Amrec) desmembrada da Amsesc em 25 de abril de 1983. Até
1983, a Amrec fazia parte da Amsesc, que ia desde Lauro Muller até São João do
Sul. Hoje, a associação é composta pelas seguintes cidades: Cocal do Sul,
Forquilhinha, Içara, Lauro Muller, Morro da Fumaça, Nova Veneza, Siderópolis,
Treviso e Urussanga, e, recentemente, Orleans, que, em maio de 2004 se tornou o
11º município integrante da Amrec. O presidente da associação é o prefeito de
Forquilhinha, Paulo Hoepers. O objetivo é “fortalecer a capacidade administrativa,
71
econômica e social dos municípios membros” (JORNAL DA MANHÃ, 2005, p.9),
através da assistência técnica, seja em assuntos técnicos ou assessoria em projetos
e execução de obras e outros serviços.
A Associação de Municípios da Região de Laguna (Amurel) foi fundada
em 14 de agosto de 1970, devido à necessidade das administrações municipais,
sobretudo, das pequenas cidades, que se defrontavam quando queriam que suas
reivindicações fossem ouvidas. A associação é composta pelas cidades de
Armazém, Braço do Norte, Capivari de Baixo, Grão Pará, Gravatal, Imaruí, Imbituba,
Jaguaruna, Laguna, Pedras Grandes, Rio Fortuna, Sangão, Santa Rosa de Lima,
São Ludgero, São Martinho, Treze de Maio e Tubarão. A Amurel tem como
finalidade, “ampliar e fortalecer a capacidade administrativa, tecnológica e social dos
municípios e prestar assistência técnica, administrativa, planejamento local e
regional” (http://www.amurel.org.br, dez. 2005). O presidente da associação é o
prefeito de Jaguaruna, Marcos Fabiano dos Santos Tibúrcio.
3.2 Colonização e aspectos culturais
“O jeito simples de viver dos descendentes de imigrantes italianos é uma
característica marcante da região. Quem a visita pode conhecer de perto as
vinícolas e apreciar a cultura italiana em festas típicas” (http://www.sc.gov.br, dez.
2005). Segundo a história, o desenvolvimento da região Sul, se deve principalmente
à ação constante de cinco grupos étnicos distintos: Italianos, Poloneses, Lusos,
Negros e Alemães. De acordo com os levantamentos realizados por diversos
autores, fica evidente, a etnia italiana como a primeira a se instalar na região.
72
Com a miscigenação destes povos, a cultura na região Sul do estado se
tornou diversificada. Colombo explica que esta cultura está ligada ao cinema, às
galerias de arte, cerâmicas artísticas, pintura, bem como, o folclore, através da
música, das lendas e mitos, além, da medicina caseira. O artesanato produzido em
vime, cipó, lã e algodão, marcam a arte dos artesãos. As festas e manifestações do
povo, as cantigas de roda, as crendices e as expressões de religiosidade popular faz
do Sul catarinense, uma região rica em cultura e costumes (1991, p.28-29). Abaixo,
a descrição de cada uma destas colonizações.
3.2.1 Etnia Italiana
Inúmeras foram às causas da emigração destes povos. Entre elas, podem
ser citadas: a fome, a falta de terra para o plantio, a falta de emprego, a exploração
do homem, as guerras, o domínio estrangeiro, a falta de liberdade política e
religiosa, assim como a propaganda e a atração pela abundância de terras em
território brasileiro, onde se prometia casa e alimentação por dois anos. Dois fatores
foram preponderantes a esta emigração: A Revolução Francesa, que eclodiu em
1789 e a Revolução Industrial no século XVIII, uma vez que, existia o plano de
interação entre os países de procedência e os países de destino, isto é, a Europa de
onde emigraram, e, os países que receberam os imigrantes (ARNS, 1985). Segundo
os escritos de Fabre em 1971, os imigrantes chegaram a princípio em Criciúma:
A fundação e ocupação efetiva das terras que hoje compõem
a sede urbana e adjacências deu-se a 06 de janeiro de 1880,
por 31 famílias (italianas) dos imigrantes italianos, contanto
139 pessoas, entre homens mulheres e crianças, distribuídos
pelos seguintes chefes-de-famílias: André Pizzetti, Martinho
Scotti, José Scotti, Tereza Sonego (viúva), Giácomo /
Biléssimo, Lourenço Benedet, Paulo Benedet, Pedro
Benedet, Domingo Casagrande, Paulo de Luca (viúvo),
Demétrio Dário, Antônio Pavan, Ângelo Pavan, Ângelo Netto,
73
Antônio Martinello, João Pierini, João Thomé, Batista
Zanette, José Zanette, Antônio Zanette, Giácomo Milanez,
João Milanez, Batista Darós, André Milanez, Santos Meller,
Antônio Meller, Domingos Ortolan, / Carlos Piazza, Martin
Milioli, João Barbieri (viúvo), Ângelo Venzon (solteiro), Natal
Sonego (solteiro) (p.1).
Estas famílias migraram da Itália, das regiões de Veneza, Beluno e
Treviso. A travessia se deu do Atlântico até o estado do Rio de Janeiro, chegando a
Imbituba pelo mar. A parte difícil do trajeto ficou entre Pedras Grandes e Criciúma,
pois, foi realizada com carros-de-boi, pelos trilhos da Estrada de Ferro Dona Tereza
Chistina, ferrovia esta iniciada em 1874 e, passando também por Azambuja, via
Urussanga. Em 1891, as famílias Lodetti, Zangaletti, Magenes, Colombo, Pirolla e
Cacfiatori formaram a segunda leva imigratória da Itália, vindo a seguir, em 1892,
mais famílias italianas, entre elas: Bristot, Manganelli, Guidi, Ducioni, Beloli,
Colonetti, Angeloni, Rovaris e Dal Pont.
3.2.2 Etnia Polonesa
Os imigrantes poloneses foram motivados a deixarem seu país por
diversas razões: os problemas de ordem política, ocasionados pelas potências
estrangeiras da Rússia, Prússia e Áustria, bem como, o “excesso de população, a
falta de espaço para o trabalho, o fato de terem que trabalhar quase na forma de
arrendatários e o sistema de trabalho empregado na Polônia” (ARNS, 1985, p. 81).
Ao mesmo tempo, havia na Polônia, propagandas brasileiras, anunciando que no
Brasil tinha muito ouro e grande quantidade de terras e terrenos gratuitos, com
auxílio alimentar por dois anos. Assim, com os problemas em seu país e a promessa
de uma vida melhor no Brasil, muitos poloneses tomaram a decisão de virem para
cá.
74
Desta forma, em 31 de outubro de 1890, chegam da Polônia, o primeiro
grupo de imigrantes oriundos de diversas cidades, e, que se instalaram na zona
leste de Criciúma, formando o primeiro núcleo de colonização nas localidades de
Linha Batista, Linha Anta e Linha Cabral. Segundo o próprio relato de Leonardo
Bialecki (apud ARNS, 1985, p.83), houve três grandes levas de imigrantes poloneses
para o Sul catarinense nas últimas décadas do século XIX:
Outros haviam, anteriormente, emigrado para o Paraná e o
Rio Grande do Sul. A primeira leva, composta de quinze
famílias, era assim constituída: Adão Maciejewski, Stefan
Ptaszynski, Paulo Strzalkowski, Jacob Szlazski, Francisco
Kurczewski, Eduardo Langer, Pedro Bykowski, Stanislau
Kosztrzewski, Stanislau Kuroski, Francisco Bialecki, Leon
Piechatoski, João Zemler, João Kuboski, Felix Opoczynski e
Jeziorski, sendo os dois últimos ainda solteiros. Essa
peregrinação durou três meses.
Estes desbravadores desembarcaram no Porto do Rio de Janeiro pelo mar
e chegaram à Florianópolis, seguindo para Laguna e alcançando Pedras Grandes
por trem. O trajeto até a região Sul catarinense foi realizado por carros-de-boi até
Azambuja. Travessia esta, já realizada anteriormente pelos imigrantes italianos. Três
anos depois, mais famílias polonesas chegaram à região. Entre elas: Szulceski,
Slovinski, Cizeski, Radwanski, Raiczyk, Smielewski, Ruzanski, Wronski, Novak,
Kanarek, Rutkoski, Pusycky, Wroblescki, Wasnieski, Furmanski, Zadroski, Jabtonski,
Kuniarski, Slachta, Wonsnieski, Ranachoski, Kupinski, Paluszek, Helinski, Bawolski,
Kubacki.
Na terceira e última leva de imigrantes, identifica-se as seguintes famílias:
Wojeichowski, Milak, Selinger, Rzatki, Demboski, Tibincoski, Gaidzinski, Studzinski,
Szotwinski,
Budny,
Machinski,
Tszosek,
Ptasinski,
Stachoski,
Bartosiak,
Kasmierczak, Pietszak, Hoinacki, Klima, Mrocrkoski, Miezeieski, além de outras se
fixaram também na Linha Batista.
75
3.2.3 Etnia Portuguesa
Uma das mais antigas colonizações de Santa Catarinense é de origem
bandeirante e lusitana. No século XVII, Laguna foi fundada pelos irmãos Domingos e
Francisco Brito Peixoto, sendo estes os primeiros portugueses a virem para a região
Sul, no ano de 1725. Este grupo se diferencia das outras etnias, por não se fixarem
no município de Criciúma e também por não fundarem uma comunidade
colonizadora. Desta forma, em Criciúma, o primeiro representante foi Nicolau de
Souza Machado, neto de portugueses.
Seu filho Estalício Machado de Souza relata seu pai Nicolau
viajava para Mostarda, comprava animais e vinha
negociando por esta colônia, principalmente Criciúma, de
que ele gostava mais. Fez relações com alguns amigos que
pediram que ele viesse porque precisavam dele (MACHADO
apud ARNS, 1985, p.99).
Na cidade, o português Nicolau integrou-se com a comunidade italiana e
montou a primeira farmácia, bem como, carneou a primeira rês para vender carne e
também foi o primeiro professor brasileiro. Outro nome importante, o qual podemos
citar é o português de nascimento, Jorge da Cunha Carneiro, um homem
representativo na indústria do carvão, além de mencionar a cultura portuguesa que
trouxeram para o Sul - “cultura então dominante no Brasil” (COLOMBO, 1991, p. 17).
3.2.4 Etnia Negra
Segundo a história, em 1905, o primeiro negro se fixou em Criciúma. Em
1910, chegou um grupo com mais sete pessoas e, em 1912, veio Manoel Estevão.
Outros aportaram em épocas posteriores. Uma das causas que fez o negro se fixar
76
no município criciumense, foi a busca por emprego e, esta se deu por dois motivos:
pela mina do carvão e pela construção da estrada de ferro Dona Teresa Cristina.
Assim, como só havia o serviço da roça e eles precisavam de um trabalho para seu
sustento, vieram de diversas localidades. Como: Gravatal, Braço do Norte, São
Pedro, Laguna, Tubarão, Jaguaruna e Araranguá.
“O negro sofreu ainda por algum tempo, o estigma da escravidão” (ARNS,
1985, p.106) e sobre a convivência com as demais etnias, havia “um pouco de
desconfiança; outros, que não havia mistura”. “De modo geral havia, na opinião
deles, um bom relacionamento, até amizade, com as pessoas de outras
nacionalidades, porém, cada qual conservava-se em seu lugar” (ARNS, 1985,
p.106). Nos relatos da professora da etnia negra, Maura Martins Vicência, sobre os
negros, ficam evidentes as características desta raça:
O negro é por sua índole romântico, sentimental e,
sobretudo, alegre.
A música lhe proporciona o poder de demonstrar a
grandiosidade dos seus sentimentos. Através do canto e da
dança, o negro extravasa o que lhe vai nas profundezas da
alma.
Em decorrência disso, os negros que aqui aportavam nos
primórdios da colonização de Criciúma, gostavam de se
reunir em um local determinado, que chamavam de “sede”,
para dançar e falar das coisas de que eles gostavam, por
exemplo, o esporte, hoje bem comum: o futebol.
Através da dança, extravasavam e exteriorizavam o que lhes
acalentava o intimo. Esta sede era o único lugar de que
dispunham, de vez que as outras casas de diversões da
época lhe eram fechadas por serem “negros”.
Na sede, através da música dolente, exteriorizavam a
melancolia, a saudade e qualquer outro sentimento que lhes
oprimisse o íntimo. De outro lado, através do “samba
rasgado” deixavam, como até hoje deixam, extravasar toda a
alegria imensa, característica da raça forte, sadia, capaz de
contagiar a todos com seu inigualável e jubiloso samba
(ARNS, 1985, p.105).
Dessa forma, para ilustrar o negro catarinense, temos o grande poeta,
João da Cruz e Sousa, nascido em Desterro, no ano de 1869, na qual, seus pais
77
eram escravos do Marechal Guilherme Xavier de Souza, e, este os libertou,
proporcionando educação e estudo ao jovem negro.
3.2.5 Etnia Alemã
Assim como ocorreu com a Polônia, no fim do século passado, algumas
famílias de imigrantes da Rússia vieram para o Brasil, com a proposta de colonizar
áreas de terras devolutas. “No início do século XIX, a Rússia era um país de regime
absolutista e autocrático” (ARNS, 1985, p.117). A sociedade era formada pelas
classes sociais da nobreza, clero, burguesia e camponeses, esta última, considerada
como a gleba, pois cultivavam as propriedades dos grandes senhores e eram
sujeitados a todo tipo de violência. Em 1885, quando Alexandre II assumiu o poder,
libertou todos os camponeses, mas as terras continuaram com seus senhores e a
miséria aumentou, pois os colonos começavam a pagar impostos. Assim, como
descreve Arns:
A nobreza lembrava-se de seu povo apenas para seus
próprios interesses. Pouco tempo tinham, os trabalhadores,
para cuidar de seus próprias terras. O cultivo, principalmente
de beterraba, da qual tiravam o açúcar, muitas vezes era
perdido.
Segundo Ricardo Linenburger, o motivo para a emigração de
seus antepassados da Lituânia foi a quase escravidão em
que viviam sob o domínio russo e o descontentamento com
as exigências do governo (1985, p.117).
As famílias pioneiras a chegarem foram: Maier, Grützmacher, Panzer,
Linenburger, Nagel, Bernhard, Peplau, Brülinger, Reimand, Strelau, Meister, Werner,
Pipke, Faber, Sandberg, Schwalbe, Heidrich, Hasseneimer, Sprunken, Jandzak,
Neuman, Scharwart, Messinger. Os emigrantes partiram do porto de Hamburgo,
passaram ao longo das Ilhas dos Açores, seguindo pelo Rio de Janeiro rumo à
78
Laguna, pois preferiram em maioria, a tranqüilidade do interior do Sul de Santa
Catarina.
A colonização dos teutos-russos luteranos, muitos advindos da Lituânia,
Letônia e Ucrânia, formaram comunidades em Linha Anta e Três Ribeirões, no
período de 1890 a 1917 e Forquilhinha, mais recentemente, pelas famílias “Arns,
Back, Westrupp e Warmeling, cujos ancestrais por volta de 1828 haviam emigrado
da região de Mozela, para a região de Palhoça” (BARRETO, p.13). Por falta de
condições e pouca fertilidade nas terras, os emigrantes rumaram para o Sul. O Frei
João Crisóstomo Arns, filho de um dos primeiros alemães e filho da terra, celebrou
aqui, suas primícias em 08 de dezembro de 1938, tendo a comunidade de
Forquilhinha grande expressão em Criciúma. O Frei foi responsável pela construção
da primeira escola, primeira igreja, primeiro coral e tudo o que constituiu o ambiente
de colonização da localidade.
3.3 Aspectos políticos: uma breve história
A política exerce desde as épocas passadas e mesmo hoje, influências
significativas na história, sobretudo, na região Sul de Santa Catarina, pois esta, se
apresenta atrelada ao fator econômico, pela exploração do carvão. Em meados do
século XIX, os imigrantes italianos que buscavam o “Eldorado da América” (FILHO,
1995, p.3) em terras do Brasil, estabeleceram-se na região e também no município
de Araranguá, que se emancipara de Tubarão, em 1880. Criciúma por sua vez,
instala o Núcleo Colonial São José de Cresciúma (assim denominada antigamente),
subordinado administrativamente ao município de Araranguá, e, que se relacionava
sob todos os aspectos com Urussanga, sobretudo, pela identidade étnica. Em 1882,
79
Cresciúma é elevada à categoria de Distrito de Paz, o 6º do Município de Araranguá
e tem nomeado João Zanette como Intendente, o primeiro mandato exercido por um
criciumense (FILHO, 1995).
Laguna exercia forte influência em toda a região Sul, se destacando entre
as cidades de Imaruí, Tubarão, Jaguaruna, Araranguá e Urussanga, que
começavam a se desenvolver. Isto porque, o centro comercial, político, econômico e
dos serviços do Sul de Santa Catarina, funcionava em torno da Cidade de Anita
Garibaldi. O carvão já era a fonte de economia em Lauro Muller e região, e, também
começava a ser explorado no território. Em 1900, Urussanga se emancipa do
município de Tubarão.
Em 1917, com a construção do ramal da Estrada de Ferro Dona Theresa
Chistina, que ligava Imbituba-Tubarão a Araranguá, o Distrito de Cresciúma
experimentava o desenvolvimento. O ramal foi inaugurado em 1º de janeiro de 1923,
mas, em 1918, por meio de carros-de-boi, o mineral era levado até Pontão,
imediações de Jaguaruna e, dali, embarcado em canoas para o Porto de Laguna,
onde se fazia o transbordo para os navios que o levavam para os mercados
consumidores. (FILHO, 1995, p.3-4).
Assim, historicamente, o modelo extrativo vem a privilegiar no tempo e
espaço, os aspectos econômicos e também políticos, em função do desenvolvimento
da sociedade. Criciúma foi cidade-pólo do Sul do estado de Santa Catarina.
Considerada capital do carvão mineral, pólo da cerâmica de revestimentos e das
indústrias de confecção, a emancipação da cidade ocorreu em 4 de novembro do
ano de 1925, conforme Lei Estadual n° 1.516, demonstrando até hoje, porque o
município está entre os mais desenvolvidos do Sul catarinense.
80
3.4 A importância da economia do carvão para a região Sul
A economia da região Sul de Santa Catarina é conhecida por sua forte
vocação nos ramos cerâmico, têxtil, plástico, agricultura, químico... Não obstante, o
carvão é historicamente a principal referência na dinâmica do desenvolvimento
regional.
Segundo os autores Belolli, Quadros e Guidi, no livro A história do carvão
de Santa Catarina, as principais ocorrências do carvão mineral se localizam na
região Sul, compreendendo o estado de São Paulo, passando pelo Paraná, Santa
Catarina, estendendo-se até o Rio Grande do Sul (2002, p.11). Na região Sul do
estado catarinense, a exploração do carvão desenvolveu-se nos municípios de
Urussanga, Treviso, Lauro Müller, Criciúma, Forquilhinha, Morro da Fumaça, Içara,
bem como, Maracajá.
Cidades estas, que “foram geologicamente contempladas com vastas
formações de carvão”, como esclarece Milioli (1995, p.17) em Mineração de Carvão
e desenvolvimento sustentado no Sul de Santa Catarina: estudo exploratório de
percepção, valores e atitudes do meio ambiente num bairro do município de
Criciúma. De acordo com recentes pesquisas, as reservas de carvão mineral de
Santa Catarina chegam a 3,2 bilhões de toneladas (BELOLLI, QUADROS e GUIDI,
2002, p.12)
“O carvão mineral é um combustível fóssil formado a partir de vestígios de
árvores e plantas que sofreram soterramento e compactação, em florestas densas,
há milhões de anos” (SIECESC, 1996, P.11). Esta fonte de riqueza pode ser
utilizada para os mais diversos setores industriais. Entre estes: gerar energia
81
elétrica, gerar calor para a indústria química, cimento, metais, papel, cerâmica e,
também para a fabricação do coque nas indústrias siderúrgicas (SIECESC, 1996).
Dois anos após a inauguração da Estrada de Ferro Dona Tereza Cristina
em 1º de setembro de 1884, foi instalada a primeira mina de exploração do carvão
em Santa Catarina, em 9 de fevereiro de 1886, com a companhia The Tubarão Coal
Mining Company Limited, com sede em Londres, autorizada a operar no Brasil. A
conquista foi através do segundo Visconde de Barbacena, o baiano Felisberto
Caldeira Brandt Pontes, “com grande influência e prestígio em Londres (Inglaterra)”
(BELOLLI, QUADROS e GUIDI, 2002, p.33). Assim, o presidente da província,
Francisco José da Rocha, informava ao Governo Imperial através de ofício, a
seguinte mensagem:
Tenho honra de comunicar a Vossa Excelência que está
inaugurado o tráfego de carvão das minas do Tubarão.
Ontem chegou a Imbituba o primeiro trem com carvão, e
amanhã deve seguir para Imbituba o vapor Senator para
receber o primeiro carregamento, 700 toneladas, mais ou
menos, que é destinado para Buenos Aires. Tenho convicção
que este será o precursor de transações mais avultadas
(DALL’ALBA apud BELOLLI, QUADROS e GUIDI, 2002,
p.34).
A bacia carbonífera catarinense tem uma faixa com cerca de cem
quilômetros de comprimento e uma largura média de vinte quilômetros entre a Serra
Geral a Oeste e o granítico da Serra do Mar a Leste, com orientação Norte-Sul
(BELOLLI, QUADROS e GUIDI, 2002, p.11). Criciúma é o município que possui o
maior centro populacional e também os mais importantes grupos econômicos
atuantes na área de mineração. Até 1920, Criciúma se desenvolveu lentamente
através de atividades agrícolas, época em que se inicia a extração do carvão em
termos comerciais (MILIOLI, 1995, p.17).
O Projeto conceitual para a recuperação ambiental da bacia carbonífera
Sul catarinense, desenvolvido pelo Centro de Tecnologia Mineral (Cetem/MCT) em
82
janeiro de 2001, informa que a exploração do carvão brasileiro foi incentivada
durante a Primeira Guerra Mundial, devido ao impedimento da importação do carvão
europeu às empresas nacionais de iluminação, gás e ferrovia (2005, p.8).
Após a Segunda Guerra Mundial, o mercado para o carvão metalúrgico
nacional se expande com a inauguração da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN),
na cidade de Volta Redonda, no estado do Rio de Janeiro. Paralelo a este fato, o
Lavador Central na cidade de Capivari de Baixo, em Santa Catarina vem com a
finalidade de produzir o carvão metalúrgico para as coquerias da CSN, bem como, o
carvão grosso para as locomotivas, navios e termelétricas, prestando serviços
técnicos ao desenvolvimento da mineração, de onde partia o produto para os
centros consumidores do país (BELOLLI, QUADROS e GUIDI, 2002, p.11).
Na década de 80, a indústria carbonífera catarinense atingiu seu ápice,
empregando cerca de 11 mil trabalhadores e provendo a subsistência de mais de 66
mil pessoas. Números estes, que somados a outros serviços correlatos, como a
comercialização e os portuários, chegariam a 38 mil, os quais mantinham mais de
220 mil indivíduos. Na “era Collor de Melo”, como identifica o Projeto conceitual para
a recuperação ambiental da bacia carbonífera Sul catarinense (2005, p.9), o setor
carbonífero enfrenta uma grande crise. Em setembro de 1990, com a assinatura da
Portaria Federal n° 801, o setor é desregulamentado, e, indiretamente o mercado do
carvão metalúrgico no Brasil é afetado, reduzindo sua produção em Santa Catarina
e, deixando desempregados milhares de trabalhadores. Desta forma, a produção
anual de carvão brasileiro, praticamente se estabilizou entre 5 e 6 milhões de
toneladas, a partir de 1990 (2005, p.10), ressaltando que “a mineração do carvão
sempre exerceu um papel dominante na economia da região Sul do estado de Santa
Catarina” (2005, p10).
83
3.5 Os problemas socioambientais
No Brasil, o carvão mineral constitui-se na maior fonte de energia não
renovável. Estas reservas representam cerca de 50%, vindo em seguida, a energia
nuclear com 27% e o petróleo com 8%, além do gás natural com 2,5%, do óleo de
xisto com 8% e do resto constituído por gás de xisto e turfa, segundo o Projeto
conceitual para a recuperação ambiental da bacia carbonífera Sul catarinense (2005,
p.17). O projeto também explica, que “a mineração, como qualquer empreendimento
industrial, pode gerar impactos ambientais, desde alterações na paisagem, fauna e
flora local, à contaminação do solo, água e ar” (2005, p.15). A imagem 1 mostra
como fica uma área após a exploração do carvão.
A Bacia do Rio Araranguá, do Rio Tubarão e do Rio Urussanga, são as
três bacias hidrográficas do estado de Santa Catarina consideradas impactadas pela
atividade mineradora do carvão. Na Bacia do Rio Araranguá, 80% da produção de
carvão estava concentrada nesta área. Em Criciúma, a primeira firma de exploração
do carvão foi a Lage e Irmãos (MILIOLI, 1995, p.31). A atividade mineradora em
Santa Catarina tem dois aspectos que marcaram a evolução desta atividade no
estado:
A mineração de lavra manual com métodos precários, como
foi praticada até a década de 50, oferecia poucos danos à
natureza. Nas minas de poço e de encosta, a seleção de
carvão era feita no fundo das minas. Todo o entulho de
pedra, pirita e barro ficava nas galerias das minas e só o
carvão era retirado. Nas bocas de minas havia uma segunda
escolha; porém, os rejeitos significavam quantidades
reduzidas frente ao volume do rejeitos atuais. A medida em
que os métodos e técnicas de lavra foram se mecanizando, o
processo de poluição ambiental tornou-se incontrolável e,
pode-se
dizer,
irreversível.
Foram
extraídos
aproximadamente 70 milhões de toneladas de carvão prélavado de 1920 até hoje. Metade desta quantia era carvão
siderúrgico que foi consumido pelas usinas nacionais. A
outra metade, de carvão energético, foi sendo estocado em
extensas áreas a céu-aberto no banhado da Estiva em
84
Capivari, município de Tubarão, que as termoelétricas e
outras indústrias não esgotam, pois estas reservas são
continuamente renovadas pela mineração (VOLPATO apud
MILIOLI, 1995, p.33).
O autor Milioli ainda ressalta que os estudos de diagnóstico realizados
pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRG) demonstraram em 1978,
que 1/3 do sistema hídrico se apresentava comprometida, em decorrência dos cerca
de 110 mil metros cúbicos por dia, de despejos líquidos e ácidos advindos da
mineração (1995, p.34). O sistema hidrográfico da região, atualmente, está
comprometido em 2/3 de sua extensão, em conseqüência do “lançamento de mais
de 300 mil metros cúbicos diários de despejos ácidos gerados pela indústria do setor
carbonífero, os quais enriquecidos com a drenagem de água subterrânea das minas”
(FATMA apud MILIOLI, p.34-35).
Em Santa Catarina, os maiores impactos sobre o meio ambiente estão
relacionados, à degradação do solo, e, também, dos recursos hídricos, já que a
partir da década de 40, a produção realizada de forma predatória acabava por as
áreas mineradas serem abandonadas, à medida que os depósitos se extinguiam
(SIECESC, 1996, p.21). “O efeito degradador dos efluentes líquidos sobre meio
ambiente (água de rios por exemplo) pode começar no período inicial da atividade
de uma mina, prolongando por décadas após o término de atividade da mesma
mina” (PROGESC apud SIECESC, 1996, p.22). A imagem 1 mostra as
conseqüências dos rejeitos de mineração despejados em rios.
85
Imagem 1 - Rio Língua do Dragão
Fonte: Arquivo de Grayce Zacaron
O Projeto conceitual para a recuperação ambiental da bacia carbonífera
Sul catarinense (2005, p.16) apresenta alguns aspectos ambientais importantes
associados à atividade de mineração e processamento mineral:
a) Ar: dispersão de partículas, variação na composição do ar e poeira.
b) Solo: fontes pontuais de contaminação, geração de resíduos, alteração
na vegetação, instabilidade de taludes, variação de taludes, variação na morfologia
do terreno e cavidades subterrâneas.
c) Água superficial: contaminação química (drenagem ácida), sólidos em
suspensão, desestabilização das margens, alteração dos cursos d’água, bem como,
a criação de novos corpos hídricos.
d) Água subterrânea: contaminação química, alteração na profundidade do
nível d’água e variação nas propriedades dos aqüíferos.
A poluição hídrica causada pelas drenagens ácidas é “o impacto mais
86
significativo das operações de mineração, beneficiamento e rebeneficiamento”
(ALEXANDRE e KREBS ibidem 2005, p.16). Na imagem 2, o registro de mais um rio
que sofreu degradação ambiental por mineração.
Imagem 2 - Rio Língua do Dragão
Fonte: Arquivo de Carlyle de Menezes
A mineração do carvão também contamina o solo em áreas não cobertas
por material estéril e por depósitos de rejeitos, através da inundação de uma região
não contaminada com água de drenagem ácida (2005, p.16). Quanto ao ar, a
poluição ocorre devido ao manuseio de material particulado produzido no processo
de lavra e beneficiamento, bem como, no rebeneficiamento, a partir da combustão
espontânea nos depósitos de rejeito.
mineração do carvão.
A imagem 3, mostra os dejetos após a
87
Imagem 3 - Pilhas de rejeitos do carvão
Fonte: Arquivo de Grayce Zacaron
Embora a exploração do carvão na região Sul catarinense seja o fator
determinante quando se fala degradação do meio ambiente, outros fatores também
contribuem para este cenário, como os resíduos e os efluentes das indústrias
cerâmicas,
metal-mecânica,
química,
alimentícia,
atividades
agro-industriais
(rizicultura e fecularia), assim como a extração de argila e fluorita, além do despejo
sem tratamento, de esgotos doméstico, industrial e comercial nos cursos d’água
(ibidem 2005, p.19).
Atrelada à questão da degradação ambiental, a mineração do carvão
também traz sérios problemas à saúde humana. Milioli afirma que a poluição “afeta
principalmente os aparelhos respiratório e digestivo”, levando a quadros de
“bronquites, alergias pulmonares, gripes e dores de cabeça constante, amebíase,
úlceras e lesões na pele”, além da pneumoconiose, muito freqüente na região, e,
ocasionada “pelas condições insalubres e pelo processo produtivo que expõe os
88
mineiros à ação da poeira negra por longos períodos de tempo” (MILIOLI, 1995,
p.40). Em decorrência destes fatores, o Sul catarinense foi classificado na década de
80, como a 14ª área crítica de poluição ambiental do Brasil.
Em vista de tal contexto, nos últimos anos, a Secretária Municipal de Meio
Ambiente, de Criciúma, tem desenvolvido atividades de preservação e conservação
do ambiente natural e também na conscientização ecológica da cidade, através da
educação ambiental. O envolvimento de instituições públicas e privadas, como
prefeituras, universidades, entre elas, a Universidade do Extremo Sul Catarinense
(Unesc) e Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), bem como, Fundação do
Meio Ambiente (Fatma), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), além de ong’s
e da própria população tem permitido que estudos de monitoramento, controle de
efluentes de produção e tratamento sejam realizados para mudar esta realidade.
89
4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Como primeiro passo, foi realizada uma revisão bibliográfica, consultada
em livros, artigos de periódicos, além de publicações na internet, sobre o conteúdo
mídia versus meio ambiente. Para este estudo, procedeu-se também uma pesquisa
bibliográfica e documental junto aos arquivos do Jornal da Manhã. O autor Gil em
seu livro Como elaborar projetos de pesquisa explica que “a pesquisa bibliográfica é
desenvolvida a partir de material já elaborado, constituído principalmente de livros e
artigos científicos” (1991, p.48). E complementa: “embora em quase todos os
estudos seja exigido algum tipo de trabalho desta natureza, há pesquisas
desenvolvidas exclusivamente a partir de fontes bibliográficas” (1991, p.48).
Paralela a esta etapa, um levantamento mensal foi realizado nos
periódicos do Jornal da Manhã, em Criciúma, estado de Santa Catarina, nos anos de
1994 e 2004. De forma aleatória foram escolhidos os meses de fevereiro, março e
abril, dos respectivos anos, para a pesquisa. Como fonte bibliográfica, Gil afirma,
que “as principais publicações periódicas são os jornais e as revistas” (1991, p.50),
pois as matérias dos jornais têm como característica a rapidez, enquanto os
conteúdos das revistas tendem a ser mais profundo e melhor elaborado.
De acordo com os critérios adotados, o trabalho partiu primeiramente, de
uma análise quantitativa mensal dos conteúdos publicados no Jornal da Manhã
relacionando o tema meio ambiente, fosse na forma de degradação ou preservação.
Este cálculo das matérias foi realizado através de duas fórmulas. A primeira fórmula
foi a da taxa em percentual, para verificar quanto do total de assuntos eram
referentes às matérias, notas, artigos e cartas do leitor. Deste resultado, obteve-se o
90
percentual de cada categoria. A segunda fórmula utilizada foi a regra de três com
grandeza diretamente proporcional, para averiguar o acréscimo de matérias
publicadas em 1994 e 2004, com conteúdos referentes a meio ambiente.
Em seguida, após a verificação do conteúdo, o mesmo foi dividido em
categorias: matérias, notas, cartas do leitor e artigos. De posse destes valores foram
realizados gráficos dos anos de 1994 e 2004. Focando ainda mais a pesquisa, deste
conteúdo foram selecionadas somente as matérias jornalísticas para uma análise
detalhada de quais assuntos foram abordados. Uma lista de 26 assuntos foi
identificada e após este procedimento, verificou-se o acréscimo percentual que
houve de um ano para outro.
Um quadro foi organizado de acordo com a distribuição destes 26 itens, a
qual está disposta na ordem em que foram encontradas nas matérias. Neste quadro
ainda constam os percentuais de incidência de cada assunto registrado, tanto no
ano de 1994 quanto em 2004. Desta forma, o parâmetro destes dois anos foi
sugerido, devido a considerar que a diferença de dez anos seria tempo suficiente de
verificar se houve mudança no que diz respeito às publicações das matérias sobre
meio ambiente realizadas pelo Jornal da Manhã durante este intervalo.
91
5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS
Para esta análise, foram utilizadas matérias jornalísticas dos meses de
fevereiro, março e abril dos anos de 1994 e 2004. A análise partiu da observação
realizada de quantas matérias haviam sido publicadas nos respectivos anos, que
continham o assunto meio ambiente, relacionando degradação, propostas de
recuperação, assim como, a tomada de decisões por meio de projetos junto à
comunidade. No entanto, também foram levados em consideração, as notas, os
artigos e as cartas do leitor, para efeitos quantitativos.
No ano de 1994, o número de matérias que versavam sobre meio
ambiente foi de 48 textos. Deste total, as matérias jornalísticas relacionadas com o
conteúdo de meio ambiente foi de 58,33% enquanto que as notas vieram com
18,75%, os artigos com 8,33% e as cartas do leitor com 14,58%, conforme o gráfico
1. Vale ressaltar aqui, que as cartas do leitor e os artigos não são produzidos pela
equipe do jornal, mas sim, textos enviados para a redação, escritos por leitores e
articulistas.
Ano de 1994
14,58%
Matérias
8,33%
18,75%
Notas
58,33%
Artigos
Cartas do leitor
Gráfico 1 - Total de conteúdos publicados no JM sobre meio ambiente em 1994.
Referente ao ano de 2004 tem-se o gráfico 2. Dos 61 textos presentes nos
92
meses de fevereiro, março e abril, que contém o tema meio ambiente, tem-se
62,29% de matérias, como ilustra o gráfico 2. A seguir, as notas com 26,22%, os
artigos com 6,55%, bem como, as cartas do leitor com 4,91%. Nesta análise convém
ressaltar, que neste intervalo de dez anos entre os anos de 1994 e 2004, ocorreu um
acréscimo considerável de 35,71% referente às matérias jornalísticas presente nas
publicações.
Ano de 2004
4,91%
6,55%
Matérias
Notas
26,22%
62,29%
Artigos
Cartas do leitor
Gráfico 2 - Total de conteúdos publicados no JM sobre meio ambiente em 2004.
Desta análise inicial sobre os textos que versavam sobre meio ambiente,
um levantamento detalhado foi realizado em torno dos temas abordados nas
matérias jornalísticas, excluindo as notas, os artigos e também as cartas do leitor,
pois se considera importante as notícias para a formação da opinião pública e
também porque são textos, que se aprofundam no assunto. No quadro 1, os itens
foram dispostos de acordo com a ordem em que as matérias se apresentavam no
veículo Jornal da Manhã.
Esta análise vem ao encontro, quando o autor Belmonte explica que meio
ambiente é o “conjunto das condições que afetam a existência, o desenvolvimento e
o bem-estar dos seres vivos. Não é um lugar no espaço, mas todas as condições
físicas, químicas e biológicas” (2004, p.176), demonstrando que o estudo é relevante
para compreender as condições ambientais em que se encontra o Sul catarinense.
93
Conforme o quadro 1, o primeiro item trata de matérias relacionadas à
liberação de recursos financeiros para a recuperação do meio ambiente, na qual
houve 14,28% de matérias publicadas em 1994, ao contrário de 2004, em que o
registro foi de nenhuma matéria. Quanto à distribuição ilegal de aterro da praia
houve apenas 3,57% em 1994 e em 2004 nenhuma matéria. Quanto ao percentual
de matérias referentes à balneabilidade das praias na região, os números apontam
para 7,14% em 1994 e 5,26% para o ano de 2004.
ASSUNTOS ABORDADOS NAS MATÉRIAS
1 Liberação de recursos para o meio ambiente
2 Distribuição ilegal de aterro da praia
3 Balneabilidade das praias
4 Mineradoras sem projetos de recuperação
5 Desapropriação de terrenos devido à falta de limpeza por
parte dos proprietários
6 Preservação das dunas em virtude dos eventos esportivos
realizados na praia
7 Problemas com esgoto
8 Orientação à prefeitura em como lidar com questões de
agressão ao meio ambiente
9 Preservação das praias
10 Exploração do carvão
11 Aterro sanitário e lixo
12 Poluição da água
13 Reserva ambiental
14 Implantação de usina
15 Preservação da água
16 Ong’s que atuam na defesa do meio ambiente
17 Gincanas ecológicas e projetos ambientais
18 Degradação pela extração de argila
19 Degradação pela rizicultura
20 Retirada de seixo nas margens de um rio
21 Reaproveitamento de resíduos sólidos
22 Instalação da ZPE de acordo com o Rima
23 Desmatamentos
24 Compostagem
25 Redução de energia elétrica
26 Falta de estrutura dos órgãos públicos para a fiscalização
NÚMEROS EM %
1994
2004
14,28
3,57
7,14
3,57
7,14
0
0
5,26
0
0
7,14
0
3,57
3,57
5,26
2,63
0
17,85
7,14
3,57
0
0
7,14
0
14,28
3,57
0
0
0
3,57
0
0
0
3,57
2,63
10,52
10,52
10,52
10,52
2,63
7,89
2,63
13,15
0
2,63
2,63
2,63
0
2,63
2,63
2,63
0
Quadro 1 - Assuntos abordados nas matérias veiculadas pelo JM, nos meses de fevereiro,
março e abril de 1994 e 2004.
94
Em relação ao conteúdo sobre mineradoras sem projetos de recuperação,
houve apenas 3,57% de matérias publicadas em 1994, ao passo que em 2004 não
se tem nenhuma publicação com tal abordagem. Paralelo a este conteúdo tem-se a
questão da exploração do carvão, com maior número de publicações catalogado
nesta pesquisa. Dentro deste contexto de exploração do carvão, se tem também, a
tentativa de um vereador em fechar as minas devido a poluição ambiental. Embora
na região Sul catarinense, a degradação ambiental seja visível em decorrência desta
exploração por parte das carboníferas, no ano de 1994 se tem o registro de 17,85%
e em 2004, os números são de 10,52%. O autor Milioli expõe como era o cenário,
antes e depois das mineradoras de carvão e a imagem 4 exemplifica esta situação:
“Os danos mais significativos são encontrados no município
de Criciúma, que com uma área de 396 Km e 180.000
habitantes, aproximadamente, possuía em operação, até a
década de 80, 15 minas exploratórias e 10 lavadores de
carvão. Hoje, com 2 minas e 3 lavadores, os rejeitos
continuam sendo depositados ao ar livre e sem planejamento
prévio” (1995, p.35).
Imagem 4 - Área com rejeito de carvão
Fonte: Arquivo de Grayce Zacaron
95
No quinto item desta análise, a desapropriação de terrenos devido à falta
de limpeza por parte dos proprietários foi de 7,14% em 1994, e, de nenhuma matéria
em 2004, talvez em razão de a conscientização ambiental ter aumentado neste
intervalo de tempo. No sexto item vem a preservação das dunas em virtude dos
eventos esportivos realizados na praia, na qual, 7,14% compõem o ano de 1994,
enquanto que em 2004, não há nenhuma notícia. O próximo problema vem com a
falta de saneamento básico, ou seja, a rede de esgoto, na qual 3,57% foram
publicadas e 5,26% no ano de 2004.
No entanto, no que diz respeito à orientação dada à prefeitura em como
lidar com questões de agressão ao meio ambiente, nestes dez anos de intervalo
houve uma preocupação, ainda que em menor escala. Em 1994, este número foi de
3,57% e 2,63% em 2004. Já na questão de preservação das praias, nenhuma
matéria foi assinalada, ao passo que em 2004 foi de 2,63%. Quanto ao aterro
sanitário e problemas com o lixo, em 1994 estes números ficaram em 7,14% e
10,52% em 2004.
A publicação de matérias em razão da poluição da água foi de 3,57% em
1994, enquanto que em 2004 foi de 10,52%. No que diz respeito à preservação da
água, os valores ficaram equiparados, em 7,14% para 1994 e 7,89% para 2004. A
preocupação com reservas ambientais mostrou-se maior em 2004, com 10,52% do
que em 1994, na qual não houve nenhum registro. A Implantação da usina contra a
vontade dos moradores também foi assinalada. Em 2004 foi de 2,63 enquanto que
em 1994, o número foi de 0%.
A preservação da água, que hoje é um tema tão discutido quanto ao risco
iminente de sua escassez no futuro, em 2004 as matérias sobre este assunto
ficaram em torno de 7,89%, ao passo que em 1994, este percentual esteve 7,14%.
96
Por outro lado, há também notícias sobre ong’s que atuam na defesa do meio
ambiente estando representado com 2,63% em 2004 e nenhuma matéria em 1994.
Para que se obtenha um comportamento adequado no que diz respeito aos atos de
uma pessoa, as gincanas ecológicas e os projetos ambientais desenvolvidos em
escolas contribuem em grande parcela, para que as crianças de hoje, sejam adultos
responsáveis pela manutenção do meio ambiente em que vivem. Assim, em 1994,
estes números são de 14,28% para 13,15% em 2004. A imagem 5, mais uma vez
retrata a situação dos rios e mananciais da região carbonífera.
Imagem 5 - Rio com rejeito de carvão
Fonte: Arquivo de Grayce Zacaron
Sobre a questão da educação ambiental e da ligação do indivíduo com o
meio ambiente, Ribeiro diz o seguinte: “é tão forte a influência do meio ambiente
sobre o ser humano e sua cultura que já se disse à questão de longo prazo não é
saber que tipo de ambiente desejamos, mas que tipo de pessoas almejamos ser”
(1992, 84). Esta citação abre portas para várias discussões, e, uma delas é de que
97
cada um tenha consciência e discernimento para analisar a sociedade e perceber
que os recursos naturais não são pra sempre, e, que a exploração até a exaustão já
está trazendo sérios danos à humanidade.
A degradação pela extração de argila foi de 3,57% em 1994 e nenhuma
em 2004. A degradação pela rizicultura, assim como a retirada de seixo nas
margens de um rio e, também, o reaproveitamento de resíduos sólidos foi de 0% em
1994 e de 2,63% em 2004. Em relação sobre a instalação da Zona de
Processamento de Exportação (ZPE), conforme o Relatório de Impacto do Meio
Ambiente (Rima) em Imbituba, os números são 3,57% em 1994 e nenhuma em
2004.
O índice de matérias sobre desmatamento, compostagem e redução de
energia elétrica foi baixo, com apenas 2,63% em 2004 e nenhuma em 1994, em
contrapartida, à falta de estrutura dos órgãos públicos para a fiscalização do meio
ambiente, que esteve com 3,57% em 1994 e em 2004 com nenhuma notícia
referente a este contexto. No entanto, parte-se do princípio que para o perfeito
funcionamento da sociedade, sobretudo, do meio ambiente, é necessário aplicar os
rigores da lei, através dos órgãos públicos. Para tanto, preciso é, primeiramente, que
se tenha pessoal qualificado para exercer tal função e a consciência de ter um
mundo melhor através de suas próprias ações.
98
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O referente trabalho O Jornal da Manhã, (Criciúma, SC) e o Meio
Ambiente: uma análise comparativa das matérias publicadas nos anos de 1994 e
2004 foi relevante, pois abordou diversos temas, como a história da cidade de
Criciúma e sua colonização, a história dos meios de comunicação, neste caso, os
impressos e ainda, a relação de como a mídia foca os assuntos sobre o meio
ambiente. O Sul catarinense, por se tratar de uma região que se desenvolveu pela
exploração do carvão, desde a colonização no século XIX, quando os povos
italianos, poloneses, portugueses, alemães e negros aqui chegaram, ainda hoje é
marcada pelos problemas ambientais presentes, em virtude do desenfreado
desenvolvimento da sociedade.
No contexto atual do mundo, o indivíduo está na era da informação.
Grande é o volume de dados que as pessoas recebem todos os dias através dos
meios de comunicação. Aliado a isto, está o consumismo exacerbado que faz com
que o indivíduo tenha o estímulo visual de obter este ou aquele produto que está à
venda. Embora, o ser humano esteja em constante processo de aprendizado, não se
pode deixar de ressaltar que esta sociedade da informação levou o meio ambiente
ao seu limite máximo de poluição e degradação.
Como ponta pé inicial, a mídia vem tentando remediar esta situação,
publicando nos jornais, rádios, emissoras de televisão, assim como na internet,
matérias jornalísticas sobre a preservação ambiental. Uma vez que, o papel do
jornalista seja democratizar o conhecimento, subentende-se, que qualquer pessoa
deva ter o mesmo tipo de acesso ao saber, em razão, de ter as mesmas
99
oportunidades de escolha.
No caso do estudo realizado com as matérias publicadas pelo Jornal da
Manhã, nos anos de 1994 e 2004, que versavam sobre meio ambiente, pode se
considerar que o acréscimo de 35,7% neste intervalo de dez anos foi relevante,
devido o Sul de Santa Catarina ser assinalado por grandes contrastes na esfera
política e econômica. Os municípios que compõem a região carbonífera viram na
exploração do carvão, uma forma de se desenvolver economicamente, e, assim
politicamente.
Paralelamente, a esta situação, a sociedade contemporânea também está
no momento, em constante e acelerada mudança. E, para que a população possa
acompanhar este ritmo, o direito à informação é direito de qualquer cidadão, para
que este possa julgar as ações dos governos, instituições, entidades e lideranças
que interferem na qualidade de vida do meio ambiente.
As vias de educação informal são as responsáveis por fazer o ser humano
compreender e acompanhar as modificações bruscas e velozes da ciência, da
tecnologia e do próprio ser enquanto parte inter-relacionada com o meio ambiente. À
mídia cabe esta função. Quando se fala em informar, relatar, e, em muitos casos o
de denunciar uma ação errada de uma determinada empresa, esta deve estar
intrinsecamente arraigada ao compromisso do veículo, seja o impresso, radiofônico
ou televisivo, de elaborar a matéria com veracidade, apurando os fatos e ao mesmo
tempo criando um forte elo com as fontes de informação.
Muito mais que um formador de opinião, os meios de comunicação de
massa servem também como educador. Em se tratando deste estudo, a educação
aqui mencionada é a ambiental. Longe de ter trazido uma nova compreensão do
mundo no sistema educacional formal, a educação ambiental vem no sentido de
100
promover os princípios e os valores ambientais para uma pedagogia do meio
ambiente, na intenção de enriquecer a pedagogia da complexidade, induzindo os
educandos à uma nova visão de sociedade.
O jornalista que escreve conteúdos sobre meio ambiente deve estar ciente
da responsabilidade que há nesta estrutura. Textos com temas ambientais devem
ser produzidos com o devido conhecimento especializado do repórter, o qual deverá
estar inteirado sobre o assunto. Ao avaliar os resultados da análise da pesquisa no
trabalho O Jornal da Manhã (Criciúma, SC) e o Meio Ambiente: uma análise
comparativa das matérias publicadas nos anos de 1994 e 2004 fica a sugestão de
que o mesmo estudo poderia ser aplicado também nos outros jornais diários da
cidade de Criciúma, com o intuito de averiguar o número de matérias, assim como,
os temas abordados em tais publicações.
Um ponto importante a destacar ainda sobre as matérias do Jornal da
Manhã é que dos 26 assuntos encontrados nas edições do veículo, a liberação de
recursos financeiros para o meio ambiente foi de 14,28% em 1994 e nenhuma em
2004, o que demonstra que em 1994, a preocupação fosse maior em recuperar o
meio ambiente do que em 2004. Outros temas como a exploração do carvão, que
em 1994 foi de 17,85% e de 10,52% em 2004 assinala que houve uma diminuição
da poluição gerada pela mineração, enquanto que as gincanas ecológicas e os
projetos ambientais ficaram equiparados: 14,28% em 1994 e 13,15% em 2004,
reforçando, que a sociedade tem buscado mudar este quadro de degradação do
meio ambiente.
Muito ainda há por ser feito, mas ter uma consciência de que o mundo
grita por socorro e que somente o ser humano pode reverter esta situação, parece
assustador e ao mesmo tempo distante, mas esta é a visão, as conseqüências pelo
101
que o homem vem praticando no meio ambiente, esquecendo que os recursos
naturais não são renováveis, e, atualmente, necessário se faz uma política de
desenvolvimento sustentável, bem como, uma educação ambiental e acima de tudo,
o comprometimento e o engajamento da sociedade nesta mudança de conceito.
Para finalizar, os objetivos do trabalho foram alcançados. No caso do
Jornal da Manhã, a cobertura jornalística acontece, ainda que de forma, sutil.
Segundo, que a realidade criciumense é de um município com sérios problemas
ambientais, assim como as outras cidades que fazem parte da bacia carbonífera.
Outro fator, ainda que em menor escala, se dá pelo fato de que a região por ser
também, área agrícola, não há nenhum controle sobre os produtos químicos,
utilizados pelos agricultores. E nesta esfera, a sociedade tem se mostrado
preocupada em reverter esta situação, através de ações, já citadas no corpo deste
estudo, dos mais variados segmentos da sociedade.
102
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AMESC. Associação de Municípios do Extremo Sul Catarinense (Amesc).
Araranguá, SC. Disponível em: <http://www.amesc.com.br/paginainicial.htm>.
Acesso em: 1 dez. 2005.
AMREC. Associação dos Municípios da Região Carbonífera (Amrec). Criciúma,
SC. Disponível em: <http://www.amrec.com.br/conteudo/?PHPSESSID=59d71673b
07147a1abd0a2afd662e381&item=793&fa=788>. Acesso em: 1 dez. 2005.
AMUREL. Associação de Municípios da Região de Laguna (Amurel). Tubarão,
SC. Disponível em: <http://www.amurel.org.br/conteudo/?PHPSESSID=077259c66cc
9650f63d523057de6cce3&item=434&fa=431>. Acesso em: 1 dez. 2005.
ARNS, Otília (Coord.). Criciúma 1880-1980: “a semente deu bons frutos”.
Florianópolis, SC: Estado de Santa Catarina, 1985, 259 p.
BALL-ROKEACH, Sandra; DEFLEUR, Melvin L. Teorias da comunicação de
massa. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1993, 397 p.
BARRETO, Algemiro Manique. Criciúma: amor e trabalho. Criciúma: Malusam
Editora Empreendimentos e Representações Ltda, 89 p.
BELOLLI, Mário; QUADROS, Joice; GUIDI, Ayser. A história do carvão de Santa
Catarina. Criciúma: Imprensa Oficial do Estado de Santa Catarina, v.1, 2002, 296 p.
BELMONTE, Roberto Villar. Glossário de mídia. In: Marcello Vernet de Beltrand
(Org.), Manual de comunicação e meio ambiente. São Paulo: Peirópolis, 2004,
169 p. Disponível em: <http://www.wwf.org.br>. Acesso em: 8 mar. 2005.
BOFF, Leonardo. Projeto Apoema - Educação Ambiental. Disponível em:
<www.apoema.com.br/geral.htm>. Acesso em: 4 dez. 2005.
BORTOT, Adhyles. O cadastro técnico multifinalitário na avaliação de impactos
e na gestão ambiental na atividade de mineração. Criciúma: Ed. do Autor, 2002.
194 p.
103
CASCAES, Gislane Martins. A informação através da linguagem visual: um
estudo de caso do jornal Notisul. 2000. 119 p. Trabalho de Conclusão de Curso
(Graduação em Jornalismo) - Universidade do Sul de Santa Catarina, Tubarão.
COLOMBO, Ângela Sonia Nápoli. Características gerais do município de
Criciúma: Criciúma Criança, crescendo juntas. Criciúma: Prefeitura Municipal, 1991,
35 p.
CETEM / MCT (Centro de Tecnologia Mineral). Projeto conceitual para
recuperação ambiental da bacia carbonífera Sul catarinense. Criciúma:
SIECESC, 2001. Disponível em: <http://wwwsiecesc.com.br/meioambiente/ volume 001.pdf>. Acesso em: 27 nov. 2005, 76 p.
DIÁRIO DA MANHÃ. Página eletrônica. Disponível em: <http://www.diariodamanha.
com/indexempresa.phtml?par=id_menu%3Dhistoria>. Acesso em: 25 set. 2005.
FABRE, Ademar José. Criciúma: a capital brasileira do carvão. Criciúma: Fucri,
1971, 42 p.
FERRARI, Maria Helena; SODRÉ, Muniz. Técnica de reportagem: notas sobre a
narrativa jornalística. São Paulo: Summus, 1986, 141 p.
FILHO, Archimedes Naspolini. Criciúma 70 anos: 1925 / 1995, ensaio para a sua
história político-administrativa. Criciúma: Editora do Autor, 1995, 150 p.
GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 3. ed. São Paulo: Atlas,
1991, 158 p.
GOVERNO DO ESTADO. Governo do Estado de Santa Catarina. Florianópolis,
SC. Disponível em: <http://www.sc.gov.br/conteudo/santacatarina/geografia/
paginas/regioes.htm>. Acesso em: 1 dez. 2005.
JORNAL DA MANHÃ. Arquivo do jornal. Edição do mês de fevereiro de 1994.
Criciúma.
________. Arquivo do jornal. Edição do mês de março de 1994. Criciúma.
________. Arquivo do jornal. Edição do mês de abril de 1994. Criciúma.
104
________. Arquivo do jornal em cd-rom. Edição do mês de fevereiro de 2004.
Criciúma.
________. Arquivo do jornal em cd-rom. Edição do mês de março de 2004.
Criciúma.
________. Arquivo do jornal em cd-rom. Edição do mês de abril de 2004.
Criciúma.
________. Caderno especial de 20 anos do Jornal da Manhã. Edição, 1º set.
2003. Criciúma.
________. Caderno especial de 22 anos Conquistas do Sul. Edição, 25 ago.
2005. Criciúma.
LAGE, Nilson Lemos. Ideologia e técnica da notícia. Florianópolis: Insulart, Ed. da
Ufsc, 2001, 160 p.
LAGO, Paulo F. A Consciência Ecológica: a luta pelo futuro. Florianópolis: Ed. da
UFSC, 1991, 232 p.
LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de
metodologia científica. 3. ed. ver. e ampl. São Paulo: Atlas, 1991, 265 p.
LEFF, Enrique. Saber ambiental: sustentabilidade, racionalidade, complexidade,
poder. Petrópolis, RJ: Vozes, 2001, 343 p.
LEITE, Marcelo. Interpretação informada e pessoas interessantes. In: Marcello
Vernet de Beltrand (Org.), Manual de comunicação e meio ambiente. São Paulo:
Peirópolis, 2004, 169 p. Disponível em: <http://www.wwf.org.br>. Acesso em: 8 mar.
2005.
LIMA, Edvaldo P. Econautas: ecologia e jornalismo literário avançado. Canoas:
Ulbra, 1996, 178 p.
MACHADO, Agilmar; TORRES, Osvaldo. História da comunicação no Sul de
Santa Catarina. Criciúma, SC: BTC Comunicações, out. 2000, 247 p.
105
MATTOZO, Vânia; CAMARGO, Cornélio Celso de Brasil; LAGE, Nilson Lemos.
Jornalismo científico aplicado à área de energia no contexto do
desenvolvimento sustentável. Disponível em: <http://www.scielo.com.br:>. Acesso
em: 17 jul. 2005.
MEDINA, Cremilda de Araújo. Entrevista - o diálogo possível. São Paulo: Editora
Ática, 1990, 96 p.
MILIOLI, Geraldo. Abordagem ecossistema: uma perspectiva comparativa para
Brasil e Canadá. 1999. 388 p. Tese (Doutorado em Engenharia de Produção). Área
de concentração: Gestão da qualidade ambiental - Universidade Federal de Santa
Catarina, Florianópolis.
________. Mineração de carvão e desenvolvimento sustentado no Sul de Santa
Catarina: estudo exploratório de percepção, valores e atitudes do meio ambiente
num bairro do município de Criciúma. Criciúma: Luana, 1995, 98 p.
MOUSINHO, Patrícia. Glossário. In: André Trigueiro (Coord.), Meio Ambiente no
século 21: 21 especialistas falam da questão ambiental nas suas áreas de
conhecimento. Rio de Janeiro: Sextante, 2003, 369 p.
NELSON, Peter. Dez dicas práticas para reportagens sobre meio ambiente.
Centro para jornalistas estrangeiros. Brasília: WWF-Brasil, 1994, 36 p. Disponível
em: <http://www.wwf.org.br>. Acesso em: jul. 2005.
PALUMBO, Patrícia. Os ingredientes da boa comunicação: criatividade e alvo
preciso. In: Marcello Vernet de Beltrand (Org.), Manual de comunicação e meio
ambiente. São Paulo: Peirópolis, 2004, 169 p. Disponível em: <http://www.wwf.
org.br>. Acesso em: 8 mar. 2005.
PELIZZOLI, M.L. A emergência do paradigma ecológico: reflexões éticofilosóficas para o século XXI. Petrópolis, RJ: Vozes, 1999, 160 p.
PEREIRA, Moacir. Imprensa e poder: a comunicação em Santa Catarina.
Florianópolis, SC : Lunardelli: FCC Edições, 1992, 172 p.
RIBEIRO, Márcio Andrés. Meio ambiente é mensagem. In: Dália Maimon (Org.),
Ecologia e desenvolvimento. Rio de Janeiro: Aped, 1992, 259 p.
106
SACHS, Ignacy. Pensando sobre o desenvolvimento na era do meio ambiente: do
aproveitamento da natureza para a boa sociedade. In: Paula Yone Stroh (Org.),
Caminhos para o desenvolvimento sustentável. Rio de Janeiro: Garamond, 2002,
93 p.
SCHARF, Regina. O jornalismo impresso. In: Marcello Vernet de Beltrand (Org.),
Manual de comunicação e meio ambiente. São Paulo: Peirópolis, 2004, 169 p.
Disponível em:<http://www.wwf.org.br>. Acesso em: 8 mar. 2005.
SOUSA, Cidoval Moraes de; FERNANDES, Francisco Assis Martins. Mídia e Meio
Ambiente: limites e possibilidades. Disponível em: <http://www.jornaldomeio
ambiente.com.br/JMA_Cardernos/Comunicação.asp>. Acesso em: 3 jul. 2005.
TAVARES, Reynaldo C. Histórias que o rádio não contou: da galena ao digital,
desvendando a radiodifusão no Brasil e no mundo. São Paulo: Editora Harbra, 1999,
309 p.
TERNES, Apolinário. A Notícia 1923-2003: jornalismo e história. Joinville, SC: Ed.
Letradágua, 2003, 137 p.
TRIGUEIRO, André. Meio Ambiente no século 21: 21 especialistas falam da
questão ambiental nas suas áreas de conhecimento. Rio de Janeiro: Sextante, 2003,
369 p.
VIEIRA, Paulo Freire. Meio ambiente, desenvolvimento e planejamento. In: Meio
Ambiente, Desenvolvimento e Cidadania: desafios para as Ciências Sociais. São
Paulo: Cortez, Universidade Federal de Santa Catarina, 1995, 225 p.
VILLAR, Roberto. Jornalismo Ambiental: evolução e perspectivas. Disponível em:
<http://jornalismoambiental.jor.br/jornalismoambiental/>. Acesso em: 18 out. 2005.
SIECESC. O impacto do carvão mineral na economia brasileira. Instituto
Brasileiro de Economia, FGV: 1996. 78 p.
107
ANEXOS
> Matérias sobre meio ambiente, que foram publicadas no Jornal da Manhã, em
fevereiro, março e abril, nos respectivos anos de 1994 e 2004.
Download

Imagem em PDF - Universidade do Extremo Sul Catarinense