N.º 173 - Julho/Agosto 2006 - 2,00 euros Sumário N.º 173 - Julho/Agosto 2006 - 2,00 euros 22 NA CAPA Foto: José Frade TERRA NOSSA, S. MIGUEL, A ILHA VERDE Com um manto verde, salpicado aqui e acolá por maciços vulcânicos, flores de diversas tonalidades e abundantes pastagens, a ilha de S. Miguel, é um destino de paz e tranquilidade para umas férias retemperadoras, acessíveis, desde Janeiro último, aos associados do Inatel, graças ao protocolo assinado com o Hotel S. Pedro. 4 31 EDITORIAL O TEMPO E O MUNDO 6 32 CARTAS E COLUNA ROTA DA LUSOFONIA DO PROVEDOR 7 56 CLUBE TEMPO LIVRE VIAGENS 64 NOTÍCIAS NA HISTÓRIA A CHEFE SUGERE 10 35 CONCURSO DE ROMARIAS Bacalhau à Hotel (Inatel Serra da Estrela) FOTOGRAFIA SRª DA AGONIA 22 CPLP (V) MOÇAMBIQUE 14 34 DVD/Cinema/À Mesa/ Saúde/ Informática/ Ao Volante/ Palavras da Lei Moçambique é, na CPLP, um dos países com maior diversidade étnica, cultural e religiosa. Esta extraordinária riqueza convive num vasto território pleno de atracções naturais, a começar pela belíssima costa banhada pelo Oceano Índico. Desde há muitos que a Festa da Senhora da Agonia de Viana do Castelo é justamente considerada a rainha das romarias portuguesas 65 O TEMPO E AS PALAVRAS Maria Alice Vila Fabião 66 CRÓNICA 38 OLHO VIVO 41 BOA VIDA Consumo/Artes/ Livro Aberto/Artes/Palco/ Álvaro Belo Marques Destacável de 16 págs. Esta edição inclui a sinopse do Relatório de Actividades e Contas do Exercício de 2005 Revista Mensal: e-mail: [email protected] - Propriedade do INATEL (Instituto Nacional para Aproveitamento dos Tempos Livres dos Trabalhadores) Presidente: José Alarcão Troni VicePresidentes: Isabel Leal de Faria e Luís Ressano Garcia Lamas Sede do INATEL: Calçada de Sant’Ana, 180, 1169-062 LISBOA, Tel. 210027000 Fax 210027061, Nº Pessoa Colectiva: 500122237 Director: José Alarcão Troni Editor: Eugénio Alves Grafismo: José Souto Fotografia: José Frade Coordenação: Glória Lambelho Colaboradores: Ana Santos, André Letria, Carlos Barbosa de Oliveira, Carlos Blanco, Eduardo Raposo, Francisca Rigaud, Gil Montalverne, Helena Aleixo, Humberto Lopes, Joaquim Diabinho, Joaquim Durão, José Jorge Letria, Maria Augusta Drago, Marta Martins, Paula Silva, Pedro Barrocas, Pedro Soares, Rodrigues Vaz, Sérgio Barrocas, Tharuga Lattas, Vítor Ribeiro.Cronistas: Alice Vieira, Álvaro Belo Marques, Artur Queirós, Baptista Bastos, Maria Alice Vila Fabião, Fernando Dacosta, João Aguiar, Luís Miguel Pereira, Rogério Vidigal. Redacção: Calçada de Sant’Ana, 180 – 1169-062 LISBOA Telef. 210027000 Fax: 210027061 E-Mail [email protected] Publicidade: Martins Costa Tel. 210027187 Pré-impressão e impressão – Lisgráfica, Impressão e Artes Gráficas, SA. Casal Stª Leopoldina, 2730-052 Queluz de Baixo. Telef. 214345400 Dep. Legal: 41725/90. Registo de propriedade na D.G.C.S. nº 114484. Registo de Empresas Jornalísticas na D.G.C.S. nº 214483. Preço: 2,00 euros Tiragem deste número: 187.093 exemplares Editorial JOSÉ ALARCÃO TRONI Programas Abrir as Portas à Diferença e Turismo Solidário Por despacho de S. Exa. o Ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, de 23 de Maio de 2006, foi homologada a deliberação do Conselho Geral de 4 de Maio, que aprovou o Relatório e Contas do INATEL, relativos ao ano de 2005. Relatório e Contas do ano findo foi submetido à fiscalização sucessiva do Tribunal de Contas, sendo publicado, por sinopse, no presente número da Tempo Livre. Entretanto, pelos despachos nºs 41/2006 e 42/2006 de S. Exa. o Ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, ambos de 31 de Maio, publicados no Diário da República de 20 de Junho, foram criados dois novos e importantes programas de inclusão social e de combate à pobreza, os Programas Abrir as Portas à Diferença e Turismo Solidário, que se iniciarão no quarto trimestre de 2006, sob gestão do INATEL. O ABRIR AS PORTAS À DIFERENÇA O Programa Abrir as Portas à Diferença abrangerá, no ano inicial de 2006, 120 concidadãos, portadores de deficiência física permanente superior a 30%, com idades igual ou superior a 18 anos e seus acompanhantes, no total de 240 pessoas. Com vista à plena integração dos beneficiários do Programa Abrir as Portas à Diferença, o INATEL passará a inclui-los nas excursões do Turismo Sénior, sensibilizando animadores e seniores para a responsabilidade social da garantia do direito às férias e aos tempos livres dos portugueses portadores de deficiência física. O financiamento do Programa Abrir as Portas à Diferença é assegurado pelo Estado e pelos beneficiários e suas famílias, sendo os valores de comparticipação dos beneficiários e acompanhantes quase simbólicos e independentes dos respectivos rendimentos, atentos os princípios de justiça e integração social que o inspiram. Na Comissão de Acompanhamento do Programa participarão, além do gestor – o INATEL – 4 TempoLivre Julho/Agosto 2006 representantes da APD – Associação Portuguesa de Deficientes, da ADFA – Associação dos Deficientes das Forças Armadas, do Secretariado Nacional para a Reabilitação e Integração das Pessoas com Deficiência e do Instituto de Segurança Social. O Programa Abrir as Portas à Diferença prevê, para o quarto trimestre do ano em curso, 120 semanas de férias, integradas no Programa Turismo Sénior – ainda que com financiamento autónomo – abrangendo 240 concidadãos. TURISMO SOLIDÁRIO O novo Programa Turismo Solidário alarga os princípios orientadores dos Programas Seniores aos portugueses não seniores carenciados, garantindolhes, também, o direito, constitucional e social, ao repouso e às férias. No primeiro ano de existência – o quarto trimestre de 2006 – do Programa Turismo Solidário, o INATEL assegurará a realização de 4.992 semanas de férias, a usufruir por igual número de cidadãos, com idades compreendidas entre os 18 e os 59 anos, os quais serão alojados nos centros de férias. O Programa Turismo Solidário destina-se, como referido, aos portugueses, não seniores, com baixos rendimentos, designadamente desempregados ou beneficiários do salário mínimo e do rendimento social de inserção, realizando-se nas épocas baixa e média da actividade turística. O financiamento do Programa é assegurado pelo Estado e pelos beneficiários e suas famílias, segundo modelo idêntico ao do Turismo Sénior. PROGRAMAS SOCIAIS O INATEL converte-se, na última década, no gestor dos quatro principais Programas Sociais do Turismo de Desenvolvimento, de Inclusão e Coesão e de ESTATUTO EDITORIAL DA REVISTA «TEMPO LIVRE» Combate à Pobreza, abrangendo mais de 400 mil portugueses, o que abre nova e importante vertente da sua missão e actividade de utilidade pública ao serviço da Nação Portuguesa. Na verdade, o Programa Turismo Sénior concluiu, em 2005, dez anos de existência, abrangendo mais de 360 mil cidadãos. O Programa Saúde e Termalismo Sénior concluirá a sua primeira década em 2007, prevendo-se que, então, tenha proporcionado férias e tratamentos termais a mais de 40.000 portugueses. Finalmente, o Programa Portugal no Coração, destinado a permitir aos concidadãos da Diáspora para fora da Europa que revisitem Portugal e suas famílias, decorridos longos anos de ausência – organizado em parceria pelos Ministério dos Negócios Estrangeiros, TAP e INATEL – comemora, no ano em curso de 2006, a sua primeira década, tendo proporcionado o reencontro com o país de origem e as respectivas memórias, de juventude ou de família, a mais de 500 portugueses, que escolheram a emigração como projecto de vida. A Gala Sénior – 2006 coincidirá com a semana de presença em Portugal dos nossos concidadãos da Diáspora, permitindolhes o convívio com os compatriotas beneficiários dos Programas Turismo Sénior e Saúde e Termalismo Sénior. É com a maior disponibilidade e empenho que o INATEL vai gerir, em 2006 e nos anos seguintes, os novos Programas Abrir as Portas à Diferença e Turismo Solidário, assim como se propõe em Julho – antes do mês tradicional de férias dos portugueses e logo no início do calendário do Orçamento de Estado para 2007 – submeter ao Governo os projectos dos despachos que aprovarão e definirão os regulamentos para 2007 dos Programas Turismo Sénior, Saúde e Termalismo Sénior, Abrir as Portas à Diferença e Turismo Solidário. Desejo aos nossos associados, beneficiários e colaboradores e famílias umas boas e repousantes férias, recordando-os de que o INATEL tem à sua disposição a acolhedora rede de centros de férias, casas de turismo rural, estâncias termais e parques de campismo, onde se sentirão como em casa e na afectividade das respectivas famílias. Boas férias. I TEMPO LIVRE é uma publicação mensal dirigida primordialmente aos associados do INATEL, mas também ao público em geral. TEMPO LIVRE é uma publicação orientada para o bem estar e o desenvolvimento da pessoa humana e da sociedade civil, com especial destaque para os associados e beneficiários do INATEL e para os sócios dos seus CCDs – Centros de Cultura e Desporto, através da ocupação criativa dos tempos livres e da informação turística, cultural e desportiva. TEMPO LIVRE constitui igualmente um espaço privilegiado de ligação do INATEL com as suas delegações, centros de férias, unidades de turismo termal e rural, parques de campismo, parques desportivos e Teatro da Trindade, assim como às associações que prosseguem objectivos idênticos nas áreas do turismo, cultura e desporto, os CCD’s – Centros de Cultura e Desporto. TEMPO LIVRE representa ainda um espaço de informação e sensibilização de largos sectores da população de Portugal, da Diáspora Portuguesa, dos Países e Regiões da CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – e das Diásporas Lusófonas para as múltiplas iniciativas e áreas de actuação do INATEL. TEMPO LIVRE orienta a sua actividade informativa por critérios de rigor, independência, clareza, pluralismo, actualidade e criatividade editorial. TEMPO LIVRE não publicará textos, nem admitirá publicidade que, sob qualquer forma, violem o princípio da igualdade, seja em razão do sexo, da raça, da língua, da nacionalidade, da religião, das convicções políticas ou ideológicas, da situação económica ou da condição social. Julho/Agosto 2006 TempoLivre 5 Cartas Ginástica de manutenção [ Kalidás Barreto ] Comemorando os 70 anos, parabéns ao Inatel, aos seus corpos dirigentes e a todo o pessoal que nele trabalha, fazendo o Instituto/Fundação atingir o mais alto desempenho de sempre. Os praticantes da Ginástica de Manutenção, subscritores desta carta, certos de interpretar sentir de todas as turmas, sentem o dever de cidadania de dar público reconhecimento do trabalho da sua professora Raquel Silvestre, excelente profissional, com uma boa disposição contagiante e, sobretudo, com um método de sequência e variedade de exercícios tão apropriados à nossa idade, demonstrando altos conhecimentos de anatomia e fisiologia humanas. Pelo que sabemos, esse reconhecimento é extensivo aos restantes professores de ginástica que dão o seu melhor, casos dos professores Susana, Marta e Mauro. Carta subscrita por 32 associados COLUNA DO PROVEDOR Neste tempo estival, e não só, muitas são as reclamações que chegam a este Gabinete, dos nossos associados, sobre os critérios de admissão nos Centros de Férias. Devo confessar que algumas (e não são poucas) reclamações/sugestões têm, quanto a mim, razoabilidade e perfeito cabimento. Há, com efeito, alguma regulamentação que contém critérios que precisam de ser revistos. E, todavia, não são poucas as sugestões e as Academias do Bacalhau propostas dos Serviços, nem tão pouco há Como Presidente da Academia Mãe de Joanesburgo, quero agradecer a publicação do artigo da vossa colaboradora Cristina Ferreira sobre as Academias do Bacalhau. Como fundadores deste movimento universal é sempre com grande satisfação que vemos enaltecido o trabalho e ideia nascida nesta Cidade do Ouro. Gostaria de acrescentar que este ano o Congresso Mundial se realizará em Joanesburgo de 22 a 29 de Outubro, esperando a presença de mais de 500 participantes e, também este ano, ir-se-á oficializar a abertura de mais três Academias no Grão Ducado do Luxemburgo, em Lyon (França) e também em Nova Iorque. Após 38 anos, é com orgulho que vemos a expansão deste movimento de solidariedade. menor interesse da Direcção do INATEL. Giorgio Pagan, Presidente Academia do Bacalhau de pólos de opinião: manter o INATEL integrado Joanesburgo na economia social, serviço público que con- Começa pela falta de capacidade hoteleira para corresponder à procura dos nossos associados: são potencialmente 250.000, mais o agregado familiar para cerca de 1200 alojamentos. Porém a ponderação de todas as questões esbarra com algumas dificuldades, nomeadamente, a burocrática que impedem soluções mais ágeis; espero confiadamente, a passagem estatutária do INATEL a Fundação, já anunciada, mas que é urgente se faça até ao final deste ano. É essa a vontade da Direcção e dos diversos traria os apetites privados para tão vasto Sócios há 50 anos património destinado ao lazer dos trabalhadores. Completaram, este mês, 50 anos de ligação ao Inatel os associados: Acácio Vieira Machado, Carcavelos; Alexandrino Neves Carvalho, Crato; António Correia Hipólito, Covilhã; Joaquim Marques Batista, António Martins Oliveira, Armando Estevão Nascimento, Fernando Manuel G. Pimentel e Nuno José G.M. Peixoto, Lisboa; Joao Antunes Reis e Jose Rodrigues, Amadora; Valdemar Luz Vilar, Setúbal. Penso que todos deveremos fazer uma “força” para que o INATEL possa rapidamente crescer em oferta qualificada e acessível para poder corresponder às novas oportunidades e às exigências de um mercado concorrencial. Agilizar a gestão de acordo com os novos tempos, servir melhor sem abandonar princípios. I Tel: 210027197 A correspondência para estas secções deve ser enviada para a Redacção de “Tempo Livre”, Calçada de Sant’Ana, 180 - 1169-062 Lisboa, ou por e-mail: [email protected] 6 TempoLivre Julho/Agosto 2006 Fax: 210027179 e-mail: [email protected] Notícias VIII Encontro Luso-Brasileiro de Turismo Sénior “A Lusofonia e a Melhor Idade” foi o ABCMI – Associação Brasileira dos “Amadurecimento biopsicológico dos tema central do VIII Encontro Luso- Clubes da Melhor Idade – parceira do seniores”, por Fátima Gameiro, da Brasileiro de Turismo Sénior que, este Inatel, na organizou dos encontros que Universidade Lusófona de Humanidades ano, decorreu no Inatel “Um lugar ao se realizam, alternadamente, em e Tecnologias; “Amor e Sexualidade na Sol” na Costa de Caparica, entre os dias Portugal e no Brasil. Melhor Idade”, pelo Prof. Jorge Cardoso, 1 e 3 de Junho último, com a Nos vários painéis deste VIII Encontro, do Instituto Superior de Ciências da participação de centenas de brasileiros destacaram-se, entre outros, “ULTI – Um Saúde Egas Moniz/Hospital Júlio de e portugueses, incluindo especialistas projecto de modernidade”, por Emília Matos; e “A amizade luso-brasileira” pela dos dois países na abordagem dos Barradas Noronha, presidente das professora Maria Lúcia Lepecki, da temas em debate. Universidades e Academias da Terceira Faculdade de Letras de Lisboa. Na cerimónia de abertura, que contou Idade, que referiu a importância destes A Encontro contou, ainda, com uma com a presença de Teresa Almeida, espaços para a realização pessoal dos animada componente lúdico-cultural, Governadora Civil de Setubal, José seniores na fase de aposentação ou com o grupo vocal “A Quatro Vozes” Alarcão Troni, Presidente do Inatel, reforma; “Direitos e Deveres do Idoso”, (membro do Coro Gulbenkian), Jazz saudou os presentes, e em especial por Paulo Roberto Barbosa Ramos, da Kindding Big Band e eleição da miss e Genilda Cordeiro Baroni, Presidente da Universidade Federal do Maranhão; mister entre os participantes. INATEL: cooperação desportiva em Angola Cerca de três dezenas de dirigentes desportivos da UNTA – União Nacional dos Trabalhadores de Angola - oriundos de Luanda, Cabinda, Huambo, Bengela e Namíbe, participaram numa formação no âmbito do desporto para trabalhadores, ministrada pelos coordenadores desportivos do Inatel, Alberto Quádrio, Artur Madeira e Jorge Torrão, que decorreu em Angola. Integrada no Programa de Solidariedade da CSIT, esta formação foi saudada pela UNTA que, numa moção aprovada por todos os participantes, salientou a sua importância para a “massificação do desporto no seio dos trabalhadores” e reconheceu “a idoneidade e sábia experiência dos professores intervenientes na transmissão dos conhecimentos ministrados”, recomendando a sua continuidade em futuras acções de cooperação. Julho/Agosto 2006 TempoLivre 7 Minho e Alentejo dominam “Encontrão” A Aula Magna da Universidade Nova de Lisboa foi palco, nos dias 17 e 18 de Junho passado, da final nacional do Encontrão, uma iniciativa do Departamento Cultural do Instituto, que Vencedores na categoria de Música, a Banda de Lavre abrange as áreas de Etnografia, Musica e Teatro. Das cerca de quatro dezenas de finalistas nas três áreas do evento, oriundos de vários pontos do país, venceram na categoria de Música, a Banda da Casa do Povo de Lavre, Évora, com “Sons do Exótico”; na Etnografia, o Grupo de Sargaceiros de Apúlia e, em baixo, CCD de Unhais do Diabo Sargaceiros da Casa do Povo de Apúlia, Braga, com o trabalho “Apanha do Sargaço”; e, na área de Teatro, o primeiro lugar coube à peça “A Serrada da Velha”, representada pela Associação Cultural Unhais do Diabo, de Viana do Castelo. Um excelente espectáculo de Fernando Pereira, acompanhado por bons músicos, um corpo de baile, um coro e duas artistas convidadas, Lara Afonso e Vânia Marotti, a celebrar a portucalidade e música portuguesa, no reencontro com as Grandes Vozes nacionais - numa escolha feita por mais de 50 mil associados -, culminou as comemorações do 70º aniversário do INATEL. O espectáculo teve lugar no Forum Lisboa e foi gravado pela RTP para posterior transmissão. 8 TempoLivre Julho/Agosto 2006 ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~ Notícias Concerto Entre-os-Rios O Inatel Entre-os-Rios promove no próximo dia 21 de Julho, pelas 21h30, numa parceria com o departamento de cultura da câmara de Penafiel, o concerto Ensemble Solista de Berlim. Artesanato em Oeiras O Inatel Oeiras vai dinamizar, de Julho a Setembro, o seu espaço exterior, com diversas exposição e atelier de artesanato na esplanada da unidade. A iniciativa, apoiada pelo município local, terá, diariamente, a participação de vários artesão de Artmix e de Rampinelli, que irão confeccionar e ensinar a reciclar papel, cartão, latas e garrafas, ponto cruz, trabalhos em casca de coco, madeira, espantaespíritos e Bijuterias. Durante os finsde-semana, poderão também apreciar outras manifestações de artesanato, casos de cerâmica, artes decorativas, joalharia e pintura. Verão multicultural em Sta. Maria da Feira O Inatel em Santa Maria da Feira desenvolve, durante os meses de Julho e Agosto, um pacote aliciante de actividades, nomeadamente uma “Viagem Medieval em Terras de Santa Maria”, de 28 de Julho a 6 de Agosto; Iniciação ao Yoga, Tai Chi (grátis nos sábados para utentes); animação cultural à noite; tratamento clássico nas Termas de S. Jorge e bem-estar termal: termalfit (especial boa forma) e termal break (programa de curta duração) com transporte gratuito e desconto de 7% para utentes do Centro de Férias; A programação inclui, ainda, deslocações ao Visionarium, no Europarque, com descontos de 50% para utentes; serviço de helicóptero, opcional, para voo turístico ou de âmbito profissional; subidas de Barco pelo Douro, do Porto à Régua, com regresso de comboio para o Porto e transporte para a unidade. Festa Inatel 2006 Centenas de trabalhadores e respectivas famílias reuniram-se para o encontro anual de confraternização e comemoração do 71º Aniversário do INATEL, no passado dia 25 de Junho, no centro de férias “Um Lugar ao Sol”, na Costa de Caparica. Durante o evento, José Alarcão Troni, Isabel Leal de Faria e Luis Lamas, Presidente e vice-Presidentes do Instituto, distinguiram os trabalhadores que, este ano, atingiram 45, 40, 35, 30, 25 e 20 anos de antiguidade, casos de Joaquim Ormonde (Angra do Gonçalves (Sta Mª da Feira); Angelina Paula, Mª Conceição Heroísmo); Joaquim Pulquério, Celeste Góis e Luciano Góis Pimenta e Mª Adelaide Barrancos (Setúbal); Fernanda Sousa (Caparica); Adozinda Oliveira, Mª Natália Cunha e José Alho (Viana do Castelo); Orlando Mourão (Vila Real); Alice Santos e (Coimbra); Mário Proença e Luis Filipe Cassapo (Covilhã); António Campos (Viseu). Hipólito Gonçalves e António Ferreira (Entre - os - Rios); Ana Alarcão Troni usou ainda da palavra para sublinhar a Mª Lourenço, Mª Teresina Gonçalves e Isabel Santos (Foz do importância da futura alteração estatutária do Instituto para Arelho); Mª Céu Ferreira, Carlos Raposo, José Inácio Gomes, uma maior eficácia e competitividade do INATEL no âmbito do José Pires, Mª Cecilia Ramos, Mª Fernanda Francisco, Carlos turismo social e deu conta do objectivo imediato da Direcção Coelho e Joaquim Balbino (Lisboa); Mª do Carmo Rios (Luso); na formação profissional dos trabalhadores numa perspectiva José Moreira, António Cruz e Ramiro Martins (Oeiras); Mª humanista. Antónia Soares, Deolinda Cunha, Margarida Pereira e Rosa A finalizar o almoço de convívio, teve lugar um momento Gonçalves (Porto); Miguel Cabo (S. Pedro do Sul); Manuel musical a cargo de Rita Guerra e Zé da Viola. Cultura Courense em Bordéus O Grupo Etnográfico de Paredes de Coura, deslocou-se nos passados dias 2, 3 e 4 de Junho a Bordéus onde foi recebido pela Associação “Alegria Portuguesa de Gironde”. No dia 4, no parque Palmer de Cenon, no 24º festival folclórico da associação anfitriã, perante centenas de portugueses, o Grupo Etnográfico exibiu as suas danças e cantares. Para além dos courenses e da “Alegria de Gironde ” também participaram o Grupo “Humor e Sociedade” Folclórico do Alto-Minho em Andorra, o Rancho Folclórico de S. Paio dos Arcos de Valdevez, o Grupo Bonecos de Santo Aleixo O Museu Nacional da Imprensa, de Cepões oriundo de Viseu e os Pauliteiros de De 5 a 14 de Julho irá decorrer vai inaugurar o VII PortoCartoon: Miranda (Grupo de emigrantes em França). no Teatro Garcia de Resende um Humor e Sociedade, no dia 1 de Workshop sobre os Bonecos de Agosto, no átrio do Ministério das Santo Aleixo, no âmbito do Finanças, em Lisboa. A exposição Projecto de Investigação sobre do VII PortoCartoon, dedicado ao “Os Bonecos de Santo Aleixo no “Humor e Sociedade”, é passado e presente do teatro em constituída por mais de 200 Portugal”, projecto esse sedeado cartoons e apresenta os no Centro de História de Arte da trabalhos premiados, as menções Universidade de Évora, realizado honrosas atribuídas e os em parceria com o Centro melhores desenhos Dramático de Évora e que conta seleccionados dos quatro cantos com o apoio da Fundação para a do mundo. Ciência e Tecnologia. Julho/Agosto 2006 TempoLivre 9 REGULAMENTO X CONCURSO “TEMPO LIVRE” DE FOTOGRAFIA 1. Concurso Nacional de 2. As fotos devem ser envia- 4. O tema é livre e cada concor- e as fotos concorrentes não Fotografia da revista Tempo das para Revista Tempo Livre rente pode enviar, mensalmente, serão devolvidas. Livre. Periodicidade mensal. - Concurso de Fotografia, um máximo de 3 fotografias de Podem participar todos os Calçada de Sant’Ana, 180 - formato mínimo de 10x15 cm e 6. O concurso é limitado aos sócios do Inatel, excluindo os 1169-062 Lisboa. máximo de 18x24 cm., em sócios do Inatel. Todas as papel, cor ou preto e branco, fotos devem ser assinaladas no sem qualquer suporte. verso com o nome do autor, seus funcionários e os elementos da redacção e 3. A data limite para a colaboradores da revista recepção dos trabalhos é o dia Tempo Livre. 10 de cada mês. direcção, telefone e número 5. Não são aceites diapositivos de associado do Inatel. Fotos Premiadas [1] [3] [2] 7. A Tempo Livre publicará, em 9. Prémios: As três fotos selec- 10. Grande Prémio Anual: premiadas e publicadas cada mês, as seis melhores fotos cionadas terão direito a duas uma viagem a escolher na nos meses em que decorre o (três premiadas e três menções noites para duas pessoas num dos Brochura Inatel Turismo concurso. honrosas), seleccionadas entre Centros de Férias do Inatel Social - Verão 2006, até ao as enviadas no prazo previsto. durante a época baixa, em regime montante de 1750 Euros. 11. O júri será composto de APA (alojamento e pequeno- A este prémio, a publicar na por dois responsáveis 8. Não serão seleccionadas, no almoço), válido por 12 meses. O revista Tempo Livre da revista Tempo Livre mesmo ano, as fotos de um con- premiado(a) deve contactar a de Setembro de 2006, e por um fotógrafo corrente premiado nesse ano redacção da «TL» concorrem todas as fotos de reconhecido prestígio. Menções Honrosas Fernando Bento, Amadora [1] Víctor de Sousa, Penafiel Luís Sousa, Valongo [2] Virgílio Pereira, Lisboa [3] Paula Vilela, Torres Vedras José Pereira, Lagos TERRA NOSSA 14 TempoLivre Julho/Agosto 2006 S. Miguel A ilha verde Com um manto verde, salpicado aqui e acolá por maciços vulcânicos, flores de diversas tonalidades e abundantes pastagens, a ilha de S. Miguel, é um destino de paz e tranquilidade para umas férias retemperadoras. Julho/Agosto 2006 TempoLivre 15 TERRA NOSSA O Jardim José do Canto ocalizada no grupo oriental do arquipélago, S. Miguel é a maior e mais povoada das nove ilhas açorianas. Rodeada de um certo misticismo, não só pelo facto de os Açores serem apontados como vestígios da lendária Atlântida, a ilha do Arcanjo, como Natália Correia muitas vezes a apelidou, vive numa perfeita harmonia entre o mar e a terra, onde qualquer recanto é singular, ora evidenciando paisagens de beleza agreste, ora convidando ao romantismo e troca de beijos apaixonados. Paraíso de temperaturas amenas, com vaquinhas a viver tranquilamente dia e noite pelos campos, a ilha parece agradecer à Mãe Natureza o sol e a chuva que com frequência a abençoa, conferindo-lhe uma inigualável tonalidade verdejante. L PAISAGEM AGRESTE E ROMÂNTICA A beleza resultante das crateras dos vulcões extintos ou adormecidos, como os habitantes insistem em afirmar, atrai os visitante às Furnas, ex-libris da ilha, e local de paragem obrigatória, não só para apreciar a lagoa e as manifestações vulcânicas donde brotam géiseres de água fervente e lamas medicinais, como para degustar o delicioso cozido preparado nas caldeiras vulcânicas, que aqui adquire um sabor único. Mas é na Serra Devassa, constituída por rochas escarpadas revestidas de pedra-pomes e de outros materiais pomíticos que podemos encontrar o maior número de lagoas da ilha, entre elas, as mais conhecidas são a Lagoa de Santiago, do Carvão (como seu pico e vista sobre a ilha e mar), do Canário, a Rasa e as lagoas Verde e Azul das Sete Cidades - uma caldeira de cerca 16 TempoLivre Julho/Agosto 2006 A partir do final do séc. XVIII diversas famílias açorianas promoveram a criação de jardins botânicos que, em S. Miguel, atingiram o apogeu na segunda metade do séc. XIX. O mais rico em espécies, segundo testemunhos da época foi o jardim plantado por José do Canto (1820-1898) a partir de 1845, que, em Ponta Delgada, cobre cerca de seis hectares. Ao longo de mais de um século foi visitado por incontáveis viajantes, entre os quais se assinalam figuras célebres como o Rei D. Carlos, Franklin Roosevelt, Jorge Amado, Mário Soares, Jorge Sampaio, entre outros. As árvores, plantadas no jardim, dada a riqueza do solo e o clima, desenvolveram-se quase todas, e muitas por forma espectacular, chamando a atenção pelo gigantesco porte, beleza de copa, robustez de troncos ou ainda pela singularidade das raízes, na parte visível. Só para dar alguns exemplos, refiram-se, entre muitos outros, os “metrosíderos” ou as “ficus elásticas” e as “araucárias” (entre as quais se notam as “excelsas” pela elegância do seu porte e altura, alguns belos exemplares brasileiros de “pinho do Paraná”, bem como a raríssima araucária anã). No Jardim existem várias construções: o monumento a José do Canto, o Palácio, o Solar do séc. XVIII, o Pavilhão (ex-estufa de traça Vitoriana) e a Capela de Sant’Ana (séc. XVII). Hoje, o Jardim e os seus edifícios estão abertos ao turismo: no piso térreo do Palácio está instalada a Residencial Casa do Jardim, com 14 quartos com casa de banho, que funcionam no regime de alojamento e pequeno-almoço. Fica próximo da Delegação regional do Inatel e está prevista uma parceria com o Instituto que facilitará o acesso dos nossos associados a tão aprazível espaço. A grande sala do primeiro piso é cedida para festas, conferências, concertos, ou outros eventos, bem como o Pavilhão. As terras em que foi plantado por José do Canto, em Ponta Delgada, o Jardim Botânico, que tem o seu nome, pertenceram à sua mulher, D. Maria Guilhermina Taveira de Neiva Frias Brum da Silveira, 12ª Senhora da Casa e Morgado dos Bruns, e estavam integradas em dois dos principais vínculos de que foi a última administradora: o de Diogo Vaz Carreiro e o do Licenciado António de Frias. Pertencem, assim, à mesma família, há vinte gerações. O primeiro proprietário das terras (ou de parte delas) terá sido um povoador vindo para S. Miguel no séc. XV, Gonçalo Vaz Carreiro. Segundo Gaspar Frutuoso a sua saída do continente ficou a dever-se a uma eterna causa de complicações: uma questão sentimental. Escreve o Cronista: “Havia-se casado este Gonçalo Vaz, contra vontade de seus pais, com Isabel Cabeceiras, (…) moça tão formosa, que se falou em sua formosura à mesa de El-Rei D. João II; e pela razão daqueles males e a conselho do sogro, veio então a esta Ilha, recebendo do Capitão todas as terras, tantas e tão importantes que se afirmou rendiam cada ano mais de dois mil moios de trigo, que êle por sua vez espalhava em dádivas por outros colonos e vizinhos que conhecia, consolidando assim fidalgamente a situação privilegiada que desfrutava.” D. Maria Guilhermina herdou a casa dos Bruns com poucos anos. A época era turbulenta... a fortuna enorme... desenfreadas as cobiças de parentes... Compreende-se bem a urgência da Mãe em vê-la casada. O casamento com José do Canto veio a realizarse em 17 de Agosto de 1842, tendo ele 22 anos de idade e ela apenas 15. Assim as velhas terras dos CarreirosFrias-Bruns passaram a ser administradas por José do Canto que iria influenciar profundamente o seu destino. Tendo grande interesse pela botânica, entra, desde logo nessa “competição” que, na época se desenrolava em S. Miguel quanto à implantação de Jardins Botânicos. Ainda nos anos de 1840, encomenda em Londres o projecto do Parque e de um Palácio, a David Mocatta (1806-1882), homem considerado, na época, de muito bom gosto e influenciado pelos seus longos anos de estudo em Itália. O projecto tem a data de 1845 e José do Canto pagou por ele um preço que considerou “exorbitante”. Note-se que os arruamentos do Jardim mantêm até hoje, na sua maioria a traça do projecto inicial. Durante cinquenta anos, vivendo em Paris ou em S. Miguel, José do Canto adquiriu permanentemente espécies para o Jardim, contactando os maiores viveiros da época pessoalmente ou por carta. As suas cartas fazem referências constantes a aquisições; parques botânicos visitados ou contactados por carta; viveiristas, comerciantes e fornecedores das espécies adquiridas (numa carta refere um lote que, encontrando-se pronto a ser expedido do jardim de Argel para S. Miguel... foi comido por uma praga de gafanhotos...), preços; transporte das compras para a Ilha, instruções a agências e até a comandantes de navios. A contínua expansão do parque e o seu enriquecimento botânico durou mais de metade do século XIX. Dos anos 40 (o projecto está pronto em 1845/46) até 1898 (ano da morte de José do Canto), terá chegado a conter cerca de 6000 espécies. Em 1937, nas partilhas ocorridas por morte de D. Margrida Brum do Canto Hintze Ribeiro (filha de José do Canto), o Jardim é dividido em duas fracções de tamanho desigual. Um socalco correspondente à extrema norte da propriedade, com área relativamente pequena, mas onde se encontra implantada a chamada casa do “Calço da Má Cara”, cabe a António Brum do Canto Hintze Ribeiro (filho de D. Margarida). Todo o resto do Jardim, apenas com as ruínas das casas de Diogo Vaz Carreiro, cabe a D. Maria da Graça (neta de D. Margarida), casada em 1938 com Augusto de Athayde. A propriedade pertence hoje aos descendentes deste casal. Morada: Rua José do Canto, Ponta Delgada - tel. 296650310, (horário das 10h às 19h – de Novembro a Abril encerra ao pôr do sol) Julho/Agosto 2006 TempoLivre 17 TERRA NOSSA GUIA Ir e de São Pedro; o Convento Água de Pau, Achada, Salto ROYAL GARDEN HOTEL – A SATA e a TAP têm voos e Capela de N. Senhora da do Cavalo, Pico do Ferro, R. de Lisboa, tel. regulares com partidas de Esperança; o Palácio e Ponta do Escavadinho, as 296307300; HOTEL Lisboa e Porto para S. Sant’Ana, sede da piscinas naturais de HOLIDAY INN AÇORES – Miguel, com duração de Presidência do Governo Mosteiros e da Ponta da Av. D. João III, 29, tel. cerca de duas horas. O Regional dos Açores, rodea- Ferraria, plantações de chá 296630000; HOTEL aeroporto situa-se a cerca do por um amplo e bonito da Gorreana e Porto MARINA ATLÂNTICO, Av. de 5 km de Ponta Delgada. jardim; o Museu Carlos Formoso e as estufas de Infante D. Henrique, tel. Machado, com colecções ananases de Fajã de Baixo. 296307900; HOTEL VIP Ver de pintura, escultura, Em Ponta Delgada, faça gravura, azulejos, zoologia, À Mesa de S. Gonçalo, tel. uma visita a pé ou através botânica e etnografia açori- A ilha é repleta de cheiros 296000100. da “Lagarta”, comboio ana; o Teatro Micaelense, e sabores únicos. Vila Franca do Campo: turístico que funciona entre importante centro de cul- Obrigatórios: o suculento HOTEL BAHIA Maio e Outubro. Poderá tura da cidade; o Cozido e o bolo lêvedo das PALACE(****), Àgua apreciar as Portas da Miradouro da Mãe de Furnas, os torresmos, as D’Alto, tel. 296539130. Cidade, uma curiosa cons- Deus; os Jardins Antero de Queijadas de Vila Franca, Água de Pau: CALOURA trução com três imponentes Quental, Padre Sena de Confeitos da Ribeira AÇORES RESORT(****) – arcos, ostentando no fron- Freitas e José do Canto e Grande, Barriga de Freira, a R. do Jubileu, tel. tão central o duplo brasão os parques Santa’Ana e abrótea, o chicharro, o 296302200. das armas reais da cidade; Municipal. goraz, as lapas, o polvo, o EXECUTIVE AZORES – R. ananás, os iogurtes açoria- Artesanato taleza renascentista con- Outros locais nos, o chá, o queijo da ilha Vimes, bordados e cerâmi- struída para defesa da ilha S. Miguel ostenta um con- e o leite. cas em tons de azul contra os corsários; a junto de rara beleza natu- Estátua de Gonçalo Velho ral, como as Furnas, Lagoa Dormir Festividades: Cabral (presumível desco- e vila das Sete Cidade, Ponta Delgada: HOTEL S. Festas do Espírito Santo, bridor da ilha) e do Arcanjo Lagoa do Fogo, Povoação, PEDRO(****) - Lgo acontecem por toda a ilha, S. Miguel, a Praça da Vila Franca do Campo com Almirante Dunn, tel. no quinto domingo depois República e os Paços do seu ilhéu, Ribeira Grande, 296301740; HOTEL da Páscoa. Concelho; a Igreja Matriz de Ribeira Quente, Miradouro AVENIDA - R. Dr. José São Sebastião (estrutura do Sossego, Ponta da Bruno Tavares Carreiro, tel. Úteis gótica com exterior Madrugada, Miradouro da 29620960; HOTEL Posto de Turismo: manuelino) e as igrejas de Algarvia, Pico da Vara COLÉGIO – R. Carvalho Av. Infante D. Henrique, tel. S. José, de Todos-os-Santos (maior elevação da ilha), Araújo, 39, tel. 296306600; 296285743 o Forte de S. Brás, típica for- 18 TempoLivre Julho/Agosto 2006 Furnas Delegação do Inatel Ponta Delgada Lagoa do Fogo de 12 km de perímetro, com a pitoresca povoação das Setes Cidades no seu interior. Uma paisagem que faz sonhar mesmo quando as nuvens tapam e destapam recantos da lagoa e, onde a água reflecte apenas o céu e a vegetação ao redor, composta por criptomérias ou por hortênsias, azáleas e conteiras que salpicam de cor o manto verde da ilha. Também a Lagoa do Fogo, no centro S. Miguel, com a Caldeira Velha, nascente de água quente e férrea que cai em cascata, localizada na meia encosta do vulcão, evidencia a força da natureza e desperta paixão. Em Vila Franca do Campo, o ilhéu com piscina natural em frente à vila, convida à tranquilidade e a passeios de barco, que decorrem entre Junho e Setembro, enquanto a região Nordeste, assim designada devida à sua localização, exibe uma paisagem mais exuberante e rude. Por aqui a vegetação é frondosa em flores e árvores e as montanhas bem mais elevadas, existem profundos desfiladeiros, pontas de terra que entram no mar, caso da Ponta da Madrugada, e cascatas e ribeiras caudalosas, de cortar a respiração! político e administrativo. Um singular povoado de pescadores que deu origem ao actual centro cosmopolita aberto ao exterior, como sinal de adequação aos novos tempos, e que em breve acolherá o Casino Príncipe do Mónaco, nas proximidades da Marginal. Terra de Pauleta e de Antero de Quental, Ponta Delgada, é uma amálgama de estilos, concepções artísticas e urbanísticas que vigoraram harmoniosamente ao longo da sua existência. Visitar as igrejas e monumentos dos séculos XVI e XVII; apreciar os palácios e mansões oitocentistas - fruto da abastança da exportação da laranja para o Reino Unido; admirar os azulejos, as calçadas e fachadas em basalto e os ferros fundidos das varandas e óculos de porta - obra de notáveis artífices micaelenses; e desfrutar a Avenida Marginal, zona de eleição para convívio social, eis o roteiro obrigatório para os viajantes menos apressados e apostados em descobrir os encantos da bela capital açoriana. UMA DELEGAÇÃO PARA O SÉCULO XXI UMA CIDADE COM FUTURO Debruçada sobre uma larga enseada, Ponta Delgada, é o centro nevrálgico de S. Miguel e local de decisão O Inatel em Ponta Delgada, instalada na rua do Contador no edifício que acolheu o primeiro hotel da cidade, intitulado “Terra Nostra”, é um espaço agradável, Julho/Agosto 2006 TempoLivre 19 TERRA NOSSA Hotel S. Pedro A oferecer conforto e bem-estar o Hotel S. Pedro, situado no coração de Ponta Delgada, está disponível para acolher os associados do Inatel, fruto de uma parceria com a Escola de Formação Turística e Hoteleira (EFTH), que actualmente explora a unidade. Trata-se de um hotel de aplicação para aulas práticas e estágios profissionais nas áreas de cozinha, mesa e bar, serviços de andares e quartos, recepção e atendimento. Para Filipe Rocha, director executivo da EFTH, este é um projecto pioneiro de resposta eficaz à crescente procura de profissionais qualificados no sector turístico, que alia teoria, prática e formação em contexto real de trabalho. Filipe Rocha revela ainda, a grande aposta na gastronomia, onde apresenta um menu com várias iguarias regionais. Instalado num edifício do século XIX, construído para residência do Vice-cônsul norteamericano, Thomas Hickling (1745-1834), produtor e exportador de laranja, é um projecto inglês, ao estilo georgiano, construído com materiais importados e incluindo motivos arquitectónicos característicos, murais a fresco e desenhos de primorosa execução. O secular edifício, adquirido por Vasco Bensaúde anos depois da I Grande Guerra, recebeu adaptações e acrescentos, mantendo as primitivas características e foi inaugurado em 1965 com a designação de Hotel de S. Pedro. Dispõe de 17 quartos, equipados com casa de banho privativa, telefone, TV Cabo, serviço de restaurante, lavandaria, parque de estacionamento e Jardim embora mereça obras de melhoramento no seu interior. Com uma equipa de quatro pessoas, Carlos Martins, Subdelegado regional, tem a seus ombros a árdua tarefa de apoiar a cultura e desporto popular e ainda desenvolver o turismo social local nas duas ilhas do grupo oriental – S. Miguel, com cerca de 140 mil habitantes e Santa Maria, perto de seis mil habitantes. Um dinamismo e iniciativa com especificidades direccionadas para o enquadramento actual de ambas as ilhas. Por isso, Carlos Martins aposta na inovação e moderniza20 TempoLivre Julho/Agosto 2006 voltado para a Av. D. Henrique, em frente ao mar. É um espaço ideal para acolher festas, baptizados e outros eventos. Os preços de alojamento variam entre os 30 e os 50 euros. Actualmente, o hotel conserva um luxo discreto e sereno, onde figuram quadros de importantes pintores ingleses, um relógio de coluna Bentley & Beck, uma peça em pedra em forma de flor, pertencente ao parlamento inglês, antes de ter sido parcialmente destruído pelos bombardiamentos alemães em 1941, mobiliário antigo e um cedro secular encontrado soterrado nas cinzas vulcânicas das Sete Cidades. Morada: Lgo Almirante Dunn, Ponta Delgada - tel. 296301740 fax 296301744. Mais informações no site: www.efth.com.pt ção das actividades desenvolvidas, com o intuito de atrair novos associados e de melhor servir o interesse das populações. E nesse sentido, com a mesma coragem que se aliou ao Rali Lisboa-Dakar, no início o corrente ano, percorrendo com uma equipa da Terceira um total de 9.140 km, em 15 dias de expedição, aposta, agora, nos passeios todo-o-terreno de jipe, moto, moto 4 (quod’s) ou outros nos mais belos recantos da ilha, bem como revela ter sugestões inovadoras para aplicar ao Turismo Sénior inter-ilhas. I Glória Lambelho [texto] José Frade [fotos] COMUNIDADE DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA [ V ] MOÇAMBIQUE Mosaico cultural no Índico Dentro da CPLP, Moçambique é um dos países com maior diversidade étnica, cultural e religiosa. Esta extraordinária riqueza convive num vasto território pleno de atracções naturais, a começar pela belíssima costa banhada pelo Oceano Índico. CPLP > MOÇAMBIQUE O s mais de dois mil e quinhentos quilómetros de litoral, marcados por uma sucessão de cenários de ilhas, lagoas, mangais, extensas praias de areia fina e palmeirais a perder de vista, são frequentemente citados como um dos principais cartões de visita de Moçambique, designadamente quando se fala do potencial de desenvolvimento na área do turismo. Mas, se é certo que a grande maioria dos visitantes chega em busca desses lugares encantadores (“mágicos”, como repete invariavelmente o verbo pobre das revistas de viagens), Moçambique tem muitas outras facetas para além dessas paisagens de postal – ou, para actualizar a ironia, paisagens de desktop… Dito de outro modo, seria imperdoável que o interesse por Moçambique se circunscrevesse ao domínio superficial do que os europeus conhecem por “paisagens de sonho” – o Arquipélago de Bazaruto, as praias de Inhambane, os palmeirais da Zambézia, o Parque Nacional das Quirimbas, etc., etc. – e ignorasse o imenso património cultural que é, provavelmente, a maior das riquezas do mosaico de gentes que habita o território. DINÂMICAS CULTURAIS Que razões pode, enfim, o viajante mais exigente invocar para se meter a viajar para (e por) Moçambique? Começaria precisamente pela gente moçambicana, sublinhando dois aspectos. Por um lado, após longos anos de guerra e de devastação, a presteza com que se instalou em Moçambique uma atmosfera de paz e se pôde inaugurar uma série de dinâmicas económicas e sociais só pode ser atribuí- Seria imperdoável que o interesse por Moçambique se circunscrevesse ao domínio superficial do que os europeus conhecem por “paisagens de sonho” e ignorasse o imenso património cultura do país da, no seu maior grau de responsabilidade e mérito aos moçambicanos. Por outro lado, a diversidade multicultural e multiétnica é uma das mais fortes componentes identitárias da sociedade moçambicana, uma síntese de referências que concretiza o encontro de África com o Oriente e a Europa. É importante e justo relevar também as dinâmicas de produção cultural e criação artística que contribuem para definir um lugar especial para Moçambique no quadro dos países da CPLP. Malangatana tem herdeiros para continuar o caminho luminoso que inaugurou nas artes plásticas – Naguib, Saranga, Xerinda… – enquanto na literatura há nomes novos a ampliar a lista de consagrados como Craveirinha ou Mia Couto: Suleiman Cassamo, Aldino Muianga, Rogério Manjate… “As mãos dos pretos”, uma antologia de contos organizada por Nelson Saúte, é uma boa introdução à literatura moçambicana. Maputo é o pólo fulcral dessas dinâmicas. Na capital sucedem-se exposições de artes plásticas, teatro, concertos (além de históricos e novos moçambicanos, internacionais como o carismático Oliver Mtukudzi, um dos melhores compositores e instrumentistas da África Austral e Sibonguile [ >>> Continua na pág. 28 ] 24 TempoLivre Julho/Agosto 2006 Os desafios do desenvolvimento Moçambique – cujo nome é por uns atribuído à designação rais e humanos, bem como da sua matriz sociocultural. original da Ilha de Moçambique (Ilha Muipiti) e por outros ao Para além das Organizações Internacionais das quais é parte – nome de Mussa-Bin-Biki, filho do sultão Bin Biki, senhor da Organização Mundial do Comércio (OMC), União Africana ilha, aquando da chegada de Vasco da Gama em 1498 – possui (UA), Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), Câmara de variados recursos naturais, um subsolo rico, capacidades Comércio Internacional (CCI), Organização das Nações Unidas energéticas consideráveis e uma extensa orla marítima. (ONU), Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial Apesar das grandes potencialidades económicas, os desafios (BM) – Moçambique é igualmente membro da Comunidade do desenvolvimento em Moçambique permanecem na pobreza para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) e do rural endémica, nas desigualdades do género, em níveis de Mercado Comum da África Oriental e Austral (COMESA), bem desenvolvimento regional díspares, em elevadas taxas de ili- como da Commonwealth (Comunidade Britânica) desde teracia, na elevada vulnerabilidade a catástrofes naturais e na Novembro de 1995 e da CPLP (Comunidade de Língua crescente ameaça do vírus da SIDA. Portuguesa) desde 17 de Julho de 1996. Não obstante os graves problemas que Moçambique ainda hoje Um dos aspectos mais relevantes na CPLP é a cooperação em enfrenta, a situação é incomparavelmente melhor do que a que termos de política externa, possibilitando uma actuação mais se vivia neste país no período em que aí fui Embaixador de eficaz na defesa dos interesses comuns e individuais de cada Portugal. Vindo do México em 1988 para assumir o meu novo país nas organizações internacionais onde está representado. posto em Moçambique, sempre considerei este período da minha Numa óptica de inserção regional e de estabelecimento de vida como um marco importante na minha realização socio- alianças estratégicas relevantes para o seu desenvolvimento, profissional. Moçambique era para mim um posto de eleição. Moçambique aderiu em 1995 à Commonwealth. Neste contexto Os tempos eram difíceis. Mergulhado numa sangrenta guerra convém recordar que todos os países vizinhos são por razões civil, o Governo de Moçambique, apoiado pelo Banco Mundial históricas membros desta Comunidade linguística. Tal não sig- e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), encetara em mea- nificou, contudo, um abnegar do papel da língua e cultura por- dos da década de 1980 reformas económicas e fiscais com tuguesa na sociedade moçambicana. Como Estado-membro vista à transição de uma economia socialista centralizada para simultaneamente da CPLP e da Commonwealth, Moçambique uma economia liberal de mercado, aberta ao investimento encontra-se na situação privilegiada de poder defender não só estrangeiro. Com grande parte das suas infraestruturas físicas os seus interesses, como também os interesses comuns da e capacidades de produção destruídas, ao que acresciam mi- CPLP junto de um fórum que congrega cerca de 1/4 dos países lhões de refugiados e deslocados, era chegado o tempo de do mundo e, assim, poder potenciar as relações económicas encontrar uma solução pacífica para conflito que opunha entre a Commonwealth e os países da CPLP, agilizando, desde 1976 a FRELIMO e a RENAMO. Durante a minha per- nomeadamente, as trocas comerciais e fomentando os investi- manência em Moçambique, os Governos italiano e português, mentos em sectores mais carenciados desses países. entre outros, a par da Comunidade de Santo Egídio, envidaram Moçambique integra ainda a nível regional a SADC, uma organi- grandes esforços na mediação entre os oponentes. Aquando zação que procura a construção de uma verdadeira integração da minha partida para em Washington, em finais de 1991, as regional, sendo que os seus membros actuam de forma concerta- negociações estavam em fase de finalização. da para a redução da dependência económica externa e para a Depois da adopção da Constituição de 1990, que introduziu o mobilização de apoios para projectos nacionais e regionais sistema multipartidário, e da assinatura do Acordo Geral de Paz em 1992, que pôs fim ao conflito armado no país, a consoli- A COOPERAÇÃO PORTUGUESA dação da paz e o aprofundamento da democracia têm consti- No âmbito das suas relações bilaterais com Moçambique, tuído prioridades do Governo moçambicano. Portugal estabeleceu uma estratégia de intervenção da Cooperação portuguesa naquele país, que articula as suas AS RELAÇÕES MULTILATERAIS competências e mais valias com as prioridades definidas pelo O processo de construção do Estado é comum em toda a Governo de Moçambique, no sentido de contribuir para a África, mas cada Estado possui a sua especificidade própria, redução da pobreza e para o seu desenvolvimento económico e que desde logo resulta do seu passado histórico. Em cada caso social. Como doador, Portugal tem participado no Plano de é igualmente necessário considerar neste processo o impacto Acção Para a Redução da Pobreza Absoluta - PARPA, uma das da sua história recente, do seu desenvolvimento específico de estratégias de acção do Governo moçambicano. A concepção acordo com a sua inserção regional, nomeadamente no que dos instrumentos gerais de cooperação entre Portugal e respeita às suas alianças estratégicas, dos seus recursos natu- Moçambique levou em consideração a persecução dos 26 TempoLivre Julho/Agosto 2006 Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (OMD), que têm Moçambique – a electricidade, o equipamento e a maquinaria são como desiderato o esforço conjunto da comunidade interna- também importados, na sua grande maioria, desse poderoso vi- cional doadora e dos países receptores em favor do desen- zinho. Os investidores sul-africanos, que adoptaram uma estraté- volvimento sustentado e da redução da pobreza, bem como da gia de expansão regional, controlam também três dos quatro com- implementação das recomendações tomadas no âmbito da plexos do açúcar, grandes fábricas de cereais, todas as fábricas de nova dinâmica gerada pelo lançamento e concretização da cervejas e de engarrafamento de refrigerantes. Um número con- União Africana e da NEPAD (Nova Parceria para o siderável de pequenas empresas também estão envolvidas. Desenvolvimento Africano). Com o objectivo global de con- O sector do Turismo (turismo de sol e praia, ecoturismo, turis- tribuir de forma decisiva para a redução da pobreza em todas mo cultural, turismo de aventura, turismo temático e de aven- as suas dimensões e melhorar a gestão das finanças públicas, tura), um sector com enormes potencialidades na geração dos considerada uma prioridade extrema pela comunidade doado- rendimentos para a economia nacional, emprego aos ra, Portugal apoia directamente o Orçamento de Estado nacionais, conservação ecológica e ambiental, investimento moçambicano, comprometendo-se este a uma criteriosa imple- público e privado, expansão das infraestruturas e aumento do mentação das acções descritas e calendarizadas. prestígio do país que pode criar um bom ambiente de atracção No âmbito do Fundo Europeu de Desenvolvimento (FED) da União de negócios em Moçambique encontra-se ainda pouco Europeia, a Cooperação portuguesa cofinancia projectos nos aproveitado. O Governo moçambicano desenvolveu, contudo, domínios da Justiça, Administração e financia um projecto um novo e importante instrumento – a Estratégia e a Política autónomo no domínio da Estatística complementar de um projecto Nacional do Turismo, que tem como objectivo transformar este comunitário. Através de trust funds Portugal intervém em diversos sector num motor do crescimento económico moçambicano. programas em Moçambique levados a cabo por organizações mul- Embora a maior parte do turismo, principalmente fora de Maputo, tilaterais como o PNUD (Programa das Nações Unidas para o pertença a investidores sul-africanos, este sector atrai também os Desenvolvimento), a UNESCO (Organização das Nações Unidas investidores portugueses. O grupo português Visabeira, com uma para a Educação, a Ciência e a Cultura), o Fundo Global Sida e com forte presença em Moçambique nos sectores da televisão por a UNIDO (Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento cabo, construção civil, hotelaria e restauração, anunciou um forte Industrial). Desenvolve igualmente acções comuns no âmbito da investimento em diversos projectos hoteleiros que se vão desen- Comunidade de Povos de Língua Portuguesa (CPLP). rolar em diversas províncias, acrescentando, assim, novos estabelecimentos aos cinco hotéis que o grupo já explora no país. MOÇAMBIQUE HOJE Entre os novos projectos prevê-se a construção de um «resort» no Em Dezembro de 2004, tiveram lugar em Moçambique, pela ter- lago Niassa, no Norte de Moçambique, que inclui um aeródromo ceira vez consecutiva, as eleições presidenciais e legislativas internacional privado, uma reserva de ecoturismo e uma coutada multipartidárias, uma conquista considerável para um país que, para caça desportiva. Também o Grupo Pestana, presentemente o após a independência, viveu 16 anos de guerra, até 1992. Depois maior grupo de turismo e lazer português, dispõe de três da instabilidade política e da desestabilização económica sentida unidades hoteleiras em Moçambique, nomeadamente o Pestana durante longos anos, a reconstrução de Moçambique começa a Rovuma Hotel, em Maputo, o Pestana Bazarrote Lodge, em fazer-se notar. Nos últimos anos a actividade económica foi prati- Inhambane e Pestana Inhaca Lodge, na ilha do mesmo nome. camente sustentada pelo sólido desempenho das indústrias Ao fundar uma Comunidade entre países que partilham entre extractivas e manufactureiras, dominadas por dois mega-projec- si não apenas uma língua, mas também uma cultura comum, tos: a fundição de alumínio (Mozal) e o gasoduto para transporte os Estados-membros da CPLP reconheceram, igualmente, a de gás natural que liga a província de Inhambane à África do Sul. importância da cooperação empresarial e das relações entre os Moçambique, que até 2000 ainda não produzia alumínio, é agora parceiros sociais e a sociedade civil para atingir os objectivos o terceiro maior exportador de alumínio para a UE. A África do da nova organização multilateral. Sul continua a ser, de longe, o mais importante fornecedor das A Escola Portuguesa de Moçambique – Centro de Ensino e importações de Moçambique, com cerca de 40% das importações Língua Portuguesa (EPM-CELP), a par das muitas iniciativas do país. Os produtos alimentícios são quase exclusivamente levadas a cabo pelo Instituto Camões em Moçambique junto provenientes da África do Sul. Muito embora Moçambique possua da sociedade civil, são um extraordinário veículo de conser- enormes recursos hidroeléctricos – a grande barragem de Cahora vação e difusão da cultura portuguesa, cultura essa que é Bassa, a segunda do continente, deverá passar para o controlo do resultado de quase meio milénio de história dividida. Estado moçambicano assim que aprovado pela União Europeia o Acordo estabelecido em Dezembro último entre Portugal e Texto: Embaixador Francisco Knopfli (Investigação: Yolanda Zürn) Julho/Agosto 2006 TempoLivre 27 CPLP > MOÇAMBIQUE Khumalo, estrela maior do jazz sul-africano passaram recentemente pelos palcos de Maputo), e timidamente, ainda, vão aparecendo iniciativas anuais de carácter internacional dedicadas à dança ou ao cinema, como os Encontros de Cinema Documental. A enumeração não pretende escamotear os problemas que um país da periferia tem que enfrentar, uns herdados de um sistema que está activo muito para além do tempo da independência, outros gerados mais recentemente e que decorrem tanto de factores internos como externos. As áreas de maior fragilidade são as óbvias, a economia, a educação, a saúde. Mas o país pode orgulhar-se de ter construído um dispositivo político, consagrado pela última revisão constitucional, que garante um diálogo mínimo entre as diferentes forças políticas, factor fundamental para o desenvolvimento, signifique o que signifique tão glosado conceito. PASSEIOS PELA CAPITAL Maputo continua, bem entendido, a marcar uma distância grande relativamente a outras geografias moçambicanas em termos de desenvolvimento e dinâmicas culturais e económicas, e esse desequilíbrio é um dos problemas de Moçambique, que, não obstante as taxas de crescimento económico dos anos recentes, mantém desigualdades sociais extremas. Os discursos oficiais, que reverberam os objectivos retóricos de algumas organizações internacionais, não tiveram até agora correspondência no terreno das coisas concretas e a chamada pobreza absoluta per- A capital é uma cidade muito agradável, animada, com muitos mercados ao ar livre, uma feira de artesanato semanal e vários locais de diversão nocturna onde se pode ouvir música africana e jazz manece por erradicar, apesar dos números que atestam o progresso do PIB. A expressão das desigualdades reforça, aliás, as críticas à fé cega que os economistas neo-liberais têm no crescimento económico (por si só insuficiente para garantir progresso social equitativo) e uma prova da pertinência da “descoberta” dos técnicos do PNUD: “A qualidade de vida da população pode ser baixa mesmo no meio da abundância”. Problemas à parte, a capital é uma cidade muito agradável, animada, com muitos mercados ao ar livre – na Avenida da Guerra Popular e na Eduardo Mondlane, na zona do Alto Maé, por exemplo –, uma feira de artesanato semanal (aos sábados, na recentemente renovada Praça 25 de Junho) e vários locais de diversão nocturna onde se pode ouvir música africana e jazz. Na estação ferroviária, num dos cais, o Chez Rangel tem jazz ao vivo aos fins de semana, enquanto o Africa Bar, na 24 de Julho, programa o que de melhor se vai fazendo no campo da música popular. As avenidas da capital, de traçado moderno e arejado, convidam a longos passeios sob as sombras das acácias e dos jacarandás. Poder-se-ia compor um sem fim 28 TempoLivre Julho/Agosto 2006 GUIA Como ir Nyerere, 1380, tel. da fortaleza de São máquinas de levantamento A TAP tem três voos se- 25821491001, fax Sebastião. O Omuhitipi é automático (ATM) nas manais para Maputo, às 25821491480, e-mail um bom local para saborear cidades mais importantes. terças e quintas. A tarifa, [email protected]; a gastronomia da ilha Os principais hotéis e com taxas incluídas, varia de 800 a 950 euros con- Marginal, tel. 25821495050, o também renovado Hotel cartões de crédito. soante a época. fax 25821497700 Maiaia (tel. 258526350/1) É aconselhada a profilaxia Hotel Holiday Inn, Av. Em Nacala, aconselha-se Hotel Cardoso, Av. restaurantes aceitam da malária, particularmente Quando ir Mártires de Mueda, 707, Úteis na época das chuvas. A época das chuvas decorre tel. 25821491071, fax É necessário visto, que Reservas de alojamento e de Novembro a Março. O 25821491804, e-mail pode ser obtido na programas especiais no país: período entre Maio e [email protected] Embaixada de SET Tours, Av. 24 de Julho, Outubro é o mais propício Moçambique, em Lisboa, ou 2096, 1º, tel. 25821311244; para viajar em Moçambique. melhor opção é o Hotel no Consulado do Porto. fax 25821311248; e-mail: set- Omuhitipi (tel. A moeda moçambicana é o [email protected], ou, em 25826526351, fax Metical, que equivale a Portugal, Soltrópico e Mundo 25826526356), situado junto 0,0000333 do Euro. Há VIP Onde ficar Hotel Polana, Av. Julius Na Ilha de Moçambique, a de roteiros entre a Avenida Julius Nyerere e a baixa, com extensões à Costa do Sol ou ao outro lado da baía, apanhando um dos barquinhos que faz o vaivém para a Catembe. Há, evidentemente, aquelas coisas culturais: o Museu de História Natural, um edifício de arquitectura neo-manuelina que tem uma interessante secção de etnografia com escultura e máscaras macuas, a Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição, o Museu Nacional de Arte, na Avenida Ho Chi Min, onde podemos ver pintura moçambicana contemporânea, nomeadamente obras de Malangatana e Chichorro, o Museu da Revolução, na Avenida 24 de Julho, que narra através de uma exposição documental a história da luta pela independência do país, ou o Museu da Moeda. No capítulo das exposições temporárias, o Centro de Estudos Brasileiros e o Centro Cultural Francês têm salas onde dão a ver regularmente obras de artistas moçambicanos. O MEU PEIXE É MAIOR DO QUE O TEU Mas as expressões culturais moçambicanas tomam forma também nas ruas e noutros lugares paradigmáticos na capital: o velho Jardim Tunduru, com os seus rituais festivos de casamento aos sábados, animado por danças e músicas que misturam gospel com o que vier à mão (ou ao pé), o histórico bazar, lugar sempre prazenteiro para compras e conversa de ocasião, ou o inimitável Mercado do Peixe, que bem merece uma mudança de parágrafo. Pois então: o dito tem, ou teve, outro nome, mais oficial: “A luta continua”. A expressão mantém actualidade simbólica, que a gente moçambicana tem razões de sobra para lutar – e luta, no dia a dia, em combates com adamastores sem rosto. O mercado, esse, é uma grande, saborosa confusão, entre risonhos apelos de vendedoras e vendedores, mares de amêijoa e graúdos espécimes piscícolas arrancados aos submarinos viveiros do Índico, pesos e contrapesos, com terceiros a ser requisitados para desfazer a dúvida, e cantorias daquela lógica de mercado Julho/Agosto 2006 TempoLivre 29 CPLP > MOÇAMBIQUE “o meu peixe é maior que o teu”. O tamanho, conta, sim senhor, mas a prova dos nove é da competência das papilas gustativas. Queira o cliente e não há razão para perdas de tempo: ali mesmo, ao lado, uns quantos restaurantes ao ar livre dão trato à peça. Em menos de um ápice, entre laurentinas e “dois émes” fresquinhas, era uma vez um peixe, uma lagosta, um cesto de camarão-tigre. E aí se cumpre o conselho de Ítalo Calvino: para conhecer um país, há que começar por o engolir… DO ROVUMA AO MAPUTO As expressões culturais moçambicanas tomam forma também nas ruas e noutros lugares da capital: o velho Jardim Tunduru, com os seus rituais de casamento animados por música e danças Apesar das sequelas da guerra, que afectou também a expressão da vida selvagem, há áreas que mantêm um excepcional interesse em termos de biodiversidade e constituem reservas naturais, com potencial para o eco-turismo. Algumas dessas zonas são já conhecidas dos viajantes, como o Arquipélago de Bazaruto ou a Ilha de Inhaca (e a sua vizinha Ilha dos Portugueses). Outras, como o Parque Nacional das Quirimbas, ao largo do litoral de Cabo Delgado, são quase um “segredo”, além da localização remota. As estâncias das ilhas de Matemo, Quilalea e Medjumbe não são acessíveis a todas as bolsas, mas mesmo assim é possível visitar o arquipélago de forma independente, a bordo de uma machua, e encontrar alojamento numa pousada na ilha do Ibo ou na Quirimba. À beira de Maputo, as praias da Macaneta, do Bilene, ou as extensões desertas que se estendem até à Ponta do Ouro, são opções a ter em conta para quem procura lazeres balneares. A caminho da Ponta do Ouro, em Malongane ou na Ponta Mamoli, há oferta de alojamento renovada. Assinale-se que este percurso a sul de Maputo requer um todo-o-terreno. Para norte, o litoral da Província de Inhambane é uma sucessão de praias sossegadas emolduradas por palmeiras: Tofo, Pomene, Baía dos Cocos, Zavora, Zavala... O Lago Niassa é outro destino que tenta a sua sorte no domínio do turismo. Há infra-estruturas recentes, e outras em projecto. O outrora famoso Parque da Gorongosa, no centro do país, está a ser repovoado, e desde o ano passado que recebe visitantes, embora em termos de infra-estruturas a recuperação ainda tenha caminho a percorrer. Na Província de Nampula vale a pena considerar a zona de Nacala, com a sua costa cheia de praias maravilhosas: as das Chocas e Mossuril, de Fernão Veloso, de Relanzapo, etc. As plantações de chá na Zambézia, e o litoral desta província, com vastas zonas de palmeiral, são cenários igualmente memoráveis. O único lugar moçambicano classificado pela UNESCO como Património da Humanidade (em 1991), é a Ilha de Moçambique, que conserva muitos sinais da presença portuguesa. A ilha espelha uma atmosfera única de encruzilhada de culturas e nela, como em todo o país, aliás, coexistem (pelo menos) três religiões – muçulmana, católica e hindu. A Igreja de Nossa Senhora do Baluarte, dentro do Forte de São Sebastião, é o mais antigo templo cristão daquela zona de África e é um dos testemunhos da presença portuguesa, a par das igrejas da Misericórdia e de Santo António, e do Palácio de São Paulo, actualmente um museu com um impressionante acervo de mobiliário indo-português. Humberto Lopes [texto e fotos] 30 TempoLivre Julho/Agosto 2006 O TEMPO E O MUNDO|DUARTE IVO CRUZ Somália Um novo estado da Al-Qaeda? Este mundo globalizado faz com que qualquer alteração política, distante que seja, tenha a ver connosco e não só no plano geral das solidariedades humanas e da estabilidade mundial: certas alterações, certos movimentos, em países com os quais nada temos podem significar alterações, riscos e desestabilizações dentro de casa. Veja-se o que ocorreu com os atentados de Madrid. PORTUGAL TEM, COMO SABEMOS, MUITO a ver com África: mas nem na perspectiva histórica tem a ver com a Somália. As pessoas da minha geração ainda estudaram o território, nas aulas e nos manuais de geografia dos anos 50, sob a designação de Somália Italiana. Foi uma descolonização tardia, mas ainda mais tardia, já nos anos 70, foi a descolonização do actual Djibouti, ex - território francês. Trata-se do que internacionalmente se chama “o corno de África”, sem que a designação seja considerada menos respeitosa... Em qualquer caso, a região que efectivamente delimita, como um chifre gigantesco, as margens do Mar Vermelho partilhadas pela Africa e pela Península Arábica, repartiu-se até há bem poucas décadas, entre a França, o Império Britânico e a Itália. Para além desta matriz colonial, já de si complicada, temos no terreno uma variedade de etnias que a religião muçulmana tornas mais consistente. Entretanto, no caso especifico da Somália, a agregação de zonas de colonização britânica e de colonização italiana num único Estado acabou por dificultar ainda mais a unidade nacional. Em 1991, o velho Presidente Siad Barre Moahmed, ditador de velho estilo, foi derrubado por um golpe confuso. O que, em si mesmo, poderia ser saudável, transformou-se numa das maiores tragédias humanitárias e politicas da Africa, e sabemos bem como elas abundam! A capital, Mogadíscio, foi desde essa data até ao corrente mês, campo de batalha de sucessivos senhores da guerra que provocaram uma guerra civil que já causou entre 300 e 500 mil vítimas e a deslocação de pelo menos um milhão de refugiados, que fogem da fome para países limítrofes tão pobres como o de origem. Os EUA tentaram em 1992 uma intervenção, que foi transmitida em prime time e em directo pela televisão os marines enviados pelo presidente Bush Pai desembarcaram triunfalmente em Mogadíscio, para um ano depois retirarem. A partir daí, o país dividiu-se em três: a Somália, que como Estado não existe, o Somaliand, que tem tido estabilidade, e o Putland, de que pouco se fala: estes dois correspondem às regiões anglófonas, aliás não reconhecidas como Estado pela comunidade internacional. Mas o resto deixou de existir como Estado: e de tal forma que em 10 de Dezembro de 2004 foi eleito um simulacro de Presidente, de Governo e de Parlamento - tudo no exílio, concretamente no Quénia. Há uma Constituição “temporária“ desde 6 de Outubro de 1990, também aprovada no Quénia. Dos 245 deputados, 10 são nomeados pelo Presidente do Djibouti! - Não há Banco Central, cada um imprime a moeda que bem quer (Shiling da Somália, cotação “oficial” de 0,006 euro por 1000 sh.; Shiling do Somaliland, 6800 sh por 1 dolar). 45% da população viverá com menos de 370 euros por ano. Por incrível que pareça a Coca-cola abriu uma linha de produção: tem algo como 130 empregados e 120 seguranças. E a rede móvel (Catilina) terá algo como 300 seguranças para 500 empregados. O que resta da economia concentra-se na agricultura, na pecuária e no cultivo e exportação da droga. Ora bem: 3 de Junho, Mogadíscio foi tomada por uma milícia da auto-intitulada União dos Tribunais Islâmicos, liderada aparentemente pelo Xeque Nur Barud. Este apelou à mobilização contra “os infiéis” e contra “os invasores ímpios”... Será este o novo Estado da Al-Qaeda? Ainda mais instável que o Afeganistão dos talibans? Se for assim, diz respeito a todo o mundo. I Julho/Agosto 2006 TempoLivre 31 ROTA DA LUSOFONIA LUSO-CANADIANA CONHECE O SUC Suzana da Câmara uma voz orgulhosamente portuguesa O sucesso da cantora luso-canadiana Suzana Câmara chegou a Portugal como uma maré de Agosto. Com uma voz que sendo suave não deixa de ser expressiva, esta descendente de açorianos junta jazz, pop e bossa nova nos seus trabalhos. Fã de Tom Jobim, João Gilberto e Stan Getz, já deslumbrou o Canadá onde termina em Setembro uma digressão. Agora prepara-se para conquistar a Ásia, onde se espera que o seu terceiro álbum, “Suzana da Câmara”, provoque um terramoto. Entretanto, vai afirmando sem hesitações o orgulho nas suas raízes portuguesas. POR ESTES DIAS, NO CANADÁ, É DE ORGULHO que se fala, quando o assunto é Suzana da Câmara. A jovem cantora luso-canadiana aceitou dar o rosto pela campanha “Proud portuguese canadian”, uma iniciativa da Sociedade Portuguesa de Beneficência, no âmbito do Mês da Herança Portuguesa, que se assinala anualmente em Junho, e na qual participam também a fadista Salomé e o saxofonista Johnny Ferreira. A comunidade de cerca de meio milhão de portugueses que reside no Canadá está definitivamente feliz com o sucesso de Suzana e a cantora não esconde o orgulho nas suas origens açorianas. Foi, aliás, nos Açores que tudo começou. Filha e neta de açorianos, Suzana sempre soube que queria ser cantora, mas só há meia dúzia de anos percebeu que poderia ganhar a vida desta forma. Foi quando conheceu o também músico e compositor Mike Dell, que hoje considera o seu melhor amigo. De visita a São Miguel, Suzana e Mike deparam-se com o interesse de uma rádio local em passar um tema que tinha escrito em português para homenagear a sua avó, com quem passava todos os verões em criança, e que se encontrava doente. Com o público a reagir muito bem à nova voz lusocanadiana, os da rádio insistiram para que a gravasse em disco. Para a cantora foi este o primeiro passo do projecto Suzana da Câmara, que junta jazz, pop e bossa nova, tudo acompanhado pela guitarra acústica de Mike Dell, seu parceiro musical desde então. Em 2001, a parceria dá frutos com a edição do primeiro disco da cantora, “Animism”, um trabalho que lhe abriu 32 TempoLivre Julho/Agosto 2006 portas à participação na colectânea “An evening with friends” ao lado de nomes consagrados como Tony Bennet, Nora Jones, Sheryl Crow ou Robbie Williams. Suzana, que canta em inglês, francês e português, define a sua música como “calma, suave e agradável”. Já a crítica fala de uma “voz magnificamente expressiva” de uma jovem cantora de 22 anos “cheia de energia, vida e alma” que é uma “promessa certa de sucesso”. NO TOP TEN CANADIANO Depois de um segundo trabalho discográfico que não fez história, e de uma bem sucedida actuação em 2004 no Festival Maré de Agosto, em Sta. Maria, a dupla lançou no ano passado o álbum “Suzana da Câmara”, com o qual se prepara para conquistar a Europa e a Ásia. Com a chancela do lendário produtor canadiano Jack Richardson, que produziu, entre outros, The Guess Who, Bob Seger and Alice Cooper, foi nomeado para os Music and Film in Motion’s 2005 Awards como melhor álbum e melhor canção para “Searching Deep Down”. Foi ainda um dos Top Ten álbuns de 2005 do programa “Fresh Air” da rádio canadiana CBC. O single “Spend the night Together” chegou ao quarto lugar na contagem semanal das 20 melhores músicas. Classificações que deixaram Suzana na nuvens. “Fiquei tão contente que falava a toda a gente na rua. Senti-me honrada porque é sempre bom sermos reconhecidos pelo nosso trabalho”, disse recentemente numa entrevista. Mas a distinção do trabalho da luso-canadiana não se fica pelo Canadá. A Rádio Clube de Angra (do He- ESSO COM O SEU TERCEIRO DISCO roísmo) escolheu-a como artista do mês em Novembro de 2005. Na Ásia, onde o disco de Suzana foi lançado apenas em 2006, a estação de rádio especializada em Jazz Yellow Beat seleccionou a cantora e a sua música “Cha Cha” como artista e canção do mês de agosto em 2005. A mesma canção foi também apresentada no “Oto Gumi”, o primeiro magazine em DVD para ouvintes de música no carro. Suzana, que em Setembro termina em Toronto uma série de concertos que tem vindo a fazer por todo o Canadá, está a preparar uma digressão à Ásia, onde o seu último trabalho foi lançado em Abril. “Suzana da Câmara”, que inclui canções como “Meu Amor”, foi editado em Singapura, Coreia do Sul, Tailândia, Malásia e Japão. Em Portugal, para já, os projectos passam sobretudo pelos Açores, onde a cantora actuou no Festival Maré de Agosto, em Sta. Maria, perante milhares de pessoas. Suzana, que se manifestou surpreendida com a reacção do público à sua primeira actuação nos Açores, considera o concerto uma das suas melhores recordações e não esconde o desejo de repetir. I Cristina Fernandes Ferreira VIAGENS NA HISTÓRIA|JOÃO AGUIAR Os fidelíssimos A nossa viagem pela História conduz-nos, hoje, não a um momento concreto e preciso, mas a um vasto período, ou seja: aquele que corresponde à Primeira Dinastia portuguesa. VIAJAMOS NESSA DINASTIA PARA VERMOS de perto uma realidade que contrasta muito vivamente com uma ideia que foi subtilmente incutida aos cidadãos da minha geração, das anteriores e ainda de algumas gerações posteriores à minha: a ideia de que, sendo Portugal, por excelência, a «terra de Santa Maria», toda a nossa vida, pelo menos até ao século XIX, decorreu, praticamente, na mais enlevada obediência a Roma — entenda-se, ao Papado. Ora, sem querer com isto minimizar o papel da Igreja Católica na História portuguesa (papel muito considerável, tanto no bem como no mal), temos de reconhecer que a imagem de um Portugal perenemente ortodoxo não corresponde à realidade; nem na vertente política nem na vertente propriamente religiosa. Ainda que lancemos somente uma vista de olhos superficial, veremos várias notas discordantes nessa ortodoxia. Não vou considerar o episódio do «bispo negro», protagonizado por D. Afonso Henriques e contado por Herculano nas suas Lendas e Narrativas, justamente porque é uma lenda. Mas já o nosso segundo rei, D. Sancho I, teve sérios conflitos com importantes membros do clero e recebeu admoestações da Santa Sé; o seu 34 TempoLivre Julho/Agosto 2006 herdeiro, D. Afonso II, foi excomungado pelo papa Honório III e o monarca seguinte, D. Sancho II, foi, como sabemos, deposto por Inocêncio IV. Quanto ao seu irmão, D. Afonso III, esse foi excomungado sob o pontificado de Gregório X e o português João XXI não logrou, durante os curtos seis meses em que governou a Igreja, estabelecer a paz com o rei de Portugal; a excomunhão viria a ser levantada somente por Nicolau III. O reinado de D. Dinis I também não foi isento de conflitos político-eclesiásticos, mas D. Dinis era um mestre em diplomacia e conseguiu manter uma certa paz com a Igreja. Contudo, foi neste mesmo reinado, segundo parece, que se instituiu oficialmente em Portugal o culto do Espírito Santo, que ganhou mais força o franciscanismo e que se deu mais atenção à «teoria das três idades», do abade Joaquim de Flora. E a verdade é que a Igreja (leia-se: Roma) nunca apreciou excessivamente o culto do Espírito Santo, tomou de ponta os «espirituais» franciscanos e condenou os escritos de Flora. Acrescente-se que estes três elementos, com especial relevo para o culto do Paracleto e para o joaquimismo, viriam a marcar profundamente, ao longo dos séculos, a vida e a cultura portuguesas (o «Quinto Império» de António Vieira teve aqui a sua origem remota). Enfim: D. Pedro I. Ao contrário do que alguns julgarão, o seu reinado não se limitou ao «caso» Inês de Castro; D. Pedro fez outras coisas (muitas delas boas) para além de dar crua morte aos brutos matadores de Inês. Um dos seus actos foi instituir o chamado «beneplácito régio», disposição pela qual nenhum documento (bula, breve, etc., etc.) vindo de Roma poderia ser aplicado no reino sem prévio exame e decisão do poder real. Ora, o beneplácito régio, com raros eclipses, vigorou até ao final da monarquia. E, em jeito de remate, recordarei que, já no século XVIII, o Fidelíssimo rei D. João V, o primeiro a usar esse título, não se coibiu de entrar em conflito aberto com a Santa Sé e que, no reinado seguinte (D. José I), Portugal cortou relações com Roma durante dez longos anos. A fidelidade, portanto, foi sempre uma noção relativa… I FESTAS Senhora da Agonia A rainha das romarias portuguesas As romarias constituem uma das formas mais ricas das tradições locais no painel da vida lúdica e cultural das gentes do Alto Minho. GENTE DE TRABALHO DURO, AGARRADA à rabiça do arado ou ao cabo da enxada, labutando de sol a sol, sóbria no vestir e poupada nos gastos, quando chega o dia da festa da terra ou da sede do Concelho, alto lá Maria, que os homens vestem o fato de “ver a Deus”, põem a gravata de cores mais alegres e as mulheres enroupam-se com os seus trajes mais ricos; correm ao fundo das arcas a buscar as mãos cheias de ouro, os cordões, os brincos e as arrecadas, que herdaram de suas mães e avós e aí vão para a romaria, que é chegado o dia da festa. ANIMAÇÃO POPULAR No Minho, as romarias, todas de realização anual, são as formas predilectas de animação popular, revestindo- se de um carisma especial, manifestações de alegria colectiva e números de cariz religioso, simplesmente lúdico ou até cultural, como sejam as procissões, os cortejos etnográficos e históricos, as sessões de fogo de artifício, os concertos das bandas de música, as actuações dos gigantones e cabeçudos, as ornamentações e outros actos mais, de acordo com as costumeiras de cada região. Desde há muitos anos que a Festa da Senhora da Agonia de Viana do Castelo é justamente considerada a rainha das romarias portuguesas, por um punhado de razões de respeito: a sua grandiosidade e fama; as ornamentações (que, reconheça-se, hoje já não são o que foram...); a espectacularidade dos números do seu programa, nas componentes religiosa e civil, como a Julho/Agosto 2006 TempoLivre 35 FESTAS rosadas e sadias, bonitas camponesas, com os peitos “revista” dos cabeçudos e gigantones, com baterias de recamados de oiro e a variedade dos seus trajos, as saias bombos, que fazem estremecer com seus ecos as praças vermelhas das moças da Areosa ou azuis e vermelhas da cidade; a Procissão do Mar, em que a imagem da com barras pretas bordadas da Ribeira Lima, ou todas Senhora, conduzida por pescadores, é levada num verdes das terras de Geraz; os aventais, de um cromacortejo marítimo, em cima de uma traineira, rodeada tismo lindíssimo, que Vieira da Silva ou Cargaleiro não por centenas de embarcações engalanadas de flores e desdenhariam incluir no rol dos seus trabalhos; os bandeiras, com os seus estridentes apitos; o foguetório lenços amarelos das jovens de Carreço e Afife; e, sobrede rebentar com os tímpanos das pessoas e o desfile, tudo, essa alegria imensa de um dos povos desta parte depois, pelas ruas da Ribeira (o bairro dos pescadores); ocidental da Europa, que é uma o Cortejo Etnográfico – a antiga mescla de povos de predomínio “parada agrícola” – com enormes celta, dados à música, à dança – à “carrões”, representativos das VIAGENS INATEL alegria de viver. actividades agrícolas, industriais e O Departamento de Turismo do Mas não é ainda tudo, que falta de artesanato de cada uma das Inatel tem um programa de recordar os três números de fogo aldeias do concelho e que este ano viagem às Festas da Nossa de artifício: a sessão de fogo preso é subordinado ao tema “Ouro do Senhora da Agonia, de 17 a 21 de do Jardim, na Sexta-feira à noite; o Minho, Ouro de Viana”. Agosto, com partidas de Faro, “fogo do meio” ou da “santa”, no Setúbal e Lisboa. Ver página 57 campo da Agonia, que foi sempre TRAJOS E GASTRONOMIA desta edição da TL. o preferido das gentes do campo e A Festa do Trajo, espectáculo a “serenata” no Rio, no Domingo à inesquecível e sem paralelo em noite, que é um deslumbramento para a vista e constiPortugal, nos últimos anos apresentado no cenário bem tui, justamente, a apoteose final das festas da Senhora adequado do Castelo de Santiago da Barra e que, para da Agonia, não contando no corrente ano com o além da apresentação dos belíssimos trajos de Viana, é número da “cachoeira”, na velha ponte de ferro consuma mostra única da riquíssima coreografia do folclore truída por Eiffel, que se encontra em obras. de Viana, com as suas danças ritmadas, (os fandangos e Se é verdade que estas festas mantêm ainda, no os viras, as rosinhas e as gotas); as suas mulheres 36 TempoLivre Julho/Agosto 2006 essencial, as características da autêntica romaria minhota, com um programa que foi urdido no seu início, em meados do século XVIII, e se tem vindo a manter pelos anos fora, havemos de reconhecer que o progresso fez os seus estragos e na última trintena de anos muitas costumeiras, que conferiam à romaria da Senhora da Agonia algumas das suas características mais inconfundíveis foram esmorecendo. Diminuíram as “tocatas” e “rusgas” que vinham das aldeias com os tocadores de harmónios, realejos, cavaquinhos, violas, pandeiros e ferrinhos, a que mais tarde se haviam de juntar as concertinas, e que invadiam as ruas da cidade, tocando, dançando e cantando ao desafio, e assentavam praça no campo da Agonia para assistir ao “fogo” e ali ficavam toda a noite de sábado, até à hora da procissão, no domingo à tarde, abancando nas barracas de comes e bebes do “Taipeiro”, da “Rosa Pausa” e da “Rosa Encarnada”, onde se serviam as célebres sarrabulhadas, rojoadas e petiscos e o “tintol” escorria dos garrafões e canecas, para impedir que as gargantas secassem, cansadas das cantorias. Claro que quem preferir abancar nos excelentes restaurantes locais, dispõe de muitos e de qualidade, como também pastelarias e confeitarias com a saborosa doçaria regional. Apontem-se, também, as ornamentações em que, por volta dos anos 40 e 50, foi rei e senhor Mestre Carolino Ramos, que em cada ano e conforme as zonas da cidade arranjava temas adequados, deixando sempre o arranjo da Praça da República a “sala de visitas” de Viana, para a última noite, com vista à “surpresa” que em cada ano se renovava, perante o alvoroço e a curiosidade de vianenses e forasteiros. Era a iluminação do Jardim e das fachadas do casario que lhe corre de fronte, com milhares de tijelinhas de barro com velas, nos canteiros ou nas sacadas e varandas das casas. Eram as traineiras que, durante os três dias de festa, fundeavam, engalanadas e iluminadas, no rio, em frente ao Jardim. Era o despique, ano a ano renovado, dos pirotécnicos de Viana, os “Silvas” e os “Castros”, que deixavam as “novidades” em segredo bem guardado para os “fogos” da Senhora da Agonia. Eram os cartazes anunciadores da festa, verdadeiras obras primas de grafismo, saídas das mãos de mestres consagrados como o Carolino Ramos, Alberto de Sousa, Manuel Couto Viana e Jaime Isidoro, nomes que juntamente com o Dr. João Rocha e Diogo Teixeira foram, por volta dos anos 50 e 60, os responsáveis pela divulgação e justa fama da “Rainha das Romarias Portuguesas”. PROGRAMA 2006 OS NÚMEROS PRINCIPAIS DAS FESTAS DA SENHORA DA AGONIA DESTE ANO SÃO: O Cortejo Etnográfico, subordinado ao tema “Ouro do Minho, Ouro de Viana”, que se realiza no dia 19, sábado, a partir das 16 horas e que percorre as principais artérias da cidade. “Fabuloso” é o adjectivo que melhor lhe assenta; Procissão do Mar, com as imagens da Senhora da Agonia, S. Pedro e Senhora de Monserrate, com início às 11 horas, do domingo dia 20, com saída da Capela da Senhora a Agonia, até à barra do Mar de Viana e subida pelo Rio Lima, em frente à cidade, com centenas de barcos incorporados; Festa do Trajo, que se realiza no dia 19, a partir das 22 horas, no terreiro do Castelo de Santiago, junto à Foz do Rio Lima; Sessões de Fogo de Artifício (sempre a partir das 24 horas); Dia 18 – Fogo Preso no Jardim, em frente à cidade e junto ao Rio Lima. Dia 19 – Fogo da Santa no arraial em frente à Capela da Senhora da Agonia. Dia 20 - Serenata no Rio Lima. Este ano não haverá a célebre “cachoeira” na ponte metálica, devido as obras que ali se estão a realizar; Festivais de Folclore: Realizam-se no Sábado e no Domingo, a partir das 22 horas no Jardim da Cidade, com os 26 ranchos folclóricos do Concelho; Feira Franca: Realiza-se na Sexta-feira da parte da manhã, distribuída por dois espaços, na zona do mercado (Abelheira) com as aldeãs a vender os seus produtos e no Campo da Agonia, a feira de tecidos, vestimentas e artigos correlativos. Não esquecer uma visita às ourivesarias locais onde se expõem e vendem as belíssimas peças de ouro popular do Minho. N. Lima de Carvalho Julho/Agosto 2006 TempoLivre 37 OlhoVivo Enxaqueca desmascarada A velha máxima “Hoje não, querido, dói-me a cabeça” pode estar em vias de ser “desmascarada”. Um estudo efectuado por Timothy Houle e os seus colegas da Wake Forest University School of Medicine (EUA) mostrou que, dos 68 participantes, os que sofriam de enxaquecas apresentavam também maiores índices de apetite sexual. Os investigadores pensam que esta relação pode demonstrar que ambos os sintomas dependem da quantidade de serotonina no cérebro: tanto as enxaquecas como a libido elevada foram anteriormente relacionadas com baixos níveis deste químico. Felizes à distância Karen Fingerman, investigadora da Universidade de Purdue (EUA), pensava que o seu estudo iria demonstrar que, quanto mais ocupados estivessem os membros de uma família, mais difícil seria o relacionamento familiar entre gerações. Pelo contrário, a análise das respostas de 158 famílias demonstrou que estar ocupado tornava as pessoas menos exigentes umas com as outras, dando menos importância às suas falhas e defeitos, tentando aproveitar de forma positiva o tempo que tinham para estar juntos. Os pais de filhos ocupados, embora lamentassem a sua ausência, mostravamse felizes por eles terem conseguido algo na vida, quer fosse uma carreira, um casamento ou filhos. Super-cadeira No Baylor Institute for Rehabilitation (EUA), os pacientes com deficiências de mobilidade, que os obriguem a usar uma cadeira de rodas, vão ter uma vida muito mais facilitada, graças ao iBOT® 4000. Muito mais do que uma simples cadeira de rodas, este revolucionário sistema inclui as funções de tracção às quatro rodas, equilíbrio, escadas e controlo remoto. Assim, os pacientes terão a possibilidade de subir escadas, elevar-se ao nível dos olhos de um interlocutor em pé, baixar-se para estar confortavelmente a uma secretária e passear sobre um chão irregular sem problemas. A cadeira também garante a segurança do paciente no caso deste perder o equilíbrio em posição elevada, baixando-se automaticamente para uma altura de segurança. 38 TempoLivre Julho/Agosto 2006 ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~ Marta Martins [ textos ] André Letria [ ilustrações ] Café=Sim? Se quer um “Sim”, ofereça um café – pelo menos de acordo com a experiência conduzida pelo Dr. Pearl Martin da Unversidade de Queensland (Austrália), que demonstrou que, após ingerirem alguma cafeína (disfarçada em sumo de laranja), os participantes no seu estudo mostraram maior “processamento sistemático da mensagem”. Ou seja, pensaram mais directamente no que lhes estavam a dizer, lembraram-se melhor da argumentação usada e concordaram mais com ela, apesar de ser contrária às suas próprias ideias. Talvez não seja má ideia trocar as salas de reuniões pelo café da esquina... Voos mais frescos A Boeing poderá estar prestes a tornar os voos de longo curso muito mais agradáveis, com a introdução de um duche aéreo. Para contornar o problema do peso extra que seria necessário para transportar água à volta do mundo, uma equipa de Washington criou uma espécie de chuveiro “ultrapoupado”: quando um passageiro entra no cubículo, um sensor óptico mede a sua altura e forma e lança, a alta pressão, apenas a água (com sabonete) necessária para cobrir o corpo. Ao ser expelida, esta espécie de névoa é ionizada, de forma a ser atraída pelo corpo, para que não haja desperdícios. Segue-se mais uma “chuveirada light”, desta vez com água pura, e uma secagem por ar quente. Rápido, limpo e provavelmente melhor do que esperar mais 12 horas por uma banheira... E, por ser tão compacto, o sistema também poderá ser montado em autocarros para longos percursos terrestres. O envelhecer é cinza ou rosa? Um interessante estudo publicado no Journal of Happiness Studies vem provar – mais uma vez – que as aparências iludem. Ao contrário do que todos pensamos, a análise de Peter Ubel e Heather Lacey demonstra que a idade não nos torna menos felizes, antes pelo contrário. Ao avaliarem o seu nível de felicidade e o que supunham ser o dos outros (mais velhos e mais novos), os participantes obtiveram resultados semelhantes: todos pensavam que menos idade era sinónimo de maior felicidade (quer os jovens quer os mais idosos, lembrando os seus tempos de juventude), mas na verdade os mais velhos reportavam maiores níveis de felicidade do que os mais novos – só que se achavam mais felizes do que a maioria dos da sua idade. Ou seja, todos tinham representações erróneas da felicidade, passada ou futura, pintando a juventude de um rosa que, aparentemente, não está tão presente. Parece que envelhecer nos ensina a encontrar felicidade em mais fontes do que apenas na da juventude. Música curativa Segundo um estudo efectuado por Sandra Siedlecki e Marion Good, da Cleveland Clinic Foundation (EUA), ouvir uma hora de música por dia reduz significativamente a dor e a depressão em doentes com dores crónicas. No seu estudo compararam dois grupos de doentes que ouviam uma hora de música por dia (escolhida pelos próprios ou pelas investigadoras) com um terceiro grupo que não ouvia música. Ambos os grupos que ouviram música declararam menos dores (12% e 21%, conforme a escala utilizada), 19 a 25% menos sintomas depressivos e 9 a 18% menos sensação de incapacidade perante a dor. Ou seja, de todos os ângulos, a audição de música melhora claramente a qualidade de vida dos pacientes com dores crónicas. Línguas traiçoeiras Para os nativos de uma língua, algumas associações de palavras são óbvias (por exemplo, “cabeça de alho chocho”), mas para quem está a aprender um idioma novo, torna-se muitas vezes complicado perceber o sentido destas expressões. No curso do seu trabalho e sem muitas pretensões, o site de Mark Davies, linguista da Brigham Young University está a coleccionar milhares de fãs um pouco por todo o mundo. Em http://view.byu.edu, os falantes não-nativos da língua inglesa podem averiguar a utilização comum de cada palavra e assim perceber como ela é usada no dia-a-dia (por oposição às regras gramaticais). Esta gigantesca base de dados (com mais de 100 milhões de entradas e diferentes tipos de contextos de uso – académico, jornalístico, ficcional, etc.) mostra também que palavras surgem mais vezes associadas umas com as outras, para que não usemos “forces of bad” mas antes “forces of evil”, por exemplo. O mega projecto de Davies não está nem perto de terminar, já que tem em curso bases de dados semelhantes em Inglês Antigo, Inglês Americano, Espanhol e Português – para que os estrangeiros não digam “cabeça de alho murcho”, mas também para melhorar as aptidões da “escrita rápida” dos telemóveis, por exemplo. Julho/Agosto 2006 TempoLivre 39 BOAVIDA CONSUMO ARTES LIVRO ABERTO Um dos argumentos mais estafados consiste em afirmar que muitos produtos à venda nas lojas chinesas são fruto de actos ilícitos Em foco, os 80 anos do nascimento de Vespeira com uma exposição de homenagem que a Galeria Valbom, Lisboa, lhe dedica até Setembro. Destaque para “O Império Debaixo do Fogo”, de Loureiro dos Santos, quinto volume de “Reflexões sobre Estratégia”, da Europa-América. Página 42 Página 43 Página 44 CINEMA EM CASA MÚSICAS NO PALCO “A História de António Variações – entre Braga e Nova Iorque”, duplo CD de assumida homenagem a um dos maiores criadores da nossa música ligeira. Alguns dos clássicos da dramaturgia na Lisboa MITE’06 (Mostra Internacional de Teatro), até final de Julho, no Teatro Nacional D. Maria II. Três excelentes documentários sobre o nosso passado recente, assinados pelo jornalista Joaquim Vieira e pelo realizador Rui Simões. Página 46 Página 47 Página 48 FILMES MEMÓRIA À MESA SAÚDE Fernando Dacosta fala-nos de O Tempo que Resta, genial filme de François Ozon, o realizador de Sob a Areia, em passagem discreta nos nossos cinemas. Um programa alimentar adequado e actividade física regular podem, na maior parte dos casos, reduzir a tensão arterial. O colesterol tem funções muito específicas e benéficas para a nossa saúde. Se o mantivermos dentro de valores normais, não há problema. Página 49 Página 50 Página 51 INFORMÁTICA AO VOLANTE PALAVRAS DA LEI A fotografia, nos tempos de hoje, é digital. Mas as nossas imagens merecem mais do que ficar presas ao PC. A introdução de um motor diesel potente, mas suave, vem tornar o modelo Saab 9-3 Cabrio mais atraente e disponível em várias versões. Prevista e regulada na nossa lei civil, nos artigos 464º a 472º, a gestão de negócios estende-se para além do “negócio” propriamente dito. Página 52 Página 53 Página 54 Julho/Agosto 2006 TempoLivre 41 BOAVIDA C O N S U M O “MADE IN CHINA” Da conversa de café, à internet, ouvem-se e lêem-se rumores e acusações explícitas acerca dos produtos chineses. Desde argumentos pueris a torpes acusações, tudo é consumível no supermercado da má-língua, tão apreciado pelos consumidores portugueses. I Carlos Barbosa de Oliveira U m dos argumentos mais estafados consiste em afirmar que muitos produtos à venda nas lojas chinesas são fruto de actos ilícitos, como contrabando ou contrafacção, e não respeitam as normas de segurança da União Europeia. Sem discutir a veracidade deste argumento, lembro apenas aos consumidores mais renitentes (ou preconceituosos) em relação aos produtos chineses, que todos os anos as autoridades apreendem, em feiras e estabelecimentos, milhares de produtos “made in Portugal” que apresentam as mesmas características de ilicitude, sem que tal provoque uma onda reactiva tão forte como a que se tem verificado em relação a produtos chineses. E todos conhecemos casos de “fábricas” de contrafacção instaladas em Portugal! Outra acusação, mais grave, prende-se com a forma de produção. Alegadamente, os produtos chineses serão produzidos com recurso a trabalho infantil e trabalho escravo. Os leitores que fazem o favor de me ler habitualmente sabem que me tenho insurgido com frequência contra essa prática, tendo inclusive denunciado, nestas páginas, algumas multinacionais que a ela recorrem. Em plena euforia do Mundial da Alemanha, vale a pena recordar as condições laborais em empresas do ramo têxtil ligadas às grandes marcas desportivas, que violam as normas mais elementares da Organização 42 TempoLivre Julho/Agosto 2006 Internacional do Trabalho e a Declaração Universal dos Direitos do Homem. A maioria dos adeptos que exulta quando a bola se anicha nas redes da equipa adversária, desconhece que aquela bola que despertou o seu entusiasmo, pode ter sido causa de choro de muitas crianças que, em condições laborais desumanas, participaram no seu fabrico. Como finge ignorar que os sapatos desportivos de marca que levam calçados, o cachecol ou a camisola que identificam a sua simpatia por uma das equipas, podem ter sido fabricados à custa de trabalho infantil e trabalho escravo. E, embora não seja convidada, e esteja mesmo proibida de jogar, a contrafacção também entra em jogo. Imitações (por vezes grosseiras) dos objectos de merchandising, de qualidade inferior, vendidas normalmente a preços mais baixos, vão aparecer por todo o lado, iludindo a vigilância do árbitro e desvirtuando o resultado deste jogo que se joga fora dos relvados e não tem como objectivo a marcação de golos, mas sim a obtenção de lucros. A verdade, porém, é que não vejo levantar-se o clamor popular contra a indignidade com que são fabricados alguns destes produtos “de marca” e até já estou a imaginar muitos portugueses a correrem aos saldos de uma conhecida marca de vestuário espanhola, recentemente acusada de recorrer a empresas portuguesas que exploram mão de obra infantil. É difícil explicar esta campanha antichinesa. O principal objectivo será desacreditar uma comunidade que se tem revelado como uma das menos problemáticas comunidades de imigrantes a viver em Portugal? Então, nessa “cilada” terá caído a Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica (ASAE), um organismo que tem desenvolvido uma acção notável em defesa da saúde pública, mas que desencadeou uma acção de inspecção a restaurantes chineses (porque não portugueses ou italianos?) que contribuiu para a estigmatização de uma comunidade, agravada pelo facto de a “Operação” (simbolicamente denominada Oriente) ter sido acompanhada por um canal de televisão. Os consumidores portugueses devem fugir da tentação dos juízos de valor precipitados, procurando encontrar, ponderadamente, respostas para estas questões: Serão os produtos chineses menos seguros, de menor qualidade ou fiabilidade do que outras conceituadas marcas? A relação qualidade/ preço é atractiva? Violam as normas de produção (ambientais e laborais) de forma mais grosseira do que outras? Mas estas são, afinal, as questões que qualquer consumidor deve colocar em relação a qualquer produto ou serviço, seja produzido em Portugal, nos EUA ou em qualquer parte do mundo! I BOAVIDA A R T E S Obra de Vespeira e composição de Lud para a necessária e humana transformação do mundo. Porque não temo o absurdo da experiência e creio na validade de todas as experiências. […] Porque é mais importante o que acontece para que um quadro exista do que o próprio quadro». Deste modo, o surrealismo é para Vespeira «uma espécie de complemento à estética neo-realista, mais libertador e completo, contribuindo profundamente para uma transformação do mundo a partir da transformação do sujeito e da sua relação com real.» SURREALISMO: DE VESPEIRA A LUD No âmbito das comemorações dos 80 anos do nascimento de Vespeira, que se iniciaram no ano passado, a exposição de homenagem que a Galeria Valbom, Lisboa, lhe dedica até Setembro próximo é o culminar justo das jornadas de evocação da sua obra que a Câmara Municipal do Montijo tinha iniciado no ano passado, honrando-o com a Bienal de Artes Plásticas que decorreu sob a sua égide. I Rodrigues T Vaz endo-se salientado com a sua participação na I Exposição Geral de Artes Plásticas, em 1946, organizada pela Fundação Gulbenkian, apesar de, na altura, juntamente com Fernando Azevedo e Júlio Pomar, os seus trabalhos estarem mais confinados ao neorealismo de cariz expressionista, Vespeira envereda, a seguir, pelo surrealismo, tornando-se um dos pintores contemporâneos de referência. É em 1947 que começa a caminhada surrealista, com a sua participação, juntamente com Fernando de Azevedo, José-Augusto França e Cesariny, entre outros, na fundação do Grupo Surrealista de Lisboa, que dá origem à exposição de 1949. Muito significativa, a vários títulos, será, no entanto, a sua produção do final da década de oitenta, marcada, como afirmam Ana Almeida e Sónia Vespeira Almeida no catálogo da mostra, «marcada por uma linguagem menos densa e mais lírica distante da sua fase neo-realista, distanciamento que reflecte a afirmação da personalidade irónica e combativa de Vespeira, cristalizada na frase: “Toda a minha pintura é liberta e libertina”. Mas a fase com que geralmente mais se identifica a obra de Vespeira é mesmo o Surrealismo. Para Vespeira, este movimento constituía uma filosofia de vida, a partir da qual interpretava o mundo circundante: «[…] Porque considero o Surrealismo a mais actuante posição do conhecimento humano em totalidade e não parcelado em consciente ou inconsciente. Porque, assim, o Surrealismo é a posição objectivamente combativa LUD NA GALERIA PERVE De surrealismo continuamos a falar a propósito da exposição-homenagem com que a Galeria Perve, igualmente em Lisboa, evoca, através de um conjunto de 16 obras, a memória do artista plástico português LUD (Ludgero Viegas Pinto), falecido em 2001, que nasceu em Alfama (1948) e cujo trabalho tem caído, de forma injustificada, no esquecimento. Tendo-se reclamado nos últimos anos da sua vida como um dos últimos abencerragens do surrealismo em Portugal, Lud utilizava a técnica do pontilhismo até à máxima exaustão e quase até à perfeição mais intolerável, executando cada uma das suas obras como se estivesse a fazer a última prova, emprestando às suas composições um equilíbrio formal e uma serenidade fria, fruto de muita vivência interior e, ao mesmo tempo, de muita auto-contenção. Dando vida de uma maneira muito sugestiva a todo um imaginário que tem tanto de boschiano como de atractivo no plano visual, Lud compunha cada quadro como se de um conflito se tratasse, alternando as superfícies mais frias com os volumes mais quentes, pelo que acabava por conseguir uma obra cheia de impacto a solicitar um olhar atento e venerador.I Julho/Agosto 2006 TempoLivre 43 BOAVIDA L I V R O A B E R T O O MUNDO E AS COISAS QUE O HABITAM Quanto mais o presente e o futuro do mundo se complicam, mais necessário se torna dispormos de bases para tentarmos compreendê-lo e, se for caso disso, acreditarmos que é possível mudá-lo para melhor. I José Jorge Letria D aí que as análises geoestratégicas e as reflexões feitas por quem está apetrechado para as elaborar sejam úteis para quem procura respostas ou mesmo luzes ao fundo do túnel. Destaque-se, pois, a saída, com a chancela de Publicações Europa-América, do quinto volume de “Reflexões sobre Estratégia”, do general Loureiro dos Santos, com o título “O Império Debaixo de Fogo”. De facto, o Império, o da superpotência chamada Estados Unidos da América, encontra-se debaixo de fogo, seja o do fundamentalismo islâmico, seja o das potências emergentes, seja o da opinião pública que critica duramente intervenções militares como a feita no Iraque. Um livro certeiro e oportuno, escrito por um militar na reserva com um pensamento muito bem estruturado sobre o assunto, que nos ajuda a perceber a imensa e alarmante complexidade e a perigosidade do mundo contemporâneo. A não perder, mesmo que seja para discutir e para discordar. É essa uma das grandes virtudes da vida em democracia. Para os amantes da literatura de viagens, recomenda-se, com a mesma chancela, “Sahara”, de Michael Palin, um livro soberbo sobre o fascínio e também os perigos do deserto, imenso mar de areia que continua a exercer sobre o ser humano um efeito mágico e sempre tentador. E, em 44 TempoLivre Julho/Agosto 2006 matéria de ficção narrativa, duas sugestões: “O Sultão e o Cartógrafo”, de Tariq Ali, e “Falsas Impressões”, de Jeffrey Archer, para além de um clássico de autor anónimo que vale sempre a pena revisitar: Tristão e Isolda”, que Wagner tão bem integrou no seu fantástico universo operático. DA AUTORIA de Marc Vachon e com a chancela da Teorema, acaba de ser lançado “Rebelde sem Fronteiras”, com prefácio de Jean-Christophe Rufin, que narra de forma intensa e polémica as grandezas e as misérias da ajuda humanitária. O autor nasceu em Montreal em 1963, tendose tornado responsável da logística dos Médicos Sem Fronteiras, o que lhe permitiu participar num considerável número de missões e conhecer por dentro a organização. Esse conhecimento esteve na base da implacável crítica que neste livro é feita ao modo como se processa a ajuda humanitária, da qual tantas vidas dependem e que, segundo o autor, nem sempre funciona da maneira mais transparente e rigorosa. Um livro que também em Portugal irá ser lido atentamente por todos quantos se interessam por este tema, numa perspectiva cívica e no quadro do que entendem dever ser a verdadeira solidariedade internacional. Da mesma editora é “Estrela Distante”, do chileno Roberto Bolaño, uma das mais importantes vozes da literatura latino-americana contemporânea, falecido em 2003 com apenas 50 anos. “Estrela Distante” é uma história fascinante, que tem como ponto de partida um encontro no Chile de Salvador Allende e que coloca no plano central uma personagem tão complexa quanto controversa. É apreciável a forma como o escritor cruza factos da vida real com outros puramente ficcionais, entrelaçando histórias, num enredo labiríntico do qual nunca está ausente uma forte consciência do papel da História na vida quotidiana. Ainda da Teorema, no domínio da ficção narrativa, são os seguintes títulos cuja leitura se recomenda: “Um Dia de Fevereiro”, do russo Mark Kharitonov, com Nikolai Gogol em destaque como personagem ficcional, “O Ar Que Tu Respiras”, de Melissa P., um livro que tem todos os ingredi- entes que fazem os “best sellers”, ou as “bestas céleres”, como dizia, jocosamente, Alexandre O’Neill, e “O País Onde Não se Morre Nunca”, da albanesa Ornela Vorpsi, radicada em Paris, que nos revela uma nova e interessante voz de um país que há muito não internacionalizava um escritor. “Notícias do Velho Porto”, de Eugénio de Andrea da Cunha e Freitas, com a chancela da Campo das Letras, é um livro que nos ajuda a conhecer melhor a história secular da cidade do Porto nas suas vertentes histórica, geográfica e social. O autor nasceu em Lisboa em 1912 e morreu em 2000, em Vila do Conde. “80 HOMENS para Mudar o Mundo”, de Sylvain Darnil e Mathieux le Roux, com a chancela da Ambar, é uma obra construída por dois investigadores a partir de oito dezenas de percursos que ilustram a ideia de que é possível, independentemente da área de formação de que se provém, construir carreiras de sucesso em novas áreas e com assinaláveis resultados materiais, desde que se actue com grande criatividade e persistência. Essas áreas são as que levam em conta o bem comum e não propriamente a cegueira do lucro numa perspectiva neoliberal. Daí que seja uma obra que ajude a pensar de uma forma diferente e, se calhar, verdadeiramente alternativa. Um livro útil para quem sonha com uma carreira de sucesso e quer conhecer algumas das receitas dignas, justas e alternativas que permitem realizá-la. Um lançamento integrado na Biblioteca de Ecomomia/ Gestão da Ambar. DANDO CONTA das suas preocupações como cidadão e como político durante muitos anos no activo, António de Almeida Santos, jurista, exministro em vários governos e ex-presidente da Assembleia da República, acaba de publicar, com a chancela do Instituto Piaget, os livros “A Globalizaçãoum Processo em Desenvolvimento”, “A Difícil Construção do Estado nos Novos Países Africanos”, “Que Direito Hoje e com que Sentido?” e “Uma Visão Integrada do Sistema de Ensino”. EDUARDO STREET foi e é um dos nomes mais prestigiados da rádio em Portugal, tendo sido responsável, durante muitos anos, pelo teatro radiofónico da RDP. Nessa condição, deu voz a muitos dramaturgos e escritores contemporâneos portugueses. “O Teatro Invisível-História do Teatro Radiofónico”, agora dado à estampa pela editora Página 4, constitui uma saborosa e oportuna revisitação das memórias e da memória do teatro feito na rádio em Portugal. Para além de ser um útil instrumento de trabalho para investigadores da área das Ciências da Comunicação, “O Teatro Invisível” é um testemunho forte contra o efeito corrosivo e branqueador do esquecimento, devendo por isso ser lido e saudado. Quanto ao seu autor, fica credor do nosso aplauso e da nossa admiração. NO CENTRO do livro “Quando Comer É um Inferno” (Ambar), da jovem escritora Esprido Freire, está o problema gravíssimo da bulimia, com o cortejo de sacrifícios e sofrimentos vários. Partiu a autora da sua dura experiência pessoal, construindo um texto intenso e oportuno em que muitas leitoras por certo se irão rever. Esta doença do comportamento alimentar é bem mais complexa do que à primeira vista poderá parecer. Basta ler o livro para se perceber que assim é. Ainda com a chancela da Ambar acaba de ser publicado o pequeno romance “A Chuva Nunca Arrefece”, da francesa Véronique Olmi, conhecida sobretudo como dramaturga, mas também autora de várias obras de ficção já traduzidas em mais de uma dezena de países. Pela mesma editora foram já editados, da mesma autora, os romances “BeiraMar” e “Número Seis”. “O CAVALO DO MALABAR”, com as chancela da Corpos Editora, é o livro de estreia de Josias Gil, que construiu uma narrativa intensa e de grande ritmo, ficcionando memórias pessoais e viagens, num texto denso em que a poesia se encontra frequentemente presente com a sua marca sempre sensível e inconfundível. “Profecias”, de Leonardo Da Vinci, é uma das apostas de Publicações Europa-América, devendo destacar-se a visão por vezes apocalíptica que o genial criador tinha do futuro da espécie humana, e também “Os Refugiados – Uma História de Dois Continentes”, do clássico Arthur Conan Doyle, criador do imortal Sherlok Holmes. A Oficina do Livro acaba de lançar mais um título de Margarida Rebelo Pinto – “Diário da Tua Ausência”- com um excelente tratamento gráfico e com êxito certo junto dos sectores público, sobretudo o feminino, que se revê na obra, já extensa, da autora. I Julho/Agosto 2006 TempoLivre 45 BOAVIDA M Ú S I C A S ANTÓNIO VARIAÇÕES, O TRANSGRESSOR “A História de António Variações – entre Braga e Nova Iorque” é o título genérico de um duplo CD recentemente editado, numa assumida homenagem a um dos mais significativos criadores da música ligeira portuguesa. I Victor Ribeiro I rreverente e ousado, Variações teve uma vida curta, intensa e transgressora, factos determinantes para que, passados mais de 22 anos sobre a sua morte, tenha um merecido lugar de honra na galeria de ícones nacionais. Filho de camponeses, nascido numa aldeia dos arredores de Braga, em 1957, António Joaquim Rodrigues Ribeiro, de seu nome próprio, chegou a Lisboa com cerca de 13 anos. Sempre com a secreta esperança de cantar, o adolescente Variações trabalhou como marçano em Lisboa, lavou pratos em Londres e aprendeu o ofício de barbeiro em Amesterdão. De regresso a Portugal, em 1977, abriu num centro comercial o primeiro cabeleireiro unissexo da capital. Posteriormente, transferiu o negócio para a Baixa, onde começou a dar nas vistas, sobretudo devido à forma vanguardista como se vestia, algo bizarra para a época. Em 1978, António Variações entrega na editora Valentim de Carvalho uma maqueta com umas 46 TempoLivre Julho/Agosto 2006 quantas canções, dizendo que, caso fossem aceites, os respectivos arranjos musicais deveriam sugerir uma sonoridade compreendida “entre Braga e Nova Iorque”... O facto é que hoje, quando se ouve com atenção uma cantiga de Variações, detectam-se referências musicais que oscilam entre o folclore minhoto e a música pop/rock norte-americana da época. A descoberta definitiva e a consagração de Variações ocorreram com uma primeira aparição pública no programa televisivo “O Passeio dos Alegres”, de Júlio Isidro, em 1981, onde interpreta a canção “Toma o Comprimido”, ao mesmo tempo que atira “smarties” para espectadores presentes no estúdio. O primeiro single acabou por ser gravado apenas em Junho de 1982, com os temas “Povo Que Lavas no Rio”, numa homenagem a Amália, e “Estou Além”, cantiga que regista um sucesso quase inexplicável, pelo menos à luz dos parâmetros estéticos e comerciais então tidos por convenientes. Até à sua morte, em Junho de 1984, António Variações não mais parou, numa espécie de corrida vertiginosa contra o tempo, criando canções que rapidamente obtiveram o reconhecimento popular: “É p`ra Amanhã”, “Canção de Engate”, “O Corpo é que Paga”… No duplo CD agora editado, integram-se 40 temas, na maioria maquetas caseiras, em alguns casos com inéditos, com registos de espectáculos ao vivo ou sons de sessões de gravação em estúdio. Concluamos, então, que estamos em presença de uma boa “História de António Variações”, um homem cuja vida foi marcada pela transgressão libertadora própria dos privilegiados que vêem para além do futuro. I BOAVIDA N O PA L C O TEATRO DO MUNDO NO ROSSIO Inaugurada com “Otelo”, de Shakespeare, pela companhia Folias D’Arte, de S. Paulo, no passado dia 16 de Junho, a Lisboa MITE’06 (Mostra Internacional de Teatro) prossegue até final de Julho no Teatro Nacional D. Maria II com a representação de outros grandes nomes da dramaturgia clássica, como Gil Vicente, Moliére, Sófocles e Eurípides, interpretados por companhias de vários países. I Maria Mesquita R eveladora da filosofia da nova gestão artística do D.Maria II, esta escolha de Carlos Fragateiro e José Manuel Castanheira não se esgota, porém, nos textos clássicos, mas abre-se também a “peças importantes” de autores contemporâneos, como Sanchis Sinisterra e Ionesco. “Gerar um laboratório de trabalho entre artistas de vários países, com o objectivo de criar redes de cumplicidade entre teatros nacionais, centros dramáticos e companhias de referência, desenvolvendo o diálogo com escritores contemporâneos de reconhecido mérito internacional”, é, em síntese, a proposta dos dois responsáveis doTNDMII. Na apresentação do MITE’06, Carlos Fragateiro teve a preocupação de sublinhar que o evento “não pretende ser um festival nem concorrer com festivais de teatro em Portugal ou comprar espectáculos no exterior”, mas “fazer um trabalho contínuo” com artistas de outros países. Presente no encontro com os jornalistas, o secretário de Estado da Cultura, Mário Vieira de Carvalho, saudou a programação apresentada pela direcção artística do teatro e considerou-a “um contributo para tornar o D. Maria II mais visível a nível nacional e internacional”. Momento alto da programação concelos, pela companhia Pigeons International Théatre-Dance, de Montreal (Canadá). Até 27 do corrente mês seguemse “Rhinocéros”, de Ionesco, “Ilíada, Odisseia”, de Homero e “Eneida”, de Virgílio, e “Metamorphoses de Ovídio”. A terminar a mostra, “Il Lettore a Ore”, de José Sanchis Sinisterra (Itália), dirigida pelo autor, com interpretação do Teatro Metastasio Stabile de la Toscânia. A programação é ainda composta por debates sobre dramaturgia, a apresentação do filme “A Melhor Juventude”, do realizador Marco Tullio Giordana, e a iniciativa “Músicas à Meia-Noite”, com jazz todas as sextas-feiras. Com legendagem em português, esta importante mostra teatral reúne todas as condições para lhe oferecer óptimos espectáculos até ao final de Julho. VIRIATO EM MÉRIDA foi, na última semana de Junho, a representação pela Companhia Nacional de Teatro Clásico, de Madrid (Espanha), da “Tragicomédia de D. Duardos”, de Gil Vicente. De Portugal, o Teatro do Bolhão, do Porto, representou, de 29 a 2 de Julho “D. Juan”, de Moliére. A 4 e 5 de Julho, também na Sala Garrett, sobe à cena “Electra” de Sófocles, pelo Teatro Nacional Radu Stanca de Sibiu, da Roménia. A 8 e 9 de Julho, representa-se “5 Heures du Matin”, de Paula Vas- Entre 10 e 15 de Agosto, numa coprodução lusoespanhola, será apresentada a peça “Viriato, Rei”, de João Osório de Castro, no magnífico cenário natural do Teatro Romano de Mérida, no âmbito da 52ª edição do Festival de Teatro Clássico daquela cidade. Com dramaturgia de João Mota e Miguel Murillo, encenação de João Mota e tendo em palco mais de 35 actores espanhóis e portugueses (Comuna), esta peça oferece uma visão contemporânea do mito lusitano, tendo por base uma linguagem actual, mas que simultaneamente nos aproxima de uma época histórica vivida pelos povos da Lusitânia, tendo Mérida como capital. I Julho/Agosto 2006 TempoLivre 47 BOAVIDA CINEMA EM CASA LUGAR À HISTÓRIA I Sérgio Barrocas P ara estes meses de Verão, viajamos pela história à procura de um novo olhar sobre o passado recente de Portugal através de três excelentes documentários: um sobre o DEUS, PÁTRIA E AUTORIDADE (CENAS DA VIDA PORTUGUESA 1910-1974), DOCUMENTÁRIO; REALIZAÇÃO: Rui Simões; Portugal, 1975, P/B, 110 min.; EDIÇÃO: Costa do Castelo Filmes O filme, feito com base em imagens de arquivo, parte do célebre discurso de Salazar em 1936 e de uma forma pedagógica, mas comprometida, caracteriza o regime de Salazar e Caetano a partir do tríptico “Deus, Pátria e Autoridade”, acentuando a importância da Igreja católica e seu apoio ao Estado Novo (1926-1974), um regime centrado na exaltação dos valores patrióticos e da autoridade e empenhado numa guerra colonial que acelerou a sua queda. prémios do público e da crítica no festival internacional de São Paulo em 1980, “Bom Povo Português” é um olhar atento e comprometido sobre o período revolucionário iniciado com o 25 de Abril e encerrado a 25 de Novembro de 1975. O filme descreve as mudanças profundas ao nível económico e social nos anos quentes do chamado PREC. Tal como no trabalho anterior, “Bom Povo Português” assenta em imagens de arquivo e sons do período histórico em causa. BOM POVO PORTUGUÊS DOCUMENTÁRIO; REALIZAÇÃO: Rui Simões; Portugal, 1980, P/B, 135min.; EDIÇÃO: Costa do Castelo Filmes Vencedor de vários prémios, incluindo os 48 TempoLivre Julho/Agosto 2006 ÁLVARO CUNHAL: A VIDA DE UM RESISTENTE DOCUMENTÁRIO; REALIZAÇÃO: Joaquim Vieira; Portugal, 2005, Cor, 117min EDIÇÃO: Lusomundo Estado Novo, outro acerca do 25 de Abril e respectivo PREC (Processo Revolucionário em Curso) - assinados pelo realizador Rui Simões, e um terceiro sobre Álvaro Cunhal, realizado pelo jornalista Joaquim Vieira I Um ano depois do seu desaparecimento, Álvaro Cunhal continua a ser um símbolo de resistência para uns e motivo de ódio para outros, mas reconhecido como uma figura invulgar do século XX português. A primeira parte narra o nascimento e infância marcada por uma mãe conservadora e religiosa e um pai progressista e republicano, a vinda da família para Lisboa, a Faculdade de Direito, o início da actividade política, a ascensão no partido, as colaborações jornalísticas, a guerra civil espanhola, as prisões, a fuga do Forte de Peniche, a eleição como secretário-geral do PCP e o exílio na URSS por razões de segurança. As mudanças na liderança soviética, a cisão entre a China e a U.R.S.S, a Primavera de Praga e suas consequências, o início da guerra colonial, o 25 de Abril e o período revolucionário, a luta político-partidária, as mudanças em todo o bloco de leste e as consequências no interior do PCP dominam a 2ª parte do filme, sem esquecer o período posterior ao abandono da liderança partidária e a afirmação da vertente artística e literária de Cunhal. A marca do repórter de televisão – o autor iniciou a sua actividade jornalística na RTP – está bem patente no extenso documentário, assente em depoimentos de figuras históricas do partido, imagens inéditas e entrevistas de época, numa montagem cronológica, simples e rigorosa. OUTROS LANÇAMENTOS: Aurora (Costa do Castelo) – F. Murnau; Metropolis (Costa do Castelo) –Fritz Lang; O Sacrifício (Costa do Castelo) – A.Tarkovsky; Walk the Line (Castello Lopes) - James Mangold; Kansas City (Prisvideo) - Robert Altman; e Crimes Invisíveis (Prisvideo) Wim Wenders BOAVIDA FILMES COM MEMÓRIA O TEMPO QUE RESTA As vítimas da paixão (os não correspondidos no amor) e da morte (os recusadas pela vida) costumam, ao conhecer esse vácuo, refugiar-se no íntimo de si – e chorar. Chorar muito. Às vezes sem lágrimas, às vezes com sorrisos. I Fernando Dacosta O Tempo que Resta, genial filme de François Ozon, o realizador do notável Sob a Areia, em passagem discreta nos nossos cinemas, começa e acaba com dois planos inesquecíveis: o de um garotinho de caracóis brilhantes a ver, de pé, o oceano, e o de um jovem (ele aos trinta anos) deitado na areia, cabeça rapada, imóvel ante o declinar da tarde e o cair (para sempre) da noite. Os banhistas foram-se, em imagens admiráveis de debandada da praia, e ele ficou só, entregue ao passar do tempo, do resto do seu tempo, sorriso esvaído para lá do apagar do «écran». Se a agonia é, como dizia há pouco um autor de génio, o cineasta Manoel de Oliveira, uma fase fascinante de passagem (da consciência para a dormência, da vida para a morte), ela acaba de ser excepcionalmente sugerida, pressentida por outro autor de génio, o cineasta François Ozon. Entre as duas sequências decorre o filme, história de um elegante fotógrafo de moda, na moda parisiense (incarnado pelo actor Melvil Poupaud), que sabe, de súbito, ter um cancro disseminado por todo o corpo. O médico é frontal: restamlhe apenas dois, três meses, ou um pouco mais se fizer tratamentos de cobalto e terapias específicas. Ele, que recorda a patética decadência de um amigo em circunstâncias afins (perda do cabelo, desagregação do rosto, náuseas constantes, abjecções infinitas), recusa. Distancia-se, a partir daí, da existência levada até então, pessoas, sítios, sucessos, visibilidades, ambições, alienações, em busca de outros lados do visível, por templos de pedra e mistério, horizontes de bosques e mares, ecos de silêncios e ventos. A erupção das lágrimas vai-lhe desfocando os vazios, as crenças, os sentimentos, as infinitudes. Desprende-se da família, pais e irmã convencionais, corta com o namorado, de quem gosta, suspende o trabalho, que o apaixona, deixa os lugares frequentados (significativa a última ida ao bar «gay») e procura a velha avó, soberba interpretação de Jeanne Moreau, porque ela é-lhe a única pessoa conhecida que, como ele, se encontra à beira do fim. Os seus diálogos, os seus entrelaçamentos, os seus desamparos, os seus gestos, as suas cumplicidades, os seus pânicos infiltram-se mutuamente (e infiltram-se em nós) para lá da dor que não se localiza porque deixou de ser individual para ser cósmica. Manter a dignidade, atingir o apaziguamento são-lhe objectivos aterradoramente difíceis. Que quase logra. Chora. Chora e sofre, e rebelase, e resigna-se, e caminha. Os passos, as recordações levam-no com frequência crescente à infância. Vê-se a si próprio criança, quer voltar a ser criança – ele que nem gosta delas nem de quem as procria –, retomar o início, a inocência de tudo. O imprevisto enovela-o de novo. Uma jovem empregada de café aborda-o. É casada mas o marido, que ama e a ama, ficou estéril. Com o assentimento dele convida-o, de chofre, para a engravidar. São novos, bonitos, sensíveis, infelizes. Depois de recusar uma vez, acede. E uma vez mais, O Tempo que Resta ilumina-se, iluminandonos, com os três comungando, enlaçados, uma das cenas de sexo e ternura, melancolia e dádiva mais perturbadoras que nos tem sido dado a ver pelo cinema. Thanatos e Eros, as antigas divindades da morte e do amor, continuam a ser deuses supremos na suprema criatividade, faces da moeda que fundiu, em que se fundiu o insondável ser humano. Do tempo que nos resta só nos resta a memória. I Julho/Agosto 2006 TempoLivre 49 BOAVIDA À M E S A A HIPERTENSÃO CONTROLA-SE À MESA A pressão arterial elevada (muito frequente na população adulta portuguesa) é um factor de risco importante para a doença cardiovascular e para a doença renal. André Letria Pedro Soares D pressão arterial é considerada elevada quando em repetidas medições permanece igual ou acima de 140/90 mmHg. Quando a pressão arterial se mantém elevada no interior das artérias, a camada muscular das paredes arteriais torna-se cada vez mais rígida e espessa, perdendo a sua elasticidade. Assim, os locais onde passa o sangue tornam-se mais estreitos e a parede dos vasos mais rígida acumulando gordura ou colesterol. Com os vasos a ficarem mais estreitos, o sangue tem maior dificuldade em passar aumentando de novo a pressão arterial. Este ciclo continuado aumenta o perigo de complicações 50 TempoLivre Julho/Agosto 2006 sérias, como doença cardíaca, insuficiência renal e acidentes vasculares cerebrais. Felizmente, sabemos cada vez mais sobre a hipertensão e suas causas alimentares. Com um programa alimentar adequado e actividade física regular é possível reduzir a tensão arterial, na maior parte dos casos. Um plano alimentar susceptível de combater eficazmente a pressão arterial elevada deve ter um baixo conteúdo em ácidos gordos saturados, colesterol e gordura total e ser abundante em fruta e hortícolas. A nova Roda dos Alimentos, publicada recentemente pelo Instituto do Consumidor demonstra de forma fácil como atingir este objectivos. Primeiro objectivo – Manter o seu peso normal. Quem tem peso a mais tem maior probabilidade de ter a tensão arterial elevada. Segundo objectivo – Reduza a ingestão de sal (cloreto de sódio). Cerca de 75 % do sal que ingerimos vem dos alimentos processados que ingerimos. Faça a sua sopa com pouco ou nenhum sal. Evite o pão demasiado salgado. Atenção, pois os produtos de pastelaria contém habitualmente muito sódio. Leia os rótulos. Muitos dos cereais de pequenoalmoço contêm, por exemplo, muito cloreto de sódio adicionado. Terceiro objectivo – Aumente o consumo de potássio. O aumento do consumo de potássio está associado à redução da pressão arterial. E este efeito ainda aumenta mais em pessoas com consumos elevados de sal. Onde se encontra o potássio? Nas batatas, batata doce, espinafres, bananas, laranjas, tomates, alperces, lentilhas, feijão, grão, amêndoas e também nos iogurtes e peixe. Quarto objectivo – Modere o consumo de álcool. Acima de 2 copos de vinho por dia ou seus equivalentes, a sua pressão arterial começa a subir. Quinto objectivo – Reduza o consumo de alimentos de origem animal, privilegiando as refeições com quantidades aumentadas de frutos, hortícolas, leguminosas e cereais. Quanto a alimentos de origem animal prefira o peixe à carne (em especial os peixes gordos, sardinha, cavala…) e os leites com baixos teores de gordura. Sexto objectivo – Como gordura prefira o azeite evitando ao máximo as gorduras de origem animal. Sétimo objectivo – Ande diariamente pelo menos 30 minutos com um passo vigoroso. Ou três vezes 10 minutos. Será o suficiente para que a sua medicação funcione mais eficientemente ou para reduzir a sua pressão arterial, no caso de não ser necessária medicação. Cuide-se. BOAVIDA S A Ú D E COLESTEROL, O INIMIGO DO CORAÇÃO Não se passa um único dia sem que alguém me pergunte: “doutora, o meu colesterol está muito alto?”. M. Augusta Drago T ranquilizo (ou não) o autor da pergunta com uma explicação sobre o risco de ter o colesterol alto e como é gratificante saber que, até certo ponto e exceptuando os casos de etiologia familiar, esse indicador é reversível e controlável pela própria pessoa. Quando a conversa corre bem, terminamos a consulta com um compromisso da parte do doente para modificar o seu estilo de vida, alterando hábitos alimentares nocivos e combatendo o sedentarismo. Depois, é deixar passar algum tempo até pedir novas análises e verificar se a promessa foi ou não cumprida. O colesterol é uma das duas principais substâncias gordas que existem no sangue. A outra é os triglicéridos. Estas duas gorduras são fornecidas pela alimentação ou formam-se no organismo. Ficam depositadas nas células adiposas até serem mobilizadas pelo organismo. O colesterol tem funções muito específicas e benéficas para a nossa saúde e, enquanto se mantiver dentro de valores normais, nada de mal nos acontece. As suas moléculas são uma fonte de energia sempre disponível, carregam algumas vitaminas até às células, ajudam na formação de hormonas e têm um papel importante na imunidade e noutras funções, algumas ainda pouco conhecidas, mas que ajudam a manter a saúde. Os valores normais destas duas substâncias no sangue são: coles- terol  190mg/ml e triglicéridos  145mg/dl. Dentro do colesterol existem ainda dois componentes com efeitos opostos: uns, os HDL (conhecido por colesterol benéfico), protegem o coração, outros, os LDL (conhecido por colesterol nocivo), estão na génese da aterosclerose e são os principais responsáveis pelos enfartes do miocárdio e pela angina de peito. O objectivo é manter os valores de HDL  45mg/dl e de LDL  100mg/dl. Para estes valores serem fiáveis, os doentes devem estar pelo menos 12 horas em jejum antes de tirar o sangue para análise. Isto significa nada ingerir, excepto água. Também não devem beber álcool nas 24h antes da análise. Estudos baseados na evidência mostraram que as doenças cardíacas isquémicas (enfarte do miocárdio e angina de peito) estão directamente relacionadas com valores altos de colesterol nocivo. Sabe-se que a aterosclerose surge a partir de valores de colesterol  140mg/dl. O risco de André Letria doença cardíaca aumenta consideravelmente a partir de valores de colesterol  200mg/dl. Este risco duplica com valores de 250mg /dl. Para valores de 300mg/dl, o risco é quatro vezes superior àquele que têm os doentes com colesterol de 200mg/dl. Uma alimentação rica em fibras e em óleos vegetais (ricos em HDL) e pobre em gorduras de origem animal é recomendada a todas as pessoas, independentemenre do sexo ou da idade. Porém, as pessoas que têm familiares em primeiro grau que sofram de dislipidémias (gorduras do sangue elevadas) têm de ter mais cuidado. Doentes com este risco familiar e/ou que sofram de hipertensão arterial, diabetes, obesidade e tabagismo devem controlar regularmente os lípidos do sangue. Também se recomenda esse cuidado aos homens com mais de 35 anos, às mulheres depois da menopausa e a todos os doentes cardíacos. Se os valores do colesterol e dos triglicéridos estiverem normais não é necessário repetir análises todos os anos. As pessoas com baixo risco podem fazê-las de cinco em cinco anos. Já as pessoas com alto risco devem repeti-las todos os três meses até os valores estarem controlados. Para além da dieta pobre em colesterol, estes doentes beneficiam hoje de fármacos muito eficazes, tais como as “estatinas”, os “ácidos gordos ómega-3” (que também se encontram em alimentos como o óleo de girassol e de soja e nas nozes, etc.), os “fibratos”, que são mais eficazes para baixar os triglicéridos, e outros. Um plano alimentar e de exercício físico é fundamental para estes doentes. Os objectivos devem ser realistas e combinados entre médico e doente. [email protected] Julho/Agosto 2006 TempoLivre 51 BOAVIDA TEMPO INFORMÁTICO FOTOGRAFIAS DIGITAIS Estamos em plena época de utilizar as nossas viagens e passeios para fazer fotografia. E fotografia, nos tempos de hoje, é digital. Passá-las para o computador e vê-las em família no monitor é aquilo que usualmente se faz. Imprimir a jacto de tinta é dispendioso. Mas as nossas imagens merecem mais do que ficar presas ao PC. I Gil Montalverne A dmitimos que conhece o básico para escolher câmaras digitais: tipo de sensor e quantidade de Megapixels efectivos fazem a qualidade da fotografia. Em uso doméstico bastam 3 ou 4. Para fotógrafo exigente, maior número de pixels. Bateria de lítio é ideal. Pilhas recarregáveis perdem capacidade rapidamente. Zoom óptico em vez de Zoom digital. Este funciona com software e dá menor qualidade à imagem. Focagem manual é importante. Controlar a intensidade do flash evita imagens com excesso de luz. Modo leitura pontual é útil nas imagens em contraluz. Memória interna ou cartões de memória? Melhor ter as duas assim como escolher a qualidade de fotografia com mais ou menos Mbytes ou Kbytes. E agora como aproveitar as imagens? Para quem deseja imprimir as 52 TempoLivre Julho/Agosto 2006 suas fotos digitais em papel naquele formato postal 10 x 15, a melhor e mais barata solução está nas pequenas impressoras de sublimação térmica que utilizam o calor para retirar a tinta de um cartucho e fixar as imagens num papel especial, dando-lhe um tratamento extra de uma camada à prova de água e do envelhecimento das cores. As SAGEM são transportáveis (cerca de 20x20x9,5 cm) compatíveis com qualquer câmara digital, cartão de memória ou mesmo telemóvel, sem necessitar de PC. 16 milhões de cores e 300 pixels por polegada. Vêm já com cartucho e papel. A Photo Easy 155 (99 Euros) tem um display com os dados técnicos e as opções de impressão. A Photo Easy 260 (159 Euros) tem display a cores com a imagem e maior flexibilidade pois numa só folha de papel pode escolher formato 10x15, 2 tipo cartão de crédito, 4 ou mesmo 8 tipo BI. Escolha de impressão a cor, preto e branco ou sépia. Pode seleccionar e até editar (ajuste de contraste e brilho) ou corrigir olhos vermelhos. Kits com cartucho e 40 ou 120 folhas de papel (Cigest: 213616310) Mas também é necessário organizar os originais de modo a encontrá-los facilmente por assunto, datas ou palavras-chave, no PC ou em CD ou DVD. A Microsoft transformou há algum tempo o então célebre Picture It no pacote Digital Image Pro. Também com este software melhoram-se e editam-se as fotos digitais ou podem realizar-se slide-shows. Uma rápida visualização de miniaturas permite uma escolha eficiente daquela imagem que nos lembrávamos de ter tirado mas... onde estará? Digital Image Suite ajuda a encontrá-la. As versões de 2006 vão da Standard à Suite e à Suite Plus, esta incluindo também o Pinnacle Studio para trabalhar com Vídeos. De qualquer modo, basta carregar numa tecla escolhendo uma opção e criaremos de imediato CDs ou DVDs com as nossas imagens ou vídeos, perfeitos e organizados.I [email protected] BOAVIDA A O NOVO SAAB 9-3 CABRIO TID 150CV A introdução de um motor diesel potente mas suave vem tornar o modelo Saab 9-3 Cabrio mais atraente. Disponível nas versões Linear, Vector e também nas novas Séries Especiais SE, a unidade 1.9 TiD / 16 válvulas de 150 cv é proposta com a possibilidade de se optar entre transmissão manual e automática, ambas de seis velocidades. I Carlos Blanco E ste motor com common rail e injecção múltipla directa, apresentado com sucesso nas gamas 9-3 Sport Sedan e Sport Hatch, distingue-se por um elevado nível de performance. Um avançado filtro de partículas de escape, sem manutenção, equipa de série este motor. No Saab 9-3 Cabrio, esta unidade é proposta apenas na sua configuração mais potente, o que significa poder dispor de uma potência máxima de 150 cv às 4.000 rpm. Mas ainda mais importante é oferecer um amplo poder de tracção, com 90% do binário máximo disponível das 1.750 às 3.250 rpm. O valor máximo de 320 Nm, alcançado entre as 2.000 e as 2.750 rpm, só é superado pelos 350 V O L A N T E Nm do topo de gama, o motor a gasolina 2.8V6 Turbo de 250 cv. A performance em estrada é elevada, sendo que o carácter distintamente desportivo do motor reduz ainda mais qualquer diferença perceptível entre os níveis de performance dos motores diesel e a gasolina. A recuperação, o aspecto mais importante para a condução quotidiana, é idêntica à do motor a gasolina de 210 cv (80 aos 120 km/h em quinta em 11,0 vs 11,5 segundos), ao passo que a aceleração dos zero aos 100 km/h se realiza em apenas 10,4 segundos (11,8 com caixa automática). A experiência de condução distingue-se por um nível de suavidade e apuramento, aliada a uma formação progressiva de binário que desmente a presença da ignição por compressão. Contribuiu para tal a calibragem do movimento da borboleta electrónica, que permitiu obter uma resposta semelhante aos motores a gasolina da Saab. Com o consumo no ciclo combinado de 6,3 litros/100km (7,4/caixa automática) a ostentar um ganho de 25 por cento em relação ao motor a gasolina 1.8t/150 cv, o novo TiD oferece uma atraente combinação de performance e economia. I Julho/Agosto 2006 TempoLivre 53 BOAVIDA PA L AV RA S D A L E I GESTÃO DE NEGÓCIOS Sou proprietária de três apartamentos. Habito um, e os outros estão arrendados. Tenho 81 anos, a única parente que tenho é uma sobrinha que habita em Inglaterra, a quem pretendo deixar os meus bens. Queria saber o que posso fazer para deixar a administração dos meus bens e rendimentos a alguém de confiança, e que me informasse periodicamente do que faz, no entanto não conheço ninguém. ? Leitora devidamente identificada – Braga I Pedro Baptista-Bastos André Letria Q uem disponha de bens patrimoniais, pretenda que alguém se encarregue da administração dos mesmos, sem, no entanto, conhecer ninguém para tal, e tenha necessidade que os seus bens sejam administrados, pode socorrer-se da figura da gestão de negócios. Prevista e regulada na nossa lei civil, nos artigos 464º a 472º, a gestão de negócios estende-se para além do “negócio” propriamente dito; com efeito, esta figura jurídica regula quaisquer actos ou situações em que alguém tenha que gerir imediatamente um interesse patrimonial de outrem. Distingue-se dos mandatos ou das procurações passadas a terceiros por causa destes requisitos: o gestor não está imediatamente autorizado a assumir a condução do negócio; tem que avisar o dono do negócio que pretende assumir a gestão do mesmo e conforma-se sempre com a vontade do dono do negócio, não havendo, por isso, lugar a uma grande 54 TempoLivre Julho/Agosto 2006 discricionariedade na sua actuação. Finalmente, o gestor tem sempre que prestar todas as informações e contas relativas à sua gestão, quer durante, quer finda a gestão de negócios ao dono, e entregar-lhe as quantias ou juros que haja recebido, em virtude da sua actuação. O aviso da assunção da gestão e a conformidade de actuação do gestor à vontade e interesse do dono do negócio evita que este incorra em responsabilidade e tenha que responder perante aquele. Esse aviso é articulado com a exigência do dono do negócio aprovar, ou ir aprovando, os actos do gestor à medida que decorre o seu exercício. Tenha o leitor em conta que o gestor de negócios enquanto tal está sempre adstrito à vontade do dono do negócio. Nunca pode alegar falta de tempo ou de documentos para se justificar de uma acção. A prestação de informações e de contas é sempre imediata. No entanto, se o gestor celebrar um negócio em nome próprio com um terceiro, no decurso da sua gestão, aplicam-se as regras do mandato sem representação. A esta última situação chama a doutrina “gestão sem representação”. Implica que os actos celebrados em nome próprio pelo gestor com terceiros só nele se repercutem, nunca podendo o dono do negócio ser responsabilizado por estes, mesmo que o gestor alegue que agiu em nome do dono do negócio e se os terceiros com quem celebrou sabiam que o gestor agia em nome pessoal; se, por via desse tipo de actos, surgirem direitos adquiridos, créditos, ou quaisquer benefícios ou lucros, devem estes ser transferidos para a posse do dono do negócio. Optei pela solução da gestão de negócios e não pelo Mandato, porque a extensão do Mandato compreende, regra geral, meros actos de administração ordinária, isto é, simples actos de manutenção e preservação do património do mandante. Por outro lado, o mandato estabelece um vínculo obrigacional mais severo para o mandante do que a gestão de negócios, pormenor que a nossa leitora não pretende. I CLUBE TEMPO LIVRE PASSATEMPOS 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 Palavras Cruzadas > por Tharuga Lattas 1 Horizontais: 1-Outrora; Choça. 2-Aguardente obtida da destilação do 2 melaço, depois de fermentado; Abranda; Antepassado. 3-Peúvas (árvores); Arrojo; Ímpio. 4-Prender; Nome de letra; Consentimento. 5-Suspirarei; Ansiedades. 6-”Nada Consta”; Nome pessoal masculino; Raivas; Nome da décima sétima letra do alfabeto grego. 7-Algum; Sacudis; Textualmente. 8-As regiões superiores da atmosfera; Arrenda; Mulher de mau génio. 9-Deus do Sol entre os antigos Egípcios; Anéis; Eternidade; Imperfeita; “Sem data”. 10-Nome pessoal masculino; Tem conhecimento. 11-Enredam; Castigara. 12-Nome pessoal Masculino; Velho; Defeito (fig.). 13-Venturas; Discurso laudatório; Sacerdotes budistas tibetanos. 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 SOLUÇÕES Verticais: 1-Sorri; Poeta açoreano que pôs termo à vida em Ponta Delgada; Doutor (abrev.). 2-Cópia; Irmão do pai. 3-Abertura no alto da muralha...; Decifra; Enguias. 4-Cicatriza; Implorara. 5-Tua; Desafia; Ruído. 6-Grande ave ratite, (corredora) sul-americana, com três dedos em cada pata; Perfura; Chefe político, no Oriente. 7-Boleeiro; Escória; Doçura (fig. Aliança; Nuvem; Laço apertado. 9-Coisa branda (fig.); Nome pessoal masculino; Caridosa. 10-Cá; Canção; Meio-dia. 11-Berílio (s.q.); Pato; Ilha inglesa do mar da Irlanda. 12-Pessoas estranhas ou manhosas; Sobrecasaca. 13-Dia natalício; Catedral; Pertenciam. 14-Ninharias; Lavra. 15-Alternativa; Sovada; Campeão. Nota: Todos os termos da solução podem ser verificados nos Dicionários “Língua Portuguesa”, “Sinónimos” (Porto Editora) e “Prático Ilustrado” (Lello & Irmãos) 1-DANTES; CABANA. 2-RUM; AMOLECE; AVO. 3-IPÉS (Árvore); ATIRO; ATEU. 4-LIAR; AGÁ; AVAL. 5-AIAREI; A; ANELOS. 6-NC; ATOR; IRAS; RÓ. 7-TAL; ABANAIS; SIC. 8-ETER; ALUGA; LEOA. 9RÁ; ÒS; EVO; MÁ; SD. 10-0; IGOR; E; SABE; A. 11-TRAMAM; PUNIRA. 12-DIOR; SENIL; TARA. 13-ROSAS; LOA; LAMAS. FÉRIAS CULTURAIS Actividades semanais • CINEMA • DESENHO E PINTURA • PASSEIOS TURÍSTICO-CULTURAIS a implementar nos • KARAOKE • PEDIPAPER • JOGOS • PERCURSO EXPLORAÇÃO DA NATUREZA • TAI CHI • GINÁSTICA • JOGOS AQUÁTICOS • CAÇA AO Centros de Férias no TESOURO • PASSEIO MISTÉRIO • FESTAS TEMÁTICAS • Verão de 2006 • Programa completo disponível aos balcões dos Centros de Férias Informações: tel. 210 403 914 Viagens Viagens inesquecíveis! Partidas: Setúbal/Pragal/Lisboa/Santarém/Leiria Preço por pessoa em quarto duplo: 280,00 € PORTUGAL PASSEIOS DE 1 DIA BAILARICO DE VERÃO Em pleno Verão um fabuloso almoço e tarde dançante com música ao vivo TSN2166 – 15 de Agosto NOVIDA DE PARTIDAS: VIANA DO CASTELO/BRAGA/PORTO/AVEIRO Preço por pessoa: € 49,00 PROG EXTRAO RAMA RDINÁR IO FESTAS E ROMARIAS ROMARIA DA NOSSA SRA. DA AGONIA - “Ó meu amor algum dia havemos de ir a Viana….” Conheça a genuína cozinha tradicional minhota num afamado restaurante regional TSN2326 - 17 a 21 de Agosto PARTIDAS: FARO - SETÚBAL- LISBOA Preço por pessoa em quarto duplo: 455,00 PASSEIOS TEMÁTICOS AS VINDIMAS NO DOURO Jogos populares e tradicionais, almoço popular “comida do dia da vindima” e jantar temático com a Ferreirinha TSN2196 – 15 a 17 de Setembro PARTIDAS: Setúbal/Lisboa/Santarém/Leiria Preço por pessoa: € 265,00 NOVIDA DE Venha conhecer as belezas do Oeste e da Costa Azul OESTE NOVIDA DE Nº TSN1586 - 5 a 10 de Setembro Partidas: Guarda/Viseu/Aveiro/Coimbra (Alojamento: C. Férias da Foz do Arelho Visitas: Peniche, Cabo Carvoeiro, Rio Maior, Óbidos, Caldas da Rainha, Torres Vedras, Alenquer, Lourinhã, Moita dos Ferreiros e Alcobertas). Preço por pessoa em quarto duplo: 315,00 € Partidas: Coimbra Preço por pessoa em quarto duplo: 295,00 € NOVIDA DE Nº TSN 1836 - 9 a 15 de Setembro Partidas: Aveiro/Coimbra/Leiria/Santarém/Lisboa (Alojamento: Centro de Férias da Costa da Caparica Visitas: Cabo Espichel, Lagoa de Albufeira, Palmela, Almada, Sesimbra, Setúbal, Vila Fresca de Azeitão, Grândola, Alcácer do Sal, Vila Nogueira de Azeitão, Sra. da Atalaia, Sines e Tróia). Preço por pessoa em quarto duplo: 375,00 € COSTA AZUL PRAIAS CRUZEIROS CRUZEIRO – RÉGUA/BARCA D` ALVA TSN1796- 3 de Setembro PARTIDAS: Viseu Preço por pessoa em quarto duplo: € 90,00 CIRCUITOS MINI FÉRIAS NA PATEIRA TSN1936 – 23 a 26 de Setembro FÉRIAS EM MONTE GORDO TSN1776 – 26 de Ago. a 2 de Setembro PARTIDAS: Braga/Porto/Aveiro Preço por pessoa em quarto duplo: € 500,00 TSN1986 – 23 a 30 de Setembro PARTIDAS: Portalegre/Évora/Beja Preço por pessoa em quarto duplo: € 355 ,00 FÉRIAS EM ALBUFEIRA TSN1766 - 26 de Agosto a 02 de Setembro PARTIDAS: Guarda/Covilhã/Portalegre/Évora Preço por pessoa em quarto duplo: € 420,00 TSN1886 - 16 a 23 Setembro PARTIDAS: Coimbra/Leiria/Santarém Preço por pessoa em quarto duplo: € 375,00 TSN1896 -16 a 23 Setembro PARTIDAS: Bragança/Vila real Viseu/Coimbra Preço por pessoa em quarto duplo: € 390,00 TSN1946 - 23 a 30 Setembro PARTIDAS: Portalegre/Évora/Beja Preço por pessoa em quarto duplo: € 379,00 TSN1996 - 30 Setembro a 07 Outubro PARTIDAS: Guarda/Covilhã/Santarém Preço por pessoa em quarto duplo: € 370,00 TSN2006 - 30 Setembro a 07 Outubro PARTIDAS: Porto/Aveiro/Lisboa/Pragal Preço por pessoa em quarto duplo: € 379,00 PARTIDAS: Setúbal Preço por pessoa em quarto duplo: € 370,00 NOVIDA FÉRIAS NA QUARTEIRA DE TSN 1956 - 23 a 30 Setembro PARTIDAS: Aveiro/Coimbra/Leiria/Santarém Preço por pessoa em quarto duplo: € 400,00 NOVIDA FÉRIAS EM ALTURA DE TSN1916 -16 a 23 de Setembro PARTIDAS: Coimbra/Leiria/Santarém Preço por pessoa em quarto duplo: € 515,00 TSN1976 – 23 a 30 de Setembro PARTIDAS: Guarda/Covilhã/Portalegre/Évora Preço por pessoa em quarto duplo: € 505,00 FÉRIAS EM OLHOS D’ ÁGUA TSN1966 – 23 a 30 Setembro NOVIDADE PARTIDAS: Viana/Braga/Porto/Aveiro Preço por pessoa em quarto duplo: € 349,00 FÉRIAS EM MILFONTES NOVIDA DE TSN2176 - 09 a 16 Setembro Viagens PARTIDAS: Viana/Braga/Porto/Aveiro Preço por pessoa em quarto duplo: € 535,00 PARTIDAS: Coimbra Preço por pessoa em quarto duplo: € 525,00 TSN2186 -16 a 23 de Setembro PARTIDAS: Leiria/Santarém/Lisboa/Pragal Preço por pessoa em quarto duplo: € 529,00 PARTIDAS: Setúbal Preço por pessoa em quarto duplo: € 519,00 ILHAS S. MIGUEL/SANTA MARIA TSN1826 - 08 a 15 Setembro PARTIDAS: LISBOA Preço por pessoa em quarto duplo: € 595,00 PORTO SANTO TSN1926 - 22 a 29 Setembro PARTIDAS: PORTO Preço por pessoa em quarto duplo: € 505,00 EUROPA PARTIDAS: Lisboa TSI12465 12 a19 de Agosto Preço por pessoa em quarto duplo: € 979,00 ROQUETAS DEL MAR TSI1946 18 a 25 de Agosto PARTIDAS: Lisboa/Setúbal/Évora Preço por pessoa em quarto duplo: € 579,00 FRANÇA PUNTA UMBRIA TSI1476 19 a 26 de Agosto PARTIDAS: Viseu /Coimbra/Leiria Preço por pessoa em quarto duplo: € 905,00 TSI1486 23 a 30 de Setembro PARTIDAS: Santarém / Lisboa/ Setúbal Preço por pessoa em quarto duplo: € 499,00 Outubro TOSSA DEL MAR TSI2026 01 a 08 de Setembro PARTIDAS: Lisboa/Porto Preço por pessoa em quarto duplo: € 665,00 ESPANHA MARBELLA TSI2586 02 a 09 de Setembro PARTIDAS: LEIRIA/LISBOA/ÉVORA Preço por pessoa em quarto duplo: € 665,00 Praias Reserve já a sua praia!!! CHINCLANA DE LA FRONTERA TSI1506 26 de Agosto a 02 de Neste Verão a pensar em si temos os melhores preços e datas variados para as encantadoras praias de Espanha. Consulte, para mais informações, os balcões do INATEL e a brochura “Viagens 2006 – Primavera /Verão” Setembro FUENGIROLA TSI1446 05 a 12 de Agosto PARTIDAS: Lisboa /Setúbal /Beja Preço por pessoa em quarto duplo: € 405,00 TSI1456 02 a 09 de Setembro PARTIDAS: Santarém / Lisboa /Évora Preço por pessoa em quarto duplo: € 365,00 BENIDORM - autocarro: várias datas - avião: 11 a 18 de Agosto / 01 a 08 de Setembro PARTIDAS: Porto/Aveiro/Santarém/Lisboa Preço por pessoa em quarto duplo: 819,00 TSI1516 16 a 23 de Setembro PARTIDAS: Coimbra/Leiria/Santarém/Portalegre Preço por pessoa em quarto duplo: 659,00 ESPANHA VERDE GALICIA PARTIDAS: Setúbal/Lisboa/Leiria TSI1576 08 a 12 de Setembro Preço por pessoa em quarto duplo: 325,00 ASTÚRIAS PARTIDAS: Beja/Évora/Portalegre/Covilha/Guarda TSI 1586 30 de Setembro a 05 de Outubro PENÍSCOLA Costa del Azahar EVIAN TSI1056 - 11 a 18 de Setembro PARTIDAS: Lisboa/Porto/Faro Preço por pessoa em quarto duplo: € 805,00 PARIS E CASTELO DO VALE DO LOIRE TSI1066 – 24 de Setembro a 03 de PARTIDAS: Lisboa/Porto/Faro Preço por pessoa em quarto duplo: €1.479,00 GRÃ-BRETANHA INGLATERRA E ESCÓCIA TSI1646 PARTIDAS: Lisboa/Porto/Faro 27 Agosto a 03 Setembro Preço por pessoa em quarto duplo:1185,00 € GRÉCIA PARTIDAS: Lisboa 19 a 28 de Setembro Preço por pessoa em quarto duplo: € 1.079,00 Já disponível DESTINOS 2006 A sua revista de auto-férias (cidade, praia, campo, hotéis, apartamentos, turismo rural) ...é você quem decide o seu destino Para sua comodidade pode consultá-la na página do INATEL em www.inatel.pt A DIVULGAÇÃO DESTA INFORMAÇÃO NÃO INVALIDA A CONSULTA DA BROCHURA Viagens 2006 - Primavera/Verão Preço por pessoa em quarto duplo: 390,00 Informações e reservas nos balcões de venda da Sede e Delegações Sede/Loja do Turismo: Calçada de Sant’Ana 180, 1169-062 Lisboa Telf. 210027160/61/62 fax: 210027170 e-mail: [email protected] endereço: www.inatel.pt CUPÕES CLUBE TEMPO LIVRE NOTA: os cupões para aquisição de Livros são válidos até ao final do ano de 2006 DESCONTO Este cupão só é válido na compra de 1 livro constante da nossa secção “ Novos livros ”, onde está incluído o preço de venda ao público (PVP) e respectiva Editora Clube TempoLivre 2,74 Euros VALIDADE 31de Dezembro/2006 DESCONTO Este cupão só é válido na compra de 1 livro constante da nossa secção “ Novos livros ”, onde está incluído o preço de venda ao público (PVP) e respectiva Editora Clube TempoLivre DESCONTO Este cupão só é válido na compra de 1 livro constante da nossa secção “ Novos livros ”, onde está incluído o preço de venda ao público (PVP) e respectiva Editora Clube TempoLivre 2,74 Euros VALIDADE 31de Dezembro/2006 2,74 Euros VALIDADE 31de Dezembro/2006 DESCONTO Este cupão só é válido na compra de 1 livro constante da nossa secção “ Novos livros ”, onde está incluído o preço de venda ao público (PVP) e respectiva Editora Clube TempoLivre 2,74 Euros VALIDADE 31de Dezembro/2006 Remeter para Clube Tempo Livre – LIVROS, Calçada de Sant’Ana nº 180 – 1169-062 Lisboa, o seguinte: G Pedido, referenciando a editora e o título da obra pretendida; G Cheque ou Vale dos Correios, correspondente ao valor (PVP) do livro, deduzindo 2,74 euros de desconto do cupão. G Portes dos Correios referente ao envio da encomenda, com excepção do estrangeiro, serão suportados pelo Clube Tempo Livre. Em caso de devolução da encomenda, os custos de reenvio deverão ser suportados pelo associado. CLUBE TEMPO LIVRE NOVOS LIVROS AMBAR O ENIGMA VALFIERNO Martín Caparrós 304 pg. | 21 (PVP) Uma história de um homem invulgar e da busca desesperada de uma identidade. A obra basea-se na história real de um dos mais espectaculares crimes de sempre, um assalto ao Museu do Louvre em 1911, que resultou no desaparecimento da Mona Lisa, de Leonardo Da Vinci. A NOVA VELHICE António Simões 176 pg. | 14 (PVP) Um livro que apela à valorização da terceira idade, agora, mais desenvolvida e detentora de uma capacidade superior. Segundo o autor os idosos são, hoje, mais saudáveis e instruídos, pelo que merecem respeito e reconhecimento. QUANDO O COMER É UM INFERNO – CONFISSÕES DE UMA BULÍMICA Espido Freire 200 pg. | 16 (PVP) Um livro que traz à luz do dia um dos grandes males da sociedade moderna. A autora, ela própria bulímica, denuncia as circunstâncias que levam milhares de jovens a enveredar pelos perigosos caminhos desta doença. ARTEPLURAL GUIA DO MOCHILEIRO António Pedro Nobre 272 pg. |16 (pvp) Um guia prático que reúne dados relativos a 30 países europeus, facultados por entidades governamentais, turísticas e responsáveis 60 TempoLivre Julho/Agosto 2006 pelas linhas-férreas europeias, com informações úteis e sugestões imprescindíveis para quem gosta de viajar. CAMPO DAS LETRAS EGIPTO EM PORMENOR Stewart Ross 34 pg. | 16,80 (PVP) Sentir o esplendor e a majestade do Antigo Egipto é a proposta desta obra, que permite a visita a alguns dos locais mais espectaculares do mundo antigo. Venha descobrir os pormenores mais íntimos do trabalho, dos rituais e da vida no Egipto, além de encontrar actividades invulgares e divertidas. D. JOÃO (O BANQUETE DE PEDRA) Molière 132 pg. | 12,60 (PVP) Com tradução de Nuno Júdice e encenação de Ricardo Pais, uma peça que subiu ao palco no Teatro Nacional São João (Porto), em Fevereiro de 2006. EDITORIAL PRESENÇA SETE MULHERES, SETE HISTÓRIAS Vários 68 pg. |12,50 (PVP) Sete histórias de mulheres como Mercedes Balsemão, Vera Deslandes Pinto Basto,Vera Pinto Basto, Maria João Bordallo, Teresa Avillez Ereira, Maria Helena Maia e Maria Teresa Salema com percursos de vida díspares, oriundas de universos sociais e culturais diferentes, mas que têm em comum a mesma força de alma que as impele a perseguir os seus sonhos e a depositar uma fé inabalável nas suas convicções e capacidades. O SEGREDO DOS BEATLES Pedro de Freitas Branco 100 pg. | 10 (PVP) Um dos crimes mais inusitados do século, aquele que, literalmente, ceifou a vida a António Lopes, o Tony «guitarra de fogo» - um afamado vendedor ambulante da Feira da Ladra. Os contornos do homicídio são rocambolescos: o móbil, um segredo relacionado com os Beatles; a arma, um disco negro de vinil cortado em forma de foice; os principais suspeitos, três personagens absolutamente imperdíveis. EUROPA AMÉRICA O SULTÃO E O CARTÓGRAFO Tariq Ali 256 pg. | 18,90 (PVP) A obra tem como pano de fundo Palermo medieval.Um romance mítico no qual o orgulho, a cobiça e a luxúria se misturam com a resistência e a grandeza. SAHARA Michael Palin 264 pg. |18,98 (PVP) Um guia essencial e uma obra de referência para qualquer viajante. Sahara é o resultado em palavras de uma expedição extraordinária, levada a cabo no maior deserto do mundo. TRISTÃO E ISOLDA Anónimo 192 pg. |17,50 (PVP) A mais célebre obra da literatura de cavalaria. Uma história de traição, intriga, paixão, luta e coragem, cuja ressonância ultrapassou muito o quadro da época medieval para se projectar até aos nossos dias, servindo de inspiração, em 1865, a Richard Wagner, cuja ópera traduz musicalmente toda a paixão e o amor eterno presentes no tema. KAFKA Nicholas Murray 408 pg. | 29,90 (PVP) Uma nova biografia de Kafka que traça o retrato do homem por trás das obras e revela novas facetas do mestre da modernidade. A vida de Kafka, marcada pela angústia interior e não tanto por incidentes exteriores, foi tão extraordinária como as suas ficções. GRADIVA O INFERNO DO CONDOMÍNIO - Como sobreviver à vizinhança Nuno Costa Santos e João Pedro Gomes 100 pg. | 10 (PVP) Um guia para condóminos com conselhos essenciais para a convivência com essa espécie estranha e inclassificável que dá pelo nome de vizinhança. LUCERNA/PATRIS NOSSA SENHORA NA HISTÓRIA DA NOSSA VIDA Coord. Mafalda de Mello e Castro 82 pg. | 12,45 (PVP) Inclui quinze contos que abordam as diferenças culturais na escola, a integração de crianças com problemas de desenvolvimento ou deficiência, o valor de uma oração, a necessidade da fé e a importância do ser aos olhos de Deus. Destinado ao público jovem, pais e educadores. ROMA EDITORA deste ensaio de onde emerge a luta entre as forças opostas que ora arrastam para o chão o autor de A Doença da Santidade, ora o elevam para o ponto mais alto, o do seu mundo idealizado. O MISTICISMO LAICO DE MANUEL LARANJEIRA Anthero Monteiro 225 pg. |15 (PVP) O fenómeno do misticismo e a vivência mística de Manuel Laranjeira, polémico e fascinante caminheiro da nossa literatura (séc. XIX/XX), aparentemente contraditórios, são o tema RANCHOS FOLCLÓRICOS E BANDAS FILARMÓNICAS A voz e a alma de Portugal Lauro Portugal 252 pg. | 40 (PVP) Uma mostra do folclore e filarmonia, a nível nacional. Um livro a cores, de capa dura, grande formato, profusamente ilustrado, do qual fazem parte bandas e ranchos de todo o país, incluindo Madeira e Açores. HOCKEY CLUB DE SINTRA GENTE FAMOSA CONTINUA A DAR PONTAPÉS NA GRAMÁTICA Lauro Portugal 222 pg. | 13 (PV) Uma incursão pelo terreno das incorrecções cometidas contra as leis gramaticais por notórias individualidades dos mais variados quadrantes – desde políticos, jornalistas, artistas, advogados, escritores, professores, publicitários, etc. Devidamente anotadas e catalogadas, o autor comenta-as e corrige-as. HOCKEY CLUB DE SINTRA Sessenta anos ao serviço do desporto e do concelho de Sintra F. Hernínio Santos 461 pg. | 50 (PVP) Uma monografia do clube de Hockey de Sintra que comemorou o seu 50º aniversário. Contém informação sobre a fundação do clube, estatutos, simbologia e instalações, bem como sobre as actividades no hóquei em patins nacional e internacional, sócios, atletas e distinções. Parque de Jogos 1.º de Maio Férias Desportivas Verão 2006 Programa de actividades desportivas para ocupar o tempo livre das crianças nas férias escolares. 26 a 30 Junho ~ 03 a 07 Julho ~ 10 a 14 Julho 17 a 21 Julho ~ 24 a 28 Julho Escalões etários: 6-8 anos, 9-11 anos e 12-14 anos. Jogos pré-desportivos, jogos aquáticos, jogos tradicionais, andebol, atletismo, badminton, basquetebol, futebol, ginástica, judo, mini-golfe, natação, ténis, ténis de mesa, voleibol e xadrez. Enquadramento técnico-pedagógico: professores licenciados e técnicos diplomados. Inclui seguro de Acidentes Pessoais. Abertas as Inscrições Inscrições e Informações: Parque de Jogos 1º de Maio . Av. Rio de Janeiro, Lisboa tel. 218 453 470 /71 /72 . fax. 218 473 193 e-mail: [email protected] . www.inatel.pt Férias Desportivas Verão 2006 PARQUE DE JOGOS 1º DE MAIO . tel. 218 453 470 /1 /2 . [email protected] . www.inatel.pt CLUBE TEMPO LIVRE ROTEIRO Roteiro Inatel de actividades culturais e desportivas BRAGA Julho ESPECTÁCULOS: dia 8 às 21h30 - Vimarenense Domingos Oliveira no Gerês e animação de rua pela Equipe Espiral de Braga em S. Torcato; dia 9 às 18h – Gr. Musical do Centro Social de Gondar em S. Torcato; dia 22 às 21h30 – Gr. de Cavaquinhos Estrelas da Primavera em Moreira de Cónegos; dia 29 às 22h Conjunto Típico Estrelas de S. Vicente na Casa do Povo de Lousado; dia 30 às 16h30 – Gr. Cantares Origens de Fradelos em Outiz. FOLCLORE: dia 8 às 18h Festival do Gr. Folcl. de Nine; dia 8 às 21h - Festival do Folcl. Gr. Folcl. da Casa do Povo de Creixomil, do Gr. Folcl. Etnog. de Lordelo, do Gr. Infantil e Juvenil de S. Tiago de Gavião e do R. Folcl. de Santa Maria de Adaúfe: dia 16 às 15h Festival do Gr. Folcl. de Danças e Cantares de Vermil; dia 22 às 21h Festival do Gr. Folcl. do Centro Social de Vila Nova de Sande e do R. Folcl. Típico de Santa Maria de Sequeira; dia 29 às 21h Festival do R. Folcl. do C. Cult. e Recr. de Moreira de Cónegos; dia 30 às 15h30 – Gr. Folcl. de S. Torcato em Oliveira de S. Mateus. CINEMA: filme “Amor Amargo” - dia 3 às 16h em Fermentões; dia 4 às 21h no Centro de Anim. Termal do Gerês; dia 5 às 21h em Cavês; dia 6 às 21h em Sta. Eulália; dia 7 às 21h em Moreira de Cónegos; dia 10 às 21h em Lijó; dia 12 às 15h em Cibões; dia 13 às 21h em Esperança; dia 14 às 15h no C.C. Chorense; dia 18 às 21h em Campelos; 62 TempoLivre Julho/Agosto 2006 dia 19 às 21h em Milhazes; dia 20 às 10h em Carvalhal; dia 24 às 21h em S. Mateus da Ribeira; dia 25 às 10h em Carvalheira; dia 26 às 21h em Valdosende; dia 27 às 21h em Balugães, dia 30 às 21h na União Desp. Bairrense. Vicente, em Coimbra FEIRA: dias 1 a 9 – 2ª feira de Artesanato do Casal da Misarela. ATLETISMO: dia 16 às 9h30 – XXI Convívio da Praia da Leirosa, em Figueira da Foz PESCA RIO: dia 2, 15 e 16 provas na Barragem da Aguieira. Agosto ESPECTÁCULOS: dia 4 às 21h – Gr. Típico Voz do Povo em Delães; dia 5 às 22h – Gr. de Cantares Origens de Fradelos em Ardegão; dia 14 às 22h – Gr. Musical do Centro Social de Gondar em Vermoim; dia 15 às 21h – Pic Band em Ribas. FOLCLORE: dia 6 às 16h30 – Festival do R. Folcl. de S. Cipriano de Tabuadelo em Ruivães e às 21h Festival do R. Folcl. dos Amigos do Castelo; dia 19 às 18h Festival Gr. Folcl. Infantil e Juvenil de Escudeiros. COIMBRA Agosto FOLCLORE: dia 12 – Festival do R. Folcl. Estrelas da Manhã; dia 12 - Festa de Andorinha em Travanca de Lavos; dia 22 - 18º Festival do Gr. Folcl. Camponeses de Montessão. GUARDA Finais do XXVI Torneio em Bombarral. PEDESTRIANISMO: dia 9 às 18h – Passeio integrado no Festival da Juventude de Leiria. ATLETISMO: dias 15 e 16 às 16h – Camp. Nac. de Atletismo (Pista) no Estádio Municipal da Marinha Grande; dia 16 às 10h - 4.º G. P. de Santiago da Guarda em Ansião. Agosto ANIMAÇÃO: dias 5, 12, 19 e 26 às 21h00 – animação no Parque de Campismo de S. Pedro de Moel. PESCA RIO: dia 13 às 7h00 – Concurso no Rio Liz em Monte Real. Julho PASSEIO: dia 2 às 07h15 - Visita à cidade; dia 8 às 7h30 - Visita a Viseu e arredores (património monumental e ambiental). LEIRIA Julho LISBOA T E AT R O DA TRINDADE Julho Sala Principal 1755 O GRANDE TERRAMOTO FOLCLORE: dia 8 – Festival Julho Inter. do R. Folcl. As Tecedeiras de Moinhos; dia 8 a 15 – Festival Inter. “Folk Cantanhede” do Gr. Folcl. Cancioneiro de Cantanhede; dia 9 – 18º Enc. Inter. de Coros da Figueira da Foz; dia 15 17ª Troca de Saberes e Tradições Pop.do R. Folcl. Etnog. do Brinca, Festival do R. Folcl. Rosas de Côja e 19º Festival do Gr. Folcl. Etnog. da Praia da Leirosa; dia 23 – Festival do Gr. Folcl. Malmequeres do Zambujal; dia 25 – Reconstituição do “Cortejo de S. Tomé” em Ançã. CONCERTO: dia 5 às 21h30 Orquestra Aeminium no Teatro Académico Gil FOLCLORE: dia 9 às 17h - 29.º Aniv. da A.C.R.M. de Silveirinha Grande e Claras. ANIMAÇÃO: dias 8, 15, 22 e 29 às 21h – Animação cultural no Parque de Campismo de S. Pedro de Moel. FUTSAL: dia 1 às 16h – meias finais do Camp. Nac. de Futsal no Pav. Gim. de Peniche; dia 2 às 10h Camp. Nac. de Futsal, no Pav. Gim. de Peniche. XADREZ: dia 2 às 10h – Torneio Nacional no Atlético Clube da Sismaria; dia 16 às 14h30 – Torneio de S. Martinho do Porto; dia 23 às 14h30 – Torneio na Casa do Povo de Bombarral. CHINQUILHO: dia 9 às 10h - - até ao dia 29 Sala Estúdio JACQUES E O SEU AMO de 5 a 30 O MEU PÉ DE LARANJA LIMA de 8 a 30 Teatro Bar: CENAS DE UM CASAMENTO de 6 a 15 PORTO de Im Kwon Taek, na Arca d’Água. Julho Agosto EXPOSIÇÕES: Até ao dia 17: CINEMA: horário 22h - dia 4 Colectiva de Tapeçarias & Bordados dos alunos da Academia Jorge de Sena. Visita: dia 22: Passeio Feira Medieval em Óbidos. FOLCLORE: dia 8 - Festival do R. Reg. Mindelo; dia 22 – Festival Folcl. Nac. “Areal 2006” pela Assoc. Recr. Areal; dia 24 a 30 - Festival Intern. Cidade do Porto; dia 29 - Festival Assoc. Cult. Desp. Mindelo; dias 29 e 30 - VII Festival Nac. Assoc. Cult. Rancho S. Martinho de Guilhabreu. CINEMA: horário 22h - dia 7 “O Quarto do Filho” de Nanni Moretti, em P. Hab. Bouça; dia 8 “O Emprego do Tempo” de Laurent Cantet, na Via Catarina; dia 14 “Um Filme Falado” de Manoel de Oliveira, no Forte S. João da Foz; dia 15 “Segunda de Manhã” de Otar Iosseliani, na Igreja dos Grilos; dia 21 “Às Segundas ao Sol” de Fernando L. Aranoa, no Mercado da Ribeira; dia 22 “De Tanto Bater o Meu Coração Parou” de Jacques Audiard, no Palácio de Cristal; dia 28 “Mar Adentro” de Alejandro Aménabar, no Castelo do Queijo; dia 29 “Embriagado de Mulheres e de Pintura” “O Gosto dos Outros” de Agnès Jaoui, na Casa das Artes; dia 5 “O Sabor da Cereja” de Abbas Kiarostami, na Quinta do Covêlo. FOLCLORE: dia 5 – Encontro Nac. Assoc. Cult. Rec. “Os Fontineiros da Maia”; dia 12 - Festival Intern. Grupo Folcl. Vila Chã. SANTARÉM 15 às 21h30 - R. Folcl. “Os Camponeses de Malpique”, em Arreciadas na Assoc. Desp. e Cult. de Arreciadas e R. Folcl. de Alviobeira, em Fátima; dia 22 às 21h30 - R. Folcl. “Os Campinos” da Azinhaga, nas festas de Linhaceira e R. Folcl. Atalaiense, em Atalaia; dia 23 às 20h – R. Folcl. de Alviobeira no Valdonas; dia 30 às 16h - R. Folcl. da Atalaia em Malaqueijo; dia 30 às 20h – R.Folcl. da Casa do Povo do Tramagal, na Água Travessa Futebol Clube. SETÚBAL Julho MUSICA: dia 8 às 16h e 21h – Gr. “Cantares da Charneca” em Vale de Figueira e Alpiarça, respectivamente, pelas 23h – Gr. Musical “Prata da Casa” em Mouriscas; dia 22 às 21h30 - Banda da Assoc. dos BV de V.N. da Barquinha na festa de Vila Nova da Barquinha; dia 23 Banda Filarm. da Vila da Marmeleira, no Centro Recr. e Cult. de Assentiz; dia 28 às 21h30 – Gr. “Cantares da Charneca” na festa de Alcanhões. FOLCLORE: dia 9 às 22h Gr. Folcl. e Etnog. de Bemposta, na Soc. Recr. e Musical de Bemposta; dia Julho BAILE: dia 28 às 14h – animação Sénior na Delegação. FOLCLORE: dia 29 às 21h30 - Festival Reg. no Lavradio, VIANA DO CASTELO Vale; dia 31 às 16h - Parelha de palhaços do Gr. de Teatro “Unhas do Diabo no ”Festival da Criança” em Vila de Punhe. PEDRESTRIANISMO: dia 15 às 9h - “Trilho das Pontes” em Monção VILA REAL Julho MUSICA: dia 2 às 15h Banda de Musica de Vilarandelo em Boucouais; dia 8 às 21h30 – Gr. Etnog. Fisgas de Ermelo na Praia Fluvial do Rio Teixeira em Mesão Frio. CARROS DE PAU: dias 2 e 16 – 1ª Taça (1ª e 2ª mão) Btt: dia 7 – Passeio Nocturno JOGOS POPULARES: dia 7 – X Jogos Populares LusoGalaicos VISEU Julho FOLCLORE: dia 29 - R. das Julho Lavradeiras de S. Martinho da Gandra em Ponte de Lima; dia 30 às 15h30 Festival do Gr. Cult. Rec. dos Lavradores do Paço do Lima . TEATRO: dia 30 - Gr. de Teatro de Chafé no CCD R. Folcl. Lavrad. São Pedro do TIRO AO ALVO: dia 15 às 14h - prova na Ass. Cult. Desp. de Santiago MALHA: dia 2 às 15h30 Torneio Reg. no CCD Courinha em Castro Daire ATLETISMO: dia 2 às 9h – XIII GP Santos Populares em Parada A CHEFE SUGERE |JUDITE ALMEIDA | INATEL SERRA DA ESTRELA Bacalhau à Hotel Esta receita tem por base o bacalhau, um dos alimentos mais utilizados na culinária Portuguesa. O método culinário escolhido pela chefe de cozinha deste Centro de Férias é a fritura, que em conjunto com o molho, lhe dá um sabor intenso e bastante apreciado pelos visitantes. O molho, confeccionado com a adição de sopas instantâneas e de natas, confere-lhe um valor calórico bastante elevado. Recomenda-se pois que experimente utilizar natas com reduzido teor em gordura (“light”) ou substituir por molho bechamel. Ainda como alternativa, dê “asas à sua imaginação” e tente elaborar a sua própria receita caseira, pela substituição das sopas por outros condimentos, ervas e especiarias ao seu gosto. Quanto à confecção do bacalhau poderá eventualmente tentar cozê-lo e regar com o molho preparado. Recomenda-se que na vida diária este tipo de pratos “mais calóricos” seja consumido com alguma moderação e sempre acompanhado por saladas ou hortícolas cozidos. INGREDIENTES PARA 4 PESSOAS: 600g de bacalhau frito, 1,2 kg de cebolas, 61 g de sopa de 64 TempoLivre Julho/Agosto 2006 cebola (em pó), 20g de sopa de peixe (em pó), 12g de sopa de rabo de boi (em pó), 400ml de natas, 12 dl de azeite, farinha q.b., óleo q.b. MODO DE PREPARAÇÃO DO MOLHO: Refoga-se a cebola no azeite, misturando com os 3 tipos de sopas e as natas. Deixa-se ferver e mexe-se. PREPARAÇÃO DO BACALHAU: Passa-se o bacalhau por farinha e frita-se em óleo. Em seguida, coloca-se no tabuleiro com o molho e leva-se ao forno. Acompanha com batata frita às rodelas e salada. COMPOSIÇÃO NUTRICIONAL POR PESSOA: • 37,0g de proteínas; • 43,2g de gordura; • 41,2g de hidratos de carbono; • 3,9g de fibra; • 689,8Kcal INFORMAÇÕES E RESERVAS: INATEL SERRA DA ESTRELA Apartado 17, 6260-012 Manteigas Tel: 275 980300 - Fax: 275 980340 Email: [email protected] MARIA ALICE VILA FABIÃO | O TEMPO E AS PALAVRAS O importante é a rosa Adão e Eva. / A serpente / Partiu o espelho / Em mil pedaços. /E a pedra / Foi a maçã. Fedrico Garcia Lorca, INITIUM, in: Poemas soltos, Obras Completas.1. Trad. de MAVF Veste-se de fogo, a cidade. Há muito já que tinha esquecido como pode ser sufocante o calor longe do mar. Por toda a parte, imagens de sede dançam na ondulação do revérbero do asfalto ressequido. O ar espesso torna difícil a respiração. Um pouco dormente, a memória vai repetindo palavras lidas e relidas nos bancos da Faculdade: “Ó Vento Oeste, que saudades tenho das tuas asas húmidas!” Como os jacarandás sedentos que ponteiam a cidade de lilás, sonho com chuva, com aquela chuva que só cai em Agosto e faz a terra molhada cheirar a mundo recémcriado, aspiro-lhe o cheiro à distância de dois meses, quase a sinto correr sobre a pele sôfrega de frescura. A sala de espera está cheia, povoada de sussurros, de ocasionais silêncios, de vozes que se entrecruzam, dominadas pelo som da televisão. Na semi-penumbra, há palavras que se tornam palpáveis, como se fizessem parte do mobiliário (doente, remédio, médico, operação…) e se organizam em complicadíssimos relatos da história íntima da saúde de famílias alargadas, que incluem amigos, amigos dos amigos e conhecidos de várias gerações. Fornecem-se gratuitamente pareceres sobre doenças, médicos e medicamentos e informações minuciosas sobre os movimentos das respectivas vísceras menos nobres. A falta de pudor dos Portugueses quando se trata a sua situação hígida transforma a sala de espera de um consultório médico português (sobretudo se de um grupo multidisciplinar de médicos) numa verdadeira universidade da vida, com especialização no campo da saúde e dos perigos que a ameaçam. Desinteressada dos negócios-de-milhões-via-telemóvel do vizinho da direita, procuro ausência nos jornais espalhados na mesa de leitura. “Marcha lenta para exigir melhores cuidados de saúde”; “Encerramento de serviços de obstetrícia”; “Doentes crónicos – pouca qualidade de vida”… Subitamente, o mundo entra num alucinante movimento de rotação e translação simultâneos, uma espécie de síndrome vertiginoso, em que, como o país, perdemos o pé, perdemos a cabeça, e a náusea nos faz rezar a todos os santos da nossa descrença. “Cuidados de saúde”, “qualidade de vida” e “serviços de obstetrícia” são conceitos relativamente recentes. Mais recente, porém, é o direito de protestarmos pela sua ausência. Em movimento de fuga, tento uma digressão pela história da medicina no tempo em que esses conceitos não existiam – nem, consequentemente, as suas designações, que actualmente fazem parte do nosso léxico do cotio. Em Maio de 2006, a população mundial é estimada em 6.800.000.000 de seres humanos. Quem associa esse número ao sofrimento da mulher? O cristão medieval considera a gravidez e o parto resultantes de um pecado carnal que, segundo o Livro do Génesis, a mulher, e só ela, deve expiar pela dor. Nessa “época de fé”, a mortalidade da mãe e do filho durante o parto atinge números jamais atingidos anteriormente. A única preocupação é baptizar a criança, o que justifica, então, a tortura e morte da mãe e do filho. A parturiente não tem direito a ajuda médica, não só porque a moral sexual da época o proíbe, mas porque um médico considera a sua intervenção num parto indigno da sua profissão. O Dr. Wert, de Hamburgo, que em 1522 se veste de mulher para participar num parto difícil, paga esse “crime” com a morte na fogueira. Não há então assepsia, não há anestesia – mas, indiferente ao sofrimento e morte da mãe, a Igreja advoga a realização de cesarianas – para salvar a alma do filho. A origem do termo “cesariana” é, durante muito tempo, explicada pela crença de que Júlio César nasceu por esse processo. Nesse tempo, porém, a operação não se realizava em mulheres vivas – e a mãe de César sobreviveu muitos anos à pretensa cesariana. Mais provável é que o termo tenha uma origem mais antiga. Em 715 aC, Numa Pompílio, sucessor de Rómulo e segundo dos sete reis de Roma, codifica a lei romana, sob o nome de LEX REGIA, estabelecendo a extracção do filho de qualquer mãe que morresse em avançado estado de gravidez, para mãe e filho serem sepultados separadamente. A LEX REGIA passa a ser, no tempo dos imperadores, LEX CESARE, lei dos Césares, e a operação “CESARIANA”. Para quê serviços de obstetrícia? Por que não confiar os cuidados de saúde do País a quem, na televisão, garante a cura de todos os males? No fim de contas, segundo as imagens, também para eles, “L’important c’est la rose…”** I ** Gilbert Bécaud. Nota – O título da crónica de Junho tem uma gralha importante. Deveria estar “História pregressa de um gato - História PERVERSA de uns homens”, e não pregressa. Julho/Agosto 2006 TempoLivre 65 CRÓNICA|ÁLVARO BELO MARQUES Um cão chamado saudade Quando fomos para o quintal naquela manhã, o cão saltou de contente e lambeu-nos as mãos. Nunca nos tínhamos visto. Chamámos pela mãe e ela viu o bicho, disse que ainda era novinho, que estava bem tratado e acrescentou: - Deve ter vindo com o vosso pai. Os boémios e os cães dão-se bem. RESOLVIDA A ORIGEM, tratámos de lhe arranjar um nome. Vários foram ditos mas, quando a mãe referiu que o bicho era um fox-terrier, ele levantou a cabeça. Tentámos mais vezes e ele reagia sempre à palavra Fox. Ficou Fox. Resolvidos a origem e o nome, havia que resolver a co-habitação com dois gatos residentes: o Dom Fuas Roupinho e o Espadinha até à última. Este, de aspecto asqueroso, cheio de pinceladas de amarelo no corpo e com os pêlos do rabo cortados como um raio celeste, terminando em ponta de cauda de diabo, uma ignomínia efectuada por um dos rapazes. Éramos três, com uma menina mais velha a comandar-nos. Os gatos residentes, bem novinhos também, fizeram a sua parte encarquilhando a espinha eriçada e bufando. O Fox riu-se para eles bem-disposto. Passados poucos dias já os gatos dormiam em cima dele sem qualquer respeito. O Fox, como todo o mundo, tinha coisas boas e coisas divertidas. As boas eram as suas maneiras, gostar de nós, ir connosco para a praia, brincar connosco ao “faz de conta que te agarro o rabo”; as divertidas eram as cenas dele a correr atrás dos gatos da vizinhança, ladrando furioso e depois regressar olhando para nós e dizendo: “Vêem como defendo o quartel?” Outra curiosidade do Fox: quando ia com a mãe às compras, não se sentava no chão, fosse ele de que matéria fosse: mármore, alcatrão, madeira. Nenhum era suficientemente nobre para acolher o seu rabo. Entrava em qualquer loja com a mãe e procurava imediatamente um papel, um bilhete de eléctrico, o que fosse, para se sentar. Um dia, no talho, não encontrando nada para o efeito, sentou-se na biqueira do sapato da mãe. Um cão divertido. Aos sábados, domingos e feriados, íamos todos com o Fox para a praia da Polana. Tomávamos banho na área protegida contra os tubarões e às vezes os meus irmãos nadavam para a prancha de saltos, montada numa jangada, com o Fox atrás. Ainda estou para saber por que razão não batiam todos os recordes em todos os estilos, pois o Fox a nadar, em sua perseguição, arranhava as costas que tinha à sua frente. A mais velha, a menina, tinha as costas dignas 66 TempoLivre Julho/Agosto 2006 de figuração em qualquer filme de romanos contra os cristãos. Um dia ela fez-lhe uma partida: saltou da prancha e, submersa, nadou para a traseira da jangada. O Fox corria de um lado para o outro, olhando o mar, ladrando e ganindo aflito. Pobre bicho preocupado. No regresso da praia, cheios de fome e sede, fazíamos, por hábito, escala no “Paraíso” uma quinta abandonada com várias laranjeiras enxertadas em limoeiros. O Fox via-nos a comer limão e também queria. Dávamos-lhe pequenos pedaços que ele enrolava na boca, desgostoso, olhando para nós numa aflição, mas mesmo assim engolindo-os. Valente cão. E um dia aconteceu o inimaginável: o Fox tinha desaparecido. Corremos os arredores, perguntámos. Ninguém vira. Ninguém sabia. Nem o dono da mercearia. Percebemos que sofria por ter perdido o seu melhor cliente. À porta da loja prantava-se uma lata grande com azeite e chouriços e ele punha sempre alguns na conta da mãe dizendo ter sido o Fox a roubá-los. Passaram-se dois dias e nada de Fox, para nosso desespero e também para desgosto do Dom Fuas e do Espadinha. Até que telefonou uma senhora à mãe dizendo que o Fox estava em sua casa, que era afinal a casa do Fox, aliás Peludo. A senhora era casada mas não tinha filhos. Contou que, quando o cão lhe desapareceu, ela e o marido foram perguntando até que descobriram onde aquele figurão se aboletara. Perceberam também que tratávamos bem do bicho e que ele era feliz com as crianças. Disse à mãe que, assim como ele fora à sua antiga casa, o mais certo seria qualquer dia regressar à nossa, para matar saudades dos meninos. E assim foi. Quase passou a rotina: quando lhe dava a saudade, vinha Fox por três meses para o pé de nós. Depois, quatro ou cinco meses vividos, chamava-se Peludo e ia viver com os antigos e verdadeiros donos. Quando a mãe nos dizia de manhã, “Há uma surpresa agradável para vocês”, já sabíamos. Íamos a gritar por ele até lá fora e sujávamonos todos nas brincadeiras de rebolar no chão. Neste momento, o cão não se chama Fox nem Peludo. Apenas saudade. I