N.º 173 - Julho/Agosto 2006 - 2,00 euros
Sumário
N.º 173 - Julho/Agosto 2006 - 2,00 euros
22
NA CAPA
Foto: José Frade
TERRA NOSSA, S.
MIGUEL, A ILHA VERDE
Com um manto verde, salpicado
aqui e acolá por maciços
vulcânicos, flores de diversas
tonalidades e abundantes
pastagens, a ilha de S. Miguel, é
um destino de paz e
tranquilidade para umas férias
retemperadoras, acessíveis,
desde Janeiro último, aos
associados do Inatel, graças ao
protocolo assinado com o Hotel
S. Pedro.
4
31
EDITORIAL
O TEMPO E O MUNDO
6
32
CARTAS E COLUNA
ROTA DA LUSOFONIA
DO PROVEDOR
7
56
CLUBE TEMPO LIVRE
VIAGENS
64
NOTÍCIAS
NA HISTÓRIA
A CHEFE SUGERE
10
35
CONCURSO DE
ROMARIAS
Bacalhau à Hotel
(Inatel Serra da
Estrela)
FOTOGRAFIA
SRª DA AGONIA
22
CPLP (V)
MOÇAMBIQUE
14
34
DVD/Cinema/À Mesa/
Saúde/ Informática/
Ao Volante/ Palavras
da Lei
Moçambique é, na
CPLP, um dos países
com maior
diversidade étnica,
cultural e religiosa.
Esta extraordinária
riqueza convive num
vasto território pleno
de atracções naturais,
a começar pela
belíssima costa
banhada pelo Oceano
Índico.
Desde há muitos que
a Festa da Senhora da
Agonia de Viana do
Castelo é justamente
considerada a rainha
das romarias
portuguesas
65
O TEMPO
E AS PALAVRAS
Maria Alice Vila
Fabião
66
CRÓNICA
38
OLHO VIVO
41
BOA VIDA
Consumo/Artes/ Livro
Aberto/Artes/Palco/
Álvaro Belo Marques
Destacável
de 16 págs.
Esta edição
inclui a sinopse
do Relatório de
Actividades e Contas
do Exercício de 2005
Revista Mensal: e-mail: [email protected] - Propriedade do INATEL (Instituto Nacional para Aproveitamento dos Tempos Livres dos Trabalhadores) Presidente: José Alarcão Troni VicePresidentes: Isabel Leal de Faria e Luís Ressano Garcia Lamas Sede do INATEL: Calçada de Sant’Ana, 180, 1169-062 LISBOA, Tel. 210027000 Fax 210027061, Nº Pessoa Colectiva:
500122237 Director: José Alarcão Troni Editor: Eugénio Alves Grafismo: José Souto Fotografia: José Frade Coordenação: Glória Lambelho Colaboradores: Ana Santos, André Letria,
Carlos Barbosa de Oliveira, Carlos Blanco, Eduardo Raposo, Francisca Rigaud, Gil Montalverne, Helena Aleixo, Humberto Lopes, Joaquim Diabinho, Joaquim Durão, José Jorge
Letria, Maria Augusta Drago, Marta Martins, Paula Silva, Pedro Barrocas, Pedro Soares, Rodrigues Vaz, Sérgio Barrocas, Tharuga Lattas, Vítor Ribeiro.Cronistas: Alice Vieira, Álvaro
Belo Marques, Artur Queirós, Baptista Bastos, Maria Alice Vila Fabião, Fernando Dacosta, João Aguiar, Luís Miguel Pereira, Rogério Vidigal. Redacção: Calçada de
Sant’Ana, 180 – 1169-062 LISBOA Telef. 210027000 Fax: 210027061 E-Mail [email protected] Publicidade: Martins Costa Tel. 210027187 Pré-impressão e impressão –
Lisgráfica, Impressão e Artes Gráficas, SA. Casal Stª Leopoldina, 2730-052 Queluz de Baixo. Telef. 214345400 Dep. Legal: 41725/90. Registo de propriedade
na D.G.C.S. nº 114484. Registo de Empresas Jornalísticas na D.G.C.S. nº 214483. Preço: 2,00 euros Tiragem deste número: 187.093 exemplares
Editorial
JOSÉ ALARCÃO TRONI
Programas Abrir as Portas
à Diferença e Turismo Solidário
Por despacho de S. Exa. o Ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, de 23 de Maio
de 2006, foi homologada a deliberação do Conselho Geral de 4 de Maio, que aprovou o
Relatório e Contas do INATEL, relativos ao ano de 2005.
Relatório e Contas do ano findo foi
submetido à fiscalização sucessiva do
Tribunal de Contas, sendo publicado,
por sinopse, no presente número da
Tempo Livre.
Entretanto, pelos despachos nºs 41/2006 e 42/2006
de S. Exa. o Ministro do Trabalho e da
Solidariedade Social, ambos de 31 de Maio,
publicados no Diário da República de 20 de Junho,
foram criados dois novos e importantes programas
de inclusão social e de combate à pobreza, os
Programas Abrir as Portas à Diferença e Turismo
Solidário, que se iniciarão no quarto trimestre de
2006, sob gestão do INATEL.
O
ABRIR AS PORTAS À DIFERENÇA
O Programa Abrir as Portas à Diferença abrangerá,
no ano inicial de 2006, 120 concidadãos, portadores
de deficiência física permanente superior a 30%,
com idades igual ou superior a 18 anos e seus
acompanhantes, no total de 240 pessoas.
Com vista à plena integração dos beneficiários do
Programa Abrir as Portas à Diferença, o INATEL
passará a inclui-los nas excursões do Turismo
Sénior, sensibilizando animadores e seniores para a
responsabilidade social da garantia do direito às
férias e aos tempos livres dos portugueses
portadores de deficiência física.
O financiamento do Programa Abrir as Portas à
Diferença é assegurado pelo Estado e pelos
beneficiários e suas famílias, sendo os valores de
comparticipação dos beneficiários e acompanhantes
quase simbólicos e independentes dos respectivos
rendimentos, atentos os princípios de justiça e
integração social que o inspiram.
Na Comissão de Acompanhamento do Programa
participarão, além do gestor – o INATEL –
4 TempoLivre
Julho/Agosto 2006
representantes da APD – Associação Portuguesa de
Deficientes, da ADFA – Associação dos Deficientes
das Forças Armadas, do Secretariado Nacional para
a Reabilitação e Integração das Pessoas com
Deficiência e do Instituto de Segurança Social.
O Programa Abrir as Portas à Diferença prevê,
para o quarto trimestre do ano em curso, 120
semanas de férias, integradas no Programa Turismo
Sénior – ainda que com financiamento autónomo –
abrangendo 240 concidadãos.
TURISMO SOLIDÁRIO
O novo Programa Turismo Solidário alarga os
princípios orientadores dos Programas Seniores aos
portugueses não seniores carenciados, garantindolhes, também, o direito, constitucional e social, ao
repouso e às férias.
No primeiro ano de existência – o quarto
trimestre de 2006 – do Programa Turismo Solidário,
o INATEL assegurará a realização de 4.992 semanas
de férias, a usufruir por igual número de cidadãos,
com idades compreendidas entre os 18 e os 59 anos,
os quais serão alojados nos centros de férias.
O Programa Turismo Solidário destina-se, como
referido, aos portugueses, não seniores, com baixos
rendimentos, designadamente desempregados ou
beneficiários do salário mínimo e do rendimento
social de inserção, realizando-se nas épocas baixa e
média da actividade turística. O financiamento do
Programa é assegurado pelo Estado e pelos
beneficiários e suas famílias, segundo modelo
idêntico ao do Turismo Sénior.
PROGRAMAS SOCIAIS
O INATEL converte-se, na última década, no gestor
dos quatro principais Programas Sociais do Turismo
de Desenvolvimento, de Inclusão e Coesão e de
ESTATUTO EDITORIAL
DA REVISTA
«TEMPO LIVRE»
Combate à Pobreza, abrangendo mais de 400 mil
portugueses, o que abre nova e importante vertente
da sua missão e actividade de utilidade pública ao
serviço da Nação Portuguesa.
Na verdade, o Programa Turismo Sénior concluiu,
em 2005, dez anos de existência, abrangendo mais
de 360 mil cidadãos. O Programa Saúde e
Termalismo Sénior concluirá a sua primeira década
em 2007, prevendo-se que, então, tenha
proporcionado férias e tratamentos termais a mais
de 40.000 portugueses.
Finalmente, o Programa Portugal no Coração,
destinado a permitir aos concidadãos da Diáspora
para fora da Europa que revisitem Portugal e suas
famílias, decorridos longos anos de ausência –
organizado em parceria pelos Ministério dos
Negócios Estrangeiros, TAP e INATEL –
comemora, no ano em curso de 2006, a sua
primeira década, tendo proporcionado o
reencontro com o país de origem e as respectivas
memórias, de juventude ou de família, a mais de
500 portugueses, que escolheram a emigração
como projecto de vida. A Gala Sénior – 2006
coincidirá com a semana de presença em Portugal
dos nossos concidadãos da Diáspora, permitindolhes o convívio com os compatriotas beneficiários
dos Programas Turismo Sénior e Saúde e
Termalismo Sénior.
É com a maior disponibilidade e empenho que o
INATEL vai gerir, em 2006 e nos anos seguintes, os
novos Programas Abrir as Portas à Diferença e
Turismo Solidário, assim como se propõe em Julho –
antes do mês tradicional de férias dos portugueses e
logo no início do calendário do Orçamento de
Estado para 2007 – submeter ao Governo os
projectos dos despachos que aprovarão e definirão
os regulamentos para 2007 dos Programas Turismo
Sénior, Saúde e Termalismo Sénior, Abrir as Portas à
Diferença e Turismo Solidário.
Desejo aos nossos associados, beneficiários e
colaboradores e famílias umas boas e repousantes
férias, recordando-os de que o INATEL tem à sua
disposição a acolhedora rede de centros de férias,
casas de turismo rural, estâncias termais e parques
de campismo, onde se sentirão como em casa e na
afectividade das respectivas famílias.
Boas férias. I
TEMPO LIVRE é uma publicação mensal
dirigida primordialmente aos associados do
INATEL, mas também ao público em geral.
TEMPO LIVRE é uma publicação orientada
para o bem estar e o desenvolvimento da
pessoa humana e da sociedade civil, com
especial destaque para os associados e
beneficiários do INATEL e para os sócios
dos seus CCDs – Centros de Cultura e
Desporto, através da ocupação criativa dos
tempos livres e da informação turística,
cultural e desportiva.
TEMPO LIVRE constitui igualmente um
espaço privilegiado de ligação do INATEL
com as suas delegações, centros de férias,
unidades de turismo termal e rural, parques
de campismo, parques desportivos e Teatro
da Trindade, assim como às associações que
prosseguem objectivos idênticos nas áreas
do turismo, cultura e desporto, os CCD’s –
Centros de Cultura e Desporto.
TEMPO LIVRE representa ainda um
espaço de informação e sensibilização de
largos sectores da população de Portugal, da
Diáspora Portuguesa, dos Países e Regiões
da CPLP – Comunidade dos Países de
Língua Portuguesa – e das Diásporas
Lusófonas para as múltiplas iniciativas e
áreas de actuação do INATEL.
TEMPO LIVRE orienta a sua actividade
informativa por critérios de rigor,
independência, clareza, pluralismo,
actualidade e criatividade editorial.
TEMPO LIVRE não publicará textos, nem
admitirá publicidade que, sob qualquer
forma, violem o princípio da igualdade, seja
em razão do sexo, da raça, da língua, da
nacionalidade, da religião, das convicções
políticas ou ideológicas, da situação
económica ou da condição social.
Julho/Agosto 2006
TempoLivre 5
Cartas
Ginástica de manutenção
[ Kalidás Barreto ]
Comemorando os 70 anos, parabéns ao Inatel, aos seus corpos dirigentes e a todo o pessoal que nele trabalha, fazendo
o Instituto/Fundação atingir o mais alto desempenho de
sempre. Os praticantes da Ginástica de Manutenção, subscritores desta carta, certos de interpretar sentir de todas as
turmas, sentem o dever de cidadania de dar público reconhecimento do trabalho da sua professora Raquel Silvestre,
excelente profissional, com uma boa disposição contagiante
e, sobretudo, com um método de sequência e variedade de
exercícios tão apropriados à nossa idade, demonstrando
altos conhecimentos de anatomia e fisiologia humanas. Pelo
que sabemos, esse reconhecimento é extensivo aos restantes
professores de ginástica que dão o seu melhor, casos dos professores Susana, Marta e Mauro.
Carta subscrita por 32 associados
COLUNA
DO PROVEDOR
Neste tempo estival, e não só, muitas são as
reclamações que chegam a este Gabinete,
dos nossos associados, sobre os critérios de
admissão nos Centros de Férias.
Devo confessar que algumas (e não são poucas) reclamações/sugestões têm, quanto a
mim, razoabilidade e perfeito cabimento.
Há, com efeito, alguma regulamentação que
contém critérios que precisam de ser revistos.
E, todavia, não são poucas as sugestões e as
Academias do Bacalhau
propostas dos Serviços, nem tão pouco há
Como Presidente da Academia Mãe de Joanesburgo, quero
agradecer a publicação do artigo da vossa colaboradora
Cristina Ferreira sobre as Academias do Bacalhau. Como
fundadores deste movimento universal é sempre com
grande satisfação que vemos enaltecido o trabalho e ideia
nascida nesta Cidade do Ouro. Gostaria de acrescentar que
este ano o Congresso Mundial se realizará em Joanesburgo
de 22 a 29 de Outubro, esperando a presença de mais de
500 participantes e, também este ano, ir-se-á oficializar a
abertura de mais três Academias no Grão Ducado do
Luxemburgo, em Lyon (França) e também em Nova Iorque.
Após 38 anos, é com orgulho que vemos a expansão deste
movimento de solidariedade.
menor interesse da Direcção do INATEL.
Giorgio Pagan, Presidente Academia do Bacalhau de
pólos de opinião: manter o INATEL integrado
Joanesburgo
na economia social, serviço público que con-
Começa pela falta de capacidade hoteleira
para corresponder à procura dos nossos associados: são potencialmente 250.000, mais o
agregado familiar para cerca de 1200 alojamentos. Porém a ponderação de todas as
questões esbarra com algumas dificuldades,
nomeadamente, a burocrática que impedem
soluções mais ágeis; espero confiadamente,
a passagem estatutária do INATEL a
Fundação, já anunciada, mas que é urgente
se faça até ao final deste ano.
É essa a vontade da Direcção e dos diversos
traria os apetites privados para tão vasto
Sócios há 50 anos
património destinado ao lazer dos trabalhadores.
Completaram, este mês, 50 anos de ligação ao Inatel os
associados:
Acácio Vieira Machado, Carcavelos; Alexandrino Neves
Carvalho, Crato; António Correia Hipólito, Covilhã;
Joaquim Marques Batista, António Martins Oliveira,
Armando Estevão Nascimento, Fernando Manuel G.
Pimentel e Nuno José G.M. Peixoto, Lisboa; Joao Antunes
Reis e Jose Rodrigues, Amadora; Valdemar Luz Vilar,
Setúbal.
Penso que todos deveremos fazer uma “força”
para que o INATEL possa rapidamente
crescer em oferta qualificada e acessível para
poder corresponder às novas oportunidades e
às exigências de um mercado concorrencial.
Agilizar a gestão de acordo com os novos
tempos, servir melhor sem abandonar princípios.
I
Tel: 210027197
A correspondência para estas secções deve ser enviada para
a Redacção de “Tempo Livre”, Calçada de Sant’Ana, 180 - 1169-062
Lisboa, ou por e-mail: [email protected]
6 TempoLivre
Julho/Agosto 2006
Fax: 210027179
e-mail: [email protected]
Notícias
VIII Encontro Luso-Brasileiro de Turismo Sénior
“A Lusofonia e a Melhor Idade” foi o
ABCMI – Associação Brasileira dos
“Amadurecimento biopsicológico dos
tema central do VIII Encontro Luso-
Clubes da Melhor Idade – parceira do
seniores”, por Fátima Gameiro, da
Brasileiro de Turismo Sénior que, este
Inatel, na organizou dos encontros que
Universidade Lusófona de Humanidades
ano, decorreu no Inatel “Um lugar ao
se realizam, alternadamente, em
e Tecnologias; “Amor e Sexualidade na
Sol” na Costa de Caparica, entre os dias
Portugal e no Brasil.
Melhor Idade”, pelo Prof. Jorge Cardoso,
1 e 3 de Junho último, com a
Nos vários painéis deste VIII Encontro,
do Instituto Superior de Ciências da
participação de centenas de brasileiros
destacaram-se, entre outros, “ULTI – Um
Saúde Egas Moniz/Hospital Júlio de
e portugueses, incluindo especialistas
projecto de modernidade”, por Emília
Matos; e “A amizade luso-brasileira” pela
dos dois países na abordagem dos
Barradas Noronha, presidente das
professora Maria Lúcia Lepecki, da
temas em debate.
Universidades e Academias da Terceira
Faculdade de Letras de Lisboa.
Na cerimónia de abertura, que contou
Idade, que referiu a importância destes
A Encontro contou, ainda, com uma
com a presença de Teresa Almeida,
espaços para a realização pessoal dos
animada componente lúdico-cultural,
Governadora Civil de Setubal, José
seniores na fase de aposentação ou
com o grupo vocal “A Quatro Vozes”
Alarcão Troni, Presidente do Inatel,
reforma; “Direitos e Deveres do Idoso”,
(membro do Coro Gulbenkian), Jazz
saudou os presentes, e em especial
por Paulo Roberto Barbosa Ramos, da
Kindding Big Band e eleição da miss e
Genilda Cordeiro Baroni, Presidente da
Universidade Federal do Maranhão;
mister entre os participantes.
INATEL: cooperação desportiva em Angola
Cerca de três dezenas de dirigentes desportivos da UNTA – União
Nacional dos Trabalhadores de Angola - oriundos de Luanda,
Cabinda, Huambo, Bengela e Namíbe, participaram numa
formação no âmbito do desporto para trabalhadores, ministrada
pelos coordenadores desportivos do Inatel, Alberto Quádrio, Artur
Madeira e Jorge Torrão, que decorreu em Angola. Integrada no
Programa de Solidariedade da CSIT, esta formação foi saudada
pela UNTA que, numa moção aprovada por todos os
participantes, salientou a sua importância para a “massificação
do desporto no seio dos trabalhadores” e reconheceu “a
idoneidade e sábia experiência dos professores intervenientes na
transmissão dos conhecimentos ministrados”, recomendando a
sua continuidade em futuras acções de cooperação.
Julho/Agosto 2006
TempoLivre 7
Minho e Alentejo
dominam
“Encontrão”
A Aula Magna da
Universidade Nova de Lisboa
foi palco, nos dias 17 e 18 de
Junho passado, da final
nacional do Encontrão, uma
iniciativa do Departamento
Cultural do Instituto, que
Vencedores na categoria de Música, a Banda de Lavre
abrange as áreas de
Etnografia, Musica e Teatro.
Das cerca de quatro dezenas
de finalistas nas três áreas do
evento, oriundos de vários
pontos do país, venceram na
categoria de Música, a Banda
da Casa do Povo de Lavre,
Évora, com “Sons do Exótico”;
na Etnografia, o Grupo de
Sargaceiros de Apúlia e, em baixo, CCD de Unhais do Diabo
Sargaceiros da Casa do Povo
de Apúlia, Braga, com o
trabalho “Apanha do Sargaço”;
e, na área de Teatro, o
primeiro lugar coube à peça
“A Serrada da Velha”,
representada pela Associação
Cultural Unhais do Diabo, de
Viana do Castelo.
Um excelente espectáculo de Fernando Pereira, acompanhado por bons músicos, um corpo de
baile, um coro e duas artistas convidadas, Lara Afonso e Vânia Marotti, a celebrar a portucalidade e música portuguesa, no reencontro com as Grandes Vozes nacionais - numa escolha feita
por mais de 50 mil associados -, culminou as comemorações do 70º aniversário do INATEL. O
espectáculo teve lugar no Forum Lisboa e foi gravado pela RTP para posterior transmissão.
8 TempoLivre
Julho/Agosto 2006
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Notícias
Concerto Entre-os-Rios
O Inatel Entre-os-Rios promove no
próximo dia 21 de Julho, pelas 21h30,
numa parceria com o departamento de
cultura da câmara de Penafiel, o
concerto Ensemble Solista de Berlim.
Artesanato em Oeiras
O Inatel Oeiras vai dinamizar, de Julho a
Setembro, o seu espaço exterior, com
diversas exposição e atelier de
artesanato na esplanada da unidade. A
iniciativa, apoiada pelo município local,
terá, diariamente, a participação de
vários artesão de Artmix e de
Rampinelli, que irão confeccionar e
ensinar a reciclar papel, cartão, latas e
garrafas, ponto cruz, trabalhos em
casca de coco, madeira, espantaespíritos e Bijuterias. Durante os finsde-semana, poderão também apreciar
outras manifestações de artesanato,
casos de cerâmica, artes decorativas,
joalharia e pintura.
Verão multicultural
em Sta. Maria da Feira
O Inatel em Santa Maria da Feira
desenvolve, durante os meses de Julho
e Agosto, um pacote aliciante de
actividades, nomeadamente uma
“Viagem Medieval em Terras de Santa
Maria”, de 28 de Julho a 6 de Agosto;
Iniciação ao Yoga, Tai Chi (grátis nos
sábados para utentes); animação
cultural à noite; tratamento clássico nas
Termas de S. Jorge e bem-estar termal:
termalfit (especial boa forma) e termal
break (programa de curta duração) com
transporte gratuito e desconto de 7%
para utentes do Centro de Férias; A
programação inclui, ainda, deslocações
ao Visionarium, no Europarque, com
descontos de 50% para utentes; serviço
de helicóptero, opcional, para voo
turístico ou de âmbito profissional;
subidas de Barco pelo Douro, do Porto
à Régua, com regresso de comboio
para o Porto e transporte para a
unidade.
Festa Inatel 2006
Centenas de trabalhadores e respectivas famílias reuniram-se
para o encontro anual de confraternização e comemoração do
71º Aniversário do INATEL, no passado dia 25 de Junho, no
centro de férias “Um Lugar ao Sol”, na Costa de Caparica.
Durante o evento, José Alarcão Troni, Isabel Leal de Faria e Luis
Lamas, Presidente e vice-Presidentes do Instituto, distinguiram
os trabalhadores que, este ano, atingiram 45, 40, 35, 30, 25 e 20
anos de antiguidade, casos de Joaquim Ormonde (Angra do
Gonçalves (Sta Mª da Feira); Angelina Paula, Mª Conceição
Heroísmo); Joaquim Pulquério, Celeste Góis e Luciano Góis
Pimenta e Mª Adelaide Barrancos (Setúbal); Fernanda Sousa
(Caparica); Adozinda Oliveira, Mª Natália Cunha e José Alho
(Viana do Castelo); Orlando Mourão (Vila Real); Alice Santos e
(Coimbra); Mário Proença e Luis Filipe Cassapo (Covilhã);
António Campos (Viseu).
Hipólito Gonçalves e António Ferreira (Entre - os - Rios); Ana
Alarcão Troni usou ainda da palavra para sublinhar a
Mª Lourenço, Mª Teresina Gonçalves e Isabel Santos (Foz do
importância da futura alteração estatutária do Instituto para
Arelho); Mª Céu Ferreira, Carlos Raposo, José Inácio Gomes,
uma maior eficácia e competitividade do INATEL no âmbito do
José Pires, Mª Cecilia Ramos, Mª Fernanda Francisco, Carlos
turismo social e deu conta do objectivo imediato da Direcção
Coelho e Joaquim Balbino (Lisboa); Mª do Carmo Rios (Luso);
na formação profissional dos trabalhadores numa perspectiva
José Moreira, António Cruz e Ramiro Martins (Oeiras); Mª
humanista.
Antónia Soares, Deolinda Cunha, Margarida Pereira e Rosa
A finalizar o almoço de convívio, teve lugar um momento
Gonçalves (Porto); Miguel Cabo (S. Pedro do Sul); Manuel
musical a cargo de Rita Guerra e Zé da Viola.
Cultura Courense em Bordéus
O Grupo Etnográfico de Paredes de Coura,
deslocou-se nos passados dias 2, 3 e 4 de Junho a
Bordéus onde foi recebido pela Associação “Alegria
Portuguesa de Gironde”. No dia 4, no parque
Palmer de Cenon, no 24º festival folclórico da
associação anfitriã, perante centenas de
portugueses, o Grupo Etnográfico exibiu as suas
danças e cantares. Para além dos courenses e da
“Alegria de Gironde ” também participaram o Grupo
“Humor
e Sociedade”
Folclórico do Alto-Minho em Andorra, o Rancho
Folclórico de S. Paio dos Arcos de Valdevez, o Grupo
Bonecos
de Santo Aleixo
O Museu Nacional da Imprensa,
de Cepões oriundo de Viseu e os Pauliteiros de
De 5 a 14 de Julho irá decorrer
vai inaugurar o VII PortoCartoon:
Miranda (Grupo de emigrantes em França).
no Teatro Garcia de Resende um
Humor e Sociedade, no dia 1 de
Workshop sobre os Bonecos de
Agosto, no átrio do Ministério das
Santo Aleixo, no âmbito do
Finanças, em Lisboa. A exposição
Projecto de Investigação sobre
do VII PortoCartoon, dedicado ao
“Os Bonecos de Santo Aleixo no
“Humor e Sociedade”, é
passado e presente do teatro em
constituída por mais de 200
Portugal”, projecto esse sedeado
cartoons e apresenta os
no Centro de História de Arte da
trabalhos premiados, as menções
Universidade de Évora, realizado
honrosas atribuídas e os
em parceria com o Centro
melhores desenhos
Dramático de Évora e que conta
seleccionados dos quatro cantos
com o apoio da Fundação para a
do mundo.
Ciência e Tecnologia.
Julho/Agosto 2006
TempoLivre 9
REGULAMENTO
X
CONCURSO “TEMPO LIVRE” DE FOTOGRAFIA
1. Concurso Nacional de
2. As fotos devem ser envia-
4. O tema é livre e cada concor-
e as fotos concorrentes não
Fotografia da revista Tempo
das para Revista Tempo Livre
rente pode enviar, mensalmente,
serão devolvidas.
Livre. Periodicidade mensal.
- Concurso de Fotografia,
um máximo de 3 fotografias de
Podem participar todos os
Calçada de Sant’Ana, 180 -
formato mínimo de 10x15 cm e
6. O concurso é limitado aos
sócios do Inatel, excluindo os
1169-062 Lisboa.
máximo de 18x24 cm., em
sócios do Inatel. Todas as
papel, cor ou preto e branco,
fotos devem ser assinaladas no
sem qualquer suporte.
verso com o nome do autor,
seus funcionários e os elementos da redacção e
3. A data limite para a
colaboradores da revista
recepção dos trabalhos é o dia
Tempo Livre.
10 de cada mês.
direcção, telefone e número
5. Não são aceites diapositivos
de associado do Inatel.
Fotos Premiadas
[1]
[3]
[2]
7. A Tempo Livre publicará, em
9. Prémios: As três fotos selec-
10. Grande Prémio Anual:
premiadas e publicadas
cada mês, as seis melhores fotos
cionadas terão direito a duas
uma viagem a escolher na
nos meses em que decorre o
(três premiadas e três menções
noites para duas pessoas num dos
Brochura Inatel Turismo
concurso.
honrosas), seleccionadas entre
Centros de Férias do Inatel
Social - Verão 2006, até ao
as enviadas no prazo previsto.
durante a época baixa, em regime
montante de 1750 Euros.
11. O júri será composto
de APA (alojamento e pequeno-
A este prémio, a publicar na
por dois responsáveis
8. Não serão seleccionadas, no
almoço), válido por 12 meses. O
revista Tempo Livre
da revista Tempo Livre
mesmo ano, as fotos de um con-
premiado(a) deve contactar a
de Setembro de 2006,
e por um fotógrafo
corrente premiado nesse ano
redacção da «TL»
concorrem todas as fotos
de reconhecido prestígio.
Menções Honrosas
Fernando Bento, Amadora
[1]
Víctor de Sousa,
Penafiel
Luís Sousa,
Valongo
[2]
Virgílio Pereira,
Lisboa
[3]
Paula Vilela,
Torres Vedras
José Pereira,
Lagos
TERRA NOSSA
14 TempoLivre
Julho/Agosto 2006
S. Miguel
A ilha verde
Com um manto
verde, salpicado
aqui e acolá por
maciços vulcânicos,
flores de diversas
tonalidades e
abundantes
pastagens, a ilha de
S. Miguel, é um
destino de paz e
tranquilidade para
umas férias
retemperadoras.
Julho/Agosto 2006
TempoLivre 15
TERRA NOSSA
O Jardim
José do Canto
ocalizada no grupo oriental do arquipélago,
S. Miguel é a maior e mais povoada das nove
ilhas açorianas. Rodeada de um certo misticismo, não só pelo facto de os Açores serem
apontados como vestígios da lendária Atlântida, a ilha
do Arcanjo, como Natália Correia muitas vezes a apelidou, vive numa perfeita harmonia entre o mar e a terra,
onde qualquer recanto é singular, ora evidenciando
paisagens de beleza agreste, ora convidando ao romantismo e troca de beijos apaixonados.
Paraíso de temperaturas amenas, com vaquinhas a
viver tranquilamente dia e noite pelos campos, a ilha
parece agradecer à Mãe Natureza o sol e a chuva que
com frequência a abençoa, conferindo-lhe uma
inigualável tonalidade verdejante.
L
PAISAGEM AGRESTE E ROMÂNTICA
A beleza resultante das crateras dos vulcões extintos ou
adormecidos, como os habitantes insistem em afirmar,
atrai os visitante às Furnas, ex-libris da ilha, e local de
paragem obrigatória, não só para apreciar a lagoa e as
manifestações vulcânicas donde brotam géiseres de
água fervente e lamas medicinais, como para degustar
o delicioso cozido preparado nas caldeiras vulcânicas,
que aqui adquire um sabor único.
Mas é na Serra Devassa, constituída por rochas
escarpadas revestidas de pedra-pomes e de outros
materiais pomíticos que podemos encontrar o maior
número de lagoas da ilha, entre elas, as mais conhecidas são a Lagoa de Santiago, do Carvão (como seu pico
e vista sobre a ilha e mar), do Canário, a Rasa e as lagoas
Verde e Azul das Sete Cidades - uma caldeira de cerca
16 TempoLivre
Julho/Agosto 2006
A partir do final do séc. XVIII diversas famílias açorianas
promoveram a criação de jardins botânicos que, em S.
Miguel, atingiram o apogeu na segunda metade do séc.
XIX. O mais rico em espécies, segundo testemunhos da
época foi o jardim plantado por José do Canto (1820-1898)
a partir de 1845, que, em Ponta Delgada, cobre cerca de
seis hectares.
Ao longo de mais de um século foi visitado por
incontáveis viajantes, entre os quais se assinalam figuras
célebres como o Rei D. Carlos, Franklin Roosevelt, Jorge
Amado, Mário Soares, Jorge Sampaio, entre outros.
As árvores, plantadas no jardim, dada a riqueza do solo e
o clima, desenvolveram-se quase todas, e muitas por
forma espectacular, chamando a atenção pelo gigantesco
porte, beleza de copa, robustez de troncos ou ainda pela
singularidade das raízes, na parte visível. Só para dar
alguns exemplos, refiram-se, entre muitos outros, os
“metrosíderos” ou as “ficus elásticas” e as “araucárias”
(entre as quais se notam as “excelsas” pela elegância do
seu porte e altura, alguns belos exemplares brasileiros de
“pinho do Paraná”, bem como a raríssima araucária anã).
No Jardim existem várias construções: o monumento a
José do Canto, o Palácio, o Solar do séc. XVIII, o Pavilhão
(ex-estufa de traça Vitoriana) e a Capela de Sant’Ana (séc.
XVII).
Hoje, o Jardim e os seus edifícios estão abertos ao turismo:
no piso térreo do Palácio está instalada a Residencial Casa
do Jardim, com 14 quartos com casa de banho, que
funcionam no regime de alojamento e pequeno-almoço.
Fica próximo da Delegação regional do Inatel e está
prevista uma parceria com o Instituto que facilitará o
acesso dos nossos associados a tão aprazível espaço.
A grande sala do primeiro piso é cedida para festas,
conferências, concertos, ou outros eventos, bem como o
Pavilhão.
As terras em que foi plantado por José do Canto, em Ponta
Delgada, o Jardim Botânico, que tem o seu nome,
pertenceram à sua mulher, D. Maria Guilhermina Taveira
de Neiva Frias Brum da Silveira, 12ª Senhora da Casa e
Morgado dos Bruns, e estavam integradas em dois dos
principais vínculos de que foi a última administradora: o
de Diogo Vaz Carreiro e o do Licenciado António de Frias.
Pertencem, assim, à mesma família, há vinte gerações.
O primeiro proprietário das terras (ou de parte delas) terá
sido um povoador vindo para S. Miguel no séc. XV,
Gonçalo Vaz Carreiro. Segundo Gaspar Frutuoso a sua
saída do continente ficou a dever-se a uma eterna causa de
complicações: uma questão sentimental. Escreve o
Cronista: “Havia-se casado este Gonçalo Vaz, contra
vontade de seus pais, com Isabel Cabeceiras, (…) moça tão
formosa, que se falou em sua formosura à mesa de El-Rei
D. João II; e pela razão daqueles males e a conselho do
sogro, veio então a esta Ilha, recebendo do Capitão todas
as terras, tantas e tão importantes que se afirmou rendiam
cada ano mais de dois mil moios de trigo, que êle por sua
vez espalhava em dádivas por outros colonos e vizinhos
que conhecia, consolidando assim fidalgamente a situação
privilegiada que desfrutava.”
D. Maria Guilhermina herdou a casa dos Bruns com
poucos anos. A época era turbulenta... a fortuna
enorme... desenfreadas as cobiças de parentes...
Compreende-se bem a urgência da Mãe em vê-la
casada. O casamento com José do Canto veio a realizarse em 17 de Agosto de 1842, tendo ele 22 anos de idade
e ela apenas 15. Assim as velhas terras dos CarreirosFrias-Bruns passaram a ser administradas por José do
Canto que iria influenciar profundamente o
seu destino.
Tendo grande interesse pela botânica, entra,
desde logo nessa “competição” que, na época se
desenrolava em S. Miguel quanto à implantação
de Jardins Botânicos.
Ainda nos anos de 1840, encomenda em Londres
o projecto do Parque e de um Palácio, a David
Mocatta (1806-1882), homem considerado, na
época, de muito bom gosto e influenciado pelos seus
longos anos de estudo em Itália. O projecto tem a data de
1845 e José do Canto pagou por ele um preço que
considerou “exorbitante”. Note-se que os arruamentos do
Jardim mantêm até hoje, na sua maioria a traça do
projecto inicial.
Durante cinquenta anos, vivendo em Paris ou em S.
Miguel, José do Canto adquiriu permanentemente
espécies para o Jardim, contactando os maiores viveiros da
época pessoalmente ou por carta. As suas cartas fazem
referências constantes a aquisições; parques botânicos
visitados ou contactados por carta; viveiristas,
comerciantes e fornecedores das espécies adquiridas
(numa carta refere um lote que, encontrando-se pronto a
ser expedido do jardim de Argel para S. Miguel... foi
comido por uma praga de gafanhotos...), preços;
transporte das compras para a Ilha, instruções a agências e
até a comandantes de navios.
A contínua expansão do parque e o seu enriquecimento
botânico durou mais de metade do século XIX. Dos anos
40 (o projecto está pronto em 1845/46) até 1898 (ano da
morte de José do Canto), terá chegado a conter cerca de
6000 espécies.
Em 1937, nas partilhas ocorridas por morte de D. Margrida
Brum do Canto Hintze Ribeiro (filha de José do Canto), o
Jardim é dividido em duas fracções de tamanho desigual.
Um socalco correspondente à extrema norte da
propriedade, com área relativamente pequena, mas onde
se encontra implantada a chamada casa do “Calço da Má
Cara”, cabe a António Brum do Canto Hintze Ribeiro (filho
de D. Margarida). Todo o resto do Jardim, apenas com as
ruínas das casas de Diogo Vaz Carreiro, cabe a D. Maria da
Graça (neta de D. Margarida), casada em 1938 com
Augusto de Athayde.
A propriedade pertence hoje aos descendentes deste casal.
Morada: Rua José do Canto, Ponta Delgada - tel. 296650310,
(horário das 10h às 19h – de Novembro a Abril encerra ao pôr do sol)
Julho/Agosto 2006
TempoLivre 17
TERRA NOSSA
GUIA
Ir
e de São Pedro; o Convento
Água de Pau, Achada, Salto
ROYAL GARDEN HOTEL –
A SATA e a TAP têm voos
e Capela de N. Senhora da
do Cavalo, Pico do Ferro,
R. de Lisboa, tel.
regulares com partidas de
Esperança; o Palácio e
Ponta do Escavadinho, as
296307300; HOTEL
Lisboa e Porto para S.
Sant’Ana, sede da
piscinas naturais de
HOLIDAY INN AÇORES –
Miguel, com duração de
Presidência do Governo
Mosteiros e da Ponta da
Av. D. João III, 29, tel.
cerca de duas horas. O
Regional dos Açores, rodea-
Ferraria, plantações de chá
296630000; HOTEL
aeroporto situa-se a cerca
do por um amplo e bonito
da Gorreana e Porto
MARINA ATLÂNTICO, Av.
de 5 km de Ponta Delgada.
jardim; o Museu Carlos
Formoso e as estufas de
Infante D. Henrique, tel.
Machado, com colecções
ananases de Fajã de Baixo.
296307900; HOTEL VIP
Ver
de pintura, escultura,
Em Ponta Delgada, faça
gravura, azulejos, zoologia,
À Mesa
de S. Gonçalo, tel.
uma visita a pé ou através
botânica e etnografia açori-
A ilha é repleta de cheiros
296000100.
da “Lagarta”, comboio
ana; o Teatro Micaelense,
e sabores únicos.
Vila Franca do Campo:
turístico que funciona entre
importante centro de cul-
Obrigatórios: o suculento
HOTEL BAHIA
Maio e Outubro. Poderá
tura da cidade; o
Cozido e o bolo lêvedo das
PALACE(****), Àgua
apreciar as Portas da
Miradouro da Mãe de
Furnas, os torresmos, as
D’Alto, tel. 296539130.
Cidade, uma curiosa cons-
Deus; os Jardins Antero de
Queijadas de Vila Franca,
Água de Pau: CALOURA
trução com três imponentes
Quental, Padre Sena de
Confeitos da Ribeira
AÇORES RESORT(****) –
arcos, ostentando no fron-
Freitas e José do Canto e
Grande, Barriga de Freira, a
R. do Jubileu, tel.
tão central o duplo brasão
os parques Santa’Ana e
abrótea, o chicharro, o
296302200.
das armas reais da cidade;
Municipal.
goraz, as lapas, o polvo, o
EXECUTIVE AZORES – R.
ananás, os iogurtes açoria-
Artesanato
taleza renascentista con-
Outros locais
nos, o chá, o queijo da ilha
Vimes, bordados e cerâmi-
struída para defesa da ilha
S. Miguel ostenta um con-
e o leite.
cas em tons de azul
contra os corsários; a
junto de rara beleza natu-
Estátua de Gonçalo Velho
ral, como as Furnas, Lagoa
Dormir
Festividades:
Cabral (presumível desco-
e vila das Sete Cidade,
Ponta Delgada: HOTEL S.
Festas do Espírito Santo,
bridor da ilha) e do Arcanjo
Lagoa do Fogo, Povoação,
PEDRO(****) - Lgo
acontecem por toda a ilha,
S. Miguel, a Praça da
Vila Franca do Campo com
Almirante Dunn, tel.
no quinto domingo depois
República e os Paços do
seu ilhéu, Ribeira Grande,
296301740; HOTEL
da Páscoa.
Concelho; a Igreja Matriz de
Ribeira Quente, Miradouro
AVENIDA - R. Dr. José
São Sebastião (estrutura
do Sossego, Ponta da
Bruno Tavares Carreiro, tel.
Úteis
gótica com exterior
Madrugada, Miradouro da
29620960; HOTEL
Posto de Turismo:
manuelino) e as igrejas de
Algarvia, Pico da Vara
COLÉGIO – R. Carvalho
Av. Infante D. Henrique, tel.
S. José, de Todos-os-Santos
(maior elevação da ilha),
Araújo, 39, tel. 296306600;
296285743
o Forte de S. Brás, típica for-
18 TempoLivre
Julho/Agosto 2006
Furnas
Delegação do Inatel
Ponta Delgada
Lagoa do Fogo
de 12 km de perímetro, com a pitoresca povoação das
Setes Cidades no seu interior. Uma paisagem que faz
sonhar mesmo quando as nuvens tapam e destapam
recantos da lagoa e, onde a água reflecte apenas o céu e
a vegetação ao redor, composta por criptomérias ou por
hortênsias, azáleas e conteiras que salpicam de cor o
manto verde da ilha.
Também a Lagoa do Fogo, no centro S. Miguel, com a
Caldeira Velha, nascente de água quente e férrea que
cai em cascata, localizada na meia encosta do vulcão,
evidencia a força da natureza e desperta paixão.
Em Vila Franca do Campo, o ilhéu com piscina natural em frente à vila, convida à tranquilidade e a passeios
de barco, que decorrem entre Junho e Setembro,
enquanto a região Nordeste, assim designada devida à
sua localização, exibe uma paisagem mais exuberante e
rude. Por aqui a vegetação é frondosa em flores e
árvores e as montanhas bem mais elevadas, existem
profundos desfiladeiros, pontas de terra que entram no
mar, caso da Ponta da Madrugada, e cascatas e ribeiras
caudalosas, de cortar a respiração!
político e administrativo.
Um singular povoado de pescadores que deu origem
ao actual centro cosmopolita aberto ao exterior, como
sinal de adequação aos novos tempos, e que em breve
acolherá o Casino Príncipe do Mónaco, nas proximidades da Marginal.
Terra de Pauleta e de Antero de Quental, Ponta
Delgada, é uma amálgama de estilos, concepções artísticas e urbanísticas que vigoraram harmoniosamente ao
longo da sua existência.
Visitar as igrejas e monumentos dos séculos XVI e
XVII; apreciar os palácios e mansões oitocentistas - fruto
da abastança da exportação da laranja para o Reino
Unido; admirar os azulejos, as calçadas e fachadas em
basalto e os ferros fundidos das varandas e óculos de
porta - obra de notáveis artífices micaelenses; e desfrutar a Avenida Marginal, zona de eleição para convívio
social, eis o roteiro obrigatório para os viajantes menos
apressados e apostados em descobrir os encantos da
bela capital açoriana.
UMA DELEGAÇÃO PARA O SÉCULO XXI
UMA CIDADE COM FUTURO
Debruçada sobre uma larga enseada, Ponta Delgada, é
o centro nevrálgico de S. Miguel e local de decisão
O Inatel em Ponta Delgada, instalada na rua do
Contador no edifício que acolheu o primeiro hotel da
cidade, intitulado “Terra Nostra”, é um espaço agradável,
Julho/Agosto 2006
TempoLivre 19
TERRA NOSSA
Hotel S. Pedro
A oferecer conforto e bem-estar
o Hotel S. Pedro, situado no
coração de Ponta Delgada, está
disponível para acolher os
associados do Inatel, fruto de
uma parceria com a Escola de
Formação Turística e Hoteleira
(EFTH), que actualmente
explora a unidade.
Trata-se de um hotel de
aplicação para aulas práticas e
estágios profissionais nas áreas
de cozinha, mesa e bar, serviços
de andares e quartos, recepção e
atendimento.
Para Filipe Rocha, director
executivo da EFTH, este é um
projecto pioneiro de resposta
eficaz à crescente procura de
profissionais qualificados no
sector turístico, que alia teoria,
prática e formação em contexto
real de trabalho. Filipe Rocha
revela ainda, a grande aposta na
gastronomia, onde apresenta
um menu com várias iguarias
regionais.
Instalado num edifício do
século XIX, construído para
residência do Vice-cônsul norteamericano, Thomas Hickling
(1745-1834), produtor e
exportador de laranja, é um
projecto inglês, ao estilo
georgiano, construído com
materiais importados e
incluindo motivos
arquitectónicos característicos,
murais a fresco e desenhos de
primorosa execução.
O secular edifício, adquirido por
Vasco Bensaúde anos depois da
I Grande Guerra, recebeu
adaptações e acrescentos,
mantendo as primitivas
características e foi inaugurado
em 1965 com a designação de
Hotel de S. Pedro.
Dispõe de 17 quartos,
equipados com casa de banho
privativa, telefone, TV Cabo,
serviço de restaurante,
lavandaria, parque de
estacionamento e Jardim
embora mereça obras de melhoramento no seu interior.
Com uma equipa de quatro pessoas, Carlos Martins,
Subdelegado regional, tem a seus ombros a árdua tarefa de apoiar a cultura e desporto popular e ainda desenvolver o turismo social local nas duas ilhas do grupo
oriental – S. Miguel, com cerca de 140 mil habitantes e
Santa Maria, perto de seis mil habitantes.
Um dinamismo e iniciativa com especificidades direccionadas para o enquadramento actual de ambas as ilhas.
Por isso, Carlos Martins aposta na inovação e moderniza20 TempoLivre
Julho/Agosto 2006
voltado para a Av. D. Henrique,
em frente ao mar. É um espaço
ideal para acolher festas,
baptizados e outros eventos.
Os preços de alojamento variam
entre os 30 e os 50 euros.
Actualmente, o hotel conserva
um luxo discreto e sereno, onde
figuram quadros de importantes
pintores ingleses, um relógio de
coluna Bentley & Beck, uma
peça em pedra em forma de
flor, pertencente ao parlamento
inglês, antes de ter sido
parcialmente destruído pelos
bombardiamentos alemães em
1941, mobiliário antigo e um
cedro secular encontrado
soterrado nas cinzas vulcânicas
das Sete Cidades.
Morada: Lgo Almirante Dunn, Ponta
Delgada - tel. 296301740 fax 296301744.
Mais informações no site:
www.efth.com.pt
ção das actividades desenvolvidas, com o intuito de atrair
novos associados e de melhor servir o interesse das populações. E nesse sentido, com a mesma coragem que se aliou
ao Rali Lisboa-Dakar, no início o corrente ano, percorrendo
com uma equipa da Terceira um total de 9.140 km, em 15
dias de expedição, aposta, agora, nos passeios todo-o-terreno de jipe, moto, moto 4 (quod’s) ou outros nos mais
belos recantos da ilha, bem como revela ter sugestões inovadoras para aplicar ao Turismo Sénior inter-ilhas. I
Glória Lambelho [texto] José Frade [fotos]
COMUNIDADE DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA [ V ]
MOÇAMBIQUE
Mosaico cultural no Índico
Dentro da CPLP, Moçambique é um dos países
com maior diversidade étnica, cultural e religiosa.
Esta extraordinária riqueza convive num vasto
território pleno de atracções naturais, a começar
pela belíssima costa banhada pelo Oceano Índico.
CPLP > MOÇAMBIQUE
O
s mais de dois mil e quinhentos quilómetros de litoral, marcados
por uma sucessão de cenários de ilhas, lagoas, mangais, extensas
praias de areia fina e palmeirais a perder de vista, são frequentemente citados como um dos principais cartões de visita de
Moçambique, designadamente quando se fala do potencial de
desenvolvimento na área do turismo. Mas, se é certo que a grande maioria dos
visitantes chega em busca desses lugares encantadores (“mágicos”, como repete
invariavelmente o verbo pobre das revistas de viagens), Moçambique tem muitas
outras facetas para além dessas paisagens de postal – ou, para actualizar a ironia,
paisagens de desktop… Dito de outro modo, seria imperdoável que o interesse
por Moçambique se circunscrevesse ao domínio superficial do que os europeus
conhecem por “paisagens de sonho” – o Arquipélago de Bazaruto, as praias de
Inhambane, os palmeirais da Zambézia, o Parque Nacional das Quirimbas, etc.,
etc. – e ignorasse o imenso património cultural que é, provavelmente, a maior das
riquezas do mosaico de gentes que habita o território.
DINÂMICAS CULTURAIS
Que razões pode, enfim, o viajante mais exigente invocar para se meter a viajar
para (e por) Moçambique? Começaria precisamente pela gente moçambicana,
sublinhando dois aspectos. Por um lado, após longos anos de guerra e de devastação, a presteza com que se instalou em Moçambique uma atmosfera de paz e se
pôde inaugurar uma série de dinâmicas económicas e sociais só pode ser atribuí-
Seria imperdoável que o interesse
por Moçambique se circunscrevesse
ao domínio superficial do que os
europeus conhecem por “paisagens
de sonho” e ignorasse o imenso
património cultura do país
da, no seu maior grau de responsabilidade e mérito aos moçambicanos. Por outro
lado, a diversidade multicultural e multiétnica é uma das mais fortes componentes identitárias da sociedade moçambicana, uma síntese de referências que
concretiza o encontro de África com o Oriente e a Europa.
É importante e justo relevar também as dinâmicas de produção cultural e criação artística que contribuem para definir um lugar especial para Moçambique no
quadro dos países da CPLP. Malangatana tem herdeiros para continuar o caminho luminoso que inaugurou nas artes plásticas – Naguib, Saranga, Xerinda… –
enquanto na literatura há nomes novos a ampliar a lista de consagrados como
Craveirinha ou Mia Couto: Suleiman Cassamo, Aldino Muianga, Rogério
Manjate… “As mãos dos pretos”, uma antologia de contos organizada por Nelson
Saúte, é uma boa introdução à literatura moçambicana.
Maputo é o pólo fulcral dessas dinâmicas. Na capital sucedem-se exposições de
artes plásticas, teatro, concertos (além de históricos e novos moçambicanos,
internacionais como o carismático Oliver Mtukudzi, um dos melhores compositores e instrumentistas da África Austral e Sibonguile [ >>> Continua na pág. 28 ]
24 TempoLivre
Julho/Agosto 2006
Os desafios do desenvolvimento
Moçambique – cujo nome é por uns atribuído à designação
rais e humanos, bem como da sua matriz sociocultural.
original da Ilha de Moçambique (Ilha Muipiti) e por outros ao
Para além das Organizações Internacionais das quais é parte –
nome de Mussa-Bin-Biki, filho do sultão Bin Biki, senhor da
Organização Mundial do Comércio (OMC), União Africana
ilha, aquando da chegada de Vasco da Gama em 1498 – possui
(UA), Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), Câmara de
variados recursos naturais, um subsolo rico, capacidades
Comércio Internacional (CCI), Organização das Nações Unidas
energéticas consideráveis e uma extensa orla marítima.
(ONU), Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial
Apesar das grandes potencialidades económicas, os desafios
(BM) – Moçambique é igualmente membro da Comunidade
do desenvolvimento em Moçambique permanecem na pobreza
para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) e do
rural endémica, nas desigualdades do género, em níveis de
Mercado Comum da África Oriental e Austral (COMESA), bem
desenvolvimento regional díspares, em elevadas taxas de ili-
como da Commonwealth (Comunidade Britânica) desde
teracia, na elevada vulnerabilidade a catástrofes naturais e na
Novembro de 1995 e da CPLP (Comunidade de Língua
crescente ameaça do vírus da SIDA.
Portuguesa) desde 17 de Julho de 1996.
Não obstante os graves problemas que Moçambique ainda hoje
Um dos aspectos mais relevantes na CPLP é a cooperação em
enfrenta, a situação é incomparavelmente melhor do que a que
termos de política externa, possibilitando uma actuação mais
se vivia neste país no período em que aí fui Embaixador de
eficaz na defesa dos interesses comuns e individuais de cada
Portugal. Vindo do México em 1988 para assumir o meu novo
país nas organizações internacionais onde está representado.
posto em Moçambique, sempre considerei este período da minha
Numa óptica de inserção regional e de estabelecimento de
vida como um marco importante na minha realização socio-
alianças estratégicas relevantes para o seu desenvolvimento,
profissional. Moçambique era para mim um posto de eleição.
Moçambique aderiu em 1995 à Commonwealth. Neste contexto
Os tempos eram difíceis. Mergulhado numa sangrenta guerra
convém recordar que todos os países vizinhos são por razões
civil, o Governo de Moçambique, apoiado pelo Banco Mundial
históricas membros desta Comunidade linguística. Tal não sig-
e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), encetara em mea-
nificou, contudo, um abnegar do papel da língua e cultura por-
dos da década de 1980 reformas económicas e fiscais com
tuguesa na sociedade moçambicana. Como Estado-membro
vista à transição de uma economia socialista centralizada para
simultaneamente da CPLP e da Commonwealth, Moçambique
uma economia liberal de mercado, aberta ao investimento
encontra-se na situação privilegiada de poder defender não só
estrangeiro. Com grande parte das suas infraestruturas físicas
os seus interesses, como também os interesses comuns da
e capacidades de produção destruídas, ao que acresciam mi-
CPLP junto de um fórum que congrega cerca de 1/4 dos países
lhões de refugiados e deslocados, era chegado o tempo de
do mundo e, assim, poder potenciar as relações económicas
encontrar uma solução pacífica para conflito que opunha
entre a Commonwealth e os países da CPLP, agilizando,
desde 1976 a FRELIMO e a RENAMO. Durante a minha per-
nomeadamente, as trocas comerciais e fomentando os investi-
manência em Moçambique, os Governos italiano e português,
mentos em sectores mais carenciados desses países.
entre outros, a par da Comunidade de Santo Egídio, envidaram
Moçambique integra ainda a nível regional a SADC, uma organi-
grandes esforços na mediação entre os oponentes. Aquando
zação que procura a construção de uma verdadeira integração
da minha partida para em Washington, em finais de 1991, as
regional, sendo que os seus membros actuam de forma concerta-
negociações estavam em fase de finalização.
da para a redução da dependência económica externa e para a
Depois da adopção da Constituição de 1990, que introduziu o
mobilização de apoios para projectos nacionais e regionais
sistema multipartidário, e da assinatura do Acordo Geral de
Paz em 1992, que pôs fim ao conflito armado no país, a consoli-
A COOPERAÇÃO PORTUGUESA
dação da paz e o aprofundamento da democracia têm consti-
No âmbito das suas relações bilaterais com Moçambique,
tuído prioridades do Governo moçambicano.
Portugal estabeleceu uma estratégia de intervenção da
Cooperação portuguesa naquele país, que articula as suas
AS RELAÇÕES MULTILATERAIS
competências e mais valias com as prioridades definidas pelo
O processo de construção do Estado é comum em toda a
Governo de Moçambique, no sentido de contribuir para a
África, mas cada Estado possui a sua especificidade própria,
redução da pobreza e para o seu desenvolvimento económico e
que desde logo resulta do seu passado histórico. Em cada caso
social. Como doador, Portugal tem participado no Plano de
é igualmente necessário considerar neste processo o impacto
Acção Para a Redução da Pobreza Absoluta - PARPA, uma das
da sua história recente, do seu desenvolvimento específico de
estratégias de acção do Governo moçambicano. A concepção
acordo com a sua inserção regional, nomeadamente no que
dos instrumentos gerais de cooperação entre Portugal e
respeita às suas alianças estratégicas, dos seus recursos natu-
Moçambique levou em consideração a persecução dos
26 TempoLivre
Julho/Agosto 2006
Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (OMD), que têm
Moçambique – a electricidade, o equipamento e a maquinaria são
como desiderato o esforço conjunto da comunidade interna-
também importados, na sua grande maioria, desse poderoso vi-
cional doadora e dos países receptores em favor do desen-
zinho. Os investidores sul-africanos, que adoptaram uma estraté-
volvimento sustentado e da redução da pobreza, bem como da
gia de expansão regional, controlam também três dos quatro com-
implementação das recomendações tomadas no âmbito da
plexos do açúcar, grandes fábricas de cereais, todas as fábricas de
nova dinâmica gerada pelo lançamento e concretização da
cervejas e de engarrafamento de refrigerantes. Um número con-
União Africana e da NEPAD (Nova Parceria para o
siderável de pequenas empresas também estão envolvidas.
Desenvolvimento Africano). Com o objectivo global de con-
O sector do Turismo (turismo de sol e praia, ecoturismo, turis-
tribuir de forma decisiva para a redução da pobreza em todas
mo cultural, turismo de aventura, turismo temático e de aven-
as suas dimensões e melhorar a gestão das finanças públicas,
tura), um sector com enormes potencialidades na geração dos
considerada uma prioridade extrema pela comunidade doado-
rendimentos para a economia nacional, emprego aos
ra, Portugal apoia directamente o Orçamento de Estado
nacionais, conservação ecológica e ambiental, investimento
moçambicano, comprometendo-se este a uma criteriosa imple-
público e privado, expansão das infraestruturas e aumento do
mentação das acções descritas e calendarizadas.
prestígio do país que pode criar um bom ambiente de atracção
No âmbito do Fundo Europeu de Desenvolvimento (FED) da União
de negócios em Moçambique encontra-se ainda pouco
Europeia, a Cooperação portuguesa cofinancia projectos nos
aproveitado. O Governo moçambicano desenvolveu, contudo,
domínios da Justiça, Administração e financia um projecto
um novo e importante instrumento – a Estratégia e a Política
autónomo no domínio da Estatística complementar de um projecto
Nacional do Turismo, que tem como objectivo transformar este
comunitário. Através de trust funds Portugal intervém em diversos
sector num motor do crescimento económico moçambicano.
programas em Moçambique levados a cabo por organizações mul-
Embora a maior parte do turismo, principalmente fora de Maputo,
tilaterais como o PNUD (Programa das Nações Unidas para o
pertença a investidores sul-africanos, este sector atrai também os
Desenvolvimento), a UNESCO (Organização das Nações Unidas
investidores portugueses. O grupo português Visabeira, com uma
para a Educação, a Ciência e a Cultura), o Fundo Global Sida e com
forte presença em Moçambique nos sectores da televisão por
a UNIDO (Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento
cabo, construção civil, hotelaria e restauração, anunciou um forte
Industrial). Desenvolve igualmente acções comuns no âmbito da
investimento em diversos projectos hoteleiros que se vão desen-
Comunidade de Povos de Língua Portuguesa (CPLP).
rolar em diversas províncias, acrescentando, assim, novos estabelecimentos aos cinco hotéis que o grupo já explora no país.
MOÇAMBIQUE HOJE
Entre os novos projectos prevê-se a construção de um «resort» no
Em Dezembro de 2004, tiveram lugar em Moçambique, pela ter-
lago Niassa, no Norte de Moçambique, que inclui um aeródromo
ceira vez consecutiva, as eleições presidenciais e legislativas
internacional privado, uma reserva de ecoturismo e uma coutada
multipartidárias, uma conquista considerável para um país que,
para caça desportiva. Também o Grupo Pestana, presentemente o
após a independência, viveu 16 anos de guerra, até 1992. Depois
maior grupo de turismo e lazer português, dispõe de três
da instabilidade política e da desestabilização económica sentida
unidades hoteleiras em Moçambique, nomeadamente o Pestana
durante longos anos, a reconstrução de Moçambique começa a
Rovuma Hotel, em Maputo, o Pestana Bazarrote Lodge, em
fazer-se notar. Nos últimos anos a actividade económica foi prati-
Inhambane e Pestana Inhaca Lodge, na ilha do mesmo nome.
camente sustentada pelo sólido desempenho das indústrias
Ao fundar uma Comunidade entre países que partilham entre
extractivas e manufactureiras, dominadas por dois mega-projec-
si não apenas uma língua, mas também uma cultura comum,
tos: a fundição de alumínio (Mozal) e o gasoduto para transporte
os Estados-membros da CPLP reconheceram, igualmente, a
de gás natural que liga a província de Inhambane à África do Sul.
importância da cooperação empresarial e das relações entre os
Moçambique, que até 2000 ainda não produzia alumínio, é agora
parceiros sociais e a sociedade civil para atingir os objectivos
o terceiro maior exportador de alumínio para a UE. A África do
da nova organização multilateral.
Sul continua a ser, de longe, o mais importante fornecedor das
A Escola Portuguesa de Moçambique – Centro de Ensino e
importações de Moçambique, com cerca de 40% das importações
Língua Portuguesa (EPM-CELP), a par das muitas iniciativas
do país. Os produtos alimentícios são quase exclusivamente
levadas a cabo pelo Instituto Camões em Moçambique junto
provenientes da África do Sul. Muito embora Moçambique possua
da sociedade civil, são um extraordinário veículo de conser-
enormes recursos hidroeléctricos – a grande barragem de Cahora
vação e difusão da cultura portuguesa, cultura essa que é
Bassa, a segunda do continente, deverá passar para o controlo do
resultado de quase meio milénio de história dividida. Estado moçambicano assim que aprovado pela União Europeia o
Acordo estabelecido em Dezembro último entre Portugal e
Texto: Embaixador Francisco Knopfli
(Investigação: Yolanda Zürn)
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TempoLivre 27
CPLP > MOÇAMBIQUE
Khumalo, estrela maior do jazz sul-africano passaram recentemente pelos palcos
de Maputo), e timidamente, ainda, vão aparecendo iniciativas anuais de carácter
internacional dedicadas à dança ou ao cinema, como os Encontros de Cinema
Documental. A enumeração não pretende escamotear os problemas que um país
da periferia tem que enfrentar, uns herdados de um sistema que está activo
muito para além do tempo da independência, outros gerados mais recentemente
e que decorrem tanto de factores internos como externos. As áreas de maior fragilidade são as óbvias, a economia, a educação, a saúde. Mas o país pode orgulhar-se de ter construído um dispositivo político, consagrado pela última revisão
constitucional, que garante um diálogo mínimo entre as diferentes forças políticas, factor fundamental para o desenvolvimento, signifique o que signifique tão
glosado conceito.
PASSEIOS PELA CAPITAL
Maputo continua, bem entendido, a marcar uma distância grande relativamente
a outras geografias moçambicanas em termos de desenvolvimento e dinâmicas
culturais e económicas, e esse desequilíbrio é um dos problemas de Moçambique,
que, não obstante as taxas de crescimento económico dos anos recentes, mantém
desigualdades sociais extremas. Os discursos oficiais, que reverberam os objectivos retóricos de algumas organizações internacionais, não tiveram até agora correspondência no terreno das coisas concretas e a chamada pobreza absoluta per-
A capital é uma cidade muito
agradável, animada, com muitos
mercados ao ar livre, uma feira de
artesanato semanal e vários locais
de diversão nocturna onde se pode
ouvir música africana e jazz
manece por erradicar, apesar dos números que atestam o progresso do PIB. A
expressão das desigualdades reforça, aliás, as críticas à fé cega que os economistas neo-liberais têm no crescimento económico (por si só insuficiente para garantir progresso social equitativo) e uma prova da pertinência da “descoberta” dos
técnicos do PNUD: “A qualidade de vida da população pode ser baixa mesmo no
meio da abundância”.
Problemas à parte, a capital é uma cidade muito agradável, animada, com
muitos mercados ao ar livre – na Avenida da Guerra Popular e na Eduardo
Mondlane, na zona do Alto Maé, por exemplo –, uma feira de artesanato semanal
(aos sábados, na recentemente renovada Praça 25 de Junho) e vários locais de
diversão nocturna onde se pode ouvir música africana e jazz. Na estação ferroviária, num dos cais, o Chez Rangel tem jazz ao vivo aos fins de semana,
enquanto o Africa Bar, na 24 de Julho, programa o que de melhor se vai fazendo
no campo da música popular.
As avenidas da capital, de traçado moderno e arejado, convidam a longos passeios sob as sombras das acácias e dos jacarandás. Poder-se-ia compor um sem fim
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Julho/Agosto 2006
GUIA
Como ir
Nyerere, 1380, tel.
da fortaleza de São
máquinas de levantamento
A TAP tem três voos se-
25821491001, fax
Sebastião. O Omuhitipi é
automático (ATM) nas
manais para Maputo, às
25821491480, e-mail
um bom local para saborear
cidades mais importantes.
terças e quintas. A tarifa,
[email protected];
a gastronomia da ilha
Os principais hotéis e
com taxas incluídas, varia
de 800 a 950 euros con-
Marginal, tel. 25821495050,
o também renovado Hotel
cartões de crédito.
soante a época.
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Maiaia (tel. 258526350/1)
É aconselhada a profilaxia
Hotel Holiday Inn, Av.
Em Nacala, aconselha-se
Hotel Cardoso, Av.
restaurantes aceitam
da malária, particularmente
Quando ir
Mártires de Mueda, 707,
Úteis
na época das chuvas.
A época das chuvas decorre
tel. 25821491071, fax
É necessário visto, que
Reservas de alojamento e
de Novembro a Março. O
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pode ser obtido na
programas especiais no país:
período entre Maio e
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Embaixada de
SET Tours, Av. 24 de Julho,
Outubro é o mais propício
Moçambique, em Lisboa, ou
2096, 1º, tel. 25821311244;
para viajar em Moçambique.
melhor opção é o Hotel
no Consulado do Porto.
fax 25821311248; e-mail: set-
Omuhitipi (tel.
A moeda moçambicana é o
[email protected], ou, em
25826526351, fax
Metical, que equivale a
Portugal, Soltrópico e Mundo
25826526356), situado junto
0,0000333 do Euro. Há
VIP
Onde ficar
Hotel Polana, Av. Julius
Na Ilha de Moçambique, a
de roteiros entre a Avenida Julius Nyerere e a baixa, com extensões à Costa do Sol
ou ao outro lado da baía, apanhando um dos barquinhos que faz o vaivém para
a Catembe. Há, evidentemente, aquelas coisas culturais: o Museu de História
Natural, um edifício de arquitectura neo-manuelina que tem uma interessante
secção de etnografia com escultura e máscaras macuas, a Fortaleza de Nossa
Senhora da Conceição, o Museu Nacional de Arte, na Avenida Ho Chi Min, onde
podemos ver pintura moçambicana contemporânea, nomeadamente obras de
Malangatana e Chichorro, o Museu da Revolução, na Avenida 24 de Julho, que
narra através de uma exposição documental a história da luta pela independência do país, ou o Museu da Moeda. No capítulo das exposições temporárias, o
Centro de Estudos Brasileiros e o Centro Cultural Francês têm salas onde dão a
ver regularmente obras de artistas moçambicanos.
O MEU PEIXE É MAIOR DO QUE O TEU
Mas as expressões culturais moçambicanas tomam forma também nas ruas e
noutros lugares paradigmáticos na capital: o velho Jardim Tunduru, com os seus
rituais festivos de casamento aos sábados, animado por danças e músicas que misturam gospel com o que vier à mão (ou ao pé), o histórico bazar, lugar sempre
prazenteiro para compras e conversa de ocasião, ou o inimitável Mercado do
Peixe, que bem merece uma mudança de parágrafo.
Pois então: o dito tem, ou teve, outro nome, mais oficial: “A luta continua”. A
expressão mantém actualidade simbólica, que a gente moçambicana tem razões
de sobra para lutar – e luta, no dia a dia, em combates com adamastores sem rosto.
O mercado, esse, é uma grande, saborosa confusão, entre risonhos apelos de
vendedoras e vendedores, mares de amêijoa e graúdos espécimes piscícolas
arrancados aos submarinos viveiros do Índico, pesos e contrapesos, com terceiros
a ser requisitados para desfazer a dúvida, e cantorias daquela lógica de mercado
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CPLP > MOÇAMBIQUE
“o meu peixe é maior que o teu”. O tamanho, conta, sim senhor,
mas a prova dos nove é da competência das papilas gustativas.
Queira o cliente e não há razão para perdas de tempo: ali
mesmo, ao lado, uns quantos restaurantes ao ar livre dão trato
à peça. Em menos de um ápice, entre laurentinas e “dois émes”
fresquinhas, era uma vez um peixe, uma lagosta, um cesto de
camarão-tigre. E aí se cumpre o conselho de Ítalo Calvino: para
conhecer um país, há que começar por o engolir…
DO ROVUMA AO MAPUTO
As expressões
culturais
moçambicanas
tomam forma
também nas ruas e
noutros lugares da
capital: o velho
Jardim Tunduru,
com os seus rituais
de casamento
animados por
música e danças
Apesar das sequelas da guerra, que afectou também a
expressão da vida selvagem, há áreas que mantêm um excepcional interesse em termos de biodiversidade e constituem
reservas naturais, com potencial para o eco-turismo. Algumas
dessas zonas são já conhecidas dos viajantes, como o
Arquipélago de Bazaruto ou a Ilha de Inhaca (e a sua vizinha
Ilha dos Portugueses). Outras, como o Parque Nacional das
Quirimbas, ao largo do litoral de Cabo Delgado, são quase um
“segredo”, além da localização remota. As estâncias das ilhas de
Matemo, Quilalea e Medjumbe não são acessíveis a todas as
bolsas, mas mesmo assim é possível visitar o arquipélago de
forma independente, a bordo de uma machua, e encontrar alojamento numa pousada na ilha do Ibo ou na Quirimba.
À beira de Maputo, as praias da Macaneta, do Bilene, ou as
extensões desertas que se estendem até à Ponta do Ouro, são opções a ter em
conta para quem procura lazeres balneares. A caminho da Ponta do Ouro, em
Malongane ou na Ponta Mamoli, há oferta de alojamento renovada. Assinale-se
que este percurso a sul de Maputo requer um todo-o-terreno. Para norte, o litoral
da Província de Inhambane é uma sucessão de praias sossegadas emolduradas
por palmeiras: Tofo, Pomene, Baía dos Cocos, Zavora, Zavala...
O Lago Niassa é outro destino que tenta a sua sorte no domínio do turismo. Há
infra-estruturas recentes, e outras em projecto. O outrora famoso Parque da
Gorongosa, no centro do país, está a ser repovoado, e desde o ano passado que
recebe visitantes, embora em termos de infra-estruturas a recuperação ainda
tenha caminho a percorrer.
Na Província de Nampula vale a pena considerar a zona de Nacala, com a sua
costa cheia de praias maravilhosas: as das Chocas e Mossuril, de Fernão Veloso,
de Relanzapo, etc. As plantações de chá na Zambézia, e o litoral desta província,
com vastas zonas de palmeiral, são cenários igualmente memoráveis.
O único lugar moçambicano classificado pela UNESCO como Património da
Humanidade (em 1991), é a Ilha de Moçambique, que conserva muitos sinais da
presença portuguesa. A ilha espelha uma atmosfera única de encruzilhada de culturas e nela, como em todo o país, aliás, coexistem (pelo menos) três religiões –
muçulmana, católica e hindu. A Igreja de Nossa Senhora do Baluarte, dentro do
Forte de São Sebastião, é o mais antigo templo cristão daquela zona de África e é
um dos testemunhos da presença portuguesa, a par das igrejas da Misericórdia e
de Santo António, e do Palácio de São Paulo, actualmente um museu com um
impressionante acervo de mobiliário indo-português. Humberto Lopes [texto e fotos]
30 TempoLivre
Julho/Agosto 2006
O TEMPO E O MUNDO|DUARTE IVO CRUZ
Somália
Um novo estado da Al-Qaeda?
Este mundo globalizado faz com que qualquer alteração política, distante que seja, tenha a ver
connosco e não só no plano geral das solidariedades humanas e da estabilidade mundial: certas
alterações, certos movimentos, em países com os quais nada temos podem significar alterações,
riscos e desestabilizações dentro de casa. Veja-se o que ocorreu com os atentados de Madrid.
PORTUGAL TEM, COMO SABEMOS, MUITO
a ver com África: mas nem na perspectiva histórica
tem a ver com a Somália. As pessoas da minha geração
ainda estudaram o território, nas aulas e nos manuais
de geografia dos anos 50, sob a designação de Somália
Italiana. Foi uma descolonização tardia, mas ainda mais
tardia, já nos anos 70, foi a descolonização do actual
Djibouti, ex - território francês. Trata-se do que internacionalmente se chama “o corno de África”, sem que a
designação seja considerada menos respeitosa... Em
qualquer caso, a região que efectivamente delimita, como um chifre gigantesco, as margens do Mar Vermelho
partilhadas pela Africa e pela Península
Arábica, repartiu-se até há bem poucas
décadas, entre a França, o Império
Britânico e a Itália.
Para além desta matriz colonial, já de
si complicada, temos no terreno uma
variedade de etnias que a religião
muçulmana tornas mais consistente.
Entretanto, no caso especifico da
Somália, a agregação de zonas de colonização britânica e
de colonização italiana num único Estado acabou por
dificultar ainda mais a unidade nacional.
Em 1991, o velho Presidente Siad Barre Moahmed,
ditador de velho estilo, foi derrubado por um golpe confuso. O que, em si mesmo, poderia ser saudável, transformou-se numa das maiores tragédias humanitárias e
politicas da Africa, e sabemos bem como elas abundam!
A capital, Mogadíscio, foi desde essa data até ao corrente
mês, campo de batalha de sucessivos senhores da guerra que provocaram uma guerra civil que já causou entre
300 e 500 mil vítimas e a deslocação de pelo menos um
milhão de refugiados, que fogem da fome para países
limítrofes tão pobres como o de origem. Os EUA tentaram em 1992 uma intervenção, que foi transmitida em
prime time e em directo pela televisão os marines enviados pelo presidente Bush Pai desembarcaram triunfalmente em Mogadíscio, para um ano depois retirarem.
A partir daí, o país dividiu-se em três: a Somália, que
como Estado não existe, o Somaliand, que tem tido estabilidade, e o Putland, de que pouco se fala: estes dois
correspondem às regiões anglófonas, aliás não reconhecidas como Estado pela comunidade internacional. Mas o resto deixou de existir como Estado: e de
tal forma que em 10 de Dezembro de 2004 foi eleito um
simulacro de Presidente, de Governo e
de Parlamento - tudo no exílio, concretamente no Quénia. Há uma Constituição “temporária“ desde 6 de
Outubro de 1990, também aprovada
no Quénia. Dos 245 deputados, 10 são
nomeados pelo Presidente do Djibouti! - Não há Banco Central, cada
um imprime a moeda que bem quer
(Shiling da Somália, cotação “oficial”
de 0,006 euro por 1000 sh.; Shiling do
Somaliland, 6800 sh por 1 dolar). 45%
da população viverá com menos de 370 euros por ano.
Por incrível que pareça a Coca-cola abriu uma linha de
produção: tem algo como 130 empregados e 120 seguranças. E a rede móvel (Catilina) terá algo como 300
seguranças para 500 empregados. O que resta da economia concentra-se na agricultura, na pecuária e no cultivo e exportação da droga.
Ora bem: 3 de Junho, Mogadíscio foi tomada por uma
milícia da auto-intitulada União dos Tribunais Islâmicos, liderada aparentemente pelo Xeque Nur Barud.
Este apelou à mobilização contra “os infiéis” e contra “os
invasores ímpios”...
Será este o novo Estado da Al-Qaeda? Ainda mais
instável que o Afeganistão dos talibans? Se for assim,
diz respeito a todo o mundo. I
Julho/Agosto 2006
TempoLivre 31
ROTA DA LUSOFONIA
LUSO-CANADIANA CONHECE O SUC
Suzana
da
Câmara
uma voz orgulhosamente portuguesa
O sucesso da cantora luso-canadiana Suzana Câmara chegou a Portugal como uma maré de
Agosto. Com uma voz que sendo suave não deixa de ser expressiva, esta descendente de açorianos
junta jazz, pop e bossa nova nos seus trabalhos. Fã de Tom Jobim, João Gilberto e Stan Getz, já
deslumbrou o Canadá onde termina em Setembro uma digressão. Agora prepara-se para conquistar a Ásia, onde se espera que o seu terceiro álbum, “Suzana da Câmara”, provoque um terramoto. Entretanto, vai afirmando sem hesitações o orgulho nas suas raízes portuguesas.
POR ESTES DIAS, NO CANADÁ, É DE ORGULHO
que se fala, quando o assunto é Suzana da Câmara. A
jovem cantora luso-canadiana aceitou dar o rosto pela
campanha “Proud portuguese canadian”, uma iniciativa da Sociedade Portuguesa de Beneficência, no âmbito
do Mês da Herança Portuguesa, que se assinala anualmente em Junho, e na qual participam também a fadista
Salomé e o saxofonista Johnny Ferreira. A comunidade
de cerca de meio milhão de portugueses que reside no
Canadá está definitivamente feliz com o sucesso de
Suzana e a cantora não esconde o orgulho nas suas origens açorianas.
Foi, aliás, nos Açores que tudo começou. Filha e neta
de açorianos, Suzana sempre soube que queria ser cantora, mas só há meia dúzia de anos percebeu que poderia ganhar a vida desta forma. Foi quando conheceu o
também músico e compositor Mike Dell, que hoje considera o seu melhor amigo. De visita a São Miguel,
Suzana e Mike deparam-se com o interesse de uma
rádio local em passar um tema que tinha escrito em português para homenagear a sua avó, com quem passava
todos os verões em criança, e que se encontrava doente.
Com o público a reagir muito bem à nova voz lusocanadiana, os da rádio insistiram para que a gravasse
em disco. Para a cantora foi este o primeiro passo do
projecto Suzana da Câmara, que junta jazz, pop e bossa
nova, tudo acompanhado pela guitarra acústica de
Mike Dell, seu parceiro musical desde então.
Em 2001, a parceria dá frutos com a edição do primeiro
disco da cantora, “Animism”, um trabalho que lhe abriu
32 TempoLivre
Julho/Agosto 2006
portas à participação na colectânea “An evening with
friends” ao lado de nomes consagrados como Tony
Bennet, Nora Jones, Sheryl Crow ou Robbie Williams.
Suzana, que canta em inglês, francês e português,
define a sua música como “calma, suave e agradável”. Já
a crítica fala de uma “voz magnificamente expressiva”
de uma jovem cantora de 22 anos “cheia de energia,
vida e alma” que é uma “promessa certa de sucesso”.
NO TOP TEN CANADIANO
Depois de um segundo trabalho discográfico que não
fez história, e de uma bem sucedida actuação em 2004
no Festival Maré de Agosto, em Sta. Maria, a dupla
lançou no ano passado o álbum “Suzana da Câmara”,
com o qual se prepara para conquistar a Europa e a Ásia.
Com a chancela do lendário produtor canadiano Jack
Richardson, que produziu, entre outros, The Guess
Who, Bob Seger and Alice Cooper, foi nomeado para os
Music and Film in Motion’s 2005 Awards como melhor
álbum e melhor canção para “Searching Deep Down”.
Foi ainda um dos Top Ten álbuns de 2005 do programa
“Fresh Air” da rádio canadiana CBC. O single “Spend
the night Together” chegou ao quarto lugar na contagem semanal das 20 melhores músicas. Classificações
que deixaram Suzana na nuvens. “Fiquei tão contente
que falava a toda a gente na rua. Senti-me honrada
porque é sempre bom sermos reconhecidos pelo nosso
trabalho”, disse recentemente numa entrevista.
Mas a distinção do trabalho da luso-canadiana não se
fica pelo Canadá. A Rádio Clube de Angra (do He-
ESSO COM O SEU TERCEIRO DISCO
roísmo) escolheu-a como artista do mês em Novembro
de 2005. Na Ásia, onde o disco de Suzana foi lançado
apenas em 2006, a estação de rádio especializada em Jazz
Yellow Beat seleccionou a cantora e a sua música “Cha
Cha” como artista e canção do mês de agosto em 2005. A
mesma canção foi também apresentada no “Oto Gumi”,
o primeiro magazine em DVD para ouvintes de música
no carro.
Suzana, que em Setembro termina em Toronto uma
série de concertos que tem vindo a fazer por todo o
Canadá, está a preparar uma digressão à Ásia, onde o seu
último trabalho foi lançado em Abril. “Suzana da
Câmara”, que inclui canções como “Meu Amor”, foi editado em Singapura, Coreia do Sul, Tailândia, Malásia e
Japão.
Em Portugal, para já, os projectos passam sobretudo
pelos Açores, onde a cantora actuou no Festival Maré de
Agosto, em Sta. Maria, perante milhares de pessoas.
Suzana, que se manifestou surpreendida com a reacção
do público à sua primeira actuação nos Açores, considera o concerto uma das suas melhores recordações e
não esconde o desejo de repetir. I
Cristina Fernandes Ferreira
VIAGENS NA HISTÓRIA|JOÃO AGUIAR
Os fidelíssimos
A nossa viagem pela História conduz-nos, hoje, não a um momento concreto
e preciso, mas a um vasto período, ou seja: aquele que corresponde
à Primeira Dinastia portuguesa.
VIAJAMOS NESSA DINASTIA PARA VERMOS de
perto uma realidade que contrasta muito vivamente
com uma ideia que foi subtilmente incutida aos
cidadãos da minha geração, das anteriores e ainda de
algumas gerações posteriores à minha: a ideia de que,
sendo Portugal, por excelência, a «terra de Santa
Maria», toda a nossa vida, pelo menos até ao século XIX,
decorreu, praticamente, na mais enlevada obediência a
Roma — entenda-se, ao Papado.
Ora, sem querer com isto minimizar o papel da Igreja
Católica na História portuguesa (papel muito considerável, tanto no bem como no mal), temos de reconhecer que a imagem de um Portugal perenemente ortodoxo não corresponde à realidade; nem na vertente
política nem na vertente propriamente religiosa. Ainda
que lancemos somente uma vista de olhos superficial,
veremos várias notas discordantes nessa ortodoxia.
Não vou considerar o episódio do «bispo negro», protagonizado por D. Afonso Henriques e contado por
Herculano nas suas Lendas e Narrativas, justamente
porque é uma lenda. Mas já o nosso segundo rei, D.
Sancho I, teve sérios conflitos com importantes membros do clero e recebeu admoestações da Santa Sé; o seu
34 TempoLivre
Julho/Agosto 2006
herdeiro, D. Afonso II, foi excomungado pelo papa
Honório III e o monarca seguinte, D. Sancho II, foi,
como sabemos, deposto por Inocêncio IV. Quanto ao
seu irmão, D. Afonso III, esse foi excomungado sob o
pontificado de Gregório X e o português João XXI não
logrou, durante os curtos seis meses em que governou
a Igreja, estabelecer a paz com o rei de Portugal; a excomunhão viria a ser levantada somente por Nicolau III.
O reinado de D. Dinis I também não foi isento de conflitos político-eclesiásticos, mas D. Dinis era um mestre
em diplomacia e conseguiu manter uma certa paz com
a Igreja. Contudo, foi neste mesmo reinado, segundo
parece, que se instituiu oficialmente em Portugal o culto
do Espírito Santo, que ganhou mais força o franciscanismo e que se deu mais atenção à «teoria das três
idades», do abade Joaquim de Flora. E a verdade é que
a Igreja (leia-se: Roma) nunca apreciou excessivamente
o culto do Espírito Santo, tomou de ponta os «espirituais» franciscanos e condenou os escritos de Flora.
Acrescente-se que estes três elementos, com especial
relevo para o culto do Paracleto e para o joaquimismo,
viriam a marcar profundamente, ao longo dos séculos,
a vida e a cultura portuguesas (o «Quinto Império» de
António Vieira teve aqui a sua origem remota).
Enfim: D. Pedro I. Ao contrário do que alguns julgarão, o seu reinado não se limitou ao «caso» Inês de
Castro; D. Pedro fez outras coisas (muitas delas boas)
para além de dar crua morte aos brutos matadores de
Inês. Um dos seus actos foi instituir o chamado «beneplácito régio», disposição pela qual nenhum documento (bula, breve, etc., etc.) vindo de Roma poderia ser
aplicado no reino sem prévio exame e decisão do poder
real. Ora, o beneplácito régio, com raros eclipses, vigorou até ao final da monarquia.
E, em jeito de remate, recordarei que, já no século
XVIII, o Fidelíssimo rei D. João V, o primeiro a usar
esse título, não se coibiu de entrar em conflito aberto
com a Santa Sé e que, no reinado seguinte (D. José I),
Portugal cortou relações com Roma durante dez longos anos. A fidelidade, portanto, foi sempre uma
noção relativa… I
FESTAS
Senhora
da
Agonia
A rainha das romarias portuguesas
As romarias constituem uma das formas mais ricas das tradições locais
no painel da vida lúdica e cultural das gentes do Alto Minho.
GENTE DE TRABALHO DURO, AGARRADA
à rabiça do arado ou ao cabo da enxada, labutando de
sol a sol, sóbria no vestir e poupada nos gastos, quando
chega o dia da festa da terra ou da sede do Concelho,
alto lá Maria, que os homens vestem o fato de “ver a
Deus”, põem a gravata de cores mais alegres e as mulheres enroupam-se com os seus trajes mais ricos; correm ao fundo das arcas a buscar as mãos cheias de ouro,
os cordões, os brincos e as arrecadas, que herdaram de
suas mães e avós e aí vão para a romaria, que é chegado o dia da festa.
ANIMAÇÃO POPULAR
No Minho, as romarias, todas de realização anual, são
as formas predilectas de animação popular, revestindo-
se de um carisma especial, manifestações de alegria
colectiva e números de cariz religioso, simplesmente
lúdico ou até cultural, como sejam as procissões, os
cortejos etnográficos e históricos, as sessões de fogo de
artifício, os concertos das bandas de música, as actuações dos gigantones e cabeçudos, as ornamentações e
outros actos mais, de acordo com as costumeiras de
cada região.
Desde há muitos anos que a Festa da Senhora da
Agonia de Viana do Castelo é justamente considerada a
rainha das romarias portuguesas, por um punhado de
razões de respeito: a sua grandiosidade e fama; as ornamentações (que, reconheça-se, hoje já não são o que
foram...); a espectacularidade dos números do seu programa, nas componentes religiosa e civil, como a
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TempoLivre 35
FESTAS
rosadas e sadias, bonitas camponesas, com os peitos
“revista” dos cabeçudos e gigantones, com baterias de
recamados de oiro e a variedade dos seus trajos, as saias
bombos, que fazem estremecer com seus ecos as praças
vermelhas das moças da Areosa ou azuis e vermelhas
da cidade; a Procissão do Mar, em que a imagem da
com barras pretas bordadas da Ribeira Lima, ou todas
Senhora, conduzida por pescadores, é levada num
verdes das terras de Geraz; os aventais, de um cromacortejo marítimo, em cima de uma traineira, rodeada
tismo lindíssimo, que Vieira da Silva ou Cargaleiro não
por centenas de embarcações engalanadas de flores e
desdenhariam incluir no rol dos seus trabalhos; os
bandeiras, com os seus estridentes apitos; o foguetório
lenços amarelos das jovens de Carreço e Afife; e, sobrede rebentar com os tímpanos das pessoas e o desfile,
tudo, essa alegria imensa de um dos povos desta parte
depois, pelas ruas da Ribeira (o bairro dos pescadores);
ocidental da Europa, que é uma
o Cortejo Etnográfico – a antiga
mescla de povos de predomínio
“parada agrícola” – com enormes
celta, dados à música, à dança – à
“carrões”, representativos das
VIAGENS INATEL
alegria de viver.
actividades agrícolas, industriais e
O Departamento de Turismo do
Mas não é ainda tudo, que falta
de artesanato de cada uma das
Inatel tem um programa de
recordar
os três números de fogo
aldeias do concelho e que este ano
viagem às Festas da Nossa
de
artifício:
a sessão de fogo preso
é subordinado ao tema “Ouro do
Senhora da Agonia, de 17 a 21 de
do
Jardim,
na
Sexta-feira à noite; o
Minho, Ouro de Viana”.
Agosto, com partidas de Faro,
“fogo
do
meio”
ou da “santa”, no
Setúbal e Lisboa. Ver página 57
campo da Agonia, que foi sempre
TRAJOS E GASTRONOMIA
desta edição da TL.
o preferido das gentes do campo e
A Festa do Trajo, espectáculo
a “serenata” no Rio, no Domingo à
inesquecível e sem paralelo em
noite, que é um deslumbramento para a vista e constiPortugal, nos últimos anos apresentado no cenário bem
tui, justamente, a apoteose final das festas da Senhora
adequado do Castelo de Santiago da Barra e que, para
da Agonia, não contando no corrente ano com o
além da apresentação dos belíssimos trajos de Viana, é
número da “cachoeira”, na velha ponte de ferro consuma mostra única da riquíssima coreografia do folclore
truída por Eiffel, que se encontra em obras.
de Viana, com as suas danças ritmadas, (os fandangos e
Se é verdade que estas festas mantêm ainda, no
os viras, as rosinhas e as gotas); as suas mulheres
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Julho/Agosto 2006
essencial, as características da autêntica romaria minhota, com um programa que foi urdido no seu início, em
meados do século XVIII, e se tem vindo a manter pelos
anos fora, havemos de reconhecer que o progresso fez
os seus estragos e na última trintena de anos muitas costumeiras, que conferiam à romaria da Senhora da
Agonia algumas das suas características mais inconfundíveis foram esmorecendo. Diminuíram as “tocatas”
e “rusgas” que vinham das aldeias com os tocadores de
harmónios, realejos, cavaquinhos, violas, pandeiros e
ferrinhos, a que mais tarde se haviam de juntar as concertinas, e que invadiam as ruas da cidade, tocando,
dançando e cantando ao desafio, e assentavam praça no
campo da Agonia para assistir ao “fogo” e ali ficavam
toda a noite de sábado, até à hora da procissão, no
domingo à tarde, abancando nas barracas de comes e
bebes do “Taipeiro”, da “Rosa Pausa” e da “Rosa
Encarnada”, onde se serviam as célebres sarrabulhadas,
rojoadas e petiscos e o “tintol” escorria dos garrafões e
canecas, para impedir que as gargantas secassem,
cansadas das cantorias. Claro que quem preferir abancar
nos excelentes restaurantes locais, dispõe de muitos e de
qualidade, como também pastelarias e confeitarias com
a saborosa doçaria regional.
Apontem-se, também, as ornamentações em que, por
volta dos anos 40 e 50, foi rei e senhor Mestre Carolino
Ramos, que em cada ano e conforme as zonas da cidade
arranjava temas adequados, deixando sempre o arranjo
da Praça da República a “sala de visitas” de Viana, para
a última noite, com vista à “surpresa” que em cada ano
se renovava, perante o alvoroço e a curiosidade de vianenses e forasteiros. Era a iluminação do Jardim e das
fachadas do casario que lhe corre de fronte, com milhares de tijelinhas de barro com velas, nos canteiros ou
nas sacadas e varandas das casas. Eram as traineiras
que, durante os três dias de festa, fundeavam,
engalanadas e iluminadas, no rio, em frente ao Jardim.
Era o despique, ano a ano renovado, dos pirotécnicos de
Viana, os “Silvas” e os “Castros”, que deixavam as “novidades” em segredo bem guardado para os “fogos” da
Senhora da Agonia. Eram os cartazes anunciadores da
festa, verdadeiras obras primas de grafismo, saídas das
mãos de mestres consagrados como o Carolino Ramos,
Alberto de Sousa, Manuel Couto Viana e Jaime Isidoro,
nomes que juntamente com o Dr. João Rocha e Diogo
Teixeira foram, por volta dos anos 50 e 60, os responsáveis pela divulgação e justa fama da “Rainha das
Romarias Portuguesas”. PROGRAMA 2006
OS NÚMEROS PRINCIPAIS DAS FESTAS DA
SENHORA DA AGONIA DESTE ANO SÃO:
O Cortejo Etnográfico, subordinado ao tema
“Ouro do Minho, Ouro de Viana”, que se realiza no
dia 19, sábado, a partir das 16 horas e que percorre
as principais artérias da cidade. “Fabuloso” é o
adjectivo que melhor lhe assenta;
Procissão do Mar, com as imagens da Senhora da
Agonia, S. Pedro e Senhora de Monserrate, com início às 11 horas, do domingo dia 20, com saída da
Capela da Senhora a Agonia, até à barra do Mar de
Viana e subida pelo Rio Lima, em frente à cidade,
com centenas de barcos incorporados;
Festa do Trajo, que se realiza no dia 19, a partir
das 22 horas, no terreiro do Castelo de Santiago,
junto à Foz do Rio Lima;
Sessões de Fogo de Artifício (sempre a partir das
24 horas);
Dia 18 – Fogo Preso no Jardim, em frente à cidade
e junto ao Rio Lima.
Dia 19 – Fogo da Santa no arraial em frente à
Capela da Senhora da Agonia.
Dia 20 - Serenata no Rio Lima. Este ano não
haverá a célebre “cachoeira” na ponte metálica,
devido as obras que ali se estão a realizar;
Festivais de Folclore: Realizam-se no Sábado e no
Domingo, a partir das 22 horas no Jardim da
Cidade, com os 26 ranchos folclóricos do Concelho;
Feira Franca: Realiza-se na Sexta-feira da parte da
manhã, distribuída por dois espaços, na zona do mercado (Abelheira) com as aldeãs a vender os seus produtos e no Campo da Agonia, a feira de tecidos, vestimentas e artigos correlativos. Não esquecer uma
visita às ourivesarias locais onde se expõem e vendem as belíssimas peças de ouro popular do Minho.
N. Lima de Carvalho
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TempoLivre 37
OlhoVivo
Enxaqueca
desmascarada
A velha máxima “Hoje não, querido, dói-me a
cabeça” pode estar em vias de ser “desmascarada”.
Um estudo efectuado por Timothy Houle e os seus
colegas da Wake Forest University School of
Medicine (EUA) mostrou que, dos 68 participantes,
os que sofriam de enxaquecas apresentavam também maiores índices de apetite sexual. Os investigadores pensam que esta relação pode demonstrar
que ambos os sintomas dependem da quantidade
de serotonina no cérebro: tanto as enxaquecas
como a libido elevada foram anteriormente relacionadas com baixos níveis deste químico.
Felizes
à distância
Karen Fingerman, investigadora da Universidade
de Purdue (EUA), pensava que o seu estudo iria
demonstrar que, quanto mais ocupados estivessem
os membros de uma família, mais difícil seria o
relacionamento familiar entre gerações. Pelo contrário, a análise das respostas de 158 famílias
demonstrou que estar ocupado tornava as pessoas
menos exigentes umas com as outras, dando
menos importância às suas falhas e defeitos, tentando aproveitar de forma positiva o tempo que tinham para estar juntos. Os pais de filhos ocupados,
embora lamentassem a sua ausência, mostravamse felizes por eles terem conseguido algo na vida,
quer fosse uma carreira, um casamento ou filhos.
Super-cadeira
No Baylor Institute for Rehabilitation (EUA), os
pacientes com deficiências de mobilidade, que os
obriguem a usar uma cadeira de rodas, vão ter
uma vida muito mais facilitada, graças ao iBOT®
4000. Muito mais do que uma simples cadeira de
rodas, este revolucionário sistema inclui as
funções de tracção às quatro rodas, equilíbrio,
escadas e controlo remoto. Assim, os pacientes
terão a possibilidade de subir escadas, elevar-se
ao nível dos olhos de um interlocutor em pé,
baixar-se para estar confortavelmente a uma
secretária e passear sobre um chão irregular sem
problemas. A cadeira também garante a segurança do paciente no caso deste perder o equilíbrio em posição elevada, baixando-se automaticamente para uma altura de segurança.
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Marta Martins [ textos ] André Letria [ ilustrações ]
Café=Sim?
Se quer um “Sim”, ofereça
um café – pelo menos de acordo com a experiência conduzida pelo Dr. Pearl Martin da
Unversidade de Queensland
(Austrália), que demonstrou que,
após ingerirem alguma cafeína (disfarçada em sumo de laranja), os participantes no seu estudo mostraram maior “processamento sistemático da
mensagem”. Ou seja, pensaram mais directamente no que lhes estavam a
dizer, lembraram-se melhor da argumentação usada e concordaram mais
com ela, apesar de ser contrária às suas próprias ideias. Talvez não seja má
ideia trocar as salas de reuniões pelo café da esquina...
Voos mais frescos
A Boeing poderá estar prestes a tornar os voos de longo curso muito mais
agradáveis, com a introdução de um duche aéreo. Para contornar o problema do peso extra que seria necessário para transportar água à volta do
mundo, uma equipa de Washington criou uma espécie de chuveiro “ultrapoupado”: quando um passageiro entra no cubículo, um sensor óptico mede
a sua altura e forma e lança, a alta pressão, apenas a água (com sabonete)
necessária para cobrir o corpo. Ao ser expelida, esta espécie de névoa é ionizada, de forma a ser atraída pelo corpo, para que não haja desperdícios.
Segue-se mais uma “chuveirada light”, desta vez com água pura, e uma
secagem por ar quente. Rápido, limpo e provavelmente melhor do que esperar mais 12 horas por uma banheira... E, por ser tão compacto, o sistema também poderá ser montado em autocarros para longos percursos terrestres.
O envelhecer é cinza ou rosa?
Um interessante estudo publicado no Journal of Happiness Studies vem provar – mais uma vez – que as
aparências iludem. Ao contrário do que todos pensamos, a análise de Peter Ubel e Heather Lacey demonstra que a idade não nos torna menos felizes, antes pelo contrário. Ao avaliarem o seu nível de felicidade e
o que supunham ser o dos outros (mais velhos e mais novos), os participantes obtiveram resultados semelhantes: todos pensavam que menos idade era sinónimo de maior felicidade (quer os jovens quer os mais
idosos, lembrando os seus tempos de juventude), mas na verdade os mais velhos reportavam maiores níveis
de felicidade do que os mais novos – só que se achavam mais felizes do que a maioria dos da sua idade. Ou
seja, todos tinham representações erróneas da felicidade, passada ou futura, pintando a juventude de um
rosa que, aparentemente, não está tão presente. Parece que envelhecer nos ensina a encontrar felicidade
em mais fontes do que apenas na da juventude.
Música curativa
Segundo um estudo efectuado por Sandra Siedlecki e Marion Good, da Cleveland
Clinic Foundation (EUA), ouvir uma hora de música por dia reduz significativamente
a dor e a depressão em doentes com dores crónicas. No seu estudo compararam dois
grupos de doentes que ouviam uma hora de música por dia (escolhida pelos próprios
ou pelas investigadoras) com um terceiro grupo que não ouvia música. Ambos os
grupos que ouviram música declararam menos dores (12% e 21%, conforme a escala
utilizada), 19 a 25% menos sintomas depressivos e 9 a 18% menos sensação de incapacidade perante a dor. Ou seja, de todos os ângulos, a audição de música melhora
claramente a qualidade de vida dos pacientes com dores crónicas.
Línguas traiçoeiras
Para os nativos de uma língua, algumas associações de palavras são óbvias (por exemplo, “cabeça de alho
chocho”), mas para quem está a aprender um idioma novo, torna-se muitas vezes complicado perceber o sentido destas expressões. No curso do seu trabalho e sem muitas pretensões, o site de Mark
Davies, linguista da Brigham Young University está a coleccionar milhares de fãs um pouco por
todo o mundo. Em http://view.byu.edu, os falantes não-nativos da língua inglesa podem
averiguar a utilização comum de cada palavra e assim perceber como ela é usada no dia-a-dia
(por oposição às regras gramaticais). Esta gigantesca base de dados (com mais de 100 milhões
de entradas e diferentes tipos de contextos de uso – académico, jornalístico, ficcional, etc.)
mostra também que palavras surgem mais vezes associadas umas com as outras, para que não
usemos “forces of bad” mas antes “forces of evil”, por exemplo. O mega projecto de Davies não
está nem perto de terminar, já que tem em curso bases de dados semelhantes em Inglês Antigo,
Inglês Americano, Espanhol e Português – para que os estrangeiros não digam “cabeça de alho murcho”, mas também para melhorar as aptidões da “escrita rápida” dos telemóveis, por exemplo.
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TempoLivre 39
BOAVIDA
CONSUMO
ARTES
LIVRO ABERTO
Um dos argumentos
mais estafados
consiste em afirmar
que muitos produtos à
venda nas lojas
chinesas são fruto de
actos ilícitos
Em foco, os 80 anos
do nascimento de
Vespeira com uma
exposição de
homenagem que a
Galeria Valbom,
Lisboa, lhe dedica até
Setembro.
Destaque para “O
Império Debaixo do
Fogo”, de Loureiro
dos Santos, quinto
volume de “Reflexões
sobre Estratégia”, da
Europa-América.
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Página 43
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CINEMA EM CASA
MÚSICAS
NO PALCO
“A História de
António Variações –
entre Braga e Nova
Iorque”, duplo CD de
assumida homenagem
a um dos maiores
criadores da nossa
música ligeira.
Alguns dos clássicos
da dramaturgia na
Lisboa MITE’06
(Mostra Internacional
de Teatro), até final
de Julho, no Teatro
Nacional D. Maria II.
Três excelentes
documentários sobre
o nosso passado
recente, assinados
pelo jornalista
Joaquim Vieira e pelo
realizador Rui
Simões.
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Página 47
Página 48
FILMES MEMÓRIA
À MESA
SAÚDE
Fernando Dacosta
fala-nos de O Tempo
que Resta, genial
filme de François
Ozon, o realizador de
Sob a Areia, em
passagem discreta nos
nossos cinemas.
Um programa
alimentar adequado e
actividade física
regular podem, na
maior parte dos
casos, reduzir a
tensão arterial.
O colesterol tem
funções muito
específicas e benéficas
para a nossa saúde.
Se o mantivermos
dentro de valores
normais, não há
problema.
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Página 50
Página 51
INFORMÁTICA
AO VOLANTE
PALAVRAS DA LEI
A fotografia, nos
tempos de hoje, é
digital. Mas as nossas
imagens merecem
mais do que ficar
presas ao PC.
A introdução de um
motor diesel potente,
mas suave, vem
tornar o modelo Saab
9-3 Cabrio mais
atraente e disponível
em várias versões.
Prevista e regulada
na nossa lei civil, nos
artigos 464º a 472º,
a gestão de negócios
estende-se para além
do “negócio”
propriamente dito.
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Julho/Agosto 2006
TempoLivre 41
BOAVIDA
C O N S U M O
“MADE IN CHINA”
Da conversa de café, à internet, ouvem-se e lêem-se rumores e acusações
explícitas acerca dos produtos chineses. Desde argumentos pueris a torpes
acusações, tudo é consumível no supermercado da má-língua, tão apreciado
pelos consumidores portugueses.
I
Carlos Barbosa de Oliveira
U
m dos argumentos mais
estafados consiste em afirmar
que muitos produtos à venda
nas lojas chinesas são fruto
de actos ilícitos, como contrabando ou
contrafacção, e não respeitam as normas
de segurança da União Europeia. Sem
discutir a veracidade deste argumento,
lembro apenas aos consumidores mais
renitentes (ou preconceituosos) em
relação aos produtos chineses, que todos
os anos as autoridades apreendem, em
feiras e estabelecimentos, milhares de
produtos “made in Portugal” que
apresentam as mesmas características de
ilicitude, sem que tal provoque uma
onda reactiva tão forte como a que se
tem verificado em relação a produtos
chineses. E todos conhecemos casos de
“fábricas” de contrafacção instaladas em
Portugal!
Outra acusação, mais grave, prende-se
com a forma de produção. Alegadamente, os produtos chineses serão produzidos com recurso a trabalho infantil e
trabalho escravo. Os leitores que fazem o
favor de me ler habitualmente sabem que
me tenho insurgido com frequência contra essa prática, tendo inclusive denunciado, nestas páginas, algumas multinacionais que a ela recorrem.
Em plena euforia do Mundial da
Alemanha, vale a pena recordar as
condições laborais em empresas
do ramo têxtil ligadas às
grandes marcas desportivas,
que violam as normas mais
elementares da Organização
42 TempoLivre
Julho/Agosto 2006
Internacional do Trabalho e a Declaração
Universal dos Direitos do Homem.
A maioria dos adeptos que exulta
quando a bola se anicha nas redes da
equipa adversária, desconhece que
aquela bola que despertou o seu entusiasmo, pode ter sido causa de choro de
muitas crianças que, em condições laborais desumanas, participaram no seu
fabrico. Como finge ignorar que os sapatos desportivos de marca que levam
calçados, o cachecol ou a camisola que
identificam a sua simpatia por uma das
equipas, podem ter sido fabricados à
custa de trabalho infantil e trabalho
escravo. E, embora não seja convidada,
e esteja mesmo proibida de jogar, a
contrafacção também entra em jogo.
Imitações (por vezes grosseiras) dos
objectos de merchandising, de qualidade inferior, vendidas normalmente a
preços mais baixos, vão aparecer por
todo o lado, iludindo a vigilância do
árbitro e desvirtuando o resultado
deste jogo que se joga fora dos relvados
e não tem como objectivo a marcação
de golos, mas sim a obtenção de lucros.
A verdade, porém, é que não vejo
levantar-se o clamor popular contra a
indignidade com que são fabricados
alguns destes produtos “de marca” e
até já estou a imaginar muitos portugueses a correrem aos saldos de uma
conhecida marca de vestuário espanhola, recentemente acusada de recorrer a empresas portuguesas que exploram mão de obra infantil.
É difícil explicar esta campanha antichinesa. O principal objectivo será desacreditar uma comunidade que se tem
revelado como uma das menos problemáticas comunidades de imigrantes a
viver em Portugal? Então, nessa “cilada”
terá caído a Autoridade para a Segurança
Alimentar e Económica (ASAE), um
organismo que tem desenvolvido uma
acção notável em defesa da saúde pública, mas que desencadeou uma acção de
inspecção a restaurantes chineses (porque não portugueses ou italianos?) que
contribuiu para a estigmatização de uma
comunidade, agravada pelo facto de a
“Operação” (simbolicamente denominada Oriente) ter sido acompanhada por
um canal de televisão.
Os consumidores portugueses devem fugir da tentação dos juízos de
valor precipitados, procurando encontrar, ponderadamente, respostas para
estas questões: Serão os produtos chineses menos seguros, de menor qualidade ou fiabilidade do que outras conceituadas marcas? A relação qualidade/
preço é atractiva? Violam as normas de
produção (ambientais e laborais) de
forma mais grosseira do que outras?
Mas estas são, afinal, as questões que
qualquer consumidor deve colocar em
relação a qualquer produto ou serviço,
seja produzido
em Portugal, nos
EUA ou em qualquer parte do
mundo! I
BOAVIDA
A
R
T
E
S
Obra de Vespeira e composição de Lud
para a necessária e humana transformação do mundo. Porque não temo o
absurdo da experiência e creio na validade de todas as experiências. […]
Porque é mais importante o que acontece para que um quadro exista do
que o próprio quadro». Deste modo,
o surrealismo é para Vespeira «uma
espécie de complemento à estética
neo-realista, mais libertador e completo, contribuindo profundamente
para uma transformação do mundo a
partir da transformação do sujeito e
da sua relação com real.»
SURREALISMO:
DE VESPEIRA A LUD
No âmbito das comemorações dos 80 anos do nascimento de Vespeira,
que se iniciaram no ano passado, a exposição de homenagem que a
Galeria Valbom, Lisboa, lhe dedica até Setembro próximo é o culminar
justo das jornadas de evocação da sua obra que a Câmara Municipal do
Montijo tinha iniciado no ano passado, honrando-o com a Bienal de Artes
Plásticas que decorreu sob a sua égide.
I Rodrigues
T
Vaz
endo-se salientado com a
sua participação na I Exposição Geral de Artes Plásticas, em 1946, organizada
pela Fundação Gulbenkian, apesar de,
na altura, juntamente com Fernando
Azevedo e Júlio Pomar, os seus trabalhos estarem mais confinados ao neorealismo de cariz expressionista,
Vespeira envereda, a seguir, pelo surrealismo, tornando-se um dos pintores contemporâneos de referência.
É em 1947 que começa a caminhada surrealista, com a sua participação, juntamente com Fernando
de Azevedo, José-Augusto França e
Cesariny, entre outros, na fundação
do Grupo Surrealista de Lisboa, que
dá origem à exposição de 1949.
Muito significativa, a vários títulos, será, no entanto, a sua produção
do final da década de oitenta, marcada, como afirmam Ana Almeida e
Sónia Vespeira Almeida no catálogo
da mostra, «marcada por uma linguagem menos densa e mais lírica
distante da sua fase neo-realista,
distanciamento que reflecte a afirmação da personalidade irónica e
combativa de Vespeira, cristalizada
na frase: “Toda a minha pintura é
liberta e libertina”.
Mas a fase com que geralmente
mais se identifica a obra de Vespeira é
mesmo o Surrealismo. Para Vespeira,
este movimento constituía uma
filosofia de vida, a partir da qual interpretava o mundo circundante: «[…]
Porque considero o Surrealismo a
mais actuante posição do conhecimento humano em totalidade e não
parcelado em consciente ou inconsciente. Porque, assim, o Surrealismo é
a posição objectivamente combativa
LUD NA GALERIA PERVE
De surrealismo continuamos a falar a
propósito da exposição-homenagem
com que a Galeria Perve, igualmente
em Lisboa, evoca, através de um conjunto de 16 obras, a memória do
artista plástico português LUD
(Ludgero Viegas Pinto), falecido em
2001, que nasceu em Alfama (1948) e
cujo trabalho tem caído, de forma
injustificada, no esquecimento.
Tendo-se reclamado nos últimos
anos da sua vida como um dos últimos abencerragens do surrealismo
em Portugal, Lud utilizava a técnica
do pontilhismo até à máxima exaustão e quase até à perfeição mais intolerável, executando cada uma das
suas obras como se estivesse a fazer a
última prova, emprestando às suas
composições um equilíbrio formal e
uma serenidade fria, fruto de muita
vivência interior e, ao mesmo tempo,
de muita auto-contenção.
Dando vida de uma maneira
muito sugestiva a todo um imaginário que tem tanto de boschiano
como de atractivo no plano visual,
Lud compunha cada quadro como
se de um conflito se tratasse, alternando as superfícies mais frias com
os volumes mais quentes, pelo que
acabava por conseguir uma obra
cheia de impacto a solicitar um
olhar atento e venerador.I
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TempoLivre 43
BOAVIDA
L I V R O
A B E R T O
O MUNDO E AS COISAS
QUE O HABITAM
Quanto mais o presente e o futuro do mundo se complicam, mais
necessário se torna dispormos de bases para tentarmos compreendê-lo e,
se for caso disso, acreditarmos que é possível mudá-lo para melhor.
I José
Jorge Letria
D
aí que as análises geoestratégicas e as reflexões
feitas por quem está apetrechado para as elaborar
sejam úteis para quem procura
respostas ou mesmo luzes ao fundo
do túnel. Destaque-se, pois, a saída,
com a chancela de Publicações
Europa-América, do quinto volume
de “Reflexões sobre Estratégia”, do
general Loureiro dos Santos, com o
título “O Império Debaixo de Fogo”.
De facto, o Império, o da superpotência chamada Estados Unidos da
América, encontra-se debaixo de
fogo, seja o do fundamentalismo
islâmico, seja o das potências emergentes, seja o da opinião pública que
critica duramente intervenções militares como a feita no Iraque. Um
livro certeiro e oportuno, escrito por
um militar na reserva com um pensamento muito bem estruturado sobre
o assunto, que nos ajuda a perceber a
imensa e alarmante complexidade e a
perigosidade do mundo contemporâneo. A não perder, mesmo que
seja para discutir e para discordar. É
essa uma das grandes virtudes da
vida em democracia.
Para os amantes da literatura de
viagens, recomenda-se, com a mesma
chancela, “Sahara”, de Michael Palin,
um livro soberbo sobre o fascínio e
também os perigos do deserto, imenso mar de areia que continua a
exercer sobre o ser humano um efeito
mágico e sempre tentador. E, em
44 TempoLivre
Julho/Agosto 2006
matéria de ficção narrativa, duas sugestões: “O Sultão e o Cartógrafo”, de
Tariq Ali, e “Falsas Impressões”, de
Jeffrey Archer, para além de um clássico de autor anónimo que vale sempre a pena revisitar: Tristão e Isolda”,
que Wagner tão bem integrou no seu
fantástico universo operático.
DA AUTORIA de Marc Vachon e com a
chancela da Teorema, acaba de ser
lançado “Rebelde sem Fronteiras”,
com prefácio de Jean-Christophe
Rufin, que narra de forma intensa e
polémica as grandezas e as misérias
da ajuda humanitária. O autor
nasceu em Montreal em 1963, tendose tornado responsável da logística
dos Médicos Sem Fronteiras, o que
lhe permitiu participar num considerável número de missões e conhecer por dentro a organização.
Esse conhecimento esteve na base da
implacável crítica que neste livro é
feita ao modo como se processa a
ajuda humanitária, da qual tantas
vidas dependem e que, segundo o
autor, nem sempre funciona da
maneira mais transparente e rigorosa.
Um livro que também em Portugal irá
ser lido atentamente por todos quantos se interessam por este tema, numa
perspectiva cívica e no quadro do que
entendem dever ser a verdadeira solidariedade internacional.
Da mesma editora é “Estrela
Distante”, do chileno Roberto Bolaño,
uma das mais importantes vozes da
literatura latino-americana contemporânea, falecido em 2003 com apenas 50 anos. “Estrela Distante” é uma
história fascinante, que tem como
ponto de partida um encontro no
Chile de Salvador Allende e que coloca no plano central uma personagem
tão complexa quanto controversa. É
apreciável a forma como o escritor
cruza factos da vida real com outros
puramente ficcionais, entrelaçando
histórias, num enredo labiríntico do
qual nunca está ausente uma forte
consciência do papel da História na
vida quotidiana.
Ainda da Teorema, no domínio da
ficção narrativa, são os seguintes títulos cuja leitura se recomenda: “Um
Dia de Fevereiro”, do russo Mark
Kharitonov, com Nikolai Gogol em
destaque como personagem ficcional,
“O Ar Que Tu Respiras”, de Melissa P.,
um livro que tem todos os ingredi-
entes que fazem os “best sellers”, ou as
“bestas céleres”, como dizia, jocosamente, Alexandre O’Neill, e “O País
Onde Não se Morre Nunca”, da
albanesa Ornela Vorpsi, radicada em
Paris, que nos revela uma nova e interessante voz de um país que há muito
não internacionalizava um escritor.
“Notícias do
Velho Porto”,
de Eugénio de
Andrea da Cunha e Freitas,
com a chancela
da Campo das
Letras, é um
livro que nos
ajuda a conhecer melhor a
história secular da cidade
do Porto nas suas vertentes histórica,
geográfica e social. O autor nasceu em
Lisboa em 1912 e morreu em 2000, em
Vila do Conde.
“80 HOMENS para Mudar o Mundo”,
de Sylvain Darnil e Mathieux le Roux,
com a chancela da Ambar, é uma obra
construída por dois investigadores a
partir de oito dezenas de percursos
que ilustram a ideia de que é possível,
independentemente da área de formação de que se provém, construir
carreiras de sucesso em novas áreas e
com assinaláveis resultados materiais,
desde que se actue com grande criatividade e persistência. Essas áreas são
as que levam em conta o bem comum
e não propriamente a cegueira do
lucro numa perspectiva neoliberal. Daí
que seja uma obra que ajude a pensar
de uma forma diferente e, se calhar,
verdadeiramente alternativa. Um livro
útil para quem sonha com uma carreira de sucesso e quer conhecer algumas das receitas dignas, justas e alternativas que permitem realizá-la. Um
lançamento integrado na Biblioteca de
Ecomomia/ Gestão da Ambar.
DANDO CONTA das suas
preocupações como cidadão e como político
durante muitos anos no
activo, António de Almeida Santos, jurista, exministro em vários governos e ex-presidente da
Assembleia da República,
acaba de publicar, com a
chancela do Instituto Piaget, os livros “A Globalizaçãoum Processo em Desenvolvimento”,
“A Difícil Construção do Estado nos
Novos Países Africanos”, “Que Direito
Hoje e com que Sentido?” e “Uma
Visão Integrada do Sistema de
Ensino”.
EDUARDO STREET foi e é um dos
nomes mais prestigiados da rádio em
Portugal, tendo sido responsável,
durante muitos anos, pelo teatro
radiofónico da RDP. Nessa condição,
deu voz a muitos dramaturgos e
escritores contemporâneos portugueses. “O Teatro Invisível-História do
Teatro Radiofónico”, agora dado à
estampa pela editora Página 4, constitui uma saborosa e oportuna revisitação das memórias e da memória do
teatro feito na rádio em Portugal. Para
além de ser um útil instrumento de
trabalho para investigadores da área
das Ciências da Comunicação, “O
Teatro Invisível” é um testemunho
forte contra o efeito corrosivo e branqueador do esquecimento, devendo
por isso ser lido e saudado. Quanto ao
seu autor, fica credor do nosso aplauso e da nossa admiração.
NO CENTRO do livro “Quando Comer
É um Inferno” (Ambar), da jovem
escritora Esprido Freire, está o problema gravíssimo da bulimia, com o
cortejo de sacrifícios e sofrimentos
vários. Partiu a autora da sua dura
experiência pessoal, construindo um
texto intenso e oportuno em que
muitas leitoras por
certo se irão rever.
Esta doença do comportamento alimentar é bem mais complexa do que à primeira vista poderá
parecer. Basta ler o
livro para se perceber que assim
é. Ainda com a
chancela da Ambar
acaba de ser publicado o
pequeno romance “A Chuva Nunca
Arrefece”, da francesa Véronique
Olmi, conhecida sobretudo como dramaturga, mas também autora de
várias obras de ficção já traduzidas em
mais de uma dezena de países. Pela
mesma editora foram já editados, da
mesma autora, os romances “BeiraMar” e “Número Seis”.
“O CAVALO DO MALABAR”, com as
chancela da Corpos Editora, é o livro
de estreia de Josias Gil, que construiu
uma narrativa intensa e de grande
ritmo, ficcionando memórias pessoais
e viagens, num texto denso em que a
poesia se encontra frequentemente
presente com a sua marca sempre
sensível e inconfundível.
“Profecias”, de Leonardo Da Vinci, é
uma das apostas de Publicações
Europa-América, devendo destacar-se
a visão por vezes apocalíptica que o
genial criador tinha do futuro da espécie humana, e também “Os Refugiados – Uma História de Dois
Continentes”, do clássico Arthur
Conan Doyle, criador do imortal
Sherlok Holmes.
A Oficina do Livro acaba de
lançar mais um título de Margarida
Rebelo Pinto – “Diário da Tua
Ausência”- com um excelente tratamento gráfico e com êxito certo
junto dos sectores público, sobretudo o feminino, que se revê na obra,
já extensa, da autora. I
Julho/Agosto 2006
TempoLivre 45
BOAVIDA
M
Ú
S
I
C
A
S
ANTÓNIO VARIAÇÕES,
O TRANSGRESSOR
“A História de António Variações – entre Braga e Nova Iorque” é o
título genérico de um duplo CD recentemente editado, numa
assumida homenagem a um dos mais significativos criadores da
música ligeira portuguesa.
I
Victor Ribeiro
I
rreverente e ousado, Variações
teve uma vida curta, intensa e
transgressora, factos determinantes para que, passados
mais de 22 anos sobre a sua morte, tenha um merecido lugar
de honra na galeria de ícones
nacionais.
Filho de camponeses, nascido numa aldeia dos arredores de Braga, em 1957,
António Joaquim Rodrigues
Ribeiro, de seu nome próprio, chegou a Lisboa com
cerca de 13 anos.
Sempre com a secreta
esperança de cantar, o
adolescente Variações trabalhou como marçano em
Lisboa, lavou pratos em
Londres e aprendeu o ofício
de barbeiro em Amesterdão.
De regresso a Portugal, em
1977, abriu num centro comercial o primeiro cabeleireiro
unissexo da capital. Posteriormente, transferiu o negócio
para a Baixa, onde começou a
dar nas vistas, sobretudo
devido à forma vanguardista
como se vestia, algo bizarra
para a época.
Em 1978, António Variações
entrega na editora Valentim
de Carvalho uma maqueta com umas
46 TempoLivre
Julho/Agosto 2006
quantas canções, dizendo que, caso
fossem aceites, os respectivos arranjos musicais deveriam sugerir
uma sonoridade compreendida “entre Braga e Nova Iorque”... O facto
é que hoje, quando se ouve com
atenção uma cantiga de Variações,
detectam-se referências musicais
que oscilam entre o folclore minhoto e a música pop/rock norte-americana da época.
A descoberta definitiva e a consagração de Variações ocorreram
com uma primeira aparição pública
no programa televisivo “O Passeio
dos Alegres”, de Júlio Isidro, em
1981, onde interpreta a canção
“Toma o Comprimido”, ao mesmo
tempo que atira “smarties” para
espectadores presentes no estúdio.
O primeiro single acabou por ser
gravado apenas em Junho de 1982,
com os temas “Povo Que Lavas no
Rio”, numa homenagem a Amália,
e “Estou Além”, cantiga que regista
um sucesso quase inexplicável, pelo
menos à luz dos parâmetros estéticos e comerciais então tidos por
convenientes.
Até à sua morte, em Junho de
1984, António Variações não mais
parou, numa espécie de corrida
vertiginosa contra o tempo, criando
canções que rapidamente obtiveram o reconhecimento popular: “É
p`ra Amanhã”, “Canção de Engate”, “O Corpo é que Paga”…
No duplo CD agora editado, integram-se 40 temas, na maioria maquetas caseiras, em alguns casos com
inéditos, com registos de espectáculos ao vivo ou sons de sessões de
gravação em estúdio.
Concluamos, então, que estamos
em presença de uma boa “História
de António Variações”, um homem
cuja vida foi marcada pela transgressão libertadora própria dos
privilegiados que vêem para além
do futuro. I
BOAVIDA
N O PA L C O
TEATRO DO MUNDO
NO ROSSIO
Inaugurada com “Otelo”, de Shakespeare, pela companhia Folias
D’Arte, de S. Paulo, no passado dia 16 de Junho, a Lisboa MITE’06
(Mostra Internacional de Teatro) prossegue até final de Julho no Teatro
Nacional D. Maria II com a representação de outros grandes nomes da
dramaturgia clássica, como Gil Vicente, Moliére, Sófocles e Eurípides,
interpretados por companhias de vários países.
I
Maria Mesquita
R
eveladora da filosofia da
nova gestão artística do
D.Maria II, esta escolha
de Carlos Fragateiro e
José Manuel Castanheira não se
esgota, porém, nos textos clássicos,
mas abre-se também a
“peças importantes” de
autores contemporâneos, como Sanchis Sinisterra e Ionesco. “Gerar
um laboratório de trabalho entre artistas de vários países, com o objectivo de criar redes de
cumplicidade entre teatros nacionais, centros
dramáticos e companhias de referência, desenvolvendo o diálogo com
escritores contemporâneos de reconhecido mérito internacional”, é,
em síntese, a proposta dos dois
responsáveis doTNDMII.
Na apresentação do MITE’06,
Carlos Fragateiro teve a preocupação de sublinhar que o evento “não
pretende ser um festival nem concorrer com festivais de teatro em
Portugal ou comprar espectáculos
no exterior”, mas “fazer um trabalho contínuo” com artistas de outros países. Presente no encontro
com os jornalistas, o secretário de
Estado da Cultura, Mário Vieira de
Carvalho, saudou a programação
apresentada pela direcção artística
do teatro e considerou-a “um contributo para tornar o D. Maria II
mais visível a nível nacional e internacional”.
Momento alto da programação
concelos, pela companhia Pigeons
International Théatre-Dance, de
Montreal (Canadá).
Até 27 do corrente mês seguemse “Rhinocéros”, de Ionesco, “Ilíada, Odisseia”, de Homero e “Eneida”, de Virgílio, e “Metamorphoses
de Ovídio”.
A terminar a mostra, “Il Lettore a
Ore”, de José Sanchis Sinisterra
(Itália), dirigida pelo autor, com
interpretação do Teatro Metastasio
Stabile de la Toscânia.
A programação é ainda composta
por debates sobre dramaturgia, a
apresentação do filme “A Melhor
Juventude”, do realizador Marco
Tullio Giordana, e a iniciativa “Músicas à Meia-Noite”, com jazz todas
as sextas-feiras.
Com legendagem em português,
esta importante mostra teatral reúne todas as condições para lhe oferecer óptimos espectáculos até ao final de
Julho.
VIRIATO EM MÉRIDA
foi, na última semana de Junho, a
representação pela Companhia Nacional de Teatro Clásico, de Madrid
(Espanha), da “Tragicomédia de D.
Duardos”, de Gil Vicente. De Portugal, o Teatro do Bolhão, do Porto,
representou, de 29 a 2 de Julho “D.
Juan”, de Moliére. A 4 e 5 de Julho,
também na Sala Garrett, sobe à cena
“Electra” de Sófocles, pelo Teatro
Nacional Radu Stanca de Sibiu, da
Roménia.
A 8 e 9 de Julho, representa-se “5
Heures du Matin”, de Paula Vas-
Entre 10 e 15 de Agosto,
numa coprodução lusoespanhola, será apresentada a peça “Viriato, Rei”, de
João Osório de Castro, no
magnífico cenário natural
do Teatro Romano de
Mérida, no âmbito da 52ª
edição do Festival de Teatro Clássico
daquela cidade.
Com dramaturgia de João Mota e
Miguel Murillo, encenação de João
Mota e tendo em palco mais de 35
actores espanhóis e portugueses
(Comuna), esta peça oferece uma
visão contemporânea do mito lusitano, tendo por base uma linguagem actual, mas que simultaneamente nos aproxima de uma época
histórica vivida pelos povos da
Lusitânia, tendo Mérida como capital. I
Julho/Agosto 2006
TempoLivre 47
BOAVIDA
CINEMA EM CASA
LUGAR À HISTÓRIA
I
Sérgio Barrocas
P
ara estes meses de Verão, viajamos pela
história à procura de um novo olhar sobre
o passado recente de Portugal através de
três excelentes documentários: um sobre o
DEUS, PÁTRIA E
AUTORIDADE
(CENAS DA VIDA PORTUGUESA
1910-1974), DOCUMENTÁRIO;
REALIZAÇÃO:
Rui Simões;
Portugal, 1975, P/B, 110
min.; EDIÇÃO: Costa do
Castelo Filmes
O filme, feito com base em
imagens de arquivo, parte
do célebre discurso de
Salazar em 1936
e de uma forma
pedagógica,
mas
comprometida,
caracteriza o
regime de
Salazar e
Caetano a partir do tríptico
“Deus, Pátria e Autoridade”,
acentuando a importância
da Igreja católica e seu
apoio ao Estado Novo
(1926-1974), um regime
centrado na exaltação dos
valores patrióticos e da
autoridade e empenhado
numa guerra colonial que
acelerou a sua queda.
prémios do público e da
crítica no festival
internacional de São Paulo
em 1980, “Bom Povo
Português” é um olhar
atento e comprometido
sobre o período
revolucionário iniciado
com o 25 de Abril e
encerrado a 25 de
Novembro de 1975.
O filme descreve as
mudanças profundas ao
nível económico e social
nos anos quentes do
chamado PREC.
Tal como no trabalho
anterior, “Bom Povo
Português” assenta em
imagens de arquivo e sons
do período histórico em
causa.
BOM POVO PORTUGUÊS
DOCUMENTÁRIO;
REALIZAÇÃO:
Rui Simões;
Portugal, 1980, P/B,
135min.; EDIÇÃO: Costa do
Castelo Filmes
Vencedor de vários
prémios, incluindo os
48 TempoLivre
Julho/Agosto 2006
ÁLVARO CUNHAL:
A VIDA DE UM
RESISTENTE
DOCUMENTÁRIO;
REALIZAÇÃO:
Joaquim Vieira;
Portugal, 2005, Cor, 117min
EDIÇÃO: Lusomundo
Estado Novo, outro acerca do 25 de Abril e respectivo PREC (Processo Revolucionário em Curso) - assinados pelo realizador Rui Simões, e um terceiro
sobre Álvaro Cunhal, realizado pelo jornalista
Joaquim Vieira I
Um ano depois do seu
desaparecimento, Álvaro
Cunhal continua a ser um
símbolo de resistência para
uns e motivo de ódio para
outros, mas reconhecido
como uma figura invulgar
do século XX português. A
primeira parte narra o
nascimento e infância
marcada por uma mãe
conservadora e religiosa e
um pai progressista e
republicano, a vinda da
família para Lisboa, a
Faculdade de Direito, o
início da actividade política,
a ascensão no partido, as
colaborações jornalísticas, a
guerra civil espanhola, as
prisões, a fuga do Forte de
Peniche, a eleição como
secretário-geral do PCP e o
exílio na URSS por razões
de segurança.
As mudanças na liderança
soviética, a cisão entre a
China e a U.R.S.S, a
Primavera de Praga e suas
consequências, o início da
guerra colonial, o 25 de
Abril e o período
revolucionário, a luta
político-partidária, as
mudanças em todo o
bloco de leste e as
consequências no interior
do PCP dominam a 2ª
parte do filme, sem
esquecer o período
posterior ao abandono da
liderança partidária e a
afirmação da vertente
artística e literária de
Cunhal.
A marca do repórter de
televisão – o autor iniciou a
sua actividade jornalística
na RTP – está bem patente
no extenso documentário,
assente em depoimentos
de figuras históricas do
partido,
imagens
inéditas e
entrevistas
de época,
numa
montagem cronológica,
simples e rigorosa.
OUTROS
LANÇAMENTOS:
Aurora (Costa do
Castelo) – F. Murnau;
Metropolis (Costa do
Castelo) –Fritz Lang; O
Sacrifício (Costa do
Castelo) – A.Tarkovsky;
Walk the Line (Castello
Lopes) - James
Mangold; Kansas City
(Prisvideo) - Robert
Altman; e Crimes
Invisíveis (Prisvideo) Wim Wenders
BOAVIDA
FILMES COM MEMÓRIA
O TEMPO QUE RESTA
As vítimas da paixão (os não correspondidos no amor) e da morte (os
recusadas pela vida) costumam, ao conhecer esse vácuo, refugiar-se no
íntimo de si – e chorar. Chorar muito. Às vezes sem lágrimas, às vezes
com sorrisos.
I
Fernando Dacosta
O
Tempo que Resta, genial
filme de François Ozon, o
realizador do notável Sob
a Areia, em passagem
discreta nos nossos cinemas, começa
e acaba com dois planos inesquecíveis: o de um garotinho de caracóis
brilhantes a ver, de pé, o oceano, e o
de um jovem (ele aos trinta anos)
deitado na areia, cabeça rapada, imóvel ante o declinar da tarde e o cair
(para sempre) da noite.
Os banhistas foram-se, em imagens
admiráveis de debandada da praia, e
ele ficou só, entregue ao passar do
tempo, do resto do seu tempo, sorriso
esvaído para lá do apagar do «écran».
Se a agonia é, como dizia há
pouco um autor de génio, o
cineasta Manoel de Oliveira,
uma fase fascinante de passagem (da consciência para a
dormência, da vida para a
morte), ela acaba de ser excepcionalmente sugerida, pressentida por outro autor de génio, o
cineasta François Ozon.
Entre as duas sequências
decorre o filme, história de um
elegante fotógrafo de moda,
na moda parisiense (incarnado
pelo actor Melvil Poupaud),
que sabe, de súbito, ter um
cancro disseminado por todo o
corpo.
O médico é frontal: restamlhe apenas dois, três meses, ou
um pouco mais se fizer tratamentos de cobalto e terapias
específicas. Ele, que recorda a
patética decadência de um amigo em
circunstâncias afins (perda do cabelo,
desagregação do rosto, náuseas constantes, abjecções infinitas), recusa.
Distancia-se, a partir daí, da existência levada até então, pessoas,
sítios, sucessos, visibilidades, ambições, alienações, em busca de outros
lados do visível, por templos de pedra
e mistério, horizontes de bosques e
mares, ecos de silêncios e ventos.
A erupção das lágrimas vai-lhe desfocando os vazios, as crenças, os sentimentos, as infinitudes.
Desprende-se da família, pais e
irmã convencionais, corta com o
namorado, de quem gosta, suspende
o trabalho, que o apaixona, deixa os
lugares frequentados (significativa a
última ida ao bar «gay») e procura a
velha avó, soberba interpretação de
Jeanne Moreau, porque ela é-lhe a
única pessoa conhecida que, como
ele, se encontra à beira do fim.
Os seus diálogos, os seus entrelaçamentos, os seus desamparos, os seus
gestos, as suas cumplicidades, os seus
pânicos infiltram-se mutuamente (e
infiltram-se em nós) para lá da dor
que não se localiza porque deixou de
ser individual para ser cósmica.
Manter a dignidade, atingir o apaziguamento são-lhe objectivos aterradoramente difíceis. Que quase
logra. Chora. Chora e sofre, e rebelase, e resigna-se, e caminha. Os passos, as recordações levam-no com
frequência crescente à infância.
Vê-se a si próprio criança, quer
voltar a ser criança – ele que nem
gosta delas nem de quem as procria
–, retomar o início, a inocência de
tudo.
O imprevisto enovela-o de novo.
Uma jovem empregada de café
aborda-o. É casada mas o marido,
que ama e a ama, ficou estéril.
Com o assentimento dele convida-o, de chofre, para a
engravidar. São novos, bonitos, sensíveis, infelizes. Depois
de recusar uma vez, acede. E
uma vez mais, O Tempo que
Resta ilumina-se, iluminandonos, com os três comungando,
enlaçados, uma das cenas de
sexo e ternura, melancolia e
dádiva mais perturbadoras
que nos tem sido dado a ver
pelo cinema.
Thanatos e Eros, as antigas
divindades da morte e do amor,
continuam a ser deuses supremos na suprema criatividade,
faces da moeda que fundiu, em
que se fundiu o insondável ser
humano.
Do tempo que nos resta só
nos resta a memória. I
Julho/Agosto 2006
TempoLivre 49
BOAVIDA
À
M E S A
A HIPERTENSÃO
CONTROLA-SE À MESA
A pressão
arterial elevada
(muito frequente
na população adulta
portuguesa) é um
factor de risco
importante para
a doença
cardiovascular
e para a doença
renal.
André Letria
Pedro Soares
D
pressão arterial é considerada elevada quando
em repetidas medições
permanece igual ou acima
de 140/90 mmHg. Quando a pressão
arterial se mantém elevada no interior das artérias, a camada muscular
das paredes arteriais torna-se cada
vez mais rígida e espessa, perdendo a
sua elasticidade. Assim, os locais onde
passa o sangue tornam-se mais estreitos e a parede dos vasos mais rígida
acumulando gordura ou colesterol.
Com os vasos a ficarem mais estreitos,
o sangue tem maior dificuldade em
passar aumentando de novo a
pressão arterial. Este ciclo continuado
aumenta o perigo de complicações
50 TempoLivre
Julho/Agosto 2006
sérias, como doença cardíaca, insuficiência renal e acidentes vasculares
cerebrais.
Felizmente, sabemos cada vez mais
sobre a hipertensão e suas causas alimentares. Com um programa alimentar adequado e actividade física
regular é possível reduzir a tensão
arterial, na maior parte dos casos.
Um plano alimentar susceptível de
combater eficazmente a pressão arterial elevada deve ter um baixo conteúdo em ácidos gordos saturados,
colesterol e gordura total e ser abundante em fruta e hortícolas. A nova
Roda dos Alimentos, publicada
recentemente pelo Instituto do
Consumidor demonstra de forma
fácil como atingir este objectivos.
Primeiro objectivo – Manter o seu
peso normal. Quem tem peso a mais
tem maior probabilidade de ter a tensão arterial elevada.
Segundo objectivo – Reduza a
ingestão de sal (cloreto de sódio).
Cerca de 75 % do sal que ingerimos
vem dos alimentos processados que
ingerimos. Faça a sua sopa com
pouco ou nenhum sal. Evite o pão
demasiado salgado. Atenção, pois os
produtos de pastelaria contém habitualmente muito sódio. Leia os rótulos. Muitos dos cereais de pequenoalmoço contêm, por exemplo, muito
cloreto de sódio adicionado.
Terceiro objectivo – Aumente o consumo de potássio. O aumento do
consumo de potássio está associado à
redução da pressão arterial. E este
efeito ainda aumenta mais em pessoas com consumos elevados de sal.
Onde se encontra o potássio? Nas batatas, batata doce, espinafres, bananas, laranjas, tomates, alperces, lentilhas, feijão, grão, amêndoas e também nos iogurtes e peixe.
Quarto objectivo – Modere o consumo de álcool. Acima de 2 copos de
vinho por dia ou seus equivalentes, a
sua pressão arterial começa a subir.
Quinto objectivo – Reduza o consumo de alimentos de origem animal,
privilegiando as refeições com quantidades aumentadas de frutos, hortícolas, leguminosas e cereais. Quanto
a alimentos de origem animal prefira
o peixe à carne (em especial os peixes
gordos, sardinha, cavala…) e os leites
com baixos teores de gordura.
Sexto objectivo – Como gordura
prefira o azeite evitando ao máximo
as gorduras de origem animal.
Sétimo objectivo – Ande diariamente pelo menos 30 minutos com
um passo vigoroso. Ou três vezes 10
minutos. Será o suficiente para que a
sua medicação funcione mais eficientemente ou para reduzir a sua
pressão arterial, no caso de não ser
necessária medicação. Cuide-se. BOAVIDA
S A Ú D E
COLESTEROL,
O INIMIGO DO CORAÇÃO
Não se passa um único dia sem que alguém me pergunte:
“doutora, o meu colesterol está muito alto?”.
M. Augusta Drago
T
ranquilizo (ou não) o
autor da pergunta com
uma explicação sobre o
risco de ter o colesterol
alto e como é gratificante saber que,
até certo ponto e exceptuando os
casos de etiologia familiar, esse
indicador é reversível e controlável
pela própria pessoa.
Quando a conversa corre bem, terminamos a consulta com um compromisso da parte do doente para
modificar o seu estilo de vida, alterando hábitos alimentares nocivos e
combatendo o sedentarismo. Depois,
é deixar passar algum tempo até
pedir novas análises e verificar se a
promessa foi ou não cumprida.
O colesterol é uma das duas principais substâncias gordas que existem no sangue. A outra é os
triglicéridos. Estas duas gorduras
são fornecidas pela alimentação ou
formam-se no organismo. Ficam
depositadas nas células adiposas até
serem mobilizadas pelo organismo.
O colesterol tem funções muito
específicas e benéficas para a nossa
saúde e, enquanto se mantiver dentro
de valores normais, nada de mal nos
acontece. As suas moléculas são uma
fonte de energia sempre disponível,
carregam algumas vitaminas até às
células, ajudam na formação de hormonas e têm um papel importante na
imunidade e noutras funções, algumas ainda pouco conhecidas, mas
que ajudam a manter a saúde.
Os valores normais destas duas
substâncias no sangue são: coles-
terol  190mg/ml e triglicéridos  145mg/dl.
Dentro do colesterol existem ainda
dois componentes com efeitos opostos: uns, os HDL (conhecido por
colesterol benéfico), protegem o
coração, outros, os LDL (conhecido
por colesterol nocivo), estão na
génese da aterosclerose e são os principais responsáveis pelos enfartes do
miocárdio e pela angina de peito.
O objectivo é manter os valores de
HDL  45mg/dl e de LDL
 100mg/dl. Para estes valores serem fiáveis, os doentes devem
estar pelo menos 12 horas em jejum
antes de tirar o sangue para análise.
Isto significa nada ingerir, excepto
água. Também não devem beber
álcool nas 24h antes da análise.
Estudos baseados na evidência
mostraram que as doenças cardíacas isquémicas (enfarte do miocárdio e angina de peito) estão directamente relacionadas com valores
altos de colesterol nocivo.
Sabe-se que a aterosclerose surge
a partir de valores de colesterol
 140mg/dl. O risco de
André Letria
doença cardíaca aumenta consideravelmente a partir de valores de
colesterol  200mg/dl. Este
risco duplica com valores de 250mg
/dl. Para valores de 300mg/dl, o
risco é quatro vezes superior àquele
que têm os doentes com colesterol
de 200mg/dl.
Uma alimentação rica em fibras e
em óleos vegetais (ricos em HDL) e
pobre em gorduras de origem animal é recomendada a todas as pessoas, independentemenre do sexo
ou da idade. Porém, as pessoas que
têm familiares em primeiro grau
que sofram de dislipidémias (gorduras do sangue elevadas) têm de
ter mais cuidado.
Doentes com este risco familiar
e/ou que sofram de hipertensão
arterial, diabetes, obesidade e tabagismo devem controlar regularmente os lípidos do sangue. Também se recomenda esse cuidado aos
homens com mais de 35 anos, às
mulheres depois da menopausa e a
todos os doentes cardíacos.
Se os valores do colesterol e dos
triglicéridos estiverem normais não
é necessário repetir análises todos os
anos. As pessoas com baixo risco
podem fazê-las de cinco em cinco
anos. Já as pessoas com alto risco
devem repeti-las todos os três meses
até os valores estarem controlados.
Para além da dieta pobre em colesterol, estes doentes beneficiam hoje
de fármacos muito eficazes, tais como
as “estatinas”, os “ácidos gordos
ómega-3” (que também se encontram
em alimentos como o óleo de girassol
e de soja e nas nozes, etc.), os
“fibratos”, que são mais eficazes para
baixar os triglicéridos, e outros.
Um plano alimentar e de exercício físico é fundamental para estes
doentes. Os objectivos devem ser
realistas e combinados entre médico e doente. [email protected]
Julho/Agosto 2006
TempoLivre 51
BOAVIDA
TEMPO INFORMÁTICO
FOTOGRAFIAS DIGITAIS
Estamos em plena época de utilizar as nossas viagens e passeios para fazer fotografia. E fotografia, nos tempos
de hoje, é digital. Passá-las para o computador e vê-las em família no monitor é aquilo que usualmente se faz.
Imprimir a jacto de tinta é dispendioso. Mas as nossas imagens merecem mais do que ficar presas ao PC.
I
Gil Montalverne
A
dmitimos que conhece o
básico para escolher câmaras digitais: tipo de
sensor e quantidade de
Megapixels efectivos fazem a qualidade da fotografia. Em uso doméstico bastam 3 ou 4. Para fotógrafo exigente, maior número de pixels.
Bateria de lítio é ideal. Pilhas recarregáveis perdem capacidade rapidamente. Zoom óptico em vez de
Zoom digital. Este funciona com
software e dá menor qualidade à
imagem. Focagem manual é importante. Controlar a intensidade do
flash evita imagens com excesso de
luz. Modo leitura pontual é útil nas
imagens em contraluz. Memória
interna ou cartões de memória?
Melhor ter as duas assim como escolher a qualidade de fotografia com
mais ou menos Mbytes ou Kbytes.
E agora como aproveitar as imagens? Para quem deseja imprimir as
52 TempoLivre
Julho/Agosto 2006
suas fotos digitais em papel naquele
formato postal 10 x 15, a melhor e
mais barata solução está nas pequenas impressoras de sublimação térmica que utilizam o calor para retirar
a tinta de um cartucho e fixar as imagens num papel especial, dando-lhe
um tratamento extra de uma camada à prova de água e do envelhecimento das cores. As SAGEM são
transportáveis (cerca de 20x20x9,5
cm) compatíveis com qualquer
câmara digital, cartão de memória
ou mesmo telemóvel, sem necessitar
de PC. 16 milhões de cores e 300 pixels por polegada.
Vêm já com cartucho
e papel. A Photo
Easy 155 (99 Euros)
tem um display com
os dados técnicos e
as opções de impressão. A Photo
Easy 260 (159 Euros)
tem display a cores
com a imagem e
maior flexibilidade pois numa só
folha de papel pode escolher
formato 10x15, 2 tipo cartão
de crédito, 4 ou mesmo 8
tipo BI. Escolha de impressão a cor, preto e
branco ou sépia. Pode
seleccionar e até editar
(ajuste de contraste e brilho)
ou corrigir olhos vermelhos. Kits
com cartucho e 40 ou 120 folhas de
papel (Cigest: 213616310)
Mas também é necessário organizar os originais de modo a encontrá-los facilmente por assunto,
datas ou palavras-chave, no PC ou
em CD ou DVD. A Microsoft transformou há algum tempo o então
célebre Picture It no pacote Digital
Image Pro. Também com este software melhoram-se e editam-se as
fotos digitais ou podem realizar-se
slide-shows. Uma rápida visualização de miniaturas permite uma
escolha eficiente daquela imagem
que nos lembrávamos de ter tirado
mas... onde estará? Digital Image
Suite ajuda a encontrá-la. As versões de 2006 vão da Standard à
Suite e à Suite Plus, esta incluindo
também o Pinnacle Studio para trabalhar com Vídeos.
De qualquer modo,
basta carregar numa
tecla escolhendo uma
opção e criaremos de
imediato CDs ou
DVDs com as nossas
imagens ou vídeos,
perfeitos e organizados.I
[email protected]
BOAVIDA
A O
NOVO SAAB 9-3
CABRIO TID 150CV
A introdução de um motor diesel potente mas suave vem tornar o modelo Saab 9-3 Cabrio mais atraente. Disponível nas versões Linear, Vector
e também nas novas Séries Especiais SE, a unidade 1.9 TiD / 16 válvulas de 150 cv é proposta com a possibilidade de se optar entre transmissão manual e automática, ambas de seis velocidades.
I
Carlos Blanco
E
ste motor com common rail
e injecção múltipla directa,
apresentado com sucesso
nas gamas 9-3 Sport Sedan
e Sport Hatch, distingue-se por um
elevado nível de performance. Um
avançado filtro de partículas de escape, sem manutenção, equipa de série
este motor.
No Saab 9-3 Cabrio, esta unidade é
proposta apenas na sua configuração mais potente, o que significa
poder dispor de uma potência máxima de 150 cv às 4.000 rpm. Mas ainda
mais importante é oferecer um amplo poder de tracção, com 90% do
binário máximo disponível das 1.750
às 3.250 rpm. O valor máximo de 320
Nm, alcançado entre as 2.000 e as
2.750 rpm, só é superado pelos 350
V O L A N T E
Nm do topo de gama, o motor a
gasolina 2.8V6 Turbo de 250 cv.
A performance em estrada é elevada, sendo que o carácter distintamente desportivo do motor reduz
ainda mais qualquer diferença perceptível entre os níveis de performance dos motores diesel e a gasolina.
A recuperação, o aspecto mais
importante para a condução quotidiana, é idêntica à do motor a gasolina de 210 cv (80 aos 120 km/h
em quinta em 11,0 vs 11,5 segundos), ao passo que a aceleração dos
zero aos 100 km/h se realiza em
apenas 10,4 segundos (11,8 com
caixa automática).
A experiência de condução distingue-se por um nível de suavidade e apuramento, aliada a uma formação progressiva de binário que
desmente a presença da ignição por
compressão. Contribuiu para tal a
calibragem do movimento da borboleta electrónica, que permitiu obter
uma resposta semelhante aos motores a gasolina da Saab.
Com o consumo no ciclo combinado de 6,3 litros/100km (7,4/caixa automática) a ostentar um ganho de 25
por cento em relação ao motor a gasolina 1.8t/150 cv, o novo TiD oferece
uma atraente combinação de performance e economia. I
Julho/Agosto 2006
TempoLivre 53
BOAVIDA
PA L AV RA S D A L E I
GESTÃO DE
NEGÓCIOS
Sou proprietária de três apartamentos. Habito um, e
os outros estão arrendados. Tenho 81 anos, a única
parente que tenho é uma sobrinha que habita em
Inglaterra, a quem pretendo deixar os meus bens.
Queria saber o que posso fazer para deixar a administração dos meus bens e rendimentos a alguém de
confiança, e que me informasse periodicamente do
que faz, no entanto não conheço ninguém.
?
Leitora devidamente identificada – Braga
I
Pedro Baptista-Bastos
André Letria
Q
uem disponha de bens patrimoniais, pretenda que
alguém se encarregue da
administração dos mesmos, sem, no entanto,
conhecer ninguém para tal, e tenha
necessidade que os seus bens sejam
administrados, pode socorrer-se da
figura da gestão de negócios.
Prevista e regulada na nossa lei civil,
nos artigos 464º a 472º, a gestão de
negócios estende-se para além do
“negócio” propriamente dito; com
efeito, esta figura jurídica regula quaisquer actos ou situações em que
alguém tenha que gerir imediatamente um interesse patrimonial de
outrem. Distingue-se dos mandatos
ou das procurações passadas a terceiros por causa destes requisitos: o
gestor não está imediatamente autorizado a assumir a condução do negócio; tem que avisar o dono do negócio
que pretende assumir a gestão do
mesmo e conforma-se sempre com a
vontade do dono do negócio, não
havendo, por isso, lugar a uma grande
54 TempoLivre
Julho/Agosto 2006
discricionariedade na sua actuação.
Finalmente, o gestor tem sempre
que prestar todas as informações e
contas relativas à sua gestão, quer
durante, quer finda a gestão de
negócios ao dono, e entregar-lhe as
quantias ou juros que haja recebido,
em virtude da sua actuação.
O aviso da assunção da gestão e a
conformidade de actuação do gestor
à vontade e interesse do dono do
negócio evita que este incorra em
responsabilidade e tenha que responder perante aquele. Esse aviso é
articulado com a exigência do dono
do negócio aprovar, ou ir aprovando, os actos do gestor à medida que
decorre o seu exercício.
Tenha o leitor em conta que o
gestor de negócios enquanto tal está
sempre adstrito à vontade do dono
do negócio. Nunca pode alegar falta
de tempo ou de documentos para se
justificar de uma acção. A prestação
de informações e de contas é sempre imediata.
No entanto, se o gestor celebrar um
negócio em nome próprio com um
terceiro, no decurso da sua gestão,
aplicam-se as regras do mandato sem
representação. A esta última situação
chama a doutrina “gestão sem representação”. Implica que os actos celebrados em nome próprio pelo gestor
com terceiros só nele se repercutem,
nunca podendo o dono do negócio
ser responsabilizado por estes,
mesmo que o gestor alegue que agiu
em nome do dono do negócio e se os
terceiros com quem celebrou sabiam
que o gestor agia em nome pessoal;
se, por via desse tipo de actos, surgirem direitos adquiridos, créditos,
ou quaisquer benefícios ou lucros,
devem estes ser transferidos para a
posse do dono do negócio.
Optei pela solução da gestão de
negócios e não pelo Mandato, porque a extensão do Mandato compreende, regra geral, meros actos de
administração ordinária, isto é, simples actos de manutenção e preservação do património do mandante.
Por outro lado, o mandato estabelece um vínculo obrigacional mais severo para o mandante do que a gestão de negócios, pormenor que a
nossa leitora não pretende. I
CLUBE TEMPO LIVRE PASSATEMPOS
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Palavras Cruzadas > por Tharuga Lattas
1
Horizontais: 1-Outrora; Choça. 2-Aguardente obtida da destilação do
2
melaço, depois de fermentado; Abranda; Antepassado. 3-Peúvas
(árvores); Arrojo; Ímpio. 4-Prender; Nome de letra; Consentimento.
5-Suspirarei; Ansiedades. 6-”Nada Consta”; Nome pessoal masculino; Raivas; Nome da décima sétima letra do alfabeto grego. 7-Algum;
Sacudis; Textualmente. 8-As regiões superiores da atmosfera;
Arrenda; Mulher de mau génio. 9-Deus do Sol entre os antigos
Egípcios; Anéis; Eternidade; Imperfeita; “Sem data”. 10-Nome pessoal masculino; Tem conhecimento. 11-Enredam; Castigara. 12-Nome
pessoal Masculino; Velho; Defeito (fig.). 13-Venturas; Discurso laudatório; Sacerdotes budistas tibetanos.
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13
SOLUÇÕES
Verticais: 1-Sorri; Poeta açoreano que pôs termo à vida em Ponta
Delgada; Doutor (abrev.). 2-Cópia; Irmão do pai. 3-Abertura no alto
da muralha...; Decifra; Enguias. 4-Cicatriza; Implorara. 5-Tua; Desafia;
Ruído. 6-Grande ave ratite, (corredora) sul-americana, com três
dedos em cada pata; Perfura; Chefe político, no Oriente. 7-Boleeiro;
Escória; Doçura (fig. Aliança; Nuvem; Laço apertado. 9-Coisa branda
(fig.); Nome pessoal masculino; Caridosa. 10-Cá; Canção; Meio-dia.
11-Berílio (s.q.); Pato; Ilha inglesa do mar da Irlanda. 12-Pessoas estranhas ou manhosas; Sobrecasaca. 13-Dia natalício; Catedral;
Pertenciam. 14-Ninharias; Lavra. 15-Alternativa; Sovada; Campeão.
Nota: Todos os termos da solução podem ser verificados nos Dicionários
“Língua Portuguesa”, “Sinónimos” (Porto Editora)
e “Prático Ilustrado” (Lello & Irmãos)
1-DANTES; CABANA. 2-RUM; AMOLECE; AVO. 3-IPÉS (Árvore);
ATIRO; ATEU. 4-LIAR; AGÁ; AVAL. 5-AIAREI; A; ANELOS. 6-NC;
ATOR; IRAS; RÓ. 7-TAL; ABANAIS; SIC. 8-ETER; ALUGA; LEOA. 9RÁ; ÒS; EVO; MÁ; SD. 10-0; IGOR; E; SABE; A. 11-TRAMAM; PUNIRA. 12-DIOR; SENIL; TARA. 13-ROSAS; LOA; LAMAS.
FÉRIAS CULTURAIS
Actividades semanais
• CINEMA • DESENHO E PINTURA • PASSEIOS TURÍSTICO-CULTURAIS
a implementar nos
• KARAOKE • PEDIPAPER • JOGOS • PERCURSO EXPLORAÇÃO DA
NATUREZA • TAI CHI • GINÁSTICA • JOGOS AQUÁTICOS • CAÇA AO
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havemos de ir a Viana….”
Conheça a genuína cozinha tradicional
minhota num afamado restaurante regional
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AS VINDIMAS NO DOURO
Jogos populares e tradicionais, almoço
popular “comida do dia da vindima” e
jantar temático com a Ferreirinha
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Óbidos, Caldas da Rainha, Torres Vedras,
Alenquer, Lourinhã, Moita dos Ferreiros e
Alcobertas).
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Nº TSN 1836 - 9 a 15 de Setembro
Partidas:
Aveiro/Coimbra/Leiria/Santarém/Lisboa
(Alojamento: Centro de Férias da Costa da
Caparica Visitas: Cabo Espichel, Lagoa de
Albufeira, Palmela, Almada, Sesimbra, Setúbal,
Vila Fresca de Azeitão, Grândola, Alcácer do
Sal, Vila Nogueira de Azeitão, Sra. da Atalaia,
Sines e Tróia).
Preço por pessoa em quarto duplo: 375,00 €
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PARTIDAS: Portalegre/Évora/Beja
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Setembro
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Preço por pessoa em quarto duplo: € 420,00
TSN1886 - 16 a 23 Setembro
PARTIDAS: Coimbra/Leiria/Santarém
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TSN1896 -16 a 23 Setembro
PARTIDAS: Bragança/Vila real Viseu/Coimbra
Preço por pessoa em quarto duplo: € 390,00
TSN1946 - 23 a 30 Setembro
PARTIDAS: Portalegre/Évora/Beja
Preço por pessoa em quarto duplo: € 379,00
TSN1996 - 30 Setembro a 07 Outubro
PARTIDAS: Guarda/Covilhã/Santarém
Preço por pessoa em quarto duplo: € 370,00
TSN2006 - 30 Setembro a 07 Outubro
PARTIDAS: Porto/Aveiro/Lisboa/Pragal
Preço por pessoa em quarto duplo: € 379,00
PARTIDAS: Setúbal
Preço por pessoa em quarto duplo: € 370,00
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FÉRIAS NA QUARTEIRA
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TSN 1956 - 23 a 30 Setembro
PARTIDAS: Aveiro/Coimbra/Leiria/Santarém
Preço por pessoa em quarto duplo: € 400,00
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FÉRIAS EM ALTURA
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TSN1916 -16 a 23 de Setembro
PARTIDAS: Coimbra/Leiria/Santarém
Preço por pessoa em quarto duplo: € 515,00
TSN1976 – 23 a 30 de Setembro
PARTIDAS: Guarda/Covilhã/Portalegre/Évora
Preço por pessoa em quarto duplo: € 505,00
FÉRIAS EM OLHOS D’ ÁGUA
TSN1966 – 23 a 30 Setembro NOVIDADE
PARTIDAS: Viana/Braga/Porto/Aveiro
Preço por pessoa em quarto duplo: € 349,00
FÉRIAS EM MILFONTES
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TSN2176 - 09 a 16 Setembro
Viagens
PARTIDAS: Viana/Braga/Porto/Aveiro
Preço por pessoa em quarto duplo: € 535,00
PARTIDAS: Coimbra
Preço por pessoa em quarto duplo: € 525,00
TSN2186 -16 a 23 de Setembro
PARTIDAS: Leiria/Santarém/Lisboa/Pragal
Preço por pessoa em quarto duplo: € 529,00
PARTIDAS: Setúbal
Preço por pessoa em quarto duplo: € 519,00
ILHAS
S. MIGUEL/SANTA MARIA
TSN1826 - 08 a 15 Setembro
PARTIDAS: LISBOA
Preço por pessoa em quarto duplo: € 595,00
PORTO SANTO
TSN1926 - 22 a 29 Setembro
PARTIDAS: PORTO
Preço por pessoa em quarto duplo: € 505,00
EUROPA
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TSI12465 12 a19 de Agosto
Preço por pessoa em quarto duplo: € 979,00
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TSI1946 18 a 25 de Agosto
PARTIDAS: Lisboa/Setúbal/Évora
Preço por pessoa em quarto duplo: € 579,00
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TSI1476 19 a 26 de Agosto
PARTIDAS: Viseu /Coimbra/Leiria
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PARTIDAS: Santarém / Lisboa/ Setúbal
Preço por pessoa em quarto duplo: € 499,00
Outubro
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TSI2026 01 a 08 de Setembro
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Setembro
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Preço por pessoa em quarto duplo: 659,00
ESPANHA VERDE
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PARTIDAS: Setúbal/Lisboa/Leiria
TSI1576 08 a 12 de Setembro
Preço por pessoa em quarto duplo: 325,00
ASTÚRIAS
PARTIDAS:
Beja/Évora/Portalegre/Covilha/Guarda
TSI 1586 30 de Setembro a 05 de
Outubro
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Costa del Azahar
EVIAN
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PARTIDAS: Lisboa/Porto/Faro
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PARIS E CASTELO DO VALE DO LOIRE
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PARTIDAS: Lisboa/Porto/Faro
Preço por pessoa em quarto duplo:
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INGLATERRA E ESCÓCIA
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PARTIDAS: Lisboa/Porto/Faro
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GRÉCIA
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NOTA: os cupões para aquisição de Livros são válidos até ao final do ano de 2006
DESCONTO
Este cupão só é válido na compra
de 1 livro constante da nossa secção “ Novos livros ”, onde está incluído o preço de venda ao público (PVP) e respectiva Editora
Clube
TempoLivre
2,74
Euros
VALIDADE
31de Dezembro/2006
DESCONTO
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de 1 livro constante da nossa secção “ Novos livros ”, onde está incluído o preço de venda ao público (PVP) e respectiva Editora
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VALIDADE
31de Dezembro/2006
Remeter para
Clube Tempo Livre –
LIVROS, Calçada de
Sant’Ana nº 180 –
1169-062 Lisboa, o
seguinte:
G Pedido, referenciando a editora e o título
da obra pretendida;
G Cheque ou Vale dos
Correios, correspondente ao valor (PVP)
do livro, deduzindo
2,74 euros de desconto do cupão.
G Portes dos Correios
referente ao envio da
encomenda, com
excepção do
estrangeiro, serão
suportados pelo Clube
Tempo Livre. Em caso
de devolução da
encomenda, os custos
de reenvio deverão ser
suportados pelo
associado.
CLUBE TEMPO LIVRE NOVOS LIVROS
AMBAR
O ENIGMA VALFIERNO
Martín Caparrós
304 pg. | 21 (PVP)
Uma história de um homem
invulgar e da busca
desesperada de uma
identidade. A obra basea-se
na história real de um dos
mais espectaculares crimes
de sempre, um assalto ao
Museu do Louvre em 1911,
que resultou no
desaparecimento da Mona
Lisa, de Leonardo Da Vinci.
A NOVA VELHICE
António Simões
176 pg. | 14 (PVP)
Um livro que apela à
valorização da terceira
idade, agora, mais
desenvolvida e detentora
de uma capacidade
superior. Segundo o autor
os idosos são, hoje, mais
saudáveis e instruídos, pelo
que merecem respeito e
reconhecimento.
QUANDO O COMER É UM
INFERNO – CONFISSÕES
DE UMA BULÍMICA
Espido Freire
200 pg. | 16 (PVP)
Um livro que traz à luz do dia
um dos grandes males da
sociedade moderna. A
autora, ela própria bulímica,
denuncia as circunstâncias
que levam milhares de jovens
a enveredar pelos perigosos
caminhos desta doença.
ARTEPLURAL
GUIA DO MOCHILEIRO
António Pedro Nobre
272 pg. |16 (pvp)
Um guia prático que reúne
dados relativos a 30 países
europeus, facultados por
entidades governamentais,
turísticas e responsáveis
60 TempoLivre
Julho/Agosto 2006
pelas linhas-férreas
europeias, com
informações úteis e
sugestões imprescindíveis
para quem gosta de viajar.
CAMPO DAS
LETRAS
EGIPTO EM PORMENOR
Stewart Ross
34 pg. | 16,80 (PVP)
Sentir o esplendor e a
majestade do Antigo Egipto
é a proposta desta obra,
que permite a visita a
alguns dos locais mais
espectaculares do mundo
antigo. Venha descobrir os
pormenores mais íntimos
do trabalho, dos rituais e da
vida no Egipto, além de
encontrar actividades
invulgares e divertidas.
D. JOÃO (O BANQUETE DE
PEDRA)
Molière
132 pg. | 12,60 (PVP)
Com tradução de Nuno
Júdice e encenação de
Ricardo Pais, uma peça que
subiu ao palco no Teatro
Nacional São João (Porto),
em Fevereiro de 2006.
EDITORIAL
PRESENÇA
SETE MULHERES, SETE
HISTÓRIAS
Vários
68 pg. |12,50 (PVP)
Sete histórias de mulheres
como Mercedes Balsemão,
Vera Deslandes Pinto
Basto,Vera Pinto Basto,
Maria João Bordallo, Teresa
Avillez Ereira, Maria Helena
Maia e Maria Teresa Salema
com percursos de vida
díspares, oriundas de
universos sociais e culturais
diferentes, mas que têm em
comum a mesma força de
alma que as impele a
perseguir os seus sonhos e
a depositar uma fé
inabalável nas suas
convicções e capacidades.
O SEGREDO DOS BEATLES
Pedro de Freitas Branco
100 pg. | 10 (PVP)
Um dos crimes mais
inusitados do século,
aquele que, literalmente,
ceifou a vida a António
Lopes, o Tony «guitarra de
fogo» - um afamado
vendedor ambulante da
Feira da Ladra. Os
contornos do homicídio são
rocambolescos: o móbil, um
segredo relacionado com os
Beatles; a arma, um disco
negro de vinil cortado em
forma de foice; os principais
suspeitos, três personagens
absolutamente imperdíveis.
EUROPA AMÉRICA
O SULTÃO E O
CARTÓGRAFO
Tariq Ali
256 pg. | 18,90 (PVP)
A obra tem como pano de
fundo Palermo medieval.Um
romance mítico no qual o
orgulho, a cobiça e a luxúria
se misturam com a
resistência e a grandeza.
SAHARA
Michael Palin
264 pg. |18,98 (PVP)
Um guia essencial e uma
obra de referência para
qualquer viajante. Sahara é o
resultado em palavras de
uma expedição
extraordinária, levada a cabo
no maior deserto do mundo.
TRISTÃO E ISOLDA
Anónimo
192 pg. |17,50 (PVP)
A mais célebre obra da
literatura de cavalaria. Uma
história de traição, intriga,
paixão, luta e coragem, cuja
ressonância ultrapassou
muito o quadro da época
medieval para se projectar
até aos nossos dias,
servindo de inspiração, em
1865, a Richard Wagner, cuja
ópera traduz musicalmente
toda a paixão e o amor
eterno presentes no tema.
KAFKA
Nicholas Murray
408 pg. | 29,90 (PVP)
Uma nova biografia de
Kafka que traça o retrato do
homem por trás das obras e
revela novas facetas do
mestre da modernidade.
A vida de Kafka, marcada
pela angústia interior e não
tanto por incidentes
exteriores, foi tão
extraordinária como as suas
ficções.
GRADIVA
O INFERNO DO
CONDOMÍNIO - Como
sobreviver à vizinhança
Nuno Costa Santos e
João Pedro Gomes
100 pg. | 10 (PVP)
Um guia para condóminos
com conselhos essenciais
para a convivência com
essa espécie estranha e
inclassificável que dá pelo
nome de vizinhança.
LUCERNA/PATRIS
NOSSA SENHORA NA
HISTÓRIA DA NOSSA VIDA
Coord. Mafalda de Mello
e Castro
82 pg. | 12,45 (PVP)
Inclui quinze contos que
abordam as diferenças
culturais na escola, a
integração de crianças com
problemas de
desenvolvimento ou
deficiência, o valor de uma
oração, a necessidade da fé
e a importância do ser aos
olhos de Deus. Destinado
ao público jovem, pais e
educadores.
ROMA EDITORA
deste ensaio de onde
emerge a luta entre as
forças opostas que ora
arrastam para o chão o
autor de A Doença da
Santidade, ora o elevam
para o ponto mais alto, o do
seu mundo idealizado.
O MISTICISMO LAICO DE
MANUEL LARANJEIRA
Anthero Monteiro
225 pg. |15 (PVP)
O fenómeno do misticismo
e a vivência mística de
Manuel Laranjeira,
polémico e fascinante
caminheiro da nossa
literatura (séc. XIX/XX),
aparentemente
contraditórios, são o tema
RANCHOS FOLCLÓRICOS
E BANDAS FILARMÓNICAS
A voz e a alma de Portugal
Lauro Portugal
252 pg. | 40 (PVP)
Uma mostra do folclore e
filarmonia, a nível nacional.
Um livro a cores, de capa
dura, grande formato,
profusamente ilustrado, do
qual fazem parte bandas e
ranchos de todo o país,
incluindo Madeira e Açores.
HOCKEY CLUB DE
SINTRA
GENTE FAMOSA
CONTINUA A DAR
PONTAPÉS NA
GRAMÁTICA
Lauro Portugal
222 pg. | 13 (PV)
Uma incursão pelo terreno
das incorrecções cometidas
contra as leis gramaticais
por notórias
individualidades dos mais
variados quadrantes –
desde políticos, jornalistas,
artistas, advogados,
escritores, professores,
publicitários, etc.
Devidamente anotadas e
catalogadas, o autor
comenta-as e corrige-as.
HOCKEY CLUB DE SINTRA
Sessenta anos ao serviço do
desporto e do concelho de
Sintra
F. Hernínio Santos
461 pg. | 50 (PVP)
Uma monografia do clube
de Hockey de Sintra que
comemorou o seu 50º
aniversário. Contém
informação sobre a
fundação do clube,
estatutos, simbologia e
instalações, bem como
sobre as actividades no
hóquei em patins nacional e
internacional, sócios,
atletas e distinções.
Parque de Jogos 1.º de Maio
Férias Desportivas Verão 2006 Programa de
actividades desportivas para ocupar o tempo livre
das crianças nas férias escolares.
26 a 30 Junho ~ 03 a 07 Julho ~ 10 a 14 Julho
17 a 21 Julho ~ 24 a 28 Julho
Escalões etários: 6-8 anos, 9-11 anos e 12-14 anos.
Jogos pré-desportivos, jogos aquáticos, jogos tradicionais, andebol, atletismo, badminton, basquetebol, futebol, ginástica, judo, mini-golfe, natação,
ténis, ténis de mesa, voleibol e xadrez.
Enquadramento técnico-pedagógico:
professores licenciados e técnicos diplomados.
Inclui seguro de Acidentes Pessoais.
Abertas as Inscrições
Inscrições e Informações:
Parque de Jogos 1º de Maio . Av. Rio de Janeiro, Lisboa
tel. 218 453 470 /71 /72 . fax. 218 473 193
e-mail: [email protected] . www.inatel.pt
Férias
Desportivas
Verão 2006
PARQUE DE JOGOS 1º DE MAIO . tel. 218 453 470 /1 /2 . [email protected] . www.inatel.pt
CLUBE TEMPO LIVRE ROTEIRO
Roteiro Inatel de actividades culturais e desportivas
BRAGA
Julho
ESPECTÁCULOS: dia 8 às
21h30 - Vimarenense
Domingos Oliveira no Gerês
e animação de rua pela
Equipe Espiral de Braga em
S. Torcato; dia 9 às 18h – Gr.
Musical do Centro Social de
Gondar em S. Torcato; dia
22 às 21h30 – Gr. de
Cavaquinhos Estrelas da
Primavera em Moreira de
Cónegos; dia 29 às 22h Conjunto Típico Estrelas de
S. Vicente na Casa do Povo
de Lousado; dia 30 às 16h30
– Gr. Cantares Origens de
Fradelos em Outiz.
FOLCLORE: dia 8 às 18h Festival do Gr. Folcl. de
Nine; dia 8 às 21h - Festival
do Folcl. Gr. Folcl. da Casa
do Povo de Creixomil, do Gr.
Folcl. Etnog. de Lordelo, do
Gr. Infantil e Juvenil de S.
Tiago de Gavião e do R.
Folcl. de Santa Maria de
Adaúfe: dia 16 às 15h Festival do Gr. Folcl. de
Danças e Cantares de
Vermil; dia 22 às 21h Festival do Gr. Folcl. do
Centro Social de Vila Nova
de Sande e do R. Folcl.
Típico de Santa Maria de
Sequeira; dia 29 às 21h Festival do R. Folcl. do C.
Cult. e Recr. de Moreira de
Cónegos; dia 30 às 15h30 –
Gr. Folcl. de S. Torcato em
Oliveira de S. Mateus.
CINEMA: filme “Amor
Amargo” - dia 3 às 16h em
Fermentões; dia 4 às 21h no
Centro de Anim. Termal do
Gerês; dia 5 às 21h em
Cavês; dia 6 às 21h em Sta.
Eulália; dia 7 às 21h em
Moreira de Cónegos; dia 10
às 21h em Lijó; dia 12 às
15h em Cibões; dia 13 às
21h em Esperança; dia 14
às 15h no C.C. Chorense;
dia 18 às 21h em Campelos;
62 TempoLivre
Julho/Agosto 2006
dia 19 às 21h em Milhazes;
dia 20 às 10h em Carvalhal;
dia 24 às 21h em S. Mateus
da Ribeira; dia 25 às 10h
em Carvalheira; dia 26 às
21h em Valdosende; dia 27
às 21h em Balugães, dia 30
às 21h na União Desp.
Bairrense.
Vicente, em Coimbra
FEIRA: dias 1 a 9 – 2ª feira
de Artesanato do Casal da
Misarela.
ATLETISMO: dia 16 às 9h30
– XXI Convívio da Praia da
Leirosa, em Figueira da Foz
PESCA RIO: dia 2, 15 e 16 provas na Barragem da
Aguieira.
Agosto
ESPECTÁCULOS: dia 4 às
21h – Gr. Típico Voz do Povo
em Delães; dia 5 às 22h –
Gr. de Cantares Origens de
Fradelos em Ardegão; dia
14 às 22h – Gr. Musical do
Centro Social de Gondar em
Vermoim; dia 15 às 21h –
Pic Band em Ribas.
FOLCLORE: dia 6 às 16h30 –
Festival do R. Folcl. de S.
Cipriano de Tabuadelo em
Ruivães e às 21h Festival
do R. Folcl. dos Amigos do
Castelo; dia 19 às 18h Festival Gr. Folcl. Infantil e
Juvenil de Escudeiros.
COIMBRA
Agosto
FOLCLORE: dia 12 – Festival
do R. Folcl. Estrelas da
Manhã; dia 12 - Festa de
Andorinha em Travanca de
Lavos; dia 22 - 18º Festival
do Gr. Folcl. Camponeses
de Montessão.
GUARDA
Finais do XXVI Torneio em
Bombarral.
PEDESTRIANISMO: dia 9 às
18h – Passeio integrado no
Festival da Juventude de
Leiria.
ATLETISMO: dias 15 e 16 às
16h – Camp. Nac. de
Atletismo (Pista) no Estádio
Municipal da Marinha
Grande; dia 16 às 10h - 4.º
G. P. de Santiago da Guarda
em Ansião.
Agosto
ANIMAÇÃO: dias 5, 12, 19 e
26 às 21h00 – animação no
Parque de Campismo de S.
Pedro de Moel.
PESCA RIO: dia 13 às 7h00 –
Concurso no Rio Liz em
Monte Real.
Julho
PASSEIO: dia 2 às 07h15 -
Visita à cidade; dia 8 às
7h30 - Visita a Viseu e
arredores (património monumental e ambiental).
LEIRIA
Julho
LISBOA
T E AT R O
DA
TRINDADE
Julho
Sala Principal
1755 O GRANDE TERRAMOTO
FOLCLORE: dia 8 – Festival
Julho
Inter. do R. Folcl. As
Tecedeiras de Moinhos; dia
8 a 15 – Festival Inter. “Folk
Cantanhede” do Gr. Folcl.
Cancioneiro de
Cantanhede; dia 9 – 18º
Enc. Inter. de Coros da
Figueira da Foz; dia 15 17ª Troca de Saberes e
Tradições Pop.do R. Folcl.
Etnog. do Brinca, Festival
do R. Folcl. Rosas de Côja e
19º Festival do Gr. Folcl.
Etnog. da Praia da Leirosa;
dia 23 – Festival do Gr.
Folcl. Malmequeres do
Zambujal; dia 25 –
Reconstituição do “Cortejo
de S. Tomé” em Ançã.
CONCERTO: dia 5 às 21h30 Orquestra Aeminium no
Teatro Académico Gil
FOLCLORE: dia 9 às 17h -
29.º Aniv. da A.C.R.M. de
Silveirinha Grande e Claras.
ANIMAÇÃO: dias 8, 15, 22 e
29 às 21h – Animação cultural no Parque de
Campismo de S. Pedro de
Moel.
FUTSAL: dia 1 às 16h –
meias finais do Camp. Nac.
de Futsal no Pav. Gim. de
Peniche; dia 2 às 10h Camp. Nac. de Futsal, no
Pav. Gim. de Peniche.
XADREZ: dia 2 às 10h –
Torneio Nacional no
Atlético Clube da Sismaria;
dia 16 às 14h30 – Torneio
de S. Martinho do Porto; dia
23 às 14h30 – Torneio na
Casa do Povo de Bombarral.
CHINQUILHO: dia 9 às 10h -
- até ao dia 29
Sala Estúdio
JACQUES E O SEU AMO
de 5 a 30
O MEU PÉ DE LARANJA LIMA
de 8 a 30
Teatro Bar:
CENAS DE UM CASAMENTO
de 6 a 15
PORTO
de Im Kwon Taek, na Arca
d’Água.
Julho
Agosto
EXPOSIÇÕES: Até ao dia 17:
CINEMA: horário 22h - dia 4
Colectiva de Tapeçarias &
Bordados dos alunos da
Academia Jorge de Sena.
Visita: dia 22: Passeio Feira
Medieval em Óbidos.
FOLCLORE: dia 8 - Festival
do R. Reg. Mindelo; dia 22 –
Festival Folcl. Nac. “Areal
2006” pela Assoc. Recr.
Areal; dia 24 a 30 - Festival
Intern. Cidade do Porto; dia
29 - Festival Assoc. Cult.
Desp. Mindelo; dias 29 e 30
- VII Festival Nac. Assoc.
Cult. Rancho S. Martinho de
Guilhabreu.
CINEMA: horário 22h - dia 7
“O Quarto do Filho” de
Nanni Moretti, em P. Hab.
Bouça; dia 8 “O Emprego do
Tempo” de Laurent Cantet,
na Via Catarina; dia 14 “Um
Filme Falado” de Manoel de
Oliveira, no Forte S. João da
Foz; dia 15 “Segunda de
Manhã” de Otar Iosseliani,
na Igreja dos Grilos; dia 21
“Às Segundas ao Sol” de
Fernando L. Aranoa, no
Mercado da Ribeira; dia 22
“De Tanto Bater o Meu
Coração Parou” de Jacques
Audiard, no Palácio de
Cristal; dia 28 “Mar
Adentro” de Alejandro
Aménabar, no Castelo do
Queijo; dia 29 “Embriagado
de Mulheres e de Pintura”
“O Gosto dos Outros” de
Agnès Jaoui, na Casa das
Artes; dia 5 “O Sabor da
Cereja” de Abbas
Kiarostami, na Quinta do
Covêlo.
FOLCLORE: dia 5 – Encontro
Nac. Assoc. Cult. Rec. “Os
Fontineiros da Maia”; dia 12
- Festival Intern. Grupo
Folcl. Vila Chã.
SANTARÉM
15 às 21h30 - R. Folcl. “Os
Camponeses de Malpique”,
em Arreciadas na Assoc.
Desp. e Cult. de Arreciadas
e R. Folcl. de Alviobeira, em
Fátima; dia 22 às 21h30 - R.
Folcl. “Os Campinos” da
Azinhaga, nas festas de
Linhaceira e R. Folcl.
Atalaiense, em Atalaia; dia
23 às 20h – R. Folcl. de
Alviobeira no Valdonas; dia
30 às 16h - R. Folcl. da
Atalaia em Malaqueijo; dia
30 às 20h – R.Folcl. da Casa
do Povo do Tramagal, na
Água Travessa Futebol
Clube.
SETÚBAL
Julho
MUSICA: dia 8 às 16h e 21h
– Gr. “Cantares da
Charneca” em Vale de
Figueira e Alpiarça, respectivamente, pelas 23h – Gr.
Musical “Prata da Casa”
em Mouriscas; dia 22 às
21h30 - Banda da Assoc.
dos BV de V.N. da
Barquinha na festa de Vila
Nova da Barquinha; dia 23 Banda Filarm. da Vila da
Marmeleira, no Centro Recr.
e Cult. de Assentiz; dia 28
às 21h30 – Gr. “Cantares da
Charneca” na festa de
Alcanhões.
FOLCLORE: dia 9 às 22h Gr. Folcl. e Etnog. de
Bemposta, na Soc. Recr. e
Musical de Bemposta; dia
Julho
BAILE: dia 28 às 14h – animação Sénior na Delegação.
FOLCLORE: dia 29 às 21h30
- Festival Reg. no Lavradio,
VIANA DO CASTELO
Vale; dia 31 às 16h - Parelha
de palhaços do Gr. de
Teatro “Unhas do Diabo no
”Festival da Criança” em
Vila de Punhe.
PEDRESTRIANISMO: dia 15
às 9h - “Trilho das Pontes”
em Monção
VILA REAL
Julho
MUSICA: dia 2 às 15h Banda de Musica de
Vilarandelo em Boucouais;
dia 8 às 21h30 – Gr. Etnog.
Fisgas de Ermelo na Praia
Fluvial do Rio Teixeira em
Mesão Frio.
CARROS DE PAU: dias 2 e 16
– 1ª Taça (1ª e 2ª mão)
Btt: dia 7 – Passeio
Nocturno
JOGOS POPULARES: dia 7 –
X Jogos Populares LusoGalaicos
VISEU
Julho
FOLCLORE: dia 29 - R. das
Julho
Lavradeiras de S. Martinho
da Gandra em Ponte de
Lima; dia 30 às 15h30 Festival do Gr. Cult. Rec.
dos Lavradores do Paço do
Lima .
TEATRO: dia 30 - Gr. de
Teatro de Chafé no CCD R.
Folcl. Lavrad. São Pedro do
TIRO AO ALVO: dia 15 às 14h
- prova na Ass. Cult. Desp.
de Santiago
MALHA: dia 2 às 15h30 Torneio Reg. no CCD
Courinha em Castro Daire
ATLETISMO: dia 2 às 9h –
XIII GP Santos Populares
em Parada
A CHEFE SUGERE |JUDITE ALMEIDA | INATEL SERRA DA ESTRELA
Bacalhau à Hotel
Esta receita tem por base o bacalhau, um dos
alimentos mais utilizados na culinária Portuguesa.
O método culinário escolhido pela chefe de
cozinha deste Centro de Férias é a fritura, que em
conjunto com o molho, lhe dá um sabor intenso e
bastante apreciado pelos visitantes. O molho,
confeccionado com a adição de sopas instantâneas
e de natas, confere-lhe um valor calórico bastante
elevado. Recomenda-se pois que experimente
utilizar natas com reduzido teor em gordura
(“light”) ou substituir por molho bechamel. Ainda
como alternativa, dê “asas à sua imaginação” e
tente elaborar a sua própria receita caseira, pela
substituição das sopas por outros condimentos,
ervas e especiarias ao seu gosto. Quanto à
confecção do bacalhau poderá eventualmente
tentar cozê-lo e regar com o molho preparado.
Recomenda-se que na vida diária este tipo de
pratos “mais calóricos” seja consumido com
alguma moderação e sempre acompanhado por
saladas ou hortícolas cozidos.
INGREDIENTES PARA 4 PESSOAS: 600g de
bacalhau frito, 1,2 kg de cebolas, 61 g de sopa de
64 TempoLivre
Julho/Agosto 2006
cebola (em pó), 20g de sopa de peixe (em pó), 12g
de sopa de rabo de boi (em pó), 400ml de natas, 12
dl de azeite, farinha q.b., óleo q.b.
MODO DE PREPARAÇÃO DO MOLHO: Refoga-se a
cebola no azeite, misturando com os 3 tipos de
sopas e as natas. Deixa-se ferver e mexe-se.
PREPARAÇÃO DO BACALHAU: Passa-se o
bacalhau por farinha e frita-se em óleo. Em
seguida, coloca-se no tabuleiro com o molho e
leva-se ao forno. Acompanha com batata frita às
rodelas e salada.
COMPOSIÇÃO NUTRICIONAL POR PESSOA:
• 37,0g de proteínas; • 43,2g de gordura; • 41,2g
de hidratos de carbono; • 3,9g de fibra; • 689,8Kcal
INFORMAÇÕES E RESERVAS:
INATEL SERRA DA ESTRELA
Apartado 17, 6260-012 Manteigas
Tel: 275 980300 - Fax: 275 980340
Email: [email protected]
MARIA ALICE VILA FABIÃO | O TEMPO E AS PALAVRAS
O importante é a rosa
Adão e Eva. / A serpente / Partiu o espelho / Em mil pedaços. /E a pedra / Foi a maçã.
Fedrico Garcia Lorca, INITIUM, in: Poemas soltos, Obras Completas.1. Trad. de MAVF
Veste-se de fogo, a cidade. Há muito já que tinha
esquecido como pode ser sufocante o calor longe do
mar. Por toda a parte, imagens de sede dançam na
ondulação do revérbero do asfalto ressequido. O ar
espesso torna difícil a respiração. Um pouco dormente, a
memória vai repetindo palavras lidas e relidas nos
bancos da Faculdade: “Ó Vento Oeste, que saudades
tenho das tuas asas húmidas!”
Como os jacarandás sedentos que ponteiam a cidade de
lilás, sonho com chuva, com aquela chuva que só cai em
Agosto e faz a terra molhada cheirar a mundo recémcriado, aspiro-lhe o cheiro à distância de dois meses,
quase a sinto correr sobre a pele sôfrega de frescura.
A sala de espera está cheia, povoada de sussurros, de
ocasionais silêncios, de vozes que se entrecruzam,
dominadas pelo som da televisão. Na semi-penumbra,
há palavras que se tornam palpáveis, como se fizessem
parte do mobiliário (doente, remédio, médico,
operação…) e se organizam em complicadíssimos
relatos da história íntima da saúde de famílias alargadas,
que incluem amigos, amigos dos amigos e conhecidos
de várias gerações. Fornecem-se gratuitamente
pareceres sobre doenças, médicos e medicamentos e
informações minuciosas sobre os movimentos das
respectivas vísceras menos nobres. A falta de pudor dos
Portugueses quando se trata a sua situação hígida
transforma a sala de espera de um consultório médico
português (sobretudo se de um grupo multidisciplinar
de médicos) numa verdadeira universidade da vida,
com especialização no campo da saúde e dos perigos
que a ameaçam.
Desinteressada dos negócios-de-milhões-via-telemóvel
do vizinho da direita, procuro ausência nos jornais
espalhados na mesa de leitura. “Marcha lenta para exigir
melhores cuidados de saúde”; “Encerramento de
serviços de obstetrícia”; “Doentes crónicos – pouca
qualidade de vida”…
Subitamente, o mundo entra num alucinante
movimento de rotação e translação simultâneos, uma
espécie de síndrome vertiginoso, em que, como o país,
perdemos o pé, perdemos a cabeça, e a náusea nos faz
rezar a todos os santos da nossa descrença.
“Cuidados de saúde”, “qualidade de vida” e “serviços de
obstetrícia” são conceitos relativamente recentes. Mais
recente, porém, é o direito de protestarmos pela sua
ausência.
Em movimento de fuga, tento uma digressão pela
história da medicina no tempo em que esses conceitos
não existiam – nem, consequentemente, as suas
designações, que actualmente fazem parte do nosso
léxico do cotio.
Em Maio de 2006, a população mundial é estimada em
6.800.000.000 de seres humanos. Quem associa esse
número ao sofrimento da mulher?
O cristão medieval considera a gravidez e o parto
resultantes de um pecado carnal que, segundo o Livro
do Génesis, a mulher, e só ela, deve expiar pela dor.
Nessa “época de fé”, a mortalidade da mãe e do filho
durante o parto atinge números jamais atingidos
anteriormente. A única preocupação é baptizar a
criança, o que justifica, então, a tortura e morte da mãe e
do filho. A parturiente não tem direito a ajuda médica,
não só porque a moral sexual da época o proíbe, mas
porque um médico considera a sua intervenção num
parto indigno da sua profissão. O Dr. Wert, de
Hamburgo, que em 1522 se veste de mulher para
participar num parto difícil, paga esse “crime” com a
morte na fogueira. Não há então assepsia, não há
anestesia – mas, indiferente ao sofrimento e morte da
mãe, a Igreja advoga a realização de cesarianas – para
salvar a alma do filho.
A origem do termo “cesariana” é, durante muito tempo,
explicada pela crença de que Júlio César nasceu por esse
processo. Nesse tempo, porém, a operação não se
realizava em mulheres vivas – e a mãe de César
sobreviveu muitos anos à pretensa cesariana. Mais
provável é que o termo tenha uma origem mais antiga.
Em 715 aC, Numa Pompílio, sucessor de Rómulo e
segundo dos sete reis de Roma, codifica a lei romana,
sob o nome de LEX REGIA, estabelecendo a extracção
do filho de qualquer mãe que morresse em avançado
estado de gravidez, para mãe e filho serem sepultados
separadamente. A LEX REGIA passa a ser, no tempo dos
imperadores, LEX CESARE, lei dos Césares, e a
operação “CESARIANA”.
Para quê serviços de obstetrícia? Por que não confiar os
cuidados de saúde do País a quem, na televisão, garante
a cura de todos os males? No fim de contas, segundo as
imagens, também para eles, “L’important c’est la
rose…”** I
** Gilbert Bécaud.
Nota – O título da crónica de Junho tem uma gralha importante.
Deveria estar “História pregressa de um gato - História PERVERSA
de uns homens”, e não pregressa.
Julho/Agosto 2006
TempoLivre 65
CRÓNICA|ÁLVARO BELO MARQUES
Um cão chamado saudade
Quando fomos para o quintal naquela manhã, o cão saltou de contente e lambeu-nos as mãos. Nunca nos
tínhamos visto. Chamámos pela mãe e ela viu o bicho, disse que ainda era novinho, que estava bem tratado
e acrescentou: - Deve ter vindo com o vosso pai. Os boémios e os cães dão-se bem.
RESOLVIDA A ORIGEM, tratámos de lhe arranjar
um nome. Vários foram ditos mas, quando a mãe
referiu que o bicho era um fox-terrier, ele levantou a
cabeça. Tentámos mais vezes e ele reagia sempre à
palavra Fox. Ficou Fox.
Resolvidos a origem e o nome, havia que resolver a
co-habitação com dois gatos residentes: o Dom Fuas
Roupinho e o Espadinha até à última. Este, de aspecto
asqueroso, cheio de pinceladas de amarelo no corpo e
com os pêlos do rabo cortados como um raio celeste,
terminando em ponta de cauda de diabo, uma
ignomínia efectuada por um dos rapazes. Éramos
três, com uma menina mais velha a comandar-nos.
Os gatos residentes, bem novinhos também, fizeram a
sua parte encarquilhando a espinha eriçada e
bufando. O Fox riu-se para eles bem-disposto.
Passados poucos dias já os gatos dormiam em cima
dele sem qualquer respeito.
O Fox, como todo o mundo, tinha coisas boas e coisas
divertidas. As boas eram as suas maneiras, gostar de
nós, ir connosco para a praia, brincar connosco ao “faz
de conta que te agarro o rabo”; as divertidas eram as
cenas dele a correr atrás dos gatos da vizinhança,
ladrando furioso e depois regressar olhando para nós
e dizendo: “Vêem como defendo o quartel?” Outra
curiosidade do Fox: quando ia com a mãe às compras,
não se sentava no chão, fosse ele de que matéria fosse:
mármore, alcatrão, madeira. Nenhum era
suficientemente nobre para acolher o seu rabo.
Entrava em qualquer loja com a mãe e procurava
imediatamente um papel, um bilhete de eléctrico, o
que fosse, para se sentar. Um dia, no talho, não
encontrando nada para o efeito, sentou-se na biqueira
do sapato da mãe. Um cão divertido.
Aos sábados, domingos e feriados, íamos todos com o
Fox para a praia da Polana. Tomávamos banho na
área protegida contra os tubarões e às vezes os meus
irmãos nadavam para a prancha de saltos, montada
numa jangada, com o Fox atrás. Ainda estou para
saber por que razão não batiam todos os recordes em
todos os estilos, pois o Fox a nadar, em sua
perseguição, arranhava as costas que tinha à sua
frente. A mais velha, a menina, tinha as costas dignas
66 TempoLivre
Julho/Agosto 2006
de figuração em qualquer filme de romanos contra os
cristãos. Um dia ela fez-lhe uma partida: saltou da
prancha e, submersa, nadou para a traseira da
jangada. O Fox corria de um lado para o outro,
olhando o mar, ladrando e ganindo aflito. Pobre bicho
preocupado.
No regresso da praia, cheios de fome e sede,
fazíamos, por hábito, escala no “Paraíso” uma quinta
abandonada com várias laranjeiras enxertadas em
limoeiros. O Fox via-nos a comer limão e também
queria. Dávamos-lhe pequenos pedaços que ele
enrolava na boca, desgostoso, olhando para nós numa
aflição, mas mesmo assim engolindo-os. Valente cão.
E um dia aconteceu o inimaginável: o Fox tinha
desaparecido. Corremos os arredores, perguntámos.
Ninguém vira. Ninguém sabia. Nem o dono da
mercearia. Percebemos que sofria por ter perdido o
seu melhor cliente. À porta da loja prantava-se uma
lata grande com azeite e chouriços e ele punha
sempre alguns na conta da mãe dizendo ter sido o
Fox a roubá-los.
Passaram-se dois dias e nada de Fox, para nosso
desespero e também para desgosto do Dom Fuas e do
Espadinha. Até que telefonou uma senhora à mãe
dizendo que o Fox estava em sua casa, que era afinal a
casa do Fox, aliás Peludo. A senhora era casada mas
não tinha filhos. Contou que, quando o cão lhe
desapareceu, ela e o marido foram perguntando até
que descobriram onde aquele figurão se aboletara.
Perceberam também que tratávamos bem do bicho e
que ele era feliz com as crianças. Disse à mãe que,
assim como ele fora à sua antiga casa, o mais certo
seria qualquer dia regressar à nossa, para matar
saudades dos meninos. E assim foi. Quase passou a
rotina: quando lhe dava a saudade, vinha Fox por três
meses para o pé de nós. Depois, quatro ou cinco meses
vividos, chamava-se Peludo e ia viver com os antigos e
verdadeiros donos. Quando a mãe nos dizia de
manhã, “Há uma surpresa agradável para vocês”, já
sabíamos. Íamos a gritar por ele até lá fora e sujávamonos todos nas brincadeiras de rebolar no chão.
Neste momento, o cão não se chama Fox nem Peludo.
Apenas saudade. I
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N.º 173 - Julho/Agosto 2006 - 2,00 euros