[campus]
Raio-X da Universidade
de Évora, a segunda
instituição de ensino
mais antiga do País.
P. 8
[zoom]
[acontece]
[ganha!!]
Professores receiam
avalancha de
despedimentos
e reclamam garantias.
P. 10/11
Entrevista com Joan as
Police Woman, a aquecer
o ambiente para o
concerto de logo à noite.
P. 13
Habituado a
bilhetes à borla?
Já sabes que
o MU não falha!
P. 2/12/13
MÓNICA MOITAS
Director: Gonçalo Sousa Uva | Segunda-feira, 30 de Outubro de 2006 | N.º 47 | SEMANAL | distribuição gratuita | www.mundouniversitario.pt
Nuno Lopes
Na ressaca de
Alice
MÓNICA MOITAS
À conversa com o protagonista de Alice,
a longa-metragem portuguesa candidata
à nomeação para Melhor Filme Estrangeiro
dos Óscares 2007. Ainda em exibição
no Quarteto, em Lisboa.
Momentos altos do concerto de MUSE, na passada quinta-feira. A entrevista imperdível em WWW.MUNDOUNIVERSITARIO.PT
2|
30 OUTUBRO 2006
Programa europeu Roots & Routes chega a Portugal
Editorial
Queres receber formação grátis?
A menina
fala português?
Na Holanda, o Roots & Routes, programa
financiado pela União Europeia, já existe há cinco
anos. Este ano, expande-se para mais sete países
europeus e Portugal está na lista. Abre-se assim
a possibilidade de seleccionar jovens entre
os 18 e os 35 anos e dar-lhes formação.
Cultura urbana é o mote.
| POR RAQUEL LOUÇÃ SILVA | [email protected] |
Há cinco anos, uma associação holandesa começou a pôr
em prática um projecto financiado por fundos europeus: promover workshops e master classes destinadas a jovens nas
áreas de media, música e dança. O conceito do Roots &
Routes tem sido um sucesso e 2006 é o ano em que dá o
salto a caminho da internacionalização. Em Portugal, cabe à
associação cultural Journeys pôr a máquina a mexer.
Miguel Bello, fundador da Journeys há uma dezena de
anos, esclarece: «o objectivo deste programa é ajudar pessoas que já tenham algum know-how e que estejam a precisar de um upgrade.» Para um colectivo que começou ainda
nos tempos de faculdade «ligado à música electrónica/
urbana», garante, «estava na altura de ir além da organização de eventos e festas e virarmo-nos mais para a formação». É que saber de cultura urbana tem mais do que se lhe
diga «do que simplesmente fazer o “yo” do hip- hop».
| Como concorrer |
Até 10 de Novembro, estão abertas as candidaturas para o
workshop de media e até 20 para os de música e dança,
pelo que se aconselha que os interessados vão a www.rootsenroutes.net, onde encontram informação pormenorizada
sobre os procedimentos a tomar.
Ganha!!
Inscrição feita, vêm as audições, das quais só são apuradas mais ou menos quinze candidatos de cada área. E
depois a parte melhor. Para além de receberem formação
de nomes reconhecidos nas respectivas áreas, os seleccionados vão poder mostrar o que aprenderam em actuações ao vivo na capital lá para Dezembro. Para tal, «estamos a construir de raiz um festival de cultura urbana em
Lisboa (que vai ter os formandos bem como pessoas de
renome)», adianta Miguel Bello. Depois, para o ano, os
seleccionados desta edição vão ainda ter oportunidade
de ir a um workshop europeu onde estão os seleccionados de todos os países e onde também vão fazer actuações ao vivo. Um programa, uma oportunidade.
Novo capítulo do plano tecnológico
O MU tem 4 convites duplos para
URSULA 1000 + THUNDERBALL, dia 03
de Novembro, no Clube Mercado, às 23h.
Para concorreres responde à seguinte
pergunta:
Qual o nome do último álbum de
Ursula 1000?
Envia a resposta com o teu nome e BI
para [email protected],
até às 13 horas do dia 03 de Novembro.
Os vencedores serão notificados
por e-mail e a listagem publicada em
http://mundouniversitário.blogspot.com.
Para mais informações, consulta
http://www.mundouniversitario.pt.
Ganha!!
Depois de celebrado o acordo com
o MIT e a Universidade de Austin, no
dia 27 foi assinado, em Aveiro, o programa de parceria que estabelece a
colaboração entre o Estado português e a universidade norte-americana Carnegie Mellon (considerada
uma das melhores escolas nas
áreas da Informação e Gestão de
Tecologia).
O acordo prevê a realização de programas de formação avançada e que
as instituições de ensino nacionais
implicadas contratem professores e
investigadores convidados para,
durante os próximos cinco anos, trabalharem com equipas da Carnegie
Mellon. Centrado nas Tecnologias de
Informação e Comunicação, a colaboração faz parte do Plano Tecnológico gizado pelo Governo e implica a
Faculdade de Ciências e Tecnologia
da Universidade de Coimbra, as Universidades de Lisboa, Aveiro, Algarve,
Beira Interior, Católica e Nova de
Lisboa e os Institutos Superior Técnico, Politécnico do Porto e de Soldadura e Qualidade. RLS
O MU tem 4 convites duplos para FAT
FREDDY, dia 02 de Novembro, no Clube
Mercado, às 23h. Para concorreres responde à seguinte pergunta:
Qual a nacionalidade dos FAT FREDDY?
Envia a resposta com o teu nome e BI
para [email protected],
até às 13 horas do dia 02 de Novembro.
Os vencedores serão notificados
por e-mail e a listagem publicada em
http://mundouniversitário.blogspot.com.
Para mais informações, consulta
http://www.mundouniversitario.pt.
Recentemente, o meu núcleo de
amizades ficou mais rico. Juntaram-se duas ilustres convidadas: uma
vinda de Paris e outra de Lausanne. Em comum, o facto de serem filhas de emigrantes portugueses em
França e Suíça, respectivamente, e
de, depois de terem feito toda a sua
formação em Sistemas Educativos
diferentes do nosso, estarem há
escassos anos a viver em Portugal.
Aventuraram-se de canudo na
mão e vieram conhecer melhor
aquele que consideram verdadeiramente o seu país. Já por cá
compraram casa, arranjaram
emprego, fizeram amizades e até
se apaixonaram.
«Mas você fala português?», perguntavam-lhes recorrentemente
durante o meio ano em que batalharam por emprego. «Sim, sim,
falávamos em casa e tivemos
aulas através do consulado» imagino-as a repetir já cansadas de
tanta dúvida.
Falo delas porque na passada
quinta-feira o Alto Comissariado
para a Imigração e Minorias Étnicas (ACIME) realizou uma conferência sobre A Integração dos
Descendentes de Imigrantes no
Sistema Educativo Português. Mais
que pertinente, o debate da questão. Contudo, fez-me pensar que
nunca se fala da também pouco
fácil integração de filho de emigrante no mercado de trabalho nacional.
Uma é licenciada em Ciências
Sociais, a outra em Línguas (inglês
e alemão) e o mestrado também
consta no currículo de ambas.
«Onde é que tirou o curso?» «Lá
fora!» Mas o entusiasmo da resposta não coincidia com a expressão
facial de quem a recebia.
Já assisti algumas vezes às discussões sobre os porquês desta
desconfiança e elas chegam sempre à mesma conclusão: «em Portugal, mais do que as tuas habilitações, o que interessa é o
estabelecimento de ensino onde
tiraste o curso...mas lá por não
conhecerem o meu não quer dizer
que eu não tenha capacidades,
não é?». É nestas coisas que
Bolonha pode fazer a diferença,
ponho-me cá a pensar.
Raquel Louçã Silva
Chefe de Redacção
[email protected]
Ficha Técnica: Título registado no I.C.S. sob o n.º 124469 | Propriedade: Moving Media Publicações Lda | Empresa n.º 223575 | Matrícula n.º 10138 da C.R.C. de Lisboa | NIPC 507159861 | Conselho de Gerência: António Stilwell Zilhão; Francisco Pinto Barbosa; Gonçalo Sousa Uva | Gestor de projecto:
Nuno Félix | Chefe de Redacção: Raquel Louçã Silva | Redacção: Diogo Torgal Ferreira, Lina Manso | Colaboradores: Geraldes Lino, Manuel Arnaut Martins, Mariana Seruya Cabral, Miguel Aragão, Mónica Moitas (fotografia) | Revisão: Piedade Góis | Projecto Gráfico: Sara del Rio | Paginação: Sónia
Santos | Marketing: Ricardo Martins | Sede Redacção: Estrada da Outurela n.º 118 Parque Holanda Edifício Holanda 2790-114 Carnaxide | Tel: 21 416 92 10 | Fax: 21 416 92 27 | Tiragem: 34 000 | Periodicidade: semanal | Distribuição: Gratuita | Impressão: Grafedisport; Morada: Casal Sta. Leopoldina –
Queluz de Baixo 2745 Barcarena; ISSN 1646−1649.
[ radar ]
PUB
4
30 OUTUBRO 2006
[ poder à palavra ]
VIDA MALVADA Vox pop
Existe uma cultura do álcool entre os estudantes do ensino superior
em Portugal?
DIÁRIO DE UM ESTUDANTE
MANUEL CORREIA
(Soneca – um dos sete anões)
5.ª ano de Psicologia
Instituto Superior de Psicologia
Aplicada (ISPA) de Lisboa
O novo programa da regressada
Maria Elisa de que se tem vindo a
falar tanto, Os Grandes Portugueses, parece-me, acima de tudo, um
desperdiçar de uma grande oportunidade.
Primeiro, é mais do que óbvio (gritante mesmo) que o vencedor do
programa só pode ser um. Acho
difícil escapar ao (D)Eusébio como
o grande português de entre todos
os grandes portugueses. Não há
hipótese... nem que seja devido
àquela exibição contra a Coreia do
Norte em 66. Em segundo lugar,
acredito que o formato do programa poderia ter muito mais utilidade
se a procura fosse, não dos lusos
que mais tenham contribuído para
o progresso e bem-estar da nação,
mas sim os portugueses que mais
contribuíram para o estado em que
tudo isto esse encontra.
Já tenho ouvido por aí (imprensa e
blogosfera) alguns boatos de iniciativas nesse sentido. Ainda bem que
assim é. Com efeito, seria muito
mais pertinente saber quem são
para os portugueses os “Os Piores
Portugueses”. Afinal de contas,
quem foram ou são os grandes
enterras deste País que parecia
prometer tanto? D. Sebastião?
Pedro Santana Lopes? Carlos
Secretário? Souto Moura? Oliveira
Salazar? Como se pode ver, escolhas é o que não faltam.
Num País em que a culpa morre
cronicamente solteira, seria no
mínimo interessante saber entre
que personalidades os portugueses do novo milénio apontariam o
dedo. País que não se olhe ao
espelho criticamente não está no
bom caminho.
Gustavo Serra
[email protected]
http://vidamalvadadiariodeumestudante.blogspot.com
NUNO REIS
(Zé Povinho)
3.º ano de Filosofia
Universidade da Beira Interior
Acima de tudo, é uma questão de cultura portuguesa. Julgo que os rituais de
iniciação, envolvendo o álcool não acontecem apenas nas latadas e afins: prolongam-se noutras situações de vida
(exemplo de despedidas de solteiro,
etc.). Contudo, é certo que o meio académico propicia o consumo.
ANA SOARES
(Branca de Neve)
4.º ano de Direito
Universidade Nova de Lisboa
Acho que o problema começa
antes do ensino superior, mas não
há dúvida de que muitos negócios
da noite sobrevivem à custa da
vida académica (sobretudo em
alturas como a latada). Outro fenómeno preocupante é o patrocínio
das semanas académicas por
marcas de cervejas.
Na minha faculdade, não sinto
muito isso e diria que prevalece o
divertimento sem excessos. Mas
estando em Lisboa observo que
na altura das praxes e da queima
se sente mais esse ambiente de
consumismo.
Ana Soares, Artemiza Almada, Catarina Lemos, Cláudia Vaz, Helena Esteves
Fachada degradada de Bolonha
Dizem que os jovens são o futuro…
Mas que futuro nos possibilitam?
Bolonha entrou nas nossas vidas, qual
convidado inesperado, e desde então
as nossas legítimas expectativas foram
roubadas. Legítimas expectativas porque entrámos para uma faculdade
pública de qualidade reconhecida, com
média superior a 17 e para um curso
estruturado para 5 anos.
De repente, tudo mudou! Já no quarto
ano, fomos informados (e informação
aqui é eufemismo) de que estávamos
condenados a um curso reduzido, tudo
indica que em nome de dúbias estatísticas a apresentar pela Universidade e
pelo Ministério do Ensino Superior. Será
como números que Portugal deve tratar
os seus jovens?!
Bolonha passou a ser palavra de ordem,
sem preocupação se a qualidade dos
cursos e o futuro dos inúmeros jovens
eram postos em causa, em nome de
uma conformidade europeia que assim
estruturada será apenas aparente. A
fachada degradada de Bolonha convive com a incerteza de inúmeros jovens,
que, ouvindo diariamente um discurso
de necessidade de produtividade, vêem
o futuro ser-lhes delapidado.
Não pedimos facilidades no ensino:
apenas que nos seja dada a possibili-
dade de concluir o curso em cinco anos,
para o qual entrámos e no qual temos
vindo a trabalhar, pois é possível haver
uma concordância prática entre o regime agora existente e Bolonha, definindo-se um regime transitório que agora
nos é negado.
Somos alunas do quarto ano da Faculdade de Direito da Universidade Nova
de Lisboa, onde nos ensinam que não
é lícito nem goza de boa-fé quem altera as regras uma vez acordadas, levando à frustração de legítimas expectativas. Isso é o que nos ensinam, isso
aprendemos, não é isso que vivemos
na Faculdade.
poder [email protected]
Ataca ou contra-ataca! Envia a tua opinião sobre o que te apetecer. Nós publicamos!
Não te esqueças de enviar:
> artigo até 1500 caracteres
> fotografia tipo-passe
> nome da faculdade onde estudas
PUB
6|
30 OUTUBRO 2006
[ vinte valores ]
Nuno Lopes
Um homem
e o seu
ofício
É um daqueles casos em que não havia volta a dar. O seu destino
era ser actor e a vontade dos deuses foi cumprida. Depois da
brilhante interpretação no Alice, candidato português aos
Óscares 07, com apenas 27 anos, o tímido Nuno Lopes parece
ter atingido o tão almejado sucesso numa profissão que deixa
a maioria pelo caminho. Aliás, é esse o seu grande medo: ter
chegado cedo de mais ao top.
| POR DIOGO TORGAL FERREIRA | [email protected] |
| FOTOS| MÓNICA MOITAS
Quando nasce a tua paixão pela representação?
Foi quando eu tinha uns 15 anos. Por
causa da minha timidez, sentia que tinha
de arranjar alguma forma de comunicação
com as pessoas. Comecei por pensar na
pintura mas, como não tinha jeito, deixei a
opção de lado. Depois veio a guitarra e o
envolvimento numa banda. Era péssimo
compositor, mas percebi que ao vivo conseguia uma boa interacção com o público.
Depois fui a um sarau de ballet em que a
minha irmã participava, onde também
estava um grupo de alunos do António Feio
«
a apresentar um sketch. Vi aquilo e pensei logo que podia ser engraçado experimentar. Inscrevi-me nas aulas dele e compreendi que era aquilo que queria fazer, ou
seja, nos meus últimos três anos de escola já sabia que era teatro que queria fazer.
Nessa altura, enquanto todos os meus
colegas estavam preocupados com as
médias de entrada nos cursos, eu andava
descontraído porque no Conservatório
isso não tinha importância nenhuma.
Como foi a aceitação dessa decisão em
tua casa?
Foi boa. Claro que houve alguma preocupação, até porque os meus pais preferiam que eu tirasse um curso e só depois
experimentar teatro. Eu disse que não e
concorri só para o Conservatório, onde
acabei por entrar. Sem ser essa preocupação bem natural, sempre me apoiaram
imenso e foram espectadores das coisas
que eu ia fazendo desde o início. Cedo
perceberam que eu tinha alguma inclinação para aquilo.
Como te correu o curso no conservatório?
Eu gostei muito do curso, mas o Conservatório sempre teve um problema: não te
permite trabalhar profissionalmente durante o curso. Como eu comecei a trabalhar
no Teatro da Cornucópia ao mesmo tempo
que estava no curso, eles acabaram por
me chumbar por faltas. O que realmente
me interessava eram as aulas práticas, até
porque as teóricas tu podes sempre compensar estudando por ti próprio. Estive por
lá cinco anos sem terminar o curso, mas
toda a experiência que obtive foi muito
importante para mim.
Comecei um regime de dormir apenas cerca de
3 a 4 horas por dia e comecei uma dieta de maçãs
e galões que me fez emagrecer 10 quilos
Como foram esses tempos na Cornucópia?
Foi a minha verdadeira escola... foi onde
aprendi a representar. O Conservatório
deu-me noções técnicas e proporcionou-me experiências muito diferentes, mas
foi na Cornucópia que aprendi a pegar
num texto e a criar uma personagem.
Ainda hoje é a minha casa.
O teu primeiro trabalho mais mediático foi no Programa da Maria. Como
surge essa oportunidade?
Eu já tinha feito umas coisas na Cornucópia com teor mais cómico. A Ana Bola
tinha ajudado nos ensaios de um desses
espectáculos e, depois de me conhecer,
convidou-me para participar num episódio do Sra. Ministra. Depois disso, por
entre várias portas, chamaram-me para
um casting do Programa da Maria e eu
ganhei o lugar. Aliás, a minha carreira
tem passado muito por castings... quase
tudo o que fiz foi por esse meio, coisa
que até me deixa orgulhoso.
Depois do salto que dás com o Herman José, como foste parar ao Brasil
e à Globo?
Mais uma vez, foi através de casting.
Eles queriam mesmo um actor português para a personagem do Murruga e,
mais uma vez, tive a felicidade de conseguir o papel. Estive no Brasil um ano
a fazer a novela e uma curta-metragem.
«
30 OUTUBRO
DE
2006
|7
[ vinte valores ]
Achas que ajudaste a melhorar a imagem menos lisonjeira que os brasileiros possam ter dos portuguesas?
Esse foi o meu maior orgulho ao ter participado na Esperança. Nem foi só por
minha causa. A própria personagem foi
criada de uma maneira que nunca se
tinha feito em relação a personagens
portuguesas. Era um herói romântico,
milionário, cheio de carácter... mais do
que o meu trabalho de actor, acho que a
própria personagem foi muito relevante
para isso.
Com certeza tens noção que és um
sex symbol por lá. Com a tua timidez,
como lidaste com isso?
Foi muito complicado... nada fácil. Aliás,
foi tão difícil que nunca mais fiz televisão
desde essa época. Hoje, até é uma coisa
que evito. Se a maior parte dos actores
procuram fama, eu posso dizer que já
estive lá e num grau que em Portugal é
impossível chegar. Até de guarda-costas
tive de andar. Foi a única coisa má da
minha experiência no Brasil. Houve uma
altura em que nem sequer podia sair à
rua. Quando regressei cheguei mesmo
a pensar deixar de ser actor... se aquilo
era o auge, eu não queria ter nada a ver
com o assunto.
Com a Esperança aparece um Nuno
Lopes em registo dramático, deixando de lado a imagem de comediante.
Querias provar que poderias fazer
outros registos?
O que me agrada na profissão de actor
é justamente essa diversidade de trabalhos. Podes fazer um clássico, depois
uma novela, depois cinema... é isso que
«
Nuno Lopes,
o cinéfilo
Um filme?
Eu e Tu e Todos os que
Conhecemos, de Miranda July.
Um actor?
Buster Keaton.
Uma actriz?
Gena Rowlands.
Um realizador?
Gus Van Sant ou Wong Kar-Wai.
Uma citação cinematográfica?
«Look at these hands. These fuckin’
hands. I was born with a girl's
hands.»
Jake (Robert de Niro) para o irmão
Joey (Joe Pesci) em Raging Bull
– O Toiro Enraivecido.
somos bons amigos e até temos outro
projecto juntos em mão.
O filme é de uma violência inaudita.
Também o foi a preparação física para
o papel?
Nós com o Alice não queríamos fazer um
filme policial ou um melodrama. O pretendido era retratar a sensação de ausência e a obsessão do pai na procura da
criança. A partir daí, percebi que a per-
o filme, e logo à primeira conversa com
ela a tua vida muda completamente. A
coragem e a força dela fazem com que
tudo o que tu digas seja superficial. Qualquer problema que tenhas, na perspectiva dela, não o é.
Vocês esperavam o tremendo sucesso nacional e internacional que o filme
teve e ainda está a ter?
Não, acho que não. Acho apenas que
PUB
Quando regressei do Brasil cheguei a pensar
deixar de ser actor... se aquilo era o auge,
eu não queria ter nada a ver com o assunto
Regressas do Brasil e depois de alguns
trabalhos, surge a bomba Alice. Como
isso aconteceu?
Entre dois espectáculos que estava a preparar, acontece o casting da Alice, mais
um (risos). Felizmente o Marco Martins
[realizador do Alice] não me conhecia de
todo como actor de televisão e acabou por
me escolher. Na altura, muita gente que
sabia do meu trabalho no Herman pensava que ele estava maluco ao seleccionar-me. Foi a minha primeira experiência
em cinema como protagonista e correu
muito bem. Hoje em dia, eu e o Marco
sonagem tinha de ser mais velha do que
eu. Além disso, havia que conseguir
transmitir aquele cansaço do Mário
[nome da personagem] que nem é tanto
um cansaço físico, mas sim um cansaço
não latente, algo subtil, mas sempre presente. Costumo dar a imagem de um
peixe fora de água. Muitos dirão que está
a morrer mas, do ponto de vista do peixe,
ele está a tentar desesperadamente
viver. Era isso que eu queria para o papel.
Comecei então a dormir apenas cerca de
3 a 4 horas por dia, deixei crescer a barba
e iniciei uma dieta de maçãs e galões que
me fez emagrecer 10 quilos.
E a nível psicológico?
Foi pesado. Falei muito com a Filomena,
mãe do João Pedro, que também desapareceu e que serviu de inspiração para
«
gosto. O meu objectivo nunca foi ser
comediante, ou seja, os papéis que fui
fazendo com a Maria Rueff e com o Herman eram mais umas experiências das
muitas que gosto de fazer.
E que sonhos profissionais gostarias
ainda de realizar?
Nesse tipo de questões, o meu maior
medo é que o Alice tenha sido um dos
meus pontos altos. Gostava que não
fosse. Gostava de continuar a fazer filmes e colaborações como esse filme.
Projectos que me permitam participar
artisticamente na rodagem, no guião...
não ser só um actor, mas sim uma parte
activa da obra.
todos nós sabíamos que estávamos a
trabalhar numa coisa que nos ia deixar
orgulhosos.
O que andas a fazer actualmente e
que projectos tens para o futuro imediato?
Acabei de fazer um filme de um realizador chamado Paolo Marino Blanco,
que vai estrear na Primavera. Agora
já estou a trabalhar numa peça encenada pelo Marco Martins, com texto
do José Luís Peixoto e com a participação da Beatriz Batarda e do Gonçalo Waddington. Entretanto, antes
que essa peça esteja preparada, heide estrear o Júlio César do Shakespeare pela Cornucópia, mas apresentado no Teatro S. Luís. Será lá para
Março.
8|
30 OUTUBRO 2006
[ campus ]
CRISTINA BRÁZIO/FUNDAÇÃO LUIS MOLINA
Universidade de Évora
PRETO no BRANCO
É a segunda instituição de
ensino superior mais antiga do
País. Criada em 1559 para servir
o Sul de Portugal, enquanto a
de Coimbra se destinava ao
Norte, a Universidade de Évora
ocupa hoje as mesmas
instalações de há séculos
(e entretanto, mais alguns
edifícios). Um grande tesouro
arquitectónico com altos custos
de manutenção que não se
compadecem face às reduções
progressivas no Orçamento
de Estado para o sector.
| POR LINA MANSO |
| [email protected] |
João Taleço
Vice-presidente
da Associação
Académica da
Universidade
de Évora
Porque é que um aluno interessado em
ingressar no ensino superior há-de
querer entrar na Universidade de Évora
em detrimento das restantes instituições?
Porque apresenta um diversificado leque
de licenciaturas e pós-graduações com
boas perspectivas de inserção no mercado de trabalho; tem um excelente ambiente e tradição académica e é a única universidade pública que serve a região onde
se insere, ou seja, o Alentejo.
O que é que poderia ser melhor?
Temos algumas infra-estruturas mal conservadas e/ ou inadequadas para aulas,
falta material didáctico e acessos para
pessoas com dificuldades motoras (nalguns casos, admitimos que as limitações
arquitectónicas impedem a construção
desses acessos).
O que é que a Associação Académica
da Universidade de Évora tem feito
para integrar a instituição de ensino na
cidade?
Eu perguntaria antes o que é que temos
feito para nos integrarmos na cidade. Para
começar, habitamos nela e usamos os
serviços ao dispor dos cidadãos. Depois,
desenvolvemos parcerias com várias entidades de cariz social e agentes comerciais que fazem descontos aos estudantes e organizamos eventos culturais, desportivos e lúdicos. Estas actividades estão
sempre abertas à comunidade.
O essencial da UE
ANO DE ABERTURA: 1559 (encerrou em
1759 com a expulsão dos jesuítas, tendo
reaberto apenas em 1973).
Ana Costa Freitas
Vice-reitora
da Universidade
de Évora
NÚMERO DE CURSOS: 32 formações de pri-
meiro ciclo/ licenciaturas; 28 pós-graduações; 63 mestrados e dois programas de
doutoramento.
NÚMERO DE CURSOS REESTRUTURADOS: 4
(Economia, Gestão; Sociologia e Turismo).
CORPO DOCENTE: 631 professores (incluindo
374 professores doutorados; 165 mestres e
55 licenciados).
RECURSOS PEDAGÓGICOS: vários laborató-
rios (Farmacologia e Toxicologia; Melhoramento e Biotecnologia Vegetal; Antropologia;Aquacultura;Biogeoquímica; Anatomia
Patológica; Produtos Regionais; Arqueologia, etc.); núcleo de apoio aoestudante;
refeitórios; bares; residências...
SERVIÇOS DE APOIO: Loja Molina (com jor-
nais, revistas e artigos promocionais da Universidade de Évora à venda); papelaria da
associação académica e pavilhão gimnodesportivo.
Porque é que um aluno interessado
em ingressar no ensino superior há-de querer entrar na Universidade de
Évora em detrimento das restantes
instituições?
Somos uma universidade dinâmica,
com menos burocracia do que as situadas no litoral e onde há uma relativa facilidade em chegar aos órgãos de decisão. Temos ainda uma oferta de cursos
muito variada, um espírito académico
forte e o privilégio de estar numa cidade calma, bonita e histórica.
O que é que poderia ser melhor?
A disposição actual da universidade
em Évora comporta mais gastos do
que aquilo que seria desejável. Além
dos edifícios serem antigos e por isso
mesmo exigirem elevados custos de
manutenção, o facto de alguns estarem separados aumenta os encargos
com transportes dos alunos e comunicações. Uma das aspirações da reito-
ria é a criação de um parque tecnológico nas imediações da cidade que
mais tarde poderia ser aberto à vertente do ensino. Nessa senda, estamos à procura de financiamento na
região. Isto porque não podemos contar com o dinheiro do Orçamento de
Estado para o sector, já que é cada vez
mais reduzido. Nem subir as propinas
é justo, pois esse acréscimo deveria
ser acompanhado por uma melhoria do
ensino o que, sem investimento, não
conseguimos fazer.
O que é que a reitoria da Universidade de Évora tem feito para integrar a
instituição de ensino na cidade?
Há vários aspectos a salientar. Desenvolvemos iniciativas culturais como
exposições, concertos e colóquios. A
curto/ médio prazo pretendemos lançar
cursos de formação ao longo da vida
para a população em geral. E através
das reitorias abertas, promovidas pelas
câmaras municipais da região, fomentamos um contacto mais real com as
empresas. Esta interacção com o tecido empresarial é muito importante a
diversos níveis, incluindo no reforço da
área da investigação.
PUB
10 |
30 OUTUBRO 2006
[ zoom ]
A recessão continua a fazer-se sentir e os docentes do ensino superior não lhe escapam
Professores
em xeque
Desde os últimos meses que as dificuldades foram aumentando e
o cenário para os docentes do sector parece cada vez mais negro.
Agora, depois de se conhecer o Orçamento Geral do Estado e as
respectivas verbas destinadas às instituições do ensino superior
português, as coisas clarificaram-se. A crise parece estar definitivamente instalada.
| POR DIOGO TORGAL FERREIRA | [email protected] |
A vida não anda fácil para os docentes do ensino superior português. De
facto, ao mesmo tempo que Portugal
atravessa um dos seus momentos
mais difíceis a nível económico e
social no pós-25 de Abril, num sector
fundamental como o ensino superior,
surge um furacão denominado Pro-
«
cesso de Bolonha para complicar
ainda mais um estado de coisas já de
si melindroso.
A situação ganhou contornos ainda
mais dramáticos no decorrer do corrente mês após a apresentação do
Orçamento Geral do Estado para o
ano de 2007. O documento magno das
As verbas destinadas às
instituições do ensino superior
têm vindo a ser reduzidas
Em busca de soluções
No passado dia 31 de Julho, representantes da FENPROF e do SNESup
entregaram no MCTES uma série de medidas administrativas e legislativas
para enfrentar a situação de crise em que se encontra a classe dos docentes
do ensino superior. De acordo com declarações de Paulo Peixoto (SNESup) ao
MU, até agora o ministério da tutela não se mostrou susceptível de querer
adoptar qualquer uma das sugestões. Aqui ficam as propostas:
• Reformulação dos horários de trabalho docente e da forma de cálculo das
necessidades de pessoal docente;
• Adopção do princípio da não redução
do financiamento das instituições,
negociando com as que se encontrem
em maiores dificuldades – programa
para o reforço da qualificação dos
docentes e para a adequação ao
Processo de Bolonha;
«
• Adopção de uma forma de cálculo de
efectivos que tenha em conta o apoio
à formação, a mobilidade e a satisfação de compromissos das
instituições;
O Palácio das Laranjeiras, sede do MCTES, é o alvo de todas as críticas
finanças públicas para o próximo ano
prevê, em comparação com 2006,
uma diminuição de 4,8 por cento nas
verbas destinadas às instituições do
ensino superior. Na opinião dos sindicatos do sector, é incontornável a vaga
de despedimentos e de precariedade
de emprego que já se tem desenhado
de há uns meses para cá.
Paulo Peixoto, presidente da direcção
do Sindicato Nacional do Ensino
Superior (SNESup), não tem dúvidas
que o agravamento da situação dos
docentes se tem acentuado nos últi-
• Adopção de medidas legislativas de
carácter interpretativo com vista a
evitar abusos na aplicação dos
estatutos das carreiras;
• Adopção de medidas legislativas
com carácter transitório e até a
revisão do estatuto de carreira com
vista a reduzir a precariedade e
incentivar a qualificação;
• Igualização de direitos entre os
docentes do ensino superior que
fiquem colocados em situação de
desemprego (por caducidade ou não
renovação) e a generalidade dos
trabalhadores por conta de outrem.
mos anos. «As verbas destinadas às
instituições do ensino superior têm
vindo a ser reduzidas e isso acaba por
se traduzir numa elevada precarização do emprego dos docentes», explicou. Concretizando o que entende por
precarização do emprego, Paulo Peixoto aclarou que «tem ocorrido um
aumento acentuado de despedimentos e tem-se verificado uma série de
ilegalidades por parte das instituições:
redução dos salários dos docentes,
aumento dos horários de trabalho ou
contratos a prazo cada vez mais redu-
30 OUTUBRO 2006
| 11
[ zoom ]
«
ras vítimas serão os docentes mais
jovens que, apesar de muitas vezes
serem mais qualificados, sofrem as
consequências de terem chegado
mais tarde à profissão.
Em relação à política governamental
nesta matéria os sindicatos não se
poupam a críticas. Para além das acusações de estar de costas voltadas
para os professores, o Ministério da
Ciência, Tecnologia e Ensino Superior
(MCTES), em especial o ministro
Mariano Gago, tem sido alvo de fortes reparos sindicais. Alega-se falta
de sensibilidade para a instabilidade
profissional na classe e também a
falta de qualquer resposta às diversas
propostas sindicais (ver caixa) para
evitar o agravamento da situação. O
MU, com o objectivo de saber a posição do MCTES em relação a toda esta
problemática e de dar oportunidade
do contraditório a todas as alegações
e críticas aqui formuladas pelos sindicatos, tentou insistentemente chegar ao contacto com algum responsável do Ministério. Até ao fecho da
edição, não houve qualquer resposta.
«
zidos são alguns dos casos que têm
sido potenciados pelas consecutivas
reduções orçamentais».
Num momento em que o Plano Tecnológico é um dos pontos da ordem do
dia, torna-se difícil compreender para
os líderes sindicais este enfraquecimento do investimento público nas
universidades e politécnicos. Para
Paulo Peixoto, os argumentos usados
para justificar tal tendência são enganadores: «no contexto actual, fala-se
muito da crise do ensino superior
quase sempre associada à questão da
redução da procura mas isso é um
argumento falso.» Seguindo o raciocínio, «se analisarmos o ano corrente, o número de alunos aumentou significativamente, tanto na generalidade
de candidaturas, tanto nos outros contingentes como por exemplo os candidatos maiores de 23 anos, estudantes estrangeiros ou alunos nos cursos
de especialização tecnológica nos
politécnicos», chegando à conclusão
de que «a única coisa que não aumenta é mesmo a verba reservada às instituições que, só por si, mal chega para
O cenário é particularmente
grave no ensino politécnico
pagar os salários dos docentes».
A juntar a estas restrições financeiras,
é de salientar o famoso Processo de
Bolonha que, com as suas reformas
profundas, na opinião generalizada
dos sindicatos, tem sido utilizado de
forma duvidosa. De acordo com
comunicado oficial da Federação
Nacional dos Professores (FENPROF), muitas instituições universitárias e politécnicas «em vez de cumprirem as exigências do modelo pedagógico de Bolonha (ex: tutorias) têm
avançado com despedimentos de
docentes».
De acordo com os sindicatos, a situação actual é dramática. Segundo
comunicado oficial do SNESup, dá-se
como inevitável a realização de despedimentos, arriscando-se mesmo
previsões: cerca de mil professores
nos próximos meses. «O cenário é
particularmente grave no ensino politécnico porque 75 por cento dos seus
docentes não estão nos quadros, ou
seja, três quartos dos docentes não
têm qualquer tipo de vínculo sólido à
instituição onde leccionam», comentou Paulo Peixoto ao nosso jornal.
Apesar das possíveis especificidades
de cada ramo do ensino superior, tanto
no sistema universitário como no sistema politécnico, o SNESup detecta
uma tendência em comum: as primei-
Entretanto, a FENPROF e o SNESup
já discutiram entre si a possibilidade
da marcação de uma greve geral em
protesto contra o actual estado de coisas, mas as conversações ainda não
passaram disso mesmo. «Neste
momento, não há nada de concreto
agendado», comentou o presidente
do SNESup, sem deixar de referir que
«é um cenário possível».
Em números*
Até 31 de Dezembro de 2005, os
dados relativos aos docentes do
ensino superior português a
leccionar eram os seguintes:
Ensino Superior Público
Universitário: 14 700
• Ensino Superior Público
Politécnico: 9331
Ensino Superior Particular,
Cooperativo e Concordatário:
• Universitário: 4156
• Politécnico e outros: 6785
Ensino Superior Militar e Policial:
593
(Fonte SNESup)
«É uma actividade pela qual
é preciso ter paixão»
João Tiago Morais Antunes,
assistente na Faculdade de
Direito de Lisboa da Universidade Católica, é um bom
exemplo das novas gerações
de académicos em Portugal.
Pessoas que ensinam ao mais
alto grau científico, não por
razões financeiras, mas por
gosto.
Como surgiu a possibilidade de
seguires carreira académica?
Eu comecei quando acabei o meu
curso. Na altura recebi um convite
para dar aulas e, como tinha
curiosidade em experimentar o
papel de professor, acabei por
aceitar. Foi a maneira que encontrei de conciliar uma visão mais
académica do Direito, em comparação com a visão prática proporcionada pela advocacia, actividade que sempre exerci e nunca
abdiquei. Sempre me agradou a
ideia de estar com um pé na universidade e outro no escritório e já
lá vão quase 6 anos.
É uma carreira financeiramente
aliciante ou é um trabalho que
exige acima de tudo amor à
camisola?
É uma actividade pela qual é preciso ter paixão. Se formos a ver
bem as coisas, embora eu não
seja pessimamente pago, é evidente que sou mal pago para o
trabalho que tenho a preparar
aulas, exames e tudo o que esta
actividade envolve. Não estou na
universidade para ganhar dinheiro
até porque, se passasse as horas
que dedico à vida académica no
escritório a exercer, facturava muito mais.
Como analisa a actual situação
dos docentes do ensino superior?
Com a crise e o Processo de
Bolonha as coisas evidentemente
que ficaram mais difíceis para os
docentes. Os cursos estão mais
pequenos, há menos propinas e
tudo isso leva a uma série de consequências que em nada melhoram a nossa. Tudo está mais difícil no sector.
Como vê o seu futuro na universidade?
Desejo dar aulas por mais uns
anos. É uma coisa que gosto muito de fazer, principalmente pelo
contacto com as novas gerações,
que acaba por ser muito gratificante. Vamos ver se consigo.
PUB
12 |
30 OUTUBRO 2006
[ acontece ]
AMIGOS DE CABECEIRA
O sábio que queria mais
Publicado pela primeira vez em 1985,
na Turquia, A Cidadela Branca marca
a ascensão de Orhan Pamuk, Prémio
Nobel da Literatura 2006, no mercado internacional. De acordo com a
contracapa da publicação – uma das
duas traduzidas para português – trata-se de um «romance assombroso e
intrigante, magnificamente bem escrito, contado com o mesmo poder
encantatório de Sherazade».
A acção desenrola-se no século XVII
quando um jovem estudante italiano
é capturado por piratas turcos. Torna-se depois escravo de um cientista
que pretende absorver todos os seus
conhecimentos adquiridos no Velho
Continente. Contudo, mesmo após o
rapaz lhe “ceder” o que aprendeu, o
sábio não se contenta.
Aobra de Pamuk (já comparado a autores como Proust, Kafka ou Umberto
Eco) foi editada em mais de 40 países
e valeu-lhe vários reconhecimentos
públicos além do Nobel: ainda este ano,
por exemplo, recebeu o Prémio Médicis para literatura
estrangeira. Licenciado em Jornalismo, acabou por
nunca exercer a
profissão em prol
da escrita literária.
Uma aposta ganha.
A SABER:
GANHA!!
Título: A Cidadela Branca
Autor: Orhan Pamuk
Editora: Editorial Presença
Preço: 15 euros
O MU não se esqueceu dos teus bilhetes!
Desta vez, temos DUAS ENTRADAS
DUPLAS para O Homem sem Adjectivos
na Casa d’ Os Dias da Água (Lisboa, Saldanha), dia 5 de Novembro, às 22 horas.
Para ganhares escreve “Eu quero ir ver
O Homem sem Adjectivos”, com o teu
nome e BI, para [email protected], até às 15 horas do dia 3 de
Novembro. Os vencedores serão notificados por e-mail e a listagem publicada em
http://mundouniversitario.blogspot.pt. A
peça, encenada por Marcos Barbosa, está
em exibição de 2 a 5 e de 7 a 12 de
Novembro, às 22 horas.
Exposição na
Fnac Coimbra
horrores
e esperanças no Sri Lanka
Fotos de
O dia 26 de Dezembro
de 2004 deixou um cunho
trágico na História Mundial.
Entre os países mais
afectados, esteve o Sri
Lanka, com 40 mil mortos
confirmados. A exposição
na galeria fotográfica
da Fnac Coimbra recorda
as consequências do tsunami
e todo o trabalho de
reconstrução desenvolvido
pelas equipas dos Médicos
do Mundo – Portugal.
| POR LINA MANSO |
[email protected] |
João Aranha, Rosa Boal, Fabrice
Demoulin e Armindo Figueiredo são os
responsáveis, a título voluntário, pelas
fotografias incluídas na exposição Sri
Lanka – A emergência da mudança,
baseada no livro homónimo. Uma publicação editada pela delegação portuguesa dos Médicos do Mundo, que se
vai manter em Jaffna até finais de 2006.
Segundo nota de imprensa, a missão
de emergência humanitária abrangeu,
ao longo de 2005, diversas actividades,
nomeadamente o «apoio aos centros
de deslocados, através da distribuição
de kits de higiene e do desenvolvimento de clínicas móveis» e a «assistência
ao Hospital de Point Pedro, através da
distribuição de 25 toneladas de medicamentos, formação de 44% dos técnicos
de saúde do estabelecimento e da reabilitação da estrutura hospitalar». Entretanto, já este ano, empenharam-se, por
exemplo, na criação de dois centros de
atendimento médico no distrito de Jaffna.
Os cerca de 280 mil mortos contabilizados naquele que foi considerado o pior
desastre natural das últimas décadas,
não serão esquecidos. Como também se
devem encetar todos os esforços para
não apagar da memória o esforço de
organizações independentes no amparo
às vítimas e reconstrução dos países
destruídos.
Chapitô
A Marca do Seio
na Culturgest
do Porto
no metropolitano de Lisboa
Até ao dia 20 de Janeiro de 2007, A
Marca do Seio, de Francisco Tropa, vai
estar em exibição na Galeria de Exposições da Culturgest no Porto (entrada
gratuita). Numa instalação e dois filmes,
aludindo a trabalhos anteriores e à história da arte, o artista invoca o «mistério
da vida» e o «acto criativo». Francisco
Tropa terminou o curso de Desenho e o
curso avançado no Ar. Co – Centro de
Arte e Comunicação Visual, em Lisboa,
onde ainda hoje trabalha como professor no Departamento de Escultura.
No princípio de Novembro, 25
megafotografias do Chapitô retratando 25 anos de história e intervenção
em três áreas – social, formação e
cultura – vão invadir 25 estações do
Metropolitano de Lisboa. Ainda sem
data nem hora marcadas, cinco
“inauguradores oficiais” vão percorrer cinco estações durante
cinco dias e fazer a apresentação informal da
exposição. Os frequen-
tadores assíduos daquele meio de
transporte estão portanto avisados: a
qualquer momento, o imprevisível
pode acontecer. Mas além da exposição, um número da revista Cais inteiramente dedicado ao Chapitô assinala as suas “bodas de prata”. Para esta
edição (a lançar na mesma altura),
vários jornalistas familiarizados com
aquela casa foram convidados a deixar o seu testemunho e ajudar a compreender o seu universo.
30 OUTUBRO 2006
| 13
[ acontece ]
| Filme |
JOAN AS POLICE WOMAN
O Ilusionista
«Acredito na
divindade de
cada pessoa»
Já tocou com nomes como Lou Reed, Nick Cave ou
Scissor Sisters e diz que só sabe escrever e cantar
sobre emoções. As suas, pois claro. Em palco com
mais dois elementos, Ben (bateria) e Rainy (baixo e
voz), Joan promete tocar piano, agarrar-se à guitarra
e cantar, cantar... O concerto de apresentação do seu
segundo disco, The Real World, é hoje à noite, no
Santiago Alquimista, em Lisboa. Vale a pena conhecê-la.
| POR RAQUEL LOUÇÃ SILVA | [email protected] |
Até ao final do ano, estás em
digressão na Europa. Há uma diferença entre tocar aqui e nos EUA?
Acho que em geral o público europeu
sabe um pouco mais sobre música e é
muito entusiasta. Isso faz com que
seja bom estar aqui (risos).
Como é que te preparas para estar
tanto tempo fora de casa?
Estou acostumada a estar fora... só
tenho é de ter a certeza de que a renda é paga e de que alguém vai tomar
conta das plantas.
Estar em digressão é inspirador?
Porquê?
Sim, é fantástico. Gosto mesmo muito
de viajar, o que torna as coisas muito
mais fáceis. E adoro ir a países diferentes... agora mesmo estivemos em
Belgrado, na Sérvia e, como nunca
tinha estado lá, nem em nenhum sítio
ali por perto, foi muito inspirador.
Conhecer pessoas de diferentes partes do mundo é... fantástico! Não há
nada como isso.
GANHA!!
Hoje vais tocar aqui em Lisboa,
num espaço com uma atmosfera
muito íntima. Actuar neste tipo de
ambiente é imperativo ou os grandes festivais de Verão ao ar livre
também te agradam?
Gosto mais de tocar em espaços íntimos, porque gosto de sentir o bom
ambiente das pessoas que vêm ao
espectáculo....falar com elas. No
entanto, devo dizer que considero
excelentes esse tipo de festivais.
O facto de escreveres sobre emoções significa que só escreves
sobre ti própria?
Sim, não tenho mais nada sobre o que
possa escrever. Só posso escrever de
acordo com a minha perspectiva porque eu sou só eu (risos). O que pode
acontecer é haver outra pessoa que
se identifique.
O ano passado, estiveste em Portugal e tocaste com Rufus Waynright.
Qual foi a ideia que levaste do
público português?
O espectáculo foi maravilhoso. As pessoas respondem muito bem e foram
fantásticas para mim. Além do mais,
acho Portugal lindíssimo. Só estive em
Lisboa e no Porto, mas achei que são
duas cidades lindíssimas.
Numa palavra, como é que definirias este The Real Life?
Verdadeiro.
Qual é o teu maior talento? Escrever, cantar ou tocar?
Não sei se podemos falar de um
grande talento. Eu escrevo e toco
canções que são verdadeiras e
honestas e tento cantá-las para ajudar as outras pessoas. Sinto que, se
cantar honestamente sobre emoções, consigo causar impacto nos
outros.
O MU tem 5 entradas single para assistires
hoje, às 22 h, ao concerto de Joan as Police
Woman, no Santiago Alquimista, em Lisboa.
Para ganhares só tens de responder
acertadamente à seguinte questão:
Do que é que Joan mais gosta de falar
nas letras das suas canções?
Envia a resposta com o teu nome e BI para
[email protected], até às
15 horas. Apressa-te! Os vencedores serão
notificados por e-mail e a listagem publicada
em http://mundouniversitário.blogspot.pt.
Há quem compare a tua voz a Nina
Simone. Queres comentar?
O facto é que não posso controlar o
que os media dizem sobre mim (seja
bom ou mau). É uma honra incrível,
mas Nina Simone é alguém que eu
idolatro, portanto, não vou preocupar-me em corresponder a esse título.
Vou fazer sempre o melhor que posso,
só isso.
Já tiveste o privilégio de tocar para
Dalai Lama. Foi emocionante?
Acima de tudo, estava preocupada
com o facto de ele poder não estar a
apreciar. Depois, quando o conheci,
senti-me bastante lisonjeada, porque
tem uma presença muito forte.
És religiosa, acreditas em Deus?
Não pertenço a nenhuma organização
religiosa. Sinto que cada um de nós é
Deus. Não acredito num tipo que está
no céu a julgar as pessoas, mas acredito na divindade de cada pessoa, por
isso sim, nessa perspectiva, acredito
em Deus.
Acreditas na Humanidade, é isso?
Sim, sem dúvida
Desvios inconvenientes. O filme de Neil
Burger tem o grave defeito de não se centrar
onde devia. Ao ter como veículo a história de
amor entre um mágico (Norton) e uma aristocrata (Biel) na Viena do fim do século XVIII, o
realizador perde-se em pormenores de intriga e mistério de pouquíssimo interesse, para
se desviar do que realmente importa: o medo
que sempre houve entre o homem moderno
daquilo que não consegue dar explicação
cabal. A ameaça que, em alguns momentos
do filme, o ilusionista parece constituir para
os poderes instalados de uma sociedade
ultra-racionalista seria o verdadeiro foco de
interesse num filme que, para além de desperdiçar talentos fantásticos, parece insistentemente virar a câmara para o irrelevante.
| Ficha técnica |
Realização: Neil Burger.
Elenco: Edward Norton, Paul Giamatti, Jessica Biel.
Nota MU: 11 valores!
| Disco |
Platinum Weird
Make Believe
13 valores!
Primeiro esclarecimento: o historial e
o regresso desta
banda supostamente criada nos
anos 70 são fictícios. Adoptando a táctica dos Gnarls Barkley e outros, o duo composto por Dave Stewart (ex-Eurythmics) e
Kara DioGuardi (umas das grandes pop hitmakers da actualidade) decidiram embarcar
num novo projecto, ficcionando todo um passado do duo. Independentemente desse
pequeno grande pormenor, convém dizer que
Make Believe é um disco ferozmente pop.
Vindo de quem vem não admira. Tanto Stewart como DioGuardi, embora com pouco brilhantismo, demonstram que dominam os
cânones do género como poucos, construindo
um álbum com produção absolutamente imaculada e com 4 ou 5 potenciais singles. Sem
rasgos, mas de uma competência assinalável.
14 |
30 OUTUBRO 2006
[ lifestyle ]
VESTE A personagem!
MODA. Nunca a moda de Inverno foi tão divertida. O fio
condutor é a sofisticação que permite encarnar vários
personagens. Mia Farrow é referência dos novos penteados
andróginos. Na maquilhagem, arbitramos um glamouroso
combate de protagonismo entre olhos intensos e bocas
sensuais. Tudo para que te divirtas a vestir o personagem.
POR
MANUEL ARNAUT MARTINS |
[email protected]
|
MAC
|
MAC
Dominadora «Durante o dia ela é uma
La Dolce Vita Na vida existem bons
momentos que tatuam a nossa memória. Os italianos são exímios em criar esses tempos de lazer
que fazem parte do que chamam, com o seu sotaque delicioso, «la dolce vita». O cenário tem de ser
perfeito e relaxante. A companhia dos amigos e um
copo de vinho que rega uma paisagem fantástica como o Lago di Como. A brisa
faz com que os cabelos dancem suavemente em volta da cara, e obriga a fechar
mais um botão do casaco. Há calma e um silêncio que apenas é quebrado pelo
riso das vozes que nos rodeiam.
Sendo os olhos o espelho da alma, é neles que podemos ver reflectido este clima
de alegria e muito glamour. Assim se explica por que a tendência La Dolce Vita
tem como foco principal os olhos. Esta é considerada por Mónica Bessone, relações públicas da MAC, como sendo uma das mais fortes para este Inverno, e
que vem sublinhar o ambiente de sofisticação que se vai viver nesta estação.
Sofisticação e muito glamour, uma vez que as musas deste look são as grandes
divas do cinema italiano, como Sophia Loren. Os olhos devem ser intensos e
profundamente delineados com a ajuda do lápis Technacolour, que permite um
contorno preciso e de longa duração. A boca mais apagada, mas nem por isso
esquecida, com um toque inesperado de cor e uma textura moderna. Uma viagem pelo brilho dos anos 60, com o toque de actualidade essencial para as jovens
universitárias cosmopolitas.
professora primária e durante a noite é uma dominadora». É assim que Terry Barber, Pro Senior Artist
da MAC, explica a tendência a que chama Lip Strict.
Angelina Jolie, em Mr. and Mrs. Smith dá o mote:
quando o sol brilha é a esposa perfeita e de noite
uma dominadora assassina armada de bustiers de vinil. Na maquilhagem que
inspira este visual, o foco é a boca. Encarnada e apaixonada, que explode de uma
pele que se quer imaculada. Uma paixão controlada, pois os limites devem ser
precisos e o acabamento opaco. É um facto que este Inverno está repleto de personagens inspiradoras. Por isso, não podíamos deixar de referir a embaixatriz da
beleza gótica suavizada. Para ilustrar este look ninguém melhor que a mulher que
emergiu de pin-up a ícone de moda e mulher de rock star, Dita Von Teese.
«Os Homens Preferem as Loiras,
mas Casam-se Com as Morenas»
Terá esta frase batida influenciado as passerelles? Não sabemos, mas podemos constatar que
as morenas voltaram em força este Inverno.
Os cortes são extremamente curtos e muito
boyish. A moda está cada vez mais andrógina,
por isso as manequins cortaram os seus cabelos inspiradas em Mia Farrow no filme Rosemary´s Baby. Outra influência foi o Punk
Rock e o estilo Rockabilly, mas com um
toque de sofisticação, uma das principais
linhas orientadoras da moda de Inverno.
Contrastando com estes looks mais de
rua foram observadas referências vitorianas, onde penteados mais elaborados
foram enriquecidos com pormenores
como laços ou rendas.
30 OUTUBRO 2006
|15
[ sexualidade ]
Programa de rádio Vidas Alternativas
«Para todos os
protestantes sexuais»
«Um programa muito pouco católico para todos os protestantes sexuais».
Vidas Alternativas, da autoria de António Serzedelo, ex-presidente da Opus Gay,
é presença assídua em quatro rádios universitárias.
| POR LINA MANSO | [email protected] |
Uma entrevista a propósito de um
encontro ibérico em Cáceres, onde se
contrapuseram as visões da homossexualidade em Espanha e em Portugal;
outra a um rapaz da freguesia de Olhadas (Figueira da Foz), “forçado” a vir
para a capital perante as manifestações
homofóbicas de que foi vítima; ou simplesmente uma conversa com um artista
guineense sobre a música do seu país,
são alguns dos temas abordados no
programa desta semana.
De sete em sete dias, o Vidas Alternativas renova a sua missão, com o mesmo
empenho colocado no anterior. Queremos «habituar o País à diversidade e a
lutar contra a exclusão social de minorias geralmente discriminadas», defende
António Serzedelo, mentor do projecto
nascido há seis anos na entretanto
extinta Rádio Voxx.
| No ar em Lisboa, Coimbra,
Algarve e Minho |
Nessa série inicial – o programa já vai na
terceira – «transmitíamos em directo e
havia um grande feedback do público»,
recordou António. Mas a estação acabou
por ser encerrada. Há um ano, entraram
na rádio Seixal. «Só que chegou uma
altura em que não tínhamos dinheiro
para pagar o aluguer daquela hora.»
Depois de muitos contactos, os alunos
do Instituto Superior Técnico (da Universidade Técnica de Lisboa), mostraram-se interessados. A que hoje é designada
por Rádio Zero passou então a integrar o
programa na sua grelha.
Outras lhe seguiram as pisadas. Actualmente, Vidas Alternativas é difundido na
Rádio Zero, Rádio Universitária de
Coimbra, Rádio Universitária do Algarve, Rádio Universitária do Minho, Rádio
Hertz (Tomar), Rádio Guadiana (Vila
Real de Santo António) e Rádio Clube
de Matosinhos. Nesta terceira série,
existem diversas rubricas entregues a
associações «geralmente muito fechadas» [como a Associação contra a
Exclusão e pelo Desenvolvimento
(ACED)], e que têm aqui uma hipótese
de se dar a conhecer. «A intenção é
mostrar que, apesar de algumas diferenças, somos todos iguais, com as
mesmas qualidades e defeitos», diz
António. E, para passar a mensagem,
nada melhor do que difundir o programa por ainda mais estações. «Incluindo
universitárias», frisa o ex-presidente da
Opus Gay.
PUB
16 |
30 OUTUBRO 2006
[ salada russa ]
| Cantinho dos Media |
| Blogosfera |
Os Grandes
Portugueses
Fidelidade, o que é?
Acabei de ver a Maria Elisa, talvez a mais
pequena das portuguesas, apresentar um novo
concurso da RTP em que se pretende escolher
o maior de entre eles. Antes que escolham o D.
Afonso Henriques (ou até, sei lá, o Marques
Mendes) faço questão de revelar aos nossos
amáveis leitores em quem votei no concurso
dos GRANDES PORTUGUESES:
Um blogger vai para a cama com uma
blogger – um acto solitário do qual até
vagamente se arrepende algum tempo
depois. No entanto, nunca chega a tirar
o link para o blog dela. Isso, na blogosfera, é fidelidade.
Helena in
http://tristes-topicos.blogspot.com
Segunda-feira, Outubro 23, 2006
Acerca da
corrupção
Apetece-me agora parafraseá-lo: «Enterrem-se
os vivos, e cuide-se dos mortos.» É já tempo...
Diz-se que todas as pessoas têm um
preço. O meu é um euro por cada chinês vivo (em causas importantes
desconto os funcionários do PCC) e
um filme pornográfico que nunca tenha
visto. Até hoje, mantenho-me incorruptível e já houve quem conseguisse
arranjar a massa.
Santiago in
http://contanatura.weblog.com.pt
Sexta-feira, Outubro 20, 2006
Statler in
http://marretas.blogspot.com
Quinta-feira, Outubro 19, 2006
Do interesse
da prova
à prova de
interesse
Jornal de Notícias de 19
de Out 2006
Quando a entrevistadora o confronta com a
suspeita que paira sobre
as pressões políticas e a
autocensura na informação da RTP, Luís Marinho "lembra-se" de dizer
que "isso tem de ser provado". Já quando afirma
que é na redacção da
RTP que se faz jornalismo mais livre e menos
dependente de interesses, "esquece-se" da
prova. O que fica provado, afinal?
Américo de Sousa in
h t t p : / / w w w. r e t o r i c a pt.blogspot.com
Terça-feira, Outubro 24,
2006
| Passatempos |
Sudoku
Palavras cruzadas
A Critério está em pleno processo de
evolução. Em conversa com Gonçalo
Rosas, responsável pela revista dos
alunos da Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa (UCP)
do Porto, descobrimos que pretende
criar uma associação para a suportar
juridicamente. Outro objectivo é voltar
a distribuí-la na UCP de Lisboa.
| POR LINA MANSO |
| [email protected] |
Ano de estreia?
Estreou-se há 25 anos, mas apenas
há dois está em formato de revista.
Apesar de ter nascido como projecto
da associação de estudantes, desvinculou-se dela este ano.
Periodicidade?
Semestral. Esta publicação já teve
muitos altos e baixos. Chegou, inclusive, a ser distribuída com uma periodicidade mais reduzida, nas faculdades
de Direito dos quatro centros regionais
da UCP.
Preço?
Um euro.
Tiragem?
Cerca de 600 exemplares.
Distribuição?
É distribuída na nossa faculdade e nas
sociedades de advogados do Porto
(além de ser entregue aos colaboradores). Gostaríamos de a repor na UCP
de Lisboa ainda este ano.
Equipa?
Na equipa fixa somos 10 (todos alunos
dos 2.º e 3.º anos de Direito da UCP
do Porto). A direcção ainda é interina.
Linha editorial?
Estamos a trabalhar no estatuto editorial da revista (antigamente imperava
apenas o bom senso dos jornalistas).
Domos. 8 - Orate. Óleo. 9 - Raia. Ru. Xis. 10 - Orei. Atro. 11 4 - Mesa. Távoa. 5 - Sabor. Ais. 6 - Ag. Limar. Ai. 7 - Vem.
VERTICAIS: 1 - Cela. Marta. 2 - Aras. Para. 3 - Lar. Ca. Cibo.
Oiro. 11 - Oásis. SOS.
Má. Tramou. 8 - Arca. Rol. AC. 9 - Raiva. Sexta. 10 - Bóia.
Maior. 4 - As. Sal. Tara. 5 - Cabide. És. 6 - Pá. Omo. Ri. 7 HORIZONTAIS: 1 - Cal. Pavor. 2 - Eram. Gera. 3 - Lares.
PALAVRAS CRUZADAS
Meras. Caos.
SUDOKU
Soluções
HORIZONTAIS: 1- Nome vulgar do óxido de cálcio. Temor. 2 - Existiram. Produz. 3 Deuses protectores do lar e da família, entre os antigos Romanos. Que excede outro
em grandeza, número, espaço, extensão, duração e intensidade. 4 - Aquelas. Chiste
(fig.). Falha (fig.). 5 - Móvel ou pequena armação em que se pendura roupa, chapéus,
etc. Existes. 6 - A parte mais larga da enxada. Elemento de formação de palavras que
exprime a ideia de ombro. Sorri. 7 - Perversa. Enredou. 8 - Cofre. Relação. Antes de
Cristo (abrev.). 9 - Aversão. Uma das três horas canónicas, entre a terça e a nona, na
liturgia católica. 10 - Objecto de material flutuante, usado cingido ao corpo, para os iniciados na natação. O m. q. ouro. 11 - Espaço coberto de vegetação no meio de um
deserto. Sinal radiotelegráfico internacional para pedir socorro.
VERTICAIS: 1 - Aposento de frades ou freiras nos conventos. Género de mamíferos
carnívoros, da família dos mustelídeos. 2 – Altar cristão (pl.). Em direcção a. 3 – Face
inferior do pão. Cálcio (s. q.). Pedacinho de qualquer coisa (fam.). 4 - Móvel, normalmente de madeira, sobre que se come, escreve, etc. Távola. 5 - Paladar. Gemidos. 6 Prata (s. q.). Temperar com limão e azeite. Grito aflitivo. 7 - Chega. Parte superior de
um edifício, que forma cúpula de base circular ou poligonal, zimbório (pl.). 8 - Pessoa
louca. Substância gordurosa e inflamável, líquida à temperatura normal, solúvel num
similar mas insolúvel na água, extraída a partir de certas plantas ou sementes. 9 Fronteira. Ruténio (s. q.). Nome da letra X. 10 - Declamei. Tenebroso. 11 - Líquido
medicamentoso proveniente da destilação do zimbro (pl.). Grande desordem.
Cavalos-de-batalha?
Antes de mais, devo dizer que é uma
revista de carácter humanista e não
fala exclusivamente de Direito. Vou-lhe
dar um exemplo: uma das secções
mais importantes, a “Portucalem” –
para a qual estamos a negociar uma
entrevista com o presidente da Câmara Municipal – debate a cidade. Mas é
evidente que o Processo de Bolonha
será um tema incontornável no próximo número da Critério, a sair em
Novembro (vamos até publicar uma
sondagem aos alunos nessa matéria).
30 OUTUBRO 2006
| 17
[ 5.ª dimensão ]
[ JOGOS ]
Ver a dobrar
PS2 | The Sims2: Pets
Os melhores amigos dos Sims
Os animais de estimação dos nossos animais
de estimação chegaram à 128 bits da Sony.
As doses de paciência e perseverança são agora
requeridas a dobrar. Ão, ão…. Miauuuuuuuu!!!!
| POR MIGUEL ARAGÃO | [email protected] |
Como se já não bastasse, termos de
andar a recolher o lixo que a nossa
criatura espalhava pelo chão depois de
comer, vemo-nos agora obrigados a
limpar todas as porcarias que as criaturas das nossas criaturas se entretêm a
espalhar por onde quer que passem.
Felizmente, nem tudo, como os fãs
desta série da Electronic Arts bem sabem, são mal-cheirosas obrigações.
| Escolher a família feliz |
À imagem dos seus predecessores, a versão de Pets para as
consolas permite começar por
escolher entre uma família
predefinida (tipo velha com
gatos ou casal com cães)
e a nossa própria linhagem.
Desde o número de pessoas que queremos que façam parte da nossa família ao formato das orelhas e à raça do
animal de estimação, nada escapa a
este modo de criação de personagens
dos Sims.
| Viver com a família feliz |
Depois, avançamos para a criação de
dois fundamentais atributos, responsáveis por muito do que passaremos a fazer durante a acção: Personalidade e
Aspiração. Ao nascimento da nossa selecta família, segue-se a já muitas vezes vista e por muitos conhecida acção.
Desta vez, porém, tudo parece mais fácil, a começar no controlo de toda a acção, o que poderá já não satisfazer os
mais acostumados a estas andanças.
Dos bichos, como não podia deixar de
ser, chega-nos muito do que
melhor este título tem para
oferecer: ora cantam, ora fazem habilidades. É claro
que os novos protagonistas tornam tudo
um bocadinho mais
complicado, a não
ser que optemos por
tratá-los como parte
da mobília e não nos
faça diferença vê-los
deprimidos e a dormirem mergulhados em
poças dos seus próprios dejectos.
| Passear com
a família feliz |
Outro dos aspectos
mais engraçados do
jogo é a possibilidade de levarmos os
nossos melhores
amigos ao largo da cidade. Quanto
mais gastarmos numa determinada loja, mais ela cresce e nos oferece outros
produtos, sendo que o dinheiro utilizado para investir nas criaturas não provém do nosso trabalho, mas antes de
recompensas pelo tempo que despendemos com eles em casa (ainda que
possamos transformar os simoleons
em pet cash, no multibanco mais próximo de nós). As inovações de Pets são
bem-vindas e no geral resultam quase
na perfeição. Pena é que sejam tão
poucas, a ponto de desconfiarmos que
já não conseguem satisfazer os fãs
mais hardcore destas adoráveis criaturas. Mas o pacote, principalmente para
quem nunca pôs as mãos nos Sims,
vale bem a pena e é, pelo menos para
nós, um excelente investimento.
Nota MU: 15 valores!
A Chip7, empresa de comercialização de
material informático, apresenta o entretenimento ideal para grandes viagens: o
Leitor de DVD Portátil INOVIX IDP – 780
DS (DUO ecrã Duplo). Este equipamento inclui dois ecrãs Inovix TFT de sete
polegadas, com um formato 16:9 panorâmico, incluindo ainda um comando à
distância. O leitor de DVD possui igualmente protecção antichoque e colunas
estéreo incorporadas em cada LCD.
Compatível com Divx, DVD, CD, CD-RW, DVD-RW, DVD+RW e MP3, apresenta ainda carregador de isqueiro, bolsa de transporte e fitas para colocar os
ecrãs no carro. PVP| 249 euros
Para a parede,
a ver se aprendem!
Aqui fica uma excelente alternativa
para quem não tem tempo ou paciência para tratar de bichos, nem dos virtuais, tipo Sims. Estes Wall Pets prometem ser uns meninos bonitos e não
fazer asneiras. Depois sempre podem
dizer que os trouxeram de Gorongosa
ou outra treta qualquer do género e
que, não só os embalsamaram como
lhes deram um tratamento de pelúcia.
Quem é que vai duvidar?
www.iwantoneofthose.com
PUB
18 |
30 OUTUBRO 2006
[ bar aberto ]
Uma tradição à moda do
Norte
No Norte é que se concretizam os grandes rituais nacionais.
No dia 19 de Outubro, o MU foi espreitar o mítico FEUPcaffé,
o evento mais emblemático da Faculdade de Engenharia da
Universidade do Porto. E acham que um convívio por ano
lhes enche as medidas? Qual quê! De quinze em quinze dias,
lá estão batidos os futuros-engenheiros no bar dos alunos
da escola, a beber tudo menos café. Qualquer motivo serve
para fugir à fatídica rotina diária de um estudante…
| POR MARIANA SERUYA CABRAL | [email protected] |
| FOTOS JOÃO COSTA FERREIRA |
Se queres ver a festa da tua faculdade ou politécnico catapultada para a fama, arma-te em paparazzi e envia as fotos para [email protected]. Nós publicamos!
30 OUTUBRO 2006
| 19
[ bd ]
Espaço coordenado por Geraldes Lino, http://divulgandobd.blogspot.com
PUB
25 MAIO 2004
Download

Na ressaca de Na ressaca de