UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA – UFPB CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS – CCSA DIANA VIEIRA DE LIMA MOTIVOS E EXPECTATIVAS DO VOLUNTARIADO NA PASTORAL DA CRIANÇA DA ZONA URBANA SUL DE JOÃO PESSOA/PB TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO ÁREA: ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS João Pessoa - PB Julho de 2010 DIANA VIEIRA DE LIMA MOTIVOS E EXPECTATIVAS DO VOLUNTARIADO NA PASTORAL DA CRIANÇA DA ZONA URBANA SUL DE JOÃO PESSOA/PB Trabalho de Conclusão de Curso Apresentado à Coordenação do Serviço de Estágio Supervisionado em Administração, do Curso de Graduação em Administração, do Centro de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Federal da Paraíba, como Requisito Obrigatório à Obtenção do Grau de Bacharel em Administração. Orientador: Carlos Eduardo Cavalcante João Pessoa – PB Julho de 2010 Ao Professor orientador Carlos Eduardo Cavalcante Solicitamos examinar e emitir parecer sobre o Projeto de Pesquisa da aluna Diana Vieira de Lima. João Pessoa, 08 de Julho de 2010. __________________________ Fábio Walter Prof.º Coordenador do SESA/CCSA/UFPB Parecer do professor orientador: ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ DIANA VIEIRA DE LIMA MOTIVOS E EXPECTATIVAS DO VOLUNTARIADO NA PASTORAL DA CRIANÇA DA ZONA URBANA SUL DE JOÃO PESSOA/PB Trabalho de Conclusão de Curso Aprovado em: 08/07/2010 Banca Examinadora ______________________________________ Prof. Carlos Eduardo Cavalcante Orientador _____________________________________ Prof. Dr. Anielson Barbosa da Silva Examinador _____________________________________ Profª. Lucimeiry Batista da Silva Examinadora AGRADECIMENTOS Agradeço, primeiramente, a Deus por me ter dado o dom da vida e saúde, para que pudesse percorrer mais essa caminhada. Agradeço aos meus pais, Joací Felix e Maria de Fatima, por serem minha base forte, além de grande referência e exemplo de vida. Agradeço à minha irmã, Aline Vieira, por me incentivar e acreditar no meu potencial, servindo, muitas vezes, de parâmetro das recompensas que a dedicação ao estudo nos proporciona. Agradeço ao meu irmão, Wayne Vieira, como colega de Área Acadêmica e Curso, por ter sido peça importante na minha descoberta vocacional. Ao meu orientador Carlos Eduardo, que me foi muito solícito, permitindo um desenvolvimento monográfico tranqüilo e bem conduzido. Ao meu avô Severino, que mesmo ausente se faz presente na minha memória e no meu coração, tendo sido, sempre, um grande torcedor e incentivador, em todos os aspectos da minha vida. À todos os meus professores do curso pela experiência e pelo conhecimento que me proporcionaram. Aos amigos que estiveram ao meu lado, me dando força e estimulando. À todos que direta e indiretamente me ajudaram nessa conquista. “Tudo o que um sonho precisa para ser realizado é alguém que acredite que ele possa ser realizado.” (Roberto Shinyashiki) VIEIRA, Diana de Lima. Elementos do Trabalho Voluntário: Motivos e Expectativas na Pastoral da Criança da Zona Urbana Sul da Cidade de João Pessoa/PB. 2010. XX f. Monografia (Graduação em Administração). UFPB, João Pessoa – PB. RESUMO Este trabalho teve como objetivo compreender os motivos e as expectativas do voluntariado na realização de suas atividades, pelo mesmo apresentar-se como área social de grande crescimento, segundo dados da ONU. Para tanto, contou-se com a participação de 42 voluntários da Pastoral da Criança, distribuídos em quatro Paróquias da Zona Urbana Sul da Cidade de João Pessoa, onde foi feita a aplicação de um questionário, contendo perguntas objetivas, para o levantamento dos dados. A coleta dos mesmos aconteceu em momentos de encontro dos voluntários, que dispuseram de auxílio aqueles que possuíam algum tipo de dificuldade na leitura ou no preenchimento do questionário. A partir da análise dos dados, utilizando-se como referencial teórico a Hierarquia do Trabalho Voluntário defendida por Souza, Medeiros e Fernandes (2006), pode-se observar uma predominância do altruísmo por quem desenvolve esse tipo de atividade, ou seja, são pessoas que querem promover a melhoria da qualidade de vida do próximo, enquanto ser humano e cidadão, proporcionando uma transformação da realidade social. Palavras-chave: Trabalho Voluntário; Motivos. Expectativas. Pastoral da Criança. LISTA DE TABELAS Tabela 1: Média e Desvio Padrão relacionadas à “Entrada”......................................... 40 Tabela 2: Média e Desvio Padrão relacionadas às “Expectativas”................................. 42 Tabela 3: Média e Desvio Padrão relacionados à “Permanência”.................................. 44 Tabela 4: Média e Desvio Padrão relacionados à “Saída”............................................. 46 LISTA DE FIGURAS Figura 1: Diagrama da Hierarquia do Trabalho Voluntário.......................................... 33 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1: Saída e Retorno para a Pastoral..................................................................... 47 Gráfico 2: Quantidade de dias por mês dedicados à Pastoral......................................... 48 Gráfico 3: Conhecimento da desistência de voluntários................................................. 48 Gráfico 4: Motivo de desistência ou saída de voluntários.............................................. 49 Gráfico 5: Expectativas com o trabalho realizado.......................................................... 50 Gráfico 6: Como conheceu à Pastoral............................................................................ 50 Gráfico 7: Alguém da família trabalha ou já trabalhou na Pastoral............................... 51 Gráfico 8: Posição em relação às pessoas assistidas...................................................... 52 Gráfico 9: Relação entre serviço público de saúde e o trabalho da Pastoral.................. 52 Gráfico 10: Acesso das pessoas assistidas ao sistema de saúde..................................... 53 Gráfico 11: Motivo da dificuldade de acesso ao sistema de saúde................................ 53 Gráfico 12: Idade............................................................................................................ 55 Gráfico 13: Sexo............................................................................................................. 56 Gráfico 14: Mora na comunidade em que a Pastoral atua.............................................. 56 Gráfico 15: Estado civil.................................................................................................. 57 Gráfico 16: Quantidade de irmãos.................................................................................. 57 Gráfico 17: Quantidade de filhos................................................................................... 58 Gráfico 18: Com quem mora atualmente....................................................................... 58 Gráfico 19: Quantos membros dafamilia moram com você.......................................... 59 Gráfico 20: Sua casa é.................................................................................................... 59 Gráfico 21: Estudou até qual serie.................................................................................. 60 Gráfico 22: Estuda atualmente....................................................................................... 60 Gráfico 23: Situação econômica atual............................................................................ 61 Gráfico 24: Exerce atividade remunerada...................................................................... 61 Gráfico 25: Ocupação..................................................................................................... 62 Gráfico 26: Renda familiar............................................................................................. 62 Gráfico 27: Renda pessoal.............................................................................................. 63 Gráfico 28: Religião....................................................................................................... 63 Gráfico 29: Vezes que vai à igreja................................................................................. 64 LISTA DE QUADROS Quadro 1: Quantidade de voluntários por Paróquia....................................................... 37 Quadro 2: Cruzamento das perguntas da primeira parte do questionário....................... 38 Quadro 3: Questões relacionadas à “Entrada”................................................................ 40 Quadro 4: Questões relacionados às “Expectativas”...................................................... 42 Quadro 5: Questões relacionados à ”Permanência”................................................................ 44 Quadro 6: Questões relacionadas à “Saída”................................................................... 46 Quadro 7: Predominância dos Perfis ............................................................................. 67 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO.......................................................................................................... 11 1.1 Delimitação do Tema e Formulação do Problema..................................................... 11 1.2 Justificativa................................................................................................................ 13 1.3 Objetivos.................................................................................................................... 14 1.3.1 Objetivo geral.......................................................................................................... 15 1.3.2 Objetivos específicos............................................................................................... 15 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA............................................................................ 16 2.1 Trabalho..................................................................................................................... 16 2.2 Trabalho Voluntário................................................................................................... 20 2.3 Papel Social do Voluntariado.................................................................................... 24 2.4 Motivação do Trabalho Voluntário............................................................................ 28 3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS............................................................ 35 3.1 Tipo de Estudo........................................................................................................... 35 3.2 Universo e Amostra................................................................................................... 36 3.3 Técnica de Coleta de Dados...................................................................................... 37 3.4 Tratamento dos Dados............................................................................................... 38 4. ANALISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS................................................... 39 4.1 Descrição do perfil apresentado pelos voluntários.................................................... 39 4.2 Identificação dos conhecimentos gerais dos voluntários........................................... 47 4.3 Perfil sócio-demográfico dos voluntários.................................................................. 55 5. CONCLUSÕES ........................................................................................................ 66 5.1 Considerações Finais ............................................................................................... 66 5.2 Sugestões para Futuras Pesquisas ............................................................................ 68 6. REFERÊNCIAS........................................................................................................ 70 APÊNDICE................................................................................................................... 76 1. INTRODUÇÃO O desenvolvimento do voluntariado proporcionou o surgimento de uma série de questionamentos a respeito do seu funcionamento e relevância. O grande crescimento deste movimento leva ao interesse em compreender o que motiva e quais as expectativas que essas pessoas têm, em atuar em uma atividade que não proporciona nenhum tipo de remuneração ou recompensa material. Nesse sentido, busca-se, com este trabalho, descrever os motivos e expectativas do voluntariado na Pastoral da Criança da Zona Urbana Sul da cidade de João Pessoa PB, por meio da identificação do perfil adotado pelos voluntários da entidade em questão, de acordo com os perfis sugeridos por Souza, Medeiros e Fernandes (2006). 1.1 DELIMITAÇÃO DO TEMA E FORMULAÇÃO DO PROBLEMA DE PESQUISA O trabalho voluntário, ao longo dos anos, vem ganhando destaque social e cultural, agregando valor e cidadania aos assistidos e às pessoas envolvidas em sua prestação. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), o Brasil contava em 2005 com mais de 19.7 milhões de voluntários, sendo 53% homens e 47%, mulheres. O Brasil tem um potencial de crescimento enorme na área de voluntariado, diversas pesquisas realizadas sobre o tema apontaram que mais de 60% dos brasileiros entrevistados disseram possuir desejo de trabalhar como voluntários se soubessem como e onde ajudar. Conseqüência disso é uma maior quantidade de pessoas envolvendo-se em organizações e entidades, com o intuito de doar-se ao próximo, promovendo assim o crescimento mútuo e melhoria da qualidade de vida (LANDIM; SCALON, 2000). As organizações voluntárias estão inseridas dentro do campo de atuação que Andion (2000) considera como organizações de economia solidária, as quais, de acordo com Serva (1997), comportam organizações que realizam atividades econômicas marcadas, sobretudo, pela predominância do princípio da reciprocidade. Ao estudar a motivação do trabalho voluntário, serão utilizados dados, números e estatísticas referentes à atuação deste no Brasil, na cidade de João Pessoa e, sobretudo, na Pastoral da Criança, da Zona Urbana Sul da cidade, entidade na qual será desenvolvido o levantamento dos dados que servirão de base para o diagnóstico proposto. Por apresentar uma atuação abrangente no tocante ao combate dos problemas sociais no Brasil e possuir reconhecimento do mérito em nível internacional, a Pastoral será a fornecedora de subsídios para estruturar o perfil do voluntariado, beneficiando a presente investigação. Aspectos como o sentido dado ao trabalho ao longo das décadas, a evolução do trabalho voluntário no Brasil, seu enfoque social e a motivação desse agente solidário, serão tópicos que nortearão a abordagem do tema, enfatizando o papel do voluntário e a percepção da sociedade em sua atuação. O crescimento de organizações solidárias e sociais é reflexo dos problemas enfrentados pela sociedade, especialmente, devido à crise de financiamento do Estado. Em um contexto caracterizado por desigualdades, precarização do trabalho, desemprego, entre outros fenômenos, o desenvolvimento das organizações sociais destina-se à redução de mazelas criadas pelo sistema vigente. Uma das peculiaridades dessas novas formas organizacionais é o tipo de vínculo que se estabelece entre indivíduo e atividade. Literatura no tema (MCCURLEY e LYNCH, 1998; MOSTYN, 1983) indica que a filiação ao trabalho voluntário é explicada por um conjunto particular de valores, entre os quais, o altruísmo, o interesse individual em contribuir e a sociabilidade, além de razões religiosas e sentimentos de culpa, de obrigação ou de responsabilidade. Com base nesse entendimento, o presente projeto buscou delinear os motivos do trabalho voluntário na Pastoral da Criança, tomando como referência experiências de voluntários da cidade de João Pessoa, capital da Paraíba. Em pesquisa anterior utilizando como amostra grupos pertencentes à mesma organização em Natal/RN (FERNANDES, 2006), mas que prestam serviço em bairros diferentes, observou-se que os motivos para executar este tipo de trabalho voluntário foram diferentes em cada bairro, uma vez que existiam contextos e processos diversos de socialização dos voluntários e de assistidos. Diante deste contexto emerge a seguinte pergunta de pesquisa: Qual o perfil adotado pelos voluntários da Pastoral da Criança em João Pessoa? Para tratar do trabalho voluntário este trabalho está assim estruturado: apresentação do quadro teórico referente ao tema pesquisado (motivos do trabalho voluntário), dos procedimentos metodológicos adotados, dos resultados da pesquisa e das considerações finais sobre os resultados obtidos. 1.2 JUSTIFICATIVA A justificativa é a parte da pesquisa que explica o porquê de sua realização, conforme assinalam Lakatos e Marconi (1986, p. 184): “Consiste numa exposição sucinta, porém completa, das razões de ordem teórica e dos motivos de ordem prática que tornam importante a realização da pesquisa” Como um dos movimentos que mais cresce neste início de século, o voluntariado, através de ações mais ou menos notórias, exerceu e exerce um papel importante na história, [...] pois oferece uma resposta ao anseio humano de um mundo sem males, sem dor, sem necessidade básicas não-atendidas, por isso o voluntariado é uma utopia e uma topia. Como utopia, é uma busca humana de corrigir o que foi distorcido pela própria humanidade. Como topia é a realização de ações que já estão efetivadas historicamente, por meio das mais diversas instituições e ações organizadas (MEISTER, 2003, p.102 apud MARQUES, 2006). Cada vez mais as pessoas doam seu tempo e esforços, visando um bem comum, com o objetivo de realizar o bem através de sua disposição, demonstrando amor ao próximo. O trabalho voluntário vem crescendo a cada dia que passa, no Brasil e no mundo, expandindo-se em diversas áreas de atuação. No mundo todo, entre 10 e 20% da população adulta são voluntários em organizações não governamentais. O potencial de crescimento nessa área é imenso: 45% da população demanda mais oportunidades de voluntariado (VOLUNTARIADO, 2009). O crescente aumento do número de pessoas interessadas em prestar atividade voluntária, leva à reflexão a fim de compreender o motivo pelo qual esses indivíduos se doam, sem nenhuma contrapartida financeira e permanecem nessas organizações. No caso particular deste trabalho, ao estudar uma organização de natureza filantrópica e sem fins lucrativos, além da intenção de conhecer os motivos atribuídos ao trabalho por esse grupo de indivíduos, o resultado encontrado poderá ajudar, em uma outra oportunidade de estudo, a elucidar estes motivos em organizações compostas de trabalhadores que são remunerados, para verificar possíveis diferenças e semelhanças. O tema mostra-se oportuno, pois os últimos números divulgados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) mostram que em sete anos, de 1995 a 2002, o número de entidades que praticam trabalho voluntário apresentou um aumento de 71% passando de 190 mil para 326 mil. (ZAVALA, 2009) O caráter subjetivo das relações entre esses agentes e as pessoas assistidas, traduz-se na solidariedade com uma determinada causa, demonstrando a necessidade de investigação do tema. A escolha da Pastoral da Criança baseia-se no fato desta instituição reunir elevado volume de trabalho voluntário no Brasil. A Pastoral conta com um número em torno de 267.000 voluntários e atende a 1,9 milhão de crianças de zero a seis anos, em 42.020 comunidades de 4.063 municípios (IDÉIA SOCIAL, 2007). A mesma possui o objetivo principal de atuar na promoção humana, via combate à mortalidade infantil, à desnutrição, à violência doméstica e à marginalidade social. Visando a oferta de suporte às famílias e comunidades, a Pastoral desenvolve, também, outros projetos complementares às ações básicas, tais como: alfabetização de jovens e adultos, programa de geração de renda, programa de segurança alimentar, planejamento familiar natural, assistência à terceira idade e comunicação social (CARVALHO e SOUZA, 2007). Os aspectos de sua excelente atuação demonstram a relevância da Organização na promoção do desenvolvimento infantil no país e, por isso, é ambiente privilegiado para o estudo de motivos relacionados à atividade voluntária. A acessibilidade oferecida pela Pastoral no tocante ao contato com os voluntários, da mesma, em João Pessoa, para aplicação dos questionários, permitiu a viabilidade da pesquisa. O propósito desta pesquisa é descrever o que motiva e quais as expectativas que regem a atitude engajada do trabalhador voluntário que, por muitas vezes, vê-se mais comprometido com a organização ou entidade a que assiste, do que outros trabalhadores que atuam remuneradamente. Entender o que move essas pessoas e qual a real recompensa na prestação desse serviço é o foco desse trabalho. 1.3 OBJETIVOS VERGARA (1998) recomenda que os objetivos devem guardar uma estreita sintonia com o problema de pesquisa, por consistirem nos resultados a serem alcançados. Para LAKATOS e MARCONI (1986), o objetivo geral de um projeto de pesquisa deve dar ao leitor uma visão geral e abrangente do assunto a ser pesquisado e deve vincular-se diretamente ao significado da própria tese proposta no projeto. Dessa forma, os objetivos deste projeto são assim propostos: 1.3.1 Objetivo geral Descrever os motivos do trabalho voluntário na Pastoral da Criança da Zona Urbana Sul da Cidade de João Pessoa - PB. 1.3.2 Objetivos específicos a) Identificar as motivações dos voluntários quanto à entrada, expectativas, permanência e saída concernente à Pastoral da Criança de João Pessoa; b) Identificar, nos voluntários, conhecimentos gerais sobre o trabalho desenvolvido na Pastoral da Criança de João Pessoa; c) Apreciar, nos voluntários, o perfil sócio-demográfico e sua relação com o trabalho voluntário desenvolvido. Entretanto, entende-se que não se tem a pretensão de esgotar a reflexão nem de criar um método sobre gestão de voluntários, mas sim de trazer dados que possibilitem um melhor entendimento deste contexto e de embasar futuras pesquisas. 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA O referencial teórico deste trabalho se desdobra em quatro partes principais. A primeira corresponde à contextualização do sentido dado ao trabalho ao longo do tempo. A segunda parte envolve uma abordagem geral a respeito do trabalho voluntário. A terceira corresponde a uma explanação a respeito do papel social do voluntariado e, por fim, é feito um embasamento teórico dos motivos que levam as pessoas a desenvolverem o trabalho voluntário. 2.1 TRABALHO Desde os tempos mais remotos, o homem desenvolve o trabalho e atribui significados a ele, que correspondem ao sentido dado ao trabalho, em seu tempo, de acordo com o contexto de cada época. Segundo Castro (2003) apud Moura e Souza (2007, p. 151) “o trabalho já foi considerado um castigo, um meio de sobrevivência, de criação de valor e utilidade, uma vocação, um instrumento de dignificação do homem”. Da Idade Média à Revolução Burguesa, por exemplo, a premissa “produzir para sobreviver” foi substituída por “vender para lucrar”. Desde então muitos outros enfoques foram surgindo, alterando, assim, o sentindo do trabalho. A partir de meados dos anos 1950, pesquisadores têm buscado compreender o significado atribuído ao trabalho pelas pessoas em diferentes países. Os resultados obtidos por pesquisadores do grupo Meaning of Work International Research Team ([MOW], 1987 apud MORIN, 2001) mostraram que o trabalho pode assumir desde uma condição de neutralidade até de centralidade na identidade pessoal e social (MORIN, 2001). Hackman e Oldman (1976, apud MORIN, 2001) destacam três características que contribuem para dar sentido ao trabalho: a) a variedade de tarefas que possibilitaria a utilização de competências variadas; b) a identidade do trabalho, ou seja, um trabalho não alienante, no qual o trabalhador consiga identificar todo o processo desde sua concepção até sua finalização e tenha um resultado identificável; e c) o significado do trabalho, onde a execução do trabalho deve ter um impacto positivo na vida de outras pessoas, seja no contexto empresarial ou na sociedade. Com o trabalho voltado para a geração de lucro, o homem passou a buscar a melhor forma de executá-lo, padronizando movimentos e tempo, de forma a alcançar o máximo aproveitamento com o menor custo. A busca pela praticidade nessas atividades trouxe a modernidade e, consigo, mudanças, não apenas, na forma como as atividades são executadas, mas também na maneira como elas são pensadas pelos seus agentes executores. MORIN (2001) e MOURA e SOUZA (2007) destacam em seus trabalhos a contribuição que Fryer e Payne deram a respeito do tema trabalho, afirmando que este seria uma atividade útil, determinada por um objetivo definido, além de gerar prazer em sua execução. Destacaram também a diferença entre trabalho e emprego, em que, segundo eles, emprego seria o conjunto de atividades remuneradas em um sistema organizado economicamente e relacionado à compensação financeira, status e poder, enquanto trabalho estaria mais relacionado a atividades compensatórias em si mesmas. Borges (1997), a partir da perspectiva da teoria da cognição social, considera o trabalho como uma atividade dotada de sentido para o indivíduo que a realiza. Essa necessidade intrínseca do homem, de satisfazer-se e da busca pelo seu bem-estar, permite que o mesmo atue sobre sua vida, desenvolvendo atividades que lhe permitam, não apenas, a modificação de sua realidade, mas ainda a conquista da auto-realização. Von Mises (1995) apud Amaral (2008) afirma ainda que [...] o insight praxeológico fundamental, segundo o qual os homens preferem o que lhes dá mais satisfação ao que lhes dá menos satisfação e valoram as coisas com base na sua utilidade, não precisa ser corrigido ou complementado com alguma alusão à desutilidade do trabalho. Estas proposições já implicam afirmar que o trabalho é preferível ao lazer somente quando o produto do trabalho é mais urgentemente desejado do que o desfruto do lazer. Atribuídas a aspectos como globalização, flexibilização das relações de trabalho, inovações tecnológicas e/ou sócio-organizacionais, entre outros, as mudanças no conceito de trabalho vêm adquirindo cada vez mais conotação de realização pessoal do que de sofrimento e punição, como era associado, na antiguidade, devido a sua origem, do latim tripalium. A palavra tripalium (ou trepalium) significava um instrumento de tortura composto por três paus com ferro, ou ainda um aparelho que servia para prender grandes animais domésticos enquanto eram ferrados; já tripaliare, por denotação, implicava a idéia de qualquer ato que representasse dor e sofrimento. (GRANCONATO, 2006) Essa origem etimológica revela que o significado dado à palavra trabalho advém da idéia segundo a qual qualquer atividade humana que exigia esforço físico era tida como penosa e desgastante, pois trazia cansaço e chegava a ser um castigo. O trabalho possuía um sentido puramente material. (apud GRANCONATO, 2006) Segundo VON MISES (1995 apud AMARAL 2008), denomina-se trabalho o emprego das funções e manifestações fisiológicas da vida humana como um meio. O homem trabalha ao usar suas forças e habilidades como um meio para diminuir seu desconforto, e ao substituir o escoamento espontâneo de suas faculdades físicas e tensões nervosas pela exploração propositada de sua energia vital. O trabalho é um meio e não um fim em si mesmo. OLIVEIRA et al (2004 apud COUTINHO e GOMES, 2006) afirmam que o trabalho cuja finalidade consiste apenas em atender à sociedade de consumo adquire uma significação totalmente estética, ou seja, o trabalho não se apresenta como fundamento para o desenvolvimento de identidades e projetos de vida. Estes autores consideram que o trabalho é um fator de integração social e fonte de realização. O trabalho, em sentido econômico, é toda a atividade desenvolvida pelo homem sobre uma matéria-prima, geralmente com a ajuda de instrumentos, com a finalidade de produzir bens e serviços. No capitalismo, a sociedade, a grosso modo, divide-se entre aqueles que detêm o capital e aqueles que, por só possuírem sua força de trabalho, a vendem. Assim, a noção do trabalho 'verdadeiro' sempre esteve ligada à idéia de auferir ganho com esta atividade (SILINGOWSCHI, 2003). Contudo, enquanto atividade intencional humana e termo em constante redefinição, o trabalho ganhou enfoques e conotações, no novo cenário mundial, proporcionando o surgimento de uma nova geração de trabalhadores, que se dedicam, agora, há duas ou três jornadas de trabalho, sendo, ao menos, uma destas voltada para a prática de ações sociais, não remuneradas e vinculadas a valores próprios. Devido a incapacidade do Estado de suprir as necessidades básicas de seus cidadãos, principalmente dos menos favorecidos, a iniciativa privada foi levada a assumir tarefas que antes eram consideradas exclusivas do Estado, ao que se chamou de Terceiro Setor. Segundo Manñas e Cardoso (2004) apud Marques (2006), o terceiro setor é uma expressão traduzida do inglês third sector e foi introduzido no vocabulário econômico para designar as organizações sem fins lucrativos que se ocupam dos desafios sociais da comunidade. A origem da expressão está ligada ao fato de que o Estado é considerado o primeiro setor e, por sua vez, o mercado, apenas voltado à geração de lucro, o segundo setor. Assim, organizações não governamentais e entidades filantrópicas substituem o Estado naquilo que ele é insuficiente para prover à população e, para tanto, estas entidades necessitam de pessoas dispostas a trabalhar, não por dinheiro, mas pela satisfação de ajudarem o próximo, por solidariedade” (SILINGOWSCHI, 2003). Segundo FERNANDES (apud DOMENEGHETTI, 2001), terceiro setor é o conjunto de organizações sem fins lucrativos, criadas e mantidas pela ênfase na participação voluntária, no âmbito não governamental, dando continuidade às práticas tradicionais de caridade e filantropia, expandido o seu sentido para outros domínios, graças, sobretudo, à incorporação do conceito de cidadania e de suas múltiplas manifestações na sociedade civil. Nesse contexto, o papel do voluntariado, no Terceiro Setor, é tido como uma forma de exercício da cidadania, a qual, segundo CANIVEZ (1991 apud DOHME, 2001), é a participação ativa nos assuntos da cidade. É o fato de não ser meramente governado, mas também governante. Nesse sentido, a liberdade não consiste apenas em gozar de certos direitos; consiste essencialmente no fato de ser “co-participante do governo”, e a cidadania “depende da adesão a uma certa maneira de viver, pensar ou de crer”. O trabalho desenvolvido no Terceiro Setor possui uma quantidade expressiva de pessoas que trabalham voluntariamente, sem receber qualquer contrapartida financeira pelo exercício da sua função. 2.2 TRABALHO VOLUNTÁRIO A palavra “voluntário“ vem do adjetivo latino voluntarius que, por sua vez, deriva da palavra voluntas ou voluntatis, que significa: capacidade de escolha, de decisão. Atualmente, ela é usada, como substantivo, para referir-se a “aquele que se oferece para uma tarefa a que não estava obrigado” e, ainda, ao “indivíduo que se alista espontaneamente num exército“ (LAROUSSE CULTURAL, 1992, p. 453). O trabalho voluntário, quando surgiu, foi considerado como atividade para pessoas desocupadas. Entretanto, o cenário mudou significativamente nos últimos anos. O Histórico do voluntariado, no Brasil, para que se tenha uma idéia de sua evolução, aconteceu da seguinte forma: (GRANCONATO, 2006 e HISTÓRICO DO VOLUNTARIADO, 2009) • Século XVI - teve suas primeiras manifestações, enquanto assistência social, baseadas em princípios da caridade cristã, e tem sua história atrelada à fundação da Santa Casa de Misericórdia em Santos, no ano de 1543, fator que influenciou seu foco voltado à assistência social e, principalmente, à religião; • Primeira metade do Séc. XIX – Entre as diversas organizações filantrópicas fundadas nessa época, constavam as religiosas, as de saúde e os educandários, assim como as associações de assistência aos imigrantes e associações profissionais. • Segunda metade do Séc. XIX - em vista da disseminação de doenças contagiosas (órfãos, alienados, inválidos, delinqüentes), era feito um trabalho essencialmente feminino com enfoque na caridade, que fora chamado de “cruzada filantrópica”; • Em 1910 - o escotismo chega ao Brasil com seus princípios e normas específicas na área de Servir ‘Sempre Alertas’, introduzindo seus conceitos em nossa sociedade; • Em 1930 - o governo e suas instituições passam a ser mais ativos com o desenvolvimento de políticas assistencialistas, reforçadas na era Vargas; • Fim da década de 1950 - movimentos sociais reivindicatórios estruturaram organizações, sofrendo retração de 1965 a 1980 por influência do Estado. • Anos 1980 - observou-se uma co-responsabilidade das questões sociais entre Estado e sociedade civil (ONG´s, Fundações e empresas); • Anos 1990 - o voluntário começou a ser visto como o cidadão motivado pela solidariedade e participação em prol de causas de interesse social e comunitário; • Em 1998 - O Presidente Fernando Henrique Cardoso promulga a lei 9.608 de 18 de fevereiro que condiciona o trabalho voluntário, nas entidades sociais, regulamentando, legitimando e reconhecendo esse tipo de ação, minimizando dessa forma a probabilidade de ocorrência de problemas nas relações trabalhistas; • Ano 2001- Declarado pela ONU como o Ano Internacional do Voluntário, o que veio a incrementar os esforços no sentido de ampliar a divulgação e o estabelecimento de programas de voluntariado em todo o país. (ANO DO VOLUNTARIADO, 2009) Historicamente associado a um trabalho de caráter religioso, assistencialista, paternalista e de ajuda às pessoas carentes e menos favorecidas, e muitas vezes ainda, associado a idéias de corrupção e de má fé, o trabalho voluntário caminha, agora, em direção à expressão de uma ética da solidariedade e participação cidadã. A motivação por valores como da caridade, compaixão e amor ao próximo, começam a ceder espaço para a inclusão de uma motivação por valores como cidadania e participação responsável, consciente e comprometida com a comunidade, tanto dos indivíduos como das instituições (RIBAS, 2003). O trabalho voluntário ou ação voluntária, pode ser apenas uma ajuda informal (ao vizinho, ao colega), um esforço no sentido de consolidar o espírito comunitário, uma ajuda formal, através dos serviços sociais organizados, e/ou uma oportunidade para mudanças sociais. No Brasil de hoje, em maior ou menor grau, estão presentes as quatro vertentes, com certa predominância da terceira (CORULLÓN, 2004). Para ROCA (1994, p. 64-65), existem três modalidades de voluntariado: • Voluntariado assistencial: aquele que desenvolve dispositivo orientado a manter vivo o sujeito, reduzir seus riscos, curar ou tratar suas deficiências, estando atento à dimensão humana da necessidade, enfatiza a comunicação interpessoal e as relações humanas; • Voluntariado da reabilitação: aquele que desenvolve dispositivo orientado a ativar a autonomia pessoal, potencializar a auto-dependência e recuperar as capacidades que deixaram de funcionar; • Voluntariado da promoção: aquele que desenvolve dispositivos orientados a evitar a exclusão social, prevenir os processos de marginalização e remover as causas do sofrimento humano. Entende-se, desse modo, a capacidade individual, desenvolvida pelos diversos atores sociais, em assumir papéis derivados de um conjunto de valores sócio-pessoais e crenças, que permitem a sua participação na busca da melhoria dos problemas da sociedade. “O serviço voluntário atende a um imperativo de solidariedade social, que é a idéia de solidariedade para a realização de um bem comum das pessoas, de ajuda mútua entre as pessoas.” (MARTINS (2005 apud GRANCONATO, 2006) Segundo MELUCCI (2000 apud MARQUES 2006), uma ação voluntária é, “antes de tudo, a ação é orientada para a busca de objetivos comuns aos que dela participam, podendo, entretanto, permanecer, no seu interior, uma multiplicidade de objetivos individuais ou de subgrupos”. Para o Programa Voluntário do Conselho da Comunidade Solidária (apud CARVALHO, OLIVEIRA, 1998), “o voluntário é o cidadão que, motivado pelos valores de participação e solidariedade, doa seu tempo, trabalho e talento, de maneira espontânea e não remunerada, para causas de interesse social e comunitário”. Em definição da Organização das Nações Unidas, "o voluntário é o jovem ou o adulto que, devido a seu interesse pessoal e ao seu espírito cívico, dedica parte do seu tempo, sem remuneração alguma, a diversas formas de atividades, organizadas ou não, de bem estar social, ou outros campos..." (ONU, 2009) Segundo PASTORE (2001 apud GIROTO et al, 2004), algumas das características que compõem o perfil ideal do voluntário são: • Discrição: eles devem falar baixo, ser discretos, se absterem de comentários impertinentes, não trajar roupas inconvenientes; • Assiduidade: devem ser assíduos, para não atrapalhar o andamento de tudo o que dependa do desempenho e função, pois muitas vezes o atendido se apega sobremaneira ao voluntário, sofrendo com suas faltas; • Pontualidade: tem o mesmo enfoque da assiduidade, atrapalha a atuação das pessoas envolvidas, prejudicando dessa forma o andamento do trabalho; • Responsabilidade: o voluntário deve realizar da melhor forma as tarefas que lhe são atribuídas, se responsabilizando pelo trabalho; • Boa vontade: ele deve estar aberto e acessível às solicitações; • Paciência: ele deve exercitar a paciência e perseverança em continuar seu trabalho, apesar das diversidades encontradas; • Prontidão e iniciativa: estar sempre alerta às necessidades de quem está atendendo, ter iniciativa para resolver os problemas do dia-a-dia, o que resulta num auxílio mais efetivo e eficaz; • Criatividade: ele deve ter a criatividade sempre aflorada, desenvolvendo utensílios adequados aos atendidos, dar ótimas idéias para melhor andamento do setor em que atua; • Vontade de mudar: de melhorar, de reverter e intervir na causa ou no problema que levou à abertura da instituição, vontade de mudar para melhor o desempenho do setor; • Pró-ativos: ele não pode somente esperar por soluções ou só realizar estritamente o que lhe foi solicitado, tem que buscar ação, solução, trabalho. Observa-se, na descrição de PASTORE (2001), a extensão do perfil do voluntário como não sendo apenas no aspecto econômico, mas também, quanto ao que ele pode e deve contribuir para que os objetivos da “causa” na qual ele atue sejam alcançados. O trabalho voluntário, diferentemente do trabalho remunerado presente nas organizações capitalistas, tem sido definido como o esforço oferecido espontaneamente, ou a pedido, sem remuneração, por qualquer pessoa que deseja colaborar por amor, benevolência, afeto, compreensão e responsabilidade em organismos que trabalham em favor do bem-estar coletivo (GARAY, 2001). No Brasil, o trabalho voluntário é regulamentado pela Lei 9.608, sancionada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, em fevereiro de 1998. Nesta, ficam dispostas características que definem o trabalho voluntário, eximindo de dúvidas ou comparações, outras atividades desenvolvidas de caráter semelhante ao do exposto. O fato do serviço voluntário não gerar vínculo empregatício, nem obrigação de natureza trabalhista, previdenciária ou afim, é um dos principais aspectos que o diferenciam do trabalho remunerado. (LEI DO VOLUNTARIADO, 2009) De acordo com a Lei do Voluntariado, independentemente do motivo que leva uma pessoa ao serviço, para ser caracterizado como voluntário, o trabalho deve ocorrer por vontade própria, sem remuneração, prestado por um indivíduo isoladamente e para uma organização sem fins lucrativos, com objetivos públicos. Contudo, é necessário que exista uma atividade, o esforço de uma pessoa física. Não basta que essa dê o seu dinheiro a alguma das entidades descritas no artigo acima transcrito; é necessário que a pessoa invista parte de seu tempo e de suas forças em prol de uma entidade pública ou de uma instituição sem fins lucrativos. Nesse tipo de serviço, há doação de forças e não de dinheiro ou outras espécies de donativos. A partir da leitura do artigo da Lei do Voluntariado, extrai-se também, que não pode ser considerado voluntário para os fins dessa lei, o indivíduo que se submete a tratamentos ou pesquisas científicas de forma voluntária, pois nesse tipo de situação não há trabalho propriamente dito por parte daquele que se voluntariou. 2.3 PAPEL SOCIAL DO VOLUNTARIADO Considerando o caráter de mudança e ajuste social, que o trabalho voluntário propõe atualmente, não há dúvida de sua importância, pois esse movimento de pessoas que se dispõem a ajudar, pressupõe um movimento de mudança de atitude, que reflete em diferentes esferas da vida social, gerando benefícios para o próprio voluntário, para as pessoas com quem o voluntário se relaciona, para a comunidade e a sociedade como um todo. Na acepção de HUDSON (1999), o setor voluntário oferece três contribuições importantes para a sociedade: - representação, por contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas e para os processos de integração e coesão social; - inovação, por incorporar ações que transformam o meio social, desenvolvendo sujeitos e comunidades; - cidadania, por ser realizada a partir de ações de natureza informal e, mesmo assim, sob elevado grau de eficiência e eficácia. O voluntário ao envolver-se com a organização a que apóia, desenvolve uma postura não apenas de doação de tempo, habilidades, conhecimentos e talento, às tarefas que desempenha dentro da entidade, essa postura passa a fazer parte de sua vida social. Voluntário é o ator social e agente de transformação, que presta serviços não remunerados em benefício da sociedade. Doando seu tempo e conhecimentos, realiza um trabalho gerado pela energia de seu impulso solidário, e atende não só às necessidades do próximo, como também aos imperativos de uma causa. O voluntário atende também suas próprias motivações pessoais, sejam esta de caráter religioso, cultural, filosófico ou emocional (definição da Fundação Abrinq pela Defesa dos Direitos da Criança, em 1995(ORTIZ, 2007, p.31) ). DOHME (2001) identifica quatro elementos no que se refere ao voluntariado: • A qualificação – o conceito atual de voluntário está ligado à execução de um trabalho de qualidade; • A satisfação – um trabalho exercido com prazer e que dá um sentimento de plenitude a quem o executa; • A doação – ocorre uma entrega de quem está executando esse trabalho em prol do próximo, da comunidade, como forma de materialização do amor que possui; • A realização – um trabalho que tem compromisso com o êxito, que está determinado a cumprir com os objetivos propostos. Quando faz-se referência ao voluntário contemporâneo, engajado, participante e consciente, diferencia-se também o seu grau de comprometimento: ações mais permanentes, que implicam em maiores compromissos, requerem um determinado tipo de voluntário, e podem levá-lo inclusive a uma "profissionalização voluntária"; existem também ações pontuais, esporádicas, que mobilizam outro perfil de indivíduos. (LIMA, 2003) O voluntário profissional termina por influenciar grupos que ainda não assimilaram a nova cultura do voluntariado. Muitas entidades insistem em considerar o voluntário como alguém de quem não se pode cobrar responsabilidades, já que trabalha sem remuneração. Porém, a manutenção da credibilidade e a conquista de novos parceiros, torna-se difícil para quem permanece com essa mentalidade. Mesmo variando em seus termos, todas as definições em torno das palavras: “voluntário“, “trabalho voluntário“ e “voluntariado“ são suficientemente amplas para comportar os interesses, necessidades e características de toda e qualquer pessoa que disponha de tempo para uma atividade não remunerada, em benefício do próximo ou de uma causa social. Todos os que se reconhecem ou que desejam ser reconhecidos nelas, parecem ser bem-vindos. (ORTIZ, 2007). Esse envolvimento do agente social com o trabalho voluntário passa a caracterizar um perfil de multiplicador do bem-estar social, que transpassa os muros da organização. O fato do trabalho desempenhado por esses indivíduos ser ausente de remuneração e de obrigatoriedade, permite que o mesmo desenvolva aquela ação com total adesão aos fins propostos, por estar fazendo algo que gosta e que escolheu, acrescentando amor ao trabalho. Para DOHME (2001), esses aspectos são atributos que darão qualidade ao trabalho desenvolvido. É o que torna o papel do voluntário acrescido de valores positivos. O voluntariado apresenta-se como um meio de participação espontânea e ativa na sociedade, cujo objetivo é a troca entre pessoas, propiciando um enriquecimento mútuo e solidário, compromisso por quem se sente, se reconhece e intervém como cidadão. Ser voluntário não depende de filiação à instituições ou organizações. O agente social pode fazer ações individualmente, sempre projetando uma melhoria para outras pessoas, segmentos e para a própria comunidade. Ao sentir as necessidades e dificuldade onde tem capacidade de interferir positivamente, o voluntário age no intuito de diminuir ou solucionar esses problemas. A participação em campanhas, mobilização de grupos, apoio a projetos públicos e a procura por organizações sociais que reforcem os ideais de desenvolvimento e qualidade de vida, são ações que o voluntário faz pela sociedade. Considera-se que o voluntariado, na perspectiva da solidariedade, pode caracterizar o retorno à filantropização, que se constrói não a partir de referências políticas, mas baseada na moral de ajuda ao outro, reforçando que não se produzam direitos possíveis de serem reclamados judicialmente. Dessa forma, promove-se o avanço do ideário da “sociedade solidária”, fazendo com que se forme um sistema misto de proteção social, conciliando iniciativas do Estado e da sociedade civil, mais especificamente do terceiro setor. (FAGUNDES, 2006) O voluntariado não substitui o Estado nem exclui o trabalho remunerado, é na verdade uma movimentação independente que o organismo social pode exercer. O “agente da transformação” pode ser identificado como um cidadão "comprometido com a sociedade, baseado na liberdade de escolha, promovendo um mundo melhor e um valor para toda a sociedade". (Definição da Associação Internacional de Esforços Voluntários - IAVE (International Association for Volunteer Effort)). (IAVE, 2009) O papel que o voluntário exerce é visto de formas diferentes pela sociedade. Em geral, é tido como a pessoa solidária, que disponibiliza tempo e talento em prol de uma causa, sem retribuição financeira. Em contrapartida, ganha a admiração de todos sociedade, funcionários da instituição onde colabora e população beneficiada. A sociedade enxerga no voluntário um coração generoso que, mesmo diante das atribulações do dia-a-dia, encontra disposição para se dedicar gratuitamente a algum projeto. Para os funcionários, ele é um parceiro de equipe, fundamental para o desenvolvimento do trabalho. Já a população beneficiada considera-o um complemento indispensável às atividades realizadas pelo pessoal remunerado. (GOMES, 2000) Com a participação em atividades voluntárias, as pessoas encontram espaço para seu crescimento pessoal e para sua auto-realização. Considerando os resultados obtidos com a participação nessas atividades, é possível perceber significativas transformações pessoais vivenciadas pelo voluntário, como: restaura valores importantes que estavam adormecidos ou esquecidos; enriquecimento espiritual e apreensão de uma nova personalidade carregada de propriedades como a bondade, a humildade, etc; aumento da responsabilidade e tolerância em relação a fatos e pessoas. Além disso, contribui com seu crescimento emocional, colaborando ao mesmo tempo, para a redução da dor física e espiritual, para a melhoria da qualidade de vida de outras pessoas, para o crescimento moral, espiritual e profissional de pessoas carentes. Pode-se entender que o desempenho das atividades voluntárias de maneira compromissada traz resultados positivos tanto para o voluntário quanto para aqueles que por este trabalho são atingidos. O voluntário é um importante suporte para a construção de um novo contexto social e para a manutenção de práticas altruístas relacionadas ao bem estar comum. 2.4 MOTIVAÇÃO DO TRABALHO VOLUNTÁRIO A extensa literatura existente acerca do comportamento de indivíduos profissionalizados nas organizações não pode ser generalizada e aplicada a indivíduos voluntários, pois existem diferenças importantes entre estes dois grupos de trabalhadores. Uma das principais diferenças está, exatamente, nas motivações (CNAAN E CASCIO, 1998; MESCH, TSCHIRHART, PERRY E LEE, 1998 apud FERREIRA, PROENÇA E PROENÇA, 2008). Outras diferenças importantes entre elementos profissionalizados e voluntários, de acordo com incluem: as questões monetárias; o tempo disponibilizado – apenas algumas horas por semana pelos voluntários; a afiliação dos voluntários a mais do que uma organização; a fraca dependência dos voluntários, nomeadamente em termos econômicos e regalias sociais; o recrutamento dos voluntários que tende a ser informal; as normas e os valores das organizações nem sempre são aceitos pelos voluntários e a relutância das organizações em avaliarem o trabalho dos voluntários, já que pode parecer que estão questionando a dedicação do voluntário. (CNAAN E CASCIO, 1998 apud FERREIRA, PROENÇA E PROENÇA, 2008) A busca pelo desenvolvimento pessoal está presente no ser humano, e é comum as pessoas encontrarem no trabalho voluntário uma oportunidade para o seu próprio crescimento. Este crescimento pode acontecer em relação à aquisição de conhecimentos, de habilidades ou desenvolvimento da personalidade, com o aumento de nível de paciência, compreensão, altruísmo, entre outros. Para ARAUJO (2008), o voluntarismo tem como fonte, a solidariedade social doadora, na sociedade capitalista contemporânea. Ele explica que esse tipo de solidariedade manifesta-se nas relações sociais, nos vínculos recíprocos entre agentes sociais, tornando-se doadora à medida que, de um lado, colocam-se os agentes sensibilizados com as necessidades sociais e, de outro, os agentes atingidos pelas vicissitudes da pobreza. E que, nesta relação envolta de princípios moralizantes, são estes que, de alguma forma, dão certa ambigüidade à assistência social, agregando desejos, interesses e necessidades, dedicação a um trabalho de “ajuda” ao próximo, podendo ser entendida como uma disponibilidade muito pessoal, negando que possa haver um retorno de gratificação simbólica. O sentimento de utilidade a alguém dá sentido à vida dos envolvidos, pois contém, ao mesmo tempo, um desejo de “ajudar e ser ajudado”. Para KOHAN (1971), ARAUJO (1981) e CARLONI (1998) (apud ARAUJO, 2008), a essência motivacional do voluntariado tanto pode ser a religiosidade como de ordem psicológica. A tônica é de doação, interseccionando-se aspectos de valores religiosos, de crença judaico-cristã, associados a necessidades psicológicas, como formas de compensar inquietações frente a problemas sociais” e, “não há uniformidade quanto às razões que o levam a participar de um programa ou de uma organização social. Estão presentes diversos valores, relacionados à raça, à condição social, ao sexo, a religiões e a regiões geográficas. Neste sentido, há uma multiplicidade de interesses e de manifestações culturais. Muito se observa, a respeito do voluntariado, da assistência social ou do trabalho voluntário, que esse agir em favor do próximo é um ato de vontade, que implica espontaneidade, sendo seu objetivo primeiro a consecução de uma determinada tarefa de assistência social. Para DOHME (2001), a decisão de desenvolver um trabalho voluntário pode estar ligada às seguintes expectativas: Fazer diferença – é visto o que dá, mais claramente, a sensação de realização para cada voluntário, o que o leva a sentir que está fazendo algo significativo. O voluntário sentese bem em estar apoiando uma causa que ele considera justa e que coincide com sua visão pessoal. Usar habilidades – poder utilizar-se de uma habilidade que este domina ou gosta muito, mas da qual não faz uso na sua vida pessoal. Desenvolvimento Pessoal – a fim de se aperfeiçoarem em determinada profissão, muitos vêem o voluntariado como forma de capacitação e de adquirirem alguma experiência profissional. Satisfação em fazer parte de um grupo – fazer parte de um grupo que compartilha de um mesmo tipo de pensamento e que possui uma escala de valores semelhante, faz com que o voluntário sinta-se motivado por pertencer ao grupo, sentir-se parte dele. Identificação pessoal com a causa – pessoas que já se utilizaram de alguma organização ou que vêem a causa ligada a algum problema que já tiveram consigo ou com parentes próximos, sentem-se identificados a apoiar a causa para que outros não venham a sofrer o que elas sofreram. BOURDIEU (1994) e (COSTA) 2000 apud ARAUJO, 2008 apresentam concepções a respeito das relações sociais de interesse, existentes no trabalho voluntário. Para Bourdieu (1994), “o interesse é apresentado de forma desinteressada, o que leva a inferir que na ação assistencial está presente um capital simbólico, que nada mais é do que valores altruístas existentes nas práticas sociais. Isso quer dizer que, apesar do desinteresse aparente, o trabalho voluntário contém intenções de lucro simbólico, obtido por meio de atitudes generosas, dadivosas e doadoras”. Costa (2000), por outro lado, pondera que ”quanto ao “interesse de doação”, o indivíduo se preocupa com o outro e, por isso, necessita e até tem obrigação de doar. A compensação do ato de doar é a contrapartida da aquisição”. Por se tratar de alguém com intenções solidárias e que não espera nada de material em troca de suas ações, a motivação, no que se refere ao voluntário, corresponde a tudo, ou seja, é o que permitirá o interesse de continuidade da participação, deste, como voluntariado. Geralmente, afirma DOHME (2001), as aspirações de um voluntário são relacionadas ao próximo: À satisfação de estar contribuindo com a diminuição do sofrimento ou das injustiças; à realização de trazer alegria ou estar contribuindo para a auto-suficiência de outras pessoas; a sentir-se um agente construtor, atuante, de sua comunidade; a estar trabalhando na construção de um futuro que coincide com sua visão pessoal e seus valores individuais. Segundo COLEMAN (apud COHEN, 1964) as pessoas decidem ser voluntários a fim de “conseguir a satisfação da participação em um grupo, o que quer dizer que elas necessitam sentir-se parte de objetivos e significado mais amplos da vida grupal, para obter a satisfação decorrente da dependência, da afeição, da situação social e da realização criadora” Dessa forma, o que passa a ser visto como a retribuição ao trabalho desenvolvido pelo voluntário, são ações mais abstratas, como o fato de sentir-se aceito, valorizado, fazer parte de um time, sentir-se aprovado, ver que está alcançando seus objetivos com o trabalho que desenvolve, ser tratado com respeito pelos demais voluntários, visto com dignidade e como exemplo pelos demais. MCCURLEY e LYNCH (1998) classificam os motivos do trabalho voluntário elegendo três categorias: • altruísta – ajudar aos outros, obrigação de retribuir por algo recebido, dever cívico, convicção religiosa, fazer uma diferença no mundo, crença na causa; • interesse próprio - adquirir experiência, desenvolver novas habilidades, constituir amizades, causar boa impressão a alguém, sentir-se importante e útil, exibir capacidade de liderança, experimentar novos estilos de vida e culturas, prazer e alegria; • familiar - aproximar a família, servir de exemplo, benefício e retorno próprio, retribuir algo recebido por membro da família. Para MOSTYN (1983) há cinco categorias de organizações voluntárias: altruístas; para ajudar pessoas em situação de aflição; para fornecer ajuda aos menos afortunados; para melhorar a sociedade; por interesse próprio. De comum nas teorias de MCCURLEY e LYNCH (1998) e de MOSTYN (1983), é evidente o entendimento de que a decisão para o trabalho voluntário varia em motivos altruístas e o interesse próprio. Como síntese das categorizações esboçadas por Mostyn (1983), a Hierarquia do Trabalho Voluntário, traçada por Souza, Medeiros e Fernandes (2006), a qual servirá de referencial para o diagnóstico dos elementos do trabalho voluntário, nesta pesquisa, apresenta uma delimitação de cinco níveis em que estes valores pessoais, que vinculam o indivíduo à organização, podem ser enquadrados, dando-nos meios de mensurar ou ao menos apontar uma tendência maior dos motivos e expectativas que conduzem esse contingente voluntariado ao desempenho de atividades de cunho social. O desenvolvimento dessa estrutura hierárquica, das motivações do trabalho voluntário, possibilita-nos delimitar níveis que outrora pareceriam inseparáveis, por não se apresentarem nem totalmente egoístas, nem totalmente altruístas. Os autores apresentam os cinco níveis da seguinte forma: • Nível I – Altruísta: retrata uma maior percepção de auto-sacrifício, por parte do voluntário, por estar exposto a tantas variáveis que implicam risco, sob a perspectiva de sentir-se solidário ao seu igual que está em condição de vida desigual e inferior a sua; • Nível II – Afetivo: reúne motivos relacionados ao sentimento de auxílio e amparo a pessoas em situação de exceção, estando o voluntário interessado no resgate da cidadania, desses sujeitos e comunidade; • Nível III – Amigável: apresenta motivos relacionados à contribuição para o bem- estar social, na avaliação subjetiva do voluntário, em que o mesmo sente-se compartilhando algo próprio com alguém; • Nível IV – Ajustado: reúne motivos que fazem referência a um aprimoramento social e não estão vinculados a sentimentos aflitivos, o que passa, ao voluntário, a sensação de estar promovendo, simultaneamente, a si próprio e a vida do receptor; • Nível V – Ajuizado: é o nível de referência essencialmente egoísta, pelo interesse centrado na promoção pessoal, construção e projeção da auto-imagem, reunindo motivos centrados na sensação de privilégios, status e proteção. No Nível do Trabalho Voluntário Altruísta é possível perceber que a decisão aparece fortemente relacionada ao desejo de promover o bem-estar, por convicção política ou religiosa, mediante doação pessoal à prática e à socialização de iniciativas que sugerem qualidades humanas superiores. No Nível do Trabalho Voluntário Afetivo a decisão aparece baseada no (re)encontro com o coletivo. Para o voluntário, estar próximo e fazer o bem aos outros transmite a sensação de dever cumprido, de responsabilidade. No Nível do Trabalho Voluntário Amigável a decisão está ligada à constituição e ao desenvolvimento de redes de indivíduos em situação similar, estando o voluntário interessado em compartilhar valores e fortalecer elos grupais próximos a espaços situacionais que vivencia ou vivenciou. No Nível do Trabalho Voluntário Ajustado a decisão está pautada na busca de competências e habilidades específicas, estando o voluntário interessado no autodesenvolvimento, pela via da ação social, sob reconhecimento de status privilegiado. No Trabalho Voluntário Ajuizado a ação está vinculada à perspectiva da autoproteção, mediadas pela idéia da obtenção e/ou preservação de vantagens próprias, ainda que secundariamente vinculadas ao coletivo. Figura 1: diagrama da Hierarquia do Trabalho Voluntário Diagrama da Hierarquia do Trabalho Voluntário Fonte: elaborado a partir de Mostyn (1993) Essa escala hierárquica tem a intenção de caracterizar os perfis do voluntariado encontrado nessas organizações, a fim de gerar um feedback que contribuirá para um melhor desenvolvimento dos processos de gestão da ação voluntária, e para que a decisão de outras organizações, em receber voluntários, possa ser mais bem embasada e ciente de que esta decisão “não pode estar calcada somente na necessidade de pessoal ou na impossibilidade de pagar um salário a profissionais” (DOHME,2001), mais, ainda, na importância da existência de um planejamento estratégico da organização social, principalmente, no tocante às motivações, que “envolvem quase tudo: objetivos, atitudes, recrutamento, valores, conduta, moral, visibilidade, reconhecimento, apoio, criatividade, planejamento, organização, prestígio, supervisão, ambiente acolhedor, etc.” (DOHME, 2001) Os cinco níveis ou 5A’s fazem referência ao perfil, ou seja, à atitude do voluntário, avaliando e relacionando-a a conceitos que remetem desde o vínculo mais altruísta ao vínculo mais egoísta, tendo como intermediários, conceitos mais ou menos próximos do altruísmo ou egoísmo. Assim sendo, pode-se afirmar que as ações são movidas tanto pela racionalidade substantiva como pela instrumental. SERVA(1997), baseado na obra de Guerreiro Ramos e Habermas, definiu esses dois conceitos como: A ação racional substantiva é orientada para duas dimensões: uma individual, que se refere à autorealização, compreendida como concretização de potencialidades e satisfação; uma grupal, que se refere ao entendimento, nas direções das responsabilidade e satisfação sociais. A ação racional instrumental é baseada no cálculo, orientada para o alcance de metas técnicas ou de finalidades ligadas a interesses econômicos ou de poder social, através da maximização dos recursos disponíveis. A variação dos níveis da escala não tem a pretensão de diferenciar o valor do trabalho ou ação voluntária desenvolvida pelos diferentes perfis delimitados, pois cada uma das ações assistenciais é “uma ação de qualidade, se feita com prazer em direção a uma solução que não precisa necessariamente ser grande, mas eficiente. É o somatório desses êxitos que fará a diferença em nossa sociedade” (DOHME, 2001). 3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS O método é o conjunto das atividades sistemáticas e racionais que, com maior segurança e economia, faz com que o objetivo proposto seja alcançado, delineando o caminho a ser seguido, percebendo os erros e auxiliando as decisões do pesquisador (LAKATOS; MARCONI, 1996). A partir deste conceito, descrevem-se neste capítulo, os métodos utilizados para a confecção deste trabalho, os quais têm como objetivo orientar e esquematizar a pesquisa. 3.1 TIPO DE ESTUDO Quanto aos objetivos, a pesquisa é descritiva, uma vez que busca compreender e descrever os motivos do trabalho voluntário na Pastoral da Criança. Malhotra (2001) e Lakatos e Marconi (1992) possuem opiniões semelhantes ao afirmarem que a pesquisa descritiva preocupa-se com o estudo da freqüência de algum acontecimento, fenômeno ou comportamento, representados por duas ou mais variáveis. Com relação aos procedimentos, o presente trabalho é um levantamento. De acordo com Gil (2000) o “método Survey – levantamento” é um tipo de pesquisa caracterizado por uma amostra, aqui os voluntários da Pastoral da Criança da Zona Urbana Sul de João Pessoa-PB, que se constitui no subconjunto da população, e, a partir daquela se estima as características da população total. Segundo Roesch (2006) os levantamentos procuram fatos descritivos, buscando informações para ação ou predição. No tocante ao tipo, essa pesquisa é quantitativa. Segundo Richardson (1999) a pesquisa quantitativa caracteriza-se pelo uso da quantificação tanto na coleta de informações, quanto no tratamento dessas por meio de técnicas estatísticas. De acordo com esse autor, esse método possui como vantagens “a intenção de garantir a precisão dos resultados, evitar distorções de análise e interpretação, possibilitando, conseqüentemente, uma margem de segurança quanto às inferências”. Para tanto será usado um instrumento estruturado, que será discutido a seguir. (RICHARDSON,1999) 3.2 UNIVERSO E AMOSTRA Comumente, os levantamentos são usados com grandes populações e, dependendo do seu tamanho, do tempo dos entrevistados, custos da pesquisa, ou ainda capacidade de processamento de dados, faz-se necessário extrair uma parcela dessa população para investigar, em vez de utilizar seu total. Para isso, utiliza-se o processo de amostragem, cujo propósito é construir um subconjunto da população que seja representativo nas principais áreas de interesse da pesquisa (ROESCH, 1996). Segundo LAKATOS e MARCONI (1992): a delimitação do universo consiste em explicitar que pessoas ou coisas, fenômenos etc. serão pesquisadas, enumerando suas características comuns, como por exemplo, sexo, faixa etária, organização a que pertencem, comunidade onde vivem etc. (p. 108) O universo da pesquisa foi composto por voluntários da Pastoral da Criança da Zona Urbana Sul de João Pessoa/PB, e é um estudo do tipo não-probabilístico intencional, que buscou conhecer os motivos da execução do trabalho dos voluntários que atuam na Pastoral em João Pessoa. MARCONI e LAKATOS (2006) definem a técnica de pesquisa não-probabilística como a que não faz uso de formas aleatórias de seleção, tornando-se impossível a aplicação de fórmula estatística para cálculo. Esse mesmo autor afirma que o tipo mais comum de amostra não probabilística é a intencional, isto é, o pesquisador está interessado na opinião (ação, intenção, etc) de determinados elementos da população. A amostra é composta por quatro Paróquias localizadas na Zona Urbana Sul da cidade de João Pessoa, mais especificamente localizadas nos bairros do Jardim Planalto, Alto do Mateus, Roger e Esplanada II. A localidade foi escolhida a partir da separação das áreas de atuação da Pastoral da Criança, em João Pessoa, para que se pudesse viabilizar a coleta dos dados. A Zona Urbana Sul apresentou o total de 42 voluntários, divididos entre as quatro Paróquias (ver quadro abaixo). Paróquias Paróquia Virgem Mãe dos Pobres (Jardim Quant. de voluntários 9 voluntários Planalto) Paróquia Santa Clara (Alto do Mateus) 5 voluntários Paróquia Santa Teresinha (Roger) 13 voluntários Paróquia São João Batista (Esplanada II) 15 voluntários Total de Voluntários 42 voluntários Quadro 1: quantidade de voluntários por Paróquias. 3.3 TÉCNICA DE COLETA DE DADOS Pelo fato de tratar-se de uma pesquisa quantitativa, o instrumento de coleta de dados utilizado foi um questionário com perguntas fechadas. Segundo LAKATOS e MARCONI (1992, p. 201), “é um instrumento de coleta de dados, constituído por uma série ordenada de perguntas, que devem ser respondidas por escrito e sem a presença do entrevistador”. De acordo com Roesch (2006) esse tipo de instrumento apresenta como principal vantagem a rapidez no preenchimento e análise dos dados. Em contrapartida, a autora comenta que muitas vezes os dados obtidos podem ser superficiais. A entrega do instrumento de coleta de dados desta pesquisa foi feita pessoalmente, que, segundo Mattar (1999, p. 173) ocorre quando “o questionário é entregue e recolhido pessoalmente nas residências, em lojas, empresas, escolas, etc. ou em qualquer lugar público”. Dessa forma, o questionário foi aplicado no momento da visita feita aos voluntários, nas quatro Paróquias da Zona Urbana Sul da cidade de João Pessoa (ver Quadro 1). No momento da aplicação, questionário e caneta foram disponibilizados aos respondentes, dos quais uma minoria necessitou de auxílio na leitura e preenchimento dos dados. As visitas foram previamente agendadas e aconteceram no período da tarde, em dias diferentes em cada uma das Paróquias, pois as mesmas possuem dias de reunião e encontros, diferenciados. O instrumento é baseado em Souza, Medeiros e Fernandes (2006) e é dividido em 3 seções; a primeira delineando o perfil do voluntário a partir dos fatores sugeridos – Altruísta, Afetivo, Amigável, Ajustado e Ajuizado – com respostas variando de “discordo totalmente” a “concordo totalmente”; a segunda com perguntas sobre conhecimentos gerais sobre o trabalho desenvolvido na Pastoral da Criança; e a terceira seção, contendo perguntas sobre o perfil sócio-demográfico do respondente. 3.4 TRATAMENTO DOS DADOS Os dados coletados nessa pesquisa, caracterizada como quantitativa, foram analisados estatisticamente. De acordo com LAKATOS e MARCONI (1995, p.109) “a estatística não é um fim em si mesma, mas instrumento poderoso para a análise e interpretação de um grande número de dados, cuja visão global, pela complexidade, torna-se difícil”. Os dados foram tratados a partir de medidas descritivas, as quais auxiliam a análise do comportamento dos dados. As medidas utilizadas serão: medidas de posição (média) e medidas de dispersão (desvio padrão). De acordo com MATTAR (1999, p. 66), “média corresponde ao valor médio de um conjunto de dados. É uma medida de tendência central de aplicação exclusiva a variáveis intervalares”. O referido autor também define desvio-padrão como a raiz quadrada da variância; sendo esta a soma dos quadrados das diferenças entre as observações e a média, dividida pelo número de observações. Na primeira parte do questionário foi tabulado os dados concernentes a “Entrada”, “Expectativas”, “Permanência” e “Saída”. Em relação a “Entrada”, “Expectativas” e “Permanência”, buscou-se entender qual o perfil apresentado pelos voluntários, o quadro abaixo mostra como se deu essa tabulação, fazendo um cruzamento entre as perguntas do questionário. Nível Entrada/Expectativas/Permanência Altruísta Perguntas 1/6 Afetivo Perguntas 2/7 Amigável Perguntas 3/8 Ajustado Perguntas 4/9 Ajuizado Perguntas 5/10 Quadro 2: cruzamento entre as perguntas da primeira parte do questionário. Em relação à “Saída”, não há perfil, o que se pretendeu foi identificar quais os principais motivos acarretariam a saída dos voluntários da Pastoral da Criança em João Pessoa/PB. 4. ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS Essa seção trata da análise e interpretação dos dados obtidos através da pesquisa realizada com os voluntários da Pastoral da Criança em João Pessoa. Essa pesquisa foi caracterizada como quantitativa e descritiva, na qual buscou-se entender quais os motivos que levam esses voluntários a realizarem esse tipo de trabalho. Os resultados que serão apresentados posteriormente foram obtidos através da aplicação de um questionário, ao qual 42 voluntários da Pastoral da Criança da Zona Urbana Sul de João Pessoa, escolhidos intencionalmente. Com a finalidade de alcançar os objetivos específicos, o questionário utilizado foi divido em três seções distintas, onde na primeira parte buscou-se entender o perfil dos voluntários de acordo com a hierarquia sugerida por Souza, Medeiros e Fernandes (2006), a qual abrange os níveis: Altruísta, Afetivo, Amigável, Ajustado e Ajuizado. 4.1. Objetivo Específico 1: Descrição do Perfil apresentado pelos voluntários baseado nos 5A´s. Na tentativa de compreender os motivos e as expectativas que levam as pessoas a realizarem o trabalho voluntário, buscou-se descrever, nesta seção, o perfil dos voluntários, baseado nos 5A´s, a fim de entender quais as razões que os levaram a entrar na Pastoral da Criança, quais as expectativas desses voluntários em relação ao trabalho que vêm desenvolvendo, quais as razões da permanência destes na Pastoral e, por ultimo, que razões possibilitariam a saída dos mesmos, da Pastoral. 4.1.1 Entrada Em relação à variável “Entrada”, procurou-se extrair as informações em relação aos motivos que levaram os voluntários a entrarem para a Pastoral da Criança. Para que essas informações fossem obtidas foram elaboradas 10 questões relacionadas á entrada desses voluntários na Pastoral, buscando entender em que perfil eles mais se encaixam. Com isso foi calculada a média e o desvio padrão de cada questão e de cada Perfil. O perfil “Altruísta” está relacionado às questões 1 e 6; o perfil “Afetivo” está relacionado as questões 2 e 7; o perfil “Amigável” está relacionado as questões 3 e 8; o perfil “Ajustado” está relacionado as questões 4 e 9, e; o perfil “Ajuizado” está relacionado as questões 5 e 10. (ver quadro 3) Nível Altruísta Afetivo Amigável Media e Desvio Padrão Relacionados à Entrada Questão Perfil Número Média Desvio Padrão Média Desvio Padrão 1 4,35 0.62 4,46 0,68 6 4,57 0.74 2 4,45 0,50 4,42 0,65 7 4,38 0,78 3 3,46 1,05 2,76 1,29 8 2,05 1,12 Ajustado 4 9 5 2,23 3,74 3,87 1,20 1,18 1,06 2,98 Ajuizado 10 4,21 0,77 4,04 1,40 0,93 Tabela 1: média e desvio padrão das questões relacionadas à entrada. L E G E N D A Questões 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. Entrada Entrei na Pastoral para levar conhecimento aos assistidos. Entrei na Pastoral para fazer algo importante. Entrei na Pastoral para conhecer novas pessoas. Entrei na Pastoral por curiosidade. Entrei na Pastoral para me sentir bem. Entrei na Pastoral porque quero um mundo melhor. Entrei na Pastoral porque me identifico com o trabalho. Entrei na Pastoral para participar de passeios, festas e fazer amizade. Entrei na Pastoral para me desenvolver como pessoa. Entrei na Pastoral para aprender. Quadro 3: referente às questões de 1 a 10 em relação à entrada dos voluntários na Pastoral. A partir das médias apresentadas, no que diz respeito à “Entrada” dos voluntários na Pastoral, temos o perfil “Altruista” e o “Afetivo” como sendo o de maior predominância, apresentando médias 4,46 e 4,42, respectivamente. Esse fato vem demonstrar uma maior solidariedade e amor ao próximo, por parte de quem desenvolve esse tipo de trabalho. É um perfil que demonstra a identificação que esses voluntários têm com o trabalho que realizam, buscando proporcionar uma melhoria da qualidade de vida das pessoas a quem assistem, colaborando para a promoção de um mundo melhor, levando os seus conhecimentos para os menos favorecidos e tendo ciência da importância do papel que desempenham. O perfil “Altruísta” apresentou um desvio padrão de 0,68 e o perfil “Afetivo” um desvio de 0,65, ambos demonstram uma homogeneidade razoável das respostas obtidas na aplicação dos questionários, pois apresentam oscilações dessas respostas, em torno da média. Em contraponto aos perfis predominantes, temos o perfil “Amigável”, relacionado às questões 3 e 8, tendo apresentado média 2,76. Esse aspecto demonstra que os voluntários vêem a entrada na Pastoral não como sendo uma “porta” para fazer novas amizades ou mesmo para oportunidades de passeios e festas, mas sim, como forma de participarem ativamente da busca pela qualidade de vida do grupo a que apóiam e da sociedade, sendo as festas e o contato com novas pessoas, uma conseqüência natural da socialização e da relação fraternal que é criada entre os próprios voluntários e entre os mesmos e os assistidos. Dessa forma, podemos perceber que o perfil “Altruísta”, relacionado às questões 1 e 6, e o “Afetivo”, relacionado às questões 2 e 7, caracterizam a entrada dos voluntários na Pastoral, sendo um indicador do que motiva essas pessoas a atuarem na promoção do bem-estar social. Com o perfil “Altruísta” é possível perceber a preocupação da pessoa que doa seu tempo e amor em prol do enriquecimento da vida do outro, a partir do momento que se dispõe a passar aos assistidos informações e meios de inserí-los, com qualidade, na sociedade, permitindo o básico para que eles se sintam cidadãos e se desenvolvam como pessoa. Com o perfil “Afetivo” vê-se que os voluntários sentem-se atraídos pela oportunidade de ajudar ao próximo e vêem nisso uma forma de colaborarem para um bem maior, sentindo-se parte da tentativa de construção de uma sociedade mais saudável e igualitária. 4.1.2 Expectativas Em relação à variável “Expectativa”, procurou-se extrair as informações em relação à expectativa com o trabalho realizado pelos voluntários da Pastoral da Criança. Para que essas informações fossem obtidas foram elaboradas 10 questões relacionadas á entrada desses voluntários na Pastoral, buscando entender em que perfil eles mais se encaixam. Com isso foi calculada a média e o desvio padrão de cada questão e de cada Perfil. O perfil “Altruísta” está relacionado às questões 1 e 6; o perfil “Afetivo” está relacionado às questões 2 e 7; o perfil “Amigável” relacionado às questões 3 e 8; o perfil “Ajustado” está relacionado às questões 4 e 9, e; o perfil “Ajuizado” está relacionado às questões 5 e 10. (ver quadro abaixo) Media e Desvio Padrão Relacionados às Expectativas Questão Perfil Desvio Nível Número Média Padrão Média Desvio Padrão 1 4,63 0,62 Altruísta 4,33 0,21 6 4,33 0,93 2 4,72 0,51 Afetivo 4,71 0,03 7 4,7 0,46 3 4,21 0,77 4,32 0,12 Amigável 8 4,44 0,94 4 4,31 0,89 Ajustado 4,36 0,07 9 4,41 0,79 5 3,62 1,27 Ajuizado 3,99 0,37 10 4,36 0,74 Tabela 2: média e desvio padrão das questões relacionadas às expectativas. Expectativas Espero recuperar crianças com o meu trabalho na Pastoral. E Espero contribuir para que as mães tenham partos tranqüilos e não abortem. Espero fazer amizades. G Espero adquirir conhecimento com meu trabalho na Pastoral. E Espero realização pessoal com o trabalho que presto na Pastoral. Espero resgatar a dignidade humana com meu trabalho na Pastoral. N Espero obter bons resultados para a saúde dos assistidos. D Espero obter mais amor e carinho das famílias assistidas. A Espero ter a sensação de dever cumprido com meu trabalho na Pastoral. Espero que o meu trabalho na Pastoral me ajude a lidar melhor com crianças Quadro 4: referente às questões de 1 a 10 em relação às expectativas dos voluntários na Pastoral. L Questões 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. A partir das médias apresentadas, no que diz respeito às “Expectativas” dos voluntários na Pastoral, temos o perfil “Afetivo” como sendo o de maior predominância, apresentando média 4,71. Isso demonstra uma maior preocupação dos voluntários em proporcionar uma real melhoria da saúde das pessoas a quem assistem, gerando um conseqüente crescimento na qualidade de vida, das mesmas. O perfil “Afetivo” teve um desvio de 0,03, demonstrando uma grande homogeneidade das respostas dos voluntários, ou seja, praticamente não houve oscilações das respostas, em torno da média. Por outro lado, observou-se que a menor média obtida foi do perfil “Ajuizado”, com média 3,99, significando que os motivos que levam essas pessoas a se tornarem voluntárias, não são questões centradas na intenção de obter status e de proteção, ou mesmo interesse na construção e projeção da auto-imagem ou promoção pessoal. Isso demonstra que as expectativas dos voluntários não apresentam aspectos voltados para um viés egoísta. Este perfil apresentou um desvio padrão de 0,37, apresentando pouca oscilação das respostas obtidas, em torno da média. Diante dos dados acima apresentados, pode-se concluir que em relação às expectativas a maioria dos voluntários apresentaram um perfil “Afetivo”, relacionado às questões 2 e 7. Com o perfil “Afetivo” vemos que os voluntários possuem a expectativa de alcançar o seu objetivo no auxílio às pessoas carentes, contribuindo para que as mães assistidas tenham partos mais tranqüilos, propiciando uma significante diminuição do número de abortos sofridos, e fazendo com que as crianças tenham uma vida mais saudável, sem doenças, com higiene constante, contribuindo assim para que haja menor taxa de mortalidade, e para isso, os voluntários fazem visitas periódicas às mães grávidas, dando conselhos, fazendo monitoramentos e explicando, para as mesmas, como uma gestante deve proceder com a própria alimentação e a do bebê, acompanhando a fase do pré-natal, dentre outros procedimentos. Todos esses conhecimentos transmitidos pelos voluntários à comunidade, são baseados no Guia do Líder, utilizado como instrumento de consulta e apoio, pelos voluntários da Pastoral. 4.1.3 Permanência Em relação à variável “Permanência”, procurou-se saber quais os motivos que levam esses voluntários a permanecerem na Pastoral da Criança. Para isso foram elaboradas 10 questões relacionadas à permanência desses voluntários na Pastoral (ver legenda abaixo), buscando entender em que perfil eles mais se encaixam. Com isso foi calculada a média e o desvio padrão de cada questão e de cada Perfil (ver Tabela 4). O perfil “Altruísta” está relacionado às questões 1 e 6; o perfil “Afetivo” está relacionado as questões 2 e 7; o perfil “Amigável” está relacionado as questões 3 e 8; o perfil “Ajustado” está relacionado as questões 4 e 9, e; o perfil “Ajuizado” está relacionado as questões 5 e 10. Média e Desvio Padrão Relacionados à Permanência Questão Perfil Desvio Nível Número Média Padrão Média DesvioPadrão 1 4,76 0,43 Altruísta 4,56 0,21 6 4,36 0,74 2 4,41 0,72 Afetivo 4,38 0,03 7 4,36 0,63 3 4,15 0,84 Amigável 4,37 0,30 8 4,59 0,50 4 4,51 0,64 Ajustado 4,44 0,10 9 4,36 0,63 5 4,13 0,73 0,92 Tabela 3: média e desvio padrão relacionados à permanência. L E G E N D A Questões 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. Permanência O que me mantém na Pastoral é o amor ao próximo. O que me mantém na Pastoral é a situação das crianças. A força de vontade é o que me mantém na Pastoral. O que me mantém na Pastoral é o amor que tenho pelas crianças. O que me mantém na Pastoral é o gosto por fazer as atividades. Permaneço na Pastoral por um gesto de fé. Permaneço na Pastoral por causa do envolvimento com famílias e crianças. Permaneço na Pastoral para ajudar as famílias. Permaneço na Pastoral para transmitir conhecimento para as famílias. Permaneço na Pastoral porque tenho a oportunidade de aprender a lidar com crianças. Quadro 5: referente às questões de 1 a 10 em relação à permanência dos voluntários na Pastoral Com base nas médias obtidas, no que diz respeito à “Permanência”, os voluntários da Pastoral apresentaram a predominância do perfil “Altruísta”, com média 4,56. Isso aponta uma grande sensibilização por parte dos voluntários, ao verem a situação em que as crianças e as famílias vivem, e por isso se dispõem a dedicar tempo e esforço, em um trabalho tão difícil e dificultado, devido às inúmeras barreiras existentes (de acessibilidade às comunidades, periculosidade, falta de recurso, entre outros), permanecendo por amor ao próximo e como gesto de fé, crendo que com aquele trabalho algo pode ser melhorado na vida dessas famílias e crianças e na sociedade. Este perfil apresentou um desvio padrão baixo, sendo de 0,21, o que corresponde a uma pequena oscilação, em torno da média, nas respostas que foram obtidas na aplicação dos questionários, nas Pastorais. Contudo, o perfil “Ajuizado”, que teve um desvio padrão excelente, de 0,01, sem quase apresentar oscilação em torno da média, foi quem teve a menor média, de 4,14, o que demonstra que a permanência dos voluntários da Pastoral da Criança, da Zona Urbana Sul de João Pessoa, não está ligada a necessário gosto ou afinidade pelas atividades desenvolvidas, nem mesmo por interesse de aprender a lidar com crianças, a permanência se dá pela preocupação e comprometimento em mudar a dura realidade vivenciada pelas famílias e crianças, de onde nascem fortes relações de confiança, amor e esperança, que evitam que o voluntário abandone ou mesmo desista deste trabalho. Os dados demonstram que o grande foco do trabalho vivenciado na Pastoral da Criança em João Pessoa é propiciar uma melhoria na qualidade de vida das pessoas que são acompanhadas por ela, e que as barreiras enfrentadas no dia a dia, para a execução desse trabalho, só demonstram a grande necessidade e relevância do mesmo, e que o amor e a fé, apresentados pelos voluntários que se envolvem nesse trabalho, são a grande mola que impulsiona e mantém o engajamento em prol do crescimento e melhoria de vida do próximo. 4.1.4 Saída Em relação à variável “Saída”, procurou-se saber quais os principais motivos que levariam os voluntários a saírem da Pastoral da Criança. Para a obtenção dessas informações, foram elaboradas 14 questões (ver legenda abaixo), relacionadas à saída dos voluntários da pastoral. Com isso, foram calculadas a média e o desvio padrão de cada questão (ver a Tabela 4) para que se pudesse entender melhor esses motivos. Média e Desvio Padrão Relacionados à Saída Questões 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 Média 1,71 2,05 1,77 2,03 1,82 2,13 2,24 2,21 1,85 3,10 2,23 2,28 1,97 1,97 Desvio Padrão 1,05 1,10 0,96 1,31 1,25 1,20 1,30 1,30 1,09 1,20 1,25 1,32 1,11 1,16 Tabela 4: média e desvio padrão das questões relacionadas à entrada. Questões Saída 1 Eu sairia se a Pastoral não tivesse mais recursos. 2 Eu sairia da Pastoral por falta de voluntários. L 3 Eu sairia da Pastoral por falta de apoio governamental. E 4 Eu sairia da Pastoral caso perdesse a fé em Deus. G 5 Eu sairia da Pastoral por falta de amor ao próximo. E 6 Eu sairia da Pastoral por falta de Coordenação. N 7 Eu sairia se houvesse descontinuidade nos trabalhos da Pastoral. D 8 Eu sairia da Pastoral por falta de tempo. A 9 Eu sairia da Pastoral por falta de ânimo para fazer o trabalho. 10 Eu sairia da Pastoral por problemas de saúde. 11 Eu sairia da Pastoral se houvesse desinteresse das mães assistidas. 12 Eu sairia se fosse residir em um bairro que não tenha Pastoral. 13 Eu sairia se houvesse mudança na estrutura de funcionamento da Pastoral. 14 Eu sairia pelo aumento da minha carga de trabalho. Quadro 6: referente às questões da 1 a 14 sobre a saída dos voluntários da pastoral. De acordo com o exposto na Tabela 4, pode-se concluir que a maioria dos voluntários apontou os motivos referentes às questões 10 e 12 como sendo os de maior peso, para o abandono do trabalho na Pastoral da Criança. Os motivos apresentados foram o de saída da Pastoral por motivos de saúde, com média 3,10 e o de saída, da Pastoral da Criança, por mudar-se para local que não possuí-se Pastoral da Criança, tendo média 2,28. Essas médias demonstram que os voluntários vêem no trabalho que desenvolvem um grande esforço físico e psicológico, sendo necessário que o próprio voluntário esteja bem, saudável, para que possa desempenhar um bom trabalho, e também a dificuldade de conciliar as diversas atividades do dia a dia ao trabalho na Pastoral, apontando o deslocamento para um outro bairro um motivo de impossibilidade de continuidade dos trabalhos, principalmente pela falta de recursos financeiros para o translado. Estes motivos apresentaram desvio padrão de 1,20 e 1,32, respectivamente, demonstrando uma certa heterogeneidade das respostas, em relação à media. Por outro lado, os motivos 1 e 3, referentes a falta de recursos e a ausência de apoio governamental, tiveram a menor média, o que significa que os voluntários, apesar de toda a dificuldade de investimento de empresas e governo, não saem e nem sairiam da Pastoral por esses motivos, ao contrário, desenvolvem seus trabalhos em suas comunidades, utilizando-se de uma irrisória quantia que as próprias Pastorais dispõem através da Igreja, e, muitas vezes, de seus recursos próprios, abrindo mão do apego material para a promoção de um bem maior, permitindo que outras famílias e crianças tenham a oportunidade de se desenvolverem como seres humanos e cidadãos. Esses motivos apresentaram desvio padrão 1,05 e 0,96, respectivamente, de forma que houve uma considerável oscilação nas respostas obtidas, em relação à média. 4.2 Objetivo Específico 2: Identificação, nos voluntários, de conhecimentos gerais sobre o trabalho desenvolvido na Pastoral. Nessa parte procurou-se estudar o conhecimento dos voluntários em relação ao trabalho desenvolvido. Para isso foram elaboradas uma serie de questões objetivas para que eles pudessem demonstrar seus conhecimentos e sua dedicação ao trabalho voluntário. 1. Você já saiu e retornou para a Pastoral? Saída e Retorno 100% 86% 80% 60% Sim Não 40% 20% 0% 14% Gráfico 1: saída e Retorno para a Pastoral Analisando o Gráfico 1, constatou-se que a maioria dos voluntários (86%) nunca saiu da Pastoral, isso significa que mesmo enfrentando algumas dificuldades como a falta de recursos, por exemplo, a força de vontade em ajudar o próximo e a fé no trabalho realizado é mais forte. Por outro lado, os que já saíram e retornaram para a pastoral (14%), disseram que o principal motivo dessa saída foi por problemas de saúde ou por conseguir um trabalho remunerado, e o motivo que os fez retornarem foi justamente a melhora na saúde ou o término do trabalho remunerado. 2. Quantos dias por mês você dedica à Pastoral da Criança? Quantidade de Dias por mês dedicados à Pastoral 38% 40% 38% 35% 30% 1 dia por mês 25% 2 ou 3 dias por mês 20% 15% 4 ou 5 dias por mês 13% 11% 8 ou mais dias por mês 10% 5% 0% Gráfico 2: quantidade de dias por mês dedicados à Pastoral. De acordo com o Gráfico 2, 38% dos voluntários dedicam oito ou mais dias por mês à Pastoral da Criança, igualmente com a porcentagem dos que dedicam dois ou três dias por mês, também com 38%. Por outro lado estão os que dedicam quatro ou cinco dias por mês à Pastoral. Essa variação se dá porque esses voluntários têm de conciliar a sua vida particular e o trabalho voluntário, ou seja, cada um tem a sua disponibilidade de tempo, ou porque trabalham, estudam ou exercem outro tipo de atividade, e eles tentam buscar uma forma de conciliar as duas coisas. 3. Você conhece algum voluntário que desistiu? Conhecimento da Desistência de Voluntários 80% 70% 69% Gráfico 3: conhecimento da desistência de voluntários. De acordo com o Gráfico 3, observou-se que 69% dos voluntários conhecem alguma pessoa que já desistiu da Pastoral. Essa desistência muitas vezes se dá pelo fato dessas pessoas não se identificarem com o trabalho, ou seja, delas entrarem sem saber o significado e a importância do trabalho voluntário, esperando conseguir contribuições para si mesmas, e não objetivando o bem do próximo, que é a grande finalidade da entidade. Em alguns casos também se constatou que um outro motivo dessa desistência é o fato dessas pessoas terem conseguido trabalho remunerado, e por isso saírem da pastoral, ou seja, é difícil para elas conciliarem a vida pessoal, quando se exerce uma atividade remunerada, com o trabalho voluntário, porque muitas vezes esse trabalho remunerado é exercido em tempo integral, não permitindo que haja disponibilidade de tempo para fazer outras atividades. 4. Em sua opinião, o que explicaria a desistência ou a saída de voluntários da Pastoral da criança? Motivo de Desistência ou Saída 45% 41% 40% 35% 31% 30% 25% 20% Falta de Contribuição para si próprio 15% 15% 10% 5% Problemas com pessoas da Pastoral ou Igreja Problema de Relacionamento com Voluntários Mudança na Coordenação 8% 5% 0% 0% Desinteresse ou falta de identificação Outros Gráfico 4: motivo de desistência ou saída. Na tentativa de entender o porquê da desistência de voluntários da Pastoral, perguntou-se qual o principal motivo dessa desistência ou saída. De acordo com o Gráfico 4, 41% dos voluntários disseram que o principal motivo que leva os voluntários a desistirem da Pastoral, é o desinteresse ou a falta de identificação com o trabalho, ou seja, são pessoas que não têm um espírito de solidariedade forte, ou mesmo não entendem a importância e seriedade desse trabalho. São pessoas que entram pensando no que vão ganhar com isso, e quando vêem que o trabalho é diferente do que pensavam, acabam por desistir, por não entenderem a real intenção do trabalho voluntário, a de proporcionar melhorias para o próximo e para a sociedade. 5. Em relação às suas expectativas com o trabalho realizado na Pastoral da Criança, qual das alternativas abaixo representa melhor sua situação hoje? Expectativa com o Trabalho Realizado 42% 45% 40% Não consegue alcançar os resultados 33% 35% 30% Consegue alcançar parcialmente 25% 17% 20% 15% 10% 8% 5% Consegue alcançar o que espera Consegue resultados superiores 0% Gráfico 5: expectativa com o trabalho realizado. De acordo com o Gráfico 5, constatou-se que 42% dos voluntários conseguem alcançar os resultados que esperam, ou seja, eles vêem o seu trabalho como fonte real de melhorias. Mas também se pode observar que muitas vezes eles apenas conseguem alcançar parcialmente o que esperam (33%), o que significa que as expectativas com o trabalho realizado muitas vezes oscilam em relação ao alcance dos resultados, ou seja, esses resultados são alcançados em parte. Constatou-se ainda que alguns voluntários sentem que não conseguem alcançar os resultados (8%), estando o desempenho de suas atividades abaixo das expectativas esperadas por eles. Por outro lado, observou-se que 17% dos voluntários conseguem alcançar resultados superiores ao esperado, o que significa que o trabalho realizado supera as expectativas dos mesmos, e isso muitas vezes acontece devido à determinação, força de vontade e motivação que esses voluntários têm na realização de cada atividade relacionada à Pastoral. 6. Como você conheceu a Pastoral da Criança? Através de familiares Como conheceu a Pastoral 70% Através de Paróquia ou Igreja 64% 60% Através de amigos ou grupo de jovens 50% 40% Através de pessoas assistidas por ela 30% Através de noticiários 20% 10% 14% 7% 5% 3% Porque foi assistida por ela 7% 0% Outros 0% Gráfico 6: como conheceu à Pastoral. De acordo com o Gráfico 6, observou-se que 64% dos voluntários conheceram a pastoral por intermédio da Paróquia ou da Igreja. Isso mostra que a Igreja tem um papel fundamental na divulgação dos trabalhos da Pastoral, e fez com que esses voluntários que atuam hoje nas Pastorais da Criança se interessassem pelo trabalho realizado. Por outro lado, os fatores que menos influenciaram no conhecimento dos trabalhos da Pastoral foram: através de pessoas assistidas por ela (5%) ou através de noticiários (3%). 7. Alguém de sua família trabalha ou trabalhou na Pastoral da Criança? Alguém da família trabalha ou já trabalhou na Pastoral? 70% 63% 60% 50% 40% 37% Sim Não 30% 20% 10% 0% Gráfico 7: alguém da família trabalha ou já trabalhou na Pastoral. De acordo com o Gráfico 7, constatou-se que apenas 37% dos voluntários tem algum familiar trabalhando ou que já trabalhou na pastoral. Por outro lado, 63% dos voluntários disseram que ninguém de sua família trabalha ou já trabalhou na Pastoral. Dentre mãe, filhos, irmãos, sobrinhos tias etc. Dos 37% que responderam que têm familiares trabalhando ou que já trabalharam na Pastoral, a maioria disse que em média trabalha ou já trabalhou de 1 a 2 familiares na Pastoral, o que demonstra que dentro de um família se um membro se mobiliza em prol de uma boa causa, a chance de sensibilizar e estimular mais alguém do seu seio familiar, é maior. Dentre esses familiares constatou-se que filho, esposo (a) e cunhada apresentaram maior número em relação ao grau de parentesco, seguido de neta e irmã. 8. Como você se posiciona em relação às pessoas que você acompanha? Posição em relação às pessoas assistidas 50% 40% Elas tês situação muito inferior 43% 38% Elas têm situação só inferior 30% 20% Elas têm situação igual 19% Elas têm situação superior 10% 0% 0% 0% Elas têm situação muito superior Gráfico 8: posição em relação às pessoas assistidas. De acordo com o Gráfico 8, observou-se que 43% dos voluntários disseram que as pessoas que eles assistem têm situação igual a deles, ou seja, esses voluntários são pessoas que passam por condições financeiras semelhantes a das pessoas que assistem, porém possuem força de vontade e fé de que fazendo sua parte poderão melhorar a realidade de suas comunidades. Por outro lado, com 38% dos voluntários disseram que as pessoas a quem eles assistem têm situação muito inferior a deles, o que demonstra a precariedade e a pobreza em que vivem essas pessoas. 9. Como você avalia a relação entre os serviços públicos de saúde e o trabalho voluntário da Pastoral? Relação entre o Serviço Público de Saúde e o trabalho da Pastoral 70% 60% 58% 50% Depende Muito Gráfico 9: Relação entre serviço público de saúde e o trabalho da Pastoral. De acordo com o Gráfico 9, 58% dos voluntários disseram que o trabalho desenvolvido na Pastoral depende muito do serviço de saúde, visto que as crianças a quem a Pastoral da Criança assiste, precisam estar atualizando suas vacinas, fazendo o acompanhamento e tratando de possíveis problemas de saúde, comuns da fase e, por isso, o trabalho acaba dependendo muito do serviço de saúde, além de que para que as mães tenham partos tranqüilos e não venham a abortar, é necessário um monitoramento de profissionais de saúde, e isso é disponibilizado nos postos instalados nos bairros ou comunidades. 10. Como você avalia o acesso das pessoas que você acompanha ao sistema de saúde? Acesso das Pessoas ao Sistema de Saúde 50% 44% 40% 30% Acesso Fácil 29% Dificuldade de Acesso 22% Muita Dificuldade de Acesso 20% Não tem Acesso 10% 5% 0% Gráfico 10: Acesso das pessoas assistidas ao sistema de saúde. De acordo com o Gráfico 10, 44% dos voluntários disseram que as pessoas que eles assistem têm dificuldade de acesso ao sistema de saúde, ou seja, o atendimento é dificultado. Por outro lado, apenas 5% dos voluntários disseram que as pessoas que eles assistem não têm acesso ao sistema de saúde. 11. Se as pessoas que você acompanha têm alguma dificuldade de acesso ao sistema de saúde, que fator, em sua opinião, mais influência? Motivo da Dificuldade de Acesso ao Sistema de Saúde 45% 42% 39% 40% 35% Falta de Profissionais 30% Falta de Postos de Saúde 25% 20% 15% 8% 10% 5% 11% Dificuldade de Acesso à Medicamentos Irregularidades do Atendimento 0% Gráfico 11: Motivo da dificuldade de acesso ao sistema de saúde. De acordo com o Gráfico 11, 42% dos voluntários disseram que o motivo que explicaria a dificuldade acesso ao sistema de saúde é a falta de profissionais, ou seja, os profissionais da área de saúde é que são escassos e quando existem, nem sempre cumprem o seu trabalho de maneira apropriada, tendo sido este o segundo maior motivo apontado pelos voluntários, correspondendo a 39%. Por outro lado, para os voluntários, o fator que menos influencia nessa dificuldade é a falta de postos de saúde (8%) nas proximidades, demonstrando que existem postos de saúde proximos dos bairros, muitas vezes mais do que um, porém nem sempre se encontra profissional de prontidão e/ou um atendimento correto. 4.2.1 Relação entre o Objetivo Específico Um - Perfis Apresentados pelos Voluntários baseados nos 5 A’s - e o Objetivo Específico Dois – Conhecimentos gerais sobre o Trabalho desenvolvido na Pastoral da Criança. Esta seção tem a intenção de estabelecer uma relação entre os objetivos específicos um e dois. Para isso, buscou-se associar cada questão com a sua maior média obtida, e com isso fazer a relação. De acordo com os dados analisados no Gráfico 2 (ver pág. 48), observou-se que 86% dos voluntários nunca saíram da Pastoral, ou seja, eles entraram e permanecem até hoje ajudando o próximo. Analisando a entrada, o que se observou foi que os voluntários que entraram na Pastoral apresentaram um perfil tanto “Altruísta” quanto “Afetivo”, o que significa que esses voluntários entraram na Pastoral com o objetivo de ajudar os menos favorecidos; de construir um mundo melhor; melhorar a realidade da sociedade; baseando-se na fé que possuem, tentando retribuir algo que receberam, tendo a convicção de que conseguem abraçar a causa, e ainda mostrar seus sentimentos de auxilio, objetivando sempre o apoio aos menos favorecidos, com o intuito de resgatar a dignidade dessas pessoas e proporcionar-lhes melhores condições de vida. Em relação a permanência dessas pessoas na Pastoral, observou-se que o perfil apresentado pelos voluntários foi o “Altruísta”, caracterizado pelo auto-sacrifício do voluntário, em que mesmo com toda a dificuldade e riscos envolvidos no trabalho que realizam, dos quais os mesmos têm consciência, o amor e a preocupação voltada para a realidade dessas pessoas é maior, permitindo que a fé dos voluntários em melhorar a vida de suas comunidades, os faça seguir em frente e manter-se realizando esse trabalho tão bonito e reconhecido. No que diz respeito às expectativas com o trabalho realizado, observou-se que 42% dos voluntários conseguem alcançar os resultados que esperam com o trabalho que desenvolvem. Em relação ao perfil apresentado, foi o “Afetivo”, o de predominância, o que significa que a razão que leva as pessoas a se tornarem voluntários é elas possuírem um sentimento de ajuda ao próximo, ou seja, de quere contribuir para que as pessoas menos favorecidas possam ter uma vida mais digna, buscando sempre o resgate da cidadania dessas pessoas e, associado a isso está o alcance de bons resultados para a saúde das mesmas, visto que, isso se torna cada vez mais prazeroso quando eles conseguem alcançar as suas expectativas com o trabalho realizado. Em relação a saída da Pastoral, constatou-se que 69% dos voluntários disseram ter conhecido algum voluntário que desistiu, e o principal motivo dessa desistência está associada ao desinteresse e a falta de identificação com o trabalho. Esse desinteresse e falta de indetificação se dá, muitas vezes, porque grande parte das pessoas têm curiosidade pelo trabalho voluntário, desenvolvido nessas entidades, e por isso se voluntaríam e ao conhecerem a realidade do trabalho, a necessária dedicação que o mesmo inflinge e ainda a importância do papel de quem desempenha essa função, acabam por não se identificarem com a situação, já que o motivo que os levou a entrar nesse “universo” não é suficiente para manter-se nele, acarretando na saída desses voluntários da Pastoral. 4.3 Objetivo Específico 3: Analise do Perfil Sócio-Demográfico dos Voluntários e sua Relação com o Trabalho Desenvolvido. Nessa parte, analisou-se a situação sócio-demográfico dos voluntários da pastoral, buscando e conhecer desde a idade, estado civil, renda dentre outros aspectos relevantes para compreender e identificar o perfil sócio-demográfico de cada voluntário. 12. Idade. Idade 80% 70% 70% 60% 50% Até 24 anos 40% De 25 à 40 anos 30% Acima de 40 anos 22% 20% 8% 10% 0% Gráfico 12: idade. De acordo com o Gráfico 12, observou-se que 70% dos voluntários têm acima de 40 anos de idade, ou seja, são pessoas vividas e que já possuem experiência de vida para passar para as pessoas a que assistem. Por outro lado, apenas 8% têm até 24 anos de idade, demonstrando que os jovens são minoria no número de voluntários desenvolvendo os trabalhos na Pastoral da Criança. 13. Sexo Sexo 100% 88% 80% 60% Masculino Feminino 40% 20% 12% 0% Gráfico 13: sexo. De acodo com o Gráfico 13 acima, constatou-se que 88% dos voluntários da Pastoral da Criança da Zona Urbana Sul de João Pessoa, são do sexo feminino, o que demonstra que as mulheres são as que mais se identificam com o trabalho voluntário desenvolvido na Pastoral, e que possuem uma maior solidariedade com a situação vivenciada pelas famílias e crianças carentes, tendo um instinto quase maternal ao dedicarem-se a melhoria de vida dessas pessoas. 14. Você mora na comunidade em que atua na Pastoral da Criança? Mora na Comunidade em que atua na Pastoral da Criança? 100% 81% 80% 60% Sim 40% Não 19% 20% 0% Grafico 14: mora na comunidade em que a Pastoral atua? De acordo com o Gráfico 14, 81% dos voluntários moram na comunidade em que atuam na Pastoral da Criança, o que demonstra que eles já conhecem a realidade da comunidade e se preocupam em mobilizar-se para ajudar essas pessoas a terem uma vida mais digna. Por outro lado, apenas 19% dos voluntarios moram em bairro diferente de onde atuam na Pastoral, embora em pequena quantidade, demonstram a dedicação e esforço em querer ajudar o próximo. 15. Qual o seu estado civil? Estado Civil 70% Solteiro(a) 60% 60% Casado(a) 50% 40% 30% Separado/Desquitado/Divorc iado(a) 23% Viúvo(a) 20% 10% 10% 5% 2% Outros 0% Grafico 15: estado civil. De acordo com o Gráfico 15, 60% dos voluntários são casados, o que demonstra um perfil de maior responsabilidade por parte das pessoas que desenvolvem esse tipo de trabalho. 16. Quantos irmãos você tem? Quantidade de Irmãos 60% 55% 50% Nenhum 40% Um Dois 30% 17% 20% 10% 10% Três 13% Quatro ou mais 5% 0% Grafico 16: quantidade de irmãos. De acordo com o Gráfico 16, 66% dos voluntarios possuem quatro ou mais irmãos, o que significa que são pessoas que vêm de familias grandes, simples porém acostumados a dividir o pouco que possuem e, por isso, tentam dar o melhor de si para ajudar o proximo. Por outro lado, apenas 5% não tem nunhum irmão. 17. Quantos filhos você tem? Quantidade de Filhos 38% 40% 35% 28% 30% Nenhum 25% 20% Um 17% Dois 15% 15% Três 10% Quatro ou mais 2% 5% 0% Grafico 17: quantidade de filhos. De acordo com o Gráfico 17, 38% dos voluntários têm apenas dois filhos, e na maioria das vezes esses filhos fazem parte do quadro de voluntários junto com as mães. Contudo, apenas 2% tem quatro ou mais filhos, o que já demonstra uma maior consciência dessas pessoas em administrarem melhor suas vidas, pois ao não precisar ter que dividir com tantos, dentro de casa, sobra tempo e amor para dedicar ao próximo. 18.Com quem você mora atualmente? Com quem mora atualmente? 90% Pais e/ou outros parentes 78% 80% 70% Esposo(a) e/ou Filhos 60% 50% 40% 30% Amigos Colegas em Alojamento Universitário 20% 20% 10% 0% 0% Sozinho(a) 2% 0% Grafico 18: com quem mora atualmente. De acordo com o Gráfico 18, 78% dos voluntários moram com esposo(a) e/ou filhos, ou seja, pelo fato da maioria ser casada, as chances de já terem filhos aumentam. Por outro lado, apenas 2% moram sozinhos, e não tem nenhum voluntário que more com amigos ou com colegas em alojamento universitario. 19. Quantos membros de sua família moram com você? Quantos membros da família moram com você? 40% 34% 35% 30% 25% Nenhum 20% Um ou Dois 20% 20% 16% 15% 10% 10% Três ou Quatro Cinco ou Seis Mais do que Seis 5% 0% Grafico 19: quantos membros dafamilia moram com você? De acordo com o Gráfico 19, 34% dos voluntários disseram que tem um ou dois membros de sua familia morando com eles. Por outro lado, apenas 10% disseram ter cinco ou seis membros de sua familia morando consigo, o que reafirma o ponto de que a maioria dos voluntários morarem com seus respectivos parceiros e/ou filho(s).. 20. Sua casa é? Sua Casa é? 100% 92% 80% Própria 60% Alugada Grafico 20: sua casa é? De acordo com o Gráfico 20, 92% dos voluntários possuem casa própria, ou seja, batalharam para conseguir ter a sua casa e agora tentam ajudar o próximo, com a mesma força de vontade, tentando proporcionar-lhes esperança e dignidade. Nenhum voluntário apresentou ter casa cedida. 21. Você estudou até qual série? Estudou até qual Série? 35% 30% Ensino Fundamental Incompleto 30% 28% Ensino Fundamental Completo 25% 25% 2º Grau Incompleto 20% 2º Grau Completo 15% 10% 5% 5% 5% 7% Ensino Superior Incompleto Ensino Superior Completo 0% Grafico 21: estudou até qual serie? De acordo com o Gráfico 21, 30% dos voluntários possuem apenas o Ensino Fundamental Incompleto, ou seja, apesar do baixo grau de instrução que possuem, entendem a necessidade de proporcionar o básico para as crianças que assistem, dandolhes condições de crescerem exercendo sua cidadania, para que possam ter oportunidades que, muitas vezes, nem os próprios voluntários tiveram. Por outro lado, apenas 7% dos voluntários dizem ter o Ensino Superior Completo, ou seja, é uma minoria, mas que mostra que mesmo com todas as adversidades, se tiverem força de vontade, todos podem alcançar o que almejam. Eles servem de exemplo para as famílias das comunidades a que assistem. 22. Você estuda atualmente? Estuda Atualmente? 90% 78% 80% 70% 60% Sim 50% 40% Não 30% 22% 20% 10% 0% Gráfico 22: estuda atualmente? De acordo com o Gráfico 22, 78% dos voluntários não estudam atualmente, visto que a maioria está na faixa etária acima de 40 anos, e isso muitas vezes é o que dificulta a continuação dos estudos porque acabam tendo mais compromissos, com filho(s), esposo(a), trabalho e o tempo fica escasso. Por outro lado, apenas 22% dos voluntários ainda estudam, a maioria cusando o Ensino Fundamental, seguido de cursos diversos. 23. Assinale a situação abaixo que melhor descreve seu caso. Situação Pessoal 50% 45% 40% 35% 30% 25% 20% 15% 10% 5% 0% Não trabalha e é sustentado pela família Trabalha e recebe ajuda da família 46% Trabalha e se sustenta Trabalha e contribui para o sustento da família 15% 18% 5% 0% Trabalha e é o responsável pelo sustento da família 13% 3% É aposentado e sustenta a família É aposentado e recebe ajuda da família Gráfico 23: situação econômica atual. De acordo com o Gráfico 23, 46% dos voluntarios não trabalha e é sustentado pela familia, o que demonstra o tempo e a dedicação na realização do trabalho voluntário. Por outro lado, 3% dos voluntarios é aposentado e recebe ajuda da família. 24. Você exerce atividade remunerada (trabalho)? Exerce Atividade Remunerada? 70% 63% 60% 50% Temporário 40% Um turno por dia 30% Tempo Integral 16% 20% Não Trabalha 13% 8% 10% 0% Grafico 24: exerce atividade remunerada? De acordo com o Gráfico 24, 63% dos voluntarios não exercem atividade remunerada, ficando em casa cuidando da familia e também disponibilizando uma parte desse tempo para dedicar-se ao proximo. No outro extremo, observa-se que apenas 8% dos voluntarios disseram trabalhar em tempo integral. Diante disso, o que se pode observar é que mesmo que a maioria dos voluntarios não exerçam atividade remunerada, estão sempre disposto a ajudar o proximo com aquilo que podem, e há os que mesmo trabalhando em tempo integral, mesmo que quase sem tempo para sí mesmos, dedicam um pouco à Pastoral. 25. Qual a sua ocupação? Profissional Liberal Ocupação Empresário 60% 50% 50% Servidor Público 40% Empregado de Empresa Privada 30% Aposentado 20% 18% Dona de Casa 13% 8% 10% 0% 0% 8% 3% Estudante 0% Outros Gráfico 25: ocupação Em relação à ocupação dos voluntários da Pastoral, 50% disseram ser donas de casa, ou seja, são pessoas que dedicam seu tempo para cuidar da casa e da família. Por outro lado, apenas 3% se disseram empregados de empresa privada. Diante disso, o que se pode constatar é que a maioria dos voluntários que atuam na Pastoral são donas de casa e muitas vezes disponibilizam um pouco do seu tempo livre para ajudar o próximo. 26. Qual a sua renda familiar? Renda Fam iliar 50% 47% Até 1 salário mínimo Até 2 salários 40% 30% Até 3 salários 24% Até 4 salários 16% 20% Entre 5 e 7 salários 10% 10% Entre 8 e 10 salários 3% 0% 0% 0% Mais de 10 salários Gráfico 26: renda familiar De acordo com o Gráfico 26, observou-se que 47% dos voluntários da Pastoral possui renda familiar de até 1 salário mínimo, demonstrando que são pessoas humildes e que apesar de não terem muitas condições financeiras, estão dispostas a ajudar o próximo à prosperar e, por muitas vezes, colaboram com o pouco que têm. Por outro lado, apenas 3% disseram ter rendimento familiar entre 5 e 7 salários mínimos. 27. Qual a sua renda pessoal? Renda Pessoal 50% 43% 46% Não tem renda 40% Até 1 salário mínimo Até 2 salários 30% Até 3 salários Até 4 salários 20% Entre 5 e 7 salários 11% Entre 8 e 10 salários 10% 0% 0% 0% 0% 0% Mais de 10 salários 0% Gráfico 27: renda pessoal. Diante do gráfico acima, pode-se observar que 46% dos voluntários da Pastoral recebem até 1 salário mínimo nas suas atividades remuneradas (ou aposentadorias) e 43% dos voluntários não possuem renda, ou seja, são pessoas que já estão aposentadas ou que só se dedicam a cuidar da família, e por já serem pessoas vividas e experientes, sabem da importância de ajudar o próximo. Por outro lado, apenas 2% disseram ter renda pessoal de até 2 salários mínimos. 28. Qual a sua religião? Religião 100% 80% 89% Católica Gráfico 28: religião. Diante do Gráfico 28, constatou-se que 89% dos voluntários, ou seja, quase todos os voluntários que desempenham os trabalhos na Pastoral da Criança são de religião católica, o que demonstra a importância e influência da Igreja Católica no desenvolvimento desse trabalho, e também a fé e a força de vontade que os voluntários têm para ajudar o próximo. 29. Quantas vezes você vai à igreja? Vezes que vai à Igreja Todos os dias 70% 59% 60% Todas as semanas 50% Quase todas as semanas 40% Ás vezes e nas datas especiais 30% 20% 18% 10% 10% 13% Só nas datas especiais 0% 0% 0% Nunca Gráfico 29: vezes que vai à igreja. Diante do Gráfico 29, observou-se que 59% dos voluntários vão à igreja todas as semanas, demonstrando a sua religiosidade e fé em Deus. Contudo, apenas 10% dos voluntários vão à igreja todos os dias e 13% vão a igreja só às vezes e nas datas especiais. Com isso observa-se que a maioria dos voluntários da Pastoral vão a igreja todas as semanas, demonstrando a devoção que têm em Cristo e a fé de que podem trabalhar para construir um mundo melhor. 4.3.1 Relação entre o Objetivo Especifico Um – Perfis Apresentados pelos Voluntários baseados nos 5 A’s e o Objetivo Especifico Três – Perfil SócioDemográfico dos Voluntários e a sua Relação com o Trabalho Desenvolvido. Esta seção tem a intenção de estabelcer uma relação entre os objetivos específicos um e três. Para isso, buscou-se associar cada questão com a sua maior média obtida, relacionando-as. Diante do que foi exposto no tratamento dos dados, o que se pode constatar é que a entrada de voluntários na Pastoral da Criança, independe de seu nível de escolaridade, visto que as porcentagens estiveram muito proximas uma da outra, ou seja, não importa se uma pessoa é analfabeta ou universitária para entrar na Pastoral, mas sim que ela entenda a importância do trabalho voluntário e dos benefícios que ele pode trazer tanto para ela quanto para as pessoas que serão assistidas. Esses voluntários, independentemente dos seus níveis de escolaridade, podem proporcionar benefícios e melhorias na qualidade de vida dessas famílias e crianças, se entrarem e permanecerem na Pastoral pelo motivo certo, o de promover o bem-estar da sociedade através de atividades que dignifiquem o seu semelhante e perpetuem a fé e o amor ao próximo. Pessoas com menor grau de escolaridade podem, inclusive, conseguir melhores resultados do que voluntários que tenham o Ensino Superior Completo, e vice-versa, e ainda podem até permanecer por muito mais tempo no desenvolvimento do trabalho voluntário. O que fará a diferença será a intenção e a força de vontade de quem se dedicará ao voluntariado. No que se refere a renda tanto familiar quanto pessoal dos voluntários da Pastoral, observou-se que a maioria possui renda familiar de até 1 salário mínimo, e não tem renda pessoal, relacionado a isso está a questão da saída, onde foi questionado aos voluntários se eles sairíam da Pastoral por falta de recursos ou por falta de apoio governamental. O que foi constatado é o fato de que esses voluntários preferem tirar dinheiro do seu proprio bolso, para o desenvolvimento das atividades, do que sair da Pastoral, mesmo que, como foi dito acima, eles não tenham muitas condições financeiras. O grande motivo da permanência do verdadeiro voluntário, ou seja, daquele que entrou na Pastoral para dedicar-se à melhoria da qualidade de vida das pessoas assistidas, não está ligado a recompensas materiais; o verdadeiro motivo é a fé que ele tem no crescimento dessas pessoas como seres humanos e cidadãos, para que possam sentir-se inseridos na sociedade e, quem sabe um dia, venham a partilhar, com outras pessoas necessitadas, os conhecimentos e amor que lhes foi passado. Constatou-se ainda que 50% dos voluntários disseram ser donas de casa, por isso quando foi analisado os fatores que acarretariam na saída dos voluntários da Pastoral, o fator falta de tempo não foi crucial. Contudo, 81% dos voluntários moram na comunidade em que atuam na Pastoral, isso significa que esses voluntários partilham da realidade dessa comunidade e por isso mesmo entendem a necessidade de mudar a situação das famílias e crianças. Porém, apesar de toda dedicação e amor, situações de doença ou mesmo a mudança para um bairro em que não haja Pastoral, foram pontos que os voluntários apresentaram como sendo de grande peso, ou seja, motivos que implicariam na saída dos mesmos. O grande problema em deslocar-se para outros bairros, além do aspecto financeiro, de gasto com transporte, é o aumento da violência na cidade, pois não conhecer a realidade do novo bairro, aumentará a periculosidade do trabalho, e irá expor o voluntário. Por isso é importante que cada bairro tenha sua Pastoral, e que as Paróquias de cada comunidade, sensibilizem e recrutem voluntários que ja conheçam a realidade desse local, pois assim será mais facil continuar desenvolvendo o trabalho da Pastoral sem que os voluntários, elementos fundamentais do desenvolvimento de suas comunidades, se exponham tanto ao tentar levar mais dignidade, cidadania, amor e esperança para a sociedade. 5. CONCLUSÕES 5.1 CONSIDERAÇÕES FINAIS O desenvolvimento do presente trabalho ocorreu de modo satisfatório, visto que foi possível o contato com o voluntariado da Pastoral da Criança, que nos permitiu a coleta de informações que serviram de base para conhecimento do universo do trabalho voluntário, fomentando as respostas para entendimento das experiências e realidade vivenciadas pelos que exercem este tipo de atividade. Foram alcançadas as expectativas deste, no tocante ao objetivo de descrever os motivos do voluntariado na Pastoral da Criança, da Zona Urbana Sul, de João Pessoa, em que se buscou compreender o que vem a estimular essas pessoas a praticarem o trabalho voluntário, mesmo sabendo de todas as barreiras e limitações no desenvolvimento do mesmo, de todo risco em áreas de pouca segurança, da falta de recursos e apoio governamental, de toda a descrença nos que têm pouco a oferecer, mas que podem fazer muito. Ao estudar o trabalho voluntário é possível enxergar a dedicação e amor que são empregados no dia a dia, nessas comunidades, o que vem a despertar a curiosidade e o interesse em saber mais sobre essas pessoas que se dedicam tanto sem esperar nenhum retorno material ou mesmo financeiro, demonstrando, muitas vezes, mais afinco e garra do que muitas pessoas que trabalham remuneradamente. Foi possível corresponder aos objetivos específicos propostos por este trabalho, tendo sido aproveitadas ao máximo a abordagem e instrumento de coleta utilizados. Em relação ao objetivo específico um, que refere-se à descrição do Perfil apresentado pelos voluntários, quanto à Entrada, Expectativas, Permanência e Saída concernente a Pastoral da Criança, baseado nos 5A´s, modelo elaborado por SOUZA, MEDEIROS E FERNADES (2006) viu-se que: em relação à Entrada, os voluntários apresentaram o perfil “Altruísta” e “Afetivo”, demonstrando o referencial de que o que leva essas pessoas a engajarem-se nesse tipo de atividade é a intenção de ajudar os menos favorecidos, melhorando a realidade em que estes vivem, ajudando-os a resgatar a dignidade; em relação às Expectativas, o perfil apresentado foi o “Afetivo”, caracterizando um ponto crucial da pesquisa, do que, em geral, os voluntários esperam com o trabalho que desenvolvem. Nesse caso, o perfil demonstra a preocupação dos mesmos em proporcionar o bem-estar às famílias que assistem, propiciando a melhoria da qualidade de vida delas; em relação à Permanência, o perfil “Altruísta” destacou-se, o que reforça a dedicação que esses voluntários possuem e o real motivo de estarem envolvidos nesse trabalho, que é o amor ao próximo, em crer que dias melhores virão e que, fazendo o pouco que podem, estarão contribuindo para a melhoria do todo; em relação à Saída, demonstrou-se o quanto esse trabalho exige de quem se dispõe a fazer parte dele, sendo só em caso de doença e mudança para bairro em que não haja Pastoral, que seja cogitada a desistência ou afastamento por parte do voluntário. ASPECTOS PERFIL PREDOMINANTE MÉDIA ENTRADA ALTRUÍSTA/AFETIVO 4,46/4,42 EXPECTATIVAS AFETIVO 4,71 PERMANÊNCIA ALTRUÍSTA 4,56 Quadro 7: predominância dos perfis O objetivo específico dois permitiu identificar, nos voluntários, conhecimentos gerais sobre o trabalho desenvolvido na Pastoral. De acordo com os dados obtidos e analisados constatou-se que são voluntários que, em sua maioria, dedicam oito ou mais dias por mês à Pastoral e que ficaram conhecendo os trabalhos da entidade através da Paróquia ou Igreja. Uma minoria, possui parentes que também sentiram-se sensibilizados pelo trabalho e passaram a participar da Pastoral. Constatou-se ainda, que são pessoas que sentem-se em situação de igualdade financeira em relação aos assistidos e que percebem a grande dependência dos trabalhos que são desenvolvidos na Pastoral em relação ao serviço público de saúde, uma vez que as crianças e as mães grávidas precisam de acompanhamento de profissionais de saúde, porém, na maioria das vezes, elas têm dificuldade de acesso a esse sistema, sendo o grande fator, a falta de profissionais nos postos existentes em suas comunidades. O objetivo específico três teve como finalidade apreciar, nos voluntários, o perfil sócio-demográfico e sua relação com o trabalho voluntário desenvolvido. Dado o exposto, pode-se dizer que são, em sua maioria, mulheres casadas, na faixa etária de quarenta anos à cima, com experiência de vida, donas de casa com baixo nível de escolaridade, com filhos, vindas de famílias grandes, e que moram na comunidade em que atuam e por isso mesmo conhecem a realidade do lugar. São pessoas que têm baixíssimo poder aquisitivo, com renda familiar em torno de um salário mínimo, o que reafirma que elas não têm boas condições de vida, mas estão sempre dispostas a colaborar, demonstrando um real altruísmo por parte delas. São também pessoas de fé, que demonstram sua devoção e amor a Deus tanto no ato de dedicar-se ao próximo e ao seu crescimento, quanto nas visitas semanais à Igreja, sendo estas pessoas, praticamente todas, católicas. De acordo com tudo que foi apresentado nas análises, o problema de pesquisa apresentado (Qual o perfil adotado pelos voluntários da Pastoral da Criança em João Pessoa?) obteve resposta, na qual pôde-se perceber uma predominância do perfil “Altruísta”, presente no cotidiano desses voluntários que, por muitas vezes, não se dão conta do papel que exercem na construção de um mundo melhor, sendo, inclusive, importantes para a sensibilização de outras pessoas que vêem a dedicação e esforço que os mesmos depositam nesse tipo de atuação, mesmo em meio a tantas dificuldades, e sentem-se atraídos a se engajarem e poderem proporcionar o mesmo. As características apresentadas por Souza, Medeiros e Fernandes (2006) para o perfil “Altruísta” – retratam uma maior percepção de auto-sacrifício, por parte do voluntário, por estar exposto a tantas variáveis que implicam risco, sob a perspectiva de sentir-se solidário ao seu igual que está em condição de vida desigual e inferior a sua – podem ser visualizadas nas análises desenvolvidas, elucidando qual a grande expectativa e intenção, ou seja, o que verdadeiramente move essas pessoas a praticarem o trabalho voluntário. Apesar de pequenas limitações, como dificuldade de acesso às comunidades, as quais encontram-se em áreas pouco saneadas e que oferecem pouca segurança, além de dificuldades na aplicação dos questionários, principalmente pelo pouco grau de instrução dos voluntários, que precisavam, na grande maioria, de auxílio de leitura e interpretação das perguntas, para a resposta individual dos instrumentos de coleta, o trabalho foi concluído com êxito. 5.2 SUGESTÕES PARA FUTURAS PESQUISAS Este trabalho deixa margem para futuras pesquisas em torno do universo do voluntariado, permitindo que muitas organizações que dispõem, essencialmente, de trabalhadores remunerados possam usufruir de estímulos e motivações que venham a fazer seus funcionários dedicarem-se com tanto amor e afinco às atividades por elas desenvolvidas, da mesma maneira como essas pessoas sentem-se motivadas a desenvolverem o trabalho voluntário. Outra expectativa é de que os resultados da pesquisa sejam relevantes para o melhor entendimento das ações voluntárias, mas principalmente evitar um problema encontrado neste tipo de organizações, a rotatividade. 6. REFERÊNCIAS AMARAL, Rosana Aparecida do. O sentido do Trabalho: Visões de um problema no Século XIX e XX, São Paulo, 2008. ANO DO VOLUNTARIADO. Disponível em: <http://www.infojovem.org.br/infopedia/ tematicas/voluntariado/ano-internacional-dovoluntariado/>. Acesso em: 21.out.2009 ANDION, Carolina. As particularidades da gestão em organizações da economia solidária. XXV Encontro Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Administração. Campinas/SP: ANPAD, 2001. ARAUJO, Jairo Melo. Voluntariado: na contramão dos direitos sociais. São Paulo, Editora Cortez, 2008. BORGES, L. O. Os atributos e medidas do significado do trabalho. Psicologia: Teoria e Pesquisa. v. 13, n. 2, p. 211-220. mai./ago. 1997. BRASIL. Decreto-Lei n° 9.608, de 18 de fevereiro de 1998. 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