UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA – UFPB
CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS – CCSA
DIANA VIEIRA DE LIMA
MOTIVOS E EXPECTATIVAS DO VOLUNTARIADO NA PASTORAL DA
CRIANÇA DA ZONA URBANA SUL DE JOÃO PESSOA/PB
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO
ÁREA: ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS
João Pessoa - PB
Julho de 2010
DIANA VIEIRA DE LIMA
MOTIVOS E EXPECTATIVAS DO VOLUNTARIADO NA PASTORAL DA
CRIANÇA DA ZONA URBANA SUL DE JOÃO PESSOA/PB
Trabalho de Conclusão de Curso
Apresentado à Coordenação do Serviço de
Estágio Supervisionado em Administração,
do Curso de Graduação em Administração,
do Centro de Ciências Sociais Aplicadas
da Universidade Federal da Paraíba, como
Requisito Obrigatório à Obtenção do Grau
de Bacharel em Administração.
Orientador: Carlos Eduardo Cavalcante
João Pessoa – PB
Julho de 2010
Ao Professor orientador Carlos Eduardo Cavalcante
Solicitamos examinar e emitir parecer sobre o Projeto de Pesquisa da aluna Diana
Vieira de Lima.
João Pessoa, 08 de Julho de 2010.
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Fábio Walter
Prof.º Coordenador do SESA/CCSA/UFPB
Parecer do professor orientador:
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DIANA VIEIRA DE LIMA
MOTIVOS E EXPECTATIVAS DO VOLUNTARIADO NA PASTORAL DA
CRIANÇA DA ZONA URBANA SUL DE JOÃO PESSOA/PB
Trabalho de Conclusão de Curso Aprovado em: 08/07/2010
Banca Examinadora
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Prof. Carlos Eduardo Cavalcante
Orientador
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Prof. Dr. Anielson Barbosa da Silva
Examinador
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Profª. Lucimeiry Batista da Silva
Examinadora
AGRADECIMENTOS
Agradeço, primeiramente, a Deus por me ter dado o dom da vida e saúde, para que
pudesse percorrer mais essa caminhada.
Agradeço aos meus pais, Joací Felix e Maria de Fatima, por serem minha base forte,
além de grande referência e exemplo de vida.
Agradeço à minha irmã, Aline Vieira, por me incentivar e acreditar no meu potencial,
servindo, muitas vezes, de parâmetro das recompensas que a dedicação ao estudo nos
proporciona.
Agradeço ao meu irmão, Wayne Vieira, como colega de Área Acadêmica e Curso, por
ter sido peça importante na minha descoberta vocacional.
Ao meu orientador Carlos Eduardo, que me foi muito solícito, permitindo um
desenvolvimento monográfico tranqüilo e bem conduzido.
Ao meu avô Severino, que mesmo ausente se faz presente na minha memória e no meu
coração, tendo sido, sempre, um grande torcedor e incentivador, em todos os aspectos
da minha vida.
À todos os meus professores do curso pela experiência e pelo conhecimento que me
proporcionaram.
Aos amigos que estiveram ao meu lado, me dando força e estimulando.
À todos que direta e indiretamente me ajudaram nessa conquista.
“Tudo o que um sonho precisa para
ser realizado é alguém que acredite
que ele possa ser realizado.”
(Roberto Shinyashiki)
VIEIRA, Diana de Lima. Elementos do Trabalho Voluntário: Motivos e Expectativas na
Pastoral da Criança da Zona Urbana Sul da Cidade de João Pessoa/PB. 2010. XX f.
Monografia (Graduação em Administração). UFPB, João Pessoa – PB.
RESUMO
Este trabalho teve como objetivo compreender os motivos e as expectativas do
voluntariado na realização de suas atividades, pelo mesmo apresentar-se como área
social de grande crescimento, segundo dados da ONU. Para tanto, contou-se com a
participação de 42 voluntários da Pastoral da Criança, distribuídos em quatro Paróquias
da Zona Urbana Sul da Cidade de João Pessoa, onde foi feita a aplicação de um
questionário, contendo perguntas objetivas, para o levantamento dos dados. A coleta
dos mesmos aconteceu em momentos de encontro dos voluntários, que dispuseram de
auxílio aqueles que possuíam algum tipo de dificuldade na leitura ou no preenchimento
do questionário. A partir da análise dos dados, utilizando-se como referencial teórico a
Hierarquia do Trabalho Voluntário defendida por Souza, Medeiros e Fernandes (2006),
pode-se observar uma predominância do altruísmo por quem desenvolve esse tipo de
atividade, ou seja, são pessoas que querem promover a melhoria da qualidade de vida do
próximo, enquanto ser humano e cidadão, proporcionando uma transformação da
realidade social.
Palavras-chave: Trabalho Voluntário; Motivos. Expectativas. Pastoral da Criança.
LISTA DE TABELAS
Tabela 1: Média e Desvio Padrão relacionadas à “Entrada”......................................... 40
Tabela 2: Média e Desvio Padrão relacionadas às “Expectativas”................................. 42
Tabela 3: Média e Desvio Padrão relacionados à “Permanência”.................................. 44
Tabela 4: Média e Desvio Padrão relacionados à “Saída”............................................. 46
LISTA DE FIGURAS
Figura 1: Diagrama da Hierarquia do Trabalho Voluntário.......................................... 33
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1: Saída e Retorno para a Pastoral..................................................................... 47
Gráfico 2: Quantidade de dias por mês dedicados à Pastoral......................................... 48
Gráfico 3: Conhecimento da desistência de voluntários................................................. 48
Gráfico 4: Motivo de desistência ou saída de voluntários.............................................. 49
Gráfico 5: Expectativas com o trabalho realizado.......................................................... 50
Gráfico 6: Como conheceu à Pastoral............................................................................ 50
Gráfico 7: Alguém da família trabalha ou já trabalhou na Pastoral............................... 51
Gráfico 8: Posição em relação às pessoas assistidas...................................................... 52
Gráfico 9: Relação entre serviço público de saúde e o trabalho da Pastoral.................. 52
Gráfico 10: Acesso das pessoas assistidas ao sistema de saúde..................................... 53
Gráfico 11: Motivo da dificuldade de acesso ao sistema de saúde................................ 53
Gráfico 12: Idade............................................................................................................ 55
Gráfico 13: Sexo............................................................................................................. 56
Gráfico 14: Mora na comunidade em que a Pastoral atua.............................................. 56
Gráfico 15: Estado civil.................................................................................................. 57
Gráfico 16: Quantidade de irmãos.................................................................................. 57
Gráfico 17: Quantidade de filhos................................................................................... 58
Gráfico 18: Com quem mora atualmente....................................................................... 58
Gráfico 19: Quantos membros dafamilia moram com você.......................................... 59
Gráfico 20: Sua casa é.................................................................................................... 59
Gráfico 21: Estudou até qual serie.................................................................................. 60
Gráfico 22: Estuda atualmente....................................................................................... 60
Gráfico 23: Situação econômica atual............................................................................ 61
Gráfico 24: Exerce atividade remunerada...................................................................... 61
Gráfico 25: Ocupação..................................................................................................... 62
Gráfico 26: Renda familiar............................................................................................. 62
Gráfico 27: Renda pessoal.............................................................................................. 63
Gráfico 28: Religião....................................................................................................... 63
Gráfico 29: Vezes que vai à igreja................................................................................. 64
LISTA DE QUADROS
Quadro 1: Quantidade de voluntários por Paróquia....................................................... 37
Quadro 2: Cruzamento das perguntas da primeira parte do questionário....................... 38
Quadro 3: Questões relacionadas à “Entrada”................................................................ 40
Quadro 4: Questões relacionados às “Expectativas”...................................................... 42
Quadro 5: Questões relacionados à ”Permanência”................................................................ 44
Quadro 6: Questões relacionadas à “Saída”................................................................... 46
Quadro 7: Predominância dos Perfis ............................................................................. 67
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO.......................................................................................................... 11
1.1 Delimitação do Tema e Formulação do Problema..................................................... 11
1.2 Justificativa................................................................................................................ 13
1.3 Objetivos.................................................................................................................... 14
1.3.1 Objetivo geral.......................................................................................................... 15
1.3.2 Objetivos específicos............................................................................................... 15
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA............................................................................ 16
2.1 Trabalho..................................................................................................................... 16
2.2 Trabalho Voluntário................................................................................................... 20
2.3 Papel Social do Voluntariado.................................................................................... 24
2.4 Motivação do Trabalho Voluntário............................................................................ 28
3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS............................................................ 35
3.1 Tipo de Estudo........................................................................................................... 35
3.2 Universo e Amostra................................................................................................... 36
3.3 Técnica de Coleta de Dados...................................................................................... 37
3.4 Tratamento dos Dados............................................................................................... 38
4. ANALISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS................................................... 39
4.1 Descrição do perfil apresentado pelos voluntários.................................................... 39
4.2 Identificação dos conhecimentos gerais dos voluntários........................................... 47
4.3 Perfil sócio-demográfico dos voluntários.................................................................. 55
5. CONCLUSÕES ........................................................................................................ 66
5.1 Considerações Finais ............................................................................................... 66
5.2 Sugestões para Futuras Pesquisas ............................................................................ 68
6. REFERÊNCIAS........................................................................................................ 70
APÊNDICE................................................................................................................... 76
1. INTRODUÇÃO
O desenvolvimento do voluntariado proporcionou o surgimento de uma série de
questionamentos a respeito do seu funcionamento e relevância. O grande crescimento
deste movimento leva ao interesse em compreender o que motiva e quais as
expectativas que essas pessoas têm, em atuar em uma atividade que não proporciona
nenhum tipo de remuneração ou recompensa material.
Nesse sentido, busca-se, com este trabalho, descrever os motivos e expectativas
do voluntariado na Pastoral da Criança da Zona Urbana Sul da cidade de João Pessoa PB, por meio da identificação do perfil adotado pelos voluntários da entidade em
questão, de acordo com os perfis sugeridos por Souza, Medeiros e Fernandes (2006).
1.1 DELIMITAÇÃO DO TEMA E FORMULAÇÃO DO PROBLEMA DE
PESQUISA
O trabalho voluntário, ao longo dos anos, vem ganhando destaque social e
cultural, agregando valor e cidadania aos assistidos e às pessoas envolvidas em sua
prestação.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), o
Brasil contava em 2005 com mais de 19.7 milhões de voluntários, sendo 53% homens e
47%, mulheres. O Brasil tem um potencial de crescimento enorme na área de
voluntariado, diversas pesquisas realizadas sobre o tema apontaram que mais de 60%
dos brasileiros entrevistados disseram possuir desejo de trabalhar como voluntários se
soubessem como e onde ajudar. Conseqüência disso é uma maior quantidade de pessoas
envolvendo-se em organizações e entidades, com o intuito de doar-se ao próximo,
promovendo assim o crescimento mútuo e melhoria da qualidade de vida (LANDIM;
SCALON, 2000).
As organizações voluntárias estão inseridas dentro do campo de atuação que
Andion (2000) considera como organizações de economia solidária, as quais, de acordo
com Serva (1997), comportam organizações que realizam atividades econômicas
marcadas, sobretudo, pela predominância do princípio da reciprocidade.
Ao estudar a motivação do trabalho voluntário, serão utilizados dados, números
e estatísticas referentes à atuação deste no Brasil, na cidade de João Pessoa e, sobretudo,
na Pastoral da Criança, da Zona Urbana Sul da cidade, entidade na qual será
desenvolvido o levantamento dos dados que servirão de base para o diagnóstico
proposto.
Por apresentar uma atuação abrangente no tocante ao combate dos problemas
sociais no Brasil e possuir reconhecimento do mérito em nível internacional, a Pastoral
será a fornecedora de subsídios para estruturar o perfil do voluntariado, beneficiando a
presente investigação.
Aspectos como o sentido dado ao trabalho ao longo das décadas, a evolução do
trabalho voluntário no Brasil, seu enfoque social e a motivação desse agente solidário,
serão tópicos que nortearão a abordagem do tema, enfatizando o papel do voluntário e a
percepção da sociedade em sua atuação.
O crescimento de organizações solidárias e sociais é reflexo dos problemas
enfrentados pela sociedade, especialmente, devido à crise de financiamento do Estado.
Em um contexto caracterizado por desigualdades, precarização do trabalho,
desemprego, entre outros fenômenos, o desenvolvimento das organizações sociais
destina-se à redução de mazelas criadas pelo sistema vigente.
Uma das peculiaridades dessas novas formas organizacionais é o tipo de vínculo
que se estabelece entre indivíduo e atividade. Literatura no tema (MCCURLEY e
LYNCH, 1998; MOSTYN, 1983) indica que a filiação ao trabalho voluntário é
explicada por um conjunto particular de valores, entre os quais, o altruísmo, o interesse
individual em contribuir e a sociabilidade, além de razões religiosas e sentimentos de
culpa, de obrigação ou de responsabilidade.
Com base nesse entendimento, o presente projeto buscou delinear os motivos do
trabalho voluntário na Pastoral da Criança, tomando como referência experiências de
voluntários da cidade de João Pessoa, capital da Paraíba. Em pesquisa anterior
utilizando como amostra grupos pertencentes à mesma organização em Natal/RN
(FERNANDES, 2006), mas que prestam serviço em bairros diferentes, observou-se que
os motivos para executar este tipo de trabalho voluntário foram diferentes em cada
bairro, uma vez que existiam contextos e processos diversos de socialização dos
voluntários e de assistidos. Diante deste contexto emerge a seguinte pergunta de
pesquisa:
Qual o perfil adotado pelos voluntários da Pastoral da Criança em João Pessoa?
Para tratar do trabalho voluntário este trabalho está assim estruturado:
apresentação do quadro teórico referente ao tema pesquisado (motivos do trabalho
voluntário), dos procedimentos metodológicos adotados, dos resultados da pesquisa e
das considerações finais sobre os resultados obtidos.
1.2 JUSTIFICATIVA
A justificativa é a parte da pesquisa que explica o porquê de sua realização,
conforme assinalam Lakatos e Marconi (1986, p. 184): “Consiste numa exposição
sucinta, porém completa, das razões de ordem teórica e dos motivos de ordem prática
que tornam importante a realização da pesquisa”
Como um dos movimentos que mais cresce neste início de século, o
voluntariado, através de ações mais ou menos notórias, exerceu e exerce um papel
importante na história,
[...] pois oferece uma resposta ao anseio humano de um mundo sem males,
sem dor, sem necessidade básicas não-atendidas, por isso o voluntariado é
uma utopia e uma topia. Como utopia, é uma busca humana de corrigir o que
foi distorcido pela própria humanidade. Como topia é a realização de ações
que já estão efetivadas historicamente, por meio das mais diversas
instituições e ações organizadas (MEISTER, 2003, p.102 apud MARQUES,
2006).
Cada vez mais as pessoas doam seu tempo e esforços, visando um bem comum,
com o objetivo de realizar o bem através de sua disposição, demonstrando amor ao
próximo.
O trabalho voluntário vem crescendo a cada dia que passa, no Brasil e no
mundo, expandindo-se em diversas áreas de atuação. No mundo todo, entre
10 e 20% da população adulta são voluntários em organizações não
governamentais. O potencial de crescimento nessa área é imenso: 45% da
população
demanda
mais
oportunidades
de
voluntariado
(VOLUNTARIADO, 2009).
O crescente aumento do número de pessoas interessadas em prestar atividade
voluntária, leva à reflexão a fim de compreender o motivo pelo qual esses indivíduos se
doam, sem nenhuma contrapartida financeira e permanecem nessas organizações.
No caso particular deste trabalho, ao estudar uma organização de natureza
filantrópica e sem fins lucrativos, além da intenção de conhecer os motivos atribuídos
ao trabalho por esse grupo de indivíduos, o resultado encontrado poderá ajudar, em uma
outra oportunidade de estudo, a elucidar estes motivos em organizações compostas de
trabalhadores que são remunerados, para verificar possíveis diferenças e semelhanças.
O tema mostra-se oportuno, pois os últimos números divulgados pelo Programa
das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) mostram que em sete anos, de
1995 a 2002, o número de entidades que praticam trabalho voluntário apresentou um
aumento de 71% passando de 190 mil para 326 mil. (ZAVALA, 2009)
O caráter subjetivo das relações entre esses agentes e as pessoas assistidas,
traduz-se na solidariedade com uma determinada causa, demonstrando a necessidade de
investigação do tema.
A escolha da Pastoral da Criança baseia-se no fato desta instituição reunir
elevado volume de trabalho voluntário no Brasil. A Pastoral conta com um número em
torno de 267.000 voluntários e atende a 1,9 milhão de crianças de zero a seis anos, em
42.020 comunidades de 4.063 municípios (IDÉIA SOCIAL, 2007). A mesma possui o
objetivo principal de atuar na promoção humana, via combate à mortalidade infantil, à
desnutrição, à violência doméstica e à marginalidade social. Visando a oferta de suporte
às famílias e comunidades, a Pastoral desenvolve, também, outros projetos
complementares às ações básicas, tais como: alfabetização de jovens e adultos,
programa de geração de renda, programa de segurança alimentar, planejamento familiar
natural, assistência à terceira idade e comunicação social (CARVALHO e SOUZA,
2007). Os aspectos de sua excelente atuação demonstram a relevância da Organização
na promoção do desenvolvimento infantil no país e, por isso, é ambiente privilegiado
para o estudo de motivos relacionados à atividade voluntária.
A acessibilidade oferecida pela Pastoral no tocante ao contato com os
voluntários, da mesma, em João Pessoa, para aplicação dos questionários, permitiu a
viabilidade da pesquisa.
O propósito desta pesquisa é descrever o que motiva e quais as expectativas que
regem a atitude engajada do trabalhador voluntário que, por muitas vezes, vê-se mais
comprometido com a organização ou entidade a que assiste, do que outros trabalhadores
que atuam remuneradamente. Entender o que move essas pessoas e qual a real
recompensa na prestação desse serviço é o foco desse trabalho.
1.3 OBJETIVOS
VERGARA (1998) recomenda que os objetivos devem guardar uma estreita
sintonia com o problema de pesquisa, por consistirem nos resultados a serem
alcançados. Para LAKATOS e MARCONI (1986), o objetivo geral de um projeto de
pesquisa deve dar ao leitor uma visão geral e abrangente do assunto a ser pesquisado e
deve vincular-se diretamente ao significado da própria tese proposta no projeto. Dessa
forma, os objetivos deste projeto são assim propostos:
1.3.1 Objetivo geral
Descrever os motivos do trabalho voluntário na Pastoral da Criança da Zona
Urbana Sul da Cidade de João Pessoa - PB.
1.3.2 Objetivos específicos
a) Identificar as motivações dos voluntários quanto à entrada, expectativas,
permanência e saída concernente à Pastoral da Criança de João Pessoa;
b) Identificar, nos voluntários, conhecimentos gerais sobre o trabalho
desenvolvido na Pastoral da Criança de João Pessoa;
c) Apreciar, nos voluntários, o perfil sócio-demográfico e sua relação com o
trabalho voluntário desenvolvido.
Entretanto, entende-se que não se tem a pretensão de esgotar a reflexão nem de
criar um método sobre gestão de voluntários, mas sim de trazer dados que possibilitem
um melhor entendimento deste contexto e de embasar futuras pesquisas.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
O referencial teórico deste trabalho se desdobra em quatro partes principais. A
primeira corresponde à contextualização do sentido dado ao trabalho ao longo do
tempo. A segunda parte envolve uma abordagem geral a respeito do trabalho voluntário.
A terceira corresponde a uma explanação a respeito do papel social do voluntariado e,
por fim, é feito um embasamento teórico dos motivos que levam as pessoas a
desenvolverem o trabalho voluntário.
2.1 TRABALHO
Desde os tempos mais remotos, o homem desenvolve o trabalho e atribui
significados a ele, que correspondem ao sentido dado ao trabalho, em seu tempo, de
acordo com o contexto de cada época.
Segundo Castro (2003) apud Moura e Souza (2007, p. 151) “o trabalho já foi
considerado um castigo, um meio de sobrevivência, de criação de valor e utilidade, uma
vocação, um instrumento de dignificação do homem”.
Da Idade Média à Revolução Burguesa, por exemplo, a premissa “produzir para
sobreviver” foi substituída por “vender para lucrar”. Desde então muitos outros
enfoques foram surgindo, alterando, assim, o sentindo do trabalho.
A partir de meados dos anos 1950, pesquisadores têm buscado compreender o
significado atribuído ao trabalho pelas pessoas em diferentes países. Os resultados
obtidos por pesquisadores do grupo Meaning of Work International Research Team
([MOW], 1987 apud MORIN, 2001) mostraram que o trabalho pode assumir desde uma
condição de neutralidade até de centralidade na identidade pessoal e social (MORIN,
2001).
Hackman e Oldman (1976, apud MORIN, 2001) destacam três características
que contribuem para dar sentido ao trabalho: a) a variedade de tarefas que possibilitaria
a utilização de competências variadas; b) a identidade do trabalho, ou seja, um trabalho
não alienante, no qual o trabalhador consiga identificar todo o processo desde sua
concepção até sua finalização e tenha um resultado identificável; e c) o significado do
trabalho, onde a execução do trabalho deve ter um impacto positivo na vida de outras
pessoas, seja no contexto empresarial ou na sociedade.
Com o trabalho voltado para a geração de lucro, o homem passou a buscar a
melhor forma de executá-lo, padronizando movimentos e tempo, de forma a alcançar o
máximo aproveitamento com o menor custo. A busca pela praticidade nessas atividades
trouxe a modernidade e, consigo, mudanças, não apenas, na forma como as atividades
são executadas, mas também na maneira como elas são pensadas pelos seus agentes
executores.
MORIN (2001) e MOURA e SOUZA (2007) destacam em seus trabalhos a
contribuição que Fryer e Payne deram a respeito do tema trabalho, afirmando que este
seria uma atividade útil, determinada por um objetivo definido, além de gerar prazer em
sua execução. Destacaram também a diferença entre trabalho e emprego, em que,
segundo eles, emprego seria o conjunto de atividades remuneradas em um sistema
organizado economicamente e relacionado à compensação financeira, status e poder,
enquanto trabalho estaria mais relacionado a atividades compensatórias em si mesmas.
Borges (1997), a partir da perspectiva da teoria da cognição social, considera o
trabalho como uma atividade dotada de sentido para o indivíduo que a realiza. Essa
necessidade intrínseca do homem, de satisfazer-se e da busca pelo seu bem-estar,
permite que o mesmo atue sobre sua vida, desenvolvendo atividades que lhe permitam,
não apenas, a modificação de sua realidade, mas ainda a conquista da auto-realização.
Von Mises (1995) apud Amaral (2008) afirma ainda que
[...] o insight praxeológico fundamental, segundo o qual os homens preferem
o que lhes dá mais satisfação ao que lhes dá menos satisfação e valoram as
coisas com base na sua utilidade, não precisa ser corrigido ou
complementado com alguma alusão à desutilidade do trabalho. Estas
proposições já implicam afirmar que o trabalho é preferível ao lazer somente
quando o produto do trabalho é mais urgentemente desejado do que o
desfruto do lazer.
Atribuídas a aspectos como globalização, flexibilização das relações de trabalho,
inovações tecnológicas e/ou sócio-organizacionais, entre outros, as mudanças no
conceito de trabalho vêm adquirindo cada vez mais conotação de realização pessoal do
que de sofrimento e punição, como era associado, na antiguidade, devido a sua origem,
do latim tripalium.
A palavra tripalium (ou trepalium) significava um instrumento de tortura
composto por três paus com ferro, ou ainda um aparelho que servia para prender
grandes animais domésticos enquanto eram ferrados; já tripaliare, por denotação,
implicava
a
idéia
de
qualquer
ato
que
representasse
dor
e
sofrimento.
(GRANCONATO, 2006)
Essa origem etimológica revela que o significado dado à palavra trabalho advém
da idéia segundo a qual qualquer atividade humana que exigia esforço físico era tida
como penosa e desgastante, pois trazia cansaço e chegava a ser um castigo. O trabalho
possuía um sentido puramente material. (apud GRANCONATO, 2006)
Segundo VON MISES (1995 apud AMARAL 2008),
denomina-se trabalho o emprego das funções e manifestações fisiológicas da
vida humana como um meio. O homem trabalha ao usar suas forças e
habilidades como um meio para diminuir seu desconforto, e ao substituir o
escoamento espontâneo de suas faculdades físicas e tensões nervosas pela
exploração propositada de sua energia vital. O trabalho é um meio e não um
fim em si mesmo.
OLIVEIRA et al (2004 apud COUTINHO e GOMES, 2006) afirmam que o
trabalho cuja finalidade consiste apenas em atender à sociedade de consumo adquire
uma significação totalmente estética, ou seja, o trabalho não se apresenta como
fundamento para o desenvolvimento de identidades e projetos de vida. Estes autores
consideram que o trabalho é um fator de integração social e fonte de realização.
O trabalho, em sentido econômico, é toda a atividade desenvolvida pelo
homem sobre uma matéria-prima, geralmente com a ajuda de instrumentos,
com a finalidade de produzir bens e serviços. No capitalismo, a sociedade, a
grosso modo, divide-se entre aqueles que detêm o capital e aqueles que, por
só possuírem sua força de trabalho, a vendem. Assim, a noção do trabalho
'verdadeiro' sempre esteve ligada à idéia de auferir ganho com esta atividade
(SILINGOWSCHI, 2003).
Contudo, enquanto atividade intencional humana e termo em constante
redefinição, o trabalho ganhou enfoques e conotações, no novo cenário mundial,
proporcionando o surgimento de uma nova geração de trabalhadores, que se dedicam,
agora, há duas ou três jornadas de trabalho, sendo, ao menos, uma destas voltada para a
prática de ações sociais, não remuneradas e vinculadas a valores próprios.
Devido a incapacidade do Estado de suprir as necessidades básicas de seus
cidadãos, principalmente dos menos favorecidos, a iniciativa privada foi levada a
assumir tarefas que antes eram consideradas exclusivas do Estado, ao que se chamou de
Terceiro Setor.
Segundo Manñas e Cardoso (2004) apud Marques (2006), o terceiro setor é uma
expressão traduzida do inglês third sector e foi introduzido no vocabulário econômico
para designar as organizações sem fins lucrativos que se ocupam dos desafios sociais da
comunidade.
A origem da expressão está ligada ao fato de que o Estado é considerado o
primeiro setor e, por sua vez, o mercado, apenas voltado à geração de lucro, o
segundo setor. Assim, organizações não governamentais e entidades
filantrópicas substituem o Estado naquilo que ele é insuficiente para prover à
população e, para tanto, estas entidades necessitam de pessoas dispostas a
trabalhar, não por dinheiro, mas pela satisfação de ajudarem o próximo, por
solidariedade” (SILINGOWSCHI, 2003).
Segundo FERNANDES (apud DOMENEGHETTI, 2001),
terceiro setor é o conjunto de organizações sem fins lucrativos, criadas e
mantidas pela
ênfase
na
participação
voluntária,
no
âmbito
não
governamental, dando continuidade às práticas tradicionais de caridade e
filantropia, expandido o seu sentido para outros domínios, graças, sobretudo,
à incorporação do conceito de cidadania e de suas múltiplas manifestações na
sociedade civil.
Nesse contexto, o papel do voluntariado, no Terceiro Setor, é tido como uma
forma de exercício da cidadania, a qual, segundo CANIVEZ (1991 apud DOHME,
2001), é
a participação ativa nos assuntos da cidade. É o fato de não ser meramente
governado, mas também governante. Nesse sentido, a liberdade não consiste
apenas em gozar de certos direitos; consiste essencialmente no fato de ser
“co-participante do governo”, e a cidadania “depende da adesão a uma certa
maneira de viver, pensar ou de crer”.
O trabalho desenvolvido no Terceiro Setor possui uma quantidade expressiva de
pessoas que trabalham voluntariamente, sem receber qualquer contrapartida financeira
pelo exercício da sua função.
2.2 TRABALHO VOLUNTÁRIO
A palavra “voluntário“ vem do adjetivo latino voluntarius que, por sua vez,
deriva da palavra voluntas ou voluntatis, que significa: capacidade de escolha, de
decisão. Atualmente, ela é usada, como substantivo, para referir-se a “aquele que se
oferece para uma tarefa a que não estava obrigado” e, ainda, ao “indivíduo que se alista
espontaneamente num exército“ (LAROUSSE CULTURAL, 1992, p. 453).
O trabalho voluntário, quando surgiu, foi considerado como atividade para
pessoas desocupadas. Entretanto, o cenário mudou significativamente nos últimos anos.
O Histórico do voluntariado, no Brasil, para que se tenha uma idéia de sua
evolução, aconteceu da seguinte forma: (GRANCONATO, 2006 e HISTÓRICO DO
VOLUNTARIADO, 2009)
•
Século XVI - teve suas primeiras manifestações, enquanto assistência social,
baseadas em princípios da caridade cristã, e tem sua história atrelada à fundação da
Santa Casa de Misericórdia em Santos, no ano de 1543, fator que influenciou seu foco
voltado à assistência social e, principalmente, à religião;
•
Primeira metade do Séc. XIX – Entre as diversas organizações filantrópicas
fundadas nessa época, constavam as religiosas, as de saúde e os educandários, assim
como as associações de assistência aos imigrantes e associações profissionais.
•
Segunda metade do Séc. XIX - em vista da disseminação de doenças contagiosas
(órfãos, alienados, inválidos, delinqüentes), era feito um trabalho essencialmente
feminino com enfoque na caridade, que fora chamado de “cruzada filantrópica”;
•
Em 1910 - o escotismo chega ao Brasil com seus princípios e normas específicas
na área de Servir ‘Sempre Alertas’, introduzindo seus conceitos em nossa sociedade;
•
Em 1930 - o governo e suas instituições passam a ser mais ativos com o
desenvolvimento de políticas assistencialistas, reforçadas na era Vargas;
•
Fim da década de 1950 - movimentos sociais reivindicatórios estruturaram
organizações, sofrendo retração de 1965 a 1980 por influência do Estado.
•
Anos 1980 - observou-se uma co-responsabilidade das questões sociais entre
Estado e sociedade civil (ONG´s, Fundações e empresas);
•
Anos 1990 - o voluntário começou a ser visto como o cidadão motivado pela
solidariedade e participação em prol de causas de interesse social e comunitário;
•
Em 1998 - O Presidente Fernando Henrique Cardoso promulga a lei 9.608 de 18
de fevereiro que condiciona o trabalho voluntário, nas entidades sociais,
regulamentando, legitimando e reconhecendo esse tipo de ação, minimizando dessa
forma a probabilidade de ocorrência de problemas nas relações trabalhistas;
•
Ano 2001- Declarado pela ONU como o Ano Internacional do Voluntário, o que
veio a incrementar os esforços no sentido de ampliar a divulgação e o estabelecimento
de programas de voluntariado em todo o país. (ANO DO VOLUNTARIADO, 2009)
Historicamente associado a um trabalho de caráter religioso, assistencialista,
paternalista e de ajuda às pessoas carentes e menos favorecidas, e muitas vezes ainda,
associado a idéias de corrupção e de má fé, o trabalho voluntário caminha, agora, em
direção à expressão de uma ética da solidariedade e participação cidadã. A motivação
por valores como da caridade, compaixão e amor ao próximo, começam a ceder espaço
para a inclusão de uma motivação por valores como cidadania e participação
responsável, consciente e comprometida com a comunidade, tanto dos indivíduos como
das instituições (RIBAS, 2003).
O trabalho voluntário ou ação voluntária,
pode ser apenas uma ajuda informal (ao vizinho, ao colega), um esforço no
sentido de consolidar o espírito comunitário, uma ajuda formal, através dos
serviços sociais organizados, e/ou uma oportunidade para mudanças sociais.
No Brasil de hoje, em maior ou menor grau, estão presentes as quatro
vertentes, com certa predominância da terceira (CORULLÓN, 2004).
Para ROCA (1994, p. 64-65), existem três modalidades de voluntariado:
• Voluntariado assistencial: aquele que desenvolve dispositivo orientado a
manter vivo o sujeito, reduzir seus riscos, curar ou tratar suas deficiências, estando
atento à dimensão humana da necessidade, enfatiza a comunicação interpessoal e as
relações humanas;
• Voluntariado da reabilitação: aquele que desenvolve dispositivo orientado a
ativar a autonomia pessoal, potencializar a auto-dependência e recuperar as capacidades
que deixaram de funcionar;
• Voluntariado da promoção: aquele que desenvolve dispositivos orientados a
evitar a exclusão social, prevenir os processos de marginalização e remover as causas do
sofrimento humano.
Entende-se, desse modo, a capacidade individual, desenvolvida pelos diversos
atores sociais, em assumir papéis derivados de um conjunto de valores sócio-pessoais e
crenças, que permitem a sua participação na busca da melhoria dos problemas da
sociedade.
“O serviço voluntário atende a um imperativo de solidariedade social, que é
a idéia de solidariedade para a realização de um bem comum das pessoas, de
ajuda mútua entre as pessoas.” (MARTINS (2005 apud GRANCONATO,
2006)
Segundo MELUCCI (2000 apud MARQUES 2006), uma ação voluntária é,
“antes de tudo, a ação é orientada para a busca de objetivos comuns aos que dela
participam, podendo, entretanto, permanecer, no seu interior, uma multiplicidade de
objetivos individuais ou de subgrupos”.
Para o Programa Voluntário do Conselho da Comunidade Solidária (apud
CARVALHO, OLIVEIRA, 1998), “o voluntário é o cidadão que, motivado pelos
valores de participação e solidariedade, doa seu tempo, trabalho e talento, de maneira
espontânea e não remunerada, para causas de interesse social e comunitário”.
Em definição da Organização das Nações Unidas, "o voluntário é o jovem ou o
adulto que, devido a seu interesse pessoal e ao seu espírito cívico, dedica parte do seu
tempo, sem remuneração alguma, a diversas formas de atividades, organizadas ou não,
de bem estar social, ou outros campos..." (ONU, 2009)
Segundo PASTORE (2001 apud GIROTO et al, 2004), algumas das
características que compõem o perfil ideal do voluntário são:
•
Discrição: eles devem falar baixo, ser discretos, se absterem de comentários
impertinentes, não trajar roupas inconvenientes;
•
Assiduidade: devem ser assíduos, para não atrapalhar o andamento de tudo o que
dependa do desempenho e função, pois muitas vezes o atendido se apega sobremaneira
ao voluntário, sofrendo com suas faltas;
•
Pontualidade: tem o mesmo enfoque da assiduidade, atrapalha a atuação das
pessoas envolvidas, prejudicando dessa forma o andamento do trabalho;
•
Responsabilidade: o voluntário deve realizar da melhor forma as tarefas que lhe
são atribuídas, se responsabilizando pelo trabalho;
•
Boa vontade: ele deve estar aberto e acessível às solicitações;
•
Paciência: ele deve exercitar a paciência e perseverança em continuar seu
trabalho, apesar das diversidades encontradas;
•
Prontidão e iniciativa: estar sempre alerta às necessidades de quem está
atendendo, ter iniciativa para resolver os problemas do dia-a-dia, o que resulta num
auxílio mais efetivo e eficaz;
•
Criatividade: ele deve ter a criatividade sempre aflorada, desenvolvendo
utensílios adequados aos atendidos, dar ótimas idéias para melhor andamento do setor
em que atua;
•
Vontade de mudar: de melhorar, de reverter e intervir na causa ou no problema
que levou à abertura da instituição, vontade de mudar para melhor o desempenho do
setor;
•
Pró-ativos: ele não pode somente esperar por soluções ou só realizar estritamente
o que lhe foi solicitado, tem que buscar ação, solução, trabalho.
Observa-se, na descrição de PASTORE (2001), a extensão do perfil do
voluntário como não sendo apenas no aspecto econômico, mas também, quanto ao que
ele pode e deve contribuir para que os objetivos da “causa” na qual ele atue sejam
alcançados.
O trabalho voluntário, diferentemente do trabalho remunerado presente nas
organizações capitalistas, tem sido definido como o esforço oferecido espontaneamente,
ou a pedido, sem remuneração, por qualquer pessoa que deseja colaborar por amor,
benevolência, afeto, compreensão e responsabilidade em organismos que trabalham em
favor do bem-estar coletivo (GARAY, 2001).
No Brasil, o trabalho voluntário é regulamentado pela Lei 9.608, sancionada
pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, em fevereiro de 1998. Nesta, ficam
dispostas características que definem o trabalho voluntário, eximindo de dúvidas ou
comparações, outras atividades desenvolvidas de caráter semelhante ao do exposto. O
fato do serviço voluntário não gerar vínculo empregatício, nem obrigação de natureza
trabalhista, previdenciária ou afim, é um dos principais aspectos que o diferenciam do
trabalho remunerado. (LEI DO VOLUNTARIADO, 2009)
De acordo com a Lei do Voluntariado, independentemente do motivo que leva
uma pessoa ao serviço, para ser caracterizado como voluntário, o trabalho deve ocorrer
por vontade própria, sem remuneração, prestado por um indivíduo isoladamente e para
uma organização sem fins lucrativos, com objetivos públicos.
Contudo, é necessário que exista uma atividade, o esforço de uma pessoa física.
Não basta que essa dê o seu dinheiro a alguma das entidades descritas no artigo acima
transcrito; é necessário que a pessoa invista parte de seu tempo e de suas forças em prol
de uma entidade pública ou de uma instituição sem fins lucrativos. Nesse tipo de
serviço, há doação de forças e não de dinheiro ou outras espécies de donativos. A partir
da leitura do artigo da Lei do Voluntariado, extrai-se também, que não pode ser
considerado voluntário para os fins dessa lei, o indivíduo que se submete a tratamentos
ou pesquisas científicas de forma voluntária, pois nesse tipo de situação não há trabalho
propriamente dito por parte daquele que se voluntariou.
2.3 PAPEL SOCIAL DO VOLUNTARIADO
Considerando o caráter de mudança e ajuste social, que o trabalho voluntário
propõe atualmente, não há dúvida de sua importância, pois esse movimento de pessoas
que se dispõem a ajudar, pressupõe um movimento de mudança de atitude, que reflete
em diferentes esferas da vida social, gerando benefícios para o próprio voluntário, para
as pessoas com quem o voluntário se relaciona, para a comunidade e a sociedade como
um todo.
Na acepção de HUDSON (1999), o setor voluntário oferece três contribuições
importantes para a sociedade:
- representação, por contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas e
para os processos de integração e coesão social;
- inovação, por incorporar ações que transformam o meio social, desenvolvendo
sujeitos e comunidades;
- cidadania, por ser realizada a partir de ações de natureza informal e, mesmo
assim, sob elevado grau de eficiência e eficácia.
O voluntário ao envolver-se com a organização a que apóia, desenvolve uma
postura não apenas de doação de tempo, habilidades, conhecimentos e talento, às tarefas
que desempenha dentro da entidade, essa postura passa a fazer parte de sua vida social.
Voluntário é o ator social e agente de transformação, que presta serviços não
remunerados em benefício da sociedade. Doando seu tempo e
conhecimentos, realiza um trabalho gerado pela energia de seu impulso
solidário, e atende não só às necessidades do próximo, como também aos
imperativos de uma causa. O voluntário atende também suas próprias
motivações pessoais, sejam esta de caráter religioso, cultural, filosófico ou
emocional (definição da Fundação Abrinq pela Defesa dos Direitos da
Criança, em 1995(ORTIZ, 2007, p.31) ).
DOHME (2001) identifica quatro elementos no que se refere ao voluntariado:
•
A qualificação – o conceito atual de voluntário está ligado à execução de um
trabalho de qualidade;
•
A satisfação – um trabalho exercido com prazer e que dá um sentimento de
plenitude a quem o executa;
•
A doação – ocorre uma entrega de quem está executando esse trabalho em prol
do próximo, da comunidade, como forma de materialização do amor que possui;
•
A realização – um trabalho que tem compromisso com o êxito, que está
determinado a cumprir com os objetivos propostos.
Quando faz-se referência ao voluntário contemporâneo, engajado, participante e
consciente, diferencia-se também o seu grau de comprometimento: ações mais
permanentes, que implicam em maiores compromissos, requerem um determinado tipo
de voluntário, e podem levá-lo inclusive a uma "profissionalização voluntária"; existem
também ações pontuais, esporádicas, que mobilizam outro perfil de indivíduos. (LIMA,
2003)
O voluntário profissional termina por influenciar grupos que ainda não
assimilaram a nova cultura do voluntariado. Muitas entidades insistem em considerar o
voluntário como alguém de quem não se pode cobrar responsabilidades, já que trabalha
sem remuneração. Porém, a manutenção da credibilidade e a conquista de novos
parceiros, torna-se difícil para quem permanece com essa mentalidade.
Mesmo variando em seus termos, todas as definições em torno das palavras:
“voluntário“, “trabalho voluntário“ e “voluntariado“ são suficientemente amplas para
comportar os interesses, necessidades e características de toda e qualquer pessoa que
disponha de tempo para uma atividade não remunerada, em benefício do próximo ou de
uma causa social. Todos os que se reconhecem ou que desejam ser reconhecidos nelas,
parecem ser bem-vindos. (ORTIZ, 2007).
Esse envolvimento do agente social com o trabalho voluntário passa a
caracterizar um perfil de multiplicador do bem-estar social, que transpassa os muros da
organização.
O fato do trabalho desempenhado por esses indivíduos ser ausente de
remuneração e de obrigatoriedade, permite que o mesmo desenvolva aquela ação com
total adesão aos fins propostos, por estar fazendo algo que gosta e que escolheu,
acrescentando amor ao trabalho. Para DOHME (2001), esses aspectos são atributos que
darão qualidade ao trabalho desenvolvido. É o que torna o papel do voluntário acrescido
de valores positivos. O voluntariado apresenta-se como um meio de participação
espontânea e ativa na sociedade, cujo objetivo é a troca entre pessoas, propiciando um
enriquecimento mútuo e solidário, compromisso por quem se sente, se reconhece e
intervém como cidadão.
Ser voluntário não depende de filiação à instituições ou organizações. O agente
social pode fazer ações individualmente, sempre projetando uma melhoria para outras
pessoas, segmentos e para a própria comunidade. Ao sentir as necessidades e
dificuldade onde tem capacidade de interferir positivamente, o voluntário age no intuito
de diminuir ou solucionar esses problemas. A participação em campanhas, mobilização
de grupos, apoio a projetos públicos e a procura por organizações sociais que reforcem
os ideais de desenvolvimento e qualidade de vida, são ações que o voluntário faz pela
sociedade.
Considera-se que o voluntariado, na perspectiva da solidariedade, pode
caracterizar o retorno à filantropização, que se constrói não a partir de referências
políticas, mas baseada na moral de ajuda ao outro, reforçando que não se produzam
direitos possíveis de serem reclamados judicialmente. Dessa forma, promove-se o
avanço do ideário da “sociedade solidária”, fazendo com que se forme um sistema misto
de proteção social, conciliando iniciativas do Estado e da sociedade civil, mais
especificamente do terceiro setor. (FAGUNDES, 2006)
O voluntariado não substitui o Estado nem exclui o trabalho remunerado, é na
verdade uma movimentação independente que o organismo social pode exercer. O
“agente da transformação” pode ser identificado como um cidadão "comprometido com
a sociedade, baseado na liberdade de escolha, promovendo um mundo melhor e um
valor para toda a sociedade". (Definição da Associação Internacional de Esforços
Voluntários - IAVE (International Association for Volunteer Effort)). (IAVE, 2009)
O papel que o voluntário exerce é visto de formas diferentes pela sociedade. Em
geral, é tido como a pessoa solidária, que disponibiliza tempo e talento em prol de uma
causa, sem retribuição financeira. Em contrapartida, ganha a admiração de todos sociedade, funcionários da instituição onde colabora e população beneficiada.
A sociedade enxerga no voluntário um coração generoso que, mesmo diante das
atribulações do dia-a-dia, encontra disposição para se dedicar gratuitamente a algum
projeto. Para os funcionários, ele é um parceiro de equipe, fundamental para o
desenvolvimento do trabalho. Já a população beneficiada considera-o um complemento
indispensável às atividades realizadas pelo pessoal remunerado. (GOMES, 2000)
Com a participação em atividades voluntárias, as pessoas encontram espaço para
seu crescimento pessoal e para sua auto-realização. Considerando os resultados obtidos
com a participação nessas atividades, é possível perceber significativas transformações
pessoais vivenciadas pelo voluntário, como: restaura valores importantes que estavam
adormecidos ou esquecidos; enriquecimento espiritual e apreensão de uma nova
personalidade carregada de propriedades como a bondade, a humildade, etc; aumento da
responsabilidade e tolerância em relação a fatos e pessoas. Além disso, contribui com
seu crescimento emocional, colaborando ao mesmo tempo, para a redução da dor física
e espiritual, para a melhoria da qualidade de vida de outras pessoas, para o crescimento
moral, espiritual e profissional de pessoas carentes.
Pode-se entender que o desempenho das atividades voluntárias de maneira
compromissada traz resultados positivos tanto para o voluntário quanto para aqueles que
por este trabalho são atingidos. O voluntário é um importante suporte para a construção
de um novo contexto social e para a manutenção de práticas altruístas relacionadas ao
bem estar comum.
2.4 MOTIVAÇÃO DO TRABALHO VOLUNTÁRIO
A extensa literatura existente acerca do comportamento de indivíduos
profissionalizados nas organizações não pode ser generalizada e aplicada a indivíduos
voluntários, pois existem diferenças importantes entre estes dois grupos de
trabalhadores.
Uma das principais diferenças está, exatamente, nas motivações (CNAAN E
CASCIO, 1998; MESCH, TSCHIRHART, PERRY E LEE, 1998 apud FERREIRA,
PROENÇA E PROENÇA, 2008). Outras diferenças importantes entre elementos
profissionalizados e voluntários, de acordo com incluem: as questões monetárias; o
tempo disponibilizado – apenas algumas horas por semana pelos voluntários; a afiliação
dos voluntários a mais do que uma organização; a fraca dependência dos voluntários,
nomeadamente em termos econômicos e regalias sociais; o recrutamento dos
voluntários que tende a ser informal; as normas e os valores das organizações nem
sempre são aceitos pelos voluntários e a relutância das organizações em avaliarem o
trabalho dos voluntários, já que pode parecer que estão questionando a dedicação do
voluntário. (CNAAN E CASCIO, 1998 apud FERREIRA, PROENÇA E PROENÇA,
2008)
A busca pelo desenvolvimento pessoal está presente no ser humano, e é comum
as pessoas encontrarem no trabalho voluntário uma oportunidade para o seu próprio
crescimento. Este crescimento pode acontecer em relação à aquisição de conhecimentos,
de habilidades ou desenvolvimento da personalidade, com o aumento de nível de
paciência, compreensão, altruísmo, entre outros.
Para ARAUJO (2008), o voluntarismo tem como fonte, a solidariedade social
doadora, na sociedade capitalista contemporânea. Ele explica que esse tipo de
solidariedade manifesta-se nas relações sociais, nos vínculos recíprocos entre agentes
sociais, tornando-se doadora à medida que, de um lado, colocam-se os agentes
sensibilizados com as necessidades sociais e, de outro, os agentes atingidos pelas
vicissitudes da pobreza. E que, nesta relação envolta de princípios moralizantes, são
estes que, de alguma forma, dão certa ambigüidade à assistência social, agregando
desejos, interesses e necessidades, dedicação a um trabalho de “ajuda” ao próximo,
podendo ser entendida como uma disponibilidade muito pessoal, negando que possa
haver um retorno de gratificação simbólica. O sentimento de utilidade a alguém dá
sentido à vida dos envolvidos, pois contém, ao mesmo tempo, um desejo de “ajudar e
ser ajudado”.
Para KOHAN (1971), ARAUJO (1981) e CARLONI (1998) (apud ARAUJO,
2008),
a essência motivacional do voluntariado tanto pode ser a religiosidade como
de ordem psicológica. A tônica é de doação, interseccionando-se aspectos de
valores religiosos, de crença judaico-cristã, associados a necessidades
psicológicas, como formas de compensar inquietações frente a problemas
sociais” e, “não há uniformidade quanto às razões que o levam a participar de
um programa ou de uma organização social. Estão presentes diversos valores,
relacionados à raça, à condição social, ao sexo, a religiões e a regiões
geográficas. Neste sentido, há uma multiplicidade de interesses e de
manifestações culturais.
Muito se observa, a respeito do voluntariado, da assistência social ou do trabalho
voluntário, que esse agir em favor do próximo é um ato de vontade, que implica
espontaneidade, sendo seu objetivo primeiro a consecução de uma determinada tarefa de
assistência social.
Para DOHME (2001), a decisão de desenvolver um trabalho voluntário pode
estar ligada às seguintes expectativas:
Fazer diferença – é visto o que dá, mais claramente, a sensação de realização para cada
voluntário, o que o leva a sentir que está fazendo algo significativo. O voluntário sentese bem em estar apoiando uma causa que ele considera justa e que coincide com sua
visão pessoal.
Usar habilidades – poder utilizar-se de uma habilidade que este domina ou gosta muito,
mas da qual não faz uso na sua vida pessoal.
Desenvolvimento Pessoal – a fim de se aperfeiçoarem em determinada profissão, muitos
vêem o voluntariado como forma de capacitação e de adquirirem alguma experiência
profissional.
Satisfação em fazer parte de um grupo – fazer parte de um grupo que compartilha de
um mesmo tipo de pensamento e que possui uma escala de valores semelhante, faz com
que o voluntário sinta-se motivado por pertencer ao grupo, sentir-se parte dele.
Identificação pessoal com a causa – pessoas que já se utilizaram de alguma organização
ou que vêem a causa ligada a algum problema que já tiveram consigo ou com parentes
próximos, sentem-se identificados a apoiar a causa para que outros não venham a sofrer
o que elas sofreram.
BOURDIEU (1994) e (COSTA) 2000 apud ARAUJO, 2008 apresentam
concepções a respeito das relações sociais de interesse, existentes no trabalho
voluntário.
Para Bourdieu (1994), “o interesse é apresentado de forma desinteressada, o
que leva a inferir que na ação assistencial está presente um capital simbólico,
que nada mais é do que valores altruístas existentes nas práticas sociais. Isso
quer dizer que, apesar do desinteresse aparente, o trabalho voluntário contém
intenções de lucro simbólico, obtido por meio de atitudes generosas,
dadivosas e doadoras”. Costa (2000), por outro lado, pondera que ”quanto ao
“interesse de doação”, o indivíduo se preocupa com o outro e, por isso,
necessita e até tem obrigação de doar. A compensação do ato de doar é a
contrapartida da aquisição”.
Por se tratar de alguém com intenções solidárias e que não espera nada de
material em troca de suas ações, a motivação, no que se refere ao voluntário,
corresponde a tudo, ou seja, é o que permitirá o interesse de continuidade da
participação, deste, como voluntariado.
Geralmente, afirma DOHME (2001), as aspirações de um voluntário são
relacionadas ao próximo: À satisfação de estar contribuindo com a diminuição do
sofrimento ou das injustiças; à realização de trazer alegria ou estar contribuindo para a
auto-suficiência de outras pessoas; a sentir-se um agente construtor, atuante, de sua
comunidade; a estar trabalhando na construção de um futuro que coincide com sua visão
pessoal e seus valores individuais.
Segundo COLEMAN (apud COHEN, 1964) as pessoas decidem ser voluntários
a fim de “conseguir a satisfação da participação em um grupo, o que quer dizer que elas
necessitam sentir-se parte de objetivos e significado mais amplos da vida grupal, para
obter a satisfação decorrente da dependência, da afeição, da situação social e da
realização criadora”
Dessa forma, o que passa a ser visto como a retribuição ao trabalho
desenvolvido pelo voluntário, são ações mais abstratas, como o fato de sentir-se aceito,
valorizado, fazer parte de um time, sentir-se aprovado, ver que está alcançando seus
objetivos com o trabalho que desenvolve, ser tratado com respeito pelos demais
voluntários, visto com dignidade e como exemplo pelos demais.
MCCURLEY e LYNCH (1998) classificam os motivos do trabalho voluntário
elegendo três categorias:
•
altruísta – ajudar aos outros, obrigação de retribuir por algo recebido, dever
cívico, convicção religiosa, fazer uma diferença no mundo, crença na causa;
•
interesse próprio - adquirir experiência, desenvolver novas habilidades,
constituir amizades, causar boa impressão a alguém, sentir-se importante e útil, exibir
capacidade de liderança, experimentar novos estilos de vida e culturas, prazer e alegria;
•
familiar - aproximar a família, servir de exemplo, benefício e retorno próprio,
retribuir algo recebido por membro da família.
Para MOSTYN (1983) há cinco categorias de organizações voluntárias:
altruístas; para ajudar pessoas em situação de aflição; para fornecer ajuda aos menos
afortunados; para melhorar a sociedade; por interesse próprio. De comum nas teorias de
MCCURLEY e LYNCH (1998) e de MOSTYN (1983), é evidente o entendimento de
que a decisão para o trabalho voluntário varia em motivos altruístas e o interesse
próprio.
Como síntese das categorizações esboçadas por Mostyn (1983), a Hierarquia do
Trabalho Voluntário, traçada por Souza, Medeiros e Fernandes (2006), a qual servirá de
referencial para o diagnóstico dos elementos do trabalho voluntário, nesta pesquisa,
apresenta uma delimitação de cinco níveis em que estes valores pessoais, que vinculam
o indivíduo à organização, podem ser enquadrados, dando-nos meios de mensurar ou ao
menos apontar uma tendência maior dos motivos e expectativas que conduzem esse
contingente voluntariado ao desempenho de atividades de cunho social.
O desenvolvimento dessa estrutura hierárquica, das motivações do trabalho
voluntário, possibilita-nos delimitar níveis que outrora pareceriam inseparáveis, por não
se apresentarem nem totalmente egoístas, nem totalmente altruístas. Os autores
apresentam os cinco níveis da seguinte forma:
•
Nível I – Altruísta: retrata uma maior percepção de auto-sacrifício, por parte do
voluntário, por estar exposto a tantas variáveis que implicam risco, sob a perspectiva de
sentir-se solidário ao seu igual que está em condição de vida desigual e inferior a sua;
•
Nível II – Afetivo: reúne motivos relacionados ao sentimento de auxílio e
amparo a pessoas em situação de exceção, estando o voluntário interessado no resgate
da cidadania, desses sujeitos e comunidade;
•
Nível III – Amigável: apresenta motivos relacionados à contribuição para o bem-
estar social, na avaliação subjetiva do voluntário, em que o mesmo sente-se
compartilhando algo próprio com alguém;
•
Nível IV – Ajustado: reúne motivos que fazem referência a um aprimoramento
social e não estão vinculados a sentimentos aflitivos, o que passa, ao voluntário, a
sensação de estar promovendo, simultaneamente, a si próprio e a vida do receptor;
•
Nível V – Ajuizado: é o nível de referência essencialmente egoísta, pelo
interesse centrado na promoção pessoal, construção e projeção da auto-imagem,
reunindo motivos centrados na sensação de privilégios, status e proteção.
No Nível do Trabalho Voluntário Altruísta é possível perceber que a decisão
aparece fortemente relacionada ao desejo de promover o bem-estar, por convicção
política ou religiosa, mediante doação pessoal à prática e à socialização de iniciativas
que sugerem qualidades humanas superiores.
No Nível do Trabalho Voluntário Afetivo a decisão aparece baseada no
(re)encontro com o coletivo. Para o voluntário, estar próximo e fazer o bem aos outros
transmite a sensação de dever cumprido, de responsabilidade.
No Nível do Trabalho Voluntário Amigável a decisão está ligada à constituição e
ao desenvolvimento de redes de indivíduos em situação similar, estando o voluntário
interessado em compartilhar valores e fortalecer elos grupais próximos a espaços
situacionais que vivencia ou vivenciou.
No Nível do Trabalho Voluntário Ajustado a decisão está pautada na busca de
competências e habilidades específicas, estando o voluntário interessado no autodesenvolvimento, pela via da ação social, sob reconhecimento de status privilegiado.
No Trabalho Voluntário Ajuizado a ação está vinculada à perspectiva da autoproteção, mediadas pela idéia da obtenção e/ou preservação de vantagens próprias,
ainda que secundariamente vinculadas ao coletivo.
Figura 1: diagrama da Hierarquia do Trabalho Voluntário
Diagrama da Hierarquia do Trabalho Voluntário
Fonte: elaborado a partir de Mostyn (1993)
Essa escala hierárquica tem a intenção de caracterizar os perfis do voluntariado
encontrado nessas organizações, a fim de gerar um feedback que contribuirá para um
melhor desenvolvimento dos processos de gestão da ação voluntária, e para que a
decisão de outras organizações, em receber voluntários, possa ser mais bem embasada e
ciente de que esta decisão “não pode estar calcada somente na necessidade de pessoal
ou na impossibilidade de pagar um salário a profissionais” (DOHME,2001), mais,
ainda, na importância da existência de um planejamento estratégico da organização
social, principalmente, no tocante às motivações, que “envolvem quase tudo: objetivos,
atitudes, recrutamento, valores, conduta, moral, visibilidade, reconhecimento, apoio,
criatividade, planejamento, organização, prestígio, supervisão, ambiente acolhedor, etc.”
(DOHME, 2001)
Os cinco níveis ou 5A’s fazem referência ao perfil, ou seja, à atitude do
voluntário, avaliando e relacionando-a a conceitos que remetem desde o vínculo mais
altruísta ao vínculo mais egoísta, tendo como intermediários, conceitos mais ou menos
próximos do altruísmo ou egoísmo. Assim sendo, pode-se afirmar que as ações são
movidas tanto pela racionalidade substantiva como pela instrumental.
SERVA(1997), baseado na obra de Guerreiro Ramos e Habermas, definiu esses
dois conceitos como:
A ação racional substantiva é orientada para duas dimensões: uma
individual, que se refere à autorealização, compreendida como concretização
de potencialidades e satisfação; uma grupal, que se refere ao entendimento,
nas direções das responsabilidade e satisfação sociais. A ação racional
instrumental é baseada no cálculo, orientada para o alcance de metas
técnicas ou de finalidades ligadas a interesses econômicos ou de poder
social, através da maximização dos recursos disponíveis.
A variação dos níveis da escala não tem a pretensão de diferenciar o valor do
trabalho ou ação voluntária desenvolvida pelos diferentes perfis delimitados, pois cada
uma das ações assistenciais é “uma ação de qualidade, se feita com prazer em direção a
uma solução que não precisa necessariamente ser grande, mas eficiente. É o somatório
desses êxitos que fará a diferença em nossa sociedade” (DOHME, 2001).
3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
O método é o conjunto das atividades sistemáticas e racionais que, com maior
segurança e economia, faz com que o objetivo proposto seja alcançado, delineando o
caminho a ser seguido, percebendo os erros e auxiliando as decisões do pesquisador
(LAKATOS; MARCONI, 1996).
A partir deste conceito, descrevem-se neste capítulo, os métodos utilizados para a
confecção deste trabalho, os quais têm como objetivo orientar e esquematizar a
pesquisa.
3.1 TIPO DE ESTUDO
Quanto aos objetivos, a pesquisa é descritiva, uma vez que busca compreender e
descrever os motivos do trabalho voluntário na Pastoral da Criança. Malhotra (2001) e
Lakatos e Marconi (1992) possuem opiniões semelhantes ao afirmarem que a pesquisa
descritiva preocupa-se com o estudo da freqüência de algum acontecimento, fenômeno
ou comportamento, representados por duas ou mais variáveis.
Com relação aos procedimentos, o presente trabalho é um levantamento. De acordo
com Gil (2000) o “método Survey – levantamento” é um tipo de pesquisa caracterizado
por uma amostra, aqui os voluntários da Pastoral da Criança da Zona Urbana Sul de
João Pessoa-PB, que se constitui no subconjunto da população, e, a partir daquela se
estima as características da população total. Segundo Roesch (2006) os levantamentos
procuram fatos descritivos, buscando informações para ação ou predição.
No tocante ao tipo, essa pesquisa é quantitativa. Segundo Richardson (1999) a
pesquisa quantitativa caracteriza-se pelo uso da quantificação tanto na coleta de
informações, quanto no tratamento dessas por meio de técnicas estatísticas. De acordo
com esse autor, esse método possui como vantagens “a intenção de garantir a precisão
dos resultados, evitar distorções de análise e interpretação, possibilitando,
conseqüentemente, uma margem de segurança quanto às inferências”. Para tanto será
usado um instrumento estruturado, que será discutido a seguir. (RICHARDSON,1999)
3.2 UNIVERSO E AMOSTRA
Comumente, os levantamentos são usados com grandes populações e,
dependendo do seu tamanho, do tempo dos entrevistados, custos da pesquisa, ou ainda
capacidade de processamento de dados, faz-se necessário extrair uma parcela dessa
população para investigar, em vez de utilizar seu total. Para isso, utiliza-se o processo
de amostragem, cujo propósito é construir um subconjunto da população que seja
representativo nas principais áreas de interesse da pesquisa (ROESCH, 1996).
Segundo LAKATOS e MARCONI (1992):
a delimitação do universo consiste em explicitar que pessoas ou coisas,
fenômenos etc. serão pesquisadas, enumerando suas características comuns,
como por exemplo, sexo, faixa etária, organização a que pertencem,
comunidade onde vivem etc. (p. 108)
O universo da pesquisa foi composto por voluntários da Pastoral da Criança da
Zona Urbana Sul de João Pessoa/PB, e é um estudo do tipo não-probabilístico
intencional, que buscou conhecer os motivos da execução do trabalho dos voluntários
que atuam na Pastoral em João Pessoa. MARCONI e LAKATOS (2006) definem a
técnica de pesquisa não-probabilística como a que não faz uso de formas aleatórias de
seleção, tornando-se impossível a aplicação de fórmula estatística para cálculo. Esse
mesmo autor afirma que o tipo mais comum de amostra não probabilística é a
intencional, isto é, o pesquisador está interessado na opinião (ação, intenção, etc) de
determinados elementos da população.
A amostra é composta por quatro Paróquias localizadas na Zona Urbana Sul da
cidade de João Pessoa, mais especificamente localizadas nos bairros do Jardim Planalto,
Alto do Mateus, Roger e Esplanada II. A localidade foi escolhida a partir da separação
das áreas de atuação da Pastoral da Criança, em João Pessoa, para que se pudesse
viabilizar a coleta dos dados. A Zona Urbana Sul apresentou o total de 42 voluntários,
divididos entre as quatro Paróquias (ver quadro abaixo).
Paróquias
Paróquia Virgem Mãe dos Pobres (Jardim
Quant. de voluntários
9 voluntários
Planalto)
Paróquia Santa Clara (Alto do Mateus)
5 voluntários
Paróquia Santa Teresinha (Roger)
13 voluntários
Paróquia São João Batista (Esplanada II)
15 voluntários
Total de Voluntários
42 voluntários
Quadro 1: quantidade de voluntários por Paróquias.
3.3 TÉCNICA DE COLETA DE DADOS
Pelo fato de tratar-se de uma pesquisa quantitativa, o instrumento de coleta de
dados utilizado foi um questionário com perguntas fechadas. Segundo LAKATOS e
MARCONI (1992, p. 201), “é um instrumento de coleta de dados, constituído por uma
série ordenada de perguntas, que devem ser respondidas por escrito e sem a presença do
entrevistador”. De acordo com Roesch (2006) esse tipo de instrumento apresenta como
principal vantagem a rapidez no preenchimento e análise dos dados. Em contrapartida, a
autora comenta que muitas vezes os dados obtidos podem ser superficiais.
A entrega do instrumento de coleta de dados desta pesquisa foi feita
pessoalmente, que, segundo Mattar (1999, p. 173) ocorre quando “o questionário
é entregue e recolhido pessoalmente nas residências, em lojas, empresas, escolas, etc. ou
em qualquer lugar público”. Dessa forma, o questionário foi aplicado no momento da
visita feita aos voluntários, nas quatro Paróquias da Zona Urbana Sul da cidade de João
Pessoa (ver Quadro 1).
No momento da aplicação, questionário e caneta foram disponibilizados aos
respondentes, dos quais uma minoria necessitou de auxílio na leitura e preenchimento
dos dados. As visitas foram previamente agendadas e aconteceram no período da tarde,
em dias diferentes em cada uma das Paróquias, pois as mesmas possuem dias de reunião
e encontros, diferenciados.
O instrumento é baseado em Souza, Medeiros e Fernandes (2006) e é dividido
em 3 seções; a primeira delineando o perfil do voluntário a partir dos fatores sugeridos –
Altruísta, Afetivo, Amigável, Ajustado e Ajuizado – com respostas variando de
“discordo totalmente” a “concordo totalmente”; a segunda com perguntas sobre
conhecimentos gerais sobre o trabalho desenvolvido na Pastoral da Criança; e a terceira
seção, contendo perguntas sobre o perfil sócio-demográfico do respondente.
3.4 TRATAMENTO DOS DADOS
Os dados coletados nessa pesquisa, caracterizada como quantitativa, foram
analisados estatisticamente. De acordo com LAKATOS e MARCONI (1995, p.109) “a
estatística não é um fim em si mesma, mas instrumento poderoso para a análise e
interpretação de um grande número de dados, cuja visão global, pela complexidade,
torna-se difícil”.
Os dados foram tratados a partir de medidas descritivas, as quais auxiliam a análise
do comportamento dos dados. As medidas utilizadas serão: medidas de posição (média)
e medidas de dispersão (desvio padrão). De acordo com MATTAR (1999, p. 66),
“média corresponde ao valor médio de um conjunto de dados. É uma medida de
tendência central de aplicação exclusiva a variáveis intervalares”. O referido autor
também define desvio-padrão como a raiz quadrada da variância; sendo esta a soma
dos quadrados das diferenças entre as observações e a média, dividida pelo número de
observações.
Na primeira parte do questionário foi tabulado os dados concernentes a
“Entrada”, “Expectativas”, “Permanência” e “Saída”.
Em relação a “Entrada”,
“Expectativas” e “Permanência”, buscou-se entender qual o perfil apresentado pelos
voluntários, o quadro abaixo mostra como se deu essa tabulação, fazendo um
cruzamento entre as perguntas do questionário.
Nível
Entrada/Expectativas/Permanência
Altruísta
Perguntas 1/6
Afetivo
Perguntas 2/7
Amigável
Perguntas 3/8
Ajustado
Perguntas 4/9
Ajuizado
Perguntas 5/10
Quadro 2: cruzamento entre as perguntas da primeira parte do questionário.
Em relação à “Saída”, não há perfil, o que se pretendeu foi identificar quais os
principais motivos acarretariam a saída dos voluntários da Pastoral da Criança em João
Pessoa/PB.
4. ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS
Essa seção trata da análise e interpretação dos dados obtidos através da pesquisa
realizada com os voluntários da Pastoral da Criança em João Pessoa. Essa pesquisa foi
caracterizada como quantitativa e descritiva, na qual buscou-se entender quais os
motivos que levam esses voluntários a realizarem esse tipo de trabalho.
Os resultados que serão apresentados posteriormente foram obtidos através da
aplicação de um questionário, ao qual 42 voluntários da Pastoral da Criança da Zona
Urbana Sul de João Pessoa, escolhidos intencionalmente.
Com a finalidade de alcançar os objetivos específicos, o questionário utilizado
foi divido em três seções distintas, onde na primeira parte buscou-se entender o perfil
dos voluntários de acordo com a hierarquia sugerida por Souza, Medeiros e Fernandes
(2006), a qual abrange os níveis: Altruísta, Afetivo, Amigável, Ajustado e Ajuizado.
4.1. Objetivo Específico 1: Descrição do Perfil apresentado pelos voluntários
baseado nos 5A´s.
Na tentativa de compreender os motivos e as expectativas que levam as pessoas
a realizarem o trabalho voluntário, buscou-se descrever, nesta seção, o perfil dos
voluntários, baseado nos 5A´s, a fim de entender quais as razões que os levaram a entrar
na Pastoral da Criança, quais as expectativas desses voluntários em relação ao trabalho
que vêm desenvolvendo, quais as razões da permanência destes na Pastoral e, por
ultimo, que razões possibilitariam a saída dos mesmos, da Pastoral.
4.1.1 Entrada
Em relação à variável “Entrada”, procurou-se extrair as informações em relação
aos motivos que levaram os voluntários a entrarem para a Pastoral da Criança. Para que
essas informações fossem obtidas foram elaboradas 10 questões relacionadas á entrada
desses voluntários na Pastoral, buscando entender em que perfil eles mais se encaixam.
Com isso foi calculada a média e o desvio padrão de cada questão e de cada Perfil. O
perfil “Altruísta” está relacionado às questões 1 e 6; o perfil “Afetivo” está relacionado
as questões 2 e 7; o perfil “Amigável” está relacionado as questões 3 e 8; o perfil
“Ajustado” está relacionado as questões 4 e 9, e; o perfil “Ajuizado” está relacionado as
questões 5 e 10. (ver quadro 3)
Nível
Altruísta
Afetivo
Amigável
Media e Desvio Padrão Relacionados à Entrada
Questão
Perfil
Número Média Desvio Padrão Média
Desvio Padrão
1
4,35
0.62
4,46
0,68
6
4,57
0.74
2
4,45
0,50
4,42
0,65
7
4,38
0,78
3
3,46
1,05
2,76
1,29
8
2,05
1,12
Ajustado
4
9
5
2,23
3,74
3,87
1,20
1,18
1,06
2,98
Ajuizado
10
4,21
0,77
4,04
1,40
0,93
Tabela 1: média e desvio padrão das questões relacionadas à entrada.
L
E
G
E
N
D
A
Questões
1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
9.
10.
Entrada
Entrei na Pastoral para levar conhecimento aos assistidos.
Entrei na Pastoral para fazer algo importante.
Entrei na Pastoral para conhecer novas pessoas.
Entrei na Pastoral por curiosidade.
Entrei na Pastoral para me sentir bem.
Entrei na Pastoral porque quero um mundo melhor.
Entrei na Pastoral porque me identifico com o trabalho.
Entrei na Pastoral para participar de passeios, festas e fazer amizade.
Entrei na Pastoral para me desenvolver como pessoa.
Entrei na Pastoral para aprender.
Quadro 3: referente às questões de 1 a 10 em relação à entrada dos voluntários na Pastoral.
A partir das médias apresentadas, no que diz respeito à “Entrada” dos
voluntários na Pastoral, temos o perfil “Altruista” e o “Afetivo” como sendo o de maior
predominância, apresentando médias 4,46 e 4,42, respectivamente. Esse fato vem
demonstrar uma maior solidariedade e amor ao próximo, por parte de quem desenvolve
esse tipo de trabalho. É um perfil que demonstra a identificação que esses voluntários
têm com o trabalho que realizam, buscando proporcionar uma melhoria da qualidade de
vida das pessoas a quem assistem, colaborando para a promoção de um mundo melhor,
levando os seus conhecimentos para os menos favorecidos e tendo ciência da
importância do papel que desempenham.
O perfil “Altruísta” apresentou um desvio padrão de 0,68 e o perfil “Afetivo”
um desvio de 0,65, ambos demonstram uma homogeneidade razoável das respostas
obtidas na aplicação dos questionários, pois apresentam oscilações dessas respostas, em
torno da média.
Em contraponto aos perfis predominantes, temos o perfil “Amigável”,
relacionado às questões 3 e 8, tendo apresentado média 2,76. Esse aspecto demonstra
que os voluntários vêem a entrada na Pastoral não como sendo uma “porta” para fazer
novas amizades ou mesmo para oportunidades de passeios e festas, mas sim, como
forma de participarem ativamente da busca pela qualidade de vida do grupo a que
apóiam e da sociedade, sendo as festas e o contato com novas pessoas, uma
conseqüência natural da socialização e da relação fraternal que é criada entre os
próprios voluntários e entre os mesmos e os assistidos.
Dessa forma, podemos perceber que o perfil “Altruísta”, relacionado às questões
1 e 6,
e o “Afetivo”, relacionado às questões 2 e 7, caracterizam a entrada dos
voluntários na Pastoral, sendo um indicador do que motiva essas pessoas a atuarem na
promoção do bem-estar social. Com o perfil “Altruísta” é possível perceber a
preocupação da pessoa que doa seu tempo e amor em prol do enriquecimento da vida do
outro, a partir do momento que se dispõe a passar aos assistidos informações e meios de
inserí-los, com qualidade, na sociedade, permitindo o básico para que eles se sintam
cidadãos e se desenvolvam como pessoa. Com o perfil “Afetivo” vê-se que os
voluntários sentem-se atraídos pela oportunidade de ajudar ao próximo e vêem nisso
uma forma de colaborarem para um bem maior, sentindo-se parte da tentativa de
construção de uma sociedade mais saudável e igualitária.
4.1.2 Expectativas
Em relação à variável “Expectativa”, procurou-se extrair as informações em
relação à expectativa com o trabalho realizado pelos voluntários da Pastoral da Criança.
Para que essas informações fossem obtidas foram elaboradas 10 questões relacionadas á
entrada desses voluntários na Pastoral, buscando entender em que perfil eles mais se
encaixam. Com isso foi calculada a média e o desvio padrão de cada questão e de cada
Perfil. O perfil “Altruísta” está relacionado às questões 1 e 6; o perfil “Afetivo” está
relacionado às questões 2 e 7; o perfil “Amigável” relacionado às questões 3 e 8; o
perfil “Ajustado” está relacionado às questões 4 e 9, e; o
perfil “Ajuizado” está
relacionado às questões 5 e 10. (ver quadro abaixo)
Media e Desvio Padrão Relacionados às Expectativas
Questão
Perfil
Desvio
Nível
Número Média Padrão
Média
Desvio Padrão
1
4,63
0,62
Altruísta
4,33
0,21
6
4,33
0,93
2
4,72
0,51
Afetivo
4,71
0,03
7
4,7
0,46
3
4,21
0,77
4,32
0,12
Amigável
8
4,44
0,94
4
4,31
0,89
Ajustado
4,36
0,07
9
4,41
0,79
5
3,62
1,27
Ajuizado
3,99
0,37
10
4,36
0,74
Tabela 2: média e desvio padrão das questões relacionadas às expectativas.
Expectativas
Espero recuperar crianças com o meu trabalho na Pastoral.
E
Espero contribuir para que as mães tenham partos tranqüilos e não abortem.
Espero fazer amizades.
G
Espero adquirir conhecimento com meu trabalho na Pastoral.
E
Espero realização pessoal com o trabalho que presto na Pastoral.
Espero resgatar a dignidade humana com meu trabalho na Pastoral.
N
Espero obter bons resultados para a saúde dos assistidos.
D
Espero obter mais amor e carinho das famílias assistidas.
A
Espero ter a sensação de dever cumprido com meu trabalho na Pastoral.
Espero que o meu trabalho na Pastoral me ajude a lidar melhor com crianças
Quadro 4: referente às questões de 1 a 10 em relação às expectativas dos voluntários na Pastoral.
L
Questões
1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
9.
10.
A partir das médias apresentadas, no que diz respeito às “Expectativas” dos
voluntários na Pastoral, temos o perfil “Afetivo” como sendo o de maior
predominância, apresentando média 4,71. Isso demonstra uma maior preocupação dos
voluntários em proporcionar uma real melhoria da saúde das pessoas a quem assistem,
gerando um conseqüente crescimento na qualidade de vida, das mesmas.
O perfil “Afetivo” teve um desvio de 0,03, demonstrando uma grande
homogeneidade das respostas dos voluntários, ou seja, praticamente não houve
oscilações das respostas, em torno da média.
Por outro lado, observou-se que a menor média obtida foi do perfil “Ajuizado”,
com média 3,99, significando que os motivos que levam essas pessoas a se tornarem
voluntárias, não são questões centradas na intenção de obter status e de proteção, ou
mesmo interesse na construção e projeção da auto-imagem ou promoção pessoal. Isso
demonstra que as expectativas dos voluntários não apresentam aspectos voltados para
um viés egoísta. Este perfil apresentou um desvio padrão de 0,37, apresentando pouca
oscilação das respostas obtidas, em torno da média.
Diante dos dados acima apresentados, pode-se concluir que em relação às
expectativas a maioria dos voluntários apresentaram um perfil “Afetivo”, relacionado às
questões 2 e 7. Com o perfil “Afetivo” vemos que os voluntários possuem a expectativa
de alcançar o seu objetivo no auxílio às pessoas carentes, contribuindo para que as mães
assistidas tenham partos mais tranqüilos, propiciando uma significante diminuição do
número de abortos sofridos, e fazendo com que as crianças tenham uma vida mais
saudável, sem doenças, com higiene constante, contribuindo assim para que haja menor
taxa de mortalidade, e para isso, os voluntários fazem visitas periódicas às mães
grávidas, dando conselhos, fazendo monitoramentos e explicando, para as mesmas,
como uma gestante deve proceder com a própria alimentação e a do bebê,
acompanhando a fase do pré-natal, dentre outros procedimentos. Todos esses
conhecimentos transmitidos pelos voluntários à comunidade, são baseados no Guia do
Líder, utilizado como instrumento de consulta e apoio, pelos voluntários da Pastoral.
4.1.3 Permanência
Em relação à variável “Permanência”, procurou-se saber quais os motivos que
levam esses voluntários a permanecerem na Pastoral da Criança. Para isso foram
elaboradas 10 questões relacionadas à permanência desses voluntários na Pastoral (ver
legenda abaixo), buscando entender em que perfil eles mais se encaixam. Com isso foi
calculada a média e o desvio padrão de cada questão e de cada Perfil (ver Tabela 4). O
perfil “Altruísta” está relacionado às questões 1 e 6; o perfil “Afetivo” está relacionado
as questões 2 e 7; o perfil “Amigável” está relacionado as questões 3 e 8; o perfil
“Ajustado” está relacionado as questões 4 e 9, e; o perfil “Ajuizado” está relacionado as
questões 5 e 10.
Média e Desvio Padrão Relacionados à Permanência
Questão
Perfil
Desvio
Nível
Número Média Padrão
Média DesvioPadrão
1
4,76
0,43
Altruísta
4,56
0,21
6
4,36
0,74
2
4,41
0,72
Afetivo
4,38
0,03
7
4,36
0,63
3
4,15
0,84
Amigável
4,37
0,30
8
4,59
0,50
4
4,51
0,64
Ajustado
4,44
0,10
9
4,36
0,63
5
4,13
0,73
0,92
Tabela 3: média e desvio padrão relacionados à permanência.
L
E
G
E
N
D
A
Questões
1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
9.
10.
Permanência
O que me mantém na Pastoral é o amor ao próximo.
O que me mantém na Pastoral é a situação das crianças.
A força de vontade é o que me mantém na Pastoral.
O que me mantém na Pastoral é o amor que tenho pelas crianças.
O que me mantém na Pastoral é o gosto por fazer as atividades.
Permaneço na Pastoral por um gesto de fé.
Permaneço na Pastoral por causa do envolvimento com famílias e crianças.
Permaneço na Pastoral para ajudar as famílias.
Permaneço na Pastoral para transmitir conhecimento para as famílias.
Permaneço na Pastoral porque tenho a oportunidade de aprender a lidar com crianças.
Quadro 5: referente às questões de 1 a 10 em relação à permanência dos voluntários na Pastoral
Com base nas médias obtidas, no que diz respeito à “Permanência”, os
voluntários da Pastoral apresentaram a predominância do perfil “Altruísta”, com média
4,56. Isso aponta uma grande sensibilização por parte dos voluntários, ao verem a
situação em que as crianças e as famílias vivem, e por isso se dispõem a dedicar tempo e
esforço, em um trabalho tão difícil e dificultado, devido às inúmeras barreiras existentes
(de acessibilidade às comunidades, periculosidade, falta de recurso, entre outros),
permanecendo por amor ao próximo e como gesto de fé, crendo que com aquele
trabalho algo pode ser melhorado na vida dessas famílias e crianças e na sociedade.
Este perfil apresentou um desvio padrão baixo, sendo de 0,21, o que corresponde
a uma pequena oscilação, em torno da média, nas respostas que foram obtidas na
aplicação dos questionários, nas Pastorais.
Contudo, o perfil “Ajuizado”, que teve um desvio padrão excelente, de 0,01, sem
quase apresentar oscilação em torno da média, foi quem teve a menor média, de 4,14, o
que demonstra que a permanência dos voluntários da Pastoral da Criança, da Zona
Urbana Sul de João Pessoa, não está ligada a necessário gosto ou afinidade pelas
atividades desenvolvidas, nem mesmo por interesse de aprender a lidar com crianças, a
permanência se dá pela preocupação e comprometimento em mudar a dura realidade
vivenciada pelas famílias e crianças, de onde nascem fortes relações de confiança, amor
e esperança, que evitam que o voluntário abandone ou mesmo desista deste trabalho.
Os dados demonstram que o grande foco do trabalho vivenciado na Pastoral da
Criança em João Pessoa é propiciar uma melhoria na qualidade de vida das pessoas que
são acompanhadas por ela, e que as barreiras enfrentadas no dia a dia, para a execução
desse trabalho, só demonstram a grande necessidade e relevância do mesmo, e que o
amor e a fé, apresentados pelos voluntários que se envolvem nesse trabalho, são a
grande mola que impulsiona e mantém o engajamento em prol do crescimento e
melhoria de vida do próximo.
4.1.4 Saída
Em relação à variável “Saída”, procurou-se saber quais os principais motivos
que levariam os voluntários a saírem da Pastoral da Criança. Para a obtenção dessas
informações, foram elaboradas 14 questões (ver legenda abaixo), relacionadas à saída
dos voluntários da pastoral. Com isso, foram calculadas a média e o desvio padrão de
cada questão (ver a Tabela 4) para que se pudesse entender melhor esses motivos.
Média e Desvio Padrão Relacionados à Saída
Questões
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
Média
1,71
2,05
1,77
2,03
1,82
2,13
2,24
2,21
1,85
3,10
2,23
2,28
1,97
1,97
Desvio Padrão
1,05
1,10
0,96
1,31
1,25
1,20
1,30
1,30
1,09
1,20
1,25
1,32
1,11
1,16
Tabela 4: média e desvio padrão das questões relacionadas à entrada.
Questões
Saída
1
Eu sairia se a Pastoral não tivesse mais recursos.
2
Eu sairia da Pastoral por falta de voluntários.
L
3
Eu sairia da Pastoral por falta de apoio governamental.
E
4
Eu sairia da Pastoral caso perdesse a fé em Deus.
G
5
Eu sairia da Pastoral por falta de amor ao próximo.
E
6
Eu sairia da Pastoral por falta de Coordenação.
N
7
Eu sairia se houvesse descontinuidade nos trabalhos da Pastoral.
D
8
Eu sairia da Pastoral por falta de tempo.
A
9
Eu sairia da Pastoral por falta de ânimo para fazer o trabalho.
10
Eu sairia da Pastoral por problemas de saúde.
11
Eu sairia da Pastoral se houvesse desinteresse das mães assistidas.
12
Eu sairia se fosse residir em um bairro que não tenha Pastoral.
13
Eu sairia se houvesse mudança na estrutura de funcionamento da Pastoral.
14
Eu sairia pelo aumento da minha carga de trabalho.
Quadro 6: referente às questões da 1 a 14 sobre a saída dos voluntários da pastoral.
De acordo com o exposto na Tabela 4, pode-se concluir que a maioria dos
voluntários apontou os motivos referentes às questões 10 e 12 como sendo os de maior
peso, para o abandono do trabalho na Pastoral da Criança. Os motivos apresentados
foram o de saída da Pastoral por motivos de saúde, com média 3,10 e o de saída, da
Pastoral da Criança, por mudar-se para local que não possuí-se Pastoral da Criança,
tendo média 2,28. Essas médias demonstram que os voluntários vêem no trabalho que
desenvolvem um grande esforço físico e psicológico, sendo necessário que o próprio
voluntário esteja bem, saudável, para que possa desempenhar um bom trabalho, e
também a dificuldade de conciliar as diversas atividades do dia a dia ao trabalho na
Pastoral, apontando o deslocamento para um outro bairro um motivo de impossibilidade
de continuidade dos trabalhos, principalmente pela falta de recursos financeiros para o
translado. Estes motivos apresentaram desvio padrão de 1,20 e 1,32, respectivamente,
demonstrando uma certa heterogeneidade das respostas, em relação à media.
Por outro lado, os motivos 1 e 3, referentes a falta de recursos e a ausência de
apoio governamental, tiveram a menor média, o que significa que os voluntários, apesar
de toda a dificuldade de investimento de empresas e governo, não saem e nem sairiam
da Pastoral por esses motivos, ao contrário, desenvolvem seus trabalhos em suas
comunidades, utilizando-se de uma irrisória quantia que as próprias Pastorais dispõem
através da Igreja, e, muitas vezes, de seus recursos próprios, abrindo mão do apego
material para a promoção de um bem maior, permitindo que outras famílias e crianças
tenham a oportunidade de se desenvolverem como seres humanos e cidadãos. Esses
motivos apresentaram desvio padrão 1,05 e 0,96, respectivamente, de forma que houve
uma considerável oscilação nas respostas obtidas, em relação à média.
4.2
Objetivo Específico 2: Identificação, nos voluntários, de conhecimentos
gerais sobre o trabalho desenvolvido na Pastoral.
Nessa parte procurou-se estudar o conhecimento dos voluntários em relação ao
trabalho desenvolvido. Para isso foram elaboradas uma serie de questões objetivas para
que eles pudessem demonstrar seus conhecimentos e sua dedicação ao trabalho
voluntário.
1. Você já saiu e retornou para a Pastoral?
Saída e Retorno
100%
86%
80%
60%
Sim
Não
40%
20%
0%
14%
Gráfico 1: saída e Retorno para a Pastoral
Analisando o Gráfico 1, constatou-se que a maioria dos voluntários (86%) nunca
saiu da Pastoral, isso significa que mesmo enfrentando algumas dificuldades como a
falta de recursos, por exemplo, a força de vontade em ajudar o próximo e a fé no
trabalho realizado é mais forte. Por outro lado, os que já saíram e retornaram para a
pastoral (14%), disseram que o principal motivo dessa saída foi por problemas de saúde
ou por conseguir um trabalho remunerado, e o motivo que os fez retornarem foi
justamente a melhora na saúde ou o término do trabalho remunerado.
2. Quantos dias por mês você dedica à Pastoral da Criança?
Quantidade de Dias por mês dedicados à Pastoral
38%
40%
38%
35%
30%
1 dia por mês
25%
2 ou 3 dias por mês
20%
15%
4 ou 5 dias por mês
13%
11%
8 ou mais dias por mês
10%
5%
0%
Gráfico 2: quantidade de dias por mês dedicados à Pastoral.
De acordo com o Gráfico 2, 38% dos voluntários dedicam oito ou mais dias por
mês à Pastoral da Criança, igualmente com a porcentagem dos que dedicam dois ou três
dias por mês, também com 38%. Por outro lado estão os que dedicam quatro ou cinco
dias por mês à Pastoral. Essa variação se dá porque esses voluntários têm de conciliar a
sua vida particular e o trabalho voluntário, ou seja, cada um tem a sua disponibilidade
de tempo, ou porque trabalham, estudam ou exercem outro tipo de atividade, e eles
tentam buscar uma forma de conciliar as duas coisas.
3. Você conhece algum voluntário que desistiu?
Conhecimento da Desistência de Voluntários
80%
70%
69%
Gráfico 3: conhecimento da desistência de voluntários.
De acordo com o Gráfico 3, observou-se que 69% dos voluntários conhecem
alguma pessoa que já desistiu da Pastoral. Essa desistência muitas vezes se dá pelo fato
dessas pessoas não se identificarem com o trabalho, ou seja, delas entrarem sem saber o
significado e a importância do trabalho voluntário, esperando conseguir contribuições
para si mesmas, e não objetivando o bem do próximo, que é a grande finalidade da
entidade. Em alguns casos também se constatou que um outro motivo dessa desistência
é o fato dessas pessoas terem conseguido trabalho remunerado, e por isso saírem da
pastoral, ou seja, é difícil para elas conciliarem a vida pessoal, quando se exerce uma
atividade remunerada, com o trabalho voluntário, porque muitas vezes esse trabalho
remunerado é exercido em tempo integral, não permitindo que haja disponibilidade de
tempo para fazer outras atividades.
4. Em sua opinião, o que explicaria a desistência ou a saída de voluntários da
Pastoral da criança?
Motivo de Desistência ou Saída
45%
41%
40%
35%
31%
30%
25%
20%
Falta de Contribuição
para si próprio
15%
15%
10%
5%
Problemas com
pessoas da Pastoral ou
Igreja
Problema de
Relacionamento com
Voluntários
Mudança na
Coordenação
8%
5%
0%
0%
Desinteresse ou falta de
identificação
Outros
Gráfico 4: motivo de desistência ou saída.
Na tentativa de entender o porquê da desistência de voluntários da Pastoral,
perguntou-se qual o principal motivo dessa desistência ou saída. De acordo com o
Gráfico 4, 41% dos voluntários disseram que o principal motivo que leva os voluntários
a desistirem da Pastoral, é o desinteresse ou a falta de identificação com o trabalho, ou
seja, são pessoas que não têm um espírito de solidariedade forte, ou mesmo não
entendem a importância e seriedade desse trabalho. São pessoas que entram pensando
no que vão ganhar com isso, e quando vêem que o trabalho é diferente do que
pensavam, acabam por desistir, por não entenderem a real intenção do trabalho
voluntário, a de proporcionar melhorias para o próximo e para a sociedade.
5. Em relação às suas expectativas com o trabalho realizado na Pastoral da
Criança, qual das alternativas abaixo representa melhor sua situação hoje?
Expectativa com o Trabalho Realizado
42%
45%
40%
Não consegue alcançar os
resultados
33%
35%
30%
Consegue alcançar
parcialmente
25%
17%
20%
15%
10%
8%
5%
Consegue alcançar o que
espera
Consegue resultados
superiores
0%
Gráfico 5: expectativa com o trabalho realizado.
De acordo com o Gráfico 5, constatou-se que 42% dos voluntários conseguem
alcançar os resultados que esperam, ou seja, eles vêem o seu trabalho como fonte real de
melhorias. Mas também se pode observar que muitas vezes eles apenas conseguem
alcançar parcialmente o que esperam (33%), o que significa que as expectativas com o
trabalho realizado muitas vezes oscilam em relação ao alcance dos resultados, ou seja,
esses resultados são alcançados em parte. Constatou-se ainda que alguns voluntários
sentem que não conseguem alcançar os resultados (8%), estando o desempenho de suas
atividades abaixo das expectativas esperadas por eles. Por outro lado, observou-se que
17% dos voluntários conseguem alcançar resultados superiores ao esperado, o que
significa que o trabalho realizado supera as expectativas dos mesmos, e isso muitas
vezes acontece devido à determinação, força de vontade e motivação que esses
voluntários têm na realização de cada atividade relacionada à Pastoral.
6. Como você conheceu a Pastoral da Criança?
Através de familiares
Como conheceu a Pastoral
70%
Através de Paróquia ou
Igreja
64%
60%
Através de amigos ou
grupo de jovens
50%
40%
Através de pessoas
assistidas por ela
30%
Através de noticiários
20%
10%
14%
7%
5%
3%
Porque foi assistida por
ela
7%
0%
Outros
0%
Gráfico 6: como conheceu à Pastoral.
De acordo com o Gráfico 6, observou-se que 64% dos voluntários conheceram a
pastoral por intermédio da Paróquia ou da Igreja. Isso mostra que a Igreja tem um papel
fundamental na divulgação dos trabalhos da Pastoral, e fez com que esses voluntários
que atuam hoje nas Pastorais da Criança se interessassem pelo trabalho realizado. Por
outro lado, os fatores que menos influenciaram no conhecimento dos trabalhos da
Pastoral foram: através de pessoas assistidas por ela (5%) ou através de noticiários
(3%).
7. Alguém de sua família trabalha ou trabalhou na Pastoral da Criança?
Alguém da família trabalha ou já trabalhou na Pastoral?
70%
63%
60%
50%
40%
37%
Sim
Não
30%
20%
10%
0%
Gráfico 7: alguém da família trabalha ou já trabalhou na Pastoral.
De acordo com o Gráfico 7, constatou-se que apenas 37% dos voluntários tem
algum familiar trabalhando ou que já trabalhou na pastoral. Por outro lado, 63% dos
voluntários disseram que ninguém de sua família trabalha ou já trabalhou na Pastoral.
Dentre mãe, filhos, irmãos, sobrinhos tias etc. Dos 37% que responderam que têm
familiares trabalhando ou que já trabalharam na Pastoral, a maioria disse que em média
trabalha ou já trabalhou de 1 a 2 familiares na Pastoral, o que demonstra que dentro de
um família se um membro se mobiliza em prol de uma boa causa, a chance de
sensibilizar e estimular mais alguém do seu seio familiar, é maior. Dentre esses
familiares constatou-se que filho, esposo (a) e cunhada apresentaram maior número em
relação ao grau de parentesco, seguido de neta e irmã.
8. Como você se posiciona em relação às pessoas que você acompanha?
Posição em relação às pessoas assistidas
50%
40%
Elas tês situação muito
inferior
43%
38%
Elas têm situação só
inferior
30%
20%
Elas têm situação igual
19%
Elas têm situação superior
10%
0%
0%
0%
Elas têm situação muito
superior
Gráfico 8: posição em relação às pessoas assistidas.
De acordo com o Gráfico 8, observou-se que 43% dos voluntários disseram que
as pessoas que eles assistem têm situação igual a deles, ou seja, esses voluntários são
pessoas que passam por condições financeiras semelhantes a das pessoas que assistem,
porém possuem força de vontade e fé de que fazendo sua parte poderão melhorar a
realidade de suas comunidades. Por outro lado, com 38% dos voluntários disseram que
as pessoas a quem eles assistem têm situação muito inferior a deles, o que demonstra a
precariedade e a pobreza em que vivem essas pessoas.
9. Como você avalia a relação entre os serviços públicos de saúde e o trabalho
voluntário da Pastoral?
Relação entre o Serviço Público de Saúde e o trabalho da
Pastoral
70%
60%
58%
50%
Depende Muito
Gráfico 9: Relação entre serviço público de saúde e o trabalho da Pastoral.
De acordo com o Gráfico 9, 58% dos voluntários disseram que o trabalho
desenvolvido na Pastoral depende muito do serviço de saúde, visto que as crianças a
quem a Pastoral da Criança assiste, precisam estar atualizando suas vacinas, fazendo o
acompanhamento e tratando de possíveis problemas de saúde, comuns da fase e, por
isso, o trabalho acaba dependendo muito do serviço de saúde, além de que para que as
mães tenham partos tranqüilos e não venham a abortar, é necessário um monitoramento
de profissionais de saúde, e isso é disponibilizado nos postos instalados nos bairros ou
comunidades.
10. Como você avalia o acesso das pessoas que você acompanha ao sistema de
saúde?
Acesso das Pessoas ao Sistema de Saúde
50%
44%
40%
30%
Acesso Fácil
29%
Dificuldade de Acesso
22%
Muita Dificuldade de Acesso
20%
Não tem Acesso
10%
5%
0%
Gráfico 10: Acesso das pessoas assistidas ao sistema de saúde.
De acordo com o Gráfico 10, 44% dos voluntários disseram que as pessoas que
eles assistem têm dificuldade de acesso ao sistema de saúde, ou seja, o atendimento é
dificultado. Por outro lado, apenas 5% dos voluntários disseram que as pessoas que eles
assistem não têm acesso ao sistema de saúde.
11. Se as pessoas que você acompanha têm alguma dificuldade de acesso ao sistema
de saúde, que fator, em sua opinião, mais influência?
Motivo da Dificuldade de Acesso ao Sistema de Saúde
45%
42%
39%
40%
35%
Falta de Profissionais
30%
Falta de Postos de Saúde
25%
20%
15%
8%
10%
5%
11%
Dificuldade de Acesso à
Medicamentos
Irregularidades do
Atendimento
0%
Gráfico 11: Motivo da dificuldade de acesso ao sistema de saúde.
De acordo com o Gráfico 11, 42% dos voluntários disseram que o motivo que
explicaria a dificuldade acesso ao sistema de saúde é a falta de profissionais, ou seja, os
profissionais da área de saúde é que são escassos e quando existem, nem sempre
cumprem o seu trabalho de maneira apropriada, tendo sido este o segundo maior motivo
apontado pelos voluntários, correspondendo a 39%. Por outro lado, para os voluntários,
o fator que menos influencia nessa dificuldade é a falta de postos de saúde (8%) nas
proximidades, demonstrando que existem postos de saúde proximos dos bairros, muitas
vezes mais do que um, porém nem sempre se encontra profissional de prontidão e/ou
um atendimento correto.
4.2.1 Relação entre o Objetivo Específico Um - Perfis Apresentados pelos
Voluntários baseados nos 5 A’s - e o Objetivo Específico Dois – Conhecimentos
gerais sobre o Trabalho desenvolvido na Pastoral da Criança.
Esta seção tem a intenção de estabelecer uma relação entre os objetivos
específicos um e dois. Para isso, buscou-se associar cada questão com a sua maior
média obtida, e com isso fazer a relação.
De acordo com os dados analisados no Gráfico 2 (ver pág. 48), observou-se que
86% dos voluntários nunca saíram da Pastoral, ou seja, eles entraram e permanecem até
hoje ajudando o próximo. Analisando a entrada, o que se observou foi que os
voluntários que entraram na Pastoral apresentaram um perfil tanto “Altruísta” quanto
“Afetivo”, o que significa que esses voluntários entraram na Pastoral com o objetivo de
ajudar os menos favorecidos; de construir um mundo melhor; melhorar a realidade da
sociedade; baseando-se na fé que possuem, tentando retribuir algo que receberam, tendo
a convicção de que conseguem abraçar a causa, e ainda mostrar seus sentimentos de
auxilio, objetivando sempre o apoio aos menos favorecidos, com o intuito de resgatar a
dignidade dessas pessoas e proporcionar-lhes melhores condições de vida.
Em relação a permanência dessas pessoas na Pastoral, observou-se que o perfil
apresentado pelos voluntários foi o “Altruísta”, caracterizado pelo auto-sacrifício do
voluntário, em que mesmo com toda a dificuldade e riscos envolvidos no trabalho que
realizam, dos quais os mesmos têm consciência, o amor e a preocupação voltada para a
realidade dessas pessoas é maior, permitindo que a fé dos voluntários em melhorar a
vida de suas comunidades, os faça seguir em frente e manter-se realizando esse trabalho
tão bonito e reconhecido.
No que diz respeito às expectativas com o trabalho realizado, observou-se que
42% dos voluntários conseguem alcançar os resultados que esperam com o trabalho que
desenvolvem. Em relação ao perfil apresentado, foi o “Afetivo”, o de predominância, o
que significa que a razão que leva as pessoas a se tornarem voluntários é elas possuírem
um sentimento de ajuda ao próximo, ou seja, de quere contribuir para que as pessoas
menos favorecidas possam ter uma vida mais digna, buscando sempre o resgate da
cidadania dessas pessoas e, associado a isso está o alcance de bons resultados para a
saúde das mesmas, visto que, isso se torna cada vez mais prazeroso quando eles
conseguem alcançar as suas expectativas com o trabalho realizado.
Em relação a saída da Pastoral, constatou-se que 69% dos voluntários disseram
ter conhecido algum voluntário que desistiu, e o principal motivo dessa desistência está
associada ao desinteresse e a falta de identificação com o trabalho. Esse desinteresse e
falta de indetificação se dá, muitas vezes, porque grande parte das pessoas têm
curiosidade pelo trabalho voluntário, desenvolvido nessas entidades, e por isso se
voluntaríam e ao conhecerem a realidade do trabalho, a necessária dedicação que o
mesmo inflinge e ainda a importância do papel de quem desempenha essa função,
acabam por não se identificarem com a situação, já que o motivo que os levou a entrar
nesse “universo” não é suficiente para manter-se nele, acarretando na saída desses
voluntários da Pastoral.
4.3 Objetivo Específico 3: Analise do Perfil Sócio-Demográfico dos Voluntários e
sua Relação com o Trabalho Desenvolvido.
Nessa parte, analisou-se a situação sócio-demográfico dos voluntários da
pastoral, buscando e conhecer desde a idade, estado civil, renda dentre outros aspectos
relevantes para compreender e identificar o perfil sócio-demográfico de cada voluntário.
12. Idade.
Idade
80%
70%
70%
60%
50%
Até 24 anos
40%
De 25 à 40 anos
30%
Acima de 40 anos
22%
20%
8%
10%
0%
Gráfico 12: idade.
De acordo com o Gráfico 12, observou-se que 70% dos voluntários têm acima
de 40 anos de idade, ou seja, são pessoas vividas e que já possuem experiência de vida
para passar para as pessoas a que assistem. Por outro lado, apenas 8% têm até 24 anos
de idade, demonstrando que os jovens são minoria no número de voluntários
desenvolvendo os trabalhos na Pastoral da Criança.
13. Sexo
Sexo
100%
88%
80%
60%
Masculino
Feminino
40%
20%
12%
0%
Gráfico 13: sexo.
De acodo com o Gráfico 13 acima, constatou-se que 88% dos voluntários da
Pastoral da Criança da Zona Urbana Sul de João Pessoa, são do sexo feminino, o que
demonstra que as mulheres são as que mais se identificam com o trabalho voluntário
desenvolvido na Pastoral, e que possuem uma maior solidariedade com a situação
vivenciada pelas famílias e crianças carentes, tendo um instinto quase maternal ao
dedicarem-se a melhoria de vida dessas pessoas.
14. Você mora na comunidade em que atua na Pastoral da Criança?
Mora na Comunidade em que atua na Pastoral da
Criança?
100%
81%
80%
60%
Sim
40%
Não
19%
20%
0%
Grafico 14: mora na comunidade em que a Pastoral atua?
De acordo com o Gráfico 14, 81% dos voluntários moram na comunidade em
que atuam na Pastoral da Criança, o que demonstra que eles já conhecem a realidade da
comunidade e se preocupam em mobilizar-se para ajudar essas pessoas a terem uma
vida mais digna. Por outro lado, apenas 19% dos voluntarios moram em bairro diferente
de onde atuam na Pastoral, embora em pequena quantidade, demonstram a dedicação e
esforço em querer ajudar o próximo.
15. Qual o seu estado civil?
Estado Civil
70%
Solteiro(a)
60%
60%
Casado(a)
50%
40%
30%
Separado/Desquitado/Divorc
iado(a)
23%
Viúvo(a)
20%
10%
10%
5%
2%
Outros
0%
Grafico 15: estado civil.
De acordo com o Gráfico 15, 60% dos voluntários são casados, o que demonstra
um perfil de maior responsabilidade por parte das pessoas que desenvolvem esse tipo de
trabalho.
16. Quantos irmãos você tem?
Quantidade de Irmãos
60%
55%
50%
Nenhum
40%
Um
Dois
30%
17%
20%
10%
10%
Três
13%
Quatro ou mais
5%
0%
Grafico 16: quantidade de irmãos.
De acordo com o Gráfico 16, 66% dos voluntarios possuem quatro ou mais
irmãos, o que significa que são pessoas que vêm de familias grandes, simples porém
acostumados a dividir o pouco que possuem e, por isso, tentam dar o melhor de si para
ajudar o proximo. Por outro lado, apenas 5% não tem nunhum irmão.
17. Quantos filhos você tem?
Quantidade de Filhos
38%
40%
35%
28%
30%
Nenhum
25%
20%
Um
17%
Dois
15%
15%
Três
10%
Quatro ou mais
2%
5%
0%
Grafico 17: quantidade de filhos.
De acordo com o Gráfico 17, 38% dos voluntários têm apenas dois filhos, e na
maioria das vezes esses filhos fazem parte do quadro de voluntários junto com as mães.
Contudo, apenas 2% tem quatro ou mais filhos, o que já demonstra uma maior
consciência dessas pessoas em administrarem melhor suas vidas, pois ao não precisar
ter que dividir com tantos, dentro de casa, sobra tempo e amor para dedicar ao próximo.
18.Com quem você mora atualmente?
Com quem mora atualmente?
90%
Pais e/ou outros parentes
78%
80%
70%
Esposo(a) e/ou Filhos
60%
50%
40%
30%
Amigos
Colegas em Alojamento
Universitário
20%
20%
10%
0%
0%
Sozinho(a)
2%
0%
Grafico 18: com quem mora atualmente.
De acordo com o Gráfico 18, 78% dos voluntários moram com esposo(a) e/ou
filhos, ou seja, pelo fato da maioria ser casada, as chances de já terem filhos aumentam.
Por outro lado, apenas 2% moram sozinhos, e não tem nenhum voluntário que more
com amigos ou com colegas em alojamento universitario.
19. Quantos membros de sua família moram com você?
Quantos membros da família moram com você?
40%
34%
35%
30%
25%
Nenhum
20%
Um ou Dois
20%
20%
16%
15%
10%
10%
Três ou Quatro
Cinco ou Seis
Mais do que Seis
5%
0%
Grafico 19: quantos membros dafamilia moram com você?
De acordo com o Gráfico 19, 34% dos voluntários disseram que tem um ou dois
membros de sua familia morando com eles. Por outro lado, apenas 10% disseram ter
cinco ou seis membros de sua familia morando consigo, o que reafirma o ponto de que
a maioria dos voluntários morarem com seus respectivos parceiros e/ou filho(s)..
20. Sua casa é?
Sua Casa é?
100%
92%
80%
Própria
60%
Alugada
Grafico 20: sua casa é?
De acordo com o Gráfico 20, 92% dos voluntários possuem casa própria, ou
seja, batalharam para conseguir ter a sua casa e agora tentam ajudar o próximo, com a
mesma força de vontade, tentando proporcionar-lhes esperança e dignidade. Nenhum
voluntário apresentou ter casa cedida.
21. Você estudou até qual série?
Estudou até qual Série?
35%
30%
Ensino Fundamental
Incompleto
30%
28%
Ensino Fundamental
Completo
25%
25%
2º Grau Incompleto
20%
2º Grau Completo
15%
10%
5%
5%
5%
7%
Ensino Superior
Incompleto
Ensino Superior
Completo
0%
Grafico 21: estudou até qual serie?
De acordo com o Gráfico 21, 30% dos voluntários possuem apenas o Ensino
Fundamental Incompleto, ou seja, apesar do baixo grau de instrução que possuem,
entendem a necessidade de proporcionar o básico para as crianças que assistem, dandolhes condições de crescerem exercendo sua cidadania, para que possam ter
oportunidades que, muitas vezes, nem os próprios voluntários tiveram. Por outro lado,
apenas 7% dos voluntários dizem ter o Ensino Superior Completo, ou seja, é uma
minoria, mas que mostra que mesmo com todas as adversidades, se tiverem força de
vontade, todos podem alcançar o que almejam. Eles servem de exemplo para as famílias
das comunidades a que assistem.
22. Você estuda atualmente?
Estuda Atualmente?
90%
78%
80%
70%
60%
Sim
50%
40%
Não
30%
22%
20%
10%
0%
Gráfico 22: estuda atualmente?
De acordo com o Gráfico 22, 78% dos voluntários não estudam atualmente,
visto que a maioria está na faixa etária acima de 40 anos, e isso muitas vezes é o que
dificulta a continuação dos estudos porque acabam tendo mais compromissos, com
filho(s), esposo(a), trabalho e o tempo fica escasso. Por outro lado, apenas 22% dos
voluntários ainda estudam, a maioria cusando o Ensino Fundamental, seguido de cursos
diversos.
23. Assinale a situação abaixo que melhor descreve seu caso.
Situação Pessoal
50%
45%
40%
35%
30%
25%
20%
15%
10%
5%
0%
Não trabalha e é sustentado
pela família
Trabalha e recebe ajuda da
família
46%
Trabalha e se sustenta
Trabalha e contribui para o
sustento da família
15%
18%
5%
0%
Trabalha e é o responsável
pelo sustento da família
13%
3%
É aposentado e sustenta a
família
É aposentado e recebe ajuda
da família
Gráfico 23: situação econômica atual.
De acordo com o Gráfico 23, 46% dos voluntarios não trabalha e é sustentado
pela familia, o que demonstra o tempo e a dedicação na realização do trabalho
voluntário. Por outro lado, 3% dos voluntarios é aposentado e recebe ajuda da família.
24. Você exerce atividade remunerada (trabalho)?
Exerce Atividade Remunerada?
70%
63%
60%
50%
Temporário
40%
Um turno por dia
30%
Tempo Integral
16%
20%
Não Trabalha
13%
8%
10%
0%
Grafico 24: exerce atividade remunerada?
De acordo com o Gráfico 24, 63% dos voluntarios não exercem atividade
remunerada, ficando em casa cuidando da familia e também disponibilizando uma parte
desse tempo para dedicar-se ao proximo. No outro extremo, observa-se que apenas 8%
dos voluntarios disseram trabalhar em tempo integral. Diante disso, o que se pode
observar é que mesmo que a maioria dos voluntarios não exerçam atividade
remunerada, estão sempre disposto a ajudar o proximo com aquilo que podem, e há os
que mesmo trabalhando em tempo integral, mesmo que quase sem tempo para sí
mesmos, dedicam um pouco à Pastoral.
25. Qual a sua ocupação?
Profissional Liberal
Ocupação
Empresário
60%
50%
50%
Servidor Público
40%
Empregado de Empresa
Privada
30%
Aposentado
20%
18%
Dona de Casa
13%
8%
10%
0%
0%
8%
3%
Estudante
0%
Outros
Gráfico 25: ocupação
Em relação à ocupação dos voluntários da Pastoral, 50% disseram ser donas de
casa, ou seja, são pessoas que dedicam seu tempo para cuidar da casa e da família. Por
outro lado, apenas 3% se disseram empregados de empresa privada. Diante disso, o que
se pode constatar é que a maioria dos voluntários que atuam na Pastoral são donas de
casa e muitas vezes disponibilizam um pouco do seu tempo livre para ajudar o próximo.
26. Qual a sua renda familiar?
Renda Fam iliar
50%
47%
Até 1 salário mínimo
Até 2 salários
40%
30%
Até 3 salários
24%
Até 4 salários
16%
20%
Entre 5 e 7 salários
10%
10%
Entre 8 e 10 salários
3%
0%
0%
0%
Mais de 10 salários
Gráfico 26: renda familiar
De acordo com o Gráfico 26, observou-se que 47% dos voluntários da Pastoral
possui renda familiar de até 1 salário mínimo, demonstrando que são pessoas humildes
e que apesar de não terem muitas condições financeiras, estão dispostas a ajudar o
próximo à prosperar e, por muitas vezes, colaboram com o pouco que têm. Por outro
lado, apenas 3% disseram ter rendimento familiar entre 5 e 7 salários mínimos.
27. Qual a sua renda pessoal?
Renda Pessoal
50%
43%
46%
Não tem renda
40%
Até 1 salário mínimo
Até 2 salários
30%
Até 3 salários
Até 4 salários
20%
Entre 5 e 7 salários
11%
Entre 8 e 10 salários
10%
0%
0%
0%
0%
0%
Mais de 10 salários
0%
Gráfico 27: renda pessoal.
Diante do gráfico acima, pode-se observar que 46% dos voluntários da Pastoral
recebem até 1 salário mínimo nas suas atividades remuneradas (ou aposentadorias) e
43% dos voluntários não possuem renda, ou seja, são pessoas que já estão aposentadas
ou que só se dedicam a cuidar da família, e por já serem pessoas vividas e experientes,
sabem da importância de ajudar o próximo. Por outro lado, apenas 2% disseram ter
renda pessoal de até 2 salários mínimos.
28. Qual a sua religião?
Religião
100%
80%
89%
Católica
Gráfico 28: religião.
Diante do Gráfico 28, constatou-se que 89% dos voluntários, ou seja, quase
todos os voluntários que desempenham os trabalhos na Pastoral da Criança são de
religião católica, o que demonstra a importância e influência da Igreja Católica no
desenvolvimento desse trabalho, e também a fé e a força de vontade que os voluntários
têm para ajudar o próximo.
29. Quantas vezes você vai à igreja?
Vezes que vai à Igreja
Todos os dias
70%
59%
60%
Todas as semanas
50%
Quase todas as semanas
40%
Ás vezes e nas datas
especiais
30%
20%
18%
10%
10%
13%
Só nas datas especiais
0%
0%
0%
Nunca
Gráfico 29: vezes que vai à igreja.
Diante do Gráfico 29, observou-se que 59% dos voluntários vão à igreja todas as
semanas, demonstrando a sua religiosidade e fé em Deus. Contudo, apenas 10% dos
voluntários vão à igreja todos os dias e 13% vão a igreja só às vezes e nas datas
especiais. Com isso observa-se que a maioria dos voluntários da Pastoral vão a igreja
todas as semanas, demonstrando a devoção que têm em Cristo e a fé de que podem
trabalhar para construir um mundo melhor.
4.3.1 Relação entre o Objetivo Especifico Um – Perfis Apresentados pelos
Voluntários baseados nos 5 A’s e o Objetivo Especifico Três – Perfil SócioDemográfico dos Voluntários e a sua Relação com o Trabalho Desenvolvido.
Esta seção tem a intenção de estabelcer uma relação entre os objetivos
específicos um e três. Para isso, buscou-se associar cada questão com a sua maior média
obtida, relacionando-as.
Diante do que foi exposto no tratamento dos dados, o que se pode constatar é
que a entrada de voluntários
na Pastoral da Criança, independe de seu nível de
escolaridade, visto que as porcentagens estiveram muito proximas uma da outra, ou
seja, não importa se uma pessoa é analfabeta ou universitária para entrar na Pastoral,
mas sim que ela entenda a importância do trabalho voluntário e dos benefícios que ele
pode trazer tanto para ela quanto para as pessoas que serão assistidas. Esses voluntários,
independentemente dos seus níveis de escolaridade, podem proporcionar benefícios e
melhorias na qualidade de vida dessas famílias e crianças, se entrarem e permanecerem
na Pastoral pelo motivo certo, o de promover o bem-estar da sociedade através de
atividades que dignifiquem o seu semelhante e perpetuem a fé e o amor ao próximo.
Pessoas com menor grau de escolaridade podem, inclusive, conseguir melhores
resultados do que voluntários que tenham o Ensino Superior Completo, e vice-versa, e
ainda podem até permanecer por muito mais tempo no desenvolvimento do trabalho
voluntário. O que fará a diferença será a intenção e a força de vontade de quem se
dedicará ao voluntariado.
No que se refere a renda tanto familiar quanto pessoal dos voluntários da
Pastoral, observou-se que a maioria possui renda familiar de até 1 salário mínimo, e não
tem renda pessoal, relacionado a isso está a questão da saída, onde foi questionado aos
voluntários se eles sairíam da Pastoral por falta de recursos ou por falta de apoio
governamental. O que foi constatado é o fato de que esses voluntários preferem tirar
dinheiro do seu proprio bolso, para o desenvolvimento das atividades, do que sair da
Pastoral, mesmo que, como foi dito acima, eles não tenham muitas condições
financeiras. O grande motivo da permanência do verdadeiro voluntário, ou seja, daquele
que entrou na Pastoral para dedicar-se à melhoria da qualidade de vida das pessoas
assistidas, não está ligado a recompensas materiais; o verdadeiro motivo é a fé que ele
tem no crescimento dessas pessoas como seres humanos e cidadãos, para que possam
sentir-se inseridos na sociedade e, quem sabe um dia, venham a partilhar, com outras
pessoas necessitadas, os conhecimentos e amor que lhes foi passado.
Constatou-se ainda que 50% dos voluntários disseram ser donas de casa, por isso
quando foi analisado os fatores que acarretariam na saída dos voluntários da Pastoral, o
fator falta de tempo não foi crucial. Contudo, 81% dos voluntários moram na
comunidade em que atuam na Pastoral, isso significa que esses voluntários partilham da
realidade dessa comunidade e por isso mesmo entendem a necessidade de mudar a
situação das famílias e crianças.
Porém, apesar de toda dedicação e amor, situações de doença ou mesmo a
mudança para um bairro em que não haja Pastoral, foram pontos que os voluntários
apresentaram como sendo de grande peso, ou seja, motivos que implicariam na saída
dos mesmos. O grande problema em deslocar-se para outros bairros, além do aspecto
financeiro, de gasto com transporte, é o aumento da violência na cidade, pois não
conhecer a realidade do novo bairro, aumentará a periculosidade do trabalho, e irá expor
o voluntário. Por isso é importante que cada bairro tenha sua Pastoral, e que as
Paróquias de cada comunidade, sensibilizem e recrutem voluntários que ja conheçam a
realidade desse local, pois assim será mais facil continuar desenvolvendo o trabalho da
Pastoral sem que os voluntários, elementos fundamentais do desenvolvimento de suas
comunidades, se exponham tanto ao tentar levar mais dignidade, cidadania, amor e
esperança para a sociedade.
5. CONCLUSÕES
5.1 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O desenvolvimento do presente trabalho ocorreu de modo satisfatório, visto que
foi possível o contato com o voluntariado da Pastoral da Criança, que nos permitiu a
coleta de informações que serviram de base para conhecimento do universo do trabalho
voluntário, fomentando as respostas para entendimento das experiências e realidade
vivenciadas pelos que exercem este tipo de atividade.
Foram alcançadas as expectativas deste, no tocante ao objetivo de descrever os
motivos do voluntariado na Pastoral da Criança, da Zona Urbana Sul, de João Pessoa,
em que se buscou compreender o que vem a estimular essas pessoas a praticarem o
trabalho voluntário, mesmo sabendo de todas as barreiras e limitações no
desenvolvimento do mesmo, de todo risco em áreas de pouca segurança, da falta de
recursos e apoio governamental, de toda a descrença nos que têm pouco a oferecer, mas
que podem fazer muito.
Ao estudar o trabalho voluntário é possível enxergar a dedicação e amor que são
empregados no dia a dia, nessas comunidades, o que vem a despertar a curiosidade e o
interesse em saber mais sobre essas pessoas que se dedicam tanto sem esperar nenhum
retorno material ou mesmo financeiro, demonstrando, muitas vezes, mais afinco e garra
do que muitas pessoas que trabalham remuneradamente.
Foi possível corresponder aos objetivos específicos propostos por este trabalho,
tendo sido aproveitadas ao máximo a abordagem e instrumento de coleta utilizados.
Em relação ao objetivo específico um, que refere-se à descrição do Perfil
apresentado pelos voluntários, quanto à Entrada, Expectativas, Permanência e Saída
concernente a Pastoral da Criança, baseado nos 5A´s, modelo elaborado por SOUZA,
MEDEIROS E FERNADES (2006) viu-se que: em relação à Entrada, os voluntários
apresentaram o perfil “Altruísta” e “Afetivo”, demonstrando o referencial de que o que
leva essas pessoas a engajarem-se nesse tipo de atividade é a intenção de ajudar os
menos favorecidos, melhorando a realidade em que estes vivem, ajudando-os a resgatar
a dignidade; em relação às Expectativas, o perfil apresentado foi o “Afetivo”,
caracterizando um ponto crucial da pesquisa, do que, em geral, os voluntários esperam
com o trabalho que desenvolvem. Nesse caso, o perfil demonstra a preocupação dos
mesmos em proporcionar o bem-estar às famílias que assistem, propiciando a melhoria
da qualidade de vida delas; em relação à Permanência, o perfil “Altruísta” destacou-se,
o que reforça a dedicação que esses voluntários possuem e o real motivo de estarem
envolvidos nesse trabalho, que é o amor ao próximo, em crer que dias melhores virão e
que, fazendo o pouco que podem, estarão contribuindo para a melhoria do todo; em
relação à Saída, demonstrou-se o quanto esse trabalho exige de quem se dispõe a fazer
parte dele, sendo só em caso de doença e mudança para bairro em que não haja
Pastoral, que seja cogitada a desistência ou afastamento por parte do voluntário.
ASPECTOS
PERFIL PREDOMINANTE
MÉDIA
ENTRADA
ALTRUÍSTA/AFETIVO
4,46/4,42
EXPECTATIVAS
AFETIVO
4,71
PERMANÊNCIA
ALTRUÍSTA
4,56
Quadro 7: predominância dos perfis
O objetivo específico dois permitiu identificar, nos voluntários, conhecimentos
gerais sobre o trabalho desenvolvido na Pastoral. De acordo com os dados obtidos e
analisados constatou-se que são voluntários que, em sua maioria, dedicam oito ou mais
dias por mês à Pastoral e que ficaram conhecendo os trabalhos da entidade através da
Paróquia ou Igreja. Uma minoria, possui parentes que também sentiram-se
sensibilizados pelo trabalho e passaram a participar da Pastoral. Constatou-se ainda, que
são pessoas que sentem-se em situação de igualdade financeira em relação aos assistidos
e que percebem a grande dependência dos trabalhos que são desenvolvidos na Pastoral
em relação ao serviço público de saúde, uma vez que as crianças e as mães grávidas
precisam de acompanhamento de profissionais de saúde, porém, na maioria das vezes,
elas têm dificuldade de acesso a esse sistema, sendo o grande fator, a falta de
profissionais nos postos existentes em suas comunidades.
O objetivo específico três teve como finalidade apreciar, nos voluntários, o perfil
sócio-demográfico e sua relação com o trabalho voluntário desenvolvido. Dado o
exposto, pode-se dizer que são, em sua maioria, mulheres casadas, na faixa etária de
quarenta anos à cima, com experiência de vida, donas de casa com baixo nível de
escolaridade, com filhos, vindas de famílias grandes, e que moram na comunidade em
que atuam e por isso mesmo conhecem a realidade do lugar. São pessoas que têm
baixíssimo poder aquisitivo, com renda familiar em torno de um salário mínimo, o que
reafirma que elas não têm boas condições de vida, mas estão sempre dispostas a
colaborar, demonstrando um real altruísmo por parte delas. São também pessoas de fé,
que demonstram sua devoção e amor a Deus tanto no ato de dedicar-se ao próximo e ao
seu crescimento, quanto nas visitas semanais à Igreja, sendo estas pessoas, praticamente
todas, católicas.
De acordo com tudo que foi apresentado nas análises, o problema de pesquisa
apresentado (Qual o perfil adotado pelos voluntários da Pastoral da Criança em João
Pessoa?) obteve resposta, na qual pôde-se perceber uma predominância do perfil
“Altruísta”, presente no cotidiano desses voluntários que, por muitas vezes, não se dão
conta do papel que exercem na construção de um mundo melhor, sendo, inclusive,
importantes para a sensibilização de outras pessoas que vêem a dedicação e esforço que
os mesmos depositam nesse tipo de atuação, mesmo em meio a tantas dificuldades, e
sentem-se atraídos a se engajarem e poderem proporcionar o mesmo. As características
apresentadas por Souza, Medeiros e Fernandes (2006) para o perfil “Altruísta” –
retratam uma maior percepção de auto-sacrifício, por parte do voluntário, por estar
exposto a tantas variáveis que implicam risco, sob a perspectiva de sentir-se solidário ao
seu igual que está em condição de vida desigual e inferior a sua – podem ser
visualizadas nas análises desenvolvidas, elucidando qual a grande expectativa e
intenção, ou seja, o que verdadeiramente move essas pessoas a praticarem o trabalho
voluntário.
Apesar de pequenas limitações, como dificuldade de acesso às comunidades, as
quais encontram-se em áreas pouco saneadas e que oferecem pouca segurança, além de
dificuldades na aplicação dos questionários, principalmente pelo pouco grau de
instrução dos voluntários, que precisavam, na grande maioria, de auxílio de leitura e
interpretação das perguntas, para a resposta individual dos instrumentos de coleta, o
trabalho foi concluído com êxito.
5.2 SUGESTÕES PARA FUTURAS PESQUISAS
Este trabalho deixa margem para futuras pesquisas em torno do universo do
voluntariado, permitindo que muitas organizações que dispõem, essencialmente, de
trabalhadores remunerados possam usufruir de estímulos e motivações que venham a
fazer seus funcionários dedicarem-se com tanto amor e afinco às atividades por elas
desenvolvidas, da mesma maneira como essas pessoas sentem-se motivadas a
desenvolverem o trabalho voluntário.
Outra expectativa é de que os resultados da pesquisa sejam relevantes para o melhor
entendimento das ações voluntárias, mas principalmente evitar um problema encontrado
neste tipo de organizações, a rotatividade.
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