Capital da Notícia
Curitiba
“Informação e cidadania a serviço da sociedade”
Jornal Laboratório do Curso de Jornalismo
Curitiba/PR - Junho/Julho/2006 - Edição 21
Atrás das
grades
A Prisão Provisória de Curitiba,
conhecida como Presídio do Ahú, está
sendo transferida para Piraquara. Instalado em 1909 numa área hoje nobre da cidade, o presídio já abrigou
mais de dois mil detentos ao mesmo
tempo, embora tenha capacidade
para 750.
A reportagem do Capital da Notícia entrevistou o diretor da unidade e
conta como é a rotina dos presos, as
brigas, fugas e rebeliões.
Conheça também dados estatísticos sobre a população carcerária do
Paraná e os trabalhos de
ressocialização dos detentos.
Páginas 6 e 7
Parques pedem socorro
A cidade não está fazendo jus ao "apelido"
de capital sorriso. A maioria dos parques de
Curitiba precisa de atenção, principalmente os
que têm rios circulando dentro. O São Lourenço
é o que está em pior situação, as condições são
tão precárias que o rio está em vias de ser exaurido.
Página 4
Colabore
Estamos tendo o inverno mais
quente e seco dos últimos
anos. A orientação da Sanepar
é que cada pessoa faça economia de 56 litros diários de
água, sob pena de ser necessário, além de racionamento,
o sistema de rodízio – onde o
corte é feito durante 24 horas
por semana.
Sono tranqüilo
Um grupo de investigadores
japoneses criou um travesseiro que pode dar conselhos
para que pessoas que sofrem
de insônia tenham uma noite
de sono tranqüila.
Batizada de "médico do sono",
o travesseiro analisa os hábitos dos usuários e, em função
de sua avaliação, faz até 40
recomendações distintas p ara
o paciente insone resolver seu
problema.
COMPORTAMENTO
ESPORTE
EDUCAÇÃO
Ainda está na moda ser romântico, é o que mostra nossa pesquisa
com jovens de 18 e 25 anos.
Página 10
Mulheres já praticam artes marciais, um esporte tradicionalmente
masculino.
Página 9
O problema da inclusão. Como
a criança especial está sendo aceita nas escolas regulares de Curitiba.
Página 8
2
Junho/2006
Capital da Notícia
Opinião
Curitiba
EDITORIAL
Praticamente em todas as edições do Jornal Capit al da Notícia deste semestre, publicamos matérias que mostram nossa particip ação (de alguma
forma) no sistema. Seja porque simplesmente fechamos os olhos para as coisas
que estão acontecendo, ou porque já nos acostumamos com a miséria e as
injustiças. Somos ao mesmo tempo vítimas e algozes da situação em que vivemos.
Muitas das nossas matérias trouxeram p ara o público grandes inquietações que acompanham a vida, principalmente dos menos favorecidos.
Sejam as grandes filas que se formam nos hospitais, pela inoperância dos
governantes que fazem vistas grossas para a barbaridade que acontece com a
saúde pública (que deveria ser, acima de tudo preventiva – mas que talvez assim gerasse pouco lucro aos grandes empresários da área da saúde); seja a
juventude entregue ao crime, onde um adolescente vem a público admitir o quanto
é fácil e lucrativo o mundo obscuro da malandragem e os jovens que deveriam
estar em escolas públicas, bem equipadas e GRATUITAS, aprendendo e compartilhando a ousadia criativa da juventude, estão aí gast ando suas energias e
se sentindo onipotentes de arma em punho. Recentemente circulou em noticiário a história de um menor dizendo que na favela onde mora era chamado de
otário até que se aliou aos traficantes e se tornou fera - essa informação ilustra
bem sob quais valores estamos alicerçados e otária é a sociedade que, bombardeada diariamente por notícias como essas, ainda se monopoliza em torno de
CPIs, mensalões...
E ao povo, o que resta? Aceit ar passivamente? Será que nós perdemos o sono algum dia pensando nisso? São muitas as injustiças, mas algumas, simplesmente deveriam ser intoleráveis – como a falta de atenção para
com a educação o descaso com a saúde – itens de suprema importância num
país que espera um futuro promissor.
Até quando vamos esperar para tomar uma atitude? No dia em que
apenas uma atitude já não baste?
Otário é o povo, somos cada um de nós que nos recolhemos dentro
de nosso egoísmo à espera de algum salvador da pátria que tome uma atitude
por nós, já que é para isso mesmo que nos foi dado “o direito do voto”. Afinal de
contas, somos vítimas de que? De quem?
E de que precisa o povo p ara o ser feliz? De justiça social? Investimento em educação e saúde? Mais empregos? Que nada... Dêem-lhe um pouco de cerveja e muito futebol, com uma eleição no meio – e a receita está completa. É otária, por fim, a sociedade (nós, mais governantes, mais instituições,
mais poderes constituídos) porque aceita calada a presença cada vez maior do
crime organizado (num Estado desorganizado), a insensatez dos estatutos ingênuos, das rebeliões nos presídios... e o povo ainda pensa que o suficiente
talvez seja esperar o próximo candidato e continuar vot ando até que um dia
aprenda e acerte.
Informação e cidadania,
o foco a perseguir
A manchete da edição n.º 20
destacou a reportagem especial de
página dupla: Suicídio: o que dizem
a ciência e as religiões. O tema é interessante, mas também provoca
uma pergunta: por que o Capital da
Notícia Curitiba está levando o público leitor a pensar sobre este assunto? Duas respostas p arecem
possíveis: uma ocorrência relativa ao
tema que tenha mexido com a sociedade curitibana durante a produção
do jornal; ou simplesmente uma decisão de pauta considerando o tema
interessante.
Como a primeira hipótese não
tem amparo na edição, fica a segunda, que não é exatamente equivocada, mas um tanto fria demais, mesmo para um jornal mensal. Independentemente disso, é uma boa reportagem, abordando o tema de modo
amplo. Apenas creio que não deveria ser a manchete, mesmo sendo
especial com duas páginas.
Um tema que passou batido
tanto nesta edição quanto nas anteriores deste semestre foi a implantação da TV Digital no país, antes relativamente longinqüa, mas agora
confirmada pelo governo. Poucos
entendem o que está havendo ou o
que está(ou estava?) em jogo além
de uma imagem de maior qualidade
nas televisões de cada casa brasileira. Nesta linha, é destacável a matéria da edição sobre as mudanças
que ocorrerão em breve na telefonia.
Importante também perceber
a diversidade do material publicado,
conservando uma lógica editorial que
garante a segurança do leitor. É importante manter essa diversidade em
uma publicação que procura dar conta de questões como comportamento, esportes, pautas sociais, educação e cultura em poucas páginas.
Por fim e como sempre, a
capa merece comentários específicos. Além da questão da manchete, já observada, sugiro uma reflexão sobre a função da coluna Curiosidades. De fato são curiosidades,
mas de pouca serventia numa
capa, espaço nobre de um jornal.
Enfim, a edição está bem feita, com
boa diagramação na maior parte
das páginas, mas merecia algo
equivalente em conteúdo, por inteiro, na primeira.
Emerson Castro – jornalista, professor e
ombudsman do Capital da Notícia
Curitiba.
Cupido atualizado
Em plena era tecnológica a vida de cupido não é mais a
mesma. Ele já não corre mais para lá e para cá, na atribuição de atender os pobres coraçõezinhos apaixonados, mas
em compensação tem se desdobrado para aprender
informática, já que também os ap aixonados não são mais
os mesmos. A modernidade trouxe, no lugar das flores,
torpedinhos irresistíveis; mensagens virtuais; scraps carinhosos... e haja cupido para acompanhar t anta mudança...
O romantismo não acabou, continuamos tendo os mesmos sonhos e as mesmas paixões e agora com muito menos esforço. Abaixo as rosas! A gente prefere o imediatismo
moderno, ainda que isso custe “uns quilinhos” a mais pelo
sedentarismo. Mas, dá nada, a gente malha um pouco e resolve.O perigo é esse gorduchinho fofo ter que freqüent ar
academia para não correr o risco de ficar obeso e aí sim, ele
se transformará no amigo ideal, pois tem muita azaração
nas sessões matutinas e vespertinas de malhação.
Textos Capa e Opinião: Nelci Guimarães
Expediente
Vítimas e algozes
Ombudsman
! DIRETOR PRESIDENTE:Clémerson Merlin Cléve
! DIRETOR GERAL: ! José Henrique de Faria ! COORDENADOR DO CURSO DE JORNALISMO:
Roberto Nicolato ! PROFESSORA RESPONSÁVEL: Elza Oliveira ! FECHAMENTO: Jorge Luiz
Kimieck ! IMPRESSÃO: Correio Paranaense
! TIRAGEM: 2.000 exemplares ! O jornal
CAPITAL DA NOTÍCIA é uma publicação do Curso de Jornalismo da Unibrasil, produzido
pelos alunos do 5º período
Capital da Notícia
Curitiba
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Personagem
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Oito décadas de vida,
cinco de táxi
Nelson de Almeida é o taxista mais antigo de Curitiba em atividade
Nasceu em 1926 e tem 26 irmãos.
De um deles, herdou o ofício: taxista. O
irmão ficou doente, não pôde ir trabalhar
e ele foi fazer as vezes na labuta. Tomou
gosto pela coisa. Largou o posto de
guarda rodoviário, considerado seguro
na época, e ganhou as ruas, ao volante
de seu primeiro táxi, um DKV. Uma
máquina naquela época. “A carteira de
motorista eu já tinha. Foi feita no quartel,
como era comum”. Hoje, Nelson Taques
de Almeida, com 80 anos de idade, é o
taxista mais antigo de Curitiba ainda em
atividade, com cinco décadas de
volante. Com o trabalho, sustentou
casa, família e educou três filhos.
A profissão, como tantas outras,
rendia mais em tempos idos. “Não tinha
tanto ônibus e carro como hoje”, avalia
Almeida. Além do mais, a concessão era
fácil de ser obtida. “Tinha placa a
vontade, naquela época. E de graça”,
recorda. Hoje, não sai por menos de R$
100 mil, comprada no mercado negro.
A prefeitura de Curitiba não libera novos
táxis na capit al há mais de três décadas.
Os perigos da profissão aumentaram e,
no caminho inverso, a renda e os lucros
baixaram de forma significativa.
“Não tem mais como a gente
trabalhar sossegado”, reclama Almeida.
Tem assalto e até sequestro relâmpago.
O sindicato da categoria, que deveria
lut ar nesta e em outras bandeiras, não
faz nada. “Nunca ouvi falar na entidade”.
Trabalhar a noite, nem pensar. “Já não
é pra mim”, afirma o veterano, que relata
as diferenças entre o período noturno
de hoje e “de ontem”. Antes, o perigo
se resumia a bêbados no volante.
Assalto quase nem tinha. “Hoje, tem
crack, cocaína, travestis, prostitut as,
traficantes, tiroteio, bandidos, Rone...”
Dos motoristas da capital, ele não
reclama. Diferente do senso comum, o
veterano t axista não critica o estilo de
dirigir do curitibano. “Não tenho do que
reclamar”, assegura. Antes o trânsito
era bem diferente. Poucos carros,
veículos mais lentos, que atingiam no
máximo 80 quilômetros por hora. Hoje,
reclama Nelson, “se a gente não ficar
esperto, acaba batendo”. Aí, aliás, entra
um espinho da profissão. Praticamente
nenhuma empresa aceit a fazer seguro
do veículo. Quando fazem, o preço é
altíssimo.
Analisando a população da
capital, Almeida considera que houve
grandes mudanças ao longo dest as
cinco décadas. “Antes tinha pouca
gente de fora. Hoje é quase metade. As
pessoas não têm mais o ar frio, típico
do curitibano. Parecem estar mais
Felipe Correa
VIDA DE TAXISTA
EM NÚMEROS:
200 km
é quanto roda um
taxista em média por
dia
8 meses
dura um jogo de
pneus em um táxi
R$ 3,5 mil
é o ganho mensal
para um taxista
titular que trabalha
em período integral
1975
foi o ano em que a
prefeitura concedeu
placas de táxi pela
última vez
R$ 100 mil
é o preço de uma
placa de táxi no
mercado negro
O t axista Nelson Almeida, 80, observa os documentos originais de sua concessão de táxi
2254
abertas”, garante.
Qualificação
Qual o segredo de estar tanto tempo
na rua? “Basta amar o que se faz”,
resume o taxista. Para ele, dirigir um táxi
é uma forma de ajudar aos outros. “E
isso me realiza. Faço sempre da melhor
forma possível”, afirma. As qualificações
necessárias, depois do amor, é claro,
são conhecer bem a cidade, ter
paciência para aguentar eventuais
barbeiragens e cuidar com a arapuca
de multas - “elas levam todo nosso
dinheiro” - e ser atencioso com o cliente.
“Tendo tudo isso, o resto é tranquilo”,
completa.
é o número de táxis
nas ruas de Curitiba
Rotina
Almeida ainda trabalha algumas
horas por dia, mas em ritmo mais leve
e fazendo o próprio horário. Com os
filhos casados, vive apenas em
companhia da mulher e guarda suas
lembranças de uma Curitiba mais
calma, mas também mais fria e menos
hospitaleira.
é o Dia do Taxista
25 de julho
Redação, diagr. e edição: Paulo Brasil
Entrevista e foto: Felipe Corrêa Pontes
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Capital da Notícia
Geral
Curitiba
O sorriso amarelo de Curitiba
Parque São Lourenço
Os parques da cidade sempre foram
o orgulho dos curitibanos, mas
inexplicavelmente muitos deles estão
esquecidos
pela
prefeitura.
Ultimamente o único parque cuidado
com mais carinho é o Jardim Botânico,
o “cartão de visitas” preferido pelos
visitantes. Segundo a Secretaria de
Meio Ambiente mais da metade dos
turistas indica o local como obrigatório.
Entretanto, em outros lugares, a
situação é bem diferente.
O Parque São Lourenço é o que está
mais degradado. Além de localizar-se
próximo de um dos mais importantes
centros turísticos de Curitiba - a Ópera
de Arame - e de ser freqüentado por
muitos curitibanos nos finais de
semana, ele ainda é o destino de
moradores que residem por perto e
praticam atividades físicas variadas,
como caminhada e corrida. Mas
ultimamente os freqüentadores estão
assustados com o abandono e a falta
de cuidado. Eliane Borges diz encontrar
Parque Barigui
Parque Tanguá
Parque Barigui
Parque Barigui
Parque Bacacheri
Parque Bacacheri
ali o sossego necessário para a leitur.
Nascida em Bandeirantes ela “adotou”
o local para seus passeios matinais: “Os
parques são uma opção de lazer
gratuita e que está ao alcance de todos.
Eu sempre venho aqui, mas tenho
percebido que ultimamente o rio foi
deixado de lado”, afirma.
Na entrada do lago do parque
existem dois tubos de esgoto que
poluem a água provocando mau cheiro.
Também há grandes áreas de
assoreamento e a sobrevivência dos
animais pode ficar ameaçada se nada
for feito urgentemente.
O analista judiciário Alceu Rocha,
que esteve fora do estado a trabalho,
aproveitou uma manhã ensolarada para
mat ar as saudades do Parque.
Entretanto, diz que ficou surpreso com
a degradação do rio e os descuidos. Ele
acha que as vias especiais para ciclistas
deveriam continuar sinalizadas como
antes e também as placas indicativas
Parque Barigui
ParqueBacacheri
Parque Bacacheri
de proibições que foram retiradas sem
nenhuma explicação - mas o que mais
o impressionou foi ver a água escura e
mal cheirosa. “Antes eu trazia os amigos
aqui, agora dá até vergonha”, confessa.
A última limpeza do rio Belém que
circula dentro do São Lourenço foi feita
há três anos, num mutirão que reuniu
entidades e, inclusive, escolas da
região. O trabalho foi muito difícil e
demorado, mas como o tempo passou
e a manutenção não foi feita, hoje a
situação está pior ainda e a água está
tão poluída que o rio corre o risco de
ser exaurido. A população não sabe
porque a manutenção não é feita, já que
seria muito menos dispendioso. O
policial da guarda municip al Eldevandro
Pereira Nascimento, que prest a
serviços no parque diz que é necessário
desassorear,
cortar
a
vegetação aquática e conter as
margens, t anto no São
Lourenço, como nos demais.
“Quase todos os outros
parques que possuem lagos ou
rios terão que passar por esse
trabalho, a erosão está
mudando o formato de vários
desses locais, tenho dó dos
peixes que devem esta r
Parque São Lourenço
sofrendo por causa da
poluição”, deduz.
ParqueTingui
ParqueTingui
Parque Tanguá
A principal dificuldade, segundo a
Secret aria de Meio Ambiente, é o
número de funcionários dest acados
para a limpeza e conservação, que há
mais de dez anos, não se renova. Como
a maioria foi se aposent ando ou
mudando de área e não houve
reposição, falt a gente para o trabalho.
Talvez seja por isso que o lixo tem se
acumulado nas entradas dos rios,
provcando a situação em que se
encontram a maioria dos parques de
Curitiba, como o Barigüi, Tanguá, Tingüi
e Bacacheri.
O Barigüi tem uma grande área de
assoreamento e o policiamento deixa a
desejar, é o que diz a freqüentadora
Neide L. Souza que faz caminhada e
anda de biciclet a quase todos os dias:
“Tenho medo de vir no final da tarde
porque fica meio deserto aqui e já
tivemos casos de assalto”, diz.
O rio que circunda o parque
Bacacheri está sendo invadido por
aguapés que foram se desenvolvendo
em virtude da poluição na área. Maria
Luíza Godoi da Silva, que vai todo dia
fazer exercício, diz que tem visto os
p arques de Curitiba muito mal
cuidados: “Apesar de não est ar cem
por cento aqui, ainda está ótimo se for
comp arado com outros, como por
exemplo, o São Lourenço”, diz ela.
Texto e Fotos: Nelci Guimarães
Diagramação: Luciana Vassoler
Capital da Notícia
Geral
Curitiba
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Motoboys invadem ruas da cidade
São mais de 80 mil motocicletas transitando nas ruas de Curitiba
As motocicletas, para a maioria
das pe ssoas, representam uma maneira de viver livre, est ar no comando
de uma máquina que é perigosa, mas
ao mesmo tempo sedutora. Essa sensação de independência não tem idade, não tem sexo, nem religião. Homens e mulheres dividem esse mesmo desejo: o de est ar sobre duas rodas recebendo o vento no rosto. As
motos hoje em dia, além dessa liberdade aparente, t ambém se transformaram em ferramentas de trabalho.
Esse é o caso dos motoboys,
uma categoria em ascensão, que fez
desse veículo o meio de condução
mais rápido das grandes cidades, caso
de Curitiba e Região Metropolitana.
A agilidade fez crescer o número de empresas que trabalham com
moto-entrega. Quem não gosta de uma
pizza bem quentinha, ou da rapidez na
entrega de algum documento?
Os motoboys são recordistas em
acidentes. Alguns, conhecidos como
“cachorros-loucos”, circulam em ziquezague entre os veículos, com ultrapassagens arriscadas, para eles próprios,
para os carros e muitas vezes com perigo para o pedestre menos avisado.
Segundo dados do Sindicato dos
Trabalhadores Condutores de Veículos,
Motonetas, Motocicletas e Similares de
Curitiba e Região Metropolit ana
(Sintramotos), existem 16 mil motoboys
filiados. Entre 2003 e 2005, a porcentagem de acidentes fatais com motoqueiros
aumentou em torno de 13,5%.
Curitiba tem hoje uma frota de
65.585 motos, podendo chegar a 80 mil
se forem consideradas as scooters e
Estacionamento regulament ado para os motoboys
incomum uma moto parar debaixo de
caminhão”, declarou Mariot.
Vendas
O preço mais acessível e o aumento das ofert as de serviços de
motoboy têm contribuído p ara o crescimento nas vendas de motocicletas.
A frota p aranaense já chegou à marca de meio milhão, entre motocicletas e motonet as.
De acordo com Camila
Mainette, gerente da Cabral Motos de
Curitiba, em 2000 foram vendidas
4473 motos. O aumento nas vendas
no mês de abril de 2006 foi recorde,
com 800 unidades, totalizando 6882
comercializadas nos primeiros quatro
meses do ano. “Esse aquecimento é
devido a vários motivos, mas principalmente: facilidade de aquisição (financiada sem entrada ou consórcio),
preço da gasolina, preço da passagem
de ônibus e tempo. O fator tempo
muit as vezes é esquecido, mas é um
dos principais nos dias de hoje”, disse ela.
Legislação
Entre os carros, há sempre um motoboy
motonetas. Segundo dados do Detran,
no primeiro semestre deste ano, quase
metade dos 18.881 acidentes com vítimas envolveram motos.
O motoboy Rogério Adriano de
Souza, 27 anos, trabalha nessa profissão há cinco anos e há dois anos e meio
é um dos associados da Cooperativa
dos Motociclistas Autônomos de Curitiba,
a Coosmo. Além de realizar os serviços
de entrega, auxilia no escritório da própria cooperativa, que cont a atualmente
com cerca de 150 motoboys.
Casado e pai de um filho pequeno, Souza quer ter a garantia de um auxílio/benefício. “É importante est ar com
a situação regularizada no INSS. Conheço vários colegas de profissão que
sofreram acidentes durante o serviço.
Os registrados receberam o auxílio da
Previdência, já os autônomos no mesmo caso, ficaram parados sem nenhum
recurso financeiro”, finalizou.
Silvio Reinauer, 38 anos, trabalha como motoboy há oito, atualmente
sem registro. Entrega documentos,
queijos, vinhos, com um ganho de R$
10,00 por encomenda. A manutenção da
moto e a gasolina ficam por sua cont a.
“Na terceirização quem ganha são as
empresas, normalmente o registro é fictício, a empresa assina a carteira mas
não paga os encargos sociais, quem faz
isso é o motoboy”, declarou.
De acordo com o Batalhão de
Polícia de Trânsito (BPTran), de cada
dez acidentes, com ou sem vítimas, os
motoboys estão envolvidos em sete.
O estilo de pilotagem dos motociclist as contribui com esses números.
“Muitos acabam fazendo ultrapassagens entre os carros, conhecido como
corredor”, diz o comandante do
BPTran, coronel Altair Mariot.
Esse tipo de ultrapassagem, feita pelo “corredor”, não é proibida pelo
Código Nacional de Trânsito. O problema é quando o motociclist a está em
alt a velocidade, pode causar uma batida ou um atropelamento. “Não é
A lei municipal que leva o n.º 11.738
dispõe sobre os serviços de
transporte de pequenas cargas,
mediante a utilização de
motocicletas, motonetas ou triciclos
motorizados, denominado motofrete e passa a vigorar dentro de
180 dias. A lei, que tem data do
último dia 11 de maio de 2006, veda
o transporte remunerado de
passageiros e de produtos que
possam oferecer riscos às pessoas
e ao meio ambiente.
Est abelece também que o
condutor do veículo deverá estar
habilitado há pelo menos um ano,
que não pode ter cometido
infrações gravíssimas nos últimos
doze meses e deverá possuir
curso especializado para a
atividade, nas áreas compor tamental e de direção defensiva,
a ser definido pela URBS –
Urbanização de Curitiba S/A, a
quem competirá emitir um
documento de identificação
p r ó p r i o para a atividade. A
iniciativa também estabelece que
os veículos deverão ser identificados em forma a ser definida
pela URBS, ter registro junto ao
D e part amento de T rânsito e
possuir, no máximo, dez anos de
fabricação, submetendo-se ainda
à vistoria. O funcionamento das
cooperativas de moto-boys
também é regulamentada pela lei.
Report agem : Elis Regina, Frank Alves e
Rubens Castro
Diagramação: Elis Regina, Frank Alves e
Rubens Castro
Fotos: Rubens Castro
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Capital da Notícia
Reportagem
Curitiba
Conheça a rotina e o perfil dos d
Em 2005, o número de internos chegou a 2912 presos sendo sua capacidade atual de 7
São 7 horas da manhã. Ele acorda. Mais um dia de trabalho pela frente.
Sua profissão? Montador de chuveiros ,
tão digna quanto a de um advogado.
Quanto mais ele produz, mais ganha e
precisa sustentar a família.
Agora já são 11h30. Hora do almoço. Como dizem por aí “saco vazio
não pára em pé”. Mas o dever o chama
e ele volta ao serviço, até 16h30. Mais
um dia de trabalho, o sustento da família ganho. Ele volta para a cela, menos
um dia de pena.
Isso mesmo: pena, cela... Esse
é o breve relato da vida de um interno
que trabalha e cumpre pena na Prisão
Provisória de Curitiba (PPC), ou Presídio do Ahú.
“O método como o Ahú trabalha
deveria ser seguido por outros, pois nossa forma de conduzir diminui muito a violência dentro do presídio”. A afirmação
é de Adib Tuffi Júnior, diretor do PPC.
Dos 850 presos que cumprem pena ali,
entre 200 a 350 têm benefícios, trabalham e por isso, muit as vezes, com o que
recebem conseguem ajudar a família.
“Estes são diferentes dos cabeça de
bagre quenão querem trabalhar”, sustenta Tuffi.
As principais funções exercidas
dentro da penitenciária são: panificação,
cozinha, confecção de bolas de futebol,
recuperação de carteiras escolares e
manutenção do local. Essas atividades
são divididas em internas e conveniadas.
A fábrica de macarrão, indústria de confecção, estofaria e mont agem de produtos elétricos se enquadram como internas. Exemplos de conveniadas são o
encartelamento de botões e a montagem
de chuveiros. Nest a divisão, os serviços
que se dest acam são os de marcenaria,
serralheria e estofaria, onde as carteiras escolares são reformadas.
Além de trabalhar, os presos que
cumprem pena ou aguardam julgamento podem cursar o ensino fundamental,
o
ensino
médio
ou
cursos
profissionalizantes, como marcenaria,
padaria. Há também aulas básicas de
informática e curso de espanhol.
Com uma capacidade para 584
detentos, o Presídio do Ahú chegou a
abrigar 2912 em 2005. Atualmente, esta
população é bem menor pois a unidade
está em processo de transferência.
De acordo com o diretor, a maioria dos presos tem entre 18 e 25 anos.
“Esse número pode representar a maioria de jovens que usam drogas desde
cedo e que acabam cometendo infrações como roubo ou furto para sustentar o vício”. A PPC abriga presos homens, condenados por diferentes tipos
de crime, que vão desde homicídio e latrocínio (roubo seguido de morte) a assaltos, tráfico de drogas, estupro, etc.
Brigas, voluntários e advogados
Antes de serem encaminhados
para o Presídio do Ahú, ou outros como
o de Piraquara, os presos passam pelo
COT (Centro de Observação
Criminológica e Triagem), onde ficam por
um período de 20 a 30 dias, sendo depois levados ao presídio designado. Em
alguns casos, os advogados entram com
ação na justiça para que seu cliente fique mais tempo no COT. Esse foi o caso
do ex-big brother Buba, que lá permaneceu por três meses.Depois de
remanejado ao PPC, o detento pode receber visitas de seu advogado no horário compreendido entre as 8 e 17horas.
O presidente da Comissão de Direitos Humanos Ordem dos Advogados
do Brasil no Paraná, Dálio Zepin, também faz visitas ao Presídio do Ahú. Ele
verifica as condições dos detentos e
como estão sendo tratados. “Nunca tivemos problemas graves e nos entendemos bem”, afirma Tuffi.
Como em todo presídios, existem
brigas entre detentos, mas estas são
geralmente entre casais homossexuais.
Ameaças a funcionários também não
existem, “ou pelo menos nunca chegaram até mim”, continua o diretor. “Não
posso falar em relação ao Rio de Janei-
ro
ou
São
Paulo,
Horta da penitenciária, onde os presos podem trabalhar
mas aqui é bem tranqüilo”, acrescenta.
Ainda em relação aos maus funcionários, o diretor do presídio afirma:
“Claro que existem, sabemos que para
um celular chegar até o detento tem que
ser por um funcionário, advogado ou,
principalmente, esposas. A revista é bem
rígida, mas a mulher, quando quer trazer, já viu”.
Um dos detentos mais temidos, se
não o mais, era José Márcio Felício, o
Geleião. Na época em que ficou no Presídio do Ahú, comentava-se que ele era
o fundador do PCC (Primeiro Comando
da Capital, facção criminosa de São Paulo). Entretanto, pode-se afirmar apenas
que ele é um ex-chefão do crime organizado paulista. Foi transferido para o Rio
de Janeiro.
Dentro da Prisão Provisória de
Curitiba, artistas plásticos e igrejas de todas as crenças fazem trabalhos comunitários. Os cultos são realizados na Capela Ecumênica do local. Os detentos
tambémpassam por uma triagem p sicológica, serviço social e médico. Para os
dependentes químicos e alcoólicos, há
reuniões do A.A. (Alcoólicos Anônimos)
e N.A. (Narcóticos Anônimos).
Fugas e rebeliões
O último registro de fuga do Presídio do Ahú foi em 2002, quando dois
detentos escaparam. No entanto, em
2000 presos seqüestraram o caminhão que fazia a coleta do lixo e com
ele derrubaram o muro da horta do
presídio. Alguns internos que trabalhavam no local aproveitaram a ocasião
e fugiram também. Com esta “peripécia” foram registradas treze fugas. Porém, todos foram encontrados e detidos novamente.
A última rebelião aconteceu em
10de julho de 2000. Na ocasião, 240
detidos fizeram reféns dez guardas.
Os presos controlaram todo o complexo penal e incendiaram o prédio principal, que abriga o almoxarifado, centro médico, uma escola e o alojamento
dos funcionários. Cerca de cem policiais cercaram o presídio para evitar uma
fuga em massa. Os internos reclamavam da morosidade dos processos de
revisão das penas e da superlotação e
pediam a transferência imediata para
outras penitenciárias.
Oito detentos foram acusados
de comandar o motim. Eles queriam
ser transferidos para Mato Grosso,
seu estado de origem. Três presos foram assassinados. De acordo com informações da Polícia Militar, os líderes eram os mesmos que comandaram, 36 dias antes desta, uma rebelião na Penitenciária Central do Estado, em Piraquara.
Na semana turbulenta vivida no
mês de maio em São Paulo devido aos
ataques do PCC, e que incentivaram
rebeliões no interior do Paraná, “os
presos ficaram tranqüilos no Ahú”, comenta Tuffi.
Entret anto, para prevenir maiores problemas, os detentos foram
Capital da Notícia
Curitiba
Junho/2006
Reportagem
dos detentos no Presídio do Ahú
7
de atual de 750 pessoas. A unidade está em processo de transferência para Piraquara.
História da Prisão Provisória de Curitiba
A transferência
dos presos da cadeia
pública do centro da
cidade, possibilitada por
um acordo firmado entre
o então Secretário de
Estado dos Negócios,
Obras Públicas e
Colonização, Francisco
G. Beltrão e o Provedor
e Responsável da Santa
Casa de Misericórdia,
Monsenhor Alberto José
Gonçalves, deu início ao
processo de instalação
de um novo presídio.
O governo se
comprometeria
a
construir no bairro do
Prado (hoje Prado
Velho) novas instalações
para o Hospício Nossa Senhora da Luz,
localizado no bairro do Ahú, e a Santa Casa
doaria o prédio, que seria adaptado como
penitenciária.
Com capacidade inicial de 52
presos em celas individuais, foi a primeira
penitenciária do Paraná, e denominada
inicialmente como Penitenciária do Estado.
Inaugurada em 5 de janeiro de 1909,
recebeu 55 presos transferidos. Eram 49
homens e 6 mulheres, todos homicidas.
O regime adotado era o de Auburn
que previa que os detentos ficariam
encarcerados solitariamente à noite e
trabalhariam juntos durante o dia, sob
rigoroso silêncio.
Desde o primeiro ano de
funcionamento, os internos do PPC
trabalham. Na época, existiam os
seguintes setores de trabalho: cozinha,
horta, alfaiataria, sapataria,
tipografia e marcenaria. Os
detentos eram obrigados a
trabalhar de dia e estudar
à noite. O ensino era
obrigatório até que o preso
soubesse ler, escrever e
contar. Eram ensinadas
noções de gramática,
aritmética, geografia e
história do Brasil.
Em
1928,
a
Penitenciária do Estado
(Ahú) passou a contar com
mais 40 celas, totalizando
92 celas. Porém, sua
lotação já passava de 100
presos, sendo impossível
manter o regime inicial
(encarceramento
individual).
Somente em 1945, com um
decreto do então Interventor do Estado,
Manoel Ribas, juntamente com o
Capitão Fernando Flores, da Chefatura
de Polícia, que aprovava o regulamento
das Prisões Provisórias que a
Penitenciária do Estado passaria a ser
denominada Penitenciária Central e o
Ahú transformou-se em Prisão
Provisória.
Perfil Penitenciário Paranaense
O Capital da Notícia pesquisou
dados, junto ao site do DEPEN
(www.pr.gov.br/depen), que pudessem
ajudar a traçar um pequeno perfil dos
presos que cumprem pena em todo o
Ao lado, o
presídio visto
de fora, assim
como as roupas
dos detentos
penduradas
para secar. Vêse a numeração
das celas. Na
primeira foto acima,, mulheres
esperam pelo
horário de visitas. Algumas levam comida e
algo mais “a revista é bem rígida, mas quando
elas querem trazer...”
Paraná. Eles somavam 9141 até a
segunda quinzena deste mês e este é
o único dado atualizado do
D e partamento, todos os outros,
incluindo os dos gráficos são de 2005.
A maioria dos detentos foi condenada por
roubo, tem entre 18 e 25 anos, trabalha
no setor de construção civil, tem apenas
o primeiro grau incompleto e provém de
cidades do interior do estado.
Reportagem, diagramação e fotos: Andréa Correia,
Carolina Dariva, Cassiano Ribeiro e Luiz Felipe Justy
8
Junho/2006
Capital da Notícia
Educação
Quando uma escola se torna especial
Ingresso em ensino regular faz crianças superarem limitações
O alegre menino Alexsandro Zaran
Dias Júnior, 5 anos, gosta de cantar,
sabe ler e escrever todas as letras do
alfabeto e espera ansioso entrar para a
escola regular. Isso só foi possível
porque Júnior, desde os cinco meses
de vida, freqüenta a Escola de
Educação Especial Nilza Tartuce,
localizada no Centro Cívico, em
Curitiba.
Com hidrocefalia, Júnior tinha o lado
esquerdo do corpo paralisado, mas o
atendimento individual e especializado
que recebeu, fez dele uma criança que
se locomove sem dificuldade
atualmente.
A escola atende cerca de 40 alunos,
entre zero e 13 anos, com deficiência
mental e múltipla deficiência. Com o
objetivo de inserir as crianças especiais
em instituições de ensino regular, a
entidade possui o ensino infantil e o
fundamental.
De acordo com a coordenadora,
Nilza Delourdes Dall’Igna Cruz, toda
criança tem direito à inclusão em
escolas regulares, mas esse processo
precisa ser consciente. “Quando a
criança está indo bem nas aulas,
chamamos os pais e os orientamos a
procurarem uma escola regular no seu
bairro”, explica Nilza. Mas antes disso,
é feito um relatório pela escola especial
explicando as estratégias de atividades
para trabalhar os conteúdos com as
crianças.
Depois são feitos acomp anhamentos periódicos com as pedagogas
da escola especial, da regular, do
núcleo regional, juntamente com a
Secretaria Municipal de Educação
Especial,
que
discutem
o
aproveitamento que o aluno tem dentro
da sala de aula e a aceitação da criança
na instituição.
Muit as vezes surge discriminação
por parte dos funcionários, professores
e pais de alunos que recusam a
presença de uma criança especial. “Na
maioria dos casos as outras crianças
da turma defendem o aluno de inclusão
de brincadeiras que possam vir a
ofender o colega”, diz a diretora da
Escola Municip al Enéas Marques,
Janete Maria Rocha Munhoz.
Segundo os dados da Secretaria de
Educação, as 169 escolas estaduais e
municipais e os 260 Centros Municip ais
de Educação Infantil (CMEI) devem
aceitar essas crianças, e é difícil
encontrar locais onde não haja nenhum
especial. Mas, conforme explica Nilza,
para que a escola regular receba esses
alunos é preciso que os professores
sejam treinados pela secretaria para
poder adaptar o currículo da escola às
possibilidades de cada criança. “O
conteúdo passado para eles nas
escolas não é diferenciado, a única
coisa é que os professores, às vezes,
precisam usar meios diferenciados de
ensino”, relata a coordenadora.
Experiência
Na Escola Municip al Enéas Marques
existem atualmente seis alunos
matriculados com problemas de
Transtorno do Déficit de Atenção e
Hiperatividade (TDH). A sala que recebe
essas crianças reduz cinco alunos da
turma, p ara que a professora possa
dedicar mais atenção ao estudante
especial. “Algumas crianças conseguem
acompanhar a turma, outras não,
depende do limite de cada uma”, conta a
diretora da instituição. Um exemplo dado
pela diretora é uma garota que está na
3ª série, ela é uma criança instável, mas
com um tratamento adequado conseguiu
administrar as épocas de crise e continuar
seu aprendizado.
O acompanhamento especial continua
mesmo quando a criança acaba de ser
inserida no ensino regular. Durante um
tempo ela deve freqüentar as duas
escolas, em meio período cada uma. Em
uma avaliação durante as reuniões
pedagógicas é decidido se a criança tem
condições de continuar somente na
regular.
Há casos em que o aluno precisa
retornar ao ensino especial, pois não teve
condições de acompanhar a turma na
escola normal. Assim, ele fica na
instituição até completar 13 anos e depois
é encaminhado para uma unidade préprofissionalizante, onde aprende outras
atividades como o artesanato.
Avaliação
Para Alexsandro Zaran Dias, pai de
Júnior, devido ao trabalho em conjunto
desenvolvido pela Secretaria e pela
escola especial, seu filho hoje tem a
oportunidade de ser inserido no ensino
regular . O acompanhamento de
psicólogas, neuropediátras, fonoaudiólogas, fisioterapeut as e nutricionistas fez que com ele se tornasse até
uma criança hiperativa. “Ele melhorou
100% no comportamento, e poderia ir
para em uma escola normal hoje mesmo,
mas prefero esperar que complete 7
anos”, explica Dias.
Muitos pais de crianças especiais não
aceitam, ou às vezes não percebem a
deficiência do filho, só sendo detectado
pela professora nos primeiros dias de
aula. “Nessas situações, é feit a uma
reunião com os pais, e as crianças são
encaminhadas para escolas especiais até
se tornarem aptas para ficar no ensino
regular”, esclarece a diretora Janete.
Em outros casos, a inclusão torna-se
mais delicada, pois envolve limitações
mais graves, como a surdez e a cegueira.
No Colégio Estadual Paulo Leminski, por
exemplo, para que fosse realizada a
inclusão de uma aluna cega na sala de
aula houve a necessidade de comprar
uma máquina de braile que demorou
cerca de um ano para ser entregue.
“Existem outros tipos de dificuldades, um
texto de história com sete páginas
passado para o braile chega a ter 40
folhas”, coment a a diretora da escola,
Célia Luzzi.
Na institu
ola
A esc
A vend
Texto: Aline Rodrigues, Andressa Oestreich e Vilma Takeda
Fotos: Andressa Oestreich
Diagramação: V ilma Takeda
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Curitiba
Capital da Notícia
Curitiba
Junho/2006
Esporte
Mulheres ocupam o tatame
9
Elas superam o preconceito masculino e escolhem as artes marciais como hobby e profissão
as, os professores deixam os homens na
defesa enquanto elas ficam no at aque. A
justificativa é que muitos lutadores não
controlam a força. Já Paulo César, 23, comenta: “Não tenho nada contra, nem as
Juciano Iwamoto
Já imaginou sua mãe competin- légio meus colegas dizem para os gado em campeonatos de artes marciais? rotos não mexerem comigo e eles se
Algumas mulheres não só imaginam assust am um pouco”. Ela pretende
como praticam por prazer. De maneira competir nessa modalidade, porém não
geral, estas atividades são direcionadas está preparada.
aos homens e ainda não é normal,
mas freqüênte, ver mulheres praticando esportes que utilizem força ou
mais habilidade como o muay thai,
o boxe, o jiu-tjitsu e o karatê.
A jovem professora de 23
anos, Oriane Iwamoto começou a lutar karatê com 7, contrariou o desejo da mãe de estudar piano e dança
e no ínicio enfrentou o preconceito
familiar. Como Oriane iniciou muito
cedo, sua mãe teve que acompanhála nas competições, resultado: duas
karatecas na família. A atleta chegou
a pensar em desistir quando foi assediada por um professor, mas se
manteve firme e ganhou uma profissão. “Sinto mais confiança com uma
professora mulher e com isso meu
marido me incentivou mais”, afirma
Mara de Quadra, 47, aluna de
Oriane.
A preferência feminina é pelo
muay thai, pois movimenta todo o
corpo, é bem aeróbico e favorece a
perda de calorias. A defesa pessoal
também influencia nesta escolha.
Latino, 25, é professor há 11
anos, explica essa escolha por ser
a luta do momento. Como professor, Mãe e filha Iwamoto
ele já ouviu várias reclamações de
alunas a respeito de cantadas de ouA opnião masculina sobre esse astros treinadores.
sunto é diversificada, alguns atletas acreThassiane Faria, 14, luta muay ditam que as garotas escolhem esses esthai há 8 meses na academia Gênesis, portes para estarem no meio masculino.
no Capão da Imbuia. O corpo da ado- O termo usado é “Maria Tatame”, que acalescente ganhou massa muscular, mas ba prejudicando e inibindo mulheres que
não perdeu as curvas e menos ainda a procuram o exercício físico.
feminilidade. Foi influenciada pelo tio
André Luis, 20, assume que as traque faz jiu-jitsu, sendo o único parente ta com diferença e não gosta de lutar com
a apoiá-la. Thassiane aponta: “No co- elas, pois em grande parte das academi-
trato diferente, princip almente se for
bonit a”.
O desempenho não depende do
sexo, cada pessoa se esforça por seus
objetivos e o resultado é proporcional. O
tabu de que a “mulher vira macho” deve
ser eliminado. De acordo com as atletas,
não se trata de busca pela igualdade, mas
pela prática de uma atividade que se encaixe com as características de cada uma.
Suelen Safiano
Os benefícios:
•
enrijece a musculatura
•
aumenta a flexibilidade
•
melhora a qualidade de vida
•
diminui o stress
•
cria laços afetivos entre as
colegas de treino
O que as afastam:
•
Muitas mulheres são intimidadas pelo medo de se machucarem.
Karla Gabrielle e Thassiane Faria, treinam ataque e defesa
Texto e diagramação:
Suelen Safiano e Tatiana Kesly.
Fotos:
Juciano Iwamoto e Suelen Safiano.
10 Junho/2006
Comportamento
Capital da Notícia
Romantismo à prova
Pesquisa entre jovens revela que não é “careta” ser romântico
Serenata, poemas, cartas de amor. Palavras simbólicas de uma atitude pouco explorada pelos jovens de hoje, o
romantismo. Quem já ouviu falar de alguma loucuras de amor
realizada por um casal apaixonado? Esse tipo de demonstração de afeto está ficando cada vez mais raro, quase extinto.
O Capital da Notícia entrevistou 50 jovens entre 18 e
25 anos, metade de cada sexo, para saber
suas opiniões sobre o tema. Em alguns
pontos da pesquisa houve equilíbrio.
Quando perguntados se eram românticos 63,6% dos homens e 61,1% das
mulheres responderam que sim.
Thamires Paulus de Lara, 17 anos,
namorando há quase três, se considera
uma pessoa romântica, mas acha que o
romantismo de hoje em dia está a desejar.
“Hoje, praticamente, não existe o respeito de
antigamente, a liberdade dos relacionamentos
acaba por diminuir o romantismo”. Thamires acredita que não existe mulher que não goste de um “certo” romantismo, principalmente de receber flores.
“Nunca recebi flores, gostaria de receber, é uma coisa romântica e que demonstra carinho”.
A importância do romantismo para as mulheres é mais evidente do que para os homens, segundo a pesquisa. Para 77,8% das entrevist adas o romantismo é essencial em um relacionamento, mas apenas 54,6% dos homens
consideram que esse fator seja relevante em uma relação.
Apesar da juventude masculina não achar de suma importância o romantismo, existem algumas exceções. O bancário Gilberto Henrique, 25 anos, já fez inúmeras loucuras de
amor pela sua amada. Dentre elas está o fato de entregar
um buquê de rosas a cada mês de namoro. “Quando fizemos 12 meses, mandei entregar no trabalho dela 12 buquês
em horários diferentes”, disse Gilberto.
Um fato curioso que surpreende na pesquisa é a forma com que as pessoas demonstram o seu romantismo. Os
homens preferem dar flores, 36,5% dos entrevistados admi-
tem que já presentearam sua comp anheira com flores. As mulheres não se utilizam desse artifício, apenas 5,5% enviaram
flores p ara alguém com quem se relacionaram. Esses dados
vão de encontro com as informações das floriculturas. O vendedor Fabiano Rosseto comenta que 95% do seu público é masculino e entre eles apenas 30% são jovens. Fabiano acredit a
que
os jovens não se interessam muito por esse tipo de
presente, pois preferem produtos mais comuns
como roupas.
Se o gênero masculino adere às flores
para demonstrar seu amor, as mulheres são
mais reservadas e gostam de formas em que
não se exponham tanto. A pesquisa revela que
77,8% das entrevistadas já escreveram cartas
ou poemas de amor, contra 63,5% dos homens.
Cart as, poemas e agora as famosas
“telemensagens” são muito utilizadas. Segundo
Elaine Chaves, atendente de um serviço de
telemensagens, existe um equilíbrio entre os seus clientes, porém uma ligeira vantagem para o público feminino. A justificativa é que as mulheres são mais tímidas e
essa forma de mostrar o que sentem é mais simples. “São
poucas as que têm coragem p ara se declarar publicamente, isso é algo mais comum nos homens”, afirma
Elaine.
A psicóloga Elaine Schmitt acredita que a forma de expressar sentimentos em um relacionamento está sempre em evolução. “As famosas ‘serenatas’ estão sendo substituídas por mensagens via internet, ou cartões virtuais. O romantismo nunca irá acabar, mas sim com o decorrer do tempo, se transformar”, diz ela.
Para Maria Rafart, apresentadora do programa 91 minutos,
especializado em relacionamentos, o romantismo sempre está na
moda. “Onde houver uma relação afetiva e respeito por essa relação, lá viverá o romantismo”, comenta. Ao mesmo tempo, Maria
acredita que relações, cada dia mais sem compromisso entre os
jovens, desfavorecem um relacionamento mais romântico. “Relações efêmeras, como o ‘ficar’, favorecem que se desprestigie o
romantismo; contudo, quando as relações ficam mais sérias, cedese lugar a práticas românticas”.
Romantismo é coisa do passado?
Texto e diagramação: Marcos Nakamura
e Marco Corrêa
Desenhos: Roberto Mangosi
Curitiba
Capital da Notícia
Junho/2006
Cultura
Curitiba
11
No palco da vida, o show das estrelas
Pessoas comuns utilizam a
arte para descontrair e
aumentar o orçamento
A Rua das Flores, como é conhecida a Rua XV de Novembro, poderia ser
chamada de rua dos artist as, dos novos
talentos ou, quem sabe, rua da música.
Para muitas pessoas que transitam pelo calçadão, como Leonice Barros, 56, a música é marca registrada da
cidade e um incentivo à cultura para
aqueles que não têm condições de freqüentar teatros para assistir a shows de
grandes nomes. “Seria estranho atravessar a Rua XV e não ouvir os sons
que muitas vezes nos acalmam; a rua
não seria a mesma”, comenta Leonice.
São vários os artistas que utilizam
o espaço ao ar livre para monstrar seu
trabalho. Em frente ao Palácio Avenida
os caminhantes podem apreciar e circular ao som de música latina apresentada pelo grupo Vientosur, formado por três
argentinos, um uruguaio e um maranhense. Um dos mais antigos, o conjunto toca nas ruas de Curitiba desde 1978.
Outra figura que chama atenção
no local é o músico, cantor e compositor Plá. Com uma aparência hipppie,
barba longa, roupas escritas à caneta
e cabelos ao vento, sua música é uma
forma de protesto contra a situação política, social e
econômica do p aís. Tem na
Rua XV o seu palco desde 1984 e já possui um
acervo de 27 cds lan-
Adriel Vieira
çados. “Não trabalho na rua por dinheiro, mas
para mostrar a miPlá
nha ideologia”, diz o músico.
Assim como ele, outros artistas são encontrados no trajeto
entre a Boca Maldita e a Reitoria
da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Próximo ao famoso bondinho, o som de uma flauta, que lembra a trilha sonora de filmes medievais e acalma o humor de quem passa por perto, é obra do poeta e músico
Adriel Lima Vieira.
Deficiente físico tem na música e
na poesia uma forma de animar a sua
vida e a de quem aprecia o estilo musical. Vieira trabalha nas ruas desde criança. Exerce a função de marceneiro
pela manhã e a tarde demonstra seu
talento artístico na esperança de que
alguém o descubra. Seu único contato
com a mídia aconteceu há quatro anos,
quando foi convidado para tocar em um
programa da rádio Independência.
• “ Toco há seis anos e não dependo da música para viver, sobrevivo da
marcenaria, mas gostaria de me tornar
famoso pela minha poesia e música”,
afirma o rapaz que, apesar das dificuldades, aproveita os dez minutos que lhe
cabem para apresentar o seu show e
ganhar a atenção dos pedestres.
Também apenas instrumental, uma figurinha conhecida é “seu”
Flores. Cego, toca acordeom
há 33 anos. Tinha um grupo chamado Flor e Seu Conjunto, que se
desfez com a morte dos amigos.
Adquiriu a deficiência visual há cerca de18 anos e então decidiu tocar nas ruas. Mora com uma filha casada e com a esposa doente. “Toco porque gosto e
para ajudar com as despesas, pois só a minha aposentadoria não é o suficiente”,
diz ele.
Plá
Viento Sur
Vientosur
De acordo com
Tatiana Dallalibera, 40, a
prefeitura deveria proporcionar um festival de música de rua.
“Assim como existem as feirinhas,
o governo deveria incentivar esse
tipo de cultura popular”, comenta ela,
que aproveitava para deleitar-se ao
som da sanfona de “seu” Flores.
Marcio Pacheco, freqüentador da
Rua XV diz que costuma parar sempre
para ouvir as músicas que tocam nas
ruas, principalmente quando está com a
filha. “Lamento apenas não ter mais tempo para poder aproveitar do momento”, afirma.
Para esses artist as a maior gratificação é o fato de as
Henry Mieczkowscki
pessoas pararem para apreciar o trababalho desenvolvido
por eles. Financeiramente o valor que
arrecadam varia de acordo com o tempo e a venda de cds. Cada CD custa
R$ 10 e chegam a vender cerca de três
a quatro por dia. Multiplicando esse
valor pelo número de dias do mês, chegam a receber mais R$900.
lugares com cobertura onde possam
Problema
se apresentar, a não ser as marquiSegundo o flautist a Vieira, os mai- ses das lojas.
ores problemas que os músicos de rua
enfrentam são com os lojistas que muiFilho de peixe peixinho é
tas vezes não gostam. “Não pela músiApenas um som faz falta aos ouca, mas porque ficamos na frente das vidos de quem passa pela Rua XV: o
lojas e como temos aparência humilde do violino do memorável Henry Pollaou alguma deficiência, os comerciantes ck, nome artístico do falecido Henrique
acham que podemos espantar os fre- Tito Mieczkowscki Raszcrik.
gueses”.
Porém não por muito tempo. InfluOutra dificuldade encontrada por enciado pelo dom artístico do pai, Henele é o tempo para se apresentar. Exis- ry de Oliveira Mieczkowscki faz aulas
te
um acordo entre Vieira e o de violino há dois meses e promete segrupo
Vientosur. A cada uma guir os passos de seu ídolo. Atualmenhora
de música do grupo, te ajuda a avó a vender os cds do pai,
ele tem direto a tocar que ficou famoso e tinha como grande
dez minutos de sua amigo o apresentador Ratinho.
flaut a.
Se o menino tem talento ou não, o
jeito é esperar e ver para crer.
Flores
A
chuva
também é
outro fator
complicador
para esses
artistas,
pois não
existem
Texto e pauta: Andressa Da Rosa,
Berquis Koschanski, Franciele
Fermino e Patrícia de Souza
Fotos: Andressa Da Rosa, Berquis
Koschanski, Franciele Fermino,
Juarez Santos e Patrícia de Souza
Diagramação: Berquis Koschanski
12 Junho/2006
Ensaio Fotográfico
A magia está no ar
Balões colorem e encantam o céu de Curitiba
Por Pablo Vaz
QUEM DISSE QUE SOLTAR BALÃO É COISA
DE CRIANÇA? ENTRE OS DIAS 18 E 21 DE
MAIO, OS CÉUS DA CAPITAL PARANAENSE
FICARAM COLORIDOS COM O ESPETÁCULO DOS BALÕES QUE PARTICIPARAM D A
CO PA DE BALONISMO 313 ANOS DE
CURITIBA. OS MELHORES BALONISTAS
DO BRASIL ESTIVERAM NO EVENTO QUE
ACONTECEU NO PARQUE BARIGUI E ,
COMPETIÇÃO À PARTE, OS GIGANTESCOS
BALÕES MARAVILHARAM O PÚBLICO D URANTE QUATRO DIAS .
O BALONISTA FÁBIO PASSOS FOI O GRANDE VENCEDOR DA C OPA DE BALONISMO,
O PILOTO VENCEU QUATRO DAS SEIS ETAPAS DA COMPETIÇÃO. EM SEGUNDO LUGAR FICOU G ABRIELA S LAVEC.
Capital da Notícia
Curitiba
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Capital da Notícia - Curso de Jornalismo do UniBrasil