Capital da Notícia Curitiba “Informação e cidadania a serviço da sociedade” Jornal Laboratório do Curso de Jornalismo Curitiba/PR - Junho/Julho/2006 - Edição 21 Atrás das grades A Prisão Provisória de Curitiba, conhecida como Presídio do Ahú, está sendo transferida para Piraquara. Instalado em 1909 numa área hoje nobre da cidade, o presídio já abrigou mais de dois mil detentos ao mesmo tempo, embora tenha capacidade para 750. A reportagem do Capital da Notícia entrevistou o diretor da unidade e conta como é a rotina dos presos, as brigas, fugas e rebeliões. Conheça também dados estatísticos sobre a população carcerária do Paraná e os trabalhos de ressocialização dos detentos. Páginas 6 e 7 Parques pedem socorro A cidade não está fazendo jus ao "apelido" de capital sorriso. A maioria dos parques de Curitiba precisa de atenção, principalmente os que têm rios circulando dentro. O São Lourenço é o que está em pior situação, as condições são tão precárias que o rio está em vias de ser exaurido. Página 4 Colabore Estamos tendo o inverno mais quente e seco dos últimos anos. A orientação da Sanepar é que cada pessoa faça economia de 56 litros diários de água, sob pena de ser necessário, além de racionamento, o sistema de rodízio – onde o corte é feito durante 24 horas por semana. Sono tranqüilo Um grupo de investigadores japoneses criou um travesseiro que pode dar conselhos para que pessoas que sofrem de insônia tenham uma noite de sono tranqüila. Batizada de "médico do sono", o travesseiro analisa os hábitos dos usuários e, em função de sua avaliação, faz até 40 recomendações distintas p ara o paciente insone resolver seu problema. COMPORTAMENTO ESPORTE EDUCAÇÃO Ainda está na moda ser romântico, é o que mostra nossa pesquisa com jovens de 18 e 25 anos. Página 10 Mulheres já praticam artes marciais, um esporte tradicionalmente masculino. Página 9 O problema da inclusão. Como a criança especial está sendo aceita nas escolas regulares de Curitiba. Página 8 2 Junho/2006 Capital da Notícia Opinião Curitiba EDITORIAL Praticamente em todas as edições do Jornal Capit al da Notícia deste semestre, publicamos matérias que mostram nossa particip ação (de alguma forma) no sistema. Seja porque simplesmente fechamos os olhos para as coisas que estão acontecendo, ou porque já nos acostumamos com a miséria e as injustiças. Somos ao mesmo tempo vítimas e algozes da situação em que vivemos. Muitas das nossas matérias trouxeram p ara o público grandes inquietações que acompanham a vida, principalmente dos menos favorecidos. Sejam as grandes filas que se formam nos hospitais, pela inoperância dos governantes que fazem vistas grossas para a barbaridade que acontece com a saúde pública (que deveria ser, acima de tudo preventiva – mas que talvez assim gerasse pouco lucro aos grandes empresários da área da saúde); seja a juventude entregue ao crime, onde um adolescente vem a público admitir o quanto é fácil e lucrativo o mundo obscuro da malandragem e os jovens que deveriam estar em escolas públicas, bem equipadas e GRATUITAS, aprendendo e compartilhando a ousadia criativa da juventude, estão aí gast ando suas energias e se sentindo onipotentes de arma em punho. Recentemente circulou em noticiário a história de um menor dizendo que na favela onde mora era chamado de otário até que se aliou aos traficantes e se tornou fera - essa informação ilustra bem sob quais valores estamos alicerçados e otária é a sociedade que, bombardeada diariamente por notícias como essas, ainda se monopoliza em torno de CPIs, mensalões... E ao povo, o que resta? Aceit ar passivamente? Será que nós perdemos o sono algum dia pensando nisso? São muitas as injustiças, mas algumas, simplesmente deveriam ser intoleráveis – como a falta de atenção para com a educação o descaso com a saúde – itens de suprema importância num país que espera um futuro promissor. Até quando vamos esperar para tomar uma atitude? No dia em que apenas uma atitude já não baste? Otário é o povo, somos cada um de nós que nos recolhemos dentro de nosso egoísmo à espera de algum salvador da pátria que tome uma atitude por nós, já que é para isso mesmo que nos foi dado “o direito do voto”. Afinal de contas, somos vítimas de que? De quem? E de que precisa o povo p ara o ser feliz? De justiça social? Investimento em educação e saúde? Mais empregos? Que nada... Dêem-lhe um pouco de cerveja e muito futebol, com uma eleição no meio – e a receita está completa. É otária, por fim, a sociedade (nós, mais governantes, mais instituições, mais poderes constituídos) porque aceita calada a presença cada vez maior do crime organizado (num Estado desorganizado), a insensatez dos estatutos ingênuos, das rebeliões nos presídios... e o povo ainda pensa que o suficiente talvez seja esperar o próximo candidato e continuar vot ando até que um dia aprenda e acerte. Informação e cidadania, o foco a perseguir A manchete da edição n.º 20 destacou a reportagem especial de página dupla: Suicídio: o que dizem a ciência e as religiões. O tema é interessante, mas também provoca uma pergunta: por que o Capital da Notícia Curitiba está levando o público leitor a pensar sobre este assunto? Duas respostas p arecem possíveis: uma ocorrência relativa ao tema que tenha mexido com a sociedade curitibana durante a produção do jornal; ou simplesmente uma decisão de pauta considerando o tema interessante. Como a primeira hipótese não tem amparo na edição, fica a segunda, que não é exatamente equivocada, mas um tanto fria demais, mesmo para um jornal mensal. Independentemente disso, é uma boa reportagem, abordando o tema de modo amplo. Apenas creio que não deveria ser a manchete, mesmo sendo especial com duas páginas. Um tema que passou batido tanto nesta edição quanto nas anteriores deste semestre foi a implantação da TV Digital no país, antes relativamente longinqüa, mas agora confirmada pelo governo. Poucos entendem o que está havendo ou o que está(ou estava?) em jogo além de uma imagem de maior qualidade nas televisões de cada casa brasileira. Nesta linha, é destacável a matéria da edição sobre as mudanças que ocorrerão em breve na telefonia. Importante também perceber a diversidade do material publicado, conservando uma lógica editorial que garante a segurança do leitor. É importante manter essa diversidade em uma publicação que procura dar conta de questões como comportamento, esportes, pautas sociais, educação e cultura em poucas páginas. Por fim e como sempre, a capa merece comentários específicos. Além da questão da manchete, já observada, sugiro uma reflexão sobre a função da coluna Curiosidades. De fato são curiosidades, mas de pouca serventia numa capa, espaço nobre de um jornal. Enfim, a edição está bem feita, com boa diagramação na maior parte das páginas, mas merecia algo equivalente em conteúdo, por inteiro, na primeira. Emerson Castro – jornalista, professor e ombudsman do Capital da Notícia Curitiba. Cupido atualizado Em plena era tecnológica a vida de cupido não é mais a mesma. Ele já não corre mais para lá e para cá, na atribuição de atender os pobres coraçõezinhos apaixonados, mas em compensação tem se desdobrado para aprender informática, já que também os ap aixonados não são mais os mesmos. A modernidade trouxe, no lugar das flores, torpedinhos irresistíveis; mensagens virtuais; scraps carinhosos... e haja cupido para acompanhar t anta mudança... O romantismo não acabou, continuamos tendo os mesmos sonhos e as mesmas paixões e agora com muito menos esforço. Abaixo as rosas! A gente prefere o imediatismo moderno, ainda que isso custe “uns quilinhos” a mais pelo sedentarismo. Mas, dá nada, a gente malha um pouco e resolve.O perigo é esse gorduchinho fofo ter que freqüent ar academia para não correr o risco de ficar obeso e aí sim, ele se transformará no amigo ideal, pois tem muita azaração nas sessões matutinas e vespertinas de malhação. Textos Capa e Opinião: Nelci Guimarães Expediente Vítimas e algozes Ombudsman ! DIRETOR PRESIDENTE:Clémerson Merlin Cléve ! DIRETOR GERAL: ! José Henrique de Faria ! COORDENADOR DO CURSO DE JORNALISMO: Roberto Nicolato ! PROFESSORA RESPONSÁVEL: Elza Oliveira ! FECHAMENTO: Jorge Luiz Kimieck ! IMPRESSÃO: Correio Paranaense ! TIRAGEM: 2.000 exemplares ! O jornal CAPITAL DA NOTÍCIA é uma publicação do Curso de Jornalismo da Unibrasil, produzido pelos alunos do 5º período Capital da Notícia Curitiba Junho/2006 Personagem 3 Oito décadas de vida, cinco de táxi Nelson de Almeida é o taxista mais antigo de Curitiba em atividade Nasceu em 1926 e tem 26 irmãos. De um deles, herdou o ofício: taxista. O irmão ficou doente, não pôde ir trabalhar e ele foi fazer as vezes na labuta. Tomou gosto pela coisa. Largou o posto de guarda rodoviário, considerado seguro na época, e ganhou as ruas, ao volante de seu primeiro táxi, um DKV. Uma máquina naquela época. “A carteira de motorista eu já tinha. Foi feita no quartel, como era comum”. Hoje, Nelson Taques de Almeida, com 80 anos de idade, é o taxista mais antigo de Curitiba ainda em atividade, com cinco décadas de volante. Com o trabalho, sustentou casa, família e educou três filhos. A profissão, como tantas outras, rendia mais em tempos idos. “Não tinha tanto ônibus e carro como hoje”, avalia Almeida. Além do mais, a concessão era fácil de ser obtida. “Tinha placa a vontade, naquela época. E de graça”, recorda. Hoje, não sai por menos de R$ 100 mil, comprada no mercado negro. A prefeitura de Curitiba não libera novos táxis na capit al há mais de três décadas. Os perigos da profissão aumentaram e, no caminho inverso, a renda e os lucros baixaram de forma significativa. “Não tem mais como a gente trabalhar sossegado”, reclama Almeida. Tem assalto e até sequestro relâmpago. O sindicato da categoria, que deveria lut ar nesta e em outras bandeiras, não faz nada. “Nunca ouvi falar na entidade”. Trabalhar a noite, nem pensar. “Já não é pra mim”, afirma o veterano, que relata as diferenças entre o período noturno de hoje e “de ontem”. Antes, o perigo se resumia a bêbados no volante. Assalto quase nem tinha. “Hoje, tem crack, cocaína, travestis, prostitut as, traficantes, tiroteio, bandidos, Rone...” Dos motoristas da capital, ele não reclama. Diferente do senso comum, o veterano t axista não critica o estilo de dirigir do curitibano. “Não tenho do que reclamar”, assegura. Antes o trânsito era bem diferente. Poucos carros, veículos mais lentos, que atingiam no máximo 80 quilômetros por hora. Hoje, reclama Nelson, “se a gente não ficar esperto, acaba batendo”. Aí, aliás, entra um espinho da profissão. Praticamente nenhuma empresa aceit a fazer seguro do veículo. Quando fazem, o preço é altíssimo. Analisando a população da capital, Almeida considera que houve grandes mudanças ao longo dest as cinco décadas. “Antes tinha pouca gente de fora. Hoje é quase metade. As pessoas não têm mais o ar frio, típico do curitibano. Parecem estar mais Felipe Correa VIDA DE TAXISTA EM NÚMEROS: 200 km é quanto roda um taxista em média por dia 8 meses dura um jogo de pneus em um táxi R$ 3,5 mil é o ganho mensal para um taxista titular que trabalha em período integral 1975 foi o ano em que a prefeitura concedeu placas de táxi pela última vez R$ 100 mil é o preço de uma placa de táxi no mercado negro O t axista Nelson Almeida, 80, observa os documentos originais de sua concessão de táxi 2254 abertas”, garante. Qualificação Qual o segredo de estar tanto tempo na rua? “Basta amar o que se faz”, resume o taxista. Para ele, dirigir um táxi é uma forma de ajudar aos outros. “E isso me realiza. Faço sempre da melhor forma possível”, afirma. As qualificações necessárias, depois do amor, é claro, são conhecer bem a cidade, ter paciência para aguentar eventuais barbeiragens e cuidar com a arapuca de multas - “elas levam todo nosso dinheiro” - e ser atencioso com o cliente. “Tendo tudo isso, o resto é tranquilo”, completa. é o número de táxis nas ruas de Curitiba Rotina Almeida ainda trabalha algumas horas por dia, mas em ritmo mais leve e fazendo o próprio horário. Com os filhos casados, vive apenas em companhia da mulher e guarda suas lembranças de uma Curitiba mais calma, mas também mais fria e menos hospitaleira. é o Dia do Taxista 25 de julho Redação, diagr. e edição: Paulo Brasil Entrevista e foto: Felipe Corrêa Pontes 4 Junho/2006 Capital da Notícia Geral Curitiba O sorriso amarelo de Curitiba Parque São Lourenço Os parques da cidade sempre foram o orgulho dos curitibanos, mas inexplicavelmente muitos deles estão esquecidos pela prefeitura. Ultimamente o único parque cuidado com mais carinho é o Jardim Botânico, o “cartão de visitas” preferido pelos visitantes. Segundo a Secretaria de Meio Ambiente mais da metade dos turistas indica o local como obrigatório. Entretanto, em outros lugares, a situação é bem diferente. O Parque São Lourenço é o que está mais degradado. Além de localizar-se próximo de um dos mais importantes centros turísticos de Curitiba - a Ópera de Arame - e de ser freqüentado por muitos curitibanos nos finais de semana, ele ainda é o destino de moradores que residem por perto e praticam atividades físicas variadas, como caminhada e corrida. Mas ultimamente os freqüentadores estão assustados com o abandono e a falta de cuidado. Eliane Borges diz encontrar Parque Barigui Parque Tanguá Parque Barigui Parque Barigui Parque Bacacheri Parque Bacacheri ali o sossego necessário para a leitur. Nascida em Bandeirantes ela “adotou” o local para seus passeios matinais: “Os parques são uma opção de lazer gratuita e que está ao alcance de todos. Eu sempre venho aqui, mas tenho percebido que ultimamente o rio foi deixado de lado”, afirma. Na entrada do lago do parque existem dois tubos de esgoto que poluem a água provocando mau cheiro. Também há grandes áreas de assoreamento e a sobrevivência dos animais pode ficar ameaçada se nada for feito urgentemente. O analista judiciário Alceu Rocha, que esteve fora do estado a trabalho, aproveitou uma manhã ensolarada para mat ar as saudades do Parque. Entretanto, diz que ficou surpreso com a degradação do rio e os descuidos. Ele acha que as vias especiais para ciclistas deveriam continuar sinalizadas como antes e também as placas indicativas Parque Barigui ParqueBacacheri Parque Bacacheri de proibições que foram retiradas sem nenhuma explicação - mas o que mais o impressionou foi ver a água escura e mal cheirosa. “Antes eu trazia os amigos aqui, agora dá até vergonha”, confessa. A última limpeza do rio Belém que circula dentro do São Lourenço foi feita há três anos, num mutirão que reuniu entidades e, inclusive, escolas da região. O trabalho foi muito difícil e demorado, mas como o tempo passou e a manutenção não foi feita, hoje a situação está pior ainda e a água está tão poluída que o rio corre o risco de ser exaurido. A população não sabe porque a manutenção não é feita, já que seria muito menos dispendioso. O policial da guarda municip al Eldevandro Pereira Nascimento, que prest a serviços no parque diz que é necessário desassorear, cortar a vegetação aquática e conter as margens, t anto no São Lourenço, como nos demais. “Quase todos os outros parques que possuem lagos ou rios terão que passar por esse trabalho, a erosão está mudando o formato de vários desses locais, tenho dó dos peixes que devem esta r Parque São Lourenço sofrendo por causa da poluição”, deduz. ParqueTingui ParqueTingui Parque Tanguá A principal dificuldade, segundo a Secret aria de Meio Ambiente, é o número de funcionários dest acados para a limpeza e conservação, que há mais de dez anos, não se renova. Como a maioria foi se aposent ando ou mudando de área e não houve reposição, falt a gente para o trabalho. Talvez seja por isso que o lixo tem se acumulado nas entradas dos rios, provcando a situação em que se encontram a maioria dos parques de Curitiba, como o Barigüi, Tanguá, Tingüi e Bacacheri. O Barigüi tem uma grande área de assoreamento e o policiamento deixa a desejar, é o que diz a freqüentadora Neide L. Souza que faz caminhada e anda de biciclet a quase todos os dias: “Tenho medo de vir no final da tarde porque fica meio deserto aqui e já tivemos casos de assalto”, diz. O rio que circunda o parque Bacacheri está sendo invadido por aguapés que foram se desenvolvendo em virtude da poluição na área. Maria Luíza Godoi da Silva, que vai todo dia fazer exercício, diz que tem visto os p arques de Curitiba muito mal cuidados: “Apesar de não est ar cem por cento aqui, ainda está ótimo se for comp arado com outros, como por exemplo, o São Lourenço”, diz ela. Texto e Fotos: Nelci Guimarães Diagramação: Luciana Vassoler Capital da Notícia Geral Curitiba Junho/2006 5 Motoboys invadem ruas da cidade São mais de 80 mil motocicletas transitando nas ruas de Curitiba As motocicletas, para a maioria das pe ssoas, representam uma maneira de viver livre, est ar no comando de uma máquina que é perigosa, mas ao mesmo tempo sedutora. Essa sensação de independência não tem idade, não tem sexo, nem religião. Homens e mulheres dividem esse mesmo desejo: o de est ar sobre duas rodas recebendo o vento no rosto. As motos hoje em dia, além dessa liberdade aparente, t ambém se transformaram em ferramentas de trabalho. Esse é o caso dos motoboys, uma categoria em ascensão, que fez desse veículo o meio de condução mais rápido das grandes cidades, caso de Curitiba e Região Metropolitana. A agilidade fez crescer o número de empresas que trabalham com moto-entrega. Quem não gosta de uma pizza bem quentinha, ou da rapidez na entrega de algum documento? Os motoboys são recordistas em acidentes. Alguns, conhecidos como “cachorros-loucos”, circulam em ziquezague entre os veículos, com ultrapassagens arriscadas, para eles próprios, para os carros e muitas vezes com perigo para o pedestre menos avisado. Segundo dados do Sindicato dos Trabalhadores Condutores de Veículos, Motonetas, Motocicletas e Similares de Curitiba e Região Metropolit ana (Sintramotos), existem 16 mil motoboys filiados. Entre 2003 e 2005, a porcentagem de acidentes fatais com motoqueiros aumentou em torno de 13,5%. Curitiba tem hoje uma frota de 65.585 motos, podendo chegar a 80 mil se forem consideradas as scooters e Estacionamento regulament ado para os motoboys incomum uma moto parar debaixo de caminhão”, declarou Mariot. Vendas O preço mais acessível e o aumento das ofert as de serviços de motoboy têm contribuído p ara o crescimento nas vendas de motocicletas. A frota p aranaense já chegou à marca de meio milhão, entre motocicletas e motonet as. De acordo com Camila Mainette, gerente da Cabral Motos de Curitiba, em 2000 foram vendidas 4473 motos. O aumento nas vendas no mês de abril de 2006 foi recorde, com 800 unidades, totalizando 6882 comercializadas nos primeiros quatro meses do ano. “Esse aquecimento é devido a vários motivos, mas principalmente: facilidade de aquisição (financiada sem entrada ou consórcio), preço da gasolina, preço da passagem de ônibus e tempo. O fator tempo muit as vezes é esquecido, mas é um dos principais nos dias de hoje”, disse ela. Legislação Entre os carros, há sempre um motoboy motonetas. Segundo dados do Detran, no primeiro semestre deste ano, quase metade dos 18.881 acidentes com vítimas envolveram motos. O motoboy Rogério Adriano de Souza, 27 anos, trabalha nessa profissão há cinco anos e há dois anos e meio é um dos associados da Cooperativa dos Motociclistas Autônomos de Curitiba, a Coosmo. Além de realizar os serviços de entrega, auxilia no escritório da própria cooperativa, que cont a atualmente com cerca de 150 motoboys. Casado e pai de um filho pequeno, Souza quer ter a garantia de um auxílio/benefício. “É importante est ar com a situação regularizada no INSS. Conheço vários colegas de profissão que sofreram acidentes durante o serviço. Os registrados receberam o auxílio da Previdência, já os autônomos no mesmo caso, ficaram parados sem nenhum recurso financeiro”, finalizou. Silvio Reinauer, 38 anos, trabalha como motoboy há oito, atualmente sem registro. Entrega documentos, queijos, vinhos, com um ganho de R$ 10,00 por encomenda. A manutenção da moto e a gasolina ficam por sua cont a. “Na terceirização quem ganha são as empresas, normalmente o registro é fictício, a empresa assina a carteira mas não paga os encargos sociais, quem faz isso é o motoboy”, declarou. De acordo com o Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran), de cada dez acidentes, com ou sem vítimas, os motoboys estão envolvidos em sete. O estilo de pilotagem dos motociclist as contribui com esses números. “Muitos acabam fazendo ultrapassagens entre os carros, conhecido como corredor”, diz o comandante do BPTran, coronel Altair Mariot. Esse tipo de ultrapassagem, feita pelo “corredor”, não é proibida pelo Código Nacional de Trânsito. O problema é quando o motociclist a está em alt a velocidade, pode causar uma batida ou um atropelamento. “Não é A lei municipal que leva o n.º 11.738 dispõe sobre os serviços de transporte de pequenas cargas, mediante a utilização de motocicletas, motonetas ou triciclos motorizados, denominado motofrete e passa a vigorar dentro de 180 dias. A lei, que tem data do último dia 11 de maio de 2006, veda o transporte remunerado de passageiros e de produtos que possam oferecer riscos às pessoas e ao meio ambiente. Est abelece também que o condutor do veículo deverá estar habilitado há pelo menos um ano, que não pode ter cometido infrações gravíssimas nos últimos doze meses e deverá possuir curso especializado para a atividade, nas áreas compor tamental e de direção defensiva, a ser definido pela URBS – Urbanização de Curitiba S/A, a quem competirá emitir um documento de identificação p r ó p r i o para a atividade. A iniciativa também estabelece que os veículos deverão ser identificados em forma a ser definida pela URBS, ter registro junto ao D e part amento de T rânsito e possuir, no máximo, dez anos de fabricação, submetendo-se ainda à vistoria. O funcionamento das cooperativas de moto-boys também é regulamentada pela lei. Report agem : Elis Regina, Frank Alves e Rubens Castro Diagramação: Elis Regina, Frank Alves e Rubens Castro Fotos: Rubens Castro 6 Junho/2006 Capital da Notícia Reportagem Curitiba Conheça a rotina e o perfil dos d Em 2005, o número de internos chegou a 2912 presos sendo sua capacidade atual de 7 São 7 horas da manhã. Ele acorda. Mais um dia de trabalho pela frente. Sua profissão? Montador de chuveiros , tão digna quanto a de um advogado. Quanto mais ele produz, mais ganha e precisa sustentar a família. Agora já são 11h30. Hora do almoço. Como dizem por aí “saco vazio não pára em pé”. Mas o dever o chama e ele volta ao serviço, até 16h30. Mais um dia de trabalho, o sustento da família ganho. Ele volta para a cela, menos um dia de pena. Isso mesmo: pena, cela... Esse é o breve relato da vida de um interno que trabalha e cumpre pena na Prisão Provisória de Curitiba (PPC), ou Presídio do Ahú. “O método como o Ahú trabalha deveria ser seguido por outros, pois nossa forma de conduzir diminui muito a violência dentro do presídio”. A afirmação é de Adib Tuffi Júnior, diretor do PPC. Dos 850 presos que cumprem pena ali, entre 200 a 350 têm benefícios, trabalham e por isso, muit as vezes, com o que recebem conseguem ajudar a família. “Estes são diferentes dos cabeça de bagre quenão querem trabalhar”, sustenta Tuffi. As principais funções exercidas dentro da penitenciária são: panificação, cozinha, confecção de bolas de futebol, recuperação de carteiras escolares e manutenção do local. Essas atividades são divididas em internas e conveniadas. A fábrica de macarrão, indústria de confecção, estofaria e mont agem de produtos elétricos se enquadram como internas. Exemplos de conveniadas são o encartelamento de botões e a montagem de chuveiros. Nest a divisão, os serviços que se dest acam são os de marcenaria, serralheria e estofaria, onde as carteiras escolares são reformadas. Além de trabalhar, os presos que cumprem pena ou aguardam julgamento podem cursar o ensino fundamental, o ensino médio ou cursos profissionalizantes, como marcenaria, padaria. Há também aulas básicas de informática e curso de espanhol. Com uma capacidade para 584 detentos, o Presídio do Ahú chegou a abrigar 2912 em 2005. Atualmente, esta população é bem menor pois a unidade está em processo de transferência. De acordo com o diretor, a maioria dos presos tem entre 18 e 25 anos. “Esse número pode representar a maioria de jovens que usam drogas desde cedo e que acabam cometendo infrações como roubo ou furto para sustentar o vício”. A PPC abriga presos homens, condenados por diferentes tipos de crime, que vão desde homicídio e latrocínio (roubo seguido de morte) a assaltos, tráfico de drogas, estupro, etc. Brigas, voluntários e advogados Antes de serem encaminhados para o Presídio do Ahú, ou outros como o de Piraquara, os presos passam pelo COT (Centro de Observação Criminológica e Triagem), onde ficam por um período de 20 a 30 dias, sendo depois levados ao presídio designado. Em alguns casos, os advogados entram com ação na justiça para que seu cliente fique mais tempo no COT. Esse foi o caso do ex-big brother Buba, que lá permaneceu por três meses.Depois de remanejado ao PPC, o detento pode receber visitas de seu advogado no horário compreendido entre as 8 e 17horas. O presidente da Comissão de Direitos Humanos Ordem dos Advogados do Brasil no Paraná, Dálio Zepin, também faz visitas ao Presídio do Ahú. Ele verifica as condições dos detentos e como estão sendo tratados. “Nunca tivemos problemas graves e nos entendemos bem”, afirma Tuffi. Como em todo presídios, existem brigas entre detentos, mas estas são geralmente entre casais homossexuais. Ameaças a funcionários também não existem, “ou pelo menos nunca chegaram até mim”, continua o diretor. “Não posso falar em relação ao Rio de Janei- ro ou São Paulo, Horta da penitenciária, onde os presos podem trabalhar mas aqui é bem tranqüilo”, acrescenta. Ainda em relação aos maus funcionários, o diretor do presídio afirma: “Claro que existem, sabemos que para um celular chegar até o detento tem que ser por um funcionário, advogado ou, principalmente, esposas. A revista é bem rígida, mas a mulher, quando quer trazer, já viu”. Um dos detentos mais temidos, se não o mais, era José Márcio Felício, o Geleião. Na época em que ficou no Presídio do Ahú, comentava-se que ele era o fundador do PCC (Primeiro Comando da Capital, facção criminosa de São Paulo). Entretanto, pode-se afirmar apenas que ele é um ex-chefão do crime organizado paulista. Foi transferido para o Rio de Janeiro. Dentro da Prisão Provisória de Curitiba, artistas plásticos e igrejas de todas as crenças fazem trabalhos comunitários. Os cultos são realizados na Capela Ecumênica do local. Os detentos tambémpassam por uma triagem p sicológica, serviço social e médico. Para os dependentes químicos e alcoólicos, há reuniões do A.A. (Alcoólicos Anônimos) e N.A. (Narcóticos Anônimos). Fugas e rebeliões O último registro de fuga do Presídio do Ahú foi em 2002, quando dois detentos escaparam. No entanto, em 2000 presos seqüestraram o caminhão que fazia a coleta do lixo e com ele derrubaram o muro da horta do presídio. Alguns internos que trabalhavam no local aproveitaram a ocasião e fugiram também. Com esta “peripécia” foram registradas treze fugas. Porém, todos foram encontrados e detidos novamente. A última rebelião aconteceu em 10de julho de 2000. Na ocasião, 240 detidos fizeram reféns dez guardas. Os presos controlaram todo o complexo penal e incendiaram o prédio principal, que abriga o almoxarifado, centro médico, uma escola e o alojamento dos funcionários. Cerca de cem policiais cercaram o presídio para evitar uma fuga em massa. Os internos reclamavam da morosidade dos processos de revisão das penas e da superlotação e pediam a transferência imediata para outras penitenciárias. Oito detentos foram acusados de comandar o motim. Eles queriam ser transferidos para Mato Grosso, seu estado de origem. Três presos foram assassinados. De acordo com informações da Polícia Militar, os líderes eram os mesmos que comandaram, 36 dias antes desta, uma rebelião na Penitenciária Central do Estado, em Piraquara. Na semana turbulenta vivida no mês de maio em São Paulo devido aos ataques do PCC, e que incentivaram rebeliões no interior do Paraná, “os presos ficaram tranqüilos no Ahú”, comenta Tuffi. Entret anto, para prevenir maiores problemas, os detentos foram Capital da Notícia Curitiba Junho/2006 Reportagem dos detentos no Presídio do Ahú 7 de atual de 750 pessoas. A unidade está em processo de transferência para Piraquara. História da Prisão Provisória de Curitiba A transferência dos presos da cadeia pública do centro da cidade, possibilitada por um acordo firmado entre o então Secretário de Estado dos Negócios, Obras Públicas e Colonização, Francisco G. Beltrão e o Provedor e Responsável da Santa Casa de Misericórdia, Monsenhor Alberto José Gonçalves, deu início ao processo de instalação de um novo presídio. O governo se comprometeria a construir no bairro do Prado (hoje Prado Velho) novas instalações para o Hospício Nossa Senhora da Luz, localizado no bairro do Ahú, e a Santa Casa doaria o prédio, que seria adaptado como penitenciária. Com capacidade inicial de 52 presos em celas individuais, foi a primeira penitenciária do Paraná, e denominada inicialmente como Penitenciária do Estado. Inaugurada em 5 de janeiro de 1909, recebeu 55 presos transferidos. Eram 49 homens e 6 mulheres, todos homicidas. O regime adotado era o de Auburn que previa que os detentos ficariam encarcerados solitariamente à noite e trabalhariam juntos durante o dia, sob rigoroso silêncio. Desde o primeiro ano de funcionamento, os internos do PPC trabalham. Na época, existiam os seguintes setores de trabalho: cozinha, horta, alfaiataria, sapataria, tipografia e marcenaria. Os detentos eram obrigados a trabalhar de dia e estudar à noite. O ensino era obrigatório até que o preso soubesse ler, escrever e contar. Eram ensinadas noções de gramática, aritmética, geografia e história do Brasil. Em 1928, a Penitenciária do Estado (Ahú) passou a contar com mais 40 celas, totalizando 92 celas. Porém, sua lotação já passava de 100 presos, sendo impossível manter o regime inicial (encarceramento individual). Somente em 1945, com um decreto do então Interventor do Estado, Manoel Ribas, juntamente com o Capitão Fernando Flores, da Chefatura de Polícia, que aprovava o regulamento das Prisões Provisórias que a Penitenciária do Estado passaria a ser denominada Penitenciária Central e o Ahú transformou-se em Prisão Provisória. Perfil Penitenciário Paranaense O Capital da Notícia pesquisou dados, junto ao site do DEPEN (www.pr.gov.br/depen), que pudessem ajudar a traçar um pequeno perfil dos presos que cumprem pena em todo o Ao lado, o presídio visto de fora, assim como as roupas dos detentos penduradas para secar. Vêse a numeração das celas. Na primeira foto acima,, mulheres esperam pelo horário de visitas. Algumas levam comida e algo mais “a revista é bem rígida, mas quando elas querem trazer...” Paraná. Eles somavam 9141 até a segunda quinzena deste mês e este é o único dado atualizado do D e partamento, todos os outros, incluindo os dos gráficos são de 2005. A maioria dos detentos foi condenada por roubo, tem entre 18 e 25 anos, trabalha no setor de construção civil, tem apenas o primeiro grau incompleto e provém de cidades do interior do estado. Reportagem, diagramação e fotos: Andréa Correia, Carolina Dariva, Cassiano Ribeiro e Luiz Felipe Justy 8 Junho/2006 Capital da Notícia Educação Quando uma escola se torna especial Ingresso em ensino regular faz crianças superarem limitações O alegre menino Alexsandro Zaran Dias Júnior, 5 anos, gosta de cantar, sabe ler e escrever todas as letras do alfabeto e espera ansioso entrar para a escola regular. Isso só foi possível porque Júnior, desde os cinco meses de vida, freqüenta a Escola de Educação Especial Nilza Tartuce, localizada no Centro Cívico, em Curitiba. Com hidrocefalia, Júnior tinha o lado esquerdo do corpo paralisado, mas o atendimento individual e especializado que recebeu, fez dele uma criança que se locomove sem dificuldade atualmente. A escola atende cerca de 40 alunos, entre zero e 13 anos, com deficiência mental e múltipla deficiência. Com o objetivo de inserir as crianças especiais em instituições de ensino regular, a entidade possui o ensino infantil e o fundamental. De acordo com a coordenadora, Nilza Delourdes Dall’Igna Cruz, toda criança tem direito à inclusão em escolas regulares, mas esse processo precisa ser consciente. “Quando a criança está indo bem nas aulas, chamamos os pais e os orientamos a procurarem uma escola regular no seu bairro”, explica Nilza. Mas antes disso, é feito um relatório pela escola especial explicando as estratégias de atividades para trabalhar os conteúdos com as crianças. Depois são feitos acomp anhamentos periódicos com as pedagogas da escola especial, da regular, do núcleo regional, juntamente com a Secretaria Municipal de Educação Especial, que discutem o aproveitamento que o aluno tem dentro da sala de aula e a aceitação da criança na instituição. Muit as vezes surge discriminação por parte dos funcionários, professores e pais de alunos que recusam a presença de uma criança especial. “Na maioria dos casos as outras crianças da turma defendem o aluno de inclusão de brincadeiras que possam vir a ofender o colega”, diz a diretora da Escola Municip al Enéas Marques, Janete Maria Rocha Munhoz. Segundo os dados da Secretaria de Educação, as 169 escolas estaduais e municipais e os 260 Centros Municip ais de Educação Infantil (CMEI) devem aceitar essas crianças, e é difícil encontrar locais onde não haja nenhum especial. Mas, conforme explica Nilza, para que a escola regular receba esses alunos é preciso que os professores sejam treinados pela secretaria para poder adaptar o currículo da escola às possibilidades de cada criança. “O conteúdo passado para eles nas escolas não é diferenciado, a única coisa é que os professores, às vezes, precisam usar meios diferenciados de ensino”, relata a coordenadora. Experiência Na Escola Municip al Enéas Marques existem atualmente seis alunos matriculados com problemas de Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDH). A sala que recebe essas crianças reduz cinco alunos da turma, p ara que a professora possa dedicar mais atenção ao estudante especial. “Algumas crianças conseguem acompanhar a turma, outras não, depende do limite de cada uma”, conta a diretora da instituição. Um exemplo dado pela diretora é uma garota que está na 3ª série, ela é uma criança instável, mas com um tratamento adequado conseguiu administrar as épocas de crise e continuar seu aprendizado. O acompanhamento especial continua mesmo quando a criança acaba de ser inserida no ensino regular. Durante um tempo ela deve freqüentar as duas escolas, em meio período cada uma. Em uma avaliação durante as reuniões pedagógicas é decidido se a criança tem condições de continuar somente na regular. Há casos em que o aluno precisa retornar ao ensino especial, pois não teve condições de acompanhar a turma na escola normal. Assim, ele fica na instituição até completar 13 anos e depois é encaminhado para uma unidade préprofissionalizante, onde aprende outras atividades como o artesanato. Avaliação Para Alexsandro Zaran Dias, pai de Júnior, devido ao trabalho em conjunto desenvolvido pela Secretaria e pela escola especial, seu filho hoje tem a oportunidade de ser inserido no ensino regular . O acompanhamento de psicólogas, neuropediátras, fonoaudiólogas, fisioterapeut as e nutricionistas fez que com ele se tornasse até uma criança hiperativa. “Ele melhorou 100% no comportamento, e poderia ir para em uma escola normal hoje mesmo, mas prefero esperar que complete 7 anos”, explica Dias. Muitos pais de crianças especiais não aceitam, ou às vezes não percebem a deficiência do filho, só sendo detectado pela professora nos primeiros dias de aula. “Nessas situações, é feit a uma reunião com os pais, e as crianças são encaminhadas para escolas especiais até se tornarem aptas para ficar no ensino regular”, esclarece a diretora Janete. Em outros casos, a inclusão torna-se mais delicada, pois envolve limitações mais graves, como a surdez e a cegueira. No Colégio Estadual Paulo Leminski, por exemplo, para que fosse realizada a inclusão de uma aluna cega na sala de aula houve a necessidade de comprar uma máquina de braile que demorou cerca de um ano para ser entregue. “Existem outros tipos de dificuldades, um texto de história com sete páginas passado para o braile chega a ter 40 folhas”, coment a a diretora da escola, Célia Luzzi. Na institu ola A esc A vend Texto: Aline Rodrigues, Andressa Oestreich e Vilma Takeda Fotos: Andressa Oestreich Diagramação: V ilma Takeda a dos ição NIlza receb produto ec Tartuce as s a pa riança s da pa nificad salas são rtir de ora aju 20 dia dam a compostas s de v manate por até oi ida. r a ins tituição . to alunos Curitiba Capital da Notícia Curitiba Junho/2006 Esporte Mulheres ocupam o tatame 9 Elas superam o preconceito masculino e escolhem as artes marciais como hobby e profissão as, os professores deixam os homens na defesa enquanto elas ficam no at aque. A justificativa é que muitos lutadores não controlam a força. Já Paulo César, 23, comenta: “Não tenho nada contra, nem as Juciano Iwamoto Já imaginou sua mãe competin- légio meus colegas dizem para os gado em campeonatos de artes marciais? rotos não mexerem comigo e eles se Algumas mulheres não só imaginam assust am um pouco”. Ela pretende como praticam por prazer. De maneira competir nessa modalidade, porém não geral, estas atividades são direcionadas está preparada. aos homens e ainda não é normal, mas freqüênte, ver mulheres praticando esportes que utilizem força ou mais habilidade como o muay thai, o boxe, o jiu-tjitsu e o karatê. A jovem professora de 23 anos, Oriane Iwamoto começou a lutar karatê com 7, contrariou o desejo da mãe de estudar piano e dança e no ínicio enfrentou o preconceito familiar. Como Oriane iniciou muito cedo, sua mãe teve que acompanhála nas competições, resultado: duas karatecas na família. A atleta chegou a pensar em desistir quando foi assediada por um professor, mas se manteve firme e ganhou uma profissão. “Sinto mais confiança com uma professora mulher e com isso meu marido me incentivou mais”, afirma Mara de Quadra, 47, aluna de Oriane. A preferência feminina é pelo muay thai, pois movimenta todo o corpo, é bem aeróbico e favorece a perda de calorias. A defesa pessoal também influencia nesta escolha. Latino, 25, é professor há 11 anos, explica essa escolha por ser a luta do momento. Como professor, Mãe e filha Iwamoto ele já ouviu várias reclamações de alunas a respeito de cantadas de ouA opnião masculina sobre esse astros treinadores. sunto é diversificada, alguns atletas acreThassiane Faria, 14, luta muay ditam que as garotas escolhem esses esthai há 8 meses na academia Gênesis, portes para estarem no meio masculino. no Capão da Imbuia. O corpo da ado- O termo usado é “Maria Tatame”, que acalescente ganhou massa muscular, mas ba prejudicando e inibindo mulheres que não perdeu as curvas e menos ainda a procuram o exercício físico. feminilidade. Foi influenciada pelo tio André Luis, 20, assume que as traque faz jiu-jitsu, sendo o único parente ta com diferença e não gosta de lutar com a apoiá-la. Thassiane aponta: “No co- elas, pois em grande parte das academi- trato diferente, princip almente se for bonit a”. O desempenho não depende do sexo, cada pessoa se esforça por seus objetivos e o resultado é proporcional. O tabu de que a “mulher vira macho” deve ser eliminado. De acordo com as atletas, não se trata de busca pela igualdade, mas pela prática de uma atividade que se encaixe com as características de cada uma. Suelen Safiano Os benefícios: • enrijece a musculatura • aumenta a flexibilidade • melhora a qualidade de vida • diminui o stress • cria laços afetivos entre as colegas de treino O que as afastam: • Muitas mulheres são intimidadas pelo medo de se machucarem. Karla Gabrielle e Thassiane Faria, treinam ataque e defesa Texto e diagramação: Suelen Safiano e Tatiana Kesly. Fotos: Juciano Iwamoto e Suelen Safiano. 10 Junho/2006 Comportamento Capital da Notícia Romantismo à prova Pesquisa entre jovens revela que não é “careta” ser romântico Serenata, poemas, cartas de amor. Palavras simbólicas de uma atitude pouco explorada pelos jovens de hoje, o romantismo. Quem já ouviu falar de alguma loucuras de amor realizada por um casal apaixonado? Esse tipo de demonstração de afeto está ficando cada vez mais raro, quase extinto. O Capital da Notícia entrevistou 50 jovens entre 18 e 25 anos, metade de cada sexo, para saber suas opiniões sobre o tema. Em alguns pontos da pesquisa houve equilíbrio. Quando perguntados se eram românticos 63,6% dos homens e 61,1% das mulheres responderam que sim. Thamires Paulus de Lara, 17 anos, namorando há quase três, se considera uma pessoa romântica, mas acha que o romantismo de hoje em dia está a desejar. “Hoje, praticamente, não existe o respeito de antigamente, a liberdade dos relacionamentos acaba por diminuir o romantismo”. Thamires acredita que não existe mulher que não goste de um “certo” romantismo, principalmente de receber flores. “Nunca recebi flores, gostaria de receber, é uma coisa romântica e que demonstra carinho”. A importância do romantismo para as mulheres é mais evidente do que para os homens, segundo a pesquisa. Para 77,8% das entrevist adas o romantismo é essencial em um relacionamento, mas apenas 54,6% dos homens consideram que esse fator seja relevante em uma relação. Apesar da juventude masculina não achar de suma importância o romantismo, existem algumas exceções. O bancário Gilberto Henrique, 25 anos, já fez inúmeras loucuras de amor pela sua amada. Dentre elas está o fato de entregar um buquê de rosas a cada mês de namoro. “Quando fizemos 12 meses, mandei entregar no trabalho dela 12 buquês em horários diferentes”, disse Gilberto. Um fato curioso que surpreende na pesquisa é a forma com que as pessoas demonstram o seu romantismo. Os homens preferem dar flores, 36,5% dos entrevistados admi- tem que já presentearam sua comp anheira com flores. As mulheres não se utilizam desse artifício, apenas 5,5% enviaram flores p ara alguém com quem se relacionaram. Esses dados vão de encontro com as informações das floriculturas. O vendedor Fabiano Rosseto comenta que 95% do seu público é masculino e entre eles apenas 30% são jovens. Fabiano acredit a que os jovens não se interessam muito por esse tipo de presente, pois preferem produtos mais comuns como roupas. Se o gênero masculino adere às flores para demonstrar seu amor, as mulheres são mais reservadas e gostam de formas em que não se exponham tanto. A pesquisa revela que 77,8% das entrevistadas já escreveram cartas ou poemas de amor, contra 63,5% dos homens. Cart as, poemas e agora as famosas “telemensagens” são muito utilizadas. Segundo Elaine Chaves, atendente de um serviço de telemensagens, existe um equilíbrio entre os seus clientes, porém uma ligeira vantagem para o público feminino. A justificativa é que as mulheres são mais tímidas e essa forma de mostrar o que sentem é mais simples. “São poucas as que têm coragem p ara se declarar publicamente, isso é algo mais comum nos homens”, afirma Elaine. A psicóloga Elaine Schmitt acredita que a forma de expressar sentimentos em um relacionamento está sempre em evolução. “As famosas ‘serenatas’ estão sendo substituídas por mensagens via internet, ou cartões virtuais. O romantismo nunca irá acabar, mas sim com o decorrer do tempo, se transformar”, diz ela. Para Maria Rafart, apresentadora do programa 91 minutos, especializado em relacionamentos, o romantismo sempre está na moda. “Onde houver uma relação afetiva e respeito por essa relação, lá viverá o romantismo”, comenta. Ao mesmo tempo, Maria acredita que relações, cada dia mais sem compromisso entre os jovens, desfavorecem um relacionamento mais romântico. “Relações efêmeras, como o ‘ficar’, favorecem que se desprestigie o romantismo; contudo, quando as relações ficam mais sérias, cedese lugar a práticas românticas”. Romantismo é coisa do passado? Texto e diagramação: Marcos Nakamura e Marco Corrêa Desenhos: Roberto Mangosi Curitiba Capital da Notícia Junho/2006 Cultura Curitiba 11 No palco da vida, o show das estrelas Pessoas comuns utilizam a arte para descontrair e aumentar o orçamento A Rua das Flores, como é conhecida a Rua XV de Novembro, poderia ser chamada de rua dos artist as, dos novos talentos ou, quem sabe, rua da música. Para muitas pessoas que transitam pelo calçadão, como Leonice Barros, 56, a música é marca registrada da cidade e um incentivo à cultura para aqueles que não têm condições de freqüentar teatros para assistir a shows de grandes nomes. “Seria estranho atravessar a Rua XV e não ouvir os sons que muitas vezes nos acalmam; a rua não seria a mesma”, comenta Leonice. São vários os artistas que utilizam o espaço ao ar livre para monstrar seu trabalho. Em frente ao Palácio Avenida os caminhantes podem apreciar e circular ao som de música latina apresentada pelo grupo Vientosur, formado por três argentinos, um uruguaio e um maranhense. Um dos mais antigos, o conjunto toca nas ruas de Curitiba desde 1978. Outra figura que chama atenção no local é o músico, cantor e compositor Plá. Com uma aparência hipppie, barba longa, roupas escritas à caneta e cabelos ao vento, sua música é uma forma de protesto contra a situação política, social e econômica do p aís. Tem na Rua XV o seu palco desde 1984 e já possui um acervo de 27 cds lan- Adriel Vieira çados. “Não trabalho na rua por dinheiro, mas para mostrar a miPlá nha ideologia”, diz o músico. Assim como ele, outros artistas são encontrados no trajeto entre a Boca Maldita e a Reitoria da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Próximo ao famoso bondinho, o som de uma flauta, que lembra a trilha sonora de filmes medievais e acalma o humor de quem passa por perto, é obra do poeta e músico Adriel Lima Vieira. Deficiente físico tem na música e na poesia uma forma de animar a sua vida e a de quem aprecia o estilo musical. Vieira trabalha nas ruas desde criança. Exerce a função de marceneiro pela manhã e a tarde demonstra seu talento artístico na esperança de que alguém o descubra. Seu único contato com a mídia aconteceu há quatro anos, quando foi convidado para tocar em um programa da rádio Independência. • “ Toco há seis anos e não dependo da música para viver, sobrevivo da marcenaria, mas gostaria de me tornar famoso pela minha poesia e música”, afirma o rapaz que, apesar das dificuldades, aproveita os dez minutos que lhe cabem para apresentar o seu show e ganhar a atenção dos pedestres. Também apenas instrumental, uma figurinha conhecida é “seu” Flores. Cego, toca acordeom há 33 anos. Tinha um grupo chamado Flor e Seu Conjunto, que se desfez com a morte dos amigos. Adquiriu a deficiência visual há cerca de18 anos e então decidiu tocar nas ruas. Mora com uma filha casada e com a esposa doente. “Toco porque gosto e para ajudar com as despesas, pois só a minha aposentadoria não é o suficiente”, diz ele. Plá Viento Sur Vientosur De acordo com Tatiana Dallalibera, 40, a prefeitura deveria proporcionar um festival de música de rua. “Assim como existem as feirinhas, o governo deveria incentivar esse tipo de cultura popular”, comenta ela, que aproveitava para deleitar-se ao som da sanfona de “seu” Flores. Marcio Pacheco, freqüentador da Rua XV diz que costuma parar sempre para ouvir as músicas que tocam nas ruas, principalmente quando está com a filha. “Lamento apenas não ter mais tempo para poder aproveitar do momento”, afirma. Para esses artist as a maior gratificação é o fato de as Henry Mieczkowscki pessoas pararem para apreciar o trababalho desenvolvido por eles. Financeiramente o valor que arrecadam varia de acordo com o tempo e a venda de cds. Cada CD custa R$ 10 e chegam a vender cerca de três a quatro por dia. Multiplicando esse valor pelo número de dias do mês, chegam a receber mais R$900. lugares com cobertura onde possam Problema se apresentar, a não ser as marquiSegundo o flautist a Vieira, os mai- ses das lojas. ores problemas que os músicos de rua enfrentam são com os lojistas que muiFilho de peixe peixinho é tas vezes não gostam. “Não pela músiApenas um som faz falta aos ouca, mas porque ficamos na frente das vidos de quem passa pela Rua XV: o lojas e como temos aparência humilde do violino do memorável Henry Pollaou alguma deficiência, os comerciantes ck, nome artístico do falecido Henrique acham que podemos espantar os fre- Tito Mieczkowscki Raszcrik. gueses”. Porém não por muito tempo. InfluOutra dificuldade encontrada por enciado pelo dom artístico do pai, Henele é o tempo para se apresentar. Exis- ry de Oliveira Mieczkowscki faz aulas te um acordo entre Vieira e o de violino há dois meses e promete segrupo Vientosur. A cada uma guir os passos de seu ídolo. Atualmenhora de música do grupo, te ajuda a avó a vender os cds do pai, ele tem direto a tocar que ficou famoso e tinha como grande dez minutos de sua amigo o apresentador Ratinho. flaut a. Se o menino tem talento ou não, o jeito é esperar e ver para crer. Flores A chuva também é outro fator complicador para esses artistas, pois não existem Texto e pauta: Andressa Da Rosa, Berquis Koschanski, Franciele Fermino e Patrícia de Souza Fotos: Andressa Da Rosa, Berquis Koschanski, Franciele Fermino, Juarez Santos e Patrícia de Souza Diagramação: Berquis Koschanski 12 Junho/2006 Ensaio Fotográfico A magia está no ar Balões colorem e encantam o céu de Curitiba Por Pablo Vaz QUEM DISSE QUE SOLTAR BALÃO É COISA DE CRIANÇA? ENTRE OS DIAS 18 E 21 DE MAIO, OS CÉUS DA CAPITAL PARANAENSE FICARAM COLORIDOS COM O ESPETÁCULO DOS BALÕES QUE PARTICIPARAM D A CO PA DE BALONISMO 313 ANOS DE CURITIBA. OS MELHORES BALONISTAS DO BRASIL ESTIVERAM NO EVENTO QUE ACONTECEU NO PARQUE BARIGUI E , COMPETIÇÃO À PARTE, OS GIGANTESCOS BALÕES MARAVILHARAM O PÚBLICO D URANTE QUATRO DIAS . O BALONISTA FÁBIO PASSOS FOI O GRANDE VENCEDOR DA C OPA DE BALONISMO, O PILOTO VENCEU QUATRO DAS SEIS ETAPAS DA COMPETIÇÃO. EM SEGUNDO LUGAR FICOU G ABRIELA S LAVEC. Capital da Notícia Curitiba