UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES PRÓ-REITORIA DE PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO DIRETORIA DE PROJETOS ESPECIAIS A Psicologia é realmente uma forte aliada ao estudo e ao entendimento do comportamento humano? Por: Jacqueline Gonçalves da Silva Orientador: Marco Antonio Chaves Rio de Janeiro, RJ, março/2001 UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES PRÓ-REITORIA DE PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO DIRETORIA DE PROJETOS ESPECIAIS A Psicologia é realmente uma forte aliada ao estudo e ao entendimento do comportamento humano? Por: Jacqueline Gonçalves da Silva Trabalho Monográfico apresentado como requisito parcial para obteção do Grau de Especialista em Engenharia e Gestão de Recursos Humanos Rio de Janeiro, RJ, março/2001 AGRADECIMENTOS Agradeço a todos que me auxiliaram nesta pesquisa. DEDICATÓRIA Dedico este trabalho a minha mãe por ter me auxiliado sempre na minha vida pessoal, bem como na profissional. SUMÁRIO Resumo …………………………………………………………… Introdução _ A Psicologia que estuda o Comportamento Capítulo I _ O Organismo Comportamental Capítulo II _ O Crescimento e o Desenvolvimento Capítulo III _ A Motivação e a Emoção Capítulo IV _ A Percepção Capítulo V _ A Aprendizagem e o Pensamento Capítulo VI _ A Individualidade e a Personalidade Capítulo VII _ O Conflito, o Ajustamento e a Saúde Mental Capítulo VIII _ Estrutura Social e Normas Sociais Conclusão Bibliografia Anexos Página 1 2 4 5 16 18 19 21 21 26 29 32 33 1 RESUMO O comportamento individual é sempre influenciado pelo contexto social em que ocorre. Isso é verdade para os animais inferiores, bem como para o homem, mas este é basicamente social; ao nascer, depende de outros homens, e grande parte de sua vida se passa em interação com outros homens. As outras pessoas apresentam estímulos e oportunidades para sua resposta; as respostas dos outros a ele determinam muitas coisas que esse homem faz e sente. Todos os capítulos desta monografia poderiam ser escritas em torno do tema “social”: o desenvolvimento do comportamento social, a percepção de pessoas, os motivos sociais e a aprendizagem de comportamento social. Não é possível apresentar uma descrição adequada de psicologia geral do comportamento sem fazer referências à sociedade. As considerações sociais aparecem principalmente quando se examina o comportamento do ponto de vista do desenvolvimento _ por exemplo, quando se analisou as experiências iniciais que levam à socialização da criança, à aquisição da linguagem, a outras exigências da vida social. Neste trabalho houve um intesse maior em analisar o homem através do seu comportamento social, considerado do ponto de vista da interação; como o indivíduo se comporta na presença de outras pessoas e como é influenciado por elas. 2 Introdução _ A Psicologia A Psicologia que estuda o Comportamento Ao procurar compreender o homem e os animais inferiores, a Psicologia coloca-se entre os estudos do comportamento, que incluem a Sociologia, a Antropologia, além da Sociologia que se referem ao indivíduo na relação com o seu ambiente. Como pode refletir sobre o passado, considerar as experiênias presentes, e fazer planos para o futuro, o homem sempre procurou compreender a si mesmo e compreender o mundo que o cerca. Ao enfrentar acontecimentos que estavam além de sua compreensão, inicialmente tendia a atribui-los à intervenção divina ou a algum tipo de magia, talvez provocada por seus inimigos. Os inícios de ciência surgiram quando o homem começou a descobrir que poderia controlar certa ordem nos acontecimentos naturais, através da qual estes se tornam compreensíveis; quando , por exemplo, descobriu que poderia controlar seus suprimentos alimentares se domesticasse animais ou fizesse plantações. A ciência conduz à compreensão de acontecimentos naturais; leva a predições sobre sua sequência e, portanto, a certo controle do que ocorre. A Psicologia procura compreender, predizer e controlar, e considera como seu objeto específico o comportamento do homem e dos animais inferiores. A Psicologia se interessa pelas maneiras através das quais o comportamento se desenvolve na evolução da espécie e no crescimento do indivíduo, pela apredizagem e pela solução de problemas, pelos motivos que iniciam, sustentam e orientam o comportamento. Assim como em outros estudos, a Psicologia tem seus aspectos “puros” e seus aspectos “aplicados”, que propõem maneiras pelas quais o conhecimento psicológico possa ser usado no tratamento de crianças, na educação, na produção industrial, no governo e nas relações internacionais. 3 Portanto, a Psicologia pode ser definida como o recurso através do qual o comportamento do homem e dos animais inferiores é estudado. Para que esta definição seja melhor compreendida, é necessário especificar mais claramente o que os psicólogos entendem por comportamento a partir dos seguintes tópicos: • organismo comportamental; • crescimento e desenvolvimento • motivação e emoção; • percepção; • aprendizagem e pensamento; • individualidade e personalidade • conflito, ajustamento e saúde mental e • comportamento social. Além de sua própria definição, a saber: por comportamento, entendem-se todas as atividades de um organismo que podem ser observadas por outra pessoa ou pelos instrumentos de um experimentador. Uma criança toma café da manhã, anda de bicicleta, fala, fica vermelha, ri e chora. Todos esses verbos descrevem formas de comportamento. As observações de comportamento podem ser feitas sem recursos técnicos, _ por exemplo, a observação de uma criança que brinca, de um homem que trabalha, etc _ ou podem ser auxiliadas por instrumentos, que é o que se faz com um testede detector de mentiras. A partir dessa definição, pode-se complementar que o comportamento é público, em contra partida, a consciencia é particular. 4 1. O organismo comportamental O homem é um organismo de carne e osso que se liga a outros organismos através de uma história evolutiva. Os hábitos, as aspirações e os pensamentos do homem se centralizam em seu cérebro e em seu sistema nervoso e, sempre que o homem é estudado, estuda-se algo que faz ou exprime através de seus processos corporais. Pode-se examinar o homem como um vertebrado, um mamífero e um primata _ como alguém que compartilha, como o resto do mundo biológico, um fundo evolutivo. O sistema nervoso e as estruturas afins dos órgãos dos sentidos, músculos e glândulas explicam a possibilidade de o homem responder ao ambiente e seu imediato ajustamento a este; permitem também o armazenamento de experiências e o desenvolvimento de hábitos e atitudes que fazem com que o passado sirva ao presente e ao futuro. As áreas de comportamento em que se pode ter esperança de conseguir esclarecimento através do estudo de processos corpoprais (sobretudo a ação do cérebro) são as seguintes: em primeiro lugar, discriminação sensorial, pois o cérebro usa a informação que lhe chega através dos sentidos; em segundo lugar, o comportamento regulador, ligado à necessidade, emocionalmente carregado (comer e dormir, lutar, fugir, comportamento sexual), os processos impulsivos que o homem compartilha com o resto do mundo animal; em terceiro lugar, os processos de aprendizagem, linguagem, avaliação e criatividade, que melhor definem a elevada posição do homem no esquema evolutivo; finalmente, os aspectos de diferenças individuais em capacidade, temperamento ou estilo de vida que são denominados por “personalidade”. 5 2. O Crescimento e o Desenvolvimento Na Psicologia, o ponto de vista do desenvolvimento sugere que o comportamento atual frequentemente pode ser entendido de maneira mais adequada se sua história for conhecida, pois a criança é realmente “o pai do homem”. O bebê humano, como outros animais, nasce com grande amplitude de comportamento possível; sua maturação depende de seu potencial de crescimento fisiológico e das características de sua espécie. Torna-se um indivíduo através de suas experiências durante o crescimento _ experiências de interação com o ambiente físico e social. O processo de socialização _ o treinamento para a vida no grupo, dado pelo ambiente cultural em que o indivíduo nasce _ tem muita relação com o comportamento. Daí, pode-se observar o comportamento do indivíduo, a partir do ponto de vista de seu desenvolvimento. O bebê humano fica indefeso por um período maior do que qualquer outro mamífero; o bebê humano é dependente por um período muito mais longo, apesar desta lenta partida ou por causa dela, quando chega à fase adulta já teve uma carreira muito mais diversificada. O lento desenvolvimento do bebê humano significa que está sujeito a um longo período de aprendizagem e interação com outras pessoas, antes de ser inteiramente “independente”. Dintingue-se, de maneira geral, o ponto de vista do desenvolvimento e da interação, dizendo que o ponto de vista do desenvolvimento acentua os antecedentes históricos do comportamento. O desenvolvimento do organismo humano é interessante como um problema científico básico, mas é evidentemente um problema prático para pais, educadores e outras pessoas responsáveis pela orientação de vidas humanas. A principal suposição do ponto de vista do desenvolvimento é que exista continuidade entre o passado e o presente, de 6 forma que este possa ser entendido através de sua história; isso é tão evidente que não atrairia maior interesse pelo desenvolvimento, se não houvesse alguns aspectos difíceis e discutíveis nessa continuidade. Uma possibilidade é a existência de períodos críticos no desenvolvimento, a partir dos quais resultados favoráveis e desfavoráveis poderiam ter conseqüências duradouras e quase irreversíveis. Outra possibilidade é que o crescimento ocorra em estádios definíveis, de forma que a personalidade e o comportamento se tornam um pouco reestruturados (sob formas definíveis) à medida que ocorre o crescimento. As mudanças de interesse como o aparecimento da adolescência apresentariam aspectos conhecidos dessa reestruturação, mas existem outros, menos óbvios. Os conceitos de períodos críticos e estádios sugerem que existem aspectos de processo de desenvolvimento que são intrínsecos ao desenvolvimento, e não resultam apenas de aprendizagem. 2.1 _ Estádios de Desenvolvimento Outro problema a ser enfrentado ao avaliar as continuidades entre o início da vida e uma fase posterior é saber se não existem estádios definíveis, por que passa o indivíduo durante o crescimento com problemas específicos que devem ser superados. Talvez o crescimento não ocorra num ritmo constante, mas, ao contrário, talvez se dê por escalas, em que um estádio, em que um estádio é abandonado e outro iniciado. Definem-se tais estádios grosseiramente, como questão de prático comum, ao distinguir entre períodos sucessivos _ por exemplo, infância, meminice, adolescência e vida adulta. No entanto, isso pode ser devido, em parte, a uma questão de graduação por idade, uma prática muito comum na cultura ocidental: certo comportamento é reconhecido como menos maduro do que outros, e cumprimenta-se uma criança ao dizer-lhe que agiu “como um adulto”. É preciso observar mais cuidadosamente os fatos para verificar se , na realidade, existem ou não estádios distintos. 7 A relação entre estádios e períodos críticos é muito grande, mas os dois conceitos não são iguais. O princípio de período crítico supõe que em determinado estádio de desenvolvimento alguns tipos de influência são extraordirariamente importantes. Se não ocorrem, posteriormente haverá prejuízo ao desenvolvimento, enquanto que, se são favoráveis, pode haver uma promissora realização futura. Os fracassos nesse período só podem ser compensados com grande dificuldade, e talvez não possam sê-lo. A noção de estádios se liga a essa, pois um fracasso ao lidar adequadamente com os problemas ou as tarefas de desenvolvimento em determinado estádio, de certo modo prejudicarão o desenvolvimento de estádio subseqüente. No entanto, o organismo poderia ter estádios definíveis no desenvolvimento, embora os estádios não fossem muito hierarquizados com relação a muitas capacidades importantes; assim, uma criança chega à adolescência, tenha ou não aprendido a ler no período de pré-adolescência, e pode aprender a ler depois de adulta. Portanto, a aprendizagem de leitura não depende de estádio no sentido de período crítico. Somente através de estudos é possível verificar o que é crítico e o que está ligado ao estádio. 2.1.1 _ Estádios no desenvolvimento cognitivo Não seria de bom tom analisar comportamento humano sem mencionar os estudos do psicólogo suíço, Jean Piaget; é quem mais fez para tornar plausível o conceito de estádio no desenvolvimento humano. Piaget, por muito anos, interessou-se pelo desenvolvimento de crianças, considerados individualmente, e focalizava principalmente seu desenvolvimento intelectual ou congnitivo. Os principais estádios de desenvolvimento intelectual, segundo Piaget, são apresentados de forma um pouco simplificada na tabela abaixo. 8 Estádios de Desenvolvimento Intelectual Estádio I – Período Sensomotor Idades Aproximadas Caracterização Do nascimento aos 2 anos O bebê se diferencia dos objetos; procura estimulação e faz com que os espetáculos interessantes durem mais; antes da linguagem, os objetos são definidos por manipulação, de forma que o objeto “permanece o mesmo objeto”, com mudaças de localização e ponto de vista II – Período de Pensamento Pré-operacional/Fase De 2 aos 4 anos Pré- A criança é egocêntrica, incapaz de aceitar o ponto operacional de vista de outras pessoas; classifica por aspectos salientes isolados; se A é como B sob um aspecto, deve ser como B em todos os aspectos. Fase Intuitiva De 4 aos 7 anos Agora é capaz de pensar através de classes, de ver relações, de lidar com conceitos de números, mas é “intuitiva” porque pode não está ciente dessa 9 classificação. O desenvolvimento gradual de conservação ocorre na seguinte ordem: massa (5 anos), peso (6 anos) e volume (7 anos). III – Período de Operações De 7 aos 11 anos Agora é capaz de usar Concretas operações lógicas _ por exemplo: reversibilidade (em aritmética); classificação (organizar objetos em hierarquias de classes) e (organizar seriação objetos em séries ordenadas, por ex., de tamanho crescente). IV – Período de Operações De 11 aos 15 anos Passos Formais pensamento finais para abstrato e capaz de conceituação; testar hipóteses. 10 2.1.2– Estádios Psicossexuais Outro tipo de teoria de estádio foi proposto por Sigmund Freud. Sob certos aspectos, é uma teoria mais ampla que a de Piaget, pois se refere a toda a personalidade em seus aspectos de emoção e motivação; no entanto, assemelha-se à de Piaget por supor estádios claramente definíveis. Freud considerava os estádios da infância como ligados à obtenção de prazer em diferentes zonas do corpo, em diferentes idades, até chegar às satisfações da sexualidade adulta. Como usa uma definição muito ampla de sexualidade, tais estádios passaram a ser conhecidos como estádios psicossexuais, entre os quais as principais fases são: • oral ⇒ satisfação através da estimulação dos lábios e da região da boca, tal como ocorre ao mamar ou chupar o dedo; • anal ⇒ satisfação através da conservação e expulsão das fezes; • fálica ⇒ satisfação através do contato manual com os órgãos sexuais; • edipiana ⇒ um desejo sexual por um dos pais, e que, segundo diz, é concomitante com a fase fálica, e cujo nome deriva de Édipo que, na tragédia grega, apaixonou-se por sua mãe e foi punido por isso; • latência ⇒ em que os interesses sexuais já não estão ativos, de forma que a criança da escola primária dirige seus interesses para o ambiente, e finalmente, • genital ⇒ em que surgem os interesses heterossexuais. Cada um dos estádios anteriores é normalmente superado, mas pode haver desenvolvimento interrompido (“fixação”), e nesse caso que alguns dos problemas ligados a um estádio anterior persistem além da época normal; sob esse aspecto, a teoria é também uma teoria de períodos críticos. Essa classificação de estádios, geralmente 11 não é aceita pelos psicólogos como uma apresentação exata de desenvolvimento quaisquer que sejam as verdades parciais nela contidas. 2.1.3 _ Estádios Psicossociais Um psicanalista posterior a Freud chamado Erikson (1963), propôs outra forma de observar os estádios de desenvolvimento, descrevendo uma progressão de estádios psicossociais, nos quais a criança enfrenta uma amplitude cada vez maior de relações humanas, à medida que cresce e tem problemas específicos que devem ser resolvidos em cada um desses estádios. Ainda aqui, tal como ocorre com Freud, a maneira de a criança resolver seus problemas em cada um dos estádios pode determinar até que ponto será, mais tarde, uma pessoa normal, e até que ponto será capaz de enfrentar os novos problemas que surgem. E, as principais fases dos estádios psicossociais são: 12 Estádio de Desenvolvimento Psicossocial Estádios com Crises Psicossociais Idades Modalidades Resultado Psicossociais Favorável Impulso e Esperaça Aproximadas I – Do nascimento Confiança Obter ao fim do primeiro X Devolver ano Desconfiança II – Durante o Autonomia Manter Autocontrole segundo ano X Abandonar e Força de Vontade Vergonha, dúvida III – Do terceiro ao Iniciativa Fazer (procurar) Orientação e quinto ano X Fazer de Conta Objetivo Culpa (brincar) IV – Do sexto ano Trabalho Fazer coisas Método e até o início da X (competir) Competência puberdade Inferioridade Fazer coisas em conjunto V – Adolescência Identidade e Recusa Ser (ou não ser) Devoção e X uma pessoa; Fidelidade Difusão de participar disso Identidade VI – Início da vida Intimidade e Perder-se e adulta Solidariedade encontrar a si X mesmo em outra Isolamento pessoa VII – Adulto jovem Produtividade Criar e de meio idade X Cuidar Associação e Amor Produção e Cuidado Absorção em si mesmo VIII – Fim da vida Integridade Ser, através do fato Renúncia e adulta X de ter sido Sabedoria Desesperança Enfrentar o não ser 13 2.1.4 – Conclusões sobre Estádios e Períodos Críticos As provas sobre estádios de desenvolvimento e sobre períodos críticos no desenvolvimento humano estão longe de serem definitivas. Parece mais comum haver uma superposição de um “estádio” e outro, e não uma transição brusca de um para outro, e raramente existe uma deficiência de período anterior que não possa ser corrigida mais tarde. Assim, embora seja indiscutivelmente útil aprender a ler durante a meninice, muitas pessoas aprendem a ler depois de adultas, e algumas delas fazem carreira como escritores e eruditos. 2.2 – Estádios de Crescimento A transição da infância para a vida adulta nem sempre é suave. Quando o jovem rompe a sua dependência emocional com relação aos pais, pode apegar-se com excessiva exuberância à liberdade recém-descoberta. Mas pode também ser acanhado e sensível. Nos anos seguintes, precisa fazer muitos ajustamentos: precisa escolher seu trabalho e preparar-se para ele; precisa encontrar meios para dirigir seu novo interesse por pessoas do sexo oposto; precisa pensar na escolha de um cônjuge e no estabelecimento de um lar, e enfrenta essa decisões e esses problemas sociais num momento em que notáveis mudanças em sua aparência física e em seu funcionamento fisiológico fazem com que, para ele, seja difícil compreender-se e aceitar-se. 14 2.2.1 – Os bebês se desenvolvem em ritmos diferentes Embora o desenvolvimento dos bebês seja ordenado, alguns atingem cada estágio antes de outros bebês. Destacam-se os seguintes estágios de desenvolvimento dos bebês, a saber: • rolar; • sentar; • engatinhar; • levantar; • andar com apoio; • ficar de pé sozinhos; • andar sozinhos. 2.2.2 – A Adolescência O período adolescente é apenas uma fase na corrente do crescimento, e é um erro acentuar excessivamente suas descontinuidades com outras fases. Alguns estudos _ por exemplo, Elkin e Westley, 1955; Bandura e Walters, 1959 _ indicaram que existe certa proporção de mitologia a respeito da adolescência, de forma que os pais temem e esperam que seus filhos mostrem a rebeldia e o desrespeito; quando surge algum problema, dizem a si mesmos que o período “começou” e talvez dêem mais importância ao incidente do que deviam. Para muitos adolescentes, a transição para a vida adulta ocorre de maneira suave; para outros, os problemas e conflitos têm uma longa história, e as perturbações da adolescência são apenas novas manifestações de problemas anteriores. Além disso, como o adolescentes se torna mais forte, um problema que antes poderia ser facilmente controlado pode escapar ao domínio de todos. 15 2.2.3 – A Vida Adulta É possível pensar no decurso da vida como dividido em alguns períodos _ por exemplo, infância, meninice, adolescência, adulto jovem, meia idade, maturidade final e velhice. Essa classificação de “estádios” não precisa supor limites nítidos, embora evidentemente as oportunidades e os problemas mudem de um período para o outro. Quando o indivíduo passa da adolescência e entra no período da vida adulta, continuam os problemas de ajustamento, a saber: • satisfações e responsabilidades do adulto: anos de maior energia e produtividade; • papel masculino e papel feminino: na vida adulta, encontra-se o ponto culminante das diferenças entre os sexos, e que resultaram, em parte, de diferenciação biológica, e, em parte, dos papéis atribuídos aos sexos na cultura ocidental; • felicidade conjugal: ao acompanhar o desenvolvimento da criança até a adolescência e a vida adulta, pode-se naturalmente perguntar se essa pessoa está ajustada para o casamento ou perguntar pela sua probabilidade de conseguir um casamento. A crescente proporção de separações é apenas uma indicação da proporção de infelicidade no casamento, pois muitos casamentos infelizes não chegam ao divórcio. Pode-se procuram, no início da vida, os fatores que tornam uma pessoa mais adequada para o casamento do que a outra; • trabalho produtivo: o amor-próprio e a saúde mental são freqüentemente influenciados pelo fato de uma pessoa ver a si mesma como produtiva. Os anos passados na escola e em preparação chegam ao período de aproveitamento na vida de trabalho do adulto, e pode-se perguntar quais são as mudanças de habilidade que ocorrem durante a vida e quando se deve esperar o trabalho produtivo. • envelhecimento feliz: com a idade, algumas mudanças são inevitáveis; envelhecimento feliz não significa conservar a juventude, mas conseguir, através de escolhas certas, a obtenção de satisfação no últimos anos de vida.??? 16 3 A Motivação e a Emoção Para compreender o comportamento, é preciso saber como é provocado e orientado; tais aspectos de comportamento orientado para objetivos e de energia estão no domínio da psicologia da motivação. Como prazeres e dores, esperanças e temores, satisfações e aborrecimentos estão intimamente ligados a êxitos e fracassos de comportamento motivado, existe uma íntima relação entre motivação e emoção. 3.1 – A Motivação Humana Usam-se muitas palavras para descrever a motivação: necessidades; impulsos; desejos; objetivos. Todas se referem, de alguma forma, às forças que dão energia e direção ao comportamento. A motivação humana é contínua à dos animais; naturalmente, essa é uma razão para dar atenção aos correlatos corporais de comportamento motivado. Os homens diferem muito em seu comportamento aprendido, e atuam sob regras sociais que determinam, pelo menos em parte, o que é e o que não é permitido; conseqüentemente, em geral, há necessidade de muita informação antes de se inferir claramente, a partir daquilo que o homem faz, quais os seus motivos. Desde os tempos mais antigos, saber por que os homens se comportam como o fazem foi problema que intrigou os pensadores; grande parte dos temas de literatura, arte e teatro, refere-se à busca de objetivos, à ambição, ao ciúme, ao heroísmo, ao sacrifício, ao amor e à hostilidade _ isto é, comportamento humano intensamente motivado. 17 3.2 – A Emoção A vida sem emoção seria insípida. Se não houvesse alegrias e tristezas, esperanças e decepções, vibrações ou triunfos, na experiência humana não haveria entusiasmo nem cor. Os homens preferem que os estados agradáveis sejam duradouros, e fazem coisas para que tais estados se repitam; os homens também preferem que os estados desagradáveis, dolorosos ou aborrecidos terminem logo, e fazem o possível para evitá-los. A expressão emocional, como outros comportamentos complexos, desenvolve-se através da maturação e da aprendizagem. 3.3 – Emoção X Comportamento Motivado Não há necessidade de argumentos para verificar a estreita relação entre emoção e motivação. Pense-se nas cenas comoventes no teatro ou na literatura, nas quais as emoções provocam, nos homens, ação violenta ou desesperada, e nas quais as ações decididas, heróicas ou vergonhosas são acompanhadas por uma intesificação de emoção. Tais exemplos, na medida em que refletem o que ocorre na vida diária, sugerem que a emoção atua como um impulso e como um acompanhamento da ação motivada. O tema do triângulo de amor e ciúme é, ao mesmo tempo, uma história de motivação e emoção. 18 4 A Percepção É uma maneira como os estímulos entram na parte psicológica das pessoas, formando idéias e imagens, que são impregnados de valores. A percepção é o resultado de muitos fatores e é, portanto, um processo dinâmico, complexo e autoresponsável pela dos indivíduos na sociedade. Os problemas de percepção dificultam um melhor entendimento entre as pessoas; cada uma, em princípio, tende a considerar o outro a partir de suas idéias, imagens e valores, isto é, toma a si mesma como referência. Pode-se afirmar que as pessoas não vêem os outros como eles são, mas sim de acordo com que os outros significam para elas. Uma postura adequada pode determinar mudanças nesse modo de perceber o outro. Pode-se evitar percepções erradas de pessoas e de fatos, eliminando, fundamentalmente, qualquer tipo de preconceito, pois, na verdade, a partir do momento em que se tem uma opinião formada antecipadamente sem maiores ponderações, está se colocando uma barreira entre aquele que prejulga e o prejulgado. 4.1 – Preconceito É um julgamento emocional próprio, condicionado e baseado em: crença e opinião sem ser necessariamente verdade, determinando simpatia ou antipatia em relação a outros indivíduos ou grupos. O preconceito é uma das maiores fontes de distorções na percpção de pessoas e fatos. 19 5 A Aprendizagem e o Pensamento 5.1 – A Aprendizagem As crianças apresentam preferências por alimentos, aumentam seu vocabulário, adquirem motivos sociais e aprendem a conhecer o ambiente. No entanto, ao apresentar esses exemplos não se pode discutir as minúcias do processo de aprendizagem. Muitos psicólogos consideram a aprendizagem como o processo mais significativo para a compreensão do comportamento humano, podendo ser definida como mudança relativamente permanente no comportamento e que ocorre como resultado da prática. A expressão relativamente permanente exclui dessa definição mudanças em comportamento que resultem de condições temporárias ou transitórias _ por exemplo, a influência de narcóticos ou adaptação. Ao especificar que o comportamento é o resultado de prática, devem-se excluir também mudanças de comportamento que se devem à maturação do organismo, à doença ou lesão física. Nem todas as mudanças de comportamento podem ser explicadas como aprendizagem. A aprendizagem poderia ser definida de maneira mais simples como aproveitamento da experência, mas isso não é possível, porque algumas aprendizagens não são “benéficas” para o aprendiz: hábitos inúteis e, freqüentemente prejudiciais são tão apreendidos quanto os úteis. A aprendizagem pode ser estudada do ponto de vista do desenvolvimento, pois os conhecimentos e as habilidades se acumulam durante toda a vida. A aprendizagem é também interativa, pois ocorre através de interação ativa com o ambiente. 5.2 – O Pensamento Muitas formas de comportamento podem ser classificadas como pensamento. O pensamento é ativado ao devanear enquanto um indivíduo espera por um ônibus, resolve um problema matemático, escreve um poema, planeja uma viagem. Grande parte do pensamento é muito prático, e tem-se maior probabilidade de pensar quando 20 não se pode atuar a partir apenas de hábitos antigos, quando o pensamento ajuda um indivíduo a chegar onde deseja chegar, e fazer o que o mesmo deseja fazer. Embora o pensamento represente a mais complexa forma de comportamento do homem, sua mais elevada forma de “atividade mental”, não é tão diferente de suas outras atividades que se precise ter grande temor a ele. A atividade pensamento deve ser estudada da mesma forma que se deve estudar qualquer outro comportamento, através do exame de seus antecedentes e de seus resultados. 5.2.1 – A Natureza do Pensamento O pensamento pode ser visto como uma forma cognitiva de comportamento que se caracteriza pelo uso de símbolos como “representações interiores” de objetos e acontecimentos. Quando se come uma pêra ou se atravessa uma sala, não se realiza necessariamente pensamento, embora evidentemente se possa fazê-lo, mas se alguém conta o fato a alguma pessoa que não estava presente, precisa-se, então, usar alguma forma de referêcia simbólica. Essa referência simbólica é que caracteriza o pensamento. Este pode referir-se a coisas e acontecimentos lembrados, ausentes ou imaginados; como o pensamento é simbólico, pode ter amplitude maior do que outros tipos de atividade. Em seus temas inclui atividades e percepções presentes, mas lida com seus sentidos de forma que ultrapassa o presente; por isso, o pensamento reflete e desenvolve o que é dado na percepção e no desenvolvimento. Embora conhecida, não é fácil caracterizar essa atividade tão ampla e complexa, pois invade todas as outras formas de atividade. Embora se possa representar o pensamento como o tipo de processo que ocorre quando o filósofo senta para meditar, com seus olhos fechados e suas mãos cruzadas, a maior parte do pensamento ocorre durante exploração e manipulação ativa do ambiente. 21 6 A Individualidade e a Personalidade Embora existam princípios gerais de psicologia aplicáveis a todos os homens, em qualquer lugar, as diferenças individuais entre eles têm grande interesse _ não apenas por causa do desejo de compreender a singularidade do indivíduo, mas também porque uma sociedade complexa exige papéis especializados dos seus membros, e existem problemas para descobrir os indivíduos mais adequados para as várias exigências de uma comunidade diferenciada. A introdução de métodos estatísticos em psicologia decorreu, em grande parte, de tentativas para medir a individualidade e encontrar relações entre características individuais. Entre os aspectos da individualidade, que precisam ser compreendidos, devem ser mencionadas as capacidades básicas _ por exemplo, a inteligência _, as influências da hereditariedade e do ambiente em tais capacidades e, de modo geral, a personalidade singular como um produto final de todas as influências que atuam dentro e for a do indivíduo. 7 O Conflito, o Ajustamento e a Saúde Mental Ao se analisar os diversos processos de desenvolvimento, do nascimento à vida adulta, passando pelos principais tópicos da psicologia geral até a caracterização da personalidade idividual, pode-se, portanto, compreender o que acontece quando o indivíduo é colocado em situações de tensão, conflito e frustração. Quando os métodos de ajustamento aos problemas não são adequados, ameaças à saúde são enfrentadas, portanto; e, dessa maneira, outros métodos de reajustamento _ como a psicoterapia _ são recomendados. Por maiores que sejam os recursos do homem para enfrentar os problemas, inevitavelmente as circunstâncias da vida incluem certa tensão. Nem sempre os motivos são facilmente satisfeitos; existem obstáculos a ultrapassar, escolhas a fazer e adiamentos a suportar. Cada indivíduo tende a desenvolver maneiras características de 22 reagir quando são bloqueadas as tentativas para atingir um objetivo desejado. Em grande parte, a natureza destes padrões característicos de reação, diante de situações frustradoras, determina a adequação do ajustamento à vida. 7.1 – O Conflito Em todo indivíduo sempre há, em determinado momento, muitos motivos ativos, e os objetivos a que levam podem ser mutuamente exclusivos. Quando existe um conflito entre dois motivos, a realização de um leva à frustração ou ao bloqueio do outro. Ainda que exista apenas um motivo, é possível haver diversas maneiras para atingir o objetivo, e o conflito surge no ponto em que divergem os caminhos para o objetivo. Uma forma de considerar as situações de conflito é classificá-las nas três categorias seguintes: aproximação-aproximação, afastamento-afastamento e aproximação- afastamento (Lewin, 1935). Definem-se essas categorias pela exigência de uma escolha entre dois (ou mais) estímulos positivos, entre dois estímulos negativos ou entre dois aspectos de um estímulo, simultaneamente positivo e negativo. Os conflitos da vida real incluem freqüetemente mais de duas alternativas: é proveitosa a classificação dos conflitos em duas alternativas mas, naturalmente, isso não esgota a questão. 7.1.1 – A Frustração Um conflito contínuo e não-solucionado de motivos é uma fonte de frustração. Sempre que o avanço de uma pessoa para um objetivo desejado é bloqueado, adiado ou interceptado de alguma outra forma, essa pessoa está frustrada. Às vezes, emprega-se a palavra frustração para indicar um estado emocional e não um acontecimento. Isto é, é possível uma pessoa ficar confusa, desorientada e aborrecida por causa do bloqueio da busca do objetivo; nesse caso a frustração pode ser comparada a um estado emocional desagradável. 23 7.1.2 – Conseqüências Imediatas da Frustração A frustração _ como resultado de obstáculos, deficiências ou conflitos _ tem conseqüências imediatas e remotas. Quando é bloqueado em sua busca do objetivo, o indivíduo pode reagir imediatamente ou pode desenvolver atitudes diante da incerteza ou da aceitação de riscos, cujas conseqüências são mais duradouras; tais conseqüências são denominadas sintomas ou sinais de frustração, que levam a: • inquietação e tensão; • agressão e destrutividade; • apatia; • fantasia; • estereotipia e • regressão. 7.1.3 – Mecanismos de Defesa Os mecanismos de defesa são, a saber: • dissociação: separa idéias que têm uma ligação emocional ou separa idéias de sua emoção correspondente; • racionalização: apresenta uma explicação aparentemente plausível para o comportamento, a fim de ocultar a natureza do impulso básico; • negação: recusa enfrentar pensamentos ou sentimentos dolorosos; • projeção: atribui a outra pessoa, de maneira irrealista, uma tendência censurável, em vez de reconhecê-la em si mesmo; • regressão: adota comportamento inadequado à idade, tanto por comodismo como para evitar responsabilidade e xigência dos outros. 24 • substituição: reprime temporariamente e sem êxito impulsos inaceitáveis. Pode substitui-los por um objeto inadequado e • repressão: inibe totalmente os sentimentos ou idéias. O material reprimido se revela apenas simbolicamente _ por exemplo, nos sonhos. 7.2 – O Ajustamento O homem é capaz de solução racional de problemas: isto é, pode enfrentar diretamente um problema, pesar as alternativas segundo suas conseqüências prováveis e agir de acordo com a reflexão. Todavia, o conhecimento dos mecanismos de defesa mostra que muitos comportamentos, aparentemente ativados por raciocínio consciente, são, na realidade, dirigidos por motivos inconscientes. Há de se mencionar os mecanismos de ajustamentos, a saber: • objetividade: separa idéias dos sentimentos, a fim de atingir, quando for preciso, uma avaliação ou julgamento racional; • análise lógica: analisa cuidadosamente os aspectos causais das situações; • concentração: afasta, provisoriamente, pensamentos dolorosos, a fim de continuar um trabalho em andamento; • empatia: põe-se no lugar da outra pessoa, e avalia os sentimentos dessa outra; • jovialidade: utiliza sentimentos e idéias do passado para a solução dos problemas e o prazer de viver; • sublimação: encontra canais altenativos, socialmente aceitáveis e satisfatórios para a expressão de impulsos primitivos e • supressão: contém os impulsos até o momento e o lugar propícios, com os objetos adequados. 25 7.3 – A Saúde Mental A pessoa bem ajustada não deixa de ter conflitos, mas estes não a perturbam indevidamente; enfrenta os problemas de maneira realista; aceita o inevitável; compreende e aceita suas limitações e as daqueles com quem precisa lidar. Ao contrário, a pessoa desajustada perturba-se indevidamente com os seus conflitos; frenqüentemente, procura resolver os seus problemas pela negação da realidade; habitualmente, duscute questões sem saída com outras pessoas, ou pode afastar-se tanto das pessoas, que torna impossíveis as soluções mutuamente satisfatórias. Não é verdade que a pessoa bem ajustada deva ser um conformista social. O ajustamento pelo conformismo pode provocar, e freqüentemente provoca, menos conflito que o ajustamento pelo protesto. Uma pessoa que vive bem de acordo com as regras do grupo a que pertence livra-se de alguns dos problemas do reformador social. Mas um reformador pode ser tão bem ajustado quanto um conformista. O reformador pode ter uma visão da boa sociedade que procura, ligar-se a outros que com ele concordam e aceitar, de maneira realista, os choques com aqueles de que discorda. 8 – O Comportamento Social A vida humana é inevitavemente social, e a psicologia humana necessariamente sevolta para as relações entre o indivíduo e o grupo. A psicologia social é o ramo da psicologia que se interessa especificamente pelos problemas decorrentes das interações entre indivíduos: sensibilidade a status, relações interpessoais de vários tipos, atitudes e opiniões, bem como suas mudanças. Muitas das aplicações da psicologa aos problemas humanos estão no campo da psicologia social. A psicologia não apresenta panacéias para os problemas sociais, mas os métodos que atualmente desenvolve, reunidos aos de outros estudos do comportamento, prometem ter grande utilidade social. 26 8.1 – Estrutura Social e Normas Sociais Ao estudar o comportamento num contexto social, verificamos que as respostas a estímulos mostram certas regularidades, resultantes de acordos tácitos entre os que vivem juntos. Quando as numerosas regularidades, expectativas e regras de uma sociedade são estudadas em suas inter-relações, interessa-se, portanto, pela estrutura social, sobretudo pela maneira pela qual o comportamento é influenciado pelo posto, pela posição ou pelo papel do homem. Quando se examina a totalidade das disposições sociais, geralmente se fala em cultura (por exemplo, “cultura de Samoa”) ou, em termos ainda mais amplos, em civilização (por exemplo, “civilização ocidental”). Todos esses termos indicam que o comportamento do homem só pode ser entendido através de relação com várias exigências e limitações decorrentes do contexto social em que vive, com suas tradições históricas e a organização social contemporânea. 8.2 – Estratificação Social e Mobilidade Social Tanto no homem quanto nos animais inferiores existem tendências para organizar as relações em certo tipo de hierarquia., nas quais os colocados em postos mais elevados têm alguns privilégios com relação aos colocados em postos inferiores. Nas sociedades humanas, o aspecto mais geral de tais distinções é encontrado em casta e classe. Uma casta é um grupo social com fronteiras que não podem ser atravessadas sem severo castigo social. O antigo sistema de castas na Índia é o exemplo mais conhecido disso, com graus de casta que iam do brâmane de casta mais elevada até os intocáveis de casta mais baixa. Quando o sistema é aceito, é também hereditário, e é impensável que uma criança não cresça dentro de sua casta. Nos Estados Unidos, a linha de cor provocou muitas das características de um sistema de casta _ pelo menos no que se refere ao negro. 27 Uma classe é um grupo social com algumas características comuns, mas as fronteiras entre classes são muito menos rígidas que as existentes entre as castas. Indivíduos pertencentes a “grande classe média” podem, sem dúvida, passar para a classe alta, ou que algumas pessoas da classe baixa possam criar seus filhos para a classe média. Em sociedade móvel como a sociedade ocidental, predomina a tradição “do rancho a presidente da República”, com a suposição de que as classes sociais não são fixas. 8.3 – Preconceito e Tensões Intergrupais A obtenção de status tem a conseqüência desejável de criar relações satisfatórias entre indivíduos. Ao mesmo tempo, as atitudes de busca de status, de “aceitação pelos outros”, levam algumas pessoas a rejeitar os que não estão no grupo. O problema de antagonismo entre grupos tem interesse básico porque é uma ameaça à vida social harmoniosa. 8.4 – Normas Sociais e Comportamento Submisso Por norma social de conduta entende-se um tipo de comportamento social cuja regularidade só pode ser entendida através de referência ao grupo a que a pessoa pertence. O fato de a pessoa alimentar-se quando tem fome não representa uma norma social, mas segurar o garfo e a faca de certa forma é norma social. Evidentemente, o comportamento em grupos ocorre mais suavemente quando as pessoas obedecem às normas esperadas, de forma que vão aos encontros na hora marcada, param os carros quando o sinal está vermelho, ficam quietas durantes os concertos musicais, e assim por diante. Se tudo isso é evidente, é também evidente que algumas pessoas são inconformistas e não gostam de aceitar as regras gerais de conduta. Existe uma pressão social em favor da submissão. 28 8.5 – Atitudes É difícil dar uma definição exata de atitude, pois as atitudes se confundem com outros tipos de preparação psicológica para resposta. Pode-se aceitar a definição seguinte: uma atitude representa uma orientação de aproximação ou afastamento com relação a algum objeto, conceito ou situação, e uma prontidão para responder de maneira predeterminada a esses objetos, situações, ou conceitos, ou objetos afins. Tanto a orientação quanto a prontidão têm aspectos intelectuais, bem como de emoção e motivação, e em parte podem ser incoscientes. 8.6 – Opinião As atitudes se transformam em opiniões, e não existe diferença ítida entre elas. Portanto, pode-se aceitar que uma atitude representa uma orientação ou preferência, e pode ser em parte inconsciente. Uma opinião sempre inclui algum tipo de expectativa ou predição (não apenas uma preferência), e sempre pode ser posta em palavras. A pessoa pode não colocar suas opiniões em palavras, ou o que diz pode não exprimir sua opinião verdadeira, mas, segundo essa definição, uma opinião sempre pode ser verbalizada. 29 Conclusão Portanto, a Psicologia pode ser definida como o recurso através do qual o comportamento do homem e dos animais inferiores é estudado. Para que esta definição seja melhor compreendida, é necessário especificar mais claramente o que os psicólogos entendem por comportamento a partir dos seguintes tópicos: Neste trabalho pôde-se avaliar o homem sob vários aspectos, buscando na Psicologia, a forte aliada para o estudo e para o entendimento do comportamento humano. Como tal a Psicologia estuda o organismo comportamental, e ela, como um estudo que tem suas bases na biologia, interessa-se pelos processos corporais que permitem a atividade. Assim, os psicólogos freqüentemente se referm aos estímulos que atingem os órgãos sensoriais, bem como às respostas que ocorrem por causa da maneira pela qual o organismo atua. A Psicologia se interessa pelo crescimento e pelo desenvolvimento do indivíduo, pois só através do desenvolvimento de uma criança, enterder-se-á grande parte do comportamento da sua fase adulta. Outro aspecto fundamental é motivação e emoção, pois o bebê recém-nascido desperta para atividade através de suas necessidade corporais _ as necessidades de ar, alimento, eliminação de restos de alimentos, uma temperatura agradável, sono. Todas essas necessidades são as raízes fisiológias do que os psicólogos chamam de motivação. No entanto, os motivos tornam-se complexos à medida que o indivíduo cresce, e os psicólogos estudam as maneiras pelas quais são adquiridos, qual a sua intensidade, como as pessoas diferem em seus motivos. Alguns indivíduos conformam-se facilmente às sua culturas, outros revoltam-se; alguns desenvolvem bons hábitos de trabalho e têm elevados motivos para a sua realização, enquanto outros são mais indolentes; alguns são competitivos e agressivos, outros são mais modestos. As emoções e os motivos estão muito relacionados entre si, pois a excitação de atividade muito motivada tem um 30 colorido emocional; o comportamento agressivo pode ser acompanhado por sentimentos profundos de cólera, fuga ao perigo po causa de grande medo. A percepção ajuda o homem, através de seus olhos, ouvidos ou outros sentidos, a perceber o mundo em que vive. A aprendizagem é um assunto de interesse especial para os psicólogo, devido à sua grande importância. Os problemas teóricos da aprendizagem incluem respostas a algumas perguntas muito complexas: como atuam os prêmios e os castigos? O que ocorre quando se lembra e quando se esquece de algo? Como a aprendizagem de uma coisa influi na aprendizagem de outras? O pensamento e a solução de problemas utilizam o que já se aprendeu, e assim apresentam oportunidades para uma nova aprendizagem. As inter-relações entre aprendizagem e pensamento apresentam muitos problemas para uma pesquisa muito mais ampla. Individualidade e personalidade: a singularidade individual é um produto das influências hereditárias e ambientais que modelam a pessoa; os acidentes de seu nascimento e sua educação, o que percebeu e aprendeu, aquilo que pensou. Os psicólogos criaram várias formas de avaliar ou medir muitos tipos de diferenças entre as pessoas. O teste de inteligência talvez seja o mais conhecidos desses recursos. Todavia, a inteligência é apenas uma aspecto da individualidade. Todos conhecem pessoas de quem se diz: “É uma pessoa de verdade” ou, como lamento, “Que personalidade tem ele!”. O que é personalidade? O que é que definitivamente distingue um indivíduo do outro? E o que se quer dizer quando se fala do “eu”? Todas essas perguntas têm muito interesse para a Psicologia. 31 O conflito, o ajustamento e a saúde mental podem parecer para muitos como o aspecto mais importante da psicologia. Como é que uma pessoa enfrenta frustração e conflito? O que ocorre quando já não consegue resolver os seus problemas, de acordo com as formas usuais? Será que o ajustamento é um ideal? O que é, na realidade, a saúde mental? Embora a psicologia não tenha respostas finais a essas perguntas, foi pelo menos capaz de até certo ponto esclarecê-las. E, por fim, os aspectos sociais da Psicologia. Qual a diferença entre a resposta de um indivíduo a seu ambiente físico e sua resposta ao mesmo ambiente na presença de outro indivíduo? O que se entende por um grupo, e como é que o comportamento do grupo se distingue do comportamento individual e como é que influi neste último? Enfrentando esses problemas, conclui-se com uma discussão das maneiras pelas quais os psicólogos, como especialistas, enfrentam esses e outros aspectos do comportamento humano. 32 BIBLIOGRAFIA ASCH, Solomon E. Psicologia Social. 4ª ed. São Paulo: Editora Nacional, 1977.534p. CARDOSO, Fernando Henrique & MARTINS, Carlos Estevam. Política e Sociedade. São Paulo: Editora Nacional, 1979.433p. DURANT, Will. Filosofia da Vida. 14ª ed. São Paulo: Editora Nacional, 1970.506p. HILGARD, Ernest R. & ATKINSON, Richard. Introdução à Psicologia. 2ª ed. São Paulo: Editora Nacional, 1979.683p. OSTERRIETH, Paul-Alexandre. Fazer Adultos. Pequena Introdução à Psicologia Educacional. 2ª ed. São Paulo: Editora Nacional, 1971.140p. STOETZEL, Jean. Psicologia Social. 3ª ed. São Paulo: Editora Nacional, 1976.368p.