POLÍTICA JORNAL DO t CASO DOS COMPUTADORES Comissão de licitação foi absolvida pelo TJE Sentença foi proferida no dia 5, com 10 votos favoráveis contra um GIULIANO FERNANDES João Augusto da Costa Silva lembra que a comissão de licitação da Prefeitura chegou a ser absolvida ainda na primeira instância, já em 1994. O juiz Cleni Rocha de Lima, da Segunda Vara Cível, entendeu que a comissão agiu certo, pois a grade de preços foi elaborada pelo setor de compras. Já o setor de compras foi condenado a pagar 50 salários mínimos. A Microsoft também foi condenada, acrescenta o ex-secretário. O Ministério Público recorreu da sentença junto ao Tribunal de Justiça do Estado através de recurso de apelação. Os demais que foram condenados na primeira instância também recorreram. A comissão de licitação foi novamente absolvida em 22 de novembro de 2000, em julgamento na 21ª Câmara Cível, por dois votos a um. Nessa época, João Augusto da Costa Silva não era mais secretário e assumiu a defesa de Bittencourt e Biscaglia. Schirmer seguiu como seu advogado. UMA PERGUNTA Qual o mapa da defesa? Segundo João Augusto da Costa Silva, que atuou no caso como advogado, o MP queria condenar com base na Lei 8.666/93, que define todas as regras para a licitação. A defesa se fixou na tese que invocava os princípios da legalidade e da anterioridade, já que o problema aconteceu em maio e a lei chamada pelo MP só entrou em vigor em julho. Obras, e João Carlos Biscaglia, titular da pasta de Governo, foram defendidos pelo advogado Nelson Schirmer e pelo próprio João Augusto, que também é advogado, na sessão do último dia 5 do quinto grupo cível do Tribunal de Justiça do Estado. A absolvição foi por 10 a 1. Segundo João Augusto, o processo foi gerado em 1993 a partir da licitação para compra de três computadores, dois do tipo 386 e um do tipo 486. O setor de compra fez o levantamento por carta-convite, apresentando uma grade com três propostas para a comissão de licitação. Na época nenhum de nós entendia de computadores, mas apon- tamos os computadores de menor preço para serem comprados pela Prefeitura, relatou. A Câmara Municipal denunciou superfaturamento nos preços e montou uma comissão especial com status de CPI para investigar o caso. O relatório final dos vereadores apontou o superfaturamento. A papelada foi enviada ao Ministério Público, que, por sua vez, denunciou a Prefeitura, a comissão de licitação, o chefe do setor de compras, Alexandre Trindade, e a empresa Microsoft, fornecedora do produto comprado. A Microsoft pertencia a Alessandro Weber. VANDRÉ MARTIN A comissão de licitação da Prefeitura Municipal que atuava em 1993 no Governo Ivo Garske II foi absolvida de qualquer acusação de improbidade, como denunciou o Ministério Público, no caso da compra dos computadores superfaturados. João Augusto da Costa Silva, que atuava como secretário municipal da Fazenda, Júlio Bittencourt, que era secretário de Grupo fora absolvido na 1ª instância 5 n Quarta-feira, 10 de abril de 2002 n POVO Tribuna GIULIANO FERNANDES Praia Nova O promotor Jayme Weingartner encaminhou na última quarta-feira à Justiça o pedido de cumprimento da lei no balneário da Praia Nova. A solicitação do MP é em razão do atraso dos infratores que construíram na área de camping casas particulares e não demoliram as edificações até o prazo estabelecido, dia 15 de março. O encaminhamento do promotor foi com base em informações do Departamento de Vigilância Ambiental feito em 19 de março, que relatou a existência de quatro casas ainda em pé. Também estava faltando o plantio das árvores para recuperação ambiental. A reportagem constatou que hoje a situação é diferente e as orientações do MP à Justiça poderão mudar se o DVA informar oficialmente a situação do local atualmente. Os infratores que se atrasaram na retirada das residências não vão escapar do processo judicial e possível multa, já que não atenderam o prazo inicialmente estabelecido. Paradas tricolores O promotor Jayme Weingartner também pediu à Justiça, na semana passada, para que seja julgado o mérito da ação civil pública contra o prefeito Pipa Germanos que trata da cor das paradas de ônibus. O problema é que as paradas foram pintadas nas cores azul, branca e vermelha. A suposta irre- gularidade é em razão das cores serem as mesmas do PPB, partido do prefeito Pipa. Segundo Weingartner, a Prefeitura está pedindo que sejam ouvidas testemunhas e apresentadas mais provas ao processo. A ação foi gerada a partir de denúncia feita pelo médico Sérgio Ghignatti e o vereador Luciano Figueiró, ambos do PMDB. Desvio no SUS No dia 14 de maio a Justiça fará nova audiência para colher informações ao processo contra o prefeito Pipa Germanos sobre o caso de pagamento de luz e compra de sacolões de alimentos com recursos indevidos. A Promotoria alega que o prefeito foi desleal com os vereadores ao não admitir que o dinheiro usado para pagar a conta da AES Sul e comprar sacolões era referente à arrecadação com alvarás sanitários. O dinheiro já foi devolvido à conta de origem. Estradas do interior Os vereadores Rubens Braga e Natalício Morais, ambos do PDT, estão pedindo ao prefeito Pipa Germanos uma atenção especial às estradas das localidades da Mineração e Piquiri. Os pedetistas estão preocupados com as condições de trabalho das indústrias que atuam na região no beneficiamento de madeira. Jogos para velhinhos O vereador Oscar Sartório (PTB) encaminhou na sessão da Câmara de segunda-feira um projeto de lei pedindo a criação de uma espécie de olimpíadas para os idosos em Cachoeira do Sul. Os jogos de integração para os velhinhos serão definidos pelo Conselho Municipal de Assistência ao Idoso (Comai). ADVOGADO JOÃO AUGUSTO DA COSTA SILVA: três vitórias sobre o Ministério Público Promotor recorreu 3 vezes O Ministério Público não se deu por vencido com a decisão da 21ª Câmara Cível e entrou com um embargo infringente, que era, na prática, um pedido de revisão da sentença. Em realidade fora a terceira reação do MP. No último dia 5, o embargo foi julgado por 11 desembargadores, onde João Augusto, vestido de toga, defendeu a comissão por 12 minutos. Estou de alma lavada e enxaguada. Estudei mais de um ano para esta defesa e tinha convicção de que conseguiria sustentar a decisão da primeira instância. Importante O advogado do setor de compras de 1993, Nilo Savi, não sabe do acórdão, ainda não publicado, que absolveu a comissão de licitação. Não sabe dizer se seu cliente, Alexandre Trindade, foi condenado ou absolvido. Savi lembra que dos quatro denunciados no caso, três já foram absolvidos, restando Trindade. Mesmo que ele venha a ser condenado, ainda existem recursos especiais e extraordinários a serem impetrados. ATENÇÃO O Jornal do Povo tentou encontrar o advogado da Microsoft ou o proprietário, mas não conseguiu sucesso. Foram tentados telefones de Cachoeira do Sul, Santa Cruz do Sul, onde uma nova empresa foi aberta por Alessandro Weber, e Cerro Branco, onde moram familiares do dono da Microsoft. Segurança nos bancos O pefelista Davi Trindade apresentou na segunda-feira um projeto de lei pedindo que as agências bancárias obrigatoriamente efetuem o carregamento de malotes em carros-fortes somente em áreas internas. Segundo Trindade, a proposta visa garantir mais segurança à população. Atualmente a transferência de malotes para carros-fortes é feita pelas calçadas públicas, aumentando a possibilidade de assaltos, que colocam em risco os cidadãos. No ano passado uma proposta semelhante foi sugerida, mas não foi aprovada.