Brasília-DF, 2010. Direito Reservado ao PosEAD. Pós-Graduação a Distância Gestão de Pessoas e de Processos Elaboração: Eliane Maria Cherulli Carvalho Avaliação e revisão: Gestão de Pessoas e de Processos Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração 2 Apresentação........................................................................................................................................ 4 Organização do Caderno de Estudos e Pesquisa ................................................................................ 5 Organização do Caderno ...................................................................................................................... 6 Introdução ............................................................................................................................................ 7 Unidade I – Organização Escolar como Sistema ................................................................................ 9 Capítulo 1 – Gestão de Processos: Definição e Características ................................................... 10 Capítulo 2 – Mapeamento de Processos ..................................................................................... 16 Capítulo 3 – Gestão de Processos na Escola: Setores Administrativo, Pedagógico e Financeiro .......................................................................................... 20 Capítulo 4 – Recursos Tecnológicos na Gestão de Processos...................................................... 28 Unidade II – Grupos e Equipes na Gestão de Pessoas na Escola ...................................................... 31 Capítulo 5 – Definição e Características de Gestão de Pessoas .................................................. 31 Capítulo 6 – Gestão de Pessoas por Competências ..................................................................... 40 Capítulo 7 – Seleção, Recrutamento e Capacitação de Pessoas na Escola .................................. 45 Capítulo 8 – Diferenciação entre Grupos e Equipes na Escola: Benefícios dos Trabalhos em Equipes ....................................................................................... 50 Unidade III – Gestão de Pessoas: Fenômenos Sociais e Temáticas Contemporâneas .................... 59 Capítulo 9 – Fenômenos Sociais nos Grupos .............................................................................. 59 Capítulo 10 – Temáticas Contemporâneas ................................................................................... 78 Para (não) Finalizar .............................................................................................................................. 86 Referências ........................................................................................................................................... 87 Pós-Graduação a Distância Sumário 3 Apresentação Caro aluno, Bem-vindo ao estudo da disciplina Gestão de Pessoas e de Processos. Este é o nosso Caderno de Estudos e Pesquisa, material elaborado com o objetivo de contribuir para a realização e o desenvolvimento de seus estudos, assim como para a ampliação de seus conhecimentos. Para que você se informe sobre o conteúdo a ser estudado nas próximas semanas, conheça os objetivos da disciplina, a organização dos temas e o número aproximado de horas de estudo que devem ser dedicadas a cada unidade. A carga horária desta disciplina é de 60 (sessenta) horas, cabendo a você administrar o tempo conforme a sua disponibilidade. Mas, lembre-se, há uma data-limite para a conclusão do curso, incluindo a apresentação ao seu tutor das atividades avaliativas indicadas. Os conteúdos foram organizados em unidades de estudo, subdivididas em capítulos de forma didática, objetiva e coerente. Eles serão abordados por meio de textos básicos, com questões para reflexão, que farão parte das atividades avaliativas do curso; serão indicadas, também, fontes de consulta para aprofundar os estudos com leituras e pesquisas complementares. Desejamos a você um trabalho proveitoso sobre os temas abordados nesta disciplina. Lembre-se de que, apesar de distantes, podemos estar muito próximos. Gestão de Pessoas e de Processos A Coordenação 4 Organização do Caderno de Estudos e Pesquisa Apresentação: Mensagem da Coordenação. Organização da Disciplina: Apresentação dos objetivos e da carga horária das unidades. Introdução: Contextualização do estudo a ser desenvolvido por você na disciplina, indicando a importância desta para sua formação acadêmica. Ícones utilizados no material didático Provocação: Pensamentos inseridos no material didático para provocar a reflexão sobre sua prática e seus sentimentos ao desenvolver os estudos em cada disciplina. Para refletir: Questões inseridas durante o estudo da disciplina para estimulá-lo a pensar a respeito do assunto proposto. Registre sua visão sem se preocupar com o conteúdo do texto. O importante é verificar seus conhecimentos, suas experiências e seus sentimentos. É fundamental que você reflita sobre as questões propostas. Elas são o ponto de partida de nosso trabalho. Textos para leitura complementar: Novos textos, trechos de textos referenciais, conceitos de dicionários, exemplos e sugestões, para lhe apresentar novas visões sobre o tema abordado no texto básico. Sintetizando e enriquecendo nossas informações: Espaço para você fazer uma síntese dos textos e enriquecê-los com sua contribuição pessoal. Sugestão de leituras, filmes, sites e pesquisas: Aprofundamento das discussões. Para (não) Finalizar: Texto, ao final do Caderno, com a intenção de instigá-lo a prosseguir com a reflexão. Referências: Bibliografia consultada na elaboração da disciplina. Pós-Graduação a Distância Praticando: Atividades sugeridas, no decorrer das leituras, com o objetivo pedagógico de fortalecer o processo de aprendizagem. 5 Organização da Disciplina Ementa: A organização escolar como sistema. A gestão de processos no ambiente escolar. Grupos e equipes na gestão de pessoas na escola. Os fenômenos sociais na gestão de pessoas. Objetivos: • Repensar a Gestão Educacional sob a visão dos conceitos relativos à Gestão de Processos, reconhecendo a eficácia das novas tecnologias numa abordagem integrada e interligada nas organizações. • Reconhecer que a qualidade da educação desenvolvida na Gestão de Pessoas por meio do gerenciamento dos seus Processos, possibilita a construção do planejamento político e pedagógico voltado para a qualidade da aprendizagem, a participação e a inclusão social. • Ressignificar ações administrativo-pedagógicas voltadas para a qualidade das novas aprendizagens necessárias ao atual contexto social, elegendo as relações inter-multi e essencialmente transdisciplinares no ambiente escolar, por meio de liderança democrática, de partilha e de cooperação. Unidade I – Organização Escolar como Sistema Carga horária: 20 horas Conteúdo Gestão de Processos: Definição e Características Mapeamento de Processos Gestão de Processos na Escola: Setores Administrativo, Pedagógico e Financeiro Recursos Tecnológicos na Gestão de Processos Capítulo 1 2 3 4 Unidade II –Grupos e Equipes na Gestão de Pessoas na Escola Gestão de Pessoas e de Processos Carga horária: 20 horas 6 Conteúdo Definição e Características de Gestão de Pessoas Gestão de Pessoas por Competências Seleção, Recrutamento e Capacitação de Pessoas na Escola Diferenciação entre Grupos e Equipes na Escola: Benefícios dos Trabalhos em Equipes Capítulo 5 6 7 8 Unidade III – Gestão de Pessoas: Fenômenos Sociais e Temáticas Contemporâneas Carga horária: 20 horas Conteúdo Fenômenos Sociais nos Grupos Temáticas Contemporâneas Capítulo 9 10 Introdução Por meio das leituras e das reflexões propostas no Caderno de Estudos da disciplina Gestão de Pessoas e de Processos, almeja-se a percepção do aluno para o atual cenário social de tantas diversidades e diferenças. Nesse ambiente é que gestor e o supervisor escolar enfrentam os desafios, por um lado, decorrentes do novo formato das relações do homem com o mundo, especialmente no que diz respeito à competitividade, e, de outro lado, das mudanças por que perpassa o mundo do trabalho, impactado em sua natureza e nas relações de emprego. O mundo está mudando com uma rapidez incrível e com intensidade cada vez maior. A mudança sempre existiu, mas não com o volume, a aceleração e o impacto que ocorre hoje. No início do século, falava-se que, na era da eletricidade e do vapor, o que ocorria em um século passou a acontecer em uma década; hoje, na era da informática e das comunicações, podemos dizer que o que acontecia em décadas passou a acontecer em segundos. O presente escapa das nossas mãos. As mudanças nas condições objetivas de trabalho refletiram-se na emergência de novas políticas de pessoal, exigindo da área de recursos humanos novas competências, a fim de assumir um papel estratégico na gestão das organizações. É assim que a polêmica concepção de homem como recurso, aos poucos, passa a ceder lugar às novas experiências e propostas na gestão de pessoas. Nesse sentido, vamos refletir a partir das questões propostas neste caderno, que, em sua primeira unidade, propõe a análise da organização escolar como sistema, estabelecendo que não se perca de vista a totalidade social da qual o sistema educativo é parte. Na segunda unidade, o foco de reflexão passa a ser os grupos e as equipes na gestão de pessoas na escola, na qual o gestor/coordenador e os demais profissionais interessados em aprimorar o trabalho em equipe possam aumentar a produtividade e o desempenho do grupo de trabalho, tornando as atividades e as relações profissionais mais harmoniosas e a comunicação mais eficaz. Pós-Graduação a Distância Assim, a terceira unidade direciona-se para uma reflexão do texto e do contexto de gestar uma escola focalizando a gestão de pessoas: fenômenos sociais e temáticas contemporâneas e seus impactos nos dias atuais, considerando os processos de humanização, como elementos indiscutíveis nesse novo contexto organizacional. 7 Unidade I Organização Escolar como Sistema “Definir a organização escolar é uma tarefa árdua, na medida em que delimitar os conteúdos a serem inseridos nesse conceito evoca a limitação e a polissemia dos termos, além das diferentes perspectivas dos autores que constróem suas definições de um lugar determinado, com bagagens e repertórios distintos, mais ou menos próximo do universo escolar e de seus atores.” Nóvoa, 1992. www.cosmo.com.br E é nesse contexto que as diferentes reformas educacionais surgidas em todo o mundo apontaram outras perspectivas, referentes aos currículos em cujo ápice há necessidade de modelos de gestão democraticamente mais participativos, apontando para uma escola autônoma em relação aos sistemas centralizadores. É nesse contexto que se entende o novo paradigma das organizações escolares, alinhado às diversas inovações, incluindo as de cooperação técnica e de absorção corporativa. A escola, no momento atual, deixa de ser vista como organização racional e delineada, cumpridora de objetivos burocráticos, e passa a ser considerada organização social, cultural e humana, na qual podem ser tomadas importantes decisões educativas, curriculares e pedagógicas. Cada ator tem significativa importância nas decisões a serem tomadas e tudo é construído por meio da participação ativa na elaboração dos projetos a serem operacionalizados. Pós-Graduação a Distância A chamada “crise da escola” ocorrida nos últimos vinte anos levou as organizações escolares a ganhar progressiva visibilidade e a adotar critérios diferentes para revisitar a qualidade educativa, em consequência das demandas contemporâneas. 9 Organização Escolar como Sistema Unidade I Capítulo 1 – Gestão de Processos: Definição e Características Processo s.m; método; (no latim procedere é verbo que indica a ação de avançar, ir para frente (pro+cedere)). É conjunto sequencial e peculiar de ações que objetivam atingir uma meta. É usado para criar, inventar, projetar, transformar, produzir, controlar, manter e usar produtos ou sistemas. (Houaiss, 1999) Aproximadamente há duas décadas, tem havido grande conversação temática sobre a reengenharia da gestão por processos. Por meio dessa gestão, as organizações têm procurado jeitos criativos e qualitativos em suas atuações para coexistir com seus pares numa sociedade crescentemente globalizada e disputada. Ribeiro (2007) reflete esse fato afirmando que as instituições vêm promovendo mudanças em sua cultura paulatinamente e introduzindo estratégias, com vistas à autonomia, à participação e ao comprometimento das pessoas. A avalanche de invenções que tem caracterizado o momento atual das sociedades faz evidenciar que não existem inventores solitários e autônomos. É no interior das organizações que reside a força das inovações. Curiosamente, as organizações também apresentam uma acentuada propensão a resistir a mudanças, especialmente em termos da gestão – seus princípios e modelos. (RIBEIRO, 2007, p. 41) A ideia de melhoria nas atividades tem origem nos princípios da Administração Científica, haja vista que, durante muito tempo, as atividades administrativas foram alvo de racionalizações, por meio das técnicas de O&M (organização e métodos), observando a departamentalização com o foco nas questões internas. Na década de 1990, já se podia perceber um contexto que apontava para as grandes transformações nos mercados, na competição e, principalmente, no interior das instituições, como também é o caso das escolas. Gestão de Pessoas e de Processos A Gestão por Processos permitiu que fosse vislumbrado o funcionamento das instituições, focando as atividades que faziam com que os produtos e os serviços chegassem aos clientes. No caso da escola, o produto seria a aprendizagem e o principal cliente, o aluno. 10 Dessa forma deixou-se de privilegiar a divisão nos diversos departamentos como critério para analisar a melhor forma para o desempenho das atividades. Assim é que os processos internos foram redesenhados, possibilitando ganhos em eficiência, competência e equidade. O texto abaixo, apresentado por Sordi (2008, apud FOLLETT, 1997), possibilita, por meio de fundamentação teórica, melhor compreensão do tema. Leia-o, refletindo sobre o significado da ação do gestor sob a visão apresentada pelo autor. A abordagem administrativa da gestão por processos é também conhecida como abordagem Organização Escolar como Sistema Unidade I sistêmica para gestão das organizações, isso em função da teoria utilizada para sua formulação e fundamentação: a Teoria Geral dos Sistemas (TGS). Assim, para o entendimento da abordagem administrativa da gestão por processos, é fundamental discorrer a respeito da TGS. Essa teoria surgiu em meados da década de 1920, quando o biólogo húngaro Ludwig Von Bertalanffy estudou a autorregulação dos sistemas orgânicos. Estes foram entendidos como sendo sistemas abertos, ou seja, interagindo com o meio ambiente, incorporando alterações benéficas e neutralizando as maléficas (autorregulação regenerativa dos sistemas). A TGS surgiu como uma crítica à abordagem científica e reducionista predominante na época, que reduzia as entidades, como, por exemplo, um animal, para o estudo individual de suas propriedades e de suas partes ou elementos (órgãos ou células). A TGS direciona a análise do pesquisador para o todo, ou seja, para as relações entre as partes que se interconectam e interagem orgânica e estatisticamente. A TGS aplicada à ciência da administração resultou em uma nova abordagem administrativa: a abordagem sistêmica para gestão das organizações. As abordagens administrativas anteriores não consideravam o lado externo da organização, trabalhavam com a especialização de assuntos internos da organização de forma estanque, simplificavam as organizações e, consequentemente, a gestão como um todo. Acabavam não auxiliando o gestor das organizações a entender e administrar toda a complexidade envolta nas organizações. A partir da aplicação dos conceitos da TGS na gestão das organizações, passou-se a considerar a complexidade crescente das organizações. A visão limitada e simplificada da escola científica da administração já era questionada no Ocidente desde 1918. A pesquisadora Mary Parker Follet insistia em que os administradores deveriam considerar a empresa como um todo (modelo holístico), não apenas seus indivíduos e grupos, mas, inclusive, os fatores ambientais, como política, economia e biologia. Follett, 1997. Sordi (2008) afirma que dois principais conceitos da TGS fundamentam a abordagem sistêmica da administração, quais sejam: a) interdependência das partes e b) tratamento complexo da realidade complexa. Conceituar interdependência das partes implica referir-se à composição institucional, ou da entidade, tendo em vista que o todo de uma instituição é composto por partes de outras instituições, e estas são interdependentes em relação ao todo. “O tratamento complexo da realidade complexa é a afirmação da grande dificuldade da sociedade moderna, que exige técnicas específicas para lidar com esse pensamento”. Na retina encontram-se dois tipos de células fotossensíveis: os cones e os bastonetes. Quando excitados pela energia luminosa, estimulam as células nervosas adjacentes, gerando um impulso nervoso que se propaga pelo nervo óptico. As pálpebras são duas dobras de pele revestidas internamente por uma membrana chamada conjuntiva. Servem para proteger os olhos e espalhar sobre eles o líquido que conhecemos como lágrima. Os cílios ou pestanas impedem a entrada de poeiras e de excesso de luz nos olhos e as sobrancelhas impedem que o suor da testa entre neles. As glândulas lacrimais produzem lágrimas continuamente. Esse líquido, espalhado pelos movimentos das pálpebras, lava e lubrifica o olho. (SORDI, 2008, p. 12-13) Pós-Graduação a Distância Para exemplificar essa ideia de interdependência entre as partes de um todo (o sistema), abaixo está transcrito um texto com algumas das muitas interrelações entre algumas partes que compõem o sistema globo ocular humano. 11 Organização Escolar como Sistema Unidade I Fonte: GOWDAK e GOWDAK apud VILELA, 2006. De acordo com Sordi (2008), um sistema pode ser entendido como um conjunto de elementos interligados, cuja transformação em uma de suas partes influencia todas as outras, podendo-se afirmar que há relação de causa-efeito entre as partes que compõem o todo (sistema). Para esse mesmo autor, sistema é uma palavra de origem grega que significa combinar, ajustar, formar um conjunto. Exemplifica-se essa informação, relacionando-a com o sistema globo ocular, em que são identificadas várias partes, como a íris, a córnea, o cristalino, o nervo óptico, a esclera, a coróide, entre outras, podendo, ainda, imaginar tantos outros sistemas de tamanhos distintos, como o sistema solar, o sistema hidráulico de um veículo, o sistema financeiro de um país, o sistema contábil de uma organização, o sistema educacional de um estado, município ou de uma escola. Entende-se com esse aporte que, dentro de uma instituição/organização há diferentes sistemas em operação: planejamentos de controle, gestão de materiais, gestão por processos, gestão de pessoas, gestão de finanças, entre outros. Gestão de Pessoas e de Processos Assim, forma compreende-se que um sistema responde a estímulos. No globo ocular, por exemplo, o estímulo é a luz que ativa as células nervosas contíguas ao olho. No ambiente organizacional, são vários os estímulos percebidos, que, nesse caso e de acordo com a TGS, precisam ser identificados, considerando-se com ponderação o macroambiente. 12 Um desafio para você como gestor: como criar alternativas às limitações da modernidade numa instituição escolar? DICA: considere o tempo, as noções administrativas solidificadas do “taylorismo” e “faiorismo”, a comunicação interna, a evolução do mercado de consumo, a divisão do trabalho em tarefas, entre outras. Sordi (2008, apud TORO, 1997) conceitua a gestão por processos como “uma estrutura gerencial orientada a processos, em que o gestor e os grupos de trabalho são todos executores e pensadores, na medida em que projetam, inspecionam resultados e redesenham os seus sistemas de trabalho, de forma a alcançar melhores resultados.” O que se depreende dessa reflexão é que a gestão por processos pode ser considerada uma metodologia para o Organização Escolar como Sistema Unidade I gerenciamento sistemático e centrado no cliente/aluno, objetivando melhoria em todos os processos da instituição, por meio da organização de grupos (times) multifuncionais e com autonomia nas ações delegadas. Vale ressaltar a preocupação dos estudiosos desse assunto sobre a questão semântica de gestão de processos e gestão por processos. A apreensão é explicada por Sordi (2008) como ocasionada por expressões administrativas com nomes semelhantes, mas com significados diferentes. Gonçalves (2000), por meio da Revista de Administração de Empresas (RAE), diz que, “embora presente, o conceito de processo não tem uma interpretação única e a variedade de significados encontrados tem gerado inúmeros mal-entendidos”. Explica, ainda, que o entendimento mais comumente encontrado para o termo gestão de processos é o da engenharia industrial. As origens dessa expressão datam do século XVIII, no início da Revolução Industrial, por meio da divisão do trabalho em atividades sequenciais, objetivando sua mecanização. O significado oposto – gestão por processos – é relativo ao seu emprego para designar a abordagem administrativa da gestão. A “gestão de processos” tem abrangência reduzida, estilo de organização e gerenciamento da operação de empresas. Atualmente pensa-se em melhoria contínua em toda a instituição; do seu chão a todos os departamentos almeja-se que seja reinventada a forma de melhorar o desempenho em vários aspectos, humanos, organizacionais e tecnológicos, todos passíveis de modificações em prol dessa sociedade que enfrenta grandes pressões. Essa modalidade de gestar tem sido vantajosa, porque, primeiramente, refere-se ao fato de os processos e suas atividades ligarem-se diretamente aos objetivos da instituição. Depois, os cooperadores e os recursos agrupam-se para apresentar um trabalho completo, gerando uma cultura de negociação e de participação, o que é fundamental nas instituições desse século XXI. Em tal contexto, uma terceira razão pode ser indicada como vantagem para a gestão por processos: as informações geradas nos procedimentos seguem diretamente para onde são necessárias, o que diminui os efeitos da burocracia e da estrutura hierárquica. Segundo Gonçalves (2000), pelo fato de estarem ligadas à missão da organização, “as metas adotadas nos processos não são as tradicionalmente estabelecidas pelas unidades organizacionais, mas as dos próprios processos como um todo”. Sob essa gestão, a preocupação é a coordenadoria das ações realizadas nos processos e não a coordenação das unidades. Esse dado pode significar a otimização dos recursos institucionais em todos os seus sistemas, reduzindo custos operacionais e proporcionando maior flexibilidade e agilidade à organização. A palavra “processo” pode ser empregada por diversas áreas do conhecimento: Direito, Sociologia, Engenharia, Psicologia ou Administração. No contexto organizacional, processo significa qualquer atividade ou conjunto de atividades que toma um input, adiciona valor a ele e fornece um output a um cliente específico. Ou seja, processo pode ser considerado como um grupo de atividades realizadas numa sequência lógica, com o objetivo de produzir um bem ou um serviço que tem valor para um grupo específico de clientes. Afirma que processo de trabalho é a maneira particular de realizar um determinado conjunto de tarefas. Sob esse viés, processo não inclui apenas as tarefas a serem executadas, mas também fluxo (volume por unidade de tempo), sequência das atividades, esperas e duração do ciclo, dados e informações, pessoas envolvidas, relações e dependências entre as partes comprometidas no funcionamento do processo. De maneira geral, os processos podem ser divididos em duas categorias: os primários ou finalísticos e os de suporte. Os processos primários estão diretamente associados às regras básicas do negócio, à razão de ser da organização, ao que caracteriza sua organização. Já os processos de suporte, como Pós-Graduação a Distância Num sentido mais amplo, Gonçalves (2000) propõe que: 13 Unidade I Organização Escolar como Sistema seu nome diz, estão relacionados à gestão dos recursos necessários ao desenvolvimento de todos os processos da organização. Garantem o suporte adequado aos processos primários. São muitas as definições aplicadas para a gestão de processos e empregadas pelos diferentes autores e metodologias no atual contexto social e institucional. A mais comum é a da norma NBR ISO 9001:2000, que a coloca como um “conjunto de atividades inter-relacionadas que transformam insumos (entradas) em produtos (saídas)”. O que se percebe é que, embora esse segmento esteja crescendo, há carência de profissionais que possuam experiência e perfil necessários para atuar como gestores por processos. Essas conversações sobre gestão escolar tratam em dimensão e enfoque sobre atuação, mobilização, organização e articulação das condições materiais e humanas que possam afiançar a melhoria dos processos socioeducacionais, priorizando o conhecimento e as relações internas e externas da escola. Gestão por processos é o enfoque sistêmico de projetar e melhorar continuamente os processos organizacionais, por pessoas potencializadas e trabalhando em equipe, combinando capacidades tecnológicas emergentes e sob uma postura filosófica para a qualidade, objetivando a entrega de valor ao cliente. (LAURINDO, 2008) Assim, de acordo com Laurindo (2008), a gestão por processos tem as seguintes características essenciais. ELEMENTO – Definição clara da estratégia e sua formalização – Comunicação da estratégia às pessoas participantes – Noção de agregação de valor nos produtos ou serviços oferecidos – Posicionamento objetivo da administração para a qualidade Cultura – Noção de cliente e fornecedor interno presente nas ações dos colaboradores Organizacional – Trabalho em equipe realizado frequentemente para a qualidade – Preocupação com a integridade da informação de operação e gestão Garantia de – Definição e formalização do sistema de operações da organização qualidade – Definição e divulgação de metas e objetivos do sistema de operações – Identificação dos processos-chave da organização que contribuem com os objetivos competitivos – Participação efetiva das áreas administrativas e comerciais das funções de apoio e de operação na execução dos Qualidade do processos processo – Preocupação da gerência com a comunicação interna e as interfaces – Preocupação constante com aperfeiçoamento – Multifuncionalidade das ações de melhoria Modernização – Postura positiva frente às mudanças que ocorrem na empresa e mudança – Agilidade na tomada de decisões e na implementação de ações organizacional – Organização matriarcal – Papel definido para cada colaborador Ação dirigida para – Reconhecimento da alta direção pelos esforços de todos na melhoria e na busca de resultados os indivíduos – Preocupação com as habilidades e os conhecimentos dos colaboradores – Disponibilização de recursos para a obtenção de resultados que afetem o cliente Ação dirigida pela – Disponibilidade de informação para as pessoas e nos locais em que serão utilizadas informática – Confiabilidade nas informações – Capacitação dos usuários na consulta e no uso de informações e de dados – Participação efetiva dos colaboradores nas ações da empresa – Delegação de responsabilidade e autoridade a colaboradores capacitados Papel da gerência – Ações que direcionam a abordagem por processos em contraposição à simples execução funcional de papéis – Nomeação ou identificação dos donos do processo – Prática de auto-avaliação dos colaboradores – Trabalho em equipe com frequência Aprendizagem da – Ênfase no treinamento dos colaboradores organização – Motivação dos colaboradores como preocupação constante da alta direção – Melhoria contínua como postura permanente dos colaboradores Gestão de Pessoas e de Processos Estratégia competitiva 14 CARACTERÍSTICAS Organização Escolar como Sistema Unidade I – Identificação dos diversos clientes e de suas necessidades – Ações voltadas para a satisfação dos clientes – Avaliação frequente do desempenho da organização frente à concorrência – Ações de integração na entrega dos produtos, troca de informações e responsabilidades definidas – Identificação dos fornecedores relevantes e especificações das necessidades da organização Relacionamento – Avaliação do desempenho dos fornecedores com fornecedores – Ações de integração na aquisição de produtos, troca de informações e responsabilidades definidas – Definição clara de metas quantificáveis Indicadores de – Indicadores globais de desempenho desempenho – Indicadores voltados para a agregação de valor para o cliente Avaliação de – Existência e estabelecimento de critérios de avaliação mensuráveis resultados Relacionamento com clientes Existe nos ambientes comerciais grande multiplicidade de conceitos, normas e metodologias amplamente divulgados e que têm como fundamento ou aspecto-chave a gestão por processos. Assim, são mencionados os Critérios de Excelência da FNQ – Fundação Nacional da Qualidade; as normas ISO; a filosofia Lean Manufacturing; o CRM – Customer Relationship Management; o BSC – Balanced Scorecard e o Six Sigma. Pós-Graduação a Distância A implantação da gestão por processos não é simples e exige um grande empenho de todos da organização. Segundo Gonçalves (2000), essa implantação segue oito passos: conscientizar os gestores; mapear os processos; selecionar os processos primários; melhorar os processos primários; redistribuir os recursos nos processos selecionados; reformular o referencial e os mecanismos de gestão; implantar; monitorar a definição do negócio; ajustar a organização. Essa sequência tem como principal vantagem a retroalimentação da vida da organização, já que implica uma constante avaliação daquilo que tem sido feito para atingir a missão organizacional. De maneira geral, o futuro vai pertencer às organizações que conseguirem explorar o potencial da centralização das prioridades, das ações e dos recursos nos seus processos essenciais. (GONÇALVES, 2000) 15 Unidade I Organização Escolar como Sistema Capítulo 2 – Mapeamento de Processos Mapear processos é uma das tarefas mais importantes na gestão por processos. Essa atividade permite que sejam conhecidas detalhadamente e com profundidade, todas as operações que ocorrem durante a fabricação de um produto ou a produção de um serviço. Por ela descobre-se a “fábrica oculta”, afirma Laurindo (2008). Segundo Laurindo (2008), a correção de um mapeamento de processos implica o levantamento das atividades no próprio local de trabalho e a entrevista das pessoas envolvidas, se possível, no centro de trabalho. Entrevistar o chefe no seu escritório pode fazer surgir erros muito sérios e comprometedores. É importante relembrar o que é processo. Para melhor compreender como mapear um processo, leia o texto a seguir. COMO MAPEAR SEUS PROCESSOS – Rafael Scucuglia Um dos assuntos relacionados à gestão organizacional muito em evidência hoje em dia é a “gestão por processos”. Desde que foi incluso como um dos fundamentos da ISO 9001 versão 2000, o assunto espalhou-se, ganhou notoriedade e foi muito discutido pelas organizações. Os auditores passaram a realizar auditorias “por processo”. Organizações passaram a mapear suas atividades, a nomear seus processos, a identificar as tão famosas “entradas”, “saídas”, “recursos” etc. Mas será que temos feito isso de forma a, efetivamente, agregar valor à gestão organizacional? Será que tais identificações, nomenclaturas e definições de fato contribuem para a administração das empresas? Será que essas teorias têm um efeito significativo para a melhoria nos resultados organizacionais finais? Gestão de Pessoas e de Processos Estamos convictos de que sim, desde que a organização disponha de uma efetiva e verdadeira gestão por processos. Conceitualmente, a gestão por processos significa muito mais do que simplesmente mapear as atividades organizacionais. Significa muito mais do que apenas nomear cada etapa de trabalho com um nome que a identifique. 16 Tomemos como base os conceitos do Modelo de Excelência em Gestão da FNQ – Fundação Nacional da Qualidade, entidade legitimamente constituída para disseminar os fundamentos da excelência em gestão para o aumento de competitividade das organizações e do Brasil, respeitada nacional e internacionalmente. Segundo a FNQ, definimos processos por “um conjunto de atividades preestabelecidas que, executadas numa sequência determinada, vão conduzir a um resultado esperado que assegure o atendimento das necessidades e das expectativas dos clientes e de outras partes interessadas”. É esse o conceito que consideramos como ideal, utilizado na prática pelas organizações reconhecidamente bem-sucedidas. Uma empresa, nesse conceito, é um “mar de processos” em contínua execução pelas pessoas que compõem sua força de trabalho. Ainda segundo a FNQ, os processos estão inter-relacionados e interagem entre si, de tal forma que produtos e serviços deles provenientes constituem a entrada para um ou mais processos na sequência de execução, que busca o atendimento das necessidades e das expectativas dos clientes. Resumindo: toda organização é um sistema, ou seja, funciona como um conjunto de processos. A identificação e o mapeamento desses processos permitem o planejamento adequado das atividades, a definição de responsabilidades e o uso adequado dos recursos disponíveis. Organização Escolar como Sistema Unidade I Nesse ínterim, cabe o primeiro e importante aviso. Organizações que desenham seus processos de forma simplista, apenas relatando as principais etapas de seus ciclos, com objetivo de elaborar um documento “bonito”, que agrade a quem o leia, incluindo os auditores, estão sendo vítima de uma falácia. Não é esse o espírito fundamental. Quem parte desses princípios não gerencia “por processos”. Apenas diz que o faz, mas desprivilegia a essência teórica fundamental. O mapeamento das atividades de uma organização é complexo. É instável, pois os processos são “vivos”, constantemente adaptados ao ambiente que estão inseridos. É, em um primeiro momento pelo menos, desorganizado em muitas de suas etapas. Possui incongruências, legítimas e que configuram oportunidades de melhoria. E dessas oportunidades é que surgem os principais benefícios da gestão por processos. É detalhista ao extremo: deve conter todo e qualquer interrelacionamento entre atividades, retratando todo o ambiente organizacional. O resultado é sempre um desenho grande, complexo, de difícil compreensão, cujo entendimento pontual só se dá por meio de um estudo detalhado, perfeccionista e paciente. Mapear, portanto, os processos de uma organização é muito mais do que um simples retrato da lógica de entradas e saídas entre pessoas, cargos, departamentos, gerências ou áreas. É um exercício de reflexão e de debate cujo objetivo é retratar fielmente, por meio de fluxogramas ou de qualquer outra ferramenta visual existente, como ocorrem os trâmites internos, quais são os seus pontos fracos, onde estão as incongruências pontuais, como ocorrem os fluxos de informações em meio eletrônico e físico, quais são as responsabilidades por cada etapa, e, principalmente, quais são as entregas efetivas que constituem os produtos dos clientes internos das organizações. Mapear os processos, a primeira etapa de uma gestão por processos efetiva, é um dos trabalhos mais importantes nessa metodologia de gestão. É a construção da principal ferramenta de gerenciamento e melhoria interna. Uma vez bem feito, as deficiências operacionais e os inputs para melhoria ficam tão evidentes que parecem lógicos, banais e simplistas ao extremo. Como princípio fundamental para um mapeamento eficaz é necessário entender as diferenças entre tarefas, atividades, objetos, subprocessos, processos e macroprocessos, todos eles diferentes de áreas, já que um processo sempre envolve as atividades de colaboradores envolvidos em diversas áreas da empresa – dizemos que um processo “passeia” entre os departamentos. Não nos cabe, neste artigo, aprofundar estes conceitos e estas teorias. Alguns deles são polêmicos, divergentes entre autores. O importante é que, sob nenhuma hipótese, eles devem ser desconsiderados em um processo de mapeamento. É de extrema importância entender que uma tarefa é diferente de uma atividade, que um processo é composto de subprocessos etc. São conceitos bastante fundamentais. Sugiro ao leitor que os compreenda profundamente antes de iniciar qualquer tipo de mapeamento. Resumindo: valorize o processo de mapeamento dos processos de sua organização. Sem um mapeamento bem feito não existe “gestão por processos”. Faça-o com cuidado. Considere-o como a ferramenta balizadora de suas decisões rotineiras acerca de mudanças operacionais. Utilize-o como alicerce para promover o compartilhamento de informações e a responsabilidade pelas atividades rotineiras. E, finalmente, colha os frutos de uma administração efetivamente voltada a processos. “A gestão por processos permite que as equipes sejam envolvidas em um ambiente cooperativo e de compartilhamento de informações”. Petroquímica União, PNQ 2005. Fonte: FNQ: Classe Mundial 2005. Segundo Biazzo (2000), entender um mapeamento de processo significa enfatizar, num molde, num modelo ou num diagrama, a relação entre as atividades, o pessoal, as informações e os objetivos envolvidos. Pós-Graduação a Distância Os fluxos mais detalhados a serem desenhados são os de atividades. Eles detêm todas as características minimistas a serem consideradas para proposições de mudanças e alterações de práticas. Os fluxos de subprocessos, processos e macroprocessos, por suas vezes, têm um caráter gerencial: seus objetivos são apenas retratar, de uma forma global, a lógica geral de funcionamento interno da organização, para geração do serviço/produto. Em experiência com nossos clientes, observamos que, muitas vezes, o fluxo de processos é o único realizado. A ISO série 9000 já o considera como válido, como evidência da adoção da “abordagem por processos”. Mas, de fato, é impossível, em nossa opinião, que somente essa ferramenta seja geradora de ações efetivamente agregadoras de valor à melhoria das práticas de gestão. 17 Organização Escolar como Sistema Unidade I De acordo com Vilela (2000, apud HUNT, 1996), o “mapeamento de processos é uma ferramenta gerencial analítica e de comunicação que tem a intenção de ajudar a melhorar os processos existentes ou de implantar uma nova estrutura voltada para processos”. Analisá-lo estruturalmente dará oportunidade para a redução dos custos no incremento de produtos e de serviços, nas falhas de integração e na melhoria no desempenho da organização, além de ser uma excelente ferramenta para possibilitar o melhor entendimento dos processos atuais e eliminar ou simplificar aqueles que necessitam de mudanças. (VILELA, 2000) Muitas são as formas de representar a construção de um modelo de processos. Elas podem ajudar nos diferentes tipos de mapas. Segundo Vilela, (2000, apud BIAZZO, 2000), essa montagem segue os seguintes passos. 1. Definição das fronteiras e dos clientes do processo, dos principais inputs e outputs e dos atores envolvidos no fluxo de trabalho; 2. Entrevista com os responsáveis pelas várias atividades dentro do processo e estudo dos documentos disponíveis; 3. Criação do modelo com base na informação adquirida e revisão passo a passo do modelo, seguindo a lógica do ciclo de author-reader, em que o reader pode ser tanto aqueles que participam do processo como potenciais usuários do modelo. Vilela (2000) entende que o mapeamento de processo fundamenta-se em uma tática objetiva para reconstruir as ações organizacionais, focalizando a análise e a reconstrução, por meio de entrevistas e do ciclo author-reader, embasada em várias informações mencionadas pelos diversos sujeitos (atores), aqueles que racionalizam suas atividades e são diretamente envolvidos no processo. Vilela (2000) explica o seu pensamento a respeito, afirmando o seguinte. Inversamente, a análise é focada na estrutura do conjunto de atividades que está sendo estudada. O que precisa ser procurado, identificado e registrado é o sistema no qual os atores operam, por isso o mapa precisa mostrar nitidamente as relações entre as atividades, o pessoal, as informações e os objetos envolvidos num determinado fluxo de trabalho. Gestão de Pessoas e de Processos O mapeamento de processo é extremamente reconhecido pelo importante papel que pode desempenhar, ao ajuda a entender as dimensões estruturais do fluxo de trabalho, para que sejam feitas as avaliações da eficiência e da eficácia e, ao dar as direções, para um programa de reprojeto das atividades. 18 Entre as ferramentas utilizadas para se visualizar um processo, destaca-se o gráfico de fluxo de processo, em que se representam os diversos passos ou eventos que ocorrem durante a execução de uma tarefa específica ou durante uma série de ações; o mapa-fluxograma, que é a técnica na qual se desenham as linhas de fluxo em uma planta de edifício ou da área em que a atividade se desenvolve, em que as linhas mostram a direção do movimento e os símbolos do gráfico do fluxo do processo estão inseridos nas linhas para indicarem o que está sendo executado. O mapeamento do fluxo de valor (Value Stream Mapping), que é um método de modelagem de empresas relativamente simples, utiliza papel e lápis como o procedimento para construção de cenários de manufatura. Essa modelagem leva em consideração tanto o fluxo de materiais como o fluxo de informações e ajuda bastante no processo de visualização da situação atual e na construção da situação futura. Aqui, entende-se por fluxo de valor o conjunto de todas as atividades que ocorrem desde a obtenção de matéria-prima até a entrega ao consumidor do produto final. (BARNES, 1982; ROTHER & SHOOK, 1998) No atual cenário organizacional, criar uma orientação para processos é possibilitar que se compreenda com acuidade o funcionamento de uma instituição, com seus estrangulamentos, suas ambiguidades, suas redundâncias e outros problemas. Unidade I Organização Escolar como Sistema Como se pode ver, compreendendo como os processos são de fato executados, é possível aperfeiçoá-los, de modo que a organização funcione qualitativamente melhor, com a diminuição de custos e a melhoria da eficiência e da qualidade. Para isso, a modelagem de processos possibilita à instituição entender suas atividades, avaliar a execução das tarefas e melhorar continuamente todo o seu processo de trabalho. Consulte e confira o exemplo abaixo no site: http://www.talentoseresultados.com/mapprocesso.htm Pós-Graduação a Distância Para isso tomou-se como base um dado do cotidiano, que é almoçar em um restaurante X. Aí são verificados os subprocessos internos e externos ao restaurante. O ator cliente é o responsável pelo subprocesso externo. Os atores garçom, cozinha e caixa são os responsáveis pelos subprocessos internos. Cada espaço indica, por simulação, uma atividade praticada pelo respectivo ator/cliente. 19 Unidade I Organização Escolar como Sistema Capítulo 3 – Gestão de Processos na Escola: Setores Administrativo, Pedagógico e Financeiro Ideia não é ação. Mas a boa ação depende, pelo menos, de uma boa ideia. E, não raro, educadores teem grandes e incontáveis ideias. Certas vezes são tão incontáveis que eles não contam. Fico aqui pensando: quando entramos em contato com o gestor escolar e dizemos “tenho uma ideia”, será que ele treme dos pés à cabeça, sente um calafrio que lhe percorre a espinha e pensa lá vamos nós de novo ou o contrário disso, desaba na cadeira emocionado em mente, coração e alma dizendo a si próprio, “que bom! Vamos ao trabalho!”. César Augusto Dionísio, Gestão Educacional, n. 31, 2007. Superpoderes Gestão de Pessoas e de Processos O gestor escolar é um líder facilitador. Disso eu sabia. O que eu não suspeitava é que pudesse ser um elemento dotado de tantas habilidades desenvolvidas. Fiquei tão surpreso em minha análise que resolvi chamá-las de “superpoderes”. Para quem já ouviu falar em X-Men, Superman e Mulher Maravilha, vale, aqui, minha reflexão. 20 Audição: este é um superpoder indispensável para um gestor. Escutar as conversas que não são ditas. Habilidade ímpar de decifrar o que não foi falado. Ouvir além do que foi registrado verbalmente. Para verificar se você o detém, avalie se consegue escutar conversas recheadas de emoção entre seus alunos, seus professores, seus professores e seus alunos, seus professores e você, você e seus alunos. Ouvir o que se diz é fácil; é tarefa para inúmeros mortais. Ouvir o que não se diz requer superpoderes. Tarefa para um gestor escolar. Mas não vale usar a capa de invisibilidade para escutar conversas. Ideias de professores e alunos contentes e descontentes devem ser superouvidas. Superpoderes em ação. Visão: líderes são pessoas de visão. Visão para ver e não apenas para enxergar. Visão para enxergar e não apenas para ver. Ver além do alcance. Coisa de gestor habilitado. Ver onde é que se vai chegar antes, bem antes, de se chegar lá. Quer superpoder mais útil que esse? Ver é coisa de um reles mortal. Antever é coisa de gestor imbuído da função. Olfato: este é um superpoder indispensável para quem deseja liderar pessoas e fazer prosperar espaços. Ninguém aí duvida que lugares têm cheiros. Até nossa memória tem cheiro. Cheirinho do café também vale. Cheiro de infância. De chuva. E preste atenção: cheirar situações fétidas com antevisão é superpoder de gestor escolar. Isso é. Organização Escolar como Sistema Unidade I Paladar: este indispensável superpoder pode ser decisivo num cafezinho que tomamos para ouvir outras opiniões. Aquela pausa com cafezinho que nos rende uma boa conversa, para exercitar os superpoderes de ouvir e ver. Ouvir o inaudível. Antever o que todos enxergarão em breve. E tem de provar, testar, tentar. Conhecer o gosto. Realizar seus protótipos do que se deseja realizar. Conhecer o gosto das dificuldades e das facilidades. Dos erros eventuais e dos erros prováveis. Até mesmo, acertos inesperados ficam sob suspeição na “contabilidade de débitos”. Superpoderes, ativar! Tato: o último superpoder do gestor escolar é o tato. O tato é a ação. Último, porém, não menos importante. Mas não um toque, um toquezinho; mas, sim, algo que justifique “pôr a mão na massa”. Não é à toa que “tato” e “contato” rimam com perfeição. O tato é o superpoder que melhor define um gestor escolar. Isso, porque ele, ao usar seu superpoder do tato, deverá, antes, fazer uso de seus outros superpoderes: ouvir bem, ver bem, perceber bem, provar na medida certa. Tudo isso para “fazer direito”. Nada de superpoder antidemocrático. Nada de tirania. Ter superpoderes desenvolvidos para enfrentar o dia a dia. E para que tudo isso? Para fazer as coisas acontecerem. Para fazer a educação acontecer. O melhor de toda essa verdade revelada é que tais superpoderes são para a construção de um mundo melhor. Ouvindo nossos professores, nossos alunos e outros tantos profissionais que atuam em nossas instituições; vendo para onde é que nós vamos e para onde é que nossa instituição está sendo encaminhada; sentindo o cheiro da esperança e do medo dentro dos corredores e das salas de aula e, até mesmo, em nossos próprios professores e alunos; sentindo o gosto doce da vitória de ações bem conduzidas que tiveram origem numa ideia que foi dita e ouvida; e, acima de tudo, tomando a coragem em uma mão enquanto a outra está ocupada na execução do que foi bem planejado e planejamento bem realizado é sinal de que os sentidos do gestor escolar estão bem despertos. Ao final, percebemos que o gestor escolar exemplar será aquele que melhor desenvolver tais percepções e sentidos. Tem de estar alerta para que as coisas aconteçam. E não vale colocar medo naqueles que gerimos. Afinal, queremos geri-los e não “ingeri-los”. Agora fica mais fácil responder à famosa pergunta da Chapeuzinho Vermelho: “Para que servem estes olhos e estas orelhas enormes que você tem?” César Augusto Dionísio, Gestão Educacional, 2008. Referendadas pelo classicismo e pelos pressupostos de Taylor e Fayol, esses referenciais abalizaram e ainda abalizam a Administração Escolar, cujas atitudes gestoras ainda são utilizadas nas escolas, embora o conjunto normativo legal aponte para uma gestão democrática. De certo modo e influenciadas pelas políticas autoritárias, as práticas educativas, quer em nível de sistema, quer nas concepções e nos encaminhamentos de sala de aula, também têm dificultado movimentos mais democráticos. Devido ao autoritarismo ‘teimoso’ ainda incorporado nos diversos segmentos públicos, os preceitos legais “passam a ser algo dado, acima das práticas sociais e sob os quais todos os comportamentos devem ajustar-se”, (OLIVEIRA, 2004, p. 72), estabelecendo-se como normas e regras a serem obedecidas. Daí a configuração de uma organização escolar dentro de princípios mais centralistas e descontextualizados das necessidades dos indivíduos e das escolas. Pós-Graduação a Distância Num grande desafio e historicamente, o momento sugere a busca e a compreensão sobre a temática das teorias da administração escolar. Como afirma Oliveira (2004), “desafio, porque estamos vivendo um período de quebra de paradigmas, no qual acontece a substituição da visão da gestão mais centralizada e autoritária por uma mais aberta, democrática e focada em processos pedagógicos”. 21 Organização Escolar como Sistema Unidade I Costa (1996) propõe seis modos de perspectivar esses modelos teóricos numa escola: como democracia, como arena política, como empresa, como burocracia, como anarquia e como cultura. Considerar a escola como empresa é vê-la dentro de um conjunto de características originadas e trazidas da área da produção industrial; considerar a escola como burocracia é vê-la num processo de centralização das decisões desencadeadas na cúpula dos ministérios; considerar a escola como democracia é vê-la como um ambiente de discussão e participação dos envolvidos no processo; considerar a escola como arena política é vê-la como um sistema político constituído por uma pluralidade, por uma heterogeneidade de indivíduos com poderes e posicionamentos diferenciados; considerar a escola como anarquia é vê-la dentro de uma realidade complexa, problemática e ambígua, suportada por intenções, objetivos vagos, tecnologias pouco claras e participação fluída; considerar a escola como cultura é vê-la com uma cultura própria, com identidade e com valores. (COSTA, 1996) Há, de acordo com as pesquisas apontadas por diferentes autores, fortes indicativos desses diversos modelos teóricos, consciente ou inconscientemente existentes no funcionamento das escolas, demonstrando a diversidade de paradigmas, confirmando a interferência nas relações e nas ações gestoras. Assim, quando a opção gestora é o respeito por essas características, ou seja, contribuir para a gestão escolar, para a formação do professor e para um melhor encaminhamento das práticas pedagógicas, o que se recomenda é a formação de um ambiente formativo e educativo. Contribuir para a mudança dos professores e das escolas é “partir das suas culturas, coerentes com o que se faz, de “dar vez e voz” aos professores e com a importância atribuída aos contextos para a compreensão da ação formativa ou educativa. (ESTRELA, 2003, p. 54) Nesse contexto, ao “dar voz e vez” aos educadores, a escola alia-se ao paradigma reflexivo de ação e prática formativa, respeitando as características locais e, consequentemente, a própria cultura escolar, isto é, gestar como um líder que atua de forma compartilhada e cooperativa, discutindo com seus pares os melhores procedimentos e encaminhamentos para uma boa organização do espaço escolar. Muito se tem dito sobre o pensamento estratégico nas instituições escolares, mas, não se pode desconsiderar que, no momento atual, a dimensão ética, valorativa, humana e interpessoal é esquecida. “Em uma escola, essas dimensões não podem estar ausentes. A escola não pode fechar-se em si mesma, mas abrir-se e pensar-se estrategicamente, assim como eticamente”. (ALARCÃO, 2001) Gestão de Pessoas e de Processos Libâneo (2003) aponta que a escola é uma “unidade social que reúne pessoas que interagem entre si e que opera por meio de estruturas e processos organizatórios próprios, a fim de alcançar os objetivos da instituição”. Criando seus próprios exemplos, a escola dirige-se para uma discussão política de interação coletiva, de reflexão-ação e de avaliação constante, visando, com esse processo interativo, ao alcance dos objetivos comuns. Desta forma, estudar uma organização escolar, sua administração ou mesmo sua gestão escolar, envolve uma análise histórica dos processos, considerando todo o movimento político nele embutido. 22 Portanto, a escola vista na atualidade clama por um gestor capaz de estabelecer uma relação de dialogicidade com os outros gestores locais ou não, com os professores e alunos da escola, com os demais funcionários e, essencialmente, com os pais. Os maiores interessados no sucesso dos alunos devem ser as suas famílias e é desse modo que a escola de estática passa a atuar numa perspectiva dinâmica, descentralizada e democrática. Deve-se, também, atentar para os ex-alunos, egressos da escola, que não têm na sua comunidade outros espaços para continuar a desenvolver suas capacidades. A escola pode recuperar seu papel de referência, abrindo suas portas para esses jovens e para a comunidade. Um diretor comprometido, parceiro na construção das políticas educacionais, poderá ajudar a escola a cumprir sua vocação. Poderá contribuir para a definição de novos rumos que revertam os quadros dramáticos apresentados pelo Censo Escolar e pelo SAEB. Não basta o acesso e a permanência, é preciso criar condições para que o aluno aprenda. Organização Escolar como Sistema Unidade I A participação da comunidade como co-gestora, por meio dos conselhos escolares e dos segmentos escolares, na construção do projeto político-pedagógico, no gerenciamento financeiro dos recursos da escola e na definição das relações com os alunos e com a própria comunidade e o entendimento da escola como bem público e a serviço desse mesmo público são fundamentais para sua atuação como centro dinamizador da comunidade. O termo público deve ser tomado no sentido republicano, no qual a sociedade tome conta da escola e diga o que espera dela, ajudando a construir uma identidade própria para cada unidade escolar. (http://www.inep.gov.br/imprensa/entrevistas/lia_sholze.htm) Desse modo é que a escola cria o ambiente participativo, permitindo que as pessoas, além de acompanharem o próprio trabalho, possam fazer parte desse processo com maior envolvimento e determinação, sustentando o que é estabelecido pela legislação atual, quanto ao processo de gestão, denominado democrático. Os Princípios da Gestão Democrática do Ensino Público, estabelecidos na Constituição Federal de 1988, no art. 206, incisos VI e VII, foram regulamentados pela L.D.B. – Lei n.º 9394/96, art. 3º, inciso VIII, e arts. 14 e 15. A Constituição relaciona os princípios a serem observados na Gestão das Escolas. Art. 206 – O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I – Igualdade de condições para o acesso e a permanência na escola; II – Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; III – Pluralismo de ideias; IV – Gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; V – Valorização dos profissionais de ensino; VI – Gestão Democrática do ensino público, na forma da lei; VII – Garantia de padrão de qualidade. Agora veja o que diz a LDB no art. 14. Art.14 – Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática, conforme os seguintes princípios: I – Participação dos profissionais da educação na elaboração do Projeto Pedagógico da Escola. A gestão democrática deve assegurar a participação ativa e efetiva de todos os segmentos das comunidades escolar e local para o compartilhamento de decisões. A gestão democrática é um modo de articular pessoas e experiências educativas, planejar atividades com a participação de toda comunidade. (Os Princípios da Gestão Democrática do Ensino Público. doc.) Essa análise abre caminho para compreender a gestão de processos na escola nos seus setores administrativo, pedagógico e financeiro, percebendo que a sustentação da gestão escolar requer promoções dos gestores dos seguintes modos, como afirma Boechat (2008): Pós-Graduação a Distância II – Participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes. 23 Organização Escolar como Sistema Unidade I 1. Busquem o engajamento familiar e da comunidade; 2. Garantam espaço de discussão e integração de cada grupo social para encaminhamento de soluções, como, por exemplo, a formação de lideranças por meio dos grêmios de alunos, funcionários, pais e professores, visando ao exercício da representividade; 3. Garantam a eleição direta de diretores por todos os segmentos da comunidade escolar, qualificando e assegurando este processo, discutindo e redefinindo suas funções, seus papéis e suas relações com as diferentes instâncias do poder e a participação do conselho escolar; 4. Articulem a escola com diferentes parceiros, para viabilizar suas propostas, valorizando aqueles que fazem parte da comunidade na qual está inserida; 5. Proporcionem um ambiente favorável ao desenvolvimento da autonomia do cidadão, eliminando medidas punitivas e autoritárias, substituindo-as por medidas educativas, buscando o respeito e a cidadania e não o medo; 6. Desenvolvam o compartilhamento da autoridade; 7. Promovam a delegação de poder; 8. Assumam responsabilidades em conjunto; 9. Valorizem o trabalho em equipe; 10. E que troquem a hierarquia tradicional por redes de comunicação aberta a todos. (BOECHAT, 2008). Como se pode ver, a autonomia escolar não deve ficar limitada à questão financeira dos recursos que recebe, uma vez que é dependente das Secretarias de Educação do Estado e do Município, bem como da própria comunidade no que está inserida. Nesse caso, a autonomia deverá ser construída por meio da capacidade de tomar decisões compartilhadas e comprometidas com a resolução rápida dos problemas surgidos, atentos aos seguintes elementos: a existência de estrutura de gestão colegiada, que garante a gestão compartilhada, a eleição de diretores e a ação em torno de um projeto políticopedagógico. Gestão de Pessoas e de Processos Vale ressaltar que a autonomia da escola, como um processo coletivo e participativo, não se constrói com normas e regulamentos, mas com princípios e estratégias, largamente discutidos com todos que fazem a escola, aplicados às circunstâncias do momento em que os fatos acontecem, considerando a criatividade e a iniciativa na resolução dos problemas. 24 No que concerne à autonomia da escola, algumas distorções históricas têm sido corrigidas. Por meio da transferência de poder do estado para a comunidade, os órgãos públicos passam a exercer a função de assessoramento e apoio, cabendo à escola deliberar coletivamente em suas áreas administrativa, pedagógica e financeira. A Gestão do Pedagógico tem uma meta lógica e clara, que é educar o aluno. Compreende as atividades de coordenação pedagógica, orientação educacional ou psicopedagógica. A gestão pedagógica zela pelo gerenciamento do processo de ensino-aprendizagem na escola, estabelecendo os objetivos para o ensino por meio do seu Regimento Escolar e da elaboração do Projeto Político-Pedagógico ou Educativo. Respeitadas as exigências legais, cada unidade de ensino tem a liberdade para elaborar o próprio calendário, definir os métodos e as técnicas de ensino, os recursos didáticos, bem como os critérios do processo de avaliação e de enturmação. Entende-se, aqui, as condições para que cada escola adeque seu currículo à realidade de sua região, estimulada para experimentar caminhos novos e soluções inovadoras. Organização Escolar como Sistema Unidade I A Gestão do Financeiro incide sobre a gestão dos recursos financeiros da escola e pressupõe a observância das regras e dos critérios relativos à captação e utilização de recursos e à sua devida prestação de contas. De forma geral, recurso financeiro quer dizer o dinheiro disponível para o financiamento das atividades de uma escola. Nesse aspecto, importa ater-se à legislação do Fundeb publicada em janeiro 2007. O Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) atende toda a educação básica, da creche ao ensino médio. Substituto do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), que vigorou de 1997 a 2006, o Fundeb está em vigor desde janeiro de 2007 e se estenderá até 2020. É um importante compromisso da União com a educação básica, na medida em que aumenta em dez vezes o volume anual dos recursos federais. Além disso, materializa a visão sistêmica da educação, pois financia todas as etapas da educação básica e reserva recursos para os programas direcionados a jovens e adultos. A estratégia é distribuir os recursos pelo país, levando em consideração o desenvolvimento social e econômico das regiões — a complementação do dinheiro aplicado pela União é direcionada às regiões nas quais o investimento por aluno seja inferior ao valor mínimo fixado para cada ano. Ou seja, o Fundeb tem como principal objetivo promover a redistribuição dos recursos vinculados à educação. (http://portal.mec.gov.br) Assim, a responsabilidade, diferentemente de antes, não fica restrita à figura do diretor e à sua equipe de coordenação. Todos os envolvidos são convocados a se responsabilizar pelo uso das verbas destinadas à educação. Nesse sentido, pais, servidores administrativos, associações de bairros, ou seja, comunidade local e escolar, têm o direito de participar, por meio dos Conselhos Escolares, das discussões e decisões referentes aos projetos a serem desenvolvidos na escola, inclusive referentes às verbas que serão empregadas para o desenvolvimento desses projetos e às possíveis parcerias a serem implementadas. A Gestão do Administrativo teve atualmente suas normas e seus procedimentos simplificados. Isso significa dirigir e manter o controle sobre os recursos de uma organização, com o objetivo de produzir os melhores resultados. No caso da escola, a gestão administrativa tem a função de fornecer o apoio necessário ao trabalho educacional, como garantir o funcionamento das atividades de administração de pessoal, o gerenciamento das atividades de apoio, tais como, secretaria, serviços gerais, atividades de limpeza e conservação, bem como o provimento e a conservação dos recursos materiais e patrimoniais da escola, entre outras atividades. Pós-Graduação a Distância ASPECTOS DA DIMENSÃO POLÍTICA DA GESTÃO EDUCACIONAL 25 Unidade I Organização Escolar como Sistema • Gestão Política – mantém as relações com as esferas econômicas, políticas e culturais em nível nacional e local, com o objetivo de assegurar, por meio dos Conselhos Escolares, dos Conselhos do Fundeb e de Alimentação Escolar, dos Conselhos Municipais de Educação, a participação da comunidade na gestão educacional. • Gestão Administrativo-Financeira – orienta a estrutura e os funcionamento, o planejamento, a execução e a prestação de contas dos recursos, objetivando o desenvolvimento das formas de gestão, fundamentadas na participação e na autonomia. • Gestão Pedagógica gesta os processos de ensino e aprendizagem, com o objetivo de estimular e assegurar a construção, de forma coletiva, democrática e participativa, de propostas pedagógicas que atendam às necessidades e às demandas populares. Tendo concluído suas reflexões até aqui, elabore suas conclusões no seguinte questionamento: – a gestão de processos na escola é possível? Até que ponto as técnicas de modelagem e gestão de processos podem levar à melhoria da gestão educacional? Justifique e ponte sua resposta no Fórum 01 O texto abaixo explicita bem a reflexão sobre o assunto. Leia-o, cogitando sobre o questionamento levantado. Gestão de processos em instituições educacionais – há desafio em gerenciar a mudança? Gestão de Pessoas e de Processos A concorrência no mercado educacional vem aumentando a cada ano em todos os segmentos. Enquanto o governo se esforça para ampliar e melhorar a oferta de ensino público, há significativo avanço das instituições particulares. Estruturadas a partir de critérios de excelência, em ótimas instalações, com equipe docente de primeira linha, tecnologia de ponta e utilizando uma oferta completa de serviços educacionais, inclusive no que se refere a esportes, idiomas, artes e música, essas instituições transformam-se, cada vez mais, em grandes centros de educação, com elevado grau de comodidade, segurança e confiança para os alunos e seus familiares. 26 As escolas bem-sucedidas estão sempre em busca da inovação, que deve-se iniciar pela estratégia e se estender por todos os níveis da empresa. Os líderes dessas organizações se esforçam por conhecer novas técnicas e tecnologias de gestão, mas o envolvimento apenas dos líderes não é suficiente para o completo êxito. É fundamental que todos compartilhem os mesmos valores, dos conselheiros ao pessoal da linha de frente, e que se desenvolva uma cultura favorável para enfrentar os desafios. A pergunta que se faz com frequência é: até que ponto as técnicas de modelagem e gestão de processos podem levar à melhoria da gestão educacional? E a resposta é que, por meio da análise e do redesenho dos processos, podem-se conhecer os pontos fracos da organização, suas competências e indicações claras sobre as mudanças e melhorias que precisam ser feitas. Organização Escolar como Sistema Unidade I Entre os principais problemas detectados, muitos estão relacionados com comunicação e marketing, tendo em vista que as escolas ainda não entenderam a relação direta entre os investimentos nessa área e os ganhos em termos de número de clientes e seu grau de satisfação. Utilizar bem o portal na Internet para fazer comunicação e estreitar as relações com os alunos é outra questão que normalmente advém da análise criteriosa dos processos. Os administradores e os coordenadores passam a ter um mapa completo de todos os processos e os pontos sobre os quais precisam dedicar mais atenção para aumentar a qualidade e a produtividade da escola, obtendo, com isso, maior grau de satisfação das partes envolvidas, em especial, dos alunos e seus familiares. A tomada de decisão pode ser amplamente aprimorada a partir da visão dos processos, criando-se comitês para decisões colegiadas, mais transparentes e eficazes, tendo em vista o conhecimento minucioso de toda a realidade da organização. Além disso, as técnicas de modelagem permitem estabelecer de forma clara a responsabilidade de cada integrante da equipe, ou seja, quem será cobrado e em que proporção para obtenção dos resultados almejados, facilitando a gestão a partir de objetivos e metas. Outra vantagem da gestão de processos é a redução de custos gerada a partir da racionalização de atividades relacionadas a compras, secretaria, tesouraria, informática, biblioteca, multimeios e outras. Melhorar a alocação de coordenações, a orientação educacional e a atuação do corpo docente, costuma ser, também, um ganho, quando se analisam em profundidade os processos. Na gestão de pessoas, normalmente, são identificadas oportunidades para melhorar o clima organizacional, com ações de marketing interno, estabelecimento de incentivos, premiações, revisão do plano de cargos e salários, plano de carreiras e correção de distorções, de forma a valorizar os talentos da instituição. Como resultado da gestão eficaz de processos é possível definir planos de capacitação do pessoal, visando a eliminar deficiências detectadas nas análises e proporcionar oportunidades de crescimento profissional para os colaboradores. Com isso, cria-se maior compromisso para enfrentar as mudanças e antecipar o futuro, utilizando estruturas flexíveis, dinâmicas e capazes de gerar valor para os clientes e resultados para as instituições educacionais. Ao gerenciar adequadamente os processos, a organização estará lidando com a mudança e criando a blindagem necessária para enfrentar tempos de crescente turbulência e competitividade. Os processos constituem o meio pelo qual o produto é gerado e os clientes são atendidos em suas necessidades e expectativas. Ao cuidar deles, a empresa está cuidando de seus principais ativos, os clientes externos e internos. Pós-Graduação a Distância (Carlos José Rodrigues da Silva-Gestão Educacional – 2 Nº 56 – 11/03/08) 27 Organização Escolar como Sistema Unidade I Capítulo 4 – Recursos Tecnológicos na Gestão de Processos Castells (1999) auxilia, afirmando que: Tecnologia, entendo, em linha direta com Harvey Brooks e Daniel Bell, “é o uso de conhecimentos científicos para especificar as vias de se fazer as coisas de uma maneira reproduzível”. Entre as tecnologias da informação, incluo, como todos, o conjunto convergente de tecnologias em microeletrônica, computação software e hardware),telecomunicações/radiodifusão e optoeletrônica. Além disso, diferentemente de alguns analistas, também incluo nos domínio da tecnologia da informação a engenharia genética e seu crescente conjunto de desenvolvimentos e aplicações. Estamos vivendo a era digital e, portanto, informação não precisa de átomos. É sabido que ela é transmitida instantaneamente, porque não há necessidade de manuseio físico. Ao contrário, reduz-se a necessidade do trabalho humano. Os custos são reduzidos e o benefício essencial está na instantaneidade de transmissão das informações e na possibilidade de organização e facilitação de sua recuperação. Passa-se a ter a possibilidade de processos em tempo real, de ponta a ponta. Ademais, a autenticidade das informações transmitidas sem papel pode ser maior do que se alcançou na era do papel, graças ao que será visto mais adiante sobre a assinatura digital e à sua aplicação a conteúdos de forma granularizada (como exemplo, a assinatura que aprova um pedaço do documento e não necessariamente o documento inteiro). (LAURINDO, 2008) Gestão de Pessoas e de Processos Segundo Laurindo (2008), as tecnologias voltadas para o gerenciamento por processos provêm das tradicionais técnicas de Organização e Métodos (O&M), bem como de Processamento de Dados em áreas especializadas e cuja finalidade era instituir a estrutura organizacional de definir métodos e fluxos de trabalho. 28 Além disso, como propõe Laurindo (2008), na chamada “administração científica”, já se percebia certa dificuldade de ser uma atividade com resultados estáticos, ou seja, receitava-se o que as pessoas deveriam realizar sem nenhum mecanismo de atualização e fiscalização. O período dos programas de qualidade, que se expandiram nos anos 80, inspirados na administração japonesa, colocou em xeque essas práticas solidificadas. Tinham bom resultado para as atividades rotineira e repetitivas mas, ainda assim, era comum encontrar atividades realizadas que não condiziam com as respectivas descrições nos documentos. Leia abaixo o que Laurindo (2008) diz sobre isso: Com a publicação da ISSO 9001, em 1987, foi disseminado o seguinte conceito: as áreas da organização definem seus processos, que, após formalizados, são fiscalizados por auditores especializados que, além de verificarem a aderência do prescrito versus o realizado, facilitam a dinâmica dos processos, Organização Escolar como Sistema Unidade I pois, à medida que eles evoluem, há uma atualização dos procedimentos e do treinamento de todos os envolvidos. Essa lógica segue o conceito de melhoria contínua, o PDCA (plan, do, check, act), o chamado ciclo de Deming, pois significa planejar uma atividade, realizá-la, verificar se o que foi realizado condiz com o planejado e atuar nas divergências. (LAURINDO, 2008) Paralelamente, as tecnologias relacionadas ao processamento de dados tiveram, historicamente, sua evolução muito conhecida com o rápido desenvolvimento da microeletrônica. A Lei de Moore – enunciada por Gordon Moore da Intel – estabeleceu que, em 30 anos e tendo sido verificado, o nº de componentes em uma pastilha de circuito integrado dobrava a cada 18 meses. Nesse mesmo caminho, o custo dos equipamentos de computação e do armazenamento de dados, tanto em memórias como em disco magnético e ótico, também foi reduzindo. Esse foi o marco para o lançamento dos primeiros microcomputadores (anos 70), culminando com o lançamento do PC (personal computer) pela IBM, em 1981, popularizando-se, então, esse equipamento. Nas telecomunicações, o movimento foi similar, com a digitalização do parque alojado, modificando os sistemas em uma grande rede de comunicação de dados, voz e imagem – a Rede Digital de Serviços Integrados (RDSI). Na década de 1960, o processamento de dados, cujas aplicações restringiam-se à atividade de tratamento de dados, foi modificado nas TICs (tecnologias de informação e comunicação), ainda mais conhecidas como TIs, resultantes da convergência tecnológica de computação, comunicação, envolvendo dados, voz e imagem. E justamente nesse quadro inserem-se as ferramentas de TI, que dão suporte à gestão por processos. Conforme Laurindo (2008), na perspectiva de TI nas organizações, o alcance evoluiu das aplicações administrativas clássicas, como folha de pagamento, faturamento e contabilidade, para aplicações inovadoras que envolvem o workflow (fluxo de trabalho) e o suporte às atividades, como relacionamento com clientes, CRM (Customer Relationship Management) e Bussiness Intelligence (BI), que objetivam incorporar ‘inteligência’ aos processos das organizações. As tecnologias da informação possibilitam algumas ferramentas que podem dar suporte às atividades de gestão por/de processos, podendo ser percebidas como as que auxiliam no projeto dos processos e as ferramentas que auxiliam na construção e na operação dos processos de trabalho. No primeiro caso (auxiliam no projeto dos processos), estão incluídas as ferramentas de simulação e de modelagem dos processos, que podem modelar o funcionamento de certas operações, utilizando técnicas de modelagem matemática. Por exemplo: um balcão de atendimento pode ser simulado com técnicas de teoria das filas, para se determinar o número de atendentes adequado para certo tempo de espera do cliente. Nesse raciocínio, as ferramentas auxiliares para a modelagem dos processos podem ser desenhadores, pois permitem a representação por meio de símbolos, podendo ser até ferramentas mais sofisticadas, com registro de características de cada atividade, o que vem a facilitar o desenvolvimento do software. Laurindo (2008) complementa essas informações apontando que o gestor atento aos processos e às informações advindas deles pode perceber muitos e diferentes dados que necessitam ser gerenciados. Vale ressaltar que, num processo de trabalho, são percebidas pessoas, informações e atividades. Os primeiros objetos a serem identificados são as atividades que delineiam os passos a serem seguidos. Esses objetos são os itens claramente identificados. As rotas são os caminhos a serem seguidos para a realização das atividades, podendo ocorrer fluxos diferenciados, de acordo com a evolução do processo. Operadores são as pessoas executoras do processo e, finalmente, os documentos correspondentes às informações do conteúdo do trabalho em andamento. Pós-Graduação a Distância Assim, as ferramentas que apóiam a automação dos processos diminuem as atividades manuais, armazenando as ocorrências necessárias e automatizando as afazeres repetitivos. Deve ser observado que, dada à grande variedade de processos nas organizações, não existe uma ferramenta universal que atenda bem a qualquer tipo de processo. 29 Organização Escolar como Sistema Gestão de Pessoas e de Processos Refletindo sobre a importância das novas tecnologias como ferramentas indispensáveis no estágio atual em que se encontra a sociedade contemporânea, delas não sendo mais possível prescindir, para que sejam alcançados os objetivos específicos do processo ensino-aprendizagem. pesquise a literatura sugerida no final do caderno e comente, em até 20 linhas, como se pode automatizar os processos de trabalho em uma instituição educacional que ferramentas podem ser utilizadas. 30 Unidade I Unidade II Grupos e Equipes na Gestão de Pessoas na Escola Capítulo 5 – Definição e Características de Gestão de Pessoas Todas as coisas estão em constante andamento, em constante mudança, como afirmou Heráclito, filósofo na Grécia antiga, alguns séculos antes de Cristo. A canção de Lulu Santos e Nelson Mota também afirma que: “Nada do foi será/ de novo do jeito que já foi um dia/ tudo passa, tudo sempre passará”. Portanto, a mudança é intrínseca à condição humana na busca por mais conhecimento e, dessa forma, não é característica do mundo moderno. Ela sempre existiu. COMO UMA ONDA Não faz muito tempo que a tecnologia despontou como base diferenciadora nas instituições, levando-as a uma posição de destaque. Atualmente, há uma relativa equiparação dos recursos tecnológicos utilizados nas organizações, o que faz com que esse dado não seja mais suficiente para garantir, sozinho, salto de crescimento ou posição de destaque. As leituras sobre o assunto permitem refletir sobre outro dado diferenciado e destacado: o fator humano. Vale ressaltar a inovação, a criatividade, a proatividade e a prontidão como elementos essenciais para as instituições e que estão diretamente relacionados à capacidade do homem. O desafio atual é saber se todo profissional tem o mesmo poder de contribuição em qualquer área e consequentemente afirmar que cada indivíduo tem habilidades, competências e perfil próprios. Como as organizações garantem que os profissionais que nelas atuam, com suas particularidades, estão alocados nos cargos e nas funções que possibilitam o uso pleno de seu potencial? Pós-Graduação a Distância Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia, tudo passa, tudo sempre passará, a vida vem em ondas como o mar Num indo e vindo infinito Tudo o que se vê não é Igual ao que a gente viu há um segundo Tudo muda o tempo todo no mundo Não adianta fugir Nem mentir pra si mesmo Agora há tanta vida lá fora Aqui dentro, sempre, como uma onda no mar Como uma onda no mar .... 31 Grupos e Equipes na Gestão de Pessoas na Escola Unidade II – Como explicar que uma grande organização seja formada por grandes profissionais, porém que grandes profissionais não formem necessariamente uma grande organização? Os estudiosos do assunto dialogam a respeito, afirmando que os motivos para tal acontecimento são reincidentes, podendo ocorrer em vários órgãos devido a problemas como: demora na compra de equipamentos e materiais; contratação de profissional com perfil inadequado para determinada função; atraso no envio de relatórios; passagem de informação incorreta ou incompleta para o cliente, no caso o aluno ou o seu responsável; falha no cumprimento de prazos; enfim, problemas e falhas repetitivas, de qualquer origem. Como afirma Sordi (2008): Tais falhas podem estar relacionadas a um conjunto de variáveis, sejam de origem tecnológica, humana ou de ambas. Isso mostra que nem só a Tecnologia e nem só o Fator Humano, isoladamente, podem fazer a diferença em uma empresa. Falhas só deixam de ocorrer e melhorias nos serviços só acontecem, quando as empresas conseguem gerir todos os seus recursos com visão sistêmica, de maneira integrada e direcionada aos objetivos organizacionais, isto é, quando possuem total domínio operacional e gerencial dos seus processos. Nesse contexto, Chiavenato (2006, apud CARVALHO e FERREIRA, 2007) afirma que uma das áreas que mais sofre modificações é a de Recursos Humanos, provocando, inclusive, mudanças nos nomes. Nas organizações a Gestão de Recursos Humanos (RH) tem sido denominada por Gestão de Talentos, Gestão de Parceiros ou de Colaboradores, Gestão do Capital Humano, Gestão do Capital Intelectual ou, até, Gestão de Pessoas e Gestão com Pessoas. Gestão de Pessoas e de Processos Tudo isso, explica Carvalho e Ferreira (2007), teve início com a chamada Revolução Industrial, chegando ao momento atual com muita eficácia, como podemos perceber o andamento da Gestão de Pessoas: 32 Antes de 1930 Gestão contábil Mão de obra “comprada”: enfoque contábil De 1930 a 1950 Gestão legal Leis trabalhistas De 1950 a 1965 Gestão tecnicista Treinamento, recrutamento e seleção, cargos e salários, higiene e segurança no trabalho De 1965 a 1985 Gestão administrativa Foco nos indivíduos e em suas relações (sindicatos, sociedade) De 1985 à atualidade Gestão estratégica Foco no aumento do envolvimento dos colaboradores e na integração dos sistemas de suporte De acordo com Chiavenatto (2005), a Gestão de Pessoas pode ser entendida como um “conjunto de políticas e práticas definidas de uma instituição para orientar o comportamento humano e as relações interpessoais no ambiente de trabalho.” Grupos e Equipes na Gestão de Pessoas na Escola Unidade II O contexto da Gestão de Pessoas é composto pelas pessoas e pelas organizações. É nesse espaço que as pessoas passam um grande tempo de suas vidas e as organizações dependem das pessoas para funcionar e alcançar sucesso; “são as pessoas que lhes dão vida, dinâmica, inteligência, criatividade e racionalidade”. (CARVALHO e FERREIRA, 2007) As pessoas dependem desse ambiente organizacional para trabalhar, visando a atingir as suas metas e os seus objetivos pessoais e individuais. Crescer na vida quase sempre significa crescer dentro das organizações. Há, portanto, “uma relação de duradoura simbiose entre pessoas e organizações”, afirma Carvalho e Ferreira (2007). Segundo Carvalho e Ferreira (2007), as organizações podem ser pequenas, médias e grandes; públicas ou privadas, quanto à propriedade, escolares, bancárias, financeiras, hospitalares, prestadoras de serviços, comerciais, entre outras. Desse modo, os indivíduos nascem nelas, aprendem nelas, servem-se delas, trabalham e passam a maior parte de suas vidas nelas. Você já havia pensado sobre isso? Concordando com Teixeira (2006), são muitas as dimensões internas e externas que envolvem a Gestão de Pessoas e que se destacam pela relevância, pelo mundo do trabalho, pelo mundo dos negócios, pela cultura e pelo clima organizacional. Pode-se afirmar que essas dimensões apontam para as transformações culturais e políticas, sociais, econômicas e tecnológicas, que estão sendo processadas em todo o mundo e, logo, no mundo organizacional. Em Carvalho e Ferreira (2007), pode-se ler que um conjunto de variáveis age no mundo dos negócios, operando sobre as organizações em um apressado ritmo. Com relação à Gestão de Pessoas, podem ser assim enfatizadas: A sociedade do conhecimento: cada vez mais sobressai o capital humano, que expressa o valor do conhecimento e de outros bens intangíveis. Segundo Pruzak (in TEIXEIRA, 2006), “ao contrário dos ativos materiais, que diminuem à medida que são usados, os ativos do conhecimento aumentam com o uso: as ideias geram novas ideias e o conhecimento é compartilhado com o doador, ao mesmo tempo que enriquece o recebedor”. Nessa sociedade, o trabalho tende a ser mais de natureza intelectual, transformando o trabalhador manual tradicional no trabalhador do conhecimento. A sociedade da informação: cada vez mais se fortalece a dimensão digital, o que leva as organizações a enfatizarem, como estratégias de competitividade, o e-busines e a gestão de pessoas (e-GP) que substitui a abordagem do isolamento do antigo departamento de pessoal para atuar de forma interativa e on-line com os funcionários das demais unidades da instituição. Como exemplos de otimização do uso da e-GP, podemos citar o acesso às informações, o recrutamento via internet, a e-learning, o acesso às oportunidades de capacitação, a facilitação da gestão por competências, a redução no tempo no levantamento de dados e informações, o auto-atendimento dos funcionários, a redução da distância da gestão de pessoas em relação aos alunos e a conectividade entre as pessoas. Nos últimos anos, a informática tem sido a grande inovação nas organizações. Vergara (2006) pondera que, com tantas e rápidas mudanças, a tônica assenta-se sobre a tecnologia. Engenharia genética, televisor de bolso, naves espaciais, robôs, mísseis inteligentes, computadores, celulares com múltiplas funções, automação bancária, código de barras, produtos tailor made, como, por exemplo, automóveis e calças jeans ao gosto do cliente, prospecção em águas profundas e uma lista sem fim dá à tecnologia um lugar de destaque. É tão grande esse lugar que, muitas vezes, deixamos de olhar para aquilo que os filósofos chamam de “vida boa”, aquela que é sublinhada pela ética, pelo que dá significado à vida. Tecnologia é meio, é o dedo que aponta; desenvolvimento é “vida boa”. Vale ressaltar que a tecnologia tem facilitado nossas vidas, mas, por si, não tem sido capaz de aumentar o Índice de Desenvolvimento Humano. Pós-Graduação a Distância A hipercompetitividade ao longo dos anos vem influenciando a privatização, a flexibilidade e o crescimento das multinacionais, inclusive brasileiras. (CARVALHO e FERREIRA, 2007) 33 Grupos e Equipes na Gestão de Pessoas na Escola Unidade II Diante disso, pode-se afirmar que o aparecimento da sociedade do conhecimento e da sociedade da informação, que se desenvolvem em ritmo rápido e crescente, torna os desafios mais difíceis de serem superados por meio da gestão tradicional de pessoas, com características de caráter técnico-funcional. MANUAL DO GESTOR Programação de retorno Caro gestor, que tal elaborar algumas novidades no segundo semestre? Programe atividades culturais e de lazer a serem desfrutadas por todos os membros de sua equipe. Vale sortear ingressos para o cinema, propor um jogo de futebol para o final da tarde de sexta-feira ou trazer artistas de teatro de bonecos para uma rápida apresentação na hora do recreio. Serve qualquer atividade mesmo, desde que seja surpresa e consiga alegrar o ambiente. Deu a louca na escola! Um importante treinamento que pode ser feito com sua equipe é permitir que em apenas um dia, todos troquem de funções. A professora de Química sempre reclama da falta de agilidade da secretária? O coordenador do ensino médio não gosta do atendimento telefônico? Você se irrita com o atendimento da Biblioteca? Pois então, troquem de funções! – Una toda a equipe. – Em pequenos papéis, escreva o nome de cada funcionário e, em outros cada uma das funções existentes na escola (pode incluir a de aluno). – Sorteie os profissionais e os cargos. – Na manhã seguinte, todos devem fazer o trabalho do colega. É importante que sejam respeitados os horários e que haja um conhecimento prévio da função. Mas isso é por conta de cada profissional, que deverá se informar e chegar preparado. – No dia do treino, peça que cada um procure resolver os conflitos que surgirem sem ajuda. A ideia é que se pense da seguinte maneira: “Estou em uma ilha deserta e preciso terminar essa tarefa para conseguir voltar para casa. Como proceder?”. Gestão de Pessoas e de Processos – Apenas em último caso o “titular” da função deve ser consultado. 34 – Após a manhã de treinamento, convoque uma reunião com todos os funcionários e peça que cada um fale a respeito da experiência. Dessa forma, muitas coisas simples do dia a dia poderão ser compreendidas e sua equipe ainda terá trabalhado o pensamento lateral. O que faz um bom gestor? Para responder essa pergunta, é preciso olhar para três áreas distintas: a escola, o cliente e o funcionário. Nesse sentido, um bom gestor precisa ter as seguintes características: – Ser visionário: saber para onde pode levar a empresa e se esse “poder” está em concordância com o que quer a diretoria. – Ser fornecedor: dar informações à equipe, para que esta possa trabalhar em conformidade com o que os clientes da escola realmente precisam. Grupos e Equipes na Gestão de Pessoas na Escola Unidade II – Ser protetor: impedir que outros gerentes de outros setores “contaminem” a equipe com pensamentos improdutivos ou pedidos inadequados. Cada setor deve ter a sua responsabilidade. Fonte: Prof. Gerard M. Blair. Processos cíclicos Em alguns momentos, seja para crescer, seja para diminuir, seja para trocar de endereço ou aumentar o público atendido, as escolas precisam se reorganizar. Reorganização implica algumas mudanças. No entanto, nem sempre esses processos – que deveriam ser naturais – são bem conduzidos. A falta de jeito para orientá-los pode causar muitos transtornos. Previna quaisquer conflitos, atendo-se a seis passos fundamentais para um processo de mudança saudável: 1. Permita que todos conheçam as razões da mudança; 2. Esteja presente para gerir o processo; 3. Antes de qualquer outra ação, realize um detalhado diagnóstico organizacional; 4. Defina a direção a ser tomada e revele-a para todos; 5. Estabeleça um plano estratégico de mudança e distribua funções; 6. Monitore e avalie o processo constantemente, até a sua finalização. Além de tomar esses cuidados, é preciso estar aberto ao diálogo. Muitas dúvidas povoarão a mente da sua equipe durante o processo e é importante que você esteja preparado para dar explicações consistentes. Gerenciando conflitos Problemas entre pais e professores, entre professores e alunos, entre dois professores, entre a coordenação e um professor específico. Por incrível que pareça, esses são apenas alguns pontos de possíveis conflitos a serem vistos dentro da escola. Então, como gerenciá-los? Enxergar: A primeira alternativa – e também a mais importante – é, uma vez ciente do problema, não negá-lo. Pelo contrário, é preciso mostrar que você sabe o que está acontecendo. Investigar: Converse com outras pessoas de dentro da escola para ouvir o que elas sabem a respeito da situação. Mas seja discreto e peça discrição a seus ajudantes. Resolver: Por fim, chame os participantes do conflito, converse com ambos, procure resolver o problema de forma não-violenta e exponha pontos positivos daquele conflito (o que cada um aprendeu com isso). Aceitar: Às vezes, por mais assertivo que você seja, o pai do aluno pode seguir firme na decisão de tirá-lo da escola, por exemplo. E ele tem o direito de fazer isso. Portanto, coloque sua opinião e dê-lhe opções para continuar dentro da escola, mas não impeça a mudança. Pós-Graduação a Distância Ouvir: Evite pré-julgamentos. Chame os atores do conflito separadamente e ouça-os com empatia. “Dar razão” a alguém nesse momento é algo que você realmente não deve fazer. 35 Grupos e Equipes na Gestão de Pessoas na Escola Unidade II Aprender: Observe a situação depois de finalizada e pergunte-se o que você aprendeu com ela. Isso vai lhe dar ferramentas para agir de maneira mais articulada em outras ocasiões delicadas, que certamente virão. Gestão Educacional – Ano 1 Nº 44 – 10/12/08 Eu, meu aluno e a Internet: uma história a ser “teclada” com muitas mãos Muito tem se falado sobre as tecnologias, seus impactos na sociedade, seus grandes benefícios e também malefícios. Naturalmente, essa realidade tem se refletido na escola, revelando uma grande diferença no nosso modo e no modo de nossos alunos de pensar e agir. Há um divisor entre os nascidos antes e depois do computador pessoal (anos 80) e, principalmente, da internet gratuita e “hyperlincável” (anos 90). Nossos alunos, segundo o educador americano Marc Prensky, são nativos nesse mundo tecnológico e, nós, imigrantes. Nossa forma de pensar e aprender, de se comunicar, de registrar, de se relacionar, difere muito da de nossos educandos. Enquanto nos comunicamos presencialmente ou por telefone, os planejamentos de aulas estão em cadernos ou folhas impressas, nossas pesquisas são feitas preferencialmente em livros, temos TV, CDs e DVDs para lazer, nossos alunos fazem tudo isto pelo computador com a Internet. Fruto de uma educação cartesiana e especialista, ainda realizamos as atividades de forma estanque, enquanto o jovem realiza tudo, preferencialmente, de forma simultânea. Uma cena comum nos lares dessa aldeia global: o adolescente fica no quarto, msn ativo, Orkut aberto, fazendo download de músicas em MP3, fala ao telefone convencional, passa mensagens pelo celular, olha um programa na TV, ouve música e, com o material didático aberto, ainda estuda para as provas. Toda essa diferença tem causado um estrondo na escola. É como se tivéssemos pessoas falando idiomas diferentes e ninguém se entendesse. Os professores reclamam de alunos indisciplinados e desmotivados. Alunos, por sua vez, consideram as aulas monótonas e sem “graça”. Qualquer semelhança com a sua escola ou com alguma que você conheça não é mera coincidência... É parte da história. Estamos vivendo esse desafio, não porque somos atrasados ou incompetentes, mas pelo fato puro e simples de que não tivemos tempo de nos preparar para isso tudo. A tecnologia chegou e pronto. Rápida e definitivamente. Não tem mais volta. Gestão de Pessoas e de Processos E como fazer para diminuir essa distância com nossos alunos e passar a estabelecer uma comunicação mais eficiente e produtiva com eles? Estabelecendo pontes! E como se faz isso, meu colega? Permitindo-se ser imigrante ou, ao menos, turista nesse mundo tecnológico. Temos de nos dispor a aprender o “tecnologês e o internetês”. É fácil? Isso depende de cada um. Sabemos que aprendizagem é processo e que cada um aprende no seu ritmo. E que todos aprendem. E por onde começar para ser, ao menos, um turista no mundo tecnológico? 36 Em primeiro lugar, é preciso disponibilidade. É necessário querer se apropriar desse conhecimento. Isso internalizado, os passos seguintes são simples e tranquilos. E não é necessário ir a escolas especializadas – os melhores professores estão em sua sala de aula. Essa é uma história que começa teclada a quatro mãos! Aproveite o conhecimento ferramental de seus alunos para dominar a técnica. Transformar informação em conhecimento, construir valores e conceitos corretos, enfim, cabe a nós, professores, uma sociedade mais humana. Vamos:- Comece aprendendo sobre a ferramenta de e-mail, instrumento fundamental de comunicação na web. Comece a navegar por sites e portais educacionais, afiliando-se a eles. Nesses sites, você Grupos e Equipes na Gestão de Pessoas na Escola Unidade II encontrará outros endereços interessantes, sugestões para aulas, trocas de experiências com outros docentes e um mundo de possibilidades pedagógicas. Depois, você pode montar um site pessoal ou blog. Os grandes portais oferecem ferramentas bem simples e gratuitas para montar o seu espaço na web. Exercícios, textos complementares, descritivos de pesquisas escolares, enfim, tudo fica hospedado na página pessoal e é acessado diretamente por seus alunos. Como utilizar essa ferramenta de forma didático-pedagógica? A tecnologia é um meio e não um fim. Ou seja, os recursos tecnológicos complementam todas as ações que já realizamos na escola, desde os livros, os vídeos, as feiras de ciências, os teatros e tudo mais. O essencial é perceber, com bom senso, o que é mais adequado para o momento, atentando-se ao perfil e às necessidades pedagógicas da turma, do conteúdo a ser trabalhado, do tempo disponível e da aplicabilidade. Tecnologia pressupõe planejamento. Nada de simplesmente ir ao laboratório e sugerir uma pesquisa livre. Isso é absolutamente improdutivo e perigoso. Você nunca sabe o que pode vir (experimente digitar “cavalo” num buscador de imagens e aterrorize-se!). O uso do laboratório de informática, seja para uso da Internet, de softwares educativos ou de aplicativos, deve ser oriundo de um conteúdo acadêmico. A aula nasce para atender a um objetivo pedagógico e utiliza-se de alguns recursos educacionais, entre eles, os tecnológicos. Logo, o conteúdo é apresentado em sala de aula e ampliado no laboratório ou vice-versa – e o principal são os objetivos pedagógicos a serem atingidos. Se realmente quiser propor aos alunos uma pesquisa, delimite a busca, indicando pelo menos cinco sites. Será produtivo e seguro para você e para o grupo. Cada vez que realizar uma atividade pedagógica virtual, registre no caderno dos alunos. Exemplo: o conteúdo “Célula” da unidade 1 foi abordado no site http://www.talecoisa.com.br, no laboratório de informática. Permita que os trabalhos dos alunos sejam apresentados em sites ou blogs. Há ainda as webquests, uma metodologia específica para trabalho pedagógico na web. Você também pode pesquisar lista de fóruns e debates em que se discutem assuntos de seu interesse, inclusive os acadêmicos – um número enorme de professores se interessa em contribuir e trocar experiências entre docentes. Ainda existe a possibilidade de se desenvolver uma atividade colaborativa, envolvendo grupos de outras escolas e cidades. Seja imigrante nesse maravilhoso mundo virtual e faça parte da realidade do seu estudante. Ainda há muita sensibilidade nas organizações, envolvendo a área de gestão de pessoas, tendo em vista que circunstancialmente, ela depende da cultura e do negócio da organização, das características do contexto ambiental, da tecnologia utilizada, dos processos internos e de uma infinidade de outras variantes. De acordo com Chiavenato (2005), a moderna gestão de pessoas reside na integralização de várias atividades, entre muitas, a descrição e a análise de cargos, o planejamento de relações humanas, o recrutamento, a seleção, a orientação e a motivação, além da avaliação de desempenho, da remuneração, do treinamento e do desenvolvimento, das relações sindicais, da segurança, da saúde e do bem-estar. Pós-Graduação a Distância Danielle Lourenço – Profissão Mestre – Ano 7 Nº 101-23/01/2009. 37 Grupos e Equipes na Gestão de Pessoas na Escola Unidade II É o conjunto de decisões integradas sobre as relações de emprego que influenciam a eficácia dos funcionários e das organizações. Assim, todos os gerentes são, em certo sentido, gerentes de pessoas, porque todos eles estão envolvidos em atividades como recrutamento, entrevista, seleção e treinamento. (CHIAVENATO, 2005) Gestar pessoas implica participar e cooperar, para que o gestor, como diretor, gerente, chefe ou supervisor possa desempenhar funções administrativas que constituem o processo administrativo de planejar, organizar, dirigir e controlar. Na leitura de Chiavenato (2005), a função da gestão de pessoas pode ser detalhada por meio de processos assim explicados. • Processos de Agregar Pessoas – são utilizados para a inclusão de novas pessoas na organização; incluem recrutamento e seleção. • Processos de Aplicar Pessoas – são empregados para desenhar as atividades que as pessoas irão realizar na empresa e para orientar e acompanhar o seu desempenho. Neles estão inclusos o desenho organizacional e o desenho de cargos, a orientação das pessoas e a avaliação do desempenho. • Processos de Recompensar Pessoas – são utilizados para incentivar as pessoas e para satisfazer suas necessidades individuais mais elevadas. Incluem recompensas, remuneração e benefícios sociais. • Processos de Desenvolver Pessoas – são utilizados para capacitar e incrementar o desenvolvimento profissional e pessoal das pessoas. Incluem treinamento e desenvolvimento, gestão do conhecimento e gestão de competências, programas de mudanças e de desenvolvimento de carreiras e programas. • Processos de Manter Pessoas – empregados para criar condições ambientais e psicológicas satisfatórias para as atividades das pessoas. Incluem a cultura organizacional, o clima, a disciplina, a higiene, a segurança, a qualidade de vida e a manutenção de relações sindicais. • Processos de Monitorar Pessoas – são utilizados para acompanhar e controlar as atividades das pessoas e para verificar resultados. Incluem banco de dados e sistemas de informações gerenciais. Gestão de Pessoas e de Processos Além disso, todos eles são desenhados de acordo com as exigências das influências organizacionais internas, para obter a melhor compatibilização entre si. Antigamente, relata Chiavenato (2005), os órgãos da Administração de Recursos Humanos eram tradicionalmente estruturados dentro de um esquema de departamentalização funcional, que predominava nas empresas. A estrutura privilegiava a especialização de cada órgão e a cooperação intradepartamental, que produz duas consequências indesejáveis. 38 • Os objetivos departamentais tornam-se mais importantes do que os objetivos globais e organizacionais. • A grande dificuldade de cooperação entre os departamentos é que eles mais se separam e brigam do que cooperam entre si, o que impede a visão sistêmica e a obtenção de sinergia entre os órgãos. Analise, a seguir, o esquema do Processo de Gestão de Pessoas do Hospital Universitário da Universidade Federal de Santa Catarina, elaborado com base em Chiavenato, 2005. Grupos e Equipes na Gestão de Pessoas na Escola Unidade II Esquema do processo de Gestão de Pessoas HU/UFSC Vale ressaltar que, sob a visão sistêmica, a velha tradição de dividir, segmentar e separar foi substituída por uma nova maneira de organizar a instituição. A ênfase está em juntar e não mais em separar. O foco não está mais nas tarefas, que são detalhes, mas nos processos, que transitam de ponta a ponta. Não mais nos meios, mas nos fins e nos resultados. Não mais em cargos individualizados, separados e confinados, mas no trabalho conjunto, realizado em equipes autônomas e multidisciplinares. É o holismo: focar o todo e não as partes. E isso está ocorrendo, também, na Gestão de Pessoas. Pós-Graduação a Distância A realidade é que o conhecimento passou a ser o diferencial entre as corporações. Esse conhecimento está nas pessoas e as pessoas o expressam por meio de suas habilidades, de suas atitudes, de suas competências. 39 Grupos e Equipes na Gestão de Pessoas na Escola Unidade II Capítulo 6 – Gestão de Pessoas por Competências A abelha é honrada, porque trabalha não só para ela, mas para todos. Provérbio Grego O uso frequente do temo competência, no ambiente de uma organização, fez com que ele adquirisse diversas conotações, sendo, não raras vezes, empregado de diferentes modos, conforme relata Carbone (2006, apud BRANDÃO, 2001). Autores norte-americanos entendem competência como um conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que possibilita ao indivíduo exercer determinadas atividades. Por outro lado, autores franceses associam a competência às realizações do indivíduo em determinado contexto, ou seja, àquilo que ele produz no trabalho. Reflita sobre o texto abaixo e anote suas conclusões. Gestão de Pessoas por Competências Gestão de Pessoas e de Processos Nos últimos anos, as organizações, cada vez mais conscientes de que seu sucesso será determinado pelas habilidades, pelas aptidões, pelos talentos e pelas experiências de seus empregados, passaram a atribuir maior relevância à gestão estratégica de recursos humanos, principalmente no que diz respeito ao desenvolvimento de competências profissionais. O interesse pelo assunto estimulou a realização de pesquisas e estudos, dando origem a uma corrente teórica que propõe a gestão de competências como mecanismo para gerar e sustentar vantagem competitiva. 40 Preliminarmente, é importante esclarecer a diferença entre os termos gestão de competências e gestão por competências. Enquanto o primeiro diz respeito à forma como a organização planeja, organiza, desenvolve, acompanha e avalia as competências necessárias à escola, o segundo sugere que a organização divida o trabalho de suas equipes segundo as competências. A gestão de competências pode incluir ou não a gestão por competências. Feito esse esclarecimento, são expostas, a seguir, algumas abordagens conceituais, as origens e aplicações práticas da gestão de competências nos diferentes níveis organizacionais. A fala sobre gestão de pessoas tem sido permeada por temas como a gestão estratégica e a gestão por competências nos últimos anos. Diversos trabalhos vêm analisando os conceitos envolvidos nesses temas, nos seus diferentes aspectos de Grupos e Equipes na Gestão de Pessoas na Escola Unidade II entendimento e aplicação ao contexto organizacional e, nesse contexto, a gestão de pessoas por competências é uma alternativa aos modelos gerenciais tradicionalmente utilizados pelas instituições. No final da Idade Média, o termo competência pertencia à linguagem jurídica. Dizia respeito à faculdade atribuída a alguém ou a uma instituição para apreciar e julgar certas questões. Por extenso, o termo veio designar o reconhecimento social sobre a capacidade de alguém pronunciar-se a respeito de determinado assunto e, mais tarde, passou a ser utilizado, também, para qualificar o indivíduo capaz de realizar certo trabalho (BRANDÃO, 2001, in CARBONE, 2006). Com o advento do taylorismo e a Revolução Industrial, o termo competência foi incorporado à linguagem organizacional, sendo utilizado para qualificar a pessoa capaz de desempenhar eficientemente determinado papel. A partir de 1970, o interesse pelo assunto estimulou o debate teórico e a realização de pesquisas. A segunda, representada principalmente por autores franceses, associa a competência às realizações da pessoa em determinado contexto, ou seja, àquilo que ela produz ou realiza no trabalho (DUTRA, 2004, in CARBONE, 2006). Fundamentado nessas duas vertentes, procurou-se a definição de competência, segundo Carbone (2006), a partir da junção das concepções dessas correntes. Vale ressaltar as competências válidas para o gestor, pois, associando-as às mentalidades, Rhinesmith (in VERGARA, 2006), lista algumas características pessoais. • Conhecimento – precisa ser amplo e profundo, cobrindo aspectos técnicos e da instituição, contribuindo para gerir adequadamente o processo competitivo. Pós-Graduação a Distância Gilbert (in CARBONE, 2006) ressalta que a competência humana é expressa em função do desempenho da pessoa no trabalho, o que envolve não apenas o comportamento que o indivíduo adota, mas também suas consequências, no tocante às realizações. A frequente utilização do termo competência no campo da gestão organizacional fez com que ele adquirisse muitas conotações, sendo, não raras vezes, empregado de diferentes modos. É possível, no entanto, perceber a existência de duas grandes correntes. A primeira, representada pelos autores norte-americanos, entende a competência como um estoque de qualificações (conhecimentos, habilidades e atitudes) que credencia a pessoa a exercer determinado trabalho. 41 Grupos e Equipes na Gestão de Pessoas na Escola • Conceituação – diz respeito ao pensamento abstrato, à capacidade conceitual necessária para lidar com a complexidade das organizações atuais. Para tanto deve ser especializado e holístico em sua maneira de pensar, o que implica conciliar análise e síntese. • Flexibilidade – refere-se à adaptabilidade necessária para lidar com as mudanças rápidas do ambiente, o que permitirá lidar com processos ao invés de lidar com regras e procedimentos. • Sensibilidade – necessária para lidar com as diferenças individuais presentes nas equipes. Para isso, precisa estar integrado e emocionalmente estável, como também aberto para outros pontos de vista e disposto a questionar suposições, valores e convicções. • Julgamento – está associado à qualidade de lidar com a incerteza, cada vez mais presente nas decisões gerenciais; • Reflexão – possibilita a perspectiva necessária para lidar com as exigências de um aprendizado contínuo. Gestão de Pessoas e de Processos O mesmo autor, Rhinesmith (in VERGARA, 2006), argumenta que a mentalidade e as características pessoais representam o lado ser da gestão, enquanto as competências referem-se ao lado fazer da gestão. Para ele, “competência é uma capacidade específica de executar a ação em um nível de habilidade que seja suficiente para alcançar o efeito desejado”. Uma competência desenvolve-se pelo fluxo entre mentalidade, prática e tarefa; logo, mentalidade não é competência. Na verdade, ela só se estabelece quando a mentalidade é transformada em comportamento. Da mesma forma, característica não é competência. Assim, uma pessoa pode ser sensível para lidar com diferenças individuais e, no entanto, não aplicar essa sensibilidade no trabalho em equipe. A sensibilidade transforma-se em competência gerencial quando o gestor a usa para conhecer a si e aos outros, bem como para criar, desenvolver e manter equipes de trabalho. 42 As competências elencadas por Rhinesmith (in VERGARA, 2006) são estas. • Gestão da competitividade – capacidade de coletar informações, com base legal, e de utilizá-las. • Gestão da complexidade – trata-se da capacidade de lidar com muitos interesses concorrentes, com contradições e com conflitos. • Gestão da adaptabilidade – relacionada à flexibilidade e à disposição para a mudança. Unidade II Grupos e Equipes na Gestão de Pessoas na Escola Unidade II • Gestão de equipes – explica a capacidade para lidar com as múltiplas habilidades funcionais os níveis diferenciados de experiências e as múltiplas origens culturais. • Gestão da incerteza – refere-se à capacidade de lidar com as mudanças contínuas, pelo equilíbrio adequado entre fluxo e controle. Para não desfrutarem da sensação de impotência e frustração, é melhor que os gestores se preparem para a mudança e não contra a mudança. • Gestão do aprendizado – diz respeito à capacidade de aprender sobre si mesmo, assim como de facilitar o aprendizado dos outros. Segundo Carbone (2006), muitas instituições adotam a gestão por competências como modelo de gestão, visando a orientar seus esforços para planejar, captar, desenvolver e avaliar, nos diferentes níveis da organização (individual, grupal e organizacional), as competências necessárias à consecução de seus objetivos. O modelo de gestão por competências começa a ganhar espaço dentro das instituições, principalmente na área de gestão de pessoas, entre elas a subárea de desenvolvimento. É um modelo interessante, pois confere a possibilidade da visualização do desenvolvimento, da aplicação e da mensuração das competências por meio da realização de atividades e da resolução de problemas embasados em fatos. Logo, esse modelo possui condições de autolegitimação. CARVALHO, Eliane Maria Cherulli e FERREIRA, Sandra Mara Bessa. Gestão de Pessoas para a Diversidade. Módulo CETEB, 2007. Segundo Carvalho e Ferreira (2007), a competência é então compreendida como o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes necessário para exercer determinada atividade, mas também como o desempenho expresso pela pessoa em determinado contexto, em determinados comportamentos em determinadas realizações decorrentes da mobilização e da aplicação de conhecimentos, habilidades e atitudes expressas no trabalho, agregando valor às pessoas e às organizações. Segundo Carbone (2006), muitas instituições adotam a gestão por competências como modelo de gestão, visando a orientar seus esforços para planejar, captar, desenvolver e avaliar, nos diferentes níveis da organização (individual, grupal e organizacional), as competências necessárias à consecução de seus objetivos. Pós-Graduação a Distância – E então, o que você entende por competência, numa visão de mundo moderno? 43 Grupos e Equipes na Gestão de Pessoas na Escola Unidade II O modelo de gestão por competências começa a ganhar espaço dentro das instituições, principalmente na área de gestão de pessoas, entre elas a subárea de desenvolvimento. É um modelo interessante, pois confere a possibilidade da visualização do desenvolvimento, da aplicação e da mensuração das competências por meio da realização de atividades e da resolução de problemas embasados em fatos. Logo, esse modelo possui condições de autolegitimação. Segundo Carvalho e Ferreira (2007), a definição de uma competência deve ser elaborada utilizando-se um verbo e um objeto de ação, como, por exemplo “resolve problemas de álgebra”. A ele pode ser acrescido, sempre que possível e conveniente, uma condição, na qual se espera que o desempenho ocorra, como, por exemplo, “resolve problemas de álgebra, sem utilizar calculadora”. Poderia, ainda, incluir um critério que indique um padrão de qualidade ou nível de desempenho considerado satisfatório, como, por exemplo, “resolve problemas de álgebra, cada um deles em menos de 10 min e com exatidão”. A título de ilustração observe: Comportamento verbo + ação + objeto de ação Edita textos Critério Condição Sem erros de digitação Comunica-se com os clientes De forma clara e objetiva Realiza análise de rendimento escolar Com prontidão Utilizando word Utilizando diferentes veículos de comunicação (telefone, fax, Internet). Utilizando modelos de mensuração de tabelas e gráficos Para obter boas descrições de competências, Carbone (2006) sugere as seguintes ações. • Utilizar verbos que expressem uma ação concreta, ou seja, que representem comportamentos passíveis de observação no ambiente de trabalho, como analisar, organizar, selecionar, comunicar, avaliar, estabelecer, elaborar, desenvolver, formular, entre outros. • Submeter as descrições das competências à crítica de pessoas-chave da organização, visando a identificar inconsistências e inadequações. Gestão de Pessoas e de Processos • Realizar validação semântica das competências descritas, visando a garantir que todos os funcionários compreendam da mesma forma o comportamento descrito. 44 Cada organização tem uma ideologia própria a respeito do papel das pessoas na tarefa organizacional. E para você? Qual é o papel e a importância das pessoas numa instituição? A escolar, por exemplo? Poste sua reflexão no Fórum 02. Grupos e Equipes na Gestão de Pessoas na Escola Unidade II Capítulo 7 – Seleção, Recrutamento e Capacitação de Pessoas na Escola As empresas que têm em mente que as pessoas garantem o seu sucesso conseguem oferecer algo mais na guerra pelos talentos. BREYER, 2004, apud CHIAVENATO, 2006 Na ótica de gestão de pessoas, recrutamento e seleção são atividades que estão de todo interligadas, andam sempre lado a lado. É difícil fazer uma separação entre elas, embora refiram-se a resultados finais distintos. Chiavenato (2006) indica que recrutamento “é o processo de identificação e atração de um grupo de candidatos, entre os quais serão escolhidos alguns para, posteriormente, serem contratados para o emprego”. A função do recrutamento é prover as necessidades da organização, ou melhor, “abastecer adequadamente o processo de seleção” (CHIAVENATO, 1997). Em suma, trata-se de um jeito de as empresas suprirem suas necessidades de recursos humanos, para atingir seus objetivos, por intermédio de uma estrutura social realmente qualificada. Mas como é possível alcançar tal resultado? Segundo Carvalho e Ferreira (2007), a resposta é simples: “basta pensar que, para isso, é necessário, como em todo estudo, um bom planejamento de pessoas para uma instituição”. • Por quê? A resposta virá por intermédio da necessidade da organização, de forma a descobrir se realmente há necessidade de recrutamento; • Quem? A resposta virá por meio da necessidade da organização, que indicará o perfil profissional desejado; • Como? A resposta está em como esse recrutamento deverá ser feito. De que forma, de que maneira e em que circunstâncias as pessoas serão recrutadas? • Onde? A resposta está na diversidade de locais onde se encontram disponíveis tais recursos humanos e onde a empresa deverá buscá-los, de acordo com suas necessidades. Pós-Graduação a Distância O fundamental é compreender que, independente do modelo de planejamento direcionado aos recursos humanos que a organização venha utilizar, na maioria das vezes, a participação na área de gestão de pessoas é inevitável e será importante responder: 45 Grupos e Equipes na Gestão de Pessoas na Escola Unidade II Leia o texto abaixo para complementar as informações sobre o assunto. Selecionar bem os talentos de uma escola – uma atitude de mestre Por Verônica de Lyra Maranhão* O processo de seleção é essencial para o sucesso de uma escola, pois é por meio dele que as instituições podem identificar pessoas competentes e talentosas para fazer a diferença neste mercado tão competitivo. O grande desafio atual é a condução do processo de seleção, que, na maioria das vezes, é muito falho. A falta de critérios e de instrumentos adequados é um dos principais motivos do insucesso e pode gerar grandes prejuízos financeiros, podendo causar perda de tempo e/ou de clientes, o que seria fatal. É totalmente compreensível e fundamental a preocupação, por parte dos dirigentes escolares, em não deixar o aluno sem as aulas programadas. Por outro lado, os pais desses alunos exercem uma cobrança e, com toda a razão, para que os filhos não fiquem sem as aulas de uma determinada disciplina. O cerne da questão é o seguinte: preocupados em não interromper a transmissão do conteúdo pedagógico, os educadores contratam professores despreparados, não fazem uma avaliação profunda sobre o candidato que irá preencher aquela vaga. A intenção é boa, claro, mas eles não têm a formação adequada para recrutar e selecionar seus colaboradores. Sem citar as inúmeras atividades diárias de que precisam dar conta, pois, como é sabido, a rotina de uma escola é muito intensa. E, então, o problema está instalado, significando: • Alta rotatividade de pessoas; • Insatisfação dos alunos, que são os principais clientes; • Reprovação dos pais; • Queda do nível de ensino; • Evasão escolar (o concorrente é quem sai ganhando); e Gestão de Pessoas e de Processos • Imagem negativa do colégio perante o mercado. 46 Outro fator relevante é que as instituições de ensino possuem, normalmente, um Departamento de Pessoal, altamente necessário, que cuida da folha de pagamento, do recolhimento dos encargos, da administração das grades de horários dos professores, dos cumprimentos das obrigações legais. Têm, sim, à frente desse Departamento, profissionais conhecedores de seu ofício, mas que não têm nem formação, nem sensibilidade, nem tempo para cuidar das questões relativas ao recrutamento, à seleção, ao treinamento e ao desenvolvimento das pessoas que compõem tal instituição. É, no mínimo, paradoxal o fato de educadores trabalharem em prol da formação do ser humano e não terem a visão de selecionar e desenvolver com afinco seus profissionais. É preciso ter em mente que todos os membros que compõem o corpo funcional de uma escola são extremamente importantes para o seu desenvolvimento global. Essas pessoas estarão em contato direto com inúmeras crianças e adolescentes em fase de formação . Precisam, portanto, estar bem preparadas, assim como conhecer a cultura do colégio em que trabalham. Daí a necessidade de se ter uma filosofia de educação continuada. Realizar cursos de atualização, programas de integração, entre outros eventos, fará com que essas pessoas estejam sempre em sintonia com os objetivos da instituição. Grupos e Equipes na Gestão de Pessoas na Escola Unidade II No que diz respeito ao corpo docente, serei mais rigorosa ainda. É necessário verificar a formação do candidato, que deve ser de boa qualidade, checar a procedência desse profissional, buscar referências profissionais, analisar a atuação dele em sala de aula. Proponha, por exemplo, uma “aula piloto” para um grupo de observadores, com o objetivo de auferir o grau de conhecimento técnico e de atualização acerca da disciplina que lecionará, bem como o nível de informação geral. É importante verificar, também, o aspecto comportamental da pessoa, sua postura, sua forma de falar, agir e se dirigir aos demais. É fundamental levar em consideração que esse candidato, como futuro professor da escola, colaborará na formação de indivíduos. Será um formador de opinião. Terá uma grande responsabilidade no futuro pessoal e profissional dessas crianças. Logo, um processo seletivo bem cuidado trará benefícios e resultados positivos para a organização. Daí a necessidade de se ter profissionais de Recursos Humanos preparados e estruturados, afinados com a filosofia da escola, para que tenham condições de traçar e realizar ações concretas e efetivas no que diz respeito à gestão de pessoas. No cenário em que vivemos atualmente, faz-se necessário parar e refletir. Estamos na era do capital intelectual, na era do conhecimento, as informações são velozes. As organizações estão implantando programas de desenvolvimento focados nas competências e as habilidades do colaborador. Mas acredito na formação sólida na base, ou seja, as competências e nas habilidades devem ser desenvolvidas na escola e em parceria com a família, para que o aluno esteja bem-preparado para deslanchar pessoal e profissionalmente na fase adulta. E como proporcionar tal feito, se as escolas não investem nas pessoas que compõem sua equipe? Com esse pensamento, fica o meu recado quanto à necessidade de os dirigentes escolares atentarem para a importância de se investir nas pessoas, seu maior ativo dentro da escola. Espero que vocês apreciem este texto e façam dele sua “lição de casa”, tornando este momento um ato de reflexão sobre a qualidade que se deseja incutir no local específico para a formação de seres humanos plenos – a escola. http://www.espacoartedecurar.com.br/artigos/artigo_talentos.html - acesso março 2009 Ocorrido o recrutamento de modo eficaz, dá-se início ao processo de seleção. Como o nome sugere, os indivíduos selecionados serão os que mais se adequarem à realidade e à necessidade da instituição. É o momento de “escolher e classificar os candidatos adequados” às carências da organização. “Para realizar o procedimento, existem três alternativas: – recrutamento interno – recrutamento externo – recrutamento misto” (CHIAVENATO, 2006). • No plano externo – “procura preencher a vaga (posição) existente com candidatos externos, atraídos pelas técnicas de recrutamento.” (CHIAVENATO, 2006 apud FORTUNA e ARAÚJO, 2006) • No plano misto– “as instituições em geral utilizam o recrutamento e a seleção internos e externos”. Esses planos não são excludentes, mas “se complementam e se completam” (CHIAVENATO, 2006 apud ZOUAIN e ARAÚJO, 2006). Pós-Graduação a Distância • No plano interno – há o recrutamento quando a organização procura preencher uma vaga para um posto de trabalho mediante o remanejamento de seus funcionários, que podem ser promovidos, transferidos (movimentação horizontal) ou transferidos com promoção (ascensão funcional). 47 Grupos e Equipes na Gestão de Pessoas na Escola Unidade II Esse é um processo por meio do qual podem ser notadas vantagens e desvantagens. Analise-as no quadro abaixo. LIMITAÇÕES VANTAGENS Recrutamento e Seleção Internos – Necessidade de investimentos de menor ordem – Rapidez no processo – Disponibilidade de investimentos em outras atividades – Segurança em relação aos seus recursos humanos – Motivação das pessoas – – – – – Pessoas enraizadas com a cultura Relacionamentos em conflito Excesso de promoção Protecionismo Ausência de racionalidade no processo Recrutamento e Seleção Externos Recrutamento e Seleção Mistos – Renovação dos recursos humanos da organização – Motivação das pessoas da organização – Possível manutenção da racionalidade no processo – Dificuldade de se exercer protecionismo, nepotismo – Possível segurança em relação às pessoas a serem contratadas – Maior necessidade de investimento – Volume de investimento de maior a fim de atrair o público-alvo magnitude – Insegurança em relação às pessoas – Demora no processo a serem contratadas – Possível insegurança em relação – Demora no processo às pessoas a serem contratadas – Desmotivação das pessoas da – Possível manutenção da organização subjetividade – Renovação das pessoas da organização – Ausência de conflitos em relacionamentos – Ausência de protecionismo, nepotismo – Manutenção da racionalidade no processo Carvalho e Ferreira (2007) apontam que, para atender à exigência de qualidade da mão-de-obra implícita nas organizações, o gestor deve ser cuidadoso nas diferentes etapas do processo de busca dessas pessoas e, posteriormente, em sua permanência, seu desenvolvimento e sua contínua satisfação, enquanto permanecerem dentro das organizações. Nesse caminho, entende-se que um momento qualquer, uma organização ou um sistema já existente estarão funcionando com um certo número de pessoas. Ocorre que contingente é basicamente dinâmico. Servidores adoecem, aposentam-se, morrem, mudam de emprego, são transferidos, são despedidos ou, por quaisquer outros motivos, deixam de fazer parte do quadro funcional da organização. Deste modo, essas pessoas, num dado momento, deverão ser substituídas por outras. Além disso, o crescimento de qualquer organização ou sistema irá exigir mais funcionários. Em qualquer das duas situações, recorre-se ao mercado de trabalho pelo processo de recrutamento e seleção. A primeira etapa do processo de procura de pessoas para integrar uma organização é o recrutamento. Recrutar significa buscar no mercado de trabalho as pessoas que potencialmente poderão preencher as necessidades de mão-de-obra de uma organização, num determinado momento. O processo de recrutar almeja reunir um grupo de pessoas para que, na etapa seguinte da seleção, algumas delas possam ser escolhidas para efetivamente ingressarem na organização. Gestão de Pessoas e de Processos Por meio de mensagens claras, com veículos e canais que permitam atingir o público alvo desejado e para que as pessoas possam saber que uma organização está procurando candidatos com determinadas características, é preciso, antes de tudo, difundir essa intenção. 48 De acordo com Carvalho e Ferreira (2007), com relação às organizações públicas, há necessidade de que sejam obedecidas as normas legais específicas e reguladoras do processo de aprovação no serviço público. Inicialmente, o recrutamento deve ser aberto aos cidadãos que detenham as condições claramente explicitadas e amplamente divulgadas, com a antecedência exigida pelas normas legais, nos diversos meios de comunicação. Isso prende-se ao fato de que o anúncio chegue aos interessados, sem restrições, exceto as especiais e declaradas no edital do recrutamento. Nesse caso, certas alternativas de baixo ônus atingem bons resultados: (a) divulgação em universidades e escolas, (b) divulgação em associações de classe, e, mais recentemente, (c) divulgação na Internet. Ressalta-se que as pessoas recrutadas serão submetidas à seleção e que, no caso do serviço público, serão considerados, ainda, as provas e os títulos. Grupos e Equipes na Gestão de Pessoas na Escola Unidade II Assim, é considerado no serviço público, além das provas, o curriculum vitae dos candidatos por meio de pontuação atribuída aos aspectos relevantes da vida profissional deles. Ressalta-se, ainda, que a seleção de profissionais para vagas em instituições particulares de ensino é realizada por meio das mais variadas formas, dependendo da estrutura da instituição ou mesmo de suas concepções sobre o assunto. No contexto, podem ser citadas a análise do currículo, as entrevistas, as provas teóricas ou práticas, bem como as recomendações de outras instituições. Tendo ocorrido com eficácia as etapas de recrutamento e seleção, os candidatos admitidos normalmente devem participar de cursos continuados e práticos, também conhecidos como programas de ambientação, que dão início à sua formação e ao desenvolvimento de habilidades e competências no seu processo de profissionalização para a função para a qual tenha se colocado disponível para atuar. Carvalho e Ferreira (2007) relatam que alguns tópicos exemplificam as abordagens nesses cursos, quais sejam: apresentação dos recém-chegados aos seus locais de trabalho e fornecimento de todo o material de que necessitarão para seu exercício funcional; apresentação dos recém-chegados aos seus chefes e aos colegas com os quais irão trabalhar; descrição sucinta da organização, de seus objetivos e de sua filosofia; apresentação da rotina normal de trabalho a ser seguida pelo recém-chegado; início à formação de um espírito de corpo, pela motivação dos recém-chegados, para que “vistam a camisa” da organização; esclarecimento das principais dúvidas que todos os recém-chegados têm em relação aos detalhes de seu novo ambiente de trabalho e aos seus direitos e deveres funcionais. Entende-se que a capacitação ou a qualificação dos profissionais de qualquer instituição pública ou não, quando associada à motivação, conduz ao êxito. Quando houve a transição dos navios de madeira para os de metal, determinado almirante afirmou que preferia “homens de ferro em navios de madeira, do que homens de madeira em navios de ferro”. Atualmente, essa afirmativa ainda pode ser traduzida, se consideradas a capacitação e a motivação dos profissionais da organização. E a recomendação dos estudiosos do assunto é que as instituições não se descuidem da formação continuada dos seus funcionários, de modo que possam: melhorar o nível de desempenho funcional; atualizar os servidores, para manter o desempenho em acordo com a evolução dos métodos, das técnicas e dos equipamentos usados na organização; preparálos para eventuais modificações que ocorram na organização; aumentar e manter elevado o nível de motivação das pessoas atuantes. – quais são os saberes necessários ao gestor capaz de lidar com essa realidade de mudanças, que exige construção e reconstrução de competências (saberes) dos professores e, consequentemente, do próprio gestor? – qual o impacto desses saberes sobre a sua prática? Poste no memorial as suas reflexões. Pós-Graduação a Distância Elabore um texto, de até 25 linhas, salientando: 49 Grupos e Equipes na Gestão de Pessoas na Escola Unidade II Capítulo 8 – Diferenciação entre Grupos e Equipes na Escola: Benefícios dos Trabalhos em Equipes 1. Como você se comunica de forma geral? Com humildade ou com arrogância? 2. Por que as palavras são importantes para a qualidade do relacionamento? Nas organizações, os grupos existem como grupos de trabalho e consistem em mais de dois indivíduos interativos e interdependentes que juntos visam a um determinado objetivo. Lendo Reis (2006), entende-se que os grupos de trabalho podem ser formais ou informais. Os primeiros definem-se pela estrutura organizacional, com missões e tarefas a eles atribuídas e resultantes dos objetivos, das metas e da missão da organização. Ressalta-se que os comportamentos dos integrantes são definidos pelos papéis que exercem, sendo consequência de suas atribuições. Os grupos informais surgem de alianças, de acordos implícitos e de motivações individuais, que conduzem os indivíduos a assumirem compromissos às vezes imprevisíveis pela organização em que tais grupos se instalam. Como grupos formais, a organização pode criar pelo menos três espécies, diferenciadas pelos padrões de origem, que são denominadas grupo, força tarefa e tripulação. A primeira é formada quando a organização seleciona pessoas e as treina para determinados conhecimentos e desenvolvimento das habilidades, tornando-as aptas para desenvolver projetos de média e longa duração com o emprego de tecnologia. A força tarefa surge pela necessidade de viabilizar projetos específicos, com propósitos determinados, com a designação das pessoas. Só depois disso é que se busca a seleção de ferramentas, de regras, de recursos e de procedimentos para completar o projeto. Gestão de Pessoas e de Processos De acordo com Reis (2006), a terceira espécie de grupo surge quando a instituição tem como meta uma tecnologia a ser desenvolvida ou difundida e, para isso, estrutura um sistema tecnológico ou um projeto que precisa de indivíduos para ser operacionalizado. 50 Os grupos podem ser permanentes e temporários, em relação ao tempo. Permanentes são os comitês e as equipes gerenciais e os que sobrevivem ao longo do tempo nas organizações. Os temporários são aqueles que surgem para atender determinadas necessidades e são extintos quando elas deixam de existir. Ao falarmos em grupos, devemos atentar que: • pertencer ao grupo implica submeter-se às suas regras e normas; • grupos têm poder forte nas organizações, e esse poder pode ser utilizado a favor dos objetivos da organização ou contra eles; Grupos e Equipes na Gestão de Pessoas na Escola Unidade II • o gestor capaz deve aprender a lidar com grupos; • lidar com pessoas consiste em ser capaz de superar tensões comuns aos grupos, canalizando-as para os objetivos grupais, mas ligados aos organizacionais. Logo, é válido refletir sobre a interação entre o indivíduo e o grupo, na medida em que somos consequência de nossas pessoalidades, somos produto da interação dessas características com o ambiente, com as pessoas, com os grupos com os quais pertencemos e valoramos. Gestar pessoas implica compreender que o grupo é maior do que os indivíduos, embora seja formado por eles. Por isso é fundamental para a gestão de grupos uma comunicação aberta, em que o ouvir seja uma questão de aprendizagem tal qual o falar. As pesquisas com grupos reportam para o exemplo clássico de Helton Mayo, que, no período de 1927 a 1932, ao conduzir pesquisas em uma fábrica, buscando estabelecer relações entre as variáveis - luminosidade, ambiente de trabalho e eficiência, concluiu que a integração social, o apoio do grupo e os elementos emocionais deveriam receber mais atenção. Em Reis (2006), a reflexão assenta-se sobre as equipes, podendo defini-las como “padrão complexo de relações dinâmicas entre um conjunto de pessoas que utiliza determinados recursos para atingir determinados propósitos comuns”. O que destaca numa equipe de trabalho é o esforço coletivo e a responsabilidade compartilhada pelos resultados globais, pelos objetivos de trabalho compartilhado e pelas unidades de trabalho semiautônomas ou autônomas. Segundo Reis (2006), nos grupos são destacados o esforço individual, a responsabilidade por resultados e objetivos de trabalhos individuais em unidades de trabalho dependentes, o que, a primeira vista, pode ser confundido com o trabalho em equipe. Compete ao gestor eficaz compreender as diferenças, favorecendo o trabalho cooperativo e conjunto, como modo de formar e concretizar o trabalho em equipe. Numa equipe podem ser observados os seguintes estágios. • Formação – regras do jogo, objetivos, comportamentos sociais, desempenho etc. • Conflito – o que será realizado? Por quem? De qual maneira? • Normatização – coesão e identificação dos membros; só será concluída pela aceitação das normas e dos procedimentos da equipe. • Desempenho – execução das atividades; fase da produtividade, nem sempre em níveis constantes. • Desintegração ou renovação. Alguns aspectos, como resultados produtivos do trabalho, satisfação dos membros, sobrevivência da equipe, podem justificar a efetividade de uma equipe, considerando que determinados dados podem responder pelo sucesso de uma equipe, tais como a correspondência entre a quantidade de membros, a competência técnica dos membros, o suporte social com certa margem de liberdade, a confiança e a autonomia em relação aos líderes da organização e o sistema de recompensas como boa comunicação e feedbacks adequados. E, falando em comunicação, Carvalho e Ferreira (2007) propõem refletir sobre o texto de Lya Luft. Leia o que ela nos diz sobre o poder das palavras. Pós-Graduação a Distância Muitos fatores afetam uma equipe estruturalmente. Alguns elementos estruturais podem interferir nas fases do desenvolvimento de uma equipe, como as normas (informalmente estabelecidas), os papéis (nem sempre resultantes do processo de decisões) e o prestígio ou o status (reconhecimento social dado a um membro ou a toda a equipe). 51 Grupos e Equipes na Gestão de Pessoas na Escola Unidade II A força das palavras Palavras ofendem mais do que a realidade – sempre achei isso muito divertido. Palavras servem para criar mal-entendidos que magoam durante anos: – Você aquela vez disse que eu... – De jeito nenhum, eu jamais imaginei, nem de longe, dizer uma coisa dessas... – Mas você disse... – Nunca! Tenho certeza absoluta! Vivemos nesses enganos, nesses desencontros, nesse desperdício de felicidade e afeto. No sofrimento desnecessário, quando silenciamos em lugar de esclarecer. “Agora não quero falar nisso”, dizemos. Mas a gente devia falar exatamente disso que nos assusta e nos afasta do outro. O silêncio, quando devíamos falar, ou a palavra errada, quando devíamos ter ficado quietos: instauram-se, assim, o drama da convivência e a dificuldade do amor. Sou dos que optam pela palavra sempre que é possível. Olho no olho, às vezes, mão na mão ou mão no ombro: vem cá, vamos conversar? Nem sempre é possível. Mas, em geral, é melhor do que o silêncio crispado e as palavras varridas para baixo do tapete. Não falo do silêncio bom em que se compartilham ternura e entendimento. Falo do mal de um silêncio ressentido em que se acumulam incompreensão e amargura – o vazio cresce e a mágoa distancia na mesma sala, na mesma cama, na mesma vida. Em parte porque nada foi dito, quando tudo precisaria ser falado, talvez até para que a gente pudesse se afastar com amizade e respeito quando ainda era tempo. Gestão de Pessoas e de Processos Falar é também a essência da terapia: pronunciando o nome das coisas que nos feriram, ou das que nos assustam mais, de alguma forma adquirimos sobre elas um mínimo controle. O fantasma passa a ter nome e rosto e começamos a lidar com ele. Há estudos interessantíssimos sobre os nomes atribuídos ao diabo, a enfermidades consideradas incuráveis ou altamente contagiosas: muitas vezes, em lugar das palavras exatas, usamos eufemismos para que o mal a que elas se referem não nos atinja. A palavra faz parte da nossa essência: com ela, nos acercamos do outro, nos entregamos ou nos negamos, apaziguamos, ferimos e matamos. Com a palavra, seduzimos num texto: com a palavra, liquidamos – negócios, amores. Uma palavra confere o nome ao filho que nasce e ao navio que transportará vidas ou armas. 52 “Vá”, “Venha”, “Fique”, “Eu vou”, “Eu não sei”, “Eu quero, mas não posso”, “Sim, eu mereço” – dessa forma, marcamos as nossas escolhas, a derrota diante do nosso medo ou a vitória sobre o nosso susto. Viemos ao mundo para dar nomes às coisas: dessa forma nos tornamos senhores delas ou servos de quem as batizar antes de nós. A forma como comunicamos o que pensamos e o que sentimos, bem como a forma como as pessoas que fazem parte dos grupos a que pertencemos se comunicam determinam não só o nível de interação entre os membros desses grupos, mas a capacidade que têm de persuasão, ou seja, determinam a potencial e a real influência social que uns exercem sobre os outros. Grupos e Equipes na Gestão de Pessoas na Escola Unidade II A maneira como as pessoas percebem o mundo é mais resultado do processo de interação e construção coletiva do que de sua individualidade. Tudo isso acontece de forma inconsciente e em um processo de aprendizagem contínuo, de modo que a cada momento essas normas fluem, podendo manter-se ou mudarem. As normas estabelecidas na sua organização devem fazer parte de um processo interativo, para serem aceitas e incorporadas como suas, elevando sua satisfação e o grau de satisfação com a meta. Para que as pessoas se sintam integradas ao processo decisório, são ferramentas fundamentais o diálogo e a participação, que contribuem, em maior ou menor escala, para a construção ou a consolidação de expectativas. As expectativas dos membros de uma organização são importantes fontes de conhecimento para se conseguir a dinâmica necessária para um bom funcionamento do grupo ou da equipe de trabalho. Há forte correlação entre coesão e poder do grupo – quanto mais coeso é um grupo mais poder exercerá sobre os demais e maior será a resistência interna às mudanças no próprio grupo. É preciso observar, ainda, que o poder é exercido diferentemente dentro do próprio grupo em função das características individuais dos membros que o constituem: maior poder de argumentação e persuasão; maior capacidade de expressar as próprias ideias; maior conhecimento do tema debatido; melhor posição hierárquica na instituição... O poder é, assim, exercido de forma desigual entre os membros. Quanto mais central, mais identificado com o grupo e mais resistente à mudança. Cabe ao gestor coordenar tais forças, de maneira que se equilibrem e que todos se sintam seguros ao participar. Além desses, são muitos os aspectos que contribuem para maximizar o rendimento do grupo: • Motivação do grupo – é fundamental reconhecer que as variáveis psicológicas podem influenciar na produtividade, ou seja, o sentimento de pertença, de ser importante, de ter um grupo de amigos com objetivos comuns. • Liderança – líder, geralmente, é a pessoa que melhor síntese faz das aspirações do grupo. Mudando as aspirações, ou o líder muda com elas ou se muda o líder. A maneira de lidar com pessoas, a capacidade de enfrentar obstáculos para defender interesses do grupo ou a capacidade de correr riscos para cumprir metas, é o que faz um líder. LUFT, L. Revista Veja, jul. 2005, p. 20. Desta forma, a percepção do mundo pelas pessoas resulta do processo de interação e construção coletiva de sua individualidade. Isso ocorre de forma inconsciente e em um processo de aprendizagem contínuo. As normas estabelecidas em uma organização devem compor o processo interativo para serem aceitas e incorporadas, aumentando o grau de satisfação profissional. Disso decorre que o diálogo e a participação são fatores essências para que as pessoas se sintam integradas ao processo decisório da organização. Chiavenato (2005) explica as diferenças entre o trabalho em grupo e o trabalho em equipe. Leia o artigo abaixo e anote suas reflexões pessoais. Pós-Graduação a Distância Assim, a forma de comunicar pensamentos e sentimentos determina não só o nível de interatividade entre os pares, mas a capacidade que têm de persuasão, porque determinam a real influência de uns sobre os outros. 53 Grupos e Equipes na Gestão de Pessoas na Escola Unidade II Trabalhar em grupo ou trabalhar em equipe. Qual a diferença? Idalberto Chiavenato Com todas as mudanças organizacionais que estão ocorrendo na grande maioria das empresas, seja por programas de qualidade total, desenvolvimento organizacional, reengenharia, downsizing e coisas do gênero, o certo é que está havendo uma forte tendência para o fortalecimento de grupos e de equipes de trabalho em detrimento do antigo enfoque formal, departamental ou divisional que existia nas empresas. O novo ambiente de trabalho procura privilegiar a mudança e a adaptação e, principalmente, o desempenho excelente. E como as empresas lutam por produtividade, qualidade total, satisfação do cliente, o certo é que elas estão buscando novos e criativos meios para utilizar os grupos e as equipes de pessoas como a base fundamental para a melhoria do desempenho. Por sinal, a revista Fortune apareceu, há uns tempos, uma curiosa pergunta estampada em sua primeira página: “Quem precisa de um chefe?” A resposta provavelmente poderia ser: “quem trabalha isoladamente e não o funcionário que trabalha em equipes autogerenciadas”. Na realidade, os conceitos de grupo e de equipe representam hoje um dos aspectos mais importantes na melhoria da produtividade e da qualidade de vida das pessoas no trabalho. Gestão de Pessoas e de Processos No passado, prevaleceu por longas décadas, a noção de que os indivíduos constituíam o elemento básico na construção dos blocos organizacionais. O tempo, a experiência e os resultados serviram para descartar essa noção míope e errônea e as empresas mais avançadas passaram a redesenhar os seus processos organizacionais construídos sobre e ao redor de indivíduos e remodelando-os inteiramente ao nível de grupos de trabalho. Um grande número de empresas está migrando rápida e definitivamente nessa direção: a ideia é sair do nível do átomo ou da molécula e passar a selecionar grupos – e não mais indivíduos, – treinar grupos, remunerar grupos, promover grupos, liderar grupos, motivar grupos, e uma enorme extensão de atividades organizacionais no sentido de utilizar não mais as pessoas de maneira confinada e isolada, mas grupos de trabalho, atuando coesa e conjuntamente. Chegou, portanto, a hora de levar os grupos e as equipes de trabalho a sério. Um grupo pode ser definido como um conjunto de duas ou mais pessoas que trabalham juntas para alcançar um ou mais objetivos comuns. Nesse sentido, um grupo é muito mais do que um simples conjunto de pessoas, pois seus membros consideram-se mutuamente dependentes, para alcançar seus objetivos, e eles interagem uns com os outros regularmente, para alcançar os objetivos no decorrer do tempo. 54 Obviamente, por trás disso, os gerentes estão participando das atividades de muitos e diferentes grupos em suas empresas e liderando-as. Existem grupos formais e informais. Um grupo formal é um grupo oficialmente designado para atender a um específico propósito dentro de uma empresa. Algumas unidades de grupo são permanentes e até podem aparecer nos organogramas de muitas empresas na figura de departamentos (como departamento de pesquisa de mercado), de divisões (como divisão de produtos de consumo) ou de equipes (como equipe de montagem de produtos). Um grupo permanente pode variar de tamanho, indo desde um pequeno departamento ou uma equipe de poucas pessoas até grandes divisões com centenas de pessoas envolvidas. Em todos esses casos, os grupos formais compartilham a característica comum de terem sido criados oficialmente para desempenhar certas tarefas em uma base duradoura e continuam sua existência até que alguma decisão mude ou reconfigure a organização por alguma razão. Os grupos Grupos e Equipes na Gestão de Pessoas na Escola Unidade II temporários são criados para específicos propósitos e se dissolvem quando tal propósito é alcançado ou cumprido. Certos comitês ou certas forças-tarefa criadas para resolver problemas específicos ou para cumprir atribuições especiais são exemplos típicos de grupos temporários. O presidente de uma empresa pode solicitar uma força tarefa para estudar a viabilidade de adotar horário flexível para o pessoal de nível gerencial da empresa. Alguns grupos temporários requerem muito mais um líder ou orientador do que um gerente para alcançar bons resultados. Por outro lado, muitas empresas utilizam grupos informais que emergem extraoficialmente e que não são reconhecidos como parte da estrutura formal da organização. São grupos amigáveis, que se compõem de pessoas com afinidades naturais entre si e que trabalham juntas com mais facilidade. Os grupos de interesses são compostos de pessoas que compartilham interesses comuns e que podem ter interesses relacionados com o trabalho, como serviços comunitários, esportes ou religião. Quaisquer que sejam os tipos de grupos de trabalho, é inegável a sua enorme utilidade para as empresas. Leavitt, conhecido psicólogo organizacional, assegura que os gerentes devem utilizar os grupos como importantes recursos organizacionais, pelas seguintes razões. • Os grupos fazem bem às pessoas, pois transformam o trabalho em uma atividade social. • Os grupos satisfazem importantes necessidades sociais e de estima das pessoas. • Os grupos permitem uma identidade aos seus membros e oferecem suporte social, especialmente em situações de crise ou de pressão. • Os grupos podem estimular fortemente a criatividade e a inovação dos seus membros. • Os grupos quase sempre tomam melhores decisões do que os indivíduos isoladamente. • Os grupos podem acelerar a implementação e a coordenação de decisões. • Os grupos podem ajudar a neutralizar o lado negativo (como rigidez, impessoalidade, rotina, frieza, distância social etc.) dos efeitos das organizações de grande porte. • Os grupos constituem um importante fenômeno organizacional para passarem despercebidos e serem mal aproveitados. • Os grupos são melhores quando não requerem nenhuma especialização individual quando não há nenhum caráter especializado para resolver uma situação problemática, os grupos tendem a fazer melhores julgamentos do que a média dos indivíduos agindo isoladamente. • Os grupos são melhores para tarefas complexas que podem ser subdivididas – quando a solução de problemas complexos pode ser manejada por meio da uma divisão do trabalho e do compartilhamento da informação, os grupos são mais bem sucedidos que indivíduos. Pós-Graduação a Distância Tanto as empresas quanto seus gerentes têm muito a ganhar com a adequada utilização de grupos de trabalho. Os grupos permitem à empresa alavancar o ganho de resultados no cumprimento de importantes tarefas, especialmente quando sob as seguintes condições. 55 Grupos e Equipes na Gestão de Pessoas na Escola Unidade II • Os grupos são melhores quando o risco é desejável – devido à sua forte tendência a tomar decisões mais extremas, os grupos podem, muitas vezes, ser mais criativos e inovadores em desempenhar certas tarefas do que os indivíduos isoladamente. Assim, um grupo de trabalho é o conjunto de dois ou mais indivíduos que são interagentes e interdependentes. É, portanto, um grupo que interage primariamente, para compartilhar informação e tomar decisões que ajudam cada membro a executar melhor as suas tarefas dentro de sua área de responsabilidade. Um grupo não tem oportunidades ou condições para se engajar em um trabalho coletivo que requeira esforço conjunto, pois seu desempenho é meramente a soma das contribuições de cada membro individual. Não há sinergia positiva que possa gerar um nível extraordinário de desempenho que ultrapasse a soma das contribuições individuais. Onde chega o limite máximo de um grupo começa o conceito de equipe. Mas, quais são as reais diferenças entre grupos e equipes? Essas diferenças podem parecer tênues à primeira vista, mas marcam profundamente uma razoável distância entre ambos os conceitos. A utilização do termo equipe está sendo cada vez mais crescente para referir-se a vários tipos de grupos formais. No ambiente de trabalho, a equipe é um pequeno grupo de pessoas com habilidades complementares e que trabalham em conjunto para alcançar um propósito comum pelo qual são coletivamente responsáveis. Uma equipe gera sinergia positiva por meio do esforço coordenado. Os esforços individuais são integrados para resultar em um nível de desempenho que é maior do que a soma de suas partes individuais. Assim, o que difere uma equipe de um grupo de trabalho são basicamente quatro aspectos fundamentais. • Objetivo – enquanto o grupo tem por objetivo partilhar informações, a equipe está voltada para o desempenho coletivo e integrado. • Sinergia – enquanto o grupo apresenta sinergia neutra e muitas vezes negativa, a equipe é capaz de desenvolver sinergia positiva. • Responsabilidade – enquanto o grupo se caracteriza pela responsabilidade individual e isolada, a equipe se caracteriza pela responsabilidade individual e mútua, coletiva e solidária entre os membros. Gestão de Pessoas e de Processos • Habilidades – enquanto o grupo utiliza habilidades randômicas e variadas de seus membros, a equipe se caracteriza pela complementaridade das habilidades dos seus membros para a realização de uma tarefa comum, conjunta e integrada. 56 As equipes são geralmente utilizadas segundo três critérios. • Equipes que recomendam coisas – como forças-tarefa, comitês ad hoc ou equipes de projeto, são equipes que estudam problemas específicos e recomendam soluções, muitas vezes trabalhando com um esquema integrado para completar dados. Dissolvem-se logo após o propósito haver sido cumprido. • Equipes que fazem coisas – como grupos (ou mesmo órgãos) funcionais, como departamentos de marketing e propaganda, são equipes que desempenham tarefas permanentes para a organização e são relativamente estáveis e permanentes. Grupos e Equipes na Gestão de Pessoas na Escola Unidade II • Equipes que pesquisam e aceleram coisas – como órgãos formais ou como grupos de gerentes, são equipes que formulam propósitos, objetivos, valores e direções estratégicas e ajudam as pessoas a implementá-los adequadamente. Uma equipe de trabalho pode atingir alto nível de desempenho em termos de produtividade e qualidade, desde que seus membros sintam satisfação com suas tarefas, com os objetivos traçados e com o alcance dos objetivos, com as relações interpessoais e com a qualidade de vida no trabalho. No fundo, a eficácia de uma equipe de trabalho depende, quase sempre, das seguintes condições. • Grau de lealdade dos membros entre si e com o líder da equipe. • Confiança mútua entre os membros e o líder. • Habilidade dos membros para ajudar os demais a desenvolver seu pleno potencial. • Comunicação plena e franca sobre todos os assuntos. • Tomada de decisões apropriadas pelos membros. • Coadunação dos valores e das necessicades de cada membro com os valores e os objetivos da equipe. • Grau de espírito empreendedor e de responsabilidade individual e coletiva pelos resultados e por suas consequências. • Ação inovadora e senso de inconformismo com o presente. Para poder gerenciá-la e liderá-la e dela obter eficiência e eficácia, o gerente precisa selecionar, desenhar cargos, treinar, liderar, motivar, avaliar e remunerar seu pessoal. E lidar com pessoas é uma tarefa altamente complexa e desafiante. Mas sobretudo gratificante para quem souber fazê-la de forma a enaltecer o trabalho e a dignificar o ser humano. Daí, a nossa velha e obstinada pregação aos gerentes: mandem menos e liderem mais, mandem menos e motivem mais, mandem menos e desenvolvam equipes de trabalho. Os resultados serão impressionantes. Não há uma receita pronta de como trabalhar em equipe, apenas indicativos gerais. Basta-nos constatar que as equipes são formadas por pessoas e que cada pessoa é singular, diferente das outras. Tendo em vista que nenhum de nós é igual ao outro, não há como prever como se constituirá cada equipe com a qual trabalharemos, que características terá, quais serão suas características e peculiaridades. A partir das diferenças individuais, o gestor deve construir a unidade de trabalho, que não significa uniformidade, para alcançar de forma positiva os resultados que se deseja. Pós-Graduação a Distância Em outros termos, a vontade dos membros de aprender, de melhorar, de ultrapassar e de ser excelente. E quem, dentro das empresas, é o responsável pela criação e pelo desenvolvimento de equipes? Naturalmente, a resposta é o gerente, qualquer que seja seu nível ou sua área de atividade. O gerente é o responsável pela administração das pessoas dentro de cada organização. É ele quem deve escolher a sua equipe, desenhar o trabalho a ser realizado, preparar a equipe, liderá-la, motivála, avaliá-la e recompensá-la adequadamente. Assim, em qualquer área de atividade, seja na área de produção, finanças, marketing, recursos humanos, processamento de dados etc., o gerente é o responsável por sua equipe de trabalho. 57 Grupos e Equipes na Gestão de Pessoas na Escola Unidade II Por essa razão, o gestor tem de conhecer de perto os membros de sua equipe, analisando cada participante (observando qualidades mais que defeitos), e achar as melhores condutas para motivar cada um ao comprometimento com o alcance dos objetivos comuns. Gestão de Pessoas e de Processos Os quadrinhos abaixo demonstram de maneira bem-humorada como o trabalho coordenado da equipe pode, sob a liderança correta, render bons frutos. 58 Unidade III Gestão de Pessoas: Fenômenos Sociais e Temáticas Contemporâneas Capítulo 9 – Fenômenos Sociais nos Grupos • Percepção social, atitude social, estigma, estereótipo e preconceito. • Liderança, negociação e conflito, stress no trabalho escolar. A abelha é honrada, porque trabalha não por ela, mas para todos. Provérbio Grego Esse é um conceito adotado por você? Para quem você trabalha? A partir de quais valores sociais você pauta suas ações neste mundo? Sem nenhuma dúvida falar de Gestão de Pessoas exige refletir sobre os parâmetros sociais que definimos como assertivos ou não. Tais definições envolvem a convivência entre humanos, sofrendo interferências positivas e negativas e determinando muitas vezes os nossos propósitos pessoais. Por isso, as relações estabelecidas por nós são, às vezes, íntimas, às vezes autoritárias; às vezes solitárias, às vezes, espontâneas, dependendo das diferentes oportunidades de engajamento, o que possibilita aliarmos, àqueles com os quais temos ideias, valores ou objetivos semelhantes. Ser consciente de que nossas ações podem impactar o outro é o que nos obriga a tentar, de algum jeito, ser abelha.... – É possível, em um mesmo contexto, gestar pessoas com problemas diferentes, sonhos diferentes, ideais diferentes? Os grupos sociais que são formados na escola são determinados por diversos elementos, tais como afinidades diversas (recreativas, esportivas, intelectuais, cooperativas), status; grau de escolaridade; função social ocupada (direção, professores, alunos, funcionários, pais); idade; sexo; entre outros. Normalmente esses grupos se entrecruzam, tendo em vista a dinâmica da sociedade, que, por não ser estanque, possibilita a circulação de um grupo social para outro, partindo da multiplicidade de interesses que formam nossas vivências. Pós-Graduação a Distância – Em que medida as interações sociais estabelecidas nas instituições escolares refletem na qualidade do trabalho realizado? 59 Gestão de Pessoas: Fenômenos Sociais e Temáticas Contemporâneas Unidade III Segundo Chiavenato (2005), os grupos sociais explicam comportamentos específicos, que se manifestam pela linguagem, pelas formas de interação, pelas normas e pelos valores de conduta ética e moral. “Como organização social complexa, a escola tem definido um sistema compartilhado de valores, normas e mecanismos de interação e de coesão”. Desta forma, a partir das interações entre os indivíduos, entre os grupos e entre os indivíduos e os grupos, a Psicologia Social tem estudado a importância e a influência dos processos psicológicos originados no grupo. Determinados fenômenos sociais compõem esses estudos tais como a negociação, o conflito, o estresse ocupacional na escola, a percepção e a atitude sociais, o estigma, o estereótipo e o preconceito, assim como a liderança. A importância dada ao tema é justificada desde que nascemos, tendo em vista o lugar social que ocupamos na família e considerando que, por meio dele, ocorre nossa integração com outros grupos sociais. Assim, são estabelecidas as relações de afinidade com aqueles que tenham padrões comportamentais comuns ou almejados por nós. Segundo Araújo (2006), entende-se por grupo social o conjunto de duas ou mais pessoas interagindo regularmente com base em expectativas comuns sobre o comportamento dos outros, sobre seu status e os papéis inter-relacionados. Esse conceito de grupo ressalta a importância da interação e da interdependência entre os elementos do grupo e a necessidade de um objetivo comum: a satisfação das necessidades desses indivíduos. O texto abaixo – traz reflexões propostas por Eugênio Mussak. Leia-o e reflita sobre como o gestor é capaz de lidar com tanta diversidade Anote suas conclusões. O homem é um ser social Somos sociais não apenas porque dependemos de outros para viver, mas porque os outros influenciam na maneira como convivemos com nós mesmos e com aquilo que fazemos. O homem é um ser social, e o ambiente de trabalho é o local em que esse conceito é mais testado durante nossa vida adulta. Praticamente já não existem profissões exercidas isoladamente, como faziam os antigos artesãos. A maioria das funções atualmente é executada por equipes. E, muitas vezes, haja paciência para tolerar a convivência dentro da empresa, que já foi definida como um campo minado, em que, a qualquer momento, podemos pisar no lugar errado e detonar um sentimento até então escondido. A raiva, o ciúme, a frustração, o medo passam muito tempo escondidos antes de se mostrarem em sua plenitude destrutiva. É também no grupo, por outro lado, que vive a afetividade, a capacidade de compartilhar sentimentos positivos, de aprender e de colaborar. Gestão de Pessoas e de Processos É tudo uma questão de saber cutucar as moitas certas. Pense um pouco em seu ambiente de trabalho e faça uma pequena análise. Você perceberá que está relacionado de forma permanente com dois fenômenos: com o trabalho em si e com as relações interpessoais. 60 A ligação com a tarefa engloba a aptidão que você tem, se gosta ou não do que está fazendo, o resultado financeiro, o volume de trabalho e seu projeto pessoal de vida do qual este trabalho faz parte. Nas relações interpessoais entram a dependência funcional que as pessoas têm entre si e também, a relação propriamente dita, o seu lado humano. Pois bem, o resultado e a qualidade do trabalho que você faz depende desses dois fatores e ainda depende da interação entre eles. Gostar do trabalho, mas viver em um ambiente ruim, não é muito diferente de não ter aptidão para a tarefa apesar de estar entre amigos. A tendência em ambos os casos é não durar muito seu estoque de energia para trabalhar. A mediação entre esses dois fatores foi estudada pelo psicólogo social Kurt Lewin e foi chamada por ele de “campo de forças”. Nosso desempenho depende da interação dessas forças. O ambiente é fundamental, inclusive porque a percepção do valor e da beleza do trabalho pode ser influenciada por ele. Somos sociais não apenas Gestão de Pessoas: Fenômenos Sociais e Temáticas Contemporâneas Unidade III porque dependemos de outros para viver, mas porque os outros influenciam na maneira como convivemos com nós mesmos e com aquilo que fazemos. Complexo, não é mesmo? Vem daí a importância dos substantivos “validação”, “colaboração”, “estímulo”, “feedback”, “mediação”, “tolerância”, “motivação”, “liderança”, que devem ser cada vez mais transformados em verbos e conjugados intensamente nos ambientes de trabalho. Você trabalha em equipe quando todos os membros compartilham o objetivo comum, colaboram sinergicamente entre si e quando há qualidade nas relações interpessoais. Se faltar um desses três elementos, não é uma equipe, apenas um grupo. Se faltarem os três, estaremos diante de um simples bando. O homem é um ser social, porque é frágil demais para viver sozinho. No entanto, sua maior desgraça reside no fato de que ele ainda não aprendeu bem a viver em sociedade. Ainda está acordando para o fato de que conviver significa levar em consideração o semelhante, com todas as suas características pessoais. Conviver significa compartilhar, repartir, confiar, tolerar, ajudar, entender. Às vezes, comparamos a empresa com uma família, que é um lugar onde as diferenças também existem, mas as ligações afetivas na empresa devem ser sempre menores que as ligações afetivas que só existem na família. Já se disse que ter uma família é “ter em quem confiar e ter a quem ajudar”. Essa é uma bela definição de família e também de grupo social, pois não há quem possa dispensar a necessidade de confiar nos outros e não há quem não possa ou não se sinta bem ao colaborar com seu companheiro. Perfeito. O homem é um ser social e o homem é um ser consciente. Quanto maior a consciência, maior a qualidade do convívio social. E a consciência significa uma visão clara do mundo circundante, complementada por uma análise lúcida de sua relação com esse mundo. Quanto maior a lucidez, maior e melhor sua relação com o semelhante, seja o irmão, o colega, o cliente, o estranho. E não esqueça: ninguém nasce lúcido e ninguém compra lucidez no varejo. Lucidez se constrói com algum esforço por meio da educação. Aquela educação completa, que é para a vida toda e que, às vezes, leva uma vida para se completar. Mãos à obra, que ainda dá tempo! Para refletir e se divertir: Fonte: Tirinha publicada em 14 de fevereiro de 2007 In: http://clubedamafalda.blogspot.com/ De acordo com Carvalho e Ferreira (2007), gestar pessoas exige o conhecimento de como ocorrem os diversos processos sociais e de que maneira isso direciona esses saberes para um clima positivo, no que diz respeito à interação das pessoas na organização escolar, considerando a influência desses fatores vivenciados por indivíduos/agentes em suas relações de trabalho, a saber: Pós-Graduação a Distância Observa-se na tirinha abaixo como os grupos sociais são diversificados e se entrecruzam. Pense sobre os grupos dos quais você faz parte, sobre como você interage com esses grupos e sobre como eles interagem entre si. 61 Gestão de Pessoas: Fenômenos Sociais e Temáticas Contemporâneas Unidade III Percepção Social O homem é um ser que interage com seu meio. As informações externas são captadas por seus sentidos e reorganizadas em sua mente. Essa “realidade” capturada não é ingênua. O homem está inserido em uma teia sócio-cultural da qual ele não pode se ver desprendido (CONTIER e LOBO NETTO, 2007). Confira o pensamento de Leonardo Boff a respeito: Todo ponto de vista é a vista de um ponto Ler significa reler e compreender, interpretar. Cada um lê com os olhos que tem. E interpreta a partir de onde os pés pisam. Todo ponto de vista é a vista de um ponto. Para entender como alguém lê, é necessário saber como são seus olhos e qual é a sua visão de mundo. Isso faz da leitura sempre uma releitura. A cabeça pensa, a partir de onde os pés pisam. Para compreender, é essencial conhecer o lugar social de quem olha. Vale dizer: como alguém vive, com quem convive, que experiências tem, em que trabalha, que desejos alimenta, como assume os dramas da vida e da morte e que esperanças o animam. Isso faz da compreensão sempre uma interpretação. Sendo assim, fica evidente que cada leitor é co-autor. Porque cada um lê e relê com os olhos que tem. Porque compreende e interpreta a partir do mundo que habita. http://www.gentecuidandodasaguas.org.br Leonardo Boff reflete a leitura de mundo ou como percebemos a vida e as pessoas que fazem parte dela. A percepção implica, nesse sentido, julgamento de valor, porque, constitui um processo que vai desde a recepção do estímulo pelos órgãos dos sentidos até a atribuição de significado a ele. Percebemos não só a existência do outro, mas as suas características, o que nos permite “ter uma impressão” dele. Atitude Social O processo segundo o qual a consciência individual determina a real ou possível atividade do indivíduo no mundo social denomina-se atitude social. Para alguns autores, é ainda a intenção de agir de modo coerente com referência a certo objeto. Gestão de Pessoas e de Processos Fica claro que, sem compreender o conceito de atitude, parte dos procedimentos humanos não poderiam ser explicados, sobretudo a conduta social, que na Psicologia Moderna recebe diferentes interpretações. O americano Gordon Allport definiu a atitude como “uma disposição nervosa e mental, fruto da experiência, que exerce uma influência dinâmica e orientadora sobre todos os objetos e as situações com os quais guarda alguma relação”. 62 Acesse o site: http://dicionario.sensagent.com/atitude+social/ pt-pt/ (acesso em 2 de abril 2009). A atitude é uma forma de motivação social (portanto, de caráter secundário em relação à motivação biológica, de tipo primário), que impulsiona e orienta a ação para determinados objetivos ou metas. Além dos processos motivacionais, é possível encontrar na atitude componentes cognitivos e afetivos. O que fica compreendido é que as atitudes são formadas durante o processo de socialização, como respostas às características de personalidade e a outros indicativos sociais. Essas, por sua vez, indicam as atitudes presentes das pessoas, que, associadas com a situação atual, apontam o comportamento da pessoa. Gestão de Pessoas: Fenômenos Sociais e Temáticas Contemporâneas Unidade III A atitude social por sua vez é definida como uma organização de confiança e cognições em geral, com dados afetivos a favor ou contrários ao objeto social definido, propensos para uma ação coesa com as condições e afetos relativos a este objeto. As atitudes são formadas por três componentes: • Componente Cognitivo – crenças, ideias, pensamentos, conhecimento do objeto. • Componente Afetivo – componente mais nitidamente característico da atitude. • Componente Comportamental – combinação de cognição e afeto como instigadora de comportamentos, dadas determinadas situações. Os componentes cognitivos e afetivos das atitudes tendem a ser coerentes entre si. Nem sempre pode ser verificada absoluta coerência entre os três componentes (ex. concepções teóricas – discurso; ação de alguns gestores – prática). Estigma, Estereótipo e Preconceito [...] quando te encarei frente a frente, não vi o meu rosto; chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto; é que Narciso acha feio o que não é espelho [...] Caetano Veloso Muitos autores consideram que um estigma pode ser causador de preconceito. Fato é que estigma significa marca, sinal ou atributo que caracteriza, torna diferente dos demais e desclassifica – é uma decorrência natural. O homem vive o cotidiano e age sobre ele. [...] Essa ação é fragmentada, já que o ser humano não dá conta da totalidade de acontecimentos ao seu redor; há um recorte do que lhe é apresentado. [...] A formação de juízos provisórios é necessária para atender às demandas da vida social cotidiana, mas podem cristalizar-se em preconceitos, ultrageneralizações negativas, podendo resultar desse processo a alienação dos sujeitos. As características do comportamento cotidiano, seja espontaneidade, pragmatismo, economia, julgamentos provisórios baseados em precedentes, analogias, imitações, são os elementos que tornam a vida cotidiana a esfera da realidade. Pode-se afirmar que temos os estereótipos e em seu extremo, o preconceito. [...]. (KOSIK, 1989, p. 69) O estereótipo pode nos servir como ferramenta de análise. Tomando o cotidiano como descrito acima, imaginemos a seguinte situação: um novo vizinho se muda para seu prédio. Você observa que ele tem tatuagens e carrega uma guitarra. Automaticamente, seu cérebro aciona sua memória, que busca situações parecidas em que haja uma pessoa com tais características. Histórias internas são acionadas, histórias pertencentes a diversos gêneros. Você pode relacionar à sua adolescência e criar uma história saudosista ou associar o rock a uma história cheia de referências às drogas e à delinquência. (CONTIER e LOBO NETTO, 2007) Pós-Graduação a Distância Em Carvalho e Ferreira (2007, apud ARANHA e MARTINS 2005), o preconceito é uma opinião ou um conceito formado antecipadamente, sem maior ponderação ou conhecimento dos fatos. É impossível não se ter preconceito algum, pois, sem nos darmos conta, internalizamos, sem discussão, muito da nossa herança cultural. Já o estereótipo, segundo as mesmas autoras, é uma opinião preconcebida a respeito das coisas e das pessoas; imagem simplificada que retira as nuances da individualidade. Normalmente, consiste numa ideia ou expressão muito utilizada, num conjunto de características presumidamente partilhadas pelos membros de um grupo social. 63 Gestão de Pessoas: Fenômenos Sociais e Temáticas Contemporâneas Unidade III Neste sentido, refletem Carvalho e Ferreira (2007), nas organizações escolares, em função da diversidade de características de seus atores sociais, estão presentes muitos estigmas (alguns até mesmo em função do processo de inclusão que vem se disseminando há alguns anos), muitos preconceitos (tantas vezes voltados às minorias) e muitos estereótipos (frutos da cultura internalizada). Gilberto Freyre retrata com sabedoria a diversidade brasileira. Reflita sobre os percursos a serem trilhados em busca de uma gestão para a diversidade. Gestão de Pessoas e de Processos O outro Brasil que vem aí 64 Gilberto Freyre Eu ouço as vozes, eu vejo as cores, eu sinto os passos de outro Brasil que vem aí, mais tropical, mais fraternal, mais brasileiro. O mapa desse Brasil em vez das cores dos Estados terá as cores das produções e dos trabalhos. Os homens desse Brasil em vez das cores das três raças terão as cores das profissões e regiões. As mulheres do Brasil em vez das cores boreais terão as cores variamente tropicais. Todo brasileiro poderá dizer: é assim que eu quero o Brasil, todo brasileiro e não apenas o bacharel ou o doutor, o preto, o pardo, o roxo e não apenas o branco e o semibranco. Qualquer brasileiro poderá governar esse Brasil Lenhador, lavrador, pescador, vaqueiro, marinheiro, funileiro, carpinteiro, contanto que seja digno do governo do Brasil, que tenha olhos para ver pelo Brasil, ouvidos para ouvir pelo Brasil, coragem de morrer pelo Brasil, ânimo de viver pelo Brasil, mãos para agir pelo Brasil, mãos de escultor que saibam lidar com o barro forte e novo dos Brasis, mãos de engenheiro que lidem com ingresias e tratores europeus e norte-americanos a serviço do Brasil, mãos sem anéis (que os anéis não deixam o homem criar nem trabalhar). mãos livres mãos criadoras mãos fraternais de todas as cores mãos desiguais que trabalham por um Brasil sem Azeredos, sem Irineus, sem Maurícios de Lacerda. Sem mãos de jogadores nem de especuladores nem de mistificadores. Mãos todas de trabalhadores, pretas, brancas, pardas, roxas, morenas, de artistas, de escritores de operários de lavradores de pastores de mães criando filhos de pais ensinando meninos de padres benzendo afilhados de mestres guiando aprendizes de irmãos ajudando irmãos mais moços de lavadeiras lavando de pedreiros edificando de doutores curando de cozinheiras cozinhando de vaqueiros tirando leite de vacas chamadas comadres dos homens. Mãos brasileiras brancas, morenas, pretas, pardas, roxas, tropicais, sindicais, fraternais. Eu ouço as vozes eu vejo as cores, eu sinto os passos desse Brasil que vem aí. Gestão de Pessoas: Fenômenos Sociais e Temáticas Contemporâneas Unidade III – Quais as implicações de todos esses conceitos para a gestão das organizações, entre elas, a escola? O texto abaixo vai ajudá-lo a refletir sobre isso. Boa leitura! “Enfrentar os desafios e conviver num ambiente em que a cada dia se torna mais complexo prever ou mapear comportamentos e reações entre os indivíduos faz com que o clima organizacional esteja intimamente ligado ao comportamento e ao relacionamento de seus participantes. E o ambiente que envolve as organizações é extremamente dinâmico, exigindo dos indivíduos que nelas atuam uma elevada capacidade de adaptação. Pensar nas relações dos indivíduos e das organizações entre si, o comportamento que cada um apresenta, como parte de sua personalidade, sua concepção de mundo, como ser-em-relação, é pensar em adaptação e, consequentemente, em relação, em mudança e em aprendizagem. [...] A organização pode ter os mais bem desenhados processos e os mais sofisticados sistemas do mundo, mas se o relacionamento entre as pessoas não for saudável, nada irá funcionar, significando, assim, que é necessário que cada um, além de conhecer-se bem, saiba compartilhar e conviver em grupo. [...]. A totalidade do ser humano e sua singularidade influenciam e criam um design especial às organizações, sendo o aprendizado gerado nesse movimento, de uma riqueza extraordinária, já que todos crescem, criam, evoluem e escapam do previsível. Sendo assim, os bons relacionamentos e os comportamentos adaptáveis são formas de promover inovação, criatividade, e de inserir no ambiente organizacional a dimensão da mudança, como inerente ao indivíduo e aos sistemas sociais. Inequivocamente, as organizações são uma das mais complexas e admiráveis instituições sociais que a criatividade e a engenhosidade humana construíram, apesar de operarem em ambientes diversificados. E, submetidas às mais variadas pressões e contingências, que se modificam no tempo e no espaço, elas reagem dentro de estratégias e de comportamentos diferentes, atingindo os mais diversos resultados. As atitudes fazem parte das características adquiridas por meio de diversas formas de aprendizagem. Deste modo, embora sejam estáveis, é possível mudá-las. A mudança de atitudes depende da mudança de crenças e sentimentos a respeito dos estímulos (outras pessoas, objetos, grupos, a própria pessoa) e, mudando o que você sabe a respeito de um estímulo ou de seus sentimentos, seu comportamento também poderá mudar. O ser humano é relacional, sendo que o indivíduo dentro da organização é membro de um grupo e seu desempenho não é produto de suas capacidades físicas, mas está claramente correlacionado à sua capacidade social e aos relacionamentos que vive. O conhecimento coletivo pode gerar resultados de ações impossíveis de prever ou de se obter pelos métodos racionais e plausíveis de utilização do conhecimento, como pode também levar a inovações inesperadas. Todo indivíduo dentro da organização, mais do que um simples executor de uma tarefa específica, é um ser humano que, muitas vezes, é tratado para se comportar dentro de uma lógica e de padrões de expectativas determinados. Não obstante, os sentimentos, a sensibilidade e as emoções são Pós-Graduação a Distância O comportamento organizacional estuda as atitudes e os comportamentos das pessoas nas organizações e como esses comportamentos afetam o desempenho delas, sendo que trabalhar com a verdadeira unidade de mudança (o indivíduo), estar engajado com cada membro que faz parte do grupo, é sempre importante como forma de manter bons relacionamentos. Por conseguinte, sabendo, então, quem somos e o que realmente nos dirige, é muito mais fácil termos sob controle nossas ideias e atitudes e, sendo assim, mais fácil controlarmos a maneira pela qual nos relacionamos. 65 Gestão de Pessoas: Fenômenos Sociais e Temáticas Contemporâneas Unidade III considerados como qualidades inerentes aos seres humanos das quais eles não se desvestem ao entrar na organização. Por isso, o comportamento e o padrão esperados quase nunca ocorrem, além disso, os indivíduos que não se relacionam ou que têm um comportamento isolado do grupo podem reduzir o desempenho geral. À organização cabe a formulação e o estabelecimento de diretrizes administrativas que traduzam uma preocupação com o clima de relações humanas, que devem permear os indivíduos e o local de trabalho, a fim de que os objetivos de trabalho possam ser alcançados ao mesmo tempo em que se promove, tanto quanto possível, a satisfação das necessidades de seus membros”. (BARCIA, 2007). Eis o desafio: aprender a olhar para o outro sem querer encontrar no outro o espelho de nós mesmos, sem narcisismo. Estamos preparados, como líderes, para lidar com a diferença? Formando Líderes em Tempos de Mudança A rapidez das informações e o acúmulo de conhecimentos impõem cada vez mais a adaptabilidade do homem. A sociedade atual enfrenta um crescente clima de mudanças, numa sucessão cada vez mais dinâmica, alterando radicalmente a valorização que se dava à sobreposição de informações para a valorização de competências. O que interessa à sociedade, atualmente, são os profissionais que aprendem a aprender, que sejam capazes de pesquisar, atualizando os conhecimentos, para adaptá-los à sua realidade. Nos ambientes de mudanças contínuas, há necessidade de algo mais que pessoas que só sabem como fazer funcionar os sistemas existentes. É preciso pessoas capazes de mudar os sistemas para melhor. Nessa perspectiva, a educação é compreendida e tem sido vista como uma possibilidade, atribuindo-se a ela um papel de relevância, para que, além da equidade social, possa ser buscado o desenvolvimento para a produtividade e a competitividade. Gestão de Pessoas e de Processos De acordo com Carvalho e Ferreira (2007), estabelecer estratégias e observar pré-condições que propiciem a transformação, implica ações conscientes e sistemáticas, o que, consequentemente, implica gestão. Ressalta-se que a efetivação das mudanças requer não apenas o gerenciamento das organizações escolares, mas a mobilização de esforços para sensibilizar as pessoas em direção à mudança. 66 Isso só é possível se, em vez de gerentes da educação, tenhamos líderes, pessoas capazes de imprimir ritmo adequado ao processo de mudança. Gestores preparados para tal desafio, sem dúvida, percebem, com maior clareza, as resistências, os obstáculos, as possibilidades e os significados do contexto escolar. (CARVALHO e FERREIRA, 2007) – Você é um líder? – Há um modelo ideal de liderança? Leia o texto abaixo e analise a opinião de Rogério Martins. Gestão de Pessoas: Fenômenos Sociais e Temáticas Contemporâneas Unidade III Qual o meu estilo de liderança Rogério Martins Você já deve ter lido diversas vezes sobre estilos de liderança. Os tantos estudiosos que se aventuraram a pesquisar e escrever sobre liderança já traçaram um número incalculável de perfis e estilos de liderança. Para exemplificar: liderança servidora, liderança transformadora, liderança delegadora, liderança transpessoal, liderança baseada em princípios etc. No livro O Guia dos Gurus, Joseph e Jimmie Boyett, fazem uma compilação bastante didática sobre muito do que já se produziu a respeito. Em meio a tudo isso fica a grande dúvida: qual é o meu estilo de liderança. Ou ainda: qual estilo de liderança eu devo utilizar? Sem querer trazer mais um estilo ou perfil ideal afirmo: seja você mesmo! Simples assim. Existe entre alguns teóricos e muitos profissionais o grande mito do líder ideal. Isso simplesmente não existe. Peter Drucker, um dos maiores pensadores sobre gestão de pessoas e empresas, dizia que é impossível traçar o perfil ideal de um líder. Ele mesmo já havia trabalhado com pessoas com características totalmente diferentes daquelas propostas por diversos estudiosos e ainda assim teve lições de liderança. É certo que, no momento atual de desenvolvimento da humanidade, o fator relações humanas ganhou muito mais espaço do que no início do século passado. As empresas tendem a gerir seus negócios com ênfase nos relacionamentos interpessoais e foco no resultado. Diante disso, o perfil ideal é aquele que se adequa a essa nova realidade. Aliás, o estilo ideal é aquele que se ajusta a cada situação, a cada momento, a cada grupo de liderados. Acredito que o maior desafio da liderança no momento não é saber qual a melhor técnica ou o melhor estilo a adotar. Mas, diante das constantes transformações do comportamento das pessoas no mundo corporativo e social, o grande desafio é saber como agir eficazmente neste novo tempo. Como lidar com a diversidade, as motivações, as expectativas e as exigências das pessoas. Considero dois aspectos como fundamentais para o melhor desempenho do papel da liderança: o primeiro é que o líder deve agir conforme os objetivos que se quer alcançar. Se o liderado for um iniciante ou se não tiver conhecimento na atividade, recomenda-se que o gestor adote uma postura semelhante a de um professor. Ensinar, treinar, orientar e mostrar o caminho do que fazer devem ser as atitudes centrais do líder. O segundo aspecto é conhecer sua equipe. Mais do que dominar a técnica é preciso entender de gente. Cada vez mais as pessoas têm acesso a informações e com isso aumenta o senso crítico. Até meados dos anos 80, era comum as empresas contratarem funcionários aptos tecnicamente ou com grande agilidade e força. Com o avanço da tecnologia, sobretudo, elevou-se o capital intelectual e a busca pela satisfação pessoal no trabalho. A nova geração de profissionais vem com muito mais conhecimento, visão estratégica, senso competitivo e objetivos individuais. Esses fatores influem significativamente na forma de lidar com as pessoas. O gestor de hoje precisa lidar com os diferentes aspectos da motivação humana, como remuneração, reconhecimento e auto-realização. O certo é que, quanto mais se estuda, se pesquisa e se busca conhecimento a respeito da melhor maneira de liderar pessoas, percebemos que ainda há muito a aprender e a realizar. A jornada é longa e, talvez, interminável, mas efetivamente o aprendizado é gratificante. Boa caminhada! Pós-Graduação a Distância Agora, se o liderado já tiver conhecimento sobre a tarefa ou experiência para a execução dela, o mais indicado é que atue como um coach. O termo coach significa treinador, mas não aquele treinador que fica em cima do seu atleta. Neste caso, o líder deve agir monitorando as ações de seus liderados, delegando e distribuindo funções. 67 Gestão de Pessoas: Fenômenos Sociais e Temáticas Contemporâneas Unidade III Observe: Não há receita pronta para se ser ou se tornar um líder. Pode-se contar com indicativos úteis, para ajudá-lo a aprender a ser um líder. Entre as competências a serem buscadas, destacam-se: a capacidade de desenvolver a aprendizagem continuada; o auto conhecimento; a comunicação autêntica e aberta; o comportamento ético; a autonomia; o trabalho em equipe e a assunção de responsabilidades partilhadas; a criatividade; o questionamento; a possibilidade de se relacionar e de intervir de modo ativo, humano e eficaz em sua realidade. Desta forma, entende-se que liderança não é um dom, mas competência a ser desenvolvida, cuidada, adquirida e, principalmente, conquistada. Além disso, não é exclusividade de cargos de chefia, pois qualquer um pode mobilizar as energias de seu grupo social para alcançar os objetivos que se quer. Quando as habilidades são experimentadas, surgem as possibilidades de se desenvolver como líder que assume as responsabilidades que lhe cabem no contexto organizacional, hoje tão diversificado. Assim, refletem Carvalho e Ferreira (2007), há que se ressignificar a liderança, sob a ótica da proatividade, observando os conceitos de autoridade e poder. Culturalmente, desde a infância, acreditamos que líder é quem manda e aquele que manda é, muitas vezes, aquele que tem o poder instituído para tanto: é o mais esperto; é o mais forte; é o mais hábil no jogo; o dono da bola; é, enfim, aquele que consegue, por qualquer que seja a justificativa, impor suas vontades. O poder de gerar comprometimento, especialmente nas instituições escolares, é uma visão do que é ser líder na atualidade. Graziele Nazaré Moreira, em seu texto – Liderar ou gerenciar? –, faz reflexões bastante significativas. Leia-o a seguir. Liderar ou gerenciar Um erro frequente de compreensão sobre a liderança refere-se ao seu emprego associado à posição de hierarquia. Sempre que o termo liderança surge, ele rapidamente encaixa-se, mentalmente, no ponto alto dos organogramas. Todos já se acostumaram a esse tipo de ideia e, portanto, qualquer outro conceito que se tente descrever é motivo para suspeita e forte resistência. Liderar é estimular as pessoas a serem grandes executores. É dirigir, motivar e comunicar-se com os funcionários, individualmente e em grupos. Liderar envolve o contato diário e próximo com as pessoas, ajudando a guiá-las e a inspirá-las em direção ao alcance dos objetivos de equipe e organizacionais. Liderar ocorre em equipes, departamentos, divisões e no topo da totalidade das organizações. Gestão de Pessoas e de Processos É nesse sentido que várias pessoas de diferentes lugares e organizações despertam para uma outra realidade: a liderança possui outras características, diferenciando-se do tradicional modelo hierárquico. Ela, ao contrário da grande crença presente, existe para servir. Inverte-se, então, o papel anteriormente determinado de que o líder deveria ser servido. 68 Essa perspectiva sugere uma nova medida da força da liderança – a habilidade de ampliar as contribuições dos outros, ajudando-os a guiar seus destinos eficazmente. Neste sentindo, o servir está presente em duas vias, mas, essencialmente, ele deve estar disponível na liderança. Tal conceito traduz-se nas relações aprofundadas que se criam a partir do compromisso mútuo ou do propósito compartilhado, entre as partes, da responsabilidade pessoal, da influência que é exercida e não imposta, da motivação obtida pelo respeito e da mudança que se processa com o passar do tempo. Para que ocorra essa evolução é necessária a aprendizagem constante, levando os membros do grupo a uma transformação pessoal. A liderança é exercida pelos vários membros do grupo, dependendo da circunstância e da necessidade presente. Portanto, é situacional, pois parte-se do pressuposto de que não somente a emergência, Gestão de Pessoas: Fenômenos Sociais e Temáticas Contemporâneas Unidade III como também a manutenção de um líder eficaz fazem parte do ambiente onde o líder esteja agindo. Ou seja, há a necessidade cada vez maior de contextualizar as teorias de liderança. Por outro lado, há estudos sobre a personalidade do líder como valor fundamental em toda situação de liderança. Cada pessoa pode, conforme a possibilidade, ser líder por determinado período e retornar ao seu lugar de seguidor. Líder, contudo, cria oportunidades para que os seguidores atuem na liderança. Isso pode ocorrer em virtude dos traços de cada líder, da característica dos subordinados e das características do contexto interno e externo e, inclusive, os prepara para um dia darem prosseguimento às atividades organizacionais. Ele não retém o conhecimento e a prática da liderança, dividindo-a com os demais. Nessa perspectiva, ao se ter a pessoa como figura central na vida da organização, surge novo desafio a ser observado: o gerenciamento. Eis aqui outra forma errônea de se considerar a liderança, que não deve ser entendida como uma posição para administrar seus processos. O gerenciamento é compreendido pelo seu foco nos resultados, ou seja, um programa aplicativo que permite criar, modificar e controlar o conteúdo e os relacionamentos na informação, que é vista a partir do planejamento, do orçamento, da organização, da direção, do controle, da produção, da venda e da estabilidade organizacional. Por outro lado, a liderança estratégica, cujo foco está nas pessoas, é observada pela criação de visão e de estratégias, pela geração de cultura e de valores comuns, pela colaboração quanto ao crescimento, à inspiração e à motivação dos colaboradores e pela criação das mudanças. Essa distinção clara entre liderança e gerenciamento tem causado dificuldade exacerbada quanto a sua prática cotidiana. Afirma-se que a liderança deve substituir o velho modelo de gestão gerencial, pautado, agora, em um modelo coletivo e isso se torna, muitas vezes, impossível, haja vista a necessidade de se manter as vistas voltadas para o resultado. Cria-se um impasse: focar as pessoas por meio da liderança ou dos resultados? A liderança não é capaz de substituir o gerenciamento, ela deve ser agregada a ele. É um desafio. Percebe-se que muitos gerentes já possuem algumas habilidades e qualidades, mas outras podem ser desenvolvidas, para exercer uma liderança eficiente. A questão deve passar pelo alinhamento entre a liderança e o gerenciamento. Deve-se rever e avaliar essas habilidades e qualidades, compartilhar valores, dar aos empregados o incentivo para trabalhar por mais tempo, desenvolvendo o trabalho com mais afinco e cuidado. Compartilhar valores até pode diminuir custos como compreensão financeira e recompensa física. A situação de trabalho estaria, assim, transformando-se em fonte verdadeira de satisfação, como naturalmente as pessoas esperam que ocorra, somando pessoas e resultados. • Diversidade extrínseca – relacionada às diferenças de religião, de sexo, de língua, de cultura, de raça, de ideologia, de acesso aos benefícios econômicos e sociais, entre outras. • Diversidade intrínseca – relacionada aos atributos pessoais, como conjunto de crenças e pressupostos, valores, autoconceito, formas de percepção do mundo exterior, expressão de sentimentos, comportamento, entre outros. Pós-Graduação a Distância Assim, na área escolar, o grande desafio para gestores é reconhecer e despertar qualidades humanas, como a cooperação e o respeito à pluralidade. A diversidade entre os seres humanos se dá em duas dimensões. 69 Gestão de Pessoas: Fenômenos Sociais e Temáticas Contemporâneas Unidade III Carvalho e Ferreira (2007) refletem que: A capacidade de conviver cooperativamente com essas diferenças traz benefícios indiscutíveis às organizações e a educação não pode se furtar à responsabilidade social que tem nesse contexto, tendo em vista que é o locus ideal para que isso aconteça e se expanda para outros níveis sociais. Essa postura de compartilhamento de responsabilidades e de engajamento na diversidade amplia as potencialidades humanas individuais, como a autoestima e a autoconfiança, o que impacta nas organizações sob a forma de ousadia, criatividade e crescimento pessoal e da coletividade. Sobre essa concepção, precisamos pensar na escola como um espaço democrático de diversidade e pluralidade, em que, pelo diálogo entre as diferenças, se possa construir um ambiente de produção coletiva de respeito à singularidade de cada um, de desenvolvimento da autonomia e, sobretudo, como um espaço em que os sujeitos criem seus próprios significados, ao invés de obtê-los formatados e predeterminados por outrem. E como espaço de pluralidade, devemos, como gestores, pensar a escola a partir de seu contexto social. Nesse sentido, Dante e Tiné (2004) nos fazem refletir que: A escola não é um espelho da comunidade. A escola não é um retrato da comunidade. A escola não é salvadora da comunidade. A escola participa da comunidade e é participada por ela. Poderíamos, nesse instante de nossas leituras, conceber a possibilidade de uma relação alternativa, pautada pela simetria. A partir dela, as competências e os conhecimentos de líderes e liderados seriam apenas diferentes, residindo nessa diferença a sua maior força. A escola seria um espaço de encontro entre esses diversos conhecimentos e competências, um espaço no qual as mais díspares ideias seriam confrontadas, surgindo daí um novo conhecimento, construído na própria relação dialógica estabelecida. (CARVALHO e FERREIRA, 2007). Reflita sobre esse novo contexto: – Qual seria o papel do gestor? – Quais seriam as responsabilidades das pessoas geridas? – Você está preparado para tal desafio? Negociação e conflito Gestão de Pessoas e de Processos Ainda há um conceito incorreto sobre o que é o conflito e o consenso nos diversos grupos sociais. Quanto maior o conhecimento e a criticidade sobre a diversidade, melhores oportunidades de conviver harmoniosamente, respeitando as minorias e as diversas formas de discriminação. O pluralismo é o caminho evolutivo natural para a convivência com os desiguais, pois solidifica o conceito de dialogismo e de abertura dialética entre a comunidade educativa. 70 As discordâncias numa organização escolar nunca deixarão de existir e o fato de percebê-las como parte integrante e positiva no processo de aprendizagem não implica desconsiderar que o consenso e a unanimidade sinalizam a convivência fraterna e, como tais, devem ser buscados a qualquer preço. Mas pense bem... Quando você se encontra numa sala de aula, numa sala de bate-papo ou mesmo num círculo de amigos e todos concordam com alguma afirmativa feita, a discussão segue adiante? Normalmente, isso não acontece. Gestão de Pessoas: Fenômenos Sociais e Temáticas Contemporâneas Unidade III E não acontece tendo em vista o esgotamento do assunto antes de ser consolidado como argumento. No entanto, se, à primeira afirmação, são juntadas outras afirmativas contrárias, a argumentação acontece, a discussão é ampliada e as pessoas ficam inflamadas para defender as suas teses. Como refletem Carvalho e Ferreira (2007), “essa é uma demonstração prática de que é no discenso, na discordância, no conflito, que crescemos, aprimoramos nossas ideias e nossa capacidade argumentativa e alteramos paradigmas”. Nossa percepção de mundo é uma entre muitas e a diversidade traz implicações para nós, sujeitos do processo. O importante é o que fazemos diante das diferenças: se elas nos acrescentam valor ou se elas são motivo de divisão e isolamento. É imperativo apreender que o conflito é desejável, incentivado, suportado, quando resolvido cooperativamente, com respeito, a partir do pressuposto da não violência. Enfrentado assim não é algo a ser evitado ou negado. Nesse pressuposto, o processo do consenso forma-se pelas ideias conflitantes e todos trabalham juntos a favor do melhor para a organização. Ao caminho que se estabelece do conflito ao consenso chamamos de negociação. Logo, para que o gestor fique envolvido cada vez mais nesse processo, ele deve incentivar a participação, permitir plena oportunidade de compartilhamento de ideias, desenvolver a cooperação e criar um sentido de responsabilidades partilhadas. E para criar a cultura de negociação, é fundamental que todos os participantes do grupo compreendam que as necessidades da coletividade se sobrepõem aos interesses individuais. Entre os recursos mais utilizados nas organizações educacionais, para que se estabeleça a negociação, está a reunião, que, antes de mais nada, deve ser planejada adequadamente, pensando-se nos propósitos e na melhor maneira para efetivá-los. Além disso, ao final, deve ser avaliada, para se verificar se o objetivo proposto inicialmente foi alcançado a contento. Moran (2003) afirma que é consenso que a capacidade comunicativa do gestor é determinante para o sucesso das atividades por ele mediadas. Nessa direção, pessoas abertas, sensíveis, humanas, que valorizem mais a busca que o resultado pronto, o estímulo que a repreensão, o apoio que a crítica, são as mais capazes de estabelecer formas democráticas de pesquisa e de comunicação. Diversidade e Conflito, os temperos do Trabalho em Equipe Leila Navarro Se você preferiu a primeira alternativa, sou obrigada a discordar da sua opinião. Acredito que uma equipe harmoniosa, em que todos adoram trabalhar juntos e se entendem maravilhosamente, pode até produzir um ambiente muito agradável. Porém, isso não é garantia de que as iniciativas que ela toma ou as soluções que encontra para os problemas sejam as mais inovadoras. Muitos líderes enxergam o conflito como algo indesejável, uma erva daninha que precisa ser a todo custo combatida, quando, na verdade, ele é o combustível da criatividade e da quebra de paradigmas. Não falo do conflito agudo, que coloca a equipe em pé de guerra, mas daquele que surge do questionamento de ideias e do debate de opiniões. Será que existe algo mais saudável para o trabalho em equipe do que uma boa discussão, em que pontos de vista divergentes são colocados e criticamente analisados? Pós-Graduação a Distância O que é melhor para o líder de uma equipe de trabalho: que seus integrantes se entendam tão bem que quase se comuniquem por telepatia ou que tenham ideias e atitudes muito diferentes, gerando conflitos de pontos de vista? 71 Gestão de Pessoas: Fenômenos Sociais e Temáticas Contemporâneas Unidade III É no calor do conflito que, muitas vezes, surgem ideias que quebram paradigmas. Afinal, se elas não fossem ousadas e inovadoras, não provocariam resistências nem discussões. E para que as discussões aconteçam, é preciso valorizar a diversidade de tipos humanos que compõem as equipes, pois cada um tem o seu papel e todos os papéis são importantes. Todo grupo tem aquele integrante que fala mais que os outros. Nas reuniões, ele contribui com muita informação e ideias, algumas até estapafúrdias, mas não se inibe em falar tudo o que lhe vem à cabeça. Muitas ideias do falante são criticadas pelo objetivo, aquele que não brinca em serviço e não perde o foco. Enquanto o objetivo e o falante polemizam, o metódico tenta pôr uma ordem no trabalho da equipe e avaliar todas as sugestões, pois só com uma boa análise se pode decidir o que é válido e o que pode ser descartado. Então, o apressado começa a pressionar o grupo para ser mais produtivo, pois, pelo andar da carruagem, o prazo para concluir o projeto irá estourar. Vem o cauteloso criticar o apressado, dizendo que ninguém encontra boas soluções sem ponderar muito bem os prós e contras de cada ideia. O questionador pede a palavra e coloca com muita clareza o que pensa, mesmo que isso signifique criticar a conduta ou as ideias dos colegas. O debate esquenta e o líder tem de atacar de conciliador, pois ninguém está se entendendo e o grupo precisa chegar a um consenso. E assim transcorre o autêntico trabalho em equipe, que chega a ser tumultuado às vezes, mas é tão fértil em ideias, em análises, em questionamentos! Se o líder vê esses conflitos como consequência natural da diversidade do grupo e sabe tirar proveito dela, tem tudo para conduzir sua equipe aos melhores resultados. Afinal, no meio de um debate, quando menos se espera, alguém pode ter o grande insight que encerra as discussões e deixa todos satisfeitos. Gestão de Pessoas e de Processos Por outro lado, se o líder fica muito preocupado em manter a harmonia do grupo e não permite que as pessoas conflitem, todos são induzidos a concordar uns com os outros e reprimem opiniões valiosas. A reunião fica muito fluída e cheia de gentilezas, mas pobre em discussões e ideias que quebram paradigmas. Nesse mundo de quase 7 bilhões de pessoas, não há um só ser humano igual ao outro. Ninguém é igual a você! A diversidade de comportamentos, visões de mundo, ideias, experiência e atitudes é que faz o planeta ser tão cheio de possibilidades. Compreender esse fato e ser capaz de lidar com ele é uma das coisas que fazem diferença numa equipe, numa empresa, num negócio ou mesmo numa carreira individual, proporcionando a sementeira para as ideias inovadoras que movimentam o mundo. 72 Cada vez mais, a habilidade de relacionamento na diversidade é necessária e precisa ser valorizada, a começar pelos líderes. Graças a ela, falantes e objetivos, metódicos e apressados, questionadores, conciliadores e outros tantos tipos humanos que encontramos por aí podem trabalhar juntos, contribuindo com suas opiniões e defendendo seus pontos de vista. E mesmo que eles torçam o nariz uns para os outros enquanto debatem ideias, tudo bem: no final do trabalho, é bem provável que cheguem a um consenso. Afinal, numa equipe como essa, todos conhecem e praticam o lema da diversidade: “O fato de eu não aceitar a sua ideia não significa que eu não aceito você”. Gestão de Pessoas: Fenômenos Sociais e Temáticas Contemporâneas Unidade III Ensinaremos melhor, se mantivermos uma atitude inquieta, humilde e confiante com a vida, com os outros e conosco, tentando sempre aprender, comunicar e praticar o que percebemos até onde nos for possível em cada momento. Isso nos dará muita credibilidade, uma das condições fundamentais para que o ensino aconteça. Se inspirarmos credibilidade, poderemos ensinar de forma mais fácil e abrangente. A credibilidade depende de continuar mantendo a atitude honesta e autêntica de investigação e de comunicação, algo não muito fácil numa sociedade ansiosa por novidades e em que há formas de comunicação dominadas pelo marketing, mais do que pela autenticidade. http://www.eca.usp.br/prof/moran /educar.htm Estresse no trabalho escolar É a doença da moda. Afirmam uns. Nos tempos modernos, o estresse é a doença cuja disfunção orgânica ocorre em resposta à necessidade de “adaptação ao meio a que todos nós estamos submetidos, em função das estimulações, excitações e agressões externas, que acabam produzindo uma escalada progressiva na defesa de nosso organismo” (CARVALHO e FERREIRA, 2007). Essa é uma situação iniciada, por exemplo, quando as pessoas são requisitadas além de seus limites quanto às responsabilidades no trabalho. Entre as causas, os mais decisivos são os fatores internos, em que nossas disposições mentais e posturas internas nos levam a reagir mais ou menos intensamente aos fatores externos do cotidiano. Ressaltase que essas posturas internas, adquiridas ao longo da vida, são ensinadas na comunidade em que o indivíduo habita e em que ele precisa sobreviver. Quando os desejos internos não se adequam às imposições sociais, isso gera um conflito que, se não for identificado, tratado e modificado, pode evoluir para sintomas físicos, tais como: irritabilidade, cansaço intenso, frequência de gripes e resfriados, dores pelo corpo, distração, sonolência, tristeza, desânimo excessivo, crises de pânico, medos diversos e esquecimento. Percebe-se que jovens, até mesmo crianças, sofrem quando se sentem rejeitados pelos grupos, ao passarem por avaliações, ao se enquadrarem a regras disciplinares excessivamente rígidas, ao tentarem agregar modelos de comportamento impostos de forma autoritária, ao sofrerem de problemas como bullying, ao ficarem diante de vestibulares ou outros processos competitivos. Para os professores, a realidade não é menos sofrida: baixo rendimento das turmas, indisciplina, violência escolar, problemas de aprendizagem dos alunos, instabilidade funcional, entre tantos outros. Lidar com todas essas realidades é um desafio para o gestor. Pós-Graduação a Distância Reconhecer e enfrentar os próprios desejos, ponderam Carvalho e Ferreira (2007), e as próprias frustrações, praticar a aceitação, a flexibilidade, o bom humor, independente do que esteja acontecendo externamente, ajuda a combater o estresse. Buscar as causas e as melhores formas de enfrentamento do problema é uma necessidade, pois, como doença, o estresse exige cuidados e tratamento específico. 73 Gestão de Pessoas: Fenômenos Sociais e Temáticas Contemporâneas Unidade III Sobre esse aspecto a atenção do gestor deve recair. Ele é o responsável direto pelo clima organizacional da organização escolar. Os estudos indicam que o desgaste emocional a que as pessoas são submetidas nas relações de trabalho é fator expressivo na determinação de transtornos relacionados ao estresse, como é o caso das depressões, da ansiedade patológica, do pânico, da fobias, das doenças psicossomáticas etc. São muitos os estímulos estressantes. A ansiedade soa como um alarme frente aos desentendimentos com colegas, com alunos ou diante da sobrecarga e da corrida contra o tempo, diante da insatisfação salarial, diante de resultados negativos, entre outros. Ocorrendo desorganização no ambiente ocupacional ocorre desordem e incapacidade de rendimento do profissional. Entre muitos podemos citar alguns fatores relacionados ao estresse no trabalho, tais como: a responsabilização excessiva de funcionários, a cobrança exagerada em relação ao cumprimento de prazos, a falta de apoio institucional ao trabalho, as expectativas excessivas em relação ao desempenho de alunos e de professores. Gilberto Dimenstein, no artigo abaixo, nos faz pensar sobre inúmeros fatores que influenciam no estresse do professor. Leia com atenção e reflita sobre as possibilidades... Muitos desses fatores resultam da ação do gestor ou têm impacto nela. Pense e faça suas anotações: quais são esses fatores e como você poderia ajudar a solucioná-los ao exercer o papel de gestor? Como “matar” um professor Gilberto Dimenstein Há uma série de pesquisas mostrando o enorme estresse a que é submetido um professor, especialmente de escola pública, traduzindo-se em vários tipos de doenças, como ansiedade ou depressão. Ao perder o encanto de ensinar, ele estará, enquanto profissional, morto, esperando a aposentadoria. Gestão de Pessoas e de Processos Todos falam em inúmeros fatores por trás dessa “morte”: classes superlotadas, falta de estrutura das escolas, pais desinteressados, alunos violentos, poucos estímulos para premiar o mérito etc. Há, porém, um fator pouquíssimo comentado, que, na minha opinião, é um dos piores, porque se associa ao mau desempenho nas notas e favorece comportamentos violentos. 74 Tenho recebido uma série de estudos que revelam a altíssima incidência, nas escolas públicas, de doenças e distúrbios psicológicos em estudantes. Falamos aqui em, no mínimo, 30% dos alunos, alguns dos quais simplesmente não enxergam ou ouvem direito. Só a dislexia pode estar atingindo 15%. Temos, na sala de aula, um desfile de enfermos sem cuidados apropriados. Isso significa que os governos deveriam ajudar as escolas a enfrentar problemas que não podem ser resolvidos pelos professores, a começar pela saúde, chegando até a assistência social. Filhos de famílias desestruturadas tendem a ter problemas em sala de aula. Exige-se, assim, um olhar mais sofisticado diante da educação. Como esse olhar não existe e cada repartição do governo trabalha isoladamente, o professor acaba vítima de tensões que vão muito além da sala de aula. Esse é um dos fatores que explicam o enorme absenteísmo e a rápida rotatividade em escolas públicas, tanto de estudantes como de professores. Gestão de Pessoas: Fenômenos Sociais e Temáticas Contemporâneas Unidade III Nessa “morte” do professor, a maior vítima, claro, é o lado mais frágil o aluno, acusado de ser culpado por não aprender. E, aí, quem “morre” é o aluno, que passa a não ter interesse pelo conhecimento. Pensando ainda nesses fatores, muitas são as formas de intervenção preventiva com relação ao estresse, no contexto educacional. Algumas se relacionam diretamente ao professor, outras à equipe diretiva e pedagógica e ainda outras à comunidade. Nas ações direcionadas ao professor, é preciso alertá-lo, por meio de palestras, sobre os possíveis fatores de estresse relacionados ao trabalho e a possibilidade de desenvolvimento desse tipo de estresse ocupacional de caráter crônico, tendo em vista que ele só é percebido como transtorno em sua fase final, quando sintomas psicossomáticos já se encontram consolidados. Outro recurso possível é a organização de grupos para trabalhar as crenças que o profissional têm sobre sua prática, auxiliando-o a desenvolver concepções mais realistas e adequadas da profissão. A ação contribuiria para o desenvolvimento das qualidades pessoais que podem ser utilizadas para um desempenho personalizado da prática profissional, evitando, assim, a internalização e a comparação constante com um modelo idealizado, não raras vezes estereotipado, com o qual não se identificam. Há evidente necessidade de investir na formação do corpo docente para a qualificação das relações interpessoais, tendo em vista que essa habilidade não é exaustivamente desenvolvida em sua formação inicial. Veja, as possibilidades de intervenção passam necessariamente pelo processo de aprendizagem. Segundo Carvalho (1999), é preciso aprender a ser, no sentido de valorizar mais o que se é do que o que se tem. A pessoa que está de bem com a vida (estado de ser) é capaz de enxergar sempre uma luz no túnel escuro das incertezas, das adversidades e do desafios, sejam eles quais forem. Enfrentar, com coragem moral, os dissabores e as dificuldades por mais duros, dolorosos que possam parecer. Dar a volta por cima, vivendo intensamente o dia a dia. Assim é o ser humano. Tem tudo para dar certo, para ser feliz. Tem um horizonte para ser descortinado e fica preso a coisas pequenas, a detalhes que não trazem felicidade e nada significam na existência humana. Perdem a liberdade, o sonho, a amizade, um grande amor por ignorância, por imaturidade, por falta de foco ou de equilíbrio. GABRIEL CHALITA Pós-Graduação a Distância A você, como gestor, cabe mobilizar energias positivas para induzir a aprendizagem do ser, estimulando professores e alunos a partir de propostas instigadoras, de participação ativa e de oportunidades de análise do próprio fazer pedagógico. É preciso que os grupos sociais que se encontram na escola enxerguem a possibilidade de superação de suas deficiências e de suas limitações. As pessoas precisam confiar em si mesmas e na própria organização para, a partir da aceitação de suas virtudes e falhas, buscarem novas e criativas formas de aprender, agir e enfrentar as dificuldades. Em síntese, cabe a você, meu amigo, seduzir as pessoas com quem trabalha, para aprenderem a ser. 75 Gestão de Pessoas: Fenômenos Sociais e Temáticas Contemporâneas Unidade III Você já ouviu falar em burnout? Quando não ocorre preventividade em relação ao estresse ocupacional na escola, a tendência é que este se agrave. Tal síndrome alcança muitos professores, além de outros profissionais. Leia o texto a seguir e reflita sobre como é importante prevenir, para não chegarmos a esse estágio de desencantamento profissional. Síndrome de Burnout G. J. Ballone É conhecida como Síndrome de Burnout a resposta ao estresse ocupacional crônico, caracterizada pela desmotivação ou pelo desinteresse, pelo mal estar interno ou pela insatisfação ocupacional, que parece afetar, em maior ou menor grau, profissionais que lidam com outras pessoas que resolvem problemas dos outros, como, por exemplo, médicos, carcereiros, assistentes sociais, comerciários, professores, atendentes públicos, enfermeiros, funcionários de departamento pessoal, funcionários de telemarketing e bombeiros. Trata-se de um conjunto de condutas negativas, como, por exemplo, a deterioração do rendimento, a perda de responsabilidade, as atitudes passivo-agressivas com os outros e a perda da motivação, em que se relacionariam tanto fatores internos, na forma de valores individuais e traços de personalidade, como fatores externos, na forma das estruturas organizacionais, ocupacionais e grupais. O quadro clínico da Síndrome de Burnout costuma obedecer à seguinte sintomatologia. • Esgotamento emocional, com diminuição e perda de recursos emocionais. • Despersonalização ou desumanização, que consiste no desenvolvimento de atitudes negativas, de insensibilidade ou de cinismo para com outras pessoas no trabalho ou no serviço prestado. • Sintomas físicos de estresse, tais como cansaço e mal estar geral. • Manifestações emocionais do tipo: falta de realização pessoal, tendências a avaliar o próprio trabalho de forma negativa, vivências de insuficiência profissional, sentimentos de vazio, esgotamento, fracasso, impotência, baixa autoestima. Gestão de Pessoas e de Processos • É frequente irritabilidade, inquietude, dificuldade para concentração, baixa tolerância à frustração, comportamentos paranoides e/ou agressivos para com os clientes, com os companheiros e com a própria família. 76 • Manifestações físicas: como qualquer tipo de estresse, a Síndrome de Burnout pode resultar em transtornos psicossomáticos. Estes normalmente se referem a fadiga crônica, frequentes dores de cabeça, problemas com o sono, úlceras digestivas, hipertensão arterial, taquiarritmias, desordens gastrointestinais, perda de peso, dores musculares e de coluna, alergias etc. • Manifestações comportamentais: probabilidade de condutas aditivas e evitativas, consumo aumentado de café, álcool, fármacos e drogas ilegais, absenteísmo, baixo rendimento pessoal, distanciamento afetivo dos clientes e companheiros, como forma de proteção do ego, aborrecimento constante, atitude cínica, impaciência e irritabilidade, sentimento de onipotência, desorientação, incapacidade de concentração, sentimentos depressivos, frequentes conflitos interpessoais no Gestão de Pessoas: Fenômenos Sociais e Temáticas Contemporâneas Unidade III ambiente de trabalho e dentro da própria família. O quadro evolutivo tem quatro níveis de manifestação. 1o nível – Falta de vontade, ânimo ou prazer de ir trabalhar. Dores nas costas, no pescoço e na coluna. Diante da pergunta: o que você tem?, normalmente a resposta é “não sei, não me sinto bem”. 2o nível – Começa a deteriorar o relacionamento com os outros. Pode haver uma sensação de perseguição (“todos estão contra mim”), aumenta o absenteísmo e a rotatividade de empregos. 3o nível – Diminuição notável da capacidade ocupacional. Podem começar a aparecer doenças psicossomáticas, tais como alergias, psoríase, picos de hipertensão etc. Nessa etapa, começa a automedicação, que no princípio tem efeito placebo, mas, logo em seguida, requer doses maiores. Nesse nível, tem-se verificado, também, um aumento da ingestão alcoólica. Pós-Graduação a Distância 4o nível – Esta etapa se caracteriza por alcoolismo, drogadição, ideias ou tentativas de suicídio. Podem surgir doenças mais graves, tais como câncer, acidentes cardiovasculares etc. Durante esta etapa, ou antes dela, nos períodos prévios, o ideal é afastar-se do trabalho. 77 Gestão de Pessoas: Fenômenos Sociais e Temáticas Contemporâneas Unidade III Capítulo 10 – Temáticas Contemporâneas • Criatividade na gestão escolar. • Inclusão social e escolar – ética e ação na diversidade. A proposta a seguir é outro olhar sobre a gestão escolar, iniciando por temáticas contemporâneas, como criatividade na gestão escolar, inclusão social e escolar, ética e ação na diversidade. A preparação do gestor para agir na contemporaneidade e os temas que lhe são afeitos é de que seja articulador entre a escola, a comunidade e as instituições sociais as mais diversas, como universidades, entidades não governamentais, grupos artísticos, pessoas físicas e jurídicas, formando parcerias. Além disso, devem ser promotores de uma educação de qualidade, priorizando as atividades e os projetos a serem desenvolvidos, conforme decisões do coletivo da escola, integrando-a cada vez mais à comunidade. Para tamanho desafio, almeja-se um gestor pró-ativo, especialmente no sentido de buscar constante atualização. Além da educação continuada, item previsto na legislação brasileira de educação, a gestão da escola moderna atenta para um processo de gestão dinâmica socialmente e mobilizada para uma liderança dos diversos atores que compõem a comunidade escolar. Nesse caso o gestor passa a ser visto como o articulador da diversidade, imprimindo unidade e consistência na construção de um ambiente educacional favorável e positivo, com vistas à formação dos alunos. Diante disso, é preciso reconhecer a escola como um conjunto complexo, cuja função não é apenas imediata, mas de repercussão futura. Gestão de Pessoas e de Processos De acordo com Carvalho e Ferreira (2007), gestar uma escola, implica a lida competente com os conhecimentos pedagógicos indispensáveis na compreensão do processo educacional, além da compreensão sobre a função da instituição escola, para articular políticas de formação com a política de gestão, o que sugere a visão estratégica quanto à construção de um projeto político-pedagógico como viabilizador da gestão democrática. 78 É papel indiscutível desse novo gestor assumir a condição de líder desse movimento de democratização, considerando o caráter de pluralidade cultural da escola na atualidade. Assim, promove a negociação de conflitos que se manifestam na escola, estabelecendo uma rede de relações entre alunos, professores, funcionários, pais e comunidade na qual a escola se insere. Cada um desses atores sociais passa a assumir responsabilidades como agentes de gestação do projeto escolar, determinando para si indicadores de qualidade que deseja e sabe que pode obter. As competências necessárias para gestar o administrativo e o pedagógico, sem dicotomizá-los, serão construídas a partir da mudança de paradigmas há muito cristalizados em nossa sociedade. Daí a importância da formação de gestores com foco na ampliação crítica dos conhecimentos pedagógicos, no que tange a uma reflexão filosófica sobre a educação, o domínio ético e político, bem como a compreensão da autonomia fundada no profundo respeito à diversidade. (CARVALHO e FERREIRA, 2007) Criatividade na gestão escolar A criatividade atualmente, vista como forte arma da gestão, é tema de enorme interesse nas organizações. Por meio dela, surge a capacidade de criar, de oferecer soluções criativas para os mais variados problemas, o que a torna, sem dúvida alguma, uma das mais valiosas competências humanas, já que possibilita colocar em prática o que idealizamos, ou seja, transformamos saber em produto. Gestão de Pessoas: Fenômenos Sociais e Temáticas Contemporâneas Unidade III São muitos os problemas em educação. Novos ou antigos exigem soluções inovadoras e é aí que a criatividade favorece ao indivíduo enxergar o problema, visualizando aspectos novos ou prismas diferenciados. Compete ao gestor incentivar a implantação e o desenvolvimento de um clima propício à geração de ideias, ao trabalho em equipe e à resolução criativa de problemas relacionados aos objetivos e às metas da escola, a partir da cooperação e do compartilhamento de ideias. Segundo Carvalho e Ferreira (2007), quando a comunidade escolar é estimulada a pensar criativamente, crises ou problemas considerados difíceis passam a ser encarados mais facilmente e logo surgem para eles novas alternativas de superação. Outro aspecto interessante é o fato de que não basta somente criar, gerar ideias, é preciso analisá-las e implementálas. Nisso percebe-se a criatividade não somente como um instrumento de soluções de problemas, mas também como processo de criação de novas possibilidades. A criatividade desperta toda uma maneira de ser, o desejo de inovar, de explorar novas formas de fazer as coisas, de transformar sonhos em realidade. Armando Ribeiro Apenas para ilustrar ... Leia a historinha a seguir, que exemplifica exatamente a importância da criatividade na solução de problemas que parecem inicialmente insolúveis. Um cachorrinho, perdido na selva, vê um tigre correndo em sua direção. Pensa rápido, vê uns ossos no chão e se põe a mordê-los. Então, quando o tigre está a ponto de atacá-lo, o cachorrinho diz: “– Ah, que delícia este tigre que acabo de comer!” O tigre pára bruscamente e sai apavorado, correndo do cachorrinho, e, no caminho, vai pensando: “Que cachorro bravo! Por pouco não come a mim também!” “– Cachorro maldito! Vai me pagar!” O cachorrinho vê que o tigre vem atrás dele de novo e desta vez traz o macaco montado em suas costas. “- Ah, macaco traidor! O que faço agora?”, pensou o cachorrinho. Em vez de sair correndo, ele ficou de costas, como se não estivesse vendo nada. Quando o tigre está a ponto de atacá-lo de novo, o cachorrinho diz: “– Macaco preguiçoso! Faz meia hora que eu o mandei me trazer um outro tigre e ele ainda não voltou!” Pós-Graduação a Distância Um macaco, que havia visto a cena, sai correndo atrás do tigre e conta como ele havia sido enganado. O tigre, furioso, diz: 79 Gestão de Pessoas: Fenômenos Sociais e Temáticas Contemporâneas Unidade III Logo, uma gestão escolar que se quer criativa busca promover a organização escolar, a mobilização e a articulação de todas as condições materiais e humanas necessárias para garantir a qualidade dos processos educativos, contextualizando-os à realidade, favorecendo a busca de soluções inovadoras para problemas antigos. Entre as qualidades que o gestor deve ter, nesse contexto de criatividade, destacam-se a versatilidade, a capacidade de rever sistematicamente suas concepções, acompanhando as mudanças que ocorrem. Para que todo o potencial humano criativo se desenvolva plenamente, é essencial a participação de todos. Em resposta a essa demanda, é fundamental que os profissionais da educação sejam capazes de gerar muitas ideias e de aplicá-las nos mais diferentes cenários, reconhecendo novas oportunidades ou soluções. (CARVALHO e FERREIRA, 2007) O trecho, a seguir, foi retirado da Revista Vencer, oportunizando reflexões interessantes. Dia a dia criativo Por meio de pequenas mudanças, é possível tornar sua vida mais criativa. A busca de experiências e estímulos diferentes é fundamental para que você crie um repertório capaz de gerar ideias inovadoras. O principal objetivo dessas sugestões é fazer com que você descubra o novo, o tempo todo, e evite “teias de aranhas” no seu cérebro. O caminho para a criatividade passa pelo hábito de buscar o novo e o diferente, sempre. Depois, basta separar o joio do trigo, optar por ideias que tenham melhor relação de custo e benefício e colocá-las em prática. • Todo mês, compre uma revista que você nunca leu – se você entrar com calma em uma banca de jornal vai ficar chocado com a quantidade de títulos que existem. Mensalmente, busque uma revista sobre algum tema que não tem nada a ver com sua realidade profissional e mergulhe nesse mundo diferente. • Vá a um restaurante diferente uma vez por mês – por que todo fim de semana temos de pedir pizza no mesmo lugar? Esse tipo de comportamento acaba cristalizando outras atitudes no nosso cérebro. Procure um lugar diferente e prove uma bebida ou uma comida que nunca experimentou. Gestão de Pessoas e de Processos • Não perca a oportunidade de conversar – fila de banco, táxi, jogo de futebol, cinema... Aproveite todas as situações em que tiver contato com pessoas que você nunca viu (e provavelmente não vai ver mais) e puxe papo sobre algum assunto. Conhecer pontos de vistas diferentes do seu com quem não tem nenhuma ligação é um exercício excelente para a criatividade. 80 • Conheça uma localidade diferente pelo menos uma vez por ano. Se você puder ir para outro país, ótimo! Viajar dentro do Brasil também é uma delícia. Mas mesmo se o dinheiro estiver curto, deve ter alguma cidade perto da sua que você ainda não visitou. Conheça esse outro mundo e veja as diferenças e as semelhanças entre a sua comunidade e as demais. • Brinque com uma criança – pode ser filho, primo, sobrinho ou alguém em uma creche em que você faz trabalho voluntário. Mas o importante é manter contato com o ser mais criativo que existe em nossa espécie: a criança. Um estudioso da criatividade chamado Maslow disse que o homem adulto não é um ser que desenvolveu uma capacidade extraordinária, mas sim uma criança na qual se acrescentou o menos possível. Gestão de Pessoas: Fenômenos Sociais e Temáticas Contemporâneas Unidade III • Aproveite a cultura – entre em contato com toda a experiência cultural que for possível. Vá a concertos, teatros, cinemas, circos, parques. Leia um livro por mês. Saia da inércia que a televisão nos coloca e estimule o seu cérebro com cultura fora de casa. • Tenha um hobby – preferencialmente, algo totalmente fora do seu dia a dia. Mais uma vez, o objetivo é fazer você trabalhar com um banco de dados (de informações, experiências e sensações) diferente do seu habitual. Quer saber o meu? Faço um curso de clown (palhaço) toda quinta-feira, das 20h às 23h! • Descubra o prazer do novo – o mais importante é criar na sua vida uma rotina da mudança e do novo. Isso vale para o seu cotidiano: da arrumação dos móveis na sua casa ao caminho que você faz para ir ao trabalho. A criatividade é um hábito a ser adquirido de maneira constante e prazerosa. Inclusão Social e Escolar: Ética e Ação na Diversidade Elogio do Aprendizado! Aprende o que é mais simples! Para aquele cujo momento chegou, nunca é tarde demais. Aprende o ABC: não basta, mas aprende-o! Não desanimes, tens de assumir o comando! Aprende, homem no refúgio! Aprende homem na prisão! Aprende, mulher na cozinha! Aprende, sexagenário! Tens de assumir o comando! Procura a escola, tu que não tens casa, Cobre-te de saber, tu que tens frio, Tu que tens fome, Agarra o livro: é uma arma! Tens de assumir o comando! Não tenhas medo de fazer perguntas: Não te deixes levar por convencido, Vê com teus próprios olhos, O que não sabes por experiência própria, A bem dizer, não sabes. Tire a prova da conta! Aponta o dedo sobre cada item, pergunta: como foi parar aí? Tens de assumir o comando. O poema de Bertold Brecht atenta para a existência das diferenças e para a necessidade de o indivíduo admitir um caráter pró-ativo diante do processo de aprendizagem, o que significa assumir a direção da própria existência. De acordo com Carvalho e Ferreira (2007), a inclusão escolar implica o planejamento e a implementação de um projeto político-pedagógico que oportunize acesso e inserção social dos grupos excluídos socialmente, seja por sua condição socioeconômica, seja por sua cor, raça e etnia, suas limitações físicas ou cognitivas, sua escolha política, religiosa ou sexual, entre tantas outras possibilidades. Pós-Graduação a Distância Bertold Brecht 81 Gestão de Pessoas: Fenômenos Sociais e Temáticas Contemporâneas Unidade III Como você pode ver, os motivos que levam à exclusão social são os mais diversos. Fomos educados desde crianças para aceitar padrões de normalidade que incorporamos e aos quais estivemos submetidos histórica e culturalmente. Tais padrões preconizam modelos estéticos, de inteligência, de linguagem, de condição econômica e cultural, a que devemos nos adaptar se não quisermos correr o risco de fazer parte do grupo de excluídos socialmente. Como gestor e promotor de um processo que viabilize a inclusão social, econômica, digital ou cultural na escola, é coerente que seja reconhecida a lógica excludente própria dos atuais modos de organização e produção social e, a partir desse reconhecimento, planejar o que se quer e como reescrever uma realidade tão adversa. A leitura de Mittler (2003) permitiu entender que, no contexto da inclusão social, a gestão deve estar envolvida com a formação de um sujeito social, estimulando e construindo identidades locais, à revelia do contexto social conflitante e adverso. Cabe à escola, nesse sentido, estabelecer formas de contestação da realidade, trabalhando para criar espaços de problematização, com vistas à superação dos problemas discutidos. No momento atual, é necessário estar atento ao fato de que, ainda que a escola não detenha todos os mecanismos para a transformação da sociedade, ela tem função primordial de educar para o questionamento, para a busca de alternativas, para a reflexão sobre sua própria condição, bem como para o fortalecimento da consciência da sua responsabilidade social na mudança desse cenário. A inclusão educacional exige do gestor empenho e paciência, para esperar resultados que não aparecerão a curto e a médio prazo. É um projeto gradativo, dinâmico e em transformação, cujo sucesso pressupõe necessariamente uma gestão colegiada, dialética e dialógica por excelência, na medida em que versa na mediação dos mecanismos de exclusão e de inclusão social. Mittler (2003) ilustra bem a afirmativa ao afirmar que: A inclusão é uma visão, uma estrada a ser viajada, mas uma estrada sem fim, com todos os tipos de barreiras e obstáculos, alguns dos quais estão em nossas mentes e em nossos corações. Na escola a inclusão envolve um processo de reforma e de reestruturação das escolas como um todo, com o objetivo de assegurar que todos os alunos possam ter acesso a todas as gamas de oportunidades educacionais e sociais oferecidas pela escola. Isso inclui o currículo corrente, a avaliação, os registros e os relatórios de aquisições acadêmicas dos alunos, as decisões que estão sendo tomadas sobre o agrupamento dos alunos nas escolas ou nas salas de aula, a pedagogia e as práticas de sala de aula, bem como as oportunidades de esporte, lazer e recreação. (MITTLER, 2003) Gestão de Pessoas e de Processos Reflita agora, como gestor, sobre a função da escola na formação de valores e sobre qual é a sua responsabilidade nesse contexto de inclusão e aceitação da diversidade: 82 O mais importante, na construção do homem, não é instruí-lo, haverá algum interesse em fazer dele um livro que caminha?, mas educá-lo e levá-lo até aqueles patamares onde o que liga as coisas já não são as coisas, mas os rostos nascidos dos laços divinos. Saint-Exupéry Gestão de Pessoas: Fenômenos Sociais e Temáticas Contemporâneas Unidade III De acordo com Mittler (2003), o conceito inovador de inclusão envolve o repensar radical da política e da prática, refletindo um jeito novo de pensar sobre as origens da aprendizagem e as dificuldades de comportamento. Formalmente fala-se sobre uma mudança da ideia de defeito para um modelo social. O gestor da escola, governo e coordenadores de educação especial são, cada um ao seu modo, responsáveis por assegurar que todos os alunos tenham acesso ao currículo global e a todas as possibilidades de experiências ofertadas na escola. Assim, princípios éticos, como a tolerância, a justiça e a responsabilidade, são indispensáveis na construção de uma sociedade mundial mais democrática, equilibrada e justa. Nesse contexto, será possível estabelecer um diálogo que leve em conta o respeito pela alteridade, tratando com igualdade os diferentes, sem confundi-los na homogeneização dos diferentes. Formar pessoas nessa perspectiva é um dos grandes desafios que se apresenta hoje à sociedade e, em especial, à escola, lócus ideal de socialização e fortalecimento de valores humanos éticos. Para tanto, esses valores, no âmbito da escola, não podem ser impostos, mas refletidos e ressignificados continuamente. Se eu pudesse deixar algum presente a você, deixaria aceso o sentimento de amar a vida dos seres humanos. A consciência de aprender tudo o que foi ensinado pelo tempo afora. Lembraria os erros que foram cometidos para que não mais se repetissem. A capacidade de escolher novos rumos. Deixaria para você, se pudesse, o respeito àquilo que é indispensável: além do pão, o trabalho. Além do trabalho, a nação. E, quando tudo mais faltasse, um segredo: o de buscar no interior de si mesmo a resposta e a força para encontrar a saída. Pós-Graduação a Distância (MAHATMA GANDHI) 83 Para (não) Finalizar Abaixo estão transcritos dois textos para você refletir sobre a importância de reescrever a gestão educacional numa visão multidisciplinar de gestar por meio de processos. Texto 1 Contar grão-de-bico Era uma vez – não se trata de uma história imaginária – um internato de crianças que possuía, em torno do seu prédio, uma ampla e rica área de terra. Lá, os trabalhadores agrícolas, ligados ao internato, teriam sabido fazer crescer toda uma variedade de produtos próprios das diversas estações. Poderiam plantar alfaces e tomates, couves e rabanetes, cenouras e aipos, feijões e berinjelas, pêssegos e uvas e até um pequeno canteiro de salsa, onde a cozinheira previdente iria buscar o condimento dos seus molhos. No caso, não é só o valor intrínseco desses produtos que conta, mas, como dizem as donas de casa, o uso e a comodidade. Mas o “agrônomo” oficial estava alerta. Aquela produção anárquica, condicionada apenas pelas necessidades da comunidade, não era nada do seu gosto, mesmo que os convivas e a cozinheira se declarassem satisfeitos. O agrônomo é um “cientista”. Quer precisão e, portanto, medida. Tem de ter, ao lado da coluna Despesas, uma Receita com todas as verbas, para a majestade dos totais impressionar os controladores e os burocratas. Mandou plantar beterrabas, nabos e grão-de-bico. Ninguém os queria, nem sequer o agrônomo, mas a “escrita”, com os seus resultados de pesagens e de cálculos, estava salva. A carreira do funcionário estava assegurada. O internato teria grão-de-bico. A nossa escola encontra-se muitas vezes, infelizmente, no regime do agrônomo, da falsa ciência e das estatísticas enganadoras, de que ele é o espantoso protótipo. Não se pergunta se o que irá produzir pode alimentar uma clientela de necessidades sutis e especiais. Receita, mais que tudo, a complexidade da vida, os diferentes gostos e apetites dos convivas, essa espécie de produção artesanal delicada e íntima, como os sentimentos, as sensações, as cores e os perfumes, que são a sua eterna riqueza. Gestão de Pessoas e de Processos Todo mundo ao grão-de-bico! Os manuais escolares repartirão e pesarão a semente; os problemas sobre as formas culturais e os adubos necessários estabelecerão os preços exatos do custo. Já não haverá surpresas: medir-se-ão e contar-se-ão grãos-de-bico. A falsa ciência pedagógica ri-se das sutilezas. Tem necessidade do prático, do sólido, do simples. Os exames sancionarão o rendimento com uma precisão e uma eficiência que atividades funcionais rebeldes aos testes engenhosos não permitem. 84 Se as crianças e os professores definham a contar e a comer grão-de-bico, se lhes falta o frescor das verduras, os sucos nutritivos e as vitaminas cujas virtudes são suspeitadas pelo menos pela ciência, é questão de clínica e de médicos, e não de educadores agrônomos. Você sente o ridículo dessa mania de agrônomo cultivador de grão-de-bico, mas aceita, ou tolera, que uma escola, ultrapassada pela vida, cultive exclusivamente os produtos mortos – ortografia, redação e problemas –, essas beterrabas, esses nabos e esse grão-de-bico, medidos pelos programas e pesados pelos exames. Extraído de: FREINET, Celestin. Pedagogia do bom senso. Trad. J. Baptista. Lisboa, Portugal: Martins Fontes, 1985. Para (não) Finalizar Texto 2 Funilândia existe? Existe! Fica próximo de Belo Horizonte. Fomos lá visitar uma escola municipal. A primeira surpresa foi que o gramado e os jardins estavam impecáveis e o prédio, bem-cuidado. Bom sinal. Entrando na sala de aula da 1ª série, a surpresa foi ainda maior. Além dos cartazes de palhaços e bichos, as paredes estavam cobertas de gráficos e tabelas. Perguntamos à queima-roupa a um aluno qual era sua missão nessa escola. A resposta já estava pronta: aprender a ler, a escrever e a fazer contas. Em seguida, foram arguidos outros alunos acerca do que lhes cabia fazer, dos problemas encontrados e das soluções contempladas. Estava tudo escrito nos cartazes colados nas paredes. Uma aluninha mostrou uma tabela com as presenças e ausências de cada um dos alunos e disse que uma das metas era reduzir as faltas de um ou dois alunos mais recalcitrantes. Um cartaz mostrava os pontos negativos: problemas de indisciplina e excesso de conversas paralelas. E assim se seguiu a visita, um aluno após outro completando o diagnóstico do que havia de certo e de errado na sua turma e mais as medidas para consertar os problemas. O que quer que se diga acerca do que foi encontrado, fica claro que os alunos de 1ª série sabem ler os textos na parede e conseguem interpretar gráficos de barra. Estão todos mais do que alfabetizados. Não é pouca coisa em uma escola de um município de 3.500 habitantes, com IDH – Índice de Desenvolvimento Humano na média mineira. No corredor estava um cartaz com as metas do professor de religião, enfatizando o ecumenismo e a tolerância. Também na Educação Física havia metas ligadas à obtenção de uniformes e tênis. Havia metas para a limpeza da escola (que é feita pelos alunos) e para o uso das cestas de lixo. Passamos à cantina, que igualmente tinha cartazes sobre as metas a ser atingidas pelas merendeiras (sabor, limpeza etc.). Abaixo do nome de cada funcionário da cantina estava pregado um copinho de papel. Embaixo de tudo, três copinhos com canudinhos de refresco cortados em pedaços menores. Após cada refeição, os professores escolhem a cor dos canudinhos para colocar no copo da merendeira de turno: verde para bom serviço, amarelo para mais ou menos e vermelho para deficiente. Na entrada da escola, estão os gráficos que mostram seu desempenho acadêmico em comparação com o das outras (medido pelos testes do Estado). Funilândia supera bastante as médias do Estado e empata com a melhor escola da região. A meta para o próximo ano é dar mais um salto. Na secretaria há uma caixa de sugestões e reclamações. Dali têm saído muitas ideias implementadas pela diretora. O que significa isso tudo, uma revolução gerencial? No fundo é isso mesmo. A escola adotou as técnicas de gerenciamento das melhores empresas, já aclimatadas para a educação. Ou seja, as técnicas mais bem-sucedidas para administrar empresas foram adaptadas para as escolas. A Fundação (www.fundacaopitagoras.com.br) implementou o plano na escola, em virtude de um dos sócios da empresa-mãe ser proprietário de uma fazenda de gado leiteiro no município (aliás, na América Latina, a única fazenda do ramo com ISO 9000). O que dirão os puristas da Pedagogia? Transformaram a escola em uma fábrica, com números medindo tudo? Mercantilizaram o ensino? Acho que não. As ferramentas gerenciais adotadas levam a escola a fazer Pós-Graduação a Distância As professoras são premiadas pelo seu bom desempenho (faltas dos alunos, limpeza etc.). Como não há dinheiro, os prêmios são dados pelos comerciantes locais. Visitamos a aula de uma professora premiada com uma galinha, um livro e um serviço de manicure. 85 Para (não) Finalizar o mesmo que as boas empresas fazem. Isto é, definir prioridades para direção, professores, alunos e funcionários. Depois, converter as prioridades em metas educativas concretas, decidir como ensinar (a pedagogia) e medir se foram atingidas as metas, avaliando assim o próprio desempenho. A gerência não substitui a pedagogia, mas faz soar alarmes se esta falhar. O que há de errado nisso? Se uma escola em um município diminuto consegue fazer isso, por que não outras mais aquinhoadas? Gestão de Pessoas e de Processos Extraído da Revista VEJA. Ponto de Vista de Cláudio de Moura Castro, 2003, p. 30. 86 Referências ARAÚJO, L. C. G. Gestão de Pessoas: estratégias e integração organizacional. São Paulo: Atlas, 2006. BIAZZO, S. Approaches to business process analysis: a review. Business Process Management Journal, v. 6 no 2, 2000, pp.99-112. BRASIL. Constituição Federal, 1988. Disponível em: <https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/ Constituiçao_Compilado.htm>. Acesso: 15/02/2009. BOCK, A.M.; Furtado, O. & Teixeira, M. de L. T. Psicologias: uma introdução ao estudo de Psicologia. 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