ALMANAQUE DA FAMÍLIA Para ler e se divertir ciclo 1 estudantes IOV-0001-13H-Almanaque_AF.indd 1 ciclo 2 famí lia ciclo 3 comunidade ciclo 4 sociedade 5/16/13 6:42 PM Caro Leitor, Se você tem filhos, sobrinhos, irmãos ou simplesmente gosta de compartilhar bons momentos com crianças e adolescentes, pode ter certeza que vai adorar este Almanaque! São atividades, histórias, jogos e brincadeiras para fazer com os amigos ou em família. Faca parte dessa história e divirta-se! O Almanaque faz parte da campanha de valorização da leitura promovida pelo Projeto Parceria Votorantim pela Educação, que tem o objetivo de contribuir para a melhoria da educação pública nos 21 municípios em que está presente. É um desafio e tanto! Contamos com pessoas como você para tornar a leitura um hábito cada vez mais presente em sua cidade. Afinal, para a educação melhorar, as empresas, as comunidades e o poder público precisam trabalhar juntos. Neste ano, estamos realizando diferentes ações para estimular a criação de oportunidades e espaços de leitura. O primeiro passo foi promover o prazer de ler nas escolas, entre alunos e professores, por meio do concurso Tempos de Escola. O próximo passo é levar a leitura para dentro da sua casa. Nas próximas páginas, você vai encontrar textos para todas as idades: uma lenda indígena do Pará, uma receita típica mineira, letras de canções do nosso país e até um conto popular recontado em uma versão exclusiva para este Almanaque. Toda essa riqueza pode ser compartilhada por meio da leitura, um portal de acesso às mais variadas informações e culturas. Também preparamos uma série de brincadeiras e jogos que as crianças, jovens e você vão adorar fazer juntos. Leve o Almanaque para casa e aproveite. Parceria Votorantim pela Educação Instituto Votorantim Para saber mais sobre o Projeto Parceria Votorantim pela Educação, acesse www.blogeducacao.org.br IOV-0001-13H-Almanaque_AF.indd 2-3 5/16/13 6:42 PM Para brincar com as criancas Cruzadinha Aventura na Floresta 1. Espécie de inseto muito conhecido pelo seu canto. Há uma famosa fábula com este inseto: a e a Formiga. Na cruzadinha a seguir você deve completar com os nomes dos animais representados nos desenhos. Ao lado de cada animal há dicas e curiosidades sobre ele. 2. Pássaro símbolo do Brasil. Muito conhecido pelo seu canto melodioso parecido com o som da flauta. 3. Também chamado de papa-formigas. Vive nas florestas e savanas das Américas Central e do Sul. Possui garras fortes e curvas nas patas dianteiras, o que atrapalha seu andar. 1 4. Réptil muito parecido com os crocodilos. Para nadar, utiliza principalmente a cauda. Pode andar, trotar e até galopar fora da água. 2 3 4 5 5. Réptil famoso por seu casco duro, que cobre todo o seu corpo servindo como proteção. As marinhas possuem nadadeiras ao invés de patas, e quando estão prontas para terem filhotes, vão até uma praia bem tranquila e quente, cavam um buraco e depositam os seus ovos. 6. Inseto pequeno e muito delicado. Está presente em todos os lugares e encanta a todos por onde passa. Em vários países são chamadas de flores que voam, pela beleza colorida de suas asas. 6 7 7. Anfíbio de pequeno porte, possui dedos terminados em ventosa, que lhe permitem prender-se a diversas superfícies. 8 9. 9 4 IOV-0001-13H-Almanaque_AF.indd 4-5 8. Ave com hábito solitário. Não fala como os papagaios, mas consegue aprender algumas palavras. No Brasil, a espécie de cor azul dessa ave é muito conhecida. Existe um filme infantil em que uma ave dessa espécie foi a principal personagem. 9. Maior felino do continente americano. Seu peso varia entre 35 e 130 kg. É dotado de grande força muscular, sendo a mordida considerada a maior dentre os felinos. A característica marcante dessa espécie é que ela não mia como os outros felinos. Emite uma série de roncos muito fortes que são chamados de esturro. 5 5/16/13 6:42 PM Para jogar com toda a família Quem sou eu? Nas tardes de domingo, quando estamos todos reunidos em casa, que tal propor uma brincadeira com toda a família? Reúnam-se em uma roda (ao redor da mesa, no chão da sala etc.) e escrevam em uma tira pequena de papel o nome de uma personagem ou pessoa famosa, sem que ninguém veja. Em seguida, cada um cola a tira que escreveu na testa do jogador a sua direita. Todos devem ler, em silêncio, o que está escrito na tira dos participantes, mas não podem saber o que está escrito na tira que foi colocada na sua testa. Este será o desafio: descobrir quem você é. Para descobrir, cada participante, na sua vez, deverá fazer perguntas para os demais responderem “sim” ou “não”. Por exemplo: • Sou uma pessoa? • Sou homem? • Sou mulher? • Sou uma personagem feminina? • Sou uma personagem masculina? • Apareço na televisão? • Sou um esportista? • Sou uma princesa? • Sou um animal? • Sou um humano? Etc. Cada jogador tem direito a uma pergunta por rodada até descobrir quem é. O primeiro que descobrir não precisa mais fazer perguntas, mas pode ajudar a responder as perguntas dos demais jogadores, até que todos descubram sua identidade. Ler é demais Você pode se tornar um leitor começando a ler textos mais simples, ler sobre temas de interesse pessoal, um livro indicado por um amigo etc. Não existe um só caminho para entrar nessa aventura, o importante é arriscar-se a entrar nela. 6 IOV-0001-13H-Almanaque_AF.indd 6-7 7 5/16/13 6:42 PM Para brincar com as criancas Caca-palavras Descobrindo a Capoeira Leia o texto e depois encontre as palavras grifadas em vermelho no quadro ao lado! Você sabe o que é a capoeira e onde ela surgiu? Leia a história a seguir para descobrir! Quando homens e mulheres AFRICANOS foram trazidos para o Brasil para serem escravizados, tiveram que encontrar formas de resistência e luta e a CAPOEIRA foi uma delas, uma mistura de JOGOS, danças e ARTES marciais africanos. Dizem que foi nos QUILOMBOS, lugares escondidos no meio do mato, onde os ESCRAVOS fugidos se refugiavam, que a capoeira nasceu. Lá eles resolveram bolar um jeito de se libertarem para sempre e criaram um modo de lutar tão poderoso que transformaram seus corpos em armas mortais. Como era muito importante que essa luta ficasse em segredo, eles faziam de conta que essa luta era uma DANÇA e, enquanto treinavam a luta, batiam palmas e cantavam. Dessa forma, quando eram vistos jogando capoeira diziam que eles estavam “brincando de angola”. Foi por isso que “ANGOLA” ficou sendo sinônimo de “capoeira” e sua prática passou a ser condenada. Mesmo depois da libertação dos escravos, em 1888, a capoeira ainda não era aceita. Apenas em 1937 ela virou, por lei, um ESPORTE nacional. Hoje a capoeira é praticada por pessoas de todas as etnias, idades e classes sociais do nosso imenso país. I E R O G L I F I C A E D A N Ç A C T E S A I S A P M G A A Z D E L E C A L Q E S P O R T E N R Q U L Z Q O O S U B R A U B E H L E E W I E X V I P V D A I L M L R E O L S F R O R H U O Z I S O A A S H A N G O L A S M O N Q R Q R I T E I C B H I Ç S O S E R S A C O T N F J O G O S A R H S H L M G M N Y V S T J I H L Y Q O O U B T E B S U A F R I C A N O S D Texto baseado nos livros: “O Herói de Damião em A descoberta da capoeira” editora Girafinha e “Berimbau mandou chamar” editora Manati. 8 IOV-0001-13H-Almanaque_AF.indd 8-9 9 5/16/13 6:42 PM PARA LER, OUVIR, CANTAR E CONTAR Há muitas histórias sobre o surgimento desse samba. Uma delas é bem divertida: Você conhece o famoso samba “Com que Roupa” composta pelo sambista brasileiro Noel Rosa? Que tal ouvir essa canção? acesse a página do YouTube para ouvir a canção: www.youtube.com Com que roupa? Noel Rosa Agora vou mudar minha conduta Eu vou pra luta, pois eu quero me aprumar Vou tratar você com força bruta Pra poder me reabilitar Pois esta vida não está sopa Eu pergunto com que roupa Com que roupa. . . eu vou? Pro samba que você me convidou Com que roupa. . . eu vou Com que roupa que eu vou Pro samba que você me convidou Seu português, agora, deu o fora Já foi-se embora e levou seu capital Esqueceu quem tanto amou outrora Foi no Adamastor pra Portugal Pra se casar com a cachopa Eu hoje estou pulando como sapo Pra ver se escapo Desta praga de urubu Já estou coberto de farrapos Eu vou acabar ficando nu Meu paletó virou estopa Eu nem sei mais com que roupa Com que roupa que eu vou . . . 10 IOV-0001-13H-Almanaque_AF.indd 10-11 Ler é demais Explore as leituras que a cidade proporciona, sobretudo com crianças que estão aprendendo a ler. Placas, propagandas, folhetos e mensagens em geral estão por toda a parte e a criança terá cada vez mais a consciência de que vive em um mundo letrado. 11 5/16/13 6:42 PM Para brincar com as criancas BAIXO Cruzadinha do contrário LONGO LIMPO Neste jogo você deve procurar na lista abaixo palavras que têm significado contrário ao das palavras da cruzadinha. Coloque a cabeça pra funcionar e divirta-se! TORTO DIA GRANDE • DOCE • DORMIR • NOITE • QUENTE • PEQUENO • RETO • GORDO • ESCURO • ALTO • APAGADO SALGADO ACESO ACORDAR CLARO SAIR • FELIZ • SUJO MENINA • DENTRO • MENINO FRIO • ENTRAR FORA • CURTO Ler é demais Estimule jogos e brincadeiras que usem a leitura – cruzadinhas, receitas, piadas, textos do tipo ”como fazer” etc. TRISTE MAGRO 12 IOV-0001-13H-Almanaque_AF.indd 12-13 13 5/16/13 6:42 PM PARA LER, OUVIR, CANTAR E CONTAR Confira o resultado: Aventuras de Cordel Você sabe o que é Cordel? Cordel é uma história contada em versos que rimam. Seu nome é assim devido ao jeito que os cordéis eram vendidos em Portugal: livretos pendurados em cordões. Vamos conhecer alguns trechos de uma história contada em cordel? A autora é a professora Jaciara Maria da Silva, que se aposentou aos 51 anos depois de passar 32 deles lecionando no Colégio Estadual Professor Edgard Santos, do Município de Governador Mangabeira, na Bahia. Natural de Mangabeira, Jaciara é conhecida por toda a comunidade por ter dado aula a centenas de alunos, de pré-adolescentes do 6º- ano do Ensino Fundamental a jovens quase adultos do Ensino Médio. Cordelista, a professora lançou mão do seu talento para chamar a comunidade mangabeirense a participar dos encontros do Projeto Parceria Votorantim pela Educação no município. Conheça mais um pouco sobre a história do Cordel! Literatura de Cordel, também conhecida no Brasil como folheto, é um gênero literário popular escrito frequentemente na forma rimada, originado em relatos orais e depois impresso em folhetos. Remonta ao século XVI, quando o Renascimento popularizou a impressão de relatos orais. O nome tem origem na forma como tradicionalmente os folhetos eram expostos para venda, pendurados em cordas, cordéis ou barbantes. Os autores, ou cordelistas, recitavam esses versos nas feiras de rua de forma melodiosa e cadenciada, acompanhados de viola. Na segunda metade do século XIX, começaram as impressões de folhetos brasileiros, com suas características próprias. Os temas incluem fatos do cotidiano, episódios históricos, lendas, temas religiosos, entre muitos outros. As façanhas do cangaceiro Lampião (Virgulino Ferreira da Silva, 1900-1938) e o suicídio do presidente Getúlio Vargas (1883-1954) são alguns dos assuntos de cordéis que tiveram maior tiragem no passado. A prática de recitar os cordéis em feiras também foi herdada pelos brasileiros. É comum, especialmente no Nordeste, ouvir leituras ou declamações muito empolgadas e animadas para conquistar os possíveis compradores dos folhetos. Fonte Wikipédia, a enciclopédia livre. 14 IOV-0001-13H-Almanaque_AF.indd 14-15 O Cordel do Parceria Votorantim pela Educacão Por Jaciara Maria da Silva “(...) É através da leitura que podemos viajar Então incentive seu filho Para este hábito formar Visitando a biblioteca Bons livros irão encontrar (...) Sempre é tempo de aprender Diz o ditado popular Precisamos nos unir Pra Mangabeira melhorar E o futuro de nossas crianças Garantido vai estar. Vejam que uma boa escola Deve então oferecer Professores preparados e cumpridos Com as famílias participando Esta escola dos seus sonhos Só depende de você Ler é demais Ler pode ser uma atividade cotidiana, mas não precisa ter hora marcada. Experimente ler em diferentes lugares como, por exemplo, no sofá, na cama, no ônibus, na varanda, quem sabe você não identifica qual é o seu cantinho de leitura? O IDEB é que nos mostra Se os alunos estão aprendendo E também se a escola Seu papel está fazendo E se na idade certa O seu filho está aprendendo. Conversando com a diretora E com o conselho escolar Peça orientação à professora De como você pode ajudar Para que o IDEB da escola Possa então aumentar. Se encontrar irregularidade Procure a direção para reclamar Pois esse é o seu direito De fiscalizar e colaborar Para que a Escola Pública Possa bem funcionar. Neste momento, precisamos Um compromisso firmar Pra que os pais e a comunidade Venham a nós se juntar. Pois só com a atitude O quadro da educação Poderá então mudar Nós podemos transformar. 15 5/16/13 6:42 PM Para brincar com as criancas Caro detetive, Você é o detetive Na passada estive na praça principal da nossa NTO DADE para apreciar o luar. Sentei no debaixo da árvore Imagine que você é um detetive e está investigando o misterioso caso do sumiço das lagartas que moravam na gigantesca árvore da praça principal de Tatuí, no interior de São Paulo. Até agora você encontrou poucas pistas, mas acabou de receber uma carta anônima que pode trazer novas informações sobre o caso. para me acomodar melhor. Como cheguei cedo, aproveitei para observar Vamos ler a carta e desvendar esse enigma? Depois de algum tempo, uma linda borboleta saiu voando. Não pude tirar meus as ÇO TU FO S, e elas já não estavam mais lá. No lugar delas, havia pequenos casulos. De repente, um deles começou a se mexer, se mexer e uma asa começou a sair de CHÃO TE ORIDA) TRO dele. daquela cena, e quando percebi a já estava no alto do céu. Ler é demais Aprecie junto com os pequenos as ilustrações dos livros e converse sobre a história que há nele. 16 IOV-0001-13H-Almanaque_AF.indd 16-17 E então, detetive, o que aconteceu com as lagartas? 17 5/16/13 6:42 PM Para jogar com toda a família Enigma do Dicionário Veja que divertido esse jogo que pode ser feito com toda a família! Você vai precisar apenas de um dicionário. Como jogar: Escolhe-se um participante para ficar com o dicionário. Este deve procurar uma palavra incomum, desconhecida por todos, e pronunciá-la em voz alta para que todos escrevam a palavra em um papel, inclusive quem está com o dicionário. Em seguida, todos os jogadores devem escrever no papel o seu nome e uma definição “inventada” para esta palavra e quem está com o dicionário escreve a definição verdadeira. Ninguém deve olhar a escrita do outro. Quando todos tiverem terminado, entregam os papéis para o jogador que está com o dicionário e este deve enumerar cada um deles e ler em voz alta todas as definições que foram escritas. Após essa leitura, cada participante irá votar, secretamente, na definição que acredita ser a verdadeira. Ao final, somam-se os pontos (veja quadro de pontuação) de cada jogador e inicia-se uma nova rodada, agora com outro participante com o dicionário. Quadro de pontuação: Caso ninguém vote na definição verdadeira, o jogador que estava com o dicionário recebe 1 ponto. Quem votar na definição verdadeira recebe 1 ponto. O participante que receber votos pela sua definição (sem contar o que estava com o dicionário) ganha 1 ponto por cada voto recebido. Vamos treinar? Tente descobrir o significado real da palavra Marufle. 1. Tipo de arma utilizada pelos índios americanos. 2. Cola muito forte utilizada pelos pintores para reforçar uma tela com outra. 3. Espécie de marsupial encontrado na Austrália. Ler é demais Uma boa maneira de entrar no mundo da leitura é encontrar relações entre os livros e outras linguagens, como o cinema e a música. Experimente ler um livro que inspirou um filme de que tenha gostado muito. Ler é demais Consulte a programação das bibliotecas de sua região e informe-se sobre rodas de leitura e outras ações de incentivo à leitura que elas promovem. 18 IOV-0001-13H-Almanaque_AF.indd 18-19 19 5/16/13 6:43 PM Para brincar com as criancas 1 Construa seu brinquedo! Ler é demais Aprecie junto com os pequenos as ilustrações dos livros e converse sobre a história que há nele. 2 Aprenda a fazer um divertido pião colorido. 3 Você vai precisar de: • Folhas de jornal • Palitos (de aproximadamente 20 cm. Uma opção são aqueles palitos de churrasquinho, pois já possuem ponta fina) • Cola • Pincéis • Tinta Colorida • Lixa 4 Mãos à obra! 1. Enrole uma folha de jornal até ela se tornar um canudo longo e consistente. 2. Depois, aperte um dos lados até que o canudo fique chato. 3. Cole o canudo de papel no palito. Com um pincel, vá passando cola enquanto enrola o jornal, como um rocambole. 4. Depois de secar a cola, é hora de pintar. Experimente pinturas irregulares, que vão se transformar na hora em que o pião estiver rodando. Pronto! Agora é só girar o palito e se divertir! 20 IOV-0001-13H-Almanaque_AF.indd 20-21 21 5/16/13 6:43 PM PARA LER, OUVIR, CANTAR E CONTAR Ler é demais Leia sempre para os pequeninos. Ao ouvir uma história, as crianças podem se interessar pelo mundo da leitura. Uma Lenda bem brasileira A MATINTA PERÊRA, Por Roberto Carlos Dias dos Anjos A Matinta Perêra é um dos mitos mais conhecidos da Região Amazônica. É a bruxa da Amazônia. Os caboclos da região dizem que a Matinta Perêra possui poderes sobrenaturais, lançando feitiço em suas vítimas, causando fortes dores de cabeça e podendo até mesmo levá-las à morte. Dizem que a Matinta Perêra quando está para morrer, pergunta: - Quem quer? Quem quer? Se alguém mais afoito, principalmente mulher, disser: “Eu quero!”, pensando em se tratar de alguma herança de dinheiro ou joia, recebe na verdade, “a sina de virar” Matinta Perêra. Mimito retornava altas horas da noite da festa em homenagem a São João Batista, em Vila do Conde. Jovem, acostumado a noites de farras, por lá havia ficado, enquanto durou a festa. Inúmeras vezes ele havia sido alertado para que não andasse sozinho pelos escuros caminhos da região pois as “visagens”, em muitas ocasiões, haviam causado terror às pessoas. Porém, Mimito, no ardor da juventude, pouca importância dava aos avisos, pois sabia que na Festa de São João Batista havia sempre a possibilidade de diversão com as lindas caboclas do lugar e a aguardente corria à solta nas festas barcarenenses. Muito “alto” da cabeça, lá ia Mimito em direção à sua casa, ali pelos lados do Rio Arienga. De repente, escutou um assovio estridente que pareceu lhe gelar as veias, era a Matinta Perêra. Pensou em correr, porém suas pernas não lhe obedeceram; pensou em gritar, porém não seria ouvido por ninguém naquele lugar ermo; teve que entregar-se à própria sorte e continuar caminhando. 22 IOV-0001-13H-Almanaque_AF.indd 22-23 23 5/16/13 6:43 PM PARA LER, OUVIR, CANTAR E CONTAR A feiticeira o seguia bem de perto, soltando assovios assustadores. De repente, quase tem um infarto ao ver cair algo a sua frente. Resistindo ao terrível medo que o acometia, ajudado pelo torpor alcoólico, Mimito abaixou-se e apanhou um objeto que imediatamente reconheceu: uma saia preta comprida. Parcialmente refeito do susto o rapaz olhou pra cima, para os lados e perguntou: – De quem... de quem é esta saia?!!! Sem obter resposta, o rapaz decidiu levar a peça de roupa para casa. Já próximo a sua residência ainda ouvia os assobios da Matinta que parecia cheia de raiva. Ao chegar em casa, Mimito deitou-se em sua rede e não conseguiu pegar no sono, parecia ouvir aqueles assobios dentro de sua cabeça e via a Matinta Perêra dizendo: – Essa saia pertence à minha filha Tiara, lembra dela? O rapaz refez mentalmente a figura da bela jovem – Pois é, ontem era noite escura, ela saiu por volta da meia-noite para cumprir sua sina. Ela me disse que te seguiu por boa parte do caminho, quando deu um voo para passar por cima de tua cabeça, sua saia caiu. Ela chegou em casa nua. E finalizou: a Tiara, meu filho, em noite sem luar, é outra pessoa; a Tiara vira Matinta Perêra! Versão de um mito amazônida recontado pelo professor Roberto Carlos Dias dos Anjos, consultor do PVE nos municípios de Primavera (PA) e Paulista (PE). – Eu quero a minha saia, devolva a minha saia, se não tu vais morrer! Pela manhã, Mimito ouviu batidas na porta. Levantou para ver quem era. Deparou-se com sua tia Mundica, senhora muito conhecida e querida na localidade. Ela pediu autorização para entrar em sua casa para ter uma conversa com ele. Ao adentrar o recinto, dona Mundica fixou seu olhar em cima da mesa, local, em que se encontrava a saia. Ela perguntou ao rapaz como aquela peça de roupa fora parar ali. Ele, ainda assustado, narrou com um certo exagero a aventura vivida na noite anterior. Dona Mundica disse estar ali por causa daquela vestimenta; perguntou ao rapaz se ele seria capaz de guardar um segredo horrível, algo que a perturbava enormemente. Ainda com medo, mas cheio de curiosidade, o rapaz disse que sim; então Dona Mundica tomou fôlego e falou: 24 IOV-0001-13H-Almanaque_AF.indd 24-25 Ler é demais Ainda que os pequenos não consigam ler sozinhos, incentive-os a olharem e folhearem os livros que têm em casa. Livros têm de ser vividos, usados! 25 5/16/13 6:43 PM PARA LER, OUVIR, CANTAR E CONTAR Cheirinho de Fome Pão de Queijo da Dona Janete Cada povo possui um tipo de culinária, com modos peculiares de preparar seus alimentos. A culinária se reveste de diferentes formas, misturas, temperaturas, cheiros e cores e os povos vão transformando os alimentos em uma atração de gostos, sensações e texturas, que aguçam os desejos. Moqueca, feijoada, churrasco, tutu de feijão, acarajé: a lista de pratos tipicamente brasileiros é extensa e muito variada. Ingredientes • 1 kg de polvilho • 250 g de margarina • 2 ovos • Leite • 1 kg de queijo meia cura (nem curado, nem fresco) • Sal a gosto Vamos conhecer uma receita mineira que faz sucesso em todo o Brasil e que cai bem a qualquer hora: o Pão de Queijo. E esta receita é especial: vem lá de Paracatu, diretamente da cozinha da Dona Janete Mendes*, mãe do João Paulo Rabelo, mobilizador do PVE, que é nativo de Paracatu e que hoje mora em Três Marias. Modo de fazer Misture o polvilho com o queijo ralado. Em seguida, acrescente os ovos e a manteiga. Misture bem e vá colocando leite até que a massa fique bem sovada a no ponto de enrolar. Leve no forno elétrico a uma temperatura de 250 graus. *Além de mãe do João, Dona Janete é bibliotecária da Escola Estadual Dr. Virgílio de Melo Franco, em Paracatu. Ler é demais Incentive os pequenos e jovens a emprestarem livros dos e para os amigos. 26 IOV-0001-13H-Almanaque_AF.indd 26-27 27 5/16/13 6:43 PM Para jogar com toda a família Um jogo muito antigo Que tal jogar peteca? De origem indígena, este jogo era praticado pelos nativos brasileiros, mesmo antes da chegada dos portugueses. Conta-se que, em 1928, nas Olimpíadas de Antuérpia, os brasileiros exibiram esse jogo, desconhecido dos europeus, causando-lhes tão boa impressão que foi solicitada sua regulamentação. Mãos à Obra 1. C olocar o saquinho de areia no centro do tecido. Como jogar Para jogar, reúnam-se em círculo, tendo ao centro um jogador que recebe e distribui a peteca aos demais. O jogador do centro é substituído pelo que deixa a peteca cair. O objetivo é mantê-la em trajetórias aéreas, impulsionada pela palma das mãos. 2. Amarre o tecido no saquinho de areia para fazer uma “trouxinha” Faça sua peteca Você vai precisar de: • 1 saquinho de plástico com areia • 1 quadrado colorido de EVA (ou outro tecido qualquer) de 20 cm por 20 cm • 1 elástico • Penas coloridas ou algo similar Ler é demais Quando você conta para alguém uma história que ouviu ou que leu com suas palavras, você está fazendo uma “contação de histórias”, tão interessante quanto a leitura do livro. Use e abuse das duas estratégias! 28 IOV-0001-13H-Almanaque_AF.indd 28-29 3. E ncaixe as penas no centro da “trouxinha” e amarre com o elástico. Pronto! Agora é só chamar todos para brincar de peteca! 29 5/16/13 6:43 PM PARA LER, OUVIR, CANTAR E CONTAR Quem conta um conto... O BESOURO E O MUNDÉ, Por Madalena Monteiro Era um homem danado de preguiçoso. Chamava-se João. A sua casa estava caindo aos pedaços e o seu roçado perdido no mato. Ele só trabalhava o suficiente para comprar pó de café, açúcar, farinha de mandioca e sal. Uma vez por semana ele saía de casa, embrenhava-se no mato onde deixara uma armadilha de pegar caça pequena, um mundé. Quase sempre encontrava preso lá algum animal que ele esfolava, salgava e que lhe servia de refeição a semana inteira. Um dia João foi ao mato vigiar o mundé e não encontrou caça alguma. E no dia seguinte foi de novo e, nada. Ler é demais Compartilhe com os jovens a leitura de algo interessante no jornal: uma tirinha engraçada, uma imagem ou uma notícia do interesse dele. 30 IOV-0001-13H-Almanaque_AF.indd 30-31 31 5/16/13 6:43 PM PARA LER, OUVIR, CANTAR E CONTAR Acabou indo ao mato três dias seguidos e nada encontrou. Exausto, tomou uma decisão: - Se não há caça, não vou ao mato. Ficou vivendo dos restos da caça dos outros dias, acompanhado de farinha e café. Um belo dia estava curtindo preguiça deitado em sua rede, quando escutou uma vozinha aborrecida que zunia: - João, João vai ver seu mundé. Moça bonita, casada não é! Com muito custo abriu os olhos, ergueu a cabeça e notou que a cantiga vinha de um besouro que lhe rondava a rede. Espantou o inseto e voltou a se concentrar em sua preguiça. Logo escutou de novo: - João, João vai ver seu mundé. Moça bonita, casada não é! Qual não foi o seu espanto ao encontrar presa nela uma moça tão linda que mais parecia uma princesa! A moça explicou que se casaria com ele desde que prometesse nunca falar mal dela por ter sido moça achada no mato. João não teve dúvidas, prometeu, e os dois rumaram para o seu casebre. Ao chegarem, João quase caiu pra trás de espanto: a casa tinha se convertido num palacete branco, com varandas ao redor e confortáveis redes penduradas em vários pontos. Por dentro, a casa era tão chique que seriam necessárias mais de mil palavras para descrever. Saindo para os fundos, João viu mais de não sei quantos empregados cuidando de sua roça, tirando o mato, plantando novas sementes, irrigando. À esquerda do roçado, havia uma criação de gado, carneiros, galinhas e patos. À direita, uma horta com todo tipo de verduras e legumes e, também, um pomar com uma variedade incontável de árvores frutíferas. Ao passar diante de uma das janelas, João viu seu reflexo. Estava vestido que mais parecia um lorde: calças e camisa de fino linho, muito alvas, bem passadas e perfumosas. Na cabeça, um chapéu de couro legítimo e, nos pés, botas macias e confortáveis. Novamente espantou o bicho, mas não tardou para que voltasse com a mesma cantilena repetitiva. Decidiu, então, ir ao mato vigiar a armadilha. Ler é demais O tom de voz e o olhar são elementos importantes na hora da leitura para crianças e adolescentes. Explore diferentes tons conforme o momento da narração, faça pausas que instiguem a curiosidade, direcione seu olhar ao ouvinte convidando-o para a leitura. 32 IOV-0001-13H-Almanaque_AF.indd 32-33 33 5/16/13 6:43 PM Era a vida que João pedira a Deus! O único trabalho que tinha era dar ordem aos empregados. E como até para dar ordens ele se cansava, combinou com a mulher que lhe levasse a refeição na roça para que lá comesse e descansasse debaixo de alguma árvore. E assim a mulher fazia, sempre sem atraso: as onze em ponto. Certa vez, a mulher e a criada tiveram dificuldade com a lenha do fogão e o almoço atrasou. Deu onze horas, João faminto na roça e nada da mulher chegar com a comida. Deu onze e cinco, onze e dez, onze e quinze... e todas as voltas das onze horas e nada. Às doze em ponto, perdendo a paciência, João ergueu as mãos para o alto e gritou: Nem bem terminou de dizer isso, fez-se um vendaval tão grande que foi levando tudo quanto encontrava pela frente: lá se foram os empregados, as plantações, os animais, a casa e até a moça bonita. Desde esse dia, João vai ao mato todos os dias e arma o mundé na esperança de pegar boa caça. Mas nunca mais ele pegou nada. Conto popular brasileiro, recontado por Madalena Monteiro, com base em versão pesquisada por Lydia Ortélio, Bahia. - É bem feito! Quem foi que me mandou casar com mulher achada no mato? Ler é demais Quando seu filho chegar da escola com livros valorize essa ação e separe um tempinho para ler com ele. Saiba mais Quando não existia rádio nem televisão, as famílias se reuniam para conversar e contar histórias. Muitos desses relatos foram transmitidos de geração para geração e se tornaram o que chamamos hoje de contos populares. Ninguém é dono dos contos populares, cada um conta à sua maneira, às vezes mudando e acrescentando um ou outro detalhe. Por isso, costumamos dizer que “Quem conta um conto aumenta um ponto”. Há vários tipos de contos populares: contos de encantamentos, contos de assombração, contos de animais ou fábulas, contos de adivinhação, contos de fadas, contos históricos entre outros. Fonte Wikipédia, a enciclopédia livre. 34 IOV-0001-13H-Almanaque_AF.indd 34-35 35 5/16/13 6:43 PM O que quer dizer: “Com o rei na barriga” Pessoa que dá muita importância a si mesma. “Conversa mole pra boi dormir” Conversa chata, sem importância que dá sono. Ou então quando a pessoa está querendo enrolar para ganhar tempo, dizendo só embromação. Por exemplo: José não queria nos contar o que tinha acontecido e veio com aquela conversa mole pra boi dormir. Naquele dia, metade da palestra foi conversa mole pra boi dormir. Por exemplo: Francisco, só porque comprou aquele tênis novo, tá se achando com o rei na barriga. “Ficar a ver navios” Esperando algo que não aconteceu ou não apareceu. Esperar em vão. Por exemplo: João foi até a praça para encontrar suas amigas, mas ficou a ver navios. “Como sardinha em lata” Superlotação de pessoas. Por exemplo: ontem, no ônibus, estávamos como sardinha em lata. O show foi muito bom, mas ficamos como sardinha em lata o tempo todo. 36 IOV-0001-13H-Almanaque_AF.indd 36-37 37 5/16/13 6:43 PM respostas BAIXO A 1 C 2 S A B P. T 4/5 9 O N Ç A R T 6 A B M O A R Á LIMPO G 3 5 I A R U 7 P G E 4 A J R A R E A R E DIA C A ACESO N R CLARO E B D É E Q O U A S U L Á R C E 8 A T R A P I N T A FRIO Q U A P C T U J A P. O R TORTO T R N O I T T A G A D O SAIR E O FORA D O 12/13 E SALGADO E N T R D L GRANDE A E S LONGO ACORDAR O D C O E N T R A MENINA M M I E N T R O R N TRISTE F E L I Z N P. MAGRO 16/17 Caro detetive, Na (noite estrelada) passada estive na praça principal da nossa (cidade) para apreciar o luar. Sentei no (banco) debaixo da árvore para me acomodar melhor. Como cheguei cedo, aproveitei para observar as (lagartas), e elas já não estavam mais lá. No lugar delas, haviam pequenos casulos. De repente, um deles começou a se mexer, se mexer e uma asa (colorida) começou a sair de (dentro) dele. Depois de algum tempo, uma linda borboleta saiu voando. Não pude tirar meus (olhos) daquela cena, e quando percebi a (lua) já estava no alto do céu. E então, detetive, o que aconteceu com as lagartas? P. 19 Cola muito forte utilizada pelos pintores para reforçar uma tela com outra. 38 IOV-0001-13H-Almanaque_AF.indd 38-39 P. G O R D O 8/9 I E R O G L I F I C A E D A N Ç A C T E S A I S A P M G A A Z D E L E C A L Q E S P O R T E N R Q U L Z Q O O S U B R A U B E H L E E W I E X V I P V D A I L M L R E O L S F R O R H U O Z I S O A A S H A N G O L A S M O N Q R Q R I T E I C B H I Ç S O S E R S A C O T N F J O G O S A R H S H L M G M N Y V S T J I H L Y Q O O U B T E B S U A F R I C A N O S D www.blogeducacao.org.br 5/16/13 6:43 PM IOV-0001-13H-Almanaque_AF.indd 40 5/16/13 6:43 PM