Prêmio Oferecido pela Visão Mundial, em parceria com o Instituto Presbiteriano Mackenzie, o 2º Prêmio Solidariedade coube a duas alunas do Colégio Mackenzie Tamboré, que se destacaram em atividades sociais em 2001 scolhidas por sorteio, Kandyce Esganzerla e Bruna Fava, alunas do Mackenzie Tamboré — 3º ano do Ensino Médio e 8a série do Fundamental, respectivamente — juntamente com Elisa Kubota, professora da 1a série do Ensino Fundamental, acompanharam o reverendo Dídimo de Freitas na viagem prêmio à Ama- E 52 Mackenzie zônia. Embarcaram em 1º de julho de 2002, às 9h30, no Aeroporto de Congonhas, em vôo da TAM com destino à capital do Amazonas. “Desembarcamos em Manaus, passamos pelo hotel e, em seguida, fomos para a Igreja Presbiteriana, a fim de participar do culto de abertura da programação do mês de Missões da Igreja”, explica o reverendo Dídimo, capelão do Mackenzie Tamboré. “Fomos, em seguida, para o barco-hospital Manfred Grellert, ancorado no Rio Negro, na base da Jocum (Jovens Com Uma Missão). De propriedade da Visão Mundial, o barco é cedido à Igreja Presbiteriana de Manaus para uso, em parceria, no atendimento às comu- Confraternização Logo à chegada criou-se clima agradável de solidariedade e carinho entre os que participariam da viagem — a equipe visitante, sob o comando do reverendo Dídimo, os 18 funcionários da Igreja Presbiteriana de Manaus e da Visão Mundial, além dos demais integrantes: comandante, médica, dentista, marinheiros, cozinheira, enfermeiros, farmacêutico, secretária, agrônomos e assistentes sociais. Harmonia e confraternização, aliás, seriam a tônica de toda a viagem. Às 23 horas o grupo partiu para viagem de três dias pelo Rio Negro, chegando, após 12 horas, à cidade de Novo Airão, de 9 mil habitantes. Ali, enquanto a equipe médica atendia as 100 primeiras pessoas, outro grupo, do qual participavam os mackenzistas de São Paulo, foi visitar as famílias que cuidavam de várias crianças — os padrinhos da Visão Mundial. Foram feitas três visitas e o grupo ficou conhecendo a casa usada para escritório do Projeto e ponto de encontro das famílias.“Em um ano de trabalho,em parceria com a Igreja Presbiteriana de Manaus, as ações principais estão voltadas para as áreas de saúde, educação, habitação, agroecologia e testemunho cristão”, explica Dídimo. Fotos Dídimo de Freitas Viagem à Amazônia nidades ribeirinhas dos rios Negro, Solimões e Amazonas. Lindos! Tanto os rostinhos sujos, quanto os sorrisos espontâneos, de gente que vive feliz com pouco – pouco mesmo – na belíssima Amazônia. A visita seguinte foi às comunidades ribeirinhas de São Raimundo, Terra Santa,Acajatuba e Tiririca, viajando em botes de fácil locomoção, por isso chamados voadeiras. “Ali, a mandioca é o alimento básico da população ribeirinha. Houve muita alegria e total entendimento em todos os lugares onde passamos”, diz o reverendo. A beleza e os perigos emocionam “A viagem pelos rios da Amazônia, cheia de encantos e perigos, é emocionante”, comenta Dídimo.“Há doenças porque o clima, úmido e quente, traz riscos à saúde. Distâncias, dificuldades de locomoção e de comunicação fazem da região um lugar extremamente penoso para a Mackenzie 53 Prêmio vida humana.Tudo é difícil para o habitante da Amazônia que enfrenta também o perigo da floresta, com feras, cobras e insetos transmissores de doenças letais.“Na comparação com a outra viagem que fizemos pelo sertão de Alagoas — relatada na edição nº 17 da revista Mackenzie — constatamos que as dificuldades do Nordeste, tão grandes quanto as da Região Amazônica, têm caráter bem diferente, com um simples detalhe unindo-as: ambas carecem da mesma solidariedade de todos nós”, ressalta Dídimo. “Para se ter uma idéia do que representa a região Norte tanto para o futuro do país quanto para o da humanidade, basta lembrar: 1º) 1/5 de toda a água potável do planeta está concentrada na região. 2º) A maior reserva de florestas do mundo também está ali, com diversidade infinitamente grande de animais, aves e peixes. Isso explica por que os países mais desenvolvidos do mundo têm tanto interesse pela Amazônia. Outro fator que chama a atenção é a riqueza étnica. As populações ribeirinhas são formadas por caboclos — mistura de etnias indígenas com as raças branca e negra que migraram para a região.“Aumentou a nossa sensação de responsabilidade em colaborar para que se faça trabalho social e missionário adequado às condições locais. Graças a Deus encontramos na região uma igreja cristã muito forte e iniciativa tão promissora quanto a da Visão Mundial”, comenta Dídimo. O grupo é ampliado ■ Em 5 de julho de 2002 o barco acabou se transformando em Centro de Treinamento Flutuante da Visão Mundial e da Igreja Presbiteriana de Manaus. O grupo aumentou para 34 pessoas, agora composto de lideranças dos projetos que a Visão Mundial mantém na região, mais Suely e Dorotéia, funcionárias da VM,os quatro participantes do Mackenzie Tamboré,José João e João Wilson, pastores da Igreja Presbiteriana 54 Mackenzie Mazelas de cidade grande anaus tem, hoje, Mmais de um milhão de habitantes e mazelas de grande cidade, com crescimento desordenado, muita miséria e violência. Daí a importância de entidades do Terceiro Setor como a Visão Mundial, que atua na região há mais de dez anos. Por sua vez, a Igreja Presbiteriana de Manaus, hoje com 3 mil membros, desempenha papel altamente positivo. Realiza extenso trabalho através de congregações na capital e em comunidades ribeirinhas – nos rios Negro, Solimões e Amazonas. Possui barcos-hospitais e embarcações menores para evangelização e diferentes missões. Desenvolve projetos sociais como o Amazon Vida e Crianças da Amazônia (parceria com a Visão Mundial e uma igreja presbiteriana da cidade de O grupo, em visita a uma casa de farinha, em Terra Santa. de Manaus, e o reverendo Carlos Queiroz, assessor da Visão Mundial. ■ Em 6 de julho, um bote levou os reverendos José João, João Wilson, Carlos Queiroz e Dídimo de Freitas para um encontro com índios tucanos e tesanos que migravam para a região próxima de Manaus. A visita a uma das famílias foi realizada com muita emoção porque, para chegar, o grupo tinha de passar no meio de um igarapé — uma trilha de água entre as árvores. Na cheia, eles chamam de iguapó”, explica Dídimo. ■ Durante a noite, os marinheiros capturaram um jacaré pequeno, bastante fotografado pelas mackenzistas Kandyce,Bruna e a professora Elisa.No quesito aventura, viram uma cobra surucucu, morta por um caboclo, e um macaquinho no colo de uma menina, na cidade de Novo Airão. Onças, macacos grandes e jibóias o grupo viu no minizôo do Hotel Tropical, em Manaus. ■ Outro momento que impressionou foi o encontro das negras águas do Rio Negro com a barrenta e amarelada do Solimões. A visita a Manaus ■ Na capital, a agenda foi diversificada. Após a visita à rica feira de artesanato, no dia 7, os visitantes foram conhecer o Hotel Tropical, o mais tradicional da cidade. ■ O almoço foi no restaurante típico Chapéu da Bênção, com muito peixe. ■ “Foi interessante conhecer a cidade”, comenta o reverendo Dídimo, “e perceber as diversas fases pelas quais passou, principalmente no século IX, no auge do ciclo da borracha, quando foram construídos o Teatro Amazonas, o Palácio da Justiça além de outros prédios públicos, que se conservam em bom estado.” ■ O grupo seguiu, depois, para conhecer a famosa Zona Franca. ■ Chegou, finalmente, a hora da partida. O vôo que os trouxe de Manaus saiu, no dia 8 de julho, com destino ao Aeroporto de Congonhas, São Paulo. “Chegamos felizes e agradecidos a Deus por todas as experiências que tivemos na viagem”, finaliza. Barco-hospital, pronto para o atendimento à população, nas margens do Rio Negro. Orlando, Estados Unidos). Conta atualmente com mais de 200 grupos familiares funcionando semanalmente. No culto de que participou o grupo de São Paulo, a igreja oficializou o apoio ao Trabalho Missionário que a IPB, através da Agência Presbiteriana de Missões Transculturais (APMT) e Missão AMEM estão iniciando junto a tribos indígenas na Região Amazônica. O reverendo Ronaldo Lidório é o responsável pelo trabalho. “Quando ficam sabendo que fomos lá para conhecê-los, eles se enchem de felicidade” As alunas Kandyce e Bruna, além da professora Elisa, fizeram anotações em seus diários. Transcrevemos alguns trechos: ■ “Um homem estava caçando no meio do mato, descalço, pisou num pedaço de tronco e feriu o pé. Vi o procedimento de enfermagem, importante para mim, que pretendo fazer medicina. Na hora em que o médico, doutor Júlio, aplicou a anestesia, fiquei meio zonza e saí da sala. Depois, voltei e ajudei no curativo e na limpeza.” Kandyce Sganzerla ■ “Ficamos esperando a chuva passar, na hora de ir embora. Aproveitamos a espera para brincar com as crianças. Pegávamos os urucuns, apertávamos as frutinhas que há dentro deles e saía a tinta vermelha com a qual pintamos a face das crianças. Elas, por sua vez, pintaram a face da professora Elisa. E nós, a do reverendo Dídimo.” Bruna Fava ■ “De tarde, jogamos futebol com pessoas da comunidade. O primeiro jogo foi misto. Outro só com as mulheres – ganhamos nos pênaltis. Uma das jogadoras contou-nos que, no campeonato entre as comunidades, a equipe vencedora ganha um boi.” Bruna Fava ■ “O Ney eu achei um pouco sério quando o conheci. É um artista – desenha, pinta. Mas era só impressão. Com a gente ele era muito engraçado. O Izaqui fazia mágicas e até ensinou algumas pra gente. Ele foi convidado algumas vezes para se apresentar em festas. Não cobra nada. Só pede para falar de Deus para as pessoas que estão nas festas.” Bruna Fava ■ “Quando já estávamos sobrevoando Manaus observei o encontro das águas, a Bacia Amazônica e o contraste da cidade de Manaus e a Floresta Amazônica. O que achei demais foi quando sobrevoávamos a floresta: víamos muitos floquinhos de nuvens por causa do excesso de umidade. Se meus filhos estivessem aqui, pensei...” Elisa Kubota ■ “Experimentamos um coquinho muito popular por lá, o tucupi. O pessoal faz até sanduíche com ele.” Elisa Kubota ■ “O barco que nos aguardava pertence à Visão Mundial, a entidade filantrópica que, no ano de 2002, novamente ganhou o Prêmio Bem Eficiente. Lá tudo é avaliado, desde a transparência fiscal da sua diretoria, até como a entidade utiliza e encaminha os diversos recur- sos captados”. Elisa Kubota ■ “Por que existem mais botos cinza do que rosa? Eu disse que não sabia, então me explicaram a lenda. O boto rosa nos leva para baixo e se o boto cinza vê, ele nos resgata. Ainda bem que existem mais botos cinza do que rosa...” Elisa Kubota ■ “Ao avistar as águas barrentas me lembrei de um fato que, às vezes, ocorre aqui. Pessoas que nadam nessas águas correm o risco de serem encontradas por um indiscreto peixinho, que entra no corpo humano por qualquer orifício ou mesmo ferida. Vai se alimentando e crescendo dentro da pessoa. Como ele acaba morrendo, causa uma grande infecção. A vítima do candiru – é esse o nome dele – pode vir a falecer. A grande Amazônia e seus mistérios...” Elisa Kubota ■ “O engraçado é que quando as pessoas ficam sabendo que somos de São Paulo, querem tocar na gente, até parece que é para ver se somos de carne e osso. Mas quando dizemos que viemos especialmente para vê-las, se enchem de felicidade”. Elisa Kubota Mackenzie 55