Loja Maçônica República Riograndense Av. Praia de Belas, 560 - Porto Alegre - BRASIL www.lojarepublica174.com.br A ÚNICA ARMA CUJA TÊMPERA NA FALHA João Costa vivia como sua família numa cabana de palha, numa daquelas praias paradisíacas. Quentes e quase desertas, banhadas por um mar cristalino... A cabana era dividida ao meio por uma cortina de pano. De um lado dormiam João e sua esposa e do outro, onde tinha um fogão de chão, dormia seus dois filhos. João era pescador e os filhos eram catadores de marisco. A mulher cuidava da casa e fazia comida. Todas as manhãs, lá pelas 10 horas, os quatro acordavam e iam até a praia para tomar banho e fazer suas necessidades. Depois voltavam para a cabana para tomar água. Café não tinha. Depois, João pegava suas linhas de pesca e voltava para a praia. Os filhos, de 12 e 13 anos, iam junto para catar marisco... E a mulher ia até o mato pegar lenha para acender o fogão. A mulher, depois de pegar lenha, voltava para a casa e acendia o fogão. Sempre era a primeira a chegar. Os filhos, depois de catar os mariscos, iam até a vila, a três quilômetros, trocá-los por água, farinha e cachaça. E João, depois de pescar quatro peixes, também voltava pra casa. Reunidos para o almoço, João e a mulher tomavam cachaça enquanto assavam dois peixes. Deixavam os outros dois para a noite. Depois de comerem, os quatro concordavam de tinham que descansar um pouco... Quando chegava a noite, tomavam o resto da cachaça e comiam os outros dois peixes... Tinham, porém, o cuidado para que sobrasse um pouco de água para o outro dia... Depois iam dormir em suas esteiras sobre o chão de areia. Lá pelas 10 horas da manhã do outro dia, começava tudo de novo. Um dia José da Silva, sua esposa e seus dois filhos, estando de férias e fazendo turismo selvagem, encontraram a cabana de João. Anunciaram-se e foram recebidos. Após alguma conversa, José convidou João e sua família para passarem alguns dias, com eles, na cidade. João aceitou e acompanhou o turista. Não trancou sua cabana, mesmo porque não tinha nenhuma porta para ser trancada. Mas levou consigo tudo que tinha: as esteiras, as linhas de pesca e a cortina... Só o fogão ficou. Chegando à cidade, a primeira coisa que José fez foi comprar roupas e sapatos para João e sua família. Vendo aquilo, João perguntou: - Porque tudo isso? - Porque estamos na cidade, João... E não podemos andar por aí só de calção e descalços. E mais, as roupas devem ser trocadas e lavadas, no máximo, a cada dois dias... - Que estranho... Lá na minha praia, eu nunca trocava de roupa... Mas lavava o meu calção todos os dias, quando ia tomar banho no mar... Depois José levou João e sua família para o seu apartamento. Era uma cobertura duplex. Assim que chegaram, José disse a João que ele e sua família deveriam se acomodar na cobertura. João viu mesas, cadeiras, cortinas, armários, lâmpadas elétricas, equipamento de som, televisão de plasma, computadores, ar condicionado e mais umas quantas coisas... Estava deslumbrado com o que estava vendo, mas não comentou nada. Naquela noite, sentados em cadeiras (em torno de uma mesa) jantaram uma carne grelhada, usando talheres e servida em pratos... Conversaram um pouco e depois foram dormir em camas limpas. Porém, a grande surpresa de João, o pescador, foi quando, na manhã seguinte, ouviu barulhos e ruídos no apartamento antes mesmo do sol nascer. Levantou-se da cama e foi ver o que estava acontecendo. Eram só seis e meia da manhã... João, olhando desconfiado, viu José, seus dois filhos, de 25 e 26 anos, e sua esposa, tomando café e com os cabelos ainda úmidos, pelo banho recém tomado. - O que está acontecendo? - pergunto João espantado. == 1 = = Loja Maçônica República Riograndense Av. Praia de Belas, 560 - Porto Alegre - BRASIL www.lojarepublica174.com.br - O Trabalho nos espera João... O Trabalho nos espera... Fiquem à vontade... Quando levantarem a Dona Marlene vai servir café pra vocês... E já falei com Elias, o nosso motorista, para levarem vocês para conhecerem a cidade e depois almoçar. Todos saíram e João voltou para a cama. Lá pelas 10 horas, João, a mulher e os filhos acordaram... Mas não tinha mar para tomar banho... Elias ensinou a João e sua família a usarem o chuveiro... Depois que Dona Marlene serviu o café, Elias os levou para passear pela cidade. Ao meio dia foram a um restaurante. Após o almoço João disse a Elias: - Vamos, temos que voltar agora... Acho que Seu José e os outros já devem ter chegado em casa para descansar um pouco... Vamos, temos que voltar... Elias só olhou e ficou silencioso... E seguiu dando voltas pela cidade... Somente às 7 da noite os levou de volta para o apartamento. Às 8 da noite chegou a esposa de José. Em seguida, os dois filhos. Às 9 horas, chegou José. Após um banho relaxante, foram jantar. Depois, como no dia anterior, conversaram um pouco e foram dormir. Passados três dias com essa rotina, depois da janta, João abordou José: - O Senhor tem uma casa muito confortável, bonita e cheia de coisas boas... - Nem tanto, João... O apartamento é muito bom, mas ainda pode ficar muito melhor... - Lá na minha praia eu não tenho nada disso... Como eu gostaria de ter uma casa assim... Com todas as coisas dentro... Uma casa com chuveiro com água quente... E com água doce... Uma casa com mesas, cadeiras, armários, camas e todas estas coisas... Uma casa com refrigerador, fogão a gás e forno de microondas... Como eu gostaria de dormir todas as noites em quarto com ar condicionado, ver televisão e falar ao telefone... Como eu gostaria de ver DVDs e ter um celular só pra mim... Pra esposa e para os filhos também... Vi os carros andando pela rua e pensei que seria ótimo que eu tivesse um... E outro para a minha esposa... O senhor vive num lugar cheio de coisas muito boas... Para mim, este lugar é um lugar abençoado... Muito abençoado. - Ora João... É realmente um lugar bom e gostoso de viver... Mas quanto a ser abençoado?... O senhor sabia que é só querer, que pode ter uma casa como esta?... E com todas as coisas que queira?... - Como assim?... Não sei... O senhor fala... Mas eu não consigo entender como poderia ter uma casa assim... Com tantas coisas bonitas... Eu não entendo como... - Se o senhor quiser mesmo, eu lhe faço ter uma casa assim... E ainda como tudo que quiser dentro da casa... Tudo só para o senhor e sua família... Só depende do senhor querer... - Como o senhor pode fazer isso para mim?... Como pode fazer isso acontecer?... O que o senhor pretende fazer comigo?... Quem é o senhor?... Vamos... Responda... Quem é o senhor???... - Calma João... Veja: sou casado há 30 anos. Antes de casar eu era empregado de uma empreiteira de mão de obra. Quando casei, saí da firma e montei a minha própria empreiteira. No início era pequena, mas com o tempo e trabalhando bastante, ela cresceu. Depois de dois anos de casado, não quis mais que minha mulher trabalhasse como empregada. Então, com o dinheiro que guardei trabalhando na empreiteira, montei um comércio de roupas para ela. No início também quase não dava movimento, mas com o tempo e trabalhando bastante, a loja melhorou e hoje tem uma clientela grande. Quando nos sentimos mais estabilizados, tivemos nosso primeiro filho. Depois tivemos o outro. Com o que ganhávamos, trabalhando em nossos comércios, sustentamos nossos filhos até a maioridade. Com os filhos já crescidos montamos, com nossas economias, para um, uma empresa de informática e para outro, um comércio de pesca e mergulho. Sabia que foi por isso que nos conhecemos? Estávamos aproveitando os equipamentos de pesca e o mergulho. Nossos filhos também sempre trabalharam muito nos comércios que montamos para eles e hoje em dia ambos tem uma excelente renda. Este apartamento foi comprado há quatro anos com o dinheiro que eu ganho na empreiteira, que minha esposa ganha na loja de roupas e meus filhos ganham em seus comércios. Entendeu? Nós quatro trabalhamos == 2 = = Loja Maçônica República Riograndense Av. Praia de Belas, 560 - Porto Alegre - BRASIL www.lojarepublica174.com.br bastante, ganhamos o nosso dinheiro, juntamos tudo e compramos este apartamento. E também todas as coisas que queremos. Se você quiser, eu lhe consigo um emprego. Você ainda é bem jovem... E também outro para sua esposa. Depois faça como eu: com o tempo, guarde um dinheiro e monte um negócio para o senhor e outro para sua esposa. Quando seus filhos crescerem monte um negócio para eles também. Faça isso e o senhor verá que com o tempo e com todos trabalhando bastante, vocês também poderão ter todas um lugar bem confortável para viver e todas as coisas que quiserem... - Ah!... Agora entendo... Mas se eu fizer o que o senhor me disse para fazer, eu e minha família vamos ter que acordar todos os dias às 6 da manhã... - João... João... Isso é o de menos... Eu e minha esposa acordamos às seis da manhã, há quase 35 anos e somos completamente sadios... Os meus filhos, desde que tem os seus próprios negócios, também acordam às seis da manhã e não lhes falta nenhum pedaço... Trabalhando bastante, o dia inteiro, fazemos o que é nosso crescer e render... E com isso podemos ter tudo que queremos. - Ah!... Sei... Mas se nós fizermos isso que o senhor esta sugerindo, também não poderemos mais descansar à tarde... - João... João... O dia existe para trabalhar e a noite para descansar. - Ah!... Sei... E se tivermos os tais comércios, teremos que passar o dia inteiro nos preocupando em fazer coisas para os tais clientes... E não para nós... - João... João... É assim mesmo... Tanto no comércio, como na indústria e também na prestação de serviços, se trabalha para atender as necessidades dos clientes. - Ah!... Sei... Pelo que vi o senhor, sua esposa e seus filhos se preocupam mais com seus clientes do que com vocês mesmos... Percebo que vocês não se preocupam nem um pouco em se manter como uma família... Vocês não se vêem o dia inteiro... Como vocês podem viver assim?... Até parece que vocês se esqueceram de D*us... - João... João... D*us disse para respeitar um dia a cada sete... Desde sempre, eu, a minha esposa e meus filhos, tiramos um dia a cada sete, simplesmente para passarmos juntos, nos confraternizar, nos divertir e não fazermos nada comercial... - Ah!... Sei... Mas onde eu vivia, eu e minha família nos confraternizávamos todos os dias e o dia inteiro... E D*us é testemunha que eu nunca deixei faltar nada para eles... E mais uma coisa: eu só me preocupo com minha família, eu nunca iria me preocupar com esta gente que eu não conheço: os tais clientes... E na praia que eu vivo temos tudo que precisamos... Eu não quero mais ficar neste lugar... Quero que o senhor me leve embora daqui... Este lugar é um lugar maldito... É um lugar amaldiçoado... Aqui não mora nenhuma família... Aqui é a morada do demônio... - Está bem João... Está bem... Amanhã eu lhe levo de volta para aquela praia... Mas leve consigo uma cesta básica... Aceite... Para que vocês possam comer alguma outra coisa que não seja peixe... - NÃO. Não preciso de nada do que é seu para mim, nem para minha família... Saiba o senhor, que tudo que nós precisamos vem do mar e da vila... E o que não vier nem do mar nem da vila, D*us proverá. - Está bem João... Claro que está bem... D*us proverá... Claro que sim, João... D*us proverá... ORE, como se tudo dependesse só de D*us... TRABALHE, como se tudo dependesse só de você... Dito Popular == 3 = =