Contabilidade de custos e eficiência de produção da indústria madeireira na Amazônia Brasileira Relatório Final Janeiro 2005 Por Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) Centro Internacional de Pesquisa Florestal (CIFOR) Embrapa Amazônia Oriental (EMBRAPA) Fundação Floresta Tropical (FFT) Virginia Polytechnic Institute and State University (VPI&SU) Com apoio da Universidade Federal Rural da Amazônia Universidade de Freiburg The Woods Hole Research Center i Agradecimentos Gostaríamos de registrar nossos sinceros agradecimentos aos membros da indústria madeireira que nos apoiaram nessa pesquisa e nos receberam em seus escritórios. Sem esse apoio, não teria sido possível realizar este trabalho. ii Contabilidade de custos e eficiência de produção na indústria madeireira da Amazônia Brasileira Sumário Executivo. Do ponto de vista econômico, as atuais práticas de exploração das florestas naturais da região amazônica são altamente ineficientes. Devido à falta de planejamento e de técnicas adequadas, a produtividade é baixa e um volume significativo de madeira é deixado na floresta ou perdido na serraria. Este desperdício aumenta, desnecessariamente, tanto a área requerida para produção, quanto à demanda pelo trabalho de pessoal e máquinas. Uma exploração correta e planejada e um processamento adequado nas serrarias reduz os impactos ecológicos negativos e tem potencial para tornar a atividade economicamente mais atrativa aos empresários, devido ao uso mais eficiente da madeira, dos equipamentos, dos insumos e da mãode-obra. Esta lógica, porém, não é reconhecida nem aceita pelas empresas de processamento de madeira. Um dos motivos é a falta de conhecimento sobre a economia das operações florestais por parte dos proprietários e gerentes das empresas e, também pelos tomadores de decisões políticas e outros atores interessados em dar suporte a um manejo sustentável das florestas da Amazônia. Somente um excedente econômico da Extração de Impacto Reduzido - EIR motivará as madeireiras a uma mudança para o manejo florestal sustentável. Um instrumento promissor para incentivar mudanças neste cenário seria a criação de linhas de crédito que contemplem critérios e práticas de um bom manejo florestal. Por isso o Banco da Amazônia decidiu disponibilizar serviços financeiros para empresas madeireiras motivadas em implementar formas de exploração florestal que garantam a manutenção destes recursos com todas as funções ecológicas, econômicas e sociais fundamentais para o bem-estar da sociedade amazônica. Mas a funcionalidade e utilidade desta iniciativa dependem de informações viáveis sobre aspectos financeiros das operações florestais. Com a finalidade de contribuir à utilização mais eficiente dos recursos florestais através de um melhor entendimento da economia das operações florestais e o setor madeireiro, um consórcio de organizações de pesquisa florestal: o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia – IPAM, o Centro Internacional para a Pesquisa Florestal – CIFOR, o Centro de Pesquisa Agropecuário da Amazônia Oriental da EMBRAPA, a Fundação Floresta Tropical – FFT, com suporte financeiro do Banco da Amazônia, iniciou em 2001 o projeto "Contabilidade de custo e eficiência de produção na indústria madeireira da Amazônia Brasileira". O projeto contou adicionalmente com fundos e pesquisa de contrapartida de (em ordem alfabética): Agência dos Estados Unidos para Desenvolvimento Internacional - USAID Fundação de Gordon e Betty Moore Fundação de Hewlett Organização Internacional de Madeira Tropical – OIMT (sigla inglesa ITTO): Projeto Bom Manejo PD 57/99 Rev. 2 (F). iii Em particular, o projeto objetivou contribuir para: (1) desenvolver uma base para determinar os custos de produção no setor florestal sob diferentes condições, considerando diferentes procedimentos técnicos, (2) ajudar os donos de serrarias a identificar pontos de ineficiência no processo produtivo; (3) ajudá-los a entender a importância da sua própria empresa e do setor como um todo, identificando novas técnicas e tecnologias para a indústria madeireira, e (4) fortalecer políticas públicas que estimulem as indústrias a se tornarem mais eficientes e a reduzirem os desperdícios de madeira. Durante o curso deste projeto, os investigadores e técnicos tiveram contato intenso com os participantes industriais e associações madeireiras da Amazônia. O projeto foi administrado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e realizado através de dois componentes: o Componente I liderado pela cooperação científica entre Embrapa e CIFOR, coordenado por Benno Pokorny (EMBRAPA / CIFOR / Universidade de Freiburgo (Alemanha)), com apoio de Max Steinbrenner (Universidade Federal Rural da Amazônia - UFRA), e o Componente II liderado por Frank Merry (IPAM / Woodshole Research Centre – WHRC (Estados Unidos)). Além desses pesquisadores, compuseram a equipe do projeto: Ailton Alves, Gregory Amacher, Simone Bauch, Ingrid Silva e Jocilene Souza. Natalino Silva (EMBRAPA) e Johan Zweede (FFT) atuaram como conselheiros técnicos do projeto. O Componente I, (Capítulos 1, 2 e 3) Monitoramento Econômico das Operações Florestais, visou a geração de dados financeiros e índices técnicos detalhados sobre as operações realizadas na floresta. Foi aplicada a ferramenta de Monitoramento Econômico de Operações Florestais – MEOF desenvolvida pelo projeto ITTO “Bom Manejo” para coletar os dados de produção do ano 2003 de cinco empresas na região Tailândia representando diferentes tipos de extração, de convencional desordenada ate à EIR certificada pelo FSC. O estudo apresenta a primeira documentação de longo prazo de operações florestais mecanizadas na Amazônia comparando os diferentes tipos de operações florestais em ação. O estudo revelou, que a atuação, organização e desempenho das empresas madeireiras na Amazônia são extremamente heterogêneas. Ficou evidente, que as empresas não têm um controle suficiente sobre a produção e sobre os custos das operações florestais. Isso tem graves implicações sobre a eficiência das operações, sobre os resultados financeiros, como também influencia a geração de empregos e os impactos na floresta remanescente. O estudo gerou índices técnicos para as atividades realizadas nas operações de Exploração de Impacto Reduzido – EIR e na exploração convencional. Mostrou-se que o processo produtivo é extremamente susceptível às condições de trabalho, determinados principalmente por chuva, logística, funcionamento de máquinas, tecnologias aplicadas e pelo potencial produtivo da floresta. Para gerar índices técnicos úteis como base para o seu próprio planejamento, as empresas têm de acompanhar as suas operações com prolongadas fases de observações sob condições reais. O valor dos dados de outras empresas ou gerados por experimentos tem valor bem limitado como base de decisão sobre suas próprias operações. O estudo revelou também grandes potenciais para aumentar as produtividades pela introdução de novas tecnologias, treinamento e qualificação, assim como para o melhoramento da logistica empresarial. iv O custo médio para produzir em m³ de madeira até o pátio de estocagem da serraria foi de R$ 51,75. Apesar de diferencas significativas entre as empresas monitoradas, o estudo revelou, que a estrutura de custos, em geral, é dominada pela atuação de máquinas pesadas. Atividades sem envolvimento de máquinas têm uma participação muito pequena na composição do custo total das operações. Os custos das atividades de planejamento e controle envolvendo praticamente só mão de obra são marginais, porêm podem contribuir significativamente para melhorar o desempenho das atividades “caras”, como arraste, construção e manutenção de infra-estrutura e empilhamento e carregamento de toras. O estudo evidenciou também, que os custos diretamente relacionados às operações florestais respondem somente por uma proporção relativamente pequena dos custos totais (< 50%), enquanto que os custos de transporte e das taxas florestais são muito maiores, porém variam muito em função da situação específica da empresa. Não existiram grandes diferenças entre o custo da produção comparando empresas praticando EIR e empresas trabalhando de modo convencional. No entanto existe uma grande desvantagem em relação às empresas trabalhando de forma informal até ilegal, que poderia ser chamado “custo da legalidade”. Porém, um empreendimento adotando EIR perde flexibilidade e aumenta a pressão de custos de caráter fixo ou semi-fixo pelos seguintes motivos: Empresas aplicando exploração convencional (EC) dependem menos da disponibilidade de pessoal qualificado do que empresas praticando EIR, que investem em treinamento. Para estes a capacitação faz somente sentido se criam empregos permanentes ou, em caso de alta rotatividade entre os empregados, repetem os treinamentos pelo menos parcialmente. As operações florestais de EIR são mais complexas e a inter-relação entre as diferentes atividades é maior, o que leva com que a logística é mais exigente. A implementação de EIR exige investimentos em pessoal qualificado que, de grosso modo, corresponde, em termos de custos, a uma equipe de arraste adicional. Isto afeta a liquidez e diminui a flexibilidade financeira. Para que estes investimentos se justifiquem, seriam necessários processos de operações florestais altamente confiáveis minimizando, o risco de paradas por exemplo, por máquinas defeituosas. Por conseguinte também investir no maquinário, ter acesso garantido a recursos florestais e, caso ainda não exista, expandir, o que certamente é ligado a investimentos adicionais. Neste sentido a decisão de uma empresa de investir em EIR, leva, parecido com um efeito dominó, a uma série de medidas necessárias que exigem investimento e alteram a estrutura dos custos de variáveis para fixos ou semi fixos. As vantagens da EIR, pela perspectiva da empresa, que seguramente existem, podem ser identificadas na abertura de novas oportunidades de comercialização e expansão, na perspectiva, assegurado o acesso á matéria prima a longo prazo, de voltar à área de exploração no final de ciclo de corte, e também na melhor aceitação pela sociedade. O estudo revelou barreiras substanciais para implementar um manejo das florestas baseado na EIR, ainda mais porque empresas aplicando EIR não necessariamente vão alcançar preços melhores para seus produtos. Um fator chave para justificar investimentos é a disponibilidade de áreas florestais em um tamanho que assegure a produção florestal durante vários anos. Também disponibilizar capital a baixo custo v poderia ser uma estratégia promissora para aumentar a competitividade de empresas interessadas na adoção de EIR. No momento é difícil determinar e justificar, qão mais barato deveria ser o capital para assegurar a competitividade das práticas de EIR. Isto, afinal, parece mais uma pergunta política do que técnica. Simplificando, existem duas possibilidades de apoiar o desenvolvimento das atividades de EIR através de créditos com diferenciadas condições: 1. Enfocar a ferramenta de créditos em atividades singulares e específicas realizada nas empresas EIR, como por exemplo, qualificação e treinamento, contratação de pessoal qualificado, atividades de preparação, monitoramento e controle, compra de equipamentos como guincho e outros. 2. Englobar boas condições de crédito para todas as atividades relevantes da EIR, como um pacote de medidas. A vantagem da primeira possibilidade está na simplicidade da sua implementação e no seu controle, enquanto a segunda abrangeria todo o processo de adoção da inovação tecnológica, e assim corresponderia melhor a realidade empresarial. O estudo apontou indicadores fáceis para avaliar se a empresa está atuando no sentido desejado para um suposto programa de credito. Também oferece referências para determinar condições adequadas de crédito neste mesmo âmbito. O entrelaçamento entre EIR e certificação oferece uma boa oportunidade para desenhar linhas de crédito que combinam apoio a EIR a questões de certificação, profissionalização da comercialização, como também para a melhoraria da indústria e fábricas de beneficiamento. Em todos os casos, parece indispensável acompanhar a concessão de créditos para investimentos no controle financeiro das empresas. Considerando as grandes deficiências nesse setor, este acompanhamento apresenta a única maneira de garantir a geração dos dados necessários para avaliar o investimento como uma base de negociação com as empresas. Neste contexto, a implementação da ferramenta de monitoramento da produção e dos custos das operações florestais, ou um sistema equivalente, que possibilite a avaliação do efeito financeiro de inovações e investimentos, poderia constituir uma pré-condição básica para receber crédito. Apesar das vastas possibilidades de estimular a aplicação de EIR nas florestas da região, deveria estar muito claro, que somente muito poucas empresas têm a capacidade e o interesse em dar este passo. A promoção de práticas de EIR através de instrumentário adequado de crédito é uma tarefa de extraordinária importância na construção de uma Amazônia sustentável. O Componente II, A economia da indústria madeireira na Amazônia (extração, processamento, e desenvolvimento), estende os objetivos do projeto a uma perspectiva regional que é importante na incorporação da pesquisa em políticas florestais efetivas. Este componente aplicou um questionário em 527 empresas em 4 estados da Amazônia, e coletou dados de custos mensais por um ano de extração e processamento em 11 indústrias madeireiras em dois Estados. Com base nas entrevistas e em dados secundários, foi comparada a situação da indústria madeireira de fronteiras antigas e intermediarias. O estudo revelou, que as vi empresas não são muito mais antigas nas antigas fronteiras, que indica um mercado dinâmico, com serrarias entrando e saindo, conforme as flutuações de demanda, preços e custos. Ademais, tanto a idade das serrarias quanto o equipamento (serras de fita) não são lá muito diferentes nas diversas fronteiras, como também os preços da madeira serrada. Também o volume de extração não mostrou nenhuma diferença significativa para os dois tipos de fronteiras. No entanto 42% das serrarias na fronteira intermediária fazem sua própria extração, ao passo que apenas 33 % das serrarias na fronteira antiga têm operações próprias. Os preços da terra e os valores da árvore de pé na fronteira antiga foram significativamente mais altos do que os das fronteiras intermediárias, indicando uma escassez de terra. Os madeireiros nas fronteiras antigas tiveram relativamente mais tratores de esteira e seus tratores são mais novos do que nas fronteiras intermediárias. Os custos de extração a R$ 53,00 na fronteira antiga foram significativamente mais elevados do que o custo de R$ 37,00 na fronteira intermediária. Supreendendo, apesar da maior distância de transporte na fronteira antiga, aqui os custos totais de transporte foram R$ 28,00/m³, quase R$ 7,00 mais baratos do que na fronteira intermediária. Experiências recentes demonstram a possibilidade real de transformar a relação entre madeireiros e pequenos produtores rurais em uma troca eqüitativa. No modelo de produção madeireira em propriedades de pequenos produtores, aqui definido como “florestas familiares”, a empresa madeireira investe na infra-estrutura e no planejamento do manejo florestal na propriedade do agricultor e na comunidade agrícola. Os resultados demonstram que e viável financeiramente para empresas madeireiras, extrair madeira legalmente em contratos formais com pequenos produtores (assentados). Uma análise pro forma para uma companhia durante os anos 2003 até 2005 mostrou uma renda liquida pela empresa de R$ 385.655,00 depois de 3 anos de produção Utilizando os dados levantados foram definidas funções de custo considerando variáveis como volume produzido e consumido, distância da serraria para o local de extração, custo da mão-de-obra, equipamento, e sua idade. O salário da mão-de-obra foi identificado como uma variável significante que aumentou custos, principalmente devido ao fato de que a exploração florestal na Amazônia requer uma intensa mão-deobra. Assim, se os salários fossem mais altos, os custos aumentariam e a extração diminuiria. O volume de toras, número de carregadeiras e meses com atividades de beneficiamento por ano também reduziram de forma significativa os custos de extração. Os resultados indicaram também, que os subsídios do governo e as linhas de crédito deveriam ser usadas com cautela, já que, ao subsidiar os carregadores o governo estaria indiretamente reduzindo os custos de extração. Outros fatores que podem influenciar essa variável são mudanças macroeconômicas, como as flutuações nas taxas de juros, que mudam as obrigações financeiras da empresa e o acesso ao crédito. O acesso às áreas de extração também representam um dos fatores com grande influência nos custos de extração. Melhorias na infra-estrutura permitiriam que a extração fosse realizada por um período mais longo e assim reduziria os custos de forma significativa. A estimativa da função de custo de tranporte tinha quatro variáveis, duas das quais foram aumentadas. A distância da floresta para a serraria aumentou de forma significativa, e os custos também aumentaram, mostrando que existe uma distância econômica máxima para a extração, apesar do fato de que a distância da estrada vii asfaltada reduz os custos. Isso mostra também que a melhoria das estradas pode ser um dos principais fatores que afetam o desmatamento, devendo receber atenção especial daqueles responsáveis por tomar decisões, pelo menos de acordo com os resultados mostrados aqui. Finalmente, possuir a própria frota de transporte aumentou os custos, enquanto que o volume de madeira transportada reduziu custos, mostrando mais uma vez economias de escala. No modelo de custo de beneficiamento, variáveis significantes aumentaram o custo de beneficiamento: volume de madeira serrada produzida em 2002, custo total de mãode-obra por mês no verão, número de lixadeiras, número de meses com atividades de beneficiamento, meses com atividades de beneficiamento vezes o número de serras de fita, mostrando que o beneficiamento requer uma mão-de-obra intensa. Outros custos agregados, número de serras de fita, média de idade do equipamento de beneficiamento, número de meses com atividades de beneficiamento vezes o volume de madeira serrada produzida, e outros custos agregados vezes o número de serras de fita, reduziram os custos. Ao observar os efeitos marginais dessa função, descobrimos que o sinal de algumas das variáveis mudou, mostrando a influência das variáveis de interação no comportamento igual das variáveis. Em relação às serrarias, o estuDF mostrou que ss rarias de tamanho médio (com uma dE anda de madeira eM tora entre 10.000 e 20.000 m3 por ano (n=4)) são os mais eficientes produtores de madeira serrada com baixo custo de produção. Serrarias grandes (demanda madeira em tora > 20.000 (n=3)) e serrarias pequenas (demanda < 10.000 m3 de madeira em tora (n=4)), apresentaram custo maior na produção. A média de produção de madeira em tora é aproximadamente de 38% para todas as categorias para todo ano. As serrarias pequenas são um pouco menos eficientes que as grandes e as médias serrarias. Se vê também que as serraria médias são mais eficientes em volume produzido no mês, por pessoa contratada do que as outras categorias. Uma diferença grande entre as estratégias das empresas é a distribuição dos empregados na serraria e empregados na floresta. Para grandes empresas, existem aproximadamente 8 empregados na serraria por cada empregado na floresta que poderia indicar um excesso de empregados na serraria, podendo causar produção ineficiente. Enfim, embora os custos do maquinário na exploração são altos, os custos de mão-de-obra têm um papel muito importante em uma operação de exploração e processamento. Em alguns meses do ano os custos de mão-de-obra podem chegar até a 40% dos custos totais. Esse valor diminui durante os meses de exploração, onde os custos de maquinário e outros custos relacionados a exploração são mais evidentes. viii ÍNDICE Componente I: Monitoramento econômico das operações florestais 1 Materiais e Métodos . . . . . 1.1 As empresas . . . . . 1.1.1 Descrição geral . . . 1.1.2 As operações florestais em comparação 1.2 A ferramenta de monitoramento econômico 1.2.1 Os relatórios . . . 1.2.2 O banco de dados . . . 1.2.3 O procedimento . . . 1.3 A atuação do projeto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 01 01 01 05 07 08 16 16 20 2 Resultados . . . . . 2.1 Produtividades. . . . 2.1.1 Produtividade por tempo de trabalho 2.1.2 Produtividade por atividades . 2.1.3 Tendências anuais . . 2.2 Custos por atividades . . . 2.3 Custos unitários . . . 2.4 Distribuição dos custos . . 2.5 Custos por métro cúbico métrico . 2.6 Análise das máquinas . . . 2.7 Análise dos funcionários . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20 21 21 23 25 26 28 29 31 35 39 . . . . . . . . . . 3 Discussão e Conclusões . . . . . . . 3.1 Avaliação resumida dos resultados mais importantes . 3.2 Aspectos críticos do estudo . . . . . 3.3 Resultados importantes . . . . . 3.3.1 Validação de uma ferramenta do monitoramento econômico . . . . . . . 3.3.2 Descrição e caracterização técnica das operações florestais 3.3.3 Estimativa dos custos das operações florestais . 3.3.4 Análise comparativa entre as empresas . . 3.4 Recomendação a uma política de créditos . . . 3.5 Considerações Finais . . . . . . 44 44 44 46 46 47 47 48 49 53 Componente II: A economia da indústria madeireira na Amazônia (extração, processamento e desenvolvimento). 4. Desenvolvimento industrial nas fronteiras florestais da Amazônia 4.1 Introdução. . . . . . . 4.2 Industrialização do setor florestal. . . . 4.3 As fronteiras extrativistas da Amazônia. . . 4.3.1 As fronteiras antigas . . . . 4.3.2 Fronteiras intermediárias e novas . . ix . . . . . . 54 54 56 57 58 61 4.4 4.5 A indústria hoje: novas comprovações. . . . 4.4.1 A produtividade nos maiores centros de beneficiamento 4.4.2 Fronteiras antigas versus intermediárias . . Conclusões e recomendações para as normas a serem adotadas. 64 65 67 71 5. Exemplo de análise financeira para um plano de negócio de uma empresa de extração junto com pequenos produtores . . . . 73 6. Funções de custos de extração, transporte e processamento de madeira na Amazônia brasileira. . . . . . . . 6.1 Introdução. . . . . . . . 6.2 Modelo . . . . . . . 6.2.1. Função de custo. . . . . . 6.3 Dados e estatística descritivas. . . . . 6.4 Resultados .. . . . . . . 6.4.1 Custo de extração . . . . . 6.4.2 Custo de transporte . . . . . 6.4.3 Custo de beneficiamento . . . . 6.5 Conclusão. . . . . . . . 86 86 89 90 92 96 96 98 99 101 Análise de custos mensais em extração e processamento . 7.1 Introdução. . . . . . . 7.2 Estimando o custo de produção na Amazônia brasileira. 7.3 Métodos . . . . . . 7.4 Um período de exploração e processamento . . 7.4.1 Descrição da empresa . . . . 7.4.2 Custo de produção, volume e espécies. . 7.5 Economias de escala na exploração e processamento. 104 104 104 105 105 106 107 109 7 x . . . . . . . . TABELAS E FIGURAS. Componente I: Lista de tabelas. Tabela 1. Características das cinco empresas consideradas no estudo. .2 Tabela 2. Características das operações florestais das empresas analisadas. .5 Tabela 3. Relatório de equipe. . . . . . 8 Tabela 4. Ficha de funcionários. . . . . . 11 Tabela 5. Relatório de peças e materiais. . . . . 12 Tabela 6. Ficha de máquinas. . . . . . . 14 Tabela 7. Relatório de despesas. . . . . . 15 Tabela 8. Procedimento do monitoramento econômico. . 18 Tabela 9. Responsabilidades relacionadas ao processo de monitoramento econômico. . . . . . . . . 19 Tabela 10. Produção média diária por equipe para diferentes atividades da exploração florestal das cinco empresas analisadas. . . . 23 Tabela 11. Produção média diária por equipe para diferentes atividades da exploração florestal pelas empresas analisadas aplicando EIR versus as trabalhando convencional. . . . . . . 24 Tabela 12. Custos operacionais (inclusive máquinas, motoserras, pessoal de apoio, etc.) de um dia de trabalho de uma equipe relacionada a diferentes atividades pelas cinco empresas observadas. . . 27 Tabela 13. Custos unitários (inclusive máquinas, motoserras, pessoal de suporte etc.) por atividades das empresas observadas. . . 29 Tabela 14. Custos relacionados à produção em R$ de um m³ métrico de madeira até o pátio de estocagem da serraria para as cinco empresas monitoradas. . . 32 Tabela 15. Média dos custos de salários (inclusive os custos sociais) por função das cinco empresas analisadas. . . . . 40 Lista de figuras. Figura 1. Interface do banco de dados para processar e analisar os dados sobre produção e custos. . . . . . . . 16 Figura 2. Esquema do procedimento do monitoramento econômico. . 17 Figura 3. Variabilidade da produção diária das três equipes de trabalho para a atividade arraste da empresa 3. . . 22 Figura 4. Horas paradas no trabalho de equipes por fatores adversos na empresa 4 . . . . . . . . . . .22 Figure 5. Desenvolvimento das produtividades das equipes de derruba e arraste durante o período da safra das cinco empresas analisadas. . . 26 Figura 6. Distribuição dos custos operacionais nos tipos de custos das cinco empresas analisadas. . . . . . . . 30 Figura 7. Distribuição dos custos operacionais nos tipos de custos das diferentes atividades relacionadas às operações florestais das cinco empresas analisadas e participação dos custos por atividade nos custos totais. . 31 Figura 8. Distribuição dos custos totais pelas categorias: Preparação e Planejamento, Operações Florestais, Transporte e Outras. . . . 33 xi Figura 9. Situação das máquinas pesadas (Skidder, Trator, Carregadeira) durante a safra para as cinco empresas analisadas. . . . . 36 Figura 10. Média dos custos diários causados pelos diferentes tipos de máquina e sua distribuição em tipos de custos nas cinco empresas analisadas. . . . . . . . . . . 37 Figura 11. Média dos custos diários causados por máquinas pesadas nas cinco empresas analisadas e sua distribuição em tipos de custos em dependência do ano da aquisição . . . . . . . . 38 Figura 12. Custo diário das motoserras. . . . . . 39 Figura 13. Número de empregados nas cinco empresas analisadas por duração da contratação . . . . . . . . 41 Figura 14. Meses de trabalho gerados das cinco empresas analisadas por área e produção. . . . . . . . . . 42 Figura 15: Área necessária para gerar um emprego permanente. . . 43 Tabelas e figuras do Componente II: A economia da indústria madeireira na Amazônia (extração, processamento e desenvolvimento). Lista de tabelas. Tabela 1. Estatística da produção (1998) para os dez centros de extração mais importantes. . . . . . . . . . 66 Tabela 2. Estatísticas selecionadas para fronteiras antigas e intermediárias. 69 Lista de figuras. Figura 1. Mapa das áreas designadas como fronteiras (de leste para oeste) antiga, intermediária, nova e futura (incluindo pólos principais). Adaptada de Lentini et al. 2003 . . . . . . . . 58 Figura 2. Produção de toras no Norte de Brasil (1973-1994) . . . 59 Figura 3. Produção de toras no Brasil, Pará e na fronteira antiga de Paragominas, Dom Eliseu e Ulianópolis (1990-2002) . . . 60 Figura 4. Produção de toras na Transamazônica e BR163 (1990-2002). . 62 Figura 5. Preços de toras (R$/m3) em Paragominas, BR163, na Transamazônica, e média do Estado do Pará (1994-2002). . . 64 Exemplo de análise financeira para um plano de negócio de uma empresa de extração junto com pequenos produtores. Lista de tabelas Tabela 1. Balanço das contas durante o período iniciando em 31 de dezembro de 2003 até 3 de dezembro de 2005. . . . . . . 75 Tabela 2. Renda anual projetada para o exercício de 2003 a 2005. . . 76 Tabela 3. Funcionários e salários requeridos durante o verão. . . 77 Tabela 4. Funcionários e salários requeridos durante o inverno. . . 78 Tabela 5. Custos estimados de manutenção de máquinas (alugadas e compradas). . . . . . . . . . 79 Tabela 6. Custos anuais de aluguel de máquinas. . . . . 79 xii Tabela 7. Declaração de renda projetada 2003. Tabela 8. Fluxo monetário projetado 2003. . Tabela 9. Declaração de renda projetada 2004. Tabela 10. Fluxo monetário projetado 2004. Tabela 11. Declaração de renda projetada 2005. Tabela 12. Fluxo monetário projetado 2005.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 80 . 81 . 82 . 83 . 84 . 85 Funções de custos de extração, transporte e processamento de madeira na Amazônia brasileira. Lista de tabelas Tabela 1. Municípios amostrados. . . . . . . 92 Tabela 2. Estatística descritivas. . . . . . . 94 Tabela 3: Estimativa do custo de extração usando a função de Cobb Douglas. . . . . . . . . . 96 Tabela 4: Estatísticas descritivas para os efeitos marginais das variáveis significativas no modelo de custos de extração da função de Cobb Douglas. 97 Tabela 5: Estimativas para custos de transporte usando uma função de Cobb Douglas. . . . . . . . . . 98 Tabela 6: Estatísticas descritivas para os efeitos marginais das variáveis significativas no modelo de custos de transporte da função de Cobb Douglas. . . . . . . . . . 98 Tabela 7: Estimativas para custos de desdobro usando uma função de Translog com termos de interação para variáveis significativas. . . 99 Tabela 8: Estatísticas descritivas para os efeitos marginais das variáveis significativas no modelo de custos de desdobro de Translog. . 101 Analise dos custos mensais de extração e processamento. Lista de tabelas Tabela 1. Métodos de contabilidade de custos selecionados e usados Amazônia brasileira. . . . . . . . 105 Tabela 2. Custo por m3 serrado. . . . . . 107 Lista de figuras. Figura 4.1. Produção da serraria de Julho a Dezembro, mostrando pedidos cumpridos e sobras de madeira curta vendidas. . . . 108 Figura 4.2. Espécies selecionadas e volumes vendidos no período de seis meses. . . . . . . . . . 108 Figura 4.3. Custos e produção por metro cúbico em três categorias de tamanho de indústria . . . . . . . . . 110 Figura 4.4. Média na produção por mês (percentual de processamento de madeira em tora para madeira serrada). . . . . 110 Figura 4.5. Produtividade da mão de obra na serraria (m3 por pessoa por mês) 3 categorias de empresas. . . . . . . 111 Figura 4.6. Produtividade da mão de obra na floresta (m3 tora por pessoa por mês) 3 categorias de empresas. . . . . . 111 Figura 4.7. Proporção entre trabalhadores na serraria e na floresta (8 na serraria por 1 na floresta). .. . . . . . 112 Figura 4.8. Participação da mão de obra nos custos totais mensais. . 112 xiii COMPONENTE I MONITORAMENTO ECONÔMICO DAS OPERAÇÕES FLORESTAIS 1. Materiais e métodos Para atingir o objetivo de gerar dados válidos sobre os aspectos financeiros das operações florestais, foi aplicada a ferramenta de monitoramento econômico desenvolvida no âmbito do projeto Bom Manejo – PD 57/99 Rev. i (F) - ITTO pela cooperação científica entre a Embrapa Amazônia Oriental e o CIFOR. A ferramenta chamada "MEOF" (Monitoramento Econômico de Operações Florestais) foi testada desde o ano 1999 em colaboração com a empresa madeireira “Juruá Florestal Ltda”. O estudo descrito neste relatório contribuiu para a validação desta ferramenta gerando experiências valiosas que subsidiaram a realização de ajustes necessários para uma aplicação mais abrangente. O funcionamento da ferramenta, descrita em detalhe no item (1.2), baseia-se na coleta contínua das informações de produção e das despesas relacionadas com as operações florestais. Assim, em primeiro lugar, é uma ferramenta de monitoramento, que também gera informações úteis para pesquisa e análise externa. No âmbito deste estudo foram analisadas as informações de cinco empresas levantadas durante todo o ano de 2003. O final do ano 2002 foi usado para implementar o sistema de monitoramento econômico, enquanto o início do ano 2004 serviu para controlar a qualidade das informações levantadas, como também para complementar informações que faltaram. 1.1. As empresas Resultado de um processo intensivo de seleção e negociação, o estudo considerou cinco empresas da região de Tailândia e Breu Branco, no Estado do Pará. A seleção somente considerou empresas com projetos de exploração registrados e aprovados no IBAMA. Como a maior parte da exploração florestal na Amazônia brasileira está sendo executada de maneira informal e até ilegal, a tentativa de levantar informações foi recebida em geral, com certa desconfiança. Assim, a possibilidade de estabelecer uma relação de confiança entre os pesquisadores e as empresas se tornou um critério crucial, já que as pesquisas detalham as operações, normalmente tratados de forma sigilosa. Este foi um dos motivos principais que explicam o número relativamente restrito de empresas dispostas a colaborar no âmbito deste estudo. Honrando os acordos de cooperação com as empresas, serão revelados, neste relatório, os nomes das empresas colaboradoras do estudo. 1.1.1. Descrição geral Para possibilitar estudos comparativos, foram escolhidas empresas praticando manejo florestal convencional e empresas com certificação florestal, praticando Exploração de Impacto Reduzido (EIR) ou em fase de adoção de tais práticas. Na Tabela 1 são apresentadas as características importantes das empresas colaboradoras. 1 Tabela 1. Características das cinco empresas consideradas no estudo Empresa 5 Parâmetros Empresa 4 Empresa 1 em processo Convencional Certificada1 de certificação (parte re(re-entrada) entrada) 3.388,00 1.516,00 2.120,00 Área da UPA (ha) Volume extraído (m³ 55.017,00 6.513,00 18.770,00 Francon) Árvores extraídas (N) 16.409,00 2.503,00 11.721,00 Volume aproveitado por área (m³ 16,23 4,30 8,85 Francon/ha) Árvores derrubadas 4,84 1,65 5,52 por área (N/ha) Volume aproveitado por árvore derrubada 3,35 2,60 1,60 (m³ Francon) Planejamento das Sim Sim Não operações EIR, re-entrada convencional, Tipo de Exploração EIR na UPA 2002 25% re-entrada Propriedade Arrendada Arrendada Arrendada Danos ambientais pouco pouco Alto 1 safras 2000 e 2001 Empresa 2 Empresa 3 Convencional Convencional (desordenada) (terceirizada) 950,00 1.220,00 11.223,00 15.395,00 10.325,00 5.620,00 11,81 12,61 10,87 4,60 1,09 2,74 Não convencional Arrendada muito alto Não convencional, terceirizada Própria Alto Duas das empresas analisadas (empresa 4 e 5) realizaram as suas operações florestais segundo as diretrizes de Exploração de Impacto Reduzido. No ano 2003, uma empresa estava certificada e a outra em processo de certificação. As outras três empresas exploraram em forma convencional, quer dizer, sem considerar atividades de planejamento e controle, tais como inventário 100%, utilização de mapas e planejamento de arraste, estabelecimento de parcelas permanentes, etc. Com a finalidade de derivar uma primeira visão sobre as diferenças entre empresas que aplicam as técnicas de EIR e as que trabalham de forma convencional, na apresentação dos resultados deu-se ênfase especial a este aspecto. Além das diferenças relacionadas às tecnologias aplicadas pelas cinco empresas, existem outros fatores com efeitos significativos para a produtividade e para o resultado financeiro das operações. Um dos mais relevantes é que, para duas empresas, grande parte da produção da safra 2003 resultou da re-entrada na UPA do ano 2002. Em particular, para empresa 4, o total da produção do ano 2003 resultou da re-entrada, enquanto a produção da empresa 1 somente 25% da área derrubada na safra 2003 já havia sido explorada no ano 2002. Como efeito, a produção por área destas duas empresas foi bastante baixo, menos de 10m³/ha. Características como árvores derrubadas por área, volume aproveitado por árvore derrubada e danos ambientais são fortemente relacionados ao nível de planejamento das operações e, conseqüentemente, também à aplicação ou não das técnicas de EIR. A exploração da empresa 2, por exemplo, em relação às outras empresas, foi a menos ordenada e causou o impacto ambiental mais negativo. A empresa derrubou quase 11 árvores por ha para aproveitar somente 12m³/ha. Em comparação, a empresa 5, 2 certificada pelas operações bem planejadas de exploração, cortou menos da metade de árvores por hectare, mas obteve um resultado de quase 4m³/ha a mais. Somente a empresa 3 explorou sua própria floresta. Todas as outras trabalharam em áreas arrendadas. A empresa 3 terceirizou quase todas as suas operações florestais, enquanto o nível de terceirização nas outras empresas foi relativamente baixo e geralmente limitado a uma ou duas distintas atividades como transporte, inventário ou manutenção das estradas. Pela pequena amostragem não foi possível avaliar o efeito da terceirização. Vale ressaltar que os dados para a empresa 5 foram coletados nos anos 2000 e 2001. Para melhorar a comparabilidade dos resultados financeiros com os das outras 4 empresas, os valores financeiros foram adaptados com a taxa de inflação publicada pelo Banco Central do Brasil1. Empresa 1 (convencional, re-entrada parcial): A empresa localiza-se no município de Tailândia, Estado do Pará e emprega atualmente, em média, 60 funcionários na serraria e 36 na floresta. Ela apresenta uma produção média mensal de aproximadamente 1.500 m3 de madeira em tora e 900 m3 de madeira serrada, cuja comercialização é basicamente voltada ao mercado interno. A extração e o transporte são atividades realizadas pela própria empresa, na qual todos os funcionários são cadastrados pelo seu departamento pessoal. A empresa contou com um encarregado geral, para operacionalizar todas as atividades na floresta. Ainda, para a realização de suas atividades, a empresa possui em média, de 22 funcionários, ligados diretamente ou indiretamente ao setor florestal. A empresa dispõe de um trator Fiatallis FD9; um Skidder de pneu Müller TS 22; duas empilhadeiras Caterpillar L90 e 938 e ainda três caminhões, sendo duas carretas Volvo, com capacidade de 30 m3 e um caminhão Volkswagen, com capacidade para 20 m3. Empresa 2 (convencional, desordenada): A Empresa 2 também localiza-se no município de Tailândia. Ela empregou no ano da observação, em média, 41 funcionários na serraria e 34 na floresta, que residiam no próprio município. A produção média mensal é de 1.500 m3 de madeira em tora e 700 m3 de madeira serrada. Ela comercializa exclusivamente no mercado nacional. Extração e transporte são realizados pela própria empresa. Ela trabalhou no período das investigações uma área efetiva de manejo de aproximadamente 1.400 ha. A Empresa 2 contou com um encarregado geral para operacionalizar todas as atividades na floresta. Ainda, para a realização de suas atividades, a empresa possui, em média, 17 funcionários de alguma forma ligados ao setor florestal. A empresa dispõe de um trator Komatsu D60, dois Skidder de pneu, sendo um Müller TS 22 e um Caterpillar 525; duas empilhadeiras Caterpillar 938 e 938G e oito caminhões, sendo três carretas Volvo, com capacidade de 20 m3, três carretas Mercedes-Benz LS 2638, com capacidade de 30 m3 e duas carretas Scania. Nem sempre todos os veículos são envolvidos no transporte da área do projeto de manejo. 1 A taxa de inflação utilizada para ajustar os valores financeiros da empresa 5 ao nível do ano 2003 foi 26,17%. 3 Empresa 3 (convencional, terceirizada): Igualmente localizada no município de Tailândia, emprega 22 funcionários na serraria e 24 na floresta. O volume de produção média mensal de madeira em tora soma 1.000 m3, saindo 460 m3 de madeira serrada da serraria que são comercializandos no mercado brasileiro. Fora a extração e o transporte, todas as operações florestais são executadas por dois sub-contratados, pagos por volume produzido. A base florestal da empresa é de sua propriedade. O projeto de manejo abrange aproximadamente 5.000 ha, dos quais 2.500 ha foram trabalhados durante o ano de 2003. A empresa contou com um técnico florestal e um encarregado geral para operacionalizar todas as atividades na floresta. Ainda, para a realização de suas atividades, a empresa possui, em média, 19 funcionários, ligados direta ou indiretamente ao setor florestal. A empresa dispõe de dois tratores Komatsu D50; um Skidder Müller TS 22; uma empilhadeira Case L90 e de dois caminhões Volvo, com capacidade 20 m3. Empresa 4 (em certificação, re-entrada): A quarta empresa é situada no município de Breu Branco, Estado do Pará e emprega atualmente em torno de 270 funcionários nas indústrias e 63 na floresta. A maioria dos funcionários reside no próprio município e parte nas comunidades no entorno da Área de Manejo Florestal – AMF. A empresa apresenta uma média mensal de 2.800 m3 de madeira em tora, 1.200 m3 de madeira serrada e 900 m3 de compensados. O consumo anual de toras pela indústria de compensados é de 24.000 m3 (2.000 m3 de tora por mês); já para os demais produtos (esquadria, assoalhos e madeira serrada) é de 20.000 m3 (cerca de 1.650 m3 de toras por mês). No ano da observação, cerca de 50% da produção de compensados foi exportada, enquanto os outros produtos representam somente 10% do total produzido. A extração e o transporte são atividades realizadas pela própria empresa. A empresa apresenta uma área efetiva de manejo de aproximadamente 16.000 ha, distribuídas em duas diferentes localidades, sendo uma com 3.944 ha e a outra com cerca de 12.000 ha. A empresa conta com um engenheiro florestal, um técnico de segurança e três técnicos florestais para planejar, gerenciar e operacionalizar todas as atividades na floresta. A empresa dispõe de um trator Fiatallis FD9; dois Skidders de pneu, sendo um Caterpillar 138 e o outro Müller TS 22; uma empilhadeira Caterpillar L90 e ainda oito caminhões, sendo quatro carretas Volvo, com capacidade de 30 m3 e quatro caminhões Mercedes-Benz, com capacidade para 20 m3 e 13 m3. Empresa 5 (certificada): A quinta empresa analisada tem sua sede no município Tailândia, enquanto o projeto de manejo florestal se encontra no município de Moju, a uma distância de 50 a 80 km. A Empresa 5, durante o periodo da observação, empregou em torno de 130 funcionários na serraria e 51 na floresta. A maioria dos funcionários reside no município e parte nas comunidades no entorno da área de manejo. As florestas avaliadas somam uma área total de 17.260 ha, toda arrendada. O volume de consumo anual previsto pela serraria em Tailândia é de 50 a 60 mil m³ em tora. Cerca de 80% da produção da serraria foi exportada. A extração foi realizada pela própria empresa. Somente o transporte ficou sob terceirização.A empresa contou mais permanentemente com um engenheiro florestal, e temporariamente com dois engenheiros florestais, um técnico de segurança e vários técnicos florestais para planejar, gerenciar e operacionalizar as atividades na floresta. A empresa 4 dispõe de um trator D6D, dois Skidder duas carregadeiras de Caterpillar.Desde o ano 2000, as operações da empresa são certificadas sob os princípios e critérios do FSC – Conselho de Manejo Florestal definidos pelo Grupo de Trabalho Brasil para o Manejo Florestal de Terra Firme. 1.1.2. As operações florestais em comparação As empresas mostraram grandes diferenças em relação às técnicas de exploração aplicadas nos projetos. Como mencionado acima, duas das empresas trabalharam conforme as diretrizes de EIR, que englobam principalmente planejamento da exploração e atividades pós-exploratórias. Além disso, estas duas empresas (Empresas 4 e 5) estabeleceram também parcelas permanentes para monitorar o crescimento da floresta. A Tabela 2 mostra as atividades realizadas pelas empresas. A seqüência das atividades apresentadas na tabela pode ser considerada também como seqüência cronológica das operações. Tabela 2. Características das operações florestais das empresas analisadas. Empresa 5 Empresa 4 Empresa 1 Empresa 2 Em processo de Convencional Convencional Certificada 1 certificação (parte re-entrada) (desordenada) (re-entrada) Atividades Pré-Exploratório Inventário amostral Sim Sim Sim Sim Macro-zoneamento Sim Sim Não Não Micro-zoneamento Sim Sim Não Não Parcelas Permanentes Sim Sim Não Não Planejamento da infra-estrutura (estradas e pátios) Sim Sim Não Não Construção da infra-estrutura (estradas e pátios) Trator Fitalis - FD9 Trator D6D Trator Fiatallis FD9 Trator Komatsu - Komatsu – D6 operador e ajudante somente operador somente operador D6 Operador e ajudante Inventário 100% Sim Sim Não Não Corte de cipó Sim Sim Não Não Planejamento de derruba Sim Sim Não Não Atividades de Exploração Colheita corte direcionado corte direcionado 4 equipes 4 equipes 4 equipes 4 equipes operador e ajudante perador e ajudante operador e 2 ajud. operador e ajudante sem teste de oco sem teste de oco teste de oco teste de oco Planejamento de Arraste Sim Sim Não Não Arraste 2 Skidder de pneu: Trator Fitalis: FD6, 2 Skidder : 2 Skidder de pneu: Caterpillar 138 Skidder Pneu: Müller TS 22, Caterpillar 525 Müller TS 22 Muller TS 22 Caterpillar 525 5 Empresa 3 Convencional (terceirizada) Sim Não Não Não Não 2 Komatsu – D6 operador e ajudante Não Não Não 4 equipes operador e ajudante sem teste de oco Não Trator: Komatsu D6, Skidder: Müller TS 22 Traçamento de toras no pátio e na no pátio e na floresta floresta Romaneio no pátio no pátio no pátio (idem) Empilhamento e Carregamento Carregadeira 9/30 Case 721 Caterpillar 938 Caterpillar L90 Case L90 Carregadeira 9/38 Catterpillar 938 Caterpillar 938 G Transporte 4 Volvo (30 m³) 2 Volvo (30m³), 1 3 Volvo, 3 Merc., 2 2 Volvo (20 m³) Terceirizado 4 Merc. (13-20m³)* VW (20m³) Scania ( 20-30 m³) Atividades Pós-Exploratório Manutenção de Estradas Sim Sim Não Não Não Tratamentos silviculturais Planejado Sim Não Não Não * nem sempre todos trabalhando no projeto monitorado As Empresas 4 e 5 seguindo as diretrizes de EIR trabalham da seguinte forma. As operações florestais geralmente são iniciadas antes da safra (exploração), e continuam seguidamente após o término. O inventário 100% começa a partir de janeiro. No mesmo período, são estabelecidas e medidas as parcelas permanentes. Segue-se o micro-zoneamento, identificando-se os elementos topográficos e as áreas de preservação permanente (APP). Para a construção das estradas secundárias e pátios é feito, primeiramente, o planejamento com base nos mapas do micro-zoneamento. Depois, o operador do trator deve seguir exatamente as marcações do planejamento. As árvores são derrubadas utilizando-se técnicas apropriadas de corte, visando sempre que possível o direcionamento da queda. Após a derruba é feito o planejamento do arraste que, como o de estradas, é marcado com fitas plásticas coloridas para indicar a localização das toras. O operador do Skidder deve seguir estas marcações. No arraste, as pontas das toras são levantadas para diminuir o impacto nos ramais. As toras são armazenadas no pátio de estocagem com tamanho de 25 x 20m, sendo posteriormente transportadas para a serraria. Logo após a extração, faz-se a manutenção de estradas e pátios. No ano seguinte, inicia-se a preparação da UPA (Unidade de Produção Anual) para o próximo corte. Neste momento, mede-se novamente as parcelas permanentes, e aplicam-se tratamentos silviculturais, tais como cortes de cipós das árvores da futura colheita e plantação de mudas para enriquecimento das áreas. Após essas atividades, a UPA entra em fase de repouso por 30 anos. Durante esse período também será realizada a manutenção das estradas, dos plantios e parcelas permanentes. Ao contrário das empresas certificadas, as Empresas 1, 2 e 3 trabalharam num esquema convencional, gerando impactos significativos na floresta, porém, num regime parcialmente eficiente em termos organizacionais. Um inventário acontece só no momento da aquisição das áreas florestais com base em amostragem, estimando-se volume comercial. As equipes de derruba selecionam as árvores de corte na hora da exploração. O operador do Skidder busca as toras na floresta com apoio de um ajudante. Não há mapas para facilitar a localização das toras. Assim, até 20% das árvores derrubadas não são encontradas. A construção da infra-estrutura é feita sem planejamento anterior. Os pátios não são distribuídos sistematicamente e têm, em geral, um tamanho acima das necessidades. Resumindo, pode-se caracterizar a extração destas três empresas como convencional, por não atender as recomendações técnicas básicas segundo o conhecimento atualmente disponível. As atividades 6 florestais são basicamente direcionadas à fase de colheita, sendo que não há trabalhos pré ou pós-colheita, a não ser a manutenção do maquinário. Somente as duas empresas certificadas (Empresa 4 e 5) executaram operações pré e pós-colheita, parte fundamental de EIR. As diferenças oriundas deste fato são as mais importantes, porque a comparação revela que as diferenças em termos de maquinário são poucas ou inexistentes. Outra diferenciação relevante é que as empresas trabalhando EIR têm um quadro de funcionários melhor treinado e, de forma geral, trabalhando em condições melhores. Em relação a este último ponto, vale ressaltar que também houve grandes diferenças entre as empresas exercendo suas operações sob regime convencional. 1.2. A ferramenta de monitoramento econômico Como mencionado acima, para a coleta dos dados foi aplicada a ferramenta de monitoramento econômico, desenvolvida no âmbito do projeto Bom Manejo pela cooperação científica entre a Embrapa Amazônia Oriental e o CIFOR. A fim de garantir a funcionalidade do sistema e a qualidade dos dados levantados, a ferramenta segue três princípios: simplicidade, continuidade e precisão. Simplicidade: Devido ao baixo nível de escolaridade dos funcionários que trabalham nas atividades florestais, foi elaborado um sistema de codificação que possibilita documentar a maior parte das informações através de códigos numéricos. Desta maneira foi possível minimizar a redação de textos longos, facilitando o preenchimento por funcionários que possuem dificuldades para escrever. Somente os lideres das equipes, normalmente alfabetizados, tiveram que preencher os relatórios. Por ser um trabalho adicional exercido sem remuneração extra, foram selecionados apenas dados essenciais para a coleta. Somente em relação às máquinas, devido a sua importância como fator de custo, foram coletados dados mais detalhados. As experiências mostraram que um funcionário, uma vez familiarizado com o sistema, não precisa de mais do que um minuto por dia para preencher os relatórios. Continuidade: Operações florestais sofrem de uma ampla variedade de distúrbios e fatores desfavoráveis, como chuva, máquinas quebradas ou tempo de espera para equipamento ou pessoal oriundo de dificuldades logísticas. Por causa disso, resultados de amostragens pontuais podem divergir da realidade. Isto vale especialmente para empresas florestais com organização deficitária, com equipamento carecendo manutenção e trabalhando nas condições ambientais extremas que prevalecem na Amazônia. Para reproduzir estas variações foi aplicada uma documentação diária e contínua das operações durante o ano inteiro. Precisão: Devido à falta de organização e qualificação de pessoal, empresas madeireiras amazônicas possivelmente desconsideram importantes fatores de custo na sua contabilidade, tais como custo de capital, funcionários temporários, custos de terceiros relacionados a serviços gerais, serviços sociais e pequenas máquinas. O monitoramento de custos tem que garantir a completa consideração de todos os fatores, baseada numa contabilidade sistemática. Pode-se distinguir principalmente três componentes do sistema de monitoramento: 7 (1) um conjunto de relatórios para coletar as informações necessárias, (2) um banco de dados como base para a análise dos dados coletados e a visualização dos resultados, e (3) um procedimento para garantir o funcionamento do sistema e a viabilidade das informações coletadas. Nas seções seguintes, descreve-se os três componentes. 1.2.1. Os Relatórios Com o preenchimento dos relatórios é possível registrar sistematicamente a produção das diferentes atividades florestais, todas as despesas relevantes, como também o consumo das máquinas. Foram definidos somente cinco relatórios: a. Relatório de Equipe, documentando a composição de pessoal, a produção diária e o local de trabalho; b. Ficha dos Funcionários, mostrando uma lista de presença de todos os empregados durante o mês; c. Relatório de Peças e Materiais, documentando, para cada máquina, a manutenção e o consumo, incluindo-se combustível e lubrificantes; d. Ficha das Máquinas, relatando as atividades durante o mês para cada máquina pesada, para as motoserras e para os veículos; e. Relatório de despesas, resumindo em forma cronológica, as despesas relevantes para as operações florestais. Relatório de Equipe Finalidade: O Relatório de Equipe registra o trabalho de todas as equipes de campo. Levantam-se somente dados quantificáveis, ou seja, dados que se podem medir e expressar em unidades (ex. 7 horas, 4 km, 25 toras, 30 árvores, 2 parcelas etc.). O sistema não considera dados qualitativos. Aplicação: O Relatório de Equipe de trabalho é preenchido diariamente pelo seu líder. Tabela 3. Relatório de Equipe N° N° máquina N° da equipe: 1) Identificação Data 2) Equipe R 3) Tempo Local hora Código Parcial UT hora Espera / Intervalos / Chuva / Problemas etc. Inicio do dia : Inicio da produção : : : : : Inicio do almoço Término do almoço Término da produção Término do dia 5) Produção Setor de trabalho UPA 4) Fatores Adversos Início Termino : : : : : : : : : : : : : : 6) Observações Quantidade Unidade 7) Assinaturas Líder de equipe Encarregado Digitador ___________ ___/___/___ ___________ ___/___/___ ___________ ___/___/___ Assinatura Data Assinatura Data Assinatura Data 8 Estrutura: O relatório é dividido em 7 seções: (1) Identificação, (2) Equipe, (3) Tempo (de trabalho), (4) Fatores Adversos, (5) Produção, (6) Observações e (7) Assinaturas. O seu preenchimento funciona seguindo as descrições na tabela a seguir. Campo Conteúdo Descrição Cada relatório recebe um número de identificação. Quem define este número é o digitador, no momento da digitação dos dados no escritório da empresa. Toda máquina da empresa recebe um número para a sua identificação que, uma vez definido, não se altera mais. Registra- se somente as máquinas relacionadas com as operações florestais. Nº máquina Nº da máquina Num relatório de equipe podem aparecer várias números de máquinas, desde que eles estejam sendo usadas pela mesma equipe. Com a identificação das máquinas por estes números, possibilita-se, posteriormente, separar os resultados de produção e de custos por máquina. O número da equipe é igual ao código do funcionário que lidera a equipe no campo. Por isso o Número da Equipe tem que ser idêntico ao código do funcionário marcado com X na coluna “R” na seção (2) “Equipe” desta tabela (veja abaixo). Código do líder da Nº da Equipe Todo funcionário recebe um número ou código que é utilizado durante todo o equipe monitoramento. Através do número da equipe é possível distinguir os resultados da produção das diferentes equipes. 1. Área de Identificação: Os dados desta área informam quando e onde o trabalho relatado foi feito. Sabendo-se quando o trabalho foi feito é possível perceber tendências de médio e longo prazo da produção e, por exemplo, detectar dias com resultados fora do padrão. Sabendo onde foi feito o trabalho pode-se analisar posteriormente como a produção e os custos gerados dependem de características do local (solo, terreno, tipo de floresta), cruzando-se as informações levantadas com outras ferramentas, como no inventário 100%, no zoneamento ou no mapa topográfico. Data Data do trabalho Dia/mês/ano Aqui, coloca-se o nome do local conforme é uso na empresa. É importante usar um nome preciso que permita identificar exatamente o local (nome do Local Nome do projeto projeto, área, fazenda, etc.). Quanto maior a empresa, mais importante é o cuidado com esta denominação. A área total de um projeto de manejo é subdividida em Unidades de Produção Anual Unidade de (UPAs), que representam as áreas que foram planejadas para se explorar durante um UPA Produção Anual ano. É uso colocar o número do ano do calendário da exploração para denominar uma UPA. Para facilitar o planejamento e a organização das operações, cada UPA é subdividida Unidade de UT em Unidades de Trabalho. Uma Unidade de Trabalho representa a unidade menor de Trabalho planejamento. Normalmente as UTs recebem um número. 2. Área Equipe: A composição da equipe é importante por três aspectos: (1) cálculo dos custos de pessoal; (2) análise dos efeitos de diferentes características da equipe em relação ao tamanho, qualificação, e experiência; e (3) consideração completa dos funcionários em exercício. Marca-se o líder da equipe com um “X”. Isto assegura a atribuição dos resultados da Marcar com X o R produção às diferentes equipes. O código do funcionário marcado como líder de equipe líder da equipe tem que ser idêntico ao “Número da Equipe” no cabeçalho do relatório. Este número identifica o funcionário que trabalha em uma determinada equipe no Código do campo. Cada funcionário recebe um número que será utilizado para identificá-lo durante funcionário da todo o trabalho de monitoramento. É importante não alterá-lo para garantir a integridade Código equipe conforme a dos dados. codificação Conhecendo-se a equipe, é possível distinguir os resultados da produção relacionados às diferentes equipes. Às vezes um funcionário não trabalha todo o dia com a mesma equipe. Isso causa um Porcentagem de efeito sobre os custos e, portanto, tem que ser registrado. No caso, preenche-se aqui a Parcial tempo trabalhado porcentagem do tempo em que o funcionário trabalhou na referida equipe. Se for 100 % com a equipe (o que é o normal) este campo fica livre. 3. Área Tempo: Para calcular a produtividade por hora e considerar a influência do tempo trabalhado sobre a produção é fundamental documentar o tempo de trabalho da equipe. O conhecimento sobre a proporção do tempo para trabalho, transporte ou intervalos gera a possibilidade para avaliar a logística das operações. Hora da saída do Normalmente, a hora em que os funcionários saem do acampamento para trabalhar, Início do dia acampamento depois do café da manhã e da preparação do equipamento. (h/m) Hora do início da Início da atividade produtiva Hora em que o funcionário chega na floresta para trabalhar. produção (h/m) Nº Nº do relatório 9 Campo Conteúdo Descrição Hora do fim da Início do Hora em que termina o trabalho para chegar no lugar do almoço ou para almoçar. (O atividade produtiva almoço tempo necessário para chegar no lugar do almoço faz parte do intervalo.) para almoçar (h/m) Hora do início da Horário de reiniciar o trabalho após o almoço. (O tempo necessário para chegar no lugar Fim do almoço atividade produtiva do trabalho faz parte do intervalo.) (h/m) Hora do fim da Hora em que termina o trabalho na floresta e em que se prepara para voltar para o Fim da atividade produtiva produção acampamento. na floresta (h/m) Hora da chegada Horário em que chega no acampamento. O tempo para tomar banho, jantar etc. não é Fim do dia no acampamento considerado. (h/m) 4. Área Fatores Adversos: Fatores Adversos são acontecimentos ou fatos que atrapalham ou interrompem o trabalho da equipe. Levantando estes fatores pode-se considerá-los nos cálculos de produtividade e de custo por hora. Muitas vezes fatores adversos explicam porque durante determinado trabalho não houve o desempenho desejado. O conhecimento “do tempo perdido” por fatores adversos possibilita avaliar a importância destes fatores e achar soluções para diminuir seus efeitos. Espera Problemas Intervalos Chuvas Descrever de forma compreensível e simples o fator que atrapalha o trabalho Conhecendo o fator adverso, é possível entender e reconstruir o que aconteceu. Isso é fundamental para a interpretação dos dados de produção. Além disso, facilita uma avaliação profunda dos possíveis motivos adversos e os seus impactos. Exemplos de preechimento: Chuva. / Pneu do Skidder furado. / Falta de combustível. Início do impacto do fator em Horário em que o fator adverso apareceu, interrompendo o trabalho ou inibindo seu ritmo Início questão ao normal. trabalho produtivo (h/m) Fim do impacto do fator em questão Horário em que o fator adverso foi superado ou desapareceu. Fim ao trabalho produtivo (h/m) 5. Área Produção: Conhecendo a produção é possível calcular produtividades e os custos por unidade produzida. Caso uma mesma equipe tenha trabalhado durante um dia em diferentes atividades, pode-se utilizar duas (2) linhas. O setor de trabalho descreve a atividade em que a equipe trabalhou. Para facilitar o Setor de Código do setor preenchimento e a análise dos dados, todas as operações florestais que podem ser trabalho de trabalho expressas em unidades de produção são numeradas com um código. Setores típicos são p.e. construção de estradas, derruba, arraste. Produção total do Quantidade Documenta a quantidade produzida durante o dia. dia É essencialmente importante definir a unidade da produção para poder avaliar o Unidade em que a resultado. As unidades também estão definidas no Anexo 1####. As unidades Unidade produção é geralmente são determinadas e padronizadas com a empresa. Unidades frequentemente medida usadas são m³ de tora, árvore, km de estrada construída, etc. 6. Área Observações: Neste campo podem ser colocadas informações adicionais que parecem ser importantes ou que facilitam o entendimento do relatório. No caso de um dia de trabalho normal, este campo fica sem preenchimento. 7. Área Assinaturas: As assinaturas garantem que os dados foram verificados e aceitos pelas diferentes entidades envolvidas no levantamento e na digitação. A assinatura deve ser do mesmo funcionário, cujo código na área 2 do formulário foi Assinatura e data Líder da equipe marcado com X na coluna “R”, e corresponde ao código colocado no Nº da equipe. A da assinatura assinatura confirma que os dados estão corretos. A assinatura deve ser do responsável pela coleta e organização dos relatórios no final de cada dia de trabalho. No caso de detecção de erros e incompatibilidades, o encarregado Assinatura e data Encarregado deve entrar em contato, imediatamente, com o funcionário em questão para esclarecer da assinatura dúvidas ou erros. A assinatura confirma que os dados foram controlados e avaliados como corretos. A assinatura deve ser do responsável pela digitação dos relatórios, que deve ser realizada o mais breve possível. No caso de erros e incompatibilidades encontrados nos Assinatura e data Digitador relatórios, o digitador deve entrar em contato, imediatamente, com o encarregado e/ou o de assinatura funcionário em questão para esclarecer dúvidas ou erros. A assinatura confirma que os dados foram controlados, avaliados como corretos e digitados. 10 Ficha de Funcionarios: A Ficha de Funcionários exibe a lista de todos os empregados relacionados com as operações florestais e a relação das atividades destes empregados com os dias do mês. Este relatório facilita o controle da presença e das atividades dos funcionários. Paralelamente, providencia os dados básicos para determinar os custos salariais diretos e indiretos de todas as operações realizadas pela empresa. A ficha mostra as atividades de todos os funcionários trabalhando, independentemente da sua função. Desta maneira, inclui também funcionários que não estão envolvidos em trabalhos quantificáveis, como pessoal de apoio (cozinheiro, motorista, etc.) e coordenação (engenheiro, encarregado da mata, encarregado de segurança, etc.). Devido à importância central desta ficha, o preenchimento foi feito por um funcionário com alto grau de responsabilidade, que conhecia todos os outros funcionários e as suas respectivas funções. O responsável preencheu a ficha ao final de cada dia do trabalho baseado nas informações colocadas nos Relatórios de Equipe. Tabela 4. Ficha de Funcionários F icha E m p reg a do s Fu ncionário N om e Nr ANO: M Ê S: 2 3 4 5 6 7 ... R e sp o n s á ve l p a ra p re e n ch im e n to ___________ A ssin a tu ra P ag ina : D ias de Trab alho 1 _ _ _ /_ _ _ /_ _ _ D a ta 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 A S S IN A T U R A S E D A T A S E n ca rre g a do ___________ A ssin a tu ra _ _ _ /_ _ _ /_ _ _ D a ta 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 D ig ita ç ã o ___________ A ssin a tu ra _ _ _ /_ _ _ /_ _ _ D a ta apo; io /coordenaçãoF; = fo lga/feriadoO; = fa lta se m perm issãoD; = do ente. N º do líder da equ ipe co m pro dução s ser do cum e ntada e m o utro relató X = rio A Ficha de Funcionários é dividida em três áreas: identificação, dados e assinaturas. A identificação é registrada no cabeçalho, as atividades dos empregados na parte central e no rodapé encontra-se a área de assinaturas. Adicionalmente, estão discriminados abaixo os códigos a serem utilizados no preenchimento. Os campos do relatório devem ser preenchidos como descreve a tabela a seguir. Campo Conteúdo Descrição Área de Identificação: Os dados desta área servem para relacionar as informações colocadas no relatório referentes a uma determinada máquina. Através desta informação é possível distinguir os gastos de cada máquina. Mês Mês em questão A data é importante para facilitar o reconhecimento do relatório em caso de dúvidas. Ano Ano em questão Página N° da página Controla a seqüência completa das páginas no mês. Área de dados: Os dados colocados aqui possibilitam a reconstrução das atividades de todos os funcionários durante o mês em questão. Estas informações asseguram o cálculo dos custos salariais diretos e indiretos e facilitam o controle dos funcionários e da qualidade dos dados. Código do Cada funcionário da empresa recebe um código próprio. Isso é para facilitar o Nº funcionário da preenchimento dos formulários e a análise dos dados. equipe Sobrenome e nome Nome Nome completo do funcionário para assegurar que o código utilizado esteja correto. do funcionário Atividade do Para facilitar o preenchimento e possibilitar a análise sistemática dos dados, as 1 a 31 funcionário em atividades a serem colocadas estão codificadas da seguinte forma: questão conforme a Este número tem que ser colocado caso seja preenchido um Relatório de codificação mostrada Nº Equipe onde o funcionário aparece como parte da equipe. Neste caso, deve abaixo da ficha. ser colocado o número do líder da equipe na qual o funcionário trabalhou. 11 Campo Conteúdo Descrição Os funcionários não relacionados com atividades que produzam resultados quantificáveis devem ser diferenciados colocando-se um X. Este código significa funcionários de apoio ou da coordenação. F Funcionários em folga ou em férias são designados com F. O Funcionários que faltam sem permissão recebem O. D Funcionários doentes recebem D. Área de Assinaturas: As assinaturas garantem que os dados foram verificados e aceitos pelas diferentes entidades envolvidas no levantamento e na digitação. Responsável Assinatura e data da Responsável pelo preenchimento da ficha. A assinatura confirma que os dados para assinatura estão corretos. preenchimento Responsável pela coleta e organização dos relatórios no final de cada dia de trabalho. No caso de detecção de erros e incompatibilidades, o encarregado deve Assinatura e data da Encarregado entrar em contato, imediatamente, com o funcionário em questão para esclarecer assinatura dúvidas ou erros. A assinatura confirma que os dados foram controlados e avaliados. Responsável pela digitação dos relatórios que deve ser realizada de preferência o mais breve possível. No caso de erros e incompatibilidades encontrados nos Assinatura e data de Digitador relatórios, o digitador deve entrar em contato, imediatamente, com o encarregado assinatura e/ou o funcionário em questão para esclarecer dúvidas ou erros. A assinatura confirma que os dados foram controlados, avaliados como corretos e digitados. X Relatório de Peças e Materiais: As máquinas têm grande influência sobre os custos das operações florestais devido ao seu valor, manutenção e consumo. O Relatório de Peças e Materiais registra todas as peças e materiais gastos pelas diferentes máquinas, incluindo máquinas pesadas (como tratores e skidder), motoserras e veículos. O relatório mensal foi preenchido diariamente pelo operador da máquina ou seu assistente. Tabela 5. Relatório de Peças e Materiais. Peças e Materiais (acima) Máquina: N° Ano: Descrição Responsável: N° Nome completo Dia Peças/Materiais Quantidade Mês: Dia Página: Peças/Materiais Quantidade ... Responsável pela máquina ___________ Assinatura ___/___/___ Data ASSINATURAS E DATAS Encarregado ___________ Assinatura ___/___/___ Data Digitação ___________ Assinatura ___/___/___ Data O Relatório de Peças e Materiais é dividido em três áreas: identificação, dados e assinaturas. As informações para identificação no cabeçalho devem ser preenchidas imediatamente. As atividades da máquina que correspondem aos dados devem ser registradas na parte central do formulário. No rodapé se encontra a área de assinaturas. Os campos do relatório devem ser preenchidos como descrito na tabela abaixo. Campo Conteúdo Descrição 12 Campo Conteúdo Descrição Área de Identificação: Os dados desta área servem para relacionar os dados colocados no relatório com uma determinada máquina pesada (skidder, tratores, etc) ou motoserra. Através desta informação é possível distinguir os gastos de cada máquina. Mês Mês em questão Mês em que a atividade da máquina está sendo efetuada Ano Ano em questão Ano em que a atividade da máquina está sendo efetuada. Página N° da página Controla a seqüência completa das páginas no mês. Este código identifica a máquina pesada (Trator, Skidder etc.) ou a motoserra utilizada para realizar o trabalho em questão, segundo a N° Código da máquina codificação definida pela empresa. Através desta informação é possível distinguir os resultados da produção, relacionados com as diferentes Máquina máquinas. O nome da máquina é usado para garantir que o código da máquina Descrição Nome da máquina colocado é o correto. Código do funcionário Cada funcionário da empresa recebe um código próprio. Isso é para N° responsável pela facilitar o preenchimento dos formulários e a análise dos dados. máquina Responsável Nome Nome completo do O nome completo do funcionário é usado para garantir que o código do funcionário colocado é o correto. completo funcionário Área de dados: Os dados colocados aqui possibilitam a identificação completa das peças e dos materiais utilizados durante o mês para a máquina. Através do conhecimento destas informações é possível calcular os custos de consumo e da manutenção das máquinas. Especificar o dia em que a peça ou o material foi colocado. Através desta Dia de utilização da Dia informação é possível relacionar o consumo e gasto das máquinas com peça ou do material atividades e condições específicas do trabalho durante um certo dia. Esta informação deve possibilitar a identificação correta da peça/material. Assim, a descrição das peças/materiais deve ser a mais Peças / Materiais Identificação da peça detalhada possível. Cada item colocado na máquina deve ser colocado em uma linha própria. A quantidade da Quantidade de peça/ material colocada na máquina. A unidade de Quantidade peca/material medida (litros, metros, etc.) deve ser colocada ao lado. Unidade para medir a quantidade de cada peça/ material colocado na máquina, como: peça, caixa, litro, quilo, pacote, etc. Para cada tipo de Unidade A unidade peça/material o responsável do monitoramento deve definir a unidade para medir a quantidade. Isso facilita a sistematização e análise dos dados. Área de Assinaturas: As assinaturas garantem que os dados foram verificados e aceitos pelas diferentes entidades envolvidas no levantamento e na digitação. Responsável pela Assinatura e data da Operador responsável pela máquina e pelos dados preenchidos no máquina assinatura relatório. A assinatura confirma que os dados estão corretos. Responsável pela coleta e controle dos relatórios no final do mês.No caso de erros e incompatibilidades, o encarregado deve entrar em Assinatura e data da Encarregado contato imediatamente com o responsável pela máquina para esclarecêassinatura los. A assinatura confirma que os dados foram controlados e avaliados como corretos. Responsável pela digitação dos relatórios que deve ser realizada de preferência no início do mês seguinte. No caso da detecção de erros e Assinatura e data de incompatibilidades, o digitador deve entrar em contato, imediatamente, Digitador assinatura com o encarregado e/ou o responsável pela máquina para esclarecer dúvidas ou erros. A assinatura confirma que os dados foram controlados, avaliados como corretos e digitados. Ficha de Máquinas: Em correspondência a Ficha de Empregados foi também registrada a utilização das máquinas na Ficha de Máquinas. Esta ficha exibe a lista de todas as máquinas relacionadas com as operações florestais e o seu desempenho em cada dia do mês. Este relatório facilita o controle das máquinas, especificamente a relação entre dias produtivos e de manutenção, que têm um grande efeito sobre os seus custos. A ficha mostra o uso de todas as máquinas, independentemente da sua função, assim, inclui também máquinas que não foram utilizadas ou utilizadas somente para suporte. Devido à importância central desta ficha, o preenchimento foi feito por um funcionário com alto grau de responsabilidade, que conhecia todos os outros funcionários e as suas respectivas funções. O responsável preencheu a ficha ao 13 final de cada dia do trabalho baseado nas informações colocadas nos Relatórios de Equipe. Tabela 6. Ficha de Máquinas. Ficha de Máquina ANO: MÊS: 1 2 3 4 5 6 ... Responsável p ara preenchimento ___________ Assinatura Pagina: Dias Máquina Nr ___/___/___ Data 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 ASSINATURAS E DATAS Encarregado ___________ Assinatura ___/___/___ Data Digitação ___________ Assinatura ___/___/___ Data X = apoio /coordenação;F = folga/feriado; O = falta sem permissão; Nº do líder da equipe com produção s ser documentada em outro relatório; D = doente. A Ficha de Máquinas é dividida em três áreas: identificação, dados e assinaturas. A identificação é registrada no cabeçalho, as atividades das máquinas na parte central e no rodapé encontra-se a área de assinaturas. Adicionalmente, estão discriminados abaixo os códigos a serem utilizados no preenchimento. Os campos do relatório devem ser preenchidos como descreve a tabela abaixo. Campo Conteúdo Descrição Área de Identificação: Os dados desta área servem para relacionar os dados colocados no relatório com uma certa máquina. Através esta informação é possível distinguir os gastos de cada máquina. Mês Mês em questão A data é importante para facilitar o reconhecimento do relatório em caso de dúvidas. Ano Ano em questão Página N° da página Controla a seqüência completa das páginas no mês. Área de dados: Os dados colocados aqui possibilitam a reconstrução das atividades de todas as máquinas durante o mês em questão. Estas informações asseguram a consideração adequada também das máquinas de apoio, e o cálculo dos custos diários das máquinas. Cada máquina da empresa recebe um próprio código para facilitar o preenchimento Nº Código da máquina dos formulários e a análise dos dados. Nome Nome da máquina Nome da máquina para assegurar que o código utilizado é correto. Para facilitar o preenchimento e possibilitar a análise sistemática dos dados, as atividades a serem colocadas estão codificadas da seguinte forma: Este número tem que ser colocado caso a máquina tenha sido utilizada por Nº uma equipe que preencheu um Relatório de Equipe. Neste caso tem que ser colocado o número do líder da equipe para a qual a máquina trabalhou. Código do uso da 1 a 31 As máquinas não consideradas nos Relatórios de Equipe, mas que entretanto máquina X foram utilizadas recebem um X. Este código significa máquinas usadas para apoio. G Máquinas estacionadas e, portanto, não usadas. D Máquinas com defeitos e, assim, não usadas. Área de Assinaturas: As assinaturas garantem que os dados foram verificados e aceitos pelas diferentes entidades envolvidas no levantamento e na digitação. Responsável Assinatura e data da Responsável pelo preenchimento da ficha. A assinatura confirma que os dados para assinatura estão corretos. preenchimento Responsável pela coleta e organização dos relatórios no final de cada dia de trabalho. No caso de detecção de erros e incompatibilidades, o encarregado deve Assinatura e data da Encarregado entrar em contato, imediatamente, com o funcionário em questão para esclarecer assinatura dúvidas ou erros. A assinatura confirma que os dados foram controlados e avaliados. 14 Campo Conteúdo Descrição Digitador Responsável pela digitação dos relatórios que deve ser realizada, de preferência, o mais breve possível. No caso de erros e incompatibilidades encontrados nos Assinatura e data de relatórios, o digitador deve entrar em contato, imediatamente, com o encarregado assinatura e/ou o funcionário em questão para esclarecer dúvidas ou erros. A assinatura confirma que os dados foram controlados, avaliados como corretos e digitados. Relatório de Despesas: O Relatório de Despesas registrou, em ordem cronológica, todas as despesas durante um mês, para que fossem consideradas no cálculo dos custos. Tabela 7. Relatório de Despesas. Relatório de despesas ANO: Data MÊS: Item (Especificação) Responsável pela contabilidade ___________ Assinatura ___/___/___ Data Máquina ASSINATURAS E DATAS Encarregado ___________ Assinatura Pagina: ___/___/___ Data Valor (R$) Digitação ___________ Assinatura ___/___/___ Data O Relatório de Despesas é dividido em três áreas: Identificação, dados e assinaturas. O cabeçalho contém as informações para identificação. Na área de dados foram registradas as despesas em ordem cronológica. No rodapé se encontra a área de assinaturas. Os campos do relatório foram preenchidos como descrito na tabela abaixo. Campo Conteúdo Descrição Área de Identificação: Os dados desta área servem para identificar quando o relatório foi feito. Isso facilita o controle dos dados e seu arquivo. Ano Ano em questão Colocar o ano utilizando 4 cifras Mês Mês em questão Colocar o mês utilizando 2 cifras Pode acontecer que, para documentar as despesas durante um mês, seja Página N° da página preciso preencher mais de uma página. Nesse caso, é necessário numerá-las conforme a seqüência. Lista de despesas: Os dados colocados aqui possibilitam a identificação completa das despesas do mês. Para facilitar uma distribuição real das despesas aos diferentes setores de trabalho, é necessário colocar informações adicionais que determinem o caráter das despesas. Data da realização da Especificar a data em que a despesa foi realizada. Através desta informação Data despesa é possível relacionar as despesas com os recibos. Esta informação deve possibilitar a identificação correta da despesa. Assim, a Descrição inequívoca Item (Especificação) especificação deve ser a mais detalhada possível. Cada despesa deve ser da despesa colocada em uma linha própria. Se a despesa é relacionada com uma certa máquina, deve ser colocada o Máquina Código da máquina código da máquina em questão. Valor Valor da despesa Valor especificado da despesa em moeda corrente. Área de Assinaturas: As assinaturas garantem que os dados foram verificados e aceitos pelas diferentes entidades envolvidas no levantamento e na digitação. Responsável pela Assinatura e data da O responsável pelo preenchimento do relatório garante com a sua assinatura contabilidade assinatura que os dados estão corretos. Responsável pela coleta e organização dos relatórios no final de cada dia de Assinatura e data da Encarregado trabalho. No caso da detecção de erros e incompatibilidades, o encarregado assinatura deve entrar em contato, imediatamente, com o funcionário em questão para 15 Campo Digitador 1.2.2. Conteúdo Descrição esclarecer dúvidas ou erros. A assinatura confirma que os dados foram controlados e avaliados como corretos. Responsável pela digitação dos relatórios que deve ser realizada de preferência o mais breve possível. No caso de erros e incompatibilidades Assinatura e data de encontrados nos relatórios, o digitador deve entrar em contato, assinatura imediatamente, com o encarregado e/ou o funcionário em questão para esclarecer dúvidas ou erros. A assinatura confirma que os dados foram controlados, avaliados como corretos e digitados. O Banco de Dados Todos os dados foram digitados em um banco de dados em ACCESS, que possibilitou a análise mensal sobre produção e custos das diferentes atividades, equipes e máquinas. Este processo necessitou a documentação e atualização contínua das informações básicas da análise e, em particular, da listagem dos empregados e seus salários mensais, da listagem das máquinas e seus preços e duração de depreciação, da listagem das atividades e unidades de medição, da listagem das peças e materiais, incluindo os seus preços, a duração do período da safra, como também a taxa de interesse esperada pela empresa. Atualmente, o banco de dados usado neste estudo, esta sendo transformado em um software profissional. Figura 1. Interfase do banco de dados para processar e analisar os dados sobre produção e custos. 1.2.3. O Procedimento Como precondição para o funcionamento do monitoramento econômico foi definido um procedimento padrão para preenchimento, coleta, processamento e análise dos dados. Pela complexidade das tarefas, o pessoal técnico do projeto deu suporte para as empresas na implementação e supervisão do processo de monitoramento. Em particular, o procedimento teve os seguintes elementos: 16 Figura 2 - Esquema do procedimento do monitoramento econômico. Gerencia Floresta Relatórios das equipes Analise Base de Dados Apresentação & Discusão Encarregado Fichas de funcionários e máquinas Acampamento Pessoal Despesas Administração Relatório de peças e materiais a. No final do dia, os líderes de cada equipe de trabalho na floresta preencheram os relatórios de equipe. Os responsáveis para as máquinas atualizaram os relatórios de peças e materiais sobre o consumo de óleo diesel, lubrificantes e peças das diferentes máquinas. b. Os relatórios foram coletados e checados pelo encarregado. Com base nestas informações, ele preencheu as fichas de funcionários e máquinas. Possíveis erros ou incertezas foram verificados com os funcionários. c. Os relatórios de equipe, das peças e materiais e as fichas de funcionários e máquinas foram enviados ao escritório. d. Paralelamente, o pessoal da administração documentou todas as despesas relacionadas à floresta nos relatórios de despesas. As despesas relacionadas com as máquinas usadas na floresta foram documentadas separadamente para cada máquina. e. Todos os dados foram digitados no banco de dados, aproveitando a oportunidade de novamente checar a qualidade dos dados e verificar eventuais erros ou incertezas que viessem a aparecer. Adicionalmente, as listagens básicas sobre funcionários e máquinas foram atualizadas. f. No final, foram calculados os parâmetros de produção e custos. Os resultados foram apresentados ao gerente das empresas. g. Espera-se que a gerência aproveite estas informações para apresentá-las e discuti-las com os funcionários, para assegurar motivação e interesse em continuar o monitoramento. O cuidado com os relatórios no que diz respeito à distribuição, preenchimento, digitação e análise é fundamental para garantir a qualidade dos dados. Muitos estão envolvidos neste processo, e assim é muito importante que todos conheçam e sigam os princípios e as regras do procedimento. O quadro abaixo resume os procedimentos do monitoramento econômico. 17 Tabela 8. Procedimento do monitoramento econômico. Atividades Responsável 1. Definir responsabilidades (antes da implementação) Definir encarregados de monitoramento e os seus substitutos Definir os procedimentos do monitoramento econômico (rotinas) Gerente Gerente, encarregado do monitoramento, encarregado do projeto. Definir as responsabilidades dos outros funcionários chaves (ex. Gerente, encarregado do monitoramento. digitador) no âmbito do monitoramento econômico 2. Treinamento (a partir da implementação continuamente) Capacitar os encarregados de monitoramento e os seus substitutos Encarregado do Projeto encarregado do Capacitar os outros funcionários chaves no âmbito do Encarregado do monitoramento, monitoramento econômico projeto. Treinar os funcionários a preencher os relatórios e os procedimentos Encarregado do monitoramento e do projeto de gerenciamento Supervisar intensivamente os funcionários Encarregado do monitoramento Capacitar o pessoal empresarial em analisar, interpretar e Encarregado do Projeto apresentar os dados econômicos. Supervisar regularmente Encarregado do Projeto 3. Preenchimento dos relatórios (Os relatórios devem ser preenchidos diariamente após o trabalho. É recomendado fazer a notações durante o dia). Relatórios de Equipe Líderes das equipes Relatórios de Peças e Materiais Operadores das máquinas e motoserras Ficha de Funcionários Encarregado do monitoramento Ficha de Máquinas Encarregado do monitoramento Relatório de Despesas Pessoal da administração 4. Coleta e Controle (Para coletar os relatórios é fundamental estabelecer rotinas. A coleta deveria ser realizada, dependente do relatório, cada final do dia ou do mês. Deve ser verificada a plausibilidade dos relatórios na hora de coleta. Dúvidas ou deficiências devem ser esclarecidas imediatamente com o funcionário em questão. Depois da aprovação dos dados os relatórios devem ser passados o mais rápido possível ao digitador). Dia Mês Relatório de Equipe O Ficha de Funcionários O Encarregado do monitoramento Ficha de Máquinas O Relatórios de Peças e Materiais O Relatório de despesas O 5. Controle e Digitação (A digitação dos dados deve ser realizada o mais rápido possível, dependente do relatório, no início do dia ou do mês. O estabelecimento de rotinas é fundamental. A digitação engloba o controle informal da plausibilidade dos dados. Em caso de dúvidas ou deficiência dos dados, o digitador deve verificá-las imediatamente com o encarregado ou funcionário em questão. Foi desenvolvido um programa baseado no banco de dados em ACCESS). Dia Mês Relatório de Equipes O Ficha de Funcionários O Digitador ou projeto. Ficha de Máquinas O Relatórios de Peças e Materiais O Relatório de despesas O 6. Análise (No início da implementação os dados serão analisados pelo projeto, mas é esperado que a empresa possa assumir essa responsabilidade. Para facilitar a análise, será desenvolvido um software.). Inicialmente, o encarregado do Projeto e depois a Análise dos dados gerência 7. Apresentação: (No início, pelo projeto, depois pela empresa). A divulgação regular dos resultados do monitoramento é muito importante. As apresentações devem ser simples e adequadas para provocar uma discussão construtiva sobre os aspectos da produção e das operações, buscando uma otimização contínua. Além da apresentação pública do desempenho das operações, cada líder da equipe deve receber um relatório escrito sobre o desempenho da equipe. Inicialmente, o encarregado do Projeto e, depois, a Apresentação dos dados gerência Definição do encarregado do monitoramento: Para assegurar que a coleta dos dados funcione continuamente e que os dados sejam de boa qualidade, é indispensável que 18 um funcionário da empresa seja o responsável pelo gerenciamento do monitoramento. Este encarregado do monitoramento econômico deve esclarecer as tarefas e responsabilidades de cada um dos funcionários da empresa, controlar o cumprimento das tarefas, assegurar o abastecimento de formulários e a coleta sistemática dos relatórios preenchidos. Pela grande importância do encarregado do monitoramento, este deve ser uma pessoa que tenha autoridade, conheça bem os funcionários e saiba ler e escrever sem problemas. É recomendado gratificá-lo com um salário extra pelo trabalho adicional. Se a empresa realiza o monitoramento econômico na mata e na serraria, cada setor precisa de um próprio encarregado. Para assegurar o funcionamento do monitoramento econômico durante a ausência do encarregado, é necessário definir e capacitar também substitutos. Explicação individual dos procedimentos e responsabilidades: O encarregado do monitoramento deve explicar o monitoramento econômico, os procedimentos e as responsabilidades individuais para cada funcionário. É recomendado realizar este treinamento em quatro etapas. i) ii) iii) iv) Antes de implementar o monitoramento econômico, todos os funcionários de cada nível hierárquico devem receber uma apresentação completa com os motivos, resultados esperados, descrição sobre os relatórios, procedimentos e, finalmente, a definição das responsabilidades. Durante a reunião, cada funcionário deve receber uma prancheta contendo o seu nome, função e o seu código individual. Apresentações para grupos de funcionários do mesmo nível profissional (operadores de máquinas, motoserristas, romaneiadores, etc.), explicando especificamente o que eles têm que fazer e realizando vários exercícios de preenchimento. Supervisão e suporte individual dos funcionários, especificamente no início da aplicação. Segundo os resultados do controle da qualidade do preenchimento dos formulários, o encarregado deve repetir o treinamento. Supervisão contínua dos funcionários e treinamento dos funcionários novos. O quadro abaixo (Tabela 9) mostra as responsabilidades dos diferentes grupos. Tabela 9. Responsabilidades relacionadas ao processo do Monitoramento Econômico. Posição Responsabilidade - Gerenciar o processo do monitoramento econômico na mata; - Treinar e controlar os funcionários da mata no preenchimento dos relatórios; Encarregado do - Coletar e controlar diariamente os Relatórios de Equipe; monitoramento - Assinar os relatórios coletados e cuidar de seu arquivo e entrega ao digitador: - Distribuir e manter os relatórios em número adequado. Substituto do encarregado - Substituir o encarregado durante sua ausência Encarregado de preencher - Preencher diariamente as fichas de funcionários e máquinas; as ficha de freqüência (de - Entregar as fichas de freqüência preenchidas ao encarregado do monitoramento preferência o encarregado depois do último dia de trabalho de cada mês. do monitoramento) - Preencher diariamente o Relatório de Equipe; Líderes de equipe - Entregar o Relatório de Equipe preenchido ao encarregado do monitoramento no final de cada dia. - Preencher diariamente o Relatório de Peças e Materiais; Operadores de máquinas - Entregar o Relatório de Peças e Materiais preenchido ao encarregado do 19 monitoramento depois do último dia de trabalho de cada mês. Encarregado de preencher o Relatório de Despesas - Preencher diariamente o Relatório de Despesas; (de preferência o - Entregar o Relatório de Despesas preenchido ao encarregado do monitoramento encarregado da depois do último dia de trabalho de cada mês. administração) - Digitar e controlar periodicamente os Relatórios de Equipe, e mensalmente as Digitador fichas de funcionários e máquinas, o relatório de peças e materiais como também o relatório de despesas. Funcionários - Conhecer os seus códigos. 1.3. A Atuação do Projeto Para a implementação do componente I do projeto, contou-se com dois engenheiros florestais com grau de doutorado e uma engenheira florestal com mestrado, que exerceu a função de assistente de campo. A fase da coleta de dados nas empresas foi implementada através de visitas curtas pela coordenação e viagens mais extensas de 1 (uma) a 4 (quatro) semanas pela assistente de campo. Estas últimas serviram para a orientação e a capacitação dos gerentes florestais, líderes de equipe e pessoal de escritório, para assegurar o correto preenchimento dos relatórios. Os dados foram digitados nas instalações e com equipamento da UFRA, com participação dos integrantes do projeto e de pessoal da universidade. A análise de dados foi executada de forma interativa, cruzando-se as informações recebidas e os resultados obtidos, em comunicação permanente entre a equipe e as empresas, observando-se especialmente a sua plausibilidade. Todos os custos calculados baseiam-se na coleta de dados. Inconsistências eventuais que comumente ocorrem durante a implementação de novas ferramentas foram contabilizados, utilizando-se médias ou estimativas plausíveis. 20 2. Resultados. Este capítulo contém os resultados mais importantes do estudo em forma comparativa. Além das informações aqui apresentadas, existe a possibilidade de gerar resultados adicionais ou mais específicos, através da utilização do banco de dados do projeto. Caso existam demandas neste sentido, a equipe envolvida no projeto poderá possivelmente gerar a informação desejada2. Já na descrição das empresas ficou óbvia a existência de grandes diferenças em relação a tamanho, organização, maquinário e equipamento, as caraterísticas biofísicas da área de exploração, assim como também as diversas técnicas aplicadas. Cada uma destas características, e ainda mais a sua combinação têm importantes influências sobre os resultados. Além disso, cada empresa teve uma maneira distinta e individual de definir as atividades que foram monitoradas, como também uma estrutura específica da documentação de despesas que serviram como base de cálculo. Estas diferenças limitam a comparabilidade das empresas, e isto sempre deve ser considerado na interpretação dos resultados apresentados. De outro lado, a análise comparativa das empresas, além de gerar uma primeira visão sobre a realidade financeira da exploração florestal mecanizada na região Tailândia, oferece também a oportunidade de aprender mais sobre os efeitos dos diferentes fatores de produção e sua importância no resultado financeiro. A seguir, aborda-se primeiro a produtividade técnica e, depois, a apresentação da parte para os custos das operações, mostrando-se custos por atividades, custos unitários, distribuição por tipos de custo e custos totais. Mais pela intenção de demonstrar as possibilidades da ferramenta do Monitoramento Econômico do que obter resultados representativos, foram adicionados análises de custos por máquinas e pessoal empregado. 2.1. Produtividades. 2.1.1. Produtividade por tempo de trabalho A produtividade é um indicador importante para avaliar o desempenho das operações florestais. Ela expressa quanto foi produzido durante um certo tempo de trabalho ou por um outro fator de produção como área florestal, capital investido. Nosso estudo analisou especificamente a produtividade diária das várias atividades, quer dizer, a produção de uma equipe de trabalho durante um dia. Isto parecia relevante porque muitas empresas usam estimativas desta produtividade diária para determinar metas de produção como base para o planejamento operacional anual (POA), para definir pagamentos extras por produção ou também para definir o preço de terceirização. A prática das empresas de pagar uma gratificação por produção tem comumente o objetivo de motivar os empregados a maximizar sua produção. Entretanto, o aspecto da qualidade de trabalho muitas vezes não é considerado e nem sempre as estimativas usadas para definir as metas são adequadas. Isso se deve ao fato que os métodos de levantá-los ignoram possíveis perturbações do trabalho por fatores adversos como chuva, acidentes, defeitos no equipamento, tempo de espera, etc. A Figura 3 mostra, por exemplo, a grande variabilidade da produção diária de equipes de arraste. 2 Contato: Benno Pokorny, [email protected] ou [email protected] 21 Figura 3. Variabilidade da produção diária das três equipes de trabalho para a atividade ARRASTE da empresa 3. Viagens por dia 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 10/07/2003 09/08/2003 Equipe 1: Trator Fiat Allis FD-9 08/09/2003 08/10/2003 Equipe 2: Skidder Müller TS22 07/11/2003 07/12/2003 Equipe 3: Trator Caterpillar D5 MXL A Figura 3 mostra que a equipe 1, trabalhando com um trator Fiat Allis FD-9, teve uma produção significativamente menor (menos da metade) do que as outras duas equipes. Estas duas outras equipes desenvolveram uma produtividade média muito similar (38 viagens por dia para equipe 2 e 44 viagens por dia para equipe 3). Também, pode-se observar que a produtividade, especificamente das equipes 1 e 2 caiu durante a safra, certamente um efeito da maior freqüência de chuvas no final do ano. As diferenças entre as equipes, como também as tendências observadas, são fortemente sobrepostas pelas variações diárias. O desempenho da equipe 1 variou entre 1 a 38 viagens, de 6 a 83 viagens para equipe 2, e de 2 a 88 viagens para equipe 3. O fato de que as diferenças diárias sejam tão grandes implica que a determinação de médias de produção exija uma observação sistemática a longo prazo. O estudo mostrou a grande importância de fatores adversos, que afetaram o desenvolvimento das operações sob condições amazônicas. A Figura 4 mostra num exemplo da Empresa 4 por quantas horas, durante a safra de 2003, o trabalho das equipes foi interrompido por diferentes fatores adversos. Figura 4. Horas paradas no trabalho de equipes por fatores adversos na empresa 4 120 100 horas paradas 80 O utros P roblem a na m áquina P roblem a na m otoserra Falta d e M apa C huva 60 40 20 0 jan fev m ar ab r m ai jun jul ago set out nov dez 22 A Figura 4 mostra que as equipes pararam mais de 70 horas por mês com o seu trabalho. No total, os fatores adversos causaram a surpreendentemente alta perda de 631 horas no ano, que corresponde a mais ou menos 80 dias de trabalho. Considerando também as implicações negativas destas perturbações ao processo do trabalho como um todo, como a quebra das cadeias logísticas, pode-se imaginar que o impacto financeiro certamente é grande. Independente da possibilidade de diminuir as perturbações através de um melhor planejamento e investimento na logística, estas observações indicam problemas sérios na utilização de médias de produção como base para decisões empresariais. Vários fatores previsíveis e imprevisíveis podem impactar o desempenho de trabalho. Na Amazônia, pelo ambiente difícil e extremo de produção, perturbações e dificuldades significativas são características constantes. Neste sentido, um dia “anormal” e com problemas parece ser o “normal”. Sem dúvida, tanto empresas como também pesquisadores subestimam estes valores pela tendência de não considerar as perturbações sob condições reais. Ao mesmo tempo, a observação sistemática destas perturbações pode indicar boas oportunidades para otimizar os processos de produção. Por conseqüência, somente estudos de longo prazo, abrangendo as variadas condições da produção florestal podem gerar estimativas adequadas. 2.1.3. Produtividade por Atividades Pelo longo tempo de observação, foi possível calcular estimativas realistas das médias de produção para as atividades mais importantes das operações florestais (Tabela 10). Tabela 10. Produção média diária por equipe para diferentes atividades da exploração florestal das cinco empresas analisadas Empresa 5 Empresa 4 Empresa 1 Atividade Unidade Abertura de picadas Inventário/Corte de cipós Planejamento de estradas Planejamento de pátios Planejamento de Arraste Construção de estradas Construção de pátios Corte Arraste Carregamento Transporte Hectare 6.00* Árvore 147,00 Metro 1270,00 Pátios 7,00 Árvores 42,00 Metros 498,00 Pátios 3,29* Árvores 16,00 Viagens 27,00 m³ Francon 196,00 m³ Francon -2 Em certificação (re-entrada) Certificada 1 não realizado no ano da observação (re-entrada) não monitorado pela empresa * diferença estatisticamente significante 2 23 15,00* 202,00 -1 -1 25,00 614,00 1,36 11,00* 15,00* 51,00* 19,00* Empresa 2 Empresa 3 Convencional Convencional Convencional (parte re-entrada) (desordenada) (terceirizada) 513,00 1,00 27,00 35,00 171,00 63,00 569,00 1,36 30,00 46,00 128,00 42,00 746,00 1,22 21,00 24,00 -2 54,00 Somente para as Empresas 4 e 5 constam valores para atividades de planejamento porque aplicam as técnicas de EIR. No caso da empresa 4, não existem dados para as atividades de planejamento de infra-estrutura, porque a exploração durante o tempo de observação foi localizado na UPA do ano anterior (re-entrada) onde a infra-estrutura já existia. Como esperado, a tabela mostra uma variabilidade relativamente grande para a maior parte das atividades. Devido à variação diária dos valores, somente poucas diferenças alcançam um nível estatisticamente significante. Dentro das atividades de planejamento e preparação da extração de madeira existiu uma diferença significante para a abertura de picadas. Porém, um motivo para esta diferença pode ter sido resultado de um problema metodológico, porque a Empresa 5 documentou a produção diária em “metros”. Por causa disto, uma transformação relacionando a produção a hectares, utilizando-se um fator de conversão foi necessário, e pode ter causado o resultado tão diferente. Geralmente, os dados mostram altas produtividades para as atividades de planejamento. Somente o planejamento de arraste consome muito tempo. Entretanto, calculando a exploração de 4 a 6 árvores por hectare, uma equipe poderia planejar uma Unidade de Trabalho com uma área de 100 ha em quase duas semanas. Em relação às atividades de derruba, especificamente a Empresa 4 mostrou produtividades menores do que as outras empresas. Considerando que aquela empresa trabalhou na re-entrada na UPA do ano anterior, esta observação parece plausível porque numa re-entrada tem menos volume aproveitável por área. Isto aponta à problemática econômica de re-entradas. A Tabela 11 analisa de forma agregada as diferenças entre as empresas de EIR e as convencionais relacionadas à produção diária. Tabela 11. Produção média diária por equipe para diferentes atividades da exploração florestal pelas empresas analisadas aplicando EIR versus as trabalhando convencional. Atividade Unidade Abertura de Picadas hectare Inventário/Corte de cipós árvores Planejamento de metros estradas Planejamento de pátios pátios Planejamento de Arraste árvores Construção de estradas metros Construção de pátios pátios Corte árvores Arraste Carregamento Transporte viagens m³ Francon m³ Francon EIR Convencional Média 10,00 175,00 1270,00 - 10,00 175,00 1270,00 7,00 34,00 556,00 2,33 13,00* (Vmédia = 2.98 m³ por árv.) 21,00* 123,00 609,00 1,19 26,00* (Vmédia =1,81m³ por árv.) 7,00 34,00 588,00 1,65 21,00 35,00* 149,00 30,00 136,00 19,00* 53,00 47,00 24 * diferença estatisticamente significante A tabela mostra diferenças estatisticamente significantes para as atividades chaves da exploração “Corte” e “Arraste”. A produção diária média das equipes de derruba aplicando as técnicas de corte direcionado e considerando todas as recomendações de segurança e proteção das árvores remanescentes, chegou somente à metade do número de árvores derrubadas pelas equipes trabalhando em forma convencional. Mas, para a interpretação desta informação, é muito importante considerar o fato que o volume médio aproveitado por árvore derrubada era mais ou menos 3,0m³ nas empresas aplicando EIR, enquanto que este valor constava somente de 1,8m³ por árvore nas empresas trabalhando de forma convencional. Isso confirma a observação de estudos realizados na Amazônia, que indicam uma diminuição de desperdício de madeira pelo EIR, principalmente por: corte de derruba mais baixo no fuste, aproveitamento otimizado do fuste e seleção adequada das árvores de corte através o teste de oco. Levando em conta ainda a redução de danos na floresta remanescente, pode-se destacar que a produtividade de volume da derruba nas empresas EIR é mais ou menos igual em relação às empresas convencionais, apesar do menor número de árvores derrubadas diariamente pelas equipes. Também em termos de número de viagens na atividade de arraste observou-se uma produção significativamente menor nas empresas aplicando EIR em relação às empresas trabalhando convencionalmente. Aparentemente não foi possível para as empresas aplicando EIR aproveitar o efeito do planejamento das trilhas de arraste. Parcialmente, isto se explica pela circunstância em que a Empresa 4 estava executando uma re-entrada que resultou numa produção por área muito baixa, de menos de 5m³/ha. Mesmo assim, surgiram dúvidas se a esperança de aumentar a eficiência das máquinas de arraste por um melhor planejamento é mais realista. Observou-se que também nas empresas trabalhando convencionalmente as equipes de derruba sinalizaram de forma extensiva a posição das toras derrubadas. De fato, o desempenho das equipes de arraste nas empresas EIR era superior, principalmente em termos de volume das toras arrastadas e o reduzido número de toras desperdiçadas na floresta, mas não em termos de viagens por dia. Finalmente, existiu também uma diferença na produtividade de transporte. Mas, como foi somente possível monitorar esta atividade na empresa 4, que mostrou uma pequena produção por área e utilizou caminhões menores em relação às outras empresas, estes números não parecem muito confiáveis para se extrair conclusões. 2.1.3. Tendências Anuais Independente das expressas diferenças entre as empresas, observou-se tendências anuais aparentemente típicas para as atividades de produção. Este comportamento é principalmente caracterizado por um crescimento da produção até um pique no mês de outubro, e uma caída forte nos meses de novembro e dezembro. Aparentemente, isso é um reflexo das condições climáticas, especificamente da intensidade e freqüência da chuva. Como exemplo, a Figura 5 mostra as tendências de “derruba” e “arraste” para as cinco empresas monitoradas como também a regressão média. 25 Figura 5. Desenvolvimento das produtividades das equipes de derruba e arraste durante o período da safra das cinco empresas analisadas. Derruba Arraste Viagens/dia 60 Árvores derrubadas/dia 40 35 50 30 40 25 30 20 15 20 10 10 5 0 26/05 25/06 25/07 24/08 Empresa 4 23/09 23/10 Empresa 1 22/11 Empresa 5 (2000) 22/12 0 01/06 01/07 Empresa 5 (2001) 31/07 Empresa 2 30/08 29/09 Empresa 3 29/10 28/11 28/12 Média Através dos gráficos, pode-se visualizar as diferenças em relação ao nível da produtividade entre as empresas, como já acima descrito. Também, de forma geral, as regressões confirmam a tendência anual observada. Entretanto, a atividade de “Derruba” parece mais estável, em particular durante o início da safra, do que a produção das equipes de arraste. Obviamente, máquinas pesadas como tratores e skidders são mais suscetíveis a variações nas condições climáticas. Em alguns casos os resultados evidenciam divergências desta tendência geral anual, como especialmente na Empresa 5 (ano 2000), atividade “Derruba”. A empresa implementou, no ano 2000, a EIR abandonando o modo convencional e introduzindo derruba de corte direcionado. Nesta fase de implementação de novas técnicas a produção diária caiu drasticamente. No final do ano, as equipes consolidaram a sua produção como efeito de treinamento, supervisão e crescente experiência. O exemplo mostra que o monitoramento sistemático das operações florestais, aplicado neste estudo, possibilita identificar e analisar os efeitos da implementação de novas tecnologias sobre a produtividade. A importância deste potencial se torna ainda mais evidente se considerarmos os efeitos de mudanças de produtividade aos custos das operações. Esses aspectos apresentaremos nos próximos itens. 2.7. Custos por Atividades Como mencionado acima, os custos das operações florestais têm uma importância decisiva para a atuação das empresas e decisões sobre investimentos e tecnologias, em particular, a implementação das técnicas de EIR. As empresas geralmente têm uma visão razoavelmente clara sobre as despesas totais relacionadas com as operações florestais, porém, não conhecem os custos para as diferentes atividades. As estimativas muitas vezes consideram insuficientemente os fatores de custos importantes, especificamente as relacionados às máquinas e ao pessoal de suporte. Uma outra dificuldade observada é a desconsideração de períodos adequados de depreciação para investimentos em peças e equipamento. O conhecimento deficiente dos custos parciais das diferentes atividades, conseqüentemente, provoca erros a nível gerencial. Como primeiro passo da análise dos custos, a Tabela 12 mostra, para as cinco empresas analisadas, quanto custou um dia de trabalho das diferentes equipes, incluindo custos para as máquinas, moto-serras, pessoal de suporte, etc. 26 Tabela 12. Custos operacionais (inclusive máquinas, moto-serras, pessoal de apoio, etc.) por um dia de trabalho de uma equipe relacionada a diferentes atividades por as cinco empresas observadas. Empresa 53 Empresa 4 Empresa 1 Atividade Empresa 2 Empresa 3 Em processo Convencional Convencional Convencional de certificação (parte re-entrada) (desordenada) (terceirizada) (re-entrda) Certificada Média (R$/dia) Abertura de Picadas Inventário/Corte de cipós Planejamento infraestrutura Planejamento de Arraste Construção de infraestrutura Corte Arraste Carregamento Transporte 93 141 114 136 671 148* 932 790 -2 130 171 -1 158 114 119* 211 408 249 203 98 650 610 928 409 87 581 459 489 168 100 295 -2 377 110 156 114 147 313 110 534 567 511 * diferença estatisticamente significante 1 não realizado no ano da observação (re-entrada) não monitorado pela empresa 3 valores dos anos 2000/2001 adaptados pela taxa da inflação de 26,17% 2 Em analogia às observações relacionadas às produtividades, também os custos diários das equipes apresentaram um variação muito grande. Especificamente nos custos para atividades com envolvimento de máquinas pesadas como skidder, carregadeira e trator constam diferenças ate 400%. Um dia de trabalho de uma equipe de arraste da Empresa 5, por exemplo, custou mais que R$ 900 enquanto que na Empresa 4 custou somente R$ 211. As diferenças resultaram principalmente das peculiaridades das máquinas pesadas, como idade, estado de manutenção e ocorrências de acidentes entre outras. Particularmente, a Empresa 5 sofreu, nos anos da observação, grandes dificuldades com os seus Skidders. Quase permanentemente uma das três máquinas, às vezes duas, estavam fora de função. Os altos valores representaram, neste sentido, muito bem as conseqüências financeiras de um estado inadequado do maquinário. As diferenças na composição de equipe, o número do pessoal de suporte e os seus salários correspondentes, tiveram somente um efeito visível nas atividades pouco mecanizadas (por exemplo, inventário, corte de cipó, abertura de picadas). Pode-se resumir que, um dia de trabalho de uma equipe envolvida em uma atividade não mecanizada custou na média entre R$ 110 e R$ 160 , enquanto os custos das equipes com máquinas pesadas variou em média entre R$ 510 e R$ 570 por dia. Estes valores indicam que é essencialmente importante organizar e aproveitar bem estas equipes. Um dia perdido por falta de manutenção ou deficiências na logística gera facilmente custos acima de R$ 500. Comparando as empresas aplicando EIR e as praticando exploração convencional, pode-se destacar que, para a maioria das atividades, não existem tendências claras. Razão principal é o efeito do envolvimento de máquinas pesadas, cujos custos dependem mais da qualidade de manutenção e da política de re-investimento empresarial do que da existência de um planejamento da extração. A este respeito, na 27 pequena amostra deste estudo, as empresas se comportaram muito heterogeneamente, e não foi observada uma diferença sistemática entre as duas empresas de EIR e as outras três. Apesar de que a manutenção das máquinas pesadas foi deficiente, haviam empresas convencionais com uma melhor política de manutenção, como também empresas de EIR com uma manutenção precária do maquinário. Outro aspecto é que as empresas adotando EIR empregaram no mínimo 4 tipos de equipes a mais do que as empresas convencionais. Estas equipes, todas relacionadas às atividades de planejamento e controle, geraram custos correntes adicionais. Simplificando, pode-se dizer que o investimento nas equipes de planejamento e controle corresponderam a um investimento numa equipe adicional de arraste, incluindo o maquinário. Os custos gerados tiveram caráter de custos semi-fixos pelo fato de que as atividades somente puderam ser executadas por pessoal capacitado que recebeu treinamento específico e, neste sentido, representaram parcialmente um investimento numa nova tecnologia. Diante da dimensão dos custos adicionais e o caráter dos custos torna-se óbvio que a adoção do EIR aumentou consideravelmente as obrigações fixas financeiras para as empresas e, como conseqüência, diminuiu a sua flexibilidade e liquidez. Entre as operações clássicas da exploração somente a derruba mostrou diferenças significativas entre as empresas EIR e as convencionais. Um dia de trabalho de uma equipe de derruba nas empresas de EIR custou quase R$ 40, ou seja, 40% mais do que nas empresas convencionais. Isso resultou principalmente da circunstância de que as equipe das empresas EIR foram parcialmente constituídas por três pessoas, enquanto as empresas convencionais trabalharam com equipes de só duas pessoas. 2.7. Custos unitários Os custos diários de uma equipe a princípio não permitem uma avaliação da sua eficiência econômica. Ao contrário, observa-se freqüentemente a tendência muito clara que equipes bem qualificadas, com salários relativamente altos, trabalham mais eficientemente e, desta maneira, produzem por unidade a um custo inferior, apesar de maiores custos em relação ao dia de trabalho. Por conseguinte, a consideração do custo unitário é um aspecto muito importante para avaliar a eficiência de uma atividade. Por isso, apresenta-se na Tabela 13 os custos unitários calculados para as diferentes atividades das operações florestais. 28 Tabela 13. Custos unitários (inclusive máquinas, motoserras, pessoal de suporte etc.) por atividades das empresas observadas. Empresa 54 Empresa 4 Empresa 1 Empresa 2 Empresa 3 Atividade R$ / unidade Abertura de Picadas Inventário/Corte de cipós Planejamento estradas Planejamento pátios Planejamento de Arraste Construção estradas Construção pátios Corte Arraste Carregamento Transporte Unidade Certificada 16,06 árvores 0,97 Metros 0,09 Pátios 14,60 árvores 3,15 Metros 1,54* Pátio 140,67* árvores 9,35* viagens 34,66* m³ Francon 9,12 m³ Francon 18,003 En Convencional Convencional Convencional certificação (parte re(desordenada) (terceirizada) (re-entrada) entrada) 8,84 0,84 hectare -1 -1 6,25 0,22 72,35* 10,83* 13,93 7,95 12,85 0,39 206,51 3,65 18,57 7,16 14,69 0,74 290,73 2,89 13,11 9,30 12,69 Média - 12,45 0,91 0,09 - 14,60 4,70 0,24 0,63 124,96 167,04 4,81 6,31 12,09 18,47 -2 8,38 6,92* 13,03 * diferença estatísticamente significante 1 não realizado no ano da observação (catação) não monitorado pela empresa 3 terceirizado 4 valores dos anos 2000/2001 adaptados pela taxa da inflação de 26,17% 2 Tornou-se obvio que as diferenças detectadas entre as empresas em relação às produtividades e custos diários por equipe, também existem em relação aos custos unitários. Porém as diferenças para as diferentes atividades aparecem ou de forma mais extrema ou mais amena. Especialmente na Empresa 5 gerou para várias atividades custos por unidade muito acima da média dos outros empreendimentos. Sobretudo a construção das estradas como também o arraste resultaram em custos extremamente altos. Entretanto, em relação aos altos custos diários para as equipes da Empresa 5, as diferenças às outras empresas diminuíram consideravelmente. Aparentemente, Empresa 5 beneficiou-se significativamente de um bom planejamento da infra-estrutura e trilhas de arraste, o que resultou numa eficiência relativamente alta. Também a outra empresa certificada, Empresa 4, apresentou dois valores extremos, um muito abaixo da média e outro, junto com a Empresa 5, muito acima da média das outras empresas. Os custos baixos para a construção de pátios resultaram principalmente do custo baixo da máquina, que, por sua idade, não gerou custos de depreciação e de juros, e funcionou sem maiores problemas. Outra causa era que vários pátios usadas durante a safra monitorada de 2003, já foram construídos no ano anterior e necessitaram somente uma restauração. Em relação à derruba, as menores produtividades e maiores custos de equipe detectados nas empresas praticando EIR causaram uma diferença significante em relação às empresas convencionais. Cada árvore cortada custou quase 3 vezes mais nas empresas trabalhando com EIR. Aparentemente, esta atividade é muito sensível a mudança de técnicas. Certamente o fato, que a Empresa 4 teve uma baixa produtividade como resultado da re-entrada. Mesmo assim é evidente que a implementação de EIR provocou custos consideráveis para a atividade de derruba. Uma outra atividade com alta variação de custo foi o 29 transporte da floresta até a serraria. Porém, não foi detectada nenhuma relação com as técnicas aplicadas, idade de máquinas, ou salários das equipes. O fator determinante para as divergências foi simplesmente a distância de transporte como também a necessidade de pagar taxas para serviços como o uso de balsas ou estradas privadas. 2.7. Distribuição dos Custos A análise da distribuição dos custos pode facilitar uma compreensão detalhada sobre a origem dos custos e desta forma possibilitar critérios para a otimização do processo produtivo. Neste sentido, a Figura 5 mostra a distribuição dos custos operacionais em tipos de custos. Figura 6. Distribuição dos custos operacionais nos tipos de custos das cinco empresas analisadas. 100% Diversos 75% Consumo das máquinas 50% Juros e depreciação Pessoal 25% de apoio Mão-de-obra 0% Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa 5 4 1 2 3 Média geral A Figura 6 mostra para todas as empresas, que quase 80% dos custos para as operações florestais foram oriundos das máquinas, incluindo custos fixos como juros e depreciação como também as variáveis para o consumo das máquinas. A proporção entre custos fixos e variáveis era de 40% (fixo) a 60% (variável). Somente 20 à 30% foram custos de pessoal, incluindo 5 a 15% para pessoal de apoio. Somente a Empresa 4 mostrou diferenças significantes na distribuição dos custos, pela grande participação dos custos para mão de obra e pessoal de apoio. De fato, a empresa empregou mais funcionários em relação às outras empresas, mas o motivo principal desta alta participação relativa de custos de pessoal resultou dos custos baixos para depreciação e juros. Isto era efeito da idade relativamente alta do maquinário e de que, no ano da observação, também a manutenção das máquinas foi relativamente barata. A única diferença expressa entre as empresas EIR e as empresas convencionais foi a participação maior dos custos para pessoal de apoio, por que as empresas EIR empregaram permanentemente engenheiros florestais e assistentes de administração do departamento florestal. A composição diferente das equipes e a participação variável das máquinas resultaram também em grandes diferenças na distribuição dos custos para as diferentes atividades das operações florestais como também da participação total das atividades nos custos totais (Figura 7). 30 Figura 7. Distribuição dos custos operacionais em tipos de custos por diferentes atividades relacionadas às operações florestais das cinco empresas analisadas e participação dos custos por atividade nos custos totais. 100 100% Diversos 75% Consumo das máquinas Juros e depreciação 50% 36 25% 21 3 5 1 Participação da atividade nos custos totais 7 Pl Pl an . an Infr .a . rra s D te Co err ns uba tr. In fra Ca Ar . rre ras ga t e m T r ent an o sp or t TO e TA L 4 Mão de obra Ab er tu ra p ica da s 0% 4 21 Pessoal suporte Em correspondência às observações feitas acima, a Figura 7 confirmou duas tendências significativas para todas as empresas: (1) a grande influência das máquinas como fator de custo para todas as atividades mecanizadas, e, como conseqüência, (2) a participação dominante destas atividades no custo total das operações. Pode-se resumir, que as atividades de preparação e planejamento têm uma grande participação de custo pessoal, porém somente contribuem pouco aos custos totais das operações. Para a atividade de derruba, a participação dos custos da motoserra alcança mais ou menos 40% dos custos gerados. Para as atividades com participação de máquinas pesadas (construção de estradas, arraste, carregamento, transporte), as máquinas foram responsáveis para aproximadamente 90% dos custos. 2.7. Custos por metro cúbico métrico Um dos parâmetros mais úteis da análise financeira, é o custo total da produção por produto e a participação das diferentes atividades e categorias de custos neste parâmetro. A unidade da relação pode ser a área, quer dizer, o custo total por hectare, a tora, ou por m³ de matéria prima. A última unidade é o mais útil no âmbito da produção florestal, porque possibilita comparar o valor da própria produção com o preço de mercado que geralmente define-se por volume de madeira. Desta perspectiva é importante considerar, não somente os custos diretos das operações florestais, mas também os custos indiretos, causados pelo insumo de todos os outros fatores de produção, como por exemplo: administração, taxas florestais, INSS e outros, desde a primeira etapa de arrendamento da área de exploração, a elaboração do plano de manejo ate o transporte à serraria. Com esta finalidade a Tabela 14 mostra para as 31 cinco empresas monitoradas os custos de produção de um m³ métrico de madeira em tora. Tabela 14. Custos relacionados a produção em R$ de um m³ métrico de madeira até o pátio de estocagem da serraria para cinco empresas monitoradas. Empresa 58 Empresa 4 Empresa 1 Atividade Certificada Abertura de picadas Empresa 2 Empresa 3 média En certificação Convencional Convencional Convencional (re-entrada) (parte re-entrada) (desordenada) (terceirizada) R$ / m³ métrico - 0,63 0,54 0,09 0,59 1,85 1,40 0,93 0,95 3,72 0,53 1,56 3,74 1,51 1,86 1,20 2,01 4,21 8,91 6,84 2,57 6,36 6,70 6,95 5,84 -2 6,14 0,34 - - - 0,23 0,59 0 0 0,23 0,20 Subtotal Derruba 1,67 1,75 9,27 5,07 0,11 0,18 18,05 16,51 18,32 18,26 n.c. 16,50 Total Operações Florestais 19,91 21,89 18,32 18,26 n.c. 20,12 Transporte 12,353 8,89 10,90 15,57 5,20 10,58 Alimentação 1,20 0,90 0,81 14,43 0,88 0,00 18,22 2,82 1,60 0,66 0,65 1,39 0,86 - - - 0,88 2,62 1,26 1,55 0,96 1,44 24,88 7,90 3,43 -2 12,66 0,47 1,05 0,66 -2 0,77 13,475 1,566 0,61 -2 3,91 45,12 13,37 6,91 n.c. 21,05 75,90 42,59 40,74 n.c. 51,75 110,60 62,06 59,37 76,40 Inventário/Corte de cipós Planejamento infraestrutura Planejamento de Arraste Subtotal Preparação Infraestrutura (Const/Manu) Corte Arraste Atividades no pátio Controle (PP, danos, etc.) Outras atividades Certificação Administração Taxa Florestal IBAMA Outras Subtotal Adicional Total Total (R$/ m³ Francon7) 50,48 73,56 - - 1,02 2,33 - - - 1,44 -1 - - - 0,09 1,65 - - - 1,12 5,38 1 não 3,62 realizado no ano da observação (re-entrada) monitorado pela empresa 3 terceirizado 4valores do ano 2000 5inclusive 7,73R$ INSS 6inclusive 0,22R$ INSS 7como fator de conversão de m³ métrio ao m³ Francon foi utilizado 1,457178 8 valores dos anos 2000/2001 adaptados pela taxa da inflação de 26,17% 2 não n.c. = não calculado 32 A Tabela 14 mostra para todas as empresas, a competitividade de produzir a matéria prima – madeira em tora no pátio da serraria - em próprios projetos de exploração. Em todos os casos, o custo total ficou abaixo dos preços de mercado. Entretanto, existiram grandes diferenças entre as empresas. Os valores calculados variaram de mais de 85% entre R$ 40 por m³ na Empresa 2 ate mais de R$ 75 por m³ na Empresa 4. A análise mostrou, que as empresas trabalhando de forma convencional, produziram significativamente mais barato do que as empresas aplicando EIR. Especificamente a Empresa 4 produziu com custos altos. Porêm, isso seguramente reflete o fato já relatado várias vezes, que a produção no ano de observação (2003) completamente oriundo de uma re-entrada na UPA 2002, e não tanto o fato, que a empresa aplicou EIR. Assim, a conclusão é que a re-entrada causa custos significativamente maiores do que a primeira exploração sistemática da floresta. O custo por m³ depende, fora de outros fatores a serem discutidos na frente, simplesmente do volume extraído por área. Mas a tabela deixa transparecer, que não é o bastante analisar somente o custo total da produção para avaliar o resultado financeiro das operações florestais. É fundamental considerar também a sua estrutura. Fazendo este exercício fica evidente que na média somente 32% dos custos totais resultaram diretamente das operações florestais. Também os custos para atividades de preparação e planejamento, somente relevante para as empresas EIR, alcançaram menos 7% dos custos totais. Outros 20% foram causados pelo transporte e a maior parte foi ocasionado por uma grande variedade de custos o qual abrange especialmente o valor por m³ pago pela árvore em pé. A Figura 7 mostra a distribuição das diferentes categorias de custos para as empresas. Nesta análise a Empresa 3 não foi considerada porque o monitoramento não forneceu o detalhamento necessário para tal fim. Figura 8. Distribuição dos custos totais pelas categorias: Preparação e Planejamento, Operações Florestais, Transporte e Outras. R$ 75 50 Outros Transporte Derruba Planejamento 25 0 Empresa 5 Empresa 4 Empresa 1 Empresa 2 média Apesar dos custos adicionais de planejamento, os custos relacionados às operações florestais nas empresas EIR foram mais ou menos no mesmo nível como nas empresas convencionais. Também a participação do custo de transporte foi mais ou menos igual 33 para todas as empresas, porém a Empresa 2 mostrou custos de transporte maiores, simplesmente pela maior distância do projeto de exploração ate a serraria. Grandes diferenças existiam na categoria outros custos. Aparentemente, esta categoria foi maior nas empresas EIR. Uma certa proporção dos custos desta categoria, como por exemplo taxas do IBAMA e do INSS, refletem a tentativa das empresas em trabalharem na legalidade, assim chamamos estes custos de “custos de legalidade”. Porém, a maior parte da diferença resultou de diferenças nos valores pagos por m³ da árvore em pé, que as empresas pagaram aos proprietários para aproveitar as florestas. Este preço variou entre R$ 3,43 por m³ métrico que Empresa 2 pagou até quase R$ 25,00 por m³ métrico para Empresa 4. A diferença dos preços resultou simplesmente da idade dos contratos de arrendamento, ou seja, o preço de taxa mais baixo foi do contrato mais velho e o mais caro determinado no contrato mais novo. Então, as diferenças nestas taxas e por conseguinte também as diferenças na participação delas na categoria “outros custos” refletem o aumento do preço da taxa florestal durante os últimos 10 anos, causado pela crescente escassez dos recursos florestais na região. Num olhar mais de perto aparecem alguns detalhes interessantes. Nos detalhes os diferentes níveis de custos para o planejamento das duas empresas EIR chama atenção. Isto certamente é resultado de que Empresa 4 executou uma re-entrada e teve poupou recursos no planejamento, vantagem que ela comprou de certa forma em troca de uma produtividade menor, devido ao baixo volume de extração. Entretanto, mais de 75% dos subtotais resultaram das atividades do arraste e das operações no pátio (empilhamento, carregamento, traçamento, romaneio), quer dizer, atividades com participação de máquinas pesadas. Isso confirmou a influência fundamental destas máquinas também no nível dos custos unitários. No capítulo 0 mostra-se que isto se deve basicamente a quatro fatores: depreciação, juros, manutenção e consumo. Os custos relativamente baixos para o arraste detectadas nas Empresas 4 e 3 foram principalmente resultado da idade avançada das máquinas envolvidas, causando poucos custos de juros e depreciação. Certamente por coincidência também não houve grandes investimentos na manutenção no ano da observação. Para uma análise realística dos custos de máquinas velhas seria extremamente importante observar os custos de manutenção durante um período prolongado de, no mínimo, três anos. A derruba de uma árvore causou custos abaixo de R$ 2 por m³. Somente a Empresa 4, também pela baixa densidade das árvores de corte, teve custos maiores. Os custos relacionados ao controle das operações como Parcelas Permanentes e Monitoramento de danos, somente atribui 23 centavos ao custo total. Isso é um outro indicador pelo fato, que os custos de preparação, planejamento e controle das operações por unidade de produção são relativamente baixos. Os custos de transporte variam principalmente em função da distância de transporte. A Empresa 3 somente transportou dentro da sua própria área, onde também se localizou a serraria, enquanto a Empresa 2 teve que transladar a madeira por 80 km e inclusive pagar uma balsa para atravessar um rio. Um detalhe interessante é, que a Empresa 1 trabalhando com terceirização do transporte, pagou para este serviço justamente os custos calculados por este estudo. 34 A composição da categoria de custos “outros” variou fortemente entre as empresas. Como a definição dos diferentes componentes foi feito pela empresa, a composição reflete de um lado os diferentes interesses e a lógica da empresa, como também do outro lado, a qualidade da documentação dos custos. Vale ressaltar, que, apesar de uma supervisão intensiva da documentação dos acontecimentos relevantes para custos, não foi possível garantir que os dados coletados são completos. Especificamente, para a documentação dos custos para as Empresas 2 e 3 é até provável faltam alguns dados, cuja importância é difícil de estimar. Apesar destas deficiências existem observações com base comprovada e interessante: Primeiro, os custos para alimentação, muitas vezes um motivo de grande preocupação das empresas, somente alcançaram cerca de 2,5% dos custos totais das operações, e são definitivamente marginais. Apesar, desta marginalidade, as Empresas 2 e 3 gastaram muito pouco para a alimentação. Foi observada, que a falta de qualidade da alimentação causou várias reclamações, diminui latentemente o desempenho da mão de obra e provocou uma alta rotatividade. As outras empresas, que identificaram a grande importância da alimentação para o clima de trabalho, motivação e desempenho, gastaram entre 2 a 4 vezes mais. Os custos da certificação para as Empresas 4 e 5 alcançaram menos de R$ 1 por m³ métrico, que parece razoável considerando as grandes vantagens relacionado a comercialização da madeira. Os custos da administração variaram bastante, principalmente pelas diferentes maneiras de consideração. Somente nas empresas com departamento florestal foi próprio foi possível quantificar estes custos com segurança, enquanto para as outras empresas foi difícil definir a porcentagem do trabalho do pessoal administrativo ligado às operações florestais. Os custos de licenciamento estabelecidos pelo IBAMA, que incluíram principalmente custos de ATPF variaram em torno de 80 centavos por m³. As variações resultaram obviamente de falhas na documentação das despesas nem sempre as ATPFs compradas no período da observação corresponderam com a madeira explorada. Na categoria outros custos a Empresa 4 subsumiu várias despesas, como por exemplo INSS, EPI, equipamento do campo etc., que outras empresas não documentaram ou atribuíram á outras categorias. 2.7. Análise das máquinas Como esta ficando claro nas apresentações até aqui, o maquinário pesado tem uma importância decisiva para os resultados econômicos das operações florestais. Ate 80% dos custos operacionais totais tiveram origem das máquinas, inclusive juros, depreciação, peças e materiais de consumo e mão de obra de mecânicos. Assim, este fator de custo foi analisado em mais detalhe. No primeiro passo da análise a Figura 8 mostra a situação das máquinas pesadas durante a observação para fornecer uma idéia sobre a capacidade usada. 35 Figura 9. Situação das máquinas pesadas (Skidder, Trator, Carregadeira) durante a safra para as cinco empresa analisadas. 100% 75% Estacionamento Defeito Apoio Equipe 50% 25% 0% Empresa 5 Empresa 4 Empresa 1 Empresa 2 Empresa 3 Segundo a Figura 9, as máquinas pesadas das 5 empresas estavam em ação em mais ou menos 75% dos dias durante a safra. Entre 10 à 20% do tempo as máquinas foram estacionadas no pátio, principalmente durante os domingos e os feriados. A participação de dias, quando as máquinas não funcionaram, por causa de defeitos e acidentes, variou entre 1 à 10 %. Além disso, as máquinas foram usadas entre 3 à 8% para atividades de suporte, principalmente para guinchar caminhões durante as chuvas. Desconsiderando, os dias quando as máquinas foram estacionadas, pode se destacar, que entre 5 à 20% dos dias durante a safra, as máquinas não foram usadas para as atividades previstas. A proporção dependeu principalmente de dois fatores: primeiro o estado da máquina dependendo da qualidade de manutenção e de sua idade, e segundo da chuva. Num caso extremo uma máquina exerceu somente durante 50% do tempo sua função principal, enquanto o resto do tempo estava parada com defeito e em manutenção. Contemplando o custo fixo que uma máquina causou na média durante um dia de trabalho, pode-se concluir, que cada dia fora da função em dependência do valor da máquina e a sua idade provoca custos diretos de R$ 100 a 200 para a empresa. Falta da máquina atrapalhou também o processo inteiro da produção florestal, que causou adicionalmente altos custos indiretos. Entretanto, vale ressaltar, que as empresas observadas, pelo conhecimento da importância das máquinas para o desempenho das operações florestais, investiram numa manutenção adequada. A Figura 9 mostra, que os custos totais relacionados com a utilização das diferentes máquinas e a sua distribuição variou fortemente entre as máquinas. 36 Figura 10. Média dos custos diários causadas pelos diferentes tipos de máquina e sua distribuição em tipos de custos nas cinco empresas analisadas. 1000 R$ 750 Depreciação Juros Manu./Consumo 500 250 0 2 5 1 3 Skidder 4 2 5 1 4 Carregadeira 2 1 4 3 Trator 2 5 4 3 Caminhão Dá para diferenciar entre três tipos de custos principais: - a depreciação, que foi calculado linearmente, partindo, independente do ano da fabricação, do preço da aquisição ate o valor 0 depois 8 anos, - os custos de juro, que resultaram do valor calculado da máquina no ano da observação multiplicado com uma taxa de juro anual de 9,6% - e o consumo da máquina, incluindo os custos para bens de consumo imediato como, combustível e lubrificante e bens de longa duração como peças de manutenção. Para calcular os custos da última categoria foi considerado também a depreciação média da peça. Um dos motivos principais para explicar a heterogeneidade dos custos totais das máquinas como também a distribuição dos três diferentes tipos de custos, é a idade da máquina (Figura 10). 37 Figura 11. Média dos custos diários causadas por máquinas pesadas nas cinco empresas analisadas e sua distribuição em tipos de custos em dependência do ano da aquisição. 750 R$ 500 Depreciação Juros Manu./Consumo 250 0 1979 1980 1986 1986 1987 1990 1993 1995 1995 1997 1997 1997 1999 2000 2000 2001 2003 Ano da fabricação A Figura 11 mostra como média de todas as máquinas pesadas das cinco empresas analisadas, que as máquinas mais velhas tiveram pouca participação dos custos fixos, quer dizer “Depreciação” e “Juros”. Isso simplesmente resulta do fato, que máquinas velhas têm um valor menor do que máquinas novas. Esta tendência de diminuição dos custos fixos com a idade é claramente compensada pelo consumo de peças e materiais maior das máquinas velhas resultando antes de mais nada da manutenção mais cara. Segundo esta lógica, os custos de manutenção a partir de um certo ponto, seriam tão altos, que a sua substituição seria necessária. Porém, apesar da pequena amostragem e a grande variedade dos tipos e marcas das máquinas subsumidas nesta observação, pode-se concluir, que a idade da máquina não necessariamente influencia o custo total causada pela máquina. Aparentemente, as máquinas velhas trabalham mais ou menos no mesmo nível de custo como as máquinas novas. Mas ficou evidente diferenças na estrutura de custos. Novas máquinas pelo seu valor, em contrário às máquinas velhas, causam custos altos de juros e depreciação, enquanto provocam custos relativamente baixo de consumo e manutenção. Assim, investimentos em novas máquinas não resultam em maiores custos, e supostamente contribui à um processo produtivo mais estável, porque vai ter menos falhas. Do outro lado, os investimentos provocam um aumento dos custos fixos diminuindo a flexibilidade empresarial e a liquidez, e consequentemente, aumentam a pressão à empresa de produzir, quer dizer, aproveitar o investimento. Neste sentido, para fazer decisões sobre a substituição de máquinas seria muito importante considerar, além dos custos, também outros fatores como a capacidade da máquina, sua confiabilidade em termos de funcionamento, e mais importante para empresas sem floresta própria, a probabilidade (segurança) de ter acesso a florestas para explorar nos próximos, no mínimo, 8 anos. Além das máquinas pesadas, também motoserras causam custos significativos, entre 5 a 10% dos custos totais relacionados com maquinário (Figura 11). 38 Figura 12. Custo diário dos motoserras. 40 R$ 30 Depreciação Juros Manu./Consumo 20 10 0 Empresa 5 Empresa 4 Empresa 1 Empresa 2 Empresa 3 A Figura 12 mostra, que os custos das motoserras alcançaram, com uma média de mais ou menos R$ 20 por dia, um nível significante. Isso significa, que as empresas gastaram mais ou menos R$ 500 por motoserra em um mês. Considerando o fato, que uma empresa com uma área de safra de 1.000 ha têm mais ou menos 10 motoserras, só estas máquinas provocaram custos de R$ 5.000. A Figura 12 também mostra grandes diferenças nos custos diários entre as empresas que variaram entre R$ 12 a uns R$ 38. Os motivos para isso são vários. Primeiramente, a idade das motoserras entre as empresas foi muito diferente como conseqüência da política individual de manutenção ou substituição. Geralmente, as empresas com custos menores, substituíram as suas motoserras depois dois anos e as empresas com custos altos apostaram muito na manutenção das suas máquinas. A Empresa 1, que mostrou os maiores custos, subcontratou uma empresa especializada para esta tarefa. Essas análises indicam que não pode-se recomendar esta estratégia. Outro fator fortemente influenciando os custos é a maneira da utilização das motoserras no campo. As observações apontam que os motoserristas qualificados em EIR, por causa de treinamento, manusearam o equipamento melhor do que os nas empresas convencionais. Desconsiderando a convencional Empresa 2, o custo diário de motoserras tende a ser menor nas empresas trabalhando EIR. 2.7. Análise dos Funcionários. O assunto final de resultados da análise empresarial apresentado neste relatório trata da situação dos funcionários. Neste contexto, desde muito tempo, discutiu-se o efeito da implementação de EIR e certificação. Como primeiro passo para analisar este 39 aspecto, a Tabela 15 compara o nível da remuneração para diferentes funções entre as cinco empresas monitoradas. Tabela 15. Média dos custos salários (inclusive os custos sociais) por função pelas cinco empresas analisadas Nome Empr. 5 Empr. 4 Ajudante geral Ajudante qualificada Mecânico Identificador Medidor de Toras Cozinheiro Técnico Florestal Motoqueiro Motorista Ajudante de administr. Operador de máquinas Encarregado da mata Engenheiro Florestal Média 1valores 428 506 627 834 594 828 510 837 1339 903 1143 2523 613 471 530 623 572 774 623 948 577 772 797 3920 669 Média Empr. 1 Empr. 2 Empr. 3 EIR 450 437 320 649 506 565 400 500 627 530 729 470 525 583 579 450 850 801 567 992 535 657 893 953 696 958 838 1004 1094 710 970 1315 800 1800 3222 641 705 693 657 Média conv. 469 488 525 626 728 825 936 1305 685 Média 461 493 627 530 613 609 801 663 859 958 897 1171 3222 667 dos anos 2000/2001 adaptados pela taxa da inflação de 26,17% A Tabela 15 mostra relativamente pequenas diferenças para a maioria das funções. Somente os custos relacionados aos funcionários de alta qualificação variaram bastante. Também observou-se que somente as empresas EIR empregaram Engenheiros Florestais, enquanto, nas empresas convencionais, os encarregados da mata foram os coordenadores das operações florestais. Para assuntos formais relacionados com o IBAMA (ex. elaboração de Plano de Manejo, auditoria de campo, mapas de inventário etc.), as empresas convencionais sub-contrataram Engenheiros Florestais. Nestas empresas, os Engenheiros Florestais não tiveram nenhuma ligação direta com as operações na floresta. Os custos salariais (incluindo o salário bruto mais os custos sociais) variaram entre R$ 443,00 para um ajudante geral até mais de R$ 1.000,00 por mês para os encarregados da mata. Em todas as empresas distinguiram claramente entre diferentes funções quais, muitas vezes, corresponderam a uma hierarquia organizacional. Apesar de que comumente espera-se salários mais altos para empregados de empresas EIR do que nas empresas convencionais, o estudo não confirmou isto. Ao contrário, os custos mensais para muitas funções das empresas EIR, apesar da consideração completa dos encargos sociais, foram quase sempre menores do que nas empresas convencionais. Um outro aspecto da situação dos empregados é a quantidade dos empregos gerados pelas empresas (Figura 12). 40 Figura 12. Número de empregados nas cinco empresas analisadas por duração de contratação. empresa Empregados 60 40 permanente durante safra < 3 mêses 20 0 Empresa 5 Empresa 4 Empresa 1 Empresa 2 Empresa 3 Figura 13 mostra que o número dos empregados nas empresas EIR foi significativamente maior do que nas empresas convencionais. Nestas empresas (Empresa 1 e 2) trabalharam no setor florestal entre 50 à 60 pessoas durante a safra, enquanto nas empresas convencionais trabalharam somente 25 até, no máximo 41 funcionários. Por 1.000 ha de área de exploração anual as empresas EIR empregaram 10 funcionários mais do que as convencionais. Outra diferença muito evidente é que as empresas EIR tiveram muito mais empregados permanentes, enquanto o número de pessoas empregados temporariamente durante a safra ou para ainda menos tempo foi bastante parecido em todas as empresas. No detalhe chamou ainda atenção a pequeno número de contratação de curta duração na Empresa 5. Resumindo, pode-se constatar que as empresas EIR geraram mais empregos dos quais um maior número foram permanentes, mas não pagam melhor em relação às empresas convencionais. Levantando o aspecto de geração de emprego como indicador importante para avaliar o benefício social do manejo florestal com base em EIR e certificação, a Figura 13 mostra quantos meses de trabalho as diferentes empresas geraram durante uma safra em relação à área explorada e à produção. 41 Figura 14. Meses de trabalho gerados das cinco empresas analisadas por área e produção. Manobra Mêses 30 25 20 15 10 5 0 Manobra Mêses/100ha Manobra Mêses/1000m³ Empresa 5 Empresa 4 Empresa 1 Empresa 2 Empresa 3 24,71 9,61 29,35 29,17 15,60 8,63 18,38 10,64 10,63 5,30 Segundo os dados as empresas EIR geraram significativamente mais meses de trabalho por área explorada. Para trabalhar 100 ha aplicando técnicas de EIR foram necessários 25 meses de trabalho o que corresponde a dois empregos permanentes. Estes valores eram muito menores nas empresas convencionais (10 a 15 meses de trabalho por 100 ha). Expressando meses de trabalho em relação à produção de m³ em tora não existe uma divergência tão clara entre as empresas EIR e convencionais. Com exceção da Empresa 3 todas as empresas geraram pelo menos aproximadamente 9 meses de trabalho permanente por 1000 m³ explorados. O valor alto da Empresa 4 não é representativo porque é ocasionado pela baixa produtividade relacionado com a reentrada (catação) no ano de observação. Com base nestas relações e contemplando um ciclo de corte de 30 anos foi também possível calcular a área necessária para gerar um emprego permanente (Figura 14). 42 Figura 15: Área necessária para gerar um emprego permanente. 3500 ha 3000 2500 2000 1500 1000 500 0 Empresa 5 Empresa 4 Empresa 1 Empresa 2 Empresa 3 Como reflexo das observações anteriores, a análise mostrou que as empresas aplicando EIR precisariam nitidamente menos área para gerar um emprego permanente do que as convencionais. Sob o regime de produção observado, as empresas EIR poderiam garantir um emprego fixo relacionado ao manejo florestal com mais ou menos 1.300 ha de floresta produtiva. Considerando um tamanho necessário de uma equipe de 40 pessoas para realizar todas as operações, pode-se concluir que a área produtiva de manejo florestal disponível deveria ser maior do que 50.000 ha para poder assegurar os empregos permanentemente, um tamanho que também seria o suficiente para concluir um ciclo inteiro de corte de 30 anos. No caso das empresas convencionais o mesmo cálculo teórico resulta em áreas muito maiores de 80.000 até mais do que 130.000 ha. Além disto, tem que se considerar também que é bem provável, que as florestas, sofrendo uma a exploração convencional, não vão se recuperar de uma maneira que permitiria um ciclo de corte de 30 anos. Por conseguinte, a diferença visualizada na figura, na realidade, é ainda muito maior. 43 3. Discussão e Conclusões 3.1. Avaliação resumida dos resultados mais importantes. Este estudo apresenta a primeira documentação de largo prazo de operações florestais mecanizadas na Amazônia. Informações sobre as operações de cinco empresas localizadas na região de Tailândia foram sistematicamente documentadas durante um ano inteiro. Isso gerou um material único para analisar a produção florestal e aspectos financeiros de empresas nesta região. Foram geradas informações detalhadas sobre produtividades técnicas fornecendo a oportunidade de melhorar a base de planejamento de empresas madeireiras. Mostrouse que o processo produtivo das operações florestais é extremamente susceptível às condições biofísicas e climáticas e que um dia de trabalho com perturbações é um dia normal de trabalho no setor madeireiro amazônico. As análises de custo disponibilizaram muito menos valores exatos e reproduzíveis, pois o estudo abrangeu somente 5 empresas com relevantes divergências entra elas, mas gerou sim, uma visão mais clara sobre as dimensões de produtividades e custos e sua estrutura. Um dos resultados mais importantes é que as atividades com envolvimento de máquinas pesadas geram em torno de 80% dos custos das operações florestais e, por conseguinte o gerenciamento e o tratamento deste equipamento têm uma dominante influência sobre falha ou sucesso do manejo. Ficou evidente que não existiram grandes diferenças entre os custos das operações florestais strito senso por unidade produzida comparando empresas praticando EIR e empresas convencionais, mas que existem diferenças grandes entre os custos totais. Isto principalmente porque entre os custos adicionais de natureza muito individual das empresas, constam custos significativos, como, por exemplo, a taxa florestal cujo valor variou muito em função do ano do contrato de arrendamento. Analisando especificamente as máquinas que mais pesam na composição do cargo financeiro gerado pelas operações, os resultados obtidos indicam que os custos totais de máquinas pesadas não dependem necessariamente da idade do equipamento. A decisão entre o uso de uma máquina antiga ou o investimento em uma nova influencia muito mais a estrutura de custos do que o custo total. Neste sentido, decisões sobre os investimentos em novas máquinas vão depender muito mais da estratégia da empresa e se sua situação permite assumir crescentes custos fixos adicionais provocados pela aquisição de máquinas novas. Surpreendentemente as empresas praticando EIR não ofereceram melhores pagamentos aos seus funcionários, apesar de que eles trabalham com pessoal melhor qualificado do que as convencionais. Entretanto, eles levaram crédito pelos resultados deste estudo porque eles geram mais emprego e mais empregos permanentes por área florestal em produção do que as empresas operando em esquema convencional. 3.2. Aspectos críticos do estudo. As empresas colaboradoras neste estudo apresentam uma parte extremamente importante dentro da heterogeneidade empresarial da região, porque são empresas 44 abertas e interessadas em inovações e melhoramentos, apesar, de até certo ponto, apresentarem deficiências técnicas e logísticas significantes, que causam efeitos negativos ao meio ambiente, seus empregados e também à própria empresa. Entretanto, há de se destacar, que essas empresas, apesar destas deficiências, apresentam o recorte mais avançado na região. Empresas trabalhando na ilegalidade ou com procedimentos ainda menos adequados para homem e para floresta, não foram consideradas pelo estudo e, provavelmente, nem teria sido possível convencer empresas desse tipo a colaborarem com este projeto. Além da falta de representatividade oriunda da impossibilidade de cooperar com as freqüentes empresas trabalhando de forma clandestina, existem algumas deficiências metodológicas que limitam a validade dos resultados, e deveriam ser tomadas em conta na interpretação das informações apresentadas. Essas deficiências são especificamente o pequeno número das empresas, e o fato de que as informações foram parcialmente incompletas: Foram monitoradas menos empresas do que se esperou inicialmente. Apesar de mostrarem num primeiro momento, interesse e disposição de colaborar, muitas empresas contatadas na fase de preparação deste estudo, afinal não entraram num acordo quanto ao envolvimento de pesquisadores em suas atividades. Preocuparam-se com a possibilidade de que as informações levantadas poderiam revelar eventuais falhas e deficiências na qualidade do trabalho, as quais seriam passadas para organizações de fiscalização e para o público. Nestes casos a garantia de anonimato e confiabilidade total das informações não ajudou. Aparentemente grandes partes das empresas envolvidas em operações florestais se sentem fortemente pressionadas pela opinião pública e pelo IBAMA. Independente disso, a maioria das empresas nem cumpriram as exigências mínimas para responder às necessidades de um monitoramento de produção e custos. Motivos foram, por exemplo, a falta completa de uma contabilidade, nenhum controle das despesas, encarregados analfabetos e não qualificados, entre outras carências. De forma geral, o padrão gerencial da grande maioria das empresas contatadas foi extremamente preocupante. Em várias empresas o envolvimento intenso de empresas terceirizadas complicou a colaboração, por que implicou na necessidade de negociar individualmente com cada subcontratado para atingir um compromisso definitivo. Na maioria dos casos não foi possível estabelecer um compromisso mínimo para poder colaborar. Finalmente, foram subestimados os custos necessários para implementar e manter o sistema de monitoramento. A equipe enfrentou dificuldades em estabelecer rotinas de preenchimento e coleta dos relatórios e outras informações relevantes. Assim, o sistema somente funcionou através de uma supervisão continua. Consequentemente, o número das empresas que finalmente participaram refletiu na capacidade do técnico contratado para acompanhá-las. Apesar dos esforços, nem sempre foi possível assegurar a integridade de todos os dados necessários para o monitoramento. Na maior parte das empresas foi necessário desenvolver e estabelecer novos procedimentos de documentação de informação. O item mais problemático nesta tentativa foi a documentação das despesas relacionadas às máquinas para assegurar o cálculo separado por máquina. Quase todas as empresas praticaram somente um cálculo conjunto das despesas por todas as máquinas. Também não foi fácil estabelecer e 45 manter as rotinas de documentação dos dados, parcialmente por falta de interesse e/ou entendimento da importância dessa documentação. Como conseqüência, foi necessário, recuperar ou estimar alguns dados não documentados. Outro fator agravante foi a alta rotatividade dos empregados em algumas empresas, que provocou a necessidade de re-explicar o funcionamento dos relatórios de campo. Em alguns casos ficou óbvio, que os gerentes das operações muitas vezes ficaram sobrecarregados com a tarefa de gerenciar o processo de preenchimento e coleta dos relatórios. A Empresa 3 foi ainda mais problemática, por que grande parte da produção florestal é terceirizada, e os sub-contratados tiveram um interesse muito restrito nas questões de monitoramento. Por conseguinte, para essa empresa, os dados foram incompletos de tal maneira, que nem para todas as atividades existem resultados de qualidade. É bem provável, que as carências na organização empresarial e na realização das operações florestais encontradas durante a busca de parceiros para este projeto, são representativas para a grande maioria das empresas florestais atuando na Amazônia brasileira. Com certeza, as empresas parceiras deste estudo fazem parte das empresas mais organizadas deste setor. Elas representam uma seleção bem típica de empresas perto ou já no passo de abandonar a exploração convencional em direção a uma exploração planejada. Assim, eles refletem a realidade do grupo alvo, em que os esforços do setor público e privado deveriam enfocar para melhorar a atuação do setor madeireiro. Pelo longo tempo de observação e do estabelecimento de um relacionamento de confiança durante o trabalho, as informações geradas oferecem insumos viáveis do mundo empresarial, e das possibilidades de influenciar e apoiar estes empreendimentos, na tentativa de melhorar o seu desempenho na direção de um uso mais eficiente e sustentável dos recursos florestais. 3.3. Resultados importantes. 3.3.1. Validação de uma ferramenta do monitoramento econômico. O estudo contribui significativamente para a validação de uma ferramenta de monitoramento da produção e de custos operacionais desenvolvidos pela cooperação cientifica entre a EMBRAPA e o CIFOR, financiado pelo OIMT. As experiências durante a colaboração intensa com as empresas colaboradoras, revelaram especificamente dois aspectos fundamentais sobre a viabilidade prática e a relevância do monitoramento econômico. Primeiramente, a atuação, a organização e o desempenho das empresas madeireiras são extremamente heterogêneas. Junto, com a grande variabilidade geo-biológica das florestas e a diversidade das condições infra-estruturais como mercados, preços, taxas de câmbio etc. Isso exige uma grande flexibilidade na configuração da ferramenta em fim de responder adequadamente às especificidades e necessidades do mundo empresarial Amazônico. O segundo aspecto relevante é que a implementação de um sistema de monitoramento implica na necessidade de reorganizar muitos setores da empresa. Em alguns casos não existia nenhum gerenciamento de informação sobre florestas. Esta reorganização é um processo difícil e atinge quase todos os setores da empresas. Por falta de 46 experiência e qualificação, o funcionamento e aceitação da ferramenta de monitoramento dependem de uma intensa supervisão e de assistência, especialmente no início da implementação. O acompanhamento da implementação da ferramenta por técnicos qualificados e autorizados parece uma pré-condição fundamental para o sucesso. Ficou evidente, que as empresas não têm um controle eficiente sobre a produção e os custos das operações florestais. Isso tem graves implicações sobre a eficiência das operações, sobre os resultados financeiros, como também sobre a situação dos empregos e dos impactos à floresta remanescente. Para melhorar a situação, o estabelecimento de sistemas de monitoramento nas empresas seria fundamental. Porém, é bem provável, que somente poucas empresas têm o interesse e a capacidade de utilizar uma ferramenta de monitoramento, e, por isso, sua disseminação ficaria bem limitada às empresas interessadas em certificação e/ou com gerência profissional. 3.3.2. Descrição e caracterização técnica das operações florestais. Através da observação de cinco empresas durante um período de um ano, foi possível derivar índices técnicos para quase todas as atividades realizadas nas operações de EIR e da exploração convencional. O estudo mostrou extremas variações na produtividade. Evidentemente a produção florestal é muito suscetível às condições de trabalho, determinados principalmente por chuva, logística, funcionamento de máquinas, tecnologias aplicadas e ao potencial produtivo da floresta. Esta variação torna quase impossível definir índices com alta validade estatística. Isto reforça o apelo que tem que ser feito a favor de estudos de longo prazo, porque é nítido que estudos experimentais podem revelar aspectos científicos para o desenvolvimento de novas tecnologias, mas jamais podem fornecer dados realísticos sobre a prática de exploração florestal amazônica. Para gerar índices como base para planejamento e controle da produção, há que se trabalhar com prolongadas fases de observação sob condições reais. Neste sentido, os índices apresentados neste estudo, geram uma visão relativamente realística das produtividades relacionadas as diferentes atividades. 3.3.3. Estimativa dos custos das operações florestais. Como para os índices técnicos, foi possível obter uma aproximação dos custos relacionados com cada atividade florestal. Isto representa um importante passo para a construção de um entendimento realístico da estrutura financeira das operações florestais monitoradas, considerando a circunstância, que ate agora, somente existiam estimativas obtidas através de experimentos científicos em ambientes controlados e, por isso, com uma validade limitada. Os resultados deste estudo mostraram uma grande variação nos custos e a constatação referente à produtividade vale ainda mais para os custos: eles dependem muito da situação específica da empresa. Por conseguinte, a maior contribuição do presente estudo, não é tanto a determinação de custos específicos de atividades florestais, mas muito mais ter gerado uma visão mais clara das proporções dos custos e a sua distribuição. A estrutura de custos é dominada pela atuação de máquinas pesadas. Atividades sem envolvimento de máquinas têm uma participação muito pequena na composição do 47 custo total das operações. Os resultados também mostraram que, em comparação, os custos de pessoal são marginais, e, em conseqüência, atividades de planejamento e controle, envolvendo praticamente só mão-de-obra, geram custos relativamente baixos. É importante de entender isto porque essas tarefas de planejamento e controle podem contribuir para melhorar o desempenho das atividades “caras”, como arraste, construção e manutenção de infra-estrutura e empilhamento e carregamento de toras. Estes resultados também indicaram o benefício potencial para a empresa trabalhar com pessoal bem qualificado e bem pago, visando aumentar a eficiência das máquinas. Finalmente o estudo evidenciou outro aspecto muito importante: os custos diretamente relacionados às operações florestais representam somente uma proporção relativamente pequena dos custos totais. Os custos de transporte e as taxas florestais para a exploração madeireira são muitas vezes ainda maiores. Como estes dependem em muito da situação individual da empresa, isto representa mais um resultado que ressaltam a importância do olhar específico e sem generalização ao setor madeireiro. 3.3.4. Análise comparativa entre as empresas. Considerando a complexidade dos fatores que influenciam o resultado financeiro da produção florestal, a amostragem deste estudo não foi suficiente para determinar se empresas aplicando as técnicas de EIR têm custos maiores ou menores do que empresas trabalhando de modo convencional. Porém ficou óbvio, que essas últimas, por várias razões, são mais flexíveis, em comparação a um empreendimento adotando EIR o qual perde flexibilidade, aumentando a pressão dos custos de caráter fixo ou semi-fixo: Empresas trabalhando com influência convencional (EC) dependem menos da disponibilidade de pessoal qualificado do que empresas praticando EIR que investem em treinamento. Para estes a capacitação faz somente sentido se criam empregos permanentes ou, em caso de alta rotatividade entre os empregados, repetem os treinamentos pelo menos parcialmente. As operações florestais de EIR são mais complexas e a inter-relação entre as diferentes atividades é maior, o que faz com que a logística seja mais exigente. A implementação de EIR exige investimentos em pessoal qualificado que, de grosso modo, corresponde, em termos de custos, uma equipe de arraste adicional. Isto afeta a liquidez e diminui a flexibilidade financeira. Para que estes investimentos se justifiquem precisaria de, Processos de operações florestais altamente confiáveis minimizando o risco de paradas, por exemplo, por máquinas defeituosas, Deve-se, por conseguinte, investir também no maquinário, Ter um acesso garantido a recursos florestais e, caso ainda não existam, expandir, o que certamente é ligado a investimentos adicionais. Neste sentido a decisão de uma empresa de investir em EIR, leva a algo, parecido com um efeito dominó: uma série de medidas necessárias que exigem investimento e alteram a estrutura dos custos de variáveis para fixos ou semi fixos. Por causa deste raciocínio existe, de fato, a tendência que as empresas, uma vez implementando a EIR como primeiro passo, expandem a produção para aproveitar as novas oportunidades 48 do mercado, mas também para justificar os grandes investimentos e assegurar a cobertura dos crescentes custos fixos. Além desses aspectos há um outro muito importante: se uma empresa trabalha não somente com EC, mas também de forma informal até ilegal, ela tem uma enorme vantagem financeira porque os custos de INSS, FGTS, taxas florestais, etc., são significantes na composição dos custos totais. A desvantagem para empresas trabalhando de acordo com as regras legais, poderia se chamar “custo da legalidade”, que não deveria ser atribuído à aplicação de EIR. Apesar da dificuldade de determinar as diferenças reais dos custos entre operações convencionais e EIR de forma estatisticamente válida, o estudo mostrou que não se deve esperar da EIR benefícios financeiros em curto prazo. Ao contrário, os investimentos necessários em máquinas, especificamente Skidder para arraste e pessoal qualificado, como também a reestruturação da organização empresarial implícita à implementação desse sistema, apresenta um grande desafio, que excede o potencial de muitas empresas atuando nesta área. Como descrito, a implementação de EIR não se limita apenas à introdução de novas técnicas, mas tem um grande impacto na empresa inteira, ainda mais se a intenção é alcançar a certificação. O impacto da EIR não pode ser expresso por um simples parâmetro financeiro. As vantagens, sob a perspectiva da empresa, que seguramente existem, podem ser representadas pela abertura de novas oportunidades de comercialização e expansão dos negócios, na perspectiva assegurada de acesso á matéria prima a longo prazo, pela possibilidade de voltar à área de exploração no final do ciclo de corte, e também na melhor aceitação pela sociedade. É essencial entender que iniciativas de apoio à implementação de EIR na Amazônia brasileira têm sempre que considerar os efeitos indiretos e não partir da idéia que somente o incentivo financeiro possa resolver o assunto. Iniciativas bem sucedidas vão sempre envolver capacitação gerencial, assistência técnica empresarial, consultoria sobre estratégia e política da empresa, suas relações públicas e, por último, mas não menos importante, questões sobre comercialização e investimentos na serraria e em cadeias de beneficiamento. Em relação ao beneficio para a sociedade, não ha dúvida que a EIR apresenta enormes vantagens, especificamente pela manutenção das funções econômicas e ecológicas das florestas. Entretanto, os benefícios sociais não são tão iminentes à implementação de EIR. O estudo mostrou, por exemplo, que os salários para os empregados nas empresas aplicando EIR não foram maiores do que os dos empregados das empresas aplicando ER. Isso é surpreendente, principalmente pelo fato que os empregados das primeiras geralmente são melhor qualificados e recebem também os benecífios sociais. Porém observou-se que as condições de trabalho, principalmente em termos de segurança, foram significativamente melhores nas empresas aplicando EIR. Também, existe uma tendência clara de que essas empresas geram mais empregos, principalmente os permanentes. Assim, a implementação de EIR por um crescente número de empresas, pode ter um efeito positivo no mercado de trabalho na Amazônia rural. 49 3.4. Recomendação a uma política de créditos. As empresas madeireiras precisam de dinheiro para explorar as florestas na Amazônia. A exploração mecanizada é relacionada a grandes investimentos em máquinas como Skidders, Tratores, Carregadeiras, motoserras, carros e outros equipamentos. A decisão dos empresários depende, principalmente, do risco do investimento, da expectativa de lucro, das alternativas existentes e da disponibilidade do custo do capital. Estas considerações são fundamentais para todas as empresas, também para as interessadas em investir em tecnologias de EIR. Não existe dúvida sobre a necessidade de dar suporte à empresas motivadas em acelerar o processo de transição de exploração convencional, a qual, sem dúvida, contribui para a destruição das florestas da Amazônia, para um manejo de florestas baseado na EIR. Porém, uma observação mais acurada dos fatores de decisão acima mencionados, revela barreiras substanciais para este processo. Os investimentos em EIR aumentam o risco, tanto pelo compromisso com um prazo prolongado, como também pelos maiores custos fixos originados da estrutura necessariamente mais complexa da empresa adotando a nova tecnologia. Neste contexto, um fator chave para justificar investimentos é a disponibilidade de áreas florestais em um tamanho que assegure a produção florestal durante muitos anos. Apesar de que é fundamentada a expectativa de entrar no mercado de madeira certificada, não necessariamente as empresas aplicando EIR vão alcançar preços melhores para seus produtos. Um indicativo para esse fato é que a grande maioria do volume de madeira de exportação resulta da exploração convencional e ademais, são muito raros os exemplos comprovados em que madeira atingiu um preço maior porque ela estava certificada. Por outro lado, o custo de oportunidade se constitui em outra barreira potencial para a promoção da EIR, porque existem várias outras alternativas para investimentos na Amazônia como por exemplo, soja ou dendê. Nas circunstâncias acima colocadas, a disponibilidade de capital, um dos fatores decisivos numa economia com altos juros, poderia influenciar o processo muito positivamente. Considerando isto, disponibilizar capital a baixo custo poderia ser uma estratégia promissora para aumentar a competitividade de empresas interessadas na adoção de EIR. Diante, por exemplo, do alto preço de um Skidder, em torno de US$ 250.000, o benefício de redução dos juros ainda que por um pequeno valor pode melhorar bastante a competitividade de uma empresa. Isto provavelmente surtiria efeito. Mas é difícil determinar e justificar, quão mais barato deveria ser o capital para assegurar a competitividade das práticas de EIR. Isto certamente dependerá da referência de comparação que se adotaria. A referência correta seria as empresas que trabalham de forma ilegal ou aquelas que trabalham de modo convencional, mas dentro da legalidade? Apesar de que possivelmente existam argumentos práticos para discutir esta pergunta, isto, afinal, parece mais uma questão política do que técnica. Por causa disso esta pergunta não será abordada aqui, mas sim umas observações que possam indicar caminhos para implementação de uma ferramenta de crédito em prol da melhoria de práticas de manejo. Para determinar melhor as possibilidades de uma ferramenta de crédito parece natural e lógico iniciar o raciocínio identificando as atividades que uma empresa implementando EIR tem que executar adicionalmente a uma exploração convencional. Em base das observações deste estudo, pode-se listar as seguintes: 50 Qualificação e treinamento de pessoal nas técnicas de EIR. Contratação de pessoal qualificado, como engenheiros e técnicos florestais. Aquisição de Skidders que são as máquinas apropriadas para o arraste de impacto reduzido, a revisão geral das máquinas, caso já existam. Inventário 100%, planejamento de infra-estrutura, trilhas de arraste, a confecção de mapas e elaboração de planos adequados. Atividades de monitoramento e controle como estabelecer e medir parcelas permanentes, monitorar desempenho das atividades, monitorar produção e custos, digitar e analisar os dados coletados. Disponibilizar equipamentos como guincho e outros tais como tinta de marcação, cunhas etc. Em resumo, existem duas possibilidades de apoiar o desenvolvimento destas atividades de EIR através de créditos com diferenciadas condições: Enfocar a ferramenta de créditos em atividades singulares e específicas realizadas nas empresas que aplicam EIR. Englobar boas condições de créditos para todas as atividades relevantes de EIR, como um pacote de medidas. A vantagem da primeira possibilidade está na simplicidade da sua implementação e do seu controle. A pré-condição para a concessão de crédito seria simplesmente que a empresa execute as demais atividades da EIR. Seria também comprovadamente possível enfocar com exatidão pontos, onde a empresa enfrenta maiores dificuldades financeiras. Uma severa desvantagem seria que as linhas de crédito não abrangeriam todo o processo de adoção da inovação tecnológica. A vantagem da segunda possibilidade de desenho de uma linha de crédito seria exatamente a desvantagem da primeira: um programa que respondesse por todo o processo de implementação de EIR. Neste caso seria necessário comprovar, que as empresas estão usando o capital de fato e integralmente para implementar as técnicas de EIR. Pois outro lado é muito provável que somente empresas altamente interessadas na introdução de EIR seriam os clientes de um programa de crédito desta natureza. Isso implicaria que, do lado do credor, possivelmente nem existisse a necessidade de exercer algum controle, porque estas empresas, em geral, ou tem o objetivo de uma profunda reestruturação, ou até visem um selo de certificação que, por si só, já prevê monitoramento e auditoria. Outra vantagem do ponto de vista do credor seria que um financiamento para o pacote completo de adoção de boas práticas de exploração florestal encontraria, com certeza, uma recepção muito mais positiva na opinião pública, do que um financiamento somente para máquinas pesadas de exploração. No caso do apoio creditício integral a EIR, existem indicadores, relativamente fáceis de avaliar se a empresa está atuando no sentido desejado. O estudo apontou para os seguintes indicadores apropriados para uma avaliação: Contratação permanente de pessoal adequadamente qualificado (engenheiro e técnicos florestais). 51 Treinamento dos empregados, especificamente os operadores de máquinas e motoserras e equipes do inventário e de planejamento de arraste. Realização de atividades chave a EIR, principalmente o inventário 100% e o planejamento de arraste. Verificação da existência de mapas, especialmente os mapas de corte. Existência de contabilidade possibilitando a análise financeira do setor florestal. Documentação dos custos por máquina. Certificação alcançada ou em processo de aceitação. Existência de área florestal produtiva em tamanho adequado para o manejo. Por certo, o ponto focal de uma linha de crédito, seria a aquisição de máquinas pesadas, como um Skidder. Isto independe se seriam desenhadas linhas de crédito para apoiar atividades isoladas ou a integridade de práticas de EIR. Nenhuma das outras atividades é diretamente relacionada a fatores que causam custos tão altos. Contudo, a maior demanda de suporte financeiro existe no âmbito de máquinas. Para determinar condições adequadas de crédito neste mesmo âmbito, poderia se utilizar os níveis gerais de custo para as equipes de trabalho de modo a oferecer condições que assegurem que os juros e a depreciação de uma nova máquina, não causem aumentos de custo acima daqueles níveis. Por exemplo, os dados do estudo mostraram um custo médio diário da equipe de arraste incluindo pessoal, máquina e custos indiretos de mais ou menos R$ 500,00. Este nível poderia servir como referência. Para o cálculo poderia-se considerar também o desenvolvimento dos custos de juros, depreciação e manutenção das máquinas ao longo dos anos como apresentado na Figura 9. Neste exercício, a definição certa do tempo de depreciação teria uma fundamental importância. O desenvolvimento do valor das máquinas, na realidade, é completamente diferente do tratamento fiscal da depreciação de máquinas pesadas. Pelas evidências do estudo ficou óbvio que, através da revisão geral das máquinas depois de uma safra, os empresários conseguem manter o valor da máquina a um nível relativamente alto. Assim, com grande tolerância em relação ao ano da fabricação da máquina, as empresas esperam usar as máquina em média por, no mínimo, 8 anos. Considerando esta lógica, parece também promissor oferecer, além de créditos para comprar máquinas novas, um suporte financeiro para a revisão geral das máquinas já em uso. Outra observação muito relevante para a questão de suporte financeiro, é o fato já mencionado, que as empresas, uma vez no caminho de transição da exploração convencional à EIR, tendem a expansão. Isso é uma reação lógica que objetiva aproveitar as novas oportunidades de comercialização e para justificar os investimentos que a adoção de EIR exige. Este também é um motivo para relacionar a implementação das técnicas de EIR à certificação. Os certificadores atuando na Amazônia reforçam isso ainda mais, porque enfocam muitas questões técnicas de EIR e relativamente poucos aspectos ambientais e sociais. Este entrelaçamento entre EIR e certificação oferece uma boa oportunidade para desenhar linhas de crédito que combinam apoio a EIR às questões da certificação, profissionalização da comercialização, e também a melhoraria da indústria. 52 Em todos os casos, parece indispensável acompanhar a concessão de créditos para investimentos no controle financeiro das empresas. Considerando as grandes deficiências neste setor, este acompanhamento apresenta a única maneira de garantir a geração dos dados necessários para avaliar o investimento como uma base de negociação com empresas. Neste contexto, a implementação da ferramenta de monitoramento da produção e dos custos das operações florestais, ou um sistema equivalente, que possibilita a avaliação do efeito financeiro de inovações e investimentos, poderia-se formular como uma pré-condição básica para receber um crédito. 3.5. Considerações Finais. A informação existente sobre aspectos financeiros da exploração mecanizada das florestas da Amazônia é insuficiente para decisões no nível empresarial como também no nível político. Devido a grande variedade de condições econômicas e ecológicas na região, as empresas florestais carecem de informações financeiras sobre as suas próprias operações, como base adequada para decisões empresariais relacionadas a um uso mais eficiente das florestas. Neste contexto, a implementação da EIR tem um papel fundamental. No entanto, empresas praticando EIR, não necessariamente tem uma vantagem financeira sobre aquelas trabalhando de forma convencional. Ao contrário, os investimentos nesta tecnologia diminuem a flexibilidade empresarial e aumenta o risco econômico. O fato que a empresa que aplica EIR, em contrário da que trabalha de modo convencional tem a possibilidade de um segundo ciclo, para muitas empresas, não é relevante para decisões de hoje. Assim, independente das grandes oportunidades, que oferece uma produção florestal sustentável, a decisão final das empresas interessadas depende em grande parte da existência de apoio externo, especialmente de possibilidades atrativas de financiamento. Este apoio deveria atender também a necessidade de garantir a capacidade gerencial das empresas de entender e quantificar os efeitos financeiros de inovações e investimentos. Isto poderia acontecer, por exemplo, através da implementação de ferramentas de monitoramento. Apesar das vastas possibilidades de estimular a aplicação de EIR na utilização das florestas da região, deveria ser muito claro, que somente muito poucas empresas têm a capacidade e o interesse de dar este passo. Entretanto, diante dos números atuais muito pequenos, é bem provável que o número das empresas relevantes vai crescer significativamente durante os próximos anos, motivadas pelo efeito da sensibilização da sociedade, da visualização dos danos provocados por explorações predatórias, e também por novos procedimentos de controle e fiscalização e instrumentos mais apropriados de gerenciar o desenvolvimento do setor. A promoção de práticas de EIR através dos instrumentos disponíveis é uma tarefa de extraordinária importância na construção de uma Amazônia sustentável onde ainda não existe um instrumento eficiente de incentivo financeiro que deve ser motivo para uma ação imediata por parte das instituições de crédito. 53 COMPONENTE II A ECONOMIA DA INDÚSTRIA MADEIREIRA NA AMAZÔNIA (EXTRAÇÃO, PROCESSAMENTO E DESENVOLVIMENTO) O Componente II foi executado pela cooperação científica entre Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, Fundação Floresta Tropical e Virginia Polytechnic Institute and State University, sob coordenação de Frank Merry. Participando neste componente eram, Ailton Alves, Dr. Gregory Amacher, Simone Bauch, Luciana Mattos, e Jocilene Souza. 4. Desenvolvimento industrial nas fronteiras florestais da Amazônia brasileira. Resumo: Nesta sessão, revisamos o conceito da industrialização do setor florestal e da adoção de tecnologias, visando identificar os motivos que deram forma ao desenvolvimento tecnológico (ou sua ausência) no setor florestal brasileiro. A imagem da indústria madeireira na Amazônia tem sido de excessiva extração, desmatamento e discutível uso equivocado de um recurso renovável. Neste documento, usamos os resultados de um levantamento de 527 madeireiras na Amazônia, além de dados secundários, para comparação entre fronteiras diferentes. A partir destes resultados, alegamos que a indústria madeireira se comporta racionalmente e responde às condições macroeconômicas e outras condições externas. Em outras palavras, as políticas governamentais parecem estar impelindo as ações desta indústria. Portanto, quando diante de uma boa política e um conjunto de incentivos sem distorção, a indústria madeireira poderia proporcionar um instrumento de desenvolvimento sustentável nas fronteiras que emergem, em vez de permanecer presa no ciclo vicioso boom and bust. Palavras-chave: madeira tropical, serrarias, Amazônia, desmatamento, silvicultura. 4.1. Introdução. Quer seguindo ou abrindo novas estradas, a extração de toras está entre as mais importantes atividades econômicas que surgem nas fronteiras da Amazônia. No entanto, este oportunismo nem sempre é recompensado. A expressão boom and bust é atribuída ao processo de organização industrial do setor florestal da Amazônia brasileira, para descrever um segmento empenhado na exploração predatória de um recurso natural finito. Este retrato pode encobrir algumas causas subjacentes na produção da madeira em fronteiras de extração de toras e o papel potencial da indústria madeireira no desenvolvimento econômico – o que poderá resultar em futuras distorções políticas, tornando enganadoras as soluções para o presente manejo equivocado dos recursos da floresta. Sem dúvida, a indústria florestal da Amazônia está bastante desgovernada: empresas migram para novas fronteiras em busca de lucros, mas os programas de governo criados para promover o desenvolvimento econômico, visando ao mesmo tempo preservar a floresta para uso futuro, devem ter como base a complexa realidade do desenvolvimento industrial e não uma imagem 54 simplificada. Neste documento, examinamos o conceito da industrialização do setor florestal e adoção da tecnologia com o objetivo de identificar as forças que moldaram o desenvolvimento tecnológico – ou sua ausência – na silvicultura brasileira. Tomando como ponto de partida os passos esboçados na teoria da industrialização do setor florestal, discutiremos por que o processo de industrialização tem sido lento em se materializar na Amazônia brasileira. Discutiremos também o motivo pelo qual os participantes do setor florestal procuram espécies altamente valorizadas, em vez de adotarem tecnologias que poupem a madeira ou aumentem a eficácia nas áreas da presente exploração. A identificação das tendências do passado na indústria florestal e as razões para as decisões administrativas serão úteis no planejamento das políticas futuras para a promoção do progresso tecnológico desta importante indústria. O último grande levantamento da indústria de extração e das serrarias (n = 1.393) foi feito em 1996 e 1997 (Nepstad et al., 1999). Utilizaremos um levantamento menor desses madeireiros, porém mais detalhado (n = 527), realizado de junho a dezembro de 2003, para tentar demonstrar que nossos dados mostram as mudanças que ocorrem no setor florestal. Utilizamos também fontes secundárias, principalmente o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mantém um banco de dados confiável sobre a produção no Brasil. Esta nova informação será usada para investigar diferenças significativas entre indicadores de produção para serrarias em fronteiras intermediárias e antigas, concentrando-se na adoção da tecnologia, nos preços e na eficácia. Esses indicadores nos permitem verificar nossa expectativa de que as fronteiras intermediárias são versões primeiras das fronteiras antigas, e se as trajetórias de desenvolvimento dessas fronteiras são, em essência, fundamentalmente diferentes. Se identificadas trajetórias diferentes, seria possível afirmar que a teoria do setor florestal não se sustenta na Amazônia e que os programas do governo precisam ser planejados em separado para fronteiras antigas, intermediárias e novas. Contudo, baseados em nossos resultados, aqui afirmamos que a história da industrialização do setor florestal na Amazônia brasileira apresenta uma reação racional às mudanças nas condições econômicas. Além do mais, com um adequado controle do governo, nossos resultados proporcionam orientação para obter-se um desenvolvimento econômico eficaz e a proteção dos recursos da região. O plano geral deste documento é o seguinte: na Seção 2 e na Seção 3 há uma discussão sobre a industrialização do setor florestal e sua aplicação às fronteiras antigas, intermediárias e novas da Amazônia. Na Seção 4 apresentarão uma discussão sobre novas evidências de mudança nas fronteiras de extração de toras, comparando diferenças em antigos centros extrativistas por toda a Amazônia e identificando diferenças entre fronteiras antigas e intermediárias. Por fim, na Seção 5, apresentamos uma discussão a respeito do futuro da indústria e recomendações de políticas que podem ajudar a estabelecer um rumo sustentável de ação. 55 4.2. Industrialização do setor florestal. Embora comum na literatura econômica de recursos naturais e em certa literatura sobre a dinâmica populacional (p. ex., Clark, 1990), o conceito de boom and bust e sua ligação com a indústria madeireira tropical tem origem na teoria da industrialização de base florestal exposta por Vincent e Binkley (1992). Segundo estes autores, no processo de industrialização com base na floresta, as receitas inesperadas são captadas na extração de árvores antigas em florestas primárias, e parte da terra é inicialmente convertida a outros usos mais lucrativos. Produtores eficazes – e ineficazes – entram no mercado para captar receitas inesperadas, o que resulta num aumento da demanda pelo que é essencialmente um recurso finito: as florestas primárias com árvores antigas. Uma vez extraídas essas árvores antigas das florestas primárias, o suprimento de madeira é reduzido a um volume equivalente ao volume do crescimento anual da floresta secundária remanescente. Em outras palavras, retirando as árvores antigas que por definição têm crescimento zero (Gentry e Terbourgh, 1990), o rendimento incremental é aumentado (ou seja, a retirada da floresta primária dominante rompe o ciclo fechado e dá à floresta mais recente acesso à luz e aos nutrientes, aumentando seu índice de crescimento, que agora consistirá em uma parte mais íngreme da curva de crescimento em forma de S para o remanescente). Este índice de crescimento para esse tipo de florestas na Amazônia tem sido estimado em algo em torno de 1 a 4 por cento por ano – geralmente, cerca de 1 metro cúbico por hectare por ano (Silva et al., 1995). A redução no suprimento de madeira – escassez – se reflete em valores mais altos a serem pagos pela árvore de pé. Preços mais altos por árvores em pé servem de incentivo a ajustes no setor florestal: ao descobrirem que os custos para obtenção da madeira estão mais altos, sairão da indústria serrarias ineficazes que mal atendem requisitos de qualidade. A adoção de tecnologia para economizar madeira entre beneficiadores mais eficazes permitirá ao setor florestal, em geral, produzir a custos inferiores com maior rendimento pelo valor do metro cúbico da árvore de pé. Esta combinação deve aumentar o rendimento do uso da terra em silvicultura, o suficiente para permitir que a produção da floresta venha a competir com outros usos da terra que surgem, talvez o suficiente para deter a conversão em grande escala da terra à agricultura, que é comum ao longo das fronteiras na Amazônia. O desmatamento será mais lento e resultará em uma propriedade florestal menor, mas permanente, baseada no manejo sustentado das florestas. Assim, embora considerada uma tragédia ambiental, algum desmatamento e a exploração de florestas primárias, sem políticas governamentais que distorcam os incentivos para conversão da terra, poderão constituir uma etapa essencial na transição macro-econômica para o desenvolvimento (Mendelshon, 1998). Essa transição se apóia na transferência eficaz do capital armazenado em florestas primárias para investimentos de capital em outros setores mais lucrativos – e o subseqüente esteio dos recursos da floresta secundária renovável3. Não obstante, a indústria florestal na Amazônia raramente é vista e talvez raramente se comporte nesse contexto. 3 O termo florestas secundárias no Brasil refere-se a uma floresta originada da sucessão secundária após desmatamento ou corte raso. Uma floresta primária explorada não é considerada floresta secundária. 56 Dito isto, em que ponto vacila o processo de industrialização na Amazônia, e por quê? Serão semelhantes todas as fronteiras? Contudo, é difícil estabelecer as diferenças explícitas, ou as similaridades, com relação às fronteiras antigas; seus processos e índices de adoção da tecnologia são desconhecidos. Algumas questões importantes que surgem da diferença entre as fronteiras antigas e as mais novas são: a tecnologia é adotada em fases distintas, assim como diferem as empresas nas fronteiras antigas e nas intermediárias? Terão os mercados papel diferente para o futuro de fronteiras intermediárias e novas, mais do que para o das fronteiras antigas? Ou, como são abertas simultaneamente muitas fronteiras, mas suas trajetórias de desenvolvimento têm sido diferentes – algumas agora antigas e algumas intermediárias, será que se pode alegar que as novas fronteiras são simplesmente versões mais antigas das fronteiras atualmente antigas? Abaixo tentaremos resolver alguns desses quebracabeças. 4.3. As fronteiras extrativistas da Amazônia. Anteriormente, as fronteiras extrativistas na Amazônia brasileira eram definidas como "antigas” ou “novas”, o que dependia amplamente da presença de reservas de florestas primárias definindo as novas fronteiras. Conforme amadurece o setor, esta classificação muda, agora abrangendo fronteiras "intermediárias". Hoje, a idade dos corredores de estradas e outras características da infra-estrutura fazem parte dessa definição. A Figura 1 indica no mapa a área designada como fronteira (de leste para oeste) antiga, intermediária, nova e futura. Estima-se que as fronteiras antigas tenham mais de trinta anos de idade, com boa infra-estrutura; as intermediárias estão entre dez e vinte anos de idade, e as novas fronteiras têm menos de dez anos de atividade (Lentini et al., 2003). Bauch (2004) acrescenta detalhamento às categorias de fronteiras, restringindo como fronteiras intermediárias às que estão a 40 quilômetros de uma estrada asfaltada ou rio navegável – definição esta que dá mais ênfase à infra-estrutura do que à idade. Embora as vias de desenvolvimento e definição dessas fronteiras ainda não tenham sido estudadas em detalhe, os tracejados de fronteira apresentados na Figura 1 são uma modificação de mapa apresentado por Lentini et al. (2003, p. 30) e mostram o que é atualmente aceito como limites de fronteira. Nesta seção, discutimos essas fronteiras; na seção seguinte definiremos as transições e diferenças mais exatas entre as fronteiras antigas e as intermediárias. 57 Figura 1. Mapa das áreas designadas como fronteiras (de leste para oeste) antiga, intermediária, nova e futura (incluindo polos principais). Adaptada de Lentini et al. 2003 Futura Nova Intermediária Antiga 4.3.1. Fronteiras antigas. O processo de industrialização do setor florestal na Amazônia brasileira está mais avançado nos municípios (e arredores) de Paragominas, no estado do Pará, Sinop no Mato Grosso e Ariquemes, em Rondônia; estes centros têm em comum muitos dos fatores. Em Paragominas, apenas cinqüenta por cento do município permanece com floresta, o resto foi convertido a outros usos… ou abandonado! Também existem áreas expressivas de floresta degradada. A teoria da industrialização do setor florestal não prescreve uma porcentagem aceitável de conversão do uso da terra – ou seja, do quanto de conversão de terra estaria "correto". Em todo caso, cinqüenta por cento parece muito alto, independente do fato de, em determinado momento, ter sido a porção legalmente prescrita. 58 No entanto, pode-se afirmar que o desmatamento de cinqüenta por cento do município é resultado direto das condições econômicas existentes naquele momento. Um recurso florestal muito barato e o acesso a novos mercados propiciaram receitas elevadas num curto prazo. Isto reduziu as barreiras para a entrada de empresas e foi um estímulo ao desmatamento excessivo. Assim, o boom madeireiro de Paragominas foi um fenômeno exagerado de curta duração. Este fenômeno também foi impelido pelos programas do governo. Embora, com toda a certeza, teria havido um influxo de empresas para a região, este não teria ocorrido ao extremo como em Paragominas ao final dos anos 1980, sem os subsídios do governo; a produção teria sido limitada pela queda nos lucros, permitindo que menos empresas entrassem no mercado, evitando o impressionante êxodo que aconteceu no final dos anos 90. Um fator visível e muito bem documentado que determinou o aumento da produção de madeira em Paragominas foi a conversão da terra subsidiada durante a fase de transição do final dos anos 70 e início da década de 80 (Biswanger, 1991). O efeito desses subsídios foi a redução dos custos da matéria-prima para as serrarias – os proprietários de terra em geral pagavam aos madeireiros para retirarem as árvores ou as árvores eram gratuitas, em troca da abertura e construção de estradas. O grande suprimento de toras baixou o valor pago por árvores retiradas e proporcionou incentivos para que entrassem no mercado produtores que tinham a perspectiva de custos baixíssimos para garantir a matéria-prima. Junto com o súbito acesso à demanda do mercado interno através de estradas melhores, os subsídios resultaram em enorme aumento da produção. Contudo, a rápida expansão obscureceu indícios que em outras circunstâncias teriam induzido a adoção de tecnologia entre os produtores. Vemos este efeito muito bem descrito nas Figuras 2 e 3, que mostram a produção de toras na região Norte do Brasil de 1974 a 1994 respectivamente; a produção no Brasil, no estado do Pará e em uma fronteira antiga (a soma dos Figura 2. Produção de toras no Norte do Brasil (1973-1994) 100 Milhões m3 toras 80 60 40 20 0 73 74 75 76 77 78 79 80 81 82 83 84 85 86 87 88 89 90 91 92 93 94 Anos Fonte: IBGE 59 Figura 3. Produção de toras no Brasil, Pará e a fronteira antiga de Paragominas, Dom Eliseu e Ulianópolis (1990-2002) 120 Milhões m3 toras 100 80 60 40 20 0 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 Anos Brasil Pará Old Frontier Fonte: IBGE www.sidra.ibge.gov.br municípios de Paragominas, Dom Eliseu e Ulianópolis).4 Estes dois gráficos demonstram claramente a imensa onda na produção entre 1985 e 1994. Na Figura 2 vemos que nos dez anos entre 1974 e 1984 a produção aumentava a um índice em torno de 9 por cento ao ano (na extensão de -46 por cento a 37 por cento). No período entre 1984 e 1994, o setor aumentou em média 19 por cento ao ano, com uma amplitude de -63 por cento a 70 por cento. Pode-se atribuir isto ao Plano Real, implementado em 1994, que mudou as condições macro-econômicas do país (além da moeda e da taxa de câmbio) e deixou em condições financeiras bastante difíceis muitos proprietários de serrarias que haviam estendido créditos de vendas a compradores. Essa quebra pode ter tido uma defasagem de mais ou menos um ano, quando lentamente as empresas iam à falência. Esses dois exemplos mostram que a indústria foi nitidamente influenciada pelas condições macro-econômicas, além de qualquer que tenha sido a escassez de recursos locais aparente. Um efeito secundário da intensidade inicial da produção e subseqüente declínio foi uma excessiva oferta de equipamento usado de serrarias. Uma serraria simples pode ser comprada a preço muito baixo e é facilmente desmontada e transportada. Esta barreira baixa para entrada no mercado aumentou os custos de oportunidade para a compra de nova tecnologia; ou seja: ainda que as velhas serrarias sejam menos 4 Parte do boom and bust do setor talvez seja resultado do deslocamento das fronteiras municipais: o município de Paragominas foi dividido duas vezes, exacerbando o efeito de encolhimento – uma vez em 1991 com a criação do município de Dom Eliseu e novamente em 1993, com a criação do município de Ulianópolis. 60 eficazes, seu baixo preço poderá superar os ganhos de renda da compra de uma nova serra, bem mais cara. Além disso, o principal mercado para a madeira de lei tropical brasileira é o mercado interno da construção, em que a tábua é usada como simples molduras ou formas, ou como matéria-prima para a fabricação de móveis (Scholz, 2002; Sobral et al., 2002) – usos estes que não agregam valor a um produto de qualidade maior que uma serraria mais nova ou altamente diferenciada poderia produzir. Outra importante restrição ao desenvolvimento tecnológico do setor florestal foi a política de substituição de importação, só eliminada no início dos anos 1990, em que recaíam tarifas elevadas sobre a importação de produtos que tivessem competidor nacional. No setor florestal, este programa afetou os equipamentos de extração e serraria que, sem competição, serviram para pressionar a redução das melhorias tecnológicas entre os produtores nacionais. Embora tenha sido lenta a emergir, quando se tornaram visíveis os altos custos da escassez da madeira nas fronteiras antigas da Amazônia, a adoção da tecnologia também lentamente entrou em evidência. Nos grandes centros produtores do Mato Grosso, Rondônia e Pará, o investimento na tecnologia de serraria e produção já está aparente – embora ainda em pequena escala, se comparado com o volume total da indústria. A Fundação Floresta Tropical que é o maior e mais antigo centro de treinamento em exploração de impacto reduzido (EIR), está localizada no município de Paragominas. Algumas das maiores plantações de espécies locais – Schizolobium amazonicum, Parkia biglobosa e Ceiba pentadra – têm sido cultivadas em torno da cidade de Paragominas; a produção de compensado dessa origem já foi iniciada. De modo geral, as empresas procuram usar todas as sobras seja por meio da venda de peças curtas, carvão ou pó de serra; algumas firmas investiram em caldeiras para produzir sua própria energia. Isto mostra um setor capaz de mudança, até mesmo sob condições bastante difíceis – neste caso, a falta de pessoal qualificado, nenhum apoio atuante do governo ao desenvolvimento tecnológico, um sistema de monitoramento e controle pesado e ineficaz, além da pouca ou nenhuma informação para os administradores que se interessem em implantar mudanças. 4.3.2. Fronteiras intermediárias e novas. A estrada Transamazônica foi inaugurada formalmente em 1972, mas o trabalho de abertura começara oito a dez anos antes. A presente fronteira "nova" é a BR-163, também construída pelo mesmo governo (do General Médici, 1969-1974). As estradas eram parte de uma estratégia da ditadura militar para garantir o controle da região amazônica por meio da colonização. As antigas fronteiras ao longo da BR-010 (estrada Belém-Brasília) e a PA-150 também foram abertas mais ou menos na mesma época. Assim, embora considerada uma fronteira intermediária, as florestas ao longo da estrada transamazônica foram derrubadas em intensidades variadas por mais de trinta anos. Hoje, a Transamazônica, que se estende por cerca de setecentos quilômetros cortando o centro do estado do Pará, correndo em paralelo a aproximadamente duzentos quilômetros ao sul do rio Amazonas, ainda não está pavimentada e é quase intransitável durante quatro meses do ano – o que retarda seriamente qualquer espécie de desenvolvimento econômico, e é uma importante razão para que esta região ainda 61 seja considerada intermediária, embora tenha sido ocupada e sua madeira extraída, durante o mesmo espaço de tempo de algumas reconhecidas fronteiras "antigas". Depois de sofrer uma ampla queda no setor no início dos anos 90, a produção na estrada Transamazônica está aumentando firmemente e hoje ultrapassa os 800.000 m3 de toras por ano (Figura 4). Com uma firme queda na produção das fronteiras antigas (Figura 2), isto mostra um movimento visível em direção às fronteiras intermediárias.5 Em uma análise recente, com o mapa ilustrando as fronteiras de desmatamento na Amazônia, a nova fronteira abrange apenas cinco cidades ou centros de beneficiamento: Novo Progresso no Pará, Humaitá no Amazonas, Cotiguaçu, Juruena e Aripuanã no Mato Grosso (Lentini et al., 2003). Contudo, é importante observar que há uma nova fronteira emergindo rapidamente ao longo da extensão oeste da TransAmazônica, a estrada BR-230, que liga Indaiatuba a Humaitá. Dos novos centros de fronteira, Novo Progresso, localizado na BR-163 (estrada Cuiabá-Santarém) é o mais importante, produzindo estimados 168.000 m3 em 2002, segundo o IBGE.6 Somado, o volume da extração nas novas fronteiras é de menos de um milhão de metros cúbicos – ou 4 por cento – da produção total. Mesmo assim, embora constituindo uma pequena proporção do total, é um componente de peso em qualquer meta de proteção ambiental e conservação de recursos. Figura 4. Produção de toras na Transamazônica e BR163 (1990-2002). 900 Milhares de m3 toras 800 700 600 500 400 300 200 100 0 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 Anos Transamazônica BR163 Fonte: IBGE www.sidra.ibge.gov.br 5 O volume relativo de produção é importante: a produção em fronteiras antigas (Figura 2) é referente a três municípios, enquanto a da Transamazônia é a soma de dez. 6 Há certa discrepância nos dados para as novas fronteiras. Por exemplo, Lentini et al. (2003) estimou em 300.000 a produção de Novo Progresso em 1998. Seria de esperar, pois as fronteiras mais recentes são as menos regulamentadas e é provável que a informação oficial esteja subestimada. Acredita-se que a extração em Novo Progresso e ao longo da BR-163, no norte do Mato Grosso e no oeste do Pará esteja aumentando. 62 Conforme se desenvolvem as "novas" fronteiras, é importante perguntarmos que incentivos e desincentivos enfrenta o setor florestal e como estes influenciarão as opções de uso da terra. Uma comparação das condições nas fronteiras antigas e intermediárias nos dará um quadro mais preciso das similitudes e diferenças entre essas fronteiras. Onde estão as semelhanças? Em sua maioria, as empresas têm a mesma produção, a tábua bruta; as fronteiras antigas fabricam laminados e compensados em determinados centros, mas de modo geral o principal produto ainda é a tábua. Enquanto hoje as fronteiras antigas podem ter acesso a mercados para peças de comprimento inferior ao comercial, para carvão e até mercado para serragem, as distâncias e os custos de transporte das novas fronteiras podem tornar inviáveis as vendas desses subprodutos. Neste caso, os resíduos são queimados. Trinta anos mais tarde, a informação disponível para o proprietário ou gerente de uma serraria ainda é tão limitado quanto para os primeiros que entraram nas fronteiras antigas (Scholz, 2001; Lele et al., 2000). Os serviços do governo e a administração dos recursos da floresta continuam burocráticos e, no mínimo está demorando e custando muito caro para melhorarem. Independente da infra-estrutura e das condições, as novas fronteiras estão mais longe dos principais mercados do que as fronteiras antigas e as intermediárias. O mercado de São Paulo, que absorve mais de vinte por cento da produção total da região amazônica (Veríssimo e Smeraldi, 1999), está a mais de três mil quilômetros de distância. Conforme aumentam os custos do transporte, os rendimentos são consumidos e, embora essa trajetória talvez seja atenuada pelas mudanças na infra-estrutura e subsídios do governo (p. ex., asfaltamento de estradas) ou pelos custos das transações reduzidos, o que se pode atribuir ao planejamento (p. ex., menor burocracia do governo), é fato que as novas fronteiras estão mais distantes dos mercados internos do que as antigas e as intermediárias e serão menores, se tudo o mais permanecer igual, a não ser que surjam novos mercados proporcionando um bom rendimento para a área. Além do mais, é provável que as fronteiras mais novas envolvam condições de risco econômico mais elevado do que as antigas fronteiras. A Figura 5 mostra os preços das toras no estado do Pará e em três fronteiras naquele estado (Paragominas, a TransAmazônica e a BR-163) representando respectivamente, a antiga, a intermediária e a nova, de 1990 a 2002. Embora os preços nominais pareçam estar aumentando com firmeza, está claro que os preços na nova fronteira são mais inconstantes – indicando riscos maiores – do que para outras fronteiras e para o estado. Aparentemente desregulada, a indústria madeireira está cada vez mais sob investigação de entidades públicas e privadas. A legislação sobre o desbravamento da terra é consideravelmente mais rigorosa no papel – o limite legal de desmatamento é de vinte por cento hoje (com relação aos cinqüenta por cento de quando as antigas fronteiras foram abertas) – com o correspondente impacto negativo do desmatamento sobre as toras. Esta ação pode reduzir os riscos. Espera-se também que os proprietários de serrarias que migraram das antigas fronteiras tenham alguma experiência e sejam administradores mais eficazes. Ainda não se sabe se isto significa que aumentarão seus rendimentos ou se simplesmente liquidarão mais depressa os recursos da floresta. 63 R$ por m3 de tora Figura 5. Preços de toras (R$/m3) em Paragominas, BR163, na Transamazônica, e media do Estado do Pará (1994-2002). 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 Anos Paragominas BR163 Transamazon Pará Fonte: IBGE www.ibge.gov.br Será que as lições da fronteira antiga foram aprendidas? As tendências no setor da silvicultura hoje estão aparentes e são mais compreendidas, e ainda há uma presença esporádica do governo na nova fronteira. O controle de menos de quatro por cento da produção extrativista é um exemplo muito pequeno sobre o resto da indústria. O custo do monitoramento desta fronteira é menor do que o das fronteiras antigas e intermediárias. Na próxima seção, usamos dados de levantamento recente e dados secundários para acrescentar mais detalhes ao desenvolvimento industrial. 4.4. A indústria hoje: novas comprovações. A indústria madeireira da Amazônia brasileira é abastecida por uma grande variedade de fontes. Estima-se que 41 por cento deste suprimento sejam provenientes de pequenos proprietários de menos de 500 hectares, 24 por cento de propriedades de tamanho médio abrangendo entre 500 e 5.000 hectares e 35 por cento de terras acima de 5.000 hectares (IBAMA, 2002). A madeira pode ser extraída de áreas de desmatamento legal estabelecido a um padrão de vinte por cento de qualquer propriedade – valor este que em 1996 foi modificado por uma Medida Provisória, desde então renovada a cada ano – e de qualquer floresta de manejo legalizado. Ambas exigem planos formais de manejo a serem registrados no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA) e ambas precisam ter documentação legal registrada junto ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA).7 Como esses processos são ao mesmo tempo demorados (pode levar algo entre seis meses e um ano para obter a permissão do IBAMA) e, no caso de títulos de terra, enganadores, a indústria madeireira muitas vezes tem incentivo para fazer a extração ilegal de toras. Lima e Merry (2003) mostram que a burocracia do governo é considerada uma das 7 O Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) é um órgão federal responsável pela proteção do meio ambiente. O Instituto Nacional de Colonização é Reforma Agrária (INCRA) é outro órgão federal responsável pela colonização e titulagem da terra. 64 questões mais problemáticas pelos participantes do setor e a extração ilegal tem sido identificada como preocupação permanente (ITTO, 2002). Noventa e seis por cento da extração de madeiras na Amazônia ocorre nas fronteiras antigas e intermediárias. Aqui, tentamos identificar alguns dos atributos que definem cada uma dessas fronteiras, de modos que a discussão do desenvolvimento industrial no setor florestal da Amazônia – com uma demanda de aproximadamente 21,4 milhões de metros cúbicos de toras de madeira (IBGE)8 – pode ser baseada em mais do que a idade da fronteira ou em alguma medida de infra-estrutura obscura ou indefinida. Para examinar mais detalhadamente esses aspectos, utilizamos um levantamento recente de 527 serrarias – Nepstad et al. (1998) estimam que o número total de serrarias seja de aproximadamente 2.500 – para sustentar a discussão sobre a mudança tecnológica nas fronteiras extrativistas. Os dados foram coletados em um levantamento das serrarias por toda a Bacia Amazônica. Devido às difíceis condições de coleta, seria complicado fazer uma pesquisa por amostragem; assim, em vez disso, as equipes do levantamento identificaram áreas importantes de extração de madeira a partir da experiência e da literatura, realizaram levantamentos em todas as serrarias de cada região; o mesmo procedimento foi usado por Nepstad et al. (1998). Foram feitas entrevistas nos estados do Acre, Mato Grosso, Pará e Rondônia, as quatro maiores regiões produtoras, responsáveis por mais de noventa por cento da produção. Um autor e um recenseador realizaram essas entrevistas de junho a dezembro de 2003. 4.4.1. A produtividade nos maiores centros de beneficiamento. Primeiro examinamos algumas características da produção dos dez maiores centros de beneficiamento da madeira na Amazônia (Tabela 1), que nos permite comparar os resultados de mais de trinta anos de atividade em determinados aspectos da produção e sua eficácia. A eficácia normalmente é definida como a capacidade de apresentar uma dada produção ao custo mais baixo ou com a menor quantidade de entradas (ou inputs), na comparação entre empresas. Também se pode definir a eficácia em termos de produção (ou output), em que os beneficiadores mais eficazes são os que produzem mais por dado conjunto de inputs (Bérgson e Gregerson, 1992). A adoção de tecnologias que economizam madeira, muitas vezes complementares à mão-de-obra, melhora a eficácia dos beneficiadores da madeira. Tendo em mente essas definições e usando como referência a Tabela 1, observe que esses centros controlam aproximadamente 36 por cento do uso total da tora e, com a exceção de Jacundá, no Pará, estão nas fronteiras antigas. Uma importante advertência a observar aqui é que estes são dados de um levantamento realizado em 1996/1997 – portanto, as mudanças aparentes desde então não se aplicam. Fora isto, esses dados representam pelo menos trinta anos de desenvolvimento nesses centros de extração que mostram diferenças interessantes. Paragominas e Sinop, os dois centros maiores e mais antigos, surpreendentemente competem muito mal com os outros centros. 8 Lentini et al. (2003) estimam que a produção seja de 28,5 milhões em 1998. 65 Tabela 1. Estatística da produção (1998) para os dez centros de extração mais importantes. Centro Estado de extração Número de empresas Volume de Volume *Rendime extração beneficiado nto (toras) (tábuas) Emprego * Produtividade direto da mão-de-obra Valor total do produto m3 / ano m3 / ano indivíduos m3 / indivíduo R$/ ano Paragominas PA 155 2.300.000 851.100 0,37 11.943 71,26 169.300.000 Sinop MT 100 1.700.000 647.200 0,38 7.026 92,12 124.300.000 Tailândia PA 44 900.000 331.400 0,37 3.520 94,15 70.600.000 Vilhena RO 37 750.000 278.400 0,37 3.641 76,46 82.200.000 Tomé-Açu PA 52 750.000 275.200 0,37 3.426 80,33 55.000.000 Ariquemes RO 55 750.000 278.600 0,37 2.748 101,38 72.900.000 Marcelândia MT 52 750.000 289.700 0,39 2.442 118,63 51.700.000 Jacundá** MT 50 750.000 303.200 0,40 1.642 184,65 66.800.000 Cláudia MT 35 730.000 282.000 0,39 2.843 99,19 52.800.000 Breu Branco PA 40 700.000 263.300 0,38 3.739 70,42 62.400.000 Fonte: *Novos valores calculados a partir das tabelas originais, pp. 40, 41, 44, e 46 de Lentini et al. (2003). ** Único centro localizado em fronteira intermediária. O produto na ultimas três colunas é madeira serrada (m3) 66 * Produto do valor da mão-de-obra R$ / pessoa 14.176 17.691 20.057 22.576 16.054 26.528 21.171 40.682 18.572 16.689 Média do * Média do *Valor volume de valor de do produção produção produto por empresa por empresa m3/ano R$ /ano R$ / m3 5.491 1.092.258 199 6.472 1.243.000 192 7.532 1.604.545 213 7.524 2.221.622 295 5.292 1.057.692 200 5.065 1.325.455 262 5.571 994.231 178 6.064 1.336.000 220 8.057 1.508.571 187 6.583 1.560.000 237 Paragominas, por exemplo, com o maior número de empresas e o maior volume de extração, é o oitavo (de dez) em produtividade de mão-de-obra por volume, com 71,26 m3 por empregado/por ano; o décimo em produção de mão-de-obra por valor, com R$ 14,176 por ano; o sétimo em volume de produção por empresa, com 5.491 m3; o sétimo em valor de produção por empresa, com R$ 1.092.258 por ano; e o sexto em valor de produto, com R$ 199 por metro cúbico produzido. Sinop mostra números ligeiramente melhores, mas ainda está na metade inferior da tabela. Isto implica em que assim que se tornam maiores em fronteiras antigas, é visível que os centros se tornam menos eficazes – o que vai contra as expectativas da industrialização do setor florestal. Por que estariam os maiores centros no fundo ou perto do fundo da tabela para essas categorias? A combinação de baixo valor de produção por peça e a baixa produtividade da mão-de-obra nos centros maiores e mais antigos realmente não mostram os necessários esforços de aperfeiçoamento da tecnologia essenciais para aumentar a eficácia, demonstrando os resultados dos outros centros que fizeram tais esforços. Os centros mais antigos e maiores foram mais influenciados pelos velhos incentivos para o desmatamento e ambos têm bom acesso aos mercados internos. Este acesso pode ter mantido alta a demanda até mesmo por madeira mal beneficiada. Também digno de nota é o fato de Paragominas e Sinop serem hoje grandes produtores de grãos – e, embora Paragominas não seja um grande produtor de grãos no Brasil, é o maior no estado do Pará – proporcionando maior incentivo para a transferência de investimento de capital a outros setores não-florestais dentro dessas fronteiras. Embora não possamos tirar conclusões definitivas sobre a industrialização do setor florestal a partir desses dados, mostramos que nem todos os antigos centros de extração de madeira estão se desenvolvendo igualmente. Fronteiras antigas mais recentes parecem mais eficazes e funcionam de maneira mais próxima às expectativas formadas pela discussão anterior da teoria. Isto ajuda a confirmar a extraordinária influência das políticas de desmatamento e de substituição do importado na acentuação do boom ocorrido em fronteiras mais antigas. 4.4.2. Fronteiras antigas versus intermediárias. Façamos agora uma comparação das empresas em fronteiras antigas e intermediárias. Utilizaremos nossos dados para verificar diferenças significativas entre as fronteiras, concentrando-nos em diferenças na tecnologia de extração e serraria, no investimento de capital, idade da empresa, estratégias de obtenção da matéria-prima e outras variáveis importantes na definição de industrialização e desenvolvimento. Atendo-nos temporariamente ao pressuposto de que as fronteiras intermediárias são mais recentes do que as fronteiras antigas, também utilizamos nossos dados para examinar as mudanças no decorrer do tempo – o que nos permitirá saber se as empresas na fronteira intermediária refletem os períodos mais antigos de empresas em fronteiras antigas e, por conseguinte, saber se o processo de industrialização do setor florestal na Amazônia sustenta a teoria. A ausência de diferenças significativas ou diferenças de indícios inesperados entre as características de empresas nas fronteiras intermediárias e antigas sugere vias de desenvolvimento singular para cada um dos dois tipos de fronteira. Assim, em toda a 67 discussão abaixo saberemos se as tendências de nossos dados são as que a teoria indica. As categorias de comparação que usamos são: terra, extração, transporte, preços da tora, beneficiamento, salários, mercados e preços da madeira, além de outros itens selecionados que possam interessar. Remetendo à Tabela 2, tanto os preços da terra como os valores da árvore de pé na fronteira antiga são significativamente mais altos do que nas fronteiras intermediárias – o que seria de se esperar. Preços mais elevados de terra indicam escassez de terra, o que seria uma realidade em áreas mais antigas, que estão mais densamente povoadas. O volume de extração não mostra nenhuma diferença significativa para as duas fronteiras, o que de certo modo até surpreende, pois seria de esperar que a extração nas fronteiras intermediárias estivesse limitada a toras de valor mais alto, que têm menor representação por hectare, dado que existem menos espécies nessa categoria. Uma explicação para isto é que os limites do volume de extração são tecnológicos e um volume semelhante pode ser extraído independente da qualidade ou categoria da tora. Sem a adoção da tecnologia, também seria de esperar que os custos da extração aumentassem com o tempo, já que, extraído tudo o que havia nas regiões de fácil acesso, a extração se dará agora em terreno mais difícil como, por exemplo, morros ou várzeas inundadas. Por outro lado, se as empresas manejarem bem a floresta, adotando formas de exploração de impacto reduzido para uso da floresta por muito tempo, os custos da extração deveriam cair com o tempo, pois as empresas utilizam uma infra-estrutura permanente e deverão apreender a eficácia derivada desses aperfeiçoamentos e do planejamento da tecnologia da extração. Aqui vemos que os custos de extração de R$ 53 na fronteira antiga são significativamente mais elevados do que o custo de R$ 37 na fronteira intermediária, indicando que em geral nas antigas fronteiras as empresas não estão adotando as melhores tecnologias de extração; sem levar em conta o fato de o primeiro programa de treinamento de Extração de Impacto Reduzido (Fundação Floresta Tropical, estabelecida em 1994) estar localizado no município de Paragominas, no estado do Pará, e que 58 por cento de toda a área certificada FSC está no Pará (235.395 ha), em fronteiras antigas ou várzeas inundáveis. Sabe-se que essas tecnologias de impacto reduzido pouco diminuem os custos da extração (Holmes et al., 1999). Ao examinar o investimento na tecnologia da extração, seria de esperar que as fronteiras antigas em geral tivessem equipamento mais novo e também houvessem investido em tratores de arraste – ou skidders (que aumentam a produtividade). De fato, os madeireiros nas fronteiras antigas têm relativamente mais tratores de esteiras (1,48 – comparado a 1,16) e seus tratores são mais novos (11 x 14 anos) do que nas fronteiras intermediárias. Contudo, não há nenhuma diferença significativa na adoção de tratores de arraste entre as duas fronteiras. Desconfiamos que a adoção do trator de arraste tem sido retardada por duas razões: em primeiro lugar, porque são muito caros e têm um único uso – enquanto os tratores de esteiras podem ser usados para abrir estradas e ainda podem ter mercados alternativos de aluguel na estação das chuvas. Em segundo lugar, os tratores de esteiras são o maquinário tradicionalmente preferido; a informação sobre os benefícios dos skidders para a extração só lentamente está penetrando na silvicultura. Sem uma boa massa de informação, o risco associado ao grande investimento financeiro em skidders provavelmente é um empecilho para sua adoção. 68 Quarenta e dois por cento das serrarias na fronteira intermediária fazem sua própria extração, ao passo que apenas 33 por cento das serrarias na fronteira antiga fazem sua própria extração (diferença significativa p<0,05). Isto nos diz que, assim que as fronteiras se desenvolvem, as empresas se especializam, abandonam as operações extrativistas e passam a comprar as toras entregues no portão da serraria. Este resultado tem ainda o apoio de resultados de estudos recentes, que indicam uma tendência de aumento na sub-empreitada das atividades extrativistas, principalmente para evitar a custosa – cara e demorada – burocracia do governo (Lima e Merry, 2003). Tabela 2. Estatísticas selecionadas para fronteiras antigas e intermediárias. Atividade Unidade Fr.antigas Fr.intermediárias n=ant TERRA Valores da terra R$ / ha 400,27 191,02 * 46 Valor da árvore em pé R$ / ha / ano 34,02 20,67 * 29 EXTRAÇÃO Volume m3 / ano 30,20 27,48 59 Custo R$ / m3 53,46 36,59 * 64 Meses meses 7,43 6,17 * 231 Nº / tratores de esteira unidades 1,48 1,16 * 71 Idade / tratores de esteira anos 10,99 14,05 * 64 Nº / tratores de arrasto unidades 0,72 0,57 69 Idade / tratores de arrasto anos 11,97 11,80 38 Em operação de extração % 33,00 42,00 * 291 TRANSPORTE Distância km 98,24 84,27 * 267 Distância sobre asfalto km 17,46 8,13 * 262 Custos R$ / m3 28,48 34,71 * 83 Custos II R$ / m3 / km 0,32 0,54 * 82 PREÇOS DA TORA 218,89 178,96 * 70 Preços H R$ / m3 Preços M R$ / m3 104,82 97,09 183 66,49 71,90 199 Preços W R$ / m3 BENEFICIAMENTO Idade da empresa anos 7,31 7,19 287 Idade da serraria anos 11,51 10,09 78 Nº de serras de fitas unidades 1,07 1,03 289 Idade das serras de fita anos 14,95 15,41 224 9.156,58 5.801,39 * 241 Consumo de tora (a) m3 / ano Compra de toras % 82,00 89,00 * 287 Valor da serraria R$ 771.195,03 556.094,12 254 Custo da operação R$ / m3 64,59 75,25 214 SALÁRIOS Média R$ / mês 508,74 593,97 * 279 Custos / mão-de-obra R$ / m3 58,66 83,20 * 186 Produtividade / indivíduo m3 /ano/ ndv 42,14 148,00 * 220 MERCADOS % mercado de exportação % 15,51 55,08 * 240 % mercado nacional % 60,97 40,09 * 203 % mercado residual % 27,67 21,14 * 261 PREÇOS DA MADEIRA SW preço exportação (H) R$ / m3 1.032,73 1.079,32 30 621,62 610,49 56 SW preço exportação (M) R$ / m3 SW preço nacional (H) R$ / m3 685,10 691,38 49 SW preço nacional (M) R$ / m3 385,64 392,36 193 249,27 288,61 204 SW preço nacional (W) R$ / m3 a = Francon, medida comum em toda a Amazônia. Um m3 francon ≈ 0,75 m3 geométrico. * = Diferença significativa em P<0,05. 69 n=int 24 41 62 64 131 63 54 63 28 189 185 159 69 69 96 124 104 189 20 189 146 167 186 170 157 183 150 156 116 102 165 73 77 69 91 86 Com a adoção da tecnologia seria de esperar que os custos de transporte caíssem com o tempo; portanto, seriam mais baixos nas fronteiras antigas. Stone (1988) informa que o investimento em caminhões maiores reduziu os custos da extração em Paragominas entre 1990 e 1995. Nossos resultados dizem que os custos do transporte da tora realmente são bastante diferentes nas fronteiras antigas e nas intermediárias: as distâncias de transporte em médias são 98 km (17 km dos quais em asfalto) nas fronteiras antigas e 84 km nas intermediárias (8 dos quais em asfalto); os custos totais de transporte são R$ 28,00 na fronteira antiga e R$ 35,00 na intermediária; os custos do transporte por metro cúbico/por quilômetro são de R$ 0,32 na antiga e R$ 0,54 na intermediária. Esses resultados confirmam o padrão do investimento na tecnologia do transporte com o amadurecimento da fronteira de extração extrativista. Uma das alavancas importantes no processo da industrialização do setor florestal é um sinal de escassez – ou seja, aumentos nos preços das toras. Na indústria madeireira da Amazônia, as toras são classificadas sem muita exatidão em três categorias definidas: "nobre" ou de valor alto; "vermelha," de médio valor; e "branca," de valor baixo. Em nossos resultados, descobrimos que apenas a categoria de alto valor apresenta uma diferença significativa nos preços da tora em todas as fronteiras. Isto corresponde ao fato de serem extraídas em primeiro lugar as espécies de valor elevado e assim, seriam também as primeiras a revelar sinais de escassez. No futuro, quando as espécies de valor médio se tornarem relativamente escassas na fronteira antiga, a expectativa é de que mostrem os mesmos sinais. No entanto, é visível que isto ainda não aconteceu, de modos que o setor está diante de um limitado conjunto de sinais de escassez. O resultado final disso é a redução de quaisquer incentivos para a adoção de tecnologia. Passando à fase do beneficiamento, vemos que as empresas não são muito mais antigas nas antigas fronteiras como afirmaram muitos em estudos anteriores. As empresas têm em média sete anos de idade em fronteiras de mais de trinta anos – o que indica um mercado dinâmico, com serrarias entrando e saindo, conforme as flutuações de demanda, preços e custos. As razões exatas para este movimento ainda são obscuras, mas a migração para as novas fronteiras, embora sendo percepção comum, não é o único determinante dada a nossa (surpreendente) descoberta de que serrarias relativamente novas estão presentes nas fronteiras antigas. Ademais, tanto a idade das serrarias quanto o equipamento (serras de fita) não são lá muito diferentes nas diversas fronteiras. Esta descoberta sustenta a discussão acima sobre a existência de um forte mercado de equipamento de segunda mão, que serve para aumentar os custos eventuais da adoção de tecnologia. Ainda que seu valor não seja significativamente diferente em fronteiras antigas, as serrarias hoje são maiores e beneficiam mais toras, segundo os resultados. Entretanto, na fronteira antiga os custos das serrarias não são significativamente diferentes, e não mostram nenhuma adoção de tecnologias de beneficiamento que ajudasse a reduzir os custos. Em outras comparações, os salários nas fronteiras intermediárias são significativamente mais elevados, refletindo condições de trabalho mais difíceis e possivelmente existe matéria-prima (toras) de melhor qualidade, o que seria complementar à mão-de-obra e reduziria seus custos. A parcela do mercado é bastante diferente, com empresas na fronteira intermediária exportando uma proporção mais elevada de sua produção do que as empresas em outras fronteiras. Talvez isto seja devido a que as fronteiras antigas tradicionalmente abastecem e por isso têm 70 vantagem relativa nos mercados internos. Por fim, os preços da tábua não são diferentes nas fronteiras em qualquer categoria dos graus de alto, médio e baixo valor. Novamente uma indicação de que ainda não apareceram sinais claros da escassez em quaisquer das fronteiras, pelo menos no que diz respeito à madeira de valor médio e baixo. 4.5. Conclusão e recomendações para as normas a serem adotadas. A teoria da industrialização do setor florestal nos dá um quadro em que a extração da floresta primária e algum desmatamento possuem lógica. Ligado a este processo, no entanto, há uma série de condições que devem ser satisfeitas para obter-se o desenvolvimento econômico sustentável em fronteiras florestais. Entre essas condições, a escassez, a eficácia e mercados não-sobrecarregados são fatores essenciais. A partir de nossos resultados e com base nos dados de recente levantamento feito entre os beneficiadores, mostramos que realmente já ocorrem indícios de escassez que se apresentam na forma de diferenças de preços para as espécies mais valorizadas. Além disso, mostramos que outras diferenças entre as fronteiras intermediárias e as antigas indicam a presença de desenvolvimento econômico racional no setor madeireiro. O persistente efeito das políticas distorcidas do passado que resultaram nos dois centros madeireiros mais antigos, Paragominas e Sinop, detentores da maior produção mas, em 1998, com média baixa de valor agregado quando comparados a outros centros antigos, indica uma relativa ausência de adoção de tecnologia. Estes centros, em especial Paragominas, são freqüentemente citados como exemplo do desenvolvimento irresponsável do setor florestal na Amazônia, com pouca atenção a muitas das condições subjacentes que possam ter acentuado os problemas aqui. É inegável que o setor florestal da Amazônia brasileira prosperou com o acesso a espécies de alto valor em fronteiras emergentes. Devido à localização em pontos remotos da Amazônia, este setor também sofreu diante do limitado controle do governo. Com poucas barreiras para a entrada de empresas no setor e uma vasta imensidão de recursos desprovidos de qualquer proteção, a oportunidade econômica parece inegável. Não obstante, a extração e o beneficiamento da madeira sob as difíceis condições – físicas e institucionais – da Amazônia constituem um empreendimento de alto risco que rapidamente pode se tornar amargo para o investidor. Neste documento, descobrimos que, embora essas condições difíceis realmente existam, a indústria tem atuado de maneira econômica racional e, com isso, dá esperanças de vir a se tornar um catalisador para o desenvolvimento sustentável na Amazônia. As implicações políticas que emergem deste trabalho são simples e possíveis: estabelecer metas de programas, como uma redução da migração de empresas para as novas fronteiras, nivelar os altos e baixos do boom and bust, aumentar a produção com valor agregado e a adoção de tecnologia, reduzir a conversão da terra para outros usos e o reflorestamento de áreas degradadas. 71 72 5. Exemplo de análise financeira para um plano de negócio de uma empresa de extração junto com pequenos produtores. Resumo: Experiências recentes demonstram a possibilidade real de transformar a relação entre madeireiros e pequenos produtores rurais em uma troca eqüitativa. No modelo de produção madeireira em propriedades de pequenos produtores, aqui definida como “florestas familiares”, a empresa madeireira investe na infra-estrutura e no planejamento do manejo florestal na propriedade do agricultor e na comunidade agrícola. Os resultados demonstram que é viável financeiramente para empresas madeireiras a extrair madeira legalmente em contratos formais com pequenos produtores (assentados). Esta seção apresenta uma análise pro forma para uma companhia durante os anos 2003 até 2005. Esta análise foi feita junto com o dono de uma empresa de extração. Primeiro, estão listadas algumas das suposições importantes. Depois a Tabela 1 mostra o balanço da conta durante o período de 31 de dezembro de 2003 até 3 de dezembro, 2005 para essa companhia. A Tabela 2 dá os totais para as declarações de renda projetadas durante o período de 2003 a 2005. As Tabelas 3 e 4 mostram o salário calculado durante o verão e meses de inverno, respectivamente. A Tabela 5 mostra os custos de manutenção de máquinas estimado (Alugadas e Compradas, enquanto Tabela 6 Mostra os custos de aluguel de máquinas anual. Tabelas 7 e 12 mostram a Declaração de renda projetada e o Fluxo monetário projetado durante os anos 2003 a 2005. Outra informação importante usada no cálculo desta análise financeira é determinada abaixo. O exemplo aqui e de um empresário do setor florestal que opera próximo à cidade de Santarém. Ele pôs em prática um sistema de florestas familiares que é replicável e que favorece a troca justa com pequenos produtores. O modelo desenvolvido proporciona às famílias assentadas a obtenção do título da terra, uma rede de estradas, planos de manejo florestal para cada propriedade. 73 Suposições Fundamentais. Descrição Meses de extração Volume de toras produzido (m3) Preço por m3 Renda bruta Renda mensal (V) Custos de compra das máquinas Patrol Trator Esteira Carregadeiras Caminhões Média # hectares de reserva legal por lote Área total Área confirmada (comunidades) Média de inventário por lote Total de volume de toras (confirmada: comunidades, Flona, áreas privadas) Anos de previsão Valor 6 80.000 52,50 4.200.000 700.000 R$ 300.000 280.000 190.000 130.000 70 53.480 13.370 13 232.799 3.00 74 Comentário Meses m3 R$/m3 R$/ano R$ Valor com interes 468.000 468.000 1.008.000 216.000 ha ha ha m3/ha m3 anos Tabela 1. Balanço das contas durante o período iniciando em 31 de dezembro de 2003 até 3 de dezembro de 2005. 2003 2004 2005 287.289 0 0 0 0 287.289 854.576 0 0 0 0 854.576 1.421.863 0 0 0 0 1.421.863 Termo Ativos longos Ativos de Depreciação Depreciação acumulada Ativos de depreciação líquidos Ativos não depreciável Termo Ativos Longos totais 1.668.030 192.210 1.475.820 29.700 1.505.520 1.636.280 181.627 1.454.653 37.583 1.492.237 1.591.000 171.200 1.409.373 50.710 1.460.083 Ativos totais 1.988.802 2.738.802 3.469.931 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1.860.000 1.140.000 420.000 128.802 1.598.802 3.049.931 128.802 1.598.802 3.049.931 1.988.802 2.738.802 3.469.931 Ativos Ativos atuais Dinheiro Contas a receber Inventário Outros ativos atuais Despesas pagas antecipadamente Ativos atuais totais Responsabilidade e Patrimônio líquido Responsabilidades atuais Contas a pagar Dívida a curto prazo Renda Taxa Devido Responsabilidades Atuais totais Termo Dívida longa Patrimônio líquido Pago em Capital Salários retidos Patrimônio líquido total Responsabilidades e Patrimônio líquido totais 75 Tabela 2. Renda anual projetada para o exercício de 2003 a 2005. Item RENDA Vendas de madeira Aluguel de máquinas Transporte de madeira Adiantamento de Cemex RENDA TOTAL 2003 2004 2005 4.200.000 0 30.000 928.990 5.158.990 4.200.000 492.000 30.000 313.707 5.035.707 4.200.000 492.000 30.000 0 4.722.000 DESPESAS OPERACIONAIS Retorno de adiantamentos Folha de pagamento e encargos Compra de máquinas Aluguel de máquinas pesada Manutenção de máquinas pesada Depreciação Diesel Gasolina Lubrificantes Materiais de escritório Alimentação Seguros Farmacêuticos Telefone Exames médicos Treinamento Equipamento de segurança Peças Material TOTAL DE DESPESAS OPERACIONAIS RENDA LÍQUIDA 928.990 997.770 508.000 409.992 268.002 154.315 911.820 42.000 67.200 24.000 188.880 42.864 21.600 25.200 9.040 22.000 23.510 360.000 20.833 5.026.018 132.972 313.707 997.770 720.000 409.992 268.002 181.627 911.820 42.000 67.200 24.000 188.880 42.864 21.600 25.200 9.040 22.000 23.510 360.000 20.833 4.650.052 385.655 0 997.770 720.000 409.992 268.002 181.627 911.820 42.000 67.200 24.000 188.880 42.864 21.600 25.200 9.040 22.000 23.510 360.000 20.833 4.336.345 385.655 76 Tabela 3. Funcionários e salários requeridos durante o verão. VERÃO Descrição de cargos ADMINISTRAÇÃO Diretor executivo Gerente de escritório Cartógrafo Gerente de pessoal Engenheiros de floresta Assistente de inventário Assistente de escritório Digitadores FLORESTA Gerente I Gerente II Operador I Operador II Motorista de caminhão Motorista Mecânico I Mecânico II Fixador de pneu Motoserrista I Motoserrista II Inventário I Inventário II Inventário III Inventário IV Planejador I Planejador II Cozinheiro I Cozinheiro II Controle de pátio I Controle de pátio II Enfermeira Assistente geral Número Salário mensal Encargos sociais Ad. Produção Total mensal 1 1 1 1 3 1 3 2 2.500 500 672 350 1.612 500 450 300 1.875 375 504 263 1.209 375 338 225 0 0 1.225 0 0 0 0 0 4.375 875 2.401 613 8.463 875 2.363 1.050 1 3 3 10 1 2 2 2 2 24 24 2 0 2 6 2 2 2 2 4 2 1 1 1.200 820 820 560 600 426 820 270 350 350 240 400 350 270 240 350 270 350 270 350 270 1.650 200 900 615 615 420 450 320 615 203 263 263 180 300 263 203 180 263 203 263 203 263 203 1.238 150 0 840 870 669 898 750 750 126 248 248 126 248 248 126 126 248 126 248 126 248 248 0 0 2.100 6.825 6.915 16.490 1.948 2.991 4.370 1.197 1.720 20.640 13.104 1.895 0 1.197 3.276 1.720 1.197 1.720 1.197 3.440 1.440 2.888 350 77 Tabela 4. Funcionários e salários requerido durante o inverno. INVERNO Descrição de cargo ADMINISTRAÇÃO Diretor executivo Gerente de escritório Cartógrafo Gerente de pessoal Engenheiros de floresta Assistente de inventário Assistente de escritório Digitadores FLORESTA Gerente I Gerente II Operador I Operador II Motorista de caminhão Motorista Mecânico I Mecânico II Fixador de pneu Motoserrista I Motoserrista II Inventário I Inventário II Inventário III Inventário IV Planejador I Planejador II Cozinheiro I Cozinheiro II Controle de pátio I Controle de pátio II Enfermeira Assistente geral Número Salário mensal Encargos Sociais Ad. Produção 1 1 1 1 3 1 3 2 2.500 500 672 350 1.612 500 450 300 1.875 375 504 263 1.209 375 338 225 0 0 0 1.225 0 0 0 0 0 1 0 0 1.200 820 820 560 600 426 820 270 350 350 240 400 350 270 240 350 270 350 270 350 270 1.650 200 900 615 615 420 450 320 615 203 263 263 180 300 263 203 180 263 203 263 203 263 203 1.238 150 0 840 870 669 898 750 750 126 248 248 126 248 248 126 126 248 126 248 126 248 248 0 0 0 1 2 2 0 0 0 2 8 2 6 0 0 0 0 0 0 1 1 78 Total mensal 4.375 875 2.401 613 8.463 875 2.363 1.050 2.100 0 0 0 0 1.496 4.370 1.197 0 0 0 1.895 6.880 1.197 3.276 0 0 0 0 0 0 2.888 350 Tabela 5. Custos estimados de manutenção de máquinas (alugadas e compradas). Jan Fev Mar Abr Maio Jun Jul Ago Set Out Nov Dez TOTAL Skidder Muller TS 22 4.667 4.667 4.667 4.667 4.667 4.667 3.000 3.000 3.000 3.000 3.000 3.000 46.000 Skidder Muller TS 22 4.667 4.667 4.667 4.667 4.667 4.667 3.000 3.000 3.000 3.000 3.000 3.000 46.000 Skidder Muller TS 22 4.667 4.667 4.667 4.667 4.667 4.667 3.000 3.000 3.000 3.000 3.000 3.000 46.000 Skidder Muller TS 22 4.667 4.667 4.667 4.667 4.667 4.667 3.000 3.000 3.000 3.000 3.000 3.000 46.000 0 0 0 0 0 0 2.000 2.000 2.000 2.000 2.000 2.000 12.000 Manutenção Cat 120H Cat. D6M 0 0 0 0 0 0 2.000 2.000 2.000 2.000 2.000 2.000 12.000 Cat. 924G 0 0 0 0 0 0 8.000 8.000 8.000 8.000 8.000 8.000 48.000 FIAT AD 14 C Turbo 0 0 0 0 0 0 2.000 2.000 2.000 2.000 2.000 2.000 12.000 18.667 18.667 18.667 18.667 18.667 18.667 26.000 26.000 26.000 26.000 26.000 26.000 268.000 Total Tabela 6. Custos anuais de aluguel de máquinas. Jan Fev Mar Abr Maio Jun Jul Ago Set Out Nov Dez TOTAL Skidder Muller TS 22 0 0 0 0 0 0 13.333 13.333 13.333 13.333 13.333 13.333 80.000 Skidder Muller TS 22 0 0 0 0 0 0 13.333 13.333 13.333 13.333 13.333 13.333 80.000 Skidder Muller TS 22 0 0 0 0 0 0 13.333 13.333 13.333 13.333 13.333 13.333 80.000 Rental Skidder Muller TS 22 0 0 0 0 0 0 15.000 15.000 15.000 15.000 15.000 15.000 90.000 FIAT AD 14 C Turbo 0 0 0 0 0 0 13.333 13.333 13.333 13.333 13.333 13.333 80.000 Total 0 0 0 0 0 0 68.332 68.332 68.332 68.332 68.332 68.332 410.000 79 Tabela 7. Declaração de renda projetada 2003. Jan Fev Mar Abr Maio Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Total anual RENDA Vendas de madeira Aluguel de máquinas Transporte de madeira Adiantamento de Cemex RENDA TOTAL 0 0 0 154.832 154.832 0 0 0 154.832 154.832 0 0 0 154.832 154.832 0 0 0 154.832 154.832 0 0 0 154.832 154.832 0 0 0 154.832 154.832 700.000 0 5.000 0 705.000 700.000 0 5.000 0 705.000 700.000 0 5.000 0 705.000 700.000 0 5.000 0 705.000 700.000 0 5.000 0 705.000 700.000 0 5.000 0 705.000 4.200.000 0 30.000 928.990 5.158.990 DESPESAS OPERACIONAIS Retorno de Adiantamentos Folha de pagamento e encargos Compra de máquinas Aluguel de máquinas pesada Manutenção de máquinas pesada Depreciação Diesel Gasolina Lubrificantes Materiais de escritório Alimentação Seguros Farmacêuticos Telefone Exames médicos Treinamento Equipamento de segurança Peças Material TOTAL DE DESPESAS OPERACIONAIS RENDA LÍQUIDA 0 46.662 0 0 18.667 9.702 35.070 2.000 1.700 2.000 13.000 1.833 1.800 2.100 0 0 0 30.000 0 164.533 (9.702) 0 46.662 0 0 18.667 9.702 35.070 2.000 1.700 2.000 13.000 1.833 1.800 2.100 0 0 0 30.000 0 164.533 (9.702) 0 46.662 0 0 18.667 9.702 35.070 2.000 1.700 2.000 13.000 1.833 1.800 2.100 0 0 0 30.000 0 164.533 (9.702) 0 46.662 0 0 18.667 9.702 35.070 2.000 1.700 2.000 13.000 1.833 1.800 2.100 0 0 0 30.000 0 164.533 (9.702) 0 46.662 0 0 18.667 9.702 35.070 2.000 1.700 2.000 13.000 1.833 1.800 2.100 0 0 0 30.000 0 164.533 (9.702) 0 46.662 0 0 18.667 9.702 35.070 2.000 1.700 2.000 13.000 1.833 1.800 2.100 0 0 0 30.000 0 164.533 (9.702) 10.059 119.633 268.000 68.332 26.000 16.018 116.900 5.000 9.500 2.000 18.480 5.311 1.800 2.100 9.040 22.000 23.510 30.000 0 753.683 (48.683) 328.443 119.633 0 68.332 26.000 16.018 116.900 5.000 9.500 2.000 18.480 5.311 1.800 2.100 0 0 0 30.000 4.167 753.683 (48.683) 268.443 119.633 60.000 68.332 26.000 16.018 116.900 5.000 9.500 2.000 18.480 5.311 1.800 2.100 0 0 0 30.000 4.167 753.683 (48.683) 268.442 119.633 60.000 68.332 26.000 16.018 116.900 5.000 9.500 2.000 18.480 5.311 1.800 2.100 0 0 0 30.000 4.167 753.683 (48.683) 53.603 119.633 60.000 68.332 26.000 16.018 116.900 5.000 9.500 2.000 18.480 5.311 1.800 2.100 0 0 0 30.000 4.167 538.844 166.156 0 119.633 60.000 68.332 26.000 16.018 116.900 5.000 9.500 2.000 18.480 5.311 1.800 2.100 0 0 0 30.000 4.167 485.241 219.759 928.990 997.770 508.000 409.992 268.002 154.315 911.820 42.000 67.200 24.000 188.880 42.864 21.600 25.200 9.040 22.000 23.510 360.000 20.833 5.026.023 132.969 80 Tabela 8. Fluxo monetário 2003 projetado. DINHEIRO COMEÇANDO Jan 0 Fev 0 Mar 0 Abr 0 Maio 0 Jun 0 Jul 0 Ago (32.665) Set (65.331) Out (97.997) Nov (130.662) Dez 51.512 0 0 0 154.832 154.832 0 0 0 154.832 154.832 0 0 0 154.832 154.832 0 0 0 154.832 154.832 0 0 0 154.832 154.832 0 0 0 154.832 154.832 700.000 0 5.000 0 705.000 700.000 0 5.000 0 705.000 700.000 0 5.000 0 705.000 700.000 0 5.000 0 705.000 700.000 0 5.000 0 705.000 700.000 0 5.000 0 705.000 0 46.662 0 0 18.667 89.503 0 46.662 0 0 18.667 89.503 0 46.662 0 0 18.667 89.503 0 46.662 0 0 18.667 89.503 0 46.662 0 0 18.667 89.503 0 46.662 0 0 18.667 89.503 10.059 119.633 268.000 68.332 26.000 245.641 328.443 119.633 0 68.332 26.000 195.258 268.443 119.633 60.000 68.332 26.000 195.258 268.442 119.633 60.000 68.332 26.000 195.258 53.603 119.633 60.000 68.332 26.000 195.258 0 119.633 60.000 68.332 26.000 195.258 154.832 154.832 154.832 154.832 154.832 154.832 737.665 737.665 737.665 737.665 522.826 469.223 0 0 0 0 0 0 (32.665) (65.331) (97.997) (130.662) 51.512 287.289 RECIBOS DE DINHEIRO Vendas de toras Aluguel de máquinas Transporte de madeira Avanços Cemex Recibos de Dinheiro Totais DESEMBOLSOS Retorno de adiantamentos Folha de pagamento e encargos Compra de máquinas Aluguel de máquinas pesada Manutenção de máquinas pesada Despesas operacionais DESEMBOLSOS DE DINHEIRO TOTAIS EQUILÍBRIO DE DINHEIRO TERMINANDO 81 Tabela 9. Declaração de renda projetada 2004. RENDA Vendas de madeira Aluguel de máquinas Transporte de madeira Adiantamento de Cemex RENDA TOTAL DESPESAS OPERACIONAIS Retorno de adiantamentos Folha de pagamento e encargos Compra de máquinas Aluguel de máquinas pesada Manutenção de máquinas pesada Depreciação Diesel Gasolina Lubrificantes Materiais de escritório Alimentação Seguros Farmacêuticos Telefone Exames médicos Treinamento Equipamento de segurança Peças Material TOTAL DE DESPESAS OPERACIONAIS RENDA LÍQUIDA Jan Fev Mar Abr Maio Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Total anual 0 82.000 0 0 82.000 0 82.000 0 0 82.000 0 82.000 0 0 82.000 0 82.000 0 48.044 130.044 0 82.000 0 132.832 214.832 0 82.000 0 132.831 214.831 700.000 0 5.000 0 705.000 700.000 0 5.000 0 705.000 700.000 0 5.000 0 705.000 700.000 0 5.000 0 705.000 700.000 0 5.000 0 705.000 700.000 0 5.000 0 705.000 4.200.000 492.000 30.000 313.707 5.035.707 0 46.662 60.000 0 18.667 15.136 35.070 2.000 1.700 2.000 13.000 1.833 1.800 2.100 0 0 0 30.000 0 229.967 (147.967) 0 46.662 60.000 0 18.667 15.136 35.070 2.000 1.700 2.000 13.000 1.833 1.800 2.100 0 0 0 30.000 0 229.967 (147.967) 0 46.662 60.000 0 18.667 15.136 35.070 2.000 1.700 2.000 13.000 1.833 1.800 2.100 0 0 0 30.000 0 229.967 (147.967) 0 46.662 60.000 0 18.667 15.136 35.070 2.000 1.700 2.000 13.000 1.833 1.800 2.100 0 0 0 30.000 0 229.967 (99.923) 0 46.662 60.000 0 18.667 15.136 35.070 2.000 1.700 2.000 13.000 1.833 1.800 2.100 0 0 0 30.000 0 229.967 (15.135) 0 46.662 60.000 0 18.667 15.136 35.070 2.000 1.700 2.000 13.000 1.833 1.800 2.100 0 0 0 30.000 0 229.967 (15.136) 218.059 119.633 60.000 68.332 26.000 15.136 116.900 5.000 9.500 2.000 18.480 5.311 1.800 2.100 9.040 22.000 23.510 30.000 0 752.801 (47.801) 95.648 119.633 60.000 68.332 26.000 15.136 116.900 5.000 9.500 2.000 18.480 5.311 1.800 2.100 0 0 0 30.000 4.167 580.007 124.993 0 119.633 60.000 68.332 26.000 15.136 116.900 5.000 9.500 2.000 18.480 5.311 1.800 2.100 0 0 0 30.000 4.167 484.359 220.641 0 119.633 60.000 68.332 26.000 15.136 116.900 5.000 9.500 2.000 18.480 5.311 1.800 2.100 0 0 0 30.000 4.167 484.359 220.641 0 119.633 60.000 68.332 26.000 15.136 116.900 5.000 9.500 2.000 18.480 5.311 1.800 2.100 0 0 0 30.000 4.167 484.359 220.641 0 119.633 60.000 68.332 26.000 15.136 116.900 5.000 9.500 2.000 18.480 5.311 1.800 2.100 0 0 0 30.000 4.167 484.359 220.641 313.707 997.770 720.000 409.992 268.002 181.627 911.820 42.000 67.200 24.000 188.880 42.864 21.600 25.200 9.040 22.000 23.510 360.000 20.833 4.650.052 385.655 82 Tabela 10. Fluxo monetário 2004 projetado. Jan 287.289 Fev 154.457 Mar 21.625 Abr (111.207) Maio (195.995) Jun (195.995) Jul (195.996) Ago (228.661) Set (88.532) Out 147.245 Nov 383.022 Dez 618.799 Vendas de toras Aluguel de máquinas Transporte de madeira Adiantamentos Cemex Recibos de Dinheiro Totais 0 82.000 0 0 82.000 0 82.000 0 0 82.000 0 82.000 0 0 82.000 0 82.000 0 48.044 130.044 0 82.000 0 132.832 214.832 0 82.000 0 132.831 214.831 700.000 0 5.000 0 705.000 700.000 0 5.000 0 705.000 700.000 0 5.000 0 705.000 700.000 0 5.000 0 705.000 700.000 0 5.000 0 705.000 700.000 0 5.000 0 705.000 DESEMBOLSOS Retorno de adiantamentos Folha de pagamento e encargos Compra de maquinário Aluguel de máquinas pesada a Manutenção de máquinas pesada Despesas operacionais 0 46.662 60.000 0 18.667 89.503 0 46.662 60.000 0 18.667 89.503 0 46.662 60.000 0 18.667 89.503 0 46.662 60.000 0 18.667 89.503 0 46.662 60.000 0 18.667 89.503 0 46.662 60.000 0 18.667 89.503 218.059 119.633 60.000 68.332 26.000 245.641 95.648 119.633 60.000 68.332 26.000 195.258 0 119.633 60.000 68.332 26.000 195.258 0 119.633 60.000 68.332 26.000 195.258 0 119.633 60.000 68.332 26.000 195.258 0 119.633 60.000 68.332 26.000 195.258 DESEMBOLSOS DE DINHEIRO TOTAIS 214.832 214.832 214.832 214.832 214.832 214.832 737.665 564.871 469.223 469.223 469.223 469.223 EQUILÍBRIO DE DINHEIRO TERMINANDO 154.457 21.625 (111.207) (195.995) (195.995) (195.996) (228.661) (88.532) 147.245 383.022 618.799 854.576 DINHEIRO COMEÇANDO RECIBOS DE DINHEIRO 83 Tabela 11. Declaração de renda projetada 2005. RENDA Vendas de madeira Aluguel de máquinas Transporte de madeira Adiantamento de Cemex RENDA TOTAL DESPESAS OPERACIONAIS Retorno de adiantamentos Folha de pagamento e encargos Compra de máquinas Aluguel de máquinas pesada Manutenção de máquinas pesada Depreciação Diesel Gasolina Lubrificantes Materiais de escritório Alimentação Seguros Farmacêuticos Telefone Exames médicos Treinamento Equipamento de segurança Peças Material TOTAL DE DESPESAS OPERACIONAIS RENDA LÍQUIDA Jan Fev Mar Abr Maio Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Total anual 0 82.000 0 0 82.000 0 82.000 0 0 82.000 0 82.000 0 0 82.000 0 82.000 0 0 82.000 0 82.000 0 0 82.000 0 82.000 0 0 82.000 700.000 0 5.000 0 705.000 700.000 0 5.000 0 705.000 700.000 0 5.000 0 705.000 700.000 0 5.000 0 705.000 700.000 0 5.000 0 705.000 700.000 0 5.000 0 705.000 4.200.000 492.000 30.000 0 4.722.000 0 46.662 60.000 0 18.667 15.136 35.070 2.000 1.700 2.000 13.000 1.833 1.800 2.100 0 0 0 30.000 0 229.967 0 46.662 60.000 0 18.667 15.136 35.070 2.000 1.700 2.000 13.000 1.833 1.800 2.100 0 0 0 30.000 0 229.967 0 46.662 60.000 0 18.667 15.136 35.070 2.000 1.700 2.000 13.000 1.833 1.800 2.100 0 0 0 30.000 0 229.967 0 46.662 60.000 0 18.667 15.136 35.070 2.000 1.700 2.000 13.000 1.833 1.800 2.100 0 0 0 30.000 0 229.967 0 46.662 60.000 0 18.667 15.136 35.070 2.000 1.700 2.000 13.000 1.833 1.800 2.100 0 0 0 30.000 0 229.967 0 46.662 60.000 0 18.667 15.136 35.070 2.000 1.700 2.000 13.000 1.833 1.800 2.100 0 0 0 30.000 0 229.967 0 119.633 60.000 68.332 26.000 15.136 116.900 5.000 9.500 2.000 18.480 5.311 1.800 2.100 9.040 22.000 23.510 30.000 0 534.742 0 119.633 60.000 68.332 26.000 15.136 116.900 5.000 9.500 2.000 18.480 5.311 1.800 2.100 0 0 0 30.000 4.167 484.359 0 119.633 60.000 68.332 26.000 15.136 116.900 5.000 9.500 2.000 18.480 5.311 1.800 2.100 0 0 0 30.000 4.167 484.359 0 119.633 60.000 68.332 26.000 15.136 116.900 5.000 9.500 2.000 18.480 5.311 1.800 2.100 0 0 0 30.000 4.167 484.359 0 119.633 60.000 68.332 26.000 15.136 116.900 5.000 9.500 2.000 18.480 5.311 1.800 2.100 0 0 0 30.000 4.167 484.359 0 119.633 60.000 68.332 26.000 15.136 116.900 5.000 9.500 2.000 18.480 5.311 1.800 2.100 0 0 0 30.000 4.167 484.359 0 997.770 720.000 409.992 268.002 181.627 911.820 42.000 67.200 24.000 188.880 42.864 21.600 25.200 9.040 22.000 23.510 360.000 20.833 4.336.345 (147.967) (147.967) (147.967) (147.967) (147.967) (147.967) 170.258 220.641 220.641 220.641 220.641 220.641 385.655 84 Tabela 12. Fluxo monetário 2005 projetado. Jan 854.576 Fev 721.744 Mar 588.912 Abr 456.080 Maio 323.248 Jun 190.416 Jul 57.584 Ago 242.978 Set 478.755 Out 714.532 Nov 950.309 Dez 1.186.086 Vendas de toras Aluguel de máquinas Transporte de madeira Avanços Cemex Recibos de Dinheiro Totais 0 82.000 0 0 82.000 0 82.000 0 0 82.000 0 82.000 0 0 82.000 0 82.000 0 0 82.000 0 82.000 0 0 82.000 0 82.000 0 0 82.000 700.000 0 5.000 0 705.000 700.000 0 5.000 0 705.000 700.000 0 5.000 0 705.000 700.000 0 5.000 0 705.000 700.000 0 5.000 0 705.000 700.000 0 5.000 0 705.000 DESEMBOLSOS Retorno de adiantamentos Folha de pagamento e encargos Compra de máquinas Aluguel de máquinas pesada Manutenção de máquinas pesada Despesas operacionais 0 46.662 60.000 0 18.667 89.503 0 46.662 60.000 0 18.667 89.503 0 46.662 60.000 0 18.667 89.503 0 46.662 60.000 0 18.667 89.503 0 46.662 60.000 0 18.667 89.503 0 46.662 60.000 0 18.667 89.503 0 119.633 60.000 68.332 26.000 245.641 0 119.633 60.000 68.332 26.000 195.258 0 119.633 60.000 68.332 26.000 195.258 0 119.633 60.000 68.332 26.000 195.258 0 119.633 60.000 68.332 26.000 195.258 0 119.633 60.000 68.332 26.000 195.258 DESEMBOLSOS DE DINHEIRO TOTAIS 214.832 214.832 214.832 214.832 214.832 214.832 519.606 469.223 469.223 469.223 469.223 469.223 EQUILÍBRIO DE DINHEIRO TERMINANDO 721.744 588.912 456.080 323.248 190.416 57.584 242.978 478.755 714.532 950.309 1.186.086 1.421.863 DINHEIRO COMEÇANDO RECIBOS DE DINHEIRO 85 6. Funções de custos da extração, transporte e processamento de madeira na Amazônia brasileira. Resumo: A indústria de extração madeireira da Amazônia é um tópico que tem recebido pouco destaque na literatura acadêmica, salvo em estudos de caso específicos de empresas. Isso tem impedido a estimativa de funções de custos e produção que possam ser usadas na previsão de mudanças na indústria, medindo sua resposta aos fatores externos do mercado ou políticas governamentais. Funções de custo e rentabilidade são importantes para caracterizar as dinâmicas do comportamento da indústria, bem como para oferecer informações que possam ser usadas na criação de políticas futuras. Esse estudo se baseia numa pesquisa de 527 empresas para estimar funções de custo de extração, transporte, e beneficiamento da indústria madeireira na Floresta Amazônica Brasileira, encontrando variáveis como custos de mão-de-obra, distância da floresta para a serraria, tipo de equipamento e fronteira, fatores que afetam de forma significativa os custos totais e marginais de cada atividade. Palavras chave: funções de custos, indústria de extração madeireira, Amazônia. 6.1. Introdução. O desenvolvimento da região Amazônica e seu desmatamento subsequente são preocupações crescentes que estão intrinsecamente relacionadas e são inevitáveis, de acordo com alguns especialistas. Um fator relacionado a esse problema é o histórico da extração dos recursos florestais da região, e sua atual posição como um dos fornecedores de madeira tropical com maior potencial. A região Amazônica recobre uma área de 5,5 milhões de kilômetros quadrados, 60% destes localizados no Brasil, com um estoque estimado em mais de 60 bilhões de metros cúbicos (WWF, 2004). A produção anual de toras no Brasil já chega a 28 milhões de metros cúbicos, porém só 14% dessa quantia é exportada, atualmente (Smeraldi & Veríssimo, 1999). É evidente que o potencial para produção madeireira é grande, principalmente quando se considera a produção decrescente vinda de outras fontes, como o Sudeste Asiático (Brown & Durst, 2003). Outro fator no desmatamento e expansão da exploração tem sido a melhoria na infraestrutura da região, resultando na abertura de novas fronteiras de extração. Um elemento crucial para a expansão das fronteiras é a rentabilidade (ex., lucros) captada pela indústria madeireira. Quando o transporte se torna possível através do desenvolvimento de estradas, a exploração expande até o ponto em que a rentabilidade para extração se dissipa (Hyde and Sedjo, 1992; Stone, 1998a). Poucos estudos têm focado na compreensão dos componentes de rentabilidade no nível microecônomico das empresas de extração. Por exemplo, informações sobre os custos básicos das operações florestais (como a extração, transporte e processamento) e suas variações nas diferentes fronteiras ainda são desconhecidas. Temos então pouca informação sobre como custos e rentabilidade respondem às mudanças de infraestrutura, ou como se comparam nos diferentes estágios de exploração e processamento. Essa informação é obviamente necessária se tentamos entender os padrões de desmatamento no cenário Amazônico. 86 O propósito desse estudo é relacionar características locais, como estoque florestal e características das fronteiras, aos custos industriais e ao mercado, através de uma estimativa das funções de custos para três diferentes estágios de produção madeireira: exploração, transporte e beneficiamento. Considerando-se o fato dos custos serem os principais componentes da rentabilidade, a estimativa das funções de custo irão munir aqueles que criam as políticas com uma maneira de prever como a indústria irá responder às futuras políticas, tais como subsídios governamentais, melhorias de infra-estrutura, choques macroeconômicos e outras influências mercadológicas. Ao estimar os custos das empresas de processamento (ex., fornecedores), os responsáveis pela tomada de decisões também terão informações importantes sobre como mudanças nos preços de insumos ou demandas de produção influenciam os custos e comportamento da indústria, o que permitirá fazer uma previsão mais confiável dos efeitos das políticas públicas em questão. O uso dos modelos de regressão para explicar uma amostragem da indústria da região possibilita também fazer previsões para empresas que não foram incluídas na pesquisa, sendo possível fazer uma análise mais ampla da resposta da indústria na região. Estimar uma função diferente para três atividades relacionadas à extração madeireira é reconhecer que pode existir uma maior variação dentro das empresas, além de possiblitar o uso de variáveis mais específicas para cada estágio do processamento. Esse é um fator importante, pois agregar variáveis pode descartar certas características da empresa, tornando futuras análises necessárias. O trabalho apresentado neste capitulo também difere da literatura prévia sobre estimativas gerais de funções de custo. Por exemplo, poucos estudos têm de fato estimado custos e funções de rentabilidade para a indústria madeireira. Existem alguns exemplos de funções estimadas para o setor de silvicultura nos EUA, como Cubbage et al (1989), que estimou funções de custo para caracterizar a indústria madeireira baseado num censo de produtores de madeira para polpa no sul do país, concluindo que as funções exponenciais tinham o melhor comportamento. Carter e Cubbage (1994) criaram um modelo econométrico de função de produção de fronteiras para extração de madeira de polpa no sul dos EUA, e testaram as formas funcionais de Cobb-Douglas e translog, descobrindo que essas funções apresentam resultados muito parecidos. Finalmente, Stier e Bengston (1992) apresentam uma crítica sobre os diferentes métodos de estimativa de mudanças técnicas no setor de silvicultura Norte Americano, em que grande parte é composta por estudos que estimavam funções de custo e produção. A maioria das funções de custo são baseadas nos modelos de forma funcional translog, aplicados a casos empíricos específicos. No entanto, pouquíssimos estudos têm tentado estimar funções de custo e rentabilidade nos trópicos. Uma exceção é Vincent (1990), onde o autor estima a função de rentabilidade para a indústria madeireira baseado nos dados de receitas do governo para analisar a eficiência dos sistemas de royalties das madeiras tropicais como indicadores de potencial de retorno financeiro para a gestão de recursos florestais. Ele conclui que o valor dos royalties são baixos demais e deveriam ser aumentados. Essa conclusão é refutada por Hyde e Sedjo (1992), que afirmam que a mudança na receita governamental para um aumento dos royalties depende da elasticidade dos custos marginais das empresas, ressaltando a importância da estimativa dos custos marginais específicos por empresa. Outro estudo relacionado à rentabilidade na silvicultura é de Stone (1998b), que faz uma análise financeira de uma frente desenvolvida há algum tempo, baseada na comparação de resultados de 87 entrevistas feitas entre 1990 e 1995. Ele ilustra uma redução nos lucros da indústria madeireira e depois a transição da extração de rentabilidade espacial de Von Thünen para rotações de Faustmann infinitas, baseadas na rentabilidade das plantações. Contudo, esses resultados são particularmente sensíveis à suposições subjacentes e não testadas na análise que poderia possivelmente reverter os resultados. Um exemplo disso são as taxas de juros (4% em 1990 e 20% em 1995), e a taxa de conversão de toras para madeira serrada obtidas de outros estudos (47% usado para a análise de 1990 e 34% em 1995, sem mudanças tecnológicas que as justifiquem). O restante dos estudos relacionados à rentabilidade florestal tem o foco voltado para a análise dos aspectos financeiros de uma empresa em particular. Isso tem proibido uma generalização dos custos da indústria ou empresas fora das condições locais, e muito menos das condições regionais. Esses estudos calculam os resultados financeiros para projetos de extração madeireira de impacto reduzido, comparando-os ao retorno obtido com práticas convencionais de extração madeireira. Todos esses estudos (com exceção de um, com crítica escrita por Pearce, 1999) concluem que a extração madeireira de impacto reduzido tem retornos maiores a longo prazo do que práticas convencionais de extração madeireira. Exemplos desses tipos de estudos no Brasil incluem Holmes et al (2002), Barreto et al (1998), Uhl et al (1991), Veríssimo et al (1992, 1995), Johns et al (1996), Oliveira et al (1999) e Costa Filho & Ferreira (1993). Para uma crítica atual de outros estudos fora do Brasil, veja Pearce et al (1999). Outra abordagem relacionada em vários estudos é uma que tenta explicar o que leva ao desmatamento de uma certa região. Essa abordagem se baseia na suposição de que o desmatamento está ligado à exploração madeireira, então esses estudos estimam o impacto da distância e outras variáveis sobre a probabilidade do desmatamento. Exemplos dessa abordagem se encontram em Cropper et al (2001), que usou modelos econométricos para explicar o impacto da localização de estradas e áreas protegidas sobre o desmatamento no Norte da Tailândia, Pfaff (1996), que desenvolveu modelos econométricos com dados de Sistema de informações geográficas – SIG para explicar o desmatamento na Amazônia Brasileira, e Stone (1998), que desenvolveu um modelo GIS para descrever o crescimento da indústria madeireira no estado do Pará. O primeiro estudo concluiu que a densidade da população e o acesso mercadológico têm efeitos estatisticamente significativos sobre o desmatamento, mas o maior impacto é causado pela presença de estradas, prinicipalmente na zona de transição. Pfaff (1996) concluiu que a distância da estrada asfaltada é fator determinanate para o desmatamento, enquanto que a distância total não é. Variáveis associadas à população também se mostraram importantes quando consideradas como variáveis quadráticas, tendo um impacto negativo na probabilidade do desmatamento, mas isso não é o esperado. Stone (1998a), usando custos de outros estudos e dados de SIG, concluiu que a indústria madeireira crescerá de 11 a 19% ao ano durante os próximos dez anos no estado do Pará, e que políticas poderiam afetar a área e volume produzido. Ele descobriu que baixar as taxas de juros aumentava a área explorada, enquanto que impor leis estabelecendo parques ou áreas de conservação não afetava a expansão da indústria, mas sua localização. Finalmente, garantir o cumprimento das leis do manejo florestal reduziu o volume de madeira extraída, mas aumentou a extensão da área de exploração, pois incentivava a extração de espécies de alto valor comercial. 88 Chomitz and Gray (1995) descrevem o desmatamento com uma função de rentabilidade para diferentes tipos de uso de terra. Eles usam um modelo espacial para prever rentabilidade do cenário, baseado prinicipalmente no acesso a estradas, distância do mercado, e produtividade inerente da terra. Concluem que esses fatores estão altamente ligados ao desmatamento e que a intensificação da malha rodoviária ofereceria maiores retornos econômicos e menos danos ambientais do que a extensão de estradas para novas áreas. Finalmente, Albers (1996) desenvolve um modelo para descrever a tomada de decisão dos latifundiários sob diferentes níveis de incerteza, uso irreversível da terra, e interdependência espacial. Ela conclui que esses fatores incentivam o uso reversível de terra, ao invés do desenvolvimento, e, que devido à inclusão de valores positivos para a preservação de uma área, o impacto de escolher diferentes taxas de desconto nos padrões de uso otimizado da terra foi reduzido. O restante deste capítulo está organizado da seguinte forma: primeiro, é apresentada uma discussão e especificação do modelo. Segundo, uma parte sobre os dados e estatísticas descritivas é usada como esquema inicial dos dados coletados e como composição do conjunto dos mesmos. Terceiro, resultados econométricos são apresentados para cada operação: extração, transporte e beneficiamento, juntamente com os resultados das estimativas de rentabilidade e localização para minimização de custos. Finalmente, conclusões, implicações para políticas, e sugestões para maiores pesquisas se encontram na última parte. 6.2. Modelo. Funções de custo para três estágios das atividades extrativistas foram usadas na abordagem do problema: extração, transporte e beneficiamento. Essas atividades são estimadas nesse artigo, e as formas funcionais de Cobb Douglas e Translog são estimadas e testadas. Depois disso os custos marginais são estimados e comparados para identificar variáveis importantes que afetam esses custos. As variáveis do nosso modelo e os dados serão escolhidos de acordo com sua importância na produção ou como alvos de políticas. Variáveis estatisticamente significativas são os alvos mais importantes se o objetivo é afetar custos e rentabilidade, e, conseqüentemente, o comportamento da indústria ou padrões de expansão da fronteira madeireira. Os efeitos marginais das variáveis significativas são usadas para estimar rentabilidade da indústria de exploração madeireira, e um modelo de minimização de custos é desenvolvido usando estimativas de coeficientes de funções de custo para estudar o incentivo à abertura de novas fronteiras, alocando empresas em áreas com custos mínimos de produção. 6.2.1. Funções de Custo. A análise econométrica deste estudo é usada para explicar os custos de extração, transporte e beneficiamento para empresas na região Amazônica do Brasil. Para alcançar esse objetivo, regressões foram realizadas a fim de combinar os dados com diferentes formas funcionais, e testes de hipótese foram então usados para determinar qual a forma funcional que melhor se encaixa com os dados. A heteroscedascidade foi corrigida, quando necessário, baseado nos resultados dos testes de Breusch Pagan Chi Quadrado. Nesses casos, o método de White foi usado para corrigir as 89 estimativas para a heteroscedascidade (para uma discussão sobre esse método, veja Greene, 1997, pp. 505). A forma funcional de Cobb Douglas é definida como (para uma discussão sobre essa forma funcional e suas propriedade, ver Chung, 1994, pp.93): (1) y = Ax1α x 2β ....xηn Em que y é igual ao custo de produção, xi é o preço do insumo i (no nosso caso, algumas variáveis usadas como substitutas para esses preços também foram incluídas, como discutiremos posteriormente), e A>0 é uma constante. A fim de estimar essa função usando uma regressão linear, foi feita uma transformação logarítmica. Como resultado dessa transformação, os coeficientes estimados são as verdadeiras elasticidades de custos relacionadas a cada variável (mudança de porcentagem dos custos pela mudança de porcentagem na variável analisada). Além da forma funcional de Cobb Douglas, a forma Translog também foi usada. A função Translog é uma variação da função de Cobb Douglas, no sentido que ela acrescenta variáveis de interação entre as variáveis às variáveis originais na especificação de Cobb Douglas (para uma discussão sobre essa forma funcional e suas propriedades, ver Chung, 1994, pp.139). A forma funcional Translog está escrita como: n (2) ln y = ln a 0 + ∑ ai ln xi + (i ≠ i =1 j; i, j = 1...n ) 1 n n ∑∑ bij ln xi lnx j 2 i =1 j =1 em que y é o custo de processamento de um metro cúbico e xi é o preço de cada insumo i ou substituto do preço de insumo. No nosso modelo, usamos somente as variáveis significativas como termos de interação no modelo estimado de Cobb Douglas. O modelo de custos estimados de extração foi dado como: (3) Char = f(V, Mhar, W, Al, Ch, Sk, B, Lo, ehar) Em que Char é o custo de extração por metro cúbico, V é o volume total de toras processadas em 2002, Mhar é o número de meses com atividades extrativistas por ano, W é o custo mensal total de mão-de-obra no verão, Al é a média de idade do equipamento de extração, Ch é o número de motosserras, Sk é o número de tratores de arraste , B é o número de tratores de esteira, Lo é o número de máquinas carregadoras, e ehar é o termo de erro. A idade dos itens de capital foi usada como variável instrumental para os custos de capital por unidade. Isso foi necessário porque ou esses custos não tinham variação nos dados ou não estavam disponíveis para o número suficiente de empresas. A medida usada para o volume de produção na estimativa de função de custos foi o volume total processado em 2002 por cada empresa. O número de meses com atividades de extração por ano foi determinado pelas condições de acesso aos locais de extração. Localizações com estradas precárias não 90 permitem acesso durante os meses de grande quantidade de chuva, geralmente de Dezembro a Maio. Essa também é a razão dos custos mensais totais com mão-deobra estarem ligados ao meses de verão (produção intensa). O modelo de custos de transporte foi estimado da seguinte forma: (4) Ctransport = f(Dist, Pdist, T, At, W, V, Tf, etransp) Em que Ctransport é o custo de transporte por metro cúbico, Dist é a distância da floresta (origem das toras) para a serraria (unidade de processamento), Pdist é a distância de estrada asfaltada da floresta para a serraria, T é o número de caminhões, a variável At é a média de idade dos caminhões, W é o custo total de mão-de-obra por mês durante o verão, V é o volume total de toras processadas em 2002, Tf é uma variável latente que representa se uma empresa possui ou não sua própria frota de transporte, e etransp é o termo de erro. Nesse modelo, como no anterior, a variável usada para definir o volume de produção também se refere ao volume total processado e não ao volume extraído em 2002. Os modelos de custos de beneficiamento são aplicados às serrarias, já que poucas empresas (37) na nossa amostra produziam compensado ou produtos laminados. Devido às diferenças no processamento, as fábricas de compensado e laminados foram descartadas da amostra. O modelo de custos de beneficiamento foi definido da seguinte forma: (5) Cmilling = f(Vs, W, O, Bs, Cs, Mb, S, Am, Mmill, L, F, emill) Em que Cmilling é o custo de processamento do metro cúbico, Vs é o volume de madeira serrada produzida em 2002, W é o custo mensal total da mão-de-obra no verão, O são os outros custos agregados por metro cúbico, Bs é o número de serras de fita, Cs é o número de serras circulares, Mb é o número de serras canteadeiras, S é o número de lixadeiras, Am é a média de idade do equipamento de serragem, Mmill é o número de meses por ano com atividades de beneficiamento, L é uma variável latente usada para identificar se a empresa tem operações próprias de exploração madeireira, F é uma variável latente usada para identificar se uma empresa está localizada numa fronteira nova/intermediária ou não, e emill é o termo de erro. Um modelo sem a variável latente da fronteira também será estimado, e um teste de hipótese foi feito para verificar se os modelos eram estatisticamente diferentes. As outras variáveis de custos agregados, incluídas no modelo acima, foram calculadas da seguinte forma: (6) Oc = Cmilling − W V Mmill Em que Cmilling é o custo de beneficiamento por metro cúbico, Oc é a variável para os outros custos agregados, W é o custo mensal da mão-de-obra no verão, Mmill é o número de meses de atividade de beneficiamento por ano, e V é o volume processado por ano. Basicamente, é um substituto para todos os outros custos juntos, ou custos de beneficiamento menos custos de mão-de-obra por metro cúbico. 91 6.3. Dados e Estatísticas Descritivas. Os dados para esse estudo foram coletados entre Junho e Novembro, 2003. Entrevistas foram conduzidas com proprietários e gerentes de 527 serrarias na região Amazônica Brasileira. As áreas de amostragem incluem 27 municípios no estado do Pará, nove municípios no estado da Rondônia, seis municípios no estado do Mato Grosso e três no estado do Acre. Um questionário2 foi usado para coletar informações sobre as características de cada empresa, bem como seus custos. As perguntas foram criadas para caracterizar as atividades de extração, transporte e processamento de cada operação, bem como o equipamento, estoque florestal (grupo de valor de espécie, volume extraído por hectare), custos de mão-de-obra, produção e outros custos. Responder ao questionário não era obrigatório, e nem todas as serrarias da amostra participaram da pesquisa, e algumas respostas foram deixadas em branco. No entanto, não há razão para crer que essa amostra tenha sido prejudicada, já que só 5,57% das serrarias amostradas se recusaram a responder ao questionário (computação baseada nas primeiras 300 observações), o que é pouco, dado as dificuldades de colher dados na região e o tamanho total da nossa amostra. Também se sabe que as operações tem grande quantidade de mão-de-obra, o que torna as operações das empresas semelhantes. Não existem diferenças tecnológicas que nos fariam supor que seria diferente, e as empresas apresentam uniformidade dentro das fronteiras amostradas. Os dados também foram testados para verificar a normalidade. Das 527 observações feitas, 315 estavam localizadas em áreas de fronteiras antigas, 118 de fronteiras intermediárias e 94 em fronteiras novas. Isso já é esperado, sendo que as fronteiras antigas são caracterizadas por terem maior número de serrarias, e haviam mais municípios nas fronteiras antigas (25) quando comparadas aos municípios das fronteiras novas (11) e intermediárias(9). As fronteiras antigas, então, tinham uma maior média de serrarias por município do que as fronteiras intermediárias, que por sua vez era maior do que a das fronteiras novas. A Tabela 1 apresenta os municípios amostrados, o número de observações em cada município, bem como sua classificação de fronteira. A Tabela 2 apresenta estatísticas descritivas da amostra usada no modelo econométrico. A maior parte das entrevistas (66%) foram realizadas no estado do Pará, principal produtor de madeira tropical da região, e responsável por 40% da produção (Veríssimo et al, 2002). Tabela 1. Municípios Amostrados. Municípios Estado Analândia do Norte Mato Grosso Marcelândia Mato Grosso Paranaíta Mato Grosso Brasil Novo Pará Medicilândia Pará Novo Progresso Pará Pacajá Pará Placas Pará Rurópolis Pará Trairão Pará Fronteira Nova Nova Nova Nova Nova Nova Nova Nova Nova Nova 92 Nº de Observação 10 25 9 2 4 13 5 4 3 6 Ururará Acre Rio Branco Xapuri Guarantã do Norte Breu Branco Maracajá Novo Repartimento Tucurui São Miguel do Guaporé Alta Floresta Sinop Altamira Belém Breves Dom Eliseu Goianesia Itaituba Jacunda Marabá Paragominas Portel Rondon do Pará Santarém Tailândia Tomé Açú Ulianóplois Ariquemes Cacoal Espigão do Oeste Jarú Ji-Paraná Pimenta Bueno Rolim de Moura Vilhena Pará Acre Acre Acre Mato Grosso Pará Pará Pará Pará Rondônia Mato Grosso Mato Grosso Pará Pará Pará Pará Pará Pará Pará Pará Pará Pará Pará Pará Pará Pará Pará Rondônia Rondônia Rondônia Rondônia Rondônia Rondônia Rondônia Rondônia Nova Intermediária Intermediária Intermediária Intermediária Intermediária Intermediária Intermediária Intermediária Intermediária Antiga Antiga Antiga Antiga Antiga Antiga Antiga Antiga Antiga Antiga Antiga Antiga Antiga Antiga Antiga Antiga Antiga Antiga Antiga Antiga Antiga Antiga Antiga Antiga Antiga 13 17 1 2 17 23 17 6 24 11 22 4 13 1 10 24 29 22 26 4 5 7 17 7 26 19 16 16 5 11 6 11 1 9 4 O tamanho das empresas foi caracterizado pelo volume de madeira serrada produzida em 2002. Os dados na Tabela 2 mostram que uma média de 4.034 m3 foi produzida por ano, mas o desvio padrão de 14.269 m3 é alto. Isso se deve ao fato de que existe uma variação considerável no tamanho, e, consequentemente, na produção de diferentes empresas. Quanto ao tamanho, o número de linhas de produção usadas caracterizam a empresa, fator que é medido pelo número de serras de fita. As serrarias tinham, em média, 1 serra de fita, 1,7 serras circulares, 0,4 serras canteadeiras, 2,1 serras cortadoras, e 0,8 lixadeiras. Isso é típico para pequenas empresas com somente uma linha de produção. A média de idade desse equipamento era de 11,6 anos com um desvio padrão de 7 anos. A média de custo total de beneficiamento foi R$ 71,22 (US$ 1=R$ 0,34) por metro cúbico com um desvio padrão de R$ 81,37. Essa grande variação é uma parte interessante da amostra, já que demonstra que existem variações nos custos que devem ser explicados por diferentes fatores, como posição da fronteira, custo de mão-de-obra, e outras características 93 específicas do local. Tornaremos à discussão desse assunto como parte da nossa estimativa econométrica. A média para a outra variável de custo agregado foi R$ 5,02 negativo, com desvio padrão de R$107,41. Essa variável pode assumir um sinal negativo se o custo mensal da mão-de-obra ou do volume processado por ano forem subestimados devido ao seu cálculo (apresentado previamente). A média mensal dos custos de mão-de-obra no verão (meses de produção intensa) foi R$ 25.270,38 com um desvio padrão de R$ 69.604,90. No geral, as empresas tinham 45,5 funcionários, e dividindo o custo mensal da mão-de-obra pelo número de funcionários, encontramos uma média de salário mensal de R$ 555,39 por funcionário. As empresas amostradas tem uma média de 10,62 meses de atividades de serraria por ano, com desvio padrão de 1,9 meses. A média do número de meses de atividades extrativas foi de 7,02 meses por ano, com desvio padrão de 2,38 meses. A razão pode ser a época chuvosa (ou inverno), quando o acesso à floresta se torna mais difícil, devido principalmente às condições precárias das estradas como resultado da chuva intensa. Das empresas incluídas na amostragem, 35,5% tinham suas próprias operações extrativistas, e extraíam pelo menos parte do total da madeira beneficiada. A média do custo total de extração foi de R$ 45,37 por metro cúbico, com um desvio padrão de R$ 31,05 por metro cúbico. A média de volume extraído pelas empresas com operações extrativas próprias em 2002 foi de 11,130 m³ , com um desvio padrão de 20,451 m3 , que sugere a tendência das serrarias maiores fazerem sua própria extração. A média de volume por hectare foi 27 metros cúbicos, com desvio padrão de 16,68 metros cúbicos. Existem diferenças na qualidade da floresta e também no número de espécies extraídas de acordo com a área da fronteira. Isso também é compatível com a variável do custo total da floresta (pagamento para extração da floresta, sem a terra), que alcançou uma média de R$ 528,51 por hectare, e um desvio padrão de R$ 773,44. Uma operação de extração padrão possuia 3,3 motoserras, 0,6 skidders, 1,3 máquina de carregamento, com a média de idade desse equipamento sendo de 10,9 anos. Tabela 2. Estatística Descritiva. Variáveis Volume de madeira serrada produzida em 2002 (m3) Dono de operação de extração madeireira Custo de floresta (R$/ha) Custo total de extração (R$/m3) Volume de toras processadas em 2002 (m3) Volume de toras extraídas em 2002 (m3) Volume de toras extraídas por hectares (m3) Meses com atividades madeireiras por ano Meses com atividades de serraria por ano Possuem frota de transporte Custo total de transporte (R$/m3) Distância da floresta para serraria (Km) Distância asfaltada (Km) 94 Média 4.034,615 0,355 528,508 45,366 8.974,800 11.129,792 27,015 7,024 10,621 0,722 30,568 90,900 13,580 Desvio Padrão 14.269,216 0,479 773,444 31,053 12.281,798 20.451,038 16,683 2,380 1,901 0,449 14,195 59,100 28,071 Custo total de serragem (R$/m3) Total de custo com mão-de-obra no verão (R$) Número de motoserras Número de tratores de arraste Número de tratores de esteira Número de máquinas carregadoras Média da idade do equipamento de extração Número de caminhões Idade dos caminhões (anos) Número de serra de fita Número de serras circulares Número de serras canteadeiras Número de serras cortadoras Número de serras de lixadeiras Média da idade do equipamento da serraria (anos) Outros valores agregados (R$/m3) 71,227 25.270,381 3,325 0,640 1,326 1,277 10,873 1,901 6,246 1,076 1,666 0,395 2,098 0,781 11,603 -5,016 81,372 69.604,903 2,446 0,752 0,930 1,109 5,842 2,022 4,327 0,708 1,306 0,840 1,796 1,120 7,010 107,410 Setenta e dois por cento das empresas que possuíam suas próprias operações extrativas também possuíam suas próprias frotas de transporte. O custo médio de transporte foi R$ 30,57 por metro cúbico, com desvio padrão de R$ 14,19. A distância média do transporte da floresta para a serraria foi de 90,90 km, com desvio padrão de 59,1km. Desse total, a distância média em estradas asfaltadas foi de 13,6km, desvio padrão de 28,1km. A média de caminhões para transporte de toras por empresa for 1,9, desvio padrão de 2,0. Esses caminhões tinham em média, idade de 6,2 anos (desvio padrão de 4,3). Nossas estatísticas são coerentes com estudos prévios, ainda que seu propósito e procedimentos de coleta de dados tenham sido diferentes. Veríssimo et al (2002) descreve dados para o estado do Pará, e afirma que o consumo anual de toras para um empreendimento de pequeno porte varia entre 1.300 e 3.800 metros cúbicos por ano. Para pequenas empresas esse valor varia de 5.400 a 7.700 metros cúbicos, para empresas médias de 12.000 a 14.500, e grandes indústrias de beneficiamento consomem entre 28.000 e 78.000 metros cúbicos por ano. Os autores também ressaltam que 56% das empresas fazem sua própria extração, enquanto 44% compram toras de extrativistas independentes. Enquanto 43% da extração é feita com a ajuda de tratores de esteiras, 29% é extraída por skidders. Trinta e seis por cento da extração é feita na própria terra do extrator, e no máximo, 91% da madeira vem de terras particulares. Descobriram também que 6% das estradas são asfaltadas, e a distância de estradas asfaltadas reduz custos. Os autores não fizeram uma estimativa de funções de custos formais, mas estimaram que o custo total de produção (extrair, transportar e beneficiar um metro cúbico de madeira serrada) ficava entre US$ 119/m3 e US$ 90/m3 , variando de acordo com a localização geográfica da empresa (ex. Tipo de fronteira). Em sua análise de serrarias em Paragominas, Pará, Stone (1998b) afirmou que a média de custo para extração numa pequena empresa em 1995 era US$ 17.60 por metro cúbico, enquanto que grandes empresas tinham uma média de custo de US$ 15.34 por metro cúbico. O custo médio de transporte era US$ 20.09 por metro cúbico 95 para uma pequena empresa, e US$ 18.08 por metro cúbico para grandes empresas. Esses resultados apontam economias de escala captadas pelas empresas maiores, já que toda a amostragem representava um município. No entanto, por ser uma importante cidade da região, muitas empresas só mantém escritórios administrativos lá, enquanto que as unidades de beneficiamento ficam localizadas mais próximo à fonte de madeira, e os resultados poderiam ter levado em consideração a localização da serraria. 6.4. Resultados. No caso das funções de custo da extração e transporte, só foram feitas estimativas para a função Cobb Douglas (não foi possível estimar a forma Translog devido à falta de graus de liberdade). Para a função de custos de beneficiamento, foram estimados três modelos: uma especificação de Cobb Douglas com variável latente para empresas em fronteiras intermediárias e novas, e uma especificação da função Translog. 6.4.1. Custo de Extração. As estimativas dos parâmetros da função de custos de extração de Cobb Douglas são apresentadas na Tabela 3. As variáveis usadas no modelo e as estimativas de seus parâmetros refletem seu efeito esperado no custo total de extração. Os dados foram corrigidos para heteroscedascidade, pois o valor estatístico do teste Breusch Pagan Chi Quadrado foi igual a 10,65 numa regressão inicial. A heteroscedascidade já era esperada, devido ao desvio padrão significante no tamanho das serrarias, como foi registrado anteriormente. O valor R² do modelo foi de .15, enquanto que o R² ajustado foi de .08%. A estatística de Durbin Watson para autocorrelação foi 1.93 e a estatística F para a regressão do modelo foi de 2.05. Tabela 3: Estimativa de custo de extração usando a função de Cobb Douglas. * = significância em 0,15; ** =significância em 0.10; *** = significância em 0,05 Variável Constante Custo total de mão de obra no verão Coeficiente n=98 Erro Padrão 3,915 0,677 0,240*** 9,815E-02 (0,016) Volume de toras consumidas em 2002 -0,199*** 0,100 (0,051) Média de idade do equipamento de extração -8,313E-02 0,128 1,122E-04 2,726E-04 Número de tratores de arraste -1,125E-04 1,171E-04 Número de tratores de esteira -6,251E-05 1,183E-04 4,675E-04*** 1,591E-04 Número de motoserras Número de máquinas carregadeiras (0,004) Meses com atividades de extração por ano -0,502*** (0,035) Valores de t em parêntesis 96 0,234 Haviam quatro variáveis significativas. A primeira foi o volume de madeira consumido pela empresa em 2002 (-), custo total da mão-de-obra no verão (+), número de carregadeiras usados na extração (+), número de meses com atividades de extração por ano (-). Esses resultados indicam que a extração necessita de uma intensa atividade de mão-de-obra, com a presença dos efeitos da economia de escala captada pela indústria, e o incentivo para melhorar as condições de acesso aos locais de extração, possibilitando, assim, uma temporada anual de extração mais longa. A Tabela 4 mostra os efeitos marginais das variáveis significativas no modelo descrito abaixo. Um dolar a mais gasto com mão-de-obra no verão aumenta custos por R$3,83E-4, desvio padrão de R$2,70E-4. Um metro cúbico adicional no volume total de toras consumidas por ano diminui os custos por R$1,48E-3 (desvio padrão de R$2,26E-3). Uma carregadoreira a mais nas atividades extrativistas dimimui os custos por R$1,31E-2, com desvio padrão de R$5,73E-3. Finalmente, a possibilidade de extração por um mês adicional por ano reduz o custo por R$ 3,47 (desvio padrão de R$1,62). Tabela 4: Estatísticas descritivas para os efeitos marginais das variáveis significativas no modelo de custos de extração da função de Cobb Douglas. Variável Média Desvio Padrão 3,828E-04 2,697E-04 Volume de toras consumidas em 2002 -1,484E-03 2,255E-03 Número de máquinas carregadoras -1,310E-02 5,726E-03 -3,470 1,619 Custo total de mão de obra por mês no verão Meses com atividades extrativistas por ano 97 6.4.2. Custo de Transporte. A função de custo de transporte foi estimada usando a forma funcional Cobb Douglas. A Tabela 5 mostra a estimativa dos parâmentros para a função. O R2 do modelo foi 0,42 , enquanto que o R² ajustado foi 0,35. O modelo se tornou significativo com um valor estatístico F de 5,78. A estatística de Durbin-Watson foi 1,89. Os resultados são os esperados, com quatro variáveis signifcativas afetando os custos. A distância da floresta para a serraria aumenta os custos, a distância da estrada asfaltada entre o local de extração e o centro de beneficiamento diminuiu, o volume total de toras beneficiadas em 2002 reduziu os custos, e possuir uma frota de transporte própria aumentou os custos. Esses coeficientes mostram a importância da distância e de uma melhor infra-estrutura para os custos, e da presença de economias de escala nesse estágio da produção. Comparando esses resultados com Pfaff (1996), em que só a distância em estradas asfaltadas era significativa, nossos resultados mostram a importância da distância até a serraria para os custos, e como resultado, a chance daquela terra ser desmatada. Tabela 5: Estimativas para custos de transporte usando uma função de Cobb Douglas. Variável Constante Coeficiente n=63 3,172 Padrão de Erro 0,841 0.501*** (0.000) -2.058E-04** (0,100) 0,151 9.632E-02 Idade dos caminhões -1,902E-04 4,336E-04 Custo total de mão de obra por mês no verão -5,087E-02 9,211E-02 Volume de toras beneficiadas em 2002 (m3) -0,256*** (0,014) 0,563*** (0,013) 0,100 Distância da floresta para serraria Distância da estrada asfaltada Número de caminhões Possui frota de transporte própria 1.229E-04 0,105 0,220 * = significância em 0.15; ** = significância em 0.10; *** = significância em 0.05 A Tabela 6 apresenta os efeitos marginais para os parâmetros significativos. Podemos observar que cada kilômetro de distância entre o local de extração e a serraria aumenta os custos por R$ 8.93E-2 (desvio padrão de R$ 4.09E-2). No entanto, cada kilômetro de distância em estrada asfaltada reduz os custos por R$ 2.04E-4 (desvio padrão de R$ 2.88E-4). Cada metro cúbico adicional de toras beneficiadas em 2002 reduziu os custos por R$2.02E-3 (desvio padrão de R$5.95E-3), mostrando mais uma vez a importância da economia de escala para a produção de madeira na Amazônia brasileira. 98 Tabela 6: Estatísticas descritivas para os efeitos marginais das variáveis significativas no modelo de custos de transporte da função de Cobb Douglas. Variável Média Desvio Padrão 8,933E-02 4,092E-02 Distância da estrada asfaltada -2,058E-04 2,876E-04 Volume de toras beneficiadas em 2002 -2,017E-03 5,950E-03 Distância da floresta para serraria 6.4.3. Custos de Beneficiamento. Fizemos estimativas das formas funcionais de Cobb Douglas e Translog (Tabela 7) para a função de custos de beneficiamento e depois comprovamos a significância do modelo Translog sobre o modelo Cobb Douglas com a estatística F, em que supomos que o Translog era o modelo irrestrito, e que o Cobb Douglas era o modelo restrito. A hipótese nula, em que todos os coeficientes para os termos de interação são zero, foi rejeitada no nível de significância de 1%, devido a um valor estatístico de 42,91, Apresentamos então, desse ponto em diante os resultados para a forma Funcional Translog. Ao estimar a função de custo Translog para atividades de extração, os termos de interação para todas as variáveis significativas no modelo de Cobb Douglas foram incluídas (exceto a variável latente para empresas nas fronteiras novas e intermediárias). O R² do modelo foi ,76, enquanto que o R² ajustado foi ,74. A significância total do modelo produziu um valor F de 42,71, e a estatística de DurbinWatson para auto-correlação foi 1,86. Esse modelo foi corrigido para heteroscedascidade devido a um teste de Breusch Pagan Chi Quadrado de 118,35 realizado anteriormente. Essa regressão resultou em 10 variáveis com um nível de significância de até 15%: volume de madeira serrada produzida em 2002 (+), custo total mensal da mão-de-obra no verão (+), outros custos agregados (-), número de serras fita (-), número de lixadeiras (+), média de idade do equipamento de serraria (-), número de meses de atividade de beneficiamento (+), número de meses com atividades de beneficiamento vezes o volume de madeira serrada produzida (-), meses com atividade de beneficiamento vezes o número de serras de fita (+), e outros custos agregados vezes o número de serras de fita (-). Esses coeficientes dão a entender que essa é uma atividade com intensa mão-de-obra, e que pode haver o efeito de economia de escala de outros custos, além do custo da mão-de-obra, que as tábuas lixadas têm custo de produção maior do que as não lixadas, e que nesse modelo os custos de manutenção não foram tão importantes quanto a falta de depreciação no custo total de beneficiamento. 99 Tabela 7: Estimativas para custos de desdobro usando uma função de Translog com termos de interação para variáveis signifcativas. * = significância em 0.15; ** = significância em 0.10; *** = significância em 0.05 Variável Coeficiente ErroPadrão n=363 -3,744 3,027 4,075E-03*** 3,548E-04 (0,000) 0,657*** 0,362 (0,071) -2,487E-04*** 1,140E-04 (0,030) -2.703E-04 1,491E-04 (0,071) 8,153E-05 1,291E-04 2,218E-05 4,982E-05 7,006E-05** 4,365E-05 (0,109) Constante Volume de madeira serrada produzida em 2002 Custo total de mão de obra no verão Outros custos agregados Número de serras de fita Número de motoserras Número de serras canteadeiras Número de lixadeiras Média de idade do equipamento de beneficiamento -1,651E-04*** (0,028) Meses com atividades de beneficiamento por ano 3,022*** (0,025) Possui operação da extração própria -3,546E-02 Fronteira nova -6,931E-02 Meses com atividades de beneficiamento por ano x Volume de -0,239*** madeira serrada produzida em 2002 (0,001) Meses com atividades de beneficiamento por ano x Custo total de mão -0,132 de obra no verão Meses com atividades de beneficiamento por ano x Outros custos 4,115E-02 agregados Meses com atividades de beneficiamento por ano x Número de serras 0,554*** fita (0,007) Meses com atividades de beneficiamento por ano x Número de 0,262 lixadeiras Volume de madeira serrada produzida em 2002 x Custo total de mão de 1,370E-02 obra no verão Volume de madeira serrada produzida em 2002 x Outros custos 2,212E-02 agregados Volume de madeira serrada produzida em 2002 x Número de serras fita -0,115 Volume de madeira serrada produzida em 2002 x Número de lixadeiras 5,413E-02 Custo total de mão de obra no verão x Outros custos agregados 1,250E-02 Custo total de mão de obra no verão x número de serras fita -1,647E-02 Custo total de mão de obra no verão x número de lixadeiras -0,102 Outros custos agregados x número de serras de fita -3,611E-02** (0,061) Outros custos agregados x número de lixadeiras -4,363E-02 100 7,485E-05 1,344 4,500E-02 8,447E-02 7,295E-02 0,144 6,356E-02 0,206 0,417 1,617E-02 3,116E-02 0,198 4,582E-02 2,099E-02 0,162 9,138E-02 1,922E-02 0,156 A Tabela 8 mostra os efeitos marginais das variáveis significantes no modelo Translog. Como é demonstrado nessa Tabela,um metro cúbico a mais de madeira serrada produzida por ano reduziu os custos por R$3,68E-6 por metro cúbico, com um desvio padrão de R$6,75E-6. Com um outro R$1.00 gasto em mão-de-obra, os custos aumentaram para R$4,58E-4 (desvio padrão de R$7,81E-4), enquanto que outro R$1,00 gasto com outros custos aumenta os custos em R$1,77E-3 (desvio padrão de R$4,06E-3). Em termos de equipamento, uma serra de fita adicional reduziu os custos por R$1,35E-2 (desvio padrão de R$2,11E-2), enquanto que uma lixadeira adicional aumentou os custos de beneficiamento em R$5,28E-3 (desvio padrão de R$8,75E-3). Se o equipamento de serraria tivesse, em média, mais um ano de uso, o custo de beneficiamento seria reduzido para R$4,14E-4 (desvio padrão de R$1,19E3). Finalmente, se uma empresa pudesse beneficiar a madeira por um mês adicional por ano, o custo de beneficiamento por metro cúbico seria reduzido por R$0,80 (desvio padrão de R$1,35). Tabela 8: Estatísticas descritivas para os efeitos marginais das varíaveis significativas no modelo de custos de serragem de Translog. Variável Volume de madeira serrada produzida em 2002 Média Desvio Padrão -3,68E-003 6.747E-06 Custo total de mão de obra no verão 4.575E-04 7.814E-04 Outros custos agregados 1.766E-03 4.058E-03 Número de serras de fita -1,350E-02 2,106E-02 5,284E-03 8,752E-03 -4,144E-04 1,186E-03 -0,80 1,352 Número de lixadeiras Média de idade do equipamento de beneficiamento Meses com atividades de beneficiamento por ano 6.5. Conclusão. Esta seção se propôs a estimar as funções de custo para três diferentes estágios da indústria madeireira na Amazônia brasileira: extração, transporte e beneficiamento. Fizemos estimativas também da rentabilidade das empresas em relação à distância dos locais de extração. Finalmente, um modelo de minimização de custos por localização foi usado para explicar a expansão das atividades extrativistas para novas áreas. A análise foi feita baseado em dados de entrevistas com 527 empresas de extração nos estados do Pará, Mato Grosso, Rondônia e Acre. Essas entrevistas foram realizadas entre Julho e Dezembro de 2003. Esse estudo permite a determinação de custos de diferentes atividades usando variáveis relacionadas, obtendo resultados importantes para a criação de futuros instrumentos políticos direcionados para a indústria madeireira na Amazônia. As funções de custo foram estimadas usando variáveis como volume produzido e consumido, distância da serraria para o local de extração, custo da mão-de-obra, o equipamento, e sua idade. A rentabilidade foi estimada usando estimativas de função de custo e preços de madeira da região. A função objetiva do modelo de minimização de custo por localização também foi desenvolvida usando os coeficientes estimados das funções de custo. 101 Esta seção trata das implicações econômicas da extração em uma das maiores florestas tropicais ainda existentes no mundo. Estes resultados permitirão que decisões sejam tomadas a partir do entendimento da indústria madeireira, seu comportamento e reação às mudanças nos parâmetros do mercado e nas políticas do governo. Estes dados facilitarão previsões sobre o futuro cenário de políticas relacionadas ao avanço do desmatamento. O uso de modelos de regressão que explicam uma grande parte da indústria madeireira na Amazônia, também oferece um método para prever custos para empresas não incluídas na amostra. A estimativa das diferentes funções de custo para cada estágio de extração e beneficiamento permite uma maior variação dentro das empresas, e o uso de variáveis específicas por estágio para cada função. Não temos conhecimento de outro estudo microeconômico semelhante a este, direcionado à empresas na Amazônia. As funções estimadas mostram uma gama de variáveis significativas que têm um impacto considerável nos custos de cada estágio. Na função de custo da extração, o salário da mão-de-obra foi uma variável significativa que aumentou custos, principalmente devido ao fato de que essa atividade na Amazônia requer uma intensa mão-de-obra. Isso se torna importante, porque se os salários fossem mais altos, ou se o cumprimento da leis trabalhistas fosse controlado com maior rigor, os custos aumentariam e a extração diminuiria. O volume de toras, número de carregadeiras e meses com atividades de beneficiamento por ano também reduziram de forma significativa os custos de extração. O custo marginal que vai diminuindo à medida que o volume aumenta indica que existem economias de escala a serem captadas pelas empresas. Descobrimos também que os subsídios do governo e as linhas de crédito para equipamento deveriam ser usadas com cautela, já que ao subsidiar os carregadeiras o governo estaria indiretamente reduzindo os custos de extração, já que os custos de extração são claramente reduzidos com o uso desse equipamento. Outros fatores que podem influenciar essa variável são mudanças macroeconômicas, como as flutuações nas taxas de juros, que mudam as obrigações financeiras da empresa e acesso a crédito. O acesso às áreas de extração também representam um dos fatores com grande influência nos custos de extração. Isso foi estabelecido através da relação do número de meses em que um local poderia ser explorado por ano e o custo total de extração. Melhorias na infra-estrutura permitiriam que a extração fosse realizada por um período mais longo e assim reduziria os custos de forma significativa. A estimativa da função de custo de tranporte tinha quatro variáveis, duas das quais foram aumentadas. A distância da floresta para a serraria aumentou de forma significativa, e os custos também aumentaram, mostrando que existe uma distância econômica máxima para a extração, apesar do fato de que a distância de estrada asfaltada reduz os custos. Isso mostra também que a melhoria das estradas pode ser um dos principais fatores que afetam o desmatamento, devendo receber atenção especial daqueles responsáveis por tomar decisões, pelo menos de acordo com os resultados mostrados aqui. Finalmente, possuir a própria frota de transporte aumentou os custos, enquanto que o volume de madeira transportada reduziu custos, mostrando mais uma vez economias de escala. Os modelos de Cobb Douglas e Translog demonstraram bons resultados para a função de custo de beneficiamento; após um teste de hipótese, concluiu-se que o modelo Translog era melhor do que o de Cobb Douglas. Nesse modelo cinco variáveis 102 significativas aumentaram o custo de beneficiamento: volume de madeira serrada produzida em 2002, custo total de mão-de-obra por mês no verão, número de lixadeiras, número de meses com atividades de beneficiamento, meses com atividades de beneficiamento vezes o número de serras de fita, mostrando que o beneficiamento requer mão-de-obra intensa. Outros custos agregados, número de serras de fita, média de idade do equipamento de beneficiamento, número de meses com atividades de beneficiamento vezes o volume de madeira serrada produzida, e outros custos agregados vezes o número de serras de fita, reduziram os custos. Ao observar os efeitos marginais dessa função, descobrimos que o sinal de algumas das variáveis mudou, mostrando a influência das variáveis de interação no comportamento das variáveis. Os efeitos marginais estimados mostram que existem economias de escala a serem captadas pelas empresas, e também o fato de que, já que os custos caem à medida que o equipamento fica mais velho, subsídios para equipamento não devem afetar os custos de beneficiamento, mas podem levar as empresas a optarem por equipamentos mais novos e eficientes. O custo mensal de mão-de-obra aumentou, mostrando que, como o beneficiamento, a extração é uma atividade de intensa mão-de-obra e bastante dependente dos custos dela. O fato do número de lixadeiras aumentarem o custo tem implicações interessantes para políticas futuras, já que incentivar um próximo passo de beneficiamento da madeira serrada poderia não só aumentar os custos , mas também permitir que as empresas consigam um preço de mercado mais alto. As futuras pesquisas deveriam ser direcionadas para a estimativa da rentabilidade de acordo com outras variáveis importantes, bem como ao desenvolvimento de cenários para estimar a resposta das empresas às políticas com o passar do tempo. Outra contribuição importante seria incluir dados de SIG acrescentando características geográficas às funções estimadas, possibilitando uma estimativa da distância econômica, por exemplo. Esse seria um complemento importante para a análise deste estudo, dando informações sobre os resultados das escolhas de políticas para aqueles que as criam. Como resultado dessa informação, políticas melhores poderiam ser criadas, com o objetivo de encorajar o desenvolvimento regional sem aumentar o desmatamento ou outros danos ambientais associados a ele. Os instrumentos políticos poderiam então ser usados para minimizar a diferença entre os custos privados e sociais das empresas na Amazônia. 103 7. Analise de custos mensais em extração e processamento. 7.1. Introdução. Para o setor madeireiro na Amazônia brasileira aumentar eficiência de produção e reduzir risco financeiro, e ainda melhora sua imagem de vilão, tem que trabalhar próximo e abertamente com fontes externas, desenvolvendo e apoiando pesquisa, fornecendo informações apropriadas. Sem uma colaboração formal entre a indústria madeireira, governo e instituições de pesquisa essas informações não seriam exatas e apropriadas. Este tipo de colaboração é comum em indústrias madeireiras nos paises desenvolvidos e é a base da produção eficiente e competitiva. Nós apresentamos aqui os resultados dos primeiros passos na direção de pesquisa colaborativa na Amazônia brasileira, financiado pelo Banco da Amazônia com apoio de várias serrarias e associações madeireiras. Coletamos dados em um período de um ano em 11 serrarias. Dessas serrarias, parte dos dados foram obtidos através de entrevistas junto aos operadores – no caso onde não havia dados de contabilidades disponíveis –, outra parte é proveniente de arquivos de contabilidade efetuada em anos passados, e ainda, parte dos dados foram resultado de coletas efetuadas durante as operações, juntamente com os operadores das empresas, durante o período de um ano. Neste capítulo, discutiremos custos e produção. Os dados foram coletados em uma grande variedade de serrarias, nossa amostra foi feita em grandes e pequenas, certificadas e convencionais, legais e ilegais, criando uma excelente amostra de serrarias e exclusivamente, observando os custos dessas serrarias através de um período de um ano. 7.2. Estimando o custo de produção na Amazônia brasileira. Homgren et al. (2000) and Keegan et al. (2002) descrevem quatro métodos de análise de custo de produção: Engenharia industrial; Contabilidade; Conferência; Quantitativo. O método de organização industrial é baseado principalmente em estudos detalhados de tempo e movimento; o método de Contabilidade utiliza arquivos de contabilidade da empresa; o método de Conferência utiliza a opinião de experts; o método Quantitativo tenta estimar modelos estatísticos baseados em dados. Os diferentes métodos têm suas vantagem e desvantagens, por isso, mais de um método deveria ser utilizado para estimar os custos de produção. Os estudos atuais de custos na Amazônia se encaixam bem dentro dessas categorias. Nos estudos que apresentam informações de custos na Amazônia brasileira, nós encontramos exemplos de uso do método de conferência e dos métodos de engenharia industrial (ou econômicos). Os resultados desses estudos têm sido utilizados dentro de uma variedade de diagnósticos, diferentes florestas nacionais, concessões e desenvolvimento industrial. Eles tem sido a base da maioria das análises econômicas da política florestal na Amazônia brasileira. Neste relatório, nós contribuímos com estes resultados. 104 Tabela 1. Método de contabilidade de custos selecionados e usados Amazônia brasileira. Estudosa Uhl et al. 1991 Veríssimo et al. 1992 Barros and Uhl. 1995 Veríssimo et al. 1995 Stone 1998 Barreto et al. 2000 Holmes et al. 2000 Winkler 2000 a Métodos Conferência Conferência Conferência Conferência Conferência Engenharia industrial Engenharia industrial Engenharia industrial Exploraçãoa CL CL CL CL CL RIL RIL RIL Nívelb L&P L&P L&P L&P L&P L L L CL- Exploração convencional; RIL Exploração de impacto reduzido L&P-Exploração e Processamento; L- Somente exploração b 7.3. Métodos Neste estudo, usamos uma mistura de diferentes métodos, mas baseamos nossa análise de contabilidade para coletar dados de exploração e custo de serraria. Usando este formato, nós esperamos capturar as variações em intervalos de produção que acontecem dentro de uma safra de exploração e para preencher os espaços óbvios na literatura atual sobre custos de exploração na Amazônia brasileira. Encontrar serrarias que estejam com vontade de participar em pesquisas de custos de longo prazo foi um desafio. A imagem da indústria florestal na Amazônia é atualmente bastante negativa junto à sociedade em geral, e os empresários do setor estabeleceram uma modo de operação que dificulta mudanças positivas. Nós dividimos os resultados em duas partes. A primeira, mostra os resultados detalhados das atividades de serraria durante época seca de Julho a Dezembro de 2002. Nesta parte, nós colocamos resultados detalhados de volume e espécies produzidos, e separamos os custos dentro de quatro categorias: exploração; transporte; administração e processamento. Isso nos deixa detalhar os tipos volume relativos de diferentes espécies utilizadas por uma serraria típica e convencional. Na segunda parte, apresentamos os resultados preliminares da coleta de dados de custos de produção de 11 empresas ao longo de um ano. 7.4. Um período de exploração e processamento A época de exploração na Amazônia brasileira acontece durante o período seco – Junho a Dezembro. Neste relatório nós acompanhamos o processo de exploração e processamento de uma empresa localizado ao longo da PA 150, próximo a vila de Tailândia. Apresentamos uma análise simples de custo de produção, derivados diretamente dos dados coletados pela empresa. Este é a primeira pesquisa que teve acesso direto de longo prazo de informações de contabilidade de serrarias, com tamanho médio gerenciada pela família. Obviamente, nesta pesquisa esta faltando um fator importante: nós não conseguimos reconhecer os custos indiretos de manutenção das máquinas durante o período chuvoso. Esta pesquisa simplesmente mostra os custos de exploração e processamento durante um período de exploração – Julho a Dezembro de 2002. A maioria dos custos das serrarias foram bastante detalhados, mas em alguns momentos nós não conseguimos entender se os custos estavam ligados 105 diretamente à exploração ou ao processamento. Neste caso, em colaboração com os donos das serrarias, estimamos que a exploração representa 70% dos custos e processamento 30%. 7.4.1. Descrição da empresa. A empresa neste exemplo, é uma empresa originária do município de Tailândia, estado do Pará, localizada na Rodovia PA-150, km 142, empregando atualmente uma média de 41 funcionários na serraria e 34 na floresta, residindo no geral no próprio município. A empresa apresenta uma média mensal de 1.500 m3 de madeira em tora e 700 m3 de madeira serrada, cuja produção basicamente é voltada ao mercado interno. A extração e o transporte são atividades realizadas pela própria empresa, na qual, todos os funcionários são contratados pelo departamento de pessoal. A base florestal da empresa é uma fazenda, cuja área explorada é de sua propriedade. O Manejo Florestal aplicado pode ser considerado convencional, em função de não atender basicamente as recomendações técnica do plano de manejo apresentado ao IBAMA. A empresa apresenta uma área efetiva de manejo de aproximadamente 2.000 ha, dentre os quais, 1.400 ha foram destinado para a safra de 2003. As atividades florestais são basicamente direcionadas à fase de colheita. Estas atividades se dão antes do início da safra (exploração), e geralmente se iniciam logo após o término da safra anterior. O inventário diagnóstico é realizado no momento da aquisição da terra, onde se faz um levantamento prévio (com ausência de mapas) e precário, na qual as informações a respeito são fornecidas, na maioria das vezes, por pessoas contratadas pela empresa em vista do conhecimento da área a ser explorada, sempre, no entanto, com a supervisão e acompanhamento de encarregados também da empresa, utilizando como parâmetro o valor comercial da árvore e seu diâmetro. As estradas secundárias são construídas a partir da estrada primária, tendo como orientação as grotas secas e áreas alagadas, ressalvadas a possibilidade da construção de bueiros. A primeira atividade nesta etapa é a derruba das árvores que foram identificadas previamente para o corte. São derrubadas sem a utilização de técnicas apropriadas, pois, não visam o direcionamento da queda. Após a queda, as árvores são traçadas (toras) para o posterior arraste para o pátio de estocagem. As equipes de derruba geralmente são compostas de duas pessoas, pois esta atividade oferece muitos riscos de acidentes neste momento. Esta atividade depende diretamente das condições climáticas, pois, para realizá-la, é preciso que necessariamente não esteja mais chovendo. No início da estiagem, isto é, a partir de Junho, as equipes começam a exploração. Deve-se ressaltar que em períodos mais chuvosos, o início da safra (colheita) poderá ser adiado. Tal situação poderá variar de um ano para outro, dependendo do índice pluviométrico da região. As unidades de trabalho são identificadas por unidade numérica como é usual. Após a derruba é feito o arraste, de modo que o trator e o skidder, não seguem um direcionamento previamente estabelecido para realizá-lo. As toras são armazenadas no pátio de estocagem, cujo padrão fica além dos moldes, como, por exemplo, 50X50m, sendo posteriormente transportadas para serraria. A manutenção de estradas e pátios não é feita logo após o término da extração. Além dessas atividades, vem 106 sendo desenvolvido um sistema de monitoramento dos custos florestais, pois, entende-se que o conhecimento desses custos é fundamental para futuros ajustes no planejamento operacional e no plano de manejo de um modo geral. Atualmente a empresa conta com um engenheiro florestal, um técnico de segurança e um encarregado geral, para operacionalizar todas as atividades na floresta. A empresa dispõe de um trator Komatsu D60; dois Skidder de pneus, sendo um Müller TS 22 e um Caterpillar 525; duas empilhadeiras Caterpillar 938 e 938 G e ainda oito caminhões, nem sempre envolvidos com o transporte da área do projeto, sendo três carretas Volvo, com capacidade de 20 m3 , três carretas Mercedes-Benz LS 2638, com capacidade de 30 m3 e duas carretas Scania. 7.4.2. Custo de produção, volume e espécies A serraria funciona em dois turnos de oito horas de trabalho e possui aproximadamente 75 funcionários pôr mês. A serraria produz um total estimado em 13.307 m3 de madeira serrada por um custo estimado em R$ 163 por m³ (Tabela 2). Na Tabela 2 encontramos uma divisão de custos – assumindo que não tem custos de exploração e transporte na época chuvosa – 38% dos custos estão ligados diretamente à serraria, 25% dos custos totais estão ligados ao transporte, 22% dos custos são alocados na administração e 15% estão ligados à exploração. Isso demonstra a importância da produção fora da floresta para determinar os valores da floresta, embora a maioria das discussões da produção de madeira serrada assume uma produção constante. Nós encontramos nos resultados uma consideração muito importante na lucratividade da empresa em torno de 50% na produção de madeira serrada na forma de peças curtas ou madeira serrada que não tem uma finalidade específica. Esta madeira é vendida em volumes misturados sem diferenciação na qualidade e possui um preço bem menor (Figura 4.1). Então, um resultado importante desta pesquisa é a recomendação de que o processo de pedidos e mercados para produtos madeireiros, seja analisado para ajudar as serrarias a melhorarem e diminuírem a sobra da madeira curta. Sem dúvida, se conseguimos melhorar esta situação, acontece uma transferência de lucro adicional da serraria as operações na floresta, resultando em melhores preços para madeira em tora e valores melhores na floresta. Outro ponto importante, é a predominância de uma só espécie na serraria. Embora uma serraria pesquisada use quase 30 espécies diferentes, uma espécie (neste caso Maçaranduba) foi quase 50% da vendas (Figura 4.2). Tabela 2. Custo por m3 serrado. Serraria Adminst. Transporte Extração R$ R$ R$ R$ 69.079 39.438 Jul 90.923 53.968 Ago 71.190 48.655 86.019 66.531 Set 83.138 40.748 87.974 55.482 Out 64.448 36.018 111.485 52.444 Nov 71.840 30.297 97.290 57.554 Dez 54.778 41.470 71.846 37.828 a Valores em itálicos são estimados: a media dos outros meses. Mês 107 Total R$ 253.407 272.396 267.343 264.396 256.981 205.922 Produção Custo/M3 M3 R$/M3 1.082 234 1.241 219 715 374 1.216 217 1.339 192 1.060 194 Figura 4.1. Produção da serraria de Julho a Dezembro, mostrando pedidos cumpridos e sobras de madeira curta vendidas. 1,000 900 Metros cubicos 800 700 600 500 400 300 200 100 0 Jul Ago Set Out Nov Dez Mes Pedido Aproveitamento Figura 4.2. Espécies selecionadas e volumes vendidos no período de seis meses. 3,000 Metros Cubicos 2,500 2,000 1,500 1,000 500 0 AN GE L GU IM 108 VE R AJ A ME RO RA LH O XI N HO T IM BO RA NA 7.5. Economia de escala na exploração e no processamento. Nesta parte nós discutimos os custos de exploração e processamento de 11 empresas, todas com diferentes estratégias e escala de negócios. Estes dados foram coletados em combinação com análises de contas e questionários. Em geral, o objetivo desta parte, é examinar a economia de escala ou a influência de planos estratégicos nos custos de produção. O primeiro gráfico (Figura 4.3) nos da um ponto de partida para a discussão da eficiência da produção das serrarias. Aqui, nós vimos que serrarias de tamanho médio (com uma demanda de madeira em tora entre 10.000 e 20.000 m3 por ano (n=4)) são os mais eficientes produtores de madeira serrada com baixo custo de produção. As serrarias grandes (demanda madeira em tora > 20.000 (n=3)) e as serrarias pequenas (demanda < 10.000 m3 de madeira em tora (n=4)), apresentam um custo maior na produção. Assumimos simplesmente aqui que existe economia de escala na produção até certo ponto, depois que alguns aspectos da produção – seja ineficiência da gerência, insuficiente funcionários ou problemas de investimentos – causam uma queda na eficiência da produção. Nas Figuras 4.4 a 4.9, examinamos alguns aspectos da produção para identificar diferenças dentro das três categorias de tamanho para ver se conseguiamos um indicador de eficiência de produção e custo. Este indicador que poderia explicar por que as pequenas e grandes empresas não são tão eficientes na produção e controle de custos, quanto as empresas de tamanho médio. Observando o processo de produção (Figura 4.4) nós vimos que todas as categorias têm produção igual de madeira em tora. A média é aproximadamente de 38% para todas as categorias para o ano todo e existe uma variação entre os meses. As serrarias pequenas são um pouco menos eficientes que as grandes e que as médias, provavelmente devido o pouco investimento em maquinário. A primeira explicação do por que as serrarias médias são mais eficientes vem da Figura 4.5 que compara a produtividade de trabalho nas serrarias – volume produzido no mês - por pessoa contratada pela serraria. Aqui facilmente se vê que as serraria médias são mais eficientes que as outras categorias. Essa diferença, é provavelmente devido ao controle mais eficiente do gerenciamento da produção no nível de tamanho médio. É possível que as empresas grandes, de proprietário único, como essas empresas de exploração, não são capazes de controlar eficientemente a produção até certo ponto. No outro extremo, é mais provável que as empresas pequenas não têm capital para investir em maquinários modernos para produzir de forma mais eficiente. Por outro lado, a produtividade do trabalho na floresta não é facilmente diferenciado. Obviamente as empresas pequenas, outra vez, são menos eficientes, mas as médias e as grandes produzem bem. Neste exemplo, parece que as empresas médias continuaram a produzir durante a época chuvosa. Uma diferença grande entre as estratégias das empresas é a distribuição dos empregados na serraria (Figura 4.7) e na floresta para grandes empresas. Existem aproximadamente oito empregados na serraria para cada empregado na floresta, que poderia indicar um excesso de empregados na serraria, podendo causar produção ineficiente. Enfim, embora os custos do maquinário na exploração - parece que dentro desses resultados (Figura 4.8) -, os custos de mão-de-obra, têm um papel muito importante em uma operação de exploração e processamento. Em alguns meses do ano os custos 109 de mão-de-obra pode chegar até 40% dos totais. Esse valor diminui durante os meses de exploração onde os custos de maquinário e outros custos relacionados a exploração são mais evidentes. R$/m3 Figura 4.3. Custos e produção por metro cúbico em três categorias de tamanho de indústria. 1000 900 800 700 600 500 400 300 200 100 0 JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ Mes Pequena Media Grande Figura 4.4. Média na produção por mês (percentual de processamento de Madeira em tora para Madeira serrada). 60% Rendimento 50% 40% 30% 20% 10% 0% JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ Mes Pequena Media 110 Grande Figura 4.5. Produtividade de mão de obra na serraria (m3 por pessoa por mês): 3 categorias de empresa. m3 madeira serrada 25 20 15 10 5 0 JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ Mes Pequena Media Grande m3 toras Figura 4.6. Produtividade de mão de obra na floresta (m3 tora por pessoa por mês): 3 categorias de empresa. 180 160 140 120 100 80 60 40 20 0 JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ Mes Pequena Media 111 Grande serraria:floresta Figura 4.7. Proporção entre trabalhadores na serraria e na floresta (8 na serraria por 1 na floresta). 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ Mes Pequena Media Grande Figura 4.8. Participação da Mão de obra nos custos totais mensais. 50% porcentagem 40% 30% 20% 10% 0% JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ Mes Pequena Media 112 Grande Literatura Albers, H.J. 1996. Modeling Ecological Constraints on Tropical Forest Management: Spatial Interdependence, Irreversibility, and Uncertainty. Journal of Environmental Economics and Management 30: 73-94. Barreto, P.; Amaral, P.; Vidal, E.; Uhl, C. 1998. Costs and benefits of forest management for timber production in eastern Amazon. Forest Ecology and Management 108: 9-26. Barros, A., Uhl, C. 1995. Logging along the Amazon River and estuary: patterns, problems, and potential. Forest Ecology and Management 77: 87-105 Bauch, S. 2004. Costs and Rents of Logging in the Brazilian Amazon. Unpublished MSc. 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