câmara municipal de braga OPÇÕES DO PLANO E ORÇAMENTO 2007 MUNICÍPIO DE BRAGA Em conformidade com o disposto na lei n.º 169/99, de 18 de Setembro, designadamente o estabelecido na alínea b) do n.º 2 do artigo 53.º e alínea c) do n.º 2 do artigo 64.º, foram submetidos à apreciação da Câmara Municipal e da Assembleia Municipal de Braga os documentos referentes às Opções do Plano e ao Orçamento do Município para o ano de 2007. Apresenta-se, de seguida, uma síntese dos planos de actividades dos diversos sectores de intervenção municipal, analisando-se depois os documentos previsionais do Município que foram submetidos à apreciação dos órgãos autárquicos competentes. OPÇÕES DO PLANO O presente documento reflecte a determinação do Município de Braga em consolidar um ambiente de desenvolvimento sustentável, privilegiando a acção em áreas estratégicas orientadas para o incremento da qualidade-de-vida e para o estímulo da modernização e da competitividade da região. Nesse sentido, o Município de Braga propõe-se executar um conjunto de actividades que, em síntese, ora se apresenta. Cultura Honrar o passado histórico e cultural, através da preservação das fontes que alimentam o progresso mental e intelectual, o saber e a consciência cívica, e intensificar a criação das bases socio-culturais indispensáveis a um desenvolvimento sustentado no tempo e no espaço, procurando uma cada vez melhor condição de vida, são os eixos fundamentais da presente proposta para a área da Cultura. Destaca-se neste plano a programação do recém reaberto “Theatro Circo”, que devolverá à cidade uma actividade cultural contínua e diversificada que satisfaça os gostos e enquadramentos culturais de todos cidadãos. Porque cultura também implica formação, em 2007 vai iniciar-se a execução do projecto da “Escola de Música de Braga”, unidade integrada na segunda fase de remodelação e requalificação do Mercado do Carandá. A Câmara Municipal propõe-se cumprir, assim, em 2007, um plano de desenvolvimento socio-cultural e humano, norteado pelo assumido objectivo de fazer da cidade a capital da cultura de todos os dias, tendo em conta que Braga foi, é, e será, cada vez mais, uma referência incontornável na esfera do desenvolvimento humano no País e na Europa. Educação O combate ao insucesso, ao absentismo e ao abandono escolar precoce vai continuar a ser preocupação constante da gestão municipal, considerando, como tal, prioritária a implementação de políticas sociais que facilitem o acesso à educação e ao ensino, assim colmatando algumas carências ainda sentidas na comunidade escolar. Com a intenção de potenciar as condições que já apresenta neste sector, o Município de Braga propõe-se elaborar um reordenamento da rede escolar do concelho, o que implicará a requalificação de alguns edifícios e a construção de novos espaços. A criação de novos centros escolares vai ser, assim, uma realidade, se para tal apontar a Carta Educativa, em execução. A criação de um “Centro de Ciência Viva” em Braga é uma das propostas previstas neste plano de actividades, que deverá assentar na constituição de parecerias entre o Município e instituições científicas, instituições de ensino, centros tecnológicos ou outras entidades vocacionadas para actividades de formação e de divulgação científica. Renovação Urbana A política de requalificação urbana mantém-se na agenda deste executivo, numa perspectiva de valorização do património e de optimização dos espaços de fruição pública. O início da Requalificação do Topo Norte da Avenida da Liberdade é uma das propostas em destaque no plano de actividades para o próximo ano. A proposta aponta para a execução do respectivo projecto de arquitectura, de que resultará uma nova praça no coração do centro histórico de Braga, assim dignificando um dos espaços mais nobres e mais conhecidos da cidade. Neste contexto, a passagem rodoviária desnivelada que emerge no topo desta avenida será prolongada até à sua confluência com a Rua do Raio, permitindo a criação de um espaço exclusivamente pedonal, fronteiro aos imponentes edifícios do “Theatro Circo” e da estação dos “Correios de Portugal”, entre outros. Ambiente A presente proposta dá seguimento a uma política ambiental assente na convicção de que o desenvolvimento deve ser sustentado e apoiado num modelo de equilíbrio entre as necessidades económicas e sociais das pessoas, conjugado com as capacidades dos recursos e dos ecossistemas do planeta. O Município de Braga propugna, assim, níveis elevados de conforto ambiental, pelo que lhe cabe promover e estimular uma melhor utilização e apropriação dos espaços urbanos e rurais do concelho. Nesta área, vai ser dado, ao longo do próximo ano, um enfoque particular a quatro vectores considerados fundamentais: ambiente urbano, espaços verdes e jardins, linhas de água e educação ambiental. De entre as várias propostas, destacam-se a conclusão do projecto de criação de um Parque Arborizado a sul da zona urbana de Lamaçães, bem como a conclusão do Projecto de Regularização e Renaturalização do Rio Este, entre a Avenida Frei Bartolomeu dos Mártires e a Ponte Pedrinha. Desporto, Recreio e Lazer O Desporto cresceu em importância económica, cultural e social e desenvolveu-se, num leque de manifestações e sentidos cada vez mais diversificado: a educação, o lazer, a reabilitação, a promoção da saúde e da qualidade de vida e a diminuição das condições de exclusão. Assumindo-se como referência nacional e internacional no sector desportivo, o Município de Braga propõe, neste contexto, um plano de actividades que visa contribuir para a promoção e generalização da actividade física e desportiva, bem como para a prática desportiva regular e de alto rendimento. Nesse sentido, propõe-se concluir em 2007 a primeira fase da construção do Complexo de Piscinas Olímpicas de Braga, permitindo que a cidade e a região usufruam de um equipamento capaz de acolher nas melhores condições qualquer equipa ou atleta de alta competição na natação. De igual forma, também o cidadão comum aí encontrará as condições ideiais para a prática desta actividade desportiva. Juventude Constituindo os jovens a vanguarda do progresso social e cultural, a sua contribuição intelectual e o seu poder de mobilização torna-os possuidores de perspectiva inovadoras que é necessário incentivar. Por isso, este Executivo inscreve no seu plano para 2007 alguns desafios à participação da juventude nas políticas municipais. Promover cursos de iniciação às línguas espanhola, italiana e mandarim; elucidar sobre técnicas de procura de emprego; criar um portal digital “Braga Jovem”; e potenciar a participação no movimento cultural da cidade são algumas das propostas que se incluem no plano de actividades para esta área. Actividades Económicas Criar as condições para a instalação do “Instituto Internacional de Investigação Científica e Desenvolvimento Tecnológico” é um dos propósitos que a Câmara Municipal inscreve no seu plano de actividades para a área das Actividades Económicas. Este centro de investigação, cuja instalação em Braga foi anunciada no decurso da última cimeira luso-espanhola, deverá evoluir estruturalmente a partir do próximo encontro dos dois governos peninsulares. Tal como tornou público desde o início do processo, o Município de Braga mantém a sua disponibilidade para colaborar nesta instalação, tendo sempre em conta que tal facto é preponderante na atractividade que o concelho vai exercer sobre “clusters” conectados com os ramos de investigação aí instalados. A presente proposta de plano reitera igualmente a intenção de criar no próximo ano um Parque Tecnológico, resultante das propostas do empresariado bracarense a investir do sector das novas tecnologias da comunicação. Além destas propostas, o Município de Braga prevê para 2007 o desenvolvimento de diversas acções, entre as quais se destaca: a conclusão do Plano de Desenvolvimento Social 20042007 do concelho de Braga e a definição dos eixos estratégicos do desenvolvimento social para os próximos anos, com base nos planos de acção nacionais. a instalação de uma rede de quiosques multimédia para divulgação dos pontos de interesse turístico do concelho, com o objectivo de potenciar a promoção de Braga, induzindo no utilizador a vontade de conhecer espaços de particular interesse para o visitante. e a execução da segunda fase da Ciclovia Urbana de Braga, privilegiando a ligação do troço já existente à área pedonal do centro da cidade e ao Campus de Gualtar da Universidade do Minho. ORÇAMENTO E PLANO PLURIANUAL DE INVESTIMENTOS Rigor e realismo num orçamento para o desenvolvimento Marcado pelo rigor e por uma gestão realista, o Orçamento do Município de Braga para o próximo ano garante a consolidação de um desenvolvimento sustentado, aliado a uma situação financeira sólida. Ciente dos constrangimentos com que se confrontam as finanças públicas em Portugal, este Executivo aposta num crescimento orçamental, alicerçado num acréscimo do saldo corrente. A presente proposta tem como novidade mais relevante o reflexo das alterações verificadas no Orçamento de Estado para 2007, impostas pela nova Lei das Finanças Locais, designadamente em matéria de transferências provenientes da participação do Município nas receitas do Estado, que crescem 0,98% relativamente a 2006. O Plano Plurianual de Investimentos, de horizonte móvel de quatro anos, inclui todos os projectos e acções a realizar no âmbito dos objectivos estabelecidos pelo município. Nele estão previstos, para 2007, investimentos no valor de 28,7 milhões de euros. 1. Apresentação Geral do Orçamento para o Ano 2007 A estimativa das despesas e das receitas para o próximo ano económico é apresentada no Quadro I, que resume, em termos de distribuição de valores, a despesa e a receita, segundo os dois grandes agrupamentos da classificação económica: despesa e receita correntes; despesa e receita de capital. Un.: Euro CORRENTES CAPITAL TOTAL RECEITAS 71.055.000 25.045.000 96.100.000 DESPESAS 42.881.000 53.219.000 96.100.000 SALDO 28.174.000 -28.174.000 Quadro I - Receita e Despesa Previstas para 2007 Da observação do Quadro I constata-se que as receita e despesa previstas para 2007 ascendem a 96,1 milhões de euros, verificando-se um “superavit” corrente superior a 28,1 milhões de euros, resultante da supremacia das receitas correntes em relação às despesas de mesma natureza, e que financiará as despesas de capital em igual montante. 80.000.000,00 70.000.000,00 60.000.000,00 50.000.000,00 Receitas 40.000.000,00 Despesas 30.000.000,00 20.000.000,00 10.000.000,00 0,00 Correntes Capital Figura 1 – Estrutura dos Orçamentos da Receita e da Despesa para 2007 A figura 1 evidencia o peso, maior, das despesas de capital (55,4%) na despesa total da autarquia. Esta relação é fruto de uma política de contenção de despesas correntes, aliada ao facto de se encontrarem em curso, ou prestes a iniciar-se, investimentos de vulto. As figuras 2 e 3 ilustram a estrutura dos dois grandes agregados económicos, as receitas e as despesas. Corrente Capital Receita Capital 71.055.000 25.045.000 Despesa 26% 42.881.000 53.219.000 Corrente 74% Figura 2 – Estrutura da Receita Corrente Capital Corrente Receita 71.055.000 25.045.000 Despesa 45% 42.881.000 53.219.000 Capital 55% Figura 3 – Estrutura da Despesa 2004 2005 2006 2007 Receita Corrente 58.490.000 54.447.000 62.170.000 71.055.000 Despesa Corrente 34.089.239 36.980.468 39.171.450 42.881.000 Poupança Corrente 24.400.761 17.466.532 22.998.550 28.174.000 Quadro II - Evolução da Poupança Corrente Como se pode verificar no Quadro II e na Figura 4, o crescimento da despesa corrente a taxas claramente moderadas permite ao Município de Braga assegurar a já habitual poupança corrente, que em 2007 será de 28.174.000€, correspondente a 52% das receitas correntes. Isto significa uma poupança corrente superior à prevista em 2006, em 5,2 milhões de euros, ou seja, mais 23% de poupança corrente. 80.000.000 € 70.000.000 € 60.000.000 € 50.000.000 € 40.000.000 € 30.000.000 € 20.000.000 € 10.000.000 € - € 2004 Receita Corrente 2005 Despesa Corrente 2006 2007 "Poupança Corrente" Figura 4 – Evolução da Poupança Corrente 2004/07 O Quadro III permite efectuar a análise da estrutura das receitas e das despesas, resumidas por capítulos da classificação económica. Verifica-se que o orçamento das receitas continua a ter nas receitas fiscais a sua maior parcela, totalizando estas 40,7 milhões de euros, o que corresponde a 42,4% do total das receitas, seguindo-se as transferências de capital com um peso relativo de 18,5%, contribuindo com cerca de 18 milhões de euros para os fundos municipais. O orçamento das despesas mantém uma forte vocação investidora, ao dedicar 30% a quisição de bens de capital. Ou seja, 28,7 milhões de euros vão ser aplicados nos diversos projectos de investimento, entre os quais se destacam aqueles que se vão verificar no Parque Urbano de Braga/Norte, nomeadamente na execução do Complexo de Piscinas Olímpicas. RECEITAS Valor RECEITAS CORRENTES % 71.055.000 73,9% 01 IMPOSTOS DIRECTOS 34.000.000 DESPESAS Valor DESPESAS CORRENTES % 42.881.000 44,6% 35,4% 01 PESSOAL 22.077.000 23,0% 11.327.000 11,8% 02 IMPOSTOS INDIRECTOS 3.170.000 3,3% 02 AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS 04 TAXAS, MULTAS E OUTRAS PENAL. 3.530.000 3,7% 03 JUROS E OUTROS ENCARGOS 3.520.000 3,7% 05 RENDIMENTO DE PROPRIEDADE 2.380.000 2,5% 04 TRANSFERÊNCIAS CORRENTES 4.247.000 4,4% 06 TRANSFERÊNCIAS CORRENTES 20.690.000 1.000.000 1,0% 710.000 0,7% 21,5% 05 SUBSÍDIOS 07 VENDA BENS E SERVIÇOS CORRENTES 1.245.000 1,3% 06 OUTRAS DESPESAS CORRENTES 08 OUTRAS RECEITAS CORRENTES 6.040.000 6,3% RECEITAS DE CAPITAL 25.045.000 26,1% 09 VENDA DE BENS DE INVESTIMENTO 10 TRANSFERÊNCIAS DE CAPITAL 7.250.000 17.793.000 DESPESAS DE CAPITAL 53.219.000 55,4% 7,5% 07 AQUISIÇÃO DE BENS DE CAPITAL 18,5% 08 TRANSFERÊNCIAS DE CAPITAL 28.646.000 29,8% 17.767.000 18,5% 11 ACTIVOS FINANCEIROS 1.000 0,0% 09 ACTIVOS FINANCEIROS 1.306.000 1,4% 13 OUTRAS RECEITAS DE CAPITAL 1.000 0,0% 10 PASSIVOS FINANCEIROS 5.500.000 5,7% TOTAL GERAL 96.100.000 100% TOTAL GERAL 96.100.000 100% Quadro III - Resumo das Receitas e das Despesas para 2007 O Quadro IV mostra a evolução do orçamento para 2007 face aos valores orçamentados para 2006, apresentando um crescimento do saldo global de 21,7%, assente num acréscimo de 5,2 milhões de euros do saldo corrente, como foi já referido. O crescimento negativo do saldo de capital, na ordem dos 23%, deve-se essencialmente ao aumento da capacidade de auto-financiamento do Município de Braga, fruto da prática de uma gestão geradora de economias e do aumento da colecta de impostos. A evolução orçamental para 2007 caracteriza-se por um aumento da receita efectiva de 5,8%, acompanhado por um menor crescimento da despesa efectiva (4,8%). DESCRIÇÃO Receita Corrente Receita de Capital (Efectiva) (1) Receita Efectiva (1) Despesa Corrente Despesa de Capital (Efectiva) (2) ORÇAMENTO 2006 2007 62.170.000 28.629.000 VARIAÇÃO 06/07 Valor % 71.055.000 8.885.000 25.044.000 -3.585.000 14,3% -12,5% 90.799.000 96.099.000 5.300.000 5,8% 39.171.450 46.034.000 42.881.000 46.413.000 3.709.550 379.000 9,5% 0,8% Despesa Efectiva (2) 85.205.450 89.294.000 4.088.550 4,8% Saldo Corrente Saldo de Capital 22.998.550 -17.405.000 28.174.000 5.175.450 -21.369.000 -3.964.000 22,5% -22,8% Saldo Global 5.593.550 6.805.000 1.211.450 21,7% Quadro IV - Evolução Orçamental do Saldo Global (1) Não inclui activos e passivos financeiros; (2) Não inclui activos e passivos financeiros 2. Previsão das Receitas A receita municipal prevista para o ano de 2007 ascende a 96,1 milhões de euros, apresentando, em relação à receita orçamentada em 2006, um crescimento de 5,84%, ou seja, mais 5,3 milhões de euros, o que é justificado essencialmente pelo aumento de 36,2% nas transferências correntes e de 11,4% na arrecadação de impostos directos. O aumento global da receita deve-se à conjugação de um aumento das receitas correntes de 14,3% com uma diminuição de menor proporção (12,5%) das receitas de capital, como se pode ler no Quadro V. Anos Designação 2006 Valor RECEITAS CORRENTES % 62.170.000 68,5% 01 IMPOSTOS DIRECTOS 02 IMPOSTOS INDIRECTOS 2007 Valor Tx. Cresc. % 71.055.000 73,9% 14,3% 30.520.000 33,6% 34.000.000 35,4% 11,4% 2.506.000 2,8% 3.170.000 3,3% 26,5% 04 TAXAS, MULTAS E OUTRAS PENAL. 3.896.000 4,3% 3.530.000 3,7% -9,4% 05 RENDIMENTO DE PROPRIEDADE 2.080.000 2,3% 2.380.000 2,5% 14,4% 06 TRANSFERÊNCIAS CORRENTES 15.195.000 16,7% 20.690.000 21,5% 36,2% 07 VENDA BENS E SERVIÇOS CORRENTES 1.427.000 1,6% 1.245.000 1,3% -12,8% 08 OUTRAS RECEITAS CORRENTES 6.546.000 7,2% 6.040.000 6,3% -7,7% RECEITAS DE CAPITAL 28.630.000 31,5% 09 VENDA DE BENS DE INVESTIMENTO 10 TRANSFERÊNCIAS DE CAPITAL 25.045.000 26,1% -12,5% 5.001.000 5,5% 7.250.000 7,5% 45,0% 23.627.000 26,0% 17.793.000 18,5% -24,7% 11 ACTIVOS FINANCEIROS 1.000 0,0% 1.000 0,0% 0,0% 13 OUTRAS RECEITAS DE CAPITAL 1.000 0,0% 1.000 0,0% 0,0% 90.800.000 100% 96.100.000 100% 5,84% TOTAL Quadro V - Estrutura e Evolução da Receita Prevista para 2007 Os impostos directos aparecem como a mais significativa origem de fundos municipais ao representarem 35,4% do total das receitas. A previsão de crescimento de 11,4% para esta rubrica em 2007 é consequência da Reforma da Tributação do Património, cujos efeitos se encontram ainda em fase de consolidação. A Figura 4 permite ainda a avaliação da distribuição das receitas por capítulos, onde se destacam, pelo seu volume de receita, três grupos: impostos directos (35,4%), transferências correntes (21,5%) e transferências de capital (18,5%). Impostos Directos Impostos Indirectos 6% 35% Taxas, Multas e Penalidades Rendimento de Propriedade Transferências Correntes 19% Venda Bens e Serviços Correntes Venda de Bens de Investimento Transferências de Capital 3% 4% 8% Outras 2% 1% 22% Figura 4 - Distribuição da Receita por Capítulos Como já se referiu, uma das principais novidades desta proposta de Orçamento Municipal é a alteração verificada na estrutura da receita, imposta pela aplicação da nova Lei das Finanças Locais na elaboração do Orçamento de Estado para 2007. Assim, como se pode observar no Quadro VI, a redução de 60% no Fundo de Geral Municipal, acompanhada da extinção, em 2007, do Fundo de Base Municipal, significa uma diminuição das transferências de capital de 4 milhões de euros. Por outro lado, a criação do Fundo Social Municipal e a transferência proveniente da participação no IRS acrescentam às transferências correntes mais de 8,6 milhões de euros. Pode-se então concluir que a aplicação da nova Lei das Finanças Locais ao Orçamento ed Estado para 2007 promove uma substituição de transferências de capital por transferências de natureza corrente, alterando significativamente a estrutura da receita. Do ponto de vista da evolução global das transferências provenientes da repartição dos recursos públicos entre o Estado e os municípios, registou, no caso do Município de Braga, um crescimento de 0,98% entre 2006 e 2007. Transferências da Administração Central - Estado Transferências Correntes 2006 2007 14.986.822 20.075.374 Variação 06/07 Valor % 5.088.552 34,0% Fundo Geral Municipal Fundo de Coesão Municipal Fundo de Base Municipal Fundo Social Municipal IRS Outras 8.969.146 2.623.553 654.123 0 0 2.740.000 3.589.429 -5.379.717 3.589.428 965.875 0 -654.123 2.811.293 2.811.293 5.835.224 5.835.224 4.250.000 1.510.000 -60,0% 36,8% -100,0% 55,1% Transferências de Capital 13.627.000 7.793.000 -5.834.000 -42,8% Fundo Geral Municipal Fundo de Coesão Municipal Fundo de Base Municipal Outras 5.979.430 1.749.036 436.082 5.462.452 2.392.953 -3.586.477 2.392.952 643.916 0 -436.082 3.007.095 -2.455.357 -60,0% 36,8% -100,0% -44,9% TOTAL 28.613.822 27.868.374 -745.448 Quadro VI - Estrutura e Evolução das Transferências da Administração Central/Estado -2,61% 3. Previsão das Despesas A despesa municipal prevista para o ano de 2007 ascende a 96,1 milhões de euros, apresentando, em relação à despesa orçamentada em 2006, um crescimento de 5,84%, ou seja, mais 5,3 milhões de euros. Este crescimento global da despesa é repartido por aumentos de 9,5% e 3,1% nas despesas correntes e de capital, respectivamente. Nas despesas de natureza corrente, a maior variação absoluta verifica-se no capítulo de pessoal, cujo crescimento é de 1,8 milhões de euros, ou seja, de 9,3 pontos percentuais em relação a 2006. Este aumento coincide com o montante de despesa previsto para a contratação de docentes que integram o programa de actividades de enriquecimento curricular do Primeiro Ciclo do Ensino Básico. Anos DESPESAS DESPESAS CORRENTES 2006 Valor Tx. Cresc. 2007 Valor % 39.171.450 43,1% % 42.881.000 44,6% 9,5% 01 PESSOAL 20.202.000 22,2% 22.077.000 23,0% 02 AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS 11.035.000 12,2% 11.327.000 11,8% 9,3% 2,6% 03 JUROS E OUTROS ENCARGOS 2.577.450 2,8% 3.520.000 3,7% 36,6% 04 TRANSFERÊNCIAS CORRENTES 4.147.000 4,6% 4.247.000 4,4% 2,4% 05 SUBSÍDIOS 500.000 0,6% 1.000.000 1,0% 100,0% 06 OUTRAS DESPESAS CORRENTES 710.000 0,8% 710.000 0,7% 0,0% 53.219.000 55,4% 3,1% DESPESAS DE CAPITAL 51.628.550 56,9% 07 AQUISIÇÃO DE BENS DE CAPITAL 24.784.000 27,3% 28.646.000 29,8% 15,6% 08 TRANSFERÊNCIAS DE CAPITAL 21.250.000 23,4% 17.767.000 18,5% -16,4% 866.000 1,0% 1.306.000 1,4% 50,8% 4.728.550 5,2% 5.500.000 5,7% 16,3% 09 ACTIVOS FINANCEIROS 10 PASSIVOS FINANCEIROS TOTAL 90.800.000 100% 96.100.000 100% 5,84% Quadro VII - Estrutura e Evolução da Despesa Prevista para 2007 Nas despesas de capital destaca-se, por representar a maior variação absoluta deste agregado, o capítulo “aquisição de bens de capital”, cujo crescimento atinge os 3,8 milhões de euros. Este capítulo reveste-se de uma particular importância, já que tem correspondência com o Plano Plurianual de Investimentos, alvo de análise mais detalhada no ponto seguinte. A Figura 5 permite ainda verificar a avaliação da distribuição das despesas por capítulos, onde se destacam três deles, pelo peso relativo que têm no total da despesa: aquisição de bens de capital (30%), pessoal (23%) e transferências de capital (18%). Pessoal Aquisição de Bens e Serviços 6% 23% 3% Juros e Outros Encargos Transferências Correntes Aquisição de Bens de Capital 12% Transferências de Capital 18% Passivos Financeiros Outras Despesas 4% 4% 30% Figura 5 - Distribuição da Despesa por Capítulos 4. Plano Plurianual de Investimentos O presente Plano Plurianual de Investimentos prevê uma execução financeira durante o ano de 2007 no valor de 28,7 milhões de euros. Comparativamente com o previsto para 2006, verifica-se um crescimento de 19,1%, o que significa mais 4,6 milhões de euros dispendidos em projectos de investimento. Observando o Quadro VIII, constata-se que a principal causa desta evolução é o aumento previsto no âmbito da Funções Gerais - Serviços Gerais da Administração Pública, no valor de 3,5 milhões de euros, correspondente aos investimentos em “hardware” e “software” a efectuar ao abrigo do Programa “BragaDigital”. Mais uma vez, são as funçõessociais que merecem a maior fatia de investimento em 2007, em grande parte fruto da execução de projectos incluídos no objectivo 2.5.3 – Desporto, Recreio e Lazer, designadamente a construção do Complexo de Piscinas Olímpicas. O decréscimo mais significativo acontece no objectivo 2.5.1 – Cultura, no valor de 3 milhões de euros, justificado pela conclusão da Remodelação do Theatro Circo, cujo investimento será a partir de agora tendencialmente imaterial e fundamentalmente em despesas de funcionamento. Registe-se ainda o aumento de mais de 50% no investimento em Educação, onde se incluem a construção da Escola EB1 e Jardim-de-infância da Naia, a requalificação da Escola EB1 das Enguardas e da Escola EB1 e Jardim-de-infância de Merelim São Pedro, bem como a construção do Jardim-de-Infância da Ponte Pedrinha e do Centro Educativo do Vale de Lamaçães. 2006 Obj. DESIGNAÇÃO 2007 % Valor FUNÇÕES GERAIS 1.624.000 6,8% 5.046.000 17,6% 210,7% SERVIÇOS GERAIS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 1.414.000 5,1% 4.951.000 17,8% 250,1% 1.2.0 SEGURANÇA E ORDEM PÚBLICAS 210.000 0,8% 95.000 0,3% -54,8% 1.2.1 Protecção civil e luta contra incêndios 150.000 0,5% 75.000 0,3% -50,0% 60.000 0,2% 20.000 0,1% -66,7% 19.520.000 81,2% 18.985.000 66,3% -2,7% 2.1.0 EDUCAÇÃO 990.000 3,6% 1.500.000 5,4% 51,5% 2.3.0 SEGURANÇA E ACÇÃO SOCIAIS 500.000 1,8% 815.000 2,9% 63,0% 1.700.000 6,1% 4.185.000 15,1% 146,2% 2.4.1 Habitação 350.000 1,3% 400.000 1,4% 14,3% 2.4.2 Ordenamento do Território Protecção do meio ambiente e conservação 2.4.6 da natureza SERVIÇOS CULTURAIS, RECREATIVOS E 2.5.0 RELIGIOSOS 2.5.1 Cultura 595.000 2,1% 2.560.000 9,2% 330,3% 755.000 2,7% 1.225.000 4,4% 62,3% 16.330.000 58,9% 12.485.000 45,0% -23,5% 1 1.1.0 1.2.2 Polícia Municipal 2 FUNÇÕES SOCIAIS 2.4.0 HABITAÇÃO E SERVIÇOS COLECTIVOS % Taxa de Cresc. Valor 5.100.000 18,4% 2.060.000 7,4% -59,6% 11.230.000 40,5% 10.425.000 37,6% -7,2% 2.905.000 12,1% 4.615.000 16,1% 58,9% 75.000 0,3% 100.000 0,4% 33,3% 3.3.0 TRANSPORTES E COMUNICAÇÕES 2.790.000 10,1% 4.495.000 16,2% 61,1% 3.3.1 Transportes Rodoviários 2.790.000 10,1% 4.345.000 15,7% 55,7% 2.5.2 Desporto, Recreio e Lazer 3 FUNÇÕES ECONÓMICAS 3.2.0 INDÚSTRIA E ENERGIA 3.3.2 Transportes Aéreos 3.4.0 COMÉRCIO E TURISMO TOTAL 0 0,0% 150.000 0,5% 40.000 0,1% 20.000 0,1% -50,0% 24.049.000 100,0% 28.646.000 100,0% 19,1% Quadro VIII - Estrutura e Evolução do PPI -