MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM 1 Universidade da Amazônia MARIA JOSÉ CAMPOS MOURA MELO (Coordenadora) ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA: Movimento social Urbano e Educação Ambiental em Belém BELÉM UNAMA 2009 2 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA: Movimento social urbano e educação ambiental em Belém © 2009, UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA REITOR Édson Raymundo Pinheiro de Souza Franco VICE-REITOR Antonio de Carvalho Vaz Pereira PRÓ-REITOR DE ENSINO Mário Francisco Guzzo PRÓ-REITORA DE PESQUISA, PÓS-GRADUAÇÃO E EXTENSÃO Núbia Maria de Vasconcellos Maciel SUPERINTENDENTE DE PESQUISA Ana Célia Bahia Silva COORDENADOR DO NÚCLEO DE ESTUDOS EM PESQUISAS EM MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA Marco Aurélio Arbage Lôbo EXPEDIENTE EDIÇÃO: Editora UNAMA COORDENADOR: João Carlos Pereira SUPERVISÃO: Helder Leite NORMALIZAÇÃO: Maria Miranda CRIAÇÃO DA CAPA: Márcia do Socorro Campos Moura FORMATAÇÃO GRÁFICA E ARTE FINAL DA CAPA: Elailson Santos FOTOGRAFIA DA CAPA: Helder Leite IMPRESSÃO: Grapel “Campus” Alcindo Cacela Av. Alcindo Cacela, 287 66060-902 - Belém-Pará Fone geral: (91) 4009-3000 Fax: (91) 3225-3909 “Campus” BR Rod. BR-316, km3 67113-901 - Ananindeua-Pa Fone: (91) 4009-9200 Fax: (91) 4009-9308 “Campus” Senador Lemos Av. Senador Lemos, 2809 66120-901 - Belém-Pará Fone: (91) 4009-7100 Fax: (91) 4009-7153 “Campus” Quintino Trav. Quintino Bocaiúva, 1808 66035-190 - Belém-Pará Fone: (91) 4009-3300 Fax: (91) 3230-0622 Catalogação na fonte www.unama.br M528m Melo, Maria José Campos Moura Área de proteção ambiental - APA: movimento social urbano e educação ambiental em Belém / Maria José Campos Moura Melo (Coord.). – Belém: Unama, 2009. 159 p. ISBN 978-85-7691-0075-076-3 1. Educação ambiental em Belém. 2. Proteção ambiental. 3. Participação social. 4. Movimento social urbano. 5. Associação comunitária. I. Título. CDD 338 479109811 3 Universidade da Amazônia AGRADECIMENTOS A pesquisa contou com a participação de diferentes segmentos sociais, de modo que tornou-se possível levantar informações, discutir analisar e propor aspectos relacionados ao tema estudado junto aos acadêmicos, profissionais liberais, funcionários públicos, pesquisadores representantes de associações, comunitárias, organizações-não governamentais, dentre outros envolvidos com a pesquisa, evidenciando-se : • Professor Édson Franco, Reitor da Universidade da Amazônia- UNAMA, pela oportunidade outorgada no apoio logístico; • Odília Solange Solbé Reis, Gerente Geral da Fundação Instituto Desenvolvimento da Amazônia – FIDESA, pelo financiamento e administração financeira; • Professora Nùbia Maria de Vasconcelos Maciel, Pró-Reitora de Pesquisa, Pós-Graduação e Extensão da UNAMA, pela confiança; • Professor Dr. Mauro José Pantoja Fontelles, Superintendente de Pesquisa da UNAMA, pela compreensão e apoio recebido durante a pesquisa; • Professor Dr. Marco Aurélio Arbage Lobo, Coordenador do Núcleo de Pesquisa Meio Ambiente e Qualidade de Vida da UNAMA, pelas contribuições teóricas e discussões temáticas; • Professor Dr. Helder Boska de Moraes Sarmento, assistente social, pela consultoria e sábias reflexões críticas das categorias: movimento social urbano, associações comunitárias e participação social; • Alessandra Santos de Souza, assistente social (bolsista de aperfeiçoamento), pelo esforço no levantamento de informações, troca de idéias e amizade; • Antonio Eurico Dias dos Santos e Katyúscia do Socorro Oliveira Mendes (bolsistas de iniciação científica), graduandos em Serviço Social, pelo interesse na pesquisa acadêmica; 4 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM • Ana Lúcia Tavares Souza, Maria Antônia do Socorro Miranda, Cássio Cabral Almeida Couto, Altemir Pereira Carvalho e Willyans Assunção. Funcionários da Superintendência de Pesquisa, pela dedicação e interesse demonstrados; • Sandra Neves, assistente social, técnica da Companhia de Habitação do Estado do Pará – COHAB, pelas informações fornecidas sobre o destino das famílias que moravam dentro do Parque Ambiental de Belém; • Nonato Vasconcelos, engenheiro civil, técnico da Companhia de Saneamento do Pará – COSANPA, pelas informações sobre a construção do muro/cerca do Parque Ambiental de Belém; • Reinaldo de Alcântara Peixoto, Diretor de Desenvolvimento da Companhia de Desenvolvimento da Área Metropolitana de Belém, pelas ortofotos concedidas da área em estudo; • Rosilene Oliveira, técnica da Secretaria de Saneamento de Belém - SESAN, pela disponibilização de dados sobre a Av. 1° de Dezembro (atual Av. João Paulo II); • José Oeiras, técnico do Centro de Estudos e Práticas de Educação Popular – CEPEPO, pelas informações sobre o movimento popular urbano – Fórum dos Lagos; • Stéfano Ataíde Costa dos Santos e Mauro Roberto Mendes, alunos do Curso de Serviço Social da UNAMA, pela contribuição voluntária na aplicação de formulários; • Mônica Luzia Campos Moura, Maria Eliane dos Santos Gadelha e Reginaldo Moraes Vieira, pela ajuda técnica nas reuniões com as comunidades e oficinas de educação ambiental; • Professora Ms. Márcia do Socorro Campos Moura, pelo imprescindível apoio na análise crítica dos dados e digitação; 5 Universidade da Amazônia • Tenente Coronel Antônio Carlos de Brito Azevedo, Comandante do Batalhão de Policia Ambiental – BPA, no Parque Ambiental de Belém, pela acolhida das oficinas de educação ambiental; • Marcos Cássio dos Santos, pelas orientações técnicas estatísticas e análise dos formulários aplicados na pesquisa de campo; • Aos líderes representantes de associações comunitárias dos bairros Curió-Utinga, Souza e Castanheira: Maria Raimunda da Conceição Nonato, Eulina Pinheiro da Silva, Edilena Prestes Santana, Nazilda dos Santos Silva, Raimunda Maria dos Santos, Elias Gomes Souza (Associação de Moradores do Paraíso Verde), Pedro Félix Pontes, Joana dos Santos Barbosa, Celina de Araújo Pinto, Neida Pinto dos Santos Reis, Pedro Paulo Silva Reis (Centro Comunitário da Passagem Cruzeiro Unidos com Pantanal); Maria José Miranda, Ana Claúdia de Souza Ferreira, Francisco Vieira Rodrigues, Raimunda Maria Vieira Modesto, Odilon Barbosa da Costa (Centro Comunitário São Cristóvão) Jesemi Braga Rodrigues, Francisco dos Santos Teixeira, Miquéias Almeida Santos, Nailza de Souza Melo, Maria Terezinha dos Santos (Centro Comunitário Nossa Senhora de Nazaré); Francinete Barbosa Mendes, Elza da Luz Rodrigues, Jenebaldo Ribeiro Mendes, José Batista Laranjeira, Delma Isabel Raiol Moreira, Cíntia Benjamin Guedes, Antônio Lira Souza, Alarino dos Santos Lima, André Paulo de Brito Araújo, Adriano Luís Fonseca (Associação Comunitária Parque Cabanagem); Geraldo Basílio de Brito, Eraldo Paulino Rodrigues Júnior, José Maria Carvalho, José Ribamar Ribeiro Froz, Ubiratan de J.M. Souza, Adnilza dos Santos Leal, Edivan Pina Melo, Antônio Moraes de Alencar, Hugo Rogério da Rocha Borges (Associação de Moradores do Bairro Castanheira); pelo acolhimento, confiança, respeito e atenção na realização deste projeto, nossos sinceros agradecimentos. 6 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM LISTA DE FIGURAS FIGURA 1: Obras do prolongamento da Av. 1° de Dezembro (atual Av. João Paulo II)- Bairro Curió-Utinga. Belém-PA, set.2004. .............................................................................................. 28 FIGURA 2: Muro/Cerca do Parque Ambiental de Belém na Av. 1º de Dezembro (atual Av. João Paulo II) – Bairro Souza. Belém-PA, out. 2004. ........................................................................... 29 FIGURA 3: Traçado básico do prolongamento da Av. 1° de Dezembro (atual Av. João Paulo II), entre Av. Dr. Freitas e Alameda Moça Bonita. ....................................................................... 42 FIGURA 4: Equipe de pesquisa e representantes da Associação Comunitária Parque Cabanagem, dez. 2004. ................... 49 FIGURA 5: Equipe de pesquisa e representantes da Associação de Moradores do Bairro Castanheira, fev. 2005. ............. 49 FIGURA 6: Equipe de pesquisa e representantes do Centro Comunitário São Cristóvão, out. 2004. ................................... 50 FIGURA 7: Equipe de pesquisa e representantes do Centro Comunitário Passagem Cruzeiro Unidos com Pantanal, dez. 2004. ............................................................................ 50 FIGURA 8: Equipe de pesquisa e representantes da Associação de Moradores Paraíso Verde, set. 2004. .......................... 52 FIGURA 9: Equipe de pesquisa, representantes e moradores do Centro Comunitário Nossa Senhora de Nazaré, jun. 2005. ................................................................................ 53 FIGURA 10: Canal do Marte. Curió-Utinga, jun.2006. ......................... 59 FIGURA 11: Passagem Ana Deusa – Curió-Utinga, set.2004. .............. 64 FIGURA 12: Gênero dos dirigentes das associações comunitárias. ...................................................................................... 60 FIGURA 13: Faixa etária dos dirigentes das associações comunitárias. ...................................................................................... 70 7 Universidade da Amazônia FIGURA 14: Escolaridade dos dirigentes das associações comunitárias. ...................................................................................... 71 FIGURA 15: Intervalos de renda familiar mensal dos dirigentes das associações comunitárias. .......................................... 72 FIGURA 16: Intervalos de anos em que ocorreram as o cupações .............................................................................................. 75 FIGURA 17: Intervalos de tempo de moradia dos dirigentes das associações comunitárias. ............................................................ 76 FIGURA 18: Procedência dos dirigentes entrevistados. .................... 78 FIGURA 19: Prolongamento da Av. 1° de Dezembro, perímetro Rua Utinga e Alameda Gama Malcher, jun. 2005. ............................... 83 FIGURA 20: Muro/Cerca. Contornando o Parque Ambiental de Belém, jun. 2005. ........................................................................... 94 FIGURA 21: Lago Bolonha na área do Parque Ambiental de Belém, jul.2004. .................................................................................. 96 FIGURA 22: Níveis de efeitos socioambientais ................................ 105 FIGURA 23: Participação da equipe de pesquisa em evento da Área de Proteção Ambiental de Belém, dez. 2005 . .................... 120 FIGURA 24: Participação em atividades de educação ambiental. .......... 121 FIGURA 25: Atividades participadas em educação ambiental. ....... 122 FIGURA 26: Painel coletivo, Grupo Verde, jun. 2004. ...................... 124 FIGURA 27: Painel coletivo, Grupo Verde, jun. 2004. ...................... 124 FIGURA 28: Painel coletivo, Grupo Verde, jun. 2004. ...................... 125 FIGURA 29: Painel coletivo, Grupo Verde, jun. 2004. ...................... 125 FIGURA 30: Painel coletivo, Grupo Verde, jun. 2004. ..................... 126 FIGURA 31: Painel coletivo, Grupo Verde, jun. 2004. ...................... 126 8 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM LISTA DE SIGLAS ALCA APA BASA BID BPA CEB CEF CNBB CEPEPO CODEM COEMA COHAB-PA COSANPA CONAMA CTBEL DAENT EMBRAPA EA EIA FASE FIDESA FUNVERDE IBAMA IBGE IPTU MPEG MSTU ONG PAB PMB PROSEGE RIMA RMB SECTAM SEDURB SEGUP Área de Livre Comércio das Américas Área de Proteção Ambiental Banco da Amazônia Banco Internacional de Desenvolvimento Batalhão de Policia Ambiental Conselho Eclesial de Base Caixa Econômica Federal Conferência Nacional dos Bispos do Brasil Centro de Estudos e Práticas de Educação Popular Companhia de Desenvolvimento da Área Metropolitana de Belém Conselho Estadual de Meio Ambiente Companhia de Habitação do Estado do Pará Companhia de Saneamento do Pará Conselho Nacional de Meio Ambiente Companhia de Transportes do Município de Belém Distrito Administrativo do Entroncamento Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Educação Ambiental Estudo de Impacto Ambiental Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional Fundação Instituto para o Desenvolvimento da Amazônia Fundação Parques e Áreas Verdes de Belém Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística Imposto Predial e Territorial Urbano Museu Paraense Emílio Goeldi Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto Urbano Organização Não Governamental Parque Ambiental de Belém Prefeitura Municipal de Belém Programa de Ação Social em Saneamento Relatório de Impacto Ambiental Região Metropolitana de Belém Secretaria Executiva de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente Secretaria Executiva de Desenvolvimento Urbano e Regional Secretaria Executiva de Segurança Pública 9 Universidade da Amazônia SEHAB SEMEC SEMMA SEOP SESAN SETEPS SETRAN SNUC SUPES UFPA UC UNAMA Secretaria de Habitação de Belém Secretaria Municipal de Educação Secretaria Municipal de Meio Ambiente Secretaria Executiva de Obras Públicas Secretaria de Saneamento de Belém Secretaria Executiva de Trabalho e Promoção Social Secretaria de Estado de Transportes Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza Superintendência de Pesquisa Universidade Federal do Pará Unidade de Conservação Universidade da Amazônia LISTA DE QUADROS QUADRO 1: Identificação das Associações Comunitárias nos bairros Curió-Utinga, Souza e Castanheira. ..................................................... 48 QUADRO 2: Constituição das Associações Comunitárias.................... 51 QUADRO 3: Recomendações sobre meio ambiente. ....................... 131 QUADRO 4: Recomendações sobre meio ambiente urbano. ........... 132 QUADRO 5: Recomendações sobre plantio de hortaliças. ............... 133 QUADRO 6: Recomendações sobre resíduos sólidos. ...................... 134 QUADRO 7: Recomendações sobre participação comunitária. ........ 135 QUADRO 8: Recomendações sobre arborização urbana. .................. 135 QUADRO 9: Recomendações sobre educação no trânsito. ............... 136 LISTA DE TABELAS TABELA 1: TABELA 2: TABELA 3: TABELA 4: TABELA 5: TABELA 6: TABELA 7: TABELA 8: População sob abrangência das associações comunitárias. ... 47 Associações comunitárias focadas. .................................. 47 Conflitos vivenciados para permanência no local de moradia. .. 58 Atividades realizadas pelas associações comunitárias. .. 61 Atividades em realização pelas associações comunitárias. ... 63 Atividades a serem realizadas pelas associações comunitárias. ... 65 Principais dificuldades das associações comunitárias. ... 67 Ocupação dos dirigentes das associações comunitárias. 73 10 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM TABELA 9: Procedência dos dirigentes das Associações Comunitárias. . 77 TABELA 10: Local anterior de moradia dos dirigentes das associações comunitárias. .................................................................. 79 TABELA 11: Motivos de moradia no local. ........................................... 81 TABELA 12: Efeitos socioambientais positivos trazidos pela construção da Avenida 1º de Dezembro. ........................................... 89 TABELA 13: Efeitos socioambientais negativos trazidos pela construção da Av. 1º de Dezembro (atual Av. João Paulo II). ............ 91 TABELA 14: Justificativas para quem acha que o muro protege o Parque ............................................................................................ 98 TABELA 15: Justificativas para quem acha que o muro do PAB traz maior segurança. .......................................................................... 99 TABELA 16: Justificativas para quem acha que o muro do PAB melhora o visual do seu entorno. .................................................... 100 TABELA 17: Efeitos socioambientais negativos trazidos pela construção do muro do PAB. ............................................................. 101 TABELA 18: Justificativas para quem acha que o muro do PAB dificulta a entrada de pessoas. ......................................................... 102 TABELA 19: Justificativas para quem acha que o muro do PAB afasta as pessoas da comunidade do PAB. ....................................... 103 TABELA 20: Justificativas para quem acha que o muro do PAB provoca revolta nos moradores. ....................................................... 104 TABELA 21: A relação dos moradores antes da construção do muro do PAB. ..................................................................................... 106 TABELA 22: Tipos de lazer praticados dentro do PAB. ...................... 107 TABELA 23: Opinião dos moradores após construção do muro do PAB...... ......................................................................................... 108 TABELA 24: Significado de Movimento Social Urbano. ..................... 110 TABELA 25: Significado de Educação Ambiental. .............................. 111 TABELA 26: Conhecimentos de educação ambiental colocados em prática. ......................................................................................... 113 TABELA 27: Recomendações à educação ambiental comunitária. ... 114 TABELA 28: Significado de Conscientização Ambiental. ................... 115 TABELA 29: Significado de Área de Proteção Ambiental. ................. 116 TABELA 30: Significado de Participação Social. ................................. 118 TABELA 31: Participação em eventos, dentro e fora de sua comunidade. ... 119 11 Universidade da Amazônia SUMÁRIO RESUMO ............................................................................................... 14 APRESENTAÇÃO .................................................................................... 16 1 INTRODUÇÃO ................................................................................ 18 1.1 PROBLEMA DE PESQUISA E SUA RELEVÂNCIA ............................... 25 1.2 HIPÓTESE ....................................................................................... 29 1.3 OBJETIVOS ..................................................................................... 29 1.3.1 Geral ............................................................................................ 29 1.3.2 Específicos ................................................................................... 30 2 2.1 2.2 2.3 2.4 2.5 MARCO REFERENCIAL DA PESQUISA............................................. 31 ASSOCIAÇÃO COMUNITÁRIA ........................................................ 31 MOVIMENTO SOCIAL URBANO ..................................................... 32 EDUCAÇÃO AMBIENTAL ................................................................ 35 ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL .................................................. 37 PARTICIPAÇÃO SOCIAL .................................................................. 39 3 3.1 3.2 3.3 3.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ............................................ 42 ÁREA GEOGRÁFICA DE ESTUDO ..................................................... 42 PESQUISA BIBLIOGRÁFICA E PESQUISA DOCUMENTAL ................ 43 PESQUISA DE CAMPO .................................................................... 43 ANÁLISE DE DADOS GERADOS ...................................................... 45 4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DE RESULTADOS ................................ 46 4.1 CARACTERÍSTICAS REFERENCIAIS DAS ASSOCIAÇÕES COMUNITÁRIAS ... 46 4.1.1 População sob abrangência das associações comunitárias ...... 46 4.1.2 Associações comunitárias e seus dirigentes ............................. 47 4.1.3 Identificação das associações comunitárias .............................. 48 4.1.4 Constituição das associações comunitárias ............................... 51 4.1.5 Conflitualidade, intervenções e conquistas das associações comunitárias ......................................................................................... 57 4.1.6 Perfil dos dirigentes das associações comunitárias ................... 68 4.2 PROJETOS DE INTERVENÇÃO URBANA NA APA-BELÉM ............. 82 4.2.1 Prolongamento da Av. 1º de Dezembro (atual João Paulo II) ..... 83 4.2.1.1 Efeitos socioambientais do prolongamento da Av. 1º de Dezembro pelos dirigentes das associações comunitárias ................ 88 12 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM 4.2.2 Construção do muro/cerca do Parque Ambiental de Belém .... 93 4.2.2.1 Efeitos socioambientais da construção do muro/cerca do Parque Ambiental de Belém ............................................................... 98 4.3 SIGNIFICADOS SOCIOAMBIENTAIS NO ENTENDIMENTO DOS DIRIGENTES DAS ASSOCIAÇÕES COMUNITÁRIAS ....................... 109 4.3.1 Significado de movimento social urbano ................................. 109 4.3.2 Significado de educação ambiental .......................................... 111 4.3.3 Significado de conscientização ambiental ............................... 115 4.3.4 Significado de Área de Proteção Ambiental (APA-Belém) ...... 116 4.3.5 Significado de participação social ............................................. 118 5 RECOMENDAÇÕES DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL PARA AS ASSOCIAÇÕES COMUNITÁRIAS NA APA-BELÉM ................................ 129 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................. 137 REFERÊNCIAS ...................................................................................... 142 APÊNDICE A-1 Formulário aplicado na pesquisa de campo com os representantes de associações comunitárias na APA Belém ........... 148 APÊNDICE A-2 Formulários aplicados com os participantes de oficinas de educação ambiental ........................................................ 150 13 Universidade da Amazônia RESUMO A pesquisa coloca em análise o tema na linha movimento social urbano e educação ambiental em Área de Proteção Ambiental – APA / Belém; identifica as associações comunitárias (associações de moradores e centros comunitários), no foco dos projetos de implantação das obras públicas: construção do muro/cerca do Parque Ambiental de Belém para proteção dos mananciais de água que abastecem Belém e parte de Ananindeua; e o prolongamento da Av. 1° de Dezembro (atual Av. João Paulo II) para desafogar o tráfego de veículos. Realiza levantamento de informações socioambientais junto a 39 dirigentes de associações de moradores e centros comunitários, os quais vivenciam transformações nas realidades dos bairros Curió-Utinga, Souza e Castanheira, sob influência direta desses projetos. Verifica como estes atores sociais se articulam e encaminham interesses coletivos, na percepção de carências como direitos. Constata a ausência de educação ambiental nesses projetos, direcionada aos indivíduos e comunidades. Como resultado, apresentase um conjunto de recomendações de educação ambiental, instrumento de tomada de conhecimentos, valores e habilidades para o enfrentamento de problemas socioambientais, contribuindo na apropriação do saber ambiental de práticas ecocomunitárias participativas, para fortalecer a capacidade de autogestão das associações comunitárias e do movimento social urbano no viés pró-ambientalista. Palavras-chave: Movimento Social Urbano. Educação Ambiental. Proteção Ambiental. Participação Social. ABSTRACT This study focus on the topic of the urban social movement and environmental education in the Área de Proteção Ambiental – APA/ Belém, identifies the community partner groups (groups of inhabitants and community centers), at the core of city building site implementation projects: building of the wall/fence at “Parque Ambiental de Belém” for the protection of the water reservoirs that supply Belém and part of Ananindeua; and the prolonging of Av. 1º de Dezembro (presently Av. João Paulo II) to reduce car traffic. It carries out the collection of social-environmental data provided by 39 community partner group leaders, who have gone through changing the neighborhood life (Curió-Utinga, Souza, and 14 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM Castanheira), under the direct influence of those projects. It checks how those social agents interact and move forward with group interests, perceiving lack as rights. It shows the lack of environmental education towards individuals and communities on those projects. As a result, we come up with a set of recommendations for environmental education, a tool for awareness, values, and skills in order to face the social-environmental problems, helping to acquire knowledge about participative ecocommunity practices, to empower the self-management capacity of community partner groups and the urban social movement of pro-environment trend groups. Key-words: Urban Social Movement. Environmental Education. Environmental Preservation. Social Participation. 15 Universidade da Amazônia APRESENTAÇÃO O presente relatório reúne um conjunto de contribuições decorrentes das atividades previstas e realizadas do Projeto de Pesquisa Movimento Social Urbano e Educação Ambiental em Área de Proteção Ambiental – APA-Belém, realizado pela UNAMA/ FIDESA, no período de maio de 2004 a dezembro de 2005. Também apresenta análise da investigação realizada com os moradores e dirigentes de associações comunitárias: três associações de moradores e três centros comunitários, nos bairros Curió-Utinga, Souza e Castanheira. Isso feito para saber a forma da organização, atuação política e participação direcionadas para atender as demandas individual, grupal e coletiva, na condução de interesses reivindicados junto a representantes do Poder Executivo (municipal e estadual). O marco referencial da pesquisa estruturou-se no estudo das categorias; associação comunitária; Área de Proteção Ambiental (APA); participação social; movimento social (MS) urbano; e educação ambiental (EA). Essas categorias colocam em evidência o saber científico capaz de explicar, compreender e refletir os efeitos socioambientais abordados. O objetivo da pesquisa é analisar o envolvimento da organização comunitária no foco do movimento social urbano e da educação ambiental, relacionada às obras públicas em área de APA, buscando verificar a influência do movimento social urbano na formação da consciência ambiental, essencial a construção do alicerce à participação social, diante da complexidade de problemas socioambientais em Área de Proteção Ambiental. O desdobramento dos capítulos traz (Capítulo 1) o problema de pesquisa e sua relevância, hipótese, objetivos (geral e específicos), relacionados ao contexto em estudo. Procede-se uma abordagem teórica (Capítulo 2) que, colocada no percurso reflexivo e de análise crítica, apresenta contribuições teóricas sobre este tema, salientando-se Ilse Scherer-Warren, Henrique Leff, Hermínia Maricato, Francisco Mendonça, Aldaisa Sposati, Josep Pont Vidal, Pedro Jacobi e Genebaldo Dias. Os procedimentos metodológicos (Capitulo 3) constam de pesquisa bibliográfica, pesquisa documental e pesquisa de campo com visitas técnicas às associações comunitárias, identificadas na área em estudo, e análise de dados. Nas reuniões com os dirigentes de associações comunitárias foi possível trocar experiências, discutir o andamento da pesquisa, obter informações por meio de entrevista e aplicação de formulário. 16 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM A apresentação e análise de resultados (Capítulo 4) enfocam as características referenciais das associações comunitárias em questão; os projetos de intervenção urbana na APA-Belém; os significados sócioambientais no entendimento dos dirigentes de associações comunitárias: Associação de Moradores Paraíso Verde, Centro Comunitário São Cristóvão, Associação de Moradores Passagem Cruzeiro Unidos com Pantanal (bairro Curió-Utinga); Centro Comunitário Nossa Senhora de Nazaré (bairro Souza); Associação Comunitária Parque Cabanagem e Associação de Moradores Castanheira (bairro Castanheira). As recomendações de EA apresentadas (Capítulo 5) expõem as possibilidades para que a associação comunitária, seja na forma de associação de moradores ou centro comunitário, inscreva-se no processo estratégico constituído de saberes pessoais e coletivos, expressos em projetos de educação ambiental não-formal, sob a perspectiva ética promovam mudanças de valores, hábitos e comportamentos na melhoria das condições de vida na APA-Belém. As considerações finais (Capítulo 6) rearticulam os elementos da pesquisa realizada, no contexto das associações comunitárias de bairros, procurando mostrar as dificuldades, desafios e possibilidades de moradores desses bairros, nesse percurso histórico de mudanças que conduzam às práticas de EA. Os contatos institucionais realizados com os técnicos na esfera do município de Belém, do Estado e de associações comunitárias envolvidas permitiram acessibilidade às informações pertinentes ao desvelamento do objeto de estudo na contextualidade espacial e socioambiental na APA-Belém. As explicações, balizadoras e significativas, reconfiguram novos laços comunitários, em termos do muro/cerca de proteção do Parque Ambiental de Belém e da Av. 1° de Dezembro (atual Av. João Paulo II), obras públicas com efeito na estruturação urbana da cidade de Belém. Dentro do contexto de MS urbano, proteção ambiental e EA, há uma preocupação da pesquisa com o meio urbano e a qualidade de vida, de saber como é possível aos moradores, diante dos problemas sócio-ambientais identificados, reagirem com iniciativas, interesse e participação como cidadão urbano, valorizando a natureza em termos de contribuições para a sustentabilidade. 17 Universidade da Amazônia 1 INTRODUÇÃO E studar a temática Movimento Social (MS) e Educação Ambiental (EA), em área natural protegida, é um instigante desafio à pesquisa, no âmbito das motivações pessoais para o tema; na importância histórica, política e ética da educação; na relevância teórica da temática para a área da educação; e da adequação da proposta com as diretrizes da Universidade da Amazônia (UNAMA). Nas aproximações com o tema, seja na pesquisa bibliográfica e na experiência concreta em organizações governamentais, organizações não governamentais e na própria prática de ensino universitário, deparou-se com o planejamento de ações pautado na concepção de EA, distanciada do conhecimento das comunidades envolvidas, no trato com problemas ecológicos ou ambientais. O interesse por esta temática decorreu de experiências obtidas em pesquisas anteriores: “Qualidade de Vida Urbana e Percepção Ambiental no Bairro Castanheira em Belém-PA”, (1998-2000); “Ecoturismo e Gestão Ambiental Participativa no Parque Ambiental de Belém” (20012002), vinculadas ao Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Meio Ambiente e Qualidade de Vida, em parcerias com a Fundação Instituto para o Desenvolvimento da Amazônia (FIDESA) e Banco da Amazônia (BASA). A partir dessas oportunidades foram realizadas diversas visitas, observações na Área de Proteção Ambiental–APA-Belém, fez-se contatos com alguns moradores e representantes de associações comunitárias, associação de moradores, centros e grupos comunitários. Observouse que os problemas socioambientais existentes nessa área ocorrem devido à ocupação desordenada, a poluição do solo e da água, inexistência de saneamento básico e deficiente conscientização ambiental, fatores relacionados à melhoria do espaço físico e a qualidade de vida. 18 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM Tais observações foram importantes e nos impulsionou a vislumbrar elementos da questão ambiental urbana, estabelecida na ótica individual e coletiva que precisam ser estudados e analisados, sob o aspecto da EA, por meio da inter-relação e representação do MS. A Área de Proteção Ambiental da Região Metropolitana de Belém-PA foi criada pelo Decreto Lei n° 1.552, em 03 de maio de 1993, para fins de proteção do principal manancial de água potável do Município de Belém composto por dois Lagos - Bolonha e Água Preta, que abastecem aproximadamente 70% da população de Belém - que se encontra o Parque Ambiental de Belém, de grande importância para a preservação da biodiversidade do espaço urbano. A dimensão da prática acadêmica nos últimos seis anos, em pesquisa em área urbana, envolvendo o componente EA, nos induziu a buscar apreender o MS urbano como pré-condição para identificar a sua particularidade, a tendência e a possibilidade, nele presente, passível de ser impulsionado na defesa do direito ao meio ambiente saudável. O problema chama atenção para o fato de ser a Amazônia encarada como responsabilidade nacional, visto que é inequívoca a sua potencialidade para o país e para o universo e não pode ser vista como espaço vazio do mundo; depósito de recursos naturais inesgotáveis e como habitat de populações indígenas ou como fronteira do campesinato nacional. “As soluções para a Amazônia devem emergir, de forma conjunta em parcerias entre poder público e setores sociais” (FRANCO, 1998, p.113). O custo social legado a Região Amazônica com a exploração dos recursos naturais pelos grandes projetos pode ser constatado no nível de desemprego e marginalidade social nos principais centros urbanos, incluindo-se a cidade de Belém-PA, agravado pela imigração campocidade; destruição do meio ambiente; descontinuidade dos programas de capital social básico. Rodrigues (1996), ao analisar o ambiente urbano, verifica que os problemas ambientais teriam como causa básica um conjunto de valores sociais e culturais que influenciaram negativamente as pessoas, fomentando condutas contrárias à preservação da natureza. Refere-se aos 2 mitos que surgiram na ECO-92, Conferência Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento realizada no Rio de Janeiro, em 1992. O mito que “os pobres são a causa principal da destruição do meio ambiente” e que “o crescimento demográfico no hemisfério sul é o elemento determinante da degradação do ambiente”. Com estes mitos buscar19 Universidade da Amazônia se-ia então, a construção de uma nova ética, a “ética de sustentabilidade”, capaz de criar uma “consciência ecológica” para orientar a relação do ser humano com a natureza de modo a preservá-la. Rodrigues aponta que a saída para as mazelas socioambientais, que nos espaços urbanos manifestam-se mais fortemente, está vinculada à possibilidade dos setores explorados e excluídos do campo e da cidade construir seu próprio modelo transformador. Verifica-se que a urbanização como processo histórico mundial tende a se intensificar, devendo ser aprendida e compreendida, numa perspectiva totalizadora. Tornam-se as cidades possibilidades de expressão de vida e transformação, onde problemas socioeconômicos e as lutas de classes assumem condições subjetivas e objetivas de lutas necessárias à qualidade de vida urbana. Vista dessa forma, a cidade manifesta uma contradição fundamental, visto que ao mesmo tempo em que enseja a acumulação ampliada de capital, condição imprescindível para a reprodução do sistema, é também o local das lutas de classes, imprescindíveis para a superação dos antagonismos sociais. Até então, tem-se verificado que as relações estabelecidas entre o ser humano e o meio ambiente urbano mostram-se complexas, conforme Mota (1999), as cidades são os locais onde o ser humano impõe o seu maior impacto sobre meio ambiente natural: água, ar, solo, vegetação e vida animal. A vida urbana como fator de modernidade nos leva a pensar e questionar elementos do ambiente sociourbano, onde atualmente sobrevive a maioria das pessoas, passando por toda sorte de mazelas biológicas e psicossociais: exclusão, violência, alienação, perda de identidade, frustração e conflitos levando ao stress. Nas cidades dos países em desenvolvimento existem deficiências quanto aos serviços básicos (saúde, transporte, educação, segurança, saneamento, proteção e lazer), onde um contingente de excluídos enfrenta o desemprego, a pobreza, a miséria, a violência, a doença, a desagregação familiar e as péssimas condições de qualidade ambiental. Porém, conforme Dias e Mota (2001; 1999), em algumas cidades de países ricos, o quadro de desagregação ambiental é agravado pelo alto padrão de consumo, gerando quantidades ambientalmente insustentáveis de lixo urbano e gases sólidos. Assim, esse quadro é determinado pelo modelo de desenvolvimento econômico aos indivíduos e à sociedade, visto que o consumismo e o uso excessivo de recursos naturais estabelecem maior vulnerabilidade para os centros urbanos. 20 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM A expressão de determinada relação que o ser humano estabelece com a natureza é percebida no crescimento econômico que tem ocorrido pelo uso predatório da natureza, com sua face perversa na concretude do processo de exclusão de pessoas que formam uma identidade coletiva e se organizam em Movimentos Sociais como os “SemTerra” no meio rural e os “Sem-Teto” no meio urbano. Afirma Leff (2001), dentro dos novos movimentos da sociedade civil (religiosos, feministas, jovens, estudantes e das minorias étnicas), incluem-se os movimentos ecologistas ou ambientalistas, os quais “surgem como resposta da sociedade à crescente deterioração ambiental”. Dessa forma, uma estratégia que o pesquisador pode viabilizar de intervenção na realidade social, junto com as organizações sociais que dela fazem parte, na perspectiva de transformação é mediante a educação popular. Brandão (1983) assinala que cabe ao educador desenvolver, junto aos movimentos populares, um intenso trabalho de educação política que desperte o operário, o trabalhador rural, a dona de casa e as demais pessoas do povo, para o direito inalienável à sua condição de cidadão que é de ativa participação na vida política do país. Para Gadotti (2000), educar significa “impregnar de sentido” as práticas e os atos cotidianos. Daí compreender-se que a competência do educador tem uma dimensão ética pela própria natureza do seu fazer no sentido que a cidadania ambiental e a cultura da sustentabilidade serão, necessariamente, os resultados do fazer pedagógico que conjugue a aprendizagem a partir do cotidiano. Complementa Gutiérrez que a promoção da aprendizagem na vida cotidiana é feita por meio de todos os recursos colocados em jogo no processo educativo, “pois a vida cotidiana é o espaço privilegiado da aprendizagem, ou seja, onde se dá a prática pedagógica entendida como mediação” (1999, p. 94). Para melhor situar o trabalho do educador popular, conforme Brandão (1983, p. 97), cabe ao educador: desenvolver junto aos movimentos populares, um intenso trabalho de educação política que desperte o operário, o trabalhador rural, a dona de casa e demais pessoas do povo, para o direito inalienável à sua condição de cidadão que é de ativa participação na vida política do país. O propósito deste Projeto de Pesquisa circunscreve-se na preocupação com um tema polarizador e relevante como este centrado no MS urbano e EA, tanto pela significância do saber ambiental que requer 21 Universidade da Amazônia o envolvimento de profissionais qualificados em termos teórico-metodológicos, construindo uma indissolúvel aliança entre teoria e realidade; quanto pela questão da cientificidade das Ciências Sociais, a partir da perspectiva ambiental e de sua contribuição para a explicação dos processos sociais num sentido prospectivo histórico de mudanças sociais nos quais teoria e práxis seguem de mãos dadas (LEFF, 2001). A importância política da temática proposta se expressa quando as questões ambientais passam a fazer parte do cotidiano e do processo de formação de classe operária e popular, não apenas para preservar a natureza, e sim para que as pessoas se conscientizem da importância do meio ambiente saudável, pois “todo cidadão tem o direito de viver e trabalhar em condições ambientalmente dignas é uma questão política de interesse coletivo e universalmente reconhecido” (REIGOTA, 1999, p. 108). Como educadores, agentes do aprendizado social, na produção de conhecimentos e na democratização de informações, parte-se do princípio que é preciso interagir com os Movimentos Sociais para produzir conhecimentos sobre o próprio conhecimento. Por isso, este estudo fundamenta-se nas seguintes premissas: - MS urbano com interesse ambientalista assume significativas possibilidades na reflexão crítica, pelo seu potencial transformador como sujeito político, privilegiado do processo de transformação social; - EA considera o meio ambiente em sua totalidade, dirige-se as pessoas de todas as idades dentro e fora da escola, de forma contínua, sintonizada com suas distintas realidades sociais, econômicas, culturais e políticas. Nesse campo real, dentro do qual se geram questões que encaminham as lutas de transformação social e reside o potencial nos Movimentos Sociais é que se busca pesquisar e afirmar uma atuação conseqüente e responsável, contribuindo com o conhecimento científico, na valorização do saber popular e mediação da aprendizagem significativa, atribuindo sentido às ações cotidianas do MS urbano na APA Belém. Assim, o processo de trabalho do pesquisador educador voltado ao MS urbano e EA, objetos deste estudo, assume significativas possibilidades no campo da reflexão crítica das relações sociais e mediações possíveis com eles estabelecidas, de forma teórica, política e ética na perspectiva de transformação da realidade. Assim, fica clara a pertinência do sentido desta pesquisa que leva a reflexão crítica da realidade em mudança, mostrando, com ênfase numa abordagem dialética, o compromisso sociopolítico com os sujeitos (representantes de associações comunitárias), buscando identi22 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM ficar, entender e analisar as transformações socioambientais que estão ocorrendo nessa área urbana de estudo. Atualmente cerca de 80% da população do país mora em área urbana e as cidades brasileiras apresentam problemas comuns que foram agravados, ao longo dos anos, pela falta de planejamento, reforma fundiária, controle sobre o uso e a ocupação de solo. Nisso se constitui os desafios urbanos para a política de Estado assegurar o acesso à moradia digna, a terra urbanizada, à água potável, ao ambiente saudável e a mobilidade com segurança (MINISTÉRIO DAS CIDADES, 2004, p.3). Ora, se a degradação do meio ambiente urbano, agravada pelo ritmo acelerado do crescimento demográfico, constitui preocupação de governantes e estudiosos, é possível que grupos organizados da sociedade civil também sejam tocados por esta preocupação, diante da complexidade do quadro urbano que se delineia. Na maioria das sociedades latino americanas, as lutas dos movimentos sociais de vários tipos culturais, étnicos, homossexuais, ecológicos, direitos humanos, moradia, mulheres, ao final da década de 70 e nos anos 80 no Brasil, são enfatizados por Scherrer-Warren (1996); Dagnino (2000); Gohn (2001), como relevantes politicamente, carregados de significados culturais em suas práticas sociais. Analisando o MS, ao final do século XX, Gohn (2001) observa que na segunda metade da década de 80 muitos movimentos sociais demonstravam fragilidade, resultado de uma política de desencantamento, ante o colapso das experiências socialistas no mundo. Na última década do século XX, especialmente na segunda metade, os novos movimentos sociais foram protagonistas fundamentais de um processo de transformação do modo de viver. Como afirma Dagnino (2000), a luta recente pela democratização e apropriação da cidadania para os movimentos populares urbanos, significa “a percepção das carências sociais como direitos à moradia, saúde, saneamento, transporte, entre outros”. Nessa retórica, o sentido pró-reativo é apresentado nos discursos dos movimentos sociais da atualidade no combate a política neoliberalista, do novo sistema capitalista mundial, diante do desemprego, das massas excluídas ao processo produtivo e da decadência do Welfare State. Segundo Scherer-Warren (2002, p.224), “os movimentos sociais desejam ser atores na construção de uma sociedade menos guiada pelas forças de mercado e onde haja mais espaço para a vez e participação da sociedade civil”. 23 Universidade da Amazônia No sentido reativo, os movimentos sociais são expressivos à antiglobalização, no entender do professor Vidal (2004, p.101), como “Formas de acción colectiva en las que la cidadanía expresa su rechazo a este modelo exclusivamente economicista, a sua vez, profundiza y dessarolla una cultura política de auto aprendizage y responsabilidad.” Nesse contexto, para Scherer-Warren (2002, p.248), a idéia de MS como categoria analítica, deve ser distinguida das várias práticas concretas denominadas de “movimentos sociais” ou “movimentos populares“. Dessa forma, para a autora: Movimento social é um conjunto de referências simbólicas, num campo de valores e de práticas sociais, que vai sendo construído na memória e na ação coletiva, penetrando em vários níveis, nas relações familiares, comunitárias e societárias, no local, no nacional e no planetário (ROSSIAUD e SCHERER-WARREN, 2002, p.45). Cabe considerar os elementos simbólicos em consonância com os ideários do movimento, respeito aos valores e capacidades individuais, enquanto ser humano e cidadão, agente político de uma ação coletiva, desenvolvendo uma capacidade de indignação, buscando construir a cidadania. Merece registro o que refere Viana (2000, p.50) sobre as lutas sociais no Brasil: Se nos anos 80 o palco por excelência dos movimentos sociais era a rua e a cidade, qualquer que fosse o tipo particular de movimento, nos anos 90 vai merecer destaque o campo, a ambientação agrária como espaço privilegiado do conflito social, embora com expressividade no ambiente urbano. Concordante com Scherer-Warren (2002, p.45), o MS transcende a prática localizada e temporal de uma organização, é “um conjunto mais abrangente de políticas sociopolítico-culturais, resultante de múltiplas redes de relações sociais entre as associações civis que visam à realização de um projeto de mudança”. Na intenção de Sposati (2002, p.13), a discussão dos “movimentos utópicos da contemporaneidade” é apoiada na proposta do “paradigma socioambiental”, defendida por Boaventura Souza Santos (1997). 24 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM Ambientalismo supõe tanto examinar os chamados comportamentos destrutivos, da predatória sociedade industrial e pós-industrial, como também instalar uma concepção preservadora e preventiva que repense os usos e costumes da modernidade e seu impacto no futuro da vida humana e da natureza (SPOSATI, 2002, p.13). A centralidade da questão que se quer responder nesta pesquisa é como as associações comunitárias, compreendidas em associações de moradores e centros comunitários se articulam e se incorporam no viés do movimento ambientalista, especificamente direcionadas ao foco de interesse do ambiente urbano da APA- Belém, nos bairros Curió-Utinga, Souza e Castanheira. Também propõem-se identificar e analisar o delineamento de quatro eixos temáticos: MS urbano, EA, Proteção Ambiental e Participação Comunitária, abrangendo em cada um desses eixos, por meio das falas dos moradores desses bairros, especificamente os dirigentes de associações comunitárias, o conhecimento da realidade socioambiental, ante a situação que se apresenta sob interferência de dois projetos de intervenção urbana: a construção do muro/cerca do Parque Ambiental de Belém e o prolongamento da Av. 1º de Dezembro (atual Av. João Paulo II). 1.1 PROBLEMA DE PESQUISA E SUA RELEVÂNCIA A cidade de Belém, não diferente de outras grandes cidades do país, apresenta mudanças decorrentes de expansão das áreas urbanas, agravadas pelas “ocupações” irregulares, onde as pessoas constroem suas residências em locais inadequados e ambientalmente frágeis, fato agravado pela ocorrência da migração campo-cidade nas últimas 3 décadas do século XX (MARICATO, 2002, p.49). Desse modo, a APA-Belém tem sido objeto da intensificação de invasões realizadas, predominantemente, pela população de baixa renda que ocupa locais inadequados à construção de moradias. Os moradores dessa área convivem com agravantes da ocupação desordenada, desmatamento e poluição. Muitos não se dão conta dos efeitos dessa interferência na sua qualidade de vida, outros por sua vez, percebem tais agravantes, mas se mantêm indiferentes e poucos os identificam e mostram comportamentos participativos (MELO, 2002). Na realidade, as moradias em locais considerados inadequados, localizadas em áreas públicas, destinadas a proteção ambiental deve25 Universidade da Amazônia se, na maior parte das vezes, a falta de moradia, a deficiência de programas habitacionais, em especial para a população de baixa renda que não tem acesso ao mercado formal (MARICATO, 2002, p.131). Do ponto de vista espacial, tal situação torna-se preocupante, uma vez que os bairros da área de estudo estão sofrendo transformações urbanas, em virtude dos investimentos públicos, estadual e municipal, em obras de abertura de uma avenida e construção do muro do PAB, com desapropriações e remanejamento de moradores para outros locais. Do ponto de vista socioambiental, essas obras já provocavam mudanças na vida das pessoas dessas comunidades antes mesmo de serem implantadas. Em pesquisa anterior, a relação de convivência dos moradores com o Parque é considerada pelo espaço que os aproxima; a maioria 74,8%, não o conhece (MELO, 2002). Assim, esta realidade apresenta-se fragilizada, por ações desconexas do poder público e dos moradores que vivenciam essa trama na cotidianidade, pela dificuldade de informação, interpretação e negociação de interesses comunitários, técnicos e políticos. O problema desta pesquisa está centrado na observação (MELO, 2002) quanto ao fraco nível organizativo de participação social e educação ambiental, diante dos desafios socioambientais postos aos dirigentes das associações comunitárias nos bairros sob influência de projetos de governo, ante a iminência de grandes transformações, trazidas provavelmente pelo prolongamento do corredor de tráfego - Av. 1º de Dezembro (atual Av. João Paulo II) e construção do muro/cerca do PAB, originando impactos socioambientais em vários aspectos do processo de urbanização. A inexistência de infraestrutura dos bairros no entorno do PAB, como: a falta de saneamento e a precariedade de coleta de lixo; reduzidas áreas de lazer; violência, desmatamento e poluição que comprometem e agravam a degradação ambiental nos ecossistemas dos lagos. A fraca conscientização ambiental é atribuída inicialmente à desinformação dos moradores quanto aos problemas socioambientais no entorno do PAB, dificultando o entendimento que as pessoas têm sobre os problemas ambientais urbanos numa perspectiva individual e coletiva. Daí a relevância da EA em possibilitar, assegurar e permitir transformações sociais, individual e coletiva, considerando a responsabilidade ambiental por meio da práxis da informação, conhecimento e ações destinadas a conscientização ambiental, favorecendo as lutas socioambientais no foco do MS urbano pró-ambientalista na APA-Belém. 26 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM Tal situação reflete o conteúdo da lógica destrutiva do estilo de desenvolvimento, revelado também no potencial criativo e de poder ainda pouco explorado no que se refere às alternativas de ação sóciopolítica da população, potencialmente afetada pela insustentabilidade ambiental, podendo não considerar relevante a necessidade de proteção ambiental em bases organizativas ainda precárias. Desse modo, uma das possibilidades que surge, enquanto fator de mitigação de problemas antrópicos, é o MS urbano que se mostra enfraquecido no seu poder político de reivindicação sobre necessidades coletivas, agregado as de teor ecológico, de conhecimento e de práticas ambientais. Isto significa perceber o MS urbano como alternativa ao enfrentamento das questões individuais em relação às questões coletivas, sendo de fundamental importância para a conquista de soluções relacionadas às situações locais, uma vez que as condições sociais e econômicas não atendem às necessidades básicas de parte da população desses bairros. Levando-se em conta esta situação, parte-se da existência de uma lacuna em estudos voltados à organização social em meio urbano sobre a temática da EA, buscando oferecer subsídios para uma reflexão direcionada aos aspectos sociopolíticos inseridos na questão ambiental urbana, no campo do planejamento da EA em Área de Proteção Ambiental. E para que tal possibilidade se apresente no campo real, para essas comunidades, faz-se necessário que antes se identifique o MS urbano na área em estudo, como se articula e desarticula, se fortalece e enfraquece, se motiva e desmotiva, se mobiliza e desmobiliza, diante de suas práticas de confrontos e conquistas ante aos interesses comuns, construídos no saber popular e na EA. Assim, a problemática da pesquisa converge para os significados que os dirigentes de associações comunitárias nos bairros CurióUtinga, Souza e Castanheira, em Belém-PA, atribuem a situação histórica que estão vivenciando, de mudanças, relacionadas aos projetos de intervenção urbana e a sua analogia com o MS urbano enquanto potencialidade para as ações de EA. • A implantação do prolongamento da Av. 1° de Dezembro prevista no Plano Diretor de Transporte Urbano (PDTU) de 1993, numa extensão aproximada de 15km , no seu trecho compreendido entre Av. Dr. Freitas, em Belém e Km-0 da Rodovia PA-150, em Ananindeua (Figura 1). 27 Universidade da Amazônia FIGURA 1: Obras do prolongamento da Av. 1° de Dezembro (atual Av. João Paulo II) - Bairro Curió-Utinga. Belém-PA, set.2004. Os habitantes que residem no entorno desta avenida, próximos ao PAB não contam com saneamento básico. Os corpos orgânicos, detritos e impurezas são carreados diretamente para os mananciais de água do Utinga, ou seja, para dentro do Parque. Entretanto, para a concretização desta obra foi necessária a retirada de 380 famílias de moradores, os quais que foram indenizados, não houve remanejamento, conforme informações técnicas da SESAN (1995). • A construção do muro/cerca do PAB (Figura 2), apresentando a justificativa de proteger o Parque, numa extensão de 16km, iniciado em 2001, cujo traçado foi definido pela poligonal da Companhia de Saneamento do Pará (COSANPA, 2002). 28 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM FIGURA 2 - Muro/Cerca do Parque Ambiental de Belém na Av. 1º de Dezembro (atual Av. João Paulo II) – Bairro Souza. Belém-PA, out. 2004. 1.2 HIPÓTESE A população moradora na APA-Belém organizada em associações comunitárias, informada e sensibilizada facilitaria a participação no MS urbano, com interesses socioambientais, contribuindo significativamente com as práticas coletivas concretas de EA, traduzidas pela reflexão crítica de atitudes, reconfigurando um campo ético-político coletivo, por meio até de ações incentivadas pelos órgãos públicos ambientais, dinamizando as relações sociais entre os moradores dos bairros e cooperando para a superação das dificuldades socioambientais existentes nas comunidades em busca de possíveis soluções de proteção ambiental. 1.3 OBJETIVOS Os objetivos desta pesquisa derivam da formulação do problema, mediante sua exposição e expectativa. Desse modo, pretende-se atrair a atenção para relevância da pesquisa e para a aplicabilidade dos resultados. 29 Universidade da Amazônia 1.3.1 Geral Analisar o envolvimento das associações comunitárias relacionado ao movimento social urbano, no foco da educação ambiental na APA-Belém. 1.3.2 Específicos Verificar as relações socioambientais dos dirigentes de associações comunitárias (associações de moradores e centros comunitários) sob abrangência dos projetos de intervenção urbana na APA-Belém. Analisar os significados socioambientais dos dirigentes de associações comunitárias, decorrentes da interferência de projetos de intervenção urbana. Entender como as associações comunitárias formulam, articulam e encaminham interesses no enfrentamento de situações surgidas, junto às esferas governamentais e privadas. Identificar o movimento social urbano com viés ambientalista na APA-Belém. Contribuir com recomendações de EA para a gestão das associações comunitárias e fortalecimento do movimento social urbano, enquanto espaço pedagógico de produção do saber, na promoção da aprendizagem de ações cotidianas, na dimensão pessoal e coletiva ético-política de interação com o meio ambiente na APA-Belém. 30 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM 2 MARCO REFERENCIAL DA PESQUISA N este item, apresentam-se as definições das principais categorias possibilitadoras à compreensão crítica e análise circunscritiva, ao problema apresentado e os objetivos definidos desta pesquisa. Explora-se a relação dialética entre a participação dos sujeitos: forma de associativismo civil (representantes de associações comunitárias); a esfera pública (projetos de intervenção do governo na realidade local); e do movimento social no foco da educação ambiental em Área de Proteção Ambiental. 2.1 ASSOCIAÇÃO COMUNITÁRIA Na contemporaneidade são muitas as organizações da sociedade civil e as possibilidades de participação das pessoas nas questões que envolvem interesses públicos, coletivos e particulares. Uma das formas de participação é por meio do associativismo civil. Associações civis como formas organizadas de ações coletivas, empiricamente localizáveis e delimitadas, criadas pelos sujeitos sociais em torno de identificações e propostas comuns, para a melhoria de qualidade de vida, defesa de direitos e cidadania, reconstrução ou demandas comunitárias etc. (SCHERER-WARREN, 2002, p.42). Segundo esta autora, a capacidade dos indivíduos se organizarem, considerando os interesses em comuns, nos contextos localizáveis, configura uma forma de participação. Se por um lado implica em busca de qualidade de vida, a medida que possa encontrar soluções para problemas comunitários, por outro lado representa uma possibilidade compactuada à concretude de valores construídos. 31 Universidade da Amazônia Essa compreensão de associativistmo civil é fundamental no contexto da APA, onde a participação social dos moradores constitui uma necessidade individual, coletiva e, contigencialmente, requerida à potencialização das ações comunitárias. Trata-se de organizações formais, com certa continuidade temporal e referência espacial, onde têm-se algumas formas de associativismo com penetrabilidade às questões sobre o meio ambiente: associações comunitárias, mútua-ajuda; associações de classe; organizações não-governamentais; organizações de defesa de cidadania, associativismo religioso. Considerando que: Associações comunitárias: é por meio delas que os moradores encaminham suas reivindicações para a melhoria da infraestrutura do bairro ou da comunidade de referência; para a melhoria de qualidade de vida (na saúde, educação, lazer, meio ambiente, etc); para reconhecimento de suas tradições culturais (pela promoção de eventos, festas, festivais, etc). Pode-se incluir nesta categoria desde as antigas Sociedades Amigos de Bairro, os Conselhos Comunitários (criados por iniciativas governamentais, mas que na prática muitas vezes se confundem com as associações criadas por iniciativa da sociedade civil), as mais recentes Associações de Bairro, de Moradores ou de Favelados e grupos locais de defesa cultural (SCHERERWARREN, 2002, p.42). Essa concepção das associações comunitárias envolve o que se considera na realidade de pesquisa: as associações de moradores e os centros comunitários, como organizações formais na área da APA-Belém. É por meio das associações comunitárias que os moradores encaminham reivindicações para melhoria da infraestrutura do bairro, da qualidade de vida (na saúde, educação, saneamento, lazer e meio ambiente); pode-se incluir nesta categoria as associações de moradores e os conselhos comunitários. 2.2 MOVIMENTO SOCIAL URBANO A natureza do problema, delimitado pelos objetivos desta pesquisa, permite a construção de um quadro teórico específico, considerado importante e essencial para o direcionamento das informações 32 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM requeridas neste estudo, por meio da pesquisa bibliográfica e da pesquisa documental. Os conceitos que a priori serão adotados estão baseados em conteúdos teóricos de autores que abordam a temática de interesse deste estudo. Muitos autores têm escrito sobre movimentos sociais, enfatizando seus processos, organização e demandas no ambiente urbano. O ambiente urbano é formado por dois sistemas intimamente relacionados, o ‘sistema natural’, composto do meio físico e biológico (solo, vegetação, animais, água etc) e o ‘sistema antrópico’, consistindo do homem e de suas atividades (MOTA,1999, p.260). Para a compreensão de movimentos sociais urbanos (movimentos populares caracterizados como novos movimentos sociais), buscase rever as contribuições históricas dos cientistas sociais Manuel Castells e Alain Touraine que ainda exercem influência na América Latina. Castells (1976 apud AMMAM, 1991, p.14) refere que os “movimentos sociais urbanos são os sistemas de práticas sociais contraditórias, isto é, que convertem a ordem estabelecida a partir das contradições específicas da problemática urbana”. É na realidade urbana, no sistema capitalista, que emergem as lutas pelo acesso, sobretudo à moradia, educação, saúde, cultura, lazer, transporte, segurança, além de outras. É nesse contexto urbano onde se acentuam, com maior ênfase, necessidades coletivas aí demarcadas, objetivando intervenções dos movimentos sociais para transformações de qualidade de vida. Em Tourraine (1973 apud AMMAM, 1991, p.15), “os movimentos sociais são a ação conflitante de agentes das classes sociais, lutando pelo controle do sistema de ação histórica”. Tourraine entende a existência do movimento social na dimensão de classe, quando o movimento fala em nome de uma classe contra outra; na dimensão de nação, em nome da nação contra o estrangeiro dominante e na dimensão da modernização e da integração contra a tradição. São os novos movimentos sociais: de mulheres, regionalistas e os ecológicos; o agente coletivo que pode desempenhar o papel central, anteriormente destinado ao movimento operário. Ao estudar o movimento popular de bairro do Centro-Oeste brasileiro, Amman formulou o conceito “movimento social é uma ação coletiva de caráter contestador, no âmbito das relações sociais, objetivando a transformação ou a preservação da ordem estabelecida na socie33 Universidade da Amazônia dade” (1991, p. 22). Para a autora, os problemas de bairro nascem no âmbito das relações de produção na cidade e uma das características do movimento social é a contestação, cujos determinantes se localizam na instância das relações sociais de produção. No Brasil, na década de 70 e início da década de 80 do século XX, viveu-se um período histórico, nunca antes observado, de formação de novas identidades coletivas, construídas em torno de múltiplos significados: carências comuns, defesa comunitária, cultural, religiosa, de gênero, étnica, ambiental e de direitos humanos (SCHERER-WARREN, 2002). Atualmente, as redes de movimentos que vem se formando no Brasil apresentam algumas características em comum, como “busca de articulação de atores e movimentos sociais e culturais; transnacionalidade; pluralismo organizacional e ideológico; atuação nos campos cultural e político” (Ibid, p.119). No entanto, como assinala Dagnino (2000, p.83), os movimentos sociais em sua luta recente pela democratização, a apropriação da noção de nova cidadania, cuja redefinição foram concretizadas, ao final da década de 70 e nos anos 80, como expressão de organização política dos setores populares significa “a percepção das carências sociais como direitos”, refletindo na sua luta pela moradia, saúde, saneamento, educação, transporte entre outros. Quando se fala em cidadania relaciona-se imediatamente a condição do indivíduo que tem direitos e deveres civis e políticos. Considera-se cidadania como uma categoria essencial à definição de identidades individuais e coletivas (DALLARI, 2002). O conceito de Movimento Social urbano representa: Um conjunto diferenciado de manifestações que ocorrem no meio urbano, demandatário de bens e serviços, e de questões que giram ao redor de habitação, do uso do solo, questões estas fundamentais para a reprodução da força de trabalho (GOHN, 1995, p. 16). Assim, as noções de movimento popular ou social passaram a ser comumente utilizadas para denominar as ações coletivas desenvolvidas pelas organizações populares, com alcance limitado, de ação política configurada nas ações de bairro, movimento de mulheres, organizações de defesa ambiental (AMMAM, 1991; GOHN, 1995; DAGNINO, 2000; SCHERER-WARREN, 2002). 34 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM Scherer-Warren enfatiza, entre os meios de participação, as associações civis como formas organizadas de “ações coletivas, localizáveis e delimitadas por sujeitos sociais, em torno de identificações e propostas comuns para melhoria de qualidade de vida, defesa de direitos de cidadania, demandas comunitárias” (2002, p.42). A autora chama-se a atenção para a ação coletiva do MS, quando começam a surgir práticas de lutas pela cidadania, transcendendo as reivindicações específicas de cada associação, a prática localizada espacial e temporal de uma organização social. Nesta pesquisa para efeitos de fundamentação teórica sobre o significado de movimento social, considera-se: Movimento social é um conjunto de referências simbólicas, num campo de valores sociais e de praticas sociais, que vai sendo construído na memória e na ação coletiva, penetrando em vários níveis, nas relações familiares, comunitárias, societárias, no local, no nacional e no planetário (SCHERER-WARREN, 2000, p.45). Nessa apropriação conceitual, para compreender o movimento social em área urbana, é preciso antes de qualquer coisa entender o contexto sócio-ambiental onde estão circunstanciados, que afeta a existência de grupos sociais e populações. Compreende-se, então, o movimento social urbano relacionado a defesa ambiental, com base nas atitudes e comportamentos coletivos, constituindo formas de organização de grupos sociais, apoiadas num conjunto de valores e ações comuns, envolvendo reivindicações coletivas setoriais e, em determinados contextos, objetiva provocar alterações em alguns aspectos da realidade. 2.3 EDUCAÇÃO AMBIENTAL Entre os teóricos que tentaram organizar a história da educação ambiental, Grun (1996) publicou que a educação ambiental não é algo novo na sociedade moderna. A consolidação do pensamento mais elaborado começou a tomar forma na década de 70 com a Conferência da Organização das Nações Unidas - (ONU) sobre Meio Ambiente Humano, realizada em Estocolmo (Suécia), em 1972. A Rio-92 consagrou-se como um dos maiores registros na história da humanidade, solicitando o exercício da prática da educação ambi35 Universidade da Amazônia ental em todos os níveis para uma nova consciência mundial em relação ao convívio do ser humano com o meio ambiente (DIAS, 1997; MOTA, 1999). Com base nesse cenário, a sociedade brasileira começou a se preocupar com os programas específicos de educação ambiental, no direcionamento ambientalmente ético à relação do ser humano com o meio ambiente. Assim, a educação ambiental passa a ser a dimensão solicitada como fator essencial para a formação integral do cidadão, nas suas principais formas de realização quer seja formal, não-formal ou informal visa, fundamentalmente, capacitar o cidadão a desenvolver uma relação equilibrada com as pessoas, as sociedades e os diferentes ambientes da biosfera (SAUVÉ, 1994). No Brasil, a Lei n° 9.795 de 27 de abril de 1999 que dispõe sobre a Política Nacional de Educação Ambiental, definiu em seu Artigo 10: Entende-se por educação ambiental os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade. Diante do exposto, pode-se então tomar a educação ambiental como princípio fundamental, parte integrante e essencial da educação social, cultural e histórica do ser humano destinada à concretização e alicerce educacional dialético na rede de relações pessoa, comunidade e meio ambiente. Assim, para Reigota, a Educação Ambiental é uma proposta que altera profundamente a educação como conhecemos, não sendo necessariamente uma prática pedagógica voltada para a transmissão de conhecimentos sobre ecologia. Trata-se de uma educação que visa não só a utilização racional dos recursos naturais, mas basicamente a participação dos cidadãos nas discussões e decisões sobre a questão ambiental (1996, p.11). Nesse sentido, a educação ambiental deve procurar estabelecer uma nova aliança entre a humanidade e a natureza, estimulando a ética nas relações econômicas, políticas e sociais. Nesta via de entendi36 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM mento, Reigota é o que mais se aproxima do propósito desta pesquisa, por incorporar a participação dos cidadãos nas discussões da questão ambiental pelas representações, numa relação dinâmica e interativa resultado da dialética das relações entre os grupos sociais e o meio ambiente construído. “Uma representação social é o senso comum que se tem sobre um determinado tema”, em que se incluem os preconceitos, ideologias e características das atividades cotidianas das pessoas (MOSCOVIT, 1996 apud REIGOTA, 1997, p.35). Reigota (1999) defende a proposta pedagógica por uma educação pós-moderna, por meio da metodologia de trabalho e análise das representações sociais. Gadoti e Gutierrez (2000) consideram a proposta da ecopedagogia como uma ferramenta que pode favorecer a mudança de atitude e da conduta de novas gerações em busca do desenvolvimento. Leff (2001) oferece uma abordagem do discurso epistemológico socioambiental pela construção de uma racionalidade ambiental. Na concepção de Dias (2001, p. 8), a “educação ambiental busca, estimular o exercício pleno e consciente da cidadania (deveres e direitos) e fomentar o resgate e o surgimento de novos valores que tornem a sociedade mais justa e sustentável”. Significa a construção de um processo que envolve conhecimentos, balizados em valores e atitudes, cultura e ética na perspectiva ambientalista. 2.4 ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL A legislação ambiental brasileira define dois tipos básicos de áreas naturais protegidas: àquelas sem definição de dimensões e limites, como as florestas, o mar, as cavernas, as serras; o outro tipo tem definidos suas dimensões e limites físicos, são as Unidades de Conservação (UC): Parques Nacionais, Estações Ecológicas, Reserva Particular do Patrimônio Natural e outras. As UC’s são criadas pelo Poder Público estão sujeitas ao uso ou ocupação especial por possuir ecossistemas únicos e recursos ambientais de valor paisagístico que devem ser protegidos. Com intuito de organizar a criação das UC’s no Brasil, em 18 de julho de 2000, foi criado o novo Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), pela Lei Federal 9.985, definindo, uniformizando e consolidado critérios para o estabelecimento e gestão de áreas protegidas. 37 Universidade da Amazônia Unidade de Conservação é conceituada pelo SNUC, como: O espaço territorial e seus recursos ambientais, incluindo as águas jurisdicionais com características naturais relevantes, legalmente instituído pelo Poder Público, com objetivo de conservação e limites definidos, sob regime especial de administração, ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção (Artigo 20, I). O SNUC é constituído pelo conjunto das UC’s federais, estaduais e municipais, sendo gerido pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA), com o órgão central consultivo e deliberativo; Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e órgãos estaduais e municipais, como executores do Sistema. Um dos objetivos das UC´s é proteger a biodiversidade para manutenção dos processos ecológicos e a sustentabilidade dos ecossistemas. É assim, assegurada a participação efetiva das populações locais na criação, implantação e gestão das UC’s. Na verdade, nas UC´s, em área urbana, o que se observa são vestígios de destruição, ocasionada pela intervenção humana em relação à natureza, em prejuízo das comunidades urbanas (MARICATO, 2002). Nesse aspecto, Diegues (1996, p.49) refere-se ser paradoxal a questão da conservação, a cultura se transforma e a natureza também. Daí “os Parques não foram e não são protegidos por insuficiência de meios, mas sim por falta de apoio da população”. Bastaria haver, campanhas de educação ambiental e outros meios, para que essa população nacional, local e regional, apóie a idéia de áreas naturais protegidas. Duas diferentes categorias de uso são definidas pelo SNUC, as Unidades de Proteção Integral e as Unidades de Uso Sustentável. As primeiras são àquelas que têm por objetivo a preservação da natureza, sendo admitido apenas o uso indireto de seus recursos naturais. As Unidades de Uso Sustentável têm por objetivo a conservação da natureza com o uso sustentável de seus recursos. Dentro dessas duas categorias, o Parque Nacional, Estadual ou Municipal se encontra nas Unidades de Proteção Integral; e a Área de Proteção Ambiental (APA) nas Unidades de Uso Sustentável. Área de Proteção Ambiental – APA é concebida como [...] áreas terrestres e/ou aquáticas, de configuração e tamanho viáveis, submetidas a modalidades de manejo diversos, podendo compreender ampla gama de paisagens 38 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM naturais, semi-naturais, ou alteradas, com características notáveis e dotadas de atributos bióticos, estéticos ou culturais que exijam proteção para assegurar o bem-estar das populações humanas, conservar ou melhorar as condições ecológicas locais ou proteger paisagens e atributos naturais e culturais importantes (BRASIL, 2000). Na APA apenas é limitado o manejo da área, não implicando desapropriação ou mudança de domínio, objetivando melhorar as condições ambientais de determinada área e proteger ecossistemas regionais. Já a categoria Parque Nacional permite a realização de pesquisas científicas, o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e do ecoturismo. Todo Parque Nacional é de posse e domínio público, sendo prevista a desapropriação das áreas particulares, incluídas em seus limites (BRASIL, 2000). 2.5 PARTICIPAÇÃO SOCIAL O entendimento do direito de participação social do ser humano, como um ente associativo, com seus atributos naturais e suas necessidades essenciais à convivência em sociedade merece cuidadosa reflexão. Para Dallari (2002, p.90), “o ser humano tem inteligência, vontade, consciência, pensa, julga, faz escolhas conforme a convivência de interesses, é livre para formação de suas convicções”. A Constituição Federal de 1988 garante os instrumentos legais para a organização de pessoas em associações e grupos comunitários na diversidade de seus objetivos, em diversos lugares, buscando o exercício de cidadania. Outra observação importante a fazer, sobre a participação social explicitada como conceito fashion, Está presente nos discursos políticos, empresarias, científicos, do senso comum e é enaltecido como condição de tudo que é positivo na sociedade como sucesso profissional. [...] participação significa potência de ação, da passagem da passividade à atividade, da heteromania passiva a autonomia corporal (SAWAIA, 2002, p.119). Em outras palavras, envolve possibilidades a práxis participativa, mesmo reprimida a participação popular sempre existiu na corporificação dos grupos excluídos, os quais manifestam e demandam ações ou políticas governamentais. As mobilizações e movimentos so39 Universidade da Amazônia ciais são meios de participação social que se diferenciam sobre as questões reivindicadas, conforme o período histórico e os atores sociais em processo de transformação. A participação democrática é um processo que ocorre em um patamar diferenciado, ou seja, é entendida de forma ampla e genérica, uma vez que os movimentos sociais não vão somente reivindicar os seus direitos, mas, sobretudo ampliá-los. A participação social, surgida na década de 70, de forma embrionária, hoje conta com uma constituição mais sólida. Nos anos 90, torna-se evidente a participação dos movimentos sociais que estão mais presentes na construção social da atualidade, identificando seus limites e potencialidades por meio de mobilizações. Por conseguinte, a participação no movimento social tende a ser mais eficaz, possibilitando acesso às informações, elaboração de planos e projetos com a finalidade de alcançar os objetivos reivindicados. A participação como processo educativo: [...] se expressa através da conscientização, organização e capacitação continua e crescente da população ante a sua realidade social concreta. Como tal é um processo que se desenvolve a partir do confronto de interesses presentes a esta realidade e cujo objetivo é a sua ampliação enquanto processo social (SOUZA, 1993, p. 84). Nesse sentido, o processo pedagógico da participação inclui não somente a capacitação, mas a conscientização e organização como componentes indispensáveis ao desenvolvimento comunitário local. A participação, como processo educativo (SOUZA, 1993), consiste no exercício coletivo da tomada de decisões e da gestão das ações definidas e implementadas pelos moradores (população da comunidade). No exercício da articulação de forças sociais (no nível de movimentos populares), na comunidade e fora dela. A população deve ser estimulada a participar como exercício de reflexão e ação relacionada aos seus interesses e preocupações em relação às condições reais e potenciais da organização social (sindicalização, associação e outras). Assim, pode-se considerar a participação comunitária como a base da gestão ambiental, incorporando mecanismos de sensibilização, mobilização e envolvimento da população para que interfiram na solução de problemas locais de proteção ambiental. 40 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM Geralmente, na comunidade existem grupos de importância social e política (associações de moradores, centros comunitários e outros), aos quais incidem responsabilidades e se convocados, provavelmente, participam no processo de gestão ambiental. [...] a criação de oportunidades concretas para as pessoas tomarem iniciativa, terem voz nas decisões relativas ao desenvolvimento, melhorar em seu acesso aos meios de produção, incluindo a produção de conhecimento, e tomarem parte concreta nos beneficias do desenvolvimento (FURTADO, 2000, p.61). Furtado (2000) enfatiza que a participação pode ser concebida como o processo pelo qual o povo (urbano e rural) se torna apto a se organizar e, por meio de sua própria organização (centros comunitários, associações de bairros, grupos de trabalho, cooperativas de produção e outros) é capaz de identificar suas necessidades, partilhar o planejamento, implementação e avaliação de suas ações. 41 Universidade da Amazônia 3 3.1 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ÁREA GEOGRÁFICA DE ESTUDO A área geográfica de estudo, em seu aspecto físico, está situada na Área de Proteção Ambiental de Belém, compreendendo as comunidades localizadas em bairros no entorno do Parque Ambiental de Belém: Curió-Utinga, Souza e Castanheira, em Belém-PA, sob abrangência do prolongamento da Av. 1° de Dezembro (atual Av. João Paulo II) e da construção do muro/cerca de proteção do PAB (Figura 3). Castanheira Souza Curió-Utinga FIGURA 3: Traçado básico do prolongamento da Av. 1° de Dezembro (atual Av. João Paulo II), entre Av. Dr. Freitas e Alameda Moça Bonita. Fonte: Base Cartográfica 1998. Prefeitura Municipal de Belém/CODEM. 42 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM 3.2 PESQUISA BIBLIOGRÁFICA E PESQUISA DOCUMENTAL Neste estudo utilizou-se pesquisa bibliográfica, incluindo textos e publicações de autores que trabalham os tópicos temáticos da problemática socioambiental, permitindo a construção do marco teórico das categorias em análise, relevante à fundamentação científica sobre movimento social urbano, educação ambiental e transformação socioambiental da realidade em estudo. A pesquisa documental insere o levantamento de documentos, cujos elementos informativos e ilustrativos favoreçam à compreensão dos dados em fotografias e ortofotos. 3.3 PESQUISA DE CAMPO A pesquisa de campo compreende contactos institucionais, visitas técnicas às organizações sociais na área de estudo, observação participante, entrevistas, aplicação de formulários, oficinas e reuniões. • Delimitação do universo de pesquisa O universo da pesquisa em questão é composto pelos dirigentes das diretorias de três associações de moradores (Parque Cabanagem, Castanheira e Paraíso Verde), três centros comunitários (Nossa Senhora de Nazaré, São Cristovão e Passagem Cruzeiro Unidos com Pantanal), cuja representatividade abrange três bairros da APA (Curió-Utinga, Souza e Castanheira) e representantes do Fórum dos Lagos. A escolha das seis associações comunitárias, entre as oito existentes no espaço geográfico de pesquisa, nestes bairros interligados na APA-Belém, justifica-se por algumas razões: afinidades socioeconômicas (uma vez que as duas associações de moradores não abordadas representam residências de classe média, destoando do perfil da maioria das famílias residentes na área); a localização das associações comunitárias dentro da área de abrangência direta de dois projetos de governos aqui abordados; e a receptividade e disponibilidade dos dirigentes das associações comunitárias em colaborar com suas valiosas informações nesta pesquisa. 43 Universidade da Amazônia • Metodologia de abordagem O método censitário (radiografa a realidade investigando todos os elementos que permeiam as técnicas amostrais), por dispensar as técnicas amostrais se constitui em um tipo de abordagem que contempla todos os indivíduos que compõem o universo (39 dirigentes de associações comunitárias). Nesse sentido está isento de qualquer possibilidade de existência de margem de erro para os resultados gerados. • Elaboração do instrumento de coleta de informações O formulário constou de itens desdobrados em subitens, abrangendo: escolaridade, faixa etária, ocupação, atividades associativistas, ações reinvidicatórias e de educação ambiental desenvolvidas pelas Associações Comunitárias, opinião dos entrevistados sobre os significados socioambientais das obras dos dois projetos do governos na área em estudo. • Pré-Teste Após elaborados os formulários foram realizadas as entrevistas com quatro moradores representantes da diretoria de uma associação comunitária, (Centro Comunitário Nossa Senhora de Nazaré) no mês de junho/2004 para verificar a validade das perguntas e ajustá-las aos objetivos propostos na pesquisa. • Treinamento de Voluntários O treinamento constou de orientações aos três voluntários, alunos do curso de Serviço Social da UNAMA, para a correta abordagem e coleta de informações, junto aos dirigentes de associações comunitárias. • Procedimentos e coletas de dados Nos anos de 2004 e 2005 foram realizadas visitas técnicas aos bairros, reuniões com dirigentes de associações comunitárias e com técnicos de instituições governamentais, observações participantes, e oficinas de educação ambiental, facilitando o procedimento de coleta de informações por meio de formulários previamente elaborados (APÊNDICES A1 e A2). 44 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM • Processamento e tratamento das informações Após passar pelo processo de codificação, as respostas das perguntas abertas e as fechadas dos formulários recebeu tratamento e análise, atribuindo-se à consistência entre os dados qualitativos e os dados quantitativos que compõem este estudo. 3.4 ANÁLISE DE DADOS GERADOS Nesta análise, levam-se em consideração as respostas com maiores frequências, o que não significa que as categorias (respostas) menos mencionadas não tenham “peso” junto ao universo estudado. No que se refere aos dados estatísticos constantes neste relatório, informa-se a título de facilitar a interpretação dos percentuais que os mesmos foram arredondados, seguindo critérios estatísticos usuais para este tipo de procedimento. Outra observação que se faz é para a abreviatura “Abs” e para o símbolo percentual “%” constantes nas tabelas de cruzamento que integram a apresentação de resultados, os quais significam “números absolutos” e “percentuais”, respectivamente. A análise descritiva de dados gerados é, por conseguinte, a etapa final do trabalho reúne as principais informações produzidas no estudo, contendo recomendações de educação ambiental para o fortalecimento das Associações Comunitárias na APA-Belém. As informações obtidas são apresentadas e analisadas em valores percentuais na forma de gráficos, tabelas, figuras e quadros para facilitar a visualização dos resultados. 45 Universidade da Amazônia 4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DE RESULTADOS N este item, tem-se na perspectiva analítica a apresentação sistematizada das informações obtidas na pesquisa de campo com o intuito de elucidar o objeto de estudo, com base nas categorias de análise. Desse modo, procede-se a análise das informações coletadas na forma quantitativa e qualitativa. 4.1 CARACTERÍSTICAS REFERENCIAIS DAS ASSOCIAÇÕES COMUNITÁRIAS Neste subitem é preciso, pois, aclarar a instância organizativa das associações comunitárias, trata-se de organizações civis formais, com certa continuidade temporal e referência espacial (SCHERER-WARREN, 2002). Na prática, as associações foram criadas pelos moradores em torno de interesses comuns, de defesa de direitos às demandas comunitárias por meio de discussões, encaminhamentos de propostas e ações coletivas que imprimem dinâmicas próprias. 4.1.1 População sob abrangência das associações comunitárias Vê-se a população sob abrangência das associações comunitárias, conforme a localização espacial por bairros interligados, sendo no bairro Castanheira onde se encontra o maior número, 21.500 pessoas, sob alcance de duas associações; no bairro Curió-Utinga depara-se com 4.915 pessoas, sob inclusão de duas associações, e no bairro Souza com 2.300 pessoas, compreendendo um centro comunitário, totalizando 28.765 pessoas, ou 5.733 famílias, conforme demonstra a Tabela 1. 46 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM TABELA 1: População sob abrangência das associações comunitárias. Associações - Centros comunitários Associação Comunitária Parque Cabanagem Associação de Moradores do Bairro Castanheira Centro Comunitário São Cristovão Centro Comunitário Pass: Cruzeiro Unidos c/ Pantanal Associação de Moradores Paraíso Verde Centro Comunitário Nossa Sra. de Nazaré Total Nº de famílias 300 4.000 300 143 550 460 5.733 Nº estimado de pessoas 1.500 20.000 1.500 715 2.750 2.300 28.765 Fonte: Pesquisa de campo, 2004/2005. Na apuração dos resultados vê-se que o maior “peso” populacional na área em estudo refere-se à Associação de Moradores do Bairro Castanheira, com 20.000 pessoas e Associação de Moradores Paraíso Verde, com 2750 pessoas. O menor peso encontra-se no Centro Comunitário Passagem Cruzeiro Unidos com o Pantanal, com 715 pessoas. 4.1.2 Associações comunitárias e seus dirigentes A Tabela 2 a seguir mostra quais as associações de moradores e centros comunitários abordados pela pesquisa e seus respectivos pesos percentuais. TABELA 2: Associações comunitárias focadas. Associações - Centros comunitários Freqüências Associação Comunitária Parque Cabanagem Associação de Moradores do Bairro Castanheira Centro Comunitário São Cristovão Centro Comunitário Pass: Cruzeiro Unidos c/ Pantanal Associação de Moradores Paraíso Verde Centro Comunitário Nossa Sra. de Nazaré Total Fonte: Pesquisa de campo, 2004/2005. 10 9 5 5 5 5 39 Percentuais 25,6 23,1 12,8 12,8 12,8 12,8 100,0 Os resultados revelam que os moradores dos bairros vinculados à Associação Comunitária Parque Cabanagem e Associação de Moradores do Bairro Castanheira foram os mais ouvidos pela pesquisa 25,6% e 23,1%, respectivamente, em virtude de apresentarem maior quantidade de representantes nas diretorias, ao passo que as demais entidades tiveram menor número. 47 Universidade da Amazônia 4.1.3 Identificação das associações comunitárias As Associações Comunitárias, focadas no Quadro 1, encontramse localizadas no traçado da Av. 1º de Dezembro (atual Av. João Paulo II), as proximidades do Parque Ambiental de Belém, na APA-Belém, no perímetro da Avenida Dr. Freitas e Alameda Moça Bonita. Nome da Associação Comunitária Associação Comunitária Parque Cabanagem ¹ Associação de Moradores do Bairro Castanheira ² Centro Comunitário São Cristóvão. Centro Comunitário Passagem Cruzeiro Unidos com Pantanal. Associação de Moradores do Paraíso Verde. Centro Comunitário Nossa Senhora de Nazaré. Endereço Av. Almirante Barroso, Rua Mariano, nº212. CEP:66610-540 Bairro: Castanheira. Perímetro: entre Av. Almirante Barroso e Av. João Paulo II. Av. João Paulo II, nº 2000. CEP: 66666000. Bairro: Castanheira. Perímetro: entre Rua Assegal e Rua José de Alencar. Passagem Ana Deusa, nº 563. CEP: 66610-290 Bairro: Curió-Utinga. Perímetro: entre rua do Utinga e Av. João Paulo II. Estrada do Buirissuquara, nº15. Bairro: Curió-Utinga. CEP: 66610-515/ Perímetro: entre Passagem Cruzeiro e Av. João Paulo II. Passagem São Francisco, nº21. Bairro: Curió-Utinga. CEP: 66610-535/ Perímetro: entre Estrada da Ceasa e Av. João Paulo II. Passagem Samuca Levy, nº 17. Bairro: Souza. CEP: 66610-220/ Perímetro: entre Av. Almirante Barroso e Av. João Paulo II. CNPJ 07.868.110/0001-19 04.787.374/0001-50 07868.466/0001-52 01.039.141/0001-80 02.743.312/0001-10 10.235.224/0001-36 QUADRO 1: Identificação das Associações Comunitárias nos bairros Curió-Utinga, Souza e Castanheira. Fonte: Pesquisa de campo, 2004/2005. Nota: (1) à Av. João Paulo II; encontra-se em processo de construção. (2) encontra-se localizada no traçado da Av. João Paulo II; ainda não foi construída. A identificação das Associações Comunitárias (nome, endereço, CNPJ) faz parte da importância atribuída pelos moradores à organização, do bairro, espaço constituído, reconhecido e legalizado como entidade jurídica. 48 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM FIGURA 4: Equipe de pesquisa e representantes da Associação Comunitária Parque Cabanagem, dez. 2004. FIGURA 5: Equipe de pesquisa e representantes da Associação de Moradores do Bairro Castanheira, fev. 2005. 49 Universidade da Amazônia A estrutura física torna-se referência propícia de convivência, cooperação e mobilização expressa na dinâmica da gestão, experiência e habilidade dos dirigentes, em suas diferentes peculiaridades. FIGURA 6: Equipe de pesquisa e representantes do Centro Comunitário São Cristóvão, out. 2004. FIGURA 7: Equipe de pesquisa e representantes do Centro Comunitário Passagem Cruzeiro Unidos com Pantanal, dez. 2004. 50 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM 4.1.4 Constituição das associações comunitárias As Associações Comunitárias, como mostra o Quadro 2, foram fundadas entre os períodos de 1983 a 2001. Nome da Associação Comunitária Associação Comunitária Parque Cabanagem. Data de Fundação 17/ 06/ 1985 Associação de 15/ 01/ Moradores 2001 do Bairro Castanheira. Centro Comunitário São Cristóvão. 15/ 01/ 1985 Centro Comunitário Passagem Cruzeiro 16/ 06/ Unidos com Pantanal. 1992 Associação dos Moradores do Paraíso Verde. 04/ 11/ 1997 Centro Comunitário Nossa Senhora de Nazaré. 04/ 12/ 1983 Motivos da Fundação Melhoria da educação infantil, promoção de atividades sociais e culturais(dança, torneio de esporte). Organização dos moradores para reivindicar saneamento básico e realização de atividades sociais e culturais. Melhoria das condições de vida dos moradores da comunidade por meio de reivindicações (aterro, água, energia, telefone e ações sociais). Melhoria da situação dos moradores (saneamento, energia elétrica, água) e realizações de ações sociais coletivas. Organização dos moradores na luta para garantia da moradia e melhorias para a comunidade. União dos moradores na assistência religiosa (catequese); atividades de lazer (futebol) e de educação ambiental (plantio de vegetais na comunidade e no Parque – PAB). Significado do Nome Influência do Memorial Cabanagem construído no Entroncamento. Nome do Presidente¹ Francinete Barbosa Mendes Evaldo Definição dos limites Paulino territoriais dos Rodrigues municípios de Belém Júnior e Ananindeua. Homenagem a São Cristóvão, nome de uma praça às proximidades. Maria José Miranda União dos moradores das duas Pedro Félix Passagens Cruzeiro e Pontes Pantanal. Existência de grande Maria quantidade de Raimunda anhinga verde. Conceição Nonato Homenagem a Nossa Jersemi Senhora de Nazaré. Braga Rodrigues QUADRO 2: Constituição das Associações Comunitárias. Fonte: Pesquisa de campo, 2004/2005. Nota: (1) Presidente em exercício nas Associações Comunitárias, à época. 51 Universidade da Amazônia Os motivos de fundação das associações comunitárias apresentam pontos de interesses convergentes (organização, união, reivindicação), buscando atingir necessidades reais, levantadas com a participação de moradores voluntários. Entre as necessidades reais que motivaram a fundação das associações são significativas: educação, cultura, lazer, moradia, saneamento, água, aterro, telefone, energia elétrica, religiosa, educação ambiental, para a satisfação dos moradores na comunidade em que se encontra inserida a associação comunitária. FIGURA 8: Equipe de pesquisa e representantes da Associação de Moradores Paraíso Verde, set. 2004. Verifica-se que os nomes atribuídos às associações comunitárias têm uma significação que as identifica de conotação religiosa (São Cristóvão e Nossa Senhora de Nazaré); física (limite territorial); flora (vegetação verde: aninga – Diffenbachia picta Schott) e afetiva (união). 52 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM FIGURA 9: Equipe de pesquisa, representantes e moradores do Centro Comunitário Nossa Senhora de Nazaré. Jun. 2005. A comunidade organizada constitui-se força local, cujo espaço educativo por reivindicação de direitos, numa sociedade segmentada pelas diferenças sociais, miséria e ostentação, consumismo e desperdício, alteram o modo de vida das pessoas. Daí a necessidade de união, organização e mobilização das pessoas na comunidade para reivindicações de interesses comuns (SCHERER-WARREN, 1996). a) Público Alvo das Associações Comunitárias O público alvo dos trabalhos das associações comunitárias é aquele a quem se destina as ações das associações. Ao serem indagados sobre a quem se dirigiam as ações a fim de receber atenção, 8,3% responderam ser para as famílias moradoras nas comunidades; ao passo que 16,7% consideram os moradores carentes, os quais precisam de mais atenção. b) Período de vigência da diretoria A diretoria da associação comunitária representa a instância social gestora de interesses coletivos dos moradores, dependendo do que estabelece o Estatuto e o Regulamento Interno. As reuniões de assembléia geral são realizadas para eleger os dirigentes, os quais são 53 Universidade da Amazônia eleitos ou aclamados pela maioria para ocuparem os cargos definidos em cada realidade associativa. O período de vigência de uma diretoria é, em média, de dois anos, para 66,7% e, igualmente 16,7% para três e quatro anos. O tempo de permanência de uma diretoria, em dois anos de gestão, pode ser suficiente para apresentar resultados aos objetivos pretendidos pela diretoria da associação comunitária. c) Estrutura das Organizações Comunitárias As diretorias das organizações comunitárias abordadas encontram-se estruturadas em cargos: presidente; vice-presidente; secretário; tesoureiro; e diretores (social, esporte, cultura, patrimônio, relações públicas e meio ambiente). Apesar de todos os presidentes terem manifestado interesse na proteção ambiental, apenas duas diretorias estão constituídas com diretores de meio ambiente: o Centro Comunitário Nossa Senhora de Nazaré e a Associação de Moradores Bairro Castanheira, o que explica o maior envolvimento dessas diretorias com as atividades de educação ambiental relacionadas ao PAB. É um compromisso que desempenho com as crianças, jovens e as pessoas da comunidade, por meio de Educação Ambiental, incentivar a responsabilidade de cuidar bem do meio ambiente onde moramos (Francisco dos Santos Teixeira, Diretor de Meio Ambiente do Centro Comunitário Nossa Sra. de Nazaré). d) Formas de obtenção de recursos para manutenção de atividades As formas mais comuns procedidas nas associações comunitárias para obtenção de recursos financeiros destinados à manutenção de suas atividades são: bingos, rifas, bazares da pechincha, festas comemorativas, festas sociais, promoções culturais e esportivas, recebimento de doações eventuais, entre outras. Do total dos 100% indagados sobre as formas de obtenção de recursos, a maioria, 83,3%, realiza bingos, eventos, festas, bazar e recebimento de doações; apenas 16,7% realiza rifas. Para realização de eventos sociais, dependem de espaço físico, participação dos comunitários na organização e realização dos eventos, o trabalho voluntário é requerido e indispensável. As doações em brinquedos, roupas e outros acessórios são bem recebidas pelas diretorias. 54 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM e) Parcerias das Associações Comunitárias A implementação da prática de parcerias implica no fortalecimento das organizações sociais e comunitárias por intermédio de organizações governamentais, ONG’s entre outras. “A parceria representa a possibilidade de estimular mudanças socioambientais que não comprometam ainda mais os sistemas ecológicos e sociais nos quais se sustentam as comunidades urbanas” (JACOB, 2004, p.183). Entre as parcerias citadas pelos presidentes, destacam-se: • • • • • • Centro Comunitário São Cristóvão, em parceria com ACAIS. Centro Comunitário Passagem Cruzeiro Unidos com Pantanal, em parceria com a Prefeitura de Belém (SEMEC). Associação de Moradores Paraíso Verde, em parceria com a ONG COEP-Comitê de Entidades contra a Fome e pela a Vida. Associação de Moradores do Bairro Castanheira, em parceria com CEPEPO, FASE, SENAR, CÁRITAS, CEB’s, Sindurbanitários. Centro Comunitário Nossa Senhora de Nazaré, em parceria com UNAMA, Companheiros das Américas, SECTAM. Associação Comunitária Parque Cabanagem, em parceria com a Prefeitura de Belém (SEMEC), Escola República de Portugal. Essas parcerias facilitam o trabalho desenvolvido pelas diretorias que prescindem de apoio externo às suas comunidades. Os presidentes mencionaram a necessidade de ampliar as parcerias, pois na impossibilidade de uma parceria não puder colaborar, por alguma razão, em determinado momento, outra poderá ser acionada a cooperar. f) Mobilização das Associações Comunitárias Em se tratando de ações coletivas de mobilização das comunidades, há que se compreender as causas localizáveis na lógica de interesse dos moradores, no tempo de ocorrência. Parece haver preocupação dos dirigentes de associações comunitárias quando se trata de proteção do Parque. Porém, demonstram insatisfação quando são acusados de agentes poluidores, responsáveis pela contaminação de águas. Apesar das dificuldades, no trato com a resistência governamental em implementar ações conjuntas de educação ambiental, são enfatizados 55 Universidade da Amazônia alguns tipos de mobilização como estratégia para enfrentamento de alguns problemas apontados. Em 1997, os moradores da Comunidade Paraíso Verde foram acusados de agentes poluidores dos lagos. Os moradores, organizados em comissão, foram à COSANPA e SECTAM para discutir a situação, em mutirão apoiado pela Prefeitura. Realizaram limpeza do Canal do Marte, além de ruas e passagens. Em 2001, houve mobilização dos moradores quanto a formação do Conselho de Entidades, envolvendo as comunidades do bairro Castanheira, Souza e Utinga, numa articulação de manifestação popular relacionada à poluição dos lagos, em protesto à forma de proteção adotada pelo governo estadual de murar o Parque. Nesse aspecto, foi preciso que as comunidades diretamente atingidas com a retirada de famílias de dentro do Parque se articulassem em comissões para as negociações junto a COSANPA, COHAB e SECTAM, para que os direitos dessas famílias fossem garantidos, incluindo-se a reavaliação dos imóveis e benfeitorias. Em 2002, o processo de mobilização e participação, assumido pelos dirigentes na criação do Fórum dos Lagos, sob assessoria do CEPEPO, deu relativa ênfase política à organização dos moradores, na Associação de Moradores Bairro Castanheira, envolvendo demais associações comunitárias. É importante ressaltar que, a iniciativa caracterizada pela ênfase na ação coletiva adquire maior legitimidade da comunidade na medida em que “cresce a consciência de que qualidade de vida e saúde têm a ver com as condições do meio ambiente” (SCHERER-WARREN, 2002, p.43). Visto desse modo, os mutirões urbanos (grupos de ajuda mútua) para limpeza das margens dos lagos (Centro Comunitário N. Sra. de Nazaré) surgem com ações de cooperação em torno de questões ambientais, como lixo, saneamento básico, entre outros. g) Principais reivindicações feitas pelas associações comunitárias Verifica-se que as principais reivindicações dos 100% dos dirigentes, em geral, estão relacionadas com a falta de saneamento básico, aterro de ruas, passagens, canal e pontes, contemplando 83,3%. Quanto ao saneamento básico, escola e energia elétrica; Educação Infantil e regularização fundiária; construção de escola; creche; asfalto apresentam juntos 16,7%. 56 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM As reivindicações foram direcionadas aos órgãos competentes nas esferas estadual (COSANPA, CELPA) e municipal (SESAN, SEMEC). Entre as reivindicações atendidas 46,7% consiste em pontes, aterro, energia elétrica; pavimentação de ruas (Parque Cabanagem); energia elétrica (São Cristovão); construção de escola de Ensino Fundamental (Bairro Castanheira). A maioria das reivindicações feitas 53,3% não foram atendidas por parte dos governos, entre as quais: saneamento básico, segurança (PM Box), conclusão do Canal da Rua Ana Deusa e água encanada (Paraíso Verde). 4.1.5 Conflitualidades, intervenções e conquistas das associações comunitárias As associações comunitárias, buscando a garantia de melhores condições de vida para aos moradores, enfrentam situações de conflitos internos e externos, articulam interesses e parcerias para a realização de atividades. a) Conflitos e resistências Baseados nos eventuais conflitos e resistências que os ocupantes da área em torno do PAB vivenciaram, conforme Tabela 3. 57 Universidade da Amazônia TABELA 3: Conflitos vivenciados para permanência no local de moradia. Conflitos vivenciados Freqüências Percentuais Problemas por falta de esgoto/saneamento 5 12,8 Entre moradores e outros que tentaram ocupar a área 5 12,8 Sem resposta 4 10,3 Não teve/Não viu conflitos 4 10,3 Baixo valor de indenização inferior ao valor real do imóvel 2 5,1 Prossege* não concluido/falta segurança/saneamento/ônibus 2 5,1 Prossege* não teve participação dos moradores no processo 2 5,1 Inexistência de parada de ônibus próxima 1 2,6 Preço elevado da escritura da terra 1 2,6 Com antigos moradores proprietários da terra 1 2,6 Remanejamento das famílias dentro do parque 1 2,6 Cosanpa e polícia impediam a ocupação de mais pessoas 1 2,6 1 2,6 Aterro p/ área alagada 1 2,6 Falta de água, energia elétrica/ existência de muita lama e mosquitos 1 2,6 Ameaça de expulsão pela polícia a mando dos donos do terreno 1 2,6 Desocupação/violência/ baixa indenização/desestruturação comunitária Moradores do Conjunto Itororó contra a ocupação da área 1 2,6 Reivindicação da área pelo suposto dono e moradores do Itororó 1 2,6 Prolongamento da Av. 1º Dezembro/posto saúde não atende pessoal do Castanheira 1 2,6 Falta posto policial, posto médico e saneamento básico 1 2,6 Falta segurança, saúde, transporte e lazer 1 2,6 Não sabe 1 Total 38 2,6 100,0 Fonte: Pesquisa de campo, 2004/2005. * Prossege-Projeto de Esgotamento Sanitário e Saneamento Básico. Entre os principais enfrentamentos, mencionados pelos entrevistados, sobressaem as questões da falta de saneamento e do conflito entre os moradores e outras pessoas que tentaram ocupar a área, ambos mencionados por 12,8% dos entrevistados, cada. Entretanto, 10,3% mencionaram não ter visto conflitos e 10,3% não responderam. 58 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM Após a ocupação, tem-se a resistência pelo espaço de moradia, resignificando o status do proprietário privado mesmo de um lote e uma pequena casa ilegal, é expressão ideológica que é também social e econômico (MARICATO, 2001). Diante da visibilidade de conflitos, há possibilidade de um esforço de participação social caracterizada na área ocupada; ambientalmente “desprotegida”, a princípio, de pouco interesse econômico, como identifica Maricato (2001). Constatou-se, em análise às informações dos entrevistados, para garantir a permanência na área de moradia tiveram que se organizar em associações comunitárias para reagir, reinvidicar ações interventivas ao poder público, ante: • falta de saneamento básico, com 12,8% nas seis comunidades, significa fundamentalmente os serviços de saneamento no que se refere à drenagem, coleta e tratamento de esgotos sanitários, tratamento de lixo que não contempla a população. O abastecimento de água e coleta de lixo domiciliar atende quase toda a população. Exemplo do Projeto de Esgotamento Sanitário e Saneamento Básico – PROSEGE, nos bairros Castanheira e Guanabara, uma obra sob coordenação da COSANPA, iniciada em 1996 e ainda não concluída, refletindo para os moradores desses bairros o descaso do governo com o saneamento e a saúde da população. FIGURA 10: Canal do Marte. Curió-Utinga, jun.2006. 59 Universidade da Amazônia • embate de antagonismos de interesses, com 12,8% entre os primeiros invasores e os outros que chegaram depois e foram impedidos do desejo de ocupar, por decisão dos próprios moradores, limitando a área. Exemplo da Comunidade Nossa Senhora de Nazaré. • desigualdades e contradições afloram na discriminação de classes sociais, vivenciadas nas constantes ameaças de expulsão dos invasores pela polícia, a mando de pessoas importunadas com a invasão. Exemplo das comunidades Paraíso Verde e Pantanal. Essas colocações feitas pelos próprios moradores que há mais de dezenas de anos permanecem nesses locais demonstra “o direito à invasão é até admitido, mas não o direito à cidade” e acrescenta: “de todas as mazelas decorrentes desse processo de ocupação, uma das mais graves é o saneamento” (MARICATO, 2001). 60 61 Construção do Centro Comunitário e ações de educação ambiental. Manutenção da creche, representação junto à órgãos públicos. Obtenção de escritura dos lotes. Total Curso de bombons de chocolate. Curso pré-vestibular. Capoeira e Karatê. Educação de adultos. Atividades realizadas nas comunidades 1 1 Abs 100 100 % C.C.S Cristovão 100 100 1 1 A b s 100 100 % A.M. Paraíso Verde 1 1 Abs 100 100 % Comunidades A.M do Bairro Castanheira Fonte: Pesquisa de campo, 2004/2005. 1 1 C.C. Pass. Cruzeiro Unidos c/ Pantanal Abs % 1 1 Abs 100 100 % C.C. N. Sra. de Nazaré TABELA 4: Atividades realizadas pelas associações comunitárias. b) Atividades realizadas pelas associações comunitárias 1 1 100 100 A.C. Parque Cabanagem % A b s 1 6 1 2 1 1 Abs 16,7 100 16,7 33,3 16,7 16,7 % TOTAL MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM Universidade da Amazônia Entre as atividades realizadas têm-se 33,3% dos dirigentes mencionaram a construção dos centros comunitários: Passagem Cruzeiro Unidos com o Pantanal e Nossa Senhora de Nazaré. As atividades de Educação Ambiental neste último Centro foram plantio de árvores frutíferas no PAB e limpeza do pequeno lago. A seguir têm-se com iguais percentuais 16,7% cursos de bombons como parte do projeto social Ninho das Águas da ONG COEP, em apoio a Comunidade Paraíso Verde; cursos de capoeira e karatê para os jovens do Bairro Castanheira, como forma de treinar o corpo, mente e defesa pessoal, além de curso pré-vestibular e educação de adultos. Apoio na manutenção de creche, melhoria das ruas, passagens, representação em comissão de trabalho, junto aos órgãos públicos para a Associação Parque Cabanagem. As escrituras dos lotes dos moradores da Comunidade São Cristóvão representam uma vitória dos dirigentes desse Centro. 62 63 100 100 1 100 % 1 1 100 100 1 1 Abs 100 100 % C.C. N. Sra. de Nazaré Abs 100 100 1 1 100 Fonte: Pesquisa de campo, 2004/2005. 1 100 100 % A.C. Parque Cabanagem 1 1 1 Abs Comunidades A.M do Bairro Castanheira Abs % Aterro e pavimentação das ruas. Alfabetização de adultos (Mova e Pastoral da Criança) e captação de recursos. Total % A.M. Paraíso Verde 1 Abs C.C. Pass. Cruzeiro Unidos c/ Pantanal Abs % Construção da sede da Associação dos Moradores. Capoeira, grupo de dança e torneios esportivos. Educação Ambiental e catequese (Grupo Verde). Coral com grupo jovem. Educação Infantil e catequese. Atividades em realização nas comunidades C.C.S Cristovão TABELA 5: Atividades em realização pelas associações comunitárias. c) Atividades em realização pelas associações comunitárias 1 6 1 1 1 1 1 Abs 16,7 100 16,7 16,7 16,7 16,7 16,7 % TOTAL MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM Universidade da Amazônia As atividades em realização nestas comunidades têm-se com 16,7% cada, quanto a Educação Ambiental com crianças e adolescentes a referência do Grupo Verde do Centro Comunitário Nossa Senhora de Nazaré, além de outras atividades. O Centro Comunitário Passagem Cruzeiro está trabalhando com Educação Infantil, música com grupo de jovens e atividades religiosas. Enquanto a Associação de Moradores Paraíso Verde está se empenhando em conseguir recursos para concluir a construção de sua sede. A Associação de Moradores Parque Cabanagem mantém grupos de capoeira, dança e torneios esportivos, integrando as diversas faixas etárias. Para os dirigentes do Centro Comunitário São Cristóvão, a prioridade é conseguir aterro da Passagem Ana Deusa e tratamento do Canal Ana Deusa, esperando pela ação da PMB. FIGURA 11: Passagem Ana Deusa – Curió-Utinga. Set.2004. A Associação do Bairro Castanheira apóia a alfabetização de adultos (MOVA), a Pastoral da Criança, buscando captação de recursos para implementar atividades socioculturais. 64 65 Educação de adultos/ ambiental, saúde, esporte, lazer e cultura. Total Construção da casa da cidadania (Coep). Cobertura de quadra da associação. Realização de projetos sociais. Curso de alimentação alternativa. Projetos para beneficiar crianças, jovens e adultos. Atividades a serem realizadas nas comunidades 1 1 Abs 100 100 % C.C.S Cristovão 100 100 1 1 Abs 100 100 % A.M. Paraíso Verde 1 1 100 100 Comunidades A.M do Bairro Castanheira Abs % Fonte: Pesquisa de campo, 2004/2005. 1 1 C.C. Pass. Cruzeiro Unidos c/ Pantanal Abs % 1 1 Abs 100 100 % C.C. N. Sra. de Nazaré 1 1 Abs 100 100 % A.C. Parque Cabanagem TABELA 6: Atividades a serem realizadas pelas associações comunitárias. d) Atividades a serem realizadas pelas associações comunitárias 1 6 1 1 1 1 1 Abs 16,7 100 16,7 16,7 16,7 16,7 16,7 % TOTAL MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM Universidade da Amazônia Com 16,7%, os dirigentes entrevistados mostraram suas pretensões: curso de alimentação alternativa como forma de usar alimentos em diferentes preparações valorizando-os, saber, escolher e utilizar de modo correto para obter uma alimentação mais nutritiva, saudável e saborosa. A exemplo da Comunidade Nossa Senhora de Nazaré com pessoas já treinadas de repassar esses conhecimentos. A realização de projetos que beneficie crianças, jovens e adultos, utilizando as instalações físicas dos centros comunitários, incluindo-se cursos, palestras e brinquedoteca e outros de interesse de moradores para o Centro Comunitário Passagem Cruzeiro Unidos com Pantanal. A construção da Casa da Cidadania é um espaço que espera ser construído pela COEP, para realização de atividades sociais na Comunidade Paraíso Verde. Essa associação de moradores ainda não tem seu espaço próprio, reúne-se em casas de moradores e utiliza o Centro Comunitário Unidos com Pantanal para realização de atividades conjuntas. A cobertura da quadra, espaço amplo e murado em frente a sede da Associação Comunitária Parque Cabanagem, constitui um sonho da diretoria. A quadra coberta facilitaria a realização de programações sócio-culturais e esportivas, ensaios do grupo jovem e outras atividades como do bloco carnavalesco Vai Quem Pode. A realização de projetos sociais, envolvendo, sobretudo, jovens e crianças no Centro Comunitário São Cristóvão, só será possível com as parcerias de outras instituições. Atividades, voltadas a educação de adultos e EA, direcionadas a cultura, lazer, esporte e saúde poderiam ser implementadas; a demanda existe e precisa contemplar a oferta concretizada com apoio de parcerias é o que pretende os dirigentes da Associação de Moradores do Bairro Castanheira. 66 Pouca participação dos moradores e conscientização comunitária. Reunir a diretoria para avaliação de trabalhos Parceria e apoio. Ausência de projetos. de geração de renda Total Falta de segurança pública e de saneamento. Falta de local para reunião de apoio comunitário. Atividades a serem realizadas nas comunidades 67 100 100 1 % 1 Abs C.C.S Cristovão 100 100 1 1 Abs 100 100 % A.M. Paraíso Verde 1 1 100 100 Comunidades A.M do Bairro Castanheira Abs % Fonte: Pesquisa de campo, 2004/2005. 1 1 C.C. Pass. Cruzeiro Unidos c/ Pantanal Abs % 1 1 Abs 100 100 % C.C. N. Sra. de Nazaré TABELA 7 - Principais dificuldades das associações comunitárias. e) Principais dificuldades das associações comunitárias 1 1 Abs 100 100 % A.C. Parque Cabanagem 1 6 1 2 1 1 Abs 16,7 100 16,7 33,3 16,7 16,7 % TOTAL MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM Universidade da Amazônia Entre as principais dificuldades, encontradas pelos 33,3% dos dirigentes, destacam-se: reunir a diretoria para avaliação do trabalho da associação comunitária, encontrar parceria e apoio. A falta de segurança pública, sobretudo à noite, aliada a falta de saneamento; pouca participação dos moradores; financiamentos de projetos para geração de renda; falta de um local próprio para reunião, igualmente com 16,7%. O desejo de superar as dificuldades poderá fazer com que os dirigentes reflitam as ações individualizadas, devendo ser incorporadas no sentido da coletividade. Apesar das dificuldades apresentadas, vale ressaltar as facilidades que estes possam encontrar decorrentes do empenho, incentivo, crédito em suas ações, integração entre pessoas na comunidade e com outras comunidades, como formas de articular e encaminhar as reivindicações. Têm-se as principais dificuldades memoradas na gestão dessas diretorias como falta de local para reunião; falta de apoio dos comunitários que pouco reconhece o trabalho dos dirigentes; deficiência de parcerias e de financiamento para atividades produtivas geradoras de renda. Diante dessa constatação, permite-se indagar - Qual seria a estratégia dos dirigentes na reversibilidade desse quadro? Corrobora-se com Souza (1993), ao instruir o sentido da participação social, como processo educativo que se expressa por meio da conscientização, organização e capacitação. É nessa trama das dificuldades que se avalia, também, os resultados êxitosos obtidos no trabalho comunitário, construído no respeito às diferenças no aprendizado com a troca de experiências. 4.1.6 Perfil dos dirigentes das associações comunitárias Este subtópico analisa o perfil dos dirigentes, sendo essencial para se conhecer os traços característicos das pessoas que estão na gestão dos interesses comunitários relacionados, enquanto: identificação - gênero, faixa etária, escolaridade, rendimento familiar, ocupação profissional; moradia - histórico da ocupação, tempo de moradia, procedência, local anterior de moradia, moradores mais antigos, motivos de ter vindo morar na área. 68 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM a) Gênero A Figura 12 a seguir se refere aos percentuais de homens e mulheres, dirigentes de associações comunitárias entrevistados. FIGURA 12: Gênero dos dirigentes das associações comunitárias. Fonte: Pesquisa de campo, 2004/2005. Conforme se pode observar, há pequena predominância de homens (53,8%) frente às mulheres (46,2%), no seu contexto sócio-familiar e comunitário, é possível ressaltar que a representação da mulher na gestão do trabalho comunitário, se destaca e participa das discussões e tomadas de decisões, contribuindo para a promoção de relações socialmente igualitárias entre os gêneros, fortalecendo e reforçando os direitos humanos em suas comunidades. O trabalho feminino na gestão das associações comunitárias é um desafio posto à mulher como possibilidade histórica na referência de gênero à superação de dificuldades (NOGUEIRA, 2004, p.161). 69 Universidade da Amazônia b) Faixa etária Ao se observar a idade das representações comunitárias, aferiuse uma média de 45 anos, o que desponta em um perfil etário nem tão jovem, nem tão idoso, compreendendo, então, literalmente um ponto “médio” de idade que do ponto de vista das demandas não prioriza qualquer grupo etário. A Figura 13 demonstra na sequência os grupos etários das pessoas entrevistadas. FIGURA 13: Faixa etária dos dirigentes das associações comunitárias. Fonte: Pesquisa de campo, 2004/2005. Diante dos resultados apresentados, tem-se que a faixa etária com maior freqüência entre os entrevistados é a que contém idades que variam entre os 45 e 54 anos, com 25,6%, seguida pela faixa de 25 a 34 e 35 a 44 anos, ambas com 20,5%. No geral, os dados estatísticos revelam que as diretorias das associações comunitárias são compostas por pessoas com idades variáveis entre os 25 e 54 anos, 66,6%, o que reflete em uma gama de visões de mundo e experiências de vida diversificadas o que em tese possibilita uma representação social de largo alcance e maior equidade do ponto de vista etário. Do ponto de vista da distribuição de faixas etárias pelas entidades comunitárias em estudo, tem-se que a Associação Comunitária Parque Cabanagem e o Centro Comunitário Nossa Sra. de Nazaré são as entida70 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM des com diretorias compostas por maioria de pessoas com idades a partir dos 45 anos, 70% e 60%, respectivamente. Já entre os componentes das diretorias da Associação de Moradores do Bairro Castanheira verifica-se que 77,8% possuem idades entre os 20 e 34 anos, sendo o corpo diretor mais jovem. Na Associação Comunitária Parque Cabanagem, o percentual de diretores com idades entre os 20 e 34 anos é de 30%. c) Escolaridade A Figura 14 a seguir ilustra os níveis de escolaridade das pessoas entrevistadas pela pesquisa. Analfabeto Ensino Fundamental incompleto Ensino Fundamental complete Ensino Médio incompleto Ensino Médio completo Ensino Superior incompleto Ensino Superior completo 10,3% FIGURA 14: Escolaridade dos dirigentes das associações comunitárias. Fonte: Pesquisa de campo, 2004/2005. Os resultados apontam para o fato da maioria dos entrevistados 30,8% ter completado o nível médio. Na verdade, aprofundandose a análise, vê-se que pelo menos 41,1% das pessoas entrevistadas, no mínimo, iniciaram o Ensino Médio; contra 28,2% de pessoas que não iniciaram ou não chegaram a completar o Ensino Fundamental. Outro aspecto relevante é o de que 5,1% desses entrevistados possuem formação Superior e 10,3% estão cursando ou abandonaram o curso Superior. Enquanto apenas 5,1% possuem nível Superior e somente 2,6% não completou a alfabetização. 71 Universidade da Amazônia d) Renda familiar A Figura 15 mostra os intervalos de renda mensal familiar mensal dos entrevistados. Até R$ 300,00 Entre R$ 301,00 e R$ 600,00 Entre R$ 601,00 e R$ 800,00 Entre R$ 801,00 e R$ 1.200,00 Entre R$ 1.201,00 e R$ 1.500,00 Entre R$ 1.501,00 e R$ 2.000,00 Acima de R$ 2.000,00 FIGURA 15: Intervalos de renda familiar mensal dos dirigentes das associações. comunitárias Fonte: Pesquisa de campo, 2004/2005. Ao focar-se a renda familiar dos entrevistados, têm-se que 33,3% se localizam no intervalo compreendido entre R$ 301,00 e R$ 600,00; outros 25,6% no intervalo de até R$ 300,00; e outros 15,4% se encontram na faixa que varia dos R$ 601,00 aos R$ 800,00 mensais. Esse cenário sugere o indicativo de que 74,4% das pessoas entrevistadas residentes nas adjacências do PAB vivem com rendimento familiar no limiar máximo de até 3 salários mínimos, considerando que o salário mínimo da época era de R$ 260,00. 72 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM e) Ocupação profissional O cenário atual marcado pelo crescimento das cidades e crescente exclusão social, sobretudo provocada por um mercado de trabalho mais exigente e seletivo. Na afirmação de Jacob (2004), essa constatação introduz um fator complicador, expresso em um número cada vez maior de pessoas que não têm outra opção, senão trabalhar em empregos socialmente excluídos. Torna-se recorrente a condição de melhor qualificação profissional que permita a possibilidade de inserção em emprego e obtenção de renda, numa época de emprego restrito, instabilidade no emprego e desemprego. A Tabela 8 mostra a variedade de ocupações desempenhadas pelas pessoas entrevistadas. TABELA 8: Ocupação dos dirigentes das associações comunitárias. Ocupações Frequências Percentuais Funcionário público 9 23,0 Vendedor autônomo 5 12,8 Aposentado 4 10,2 Estudante 3 7,7 Sem informação 2 5,1 Pedreiro/Pintor 2 5,1 Dona de casa 2 5,1 Trabalhador braçal 1 2,6 Almoxarife 1 2,6 Mecânico de bicicleta autônomo 1 2,6 Empregada doméstica 1 2,6 Serviços gerais 1 2,6 Comerciante 1 2,6 Técnico de escola de futebol 1 2,6 Técnico de enfermagem 1 2,6 Professor de escola comunitária 1 2,6 Camareira 1 2,6 Desempregado 1 2,6 Pintor industrial 1 2,6 Total 39 100,0 Fonte: Pesquisa de campo, 2004/2005. 73 Universidade da Amazônia Os resultados apontam para o fato de que 23,1% dos entrevistados são funcionários públicos; 12,8% são vendedores autônomos e 10,3% são aposentados e somente 2,6% estão desempregados. No geral, as diferentes ocupações desempenhadas refletem uma baixa qualificação profissional, vindo a destoar com parte da realidade escolar apresentada pelo universo investigado, conforme apresentado no Gráfico 3. f) Moradia na APA- Belém Considerando o rumo tomado pelo crescimento urbano, a ocupação desordenada do solo, a pressão das invasões na APA - Belém em direção aos lagos, área pública da COSANPA, na deficiência do controle urbanístico (fiscalização das construções e do uso/ ocupação do solo). Provavelmente, a falta de alternativas habitacionais tenha contribuído para a produção do ambiente construído em área de proteção de mananciais, onde a legislação preservacionista impede a ocupação imobiliária (MARICATO, 2001). Concernente ao resgate histórico das ocupações na APA-Belém, seja pela forma de compra de lotes de antigos proprietários e/ou pela invasão de espaços desocupados de terras particulares e/ou públicas, registra-se as seguintes colocações dos entrevistados. Um exemplo de terra ocupada, por meio de loteamento feito pelos antigos proprietários (Mariano e Brasil), foi no bairro Castanheira: Há aproximadamente 50 anos meu pai comprou um lote do Sr. Mariano, não lembro o preço, por intermédio de um amigo que o informou dessa área que estava sendo loteada (José Laranjeira, Associação Comunitária Parque Cabanagem). Essa área, lembra o entrevistado era alagada, com denso matagal, não havia energia elétrica e água encanada, as passagens eram estreitas, sem valas, a maioria das casas foram construídas em madeira. Outro exemplo caracteriza-se como uma área de “invasão” de terras pertencentes à COSANPA, iniciada em 1983, embora fosse área pública; havia pessoas que se intitulavam donos, como o proprietário do conjunto residencial Levy. 74 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM Quando iniciou a invasão em 1983, eu soube e peguei um lote de 9m² x 9m²; já estavam sendo construídas algumas casas de madeira. A invasão continuou, mas nós lutamos para controlar a invasão, devido outras pessoas que estavam interessadas (Francisco Teixeira, Centro Comunitário Nossa Senhora de Nazaré). Nessa área, localizada atrás do clube social Tuna Luso Brasileira, informa o entrevistado, houve desmatamento e queimada para limpar o terreno, dividir os lotes e depois construir as casas. Até então, os moradores ainda não possuíam os títulos de propriedade. Nesse sentido, observa Maricato (2001), a moradia urbana, a partir da invasão de terras, espontânea ou organizada, é uma alternativa habitacional que se multiplica em áreas públicas e áreas ambientalmente frágeis, sobre as quais incidem leis protecionistas. No caso das ocupações em questão, na área pertencente à COSANPA, somente em 1993 foram criadas a APA–Belém e o Parque Ambiental de Belém. Com a criação do Parque foi instalado o Batalhão de Polícia Ambiental. Somente em 9 de maio de 1995 foi efetivamente criada a Lei nº 5.887, que dispõe sobre a Política Estadual de Meio Ambiente e dá outras providências (PARÁ/ SECTAM, 2005). A Figura 16 mostra os intervalos de anos em que ocorreram as ocupações nas áreas referidas no estudo. FIGURA 16: Intervalos de anos em que ocorreram as ocupações. Fonte: Pesquisa de campo, 2004/2005. 75 Universidade da Amazônia Os resultados constantes na Figura 16 mostram que 64,1% dos entrevistados se instalaram na área da APA-Belém, nas décadas que vão de 1950 a 1970 e de 1981 até 2000, a área foi ocupada por outros 28,2% de moradores. Ressalte-se que as ocupações mais antigas deram-se nos bairros Castanheira, seguindo-se Souza e Curió-Utinga. Na consulta dos dados estatísticos nota-se que, em média, os moradores entrevistados residem há 22,4 anos na área da APA. A Figura 16 informa, a partir de intervalos, os percentuais de tempo de residência dos entrevistados na área. g) Tempo de Moradia FIGURA 17: Intervalos de tempo de moradia dos dirigentes das associações comunitárias. Fonte: Pesquisa de campo, 2004/2005. Frente aos dados, vê-se que 23,1% dos entrevistados residem na área entre 21 e 25 anos; outros 20,5% residem entre 6 e 10 anos e 17,9% entre 26 e 30 anos. Em síntese, 79,5% dos entrevistados residem há pelo menos 10 anos na área de estudo. 76 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM h) Procedência A Tabela 9 detalha os locais de procedência das lideranças entrevistadas. TABELA 9: Procedência dos dirigentes das Associações Comunitárias. Locais de procedência Frequências Percentuais Belém* 11 28,2 Maranhão 4 10,2 Pará (sem especificação) 2 5,1 Cametá (interior do PA) 2 5,1 Marajó (interior do PA) 2 5,1 Ceará 2 5,1 Abaetetuba (interior do PA) 2 5,1 Castanhal (interior do PA) 1 2,6 Bragança (interior do PA) 1 2,6 Barcarena (interior do PA) 1 2,6 Concórdia do Pará (interior do PA) 1 2,6 Igarapé – Miri (interior do PA) 1 2,6 Viseu (interior do PA) 1 2,6 Piauí 1 2,6 São Caetano de Odivelas (interior do PA) 1 2,6 São João de Pirabas (interior do PA) 1 2,6 Irituia (interior do PA) 1 2,6 Sempre morou no mesmo local* 1 2,6 Curuçá (interior do PA) 1 2,6 Amazonas 1 2,6 Vigia (interior do PA) 1 2,6 Total 39 100,0 Fonte: Pesquisa de campo, 2004/2005. Ao analisar os dados, têm-se que 51,3% são oriundos do interior de Cametá, Abaetetuba, Castanhal, Bragança, Barcarena, Concórdia, Igarapé Miri, Viseu e outros municípios do Pará (30,9% são da Região Metropolitana de Belém*); e 20,5% vêm de outros estados: Ceará, Maranhão, Piauí, Amazonas. 77 Universidade da Amazônia A Figura 18 traz de maneira unificada os locais de procedência dos entrevistados. FIGURA 18: Procedência dos dirigentes entrevistados. Fonte: Pesquisa de campo, 2004/2005. Os resultados evidenciam que 43,6% das pessoas entrevistadas são provenientes do interior do Estado do Pará, 30,8% são oriundos da Região Metropolitana de Belém e 20,5% originam de outros estados da federação. i) Local anterior de moradia A próxima tabela se refere aos últimos locais onde os entrevistados residiam antes de vir para as redondezas do PAB. 78 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM TABELA 10: Local anterior de moradia dos dirigentes das associações comunitárias. Local anterior de moradia Frequências Percentuais Marco 6 15,4 Marambaia 5 12,8 Maranhão 3 7,7 Canudos 3 7,7 Belém (sem especificar bairro) 2 5,1 Sacramenta 2 5,1 Guamá 2 5,1 Cametá 1 2,6 Castanhal 1 2,6 Bragança 1 2,6 Marajó 1 2,6 Piauí 1 2,6 Guanabara 1 2,6 Icoaraci 1 2,6 Jaderlândia 1 2,6 Bengui 1 2,6 Cidade Velha 1 2,6 Atalaia (Anannindeua) 1 2,6 Salinópolis 1 2,6 Fátima 1 2,6 Telégrafo 1 2,6 São Braz 1 2,6 Castanheira 1 2,6 Total 39 100,0 Fonte: Pesquisa de campo, 2004/2005. Os principais bairros de Belém de onde vieram os entrevistados foram: Marco (15,4%), Marambaia (12,8%) e Canudos (7,7%). É importante notar como parte das pessoas entrevistadas veio de Estados do Nordeste do Brasil, do Maranhão (7,7%) e do Piauí (2,6%); bem como, parte considerável (13%) é oriunda do interior do estado do Pará. 79 Universidade da Amazônia Os dados estatísticos mostram que apenas 20% dos entrevistados, cuja procedência é o interior do Pará, não moraram em outros bairros de Belém; eles vieram diretamente do interior do estado do Pará e sem se fixarem em locais intermediários, passaram a morar na área atual de moradia. Já 57,1% dos entrevistados, originários de outros estados, vieram direto para a área sem se instalarem em outras localidades. Ou seja, aquelas pessoas que vieram de outros estados em sua maioria objetivou sua fixação na capital. Esta pesquisa investigou também as famílias mais antigas que se instalaram na área. j) Moradores mais antigos Verificam-se famílias mais antigas nas comunidades em estudo, conforme remete a memória dos entrevistados: Francisco Teixeira (Comunidade Nossa Senhora de Nazaré); Raimundo Ferreira, José Serafim, Claudia (São Cristóvão) Elias Souza, Socorro e Elza (Paraíso Verde ); Jorge, Carlos Mocha, Maria Santos (Pantanal); Genebaldo, Aldemiro Alencar, Odonias, Salvador, José Bessa, José Modesto, Alarico Lima, Damância (Parque Cabanagem); Agripina (Castanheira). É possível, contudo, delinear laços históricos a partir dos vínculos familiares entre os membros de famílias referidas por alguns entrevistados. Atentando-se para aquelas pessoas que vivem num determinado contexto durante anos e, ainda residem nessas comunidades, são importantes para contar a história da comunidade no bairro às crianças, aos adolescentes e aos adultos; representam a memória viva, cuja identidade poderá ser levada em conta para as atividades de EA. k) Motivos de moradia A Tabela 11 aponta as razões que levaram as pessoas entrevistadas e suas famílias a se instalarem nos arredores do PAB. 80 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM TABELA 11: Motivos de moradia no local. Motivos Frequências Morava de aluguel e comprou casa 8 Soube da ocorrência da invasão e pegou um lote 7 Casou/Constituiu família 6 Busca de trabalho/Oportunidade de emprego 5 Pouco dinheiro para comprar lote 3 Tinha familiares no local 2 Foi indenizado/morava dentro do PAB 1 Um bom local para moradia 1 O bairro anterior de moradia era violento 1 Casa cedida por familiares 1 Morou sempre na área 1 Oportunidade de moradia própria 1 Morava em local que alagava 1 Sem resposta 1 Total 39 Percentuais 20,5 17,9 15,4 12,8 7,7 5,2 2,6 2,6 2,6 2,6 2,6 2,6 2,6 2,6 100,0 Fonte: Pesquisa de campo, 2004/2005. Como se pode ver, as razões dividem-se entre oportunidades de adquirir um imóvel próprio no intuito de fugir do aluguel, ou porque morava com parente constituiu família, aliado ao fato da área que estava sendo ocupada; em alguns casos, a questão da migração de pessoas, advindas do interior do Pará ou de outros estados da federação em busca de melhores oportunidades de trabalho, torna-se um elemento coadjuvante. Pode-se identificar diferentes interesses que predominam nas respostas relacionadas aos motivos de moradia. Mais frequentemente foram apontados: a compra da moradia porque morava de aluguel, a maior parte 20,5%; soube da invasão e viu a possibilidade de pegar um lote, para 17,9%; porque casou e constituiu família referiu 15,4%; a vinda para Belém em busca de trabalho e oportunidade de emprego, com 12,8%; o dinheiro que possuía não dava para comprar o lote em outro local, referiu 7,7%. Significa, ainda, outros motivos: morava em alagado, saiu de dentro do PAB, ser um bom local, ter familiares no local, morava em bairro violento e apenas 2,6% não respondeu. 81 Universidade da Amazônia Trata-se de resolver o problema da moradia, possuir um imóvel, ter um endereço, uma referência de local de moradia, um espaço que sintetizasse o direito ao acesso à moradia, conforme as colocações dos entrevistados. Não tinha casa para morar. Há dez anos, quando soube dessa invasão, vi a oportunidade de realizar o meu sonho de ser proprietário de um imóvel, morava em casa cedida por parente no bairro de Canudos (Pedro Paulo, Centro Comunitário Passagem Cruzeiro Unidos com Pantanal). Dentre aquelas pessoas oriundas de localidades da RMB, a fuga do aluguel no sentido da aquisição da casa própria (37,5%) foi a razão mais citada. As principais razões que motivaram os entrevistados vindos do interior são: a tomada de conhecimento de que estava ocorrendo a ocupação (25%); a constituição de família; e a fuga do aluguel, ambas com 20% das menções cada. Para aqueles entrevistados vindos de outros estados, a principal justificativa para a ocupação da área é o fato de que o dinheiro possuído só permitia adquirir imóvel na área em foco (28,6%). 4.2 PROJETOS DE INTERVENÇÃO URBANA NA APA-BELÉM Este tópico trata fundamentalmente da transformação que está sendo vivenciada, uma oportunidade histórica nas comunidades dos bairros Curió-Utinga, Souza e Castanheira com a construção de obras públicas. Há que se considerar, o modo como os moradores, dirigentes e associações comunitárias interpretam suas verdades sobre o que está acontecendo no meio socialmente construído e ambientalmente modificado, sob a interferência diretiva da ação governamental. No atual quadro urbano é inquestionável a necessidade de “implementação de políticas públicas para tornar as cidades social e ambientalmente sustentáveis, contrapondo-se ao quadro de deterioração crescente das condições de vida”, como bem salienta Jacob (2004, p. 183). Por outro lado parece ficar mais evidente, o crescimento urbano que reflete na perda de áreas naturais, cujas ações antrópicas impõem o seu maior impacto à natureza, alterando e criando um novo ambiente, ou seja, um ambiente construído (MOTA, 1999). Os projetos são tratados a partir do que segue: prolongamento da Avenida 1º de Dezembro e da construção do muro/cerca do Parque Ambiental de Belém. 82 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM 4.2.1 Prolongamento da Avenida 1º de Dezembro (atual Avenida João Paulo II) O Projeto de Prolongamento da Av. 1º de Dezembro (atual Av. João Paulo II) foi desenvolvido, conforme diretrizes do Plano Diretor de Transportes Urbanos (PDU) de 1998. Em sua 1ª etapa compreende o trecho entre a Av. Dr. Freitas até a Passagem Mariano. Esse Projeto “visa o melhoramento do sistema viário de transporte de Belém, permitindo maior fluidez do trânsito da cidade, desafogamento do trânsito da Av. Almirante Barroso, uma das vias estruturais mais importantes de Belém” (SESAN, relatório 2000-2004). O aumento significativo do número de veículos deixa a Av. Almirante Barroso saturada. Com a implantação da Av. 1º de Dezembro (atual Av. João Paulo II) ocorre a instalação da rede de esgoto e drenagem (saneamento) nessa área. O prolongamento da Av. 1° de Dezembro, na extensão aproximada de 15 km em seu trecho compreendido entre a Av. Dr. Freitas (Belém) e Km-0 da Rodovia PA-150 (Ananindeua), será mais uma opção para o escoamento do tráfego de veículos nos sentidos de entrada e saída de Belém. Contou com recursos da Prefeitura de Belém, por meio do Orçamento Participativo e do Programa de Infraestrutura Urbana (PRO-INFRA). FIGURA 19: Prolongamento da Av. 1° de Dezembro, perímetro Rua Utinga e Alameda Gama Malcher. Jun. 2005. 83 Universidade da Amazônia Esse empreendimento está localizado no município de Belém, na área do Distrito Administrativo do Entroncamento (DAENT). Segundo a Companhia de Transportes do Município de Belém (CTBEL): Os objetivos deste empreendimento são: ampliar o sistema viário municipal da cidade; complementar o trecho existente, viabilizando a distribuição de tráfego do corredor Almirante Barroso e a sua ligação com as vias transversais, viabilizar a proposta de reestruturação do sistema de transporte (CTBEL, 2000). Conforme CTBEL (2000), esse projeto, pleiteado junto ao Governo Federal, irá colaborar para o aumento da qualidade de vida de mais de 50.000 habitantes que residem no entorno da Av. 1º de Dezembro (atual Av. João Paulo II), próximos a APA-Belém, onde estão localizados os principais mananciais para abastecimento de água, “não existe infra-estrutura de saneamento básico nessa região de baixada, sendo os corpos orgânicos, detritos e impurezas, carreados diretamente para aqueles mananciais”. O trecho dessa avenida, que compete ao municipio de Belém, está localizado entre Av. Dr Freitas e a Alameda Moça Bonita será construído com recursos da Prefeitura de Belém, por meio do orçamento participativo e Programa de Infraestrutura Urbana (PROINFRA), (CTBEL,2000). Participam da execução desse empreendimento os órgãos: SESAN, SEHAB e CTBEL. Para isso, foram concebidos projetos: ambiental, viário, abastecimento de água, esgoto sanitário, drenagem pluvial, proteção das adutoras (CTBEL, 2000): • Ambiental: consiste na implantação do Projeto da Av. 1° de Dezembro, com menor impacto ambiental possível, considerando o mesmo como divisor entre a área urbana de Belém e o Parque Ambiental. • Viário: refere a implantação de um complexo viário (avenidas), objetivando a melhoria do acesso de tráfego em Belém. • Esgoto Sanitário: dimensiona um sistema de redes coletoras de esgotos sanitários para receber as contribuições das residências da área de entorno. No primeiro trecho foi elaborado projeto de estação de tratamento de esgoto. Para o segundo e terceiro trechos, o efluente será coletado na EE-4 e na ETE-Tavares Bastos. 84 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM • Abastecimento de Água: consiste na instalação de sistema de distribuição de água, destinado a permitir a readequação do sistema existente. • Drenagem Pluvial: as águas da chuva do primeiro e segundo trechos terão como destino o Canal do Mártir (bairro Curió-Utinga) e, conseqüentemente, o Rio Guamá. Quanto o terceiro trecho implica no projeto de uma bacia de detenção como caixa separada de óleo, para um primeiro tratamento antes do destino final, o Lago Bolonha dentro do Parque Ambiental. • Proteção das Adutoras: as adutoras, ao longo do traçado da Av. 1° de Dezembro, serão protegidas pelo canteiro central (7m), garantindo a segurança na circulação de veículos. A Fundação Parques e Áreas Verdes de Belém (FUNVERDE), em 1999, apresentou o “Plano de Implantação de Medidas Mitigadoras sobre ações impactantes ao meio biótico, decorrentes das obras de prolongamento da Av. 1º de Dezembro (atual Av. João Paulo II): preservação e degradação de áreas degradadas. A FUNVERDE foi criada pelo Decreto Municipal n° 27.214/95, instalada em 12/02/95, com objetivo de gerenciar, preservar e estabelecer políticas de gestão ambiental em Belém. Em 2003, foi substituída pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEMMA). As medidas mitigadoras da FUNVERDE para esta avenida foram sintetizadas em dois projetos e um programa: Projeto de Arborização e Paisagismo e Projeto de Revegetação de Áreas Degradadas, Programa de Educação Ambiental Comunitário. A SECTAM, por meio da Divisão de Estudos e Educação Ambiental, é mencionada para contribuir na execução do Programa de Educação Ambiental da referida obra, entretanto não fica explícita de que forma ocorre essa contribuição. Vale considerar que embora seja mencionado o Programa específico de Educação Ambiental para o prolongamento da Av. 1º de Dezembro (atual Av. João Paulo II), envolvendo os moradores desta área, não conseguiu-se constatar nenhuma referência na fala dos dirigentes de associações comunitárias quanto a este Programa de educação ambiental, deduzindo-se que sua implementação ocorra após a conclusão da obra, fator que poderá ser complicado, uma vez que contraria a essencialidade da educação ambiental, cujos procedimentos devem ser estimulados e incorporados desde a elaboração, implementação do programa levando em conta a consciência coletiva na compreensão dos aspectos sócio-ambientais às mudanças que ocorrem nessas comunidades (DIAS, 2002). 85 Universidade da Amazônia Esperar que a obra seja concluída, em suas etapas previstas, para posterior implementação de ações educativas, poderá ocorrer o risco de tardiamente buscar soluções para os problemas que não foram previstos e, com isso os procedimentos educativos, levando em conta à resolução de problemas concretos à realidade de cada comunidade, sejam seriamente comprometidos. Para a implementação da obra de prolongamento da Av. 1° de Dezembro foi necessário a PMB por meio da Secretaria Municipal de Saneamento (SESAN / Comissão de Relocação), em conjunto com a Secretaria Municipal de Habitação de Belém (SEHAB), realizar o levantamento socioeconômico do número de famílias atingidas diretamente pelo Projeto. • Levantamento Social: em 2001 foram realizados levantamentos técnico e social no trecho compreendido entre a Av. Dr. Freitas e Passagem Cruzeiro, no bairro Curió-Utinga, em virtude da modificação na faixa de domínio do projeto que foi ampliada com a inclusão de maior número de imóveis a serem retirados. Era preciso conhecer o perfil socioeconômico das famílias residentes na área do projeto para definir a linha de negociação da Prefeitura Municipal de Belém- PMB com os proprietários dos imóveis, estratégias de remanejamento das famílias para o Conjunto Residencial Comandante Cabano. Em 1998, para efeito de financiamento prévio foi dado entrada na SECTAM pela PMB, para fins de comprovação junto a Caixa Econômica Federal, o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e seu Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) para ser analisado por esta Secretaria, não havendo impeditivo ambiental para sua implementação no trecho selecionado entre as passagens Cruzeiro e Mariano, nos bairros CurióUtinga e Castanheira. Os impactos ambientais potenciais e os detalhamentos técnicos para suas mitigações foram objetos de análises conclusivas, conforme a Lei n° 5.887/95. Através do Decreto n° 3.254/98, o governo do Estado do Pará, autoriza o poder Público Municipal de Belém a “usar parte dos terrenos que integram a área de proteção especial dos mananciais da Região Metropolitana de Belém (RMB), definidas no Decreto n° 3.252/84; para fins de prolongamento da Av. 1° de Dezembro”. A área se insere nos limites do Parque Ambiental Belém. Segundo este Decreto o uso previsto 86 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM será regulado por instrumento de convênio, a ser firmado entre o Município e o estado, por meio da Secretaria de Estado de Transportes (SETRAN) e da SECTAM, com interferência da COSANPA (Diário Oficial do Pará n° 28.886, 21 de dezembro de 1998, 03 cadernos, 24 páginas). Conforme Resolução do Conselho Estadual de Meio Ambiente (COEMA) n° 007/99, de 10 de maio de 1999 aprova a concessão de Licença Prévia, no trecho compreendido entre a Av. Dr. Freitas e Passagem Mariano. • Desapropriação: quanto ao número de imóveis e famílias atingidas diretamente pelo Projeto (SESAN, 2004), foram cadastrados na primeira etapa do projeto da Av. 1° de Dezembro, no perímetro compreendido entre a Av. Dr. Freitas à Passagem Gaspar Viana, 67 imóveis e 82 famílias; Av. Dr. Freitas à Passagem Cruzeiro, 187 imóveis e 233 famílias (bairro Curió-Utinga); da Passagem Mariano e Passagem Coração de Jesus, 53 imóveis e 65 famílias (bairro Castanheira), totalizando 307 imóveis e 380 famílias. Do total de 380 famílias, 60% foram indenizadas e permanecem na área, morando no mesmo bairro, enquanto 40% foram morar em outros locais. Na verdade não houve remanejamento, mas indenização às famílias. Quanto aos valores da indenização não foram informadas pela SESAN. Entretanto, de acordo com as informações de Elias Gomes Souza (Presidente da Associação de Moradores Paraíso Verde), foram indenizadas pela Prefeitura de Belém 200 famílias, no período compreendido entre Av. Dr. Freitas à Rua Utinga. Os valores médios de indenização ficaram em torno de R$ 17.000,00 (dezessete mil reais) e R$ 18.000,00 (dezoito mil reais) pelos imóveis. Em relação ao número de famílias optantes pelo reassentamento no Residencial Comandante Cabano Antônio Vinagre, apenas quatro famílias aceitaram como alternativa de remanejamento o apartamento construído no terreno desapropriado na Av. Almirante Barroso esquina com Av. Dr. Freitas próximo a Bandeira Branca, no bairro Curió-Utinga. Vale Ressaltar que a Prefeitura construiu cinco blocos de seis pavimentos, com 126 apartamentos para abrigar as famílias remanejadas no entorno da Av. 1° de Dezembro. A obra iniciada há aproximadamente 6 anos ainda não foi totalmente construída e as famílias cadastradas não mais pretendem residir no imóvel. Esse residencial foi alvo de duas invasões em 2004 pelos integrantes do Movimento de Traba87 Universidade da Amazônia lhadores Sem-Teto Urbano (MSTU). O residencial, ao ser concluído pela Construtora Simões, atenderá os servidores municipais sem asa própria (O LIBERAL, 29 de dezembro de 2004). Em resgate, a pauta de reunião de assembléia sobre a apresentação do projeto de remanejamento dos moradores pela SEHAB e projeto da Av. 1º de Dezembro (atual Av. João Paulo II) pela CTBEL, em 27 de agosto de 1998, resultou que os moradores do bairro Curió-Utinga não concordaram com o modelo de casa apresentado pela SEHAB, composta de 4 cômodos, sala, quarto, cozinha e banheiro (34,00 m²). O local de reassentamento seria a área pertencente à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), próximo ao Conjunto Itororó. Além disso, as famílias que fossem remanejadas pagariam prestações mensais, estipuladas com base na renda familiar. No levantamento do perfil socioeconômico das famílias atingidas diretamente pelo projeto, realizado pela Prefeitura de Belém (SESAN, 2004), foi verificado que a maioria 55% dos chefes de famílias possuía renda na faixa de 2,5 a 3,5 salários mínimos. Vê-se que esse Projeto traz mudanças às famílias, sejam elas moradores na área ou as que saíram para outros locais, cujos efeitos socioambientais positivos e negativos foram explicitados pelos entrevistados em suas associações comunitárias. 4.2.1.1 Efeitos socioambientais do prolongamento da Av. 1° de Dezembro pelos dirigentes das associações comunitárias a) Efeitos socioambientais positivos A Tabela 12 apresenta alguns efeitos socioambientais positivos, advindos da construção da Av. 1º de Dezembro (atual Av. João Paulo II), no entendimento dos dirigentes das associações comunitárias. 88 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM TABELA 12: Efeitos socioambientais positivos trazidos pela construção da Avenida 1º de Dezembro. Efeitos positivos Frequências Percentuais Melhoria no acesso ao transporte urbano 14 24,1 Traz Saneamento/Urbanização/Infra estrutura 14 24,1 Geração de empregos/Mais alternativa para o comércio 11 19,0 Melhoria do tráfego / desengarrafa Alm. Barroso / mais uma via acesso 9 15,5 Mais policiamento/Segurança 4 6,9 Valorização das casas/Imóveis 3 5,2 Demarcação e legalização dos lotes 1 1,7 Nenhuma 1 1,7 Não sabe 1 1,7 Total 58 100,0 Fonte: Pesquisa de campo, 2004/2005. A melhoria de acessibilidade ao transporte coletivo, com 24,1%, concebido pela maioria dos entrevistados, facilita tanto o acesso dos moradores ao transporte coletivo, quanto o tráfego de veículos da polícia, ambulâncias, carros de entrega de mercadorias nas residências e carros de lixo, melhorando a vida dos moradores desses bairros. A urbanização acompanhada de infraestrutura sanitária com 24,1% torna-se essencial para melhorar as condições de saúde dos moradores. A geração de emprego com alternativas para o comércio é uma perspectiva das comunidades; a instalação de uma diversidade de estabelecimentos comerciais ao longo da avenida irá melhorar a renda das pessoas, com 19% de respostas. O descongestionamento do tráfego de veículos da Avenida Almirante Barroso corresponde a 15,5%, melhorando o escoamento do tráfego de veículos pela utilização da nova via. O policiamento e segurança representam 6,9% e coloca a possibilidade de reduzir a violência com o patrulhamento constante na Avenida, oferecendo segurança para a população. 89 Universidade da Amazônia A valorização dos imóveis é previsto por 5,2% dos moradores. Alguns moradores já venderam seus imóveis e outros procuram melhores preços. As placas de venda são visíveis nas fachadas dos imóveis, nos dois lados desta Avenida. A legalização dos lotes para 1,7% é a esperança do morador em possuir o documento do imóvel. Não sabe e/ou nenhuma vantagem, igualmente, com 1,7% cada, o que denota a indecisão. Desse modo, é possível perceber nas expressões otimistas apresentadas pelos entrevistados três aspectos socioambientais relevantes em relação à Avenida: acessibilidade de transportes, de infraestrutura e de emprego e renda. Do ponto de vista dos efeitos socioambientais trazidos, referem-se à melhoria ao acesso do transporte urbano, às melhoras no âmbito do saneamento, urbanização e infraestrutura; à geração de empregos e aumento das alternativas para o comércio e à melhoria do tráfego, desengarrafando a Av. Almirante Barroso, criando mais uma via de acesso, além de trazer policiamento, segurança e valorização dos imóveis. b) Efeitos socioambientais negativos Os efeitos socioambientais negativos, advindos da construção da Avenida 1º de Dezembro (atual Av. João Paulo II), estão expostos na Tabela 13. 90 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM TABELA 13: Efeitos socioambientais negativos trazidos pela construção da Avenida 1º de Dezembro. Efeitos negativos Frequências Percentuais Aumento da violência/Marginalidade/Assaltos 11 20 Poluição/Degradação ambiental/Afeta olho d’água e igarapé 9 16,7 Acidentes de trânsito 8 14,8 Aumento de impostos devido à valorização dos imóveis 4 7,4 Perda do lazer / conforto dos moradores / tranquilidade 4 7,4 Nenhum 3 5,6 Não sabe 3 5,6 Baixa indenização dos moradores no traçado da avenida 2 3,7 Custo de vida vai ser mais caro 1 1,9 Fragmentação da comunidade 1 1,9 Sem resposta 1 1,9 Derrubada de árvores da comunidade/assoreamento 1 1,9 Demora da construção faz comunidade desacreditar 1 1,9 Total 54 100,0 Fonte: Pesquisa de campo, 2004/2005. Quanto aos efeitos socioambientais negativos, trazidos pela construção da Av. 1º de Dezembro (atual Av. João Paulo II), as principais respostas são: aumento da violência, marginalidade e assaltos, com 20%; poluição, degradação ambiental afetando olhos d’água e igarapé, com 16,7%, acidentes de trânsito, com 14,8%; aumento de impostos dos imóveis, aliado a perda do lazer e do conforto e ‘tranqüilidade’ dos moradores, igualmente com 7,4%. Destaca-se com maior frequência o aumento da violência, marginalidade e assaltos. A criminalidade no contexto da violência urbana, presente nesses bairros deixa a população apreensiva, quanto ao: comércio de drogas, roubos, latrocínios e homicídios que poderá aumentar sem a presença de policiamento na Avenida. Para os dirigentes das comunidades, “a violência poderá aumentar em função do maior fluxo de pessoas”, comenta Neida Maria dos Santos Reis (Centro Comunitário Passagem Cruzeiro Unidos com Pantanal). Complementa Nazilda dos 91 Universidade da Amazônia Santos Silva (Associação de Moradores Paraíso Verde), “ao abrir a Avenida dá acesso aos marginais (gangues)”. Verificou-se em menor percentual, para a construção da Avenida foi preciso “derrubar árvores, destruir a plantação de café que a comunidade plantou”, lamenta Nailza de Souza Melo (Centro Comunitário Nossa Senhora de Nazaré). Complementa Francisco dos Santos Teixeira, “provocou degradação ambiental, a pista saiu em cima dos olhos d’água, está secando o pequeno lago Mariana”, do mesmo Centro Comunitário. Quanto às famílias indenizadas, do total de 380, 60% permanecem morando nos mesmos bairros, enquanto 40% foram morar em outros locais, SESAN (2004). Porém, conforme informação de Elias Gomes de Souza (Presidente da Associação de Moradores Paraíso Verde, 2005), foram indenizadas pela Prefeitura de Belém, 200 famílias, no perímetro compreendido entre a Av. Dr. Freitas à Rua Utinga. Os valores médios de indenização ficaram em torno de R$ 17.000,00 (dezessete mil reais) e R$ 18.000,00 (dezoito mil reais) pelos imóveis. Verifica-se a pertinência dos efeitos socioambientais negativos quanto à poluição, degradação ambiental afetando olhos d’água, igarapé e pequeno lago. Em se tratando do aumento da poluição, como explica Mota (1999, p. 86), o monóxido de carbono está entre os principais poluentes atmosféricos, cuja fonte são os veículos automotores com efeitos à saúde humana; “em nível mais baixo, agrava o coração e reduz a habilidade de funcionamento do cérebro; em concentrações muito altas, pode causar a morte”. Os meios de transportes, conforme este autor, constituem a maior fonte de poluição do ar em áreas urbanas. As fontes de poluição acústica em meio urbano, resultam na: Emissão de sons de alta intensidade, contribuindo para uma nova modalidade de poluição – a poluição acústica (ou poluição sonora), tendo como principais fontes: os meios de transporte terrestre, tráfego aéreo, obras de construção civil, atividades industriais, aparelhos eletrônicos e o próprio comportamento humano (MOTA, 1999, p.91). Em virtude do aumento do fluxo de veículos, há possibilidades de ocorrência de acidentes. Para Jersemi Braga Rodrigues (Presidente do Centro Comunitário Nossa Senhora de Nazaré), “o movimento dos transportes trouxe poluição local e riscos de acidentes”. 92 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM O aumento de impostos em virtude da valorização dos imóveis, refere-se à cobrança do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), instrumento de arrecadação fiscal urbana pela Prefeitura. Este aumento decorre da valorização advinda de investimento feito externamente ao imóvel, após a abertura da Avenida (MARICATO, 2001). Na opinião de Miquéias Almeida Santos (Centro Comunitário Nossa Senhora de Nazaré), “já está previsto o aumento de impostos, as casas estão valorizadas”. Representa perda da área de lazer, especialmente das crianças e jovens, as quais brincavam em espaços livres e abertos no traçado da Avenida. Nesse local, havia os pequenos campos de futebol, onde os moradores tinham o lazer direcionado para as “peladas”, nas horas livres, finais de semana e feriados. O conforto e a tranquilidade que os entrevistados atribuíram ter, provavelmente vão ser lembrados, visto que o trânsito na Avenida, com a poluição sonora e atmosférica constituirá uma nova realidade imposta aos moradores. Conforme refere Geraldo Batista Brito, (Associação de Moradores do Bairro Castanheira). A Avenida João Paulo II irá trazer efeitos sócio-ambientais negativos, devido causar impacto sobre os lagos. Não acredito que essa avenida passe neste local, devido à declividade da área, são muitas residências para serem desapropriadas, mas, se acontecer os lagos vão virar um canal. Assim, posta a dúvida, os moradores, no perímetro compreendido entre a passagem Mariano e Alameda Moça Bonita, cujos imóveis estão no traçado desta Avenida, reclamaram da falta de informações das instituições envolvidas, o que dificultará procedimentos democratizantes de negociações e respeito às bases culturais associativas comunitárias. 4.2.2 Construção do muro/cerca do Parque Ambiental de Belém O Parque Ambiental de Belém foi criado pelo Decreto Estadual n° 1.552 de 03 de maio de 1993, localizado na zona urbana de Belém e parte do município de Ananindeua, com uma extensão de aproximadamente 1.250 ha, onde estão localizados os Lagos Bolonha e Água Preta, os mananciais de abastecimento de água de Belém. A ocupação desordenada nas proximidades dentro do Parque, sem infraestrutura sanitária resultou no comportamento da biodiversidade especialmente da flora que serve de proteção natural às nascentes d´água. 93 Universidade da Amazônia Em função do assoreamento dos lagos pela sedimentação de resíduos, houve conseqüente redução da lâmina do manancial do Utinga que necessita de bombeamento de água do Rio Guamá e tratamento para garantir a qualidade da água à população. O governo do estado, (PARÁ, 2002) preocupado com a situação do Parque, decorrente das ocupações e da qualidade da água consumida pela população, oficializou, em Decreto de 18 de janeiro de 2001, a formação de um Grupo de Trabalho, envolvendo 7 órgãos governamentais, coordenado pela Secretaria Executiva de Desenvolvimento Urbano e Regional - SEDURB com a finalidade de elaborar o Plano de Proteção dos Lagos Bolonha e Água Preta. O Plano de Proteção consiste na construção de uma barreira física, muro/cerca com o objetivo de evitar o avanço da ocupação urbana na área do PAPS, assegurando a preservação dos lagos (PARÁ, 2002), incluindo-se a desapropriação e remanejamento de aproximadamente 1.200 famílias. Inicialmente, o muro da proteção do PAB foi previsto para ser construído em alvenaria, aramado e cerca viva, sendo construído apenas 6km em alvenaria, no bairro Águas Lindas. Entretanto, houve mobilização da população em relação ao muro, por isso, foi elaborada uma proposta e apresentada pelo Fórum dos Lagos à COSANPA. Mas, para a materialização deste projeto 1.220 famílias iriam sair da APA, 934 famílias seriam remanejadas e 286 famílias seriam indenizadas. Porém, ainda permanecem famílias morando dentro do Parque, aguardando negociação com órgãos do governo. FIGURA 20: Muro/Cerca. Contornando o Parque Ambiental de Belém, jun. 2005. 94 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM Para a construção do muro/cerca (PARÁ, 2002), foi necessária uma ação integrada de responsabilidade compartilhada entre as diversas instituições governamentais envolvidas. • Caixa Econômica Federal - CEF, disponibilizou recursos do Programa Pró-Moradia, para a infraestrutura os locais de remanejamento para as famílias atingidas na extensão da obra do muro. • Secretaria Executiva de Desenvolvimento Urbano e Regional - SEDURB, coordenação geral do trabalho, dispondo da contrapartida financeira do governo do Estado. • Companhia de Habitação do Estado do Pará - COHAB, trata das habilitações e da infraestrutura dos loteamentos, coordenando e remanejamento das famílias que ocupam o Parque. • Secretaria Executiva de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente - SECTAM, assume a delimitação da área de intervenção; promoção da educação ambiental; recuperação de áreas degradadas; e administração do Parque. • Secretaria Executiva de Obras Públicas – SEOP, execução de barreiras físicas (muro), desmonte de benfeitorias, transporte dos pertences (mobiliário e material) das famílias remanejadas para outros locais. • Secretaria Executiva do Trabalho e Promoção Social – SETEPS. promove o programa de geração de renda e melhoria da qualidade de vida dos remanejados. • Secretaria Executiva de Segurança Pública - SEGUP, executa o policiamento do Parque para impedir a recuperação de área por meio do Batalhão de Policia Ambiental – BPA que se encontra instalado dentro do Parque. Dessa forma, com a construção do muro contornando os mananciais (Lagos Bolonha e Água Preta), o governo do Estado espera impedir o avanço da ocupação no Parque Ambiental. O saneamento da área em torno do muro ficará sob responsabilidade da COSANPA mediante a implementação do Projeto PROSEGE, com a função pelo tratamento dos afluentes sanitários (recurso do Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID e contrapartida do governo do estado); coleta de lixo e programa de educação ambiental; programa de reflorestamento de áreas no Parque (PARÁ/COHAB, 2002). 95 Universidade da Amazônia FIGURA 21: Lago Bolonha na área do Parque Ambiental de Belém, jul.2004. Para a construção da barreira física de proteção dos mananciais e o remanejamento das famílias das áreas, situadas entre o muro e os mananciais, constam ações relacionadas: identificação e plotagem dos limites do PAB; contatos e discursos com as entidades envolvidas; reunião com as entidades; elaboração de trabalho; formação e contatos das equipes executoras; identificação e cadastramento das propriedades levantamento físico das propriedades; avaliação das propriedades; trabalhos de topografia para demarcação física; construção da cerca; vigilância; trabalho de divulgação. Quanto a construção de cerca, foram necessárias várias frentes de trabalho ao longo do limite das comunidades com o Parque, nas áreas de risco das maiores invasões: Pantanal, Verdejante, Mariano, São Pedro, São José, Moça Bonita, Simões/Santa Izabel, Pedreirinha e Ricardo Borges (PARÁ/COHAB, 2002). O processo de remanejamento das famílias (PARÁ/COHAB, 2002) refere nos procedimentos de reuniões com a finalidade de: Prestar-lhes esclarecimentos e/ou convencimentos sobre a necessidade da mudança de residência para outros locais salubres, tendo em vista a resistência aos remanejamentos por lideranças locais contrárias a execução do projeto. 96 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM Em 1999 foi realizado o cadastramento de 2000 famílias, residindo na área do Parque, para posterior remanejamento e construção do muro. Entretanto, o projeto original do traçado do muro foi alterado, requerendo outro cadastramento, reduzindo-se para 1.239 famílias a serem remanejadas ou indenizadas (PARÁ/COHAB, 2002). As alternativas que as famílias ocupantes na área do Parque tiveram foram duas: • Indenização das benfeitorias, com base em laudo de avaliação realizada pela COHAB, ficando a família responsável pela busca de sua moradia própria. • Remanejamento para loteamentos da COHAB, disponibilizados em 791 lotes com infraestrutura básica nos seguintes lotamentos: Loteamento Carneirinho – Rodovia Augusto Montenegro, Rua Alacid Nunes, Belém (257 lotes); Loteamento Marituba1 – Rodovia BR-316, Rua Alfredo Caiado, Marituba (393 lotes). Além do lote urbanizado oferecido pela COHAB, o remanejado receberia uma unidade habitacional em alvenaria, constituída de 1 quarto, cozinha e banheiro totalizando 25m² de área construída, conforme informações técnicas (COHAB, 2005). Segundo Pedro Félix Pontes (Presidente do Centro Comunitário Passagem Cruzeiro Unidos com Pantanal, 2005). Foram atingidas 93 famílias, sendo que 90% foram remanejadas e 10% foram indenizadas. O valor médio da indenização foi de R$ 4.000,00 (quatro mil reais). Entretanto para recuo do muro, houve negociação do Centro Comunitário com a SEOP e SECTAM, pois este projeto atingiria 200 famílias. Entre os acordos com estes órgãos previam-se: urbanização das vias transversais (não cumprido); titularização dos lotes dos moradores e do centro comunitário (não cumprido) e término da construção da sede do centro comunitário (foi cumprido). Quanto as ações em educação ambiental previstas pela SECTAM para as comunidades em torno do Parque não foi possível detalhar, em virtude da dificuldade de obtenção de informações técnicas junto a este órgão estadual. 97 Universidade da Amazônia 4.2.2.1 Efeitos socioambientais da construção do muro/cerca do Parque Ambiental de Belém a) Efeitos socioambientais positivos Os efeitos socioambientais positivos da construção do muro do PAB estão sistematizados nas tabelas a seguir englobando os seguintes aspectos: proteção do PAB; maior segurança; e melhoria do visual de seu entorno. TABELA 14: Justificativas para quem acha que o muro protege o Parque. Justificativas Frequências Percentuais Percentuais válidos Não teve nenhuma influência 6 15,4 26,1 Evita o desmatamento e extinção de espécies 6 15,4 26,1 Impede invasões 4 10,3 17,4 Proteção dos lagos que abastecem a cidade (evita poluição) 3 7,7 13,0 Impede retirada de madeira,animais / peixes /Frutas/Água 2 5,2 8,6 Evita o vandalismo 2 5,2 8,6 Sub total 23 59,0 100,0 Não mencionaram respostas 16 41,0 Total 39 100,0 Fonte: Pesquisa de campo, 2004/2005. Esta tabela mostra as justificativas para quem acha que o muro protege o Parque, no entanto é interessante ressaltar que 26,1% não perceberam nenhuma influência; o mesmo percentual (26,1%) acredita que o muro evita o desmatamento e extinção das espécies; impede invasões, com 17,4%; protege os lagos, 13% ; impede retirada de madeira, animais, peixes, frutas, água; evita vandalismo, as duas categorias mencionadas anteriormente têm peso percentual de 8,6%, cada. 98 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM TABELA 15: Justificativas para quem acha que o muro do PAB traz maior segurança. Justificativas Frequências Percentuais Percentuais válidos Não teve nenhuma influência 5 12,8 33,3 4 10,3 26,7 3 7,8 20,1 Melhoria no policiamento 2 5,2 13,4 Evita jogar lixo dentro do Parque 1 2,6 6,7 Sub total 15 38,5 100,0 Não mencionaram respostas 24 61,5 39 100,0 Evita a destruição da vegetação/ Vandalismo/Conserva o espaço Ainda serve como esconderijo para marginais/Estupros Total Fonte: Pesquisa de campo, 2004/2005. Os percentuais mais significativos referentes às respostas das pessoas entrevistadas quanto a questão da segurança que o muro do PAB traz, são os seguintes: não teve nenhuma influência, 33,3%; evita a destruição da vegetação, vandalismo e conserva o espaço, 26,7%; ainda serve como esconderijo para marginais, estupros, 20,1%; melhoria no policiamento, 13,4%; e evita jogar lixo dentro do Parque, com 6,7%. 99 Universidade da Amazônia TABELA 16: Justificativas para quem acha que o muro do PAB melhora o visual do seu entorno. Justificativas Frequências Percentuais Percentuais válidos Não teve nenhuma influência 3 7,7 27,3 Evita a destruição da vegetação/ Vandalismo/Conserva o espaço 2 5,1 18,2 Melhorou/Encobriu a mata aberta 2 5,1 18,2 Contribui para a limpeza em torno do Parque 2 5,1 18,2 Precisa de manutenção/Não pode ser abandonado 1 2,6 9,1 Evita poluir os lagos com lixo 1 2,6 9,1 Sub total 11 28,2 100,0 Não mencionaram respostas 28 71,8 Total 39 100,0 Fonte: Pesquisa de campo, 2004/2005. Para os entrevistados, 27,3% acham que o muro do PAB não influenciou na melhoria do visual do seu entorno; para 18,2% evita a destruição da vegetação, vandalismo e conserva o espaço; igual percentual (18,2%) considera que melhorou, pois encobriu a mata aberta; e contribui para a limpeza em torno do Parque; ao passo que 9,1% mencionaram que precisa de manutenção/não pode ser abandonado; e a mesma proporção diz que evita poluir os lagos com lixo. Os resultados revelaram que, no geral, as maiores parte das menções relativas ao muro do PAB foram classificadas como efeitos socioambientais negativos (48,6%); contudo, as respostas que refletiram efeitos socioambientais positivos atingiram 32,7%. As menções classificadas como neutras alcançaram 18,7%. b) Efeitos socioambientais negativos A sequência de tabelas a seguir trata de uma série de relações socioambientais das comunidades na APA com referência ao muro do PAB. 100 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM TABELA 17: Efeitos socioambientais negativos trazidos pela construção do muro do PAB. Justificativas Frequências Percentuais Percentuais válidos Impede/Dificulta o convívio entre homem e meio ambiente 3 7,7 18,8 Remanejou famílias para outros locais 3 7,7 18,8 Os moradores não podem fiscalizar quem joga lixo 2 5,1 12,5 Provocou revolta dos moradores 2 5,1 12,5 Não evita invasões 1 2,6 6,3 Dificulta acesso ao PAB 1 2,6 6,3 Impediu a utilização dos pequenos campos de futebol 1 2,6 6,3 Terminou o afeto com o PAB 1 2,6 6,3 Desestruturou o trabalho em conjunto da comunidade 1 2,6 6,3 Prejudicou o acesso de pessoas 1 2,6 6,3 Sub total 16 41,0 100,0 Não mencionaram respostas 23 59,0 Total 39 100,0 Fonte: Pesquisa de campo, 2004/2005. Com relação às opiniões dos representantes das associações comunitárias entrevistados, o muro representa a separação entre a comunidade e o PAB, a tabela anterior aferiu para 18,8% delas, o muro impede e/ou dificulta o convívio entre homem e meio ambiente, igual percentual considera o muro sinônimo de remanejamento das famílias para outros lugares. Constata-se que atualmente, algumas famílias que foram remanejadas não se acostumaram em outros locais e estão procurando casas para retornar ao antigo bairro de moradia. Outros 12,5% afirmam que com o muro os moradores não podem fiscalizar quem joga lixo no PAB. Todavia, 59% não fizeram menção ao muro, podendo indicar indiferença ou mesmo distanciamento na relação entre morador e PAB. 101 Universidade da Amazônia TABELA 18: Justificativas para quem acha que o muro do PAB dificulta a entrada de pessoas. Justificativas Frequências Percentuais Percentuais válidos Não teve nenhuma influência 3 7,7 33,3 Impede o convívio entre homem e meio ambiente 2 5,1 22,2 As pessoas precisam de autorização 1 2,6 11,1 As pessoas entram por outros lugares 1 2,6 11,1 Prejudica o acesso 1 2,6 11,1 As pessoas entram por uma boca de lobo 1 2,6 11,1 Sub total 9 23,1 100,0 Não mencionaram respostas 30 76,9 Total 39 100,0 Fonte: Pesquisa de campo, 2004/2005. As principais razões para os entrevistados que acham que o muro dificulta a entrada das pessoas foram: a inutilidade do muro para o fim proposto, uma vez que 33,3% das respostas dadas mencionam não ter havido nenhuma influência do muro com o intuito de dificultar a entrada de pessoas. Para 22,2%, o muro impede o convívio entre homem e meio ambiente. E iguais percentuais (11,1%), consideram: as pessoas precisam de autorização para a entrada; as pessoas entram por outros lugares; prejudica o acesso; as pessoas entram por uma boca de lobo. 102 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM TABELA 19: Justificativas para quem acha que o muro do PAB afasta as pessoas da comunidade do PAB. Frequências Percentuais Percentuais Justificativas válidos Remanejamento das famílias para outros 4 10,2 30,8 lugares/ Muitas casas iriam ficar dentro do parque Prejudica o livre acesso 2 5,2 15,4 Impede o convivio entre homem e meio 2 5,2 15,4 ambiente O policiamento fez as pessoas se afastarem 2 5,2 15,4 / quem estiver no local sem autorização Não teve nenhuma influência 1 2,6 7,7 Alguns moradores retiravam o 1 2,6 7,7 sustento do PAB Parentes que moravam próximos tiveram 1 2,6 7,7 que se separar Sub total 13 33,3 100,0 Não mencionaram respostas 26 66,7 Total 39 100,0 Fonte: Pesquisa de campo, 2004/2005. Dentre as pessoas entrevistadas, as justificativas para o muro do PAB afastar as pessoas da comunidade do PAB foram: remanejamento das famílias para outros lugares/ muitas casas iriam ficar dentro do parque, com 30,8%; prejudica o livre acesso e impede o convívio entre homem e meio ambiente; o policiamento fez as pessoas se afastarem/ quem estiver no local sem autorização, todas as respostas com 15,4% cada. Com igual percentual (7,7%), estão as justificativas: não teve nenhuma influência; alguns moradores retiravam o sustento do PAB; parentes que moravam próximos tiveram que se separar, em virtude do remanejamento. 103 Universidade da Amazônia TABELA 20: Justificativas para quem acha que o muro do PAB provoca revolta nos moradores. Justificativas Frequências Percentuais Percentuais válidos Indenizações são incompatíveis com o valor do imóvel 7 17,9 43,8 Trouxe insatisfação, dificulta o acesso 3 7,8 18,9 Alguns moradores não têm consciência da necessidade de proteção do PAB 1 2,6 6,3 Remanejou famílias para outros lugares 1 2,6 6,3 Acharam que os moradores iriam invadir e poluir o Parque 1 2,6 6,3 A contaminação dos lagos por empresas continua 1 2,6 6,3 As pessoas têm que se identificar com o guarda 1 2,6 6,3 Não podem mais utilizar água da bica 1 2,6 6,3 Sub total 16 41,0 100,0 Não mencionaram respostas 23 59,0 Total 39 100,0 Fonte: Pesquisa de campo, 2005. O principal fato que provoca revolta nos moradores em relação ao muro do PAB diz respeito às indenizações incompatíveis com o valor dos imóveis (43,8%); seguida da dificuldade de acesso ao interior do PAB, com 18,9%; alguns moradores não têm consciência da necessidade de proteção do PAB (6,3%); com iguais percentuais estão as seguintes justificativas: remanejou famílias para outros lugares; acharam que os moradores iriam invadir e poluir o Parque; a contaminação dos lagos por empresas continua; as pessoas têm que se identificar com o guarda; não podem mais utilizar água da bica. a) Níveis de efeitos socioambientais A Figura 22 a seguir aponta os níveis de efeitos socioambientais positivos e negativos referentes as 104 respostas mencionadas pelas pessoas entrevistadas sobre o muro do PAB. 104 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM FIGURA 22: Níveis de efeitos socioambientais. Fonte: Pesquisa de campo, 2004/2005. Os resultados revelam no geral, a maior parte, 48,6% das menções relativas ao muro do PAB foram classificadas como efeitos negativos. As respostas que refletiram efeitos positivos atingiram 32,7%. Enquanto as menções classificadas como neutras alcançaram 18,7%. b) Relação entre os moradores e o PAB com a construção do muro Nos dados das tabelas a seguir vê-se os tipos de relações estabelecidas entre os moradores do entorno e o PAB, antes e depois do muro. 105 Universidade da Amazônia TABELA 21: A relação dos moradores antes da construção do muro do PAB. Opiniões Frequências Percentuais Percentuais válidos Acesso livre/ lazer 4 10,3 30,8 Retirada de madeira/ Animais/ Peixes/ Pássaros/ Frutas/ Água da bica, para sobrevivência 3 7,7 23,1 Jogavam lixo doméstico no parque 1 2,6 7,7 Zelavam pelos pequenos campos de futebol 1 2,6 7,7 Faziam plantios na área do PAB 1 2,6 7,7 As pessoas de fora da área poluíam o PAB 1 2,6 7,7 Usavam a trilha do parque para chegar no Ceasa 1 2,6 7,7 Realizavam coleta de lixo em torno dos lagos, colocação placas informativas 1 2,6 7,7 Sub total 13 33,3 100,0 Não mencionaram respostas 26 66,7 Total 39 100,0 Fonte: Pesquisa de campo, 2004/2005. Baseados nas informações da Tabela 24 têm-se: acesso livre e lazer (30,8%); retirada de madeira, animais, peixes, pássaros, frutas, e água da bica, para sobrevivência, com 23,1%. Com igual percentual de 7,7%, têm-se: jogavam lixo doméstico no parque; zelavam pelos pequenos campos de futebol; faziam plantios na área do PAB; as pessoas de fora da área poluíam o PAB; usavam a trilha do parque para chegar ao Ceasa; realizavam coleta de lixo em torno dos lagos, colocação placas informativas. Veem-se as principais práticas agridem a flora e fauna sob a forma de retirada de frutas e madeiras, captura de animais, atividade pesqueira de pequeno porte e extração de materiais usados na construção civil. No geral, os materiais depositados no parque são compostos por resíduos sólidos que contribuem para a degradação ambiental, uma vez que em sua maioria trata-se de material sem característica biodegradável. 106 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM c) Tipos de lazer Na consulta da Tabela 22 é possível conhecer os tipos de lazer praticados dentro do PAB. TABELA 22 : Tipos de lazer praticados dentro do PAB. Tipos de lazer Frequências Percentuais válidos Banho nos lagos e no igarapé 7 24,0 Caminhada 6 21,4 Churrasco com a família em torno do igarapé 6 21,4 Torneio de futebol nos pequenos campos de futebol em finais de semana 6 21,4 Nenhum 2 7,1 Atividades educativas 1 2,6 Total 28 100 Fonte: Pesquisa de campo, 2004/2005. Os resultados mostram que há várias práticas de lazer que ocorrem como os banhos nos lagos e igarapés, com 24%; as caminhadas, churrasco com a família e torneio de futebol, respectivamente com 21,4%. É interessante perceber os tipos de lazer, praticados pelos moradores dentro do parque, sendo inviabilizados com a construção do muro do parque. As caminhadas ainda podem ser feitas, constituindose um direito ao usufruto do espaço natural. d) Opiniões dos moradores após construção do muro do PAB Na tabela apresentada a seguir é possível verificar as respostas dadas pelas pessoas entrevistadas, referentes às suas relações futuras com o PAB depois da construção do muro. 107 Universidade da Amazônia TABELA 23: Opinião dos moradores após construção do muro do PAB. Opiniões Frequências Percentuais Afastará mais a comunidade do local 8 20,5 Haverá maior segurança, evitando vandalismo, ladrões 5 12,8 com o acesso restrito Sem resposta 3 7,7 Irá impedir o lazer e a recreação da população 3 7,7 Vai diminuir a devastação, com área verde protegida 3 7,7 Haverá conflito c/ movimentos sociais, caso não respeite 3 7,7 moradores, sem participação popular democrática Exigirá critérios para a entrada de pessoas no parque, sem 3 7,7 fiscalização vai ficar a mesma coisa Boa, garantindo que seja utilizado pela comunidade 2 5,2 Não sabe 2 5,1 Deve ser feito um curso de formação para os moradores, 2 5,2 sem conscientização será uma relação s/ respeito e proteção Ótima, protegendo os lagos protegemos nós mesmos 1 2,6 Aos poucos as pessoas vão ocupar e fazer casas 1 2,6 Se não houver acesso aos pequenos campos aumentará a 1 2,6 malandragem na área Será melhor, se as pessoas estiverem conscientes da 1 2,6 importância da proteção do PAB Total 39 100,0 Fonte: Pesquisa de campo, 2004/2005. Frente aos resultados, uma resposta foi mais significativa, a de que o muro afastará mais a comunidade do local dificultando a relação comunidade–parque (20,5%), outro ponto é que haverá maior segurança, evitando vandalismo, ladrões com o acesso restrito (12,8%). Na seqüência, com 7,7% têm-se: sem resposta; irá impedir o lazer e a recreação da população; vai diminuir a devastação, com área verde protegida; haverá conflito c/ movimentos sociais, caso não respeite moradores, sem participação popular democrática; exigirá critérios para a entrada de pessoas no parque, sem fiscalização ficará a mesma coisa. Com percentual de 2,6% ficaram as seguintes opiniões: ótima, protegendo os lagos protegemos nós mesmos; aos poucos as pessoas vão ocupar e fazer casas; se não houver acesso aos pequenos campos aumentará a malandragem na área; será melhor, se as pessoas estiverem conscientes da importância da proteção do PAB. 108 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM Os resultados dos efeitos socioambientais positivos e negativos identificados pelos entrevistados, referente à construção tanto do muro do PAB quanto da Av. 1º de Dezembro (atual Av. João Paulo II), Sirkis (2003) enfatiza como desafio ecológico da cidade de concreto, asfalto e vidro, que não é separada da natureza, mas “natureza transformada, um novo ecossistema integrado, modificado do ambiente natural, mas não está fora dele imune aos seus ciclos, dinâmicas e reações” (2003, p.215). Constata-se, é nesse ambiente transformado que “a criação do homem interage incessantemente, para o bem ou para o mal, com o ambiente construído que o rodeia e envolve” (ibidem, p.216; grifos meus). 4.3 SIGNIFICADOS SOCIOAMBIENTAIS NO ENTENDIMENTO DOS DIRIGENTES DAS ASSOCIAÇÕES COMUNITÁRIAS Neste tópico serão tratadas as singularidades acerca da busca de significados. Constitui-se um elemento básico de natureza humana, atenta Capra (2003, p.31), visto que “temos uma tendência inata a dar um sentido às nossas experiências, a buscar significados. O cérebro não gosta de lidar com peças isoladas da informação”. Deduzindo-se, o significado é a experiência de um contexto no qual cada indivíduo está inserido, em um ambiente, espaço e comunidade. Torna-se de fundamental interesse saber o entendimento dos entrevistados no conjunto de significados, relacionados aos níveis de informação que possuem quanto: movimento social urbano, educação ambiental, consciência ambiental, área de proteção ambiental e participação social, no tocante ao espaço em que vivem como detentores do saber. Considerando-se, mesmo que analfabetos no sentido formal, as pessoas detêm um saber fantástico, como evidencia Gonçalves (2002) em contraposição ao pressuposto de que a população “não sabe”. 4.3.1 Significado de movimento social urbano Vê-se que o significado atribuído ao movimento social inclui: organização da comunidade, participação popular, reivindicação de direitos (saúde, escola, segurança, lazer, alimentação, entre outros) para melhoria das condições de vida das pessoas e da comunidade no bairro onde estão inseridas. Tomando-se a concepção de movimento social expressa pelos entrevistados, verificou-se que estão implícitas a sensibilização e a mobilização de pessoas, grupos e comunidades, os quais se reúnem, dialogam e encaminham questões reivindicáveis, , ao poder público. 109 Universidade da Amazônia De certa forma, há uma conexão entre o significado de movimento social urbano, no saber dos entrevistados, com o conceito formulado por Ammam (1999), o qual representa uma ação coletiva de caráter contestador, no âmbito das relações sociais de produção na cidade, onde os problemas de bairro nascem. Apropriando-se da noção de formação das “novas identidades coletivas” que foram construídas em torno de múltiplas expressões: carências comuns, defesa comunitária ou cultural, incluindo-se gênero, etnia, ambiental e de direitos humanos (SCHERER-WARREN, 1996, p.15). TABELA 24: Significado de Movimento Social Urbano. Significados Frequências Percentuais Comunidade reunida/Grupo organizado que reivindica 24 62,4 por direito social e melhorias do bairro onde vive Organização/Participação popular p/ crescimento 3 7,7 e desenvolvimento Articulação/Mobilização de entidades p/ melhores 3 7,7 condições de vida, lazer, alimentação Trabalho social voluntário na comunidade c/ palestras, encontros, oficina, formação, cultura 3 7,7 e repasse de conhecimentos União entre pessoas por meio do diálogo 2 5,1 Encontro comunitário para benefício de todos 1 2,6 Reunião p/ tomar conhecimento de programas, atividades sociais 1 2,6 Eixo de transição p/ conscientizar a sociedade por 1 2,6 um mundo melhor Movimento de pressão popular p/ superação da 1 2,6 exclusão social Não sabe 1 2,6 Total 39 100,0 Fonte: Pesquisa de campo, 2004/2005. A resposta constatada foi: comunidade reunida/grupo organizado que reivindica direito social e melhorias para o bairro onde vive, com 62,4%; organização/ participação popular para crescimento e desenvolvimento; trabalho social voluntário na comunidade c/ palestras, encontros, oficina, formação, cultura e repasse de conhecimentos, com 7,7%. E com 110 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM o mesmo percentual: articulação/mobilização de entidades p/ melhores condições de vida, lazer, alimentação com 7,7%. Na sequência, com 5,1% têm-se: união entre pessoas por meio do diálogo, seguidos com igual percentual de 2,6: encontro comunitário para benefício de todos; reunião p/ tomar conhecimento de programas, atividades sociais; eixo de transição p/ conscientizar a sociedade por um mundo melhor; movimento de pressão popular p/ superação da exclusão social. Pode-se considerar que tanto no estudo de Amman (1991) quanto no de Scherer-Warren (2002), um dos pontos em comum do movimento social urbano é a contestação, no âmbito de relações de produção na cidade. Assim, as reivindicações dos cidadãos acerca de questões fundamentais, cujos valores e práticas socioambientais são construídas na memória e na ação coletiva, nas relações entre pessoas na família e na comunidade. 4.3.2 Significado de educação ambiental Na Tabela 25 vê-se o que as pessoas entrevistadas consideraram significar educação ambiental. TABELA 25: Significado de educação ambiental. Significados Frequências Percentuais Meio p/ qual se busca a conscientização para proteção 11 28,2 ambiental Respeito ao meio ambiente, não poluindo, não jogando 11 28,2 lixo, e não contaminando Educar o povo para preservação do meio ambiente, 7 18,2 política pública que todos devem conhecer Preservar áreas de proteção ambiental 3 7,7 Proteção da vida presente para garantir o futuro 2 5,2 da humanidade Preparar a criança na família sobre cuidados c/ meio 2 5,2 ambiente, zelando para que seja digno de moradia Conservar a saúde das pessoas que vivem no meio ambiente 1 2,6 Não destruir e desmatar floresta 1 2,6 Não sabe 1 2,6 Total 39 100,0 Fonte: Pesquisa de campo, 2004/2005. 111 Universidade da Amazônia Para 28,2% dos entrevistados, a educação ambiental significa meio pelo qual se busca conscientização para proteção ambiental; e igual percentual diz respeito ao meio ambiente, não poluído e não contaminado. Para 18,2%, significa educar o povo para preservação do meio ambiente, política pública que todos devem conhecer. 7,7% consideram preservar áreas de proteção ambiental. Com igual percentual (5,2%), proteção da vida presente para garantir o futuro da humanidade; e preparar a criança na família sobre cuidados c/ meio ambiente, zelando para que seja digno de moradia. Na sequência, com 2,6% cada, conservar a saúde das pessoas que vivem no meio ambiente; e não destruir e desmatar floresta. Verifica-se, por meio das respostas, o estabelecimento de uma articulação de palavras que dá sentido pedagógico à educabilidade, enquanto qualidade de educar: meio, processo, princípio, participação, proteção de vida presente e futura, incluindo-se a preservação da criança na família para os cuidados com o meio ambiente. Sintetiza o significado da educação ambiental como fator essencial para a formação do cidadão, constitui a aproximação de idéias expressas pelos dirigentes acerca da educação ambiental. Sobre educação ambiental, Reigota (1996) descreve que ela implica na prática de utilização racional dos recursos naturais com participação dos cidadãos, tanto nas discussões quanto nas decisões sobre as questões ambientais. Educação ambiental a partir do conjunto de significados é constituída do próprio conhecimento da complexidade ambiental, fundada nos valores cultural, consciência, respeito, conhecimento, saber ambiental de cada comunidade. No entendimento dos entrevistados, a conscientização permite uma aproximação reflexiva do conhecimento entre o que deve e o que não deve em relação às práticas de uso dos recursos naturais. a) Conhecimentos de educação ambiental colocados em prática Na tabela seguinte pode-se notar os conhecimentos que foram postos em prática a partir da participação dos entrevistados em eventos de educação ambiental. 112 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM TABELA 26: Conhecimentos de educação ambiental colocados em prática. Tipos de conhecimentos Frequências Percentuais Repasse de informações sobre coleta e reciclagem de lixo 21 53,8% Informações sobre a proteção aos lagos na APA-Belém 5 12,8% Cuidados com o desperdício de água 4 10,2% Sem resposta 4 10,2% Motivação a participação dos moradores/ encontros 3 7,7% na própria comunidade Explicações sobre prevenção de doenças 1 2,6% Divulgação da cultura popular 1 2,6% Total 39 100% Fonte: Pesquisa de campo, 2004/2005. Dos conhecimentos adquiridos pelos entrevistados e colocados em prática, destaca-se o repasse de informações sobre a coleta e reciclagem de lixo, com 53,8%; informações sobre a proteção aos lagos na APA-Belém, com 12,8%; cuidados com o desperdício da água com 10,2%; 10,2% não apresentaram resposta; 7,7% indicaram motivação a participação dos moradores/ encontros na própria comunidade; 2,6% citaram explicações sobre prevenção de doenças e divulgação da cultura popular, respectivamente. Na concepção de Paulo Freire (1980), conscientização envolve a práxis, o ato ação-reflexão, unidade dialética que potencializa os indivíduos a fazer as transformações na realidade, enquanto construtores de sua história. Nesse sentido, é preciso refletir para agir. Nessa conexão, verifica-se nas respostas o repasse maior de conhecimentos adquiridos recaiu nas informações fornecidas às outras pessoas sobre o lixo e reciclagem. Isso é provável que seja um dos problemas mais evidentes nas comunidades. O desperdício de água, sem dúvida, é uma preocupação: a perda que representa para quem paga pelo consumo de água tratada. Em menores percentuais foi focada a motivação para participação dos moradores; as informações sobre proteção dos lagos, em igual percentual; prosseguindo a prevenção de doenças, divulgação da cultura popular, incluindo as crianças. Entretanto, deduz-se que os que não responderam não utilizaram a informação para propagar o conhecimento adquirido. 113 Universidade da Amazônia A informação é um instrumento potencializador valioso de transmissão de conhecimentos (oral, escrita e áudiovisual), amplia as possibilidades de leitura crítica da realidade, contribuem na reflexão, decisão e ação (SARMENTO, 2005, p.32). A tabela a seguir apresenta as recomendações à educação ambiental dimensionadas pelos dirigentes comunitários no que diz respeito à elaboração de programas, voltados à educação ambiental. TABELA 27: Recomendações à educação ambiental comunitária. Sugestões Frequências Percentuais Seminários/palestras sobre preservação ambiental 15 38,5% Realização de oficinas sobre coleta seletiva de lixo 10 25,6% Caminhada ecológica aos lagos 4 10,2% Sem resposta 3 7,7% Construção de praça pública para permitir acesso ao verde 3 7,7% Utilização das quadras esportivas existentes nas escolas 1 2,6% Inserção de jovens da comunidade em atividades de conservação ambiental 1 2,6% Criação alternativas de geração de renda para jovens 1 2,6% Realização de semana ecológica com teatro, cursos e oficinas 1 2,6% Total 39 100,0 Fonte: Pesquisa de campo, 2004/2005. No conjunto de sugestões às recomendações de educação ambiental comunitária apresentadas pelos entrevistados, destaca-se os seminários e as palestras sobre preservação ambiental, com 38,5%; seguidas pela realização de oficinas sobre coleta seletiva de lixo, com 25,6%; 10,2% indicaram as caminhadas ecológicas aos lagos; 7,7% não apresentaram sugestões; e 7,7% sugerem a construção de praça pública para permitir acesso ao verde. Com 2,6%, respectivamente foram citados: utilização das quadras esportivas existentes nas escolas; inserção de jovens da comunidade em atividades de conservação ambiental; criação de alternativas de geração de renda para jovens; e realização de semana ecológica com teatro, cursos e oficinas. 114 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM 4.3.3 Significado de conscientização ambiental Na sequência, a Tabela 28 apresenta dados sobre conscientização ambiental do ponto de vista das pessoas entrevistadas. TABELA 28: Significado de Conscientização Ambiental. Significados Frequências Percentuais Saber cuidar/Proteger/Preservar/Preocupar 13 33,3 c/ meio ambiente Saber respeitar o meio ambiente, a partir da 5 12,8 reflexão, ação Conhecimento das consequências do 5 12,8 desmatamento, poluição Não jogar lixo nos locais proibidos/Manter a área limpa 4 10,3 Política de integração entre o ser humano e seu meio 4 10,3 Não sabe 4 10,3 Tentar mudar o que está errado/ Formação de 2 5,2 grupos para lutar pela causa ambiental Consciência de que a casa é o meio ambiente/ 2 5,2 educar os filhos para preservar Total 39 100,0 Fonte: Pesquisa de campo, 2004/2005. Segundo 33,3% dos entrevistados, o sentido de conscientização ambiental é saber cuidar, proteger, preservar e se preocupar com o meio ambiente; já para 12,8% é saber respeitar o meio ambiente, a partir da reflexão, ação; o mesmo percentual considera o conhecimento das conseqüências do desmatamento e poluição. Para igual percentual, 10,3% cada, significa não jogar lixo em locais proibidos, manter a área limpa; política de integração entre o ser humano e seu meio; não sabe, denotando uma dificuldade de entendimento. Para 5,2%, respectivamente, significa: tentar mudar o que está errado/ formação de grupos para lutar pela causa ambiental; consciência de que a casa é o meio ambiente/ educar os filhos para preservar. A conscientização enquanto elemento pedagógico visa compreender as contradições das relações sociais presentes na realidade dos dirigentes de associações comunitárias, propiciando a reflexão crítica sobre os problemas individuais e coletivos (SOUZA, 1993). 115 Universidade da Amazônia Esse entendimento passa pelos valores, ações políticas e educativas; porém, demonstra limitações ao considerar o desafio do processo de conscientização como ato de ação-reflexão ‘práxis’, em que as pessoas refletem, analisam, propõem, criticam, discutem, decidem, encaminham e agem na comunidade em que vivem, participando de sua base associativista, no enfrentamento de soluções para as necessidades coletivas. A conscientização é expressa na forma de participação. 4.3.4 Significado de Área de Proteção Ambiental (APA - Belém) A tabela abaixo aponta os significados sobre proteção ambiental. TABELA 29: Significado de Área de Proteção Ambiental. Significados Frequências Percentuais Preservação de flora/ Fauna/Lagos/Rios 14 36,4 Proteger área importante para moradores 5 13,0 Local preservado para a comunidade 3 7,8 /beneficia milhares de pessoas Área verde protegida por conter elementos 3 7,8 essenciais Política pública ambiental voltada à proteção 2 5,1 do meio ambiente Proteção do meio ambiente e da saúde 2 5,1 Área preservada que recebe visitantes 2 5,1 previamente esclarecidos Área de significada extensão que pertence ao 2 5,1 município, precisa autorização p/ usar Área que não deve ser poluída 2 5,1 Lugar de vida pura, para se apreciar as belezas 1 2,6 da natureza Área que pertence à nação, administrada pelo 1 2,6 governo estadual Preservação de área verde que não sofreu 1 2,6 a ação humana Não sabe 1 2,6 Total 39 100,0 Fonte: Pesquisa de campo, 2004/2005. 116 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM De acordo com as respostas, proteção ambiental exprime preservação de flora e fauna, lagos e rios (26,4%); e proteção de área importante para os moradores (13%). Local preservado para a comunidade/beneficia milhares de pessoas; e área verde protegida por conter elementos essenciais, ambas com 7,8%. É interessante a concentração de respostas sobre o significado de APA: política pública ambiental voltada à proteção do meio ambiente; proteção do meio ambiente e da saúde; área preservada que recebe visitantes previamente esclarecidos; área de significada extensão que pertence ao município, precisa autorização p/ usar; área que não deve ser poluída, com 5,1% cada. No entendimento de 2,6%, cada, significa: lugar de vida pura para se apreciar as belezas da natureza; área que pertence à nação, administrada pelo governo estadual; preservação de área verde que não sofreu a ação humana. Percebe-se nas respostas apresentadas, o entendimento confuso que se tem de APA, quanto aos seus aspectos físicos, legais e institucionais. No entanto, para a maioria dos entrevistados APA é concebida, conforme a legislação brasileira (BRASIL, 1996), como área que precisa ser protegida “para assegurar bem-estar das populações humanas”, submetida à modalidade de manejo. Na APA-Belém, se encontra o PAB (Unidade de Conservação de Uso Sustentável), objeto de interesse do Fórum dos Lagos (movimento social), cuja luta dos envolvidos é pela qualidade dos recursos hídricos, o que implica na participação das populações locais na gestão dessa UC. Verifica-se, que os dirigentes reconhecem a APA como área pública, que deve ser protegida pela população para a garantia da biodiversidade e da qualidade da água. Parece existir um equívoco sobre a posse da área do PAB. Na verdade não pertence ao Município de Belém, mas ao Estado do Pará, em área da COSANPA, administrada pela SECTAM, desde a sua criação em 1993. Gonçalves (2002) contesta a radicalidade da idéia de UC em que a população fica excluída, quando deveria ser a protagonista da gestão de recursos naturais, evitando-se o que aconteceu na criação de vários parques, com a expulsão da população que morava há anos. No caso do PAB, a saída da população veio após a sua criação, evidenciando a contradição “da variável antropológica e sociológica, ou seja, o ser humano com sua cultura” (GONÇALVES, 2002, p.148). 117 Universidade da Amazônia 4.3.5 Significado de participação social A Tabela 30 apresenta os significados atribuídos à participação social. TABELA 30: Significado de participação social. Significados Frequências Percentuais Articulação/ Mobilização de pessoas sem preconceito de classe, com respeito, para questionar, reivindicar e 18 46,8 propor melhorias sociais Conscientização da comunidade c/ relação a interesses 6 15,6 e necessidades Forma de contribuir para o crescimento da comunidade 5 13,0 / Luta c/ compromisso, coragem e responsabilidade coletiva Reuniões para elaborar planos/ ações p/ o desenvolvimento da comunidade/ União de forças para 4 10,4 uma vida melhor Reunião de pessoas da comunidade em eventos 2 5,2 Não sabe 2 5,2 Atuar junto aos jovens em situação de risco e famílias 1 2,6 da comunidade Contato com os problemas da comunidade voluntariamente 1 2,6 Total 39 100 Fonte: Pesquisa de campo, 2004/2005. A principal resposta aponta a participação social como a articulação/mobilização dos moradores para reivindicar melhorias no bairro, com 46,8%. A consciência da comunidade com relação a interesses e necessidades aparece com 15,6%. Fica evidente a constatação de participação social, como forma de contribuir para o crescimento da comunidade/ lutar com compromisso, coragem e responsabilidade coletiva, com 13%; seguido por reuniões para elaborar planos/ ações direcionadas ao desenvolvimento da comunidade/ união de forças para uma vida melhor, com 10,4%. Enquanto a reunião de pessoas da comunidade em eventos e não sabe, ficou com 5,2%. E apenas 2,6%, cada, aludiram atuar junto aos jovens em situação de risco e famílias da comunidade; e contato com os problemas da comunidade voluntariamente. 118 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM Esta análise revela os significados expressos da participação social em que está inserido o morador na APA–Belém, reflete vivência, cultura, valores e relações socioambientais. Desse modo, é possível concluir que os moradores se articulam em associações comunitárias, em base local, cujas questões de interesses imediatos são motivadoras. A participação é um processo educativo expresso na conscientização, organização e capacitação da população, relacionada ao contexto de realidade em que se encontra inserida. Esses são componentes essenciais ao trabalho das associações comunitárias, como expressa Souza (2002). No campo da participação social, pode-se inferir uma série de atitudes relacionadas a participação política como por exemplo: o ato de votar, a presença em manifestações públicas, entre outras. a) Participação Social em Eventos TABELA 31: Participação em eventos, dentro e fora de sua comunidade. Participação em eventos Frequências Percentuais Orçamento Participativo 8 20,5 Congresso da Cidade 7 17,9 Eventos relacionados à cultura/carnaval/folclore 6 15,4 Fórum do Lagos/Cepepo 5 12,8 Participa constantemente dos eventos religiosos 4 10,3 Cursos/oficinas/encontros/caminhada voltada à educação ambiental 3 7,7 Eventos de lutas sociais, conscientização/formação social 2 5,1 Congresso da Criança e da Juventude 2 5,1 Fórum da Saúde 1 2,6 Fórum Social Mundial 1 2,6 Total 39 100,0 Fonte: Pesquisa de campo, 2004/2005. É importante ter em vista, que os entrevistados são protagonistas quanto às decisões que estão ao seu alcance quanto a participação em eventos referentes à sua própria comunidade. É notável que a maior participação registrada (20,5%) foi no Orçamento Participativo, instância deliberativa que democratiza as ações do governo, uma vez que 119 Universidade da Amazônia o cidadão participa na definição de prioridades e na fiscalização da aplicação de recursos oriundos do orçamento do município. Há ainda os que participaram do Congresso da Cidade (17,9%). Outros eventos, dos quais 15,4% das pessoas entrevistadas participaram, referem-se às atividades culturais (carnaval, e danças folclóricas). É interessante perceber a participação de 12,8% no Fórum dos Lagos, assessorado pela CEPEPO, numa articulação das associações comunitárias no movimento social com interesse ambiental em defesa dos mananciais do Utinga (lagos Bolonha e Água Preta), e participação em eventos religiosos, mencionado por 10,3%. Cursos/oficinas/encontros/caminhadas voltadas à educação ambiental foram citados por 7,7% dos entrevistados, além de eventos de lutas sociais, conscientização/formação social, dos quais participaram 5,1%; com igual percentual foi citado o Congresso da Criança e da Juventude. Foi citada ainda a participação do Fórum da Saúde e Fórum Social Mundial por 2,6%, cada. A participação política, de acordo com Moreira Neto (1992), aproxima os setores da sociedade no acompanhamento das ações do Estado no controle da legalidade, de legitimidade e de licitude. Trata-se do direito de indivíduos e grupos conscientes de seu papel social e político de influir nas decisões sobre seus interesses comunitários. Vêem-se oportunidades de exercício de poder das associações comunitárias receberem informações públicas para manifestarem-se, tomando iniciativas, fiscalizando e acompanhando assuntos de interesse coletivo. FIGURA 23: Participação da equipe de pesquisa em evento da Área de Proteção Ambiental de Belém, dez. 2005. 120 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM Em geral, observa-se a participação dos entrevistados em eventos distintos no âmbito político, social, ambiental, econômico, cultural, religioso, saúde, movimento social, realizados no espaço comunitário e fora dele. Esses dados revelam que as pessoas de uma comunidade quando são motivados por interesses próprios ou do coletivo tomam suas próprias decisões. b) Participação Social em Atividades de Educação Ambiental A educação ambiental envolve a construção de valores sociais, conhecimentos e atitudes das pessoas, da coletividade para a conservação e/ou preservação do meio ambiente. E para que haja, na prática, ações que contribuam para essa finalidade, é preciso de informações à compreensão e ao conhecimento das diversas temáticas ambientais. Dias (2001) afirma que para as pessoas participarem de atividades de educação ambiental são necessários três componentes fundamentais: sensibilização, motivação e decisão; permitindo, ainda, ampliar o espaço de participação social nas questões ambientais. FIGURA 24: Participação em atividades de educação ambiental. Fonte: Pesquisa de campo, 2005. 121 Universidade da Amazônia Mesmo considerando o que mostra a Figura 24, a maioria dos entrevistados (76,3%) respondeu ter participado de atividades de educação ambiental. Constitui dado significativo alguns dirigentes terem maior envolvimento com educação ambiental, destacando-se o Centro Comunitário Nossa Senhora de Nazaré e a Associação de Moradores do Bairro Castanheira. Vale ainda ponderar o sentido da participação política de cidadãos como um dos princípios fundamentais de educação ambiental para a compreensão da utilização de recursos naturais, levando em conta os valores culturais e as atitudes pessoais como resposta aos problemas sócio-ambientais. FIGURA 25: Atividades participadas em educação ambiental. Fonte: Pesquisa de campo, 2004/2005. A atividade mais citada foi a caminhada, com 25%; cursos e encontros, ambos com 19,2% e seminário, com 17,3%, oficinas com 15,4%; além de outras atividades com 3,8%. As atividades de educação ambiental que os entrevistados participaram tiveram as seguintes instituições promotoras: • Cursos: multiplicadores ambientais (CEPEPO); agentes ambientais (FUNVERDE); culinária regional (COEP); organização social (Banco do Povo). 122 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM • Encontros: gestão ambiental participativa (UNAMA); Fórum dos Lagos (CEPEPO). • Seminários: cultura amazônica e políticas públicas (Prefeitura de Belém); recursos hídricos (CEPEPO). • Oficinas: fotografia artesanal (UNAMA); aprendendo com a natureza (UNAMA); reciclagem (Curro Velho). • Caminhadas: Parque Ambiental de Belém, Museu Paraense Emílio Goeldi. • Palestras: Cidadania e Meio Ambiente (UNAMA); Conhecendo a Comunidade (UNAMA); Lixo: problema e solução (UNAMA); Proteção do Parque (BPA). Verificou-se que a maioria das atividades de educação ambiental foi realizada no BPA, com parceria institucional dos promotores desses eventos, devido o BPA encontrar-se dentro do PAB e oferecer boas instalações físicas com auditório, carteiras e equipamentos audio-visuais. Como pode se verificar são diversas as entidades e os eventos, voltados à educação ambiental; nesse sentido, o PAB foi a entidade que mais promoveu esse tipo de atividade. Na consulta de tabela específica, constatamos que 96,7% das pessoas que participaram dos cursos colocaram o que aprenderam em prática. c) Atividades de educação ambiental realizadas durante esta pesquisa Em duas oficinas de educação ambiental, realizadas pela equipe de pesquisadores em parceria com as comunidades envolvidas, contouse com a participação de crianças, adolescentes e adultos (professores e coordenadores de grupos), moradores na área de influência das obras públicas, mencionadas no item 4.2. As oficinas aconteceram em períodos comemorativos a Semana do Meio Ambiente, no mês de junho, dos anos de 2004 e 2005, no Batalhão de Polícia Ambiental – BPA, em parceria com esta corporação militar, dentro do Parque Ambiental de Belém. Na primeira oficina, utilizou-se a dinâmica “Painel Coletivo”, objetivando a produção de desenhos e pinturas em cartazes sobre aspectos físicos, ambientais e sociais na área de abrangência das obras em construção. Participam desta oficina 48 pessoas, sendo 35 crianças e adolescentes do Grupo Verde do Centro Comunitário Nossa Senhora de Nazaré, responsáveis pela criação do “painel coletivo”, que chamou a atenção pela reprodução do olhar de quem está vivenciando essas transformações, conforme ilustra as figuras a seguir. 123 Universidade da Amazônia FIGURA 26: Painel coletivo, Grupo Verde, jun. 2004. FIGURA 27: Painel coletivo, Grupo Verde, jun. 2004. 124 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM FIGURA 28: Painel coletivo, Grupo Verde, jun. 2004. FIGURA 29: Painel coletivo, Grupo Verde, jun. 2004. 125 Universidade da Amazônia FIGURA 30: Painel coletivo, Grupo Verde, jun. 2004. FIGURA 31: Painel coletivo, Grupo Verde, jun. 2004. 126 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM Observou-se por meio do “painel coletivo”, dois momentos representativos de situações distintas: a primeira é caracterizada pelo ambiente natural e o construído antes da realização das obras públicas enfocadas, o segundo momento apresenta o ambiente imaginado com suas modificações, após a conclusão das obras em questão. Destacam-se os fatores que compõem o meio ambiente, compreendendo fatores abióticos, bióticos e cultura humana. • Fatores Abióticos: Ar – antes despoluído, saudável; depois poluído pela fumaça, gases e poeira, transformando em paisagem cinzenta. Solo – antes com cobertura vegetal, grama; depois com cobertura asfáltica, assoreado pelas chuvas. Água – antes limpa no pequeno Lago Mariana, sob cuidado dos moradores; depois abandonado e assoreado sem permissão para o seu uso. • Fatores Bióticos: Flora – antes com abundância e diversidade de espécies, incluindo as frutíferas, plantadas por moradores que usufruíam na coleta de frutos (açaí, banana, cacau, cupuaçu); depois sem condições de utilização. Fauna – antes com a presença constante de insetos e animais; depois afastamento destes para o interior do Parque. • Fatores Culturais: Lazer – antes espaço físico destinado ao campo de futebol (uma prática com forte representação em suas vidas); depois a avenida ocupou o espaço sem outra alternativa para práticas esportivas. Transporte / Tráfego – antes trafegavam a pé ou de bicicleta; depois com a avenida o intenso tráfego de veículos facilitará a ocorrência de acidentes com animais e pessoas. Segurança – antes os familiares tinham pouca preocupação com os filhos; depois a preocupação será maior. Residênicas – antes com construções simples, portas abertas; depois casas pintadas, algumas com dois andares, portas e janelas fechadas. 127 Universidade da Amazônia As atividades humanas contribuem na modificação do habitat dos seres vivos. No ambiente urbano a pressão da ocupação do espaço constitui-se estratégia de sobrevivência reaprender a compatibilizar o atendimento das necessidades sociais e econômicas com as necessidades de conservação do ambiente e dos recursos naturais. A segunda oficina de educação ambiental “Aprendendo com a Natureza”, contou com 41 participantes, sendo 30 adolescentes dos bairros Curió-Utinga, Souza e Castanheira, professores e coordenadores, representantes das associações comunitárias inseridas nesta pesquisa. A oficina teve como objetivo possibilitar a articulação e a interação de pessoas, por meio da habilidade manual na arte com cartões reciclados, desenvolvendo a capacidade criativa, constituindo uma possibilidade de geração de renda. Esta atividade contou com a parceria da Associação Amigos do Museu Goeldi, cedendo uma instrutora. Tal atividade chamou atenção para o desperdício, a necessidade de reaproveitar, reciclar os resíduos cujo destino seria o lixo. A oficina foi realizada nas instalações do BPA. Esta atividade de educação ambiental traduziu-se em mais um estímulo aos participantes a vontade de criar, a partir do cenário real apresentado pelo Parque e as comunidades para os moradores. 128 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM 5 RECOMENDAÇÕES DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL PARA AS ASSOCIAÇÕES COMUNITÁRIAS NA APA-BELÉM C omo resultado da motivação inicial que impulsionou e despertou o compromisso do grupo desta pesquisa de apresentar uma proposta de educação ambiental com perspectiva de ser operacionalizada, por meio da educação formal (escolas) e da educação informal (associações comunitárias, ONG’s). As recomendações de educação ambiental estão embasadas nos problemas identificados pelos dirigentes de associações comunitárias, incluindo-se: falta de implementação de política pública de EA; desinformação da comunidade; falta de comunicação; pouca participação dos atores sociais, descompromisso dos educadores com as questões socioambientais; desqualificação das pessoas para trabalhar os temas: água, poluição, resíduos sólidos e reciclagem. O entendimento do EA como processo que busca despertar a preocupação individual e coletiva para as questões ambientais, comunicação, por meio do acesso à informação, contribuindo para a sensibilização e formação de consciência crítica ao enfrentamento das situações num contexto de mudanças. Parte-se da premissa de que se deve preparar as pessoas desde o Ensino Fundamental até o Superior, pois é preciso agilizar, capacitar, treinar e educar para o compromisso de zelar pelo ambiente sadio. As diversas temáticas: água, resíduos sólidos, poluição, contaminação, fauna, flora, precisam ser dialogadas, entendidas, conhecidas, compreendidas por meio da informação e da comunicação para se ter a noção do que estes elementos representam na vida dos seres vivos. Para as pessoas participarem de algumas atividades na escola ou na comunidade é preciso que sejam sensibilizadas, motivadas, decididas e interessadas na solução das questões socioambientais de sua comunidade, bairro e cidade. 129 Universidade da Amazônia Dessa forma, é preciso envolver professores e alunos de escolas públicas e particulares. Preparar os professores para evidenciar a realidade comunitária na qual está inserida a escola, desenvolvendo nos alunos a compreensão quanto a preservação e conservação dos recursos naturais. Educação ambiental envolve conhecimentos teóricos e práticos; não se pode ignorar os problemas ambientais, os impactos da poluição na vida humana. Entende-se que cada situação envolve uma estratégia pedagógica. O entendimento de EA passa pelo conhecimento preliminar dos seus princípios fundamentais: cooperação, construção coletiva de idéias; participação integrada de diferentes atores sociais nas tomadas de decisões; respeito às diversidades cultural e social; rompimento de preconceitos, solidariedade; exercício ético, aceitação do novo; quebra de antagonismos. Cabe ao educador ambiental (formal e informal): • estabelecer a relação socioambiental com o cotidiano do aluno no contexto da comunidade onde está situada a escola; • levantar a problemática socioambiental vivenciada; • priorizar as situações problemas para efeitos de soluções; • envolver famílias, igrejas, escolas, grupos folclóricos, associações de bairros, grupos de idosos, movimentos sociais, comerciantes, entidades governamentais, entre outros; • desenvolver a criatividade dos grupos na construção coletiva de projetos de EA com respostas às questões que se queira resolver: poluição, reciclagem, arborização, trânsito, entre outras; • considerar os valores e as atitudes humanas como respostas aos problemas socioambientais. As estratégias metodológicas utilizadas para o desenvolvimento de atividades de EA, na escola, na comunidade de bairro, dependem das diferentes atividades. Trabalha-se com fantoches, painéis interativos, mostra de vídeo, formação de grupos de discussão, exposição de idéias, relato de experiências, música; teatro; dança; jogos, poesias, visitas aos locais de mananciais; visitas em postos e empresas de reciclados; caminhadas em trilhas; plantio de mudas de árvores; entrevistas; comentários; reportagens de jornais; artigos de revistas; oficinas; cursos; treinamentos; reflexão sobre os problemas evidenciados; se130 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM minários; palestras; encontros, autoreflexão; diálogo; mural; histórias relacionadas sobre um tema ambiental; entrevistas com pessoas antigas da comunidade; observação; fotos; produção de material de EA. Tais estratégias metodológicas têm como grande objetivo redescobrir a realidade e entender as implicações físicas, sociais, culturais e econômicas no ambiente urbano para a tomada de ações refletidas e orientadas na melhoria da qualidade de vida. Dessa forma, para melhor sistematizar a situação socioambiental identificada nas associações citadas no contexto de cada realidade de bairro apresenta-se as seguintes estratégias metodológicas. SITUAÇÃO IDENTIFICADA Meio Ambiente - Pouca compreensão do meio ambiente. OBJETIVO RESULTADOS ATIVIDADES ESTRATÉGIAS DESEJADO ESPERADOS PRINCIPAIS METODOLÓGICAS Possibilitar Nível de Realização de Reuniões grupais, conhecimento conhecimento eventos sobre encontros, s aos dos moradores a seminários nas comunitários ampliado para a complexidade associações sobre noções importância do do meio comunitárias e básicas de uso racional dos ambiente que escolas. meio recursos envolve os Acordos, ambiente (ar, naturais. seres vivos e compromissos e solo, água, não vivos, Conhecimento parcerias com fauna, flora e incluindo o construído a instituições cultura partir de valores meio sóciogovernamentais, humana). cultural. culturais da universidades e comunidade na Organização ONG’s. visão de que ser de debates Reflexão sobre a humano é sobre os vivência das natureza, e não requisitos da mudanças no meio apenas parte legislação ambiente alterado dela. ambiental, pelo desequilíbrio como Associação de ecológico. instrumento de moradores, ação para o centros exercício de comunitários e direitos escolas valorizados, como principais pontos de formação social e ambiental. QUADRO 3: Recomendações sobre meio ambiente. Fonte: Pesquisa de campo, 2005. 131 Universidade da Amazônia SITUAÇÃO IDENTIFICADA Meio Ambiente Urbano - Restrita compreensão do meio ambiente urbano. OBJETIVO DESEJADO Levantar implicações do crescimento urbano, da população, e aumento das necessidades básicas: moradia, saúde, saneamento, trabalho, educação, segurança, alimentos, transportes, recursos naturais. Capacitar os jovens, futuras lideranças comunitárias à participação em atividades de EA; nos bairros interligados na área de abrangência da APA Belém. Identificar os casos de interdependênci as constituídas na vida comunitária, autodeterminann-do o aspecto de pertencimento demandando na identidade grupal e coletiva, para mudanças de hábitos culturais. RESULTADOS ATIVIDADES ESPERADOS PRINCIPAIS Moradores Discussão no envolvidos na foco das mobilização e causas e realização dos efeitos do cursos sobre desequilíbrio meio ambiente ambiental. urbano. Reflexão Adolescentes crítica da capacitados postura para a prática consumista do de ações habitante educativas, urbano e o uma forma de desequilíbrio auto-estima. ambiental. autoestima. Registro oral da Produção de memória informações histórica dos sobre o bairros pelos conhecimento antigos do ambiente moradores. urbano na Material escrito análise dos bairros e produzido da moradores. identidade de bairros. ESTRATÉGIAS METODOLÓGICAS Encontros, reuniões e cursos sobre o meio ambiente urbano nas sedes das associações de moradores. Parcerias com as universidades, instituições governamentais e não governamentais (ONG’s). Observação do meio ambiente urbano: interação dos aspectos naturais, sociais, econômicos e culturais. Visitas aos bairros para constatar as mudanças decorrentes do crescimento urbano. QUADRO 4: Recomendações sobre meio ambiente urbano. Fonte: Pesquisa de campo, 2005. 132 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM SITUAÇÃO IDENTIFICADA Hortas - Inexistência de hortas nos bairros do entorno do Parque. OBJETIVO RESULTADOS ATIVIDADES ESTRATÉGIAS DESEJADO ESPERADOS PRINCIPAIS METODOLÓGICAS Reuniões nas Identificação Espaços livres Produzir comunidades para de espaços nas escolas, alimentos discussão dos ociosos para a centros orgânicos motivos e prática de comunitários, (hortaliças) para vantagens da horticultura. associações de o consumo melhoria da moradores e próprio ou para Identificação qualidade dos quintais das venda. de pessoas da alimentos. casas, utilizados comunidade Maior para a prática Parceria com que tenha conhecimento diretamente no entidades e pessoas conhecimento sobre o solo, canteiros que detenham de plantio de aproveitamento suspensos e conhecimentos hortas. de espaços vasos, com sobre a instalação ociosos, Treinamento instalação de de hortas: EMATER, aumentando a de pessoas de hortas SAGRI, SESMA, consciência da cada comunitárias. ONG’s e centros conservação comunidade comunitários ambiental. que se quanto: adubação comprometam orgânica, sementes no trabalho e mudas. voluntário de Cursos de repassar os alimentação conhecimentos alternativa para as recebidos para: comunidades instalação das urbanas. hortas nos locais escolhidos; cuidados e tratos culturais no crescimento das hortaliças; coleta de hortaliças e utilização na alimentação. QUADRO 5: Recomendações sobre plantio de hortaliças. Fonte: Pesquisa de campo, 2005. 133 Universidade da Amazônia SITUAÇÃO IDENTIFICADA OBJETIVO DESEJADO Resíduos Sólidos Ausência de coleta seletiva e de materiais para reciclagem. Sensibilizar professores escolares, familiares, lideranças e pessoas das comunidades para as implicações dos restos das atividades humanas (lixo), considerados inúteis e indesejáveis. Promover condições concretas para o aproveitamento de resíduos sólidos de composição variada: papel, metal, plástico e vidro. RESULTADOS ESPERADOS Educadores escolares, familiares e lideranças comunitárias motivadas sobre os fatores que influenciam na geração de resíduos sólidos, coleta seletiva; poluição ambiental; concepção de reciclagem. Locais criados onde possa ser feita a coleta seletiva e reciclagem do material coletado. Os pontos de recolhimento de descartáveis podem ser escolas, associações comunitárias e religiosas. Coleta seletiva, implantada na escola e associações comunitárias, separando em lixeiras para facilitar a reciclagem: papel (azul), vidro (verde); plástico (vermelho); metal (amarelo); revertendo em seu próprio benefício e colaborando com a limpeza pública. Pequenas indústrias de descartável como fonte geradora de renda para os escolares e comunitários. Material escrito produzido sobre descartável como fonte geradora de renda para os escolares e comunitários. Material escrito produzido sobre descartável e reciclagem pelos participantes de oficinas e cursos. ATIVIDADES PRINCIPAIS ESTRATÉGIAS METODOLÓGICAS Organização de grupos de pessoas interessadas no trabalho com reciclagem para reduzir o desperdício do descartável e a quantidade de lixo. Observação da alteração de hábitos consumistas responsáveis pelo volume maior de lixo nas residências, comércios e serviços no bairro. Discussão da instalação de pontos de recolhimento e venda de materiais para reciclagem. Constatação dos benefícios da reciclagem como: evitar o desmatamento; diminuir a poluição dos rios, lagos e ar; reduzir a escassez dos recursos naturais não renováveis; impedir a proliferação de pragas (insetos e roedores); e gerar empregos. Cursos e treinamentos sobre o material descartável após o uso e que deve ser coletado pelo órgão municipal e disposto convenientemente. Seleção dos resíduos sólidos para serem reciclados e reutilizados. Visitação aos locais onde é feita a reciclagem de papel, metal, plástico e vidro (artesanal e industrial). Oficinas de reciclagem nas comunidades, sensibilizando-as para contribuir com a limpeza pública e domiciliar, evitando colocar lixo no meiofio e terrenos baldios. Cursos de gerência de pequenos negócios com material reciclado (SEBRAE, ONG’s). Busca de parecerias, com instituições públicas e privadas para o trabalho de reciclagem e de divulgação. QUADRO 6: Recomendações sobre resíduos sólidos. Fonte: Pesquisa de campo, 2005. 134 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM SITUAÇÃO IDENTIFICADA Participação Comunitária - Pouca participação dos comunitários (atores sociais) nas atividades comunitárias. OBJETIVO RESULTADOS ATIVIDADES DESEJADO ESPERADOS PRINCIPAIS Integrar as Lideranças Estabelecimento lideranças das de contatos entre locais associações dirigentes de fortalecidas, o comunitárias associações que significa com vistas a comunitárias com maiores uma melhor possibilidades de vistas à visibilidade e desenvolvimento viabilização de compreensão atividades de ações para o do que sejam conjuntas, enfrentamento os direitos e os de situações e planejadas deveres civis, condições de vida conforme os sociais, interesses dos grupos políticos e coletivos. populacionais ambientais situados no Sensibilização relacionados à entorno das pessoas em qualidade territorial do seu contexto sóciofamiliar, socioambiental, Parque ambiental, Ambiental de comunitário e saúde e sociocultural, saúde e Belém. sócio-cultural, saneamento saneamento Painéis e vídeos facilitando a das das comunidades. produzidos participação comunidades. quanto a tomada sobre temas de decisões e ambientais. contribuições, concernentes às atitudes e práticas educativas. ESTRATÉGIAS METODOLÓGICAS Reuniões de moradores em escolas, sedes das associações para realização de eventos sociais, culturais e religiosos que venham ao encontro de interesses das comunidades. Parcerias estabelecidas com as instituições públicas, privadas, ONG’s para efetivação dos objetivos. QUADRO 7: Recomendações sobre participação comunitária. Fonte: Pesquisa de campo, 2005. SITUAÇÃO IDENTIFICADA Arborização Urbana - Reduzida quantidade de árvores nas ruas e quintais. OBJETIVO DESEJADO Estimular as práticas de plantio de árvores nos bairros, em ruas e quintais, com apoio das associações comunitárias. RESULTADOS ESPERADOS Aumento da quantidade de árvores frutíferas nos quintais, que aos poucos foram reduzidas, em espaços menores, em virtude do ambiente construído. ATIVIDADES ESTRATÉGIAS PRINCIPAIS METODOLÓGICAS Busca de Localização de informações das espaços públicos e espécies de privados que possam árvores mais ser reaproveitados. adequadas ao Informações dos plantio no cuidados das árvores ambiente com orientações dos urbano, tendo órgãos ambientais em mente que locais, incluindo-se a as árvores das produção e doação ruas e avenidas de mudas (SAGRI, são patrimônio IBAMA, SOPREN). genético. QUADRO 8: Recomendações sobre arborização urbana. Fonte: Pesquisa de campo, 2005. 135 Universidade da Amazônia SITUAÇÃO IDENTIFICADA Arborização Urbana - Reduzida quantidade de árvores nas ruas e quintais. OBJETIVO DESEJADO Estimular as práticas de plantio de árvores nos bairros, em ruas e quintais, com apoio das associações comunitárias. RESULTADOS ESPERADOS Aumento da quantidade de árvores frutíferas nos quintais, que aos poucos foram reduzidas, em espaços menores, em virtude do ambiente construído. ATIVIDADES ESTRATÉGIAS PRINCIPAIS METODOLÓGICAS Localização de Busca de informações das espaços públicos e privados que possam espécies de ser reaproveitados. árvores mais adequadas ao Informações dos plantio no cuidados das árvores ambiente com orientações dos urbano, tendo órgãos ambientais em mente que locais, incluindo-se a as árvores das produção e doação ruas e avenidas de mudas (SAGRI, são patrimônio IBAMA, SOPREN). genético. QUADRO 9: Recomendações sobre educação no trânsito. Fonte: Pesquisa de campo, 2005. 136 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS A centralidade desta pesquisa na linha do movimento social urbano e educação ambiental em Área de Proteção Ambiental, APABelém possibilitou levantar informações sobre as condições sócio-ambientais, decorrentes de implantação de duas obras públicas: a construção do muro do Parque Ambiental de Belém e o prolongamento da Av. 1° de Dezembro (atual Av. João Paulo II). A análise das informações obtidas, em parte, foi baseada em entrevistas com representantes de associações comunitárias, moradores em área de influência direta destes projetos nos bairros: Curió-Utinga, Souza e Castanheira. As reuniões comunitárias, visitas técnicas e oficinas de educação ambiental foram importantes para elucidar a análise das significações, quanto ao movimento social urbano, educação ambiental, consciência ambiental, Área de Proteção Ambiental e participação social. Destacam-se os seguintes resultados: • Quanto ao Movimento Social Urbano na APA-Belém: se apresenta como um espaço de socialização e de concentração de poder, mostrando possibilidades para discussão, decisão e encaminhamento de questões socioambientais de interesse coletivo. Tem-se para o movimento social urbano a percepção de carências, como direitos do cidadão que devem ser buscados e garantidos. A identificação, nesta pesquisa, do Fórum dos Lagos mostra um espaço de articulação política das associações comunitárias, com atuação na área da APA- Belém, podendo contribuir na construção de sujeitos coletivos. A medida que consiga materializar as reivindicações das diversas associações comunitárias atuantes na APA, certamente rece137 Universidade da Amazônia berá o reconhecimento, dos dirigentes das associações comunitárias, e o respeito das entidades públicas. Sabe-se que ainda falta muito a fazer na gestão do Fórum dos Lagos quanto ao fortalecimento, crescimento e construção de um trabalho articulado, envolvendo as forças humanas coletivas existentes na APA dos municípios de Belém e de Ananindeua, congregando os interesses coletivos na defesa pela qualidade do meio ambiente, significando a sua efetivação pela garantia de direitos socioambientais. Compreende-se a finalidade do movimento social urbano, explicitada nas ações do Fórum dos Lagos requer: - o fortalecimento do movimento social no espaço urbano de Belém e Ananindeua, influenciando no planejamento e na gestão local; - o reconhecimento de sua importância enquanto instrumento mobilizador de interesses coletivos dos comunitários na abrangência da APA-Belém; - a priorização de ações que contribuam para integração e parcerias entre os setores públicos e privados que assegurem a melhoria de qualidade urbana e ambiental. Acredita-se que é nessa convergência de propósitos que o movimento social poderá proporcionar o acesso participativo das pessoas no meio urbano, de forma segura, socialmente inclusiva e ambientalmente sustentável. Belém apresenta mudanças decorrentes, sobretudo pela expansão das áreas urbanas, crescimento populacional e degradação ambiental, exigindo intervenções da administração pública, em consonância com o movimento social urbano, frente ao que se denominam, desafios urbanos. Com base no exposto de Scherer-Warren (2002, p.45) pode-se considerar que existe movimento social com viés ambientalista na APABelém, cujas práticas, de certa forma, “tendem a transcender as reivindicações específicas das associações, localizadas e temporal de uma organização”. O Fórum dos Lagos congrega associações comunitárias que se interessam em defesa da APA-Belém, mas que precisam de maiores informações sobre o que esta representa para a qualidade ambiental. Esta constatação ficou evidenciada por ocasião da participação do grupo desta pesquisa no Encontro de Moradores da APA-Belém em dezembro de 2005, em Ananindeua. Evento, coordenado pela CEPEPO, no qual verificou-se que parte dos moradores circunjacentes ao Parque tem interesses protecionistas ambientais. 138 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM • Quanto a Educação Ambiental: embora estivesse contemplada nestes dois projetos de governo (estadual e municipal), a educação ambiental na verdade não foi colocada em prática. Nenhuma menção explicativa foi feita a respeito pelos dirigentes de entidades. Compreende-se que a educação ambiental, componente essencial, deveria preceder e acompanhar o processo de construção e finalização das obras. Evitando-se o que está ocorrendo em alguns locais, onde o muro/cerca construído está sendo quebrado e danificado. “Vários metros de cerca de arame do parque já foram derrubados e o projeto de saneamento das obras do Curió e Guanabara levaram muito dinheiro para o ralo e não resolveram o problema da poluição dos lagos” (DIÁRIO DO PARÁ, Cidades A3 – Belém, 19 jan.2006). De fato, a participação dos moradores deveria ter ocorrido nas fases de elaboração dos projetos, execução e acompanhamento das obras, facilitando a sua manutenção, com reuniões regulares; treinamento e ações de educação ambiental. Dessa forma, a população envolvida, sensibilizada e motivada teria maior compromisso e interesse na conservação desses empreendimentos públicos, levando-se em conta: - a visível “desresponsabilização” do Estado pelas questões socioambientais quando deixou de efetivar os Projetos de Educação Ambiental nas duas obras públicas enfocadas na pesquisa, provavelmente, colocará a responsabilidade na sociedade civil, ou melhor, na população desta área para resolver situações-problemas quanto a proteção ambiental; - as reuniões comunitárias foram oportunidades de vivenciar a realidade dos moradores dos bairros da APA-Belém, no contato direto com suas dificuldades, conquistas e perspectivas, em visitas informais, reuniões e oficinas junto à comunidade local, em suas residências e nas sedes das associações comunitárias. Falar da vivência dessa rica experiência de vida vai muito além das respostas aos questionamentos feitos no período da pesquisa; - as práticas de atividades de educação ambiental, contidas nos dois projetos de governo, não foram concretizadas as quais deveriam envolver a população na proteção do Parque, não impedindo que ações conjuntas sejam concretizadas quanto às melhorias de qualidade no meio urbano; 139 Universidade da Amazônia - apresentou-se recomendações de educação ambiental, com ênfase nas sugestões de moradores em suas comunidades, no propósito de permear práticas ecocomunitárias, a partir de saberes e na assimilação subjetiva e coletiva para fortalecer as capacidades de autogestão das associações comunitárias quanto a proteção ambiental, esperando-se contribuir com a dinâmica do movimento social urbano de interesse ambientalista na área dos lagos. A aproximação, entre o grupo de pesquisa com os moradores, os técnicos das instituições e as ONG’s parceiras, possibilitou contactar representantes de associações comunitárias que, em suas formas organizativas, mostraram-se receptivos, contribuindo com informações a respeito da estruturação, organização, conflitos, intervenções e a participação dos moradores na articulação com outras entidades. As associações de moradores e centros comunitários são organizações concretas, cujas práticas particulares apresentam redes de interação, embora fragilizadas pelas relações interpessoais; limitada capacidade de articulação entre as lideranças de bairros; dificuldade de comunicação e de informação; compreensão restrita de meio ambiente, ecologia, meio urbano, Área de Proteção Ambiental; e pouca participação comunitária. Observou-se que a conflitualidade da vida social, em que os acontecimentos ganham visibilidade os sujeitos coletivos (moradores), pode ganhar espaços de representação, negociação e interlocução pública, quanto: Os dirigentes e os técnicos das instituições parceiras (COHAB, CODEM, COSANPA, BPA, SESAN, CEPEPO, Associação Amigos do Goeldi) desta pesquisa, mostraram-se receptivos, fornecendo informações e disponibilizando dados indispensáveis para esta pesquisa. O PAB no futuro próximo poderá ser um cartão postal da cidade. Entretanto para que o muro/cerca de fato possa inibir as invasões, reduzir a poluição e preservar o verde tem-se de sair da intencionalidade para a ação participativa das comunidades na gestão do Parque, pressupondo-se que facilitaria sua administração contar com a parceria das associações comunitárias. Assim como Leff (2001, p.244), acredita-se que a politização dos valores ambientais ocorre não só produzindo efeitos educativos, mas, sobretudo “se expressa nos projetos de educação não formal, realizados por grupos ecológicos com as comunidades, vinculados à defesa do seu 140 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM meio, à apropriação social da natureza e à autogestão de seus recursos de produção”. A educação ambiental impulsiona a formação de saberes subjetivos num processo de construção objetiva, pois as pessoas informadas são capazes de perceber, avaliar e tomar decisões para melhorar a sua qualidade de vida que depende da qualidade ambiental. Na possibilidade de operacionalização das recomendações de educação ambiental propostas, espera-se contribuir para a formação e mudança de valores socioambientais, num processo participativo e informativo de conhecimentos, atitudes e competências à conquista e manutenção do direito ao meio ambiente urbano ecologicamente protegido. Nesse contexto, a UNAMA consubstancia o cumprimento do seu papel de universidade, geradora de conhecimento para melhorar a qualidade de vida da sociedade e das comunidades urbanas na relação com o meio ambiente na Região Amazônica. 141 Universidade da Amazônia REFERÊNCIAS AMMAN, Safira Bezerra. Movimento popular de bairro: de frente para o Estado, em busca do parlamento. São Paulo: Cortez, 1991. BELÉM. Prefeitura Municipal. Relatório 2000 a 2004. Belém: Secretaria Municipal de Saneamento (SESAN), 2004. ________. Prefeitura Municipal. Relatório de Levantamento Socioeconômico: Projeto de Prolongamento da Av. 1º de Dezembro. Belém: SEHAB, dez. 1998. 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( ) Ensino Médio Incompleto 5 ( ) Ensino Médio Completo 6 ( ) Ensino Superior Incompleto 7 ( ) Ensino Superior Completo Identificação da Entidade: 1.Nome da Entidade: ______________________________________________________________ 2.Data da Fundação: ____/_____/_____ CNPJ: ________________________ 3.Endereço: __________________________________________________nº _________________ 4.Perímetro: ________________________________________ Bairro: ______________________ 5.Telefone:Fax: ______________________________________ CEP: _______________________ 6.Município: _______________________________ E-mail _______________________________ 7.Área de abrangência: _____________________________________________________________ 8.Nº de Famílias: _______________________ Total de Associados__________________________ P.1 Constituição Histórica da Entidade: Quais os motivos que levaram a sua criação? ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ P.2 Qual a origem e significado do nome da entidade? ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ P.3 Qual o nome da Diretoria Atual. Presidente: ______________________________________________________________________ Vice-Presidente: __________________________________________________________________ 1º Secretário: ____________________________________________________________________ 2º Secretário: ____________________________________________________________________ Tesoureiro: ______________________________________________________________________ Outros Cargos: ___________________________________________________________________ Missão da Entidade: _______________________________________________________________ P.4 Quais os objetivos: _____________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ P.5 Qual o Público alvo: ___________________________________________________________ P.6 Qual o período de vigência da diretoria: ____________________________________________ P.7 Quais as formas de obtenção dos recursos financeiros para a entidade? P.8 Parcerias: 1. Especificar parcerias: _______________________________________________________ 148 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM P.9 Mobilização de moradores: 1 Quais foram as principais reivindicações feitas pela entidade (ganhos da comunidade)? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 2. Motivos de reivindicações? ___________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 3. Quando foram feitas? ________________________________________________________ 4. Dirigidas a quem? __________________________________________________________ 5. Quais foram atendidas? ______________________________________________________ 6. Quais não foram atendidas? __________________________________________________ 7. Quais foram as principais atividades realizadas pela entidade na comunidade? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 8. Quais atividades que estão sendo realizadas na comunidade? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 9. Quais atividades que pretendem realizar na comunidade? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ P.10 Houve alguma mobilização da comunidade quanto a Proteção do Parque Ambiental de Belém? Especificar: 1 Quais: ____________________________________________________________________ 2 Quando: ___________________________________________________________________ 3 Quem participou: ____________________________________________________________ 4 Outros: ____________________________________________________________________ P.11 Articulação interinstitucional com outras entidades: 1. ( ) Entidade Governamental Quais _____________________________________________ 2. ( ) Entidade Não-Governamental Quais _________________________________________ 3. ( ) Com outra Comunidade: Quais _____________________________________________ 4. ( ) Outros: Quais _________________________________________________________ P.12 Quais os serviços prestados pela entidade? 1. ( ) Educação Quais: __________________________________________________________ 2. ( ) Saúde Quais: __________________________________________________________ 3. ( ) Moradia Quais: ___________________________________________________________ 4. ( ) Proteção ambiental Quais: ___________________________________________________ 5. ( ) Outros____________________________________________________________________ P.13 Quais são as principais dificuldades da entidade? ______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ Local: ________________________ Data: _______/_______/_________ Entrevistador: _____________________________________________________________ Assinatura: _______________________________________________________________ 149 Universidade da Amazônia APENDICE A-2 Formulário aplicado na pesquisa de campo com os representantes de associações comunitárias em bairros. Curió-Utinga, Souza e Castanheira na APA-Belém. Universidade da Amazônia – UNAMA Superintendência de Pesquisa – SUPES SEPES Pesquisa: Movimento Social Urbano e Educação Ambiental na Área de Proteção Ambiental Identificação do Entrevistado Nome:____________________________________________________Idade: ________________ Endereço: ____________________________Fone:______________Comunidade: _____________ Sexo: 1. ( ) Masculino 2. ( ) Feminino P.1 Escolaridade: 1.1 ( ) Analfabeto 1. 2. ( ) Ensino Fundamental Incompleto 1.3 ( ) Ensino Fundamental Completo 1.4. ( ) Ensino Médio Incompleto 1.5 ( ) Ensino Médio Completo 1.6 ( ) Ensino Superior Incompleto 1.7 ( ) Ensino Superior Completo P.2. Moradia 2.1 Quando começou a ocupação da área? ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ 2 Quanto tempo você mora no bairro?: ________________________________________________ 3 Qual a sua procedência? __________________________________________________________ 4 Qual o anterior local da moradia? ___________________________________________________ 5 Quais as famílias mais antigas? _____________________________________________________ ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ P.3 Motivos de ter vindo morar nesta área? ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ P.4 Quais os conflitos vivenciados para permanência na área (enfrentamento e desafios) ? ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ P.5 Participação na comunidade 1 Participação em eventos, dentro e fora da comunidade. ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ P.6 Você já participou de alguma atividade de educação ambiental? 1( 2( 3( 4( 5( 6( ) Curso Quais: ___________________________________________________________ ) Seminário Quais: ___________________________________________________________ ) Encontro Quais: __________________________________________________________ ) Oficina Quais:___________________________________________________________ ) Caminhada Quais: __________________________________________________________ ) Outros : _____________________________________________________________________ 150 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM P.7 Colocou em prática os conhecimentos adquiridos? 1 ( ) Sim Quais?: _________________________________________________________________ 2 ( ) Não P.8 Quais sugestões você apresenta quanto as atividades de educação ambiental a serem desenvolvidas pela entidade? ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ P.9 O que a construção do muro do Parque representa para você? Marque e Justifique 1 ( ) separação da comunidade com o PAB ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ 2 ( ) dificuldade de entrada no PAB ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ 3 ( ) afastamento das pessoas da comunidade ao PAB ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ 4 ( ) revolta dos moradores ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ 5 ( ) maior segurança do PAB ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ 6 ( ) melhoria do visual do entorno do PAB ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ 7. Como era antes da construção do muro sua relação com o PAB? Marque e Justifique. 7.1 ( ) livre acesso 7.2 ( ) ajudava a protegê-lo (como?) ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ 8 ( ) retirada de material de dentro do PAB (quais?) ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ 9. ( ) depositava material dentro do PAB (quais?) ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ 10 ( ) lazer (quais?) ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ 11 ( ) recreação (quais?) ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ 12 ( ) outros ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ 13 Na sua opinião como será futuramente a sua relação com o PAB? ________________________________________________________________________________ 151 Universidade da Amazônia P.10 O que significa para você a abertura da Avenida 1º de Dezembro? 1 Vantagens: ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ 2 Desvantagens: ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ 3. Houve remanejamento? ( ) Sim ( ) Não Quantas famílias? ___________________________ 4 Quantas foram indenizadas? _______________________________________________________ P.11 O que significa Movimento Social Urbano? ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ P.12 O que significa Educação Ambiental? ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ P.13 O que significa Consciência Ambiental? ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ P.14 O que significa Área de Proteção Ambiental? ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ P.15 O que significa Participação Social? ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ Local: ________________________ Data: ____/___/_____ Entrevistador: _____________________________________________________________ Assinatura: _______________________________________ 152 MOVIMENTO SOCIAL URBANO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA BELÉM SOBRE A AUTORA MARIA JOSÉ CAMPOS MOURA MELO Nasceu em Caririassú-Ceará. Estudou no Colégio Santa Tereza de Jesus (Crato-Ceará) e Colégio Estadual Liceu do Ceará (Fortaleza). É graduada em Assistente Social pela Universidade Federal do Pará-UFPA. Especialista em Planejamento do Desenvolvimento PanAmazônico FIPAN / pelo Núcleo de Altos Estudos Amazônicos-NAEA/UFPA. Especialista em Desenvolvimento de Comunidade pela Superintendência da Amazônia SUDAM. Especialista em Saúde Pública pela Fundação Osvaldo Cruz. Mestre em Planejamento do Desenvolvimento-PLADES, pelo NAEA/UFPA, cuja dissertação versou sobre “Comunidade Científica e um Projeto de Desenvolvimento na Amazônia: Hidrelétrica de Tucuruí Pará-Brasil”. Foi professora visitante do Curso de Serviço Social da UFPA, tendo ministrado as disciplinas: “Correntes Filosóficas e Serviço Social”, “Pesquisa em Serviço Social”, “Planejamento Social I e II”, “Serviço Social e Direitos Humanos” e “Estágio Profissional I”. Atualmente é Professora adjunta do Curso de Serviço Social da UNAMA, onde ministra as disciplinas: Formação Econômica e Política do Brasil, “Questões Sociais”, “História do Serviço Social I”, “Prática Profissional I”, “Desenvolvimento de Comunidade”, “Estágio Supervisionado I, II, e III”, e, “Orientação de Trabalhos de Conclusão de Curso”. É pesquisadora no Núcleo de Estudos em Pesquisa em Meio Ambiente e Qualidade de vida/UNAMA, onde coordenou as Pesquisas “Qualidade de Vida e Percepção Ambiental no bairro Castanheira , BelémPA” e, “Ecoturismo e Gestão Ambiental Participativa no Parque Ambiental de Belém”. Na extensão universitária da Unama, coordenou o Projeto “Ação Comunitária na Ilha de Mosqueiro”. Foi Servidora pública no Serviço de Extensão Rural (ANCARCeará); na Secretaria de Estado de Planejamento e Coordenação Geral (SEPLANPA) coordenou ações de Defesa Civil; na Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente (SECTAM-PA), coordenou, também, ação de Educação Ambiental; na Companhia de Habitação do Pará (COHABPA) foi técnica em assuntos metropolitanos. É voluntária da Organização não governamental Internacional Companheiros das Américas, Pará- Missouri. 153 Universidade da Amazônia 154