FACULDADE INTEGRADA DA GRANDE FORTALEZA - FGF NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA - NEAD PROGRAMA ESPECIAL DE FORMAÇÃO PEDAGÓGICA DE DOCENTES NA ÁREA DE LICENCIATURA EM QUÍMICA Considerações sobre os Efeitos e Riscos das Drogas de Abuso: Abordagem Participativa Professor x Aluno. Rubiana Ferreira de Souza Delgado Fortaleza-CE 2012 2 Rubiana Ferreira de Souza Delgado Considerações sobre os Efeitos e Riscos das Drogas de Abuso: Abordagem Participativa Professor x Aluno. Monografia apresentada como requisito parcial para a obtenção do título do grau do Programa Especial de Formação Pedagógica de Docentes na Área de Licenciatura em Química, da Faculdade Integrada da Grande Fortaleza-FGF, sob a orientação da Profa. Dra. Maria Eugenia Silva Vargas. Fortaleza-CE Abril/2012 3 Monografia apresentada como requisito necessário para a obtenção do grau de Licenciatura, do Curso de Graduação em Química, da Faculdade Integrada da Grande Fortaleza-FGF. _________________________________________ Rubiana Ferreira de Souza Delgado Monografia aprovada em ................/..................../........................ _________________________________________ Profa. Dra. Maria Eugenia Silva Vargas Orientadora _______________________________________________________ Profa. MS Célia Maria Carneiro da Cunha Diógenes Nogueira Coordenadora do Curso 4 DEDICATÓRIA Dedico este trabalho de conclusão de curso ao meu amor Alander Delgado Ferreira pelo incentivo e amor incondicional e ao meu futuro filho (presente de DEUS) Alexandre. 5 AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente ao bom DEUS, criador de todas as coisas, por ter mais uma vez me proporcionado nova oportunidade de estudo. Ao meu maior incentivador, meu esposo, Alander Delgado Ferreira, pelos inúmeros sacrifícios para que eu pudesse estar concluindo este curso. A minha amiga irmã Joseila Aparecida Bergamo, pela cumplicidade e carinho no decorrer de todo o curso e certamente de toda uma vida, tendo em vista tratar – se da segunda graduação a qual somos além de colegas de curso, mais que isso, nos tornou Verdadeiras Amigas. A grande amiga Josélia Maíra da Silva Pequeno, por ter ofertado seu lar, sua família, no decorrer de todo o curso, além de sua amizade sempre imprescindível. Ao meu filho Alexandre, por ter cooperado mesmo ainda em meu ventre, para que eu pudesse viajar mais de 600 km sem nenhum percalço. Agradeço finalmente aos professores de toda grade curricular, coordenadores de curso e minha orientadora, além dos colegas (virtual e presencial) de curso que proporcionaram um enriquecimento intelectual tão importante para minha formação como professora de Química, a realização de um sonho. 6 Triste época! É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito. Albert Einstein 7 RESUMO O presente trabalho trata de uma experiência didática desenvolvida junto a alunos da 2ª série do Ensino Médio, em que se relacionou a Química Orgânica com drogas. A abordagem deste envolveu os alunos na pesquisa das fórmulas estruturais de drogas e de seus efeitos sobre o usuário e para a sociedade. A metodologia provocou nos alunos um maior interesse pela Química em seu cotidiano. A experiência envolveu atividades de pesquisa bibliográfica sobre substâncias psicotrópicas e subsequente discussão dos resultados, discussão da química de algumas drogas e a socialização do trabalho para a escola, através de seminário e elaboração de cartazes produzidos pelos estudantes. Os resultados mostram alguns aspectos da percepção dessa problemática pelos jovens, seu interesse em discuti-la, valorizando a discussão das questões sociais e de saúde que, durante todo o processo, predominaram sobre as questões de ordem química. As falas dos estudantes sugerem alguma apropriação de termos científicos, embora em estágio inicial. Conclui-se pela necessidade de melhor fundamentação teórica da atividade, visando seu aprimoramento e a aprendizagem de conhecimentos científicos de modo consequente. Palavras-chave: ensino de química, ensino de química orgânica, drogas. 8 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 9 2. REFERENCIAL TEÓRICO.................................................................................... 14 2.1 UMA PROPOSTA PARA O ENSINO DE QUÍMICA ......................................... 16 2.2 ORGANIZAÇÃO DA PROPOSTA DE ENSINO ............................................... 18 2.3 A QUÍMICA ORGÂNICA .................................................................................. 20 2.4 TIPOS DE LIGAÇÕES ENTRE ÁTOMOS DE CARBONO ............................... 20 2.5 AS DROGAS ................................................................................................... 22 2.6 OS TIPOS DE DROGAS.................................................................................. 23 2.6.1 Os estimulantes ....................................................................................... 24 2.6.2 Os depressivos ........................................................................................ 24 2.6.3 Os alucinógenos ...................................................................................... 25 2.6.4 A família da Cannabis .............................................................................. 25 2.6.5 Os narcóticos ........................................................................................... 26 2.6.6 Os inalantes ............................................................................................. 26 2.6.7 As Designer drugs.................................................................................... 26 3. MATERIAL E MÉTODOS ..................................................................................... 28 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO ............................................................................ 30 5. CONCLUSÕES ..................................................................................................... 34 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................... 36 9 1. INTRODUÇÃO A orientação dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) sobre a inserção de temáticas transversais na educação tem sido frequentemente discutida na escola e em cursos de formação de professores. No Ensino de ciências e em particular, a Química, a ênfase ao tratamento de “novas” temáticas, vem acompanhada da ênfase na abordagem da tecnologia como questão que deve permear o ensino, sendo possível perceber esse movimento no modo como os livros didáticos, aos poucos, vão incorporando essas orientações. O relatório da Organização das Nações Unidas indica que, nos últimos quatro anos, o consumo de cocaína, tabaco, álcool e maconha cresceu entre os brasileiros. De acordo com Laranjeira (2007), "o número de usuários de drogas cresce aproximadamente 10% ao ano. Isso revela que a política de combate às drogas que temos não dá o resultado necessário e tem de mudar." Grande parte dos consumidores é de adolescentes, de modo que, a escola não pode se furtar de contribuir para a discussão de uma temática tão importante. Esta comunicação relata uma experiência de ensino do tema Drogas, no âmbito da química orgânica no ensino médio. Tem-se como um dos fundamentos desta proposta, a necessidade de estabelecer uma intimidade entre os conteúdos do currículo regular e a experiência social dos estudantes (Freire, 2002). Tal proximidade acredita-se, proporciona uma compreensão mais aprofundada e uma avaliação mais criteriosa dos conteúdos pelos alunos, possibilitando relacioná-los à sua vivência. Um segundo pressuposto é que uma educação de qualidade para todos não será absorvida de conteúdos técnico-científicos apenas, mas, pela produção de um tipo novo de conhecimento (...), um conhecimento que deva ser acima de tudo, uma ferramenta de mudança das condições de vida daqueles que não têm acesso à existência plena (Gadotti, 2005, p.14). Nesse sentido, o ensino da química orgânica será valorizado se puder ser empregado para a discussão de atitudes perante as drogas que permeiam a sociedade atual e são uma ameaça à sobrevivência dos adolescentes. Ao ensinar os conhecimentos científicos a escola deve propiciar uma formação mais ampla onde, no dizer de Demo prepondere “a construção da consciência crítica e 10 autocrítica, dentro da perspectiva da formação do sujeito.” (2004, p.99). Esta é uma posição que tem sido adotada por vários educadores químicos brasileiros (Santos; Schnetzler, 2003). Nesse contexto, destaca-se que, em 2004, o Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID) realizou “V Levantamento Nacional Sobre o Consumo de Drogas Psicotrópicas entre Estudantes do Ensino Fundamental e Médio da Rede Pública de Ensino nas 27 Capitais Brasileiras” (GALDURÓZ et al, 2005). Foram consultados 48.155 estudantes de escolas públicas municipais e estaduais. Os dados obtidos revelaram que as drogas mais utilizadas pelos estudantes brasileiros, com exceção de álcool e tabaco, foram: solventes, maconha, ansiolíticos e anfetamínicos. Para os autores, é preciso encarar o problema do consumo de drogas e medicamentos de maneira global, envolvendo todos os segmentos da sociedade, pois é um problema de responsabilidade de todos. Observam ainda a necessidade de capacitar profissionais, entre eles os da educação, para que tenham condições de trabalhar essa questão com os alunos. Buscamos em Chassot (1993) um direcionamento para inferir uma resposta quando o autor afirma que “É preciso um ensino que desenvolva no aluno a capacidade de ‘ver’ a ciência, em particular, a Química, que ocorre nas múltiplas situações reais, que se apresentam modificadas a cada momento” (p.41). Para Ricardo (2005), a essência da contextualização reside em “problematizar a relação entre esses dois mundos – saber científico e conhecimento cotidiano – pois a natureza faz parte de ambos” (p. 218). Com a contextualização, não se pretende partir do que o aluno já sabe para alcançar o conhecimento científico, visto que esse não pode ser considerado polimento do senso comum. É preciso proporcionar alternativas para que os alunos sintam a necessidade de buscar novos conhecimentos. Pode-se, por exemplo, mostrar que o conhecimento do senso comum é importante, mas que na maioria das vezes precisa de um olhar crítico, por não se constituir um fim em si mesmo e nem ser suficiente para explicar as situações do cotidiano. Os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio sugerem que as organizações dos conteúdos das ciências estudam, contemplem: I) a vivência individual dos alunos, ou seja, seus conhecimentos escolares, suas histórias pessoais, tradições culturais, relação com os fatos e fenômenos do cotidiano e 11 informações veiculadas pela mídia e II) o coletivo em sua interação com o mundo físico, evidenciando como os saberes científicos e tecnológicos vêm interferindo na produção, na cultura e no ambiente. (BRASIL, 1999). De acordo com Fourez et al (1997a), a contextualização estaria associada à adaptação dos saberes ao seu contexto de descoberta e sua finalidade de utilização. Consideram que um determinado conhecimento está contextualizado quando sofreu alterações para que possa ser utilizado em um contexto diferente do qual foi inicialmente elaborado. “É comum que a exigência da contextualização leve a uma interdisciplinaridade de maneira quase natural” (FOUREZ et al, 1997b, p. 122). Desenvolver a contextualização sem considerar a interdisciplinaridade pode resultar em abordagens equivocadas. Consequentemente, uma proposta de abordagem motivadora, com intuito contextualizador, pode se tornar um obstáculo de aprendizagem para os alunos, caso não haja os devidos cuidados. Fourez et al (1997b), sugerem que os conhecimentos científicos ensinados na escola sejam articulados em trabalhos interdisciplinares. A origem dessa proposta relaciona-se com a necessidade do discente compreender e saber lidar com a Ciência e a Tecnologia, tão presentes atualmente no cotidiano da sociedade e intensamente desenvolvidas a partir do século XX. Para Fourez et al (1997b), os conhecimentos científicos devem ser ensinados obedecendo a critérios de significação e utilidade para os alunos, dessa forma, é possível despertar neles o interesse pelo conhecimento científico, através da resolução de situações-problema, relacionadas ao seu cotidiano. Sabe-se que os professores dos Ensinos Fundamental e Médio são considerados agentes da prevenção por serem potencialmente importantes veículos de formação e de informação sobre as drogas. Neste contexto, Moreira, Silveira, Andreoli (2006b) revelaram a importância dos discursos, das atitudes e dos comportamentos dos professores frente aos alunos, visto que estes constituem uma população em situação vulnerável (Sodelli, 2010). Também Freire (1996, p.24), em Pedagogia da Autonomia, valorizou o papel do professor ao afirmar que “gestos aparentemente insignificantes [dos professores] podem valer como força formadora do educando”. Além disso, o Ensino Fundamental e o Médio englobam a fase da adolescência, etapa de transição entre a infância e a idade adulta, na qual os indivíduos incorporam padrões de referência aos seus comportamentos, os quais 12 servirão de base para a definição das suas personalidades (Sanchez, Oliveira, Nappo, 2005; Burt, 2002; Scivioletto, Morihisa, 2001). Nesta fase, o aluno expõe-se mais, porém responde bem às intervenções contextualizadas, especialmente nos seus contextos dominantes, como a escola e os seus pares (Schenker, Minayo, 2005), o que leva a valorizar as possíveis intervenções que partam dos professores. Apesar da relevância do papel do professor, há mais de duas décadas os programas de prevenção que envolve os profissionais citados não vêm obtendo a eficácia esperada (Faggiano et al., 2005; Mukoma, Flisher, 2004; Carlini-Marlatt, 2001; Soares, Jacobi, 2000). Nicastri e Ramos (2001) enfatizaram o papel crucial da informação como medida preventiva contra o abuso de drogas entre os adolescentes e os jovens. Estes pesquisadores destacaram que a informação deve ser veiculada com cautela, e de uma forma que, ao invés de prevenir o consumo de drogas, não desperte a curiosidade desses jovens pelo referido consumo. Sodelli (2007) mostrou que os professores, apesar de compreenderem a importância da prevenção às drogas como sendo um trabalho necessário, têm tendência a não assumir esta tarefa, relegando-a a outros profissionais ditos mais especializados. O mesmo autor apontou que os cursos de formação dos professores para a prevenção não estão sendo capazes de promover alterações comportamentais e de valores nos professores, como também não conseguem fazer com que eles se sintam mais preparados para assumir a tarefa preventiva na escola (Sodelli, 2007). Cruz (2002), por sua vez, salientou que os fracassos dos programas institucionais de prevenção estão relacionados aos discursos inadequados dos professores, os quais não respeitam as características psicológicas e sociais dos estudantes. Química (do egípcio kēme (chem), significando "terra") é a ciência que trata das substâncias da natureza, dos elementos que a constituem, de suas características, propriedades combinatórias, processos de obtenção, suas aplicações e sua identificação. Estuda a maneira pela qual os elementos se ligam e reagem entre si, bem como a energia desprendida ou absorvida durante estas transformações. Antigamente, no século XVIII, todos os compostos químicos eram divididos entre orgânicos e inorgânicos. A diferença entre eles, é que os orgânicos 13 eram somente substâncias que fossem produzidas por um organismo vivo (animais, vegetais, bactérias, etc.), utilizando uma “força vital”, proposta por Berzelius. Nesse mesmo século, Lavoisier percebeu que todos os compostos orgânicos descobertos até então, continham um átomo de Carbono (mas nem todo composto com carbono é orgânico). Porém em 1828, Friedrich Wöhler conseguiu criar uréia em laboratório, somente aquecendo o cianato de amônio (CH4CNO): CH4CNO -> (NH2)2CO. A partir dessa descoberta de Wöhler, muitos outros materiais orgânicos foram sendo criados em laboratório, derrubando definitivamente com a Teoria da Força Vital. 14 2. REFERENCIAL TEÓRICO A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (BRASIL, 1996) reconhece a formação da cidadania como um dos objetivos da Educação Básica e sugere que assuntos considerados de grande importância social, como a violência e a saúde, sejam informados desde as séries iniciais. Isso estimula a formação de hábitos e atitudes, permitindo que o aluno compreenda melhor os acontecimentos cotidianos e atue como indivíduo e cidadão (BRASIL, 1997). Chassot (2003) acredita que algo semelhante deveria acontecer com os alfabetizados cientificamente. Além de terem “facilitada à leitura do mundo em que vivem”, estes deveriam entender “as necessidades de transformá-lo – e preferencialmente, transformá-lo em algo melhor” (p. 94). Nesse contexto, ensinar conhecimentos científicos é permitir que o aluno se torne um indivíduo alfabetizado científica e tecnologicamente, para negociar de forma consciente nas situações por ele vivenciadas (BETTANIN, 2003). Para ser considerado alfabetizado científica e tecnologicamente, Fourez et al (1997a) indicam três atributos essenciais: [...] quando seus saberes permitem uma certa autonomia (possibilidade de negociar suas decisões frente às pressões naturais ou sociais), uma certa capacidade de comunicação (encontrar as maneiras de dizer), e um certo domínio e responsabilidade, frente a situações concretas (FOUREZ; et al, 1997a, p.62, grifos dos autores). Liso et al (2002) indicam que há autores que abordam as situações cotidianas no Ensino de Química e são considerados “defensores da ACT”. Os autores se justificam ao comentarem sobre “a importância de carregar de realismo o currículo de Química e utilizar a Química cotidiana como eixo central, para projetar um currículo em que prevaleçam as relações entre o conhecimento cotidiano do aluno e o conhecimento científico” (p. 259). Dessa forma, “a química cotidiana pode ajudar na concretização dos objetivos” da ACT “sempre que o seu tratamento tenha esse propósito” (p. 259). As semelhanças entre essas duas correntes envolvem capacitar os alunos para que se relacionem melhor com o mundo em que vivem, realizando atividades que proporcionem o aprofundamento do conhecimento científico e a valorização de seus conhecimentos prévios (LISO et al, 2002). 15 Pesquisadores brasileiros (CHASSOT, 1993; SANTOS; MORTIMER, 2002; SANTOS; SCHNETZLER, 1997) também recomendam que os conteúdos de Química devam ser relacionados com o contexto social dos alunos. Dessa forma, o Ensino de Química para a formação cidadã (EQ-C) prevê a abordagem dos conteúdos de Química contextualizados, visando a formação de um cidadão autônomo. Liso et al (2002) revelam preocupação quanto ao fato de alguns professores interpretarem os objetivos da alfabetização científica de maneira “utópica”. De outro lado, estes autores também mostram que a diversidade de conhecimentos, atitudes e a desmotivação dos alunos são características da realidade escolar na Espanha e que, pode acabar influenciando o professor a não desenvolver tais objetivos. O panorama exposto pelos autores não é diferente da realidade brasileira. Muitos alunos se mostram desmotivados durante as aulas, e isso pode ser atribuído a problemas sociais, familiares e até mesmo pelos tradicionais programas de ensino. Existe uma movimentação, por parte de alguns pesquisadores brasileiros, para tentar modificar essa realidade. Os próprios documentos curriculares brasileiros orientam para que o professor trabalhe os conteúdos disciplinares de maneira contextualizada, utilizando temas relacionados ao cotidiano dos alunos. Entretanto, muitas vezes essa mudança esbarra em obstáculos educacionais, como a falta de apoio de outros professores, que muitas vezes se recusam a desenvolver trabalhos mais dinâmicos. É importante registrar que, nos cursos de licenciatura, os licenciados não recebem um suporte necessário para saber lidar com as situações reais, e isso impõe uma série de limitações para que ele exerça o magistério. Nesse sentido, Maldaner comenta que: Ao saírem dos cursos de licenciatura, sem terem problematizado o conhecimento específico em que vão atuar e nem o ensino desse conhecimento na escola, recorrem, usualmente, aos programas, apostilas, anotações e livros didáticos que os professores deles proporcionam quando cursavam o ensino médio. É isto que mantém o círculo vicioso de um péssimo ensino de química em nossas escolas! Ao lado desse descaso com a formação inicial dos professores nos cursos de licenciaturas, temos a rápida desvalorização do professor como profissional. (MALDANER, 2000, p. 74-75). De certa forma, pode-se considerar que uma significativa dificuldade encontrada pelos recém-formados no momento de sua prática pedagógica reside na 16 contextualização dos conteúdos disciplinares. É neste momento que o licenciado tem a dimensão do abismo que existe entre as situações ideais, estudadas durante a graduação, e as situações da vida cotidiana. Realizar atividades de ensino diferenciadas, mais dinâmicas, atribuindo sentido aos conteúdos certamente é um desafio para os professores brasileiros, visto que “estudantes e professoras são vítimas de um processo de formação não problematizado, nem na formação inicial das professoras, por isso o mantêm em ciclo vicioso, e nem na formação escolar básica” (MALDANER, 2000, p. 80), isto é, a valorização do conteúdo pelo conteúdo. Liso et al (2002) alertam para que os fenômenos cotidianos abordados no Ensino de Química não sirvam apenas para introduzir um determinado conteúdo ou motivar os alunos. Devem ser utilizados no planejamento de situações-problema que façam surgir a teoria para aplicá-la no dia-a-dia dos alunos, na direção de uma alfabetização científica. A compreensão de conhecimentos e valores faz com que os alunos percebam as diversas vantagens da ciência e de suas aplicações, tanto em relação às melhorias na qualidade de vida das pessoas, como em relação às suas limitações e consequências negativas. (CHASSOT, 2003). Diante das considerações apresentadas, constatamos que o EQ-C e a ACT são referenciais adequados para o desenvolvimento de trabalhos interdisciplinares, por meio da contextualização de temas sociais, em particular as drogas. 2.1 UMA PROPOSTA PARA O ENSINO DE QUÍMICA Diante de todas as considerações apresentadas sobre as drogas, a ACT e o EQ-C, organizamos quatro grupos de aspectos: i) Saúde Pública: diretamente relacionados ao consumo de medicamentos; ii) Econômicos: referentes à falta de recursos individuais para procurar um médico, superfaturamento das indústrias farmacêuticas, etc.; iii) Políticos: sobre a concorrência nacional e internacional, captação de recursos para campanhas partidárias, etc. e iv) Culturais e sociais: relacionados aos hábitos familiares, como a mãe que medica seu filho sem consultar um médico e as relações entre o “natural e artificial”. A relação do tema com aspectos educacionais, mais especificamente em relação aos conteúdos das disciplinas escolares, também foi considerada para a elaboração da proposta. 17 Dessa forma, para o presente exercício indicamos cinco disciplinas escolares e os conteúdos que podem ser relacionados, sem intenção de esgotamento ou restrição das demais: i) Física: energia, calor, temperatura; ii) Biologia: prevenção e cura de doenças, vírus e bactérias, etc.; iii) História: origem dos medicamentos, curandeirismo, da química, da ciência, etc.; iv) Matemática: interpretação de gráficos e de dados estatísticos e v) Química: funções orgânicas, reações químicas, estrutura atômica, soluções, cinética química, etc. Os grupos de aspectos e as disciplinas relacionadas apresentam uma estreita relação com a abordagem de temas sociais como a automedicação. Esse panorama pode conduzir ao desenvolvimento dos pressupostos da ACT e do EQ-C. As informações contidas nos grupos de aspectos “Culturais e sociais”, “Políticos”, “Econômicos” e “Saúde Pública” indicam elementos de problematização, que podem auxiliar na contextualização dos conteúdos das diferentes disciplinas escolares. Defendemos que o tema também permite o desenvolvimento de abordagens multidisciplinares, em função da transversalidade atribuída ao tema. Além dos grupos apresentados, existem outros aspectos que poderiam ser relacionados. Entretanto, como já nos referimos anteriormente, selecionamos os que consideramos mais importantes para a proposição de abordagens interdisciplinares segundo o referencial teórico da ACT. Para reforçar nossa discussão citamos Edgar Morin, o qual refere que as ciências permitiram que compreendêssemos muitas certezas. No entanto, elas também ajudaram a revelar as zonas de incertezas. Dessa forma, a política pedagógica precisa converter-se em um instrumento que conduza o estudante a um diálogo criativo com as dúvidas e interrogações do nosso tempo, condição necessária para uma formação cidadã. Nesse contexto, é relevante destacar que as drogas é um tema interessante do ponto de vista cientifico para o ensino de ciências como: química, economia, tecnologia e social e a sua abordagem, nas disciplinas escolares em geral e na Química em particular, pode contribuir para o entendimento dessa questão e para o exercício das relações interdisciplinares. Contudo, consideramos que não basta ensinar os conteúdos de Química apenas porque fazem parte do currículo oficial, é preciso associá-los às questões da atualidade para que façam algum sentido para os alunos. Dessa forma, a abordagem dos conhecimentos disciplinares associados a temas sociais, na 18 perspectiva das drogas, oferece caminhos múltiplos e viabilidade para ser aplicada em sala de aula. De modo geral, mesmo com limitações (formação do licenciando, com dificuldades de estabelecer uma aproximação dos conteúdos de Química com as situações reais), qualquer movimento no sentido de se distanciar da abordagem conteudista é válida, pois acaba mostrando ao aluno conexões da Química com o seu dia-a-dia. O importante é ter em mente que a busca de toda contextualização é válida e bem vinda, seja através da realização de projetos, de debates ou outra estratégia de ensino. Assim, destacamos que a interação dos alunos com o seu contexto é de fundamental importância, no sentido de capacitá-los na compreensão melhor do mundo em que vivem, além de motivá-los para a busca de explicações para os fenômenos do cotidiano. Dessa forma, acreditamos que a contextualização auxilia na aprendizagem dos conteúdos disciplinares, além de criar condições para que estes alunos constatem que não existem realidades absolutas, inquestionáveis e imutáveis e possam negociar as situações vivenciadas de forma consciente, tornando o conhecimento uma realidade consistente. 2.2 ORGANIZAÇÃO DA PROPOSTA DE ENSINO Diante dessas considerações, justificamos o desenvolvimento de uma proposta para abordagem dos conteúdos de química orgânica na Educação Básica a partir de proposições, discussões e reflexões sobre o saber, o ensinar e o aprender química, que tragam para a sala de aula, temas sociais relevantes e metodologias de ensino que extrapolem a aula expositiva, tentando tornar mais significativo o aprendizado de química. Uma abordagem de natureza fenomenológica dos conceitos fundamentais da química pode propiciar outros entendimentos sobre a organização curricular, como aqueles oriundos da integração conceitual pela apropriação Freireana de tema gerador (CORAZZA, 1992; FREIRE, 1996) ou como as sugestões/orientações dos Parâmetros Curriculares Nacionais em relação aos temas transversais (BRASIL, 1998), ancorados a um cotidiano social-político-econômico e também a um cotidiano social-científico-tecnológico-ambiental. Nesta perspectiva a concepção de “cotidiano” 19 está fortemente associada à noção de “pluri-multi-inter-disciplinaridade” sendo essa uma inserção adequada às salas de aula, na atualidade. A educação escolar na virada do século XX é apresentada, a partir das mudanças apontadas pela nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB9394/96) e das “orientações” expressas pelos Parâmetros Curriculares Nacionais, como modo capaz de educar para o cuidado de si e do ambiente e para a compreensão do desenvolvimento científico-tecnológico. As diretrizes curriculares reafirmam a responsabilidade da escola e da comunidade escolar, especialmente dos professores, na construção de currículos escolares conectados com aquilo que tem sido configurado como sendo as necessidades da sociedade contemporânea. Mas que necessidades são essas? Como essas necessidades tomam visibilidade? Como essas necessidades são enunciadas? Aragão (2000) enfatiza ser responsabilidade do ensino, a construção do pensamento científico teórico-conceitual como forma de promover a elaboração de interpretações, explicações e formas de compreensão e de previsão de fenômenos vivenciados no nosso cotidiano. O estudo de química orgânica, nos diferentes níveis de ensino, tem grande importância pela existência e aplicações de inúmeras substâncias que contém carbono na sua estrutura. Os elementos organógenos, em suas diferentes possibilidades enérgicas e espaciais possibilitam a existência de inúmeras substâncias diferentes. Estas estão presentes na origem da vida e são essenciais para sua manutenção, quer seja pela constituição dos organismos vivos, quer seja por suas relações exteriores que envolvem alimentação, vestuário, medicamentos, construção de casas e meios de transporte, entre tantos outros. Nunes (2002) cita uma pesquisa com jovens de ensino médio, que revelou não haver, para esses jovens, nenhuma relação da química que aprendem na escola com suas vidas nem com a sociedade, como se os produtos de higiene e limpeza, os agrotóxicos ou as fibras sintéticas de suas roupas fossem questões de outra esfera de conhecimento, sendo provável não haver, para esses estudantes, conexão entre a química aprendida na escola com as questões da vida social que, na maioria das vezes, são próximas e significativas. 20 2.3 A QUÍMICA ORGÂNICA A Química Orgânica é um ramo da química relativamente jovem, nascido do estudo das substâncias que constituem a matéria viva e dos compostos resultantes das suas transformações. Inicialmente pensava-se que a síntese de substâncias orgânicas só era possível com a interferência de organismos vivos, no entanto, quando se demonstrou que estes compostos podiam ser sintetizados em laboratório, a designação “orgânico” perdeu o sentido. Hoje em dia, prefere-se a designação de compostos de carbono a compostos orgânicos, visto que este elemento é comum a todos eles e é, em parte, responsável pelas suas propriedades. Contudo, nem todos os compostos que possuem o elemento carbono são incluídos no grupo dos compostos de carbono/compostos orgânicos. A facilidade com que os átomos de carbono (6C 1s2 2s2 2p2, 4 elétrons de valência) formam ligações covalentes (simples, duplas ou triplas) com outros átomos de carbono ou com átomos de outros elementos explica o número e a variedade de compostos orgânicos, SANTOS, W.L. dos e SCHNETZLER (1996). Os compostos orgânicos podem ser agrupados e classificados de acordo com a presença de determinados grupos de átomos nas suas moléculas (os grupos funcionais), grupos esses que são responsáveis pelo comportamento químico dessas famílias de compostos orgânicos. Qualquer composto orgânico é constituído por uma cadeia carbonada não reativa, “o esqueleto” e por uma parte reativa, o grupo funcional. 2.4 TIPOS DE LIGAÇÕES ENTRE ÁTOMOS DE CARBONO O Carbono apresenta quatro elétrons em sua camada de valência, isso significa que ele pode formar quatro ligações, sendo assim pode se unir a outros átomos como: H, O, N, Cl. Essa propriedade que o carbono tem explica a variedade de compostos orgânicos existentes na natureza, por isso se diz que o carbono é tetravalente. No ano de 1874, Van’t Hoff e Le Bel criaram um modelo espacial para o carbono. Tal modelo trazia os átomos de carbono representados por tetraedros regulares, sendo que o carbono ocupa o centro do tetraedro e suas quatro valências correspondem aos seus quatro vértices. 21 Nesse modelo, os diferentes tipos de ligações que ocorrem entre átomos de carbono foram representados da seguinte forma: a) Ligação simples - os tetraedros estão ligados por um vértice (ligação simples); b) Ligação dupla - os tetraedros estão unidos por dois vértices (uma aresta); c) Ligação tripla - os tetraedros estão unidos por três vértices (uma face); 22 2.5 AS DROGAS Droga (do francês drogue, provavelmente do neerlandês droog, "seco, coisa seca"), narcótico, entorpecente ou estupefaciente são termos que denominam substâncias químicas que produzem alterações dos sentidos. Droga, em seu sentido original, é um termo que abrange uma grande quantidade de substâncias, que pode ir desde o carvão à aspirina. Contudo, há um uso corrente mais restritivo do termo (surgido após quase um século de repressão ao uso de certas substâncias), remetendo a qualquer produto alucinógeno (ácido lisérgico, mescalina etc.) que leve à dependência química e, por extensão, a qualquer substância ou produto tóxico (tal como o fumo, álcool etc.) de uso excessivo, sendo um sinônimo assim para entorpecentes. As drogas psicoativas são substâncias naturais ou sintéticas que ao serem penetradas no organismo humano, independente da forma (ingerida, injetada, inalada ou absorvida pela pele), entram na corrente sanguínea e atingem o cérebro alterando todo seu equilíbrio, podendo levar o usuário a reações agressivas SCIVOLETTO, S. e MORIHISA, R.S.(2001). A estrutura química de uma substância é fator determinante na sua atividade no organismo. E, em geral, substâncias diferentes com estruturas químicas semelhantes possuem atividade biológica também similar. Um exemplo é o caso da cocaína. Esta substância é um alcaloide extraído de uma planta nativa da América do Sul. Na medicina, foi um dos primeiros anestésicos locais, isto é, uma substância capaz de produzir analgesia no local onde é aplicada. Embora fosse muito eficaz, 23 existiam sérios problemas: a cocaína produz euforia, bem-estar excessivo, sensações de poder, dependência física e psicológica. Químicos sintéticos partiram, então, para a busca de substâncias que tivessem o mesmo poder anestésico da cocaína, mas que não surtissem os efeitos colaterais indesejados. Em 1905, foi preparada a procaína. Esta substância é utilizada até hoje: como é rapidamente absorvida pelo corpo, é, em geral, aplicada juntamente com um vaso constritor, para manter o anestésico no local da aplicação o maior tempo possível. Em 1948, outro anestésico foi patenteado nos EUA: a lidocaína, vendida como xilocaína. Além de ser muito mais forte do que a procaína, não necessita de vasoconstrictor. Tanto a lidocaína, procaína e a cocaína possuem efeitos anestésicos semelhantes. Os usuários costumam apontar uma série de razões para justificar o consumo de drogas. Desde que se tenha em mente os efeitos desejados, há drogas para relaxar, levantar o astral, ingerir socialmente, inspirar a criatividade, aumentar o desejo sexual e o prazer, alterar o humor e até para chegar mais perto de Deus e de suas revelações (uso religioso) (Lyman, 1991). Contudo, estas razões, que são geralmente colocadas no nível das opções individuais, devem ser postas em outro patamar de discussão, dentro de uma visão global, histórica e crítica. Diversas são as formas de abordar o assunto. Oficialmente, o uso/abuso de drogas é tratado como uma manifestação individual, imoral, patológica e ilegal. A medicina o trata como uma enfermidade; a psicologia o reduz à farmacodependência; a antropologia o considera como uma distorção dos ritos tradicionais e a sociologia o qualifica como anomalia, desvio ou subcultura marginal (Gomez Jara e Mora Hernandez, 1988). 2.6 OS TIPOS DE DROGAS As drogas podem ser agrupadas em categorias ou famílias de substâncias conforme os efeitos que são capazes de provocar e as matérias-primas de que são feitas. 24 2.6.1 Os estimulantes A família dos estimulantes compreende as drogas que excitam ou estimulam o sistema nervoso central do usuário. As mais comuns são a nicotina, alcalóide encontrado nos produtos feitos de tabaco, e a cafeína, substância estimulante que existe no café, também encontrada em refrigerantes e chás. Ambas são perfeitamente legais e seu uso é aceito em nossa cultura, embora possam gerar problemas de saúde. Estas substâncias são geralmente usadas para fins recreativos, mas seu uso moderado pode aliviar a fadiga. Também são substâncias estimulantes as anfetaminas, a coca e seus derivados (a cocaína e o crack). Em geral, fazem com que o usuário se sinta mais forte, alerta e decidido sob o seu efeito. Na verdade, as sensações são ilusórias e podem levar o indivíduo a sobrevalorizar suas capacidades físicas e mentais, o que pode lhe provocar sérios danos. Além do bem-estar e euforia, estas substâncias podem provocar irritabilidade, excitação e perda de apetite. Quando os efeitos se extinguem, o indivíduo pode experimentar uma sensação de exaustão repentina, seguida de dores de cabeça e até paranóia. Dependendo da droga e da personalidade do indivíduo pode ocorrer a dependência química e psíquica do usuário. Este passa então a necessitar de doses cada vez maiores do que as habituais, podendo chegar à morte por overdose. 2.6.2 Os depressivos São as drogas que deprimem o sistema nervoso central do usuário. São comumente usadas, sob orientação médica ou não, para combater a ansiedade, a irritabilidade, a tensão e a insônia. Assim como as substâncias estimulantes, os depressivos podem levar os usuários a uma situação de dependência e, em alguns casos, à morte. Pertencem a esta categoria o álcool, os tranqüilizantes e os barbitúricos. 25 2.6.3 Os alucinógenos São substâncias que alteram mais ou menos profundamente os estados de consciência, a atividade dos sentidos, a percepção do espaço e do tempo e a percepção da própria individualidade e do corpo. As substâncias alucinógenas podem ser naturais, como o LSD (sigla de dietilamida do ácido lisérgico, um alucinógeno obtido do fundo Claviceps purpureus) e a mescalina (componente psicoativo do Peyote) ou sintéticas, como a fenciclidina, mais conhecida como PCP. 2.6.4 A família da Cannabis Embora a família da Cannabis seja apresentada aqui como uma categoria à parte, o grupo de substâncias que a ela pertencem são geralmente classificados como alucinógenos. Pertencem a esta família de substâncias a maconha e o haxixe. A maconha é o nome popular da Cannabis, gênero com três espécies de plantas arbustivas parecidas: Cannabis sativa, Cannabis indica e Cannabis ruderalis. Os galhos de floração (extremidades das plantas com folhas, talos, brotos e sementes) são consumidos sob a forma de cigarro e contêm de 1 a 6% de cannabinóis, um grupo de substâncias psicotrópicas que provocam relaxamento muscular, sensação de bem-estar, aumento da irrigação sanguínea e alteração da percepção (Hoobler, 1988). O haxixe, por sua vez, é um concentrado de flores, folhas e resina de maconha, com efeitos mais intensos que os da forma não concentrada da planta (Hoobler, 1988). O THC (tetrahidrocanabinol), o princípio ativo da maconha, representa 1% do peso total da maconha e 14% do peso total do haxixe. Tem se revelado uma das substâncias mais potentes para prevenir a náusea e o vômito causados pelo tratamento quimioterapêutico em pacientes com câncer. Já é usada com este fim em países como os Estados Unidos e o Canadá. A droga vem embalada em cápsulas gelatinosas e comercializada sob os nomes de Marinol e Nabilone. Nos Estados 26 Unidos, o governo controla fazendas de cultivo da Cannabis sativa no estado do Mississipi, de onde se retira o THC para a produção dos medicamentos. 2.6.5 Os narcóticos Os narcóticos são, em geral, o ópio e seus derivados: a morfina e a heroína. Também pertence a este grupo a codeína (ou metadona), um opiáceo sintético que produz efeitos similares aos da morfina e é usado em tratamentos de câncer terminal. Atualmente, esta droga é utilizada também no tratamento de dependentes de heroína, embora ela própria também cause dependência. Os opiáceos foram originalmente desenvolvidos como anestésicos em tratamentos médicos, mas também são largamente utilizados pela agradável sensação de torpor que proporcionam, descrita pelos usuários, como a própria felicidade. Viciam em poucas doses e podem levar à intoxicação e à morte. 2.6.6 Os inalantes Constituem um grupo de produtos químicos que podem causar distúrbios visuais e reduzir o controle muscular e dos reflexos. São consideradas drogas muito perigosas porque podem causar a morte súbita do usuário por sufocamento, colapso respiratório ou ataque cardíaco. Gomez Jara e Mora Hernandez (1988) os consideram como uma forma de controle social, já que são largamente consumidos por crianças e adolescentes pobres nos países subdesenvolvidos. Os inalantes não são drogas em si, mas utilizadas com este fim. Estão incluídas neste grupo: solventes, gasolina, cola de sapateiro, esmaltes, vernizes, fluidos de isqueiros e odorizadores de ambiente, entre outros. 2.6.7 As Designer drugs São as drogas sintéticas com estrutura química similar (mas não idêntica) à de drogas ilícitas. Produzem efeitos semelhantes, mas em muitos casos não são consideradas ilícitas. São produzidas à base de uma nova tecnologia que consiste em ressintetizar drogas já existentes até o ponto em que estas provoquem os mesmos efeitos nos 27 usuários. Como a estrutura molecular da droga é alterada, estas não são definidas como ilegais. Na verdade, a maioria das designer drugs não só reproduz os efeitos de drogas ilícitas, como os potencializa. O skank, por exemplo, é uma espécie de maconha produzida em laboratório, que pode conter até 20 vezes mais o teor de THC da maconha. Como foram criadas e são produzidas em laboratórios localizados nos países industrializados do norte, constituem um elemento que coloca por terra a acusação de que os países subdesenvolvidos são os únicos responsáveis pelo consumo de drogas em escala mundial. As designer drugs fazem dos países consumidores países produtores também. 28 3. MATERIAL E MÉTODOS A abordagem deste projeto está centrada na identificação dos fatores de motivação e a aplicação de temas contextualizados em aulas de química, tal projeto foi desenvolvido no ambiente escolar de duas (02) escolas da cidade de Coxim - MS, no período de 03 de outubro a 07 de novembro de 2011. Este trabalho foi desenvolvido baseando-se na visão social de Vygotsky e na abordagem de David Ausubel. Vygotsky, que trouxe para o campo educacional uma visão articulada de conhecimento, defende a ideia de que o sujeito participa ativamente da construção de sua própria cultura e de sua história, modificando-se e provocando transformações nos demais sujeitos que com ele interagem. Nessa prática pedagógica, o professor é o agente mediador do processo, propondo desafios e ajudando os alunos a resolvê-los e realizando atividades em grupo, nas quais os mais adiantados poderão ajudar os demais. O público alvo deste trabalho foram os adolescentes de duas turmas da 2ª série da manhã, do Ensino Médio das Escolas Viriato Bandeira (estadual) e Fundação Lowtons de Educação e Cultura (particular), cada uma com uma média de 30 alunos. Este trabalho teve duração de aproximadamente um mês e fora dividido em duas partes distintas: um seminário ministrado pela professora e um trabalho em grupo sobre a abordagem conceitual do conteúdo químico, relacionando - a com o efeito social das drogas. Os conteúdos abordados foram: tipos de ligação com o carbono, hibridação do átomo de carbono, grupos funcionais, nomenclatura de compostos orgânicos e estrutura molecular. Os alunos de cada turma foram divididos em grupos para realização de uma pesquisa, ficando cada grupo responsável por duas drogas (as mais evidenciadas na mídia). Os mesmos foram orientados a elaborar uma apresentação oral e escrita do conteúdo pesquisado. O referido trabalho pode contar com o auxílio de outras áreas do conhecimento como Geografia no que concerne a abordagem dos índices 29 socioeconômicos pertinentes ao tema e a área de Biologia no que diz respeito da atuação das Drogas no sistema nervoso central e a equipe de Redação ajudando na elaboração do trabalho escrito e nas aulas de vida, podendo ser trabalhado a conscientização sobre o uso das drogas. 30 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO A ideia de contextualização surgiu com a reforma do ensino médio, a partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB-9.394/97) que orienta a compreensão dos conhecimentos para uso cotidiano. Originou-se nas diretrizes que estão definidas nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), os quais visam um ensino de química centrado na interface entre informação científica e contexto social. Contextualizar a química não é promover uma ligação artificial entre o conhecimento e o cotidiano do aluno. Não é citar exemplos como ilustração ao final de algum conteúdo, mas que contextualizar é propor “situações problemáticas reais e buscar o conhecimento necessário para entendê-las e procurar solucioná-las.” (PCN+, p.93). Diante do exposto, se faz necessário a prática de um ensino mais contextualizado, onde se pretende relacionar os conteúdos de química com o cotidiano dos meninos e das meninas, respeitando as diversidades de cada um, visando à formação do cidadão, e o exercício de seu senso crítico. Um dos objetivos da química é que o jovem reconheça o valor da ciência na busca do conhecimento da realidade objetiva e insiram no cotidiano. Para alcançar esta meta buscamos trabalhar contextos que tenham significado para o aluno e possam leva a aprender, num processo ativo, acredita-se que o aluno tenha um envolvimento não só intelectual, mas também afetivo. De acordo com as novas propostas curriculares (PCNs), seria educar para a vida. A professora iniciou o seminário levantando algumas questões como: O que são drogas? Quais são as drogas mais comuns? Existem drogas legais? Após ampla discussão, a professora abordou os seguintes itens: conceitos principais das drogas, classificação, drogas psicotrópicas, modo de ação das drogas no cérebro, riscos que as drogas oferecem fatores que podem levar à dependência, os fenômenos relacionados ao uso da droga e depoimentos de usuários e internos. Além disso, foram apresentadas as novas drogas lícitas, que estão seduzindo os jovens por serem mais baratas e de fácil acesso. Após o seminário, a professora dividiu as duas turmas de 40 alunos cada em oito grupos, com seis alunos em média por grupo, totalizando 24 grupos, ficando cada grupo responsável por uma droga. As drogas selecionadas foram aquelas mais 31 evidenciadas pela mídia atualmente, como a nicotina, o álcool, a maconha, a cocaína, o “crack”, a morfina, a heroína, os solventes e inalantes, as anfetaminas, o “ecstasy”, o LSD e o “special K”. A professora explicou que cada grupo teria aproximadamente um mês para preparar uma apresentação oral e um trabalho escrito (também em grupo). Foi recomendado que se fizesse também uma pesquisa na Internet, em jornais, revistas e em livros da área de saúde sobre os efeitos da droga na sociedade e no corpo humano. Nessa pesquisa, os alunos deveriam conhecer os efeitos e riscos das drogas, tratando dos sintomas, da recuperação de usuários, da situação legal no Brasil e da ação da droga sobre gestantes e bebê, além de realizarem pesquisa de campo (entrevistas com profissionais envolvidos com o tema). Adicionalmente, os grupos deveriam fazer um levantamento da fórmula estrutural da respectiva droga, utilizando o “Merck Index” ou o endereço eletrônico www.chemfinder.com, e trabalhar os conceitos de Química Orgânica envolvidos, como a estrutura do carbono, os tipos de ligações covalentes, as classificações do carbono e das cadeias carbônicas e nomenclatura. Em todas as aulas seguintes, a professora acompanhava o andamento do trabalho e orientava os alunos em suas pesquisas. As apresentações orais foram realizadas de formas muito variadas. Os grupos mostraram cartazes com as fórmulas estruturais; fotos ilustrativas; transparências; modelos de isopor para representar a estrutura da molécula da droga em questão; vídeos e dramatizações com simulações dos efeitos, riscos e tratamento dos usuários, com a atuação dos próprios alunos e alguns entrevistados, como pessoas anônimas na rua, médicos, psiquiatras e internos de clínicas de tratamento para dependentes químicos. Analisando a apresentação oral, pôde-se perceber um enfoque maior na abordagem social, já que a pesquisa os estimulou a coletar mais informações sobre a droga em que estavam trabalhando e houve também a preocupação de compartilhar essas informações com os colegas. Uma avaliação individualizada durante a apresentação oral mostrou que 67% dos alunos relacionaram a Química com o conteúdo social da droga, enquanto 33% só se preocuparam em falar deste último assunto. Quanto ao trabalho escrito, a avaliação geral apresentou melhores resultados. Todos os grupos colocaram em exposição os conteúdos sociais, legais e biológicos da droga que tinham pesquisado as nomenclaturas oficial e usual da droga, as 32 fórmulas molecular e estrutural. Do total, 12 grupos trabalharam as informações sobre a Química Orgânica, como os tipos de carbonos e as suas hibridizações, e identificaram os grupos funcionais e as funções orgânicas presentes na própria estrutura da molécula. Outros 9 grupos só citaram todas essas informações, sem analisarem na estrutura, e apenas 3 grupos não trataram desse assunto no trabalho. Na Figura 1 percebem-se as atividades em laboratório e em sala de aula dos alunos submetidos ao trabalho. Figura 1. Foto das atividades em laboratório e em sala de aula. Com este trabalho, foi possível fazer uma revisão da matéria e verificar, assim, alguns erros de conceitos na identificação dos tipos de carbonos ou na função orgânica presente na droga. Dentro do grupo dos alunos que trabalharam todas as informações químicas, 70% acertaram tudo o que foi pedido e 30% confundiram alguns conceitos. Os erros foram levados à turma, para que juntos chegássemos ao conceito certo. Quanto aos lados social, legal e biológico das drogas, 22 grupos fizeram uma abordagem completa e satisfatória e apenas 2 grupos deixaram de citar alguns temas como: sintomas na abstinência, etapas da recuperação e situação legal da droga no Brasil. Este trabalho também estimulou alguns professores de outras disciplinas da escola. A equipe de Geografia abordou índices socioeconômicos; a equipe de Biologia, a atuação da droga sobre o sistema nervoso central; a equipe de redação 33 ajudou na elaboração do trabalho escrito e nas aulas de vida. Houve também o trabalho de conscientização sobre o uso das drogas. Uma avaliação individual de forma tradicional foi aplicada nas turmas, na forma de um teste, com o mesmo conteúdo teórico pedido na pesquisa sobre as drogas, para avaliar o sucesso do alcance dos objetivos do trabalho. As notas obtidas foram muito melhores quando comparadas com as dos anos anteriores, podendo-se observar que alunos que tinham desinteresse pela disciplina e, consequentemente, baixo rendimento, também melhoraram suas notas. Vale ressaltar que, durante a apresentação oral dos trabalhos, os próprios alunos corrigiam os colegas que por acaso se equivocavam em algum conceito da Química Orgânica. 34 5. CONCLUSÕES Analisando os resultados pode-se perceber que os alunos se sentem mais motivados para entender os conteúdos de química, quando se tem uso de aulas práticas e mais dinâmicas, onde possibilitem aos mesmos uma interação entre eles e com o próprio professor. É bastante eficaz a realização de um diagnóstico prévio da turma com o intuito de saber o nível de conhecimento, as experiências de vida de cada um, motivações e interesses. Com isto pudemos elaborar nossos planos de aula de acordo com os anseios de cada turma, desenvolvendo sua capacidade de compreensão, análise, senso crítico e principalmente inseri-los na sociedade de forma mais conscientes e participativos. Durante o decorrer do projeto, foram utilizados diferentes métodos de aula, sempre pesquisando em revistas da área e consultando professores de outras áreas, coordenadores e diretores das escolas. Além de preparar previamente todos os roteiros e reproduzi-los para que cada aluno tivesse seu próprio material. Sempre valorizando a contextualização e a química do cotidiano, sem deixar de buscar atividades de baixo custo, e com o intuito de motivá-los, envolvemos os conhecimentos prévios de cada alunado. Com este trabalho, foi observado que os alunos tiveram uma participação ativa no seu processo de aprendizagem e crescimento pessoal, uma vez que a cooperação melhora a eficácia da ação pedagógica. A qualidade da aprendizagem e o ato de aprender dependem de um ambiente Facilitador dessa aprendizagem e crescimento. Esta metodologia permitiu a mim, como professora, verificar se os objetivos esperados foram alcançados de uma forma dinâmica, contínua e versátil, voltada para o aluno e abrangendo os vários aspectos de sua personalidade e da sua constituição humana. Além disso, foi observado que os alunos se mostraram abertos para o conhecimento e também descobriram outras habilidades, tais como a arte de representar um papel teatral e a facilidade de relacionar os conceitos da Química com os de outras disciplinas. 35 Este trabalho foi de fundamental importância para minha formação como educadora, pois possibilitou uma relação direta com a realidade de sala de aula. Desta forma proporcionou uma reciprocidade experiências sobre a melhoria no ensino de química. maior entre informações e 36 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARMELIN, M.G. Prevenção às drogas na escola. O mundo da saúde, v.23, n.1, p.48-52, 1999. BARDIN, L. Análise de conteúdo. 3.ed. Lisboa: Edições 70, 2004. BETTANIN, E. As Ilhas de Racionalidade na Promoção dos objetivos da Alfabetização Científica e Técnica. Dissertação (Mestrado em Educação) – Pós Graduação em Educação, UFSC, Florianópolis, 2003. BIZZOTTO, A.; RODRIGUES, A.B. Nova lei sobre drogas: comentários à lei n.11.343, de 23 de agosto de 2006. Rio de Janeiro: Lúmen Júris, 2007. BRASIL. Política Nacional Sobre Drogas. Brasília: CONAD, 2005. Disponível em: <http://www.obid.senad.gov.br/portais/OBID/biblioteca/documentos/Legislacao/3269 79.pdf>. Acesso em: 30 jul. 2009. BRASIL, Ministério da Educação – MEC, Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Lei de diretrizes e bases da educação. MEC/SEMTEC. Brasília, 1996. BRASIL, Ministério da Educação – MEC, Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: ciências naturais (1a a 4 a série). Secretaria de Educação fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1997. BRASIL, Ministério da Educação – MEC, Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio. MEC/SEMTEC. Brasília, 1998. BRASIL, Ministério da Educação – MEC, Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros Curriculares Nacionais: Ensino Médio. MEC/SEMTEC. Brasília, 1999. 37 CHASSOT, A. I. Catalisando transformações na educação. 3a edição. Ijuí: Editora Unijuí, 1993. ______. Alfabetização científica: uma possibilidade para a inclusão social. Revista Brasileira de Educação, n. 22, jan/fev/mar/abr, 2003. BRYMAN, A.; BURGESS, R.G. Analyzing qualitative data. London: Routledge, 1999. BURT, M.R. Reasons to invest in adolescents. J. Adolesc. Health, v.31, n.6, p.13652, 2002. CANOLETTI, B.; SOARES, C.B. Programas de prevenção ao consumo de drogas no Brasil: uma análise da produção científica de 1991 a 2001. Interface – Comunic., Saude, Educ., v.9, n.16, p.115-29, 2005. CARLINI-MARLATT, B. Estratégias preventivas nas escolas. In: SEIBEL, S.D.; TOSCANO JR., A. (Orgs.). Dependência de drogas. São Paulo: Atheneu, 2001. p.191-7. CRUZ, A.R. A análise do discurso da prevenção do abuso de drogas. 2002. Tese (Doutorado) - Faculdade de Letras, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte. 2002. FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. GALDURÓZ, J.C.F.; NOTO, A.R.; CARLINI, E.A. V levantamento nacional sobre o consumo de drogas psicotrópicas entre estudantes do Ensino Fundamental e Médio da rede pública de ensino nas 27 capitais brasileiras. São Paulo: Cebrid, Universidade Federal de São Paulo, 2004. GANDOLFI, E.; ANDRADE, M. da G. G. Eventos toxicológicos relacionados a medicamentos 38 no Estado de São Paulo. Revista de Saúde Pública, v.40, n.6, p.1056-1064, 2006. Geneva: WHO, 1998. Disponível em <http://www.who.org>. Acesso em 10/10/2011. KVALE, S. Interviews: an introduction to qualitative research Interviewing. Califórnia: Sage Publications, 1996. LARANJEIRA, R. et al. I Levantamento nacional sobre os padrões de consumo de álcool na população brasileira. Brasília: Secretaria Nacional Antidrogas, 2007. MARTÍN, M.A.L. et al. La prevención del consumo de drogas y la conducta antisocial en la escuela: análisis y evaluación de un programa. Madri: Universidade Santiago de Compostela, Ministerio de Educación y Cultura, Ministerio de Sanidad y Consumo, Ministerio del Interior, 1999. MINAYO, M.C.S. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em Saúde. 8.ed. São Paulo: Hucitec, 2004. MOREIRA, F.G. Prevenção do uso indevido de drogas: avaliação de conhecimentos e atitudes dos coordenadores pedagógicos das escolas públicas de ensino fundamental da cidade de São Paulo. 2005. Tese (Doutorado) - Universidade Federal de São Paulo, São Paulo. 2005. MOREIRA, F.G.; SILVEIRA, D.X.; ANDREOLI, S.B. Situações relacionadas ao uso indevido de drogas nas escolas públicas da cidade de São Paulo. Rev. Saude Publica, v.40, n.5, p.810-7, 2006a. ______. Redução de danos do uso indevido de drogas no contexto da escola promotora de saúde. Cienc. Saude Colet., v.11, n.3, p.807-16, 2006b. NÓVOA, A. Os professores na virada do milênio: do excesso dos discursos à pobreza das práticas. Educ. Pesqui., v.25, n.1, p.11-20, 1999. 39 PATTON, M.Q. Qualitative evaluation and research methods. 3.ed. London: Sage Publications, 2002. RICARDO, E. C. Competências, interdisciplinaridade e contextualização: dos Parâmetros Curriculares Nacionais a uma compreensão para o ensino das ciências. Tese de doutorado em Educação Científica e Tecnológica, Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, 2005. SANCHEZ, Z.V.D.M.; OLIVEIRA, L.G.; NAPPO, S.A. Razões para o não-uso de drogas ilícitas entre jovens em situação de risco. Rev. Saude Publica, v.39, n.4, p.599-605, 2005. SANCHEZ, Z.V.D.M. et al. O papel da informação como medida preventiva ao uso de drogas entre jovens em situação de risco. Cienc. Saude Colet., v.15, n.2, p.62130, 2009. SANTOS, W. L. P.; O Ensino de Química para formar o cidadão: principais características e condições para a sua implantação na escola secundária brasileira. Dissertação de Mestrado. Faculdade de Educação, UNICAMP, 1992. SANTOS, W. L. P.; MORT MER, E. F. Uma análise de pressupostos teóricos da abordagem CT- S (Ciência – Tecnologia – Sociedade) no contexto da educação brasileira. Revista Ensaio – Pesquisa em Educação em Ciências, v.2, n.2, 2002. SCHENKER, M.; MINAYO, M.C.S. Fatores de risco e de proteção para o uso de drogas na Adolescência. Cienc. Saude Colet., v.10, n.3, p.707-17, 2005. SCIVIOLETTO, S.; MORIHISA, R.S. Conceitos básicos em dependência de álcool e outras drogas na adolescência. J. Bras. Depend. Quím., v.2, n.1, p.30-3, 2001. SOARES, C.B.; JACOBI, P.R. Adolescentes, drogas e aids: avaliação de um programa de prevenção escolar. Cad. Pesqui., v.109, s/n, p.213-37, 2000. 40 SODELLI, M. A aborgadem proibicionista em desconstrução: compreensão fenomenológica existencial do uso de drogas. Cienc. Saude Colet., v.15, n.3, p.63744, 2010. ______. A prevenção em nova perspectiva: ações redutoras de vulnerabilidade ao uso nocivo de drogas. Rev. Port. Int. Saude Mental, v.9, n.2, p.3-58, 2007.