ESTADO DO RIO DE JANEIRO: SINGULARIDADE DE UM CONTEXTO TERRITORIAL Fany Davidovich" State of Rio de Janeiro: particularities In the context of lhe Brazilian federation, the state of Rio de Janeiro of a Brazilian territorial spatial presents some irnportant particularitics. On lhe one hand, it is characterized by a and points to some importam problems and paradoxes which are now evident in lhe state 's spaiial 1. Uma introdução • a primeira nistrativa conferida delas diz respeito pela Constituição certo grau de autonomia Território basicamente resses que convergem espaço delimitado simbólico introduzem de um pertencer ao tema neste trabalho: à nova situação política, jurídica e admide 1988 aos estados, o que pressupõe um de sua espacialidade à atuação para a apropriação, e institucionalizado - cultural eeonomy. ao tema considerado e a afirmação referenciado Irorn lhe past still After presenling lhe maio tenets of lhe state 's spatial organization, the author diseusses lhe impacts causeo by rccent eeonomic rcstrueturi ng both on the state as a whole and on the metropolitan area in particular, very higb degree of demographic concentration in a single region - the metropolitan arca of Rio de Janeiro - which also aecounts for a disproportionate sharc of lhe state's econornic activiLies. On lhe othcr, it constitutes a territory whcrc Duas observações forms inherited play an importam role. unit de agentes o controle como e de redes de inte- e o uso político e que, em tese, envolve coletivo território. a aquele de um uma dimensão espaço. • uma segunda observação considera a configuração desse território não como mera descrição das linhas que o modelam, mas como representação de um contexto sócio-espacial, no qual se conjugam marcas pretéritas e recen- • Geógrafa. Observatório de Políticas Urbanas e Gestão Municipal (lPPUR/UFRJ) Versão do trabalho apresentado no VIlI ENCONTRO NACIONAL DA ANPPUR - Porto Alegre - 24 a 28 de maio de 1999. 10 Revista Território, Rio de Janeiro, ano V, n" 9, pp. 9-24, jul./dez., 2000 tes de processos macro, inclusive de escala global sobre processos locais e, também, as condições do meio físico. A idéia da singularidade do território fluminense tem apoio em algumas pontuações. Alude-se ao domínio da concentração metropolitana e à prevalência de marcos da ocupação histórica e do legado da divisão territorial do trabalho da fase urbano - industrial, grosso modo instaurada no período de Getúlio a Geisel. Alude-se também à falta de laços históricos de solidariedade e de pertencer coletivo da população no novo Estado do Rio de Janeiro. A exposição vai considerar os elementos do contexto territorial, que compreendem a configuração espacial e implicações da reestruturação em curso, seguidos das relações da cidade do Rio de Janeiro nesse contexto. 2. Elementos do Contexto Territorial do Estado do Rio de Janeiro 2.1. Singularidade da configuração espacial. Uma primeira observação faz assinalar o domínio do território por um perfil de centralização e de concentração de população, atividades e recursos; um perfil que, desde o passado remoto, se afirmou na cidade do Rio de Janeiro, acentuando-se com o papel de capital do país e com a função portuária, e culminando com a situação de metrópole. Coloca-se, assim, em questão como se definiu o conjunto de cidades ante esse perfil e como se define hoje, em face do porte de uma concentração metropolitana, que já superou a 10 milhões de indivíduos, e que reúne cerca de 80% da população urbana de um estado de pequena extensão territorial (43.900 Km2), onde 95% dos habitantes vivem em cidades e vilas. Nessa macrocefalia urbana, ímpar na federação brasileira, reconhece-se uma das singularidades do contexto urbano e territorial do estado do Rio de Janeiro. Uma representação frágil da rede de cidades no território fluminense, remete, assim, a seu processo de formação histórica. De maneira abreviada, assinala-se que a centralização, exercida pela cidade do Rio de Janeiro foi condicionada por alguns fatores, desde os tempos de colônia. Com efeito, a penetração do interior encontrou di ficuldades decorrentes do relevo acidentado, da massa florestal, dos pântanos, além das levantadas pelos ataques indígenas; dificuldades essas que contribuíram para circunscrever interesses da coroa portuguesa naquele lugar, como um posto avançado no Atlântico Sul, descartando, por longo período, a ocupação efeti va da capitania. Acresce que a condição do Rio de Janeiro como Cidade Real, até fins do século XVII, significou dependência de recursos escassos controlados pela côrte e falta de meios próprios para promover o povoamento, ao contrário do que ocorreu com Estado do Rio de Janeiro: as capitanias Singularidade de Pernambuco a liberação de iniciativas atividades e de São Vicente mercantis, da cana-de-açúcar pequenos entrepostos e povoados. ascensão da economia açucareira, o norte (São Paulo), concedida econômicas ver a "plantation", 11 de um Contexto Territorial que contaram pelos respectivos donatários. Campos foi exceção; da província, As à criação de e do ouro deram ensejo porém de recursos com mas no período escassos com seus ricos de para desenvol- solos de massapé, permaneceu, por quase um século, nos domínios do que é hoje, o estado do Espírito Santo. A ligação terrestre daquela cidade com a capital do Império, o Rio de Janeiro, realizou-se, de fato, através da estrada de ferro, já em meados do século XIX, o que implicou tinha com o porto de Macaé. O planalto fluminense somente a marginalização conheceu esteve à frente da revitalização que também ros e de algumas localidades. do circuito ocupação de antigos Mas características efetiva que man- com o café, portos ou embarcadou- dessa economia na antiga província, que, entre outros elementos, se baseou no trabalho escravo, não favoreceram a formação de uma rede de cidades do porte da que se elaborou em São Paulo. setor financeiro A economia cafeeira e da comercialização, deu, porém, ensejo à concentração do bem como à expansão portuária e a da produção imobiliária na cidade do Rio de Janeiro, somando-se ao papel políticoadministrativo que exercia como sede do governo nacional. Com a decadência do café, o capital junto às terras economia passou a ser empregado hipotecadas aos bancos, em atividades emprestaram da cidade do Rio de Janeiro. O legado especulativas, um caráter da configuração que à particular espacial do que é hoje o Estado do Rio de Janeiro leva a considerar, ainda, o papel que agentes específicos desempenharam na organização urbana e industrial. Deve ser assinalada a ação particular que tiveram a empresa estatal e as políticas federais, com sede de decisões na cidade do Rio de Janeiro por muito tempo, e, mais tarde, em Brasília. A atuação da empresa siderurgia, álcalis, em períodos na petroquímica, Companhia Redonda Siderúrgica (1941), ção política no petróleo, Estado país. Torna-se, presa estatal o investimento deste modo, aplicações na sucessivos na produção de A implantação da nuclear. a criação depauperada, de uma cidade, então válido observar nacional. governado pejo deve ser referenciado, do vale, já então servido que despontavam Volta inclusi ve a da valoriza- Mas um fator relevante para fazer do Estado de interesse basicamente, expl icações diversas, de economia da República. contribuiu na energia que incluiu à posição estratégica São Paulo e Rio de Janeiro, envolveu, e investimentos Nacional, tem encontrado de um genro do presidente certamente, estatal distintos, por ferrovia, como os principais até que ponto entre mercados a atuação da em- do Rio uma base logística Lembre-se, também, do para que Volta Redonda 12 Revista Território, Rio de Janeiro, ano V, n' 9, pp. 9-24, jul./dez., 2000 e Angra dos Reis foram erigidos em municípios de Segurança Nacional, assim permanecendo até os anos 80. Mas, além do papel da empresa estatal, cabe igualmente considerar o que representou o aporte tecnológico de velocidade, então concretizado pelas rodovias implantadas com o Programa Federal de Estradas de Rodagem, na década de 50. A abertura da Rio-São Paulo (BR-116), da BR-10l e do novo traçado da BR-040 ampliou a "fluidez" do espaço, propiciando maior mobilidade ao capital e ao trabalho; assim a construção naval, que tem raízes históricas na baía de Guanabara, atraiu a japonesa Ishika wagima às suas margens, mas a holandesa Verolme pode instalar-se em Angra dos Reis; a fábrica de vagões da Companhia Santa Matilde estabeleceu-se em Três Rios, na direção de Minas Gerais, onde também foi contemplada a cidade de Conselheiro Lafaiete. É preciso, contudo, salientar que as novas vias de transporte e circulação atenderam, em grande parte, ao objetivo de diminuir a distância do Rio de Janeiro com São Paulo. A abertura da rodovia Presidente Dutra representou o vetor mais importante, favorecendo a instalação de metalúrgicas de menor porte e do investimento estrangeiro em alguma diversificação de indústrias. Vale reconhecer, assim, que um processo de desconcentração industrial, basicamente referenciado à empresa estatal e ao capital internacional, teve então lugar, a partir de sedes de empresas localizadas na cidade do Rio de Janeiro. O que importa ressaltar é que as atuações mencionadas deram respaldo a uma organização urbana e industrial que não corresponde mais a de uma rede urbana tradicional, já que prevalece urna estruturação territorial em eixos: o de Médio Vale do Paraíba do Sul, os do Litoral Sul e do Litoral NOIte, e o da Rio - Juiz de Fora; orientação que visou, primordialmente, a aproximação da cidade do Rio de Janeiro com São Paulo. A grande indústria também contribuiu para a estruturação do espaço metropolitano, antes mesmo de seu reconhecimento oficial. Cabe, portanto, lembrar do papel de antigos estabelecimentos têxteis, que a expansão urbana expulsou para fora da cidade; ou de indústrias que sofreram extinção ou paralisação, a exemplo, respectivamente, da Fábrica Nacional de Motores e da construção naval; mas cabe aludir às que permaneceram, como a Refinaria Duque de Caxias e a Refinaria de Manguinhos, ou as da área metalúrgica, em torno de Santa Cruz e de Sepeti ba, favorecidas com a abertura da BR -10 1. Vale além disso observar que, até a fusão dos dois estados, a Baixada Fluminense, enquanto periferia da cidade do Rio de Janeiro, se encontrava em outra unidade da federação, constituindo uma área de economia decadente e desprovida de infra-estrutura, o que teria se constituído em um entrave à expansão industrial da então capital da República, quando comparada à situação de São Paulo. Estado do Rio de Janeiro: Singularidade de um Contexto Territorial 13 Acresce que a Zona Serrana, no entorno imediato da região metropolitana, não se mostrou propícia à instalação da indústria de bens de capital, lá prevalecendo a têxtil, as confecções e os alimentos. Nesse processo de estruturação do contexto territorial, aqu i apenas condensado, é possível admitir que o espaço beneficiado pelas rodovias federais e organizado em eixos, representaria numa extensão da metrópole, o chamado Espaço da Metropolização (Davidovich, 1978). Espaço esse que pode ser definido no limite de tempo de pouco mais de duas horas, a partir da capital, pelo asfalto e onde se faz mais intensa a presença da metrópole. Tal área contou, ainda, com a pavimentação das rodovias Niterói-Rio Bonito e RioTeresópolis, além da RJ-I06, que favoreceu o eixo do litoral norte. Nesse espaço alguns dos antigos portos e cidades passaram a se posicionar como pontos de apoio da metrópole, superpondo-se a funções de central idades de lugares, os quais somente tiveram impulso com a passagem do café em terras fluminenses e com o advento da ferrovia. Barra Mansa, por exemplo, teve sua origem ligada ao café e à produção leiteira; cresceu, porém a partir da posição de entroncamento ferroviário, que até hoje marca sua paisagem urbana; a metalurgia introduziu uma nova conotação à cidade, que se ampliou com a criação da Companhia Siderúrgica Nacional e de Volta Redonda e com a conurbação que se formou entre os dois centros. Na porção norte e noroeste do Estado, que enfrenta difíceis condições econômicas, preservou-se de algum modo o padrão de lugar central, projetando a cidade de Campos dos Goitacazes como centro regional. É curioso observar as resistências à modernização que aí tem se manifestado, deixando transparecer traços de uma sociedade conservadora; alude-se, por exemplo às reações à implantação do Pala Petroquímico do Rio de Janeiro que ocorreram em Campos e também em Macaé, ao contrário da competição que se travou entre as prefeituras de Duque de Caxias e de Itaguaí, ambas na região metropolitana, para atrair aquele investimento. É também curioso observar li divisão territorial do trabalho da indústria no Estado do Rio de Janeiro. Na porção norte e noroeste prevalecem atividades distintas das que se localizaram no centro e no sul do território, a saber: o extrativismo mineral, principalmente a produção do petróleo e do gás natural; os minerais não-metálicos, principalmente a produção de cimento; a indústria de alimentos, principalmente a produção do açúcar. Essa representação do território fluminense submete-se a um processo recente de reestruturação, deslanchado com as crises do estado e da economia, com as injunções da nova ordem econômica mundial e com os termos da Constituição de 1988. Revista Território, 14 ruo de Janeiro, ano V, n" 9, pp. 9-24, jul./dez., 2000 2.2. Implicações da Reestruturação. A. Implicações no espaço da Metropolização Uma primeira observação se refere ao avanço do capital imobiliário, majoritariamente nacional, atendendo à expansão do turismo, do lazer e da segunda residência, em oposição à paralisação de indústrias, aram com a política de substituição de importações. que se benefici- Tal mobilização sobressai no eixo da Rio-Santos, através da multiplicação de hotéis e pousadas, de "resorts" e condomínios de luxo, de marinas e loteamentos, opondo-se ao estancamento relativo que se estendeu da Usina Nuclear e do estaleiro Verolme à Valesul, já na orla da região metropolitana, bem como às lentas construção operações que da ponte Rio-Niterói para a Região tem cercado facilitou o porto de Sepetiba. o avanço do investimento dos Lagos e a Costa do Sol, aproveitando, A imobiliário também, a oferta de loteamentos que se sucedeu ao aterro de salinas e à desativação da Companhia Nacional de A\calis. Mais ao norte, o litoral ganha outra feição com a base de operações submarinas da Petrobras, na bacia de Campos. Implicações da reestruturação em curso envolvem, também, o processo de privatização, que tem sido liderado pelo Estado do Rio de Janeiro. Esse processo detém uma representação e um expoente mencionado fábrica na Companhia o ingresso de vidros planos específica Siderúrgica do capital Nacional. privado da Guardian, eixo do Médio Vale do Paraíba 110 Paralelamente, internacional ou a instalação no Estado: de montadoras deve ser veja-se a de veí- culos, transferidas dos países de origem com demanda saturada, que contemplou Resende com a fábrica de caminhões e ônibus da Volkswagen e que anuncia a da Peugeot-Citroen, no município de Porto Real. A título de observação, de veículos ocorrendo no Estado vale assinalar que a instalação de novas montadoras do Rio de Janeiro fora da região metropolitana. congestionamento e aos elevados pole, às facilidades ção, à política custos proporcionadas, de incentivos expressa Processo localizações de reprodução num determinado fiscais oferecida que estão esse que pode reportar-se pelos no espaço ao da metró- momento, pela circula- municípios, entre outros fatores. ImpOJ1a porém observar que tais localizações se referenciam às principais metrópoles do país: além do Rio de Janeiro, São Paulo, que já contava com uma instalação fábrica de veículos em Taubaté, vai ser contemplado com uma da Toyota em lndaiatuba, municípios que integram o espaço da metropolização está acertada estabelecer do país, espaço da metrópole paulistana; em Minas Gerais, para Juiz de Fora, mas um outro projeto em Pouso Alegre. a indústria da própria automobilístico vai se Cabe, levar em conta que em outras metrópoles automobil ística região a Mercedes-Benz metropolitana, representa um fator em conjugação de estruturação com a petroquírnica; do Estado do Rio de Janeiro: pode-se considerar na região Singularidade de um Contexto que este "modelo" metropolitana afirmou-se do Rio de Janeiro, zonte e, hoje, em Curitiba, Salvador Territorial 15 em São Paulo, frustrando-se, mas se reproduziu e Porto em Belo Hori- Alegre. Do que foi até aqui exposto, é possível depreender que o processo de reestruturação tem se ajustado à configuração espacial legada, em seus grandes traços. Envolve, região metropolitana B. Mudanças No espaço buscam porém, mudanças no perfil e na dinâmica municipal. no perfil urbano para na estrutura da e metropolitano. da mctropolização, apareI har-se de cidades, mudanças enfrentar tempos tem lugar de competiti em cidades vidade que crescente, envolvendo medidas de produtividade, e fazendo sobressair aquelas que dispõem de melhor infra-estrutura e recursos técnicos, inclusive automação, que adotaram contratos flexíveis de trabalho e normas de controle ambiental. Ou seja, são cidades que se capacitam para diminuir custos de produção. Poderiam, hoje, ser definidas, não só como pontos de apoio da metrópole, das empresas nela sediadas, mas como nós de articulação de um contexto que tem em mira a economia sobressaem, da globalização. como lugares de-se a Resende te a considerar das relações concorrente. Nessa mais atraentes e Volta Redonda, a Macaé é que, no uso do território, com São Paulo, já que perspectiva, algumas para a realização e Petrópolis. não prevalece o Mercosul cidades de negócios: Um aspecto alu- relevan- mais o privilegiamento desponta como um alvo O que cabe ainda comentar a respeito da alteração do uso desse território baseia-se, teoricamente, na idéia de que o aumento de mobilidade de agentes zação" e de recursos, que nele tem lugar, implicaria e "homogeneização" complexa do espaço, matriz de serviços: de crédito, numa relativa dado o necessário de finanças, "padroni- atrelamento de instituições, a uma além do apoio tecnológico e dos recursos humanos, dos transportes e telecomunicações. No Rio de Janeiro, essa matriz tem concentração na metrópole, ou melhor, na cidade central, onde se processam, inclusive, os principais acertos e negocia- ções em torno de projetos e empreendimentos; assim, é na cidade do Rio de Janeiro que se reúnem personagens que tratam da instalação da Peugeot Citrõen no estado do Rio, desde representantes da empresa e da prefeitura de Porto Real, prestadores aos da Telerj, de serviços da Embratel, de infra-estrutura os que se referem ao setor financeiro, o Codin e outros. da Rio-Gás e do porto que vão participar como o BNDES, de Sepetiba, do projeto, e ainda o Banco Interatlântico, Mas, não é demais reconhecer que é, na metrópole, que as mudanças e a reestruturação se revelam mais complexas, já que envolvem novas funções 16 Revista Território, Rio de Janeiro, ano V, n" 9, pp. 9-24, jul./dez., 2000 e tendências do espaço metropolitano. Sustenta-se a idéia de que essas transformações estariam sinalizando formas de ajuste ao mercado global, em consonância com a posição que as grandes metrópoles da América do Sul detém como os elos principais de articulação; posição essa que certamente influiu para inscrever algumas delas no projeto de uma rede urbana internacional, como a das Megacidades. No caso das metrópoles brasileiras, Rio de Janeiro e São Paulo, em particular pode-se dizer que estar.iam deixando de ser a sede da produção propriamente dita, como sucedeu no auge do processo urbano industrial, para se posicionarem como centros de controle e gestão, e palas de serviços avançados, que atendem aos interesses da grande empresa. Certas iniciativas sinalizariam ajustes da metrópole: • vale considerar, por exemplo, a expansão de uma "linguagem padronizada" que visa facilitar a comunicação e o acesso aos negócios globais e à circulação do capital, de bens e serviços; uma linguagem comum, portanto, representada pela adoção de um mesmo conjunto de técnicas, que envolvem sistemas de comercialização e gerenciamento, de "marketing" e publicidade, de agências reguladoras e outros; requisitos de velocidade e de instantaneidade encontram um apoio no avanço tecnológico que decorre da inserção do país e da região metropolitana no paradigma tecnoeconômico das tecnologias da informação, citando-se a Embratel e o Teleporto que pretende sustentar sofisticados sistemas de transmissão de dados, além de várias empresas de telefonia estrangeiras. • é preciso aludir, também, ao significado de políticas de renovação urbana na cidade do Rio de Janeiro e de saneamento na Baixada Fluminense, cabendo citar, entre outros, os projetos Rio-Cidade, Favela-Bairro, Reconversão Rio, Pró-Sanear, e Baixada Viva(Atual Nova Baixada) que envolvem atuações da prefeitura e do governo estadual. O vetor velocidade encontra, também, expressão na construção de novas artérias de circulação terrestre, no interior do espaço metropolitano, fazendo de algum modo evocar a aplicação do urbanismo de Corbusier, que ressaltou o papel da rodovia como uma linha de montagem do território da metrópole: a Linha Vermelha e a Via Light, iniciativas do governo estadual e a Linha Amarela, empreendida pelo governo municipal, são vias expressas que, entre outras impl icações, facilitam a ligação do Aeroporto Internacional e da Baixada Fluminense com a Zona Sul, Barra da Tijuca e Rio Centro. Tais considerações levam a observar tendências de uma setorialização da região metropolitana do Rio de Janeiro. Um primeiro setor deve ser referenciado à cidade do Rio de Janeiro. A capacidade tecnológica, política e cultural que acumulou na função de capital do país, representa um acervo e uma base importante para o desenvolvimento Estado do Rio de Janeiro: Singularidade de um Contexto Territorial 17 das áreas de "rnarketing", publicidade e consultoria, para a implantação de novos sistemas de comercialização e gerenciamento, que representam meios para facilitar a livre circulação do capital e das mercadorias, reclamada pela atual ordem econômica internacional. Além disso, vale acrescentar o suporte técnico que a cidade do Rio de Janeiro tem apresentado para áreas do petróleo e das telecomunicações. Mas é preciso considerar, também, a posição que o município conquistou com a Constituição de 1988 como ente federativo, no que uma projeção particular pôde ser adquirida pela cidade central da região metropolitana, que tem se refletido em mobilizações pela autonomia de recursos e fortalecimento das receitas. Em síntese, vale considerar que, em tais perspectivas, despontam objetivos de um desenvolvimento endógeno (aliás, defendido no Plano Estratégico da Cidade do Rio de Janeiro). Niterói representa um segundo setor na reestruturação do espaço metropolitano. Influi, certamente, o legado político-administrativo da função de capital do antigo Estado do Rio e a vigência de indicadores de uma qualidade de vida elevada, atribuída a administrações públicas bem sucedidas, mas que também decorre das limitações de uso do solo urbano, introduzidas pelo valor do imposto territorial urbano, (IPTU) que determina certa elitização do espaço urbano. Um terceiro setor diz respeito a uma outra escala espacial, a do agregado de municípios da Baixada Fluminense, onde vive uma população superior a dois milhões e setecentos mil pessoas. A despeito das baixas rendas dominantes, a área tem estimulado a formulação de programas que, em última instância, visam a promoção e a atração de negócios. Inclui-se, nessa perspectiva, o programa Baixada para Investimentos, que, de certo modo, foi precedido pelos trabalhos de saneamento introduzidos pelo projeto Baixada Vi va, e pela expansão de "shopping centers", A identificação dessa porção da região metropolitana como setor se apóia, também, no fato de estar inscrita na alçada do governo estadual, através da Secretaria da Baixada, no que se reproduz, de algum modo, a separação que vigorava entre os antigos Estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, antes do alo da fusão. Caberia, por fim, aludir a uma tendência ainda pouco definida, que envolve a possível conjugação da Zona Oeste do município do Rio de Janeiro com a área do porto de Sepetiba. Tendência que encontrou um respaldo por ocasião da proposta de instalação do Polo Petroqufmico em Itaguaí, quando foram cogitados meios de transporte capazes de operar aquela articulação; frustrada essa iniciativa, perspectivas se mantém com projetos de instalação de indústrias de bebidas e de latas, entre outras. Além da face econômica, o movimento de reestruturação do território reveste-se, também, de uma face política, encontrando expressão em mudanças que ocorrem na malha municipal, fazendo considerar a importância do jogo 18 Revista Território, Rio de Janeiro, de interesses políticos e eleitorais e a do controle difusão da presença do governo. C. Mudanças criação ano V, n" 9, pp. 9-24, jul.zdez., 2000 do território, mediatizado pela na malha municipal. A dinâmica do município, envolve diferentes processos que incluem à de novas unidades, geralmente através do desmembramento de distri- tos. Em 1991, o Estado do Rio de Janeiro contava com 70 municípios, atingiu a 81 unidades; em 1997, já havia instalação. Nessa alteração taram agentes importantes 83 municípios em 1996, instalados da malha fluminense, indústria na medida das interferências e 8 em e turismo represenque produzem em movimentos da população, na estrutura de lugares, na alteração de organizações tradicionais, seja pela presença física do estabelecimento, seja pela influência que irradia para áreas vizinhas, constituindo-se em fator de atração de mão-de-obra e do abandono de atividades rurais em distritos e municípios próximos. Mas, a valorização imobiliária na cidade da(s) fábrica(s) e do turismo tende a pressionar a saída de trabalhadores que vai aumentar o contingente de vilas ou contribuir para a formação de manchas esparsas de ocupação ao longo de rodovias, como é possível observar em Piraí, Valença, Nova Friburgo e outros. A criação de novos grande propriedade, principalmente concentração fundiária creditícias do governo. Italva, desmembrados originado municípios expressivo gistraram de Campos de São Francisco e de outros da fragmentação fluminense, tantos. dos Goitacazes, do Itabapoana, Tal dinâmica já que numa parte significativa estagnação demográfica, perdas em números crescimento no norte e noroeste do município da população, pios) tem exibido também, que, num dado período, foi incentivada São, de certo, os exemplos de Cardoso de Natividade, Jesus do Itabapoana decorre, anual (CIDE, absolutos. 1995/96), a partir da por políticas Moreira e de de Varre-Sai, a partir de Bom não implicou aumento dos centros (municí- a que se acrescentam Quanto da os que re- à taxa média geométrica o valor máximo de 10,74% de registrou-se em Armação de Búzios, na região das Baixadas Litorâneas e o valor mínimo, de -6,27%, no município de Cardoso Moreira, situado no Norte Fluminense. Importa, considerar que o tamanho do centro se associa à dimensão das funções econômicas e sociais. Taxas geométricas de crescimento anual maiores que cidades zero que exibem de pequeno sariam, e menores ati vidades econômicas porte, processos via de regra, médias geométricas precárias presentes negativas em grande mais importantes. de estagnação condições social, que se fazem também te. Taxas I % tem se registrado que e de perdas de sustentabilidade das Mas, em centros demográficas em alguns municípios de crescimento parte expres- econômica de criação recen- anual se apresentam e Estado do Rio de Janeiro: Singularidade de um Contexto Territorial 19 em Cambuci, São José do Itabapoana, São José do Ubá ou Cardoso Moreira; e também em Cantagalo, na zona serrana, Paraíba do Sul na região Centro Sul e em Rio das Flores no Médio Vale do Paraíba. A reestruturação em curso pode induzir ao desenvolvimento de novos nexos e articulações no território fluminense. Mas, vale considerar o movimento de população em busca de trabalho e de sobrevivência; algumas cidades se constituem em focos de atração de deslocamentos pendulares da mão-de-obra, residente em outros lugares. Volta Redonda é o polo principal, hoje, um destino nem sempre bem-sucedido para trabalhadores que, diariamente, partem de Piraí, Rio das Flores, Valença e outros centros. Cabe, então observar até que ponto nexos que envolvem condições precárias de vida urbana e de relações de trabalho, marcos da luta pela sobrevivência nesse contexto, se constituem em um circuito específico de articulação do território que se realiza à margem dos eixos de organização urbana e industrial. Vale, portanto, colocar em causa a singularidade de um Estado em que a cidade do Rio de Janeiro representou um pilar político e cultural no processo histórico do país e que, se defronta com situações certamente paradoxais. É sob tal enfoque que são introduzidas as observações finais. 3. Observações finais Paradoxos no contexto territorial do Estado do Rio de Janeiro, podem ser referenciados a situações de tensão permanente, ainda que instável, caracterizadas pela convivência de confrontos, de problemas e de contrários. Nos limites desse texto pretende-se introduzir duas considerações: a primeira diz respeito à perda de velocidade de que tem se ressentido o Estado do Rio de Janeiro; a segunda se reporta à posição singular da cidade do Rio de Janeiro. 3.1. Um contexto territorial com perda de velocidade. Tal enfoque tem como referência principal a fragilização da economia estadual, agravada em face de tempos exigentes de velocidade, decorrentes dos requisitos de competitividade. Perdas de velocidade no território fluminense, encontram expressão particular em problemas que afetam o Custo Brasil. Um dos gargalos corresponde, de certo, à situação da Construção Naval. A quebra generalizada das empresas nacionais e dos estaleiros gerou evasão de receitas e de emprego, atingindo o Estado do Rio de Janeiro, em particular. Por motivos vários, frustrou-se um setor, cuja tradição, nessa Unidade da Federação, remonta ao século XVII e cujo desempenho, nos anos 60, atraiu investimentos do Japão e da Holanda, como houve oportunidade de comentar, anteriormente. Esta seria, portanto, uma situação de paradoxos, em face das potencialidades 20 Revista Território, Rio de Janeiro, ano V, n" 9, pp. 9-24, jul./dez., 2000 do país e do Rio de Janeiro para o relevante papel que o transporte marítimo vem desempenhando no comércio mundial e em face dos elevados custos das cargas rodoviárias que trafegam entre Belém do Pará e o porto do Rio Grande (RS). Ao lado da efetivação das Leis dos Portos (8.630/93 e 9.432/97), o Mercosul pode representar um estímulo para a recuperação do setor; mas, um desafio maior tem sido colocado na capacidade de integração logística de navios, portos, rodovias e ferrovias, afim de assegurar aumento de competi tividade. Perdas de velocidade remetem também às dificuldades de estruturação do porto de Sepetiba, visando convertê-lo no principal receptador e distribuidor de contêineres do Atlântico Sul, e atender a todo o continente e ao Mercosul, em particular. A essas injunções se acrescentam as condições dos eixos territoriais, que emprestam uma configuração particular ao Estado. O respaldo material desses eixos são rodovias implantadas há muitas décadas, submetidas a grande desgaste e a uma escassa introdução de melhorias. A baixa conectividade rodoviária tem sido um dos fatores de perda de investimentos no Rio de Janeiro, respondendo pelo encarecimento do frete e pela redução do espaço dedicado à atividade agrícola, dado as dificuldades de escoamento da produção. Pesquisas e estudos tem mostrado que o custo operacional das estradas de rodagem no Estado é 31 % superior ao de outras unidades da federação, juntando-se às deficiências nos serviços de energia elétrica e de telefonia. Perdas de velocidade no território fluminense também devem ser referidas à participação do Estado no orçamento da União; em 1997, ao Rio de Janeiro coube o menor montante de investimentos por habitante, comparado a Minas Gerais, Ceará, Mato Grosso e Distrito Federal: R$ 12 versus R$ 79, neste último. Ainda no mesmo ano, o Estado do Rio de Janeiro registrou o total mais baixo de investimentos executados, considerando São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná: R$ 16] .503.000 versus R$ 350.850.000 em São Paulo. A esses dados, acrescenta-se um déficit operacional exagerado, de R$ 2,7 bilhões, em 1997, ou seja, de 4% do produto interno bruto do Estado. 3.2. A posição particular da cidade do Rio de Janeiro no contexto territorial fluminense. Além da dimensão da concentração metropolitana, cabe considerar alterações que tem se processado na projeção subnacional e nacional da cidade do Rio de Janeiro. Uma situação de perda pode ser identificada no considerável recuo de sua área de influência tradicional que envolvia grande parte dos Estados de Minas Gerais e do Espírito Santo, onde se firmou a penetração e a concorrência de São Paulo - além disso, Belo Horizonte, Juiz de Fora ou Estado do Rio de Janeiro: Vitória Singularidade posiçoes urbanas adquiriram relais da ex-capital da República. 21 de um Contexto Territorial novas, deixando de ~er meros Mas por outro lado, é possível centros afirmar que a cidade do Rio de Janeiro consolidou posição como uma base da ação logística de grandes empresas e instituições que nela tem sede: BNDES, PETROBRAS, CVRD, CSN e outras. Vale assinalar, também, a representatividade dos mais importantes fundos Brasil, da Câmara de pensão no país, a presença de Comércio dades multinacionais. Brasil-Estados O Rio de Janeiro da Xerox Unidos e da IBM do e de importantes tem, assim, reforçada enti- uma posição de praça de intermediação de decisões, cuja projeção se estende ao país e ao continente latino-americano. Atuação de âmbito nacional, que foi sempre priorizada na cidade apontariam, mica mundial. Janeiro do Rio de Janeiro, também, Pode-se, notar, assim, tem se constituído rior do governo encontra, para seu papel nos ajustes federal portanto, que a Associação em tribuna reafirmação, Comercial para pronunciamentos sobre grandes mas, do país à nova ordem econô- problemas do Rio de do escalão nacionais supe- e internacionais. Tais atributos contrastam, porém, com situações identificadas como paradoxos, decorrentes da distância entre o nível de projeção assumido e condições vigentes no próprio significado espaço da cidade do déficit de moradia, vivendo em favelas, loteamentos tes. Ou da crescente favelização a população carioca e no território registrou estadual. que se reporta Vale considerar a dois milhões o de pessoas irregulares e conjuntos habitacionais decadenque tem lugar na cidade: entre 1991 e 1996, um aumento de 1,2%; favelas e áreas invadidas acusaram crescimento que, em alguns pontos, superou a 60%. Também não se pode deixar de aludir aos problemas que derivam da violência urbana e da presença ostensi va do poder narcotráfico a autoridade Rio-Cidade, resistência paralelo, e pelo crime organizado, legalmente Pró-Sanear armada Situações instituída. e outros de forças paradoxais, representado, mente, pelo que, cada vez mais, se confrontam com Operações principal dos Programas tem sido impedidas, em certos Favela-Bairro, lugares, pela ilegais. que se definem sobremaneira através dos confron- tos entre a cidade que se instrurnentaliza para a globalização e a maior parte do território, também remetem a indicadores econômicos pouco favoráveis exibidos a extração pelo Estado do Rio de Janeiro. do petróleo e do gás natural, 10,5% em 1997, contrapondo-se tudo na indústria do material A economia aos desempenhos de transporte tem se sustentado que registrou negativos observados (setor naval, principalmente) menos 51 %, na têxtil, com menos 24%, além de outras. tiram na arrecadação do ICMS, já que o Estado participou com um crescimento Tais valores de sobrecom se refle- com menos 9%, em 1997; paralelamente pode ser observado que a retomada do processo industrial no território fluminense tem envolvido reativação de plantas importantes, mas 22 Revista Território, Rio de Janeiro, ano V, n" 9, pp. 9-24, jul./dez., 2000 que já existiam, tais como a fábrica de vagões da Companhia Santa Matilde, a Usina Nuclear em Angra dos Reis, a produção de barrilha, em Cabo Frio e a siderurgia privatizada, representada, principalmente, pela CSN e pela Siderurgica Gerdau. Significa dizer, que a introdução de atividades novas ou inovadoras revela-se limitada. Produtos industriais que figuram na pauta de exportação, tem sido, quase sempre, de baixo valor agregado e traduzem, um perfil industrial de fraca competitividade no mercado internacional, cada vez mais exigente de sofisticação tecnológica. Mas é preciso, ainda, levar em conta que, como capital de uma unidade da federação, a cidade do Rio de Janeiro enfrenta uma situação nova, a de administrar um território perpassado por múltiplos problemas: a disseminação da pobreza, os impasses do porto de Sepetiba, os confrontos entre governo municipal e governo estadual, as dificuldades financeiras. Cabe, além disso, considerar o legado de uma integração territorial precária, que o ato da fusão entre duas unidades político-administrativas, secularmente separadas, não logrou equacionar. Colocam-se, portanto, desafios para a gestão de um território historicamente dividido e com os problemas que apresenta. É, pelo menos, curioso identificar tendências atuais de inversão da di visão do trabalho no território fluminense, em função da posição conquistada pelo extrativismo mineral, na economia do Estado; contribuindo com mais de 30%, a exploração do petróleo e do gás natural passou a se constituir em alavanca dessa economia. Possibilidades de um "neo-intervencionismo" do estado (Rochefort, 1998) tem implicado não mais o monopólio e a centralização do poder, mas a participação efetiva da iniciativa privada com o governo. Planos empresariais para a recuperação econômica do Estado, tendo à frente a Federação de Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan); visam um desenvolvimento integrado do território estadual, com base na identificação das vantagens competitivas de cada região. Á semelhança de políticas realizadas em outros estados, visa-se recuperar o projeto de uma Tecnópolis, desta vez em Petrópolis, apoiado na recente transferência do Laboratório Nacional de Computação Científica do Rio para aquela cidade. Visa-se, também, adotar planos de desenvolvimento de um setor competitivo, como tem sido o da fruticultura, no Nordeste do país. Resta, por fim, questionar até que ponto a cidade do Rio de Janeiro, que se aparelha para fortalecer posições na economia internacional, poderá enfrentar o desafio de modernizar e integrar o território de que é a capital. Significa dizer que tal desafio implica o desenvolvimento do "espaço banal" e em "horizontalidade", seguindo conceitos de M. Santos (1996). Implica portanto, a maximização do aproveitamento da diversidade para a realização de um contexto territorial solidário, não apenas conduzido pela implantação de "focos de competitividade". Em sentido oposto, resta questionar até que ponto será pri- Estado do Rio de Janeiro: Singularidade de um Contexto Territorial 23 vilegiada a situação histórica do legado de separação do território estadual, que poderá acentuar-se com a inserção da cidade do Rio de Janeiro em uma rede de "verticalidades", limitada a metrópoles que pretendem formar uma constelação particular no projeto global, assumido como único e inevitável. Bibliografia ABREU, M. A.,1987 - A Cidade do Rio de Janeiro: evolução urbana, contradições, estratificação social - in Bernardes, 1. A (org.). Rio de Janeiro - painel de um espaço em crise, ICEOIUFRJ, Rio de Janeiro. BERNARDES, L.M.C., 1987 - A Cidade de Campos e o Norte Fluminense, in Bernardes, 1. A . (org.), Rio de Janeiro - painel de um espaço em crise - IGEO/UFRJ, Rio de Janeiro. BITOUN, J., 1997 - O Intra-Urbano: a geografia e o urbanismo. Silva, J.B. et ai. (org.) - A Cidade e o Urbano, temas para debates. Edições UFe, Fortaleza. 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