305
ASPECTOS PA INTERAÇÂO AMIDO/ÂCIDOS GRAXOS NA FORMAÇÂO
DE ESPUMAS AQUOSAS E MINERALIZADAS
1
1
I. D. Ne ves 1 ; S. M. de Assis ; A. E. C. Peres
Estudou-se a influência do amido de milho sobre espumas formadas por soluções contendo óleo de arroz ou tall oil e por polpas de minério fosfático . A altura de espuma formada e a tensão superficial foram os principais parãmetros analisados. O ~
mido de milho, dependendo da dosagem, tanto pode aumentar qua~
to diminuir o volume de espuma formada por soluções de óleo de
arroz. Em polpas de minério fosfático o efeito inibidor do am~
do é mais acentuado. Medidas de tensão superficial indicam um
comportamento sinergístico entre amido e tall oil. Ao ponto on
de ocorre essa interação corresponde um mínimo na altura de es
puma.
ASPECTS OF THE STARCH/FATTY ACIDS INTERACTION lN THE FORMATION
OF FOAMS AND MINERALIZED FROTH
The effect of corn starch on foams formed by rice bran oil or
tall oil solution
and on froths of phosphate ore slurries
was investigated. Froth height and surface tension
were the
major
assessed parameters. Corn starch, depending on the
addition leve!, may either increase or decrease the
froth
volume formed by rice bran oil solution. ln phosphate ore
slurries the inhibiting effect of starch is stronger. Surface
tension determinations indicate
a synergistic
behaviour
between
starch and
tall oil,
the point at which the
interaction occurs corresponding to a froth
height minimum.
1 oepartamento de Engenharia de Minas/Universidade . Federal de
Minas Gerais, ~ua Espírito Santo, 35, Belo Horizonte, MG, Bra
sil, CEP 30160.
306
INTRODUÇ11.0
O amido vem sendo largamente utilizado em processos de
neficiamento mineral. Na flotação, é
um
b~
d~
importante agente
pressor, sendo aplicado em várias usinas ( miné rios
de ferro,
fosfatos, mica, sulfetos de cobre, etc.). Funciona como
depre~
sor de ganga na flotação de rochas fosfáticas e como depress or
de mineral útil na flotação reversa de minérios de ferro(l).
Além de sua ação depressora, o amido também possui características de floculante, atribuídas à sua estrutura ramificada e alto peso molecular(2). t aplicado principalmente na floculação da lama vermelha gerada na produção de alumina pelo
pr~
cesso Baye r, para facilitar a clarificação da ág1.1a.Amidos solúveis em água, de baixo peso molecular, são eficientes
As referências com relação ao efeito
como modoficadores de espuma sao
por
P..ugh (3).
Coelho (6)
Lovell (4),
raras
Ostryi
dispe rsantes.
dos polissacarídeos
Bergenstahl, citado
e Chudakova (5),
Assis e
) . No Brasil, observações pessoais de operadores de
1.1sinas de flotação de fosfato reforçam a idéia de que o
amido
tem uma importante ação como modificador de espuma.
O objetivo deste trabalho é avaliar esta
pro p r i edade
amido, através de testes de estabilidade de espuma bifásica
do
e
trifásica e medidas de tensão superficial.
FATORES QUE AFETAM A ESTABILIDADE DE ESPUMAS (7)
(8)
(9)
A existência de um filme elástico é uma condição necessaria para a produção de espuma mas não é uma condição suficiente para a formação de uma esp1.1ma estável. Para a espuma ser
tável devem estar presentes mecanismos
~ara
retard a r
a
e~
perda
de líquido e gás e para evitar a ruptura da lamela quando subcerta espessura
metida a mecanismos de choque ou quando uma
crítica (50 a 100 ~ ) é atingida.
Os fatores que afetam a estabilidade da espuma são a drenage~ de líquido na lamela,
a dif1.1são de gás através da
lame-
307
la, a viscosidade superficial e a espessura da dupla camada elétrica.
A drenagem do filme pode ocorrer sob influência da gravidade e/ou tensão superficial. A drenagem por influência da
gr~
vidade é importante quando as lamelas são grossas e por efeito
da tensão superficial quando são finas. A viscosidade da solução espumante é o principal fator determinante da
velocidade
por
de drenagem por gravidade em lamelas espessas. A drenagem
pres-
diferença de tensão superficial depende da diferença de
bo-
sao em vãrios pontos na lamela. Quanto maior o tamanho da
lha na espuma, maior a tensão superficial da solução na lamela
e maior a diferença de pressão causando drenagem.
Outro fator determinante da estabilidade da espuma é a
outra
locidade de difusão de gás de uma bolha para
v~
através
da lamela que as separa. A transferência de gás deve ocorrer a
través dos poros aquosos entre as moléculas do
surfatante
na
superfície dos filmes. Maior empacotamento da molécula do surfatante no filme decrescerá a velocidade de difusão do gãs entre as bolhas. A resistência interfacial para difusão
do
aumenta com o aumento do número de átomos de carbono no
hidrofóbico do surfatante e com o decréscimo da massa
gãs
grupo
molecu-
lar do grupo hidrofílico.
A repulsão eletrostática entre os dois lados do filme
da
lamela pode evitar o seu afinamento pelo menos no caso de surfatantes iónicos. A adição de eletrólitos causa compressão das
duplas camadas e létricas associadas com a superfície do filme,
decrescendo
a mútua repulsão e diminuindo
a estabilidade
da
espuma.
As propriedades espumantes de soluções de sur.fatantes podem ser totalmente modificadas pela presença ou adição de
tros materiais orgãnicos. Aditivos que decrescem a
ou-
velocidade
de obtenção da tensão superficial de equilíbrio atuam como estabilizadores de espuma, aumentando a elasticidade · do
decrescendo a concentração micelar crítica
do
filme,
surfatante · e,
308
portanto, abaixando a atividade do surfatante monomérico em so
l~ção.
Alg~ns
aditivos podem
at~ar
como estabilizadores
a~menta~
do a força mecânica do filme superficial . . Filmes mecanicamente
a~mentada
fracos e não viscosos podem ter sua coesão
sença de uma molécula
ne~tra
pela pre-
polar("booster"), não iônica, que
se posiciona entre as porções iônicas das
tante, através da interação íon-dipolo,
moléc~las
enq~anto
do
s~rfa
as cadeias hi
drocarbônicas interagem através de forças de van der Waals.
A
nat~reza
do grupo polar dos aditivos
é
importante, no
sentido de que, quanto maior a habilidade para formar
de hidrogênio com as moléculas do
ág~a,
s~rfatante
ligação
e as moléculas de
maior a viscosidade do filme. A estabilização é maior
ra os aditivos contendo mais
q~e
~m
grupo polar capaz
p~
de for-
mar ligação de hidrogênio.
Existem aditivos
q~e
at~am
formando
~m
novo composto
vés da reação com o s~rfatante. Este composto formado
mais ativo na
s~perfície
q~eos
~m
ant e rior e s e forma
atr~
é muito
filme su-
perficial q~e apresenta maior resistência mecânica.
Os anti-espumantes funcionam substituindo o filme s~perfi
cial por outro tipo de filme. Eles at~am contra os vários fato
res q~e favorecem a estabilização, existindo portanto diversos
mecanismos para explicar
s~a
ação. Dois tipos de
anti-esp~man
te são geralmente ~sados:q~ebradores de esp~ma e inibidores de
espuma.
Os quebradores podem at~ar reduzindo a tensão superficial
em áreas localizadas para valores excepcionalmente baixos,
fa-
zendo com que haja ~m br~sco afinamento e ruptura do filme. P~
dem também promover a drenagem do líq~ido, através
da redução
da viscosidade do filme s~perficial e das forças coesivas
en-
tre ~as moléc~las do surfatante. Geralmente cadeia hidrocarbôni
ca muito ramificada e/ou muito pequena produz coesividade insu
309
ficiente, enquanto comprimento muito grande produz rigidez alta demais para boa elasticidade do filme.
Os inibidores de espuma sao materiais que evitam que a
e~
puma seja formada. Eles atuam eliminando a elasticidade superficial,
produzindo uma superficie que tem uma tensão superfici
a l constante quando sujeita à contração ou expansão. Outros atuam substituindo o filme elástico por um filme quebradiço.
MATERIAIS E MtTODOS
Minério
Para a realização dos testes
de
estabilidade de
com minério foram utilizadas amostras de fosfato
espuma
friável
da
Fosfértil que continha 10% de P o . Esse minério apresentava
2 5
em sua constituição 21% de apatita, 22% de magnetita,
22% de
micas, 12% de perovskita, 10% de quartzo, 5%
de diopsidio, 2%
de calcita/dolomita e outros.
O minério foi moido a 210
~m
em moinho de disco e nao
deslamado. A análise granulométrica realizada
por
via
foi
úmida
mostrou haver cerca de 44% de material com tamanho de particula menor que 37
~m.
Re a gentes
Os r eage ntes surfatantes empregados nos testes de estabilidade e altura de espuma foram o Õleo
de
arroz . industrial,
fornecido pela Fosfértil, e o tall oil purificado produzido
la
I.A.
Enzo-Gutzeit,
=
188; I.S.
caracterizado
=
195; 1.1.
=
através
155 e I.B.
de
seus
p~
indices:
= 17 (10). Ambos
os
reagentes foram saponificados com NaOH.
O amido de milho Colamil, produzido pela Refinações de Mi
lho Brasil, utilizado na maior parte dos testes,
foi preparado
a tra v és de gelatinização com NaOH (relação amido/NaOH de 4/1).
310
Foi também testado o amido solúvel p.a. de marca Reagen, fabri
cado pela Quimibrás, que é um amido de menor
peso
molecular,
pré-gelatinizado. Para controlar o pH, foram utilizadas
solu-
çÕes de HCL e NaOH.
Testes de Estabilidade e Altura de Espuma
Esses testes seguiram tr~s diferentes metodologias que s~
rao discutidas aqui e citadas durante a apresentação dos resul
tados.
 exceção dos testes utilizando-se o aparato
les, nos quais usou-se água destilada, todos os
de Ross-Mioutros
foram
realizados com água de torneira estocada para garantir a mesma
qualidade da água em todos os experimentos.
A temperatura foi controlada somente quando utilizou-se a
à
montagem de Ross-Miles (25°C). Nos outros casos procedeu-se
realizaçio de testes e/ou curvas comparativas em um mesmo
dia
para que nio houvesse variação apreciável da temperatura.
Os testes de estabilidade de espuma em sistemas bifásicos
e trifásicos foram realizados em célula de flotaçâo Denv e r com
utilizaçio de uma cuba de escrubagem de 2,5 litros.
As seguintes variáveis foram fixadas para esses testes:
- pH
=
10
- dosagem de óleo de arroz = 420 mg/1
- % de sólidos na polpa = 30% p/p
- agitaçio da célula
=
1300 rpm.
O seguinte procedimento foi adotado:
1 - adição do minério;
2 - adição do amido com ajuste do pH e condicionamento
por
minutos;
3 - adição de óleo de arroz e condicionamento por 2 minutos;
4 - liga-se a aeração;
5
311
5 - agitação e aeração sao interrompidas quando a espuma atinge o topo da cuba e o período de tempo até o colapso total
da espuma é medido.
Este procedimento descreve todos os testes feitos com
o-
leo de arroz e com o minério. Para os testes sem minério, descarta-se a primeira etapa; para os testes sem amido, descarta-se a segunda; e, para os testes sem amido e minério,
descar-
tam-se as duas primeiras etapas. Não foram analisados produtos
sólidos, nem executados balanços de massa.
Nos testes de altura de espuma em sistema bifásico, em cé
lula de flotação, as variáveis mantidas constantes são as mesmas dos testes de estabilidade. O procedimento adotado muda apenas em relação ao item 5. Aqui
a
agitação
e a aeração não
são interrompidas e a altura da camada de espuma foi medida
2
minutos após o início da aeração.
O aparato de Ross-Miles é padronizado pela Norma Americana ASTM 011 73-75 (11). Trata-se de uma montagem simples, comp o sta de um cilindro graduado de 0,9 m de altura e
0,05 m
de
diâmetro interno. O cilindro é preenchido até a marca de 50 ml
com a solução para a qual se quer observar a formação de espuma. Um volume de 200 ml da mesma solução é colocado em uma ampola que é acoplada ao topo do cilindro. Abrindo-se a ampola
través de uma válvula observa-se a queda da solução
e
~
conse-
quente geração de espuma dentro do cilindro. A altura da coluna de espuma formada foi medida através da graduação
impressa
nas paredes do cilindro. Após a medição, a solução é drenada
~
través da tor~eira do cilindro (10).
Esses testes foram realizados com soluções de amido Colamil e/ou tall oil estocadas em estufa encuba.deira por 1, 5
horas até a temperatura atingir 2soc.
Testes de Tensão Superficial
a
2
312
A tensão superficial foi medida num aparelho denominado ~
nel de Nouy: Fisher Autotensiovat, que é um tensiôrnetro autorn~
tico. Esse aparelho tem um banho que mantém a temperatura
solução em 25°C durante o teste.
da
RESULTADOS E DISCUSSÂO
Estabilidade de Espuma em Sistemas Bifásicos e Trifásicos
Os resultados mostrados na figura 1 representam testes de
estabilidade de espuma utilizando-se 420 rng/1 de óleo de arroz
para diferentes dosagens de amido Colarnil, em sistema bifásico.
Observa-se que a presença de amido acelera a quebra da e~
puma, o que difere dos resultados obtidos
por
Sita Rarn Sarrna
(12) utilizando carboxirnetilcelulose de sódio,
lauril-sulfato
de sódio e lauril-álcool que mostram que o polímero estabiliza
a espuma.
Alguns estudos (5) (6)
indicam, entretanto, que, dependen-
do da dosagem, alguns polímeros podem estabilizar ou desestabi
pela
adi
ção de carboxirnetilcelulose foi atribuído ao retardamento
lizar a espuma. O aumento da estabilidade da espuma
do
processo de drenagem e da velocidade de difusão de
gás
entre
as bolhas pelo aumento da viscosidade da solução do surfatante
(12)
(13). A desestabilização pela ~dição de poliacrilarnida em
dosagem elevada foi atribuída à diminuição da elasticidade
do
filme superficial causada pelo aumento da viscosidade a um nível tal que levou à formação de filme sólido(S).
A figura 2 mostra o efeito do amido na estabilidade da
e~
puma formada pelo óleo de arroz (420 rng/1) em sistema trifásico. Pode-se verificar que na ausência de amido a espuma no
terna trifásico é muito mais estável que no bifásico,
as partículas
si~
ou seja,
minerais estabilizam a espuma. O efeito do ami-
do é mais acentuado no sistema trifásico que no sistema
bifá-
sico. O amido se mostra, segundo a figura 2, bastante eficien-
313
te no controle do excesso de espuma o que, segundo Lovell (4),
pode ser provocado pela alta concentração de finos de
fosfato
na polpa.
Segundo Leal Filho (10) a dosagem de amido e tall oil para a qual ocorre um mínimo na altura de espuma e um máximo
na
tensão superficial de polpa de minério fosfático (Morro da Mina) coincide com o ponto de máxima eficiência de separação
ap~
tita/minerais de ganga, levantando assim a possibilidade de mo
nitoramento da flotação pela tensão superficial.
Testes de Altura de Espuma. Sistema Bifásico, em Cêlula de Flo
tação
Para pesquisar a possibilidade do amido atuar tanto aumen
tando quanto diminuindo o volume da espuma formada
pelo
óleo
de arroz, realizaram-se esses testes, os quais são mais sensíveis a pequenas variaçÕes,
assim
como
procurou-se trabalhar
com dosagens me nor e s de amido.
A fi g ur a 3 mostra a a ltura da e sp uma e m função da dosagem
de amido. Pod e -se verific a r que para dosag e ns de atê 7,5
mgfl
o amido aumenta a altura da espuma formad a pelo óleo de arroz.
A partir de 15 mg/1 o amido reduz drasticamente a altura da es
puma.
Levando-s e em consideração que somente para pequenas dosa
gens o amido de milho Colamil aument a o volume de espuma, procurou-se trabalhar com um amido de menor peso molecular que exerceria, pr o vavelmente, menor efeito inibidor de espuma. A fi
gura 4 mostra o efeito desse amido
sol~vel
na altura da espuma
formada pelo óleo de arroz. Pode-se v e rificar que atê
o amido
sol~vel
60 mg/1
aumenta a altura de espuma, enquanto para dosa
gem maior a espuma é inibida.
Testes de Altura de Espuma. Sistema
Ross-Miles
Bifásico no
Aparato
de
314
Os resultados dos testes de altura de espuma e medidas de
tensão superficial para soluções de 17 rng/1 de amido
com adi-
ção de diferentes dosagens de tall oil estão mostrados nas figuras 5 e 6 e serão discutidos a seguir.
A altura máxima de espuma é obtida para urna
tall oil de 10 rng/1, quando a tensão superficial
dosagem
de
é 51 dyn/crn.
A tensão superficial mínima (31,5 dyn/crn} é obtida na
tração de 17 rng/1 de tall oil e neste ponto a altura
concenda espu-
ma também é mínima. A existência de urna concentração ótirna
de
surfatante que leva a estabilidade máxima na espuma é explicada na literatura (8) em termos da viscosidade do filme
ficial. Se
a
viscosidade
super-
do filme superficial é muito bai~a
(baixa concentração do surfatante formando filme molecular gasoso} ou muito alta (alta concentração do surfatante
filme molecular sólido) a espuma produzida
será
formando
instável. Em
ambos os casos a elasticidade do filme é baixa.
Nas figuras 5 e 6 chama a at e nção
o
f ato da
adição
de
t all oil a partir de 17 rng/1 aumentar tanto a tensão superfici
al quanto a altura de espuma, apresentando ambas, portanto urna
região de mínimo.
Ponto de mínimo na curva de concentração de surfatante em
função da tensão superficial é característica
da
presença de
determinadas impurezas e/ou associações moleculares (8}.
A tabela I
(Altura de espuma e tensão superficial} forne-
ce um número maior de dados para explicar
urna região de míni-
mo na tensão superficial e na altura de espuma.
315
Tabela I - Altura de espuma e Tensão Superficial
TENSÂO SUPERFICIAL
(dyn/cm)
ALTURA DE ESPUMA
(mm)
SOLUÇÂO
(mg/1)
amido ( 17)
tall oil ( 17)
o
71,0
15
45,5
10
31,5
tall oil ( 17)
+
amido (17)
Pode-se observar que a tensão supe rficial da solução de
~
mido é muito próxima à da água pura: 71 dyn/cm. Nessa situação,
nao há formação de espuma. A solução d e tall oil apresenta
te~
sao superficial de 45,5 dyn/cm e a altura da espuma é de 15 mm.
A solução contendo tall oil e amido apresenta tensão superfici
qua~
al igual a 31,5 dyn/cm, inferior tanto à solução de amido
to à de tall oil, caracterizando o c omportame nto não ideal
mistura. O comportamento sinergisti c o dess es reagentes
à interação
molecular
leva à f o rm aç fi o
de um
da
d e vid o
composto muito
mais ativo na superficie e, como a e s ta bilidade da espuma também atinge um minimo nesse
ponto,
várias
hipóteses poderiam
ser levantadas para explicar esse fato. Entretanto, testes mais
direcionados no sentido desse entendimento, tais como
medidas
de viscosidade e drenagem de espuma, e lucidariam melhor a
que~
tão.
Investigações de Alli e colaboradores (14)
corroboram
a
hipótese de associação intermol e cul a r e ntre o amido e as moléculas do surfatante aniónico (14). Es te s a utores atribuem à as
sociação intermolecular da hidroxipropilmetilcelulose com
um
surfatante aniõnico a formação de um complexo com peso molecular mais elevado e que torna a viscosidade
que o esperado.
da
solução
maior
316
CONCLUS0ES
As medidas de tens~o superficial em soluçÕes de amido,tall
oil e amido/tal! oil mostram uma interaç~o sinergística
esses reagentes que indicam a possibilidade de
entre
associaç~o
inte~
molecular entre o amido e componentes do tall oil. No ponto onde ocorre essa ação sinergística a altura de espuma medida atra
vés do aparato de Ross-Miles atinge um mínimo.
Em sistemas contendo soluções de Óleo de
arroz,
pequenas
dosagens de amido podem aumentar a altura de espuma e altas dosagens podem reduzi-la. O amido de milho Colamil (de alto
molecular) exerce maior efeito inibidor de espuma
peso
o a~ido
que
solúvel (de baixo peso molecular).
Nos sistemas contendo polpas de minério
fosfático
e óleo
de arroz, o amido acelerou o colapso da espuma, mostrando
ficiente no controle de espumas muito
volumosas,
ser~
causadas por
excesso de partículas finas.
AGRADECIMENTOS
A ULTRAQU1MICA e a Laurinda de Sales Leal Filho pelos testes no aparato Ross-Miles, à Fosfértil pelas amostras,
ao CNPq
e FAPEMIG pelo apoio financeiro.
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318
14
• SEM AMIDO
• 60 IIIQ/1
A 1aorno11
12
Ê
~
'f
<(
~
::::>
a..
(/)
240mQ/I
SEM MINÉRIO
8
lU
lU
o
6
<(
a:
::::>
~
4
<(
2
o
o
5
10
15
20
25
30
35
TEMPO (min)
Fi g ural. Altura de e s puQa en fun ç~o da concentraç~o d e amido e
do teDpo.
18~--------------------------~--------~
• SEM AMIDO
• 200g/t
+ 400g/t
E
o
-12
I
600g/t
c(
:E
~ 10
(/)
w
w
o
8
c(
6
• 800g/t
MINE RIO
COM LAMAS
a:
~ 4
..J
c(
2
0~--~----~--~----~--~~---r--~
~
o
lO
15
20
25
30
:55
TEMPO(minl
Figura 2. Altura de es puna en funç~o da concentração de am ido e
do tenpo ( com nin~rio n~o deslanad o) .
l
315
i
!
Tabela I - Altura de e spuma e Tensão Superficial
SOLUÇÂO
(mg/1)
ALTURA DE ESPUMA
(mm)
amido (17)
tall oil ( 17)
TENSÂO SUPERFICIAL
(dyn/cm)
o
71,0
15
45,5
10
31,5
tall oil (17)
+
amido (17)
Pode-se observar que a tensão superficial da solução de
~
mido é muito próxima à da água pura: 71 dyn/cm. Nessa situação,
nao há formação de espuma. A solução d e tall oil apresenta
te~
são superficial de 45,5 dyn/cm e a a ltura da espuma é de 15 mm.
A solução contendo tall oil e amido apr es enta tensão superfic!
qua~
al igual a 31,5 dyn/cm, inferior tanto à solução de amido
to à de tall oil, caracterizando o comportamen to não ideal
mistura. O comportamento siner g is tic o d e sses reagentes
à interação
molecular
leva à
form aç ~ o
de um
da
d e vid o
composto muito
mais ativo na superficie e, como a e st ab ilidade da espuma também atinge um minimo nesse
ponto,
várias
hipóteses poderiam
ser levantadas para explicar esse fato. Entretanto, t e stes mais
direcionados no sentido desse entendimento, tais como
medidas
de viscosidade e drenagem de e spuma, elucidariam melhor a
que~
tão.
Investigações de Alli e colaboradores (14)
corroboram
a
hipótese de associação intermolecul a r e ntre o amido e as moléculas do surfatante aniônico (14). Est es autores atribuem à as
sociação intermolecular da hidroxipropilmetilcelulose com
um
surfatante aniônico a formação de um complexo com peso molecular mais elevado e que torna a viscosidade
que o esperado.
da
solução
maior
316
CONCLUSQES
As
medida~
de tensâo superficial em soluç6es de amido,tall
oil e amido/tall oil mostram uma interaçâo sinergística
entre
esses reagentes que indicam a possibilidade de associaçâo
int e~
molecular entre o amido e compone ntes do tall oil. No ponto onde oc o rre essa ação sinergística a altura de espuma me dida atra
vés do aparato de Ross-Miles a tinge um mínimo.
Em sistemas contendo soluç6es de Óleo de
arroz,
pequenas
dosagens de amido podem aumentar a altura de espuma e altas dosagens podem reduzi-la. O amido de milho Colamil (de alto
molecular) exerce maior efeito inibidor de espuma
sol~vel
peso
o a~ido
que
(de baixo peso molecular) .
Nos sistemas contendo polpas de minério
fosfático
e óleo
de arroz, o amido acelerou o colapso da espuma, mostrando ser
ficiente no controle de espumas muito
volumosas,
~
causadas por
excesso de partículas finas.
AGRADECIMENTOS
A ULTRAQU1MICA e a Laurinda de Sales Leal Filho pelos tesao CNPq
tes no aparato Ross-Miles, à Fosfértil pelas amostras,
e FAPEMIG pelo apoio financeiro.
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318
14~---------------------r------~
•
•
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SEM AMIDO
60 mo/1
A li:JOmo/1
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SEM MINÉRIO
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2
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10
15
Figura 1. Altura d e espuoa e~
20
25
30
35
TEMPO (mini
fun ç ão da c o nc e ntração d e amido e
do temp o .
18~--------------------------~--------~
• SEM AMIDO
16
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14
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Fi g ura 2 . Altura d e e spun a eo função da c o nc e ntração d e a~ido e
do tenpo ( c om nin~rio não deslarn a d o ) .
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319
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MINÉRIO
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7,5
15,0
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37,5
DOSAGEM DE AMIDO (mQ/1}
Figura 3. Altura de espuma em função da concentração de amido
de cadeia longa.
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3
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2
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SEM
MINÉRIO
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60
90
120
150
DOSAGEM DE AMIDO (m~/1)
Figura 4. Altura de espuma em função da
solúvel.
concen~ração
de amido
320
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SEM
MIN ÉRIO
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5
10
15
20
25
DOSAGEM OE TALL-OIL (mc;~/1)
Figura 5 . Altur a de espuma em função da co ncentração d e tall - oil.
Aparato de Ross - Mil es .
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......
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SEM
MINÉRIO
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15
20
DOSAGEM OE TALL-OIL
25
(me;~/ I)
Figura 6 . 7ensão sup erf i cia l em fun ção da conce nt ração de t al loil.