SUPLEMENTO
REVISTA PORTUGUESA
DE
CIÊNCIAS VETERINÁRIAS
Cartas ao editor
Bem-estar-animal – uma questão veterinária!
1. O interesse suscitado pelo tema do texto editado
no Suplemento (nº 122, Abr. Jun. 2003) da Revista
Portuguesa de Ciências Veterinárias (Vol. XCVIII, nº
546, p. 51-100), na rubrica “Cartas ao editor”, sob o
título “Direitos dos animais – uma questão jurídica?”,
aliado ao conjunto de questões afloradas, motivam as
presentes considerações; mesmo correndo o risco de
poderem ser consideradas polémicas, subjaz a intenção
de contribuir, ainda que de forma singela, para a reflexão que o referido texto sugere.
Apresentado sob a forma de uma acta ou relatório
do colóquio referido, que teve lugar entre 13 e 14 de
Maio, do corrente ano, na Faculdade de Direito da
Universidade do Porto, reunião a que infelizmente não
assisti, a missiva deixa em aberto algumas interrogações e aborda um conjunto de conceitos (muito embora
não expresse de forma clara a opinião da sua autora),
só por si suficientes para provocar e prolongar a reflexão sobre o tema.
2. Parece pois, mais do que justificável, clarificar
a priori, alguns aspectos e conceitos subjacentes na
apresentação a começar pela designação de “animais
não-humanos”. Se sob o ponto de vista estritamente
biológico, a inclusão dos humanos (homo sapiens
sapiens) no “reino animal”, não sugere qualquer tipo
de objecção, não é menos verdade que, quer sob o
ponto de vista moral e civilizacional, quer sob o ponto
de vista do psicológico, emocional e cognitivo, a distinção entre animais e humanos estaria mais do que
justificada. Mesmo sob o ponto de vista da filosofia
do Direito, a qualidade de tudo o que é jurídico, diria
respeito apenas às coisas da conduta humana: apenas
o Homem, único detentor de espírito, existencial ou
transcendental, poderá criar e vivenciar aquela qualidade.
Ora a designação de “animais não-humanos”, parece
querer confundir ou pelo menos tornar difusa aquela
distinção, ao aliar as duas designações em oposição;
tal circunstância é inaceitável, sendo inclusivamente,
susceptível de criar dificuldades, justamente junto dos
principais destinatários da regulamentação sobre “Protecção dos animais”, fruto de uma percepção distorcida
que possam vir a ter os fundamentos daquela legislação, perdendo-se, desse modo, a capacidade de suscitar
a sua motivação e empenho.
A designação de “animal” é aliás frequentemente
utilizada, sob o ponto de vista da semântica, como
sinónimo de “não-humano”: grosseiro, irracional, rude,
ignorante. Embora tal alusão resulte de um discurso
que visa desvalorizar o comportamento de certos espécimes humanos e não tanto da incapacidade de reconhecer a afectividade e inteligência de algumas espécies animais, torna-se, igualmente, por esse motivo,
inaceitável.
Por outro lado, a designação de “animal nãohumano”, mesmo que pretendendo diluir a distinção
entre humanos e animais (pelas razões antes expostas), acaba por ter, em muitas circunstâncias, o efeito
oposto, visto tratar-se de uma designação redundante:
se não houvesse realmente diferença entre humanos e
animais, não haveria razão para a subdivisão sugerida
entre “humanos” e “não-humanos”.
Tal contradição poderia ser evidenciada pelo próprio
texto, se uma das interrogações colocadas fosse refraseada, utilizando o termo “não-humano”: “…sendo a
capacidade de sofrer comum a todos os seres humanos, não será também que nos aproxima dos outros
animais [não-humanos]?”.
Assim sendo, porque não manter a distinção na base
definida: humanos e animais? Parece suficientemente
razoável, tecnicamente correcta e “legitimada” pelo
uso.
3. O segundo aspecto, que julgo merecer clarificação, relaciona-se com os “direitos dos animais”,
por não ser de todo compreensível, em que ponto da
“escala de valores” se situa esse “direito”: se simplesmente na adopção e cumprimento de legislação
de protecção dos animais (sendo essencial crer que a
mesma dimana de um sentimento generalizado e de
um consenso alargado da comunidade a que se dirige
essa legislação) ou se, no outro extremo da escala,
considerando que aos “animais” deve ser reconhecida,
de alguma forma, personalidade jurídica, fruto da sua
incapacidade em “reciprocar” ou por se considerar que
em certas circunstâncias existe um “…prolongamento
de características humanas.”.
Esta questão desperta, antes de mais, uma crítica à
formulação antropomórfica, várias vezes enunciada ao
longo da exposição, como argumento que sustentaria
o reconhecimento dos “direitos dos animais” e, consequentemente o estabelecimento de legislação e sanções adequadas: os “…estudos de capacidades cognitivas…” dos animais; a “…atribuição de alguns direitos
aos animais perante circunstâncias que se pudessem
considerar como um prolongamento de características humanas…”; “…a capacidade de sofrer comum
a todos os seres humanos…”; “…atribuir direitos a
todos os animais que se saiba passarem o patamar
cognitivo…” ou a “…perspectiva mais próxima do
estatuto da pessoa jurídica.”
O mimetismo com os Direitos consagrados aos
humanos não parece, de facto, aceitável, exactamente
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por não se focalizar na questão essencial: a protecção
dos animais deverá resultar exclusivamente da natureza
dos seus perfis fisiológicos, cuja avaliação científica e
experiência acumulada ditarão as regras relativamente
às cinco componentes enunciadas: fome e sede, conforto, dor, comportamento natural, medo e stress.
Por outras palavras se dirá que, qualquer que seja a
expressão jurídica, ou melhor, legal, dos “direitos dos
animais”, nunca a mesma poderá decorrer por comparação, mesmo que absurda, com outro tipo de legislação, mas exclusivamente estatuindo um conjunto de
regras (garantidas por meio de uma acção coercitiva
do Estado), que sejam o reflexo exacto da ciência e
da experiência, quanto às exigências fisiológicas dos
animais.
Quanto a este aspecto, a expressão “direitos dos
animais” não poderá ser reconhecida como alusiva à
natureza intrínseca dos animais, também aqui deverá
ser obviado o paralelismo com os “Direitos Humanos”.
Ao contrário, e como referi, qualquer legislação
sobre a protecção dos animais, deverá derivar exclusivamente das cinco componentes antes referidas, enquadrando-se em outras áreas do Direito, nos domínios
da Saúde Animal, da Higiene Pública Veterinária, do
Melhoramento Animal, etc. parecendo portanto mais
sensato, falar de Direito Veterinário, identificando-se
os animais em quanto coisa jurídica, como um recurso
da Humanidade.
Constituindo-se assim, como um ramo do Direito,
resultante da diversidade e evolução da vida social e
portanto mais coerente, eficiente e eficaz quanto à sua
aplicação, o enquadramento das diferentes disposições
legais num Código Veterinário, está aliás plasmado no
edifício legislativo comunitário, que incluí toda a regulamentação em apreço sob a designação de “legislação
veterinária e zootécnica”.
Julgo que a designação “direitos dos animais” deverá
ser obviada, a favor da legislação, de que a protecção
dos animais constituiria um importante pilar, geradora
de obrigações jurídicas aos humanos, particularmente
aos donos e detentores dos animais (cuja responsabilidade deriva da sua personalidade jurídica), mas
também às entidades e pessoas (igualmente detentores de personalidade jurídica), que de algum modo
interferem no cumprimento daquela legislação, a cujo
conjunto deverá ser atribuída a designação de Direito
Veterinário ou de Código Veterinário se assumir esse
modelo.
4. O problema anterior coloca, justamente, um outro,
estritamente relacionado com a filosofia do Direito:
o de saber se os animais poderiam ser detentores de
qualidade jurídica. Não detendo qualquer competência
na área do Direito, parece-me, ainda assim, que aquela
qualidade apenas poderá ser atribuída às coisas de
conduta humana, sendo que nestas circunstâncias os
animais constituiriam o objecto, o recurso, o bem, consubstanciando um determinado Direito.
Será bom registar que a protecção dos animais, não
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merece, quer sob o ponto de vista ético, quer sob o
ponto de vista religioso, quer ainda sob o ponto de
vista dos costumes, uma unanimidade de opiniões; não
existe tão-pouco um consenso social generalizado, das
regras a cumprir, pelo que os fundamentos das mesmas
não poderão em qualquer circunstância ultrapassar os
limites daquelas que forem as referências de natureza
fisiológica e experiência acumulada.
É nesta perspectiva que me parece deva ser mantida pela profissão veterinária uma posição de fiel da
balança, não assente em costumes, dogmas ou crenças,
resultando na clarificação legal de um conjunto de
circunstâncias de que são exemplo: o confinamento de
animais de produção, o transporte de animais, a occisão ou abate, o abate religioso, a competição desportiva, o espectáculo envolvendo animais, a caça, etc.
5. Para finalizar e repescando algumas das expressões utilizadas em referência aos animais: “estatuto
moral”; “direitos dos animais”; “estatuto jurídico”;
“protecção jurídica”; “sujeito jurídico” e tendo em
conta a interrogação que o título da carta ao editor
encerra, parece-me óbvio estarmos perante uma questão veterinária.
Miguel Ângelo
Apartado 78
5374 - 909 MIRANDELA
[email protected]
Notas sobre publicações
O Diamante
Revista editada pela Associação do Pessoal
da Diamang
A história começa em Angola em 1907, quando
foi encontrado o primeiro diamante, no então Congo
Belga do grande protector dos nativos Rei Leopoldo
dos belgas, o qual, como se sabe não se poupou a
esforços para o desenvolvimento da extensa concessão
que lhe coubera na partilha do continente africano,
na Conferência de Berlim, tudo realizado a bem da
“civilização”, evidentemente. Essa descoberta deve ter
feito nascer a ideia de que onde existia um, existiriam
muitos mais. Para dar continuidade às prospecções foi
então criada uma empresa denominada “Societè Internationale Forestiére et Miniére du Congo”, abreviadamente designada por “Forminière”. Ao seu serviço
ficaram os dois prospectores americanos chamados
Jhonson e Mac Vey que já operavam na área e que,
em 1912, na margem direita do rio Chiumbe, encon-
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traram mais sete pedras, concluindo portanto que as
jazidas descobertas no Congo tinham continuidade em
território angolano. Isso obrigou à formação de uma
outra sociedade associada da belga, com algum capital
português, que tinha nos seus objectivos a prospecção
das jazidas de diamantes presumivelmente existentes
em Angola e que se chamou “Companhia de Pesquisas
Mineiras de Angola” – a PEMA, em 4 de Setembro de
1912, depois substituída pela constituição da “Companhia de Diamantes de Angola” – a “Diamang” em 16
de Outubro de 1917.
Assim principia a história intitulada “Pioneiros” que
nos conta o nosso colega, amigo e condiscípulo Victor
d’Albuquerque Matos, a abrir uma interessantíssima
publicação intitulada “O Diamante” editada pela
“Associação do Pessoal da Diamang” a propósito do
XXI encontro de confraternização e convívio dos exempregados da Companhia e seus familiares, realizado
em 14 de junho último, em Manique do Intendente.
Direi, antes de mais, que essa publicação de 82 páginas, com formato de “revista tipo A4”, tem excelente e
cuidada apresentação gráfica, com numerosas reproduções fotográficas, quase todas inéditas, não pode deixar
de interessar a todos os que se interessem pela História
de Angola. A sua tiragem foi limitada e julgo que não
esteve, nem está à venda. Pelo menos não a encontrei
nas livrarias de Lisboa e o exemplar que possuo foi-me
oferecido pelo acima citado amigo e colega. Também
não encontrei qualquer referência a preço, ou director,
presumindo tratar-se de publicação avulso, não periódica, portanto. Para confirmar essa ideia é indicado
apenas como seu coordenador o Dr. Bernardo José
Ferreira Reis, que foi o último administrador da Diamang residente no Dundo, o qual também descreve o
último arrear da bandeira portuguesa, feito ao pôr-dosol no dia 10 de Novembro de 1975, frente à sede da
Direcção Geral da Companhia na Praça Henrique de
Carvalho, com todo o cerimonial e guarda de honra
prestada pelos “cipais” ou “capitas” da policia mineira
com bombos, fanfarra e bandeiras, como sucedia todos
os domingos e feriados.
A independência de Angola seria declarada no dia
seguinte, 11 de Novembro, por cada um dos três movimentos que pretendiam governar o novo país, incapazes de se entenderem em conjunto, respectivamente,
em Luanda, no Huambo e no Ambriz.
Essa publicação é, uma evocação a quantos trabalharam na Diamang, abordando factos, situações, acontecimentos gerais vividos, mas também homenageando
alguns elementos de uma pequenina comunidade
perdida no nordeste de Angola que, pelo seu trabalho
continuam na lembrança dos vivos e refiro: o médico
Dr. João da Rocha Afonso, que durante 15 anos foi o
Director dos Serviços de Saúde da Diamang, prestando
“incomensurável contribuição na tentativa de solucionar três magnas questões da Lunda: a assistência
materno-infantil e o combate às graves endemias da
lepra e da tuberculose”, na área dos concelhos de Por-
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tugália, Cambulo e Verissimo Sarmento, correspondentes a 45 483 Km2, qualquer coisa como, aproximadamente, metade da superfície de Portugal metropolitano,
realçando a obra realizada e o grande Hospital que sob
sua orientação se construiu no Savacula, para a luta
anti-tuberculose, assinado julgo, por quem o substituiu
o Dr. José Henrique Santos David; ao Doutor António Barros Machado, neto de Bernardino Machado, o
cientista, Doutor Honoris causa pela Universidade do
Porto, criador do Laboratório de Investigações Biológicas do Dundo e biólogo especialista de renome
internacional, em insectos, aranhas, mamíferos, descrevendo novos géneros e espécies e seus comportamentos, enriquecendo os conhecimentos sobre a fauna
angolana e obrigando a que as “Publicações Culturais
da Diamang” passassem a ser de consulta obrigatória
por especialistas de todo o mundo, sem esquecer os
seus originais trabalhos sobre a biologia da Glossina
ou tsé-tsé (a mosca transmissora da doença do sono)
assinados pelo Doutor Eduardo Luna de Carvalho e
pelo seu filho David; ao Dr. David Bernardino, assassinado pela UNITA, quando saía do Centro de Saúde que
construíra com as suas próprias economias no bairro
de Cacilhas na sua cidade do Huambo onde nascera,
publicando o discurso do Doutor Barros Machado na
homenagem prestada à sua memória no Teatro Villaret, em Lisboa, focando as suas diversas facetas de
médico, de melómano, de escritor, de actor, de poeta
e jornalista “um elo de ligação entre as culturas dos
povos angolano e português”, “os mandantes dos seus
executores, destruíram com este crime um dos valores
humanos mais altos do seu próprio país”, “mas o que
não puderam destruir foi exemplo que o David nos
deixou de toda uma vida de abnegação e de coragem,
simbolicamente aniquilada no limiar do seu posto de
trabalho de assistência humanitária, que se recusou a
desertar, não obstante os perigos que o ameaçavam”.
E ainda outra colaboração talvez menos específica,
mas de situações vividas tais como “Quando a violência chega ao paraíso” (o paraíso era obviamente o
Dundo) pelo Dr. Américo Botelho ou simples postais
de vários autores que já não podemos referenciar, por
falta de espaço.
Deixei, propositadamente para o fim a colaboração
do meu amigo d’ Albuquerque Matos. A ele pertence o
valioso trabalho sobre as origens e a formação da Diamang e dos seus Serviços Veterinários, intitulado “Pioneiros”. Nesse trabalho mostra-nos como a Companhia
cresceu rapidamente, avaliando esse desenvolvimento
pelo número de engenheiros e profissões ligadas às
actividades mineiras, logo seguido pelos agentes agrícolas – boeres e ingleses – os quais representam o
interesse e o esforço que a Companhia sempre dedicou
à produção de bens alimentares, numa zona difícil e
carenciada.
Por esse tempo a língua falada era quase exclusivamente a inglesa, pois a comunidade existente era
dominantemente anglo-saxónica. A parte administra29
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tiva estava entregue aos belgas.
Nesse artigo aborda a visita que o Alto Comissário,
General Norton de Matos acompanhado pela esposa e
a filha em 7 de Janeiro de 1922, viajando de automóvel
, realiza à Lunda. O General mostrou-se bem impressionado com o que observou, mas não deixou de registar que não se falasse português, que não houvesse
uma única bandeira portuguesa hasteada e que não
existisse um serviço de veterinária e zootecnia, dado o
desenvolvimento das manadas de gado bovino.
Assim veio a nascer o primeiro Serviço Veterinário
da Diamang para o qual foi contratado o Dr. Abel Lima
do Sacramento Pratas. A presença do colega Pratas na
Lunda foi muito curta, pois na sequência de desentendimento com o “Acting Manager Engineer Retie, foilhe imposto o fim do contrato, nos termos do art.12, ou
seja: “quando isso conviesse à Companhia, sem aviso
prévio e sem justificar a sua demissão, mediante o
pagamento de uma indemnização igual a três meses de
ordenado”. Na mesma data foram dados por findos os
contratos a mais três empregados portugueses, que se
solidarizaram com o Dr. Pratas.
Quando passaram por Luanda, em 2 de Fevereiro
de 1922, os portugueses demitidos apresentaram suas
queixas ao General Norton de Matos e em consequência dos acontecimentos, foi publicado em 20 de Fevereiro do mesmo ano o Decreto nº 241, o qual, logo no
art. 1º estipulava: “Todas as sociedades, companhias
ou empresas, nacionais ou estrangeiras...” são obrigadas: “a) O empregado mais graduado, com residência
na Província será sempre cidadão português; b) O
administrador ou director geral “in loco” será sempre
cidadão português; c) Será constituída por cidadãos
portugueses metade pelo menos, quer do pessoal técnico, quer do pessoal de carteira e contabilidade; d)
O pessoal médico e de enfermagem, será todo português”... O 20º e último artigo concedia o prazo de um
ano, a contar da data de publicação do Decreto, para
que lhe fosse dada execução.
Quanto ao Eng. Rettie, a direcção da Companhia
considerou que a sua actuação fora precipitada e recomendou-lhe especial cuidado na recepção e tratamento
dos empregados portugueses.
O Dr. Abel Pratas veio depois a ser contratado para
os Serviços Veterinários de Angola, em 1924, sendo
colocado como Director interino da Estação Zootécnica da Humpata, acumulando com a chefia da Repartição Distrital de Veterinária do Distrito da Huíla.
Depois, em 1939, foi nomeado para dirigir a Repartição de Pecuária da Direcção dos Serviços de Fomento
de Angola. Com a remodelação dos Serviços Administrativos de Angola ocupou então o lugar de Director da
Repartição Central dos Serviços de Veterinária e da
Industria Animal, no qual permaneceu até aos 62 anos,
quando foi promovido a Inspector Provincial e aposentado, por ter atingido o limite de idade. Escreve então
o colega d’Albuquerque Matos: “Durante a sua longa
permanência em Angola, quer na Humpata, quer à
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frente dos Serviços Veterinários só voltou à Lunda, de
onde fora expulso na sua juventude, trinta anos depois,
em 1950, sendo recebido com a deferência devida ao
seu cargo.”
O Colega Victor Matos escreve que “O contrato,
impresso em papel selado com $30 que todos os
empregados tinham que assinar...era mais que leonino,
era diamantino!” e foi “melhorando” pela aposição de
mais cláusulas e novas exigências...” E concluí: “mas
ou se tinha necessidade e espirito de aventura ou se
rejeitava!” e acrescenta: “Desses contrato assinei eu
cinco! Mas de trinta meses, além dos prolongamentos...”
O que ele não diz mas eu acrescento, pois ainda me
recordo de assistir à sua passagem pela estação do
Caminho de Ferro de Nova Lisboa, “comandando a
operação” “Arca de Noé” o comboio de gado de várias
espécies, com destino à Lunda, para reforço e melhoramento das explorações pecuárias da Diamang. De
facto foi ele o sucessor do Dr. Pratas na Companhia de
Diamantes de Angola. Durante 26 anos nunca os dirigentes da Companhia entenderam necessário disporem
de Serviços Veterinários próprios e recorriam ao Delegado de Sanidade de Pecuária de Malange.
Nunca visitei a Lunda mas sei que o trabalho realizado pelo colega Matos foi verdadeiramente notável.
Partindo do zero, levantou as estruturas de um Serviço que chegou a ocupar cinco médicos veterinários,
além de reestruturar em novas bases as estratégias
das deslocações de bovinos para abate, que por vezes
ultrapassavam as duas mil cabeças de animais adquiridas no Sudoeste de Angola e percorriam “a pé-de-boi
mais de 2000 quilómetros, como ele gosta de dizer. A
História de todo esse trabalho e estudo, de um médico
veterinário “pioneiro” na Lunda, numa Companhia que
explorava Diamantes, mas que se preocupava também,
e isso é preciso que se diga, com o bem estar dos seus
empregados e das populações que habitavam as áreas
concessionadas, é praticamente desconhecida. As situações vividas nesses tempos são abordadas vagamente
(diria mesmo “talvez desportivamente”) em outro
artigo do mesmo autor que ele intitulou de “Apontamentos”. Mas isso não chega. Tudo isso é, de facto,
uma parte (desconhecida!) da História da Profissão em
Angola que seria bom não se perdesse.
Tenho elementos, na minha posse que esse Amigo
me tem enviado, mas falta-me a vivência dos acontecimentos ... o conhecimento do meio, falhas, desinformações e outras insuficiências...
Até porque, tal como escreve um dos elementos
da Comissão Organizadora do Encontro: “Hoje não
restam mais que vestígios de tudo o que ali fizemos,
por exemplo no domínio da cultura e da ciência (e
podíamos falar do Museu, do Laboratório de Biologia,
dos Estudos Antropológicos, dos trabalhos permanentes do combate ao paludismo, à doença do sono, à
tuberculose, etc.). Esta é a nossa grande mágoa.”
E mais não digo! Meus parabéns ao Coordenador, à
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Comissão Organizadora e a todos quantos colaboraram
nesta, que considero, importante publicação, como um
contributo para a necessária e esclarecedora História de
Angola, pois na Colonização nem tudo foi condenável,
nem tudo foi exploração desenfreada e sem limites..
A. Martins Mendes
Alto da Ajuda, Setembro 2003
Reuniões científicas e cursos
Curso de Mestrado em Ciência Animal em Meio
Tropical: No âmbito das acções de formação pósgraduada da Faculdade de Medicina Veterinária da
UTL, decorre actualmente a programação do Curso
de Mestrado em Ciência Animal em Meio Tropical,
organizado por aquela Faculdade com a colaboração
do Centro de Veterinária e Zootecnia do Instituto de
Investigação Científica Tropical.
O Curso que se iniciará em Janeiro de 2004, tem por
objectivo facultar formação técnico-científica aprofundada em temas relevantes para a pecuária nas regiões
tropicais relacionados com:
- As suas particularidades edafo-climáticas, sanitárias, zootécnicas e sociológicas;
- Aspectos da transformação e qualidade de alimentos;
- A utilização de biotecnologias apropriadas em produção e sanidade animal;
- O estabelecimento de estratégias de planeamento
de economia e de produção pecuária baseadas no
desenvolvimento sustentável daquelas regiões.
As inscrições estarão abertas até ao dia 30 dia
Novembro. Informações detalhadas sobre o referido
Curso podem ser obtidas no “site” da Faculdade de
Medicina Veterinária www.fmv.utl.pt (Ensino pós-graduado).
15th International Congress of Animal Reproduction (ICAR 2004): a decorrer em Porto Seguro, Baia,
Brasil, de 8 a 12 de Agosto de 2004. O programa inclui
sessões plenárias: Genomics, Cloning and Transgenic
Strategies; Reproduction and Conservation of Endangered Wildlife; New Developments in Reproductive
Technology; Microenvironment and Reproduction;
Simpósios: Nutrition and Reproduction; Canine and
Feline Reproduction; Small Ruminants; ImmunoReproduction; Reproduction and Fertility in Males;
Reproduction in Bos Indicus; Pathology; Endocrine
and Paracrine Control of Reproductive Processes;
The Control of Oestrus, Ovulation and Anoestrus in
Cattle; The Control of Oestrus, Ovulation and Anoestrus in Cattle; Gene Expression; Equine Reproduction;
Workshops: Buffalo, Animal Welfare, Reproduction of
Camelids, Pig Reproduction, Active Immunization and
Reproductive Control, Spermatogonial Transplants and
Testis Graft in Mammals, Transvaginal Oocyte Retrieval (Ovum Pick-Up) and it’s Applications, New Insight
in Brucellosis, Manipulation of Marsurpial Reproduction, Reproductive Disorders in the Postpartum Period
of Dairy Cows, Experimental Design. Informações:
[email protected], www.cbra.org.br/icar2004
Vida associativa
Sessão solene comemorativa da abertura do ano
académico: A cerimónia terá lugar na Universidade de
Trás os Montes e Alto Douro, no dia 11 de Dezembro
de 2003, 5ª feira, pelas 16 horas. A oração de sapiência será proferida pelo Professor Doutor Alexandre
Quintanilha e será subordinada ao tema “Como é que
as sociedades lidam com o risco”. Foi convidada para
presidir à cerimónia a Senhora Ministra da Ciência
e do Ensino Superior, Professora Doutora Maria da
Graça Carvalho.
Palestras na sede da SPCV: Será anunciado brevemente um conjunto de actividades científicas e culturais
para o período que vai do presente até ao fim de 2004 e
que se iniciarão com uma palestra, no dia 20 de Novembro p.f. pelas 17h e 30m na sede da SPCV (antiga
biblioteca da FMV nas instalações da rua Gomes
Freire) proferida pelo Doutor Michael Parkhouse, do
Instituto Gulbenkian de Ciência, subordinada ao tema
“Rational strategies for pathogen control”.
Sítio da Sociedade Portuguesa de Ciências Veterinárias na Internet: a SPCV pode ser encontrada
em www.spcvet.pt e dispõe já de um endereço de
correio electrónico, [email protected], que pretendemos usar para manter os sócios informados das nossas
iniciativas e através do qual nos poderão fazer chegar
sugestões, comentários e críticas para que possamos
melhorar e dignificar a nossa sociedade. Pedimos a
todos os sócios que nos enviem para esta morada o seu
endereço de correio electrónico.
Movimento de sócios: de 1 de Julho a 30 de Setembro de 2003 foram admitidos ou readmitidos os sócios
que a seguir se indicam. Efectivos: 1457 João António
Lannas da Silva, 2213 Maria de S. José Centeno, 2214
Maria Teresa Filipe da Costa, 2215 Manuel Ferreira
Joaquim, 2216 Maria Helena Monteiro. Estudantes:
2208 Francisco Mendes Machado da Silva, 2209 Rita
Calado da Silva, 2210 Paula Alexandra Guerra, 2211
José Miguel Novo de Matos, 2212 Ana Luisa da Silva
Pinto, 2217 Mafalda Aragonez Bacalhau, 2218 Joana
Gonçalves da Silva, 2219 Sofia Isabel Costa, 2220
Pedro David Carvalho, 2221 Ana Sofia Pisco, 2222
Rita Soraia Campos, 2223 João Lucena Afonso, 2224
Ary Hugo de Abreu, 2225 Luís Carlos Simão, 2226
Telmo Ricardo Ferraz Fernandes, 2227 Pedro de
Morais Julião, 2228 Ana Catarina Gascon Migueis,
2229 Carlos Manuel Nery Norte, 2230 João Manuel
Monteiro da Costa.
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