Avaliação da aprendizagem: concepções e práticas de formadores de professores Universidade Estadual do Centro-Oeste Guarapuava - Irati - Paraná - Brasil www.unicentro.br Isabel Cristina Neves Avaliação da aprendizagem: concepções e práticas de formadores de professores UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CENTRO-OESTE UNICENTRO Reitor: Vitor Hugo Zanette Vice-Reitor: Aldo Nelson Bona Editora UNICENTRO Conselho Editorial Direção: Beatriz Anselmo Olinto Presidente: Marco Aurélio Romano Assessoria Técnica: Waldemar Feller, Beatriz Anselmo Olinto Carlos de Bortoli e Oseias de Oliveira Carlos Alberto Kuhl Divisão de Editoração: Renata Daletese Luciano Farinha Watzlawick Diagramadores: Andréa do Rio Alvares, Marcos Antonio Quinaia Bruna Silva, Eduardo Alexandre Santos Maria Regiane Trincaus de Oliveira Marta Maria Simionato Diagramação: Eduardo Alexandre Osmar Ambrosio de Souza Santos de Oliveira Paulo Costa de Oliveira Filho Capa: Lucas Gomes Thimóteo Poliana Fabíula Cardozo Correção: Rosana Gonçalves Rosanna Rita Silva Impressão: Gráfica UNICENTRO Ruth Rieth Leonhardt Ficha Catalográfica Catalogação na Publicação Janete Miti Chihaya – CRB 9/1324 Biblioteca Central Campus Guarapuava N518 Neves, Isabel Cristina Avaliação da aprendizagem: concepções e práticas de formadores de professores. / Isabel Cristina Neves. – – Guarapuava : Unicentro, 2008. 206 p. ISBN 978-85-89346-89-4 1. Ensino Superior. 2. Avaliação Educacional. I. Título. CDD 378.16 Copyright © 2007 Editora UNICENTRO Nota: O conteúdo desta obra é de exclusiva responsabilidade de sua autora. Sumário Apresentação................................................................. 13 Introdução......................................................................19 Capítulo 1 Escola, avaliação e constituição de professores no espaço das licenciaturas...............................................37 1.1. A história da escola.................................................38 1.2. Trabalho e avaliação................................................48 1.3. Avaliação tradicional versus avaliação crítica............... 61 1.4. Constituição profissional dos professores e espaços de formação......................................................74 Capítulo 2 A avaliação sob o olhar de licenciandos e formadores: o processo, os resultados e as análises da pesquisa de campo.................................................. 99 2.1. Conhecendo os sujeitos participantes................... 104 2.1.1. Caracterização dos Professores.......................... 105 2.1.2. Caracterização dos Licenciandos....................... 108 2.2. Concepções e práticas de avaliação nas licenciaturas................................................................. 111 2.2.1. Predominância de instrumentos de avaliação considerados tradicionais..............................................113 2.2.2. Preferência dos professores por instrumentos que poupem tempo, de fácil correção ou ainda, porque estão habituados...........................................................129 2.2.3. A avaliação como finalização de um processo de ensino e não como parte do processo de aprendizagem....134 2.2.4. Presença de poucas práticas de avaliação que colaboram para o desenvolvimento da autonomia do aluno.............................................................................145 2.2.5. Avaliação do trabalho docente por meio da avaliação da aprendizagem do aluno........................164 2.2.6. Avaliação como mero registro ou documento comprobatório dos resultados obtidos pelos alunos......172 Considerações finais................................................. 183 Referências............................................................... 193 Ao meu Deus, autor e consumador da vida, por sempre estar perto de mim. À memória da minha mãe Maria Isabel pelo exemplo de dedicação, honestidade, bondade e persistência. Ao meu querido esposo Adolfo, companheiro amoroso e paciencioso. Aos meus filhos Jônatas, Israel, Paulo César, à nora Tatiane e à neta Natasha, minhas alegrias. Apresentação Ocasião feliz esta, em que apresento o livro de Isabel Cristina, coroação dos esforços que ela empreendeu durante a sua formação como pesquisadora no Programa de Mestrado em Educação da Universidade Estadual de Ponta Grossa, Paraná. Ao longo de sua trajetória no Mestrado, tive o prazer de orientar, acompanhar e discutir os rumos da investigação de seu objeto de pesquisa – a avaliação da aprendizagem em cursos de formação de professores, mas, sobretudo, pude aprender com Isabel Cristina, nessa trajetória, a seguir com o coração aberto, cheio de confiança e disponibilidade para aprender mais e contribuir com a formação dos professores. Este trabalho, agora transformado em livro, teve origem nas preocupações de Isabel com os elevados percentuais de reprovação e de abandono dos alunos da escola básica. Foi essa realidade que a levou a questionar a avaliação da aprendizagem na formação dos professores no ensino superior. Apresentação Assim, partindo da compreensão de que os valores e os princípios presentes nos cursos de formação inicial de professores acabam refletidos nos outros níveis de ensino, por meio do fenômeno da simetria invertida, Isabel pesquisou as concepções e as práticas de avaliação da aprendizagem em cursos de Licenciatura. A pesquisa de campo foi efetivada com professores e acadêmicos de cursos de licenciatura que apresentavam índices extremos de aprovação e reprovação, numa instituição de ensino superior paranaense. Nesse processo investigativo, Isabel Cristina coletou dados por meio de questionários e de entrevistas coletivas que, após análise, geraram categorias que nos permitem refletir acerca das concepções e das práticas de avaliação da aprendizagem que dirigem estes cursos. O seu trabalho é uma defesa da avaliação na perspectiva crítico-formativa, pois entende que a avaliação está intrinsecamente ligada ao aperfeiçoamento do processo ensino-aprendizagem, o que é bastante distinto das formas tradicionais de avaliar, centradas na classificação dos sujeitos e na contabilização dos resultados, por meio da somatória de notas. Além disso, Isabel tece reflexões que remetem à compreensão da avaliação da aprendizagem como 14 15 Apresentação elemento inerente a uma opção política a ser tomada pelos educadores, uma vez que é vista, em seu trabalho, como ato de inclusão, um ato humanitário, cujo sentido é o da emancipação humana e social. Isabel mostra em sua pesquisa que a avaliação tradicional ainda está presente nas licenciaturas, que deixam, por isso, de cumprir o objetivo primordial da formação de professores, que é a constituição da autonomia do sujeito professor frente à construção do seu próprio conhecimento, seja este conhecimento da área específica ou da área pedagógica, e frente à participação cidadã na sociedade que temos. Apesar das constatações da prevalência da avaliação tradicional nas licenciaturas, Isabel não propõe uma atitude simplista de colocar nos formadores toda a responsabilidade das problemáticas da avaliação nesse contexto. Pelo contrário, ela opta por uma reflexão mais complexa, entendendo que as problemáticas envolvidas na avaliação não estão circunscritas apenas à dimensão do processo ensino-aprendizagem no âmbito restrito das salas de aula, como também compreende que a superação das visões equivocadas sobre a avaliação da aprendizagem não depende somente dos professores. Apresentação Pensando assim, Isabel propõe um trabalho contínuo de formação dos formadores nas licenciaturas, capaz de questionar as representações de avaliação e de aprendizagem que estes portam, visando à tomada de consciência dessas representações e das práticas nelas sustentadas. Compreende, ainda, que a discussão sobre a avaliação deve ser ampliada e deve enfrentar outros questionamentos como, por exemplo: sobre os modelos vigentes de formação inicial e continuada de professores baseados na perspectiva neoliberal; sobre as condições concretas do trabalho docente nas universidades e na educação básica; sobre a valorização social e econômica desse trabalho; e, sobre a necessidade de espaços de reflexão compartilhada no âmbito do ensino superior nos quais os formadores possam conhecer e criar alternativas provocadoras de mudanças na avaliação da aprendizagem dos futuros professores. Enfim, a leitura deste trabalho pelos professores e formadores de professores é, sobretudo, um convite à reflexão e à mudança nas concepções e práticas de avaliação que se acham cristalizadas no pensar e no fazer docentes. É um convite à autonomia, numa sociedade em que avaliar tornou-se sinônimo de 16 classificar e escalonar pessoas. Sendo assim, a adesão a este convite exige o rompimento com as velhas certezas e o desejo de participar da construção de uma relação pedagógica mais humana e emancipadora. Ponta Grossa, 4 de novembro de 2007. Profª. Drª. Priscila Larocca Programa de Mestrado em Educação Universidade Estadual de Ponta Grossa Apresentação 17