ISABEL CRISTINA BONOMETTI STIEVEN PRODUTIVIDADE E VALOR NUTRITIVO DE GRAMÍNEAS TROPICAIS CONSORCIADAS COM O MILHO SAFRINHA EM CAMPO GRANDE, MS CURITIBA 2009 ISABEL CRISTINA BONOMETTI STIEVEN PRODUTIVIDADE E VALOR NUTRITIVO DE GRAMÍNEAS TROPICAIS CONSORCIADAS COM O MILHO SAFRINHA EM CAMPO GRANDE, MS Trabalho apresentado para conclusão do curso de Medicina Veterinária, Setor de Ciências Agrárias, da Universidade Federal do Paraná. Supervisor: Prof. Dr. Paulo Rossi Junior. Orientador: Dr. José Alexandre A. da Costa. CURITIBA 2009 Aos meus pais Edmar e Sonia, Por todo amor e dedicação. 4 AGRADECIMENTOS A minha família que sempre me apoiou em todos os momentos da minha vida. Especialmente aos meus pais que sempre fizeram tudo para que eu tivesse a melhor formação possível. Ao Professor Paulo Rossi Junior pelas excelentes aulas de bovinocultura de corte e também pela atenção como supervisor do meu estágio. A Universidade Federal do Paraná, fonte dos meus conhecimentos e dos meus relacionamentos profissionais formados durante os meus cinco anos de graduação. Também a todo corpo docente e a todos os funcionários que fazem a diferença numa instituição de ensino, essencial na consolidação de um futuro melhor. A Embrapa Gado de Corte, a todos os seus funcionários e pequisadores, especialmente ao meu orientador Dr. José Alexandre Agiova da Costa, que não media esforços para meu aprendizado e conhecimento de toda unidade. Aos estagiários Carlos Piotto e Alexandre Rotilli e a mestranda Andréia Quintino que tornavam os dias de estágio mais divertidos, além de compartilharem comigo seus conhecimentos sobre a Engenharia Agronômica. Ao Pedro Buonarott, sua prima Carla Piazzalunga e família, pelas caronas, pela companhia e pelo carinho que fizeram dos meus dias em Campo Grande mais felizes. A todos os meus amigos e colegas pela convivência, pelos trabalhos juntos realizados, pelas festas e confraternizações ao longo dos anos acadêmicos. A todas as pessoas que não estão citadas, mas que colaboraram direta ou indiretamente para minha formação pessoal e profissional para que eu chegasse até aqui, minha gratidão e meus sinceros agradecimentos. 4 v RESUMO O Sistema de Integração Lavoura-Pecuária apresenta inúmeras vantagens em vários aspectos. No aspecto agronômico, pode ser citada a recuperação de áreas degradadas e manutenção de características produtivas do solo. No aspecto econômico há uma diversificação de produtos gerados nesse sistema, uma maior geração de empregos e de impostos. No aspecto ecológico deve-se ressaltar a redução do uso de herbicidas por diminuir a quantidade de plantas daninhas, explicada pela rotação de culturas, além da redução da erosão. No aspecto social podem ser citadas a fixação do homem no campo e a distribuição de renda em duas atividades, a pecuária e a lavoureira. Em vista de tantas vantagens, o objetivo deste trabalho é apresentar os resultados da produtividade de gramíneas tropicais consorciadas com o milho safrinha provenientes de um experimento realizado na Embrapa Gado de Corte, Campo Grande, no estado do Mato Grosso do Sul. O plantio ocorreu em março e as coletas e processamento das amostras ocorreram durante o estágio curricular, em julho e agosto. Foram cultivadas oito gramíneas em sistema de Integração Lavoura-Pecuária e as três que se mostraram mais adaptadas ao consórcio no presente estudo foram Panicum maximum cv. Mombaça, Brachiaria brizantha cv. Piatã e P. maximum cv. Tanzânia. As espécies que apresentaram melhor desempenho nos valores nutritivos em geral foram Brachiaria decumbens e B. ruziziensis. v vi LISTAS DE FIGURAS Figura 1 – Separação botânica de capim-marandu. Colmo a esquerda e folha a direita. Embrapa Gado de Corte, Campo Grande, MS.........................13 Figura 2 – Câmara fria do pavilhão de apoio para armazenagem de amostras da Embrapa Gado de Corte, Campo Grande, MS.....................................13 Figura 3 – Pesagens dos componentes folha e colmo para obtenção do peso seco na Embrapa Gado de Corte..................................................................14 Figura 4 – Sala de estufas do pavilhão de apoio da Embrapa Gado de Corte........15 Figura 5 – Moinhos “tipo willey” da sala de pavilhão de apoio, pertencentes a Embrapa Gado de Corte.......................................................................16 Figura 6 – Fazenda Modelo, propriedade da Embrapa Gado de Corte, localizada no município de Terenos, MS.......................................................................17 Figura 7 – Biblioteca da Embrapa Gado de Corte, Campo Grande, MS.................19 . vi vii LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Carga horária de atividades desenvolvidas no estágio curricular obrigatório na Embrapa Gado de Corte, Campo Grande, MS...........11 Tabela 2 – Porcentagem e matéria seca (MS) de folhas e produtividade de gramíneas tropicais no consórcio com o milho safrinha. Campo Grande, MS........................................................................................36 Tabela 3 – Produtividade MS de folhas de forrageiras em consórcio com milho na safrinha (BRS 2020), em diferentes doses de herbicida utilizadas. Campo Grande, MS..............................................................................37 Tabela 4 – Produtividade de proteína bruta no componente folha, em diferentes doses de herbicida utilizadas. Campo Grande, MS..............................38 Tabela 5 – Valor em % de proteína bruta (PB), fibra em detergente neutro (FDN) e fibra em detergente ácido (FDA) dos componentes folha e colmo dos capins consorciados com o milho brs 2020. Campo Grande, MS........39 Tabela 6 – Valor em % da digestibilidade in vitro da matéria orgânica (DIVMO), lignina em ácido sulfúrico (Lig S) e celulose (Cel) dos componentes folha e colmo dos capins consorciados com o milho BRS 2020. Campo Grande, MS...........................................................................................40 Tabela 7 – Média do número de plantas em 5 metros de linha e produtividade do milho safrinha cultivado simultaneamente com gramíneas tropicais em Campo Grande, MS..............................................................................41 vii viii LISTA DE SIGLAS ALS - enzima acetolactato sintase ANOVA - Análise de variância Cel - celulose CEPLAC - Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira CNPGC - Centro Nacional de Pesquisa de Gado de Corte DIVMO - Digestibilidade in vitro da matéria orgânica DNPEA - Departamento Nacional de Pesquisa e Experimentação EPAMIG - Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária FDA - fibra em detergente ácido FDN - fibra em detergente neutro IAPAR - Instituto Agronômico do Paraná ILP - Integração Lavoura-Pecuária INMET - Instituto Nacional de Metereologia IPEAN - Instituto de Pesquisas e Experimentação Agropecuária Norte IRD - Instituto Francês de Pesquisa Científica e Desenvolvimento (Institut de Recherche pour le développment - IRD) Lig S - lignina em ácido sulfúrico MAPA - Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento MS - matéria seca NIRS - Espectrometria de reflectância no infravermelho proximal (Near infrared spectroscopy) PB - proteína bruta RH - Recursos Humanos Sisvar – Programa de análises estatísticas e planejamento de experimentos SPV - sementes puras viáveis UA - Unidade Animal (450 kg de peso vivo) UEM - Universidade Estadual de Maringá viii ix Unipasto - Associação para o fomento à pesquisa de melhoramento de forrageiras tropicais ix SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................ 1 2 OBJETIVOS.................................................................................................... 3 2.1 Objetivo Geral........................................................................................... 3 2.2 Objetivos Específicos................................................................................ 3 3 DESCRIÇÃO DO ESTÁGIO ........................................................................... 4 4 A INSTITUIÇÃO............................................................................................ 12 4.1 Histórico Embrapa .................................................................................. 12 4.1.1 Histórico da Embrapa Gado de Corte .................................................. 14 5 REVISÃO DE LITERATURA ........................................................................ 15 5.1 Os Capins ............................................................................................... 15 5.1.1 Panicum Maximum cv. Mombaça..................................................... 15 5.1.2 Panicum Maximum cv. Tanzânia...................................................... 16 5.1.3 Panicum maximum cv. Massai ......................................................... 16 5.1.5 Brachiaria brizantha cv. Marandu..................................................... 17 5.1.6 Brachiaria brizantha cv. Xaraés ....................................................... 18 5.2 O Milho Safrinha ..................................................................................... 20 5.3 Os Herbicidas ......................................................................................... 20 5.4 Teste de Scott-Knott ............................................................................... 21 5.5 Método de análise NIRS ......................................................................... 22 5.6 Parâmetros nutritivos .............................................................................. 22 6 PRINCIPAL EXPERIMENTO ACOMPANHADO .......................................... 26 6.1 Material e Métodos ................................................................................. 26 6.2 Resultados e Discussão ......................................................................... 27 7 DISCUSSÃO ................................................................................................. 35 8 CONSIDERAÇÕES FINAIS .......................................................................... 38 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................ 39 1 1 INTRODUÇÃO O constante crescimento populacional mundial e o forte impedimento de novas aberturas de matas e reservas para expansão de áreas destinadas a produção nos obriga cada vez mais a explorar melhor, com maior desfrute e intensidade as áreas que já estão abertas e preparadas para a agricultura e pecuária. Para conseguir êxito neste uso intensivo da terra são necessárias soluções tecnológicas que somente podem ser geradas através de órgãos e instituições com grupos de pesquisa altamente especializadas para este fim. Seguindo esta linha de raciocínio, a integração lavoura-pecuária (ILP) mostra um excelente caminho, pois, além de gerar um melhor aproveitamento de uma mesma área, apresenta um risco menor por ter duas fontes de rendas diferentes. Existem inúmeras vantagens no Sistema de ILP que podem ser citados. Desde aspectos benéficos para o solo e, consequentemente para as plantas, até aspectos econômicos como geração de empregos diretos e indiretos. As principais vantagens econômicas ocorrem devido ao incremento na produção de grãos e de carne em propriedades que podem adotar esse sistema de maneira adequada. A diminuição dos custos de produção, uma vez que realizando plantio, adubação e demais procedimentos se obtém a produção de grãos e a pastagem. A ocorrência de maior remuneração para os produtores rurais, além de maior estabilidade econômica devido à comercialização de diferentes insumos resultantes da ILP. A remuneração também será mais rápida, lembrando que a agricultura tem produção de grãos entre quatro a seis meses. A geração de empregos diretos e indiretos ocorre nesse sistema, uma vez que a maioria dos pecuaristas não possui conhecimentos teóricos e práticos suficientes para fazer lavoura, o que implica na contratação de um profissional habilitado para desempenhar tal função. Ainda pode ser citada a maior circulação de capital, sendo outra vantagem econômica para a região, uma vez que o produtor terá que adquirir sementes, herbicidas e demais produtos necessários para o cultivo das forrageiras (KLUTHCOUSKI et al., 2003). 1 2 As vantagens para o meio são muito importantes e também devem ser ressaltadas. A rotação de diferentes culturas e forrageiras proporciona redução de doenças, pragas e plantas daninhas, uma vez que quebra o ciclo das duas últimas. A utilização das gramíneas, que possuem raízes profundas, proporciona ao solo maior permeabilidade da água, diminuindo possibilidades de erosão do solo além de possibilitar um armazenamento de água, sendo benéfico também para as plantas, principalmente em períodos de estiagem. Estes fatos também contribuem para um aumento no teor de matéria orgânica do solo. A cobertura do solo pela palhada proveniente das variedades diferentes de forrageiras cultivadas também é vantajosa para o Sistema de Plantio Direto quando for realizada a agricultura posteriormente (KLUTHCOUSKI et al., 2003). Com um manejo adequado, esta cobertura diminui a evaporação de água existente no solo e evita o estabelecimento de plantas invasoras ou daninhas. As gramíneas cultivadas em sucessão, consorciação ou rotação podem aproveitar a disponibilidade de adubo residual que não foram aproveitadas na produção de grãos. Por exemplo, a fixação do nitrogênio realizada de maneira simbiótica pela soja (BROCH et al., 1997), que pode ser aproveitado pela gramínea cultivada. A adoção desse sistema não é vastamente aplicada por ser complexo e exigir maquinário e implementos, implicando em altos custos e conhecimento dessa prática. Tal fato deve ser estimulante para o desenvolvimento de mais pesquisas e descobertas para facilitar o uso dessa ferramenta. O uso do sistema de ILP aperfeiçoa o uso das terras em nosso país, além de valorizar e fixar o homem no campo. 2 3 2 OBJETIVOS 2.1 Objetivo Geral Obtenção de maior conhecimento na área de pastagem e forragicultura, com ênfase na parte de Integração Lavoura-Pecuária através de auxílio e acompanhamento de pesquisas desenvolvidas na Embrapa Gado de Corte, avaliando a viabilidade deste sistema. 2.2 Objetivos Específicos Observar a viabilidade da implantação e realização do consórcio de gramíneas com a cultura do milho safrinha. Analisar a produtividade de matéria seca das gramíneas e do milho e os valores nutritivos das gramíneas cultivadas no consórcio. 3 4 3 DESCRIÇÃO DO ESTÁGIO O estágio foi realizado na Embrapa Gado de Corte, localizada na BR 262, km 4 em Campo Grande no estado do Mato Grosso do Sul. O período do estágio teve início no dia 27 de julho e término no dia 25 de setembro de 2009, totalizando 344 horas. As atividades realizadas eram na maioria relacionadas a pesquisas vigentes por ocasião do estágio curricular e cada uma delas será detalhada neste capítulo (Tabela 1). O mais comum nesta época era a coleta de materiais e o processamento destas amostras coletadas. A coleta era feita sempre com a ajuda de funcionários da Embrapa que trabalhavam a campo, estagiários de diferentes universidades, cursos técnicos ou outras instituições e também dos pesquisadores. Também havia realização de pesquisas por mestrandos e doutorandos de Universidades de todo o país, conveniadas com a Embrapa Gado de Corte. Os mestrandos e doutorandos que desenvolviam os projetos nesta unidade acompanhavam o experimento na íntegra. Bolsistas e assistentes técnicos também faziam parte do elenco para o acontecimento destas pesquisas. Tabela 1 – Carga horária de atividades desenvolvidas no estágio curricular obrigatório na Embrapa Gado de Corte, Campo Grande, MS. Carga horária Atividade desenvolvida Coleta de amostras Análises estatísticas Separação botânica e morfológica Pesagem e moagem de amostras Digitalização de dados e resultados Montagem de planilhas Excel Estimativa visual Palestras assistidas Participação e organização dia de campo Acompanhamento em laboratório Manejo geral de animais Leitura e estudo de materiais da Embrapa Desenvolvimento de textos científicos Tradução de texto para inglês Total de atividades realizadas 36 horas 24 horas 44 horas 16 horas 12 horas 48 horas 12 horas 40 horas 8 horas 24 horas 24 horas 24 horas 20 horas 12 horas 344 horas 4 5 A coleta de amostras foi realizada na época de colheita do milho safrinha e de suposto pastejo do capim. Normalmente era utilizada uma foice ou um facão, para o corte das gramíneas e do milho, que era feito por funcionários e técnicos agrícolas da Embrapa. A separação morfológica consiste na separação dos componentes dos capins: colmo e folha (Figura 1). Esta separação era realizada nas amostras de gramíneas coletadas, sendo feita o mais rápido possível após a coleta para que a perda de umidade das forrageiras não interferisse significativamente nos resultados. Quando a separação não era feita no mesmo dia da coleta, elas permaneciam nos sacos plásticos identificados na câmara fria do pavilhão de apoio (Figura 2), mantidas a 4°C. Figura 1 – Separação morfológica de capim-marandu. Colmo a esquerda e folha a direita. Embrapa Gado de Corte, Campo Grande, MS. Figura 2 – Câmara fria do pavilhão de apoio para armazenagem de amostras da Embrapa Gado de Corte, Campo Grande, MS. 5 6 A pesagem de amostras é feita também no pavilhão de apoio, sendo que a maneira e a quantidade de pesagens realizadas em cada amostra variavam conforme o pesquisador responsável e os objetivos de cada experimento. No caso do experimento em que a estagiária teve maior participação, foram feitas cinco pesagens para os capins e apenas duas para o milho safrinha. A primeira ocorria logo após o transporte das amostras da área em que estavam as forrageiras para o pavilhão, este seria o peso verde total. Após esta primeira pesagem, foi feita a separação morfológica somente dos capins e realizada mais duas pesagens dos componentes folha e colmo, separadamente, assim eram obtidos os valores do peso verde de cada componente. As duas últimas pesagens (Figura 3) foram realizadas após a permanência, por aproximadamente cinco dias, dos sacos de papel que continham os componentes folha e colmo dos capins na estufa com circulação e renovação de ar a 55°C (Figura 4). O milho safrinha foi pesado logo após a coleta e após a permanência na estufa, obtendo-se assim o peso verde e o peso seco. Vale ressaltar que todos os sacos sempre eram devidamente identificados com: data da coleta, nome do pesquisador responsável e descrição do conteúdo do saco. Figura 3 – Pesagens dos componentes folha e colmo para obtenção do peso seco na Embrapa Gado de Corte. 6 7 Figura 4 – Sala de estufas do pavilhão de apoio da Embrapa Gado de Corte. A moagem das folhas e dos colmos era feita após as últimas pesagens, com os componentes já secos. Durante a moagem sempre se utilizavam máscaras devido ao pó produzido no moinho. Os moinhos utilizados eram “tipo willey” (Figura 5) e o material moído era identificado e acondicionado em sacos plásticos que, por sua vez, eram encaminhados para o laboratório de nutrição de plantas. Neste laboratório era realizado o método da espectrometria de reflectância no infravermelho proximal (NIRS) para obtenção de valores nutricionais do material encaminhado para análise. Este método de avaliação nutricional será discutido e detalhado na Revisão de Literatura. 7 8 Figura 5 – Moinhos “tipo willey” da sala de pavilhão de apoio, pertencentes a Embrapa Gado de Corte. Os dados e resultados obtidos através das pesagens e do método NIRS eram digitalizados pelos estagiários e então eram feitas as análises estatísticas através do Sisvar, um programa de análises estatísticas e planejamento de experimentos. Este programa era utilizado com o auxílio do orientador. Era utilizada análise de variância (ANOVA) que é um teste de hipóteses de médias de dois ou mais fatores, utilizado para comparação. As planilhas com as variáveis utilizadas para análise estatística eram montadas pela estagiária com correção do orientador. A estimativa visual normalmente era realizada por três observadores (estagiários, pesquisadores ou técnicos agrícolas) para estimar cobertura do solo no espaço de 1 m2 (delimitado por um quadrado de ferro) que fosse representativo na área que estava sendo avaliada. Os valores estimados pelos observadores eram expressos em porcentual. A estimativa visual também era realiza para estimar a quantidade de cada capim e de invasoras de determinadas áreas. Foi realizada estimativa visual em uma área de capimpiatã, onde havia invasão significativa do capim-marandu (ambos os capins são cultivares da Brachiaria brizantha). Era feita uma média das três notas dos observadores para avaliar o quanto esta avaliação visual correspondia com a realidade. Se isto fosse confirmado, os resultados seriam gerados de maneira mais fácil e rápida nas demais avaliações. Isto porque poderia ser feita uma 8 9 aproximação através dos valores observados na estimativa visual, ao invés de realizar: coletas dos capins, separações das cultivares, pesagens e cálculos de matéria seca (MS) de cada espécie ou cultivar. As palestras assistidas durante o estágio curricular foram realizadas no auditório da Embrapa Gado de Corte, ministradas por funcionários e exfuncionários da Embrapa. As palestras tiveram como assunto a elaboração de textos científicos, com o intuito de preparar os bolsistas e os estagiários para a 5ª Jornada Científica, realizada nos dias 21, 22 e 23 de outubro no mesmo local das palestras. A realização do 2º Dia de Campo de Ovinocultura também ocorreu durante o estágio obrigatório. Este evento ocorreu através de uma parceria com a Embrapa Caprinos e Ovinos e apoio de entidades de iniciativa privada e Governo Estadual e Federal. As palestras e práticas realizadas envolviam a produção de ovinos de corte. O Dia de Campo aconteceu na Fazenda Modelo (Figura 6), pertencente a Embrapa Gado de Corte, localizada no município de Terenos, MS. O evento contou com a presença de acadêmicos, criadores, pesquisadores e professores de diferentes locais e instituições. Figura 6 – Fazenda Modelo, propriedade da Embrapa Gado de Corte, localizada no município de Terenos, MS. As atividades realizadas nos laboratórios foram: o acompanhamento e auxílio na preparação do material para realização de análises pelo método 9 10 NIRS e a mensuração de pH de silagens. Esta mensuração foi realizada através de um pHmetro de bancada, em silagens de capim-piatã, de sorgo e do consórcio de ambos. Estas forrageiras foram cortadas manualmente 70 dias após a semeadura e ensiladas em silos experimentais de PVC, que possuíam 50 cm de altura e 10 cm de diâmetro. O pH destas silagens que foram abertas após 46 dias foi 5,18 da silagem do capim-piatã, 4,13 do sorgo 4,42 do consórcio. Os valores de pH das silagens do sorgo e do consórcio não diferiram estatisticamente, mas foram menores do que a silagem do capim, indicando melhor qualidade das primeiras (QUINTINO, 2009). O tratamento e manejo de animais também foi realizado algumas vezes, durante acompanhamento das atividades do veterinário Samuel Ferreira, que trabalha na Sanidade Animal e faz atendimentos de todo rebanho da Embrapa. Os problemas mais comumente atendidos eram: miíases, papilomatoses, retenções de placenta e ferimentos em geral (principalmente dos animais confinados em baias individuais). Também houve um surto de ectima nos ovinos. A maioria dos animais atendidos era, em ordem decrescente: bovinos, ovinos e eqüinos. Os últimos ocorriam em menor número na empresa porque eram necessários apenas para o manejo dos animais das fazendas. Os ovinos permaneciam na Fazenda Modelo, onde existe uma mangueira específica para esta espécie. Nas horas vagas, no caso da ausência do orientador e quando outro experimento ou atividade não estavam ocorrendo, os estagiários podiam usufruir da biblioteca da unidade (Figura 7), composta por um enorme acervo de livros, periódicos e documentos produzidos pela própria Embrapa, revistas científicas, periódicos, entre outros. Também foi feito o desenvolvimento de textos científicos a partir dos experimentos dos quais a estagiária participou, além de auxílio para tradução para o inglês. Os trabalhos foram enviados para eventos científicos da própria Embrapa. 10 11 Figura 7 – Biblioteca da Embrapa Gado de Corte, Campo Grande, MS. 11 12 4 A INSTITUIÇÃO A Embrapa Gado de Corte é uma empresa pertencente ao governo, de âmbito nacional, Abastecimento vinculada (MAPA). A ao Ministério missão e da objetivo Agricultura, desta Pecuária empresa é e o desenvolvimento de pesquisas para maior conhecimento tecnológico e descoberta de soluções sustentáveis para a pecuária de corte brasileira. A meta é ser referência mundial em soluções tecnológicas para a agropecuária tropical. É premissa da instituição atender à demanda do mercado que exige alimentos seguros e de boa qualidade. A Embrapa já pesquisou e lançou várias forrageiras que são utilizadas por produtores em nosso país. Existem mais de 200 projetos e subprojetos em andamento que visam melhorar o rendimento, qualidade, produção e eficiência da cadeia produtiva da carne bovina. Para atender a essa demanda, esta empresa conta com aproximadamente 193 funcionários, sendo 44 deles pesquisadores com nível de mestrado e doutorado. A unidade também conta com a colaboração de todo Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária, por isso, vale ressaltar que a Embrapa possui 40 unidades disseminadas pelo Brasil, sendo 10 delas na região Centro-oeste, 10 na região Sudeste, 7 na região Nordeste, 7 na região Sul e 6 unidades na região Norte. Existe ainda forte integração com as instituições de ensino superior, escolas agrotécnicas, além de organizações e entidades ligadas aos produtores rurais. Também deve ser citada a colaboração e participação de instituições internacionais da Europa, América do Norte, Japão, Austrália e demais países da América do Sul. Todas as informações sobre as unidades da Embrapa no Brasil e sobre o histórico das mesmas foram retiradas da página do Projeto Memória Embrapa (http://hotsites.sct.embrapa.br/pme/historia-da-embrapa). 4.1 Histórico Embrapa Na década de 1970, o Brasil estava intensificando a agricultura, fazendo-se notar a necessidade de investimento em pesquisa e desenvolvimento na área das ciências agrárias. Seguindo esta linha de 12 13 raciocínio, um grupo de profissionais de extensão rural do Ministério da Agricultura começou a levantar questões relacionadas à falta de conhecimentos técnicos dos agricultores do país. O ministro da Agricultura da época em questão, Luiz Fernando Cirne Lima, constituiu um grupo de pessoas com o objetivo de identificar as dificuldades da produção agropecuária, levantar soluções e obter verbas governamentais para financiar as pesquisas, tudo com a devida legislação para divulgação segura e correta dos trabalhos produzidos. Foi no dia 7 de dezembro de 1972, que o então presidente da República, Emílio Garrastazu Médici, aprovou a Lei nº 5.881, autorizando o Poder Executivo a fundar a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), empresa pública vinculada ao Ministério da Agricultura. Em março de 1973 entrou em vigor o decreto que aprovou os estatutos da empresa e liberou a instalação da mesma. O primeiro diretor-presidente da Embrapa foi José Irineu Cabral, nomeado no dia 26 de abril de 1973, no Ministério da Agricultura. Este diretor-presidente contava com apoio dos diretores: Eliseu Roberto de Andrade Alves, Edmundo da Fontoura Gastal e Roberto Meirelles de Miranda. A infra-estrutura da Embrapa foi instalada inicialmente em Brasília, DF, no Edifício Palácio do Desenvolvimento, onde os diretores da empresa criada recentemente buscaram oportunidades para realização do desenvolvimento das pesquisas voltadas para as ciências agrárias. A partir dessa busca, a Embrapa herdou o Departamento Nacional de Pesquisa e Experimentação (DNPEA) responsável por todos os órgãos de pesquisa existentes naquele momento, além de possuir uma estrutura com 92 bases físicas, sendo 70 destas estações experimentais. Tal fato ocorreu no final do ano de 1973, através de uma portaria do Poder Executivo que encerrou a existência do DNPEA. A criação dos primeiros centros de pesquisa nacionais pela Embrapa ocorreu em 1974, sendo eles divididos conforme produtos de importância para cada região. Os primeiros foram: Embrapa Trigo em Passo Fundo, RS; Embrapa Arroz e Feijão em Goiânia, GO; Embrapa Gado de Corte em Campo Grande, MS e Embrapa Seringueira em Manaus, AM. A distância das unidades e a complexidade das funções da empresa alertaram para a necessidade da criação de Departamentos com a finalidade de maior interação das áreas responsáveis pela execução da pesquisa. Sendo 13 14 assim, foram estipulados sete Departamentos organizacionais: de Diretrizes e Métodos, Técnico-Científico, de Difusão de Tecnologia, de Recursos Humanos, Financeiro e de Informação e Documentação. 4.1.1 Histórico da Embrapa Gado de Corte No dia 28 de abril de 1977 foi oficialmente inaugurado o Centro Nacional de Pesquisa de Gado de Corte (CNPGC), época de regime militar, em que cumpria mandato o presidente General Ernesto Geisel que presenciou o evento. No mesmo ano a cidade de Campo Grande tornou-se capital do estado do Mato Grosso do Sul. Campo Grande foi selecionada para implantação desta instituição de pesquisa por apresentar condições favoráveis para produção de bovinos de corte segundo especialistas desta área. A organização para montagem e promoção de desenvolvimento tecnológico da pecuária por comando do engenheiro agrônomo José Mendes Barcellos, que teve como primeiro obstáculo a adequação das instalações, previamente ocupada pelo Exército, onde existia a Coudelaria e o Regimento da Cavalaria. Duas estruturas foram herdadas pela Embrapa: uma localizada a 15 km do centro, compreendendo 3.081 hectares e a segunda a 40 km do centro da cidade, denominada Fazenda Modelo, com 1.612 hectares. Atualmente a Fazenda Modelo apresenta estrutura para desenvolvimento de pesquisas com caprinos e ovinos, além de possuir rebanho de bovinos de corte. A área construída destas duas bases físicas citadas compreende 20.702,79 m2, onde há campos experimentais, laboratórios, casas de vegetação, biblioteca, centro de informática e benfeitorias de apoio. Benfeitorias de apoio como estacionamento para as máquinas agrícolas e carros da Empresa, refeitório, entre outros. A área de reserva legal registrada constitui 37% da área total. 14 15 5 REVISÃO DE LITERATURA Este capítulo será destinado a uma breve revisão dos principais elementos envolvidos na realização da pesquisa acompanhada. Por isso serão abordados de maneira breve: os capins, o milho safrinha, os herbicidas, o método de avaliação do valor nutritivo das forragens, o teste estatístico de Scott-Knott e os parâmetros nutritivos que foram analisados. Todos estes tópicos visam um melhor entendimento do principal experimento acompanhado no período do estágio. 5.1 Os Capins Todas as espécies e as cultivares utilizadas no experimento fazem parte do portfolio da Embrapa Gado de Corte, sendo que a maioria das cultivares aqui apresentadas foi lançada por esta unidade em conjunto com demais instituições de pesquisa. As informações sobre estas forragens foram extraídas predominantemente de arquivos, panfletos, informativos, cursos, publicações e documentos da Embrapa durante o período do estágio curricular. Os capins que serão discutidos foram eleitos por pesquisadores da unidade devido a grande disseminação e importância na pecuária brasileira, além da adaptação ao clima e ao solo da região dos Cerrados. 5.1.1 Panicum Maximum cv. Mombaça A cultivar Mombaça foi lançada no Brasil em 1993 através de trabalho conjunto entre: Unidades da Embrapa; IAPAR (Instituto Agronômico do Paraná); CEPLAC (Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira); EPAMIG (Empresa Brasileira de Agropecuária de Minas Gerais) e a Embrapa Gado de Corte que coordenou este projeto. Foi coletado pelo IRD (Instituto Francês de Pesquisa Científica e Desenvolvimento em Cooperação) na África. O crescimento deste capim ocorre em touceiras e pode atingir 1,65 m de altura. O capim-mombaça geralmente é comparado ao capim-colonião, porém possui produção superior ao último desde que esteja em solo fértil ou corrigido. No oeste da Bahia, MÜLLER et al. (2002) mostrou que em pastejo rotacionado 15 16 a produtividade média desta cultivar é maior na primavera do que no inverno, pois a sua produção aumenta com o aumento da temperatura mínima. Foi constatada produção de 4.958 kg/ha na primavera e 3.960 kg/ha no inverno com média de descanso de 40 dias e 88 dias, respectivamente (MÜLLER, 2002) em sistema irrigado e solo corrigido e adubado. Conforme informativo da Embrapa Gado de Corte, em quatro anos apresentou ganho médio de 700 kg de peso vivo/ha/ano, em pastejo rotacionado com 2,6 UA/ha e 1 UA/ha no período das águas e seco, respectivamente e solo corrigido e adubado. 5.1.2 Panicum Maximum cv. Tanzânia O capim-tanzânia foi lançado em 1990 em parceria com as Embrapas: Acre, Cerrados, Amazônia Oriental e as mesmas instituições supracitadas (IAPAR, CEPLAC e EPAMIG). Cultivar originalmente coletada na região da Tanzânia, África. É uma planta cespitosa e pode atingir 1,3 m de altura. Suas folhas são decumbentes e não apresentam cerosidade, nem pilosidade. É uma forrageira exigente, não sendo recomendada para solos de baixa fertilidade. A lotação suportada varia conforme estação seca e chuvosa, lembrando que este capim apresenta produção estacional, variando entre 2,0 a 6,0 UA/ha na época das águas e entre 1,0 a 1,5 UA/ha no período seco, em solos de alta fertilidade e bem manejados. Nessas condições o ganho de peso vivo por hectare/ano varia de 600 a 1.200 kg, conforme informa a Embrapa Gado de Corte. 5.1.3 Panicum maximum cv. Massai O capim-massai é um híbrido espontâneo do Panicum maximum e P. infestum, liberado em 2001 e lançado pela Embrapa Gado de Corte. Foi coletado pelo IRD na Tanzânia, África. Esta planta cresce em forma de touceiras típicas com média de 60 cm de altura. Apresenta formação de perfilho em quantidade superior a qualquer outra cultivar do gênero Panicum. É caracterizada por sua rusticidade, fácil manejo, boa cobertura de solo e aceitabilidade por bovinos, ovinos, caprinos e eqüinos. A produtividade animal pode variar entre 500 a 750 kg de peso vivo/hectare/ano, considerando solos de alta fertilidade, bem manejados e com 16 17 capacidade de suporte de 3 a 6 UA/ha nos meses das águas e de 1,5 a 2 UA/ha no período seco. 5.1.4 Brachiaria brizantha cv. Piatã A cultivar BRS Piatã foi selecionada na Embrapa Gado de Corte após 16 anos de avaliações em materiais coletados na década de 1980 na região de Welega, no país da Etiópia, no Continente Africano. Conta-se com a parceria da Unipasto (Associação para o fomento à pesquisa de melhoramento de forrageiras tropicais) para divulgação, comércio e pesquisa desta nova cultivar. Foi apresentada pela Embrapa Gado de Corte em 2006. Este capim pode ser cultivado em todos estados da região Centro-Oeste e Sudeste, oeste da Bahia e demais áreas de Mata Atlântica desse estado. É indicado para regiões de clima tropical e tropical úmido, sendo assim também é indicado para região pré-amazônica: norte do Mato Grosso, Tocantins, Rondônia, Acre e sul do Pará. Esta planta se apresenta em touceiras, sendo ereta e cespitosa com altura média de 0,8 a 1,10 m. Sua lâmina foliar é glabra e o colmo apresenta poucos pêlos claros. A inflorescência é diferente das demais cultivares de B. brizantha, uma vez que apresenta maior quantidade de racemos, são 12 dispostos quase na horizontal. As sementes são menores do que as da cultivar Xaraés. A produção total média anual de forragem é de 9,5 t/ha de matéria seca, lembrando que esta forrageira pode ser cultivada em solos de média fertilidade e é tolerante a solos com má drenagem. Pode ser consorciada com leguminosas devido ao seu hábito de crescimento e também pode ser utilizada na integração lavoura-pecuária devido ao crescimento inicial mais lento quando comparado ao capim-marandu e ao xaraés, e crescimento alto após colheita. 5.1.5 Brachiaria brizantha cv. Marandu Esta cultivar foi liberada pela Embrapa Gado de Corte e Embrapa Cerrados em 1984 e foi originalmente coletada no Zimbábue, África. Também conhecida como “brizantão” ou “brachiarão”, estima-se que há aproximadamente 70 milhões de hectares cultivados com este capim no Brasil, 17 18 sendo muito popular. Pode ser encontrado no Brasil Central Pecuário; na região Norte, aonde é cultivado em larga escala; na região Nordeste, é cultivado apenas aonde ocorre precipitação acima de 800 mm anuais; na região Sul apresenta bom desempenho no norte do Paraná, lembrando que este capim não é tolerante a geadas, portanto em regiões com inverno mais rigoroso é indicado apenas como pastagem de verão. É uma planta cespitosa, com bainhas pilosas e folhas de pouca pilosidade na face ventral e nenhuma na face dorsal. Seus afilhos podem atingir até 1,5 m de altura. Possui boa adaptação a solos de cerrado de média a boa fertilidade natural. A capacidade de suporte deste capim varia entre 1,5 e 2,4 UA/ha no período das águas e entre 0,8 e 1,2 UA/ha na seca, considerando solos bem manejados e de média fertilidade. Nessas lotações a produtividade de peso vivo por hectare por ano varia de 400 a 500 kg. 5.1.6 Brachiaria brizantha cv. Xaraés A cultivar Xaraés se encontra disponível desde 2003, após 15 anos de estudos e avaliações. Foi estudada em parceria com Embrapa Cerrados, Embrapa Amazônia Oriental, Embrapa Gado de Leite, CEPLAC, Instituto de Zootecnia de São Paulo, Universidade Estadual de Maringá (UEM) e Unipasto. É uma planta cespitosa que pode atingir 1,5 m de altura. Possui folhas lanceoladas e longas, com poucos pêlos, e de coloração verde escuras. Seus colmos enraízam nos nós. Esta cultivar é exigente em fertilidade, sendo classificada como intermediária entre a cultivar Marandu e as cultivares de Panicum. Indicações e recomendações para este capim são semelhantes àquelas para a cultivar Tanzânia. A capacidade de suporte varia entre 2,5 a 6 UA/ha nos meses das águas e entre 1,4 a 2,2 UA/ha no período seco, desde que em solos bem manejados e de média fertilidade. Nessas condições a produtividade de peso vivo por hectare por ano varia de 600 a 810 kg. 5.1.7 Brachiaria ruziziensis Esta espécie é originária da África, mais especificamente do Zaire e região oeste do Kenya. Locais em que há condições úmidas (precipitações 18 19 acima de 1.000 mm anual), porém não inundáveis. Este capim apresenta muitas semelhanças com a Brachiaria decumbens, diferindo no porte, pois a última é de porte menor que a B. ruziziensis. É uma espécie perene, cresce em touceiras suberetas e pode atingir até 1,5 m de altura. Suas bainhas apresentam pilosidades e suas folhas são lanceoladas e lineares, de coloração verde amareladas. Sua produção anual de matéria seca pode chegar a 14 toneladas por hectare por ano. 5.1.8 Brachiaria decumbens A primeira introdução de B. decumbens no Brasil ocorreu no IPEAN (Instituto de Pesquisas e Experimentação Agropecuária Norte) em 1952, segundo SERRÃO & SIMEÃO NETO (1971). É uma espécie perene, existente no leste tropical do continente Africano, aonde é considerada pastagem nativa. Nesta região o clima é moderadamente úmido e a altitude acima de 800 m, ocorrendo em solos férteis ou de média fertilidade e em áreas de pastagens abertas ou com arbustos esporádicos. A B. decumbens, também conhecida como “braquiarinha”, cresce em vários tipos de solo, porém exige boa fertilidade e requer boa drenagem para que apresente bom desempenho. Possui forma de crescimento de touceira decumbente, podendo atingir até um metro de altura. Este capim tolera estação seca não superior a quatro ou cinco meses, e necessita de precipitação anual acima de 1000 mm (VILELA, 1977). Considerando-se uma lotação anual de 2 UA/ha/ano em média, a produção de matéria seca anual desta espécie atinge de 8 a 12 toneladas por hectare. Esta pastagem deve receber um manejo adequado, evitando excesso de acúmulo de folhas mortas, quando destinada à alimentação animal devido a potencial desenvolvimento do fungo Pithomyces chartarum que causam um processo hepatotóxico, levando a fotossensibilização em bovinos (SCHENK & SCHENK, 1983). Os mesmos autores também relatam que essa fotossensibilização também pode ocorrer em bovinos que pastejam em B. brizantha cv. Marandu. 19 20 5.2 O Milho Safrinha O milho utilizado no experimento foi o BRS 2020, um híbrido desenvolvido pela Embrapa Milho e Sorgo, que apresenta ciclo precoce e porte baixo. Recomendado pela Empresa para plantio na safra de verão e apresenta também bom desempenho na safrinha nos estados do Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. A densidade populacional indicada para esta forrageira é de 55.000 plantas por hectare. O milho safrinha é vastamente utilizado nas culturas de outono-inverno no Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul. Geralmente esta forrageira é cultivada em fevereiro e março, com poucos insumos, em áreas de média a alta fertilidade e solos de textura argilosa (com maior capacidade de retenção da água). Nestes casos, em que a área é destinada a produção de grãos, são obtidas produtividades entre 3.000 a 4.000 kg/ha (BROCH et al., 2007; CECCON & XIMENES, 2007). O milho safrinha tem sido utilizado em sistemas ILP, sendo consorciado com capins, com o objetivo de produzir forragem e palhada para o plantio direto (ALVARENGA et al., 2006). No Bioma do Cerrado, o consórcio do milho safrinha com capins permite não somente a produção de grãos do milho como também aumenta a produção de palhada, viabilizando o plantio direto com a sucessão soja-milho safrinha (BROCH & CECCON, 2007). Além dessa possibilidade do plantio direto com a soja, foram relatados aumentos na produtividade da última, de 3 a 10 sacas/ha nessas áreas que foram previamente cultivadas com o consórcio de milho e braquiárias no Mato Grosso do Sul (BORTOLINI, 2007), e de 8,8 sacas/ha a mais no Mato Grosso (BROCH et al., 2007). 5.3 Os Herbicidas Os herbicidas utilizados para supressão foram Atrazine e Nicosulfuron. A Atrazine é um herbicida seletivo utilizado no controle pré e pós emergência de plantas infestantes de várias culturas agrícolas, principalmente o milho, a canade-açúcar e o sorgo. Atrazine é o nome comum utilizado para o composto químico pertencente à família da s-triazina, mais especificamente ao grupo das clorotriazinas, devido à presença de cloro em sua estrutura molecular. Estudos 20 21 comprovam que este herbicida contribui significativamente para redução de invasoras de folhas largas (OLIVEIRA, 2001). O Nicosulfuron (SANSON 40 SC) pertence ao grupo químico das sulfoniluréias, sendo responsáveis por inibir a enzima acetolactato sintase (ALS). Esta enzima é a primeira empregada para o caminho do acontecimento da biossíntese dos aminoácidos de cadeia ramificada: valina, leucina e isoleucina em plantas e microorganismos. A mistura Atrazine + Nicosulfuron é comumente utilizada, isto porque o primeiro herbicida controla as plantas daninhas na fase de pós-emergência precoce da cultura e o segundo na fase de pós-emergência inicial. A pósemergência precoce se refere à fase que vai da emergência até o estádio de duas folhas abertas no caso do milho e, tratando-se de gramíneas, é a fase antes do perfilhamento. A pós-emergência inicial é o período que se inicia quando há três folhas abertas, indo até a abertura da quinta folha do milho e para as gramíneas anuais ocorrem quando há presença de um a dois perfilhos. 5.4 Teste de Scott-Knott Nos resultados do presente estudo foi aplicado o teste aglomerativo de Scott-Knott (1974) que visa apartar médias de tratamentos em grupos diferentes, minimizando a variação dentro e maximizando a variação entre grupos. Tal fato facilita a interpretação dos resultados por não ser ambíguo, sendo um teste objetivo e de poder elevado (BORGES, 2003). O coeficiente de variação é uma medida obtida através do desvio padrão dividido pela média e multiplicado por 100, pois é expresso em porcentual. Este valor porcentual é a estimativa estatística de precisão do experimento realizado. Segundo PIMENTEL-GOMES (1987), conforme obtido em ensaios agrícolas de campo, um coeficiente de variação é considerado baixo quando seu valor é inferior a 10%, médio quando é de 10 a 20%, alto de 20 a 30% e muito alto quando superior a 30%. O coeficiente de variação constatado no experimento relatado no próximo capítulo se enquadra na classe de valor médio. 21 22 5.5 Método de análise NIRS O método NIRS (Near Infrared Reflectance Spectroscopy) que significa espectrometria de reflectância no infravermelho proximal foi utilizado para fazer análise das amostras das gramíneas contempladas na pesquisa. O método de análise bromatológica tradicional exige tempo mais prolongado do que para realização do método NIRS, além de ser necessária mais mão-de-obra especializada nos laboratórios. As vantagens da análise pelo NIRS são várias: boa exatidão de resultados; baixo custo; exigência de pouca mão-de-obra; não emite poluentes nocivos ao meio; curto tempo de análise (aproximadamente um minuto por amostra, dependendo do aparelho); preparo fácil e rápido do material para ser analisado. Além dessas vantagens, são obtidos concomitantemente nove parâmetros de valor nutriticional: matéria orgânica, proteína bruta, fibra em detergente neutro, fibra em detergente ácido, digestibilidade in vitro da matéria orgânica, lignina em ácido sulfúrico, lignina em permanganato de potássio, celulose e sílica. As desvantagens ou limitações são: a calibração, que requer tempo e treinamento específico, algumas amostras podem exigir novas calibrações e o custo e manutenção do aparelho. O princípio desta análise ocorre a partir da absorção da luz infravermelha proximal por compostos orgânicos. É uma técnica analítica que usa como fonte de luz produtora de comprimento de onda de 700 a 2.500 nm, o que revela todos compostos orgânicos, pois cada um deles possui diferentes perfis de absorção (MARTEN, 1985). Os resultados obtidos através da análise do NIRS são considerados precisos e de boa qualidade. 5.6 Parâmetros nutritivos As forragens são divididas conforme a disponibilidade nutricional, pelo método de Van Soest (1975) em parcelas geralmente disponíveis, parcialmente disponíveis e em geral indisponíveis (MAYNARD et al., 1984). Para esta separação é utilizado um agente quelífero que irá separar os metais pesados e contaminações alcalinas da terra dos componentes restantes. A fervura da amostra em detergente neutro remove a fração da parede celular, constituída por celulose, hemicelulose e lignina. Os últimos, por sua vez, formam a fibra 22 23 em detergente neutro (FDN). A fervura seguinte em detergente ácido remove a celulose e a lignina, ambas componentes da fibra em detergente ácido (FDA), a partir da hidrólise da hemicelulose que se encontra livre e daquela que está combinada com a lignina. A oxidação da lignina com permanganato de potássio remove a celulose e as cinzas, que expostas à ignição (inflamação de fogo), apresentam o valor da celulose (MAYNARD et al., 1984). O conteúdo celular é composto por cinzas, extrato etéreo, proteína, açúcares e amido. Os últimos são classificados como amplamente disponíveis. Já a parede celular é disponível conforme a quantidade de lignina impregnada em seus componentes, uma vez que esta é indisponível. A FDN apresenta disponibilidade variável conforme o teor de lignificação da hemicelulose e da celulose e a FDA conforme lignificação da celulose (MAYNARD et al., 1984). A celulose é a substância mais abundante nos vegetais fibrosos, pois é o principal componente estrutural da parede celular das plantas. Também fazem parte da estrutura da parede celular: a hemicelulose, a lignina, a sílica e vestígios de proteína. A estrutura química da celulose é formada por uma cadeia longa de inúmeras unidades de glicose, por isso classifica-se como um polissacarídeo ou um carboidrato. As ligações entre as glicoses são muito estáveis, o que torna este polissacarídeo insolúvel e muito resistente à degradação enzimática. Embora não possa ser degradada por nenhuma enzima de mamíferos, pode ser degradada por fungos ou bactérias presentes no trato gastrintestinal de ruminantes, por exemplo (MAYNARD et al, 1984). A lignina é um composto heterogêneo, pertencente a uma classe de compostos não-carboidratos. Serve de apoio para as paredes celulares dos vegetais e por isso é analisada concomitantemente com os carboidratos (MAYNARD et al., 1984). A lignina não pode ser digerida pelos microorganismos presentes no rúmen, nem mesmo pelas enzimas digestivas dos ruminantes. Ela possui elevado peso molecular e sua fórmula e estrutura variam bastante. É encontrada nas partes lenhosas dos vegetais: sabugos, cascas, parcelas fibrosas das raízes, galhos e folhas. A lignina se liga a uma fração da fibra, a parede celular, e dificulta o contato de enzimas microbianas com a fibra, diminuindo a digestibilidade de toda a fração impregnada por ela, principalmente da celulose. 23 geralmente da hemicelulose e, 24 Gramíneas e leguminosas tropicais tendem a ter mais lignina do que as de clima temperado. A porcentagem de lignina é maior nas no caule do que nas folhas e incrementa com o avanço da maturação sendo maior nas gramíneas do que nas leguminosas (ABRAHÃO, 1991). A hemicelulose é uma molécula complexa e heterogênea. Sua estrutura é formada por vários polímeros de monossacarídeos como: glicose, xilose, manose, arabinose e galactose. A molécula que predomina na estrutura da hemicelulose é a Xiloglucan que, por sua vez é formada por uma cadeia de unidades de glicose e xilose. A xiloglucan é ligada a fração péctica da parede celular através de ligações covalentes e a estrutura da celulose através de ligaduras do hidrogênio. Estas ligações conferem vigor às células vegetais. A hemicelulose não é tão resistente a desagregação química como a celulose e por isso é classificada como um carboidrato solúvel em solução alcalina fraca (MAYNARD et al., 1984). As proteínas são compostos orgânicos de natureza coloidal formados fundamentalmente pelos seguintes elementos químicos: carbono, hidrogênio e nitrogênio. Podem conter ainda enxofre, fósforo, cobre, entre outros. A estrutura de uma molécula de proteína é extremamente complexa e seu peso molecular é bem elevado. Esta molécula é formada por estruturas mais simples que são os ácidos orgânicos denominados aminoácidos que apresentam a função amina como fórmula geral. A diferenciação da proteína para um lipídio ou um glicídio se dá através da presença do nitrogênio na composição química da proteína. Por isso o teor de nitrogênio de uma forragem é um dos principais fatores determinantes para a qualidade da mesma, podendo variar de 15 a 19% (ANDRIGUETTO et al.,1982). A digestibilidade in vitro é uma metodologia utilizada para simular a digestão no trato gastrintestinal de ruminantes. Este método permite estimar valores de digestibilidade da matéria orgânica. A matéria orgânica, por sua vez, refere-se a todos os elementos que contêm carbono em sua estrutura. A glicose seria um exemplo, mostrando que a matéria orgânica é um componente bem dinâmico. A digestibilidade in vitro da matéria orgânica (DIVMO) foi utilizada no experimento que será detalhado no próximo capítulo. É importante lembrar que a digestibilidade de vegetais variam conforme as suas diferentes porções e estágios de desenvolvimento. Quanto à qualidade 24 25 das porções das plantas, a maior importância seria destacar a superioridade das folhas em relação ao caule. As folhas geralmente são mais ricas em proteínas e apresentam maior palatabilidade e digestibilidade. O fato do desenvolvimento afeta, por exemplo, o teor de proteína das folhas que diminui com o envelhecimento de gramíneas. A qualidade de diferentes frações da planta também diminui com o início do florescimento e maturação, uma vez que ocorre a movimentação de carboidratos solúveis das folhas e caule para a inflorescência. Este fator também causa aumento de lignificação nas folhas, alterando a relação entre folhas e caule (ABRAHÃO, 1991). 25 26 6 PRINCIPAL EXPERIMENTO ACOMPANHADO 6.1 Material e Métodos O experimento de Integração Lavoura-pecuária foi conduzido na Embrapa Gado de Corte, Campo Grande, MS, localizada à 20°27’ de latitude Sul, 54°37’ de longitude Oeste e a 530 m de altitude, no período de março a agosto de 2009. O padrão climático dessa região está na faixa de transição entre Cfa e Aw tropical úmido, segundo a classificação de Köppen. Apresenta o verão chuvoso e inverno seco (OMETTO, 1981). A precipitação média anual é de 1.500 mm, sendo que os meses de outubro, novembro, dezembro, janeiro, fevereiro e março são considerados os meses das “águas”, concentrando aproximadamente 70% da precipitação anual. Os meses restantes (maio até setembro) são caracterizados pelo período seco com aproximadamente 30% da precipitação anual. O solo do local em que foram pesquisados os capins e o milho é caracterizado como Latossolo Vermelho, de textura argilosa. O milho utilizado para plantio foi o BRS 2020, um híbrido desenvolvido pela Embrapa Milho e Sorgo. Os capins utilizados foram três do gênero Panicum, sendo eles: P. maximum cultivares Massai, Mombaça e Tanzânia; e cinco do gênero Brachiaria: B. brizantha cvs. Marandu, Xaraés e Piatã; Brachiaria decumbens e B. ruziziensis. O plantio dos capins e do milho foi simultâneo, realizado no dia 17 de março de 2009, sendo utilizado espaçamento de 25 cm nas entre linhas e profundidade 1 a 4 cm para todos os capins. A densidade de semeadura utilizada para os capins do gênero Brachiaria foi 6 kg/ha de sementes puras viáveis (SPV) e 4,5 kg/ha de SPV para os capins do gênero Panicum. A adubação feita no plantio foi de 300 kg/ha da fórmula 10-25-15 de NPK e a adubação de cobertura foi de 150 kg/ha de uréia. O delineamento foi em blocos completamente casualizados, onde foram desenvolvidos três tratamentos e quatro repetições. Foram coletadas amostras de cada bloco e tratamento para análise de matéria seca total e massa seca de folhas. Os três procedimentos de tratamento realizados nos capins foram: sem supressão, ou seja, crescimento livre; supressão parcial, em que foi utilizado 26 27 0,15 L/ha de Nicosulfuron mais 1,0 L/ha de Atrazine e por fim, na supressão total, em que foi utilizado 0,8 L/ha de Nicosulfuron mais 2,0 L/ha de Atrazine. As coletas de amostras foram realizadas no final de julho, 134 dias após a semeadura. A área de coleta foi de 1 m2, delimitada por um quadrado de metal de 1 m x 1 m. Após a coleta foi determinado o peso verde (fresco) e, em seguida era separada uma subamostra para ser realizada a separação morfológica (separação dos componentes colmo e folha). Terminada a separação as amostras eram identificadas e levadas para uma estufa de ar forçado a 55°C aonde estas permaneciam no mínimo por 72 horas para secagem do material, para posterior moagem e realização do peso seco para realizar o cálculo da matéria seca. Após a secagem das amostras nas estufas e pesagens, as mesmas foram moídas em moinhos “tipo willey” e encaminhadas para o laboratório de nutrição de plantas, aonde foi feita determinação do valor nutritivo através do aparelho NIRS (Near Infrared Reflectance Spectroscopy) segundo MARTEN et al. (1985). As amostras para determinação dos parâmetros nutritivos foram coletadas 139 dias após a semeadura, em delineamento completamente casualizado. Os parâmetros analisados foram: proteína bruta (PB), fibra em detergente neutro (FDN), fibra em detergente ácido (FDA), digestibilidade in vitro da matéria orgânica (DIVMO), lignina em ácido sulfúrico (Lig S) e celulose (Cel). Além da matéria seca total, foram contados os números de plantas de milho em cinco metros de linha em cada tratamento de todos os capins e também no milho testemunha (milho solteiro). Os dados foram submetidos à análise de variância (ANOVA) e as médias foram comparadas pelo teste aglomerativo de Scott-Knott a 5% de probabilidade, usando-se o aplicativo estatístico Sisvar versão 5.1 (programa de análises estatísticas e planejamento de experimentos). 6.2 Resultados e Discussão A média da produção de MS total por hectare em cada tratamento dos oito capins analisados foi: 3.866 kg/ha para o tratamento sem supressão; 3.309 kg/ha na supressão parcial e 3.296 kg/ha de MS na supressão total. Vale 27 28 destacar que não houve diferença estatística significante (P>0,05) entre os últimos dois tratamentos. A ineficiência dos tratamentos com as doses de herbicida utilizadas pode ser explicada devido ao regime pluviométrico atípico do ano presente, pois foi verificado um longo período de estiagem durante o desenvolvimento inicial do milho, compreendendo 36 dias (final do mês de março até início de maio). Houve precipitação de aproximadamente 168 mm do início de maio até final de julho, segundo os registros da estação meteorológica INMET - A702 (www.inmet.gov.br). Os capins que mais produziram MS foram: mombaça e piatã com 4.606 kg/ha e 4.599 kg/ha, que não diferiram estatisticamente entre si (P>0,05), em seguida ruziziensis e tanzânia, com 3.893 kg/ha e 3.704 kg/ha, respectivamente. Decumbens, marandu, xaraés e massai, com os menores índices de produtividade, produziram: 3.483 kg/ha, 3.364 kg/ha, 3.027 kg/ha e 1.248 kg/ha, respectivamente (Tabela 2). Ressaltando que estes valores são uma média dos três tratamentos utilizados. Tabela 2 – Porcentagem e matéria seca (MS) de folhas e produtividade de gramíneas tropicais no consórcio com o milho safrinha. Campo Grande, MS. Capins % de folha MS de folha (kg/ha) MS total (kg/ha) Mombaça 61,46 2.818 4606 A Piatã 53,42 2457 4599 A Tanzânia 61,16 2276 3704 B Xaraés 64,56 1952 3027 C Ruziziensis 47,12 1842 3893 B Marandú 52,13 1750 3364 C Decumbens 45,7 1600 3483 C Massai 76,28 953 1248 D A>B>C>D, na coluna, pelo teste de Scott-Knott (P<0,05); CV = 14,62%. Em relação às diferentes doses de herbicida, não houve diferença estatística significativa na produção de MS do componente folhas para o capim-mombaça. Já no caso do capim-tanzânia, a produção no tratamento sem supressão foi maior (Tabela 3) em comparação aos outros tratamentos. Estes fatos concordam com resultados já obtidos por outros autores para essas duas cultivares, que desempenham alta produtividade mesmo em período seco (em sistema de boa fertilidade) e em cultivo simultâneo com o sorgo (KICHEL et al., 28 29 2008; 2009) e também com o milho (ZIMMER et al., 2009; KICHEL et al., 2009). No tratamento de supressão parcial o capim-mombaça diferiu do capimpiatã e do capim-tanzânia, sendo superior aos últimos. Na supressão total apenas o capim-tanzânia diferiu dos dois primeiros, sendo inferior. Estes três capins de maior produtividade não diferiram estatisticamente no tratamento sem supressão, como pode ser visto na tabela 3. Tabela 3 – Produtividade de MS de folhas de forrageiras em consórcio com milho na safrinha (BRS 2020), em diferentes doses de herbicida utilizadas. Campo Grande, MS. Dose do herbicida Capins Sem supressão Supressão Parcial Supressão total ---------- kg/ha de MS -----------Mombaça 2885 Aa 2860 Aa 2708 Aa Piatã 2653 Aa 2295 Ba 2423 Aa Tanzânia 2753 Aa 2179 Bb 1897 Bb Ruziziensis 2290 Ba 1599 Cb 1636 Bb Marandu 2139 Ba 1582 Cb 1528 Bb Xaraés 1903 Ca 2056 Ba 1899 Ba Decumbens 1800 Ca 1255 Db 1747 Ba Massai 924 Da 1056 Da 879 Ca a>b, na linha, pelo teste de Scott-Knott (P<0,05); CV = 16% A>B>C>D, na coluna, pelo teste de Scott-Knott (P<0,05); CV = 14,31%. FONTE: COSTA et. al (2009b) O capim-massai e Brachiaria decumbens obtiveram os menores índices de produtividade. É provável que o capim-massai, que obteve a menor produtividade em todos os tratamentos, tenha sofrido com os meses de seca, discutidos anteriormente, causando déficit hídrico que diminuiu o crescimento deste capim. O menor crescimento deste capim na seca concorda com os resultados obtidos por ANDRADE et al. (2004). A cultivar Marandu e B. ruziziensis tiveram produtividade intermediária e os seus comportamentos em relação aos tratamentos foram estatisticamente iguais (Tabela 3). Assim como ocorreu para a matéria seca, não houve diferença estatística (P>0,05) entre os tratamentos com herbicida para todos os capins, quanto aos resultados para o valor nutritivo. Quanto ao valor de proteína bruta (PB), os capins mombaça e piatã tiveram os maiores valores expressos em kg/ha no componente folha em todos os tratamentos (Tabela 4). Em seguida, os capins tanzânia e ruziziensis foram os de maior produtividade. A produção 29 30 foi maior no tratamento sem supressão e estatisticamente menor no tratamento de supressão parcial e total. Isto ocorreu entre mombaça e piatã e, em seguida com menor produtividade, entre tanzânia e ruziziensis. Observa-se que estes quatro capins com maior produtividade de PB concordam com as maiores produtividades de MS. Tais resultados concordam também no caso do capimmassai que foi o menos produtivo quantitativamente no presente estudo, tanto em MS como em PB, nos três tratamentos. No tratamento de supressão total as gramíneas: tanzânia, ruziziensis, marandu, xaraés e decumbens não diferiram estatisticamente (P>0,05) na quantidade de PB no componente folha. Na supressão parcial, destas últimas cinco gramíneas, apenas decumbens diferiu das demais, juntamente com o massai, tendo ambos os menores índices produtivos de PB no componente folha neste tratamento. Tabela 4 – Produtividade de proteína bruta no componente folha, em diferentes doses de herbicida utilizadas. Campo Grande, MS. Dose do herbicida Capins Sem supressão Supressão Parcial Supressão total ---------- kg/ha de PB ---------Mombaça 403,92 Aa 371,18 Aa 381,97 Aa Piatã 403,84 Aa 377,01 Aa 390,06 Aa Tanzânia 369,19 Aa 301,12 Bb 240,18 Bb Ruziziensis 367,56 Aa 265,20 Bb 255,19 Bb Marandu 321,34 Ba 274,21 Ba 254,04 Ba Xaraés 293,40 Ba 293,28 Ba 264,66 Ba Decumbens 285,36 Ba 195,46 Cb 289,42 Ba Massai 140,53 Ca 153,25 Ca 136,33 Ca a>b, na linha, pelo teste de Scott-Knott (P<0,05); CV = 14,02%. A>B>C, na coluna, pelo teste de Scott-Knott (P<0,05); CV = 16,33%. FONTE: COSTA et al. (2009b) Os valores de PB total (folha e colmo) dos três tratamentos realizados foram maiores para as cultivares Piatã e Mombaça, com 515 kg/ha e 481 kg/ha de PB, seguidos por ruziziensis e tanzânia com 421 kg/ha e 389 kg/ha, respectivamente. Os capins decumbens, marandu e xaraés não diferiram estatisticamente, apresentando 371 kg/ha; 354 kg/ha e 340 kg/ha de PB, respectivamente. Por último, o capim-massai com menor produção total de PB, com 169 kg/ha. 30 31 Os resultados dos valores nutritivos mostraram que os capins Brachiaria decumbens e B. ruziziensis (Tabelas 5 e 6) se mostraram superiores por apresentar menor teor de FDN, FDA, Lig S e Cel, e consequentemente maior DIVMO. A cultivar Massai não diferiu estatisticamente deste grupo, apresentando também maior valor de DIVMO e foi superior a todos os outros capins no valor de DIVMO do colmo. O capim-xaraés obteve os maiores valores para FDN e Lig S, tendo em conseqüência a menor DIVMO. Os valores obtidos para decumbens em monocultivo por EUCLIDES & MEDEIROS (2003) são inferiores aos relatados no presente estudo. Os capins marandu, mombaça e tanzânia apresentaram valores de FDN e DIVMO semelhantes aos encontrados aos encontrados por CARVALHO et al. (2002) em folhas. Os resultados de valores nutritivos encontrados pelos mesmos autores citados foram maiores em áreas sombreadas do que ensolarada. Este fator é positivo para sistemas ILP, principalmente neste caso em que o milho provoca sombreamento nos capins. Tabela 5 – Valor em % de proteína bruta (PB), fibra em detergente neutro (FDN) e fibra em detergente ácido (FDA) dos componentes folha e colmo dos capins consorciados com o milho BRS 2020. Campo Grande, MS. PB FDN FDA Capins Folha Colmo Folha Colmo Folha Colmo Massai 15,01 A 8,69 A 74,27 A 82,38 B 35,92 B 47,78 B Tanzânia 13,30 B 5,97 B 73,96 A 84,82 B 39,76 A 53,03 A Marandu 16,33 A 4,39 B 72,90 A 88,91 A 34,67 B 55,40 A Xaraés 14,54 B 5,21 B 76,04 A 89,67 A 36,44 B 55,69 A Mombaça 13,70 B 5,49 B 75,99 A 85,71 A 39,69 A 53,76 A Piatã 15,92 A 5,78 B 68,35 B 82,98 B 31,31 C 49,85 B Decumbens 16,00 A 6,06 B 63,73 C 81,60 B 27,53 D 50,71 B Ruziziensis 16,08 A 6,14 B 61,58 C 75,58 C 27,11 D 44,48 C A>B>C>D, na coluna, pelo teste de Scott-Knott (P<0,05). FONTE: COSTA et al. (2009b) Os capins piatã, mombaça, marandu e tanzânia não diferiram estatisticamente na DIVMO para folhas, sendo capim xaraés o de menor digestibilidade (Tabela 6). Também no mês de julho foram encontrados valores de DIVMO semelhantes por EUCLIDES & MEDEIROS (2003). Os capins massai, decumbens e ruziziensis tiveram os maiores valores de DIVMO nas folhas, não diferindo estatisticamente. Nota-se que a DIVMO do colmo do capim-massai é superior estatisticamente a todos outros capins, 31 32 provavelmente devido ao atraso no crescimento do mesmo, que obteve a menor produção entre as demais forrageiras. As cultivares Mombaça e Tanzânia obtiveram os maiores valores porcentuais de celulose nas folhas, seguidos por xaraés e massai que não diferiram estatisticamente (P<0,05). Marandu e piatã em seguida e, por último com o menor teor de celulose B. ruziziensis e B. decumbens. Tabela 6 – Valor em % da digestibilidade in vitro da matéria orgânica (DIVMO), lignina em ácido sulfúrico (Lig S) e celulose (Cel) dos componentes folha e colmo dos capins consorciados com o milho BRS 2020. Campo Grande, MS. DIVMO Lig S Cel Capins Folha Colmo Folha Colmo Folha Colmo Massai 74,74 A 61,17 A 2,96 A 4,74 B 25,74 B 34,46 B Tanzânia 66,84 B 49,67 B 3,37 A 5,42 B 28,39 A 36,48 A Marandu 67,28 B 37,64 C 3,26 A 6,31 A 24,39 C 36,42 A Xaraés 61,12 C 39,91 C 3,35 A 6,36 A 25,74 B 36,60 A Mombaça 67,96 B 46,36 C 3,45 A 6,13 A 28,49 A 36,64 A Piatã 68,94 B 44,02 C 3,10 A 5,83 A 23,41 C 33,67 B Decumbens 72,27 A 39,11 C 2,45 B 6,34 A 18,81 D 34,02 B Ruziziensis 76,17 A 52,94 B 2,24 B 4,92 B 18,54 D 29,80 C A>B>C>D, na coluna, pelo teste de Scott-Knott (P<0,05). FONTE: COSTA et al. (2009b). Os valores encontrados para produtividade do milho foram maiores para o milho testemunha e para aquele cultivado com o capim-massai, com 4671 e 4497 kg/ha de MS, respectivamente (Tabela 7). O mesmo ocorreu no crescimento livre (sem supressão), o milho testemunha e o milho cultivado com o massai obtiveram os melhores índices produtivos, com 4805 e 4994 kg/ha e, em seguida, todos os demais capins que não diferiram estatisticamente. No tratamento de supressão parcial o milho cultivado com o marandu e decumbens, com 3878 e 3810 kg/ha de MS, respectivamente não diferiram dos dois mais produtivos no crescimento livre. Na supressão total o milho safrinha em cultivo com mombaça e xaraés obteve 3663 e 3720 kg/ha de MS, respectivamente e não diferiram dos maiores produtores que foram: o milho testemunha, 4454 kg/ha e o milho cultivado com massai, com 3945 kg/ha. Como não houve diferenciação estatística para os tratamentos de cada capim, os valores da tabela 7 são resultados da média dos três tratamentos. A média do número de plantas é uma variável pouco eficaz para correlação da produção da MS, uma vez que em uma determinada parcela do 32 33 experimento pode-se ter um menor número de plantas, porém elas podem ser mais altas e com maior número de folhas e grãos, obtendo maior teor de MS. Por isso não foi constatada boa correlação para eficiência do plantio e da produtividade quando foi realizada a contagem do número de plantas no presente experimento. Tabela 7 – Média do número de plantas em 5 metros de linha e produtividade do milho safrinha cultivado simultaneamente com gramíneas tropicais em Campo Grande, MS. Capins Média n° de plantas kg/ha de MS Mombaça 31,7 3278 Xaraés 28,3 3458 Piatã 21,7 3078 Tanzânia 19,0 2807 Massai 21,6 4497 Marandu 21,6 3563 Decumbens 22,7 3230 Ruziziensis 29,4 2991 Milho solteiro 27,7 4671 As características de maior importância nas forragens são aquelas que limitam o consumo voluntário do alimento (MERTENS, 1994). A pastagem obtida em sistemas ILP disponibiliza forragem com qualidade para a produção animal, que pode ser utilizada como uma estratégia nutricional em períodos críticos do ano, além de se ter a produção de palhada para o plantio direto. Pode-se concluir que no local e nas condições do presente estudo, o capim-mombaça obteve os maiores índices de produtividade de MS nas folhas, independente da dose de herbicida utilizada. No crescimento livre (sem supressão) os capins piatã e tanzânia não diferiram do capim-mombaça na produtividade em cultivo simultâneo com o milho safrinha. As cultivares Mombaça e Piatã obtiveram também os maiores valores para produtividade de PB independente do tratamento utilizado, sendo que no tratamento sem supressão tanzânia e ruziziensis não deferiram das duas primeiras. As espécies B. ruziziensis e B. decumbens apresentaram os melhores desempenhos nos valores nutritivos analisados. No caso de utilização de gramíneas tropicais em sistemas de ILP, as cultivares Mombaça, Piatã e Tanzânia se mostraram mais adequadas entre os 33 34 capins analisados neste estudo. Novos experimentos com diferentes doses de supressão de herbicidas devem ser realizados em cultivo simultâneo com outras culturas de grãos para aperfeiçoamento e disseminação da utilização de sistemas de ILP. 34 35 7 DISCUSSÃO A experiência foi muito enriquecedora para a estagiária, sendo uma oportunidade diferente, uma vez que empresas voltadas somente para pesquisa não são numerosas em nosso país, considerando a população e dimensões do mesmo. A rotina das pessoas e de um local de trabalho que é inteiramente voltado para a pesquisa é bem peculiar, isto porque ela é voltada para as necessidades de desenvolvimento de cada projeto, atendendo a demanda do mercado e das tecnologias atuais. Sendo assim a dinâmica do dia-a-dia de uma empresa como esta é bem diversa daquela vivenciada em uma propriedade de gado de corte. Isto foi percebido devido à familiaridade da estagiária em criações de gado de corte, devido a envolvimento familiar nessa atividade. Vale ressaltar também o aprendizado cultural e social por ter realizado o estágio em um estado e em uma região do Brasil diferente da que a estagiária vive. Um país vasto como o nosso possui hábitos muito diversos relacionados com a colonização de cada região por diferentes populações e por motivos específicos, geralmente ligados às riquezas naturais. Na Embrapa Gado de Corte existiam algumas dificuldades burocráticas, por ser uma empresa governamental, assim como ocorre em demais instituições. Dificuldades que, por vezes prejudicavam o andamento ou início das atividades que precisavam ser realizadas. Por isso, seria interessante a existência de um artifício mais eficaz para comunicação e realização de projetos e pesquisas da unidade. A grande quantidade de pesquisadores, funcionários, estagiários e demais atuantes na Embrapa Gado de Corte proporcionou um crescimento para a estagiária, não apenas pessoal e de relacionamento, como também um crescimento teórico, científico e prático em diferentes áreas de pesquisa, todas envolvidas de alguma forma na produção animal. A realização de palestras, dias de campo e outros eventos promovidos pela Embrapa Gado de Corte proporcionou também convivência com produtores de regiões diferentes daquelas conhecidas pela estagiária. Ressaltando que o clima, os animais, as vantagens e desvantagens de cada região do Brasil, fazem com que os 35 36 produtores tenham que se adaptar e aprender a ajustar as tecnologias ao seu local de trabalho. A Embrapa Gado de Corte é uma empresa muito grande e o desenvolvimento das pesquisas e projetos depende da mão-de-obra, na maioria das vezes especializada, de pessoas do terceiro grau ou nível técnico na área. Além da mão-de-obra dos funcionários, claro, e dos pesquisadores que lideram e coordenam os projetos e as pesquisas. Por isso, seria muito interessante que os pesquisadores e funcionários dos Recursos Humanos (RH) tivessem uma boa comunicação entre eles para saber quantos estagiários cada pesquisador necessita aproximadamente, para quais atividades e por qual período mínimo de tempo. Acredito que assim as pessoas já conseguiriam ir mais direcionadas para aquilo que realmente desejam fazer, tendo um maior interesse pelas atividades que irão desempenhar, além de favorecer as pesquisas por ter pessoas que já entendem e possuem maior “know-how” da área que irão estagiar. O mesmo se aplica para mestrandos e doutorandos que irão desenvolver projetos na Embrapa Gado de Corte, que também podem ter uma maior comunicação com o RH da empresa para passar dados de provável início e término do experimento, tipos das atividades que necessitam auxílio e quantidade de pessoas envolvidas, entre outras informações relevantes. Os trabalhos desempenhados pelos estagiários e pelos funcionários também devem ser acompanhados ou fiscalizados pelas pessoas do RH ou até mesmo pelos próprios pesquisadores com certa periodicidade. Isto porque, muitas vezes as funções de cada um são muito próximas, ocorrendo um maior desgaste por um dos lados, por motivos de negligência ou desinteresse de uma das partes. A dimensão desta unidade da Embrapa e do número de pesquisadores, funcionários e demais atuantes na mesma, faz com que exista uma demanda de maquinário e equipamentos em geral muito grande. Quando um experimento é iniciado são feitos pedidos de materiais, mas ocorre que muitas vezes vários deles possivelmente já existam na unidade e não estão sendo utilizados. Por isso é importante que se tenha uma organização eficaz com catálogos de equipamentos, materiais, entre outros que estão disponíveis para 36 37 serem utilizados. Muitos materiais acabam sendo guardados e esquecidos, sem serem usados e novos materiais são comprados e verbas desperdiçadas. 37 38 8 CONSIDERAÇÕES FINAIS Conclui-se que a oportunidade vivenciada nesta empresa de pesquisa agropecuária foi extremamente vantajosa, agregando conhecimento teórico e prático na área de interesse da estagiária. A proximidade com a pesquisa abriu uma nova perspectiva para a formação acadêmica, revelando diferentes aptidões. Além disso, proporcionou a convivência em local de trabalho com tecnologias atuais e pessoas altamente qualificadas para realização dos experimentos, sendo o estágio curricular obrigatório um ótimo período para a estagiária no âmbito profissional. 38 39 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABRAHÃO; J. J. S. Valor Nutritivo das Plantas Forrageiras. In: CURSO DE ATUALIZAÇÃO EM PASTAGENS, 1991, Cascavel. Anais. Cascavel: Organização das Cooperativas do Estado do Paraná, OCEPAR, 1991. p. 209225. ALVARENGA, R. C.; COBUCCI, T.; KLUTHCOUSKI,J.; WRUCK, F. J.; CRUZ, J. C.; GONTIJO NETO, M. M. Cultura do milho na integração lavourapecuária. Informe Agropecuário, Belo Horizonte, v. 27, n. 233, p. 106-126, 2006. ANDRADE, C. M. S. et al. Crescimento de gramíneas e leguminosas forrageiras tropicais sob sombreamento. Pesq. agropec. bras., Brasília, v. 39, n. 3, Mar. 2004. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100204X2004000300009&lng=en&nrm=iso>. Acesso em 10/11/2009. 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