CURSO DE ENGENHARIA CIVIL José Carlos dos Santos Rosa ESTUDO DE DESEMPENHO DO REVESTIMENTO DE FACHADA EM ARGAMASSA Santa Cruz do Sul, dezembro de 2011. José Carlos dos Santos Rosa ESTUDO DE DESEMPENHO DO REVESTIMENTO DE FACHADA EM ARGAMASSA Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao curso de Engenharia Civil, da Universidade de Santa Cruz do Sul (RS), na área da Tecnologia da Construção, para obtenção do título de Engenheiro Civil. Orientador: Prof. Marco Antonio Pozzobon, M. Sc. Santa Cruz do Sul, novembro de 2011. AGRADECIMENTOS Agradeço a minha esposa Adriana e as minhas filhas Joana e Júlia pela compreensão dos tempos dedicados a elaborar este trabalho, pois elas são a motivação da minha vida. Ao meu pai Sergio, minha irmã Simone e meu irmão Júlio pelo incentivo e compreensão durante a jornada de minha graduação. Ao meu orientador Pozzobon que além de todo o comprometimento com este trabalho também estendeu as pesquisas para o Laboratório de Materiais de Construção Civil (LMCC) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Ao M. Sc. Engenheiro Marcus Daniel Friederich dos Santos, que oportunizou este trabalho a ser realizado em um de seus projetos. A todos os meus colegas, em especial aos meus amigos Alexandre Käffer, Carnielo Schüh e Samuel A. Schneider pela ajuda no desenvolvimento desse trabalho. E, por fim, a todos meus amigos pessoais e pessoas que torceram para que eu finalizasse com garra e sucesso esta nova etapa da minha vida. RESUMO A argamassa é um material vastamente empregado na construção civil, desempenhando varias funções, porém, muitas falhas são observadas nos revestimento de fachada em argamassa. As manifestações patológicas em um edifício comprometem a estética e a funcionalidade do revestimento, ocasionando uma desvalorização do mesmo perante o mercado, aumentando a insatisfações dos usuários e os elevados gastos de manutenção e reparo. O objetivo desse trabalho é coligar os itens que interferem no projeto de revestimento de fachada, assim como as características das argamassas e do revestimento visando condições de fornecimento, preparação do substrato, acabamentos superficiais e condicionantes gerais. Identificar em obra as determinações gerais do projeto de revestimento, assim podendo comparar o projeto e sua execução e poder determinar o seu desempenho por intermédio de ensaios na argamassa e no revestimento baseado nas normas da ABNT de revestimento de paredes e tetos. Os principais resultados identificaram uma serie de problemas na argamassa e no revestimento, vinculado a confecção da argamassa industrializada com adição de fibra de polipropileno em obra. Ao final do trabalho foram referidos os erros de execução e proposta de melhoria no processo estudado. Palavras-chaves: projeto de revestimento de fachada, revestimento de argamassa, indicadores de desempenho, ensaio da argamassa, ensaio do revestimento. ABSTRACT Mortar is a material widely used in building, performing various functions, however, many failures are observed in mortar used in buildings frontage. The pathological manifestations in a building commits aesthetics and functionality of the revetment, causing a devaluation of the same in the market, increasing the dissatisfaction of users and high cost of maintenance and repair. The objective of this study is to collect the items that affect the design of frontage revetment, as well as the characteristics of the revetment and mortars aiming at the supply conditions, substrate preparation, surface complement and general conditions. Identify in construction site the overall determinations of revetment project, can so compare the design and implementation and to determine their performance through testing in the mortar and revetment based on the ABNT norm of revetment of walls and ceilings. The main results identified a series of problems in the mortar and revetment, linked to industrial production of the mortar with the addition of polypropylene fiber on construction site. At the end of the study were reported execution errors and proposed improvements for this process. Keywords: project of frontage revetment, mortar cladding, performance indicators, mortar testing, cladding testing. LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1 – Metodologia de dosagem de argamassa.................................................................. 20 Figura 2- Localização preferencial das juntas de movimentação.............................................23 Figura 3 – Perfil recomendado para junta de trabalho............................................................. 24 Figura 4 – Ferramenta para execução da junta de trabalho...................................................... 25 Figura 5- Localização da tela metálica..................................................................................... 26 Figura 6 – Reforço do revestimento com tela: argamassa armada (A) e ponte de transmissão (B)......................................................................................................................... 27 Figura 7- Proteção de parede no topo do edifício.................................................................... 28 Figura 8 - Detalhes da pingadeira.............................................................................................29 Figura 9 - Detalhes do peitoril.................................................................................................. 29 Figura 10 - Ferramenta para execução de quinas e canto.........................................................30 Figura 11 - Taliscamento da fachada....................................................................................... 34 Figura 12 - Aspecto visual das fachadas.................................................................................. 36 Figura 13- Projeção do empreendimento acabado................................................................... 41 Figura 14 – Disposição da tela vertical.................................................................................... 43 Figura 15 – Disposição da tela horizontal................................................................................ 43 Figura 16 - Detalhamento da laje de cobertura........................................................................ 44 Figura 17 - Região suscetível a patologia no revestimento...................................................... 45 Figura 18 - Inserção das pingadeiras........................................................................................ 46 Figura 19 - Execução do chapisco para os ensaios no revestimento........................................ 47 Figura 20 - Superfície do revestimento para ensaio, acabado................................................. 49 Figura 21: (a) Preparo dos corpos-de-prova para ensaio – seção circular; (b) Dispositivo de ensaio – equipamento mecânico de tração............................................................................... 51 Figura 22 - Formas de ruptura no ensaio de resistência de aderência à tração para revestimento com chapisco...................................................................................................... 51 Figura 23: Formas típicas de ruptura ocorridas em ensaios de arrancamento..........................52 Figura 24 - Dispositivo de corte (serra-copo).......................................................................... 53 Figura 25 - Equipamento de tração, dinamômetro com dispositivo de leitura digital............. 54 Figura 26 - Panos ensaiados, revestimento sem fibra.............................................................. 54 Figura 27 - Panos ensaiados, revestimento com fibra.............................................................. 55 Figura 28 - Ensaio de resistência superficial, revestimento sem fibra..................................... 56 Figura 29 - Ensaio de resistência superficial, revestimento com fibra..................................... 56 LISTA DE QUADROS Quadro 1- Tipos de argamassas quanto às condições de fornecimento ou preparo................. 16 Quadro 2 - Espessuras mínimas em pontos críticos................................................................. 19 Quadro 3 – Aspectos a serem considerados na definição da argamassa.................................. 20 Quadro 4- Especificação argamassa industrializada................................................................ 22 Quadro 5 - Idades mínimas para serviço do revestimento....................................................... 31 Quadro 6 - Limpeza da base.................................................................................................... 33 Quadro 7 - Acabamento da superfície...................................................................................... 36 Quadro 8- Execução dos serviços............................................................................................ 44 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Resistência à tração na flexão e a compressão, aos 28 dias, da argamassa sem adição de fibra de polipropileno............................................................................................... 57 Tabela 2- Resistência à tração na flexão e a compressão, aos 28 dias, argamassa com adição de fibra de polipropileno............................................................................................... 58 Tabela 3 - Valores de aceitação para R4 e P4.......................................................................... 58 Tabela 4 - Relatório de resistência potencial de aderência potencial, argamassa sem adição de fibra de polipropileno.......................................................................................................... 59 Tabela 5 - Relatório de resistência potencial de aderência potencial, argamassa com adição de fibra de polipropileno.......................................................................................................... 60 Tabela 6 - Relatório de resistência potencial de aderência potencial, argamassa sem adição de fibra de polipropileno (LMCC)........................................................................................... 60 Tabela 7- Relatório de resistência potencial de aderência potencial, argamassa com adição de fibra de polipropileno (LMCC)........................................................................................... 60 Tabela 8- Relatório de resistência potencial de aderência potencial, argamassa com adição de fibra de polipropileno. Lote 01 (obra)................................................................................. 61 Tabela 9- Relatório de resistência potencial de aderência potencial, argamassa com adição de fibra de polipropileno. Lote 02 (obra)................................................................................. 62 LISTA DE ABREVEATURA ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas CP Cimento Portland Cp Corpo-de-prova CH Cal hidratada LMCC Laboratório de Materiais de Construção Civil NBR Norma Brasileira UFSM Universidade Federal de Santa Maria UNISC Universidade de Santa Cruz do Sul SUMÁRIO RESUMO................................................................................................................................... 3 ABSTRACT .............................................................................................................................. 4 LISTA DE ILUSTRAÇÕES .................................................................................................... 5 LISTA DE QUADROS............................................................................................................. 6 LISTA DE TABELAS .............................................................................................................. 7 LISTA DE ABREVEATURA .................................................................................................. 8 1. INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 12 1.1 Área e limitação do tema ......................................................................................... 12 1.2 Justificativa .............................................................................................................. 12 1.3 Objetivos .................................................................................................................. 13 1.3.1 Objetivo geral ........................................................................................................... 13 1.3.2 Objetivos específicos ............................................................................................... 13 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ............................................................................. 14 2.1 Revestimento de argamassa ..................................................................................... 14 2.1.1 Definição .................................................................................................................. 14 2.1.2 Função do revestimento de argamassa de revestimento ......................................... 14 2.1.3 Classificação da argamassa ..................................................................................... 16 2.2 Projeto de revestimento ............................................................................................ 17 2.2.1 Fundamentos para elaboração do projeto................................................................. 18 2.2.2 Espessuras recomendas para revestimentos ............................................................. 18 2.2.3 Composição e dosagem da argamassa ..................................................................... 19 2.2.4 Especificações dos materiais.................................................................................... 21 2.2.5 Tipo de acabamento superficial ............................................................................... 22 2.2.6 Requisitos de projeto................................................................................................ 22 2.2.6.1 Diagramação e dimensões das juntas de movimentação ......................................... 23 2.2.6.2 Disposições de telas ................................................................................................. 25 2.2.6.3 Detalhamento dos elementos arquitetônicos ............................................................ 27 2.2.6.4 Quinas e Cantos ....................................................................................................... 30 2.2.7 Equipamentos e ferramentas .................................................................................... 31 2.2.8 Sequência de execução do revestimento .................................................................. 31 2.3 Procedimento de execução do revestimento ............................................................ 32 2.3.1 Preparação da base do revestimento ....................................................................... 32 2.3.2 Aplicação das argamassas de revestimento ............................................................. 34 2.3.3 Acabamento da superfície ........................................................................................ 35 2.3.4 Execução dos detalhes construtivos ......................................................................... 36 2.3.5 Controle da execução e inspeção do revestimento .................................................. 37 2.4 Manifestações patologicas nos restimento de argamassa ........................................ 37 2.4.1 Origens dos problemas patológicos ......................................................................... 38 3. METODOLOGIA .................................................................................................. 39 3.1 Dados gerais da obra ................................................................................................ 41 3.2 Projeto ...................................................................................................................... 41 3.2.1 Pesquisa em projeto ................................................................................................. 42 3.2.1.1 Tipo de argamassa.................................................................................................... 42 3.2.1.2 Tipo de acabamento e especificações ...................................................................... 42 3.2.1.3 Locação das telas ..................................................................................................... 42 3.2.1.4 Detalhes construtivos ............................................................................................... 43 3.3 Cronograma de execução ......................................................................................... 44 3.4 Serviços pontuais ..................................................................................................... 45 3.5 Ensaios ..................................................................................................................... 47 3.5.1 Processo executivo dos panos testes ........................................................................ 47 3.5.2 Ensaios da argamassa ............................................................................................... 49 3.5.3 Ensaio no revestimento ............................................................................................ 50 3.5.3.1 Execução do ensaio no revestimento ....................................................................... 52 4. RESULTADOS ...................................................................................................... 57 4.1 Determinação da resistência à tração na flexão e a compressão .............................. 57 4.2 Resistência de aderência à tração ............................................................................. 59 4.2.1 Avaliação do revestimento em laboratório .............................................................. 59 4.2.2 Avaliação do revestimento na obra .......................................................................... 61 5. CONSIDERAÇÕE FINAIS .................................................................................. 63 6. REFERÊNCIAS ..................................................................................................... 65 ANEXO A ................................................................................................................................ 67 ANEXO B ................................................................................................................................ 68 ANEXO C ................................................................................................................................ 69 ANEXO D ................................................................................................................................ 70 12 1. INTRODUÇÃO As construções civis, particularmente o setor de edificações, estão passando por um processo de evolução, motivado pelo contexto das transformações econômicas, sociais e políticas, sendo que estas transformações estão levando as construtoras a buscarem o aumento de qualidade das construções incorporado a reduções de custos. Nesta conjuntura, observa-se a maior valorização dos projetos, que passa a ser um item obrigatório para obter desempenho esperado, assim como para reduzir falhas no processo de execução e introduzir decisões embasadas tecnologicamente, substituindo os conceitos empíricos. O projeto de revestimento de fachada, por sua vez, deixou de ser apenas prescrições arquitetônicas e passou a ser um projeto de concepção como um todo em que se considera a sua inter-relação com todos os demais subsistemas, a partir do agrupamento de informações obtidas no projeto da estrutura. É importante salientar que os problemas podem ocorrer não somente por inadequadas especificações como também pela falta de diretrizes para a execução do revestimento. 1.1 Área e limitação do tema O presente trabalho relaciona-se à área de Tecnologia da Construção e aborda como tema “Estudo de desempenho do revestimento de fachada em argamassa”. Neste trabalho enfoca-se a utilização de argamassa como revestimento de fachada e o desempenho do seu projeto, buscando deixar clara a necessidade da sua concepção, para evitar patologias posteriores ao término da obra. Serão testados os desempenhos de projetos e materiais do estado do Rio Grande do Sul, estes serão analisados com objetivo de atender ao proposto no tema limitado. 1.2 Justificativa Após algumas pesquisas percebeu-se que esta é uma área com poucos profissionais especializados e que seu desempenho tem grande influência nas edificações. 13 As patologias em fachadas certamente estão entre os problemas mais temidos pelos construtores. Importantes não só pelo aspecto visual, os revestimentos cumprem um papel na durabilidade e proteção das edificações. Parece óbvio que essa fase de construção mereça ser tratada com planejamento e cuidadosos procedimentos executivos. Porém, só nos últimos anos as construtoras passaram a investir em projeto de revestimento de fachada, acompanhando o movimento de racionalizar, de forma geral, os serviços na construção. (NAKAMURA, 2004) Segundo Sabbatini & Baía (2008, p. 35), “a elaboração do projeto de revestimento de argamassa é de fundamental importância para melhor desempenho deste revestimento, o que significa aumento da qualidade e produtividade, redução das falhas, desperdícios e custos.” Mas, para que tudo isso seja realmente alcançado, é necessário que o projeto de revestimento de argamassa apresente um conjunto de informações relativas às características do revestimento e da sua forma de produção. 1.3 Objetivos 1.3.1 Objetivo geral Através da pesquisa realizada, verificar o desempenho da fachada em empreendimento com a realização de ensaios e vistorias. 1.3.2 Objetivos específicos Analisar o projeto de revestimento de fachada, visando todos os requisitos de projeto com base nos limites especificados por norma, conforme tipo de argamassa, camada e critérios de execução do mesmo. Identificar e referir boas práticas no processo de execução do revestimento de fachada em argamassa. Realizar visita a obra e propor oportunidade de melhorias no processo de produção, do modo de ser introduzidas sem grandes inovações tecnológicas, assim como verificar o revestimento aplicado na obra se esta em conformidade ao projeto. Executar ensaios do material empregado e no revestimento, compondo os ensaios no laboratório de construção da UNISC e estender as pesquisas para Laboratório de Materiais de Construção Civil (LMCC) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), assim também analisando os resultados obtidos em obra. 14 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Serão abordados sistemas de revestimento de argamassa de fachada, que englobará definições e funções das argamassas. Também será abordado o projeto de revestimento de fachada e manifestações patológicas nos revestimento e na argamassa. 2.1 Revestimento de argamassa De acordo com a NBR 13749 (ABNT, 1996), os revestimentos de argamassa podem ser constituídos por chapisco e emboço, por camada única, ou também por chapisco, emboço e reboco. Deve apresentar textura uniforme, sem imperfeições, tais como: cavidades, fissuras, manchas e eflorescências, devendo ser previstas em projeto, a aceitação ou rejeição, conforme a tolerâncias exigidas. 2.1.1 Definição Segundo a NBR 13281 (ABNT, 2005), a argamassa é uma mistura homogênea de agregado(s) miúdo(s), aglomerante(s) inorgânico(s) e água, contendo ou não aditivos ou adições, com propriedades de aderência e endurecimento, podendo ser dosada em obra ou em instalação própria (argamassa industrializada). Confome Sabbatini (SABBATINI & BAÍA, 2008), o revestimento de argamassa é uma das partes integrantes das vedações de um edifício, deve apresentar um conjunto de propriedades que irão contribuir para a obtenção do adequado comportamento das vedações e, conseqüentemente, do edifício como um todo. 2.1.2 Função do revestimento de argamassa de revestimento Segundo Sabbatini & Baía (2008), o revestimento de argamassa apresenta importantes funções como: Proteger os elementos de vedação do edifício das ações diretas dos agentes agressivos; Auxiliar as vedações no cumprimento das suas funções, como, por exemplo, o isolamento termo acústico e a estanqueidade à água e aos gases; 15 Regularizar a superfície dos elementos de vedação, servindo de base regular e adequada ao recebimento de outros revestimentos ou contribuir no acabamento final; Contribuir para a estética da fachada. Recena (2007) afirma que as argamassas devem ser consideradas como um elemento de um sistema e não como um material isolado, levando em conta os substratos e o ambiente. É possível admitir como funções primordiais questões como: Impermeabilizar substrato de aplicação; Garantir bom acabamento do revestimento; Absorver deformações naturais a que uma estrutura esta sujeita; Regularizar e/ou proteger mecanicamente substratos constituídos por sistemas de impermeabilização ou isolamento termoacústico. Também afirma que, para cumprir as funções relacionadas, devem apresentar propriedades como: Trabalhabilidade adequada à função destinada; Eficiente capacidade de retenção de água; Durabilidade compatível com a vida útil da edificação; Estabilidade química a agentes de deterioração sem a ocorrência de alteração em seus constituintes por reações retardadas; Estabilidade física a resistência mecânica compatível com solicitações, compatibilizado aos ciclos de molhagem e secagem; Capacidade de aderir ao substrato formando resistência de aderência compatível com as reações; Módulo de elasticidades menores que os necessários para absorver tensões de deformações internas gerada por astigmatismos da estrutura em si. Algumas destas funções podem ser ensaiadas de modo a garantir a qualidade dos serviços e a aceitação do material, a retenção de água é normalizada pela NBR 13280 (ABNT, 2005), a resistência à tração e à compressão na flexão pela NBR 13279 (ABNT, 2005) e a resistência de aderência à tração pelas NBR 13528 (ABNT, 2010). Já o módulo de elasticidade e a resistência de aderência à tração superficial não são normatizadas e seus métodos de ensaio deverão ser determinados pelo projetista. 16 Sabbatini & Baía (2008) também deixam claro que não é função do revestsimento dissimular imperfeições grosseiras da base/substrato, como desaprumo e desalinhamento devido a falta de cuidados na execução. 2.1.3 Classificação da argamassa Confome a NBR 13530 (ABNT, 1995), os revestimentos tem como objetivo dar acabamento com a aparência desejada. Em casos específicos, atendem exigências como proteção contra umidade, radiação e conforto térmico. São considerado como um sistema constituídos de uma ou mais camadas de argamassa podendo ter funções características. A norma também pondera os revestimentos e argamassas por tipo e critério de classificação, que rotula as argamassas de chapisco, emboço e reboco como argamassas de função no revestimento. O quadro 1 apresenta os tipos de argamassas de acordo com a classificação. Segundo Costa (2005), a escolha pelo tipo de argamassa depende da situação de utilização, sendo influenciada pelas vantagens do custo e benefício. Tipo de argamassa Descrição e materiais constituintes Medição e mistura em canteiro de obra de aglomerantes, areia Preparada em obra e água, podendo também conter aditivos ou adições para melhoria das suas propriedades. Mistura de uma parte dos materiais constituintes da argamassa, com materiais medidos e homogeneamente Mistura semipronta para misturados em fábrica ou no canteiro de obras, e fornecida argamassa para um último processo de mistura com adição dos demais materiais constituintes da argamassa no canteiro de obras imediatamente antes da sua aplicação. Industrializada úmida Industrializada seca Mistura pronta para uso com proporções feitas em central, não necessitando de material adicional. Mistura seca pronta, ensacada ou fornecida em silos, necessitanto somente de adição de água para o preparo. Quadro 1- Tipos de argamassas quanto às condições de fornecimento ou preparo. Fonte COSTA (2005). 17 2.2 Projeto de revestimento Segundo Costa (2005), o projeto de revestimento deve considerar toda as informações para que a execução do serviço seja realizada conforme as especificações da concepção arquitetônica de forma atender os clientes finais. De acordo com Sabbatini & Baía (2008), a elaboração do projeto de revestimento de fachada é fundamental para obtenção do melhor desempenho deste revestimento, o que significa um aumento expressivo no avanço da qualidade e produtividade, diminuição das falhas, desperdicios e custos. De maneira geral esse projeto deve definir: Tipo de revestimento (número de camadas); Tipo de argamassa; Espessura da camada; Detalhes arquitetônicos e construtivos; Técnicas mais adequadas para a execução; Padrão de qualidade dos serviços. Também observa que todas essas definições devem ser feitas com base em parâmetros tecnológicos, considerando as exigências com o fator de exposição. Já Ceotto, Banduk e Nakakura (2005) afirmam que o projeto de revestimento de fachada tem a função de determinar materiais, geometria, juntas, reforços, pré-moldados, acabamentos, método de execução e controle, bem como diretrizes para manutenções específicas para determinadas obras, de modo a obter satisfatório desempenho do revestimento ao longo do tempo. Para que estes objetivos sejam cumpridos é necessário observar o condicionamento do projeto, especificações dos materiais, diretrizes, seleção do sistema, controle de produção, inspeção e manutenção. Os autores também alegam que a sequência de desenvolvimento do projeto de revestimento de fachada pode ter quatro casos particulares como: Projeto inicial – finalizado antes do início da execução das alvenarias: aonde o projetista deve apresentar linhas gerais do projeto, assim como desempenho dos materiais; Verificação de parâmetros – começado após o início da alvenaria: serão ensaiados e testados os parâmetros definidos no projeto inicial de obra (painéis), para definição dos sistemas e produtos com as marcas utilizadas. 18 Deve-se levar em conta que esta etapa é a mais demorada do processo, com um tempo estimado de 60 a 90 dias para à conclusão; Verificação de desvios geométricos da estrutura, definição da mão-de-obra e equipamentos – realizado logo após a conclusão da estrutura; Projeto Final – concluído antes da execução do revestimento de fachada. 2.2.1 Fundamentos para elaboração do projeto Conforme Gomes e Neves (2003), o sistema de revestimento corresponde ao conjunto de camadas sobrepostas e unidas, que compõem a argamassa e o acabamento final, tendo o dever de proteger a edificação de chuva, umidade, atuantes atmosféricos e desgastes mecânico, bem como dar-lhe acabamento estético. Também observa que, para elaborar um projeto de execução do sistema de revestimento, alguns aspectos devem ser observados, tais como: Exposição e localização da edificação; Especificações do revestimento estabelecidas na concepção arquitetônica; Detalhes do projeto arquitetônico e estrutural que interferem no sistema de revestimento, tais como junta de dilatação estrutural, balanços, aberturas de esquadrias, acabamento no topo do edifício, entre outros; Características específicas do sistema de revestimento; Especificações da base/substrato; Exigências estabelecidas nas normas técnicas; Cultura e tradição no processo de construção, observando os materais locais e mão-de-obra. 2.2.2 Espessuras recomendas para revestimentos A NBR 13749 (ABNT, 1996) define espessuras admissíveis dos revestimentos externos que fica entre 20 e 30 mm, mas deixa claro que quando houver necessidade de se admitir revestimento com a espessura superior, deve-se tomar cuidados especiais para garantir a aderência do revestimento. 19 Segundo Sabbatini & Baía (2008), se as espessuras dos revestimento compor uma espessura entre 30 e 50mm, a aplicação da argamassa deve ser feita em duas demãos que deverão respeitar um intervalo de 16 horas entre elas, no mínimo. Já se as espessuras forem entre 50 e 80mm, deverá ser aplicado em três demãos e também poderá ser previsto o uso de telas metálicas (galvanizada). Os autores também prevêem que se as espessuras passarem do mínimo, não poderão ultrapassar alguns limites para que a proteção do revestimento seja assegurada. O quadro 2 apresenta as espessuras mínimas em pontos críticos do revestimento de argamassa de fachada. Tipo de base Espessura mínima (mm) Alvenarias em regiões extensas 20 Alvenarias em pontos localizados 15 Vigas e pilares em regiões extensas 15 Estrutura de concreto em pontos localizados 10 Quadro 2 - Espessuras mínimas em pontos críticos. Fonte Sabbatini & Baía (2008). 2.2.3 Composição e dosagem da argamassa Conforme Sabbatini & Baía (2008), a composição e dosagem deve ser feita para argamassa preparada no canteiro de obra e no caso de argamassa industrializada sua composição e dosagem deve ser determinada pelo fabricante, sendo também necessário testar seu desempenho antes de sua utilização. A composição da argamassa diz respeito aos materiais constituintes e a dosagem é denominada pelo traço da argamassa, que é referente a quantidade de materiais. Sabbatini e Baía também definem que a argamassa dosada no canteiro normalmente é composta por cimento, cal, areia, água, aditivo ou adição. O quadro 3, resume os principais aspectos relativos aos materiais constituintes da argamassa. 20 Materiais Cimento Cal Areia Água Aditivos ASPECTOS A SEREM OBSERVADOS NA COMPOSIÇÃO E DOSAGEM Tipo de cimento (característica) e resistência e classe Disponibilidade e custo Comportamento da argamassa produzida Tipo de cal (características) Forma e produção Massa unitária Disponibilidade e custo Comportamento da argamassa produzida com cal Granulometria Dimensões do agregado Forma e rugosidade superficial dos grãos Massa unitária Inchamento Impurezas orgânicas Comportamento da argamassa produzida com areia Carecterística dos componentes da água, quando não for potável Tipo de aditivos (características) Finalidade Comportamento da argamassa produzida com a adição Disponibilidade, manutenção das características e custos Quadro 3 – Aspectos a serem considerados na definição da argamassa. Fonte Sabbatini & Baía (2008). Outros fatores que devem ser considerados nessa definição, segundo Maciel, Barros & Sabbatini (1998), são que a argamassa deve ser dosada levando em conta as condições de exposição do revestimento, características da base de aplicação, às propriedades requeridas para a argamassa e para o revestimento, condições de produção e controle da argamassa e do revestimento e por fim o custo. A figura 1 ilustra uma metodologia de dosagem racional. Figura 1 – Metodologia de dosagem de argamassa. Fonte MACIEL, BARROS & SABBATINI (1998). 21 Costa (2005) afirma que a escolha dos traços a serem utilizados nas obras devem seguir critérios e requisitos a reais condições de utilização, ou seja, é necessário que para cada obra sejam estudados os traços mais adequados, considerando a influência da base a ser aplicado, a qualidade e racionalização de recursos. Também lembra que os traços em massa apresentam maior precisão na dosagem e consequentemente maior constância na qualidade da argamassa, e cita como exemplo a dosagem da areia devido ao inchamento dos grãos em função na umidade. Por outro lado, as dificuldades de utilização em obra são maiores, o que motiva para que a dosagem seja feita tradicionalmente em volume, pela facilidade de execução (ABNT NBR 7200, 1998). A NBR 7200 (ABNT, 1998) recomenda que o dimensionamento dos recipientes de medição de materiais (padiolas) sejam usados como referência de volumes compatíveis com o consumo de sacos inteiros de aglomerantes. 2.2.4 Especificações dos materiais Segundo Costa (2005), as especificações dos diferentes materiais empregados no revestimento deve ser feita com muito cuidado para evitar as variações nas características de um mesmo material não sejam desconsiderada ou mesmo a variação entre os diferentes materiais. O cimento Portland possui diferentes tipo de material com diferente caracteríscas e especificações de uso (CP-I, CP-II, CP-III, CP-IV, CP-V e variações). A cal hidratada para argamassa pode ser classificada em três tipos: CH-I, CH-II e CH-III, relacionado as teores de óxidos não hidratados e carbonatos, conforme indicação na NBR 7175 (ABNT, 2003). Inclusive a troca de fornecedor do material pode promover mudanças nas especificações. Também evidencia que os materiais constituintes da argamassa devem ser criteriosamente especificados no projeto, sendo importante também que haja o controle de recebimento dos mesmos, avaliando a conformidade do produto em relação à quantidade e a qualidade do material, incluindo aspectos fáceis a serem compreendidos, como a aparência visual, até aspectos mais complexos e difíceis de serem observados em canteiro de obra, como por exemplo a granulometria de areias, os quais demandam a realização de ensaios. As argamassas industrializadas podem ser entregues em silos ou ensacadas, também necessitam de cuidados de especificações que derivam entre classe de chapisco, reboco e massa fina e como já especificado neste trabalho, que sua dosagem são determinada pelo fabricante. O quadro 4, especifica a utilização destas; 22 Tipo Desempenado Chapisco Projetado Reboco grosso Argamassas Reboco projetado Massa fina Especificação Aplicado com desempenadeira dentada em pilares e vigas. Chapisco especial para máquinas projetoras. Indicado para espessuras de até 30 mm. Argamassa especial para máquinas projetoras. Massa para acabamento. Quadro 4- Especificação argamassa industrializada. Fonte, <http:\\ www.fida.com.br>, acessado em 03/06/2011. 2.2.5 Tipo de acabamento superficial Segundo a NBR 7200 (ABNT, 1998), o acabamento da superfície deve estar de acordo com as especificações do projeto e ser executado conforme as recomendações contidas nesta norma. Ela prescreve que as ações recomendadas devem ser realizadas após a área a ser revestida estar totalmente preenchida e tendo a argamassa adquirido a consistência adequada. NBR 13530 (ABNT, 1995), classifica os acabamentos de superfície como: Camurçado; Chapiscado; Desempenado; Sarrafeado; Imitação de travertino; Lavado; Raspado. 2.2.6 Requisitos de projeto Conforme Gomes e Neves (2003), com base nos limites especificados por norma, conforme o tipo de argamassa e camadas, estabelecem-se os critérios para execução do projeto de revestimento; Diagramação e dimensões das juntas de dilatação; Disposições das telas; Detalhamento de elementos arquitetônicos de fachada; Especificações de materiais e características das argamassas; Procedimento para execução do sistema de revestimento; Procedimento e parâmetro de controle. 23 Maciel, Barros & Sabbatini (1998) confirmam que os detalhes construtivos devem ser previstos no projeto para contribuir para o melhor desempenho do revestimento de argamassa. Existe diversos tipo de detalhes, sendo destacadas as juntas de trabalho, os peitoris, as pingadeiras, as quinas, cantos e reforço do revestimento com tela metálica. 2.2.6.1 Diagramação e dimensões das juntas de movimentação Conforme Gomes e Neves (2003), deve-se levar em consideração alguns aspectos para identificação dos locais mais adequados para locação das juntas de movimentação, como o sistema estrutural do edifício, referenciando à face inferior da viga, na região de encunhamento da alvenaria, ou face inferior da laje, no caso de viga invertida, para a junta de movimentação horizontal conforme a figura 2 e também deve-se observar os encontros de alvenaria pilar para as juntas de movimentação vertical. Como os limites são adotados por recomendações pessoais, uma vez que não existem especificações em normas para estas condições, Gomes e Neves (2003) afirmam que é aceitável que para paredes externas com pintura deve-se adotar para as juntas uma área máxima de 100 m² e 10 m como comprimento máximo. Figura 2- Localização preferencial das juntas de movimentação. Fonte Gomes e Neves (2003). 24 Já Sabbatini & Baía (2008) definem que o espaçamento entre juntas de trabalho varia conforme alguns fatores, como: Característica de deformabilidade do substrato; Existência de aberturas; Condições de exposição. Portanto os autores recomendam que as juntas horizontais estejam localizadas a cada pavimento e as verticais a cada 6m, para painéis superiores a 24m². Sua localização deve estar preferencialmente no encontro da alvenaria com a estrutura, no encontro de revestimentos distintos, nos peitoris ou topo das janelas, acompanhando as juntas de trabalho do substrato e as juntas estruturais. A figura 3 mostra o perfil genérico recomendados para juntas de trabalho nessa situação. O perfil da junta de trabalho do revestimento de fachada com acabamento em pintura deve permitir esconder possíveis fissuras e um correto escoamento da água, apresentando um funcionamento adequado (Maciel, Barros & Sabbatini, 1998). Figura 3 – Perfil recomendado para junta de trabalho. Fonte MACIEL, BARROS & SABBATINI (1998). 25 Essas juntas devem ser executadas logo após o término do pano do emboço ou massa única. Confome Maciel, Barros & Sabbatini (1998), utiliza-se ferramentas adequadas, que permitem o seu apropriado posicionamento e alinhamento. Essas ferramentas são uma régua dupla, com afastamento equivalente à largura da junta, que serve de guia para a execução, e um frisador, que é o molde do perfil, conforme a Figura 4. As dimensões do frisador e da régua devem ser especificadas no projeto. Figura 4 – Ferramenta para execução da junta de trabalho. Fonte MACIEL, BARROS & SABBATINI (1998). 2.2.6.2 Disposições de telas Segundo Gomes e Neves (2003), deve-se locar as telas nos encontros de alvenaria com a estrutura de concreto ou em outras regiões com elevadas tensões em que possam ocorrer fissuras no sistema de revestimento. É conveniente indicar a colocação de tela metálica galvanizada, entre as camada de argamassa e a base/substrato, de modo a absorver tensões e 26 evitar fissuras em locais específicos, no caso o autor mostra um exemplo em que recomendase a colocação de uma tela galvanizada, com largura de 30 cm, segundo o esquema mostrado na figura 5. Figura 5- Localização da tela metálica. Fonte Gomes e Neves (2003). Maciel, Barros & Sabbatini (1998) também afirmam que o reforço deve ser feito em regiões com acúmulo de tensões da interface alvenaria-estrutura e amplia sua abrangência em regiões como pavimento sobre pilotis, como também nos dois ou três últimos pavimentos do edifício, em função das características de deformações da estrutura. Essa postura também é adotada no caso dos revestimentos com espessuras superiores aos limites máximos recomendados por norma (citados no item 4.2.2). Estes autores também afirmam que existem dois tipos de reforços do revestimento que usam tela galvanizada entre 30 e 50 cm de largura onde são classificados por argamassa armada e ponte de transmissão estes ilustrados na figura 6. Argamassa armada, imersa na camada do revestimento, é recomenda para espessura maior ou igual a 30 mm. Ponte de transmissão, que é chumbada na alvenaria ou concreto por meio de fixadores (grampos, chumbadores, pinos), pode admitir espessuras menores de revestimento de, no mínimo, 20 mm. 27 Figura 6 – Reforço do revestimento com tela: argamassa armada (A) e ponte de transmissão (B). Fonte MACIEL, BARROS & SABBATINI (1998). 2.2.6.3 Detalhamento dos elementos arquitetônicos De acordo com Gomes e Neves (2003), muitas vezes os projetos arquitetônicos indicam a colocação de elementos que de acordo com o seu tipo exigem uma análise específica. Entre outras observações, verifica-se a condição de acesso a água da chuva entre o sistema de revestimento e a alvenaria no topo do edifício também denominada platibanda e, se necessário, indica-se a aplicação de uma proteção que pode ser com o assentamento de placas pré-moldadas de concreto, com a largura superior a da alvenaria mais o sistema de revestimento, preferencialmente com declividade e pingadeira na sua extremidade, conforme a figura 7. 28 Figura 7- Proteção de parede no topo do edifício. Fonte Gomes e Neves (2003). Maciel, Barros & Sabbatini (1998) propõem alguns elementos arquitetônicos que podem ser criados para evitar percolação de água em locais críticos, sendo esses subsídios a pingadeira e peitoril. O primeiro são saliências ou projeções da fachada que podem ser feito de argamassa, com pedras ou com componentes cerâmicos e como já foi citado servem para o deslocamento do fluxo de água sobre a fachada, estes devem ser executados após a conclusão do revestimento e estarem associados à junta de trabalho na sua face inferior. A figura 8 ilustra o detalhe deste sistema. Já o segundo se trata de um detalhe que como o outro tem como função proteger a fachada da ação da chuva e devem ser devidamente projetados. Recomenda-se que o peitoril avance para dentro da alvenaria, ressalte no plano da fachada no mínimo 25 mm e apresente um vinco na parte inferior para deslocamento da água. Este sistema também usualmente é chamado de pingadeira e a inclinação deste deve ser de no mínimo 7%, podendo este elemento ser pré-moldado ou de pedras naturais, que apresentem baixa permeabilidade. A figura 9 ilustra o modelo correto que avança para dentro da alvenaria e o modelo falho que para no encontro da alvenaria e não evita a percolação de água no revestimento. 29 Figura 8 - Detalhes da pingadeira. Fonte MACIEL, BARROS & SABBATINI (1998). Figura 9 - Detalhes do peitoril. Fonte MACIEL, BARROS & SABBATINI (1998). 30 2.2.6.4 Quinas e Cantos Segundo Maciel, Barros & Sabbatini (1998), as quinas e cantos também são detalhes que podem ser considerados no projeto, porque envolvem aspectos que irão interferir na execução do revestimento e podem apresentar pontos frágeis ou de fácil percolação de água, quando não definidos e executados corretamente. O revestimento deve ser deixado inacabado cerca de 50 mm até a aresta, o acabamento superficial do revestimento é realizado, simultaneamente, nos dois lados da quina. A ferramenta para execução desta é ilustrado na figura 10. Figura 10 - Ferramenta para execução de quinas e canto. Fonte MACIEL, BARROS & SABBATINI (1998). 31 2.2.7 Equipamentos e ferramentas Conforme Sabbatini & Baía (2008), os equipamentos utilizados para execução são a colher de pedreiro, broxa, caixa para argamassa, régua de alumínio, desempenadeira, fio-deprumo, linha de pedreiro, nível de mangueira, frisador, gabarito de junta, entre outros. Já para execução dos revestimento de fachada os equipamentos de suporte provisório são empregados balancim (movimentado manualmente ou motorizado) ou andaime tubular. O tipo de equipamento a ser utilizado interfere na definição do sequenciamento das atividades de execução do revestimento. Outro fator importante a ser levado em conta é que no caso dos balacim é necessário que na laje de cobertura ou na própria platibanda seja previsto pontos de apoios para instalação do mesmo e para que estes possam ser utilizados para manutenções futuras. 2.2.8 Sequência de execução do revestimento Alguns aspectos devem ser observados como respeitar intervalos mínimos de execução. A NBR 7200 (ABNT, 1998) define que quando se fizer o uso de argamassa preparada em obra as bases de revestimentos devem compreender idades mínimas, estas ilustradas no quadro 5. Base/substrato Idade mínima (dias) Estrutura de concreto e alvenarias armadas estruturais. 28 Alvenarias não armadas estruturais e alvenaria sem funções estruturais de 14 tijolos e blocos cerâmicos, blocos de concreto e concreto celular. Chapisco para aplicação do emboço ou camada única. 3* *Observando que sua idade pode diminuir para dois dias para climas quentes secos como temperatura acima de 30ºC. Emboço de argamassa de cal, para início de serviço de reboco. 21 Emboço de argamassas mistas ou hidráulicas, para início dos serviços de 7 reboco. Revestimento de reboco ou camada única, para execução do acabamento decorativo. Quadro 5 - Idades mínimas para serviço do revestimento. Fonte NBR 7200 (ABNT, 1998). 21 32 A norma também especifica que para revestimentos industrializados ou dosados em centrais, estes prazos podem ser alterados, se houver instrução específica do fornecedor, com comprovação de ensaios de laboratórios credenciados pelo INMETRO. 2.3 Procedimento de execução do revestimento Sabbatini & Baía (2008) afirmam que a execução do revestimento de argamassa envolve uma série de etapas, com atividades próprias e procedimentos específicos, que devem ser bem definidos para que seja alcançado o nível de racionalização desejado. 2.3.1 Preparação da base do revestimento Segundo Sabbatini & Baía (2008), a preparação da base envolve um conjunto de atividades que visam adequar a base ao recebimento da argamassa. Essa atividade resumi-se em limpeza da estrutura e da alvenaria, à remoção de incrustações metálica, à eliminação das irregularidades superfíciais e ao prenchimento de furos, pois é necessáro que elas estejam adequadas para receber o revestimento, sendo que a aplicação do chapisco também faz parte deste processo. Confome a NBR 7200 (ABNT, 1998) a base a ser revestida deve estar limpa, livre de pó, graxa, óleo, eflorescência, materiais soltos ou quaisquer produtos ou incrustações que venham a prejudicar a aderência do revestimento. O quadro 6 define os tipos de remoção e método executivo, após quaisquer processo de lavagem, deve-se esperar a completa secagem da base para se prosseguir com a aplicação do revestimento e no caso de utilização de solução com lavagem alcalina ou ácida deve se adotar procedimentos adequados para proteger a superfície e matériais da edificação de respingos e escorrimentos. 33 Tipo de remoção Método Escovar e lavar a superfície ou aplicar jato de Sujeiras, pó e materiais soltos água sob pressão; quando necessário aplicar espátula, escova com cerdas de aço ou jato de areia. Escovar com solução alcalina de fosfato trisodio ou soda cáustica e, em seguida, enxaguar com água limpa em abundância. Aplicar solução de ácido muriático (5% a 10% de Óleos desmoldantes, graxa e outros contaminantes gordurosos concentração) durante 5 minutos, escovar e enxaguar com àgua em abundância. Escovar a superfície com água e detergente e enxaguar com àgua em abundância. Empregar processo mecânico (escovamento a seco com escova de cerdas de aço, lixamento mecânico ou jato de areia) e em seguida remover com ar comprimido ou lavagem com água. Escovar a seco a superfície com escova de cerdas Eflorescência de aço e proceder a limpeza com ácido muriático. Caso a manifestação atinja grandes áreas, podese empregar jateamento de areia. Escovar a superfície com escova de cerdas duras Bolor ou fungos com solução de fosforo trissódio ou com solução de hipoclorito de sódio (4% a 6% de cloro ativo) e enxaguar com àgua em abundância. Quadro 6 - Limpeza da base. Fonte NBR 7200 (ABNT, 1998). A norma também define que deve-se ter cuidados particulares em relação a condição da base, correção de irregularidades, aplicação de tela metálica em pontos específicos determinados no projeto e a aplicação do chapisco. Maciel, Barros & Sabbatini (1998) dizem que a eliminação das irregularidades superficiais, como as rebarbas de concretagem e excessos de argamassa em juntas, além da remoção de incrustações metálicas, também deve ser feita e caso não seja possível a remoção 34 de incrustações metálicas, elas devem ser cortada e aplicada pintura anti-corrosiva. Além disso, deve ser feito o enchimento de furos, rasgos e depressões com argamassa adequada. Os autores também mencionam que o chapisco deve ser aplicado sempre nas fachadas e nas superfícies de concreto, de acordo com as especificações em projeto, desenvolvendo a função de melhorar a aderência e regularizar deformações da base. 2.3.2 Aplicação das argamassas de revestimento Segundo Costa (2005), a aplicação da argamassa somente poderá ser iniciada após a base ou substrato estarem preparados, a sequência de execução dos panos deve estar definida e o taliscamento da fachada concluído. Além disso, o mapeamento da fachada e a localização dos arames de referências também devem ser realizados atravéz da verificação das distâncias entre as linhas (arames) de referência e a base a ser revestida, até mesmo com análise crítica das espessuras finais. O taliscamento deve ser realizado obedecendo aos espaçamentos determinados no projeto, sendo que deve ser realizado após o mapeamento da fachada a ser revestida. A figura 11 ilustra o detalhamento do taliscamento. Figura 11 - Taliscamento da fachada. Fonte: Maciel, Barros & Sabbatini (1998). 35 Conforme Sabbatini & Baía (2008) a aplicação da argamassa sobre a superfície deve ser feita por projeção energética do material sobre a base, de forma manual ou mecânica (argamassa projetada). É aconselhável que a aplicação da argamassa seja feita de maneira sequencial, em cada trecho delimitado pelas mestras e depois de aplicação deve ser feita a compressão com a colher de pedreiro, alisando a superfície e eliminado os espaços em vazios. Os autores citam também que durante a aplicação da argamassa, é importante considerar seu correto manuseio visando às condições de estocagem da argamassa no balancim ou andaime, para o seu tempo de utilização e para o seu reaproveitamento. 2.3.3 Acabamento da superfície Os acabamentos de superfície variam pelo tipo de arremate exigido e os métodos executivos para estes estão no ilustrados no quadro 7. 36 Acabamento Método executivo Estando a área totalmente preenchida e tendo a argamassa adquirido consistência adequada, faz-se a retirada do excesso de argamassa e a Sarrafeado regularização da superfície com a régua e em seguida, preenchem-se as depressões mediante a novos lançamentos de argamassa em pontos necessários, repetindo-se a operação de sarrafeamento até obter uma superfície homogênea e plana. Desempenado Camurçado Raspado Lavado Executar o alisamento da superfície sarrafeada através da passagem da desempenadeira. Executar o alisamento da superfície desempenada com a passagem de esponja ou desempenadeira apropriada. Executar o acabamento da superfície sarrafeada por meio de passagem de ferramenta denteada. Executar o acabamento da superfície sarrafeada em argamassa preparada com agregado apropriado, através da lavagem com jato de água. Executar o acabamento sobre a base de revestimento ou sobre o emboço Chapiscado por meio do lançamento de uma argamassa fluida, através de peneira de malha quadrada com abertura aproximada de 4,8 mm ou equipamento apropriado. Executar o acabamento da superfície recém-desempenada lançando com broxa a mesma argamassa de acabamento com consistência mais fluida. Imitação travertino Aguardar o momento ideal para alisar a superfície com colher de pedreiro ou desempenadeira de aço, conservando parte dos sulcos ou cavidade proveniente do lançamento da argamassa fluida, a fim de conferir o aspecto do mármore travertino. Quadro 7 - Acabamento da superfície. Fonte: NBR 7200 (ABNT, 1998). 2.3.4 Execução dos detalhes construtivos Conforme Maciel, Barros & Sabbatini (1998) a etapa de execução dos detalhes construtivos, tais como as juntas de trabalho, as quinas e cantos, os peitoris, as pingadeiras e o reforço com tela pode ser realizada antes do início da execução do revestimento ou logo após o seu desempeno e camurçamento, dependendo do tipo de detalhe. Além disso, no caso do revestimento for do tipo emboço e reboco, ainda deve ser feita a execução do reboco após a 37 conclusão do emboço, essa atividade resume-se na aplicação da argamassa sobre o emboço, através de uma desempenadeira. 2.3.5 Controle da execução e inspeção do revestimento Segundo Costa (2005), durante todo o processo de execução do revestimento de argamassa é indispensável que haja controle do processo de forma a garantir que os padrões estabelecidos pelo projeto e pelos procedimento de execução sejam seguidos. Sabbatini & Baía (2008) complementam que o controle da execução do revestimento envolve um conjunto de ações realizadas antes do início da execução do revestimento, durante e após a sua conclusão, sendo que o controle antes do início da execução do revestimento envolve a constatação de todos os antecedentes para a adequada realização da atividade. Tendo sido iniciada a execução, deve ser feito um controle durante todo o processo para a garantia do atendimento as especificações do revestimento e ao final do processo, deve ser feito o controle para se verificar o atendimento às especificações previamente definidas, respeitando os limites de tolerância, que devem ser estabelecidos para cada aspecto. 2.4 Manifestações patologicas nos restimento de argamassa Costa (2005) afirma que em se tratando de revestimentos de fachada, muitos são os problemas notados nas edificações, os quais prejudicam o aspecto estético, provocam insatisfações aos usuários, principalmente do ponto de vista econômico, além de trazerem perigos para os que transitam nas proximidades da edificação, a partir da desagregação do revestimento. Conforme Maciel, Barros & Sabbatini (1998), os problemas patológicos acontecem quando o desempenho do produto ultrapassa o seu limite mínimo de desempenho desejado e no caso dos revestimentos de argamassa, os problemas mais frequentes são a formação de mancha de umidade (com o desenvolvimento de bolor), deslocamento da argamassa de revestimento, formação de fissuras e trincas na argamassa de revestimento, deslocamento entre camada de reboco e emboço. Dentre esses, merece ser destacado problemas que gerem fissuras ou trincas no revestimento, que pode ser um sinal do comprometimento da vedação quanto a estanqueidade e da segurança estrutural, isolação acústica e durabilidade. 38 2.4.1 Origens dos problemas patológicos Segundo Sabbatini & Baía (2008), a origem para a ocorrência de patológias no revestimento de argamassa podem estar ligados às fases de projeto, execução e utilização desse revestimento ao longo do tempo. Com relação à fase de projeto, podem ocorrer pela falta ou insuficiência de detalhamento ou por elementos construtivos dos revestimentos serem deficiente, seleção inadequada de técnica construtiva ou materiais, visando apenas diminuir custo e materiais, não levando em conta o desempenho do revestimento. Durante a fase de execução, os problemas podem ocorrer por razão de inconformidades entre o que foi projetado e o executado, da má qualidade dos materiais empregados, das técnicas inadequadas de controle e produção da argamassa e do revestimento, mão-de-obra deficiente, das alterações impróprias das especificações em projeto. Em relação à fase de utilização, ou problemas podem ocorrer por remodelações e/ou alterações mal estudadas, à degradação dos materiais por má utilização dos usuários, insuficiência ou ausência de manutenção. Os autores também afirmam que todos estes aspectos influenciam diretamente com o desempenho do revestimento de argamassa ao longo da vida útil esperada. 39 3. METODOLOGIA Para analisar o desempenho no projeto de revestimento de argamassa, foi concedido pelo professor M.Sc. Engenheiro Marcus Daniel uma obra em execução em Passo Fundo/RS, projetada pela MMC Projetos e Consultoria de Porto Alegre, sendo esta uma edificação de grande porte, possuindo panos de revestimento que serão bastante solicitados ao longo do tempo. De modo analisar sua execução, foi realizada uma visita a empresa no mês de setembro de 2011, onde buscou-se analisar os seguintes itens: a) Pesquisa em projeto: Tipos de argamassa utilizada; Número de camadas; Espessura de cada camada; Acabamento superficial; Tipo de revestimento decorativo; Locação de telas; Locação dos detalhes construtivos; Locação dos balacim; Emprego de ferramentas especiais; Adequação do canteiro de obras. b) Cronograma de execução: Conferência de idades mínimas do término da base e substrato. c) Acompanhamento dos serviços, pontuais: Condição de nível, prumo e planeza da base; Tratamento da base para correção de nível; Limpeza da base; Traço e preparo da argamassa; 40 Espessura do revestimento ou de camada do revestimento; Correções ou reparos eventuais; Armazenamento de materiais; Acomodação dos detalhes construtivos e telas. A visita foi acompanhada pela arquiteta responsável pela a execução do empreendimento, onde foram levantados todos os dados relevantes para esta pesquisa. A figura 12 ilustra o estágio atual da obra onde uma de duas torres já está com o seu revestimento executado e a segunda com os serviços iniciais de preparação da base. Figura 12 - Aspecto visual das fachadas. Fonte; arquivo fotográfico do autor (Setembro, 2011) Para fins de ensaio foi concedida pela empresa uma amostra de sua argamassa e da fibra de adição, sendo também levantados dados de traços utilizados no chapisco e de adição na argamassa, assim possibilitando testar o desempenho da argamassa e do revestimento em laboratório, uma vez que a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), também os realizaria para fins vistoria de atestar a qualidade do serviço, assim podendo firmar uma partilha de resultados e discussão. 41 3.1 Dados gerais da obra A pesquisa foi realizada na empresa INCOBEN Incorporadora e Construtora Ltda., que executa o projeto do edifício denominado Horizontes, localizada na cidade de Passo Fundo no estado do Rio Grande do Sul, composto por duas torres de 11 pavimentos residenciais e somado com os pavimentos iniciais de garagem e comercial chegando a um montante de 14 pavimentos, sendo que as torres residenciais foram concebidos em alvenaria estrutural e os iniciais sobre pilotis. A figura 13 ilustra a projeção da obra finalizada. Figura 13- Projeção do empreendimento acabado. Fonte: <http://www.incoben.com.br>, acessado 20/06/2011. 3.2 Projeto O projeto de revestimento de fachada foi concebido pela empresa MMC projetos e consultoria que se localiza na cidade de Porto Alegre no estado do Rio Grande do Sul e foram concedidos a esta pesquisa pelo Engenheiro Marcus Daniel Friederich dos Santos. As pranchas disponibilizadas são registradas em anexo neste trabalho, onde a prancha 01/06 como ANEXO A e 02/06 como ANEXO B. 42 3.2.1 Pesquisa em projeto Buscou-se analisar o projeto de revestimento de fachada, visando todos os requisitos necessários para que o projeto apresenta-se um desempenho satisfatório na execução do revestimento, com base nos limites especificados por norma. 3.2.1.1 Tipo de argamassa A argamassa utilizada para o revestimento foi do tipo industrializada fornecida em sacas de 40 Kg, com adição de fibra de polipropileno. A argamassa foi fornecida pela empresa Irmão Cioccari & Cia Ltda., sendo conhecida no mercado por FIDA e de acordo com seu manual de recomendação de utilização do produto é classificada como P4, M5, R4, C1, D5, U5, A3 de acordo com a norma NBR 13281 (ABNT, 2005). Seu nome comercial é Reboco Grosso da FIDA. 3.2.1.2 Tipo de acabamento e especificações O acabamento do revestimento é do tipo sarrafeado e desempenado, concebido em monocamada após a execução do chapisco, sendo que sua espessura final ficasse em torno de 20 mm, o que satisfaz itens normativos da NBR 13749 (ABNT, 1996). Como acabamento superficial foi utilizado pintura texturizada. 3.2.1.3 Locação das telas Foram adotadas telas verticais no último pavimento em todas as quinas geométricas, esta ilustrada na figura 14. Já as tela horizontal foi locadas no primeiro pavimento do residencial, conforme a figura 15. As telas utilizadas foram do tipo fachadeiro galvanizada de 500 mm de largura com malha de 25 x 25 mm com fio de 2,4 mm. Os detalhamentos seguem nos anexos A e B. 43 Figura 14 – Disposição da tela vertical. Fonte; projeto de revestimento de fachada (MMC). Figura 15 – Disposição da tela horizontal. Fonte; projeto de revestimento de fachada (MMC). 3.2.1.4 Detalhes construtivos No projeto são notados vários detalhes construtivos como a separação da laje de cobertura, ilustrado na figura 16, para evitar fissurações de ordem térmica assim como a pingadeira no revestimento da platibanda. Os dois primeiros pavimentos e os dois últimos dos residenciais são providos de um detalhe arquitetônico interrompendo a continuidade do revestimento em regiões criticas que promovem elevadas tensões no mesmo. 44 Figura 16 - Detalhamento da laje de cobertura. Fonte; projeto de revestimento de fachada (MMC). 3.3 Cronograma de execução Segundo a responsável pela execução do empreendimento, se obedece aos seguintes tempos ilustrados no quadro 8. Tempo Término do serviço Início do serviço 7 dias Alvenaria estrutural Chapisco 3 dias Chapisco Revestimento 21 dias Revestimento Pintura (textura) Quadro 8- Execução dos serviços. Fonte; INCOBEN Incorporadora e Construtora Ltda. O tempo entre o início do revestimento argamassado e o revestimento decorativo (pintura) satisfazem itens normativos da NBR 7200 (ABNT, 1998), porém o inicio do chapisco não é satisfatório já que para alvenaria armadas estruturais deve ser dado um tempo mínimo de 28 dias. 45 3.4 Serviços pontuais Segundo a responsável da obra, por se tratar de uma edificação em alvenaria estrutural as condições de nível, prumo e planeza da base podem variar na ordem de 1 cm, ocorrendo pequenas intervenções de reparos eventuais nas vigas das sacadas, sendo assim o revestimento consegue contemplar uma espessura na ordem de 20 mm. A preparação do substrato é dada com tratamento adotado da construtora que se baseia na limpeza da base com jato d’água de alta pressão. Na figura 17 é identificada uma provável região suscetível a patologias futuras, onde o serviço preliminar de chapisco é executado sobreposto a ferragem, que seria dobrada, sem que esta seja removida, como provável solução a este erro de execução pode-se referir, a remoção das incrustações metálicas, onde devem ser cortadas e aplicadas pintura anti-corrosiva. Figura 17 - Região suscetível a patologia no revestimento. Fonte; Pozzobon, Marco A. (Novembro, 2011). O chapisco é dosado em obra no traço de 1:3 (cimento e areia) dosados em volume, sendo que os dados de dosagem são visíveis a todos em local próprio e acessível aos responsáveis pela dosagem. Segundo o quadro da obra, para cada saco de cimento são necessários três carrinhos medidores de 36 cm de diâmetro com 34 cm de altura e 36 litros de água. 46 Como a argamassa de revestimento é industrializada, sua relação de água é determinada pelo fabricante que o especifica entre 6,6 a 7,1 litros de água para cada saca de 40 kg. A adição de fibra de polipropileno (MACCAFERRI FibroMac® 6) é realizada na obra na proporção de 1,0 grama de Fibra para cada 5,0kg de argamassa seca (indicação do fabricante da argamassa). Assim, para adequar a dosagem ao processo de produção da argamassa, é realizada na obra, durante a mistura e homogeneização na betoneira, a adição de aproximadamente 50g de fibra para cada 6 sacas de 40 kg de argamassa seca. Observou-se que o fornecimento da fibra é realizado em sacas de 100 g. A armazenagem das sacas de cimento e argamassa é localizada no interior da construção em um ambiente coberto e arejado sendo empilhado sobre uma base (paletes de madeira), assim o protegendo da umidade. Já o agregado do chapisco (areia) se localiza em ambiente externo e acessível visando a logística da construção. Após a execução do revestimento são colocadas das pingadeiras pétreas em todos os vãos de janelas respeitando um transpasse mínimo de 25 mm (figura 18). Além disso, é realizada a aplicação de um sistema de impermeabilização do revestimento na borda inferior da abertura, de modo a auxiliar no processo de estanqueidade da fachada, nesse ponto crítico. Figura 18 - Inserção das pingadeiras. Fonte; arquivo fotográfico do autor (setembro/2011). Os detalhes construtivos, como a junta de movimentação, foram locados apenas na fachada sul, onde a cada dois pavimentos se executava um friso horizontal, assim não respeitando as determinações do projeto. Já as telas foram colocadas conforme o projeto. 47 3.5 Ensaios Foi verificada com a arquiteta responsável pela construção do Edifício Horizontes a necessidade de ensaiar a argamassa em dois estágios, com a adição da fibra de polipropileno e sem a adição, visando à comparação de dados e promover uma discussão da viabilidade técnica. Visto que ao fazer a adição em obra, se torna um método empírico e sem garantias de qualidade, diferente de quando a fibra já vem incorporada na argamassa pelo fabricante. 3.5.1 Processo executivo dos panos testes No dia 13 de outubro de 2011 foi iniciada a preparação dos substratos para os ensaios na argamassa e posteriormente realizar os ensaios nos revestimento, no laboratório de construção da Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), onde se adotou revestir dois panos com dimensão de 80 x 80 cm, onde a base seria paredes de 120 x 120 cm em alvenaria estrutural, assim podendo igualar as condições da obra. O serviço se resumiu em umedecer a parede para melhor aderência do chapisco e posteriormente o mesmo foi executado de modo uniforme no substrato com o traço de 1:3 (cimento e areia) em volume. A água foi dosada de modo que a massa atingisse um estado plástico como determina a NBR 7200 (ABNT, 1998). As ferramentas utilizadas foram; balança de precisão, betoneira, carro de mão e colher de pedreiro. O processo executivo do chapisco nos moldes para ensaio no laboratório de construção da UNISC é ilustrado na figura 19. Figura 19 - Execução do chapisco para os ensaios no revestimento. Fonte; arquivo fotográfico do autor (Outubro, 2011). 48 No dia 17 de outubro de 2011 executou-se o revestimento nos dois panos, para delimitar as dimensões de 80 x 80 cm fixaram-se gabaritos de madeira no substrato, estes já delimitando as espessuras com 20 mm. O processo executivo se dividiu em duas etapas para contemplar os dois tipos diferentes de revestimento. Para a primeira se executou o revestimento sem a fibra de polipropileno e a segunda com a mesma. As etapas se resumiram em dosar adequadamente conforme a capacidade da betoneira, diferenciando-se a segunda que se fazia a adição da fibra a qual foi minuciosamente pesada em uma balança de precisão e posteriormente incorporada cuidadosamente na argamassa para que não gerasse erros executivos. Os panos foram preenchidos com o auxílio da colher de pedreiro, até preencher toda a área, após a argamassa ter adquirido consistência adequada, foi retirado o excesso de argamassa e regularizada a superfície pela passagem da régua. Em seguida, preencheram-se as depressões mediante de novos lançamentos de argamassa em pontos necessários, assim repetindo esta operação até se obtivesse uma superfície plana e homogênea. Após este serviço, se executou o acabamento da superfície que foi do tipo desempenado, onde foi regularizada a superfície através da passagem da desempenadeira, sendo este processo o mais adequado conforme NBR 7200 (ABNT, 1998). O aspecto final dos moldes testes é ilustrado na figura 20. Figura 20 - Superfície do revestimento para ensaio, acabado. Fonte; arquivo fotográfico do autor (Outubro, 2011). 49 3.5.2 Ensaios da argamassa Com intuito de simplificar os ensaios se adotou em executar apenas a determinação da resistência à tração na flexão e à compressão, pelos métodos especificados na NBR 13279 (ABNT, 2005), visando às duas modelagens necessárias que são a variação do comportamento da argamassa com e sem a adição da fibra de polipropileno. Para os ensaios da resistência à tração na flexão e à compressão, foram utilizados dois moldes prismáticos para contemplar os dois diferentes tipos de revestimento, sendo que este consiste em moldes metálicos em armações abertas com paredes removíveis, que formam três compartimentos quando montados, capazes de servirem de molde para três corpos-de-prova de 4 cm x 4 cm x 16 cm. Como a universidade não dispunha de uma mesa de adensamento por queda, esta etapa foi resumida a quedas manuais sendo promovidas 15 quedas para cada lado e uma régua niveladoras de camadas todos estes previsto pela norma NBR 13270 (ABNT, 2005). O processo executivo se deu no dia 17 de outubro de 2011, onde os panos testes foram executados, preparam-se os moldes com a aplicação de uma fina camada de óleos mineral nas faces internas e em seguida foram moldados três corpos de prova prismáticos, com argamassa recém-preparada, para cada tipo de revestimento e posteriormente foram rasados pela régua metálica niveladora. Após 72 horas os corpos-de-prova foram desmoldados e enviados para a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) para que pudessem ser rompidos após 28 dias, sendo mantidos em condições atmosféricas. Segundo a NBR 13279 (ABNT, 2005), a resistência a tração na flexão é calculada segundo a equação (eq. 1): 1,5 40³ 1 Onde: Rf é a resistência à tração na flexão, em megapascals (MPa); Ff é a carga aplicada verticalmente no centro do prisma, em newtons (N); L é a distância entre os suportes, em milímetros (mm); Utilizando as metades dos três corpos de prova do ensaio de flexão, ensaia-se a resistência à compressão axial, calculada segundo a equação (eq. 2); 50 1600 2 Onde; Rc é a resistência à compressão, em megapascals (MPa); Fc é a carga máxima aplicada, em newtons (N); 1600 é a área da seção considerada quadrada do dispositivo de carga 40 mm x 40 mm, em milímetros quadrados (mm²). No relatório de ensaio deve ser levada em conta a resistência individual, resistência média, desvio absoluto. Além das características gerais da argamassa. Quando o desvio absoluto máximo da resistência à tração na flexão e ou resistência à compressão axial for superior a 0,3 MPa e 0,5 MPa respectivamente, deve-se calcular uma nova media, desconsiderando o valor discrepante, identificando-o no relatório de ensaio, com asterisco. Sendo assim o ensaio é considerado válido quando o resultado for constituído da média de no mínimo dois corpos-de-prova, caso contrário o ensaio deve ser refeito. 3.5.3 Ensaio no revestimento Para avaliar a aderência do revestimento usaram-se os métodos descritos na NBR 13528 (ABNT, 2010) que tem como objetivo determinar a resistência de aderência à tração. O método resume-se em submeter o revestimento às tensões atuantes na interface com o substrato, submetendo as tensões máximas suportadas por uma área limitada de revestimento (corpo-de-prova), onde pretende avaliar (base, preparo da base e revestimento). Os ensaios devem ser realizados no revestimento com idade mínima de 28 dias. Os equipamentos utilizados são: dispositivo de corte (serra-copo), dinamômetro de tração, provido de dispositivo para leitura de carga e paquímetro. A figura 21 ilustra o processo de execução do ensaio do ensaio de determinação da resistência de aderência a tração (ensaio de arrancamento). 51 (a) (b) Figura 21: (a) Preparo dos corpos-de-prova para ensaio – seção circular; (b) Dispositivo de ensaio – equipamento mecânico de tração. Fonte; Laudo técnico, Laboratório de Materiais de Construção Civil (LMCC) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Confome a NBR 13528 (ABNT, 2010) os ensaios devem ser composto por 12 corposde-prova, onde as distribuições dos destes se dão de forma aleatória tendo a limitação em executar um espaçamento mínimo de 50 mm entre si e as bordas dos panos teste. As formas de ruptura devem ser expressos com indicação da porcentagem de ocorrência e datados em planilha de controle, os tipos de ruptura são informados na figura 22. Figura 22 - Formas de ruptura no ensaio de resistência de aderência à tração para revestimento com chapisco. Fonte; NBR 13528 (ABNT, 2010). Segundo a norma, no caso da ruptura na interface substrato/chapisco e chapisco/argamassa, conforme os itens B e D da figura 20, os valores das resistências de aderência à tração são iguais ao valor obtido no ensaio. Já para as demais rupturas mostradas na figura 20, a resistência de aderência não foi determinada e é maior do que o valor obtido no ensaio e o valor obtido devem ser apresentados precedidos pelo sinal maior que (>). A ruptura 52 na interface cola/pastilha, conforme o exemplo E da figura 20, indica imperfeição na colagem da pastilha e resultado deve ser desprezado. Quando ocorrerem diferentes formas de ruptura no mesmo corpo de prova, deve ser anotado a porcentagem aproximada de área de cada um dos tipos de ruptura. 3.5.3.1 Execução do ensaio no revestimento No dia 23 de novembro de 2011 foram executados os ensaios para determinar a resistência de aderência à tração, conforme a NBR 13528 (ABNT, 2010). Os ensaios foram auxiliados pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) pelo laboratório de materiais de construção civil (LMCC) junto ao responsável pelos ensaios do mestre engenheiro Marco Antonio Pozzobon, onde no mesmo período de montagem dos panos teste no laboratório de construção da UNISC, moldaram-se placas-padrão para efeito de comparação no LMCC da UFSM, estas também verificadas os critérios de “arrancamento” no dia 18 de novembro de 2011. Como está pesquisa é baseada em relatórios da UFSM gerados pelo LMCC, é valido salientar um padrão de ruptura dos corpos-de-prova de modo simplificado da NBR 13528 (ABNT, 2010) sendo estes padrões expressos na figura 23, sendo estes os padrões adotados nesta pesquisa. Figura 23: Formas típicas de ruptura ocorridas em ensaios de arrancamento. Fonte; Laudo técnico, Laboratório de Materiais de Construção Civil (LMCC) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Estas analisadas da seguinte maneira: • No caso das rupturas na interface revestimento/substrato (a), o valor da resistência de aderência à tração é igual ao valor obtido no ensaio. • Quando a ruptura do corpo de prova não ocorreu totalmente na interface revestimento/substrato (situações (b) – argamassa, (c) – substrato (bloco/chapisco) ou (d) – superficial), descrevemos que o valor da resistência à tração não foi determinado e que a aderência do revestimento à base é maior do que o valor encontrado, portanto o resultado do 53 ensaio será precedido pelo sinal de maior (>). • Ocorrendo diferentes formas de ruptura no mesmo corpo de prova, deve-se anotar a percentagem aproximada da área de cada uma. • O resultado deverá ser desprezado quando a ruptura ocorrer na interface cola/pastilha (e), pois indicaria imperfeições na colagem das mesmas. O processo executivo baseou-se em determinar aleatoriamente a posição dos corposde-prova sendo 12 corpos de prova para revestimento com adição da fibra de polipropileno e mais 12 para o revestimento sem adição, todos identificados por marcação justaposta na parte superior do mesmo. Após marcar todos os corpos-de-prova com o dispositivo de corte (figura 24), sendo esta de seção circular de diâmetro médio aproximado de 50 +/- 1 mm, executa o preenchimento das superfícies do mesmo com cola à base de resina epóxi destinando-se a colagem da pastilha na superfície dos mesmos, após a secagem da cola aplicava-se o equipamento de tração com leitura digital (PREMASSA), figura 25, com taxa de carregamento aproximada de 50 N/s. Após o arrancamento o valor da tração é anotado justaposta a direita em Kg força e por final suas espessuras eram verificadas com paquímetro e o valor anotado a esquerda do arrancamento, sendo assim tendo todos os dados necessários para calcular o valor de resistência de aderência à tração. Os panos testes são ilustrados nas figuras 26 e 27 para os panos com adição e sem, respectivamente. Figura 24 - Dispositivo de corte (serra-copo). Fonte; arquivo fotográfico do autor (Novembro/2011). 54 Figura 25 - Equipamento de tração, dinamômetro com dispositivo de leitura digital. Fonte; arquivo fotográfico do autor (Novembro/2011). Figura 26 - Panos ensaiados, revestimento sem fibra. Fonte; arquivo fotográfico do autor (Novembro/2011). 55 Figura 27 - Panos ensaiados, revestimento com fibra. Fonte; arquivo fotográfico do autor (Novembro/2011). Para calcular a resistência de aderência à tração de cada corpo-de-prova, é usada a seguinte equação, conforme a NBR 13528 (ABNT, 2010); 3 Onde; Ra é a resistência de aderência à tração, expressa em megapascals (MPa); F é a força de ruptura, expressa em newtons (N); A é área do corpo-de-prova, expressa em milímetros quadrados (mm²). Sendo que a área A e a força F devem ser introduzidas na expressão em número inteiro, enquanto que os valores de resistência de aderência devem ser expressos em duas casas decimais. Além do ensaio de determinação da resistência de aderência à tração, foi verificada a integridade da resistência superficial, que é adotado por varias empresas como um ensaio empírico no revestimento. O método se resume em promover dois riscos de pequenas proporções em dois sentidos com disposição de um ângulo aproximado de 45 graus e posteriormente é tentado apagar o risco com uma lixa massa de grão 80 com a sequencia de dez lixadas para cada direção, se o sulco promovido pelo risco resistir as lixadas o revestimento é aceito caso contrario deve-se adotar técnicas de reparação do mesmo. As 56 figuras 28 e a 29 ilustram o ensaio, a primeira para o revestimento sem fibra e a segunda com a fibra de polipropileno. Figura 28 - Ensaio de resistência superficial, revestimento sem fibra. Fonte; arquivo fotográfico do autor (Novembro/2011). Figura 29 - Ensaio de resistência superficial, revestimento com fibra. Fonte; arquivo fotográfico do autor (Novembro/2011). 57 4. RESULTADOS Para atestar o desempenho da argamassa e do revestimento, tem como referencia normativa a NBR 13281 (ABNT, 2005), sendo que esta especifica os requisitos exigíveis para argamassas para assentamento e revestimento de paredes e tetos. Esta norma é aplicável à argamassa industrializada, dosada em central e preparada em obra, preparada em central ou preparada em obra. Como a argamassa utilizada no empreendimento analisado é do tipo industrializado, esta já passou por ensaios atestando sua qualidade a qual foi retratada no item 5.2.1.1 deste trabalho, sendo classificada segundo o fabricante como P4, M5, R4, C1, D5, U5, A3. 4.1 Determinação da resistência à tração na flexão e a compressão As tabelas 1 e 2, representam os resultados do relatório obtidos para a argamassa industrializada sem a adição e com a adição em obra, respectivamente, sendo os três primeiros dados para a resistência à tração na flexão e os seis últimos para compressão axial. Tabela 1 - Resistência à tração na flexão e a compressão, aos 28 dias, da argamassa sem adição de fibra de polipropileno. RESISTÊNCIAS NA IDADE DE CONTROLE PARA O LOTE ANALISADO fa =5,0MPa Cp Lado Área Carga Tensão Média d.p. Desvio (nº) (mm) (mm²) (N) (MPa) (MPa) (MPa) máximo ENSAIO EM 28 DIAS S/A -1 40 808 1,89 S/A -2 40 904 2,12 S/A - 3 40 849 1,99 2,0 0,1 0,1 A 40 1600 7.800 4,88 B 40 1600 7.900 4,94 A 40 1600 8.600 5,38 B 40 1600 8.700 5,44 A 40 1600 8.200 5,13 B 40 1600 8.300 5,19 5,2 0,2 0,3 Fonte: do autor. 58 Tabela 2- Resistência à tração na flexão e a compressão, aos 28 dias, argamassa com adição de fibra de polipropileno. RESISTÊNCIAS NA IDADE DE CONTROLE PARA O LOTE ANALISADO fa = 5,0MPa Cp Lado Área Carga Tensão Média d.p. Desvio (nº) (mm) (mm²) (N) (MPa) (MPa) (MPa) máximo ENSAIO EM 28 DIAS C/A -1 40 644 1,51 C/A -2 40 616 1,44 C/A - 3 40 698 1,64 1,5 0,1 0,1 A 40 1600 4.900 3,06 B 40 1600 4.800 3,00 A 40 1600 4.600 2,88 B 40 1600 4.700 2,94 A 40 1600 5.300 3,31 B 40 1600 5.200 3,25 3,1 0,2 0,2 Fonte: do autor. Como esta é uma argamassa classificada pelo fabricante como do tipo R4 (Resistência à tração na flexão) e P4 (resistência à compressão). Os valores de aceitação são expressos na tabela 3 segundo a NBR 13281 (ABNT, 2005). Tabela 3 - Valores de aceitação para R4 e P4. Classe R4 P4 Resistência (MPa) 2,0 a 3,5 4,0 a 6,5 Método de Ensaio ABNT NBR 13279 Fonte; NBR 13281 (ABNT, 2005). Para os valor de comparação final é utilizados a média dos valores encontrados e a média encontrada de resistência à tração na flexão foram 2,0 MPa para a argamassa sem adição e 1,5 MPa para a argamassa como adição de fibra de polipropileno. Assim podemos classificar a argamassa sem adição plausível nos critérios de tração. Já a argamassa com adição apresentou um valor abaixo do valor classificado pelo fabricante, assim não contemplando os valores da classe R4. Já para os valores de compressão axial, obtiveram-se os valores de 5,2 MPa para a argamassa sem adição e 3,1 MPa para argamassa sem adição de fibra. Sendo assim a argamassa com fibra não contempla os valores da classe P4 e a argamassa sem adição é dada como aceitável na classe especificada pelo fabricante. 59 4.2 Resistência de aderência à tração A argamassa foi classificada pelo fabricante como da classe A3 (Resistência potencial de aderência à tração). Os valores de aceitação será maior ou igual a 0,30 MPa, segundo a NBR 13281 (ABNT, 2005). Conforme a NBR 13749 (ABNT, 1996), o limite de resistência de aderência à tração, para revestimento em camada única para paredes externas, base pintura (ou cerâmica), aos 28 (vinte e oito) dias, deve, em pelo menos quatro dentre seis valores, ter resistência superior ou igual a 0,30 MPa. Como a NBR 13528 (ABNT, 2010) determina que se façam doze corpos-de-prova. A relação deve ser alterada para que pelo menos oito dentre doze valores sejam satisfatórios, no caso da placa padrão tem-se a limitação de espaço físico sendo assim é possível ensaiar apenas dez corpos-de-prova, então neste caso sete dentre dez devem ser plausíveis. 4.2.1 Avaliação do revestimento em laboratório As tabelas 4 e 5 representam os resultados do relatório obtidos para a argamassa industrializada sem a adição e com a adição da fibra de polipropileno, respectivamente, sendo estas moldadas no laboratório de construção da UNISC. Logo as tabelas 6 e 7 representam o relatório para argamassa moldas em placa padrão com a fibra e sem a fibra, estes moldados no Laboratório de Materiais de Construção Civil (LMCC), da UFSM. Tabela 4 - Relatório de resistência potencial de aderência potencial, argamassa sem adição de fibra de polipropileno. Exemplar UNISC (Lab.) Espessura do revestimento (mm) Área Média (mm2) Carga de Ruptura (N) Resistência de aderência à tração (MPa) 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 22,0 23,0 21,0 20,0 25,0 22,0 25,0 25,0 24,0 24,0 25,0 27,0 1.924 1.924 1.924 1.924 1.924 1.924 1.924 1.924 1.924 1.924 1.924 1.924 704 1.031 854 1.857 893 2.059 1.488 1.458 560 1.168 494 908 0,37 0,54 > 0,44 > 0,96 0,46 1,07 0,77 0,76 0,29 0,62 0,26 0,47 Fonte: do autor. Formas de ruptura (%) (a) (b) (c) (d) 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 (e) 60 Tabela 5 - Relatório de resistência potencial de aderência potencial, argamassa com adição de fibra de polipropileno. Exemplar UNISC (Lab.) Espessura do revestimento (mm) Área Média (mm2) Carga de Ruptura (N) Resistência de aderência à tração (MPa) 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 Fonte: do autor. 27,0 26,0 27,0 26,0 24,0 24,0 26,0 21,0 23,0 23,0 25,0 26,0 1.924 1.924 1.924 1.924 1.924 1.924 1.924 1.924 1.924 1.924 1.924 1.924 348 117 420 567 545 627 517 234 900 171 636 731 0,18 0,06 0,22 0,29 0,28 0,33 0,27 0,12 0,47 0,09 0,33 0,38 Formas de ruptura (%) (a) (b) (c) (d) (e) 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 Tabela 6 - Relatório de resistência potencial de aderência potencial, argamassa sem adição de fibra de polipropileno (LMCC). Exemplar LMCC (Lab.) Espessura do revestimento (mm) Área Média (mm2) Carga de Ruptura (N) Resistência de aderência à tração (MPa) 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 23,0 23,0 23,0 24,0 23,0 22,0 21,0 22,0 23,0 23,0 1.924 1.924 1.924 1.924 1.924 1.924 1.924 1.924 1.924 1.924 890 638 696 753 616 704 869 783 966 673 0,46 0,33 0,36 0,39 0,32 0,37 0,45 0,41 0,50 0,35 Formas de ruptura (%) (a) (b) (c) (d) (e) 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 Fonte: do autor. Tabela 7- Relatório de resistência potencial de aderência potencial, argamassa com adição de fibra de polipropileno (LMCC). Exemplar LMCC (Lab.) Espessura do revestimento (mm) Área Média (mm2) Carga de Ruptura (N) Resistência de aderência à tração (MPa) 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 20,0 20,0 19,5 19,0 18,5 19,5 20,0 20,5 20,0 19,0 1.924 1.924 1.924 1.924 1.924 1.924 1.924 1.924 1.924 1.924 584 539 594 429 552 516 510 454 499 573 0,30 0,28 0,31 0,22 0,29 0,27 0,27 0,24 0,26 0,30 Fonte: do autor. Formas de ruptura (%) (a) 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 (b) (c) (d) (e) 61 Segundo os relatórios de resistência potencial de aderência potencial para revestimento sem adição de fibra de polipropileno, para os ensaios no laboratório de construção da UNISC, dez entre doze correspondem a valores satisfatórios e para os ensaiados em placa padrão na LMCC da UFSM, todos os resultados apresentaram um valor acima de 0,30 MPa. Sendo assim os critérios aderência à tração para o revestimento sem adição se mostrou conforme a classificação do fabricante. Já para os relatórios do revestimento com a adição da fibra de polipropileno, quatro dentre doze correspondem a valores aceitáveis, para os ensaios no laboratório de construção da UNISC e para as placas padrões moldadas pela LMCC três dentre dez, são valores plausíveis. Tendo em vista os resultados abaixo do requisitados pela norma, este revestimento se mostra inadequado conforme NBR 13749 (ABNT, 1996) e fora da classe especificada pelo fabricante como A3, pela NBR 13281 (ABNT, 2005). 4.2.2 Avaliação do revestimento na obra Foram concedidos pela UFSM por intermédio do LMCC os resultados ensaiados em obra na torre 2 os revestimento com adição de fibra de polipropileno na fachada sul considerado como lote 01 e na fachada leste como lote 02, sendo estes ensaiados após os 28 dias na data de 14 de novembro de 2011. A tabela 8 representa os resultados obtidos no lote 01 e a tabela 9 os do lote 02. Os laudos emitidos pela UFSM encontram-se neste trabalho em forma de anexo, para o lote 01 (ANEXO C) e para o lote 02 (ANEXO D). Tabela 8- Relatório de resistência potencial de aderência potencial, argamassa com adição de fibra de polipropileno. Lote 01 (obra). Exemplar LMCC (Obra) Espessura do revestimento (mm) Área Média (mm2) Carga de Ruptura (N) Resistência de aderência à tração (MPa) Formas de ruptura (%) (a) 1.924 100 24,0 488 0,25 1.924 24,0 607 > 0,32 1.924 100 24,0 530 0,28 1.924 25,0 573 > 0,30 1.924 100 24,0 585 0,30 1.924 100 25,0 549 0,29 1.924 100 23,0 405 0,21 1.924 100 23,0 591 0,31 1.924 100 25,0 498 0,26 1.924 27,0 652 > 0,35 1.924 100 27,0 459 0,24 1.924 100 28,0 563 0,29 Fonte; Laudo técnico, Laboratório de Materiais de Construção Civil (LMCC) da Maria (UFSM). 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 (b) (c) (d) (e) 100 100 100 Universidade Federal de Santa 62 Tabela 9- Relatório de resistência potencial de aderência potencial, argamassa com adição de fibra de polipropileno. Lote 02 (obra). Exemplar LMCC (Obra) Espessura do revestimento (mm) Área Média (mm2) Carga de Ruptura (N) Resistência de aderência à tração (MPa) Formas de ruptura (%) (a) (b) (c) (d) (e) 1.924 100 24,0 575 0,30 1.924 100 24,0 1.027 > 0,53 1.924 100 27,0 405 0,21 1.924 100 21,0 558 0,29 1.924 100 23,0 380 0,20 1.924 20 80 21,0 715 > 0,37 1.924 90 10 24,0 881 0,46 1.924 100 24,0 695 0,36 1.924 100 24,0 672 > 0,35 1.924 100 26,0 487 0,26 1.924 100 25,0 759 0,39 1.924 100 24,0 504 0,26 Fonte; Laudo técnico, Laboratório de Materiais de Construção Civil (LMCC) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 Conforme as tabelas 8, cinco entre doze resultados se mostram favoráveis e segundo a tabela 9, sete dentre doze são valores aceitáveis. Assim observado os valores de aderência à tração dos lotes ensaiados em obra também não satisfazem a norma conforme NBR 13749 (ABNT, 1996) e fora da classe especificada pelo fabricante como A3, pela NBR 13281 (ABNT, 2005). 63 5. CONSIDERAÇÕE FINAIS O projeto analisado mostrou-se plausível em critérios de detalhamentos construtivos onde visualmente apresenta detalhes como a separação dos panos de revestimentos entre pavimentos e por detalhes arquitetônicos. A separação da laje de cobertura por extensão da mesma e promoção de material diferenciado para esta junta entre a viga de amarração e a laje sendo está junta composta por EPS envolvido por manta e seu acabamento com selante elástico, sendo esta uma boa prática. Os detalhamentos das telas verticais e horizontais foram bem especificados e com dimensões definidas em projeto. Já a execução do projeto mostrou-se um tanto quanto relapsa, onde nos detalhes de separação dos panos de revestimento entre pavimento foram executados apenas os frisos a cada dois pavimentos na fachada sul, sendo este um ato falho, onde as juntas de movimentação são destinadas a controle de fissuração por ordem térmica e deformabilidade do substrato, sendo que a fachada sul seria a que menos receberia a intensificação dos raios solares, ou seja, todas as faces da construção deveriam receber um friso horizontal entre as lajes de todos os pavimentos. Para os detalhes arquitetônicos verificados em projeto como almofadas junto às quinas também não foram executadas, uma vez que estas não fariam diferença aos conceitos do projeto sendo este de ordem estética. Porém um detalhe importante como a execução das telas horizontais e verticais seguiram as especificações em projeto. Também é valido salientar que de modo geral a preparação da base se mostrou adequada tanto quanto as espessuras médias dos revestimentos executadas na obra, sendo também a adequação do canteiro de obra plausível em critérios de estocagem do material. Podemos analisar o baixo desempenho na argamassa industrializada com a adição de fibra em obra e também a resposta do revestimento na resistência de aderência à tração, sendo que os valores encontrados não se enquadram nos itens normativos. A mesma argamassa e o revestimento foram testados nesta pesquisa sem a adição da fibra e obteve respostas aceitáveis pela norma, assim podemos verificar a resposta negativa de adição de fibra em obra uma vez que o adequado seria a adição pelo fabricante. Uma vez que o resultado encontrado em obra e em laboratório não contemplou os valores da norma deve-se estudar um método de recuperação do mesmo pelo projetista responsável, assim podemos definir que a adição da fibra em obra compromete o desempenho do produto que ultrapassa o seu limite mínimo de desempenho desejado, sendo assim podendo ocorrer trincas e fissuras que implicaram na vedação quanto à estanqueidade e da segurança estrutural, isolação acústica e durabilidade do revestimento. 64 Por fim podemos analisar que além do projeto de revestimento é necessário que as empresas se preocupem em ensaiar o revestimento antes de sua execução, por exemplo, com panos testes onde este revestimento receberá todas as especificações reais de obra como tipo de substrato, tipo de acabamento e adição, sendo estes por fim ensaiados e atestados sua qualidade e por fim liberado para a execução. 65 6. REFERÊNCIAS SABBATINI, F. H., & BAÍA, L. L. (2008). Projeto e execução de revestimento argamassa, 4.ed. São Paulo: O Nome da Rosa. BARROS, Mércia Maria Bottura. Projeto de Revestimento de Fachadas de Edifício: IX SIMPÓSIO BRASILEIRO DE TECNOLOGIA DAS ARGAMASSAS, Minas Gerais, 2011. Mini curso. GOMES, Adailton de Oliveira; NEVES, Célia Maria Martin. Projeto de execução do sistema de revestimento: uma contribuição prática: V SIMPÓSIO BRASILEIRO DE TECNOLOGIA DAS ARGAMASSAS, São Paulo, 2003. Anais. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Argamassa para assentamento e revestimento de paredes de paredes e tetos – Requisitos. NBR 13281: Rio de Janeiro, 2005. ____. Execução de revestimentos de paredes e tetos de argamassas inorgânicas Determinação da densidade de massa aparente no estado endurecido. NBR 13280: Rio de Janeiro, 2005. ____. Execução de revestimentos de paredes e tetos de argamassas inorgânicas Procedimento. NBR 7200: Rio de Janeiro, 1998. ____. Revestimentos de paredes e tetos de argamassas inorgânicas – Classificação. NBR 13530: Rio de Janeiro, 1995. ____. Revestimentos de paredes e tetos de argamassas inorgânicas – Terminologia. NBR 13529: Rio de Janeiro, 1995. ____. Revestimentos de paredes e tetos de argamassas inorgânicas – Determinação da densidade de massa e do teor de ar incorporado. NBR 13278: Rio de Janeiro, 1995. ____. Revestimentos de paredes e tetos de argamassas inorgânicas – Determinação da resistência à tração na flexão e à compressão. NBR 13279: Rio de Janeiro, 2005. ____. Revestimentos de paredes e tetos de argamassas inorgânicas – Especificações. NBR 13749: Rio de Janeiro, 1996. 66 ____. Revestimentos de paredes e tetos de argamassas inorgânicas – Determinação da resistência de aderência à tração. NBR 13528: Rio de Janeiro, 2010. ____. Cal hidratada para argamassa – Requisitos. NBR 7175: Rio de Janeiro, 2003. RECENA, Fernando Antonio Piazza (2007). Conhecendo argamassa. EDIPUCRS. 197 p. Porto Alegre: COSTA, Fernando Nepomuceno (2005). Processo de produção de revestimento de fachada de argamassa: problema e oportunidade de melhorias – Porto Alegre: Dissertação (mestrado) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul. NAKAMURA, Juliana. Revista Téchne, edição 92; novembro 2004 - Projeto de fachada CEOTTO, Luiz Hernrique; BANDUK, Ragueb C. [e] NAKAKURA, Elza Hissae. Revestimento de Argamassas: boas práticas em projeto, execução e avaliação – Porto Alegre: ANTAC, 2005. – (Recomendações técnicas Habitare, v.1) 96 p. Manuais de escopo – Manual de escopo de projeto e serviço de revestimento. Versão 1.1. <http://manuaisdeescopo.com.br>, entidade: ABRASIP. Adicionado 10/03/2010; acessado em 04/04/2011. MACIEL, Luciana Leone; BARROS, Mércia M. S. Bottura [e] SABBATINI, Fernando Henrique. RECOMENDAÇÕES PARA EXECUÇÃO DE REVESTIMENTOS DE ARGAMASSA PARA PAREDES DE VEDAÇÃO INTERNAS E EXTERIORES E TETOS – Notas de aula, USP: São Paulo: 1998. FIDA, <http:\\ www.fida.com.br>, acessado em 03/06/2011. INCOBEN, <http://www.incoben.com.br>, acessado 20/06/2011. 67 ANEXO A 68 ANEXO B 69 ANEXO C 70 ANEXO D