MARCELO THEOBALD/ AGÊNCIA O GLOBO Quanto mais ve 28 | MAIO/JUNHO 2005 | diga lá | nº 43 lho, MELHOR Mercado de trabalho experimenta o vigor dos Patrícia Costa sexagenários Foi-se o tempo em que, depois da aposentadoria, o idoso ficava em casa de chinelos, vendo a vida passar na tevê e esperando a morte. Cada vez mais a população acima de 60 anos está indo à luta, buscando seu lugar no mercado de trabalho. Quando não por necessidade, para se sentir útil e produtivo, já que os avanços da medicina proporcionaram um aumento da expectativa de vida, fazendo com que os sessentões se sintam ainda com muita energia e disposição para viver. Eles não são poucos e muito menos inúteis. Segundo o Perfil dos Idosos Responsáveis pelos Domicílios, lançado pelo IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 2002, havia 15 milhões de pessoas com mais de 60 anos no país. Em 2020, esse número poderá chegar a 30 milhões. O mesmo estudo indica que, em 2002, essas pessoas respondiam pelas despesas da casa em 62,4% dos domicílios brasileiros. Outra constatação é a de que os idosos não pretendem parar. Dos 12,6 milhões de aposentados ou pensionistas, 3,2 milhões tinham algum tipo de ocupação. Ao todo, 4,8 milhões de pessoas acima de 60 anos ainda trabalhavam, representando 24% da população economicamente ativa. nº 43 | diga lá | MAIO/JUNHO 2005 | 29 Pensar que os idosos não contribuem para a sociedade é um mito que tem origem na dificuldade que os países desenvolvidos demonstram em oferecer benefícios e proteção social aos mais velhos não faz sentido recolher o INSS, uma vez que já são aposentados. Ela explica que, grosso modo, há basicamente dois perfis de aposentados que continuam a trabalhar: “As razões são diferentes. De um lado, existe o capacitado, que continua a trabalhar porque representa ganho para a empresa. Na outra ponta estão os que não têm qualificação e pegam o que aparece, por necessidade.” BERG SILVA/ AGÊNCIA O GLOBO Mais trabalho Não só pela necessidade, mas, em muitos casos, também pela vontade de continuar a se sentir produtivo, é cada vez maior o número de idosos que, mesmo depois que se aposentam, tentam manter seu lugar no mercado de trabalho. A maioria (66%), segundo dados do Ministério do Trabalho, está na administração pública e o restante, em atividades ligadas à prestação de serviços, com ou sem vínculo empregatício. Um estudo da economista Ana Amélia Camarano, coordenadora da área de pesquisa em população e família do Ipea - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, indica que muitos dos idosos simplesmente não podem parar de trabalhar, pois as aposentadorias pagas pelo INSS são baixas (em média, R$ 305). Dados da pesquisa revelam que entre dez pessoas acima de 60 anos, seis sustentam a casa e três ainda trabalham. Outra constatação é que muitos idosos são explorados em atividades que não oferecem direitos trabalhistas, como a de office-boy. Como não pagam transporte coletivo e dispõem de filas especiais em bancos, custam menos para o empregador. Além disso, 30 | MAIO/JUNHO 2005 | diga lá | nº 43 Mas nem todo trabalho oferecido ao idoso o explora só porque ele tem vantagens sociais. Apesar de não haver estatísticas oficiais que mostrem um aumento de empregos voltados para a terceira idade, vem crescendo em todo o país a oferta de programas específicos para essa faixa etária. Empresas e governos estão finalmente acordando para a questão do aumento da expectativa de vida, que gera mais tempo livre e disposição para o trabalho. Também como uma estratégia de marketing institucional, as empresas estão contratando pessoas mais velhas em busca de uma imagem socialmente responsável. Seguindo uma tendência internacional, redes como Wal-Mart, Pizza Hut, Bob’s e o grupo Pão de Açúcar, por exemplo, já desenvolvem programas dessa natureza. A rede de supermercados Pão de Açúcar, com 560 lojas e mais de 68 mil funcionários em todo o país, lançou um programa-piloto em 1997 cujas exigências para contratação eram ter mais de 55 anos, disposição, energia e disponibilidade para o trabalho, bom relacionamento interpessoal e morar perto de uma loja. Deu tão certo que o programa deixou de ser experimental e hoje faz parte do processo de seleção nor- Políticas públicas x atitudes privadas mal da empresa. São 1.200 funcionários que se encaixam nesse perfil, trabalhando de quatro a seis horas em setores como atendimento ao cliente, apoio na área de vendas e empacotamento. Todos recebem os benefícios dos demais, como cooperativa de crédito, assistência médica integral, bolsa de estudos, seguro de vida em grupo e vale-alimentação, entre outros. Maria Aparecida Fonseca, diretora de Recursos Humanos do grupo, afirma que o programa é um sucesso e vem recebendo elogios de clientes e de outros funcionários, pela eficiência desses colaboradores: “Observamos nossos antigos funcionários envelhecendo dentro da empresa e mantendo sua capacidade, muitas vezes tendo a maturidade como aliada no campo profissional. Então pensamos em uma ma- Muito se tem feito pelo idoso brasileiro. A primeira medida significativa foi a implementação de uma lei exclusiva para eles: a Lei nº 8.842/94 – Lei da Política Nacional do Idoso –, em 1994. De maneira geral, essa lei prevê a implantação de políticas públicas que garantam os direitos do idoso dentro do que estabelece a Constituição Federal em relação aos direitos sociais – educação, saúde, cultura, lazer, assistência social, trabalho, habitação e transporte. A partir dela, governos estaduais e municipais, entidades civis e a iniciativa privada passaram a criar mecanismos e programas que visam ao atendimento ao idoso. Com a regulamentação do Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741), em 1o de outubro de 2003, as leis que já existiam, mas que muitas neira de trocar experiências com essa faixa etária.” Acompanhando essa tendência, governos estaduais e municipais estão elaborando programas que visam qualificar, orientar e encaminhar candidatos mais velhos para empregos formais. No Rio de Janeiro, a Secretaria Estadual do Trabalho criou, em setembro de 2003, o Programa Gerontologia Ocupacional, cujo objetivo é introduzir ou recolocar no mercado pessoas com mais de 40 anos de idade. Além de oferecer cursos como o de cicerone do turismo receptivo, acompanhante de idosos, eletricista, bombeiro e atendente de lojas, entre outros, o programa oferece palestras de atualização e mantém parcerias com empresas que valorizam o trabalhador dessa faixa etária. Em 2004, foram recolocadas no mercado 5.100 pessoas. vezes eram desrespeitadas, passaram a ter mais força. O estatuto também representa um forte instrumento de pressão e de defesa dos direitos dos idosos. Segundo a coordenadora da Política Nacional do Idoso, do Ministério de Desenvolvimento Social, Maria da Penha, é o intercâmbio de experiências entre os estados que possibilitará alimentar o banco de dados do Ministério e estabelecer as diretrizes de atuação da política social no país. “Trocando experiências e informações, poderemos atuar diretamente no foco do problema e na busca de soluções”, disse Maria da Penha. Tudo o que se vê indica que o tema da velhice está na pauta dos governos. Mas é preciso mais do que isso. Para a médica Christianne Barbosa, da SBGG-RJ, é preciso que haja uma verdadeira mu- dança de mentalidade: “O poder público deve dar o exemplo e cumprir o seu papel. É fundamental que a fiscalização exista na prática, que as punições sejam aplicadas e que as pessoas discutam e conheçam as leis.” Para ela, não são só os idosos que são desrespeitados; vivemos numa sociedade em que as leis não são cumpridas. “Uma sociedade respira direitos e deveres, mas, muitas vezes, esquecemos de exercer os nossos deveres também”, declara. Precisamos compreender que a velhice não é o fim da vida, mas uma parte dela. Cabe a nós descobrir como vamos vivê-la, mas dependemos também de a sociedade trabalhar para que possamos vivê-la da melhor maneira possível. As políticas públicas estão aí; falta fazê-las funcionar a contento. nº 43 | diga lá | MAIO/JUNHO 2005 | 31 A barreira do preconceito Aposentadoria polêmica Apesar desse movimento crescente, no meio executivo ainda há muita resistência em relação à contratação de pessoas de idade avançada, independentemente da experiência e do talento que possam ter. Pesquisa da Catho Consultoria de RH, divulgada em 2002, apontou que os entrevistadores das empresas, ao procurarem um profissional para preencher uma vaga, têm restrições em relação a profissionais já a partir da faixa entre 45 e 49 anos (41,7%). E, quanto mais elevada a idade, maior a rejeição: entre 50 e 55 anos, 66,2% disseram fazer objeção; entre 55 e 59 anos esse índice sobe para 82,2%; e acima de 60 anos chega a 90,9%. Ou seja, quem tem mais de 60 anos praticamente não tem qualquer chance de trabalho. Talvez a resposta esteja além do preconceito e seja somente uma questão financeira. A mesma pesquisa aponta que os executivos mais velhos ganham em média 30% a mais do que os mais jovens do mesmo nível hierárquico. E, na hora de revelar a pretensão salarial, muitos esperam mais do que a empresa tem a A pesquisadora do Ipea Ana Amélia Camarano tem algumas sugestões polêmicas para tentar minimizar os problemas que a Previdência Social apresenta. Para ela, é simplesmente absurdo considerar hoje que alguém deva se aposentar aos 55 ou 60 anos: “É tão ultrapassado, que somente sete países mantêm uma legislação nesses termos. A aposentadoria foi criada para garantir uma renda para quem perde sua capacidade para o trabalho. Ora, aos 55, 60 anos, hoje em dia, a pessoa está no auge dessa capacida- 32 | MAIO/JUNHO 2005 | diga lá | nº 43 oferecer, ou seja, apesar de precisarem de um profissional competente e experiente, as empresas não estão dispostas a pagar o que seria justo por ele. Vale ressaltar, no entanto, que a pesquisa aponta uma nascente preocupação entre os profissionais da área de RH de grandes empresas com a idade avançada. A Laerte Cordeiro Consultoria em Recursos Humanos, de São Paulo, já identificou isso e agora trabalha também com executivos e profissionais sêniores. “Temos assessorado a contratação desse perfil nas funções de gerência e direção”, conta Laerte Cordeiro, diretor presidente da agência. Segundo ele, são pessoas no auge da sua vida profissional e ainda dispostas a melhorar, querendo continuar em atividade. “A onda de valorizar o executivo de 30 anos está passando. Até cinco anos atrás, chegar aos 50 significava estar fora do mercado de trabalho. Agora, as empresas estão começando a perceber que a experiência do profissional mais velho é muito importante. A ‘desculpa’ da vitalidade do jovem está caindo por terra, pois esse cinqüentão também está cheio de disposição e energia.” O especialista afirma que as empresas para as quais ele encaminhou esse perfil de profissional se mos- de. Por isso eu sugiro o fim da aposentadoria por tempo de serviço ou de contribuição. Basta estabelecer uma idade mínima para se aposentar. Mas não o limite de hoje, que é muito baixo.” Ela acredita que, assim, não haveria redução do benefício, como ocorre hoje, já que haveria mais tempo de contribuição. A pesquisadora evita sugerir um novo limite, mas lembra que a expectativa de vida do homem brasileiro atualmente é de 66 anos e a da mulher, 72. E exclui dessa condição o traba- lhador rural, por exercer uma atividade bem mais desgastante e pesada. Outra proposta é acabar com o acúmulo de benefícios. Hoje, a mulher aposentada ganha o seu benefício e ainda recebe pensão do marido morto. E, desde 1988, o homem também pode receber pensão por morte da esposa: “Isso é uma distorção. Eu sei que o benefício ainda é baixo, mas não se pode acumular benefícios assim. O governo precisa estudar formas de aumentar o benefício, e não deixar acumular.” Cresce a oferta de cursos e programas de requalificação profissional que visam ajudar tram satisfeitas com sua produtividade: “Até porque mesmo aquele executivo que ficou desatualizado se mostra disposto a fazer uma reciclagem; ele não quer parar, só quer melhorar, como qualquer profissional mais jovem.” Embora ainda não se identifique um efetivo movimento de busca desse perfil, Laerte Cordeiro afirma que já existe uma reserva no mercado e que a tendência é ele se abrir mais para esse profissional. Um bom exemplo das vantagens trazidas com a idade é o escritório Dannemann, Siemsen, no Rio de Janeiro, especializado em propriedade industrial, no mercado há 150 anos. Segundo João Carlos Quintanilha, gerente de RH, em 2003 foram contratadas cinco pessoas com mais de 55 anos. Ele afirma que a experiência, a tranqüilidade e a disposição em fazer bonito dos revisores de patentes cinqüentões só trouxeram benesses: “Desde a contratação deles, as falhas nos relatórios caíram para nível zero.” O resultado? O registro de patentes no Instituto Nacional de Propriedade Industrial ficou mais rápido e os negócios estão indo tão bem que a empresa deve contratar mais profissionais este ano com um salário de R$ 1,9 mil, mais benefícios indiretos e jornada de trabalho de cinco horas. O gerente atribui esse sucesso não só à experiência dos profissionais, mas também ao fato de eles trabalharem muito felizes e satisfeitos: “Ter uma oportunidade de trabalho depois dos 50 anos ainda é raro, e por isso eles valorizam muito essa chance. Além do mais, a empresa ganha ao juntar jovens – com ímpeto para aprender – e mais velhos – com conhecimento e dedicação. Essa química dá muito certo.” Para ele, se as empresas identificarem em seus negócios oportu- o idoso a se preparar melhor para dispiutar uma vaga no mercado de trabalho nidades para empregar pessoas acima da meia-idade, vão perceber que terão muito a ganhar. Um dos sinais desse movimento é o site Senior Net. Criado por uma consultoria de RH, o site é um ambiente onde se fala de tudo que diz respeito ao profissional com mais de 40 anos. Há dicas de jornais, livros e revistas cujo tema é trabalho depois dos 40, fórum de discussão dos mais diversos assuntos, informações sobre os direitos do trabalhador maduro e, claro, um espaço que cadastra empresas e currículos para atender a esse perfil de profissional. Valor do velho do campo A realidade no campo brasileiro é bem diferente da que se tem na cidade: é muito comum o indivíduo com mais de 60 anos continuar a trabalhar até morrer. Até 1988, muitos deles faziam isso porque não tinham direito à aposentadoria, se não haviam contribuído. Mas a Constituição instituiu a aposentadoria rural especial, em que todo trabalhador não-contribuinte que comprovasse a atividade poderia receber um salário mínimo ao se nº 43 | diga lá | MAIO/JUNHO 2005 | 33 aposentar por idade – 60 anos para o homem e 55 para a mulher. Hoje, quase 19% da população idosa vive no campo, ou seja, 2,7 milhões de pessoas. Essa medida foi um grande avanço e gerou um forte impacto na economia dos municípios do interior, pois injetou o dinheiro das aposentadorias na economia local. Os dados do IBGE comprovam: nos últimos dez anos, a renda média dos idosos nas áreas rurais subiu 77%. Segundo Helmut Schwarzer, secretário de Previdência Social, a partir da criação da aposentadoria especial rural, “houve uma redução da pobreza e da indigência na área rural, além do benefício que o trabalhador recebe em função de sua trajetória profissional, o que lhe dá grande auto-estima e orgulho”. Segundo o secretário, rompeu-se assim um círculo vicioso que fazia o idoso do campo ter de trabalhar até o fim da vida e depender de uma relação de favor, de esmola, para poder se sustentar, e criou-se uma rede de proteção social em torno desses trabalhadores. As propostas de reforma da Previdência atualmente em debate mantêm a aposentadoria especial para o trabalhador rural e para quem exerce atividade em regime de economia familiar, incluídos aí o produtor rural, o garimpeiro e o pescador artesanal. O benefício também foi estendido ao cônjuge desses segurados. Além disso, em abril, Helmut Schwarzer anunciou que o governo enviará ao Congresso Nacional um projeto de previdência complementar para os trabalhadores rurais que não queiram receber apenas um salário mínimo de aposentadoria. E que o Ministério da Previdência Social vai fazer um cadastramento dos trabalhadores do campo de todo o país. Ativa idade Cada vez mais estudos vêm demonstrando que o trabalho é a vida dos homens, que dedicam quase todo o seu tempo ao exercício de uma função. Seus amigos, seus contatos e suas referências normalmente estão ligados ao trabalho. É o que afirma Christianne Barbosa, gerontóloga e presidente do Departamento de Gerontologia da SBGG-RJ - Sociedade Brasileira de Gerontologia e Geriatria do Rio de Janeiro: 34 | MAIO/JUNHO 2005 | diga lá | nº 43 “Quando o homem idoso se aposenta, o impacto na sua vida é muito grande porque o papel que ele desenvolvia, de engenheiro, médico, professor etc., não existe mais. Para as mulheres, o impacto não é tão desolador, pois muitas delas aprenderam a dividir seu tempo em múltiplas atividades, e continuam a fazer isso na aposentadoria.” Por isso elas são maioria em cursos, aulas de dança, trabalho voluntário e até no lazer. A gerontóloga afirma que muitos buscam trabalho por questões financeiras e também para sentir-se útil. Mas destaca que o importante é a maneira como se dá essa busca: “É importante que o idoso procure uma atividade que lhe dê prazer e não somente por obrigação. Fazer aquilo de que gosta nesse momento é fundamental para ele manter a mente sadia.” Ela alerta para o fato de que se o trabalhador, na idade produtiva, não aprendeu a usar o seu tempo livre nem a relaxar e a se divertir fora do trabalho, fica um grande vazio, sem perspectivas, e muitas vezes doenças como a depressão se instalam. Ou seja, manter-se produtivo faz bem não só ao bolso, como também, e principalmente, à saúde. Um dos maiores obstáculos para o trabalho do idoso é a falta de qualificação. Por isso, a especialista destaca a importância de se manter sempre atualizado. Felizmente, está crescendo a oferta de cursos e programas de requalificação profissional que visam ajudar o idoso a se preparar melhor para disputar uma vaga no mercado. São iniciativas que vão além do artesanato e da terapia ocupacional. Muitas unidades do Senac em todo o Brasil já oferecem cursos profissionalizantes específicos para a terceira idade. No Senac Paraná, por exemplo, o Programa Maturidade e Qualidade de Vida oferece educação profissional para pessoas com mais de 40 anos voltada à requalificação e ao aperfeiçoamento nas áreas de Moda e Beleza, Artes, Idiomas, Informática, Telecomunicações e Saúde. Mais de 800 pessoas já passaram pelo programa, que é desenvolvido nos Centros do Senac em Curitiba, Maringá e Irati. “Algumas empresas estão descobrindo que a experiência e o conhecimento adquiridos por quem se aposenta não podem ser perdidos. Com isso, desenvolvem os Programas de Preparação para a Aposenta- doria, ou até mesmo convidam o aposentado a voltar a desempenhar atividades com a própria empresa, por meio de cursos, treinamentos e consultorias”, lembra a médica. Mas mesmo quem não precisa mais trabalhar porque tem uma boa aposentadoria também precisa se manter ocupado. E uma das opções é o trabalho voluntário. Um estudo da USP - Universidade de São Paulo – que representa o Brasil no Projeto Sabe - Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento, da Opas - Organização Pan-Americana de Saúde – envolvendo 2.143 idosos apontou que 27% das pessoas que têm mais 60 anos fazem trabalho voluntário. Esse número é considerado baixo, em comparação com países desenvolvidos, mas tende a crescer. É que a ONU - Organização das Nações Unidas recomendou, em 2002, o trabalho voluntário de idosos como um estímulo ao desenvolvimento e ao envelhecimento ativo. A idéia é promover uma melhoria na qualidade de vida dos idosos voluntários, seguindo a máxima de que “fazer o bem só faz bem”. O “peso” da idade Pensar que os idosos não contribuem para a sociedade e, pelo contrário, demandam muitos gastos públicos é um mito, que tem origem na dificuldade que os países desenvolvidos demonstram em oferecer benefícios e proteção social aos mais velhos. Segundo Ana Amélia Camarano, do Ipea, temos uma legislação avançada referente ao idoso, mas falta ela sair do papel: “Nossa cobertura assistencial é bem ampla, a chamada cobertura universal da Previdência que, mal ou bem, oferece uma renda mínima para o idoso. O Brasil é um dos poucos países que faz isso. O problema começa em outras áreas fundamentais, como a saúde. Precisamos criar uma rede de cuidados de longa duração, ou seja, de assistência ao idoso dependente, que não consegue se sustentar.” Ana Amélia – que publicou no final do ano passado o livro Os novos idosos brasileiros: muito além dos 60?, sobre o perfil das condições de vida do idoso brasileiro e sua inserção na sociedade, por intermédio do mercado de trabalho e da família – esteve no Japão Serviço REDE P ÃO DE AÇÚCA Os inte R | ressado s p o d loja per em se c adastra to de ca r numa sa ou p www.gr e lo s ite: upopao deacuc ar.com.b SECR r ETARIA DE EST TRABA ADO DO LHO E R ENDA D Para se O RIO DE inscrev JANEIR er no Pr O | Geronto o g r ama logia O c u paciona compar l, basta ecer a u m d os post ou obte os da S r inform ecretar ações p ia (21) 229 e lo Disque 9-2001. Setrab: Sena c/PR | www.pr. senac.b Senio r r Net | www.se niorida de.com .br recentemente para conhecer as políticas públicas que o país oferece ao idoso, e descobriu que programas dessa natureza estão sendo implementados lá. “As mulheres estão deixando de se casar porque é tradição elas cuidarem dos pais e dos sogros. Então, elas estão preferindo investir numa carreira a ter de pensar em ficar com esse fardo mais tarde. Como isso já está afetando a dinâmica das famílias no Japão – um país onde a longevidade é muito alta –, os governos estão criando essa rede de assistência que oferece, por exemplo, cuidadores domiciliares, home-care e outras facilidades para mudar o rumo das coisas.” Para ela, o Brasil precisa seguir essa tendência desde já, pois a população está envelhecendo, as famílias estão ficando menores e a mulher também precisa trabalhar. No âmbito do trabalho, ela concorda com a médica Christianne Barbosa (ver boxes), que afirma que o desrespeito aos direitos do idoso é a maior barreira: “É uma população que tem uma bagagem enorme e que está aí para oferecer esse conhecimento. É preciso romper com o preconceito e criar condições para que pessoas com mais de 50, 60 anos possam trabalhar com dignidade.” nº 43 | diga lá | MAIO/JUNHO 2005 | 35