Aspectos Psicológicos do Paciente PósBariátrico
Psychological Aspects of Post-Bariatric Surgery Patient
Milton Paulo de Oliveira1, Evandro José Siqueira2, Gustavo Steffen Alvarez3,
Francisco Felipe Laitano2, Felipe Kunrath Simões Pires2, Pedro Djacir Escobar Martins3
RESUMO
A cirurgia bariátrica é o tratamento mais
eficiente para a obesidade mórbida. A diminuição
de peso seguida da cirurgia bariátrica promove
significativa diminuição das comorbidades clínicas
relacionadas com a obesidade. Vários estudos
clínicos encontraram alta taxa de comorbidades
psicológicas nos pacientes candidatos a cirurgia
bariátrca. Uma parcela desses pacientes sofrem
de alguma desordem psicológicas, sendo mais
comuns as alterações de humor e os transtornos
de ansiedade. A insatisfação com a imagem
corporal tem sido a principal estímulo para os
pacientes submetere-se à cirurgia plástica. Os
aspectos psicológicos devem, obrigatoriamente,
ser considerados antes da cirurgia. Estudos
mostram que 40% dos pacientes bariátricos estão
envolvidos em algum tratamento psiquiátrico,
caindo esse índice para 20% na cirurgia estética e
5% na cirurgia reparadora.
DESCRITORES:
1. Obesidade;
2. Cirurgia bariátrica;
3. Imagem corporal.
ABSTRACT
Bariatric surgery is know to be the best treatment
modality for morbid obesity. The weight loose after
surgery promotes a significant improvement on
obesity clinical comorbidities. The high rates of
psicological comorbidities in candidates for bariatric
surgery is well documented in clinical studies. Of
those candidates a significant amount presents
some psicological disorders being the humor and
anxiety disorders the most common. Dissatisfaction
with the body image has been the main reason
to seek surgery. The psicological aspect must
Always be evaluated before surgery. Most of the
studies shown that 40% of the bariatric patients
are involved in some kind of psiquiatric treatment,
with lower rates for aesthetic surgery (20%) and
reconstructive surgey (5%).
1. Membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica;
Preceptor do Serviço de Cirurgia Plástica da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS
2. Médico Residente do Serviço de Cirurgia Plástica da Pontifícia
Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS
3. Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Formado
pelo Serviço de Cirurgia Plástica da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS
KEYWORDS:
1. Obesity;
2. Bariatric surgery;
3. Body image.
Introdução
A cirurgia bariátrica é o mais eficiente tratamento
para a obesidade mórbida. A diminuição de peso
seguida da cirurgia bariátrica promove significativa
diminuição das comorbidades clínicas relacionadas
com a obesidade. Os aspectos psicológicos nos
pacientes bariátricos não são tão claros como
os estudos focados nas mudanças clínicas e
metabólicas , quando comparados antes e depois
da cirurgia. As mudanças clínicas e metabólicas
dos pacientes submetidos à cirurgia pós-bariátricas
do estômago têm sido extensamente estudadas.
Entretanto,os aspectos psicológicos inerentes
aos mesmos pacientes não possuem a mesma
relevância quando comparados ás primeiras. . No
Brasil ocorreram 60.000 cirurgias bariátricas do
estômago em 2010, havendo uma alta de 275%
em relação a 2003 e 33% em relação a 2009. O
Brasil é o segundo colocado no ranking de cirurgias
bariátricas, atrás dos cirurgiões estadunidenses
que realizaram cerca de 300.000 procedimentos
em 2010.A cirurgia plástica do contorno corporal
associado com a perda maciça de peso após cirurgia
bariátrica tem experimentado crescente demanda.
Nos Estados Unidos da América a obesidade é
uma doença epidêmica com cerca de um terço da
população obesa, classificada com índice de massa
corporal (IMC) igual ou superior a 30 Kg/m². Quanto
os obesos mórbidos, representam 4,9 % da mesma
população e definidos com IMC igual ao superior a
40 Kg/m². Como resultado, milhões de indivíduos
sofrem de complicações associadas ao excesso
de peso corporal. Neste trabalho o autor faz uma
revisão da literatura sobre a insatisfação na imagem
corporal tanto dos pacientes relacionados a cirurgia
bariátrica quanto a cirurgia plástica pós-bariátrica.
Objetivo
O autor realizou uma revisão da literatura
sobre a insatisfação na imagem corporal tanto dos
pacientes relacionados à cirurgia bariátrica quanto
à cirurgia plástica pós-bariátrica.
Arquivos Catarinenses de Medicina - Volume 41 - Suplemento 01 - 2012
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Métodos
Realizamos uma pesquisa bibliográfica sobre
o tema específico referido no campo objetivo.
Resultado
Aproximadamente,
20%
dos
pacientes
bariátricos falham no tratamento e recuperam peso.
Isso preferenciamente nos primeiros dois anos
de pós-operatórios. As causas são atribuídas a
pouca aderência ás dietas pós-operatórias e/ ou ás
alterações psicológicas pré-operatórias. A insatisfação
com a imagem corporal tem sido a principal estímulo
para os pacientes submetere-se à cirurgia plástica.
Vários estudos clínicos encontraram alta taxa de
comorbidades psicológicas nos pacientes candidatos
a cirurgia bariátrica. Uma parcelas desses pacientes
sofrem de alguma desordem psicológicas, sendo
mais comuns as alterações de humor e os transtornos
de ansiedade. A compulsão alimentar é o transtorno
alimentar mais freqüente nestes pacientes, que
podem ser encontrada em cerca de 5% dos pacientes
antes da cirurgia bariátrica. A redução da qualidade de
vida tem sido relacionada com a obesidade. Escores
extremamente baixos são encontrados quando
modelos validados de mensuração da qualidade de
vida como o Medical Outcomes Study 36-Item Short
Form Survey e o Impact of Weight on Quality of LifeLITE. Entretanto, esses achados devem ser vistos com
cautela, pois a variedade metodológicas empregada
nesses resultados podem em pouca precisão na
interpretação dos resultados. Várias comorbidades
clínicas estão associadas com a obesidade mórbida
como diabete melito tipo II, hipertensão e apnéia
do sono. Numerosos estudos evidenciam melhora
na qualidade de vida com a perda maciça de peso
após a cirurgia bariátrica. Entretanto, as modulações
psicológicas destes pacientes ainda não mereceram
na literatura médica a mesma importância quando
comparadas ao número de publicações sobre as
alterações clínicas. Os benefícios psicológicos tem
sido rastreados, preferencialmente, nos dois primeiros
anos de pós-operatório da cirurgia bariátrica. A
compulsão alimentar não apresenta evidências
que pode ser tratada com a cirurgia bariátrica e é
responsabilizada, frequentemente, pela recuperação
do peso dos pacientes no segundo ano pósoperatório. Neste período, coincidentemente, iniciam
os procedimentos para o contorno corporal.Aspectos
como possibilidade de outras cirurgias, acarretando
mais tempo de recuperação e mais riscos cirúrgicos
devem ser exaustivamente abordados no manejo
pré-operatório. Dessa maneira,o preparo cirúrgico
não deve ser distinto de outros pacientes candidatos à
cirurgia plástica em relação a postura ética e técnica.
Discussão
Na década passada muitos estudos avaliaram
a relação entre obesidade e imagem corporal,
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que pode ser definida como a representação
interna do indivíduo. A insatisfação com a imagem
corporal pode se manifestar de várias maneiras
comportamentais como o uso de cosméticos,
exercícios e inúmeros esforços para perder peso.
Indivíduos com sobre-peso e obesos apresentam
maior índice de insatisfação com a imagem corporal
que o restante da população. Quando relaciona-se
o índice de massa corporal (IMC) com a imagem
corporal, nota-se que variam maneira inversamente
proporcional. Nota-se ,porém que os obesos
mórbidos não são considerados nestes estudos.
A perda os maciça de peso tem sido descrita
com um importante fator de recuperação da autoestima, mas os estudos apresentam na sua grande
maioria um acompanhamento máximo de dois
anos de pós-operatório. Outros estudos mostram
a insatisfação com a flacidez de pele no pósoperatório, principalmente nas mamas e abdômen.
Essa manifestação fenotípica ocorre em cerca de
2/3 dos pacientes submetidos a cirurgia bariátrica
e torna-se a principal causa de cirurgias plásticas.
Por outro lado, tem sido encontrado alto índice de
insatisfação na imagem corporal antes da cirurgia
bariátrica e num número reduzido de pacientes é
encontrado extrema insatisfação. Entre os pacientes
submetidos à cirurgia plástica( reparadora ou
estética) é encontrado critérios para classificalos como portadores de Transtornos Dismórficos
Corporais,os quais são definidos sumariamente
como uma preocupação excessiva e alterada
de sua aparência. Infelizmente, esses pacientes
apresentam pouca ou nenhuma modificação
desse perfil psicológico no pós-operatório da
cirurgia plástica. Dessa maneira, quando há a
suspeitabilidade dessa comorbidade psicológica é
recomendado contra-indicar o procedimento Muitos
pacientes pós-bariátrios estão altamente motivados
para a cirurgia do contorno corporal, mas não
possuam, necessariamente, condições para realizar
tais procedimentos. Expectativas não realistas sobre
os resultados podem levar a cirurgia a um completo
fracasso. A comparação de resultados com pacientes
que nunca sofreram de obesidade mórbida causam
podem causar conflitos irreparáveis na relação
médico-paciente. Nos pacientes submetidos a
cirurgia plástica após perda maciça de peso é
comum agregar cicatrizes extensas ás condições
pré-existentes como lipodistrifias e deformidades
inerentes à causadas lassidão de pele.
Conclusão
Os
aspectos
psicológicos
devem,
obrigatoriamente, ser considerados antes da
cirurgia. Pacientes com excessiva preocupação
com sua aparência pessoal a tal ponto de prejudicar
suas atividades de rotina, como sono,trabalho,
contato social devem merecer cuidados
diferenciados pelo cirurgião. Estudos mostram que
40% dos pacientes bariátricos estão envolvidos em
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algum tratamento psiquiátrico, caindo esse índice
para 20% na cirurgia estética e 5% na cirurgia
reparadora. O fato de o paciente usar medicação
psiquiátrica não o inabilita para a cirurgia plástica;
entretanto, é encontrado, nos Estados Unidos
da América, o fato de 40% dos anti-depressivos
serem prescritos por médicos generalistas e
muitas vez em doses sub-terapêuticas. O cirurgião
plástico não deve corroborar com tais situações
e é recomendada uma adequada avaliação
psiquiátrica pré-operatória nestes casos. A não
observação desses dados,assim como o perfeito
registro em prontuário médico pode contribuir
desfavoravelmente numa ação legal, quando
o paciente imputar sua insatisfação com sua
imagem corporal pós-operatória a sua condição
psicológica pré-operatória e não devidamente
diagnosticada pelo cirurgião.Dessa maneira, é de
fundamental importância o preparo pré-operatporio
dos pacientes candidatos a cirurgia do contorno
corporal com pacientes submetidos a perda maciça
de peso após cirurgia bariátrica do estômago. A
relação desses pacientes com a insatisfação da
imagem corporal ainda merece maior atenção pela
literatura médica, pois pouco sabemos do impacto
desses procedimentos, tanto bariátricos como do
contorno corporal, a longo prazo.
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ENDEREÇO PARA CORRESPONDÊNCIA
Serviço de Cirugia Plástica da Pontifícia Universidade Católica
do Rio Grande do Sul - PUCRS
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