Lição 9 23 de Maio a 29 de Maio Jesus, o Grande Mestre Sábado à tarde LEITURA PARA O ESTUDO DA SEMANA: Lucas 8:22-25; 4:31-37; 6:2049; 8:19-21; 10:25-37; Deuteronómio 6:5. VERSO ÁUREO: “Admiravam-se da sua doutrina, porque a sua palavra era com autoridade.” Lucas 4:32. “QUANDO CRISTO VEIO À TERRA, a Humanidade parecia estar rapidamente a atingir o seu ponto mais degradante. Os próprios fundamentos da sociedade estavam minados. A vida tornara-se falsa e artificial. ... Desgostosos com as fábulas e as falsidades, e procurando abafar o pensamento, os homens volviam à incredulidade e ao materialismo. Deixando de contar com a eternidade, viviam para o presente. “Como deixassem de admitir as coisas divinas, deixaram de tomar em consideração as humanas. Verdade, honra, integridade, confiança, compaixão, estavam abandonando a Terra. Ganância implacável e ambição absorvente davam origem a uma desconfiança universal. A ideia do dever, da obrigação da força para com a fraqueza, da dignidade e direitos humanos, era posta de lado como um sonho ou uma fábula. O povo comum era considerado como bestas de carga ou como instrumentos ou degraus para que subissem os ambiciosos. Riqueza e poderio, comodidade e condescendência própria, eram procurados como o melhor dos bens. A época era caracterizada pela degenerescência física, o torpor mental e a morte espiritual.” – Ellen G. White, Educação, pp. 74 e 75. Contra um pano de fundo como este, podemos compreender melhor a razão por que Jesus ensinou as coisas que ensinou. Ano Bíblico: Esdras 4-6. SOP: Conselhos Sobre Mordomia (Livro), (Capítulo) Ciladas de Satanás, (154) A Autoridade de Jesus Domingo, 24 de Maio. Como médico e académico, Lucas estava familiarizado com o papel da autoridade. Ele estava acostumado à autoridade da Filosofia na sabedoria e na educação gregas. Ele conhecia a autoridade da Lei Romana nas questões civis e na função governamental. Como companheiro de viagens do apóstolo Paulo, ele conhecia a autoridade eclesiástica que o apóstolo instaurava nas igrejas que fundava. Por isso, Lucas compreendia que a autoridade está no cerne da posição que uma pessoa ocupa, na função de uma instituição, no desempenho do Estado e no relacionamento de um mestre ou professor com os seus seguidores. Tendo convivido com todos os tipos de autoridade, a todos os níveis do poder, Lucas partilhou com os seus leitores que havia algo de incomparável acerca de Jesus e da Sua autoridade. Nascido no lar de um carpinteiro, criado durante 30 anos na pequena vila galileia de Nazaré, não sendo conhecido por algo de importante segundo os padrões mundanos, Jesus confrontou todo o tipo de pessoas – governantes romanos, académicos judaicos, rabis, gente vulgar, chefes seculares e religiosos –, mediante o Seu ensino e o Seu ministério. Os Seus conterrâneos nazarenos “maravilhavam-se das palavras de graça que saíam da sua boca” (Lucas 4:22). Uma vez, Ele trouxe a esperança a uma viúva, em Naim, ao ressuscitar-lhe o filho (Lucas 7:11-17). A cidade em peso passou por um tremor de espanto e exclamava: “Deus visitou o seu povo” (v. 16). A autoridade de Jesus sobre a vida e a morte eletrizou não apenas Naim, mas “toda a Judeia, e toda a terra circunvizinha” (vv. 16 e 17). Leia Lucas 8:22-25; 4:31-37; 7:49; 12:8. O que revelam estes textos a respeito do tipo de autoridade que Jesus transmitia? Lucas dedicou tempo a registar, não apenas para o seu amigo Teófilo, mas também para as gerações vindouras, que Jesus, por meio do Seu ministério, tinha confirmado a singularidade da Sua autoridade. Como Deus incarnado, Ele tinha, na verdade, autoridade como mais ninguém alguma vez teve. Muitas pessoas fazem coisas no nome de Deus, o que deveria, naturalmente, dar muita autoridade a essas ações. De que modo podemos assegurar-nos de que, quando dizemos “Deus levou-me a fazer isto”, foi Ele realmente Quem atuou? Analisem em conjunto as diferentes respostas. Ano Bíblico: Esdras 7-10. O Mais Grandioso Sermão de Cristo Segunda, 25 de Maio. O Sermão da Montanha (Mateus 5-7) é muitas vezes aclamado na literatura sobre a Bíblia como sendo “a essência do Cristianismo”. Lucas apresenta trechos selecionados do sermão, em Lucas 6:20-49, bem como noutras partes do seu Evangelho. Devido ao facto de Lucas ter colocado o sermão imediatamente a seguir à nomeação “oficial” dos apóstolos (Lucas 6:13), alguns académicos têm intitulado o sermão como “O Compromisso de Ordenação dos Doze”. Tal como apresentado em Lucas 6:20-49, o sermão principia com quatro bem-aventuranças e com quatro lamentações, sintetizando também algumas outras características fundamentais do viver cristão. Estude as seguintes secções de Lucas 6:20-49 e pergunte a si mesmo até que ponto a sua vida inclui os princípios aí expressos. 1. A bem-aventurança cristã (Lucas 6:20-22). De que modo podem a pobreza, a fome, o choro e o ser odiado levar à bem-aventurança? 2. A razão do Cristão para o regozijo mesmo no meio da rejeição (Lucas 6:22 e 23). 3. Alguns ais a evitar (Lucas 6:24-26). Reveja cada um destes quatro ais. Que razão deve levar um crente cristão a evitá-los? 4. O imperativo cristão (Lucas 6:27-31). Nenhuma ordem de Jesus é mais debatida e considerada mais difícil de observar do que a regra de ouro do amor. A ética cristã é fundamentalmente positiva e não negativa. Não consiste no que não se deve fazer, mas no que se deve fazer. Em vez de dizer: “Não odeies” o teu inimigo, diz: “Amai os vossos inimigos.” Em vez da lei da reciprocidade (“dente por dente”), a regra de ouro exige a ética da bondade pura (“oferece também a outra face”). Mahatma Gandhi criou toda uma filosofia política com base na regra de ouro, resistindo ao mal por meio do bem, e acabou por aplicar esse princípio no processo de obtenção da independência da Índia do colonialismo britânico. De igual modo, Martin Luther King, Jr. empregou a ética da regra de ouro para acabar com o mal da segregação racial nos Estados Unidos. Onde reina o amor, a bem-aventurança sobe ao trono. 5. O modo cristão de viver (Lucas 6:37-42). Repare-se na insistência de Cristo no que respeita ao perdão, à dádiva liberal, ao viver exemplar e à tolerância. 6. A produção dos frutos cristãos (Lucas 6:43-45). 7. O construtor cristão (Lucas 6:48 e 49). Ano Bíblico: Neemias 1-4. Uma Nova Família Terça, 26 de Maio. Grandes mestres, tanto antes como depois de Jesus, têm ensinado acerca da unidade e do amor, mas, normalmente, tem a ver com o amor dentro dos parâmetros de um mesmo grupo; uma família definida pela exclusividade da casta, da cor, da língua, da tribo ou da religião. Jesus, porém, derrubou as barreiras que dividem os seres humanos e apresentou um novo conceito de família, um que não faz distinção entre as coisas que, habitualmente, separam as pessoas. Cristo centralizou a nova família sob o estandarte do amor agapê – um amor imerecido, não-exclusivista, universal e abnegado. Esta família reflete o conceito original, universal e ideal contido na Criação do Génesis, o qual afirma que todos os seres humanos são criados à imagem de Deus (Gén. 1:26 e 27) e, por conseguinte, iguais diante d’Ele. Leia Lucas 8:19-21. Sem minimizar, fosse de que maneira fosse, os laços e as obrigações que unem pais e filhos, irmãos e irmãs, dentro de uma família, Jesus olhou para lá da carne e do sangue e colocou ambos no altar de Deus como membros de “toda a família nos céus e na terra” (Efésios 3:15). A família do discipulado cristão não deve ter menos proximidade e ligação do que os laços criados pela paternidade e maternidade comuns. Para Jesus, o verdadeiro teste de “família” não é o relacionamento de sangue, mas fazer a vontade de Deus. O que nos ensinam os seguintes textos acerca dos muros que Cristo derrubou, com respeito a distinções que tantas vezes dividem os seres humanos (e, frequentemente, com muito maus resultados)? Lucas 5:27-32 Lucas 7:1-10 Lucas 14:15-24 Lucas 17:11-19 A missão e o ministério de Jesus, o Seu coração perdoador e a Sua graça envolvente nunca excluíram ninguém, mas incluíram todos os que quisessem aceitar o Seu chamado. O Seu amor eterno levou-O ao contacto com todo o espectro da sociedade. Quais são algumas das maneiras pelas quais, nós, como Igreja, podemos seguir melhor este princípio fundamental? Ano Bíblico: Neemias 5-8. Uma Definição do Amor: A Parábola do Bom Samaritano – Parte I Quarta, 27 de Maio. Dos quatro Evangelhos, apenas Lucas relata as parábolas do filho pródigo e do Bom Samaritano (Lucas 10:25-37). A primeira ilustra a dimensão vertical do amor, o extraordinário amor do Pai para com os pecadores; a segunda mostra-nos a dimensão horizontal – o tipo de amor que deve caracterizar a vida humana, recusando reconhecer quaisquer barreiras entre seres humanos, mas vivendo, em vez disso, na definição de próximo ensinada por Jesus: que todos os seres humanos são filhos de Deus e merecem ser amados e tratados de forma igual. Leia Lucas 10:25-28 e reflita sobre as duas questões centrais que esta passagem levanta. De que modo está cada questão relacionada com os principais interesses da fé e da vida cristã? 1. “Mestre, que farei para herdar a vida eterna?” (v. 25). Repare-se que este jurista procurava um meio para herdar a vida eterna. Ser salvo do pecado e entrar no Reino de Deus é, na verdade, a mais alta de todas as aspirações que alguém pode ter; o jurista, porém, como tantos mais, tinha crescido com a ideia errada de que a vida eterna é algo que pode obter-se pelas boas obras. É evidente que ele não tinha qualquer conhecimento de que “o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rom. 6:23). 2. “Que está escrito na lei? Como lês?” (v. 26). No tempo em que Jesus aqui viveu era costume dos Judeus proeminentes, como seria este jurista, usarem uma filactéria no pulso. Esta era uma pequena bolsa de couro, onde punham algumas porções da Torah, incluindo uma que continha a resposta à pergunta de Jesus. Jesus orientou o jurista para aquilo que estava escrito em Deuteronómio (Deut. 6:5) e Levítico (Lev. 19:18) – exatamente aquilo que ele poderia estar a carregar na filactéria que usava. Ele tinha no seu pulso, mas não no coração, a resposta à pergunta que fizera. Jesus dirigiu o jurista para uma grande verdade: a vida eterna não é uma questão de cumprir regras, mas exige amar Deus em absoluto e sem quaisquer reservas, e, de igual modo, amar todos os que foram criados por Deus – “o próximo”, para se ser mais preciso. Contudo, quer fosse por ignorância quer por arrogância, o jurista insistiu no diálogo com uma outra interrogação: “E quem é o meu próximo?” Que evidência exterior revela que fomos verdadeiramente salvos pela graça? Isto é, o que há na nossa vida que mostra que estamos justificados pela fé? Ano Bíblico: Neemias 9-11. Uma Definição do Amor: A Parábola do Bom Samaritano – Parte II Quinta, 28 de Maio. “Ele, porém, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: E quem é o meu próximo?” Lucas 10:29. Sendo um especialista na lei judaica, o jurista devia ter conhecimento da resposta à sua pergunta. Levítico 19:18, onde o segundo grande mandamento está escrito, define “próximo” como “os filhos do teu povo”. Por isso, em vez de dar uma resposta imediata à pergunta do jurista ou de entrar numa disputa teológica com ele e com os que estavam a observar o desenrolar do episódio, Jesus ergue o jurista e a Sua audiência para um plano mais elevado. Leia Lucas 10:30-37. Quais são os pontos-chave deste episódio, e o que nos revelam sobre a forma como devemos tratar os outros? Repare-se que Jesus disse que “um homem” (v. 30) foi apanhado por ladrões. Que razão terá levado Jesus a não identificar a etnia ou o estatuto desse homem? Considerando todo o propósito da história, por que razão isso seria importante? O sacerdote e o Levita viram o homem ferido, mas passaram de lado. Fossem quais fossem as razões que os motivaram a não prestarem ajuda, para nós as questões são: o que é a verdadeira religião e como deve ela ser manifestada? Deut. 10:12 e 13; Miqueias 6:8; Tiago 1:27. Ódio e animosidade marcavam o relacionamento entre Judeus e Samaritanos e, no tempo de Jesus, a inimizade entre os dois povos só se tinha agravado (Lucas 9:51-54; João 4:9). Daí que, ao fazer de um Samaritano o “herói” da história, Jesus realçou bem o Seu ponto, neste caso junto dos Judeus, de maneira mais forte do que, de outra forma, poderia ter sido. Jesus descreveu o ministério do Samaritano com grande pormenor: o homem compadeceu-se, aproximou-se do outro, tratou-lhe das feridas, aplicando-lhes azeite e vinho, transportou-o para a estalagem, pagou adiantadamente a estadia e prometeu pagar no regresso o saldo de qualquer despesa extra. Todas estas partes do ministério do Samaritano, no seu conjunto, definem o alcance ilimitado do verdadeiro amor. O facto de o Samaritano ter feito tudo isto em favor de um homem que era, muito possivelmente, Judeu, revela que o amor verdadeiro não conhece fronteiras. O sacerdote e o Levita perguntaram a si mesmos: O que poderá acontecer-nos, se pararmos e ajudarmos este homem? O Samaritano perguntou: O que poderá acontecer a este homem, se eu não o ajudar? Que diferença há entre as duas atitudes? Ano Bíblico: Neemias 12 e 13. Sexta, 29 de Maio. ESTUDO ADICIONAL: “Na Sua vida e ensinos, Jesus deu um exemplo perfeito do abnegado ministério que tem a sua origem em Deus. Deus não vive para Si mesmo. Criando o mundo, mantendo todas as coisas, está constantemente a ministrar em benefício de outros. ‘Faz que o seu Sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos.’ Mateus 5:45. Deus confiou este ideal de ministério ao Seu Filho. Jesus foi entregue para permanecer à cabeça da Humanidade, para que, pelo Seu exemplo, pudesse ensinar o que significa servir. Toda a Sua vida esteve sob a lei do serviço. Serviu a todos, a todos ajudou. Deste modo viveu a Lei de Deus e pelo Seu exemplo mostrou como podemos lhe obedecer.” – Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 556, ed. P. SerVir. A parábola do Bom Samaritano não é “algo de imaginário, mas uma cena verídica, que se sabia ser tal qual estava a ser apresentada. O sacerdote e o Levita que tinham passado de largo encontravam-se entre o grupo que escutava as palavras de Cristo.” – Idem, p. 424, ed. P. SerVir. PERGUNTAS PARA REFLEXÃO: 1. Reveja a pergunta importante feita no final da secção de domingo. Quem nunca ouviu alguma pessoa dizer que fez o que fez porque Deus lhe disse para o fazer? Quais são algumas das maneiras através das quais Deus nos fala de facto? Ao mesmo tempo, quais são os perigos envolvidos em invocarmos a autoridade de Deus a fim de justificar os nossos atos? 2. Reveja os “quatro ais” de Lucas 6:24-26. Como devemos entender a mensagem de Jesus neste texto? Acerca de quê está Ele a avisarnos para que tenhamos cuidado nesta vida? 3. Pense em toda esta questão da autoridade. O que é a autoridade? Quais são os diferentes tipos de autoridade? Que tipos de autoridade prevalecem sobre outros tipos? De que modo devemos relacionar-nos com os diversos tipos de autoridade na nossa vida? O que acontece quando as autoridades que estão sobre nós entram em choque? Ano Bíblico: Ester 1-4. Comentários de EGW: Leitura Adicional Testemunhos Para a Igreja, vol. 2, pp. 490 e 491. Moderador Texto-Chave: Lucas 4:32. Com o Estudo desta Lição, o Membro da Unidade de Ação Vai: Aprender: A compreender a autoridade de Jesus como Mestre. Sentir: Atração pelos ensinos de Jesus. Fazer: Permanecer nos ensinos de Jesus. Esboço da Aprendizagem: I. Aprender: A Autoridade de Jesus como Mestre. A. Qual é o significado bíblico da autoridade? Em que áreas exerceu Jesus autoridade? B. Qual é o fundamento da autoridade de Jesus? Que efeito tinha essa autoridade sobre os Seus ouvintes? C. Até que ponto tinha autoridade o ensino de Jesus? De que modo eram as pessoas afetadas por ele? D. Jesus é o maior Mestre que o mundo alguma vez conheceu. Que justificação teria pessoalmente para fazer uma afirmação destas? É uma afirmação da realidade ou é de orgulho religioso? II. Sentir: Atraídos para os Ensinos de Jesus. A. De que modo a autoridade de Jesus enquanto Mestre é um desafio para a nossa vida? No Sermão da Montanha, o que mais toca o ego de cada um de nós? B. Até que ponto é prático o amar os outros como a nós mesmos? Se levássemos a sério a regra áurea (fazer aos outros o que gostaríamos que nos fizessem), que mudanças teríamos de fazer na nossa vida? C. Quais são alguns dos pontos notórios na nova família que Cristo deseja estabelecer entre os Seus seguidores? III. Fazer: Viver nos Ensinos de Jesus. A. A vida eterna é a dádiva de Deus àqueles que são salvos pela graça de Cristo. Se aceitarmos esse princípio, que mudanças, se as há, precisaríamos de fazer na nossa vida? B. Identifique os elementos que Cristo gostaria de ver na Sua nova família aqui na Terra. Em que aspetos podem esses elementos ser parte da nossa igreja local? Sumário: Como Mestre, Jesus ensinou com autoridade a maneira como os Seus seguidores devem viver, relacionar-se uns com os outros, adorar e dar testemunho como cidadãos do Seu Reino. O modo como vivemos deve mostrar aquilo em que acreditamos. CICLO DA APRENDIZAGEM 1º PASSO – MOTIVAR! Realce da Escritura: Lucas 10:25-37. Conceito-Chave para Crescimento Espiritual: A verdadeira religião, de acordo com Jesus, “consiste, não em sistemas, credos ou ritos, mas no cumprimento de atos de amor, em proporcionar aos outros o maior bem, na genuína bondade”. – Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 423 , ed. P. SerVir. Só para o Dinamizador: O agnosticismo defende a impossibilidade do conhecimento das coisas de Deus; o ateísmo nega a existência de Deus; o politeísmo admite deuses incontáveis, permitindo que cada pessoa escolha o seu; o monoteísmo afirma a fé num só Deus, mas com variados motivos. Assim como variam os sistemas de crenças, também variam as religiões. Mas, a questão é: Como se conhece a religião verdadeira? Debate de Abertura: A Lição desta semana gira à volta da autoridade de Jesus. Jesus tornou conhecida a Sua autoridade pela proclamação do Reino de Deus, pela pregação do Evangelho aos pobres, pela cura dos doentes, pelo anúncio da libertação, pela restauração da vista aos cegos, pelo perdão dos pecados, pela purificação dos leprosos, pela comunhão que mantinha com os marginalizados na sociedade e pelo estabelecimento de uma grande comunidade de remidos. Perguntas para Debate: De onde advinha a autoridade de Jesus? O que dizem as passagens das Escrituras na Lição desta semana a respeito da Sua autoridade (Lucas 4:35; 5:22-26; 6:20-49; 7:49; 8:19-21, 22-25)? Que ensinos de Jesus, se é que há algum, podem ser postos de lado, hoje em dia, como inaplicáveis, impraticáveis ou impossíveis? Expliquem as respetivas respostas. 2º PASSO – ANALISAR! Só para o Dinamizador: “Mestre” foi o título mais vulgar utilizado no tratamento para com Jesus. Os Evangelhos usam o termo mais de 50 vezes, 15 das quais ocorrem em Lucas. Onde quer que Jesus fosse, ensinava a respeito de Deus e do Seu Reino e da forma como alguém se pode tornar Seu filho e herdar o Reino. Ensinava de tal maneira que “a grande multidão o ouvia de boa vontade” (Marcos 12:37), e mesmo os que O criticavam reconheciam que Ele ensinava “bem”, sem “favoritismo”, e ensinava sempre “com verdade o caminho de Deus” (Lucas 20:21). Ao estudarmos, esta semana, o Grande Mestre, vamos concentrar-nos em três aspetos do Seu ministério: a Sua autoridade, a Sua nova lei e a Sua nova família. COMENTÁRIO BÍBLICO I. Jesus, o Grande Mestre: a Sua Autoridade (Recapitule com a Unidade de Ação Lucas 4:32.) Os profetas traduziam a sua mensagem com a autoridade de um “Assim diz o Senhor”. Jesus, porém, usava a expressão “Eu vos digo” (mais de 130 vezes nos Evangelhos, incluindo 33 vezes em Lucas), para indicar que a Sua autoridade – para ensinar, buscar e salvar, ressuscitar os mortos, curar, expulsar demónios, proclamar o Reino de Deus, etc. – provinha de Quem Ele é. O que impressionava aqueles que ouviam Jesus era a Sua extraordinária autoridade e poder. Os ouvintes no dia de Sábado, em Cafarnaum, “admiravam a sua doutrina porque a sua palavra era com autoridade” (Lucas 4:32). A palavra grega traduzida por “admiravam” transmite a ideia de ficarem sem fala, completamente assombrados, tal era o poder da Sua autoridade. Assim, a multidão que ouviu o Sermão da Montanha “admirou-se com a sua doutrina; porquanto os ensinava como tendo autoridade, e não como os escribas” (Mat. 7:28 e 29). Os escribas falavam por autoridade – citando aqueles que os tinham precedido –, mas Jesus falava com autoridade. Com autoridade como Criador (João 1:1-3), com a autoridade do Pai que O enviou (João 7:16), com a autoridade da Sua vida perfeita, Jesus falava e agia de tal modo que até os Seus inimigos tinham de admitir que “nunca homem algum falou assim como este homem” (João 7:46). Não apenas nas palavras e nos atos, mas também no viver, Jesus falava com certeza absoluta, sem contradições nem confusão. Pense Nisto: A autoridade de Cristo deriva do facto de Ele ser a própria corporização da verdade. “Ele era aquilo que ensinava. As Suas palavras eram a expressão não somente da experiência da Sua própria vida, mas do Seu próprio caráter. Não somente ensinava Ele a verdade, mas era a verdade. Era isto que Lhe dava poder aos ensinos.” – Ellen G. White, Educação, p. 79. II. Jesus, o Grande Mestre: A Sua Nova Lei (Recapitule com a Unidade de Ação Lucas 6:27-30.) Nos altos e baixos da história humana, parece que há duas leis que dominam as comunidades. A primeira é a lei da selva: se uma pessoa de uma dada tribo matar alguém de outra tribo, a tribo insultada sai em vingança, assassinando todos os membros que puder da primeira tribo. A lei da selva leva a vingança até ao extremo. Em segundo lugar, há a lei da reciprocidade. Considerada um progresso, em comparação com a primeira, esta recomenda “olho por olho; dente por dente”. Não há lugar à vingança suprema, mas continua a haver uma certa satisfação na aplicação de uma punição. Conseguem, porém, a vingança ou a reciprocidade construir comunidades duradouras e manter o equilíbrio social a um nível eficiente? Mahatma Gandhi comentou certa vez que mesmo a menor de duas receitas reativas criava o seu próprio pavor diabólico: “Olho por olho só acaba por tornar cego o mundo inteiro.” Contra estas práticas horríveis, Jesus, o Grande Mestre, declarou: “Amai a vossos inimigos, fazei bem aos que vos aborrecem” (Lucas 6:27), reforçando aquilo que dissera por meio de Moisés: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo” (Lucas 10:27; comparar com Deut. 6:5; Lev. 19:18). Este mandamento para se amar constitui a base da regra de ouro que Jesus projetou como norma para abordar relações interpessoais: “E, como vós quereis que os homens, vos façam, da mesma maneira lhes fazei vós, também” (Lucas 6:31; comparar com Mat. 7:12). Quando Jesus falou do amor como sendo o Seu novo mandamento (João 13:34), a novidade não se referia ao amor, como tal, mas ao objeto desse amor. As pessoas sempre amaram; contudo, amavam os dignos de amor e os que lhes eram chegados. Jesus, porém, introduziu um novo fator: “Como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis.” Isto quer dizer, tão universal, tão sacrificial e tão completo como é o amor de Jesus, assim deve ser o nosso amor. Pense Nisto: Este mandamento para se amar o nosso próximo não deixa margem para modificação. Nós não escolhemos a quem amar; somos chamados a amar todos. O verdadeiro amor para com o próximo ultrapassa a cor da pele e apercebe-se da humanidade da pessoa; recusa refugiar-se atrás de uma casta, ou de uma tribo, mas contribui para o enriquecimento da alma; resgata a dignidade da pessoa dos preconceitos da desumanização; liberta o destino humano da preocupação materialista. Neste contexto, de que modo isto cria a nova pessoa em Jesus? III. Jesus, o Grande Mestre: A Sua Nova Família (Recapitule com a Unidade de Ação Lucas 5:27-32; 7:1-10, 11-17; 7:3650; 8:43-48; 14:15-24.) Como um Gentio a escrever a Gentios, Lucas apresenta Jesus como o Salvador de toda a Humanidade, não como um Messias local. Ao apresentar a universalidade de Cristo, Lucas torna claro que a nova família em Cristo não é limitada nem restritiva. É universal, sem quaisquer muros divisórios; mas é uma em unidade, em fé, em esperança e em amor. A nova família é um chamado a regressar ao desígnio do Criador para a Humanidade, antes da Queda, no qual só o amor reinará. Com o amor no cerne da Sua família, Jesus edificou um lar no qual todos os que viessem a Ele encontrariam lugar, sem qualquer parede divisória: o cobrador de impostos (Lucas 5:27-32), o centurião romano (Lucas 7:1-10), o filho da viúva de Naim (vv. 11-17), os Fariseus de todos os matizes (vv. 36-50), a mulher desconsiderada e socialmente marginalizada por causa de uma doença de 12 anos (Lucas 8:43-48), os vagabundos dos caminhos e valados (Lucas 14:15-24), os juristas e os pedintes do Seu tempo, e os Brâmanes e os intocáveis dos dias de hoje – a todos é dirigido um convite aberto para serem membros da nova família de Cristo. Mediante a parábola do Bom Samaritano (Lucas 10:30-37), “Cristo mostrou que o nosso próximo não quer dizer simplesmente alguém da nossa igreja ou da mesma fé. Não tem que ver com distinção de raça, cor ou classe. O nosso próximo é todo aquele que necessita do nosso auxílio. O nosso próximo é todo aquele que está ferido e injuriado pelo adversário. O nosso próximo é todo aquele que é propriedade de Deus”. – Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 427, ed. P. SerVir. Pense Nisto: Ao criar a Sua nova família, Jesus derrubou todos os muros que separam as pessoas – seja a cor, a tribo, a nação, o género, a casta, a língua ou seja o que for. “Deus aborrece as castas. Ele desconhece qualquer coisa desta natureza. Aos Seus olhos, todos os homens são de igual valor. ... Sem distinção de idade ou categoria, de nacionalidade ou de privilégio religioso, todos são convidados a vir a Ele para ter vida.” – Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 339, ed. P. SerVir. 3º PASSO – PRATICAR! Só para o Dinamizador: A parábola do Bom Samaritano não diz nada sobre a forma como somos salvos. A sua ênfase é a respeito do modo como uma pessoa salva deve viver. Analise com os membros a frequência com que os personagens da parábola – o Levita, o sacerdote, o ferido, o Samaritano – podem ser encontrados no nosso meio. Pergunta para Reflexão: “Apresentem-me um Cristão e eu tornar-me-ei num deles” é um dito atribuído a muitos que admiram a grandeza do ensino de Cristo, mas que o põem de lado como impraticável. Que resposta daríamos a um desafio destes? 4º PASSO – APLICAR! Só para o Dinamizador: “Deus aborrece as castas. Ele desconhece qualquer coisa desta natureza. Aos Seus olhos, todos os homens são de igual valor.” – Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 339, ed. P. SerVir. Sirvam-se desta citação como base para uma análise de casos reais em que as distinções de casta se praticam na nossa sociedade. Quais são os efeitos devastadores de tais distinções? Qual é o único remédio? Questões a Debater: 1.Um desconhecido esfarrapado entra na nossa igreja. Vemo-lo à procura de um lugar onde se sentar. O que fazemos? De que maneira criamos uma atmosfera em que toda a gente se sinta amada e todos se sintam desejados? 2.Uma pessoa de cor ou casta ou tribo diferente da nossa deseja fazer parte da nossa igreja. O que faríamos de modo a que essa pessoa se sentisse bem-vinda?