KINO – Mostra de Cinema de Expressão Alemã
Cinema São Jorge | 21. – 29. Januar 2009
KINO
Mostra de Cinema de Expressão Alemã
Cinema São Jorge
21. – 29. Januar 2009
Quarta-feira | 21.01. | 21h30
IM WINTER EIN JAHR / No Inverno um Ano
de Caroline Link, Alemanha, 2008, 129’, 35mm, leg. em português
com a presença da realizadora
Baseado num livro de Scott
Campbell, o filme conta a história
de uma difícil relação familiar:
Eliane Richter pede a Max, um
pintor de idade já avançada, que
execute um retrato dos seus dois
filhos. Contudo, apenas Lilli, de 22
anos, lhe pode servir de modelo, já
que o seu irmão Alexander morreu
há um ano, com apenas 19 anos.
Inicialmente, a estudante não tem
grande vontade de comparecer no
atelier para posar para Max. Com o
tempo, porém, ocorre entre o pintor e o seu modelo uma discreta aproximação.
Max sente que a jovem sofre de graves problemas emocionais desde a morte do
seu amado irmão. Ao longo das sessões para o retrato, ele irá confrontar-se com
o psicograma de uma família complexa, terrivelmente abalada por um golpe do
destino.
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KINO – Mostra de Cinema de Expressão Alemã
Cinema São Jorge | 21. – 29. Januar 2009
Caroline Link nasceu em 1964 em Bad Bauheim e a partir de 1986 estudou realização
na Hochschule für Fernsehen e Film (HFF), em Munique. O seu trabalho final, a história
de amor “Sommertage” (Dias de Verão), recebeu em 1990 no festival Hofer Filmtage o
Prémio Kodak.
Depois dos seus estudos, Link trabalhou como autora de guiões, entre outros para a série
de televisão “Der Fahnder”. Estreou-se como realizadora de cinema em 1996 com o filme
“Jenseits der Stille”, que foi premiado com dois Bayerischer Filmpreis e dois Deutscher
Filmpreis e recebeu uma nomeação para o Óscar na categoria Melhor Filme Estrangeiro.
Com a adaptação cinematográfica “Nirgendwo in Afrika” (Lugar Nenhum na África) em
2001, Caroline Link obteve o seu maior sucesso: o drama recebeu cinco Deutscher
Filmpreis e – como 23 anos depois do Tambor de Schlöndorff – o Óscar para um filme
alemão como Melhor Filme Estrangeiro.
Caroline Link é membro do conselho administrativo da Associação “Children for a better
World” e desde 2004 titular do Bayerischer Verdienstorden.
Filmografia: Bunte Blumen (1988); Glück zum Anfassen (1989); Sommertage (1990);
Kalle der Träumer (1992); Jenseits der Stille (1995/1996); Pünktchen und Anton
(1998/1999); Nirgendwo in Afrika (2001); Im Winter ein Jahr (2008)
Quinta-feira | 22.01. | 18h30
KLASSENKAMPF / Luta de Classes*
de Uli Kick; Alemanha, 2008, 97’, digibeta, leg. em português
Ao longo de todo um ano lectivo, o
realizador Uli Kick e a sua equipa
acompanharam uma turma do 9° ano
de uma escola secundária de
Munique durante o último ano escolar
desta. Neste filme quem tem a
palavra não são os teóricos da
pedagogia, mas sim os verdadeiros
especialistas no problemático âmbito
do ensino secundário: uma
professora que ama os seus alunos,
luta pela sua assiduidade e atenção, e que dia após dia vai dando tudo o que
tem. Alunos que se vêem obrigados a enfrentar a idade adulta e que
continuamente se confrontam com o estigma da inutilidade desde a infância.
Entre eles, metade ou não tem pai ou não tem mãe, em casa de muitos pouco ou
mesmo nada se fala alemão, quase todos provêm de famílias disfuncionais e com
grandes dificuldades económicas. Alguns estariam completamente entregues a si
próprios se não existisse a sua professora e o espantoso porteiro, que, por um
lado, mantém a ordem, recorrendo à vídeo-vigilância, mas que, por outro lado,
se empenha de uma forma emocional pelos jovens, demonstrando bem mais
empatia para com as suas preocupações e dificuldades do que muitos dos pais.
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Uli Kick nasceu em 1957 em Heideck. Estudou Sociologia, Psicologia e Jornalismo. Entre
1980 e 1990 trabalhou como repórter, argumentista e realizador no Bayerischer
Rundfunk, bem como noutros emissores ARD. Participou em vários filmes e
documentários. Entre 1996-200 trabalhou como autor no magazine da ARD “Monitor”.
Desde 1991 Uli Kick tem também realizado e produzido documentários, tendo participado
em inúmeros festivais internacionais e obtido vários prémios.
Em 2004 foi membro do júri do FilmFernsehFonds Bayern do Festival do Filme
Documentário de Munique.
Filmografia: Todorov – ein Gangsterfilm (1995); Bismuna – Ein Abenteuerfilm (1999);
Franky, der Straßenfeger (2003); Scary (2006); Klassenkampf (2008)
Quinta-feira | 22.01. | 21h30
DAS FREMDE IN MIR / O Estranho que há em Mim
de Emily Atef; Alemanha, 2008, 98’, 35mm, leg. em português
Rebecca e Julian aguardam ansiosamente
o nascimento do seu primeiro filho. Mas
quando finalmente a criança nasce,
Rebecca é obrigada a admitir que não se
sente nada bem no seu novo papel de
mãe. O bebé desperta nela uma enorme
perplexidade e um profundo desespero.
Incapaz de confiar o que se passa ao
marido, ou a qualquer outra pessoa
conhecida, Rebecca sente-se abandonada
e à mercê dos seus sentimentos
sombrios. Só a sua mãe se apercebe de que ela precisa urgentemente de ajuda,
para não se transformar num perigo para a criança. Rebecca é internada numa
clínica especial, onde lhe é diagnosticada uma depressão pós-parto. Durante a
terapia Rebecca experimenta, de uma forma ainda hesitante, os sentimentos
maternais que nela despertam.
Filha de um casal franco-iraniano, Emily Atef nasceu em 1973, em Berlim. Quando tinha
7 anos a sua família mudou-se para Los Angeles e com 13 foi viver para França. Mais
tarde foi para Londres, onde trabalhou como actriz no London Theatre. Regressada à
Alemanha, inscreveu-se em 2001 no curso de realização da Deutsche Film- und
Fernsehakademie (dffb) (Academia para Cinema e Televisão) de Berlim. Pela sua
primeira longa-metragem, “Molly Way”, Emily Atef recebeu, juntamente com a co-autora
Esther Bernstorff, o Förderpreis Deutscher Film (Prémio de Fomento) para o melhor
argumento no Festival de Cinema de Munique de 2005, bem como o prémio para o
melhor filme no Festival de Cinema Turquia/Alemanha de Nuremberga de 2006.
Filmografia: From XX to XY. Fighting to be Jake (2002); Sundays (2003); Asyl (2004);
Molly’s Way (2005/2006); Das Fremde in mir (2008)
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Sexta-feira | 23.01. | 18h30
DAS HERZ VON JENIN / O Coração de Jenin*
de Marcus Vetter e Leon Geller; Alemanha/Israel, 2008, 90’. digibeta, leg. em
português
“Das Herz von Jenin” é a história de Ahmed Chatib, um rapaz palestiniano morto
por israelitas, cujo pai, Ismail, tem que decidir em apenas 12 horas, se aceita ou
não doar quatro órgãos do seu filho a seis crianças israelitas, salvando-lhes
assim a vida.
Desde que os órgãos foram doados
decorreu entretanto um ano e meio.
O que é que Ismail al Chatib, do
campo de refugiados Jenin,
conseguiu alcançar com o seu sinal
de paz? Quem quiser saber como o
gesto de Ismail modificou a vida das
famílias das crianças doadas terá que
empreender uma viagem por todo o
território israelita: desde as colinas
setentrionais, junto à fronteira libanesa, passando pela disputada Cidade Santa
de Jerusalém, até ao Sul do país, no limite do deserto de Negev. “Das Herz von
Jenin” é uma viagem através de territórios ocupados e de corações embotados
pelos preconceitos. O filme mostra-nos pessoas que aprenderam a ultrapassar o
seu ódio e outras que ainda hoje se queixam da infelicidade que para eles
representa terem de viver com um órgão de um árabe. Acima de tudo, é a
história de um gesto humanitário de paz, que por um breve e mágico momento
parece superar os insolúveis conflitos entre Israel e a Palestina.
Filho de mãe alemã e pai turco, Marcus Vetter nasceu em 1967, em Stuttgart, e
estudou Economia em Worms, Buenos Aires e Madrid e, posteriormente, Ciência e Prática
dos Meios de Comunicação em Tübingen. Após concluir o diploma, em 1994, começou a
trabalhar como argumentista, autor e montador no SWR em Baden-Baden e Stuttgart,
tendo, a partir de 1997, realizado também os seus próprios filmes. Em 1999 recebeu
pelo seu documentário para a TV “Der Tunnel” o prémio Grimme. Também os seus
trabalhos seguintes foram frequentemente distinguidos, tendo, por exemplo, “Wo das
Geld Wächst” (“Onde Cresce o Dinheiro”) recebido igualmente o Prémio Grimme.
O filme documentário autobiográfico “Mein Vater, der Türke” (“O meu Pai, o Turco), no
qual Marcus Vetter volta a encontrar o seu pai, que apenas tinha visto uma vez na vida,
quando tinha sete anos, foi galardoado com os conceituados prémios Europa e Golden
Gate Award. Com “Trader’s Dream” o realizador investiga, em parceria com Stefan Tolz,
o mundo dos leilões globais.
Filmografia: Der Tunnel (1999) (TV); Wo das Geld wächst! - Die EM.TV-Story (2000);
Broadway Bruchsal (2001); Kriegsspiele (2002); Von Null auf 42 (2004); Die
Unzerbrechlichen (2006); Mein Vater, der Türke (2006) ; Traders' Dreams - Eine Reise in
die Ebay-Welt (2007) ; Das Herz von Jenin (2008)
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KINO – Mostra de Cinema de Expressão Alemã
Cinema São Jorge | 21. – 29. Januar 2009
Nos seus filmes, Leon Geller preocupa-se com temas sociais. Entre os seus trabalhos
contam-se produções televisivas, bem como filmes para cinema. “Heavy Twenty, ShevetVoice” foi premiado e “Roads” foi nomeado para um prémio na categoria “Curtasmetragens de Estudantes” no Tribeca Film Festival de Nova Iorque, em 2008.
Sexta-feira | 23.01. | 21h30
AM ENDE KOMMEN TOURISTEN / No Final Chegam As Turistas
de Robert Thalheim; Alemanha, 2007, 85’, 35mm, leg. em português
Sven cumpre o seu serviço
cívico na Polónia, numa pensão
para jovens que faz parte do
complexo do antigo campo de
concentração Auschwitz,
actualmente transformado em
museu do holocausto. Na
cidade de Oswiecim – nome em
poláco de Auschwitz – nada tem
de comum com outros lugares,
tudo se encontra assombrado
pela História. Uma das tarefas
de Sven consiste em tratar do Sr. Krzeminski, um dos sobreviventes do
holocausto. O obstinado Krzeminski repara para o museu velhas malas, objectos
que remetem para os antigos prisioneiros do campo. Sven conhece a polaca
Ania, guia de língua alemã. A relação que se estabelece entre os dois altera o
olhar de Sven sobre o seu trabalho e a vida em Oswiecim.
Robert Thalheim nasceu em 1974, em Berlim. Em 1992 termina o curso secundário no
Estado de Indiana, USA, e em 1995 conclui o ensino liceal.
1997/98: trabalha como assistente de realização no Berliner Ensemble. A partir de 1998
estuda na FU Berlin, frequentando a partir de 2000 o curso de realização na
Filmhochschule (Escola Superior de Cinema) “Konrad Wolf” em Postdam-Babelsberg.
Robert Thalheim é autor de um livro sobre Andrzej Wajda (2000) e desde 1999 editor do
magazine cultural “Plotki”.
2003: encenação, para o Maxim-Gorki-Theater, de Berlim, da sua peça “Wild Boys”.
2005: Com “Netto”, a história de uma relação pai-filho, estreia-se na longa-metragem. O
filme é apresentado em diversos festivais, tendo recebido vários prémios, entre os quais
o “Förderpreis Langfilm” (Prémio de Fomento para Longas-Metragens) no Saarbrückener
Filmfestival Max Ophüls 2005.
“Am Ende kommen Touristen”, a segunda longa-metragem de Robert Thalheim, foi
estreado no Festival de Cinema de Cannes de 2007.
Filmografia: Three Perfect (2001); Die Grenze – Granica (2001); Netto (2004/2005);
Am Ende kommen Touristen (2006/2007)
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Cinema São Jorge | 21. – 29. Januar 2009
Sábado | 24.01. | 18h30
AUGE IN AUGE – EINE DEUTSCHE FILMGESCHICHTE /De Olhos
nos Olhos – Uma História do Cinema Alemão*
de Michael Althen e Hans Helmut Prinzler; Alemanha 2007/2008, 105’, 35mm,
leg. em português
Não se trata aqui simplesmente de mais um documentário sobre a história do
cinema, mas sim de um filme sobre o amor pelo cinema, uma viagem de
descoberta através de 100 anos de filmes realizados na Alemanha, uma viagem
pelo tempo, ao longo da história do cinema alemão. Dez pessoas actualmente
ligadas ao cinema recordam os
seus filmes preferidos de ontem.
As memórias pessoais são
completadas com excertos
desses filmes.
As dez declarações de amor são
aprofundadas por cinco ensaios
especiais filmados: Berlim no
cinema; O Filme no NacionalSocialismo, O Filme na RDA,
Uma Viagem Filmada pela
Alemanha e pela pergunta: o
que é alemão no filme alemão?
Por fim, são elaborados de uma
forma associada seis motivos: Os Olhos dos Homens, Os Olhares das Mulheres,
Beijos, Gritos, Fumar, Telefonar – todos eles focados através da História do
cinema alemão. Se encararmos o filme como uma charada, então podemos
adivinhar os títulos de cerca de 250 filmes alemães. E se o filme conseguir
despoletar recordações próprias, então o mais provável (e desejável) é que
queiramos, também nós, rever muitos dos antigos filmes.
Michael Althen nasceu a 14 de Outubro de 1962, em Munique, e com apenas 19 anos
começou a escrever crítica de cinema como independente. Depois do liceu estuda em
Munique Estudos Germânicos e Jornalismo, não tendo, no entanto, concluído o curso. A
partir de 1984 trabalha como crítico de cinema para várias publicações de renome, como
os jornais Süddeutsche Zeitung e Die Zeit (semanário), ou a revista Der Spiegel. Em
1998 sucede a Peter Buchka como redactor responsável pela área do cinema no
Süddeutsche Zeitung. Em 2001 passa a escrever para o suplemento cultural do
Frankfurter Allgemeine Zeitung.
Filmografia: Das Wispern im Berg der Dinge (1996/1997); München – Geheimnisse
einer Stadt (1999/2000); Auge in Auge – Eine deutsche Filmgeschichte (2007/2008)
Hans Helmut Prinzler cresce em Berlim e, a partir de 1952, em Oberndorf am Neckar.
Depois do liceu começa a estudar em Munique Jornalismo, Ciências do Teatro e Estudos
Germânicos. Em 1960 prossegue o seu estudo do jornalismo no Institut für Publizistik da
Freie Universität Berlin (Universidade Livre de Berlim), onde tem como professor Fritz
Eberhard. A partir de 1965 torna-se colaborador científico do instituto. Entre 1958 e
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Cinema São Jorge | 21. – 29. Januar 2009
1961 trabalha como voluntário no jornal Schwarzwälder Bote, de Oberndorf, para o qual
escreve, desde Munique e Berlim, artigos sobre cinema, televisão e temas culturais.
Hans Helmut Prinzler assume em 1969 a posição de Studienleiter (director de curso) na
Deutsche Film- und Fernsehakademie (dffb) Berlin (Academia de Cinema e Televisão,
fundada em 1966). Após 10 anos, Prinzler muda-se para a Stiftung Deutsche Kinemathek
(SDK) (Fundação da Cinemateca Alemã), onde é responsável pelas actividades da
fundação.
Filmografia: Wochenschau II (1969); Der Tagesspiegel. Ein Film für Westberliner
Zeitungsleser und Journalisten (1970/1971); Zwischen den Bildern. 2. Montage im
dokumentarischen Film (1980/1981); Liebe auf den ersten Blick (1991); Wer ist Helen
Schwarz? (2002-2005); Die Verhoevens (2002/2003); Filmlegenden. Deutsch (2005);
Ernst Lubitsch in Berlin (2006); Auge in Auge – eine deutsche Filmgeschichte
(2007/2008)
Sábado | 24.01. | 21h30
KIRSCHBLÜTEN – HANAMI / Flores de Cerejeira - Hanami
de Doris Dörrie; Alemanha 2008, 126’, 35mm, leg. em português
A história de uma amor abnegado e
de uma viagem poética até ao fundo
do ser: só Trudi sabe que o marido,
Rudi, sofre de cancro em fase
terminal. Quando o médico propõe
que os dois façam uma derradeira
viagem juntos, Trudi convence o
marido a irem visitar os filhos e os
netos em Berlim. Mas estes estão
demasiado atarefados com as suas
próprias vidas para se ocuparem com
eles. Depois de assistirem a uma
representação de um dançarino de butoh, Trudi e Rudi viajam para o Mar Báltico,
onde se instalam num hotel. Aí, Trudi morre subitamente. Rudi fica
completamente desorientado, sem saber o que fazer à sua vida. Até que decide
viajar para o Japão, para se encontrar com Karl, o seu filho mais novo.
Doris Dörrie nasceu em 1955 em Hanover. Depois de concluir o ensino secundário foi
para os Estados Unidos, onde estudou drama e Cinema no Drama Department da
University of the Pacific em Stockton, Califórnia. Além disso, estudou na New School for
Social Research em Nova Iorque.
Depois de voltar para Alemanha em 1975, começou um curso na Escola Superior de
Televisão e Cinema em Munique e ao mesmo tempo escreveu críticas cinematográficas
para o Süddeutsche Zeitung, onde também foi assistente de redacção. A seguir, Dörrie
trabalhou como freelancer para vários canais de televisão e realizou documentários
pequenos.
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KINO – Mostra de Cinema de Expressão Alemã
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Seguiram-se diversos filmes e alguns livros. Juntamente com Gerd Huber, Renate
Seefeld, o fotógrafo Helge Weindler e Thomas Müller, ela fundou em 1989 o Cobra
Filmproduktions GmbH, que produziu os seus filmes subsequentes.
Em 1997, Doris Dörrie foi nomeado professora de dramaturgia aplicada e argumento na
Escola Superior de Televisão e Cinema em Munique.
Filmografia: Ob’s stürmt oder schneit (1976/1977); Ene, meine, mink (1977); Hättst
was Gescheits gelernt (1978); Der erste Walzer (1978); Alt werden in der Fremde
(1978); Von Romantik keine Spur (1980/1981); Katharina Eiselt, 85, Arbeiterin (1980);
Dazwischen (1981/1982); Mitten ins Herz (1983); Im Innern des Wals (1984/1985);
Männer (1985); Wann – wenn nicht jetzt? (1986/1987); Paradies (1986); Ich und Er
(1987/1988); Geld (1988/1989); Love in Germany (1990); Happy Birthday, Türke!
(1991); Was darf’s denn sein? (1993); Keiner liebt mich (1994); Bin ich schön?
(1997/1998); …augenblick… (1997); Erleuchtung garantiert (1998/1999); Nackt
(2001/2002); Ein seltsames Paar (2003); Der Fischer und seine Frau (2004/2005); How
to Cook Your Life (2006/2007); Kirschblüten – Hanami (2008)
Sábado | 24.01. | 0h00
ABSURDISTAN / Absurdistão
de Veit Helmer; Alemanha 2006-2008, 88’, 35mm, leg. em português
Uma aldeia isolada, algures entre a
Europa e a Ásia, num tempo entre
ontem e hoje. Desde a sua infância que
Aya e Temelko estão destinados um
para o outro. Agora ambos já só
desejam que chegue, finalmente, a sua
primeira noite de amor. De acordo com
as velhas tradições, esta será
determinada com a ajuda das estrelas e
iniciar-se-á com um banho ritual
comum. Porém, pouco antes de chegar
o dia ansiosamente esperado, a fonte
seca misteriosamente! Perante a
indiferença dos homens, que nada fazem para reparar o dano, as aldeãs decidem avançar
para métodos drásticos: expulsam os homens das suas camas, dividem a aldeia com uma
vedação destinada a separar o mundo masculino do feminino e entram em greve: sem água
não há sexo! Aya, naturalmente, solidariza-se com a causa das mulheres. Na tentativa de
salvar o seu amor, e para poder consumar a primeira noite sob os bons auspícios da
favorável constelação estelar, Temelko tudo irá fazer para que a água volte a brotar da
fonte. Para isso irá ter que recorrer a métodos bem pouco ortodoxos…
Veit Helmer nasceu em 1968, em Hannover, e começou com as primeiras tentativas de
curtas-metragens ainda durante a adolescência. Concluído o ensino secundário,
frequentou primeiro a Hochschule für Schauspielkunst Ernst Busch (Escola Superior de
Representação), em Berlim, e estudou, seguidamente, na Hochschule für Film und
Fernsehen (HFF) (Escola Superior para Cinema e Televisão) em Munique.
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Em 1996, e ainda no contexto do curso, participou no projecto de Wim Wenders “Die
Gebrüder Skladanowsky” (“Os Irmãos Skladanowsky”) como co-realizador, co-autor e
produtor.
Paralelamente, realizou várias curtas-metragens, entre as quais “Surprise!”, a qual, entre
outros prémios, foi galardoada com o Murnau-Kurzfilmpreis em 1997.
“Tuvalu” (1999) representa a sua estreia na longa-metragem. Caracterizado por uma
atmosfera densa de conto surreal, o filme é apresentado em mais de 60 Festivais em
todo o mundo, tendo obtido diversos prémios, entre os quais o Bayerischer Filmpreis de
1999 para jovens realizadores. “Tor zum Himmel” (“As Portas do Céu”), a sequela
realizada em 2003, não consegue reunir igual aceitação por parte da crítica e do público.
Com o documentário “Behind the Couch – Casting in Hollywood”, Veit Helmer apresentanos, dois anos mais tarde, um olhar atento sobre a política de castings da indústria do
filme americana.
A comédia “Absurdistan”, rodada no Azerbeijão, a sua terceira longa-metragem, é
estreada no Festival de Cinema de Sundance de 2008; tendo sido distinguida no mesmo
ano com o Prémio Especial do Bayerischer Filmpreis.
Filmografia: Tour Eiffel (1993); Surprise! (1995/1996); Tuvalu (1998/1999)
Hati-Hati, Malam-Malam! (2000/2001); Uzbek Express! (2002); Tor zum Himmel (2003);
Hundeleben (2004); Caspian bride (2005); Behind the Couch – Casting in Hollywood
(2005); Absurdistan (2006-2008)
Domingo | 25.01. | 16h30
Sessão Infanto-Juvenil
HÄNDE WEG VON MISSISSIPPI / Deixem em paz a Mississippi
de Detlev Buck; Alemanha, 2006/2007, 98’, 35mm, leg. em português
Adaptação cinematográfica do romance
infanto-juvenil com o mesmo nome, de
Cornelia Funke. Feliz da vida, Emma,
de 10 anos, parte para passar mais
umas férias no campo, na quinta da
sua avó Dolly. Mal chega, porém,
Emma vem a saber que o velho
Klipperbusch morreu, e que o seu
ganancioso sobrinho Albert está já a
transformar a propriedade herdada, no
sentido de a tornar mais lucrativa.
Naturalmente, tudo o que não se adapta às suas novas ideias tem simplesmente
que desaparecer. Ainda assim, a menina lá consegue salvar, no último instante,
Mississipi, a adorada égua de Klipperbusch: Emma convence a avó a comprar a
égua a Albert, antes que ele a venda para o matadouro. De repente, Emma vêse feliz proprietária de um cavalo. Contudo, qual não é o seu espanto, quando,
num belo dia, Albert lhes vem bater à porta, ansioso por recuperar Mississipi a
todo o custo. Emma e os seus amigos têm a certeza de que o velhaco está a
preparar alguma …
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Detlev Buck nasceu em 1962 in Bad Segeberg e depois de concluir o ensino secundário
e serviço cívico iniciou a formação profissional para Agrónomo. Realizou o seu primeiro
filme “Erst die Arbeit und dann?” ainda durante o período de formação. Entre 1985 e
1989 estudou na Deutsche Film- und Fernsehakademie em Berlim.
Em 1991 fundou, juntamente com Claus Boje, a empresa BojeBuck Filmproduktion GbR
(que a partir de 1992 passou a chamar-se BojeBuck Produktion GmbH). Buck realizou
vários filmes alemães bem sucedidos dos anos 90. Além disso, foi realizador de filmes
publicitários e é gerente da empresa publicitária Silbersee Film GmbH. A partir de
Outubro de 2005 moderou, durante alguns meses, no canal televisivo N24 o programa
semanal Cinematalk, juntamente com o jornalista e critico de cinema Knut Elstermann.
Desde 2005 é membro da Freie Akademie der Künste em Hamburgo.
Filmografia: Erst die Arbeit und dann? (1984); Es gräbt (1985/1986); Normal bitte
(1986); Worauf wir abfahren (1987); Was drin ist (1987); Eine Rolle Duschen (1987);
Schwarzbunt Märchen (1988); Hopnick (1989/1990); Karniggels (1990/1991); Wir
können auch anders… (1992/1993); Männerpension (1995/1996); Der Elefant vergisst
nie (1995/1996); Liebe deine Nächste! (1997/1998); Liebesluder (1999/2000); Knallhart
(2005/2006); Hände weg von Mississippi (2006/2007); 23 Tage – das YouTube-FanTagebuch (2008)
Domingo | 25.01. | 18h30
NACH DER MUSIK / Depois da Música*
de Igor Heitzmann; Alemanha 2003-2007, 105’, 35mm, leg. em português
O realizador Igor Heitzmann contanos a história da sua aproximação
ao pai, o maestro austríaco Otmar
Suitner, que durante 26 anos dirigiu
a Staatsoper Unter den Linden
(Ópera Estatal em Berlim Leste).
Depois de Suitner ter conhecido, em
1965, no Festival wagneriano de
Bayreuth, a estudante e futura mãe
de Igor Renate Heitzmann, teve
início, para o maestro, então com 43
anos, uma luta constante para manter um precário equilíbrio entre a mulher e a
amante, a vida privada e a profissão, o Leste e o Ocidente. A procura dos
vestígios biográficos do músico pelo seu filho encontra-se indissociavelmente
ligada a uma reflexão sobre a própria História da Alemanha dividida.
Igor Heitzmann nasceu no último dia de 1971 em Rendsburg e cresceu em Berlim.
1991/92: conclusão do ensino liceal. Segue-se um ano de aprendizagem na área do
cinema em Paris.
1992-1993: Curso de Cinema e Teatro na Freie Universität Berlin (Universidade Livre de
Berlim).
Autor de argumentos para a empresa produtora de filmes Medias Res Berlin.
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Cinema São Jorge | 21. – 29. Januar 2009
Primavera de 1995: Participa como primeiro assistente de realização no documentário de
longa duração “Orson Welles – The One-Man Band” (Realização: Vassili Solovic, Câmara:
Thomas Mauch).
1995-2006: Curso de realizador na Deutschen Film- und Fernsehakademie Berlin.
Filmografia: Insanity Increasing (1996); Anthropophobia (1997); La Petite Mort (1998);
Familie (2000); Ausreisser (2002); Nach der Musik (2003-2007)
Domingo | 25.01. | 21h30
VITUS
de Fredi Murer; Suiça, 2006, 120’, 35mm, leg. em português
O Vitus é um rapazinho que parece
ter vindo de outro planeta. Ouve tão
bem como um morcego, toca
maravilhosamente piano e já lia
enciclopédias nos tempos do jardim
de infância. É evidente que os seus
pais ambicionavam uma importante
carreira para o filho: Vitus seria
pianista. Mas o pequeno génio
prefere trabalhar na carpintaria do
seu avô, sonha com aviões e com
uma juventude normal. Finalmente,
com um salto dramático, Vitus toma a sua vida nas suas próprias mãos...
Fredi M. Murer nasceu em Beckenried junto ao Lago dos Quatro Cantões, em 1940. Ao
17 anos, Fredi M. Murer vai para Zurique onde, a partir de 1959, estuda desenho
científico na Escola de Modelagem. Passados dois anos, muda-se para a classe de
fotografia profissional, onde leccionam Serge Stauffer (fundador da Escola Superior de
Arte F+F livre) e Walter Binder (mais tarde conservador da Fundação Suíça de
Fotografia). A partir de 1967 Murer trabalha como produtor de filmes independente. Em
1970 parte para Londres, com a sua família, para o “exílio" onde passa a ensinar na
Gilford Arts School London. De volta à Suíça, filma, em 1974, „Wir Bergler in den
Bergen“. Com Alexander J. Seiler, Georg Radanowicz, Kurt Gloor, Claude Champion,Yves
Yersin, Hans-Ulrich Schlumpf e Ywan Schumacher funda, no mesmo ano, a empresa de
produção Nemo Film GmbH. A partir de 1985 vive e trabalha em Zurique. De 1992 a
1996 preside à Associação Suíça de Realizadores de Cinema. Em 1995 é-lhe concedido o
Prémio de Arte da Cidade de Zurique, em 1997, o Prémio de Cultura Nacional Suíço, e
em 2005, a Fundação de Zurique de Ética e Cultura Ocidental presta homenagem à obra
global de Fredi Murer.
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Cinema São Jorge | 21. – 29. Januar 2009
Filmografia: Marcel (1962); Pazifik - oder die Zufriedenen (1965); Sylvan (1965)
Chicorée (1966); Bernhard Luginbühl (1966); High and Heimkiller (1976); Sadis – fiction
(1969); Vision of a blind man (1969); Swissmade – 2069 (1969); Passagen (1972);
Christopher und Alexander (1973); Wir Bergler in den Bergen sind eigentlich nicht
schuld, daß wir da sind (1974); Grauzone (1979); A New Face of Debbie Harry (1982);
Höhenfeuer (1985); Sehen mit anderen Augen (1987); Der grüne Berg (1990); Die
verborgene Fiktion im Dokumentarfilm (1991); Vollmond (1998); Downtown Switzerland
(2004); Vitus (2006)
Segunda-feira | 26.01. | 18h30
FULL METAL VILLAGE*
de Sung-Hyung Cho; Alemanha, 2006, 90’, 35mm, leg. em português
O céu sobre as vacas no pasto e a
acompanhar a cena o som furioso de
bandas de heavy metal tão extremas
como Cannibal Corpse, Grave Digger,
Raise Hell, Death Angel ou Sodom. Um
cocktail que poderia oferecer matéria mais
que suficiente para uma pequena guerra
entre culturas. Na realidade, porém, o
encontro entre camponeses do norte da
Alemanha e a comunidade internacional
de fans do hard-rock na pequena aldeia
de Holstein Wacken, durante o maior festival mundial do género, é o
acontecimento mais pacífico que imaginar se possa. Curioso? Certamente.
Exemplar? Talvez, mas sempre de uma forma despretensiosa. Divertido? Sem
dúvida, do primeiro ao último minuto.
Sung-Hyung Cho nasceu em Busan, Coreia do Sul, e depois de ter estudado Ciências da
Comunicação em Seul mudou-se em 1990 para Marburg, onde se licenciou em História
de Arte, Ciências dos Media e Filosofia. Trabalhou como montador e dirigiu seminários na
Filmhaus Frankfurt e no SAE Institute. Desde 1997 tem vindo a realizar pequenos
“dokuclips” e vídeos de música. “Full Metal Village”, a sua primeira longa-metragem, foi
galardoada com o Hessischer Filmpreis na categoria de Melhor Filme Documentário, e
com o Schleswig-Holstein Filmpreis.
Filmografia: Full Metal Village (2006)
Segunda-feira | 26.01. | 21h30
DER NEUNTE TAG / O nono dia
de Volker Schlöndorff; Alemanha/Luxemburgo, 2004, 97’, 35mm, leg. em
português
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“Bloco dos padres” do campo de
concentração de Dachau: os sacerdotes
prisioneiros celebram secretamente a
missa. Para disfarçar cantam a canção
popular alemã “Wir lagen vor
Madagaskar”. Numa cruz montada ao ar
livre é enforcado um padre. Os seus
companheiros de infortúnio entoam um
cântico religioso: o sinal silencioso e
desesperado de uma resistência
impotente. Henri Kremer, um abade
proveniente do Luxemburgo, então ocupado pelos alemães, é
surpreendentemente libertado do campo de concentração e mandado para casa.
Assim que chega, , em Janeiro de 1942, Kremer, que se envolveu com a
resistência, é chamado pela Gestapo local e vem a saber que na realidade não foi
libertado, mas que dispõe apenas de uma licença temporária de nove dias,
devido à morte da mãe. Caso tente escapar, todos os seus colegas
luxemburgueses detidos em Dachau no “bloco dos padres” serão executados.
Assim, será em vão que o seu irmão Roger o tentará convencer a fugir para Paris
ou para a Suíça.
Volker Schlöndorff nasceu em 1939 e estudou Ciências Políticas em Paris. Os seus
filmes mais importantes são, entre outros, “Die Blechtrommel” (O Tambor) (vencedor de
uma Palma de Ouro e um Óscar); “Tod eines Handlungsreisenden” (A Morte do Caixeiro
Viajante), “Homo Faber” e “Die Stille nach dem Schuss” (A Lendas de Rita). Além de ser
realizador, trabalhou com sucesso como encenador para ópera e teatro.
Entre 1992 e 1997 o realizador dedicou-se à transformação dos antigos estúdios da
UFA/DEFA em Babelsberg num moderno centro de cinema e media. Volker Schlöndorff é,
desde 2001, presidente do Verein Europäisches Filmzentrum Babelsberg (Associação
Centro de Filmagem Europeu Babelsberg).
Filmografia: Wen kümmert’s (1960); Der junge Törless (1965/1966); Mord und Totschlag
(1966/1967); Paukespieler. 2. EP: Ein unheimlicher Moment (1967); Michael Kohlhaas –
Der Rebell (1969); Baal (1969); Der plötzliche Reichtum der armen Leute von Kombach
(1970/1971); Die Moral der Ruth Halbfass (1971/1972); Strohfeuer (1972);
Übernachtung in Tirol (1973/1974); Georginas Gründe (1974/1975); Die verlorene Ehre
der Katharina Blum (1975); Der Fangschuss (1976); Deutschland im Herbst
(1977/1978); Die Blechtrommel (1978/1979); Der Kandidat (1980); Krieg und Frieden
(1982/1983); Eine Liebe von Swann (1983/1984); Vermischte Nachrichten.
Bundeskanzler Helmut; Schmidt in der DDR (1985/1986); Tod eines Handlungsreisenden
(1985); Ein Aufstand alter Männer (1986/1987); Billy, How Did You Do It? (1988-1992);
Die Geschichte der Dienerin (1989/1990); Aspekte: Wilder-Auktion (1989); Homo Faber
(1990/1991); The Michael Nyman Songbook (1992); Der Unhold (1995/1996); Palmetto
(1997/1998); Die Stille nach dem Schuss (1999/2000); The Enlightenment (2001/2002);
Ten Minutes Older – The Cello (2001/2002); Ein Produzent hat Seele oder keine (2002);
Der neunte Tag (2003/2004); Strajk – Die Heldin von Danzig (2005/2006); Enigma –
Eine uneingestandene Liebe (2005), Ulzhan – Das vergessene Licht (2006/2007)
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Terça-feira | 27.01. | 18h30
VON EINEM DER AUSZOG… / De Um Que Partiu…*
de Marcel Wehn; Alemanha 2005 – 2007, 96’, digibeta, leg. em português
“Eu sou a minha história”, responde
Kamikaze no clássico de Wim Wenders
“Im Laufe der Zeit” (Ao correr do
Tempo), quando lhe perguntam “Quem
és tu?”. O documentário segue o rasto
de Wim Wenders e estabelece uma
ligação entre a biografia e a obra do
cineasta. O período da vida do realizador
aqui focado estende-se até à sua partida
para os EUA, após o seu primeiro
sucesso internacional com “Der amerikanischer Freund” (“O Amigo Americano”)
em 1976/77. Em conversas pessoais e com grande abertura, Wenders fala-nos
de uma infância protegida, da casa dos pais na Oberhausen do pós-guerra e de
uma juventude passada na região industrial da bacia do Ruhr (Ruhrgebiet). Mas
também são focadas outras estações da sua vida, sempre de um modo particular
e recorrendo a dados concretos, como por exemplo as fotografias de uma
exposição encenada, que têm o condão de despoletar lembranças que depois
irão ser aproveitadas por um seu protagonista para explicar porque é que o
jovem que ele um dia foi desistiu de ser pintor. Excertos das suas obras mais
antigas tornam claro até que ponto Wenders integra nos seus filmes vivências
autênticas, tanto suas como das pessoas que lhe estão mais próximas.
Marcel Wehn nasceu em 1977, em Karlsruhe. Depois de vários estágios em ramos
complementares ao cinema, como as Artes Gráficas, a Concepção de Textos Publicitários
e de diversas produções cinematográficas em Berlim e Hannover, inscreve-se na
Filmakademie Baden-Württemberg, no curso de realização de filmes documentários. “Von
einem der auszog” é o seu trabalho final.
Filmografia: Deutschland einig…? (2003-2006); Von einem der auszog – Wim Wenders’
frühe Jahre (2005-2007)
Terça-feira | 27.01. | 21h30
MÄRZ / Março
de Klaus Händl; Áustria, 2007, 83’, 35mm, leg. em português
“März” começa com a última noite da vida de três jovens de uma pequena comunidade
tirolesa. Dois deles são filhos de famílias da aldeia, o terceiro veio de Bozen (Norte de Itália)
para aqui, a fim de, tal como os dois outros, estudar na Universidade de Innsbrück, que fica
perto. Os três tornam-se amigos; durante os tempos livres praticam desporto: chegaram a
jogar juntos andebol. Mas agora é noite e acende-se a brasa de um último cigarro, antes
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deles prepararem com uma
mangueira e fita adesiva um carro
emprestado por um dos pais, ligarem
o motor e começarem a respirar.
Sem sinais, sem motivos, sem
palavras de despedida, os três
amigos abdicam de uma vida que
parecia segura e que, no entanto, não
deixa de ter as suas fracturas e
abismos. Mesmo aqui, numa pequena
povoação onde todos se conhecem,
onde poderia parecer que a proximidade era uma constante, onde a compreensão e o apoio
pareciam estar assegurados. É simplesmente impossível dizer o que levou os três jovens a
darem aquele passo. E no entanto, ele ecoa por toda a aldeia.
Klaus Händl nasceu em 1969 em Rum/Tirol e vive em Viena, Berlim e Port am Bielersee
(Suíça). Para além de ser actor, escreve guiões e realiza filmes. A sua peça radiofónica
„kleine Vogelkunde“ foi premiada como Peça Radiofónica do Ano de 1996. Para a sua
série de contos “Legenden” recebeu o Rauriser Literaturpreis e o Prémio Robert Walser.
Além disso, recebeu a bolsa do Literarisches Colloquium de Berlin e em 2004 a bolsa de
Dramaturgia do Kulturkreis der deutschen Wirtschaft em cooperação com os Münchner
Kammerspiele. No mesmo ano, o seu livro “(Wilde) Mann mit traurigen Augen” foi
premiado com o prémio literário da comissão literária de expressão alemã do cantão de
Berna, prémio esse que em 2006 também premiou o seu livro “Dunkel lockende Welt”.
“März” é o primeiro filme realizado por Klaus Händl.
Filmografia: März (2007)
Quarta-feira | 28.01. | 18h30
PRINZESSINNENBAD / A Piscina das Princesas*
de Bettina Blümner; Alemanha, 2006/2007, 93’, 35mm, leg. em português
As personagens centrais do filme são as adolescentes
Klara, Mina e Tanutscha, do bairro de Kreuzberg, em
Berlim. As três adolescentes de quinze anos, que se
conhecem desde os tempos do jardim-escola, são
amigas inseparáveis e costumam passar os dias de
Verão no Prinzenbad (“A Piscina do Princípe”), um
grande espaço público com piscinas ao ar livre, em
pleno Kreuzberg, a que elas ironicamente chamam “a
Piscina das Princesas” (Prinzessinnenbad). As três
sentem-se “adultas”, acham que que já deixaram há
muito para trás a infância. No entanto, no que à
evolução pessoal e familiar diz respeito, a vida das
três amigas não poderia ser mais diferente.
“Prinzessinnenbad” é um filme sobre o desejo de
amor e apoio. Tudo o que as amigas sentem faltar nas
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KINO – Mostra de Cinema de Expressão Alemã
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suas próprias famílias, tentam encontrar e concretizar através das suas múltiplas
cumplicidades. Com desplante, um charme muito próprio e uma maturidade
precoce, Klara, Minae e Tanutscha lá conseguem fazer-se respeitar e escolher o
seu próprio caminho.
Bettina Blümner nasceu em 1975, em Düsseldorf. 1998-99 estudou Medienkultur und
Gestaltung (Cultura dos Media e Criação) na Bauhaus-Universität de Weimar. De 19992004 frequentou a Filmakademie de Baden-Württemberg. “Die Kette” foi o seu trabalho
de fim de curso. Em 2004 frequentou a Escuela Internacional de Cine y TV, em Cuba. Em
2005 a sua curta-metragem “La Vida Dulce” foi distinguida pela instância oficial de
avaliação de filmes com o predicado “particularmente valioso”. “Prinzessinnenbad”
representa a sua estreia na longa-metragem.
Filmografia: Zur falschen Zeit am falschen Ort (2004/2005); Die Kette (2004); La Vida
Dolce – Das süße Leben (2005); Prinzessinnenbad (2006/2007)
Quarta-feira | 28.01. | 21h30
DAS FRÄULEIN / A Menina
de Andrea Staka; Suiça, 2006, 81’, 35mm, leg. em português
Há 25 anos que Ruža, agora com 50
anos, chegou à Suíça cheia de
esperança de poder criar uma vida
nova, uma vida melhor. Hoje em dia
tem uma única paixão: o dinheiro.
Ruža é dona de uma cantina de
empresa, em Zurique, a qual dirije
com mão firme e grande êxito
financeiro. A sua vida segue um
curso regular e consiste em
actividades regradas: o trabalho na
cantina, a contagem das receitas
diárias no escritório, o jantar no seu pequeno apartamento de Zurique. Na Suíça,
Ruža criou a sua própria vida e não imagina que algum dia possa regressar ao
seu país, a Sérvia. Diferentemente de Mila, que tem 60 anos e trabalha há
muitos anos para Ruža, de Mila que, com a sua família, vive e trabalha
duramente na Suíça há dezenas de anos para em breve poder concretizar o seu
sonho de comprar uma casa na Croácia.
Andrea Štaka nasceu na Suíça, em 1973. Durante os seus anos de liceu, dedica-se
intensamente à fotografia, o que lhe permite ingressar, em 1992, no London College of
Printing. Uma vez em Londres, passa a interessar-se pelo cinema. Inicia os seus estudos
em 1993, na Escola Superior de Modelagem e Arte de Zurique, na secção de
Cinema/Vídeo, estudos que conclui com êxito em 1998, com a curta-metragem “Hotel
Belgrado”. Em 1999 Andrea Štaka muda-se para Nova Iorque onde, nesse mesmo Verão,
roda a curta-metragem “Daleko”. Desde 2002 trabalha no projecto “A Menina“,
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dedicando-se ao mesmo tempo ao ensino. Em 2005 é-lhe concedido o Prémio de
Fomento NYSCA (New York State Council of the Arts) por uma ideia de curta-metragem.
“A Menina” é a sua primeira longa-metragem. Andrea Štaka vive em Zurique e Nova
Iorque…
Filmografia: Blue End (1999/2000); Das Fräulein (2006)
Quinta-feira | 29.01. | 18h30
SONBOL*
de Niko Apel; Alemanha, 2007, 57’, digibeta, leg. em português
Sonbol Fatima é diferente. Não
apenas porque possui um consultório
de dentista próprio, mas também
por continuar solteira aos 35 anos e
participar em provas de rally. O
facto de isso não ser considerado, de
modo algum, normal para uma
mulher na cidade santa de Mashad e
na República Islâmica do Irão, onde
vive, é algo com que ela tem de se
confrontar diariamente. A sua vida é
uma luta constante pela independência e pela liberdade: não só contra os planos
da mãe, que insiste em casá-la, nem apenas contra os funcionários, que querem
proibir as mulheres de competir em rallyes automóveis, mas também contra as
suas próprias dúvidas e inseguranças. O documentário de Niko Apels oferece-nos
um retrato tocante de uma mulher invulgar e, no entanto, perfeitamente normal
nos seus anseios e aspirações. Simultaneamente, o espectador ganha uma
percepção das contradições que marcam a actual sociedade iraniana.
Niko Apel nasceu em 1978, em Frankfurt am Main, e começou a trabalhar como
projeccionista num cinema comercial ainda antes de ter concluído o ensino secundário.
Paralelamente, realizava curtas-metragens. Em 2002 começou a estudar realização de
filmes documentários na Filmakademie Baden-Württemberg. Para além de documentários
como “Génova città aperta” e “If Dogs Run Free…” realizou também as curtas-metragens
“Prime Time” e “Gülay”, bem como o retrato filmado “Pake”. Além disso, tem-se dedicado
também a escrever argumentos para filmes. O documentário “Sonbol” representa o seu
trabalho final na Academia, valendo a Niko Apel em 2008 o First Step Award.
Filmografia: Genova città aperta (2001); If Dogs Run Free... (2002); Prime Time
(2003); Gülay (2004); Pake (2005); Sonbol (2008)
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KINO – Mostra de Cinema de Expressão Alemã
Cinema São Jorge | 21. – 29. Januar 2009
Quinta-feira | 29.01. | 21h30
REVANCHE / Vingança
de Götz Spielmann, Áustria, 2008, 121’, 35mm, leg. em português
com a presença do realizador – a confirmar
Outono. Um sítio no campo, não longe
de Viena. Uma casa de camponeses,
pobre e degradada. Lá dentro vive um
velho sozinho. À volta, campos,
floresta. Não longe dali, a casa de um
polícia e da sua mulher. Uma casa
nova, com as devidas condições. A
única coisa que falta é uma criança.
Viena, nessa mesma época. O mundo
da prostituição, noitadas, o bas-fonds,
onde tudo está subordinado ao
dinheiro, ao negócio. Mas poucos são
os que verdadeiramente lucram, a maioria mal consegue sobreviver com o seu
trabalho. Entre estes encontram-se Alex e Tâmara. Ela uma prostituta ucraniana,
ele um capanga do chefe. Amantes secretos, porque as leis do milieu proíbem o
amor entre os empregados. Alex quer escapar àquela vida, mas para isso precisa
de dinheiro, pois Tâmara contraiu dívidas. Alex planeia assaltar um banco fora de
Viena. Um banco de uma povoação no campo. Ao princípio, tudo parece correr
bem, mas depois, durante a fuga, é disparado um tiro que atinge Tâmara. Alex
consegue escapar. Mas o dinheiro que roubou de nada lhe serve agora e Alex
decide voltar para trás, para vingar a morte da amante …
Götz Spielmann nasceu em Wels e passou a sua infância em Viena. No ano de 1980
iniciou os seus estudos de realização e guionismo na Wiener Filmakademie. Concluiu o
curso em 1987 com o trabalho final “Vergiss Sneider” que obteve o prémio especial do
Festival Max Ophüls em 1988.
Em 1993 o seu filme “Der Nachbar” (O Vizinho) ganhou o Wiener Filmpreis na Viennale.
Os filmes “Die Fremde” e “Antares” foram nomeados para o Óscar do Melhor Filme
Estrangeiro. Em 2006 fundou a sua própria sociedade de produção cinematográfica,
Spielmannfilm. Além disso, é membro da presidência da Associação dos Realizadores da
Áustria. Em 2006 também começou a trabalhar para o teatro.
O seu filme “Revanche” foi proposto pela Áustria para o Óscar do Melhor Filme
Estrangeiro de 2009.
Filmografia: Erwin und Júlia (1990); Der Nachbar (1991); Dieses naive Verlangen
(1993); Die Angst vor der Idylle (1994); Die Fremde (1999); Spiel im Morgengrauen
(2001); Antares (2004); Revanche (2008)
*Documentário
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