CARTA AO FUTURO GOVERNADOR DO ESTADO DA BAHIA ABRE – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENTRETENIMENTO – SEÇÃO BAHIA 23 de julho de 2014 Prezado Candidato, A escolha de um novo Governador para dirigir o Estado da Bahia nos próximos quatro anos é um momento especial que exige reflexões e avaliações. Gostaríamos de parabenizá-lo por aceitar esse desafio e essa missão que deve ser movida pela ética e pela paixão. Consideramos que o Turismo e o Entretenimento são vocações naturais desse nosso Estado e que devem fazer parte das prioridades do novo Governo. Uma cultura única moldada pela nossa história e que se traduz na culinária, na música e na dança, uma geografia privilegiada e praias magníficas, completam os nossos atrativos. A nossa Associação congrega um grande conjunto de empresas ligadas ao entretenimento na Bahia. Temos a convicção de que o nosso conhecimento e as nossas demandas podem ser fundamentais na elaboração de um plano de governo que tenha no turismo uma prioridade. Listamos a seguir dez tópicos sobre os quais gostaríamos de ouvir a vossa impressão. 1. Infra Estrutura para a realização de eventos A Bahia possui inúmeros atrativos naturais e culturais para a atração de visitantes, isso, porém, não nos garante um fluxo contínuo e equilibrado de turistas que possam sustentar toda uma cadeia de geração de emprego e renda. Em todos os lugares do mundo que se propõem a ter no turismo uma atividade fundamental, se faz necessário o incremento dessa atividade através de eventos. O calendário de festas populares como Carnaval e São João, que nos favorece espontaneamente, carece de uma infra-estrutura que possa qualificá-la. Não dispomos de um espaço para a realização de grandes eventos e por isso estamos perdendo para outros destinos do Nordeste como Pernambuco, Ceará e até mesmo Alagoas e Sergipe. O Parque de exposições de Salvador é uma estrutura sucateada, que não atende mais às necessidades dos pecuaristas e poderia ser modernizado para cumprir esse duplo papel (exposições agropecuárias e grandes eventos). O Estado da Bahia e em especial a Cidade do Salvador não consegue mais atrair grandes Feiras e/ou Congressos, pois o nosso Centro de Convenções é também um espaço ultrapassado, antigo e incapaz de atender às atuais demandas do mercado. 2. Política de divulgação do destino Bahia O desgaste de imagem que o Estado da Bahia sofreu nos últimos anos, bem como a Cidade do Salvador diminuiu sensivelmente o encanto que sempre exercemos para aqueles que nos visitam ou mesmo os que apenas têm a intenção de fazê-lo. Estamos diante de um momento raro e oportuno. A Bahia foi um dos estados do Brasil com maior visibilidade nacional e internacional durante a Copa do Mundo da FIFA em 2014. A presença das seleções da Alemanha em Santo André, Suíça em Porto Seguro e Croácia na Praia do Forte geraram uma mídia espontânea para esses destinos e por conseqüência para toda a Bahia. Os jogos mágicos que aconteceram na Arena Fonte Nova e o show das torcidas da Holanda, França, Bélgica, dentre outras, também ajudaram nessa divulgação do nosso estado. Destinos como a África do Sul, após a Copa do Mundo de 2010 e Barcelona, após as Olimpíadas de 1992, explodiram para o turismo, pois souberam aproveitar de forma eficaz a oportunidade que o esporte lhes deu. Precisamos aproveitar o momento favorável e termos uma política contínua de divulgação do nosso Estado como destino turístico preferencial do Brasil. 3. Calendário de eventos para o Estado A realização de grandes festas e festivais no interior é fundamental na distribuição da renda, pois gera um fluxo intraregional de pessoas, além de poder atrair visitantes de outros estados, possibilitando às cidades sedes desses eventos, momentos de picos na atração de turistas. Já existem eventos bem sucedidos em Lençóis, Vitória da Conquista, Porto Seguro, dentre outras cidades. Muitos desses eventos são iniciativas privadas, que sobrevivem com um esforço hercúleo, pois não contam com apoio governamental. Durante muitos anos fomos protagonistas nos Carnavais Fora de Época, com a realização de grandes e bem sucedidas Micaretas pelo interior da Bahia, como: Feira de Santana, Vitória da Conquista, Alagoinhas, Ibotirama, Barreiras, Juazeiro, Ilhéus, Itabuna, dentre outras. A falta de engajamento governamental, na realização desses eventos, que ao longo do tempo foram sendo transformados exclusivamente em festas privadas, fez com que muitos deles fossem minguando ou mesmo desaparecendo As Micaretas sempre foram geradoras de emprego e democráticas na geração e distribuição de renda. Precisamos de um calendário de eventos que contemple um plano para a retomada das Micaretas e que possa ser divulgado como uma agenda contínua para o interior do Estado. 4. O Patrimônio Histórico da Bahia A História foi generosa com a Bahia, pois nos deu posições exclusivas e de destaque, como o fato de sermos o local do Descobrimento do Brasil e termos sido a primeira capital. O legado cultural e arquitetônico que herdamos é único. Viajantes circulam o mundo em busca das raízes históricas. O Patrimônio Histórico de um lugar é sempre o primeiro e um dos mais importantes a ser visitado. O nosso imenso Patrimônio Histórico tem sido maltratado ao longo do tempo. Durante a Copa do Mundo da FIFA em 2014, os visitantes estrangeiros fizeram em Salvador o que fazem em qualquer lugar do mundo. Seguiram em direção ao Centro Histórico e o Pelourinho apesar de descuidado ficou em festa. As cidades do Recôncavo, a Costa do Descobrimento e a Cidade do Salvador, dentre outros sítios importantes, precisam de políticas públicas contínuas de recuperação, preservação, sustentabilidade e segurança do nosso Patrimônio Histórico. 5. Incentivos fiscais para a cultura. As atividades culturais, quase sempre precisam ser incentivadas para que possam estimular o ambiente criativo e ao mesmo tempo democratizar o acesso à cultura, lazer e diversão. Durante muitos anos, o programa FAZCULTURA cumpriu esse papel na Bahia, porém com ressalvas, pois sempre criou fortes restrições ao Axé Music, um produto tão baiano que nos deu um estilo musical próprio. É legítimo e fundamental que o FAZCULTURA possa ser utilizado pela música baiana, viabilizando uma atividade econômica essencial para o nosso estado. O programa “Sua Nota Vale Um Show”, também cumpriu um papel importante, possibilitando diversão acessível para a população baiana e ajudando o Governo do Estado a potencializar a sua arrecadação. O retorno do programa “Sua Nota Vale Um Show” ajuda a fomentar a atividade cultural e deve ser utilizada com produtos e produções do nosso Estado. 6. Requalificação dos destinos turísticos É uma questão decisiva para o turismo da Bahia, a requalificação dos pólos de atração turística com forte potencial, como a Costa do Descobrimento, Costa do Dendê, Chapada Diamantina e Litoral Norte. A integração desses pólos com sistemas de transportes rodoviário, aeroviário e hidroviário que facilitem o acesso dos visitantes é fundamental para a sustentabilidade de cada um deles. As opções aéreas para Ilhéus, Porto Seguro, Lençóis e Juazeiro são cada vez monores. Tesouros baianos como Boipeba, Praia do Espelho e Mucugê continuam escondidos. A concorrência com outros destinos turísticos do Brasil é cada vez maior e estamos ficando para trás. A participação da Bahia em feiras nacionais e internacionais de turismo, com stands qualificados e atraentes é fundamental na divulgação do nosso potencial turístico e para a captação de parcerias dos pólos emissores. Acreditamos que somente com o fortalecimento da Secretaria de Turismo e da Bahiatursa, com orçamentos e verbas próprias para investimentos em infra-estrutura e na divulgação do destino Bahia, teremos mais chances na qualificação desses destinos. 7. O custo Bahia Durante os períodos de maior fluxo turístico para a Bahia, é comum que os preços dos hotéis e, sobretudo das passagens aéreas sofram aumentos assustadores. A diminuição da freqüência e quantidade de vôos para a Bahia diminui a oferta e tem sido um fator determinante para essa relação do preço com os períodos da alta estação. As Companhias aéreas quando questionadas sobre os valores das passagens, argumentam que a tributação do combustível é maior na Bahia que em outras capitais, sobretudo do Norte e Nordeste do Brasil. As ligações da Bahia com alguns destinos nacionais têm sido prejudicadas por essa malha aérea. Perdemos contato com importantes capitais nordestinas, como Natal e João Pessoa e temos menos opções de vôos para São Paulo, Belo Horizonte e Rio de janeiro. 8. O carnaval de Salvador O Carnaval de Salvador é a maior festa popular do mundo. Atrai milhares de visitantes todos os anos, movimenta uma economia gigantesca e democrática, formal e informal, que se espalha por atividades industriais e de serviços numa cadeia bastante ampla. Passamos por um momento delicado, pois mais uma vez a concorrência com outros destinos como Rio de janeiro (que conta com a força da Rede Globo) e Recife é cada vez maior. A festa é organizada e coordenada pela Prefeitura de Salvador, mas o Governo de Estado tem um papel fundamental, oferecendo serviços essenciais como segurança, saúde pública, etc. A participação do Governo do Estado pode e deve ser ampliada, numa pareceria cada vez maior com a Prefeitura de Salvador, “vestindo a camisa” do evento e ajudando, sobretudo na divulgação. O governo precisa adotar e entender o Carnaval, como um evento fundamental para o Turismo da Bahia e levar as imagens dessa festa espetacular para os “quatro cantos” por onde andar. 9. Política de eventos A realização de grandes shows e eventos festivos é precedida de uma grande quantidade de licenças e liberações que envolvem os organismos governamentais nas três instâncias: municipal, estadual e federal. Muitas dessas licenças se sobrepõem e são acompanhadas de taxas que oneram os eventos tanto no aspecto financeiro como operacional. Precisamos de um estudo no sentido de unificar os procedimentos para licenciamento de eventos com regras claras e céleres, sobretudo no que diz respeito a licenças ambientais, eliminando sobreposições e diminuindo o custo para essas liberações. 10. Eventos esportivos O Estado da Bahia vive um momento de carência absoluta de espaços para treinamento, bem como para a realização de competições em todas as modalidades esportivas. Às vésperas das Olimpíadas do Rio de Janeiro de 2016, não temos uma piscina nem um ginásio olímpico que possa estimular e ajudar na formação de atletas e/ou sediar competições Continuamos a perder inúmeras oportunidades na realização de competições de alto nível, que além de dar à população baiana uma oportunidade excepcional de lazer, servem também para atrair visitantes e potencializar o turismo. Agradecemos pelo pronto atendimento ao nosso chamado e solicitamos que aprecie essas questões em nosso encontro no dia 12 de agosto. Após a apresentação de V.Sa., caso haja tempo, um mediador encaminhará perguntas feitas pela platéia que será formada pelos principais empresários do Entretenimento e do Turismo da Bahia, com aproximadamente cento e cinqüenta pessoas. ABRE – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENTRETENIMENTO – SEÇÃO BAHIA