Revista Perspectiva Amazônica Ano 3 N° 6 p.79-84 A Interferência do Estresse na Qualidade de Vida do Profissional de Enfermagem Jeyse Aliana Martins Bispo* Domingas Machado da Silva** Eloane Hadassa Sousa Nascimento*** Jacqueline Silva dos Santos**** RESUMO O presente estudo realizado por meio de revisão de literatura, visa compreender a interferência do estresse na qualidade de vida do profissional de enfermagem, com abordagens reflexivas verificando as condições geradoras de estresse e as consequências destes para o Profissional de enfermagem enquanto ser biopsicossocioespiritual e emocional que possui suas particularidades e necessita também de cuidados, pois é passível de adoecer, mas que ao avaliar as condições que ofertam o estresse será possível evitá-lo e obterá maior realização pessoal e profissional. Conclui-se, que os fatores são multicausais, portanto cabe ao próprio profissional avaliar as condições que estão propícias a adquirirem o estresse seja em qualquer meio ou condições a que estão inseridos, compreender o significado dos riscos é, buscar estratégias para a promoção de sua qualidade de vida, buscando a realização pessoal e profissional. Palavras-chave: Qualidade de vida, Estresse, Profissional de Enfermagem ABSTRACT The present study by means of literature and literature review aims to understand the influence of stress on quality of life of nursing professionals, reflective approaches to verifying the conditions of stress and their consequences for the Nurse as a bio-psycho-socio-spiritual and emotional that has its peculiarities and also needs care, it is likely to get sick, but to evaluate the conditions that offer stress you can avoid it and get greater personal and professional fulfillment. It is concluded that the factors are multifactorial, so it is up to the very professional evaluate the conditions that are conducive to acquire stress is by any means or conditions to which they belong, understand the significance of the risks is to develop strategies to promote their quality of life, seeking personal and professional fulfillment. Key words: Quality of life, Stress, Professional nursing *Graduada em Enfermagem e Administração de Empresas, Especialista em Gestão e Docência na Educação Superior, Mestranda em Bioengenharia, docente das Faculdades Integradas do Tapajós (FIT). [email protected] **Acadêmica do 5° semestre de Enfermagem (FIT), Técnica de Enfermagem. [email protected] ***Acadêmica do 5° semestre de Enfermagem (FIT), [email protected] ****Acadêmica do 5° semestre de Enfermagem (FIT), Técnica de Enfermagem. [email protected] 79 Revista Perspectiva Amazônica Ano33N° N°66 p.79-84 p.XXX Ano Introdução Conceituadamente o estresse é o conjunto de reações do organismo a agressões de origens diversas, capazes de perturbar-lhe o equilíbrio interno (FERREIRA, 2000). De certa forma, interfere na qualidade de vida dos indivíduos predispostos constantemente aos fatores que os desencadeiam, tais como, as condições de vida, de trabalho, fatores sociais e ambientais. A fisiologia do estresse envolve mecanismos hormonais que começam no cérebro com o estímulo da neurohipófise e desencadeiam uma cascata de eventos que englobam as glândulas da suprarrenal, que agem sobre o estômago, o coração, o sistema linfático, mobilizando inclusive o sistema imunológico que, além de deixar o organismo com as defesas comprometidas, baixam também os níveis de endorfinas e serotonina que elevam a autoestima do ser humano (GUYTON e HALL, 2006). Desta forma, uma pessoa estressada fica com baixa autoestima, diminui o rendimento no campo profissional, intelectual, e outros. A responsabilidade e o compromisso profissional da enfermagem proporcionaram mudanças significativas no contexto do cuidar em saúde, tornando possível acompanhar a evolução científica e tecnológica aperfeiçoando a eficácia dos serviços prestados, sobretudo identificar e avaliar as possíveis condições geradoras de estresse no seu ambiente de trabalho, para que seja resolvido e o profissional não adoeça, repercutindo no bem-estar a si mesmo, nas relações interpessoais e na assistência prestada. Este trabalho visa compreender a interferência do estresse na qualidade de vida do profissional de enfermagem, com abordagens reflexivas verificando as condições geradoras de estresse e as consequências destes para o profissional de enfermagem enquanto ser biopsicossocioespiritual e emocional que possui suas particularidades e necessita também de cuidados, pois é passível de adoecer, mas que ao avaliar as condições que ofertam o estresse será possível evitá-lo e obterá maior realização pessoal e profissional. Uma vez que, a essência do trabalho do enfermeiro está centrada no cuidado ao ser humano, contraditoriamente esse profissional poderá estar vivendo de forma descuidada, o que poderá repercutir na assistência prestada ao paciente. (ARAÚJO, 2009). Métodos Revisão de literatura realizada por meio de artigos publicados em base de dados da Scielo utilizando os descritores: qualidade de vida, estresse e profissional de enfermagem, no entanto observou-se pouca produção científica com a temática abordada, para tanto se torna necessário que mais pesquisas sejam realizadas com o intuito de proporcionar maior qualidade de vida para o profissional de enfermagem uma vez que, sua atuação como profissional de saúde é de extrema importância para a sociedade. Analisando e verificando as condições geradoras de estresse e as 80 consequências destes para o profissional de enfermagem enquanto ser biopsicossocioespiritual e emocional que possui suas particularidades e necessita Revista Perspectiva Amazônica necessita também de cuidados, pois é passível de adoecer, mas que ao avaliar as condições que ofertam o estresse será possível evitá-lo e obterá maior realização pessoal e profissional. Ano 3 N° 6 p.79-84 Resultados e Discussão A enfermagem é uma ciência humana, de pessoas e experiências com campo de conhecimento, fundamentações e práticas do cuidar dos seres humanos que abrange do estado de saúde aos estados de doença, mediada por transações pessoais, profissionais, científicas, estéticas e políticas (FIGUEIREDO, 2011). Acompanhando, desta forma, a evolução científica e tecnológica renovando suas práticas e saberes. Em contrapartida o desafio de se ter uma boa qualidade de vida, no que se refere ao ajustamento salarial, em decorrência de suprir suas necessidades de aquisição de bens materiais, acesso ao lazer, desporto, assim como na realização de projetos de vida. Submetem-se a uma excessiva jornada de trabalho o que implica diretamente na produtividade e consequentemente essas condições de trabalho geram desequilíbrio biopsicossocioespiritual e emocional (HADDAD, 2000). O trabalho de enfermagem torna-se penoso e estressante, pois a necessidade de autoafirmação, manutenção de status e problemas psíquicos de alguns trabalhadores podem gerar a necessidade de manutenção de estratificação, resultando em ausência de senso de comunidade entre os membros da equipe, culminando por contribuir negativamente para a qualidade de vida no trabalho (FARIAS e ZEITOUNER, 2007). As relações interpessoais prejudicadas na equipe de enfermagem resultam no estresse e no desgaste da qualidade dos serviços prestados uma vez que, não há a parceria e cooperação necessária para a produção de resultados satisfatórios. A comunicação e o respeito são as bases para a reestruturação e o fortalecimento da equipe, para a organização e aprimoramento pleno das funções realizadas no cuidar. Boas relações interpessoais no campo de trabalho da Equipe de Enfermagem configuram-se mecanismos essenciais e estratégicos para minimizarem os fatores estressantes no ambiente de trabalho. Farias e Zeitouner (2007) apontam como indicadores de qualidade de vida no trabalho: a inter-relação pessoal, a comunicação interprofissional, as condições de trabalho, a organização e divisão do trabalho, os direitos no trabalho, a motivação e segurança. Avendaño (1997) ressalta que, no mundo globalizado, a enfermagem vem atuando na América Latina com deficiência de recursos humanos e materiais em relação à demanda assistencial, deficiência de equipamentos, altas cargas físicas, inadequação na organização dos serviços e nas políticas de pessoal, problemas de relação com a equipe de saúde e com a direção de serviços e deterioração da saúde dos enfermeiros, entre outros. Nestas condições, observa-se a frustração profissional, a fadiga e o estresse que interferem diretamente na qualidade de vida dos profissionais de enfermagem, assim como interferem na eficácia dos serviços prestados. Pela falta de condições de trabalho Farias e Zeitouner (2007) apontam que a Enfermagem é referida como profissão de alto risco. 81 Revista Perspectiva Amazônica Ano33N° N°66 p.79-84 p.XXX Ano Rodrigues (1999) enfatiza que a motivação no trabalho é sensação interna positiva que o indivíduo experimenta para a realização das tarefas, esse sentimento possibilita a prevenção do estresse e posterior qualidade de vida e auto realização, necessária para a harmonia do biopsicossocioespiritual e emocional desses profissionais de saúde evitando o surgimento dos agravos. O que contribui significativamente para a eficiência e eficácia da assistência prestada aos pacientes, e a comunidade de modo geral. Bulhões (1998) refere que a violência ou insegurança, quer no percurso trabalho-casa, ou na própria unidade de saúde, tem sido considerada como estressor laboral. Conforme Farias e Zeitouner (2007), as agressões verbais e físicas contra o pessoal de Enfermagem têm sido praticadas predominantemente por pacientes e seus familiares. Nestas circunstâncias os profissionais de enfermagem estão predispostos a adoecerem, no ambiente de trabalho, pois, o estresse psicológico resulta no estresse físico. Em uma pesquisa realizada com os profissionais de Enfermagem no setor de Urgência e Emergência, para caracterização dos sintomas físicos de estresse na equipe de pronto atendimento, os autores enfatizaram que os sintomas apresentados por conta do estresse nesses colaboradores foram: dor de cabeça, sensação de fadiga, dores nas pernas e taquicardia (FARIAS, 2011). Felli (2007) relaciona uma série de problemas de saúde que acometem os profissionais de Enfermagem, como as doenças infecciosas, infectocontagiosas e parasitárias; os distúrbios osteomusculares; os problemas cardiovasculares e respiratórios; as alergias; os transtornos psíquicos e comportamentais; os acidentes com exposição aos fluídos corpóreos e uma variada sintomatologia, como dores, ansiedade e outros. Segundo Silva (2006) o estresse não é uma doença em si, mas pode chegar a ser, caso o indivíduo se submeta a uma ação constante de agentes estressores, podendo desencadear um estresse crônico. Este estresse é chamado de Síndrome do Desgaste Profissional ou Burnout caracterizado por exaustão emocional, despersonalização e baixa realização pessoal. O estresse relaciona-se como sendo uma das causas do absenteísmo dos profissionais de enfermagem, autores caracterizam o trabalho de enfermagem como insalubre e penoso (SANCINETTI, 2009). Por conseguinte, considera-se que o estresse interfere na qualidade de vida dos profissionais de enfermagem, causando desgaste físico, mental e social. Assim como, também, reduz a qualidade da assistência prestada para a sociedade. Considerações Finais 82 É desafiador mudar essa realidade, no entanto são necessárias ações de caráter preventivo que venham proteger a saúde dos profissionais de Enfermagem, para que possam exercer suas atividades com segurança e motivação, uma vez que aumenta sua autoestima, satisfação no meio social e consigo mesmo, uma gerência, sobretudo Revista Perspectiva Amazônica participativa possui a potencialidade de corrigir as falhas, ouvindo as necessidades dos trabalhadores e implementando-as de acordo com as necessidades no contexto Ano 3 N° 6 p.79-84 que a enfermagem está inserida, pois cada espaço possui suas especificidades de acordo com a realidade e os riscos a que se submetem esses profissionais No âmbito da comunidade, de políticas públicas e de organizações, tornam-se necessárias para valorização da classe, na busca de melhores condições de trabalho e qualidade de vida desses profissionais. Ademais, cabe ao próprio profissional avaliar as condições que estão propícias a adquirirem o estresse seja em qualquer meio ou condições a que estão inseridos, compreender o significado dos riscos é, sobretudo ser autor da própria história em busca de novos horizontes para desempenharem bem seu papel na sociedade como também sua autorealização pessoal e profissional, frente às exigências de um mercado cada vez mais competitivo, que busca um profissional completo e capaz de reagir a diversas situações, portanto, torna-se imprescindível que este colaborador seja vigilante de sua própria saúde preservando-a de modo que não venha a adoecer. A reflexão quanto às condições e a qualidade da assistência de enfermagem são essenciais para que avalie suas práticas enquanto Ser cuidador que busca em sua essência preservar a vida e a saúde dos seres Humanos. Referências ARAÚJO, G. A. et al. Qualidade de vida: percepção de enfermeiros numa abordagem qualitativa. Rev. Eletr. Enf.-2009. 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