Sociedade da Água Consultoria Ambiental Ltda. UHE Baixo Iguaçu Estudo de Impacto Ambiental - EIA Capítulo VII – Diagnóstico do Meio Físico Curitiba, abril de 2008 VII - 2 Sumário p. 1 - Metodologia.............................................................................................................................. 4 1.1 - Clima ................................................................................................................................. 4 1.2 - Geologia / geomorfologia................................................................................................... 4 1.3 - Solos ................................................................................................................................. 4 1.4 - Recursos hídricos e qualidade da água ............................................................................. 4 2 - Contexto macrorregional ........................................................................................................ 4 2.1 - Clima e condições metereológicas..................................................................................... 4 2.1.1 - Circulação atmosférica ........................................................................................... 4 2.1.2 - Temperatura ........................................................................................................... 4 2.1.3 - Precipitação............................................................................................................ 4 2.1.4 - Evapotranspiração.................................................................................................. 4 2.1.5 - Umidade relativa do ar............................................................................................ 4 2.1.6 - Ventos .................................................................................................................... 4 2.1.7 - Insolação ................................................................................................................ 4 2.2 - Geologia, recursos minerais, geomorfologia e solos.......................................................... 4 2.2.1 - Geologia ................................................................................................................. 4 2.2.2 - Geomorfologia ........................................................................................................ 4 2.2.3 - Solos ...................................................................................................................... 4 2.3 - Recursos, hídricos qualidade e usos da água.................................................................... 4 2.3.1 - Sistema estadual de gerenciamento de recursos hídricos ...................................... 4 2.3.2 - Usos da água na bacia do Iguaçu........................................................................... 4 2.3.3 - Qualidade das águas.............................................................................................. 4 2.3.4 - Qualidade da água nos reservatórios ..................................................................... 4 2.3.5 - Hidrogeologia.......................................................................................................... 4 3 - Área de influência direta e indireta......................................................................................... 4 3.1 - Clima e condições meteorológicas..................................................................................... 4 3.1.1 - Cascavel................................................................................................................. 4 3.1.2 - Foz do Iguaçu......................................................................................................... 4 3.1.3 - Nova Prata do Iguaçu ............................................................................................. 4 3.1.4 - Salto Caxias ........................................................................................................... 4 3.2 - Geologia / recursos minerais ............................................................................................. 4 3.2.1 - Características gerais ............................................................................................. 4 3.2.2 - Evolução geológica................................................................................................. 4 VII - 3 3.2.3 - Unidades litoestratigráficas..................................................................................... 4 3.2.4 - Aspectos estruturais ............................................................................................... 4 3.2.5 - Estanqueidade do maciço rochoso ......................................................................... 4 3.2.6 - Erodibilidade dos solos ........................................................................................... 4 3.2.7 - Recursos minerais .................................................................................................. 4 3.2.8 - Risco sísmico.......................................................................................................... 4 3.3 - Geomorfologia ................................................................................................................... 4 3.3.1 - Aspectos gerais ...................................................................................................... 4 3.3.2 - Estabilidade de encostas ........................................................................................ 4 3.3.3 - Erodibilidade e declividade ..................................................................................... 4 3.3.4 - Unidades de mapeamento na área de estudo......................................................... 4 3.3.5 - Processos de origem fluvial .................................................................................... 4 3.4 - Solos ................................................................................................................................. 4 3.4.1 - Metodologia ............................................................................................................ 4 3.4.2 - Solos da área de influência direta e indireta ........................................................... 4 3.4.3 - Legenda de solos e aptidão agrícola das terras...................................................... 4 3.5 - Recursos hídricos, qualidade e usos das águas ................................................................ 4 3.5.1 - Qualidade das águas.............................................................................................. 4 3.5.2 - Serviços de saneamento ........................................................................................ 4 3.5.3 - Hidrologia ............................................................................................................... 4 3.5.4 - Usos das águas ...................................................................................................... 4 4 - Referências bibliográficas ...................................................................................................... 4 VII - 4 Capítulo - VII – Diagnóstico do meio físico 1 - Metodologia 1.1 - Clima Os estudos foram desenvolvidos a partir de mapeamentos regionais e dados meteorológicos de superfície de estações meteorológicas existentes na bacia do rio Iguaçu. As cartas climáticas do Paraná, edição 2000, foram baseadas no acervo das informações disponíveis, coletadas e gerenciadas por diversas instituições. Estas foram analisadas e mapeadas com os melhores recursos atualmente disponíveis para processamento e análise de dados, bem como para a espacialização dos resultados. As bases de dados utilizados na confecção desse trabalho foram as que se seguem. Para a classificação climática da região, assim como para a análise das condições meteorológicas (precipitação, temperatura e evapotranspiração), foram utilizadas as cartas climáticas do estado do Paraná do ano de 2000, desenvolvidas pelo Iapar, assim como dados das estações meteorológicas do Iapar, Inemet, Copel e Simepar. A precipitação foi extraída das séries contínuas de dados diários de um período homogêneo compreendido entre 1972 e 1998, de 144 postos pluviométricos do Paraná, pertencentes ao Iapar, Suderhsa (Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental) e DNAEE (Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica), organizados por Bernardes (1997, 1998). A estes, foram acrescidos os dados de 125 postos próximos a divisa do estado de São Paulo, gerenciados pelo DAEE (Departamento de águas e energia elétrica) e de 16 postos limítrofes ao estado de Santa Catarina, gerenciados pelo Climerh (Centro Integrado de Metereologia e Recursos Hídricos). Os dados dos estados vizinhos foram utilizados com o intuito de assegurar a continuidade das informações entre os três estados. Nas estações do Simepar, as medições de precipitação são feitas por meio de pluviômetros com dataloggers. Cada unidade remota está equipada com uma antena direcional Yagi direcionada para o satélite Goes-8. As unidades remotas automaticamente registram dados a cada 15 minutos e se reportam através de canal dedicado do satélite Goes a cada 4 horas. Adicionalmente, algumas estações estão também autorizadas a se reportarem por exceção usando o canal de emergência do satélite. Os dados das estações são recebidos, processados pela estação central e disponibilizados para integração ao banco de dados do Simepar e posteriormente disseminados. Cada estação transmite os dados para o satélite individualmente. O satélite funciona como um espelho que retransmite os dados para o Simepar em Curitiba. A varredura da transmissão entre a primeira e a última estação tem uma duração aproximada de 38 minutos, uma vez que as estações “disparam” seus dados seqüencialmente, conforme ilustra a Figura 1.1. VII - 5 Figura 1.1 Esquema de transmissão dos dados das estações telemétricas do Simepar A divisão administrativa foi cedida pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos do Paraná – Sema, na escala original de 1:50.000. O modelo de elevação do terreno utilizado, foi gerado pelo US Geological Survey e disponibilizado para o público através da Internet. Por possuir resolução de arcos de 30 segundos (coordenadas geográficas), permite uma caracterização do relevo no Estado do Paraná a cada 860 metros. Para a interação destas bases e a geração das cartas climáticas foram utilizadas técnicas de geoprocessamento, por meio do software de sistema de informação geográfica Spring, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – Inpe. 1.2 - Geologia / geomorfologia Os trabalhos relativos ao desenvolvimento dos levantamentos para os estudos ambientais da UHE Baixo Iguaçu foram executados em etapas sucessivas, visando consolidar os conhecimentos obtidos nas etapas precedentes. A primeira etapa consistiu de pesquisa minuciosa dos trabalhos já realizados e coleta de dados complementares disponíveis. A documentação coletada permitiu a programação dos trabalhos subseqüentes, inclusive a verificação dos dados em campo. Depois da coleta de dados e reconhecimento no campo, a segunda etapa consistiu das programações, contratação e execução de sondagens e ensaios, além dos mapeamentos. Finalmente, como terceira etapa, procedeu-se à interpretação dos dados e confecção de desenhos e textos. VII - 6 Documentos utilizados: a) Imagens Fotografias aéreas, na escala 1: 60.000 (DSG/SGE – 1995); Imagens de satélite LandSat, bandas 3, 4 e 5, números: 224/77-2001; 224/78-2002; 223/77-2001; 223/78-2001. b) Mapas Mapa geológico do estado de Santa Catarina, DNPM/CRM-SECTME/SC - 1986; Carta geológica do Brasil ao milionésimo, folhas SG-21 Asunción e SG-22 Curitiba – MME/DNPM, 1974; Mapeamento geológico de detalhe – Bloco SG.22-N, Paulipetro/Cesp/IPT; Mapa geológico com barragens cadastradas na bacia do Alto Paraná, 1983. c) Publicações Carvalho, P.F. de Pinto, E. A. (1938) – Reconhecimento geológico no estado de Santa Catarina – Bol. 92, SGM/DNPM, Rio de Janeiro, GB; Coutinho, J.M.V, (1971) – Estado atual de conhecimentos do Pré-Cambriano Superior Sul-Brasileiro; Uma síntese – Anais XXV Congr. Bras., vol. 1, SBG, São Paulo, SP; Leinz, V. (1949) – Contribuição à geologia dos derrames basálticos do sul do Brasil, Bol. CIII, Geol. 5, FECL da USP, São Paulo, SP; Loczy, L. de, et alii (1966) – Mapa geológico das folhas Curitiba – Asunción. Projeto Carta geológica do Brasil ao milionésimo. DGM/DNPM, Rio de Janeiro, GB; Schneider, A. W. (1964) – Contribuição à petrologia dos derrames da bacia do Paraná – Publ. Av. 1, Esc. Eng. UFRGS, Porto Alegre, RS; Projeto Radambrasil, vol. 31 e 33 – Mapas e textos. MME/DNPM, 1983. d) Estudos disponíveis Relatório de viabilidade da UHE Capanema – Eletrosul, 1980; Relatório de engenharia da UHE Salto Caxias – Copel, 1983; Revisão do inventário hidrelétrico do Baixo Iguaçu – Engevix, 2003. 1.3 - Solos Os estudos pedológicos foram baseados no sistema brasileiro de classificação de solos, serviço de produção de informação, Embrapa, 2005. Já as informações sobre susceptibilidade a erosão e a distribuição espacial das classes de solos foram obtidas a partir do produto denominado de “Iniciativa solos.br”, também da Embrapa. A “Iniciativa solos.br” é uma ação estratégica da Embrapa Solos que tem como objetivos principais a disponibilização e aquisição contínua de dados, informações e conhecimentos sobre os solos brasileiros considerados em sua ambiência. A distribuição espacial das classes de solos, bem como das classes de susceptibilidade a erosão foram obtidas a partir de mapas (com abrangência nacional) na escala 1:5.000.000. Estas fontes de informações utilizadas se justificam pelo fato de que a bacia do rio Iguaçu abrange dois estados, ou seja, o sul do Estado do Paraná e nordeste do Estado de Santa Catarina. Sendo assim, para compatibilizar o conjunto de solos da Bacia do rio Iguaçu, foi necessário utilizar informações do sistema brasileiro de classificação de solos, mencionado acima. VII - 7 Salienta-se que o levantamento de reconhecimento dos solos do Estado do Paraná, (EMBRAPA, 1984), foi utilizado para a descrição dos solos na área de influência indireta. 1.4 - Recursos hídricos e qualidade da água Os estudos dos recursos hídricos procuraram levantar dados hidrológicos e de qualidade da água para montagem de um banco de dados suficientemente longo e confiável, tanto a nível macrorregional quanto em nível de área de influência. Os recursos hídricos superficiais foram obtidos a partir dos registros e estudos feitos para o posto fluviométrico da UHE Salto Caxias com histórico suficiente e consistente (1931 a 2002), com uma bacia de contribuição de 61580 km2. Os estudos de qualidade da água foram baseados na rede de observação da Sudersha, 3 (três) na região do alto Iguaçu e 14 (quatorze) no médio e alto Iguaçu. As variáveis medidas e disponibilizadas envolvem os parâmetros: OD (oxigênio disolvido). DBO (demanda bioquímica de oxigênio), coliformes fecais, temperatura, PH, nitrogênio total, fósforo total, turbidez e sólidos totais. Além desses dados foram feitas campanhas de amostragem, para análise desses parâmetros em duas estações na área de influência direta. Os recursos hídricos subterrâneos foram analisados a partir do banco de dados hidrológicos da Suderhsa, com informações de cerca de 700 poços na bacia do rio Iguaçu. Os estudos de qualidade de água dos reservatórios foram obtidos dos estudos ambientais realizados para a UHE Salto Caxias e os diversos usos da água foram obtidos do cadastro de usuários de recursos hídricos do alto Iguaçu. Todas essas informações foram analisadas e consistidas para elaboração do diagnóstico. 2 - Contexto macrorregional 2.1 - Clima e condições metereológicas A bacia do rio Iguaçu, tem suas nascentes na região metropolitana de Curitiba, percorrendo, desde a vertente oeste da Serra do Mar até a sua foz no rio Paraná, aproximadamente 1100 km. As nascentes do rio Iguaçu estão em elevação superior a 900 m e permanecem em elevações superiores a 600 m até o seu trecho médio, onde foi construída a barragem de Foz do Areia. A última das quedas deste rio denomina-se Cataratas do Iguaçu, com 82 m de altura e distando 23 km da confluência com o rio Paraná. O rio Iguaçu é um importante contribuinte do rio Paraná na sua margem esquerda, drenando uma área total de cerca de 69.000 km², sendo 80,4% desta área no Estado do Paraná, 16,6% no Estado de Santa Catarina e 3% na República Argentina. A sua bacia está posicionada, aproximadamente, entre os paralelos 25º e 27º de latitude sul e os VII - 8 meridianos 49º e 54º 30’ de longitude oeste e sua forma é alongada, com largura de cerca de 120 km e com comprimento (no seu maior eixo) de 560 km, e a sua contribuição média é de 1400 m³/s. O rio se divide em três trechos, conhecidos por alto, médio e baixo Iguaçu. O trecho superior, vai desde as nascentes na Serra do Mar até a foz do rio Jangada no km 620, com 440 km de extensão e 160 m de desnível. O trecho médio, vai desde a foz do rio Jangada até o sopé das Cataratas do Iguaçu, com 600 km de extensão e 663 metros de desnível. O terceiro trecho vai desde o sopé das cataratas do Iguaçu em um trecho de 20 km até sua foz no rio Paraná. De acordo com o critério de divisão por bacias hidrográficas, constante do Inventário das estações fluviométricas, do DNAEE (FERNANDES, et al., 1996), a sub-bacia do Iguaçu pertence à bacia do rio Paraná, e está totalmente compreendida entre os 24º 50’ e 27º 00’ de latitude sul (S) e 49º 00’ e 54º 30’ de longitude oeste (W). Nos estudos realizados pela Copel (1928) a bacia do Baixo Iguaçu foi considerada entre Salto Osório e a foz do rio Santo Antônio afluente da margem esquerda do rio Iguaçu e que faz divisa com a República da Argentina, num trecho total de 170 km e 115 metros de desnível. No seu trecho de montante, o rio Iguaçu corre em direção sudoeste, no planalto curitibano, que geologicamente se caracteriza pela presença de rochas cristalinas précambrianas e grandes intrusões graníticas, com declividade média de 1 m/km; atravessando campos ondulados, cujas colinas pouco se elevam, e, também, uma pequena área de sedimentos quaternários, junto à cidade de Curitiba. A partir do km 940, penetra no planalto dos Campos Gerais, que fica entre as elevações de Ponta Grossa e as escarpas ocidentais da Serra do Mar. Corta terrenos sedimentares paleozóicos, suavemente ondulados e com amplos afloramentos de arenitos, indo alcançar Porto Amazonas (km 900), com a declividade de 3,5 m/km (em virtude do Salto de Caiacanga, localizado no km 920). Nesta parte toma a direção oeste, inflectindo depois para noroeste. Em Porto Amazonas começa a descer para sudoeste, até receber os rios Negro (km 770) e Potinga (km 765). Entre a foz do rio Negro e as cidades de União da Vitória/Porto União (km 650), o rio Iguaçu atravessa terrenos de topografia variada, com trechos planos e trechos acidentados, formando meandros com a declividade de 10 cm/km, mantendo-se na direção sudoeste. No limiar do seu trecho, a partir do km 650, o rio Iguaçu penetra no planalto de Guarapuava, que é o terceiro patamar que constitui o território paranaense, entre a Serra do Mar e a calha do rio Paraná; formado por rochas mesozóicas compostas, em grande parte, por grandes derrames de lavas basálticas; o relevo a jusante de Segredo é muito acidentado. Em seu percurso no planalto de Guarapuava a declividade média é de 1,0 m/km, mantendo-se em direção ao oeste. O rio Iguaçu é navegável entre Porto Amazonas (km 900) e União da Vitória/Porto União (km 650), apenas durante as cheias (dezembro/abril); um outro trecho navegável vai do sopé das cataratas (km 20) até a foz do rio Paraná (km 0), com a profundidade mínima de 2,4 m (em 90% do tempo). VII - 9 O rio Iguaçu é o último dos grandes rios que, em territórios brasileiros, levam a sua contribuição ao rio Paraná a partir das cordilheiras que separam o altiplano continental da estreita faixa costeira atlântica. Os rios desta série (Paranaíba, Grande, Tietê, Paranapanema) foram e estão sendo intensamente aproveitados para a exploração hidrelétrica, encontrando-se o rio Iguaçu no final deste processo (Quadro 2.1). Quadro 2.1 Características dos aproveitamentos existentes no rio Iguaçu Discriminação Área de drenagem Cota reservatório Cota restituição Queda bruta Vazão média natural Potência nominal Nº. máquinas Tipo máquinas Início operação Unidade Foz do Areia Segredo Salto Santiago Salto Osório km² 29.900 34.100 43.900 45.800 m 742 607 506 397 m 607 506 397 325 m 135 101 109 72 m³/s 632 729 946 996 MW 1.676 1.260 1.420 1.078 4 4 4 6 Francis Francis Francis Francis 1980 1992 1980 1975 Salto Caxias 57.000 325 259 66 1.242 1.240 4 Francis 1998 Fonte: Sistema de Informações do Potencial Hidrelétrico Brasileiro (SIPOT 2000) A Figura 2.1 ilustra o relevo da bacia do Iguaçu. Figura 2.1 Relevo do Paraná 2.1.1 - Circulação atmosférica Devido à necessidade do entendimento dos mecanismos atmosféricos atuantes e seus fatores genéricos para compreensão do clima de qualquer região, mostra-se relevante a descrição dos mecanismos atmosféricos atuantes no continente sul americano responsáveis pelo clima da região sul do país, e, consequentemente pelo clima regional do Estado do Paraná e da bacia do rio Iguaçu. VII - 10 A região sul do Brasil, onde está inserida a área de estudo, tem o seu clima afetado principalmente por efeitos de circulação atmosférica de macroescala, estando sujeita às ações do anticiclone subtropical do Atlântico Sul, do anticiclone polar, o centro de baixa pressão do Chaco, e as altas tropicais da Amazônia. A variação de posição e intensidade desses centros dá origem às chamadas massas de ar que definem o tempo reinante sobre o local, em cada estação do ano. A região da bacia do Iguaçu apresenta-se regularmente dividida nos tipos climáticos Cfa e Cfb, com aproximadamente metade de sua área em cada tipo climático. O tipo Cfb predomina desde a região do altíssimo Iguaçu, até uma região aproximadamente entre os meridianos 53°W e 52°W. No restante da bacia, ou seja, até a foz do rio Iguaçu, predomina o tipo climático Cfa, conforme Figura 2.2. Segundo classificação de Köeppen, o tipo climático Cfa se define como subtropical úmido mesotérmico, com verão quente. O mês mais frio apresenta temperatura média inferior a 18°C, porém superior a 3°C, e o mais quente, temperatura média superior a 22°C. O tipo climático Cfb é definido como subtropical úmido mesotérmico, com verão fresco. O mês mais frio apresenta temperatura média inferior a 18°C, porém superior a –3°C, e o mais quente, temperatura média inferior a 22°C. Figura 2.2 Classificação climática do Estado do Paraná, com detalhe da bacia do rio Iguaçu VII - 11 Quadro 2.2 Características dos domínios climáticos da região Símbolo Köeppen Cfa Temperatura média Mês mais quente >22ºC Mês mais frio <18ºC Características Subtropical úmido mesotérmico verões quentes geadas menos freqüentes chuvas concentradas nos meses de verão sem estação seca definida Uma abordagem mais ampla do panorama da circulação atmosférica da região sul americana é definida a partir dos seguintes centros de ação: os anticiclonais, responsáveis pela individualização de massas de ar, e os depressionários. Tratando-se diretamente da região sul, como centro de ação anticiclônica ou “centro de alta” tem-se o anticiclone do atlântico, responsável pela origem da massa polar. Segundo Iapar (1978), entre duas massas de ar ou duas “altas”, existe sempre uma zona de mais baixa pressão, que se constitui em uma descontinuidade para a qual convergem os ventos das duas massas de ar ou “altas”. Nessas descontinuidades, os ventos convergentes ou ciclônicos tornam o tempo instável e geralmente chuvoso, freqüentemente acompanhado de tempestades. Tais fenômenos são móveis e, por sua estrutura de deslocamento, apresentam-se como “correntes de circulação perturbada” conhecidas como sistemas frontais ou frentes polares. A região sul do país é marcadamente influenciada pelas “correntes de circulação perturbada” de noroeste e pelas “correntes perturbadas” de sul conhecidas por sistemas frontais ou frentes polares. Durante o inverno, quando as condições de frontogênese são mais freqüentes, os avanços de frente polar são mais rigorosos, comumente atingindo latitudes baixas, em torno de 8°S – 10°S. Na primavera, suas incursões abrangem, via de regra, o Trópico de Capricórnio. No verão, a energia frontal é especialmente fraca, raramente se aproximando do trópico. No outono, embora se iniciem as condições de frontogênese, ela é impedida de avançar por ação dos sistemas intertropicais, que, sendo bastantes ativos nesta época, fazem-na regredir (IAPAR, 1978). Segundo Maack (1968), a maior parte do Estado do Paraná situa-se na zona subtropical, entre 23°27’ e 26°47’, estando a bacia hidrográfica do rio Iguaçu completamente inserida nesta zona. Com a alteração do ângulo de incidência da irradiação solar ao longo do ano, variam as correntes de ar que determinam as épocas do ano. Além da influência da irradiação solar, as várias zonas climáticas do Estado do Paraná são determinadas pela altitude nos diversos planaltos, fato que pode ser observado mais adiante nas cartas climáticas (Figuras 2.4 a 2.28). As diferentes zonas climáticas, determinadas pela altitude, pertencentes à bacia do Iguaçu, podem ser identificadas por um corte vertical desde a zona litoral a leste, através da Serra do Mar, e sobre os três planaltos até o rio Paraná, a oeste (Figura 2.3). VII - 12 Figura 2.3 Corte vertical sentido leste-oeste do Estado do Paraná A partir da irradiação solar atuante no Estado do Paraná e das altitudes amenizantes da temperatura, verificam-se quatro fatores principais que determinam o clima geral no estado: - Determinada pela posição do sol, a oscilação ou migração rítmica das massas de ar da zona atlântica equatorial e tropical de pressão baixa, no semestre de outubro a março, é orientada para o sul. - No semestre hibernal de abril a setembro, a orientação dos anticiclones do atlântico sul para o norte provoca a infiltração de massas de ar frio de frente polar. - alísio SE, cujo raio de ação freqüentemente ultrapassa 25° de latitude sul, determina, segundo sua força e desvio, a extensão da região atlântica tropical de pressão baixa em direção sul ou o avanço dos anticiclones no atlântico sul, com infiltração de massas de ar frio da frente polar em direção norte. Determina também as precipitações orográficas de ascensão sobre a Serra do Mar. - A ação da corrente marítima quente do Brasil, que influencia grandemente as temperaturas da costa leste da América do Sul, fazendo avançar o caráter climático tropical quente e úmido para muito além dos 26° de latitude sul. O elevado grau de saturação de umidade do ar ocasiona um abaixamento das oscilações anuais de temperatura. A altitude e a latitude nem sempre são os responsáveis pela temperatura média anual. Nuvens e ventos, a topografia geral e distribuição das precipitações determinam o grau de temperatura dentro do ritmo anual. Na região litorânea, além disso, as temperaturas sofrem influência da corrente marítima quente do Brasil e da umidade relativa do ar permanentemente elevada. Toda a parte leste do estado, inclusive o terceiro planalto e a maior parte do norte do Paraná, possuem um clima influenciado pelo oceano. Apenas nas proximidades da depressão do Paraná e do vale do rio Paraná pode ser verificado um clima marítimo de transição, que não permite, em toda a região do estado, a atividade de um clima puramente continental. A bacia do rio Iguaçu está sujeita, principalmente, à influência de pelo menos três massas de ar. Durante os meses de verão (outubro a março) há uma predominância da massa de ar tropical do atlântico sul, com a presença de frentes quentes que se deslocam em direção ao sul do Brasil trazendo tempo bom com pouca nebulosidade. A infiltração polar é mais intensa nos meses de inverno (abril a setembro). Essa movimentação ocorre em direção ao norte, provocando tempo bom com pouca nebulosidade. VII - 13 Quando há a predominância da massa de ar tropical atlântica ou das tropicais continentais, ocorre o choque das frentes polares, com formação de chuvas convectivas de curta duração, grande instabilidade, mas com efeito local (chuvas de verão). Quando ocorre o inverso, isto é, a predominância das massas polares, há a formação de frentes frias, que provocam instabilidade em grandes extensões, com duração prolongada, as chamadas chuvas frontais. A movimentação destas massas de ar e de suas frentes define o regime de chuvas na região. A área da bacia do rio Iguaçu possui uma razoável rede de observação meteorológica de superfície, sendo que algumas estações possuem, inclusive, observação de evaporação em tanque evaporimétrico classe A (Quadro 2.3). Quadro 2.3 Estações meteorológicas da bacia do rio Iguaçu Código 02453023 02549006 02549041 02549091 02550025 02551006 02551010 02552009 02553015 02553018 02554004 02554026 02649021 02651006 02657007 02651043 02651046 02652003 02652035 02653012 Estação Cascavel Curitiba Piraquara Lapa Teixeira Soares Guarapuava Guarapuava Laranjeiras do Sul Planalto Quedas do Iguaçu Foz do Iguaçu São Mig. do Iguaçu Rio Negro Palmas Porto União Palmas Foz do Areia Clevelândia Pato Branco Francisco Beltrão Instalação Órgão Out/1972 Abr/1884 Fev/1970 Ago/1988 Jan/1963 Jan/1910 Jun/1972 Out/1973 Out/1973 Jul/1972 Jan/1938 Ago/1982 Dez/1922 Nov/1922 Out/1941 Dez/1978 Set/1980 Set/1972 Jan/1979 Mai/1973 IAPAR INEMET IAPAR IAPAR IAPAR INEMET IAPAR IAPAR IAPAR IAPAR INEMET IAPAR INEMET INEMET INEMET IAPAR COPEL IAPAR IAPAR IAPAR Período Dados Disponíveis 1972/1992 1951/1989 1970/1992 1988/1992 1963/1992 1961/1985 1973/1992 1973/1992 1973/1992 1972/1992 1961/1981 1982/1992 1961/1981 1961/1989 1961/1978 1979/1992 1981/1992 1972/1992 1979/1992 1973/1992 Altitude (m) 660 929 930 910 893 1.020 1.020 880 400 513 161 260 824 1.100 778 1.100 600 930 700 650 Evaporação Tanque Sim Sim Sim Não Não Não Não Não Não Não Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Não Não Sim Fonte: Copel (1993). 2.1.2 - Temperatura Quando a radiação solar atinge a superfície da Terra, uma parcela dessa energia é destinada para o aquecimento do ar que nos envolve. A temperatura do ar pode ser definida em termos de movimento das moléculas de ar – a agitação das moléculas é tanto maior quanto maior for a temperatura – ou em termos relativos, com base no grau de calor que o ar contém. Os tipos tradicionais de termômetro utilizados nas estações são os de mercúrio, mas atualmente utilizam-se sensores de pares termoelétricos e termistores, conectados a estações automáticas que transmitem os valores diretamente em formato digital, na escala Celsius. VII - 14 Os processos biofísicos e bioquímicos que condicionam o metabolismo dos seres vivos e, portanto, seu desenvolvimento, são altamente afetados pelas condições energéticas do ambiente, mais especificamente do solo e da atmosfera. Pode-se dizer que todos os processos que condicionam o desenvolvimento e crescimento das plantas e animais têm a temperatura como um dos fatores fundamentais. Cada espécie vegetal possui limites ótimos para que seu potencial produtivo seja expresso. Abaixo ou acima desse limite, mesmo que haja suprimento adequado de água e nutrientes, a produtividade será comprometida. Portanto, o conhecimento da temperatura de uma região é fundamental para o planejamento agrícola. Além disso, a temperatura também é um importante fator no processo de evapotranspiração, o que influi diretamente no ciclo da água, ditando o histograma de precipitação. As cartas de isotermas – linhas que ligam pontos com a mesma temperatura – foram traçados a partir de séries homogêneas de 20 anos de observações nas estações meteorológicas do Iapar. Os dados das médias mensais, média das mínimas, média das máximas e média anual foram correlacionados com altitude, latitude e longitude de cada estação, obtendo-se uma equação de regressão linear múltipla para cada período. No modelo digital de elevação, disponível na página da Internet do U.S.Geological Survey, aplicou-se as equações de regressão utilizando o Spring, obtendo-se uma grade de pontos com valores de temperatura. A seguir, os valores obtidos foram estratificados, gerando as isotermas com intervalos de 1oC, a partir de 11oC até 27oC. São apresentadas as cartas com médias mensais para os 12 meses, média anual, média do trimestre mais frio (junho, julho e agosto) e média do trimestre mais quente (dezembro, janeiro e fevereiro). A temperatura média diária foi calculada por meio da seguinte expressão: T= T9 + (2 × T21 ) + Tmax + Tmin , em que: 5 T é a temperatura média diária; T9 , e T21 são as temperaturas do ar às 9 horas e 21 horas, respectivamente; Tmax é a temperatura máxima; Tmin é a temperatura mínima. São apresentadas as cartas com temperaturas médias mensais para os 12 meses, a temperatura média anual das máximas, a temperatura média anual das mínimas e a temperatura média anual. A variação da temperatura no Estado do Paraná é marcada pela sazonalidade anual, notando-se temperaturas mais elevadas no verão, e temperaturas mais brandas no inverno. Isto pode ser constatado ao observar e comparar os mapas dos trimestres, mais quentes, e mais frios. No trimestre de dezembro a fevereiro, verão no hemisfério sul, a VII - 15 faixa de temperatura para o estado é de 21 a 30oC, já no inverno, o trimestre de junho a agosto, fica entre 11 a 19oC. Para a bacia do rio Iguaçu, estas faixas são de 21 a 28oC de dezembro a janeiro, e de 15 a 22oC entre junho e agosto. Na média, as temperaturas no trimestre mais frio (junho, julho e agosto), oscilam entre 14 e 16ºC. No trimestre mais quente (dezembro – fevereiro) as temperaturas médias mensais variam entre 2 e 23ºC. No Quadro 2.4 a seguir, apresentam-se os valores médios mensais para as principais estações climatológicas da bacia. Outro fator que influi notoriamente na variação espacial da temperatura no estado, é a altitude. Comparando o mapa de hipsometria com o de temperatura média anual, observa-se que nas regiões mais baixas as temperaturas são maiores, e menores nas mais altas. Isto deve-se ao fato de que a temperatura aumenta com o aumento da pressão atmosférica, e também devido a circulação global, onde o ar frio encontra-se geralmente mais alto que o ar quente. Na bacia do rio Iguaçu o comportamento é o mesmo. A variação espacial da temperatura segue o curso do rio Iguaçu, aumentando gradativamente da nascente, próximo a região metropolitana de Curitiba, até sua foz, após passar pelo PNI desaguando no rio Paraná. Entretanto nota-se que dentro da bacia do Iguaçu há, próximo ao município de Palmas, a ocorrência das menores temperaturas ao longo de todo o ano, não só da bacia mas de todo o estado, e isto se deve a grande altitude da região. Também é perceptível um gradiente crescente de temperatura no sentido dos divisores de água que delimitam a bacia hidrológica, para a calha do rio. Logicamente, isto também é explicado pelo fato de que os divisores encontram-se em local mais alto do que o corpo da água. Quadro 2.4 Bacia do rio Iguaçu – Resumo mensal da temperatura (ºC) ESTAÇÃO JAN 33,0 21,0 8,4 36,4 23,5 8,0 37,4 25,4 11,4 38,8 19,7 4,5 33,8 22,4 10,3 36,8 24,2 11,2 34,4 23,0 9,8 FEV 32,8 20,8 6,8 36,0 23,1 8,7 37,6 24,9 12,8 35,8 19,6 5,1 33,6 22,0 8,2 37,0 23,9 10,4 34,1 22,7 9,2 M AR 31,6 19,9 2,6 35,4 22,1 3,4 36,8 24,2 7,8 38,4 18,4 0,7 33,2 21,3 ,0 36,8 23,0 6,6 33,9 22,1 6,7 ABR 29,8 17,3 2,3 32,8 19,1 2,0 34,6 21,4 6,4 36,8 15,6 -2,1 30,5 18,6 5,0 33,0 20,2 5,0 31,8 19,8 3,6 M AI 28,4 14,3 -1,2 31,9 15,7 0,0 32,4 18,3 0,2 30,2 12,7 -2,4 29,9 16,0 ,6 32,4 17,2 1,4 30,1 16,7 -,4 JUN 25,4 12,5 -3,4 31,0 13,9 -4,2 30,0 16,4 -1,6 28,4 11,4 -6,8 26,6 14,4 -2,0 29,2 15,3 -0,4 30,2 14,8 -,4 JUL 26,4 12,7 -5,6 29,8 14,1 -5,0 31,8 16,5 -4,0 27,4 10,9 -7,1 27,8 14,6 -3,0 30,2 15,6 -5,5 28,5 14,8 -4,2 AGO 29,4 14,1 -4,7 33,0 15,6 -2,4 34,0 18,2 -0,2 29,4 12,4 -5,1 31,3 16,1 -2,2 33,0 17,0 0,0 31,6 16,4 -1,7 SET 33,2 15,1 -1,6 35,7 17,1 0,2 36,8 19,5 1,8 33,2 13,8 -5,1 34,0 17,0 -,5 37,0 18,3 0,0 35,4 17,7 ,2 OUT 31,8 17,6 ,4 35,4 19,8 3,3 36,6 21,8 6,0 35,4 16,0 -1,8 33,0 19,2 3,4 36,4 20,7 6,0 34,2 20,0 4,0 NOV 36,0 19,0 4,4 38,3 21,3 3,2 39,2 23,5 8,2 34,4 17,7 ,8 37,5 20,7 7,4 38,6 22,3 8,5 36,6 21,4 7,2 DEZ 34,0 20,3 7,8 38,2 22,8 8,4 39,8 25,0 11,6 37,4 19,1 3,0 35,9 21,7 8,4 38,6 23,6 10,0 36,4 22,5 11,3 Max 35,8 Méd 22,7 Min 9,1 Fonte: Copel (1993). 35,3 22,4 8,7 35,2 21,6 4,0 32,8 18,9 3,2 30,8 15,8 -,3 28,7 14,1 -2,7 28,8 14,2 -4,9 31,7 15,7 -2,3 35,0 16,9 -,7 34,7 19,3 3,0 37,2 20,8 5,7 37,2 22,1 8,6 Clevelandia F. Beltrão Planalto Palmas Laranjeiras Quedas do Iguaçu Cascavel Médias (AI) Max Méd Min Max Méd Min Max Méd Min Max Méd Min Max Méd Min Max Méd Min Max Méd Min EXTREMAS 36,0 (17/nov/85) -5,6 (18/jul/75) 38,3 (16/nov/85) -5,0 (18/jul/75) 39,8 (11/dez/85) -4,0 (18/jul/75) 38,8 (03/jan/63) -7,1 (11/jul/72) 37,5 (17/nov/85) -3,0 (06/jul/89) 38,6 (17/nov/85) -5,5 (18/jul/75) 36,6 (17/dez/85) -4,2 (18/jul/75) Média Med/Max 18,7 Méd/Min M ÉDIA 23,2 17,1 12,9 25,9 19,0 13,7 27,2 21,3 16,6 22,9 15,6 10,6 24,8 18,7 14,0 26,8 20,1 15,5 25,1 19,3 15,3 25,1 14,1 VII - 16 Figura 2.4 Temperatura média anual no Estado do Paraná, com detalhe da bacia do rio Iguaçu Figura 2.5 Temperatura média do trimestre mais quente no Estado do Paraná, com detalhe da bacia do rio Iguaçu VII - 17 Figura 2.6 Temperatura média do trimestre mais frio no Estado do Paraná, com detalhe da bacia do rio Iguaçu Figura 2.7 Temperatura nos meses de janeiro e fevereiro no Estado do Paraná, com detalhe da bacia do rio Iguaçu VII - 18 Figura 2.8 Temperatura nos meses de março e abril no Estado do Paraná, com detalhe da bacia do rio Iguaçu Figura 2.9 Temperatura nos meses de maio e junho no Estado do Paraná, com detalhe da bacia do rio Iguaçu VII - 19 Figura 2.10 Temperatura nos meses de julho e agosto no Estado do Paraná, com detalhe da bacia do rio Iguaçu Figura 2.11 Temperatura nos meses de setembro e outubro no Estado do Paraná, com detalhe da bacia do rio Iguaçu Figura 2.12 Temperatura nos meses de novembro e dezembro no Estado do Paraná, com detalhe da bacia do rio Iguaçu VII - 20 2.1.3 - Precipitação A precipitação inclui chuva, granizo, neve, ou qualquer outro processo onde ocorre deposição de água na superfície. A precipitação é medida em altura, normalmente expressa em milímetros. Uma precipitação de 1 mm é equivalente a um volume de 1 litro de água numa superfície de 1 m2. A precipitação é o elemento que mais afeta a produtividade agrícola em todo o mundo. A quantidade e a distribuição da precipitação que incide anualmente sobre uma certa região é bastante importante, determinando o tipo de vegetação e influenciando a programação das atividades agrícolas. Assim, épocas de plantio e colheita, atividades mecanizadas e mesmo escolha de espécies e variedades de plantas estão intimamente relacionadas com o padrão de precipitação local. A precipitação média anual na região dos estudos é de cerca de 1.800 mm. O Quadro 2.5 a seguir, apresenta os totais médios mensais nas principais estações pluviométricas da bacia. O mapa de precipitação média anual na bacia do rio Iguaçu é apresentado no desenho UHEBI-MAC-FIS-022. Quadro 2.5 Bacia do rio Iguaçu resumo mensal da precipitação (MM) Estação Águas do Vere F.Beltrão Cascavel Clevelân dia Guara niaçu Palmas Quedas do Iguaçu Sta. Isabel P. Vitorino S. Caxias Médias (AI) Max Méd Min Max Méd Min Max Méd Min Max Méd Min Max Méd Min Max Méd Min Max Méd Min Max Méd Min Max Méd Min Max Méd Min Max Méd Min Jan 424,4 174,5 5,0 474,3 168,1 40,4 363,9 177,6 27,2 424,3 192,1 40,0 492,8 190,6 14,2 383,3 189,5 59,8 461,9 190,3 27,2 393,4 175,2 17,0 461,5 178,6 12,6 365,9 160,9 14,2 424,6 179,7 25,8 Fonte: Copel (1993). Fev 346,8 158,4 30,2 262,4 171,3 35,1 352,0 177,8 36,0 352,3 155,8 63,0 343,2 193,7 51,0 352,0 165,9 26,4 340,0 195,9 32,9 319,0 155,6 26,6 416,6 166,1 27,2 323,5 157,1 15,6 340,8 169,8 34,4 Mar 309,6 144,0 36,3 357,2 129,9 23,7 282,0 144,8 24,2 310,8 123,3 55,5 302,0 149,2 27,2 408,2 149,4 45,8 218,0 131,3 52,0 330,8 138,3 27,6 321,9 143,6 37,3 293,4 115,0 23,8 313,4 136,9 35,3 Abr 403,9 144,1 ,0 356,3 163,4 ,5 302,6 158,2 2,3 384,9 164,9 7,2 322,4 150,9 1,0 372,3 147,7 2,2 329,0 153,7 ,0 334,9 136,6 ,0 355,4 149,9 ,0 393,7 158,8 6,4 355,5 152,8 2,0 Mai 630,7 162,6 22,7 610,8 213,7 28,0 488,1 184,4 26,9 453,7 213,1 20,0 504,0 167,6 21,6 491,6 167,6 22,9 609,0 136,1 17,0 480,9 167,5 19,4 487,3 165,8 ,0 458,3 174,5 19,6 521,4 175,3 19,8 Jun 348,9 147,1 7,2 397,7 171,0 9,3 343,8 142,9 14,8 334,8 169,0 31,9 287,6 144,6 18,8 347,8 170,0 38,6 301,8 133,1 6,0 347,1 155,0 18,3 382,1 149,8 21,0 299,7 135,6 20,5 339,1 151,8 18,6 Jul 664,8 126,9 5,1 668,2 141,2 3,9 288,8 113,1 2,9 775,4 151,2 10,1 277,0 119,8 2,4 808,4 148,8 11,2 387,9 114,6 12,8 493,1 120,9 2,4 520,4 133,6 6,6 447,0 108,0 7,8 533,1 127,8 6,5 Ago 301,4 119,4 12,0 242,5 122,2 9,1 254,9 106,8 13,4 280,5 135,6 10,8 303,8 113,9 11,6 465,4 145,4 26,6 326,8 107,3 10,3 270,6 111,3 3,4 259,0 121,5 8,7 307,6 119,6 8,6 301,3 120,3 11,5 Set 334,4 146,0 35,0 312,4 147,7 30,9 360,5 143,8 13,4 359,1 153,7 41,1 328,4 145,3 20,8 401,5 178,9 60,8 304,9 150,0 16,7 313,9 138,8 24,3 324,5 159,6 41,8 329,9 141,7 27,4 337,0 150,5 31,2 Out 372,4 203,4 101,6 478,3 209,6 111,0 380,1 213,2 73,7 427,6 194,7 78,6 374,4 202,3 90,8 523,8 207,0 52,2 352,0 201,1 76,7 498,1 208,4 60,0 423,8 201,9 82,1 478,3 207,6 41,4 430,9 204,9 76,8 Nov 903,2 185,1 33,6 540,7 198,8 29,8 492,9 174,8 30,7 553,3 201,4 73,9 488,8 179,6 31,6 431,6 161,6 40,2 449,5 170,1 43,3 622,4 157,3 23,6 655,8 172,6 29,5 568,9 182,8 41,1 570,7 178,4 37,7 Dez 468,5 170,5 52,9 395,2 165,8 44,2 509,3 181,8 70,4 354,3 169,7 71,6 518,7 202,1 52,4 359,9 163,1 47,7 357,2 164,0 47,9 367,9 168,8 35,4 421,6 159,9 45,3 323,8 162,9 37,2 407,6 170,9 50,4 Extremas Total 903,2 (nov/82) 1.882,0 668,2 (jul/83) 2.002,6 509,3 (jul/83) 1.919,2 775,4 (jul/83) 2.024,5 518,7 (jul/83) 1.959,6 808,4 (jul/83) 1.994,9 609,0 (mai/92) 1.847,3 622,4 (mai/92) 1.833,6 655,8 (nov/82) 1.902,8 568,9 (nov/82) 1.824,5 903,2 (nov/82) 1.919,1 VII - 21 Na bacia hidrográfica do rio Iguaçu, a precipitação média anual varia de 1200 a 1400 mm/ano até 2500 a 3500 mm/ano. As maiores precipitações ocorrem no altíssimo Iguaçu, localizado na vertente oeste da Serra do Mar, onde as altas precipitações ocorrem devido às chuvas orográficas que ocorrem neste local. No sentido leste-oeste, após a Serra do Mar, a precipitação diminui para 1400 a 1600 mm/ano, sofrendo um novo aumento para 1800 a 2000 mm até o baixo Iguaçu, com uma região mais ao sul apresentando precipitações de 2000 a 2500 mm/ano. Na região do baixo Iguaçu ocorre uma nova diminuição da precipitação, atingindo valores de 1600 a 1800 mm/ano. O mês mais chuvoso é janeiro, com precipitações variando de 125 a 150 mm no baixo Iguaçu até 250 a 350 mm/mês no altíssimo Iguaçu, com uma precipitação predominante de 175 a 200 mm/mês na bacia hidrográfica em geral. O mês mais seco é agosto, com precipitações variando de 75 a 100 mm/mês até 150 a 175 mm/mês, porém em pequenas regiões localizadas no sul da bacia hidrográfica. Ocorre uma predominância de 75 a 100 mm/mês no alto Iguaçu, 100 a 125 mm/mês no médio e baixo Iguaçu e 125 a 150 mm/mês em regiões mais ao sul da bacia hidrográfica. O Quadro 2.6 apresenta um resumo da variação da precipitação em função dos meses do ano. Quadro 2.6 Resumo da variação da precipitação em função dos meses do ano Mês Precipitação (mm/mês) Máximo Mínimo Predominância Janeiro 125 a 150 250 a 350 175 a 200 Fevereiro 125 a 150 225 a 250 150 a 175 Março 100 a 125 200 a 225 125 a 150 Abril 75 a 100 125 a 150 Bem distribuídas Maio 100 a 125 175 a 200 Bem distribuídas Junho 100 a 125 175 a 200 Bem distribuídas Julho 75 a 100 mm 150 a 175 Bem distribuídas Agosto 75 a 100 150 a 175 Bem distribuídas Setembro 100 a 125 175 a 200 150 a 175 Outubro 100 a 125 200 a 225 Bem distribuídas Novembro 100 a 125 200 a 225 Bem distribuídas Dezembro 125 a 150 225 a 250 150 a 175 VII - 22 Figura 2.13 Precipitação média anual no Estado do Paraná, com detalhe da bacia do rio Iguaçu Figura 2.14 Precipitação nos meses de janeiro e fevereiro no Estado do Paraná, com detalhe da bacia do rio Iguaçu VII - 23 Figura 2.15 Precipitação nos meses de março e abril no Estado do Paraná, com detalhe da bacia do rio Iguaçu Figura 2.16 Precipitação nos meses de maio e junho no Estado do Paraná, com detalhe da bacia do rio Iguaçu Figura 2.17 Precipitação nos meses de julho e agosto no Estado do Paraná, com detalhe da bacia do rio Iguaçu VII - 24 Figura 2.18 Precipitação nos meses de setembro e outubro no Estado do Paraná, com detalhe da bacia do rio Iguaçu Figura 2.19 Precipitação nos meses de novembro e dezembro no Estado do Paraná, com detalhe da bacia do rio Iguaçu Considerando a importância da variação da precipitação entre os anos, é apresentada uma carta com o coeficiente de variação entre os anos. O coeficiente de variação para a série de dados em cada estação foi calculado pela seguinte expressão: CV = 100s X onde: CV é o coeficiente de variação; X é a média anual das chuvas por local; s é o desvio padrão, calculado pela seguinte expressão: VII - 25 ∑ (X − X ) 2 s= N −1 onde: X é a precipitação total em cada ano, por local; X é a média anual das chuvas por local; N é o número de anos de observação. Figura 2.20 Coeficiente de variação da precipitação anual 2.1.4 - Evapotranspiração Os processos de evaporação e transpiração ocorrem simultaneamente em uma superfície vegetada. Thornthwaite, no início da década de 40 do século XX, utilizou o termo evapotranspiração para definir essa ocorrência simultânea. A evapotranspiração é controlada pela disponibilidade de energia, pela demanda atmosférica e pelo suprimento de água do solo às plantas. A disponibilidade de energia depende do local e da época do ano. O local é caracterizado pelas coordenadas geográficas (latitude e longitude) e pela topografia da região. A latitude determina o total diário de radiação potencialmente utilizado no processo evaporativo. Num terreno plano, o total diário de radiação solar é modulado pela época do ano, que determina o ângulo de incidência dos raios solares. Numa topografia acidentada, existirão locais com diferente disponibilidade de energia durante o ano (PEREIRA, VILLA NOVA & SEDYIAMA, 1997). VII - 26 A altitude também afeta diretamente a temperatura do solo e do ar, e a pressão atmosférica, que são os fatores que influenciam a evapotranspiração. A disponibilidade de radiação é controlada pelo poder refletor da superfície, expresso pelo coeficiente de reflexão (albedo). Superfícies mais claras refletem mais que escuras, possuindo menos energia disponível. Desta maneira, uma vegetação mais escura, tipo floresta, reflete menos radiação solar que uma cultura agrícola ou um gramado, portanto, sob as mesmas condições climáticas, uma floresta evapotranspira mais que um gramado (PEREIRA, VILLA NOVA & SEDYIAMA, 1997). A demanda atmosférica é controlada pelo poder evaporante do ar. Quanto mais seco, maior será a demanda atmosférica. No entanto, existe interrelação entre a demanda pelo ar e o suprimento de água pelo solo. Resultados experimentais de Denmead & Shaw (1962) mostram que o solo é um reservatório ativo que, dentro de certos limites, controla a taxa de perda de água pelas plantas. Se a demanda atmosférica for baixa, a planta consegue extrair água do solo até níveis bem baixos de água disponível; se a demanda for alta, mesmo com bastante umidade no solo, a planta não consegue extraí-la numa taxa compatível com as necessidades, resultando em fechamento temporário dos estômatos para evitar secamento das folhas. Portanto, há inter-relação entre disponibilidade de radiação solar, demanda atmosférica, e suprimento de água pelo solo (PEREIRA, VILLA NOVA & SEDYIAMA, 1997). O conhecimento da água perdida por evapotranspiração é fundamental para se conhecer o balanço hídrico de certa região. A partir da disponibilidade hídrica, pode-se então determinar se essa região é indicada para o cultivo de determinada espécie vegetal ou se é necessário utilizar sistemas de irrigação, assim como dimensioná-los. Os valores diários de evapotranspiração potencial apresentados nos mapas, a seguir, foram calculados pelo método de Penman (1948), para toda a série de dados da rede Iapar. Os resultados foram espacializados a partir de interpolações numéricas. A partir dos dados regionalizados de temperatura, umidade relativa, insolação e precipitação, do nível de água médio e da profundidade média do reservatório da UHE Salto Caxias, foram calculados os valores da evaporação, da evapotranspiração real, da evaporação líquida e da evapotranspiração potencial. Os valores obtidos para a UHE Salto Caxias, usina imediatamente a montante da área de estudo (Quadro 2.7) Quadro 2.7 UHE Salto Caxias evaporação e evapotranspiração na área do reservatório (mm/mês) Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Evaporação 160 154 162 135 118 95 72 64 72 86 100 131 1.348 Evapotranspiração Real 153 131 118 77 51 35 36 50 66 105 129 153 1.106 7 23 44 57 66 60 36 15 5 -19 -29 -23 242 187 153 146 102 75 55 68 96 110 149 177 203 1.521 Evaporação/Evapotranspiração Evaporação Líquida Evapotranspiração Potencial Fonte: Copel (1993). Out Nov Dez Média VII - 27 Os valores mensais de evaporação líquida, calculada pela diferença entre os valores de evaporação e de evapotranspiração real, representam as alterações no balanço hídrico, em termos médios, decorrentes da formação do reservatório da UHE Salto Caxias. A evapotranspiração anual na área do estudo oscila entre 1.100 a 1.200 mm/ano. A evapotranspiração real e a evapotranspiração potencial na área do reservatório, da UHE Salto Caxias calculadas pelo método de Morton, resultaram em 1106 mm e 1521 mm, respectivamente, levando a uma deficiência hídrica local média de 415 mm. O excedente hídrico médio nessa área, avaliado pela diferença entre a precipitação média (1850 mm) e a evapotranspiração real (1106 mm) na área do reservatório, resultou em 744 mm. Sendo a evapotranspiração potencial função da temperatura, os maiores valores são obtidos nas regiões mais quentes, e, consequentemente, os menores valores são obtidos nas regiões mais frias, fato este demonstrado tanto na evapotranspiração média anual quanto nas evapotranspirações mensais. Na bacia do Iguaçu, as maiores evapotranspirações encontram-se na sua região mais baixa (baixo Iguaçu), seguindo com uma diminuição até a sua região mais fria, o altíssimo Iguaçu. Evidentemente, os meses mais quentes apresentam maiores valores de evapotranspiração potencial, conforme apresentado nas Figuras 2.21 a 2.27. O mês de junho apresentou evapotranspiração igual em toda a bacia. O Quadro 2.8 apresenta um resumo da evapotranspiração diária em função dos meses do ano e da região da bacia do Iguaçu. Quadro 2.8 Resumo da evapotranspiração diária em função dos meses do ano e da região da bacia do Iguaçu. Mês Evapotranspiração (mm/dia) Altíssimo Iguaçu Baixo Iguaçu Janeiro 3 a 3,5 4,5 a 5 Fevereiro 3 a 3,5 4 a 4,5 Março 2,5 a 3 3,5 a 4 Abril 1,5 a 2 2 a 2,5 Maio 1 a 1,5 1,5 a 2 Junho 1 a 1,5 1 a 1,5 Julho 1 a 1,5 1,5 a 2,0 Agosto 1,5 a 2 2,0 a 2,5 Setembro 2 a 2,5 2,5 a 3,0 Outubro 2,5 a 3 3,5 a 4,0 Novembro 3 a 3,5 3,5 a 4 Dezembro 3 a 3,5 4,5 a 5 VII - 28 No altíssimo Iguaçu, os meses de novembro a fevereiro apresentam os maiores valores de evapotranspiração, atingindo 3 a 3,5 mm/dia e os meses de maio a julho apresentam os menores valores de evapotranspiração, da ordem de 1 a 1,5 mm/dia. No baixo Iguaçu, os maiores valores ocorrem nos meses de dezembro a fevereiro, com valores de 4,5 a 5 mm/dia, e o menor valor ocorre no mês de junho, com 1 a 1,5 mm/dia. Figura 2.21 Evapotranspiração média anual no Estado do Paraná, com detalhe da bacia do rio Iguaçu Figura 2.22 Evapotranspiração nos meses de janeiro e fevereiro no Estado do Paraná, com detalhe da bacia do rio Iguaçu VII - 29 Figura 2.23 Evapotranspiração nos meses de março e abril no Estado do Paraná, com detalhe da bacia do rio Iguaçu Figura 2.24 Evapotranspiração nos meses de maio e junho no Estado do Paraná, com detalhe da bacia do rio Iguaçu Figura 2.25 Evapotranspiração nos meses de julho e agosto no Estado do Paraná, com detalhe da bacia do rio Iguaçu VII - 30 Figura 2.26 Evapotranspiração nos meses de setembro e outubro no Estado do Paraná, com detalhe da bacia do rio Iguaçu Figura 2.27 Evapotranspiração nos meses de novembro e dezembro no Estado do Paraná, com detalhe da bacia do rio Iguaçu 2.1.5 - Umidade relativa do ar A umidade relativa é uma das formas de expressar o conteúdo de vapor existente na atmosfera. É definida como a relação entre o teor de vapor d’água contido no ar em um dado momento e o teor máximo que esse ar poderia conter, à temperatura ambiente. O valor da umidade relativa pode mudar pela adição ou remoção de umidade do ar pela mudança de temperatura. O processo de evaporação da água consome energia, que é transferida para a atmosfera terrestre. À medida que as massas de ar são transportadas para as camadas mais altas da atmosfera, ocorre a condensação do vapor d’água, com formação de nuvens e liberação de energia consumida na evaporação. Por meio desse processo contínuo é que a temperatura do globo terrestre é mantida dentro dos atuais limites. VII - 31 A presença de vapor d’água na atmosfera contribui também para diminuir a amplitude térmica (diferença entre a temperatura máxima e a mínima), uma vez que a água intercepta parte da radiação terrestre de ondas longas e, desta forma, diminui o resfriamento noturno. A umidade atmosférica é fator determinante para as atividades biológicas, afetando o desenvolvimento de plantas, pragas, doenças e o conforto térmico animal. Com relação aos vegetais, altas concentrações de vapor favorecem a absorção direta de umidade pelas plantas e o aumento da taxa de fotossíntese. A umidade afeta também a transpiração, que é tanto mais intensa quanto mais seco se encontra o ar. Os valores de umidade relativa média obtidos da rede do Iapar foram interpolados no software Surfer versão 6.0, utilizando o método denominado Kriging. A seguir foram importados para o Spring para a geração das isolinhas. A carta final representa valores de 65% a 85%, com intervalos de 5%. As séries de dados utilizadas possuíam 20 anos de dados diários de leituras de termômetro de bulbo seco e bulbo úmido, a partir das quais se estimou a umidade relativa. A umidade relativa média diária foi calculada pela seguinte expressão: UR = UR9 + UR15 + (2 × UR21 ) , em que: 4 UR é a umidade relativa média diária; UR9 , UR15 e UR21 são a umidade relativa às 9, 15 e 21 horas, respectivamente. Se compararmos o mapa das temperaturas médias com o da umidade relativa anual, verifica-se que, não só no estado, mas também na bacia do rio Iguaçu, seus comportamentos são bem semelhantes. O mapa, a seguir, mostra que a umidade diminui de leste para oeste e de sul para norte, sendo as regiões de maior umidade próximas do planalto de Curitiba e da planície litorânea, e as mais secas próximas à calha do rio Parananema que faz divisa com o Estado de São Paulo. A umidade relativa média do ar oscila entre 20 a 80%, sendo a média anual de 75%. O Quadro 2.9, apresenta a oscilação média anual da temperatura nas estações meteorológicas da bacia. VII - 32 Quadro 2.9 Bacia do rio Iguaçu resumo mensal de umidade relativa do ar (%) Estação Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Média Francisco Beltrão 73 77 77 77 80 80 76 73 70 70 69 72 75 Palmas 78 81 81 83 84 84 81 79 78 78 77 77 80 Planalto 69 72 72 73 74 75 69 67 65 66 67 67 70 Clevelândia 77 80 79 79 80 79 76 74 74 73 72 75 77 Laranj. do Sul 74 77 76 77 77 76 72 68 68 70 70 73 73 Cascavel 76 78 76 75 77 77 73 70 69 69 69 74 74 Quedas do Iguaçu 74 77 77 78 79 80 74 72 70 70 71 73 75 74,4 77,4 76,9 77,4 78,7 78,7 74,4 71,9 70,6 70,9 70,7 73,0 74,6 Média (AI) Fonte: Copel (1993). Figura 2.28 Umidade relativa anual no Estado do Paraná, com detalhe da bacia do rio Iguaçu 2.1.6 - Ventos As velocidades do vento, observadas a dez metros de altura, apresentam valores médios de 2,6 a 3,5 m/s. O Quadro 2.10 mostra, para as principais estações, a velocidade dos ventos, a intensidade e a duração predominante. VII - 33 Quadro 2.10 Bacia do rio Iguaçu resumo mensal de vento (M/S) Jan Estação Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Anual VM DP VM DP VM DP VM DP VM DP VM DP VM DP VM DP VM DP VM DP VM DP VM DP VM DP % Francisco Beltrão 2,4 NE 2,2 NE 2,0 NE 2,0 NE 1,8 S S 2,1 2,5 NE 2,5 NE 2,8 NE 2,7 NE 2,7 NE 2,5 NE 2,4 NE 31 W W Palmas 2,1 NE 2,1 NE 2,0 NE 2,0 NE 1,9 NE 2,0 NE 2,6 NE 2,4 NE 2,6 NE 2,5 NE 2,3 NE 2,1 NE 2,2 NE 18 Clevelândia 3,4 NE 3,3 NE 3,1 NE 3,4 NE 3,4 NE 3,5 NE 4,2 NE 4,0 NE 4,1 NE 3,9 NE 3,9 NE 3,6 NE 3,7 NE 34 Planalto Laranj. Sul 3,0 NE 2,5 NE 3,0 NE 3,1 NE 3,1 NE 3,0 NE 3,7 NE 3,5 NE 3,4 NE 3,4 NE 3,4 NE 3,6 NE 3,2 NE 35 do Cascavel Quedas Iguaçu 2,4 NE 2,3 NE 2,2 NE 2,3 NE 2,3 E 2,6 E 2,9 E 3,0 E 2,9 E 2,9 E 2,8 E 2,5 E 2,6 E 26 3,0 NE 3,0 NE 3,0 NE 3,1 NE 3,1 NE 3,4 NE 3,9 NE 3,8 NE 3,8 NE 3,6 NE 3,5 NE 3,2 NE 3,4 NE 40 do Média (AI) 2,8 SE 2,7 SE 2,6 SE 2,6 SE 2,6 SE 2,7 SE 3,0 SE 2,9 SE 2,9 SE 2,8 SE 2,9 SE 2,8 SE 2,8 SE 30 2,7 NE 2,6 NE 2,6 NE 2,6 NE 2,6 NE 2,8 NE 3,3 NE 3,2 NE 3,2 NE 3,1 NE 3,1 NE 2,9 NE 2,9 NE Fonte: Copel (1993). NOTAS: VM = Velocidade Média, DP = Direção Predominante 2.1.7 - Insolação A insolação média é da ordem de 7,0 horas por dia. O Quadro 2.11 apresenta a insolação média nos postos da bacia. Quadro 2.11 Bacia do rio Iguaçu resumo mensal de insolação (horas de sol/dia) Estação Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Média Francisco Beltrão 7,3 7,1 7,2 6,3 5,9 5,3 6,3 6,0 6,2 6,9 7,5 7,3 6,6 Palmas 6,2 6,0 5,9 5,7 5,9 5,3 6,0 5,9 5,0 6,1 6,9 6,7 6,0 Planalto 7,9 7,6 7,5 6,7 6,1 5,5 6,5 6,1 6,2 7,2 7,8 7,9 6,9 Clevelândia 7,4 7,0 7,1 6,4 6,0 5,6 6,5 6,1 6,1 6,7 7,5 7,3 6,7 Laranj. do Sul 6,8 6,7 6,8 6,7 6,3 5,8 6,8 6,5 6,0 6,7 6,9 6,5 6,5 Cascavel 7,3 7,1 7,1 6,7 6,3 5,9 6,8 6,4 6,1 6,7 7,5 7,0 6,7 Quedas do Iguaçu 7,4 6,9 7,0 6,4 5,9 5,2 6,4 6,2 6,0 6,7 7,4 7,4 6,6 Média (AI) 7,2 6,9 7,0 6,4 6,1 5,5 6,5 6,2 5,9 6,7 7,3 7,2 6,6 2.2 - Geologia, recursos minerais, geomorfologia e solos 2.2.1 - Geologia A bacia do rio Iguaçu situa-se na porção sul do Estado do Paraná e desenvolve-se no sentido geral leste-oeste, entre os paralelos 25° 00’ / 26° 45’ de latitude sul e os meridianos 49° 00’ / 54° 35’ de longitude oeste. Essa bacia apresenta comprimento VII - 34 estimado de 550 km e largura razoavelmente uniforme da ordem de 120 km. A área de drenagem tem aproximadamente 67.300 km² distribuídos ao longo de 1.100 km de percurso do rio, desde as nascentes nas proximidades de Curitiba até a foz. O rio Iguaçu nasce e desenvolve-se sobre terrenos pré-cambrianos ao longo de mais ou menos 70 km, penetrando a partir daí em terrenos mesozóicos da bacia do Paraná e percorrendo sobre estes os 480 km restantes. Quanto à rede de drenagem, integra a bacia Platina como tributário da margem esquerda do rio Paraná. O mapa de geologia da bacia do rio Iguaçu está apresentado no desenho nº. UHEBIMAC-FIS-022. a) Formações geológicas presentes na bacia do rio Iguaçu a.1) Terrenos pré-cambrianos O trecho percorrido pelo rio Iguaçu sobre terrenos pré-cambrianos constitui-se de diversas litologias consubstanciadas no grupo Açungui (Psa) – “Geologia do Brasil DNPM, 1984”. A série Açungui introduzida por Oliveira (1927) e passada à categoria de grupo por Marini et alii (1967), enfeixa os metassedimentos que se expõem no leste paranaense, incluindo filitos e xistos predominantes, bem como calcários, dolomitos, rochas calcissilicáticas, quartzitos, metaconglomerados, calcixistos, metabasitos e gnaisses. É um pacote essencialmente metapelítico, exibindo metamorfismo em fácies xisto-verde e localmente anfibolito, de baixa pressão/temperatura. As avaliações de espessura da unidade geológica variam entre 10.000 m (MARINI et alii, 1967) e 3.500 m (PETRI E SUGUIO, 1969). Ao que parece, as deformações introduziram complexidades no grupo que dificultam a definição de suas características. As inúmeras fases tectônicas havidas incluem movimentos epirogênicos, subsidências, transgressões e regressões marinhas, fases erosivas e deposicionais, vulcanismo e falhamentos. A origem desses eventos estaria relacionada a uma forte tectônica verticalista que precedeu à estruturação das grandes bacias paleozóicas brasileiras resultando no estabelecimento de novo regime tectônico na plataforma. O controle estrutural da drenagem estabelecida sobre os principais lineamentos pode ser notado ao longo do rio e seus afluentes. O relevo movimentado caracteriza-se por vales encaixados e encostas íngremes, cujos grandes traços morfológicos são resultantes das características das rochas, submetidos aos mecanismos morfoclimáticos que atuaram na região durante os períodos terciário e quaternário. No aspecto pedológico predominam solos residuais e coluviais de fertilidade natural moderada a baixa, representados predominantemente por solos amarelos arenoargilosos. a.1.1) Unidades litoestratigráficas VII - 35 − Aluviões As áreas de aluviões, embora restritas, existem em praticamente todos os cursos d’água, constituindo depósitos pouco espessos e em grande parte compostos por areias quartzosas, siltes e argilas, ocorrendo localmente seixos de composição e diâmetros variáveis. − Cobertura de solos A região é recoberta por solos de origem e espessura variadas, cujas características e modo de ocorrência resultaram de fatores litoestratigráficos, estruturais e morfoclimáticos. Predominam solos residuais e coluviais formados pela meteorização das rochas e pelos mecanismos de movimentação gravitacional dos seus produtos, cujos perfis típicos consistem de uma porção superficial de solos colúvio-residuais maduros, amarelados, que passam gradativamente ou bruscamente aos solos residuais jovens subjacentes. Sob os solos residuais jovens encontram-se horizontes saprolíticos formados por remanescentes de rocha, envoltos por material decomposto, representando a transição entre rocha e solo. − Formação Água Clara A Formação Água Clara, identificada por Marini et alii (1967), tem cerca de 2000 m de calcixisos, com calcários, filitos e quatzitos associados, derivados de sedimentos de ambiente bioermal e de águas rasas. − Formação Votuverava A formação Votuverava, identificada por Bigarella e Salamuni (1969; 1958 a, b), é constituída por metassedimentos finos em associações rítmicas (filitos, metassiltitos e quartzitos), com intercalações de metaconglomerados, calcários e metabasitos. − Formação Capiru A formação Capiru, identificada por Bigarella e Salamuni (1969; 1958 a, b), é constituída por quartzitos, filitos, filitos grafitosos, lentes de hematita e dolomitos, estes com estruturas estromatolíticas. a.1.2) Aspectos estruturais As inúmeras fases tectônicas havidas incluem movimentos epirogênicos, subsidências, transgressões e regressões marinhas, fases erosivas e deposicionais, vulcanismo e falhamentos. A origem desses eventos estaria relacionada a uma forte tectônica verticalista que precedeu à estruturação das grandes bacias paleozóicas brasileiras resultando no estabelecimento de novo regime tectônico na plataforma. Durante a evolução geológica da região os esforços tectônicos atuantes resultaram na modelagem estrutural da área de interesse. Esses esforços produziram feições de caráter regional tais como arqueamentos, lineamentos, falhamentos e metamorfismo, inclusive com desenvolvimento de mineralizações associadas. VII - 36 Os grandes traços estruturais da região constituem-se de lineações e falhamentos orientados nos sentidos NW e NE. a.2) Terrenos mesozóicos O trecho percorrido pelo rio Iguaçu sobre os terrenos mesozóicos da bacia do Paraná constitui-se de diversas litologias caracterizadas pela predominância de basaltos com possíveis intercalações de arenitos interderrames e geralmente recobertos por detritos cenozóicos. No sentido do fluxo do rio podem ser observadas as formações, ItararéAquidauana, Irati, Estrada Nova e Serra Geral. As inúmeras fases tectônicas havidas na bacia sedimentar do Paraná incluem movimentos epirogênicos, subsidências, transgressões e regressões marinhas, fases erosivas e deposicionais, vulcanismo intenso e falhamentos. O forte controle estrutural da drenagem estabelecida sobre os principais lineamentos caracterizados por fraturas indiscriminadas com direções NE, NW e NS, pode ser notado ao longo do rio e seus afluentes. O relevo caracteriza-se por fases de aplainamento, pediplanação e entalhamento fluvial, cujos grandes traços morfológicos são resultantes das características típicas dos basaltos submetidos aos mecanismos morfoclimáticos que atuaram na região durante os períodos terciário e quaternário. No aspecto pedológico predominam solos residuais e coluviais de fertilidade natural elevada, representados predominantemente por Latossolo Roxo com textura argilosa a muito argilosa. Trata-se de solos submetidos à intensa ação antrópica caracterizada por agricultura intensiva e criação de animais, com a conseqüente retirada da cobertura vegetal e o manejo intermitente do solo. a.2.1) Unidades litoestratigráficas − Aluviões As áreas de aluviões, embora restritas, existem em praticamente todos os cursos d’água, constituindo depósitos com formas típicas de planície fluvial, como ilhas aluviais, diques marginais e barras em pontal, nas quais se encontram registros da evolução dos rios no holoceno. Esses sedimentos que raramente ultrapassam 3 a 4 metros são em grande parte compostos por areias quartzosas, siltes e argilas, ocorrendo localmente seixos de composição e diâmetros variáveis. − Cobertura de solos A região é recoberta por solos de origem e espessura variadas, cujas características e modo de ocorrência resultaram de fatores litoestratigráficos, estruturais e morfoclimáticos. Predominam solos residuais e coluviais formados pela meteorização dos basaltos e pelos mecanismos de movimentação gravitacional dos seus produtos, cujos perfis típicos VII - 37 consistem de uma porção superficial de solos colúvio-residuais maduros, avermelhados, que passam gradativamente ou bruscamente aos solos residuais jovens subjacentes. Sob os solos residuais jovens encontram-se horizontes saprolíticos típicos, formados por núcleos remanescentes de rocha, arredondados, envoltos por material decomposto, representando a transição entre rocha e solo. − Formação Serra Geral (JKsg) A formação Serra Geral constitui-se, predominantemente, de rochas basálticas cinzaescuro/preto, de granulação fina a afanítica, provenientes de vulcanismo de caráter fissural. Trata-se de lavas basálticas com aspecto maciço, uniforme, amidalóidal, vesicular, contendo fraturas irregulares a subconchoidais, formando espessuras variáveis de derrames, com intercalações lenticulares e diques de arenitos. − Rochas ácidas As rochas vulcânicas ácidas ou intermediárias têm ocorrência limitada na área de interesse. Entretanto, elas são comuns em extensas regiões do Estado do Paraná. Essas rochas ocorrem quase sempre capeando áreas altas e dando origem a solos pouco espessos e férteis. − Rochas basálticas Os basaltos são rochas básicas subalcalinas e apresentam coloração escura. Essas rochas ocorrem sob a forma de derrames tabuliformes, cujas espessuras individuais podem variar de cerca de 5 metros até mais de 50 metros. Porém, a seqüência de derrames pode atingir mais de 1000 metros de espessura. − Formação Estrada Nova (Pen) A formação Estrada Nova foi denominada por White (1908), representando os folhelhos que ocorrem a oeste da localidade de Minas, em Santa Catarina (RADAMBRASIL, vol. 31). Em revisão estratigráfica procedida por Schneider et alii (1974), baseada na integração de diversos dados existentes, a formação Estrada Nova foi delimitada em relação às formações adjacentes. Litologicamente, a formação consiste na sua seção inferior, de argilitos, folhelhos e siltitos cinza a preto, com fratura concoidal, apresentando lentes e concreções calcíferas. A estrutura sedimentar observada localmente, constitui-se da laminação paralela mal desenvolvida. A seção superior constitui-se de alternâncias de argilitos e folhelhos cinzaescuro com siltitos e arenitos muito finos, cinza-claro. Ocorrem calcários, às vezes oolíticos, normalmente silicificados. As estruturas sedimentares constituem-se de laminações, microlaminações, fendas de contração, marcas ondulares e diques de arenito. Nas camadas calcíferas estão presentes estruturas estromatolíticas. VII - 38 A idade Permiano Superior da formação Estrada Nova foi indicada por Daemon & Quadros (1969), com base em seu conteúdo fossilífero constituído por restos de peixes, pelecípodos, conchostráceos e palinomorfos. − Formação Irati (Pi) A formação Irati foi descrita originalmente por White (1908) e deve seu nome à localidade homônima, no Estado do Paraná (RADAMBRASIL, vol. 31). Durante revisão estratigráfica da bacia sedimentar do Paraná, Mühlmann et alii (1974) e Schneider et alii (1974) consideraram a formação Irati como sendo constituída por folhelhos e argilitos cinza-escuro, folhelhos cinza-escuro pirobetuminosos e calcários associados. A principal estrutura sedimentar presente nesta unidade é a laminação plano-paralela, ocorrendo localmente laminações onduladas decorrentes do efeito da compactação sobre as camadas menos competentes. Sua idade permiana foi estabelecida por Mac Gregor (1908), ao descrever o réptil fóssil Mesosaurus brasiliensis e compará-lo com fósseis semelhantes que ocorrem no Permiano da África do Sul. − Formação Itararé-Aquidauana (Pcia) A formação Itararé-Aquidaauna encontra-se descrita por vários autores. Durante a evolução dos estudos geológicos as litologias foram divididas em duas formações: formação Itararé e formação Aquidauana (RADAMBRASIL, vol. 31). − Formação Itararé O nome Itararé foi introduzido na classificação estratigráfica da bacia do Paraná por Oliveira (1916). Essa formação tem como área tipo a bacia do rio Itararé, do qual seu nome deriva, onde se apresentam todas as variedades de camadas que entram em sua constituição. A formação Itararé apresenta grande diversidade litológica, predominando os clásticos grossos que ocorrem em toda a seção. As variações laterais de fácies são uma das características mais marcantes desse pacote sedimentar. Diamictitos passam lateralmente para folhelhos várvicos, ritmitos e arenitos (NORTHFLEET, et alii, 1969). Na definição de Schneider et alii (1974), a formação Itararé, caracteriza-se, principalmente, por diamictitos e reflete influências glaciais nas suas condições ambientais marinhas. As estruturas sedimentares constituem-se de laminação plano-paralela, estratificação plano-paralela e acanalada, estratificação cruzada acanalada, estrutura de corte e preenchimento, estrutura do tipo cone-in-cone e estruturas de escorregamento. VII - 39 A idade Carbonífero Superior / Permiano Inferior da formação foi estabelecida por Daemon & Quadros (1969), baseada no estudo de palinomorfos recuperados dos diamictitos. − Formação Aquidauana Derby (1895) foi o primeiro a mencionar os arenitos da formação Aquidauana. Em seguida Lisboa (1909) confirmou esta denominação ao realizar estudos na seqüência de arenitos de Miranda (RADAMBRASIL, vol. 31). Litologicamente a formação Aquidauana constitui-se de siltitos arenosos, arenitos finos a médios e até grosseiros, lamitos arenosos e diamictitos em camadas descontínuas. Almeida (1945 a) observou que os seixos encontrados nos sedimentos Aquidauana mostram características glaciais típicas, como superfícies polidas e abundantemente estriadas, seixos facetados de bordas arredondadas e pontas quebradas. As estruturas sedimentares apresentam-se como estratificações com acamamentos incipientes horizontais a subhorizontais e espessuras de 5 a 10 m. A idade Carbonífero Superior da formação foi estabelecida por Daemon & Quadros, 1969 (apud SCHNEIDER et alii, 1974) baseada em estudos palinológicos. a.2.2) Aspectos estruturais Os derrames basálticos apresentam uma série de estruturas atectônicas importantes para a compreensão das características geomorfológicas, da distribuição dos tipos de solos, e das características geotécnicas e hidrogeológicas dos maciços, tanto de rochas quanto de solos. A maior parte dessas feições resulta do modo de formação dos derrames e da sua estrutura em camadas. Outras resultam dos fenômenos de descompressão que acompanham a evolução da topografia. As feições significativas são representadas pelos contatos entre derrames, pelo fraturamento colunar que divide a rocha maciça em prismas de seção transversal variada, pelas fraturas subhorizontais no terço superior originadas pelo modo de resfriamento diferenciado das várias camadas de um derrame, além das fraturas subhorizontais ou pouco inclinadas que podem resultar do alívio de tensões resultante da erosão de um vale. Essas estruturas podem ser muito extensas e permeáveis, às vezes mostrando estriamentos do tipo “slikenside” e, por isso, chamadas juntas-falha. Já as estruturas tectônicas resultam dos fenômenos ocorridos durante a evolução geológica da bacia do Paraná, a partir do Proterozóico Superior, e podem ser observadas em fotografias aéreas e imagens de radar, além, é claro, das observações de campo. Essas estruturas evidenciam os principais sistemas de lineamentos tectônicos caracterizados por zonas de fraturamento subvertical e/ou falhas. Os lineamentos são às vezes muito extensos, chegando a várias dezenas de quilômetros e podem apresentar rejeitos verticais e direcionais variáveis entre poucos metros e dezenas de metros. Destacam-se dois sistemas de lineamentos orientados nas direções N50-70W e N50-70E, segundo os quais ocorrem falhas importantes. Esses lineamentos têm importância fundamental no desenvolvimento das formas de relevo, pois os rios têm seus cursos VII - 40 claramente guiados pelos mesmos e, também, na circulação da água subterrânea que é em grande parte controlada por essas estruturas. b) Principais ocorrências minerais de interesse econômico Na área da bacia do rio Iguaçu as principais ocorrências minerais constituem-se de areias, argilas, basalto, água mineral, cobre, ouro e rochas ornamentais. 2.2.2 - Geomorfologia O Estado do Paraná é generalizadamente dividido em três grandes domínios morfoestruturais, denominados primeiro, segundo e terceiro planaltos. As diferenciações geomorfológicas que marcam cada um dos três planaltos se referem às diferentes estruturas geológicas, presentes em cada um. As separações entre estes planaltos são marcantes, apresentando escarpas voltadas para leste. O primeiro planalto paranaense é formado pelo reverso da Serra do Mar, tendo o complexo cristalino por embasamento rochoso. Desenvolve-se como uma superfície de altitudes médias de 800 a 950 metros. No Paraná é limitado a leste pela Serra do Mar e a oeste pela Escarpa Devoniana. Esta formada por rochas desta idade (período geológico) e exposta pelo soerguimento ocorrido no Terciário. O segundo planalto pode ser entendido como um patamar intermediário entre os grandes planaltos paranaenses, limitado a leste pela escarpa Devoniana e a oeste pela escarpa arenito-basáltica chamada Serra Geral ou Serra da Esperança. É constituído por rochas sedimentares paleozóicas (principalmente arenitos, siltitos e folhelhos) e apresenta relevo de formas ligeiramente tabulares, com aprofundamento de drenagem cada vez maior para oeste, onde perde altitude. A leste, sobre as formações Devonianas, o segundo planalto alcança altitudes de 1100 a 1200 metros inclinando-se suavemente para oeste a altitudes médias de 700 a 800 metros. O terceiro planalto paranaense é embasado em rochas eruptivas básicas, capeadas a noroeste por sedimentos mesozóicos (arenito Caiuá). Sua forma geral é a de um grande plano inclinado para oeste, limitando-se a leste pela Serra da Esperança, onde atinge altitudes de 1100 a 1250 metros, e descendo, a oeste, a 300 metros, no vale do rio Paraná. O aspecto dominante é o de uma série de patamares, originados da sucessão dos derrames basálticos, da erosão diferencial e do desnível de blocos falhados. Os rios são, em sua maior parte, orientados por falhas ou fraturas, tendo esculpido na região, vales abertos, formando "lageados" com corredeiras, saltos e cachoeiras, e por vezes fechados, formando "canyons". Os principais critérios para o estudo dos sistemas de relevo são: amplitude local das formas, ou seja, altura entre o topo e os vales adjacentes; declividade das encostas; extensão e forma dos topos; expressão de cada unidade em área; densidade e padrão de drenagem. Em seu trecho inicial, a montante, a bacia apresenta um tipo de relevo denominado como VII - 41 colinas médias, constituído por interflúvios inferiores a 4 km2, topos extensos e aplainados e vertentes suavemente convexas, desenvolvido sobre rochas cristalinas. A drenagem dessa unidade de relevo apresenta planícies aluviais restritas. Ocorrem nessa área, entretanto, planícies aluviais mais largas e extensas, em função da presença do próprio rio Iguaçu e alguns de seus afluentes, que transportam grande volume de sedimentos. Esses sedimentos são depositados no local, em virtude da fraca declividade dessa superfície, formando planícies fluviais apenas ao longo dos principais cursos de água. Na escarpa Mesozóica, ou Serra da Esperança, que divide o segundo do terceiro planalto paranaense, o relevo vai se tornando mais movimentado. Já no terceiro planalto paranaense, aparece grande compartimento de relevo formado por rochas efusivas básicas da formação Serra Geral. A superfície apresenta caimento para oeste, em direção à calha do rio Paraná. De um modo geral pode-se dizer que o relevo nesse planalto apresenta aspecto suave ondulado em quase toda sua extensão. As variações que são observadas nos sistemas de relevo são devidas ao aprofundamento da rede de drenagem. Na maioria dos casos, os afluentes do rio Iguaçu, pela margem direita, tem seus vales condicionados por falhas perpendiculares ao rio Iguaçu. Em razão disso, esses rios apresentam vales profundos, em relação, ao plano geral do relevo, o mesmo ocorrendo com seus afluentes, alterando o aspecto do relevo regional. Como exemplo desse comportamento pode-se citar os rios Chagu, das Cobras, Guarani e Izolina. O aspecto predominante do relevo, desde a Serra da Esperança até a base de Santa Terezinha de Itaipu, é de suave ondulado. Essa superfície só se altera pela influência de alguns rios que promovem o aprofundamento da drenagem e aumentam a energia do relevo. Os mapas de declividade e erodibilidade da bacia do rio Iguaçu estão apresentados no desenho n.º UHEBI-MAC-FIS-022. 2.2.3 - Solos a) Metodologia Os estudos pedológicos foram baseados nos conceitos emanados do SiBCS - sistema brasileiro de classificação de solos (EMBRAPA, 2005) As informações sobre susceptibilidade a erosão foram obtidas a partir de mapas, na escala 1:5.000.000 (EMBRAPA, 1981). Salienta-se que o levantamento de reconhecimento dos solos do Estado do Paraná, na escala 1:600.000 (EMBRAPA, 1984), ainda na classificação antiga, serviu de base para o mapeamento das áreas de influência direta e indireta, enquanto que, para o mapeamento da bacia hidrográfica do rio Iguaçu, foram utilizadas as informações do mapa de solos do Brasil, escala 1:5.000.000 (EMBRAPA-CNPS / IBGE, 2001), que já incorpora a nomenclatura proposta pelo SiBCS. b) Mapeamento dos solos VII - 42 A consulta dos dados acima citados, resultou na indicação dos seguintes solos na bacia do rio Iguaçu: Latossolo Bruno Distrófico (LBd) Solos constituídos por material mineral, apresentando horizonte B latossólico imediatamente abaixo de qualquer tipo de horizonte A, dentro de 200 cm da superfície do solo ou dentro de 300 cm, se o horizonte A apresenta mais que 150 cm de espessura. A matiz é mais amarelo que 2,5 YR no horizonte BA ou em todo horizonte B. Suas extensões mais expressivas encontram-se: na porção nordeste da bacia, nas nascentes do rio Iguaçu e formando as áreas do macro entorno de Curitiba (PR); na zona central, desde a margem direita do rio Iguaçu, até o sul de Canoinhas (SC); e, no alto curso do rio Chopim, ao norte de Palmas (PR). Apresentam média susceptibilidade a erosão. Latossolo Vermelho Eutrófico e Distrófico (LVe e LVd) Solos com matiz 2,5 YR ou mais vermelho na maior parte dos primeiros 100 cm do horizonte B. Nos distróficos a saturação por bases é baixa (V<50%) na maior parte dos primeiros 100 cm do horizonte B; já nos eutróficos, o valor V está sempre acima de 50%. Estão concentrados na porção oeste da bacia, em áreas que se estendem desde Pato Branco (PR) até Laranjeiras do Sul (PR), em sentido sul-norte, e de Foz do Iguaçu (PR) até as sub-bacias dos rios Cavernoso e Pinhão. Apresentam baixa susceptibilidade a erosão. Argissolo Vermelho-Amarelo Distrófico (PVAd) Solos constituídos por material mineral, apresentando horizonte B textural com argila de atividade baixa imediatamente sob horizonte A ou E. A coloração tem matiz 5 YR ou mais vermelho, e mais amarelo que 2,5 YR na maior parte dos primeiros 100 cm do horizonte B. A saturação por bases é baixa (V<50%), na maior parte dos primeiros 100 cm do horizonte B. A maior extensão desses solos encontra-se na região centro-leste da bacia, desde as nascentes do rio Potinga (PR), até o alto do rio Timbó (SC). Outra ocorrência significativa está situada a nordeste, margem direita do rio Iguaçu, na sub-bacia do rio Verde. Apresentam alta susceptibilidade a erosão. Nitossolo Vermelho Eutrófico e Distrófico (NVe e NVd) Solos constituídos por material mineral que apresentam horizonte B nítico, com argila de atividade baixa imediatamente abaixo do horizonte A ou dentro dos primeiros 50 cm do horizonte B. Nos distróficos a saturação por bases é baixa (V<50%) e elevada nos eutróficos. A coloração tem matiz 2,5YR ou mais vermelho na maior parte dos primeiros 100 cm do horizonte B. Estes solos estão concentrados na porção oeste da bacia, em uma grande extensão que se estende desde o sul das cidades de Cascavel (PR) e Medianeira (PR), até a sub-bacia do rio Capanema. Apresentam média susceptibilidade a erosão. Nitossolo Háplico Distrófico (NXd) Solo constituído por material mineral que apresentam horizonte B nítico, com argila de atividade baixa sob o horizonte A ou dentro dos primeiros 50 cm do horizonte B. A VII - 43 saturação por bases é baixa (V<50%), na maior parte dos primeiros 100 cm do horizonte B. Na porção central da bacia formam consideráveis extensões no sentido norte-sul, desde o leste de Guarapuava (PR), até a divisa com Santa Catarina. Apresentam média susceptibilidade a erosão. Cambissolo Humico Tb Distrófico (CHd) Solo constituído por material mineral apresentando o horizonte A húmico sobre B incipiente. A saturação por bases é baixa (V<50%) em grande parte do horizonte B. A maior extensão deste solo encontra-se nas sub-bacias dos rios Jordão, Pinhão e da Areia, na região central da bacia hidrográfica do rio Iguaçu, desde a cidade de Guarapuava (PR) até próximo a Palmas (PR). Apresentam susceptibilidade a erosão muito alta. Cambissolo Háplico Distrófico (CXd) Solo com baixa saturação por bases (V<50%) na maior parte do horizonte B. Ocupam uma grande extensão na porção leste da bacia, envolvendo o alto curso do rio Iguaçu, Rio da Várzea, rio Negrinho e rio Preto, próximo a cidade de Mafra (SC). Apresentam susceptibilidade a erosão muito alta. Neossolo Litólico Eutrófico (RLe) Solo com horizonte A ou O hístico com menos de 40 cm de espessura, assente diretamente sobre a rocha ou sobre um horizonte C ou Cr, ou sobre material com 90% (por volume) ou mais de sua massa constituída por fragmentos de rocha com diâmetro maior que 2 mm (cascalhos, calhaus e matacões) e que apresentam um contato lítico dentro de 50 cm da superfície do solo. A saturação por bases é alta (V>50%) em todos os horizontes dentro de 50 cm da superfície do solo. Ocorrem em extensões significativas nas áreas de relevo mais movimentado, principalmente nas regiões montanhosas, entre as serras de Capanema, do Jacu e do Iratim, na porção oeste; na serra do Espigão (SC), no centro-sul; e nas serras Moema e do Mar, na porção leste da bacia. Apresentam susceptibilidade a erosão muito alta. O mapa de solos da bacia hidrográfica do rio Iguaçu está apresentado no desenho nº UHEBI-MAC-FIS-022. O Quadro 2.12 apresenta as extensões das unidades de mapeamento de solos e suas respectivas proporções em relação à area total da bacia. VII - 44 Quadro 2.12 Unidades de mapeamento de área Grupo Áreas (Km2) % CAMBISSOLO HÚMICO 10.243,09 15,61 CAMBISSOLO HÁPLICO 8.927,49 13,60 LATOSSOLO BRUNO 4.774,71 7,27 LATOSSOLO VERMELHO 9.269,28 14,16 NITOSSOLO VERMELHO 9.403,28 14,32 NITOSSOLO HÁPLICO 3.229,40 4,92 ARGISSOLO VERMELHO-AMARELO 5.920,62 9,02 13.869,88 21,10 65.637,75 100,0 NEOSSOLO LITÓLICO TOTAL Fonte: Embrapa, 1999; cálculos efetivados pela ENGEVIX/2004. 2.3 - Recursos, hídricos qualidade e usos da água 2.3.1 - Sistema estadual de gerenciamento de recursos hídricos A bacia do rio Iguaçu está situada ao longo de toda a região sul do Estado do Paraná, sendo uma bacia contribuinte ao rio Paraná, no município de Foz do Iguaçu. A bacia é composta de inúmeros corpos d’água, e pode-se citar o rio Jordão e o rio da Areia como dois de seus mais importantes, não por seu volume, mas por seus usos para represamento. Na Região Metropolitana de Curitiba, o rio Passaúna, o rio Piraquara e o rio Verde também possuem sua importância vinculada ao represamento. O rio Negro é considerado um de seus afluentes mais importantes, devido à sua proximidade com a represa de Foz do Areia, e as suas constantes cheias. Os principais municípios situados na bacia são pelo lado paranaense: Curitiba e sua região metropolitana, São Mateus do Sul, União da Vitória, Guarapuava, Pato Branco, Francisco Beltrão, Foz do Iguaçu e parte de Cascavel. A bacia do rio Iguaçu é de importância vital para o desenvolvimento do Estado do Paraná. Curitiba, a capital, encontra-se localizada na bacia do alto Iguaçu, e, um importante conjunto de hidrelétricas está instalada nesta bacia. Em função desta importância estratégica, esta bacia foi utilizada para o desenvolvimento dos estudos de implementação do sistema de recursos hídricos do Estado do Paraná (Lei 12.726 de 26 de novembro de 1999), principalmente a região do alto Iguaçu. O sistema estadual de gerenciamento de recursos hídricos é composto pelo Conselho Estadual de Recursos Hídricos – CERH/PR, Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos – SEMA, Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental – Suderhsa, Comitês de Bacia Hidrográficas e Agências de Bacias Hidrográficas. O Sistema tem por objetivos: - Coordenar a gestão integrada das águas; - Arbitrar administrativamente os conflitos relacionados com os recursos hídricos; VII - 45 - Implementar a política estadual de recursos hídricos; - Planejar, regular e controlar o uso, a preservação e a recuperação dos recursos hídricos e dos ecossistemas aquáticos do estado; e - Promover a cobrança pelos direitos de uso de recursos hídricos. Na Figura 2.29 a seguir apresenta-se a estrutura do sistema de gerenciamento de recursos hídricos no Paraná. Figura 2.29 Estrutura do sistema de gerenciamento de recursos hídricos no Paraná A Suderhsa (Superintendência de Desenvolvimento dos Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental) é responsável pela formulação e execução da política estadual de recursos hídricos e pela implementação do Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos. Cabe igualmente à instituição a gestão do Fundo Estadual de Recursos Hídricos e a Secretaria Executiva do Conselho Estadual de Recursos Hídricos. A partir da emissão do Decreto nº 1651/03 a Suderhsa passa também a exercer as funções de agência de água, responsável pela coordenação, elaboração e implementação do Plano Estadual de Recursos Hídricos, dos Planos de Bacias Hidrográficas e pela cobrança da água. A Suderhsa desenvolve as atividades relativas à gestão dos recursos hídricos tanto superficiais quanto subterrâneos do Estado do Paraná. Os comitês de bacias hidrográficas, órgãos regionais de caráter deliberativo e normativo, são o fórum de decisão das ações a serem implementadas na sua área de abrangência. Os comitês, com representação do estado, municípios, sociedade civil e usuários de recursos hídricos, analisam, propõem, debatem e aprovam o plano de bacia hidrográfica e as proposições das agências de bacia hidrográfica, em especial, os valores a serem cobrados pelo uso dos recursos hídricos, o plano de aplicação dos recursos disponíveis, o rateio de custo das obras de uso múltiplo, de interesse comum ou coletivo e o enquadramento dos cursos d'água. Na bacia do rio Iguaçu existem atualmente dois comitês instalados, o do alto Iguaçu, e o do rio Jordão. Existe também a solicitação de instalação do comitê do médio Iguaçu. Na região do baixo Iguaçu, onde se encontra o empreendimento ora em licenciamento, não existe nenhum comitê em processo de instalação. VII - 46 O mapa da hidrografia da bacia do rio Iguaçu é apresentado no desenho nº UHEBI-MACFIS-022. 2.3.2 - Usos da água na bacia do Iguaçu Em função de ter sido a bacia do alto Iguaçu a escolhida para os estudos relativos ao desenvolvimento e implementação do sistema de recursos hídricos do estado do Paraná (Lei 12.726 de 26 de novembro de 1999), esta região teve uma importante quantidade de recursos financeiros, provenientes de empréstimos internacionais (PROSAM/BIRB). Um dos mais importantes estudos foi o cadastro de usuários de recursos hídricos do alto Iguaçu. O objetivo principal deste estudo foi a definição do cadastro das captações de água bruta superficial e subterrânea e dos lançamentos de efluentes nos corpos d’água, na ótica de definir o universo dos usuários de recursos hídricos, e subsidiar a autoridade competente na futura cobrança pelo uso da água. Este cadastro foi elaborado durante mais de um ano com um exaustivo trabalho de cruzamentos de bancos de dados com visitas aos diversos estabelecimentos em campo. O universo considerado neste estudo refere-se às atividades que possuem captação própria em manancial superficial e/ou subterrâneo e/ou descartam suas águas residuárias fora do sistema público coletor de esgotos. As categorias de usuários envolvidas foram indústrias, comércio e serviços (hospitais, hotéis e motéis, restaurantes, postos de combustível, empresas comerciais relevantes), serviços de água e esgoto (captações de água, estações de tratamento - ETEs e RALFs), condomínios e aterros. No quadro 2.13 a seguir apresentam-se os valores aos diversos usuários pesquisados. Quadro 2.13 Distribuição dos usuários de recursos hídricos no alto Iguaçu (água para abastecimento) Vazão captada 3 (m /mês) % Doméstico 18.588.114 89,48 Industrial 1.842.068 8,87 Hospitais 75.513 0,36 Hotéis/Motéis 14.682 0,07 Restaurante 6.102 0,03 Tipo de Usuário Serviços TOTAL Posto de Combustível 11.309 0,05 Comerciais relevantes 25.225 0,12 Condomínios 209.826 1,01 Sub-Total Serviços 342.657 1,65 20.772.839 100 Pode-se observar que a maior parte dos usuários são domésticos. É importante ressaltar que uma indústria ou uma atividade de serviços que utilize a companhia de saneamento para abastecimento é considerada como usuário doméstico no quadro acima. VII - 47 Outra informação relevante, é que foram investigados usuários que possuem outorga e usuários que não possuem outorga. No caso do setor industrial, 90% dos usuários possuem outorga, no caso de abastecimento doméstico, praticamente 100%, e no caso do setor de serviços cerca de 35% possuem outorga. Na bacia do rio Iguaçu como um todo, 97,5% do abastecimento público utiliza manancial superficial e apenas 2,5% utiliza manancial subterrâneo. No caso de atendimento com rede de coleta de esgoto, cerca de 30% da população urbana é atendida com rede de coleta de esgoto, e cerca de 70% não possui esgoto coletado. O processo de outorga é um instrumento de gestão não-estrutural, que visa a racionalização do uso de um determinado recurso e o atendimento de diretrizes de planejamento previamente fixadas. Esta racionalização é obtida através da concessão de “parcelas” deste recurso aos interessados, levando em consideração as disponibilidades existentes, de forma a atender racionalmente todas as demandas. Constitui-se, portanto, em um instrumento pelo qual o poder público, através de um órgão que possua a devida competência legal, confere a possibilidade de uso deste recurso. No Estado do Paraná, a outorga de direito de uso de água é concedida pela Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental – Suderhsa, entidade autárquica estadual, dotada de personalidade jurídica de direito público e vinculada à Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos. A Figura 2.30 apresenta a distribuição percentual das vazões outorgadas por atividade em todo o Estado do Paraná. 0,3% 0,4% 6,1% 4,8% 0,7% Abastecimento Público 0,4% Industrial Irrigação Piscicultura 23,7% Lazer Mineração 63,4% Serviços Outros Figura 2.30 Vazões outorgadas por atividade no Estado do Paraná Observa-se que 63,4% corresponde ao abastecimento público, 23,7% à indústria, 4,8% à irrigação, 6,1% à piscicultura, 0,3% ao lazer, 0,4% à mineração, 0,7% aos serviços, e 0,4% a outros usos. No caso específico da bacia do rio Iguaçu, a distribuição percentual das vazões outorgadas está representada na Figura 2.31. VII - 48 0,04% 0,47% 1,69% 6,11% Abastecimento Público 1,12% Industrial 0,54% Irrigação Piscicultura 21,01% Lazer Mineração 69,03% Serviços Outros Figura 2.31 Distribuição percentual das vazões outorgadas por atividade na bacia do rio Iguaçu Observa-se que 69,3% corresponde ao abastecimento público, 21,01% à indústria, 1,69% à irrigação, 6,11% à piscicultura, 0,47% ao lazer, 0,04% à mineração, 1,12% aos serviços, e 0,54% a outros usos. Pode-se observar que os principais usuários possuem um percentual parecido com os usos totais do estado. 2.3.3 - Qualidade das águas Sabe-se que a qualidade da água de um corpo receptor, como um rio, é resultante tanto da atuação do homem na natureza, através do uso e da ocupação do solo em determinada região, quanto de fenômenos naturais. Isso se deve aos seguintes fatores: − − Condições naturais: mesmo com a bacia hidrográfica preservada nas suas condições naturais, a qualidade das águas superficiais e subterrâneas é afetada pelo escoamento superficial e pela infiltração no solo, resultantes da precipitação atmosférica. O impacto nas mesmas é dependente do contato da água em escoamento ou infiltração com as partículas, substâncias e impurezas no solo. Assim, a incorporação de sólidos em suspensão (ex: partículas de solo) ou dissolvidos (ex: íons oriundos da dissolução de rochas) ocorre, mesmo na condição em que a bacia hidrográfica esteja totalmente preservada em suas condições naturais. Neste caso, tem grande influência a cobertura e a composição do solo. Interferência do homem: a interferência do homem, quer de uma forma concentrada, como na geração de despejos domésticos ou industriais, quer de uma forma dispersa, como na aplicação de defensivos agrícolas ou fertilizantes no solo, contribui na introdução de compostos na água, afetando a sua qualidade. Assim, a forma em que o homem usa e ocupa o solo tem uma implicação direta na qualidade da água. Dessa forma é fundamental o entendimento dos tipos de uso do solo na região de abrangência do projeto, conforme já abordado em item anterior, objetivando uma melhor avaliação da qualidade atual das águas, e também para melhor avaliar a qualidade futura das mesmas. VII - 49 No trecho superior da bacia do rio Iguaçu, temos a região metropolitana de Curitiba, onde se concentra boa parte da população do estado (quase 3.000.000 de habitantes), e da produção industrial. No trecho do chamado médio Iguaçu, temos a predominância de pequenos e médios municípios, com destaque para os municípios de São Mateus do Sul e União da Vitória, e para uma pecuária de pequenos e médios produtores e a exploração florestal. Em seguida temos a região da bacia do rio Jordão, afluente da margem direita, com destaque para o município de Guarapuava. Nesta região temos uma agropecuária de porte mais robusto. O trecho seguinte, onde se tem a transição do médio para o baixo Iguaçu, predomina também uma presença de pequenos municípios com destaque para Laranjeiras do Sul. Pela margem esquerda do Iguaçu tem-se a bacia do rio Chopim. Nesta bacia, em seu trecho superior, os solos são utilizados predominantemente para pastagens e criação de gado. Estas atividades alternam-se com a agricultura pouco extensiva, às vezes mecanizada. À medida que se avança para jusante, em direção aos municípios de Clevelândia, Pato Branco e Itapejara do Oeste, as atividades agrícolas predominam com níveis mais altos de mecanização. Embora em menor escala, a criação de gado também ocorre em direção à foz do Chopim. Do ponto de vista da industrialização, a bacia do Chopim é relativamente industrializada, principalmente em sua margem esquerda. Os municípios de Palmas, Pato Branco, Francisco Beltrão e Dois Vizinhos são os que apresentam a maior carga poluidora potencial industrial. No trecho final do baixo Iguaçu, tem-se um predomínio de pequenos municípios, região esta onde se localiza o empreendimento em estudo. O rio Iguaçu e praticamente todos os seus tributários enquadram-se na classe 2 da resolução Conama 357/05. Neste caso, os usos a que se destinam as águas de classe 2 são: − ao abastecimento doméstico, após tratamento convencional; − à proteção das comunidades aquáticas; − à recreação de contato primário (esqui aquático, natação e mergulho); − à irrigação de hortaliças e plantas frutíferas; − à criação natural e/ou intensiva (aquicultura) de espécies destinadas à alimentação humana. No Quadro 2.14 apresentam-se alguns limites dos parâmetros para a classe 2. Quadro 2.14 Limites de parâmetros para a classe 2. Coliformes Totais NMP/100ml Coliformes Fecais NMP/100ml DBO (mg/l) OD (mg/l) P total (mg/l) Turbidez (UNT) <= 5000 <=1000 <=5 >5 <=0,025 <100 Para a bacia do rio Iguaçu, foram analisados dados coletados pela rede estações da Suderhsa, dispostas ao longo do Iguaçu e em alguns de seus afluentes. As variáveis VII - 50 medidas na maioria delas são: oxigênio dissolvido (OD); demanda bioquímica de oxigênio (DBO); demanda química de oxigênio (DQO); sólidos totais; turbidez; coliformes fecais; Nitrogênio total (Nt); Fósforo total (Pt), e a vazão (Q). Adicionalmente tem-se o Índice da Qualidade da Água (IQA) que é determinado pelo produtório ponderado da qualidade de água atribuído a diferentes parâmetros considerados (OD, DBO, coliformes fecais, temperatura, pH, nitrogênio total, fósforo total, turbidez e sólidos totais), e para isso, foram estabelecidas curvas de variação de qualidade da água de acordo com o estado ou condição de cada parâmetro. A seguinte fórmula é utilizada para o cálculo do IQA: n IQA = ∏ qiwi i =1 onde: IQA = índice de qualidade das águas, um número entre 0 e 100; qi = qualidade do i-ésimo parâmetro, um número entre 0 e 100 obtido em função da concentração ou medida do parâmetro; wi = peso correspondente ao i-ésimo parâmetro, atribuído em função da importância desse parâmetro para a conformação global da qualidade, um número entre 0 e 1. sendo "n" o número de parâmetros que entram no cálculo (n = 8). A qualidade das águas brutas, indicada pelo IQA numa escala de 0 a 100, pode ser classificada para o abastecimento público segundo a gradação abaixo: de 80 a 100: qualidade ótima de 52 a 79: qualidade boa de 37 a 51: qualidade aceitável de 0 a 36: qualidade ruim. As estações analisadas foram as seguintes: No Alto Iguaçu: - AI20 – ETE Sanepar. No rio Iguaçu; - AI25 – Balsa Nova. No rio Iguaçu; - AI13 – Porto Amazonas. No rio Iguaçu. No médio e baixo Iguaçu: - IG03 – São Mateus do Sul. No rio Iguaçu; VII - 51 - IG04 – Divisa. No rio Negro; - IG06 – Fluviópolis. No rio Iguaçu; - IG07 – União da Vitória. No rio Iguaçu; - IG19 – Santa Clara. No rio Jordão; - IG09 – Salto Santiago. No rio Iguaçu; - IG16 – Salto Osório Jusante. No rio Iguaçu; - IG25 – Flor da Serra. No rio Chopim; - IG12 – Salto Caxias. No rio Iguaçu; - IG17 – São Sebastião. No rio Andrada; - IG13 – Ponte Capanema. No rio Capanema; - IG20 – Estrito do Iguaçu. No rio Iguaçu; - IG14 – Porto Lupion. No rio Iguaçu; - IG15 – Parque Nacional do Iguaçu. No rio Iguaçu. No caso das estações do alto Iguaçu, foram escolhidas três estações. A mais a montante, AI20, num dos trechos mais poluídos do rio Iguaçu. Uma segunda estação, AI25, localizase em Balsa Nova após o trecho urbanizado e industrializado da Região Metropolitana de Curitiba (RMC). A terceira estação, a última do alto Iguaçu, localiza-se a cerca de 60 quilômetros de Curitiba, onde o rio já está totalmente fora da área urbana e industrial da RMC. Na Figura a seguir, apresenta-se uma ilustração da posição das estações localizadas no trecho médio e baixo do Iguaçu, cujos dados foram analisados. Foi possível organizá-las de modo a gerar resultados que acompanham o fluxo do rio Iguaçu no sentido montante para jusante. Assim sendo, as estações foram dispostas da seguinte ordem: VII - 52 Figura 2.32 Localização das estações de qualidade das águas no trecho do médio e baixo Iguaçu. a.) Análise dos dados do alto Iguaçu a.1) Oxigênio dissolvido (OD), demanda bioquímica de oxigênio (DBO) A determinação do oxigênio dissolvido é de fundamental importância para avaliar as condições naturais da água e detectar impactos ambientais como eutrofização e poluição orgânica. Do ponto de vista ecológico, o oxigênio dissolvido é uma variável extremamente importante, pois é necessário para a respiração da maioria dos organismos que habitam o meio aquático. Geralmente o oxigênio dissolvido se reduz ou desaparece, quando a água recebe grandes quantidades de substâncias orgânicas biodegradáveis encontradas, por exemplo, no esgoto doméstico, em certos resíduos industriais, no vinhoto, e outros. Os resíduos orgânicos despejados nos corpos d’água são decompostos por microorganismos que se utilizam do oxigênio na respiração. Assim, quanto maior a carga de matéria orgânica, maior o número de microorganismos decompositores e, conseqüentemente, maior o consumo de oxigênio. A morte de peixes em rios poluídos em geral se deve, portanto, à ausência de oxigênio e não necessariamente à presença de substâncias tóxicas. Por isso, uma adequada provisão de oxigênio dissolvido é essencial para a manutenção de processos de auto-depuração em sistemas aquáticos naturais e estações de tratamento de esgotos. Através de medição do teor de oxigênio dissolvido, os efeitos de resíduos oxidáveis sobre águas receptoras e a eficiência do tratamento dos esgotos, durante a oxidação bioquímica, podem ser avaliados. Ao contrário do ar, a água possui menos oxigênio, porque o gás não é muito solúvel. Um rio considerado limpo, em condições normais, apresenta normalmente, de 8 a 10 miligramas de oxigênio dissolvido por litro. Essa quantidade pode variar em função da VII - 53 temperatura e pressão. Aumenta em temperaturas mais baixas, ou quando a pressão é mais alta e vice-versa. Em águas paradas ou lentas a oxigenação também é lenta. A DBO de uma água é a quantidade de oxigênio necessária para oxidar a matéria orgânica biodegradável por decomposição microbiana aeróbia para uma forma inorgânica estável, isto é, avalia a quantidade de oxigênio dissolvido, em miligramas por litro, que será consumida pelos organismos aeróbios ao degradarem a matéria orgânica. A DBO é normalmente considerada como a quantidade de oxigênio consumido durante um determinado período de tempo, numa temperatura de incubação específica. Um período de tempo de 5 dias numa temperatura de incubação de 20°C é freqüentemente usado e referido como DBO 5,20. Os maiores aumentos em termos de DBO, num corpo d'água, são provocados por despejos de origem predominantemente orgânica. A presença de um alto teor de matéria orgânica pode induzir à completa extinção do oxigênio na água, provocando o desaparecimento de peixes e outras formas de vida aquática. Um elevado valor da DBO pode indicar um incremento da micro-flora presente e interferir no equilíbrio da vida aquática, além de produzir sabores e odores desagradáveis, e ainda, pode obstruir os filtros de areia utilizados nas estações de tratamento de água. Pelo fato da DBO somente medir a quantidade de oxigênio consumido num teste padronizado, não indica a presença de matéria não biodegradável, nem leva em consideração o efeito tóxico ou inibidor de materiais sobre a atividade microbiana. Foram analisadas as concentrações médias do oxigênio dissolvido e da demanda bioquímica de oxigênio para o trecho do alto Iguaçu em questão. Na Figura 2.33 pode-se observar que os valores de OD são muito baixos nos trechos mais poluídos do rio, com uma média de 1,16 mg/l, atingindo muitas vezes o valor zero. Este fato mostra que o rio é um esgoto a céu aberto. Em Balsa Nova, o valor já salta para 3,28 mg/l, considerado ainda muito baixo, mas já mostrando uma certa recuperação em relação aos valores críticos dos trecho de pior qualidade. Estes valores mostram que no caso do OD o rio se encontra fora de classe. Em Porto Amazonas, na estação AI13, o valor médio dá um salto para 8,11 mg/l (dentro da classe), mostrando a capacidade do rio de se auto-depurar. Na Figura 2.34, os valores de DBO são de 43,8 mg/l para a estação AI20, onde o rio encontra-se totalmente comprometido. Na estação AI25 o valor já cai para 9 mg/l, mas ainda fora de classe. Na estação AI13, o valor médio cai para 5 mg/l, que é o limite da classe 2. VII - 54 9,00 8,11 8,00 7,00 OD (mg/L) 6,00 5,00 4,00 3,28 3,00 2,00 1,16 1,00 0,00 AI20 - ETE Sanepar AI25 - Balsa Nova AI13 - Porto Amazonas Figura 2.33 Oxigênio dissolvido médio nas estações do alto Iguaçu 50,0 45,0 43,8 40,0 35,0 DBO (mg/L) 30,0 25,0 20,0 15,0 9,0 10,0 5,0 5,0 0,0 AI20 - ETE Sanepar AI25 - Balsa Nova AI13 - Porto Amazonas Figura 2.34 Demanda bioquímica de oxigênio média nas estações do alto Iguaçu. a.2) Nitrogênio total e fósforo total O nitrogênio total (amônia, nitrato, nitrito e nitrogênio orgânico), é constituinte essencial da proteína em todos os organismos vivos e está presente em muitos depósitos minerais na VII - 55 forma de nitrato. O nitrogênio na matéria orgânica sofre trocas do complexo protéico de aminoácidos para amônia, nitrito e nitrato. O nitrogênio-nitrato é a principal forma de nitrogênio encontrada nas águas. Concentrações de nitratos superiores a 5mg/l demonstram condições sanitárias inadequadas, pois a principal fonte de nitrogênio nitrato são dejetos humanos e animais. Os nitratos estimulam o desenvolvimento de plantas, sendo que organismos aquáticos, como algas, florescem na presença destes e, quando em elevadas concentrações em lagos e represas, pode conduzir a um crescimento exagerado, processo denominado de eutrofização. O nitrogênio-nitrito é uma forma química do nitrogênio normalmente encontrada em quantidades diminutas nas águas superficiais, pois o nitrito é instável na presença do oxigênio, ocorrendo como uma forma intermediária. O íon nitrito pode ser utilizado pelas plantas como uma fonte de nitrogênio. A presença de nitritos em água indica processos biológicos ativos influenciados por poluição orgânica, indicando uma poluição “nova”. O nitrogênio amoniacal (amônia) é uma substância tóxica não persistente e não cumulativa e, sua concentração, que normalmente é baixa, não causa nenhum dano fisiológico aos seres humanos e animais. Grandes quantidades de amônia podem causar sufocamento de peixes. A concentração total de nitrogênio é altamente importante considerando-se os aspectos tópicos do corpo d'água. Em grandes quantidades o nitrogênio contribui como causa da metemoglobinemia infantil (síndrome do bebê azul). O fósforo é originado naturalmente da dissolução de compostos do solo e da decomposição da matéria orgânica. A origem antropogênica é oriunda dos despejos domésticos e industriais, detergentes, excrementos de animais e fertilizantes. A presença de fósforo nos corpos d´água desencadeia o desenvolvimento de algas ou outras plantas aquáticas desagradáveis, principalmente em reservatórios ou águas paradas, podendo conduzir ao processo de eutrofização. Sua presença limita, em grande parte das vezes, o crescimento desses seres. Foram analisados os valores médios para as estações estudadas, apresentados nas Figuras 2.35 e 2.36. No caso do nitrogênio total o valor para a estação AI20 foi de 10,6 mg/l caindo para 3,82 mg/l na estação AI25 e 2,64 mg/l na estação AI13 em Porto Amazonas. No caso do fósforo total o valor para a estação AI20 foi de 1,18 mg/l caindo para 0,43 mg/l na estação AI25 e 0,158 mg/l na estação AI13 em Porto Amazonas. Embora os valores decresçam rio abaixo, todos se encontram fora de classe. VII - 56 12,0 10,6 10,0 Nitrogênio Total (mg/L) 8,0 6,0 3,8 4,0 2,6 2,0 0,0 AI20 - ETE Sanepar AI25 - Balsa Nova AI13 - Porto Amazonas Figura 2.35 Nitrogênio total nas estações do alto Iguaçu. 1,40 1,18 1,20 FósforoTotal (mg/L) 1,00 0,80 0,60 0,43 0,40 0,20 0,16 0,00 AI20 - ETE Sanepar AI25 - Balsa Nova AI13 - Porto Amazonas Figura 2.36 Fósforo total nas estações do alto Iguaçu. a.3) Coliformes fecais As bactérias do grupo coliforme são consideradas os principais indicadores de contaminação fecal. O grupo coliforme é formado por um número de bactérias que inclui os gêneros Klebsiella, Escherichia, Serratia, Erwenia e Enterobactéria. Todas as bactérias coliformes são gran-negativas manchadas, de hastes não esporuladas que estão VII - 57 associadas com as fezes de animais de sangue quente e com o solo. O uso da bactéria coliforme fecal para indicar poluição sanitária mostra-se mais significativo que o uso da bactéria coliforme "total", porque as bactérias fecais estão restritas ao trato intestinal de animais de sangue quente. As principais razões para a utilização deste indicador se deve ao fato de que os coliformes apresentam-se em grande quantidade nas fezes humanas, pois cada indivíduo elimina em média 100 bilhões de células por dia, e 1/3 a 1/5 do peso seco das fezes é constituída por bactérias. Devido ao alto teor de coliformes fecais, o corpo hídrico pode apresentar os seguintes problemas: presença de outros organismos, como bactérias e vírus; aumento da probabilidade de ocorrência de doenças veiculadas pela água, tais como cólera, febre tifóide, hepatite, disfunções estomacais, diarréia, entre outras; além disso o rio pode apresentar odor. No caso dos coliformes fecais, os valores são muito elevados para a estação AI20, estando os valores 100% do tempo fora de classe. Na estação AI25, as análises mostram que em 86% do tempo o rio está fora de classe, e na estação AI13 tem-se 52% dos valores fora de classe. Neste caso também se observa uma recuperação rio abaixo. Pode-se entretanto concluir que no caso de coliformes, a qualidade das águas no trecho da bacia do alto Iguaçu, já se encontra bastante comprometida. Certamente isso é reflexo do baixo índice de atendimento com coleta e tratamento de esgoto na bacia em estudo, e também dos currais e pocilgas presentes nas propriedades rurais da bacia. Estudos têm demonstrado que muitas vezes a ocorrência de chuvas incrementam as concentrações de coliformes, em função do carreamento que ocorre para os rios dos esgotos presentes nas valas negras, nos currais, pocilgas, e até mesmo nos pastos e nas ruas das cidades. a.2) Índice da Qualidade da Água – IQA Para o IQA, têm-se os valores médios de 26 para a estação AI20, indicando qualidade da água ruim; 46 para a estação AI25, indicando qualidade da água aceitável; e 64 para a estação AI13,indicando qualidade da água boa. b) Análise dos dados do médio e baixo Iguaçu b.1) Oxigênio Dissolvido (OD), Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) e Demanda Química de Oxigênio (DQO) Demanda Química de Oxigênio (DQO) é a quantidade de oxigênio necessária para oxidação da matéria orgânica através de um agente químico. Os valores da DQO normalmente são maiores que os da DBO, sendo o teste realizado num prazo menor e em primeiro lugar, servindo os resultados de orientação para o teste da DBO. O aumento da concentração de DQO num corpo d'água se deve principalmente a despejos de origem industrial. A Figura 2.37 para o oxigênio dissolvido, mostra que há um aumento deste índice ao longo do rio Iguaçu, e que em nenhuma das estações ele chega a ficar inferior ao limite da classe, que é de 5 mg/l. Também se pode observar que o OD é levemente crescente rio abaixo, indicando uma lenta recuperação. Analisando a demanda química de oxigênio, inicialmente tem-se um decréscimo deste índice rio abaixo, entretanto observa-se que o menor valor de DQO está na estação de VII - 58 Salto Osório jusante. O valor é incrementado devido a contribuição do rio Chopim, e mantém-se num patamar estável com a entrada do rio Capanema e Andrada, voltando a cair levemente em direção ao Parque Nacional. O gráfico da DBO tem um comportamento suave, variando pouco ao longo da bacia hidrográfica, mas assim como a DQO, os valores registrados no trecho superior do Iguaçu são maiores que o do baixo Iguaçu, sempre, entretanto, oscilando bem abaixo do limite da classe. 12,00 9,62 10,00 8,65 OD (mg/L) 8,00 7,84 7,46 7,18 8,54 8,21 8,67 9,03 8,79 8,55 8,92 8,81 7,32 6,00 4,00 2,00 -D -F lu vi óp ol is -U ni ão da Vi tó IG ria 19 -S an ta IG C la 09 ra -S a IG lto 16 Sa -S nt ia al go to O só rio Ju sa IG nt 25 e -F lo rd a Se IG rr 12 a -S al to C IG ax 17 ia s -S ão S eb IG 13 as tiã -P o on te C ap IG an 20 em -E a st rit o do Ig ua IG çu IG 14 15 Po -P rto ar qu Lu e pi N on ac io na ld o Ig ua çu IG 06 IG 04 IG 07 IG 03 -S ão M at eu s do Su l iv is a 0,00 ESTAÇÃO Figura 2.37 Oxigênio dissolvido nas estações da bacia do médio e baixo Iguaçu VII - 59 16,0 DBO 14,0 12,0 DBO : DQO (mg/L) DQO 13,7 11,4 10,0 8,7 8,5 8,0 6,8 6,6 6,0 6,0 4,5 5,8 6,0 5,1 4,8 4,5 4,0 2,2 2,1 1,9 2,0 1,7 1,72,0 1,8 1,5 1,7 1,6 1,5 1,8 1,5 1,6 1,4 tiã o C ap IG an 20 em -E a st rit o do Ig ua IG IG 14 çu 15 -P -P or ar to qu Lu e N pi ac on io na ld o Ig ua çu on te Se ba s -P IG 13 -S ão 17 IG IG 12 -S al to C ax ia s S er ra a -F lo rd Ju sa nt e IG 25 O só r io Sa nt ia go -S al to C la ra -S al to 09 IG 16 Vi tó ria -S an ta IG 07 IG 19 lis -U ni ão da lu vi óp o -F -D IG 04 IG 06 IG IG 03 -S ão M at eu s do Su l iv is a 0,0 ESTAÇÃO Figura 2.38 DBO e DQO nas estações da bacia do médio e baixo Iguaçu - Sólidos totais e turbidez Os sólidos totais são medidos pela massa total dos sólidos em suspensão grosseira, coloidal e dissolvidos presente na amostra. A turbidez é um parâmetro que é afetado pelas frações de matéria orgânica ou inorgânica com dimensões inferiores a 0,65 µm que estão em suspensão na água provocam a absorção e a difusão da luz. O fenômeno está diretamente relacionado com o aporte de material sólido para a água, principalmente pela erosão hídrica, interferindo diretamente na qualidade da água. A turbidez causada pelo excesso de argila ou matéria orgânica nas águas dos rios promove os seguintes efeitos: decréscimo na fotossíntese; formação de agregados (complexos) com material tóxico e metais pesados (caso estes estejam presentes) e aumento da temperatura da água. Com o efeito da elevada turbidez ocorre um declínio da diversidade de organismos aquáticos em virtude da menor penetração de luz no rio, causando um decréscimo na fotossíntese líquida (principalmente das algas). Os organismos bentônicos podem ser destruídos, pois diminui o oxigênio dissolvido, principalmente com o aumento da temperatura. Logo, a turbidez pode influenciar nas comunidades biológicas aquáticas. Além disso, afeta adversamente os usos doméstico, industrial e recreacional das águas. Em rios que drenam áreas de solos predominantemente argilosos, os estudos têm demonstrado existir uma importante correlação entre a turbidez da água e a concentração de sólidos totais em suspensão, o que é o caso da bacia em análise. VII - 60 Como há a correlação mencionada anteriormente, o comportamento destes índices, ao longo do rio, são muito similares. Pode-se inicialmente observar um decréscimo dos parâmetros. Entretanto há um crescimento da entrada do rio Chopim, inclusive dos afluentes Capanema e Andrada. Este fato deve estar associado à crescente mecanização agrícola rio abaixo. Deve-se, entretanto, estar atento ao fato de que os valores estão bem abaixo do limite da classe. 140 Turbidez Sólidos Totais 120 115 108 106 98 Sól. Tot (mg/L) : Turb (NTU) 100 87 84 81 80 67 66 83 71 62 59 60 42 40 29 27 22 21 23 18 16 20 12 8 7 17 12 13 11 Ig ua çu IG 15 -P ar qu e N ac -P io na l or to do Lu pi on Ig ua çu do st rit o -E IG 20 IG 14 ap an em a iã o IG 13 -P on te C as Se ba st ax i C -S ão to IG 17 IG 12 -S al lo r da S er ra Ju sa nt e -F O to -S al IG 25 só rio Sa nt ia go C la ra IG 09 -S al to IG 16 ria da -S an ta IG 19 Vi tó is -U ni ã o a -D iv is IG 06 IG 04 -F lu vi óp ol IG 07 IG 03 -S ão M at eu s do Su l 0 ESTAÇÃO Figura 2.39 Sólidos totais e turbidez nas estações da bacia do médio e baixo Iguaçu b.3) Nitrogênio total e fósforo total Os valores para os parâmetros fósforo total e nitrogênio total também decrescem do trecho superior até a região da estação de Salto Santiago. A partir de Salto Osório, da mesma forma que ocorreu com a turbidez e com os sólidos totais, houve um crescimento nas concentrações de nutrientes, se estabilizando num patamar mais elevado. Este fato tem alta probabilidade de estar associado a um incremento na agropecuária. Os valores para fósforo total quase sempre estão fora de classe. Deve-se ressaltar ser esta situação bastante comum nas águas de todos os rios brasileiros, isto é, considerando-se o parâmetro fósforo total, na maior parte das vezes os corpos d’água encontram-se fora de classe, mesmo que para quase todos os outros parâmetros estejam enquadrados. Também se deve ressaltar que tal fato pode estar relacionado ao limite muito rigoroso de fósforo total adotado na legislação brasileira, limite este “importado” da legislação de países temperados, e aplicado indiscriminadamente para águas correntes a lagos. Atualmente a Resolução Conama 357/2005 vem passando por um processo de revisão. Há um consenso atualmente entre os especialistas, que seja feita uma revisão dos limites presentes na resolução levando-se em conta o fato dos VII - 61 ambientes aquáticos tropicais apresentarem uma capacidade assimiladora de fósforo bastante superior àquela encontrada em climas temperados. 1,40 1,33 Nitrog. Total Fosf. Total Fósforo Total (mg/L); Nitrogênio Total (mg/L) 1,20 1,00 1,00 0,93 0,88 0,80 0,80 0,75 0,73 0,60 0,49 0,65 0,65 0,62 0,59 0,48 0,44 0,40 0,20 0,119 0,076 0,071 0,055 0,052 0,022 0,058 0,021 0,057 0,050 0,047 0,052 0,031 0,030 çu ld na Na ci o ar qu e IG 14 -P or do to o Ig Lu pi ua on çu ua Ig an -E st rit o IG 20 C te -P on IG 13 -S 17 IG ap ba ão al to Se C a -S 12 em a o st iã ax ia s rra Se te rd lo -F 25 IG -S IG 15 -P IG 16 IG O al to 09 IG Ju sa n go Sa al to -S só rio nt ia C la ta an -S 19 IG -U 07 IG ra tó ria Vi da ni ão -F IG 06 IG 04 lu -D vió p ol iv is a Su l do s eu M at IG 03 -S ão is 0,00 ESTAÇÃO Figura 2.40 Fósforo e nitrogênio total nas estações da bacia do rio Iguaçu a.4) Índice da Qualidade da Água Para o IQA, tem-se os valores médios oscilando entre 70 e 80, indicando qualidade da água boa. c) Coliformes fecais No caso de coliformes fecais, apresenta-se na Figura a seguir a porcentagem do tempo em que o rio ficou fora de classe nas campanhas. Observa-se que no início a qualidade melhora, com o rio ficando cada vez mais tempo nas classes. Entretanto, quando o rio corta cidades como União da Vitória, volta a aumentar a porcentagem do tempo em que o rio fica fora de classe. No caso do rio Jordão este drena os efluentes de Guarapuava. Tem-se em seguida a entrada de afluentes importantes que drenam regiões onde os municípios não tratam os esgotos, como o caso dos rios Chopim, Andrada e Capanema. IG 15 -P ar qu e ld o 31,40 34,60 çu io n IG 15 -P ar qu e N ac io ld o to do or na -P -E st rit o IG 14 IG 20 Ig o 80 çu on 75 ua pi çu em a ua Lu Ig an st iã 82 Ig ua Lu p u 15,00 on a -P or to Ig ua ç ba ap Se rra xi as Se Ca a te go 74 N ac i do 29,00 14 rd C ão te -S nt ia Ju sa n al to lo -S -P on 17 12 -F só rio Sa ar a 78 IG a IG 13 IG IG 25 O al to Cl 71 -E st rit o tiã o em Se ba s C ap an ão 35,00 IG 20 -S C ax ia s Se rra IG al to -S an ta is ria ol Vi tó vió p da lu 76 -P on te 17 al to 20,00 IG 13 -S an te -S 09 -S ni ão -F iv isa Su l 77 IG 12 Ju s 0,00 -F lo rd a IG 16 IG -U IG 19 07 -D do 84 IG 25 só rio tia go ra 0,00 IG O C la S an -S an ta -S al to -S al to 09 ria 45,00 IG V itó 10,00 da vi óp ol is IG IG 06 04 s 69 19 ão -F lu Su l -D iv is a do IG eu 73 IG -U ni 06 s 15,00 07 at eu IG 04 M 30,00 IG -S ão M at 74 IG 03 % do tempo fora de classe para Coliformes Fecais -S ão IQA 80 IG 16 IG IG 03 VII - 62 100 76 79 60 40 20 0 ESTAÇÃO Figura 2.41 Índice da qualidade da água nas estações da bacia do médio e baixo Iguaçu 40,00 42,50 29,00 33,00 25,00 25,60 20,00 15,30 17,90 8,80 5,00 0,00 Figura 2.42 Porcentagem do tempo em que o rio fica fora de classe para coliformes fecais VII - 63 2.3.4 - Qualidade da água nos reservatórios A seguir apresentam-se algumas informações referentes à qualidade das águas dos reservatórios do rio Iguaçu. Estes dados fazem parte do monitoramento regular que o Instituto Tecnológico Lactec realiza nestes corpos d´água. Deve-se ressaltar que os valores dos parâmetros encontram-se sempre dentro da faixa apresentada nas estações da Suderhsa. a) Reservatório da usina hidrelétrica de Salto Caxias Quadro 2.15 Localidade das estações na UHE de Salto Caxias Distância à Local Barragem (km) Rio Iguaçu – jusante a barragem 1,5 Reservatório de Salto Caxias – barragem 1,5 Braço do Reservatório (Rio Tormenta) 30 Braço do Reservatório (Rio Adelaide) 36 Braço do Reservatório (Rio Jaracatiá) 54 Rio Iguaçu – jusante de Salto Osório 92 DBO 10,0 DBO (mg/L) 8,0 6,0 4,0 2,0 N TE AT I AC M O N TA Á E R JA EL A ID TA AD TO RM EN R R BA JU SA NT E AG EM 0,0 ESTAÇÕES Variação Média Figura 2.43 DBO na UHE de Salto Caxias VII - 64 A A TI M O NT RA C JA A D N TE Á E ID EL A EN TA AG E BA R R SA JU TO RM M 12,0 10,0 8,0 6,0 4,0 2,0 0,0 NT E OD (mg/L) OXIGÊNIO DISSOLVIDO ESTAÇÕES Variação Média AT I O NT A M R AC NT E Á E JA EL A ID TA EN AD RR BA SA JU TO RM A G EM 150,0 125,0 100,0 75,0 50,0 25,0 0,0 NT E ODsat (%) % OD saturado ESTAÇÕES Variação Média Figura 2.44 Oxigênio dissolvido e saturado na água da UHE de Salto Caxias VII - 65 FÓSFORO TOTAL P (mg P/L) 0,05 0,04 0,03 0,02 0,01 O NT A AT I R AC EL A M JA AD NT E Á E ID TA EN TO RM RR BA JU SA NT E A G EM 0,00 ESTAÇÕES Variação Média NITROGÊNIO TOTAL N (mg N/L) 2,50 2,00 1,50 1,00 0,50 M RA C O NT A AT I NT E Á E JA AD EL A ID TA EN TO RM R R BA JU SA NT E A G EM 0,00 ESTAÇÕES Variação Média Figura 2.45 Fósforo e nitrogênio na água da UHE de Salto Caxias b) Reservatório do rio Chopim. Quadro 2.16 Localidade das estações no reservatório do rio Chopim Local Rio Chopin – montante a barragem Distância à Barragem (km) 3 Reservatório do rio Chopin – barragem 0,5 Rio Chopin – jusante a barragem 0,5 VII - 66 Oxigênio Dissolvido e DBO 10 90 8 85 7 6 80 5 4 75 ODsat (%) OD(mg/L) : DBO(mg/L) 9 OD DBO % ODsat 3 2 70 1 0 65 JUSA BARR MONT JUSA BARR MONT JUSA BARR MONT jul/99 jul/99 jul/99 jul/01 jul/01 jul/01 mar/03 mar/03 mar/03 Figura 2.46 Oxigênio dissolvido e saturado, e DBO da água no reservatório do rio Chopim 15 0,5 12 0,4 9 0,3 6 0,2 3 0,1 0 P total (mg/L) N total (mg/L) Fósforo e Nitrogênio Nitrogênio Fósforo 0 JUSA BARR MONT JUSA BARR MONT JUSA BARR MONT jul/99 jul/99 jul/99 jul/01 jul/01 jul/01 mar/03 mar/03 mar/03 Figura 2.47 Oxigênio dissolvido e saturado, e DBO da água no reservatório do rio Chopim VII - 67 Sólidos Totais e Turbidez Sol Tot (mg/L) : Turb (NTU) 70 60 50 40 Sól. Totais 30 Turbidez 20 10 0 JUSA jul/99 BARR MONT JUSA jul/99 jul/99 jul/01 BARR MONT JUSA BARR MONT jul/01 jul/01 mar/03 mar/03 mar/03 Figura 2.48 Sólidos totais e turbidez na água do reservatório do rio Chopim c) Reservatório da Usina Hidrelétrica Segredo. Quadro 2.17 Localidade das estações na UHE Segredo Local Rio Iguaçu - montante do reservatório - atracadouro Reservatório de derivação do Jordão Reservatório Segredo - proximidades da barragem Rio Iguaçu - jusante da usina OD(mg/L) : DBO(mg/L) 8 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 7 6 5 4 3 2 1 0 JUSA BARR JORD % ODsat Oxigênio Dissolvido e DBO OD DBO ODsat MONT Figura 2.49 Oxigênio dissolvido e saturado, e DBO da água da UHE Segredo VII - 68 0,8 0,035 0,7 0,03 0,6 0,025 0,5 0,02 0,4 0,015 0,3 0,2 0,01 0,1 0,005 0 P total (mg/L) N total (mg/L) Fósforo e Nitrogênio Fosforo Nitrogênio 0 JUSA BARR JORD MONT Figura 2.50 Fósforo e nitrogênio na água da UHE segredo Sól Tot (mg/L) : Turb (NTU) Sólidos Totais e Turbidez 60 50 40 Sól. Totais 30 Turbidez 20 10 0 JUSA BARR JORD MONT Figura 2.51 Sólidos totais e turbidez na água da UHE Segredo 2.3.5 - Hidrogeologia A bacia do rio Iguaçu tem suas cabeceiras na Região Metropolitana de Curitiba-(RMC) e se estende por cerca de 1100 km abrangendo uma área total de 69373 km2 até a sua foz no rio Paraná. Do ponto de vista hidrogeológico recebe influência de quase todas as onze unidades hidrogeológicas ocorrentes no estado do Paraná. As unidades que não influenciam na descarga de base do rio Iguaçu são a Costeira e a Caiuá. Dentre as demais, podemos considerar como as mais importantes a unidade PréCambriana Superior (Aqüífero Karst) e a do sistema aqüífero Guarani-SAG que contempla os aqüíferos Botucatu e Serra Geral. VII - 69 Deste modo de montante para a jusante a hidrogeologia da bacia do rio Iguaçu pode ser subdividida nos seguintes compartimentos: alto, médio e baixo Iguaçu, obedecidos os seguintes limites: Alto Iguaçu – Compreende o trecho entre as nascentes do rio Iguaçu, representada pelos seus principais formadores – rio Verde, Passaúna, Barigui, Belém, Atuba, Palmital e Iraí até a foz do rio dos Papagaios, no limite dos municípios de Balsa Nova e Porto Amazonas. Médio Iguaçu – Compreende o trecho entre a foz do rio dos Papagaios e a foz do rio Jordão. Baixo Iguaçu – Compreende o trecho entre a foz do rio Jordão e a foz do Iguaçu, em cuja área de abrangência encontra-se a área de influência indireta e direta do empreendimento. O mapa das unidades hidrogeológicas da bacia do rio Iguaçu é apresentado no desenho nº UHEBI-MAC-FIS-022. a) Compartimento do alto Iguaçu O compartimento do alto Iguaçu compreende as unidades hidrogeológicas Pré-Cambriana Inferior, Pré-Cambriana Superior, Paleozóica Inferior e Guabirotuba. a.1) Unidade Pré-Cambriana Inferior Esta unidade compreende as rochas gnáissico-migmatíticas do Embasamento Cristalino, nas quais o armazenamento de água subterrânea está condicionado ao maior ou menor desenvolvimento das fraturas ou sistemas de fraturas que afetaram essas rochas. Levantamentos de campo e estudos fotogeológicos revelam que os sistemas de fraturas dominantes na área da região metropolitana de Curitiba (RMC) estão dispostos nas direções preferenciais N30º-50ºW, N40º-60ºE e N-S. O aqüífero cristalino fraturado, encontra-se coberto por um manto de intemperismo de espessura variável - em geral entre 5 e 20 m - que lhe confere, localmente, características confinantes ou semi-confinantes, favorecendo por outro lado condições para uma recarga contínua do sistema através da drenagem vertical descendente. Apesar dessas condições, o aqüífero cristalino, por sua própria natureza, não oferece condições de armazenamento de volumes consideráveis de água subterrânea, muito embora, em situações especiais - com zonas de fraturas desenvolvidas e abertas - seja possível obter-se poços com vazões excepcionais da ordem de 100 m3/h. Observa-se que, em cerca de 70% dos poços perfurados no cristalino na RMC, as entradas de água se localizam entre 50 e 200 m de profundidade e que em somente 10% estão compreendidas entre 200 e 300 m. No universo de cerca de 700 poços cadastrados no banco de dados hidrogeológicos da Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental - VII - 70 Suderhsa, estes apresentam profundidade média de 124 metros, vazão média de 8 m3/hora. Informações recentes de poços com mais de 300 metros, demonstram um aumento da probabilidade de obtenção de água subterrânea nestas condições. Por outro lado 58% dos poços apresentam vazões compreendidas entre 2 - 10 m3/h e que 18% têm vazões menores do que 2 m3/h. Além disso, verifica-se ainda, que as vazões específicas dos poços do aqüífero cristalino fraturado, apresentam valores variáveis desde 0,14 m3/h/m até 32 m3/h/m, o que revela a grande heterogeneidade do sistema. Os maiores valores das vazões específicas estão relacionados com fraturamentos que estão interconectados com o aqüífero Karst (unidade Pré-Cambriana Superior), apresentando nítidos reflexos nas características físico-químicas das águas. Admite-se para a área aproximada da ocorrência 7.540 km2, um potencial hidrogeológico de 5,6 l/s/km2. De acordo com a distribuição iônica média, as águas subterrâneas do aqüífero Cristalino podem ser classificadas como bicarbonatadas cálcicas, apresentando 140 mg/l (ppm) de conteúdo médio de sólidos totais dissolvidos. a.2) Unidade Pré-Cambriana Superior Composta pelas rochas Metamórficas do grupo Açungui (Filitos, Quartzitos e Mármores Calcíticos e Dolomíticos), com especial destaque para a formação Capiru onde ocorrem os mármores (Aqüífero Karst). Associados, ocorrem os diabásios da formação Serra Geral, rochas de idade jurássico-cretácica que seccionam todas as seqüências inferiores, mais antigas. O caráter diferenciador é a capacidade de dissolução apresentada pelos mármores existentes no compartimento das rochas Metamórficas, uma vez serem os mesmos constituídos essencialmente de carbonatos de cálcio e magnésio. Os processos de dissolução ampliam extraordinariamente o volume de vazios, originalmente apresentado pelos fraturamentos existentes nos mármores, incrementando concomitantemente a capacidade de armazenamento subterrâneo. Desta forma, a alimentação da descarga de base da drenagem de superfície, bem como o potencial do aqüífero nesta unidade, apresenta valores significativamente superiores dos verificados na drenagem da unidade do embasamento Cristalino, justificando assim o seu grande potencial quanto à disponibilidade de recursos hídricos subterrâneos. Os poços perfurados nas rochas metamórficas, especialmente no aqüífero Karst, podem obter vazões da ordem de até 1.000 m3/hora, dependendo do diâmetro e das interferências geotécnicas do seu entorno. Os valores da descarga de base por área de bacia (Q10-7)/km2, na unidade do complexo Pré-Cambriana Inferior giram em torno de 4 l/s/km2, enquanto que para a unidade PréCambriana Superior são verificados freqüentemente descargas com valores acima de 10 l/s/km2. VII - 71 Atualmente são explorados em torno de 1,0 m3/s do aqüífero Karst, abastecendo os municípios de Almirante Tamandaré, Bocaiúva do Sul, Campo Largo, Campo Magro, Colombo, Itaperuçu e Rio Branco do Sul. Admite-se para a área total aproximada da ocorrência - 5.740 km2, um potencial hidrogeológico de 8,9 l/s/km2. De acordo com o banco de dados hidrogeológicos da Suderhsa, existem cerca de 115 poços perfurados na área de ocorrência do aqüífero Karst, apresentando vazão média superior a 70 m3/hora e profundidade média de 55 m. O aqüífero, quando submetido a condições de super exploração pode determinar condições de instabilidade geotécnica locais, em decorrência dos rebaixamentos acentuados dos níveis dinâmicos e/ou remoção do material de preenchimento de dolinas. Do ponto de vista físico-químico as águas típicas provenientes do aqüífero Karst, no Estado do Paraná podem ser classificadas como bicarbonatadas calco-magnesianas, com amplo predomínio do cálcio e do magnésio sobre o sódio e com ph em torno da neutralidade até algo alcalino. No que se refere ao conteúdo de sólidos totais dissolvidos (STD), apresentam valores entre 100 e 350 ppm, com um valor médio de 180 ppm. a.3) Unidade Guabirotuba Constituída por uma seqüência de sedimentos discordantemente sobre o embasamento Cristalino. quaternários que repousam Os sedimentos da bacia de Curitiba, excetuando-se os depósitos aluvionares recentes, constituem a formação Guabirotuba. Tratam-se predominantemente de sedimentos pelíticos, situados em sua maior parte na seqüência de topo, ocorrendo localmente lentes de areias arcoseanas, geralmente na sua porção basal. A área de abrangência da formação Guabirotuba é de 900 km2, em sua maior parte na cidade de Curitiba, estendendo-se também para os demais municípios da RMC. As espessuras máximas dos depósitos são da ordem de 60 a 80 m na porção central da bacia de Curitiba. A área onde é mais notável a ocorrência de areias arcoseanas está localizada na região nordeste da cidade de Curitiba, nas proximidades do parque de exposição Castelo Branco, no município de Pinhais - PR, na sub-bacia do rio Iraí. Trata-se de um aqüífero do tipo primário, cujo armazenamento e fluxo da água estão associados à porosidade natural das lentes de areias arcoseanas. Do ponto de vista hidráulico, pode apresentar caráter livre, semi-confinado a confinado. A produtividade média por poço é de 2 l/s ou 7,2 m3/h. A água do aqüífero Guabirotuba pode ser classificada como do tipo bicarbonatada calcosódica, sendo tanto maior o grau de mineralização, quanto maior o grau de confinamento VII - 72 das areias arcoseanas pela cobertura argilosa. Os teores de STD (sólidos totais dissolvidos) variam de um máximo de 180 mg/l a um mínimo de 40 mg/l, apresentando como valor médio 60 mg/l. Observam-se, localmente, teores anômalos de Fe e Mn, de 05, a 5 mg/l, respectivamente. Estes teores, supõe-se, estão associados às argilas orgânicas que ocorrem intercaladas aos níveis de areias arcoseanas. No que se refere a qualidade em relação ao uso, as águas raramente apresentam restrições para fins industriais e, via de regra, não necessitam de tratamentos para abastecimento doméstico. O grau de vulnerabilidade do aqüífero quanto à contaminação orgânica é baixo em razão de estar, na maior parte de sua extensão, capeado por cobertura argilosa, o que permite a ação dos processos de depuração dos eventuais efluentes lançados na superfície do terreno. a.4) Paleozóica Inferior Abrange as litologias do grupo Paraná (formações Furnas e Ponta Grossa), compreendendo uma área total de aproximadamente 7150 km2, representadas principalmente por siltitos, folhelhos e arenitos, estes últimos da formação Furnas e que representam o maior potencial aqüífero da área. Admite-se um potencial hidrogeológico de 3,6 l/s/ km2 para esta unidade. Os cerca de 110 poços tubulares cadastrados no banco de dados hidrogeológicos da Suderhsa apresentam profundidade média 202 metros e vazão média de 20 m3/hora. De acordo com a distribuição iônica média, admite-se classificar as águas subterrâneas da unidade Paleozóica Inferior como sendo bicarbonatadas sódicas, apresentando média de 177 ppm (mg/l) de sólidos totais dissolvidos. Em situações em que predominam contribuições da formação Ponta Grossa podem apresentar conteúdo maior de íon sulfato. b) Compartimento do médio Iguaçu O compartimento do médio Iguaçu compreende as unidades hidrogeológicas Paleozóica Média-Superior, Paleozóica Superior, Guarani e Serra Geral Sul. b.1) Paleozóica Média-Superior Compreende litologias dos grupos Itararé (formações Campo do Tenente, Mafra e Rio do Sul) e Guatá (formação Rio Bonito e Palermo), abrangendo uma área aproximada de 17400 km2, representadas principalmente por siltitos, folhelhos, calcários, camadas de carvão e arenitos, estes últimos da formação Rio Bonito e que representam o maior potencial aqüífero da área. Admite-se para esta unidade um potencial hidrogeológico de 5,6 l/s/ km2. Existem cerca de 200 poços cadastrados no banco de dados hidrogeológicos da Suderhsa, apresentando profundidade média de 154 metros e vazão média de 12 m3/hora. VII - 73 De acordo com a distribuição iônica média, admite-se classificar as águas subterrâneas da unidade Paleozóica Média-Superior como sendo bicarbonatadas cálcicas, apresentando conteúdo médio de 120 ppm (mg/l) de sólidos totais dissolvidos. b.2) Paleozóica Superior Compreende rochas do grupo Passa Dois (Formações Irati, Serra Alta, Terezina e Rio do Rasto), abrangendo uma área de aproximadamente 17.400 km2, representadas principalmente por argilitos, folhelhos, lamitos, siltitos, calcários e arenitos e calcarenitos. Admite-se para esta unidade um potencial hidrogeológico de 3,6 l/s/km2. Os melhores resultados na prospecção de água subterrânea nesta unidade estão associados às rochas da formação Serra Geral – diabásios – seja por estruturas discordantes (diques) ou concordantes (sills), que interceptam o pacote sedimentar das unidades Paleozóicas. Tais estruturas determinam descontinuidades provocadas pela própria intrusão ou pelo metamorfismo de contato (altas temperaturas) com as rochas encaixantes, além de criarem verdadeiras barreiras hidráulicas que permitem o acúmulo e circulação de água subterrânea. Existem cerca de 30 poços cadastrados no banco de dados hidrogeológicos da Suderhsa, apresentando profundidade média de 142 metros e vazão média de 6 m3/hora. De acordo com a distribuição iônica média, admite-se classificar as águas subterrâneas da unidade Paleozóica Superior como sendo bicarbonatadas sódicas, apresentando conteúdo médio de 243 ppm (mg/l) de sólidos totais dissolvidos. b.3) Guarani Compreende o aqüífero alojado nas rochas da formação Botucatu, atualmente denominado de aqüífero Guarani, cuja denominação é decorrente da ocupação da referida nação indígena coincidindo com a ocorrência do aqüífero em parte do subsolo da região do Mercosul. A reserva é imensa, com uma área total de 1.194.800 km2. Além do Paraná, ele atravessa outros sete estados brasileiros (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina). Também ocorre na Argentina, Paraguai e Uruguai. No Brasil, a área do aqüífero Guarani é de 840.000 km2, e no Estado do Paraná, de 131.300 km2. Trata-se de um aqüífero do tipo regional confinado, uma vez que 90% de sua área está recoberta pelos espessos derrames de lavas basálticas da formação Serra Geral. No compartimento do médio Iguaçu ocorrem suas áreas de recarga, as quais localizam-se nas bordas da bacia em faixas alongadas de rochas sedimentares que afloram na superfície. A alimentação do aqüífero se dá por dois mecanismos: infiltração direta das águas de chuva e das drenagens superficiais nas áreas de afloramento, e infiltração vertical ao longo de descontinuidades nas áreas de confinamento, num processo mais lento. VII - 74 Não ocorre portanto, descarga para a drenagem superficial neste trecho e, sim, a recarga do aqüífero, para a qual não se tem ainda elementos suficientes para ser devidamente medida. O pacote arenoso que constitui o aqüífero Guarani pode apresentar espessura variando entre poucas dezenas a 800 m desde a borda aflorante até as regiões mais centrais da bacia do Paraná. As áreas de recarga são regiões onde o aqüífero Guarani encontra-se mais vulnerável. O uso inadequado das terras localizadas nessas áreas pode, portanto, comprometer a qualidade da água. Desta forma, existe a necessidade de cuidados especiais quanto ao manejo dessas áreas, em particular quanto à disposição de produtos tóxicos, lixo urbano, rejeitos industriais e aplicação de agrotóxicos no solo. A gestão sustentável do aqüífero Guarani depende, pois, da identificação e controle das fontes de poluição em toda sua extensão, não só nas áreas de recarga direta, como também nas de confinamento. As águas do aqüífero, sob o ponto de vista físico-químico, são do tipo alcalinobicarbonatada-cálcicas a calco-magnesianas, com teores médios de sólidos totais dissolvidos (STD) na faixa de 180 mg/L. Os teores são variáveis e apresentam os menores valores nas proximidades da área de recarga, da ordem de 120 mg/l. b.4) Serra Geral Sul Compreende as rochas basálticas da formação Serra Geral abrangendo uma área total de afloramento de aproximadamente 102.000 km2, subdividida em unidade Serra Geral Norte (aproximadamente 64.000 km2) e Serra Geral Sul (38.000 km2). Os derrames são geralmente conhecidos como efusivas basálticas ou simplesmente basaltos, independentemente de sua eventual variação litológica. Na porção sul e central da bacia do Paraná as porções inferiores das suítes vulcânicas são em geral de composição básica. Em muitos locais, no topo dos derrames é verificada a ocorrência de rochas ácidas, não raro porfiríticas, produtos da diferenciação magmática. A circulação e acúmulo de água subterrânea nesta unidade são determinados pelas zonas de fraturamento e falhamentos, bem como pelas descontinuidades entre os derrames – zonas vesículo-amigdaloidais. No compartimento do médio Iguaçu, dada a proximidade estratigráfica com o aqüífero Guarani, a unidade Serra Geral Sul contribui para sua recarga, via fraturas e falhas geológicas que os conectam. c) Compartimento do baixo Iguaçu O compartimento do baixo Iguaçu compreende as unidades hidrogeológicas Guarani e Serra Geral Sul. Trata-se do compartimento de maior interesse para o empreendimento, visto que suas áreas de influência direta e indireta estão assentadas sobre esse compartimento. VII - 75 c.1) Guarani Existem cerca de 50 poços cadastrados no banco de dados hidrogeológicos da Suderhsa, apresentando profundidade média superior a 600 metros e vazão média de 100 m3/hora. As águas do aqüífero, sob o ponto de vista físico-químico, são do tipo alcalinabicarbonatada-sódica, com teores médios de sólidos totais dissolvidos (STD) na faixa de 600 mg/l. Os teores são variáveis e apresentam os menores valores nas proximidades da área de recarga, da ordem de 120 mg/l e maiores nas proximidades da porção central da bacia do Paraná, onde os valores de STD podem chegar a 1.800 mg/l e podem evoluir para a classificação como bicarbonatas-cloro-sulfatadas-sódicas. O incremento dos principais parâmetros (sódio, cloretos, sulfatos, fluoretos, pH, condutividade elétrica e sólidos totais dissolvidos) está condicionado tanto ao capeamento dos basaltos, quanto dos diques de diabásio da formação Serra Geral, os quais podem estabelecer células de confinamento de tamanho e circulação com a superfície variável, que no decorrer do tempo de residência vão determinar a maior salinidade daquela porção de águas do aqüífero Guarani. No Estado do Paraná, os poços perfurados nesse aqüífero podem apresentar grandes vazões, da ordem de até 1.000 m3/hora. O aqüífero também apresenta características termais, com temperatura média de 32°C, com grandes variações da borda de afloramento até as proximidades da calha do rio Paraná onde existem registros de temperatura superior a 50°C. Subordinadas às condições piezométricas, ocorrem neste compartimento grandes surgências do aqüífero Guarani, particularmente na calha principal do rio Iguaçu e dos seus principais afluentes, desde o rio Jordão, passando pelo rio Cavernoso, Chopim, Cascavel, Capanema e Santo Antonio. Trata-se portanto, de importante área de descarga do referido manancial, contribuindo certamente com o fluxo de base da bacia do rio Iguaçu. No entanto, ainda não existem estudos que permitam detalhar qual é efetivamente esta contribuição, porém inúmeros são os relatos de surgências hidrotermais nas referidas calhas. Além disso, existem diversos dados dos poços do aqüífero Serra Geral que apresentam nítida contribuição do aqüífero Guarani, porém de difícil dissociação quantitativa entre os dois aqüíferos. c.2) Serra Geral Sul A unidade aqüífera de interesse para este trabalho é a Serra Geral Sul que corresponde a uma seqüência de derrames de lavas toleíticas, intermediárias e ácidas (estas últimas em menor proporção). Essas rochas são originárias de vulcanismo fissural formando um conjunto de cerca de 35 derrames, atingindo uma espessura máxima de 1529 m, em Presidente Epitácio (SP), segundo Northfleet, et al. (1969). Os derrames basálticos da formação Serra Geral tem porosidade e permeabilidade primária desprezíveis e constituem aqüíferos heterogêneos e anisotrópicos. Os fatores estruturais têm importância fundamental para as propriedades aqüíferas dessa formação, estando o armazenamento de água condicionado às zonas afetadas por fraturamento distensional, por fraturamentos atectônicos e, aos contatos interderrames, onde ocorrem, VII - 76 nos derrames subjacentes zonas vesiculares e no sobrejacente, zonas de intenso diaclasamento horizontal. Os derrames são geralmente conhecidos como efusivas basálticas ou simplesmente basaltos, independentemente de sua eventual variação litológica. Na porção sul e central da bacia do Paraná as porções inferiores das suítes vulcânicas são em geral de composição básica. Em muitos locais, no topo dos derrames é verificada a ocorrência de rochas ácidas, não raro porfiríticas, produtos da diferenciação magmática. De acordo com o banco de dados hidrogeológicos da Suderhsa, os poços mais produtivos estão relacionados com a unidade Serra Geral Norte, caracterizada pelos derrames mais básicos, que determinam espessuras de solo maiores, variando de 10 a 50 metros. A unidade Sul é caracterizada por rochas de composição ácida, apresentando espessura média de solo muito pequena – 0 a 10 metros - e vazões menores. No total existem cerca de 2.500 poços cadastrados no banco de dados hidrogeológicos da Suderhsa na unidade Serra Geral Norte e 550 poços na unidade sul, apresentando profundidade média de 120 metros e 130 metros e vazão média de 18 m3/hora e 10 m3/hora, respectivamente. Do ponto de vista físico-químico, as águas destas unidades são muito semelhantes, podendo ser classificadas como bicarbonatadas-sódicas, com conteúdo médio de sólidos totais dissolvidos de 145 mg/l (ppm), apresentando pH pouco superior a 7, no entanto, sob condições piezométricas que assim favoreçam, ocorre uma mescla com as águas do aqüífero Guarani, determinando como maior evidência o aumento nos valores de pH, chegando a 8,5. 3 - Área de influência direta e indireta 3.1 - Clima e condições meteorológicas Para a análise do clima e das condições meteorológicas da área de influência direta e indireta foi realizado um estudo mais detalhado, utilizando a série de dados históricos das estações meteorológicas de Cascavel, Foz do Iguaçu, Nova Prata do Iguaçu e Salto Caxias, do Instituto Tecnológico (Simepar). 3.1.1 - Cascavel Apesar de não se localizar dentro da área de influência do empreendimento, foi realizado o estudo das condições meteorológicas de Cascavel, uma vez que esta se localiza muito próxima á fronteira norte da área de influência indireta, portanto com condições meteorológicas muito similares a esta região da área de influência indireta. Foi utilizada uma série de dados de 01 de junho de 1997 a 11 de agosto de 2004. VII - 77 Quadro 3.1 Valores máximos, médios e mínimos de precipitação, temperatura e velocidade do vento em Cascavel P (mm/dia) T (°C) Velocidade do vento (m/s) Máximo 185,4 29 9,4 Mínimo 0 1,8 1,3 Média 4,943011 20,20408 4,105207 a) Precipitação Figura 3.1 Precipitação diária em Cascavel A máxima precipitação diária ocorreu em de 04 de dezembro de 2000, com um valor de 185,4 mm. A precipitação média diária é de 4,94 mm. VII - 78 180_190 170_180 160_170 150_160 140_150 130_140 120_130 110_120 100_110 90_100 80_90 70_80 60_70 50_60 40_50 30_40 20_30 10_20 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 0_10 Frequência (%) Histograma de Precipitação em Cascavel Precipitação (mm) Figura 3.2 Histograma de precipitação em Cascavel Quadro 3.2 Freqüência de precipitação em Cascavel P (mm) 0_10 10_20 20_30 30_40 40_50 50_60 60_70 70_80 80_90 90_100 100_110 110_120 120_130 130_140 140_150 150_160 160_170 170_180 180_190 Freqüência (%) 86,09934 5,121294 3,273007 2,271852 1,039661 0,847131 0,616095 0,269542 0,115518 0,115518 0,038506 0,154024 0 0 0 0 0 0 0,038506 Conforme apresentado pelo histograma (Figura 3.2 e Quadro 3.2), a maioria das precipitações (86%) ocorrem com valores até 10 mm/dia. A alta precipitação ocorrida em 04 de dezembro de 2000, com um valor de 185,4 mm, é um evento severo isolado, com uma freqüência de 0,0385%. VII - 79 Precipitação mensal em Cascavel Precipitação (mm) 600 500 400 300 200 100 0 jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez Meses média máxima mínima Figura 3.3 Precipitação mensal em Cascavel Em Cascavel os meses com maior precipitação média são outubro, novembro e dezembro. Os meses com valores de médias mais secos são março, junho, julho e agosto, apresentando os menores valores de precipitação média, máxima e mínima. b) Temperatura A temperatura média diária mínima ocorreu em 13 de julho de 2000, com um valor de 1,8°C, e a máxima ocorreu em 11 de novembro de 2003, atingindo 29°C. A temperatura média é de 20,2°C. Figura 3.4 Temperatura média diária em Cascavel VII - 80 Histograma de Temperatura em Cascavel 60 Frequência (%) 50 40 30 20 10 0 0_5 5_10 10_15 15_20 20_25 25_30 Temperatura (°C) Figura 3.5 Histograma de temperatura em Cascavel Quadro 3.3 Freqüência de temperatura em Cascavel T (°C) Freqüência (%) 0_5 0,19253 5_10 1,963804 10_15 10,16558 15_20 26,91567 20_25 52,06007 25_30 8,702349 O histograma de temperaturas demonstra que 52% das temperaturas médias diárias se encontram entre 20 e 25°C, com as temperaturas muito baixas, entre 0 e 5°C possuindo uma freqüência de apenas 0,19%. As temperaturas entre 15 e 20°C ocorrem 26,9% dos casos, entre 10 e 15°C em 10,2% e entre 25 e 30°C em 8,7% dos casos. VII - 81 Temperatura média diária em Cascavel Temperatura (°C) 35 30 25 20 15 10 5 0 jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez Meses média máxima mínima Figura 3.6 Temperatura média diária em função dos meses do ano em Cascavel Os meses mais quentes em Cascavel vão de dezembro a março, com temperaturas médias da ordem de 23°C, mínimas de até 16°C, e máximas de até 28°C. A máxima temperatura registrada foi de 29°C, em novembro. Os meses mais frios vão de junho a agosto, com temperaturas médias de 16 a 18°C, máximas de até 26°C e mínimas de até 1,8°C. c) Ventos O vento máximo ocorreu em 13 de junho de 1997, com um valor de 9,4 m/s com uma direção de 68 graus, ou seja, do quadrante ENE. VII - 82 Figura 3.7 Velocidade do vento médio diário em Cascavel Histograma de velocidade do vento em Cascavel 60 Frequência (%) 50 40 30 20 10 0 0_2 2_4 4_6 6_8 Velocidade (m/s) Figura 3.8 Histograma de velocidade do vento em Cascavel 8_10 VII - 83 Quadro 3.4 Freqüência de velocidade do vento em Cascavel Velocidade (m/s) Freqüência (%) 0_2 1,59763 2_4 48,3432 4_6 40,71006 6_8 8,57988 8_10 0,71006 Direção do vento em Cascavel 0° 35 30 315° 45° 25 20 15 10 5 270° 0 90° 135° 225° 180° Figura 3.9 Direção do vento em Cascavel Quadro 3.5 Freqüência de direção do vento em Cascavel Direção (graus) Freqüência (%) 0 0,71006 45 32,66272 90 29,05326 135 20,94674 180 12,36686 225 3,19527 270 0,94675 315 0,05917 VII - 84 Os ventos predominantes em Cascavel encontram-se entre 2 e 6 m/s, totalizando 89% dos dias. As direções predominantes são nos quadrantes nordeste (32,6%), leste (29%) e sudeste (20,9%). Intensidade e direção do vento em Cascavel 0° 80 60 315° 45° 40 ventos entre 0 e 2 m/s 20 270° ventos entre 2 e 4 m/s 0 90° ventos entre 4 e 6 m/s ventos entre 6 e 8 m/s ventos entre 8 e 10 m/s 225° 135° 180° Figura 3.10 Intensidade e direção do vento em Cascavel Velocidade do vento em Cascavel Velocidade (m/s) 10 8 6 4 2 0 jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez Meses média máxima mínima Figura 3.11 Velocidade do vento em função dos meses do ano em Cascavel VII - 85 Quadro 3.6 Freqüência de intensidade e direção do vento em Cascavel Velocidade (m/s) Direção (graus) Freqüência (%) 0 0 0_2 45 0 90 3,7037 135 37,03704 180 37,03704 225 14,81481 270 7,40741 315 0 2_4 0 0 45 13,95349 90 34,63892 135 29,37576 180 16,27907 225 4,65116 270 0,97919 315 0,1224 0 1,30814 45 47,67442 90 26,74419 135 13,51744 180 8,28488 225 1,74419 270 0,72674 315 0 0 1,37931 45 71,03448 90 15,17241 135 6,2069 180 6,2069 225 0 270 0 315 0 4_6 6_8 8_10 0 8,33333 45 58,33333 90 8,33333 135 16,66667 180 0 225 0 270 8,33333 315 0 VII - 86 Os ventos mais fortes, entre 8 e 10 m/s, predominam no quadrante nordeste, com 58,3 % das ocorrências, assim como os ventos de 6 a 8 m/s, com freqüência de 71 % nesta mesma direção. Por outro lado, os ventos mais fracos predominam nos quadrantes sudeste (37%) e sul (37%). Os ventos de 2 a 4m/s predominam nas direções leste (34,6%) e sudeste (29,5%). Entre 4 e 6 m/s a direção predominante é nordeste, com 47,7% das ocorrências. 3.1.2 - Foz do Iguaçu Para a análise das condições meteorológicas de Foz do Iguaçu, foi utilizada uma série de dados de 19 de julho de 1997 a 11 de agosto de 2004. Quadro 3.7 Valores máximos, médios e mínimos de precipitação, temperatura e velocidade do vento em Foz do Iguaçu P (mm/dia) T (°C) Velocidade do vento (m/s) Máximo 176,6 31,1 5,7 Mínimo 0 4,5 0,5 Média 5,46092 22,09392 1,82354 a) Precipitação A máxima precipitação ocorreu no dia 14 de maio de 1998, com um valor de 176,6 mm. Outro evento severo ocorreu no dia 18 de maio de 2002, quando observou-se uma precipitação de 174 mm. A precipitação diária média é de 5,46mm. Figura 3.12 Precipitação diária em Foz do Iguaçu VII - 87 170_180 160_170 150_160 140_150 130_140 120_130 110_120 100_110 90_100 80_90 70_80 60_70 50_60 40_50 30_40 20_30 10_20 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 0_10 Frequência (%) Histograma de Precipitação em Foz do Iguaçu Precipitação (mm) Figura 3.13 Histograma de precipitação em Foz do Iguaçu Quadro 3.8 Freqüência de precipitação em Foz do Iguaçu P (mm) Freqüência (%) 0_10 86,19345 10_20 4,563183 20_30 3,198128 30_40 2,028081 40_50 1,326053 50_60 0,74103 60_70 0,351014 70_80 0,390016 80_90 0,273011 90_100 0,312012 100_110 0,312012 110_120 0,117005 120_130 0,078003 130_140 0 140_150 0,039002 150_160 0 160_170 0 170_180 0,078003 A maior freqüência de precipitações ocorre com valores de até 10 mm/dia, com 86,2% das ocorrências, porém ocorrem eventos severos isolados com precipitações de até 176,6 mm/dia. VII - 88 Precipitação mensal em Foz do Iguaçu Precipitação (mm) 600 500 400 300 200 100 0 jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez Meses média máxima mínima Figura 3.14 Precipitação mensal em Foz do Iguaçu Em Foz do Iguaçu, os meses em média mais chuvosos vão de outubro a janeiro, com precipitações de 197 mm/mês em janeiro a 214 mm/mês em outubro. Os meses de de junho e julho são os menos chuvosos em média, com valores de 116 mm/mês em junho e 86 mm/mês em julho. As mínimas precipitações mensais registradas ocorreram nos meses de março, agosto e outubro, com valores de 2,6 mm/mês, 10,6 mm/mês e 19,6 mm/mês, respectivamente. Os meses de fevereiro, março, agosto e outubro registraram as máximas precipitações mensais ocorridas, com valores de 548 mm/mês, 500 mm/mês, 530 mm/mês e 486 mm/mês, respectivamente. b) Temperatura A máxima temperatura média diária registrada foi 31,1°C, no dia 27 de dezembro de 1997 e a mínima foi de 4,5°C, no dia 13 de julho de 2000. A temperatura média é de 22°C VII - 89 Figura 3.15 Temperatura média diária em Foz do Iguaçu Histograma de Temperatura em Foz do Iguaçu 45 Frequência (%) 40 35 30 25 20 15 10 5 0 0_5 5_10 10_15 15_20 20_25 25_30 Temperatura (°C) Figura 3.16 Histograma de temperatura em Foz do Iguaçu 30_35 VII - 90 Quadro 3.9 Freqüência de temperatura em Foz do Iguaçu T (°C) 0_5 5_10 10_15 15_20 20_25 25_30 30_35 Freqüência (%) 0,039002 1,209048 7,76131 19,38378 40,52262 30,69423 0,39 A temperatura média diária mais freqüente em Foz do Iguaçu ocorre entre 20 e 25°C. As temperaturas entre 25 e 30°C e 15 e 20°C também possuem uma boa freqüência, com valores de 30,7% e 19,4%, respectivamente. Temperaturas muito baixas, com valores médios diários entre 0 e 5°C possuem a uma freqüência muito baixa, com apenas uma ocorrência em toda a série de dados. Temperatura média diária em Foz do Iguaçu Temperatura (°C) 35 30 25 20 15 10 5 0 jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez Meses média Figura máxima 3.17 mínima Figura 3.17 Temperatura média diária em função dos meses do ano em Foz do Iguaçu Os meses de janeiro a março são os meses mais quentes em Foz do Iguaçu, com temperaturas de 26°C. Os meses de junho a agosto são os meses mais frios, com temperaturas de 17 a 18°C. A temperatura média diária mínima foi registrada em julho, com um valor de 4,5°C, e a máxima ocorreu em dezembro, 31°C. c) Ventos O vento máximo registrado foi de 5,7 m/s, no dia 11 de setembro de 2000, com uma direção de 177 graus, ou seja, do quadrante sul. VII - 91 Figura 3.18 Velocidade do vento média diária em Foz do Iguaçu Histograma de velocidade do vento em Foz do Iguaçu 70 Frequência (%) 60 50 40 30 20 10 0 0_2 2_4 Velocidade (m/s) Figura 3.19 Histograma de velocidade do vento em Foz do Iguaçu 4_6 VII - 92 Quadro 3.10 Freqüência de velocidade do vento em Foz do Iguaçu Velocidade do vento (m/s) Freqüência 0_2 62,67309 2_4 36,00241 4_6 1,2643 (%) Os ventos predominantes em Foz do Iguaçu possuem intensidade entre 0 e 2 m/s, ocorrendo em 62,67% dos registros. Os ventos entre 2 e 4 m/s possuem um freqüência de 36% e os ventos entre 4 e 6 m/s 1,26%. Direção do vento em Foz do Iguaçu 0° 35 30 315° 25 45° 20 15 10 5 270° 0 225° 90° 135° 180° Figura 3.20 Direção do vento em Foz do Iguaçu VII - 93 Quadro 3.11 Freqüência de direção do vento em Foz do Iguaçu Direção (graus) Freqüência (%) 0 0,36123 45 13,78688 90 34,19627 135 25,10536 180 19,86755 225 5,05719 270 1,50512 315 0,0602 Em Foz do Iguaçu, os ventos predominantes são dos quadrantes leste (34%), sudeste (25%) e sul (20%). Intensidade e direção do vento em Foz do Iguaçu 0° 40 315° 30 45° 20 10 270° ventos entre 0 e 2 m/s 0 90° ventos entre 2 e 4 m/s ventos entre 4 e 6 m/s 225° 135° 180° Figura 3.21 Intensidade e direção do vento em Foz do Iguaçu VII - 94 Velocidade do vento em Foz do Iguaçu Velocidade (m/s) 6 5 4 3 2 1 0 jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov Meses média máxima mínima Figura 3.22 Velocidade do vento em função dos meses em Foz do Iguaçu dez VII - 95 Quadro 3.12 Freqüência de intensidade e direção do vento em Foz do Iguaçu Velocidade do vento (m/s) Direção (graus) Freqüência (%) 0_2 0 0,09606 45 7,10855 90 32,08453 135 30,25937 180 26,12872 225 4,03458 270 0,28818 315 0 0 0,83612 45 25,41806 90 38,46154 135 16,38796 180 8,69565 225 6,52174 270 3,51171 315 0,16722 0 0 45 14,28571 90 19,04762 135 19,04762 180 28,57143 225 14,28571 270 4,7619 315 0 2_4 4_6 Os ventos mais fortes, entre 4 e 6 m/s possuem uma predominância no quadrante sul (28%). Entre 2 e 4 m/s os ventos predominam no quadrante leste, com uma freqüência de 38%. Os ventos mais fracos, entre 0 e 2 m/s, predominam nas direções leste (32%), sudeste (30%) e sul (26%). VII - 96 3.1.3 - Nova Prata do Iguaçu Para a análise das condições meteorológicas em Nova Prata do Iguaçu, foi utilizada uma série de dados de 01 de junho de 1997 a 11 de junho de 2007. Quadro 3.13 Valores máximos, médios e mínimos de precipitação, temperatura e velocidade do vento em Nova Prata do Iguaçu P (mm) T (°C) Velocidade do vento (m/s) Máximo 139,8 29,3 8,8 Mínimo 0 3 1,2 Desvio padrão 11,86448 4,268168 1,242453 Média 4,572293 20,31284 3,992861 a) Precipitação A precipitação diária média em Nova Prata do Iguaçu é de 4,6 mm/dia. A máxima precipitação registrada, no período de 01 de junho de 1997 a 11 de junho de 2007 foi de 153,6 mm, no dia 03 de dezembro de 2001. Figura 3.23 Precipitação diária em Nova Prata do Iguaçu VII - 97 130_140 120_130 110_120 100_110 90_100 80_90 70_80 60_70 50_60 40_50 30_40 20_30 10_20 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 0_10 Frequência (%) Histograma de Precipitação em Nova Prata do Iguaçu Precipitação (mm) Figura 3.24 Histograma de precipitação em Nova Prata do Iguaçu Quadro 3.14 Freqüência de precipitação em Nova Prata do Iguaçu P (mm) Freqüência (%) 0_10 86,03569 10_20 5,624515 20_30 3,374709 30_40 1,745539 40_50 1,59038 50_60 0,853375 60_70 0,155159 70_80 0,387898 80_90 0,116369 90_100 0,03879 100_110 0,03879 110_120 0 120_130 0 130_140 0,03879 Precipitações de até 10 mm/dia são os mais freqüentes em Nova Prata do Iguaçu, com 86% das ocorrências. Eventos severos como o ocorrido em 19 de junho de 1997 possuem uma baixa freqüência, assim como precipitações acima de 90 mm/dia. VII - 98 Precipitação (mm) Precipitação mensal em Nova Prata do Iguaçu 400 350 300 250 200 150 100 50 0 jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez Meses média máxima mínima Figura 3.25 Precipitação mensal em Nova Prata do Iguaçu Em Nova Prata do Iguaçu, os meses em média mais chuvosos são setembro, outubro, janeiro e fevereiro, com precipitações entre 169 mm em janeiro, até 208 mm em outubro. Março, julho e agosto são os meses menos chuvosos em média, com precipitações de 67 mm, 93 mm e 106 mm, respectivamente. As máximas precipitações registradas foram nos meses de abril, maio e outubro, com valores de 375 mm, 304 mm e 301 mm, respectivamente. As mínimas precipitações mensais ocorreram nos meses de agosto (5 mm), fevereiro (8 mm), e março (10 mm). VII - 99 b) Temperatura Figura 3.26 Temperatura média diária em Nova Prata do Iguaçu A máxima temperatura registrada na série de dados, ocorreu em 16 de dezembro de 2006, com 32,9°C, e a mínima ocorreu em 06 de julho de 2000, com 3°C. A temperatura média é de 20,3°C. Histograma de Temperatura em Nova Prata do Iguaçu 60 Frequência (%) 50 40 30 20 10 0 0_5 5_10 10_15 15_20 20_25 Temperatura (°C) Figura 3.27 Histograma de temperatura em Nova Prata do Iguaçu 25_30 VII - 100 Quadro 3.15 Freqüência de temperatura em Nova Prata do Iguaçu T (°C) Freqüência (%) 0_5 0,07758 5_10 1,861908 10_15 10,82234 15_20 27,61831 20_25 48,06051 25_30 11,24903 As temperaturas mais freqüentes ocorrem entre 20 e 25°C (48%) e 15 e 20°C (28%). Temperaturas muito baixas, entre 0 e 5°C, são pouco freqüentes, ocorrendo apenas em 0,078% dos registros. Temperatura média diária em Nova Prata do Iguaçu Temperatura (°C) 35 30 25 20 15 10 5 0 jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez Meses média máxima mínima Figura 3.28 Temperatura em função dos meses em Nova Prata do Iguaçu Os meses em média mais quentes ocorrem de dezembro a março, com temperaturas de 24°C. No período de junho a agosto ocorrem as menores temperaturas, entre 16 e 17°C. A máxima temperatura registrada foi de 29,3°C, em dezembro, e a mínima foi de 3°C em julho. VII - 101 c) Ventos Figura 3.29 Velocidade do vento em Nova Prata do Iguaçu A velocidade média do vento em Nova Prata do Iguaçu é de 4 m/s. A velocidade máxima registrada foi de 8,8 m/s, em 31 de outubro de 1999. Histograma de velocidade do vento em Nova Prata do Iguaçu Frequência (%) 60 50 40 30 20 10 0 0_2 2_4 4_6 6_8 8_10 Velocidade (m/s) Figura 3.30 Histograma de velocidade do vento em Nova Prata do Iguaçu VII - 102 Quadro 3.16 Freqüência de velocidade do vento em Nova Prata do Iguaçu Velocidade do vento (m/s) Freqüência 0_2 1,67765 2_4 52,60635 4_6 37,80707 6_8 7,36968 8_10 0,47933 (%) A velocidade do vento mais freqüente em Nova Prata do Iguaçu é entre 2 e 4 m/s, com 53% de freqüência, e entre 4 e 6 m/s, com 38% de freqüência. Direção do vento em Nova Prata do Iguaçu 0° 50 315° 40 45° 30 20 10 270° 0 225° 90° 135° 180° Figura 3.31 Direção do vento em Nova Prata do Iguaçu VII - 103 Quadro 3.17 Freqüência de direção do vento em Nova Prata do Iguaçu Direção (graus) Freqüência (%) 0 0,05992 45 8,32834 90 44,93709 135 27,32175 180 10,72499 225 5,5722 270 2,99581 315 0 A direção de vento predominante é do quadrante leste, com 45% de freqüência. Ventos do quadrante sudeste possuem 27% de freqüência e do quadrante sul, 11% de freqüência. Intensidade e direção do vento em Nova Prata do Iguaçu 0° 80 315° 60 45° 40 ventos entre 0 e 2 m/s 20 270° ventos entre 2 e 4 m/s 0 90° ventos entre 4 e 6 m/s ventos entre 6 e 8 m/s ventos entre 8 e 10 m/s 225° 135° 180° Figura 3.32 Intensidade e direção do vento em Nova Prata do Iguaçu VII - 104 Velocidade do vento em Nova Prata do Iguaçu Velocidade (m/s) 10 8 6 4 2 0 jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez Meses média máxima mínima Figura 3.33 Velocidade do vento em função dos meses em Nova Prata do Iguaçu VII - 105 Quadro 3.18 Freqüência de intensidade e direção do vento em Nova Prata do Iguaçu Velocidade do vento (m/s) 0_2 Direção (graus) Freqüência (%) 0 45 90 135 180 225 270 315 0 0 10,71429 50 28,57143 10,71429 0 0 0 45 90 135 180 225 270 315 0,1139 2,05011 32,80182 38,72437 16,28702 7,28929 2,73349 0 0 45 90 135 180 225 270 315 0 12,99525 59,74643 15,21395 4,27892 4,12044 3,64501 0 0 45 90 135 180 225 270 315 0 30,0813 61,78862 4,87805 0,81301 0 2,43902 0 0 45 90 135 180 225 270 315 0 25 75 0 0 0 0 0 2_4 4_6 6_8 8_10 VII - 106 Os ventos mais fortes, entre 8 e 10 m/s, predominam no quadrante leste, em 75% dos registros. Ventos mais fracos, entre 0 e 2 m/s, predominam no quadrante sudeste, com 50% de freqüência, assim como ventos entre 2 e 4 m/s, com 39% de freqüência. Ventos entre 4 e 6 m/s e 6 e 8 m/s predominam no quadrante leste, com 60% e 62% de freqüência, respectivamente. 3.1.4 - Salto Caxias Para a análise das condições meteorológicas em Salto Caxias, foi utilizada uma série de dados de 01 de junho de 1997 a 10 de junho de 2007. Quadro 3.19 Valores máximos, médios e mínimos de precipitação, temperatura e velocidade do vento em Salto Caxias P (mm/dia) T (°C) Velocidade do vento (m/s) Máximo 116,6 29,9 6,7 Mínimo 0 3,7 1,1 Média 4,014113 21,09057 2,983952 a) Precipitação Figura 3.34 Precipitação diária em Salto Caxias A partir da série de dados de 01 de março de 1999 a 10 de junho de 2007, a máxima precipitação registrada em Salto Caxias ocorreu em 28 de outubro de 2005, com um valor de 204 mm. A precipitação média é de 4 mm/dia. VII - 107 110_120 100_110 90_100 80_90 70_80 60_70 50_60 40_50 30_40 20_30 10_20 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 0_10 Frequência (%) Histograma de Precipitação em Salto Caxias Precipitação (mm) Figura 3.35 Histograma de precipitação em Salto Caxias Quadro 3.20 Freqüência de precipitação em Salto Caxias P (mm) Freqüência (%) 0_10 87,29839 10_20 5,443548 20_30 3,377016 30_40 1,663306 40_50 1,209677 50_60 0,453629 60_70 0,302419 70_80 0,100806 80_90 0,050403 90_100 0,050403 100_110 0,050403 110_120 0,050403 As precipitações até 10 mm/dia são as mais freqüentes em Salto Caxias, com 87% de freqüência. Precipitações cima de 80 mm/dia possuem uma freqüência muito baixa. VII - 108 Precipitação (mm) Precipitação mensal em Salto Caxias 400 350 300 250 200 150 100 50 0 jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez Meses média máxima mínima Figura 3.36 Precipitação mensal em Salto Caxias Os meses em média mais chuvosos são outubro, fevereiro, dezembro e janeiro, com precipitações de 236 mm, 180 mm, 171 mm e 164 mm, respectivamente. Os meses mais secos são julho e agosto, com 73 mm e 62 mm, respectivamente. A máxima precipitação registrada foi de 376 mm, em fevereiro, e mínima 3 mm, em agosto b) Temperatura Figura 3.37 Temperatura média diária em Salto Caxias VII - 109 A máxima temperatura registrada foi de 29,9°C, em 01 de setembro de 1999, e a mínima foi de 3,7°C, em 13 de julho de 2000. A temperatura média é de 21°C. Frequência (%) Histograma de Temperatura em Salto Caxias 50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 0_5 5_10 10_15 15_20 20_25 25_30 Temperatura (°C) Figura 3.38 Histograma de temperatura média diária em Salto Caxias Quadro 3.21 Freqüência de temperatura média diária em Salto Caxias T (°C) Freqüência (%) 0_5 0,1008 5_10 1,663306 10_15 8,770162 15_20 23,73992 20_25 47,53024 25_30 18,24597 A temperatura predominante em Salto Caxias é entre 20 e 25°C, com 48% de freqüência. Temperaturas muito frias, entre 0 e 10°C, possuem uma freqüência muito baixa. VII - 110 Temperatura média diária em Salto Caxias Temperatura (°C) 35 30 25 20 15 10 5 0 jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez Meses média máxima mínima Figura 3.39 Temperatura em função dos meses em Salto Caxias Os meses mais quentes vão de dezembro a março, com temperatura de 24°C. O período mais frio é durante os meses junho e julho, com temperaturas de 16 e 17 °C. c) Vento Figura 3.40 Velocidade do vento em Salto Caxias O vento médio em Salto Caxias possui velocidade de 3 m/s. O maior vento registrado foi de 8,9 m/s, no dia 08 de março de 2002, com direção ENE. VII - 111 Histograma de velocidade do vento em Salto Caxias 80 Frequência (%) 70 60 50 40 30 20 10 0 0_2 2_4 4_6 6_8 Velocidade (m/s) Figura 3.41 Histograma de velocidade do vento em Salto Caxias Quadro 3.22 Freqüência de velocidade do vento em Salto Caxias Velocidade do vento (m/s) Freqüência (%) 0_2 10,7507 2_4 75,44022 4_6 13,06766 6_8 0,64875 A velocidade do vento mais freqüente em Salto Caxias é entre 2 e 4 m/s, com 75% de ocorrência nos dados registrados. Os ventos mais fortes, acima de 6 m/s, possuem uma baixa freqüência. VII - 112 Direção do vento em Salto Caxias 0° 50 40 315° 45° 30 20 10 270° 0 90° 225° 135° 180° Figura 3.42 Direção do vento em Salto Caxias Quadro 3.23 Freqüência de direção do vento em Salto Caxias Direção (graus) Freqüência (%) 0 0,09268 45 4,26321 90 42,81742 135 30,30584 180 12,23355 225 6,30213 270 3,89249 315 0 Em Salto Caxias a direção predominante do vento é do quadrante leste. Ventos do quadrante sudeste também possuem uma boa freqüência. VII - 113 Intensidade e direção do vento em Salto Caxias 0° 70 60 315° 45° 50 40 30 20 ventos entre 0 e 2 m/s 10 270° 0 ventos entre 2 e 4 m/s 90° ventos entre 4 e 6 m/s ventos entre 6 e 8 m/s 225° 135° 180° Figura 3.43 Intensidade e direção do vento em Salto Caxias Velocidade (m/s) Velocidade do vento em Salto Caxias 8 7 6 5 4 3 2 1 0 jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov Meses média máxima mínima Figura 3.44 Velocidade do vento em função dos meses em Salto Caxias dez VII - 114 Quadro 3.24 Freqüência de intensidade e direção do vento em Salto Caxias Velocidade do vento (m/s) 0_2 Direção (graus) Freqüência (%) 0 45 90 135 180 225 270 315 0,86207 0 8,62069 43,10345 27,58621 13,7931 6,03448 0 0 45 90 135 180 225 270 315 0 4,05405 42,99754 31,69533 11,54791 6,14251 3,56265 0 0 45 90 135 180 225 270 315 0 8,51064 69,50355 12,05674 4,25532 1,41844 4,25532 0 0 45 90 135 180 225 270 315 0 14,28571 57,14286 28,57143 0 0 0 0 2_4 4_6 6_8 Os ventos mais fracos, entre 0 e 2 m/s, predominam na direção sudeste. Os ventos mais fortes, entre 6 e 8 m/s, predominam na direção leste, assim como os ventos entre 2 e 6 m/s. VII - 115 3.2 - Geologia / recursos minerais 3.2.1 - Características gerais Na região de interesse afloram litologias Mesozóicas constituídas por basaltos com esporádicas intercalações de arenitos interderrames, os quais caracterizam a denominada formação Serra Geral, unidade topo + do grupo São Bento. Sobre essas rochas encontram-se coberturas detríticas Cenozóicas. As inúmeras fases tectônicas havidas na bacia sedimentar do Paraná incluem movimentos epirogênicos, subsidências, transgressões e regressões marinhas, fases erosivas e deposicionais, vulcanismo intenso e falhamentos. O relevo caracterizado por fases de aplanamento, pediplanação e entalhamento fluvial, enquadra-se na unidade geomorfológica denominada altiplano basáltico Paranaense, cujos grandes traços morfológicos são resultantes das características típicas dos basaltos submetidos aos mecanismos morfoclimáticos que atuaram na região durante os períodos Terciário e Quaternário. Quanto à rede de drenagem, o rio Iguaçu integra a bacia Platina como tributário da margem esquerda do rio Paraná. Nota-se, ao longo do rio e seus afluentes, forte controle estrutural da drenagem estabelecida sobre os principais lineamentos caracterizados por fraturas indiscriminadas com direções NE, NW e N. 3.2.2 - Evolução geológica A evolução geológica da bacia do Paraná (ALMEIDA, F.F.M. de et alii, 1981) processouse entre os períodos Siluriano e Cretáceo, durante, aproximadamente, 330 milhões de anos. No entanto, o presente estudo enfoca, apenas, os períodos Jurássico-Superior e Cretáceo-Inferior, mais ou menos 25 milhões de anos, nos quais insere-se a formação Serra Geral, única unidade litológica aflorante na região de interesse UHEBI-ALL-GEO004. Conforme o projeto Radambrasil - vol. 31 e 33, (1983), ao término dos fenômenos tectonogenéticos havidos no Proterozóico Superior, a região submeteu-se, no Cambroordoviciano, a uma recorrência magmática caracterizada por eventos plutônicos. A origem desses eventos estaria relacionada a uma forte tectônica verticalista que precedeu à estruturação das grandes bacias paleozóicas brasileiras. Na seqüência, os eventos geológicos caracterizaram-se por intensos e extensos processos erosivos que resultaram no estabelecimento de novo regime tectônico nesta plataforma, originando, entre várias estruturas, a grande bacia do Paraná. Os litotipos dessa unidade geotectônica têm seus registros iniciais reportados ao Paleozóico Inferior (Siluro-Devoniano), depositados sobre uma extensa "peneplanície" pré-cambriana resultante de progressiva fase de aplanamento desenvolvida em vastas áreas, após um período de quietação da plataforma brasileira. VII - 116 Quanto ao aspecto estrutural, a evolução tectônica da bacia resultou em considerável quantidade de diáclases e extensas falhas normais, já que não ocorreram esforços de compressão capazes de produzir dobramentos intensos. Depois de decorrido longo período da evolução geotectônica iniciou-se, no Jurássico Superior - Cretáceo Inferior, o fenômeno diastrófico denominado "Reativação Waldeniana", evento tectonovulcânico que afetou profundamente a bacia sedimentar do Paraná e no qual ocorreram deformações tectônicas acompanhadas de extenso vulcanismo, inundando a bacia com grandes e, por vezes, espessos derrames basálticos. Após o período de intensa tectônica e vulcanismo a bacia sofreu rápido ciclo erosivo aliado a movimento de subsidência, sujeitando-se, a partir do final do Cretáceo a ciclos de dissecação e aplanamento com processos erosivo-deposicionais relacionados às variações climáticas e interferências tectônicas, permitindo a elaboração de superfícies pediplanadas no Terciário-Quaternário, bem como de seus depósitos correlatos (Coberturas detrito-Lateríticas). O mapa de geologia e recursos minerais da área de influência direta é apresentado no desenho nº UHEBI-AID-GE0-005. 3.2.3 - Unidades litoestratigráficas A região é recoberta por solos de origem e espessura variadas, cujas características e modo de ocorrência resultaram de fatores litoestratigráficos, estruturais e morfoclimáticos. Esses solos compõem as coberturas detríticas de idade Terciário-Quaternária (RADAMBRASIL - v. 31 e 33, 1983), nas quais podem ser reconhecidos sedimentos aluviais e solos colúvio-residuais capeando rochas vulcânicas, principalmente basaltos. O quadro abaixo, apresenta a seqüência estratigráfica da área em estudo. Quadro 3.25 Seqüência estratigráfica da área estudada Idade Grupo Terciário/ Quaternário Jurássico/Cretáceo São Bento Formação Serra Geral Botucatu Litologias Sedimentos aluviais e solos colúvio-residuais Efusivas ácidas a intermediárias Basaltos Não aflora na área estudada Adaptada de: Projeto Radambrasil, 1983 a) Aluviões atuais Os aluviões atuais, embora restritos, existem em praticamente todos os cursos d'água, constituindo depósitos onde se identificam formas típicas de planície fluvial como ilhas aluviais, diques marginais e barras em pontal, nas quais encontram-se registros da evolução dos rios no holoceno. VII - 117 Os sedimentos são, em grande parte, compostos por areias quartzosas de granulação fina, siltes e argilas, raramente ultrapassando poucos metros de espessura e são, em geral, bem diferenciados da cobertura de solos residuais e coluviais. As areias constituem depósitos de barra em pontal e os pelitos, de transbordamento, ocorrendo localmente seixos de composição e diâmetros variáveis, dependendo da localização do depósito. b) Solos colúvio-residuais Predominam solos coluviais e residuais formados pela meteorização “in situ” das rochas e pelos mecanismos de movimentação gravitacional dos seus produtos, cujos perfis típicos consistem de uma porção superficial de solos colúvio-residuais maduros, avermelhados, mais espessos nas regiões altas e suavemente onduladas, podendo formar acumulações consideráveis no sopé dos terrenos mais fortemente inclinados e recobrir os terraços suaves típicos da região. Nos terrenos mais íngremes a escarpados, os solos são menos espessos e mais pedregosos, podendo ocorrer colúvios pedregosos e depósitos de tálus na base das escarpas. Os solos colúvio-residuais maduros passam, gradativamente ou bruscamente, aos solos residuais jovens subjacentes e sob estes, encontram-se horizontes de saprolitos típicos, formados por núcleos remanescentes de rocha, arredondados, envoltos por material decomposto, representando a transição entre rocha e solo. c) Rochas vulcânicas A unidade geológica dominante na região estudada é constituída, predominantemente, por rochas efusivas de idade Jurássico-Cretácea, agrupadas na formação Serra Geral (MAACK, 1947). Tratam-se de rochas ácidas a intermediárias e basaltos, sobrepostos aos arenitos da Formação Botucatu (SCHOBBENHAUS FILHO et alii, 1975a). A formações Serra Geral (topo) e a formação Botucatu (base) compõem o Grupo São Bento (MÜLHMANN et alii, 1974). − Rochas ácidas a intermediárias As rochas vulcânicas ácidas ou intermediárias têm ocorrência limitada, quase sempre capeando regiões topograficamente altas e dando origem a solos pouco espessos e férteis, freqüentemente, coincidindo com zonas de campos naturais. Essas rochas são interpretadas como diferenciações do magma original ou modificações do mesmo por assimilação de materiais mais superficiais. Porém, existem dúvidas quanto sua gênese e posicionamento na seqüência estratigráfica, pois em alguns locais elas na verdade são recobertas por derrames básicos mais recentes. A espessura dos derrames ácidos pode ser considerável, ocorrendo neles variedades tanto porfiríticas quanto maciças representadas por dacitos e riolitos sob forma tabular. Sua coloração cinza-claro a cinza-médio, juntamente com outras peculiaridades como a VII - 118 predominância dos tipos maciços, modo de fraturamento, alteração superficial, tipo de regolito derivado e características geomorfológicas, os distingue facilmente dos basaltos. − Rochas basálticas Os basaltos são rochas básicas subalcalinas que, nas variedades maciças, apresentam coloração cinza-escuro a preto-acinzentado. Mineralogicamente são compostas essencialmente por plagioclásios cálcicos com proporção menor de piroxênios e porcentagem variável de minerais acessórios como titano-magnetita, apatita, olivina, quartzo e outros. Nas variedades mais grosseiras, os minerais formam cristais visíveis a olho nu, enquanto nas variedades afaníticas uma proporção substancial é constituída por matéria vítrea. Na seqüência efusiva da formação Serra Geral os basaltos compreendem 75% ou mais da espessura total da unidade, na qual se reconhecem basaltos toleíticos, quartzo basaltos e, localizadamente, rochas de caráter andesítico. As exposições das rochas basálticas apresentam cores escuras, mas quando alteradas superficialmente adquirem coloração amarelada, com amígdalas preenchidas por quartzo, calcita ou nontronita. Esses basaltos ocorrem sob a forma de derrames tabuliformes, cujas espessuras individuais podem variar de cinco a mais de cinqüenta metros. Entretanto, a seqüência de derrames pode atingir, em regiões como o oeste do Estado do Paraná, mais de 1000 metros de espessura, representando o empilhamento de várias dezenas de derrames individuais (SOARES, 1981). Cada derrame é formado por uma seqüência de litologias distintas. Nos derrames relativamente espessos a seqüência é, geralmente, constituída por basaltos maciços ou densos nos dois terços inferiores e por basaltos vesículo-amigdalóides e brechas basálticas no terço superior. Eventualmente, a seqüência pode ser diferente nos derrames delgados e, também, alguns derrames podem apresentar variações litológicas laterais acentuadas ou dividir-se em subunidades. Os basaltos amigdalóides e vesiculares, que têm presença constante no topo dos derrames, são rochas avermelhadas ou acinzentadas, cheias de orifícios formados pelo escapamento dos gases durante o resfriamento das lavas. Esses orifícios podem variar em diâmetro, de milímetros a vários decímetros, apresentando preenchimentos parciais ou totais de ágata, quartzo, zeólitas, calcita e argilo-minerais esverdeados (Nontronita). As brechas basálticas são rochas avermelhadas e acinzentadas que, em geral, assinalam o topo dos derrames. São constituídas por fragmentos de basalto vesículo-amigdalóide, em que os vazios entre fragmentos são preenchidos por materiais variados: areia e silte de origem detrítica superficial, minerais hidrotermais como calcita, zeólita, argilo-minerais esverdeados ou pretos, ou até mesmo pela própria lava. Geralmente, se formam pela fragmentação de crostas endurecidas no topo e frente dos derrames, como conseqüência da movimentação da massa subjacente, ainda fundida. Alguns tipos de brecha se formam por colapso, subdivisão ou movimentação tectônica dos derrames e têm características e posicionamento mais irregulares e variados. VII - 119 O topo dos derrames é esporadicamente marcado pela presença de camada delgada de arenito ou siltito avermelhado, sobre a qual se deposita a camada de lavas do derrame imediatamente superior. A superfície que separa um derrame do outro - contato entre derrames – é geralmente muito nítida e importante para a caracterização estratigráfica, litológica e geotécnica de um maciço basáltico. 3.2.4 - Aspectos estruturais a) Feições atectônicas Os derrames basálticos (RADAMBRASIL, 1983) apresentam uma série de estruturas atectônicas importantes para a compreensão das características geomorfológicas, da distribuição dos tipos de solos, e das características geotécnicas e hidrogeológicas dos maciços, tanto de rochas como de solos. A maior parte dessas feições resulta do modo de formação dos derrames e da sua estrutura em camadas. Outras resultam dos fenômenos de descompressão que acompanham a evolução da topografia. Uma feição significativa é representada pelos contatos entre derrames. Outra é representada pelo fraturamento colunar dos basaltos maciços, que divide a rocha em prismas de seção transversal variada, às vezes hexagonal. Quando essas fraturas são muito pouco espaçadas, origina-se uma estrutura chamada "micro-colunar". No terço superior dos derrames são comuns fraturas subhorizontais originadas pelo modo de resfriamento diferenciado das várias camadas de um derrame. Por outro lado, fraturas sub-horizontais ou pouco inclinadas em relação às camadas podem resultar do alívio de tensões que acompanha a erosão de um vale. Essas fraturas, tanto de resfriamento quanto de descompressão, podem ser eventualmente muito extensas e permeáveis, às vezes mostrando estriamentos do tipo "slickenside" e por isso chamadas "juntas-falha". b) Feições tectônicas A interpretação geológica em fotografias aéreas e imagens de radar (RADAMBRASIL, 1983), bem como observações de campo evidenciam os principais sistemas de lineamentos tectônicos da região. Estes lineamentos caracterizam-se por zonas de fraturamento subvertical e/ou falhas. Os lineamentos são, às vezes, muito extensos, podendo ser acompanhados em fotografias aéreas e imagens de radar por muitas dezenas de quilômetros. Podem, também, apresentar rejeitos verticais e direcionais, medindo de poucos a várias dezenas de metros. Sobressaem dois sistemas de lineamentos orientados nas direções N 50-70 W e N 50-70 E, segundo os quais ocorrem falhas importantes. O primeiro sistema é aproximadamente paralelo à direção dos diques de diabásio, no Estado do Paraná, relacionando-se possivelmente com o mecanismo que permitiu as efusões basálticas. O segundo sistema é aproximadamente paralelo aos dobramentos do embasamento pré-cambriano e pode VII - 120 representar reativações de cisalhamentos profundos. Não coincide com a direção das intrusivas básicas e parece mais "aberto", com circulação mais efetiva de água. Também existem dois sistemas subordinados de lineamentos, orientados segundo as direções N 0-20 W e N 20-30 E. Esses lineamentos têm importância fundamental no desenvolvimento das formas de relevo, já que os rios têm seus cursos claramente guiados pelos mesmos. Também a circulação da água subterrânea é, em boa parte, controlada por essas estruturas. 3.2.5 - Estanqueidade do maciço rochoso As seqüências ígneas, de modo geral, não são bons aqüíferos, pois as rochas que as constituem são, via de regra, pouco permeáveis (Mapa hidrogeológico da América do Sul, 1996). A discrepância é grande quanto à produção de água, com tendências para baixas vazões e índice relativamente elevado de poços improdutivos. O aqüífero principal do maciço em discussão (Formação Serra Geral) é configurado pela trama estrutural, constituída pelas fraturas tectônicas e atectônicas, bem como juntas interderrames. A maior ou menor incidência dessas feições, coadjuvadas por fatores litológicos como horizontes amigdalóides ou vesiculares, determinam a circulação e o armazenamento transitório da água subterrânea. As investigações para o EIA da UHE Salto Caxias, localizadas na região a montante do sítio ora estudado para a UHE Baixo Iguaçu mostram vazões médias consideradas modestas para poços tubulares profundos instalados nos basaltos, conforme registrado no quadro 3.26. O quadro 3.27, por sua vez, apresenta a profundidade dos poços em relação às vazões médias. Quadro 3.26 Produtividade de poços localizados a montante da área estudada Vazões (m³/h) Nº Relativo de Poços (%) 0,0 a 0,5 15,8 0,6 a 2,0 19,0 2,1 a 5,0 33,4 5,1 a 10,0 25,4 > 10 06,4 Total 100,0 Fonte: EIA – UHE Salto Caxias / Copel (1998) Verifica-se que 15,8% dos poços são considerados improdutivos e, apenas, 6,4% deles ultrapassam 10 m³/h, confirmando a tendência para baixas vazões. VII - 121 Quadro 3.27 Profundidade dos poços x vazões médias Profundidade (m) Vazões Médias (m³/h) até 100 5,1 101 a 150 7,1 151 a 200 2,5 > 200 5,1 Média Geral 4,95 Fonte: EIA – UHE Salto Caxias / Copel (1998) A média das vazões para profundidade até 100 metros (5,1 m³/h) é a mesma para profundidades superiores a 200 metros (5,1 m³/h), além disso, nas duas faixas intermediárias de profundidade, apesar das médias isoladas serem diferentes, a média das duas é igual a 4,8 m³/h. Muito próxima das médias maiores (5,1 m³/h) e da média geral 4,95 m³/h. Esse comportamento indica certa homogeneidade do maciço rochoso, no que se refere às estruturas que controlam a circulação das águas subterrâneas. Na publicação “O Parque Nacional do Iguaçu” (SALAMUNI et alii, 1999), os autores referem-se a poços tubulares profundos nos aqüíferos fraturados (Formação Serra Geral), cujo “volume extraído é variável em função da existência ou não de extensos alinhamentos” e registram a presença de poços “com produções superiores a 60 m³/h” e, também, sua relação com as tramas estruturais que compõem o aqüífero. Os dados obtidos das investigações para o EIA da UHE Salto Caxias são compatíveis com os dados relativos à área do Parque Nacional do Iguaçu e adjacências. O modelo geológico do aqüífero é semelhante nos dois estudos, porém, as vazões foram apresentadas de forma diferente. No primeiro caso são médias de vazão dos poços e no segundo caso são, apenas, referências de vazão isoladas. Considerados os fatores hidrogeológicos, confirma-se que a maior parte das rochas presentes na Formação Serra Geral tem baixa permeabilidade. Restando os horizontes de basaltos amigdalóides e/ou vesiculares, associados às descontinuidades tectônicas e atectônicas, como determinantes da estanqueidade do maciço. 3.2.6 - Erodibilidade dos solos Nas áreas semelhantes ao Parque Nacional do Iguaçu, onde a cobertura vegetal abundante alia-se ao caráter argiloso dos solos residuais de rochas basálticas, não ocorre erosão superficial acentuada. Naturalmente, esse quadro é modificado quando a ação antrópica remove a cobertura vegetal. Portanto, as áreas consideradas mais suscetíveis à erosão são efetivamente aquelas destinadas à atividade agrícola intensiva de ciclo curto, especialmente nos períodos muito pluviosos. VII - 122 Inexistem ravinamentos de grande porte, do tipo que é comum em áreas de rochas areníticas. Quando existem, são diminutos e restritos a pequenas áreas sem expressão em termos de mecanismo geral de carreamento de sólidos, conseqüentemente, com exceção das épocas anormalmente pluviosas, o carreamento de sólidos para os rios é, geralmente, moderado. No caso da erosão fluvial, pode-se constatar que o atual estágio de evolução da drenagem é predominantemente erosivo, observando que no rio Iguaçu a maior energia arredondou as curvas enquanto nos rios menores, como por exemplo, Capanema, Cotegipe e Andrada, permanece uma conformação angulosa, estreitamente relacionada com o padrão de fraturas. Entretanto, a relativa pequena expressão dos aluviões existentes no rio Iguaçu demonstra que o transporte de sólidos é, em geral, pequeno a moderado. 3.2.7 - Recursos minerais Embora a região de interesse não tenha tradição minerária, registra-se que são conhecidas algumas ocorrências minerais (PETRI et all 1983; ANUÁRIO MINERAL BRASILEIRO, 1995 a 2000 e DNPM-CONTROLE DE ÁREAS, 2004), entre as quais, menciona-se a presença de cobre nativo, de quartzo/ametista, de ágata, de pirita, de águas minerais, de rochas para britas, de argila e de areia/cascalho. Estes últimos produtos são os mais representativos, visto que são utilizados ”in natura”. Existem na região estudada 32 áreas requeridas para extração de basalto, 11 áreas requeridas para extração e uso de águas minerais, oito áreas requeridas para extração de areia, quatro áreas requeridas para extração de cascalho, sete áreas requeridas para extração de argila, cinco áreas requeridas para extração de basalto/argila (desenho nº UHEBI-ALL-GEO-004. Ressalta-se que em 2004 haviam quatro das áreas requeridas para extração de areia, bem como uma área requerida para extração de basalto/argila, no leito e margens do rio Iguaçu em áreas diretamente afetadas pela UHE Baixo Iguaçu. Atualmente foram registradas mais quatro áreas para pesquisa e mineração de areia nas proximidades do futuro eixo da barragem (desenho UHEBI-AID-GEO-005) As ocorrências de cobre nativo são relativamente comuns nos basaltos, mas até o presente momento nenhuma se revelou economicamente viável. Também as explorações de quartzo/ametista, ágata e pirita são praticamente desconhecidas na área. Estão registrados, na região estudada, dois pedidos de pesquisa para cobre e dois para ouro. É freqüente a ocorrência de águas mineralizadas em poços tubulares, cuja mineralização se dá pela presença de elementos abundantes nas rochas básicas, principalmente cálcio, sódio e ferro (SALAMUNI et all, 1999). Essas ocorrências, quando em poços de grande vazão, poderiam ser economicamente viáveis. Porém, as fontes de águas superficiais apresentam freqüentemente vazões entre 150 e 300 l/h (EIA – UHE Salto Caxias / COPEL, 1993). Nesse caso, mesmo se mineralizadas, o volume não tem qualquer expressão econômica. Na área de influência direta não há registro de atividade legal referente à água mineral. VII - 123 Quadro 3.28 Direitos minerários na região da UHE Baixo Iguaçu Nº DO PROCESSO 820461 820650 820943 826127 826178 1979 1986 1986 1988 1992 Licenciamento Licenciamento Licenciamento Concessao de Lavra Fase 97 Redram Construtora de Obras Ltda Laercio Bonetti - Fi Pavimar - Construtora De Obras Ltda Pedreira Motter Ltda Americo José Tondo 826014 826081 826567 1993 1993 1993 A. M. Simsen Lauxen & Cia Ltda Redram Construtora De Obras Ltda Construtora Castilho De Porto Alegre Ltda 826837 1994 Construtora Castilho De Porto Alegre Ltda Basalto 900,00 826503 1995 Petrocon Construtora De Obras Ltda. Basalto 49,53 826952 1996 Antonio Fialho Sobanski Basalto 49,70 827013 827096 826289 1996 1996 1997 Requerimento de Lavra Requerimento de Lavra Requerimento de Lavra Autorizacao de Pesquisa Autorizacao de Pesquisa Autorizacao de Pesquisa Autorizacao de Pesquisa Requerimento de Lavra Requerimento de Lavra Basalto Basalto Basalto Basalto Basalto Basalto P/ Brita Basalto Basalto 1997 Concessao de Lavra 826217 2000 826441 826723 826724 826789 2000 2001 2001 2001 826081 2002 826105 826111 2002 2002 826272 2002 826002* 2003 826003* 826279 2003 2003 826293 2003 826556* 2003 826593 2003 826644 2003 826167 2004 826334 2004 826343 2004 826522 2004 826208 2005 826223 2005 Requerimento de Lavra Autorizacao de Pesquisa Requerimento de Lavra Requerimento de Lavra Reg.de Extracao Autorizacao de Pesquisa Requerimento de Pesquisa Reg.de Extracao Autorizacao de Pesquisa Requerimento de Pesquisa Requerimento de Pesquisa Disponibilidade Autorizacao de Pesquisa Autorizacao de Pesquisa Autorizacao de Pesquisa Autorizacao de Pesquisa Autorizacao de Pesquisa Requerimento de Pesquisa Autorizacao de Pesquisa Autorizacao de Pesquisa Autorizacao de Pesquisa Requerimento de Pesquisa Basalto Basalto Basalto Água Mineral Água Mineral Basalto P/ Brita Basalto Basalto Cascalho 50,00 50,00 50,00 826373 Petrocon Construtora De Obras Ltda. Redram Construtora De Obras Ltda Americo José Tondo Estação De Aguas Minerais Vale Das Araucarias Ltda ANO SITUAÇÃO TITULAR Teodoro Empresa De Mineração Ltda. Petrocon Construtora De Obras Ltda. Clair Bernadetti Tesser Clair Bernadetti Tesser Prefeitura Municipal Boa Vista Da Aparecida Evandro Antonio Tondo SUBSTÂNCIA ÁREA (HECTARES) 41,48 2,55 7,85 144,00 49,40 100,00 146,00 49,00 50,00 50,00 49,98 50,00 49,70 5,00 50,00 Construtora Castilho S.A. Prefeitura Municipal De Santa Lúcia Basalto Basalto P/ Brita Basalto 50,00 5,00 Waldemiro Antonio Bueno Basalto 49,20 Extração De Areia Zucchi Ltda Areia 30,57 Extraã├O De Areia Zucchi Ltda Vermelho Construtora De Obras Ltda Areia Basalto Argila Refratária E Basalto Argila E Basalto 35,08 49,00 Redram Construtora De Obras Ltda Sérgio Vicente Antunes Clair Bernadetti Tesser Valdemar Sandi Basalto Água Mineral E Basalto E Argila Refratária Água Mineral Água Mineral Água Mineral Água Mineral Thiago Veloso Maria Basalto Lucidio José Cella Petrocon Construtora De Obras Ltda. 4r Agro-Pastoril Ltda Joel Francisco Carminatti Mauro Seuchuco 300,00 50,00 50,00 50,00 399,00 49,70 49,00 50,00 50,00 50,00 VII - 124 Nº DO PROCESSO ANO SITUAÇÃO TITULAR Autorizacao de Valdir Rothbarth Pesquisa Req.de Reg. de Ext. Prefeitura Municipal De Lindoeste Licenciamento Materiais P/Construcao Civil Costamoro Ltda. Licenciamento Materiais P/Construcao Civil Costamoro Ltda. Licenciamento Materiais P/Construcao Civil Costamoro Ltda. Licenciamento Materiais P/Construcao Civil Costamoro Ltda. Autorizacao de 826691 2005 Pesquisa Elias Ferlin Autorizacao de 826130 2006 Pesquisa Pedreira Itatiba Ltda. Autorizacao de 826131 2006 Pesquisa Pedreira Itatiba Ltda. Autorizacao de 826151 2006 Pesquisa Pedreira Rio Quati Ltda Requerimento de 826152 2006 Pesquisa Pedreira Rio Quati Ltda 826202 2006 Req.de Reg. de Ext. Prefeitura Municipal De Bela Vista Da Caroba 826438 2006 Licenciamento Cerâmica Realeza Ltda. 826489 2006 Licenciamento Vilson J. Fernandes E Cia Ltda 826575 2006 Licenciamento Cerâmica Vanin Ltda 826576 2006 Licenciamento Cerâmica De Telhas Sudoeste Ltda 826613* 2006 Licenciamento Materiais P/Construcao Civil Costamoro Ltda. 826614* 2006 Licenciamento Materiais P/Construcao Civil Costamoro Ltda. 826690 2006 Licenciamento Cerâmica Boligon Ltda 826710 2006 Licenciamento Olivio Wagner Requerimento de Extração De ┴Gua Mineral Klin E Santian 826746 2006 Pesquisa Ltda 826026 2007 Licenciamento Araupel S/A 826027 2007 Licenciamento Araupel S/A 826028 2007 Licenciamento Araupel S/A Requerimento de 826079 2007 Pesquisa Nelson Luiz Pereira Contini Requerimento de 826080 2007 Pesquisa Nelson Luiz Pereira Contini Requerimento de 826081 2007 Pesquisa Raimundo Tragino Bento Requerimento de 826134 2007 Pesquisa Raimundo Tragino Bento 826161 2007 Req.de Reg. de Ext. Prefeitura Municipal De Ibema Requerimento de 826167 2007 Pesquisa João Yasuji Sakai 826256 2007 Licenciamento Olivio Wagner Requerimento de 826305 2007 Pesquisa Pedreira Rio Quati Ltda Requerimento de 826401 2007 Pesquisa Mauricio Hoeflich Requerimento de 826412 2007 Pesquisa Ademar Fistarol Fonte DNPM / agosto 2004 * Áreas com interferência direta no empreendimento 826261 826470 826559* 826560* 826578* 826584* 2005 2005 2005 2005 2005 2005 SUBSTÂNCIA Basalto Basalto Areia Areia Areia Areia Água Mineral Basalto P/ Brita Basalto P/ Brita Basalto E Argila Refratária Argila Refratária E Basalto Basalto Argila Basalto Argila Argila Areia Areia Argila Basalto Água Mineral Cascalho Cascalho Cascalho Minério De Cobre Minério De Cobre Minério De Ouro Minério De Ouro Basalto ÁREA (HECTARES) 49,70 5,00 42,40 35,86 49,47 49,96 50,00 49,00 49,94 377,00 238,00 5,00 5,91 5,00 1,54 5,31 36,26 27,26 1,17 1,36 31,00 5,00 5,00 5,00 991,50 1000,00 999,98 999,98 5,00 Basalto Basalto 5,00 1,36 Basalto Água Mineral E Argila Água Mineral 50,00 225,00 50,00 3.2.8 - Risco sísmico O risco sísmico, considerado em estudos dessa natureza, refere-se a sismicidade natural, portanto, sujeito à alteração pela construção de reservatórios que possam produzir sismos. VII - 125 a) Sismicidade natural na região da UHE Baixo Iguaçu A sismicidade natural na região estudada para implantação da UHE Baixo Iguaçu foi pesquisada pelo observatório sismológico da Universidade de Brasília, cobrindo o período entre 1960 e 2002. A área insere-se num círculo de raio igual a 300 km e centro coincidente com o sítio do barramento, nas coordenadas 25° 30' Sul / 53° 40' Oeste. Os quinze eventos sísmicos registrados apresentaram baixa magnitude (< 5,0 mB), com hipocentros na crosta superior (profundidade < 25 km) e ocorreram a distâncias maiores que 100 km do sítio do barramento, mostrando que a área possui atividade sísmica natural baixa. O sismo de maior magnitude registrada (4,5 mB) ocorreu em 1967, no Paraguai, cuja distância calculada é da ordem de 241 km do sítio do barramento, enquanto os demais não passaram de 2,8 mB. Figura 3.45 Sismicidade natural na região da UHE Baixo Iguaçu b) Sismicidade induzida por reservatórios (SIR) A formação de grandes reservatórios d’água altera o regime de esforços crustais nas regiões onde eles são implantados, bem como a maneira desses esforços serem liberados nos terremotos (SIMPSON, 1986). A sismicidade resultante de tais alterações é denominada sismicidade induzida por reservatórios (SIR). O interesse pela SIR no Brasil começou no início da década de 70, após o fenômeno ter sido registrado nos reservatórios Capivara-Cachoeira, localizado próximo a Curitiba, e Carmo do Cajuru, no Estado de Minas Gerais. O ambiente sismotectônico do território VII - 126 brasileiro (Interior de placa litosférica e baixo nível de sismicidade natural) e o número relativamente grande de reservatórios constituem condições propícias para a manifestação de SIR. Foram registrados dezenove casos de SIR no Brasil, sendo dezesseis confirmados e três possíveis (MARZA et alii, 1999), no entanto, não há notícias de danos às obras onde os mesmos ocorreram. Com referência a sismos induzidos por reservatórios, a região estudada apresenta-se pouco suscetível, visto que os instrumentos instalados para monitoramento nas UHEs Foz do Areia, Segredo e Itaipu não registraram qualquer evento indicativo desses fenômenos. O monitoramento da UHE Foz do Areia estendeu-se, continuamente, desde aproximadamente um ano antes do enchimento do reservatório (1979), até 1991, quando foi continuado pelo monitoramento da UHE Segredo. Ressalta-se que há registros de dois sismos de magnitude muito pequena (< 0,5 mB), na área da UHE Salto Santiago em abril e julho de 1976. Todavia, os eventos foram de pequena magnitude e ocorreram durante a construção, portanto, existem dúvidas quanto ao significado. Já na UHE Salto Osório não foram instalados sismógrafos e, também, não houve registro de dados macrossísmicos após o enchimento do reservatório. Considerando a similaridade geológica entre os sítios das UHEs já construídas na região e da UHE Baixo Iguaçu, bem como dentre os reservatórios do rio Iguaçu é aquele que tem o menor volume armazenado (Quadro 3.29), conclui-se que a possibilidade de ocorrência de sismos induzidos é remota. Quadro 3.29 Comparativo dos volumes de água acumulados pelos reservatórios do rio Iguaçu Usina Hidrelétrica Un. Volume armazenado pelo reservatório (10³ Hm³) Foz do Areia Segredo Salto Santiago Salto Osório Salto Caxias Baixo Iguaçu 5.779 2.943 6.753 1.270 3.573 211,9 3.3 - Geomorfologia 3.3.1 - Aspectos gerais A região de interesse insere-se no altiplano basáltico paranaense, cujos grandes traços morfológicos são resultantes das especificidades típicas dos basaltos, em termos de intemperismo e erosão, e dos mecanismos morfoclimáticos que atuaram na região no período Quaternário e final do período Terciário. Esses últimos, de importância essencial, teriam agido de acordo com o esquema poligenético proposto por Bigarella et al. (1975), que reconhecem uma alternância de fases semi-áridas, de aplanamento e pediplanação, e de fases úmidas, de entalhamento fluvial linear. Dentro desse quadro, os divisores hidrográficos principais da região, formados por cristas elevadas e relativamente planas, suavemente inclinadas no sentido do rio Paraná e do rio VII - 127 Iguaçu, constituem remanescentes de uma extensa superfície aplanada, formada no início do Quaternário. Os episódios paleoclimáticos subseqüentes dissecaram essa superfície, reduzindo-a a um mosaico de mesetas e platôs de extensões variáveis, cujas altitudes diminuem gradativamente no sentido do rio Iguaçu, separados pelos vales onde se desenvolve a rede hidrográfica atual. Abaixo do nível das mesetas, as encostas apresentam topografia em degraus, típica da geologia basáltica. Nela se observam zonas mais íngremes, em geral coincidentes com as camadas de basaltos maciços e terraços suavemente inclinados, esculpidos na transição entre os derrames. Os terraços suavemente inclinados, cobertos por acumulações de solos avermelhados com eventuais linhas de seixos (Rampas de colúvio), assinalam épocas semi-áridas mais recentes, com as formas de morfogênese pedimentar um pouco mascaradas, na região basáltica, pela geometria tabuliforme dos derrames. As escarpas e encostas íngremes indicam, até certo ponto, as retomadas de erosão em climas úmidos, embora seqüencialmente influenciadas pelas fases semi-áridas, assim como os vales bem encaixados atestam fases de entalhamento fluvial linear. Nos vales dos principais rios da região, os aluviões que ocorrem em certos trechos formaram-se em fases úmidas sub-atuais a atuais de sedimentação, com algumas dessas formações parcialmente recobertas por colúvios, indicando fases semi-áridas relativamente recentes. Com relação ao estágio atual de evolução da drenagem, pode-se constatar que a tendência atual dos rios é predominantemente erosiva, observando que nos rios principais, como o Iguaçu, a maior energia erosiva arredondou as curvas e que os rios menores ainda mantêm uma conformação angulosa, estreitamente relacionada com o padrão de fraturas. Os saltos e cachoeiras, comuns na região, também resultam dessas fases erosivas. As cachoeiras esculpidas no basalto, em geral, mostram quedas verticais devidas às camadas de basalto colunar, enquanto as cachoeiras formadas nos locais de rochas ácidas têm conformação diferente. Visto em conjunto, o baixo rio Iguaçu é nitidamente conseqüente, isto é, direcionado pela inclinação geral dos derrames para oeste, assumindo localmente feições subseqüentes, adaptando-se às fraturas ou linhas de falha, particularmente nas direções noroeste-sudeste, nordeste-sudoeste e norte-sul, que correspondem aos sistemas principais de lineamentos. Os principais afluentes da margem esquerda, como os rios Capanema e Cotegipe, mostram vales subseqüentes nas direções gerais noroeste-sudeste e aproximadamente norte-sul, sendo igualmente de caráter subseqüente aqueles da margem direita, direcionados a nordeste-sudoeste e, também, norte-sul. Um dos aspectos morfológicos observados na região refere-se às pequenas depressões circulares ou irregulares que ocorrem no topo das mesetas e platôs. Essas feições são VII - 128 bastante comuns nas regiões basálticas, particularmente em áreas altas, relativamente planas e próximas a escarpas de serras. Sua origem não é bem conhecida, mas aparentemente tem relação com a drenagem indecisa e a proximidade da superfície da rocha nestes pontos, podendo ocorrer solos orgânicos em alguns desses locais. Outra observação importante relaciona-se à identificação de feições morfológicas decorrentes de escorregamentos de taludes e fenômenos correlatos, além daqueles associados aos fenômenos de coluviação. Nas fases semi-áridas, a ausência de cobertura vegetal ampla e o regime hidrológico de enxurradas facilitam os mecanismos de coluviação, ou seja, de movimentação lenta dos solos residuais encostas abaixo, com a sua acumulação nos terraços de menor declividade. Já nas fases úmidas, além da erosão de caráter fluvial, as épocas anormalmente chuvosas que se repetem de tempos em tempos provocam deslizamentos de taludes, a ponto desse fenômeno constituir um fator morfogenético considerável. As cheias de 1983, por exemplo, desencadearam centenas de escorregamentos de taludes em toda a região basáltica. O mapa de geomorfologia da área de influência indireta é apresentado no desenho nº UHEBI-ALL-GEO-006. 3.3.2 - Estabilidade de encostas Durante as fases úmidas, o carreamento de sólidos para os rios aumenta consideravelmente. Os deslizamentos de taludes são bastante comuns na região basáltica, porém seu controle geológico é bem conhecido. Os escorregamentos ocorrem principalmente nas acumulações coluviais relativamente espessas que recobrem os terraços suavemente inclinados. Nesses horizontes, a circulação das águas de infiltração é forçada a deslocar-se horizontalmente pela menor permeabilidade das camadas de brecha basáltica e basaltos vesiculares, além da predominância de fraturas subhorizontais. As pressões de percolação desenvolvidas contra as coberturas de solos coluviais criam condições propícias aos deslizamentos, que são muito mais freqüentes nas épocas de forte pluviosidade. É importante notar que os deslizamentos de taludes, nessas áreas, não são função direta da declividade do terreno e sim das espessuras de solos e do posicionamento dos contatos de derrame e zonas de circulação sub-horizontal de água. Esses deslizamentos podem variar desde simples escorregamentos de tipo rotacional, que são os mais comuns, a eventos de maior intensidade, verdadeiras corridas de lama. Afora as fases muito pluviosas, como a que vigora atualmente, nas áreas com cobertura vegetal abundante e solos argilosos derivados dos basaltos a erosão superficial não se apresenta muito acentuada, praticamente inexistindo áreas que possam ser destacadas, por razões puramente geológicas, como especialmente suscetíveis a esses fenômenos. VII - 129 Inexistem ravinamentos de grande porte, do tipo que é comum em áreas de rochas areníticas. Quando existem, são diminutos e restritos a pequenas áreas sem expressão em termos de mecanismo geral de carreamento de sólidos, conseqüentemente, com exceção das épocas anormalmente pluviosas, o carreamento de sólidos para os rios é, em geral, pequeno a moderado. Todavia, esse quadro é modificado quando, por ação antrópica, é removida a cobertura vegetal, como ocorre nas áreas de culturas de ciclo curto, de modo que as áreas consideradas mais suscetíveis à erosão são efetivamente aquelas que estão atualmente destinadas à atividade agrícola intensiva. 3.3.3 - Erodibilidade e declividade A erosão traduz-se no desgaste que a superfície do solo poderá sofrer quando submetida a qualquer uso, sem medidas conservacionistas. Está na dependência das condições climáticas (especialmente do regime pluviométrico), das condições do solo (textura, estrutura, permeabilidade, profundidade, capacidade de retenção de água, presença ou ausência de camada compacta e pedregosidade), das condições de relevo (extensão da pendente, declividade e microrrelevo) e da cobertura vegetal. Conforme Mendes, (1984), a erodibilidade dos solos no Estado do Paraná pode ser classificada nos graus: - Nulo (N) – solos praticamente não susceptíveis à erosão. Predominam solos com boa permeabilidade e relevo aplanado com declives até 3%. Se os declives são próximos de 3% os solos poderão apresentar erosão laminar ligeira; - Ligeiro (L) – solos pouco susceptíveis à erosão. O horizonte superficial ainda poderá estar presente ou não. Apresentam declives entre 3% e 8%, além de condições físicas muito favoráveis, como grande parte dos solos com horizonte B latossólico, incluindo aqueles com textura argilosa e declives até 20%; - Moderado (M) – solos normalmente suscetíveis à erosão. Quando utilizados indiscriminadamente para agricultura, a erosão apresenta-se moderada no início e agrava-se rapidamente. Inicialmente ocorre a remoção de todo o horizonte A, em seguida desenvolvem-se sulcos e voçorocas. Esses solos podem ter relevo suave ondulado, porém são pouco profundos e/ou pedregosos, predominantemente do tipo cambissolos ou podem ser argilosos, essencialmente de B textural ocupando relevo ondulado; - Forte (F) - solos fortemente suscetíveis à erosão. Quando utilizados para agricultura a erosão é reconhecida por fenômenos fortes na maioria da área e os danos no solo são rápidos. Nesse grau de limitação predomina o relevo forte ondulado e a proteção/controle da erosão, na maioria dos casos, é muito difícil e dispendiosa, ou mesmo inviável; - Muito forte (F) – solos muito suscetíveis à erosão. O relevo é montanhoso e escarpado, com declives maiores que 40%. A altitude da bacia de estudo varia da cota 300 a 800 m. Nessa área, predominam terrenos planos, ou seja, com declividades menores que 3% (desenho UHEBI-ALL-SOL- VII - 130 08). Em áreas com variação hipsométrica de 500 para 600 m, aparecem terrenos com relevo suave ondulado (3% a 6%) a ondulado (6% a 12%), de acordo com a classificação de França, (1963). Apenas ao sul da bacia de estudo, aparecem terrenos com relevo montanhoso, especialmente nos municípios de Barracão, Bom Jesus do Sul, Salgado Filho e Manfrinópolis. Ao norte, também aparecem faixas de terrenos com relevo mais movimentado, também em altitudes maiores (faixas de 500 m a 600 m). Assim, os solos presentes na área, mormente Latossolos e Terras Roxas, apresentam erodibilidade nula a ligeira, conforme critérios utilizados para o Estado do Paraná. Sob manejo adequado, essa erodibilidade natural pode ser controlada e não prejudica a utilização dos solos para o cultivo e a implantação de pastagens. 3.3.4 - Unidades de mapeamento na área de estudo Na área de estudo, o relevo apresenta algumas variações morfométricas que foram mapeadas segundo o conceito de sistemas de relevo apresentado em Ponçano, (1979). As unidades mapeadas são apresentadas a seguir: - Cm - Colinas médias: predominam interflúvios com áreas de 1 km² a 4 km², topos aplainados, vertentes com perfis convexos a retilíneos. Drenagem de média a baixa densidade, padrão sub-retangular, vales abertos a fechados, planícies inferiores restritas; - Msr - Morros com serras restritas: morros de topos arredondados, vertentes com perfis retilíneos, presença de serras restritas. Drenagem de alta densidade, padrão dendrítico a pinulado, vales fechados, planícies fluviais restritas; - Meb - Mesas basálticas: morros de topos aplainados a arredondados, vertentes com perfis escalonados, com pequenas escarpas e exposição de rochas. Drenagem de média densidade, padrão pinulado a subparalelo, vales fechados; - Mta - Morros basálticos de topos arredondados: topos arredondados a localmente achatados e extensos, encostas com perfis escalonados, podendo haver escarpas com exposição de rochas. Presença de espigões locais. Drenagem de média densidade, padrão dendrítico, vales fechados; - Vee - Vale com encostas escarpadas: vertentes retilíneas a convexas, por vezes escalonadas em patamares, com exposição de rocha. Vales fechados, formando pequenos cânions. A unidade Colinas médias (Cm) ocupa a maior parte da área, principalmente nas nascentes do rio Cotegipe, e no divisor de águas entre os rios Santo Antônio e Capanema. Na margem direita do rio Iguaçu, estende-se sobre a área do rio Benjamin Constant, dentro do Parque Nacional do Iguaçu, e no divisor de águas dos rios Gonçalves Dias e Andrada e também ao norte nas proximidades da sede municipal de Cascavel. A unidade Morros com serras restritas (Msr) ocupa principalmente a porção sul da área nas nascentes do rio Capanema. É composta por morros com amplitude de relevo de cerca de 200 m, cristas estreitas, drenagem formando vales profundos, com rios VII - 131 encachoeirados, encostas de alta declividade (superiores a 20º), por vezes mostrando-se escalonados em patamares formados pela estrutura dos derrames basálticos, com solos rasos (litólicos) muitas vezes expondo afloramentos de rochas. A unidade Morros basálticos de topos arredondados (Mbta) ocupa a bacia do rio Sarandi a sul e trechos isolados nas áreas dos rios Benjamin Constant e Andrada. Apresenta-se como um relevo de platôs alongados que se estendem como divisores de águas, interrompidos por vales profundos mapeados como Vales com encostas escarpadas (Vee). Esses Morros de topos arredondados apresentam solos profundos, principalmente Latossolo roxo, com intensa ocupação agrícola devido a suas boas características físicas e químicas. Dentro da unidade os vales são pouco profundos podendo apresentar trechos encharcados em períodos de grande pluviosidade. A unidade Vales com encostas escarpadas (Vee) está relacionada à rede de drenagem formada pelos rios Capanema, Floriano, Gonçalves Dias e Andrada. São rios com forte controle estrutural, curvas acentuadas, trechos encachoeirados e fortemente erosivos. Os vales apresentam de 100 m a 150 m de profundidade média, encostas em patamares que correspondem aos diversos derrames basálticos, com exposição de extensos paredões de rocha. Nas imagens de satélite utilizadas para o mapeamento podem ser visualizados até cinco patamares. As Mesas basálticas (Meb) constituem-se em um testemunho de uma superfície mais elevada isolada, sobressaindo-se do relevo ao redor. Como ocupam áreas pequenas, normalmente não podem ser mapeadas, por exemplo em mapas de escalas de 1:500.000. A área a ser inundada pelo futuro reservatório da UHE Baixo Iguaçu apresenta na parte mais próxima ao eixo da barragem, relevo suave ondulado, pontilhado por planícies fluviais pequenas, restritas a desembocaduras dos rios Gonçalves Dias e Andrada. Na porção mediana, observa-se um relevo mais movimentado, com declividades superiores a 45º em vários trechos, onde o reservatório praticamente não extrapolará a calha do rio Iguaçu. 3.3.5 - Processos de origem fluvial A área pode ser entendida como um grande geossistema, com predomínio de processos fluviais, cujo entendimento é definido pela integração das variáveis de clima, solos, rochas, declividade e cobertura vegetal e que, atualmente, se constitui no principal agente modelador da paisagem da região. De uma forma geral, na natureza, os rios estão em equilíbrio com seus fluxos, havendo um balanço entre a descarga líquida, o transporte de sedimentos, a erosão e a deposição, de tal modo que o rio mantém a proporcionalidade do tamanho de sua calha até a sua foz. O sistema de drenagem pode ser considerado como um sistema aberto, onde ocorre entrada de energia alimentada pelo clima local e pela estruturação física das rochas (falhas e fraturas). A eliminação dos fluxos energéticos dá-se pela saída da água, sedimentos e compostos em solução. VII - 132 Existe uma inter-relação dinâmica entre o relevo mais abrupto e o vale do Iguaçu, que permite uma constante troca de causa e efeito entre todos os elementos da bacia. Assim, as mudanças de uso do solo, incluindo os processos naturais gravitacionais, que estão ocorrendo nas encostas, determinam os processos erosivos e promovem a alteração da dinâmica fluvial, responsável pela formação de uma grande variedade de núcleos biológicos, estruturas e condições específicas que, em conjunto, determinam o ecossistema. O rio Iguaçu apresenta a ocorrência de formas meandricas, que representam esse estado de relativa estabilidade do canal, configurando um ajustamento entre todas as variáveis hidrológicas (velocidade do fluxo; declividade; largura e profundidade do canal; rugosidade do leito; carga sólida e vazão). Tal equilíbrio, no entanto, vem sendo alterado como resultado da atividade humana na área, como, por exemplo, a substituição da vegetação natural por terras cultivadas e a urbanização crescente. 3.4 - Solos 3.4.1 - Metodologia A caracterização dos solos da área de influência direta e indireta da UHE Baixo Iguaçu, baseou-se nas informações constantes do levantamento de reconhecimento de solos do estado do Paraná (EMBRAPA, 1984). Para estimar a potencialidade dos solos com referência a utilização agro-silvo-pastoril, foi empregada a metodologia preconizada pelo sistema de avaliação da aptidão agrícola das terras (RAMALHO FILHO e BEEK, 1995). 3.4.2 - Solos da área de influência direta e indireta De uma maneira genérica, os solos que constituem as áreas de influência do empreendimento, originam-se de materiais retrabalhados provenientes de rochas básicas referidas ao Mesozóico (sedimentação e magmatismo básico e alcalino) e ao Paleozóico (cobertura sedimentar). Desta forma, predominam nas áreas de influência direta e indireta, solos com texturas argilosas a muito argilosas, freqüentemente com mais de 60% de argila. Na formação do relevo regional constata-se uma efetiva atuação do sistema hidrográfico, de movimentos epirogênicos e significativa influência morfoclimática, através da ocorrência de alternância de períodos semi-áridos e úmidos. Na região, são freqüentes as mesetas estruturais típicas de topos de derrames basálticos, que induzem a formação de relevo suave ondulado a ondulado. Nas áreas enfocadas, segundo os processos pedogenéticos atuantes, os solos podem ser ordenados em quatro grupos: - Solos com horizonte B Latossólico; VII - 133 - Solos com horizonte B Textural; - Solos pouco desenvolvidos; - Solos Hidromórficos. a) Solos com Horizonte B Latossólico a.1) Latossolo Bruno Esta classe é constituída por solos minerais não hidromórficos desenvolvidos de material fortemente intemperizado, o que resulta perfis profundos e bem drenados onde a lavagem da sílica e bases oferece condições favoráveis para a formação de argilas de baixa capacidade de troca, predominando sesquióxidos e caulinita. São de coloração bruno avermelhada de matizes 5 YR e 10 YR, com horizonte A proeminente e altos teores de alumínio trocável. Ocorrem em altitudes acima de 900 m, sob clima Cfb. Necessita para viabilizar o aproveitamento agrícola, aplicação de grandes quantidades de calcário, além de adubações fosfatadas. Como os demais Latossolos, são bastante resistentes à erosão em condições naturais e sob cobertura vegetal nativa. Ocorre somente na porção sul da área de influência indireta, em Santo Antônio do Sudoeste e nas áreas mais altas das cidades de Barracão e Flor da Serra do Sul. A unidade de mapeamento identificada na área de influência indireta foi: LBd1 - LATOSSOLO BRUNO distrofico típico, álico A proeminente, textura argilosa floresta subtropical perenifólia, relevo suave ondulado. a.2) Latossolo Vermelho Solo mineral com horizonte diagnóstico B latossólico, de coloração dominantemente bruno-avermelhado escuro no horizonte A e vermelho-acinzentado escuro no Bw, matiz 10 R, estrutura maciça muito porosa, e pequena diferenciação morfológica ente os subhorizontes. São profundos com estrutura moderada a forte pequena granular no A; o horizonte Bw é normalmente muito espesso com forte estruturação granular. O teor de Fe2O3 está próximo de 20%. Ocorre principalmente nas áreas mais próximas ao município de Cascavel, na porção noroeste da área de influência indireta. Grandes extensões também aparecem no divisor de águas, entre os rios Andrada e Gonçalves Dias, nas proximidades da cidade de Santa Lúcia. Na margem esquerda do rio Iguaçu, nas proximidades das sedes de Realeza e Santa Izabel do Oeste, localizam-se em relevo suave ondulado apresentando intenso uso agrícola. Na área de influência direta o Latossolo Vermelho eutroférrico é o solo dominante, quase sempre associado a Nitossolos Vermelhos eutroférricos. As unidades de mapeamento identificadas na área de influência direta foram: LVef1 – Associação LATOSSOLO VERMELHO eutroférrico típico A moderado, textura argilosa, fase floresta tropical perenifólia, relevo suave ondulado e praticamente plano + NITOSSOLO VERMELHO eutroférrico latossólico, A VII - 134 moderado, textura argilosa, fase floresta tropical perenifólia, relevo suave ondulado. LVef2 – Associação LATOSSOLO VERMELHO eutroférrico típico, relevo suave ondulado + NITOSSOLO VERMELHO eutroférrico típico, relevo suave ondulado e ondudado, ambos A moderado, textura argilosa, fase floresta tropical perenifólia. LVef3 – Associação LATOSSOLO VERMELHO Eutroférrico típico, A moderado, textura argilosa, fase floresta tropical perenifólia, relevo suave ondulado e praticamente plano + NITOSSOLO VERMELHO eutroférrico típico, A moderado, textura argilosa, fase floresta tropical perenifólia, relevo ondulado. LVef4 – Associação LATOSSOLO VERMELHO eutroférrico típico, A moderado, textura argilosa, fase floresta tropical perenifólia, relevo suave ondulado e praticamente plano + NITOSSOLO VERMELHO eutroférrico chernossólico, textura argilosa, fase floresta tropical perenifólia, relevo ondulado. LVef5 – Associação LATOSSOLO VERMELHO eutroférrico típico, A moderado, textura argilosa, fase floresta tropical perenifólia, relevo suave ondulado e praticamente plano + NEOSSOLO LITÓLICO eutrófico chenossólico, relevo forte ondulado e montanhoso, substrato rochas eruptivas básicas + CHERNOSSOLO ARGILÚVICO férrico saprolítico, relevo forte ondulado, ambos textura argilosa, fase pedregosa floresta tropical subperenifólia + NITOSSOLO VERMELHO distroférrico típico, A moderado textura, argilosa fase floresta tropical perenifólia, relevo ondulado. As unidades de mapeamento identificadas na área de influência indireta foram: LVdf1 – LATOSSOLO VERMELHO distroférrico típico, álico A proeminente, textura argilosa, fase floresta subtropical perenifólia, relevo suave ondulado; LVdf2 – LATOSSOLO VERMELHO distroférrico típico, A moderado, textura argilosa, fase floresta tropical perenifólia, relevo suave ondulado LVdf3 – LATOSSOLO VERMELHO distroférrico típico, A proeminente, textura argilosa, fase floresta subtropical perenifólia, relevo suave ondulado; LVdf4 – LATOSSOLO VERMELHO distroférrico típico, A proeminente textura argilosa, fase floresta subtropical perenifólia, relevo ondulado; LVdf5 – LATOSSOLO VERMELHO distroférrico, A moderado, textura argilosa, fase floresta subtropical perenifólia, relevo suave ondulado; LVdf6 – LATOSSOLO VERMELHO distroférrico típico, A moderado, textura argilosa, fase floresta subtropical perenifólia , relevo ondulado; LVef1 – LATOSSOLO VERMELHO eutroférrico típico, A moderado, textura argilosa, floresta tropical perenifólia, relevo suave ondulado e praticamente plano; LVef3 – LATOSSOLO VERMELHO eutroférrico típico, A moderado, textura argilosa, fase floresta tropical subperenifólia, relevo suave ondulado e praticamente plano; LVef2 – Associação LATOSSOLO VERMELHO eutroférrico típico, relevo suave ondulado + NITOSSOLO VERMELHO eutroférrico típico sobre relevo suave VII - 135 ondulado e ondulado, ambos A moderado, textura argilosa, floresta tropical perenifólia. a.3) Latossolo Vermelho Compreende solos minerais, profundos a muito profundos, com textura argilosa, coloração vermelho-escuro, muito porosos, bem drenados e com seqüência de horizontes A, AB, BA e Bw. Caracterizam-se por ausência virtual de minerais primários facilmente intemperizáveis, baixa capacidade de troca de cátions (CTC), predominância de argila 1:1 (caulinita) e sesquióxidos. Possuem muitos macroporos, estrutura de aspecto maciço porosa com grânulos pequenos, textura argilosa, com freqüente ocorrência de cascalho ao longo do perfil, e consistência friável, quando úmido, e plástico e pegajoso a muito pegajoso, quando molhado, com transições entre os horizontes e subhorizontes normalmente plana e gradual. Ocorre em uma pequena extensão na porção oeste da área de influência indireta, ao sul de Foz de Iguaçu (SC). A unidade de mapeamento identificada na área de influência indireta foi: LVd1 – Latossolo Vermelho distrófico típico A moderado, textura média, fase floresta tropical subperenifólia, relevo suave ondulado e praticamente plano; b) Solos com Horizonte B Textural Este grupo abrange as Nitossolos Vermelhos, que possuem perfis medianamente profundos a profundos, textura argilosa, bem drenados. São solos moderadamente suscetíveis à erosão e apresentam algum impedimento ao uso de máquinas agrícolas. Os distróficos tem média a baixa fertilidade natural, reação ácida a moderadamente ácida e deficiência em fósforo. Podem oferecer produções agrícolas sustentáveis desde que sejam feita aplicações de corretivos (calagem) e adubações complementares, além de práticas conservacionistas adequadas. Quando eutróficos, apresentam saturação por bases alta, com teores relativamente elevados de nutrientes, exceto de fósforo. Estão distribuídos principalmente nas partes mais baixas dos vales dos afluentes do rio Iguaçu, em ambas as margens, inclusive nas proximidades do próprio rio Iguaçu. As maiores extensões contínuas situam-se dentro da área do Parque Nacional do Iguaçu. Outras, mais esparsas, distribuem-se na região das nascentes dos rios Capanema e Cotegipe, nos fundos de vale. As unidades de mapeamento identificadas na área de influência indireta foram: NVef1 – NITOSSOLO VERMELHO eutroférrico chernossólico, textura argilosa, fase floresta tropical perenifólia e relevo ondulado; NVef2 – NITOSSOLO VERMELHO eutroférrico típico A moderado, textura argilosa, fase floresta tropical perenifólia, relevo ondulado; NVef3 – NITOSSOLO VERMELHO eutroférrico latossólico A moderado, textura argilosa, fase floresta tropical perenifólia e relevo suave ondulado; NVef4 – NITOSSOLO VERMELHO eutroférrico chernossólico, textura argilosa, fase floresta subtropical perenifólia e relevo ondulado; VII - 136 NVef5 – Associação NITOSSOLO VERMELHO eutroférrico típico A moderado, textura argilosa, fase floresta tropical perenifólia, relevo ondulado + GLEISSOLO INDISCRIMINADO, fase floresta tropical perenifólia de várzea, relevo plano. NVdf1 – NITOSSOLO VERMELHO distroférrico típico A proeminente, textura argilosa, fase floresta subtropical perenifólia e relevo ondulado; NVdf2 – Associação NITOSSOLO VERMELHO distroférrico típico, relevo ondulado + LATOSSOLO VERMELHO distroférrico típico, relevo suave ondulado ambos A proeminente, textura argilosa, fase floresta subtropical perenifólia; NVdf3 – Associação NITOSSOLO VERMELHO distroférrico típico álico, relevo ondulado + CAMBISSOLO HÁPLICO Tb distrofico típico, relevo forte ondulado, substrato rochoso do derrame do Trapp ambos A proeminente, textura argilosa, fase floresta subtropical perenifólia. Na área de influência direta ocorrem sempre associados aos Latossolos Vermelhos eutroférricos, em caráter subdominante. c) Gleissolos Compreende solos mal e/ou imperfeitamente drenados, desenvolvidos em ambiente redutor condicionado pelo encharcamento. Apresentam cores cinzentas nos horizontes subsuperficiais e, normalmente, o horizonte A tem coloração escura em razão da decomposição mais lenta da matéria orgânica. Na área de influência indireta ocorre na porção nordeste. Estes solos normalmente são ácidos e, quando drenados, podem ser utilizados com pastagens e horticultura. A unidade de mapeamento identificada na área de influência indireta foi: GX1 – GLEISSOLO INDISCRIMINADO, textura argilosa, fase campo tropical de várzea, relevo plano. d) Solos pouco desenvolvidos Constituído por solos minerais rasos, pouco desenvolvidos, com horizonte A assente diretamente sobre a rocha matriz ou sobre um horizonte C de pequena espessura. De maneira geral, são considerados inaptos ou de restrita utilização para agricultura mecanizada. A pouca profundidade e a grande concentração de cascalhos, calhaus e afloramentos rochosos, tanto na superfície como no interior do perfil, dificultam a mecanização, limitando o uso de implementos agrícolas. Esse grupamento, nas áreas de influência, é representado pelos Noessolos Litólicos que geralmente estão associados a sítios com declividades acentuadas e fortes riscos de erosão. As maiores ocorrências contínuas localizam-se na porção centro-sul, nas proximidades das nascentes do rio Capanema, sobre relevo forte ondulado; na região interfluvial do rio Cotegipe, na margem esquerda do rio Iguaçu, e na margem direita dos rios Andrada, Gonçalves Dias, Floriano e Benjamin Constant, ocupando as áreas de maior declividade, associados aos Nitossolos Vermelhos, situada no nível topográfico mais baixo. As unidades de mapeamento identificadas na área de influência indireta foram: VII - 137 Rle1 – Associação NEOSSOLO LITÓLICO Eutrofico Chernossólico, relevo forte ondulado e montanhoso substrato de rochas eruptivas básicas + CHERNOSSOLO ARGILÚVICO Férrico saprolítico, relevo forte ondulado, ambos de textura argilosa, fase pedregosa floresta tropical subperenifólia + NITOSSOLO VERMELHO distroférrico típico A moderado, textura argilosa, fase floresta tropical perenifólia e relevo ondulado; Rle2 – Associação NEOSSOLO LITÓLICO Eutrófico chernossólico fase pedregosa, floresta subtropical subperenifólia, relevo forte ondulado e montanhoso, substrato rochas eruptivas básicas + NITOSSOLO VERMELHO eutroférrico típico floresta subtropical perenifólia, relevo forte ondulado + CHERNOSSOLO HÁPLICO Órtico saprolítico fase pedregosa, floresta subtropical subperenifólia, relevo forte ondulado, substrato rochas eruptivas básicas - todos A chernozêmico com textura argilosa. e) Gleissolos Abrange solos formados sob ação do hidromorfismo, a partir de sedimentos alúviocoluvionares que geralmente ocorrem em relevo plano abaciado. As condições de redução existentes no perfil são expressas pelo horizonte glei dentro dos 50 cm superficiais. Podem ser de textura argilosa ou média, com fertilidade variável. Encontramse tanto sob florestas ciliares como em locais mais interiorizados no plano aluvial. A unidade de mapeamento identificada na área de influência indireta foi: GX2 – GLEISSOLOS INDISCRIMINADOS, textura argilosa, fase campo de várzea, relevo plano. 3.4.3 - Legenda de solos e aptidão agrícola das terras Nos Quadros 3.29, 3.30 e 3.31 estão discriminadas as unidades de mapeamento de solos e a classe de aptidão do solo dominante, e as classificações para erodibilidade das áreas de influência direta e indireta do empreendimento. VII - 138 Quadro 3.30 Legenda de solos e aptidão agrícola - Área de influência direta Símbolo Unidade Mapeamento LVef1 LVef3 LVef2 LVef4 LVef5 Componentes Associação Latossolo Vermelho eutroférrico típico A moderado textura argilosa fase floresta subtropical perenifólia relevo suave ondulado e praticamente plano + Nitossolo Vermelho Eutroférrico típico A moderado textura argilosa fase floresta tropical perenifólia relevo suave ondulado. Associação Latossolo Vermelho eutroférrico típico A moderado textura argilosa fase floresta subtropical perenifólia relevo suave ondulado e praticamente plano + Nitossolo Vermelho eutroférrico típico A moderado textura argilosa fase floresta tropical perenifólia relevo ondulado. Associação Latossolo Vermelho eutroférrico típico A moderado textura argilosa fase floresta subtropical perenifólia relevo suave ondulado e praticamente plano + Nitossolo Vermelho eutroférrico chernossólico textura argilosa fase floresta subtropical perenifólia relevo ondulado. Associação Latossolo Vermelho eutroférrico típico A moderado textura argilosa fase floresta subtropical perenifólia relevo suave ondulado e praticamente plano + Nitossolo Vermelho eutroférrico chernossólico textura argilosa fase floresta tropical perenifólia relevo ondulado. Associação Latossolo Vermelho eutroférrico típico A moderado textura argilosa fase floresta subtropical perenifólia relevo suave ondulado e praticamente plano + Neossolo Litólico Eutrófico chernossólico relevo forte ondulado e montanhoso substrato rochas eruptivas básicas + Chernossolo Argilúvico férrico saprolítico relevo forte ondulado ambos textura argilosa fase pedregosa floresta tropical subperenifólia + Nitossolo Vermelho eutroérrico típico A moderado textura argilosa fase floresta tropical perenifólia relevo ondulado. Símbolo Aptidão Agrícola 2bc 2bc 2bc 2bc 2bc Quadro 3.31 Legenda de solos e aptidão agrícola - área de influência indireta Símbolo Unidade de Mapeamento Símbolo Componentes Aptidão Agrícola LBd1 Latossolo Bruno distrófico típico, álico A proeminente textura argilosa fase floresta subtropical perenifólia relevo suave ondulado 2bc LVdf1 Latossolo Vermelho distroférrico típico A proeminente textura argilosa fase floresta subtropical perenifólia relevo suave ondulado 2bc LVdf2 Latossolo Vermelho distroférrico típico A moderado textura argilosa fase floresta subtropical perenifólia relevo suave ondulado 1(a)BC LVdf7 Latossolo Vermelho distroférrico típico A proeminente textura argilosa fase floresta subtropical perenifólia relevo suave ondulado 1(a)BC LVdf3 Latossolo Vermelho distroférrico típico A proeminente textura argilosa fase floresta subtropical perenifólia relevo ondulado 1(a)Bc LVdf4 Latossolo Vermelho distroférrico típico A moderado textura argilosa fase floresta subtropical perenifólia relevo suave ondulado 1(a)Bc LVdf5 Latossolo Vermelho distroférrico típico A moderado textura argilosa fase floresta subtropical perenifólia relevo ondulado 1(a)Bc LVef1 Latossolo Vermelho eutroférrico típico A moderado textura argilosa fase floresta tropical perenifólia relevo suave ondulado e praticamente plano 2bc LVef3 Associação Latossolo Vermelho eutroférrico típico relevo suave ondulado + Nitossolo Vermelho eutroférrico típico relevo suave ondulado e ondulado ambos A moderado textura argilosa fase floresta tropical perenifólia 1ABC LVd1 Latossolo Vermelho distrófico típico A moderado, textura média, floresta tropical subperenifólia, relevo suave ondulado e praticamente plano 1(a)Bc NVef1 Nitossolo Vermelho eutroférrico chernossólico textura argilosa fase floresta tropical perenifólia relevo ondulado 1ABC VII - 139 Símbolo Unidade de Mapeamento Símbolo Componentes Aptidão Agrícola NVef2 Nitossolo Vermelho eutroférrico típico A moderado textura argilosa fase floresta tropical perenifólia relevo ondulado. 1ABC NVef3 Nitossolo Vermelho eutroférrico latossólico A moderado textura argilosa fase floresta tropical perenifólia relevo suave ondulado. 1ABC NVef4 Nitossolo Vermelho eutroférrico chernossólico textura argilosa fase floresta subtropical perenifólia relevo ondulado 1ABC NVef5 Associação Nitossolo Vermelho eutroférrico típico A moderado, textura argilosa, floresta tropical perenifólia, relevo ondulado + Gleissolo indiscriminado, fase floresta tropical perenifólia de várzea, relevo plano. 1ABC NVef3 Nitossolo Vermelho eutroférrico latossólico A moderado textura argilosa fase floresta tropical perenifólia relevo suave ondulado. 1ABC NVef4 Nitossolo Vermelho eutroférrico chernossólico textura argilosa fase floresta subtropical perenifólia relevo ondulado 1ABC NVdf1 Nitossolo Vermelho distroférrico típico A proeminente textura argilosa fase floresta subtropical perenifólia relevo ondulado 3(ab) NVdf3 Associação Nitossolo Vermelho distroférrico típico relevo ondulado + Latossolo Vermelho distroférrico típico relevo suave ondulado ambos A proeminente textura argilosa fase floresta subtropical perenifólia 1(a)Bc NVdf3 Associação Nitossolo Vermelho distroférrico típico álico relevo ondulado + Cambissolo Háplico Tb distrófico típico álico relevo forte ondulado substrato rochas do derrame do Trapp ambos a proeminente textura argilosa fase floresta subtropical perenifólia 2bc RLe1 Associação Neossolo Litólico eutrófico chenossólico relevo forte ondulado e montanhoso substrato rochas eruptivas básicas + Chernossolo Argilúvico férrico saprolítico relevo forte ondulado ambos textura argilosa fase pedregosa floresta tropical subperenifólia + Nitossolo Vermelho distroférrico típico A moderado textura argilosa fase floresta tropical perenifólia relevo ondulado. 6 RLe2 Associação Neossolo Litólico eutrófico chernossólico fase pedregosa floresta subtropical subperenifólia relevo forte ondulado e montanhoso substrato rochas eruptivas básicas + Nitossolo Vermelho eutroférrico típico A chernozêmico fase floresta subtropical perenifólia relevo forte ondulado + Chernossolo Háplico Órtico saprolítico fase pedregosa floresta subtropical subperenifólia relevo forte ondulado substrato rochas eruptivas básicas todos textura argilosa. 6 GX1 Gleissolos Háplico indiscriminados textura argilosa fase campo de várzea relevo plano 4p VII - 140 Quadro 3.32 Legenda de solos e erodibilidade - área da bacia hidrográfica Símbolo Classe de Erodibilidade Componente Unidade de Mapeamento LBd LATOSSOLO BRUNO Distrófico Média LVd LATOSSOLO VERMELHO Distrófico Baixa ARGISSOLO VERMELHO-AMARELO Distrófico Alta NITOSSOLO VERMELHO Distrófico Média PVAd NVd NXd NITOSSOLO HÁPLICO Distrófico Média CHd CAMBISSOLO HÚMICO Distrófico Muito alta CXd CAMBISSOLO HÁPLICO Distrófico Muito alta RLe NEOSSOLO LITÓLICO Eutrófico Muito alta O Quadro 3.32 apresenta as extensões e as proporções espaciais das unidades de mapeamento de solos da área de influência indireta. O Desenho nº UHEBI-ALL-SOL-007 apresenta o mapa de solos da área de influência indireta e o desenho nº UHEBI-ALLSOL-008 o mapa de erodibilidade da área de influência indireta. Quadro 3.33 – Extensões e percentuais dos solos na área de influência indireta Área Grupo km² % Latossolo Bruno 19,75 0,22 Latossolo Vermelho 51,13 0,99 Nitossolo Vermelho 2.442,91 26,8 Neossolo Litólico 2.853,55 33,07 Gleissolo 3.385,37 39,23 Total 8.629,15 100,00 O desenho nº UHEBI-AID-SOL-009 apresenta o mapa de solos e erodibilidade da área de influência direta. 3.5 - Recursos hídricos, qualidade e usos das águas 3.5.1 - Qualidade das águas a) Considerações iniciais, coleta e análises Alguns municípios do oeste e sudoeste do estado, situados na área de estudo, têm como base econômica a agroindústria, como por exemplo: Medianeira – destacando-se a VII - 141 Frimesa e a Lar; Cascavel e Capanema – Cooperativas Agropecuárias; e Francisco Beltrão – Sadia e Perdigão. No município de Cascavel, a existência de terras férteis incentivaram a migração intensiva de pequenos proprietários, na década de 50, havendo uma explosão da agricultura na década de 60, com incentivos à exportação de mate, madeira e soja – esta última, já na década de 70. Atualmente a agroindústria é a principal base econômica, estando a produção de erva-mate, em processo de declínio. A principal cooperativa da área de estudo, a Coopavel – Cooperativa Agropecuária Cascavel Ltda - foi fundada em 1970, por um pequeno grupo de produtores que buscavam, através do sistema de cooperativa, melhores condições de produção, aquisição de insumos, armazenagem e acesso a mercados. A sede situa-se no município de Cascavel, contando atualmente com 2.911 associados distribuídos em 24 municípios, incluindo os seguintes, localizados na área de estudo: Capitão Leônidas Marques, Céu Azul, Lindoeste, Realeza, Santa Izabel do Oeste e Santa Teresa do Oeste. As principais atividades da cooperativa estão ligadas ao desenvolvimento de sistemas de integração, com apoio de crédito e assistência técnica; produção de aves e suínos; armazenagem e comercialização de soja, trigo e milho. A cooperativa possui um frigorífico em Cascavel, com produção de 140.000 aves/dia e 500 suínos/dia, sendo a parte da produção de aves, exportada para mercados internacionais da Ásia e Europa. Quanto às condições técnicas de produção, a Coopavel mantém programas de desenvolvimento e de qualidade, de forma a atender às exigências dos mercados internos e externos. Em 2000, criou-se a Unicoop – Universidade Coopavel, voltada para a capacitação técnica dos agricultores e produtores rurais da região. As preocupações ambientais têm crescido gradualmente, através da observação dos processos potencialmente poluidores, especialmente relacionados à suinocultura e à utilização de agrotóxicos. A Coopavel tem licenciado junto ao IAP, os produtores de suínos, bem como implantou um sistema de recolhimento do lixo tóxico, em especial, das embalagens de agrotóxicos. Em Capanema, destacam-se a cana-de-açúcar - com a produção de açúcar mascavo e rapadura; a fruticultura; o cultivo de fumo, soja e trigo; e a criação de aves e suínos, sendo boa parte, em sistemas de integração com o frigorífico Diplomata. Em 2002, houve um aumento do plantio de fumo, com incentivo das multinacionais como Souza Cruz e Meridional. Existem, também, no município, pequenas agroindústrias familiares, como por exemplo, a Produtos Pinheiro da Associação Alto Pinheiro, onde há produção de açúcar mascavo. No município de Nova Prata do Iguaçu, a base econômica é a agricultura, sendo as principais culturas: milho, soja, fumo, seguidas pelo feijão, trigo e algodão. Em Capitão Leônidas Marques, também existem pequenas indústrias agropecuárias, como a Produtos Biasi - que produz açúcar mascavo - e a Produtos Coloniais Klasener, onde são produzidos, em conserva, pepinos, picles, beterraba, abobrinha e rabanete. As VII - 142 atividades mais desenvolvidas nesse distrito são a criação de bovino de leite e lavouras de milho, feijão e fumo. A cultura do fumo tem sido mais recentemente incentivada na região por empresas como a Souza Cruz, que promoveu incentivos para que os agricultores fornecessem sua principal matéria-prima. Tais incentivos correspondem ao adiantamento de sementes e insumos como adubos e a uréia, que são descontados quando a produção é entregue. No distrito de Barra do Quieto, no município de Realeza, são desenvolvidos cultivos de soja, milho e a criação de gado. O leite é comercializado junto à Cooagro, em Capanema; Parmalat, em Enéas Marques e na Lacto, em Realeza. No trabalho realizado durante o diagnóstico participativo (2004) identificou-se uma grande preocupação e desconfiança da população da região no que diz respeito à contaminação dos recursos hídricos pelos agrotóxicos utilizados na agricultura. Outro problema relacionado à contaminação por agrotóxico, é o espalhamento aéreo quando há aplicação em grande escala, que freqüentemente é espalhada pelo vento, atingindo os núcleos habitados e os corpos d´água. O Brasil é um dos líderes mundiais em consumo de agrotóxicos. Ao mesmo tempo, o país carece de informações sistemáticas e de pesquisas sobre os impactos deste produto sobre a saúde humana. Segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola – SINDAG, referentes ao ano de 2006, cerca de 51,97% das vendas de defensivos agrícolas no Brasil, são provenientes dos Estados de São Paulo, Mato Grosso e Paraná. Um grave problema relacionado à utilização dos agrotóxicos é o destino inadequado das embalagens. Tanto os técnicos como as normas legais orientam que as embalagens devem passar por processo de lavagem tríplice e depois serem devolvidas ao comerciante, no prazo de 12 meses após a aquisição do produto (SINDAG, s/d). A Lei 9.974/00 disciplinou o recolhimento e a destinação final das embalagens dos produtos fitossanitários, dividindo responsabilidades a todos os agentes atuantes na produção agrícola do Brasil, ou seja, agricultores, canais de distribuição, indústria e poder público. O Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (Inpev) é uma entidade sem fins lucrativos criada para gerir a destinação final de embalagens vazias de agrotóxicos. O instituto foi fundado em 14 de dezembro de 2001, entrou em funcionamento em março de 2002 e representa a indústria fabricante de produtos fitossanitários em sua responsabilidade de conferir a correta destinação final às embalagens vazias destes produtos utilizados na agricultura brasileira. O Inpev tem por missão gerir a destinação final de embalagens vazias de produtos fitossanitários no Brasil, dar apoio e orientação à indústria, canais de distribuição e agricultores no cumprimento das responsabilidades definidas pela legislação, promover a educação e a consciência de proteção ao meio ambiente e à saúde humana e apoiar o desenvolvimento tecnológico de embalagens de fitossanitários. É o responsável pelo transporte adequado das embalagens devolvidas de Postos para Centrais e das Centrais VII - 143 de Recebimento para destino final (Recicladoras ou incineradoras) determinação legal (Lei nº 9.974 / 2000 e Decreto nº 4.074 / 2002). conforme Em 2006, mais de 23 mil toneladas de embalagens foram retiradas do campo, em todo o Brasil. No final daquele ano, a estrutura de recebimento de embalagens era formada por 365 unidades, entre postos e centrais, que enviaram para destino final 19.634 toneladas de embalagens. O instituto possui como associadas 66 empresas e sete entidades de classe. São passíveis de reciclagem 95% das embalagens vazias de defensivos agrícolas colocadas no mercado. Para que possam ser encaminhadas para reciclagem, as embalagens precisam ser lavadas corretamente (tríplice lavagem) no momento de uso do produto no campo. São incineradas as embalagens não laváveis (5% do total) e as embalagens que não foram tríplice-lavadas pelos agricultores. No primeiro semestre de 2007, foram destinadas 10.995 toneladas de embalagens vazias de defensivos agrícolas, volume 19,5% maior do que o alcançado no mesmo período do ano anterior (9.200 toneladas entre janeiro e junho de 2006). Entre junho de 2006 e junho de 2007, foram destinadas 21.427 toneladas de embalagens vazias. O Estado do Paraná tem um histórico de comprometimento em estabelecer políticas para a correta manipulação e destino final para as embalagens de agrotóxicos. Com esta finalidade, em 1999, ainda no Governo Jaime Lerner, foi implantado o programa Terra Limpa. Em julho de 2007, o governador Roberto Requião autorizou a renovação do convênio entre a Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMA), o Inpev e a Universidade Federal do Paraná (UFPR), para orientar e capacitar agricultores paranaenses na devolução e destinação correta das embalagens vazias de agrotóxicos. O Paraná é referência na destinação final de embalagens vazias de defensivos agrícolas, sendo responsável por 16% do total recolhido no país, entre os meses de janeiro a junho de 2007. Em junho desse ano, foram devolvidas por agricultores paranaenses 373 toneladas de embalagens, o que representa 97% da produção consumida no estado e garante ao Paraná a segunda colocação nacional, logo atrás do Mato Grosso com 424 toneladas (Quadro 3.35). O programa de recolhimento de embalagens é coordenado pela Superintendência de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa), que é responsável pelo controle da devolução das embalagens, fiscalização dos agricultores e das centrais de recebimento, licenciamento ambiental dos pontos de coleta e treinamento dos técnicos que recebem as embalagens. O Inpev é responsável pelo transporte e destinação correta das embalagens vazias coletadas nas centrais e encaminhadas para reciclagem ou incineração. A UFPR realiza o trabalho de treinamento e pesquisa de campo, com o apoio de universitários e orientação dos professores. Com este convênio, foram capacitadas 4,7 mil pessoas no Paraná que atuam em 14 centrais de recolhimento e outros totalizando 75 pontos de recolhimento. VII - 144 Os produtores rurais paranaenses têm à sua disposição uma ampla rede de unidades de recebimento de embalagens vazias, formada por 14 centrais, localizadas nos municípios de Cambé, Campo Mourão, Cascavel, Colombo, Cornélio Procópio, Maringá, Palotina, Ponta Grossa, Prudentópolis, Francisco Beltrão, São Mateus do Sul, Guarapuava, Santa Terezinha do Itaipu e Umuarama, além de outros 57 postos licenciados para o recebimento. Quadro 3.35 – Destinação final de embalagens vazias por estado. Base: junho 2007 (kg). Estado Bem. Lavadas Bem. Contaminadas Total Geral Mato Grosso 406.172 18.760 424.932 Paraná 340.581 33.018 373.599 São Paulo 265.880 18.540 284.420 Minas Gerais 167.982 11.710 179.692 Goiás 140.638 4.100 144.738 Mato Grosso do Sul 140.549 1.280 141.829 Bahia 118.538 10.730 129.268 Rio Grande do Sul 106.440 9.160 115.600 Santa Catarina 59.752 3.590 63.342 Maranhão 20.161 5.400 25.561 Rio de Janeiro 5.295 - 5.295 Piauí 11.550 - 11.550 Rondônia 11.060 - 11.060 Espírito Santo - 3.440 3.440 Tocantins - 2.310 2.310 Totais 1.794.598 122.038 Fonte: site do inPEV – www.inpev.org.br, acessado em 30 de julho de 2007. 1.916.636 Diante da situação, o governo do Paraná vem trabalhando nos últimos anos para aumentar a quantidade de áreas destinadas aos produtos cultivados sem agrotóxicos. Na safra 2005/2006 (ver Figura 3.46) o estado produziu 94.448 toneladas de produtos orgânicos, um acréscimo de 17% na produção com relação a safra anterior. Outro número importante é com relação ao aumento de produtores orgânicos que passou de 4.331 na safra 2004/2005, para 6.520 na safra 2005/2006. VII - 145 Figura 3.46 Evolução da Produção Orgânica no Paraná Safras 1996/97 a 2005/06 EVOLUÇÃO DA PRODUÇÃO ORGÂNICA NO PARANÁ SAFRAS 1996/97 A 2005/06 94.448 77.971 Produção em toneladas 66.256 47.958 52.270 35.539 15.500 20.010 22.608 4.363 1996/97 1997/98 1998/99 1999/00 2000/01 2001/02 2002/03 2003/04 2004/05 2005/06 Fonte: Emater, 2006 No município de Cascavel, a sede da Crabi – Comissão Regional dos Atingidos por Barragens do Iguaçu, assessorou os agricultores na implantação da agricultura orgânica, com a orientação da ONG Assesoar, situada em Francisco Beltrão, recebendo também o apoio de ONGs estrangeiras. Capanema é referência para os municípios da área de estudo, situados na margem esquerda do rio Iguaçu, na utilização da agricultura orgânica como alternativa de produção, enquanto em Nova Prata do Iguaçu, com atuação da prefeitura, estão sendo feitas campanhas para redução do uso de agrotóxicos, conjugadas ao incentivo de utilização da agricultura orgânica. b) Aspectos legais associados à qualidade das águas Além da qualidade existente em uma determinada coleção hídrica, há também o padrão de qualidade desejável, estando relacionado com os usos destinados da mesma, e definidos em legislação específica. O enquadramento dos cursos d’água objetiva adequar os usos atuais e pretendidos a um nível de qualidade desejado, de tal forma que os compatibilize às atividades antrópicas, com a manutenção do equilíbrio ecológico aquático (SUDERHSA, s/d). VII - 146 A Resolução nº 357 do Conselho Nacional do Meio Ambiente, Conama, de 2005 estabelece a seguinte classificação para águas doces, de acordo com o uso preponderante: I – Classe especial – águas destinadas: - ao abastecimento doméstico sem prévia ou com simples desinfecção; - à preservação do equilíbrio natural das comunidades aquáticas. II – Classe 1 – águas destinadas: - ao abastecimento doméstico após tratamento simplificado; - à proteção das comunidades aquáticas; - à recreação de contato primário (natação, esqui aquático e mergulho); - à irrigação de hortaliças que são consumidas cruas e de frutas que se desenvolvam rentes ao solo e que sejam ingeridas cruas sem remoção de película; - à criação natural e/ou intensiva (aquicultura) de espécies destinadas à alimentação humana. III – Classe 2 – águas destinadas: - ao abastecimento doméstico, após tratamento convencional; - à proteção das comunidades aquáticas; - à recreação de contato primário (natação e mergulho); - à irrigação de hortaliças e plantas frutíferas; - à criação natural e/ou intensiva (aquicultura) de espécies destinadas à alimentação humana. IV – Classe 3 – águas destinadas: - ao abastecimento doméstico, após tratamento convencional; - à irrigação de culturas arbóreas, cerealíferas e forrageiras; - à dessedentação de animais. V – Classe 4 – águas destinadas: - à navegação; - à harmonia paisagística; - aos usos menos exigentes. VII - 147 As Portarias SUREHMA (nº 005/89; nº 003 a nº 013, de 1991; nº 016 e nº 017, de 1991; nº 019 e nº 020, de 1992) enquadram os cursos d’água das bacias hidrográficas no Paraná. De acordo com a Portaria Surehma nº 005/91 de 19 de setembro de 1991, os cursos d’água da bacia do rio Iguaçu, de domínio do Estado do Paraná, foram enquadrados como pertencentes à classe 2, com algumas exceções, entre as quais citam-se as seguintes, por envolverem cursos d’água localizados na área de estudo: - Os cursos d’água situados no Parque Nacional do Iguaçu, bem como seus formadores fora dos limites do Parque, desde o rio Gonçalves Dias e seus afluentes, situados nos municípios de Céu Azul, Cascavel e Capitão Leônidas Marques, até o rio São João e seus afluentes, situados nos municípios de Foz do Iguaçu e Santa Terezinha do Itaipu, que pertencem à classe “1”. - Os cursos d’água utilizados para abastecimento público e seus afluentes, desde suas nascentes até a seção de captação para abastecimento público, quando a área desta bacia de captação for menor ou igual a 50 (cinqüenta) quilômetros quadrados, tais como os abaixo relacionados, localizados na área de estudo, que pertencem à classe “1”. • Rio Ampére, manancial de abastecimento público do município de Ampére; • Rio Jacutinga, manancial de abastecimento público do município de Boa Vista da Aparecida; • Córrego Matadouro, manancial de abastecimento público da localidade de Alto Alegre do Iguaçu, município de Capitão Leônidas Marques; • Rio Peroba e rio Saltinho, manancial de abastecimento público do município de Cascavel; • Rio das Flores, manancial de abastecimento público da localidade de Juvinópolis, município de Cascavel; • Rio Santa Cruz, manancial de abastecimento público do município de Nova Prata do Iguaçu; • Rio das Antas, manancial de abastecimento público do município de Santa Izabel do Oeste e do município de Santo Antônio do Sudoeste. Neste contexto vale ressaltar que na região da área de influência em estudo existem mananciais contemplados com recursos do ICMS Ecológico. No quadro a seguir apresenta-se uma relação dos mananciais contemplados, área da bacia e o município que faz a captação, ou seja, do município que é abastecido pelo manancial. VII - 148 Quadro 3.36 Relação dos mananciais contemplados com o ICMS Ecológico na área em estudo Area (km2) Manancial Rio Lajeado Grande Município abastecido 124 Pérola do Oeste Rio Lontra 126,5 Salto do Lontra Rio Monteiro 90,57 Capitão Leônidas Marques Rio Sarandi 112 Realeza Rio Siemens 94,5 Capanema Rio Tamanduá 52,3 Salgado Filho Rio Tamanduá 127,75 Foz do Iguaçu No quadro 3.37 apresentam-se os valores repassados anualmente aos municípios que possuem mananciais de abastecimento público para municípios vizinhos pelo ICMS Ecológico, além do impacto deste ICMS Ecológico sobre o ICMS total repassado a estes municípios. Como pode ser observado, alguns municípios chegam a receber de 40 a 100% a mais de repasse do ICMS em função do ICMS Ecológico. Quadro 3.37 Repasse e impacto fiscal de ICMS ecológico na área em estudo Município Impacto no ICMS Valor anual repassado em r$ 2000 2001 2002 2003 0,01-5% 42.799,31 53.436,35 64.930,72 80.913,01 Bela Vista do Caroba 5-20% 25.686,39 32.515,84 51.966,99 77.826,24 Flor da Serra do Sul 40-100% 422.163,55 579.033,36 689.001,22 812.049,66 Nova Esperança do Sudoeste 5-20% 97.471,31 140.257,38 172.378,91 209.959,30 Planalto 20-40% 288.639,62 332.864,17 449.667,55 607.041,29 Pranchita 5-20% 23.359,36 29.432,24 45.434,93 68.055,50 Santa Izabel do Oeste 5-20% 135.513,87 166.634,00 201.592,03 246.947,58 Santa Lucia 20-40% 104.209,14 118.816,18 131.358,67 139.678,11 Santa Terezinha do Itaipu 20-40% 874.294,68 938.146,00 1.062.758,22 1.175.515,23 Ampere Na seqüência apresenta-se a evolução da qualidade da água nestes mananciais contemplados com o ICMS ecológico. O índice utilizado é baseado na qualidade da água com enfoque na sua tratabilidade, e possui a seguinte classificação: - 0 a 40: ruim; 41 a 52: aceitável VII - 149 90 80 Índice da Qualidade do Manancial 70 RIO RIO RIO RIO RIO RIO RIO LAJEADO GRANDE LONTRA MONTEIRO SARANDI SIEMENS TAMANDUÁ TAMANDUÁ 60 50 40 30 20 10 0 1995 1996 1997 1998 1999 2000 - 2001 53 a 80: boa; 81 a 100: ótima Figura 3.47 Evolução do Índice de qualidade dos mananciais que recebem ICMS Ecológico, na região Pode-se observar que os rios Monteiro e Sarandi possuem suas águas mais comprometidas, variando de aceitável a boa sua qualidade como manancial. Os outros na maior parte do tempo têm suas águas consideradas boas para fins de abastecimento. c) Coleta e análise de dados A Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, através das duas autarquias vinculadas: Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental - Suderhsa e o Instituto Ambiental do Paraná - IAP, realiza monitoramento da qualidade da água de rios e reservatórios do Estado do Paraná, possuindo 147 pontos de amostragem, distribuídos pelas 16 bacias hidrográficas do estado. O Quadro 3.38 apresenta uma ficha descritiva de cinco postos de monitoramento, localizados na bacia do rio Iguaçu, a jusante da UHE Salto Caxias. Dessas, apenas o Posto Parque Nacional do Iguaçu (IG-15), localizado no município de Foz do Iguaçu, encontra-se fora da área de estudo. VII - 150 Quadro 3.38 Bacia do rio Iguaçu a jusante da UHE Salto Caxias Ficha descritiva dos postos de monitoramento da qualidade da água Características CÓDIGO Rio Município POSTOS DE MONITORAMENTO DE QUALIDADE DA ÁGUA PARQUE PONTE ESTREITO DO SALTO CAXIAS NACIONAL DO SÃO SEBASTIÃO CAPANEMA IGUAÇU NOVO IGUAÇU 65981500 65995000 65986000 65975000 – IG12 65979000 - IG17 IG13 IG15 IG20 Rio Iguaçu Rio Capanema Rio Iguaçu Rio Andrada Rio Iguaçu Capitão Leônidas Boa Vista da Planalto Foz do Iguaçu Matelândia Marques Aparecida 25º 31' 59" 25º 46' 11" 25º 37' 00" 25º 25' 59" 25º 33' 00" 53º 30' 00" 53º 36' 41" 54º 28' 59" 53º 31' 00" 53º 51' 00" 270,00 320,00 100,00 510,00 185,00 57.974,00 1.740,00 67.459,00 1.309,00 63.236,00 Classe 2 Classe 2 Classe 2 Classe 2 Classe 2 Latitude Longitude Altitude (m) Área de drenagem (km²) Classe do trecho do rio (1) Fonte:Suderhsa,2002 Notas:(1) De acordo com a Portaria Suremma nº 005/91, de 19/09/1991 UH E B A IX O IG U A Ç U IG17 IG12 IG20 IG13 Figura 3.48 Postos de monitoramento de qualidade da água localizados na área de estudo VII - 151 No Quadro 3.39, está apresentado o período de monitoramento disponível para cada posto de monitoramento da qualidade d’água da área de estudo e o respectivo esforço de amostragem despendido. Nos postos Ponte Capanema, Parque Nacional do Iguaçu e São Sebastião, os dados estão disponíveis entre 1987 e 2005; em Estreito do Iguaçu Novo, de 1988 até 2001; para Salto Caxias, o período está compreendido entre 1990 e 1995. Quadro 3.39 - Postos de Monitoramento da Qualidade da Água da Área de Estudo Período Disponível e Esforço de Amostragem Dispendido Estação Nº De Amostras Período De Amostragem Salto Caxias 10 1990 – 1995 Ponte Capanema 31 1987 – 2005 Parque Nacional Iguaçu 39 1987 – 2005 São Sebastião 26 1987 – 2005 26 1988 – 2005 Est. Iguaçu Novo Fonte: Suderhsa, 2002. Nesses postos, são monitorados os seguintes parâmetros: - Temperatura da água; - Coliformes fecais; - Temperatura do ar; - Coliformes totais; - OD; - pH; - DBO (5,20); - Fosfato total; - DQO; - Condutividade específica; - Nitrato; - Sólido total; - Nitrogênio total Kjeldahl; - Turbidez. Os Quadros 3.40 a 3.44 apresentam os resultados do monitoramento desses parâmetros para os cinco postos estudados, destacando-se, em vermelho, os episódios em que foram violados os limites estabelecidos pela Resolução nº 357/2005, do Conama. VII - 152 Quadro 3.40 Dados de monitoramento da qualidade da água da área de estudo posto de Salto Caxias PARÂMETROS DATA DA COLETA Coliformes Fecais OD mg/l NMP/100m l pH DBO (5,20) Nitrato mg/l mg/l Fosfato Total mg/l Turbidez UNT Temp. Sólido Total da Água mg/l o C Coliformes Totais NMP/100ml DQO mg/l Condutividade Elétricaµ S/cm Nitrogênio Temp. Total o do Ar C Chuva Kjeldahl mg/l Vazão m³/s 16/06/1990 9,72 7.000 6,8 1,00 0,60 0,132 47,0 143 16 - - - - - - 4.422,00 29/07/1990 10,46 900 7,4 1,00 1,00 0,061 23,0 141 16 - - - - - - 3.628,00 06/03/1991 8,40 500 7,0 4,00 0,57 0,016 4,0 68 17 17.000 7,0 32 0,39 25 BOM 619,50 15/07/1991 10,92 500 7,1 1,00 0,54 0,053 13,0 74 13 500 5,0 49 0,36 10 BOM 1.026,00 21/08/1991 8,22 8 7,1 1,00 0,47 0,04 4,7 54 19 21 4,0 43 0,31 19 BOM 1.221,00 22/10/1991 8,90 8 7,4 1,00 0,32 0,044 5,5 67 26 130 5,0 34 0,27 33 BOM 1.034,00 15/04/1992 8,76 300 6,9 1,00 0,20 0,048 5,0 134 21 800 2,0 35 0,20 25 07/05/1992 8,18 3.000 7,0 2,00 0,37 0,066 12,0 66 21 28.000 3,0 42 0,37 24 BOM 1.925,00 12/09/1993 9,88 6 7,6 1,00 0,04 0,010 2,9 29 19 70 4,0 43 0,02 24 BOM 716,10 4 7,6 2,00 0,33 0,026 4,2 32 22 33 6,0 35 0,22 27 BOM 574,40 15/05/1995 6,90 Fonte: Suderhsa, 2002. Notas: (1) Em vermelho - Excede limite da classe (2) Em azul - Valores estimados pela Suderhsa CHUVA 1.862,00 VII - 153 Quadro 3.41 Dados do monitoramento da qualidade da água da área de estudo posto de Ponte Capanema PARÂMETROS DATA DA COLETA Coliformes Fecais OD mg/l NMP/100m l pH DBO (5,20) Nitrato Fosfato Total Turbide Sólido Total mg/l mg/l mg/l z UNT mg/l Coliformes Temp. da Totais o Água C NMP/100m l DQO mg/l Condutividade Elétricaµ S/cm Nitrogênio Temp. do Total o Ar C Kjeldahl mg/l Chuva Vazão m³/s 16,70 26/04/1987 8,02 800 7,5 1,00 1,80 0,018 6,5 81 19 - - - - - - 24/06/1987 10,36 700 7,4 2,00 1,20 0,035 6,2 92 12 - - - - - - 21,30 01/08/1987 9,42 300 7,0 1,00 0,36 0,050 2,0 84 17 - - - - - - 11,80 01/12/1987 8,20 110 7,5 1,00 0,75 0,015 7,5 88 27 - - - - - - 22,10 19/05/1989 9,70 60 7,4 1,00 0,02 0,006 4,5 69 20 - - - - - - 7,50 13/06/1989 9,40 1.300 7,4 1,00 0,18 0,046 23,0 101 15 - - - - - - 20,10 29/08/1989 9,60 3.000 7,6 3,00 0,66 0,047 25,0 155 19 - - - - - - 64,70 18/02/1990 6,84 800 7,9 1,00 0,75 0,071 16,0 47 25 - - - - - - 9,90 08/11/1990 7,52 2.300 6,5 2,00 0,72 0,085 34,0 150 20 - - - - - - 32,80 19/08/1991 8,02 50 7,4 1,00 0,41 0,026 7,4 57 17 500 2,0 76 0,27 15 BOM 12,80 17/09/1991 7,00 8 8,1 4,00 0,30 0,040 1,6 103 16 110 10,0 94 0,20 18 BOM 4,90 26/03/1992 7,90 5.000 7,5 2,00 0,60 0,093 37,0 128 24 90.000 5,0 68 0,40 32 BOM 231,8 0 13/04/1992 7,44 2.200 7,0 1,00 0,39 0,066 17,0 97 19 2.200 2,0 68 0,26 20 04/05/1992 8,82 1.300 7,0 2,00 0,54 0,075 28,0 113 20 11.000 3,0 73 0,36 23 BOM 03/08/1993 10,08 800 7,3 2,00 0,10 0,041 15,0 79 18 2.800 8,0 68 0,07 18 BOM 54,90 28/03/1994 7,66 11 7,6 2,00 0,15 0,010 1,0 82 23 1.300 11,0 78 0,10 25 BOM 12,10 14/05/1995 6,94 220 7,6 2,00 0,22 0,010 2,6 88 20 3.000 6,0 74 0,15 26 BOM 11,70 11/11/1996 7,98 5.000 7,4 4,00 0,80 0,104 0,0 123 24 7.000 5,0 66 0,40 28 BOM 30,54 18/05/1997 8,00 2 7,5 1,00 0,28 0,023 0,0 116 24 41 7,0 92 0,14 26 BOM 1,00 BOM 308,4 1 22/07/1997 8,46 7.000 7,1 4,00 0,90 0,141 0,1 113 19 17.000 6,0 61 0,45 21 CHUVA 63,90 90,10 VII - 154 Quadro 3.41 Dados do monitoramento da qualidade da água da área de estudo posto de Ponte Capanema PARÂMETROS DATA DA COLETA Coliformes Fecais OD mg/l NMP/100m l pH DBO (5,20) Nitrato Fosfato Total Turbide Sólido Total mg/l mg/l mg/l z UNT mg/l Coliformes Temp. da Totais Água oC NMP/100m l DQO mg/l Condutividade Elétricaµ S/cm Nitrogênio Temp. do Total o Ar C Kjeldahl mg/l Chuva Vazão m³/s 25/08/1998 8,20 15 7,3 1,00 0,62 0,140 0,1 135 22 90.000 9,0 64 0,31 26 BOM 103,5 9 03/05/1999 8,32 4 7,9 1,00 0,22 0,013 10,0 70 21 300 3,0 74 0,08 - BOM 5,00 29/08/1999 11,50 230 8,0 1,00 0,48 0,017 1,3 80 22 300 6,0 84 0,24 25 BOM 3,80 26/10/1999 8,50 140 7,9 1,00 0,68 0,028 6,9 59 20 1.300 2,0 74 0,34 22 BOM 8,28 27/11/1999 7,50 170 7,8 2,00 1,04 0,025 5,0 113 26 1.400 15,0 95 0,52 34 BOM 3,70 25/04/2000 9,20 130 7,8 2,00 1,50 0,034 13,0 73 22 5.000 4,0 77 1,07 28 BOM 20,95 27/06/2000 9,00 2.300 7,8 1,00 0,62 0,038 15,0 86 19 2.300 2,0 72 0,31 24 BOM 25,43 15/08/2000 13,00 500 7,7 2,70 1,00 0,030 5,0 69 20 2.200 14,0 70 0,50 26 CHUVA 9,54 15/11/2000 7,50 70 7,6 3,10 1,60 0,042 10,0 193 18 22.000 5,9 82 1,17 20 BOM 14,21 14/06/2001 8,70 110 7,8 2,00 0,54 0,030 12,0 91 19 1.700 1,0 62 0,27 24 BOM 25,43 04/12/2001 6,30 500 7,3 2,00 Fonte: Suderhsa, 2002. Notas: (1) Em vermelho - Excede limite da classe (2) Em azul - Valores estimados pela Suderhsa 0,62 0,065 60,0 107 22 - 4,3 65 0,31 19 CHUVA 8,43 VII - 155 Quadro 3.42 Dados do monitoramento da qualidade da água da área de estudo posto do Parque Nacional do Iguaçu PARÂMETROS Coliformes DATA DA Fecais COLETA OD mg/l NMP/100m l pH 18/02/1987 7,62 1.700 7,4 1,00 0,29 0,076 37,0 95 24 30/06/1987 10,10 170 7,0 1,00 1,03 0,018 17,0 42 12/12/1987 8,78 800 7,1 1,00 0,95 0,035 20,0 89 25/03/1988 9,10 130 7,3 1,00 0,54 0,010 2,0 50 07/07/1988 11,22 30 6,6 2,00 0,87 0,019 15,0 94 17 - - - - 26/09/1990 11,14 1.100 7,0 1,00 0,45 0,041 28,0 139 18 - - - - 11/09/1991 8,76 50 7,3 1,00 0,64 0,057 2,6 60 21 230 2,0 38 0,11 32 05/12/1991 9,50 17 7,3 2,00 0,78 0,026 4,4 49 24 - 7,0 37 0,23 12/03/1992 9,30 300 7,2 2,00 1,09 0,012 18,0 104 27 8.000 9,0 341 0,41 25/05/1992 10,58 3.000 7,0 4,00 0,97 0,020 60,0 183 20 17.000 12,0 37 02/09/1993 10,18 140 7,4 1,00 0,17 0,020 3,3 49 18 3.000 3,0 23/03/1994 9,20 22 7,1 1,00 0,65 0,010 7,5 55 27 170 2,0 26/09/1994 9,86 22 7,5 1,00 0,73 0,022 6,2 83 24 800 4,0 09/05/1995 7,90 200 7,5 1,00 0,69 0,001 10,0 18 19 200 7,0 24/07/1995 10,42 170 7,6 1,00 0,38 0,061 6,5 66 18 5.000 7,0 17/10/1995 5,09 25 7,6 1,00 0,91 0,030 18,0 66 21 1.300 05/12/1995 8,40 1.700 7,5 3,00 0,59 0,010 3,5 60 28 3.000 27/03/1996 8,98 1.100 7,5 1,00 0,68 0,020 6,4 15 25 1.700 DBO (5,20) Nitrato Fosfato Total Turbide Sólido Total mg/l mg/l mg/l z UNT mg/l Coliformes Temp. da Totais Água oC NMP/100m l Nitrogênio Temp. do Total Ar oC Kjeldahl mg/l DQO mg/l Condutividade Elétricaµ S/cm - - - - 17 - - - 28 - - - 29 - - - Chuva Vazão m³/s 0 - - - 0 - - - 0 - - - 0 - - 0 - - 0 - - BOM - 34 BOM - 29 CHUVA - 0,23 18 BOM - 44 0,01 11 BOM - 45 0,26 25 BOM - 37 0,19 28 BOM - 46 0,31 18 CHUVA - 50 0,15 29 BOM - 4,0 45 0,30 22 BOM - 8,0 42 0,14 26 BOM - 4,0 39 0,20 25 CHUVA - 22/05/1996 9,48 23 7,3 3,00 0,51 0,010 2,5 9 18 300 5,0 57 0,09 23 BOM 22/09/1996 10,88 13 7,6 1,00 0,94 0,010 5,5 35 22 110 3,0 38 0,50 24 NUB - 04/12/1996 9,60 8 6,6 1,00 0,81 0,017 4,5 58 27 500 3,0 40 0,36 37 BOM - 04/03/1997 9,66 18 7,3 1,00 0,69 0,033 10,0 53 29 - 7,0 45 0,20 27 CHUVA - VII - 156 Quadro 3.42 Dados do monitoramento da qualidade da água da área de estudo posto do Parque Nacional do Iguaçu PARÂMETROS Coliformes DATA DA Fecais COLETA OD mg/l NMP/100m l pH Coliformes Temp. da Totais Água oC NMP/100m l 11/06/1997 10,34 4 7,5 1,00 0,80 0,002 12,0 48 18 17/09/1997 9,94 4 7,4 1,00 0,67 0,032 6,0 49 16 19/11/1997 8,90 70 7,2 2,00 0,69 0,098 17,0 65 27 350 18/03/1998 8,76 140 7,5 1,00 0,65 0,009 14,0 107 19 17/06/1998 10,16 23 6,5 1,00 0,71 0,017 10,0 33 20 07/10/1998 10,56 800 7,4 2,00 0,99 0,110 68,0 88 19 09/12/1998 8,70 300 7,5 1,00 0,61 0,006 14,0 47 22 05/05/1999 9,76 8.000 7,5 1,00 0,63 0,022 18,0 56 26/08/1999 11,70 1.000 7,1 1,00 0,66 0,009 5,5 30/09/1999 9,90 9 7,5 1,00 0,79 0,080 9,2 24/11/1999 9,60 2 7,5 1,00 1,17 0,028 3,6 Nitrogênio Temp. do Total Ar oC Kjeldahl mg/l DQO mg/l Condutividade Elétricaµ S/cm 520 5,0 37 0,19 17 CHUVA - 2.300 2,0 38 0,17 15 BOM - 4,0 32 0,41 35 BOM - 2.300 8,0 33 0,26 18 BOM - 1.700 6,0 29 0,09 19 BOM - 7.000 6,0 35 0,35 22 CHUVA - 1.700 3,0 19 0,16 26 CHUVA - 24 8.000 7,0 38 0,04 - CHUVA - 24 20 3.000 6,0 38 0,20 0 BOM - 47 23 800 5,0 39 0,26 25 BOM - 29 25 140 3,0 36 0,59 23 BOM - DBO (5,20) Nitrato Fosfato Total Turbide Sólido Total mg/l mg/l mg/l z UNT mg/l Chuva Vazão m³/s 25/11/1999 9,50 7 7,3 1,00 0,94 0,021 4,1 33 21 300 5,0 37 0,41 23 CHUVA - 16/07/2000 12,00 320 6,7 1,20 0,98 0,067 24,0 56 16 380 7,7 50 0,37 5 BOM - 21/09/2000 10,00 110 7,6 1,00 1,32 0,027 12,0 31 21 80.000 1,0 43 0,42 32 BOM - 07/12/2000 9,40 3.500 7,9 1,00 0,87 0,023 6,5 50 27 17.000 5,8 39 0,39 30 BOM - 18/06/2001 10,50 20 7,5 2,00 0,79 0,028 11,0 36 19 70 1,5 37 0,33 14 BOM - 11/09/2001 9,80 20 7,1 2,00 Fonte: Suderhsa, 2002. Notas: (1) Em vermelho - Excede limite da classe (2) Em azul - Valores estimados pela Suderhsa 0,71 0,022 3,5 26 21 300 5,7 32 0,26 24 BOM - VII - 157 Quadro 3.43 Dados do monitoramento da qualidade da água da área de estudo posto de São Sebastião PARÂMETROS Coliformes DATA DA Fecais COLETA OD mg/l NMP/100m l pH Coliformes Temp. da Totais Água oC NMP/100m l 24/02/1987 7,98 1.700 8,0 1,00 0,18 0,059 32,0 111 22 27/04/1987 8,40 5.000 7,6 1,00 0,84 0,026 39,0 72 20 25/06/1987 11,80 320 7,1 1,00 1,22 0,087 54,0 144 20/04/1988 7,94 7.000 6,6 1,00 1,02 0,264 85,0 30/05/1988 8,86 13.000 6,8 2,00 0,94 0,081 56,0 03/08/1988 9,44 30 7,0 1,00 0,63 0,019 30/10/1988 8,48 23.000 6,7 3,00 2,80 1,196 29/11/1988 7,70 50 8,2 1,00 0,59 07/11/1990 7,50 1.700 6,9 1,00 07/05/1992 8,54 8.000 7,2 3,00 23/06/1996 8,44 30 7,6 16/10/1996 8,74 1.700 16/06/1997 9,60 17/08/1997 14/10/1997 Nitrogênio Temp. do Total Ar oC Kjeldahl mg/l DQO mg/l Condutividade Elétricaµ S/cm - - - - - - - - 13 - - - - 295 24 - - - - - - 27,60 142 16 - - - - - - 55,00 9,3 62 15 - - - - - - 12,50 2,5 56 21 - - - - - - 25,20 0,033 2,0 93 26 - - - - - - 3,50 0,51 0,048 32,0 80 18 - - - - - - 39,70 0,69 0,151 12,0 145 22 30.000 6,0 39 0,46 27 BOM 55,20 1,00 1,30 0,010 6,3 125 17 170 2,0 56 0,75 17 BOM 12,52 7,0 2,00 0,62 0,091 49,0 74 19 50.000 7,0 43 0,31 24 BOM 110,2 5 11.000 7,2 2,00 1,04 0,053 98,0 160 18 50.000 14,0 40 0,52 16 BOM 34,30 8,74 34 7,3 3,00 0,20 0,002 14,0 33 20 8.000 4,0 38 0,09 22 BOM 36,11 7,84 50 7,0 2,00 0,20 0,002 20,0 75 20 8.000 5,0 45 0,09 - BOM 79,66 23/06/1998 9,42 90 6,9 1,00 0,05 0,019 8,0 13 21 2.200 4,0 38 0,01 23 BOM 23,57 28/04/1999 8,98 4 7,5 2,00 0,18 0,022 18,0 25 20 5.000 3,0 39 0,06 25 BOM 29,81 30/08/1999 9,10 33 7,3 1,00 0,94 0,032 3,3 77 35 1.400 5,0 44 0,47 23 BOM 10,26 25/10/1999 8,60 170 8,8 1,00 2,60 0,037 15,0 16 23 1.700 7,0 40 2,02 25 BOM 65,00 28/11/1999 9,00 50 7,8 4,00 1,90 0,052 8,5 79 25 500 9,0 53 0,95 32 BOM 3,80 26/04/2000 9,20 220 7,9 1,00 0,50 0,030 7,0 52 22 500 1,0 46 0,25 28 BOM 10,61 DBO (5,20) Nitrato Fosfato Total Turbide Sólido Total mg/l mg/l mg/l z UNT mg/l Chuva Vazão m³/s - - 22,10 - - 28,10 - - 48,90 VII - 158 Quadro 3.43 Dados do monitoramento da qualidade da água da área de estudo posto de São Sebastião PARÂMETROS Coliformes DATA DA Fecais COLETA OD mg/l NMP/100m l pH Coliformes Temp. da Totais Água oC NMP/100m l 28/06/2000 8,70 20 7,6 1,00 0,15 0,014 7,0 47 19 16/08/2000 9,20 20 7,5 1,00 0,54 0,031 3,0 50 16 16/11/2000 8,50 600 7,5 1,00 0,24 0,040 16,0 60 04/09/2001 9,60 100 8,1 2,00 0,60 0,045 6,8 04/12/2001 8,30 150 7,3 2,00 Fonte:Suderhsa, 2002. Notas: (1) Em vermelho - Excede limite da classe (2) Em azul - Valores estimados pela Suderhsa 0,28 0,049 6,1 Nitrogênio Temp. do Total Ar oC Kjeldahl mg/l DQO mg/l Condutividade Elétricaµ S/cm 22.000 2,0 49 0,04 13.000 1,4 43 0,27 22 23.000 4,7 50 36 27 - 2,3 52 22 - 3,6 DBO (5,20) Nitrato Fosfato Total Turbide Sólido Total mg/l mg/l mg/l z UNT mg/l Chuva Vazão m³/s 24 BOM 22,02 16 BOM 16,18 0,12 28 BOM 37,09 39 0,30 33 BOM 12,37 54 0,14 22 CHUVA 25,97 VII - 159 Quadro 3.44 Dados do monitoramento da qualidade da água da área de estudo posto de Estreito do Iguaçu Novo PARÂMETROS DATA DA COLETA OD mg/l Coliformes Temp. da Totais Água oC NMP/100m l Condutivi- Nitrogênio dade Total Elétricaµ S/c Kjeldahl mg/l m Coliformes Fecais NMP/100ml pH 7,0 1,00 0,76 0,010 4,0 28 27 - - - DBO (5,20) Nitrato Fosfato Total Turbide Sólido Total mg/l mg/l mg/l z UNT mg/l DQO mg/l Temp. do Ar oC Chuva Vazão m³/s - - - 722,000 08/03/1988 7,72 11 22/04/1988 8,28 500 7,0 1,00 0,54 0,012 16,0 112 24 - - - - - - 882,000 03/08/1988 9,80 2 6,7 1,00 0,28 0,010 7,5 52 28 - - - - - - 1305,000 01/10/1990 8,86 500 7,2 1,00 0,52 0,012 26,0 182 19 - - - - - - 3018,000 16/03/1992 8,26 230 7,1 2,00 0,60 0,050 14,0 54 24 1.100 9,0 37 - 26 CHUVA 926,000 21/05/1992 10,76 500 6,3 3,00 0,80 0,060 15,0 70 20 3.000 10,0 41 - 21 CHUVA 1712,000 28/09/1992 9,30 1.400 6,2 1,00 0,70 0,084 31,0 81 20 8.000 4,0 36 - 24 BOM 3407,000 03/05/1994 8,20 30 7,5 2,00 0,45 0,005 4,9 24 23 230 6,0 37 - 26 BOM 582,000 27/07/1994 9,18 5.000 7,0 1,00 0,68 0,078 14,0 25 23 5.000 4,0 62 - 26 BOM 414,00 26/05/1996 9,72 110 7,4 2,00 0,60 0,020 3,2 9 21 500 6,0 37 - 23 BOM 795,85 17/09/1996 9,44 30 7,2 2,00 0,68 0,020 6,5 15 19 170 9,0 37 - 26 BOM 1434,35 12/11/1996 8,52 280 7,0 1,00 0,59 0,052 13,0 27 23 900 6,0 - - 26 CHUVA 2265,03 13/04/1997 8,84 2 7,1 3,00 0,82 0,004 5,0 18 26 2.200 9,0 34 - 24 BOM 806,00 13/08/1997 9,62 6 7,1 1,00 0,85 0,032 12,0 36 20 1.700 5,0 34 - 20 BOM 2216,85 18/11/1997 9,08 50 6,9 2,00 0,26 0,050 20,0 70 23 1.400 7,0 31 0,13 27 CHUVA 3700,80 16/04/1998 7,74 2.200 7,0 1,00 0,80 0,004 17,0 39 18 22.000 5,0 42 - 19 CHUVA 3473,60 27/05/1998 8,96 1.700 7,3 2,00 0,56 0,005 15,0 24 20 1.700 3,0 32 - 21 NUB 2304,09 24/11/1998 8,30 2 7,5 2,00 0,74 0,040 16,0 15 22 130 6,0 33 - 27 BOM 1446,14 29/08/1999 11,06 4 7,2 1,00 0,59 0,020 3,7 15 20 33 4,0 37,3 - 22 BOM 1305,00 27/10/1999 9,90 8 7,3 1,00 0,65 0,060 4,4 8 22 30 2,0 37,7 - 25 BOM 1104,60 14/03/2000 6,90 2 7,8 1,00 0,60 0,032 3,1 20 27 620 7,0 173,8 - 27 BOM 953,80 10/05/2000 7,90 300 7,6 1,00 0,65 0,034 5,0 16 22 500 4,0 45,4 - 19 BOM 1788,03 VII - 160 Quadro 3.44 Dados do monitoramento da qualidade da água da área de estudo posto de Estreito do Iguaçu Novo PARÂMETROS DATA DA COLETA OD mg/l Coliformes Fecais NMP/100ml DBO (5,20) Nitrato Fosfato Total Turbide Sólido Total pH mg/l mg/l mg/l z UNT mg/l Coliformes Totais Temp. da Água oC NMP/100m l DQO mg/l Condutivi- Nitrogênio dade Total Elétricaµ S/c Kjeldahl mg/l m Temp. do Ar oC Chuva Vazão m³/s 17/07/2000 10,00 70 6,9 1,00 0,89 0,024 5,0 16 16 70 4,2 49 - 12 BOM 1425,00 06/11/2000 8,50 110 7,4 1,00 0,80 0,030 11,0 16 22 130 1,4 43 - 27 BOM 1962,50 19/06/2001 8,70 20 7,0 2,00 0,75 0,060 7,3 25 19 20 10/12/2001 8,50 150 7,1 2,00 Fonte: Suderhsa, 2002. Notas:(1) Em vermelho - Excede limite da classe (2) Em azul - Valores estimados pela Suderhsa 0,80 0,010 5,3 96 24 9,2 37 - 12 CHUVA 1325,00 6,5 33,3 - 31 BOM 1465,00 VII - 161 A seguir é feita uma análise dos resultados dos parâmetros, bem como a comparação dos mesmos com os padrões estabelecidos pela Resolução Conama n° 357 de 17 de março de 2005, para a classe 2. − Temperatura do ar e da água As variações de temperatura fazem parte do regime climático normal, e corpos d’água naturais apresentam variações sazonais e diurnas. A temperatura superficial é influenciada por fatores tais como: latitude, altitude, estação do ano, período do dia, taxa de fluxo e profundidade. Os valores da temperatura da água e do ar, obtidos nas medições, não mostraram-se discrepantes em relação às características climáticas regionais. − Oxigênio dissolvido (OD) Em todas as medições realizadas, o OD esteve acima do limite mínimo estabelecido para a classe 2 (5,0 mg/l), com a maioria dos valores situando-se acima de 8,0 mg/l. − Demanda química de oxigênio (DQO) e demanda bioquímica de oxigênio (DBO) O limiar da Resolução Conama n.º 357 , para a DBO, em águas de classe 2, é de 5 mg/l de O2. Os valores da DBO, dos pontos de amostragem considerados, situaram-se dentro do limite estabelecido para a classe mencionada, tendo atingido, no máximo, 4 mg/l em todas as medições. O trecho do médio e baixo Iguaçu apresenta valores baixos de DBO, devido à baixa carga poluente deste trecho e ao grande volume de vazão onde os poluentes da parte superior do curso podem ser diluídos. A maioria das indústrias no Estado do Paraná estão equipadas com instalações de tratamento de água residual. Em média, a remoção da DBO varia entre 83 e 100% em todas as áreas de bacia hidrográfica, exceto na bacia do Iguaçu onde a remoção é de apenas 65%. A média da remoção da DBO do Paraná é de 97%. A relação DQO/DBO em águas naturais pode variar em torno de 7,0 e 20,0, dependendo de diversos parâmetros. Valores altos indicam uma elevada fração inerte (não biodegradável). Para os pontos analisados, a maioria dos valores situou-se um pouco abaixo da faixa mencionada. − Nitrato Nitrogênio nitrato é a principal forma de nitrogênio configurado encontrado nas águas. Concentrações de nitratos superiores a 5 mg/l demonstram condições sanitárias inadequadas, pois a principal fonte de nitrogênio nitrato são dejetos humanos e animais (CETESB, s/d). Os nitratos estimulam o desenvolvimento de plantas, sendo que VII - 162 organismos aquáticos, como algas e macrófitas, tendem a aumentar em biomassa na presença destes. Segundo a Resolução Conama nº 357, o valor máximo de nitrogênio nitrato para a classe 2 é de 10 mg/l. Verifica-se que os valores do parâmetro estiveram de acordo com esse limite em todas as medições realizadas situando-se, a maioria, abaixo de 1,0 mg/l. − Nitrogênio total Kjeldahl O nitrogênio Kjeldahl é a soma dos nitrogênios orgânico e amoniacal. Ambas as formas estão presentes em detritos de nitrogênio orgânico oriundos de atividades biológicas naturais. Pode contribuir para a completa abundância de nutrientes na água e sua eutrofização. Os nitrogênios amoniacal e orgânico são importantes para avaliar o nitrogênio disponível para as atividades biológicas. A concentração de Nitrogênio Total Kjeldahl em rios que não são influenciados pelo excesso de insumos orgânicos variam de 1,0 a 0,5 mg/l (CETESB, s/d). A maior parte dos valores encontrados nas análises situou-se abaixo dessa faixa, tendose registrado apenas três violações em todas as medições efetuadas. − Coliformes fecais e totais O uso do indicador coliforme fecal, para refletir poluição sanitária, mostra-se mais significativo que o uso do coliforme total. Os coliformes fecais (em NMP) são bactérias (a exemplo da Escherichia coli) oriundas do trato intestinal humano e animal. A presença de coliformes fecais indica contaminação por fezes humanas e, portanto, sua potencialidade em transmitir doenças. O acúmulo e extravasamento de dejetos para corpos d’água assim como o despejo clandestino (acidental ou não) de resíduos podem provocar a contaminação dos mesmos. Segundo a Resolução Conama nº 357, os valores máximos de coliformes fecais e totais, para águas da classe 2, são de 1.000 NMP/100 ml e 5.000 NMP/100 ml, respectivamente. Nota-se que alguns valores estão acima desses limites estabelecidos. Nos postos Salto Caxias e Ponte Capanema, os valores de coliformes fecais atingiram o valor de 7.000 e 22.000 NMP/100 ml, em junho de 1990 e julho de 2005, respectivamente. No caso do Parque Nacional do Iguaçu e Estreito do Iguaçu Novo, os valores chegaram a 8.000 NMP/100 ml, em maio de 1999 e 5.000 NMP/100 ml, em julho de 1994 e 2005, respectivamente. O maior valor das medições foi de 130.000 NMP/100 ml, no posto de São Sebastião (rio Andrada), em outubro de 2005. Em relação aos coliformes totais, valores muito altos foram registrados nos pontos Ponte Capanema e Parque Nacional do Iguaçu, atingindo 90.000 NMP/100 ml (em março de 1992 e agosto de 1998) e 80.000 NMP/100 ml (em setembro de 2000 e 2005), respectivamente. Para as estações de Salto Caxias, São Sebastião e Estreito do Iguaçu Novo, os valores mais altos foram, respectivamente, 28.000 NMP/100 ml (em maio de 1992); 500.000 NMP/100 ml (em outubro de 2005) e 22.000 NMP/100 ml (em abril de 1998). VII - 163 Esses valores altos podem ser explicados, em parte, pelo carregamento de dejetos oriundos de áreas urbanas e rurais durante chuvas de maior intensidade. De fato, as Figuras 3.48 a 3.57 mostram que valores elevados desses parâmetros normalmente estão associados a maiores vazões dos corpos receptores. No trabalho realizado durante o diagnóstico participativo, constatou-se ser prática regular e crescente o lançamento de esgoto doméstico nas galerias de águas pluviais, de forma clandestina. A justificativa foi de que as fossas na maior parte dos casos já se encontram saturadas e a sua manutenção fica cada vez mais difícil, incentivando os lançamentos clandestinos. Estes lançamentos acabam chegando nos rios, e de forma mais intensa quando há precipitação. É importante salientar que no caso do posto IG-15- Parque Nacional do Iguaçu não se dispõe de registros de vazão líquida, e mesmo assim os dados dos parâmetros de qualidade da água foram apresentados. Nesta etapa é feita a hipótese de que os maiores registros dos parâmetros analisados estão associados às maiores vazões. 8.000 5.000 7.000 4.500 4.000 6.000 3.500 5.000 3.000 4.000 2.500 3.000 2.000 1.500 2.000 1.000 1.000 500 0 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 classe II Coliformes Fecais Q (m³/s) Figura 3.49 Coliformes fecais - posto 65975000 - IG12 – Salto Caxias Q (m³/s) Coliformes Fecais (NMP/100ml) Em fase posterior dos estudos, por análise de correlação de vazões líquidas, as mesmas poderão ser geradas e alocadas no gráfico, além do que deve se ressaltar a necessidade de dar início a campanhas de medição de descarga neste ponto. 7/12/2000 18/6/2001 13/6/1989 29/8/1989 18/2/1990 8/11/1990 19/8/1991 17/9/1991 26/3/1992 13/4/1992 4/5/1992 3/8/1993 28/3/1994 14/5/1995 11/11/1996 18/5/1997 22/7/1997 25/8/1998 3/5/1999 29/8/1999 26/10/1999 27/11/1999 25/4/2000 27/6/2000 15/8/2000 15/11/2000 14/6/2001 4/12/2001 2/7/2003 20/3/2005 25/7/2005 21/9/2005 350 300 VII - 164 Q (m³/s) 250 200 150 100 20/7/2005 19/5/1989 50 16/3/2005 1/8/1987 1/12/1987 0 11/9/2001 22.000 21/9/2000 21.000 16/7/2000 20.000 25/11/1999 19.000 30/9/1999 24/11/1999 18.000 26/8/1999 17.000 5/5/1999 16.000 9/12/1998 15.000 7/10/1998 14.000 17/6/1998 13.000 18/3/1998 12.000 19/11/1997 11.000 17/9/1997 24/6/1987 Q (m³/s) 11/6/1997 9.000 4/3/1997 10.000 4/12/1996 8.000 22/9/1996 7.000 22/5/1996 6.000 27/3/1996 5.000 5/12/1995 26/4/1987 COLI-FE (NMP/100mL) 17/10/1995 4.000 24/7/1995 3.000 9/5/1995 2.000 26/9/1994 0 23/3/1994 1.000 2/9/1993 Figura 3.50 Coliformes fecais - posto 65981500 - IG13 – Ponte Capanema 25/5/1992 9.000 12/3/1992 8.000 5/12/1991 Coliformes Fecais (NMP/100 ml) 7.000 11/9/1991 6.000 7/7/1988 26/9/1990 5.000 25/3/1988 4.000 12/12/1987 3.000 30/6/1987 2.000 18/2/1987 1.000 0 Figura 3.51 Coliformes fecais - posto 65995000 - IG15 – Parque Nacional do Iguaçu Coliformes Fecais (NMP/100ml) Coliformes Fecais (NMP/100 ml) Coliformes Fecais (NMP/100 ml) 18/11/1997 16/4/1998 27/5/1998 29/8/1999 27/10/1999 14/3/2000 10/5/2000 17/7/2000 6/11/2000 19/6/2001 10/12/2001 13/8/2003 26/11/2003 17/3/2005 25/6/1987 20/4/1988 30/5/1988 3/8/1988 30/10/1988 29/11/1988 7/11/1990 7/5/1992 23/6/1996 16/10/1996 16/6/1997 17/8/1997 14/10/1997 23/6/1998 28/4/1999 30/8/1999 25/10/1999 28/11/1999 26/4/2000 28/6/2000 16/8/2000 16/11/2000 4/9/2001 4/12/2001 14/8/2003 2/12/2003 26/7/2005 120 100 VII - 165 Q (m³/s) 80 60 40 20 0 4000 3500 3000 2500 2000 1500 1000 500 0 Q (m³/s) 27/4/1987 Q (m³/s) Q (m³/s) 24/11/1998 20.000 13/8/1997 18.000 13/4/1997 16.000 12/11/1996 14.000 17/9/1996 12.000 26/5/1996 10.000 3/5/1994 27/7/1994 8.000 28/9/1992 6.000 21/5/1992 4.000 16/3/1992 24/2/1987 COLI-FECAL (NMP/100mL) Figura 3.52 Coliformes fecais - posto 65979000 - IG17 – São Sebastião 1/10/1990 2.000 0 5.000 4.000 3.000 2.000 1.000 0 3/8/1988 COLI-FECAL (NMP/100mL) Figura 3.53 Coliformes fecais - posto 65986000 - IG20 – Estreito do Iguaçu Novo 8/3/1988 22/4/1988 VII - 166 30.000 5.000 4.500 4.000 3.500 20.000 3.000 15.000 2.500 2.000 10.000 Q (m³/s) Coliformes Totais (NMP/100ml) 25.000 1.500 1.000 5.000 500 0 0 CLASSE II1 2 3 4 5 6 Coliformes Totais 7 8 9 10 Q (m³/s) Figura 3.54 Coliformes totais - posto 65975000 - IG12 – Salto Caxias 100.000 350 90.000 300 250 70.000 60.000 200 50.000 150 40.000 30.000 100 20.000 50 10.000 0 0 1 CLASSE II 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 27 29 31 Coliformes Totais Q (m³/s) Figura 3.55 Coliformes totais - posto 65981500 - IG13 – Ponte Capanema Q (m³/s) Coliformes Totais (NMP/100ml) 80.000 VII - 167 80.000 Coliformes Totais (NMP/100ml) 70.000 60.000 50.000 40.000 30.000 20.000 10.000 0 1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 27 29 31 33 35 37 39 CLASSE II Coliformes Totais 70.000 120 60.000 100 50.000 80 40.000 60 30.000 40 20.000 20 10.000 0 0 1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 CLASSE II Coliformes Totais Q (m³/s) Figura 3.57 Coliformes totais - posto 65979000 - IG17 – São Sebastião Q (m³/s) Coliformes totais (NMP/100ml) Figura 3.56 Coliformes totais - posto 65995000 - IG15 – Parque Nacional do Iguaçu VII - 168 60.000 4.000 3.500 3.000 40.000 2.500 30.000 2.000 Q (m³/s) Coliform es Totais (NMP/100m l) 50.000 1.500 20.000 1.000 10.000 500 0 0 1 3 5 7 CLASSE II 9 11 13 Coliformes Totais 15 17 19 21 23 25 Q (m³/s) Figura 3.58 Coliformes totais - posto 65986000 - IG20 – Estreito do Iguaçu Novo − Potencial hidrogeniônico (pH) Esse parâmetro, por definir o caráter ácido, básico ou neutro de uma solução, deve ser considerado, pois os organismos aquáticos estão geralmente adaptados às condições de neutralidade e, em conseqüência, alterações bruscas do pH de uma água podem acarretar o desaparecimento dos seres nela presentes. Valores fora das faixas recomendadas podem alterar o sabor da água e contribuir para corrosão dos sistemas de distribuição, ocorrendo, com isso, uma possível extração do ferro, cobre, chumbo, zinco e cádmio, e dificultar a descontaminação das águas (CETESB, s/d). De acordo com a Resolução Conama nº 357, para águas da classe 2, o pH deve estar na faixa de 6,0 a 9,0. Todos os valores referentes às medidas realizadas situaram-se de acordo com os limites estabelecidos. − Fosfato total A liberação excessiva de fosfato na água pode levar à sua eutrofização, provocando o desenvolvimento de algas ou outras plantas aquáticas em reservatórios ou águas paradas. No meio ambiente, origina-se de fertilizantes, dejetos animais, esgotos e detergentes. O limite do Conama nº 357, para fosfato total, em águas de classe 2, é de 0,03 mg/l em ambientes lênticos e até 0,05 mg/l em ambientes intermediários. Conforme ilustrado nas Figuras 3.59 à 3.63, a seguir, grande parte dos dados analisados encontra-se acima do limite máximo estabelecido, o que deve estar associado ao uso intensivo de fertilizantes nos municípios, conforme mencionado no início deste tópico (Considerações Iniciais). VII - 169 0,150 5.000 4.500 4.000 3.500 0,100 3.000 0,075 2.500 2.000 0,050 Q (m³/s) Fosfato Total (mg/l) 0,125 1.500 1.000 0,025 500 0,000 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 CLASSE II Fosfato Total Q (m³/s) 0,150 350 0,125 300 250 0,100 200 0,075 150 0,050 100 0,025 50 0,000 0 1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 27 29 31 CLASSE II Fosfato Total Q (m³/s) Figura 3.60 Fosfato total - posto 65981500 - IG13 – Ponte Capanema Q (m³/s) Fosfato Total (mg/l) Figura 3.59 Fosfato total - posto 65975000 - IG12 – Salto Caxias VII - 170 0,150 Fosfato Total (mg/l) 0,125 0,100 0,075 0,050 0,025 0,000 1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 27 29 31 33 35 37 39 CLASSE II Fosfato Total 1,200 120 1,000 100 0,800 80 0,600 60 0,400 40 0,200 20 0,000 0 1 CLASSE II 3 5 7 9 11 13 Fosfato Total 15 17 19 21 23 25 Q (m³/s) Figura 3.62 Fosfato total - posto 65979000 - IG17 – São Sebastião Q (m³/s) Fosfato Total (NMP/100ml) Figura 3.61 Fosfato total - posto 65995000 - IG15 – Parque Nacional do Iguaçu VII - 171 0,100 4.000 3.500 3.000 2.500 0,050 2.000 Q (m ³/s ) F o sfato to tal (m g /l) 0,075 1.500 0,025 1.000 500 0,000 0 1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 CLA SSE II Fosfato Total Q (m³/s) Figura 3.63 Fosfato total - posto 65986000 - IG20 – Estreito do Iguaçu Novo − Condutividade específica A condutividade específica é uma expressão numérica da capacidade de uma água conduzir a corrente elétrica. A mesma depende das concentrações iônicas e da temperatura. Esse parâmetro fornece uma boa indicação das modificações na composição de uma água, especialmente na sua concentração mineral, mas não fornece nenhuma indicação das quantidades relativas dos vários componentes. A medida que mais sólidos dissolvidos são adicionados, a condutividade específica aumenta. Altos valores podem indicar características corrosivas da água (CETESB, s/d). A maior parte das águas interiores dos Estados Unidos exibem condutividade elétrica variando entre 50 e 500 µS/cm, enquanto que as águas altamente mineralizadas apresentam valores entre 500 e 1.000 µS/cm (AWWA,1992). Dentre as medições realizadas, verifica-se que a grande maioria dos valores situou-se abaixo de 50 µS/cm, com exceção do posto Ponte Capanema, onde os mesmos encontraram-se um pouco acima deste valor. Estes dados indicam uma baixa concentração de minerais. − Sólido total Valores elevados de sólidos totais podem causar danos aos peixes e à vida aquática, podem se sedimentar no leito dos rios, destruindo organismos que fornecem alimentos, ou também danificar os leitos de desova de peixes. Podem reter bactérias e resíduos orgânicos no fundo dos rios, promovendo decomposição anaeróbia. Altos teores de sais minerais, particularmente sulfato e cloreto, estão associados à tendência de corrosão em sistemas de distribuição, além de conferir sabor às águas (CETESB, s/d). VII - 172 Nas medições realizadas, os valores variaram entre 8 e 295 mg/l, o que a princípio não acarreta preocupações na vida aquática, mas reforça a necessidade de monitoramento dos sedimentos. − Turbidez Alta turbidez reduz a fotossíntese da vegetação enraizada submersa e algas. Esse desenvolvimento reduzido de plantas pode, por sua vez, suprimir a produtividade de peixes. Logo, a turbidez pode influenciar nas comunidades biológicas aquáticas. Além disso, afeta adversamente os usos doméstico, industrial e recreacional de uma água (CETESB, s/d). O limite do Conama nº 357, para águas de classe 2, de 100 UNT – Unidade nefelométrica de turbidez, não foi violado em nenhuma das medições realizadas. De acordo com as análises dos resultados dos parâmetros, verificou-se que alguns valores ultrapassaram os limites estabelecidos para a classe de enquadramento, especificado pela Portaria Surehma n.º 005/91 de 19 de setembro de 1991, o que reforça a necessidade de melhorar a rede de monitoramento e adoção de instrumentos de controle de efluentes. − Índice de qualidade da água – IQA Como instrumento complementar à análise de comportamento da qualidade da água dos recursos hídricos da bacia do rio Iguaçu, localizados a jusante da UHE Salto Caxias, foram calculados os índices de qualidade da água (IQA) de cada um dos postos de monitoramento efetuados. Os resultados do IQA para os cinco postos considerados, são apresentados nas Figuras 3.64 a 3.68, juntamente com as medições de vazão referentes às datas de coleta das amostras d’água. Como pode se verificar, a partir da análise dessas figuras, a qualidade da água pode ser classificada como razoável ou boa em todas as medições realizadas nos postos estudados, exceto na de maio de 1997, do Posto Ponte Capanema, quando atingiu a classificação “ótima”. 100 5000 90 4500 80 4000 70 3500 60 3000 50 2500 40 2000 30 1500 20 1000 10 500 Péssimo (0-25) Ruim (26-50) Razoável (51-70) Bom (71-90) 15/5/1995 12/9/1993 7/5/1992 15/4/1992 22/10/1991 21/8/1991 15/7/1991 29/7/1990 6/3/1991 0 16/6/1990 0 Q (m³/s) IQA VII - 173 Ótimo (91-100) IQA Q (m³/s) Figura 3.64 Resultado do cálculo do IQA – posto Salto Caxias 350 100 90 300 80 200 50 150 40 30 100 20 50 10 Péssimo (0-25) Ruim (26-50) Razoável (51-70) Bom (71-90) Ótimo (91-100) 25/7/2005 2/7/2003 14/6/2001 15/8/2000 25/4/2000 26/10/1999 3/5/1999 22/7/1997 11/11/1996 28/3/1994 4/5/1992 26/3/1992 19/8/1991 18/2/1990 13/6/1989 0 1/12/1987 0 24/6/1987 IQA 60 Q (m³/s) 250 70 IQA Figura 3.65 Resultado do cálculo do IQA – posto Ponte Capanema Q (m³/s) VII - 174 1,2 100 90 1 80 70 IQA 50 0,6 40 Q (m³/s) 0,8 60 0,4 30 20 0,2 10 Péssimo (0-25) Ruim (26-50) Razoável (51-70) Bom (71-90) Ótimo (91-100) 21/9/2005 16/3/2005 18/6/2001 21/9/2000 25/11/1999 30/9/1999 5/5/1999 7/10/1998 18/3/1998 17/9/1997 4/3/1997 22/9/1996 27/3/1996 17/10/1995 9/5/1995 23/3/1994 25/5/1992 5/12/1991 26/9/1990 25/3/1988 0 30/6/1987 0 IQA Q (m³/s) Figura 3.66 Resultado do cálculo do IQA – posto Parque Nacional do Iguaçu 120 100 90 100 80 70 60 40 40 30 20 20 10 Péssimo (0-25) Ruim (26-50) Razoável (51-70) Bom (71-90) Ótimo (91-100) 26/10/2005 2/12/2003 4/12/2001 16/11/2000 28/6/2000 28/11/1999 30/8/1999 23/6/1998 17/8/1997 16/10/1996 7/5/1992 29/11/1988 3/8/1988 0 20/4/1988 0 27/4/1987 IQA 50 Q (m³/s) 80 60 IQA Figura 3.67 Resultado do cálculo do IQA – posto São Sebastião Q (m³/s) VII - 175 100 4000 90 3500 80 2500 IQA 60 50 2000 40 1500 30 Q (m³/s) 3000 70 1000 20 500 10 Péssimo (0-25) Ruim (26-50) Razoável (51-70) Bom (71-90) Ótimo (91-100) 20/7/2005 26/11/2003 10/12/2001 6/11/2000 10/5/2000 27/10/1999 24/11/1998 16/4/1998 13/8/1997 12/11/1996 26/5/1996 3/5/1994 21/5/1992 1/10/1990 0 22/4/1988 0 IQA Q (m³/s) Figura 3.68 Resultado do cálculo do IQA – posto Estreito do Iguaçu Novo d) Considerações finais A poluição das águas origina-se de várias fontes, entre as quais se destacam os efluentes domésticos e industriais e o deflúvio superficial urbano e agrícola, que, por sua vez, está associado ao tipo de uso e ocupação do solo (FEMAP/MS, 2000). Cada uma dessas fontes possui características próprias quanto aos poluentes que carreiam: os efluentes domésticos apresentam contaminantes orgânicos biodegradáveis, nutrientes e bactérias; os efluentes industriais, devido à diversidade das atividades, apresentam contaminantes os mais variados possíveis; o deflúvio superficial urbano (carga difusa) contém todos os poluentes depositados na superfície do solo e o deflúvio superficial agrícola é dependente das atividades regionais, apresentando características específicas (FEMAP/MS, 2000). Dentre os parâmetros analisados, verificou-se que somente coliformes fecais, coliformes totais e fosfato apresentaram valores fora do limite estabelecido pela Resolução Conama n° 357, para a classe 2. Esse dado pode refletir o lançamento de esgotos não tratados, e a lavagem de fertilizantes e nutrientes agrícolas. Alguns municípios da área de estudo, têm como base da economia, a agroindústria e a agricultura, como por exemplo, o cultivo de milho, trigo, fumo, feijão e soja; sendo possível constatar a utilização de defensivos e fertilizantes agrícolas. O uso de fertilizantes pode ter sido responsável pelo aumento da concentração de fosfato nos rios, detectado a partir dos dados de monitoramento da qualidade da água cujos VII - 176 valores, na maioria das medições efetuadas, violaram o limite estabelecido para a classe 2, segundo a Resolução Conama n° 357/2005. Considerando-se a utilização de agrotóxicos na região, seria importante o monitoramento de organoclorado, substância presente em pesticidas, e com um considerável poder inseticida, mas extremamente nocivo à saúde, podendo ocasionar lesões hepáticas e renais, e mutagênese. É bastante preocupante, o quadro atual das águas superficiais, devido aos efluentes das áreas agrícolas (defensivos e fertilizantes), como por exemplo, o rio Monteiro, informado pela prefeitura de Capitão Leônidas Marques mas sem confirmação de monitoramento. Em relação ao indice de qualidade da água – IQA verifica-se que, em todas as medições, a classificação variou entre razoável e boa, com exceção da medição feita em maio de 1997 no posto Ponte Capanema, em que a classificação foi ótima. 3.5.2 - Serviços de saneamento Nesta seção apresenta-se uma descrição dos aspectos relacionados ao saneamento ambiental da região em estudo, com base nos dados da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico, realizado pelo IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, no ano de 2000. Apresenta-se um conjunto de quadros e as análises respectivas, sobre a situação do saneamento básico para os municípios da área de influencia indireta e direta. No Quadro 3.45, pode-se observar que a maioria dos municípios apresentam algum tipo de serviço de saneamento básico em todos os seus distritos, sendo o abastecimento de água, por rede geral ou poço particular, o serviço presente na unanimidade dos distritos e a rede coletora de esgoto, o mais ausente. No Quadro 3.46, pode-se observar que a captação de água se dá principalmente de duas formas, a superficial (rios/lagos) e por poços profundos (poços artesianos). Do total de 69 distritos, apenas 17 contam com tratamento convencional, 33 com desinfecção, 34 com fluoretação e 14 não apresentam nenhum tipo de tratamento. No Quadro 3.47, tem-se uma apresentação do volume de água distribuído. Somando-se a quantidade de água distribuída em todos os municípios, tem-se um total de 7.682 m3 por dia, sendo 970 m3 por dia sem nenhum tipo de tratamento. Dos outros 7.548 m3 por dia que são tratados, 4.934 passam por tratamento convencional, e 4.264 por desinfecção. No Quadro 3.48, mostra-se que dos 69 distritos, apenas seis apresentam o abastecimento de água racionado. Em Francisco Beltrão, três de seus cinco distritos enfrentam o racionamento devido a problemas na reservação da água. E no município de Planalto, um de seus cinco distritos, enfrenta racionamento devido a períodos de estiagem. No Quadro 3.49, observa-se que a quase totalidade dos distritos (61 no total) não apresentam rede coletora de esgoto, entretanto 59 distritos utilizam fossa seca como método alternativo de disposição final. VII - 177 No Quadro 3.50, pode-se observar que apenas oito distritos coletam esgoto por redes, e em sete deles este esgoto passa por tratamento, sendo o corpo receptor de todos eles um rio. No Quadro 3.51, apresenta-se uma avaliação da drenagem urbana. Todos os municípios, com exceção de Bela Vista da Caroba, possuem sistema de drenagem e ruas pavimentadas. Na maioria dos municípios o corpo receptor é um curso de água permanente, sendo o sistema de drenagem subterrâneo presente em todos os municípios, e o de drenagem superficial presente em 12 dos 31 municípios que tem rede de drenagem. No Quadro 3.52, observa-se que dos 32 municípios, todos apresentam os serviços de limpeza urbana e coleta de lixo, e a maioria conta também com remoção de entulhos e coleta de lixo especial. Neste estudo do IBGE, apenas sete apresentam coleta seletiva. No trabalho do diagnóstico participativo, constatou-se que os municípios de Nova Prata do Iguaçu, Capanema e Realeza possuem coleta seletiva. Somente os municípios de Ampére e Santa Terezinha de Itaipu contam com o serviço de reciclagem. No Quadro 3.53, é apresentado pelo estudo do IBGE, que um total de 35 distritos tem seu lixo coletado. Em 16 deles uma parte vai para lixões, em 13 distritos parte vai para aterros controlados, em 18 distritos parte segue para aterro sanitário, em 12 deles parte vai para aterro de resíduos especiais. Usina de reciclagem existe em dois distritos e usina de compostagem em um único distrito. No Quadro 3.54, é mostrada que a quantidade de lixo gerada nos municípios fica em torno de 381 toneladas por dia, sendo Foz do Iguaçu responsável por 168 toneladas dia. Destas 381 toneladas, 98 seguem para lixões, 246 toneladas para aterros controlados, 34 para aterro sanitário e duas toneladas seguem diariamente para a estação de triagem do município de Santa Terezinha de Itaipu. Com a entrada em operação dos aterros controlados mencionados anteriormente os valores sofreram pequenas alterações. No Quadro 3.55, apresenta-se informações sobre a localização do destino final do lixo. Até o ano 2000, dos 32 municípios, 31 contam com uma área no próprio município para a destinação do lixo, apenas em Serranópolis do Iguaçu não há tal área. Apenas nos municípios de Foz do Iguaçu e Francisco Beltrão é que a localização do destino do lixo encontra-se no perímetro urbano, para os demais municípios a destinação fica fora do perímetro urbano e geralmente próximo a áreas com atividades agropecuárias. Em 2007, segundo dados obtidos junto ao Departamento de Saneamento Ambiental da Suderhsa, dentre os 399 municípios paranaenses, 258 deles contam com aterros sanitários para o depósito de seus resíduos urbanos, o que equivale a adequada destinação final de 65% dos resíduos urbanos gerados no Estado, e 141 municípios descartam seus resíduos em lixões. A partir de 2007 a política estadual de resíduos sólidos passou a apoiar uma nova proposta, a qual visa incentivar a formação de aterros consorciados entre municípios – diminuindo o número de locais impactados pelo depósito de lixo. O maior benefício da formação dos consórcios é a centralização do recebimento dos resíduos, considerados passivos ambientais, o que facilita o correto gerenciamento destes depósitos. A idéia é ter VII - 178 o menor número possível de aterros e que contenham apenas materiais inúteis para compostagem ou para reciclagem. Em 13 agosto de 2007 a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos SEMA, por meio da Suderhsa, apresentou um estudo de viabilidade para a formação de consórcios de aterros sanitários no Paraná prevendo a instalação de 58 aterros consorciados no Estado, que irão atender 377 municípios - o equivalente a 97% da população do estado. Para a construção destes aterros regionalizados, o governo do estado irá investir ao longo de quatro anos, R$ 15 milhões, oriundos dos recursos da PDE – Política de Desenvolvimento Econômico do Estado (vide capítulo VI, item 1.3.5). VII - 179 Quadro 3.45 Distritos, total, com algum e/ou sem serviço de saneamento básico, por tipo de serviço de saneamento básico - 2000 Distritos com algum serviço de saneamento básico Municípios Total de distritos Distritos sem rede geral de abastecimento de água Tipo de serviço Total Principal solução alternativa Rede geral de distribuição de água Rede coletora de esgoto Limpeza urbana e coleta de lixo Drenagem urbana Total Poço particular Outra Ampére 3 2 2 1 1 1 1 1 - Barracão 2 2 2 - 1 1 - - - Bela Vista da Caroba 1 1 1 - 1 - - - - Boa Vista da Aparecida 1 1 1 - 1 1 - - - Bom Jesus do Sul 1 1 1 - 1 1 - - - Capanema 4 4 4 - 1 1 - - - Capitão Leônidas Marques 2 2 2 - 1 1 - - - Cascavel 5 5 5 1 1 1 - - - Céu Azul 1 1 1 - 1 1 - - - Flor da Serra do Sul 1 1 1 - 1 1 - - - Foz do Iguaçu 2 1 1 1 1 1 1 1 - Francisco Beltrão 5 5 5 1 1 1 - - - Lindoeste 1 1 1 - 1 1 - - - Manfrinópolis 1 1 1 - 1 1 - - - Matelândia 2 2 2 1 2 1 - - - Medianeira 2 2 2 1 2 1 - - - Nova Esperança do Sudoeste 1 1 1 - 1 1 - - - Nova Prata do Iguaçu 1 1 1 - 1 1 - - - VII - 180 Quadro 3.45 Distritos, total, com algum e/ou sem serviço de saneamento básico, por tipo de serviço de saneamento básico - 2000 Distritos com algum serviço de saneamento básico Municípios Total de distritos Distritos sem rede geral de abastecimento de água Tipo de serviço Total Principal solução alternativa Rede geral de distribuição de água Rede coletora de esgoto Limpeza urbana e coleta de lixo Drenagem urbana Total Poço particular Outra Pérola D'Oeste 2 2 2 - 1 1 - - - Pinhal de São Bento 1 1 1 - 1 1 - - - Planalto 5 5 5 - 1 1 - - - Pranchita 2 2 2 1 1 1 - - - Realeza 4 2 2 - 1 1 2 2 - Salgado Filho 2 2 2 - 1 1 - - - Salto do Lontra 1 1 1 - 1 1 - - - Santa Izabel do Oeste 6 1 1 - 1 1 5 5 - Santa Lucia 1 1 1 - 1 1 - - - Santa Tereza do Oeste 1 1 1 - 1 1 - - - Santa Terezinha de Itaipu 1 1 1 1 1 1 - - - Santo Antônio do Sudoeste 3 3 3 - 1 1 - - - São Miguel do Iguaçu 3 2 2 - 2 2 1 - 1 Serranópolis do Iguaçu 1 1 1 - 1 1 - - - VII - 181 Quadro 3.46 Distritos, total e abastecidos, por tipo de captação, com tratamento da água, por tipo de tratamento - 2000 Distritos abastecidos Tipo de captação Municípios Ampére Barracão Bela Vista da Caroba Boa Vista da Aparecida Bom Jesus do Sul Capanema Capitão Leônidas Marques Cascavel Céu Azul Flor da Serra do Sul Foz do Iguaçu Francisco Beltrão Lindoeste Manfrinópolis Matelândia Medianeira Nova Esperança do Sudoeste Total de distritos Total Superficial Poço raso Com tratamento da água Poço Adutora profun- de água bruta do Adutora de água tratada Total 3 2 1 1 1 4 2 5 1 1 2 5 1 1 2 2 2 2 1 1 1 4 2 5 1 1 1 5 1 1 2 2 1 1 1 1 1 2 2 1 1 1 1 1 2 2 - 2 1 1 3 5 1 1 5 1 1 2 2 1 1 1 1 - 1 1 1 2 4 1 1 1 1 1 2 1 1 1 1 2 2 5 1 1 1 1 1 1 2 2 1 1 - - 1 - 1 1 Tipo de tratamento Fluoret Simples ação Não Convendesinconvenfecção cional cional (cloração) 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 1 5 2 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 1 1 1 1 - - 1 1 Sem tratamento 1 2 5 1 - VII - 182 Quadro 3.46 Distritos, total e abastecidos, por tipo de captação, com tratamento da água, por tipo de tratamento - 2000 Distritos abastecidos Tipo de captação Municípios Nova Prata do Iguaçu Pérola D'Oeste Pinhal de São Bento Planalto Pranchita Realeza Salgado Filho Salto do Lontra Santa Izabel do Oeste Santa Lucia Santa Tereza do Oeste Santa Terezinha de Itaipu Santo Antônio do Sudoeste São Miguel do Iguaçu Serranópolis do Iguaçu Total de distritos Total Superficial Poço raso Com tratamento da água Poço Adutora profun- de água bruta do Adutora de água tratada Total 1 2 1 1 2 1 1 1 1 1 - 2 - 1 - 1 1 2 1 5 5 3 - 2 1 1 4 2 2 1 - 2 - - 4 2 1 - 1 - - 2 2 1 - 2 - 1 1 1 - - - 6 1 1 - - 1 1 - - 1 1 1 - - 1 1 1 3 3 3 1 Tipo de tratamento Fluoret Simples ação Não Convendesinconvenfecção cional cional (cloração) 1 1 1 1 1 1 1 Sem tratamento - 1 - 3 2 1 1 - - 1 1 1 2 1 - 1 1 - - 1 1 - - 1 1 - 1 1 - - 1 - - - 1 1 - - 1 - - 1 1 - - 1 1 - 1 - 1 1 - - 1 1 - - 1 - - 1 1 - 1 1 - - - 3 - - 2 - - 2 1 1 2 - - 2 - 2 2 - - 2 2 - 1 - - 1 - 1 1 - - 1 1 1 VII - 183 Quadro 3.47 Volume de água distribuída por dia, por existência e tipo de tratamento - 2000 Volume de água distribuída por dia (m³) Com tratamento Municípios Tipo de tratamento Total Total (1) Ampére 981 Barracão Sem tratamento Convencional Nãoconvencional Simples desinfecção (cloração) 981 971 - 10 - 1 070 1 045 1 045 - - 25 135 135 - - 135 - 1 037 1 037 1 037 - - - 80 80 - - 80 - Capanema 2 324 2 268 2 236 - 32 56 Capitão Leônidas Marques 1 432 1 432 1 300 - 132 - Cascavel 41 561 41 561 35 576 - 5 985 - Céu Azul 1 454 1 454 - - 1 454 - 91 91 - - 91 - Foz do Iguaçu 64 754 64 754 64 754 - - - Francisco Beltrão 12 101 11 700 11 700 - - 401 Lindoeste 387 387 - - 387 - Manfrinópolis 153 153 - - 153 - Matelândia 1 556 1 530 - - 1 530 26 Medianeira 6 948 6 650 6 030 - 620 298 Nova Esperança do Sudoeste 160 160 - - 160 - Nova Prata do Iguaçu 795 795 795 - - - Bela Vista da Caroba Boa Vista da Aparecida Bom Jesus do Sul Flor da Serra do Sul VII - 184 Quadro 3.47 Volume de água distribuída por dia, por existência e tipo de tratamento - 2000 Volume de água distribuída por dia (m³) Com tratamento Municípios Tipo de tratamento Total Total (1) Pérola D'Oeste 512 Pinhal de São Bento Sem tratamento Convencional Nãoconvencional Simples desinfecção (cloração) 512 455 - 57 - 83 83 - - 83 - Planalto 871 822 617 - 205 49 Pranchita 510 480 - - 480 30 Realeza 1 750 1 750 1 729 - 21 - Salgado Filho 439 434 434 - - 5 Salto do Lontra 784 784 784 - - - Santa Izabel do Oeste 878 878 878 - - - Santa Lucia 370 370 - - 370 - Santa Tereza do Oeste 58 58 - - 58 - Santa Terezinha de Itaipu 2 570 2 570 1 725 - 845 - Santo Antônio do Sudoeste 1 536 1 506 - - 1 506 30 São Miguel do Iguaçu 2 948 2 948 - - 2 948 - 395 345 - - 345 50 Serranópolis do Iguaçu VII - 185 Quadro 3.48 Distritos, total e abastecidos, por existência e motivo do racionamento - 2000 Distritos abastecidos Total Total de distritos Municípios Existência e motivo do racionamento Total Problemas na reservação Capacidade de tratamento insuficiente População flutuante Problemas de seca/ estiagem Outro (1) Não existe racionamento Ampére 3 2 - - - - 1 1 Barracão 2 2 - - - - - 2 Bela Vista da Caroba 1 1 - - - - - 1 Boa Vista da Aparecida 1 1 - - - - - 1 Bom Jesus do Sul 1 1 - - - - - 1 Capanema 4 4 - - - - - 4 Capitão Leônidas Marques 2 2 - - - - - 2 Cascavel 5 5 - - - - - 5 Céu Azul 1 1 - - - - - 1 Flor da Serra do Sul 1 1 - - - - - 1 Foz do Iguaçu 2 1 - - - - - 1 Francisco Beltrão 5 5 3 - - - - 3 Lindoeste 1 1 - - - - - 1 Manfrinópolis 1 1 - - - - - 1 Matelândia 2 2 - - - - - 2 Medianeira 2 2 - - - - - 2 1 1 - - - - - 1 1 1 - - - - - 1 Nova Esperança Sudoeste Nova Prata do Iguaçu do VII - 186 Quadro 3.48 Distritos, total e abastecidos, por existência e motivo do racionamento - 2000 Distritos abastecidos Total Total de distritos Municípios Existência e motivo do racionamento Total Problemas na reservação Capacidade de tratamento insuficiente População flutuante Problemas de seca/ estiagem Outro (1) Não existe racionamento Pérola D'Oeste 2 2 - - - - - 2 Pinhal de São Bento 1 1 - - - - - 1 Planalto 5 5 - - - 1 1 3 Pranchita 2 2 - - - - - 2 Realeza 4 2 - - - - - 2 Salgado Filho 2 2 - - - - - 2 Salto do Lontra 1 1 - - - - - 1 Santa Izabel do Oeste 6 1 - - - - - 1 Santa Lucia 1 1 - - - - - 1 Santa Tereza do Oeste 1 1 - - - - - 1 Santa Terezinha de Itaipu 1 1 - - - - - 1 3 3 - - - - - 3 São Miguel do Iguaçu 3 2 - - - - - 2 Serranópolis do Iguaçu 1 1 - - - - - 1 Santo Sudoeste Antônio do VII - 187 Quadro 3.49 Distritos, total e sem rede coletora de esgoto, por principal solução alternativa - 2000 Distritos sem rede coletora de esgoto Principal solução alternativa Total de distritos Total Fossas sépticas e sumidouros Fossas secas Valas abertas Lançamento em cursos d'água Outros Sem declaração Ampére 3 2 - 2 - - - - Barracão 2 2 - 2 - - - - Bela Vista da Caroba 1 1 - 1 - - - - Boa Vista da Aparecida 1 1 - 1 - - - - Bom Jesus do Sul 1 1 - 1 - - - - Capanema 4 4 - 4 - - - - Capitão Leônidas Marques 2 2 - 2 - - - - Cascavel 5 4 - 4 - - - - Céu Azul 1 1 - 1 - - - - Flor da Serra do Sul 1 1 - 1 - - - - Foz do Iguaçu 2 1 - 1 - - - - Francisco Beltrão 5 4 - 4 - - - - Lindoeste 1 1 - 1 - - - - Manfrinópolis 1 1 - 1 - - - - Matelândia 2 1 - 1 - - - - Medianeira 2 1 - 1 - - - - Nova Esperança do Sudoeste 1 1 - 1 - - - - Nova Prata do Iguaçu 1 1 - 1 - - - - VII - 188 Quadro 3.49 Distritos, total e sem rede coletora de esgoto, por principal solução alternativa - 2000 Distritos sem rede coletora de esgoto Principal solução alternativa Total de distritos Total Fossas sépticas e sumidouros Fossas secas Valas abertas Lançamento em cursos d'água Outros Sem declaração Pérola D'Oeste 2 2 - 2 - - - - Pinhal de São Bento 1 1 - 1 - - - - Planalto 5 5 - 5 - - - - Pranchita 2 1 - 1 - - - - Realeza 4 4 - 4 - - - - Salgado Filho 2 2 - 2 - - - - Salto do Lontra 1 1 - 1 - - - - Santa Izabel do Oeste 6 6 - 6 - - - - Santa Lucia 1 1 - 1 - - - - Santa Tereza do Oeste 1 1 - 1 - - - - Santa Terezinha de Itaipu 1 - - - - - - - Santo Antônio do Sudoeste 3 3 - 3 - - - - São Miguel do Iguaçu 3 3 - 2 - - 1 - Serranópolis do Iguaçu 1 1 1 - - - - - VII - 189 Quadro 3.50 Distritos com coleta de esgoto sanitário, com e sem tratamento de esgoto sanitário, por tipo de corpos receptores - 2000 Distritos com coleta de esgoto sanitário Com tratamento de esgoto sanitário Municípios Ampére Barracão Bela Vista da Caroba Boa Vista da Aparecida Bom Jesus do Sul Capanema Capitão Leônidas Marques Cascavel Céu Azul Flor da Serra do Sul Foz do Iguaçu Francisco Beltrão Lindoeste Manfrinópolis Matelândia Medianeira Nova Esperança do Sudoeste Nova Prata do Iguaçu Pérola D`Oeste Pinhal de São Bento Planalto Sem tratamento de esgoto sanitário Tipo de corpos receptores Total de distritos com coleta de esgoto sanitário Total 1 - Tipo de corpos receptores Rio Mar Lago ou lagoa Baía Outro Sem declaração Total 1 1 - - - - - - - - - - - - Rio Mar Lago ou lagoa Baía Outro Sem declaração - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 1 1 1 - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 1 1 1 - - - - - - - - - - - - 1 1 1 - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 1 1 1 - - - - - - - - - - - - 1 1 1 - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - VII - 190 Quadro 3.50 Distritos com coleta de esgoto sanitário, com e sem tratamento de esgoto sanitário, por tipo de corpos receptores - 2000 Distritos com coleta de esgoto sanitário Com tratamento de esgoto sanitário Tipo de corpos receptores Total de distritos com coleta de esgoto sanitário Total Pranchita Realeza 1 Municípios Sem tratamento de esgoto sanitário Tipo de corpos receptores Rio Mar Lago ou lagoa Baía Outro Sem declaração Total 1 1 - - - - - - - - - - - - Salgado Filho - - - - - - Salto do Lontra - - - - - Santa Izabel D’Oeste - - - - Santa Lucia - - - Santa Tereza D’Oeste - - Santa Terezinha de Itaipu 1 Santo Antônio do Sudoeste Rio Mar Lago ou lagoa Baía Outro Sem declaração - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 1 - - - - 1 - - - - - - - - - - - - - - - - São Miguel do Iguaçu - - - - - - - - - - - - - - - Serranópolis do Iguaçu - - - - - - - - - - - - - - - VII - 191 Quadro 3.51 Municípios, total e os que possuem ruas pavimentadas no perímetro urbano, por tipo de sistema de drenagem, por pontos de lançamento da rede - 2000 Municípios que possuem ruas pavimentadas no perímetro urbano Tipo de sistema de drenagem urbana Municípios com serviço de drenagem urbana Pontos de lançamento da rede Municípios Cursos d'água permanentes Cursos d'água intermitentes Áreas livres públicas ou particulares 1 1 1 1 1 1 1 1 - 1 - - 1 - - 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 - 1 - - 1 1 - - - - Total Ampére Barracão Bela Vista da Caroba Boa Vista da Aparecida Bom Jesus do Sul Capanema Capitão Leônidas Marques Cascavel Céu Azul Flor da Serra do Sul Foz do Iguaçu Francisco Beltrão Lindoeste Manfrinópolis Matelândia Medianeira Nova Esperança do Sudoeste Reservatórios de Sem Outros acumulação declaração ou detenção Total Superficial Subterrâneo Sem declaração 1 1 1 1 1 1 - 1 1 1 1 1 - - 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 - - 1 - 1 - VII - 192 Quadro 3.51 Municípios, total e os que possuem ruas pavimentadas no perímetro urbano, por tipo de sistema de drenagem, por pontos de lançamento da rede - 2000 Municípios que possuem ruas pavimentadas no perímetro urbano Tipo de sistema de drenagem urbana Municípios com serviço de drenagem urbana Pontos de lançamento da rede Municípios Cursos d'água permanentes Cursos d'água intermitentes Áreas livres públicas ou particulares 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 - - - - - 1 1 - - - - 1 1 1 1 1 1 - - 1 - Total Nova Prata do Iguaçu Pérola D’Oeste Pinhal de São Bento Planalto Pranchita Realeza Salgado Filho Salto do Lontra Santa Izabel do Oeste Santa Lucia Santa Tereza do Oeste Santa Terezinha de Itaipu Santo Antônio do Sudoeste São Miguel do Iguaçu Serranópolis do Iguaçu Reservatórios de Sem Outros acumulação declaração ou detenção Total Superficial Subterrâneo Sem declaração 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 - - 1 1 1 - - 1 1 1 1 - 1 1 1 - VII - 193 Quadro 3.52 Municípios, total e com serviços de limpeza urbana e/ou coleta de lixo, por natureza dos serviços - 2000 Municípios com serviços de limpeza urbana e/ou coleta de lixo Natureza dos serviços Municípios Total Limpeza urbana Coleta de lixo Coleta seletiva Ampére 1 1 1 1 1 1 1 Barracão 1 1 1 1 - 1 1 Bela Vista da Caroba 1 1 1 - - - - Boa Vista da Aparecida 1 1 1 - - 1 1 Bom Jesus do Sul 1 1 1 - - 1 1 Capanema 1 1 1 - - 1 1 Capitão Leônidas Marques 1 1 1 1 - 1 1 Cascavel 1 1 1 1 - 1 1 Céu Azul 1 1 1 1 - 1 1 Flor da Serra do Sul 1 1 1 - - 1 - Foz do Iguaçu 1 1 1 1 - - 1 Francisco Beltrão 1 1 1 - - 1 1 Lindoeste 1 1 1 - - 1 1 Manfrinópolis 1 1 1 - - 1 - Matelândia 1 1 1 - - 1 1 Medianeira 1 1 1 - - 1 1 1 1 1 - - 1 1 Nova Prata do Iguaçu 1 1 1 - - 1 1 Pérola D’Oeste 1 1 1 - - - 1 Nova Esperança Sudoeste do Reciclagem Remoção de entulhos Coleta de lixo especial VII - 194 Quadro 3.52 Municípios, total e com serviços de limpeza urbana e/ou coleta de lixo, por natureza dos serviços - 2000 Municípios com serviços de limpeza urbana e/ou coleta de lixo Municípios Natureza dos serviços Total Limpeza urbana Coleta de lixo Coleta seletiva Pinhal de São Bento 1 1 1 - - 1 - Planalto 1 1 1 - - 1 - Pranchita 1 1 1 - - 1 1 Realeza 1 1 1 - - 1 1 Salgado Filho 1 1 1 - - 1 1 Salto do Lontra 1 1 1 - - 1 1 Santa Izabel do Oeste 1 1 1 - - - 1 Santa Lucia 1 1 1 - - 1 1 Santa Tereza D’Oeste 1 1 1 - - 1 1 Santa Terezinha de Itaipu 1 1 1 - 1 1 1 Santo Antônio do Sudoeste 1 1 1 - - 1 1 São Miguel do Iguaçu 1 1 1 1 - 1 1 Serranópolis do Iguaçu 1 1 1 - - 1 1 Reciclagem Remoção de entulhos Coleta de lixo especial VII - 195 Quadro 3.53 Distritos com serviços de limpeza urbana e/ou coleta de lixo, por unidades de destinação final do lixo coletado 2000 Distritos com serviços de limpeza urbana e/ou coleta de lixo Unidades de destinação final do lixo coletado Municípios Total Vazadouro a céu aberto (lixão) Vazadouro em áreas alagadas Aterro controlado Aterro sanitário Aterro de resíduos especiais Usina de compostagem Usina de reciclagem Incineração Ampére 1 - - - 1 - - 1 - Barracão 1 - - 1 - - - - - Bela Vista da Caroba 1 - - - 1 - - - - Boa Vista da Aparecida 1 - - 1 - 1 - - - Bom Jesus do Sul 1 - - - 1 - - - - Capanema 1 1 - - 1 1 - - - Capitão Leônidas Marques 1 - - 2 - 1 - - - Cascavel 1 - - - 6 1 1 - - Céu azul 1 - - - 1 - - - - Flor da Serra do Sul 1 - - - 1 - - - - Foz do Iguaçu 1 - - 1 - 1 - - - Francisco Beltrão 1 1 - - - - - - - Lindoeste 1 - - 1 - 1 - - - Manfrinópolis 1 1 - - - - - - - Matelândia 2 - - - 2 - - - - Medianeira 2 2 - - - - - - - 1 - - - 1 - - - - Nova Sudoeste Esperança do VII - 196 Quadro 3.53 Distritos com serviços de limpeza urbana e/ou coleta de lixo, por unidades de destinação final do lixo coletado 2000 Distritos com serviços de limpeza urbana e/ou coleta de lixo Unidades de destinação final do lixo coletado Municípios Total Vazadouro a céu aberto (lixão) Vazadouro em áreas alagadas Aterro controlado Aterro sanitário Aterro de resíduos especiais Usina de compostagem Usina de reciclagem Incineração Nova Prata do Iguaçu 1 - - 1 - 1 - - - Pérola D’Oeste 1 1 - - - 1 - - - Pinhal de São Bento 1 - - 1 - - - - - Planalto 1 5 - - - - - - - Pranchita 1 1 - - - - - - - Realeza 1 - - - 1 - - - - Salgado Filho 1 1 - - - - - - - Salto do Lontra 1 1 - - - - - - - Santa Izabel D’Oeste 1 - - - 1 - - - - Santa Lucia 1 - - 1 - 1 - - - Santa Tereza D’Oeste 1 - - 1 - 1 - - - Santa Terezinha de Itaipu 1 - - 1 1 1 - 1 - Santo Antônio do Sudoeste 1 1 - - - - - - - São Miguel do Iguaçu 2 - - 2 - 1 - - - Serranópolis do Iguaçu 1 1 - - - - - - - VII - 197 Quadro 3.54 Quantidade diária de lixo coletado, por unidade de destino final do lixo coletado - 2000 Quantidade diária de lixo coletado (t/dia) Unidade de destino final do lixo coletado Municípios Total Vazadour Vazadouo a céu ro em aberto áreas (lixão) alagadas - Aterro controlado Aterro sanitário Estação de compostagem Estação de triagem Incineração Locais nãofixos - 7 - - - - - Outra Ampére 7 Barracão 6 - - 6 - - - - - - Bela Vista da Caroba 2 - - - 2 - - - - - Boa Vista da Aparecida 2 - - 2 - - - - - - Bom Jesus do Sul 1 - - - 1 - - - - - Capanema 15 14 - - 0 - - - - - Capitão Leônidas Marques 12 - - 12 - - - - - - Cascavel 2 - - - 2 - - - - - Céu azul 9 - - - 9 - - - - - Flor da Serra do Sul 0 - - - 0 - - - - - Foz do Iguaçu 168 - - 168 - - - - - - Francisco Beltrão 50 50 - - - - - - - - Lindoeste - - - - - - - - - - Manfrinópolis 1 1 - - - - - - - - Matelândia 7 - - - 7 - - - - - Medianeira 18 18 - - - - - - - - Nova Esperança do Sudoeste 0 - - - 0 - - - - - Nova Prata do Iguaçu 0 - - 0 - - - - - - VII - 198 Quadro 3.54 Quantidade diária de lixo coletado, por unidade de destino final do lixo coletado - 2000 Quantidade diária de lixo coletado (t/dia) Unidade de destino final do lixo coletado Municípios Total Vazadour Vazadouo a céu ro em aberto áreas (lixão) alagadas 0 - Aterro controlado Aterro sanitário Estação de compostagem Estação de triagem Incineração Locais nãofixos Outra - - - - - - - Pérola D’Oeste 0 Pinhal de São Bento 0 - - 0 - - - - - - Planalto 2 2 - - - - - - - - Pranchita 1 1 - - - - - - - - Realeza 3 - - - 3 - - - - - Salgado Filho 1 1 - - - - - - - - Salto do Lontra 5 5 - - - - - - - - Santa Izabel D’Oeste 3 - - - 3 - - - - - Santa Lucia 6 - - 6 - - - - - - Santa Tereza D’Oeste 7 - - 7 - - - - - - Santa Terezinha de Itaipu 22 - - 20 0 - 2 - - - Santo Antônio do Sudoeste 4 4 - - - - - - - - São Miguel do Iguaçu 25 - - 25 - - - - - - Serranópolis do Iguaçu 2 2 - - - - - - - - VII - 199 Quadro 3.55 Municípios com serviço de coleta de lixo, por existência de área no município para a disposição final dos resíduos, por localização de destino do lixo - 2000 Municípios Municípios com serviço de coleta de lixo Existência de área no município para a disposição final dos resíduos Municípios com serviço de coleta de lixo, que possuem áreas para disposição final dos resíduos Localização de destino do lixo Dentro do perímetro urbano Total Ampére Barracão Bela Vista da Caroba Boa Vista da Aparecida Bom Jesus do Sul Capanema Capitão Leônidas Marques Cascavel Céu azul Flor da Serra do Sul Foz do Iguaçu Francisco Beltrão Lindoeste Manfrinópolis Matelândia Medianeira Fora do perímetro urbano Existe Não existe Próximo à residências Próximo a áreas com atividade agropecuária Próximo a áreas de proteção ambiental Outras áreas Próximo à residências Próximo a áreas com atividade agropecuária Próximo a áreas de proteção ambiental Outras áreas 1 1 - - - - - 1 1 - - 1 1 - - - - - 1 1 1 1 1 1 - - - - - - 1 - - 1 1 - - - - - - 1 - - 1 1 - - - - - - 1 - - 1 1 - - - - - 1 - - - 1 1 - - - - - - 1 - - 1 1 - - - - - - 1 - - 1 1 - - - - - - - - 1 1 1 - - - - - - 1 - - 1 1 - 1 - - - - - - - 1 1 - 1 1 1 - - - - - 1 1 - - - - - - 1 - - 1 1 - - - - - - - - 1 1 1 - - - - - - 1 1 - 1 1 - - - - - 1 1 - - VII - 200 Quadro 3.55 Municípios com serviço de coleta de lixo, por existência de área no município para a disposição final dos resíduos, por localização de destino do lixo - 2000 Municípios com serviço de coleta de lixo Municípios com serviço de coleta de lixo, que possuem áreas para disposição final dos resíduos Existência de área no município para a disposição final dos resíduos Municípios Localização de destino do lixo Dentro do perímetro urbano Total Nova Esperança do Sudoeste Nova Prata do Iguaçu Pérola D’Oeste Pinhal de São Bento Planalto Pranchita Realeza Salgado Filho Salto do Lontra Santa Izabel do Oeste Santa Lucia Santa Tereza do Oeste Santa Terezinha de Itaipu Santo Antônio do Sudoeste São Miguel do Iguaçu Serranópolis do Iguaçu Fora do perímetro urbano Existe Não existe Próximo à residências Próximo a áreas com atividade agropecuária Próximo a áreas de proteção ambiental Outras áreas Próximo à residências Próximo a áreas com atividade agropecuária Próximo a áreas de proteção ambiental Outras áreas 1 1 - - - - - - 1 - - 1 1 - - - - - - 1 - - 1 1 - - - - - - 1 - - 1 1 - - - - - - 1 - - 1 1 - - - - - - 1 - - 1 1 - - - - - - 1 - - 1 1 - - - - - - 1 - - 1 1 - - - - - 1 - - - 1 1 - - - - - 1 1 - - 1 1 - - - - - - 1 - - 1 1 - - - - - - 1 - - 1 1 - - - - - - 1 1 - 1 1 - - - - - - 1 - - 1 1 - - - - - - 1 - - 1 1 - - - - - - 1 - - 1 - 1 - - - - - - - - VII - 201 3.5.3 - Hidrologia a) Estudos de consistência dos dados fluviométricos e série de vazões médias mensais Nos estudos hidrológicos realizados para a UHE Salto Caxias no âmbito dos estudos de viabilidade foram desenvolvidas, análises de consistência dos dados fluviométricos da bacia do rio Iguaçu, que compreenderam os postos do rio Jordão, rio Chopim e rio Iguaçu entre União da Vitória e Salto Osório e em Salto Cataratas. A série de vazões médias mensais, no eixo inventariado do Baixo Iguaçu, foi obtida por regionalização, com base nos dados da série dos postos fluviométricos de Águas do Vere, Salto Osório e Salto Cataratas. Para a atual revisão de inventário, no eixo da UHE Baixo Iguaçu, a série de médias mensais (de janeiro de 1931 a dezembro de 1996) foi complementada até abril de 2002, por um estudo de correlação da série existente no sistema de informação do potencial hidrelétrico brasilieiro – SIPOT, com a série de vazões médias mensais do posto Estreito do Iguaçu Novo. O Quadro 3.56 a seguir, apresenta esta série de vazões (1931 a 2002), para uma área de drenagem (AD) de 61.580 km². Na fase de Projeto Executivo os estudos devem ser complementados com as novas vazões. Quadro 3.56 UHE Baixo Iguaçu, rio Iguaçu – série de vazões médias mensais (M³/S) ANO JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ MÉDIA 1931 1.504 757 670 452 3.528 3.480 2.037 836 1.902 1.463 1932 1.041 1.461 2.018 3.922 2.213 2.618 1.451 1.080 1.787 3.077 817 1.017 1.538 1.039 1.315 1933 557 611 639 369 427 266 309 199 421 900 686 371 1.919 480 1934 536 1.120 920 1.216 913 523 427 380 474 1.014 450 1.010 749 1935 536 414 833 567 358 1.170 1.266 2.325 2.826 7.208 1.853 1.216 1.714 1936 2.348 793 507 369 704 6.025 1.182 2.267 1.923 1.549 1.231 803 1.642 1937 1.082 808 1.287 1.154 813 642 450 612 644 2.032 2.739 1.144 1.117 1938 981 2.193 765 847 2.265 3.912 4.791 1.125 925 825 789 550 1.664 1939 639 798 1.377 908 1.366 1.007 1.324 544 1.028 737 2.640 3.915 1.357 1940 1.438 952 582 1.293 1.234 729 538 500 524 461 584 769 800 1941 971 2.320 1.128 1.039 1.313 1.682 1.072 2.732 1.305 1.316 1.696 2.124 1.558 1942 940 1.899 1.270 2.107 1.696 1.590 1.434 1.044 946 1.120 512 446 1.250 1943 360 618 518 347 398 1.710 960 1.342 1.069 1.373 1.080 536 859 1944 769 499 1.104 604 355 239 216 143 349 240 754 721 499 1945 241 419 768 366 275 382 1.401 536 441 658 626 612 560 1946 1.266 3.861 2.701 1.423 1.281 1.469 3.086 1.068 956 2.009 1.402 1.640 1.847 1947 1.138 1.419 1.292 848 824 1.667 1.113 1.546 2.971 2.520 1.005 1.047 1.449 1948 785 1.168 1.113 901 1.083 1.099 857 1.751 865 1.273 1.607 470 1.081 1949 442 265 530 1.228 1.036 1.298 573 449 525 624 360 278 634 1950 1.079 1.072 1.717 811 906 678 831 449 494 2.469 1.189 837 1.044 1951 983 1.734 2.462 783 415 328 445 213 179 1.533 1.824 1.280 1.015 1952 572 540 376 452 192 1.068 754 474 1.423 3.159 1.902 816 977 1953 718 831 664 615 509 715 502 347 1.467 2.278 2.783 1.020 1.037 1954 1.599 913 1.002 641 3.252 3.191 1.708 863 1.376 2.377 1.106 862 1.574 1955 708 455 669 1.102 1.965 4.627 4.110 1.774 1.455 529 389 412 1.516 1956 646 970 534 2.043 2.109 1.349 1.104 1.728 1.305 894 475 299 1.121 VII - 202 Quadro 3.56 UHE Baixo Iguaçu, rio Iguaçu – série de vazões médias mensais (M³/S) ANO JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ MÉDIA 1957 605 1.347 655 486 569 1.260 4.045 6.484 6.275 2.343 1.862 1.042 2.248 1958 676 396 852 677 331 682 634 1.115 2.539 1.380 1.101 1.308 974 1959 896 1.369 729 697 825 1.006 714 777 1.008 770 496 513 817 1960 428 623 489 581 539 822 605 1.617 1.693 1.894 1.984 822 1.008 1961 669 584 2.216 1.209 1.134 946 602 332 1.540 2.242 2.506 1.196 1.265 1962 833 1.283 1.527 692 571 688 502 375 1.180 2.406 1.198 571 986 1963 619 1.259 1.197 995 688 423 259 216 234 2.096 3.409 1.461 1.071 1964 582 788 587 1.221 1.217 1.052 1.190 1.779 1.702 1.250 780 743 1.074 1965 580 1.039 961 626 2.841 1.261 2.554 1.405 1.393 3.436 2.238 2.636 1.747 1966 1.506 2.623 1.723 731 513 791 1.250 641 1.342 1.941 1.830 1.159 1.338 1967 1.155 1.285 1.892 895 389 840 786 801 927 679 783 1.084 960 1968 685 677 391 483 501 316 449 292 262 671 1.002 838 547 1969 1.939 1.070 1.091 2.296 1.548 2.837 1.769 755 677 2.020 1.564 948 1.543 1970 906 761 648 606 763 1.773 2.572 700 919 1.842 778 1.375 1.137 1971 3.997 1.417 1.360 1.560 2.676 3.212 2.295 1.179 925 1.227 607 518 1.748 1972 771 1.516 1.391 1.145 473 1.304 1.416 2.636 4.618 3.817 1.496 1.425 1.834 1973 2.169 2.096 1.190 974 2.122 2.226 2.217 2.156 3.365 3.313 1.831 860 2.043 1974 1.455 1.422 1.330 776 568 1.188 1.240 1.015 1.427 670 982 941 1.085 1975 1.244 1.138 931 695 533 837 726 1.401 1.835 3.635 1.754 3.129 1.488 1976 1.935 1.400 1.096 1.143 824 2.736 1.055 2.065 1.718 1.270 1.865 1.275 1.532 1977 1.439 1.518 1.149 1.091 483 825 664 797 780 1.588 1.506 1.437 1.106 1978 513 345 459 242 184 320 1.300 1.128 1.153 559 937 774 660 1979 524 343 487 584 3.422 964 756 1.318 1.675 3.520 3.560 2.192 1.612 1980 1.419 1.134 1.548 697 1.097 729 1.590 1.744 2.736 1.699 1.468 1.933 1.483 1981 2.194 1.382 758 995 827 711 441 366 421 1.117 1.341 2.717 1.106 1982 925 1.056 717 348 401 1.875 4.530 1.404 760 2.671 6.208 3.024 1.993 1983 1.697 1.693 3.172 1.858 6.163 4.257 11.608 2.694 2.727 2.674 2.014 1.177 3.478 1984 913 756 893 1.114 1.266 2.566 1.112 3.485 1.764 1.174 2.363 1.455 1.572 1985 579 1.287 750 1.678 796 526 476 412 418 367 637 209 678 1986 355 938 1.016 1.010 1.567 1.157 422 873 1.308 1.228 1.148 1.475 1.042 1987 1.422 1.670 537 991 4.975 3.223 1.467 915 548 1.161 1.182 733 1.569 1988 604 681 788 621 3.106 2.749 969 370 347 669 472 394 981 1989 1.747 2.961 1.536 1.187 2.138 584 1.133 1.833 4.130 1.872 889 547 1.713 1990 2.903 1.837 806 1.873 1.803 4.312 2.327 3.224 3.505 2.947 2.531 1.196 2.439 1991 517 523 421 576 402 1.984 1.223 866 382 1.164 1.026 1.374 871 1992 812 803 1.191 1.181 4.269 5.286 3.102 2.606 1.861 1.418 1.416 848 2.066 1993 1.041 1.464 1.398 1.017 2.676 2.026 1.721 1.074 1.798 5.101 993 1.399 1.809 1994 624 1.605 1.058 773 1.872 3.116 2.879 1.026 610 1.260 2.155 1.241 1.518 1995 5.393 2.194 1.310 1.007 499 798 1.991 596 1.105 2.182 987 780 1.570 1996 1.751 3.045 2.820 2.118 561 1.251 2.213 899 1.515 4.782 2.034 1.883 2.073 1997 1.813 3.649 1.647 902 1.135 1.978 1.790 2.887 1.598 5.625 5.053 1.954 2.502 1998 2.064 2.828 2.964 7.632 3.877 1.381 1.316 4.045 4.592 4.828 1.506 1.068 3.175 1999 1.092 1.563 1.227 1.615 1.166 1.686 2.854 1.334 1.421 1.199 876 1.075 1.426 2000 949 1.291 965 954 1.084 820 934 656 2.585 3.785 1.248 847 1.343 2001 1.283 4.098 1.922 1.775 1.268 1.181 1.624 1.672 1.435 3.194 1.451 1.331 1.853 2002 922 1.461 1.153 857 Mínimo 241 265 376 242 184 239 216 143 179 240 360 209 1.098 143 Média 1.153 1.321 1.144 1.105 1.382 1.633 1.567 1.300 1.498 1.976 1.501 1.161 1.395 Máximo 5.393 4.098 3.172 7.632 6.163 6.025 11.608 6.484 6.275 7.208 6.208 3.915 11.608 VII - 203 Como se pode ver, a partir da série de vazões médias mensais obtidas para a UHE Baixo Iguaçu, o rio Iguaçu não apresenta uma sazonalidade muito marcante, com máximas de cheias podendo ocorrer em outubro ou abril. A média de longo termo é 1.395 m³/s, sendo a mínima média mensal de 143 m³/s registrada em agosto de 1944. O Quadro 3.57 e a Figura 3.70, apresentam a curva de permanência de vazões médias mensais, onde se percebe que a mesma apresenta um lento decréscimo a partir da vazão de 2.000 m³/s, o que atesta a regularidade anual de chuvas na região. Quadro 3.57 Curva de permanência Permanência Vazão (m³/s) 0 11608 5 3505 10 2727 20 1899 30 1506 40 1285 50 1113 60 938 70 778 80 612 90 455 95 369 100 143 VII - 204 14.000 12.000 Vazão (m³/s) 10.000 8.000 6.000 4.000 2.000 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Probabilidade porcentagem acumulada (%) Figura 3.70 Curva de permanência UHE Baixo Iguaçu b)Transporte de sedimentos e assoreamento Para a avaliação dos efeitos de assoreamento e da vida útil do reservatório em estudo, foram determinados o deflúvio sólido médio anual, o peso específico aparente do material retido e a eficiência de retenção dos sedimentos pelo reservatório, além do volume característico deste, retirado da curva cota x área x volume. Em função do nível de detalhamento admitido em estudos de inventário, as avaliações aqui apresentadas se baseiam no “Diagnóstico das condições sedimentológicas dos principais rios brasileiros - Eletrobrás (1998)” que contém o estudo de “Zoneamento hidrossedimentológico prévio do Brasil”. O referido estudo classifica a região do baixo Iguaçu como estando dentro da “Região sul – zona sudoeste – S4”. Para a região da bacia do rio Paraná é fornecida uma concentração média anual de suspensão (CMA) igual a 120 mg/l. Na avaliação sedimentológica foi considerado, de forma simplificada, que os reservatórios existentes no rio Iguaçu, a montante, e principalmente o da UHE Salto Caxias, localizado junto ao final do futuro reservatório da UHE Baixo Iguaçu, poderiam reter praticamente todos os sedimentos afluentes a estes reservatórios, afluência sedimentológica ao reservatório da UHE Baixo Iguaçu limita-se apenas à contribuição da bacia incremental entre a Usina de Salto Caxias e o local do novo barramento. Definida a CMA, adotada para toda a região de interesse e com a vazão média de longo termo (Qmlt) da bacia incremental (diferença entre a Qmlt da UHE Baixo Iguaçu e a Qmlt da VII - 205 UHE Salto Caxias, obtida no SIPOT), foi calculada a descarga sólida em suspensão (Qss) para o local em estudo, através da seguinte fórmula: Qss = 0,0864 * CMA * Qmlt, onde: Qss é a descarga sólida em suspensão, em ton/dia. CMA é a concentração média anual de suspensão, em mg/l. Qmlt é a vazão média de longo termo, em m³/s. Para determinação da descarga sólida total (Qst) foi necessário estimar a descarga sólida de arraste (Qas) como sendo igual a 20% da Qst, valor este usualmente utilizado em estudos de inventário. Com isso, a Qst foi definida da seguinte forma: Qst = Qss + Qas Qas = 0,20 * Qst Qst = 0,20 * Qst + Qss Qst = Qss/0,8 Multiplicando-se a Qst por 365, foi obtido o deflúvio sólido médio anual (Dst) para o local de interesse. O peso específico aparente (γap) foi estimado com base no guia de avaliação de assoreamento de reservatórios (ANEEL, 2000). Este guia estabelece que o γap pode ser estimado em função do tamanho do reservatório, de acordo com as equações de Lara e Pemberton, conforme descrito a seguir: - Nos pequenos reservatórios o material que fica depositado é predominantemente a areia, com isso o γap pode variar de 1,4 a 1,5 t/m³; - Nos reservatórios médios o γap tem uma variação de 1,2 a 1,4 t/m³; e - Nos grandes reservatórios, onde somente pequenas quantidades de materiais finos passam pelos condutos e vertedouro, o γap tende a variar de 1,1 a 1,3 t/m³. Nesta avaliação, o reservatório do aproveitamento foi considerado como sendo de médio a grande porte, adotando-se desta forma γap igual a 1,2 t/m³. Para determinação da eficiência de retenção (Er) dos sedimentos no reservatório utilizada a Curva de Brune recomendada pelo guia de avaliação de assoreamento reservatórios (ANEEL, 2000) para médios e grandes reservatórios. Para utilização Curva de Brune é necessário calcular a relação entre a capacidade máxima reservatório (correspondente ao NA máximo normal) e o deflúvio médio anual afluente. foi de da do Para avaliar o assoreamento do reservatório adota-se multiplicar o Dst por dois com o objetivo de prever um aumento na produção de sedimentos com o tempo. Com isso, VII - 206 Volume anual de sedimento (Sa) retido do reservatório é calculado através da seguinte fórmula: Sa = 2 * Dst * Er/γap Calculado o volume anual de sedimento (sa), poder-se-ia definir a vida útil do aproveitamento dividindo-se o volume do reservatório, abaixo da soleira da tomada d’água, pelo volume anual de sedimento retido no reservatório. Tendo em vista a peculiaridade do aproveitamento em estudo - de baixa queda, com soleira da tomada d’água em cota muito próxima à do fundo da calha do rio – é previsto um muro de proteção à tomada, em extensão ao que a separa do vertedouro, com topo na mesma cota do canal de adução (El. 248,00). A esta cota está associado um volume (morto) de 14,2 x 106 m³ e uma vida útil de 73 anos. De forma a avaliar também o completo assoreamento do reservatório calculou-se a vida útil considerando o volume total do mesmo. A avaliação realizada mostra que o assoreamento do reservatório da UHE Baixo Iguaçu não é motivo de preocupação, já que o tempo necessário para assorear o mesmo, por completo, é de 845 anos, mais de 16 vezes superior à vida útil econômica do aproveitamento. Com relação ao assoreamento do volume morto do reservatório, observa-se uma vida útil satisfatória. Considerando o arranjo proposto para o aproveitamento, em que o vertedouro, por estar localizado ao lado da tomada d’água e em uma cota abaixo da cota do canal de adução, funciona como um grande descarregador de fundo, desobstruindo os locais próximos à tomada d’água quando estiver com suas comportas abertas, conclui-se que a vida útil real do aproveitamento é maior que os 73 anos calculados. c) Regime hidrológico do rio Iguaçu a jusante da Usina Hidrelétrica de Salto Caxias. Como já mencionado a curva de permanência de vazões médias mensais do rio Iguaçu, elaborada para o local da futura UHE Baixo Iguaçu, atesta a regularidade anual das chuvas e do regime hidrológico dessa bacia hidrográfica. As vazões do ano médio (janeiro a dezembro) oscilam entre 1105 m3/s a 1976 m3/s. Este fato corrobora o grande potencial do rio para geração hidráulica, mesmo sem a construção de reservatórios de regularização. A usina de Baixo Iguaçu, assim como ocorre com a UHE Salto Caxias, está projetada para operar a fio d’água, isto é, as vazões afluentes ao reservatório passam para jusante através da estrutura de geração de energia (tomada d’água, conduto forçado e turbinas) e/ou pelo vertedouro, sem alterar o regime hidrológico do rio Iguaçu a nível mensal. No entanto, a nível horário, para atender a demanda de “pico” do sistema de distribuição de energia brasileiro, cujo despacho de energia é determinado pelo ONS (Operador Nacional do Sistema), verifica-se uma rápida variação das vazões defluentes pelo aumento no número de máquinas (turbinas) entrando em operação para atender a demanda de energia do referido sistema. VII - 207 Esta súbita variação das vazões no rio Iguaçu a jusante da UHE Salto Caxias já haviam sido relatadas pela população ribeirinha nos municípios de Capanema e Capitão Leônidas Marques nos serviços de campo, e por ocasião do diagnóstico ambiental participativo. No histórico de vazões operadas pela Usina de Salto Caxias, obtidas no banco de dados da ANEEL, atestam esta variação brusca nas vazões que podem passar em poucas horas de valores próximos de 570 m3/s a 1600 m3/s. Para exemplificar esta fato apresentamos a seguir dois exemplos típicos desta oscilação na operação das vazões da usina: Quadro 3.58 Vazões de operação da UHE Salto Caxias Datas e horários 2/1/2004 8 9 10 11 12 4/01/2001 7 8 9 10 11 12 13 14 Fonte: ANEEL (2004) Vazões turbinadas Vazões vertidas Vazão defluente total (m3/s) 573,77 692,83 824,26 957,12 1092,61 0 0 0 0 0 573,77 692,83 824,26 957,12 1092,61 410,23 410,32 416,32 631,64 931,36 1200,32 1468,05 1547,79 0 0 0 0 0 0 0 0 410,23 410,32 416,32 631,64 931,36 1200,32 1468,05 1547,79 Pelos resultados apresentados no Quadro 3.56, pode-se notar que as vazões podem duplicar e às vezes triplicar de valor, o que explica os problemas de erosão de margem identificados a jusante da UHE Salto Caxias, principalmente no período de estiagem quando o rio está com níveis baixos a nível diário e mensal. 3.5.4 - Usos das águas Nesta seção apresenta-se uma descrição dos usos da água na área estudada, com base no banco de dados de outorga da Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental – Suderhsa. Este banco de dados não é completo, mas dá uma idéia muito clara da distribuição dos usuários dos recursos hídricos. Em estudos realizados no alto Iguaçu, sobre os usuários de recursos hídricos, foi demonstrado que os usos já outorgados representam um alto percentual, em volume, dos usuários. Também é importante mencionar que estas são outorgas pelo direito de uso da água. O processo de outorga é um instrumento de gestão não-estrutural, que visa a racionalização do uso de um determinado recurso e o atendimento de diretrizes de planejamento previamente fixadas. Esta racionalização é obtida através da concessão de “parcelas” deste recurso aos interessados, levando em consideração as disponibilidades existentes, de forma a atender racionalmente todas as demandas. Constitui-se, portanto, VII - 208 em um instrumento pelo qual o poder público, através de um órgão que possua a devida competência legal, confere a possibilidade de uso deste recurso. Nos processos de gestão de recursos hídricos, três tipos principais de licenças são identificados: - Outorga de Instalação de atividades potencialmente poluidoras, ou Licenciamento Ambiental; - Outorga de Lançamentos que alterem a qualidade dos corpos d´água; e, - Outorga de direito de uso da água, incluindo os usos consuntivos e não-consuntivos. No Estado do Paraná, a outorga de direito de uso de água é concedida pela Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental – Suderhsa, entidade autárquica estadual, dotada de personalidade jurídica de direito público e vinculada à Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos. No ano de 1987, o Departamento de Concessão e Derivação da extinta Surehma iniciou, através de um grupo de trabalho instituído pelo DNAEE, algumas atividades de análise da Lei nº 7.109/79, que instituiu o sistema de proteção ao meio ambiente, e do Decreto estadual nº 857/79, responsável pela sua regulamentação. Após esta análise, este grupo de trabalho apresentou uma proposta de alteração do Decreto nº 857/79, incluindo algumas considerações sobre a outorga de uso da água. No ano de 1988, o Decreto estadual nº 4.141/88 alterou o Decreto nº 857/79, incluindo um texto que seguia as considerações do grupo de trabalho da Surehma. De acordo com esta legislação, a Surehma emitiu, em 21 de setembro de 1989, a Portaria Surehma nº 004/89, que instituiu as regras para o início das atividades de concessão da outorga no Estado do Paraná. As atividades internas na Surehma para operacionalização dos procedimentos já estavam em andamento desde agosto de 1989. A primeira outorga foi concedida no mês de janeiro de 1990, e permitia à Sanepar o uso das águas do rio Passaúna, na região metropolitana de Curitiba, para abastecimento público. Inicialmente existiam três tipos de outorga: - Concessão: concedida aos usuários de maior volume de água, e permitia ao seu portador o uso imediato da água; - Autorização: ou anuência prévia, concedida aos usos mais diversos, especialmente à perfuração de poços, devendo ser transformada em concessão em no máximo 60 dias; e, - Permissão: concedida para usos até 10 l/s. (A permissão não é mais concedida desde 1996). VII - 209 Atualmente a Suderhsa concede dois tipos de outorga, ambos para a concessão do direito de uso da água. São eles: Anuência prévia: concedida exclusivamente em casos de solicitação para a perfuração de poços, ainda assim de forma preliminar. Por meio deste documento, o interessado recebe uma autorização da Suderhsa para efetuar a perfuração do poço artesiano. Após aferir o volume a ser retirado, o interessado deverá solicitar a emissão da outorga definitiva para ter assegurado o direito de uso da água captada; e, Outorga de uso: concedida em todos os outros casos, sendo o documento que assegura ao portador o uso de determinada quantidade de água, estipulada em conformidade com a Suderhsa. A outorga de lançamentos não é concedida atualmente pela Suderhsa. Desta forma, a regulação da qualidade dos efluentes é feita no licenciamento ambiental, e a sua avaliação é realizada na fiscalização ambiental e suas penalizações. Ambas são atribuições do Instituto Ambiental do Paraná – IAP. No quadro a seguir apresentam-se os municípios da região estudada, e a vazão outorgada por município. Deve-se chamar a atenção de que dois municípios não têm registrado nenhuma outorga, o município de Pranchita e Planalto. Estes dois municípios entretanto são abastecidos com água captada e registrada para abastecer outros municípios. Outra observação importante é que a outorga para abastecimento público está registrada no nome do município que se beneficia preponderantemente. Assim, a captação para Capitão Leônidas Marques, que é feita na bacia do rio Monteiro num trecho da bacia que está em Santa Lúcia, está registrada em nome do primeiro município. VII - 210 Quadro 3.59 Vazão total de água outorgada por município Município Vazão total Outorgada (m3/dia) Ampére 5625,7 Barracão 479,1 Bela Vista da Caroba 533,8 Boa Vista da Aparecida 1273,2 Bom Jesus do Sul 310,2 Capanema 3630,2 Capitão Leônidas Marques 3202,9 Cascavel 122238,54 Céu Azul 2161,44 Flor da Serra do Sul 35 Foz do Iguaçu 71422,35 Francisco Beltrão 16967,04 Lindoeste Manfrinópolis 1086,5 96 Matelândia 9251,8 Medianeira Nova Esperança do Sudoeste 8616,57 1108,4 Nova Prata do Iguaçu 1674,4 Pérola d'Oeste 2747,22 Pinhal de São Bento Realeza Salgado Filho 43,2 6222,25 845 Salto do Lontra 1325,26 Santa Izabel do Oeste 882,58 Santa Lúcia 2440 Santa Tereza do Oeste 1760 Santa Terezinha de Itaipu 2758 Santo Antônio do Sudoeste 12078,4 São Miguel do Iguaçu 8803,3 Serranópolis do Iguaçu 808 Na Figura 3.71 pode-se observar que o uso preponderante da água é para abastecimento público, representando quase 73% do total em volume de água captada. Deve-se também chamar a atenção que neste abastecimento público estão aquelas indústrias que consomem água do sistema público de abastecimento. Este é o caso da indústria Diplomata localizada no município de Capanema. Os outros usos presentes são agricultura, barramento, comércio e serviço, indústria, lazer, mineração, pecuária e piscicultura; com destaque para o volume outorgado para piscicultura, comércio e serviço e indústria. VII - 211 Na Figura 3.72, pode-se observar a distribuição da captação de água para abastecimento público por tipo de manancial. Tem-se que 63% do total da água captada para abastecimento é oriunda de água superficial de rios e córregos, 32% de poços e 5% de minas. No caso dos poços tem-se cerca de 550 poços cadastrados no banco de dados hidrogeológicos da Suderhsa na unidade Serra Geral Sul, área de abrangência dos estudos, apresentando profundidade média de 120 metros e 130 metros. Uso da água em toda a região 1,07% 0,06% 0,20% 0,70% 9,30% 72,89% 27,11% Abastecimento público Agricultura Barramento Comércio / Serviço Indústria Lazer Mineração Outros Pecuária Piscicultura 7,12% 4,47% 1,37% 2,82% Figura 3.71 Distribuição percentual do uso da água em toda área estudada. Captação de Água por Tipo de Manancial 32% Poço Mina 63% Água Superfcial 5% Figura 3.72 Distribuição percentual da captação de água por tipo de manancial. VII - 212 Estes poços da unidade Serra Geral, são motivo de grande preocupação por parte da população local, já que existem casos de contaminação por pesticida. No trabalho realizado durante o diagnóstico participativo (2004) a população demonstrou grande preocupação com estes aspectos relacionados à contaminação das águas da região com agrotóxico. Nas Figuras 3.73 a 3.102 são apresentas as distribuições percentuais das outorgas de todos os municípios da região que as possuem. Na maior parte dos municípios o uso preponderante é o abastecimento público. Alguns municípios possuem um uso mais diversificado, podendo-se destacar os seguintes usos em porcentagem: - Industrial – Céu Azul, Francisco Beltrão, Lindoeste, Medianeira, Nova Esperança do Sudoeste, Realeza, Santa Tereza do Oeste, São Miguel do Iguaçu; - Comércio e serviço - Foz do Iguaçu; - Piscicultura - Nova Esperança do Sudoeste, Salto do Lontra, Santa Izabel do Oeste, Santa Tereza do Oeste, Santa Terezinha de Itaipu, Santo Antônio do Sudoeste, São Miguel do Iguaçu e Serranópolis do Iguaçu. - Agricultura - Salto do Lontra, Santa Izabel do Oeste, Santa Terezinha de Itaipu, e São Miguel do Iguaçu. 1,65% 0,05% Ampére 1,13% 0,53% Abastecimento público Comércio / Serviço Indústria Pecuária Piscicultura 96,63% Figura 3.73 Distribuição percentual das outorgas no município de Ampére VII - 213 Barracão 7% Abastecimento público Indústria 93% Figura 3.74 Distribuição percentual das outorgas no município de Barracão Bela Vista da Caroba Abastecimento público 2% Agricultura 98% Figura 3.75 Distribuição percentual das outorgas no município de Bela Vista da Caroba VII - 214 Boa Vista da Aparecida 3,51% 3,33% Abastecimento público Agricultura Lazer 93,16% Figura 3.76 Distribuição percentual das outorgas no município de Boa Vista da Aparecida Bom Jesus do Sul Abastecimento público 100,00% Figura 3.77 Distribuição percentual das outorgas no município de Bom Jesus do Sul VII - 215 Capanema Abastecimento público 2% Indústria 1% Pecuária 8% Lazer 89% Figura 3.78 Distribuição percentual das outorgas no município de Capanema 1,28% 7,65% Capitão Leônidas Marques 0,80% 5,18% Abastecimento público Agricultura Indústria Outros Piscicultura 85,10% Figura 3.79 Distribuição percentual das outorgas no município de Capitão Leônidas Marques VII - 216 0,06% 0,76% Cascavel 0,33% 4,11% 0,17% Abastecimento público Agricultura Comércio / Serviço Indústria Lazer Mineração Outros Pecuária Piscicultura 8,89% 2,93% 3,31% 79,44% Figura 3.80 Distribuição percentual das outorgas no município de Cascavel Céu Azul Abastecimento público Comércio / Serviço Indústria Outros Pecuária Piscicultura 7,65% 8,71% 0,13% 47,52% 30,27% 5,72% Figura 3.81 Distribuição percentual das outorgas no município de Céu Azul VII - 217 Flor da Serra do Sul Abastecimento público 100% Figura 3.82 Distribuição percentual das outorgas no município de Flor da Serra do Sul 0,11% 0,15% 2,70% Abastecimento público Foz do Iguaçu Agricultura 0,08% Comércio / Serviço 3,27% Indústria 0,76% Lazer Mineração 13,26% Outros Pecuária Piscicultura 0,54% 79,13% Figura 3.83 Distribuição percentual das outorgas no município de Foz do Iguaçu VII - 218 Francisco Beltrão 1,01% Abastecimento público Agricultura Barramento Comércio / Serviço Indústria Lazer Pecuária Piscicultura 2,72% 1,75% 34,51% 58,23% 0,97% 0,21% 0,60% Figura 3.84 Distribuição percentual das outorgas no município de Francisco Beltrão Lindoeste Abastecimento público Agricultura Comércio / Serviço Indústria 15,80% 0,55% 0,73% 82,92% Figura 3.85 Distribuição percentual das outorgas no município de Lindoeste VII - 219 Manfrinópolis Abastecimento público 100% Figura 3.86 Distribuição percentual das outorgas no município de Manfrinópolis Matelândia 0,43% 0,05% 0,12% 0,16% Abastecimento público Barramento Comércio / Serviço Indústria Pecuária Piscicultura 36,50% 62,74% Figura 3.87 Distribuição percentual das outorgas no município de Matelândia VII - 220 Medianeira Abastecimento público Agricultura Comércio / Serviço Indústria Lazer Pecuária Piscicultura 2,96% 1,12% 1,16% 24,82% 0,45% 64,19% 5,30% Figura 3.88 Distribuição percentual das outorgas no município de Medianeira Nova Esperança do Sudoeste 9,15% Abastecimento público Indústria Piscicultura 13,99% 76,85% Figura 3.89 Distribuição percentual das outorgas no município de Nova Esperança do Sudoeste VII - 221 Nova Prata do Iguaçu 4,09% Abastecimento público Indústria Pecuária 4,45% 91,45% Figura 3.90 Distribuição percentual das outorgas no município de Nova Prata do Iguaçu Pinhal de São Bento Abastecimento público 100% Figura 3.91 Distribuição percentual das outorgas no município de Pinhal de São Bento VII - 222 Pérola d' Oeste 2,90% Abastecimento público Indústria 97,10% Figura 3.92 Distribuição percentual das outorgas no município de Pérola D´Oeste Realeza Abastecimento público 1,28% Comércio / Serviço Indústria Piscicultura 31,16% 1,07% 66,49% Figura 3.93 Distribuição percentual das outorgas no município de Realeza VII - 223 Salgado Filho 2,23% Abastecimento público Comércio / Serviço Indústria 2,70% 95,07% Figura 3.94 Distribuição percentual das outorgas no município de Salgado Filho Salto do Lontra 14,94% 0,48% Abastecimento público Agricultura Indústria Pecuária Piscicultura 2,01% 19,12% 63,45% Figura 3.95 Distribuição percentual das outorgas no município de Salto do Lontra VII - 224 Santa Izabel do Oeste 30,42% Abastecimento público Agricultura Comércio / Serviço Indústria Outros Piscicultura 31,07% 2,82% 6,95% 0,21% 28,53% Figura 3.96 Distribuição percentual das outorgas no município de Santa Izabel do Oeste Santa Lúcia Abastecimento público 100% Figura 3.97 Distribuição percentual das outorgas no município de Santa Lúcia VII - 225 Santa Tereza do Oeste Abastecimento público Agricultura Indústria Lazer Pecuária Piscicultura 7,65% 0,96% 6,38% 10,11% 4,78% 70,13% Figura 3.98 Distribuição percentual das outorgas no município de Santa Tereza do Oeste Santa Terezinha de Itaipu 32,44% Abastecimento público Agricultura Comércio / Serviço Indústria Lazer Outros Pecuária Piscicultura 45,14% 11,09% 2,20% 3,32% 0,81% 2,80% 2,19% Figura 3.99 Distribuição percentual das outorgas no município de Santa Terezinha do Itaipu VII - 226 Santo Antônio do Sudoeste Abastecimento público Agricultura Comércio / Serviço Indústria Piscicultura 31,65% 0,32% 67,67% 0,01% 0,34% Figura 3.100 Distribuição percentual das outorgas no município de Santo Antônio do Sudoeste São Miguel do Iguaçu Abastecimento público Agricultura Comércio / Serviço Indústria Lazer Pecuária Piscicultura 27,97% 41,41% 0,97% 2,11% 15,57% 1,69% 10,27% Figura 3.101 Distribuição percentual das outorgas no município de São Miguel do Iguaçu VII - 227 Serranópolis do Iguaçu 18,22% Abastecimento público Piscicultura 81,78% Figura 3.102 Distribuição percentual das outorgas no município de Serranópolis do Iguaçu VII - 228 4 - Referências bibliográficas ARAÚJO, L. 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