Sociedade da Água Consultoria Ambiental Ltda.
UHE Baixo Iguaçu
Estudo de Impacto Ambiental - EIA
Capítulo VII – Diagnóstico do Meio Físico
Curitiba, abril de 2008
VII - 2
Sumário
p.
1 - Metodologia.............................................................................................................................. 4
1.1 - Clima ................................................................................................................................. 4
1.2 - Geologia / geomorfologia................................................................................................... 4
1.3 - Solos ................................................................................................................................. 4
1.4 - Recursos hídricos e qualidade da água ............................................................................. 4
2 - Contexto macrorregional ........................................................................................................ 4
2.1 - Clima e condições metereológicas..................................................................................... 4
2.1.1 - Circulação atmosférica ........................................................................................... 4
2.1.2 - Temperatura ........................................................................................................... 4
2.1.3 - Precipitação............................................................................................................ 4
2.1.4 - Evapotranspiração.................................................................................................. 4
2.1.5 - Umidade relativa do ar............................................................................................ 4
2.1.6 - Ventos .................................................................................................................... 4
2.1.7 - Insolação ................................................................................................................ 4
2.2 - Geologia, recursos minerais, geomorfologia e solos.......................................................... 4
2.2.1 - Geologia ................................................................................................................. 4
2.2.2 - Geomorfologia ........................................................................................................ 4
2.2.3 - Solos ...................................................................................................................... 4
2.3 - Recursos, hídricos qualidade e usos da água.................................................................... 4
2.3.1 - Sistema estadual de gerenciamento de recursos hídricos ...................................... 4
2.3.2 - Usos da água na bacia do Iguaçu........................................................................... 4
2.3.3 - Qualidade das águas.............................................................................................. 4
2.3.4 - Qualidade da água nos reservatórios ..................................................................... 4
2.3.5 - Hidrogeologia.......................................................................................................... 4
3 - Área de influência direta e indireta......................................................................................... 4
3.1 - Clima e condições meteorológicas..................................................................................... 4
3.1.1 - Cascavel................................................................................................................. 4
3.1.2 - Foz do Iguaçu......................................................................................................... 4
3.1.3 - Nova Prata do Iguaçu ............................................................................................. 4
3.1.4 - Salto Caxias ........................................................................................................... 4
3.2 - Geologia / recursos minerais ............................................................................................. 4
3.2.1 - Características gerais ............................................................................................. 4
3.2.2 - Evolução geológica................................................................................................. 4
VII - 3
3.2.3 - Unidades litoestratigráficas..................................................................................... 4
3.2.4 - Aspectos estruturais ............................................................................................... 4
3.2.5 - Estanqueidade do maciço rochoso ......................................................................... 4
3.2.6 - Erodibilidade dos solos ........................................................................................... 4
3.2.7 - Recursos minerais .................................................................................................. 4
3.2.8 - Risco sísmico.......................................................................................................... 4
3.3 - Geomorfologia ................................................................................................................... 4
3.3.1 - Aspectos gerais ...................................................................................................... 4
3.3.2 - Estabilidade de encostas ........................................................................................ 4
3.3.3 - Erodibilidade e declividade ..................................................................................... 4
3.3.4 - Unidades de mapeamento na área de estudo......................................................... 4
3.3.5 - Processos de origem fluvial .................................................................................... 4
3.4 - Solos ................................................................................................................................. 4
3.4.1 - Metodologia ............................................................................................................ 4
3.4.2 - Solos da área de influência direta e indireta ........................................................... 4
3.4.3 - Legenda de solos e aptidão agrícola das terras...................................................... 4
3.5 - Recursos hídricos, qualidade e usos das águas ................................................................ 4
3.5.1 - Qualidade das águas.............................................................................................. 4
3.5.2 - Serviços de saneamento ........................................................................................ 4
3.5.3 - Hidrologia ............................................................................................................... 4
3.5.4 - Usos das águas ...................................................................................................... 4
4 - Referências bibliográficas ...................................................................................................... 4
VII - 4
Capítulo - VII – Diagnóstico do meio físico
1 - Metodologia
1.1 -
Clima
Os estudos foram desenvolvidos a partir de mapeamentos regionais e dados
meteorológicos de superfície de estações meteorológicas existentes na bacia do rio
Iguaçu.
As cartas climáticas do Paraná, edição 2000, foram baseadas no acervo das informações
disponíveis, coletadas e gerenciadas por diversas instituições. Estas foram analisadas e
mapeadas com os melhores recursos atualmente disponíveis para processamento e
análise de dados, bem como para a espacialização dos resultados.
As bases de dados utilizados na confecção desse trabalho foram as que se seguem.
Para a classificação climática da região, assim como para a análise das condições
meteorológicas (precipitação, temperatura e evapotranspiração), foram utilizadas as
cartas climáticas do estado do Paraná do ano de 2000, desenvolvidas pelo Iapar, assim
como dados das estações meteorológicas do Iapar, Inemet, Copel e Simepar.
A precipitação foi extraída das séries contínuas de dados diários de um período
homogêneo compreendido entre 1972 e 1998, de 144 postos pluviométricos do Paraná,
pertencentes ao Iapar, Suderhsa (Superintendência de Desenvolvimento de Recursos
Hídricos e Saneamento Ambiental) e DNAEE (Departamento Nacional de Águas e
Energia Elétrica), organizados por Bernardes (1997, 1998). A estes, foram acrescidos os
dados de 125 postos próximos a divisa do estado de São Paulo, gerenciados pelo DAEE
(Departamento de águas e energia elétrica) e de 16 postos limítrofes ao estado de Santa
Catarina, gerenciados pelo Climerh (Centro Integrado de Metereologia e Recursos
Hídricos). Os dados dos estados vizinhos foram utilizados com o intuito de assegurar a
continuidade das informações entre os três estados.
Nas estações do Simepar, as medições de precipitação são feitas por meio de
pluviômetros com dataloggers. Cada unidade remota está equipada com uma antena
direcional Yagi direcionada para o satélite Goes-8. As unidades remotas automaticamente
registram dados a cada 15 minutos e se reportam através de canal dedicado do satélite
Goes a cada 4 horas. Adicionalmente, algumas estações estão também autorizadas a se
reportarem por exceção usando o canal de emergência do satélite. Os dados das estações
são recebidos, processados pela estação central e disponibilizados para integração ao banco de
dados do Simepar e posteriormente disseminados.
Cada estação transmite os dados para o satélite individualmente. O satélite funciona
como um espelho que retransmite os dados para o Simepar em Curitiba. A varredura da
transmissão entre a primeira e a última estação tem uma duração aproximada de 38
minutos, uma vez que as estações “disparam” seus dados seqüencialmente, conforme
ilustra a Figura 1.1.
VII - 5
Figura 1.1
Esquema de transmissão dos dados das estações telemétricas do Simepar
A divisão administrativa foi cedida pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos
Recursos Hídricos do Paraná – Sema, na escala original de 1:50.000.
O modelo de elevação do terreno utilizado, foi gerado pelo US Geological Survey e
disponibilizado para o público através da Internet. Por possuir resolução de arcos de 30
segundos (coordenadas geográficas), permite uma caracterização do relevo no Estado do
Paraná a cada 860 metros.
Para a interação destas bases e a geração das cartas climáticas foram utilizadas técnicas
de geoprocessamento, por meio do software de sistema de informação geográfica Spring,
desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – Inpe.
1.2 - Geologia / geomorfologia
Os trabalhos relativos ao desenvolvimento dos levantamentos para os estudos ambientais
da UHE Baixo Iguaçu foram executados em etapas sucessivas, visando consolidar os
conhecimentos obtidos nas etapas precedentes.
A primeira etapa consistiu de pesquisa minuciosa dos trabalhos já realizados e coleta de
dados complementares disponíveis. A documentação coletada permitiu a programação
dos trabalhos subseqüentes, inclusive a verificação dos dados em campo.
Depois da coleta de dados e reconhecimento no campo, a segunda etapa consistiu das
programações, contratação e execução de sondagens e ensaios, além dos
mapeamentos.
Finalmente, como terceira etapa, procedeu-se à interpretação dos dados e confecção de
desenhos e textos.
VII - 6
Documentos utilizados:
a) Imagens
Fotografias aéreas, na escala 1: 60.000 (DSG/SGE – 1995);
Imagens de satélite LandSat, bandas 3, 4 e 5, números: 224/77-2001; 224/78-2002;
223/77-2001; 223/78-2001.
b) Mapas
Mapa geológico do estado de Santa Catarina, DNPM/CRM-SECTME/SC - 1986;
Carta geológica do Brasil ao milionésimo, folhas SG-21 Asunción e SG-22 Curitiba –
MME/DNPM, 1974;
Mapeamento geológico de detalhe – Bloco SG.22-N, Paulipetro/Cesp/IPT;
Mapa geológico com barragens cadastradas na bacia do Alto Paraná, 1983.
c) Publicações
Carvalho, P.F. de Pinto, E. A. (1938) – Reconhecimento geológico no estado de Santa
Catarina – Bol. 92, SGM/DNPM, Rio de Janeiro, GB;
Coutinho, J.M.V, (1971) – Estado atual de conhecimentos do Pré-Cambriano Superior
Sul-Brasileiro; Uma síntese – Anais XXV Congr. Bras., vol. 1, SBG, São Paulo, SP;
Leinz, V. (1949) – Contribuição à geologia dos derrames basálticos do sul do Brasil,
Bol. CIII, Geol. 5, FECL da USP, São Paulo, SP;
Loczy, L. de, et alii (1966) – Mapa geológico das folhas Curitiba – Asunción. Projeto
Carta geológica do Brasil ao milionésimo. DGM/DNPM, Rio de Janeiro, GB;
Schneider, A. W. (1964) – Contribuição à petrologia dos derrames da bacia do Paraná
– Publ. Av. 1, Esc. Eng. UFRGS, Porto Alegre, RS;
Projeto Radambrasil, vol. 31 e 33 – Mapas e textos. MME/DNPM, 1983.
d) Estudos disponíveis
Relatório de viabilidade da UHE Capanema – Eletrosul, 1980;
Relatório de engenharia da UHE Salto Caxias – Copel, 1983;
Revisão do inventário hidrelétrico do Baixo Iguaçu – Engevix, 2003.
1.3 - Solos
Os estudos pedológicos foram baseados no sistema brasileiro de classificação de solos,
serviço de produção de informação, Embrapa, 2005. Já as informações sobre
susceptibilidade a erosão e a distribuição espacial das classes de solos foram obtidas a
partir do produto denominado de “Iniciativa solos.br”, também da Embrapa. A “Iniciativa
solos.br” é uma ação estratégica da Embrapa Solos que tem como objetivos principais a
disponibilização e aquisição contínua de dados, informações e conhecimentos sobre os
solos brasileiros considerados em sua ambiência. A distribuição espacial das classes de
solos, bem como das classes de susceptibilidade a erosão foram obtidas a partir de
mapas (com abrangência nacional) na escala 1:5.000.000.
Estas fontes de informações utilizadas se justificam pelo fato de que a bacia do rio Iguaçu
abrange dois estados, ou seja, o sul do Estado do Paraná e nordeste do Estado de Santa
Catarina. Sendo assim, para compatibilizar o conjunto de solos da Bacia do rio Iguaçu, foi
necessário utilizar informações do sistema brasileiro de classificação de solos,
mencionado acima.
VII - 7
Salienta-se que o levantamento de reconhecimento dos solos do Estado do Paraná,
(EMBRAPA, 1984), foi utilizado para a descrição dos solos na área de influência indireta.
1.4 - Recursos hídricos e qualidade da água
Os estudos dos recursos hídricos procuraram levantar dados hidrológicos e de qualidade
da água para montagem de um banco de dados suficientemente longo e confiável, tanto a
nível macrorregional quanto em nível de área de influência.
Os recursos hídricos superficiais foram obtidos a partir dos registros e estudos feitos para
o posto fluviométrico da UHE Salto Caxias com histórico suficiente e consistente (1931 a
2002), com uma bacia de contribuição de 61580 km2.
Os estudos de qualidade da água foram baseados na rede de observação da Sudersha, 3
(três) na região do alto Iguaçu e 14 (quatorze) no médio e alto Iguaçu. As variáveis
medidas e disponibilizadas envolvem os parâmetros: OD (oxigênio disolvido). DBO
(demanda bioquímica de oxigênio), coliformes fecais, temperatura, PH, nitrogênio total,
fósforo total, turbidez e sólidos totais.
Além desses dados foram feitas campanhas de amostragem, para análise desses
parâmetros em duas estações na área de influência direta.
Os recursos hídricos subterrâneos foram analisados a partir do banco de dados
hidrológicos da Suderhsa, com informações de cerca de 700 poços na bacia do rio
Iguaçu.
Os estudos de qualidade de água dos reservatórios foram obtidos dos estudos ambientais
realizados para a UHE Salto Caxias e os diversos usos da água foram obtidos do
cadastro de usuários de recursos hídricos do alto Iguaçu.
Todas essas informações foram analisadas e consistidas para elaboração do diagnóstico.
2 - Contexto macrorregional
2.1 - Clima e condições metereológicas
A bacia do rio Iguaçu, tem suas nascentes na região metropolitana de Curitiba,
percorrendo, desde a vertente oeste da Serra do Mar até a sua foz no rio Paraná,
aproximadamente 1100 km. As nascentes do rio Iguaçu estão em elevação superior a 900
m e permanecem em elevações superiores a 600 m até o seu trecho médio, onde foi
construída a barragem de Foz do Areia. A última das quedas deste rio denomina-se
Cataratas do Iguaçu, com 82 m de altura e distando 23 km da confluência com o rio
Paraná.
O rio Iguaçu é um importante contribuinte do rio Paraná na sua margem esquerda,
drenando uma área total de cerca de 69.000 km², sendo 80,4% desta área no Estado do
Paraná, 16,6% no Estado de Santa Catarina e 3% na República Argentina. A sua bacia
está posicionada, aproximadamente, entre os paralelos 25º e 27º de latitude sul e os
VII - 8
meridianos 49º e 54º 30’ de longitude oeste e sua forma é alongada, com largura de cerca
de 120 km e com comprimento (no seu maior eixo) de 560 km, e a sua contribuição média
é de 1400 m³/s.
O rio se divide em três trechos, conhecidos por alto, médio e baixo Iguaçu. O trecho
superior, vai desde as nascentes na Serra do Mar até a foz do rio Jangada no km 620,
com 440 km de extensão e 160 m de desnível.
O trecho médio, vai desde a foz do rio Jangada até o sopé das Cataratas do Iguaçu, com
600 km de extensão e 663 metros de desnível.
O terceiro trecho vai desde o sopé das cataratas do Iguaçu em um trecho de 20 km até
sua foz no rio Paraná.
De acordo com o critério de divisão por bacias hidrográficas, constante do Inventário das
estações fluviométricas, do DNAEE (FERNANDES, et al., 1996), a sub-bacia do Iguaçu
pertence à bacia do rio Paraná, e está totalmente compreendida entre os 24º 50’ e 27º 00’
de latitude sul (S) e 49º 00’ e 54º 30’ de longitude oeste (W).
Nos estudos realizados pela Copel (1928) a bacia do Baixo Iguaçu foi considerada entre
Salto Osório e a foz do rio Santo Antônio afluente da margem esquerda do rio Iguaçu e
que faz divisa com a República da Argentina, num trecho total de 170 km e 115 metros de
desnível.
No seu trecho de montante, o rio Iguaçu corre em direção sudoeste, no planalto
curitibano, que geologicamente se caracteriza pela presença de rochas cristalinas précambrianas e grandes intrusões graníticas, com declividade média de 1 m/km;
atravessando campos ondulados, cujas colinas pouco se elevam, e, também, uma
pequena área de sedimentos quaternários, junto à cidade de Curitiba.
A partir do km 940, penetra no planalto dos Campos Gerais, que fica entre as elevações
de Ponta Grossa e as escarpas ocidentais da Serra do Mar. Corta terrenos sedimentares
paleozóicos, suavemente ondulados e com amplos afloramentos de arenitos, indo
alcançar Porto Amazonas (km 900), com a declividade de 3,5 m/km (em virtude do Salto
de Caiacanga, localizado no km 920). Nesta parte toma a direção oeste, inflectindo depois
para noroeste. Em Porto Amazonas começa a descer para sudoeste, até receber os rios
Negro (km 770) e Potinga (km 765).
Entre a foz do rio Negro e as cidades de União da Vitória/Porto União (km 650), o rio
Iguaçu atravessa terrenos de topografia variada, com trechos planos e trechos
acidentados, formando meandros com a declividade de 10 cm/km, mantendo-se na
direção sudoeste.
No limiar do seu trecho, a partir do km 650, o rio Iguaçu penetra no planalto de
Guarapuava, que é o terceiro patamar que constitui o território paranaense, entre a Serra
do Mar e a calha do rio Paraná; formado por rochas mesozóicas compostas, em grande
parte, por grandes derrames de lavas basálticas; o relevo a jusante de Segredo é muito
acidentado. Em seu percurso no planalto de Guarapuava a declividade média é de
1,0 m/km, mantendo-se em direção ao oeste.
O rio Iguaçu é navegável entre Porto Amazonas (km 900) e União da Vitória/Porto União
(km 650), apenas durante as cheias (dezembro/abril); um outro trecho navegável vai do
sopé das cataratas (km 20) até a foz do rio Paraná (km 0), com a profundidade mínima de
2,4 m (em 90% do tempo).
VII - 9
O rio Iguaçu é o último dos grandes rios que, em territórios brasileiros, levam a sua
contribuição ao rio Paraná a partir das cordilheiras que separam o altiplano continental da
estreita faixa costeira atlântica.
Os rios desta série (Paranaíba, Grande, Tietê, Paranapanema) foram e estão sendo
intensamente aproveitados para a exploração hidrelétrica, encontrando-se o rio Iguaçu no
final deste processo (Quadro 2.1).
Quadro 2.1
Características dos aproveitamentos existentes no rio Iguaçu
Discriminação
Área de drenagem
Cota reservatório
Cota restituição
Queda bruta
Vazão média natural
Potência nominal
Nº. máquinas
Tipo máquinas
Início operação
Unidade Foz do Areia Segredo Salto Santiago Salto Osório
km²
29.900
34.100
43.900
45.800
m
742
607
506
397
m
607
506
397
325
m
135
101
109
72
m³/s
632
729
946
996
MW
1.676
1.260
1.420
1.078
4
4
4
6
Francis
Francis
Francis
Francis
1980
1992
1980
1975
Salto Caxias
57.000
325
259
66
1.242
1.240
4
Francis
1998
Fonte: Sistema de Informações do Potencial Hidrelétrico Brasileiro (SIPOT 2000)
A Figura 2.1 ilustra o relevo da bacia do Iguaçu.
Figura 2.1
Relevo do Paraná
2.1.1 - Circulação atmosférica
Devido à necessidade do entendimento dos mecanismos atmosféricos atuantes e seus
fatores genéricos para compreensão do clima de qualquer região, mostra-se relevante a
descrição dos mecanismos atmosféricos atuantes no continente sul americano
responsáveis pelo clima da região sul do país, e, consequentemente pelo clima regional
do Estado do Paraná e da bacia do rio Iguaçu.
VII - 10
A região sul do Brasil, onde está inserida a área de estudo, tem o seu clima afetado
principalmente por efeitos de circulação atmosférica de macroescala, estando sujeita às
ações do anticiclone subtropical do Atlântico Sul, do anticiclone polar, o centro de baixa
pressão do Chaco, e as altas tropicais da Amazônia.
A variação de posição e intensidade desses centros dá origem às chamadas massas de
ar que definem o tempo reinante sobre o local, em cada estação do ano.
A região da bacia do Iguaçu apresenta-se regularmente dividida nos tipos climáticos Cfa e
Cfb, com aproximadamente metade de sua área em cada tipo climático. O tipo Cfb
predomina desde a região do altíssimo Iguaçu, até uma região aproximadamente entre os
meridianos 53°W e 52°W. No restante da bacia, ou seja, até a foz do rio Iguaçu,
predomina o tipo climático Cfa, conforme Figura 2.2.
Segundo classificação de Köeppen, o tipo climático Cfa se define como subtropical úmido
mesotérmico, com verão quente. O mês mais frio apresenta temperatura média inferior a
18°C, porém superior a 3°C, e o mais quente, temperatura média superior a 22°C. O tipo
climático Cfb é definido como subtropical úmido mesotérmico, com verão fresco. O mês
mais frio apresenta temperatura média inferior a 18°C, porém superior a –3°C, e o mais
quente, temperatura média inferior a 22°C.
Figura 2.2
Classificação climática do Estado do Paraná, com detalhe da bacia do rio Iguaçu
VII - 11
Quadro 2.2
Características dos domínios climáticos da região
Símbolo
Köeppen
Cfa
Temperatura média
Mês mais quente
>22ºC
Mês mais frio
<18ºC
Características
Subtropical úmido
mesotérmico
verões quentes
geadas menos freqüentes
chuvas concentradas nos meses de verão sem estação seca definida
Uma abordagem mais ampla do panorama da circulação atmosférica da região sul
americana é definida a partir dos seguintes centros de ação: os anticiclonais,
responsáveis pela individualização de massas de ar, e os depressionários.
Tratando-se diretamente da região sul, como centro de ação anticiclônica ou “centro de
alta” tem-se o anticiclone do atlântico, responsável pela origem da massa polar.
Segundo Iapar (1978), entre duas massas de ar ou duas “altas”, existe sempre uma zona
de mais baixa pressão, que se constitui em uma descontinuidade para a qual convergem
os ventos das duas massas de ar ou “altas”. Nessas descontinuidades, os ventos
convergentes ou ciclônicos tornam o tempo instável e geralmente chuvoso,
freqüentemente acompanhado de tempestades. Tais fenômenos são móveis e, por sua
estrutura de deslocamento, apresentam-se como “correntes de circulação perturbada”
conhecidas como sistemas frontais ou frentes polares.
A região sul do país é marcadamente influenciada pelas “correntes de circulação
perturbada” de noroeste e pelas “correntes perturbadas” de sul conhecidas por sistemas
frontais ou frentes polares.
Durante o inverno, quando as condições de frontogênese são mais freqüentes, os
avanços de frente polar são mais rigorosos, comumente atingindo latitudes baixas, em
torno de 8°S – 10°S. Na primavera, suas incursões abrangem, via de regra, o Trópico de
Capricórnio. No verão, a energia frontal é especialmente fraca, raramente se aproximando
do trópico. No outono, embora se iniciem as condições de frontogênese, ela é impedida
de avançar por ação dos sistemas intertropicais, que, sendo bastantes ativos nesta
época, fazem-na regredir (IAPAR, 1978).
Segundo Maack (1968), a maior parte do Estado do Paraná situa-se na zona subtropical,
entre 23°27’ e 26°47’, estando a bacia hidrográfica do rio Iguaçu completamente inserida
nesta zona. Com a alteração do ângulo de incidência da irradiação solar ao longo do ano,
variam as correntes de ar que determinam as épocas do ano. Além da influência da
irradiação solar, as várias zonas climáticas do Estado do Paraná são determinadas pela
altitude nos diversos planaltos, fato que pode ser observado mais adiante nas cartas
climáticas (Figuras 2.4 a 2.28).
As diferentes zonas climáticas, determinadas pela altitude, pertencentes à bacia do
Iguaçu, podem ser identificadas por um corte vertical desde a zona litoral a leste, através
da Serra do Mar, e sobre os três planaltos até o rio Paraná, a oeste (Figura 2.3).
VII - 12
Figura 2.3
Corte vertical sentido leste-oeste do Estado do Paraná
A partir da irradiação solar atuante no Estado do Paraná e das altitudes amenizantes da
temperatura, verificam-se quatro fatores principais que determinam o clima geral no
estado:
-
Determinada pela posição do sol, a oscilação ou migração rítmica das massas de ar
da zona atlântica equatorial e tropical de pressão baixa, no semestre de outubro a
março, é orientada para o sul.
-
No semestre hibernal de abril a setembro, a orientação dos anticiclones do atlântico
sul para o norte provoca a infiltração de massas de ar frio de frente polar.
-
alísio SE, cujo raio de ação freqüentemente ultrapassa 25° de latitude sul, determina,
segundo sua força e desvio, a extensão da região atlântica tropical de pressão baixa
em direção sul ou o avanço dos anticiclones no atlântico sul, com infiltração de
massas de ar frio da frente polar em direção norte. Determina também as
precipitações orográficas de ascensão sobre a Serra do Mar.
-
A ação da corrente marítima quente do Brasil, que influencia grandemente as
temperaturas da costa leste da América do Sul, fazendo avançar o caráter climático
tropical quente e úmido para muito além dos 26° de latitude sul. O elevado grau de
saturação de umidade do ar ocasiona um abaixamento das oscilações anuais de
temperatura.
A altitude e a latitude nem sempre são os responsáveis pela temperatura média anual.
Nuvens e ventos, a topografia geral e distribuição das precipitações determinam o grau de
temperatura dentro do ritmo anual. Na região litorânea, além disso, as temperaturas
sofrem influência da corrente marítima quente do Brasil e da umidade relativa do ar
permanentemente elevada. Toda a parte leste do estado, inclusive o terceiro planalto e a
maior parte do norte do Paraná, possuem um clima influenciado pelo oceano. Apenas nas
proximidades da depressão do Paraná e do vale do rio Paraná pode ser verificado um
clima marítimo de transição, que não permite, em toda a região do estado, a atividade de
um clima puramente continental.
A bacia do rio Iguaçu está sujeita, principalmente, à influência de pelo menos três massas
de ar. Durante os meses de verão (outubro a março) há uma predominância da massa de
ar tropical do atlântico sul, com a presença de frentes quentes que se deslocam em
direção ao sul do Brasil trazendo tempo bom com pouca nebulosidade.
A infiltração polar é mais intensa nos meses de inverno (abril a setembro). Essa
movimentação ocorre em direção ao norte, provocando tempo bom com pouca
nebulosidade.
VII - 13
Quando há a predominância da massa de ar tropical atlântica ou das tropicais
continentais, ocorre o choque das frentes polares, com formação de chuvas convectivas
de curta duração, grande instabilidade, mas com efeito local (chuvas de verão).
Quando ocorre o inverso, isto é, a predominância das massas polares, há a formação de
frentes frias, que provocam instabilidade em grandes extensões, com duração
prolongada, as chamadas chuvas frontais.
A movimentação destas massas de ar e de suas frentes define o regime de chuvas na
região.
A área da bacia do rio Iguaçu possui uma razoável rede de observação meteorológica de
superfície, sendo que algumas estações possuem, inclusive, observação de evaporação
em tanque evaporimétrico classe A (Quadro 2.3).
Quadro 2.3
Estações meteorológicas da bacia do rio Iguaçu
Código
02453023
02549006
02549041
02549091
02550025
02551006
02551010
02552009
02553015
02553018
02554004
02554026
02649021
02651006
02657007
02651043
02651046
02652003
02652035
02653012
Estação
Cascavel
Curitiba
Piraquara
Lapa
Teixeira Soares
Guarapuava
Guarapuava
Laranjeiras do Sul
Planalto
Quedas do Iguaçu
Foz do Iguaçu
São Mig. do Iguaçu
Rio Negro
Palmas
Porto União
Palmas
Foz do Areia
Clevelândia
Pato Branco
Francisco Beltrão
Instalação
Órgão
Out/1972
Abr/1884
Fev/1970
Ago/1988
Jan/1963
Jan/1910
Jun/1972
Out/1973
Out/1973
Jul/1972
Jan/1938
Ago/1982
Dez/1922
Nov/1922
Out/1941
Dez/1978
Set/1980
Set/1972
Jan/1979
Mai/1973
IAPAR
INEMET
IAPAR
IAPAR
IAPAR
INEMET
IAPAR
IAPAR
IAPAR
IAPAR
INEMET
IAPAR
INEMET
INEMET
INEMET
IAPAR
COPEL
IAPAR
IAPAR
IAPAR
Período Dados
Disponíveis
1972/1992
1951/1989
1970/1992
1988/1992
1963/1992
1961/1985
1973/1992
1973/1992
1973/1992
1972/1992
1961/1981
1982/1992
1961/1981
1961/1989
1961/1978
1979/1992
1981/1992
1972/1992
1979/1992
1973/1992
Altitude (m)
660
929
930
910
893
1.020
1.020
880
400
513
161
260
824
1.100
778
1.100
600
930
700
650
Evaporação
Tanque
Sim
Sim
Sim
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Não
Não
Sim
Fonte: Copel (1993).
2.1.2 - Temperatura
Quando a radiação solar atinge a superfície da Terra, uma parcela dessa energia é
destinada para o aquecimento do ar que nos envolve. A temperatura do ar pode ser
definida em termos de movimento das moléculas de ar – a agitação das moléculas é tanto
maior quanto maior for a temperatura – ou em termos relativos, com base no grau de
calor que o ar contém. Os tipos tradicionais de termômetro utilizados nas estações são os
de mercúrio, mas atualmente utilizam-se sensores de pares termoelétricos e termistores,
conectados a estações automáticas que transmitem os valores diretamente em formato
digital, na escala Celsius.
VII - 14
Os processos biofísicos e bioquímicos que condicionam o metabolismo dos seres vivos e,
portanto, seu desenvolvimento, são altamente afetados pelas condições energéticas do
ambiente, mais especificamente do solo e da atmosfera. Pode-se dizer que todos os
processos que condicionam o desenvolvimento e crescimento das plantas e animais têm
a temperatura como um dos fatores fundamentais. Cada espécie vegetal possui limites
ótimos para que seu potencial produtivo seja expresso. Abaixo ou acima desse limite,
mesmo que haja suprimento adequado de água e nutrientes, a produtividade será
comprometida. Portanto, o conhecimento da temperatura de uma região é fundamental
para o planejamento agrícola. Além disso, a temperatura também é um importante fator
no processo de evapotranspiração, o que influi diretamente no ciclo da água, ditando o
histograma de precipitação.
As cartas de isotermas – linhas que ligam pontos com a mesma temperatura – foram
traçados a partir de séries homogêneas de 20 anos de observações nas estações
meteorológicas do Iapar. Os dados das médias mensais, média das mínimas, média das
máximas e média anual foram correlacionados com altitude, latitude e longitude de cada
estação, obtendo-se uma equação de regressão linear múltipla para cada período. No
modelo digital de elevação, disponível na página da Internet do U.S.Geological Survey,
aplicou-se as equações de regressão utilizando o Spring, obtendo-se uma grade de
pontos com valores de temperatura. A seguir, os valores obtidos foram estratificados,
gerando as isotermas com intervalos de 1oC, a partir de 11oC até 27oC.
São apresentadas as cartas com médias mensais para os 12 meses, média anual, média
do trimestre mais frio (junho, julho e agosto) e média do trimestre mais quente (dezembro,
janeiro e fevereiro).
A temperatura média diária foi calculada por meio da seguinte expressão:
T=
T9 + (2 × T21 ) + Tmax + Tmin
, em que:
5
T é a temperatura média diária;
T9 , e T21 são as temperaturas do ar às 9 horas e 21 horas, respectivamente;
Tmax é a temperatura máxima;
Tmin é a temperatura mínima.
São apresentadas as cartas com temperaturas médias mensais para os 12 meses, a
temperatura média anual das máximas, a temperatura média anual das mínimas e a
temperatura média anual.
A variação da temperatura no Estado do Paraná é marcada pela sazonalidade anual,
notando-se temperaturas mais elevadas no verão, e temperaturas mais brandas no
inverno. Isto pode ser constatado ao observar e comparar os mapas dos trimestres, mais
quentes, e mais frios. No trimestre de dezembro a fevereiro, verão no hemisfério sul, a
VII - 15
faixa de temperatura para o estado é de 21 a 30oC, já no inverno, o trimestre de junho a
agosto, fica entre 11 a 19oC.
Para a bacia do rio Iguaçu, estas faixas são de 21 a 28oC de dezembro a janeiro, e de 15
a 22oC entre junho e agosto. Na média, as temperaturas no trimestre mais frio (junho,
julho e agosto), oscilam entre 14 e 16ºC. No trimestre mais quente (dezembro – fevereiro)
as temperaturas médias mensais variam entre 2 e 23ºC. No Quadro 2.4 a seguir,
apresentam-se os valores médios mensais para as principais estações climatológicas da
bacia.
Outro fator que influi notoriamente na variação espacial da temperatura no estado, é a
altitude. Comparando o mapa de hipsometria com o de temperatura média anual,
observa-se que nas regiões mais baixas as temperaturas são maiores, e menores nas
mais altas. Isto deve-se ao fato de que a temperatura aumenta com o aumento da
pressão atmosférica, e também devido a circulação global, onde o ar frio encontra-se
geralmente mais alto que o ar quente.
Na bacia do rio Iguaçu o comportamento é o mesmo. A variação espacial da temperatura
segue o curso do rio Iguaçu, aumentando gradativamente da nascente, próximo a região
metropolitana de Curitiba, até sua foz, após passar pelo PNI desaguando no rio Paraná.
Entretanto nota-se que dentro da bacia do Iguaçu há, próximo ao município de Palmas, a
ocorrência das menores temperaturas ao longo de todo o ano, não só da bacia mas de
todo o estado, e isto se deve a grande altitude da região. Também é perceptível um
gradiente crescente de temperatura no sentido dos divisores de água que delimitam a
bacia hidrológica, para a calha do rio. Logicamente, isto também é explicado pelo fato de
que os divisores encontram-se em local mais alto do que o corpo da água.
Quadro 2.4
Bacia do rio Iguaçu – Resumo mensal da temperatura (ºC)
ESTAÇÃO
JAN
33,0
21,0
8,4
36,4
23,5
8,0
37,4
25,4
11,4
38,8
19,7
4,5
33,8
22,4
10,3
36,8
24,2
11,2
34,4
23,0
9,8
FEV
32,8
20,8
6,8
36,0
23,1
8,7
37,6
24,9
12,8
35,8
19,6
5,1
33,6
22,0
8,2
37,0
23,9
10,4
34,1
22,7
9,2
M AR
31,6
19,9
2,6
35,4
22,1
3,4
36,8
24,2
7,8
38,4
18,4
0,7
33,2
21,3
,0
36,8
23,0
6,6
33,9
22,1
6,7
ABR
29,8
17,3
2,3
32,8
19,1
2,0
34,6
21,4
6,4
36,8
15,6
-2,1
30,5
18,6
5,0
33,0
20,2
5,0
31,8
19,8
3,6
M AI
28,4
14,3
-1,2
31,9
15,7
0,0
32,4
18,3
0,2
30,2
12,7
-2,4
29,9
16,0
,6
32,4
17,2
1,4
30,1
16,7
-,4
JUN
25,4
12,5
-3,4
31,0
13,9
-4,2
30,0
16,4
-1,6
28,4
11,4
-6,8
26,6
14,4
-2,0
29,2
15,3
-0,4
30,2
14,8
-,4
JUL
26,4
12,7
-5,6
29,8
14,1
-5,0
31,8
16,5
-4,0
27,4
10,9
-7,1
27,8
14,6
-3,0
30,2
15,6
-5,5
28,5
14,8
-4,2
AGO
29,4
14,1
-4,7
33,0
15,6
-2,4
34,0
18,2
-0,2
29,4
12,4
-5,1
31,3
16,1
-2,2
33,0
17,0
0,0
31,6
16,4
-1,7
SET
33,2
15,1
-1,6
35,7
17,1
0,2
36,8
19,5
1,8
33,2
13,8
-5,1
34,0
17,0
-,5
37,0
18,3
0,0
35,4
17,7
,2
OUT
31,8
17,6
,4
35,4
19,8
3,3
36,6
21,8
6,0
35,4
16,0
-1,8
33,0
19,2
3,4
36,4
20,7
6,0
34,2
20,0
4,0
NOV
36,0
19,0
4,4
38,3
21,3
3,2
39,2
23,5
8,2
34,4
17,7
,8
37,5
20,7
7,4
38,6
22,3
8,5
36,6
21,4
7,2
DEZ
34,0
20,3
7,8
38,2
22,8
8,4
39,8
25,0
11,6
37,4
19,1
3,0
35,9
21,7
8,4
38,6
23,6
10,0
36,4
22,5
11,3
Max 35,8
Méd 22,7
Min
9,1
Fonte: Copel (1993).
35,3
22,4
8,7
35,2
21,6
4,0
32,8
18,9
3,2
30,8
15,8
-,3
28,7
14,1
-2,7
28,8
14,2
-4,9
31,7
15,7
-2,3
35,0
16,9
-,7
34,7
19,3
3,0
37,2
20,8
5,7
37,2
22,1
8,6
Clevelandia
F. Beltrão
Planalto
Palmas
Laranjeiras
Quedas do
Iguaçu
Cascavel
Médias (AI)
Max
Méd
Min
Max
Méd
Min
Max
Méd
Min
Max
Méd
Min
Max
Méd
Min
Max
Méd
Min
Max
Méd
Min
EXTREMAS
36,0 (17/nov/85)
-5,6 (18/jul/75)
38,3 (16/nov/85)
-5,0 (18/jul/75)
39,8 (11/dez/85)
-4,0 (18/jul/75)
38,8 (03/jan/63)
-7,1 (11/jul/72)
37,5 (17/nov/85)
-3,0 (06/jul/89)
38,6 (17/nov/85)
-5,5 (18/jul/75)
36,6 (17/dez/85)
-4,2 (18/jul/75)
Média
Med/Max
18,7
Méd/Min
M ÉDIA
23,2
17,1
12,9
25,9
19,0
13,7
27,2
21,3
16,6
22,9
15,6
10,6
24,8
18,7
14,0
26,8
20,1
15,5
25,1
19,3
15,3
25,1
14,1
VII - 16
Figura 2.4
Temperatura média anual no Estado do Paraná,
com detalhe da bacia do rio Iguaçu
Figura 2.5
Temperatura média do trimestre mais quente no
Estado do Paraná, com detalhe da bacia do rio Iguaçu
VII - 17
Figura 2.6
Temperatura média do trimestre mais frio no
Estado do Paraná, com detalhe da bacia do rio Iguaçu
Figura 2.7
Temperatura nos meses de janeiro e fevereiro no
Estado do Paraná, com detalhe da bacia do rio Iguaçu
VII - 18
Figura 2.8
Temperatura nos meses de março e abril no
Estado do Paraná, com detalhe da bacia do rio Iguaçu
Figura 2.9
Temperatura nos meses de maio e junho no
Estado do Paraná, com detalhe da bacia do rio Iguaçu
VII - 19
Figura 2.10
Temperatura nos meses de julho e agosto no
Estado do Paraná, com detalhe da bacia do rio Iguaçu
Figura 2.11
Temperatura nos meses de setembro e outubro no
Estado do Paraná, com detalhe da bacia do rio Iguaçu
Figura 2.12
Temperatura nos meses de novembro e dezembro
no Estado do Paraná, com detalhe da bacia do rio Iguaçu
VII - 20
2.1.3 - Precipitação
A precipitação inclui chuva, granizo, neve, ou qualquer outro processo onde ocorre
deposição de água na superfície. A precipitação é medida em altura, normalmente
expressa em milímetros. Uma precipitação de 1 mm é equivalente a um volume de 1 litro
de água numa superfície de 1 m2. A precipitação é o elemento que mais afeta a
produtividade agrícola em todo o mundo. A quantidade e a distribuição da precipitação
que incide anualmente sobre uma certa região é bastante importante, determinando o tipo
de vegetação e influenciando a programação das atividades agrícolas. Assim, épocas de
plantio e colheita, atividades mecanizadas e mesmo escolha de espécies e variedades de
plantas estão intimamente relacionadas com o padrão de precipitação local.
A precipitação média anual na região dos estudos é de cerca de 1.800 mm. O Quadro 2.5 a
seguir, apresenta os totais médios mensais nas principais estações pluviométricas da
bacia.
O mapa de precipitação média anual na bacia do rio Iguaçu é apresentado no desenho
UHEBI-MAC-FIS-022.
Quadro 2.5
Bacia do rio Iguaçu resumo mensal da precipitação (MM)
Estação
Águas do
Vere
F.Beltrão
Cascavel
Clevelân
dia
Guara
niaçu
Palmas
Quedas
do Iguaçu
Sta.
Isabel
P. Vitorino
S. Caxias
Médias
(AI)
Max
Méd
Min
Max
Méd
Min
Max
Méd
Min
Max
Méd
Min
Max
Méd
Min
Max
Méd
Min
Max
Méd
Min
Max
Méd
Min
Max
Méd
Min
Max
Méd
Min
Max
Méd
Min
Jan
424,4
174,5
5,0
474,3
168,1
40,4
363,9
177,6
27,2
424,3
192,1
40,0
492,8
190,6
14,2
383,3
189,5
59,8
461,9
190,3
27,2
393,4
175,2
17,0
461,5
178,6
12,6
365,9
160,9
14,2
424,6
179,7
25,8
Fonte: Copel (1993).
Fev
346,8
158,4
30,2
262,4
171,3
35,1
352,0
177,8
36,0
352,3
155,8
63,0
343,2
193,7
51,0
352,0
165,9
26,4
340,0
195,9
32,9
319,0
155,6
26,6
416,6
166,1
27,2
323,5
157,1
15,6
340,8
169,8
34,4
Mar
309,6
144,0
36,3
357,2
129,9
23,7
282,0
144,8
24,2
310,8
123,3
55,5
302,0
149,2
27,2
408,2
149,4
45,8
218,0
131,3
52,0
330,8
138,3
27,6
321,9
143,6
37,3
293,4
115,0
23,8
313,4
136,9
35,3
Abr
403,9
144,1
,0
356,3
163,4
,5
302,6
158,2
2,3
384,9
164,9
7,2
322,4
150,9
1,0
372,3
147,7
2,2
329,0
153,7
,0
334,9
136,6
,0
355,4
149,9
,0
393,7
158,8
6,4
355,5
152,8
2,0
Mai
630,7
162,6
22,7
610,8
213,7
28,0
488,1
184,4
26,9
453,7
213,1
20,0
504,0
167,6
21,6
491,6
167,6
22,9
609,0
136,1
17,0
480,9
167,5
19,4
487,3
165,8
,0
458,3
174,5
19,6
521,4
175,3
19,8
Jun
348,9
147,1
7,2
397,7
171,0
9,3
343,8
142,9
14,8
334,8
169,0
31,9
287,6
144,6
18,8
347,8
170,0
38,6
301,8
133,1
6,0
347,1
155,0
18,3
382,1
149,8
21,0
299,7
135,6
20,5
339,1
151,8
18,6
Jul
664,8
126,9
5,1
668,2
141,2
3,9
288,8
113,1
2,9
775,4
151,2
10,1
277,0
119,8
2,4
808,4
148,8
11,2
387,9
114,6
12,8
493,1
120,9
2,4
520,4
133,6
6,6
447,0
108,0
7,8
533,1
127,8
6,5
Ago
301,4
119,4
12,0
242,5
122,2
9,1
254,9
106,8
13,4
280,5
135,6
10,8
303,8
113,9
11,6
465,4
145,4
26,6
326,8
107,3
10,3
270,6
111,3
3,4
259,0
121,5
8,7
307,6
119,6
8,6
301,3
120,3
11,5
Set
334,4
146,0
35,0
312,4
147,7
30,9
360,5
143,8
13,4
359,1
153,7
41,1
328,4
145,3
20,8
401,5
178,9
60,8
304,9
150,0
16,7
313,9
138,8
24,3
324,5
159,6
41,8
329,9
141,7
27,4
337,0
150,5
31,2
Out
372,4
203,4
101,6
478,3
209,6
111,0
380,1
213,2
73,7
427,6
194,7
78,6
374,4
202,3
90,8
523,8
207,0
52,2
352,0
201,1
76,7
498,1
208,4
60,0
423,8
201,9
82,1
478,3
207,6
41,4
430,9
204,9
76,8
Nov
903,2
185,1
33,6
540,7
198,8
29,8
492,9
174,8
30,7
553,3
201,4
73,9
488,8
179,6
31,6
431,6
161,6
40,2
449,5
170,1
43,3
622,4
157,3
23,6
655,8
172,6
29,5
568,9
182,8
41,1
570,7
178,4
37,7
Dez
468,5
170,5
52,9
395,2
165,8
44,2
509,3
181,8
70,4
354,3
169,7
71,6
518,7
202,1
52,4
359,9
163,1
47,7
357,2
164,0
47,9
367,9
168,8
35,4
421,6
159,9
45,3
323,8
162,9
37,2
407,6
170,9
50,4
Extremas
Total
903,2
(nov/82)
1.882,0
668,2
(jul/83)
2.002,6
509,3
(jul/83)
1.919,2
775,4
(jul/83)
2.024,5
518,7
(jul/83)
1.959,6
808,4
(jul/83)
1.994,9
609,0
(mai/92)
1.847,3
622,4
(mai/92)
1.833,6
655,8
(nov/82)
1.902,8
568,9
(nov/82)
1.824,5
903,2
(nov/82)
1.919,1
VII - 21
Na bacia hidrográfica do rio Iguaçu, a precipitação média anual varia de 1200 a 1400
mm/ano até 2500 a 3500 mm/ano. As maiores precipitações ocorrem no altíssimo Iguaçu,
localizado na vertente oeste da Serra do Mar, onde as altas precipitações ocorrem devido
às chuvas orográficas que ocorrem neste local. No sentido leste-oeste, após a Serra do
Mar, a precipitação diminui para 1400 a 1600 mm/ano, sofrendo um novo aumento para
1800 a 2000 mm até o baixo Iguaçu, com uma região mais ao sul apresentando
precipitações de 2000 a 2500 mm/ano. Na região do baixo Iguaçu ocorre uma nova
diminuição da precipitação, atingindo valores de 1600 a 1800 mm/ano.
O mês mais chuvoso é janeiro, com precipitações variando de 125 a 150 mm no baixo
Iguaçu até 250 a 350 mm/mês no altíssimo Iguaçu, com uma precipitação predominante
de 175 a 200 mm/mês na bacia hidrográfica em geral.
O mês mais seco é agosto, com precipitações variando de 75 a 100 mm/mês até 150 a
175 mm/mês, porém em pequenas regiões localizadas no sul da bacia hidrográfica.
Ocorre uma predominância de 75 a 100 mm/mês no alto Iguaçu, 100 a 125 mm/mês no
médio e baixo Iguaçu e 125 a 150 mm/mês em regiões mais ao sul da bacia hidrográfica.
O Quadro 2.6 apresenta um resumo da variação da precipitação em função dos meses do
ano.
Quadro 2.6
Resumo da variação da precipitação
em função dos meses do ano
Mês
Precipitação (mm/mês)
Máximo
Mínimo
Predominância
Janeiro
125 a 150
250 a 350
175 a 200
Fevereiro
125 a 150
225 a 250
150 a 175
Março
100 a 125
200 a 225
125 a 150
Abril
75 a 100
125 a 150
Bem distribuídas
Maio
100 a 125
175 a 200
Bem distribuídas
Junho
100 a 125
175 a 200
Bem distribuídas
Julho
75 a 100 mm
150 a 175
Bem distribuídas
Agosto
75 a 100
150 a 175
Bem distribuídas
Setembro
100 a 125
175 a 200
150 a 175
Outubro
100 a 125
200 a 225
Bem distribuídas
Novembro
100 a 125
200 a 225
Bem distribuídas
Dezembro
125 a 150
225 a 250
150 a 175
VII - 22
Figura 2.13
Precipitação média anual no Estado do Paraná,
com detalhe da bacia do rio Iguaçu
Figura 2.14
Precipitação nos meses de janeiro e fevereiro no
Estado do Paraná, com detalhe da bacia do rio Iguaçu
VII - 23
Figura 2.15
Precipitação nos meses de março e abril no
Estado do Paraná, com detalhe da bacia do rio Iguaçu
Figura 2.16
Precipitação nos meses de maio e junho no
Estado do Paraná, com detalhe da bacia do rio Iguaçu
Figura 2.17
Precipitação nos meses de julho e agosto no
Estado do Paraná, com detalhe da bacia do rio Iguaçu
VII - 24
Figura 2.18
Precipitação nos meses de setembro e outubro no
Estado do Paraná, com detalhe da bacia do rio Iguaçu
Figura 2.19
Precipitação nos meses de novembro e dezembro no
Estado do Paraná, com detalhe da bacia do rio Iguaçu
Considerando a importância da variação da precipitação entre os anos, é apresentada
uma carta com o coeficiente de variação entre os anos. O coeficiente de variação para a
série de dados em cada estação foi calculado pela seguinte expressão:
CV =
100s
X
onde:
CV é o coeficiente de variação;
X é a média anual das chuvas por local;
s é o desvio padrão, calculado pela seguinte expressão:
VII - 25
∑ (X − X )
2
s=
N −1
onde:
X é a precipitação total em cada ano, por local;
X é a média anual das chuvas por local;
N é o número de anos de observação.
Figura 2.20
Coeficiente de variação da precipitação anual
2.1.4 - Evapotranspiração
Os processos de evaporação e transpiração ocorrem simultaneamente em uma superfície
vegetada. Thornthwaite, no início da década de 40 do século XX, utilizou o termo
evapotranspiração para definir essa ocorrência simultânea. A evapotranspiração é
controlada pela disponibilidade de energia, pela demanda atmosférica e pelo suprimento
de água do solo às plantas. A disponibilidade de energia depende do local e da época do
ano. O local é caracterizado pelas coordenadas geográficas (latitude e longitude) e pela
topografia da região. A latitude determina o total diário de radiação potencialmente
utilizado no processo evaporativo. Num terreno plano, o total diário de radiação solar é
modulado pela época do ano, que determina o ângulo de incidência dos raios solares.
Numa topografia acidentada, existirão locais com diferente disponibilidade de energia
durante o ano (PEREIRA, VILLA NOVA & SEDYIAMA, 1997).
VII - 26
A altitude também afeta diretamente a temperatura do solo e do ar, e a pressão
atmosférica, que são os fatores que influenciam a evapotranspiração. A disponibilidade de
radiação é controlada pelo poder refletor da superfície, expresso pelo coeficiente de
reflexão (albedo). Superfícies mais claras refletem mais que escuras, possuindo menos
energia disponível. Desta maneira, uma vegetação mais escura, tipo floresta, reflete
menos radiação solar que uma cultura agrícola ou um gramado, portanto, sob as mesmas
condições climáticas, uma floresta evapotranspira mais que um gramado (PEREIRA,
VILLA NOVA & SEDYIAMA, 1997).
A demanda atmosférica é controlada pelo poder evaporante do ar. Quanto mais seco,
maior será a demanda atmosférica. No entanto, existe interrelação entre a demanda pelo
ar e o suprimento de água pelo solo. Resultados experimentais de Denmead & Shaw
(1962) mostram que o solo é um reservatório ativo que, dentro de certos limites, controla
a taxa de perda de água pelas plantas. Se a demanda atmosférica for baixa, a planta
consegue extrair água do solo até níveis bem baixos de água disponível; se a demanda
for alta, mesmo com bastante umidade no solo, a planta não consegue extraí-la numa
taxa compatível com as necessidades, resultando em fechamento temporário dos
estômatos para evitar secamento das folhas. Portanto, há inter-relação entre
disponibilidade de radiação solar, demanda atmosférica, e suprimento de água pelo solo
(PEREIRA, VILLA NOVA & SEDYIAMA, 1997).
O conhecimento da água perdida por evapotranspiração é fundamental para se conhecer
o balanço hídrico de certa região. A partir da disponibilidade hídrica, pode-se então
determinar se essa região é indicada para o cultivo de determinada espécie vegetal ou se
é necessário utilizar sistemas de irrigação, assim como dimensioná-los.
Os valores diários de evapotranspiração potencial apresentados nos mapas, a seguir,
foram calculados pelo método de Penman (1948), para toda a série de dados da rede
Iapar. Os resultados foram espacializados a partir de interpolações numéricas.
A partir dos dados regionalizados de temperatura, umidade relativa, insolação e
precipitação, do nível de água médio e da profundidade média do reservatório da UHE
Salto Caxias, foram calculados os valores da evaporação, da evapotranspiração real, da
evaporação líquida e da evapotranspiração potencial. Os valores obtidos para a UHE
Salto Caxias, usina imediatamente a montante da área de estudo (Quadro 2.7)
Quadro 2.7
UHE Salto Caxias evaporação e evapotranspiração
na área do reservatório (mm/mês)
Jan Fev Mar Abr Mai Jun
Jul Ago Set
Evaporação
160
154
162
135
118
95
72
64
72
86
100
131
1.348
Evapotranspiração Real
153
131
118
77
51
35
36
50
66
105
129
153
1.106
7
23
44
57
66
60
36
15
5
-19
-29
-23
242
187
153
146
102
75
55
68
96
110
149
177
203
1.521
Evaporação/Evapotranspiração
Evaporação Líquida
Evapotranspiração Potencial
Fonte: Copel (1993).
Out Nov Dez
Média
VII - 27
Os valores mensais de evaporação líquida, calculada pela diferença entre os valores de
evaporação e de evapotranspiração real, representam as alterações no balanço hídrico,
em termos médios, decorrentes da formação do reservatório da UHE Salto Caxias.
A evapotranspiração anual na área do estudo oscila entre 1.100 a 1.200 mm/ano.
A evapotranspiração real e a evapotranspiração potencial na área do reservatório, da
UHE Salto Caxias calculadas pelo método de Morton, resultaram em 1106 mm e 1521
mm, respectivamente, levando a uma deficiência hídrica local média de 415 mm. O
excedente hídrico médio nessa área, avaliado pela diferença entre a precipitação média
(1850 mm) e a evapotranspiração real (1106 mm) na área do reservatório, resultou em
744 mm.
Sendo a evapotranspiração potencial função da temperatura, os maiores valores são
obtidos nas regiões mais quentes, e, consequentemente, os menores valores são obtidos
nas regiões mais frias, fato este demonstrado tanto na evapotranspiração média anual
quanto nas evapotranspirações mensais. Na bacia do Iguaçu, as maiores
evapotranspirações encontram-se na sua região mais baixa (baixo Iguaçu), seguindo com
uma diminuição até a sua região mais fria, o altíssimo Iguaçu.
Evidentemente, os meses mais quentes apresentam maiores valores de
evapotranspiração potencial, conforme apresentado nas Figuras 2.21 a 2.27. O mês de
junho apresentou evapotranspiração igual em toda a bacia.
O Quadro 2.8 apresenta um resumo da evapotranspiração diária em função dos meses do
ano e da região da bacia do Iguaçu.
Quadro 2.8
Resumo da evapotranspiração diária em função
dos meses do ano e da região da bacia do Iguaçu.
Mês
Evapotranspiração (mm/dia)
Altíssimo Iguaçu
Baixo Iguaçu
Janeiro
3 a 3,5
4,5 a 5
Fevereiro
3 a 3,5
4 a 4,5
Março
2,5 a 3
3,5 a 4
Abril
1,5 a 2
2 a 2,5
Maio
1 a 1,5
1,5 a 2
Junho
1 a 1,5
1 a 1,5
Julho
1 a 1,5
1,5 a 2,0
Agosto
1,5 a 2
2,0 a 2,5
Setembro
2 a 2,5
2,5 a 3,0
Outubro
2,5 a 3
3,5 a 4,0
Novembro
3 a 3,5
3,5 a 4
Dezembro
3 a 3,5
4,5 a 5
VII - 28
No altíssimo Iguaçu, os meses de novembro a fevereiro apresentam os maiores valores
de evapotranspiração, atingindo 3 a 3,5 mm/dia e os meses de maio a julho apresentam
os menores valores de evapotranspiração, da ordem de 1 a 1,5 mm/dia. No baixo Iguaçu,
os maiores valores ocorrem nos meses de dezembro a fevereiro, com valores de 4,5 a 5
mm/dia, e o menor valor ocorre no mês de junho, com 1 a 1,5 mm/dia.
Figura 2.21
Evapotranspiração média anual no
Estado do Paraná, com detalhe da bacia do rio Iguaçu
Figura 2.22
Evapotranspiração nos meses de janeiro e fevereiro no
Estado do Paraná, com detalhe da bacia do rio Iguaçu
VII - 29
Figura 2.23
Evapotranspiração nos meses de março e abril no
Estado do Paraná, com detalhe da bacia do rio Iguaçu
Figura 2.24
Evapotranspiração nos meses de maio e junho no
Estado do Paraná, com detalhe da bacia do rio Iguaçu
Figura 2.25
Evapotranspiração nos meses de julho e agosto no
Estado do Paraná, com detalhe da bacia do rio Iguaçu
VII - 30
Figura 2.26
Evapotranspiração nos meses de setembro e outubro no
Estado do Paraná, com detalhe da bacia do rio Iguaçu
Figura 2.27
Evapotranspiração nos meses de novembro e dezembro
no Estado do Paraná, com detalhe da bacia do rio Iguaçu
2.1.5 - Umidade relativa do ar
A umidade relativa é uma das formas de expressar o conteúdo de vapor existente na
atmosfera. É definida como a relação entre o teor de vapor d’água contido no ar em um
dado momento e o teor máximo que esse ar poderia conter, à temperatura ambiente. O
valor da umidade relativa pode mudar pela adição ou remoção de umidade do ar pela
mudança de temperatura.
O processo de evaporação da água consome energia, que é transferida para a atmosfera
terrestre. À medida que as massas de ar são transportadas para as camadas mais altas
da atmosfera, ocorre a condensação do vapor d’água, com formação de nuvens e
liberação de energia consumida na evaporação. Por meio desse processo contínuo é que
a temperatura do globo terrestre é mantida dentro dos atuais limites.
VII - 31
A presença de vapor d’água na atmosfera contribui também para diminuir a amplitude
térmica (diferença entre a temperatura máxima e a mínima), uma vez que a água
intercepta parte da radiação terrestre de ondas longas e, desta forma, diminui o
resfriamento noturno.
A umidade atmosférica é fator determinante para as atividades biológicas, afetando o
desenvolvimento de plantas, pragas, doenças e o conforto térmico animal. Com relação
aos vegetais, altas concentrações de vapor favorecem a absorção direta de umidade
pelas plantas e o aumento da taxa de fotossíntese. A umidade afeta também a
transpiração, que é tanto mais intensa quanto mais seco se encontra o ar.
Os valores de umidade relativa média obtidos da rede do Iapar foram interpolados no
software Surfer versão 6.0, utilizando o método denominado Kriging. A seguir foram
importados para o Spring para a geração das isolinhas. A carta final representa valores de
65% a 85%, com intervalos de 5%.
As séries de dados utilizadas possuíam 20 anos de dados diários de leituras de
termômetro de bulbo seco e bulbo úmido, a partir das quais se estimou a umidade
relativa. A umidade relativa média diária foi calculada pela seguinte expressão:
UR =
UR9 + UR15 + (2 × UR21 )
, em que:
4
UR é a umidade relativa média diária;
UR9 , UR15 e UR21 são a umidade relativa às 9, 15 e 21 horas, respectivamente.
Se compararmos o mapa das temperaturas médias com o da umidade relativa anual,
verifica-se que, não só no estado, mas também na bacia do rio Iguaçu, seus
comportamentos são bem semelhantes. O mapa, a seguir, mostra que a umidade diminui
de leste para oeste e de sul para norte, sendo as regiões de maior umidade próximas do
planalto de Curitiba e da planície litorânea, e as mais secas próximas à calha do rio
Parananema que faz divisa com o Estado de São Paulo.
A umidade relativa média do ar oscila entre 20 a 80%, sendo a média anual de 75%. O
Quadro 2.9, apresenta a oscilação média anual da temperatura nas estações
meteorológicas da bacia.
VII - 32
Quadro 2.9
Bacia do rio Iguaçu resumo mensal de umidade relativa do ar (%)
Estação
Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dez
Média
Francisco Beltrão
73
77
77
77
80
80
76
73
70
70
69
72
75
Palmas
78
81
81
83
84
84
81
79
78
78
77
77
80
Planalto
69
72
72
73
74
75
69
67
65
66
67
67
70
Clevelândia
77
80
79
79
80
79
76
74
74
73
72
75
77
Laranj. do Sul
74
77
76
77
77
76
72
68
68
70
70
73
73
Cascavel
76
78
76
75
77
77
73
70
69
69
69
74
74
Quedas do Iguaçu
74
77
77
78
79
80
74
72
70
70
71
73
75
74,4
77,4
76,9
77,4
78,7
78,7
74,4
71,9
70,6
70,9
70,7
73,0
74,6
Média (AI)
Fonte: Copel (1993).
Figura 2.28
Umidade relativa anual no Estado do Paraná, com detalhe da bacia do rio Iguaçu
2.1.6 - Ventos
As velocidades do vento, observadas a dez metros de altura, apresentam valores médios
de 2,6 a 3,5 m/s. O Quadro 2.10 mostra, para as principais estações, a velocidade dos
ventos, a intensidade e a duração predominante.
VII - 33
Quadro 2.10
Bacia do rio Iguaçu resumo mensal de vento (M/S)
Jan
Estação
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dez
Anual
VM DP VM DP VM DP VM DP VM DP VM DP VM DP VM DP VM DP VM DP VM DP VM DP VM DP %
Francisco
Beltrão
2,4 NE 2,2 NE 2,0 NE 2,0 NE 1,8
S
S
2,1
2,5 NE 2,5 NE 2,8 NE 2,7 NE 2,7 NE 2,5 NE 2,4 NE 31
W
W
Palmas
2,1 NE 2,1 NE 2,0 NE 2,0 NE 1,9 NE 2,0 NE 2,6 NE 2,4 NE 2,6 NE 2,5 NE 2,3 NE 2,1 NE 2,2 NE 18
Clevelândia 3,4 NE 3,3 NE 3,1 NE 3,4 NE 3,4 NE 3,5 NE 4,2 NE 4,0 NE 4,1 NE 3,9 NE 3,9 NE 3,6 NE 3,7 NE 34
Planalto
Laranj.
Sul
3,0 NE 2,5 NE 3,0 NE 3,1 NE 3,1 NE 3,0 NE 3,7 NE 3,5 NE 3,4 NE 3,4 NE 3,4 NE 3,6 NE 3,2 NE 35
do
Cascavel
Quedas
Iguaçu
2,4 NE 2,3 NE 2,2 NE 2,3 NE 2,3 E 2,6 E 2,9 E 3,0 E 2,9 E 2,9 E 2,8 E 2,5 E 2,6 E 26
3,0 NE 3,0 NE 3,0 NE 3,1 NE 3,1 NE 3,4 NE 3,9 NE 3,8 NE 3,8 NE 3,6 NE 3,5 NE 3,2 NE 3,4 NE 40
do
Média (AI)
2,8 SE 2,7 SE 2,6 SE 2,6 SE 2,6 SE 2,7 SE 3,0 SE 2,9 SE 2,9 SE 2,8 SE 2,9 SE 2,8 SE 2,8 SE 30
2,7 NE 2,6 NE 2,6 NE 2,6 NE 2,6 NE 2,8 NE 3,3 NE 3,2 NE 3,2 NE 3,1 NE 3,1 NE 2,9 NE 2,9 NE
Fonte: Copel (1993).
NOTAS: VM = Velocidade Média, DP = Direção Predominante
2.1.7 - Insolação
A insolação média é da ordem de 7,0 horas por dia. O Quadro 2.11 apresenta a insolação
média nos postos da bacia.
Quadro 2.11
Bacia do rio Iguaçu resumo mensal de insolação (horas de sol/dia)
Estação
Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dez
Média
Francisco Beltrão
7,3
7,1
7,2
6,3
5,9
5,3
6,3
6,0
6,2
6,9
7,5
7,3
6,6
Palmas
6,2
6,0
5,9
5,7
5,9
5,3
6,0
5,9
5,0
6,1
6,9
6,7
6,0
Planalto
7,9
7,6
7,5
6,7
6,1
5,5
6,5
6,1
6,2
7,2
7,8
7,9
6,9
Clevelândia
7,4
7,0
7,1
6,4
6,0
5,6
6,5
6,1
6,1
6,7
7,5
7,3
6,7
Laranj. do Sul
6,8
6,7
6,8
6,7
6,3
5,8
6,8
6,5
6,0
6,7
6,9
6,5
6,5
Cascavel
7,3
7,1
7,1
6,7
6,3
5,9
6,8
6,4
6,1
6,7
7,5
7,0
6,7
Quedas do Iguaçu
7,4
6,9
7,0
6,4
5,9
5,2
6,4
6,2
6,0
6,7
7,4
7,4
6,6
Média (AI)
7,2
6,9
7,0
6,4
6,1
5,5
6,5
6,2
5,9
6,7
7,3
7,2
6,6
2.2 - Geologia, recursos minerais, geomorfologia e solos
2.2.1 - Geologia
A bacia do rio Iguaçu situa-se na porção sul do Estado do Paraná e desenvolve-se no
sentido geral leste-oeste, entre os paralelos 25° 00’ / 26° 45’ de latitude sul e os
meridianos 49° 00’ / 54° 35’ de longitude oeste. Essa bacia apresenta comprimento
VII - 34
estimado de 550 km e largura razoavelmente uniforme da ordem de 120 km. A área de
drenagem tem aproximadamente 67.300 km² distribuídos ao longo de 1.100 km de
percurso do rio, desde as nascentes nas proximidades de Curitiba até a foz.
O rio Iguaçu nasce e desenvolve-se sobre terrenos pré-cambrianos ao longo de mais ou
menos 70 km, penetrando a partir daí em terrenos mesozóicos da bacia do Paraná e
percorrendo sobre estes os 480 km restantes. Quanto à rede de drenagem, integra a
bacia Platina como tributário da margem esquerda do rio Paraná.
O mapa de geologia da bacia do rio Iguaçu está apresentado no desenho nº. UHEBIMAC-FIS-022.
a)
Formações geológicas presentes na bacia do rio Iguaçu
a.1)
Terrenos pré-cambrianos
O trecho percorrido pelo rio Iguaçu sobre terrenos pré-cambrianos constitui-se de diversas
litologias consubstanciadas no grupo Açungui (Psa) – “Geologia do Brasil DNPM, 1984”.
A série Açungui introduzida por Oliveira (1927) e passada à categoria de grupo por Marini
et alii (1967), enfeixa os metassedimentos que se expõem no leste paranaense, incluindo
filitos e xistos predominantes, bem como calcários, dolomitos, rochas calcissilicáticas,
quartzitos, metaconglomerados, calcixistos, metabasitos e gnaisses. É um pacote
essencialmente metapelítico, exibindo metamorfismo em fácies xisto-verde e localmente
anfibolito, de baixa pressão/temperatura.
As avaliações de espessura da unidade geológica variam entre 10.000 m (MARINI et alii,
1967) e 3.500 m (PETRI E SUGUIO, 1969). Ao que parece, as deformações introduziram
complexidades no grupo que dificultam a definição de suas características.
As inúmeras fases tectônicas havidas incluem movimentos epirogênicos, subsidências,
transgressões e regressões marinhas, fases erosivas e deposicionais, vulcanismo e
falhamentos. A origem desses eventos estaria relacionada a uma forte tectônica
verticalista que precedeu à estruturação das grandes bacias paleozóicas brasileiras
resultando no estabelecimento de novo regime tectônico na plataforma.
O controle estrutural da drenagem estabelecida sobre os principais lineamentos pode ser
notado ao longo do rio e seus afluentes.
O relevo movimentado caracteriza-se por vales encaixados e encostas íngremes, cujos
grandes traços morfológicos são resultantes das características das rochas, submetidos
aos mecanismos morfoclimáticos que atuaram na região durante os períodos terciário e
quaternário.
No aspecto pedológico predominam solos residuais e coluviais de fertilidade natural
moderada a baixa, representados predominantemente por solos amarelos arenoargilosos.
a.1.1) Unidades litoestratigráficas
VII - 35
−
Aluviões
As áreas de aluviões, embora restritas, existem em praticamente todos os cursos d’água,
constituindo depósitos pouco espessos e em grande parte compostos por areias
quartzosas, siltes e argilas, ocorrendo localmente seixos de composição e diâmetros
variáveis.
−
Cobertura de solos
A região é recoberta por solos de origem e espessura variadas, cujas características e
modo de ocorrência resultaram de fatores litoestratigráficos, estruturais e morfoclimáticos.
Predominam solos residuais e coluviais formados pela meteorização das rochas e pelos
mecanismos de movimentação gravitacional dos seus produtos, cujos perfis típicos
consistem de uma porção superficial de solos colúvio-residuais maduros, amarelados, que
passam gradativamente ou bruscamente aos solos residuais jovens subjacentes. Sob os
solos residuais jovens encontram-se horizontes saprolíticos formados por remanescentes
de rocha, envoltos por material decomposto, representando a transição entre rocha e
solo.
−
Formação Água Clara
A Formação Água Clara, identificada por Marini et alii (1967), tem cerca de 2000 m de
calcixisos, com calcários, filitos e quatzitos associados, derivados de sedimentos de
ambiente bioermal e de águas rasas.
−
Formação Votuverava
A formação Votuverava, identificada por Bigarella e Salamuni (1969; 1958 a, b), é
constituída por metassedimentos finos em associações rítmicas (filitos, metassiltitos e
quartzitos), com intercalações de metaconglomerados, calcários e metabasitos.
−
Formação Capiru
A formação Capiru, identificada por Bigarella e Salamuni (1969; 1958 a, b), é constituída
por quartzitos, filitos, filitos grafitosos, lentes de hematita e dolomitos, estes com
estruturas estromatolíticas.
a.1.2) Aspectos estruturais
As inúmeras fases tectônicas havidas incluem movimentos epirogênicos, subsidências,
transgressões e regressões marinhas, fases erosivas e deposicionais, vulcanismo e
falhamentos. A origem desses eventos estaria relacionada a uma forte tectônica
verticalista que precedeu à estruturação das grandes bacias paleozóicas brasileiras
resultando no estabelecimento de novo regime tectônico na plataforma.
Durante a evolução geológica da região os esforços tectônicos atuantes resultaram na
modelagem estrutural da área de interesse. Esses esforços produziram feições de caráter
regional tais como arqueamentos, lineamentos, falhamentos e metamorfismo, inclusive
com desenvolvimento de mineralizações associadas.
VII - 36
Os grandes traços estruturais da região constituem-se de lineações e falhamentos
orientados nos sentidos NW e NE.
a.2)
Terrenos mesozóicos
O trecho percorrido pelo rio Iguaçu sobre os terrenos mesozóicos da bacia do Paraná
constitui-se de diversas litologias caracterizadas pela predominância de basaltos com
possíveis intercalações de arenitos interderrames e geralmente recobertos por detritos
cenozóicos. No sentido do fluxo do rio podem ser observadas as formações, ItararéAquidauana, Irati, Estrada Nova e Serra Geral.
As inúmeras fases tectônicas havidas na bacia sedimentar do Paraná incluem
movimentos epirogênicos, subsidências, transgressões e regressões marinhas, fases
erosivas e deposicionais, vulcanismo intenso e falhamentos.
O forte controle estrutural da drenagem estabelecida sobre os principais lineamentos
caracterizados por fraturas indiscriminadas com direções NE, NW e NS, pode ser notado
ao longo do rio e seus afluentes.
O relevo caracteriza-se por fases de aplainamento, pediplanação e entalhamento fluvial,
cujos grandes traços morfológicos são resultantes das características típicas dos basaltos
submetidos aos mecanismos morfoclimáticos que atuaram na região durante os períodos
terciário e quaternário.
No aspecto pedológico predominam solos residuais e coluviais de fertilidade natural
elevada, representados predominantemente por Latossolo Roxo com textura argilosa a
muito argilosa. Trata-se de solos submetidos à intensa ação antrópica caracterizada por
agricultura intensiva e criação de animais, com a conseqüente retirada da cobertura
vegetal e o manejo intermitente do solo.
a.2.1) Unidades litoestratigráficas
−
Aluviões
As áreas de aluviões, embora restritas, existem em praticamente todos os cursos d’água,
constituindo depósitos com formas típicas de planície fluvial, como ilhas aluviais, diques
marginais e barras em pontal, nas quais se encontram registros da evolução dos rios no
holoceno.
Esses sedimentos que raramente ultrapassam 3 a 4 metros são em grande parte
compostos por areias quartzosas, siltes e argilas, ocorrendo localmente seixos de
composição e diâmetros variáveis.
−
Cobertura de solos
A região é recoberta por solos de origem e espessura variadas, cujas características e
modo de ocorrência resultaram de fatores litoestratigráficos, estruturais e morfoclimáticos.
Predominam solos residuais e coluviais formados pela meteorização dos basaltos e pelos
mecanismos de movimentação gravitacional dos seus produtos, cujos perfis típicos
VII - 37
consistem de uma porção superficial de solos colúvio-residuais maduros, avermelhados,
que passam gradativamente ou bruscamente aos solos residuais jovens subjacentes. Sob
os solos residuais jovens encontram-se horizontes saprolíticos típicos, formados por
núcleos remanescentes de rocha, arredondados, envoltos por material decomposto,
representando a transição entre rocha e solo.
−
Formação Serra Geral (JKsg)
A formação Serra Geral constitui-se, predominantemente, de rochas basálticas cinzaescuro/preto, de granulação fina a afanítica, provenientes de vulcanismo de caráter
fissural.
Trata-se de lavas basálticas com aspecto maciço, uniforme, amidalóidal, vesicular,
contendo fraturas irregulares a subconchoidais, formando espessuras variáveis de
derrames, com intercalações lenticulares e diques de arenitos.
−
Rochas ácidas
As rochas vulcânicas ácidas ou intermediárias têm ocorrência limitada na área de
interesse. Entretanto, elas são comuns em extensas regiões do Estado do Paraná. Essas
rochas ocorrem quase sempre capeando áreas altas e dando origem a solos pouco
espessos e férteis.
−
Rochas basálticas
Os basaltos são rochas básicas subalcalinas e apresentam coloração escura. Essas
rochas ocorrem sob a forma de derrames tabuliformes, cujas espessuras individuais
podem variar de cerca de 5 metros até mais de 50 metros. Porém, a seqüência de
derrames pode atingir mais de 1000 metros de espessura.
−
Formação Estrada Nova (Pen)
A formação Estrada Nova foi denominada por White (1908), representando os folhelhos
que ocorrem a oeste da localidade de Minas, em Santa Catarina (RADAMBRASIL, vol.
31).
Em revisão estratigráfica procedida por Schneider et alii (1974), baseada na integração de
diversos dados existentes, a formação Estrada Nova foi delimitada em relação às
formações adjacentes.
Litologicamente, a formação consiste na sua seção inferior, de argilitos, folhelhos e siltitos
cinza a preto, com fratura concoidal, apresentando lentes e concreções calcíferas. A
estrutura sedimentar observada localmente, constitui-se da laminação paralela mal
desenvolvida. A seção superior constitui-se de alternâncias de argilitos e folhelhos cinzaescuro com siltitos e arenitos muito finos, cinza-claro. Ocorrem calcários, às vezes
oolíticos, normalmente silicificados. As estruturas sedimentares constituem-se de
laminações, microlaminações, fendas de contração, marcas ondulares e diques de
arenito. Nas camadas calcíferas estão presentes estruturas estromatolíticas.
VII - 38
A idade Permiano Superior da formação Estrada Nova foi indicada por Daemon &
Quadros (1969), com base em seu conteúdo fossilífero constituído por restos de peixes,
pelecípodos, conchostráceos e palinomorfos.
−
Formação Irati (Pi)
A formação Irati foi descrita originalmente por White (1908) e deve seu nome à localidade
homônima, no Estado do Paraná (RADAMBRASIL, vol. 31).
Durante revisão estratigráfica da bacia sedimentar do Paraná, Mühlmann et alii (1974) e
Schneider et alii (1974) consideraram a formação Irati como sendo constituída por
folhelhos e argilitos cinza-escuro, folhelhos cinza-escuro pirobetuminosos e calcários
associados.
A principal estrutura sedimentar presente nesta unidade é a laminação plano-paralela,
ocorrendo localmente laminações onduladas decorrentes do efeito da compactação sobre
as camadas menos competentes.
Sua idade permiana foi estabelecida por Mac Gregor (1908), ao descrever o réptil fóssil
Mesosaurus brasiliensis e compará-lo com fósseis semelhantes que ocorrem no Permiano
da África do Sul.
−
Formação Itararé-Aquidauana (Pcia)
A formação Itararé-Aquidaauna encontra-se descrita por vários autores. Durante a
evolução dos estudos geológicos as litologias foram divididas em duas formações:
formação Itararé e formação Aquidauana (RADAMBRASIL, vol. 31).
−
Formação Itararé
O nome Itararé foi introduzido na classificação estratigráfica da bacia do Paraná por
Oliveira (1916). Essa formação tem como área tipo a bacia do rio Itararé, do qual seu
nome deriva, onde se apresentam todas as variedades de camadas que entram em sua
constituição.
A formação Itararé apresenta grande diversidade litológica, predominando os clásticos
grossos que ocorrem em toda a seção. As variações laterais de fácies são uma das
características mais marcantes desse pacote sedimentar. Diamictitos passam
lateralmente para folhelhos várvicos, ritmitos e arenitos (NORTHFLEET, et alii, 1969).
Na definição de Schneider et alii (1974), a formação Itararé, caracteriza-se,
principalmente, por diamictitos e reflete influências glaciais nas suas condições
ambientais marinhas.
As estruturas sedimentares constituem-se de laminação plano-paralela, estratificação
plano-paralela e acanalada, estratificação cruzada acanalada, estrutura de corte e
preenchimento, estrutura do tipo cone-in-cone e estruturas de escorregamento.
VII - 39
A idade Carbonífero Superior / Permiano Inferior da formação foi estabelecida por
Daemon & Quadros (1969), baseada no estudo de palinomorfos recuperados dos
diamictitos.
−
Formação Aquidauana
Derby (1895) foi o primeiro a mencionar os arenitos da formação Aquidauana. Em seguida
Lisboa (1909) confirmou esta denominação ao realizar estudos na seqüência de arenitos
de Miranda (RADAMBRASIL, vol. 31).
Litologicamente a formação Aquidauana constitui-se de siltitos arenosos, arenitos finos a
médios e até grosseiros, lamitos arenosos e diamictitos em camadas descontínuas.
Almeida (1945 a) observou que os seixos encontrados nos sedimentos Aquidauana
mostram características glaciais típicas, como superfícies polidas e abundantemente
estriadas, seixos facetados de bordas arredondadas e pontas quebradas.
As estruturas sedimentares apresentam-se como estratificações com acamamentos
incipientes horizontais a subhorizontais e espessuras de 5 a 10 m.
A idade Carbonífero Superior da formação foi estabelecida por Daemon & Quadros, 1969
(apud SCHNEIDER et alii, 1974) baseada em estudos palinológicos.
a.2.2) Aspectos estruturais
Os derrames basálticos apresentam uma série de estruturas atectônicas importantes para
a compreensão das características geomorfológicas, da distribuição dos tipos de solos, e
das características geotécnicas e hidrogeológicas dos maciços, tanto de rochas quanto de
solos. A maior parte dessas feições resulta do modo de formação dos derrames e da sua
estrutura em camadas. Outras resultam dos fenômenos de descompressão que
acompanham a evolução da topografia. As feições significativas são representadas pelos
contatos entre derrames, pelo fraturamento colunar que divide a rocha maciça em prismas
de seção transversal variada, pelas fraturas subhorizontais no terço superior originadas
pelo modo de resfriamento diferenciado das várias camadas de um derrame, além das
fraturas subhorizontais ou pouco inclinadas que podem resultar do alívio de tensões
resultante da erosão de um vale. Essas estruturas podem ser muito extensas e
permeáveis, às vezes mostrando estriamentos do tipo “slikenside” e, por isso, chamadas
juntas-falha.
Já as estruturas tectônicas resultam dos fenômenos ocorridos durante a evolução
geológica da bacia do Paraná, a partir do Proterozóico Superior, e podem ser observadas
em fotografias aéreas e imagens de radar, além, é claro, das observações de campo.
Essas estruturas evidenciam os principais sistemas de lineamentos tectônicos
caracterizados por zonas de fraturamento subvertical e/ou falhas. Os lineamentos são às
vezes muito extensos, chegando a várias dezenas de quilômetros e podem apresentar
rejeitos verticais e direcionais variáveis entre poucos metros e dezenas de metros.
Destacam-se dois sistemas de lineamentos orientados nas direções N50-70W e N50-70E,
segundo os quais ocorrem falhas importantes. Esses lineamentos têm importância
fundamental no desenvolvimento das formas de relevo, pois os rios têm seus cursos
VII - 40
claramente guiados pelos mesmos e, também, na circulação da água subterrânea que é
em grande parte controlada por essas estruturas.
b) Principais ocorrências minerais de interesse econômico
Na área da bacia do rio Iguaçu as principais ocorrências minerais constituem-se de
areias, argilas, basalto, água mineral, cobre, ouro e rochas ornamentais.
2.2.2 - Geomorfologia
O Estado do Paraná é generalizadamente dividido em três grandes domínios
morfoestruturais, denominados primeiro, segundo e terceiro planaltos. As diferenciações
geomorfológicas que marcam cada um dos três planaltos se referem às diferentes
estruturas geológicas, presentes em cada um. As separações entre estes planaltos são
marcantes, apresentando escarpas voltadas para leste.
O primeiro planalto paranaense é formado pelo reverso da Serra do Mar, tendo o
complexo cristalino por embasamento rochoso. Desenvolve-se como uma superfície de
altitudes médias de 800 a 950 metros. No Paraná é limitado a leste pela Serra do Mar e a
oeste pela Escarpa Devoniana. Esta formada por rochas desta idade (período geológico)
e exposta pelo soerguimento ocorrido no Terciário.
O segundo planalto pode ser entendido como um patamar intermediário entre os grandes
planaltos paranaenses, limitado a leste pela escarpa Devoniana e a oeste pela escarpa
arenito-basáltica chamada Serra Geral ou Serra da Esperança. É constituído por rochas
sedimentares paleozóicas (principalmente arenitos, siltitos e folhelhos) e apresenta relevo
de formas ligeiramente tabulares, com aprofundamento de drenagem cada vez maior para
oeste, onde perde altitude. A leste, sobre as formações Devonianas, o segundo planalto
alcança altitudes de 1100 a 1200 metros inclinando-se suavemente para oeste a altitudes
médias de 700 a 800 metros.
O terceiro planalto paranaense é embasado em rochas eruptivas básicas, capeadas a
noroeste por sedimentos mesozóicos (arenito Caiuá). Sua forma geral é a de um grande
plano inclinado para oeste, limitando-se a leste pela Serra da Esperança, onde atinge
altitudes de 1100 a 1250 metros, e descendo, a oeste, a 300 metros, no vale do rio
Paraná. O aspecto dominante é o de uma série de patamares, originados da sucessão
dos derrames basálticos, da erosão diferencial e do desnível de blocos falhados. Os rios
são, em sua maior parte, orientados por falhas ou fraturas, tendo esculpido na região,
vales abertos, formando "lageados" com corredeiras, saltos e cachoeiras, e por vezes
fechados, formando "canyons".
Os principais critérios para o estudo dos sistemas de relevo são: amplitude local das
formas, ou seja, altura entre o topo e os vales adjacentes; declividade das encostas;
extensão e forma dos topos; expressão de cada unidade em área; densidade e padrão de
drenagem.
Em seu trecho inicial, a montante, a bacia apresenta um tipo de relevo denominado como
VII - 41
colinas médias, constituído por interflúvios inferiores a 4 km2, topos extensos e aplainados
e vertentes suavemente convexas, desenvolvido sobre rochas cristalinas. A drenagem
dessa unidade de relevo apresenta planícies aluviais restritas. Ocorrem nessa área,
entretanto, planícies aluviais mais largas e extensas, em função da presença do próprio
rio Iguaçu e alguns de seus afluentes, que transportam grande volume de sedimentos.
Esses sedimentos são depositados no local, em virtude da fraca declividade dessa
superfície, formando planícies fluviais apenas ao longo dos principais cursos de água.
Na escarpa Mesozóica, ou Serra da Esperança, que divide o segundo do terceiro planalto
paranaense, o relevo vai se tornando mais movimentado. Já no terceiro planalto
paranaense, aparece grande compartimento de relevo formado por rochas efusivas
básicas da formação Serra Geral. A superfície apresenta caimento para oeste, em direção
à calha do rio Paraná. De um modo geral pode-se dizer que o relevo nesse planalto
apresenta aspecto suave ondulado em quase toda sua extensão. As variações que são
observadas nos sistemas de relevo são devidas ao aprofundamento da rede de
drenagem.
Na maioria dos casos, os afluentes do rio Iguaçu, pela margem direita, tem seus vales
condicionados por falhas perpendiculares ao rio Iguaçu. Em razão disso, esses rios
apresentam vales profundos, em relação, ao plano geral do relevo, o mesmo ocorrendo
com seus afluentes, alterando o aspecto do relevo regional. Como exemplo desse
comportamento pode-se citar os rios Chagu, das Cobras, Guarani e Izolina.
O aspecto predominante do relevo, desde a Serra da Esperança até a base de Santa
Terezinha de Itaipu, é de suave ondulado. Essa superfície só se altera pela influência de
alguns rios que promovem o aprofundamento da drenagem e aumentam a energia do
relevo.
Os mapas de declividade e erodibilidade da bacia do rio Iguaçu estão apresentados no
desenho n.º UHEBI-MAC-FIS-022.
2.2.3 - Solos
a) Metodologia
Os estudos pedológicos foram baseados nos conceitos emanados do SiBCS - sistema
brasileiro de classificação de solos (EMBRAPA, 2005) As informações sobre
susceptibilidade a erosão foram obtidas a partir de mapas, na escala 1:5.000.000
(EMBRAPA, 1981).
Salienta-se que o levantamento de reconhecimento dos solos do Estado do Paraná, na
escala 1:600.000 (EMBRAPA, 1984), ainda na classificação antiga, serviu de base para o
mapeamento das áreas de influência direta e indireta, enquanto que, para o mapeamento
da bacia hidrográfica do rio Iguaçu, foram utilizadas as informações do mapa de solos do
Brasil, escala 1:5.000.000 (EMBRAPA-CNPS / IBGE, 2001), que já incorpora a
nomenclatura proposta pelo SiBCS.
b) Mapeamento dos solos
VII - 42
A consulta dos dados acima citados, resultou na indicação dos seguintes solos na bacia
do rio Iguaçu:
Latossolo Bruno Distrófico (LBd)
Solos constituídos por material mineral, apresentando horizonte B latossólico
imediatamente abaixo de qualquer tipo de horizonte A, dentro de 200 cm da superfície do
solo ou dentro de 300 cm, se o horizonte A apresenta mais que 150 cm de espessura. A
matiz é mais amarelo que 2,5 YR no horizonte BA ou em todo horizonte B. Suas
extensões mais expressivas encontram-se: na porção nordeste da bacia, nas nascentes
do rio Iguaçu e formando as áreas do macro entorno de Curitiba (PR); na zona central,
desde a margem direita do rio Iguaçu, até o sul de Canoinhas (SC); e, no alto curso do rio
Chopim, ao norte de Palmas (PR). Apresentam média susceptibilidade a erosão.
Latossolo Vermelho Eutrófico e Distrófico (LVe e LVd)
Solos com matiz 2,5 YR ou mais vermelho na maior parte dos primeiros 100 cm do
horizonte B. Nos distróficos a saturação por bases é baixa (V<50%) na maior parte dos
primeiros 100 cm do horizonte B; já nos eutróficos, o valor V está sempre acima de 50%.
Estão concentrados na porção oeste da bacia, em áreas que se estendem desde Pato
Branco (PR) até Laranjeiras do Sul (PR), em sentido sul-norte, e de Foz do Iguaçu (PR)
até as sub-bacias dos rios Cavernoso e Pinhão. Apresentam baixa susceptibilidade a
erosão.
Argissolo Vermelho-Amarelo Distrófico (PVAd)
Solos constituídos por material mineral, apresentando horizonte B textural com argila de
atividade baixa imediatamente sob horizonte A ou E. A coloração tem matiz 5 YR ou mais
vermelho, e mais amarelo que 2,5 YR na maior parte dos primeiros 100 cm do horizonte
B. A saturação por bases é baixa (V<50%), na maior parte dos primeiros 100 cm do
horizonte B. A maior extensão desses solos encontra-se na região centro-leste da bacia,
desde as nascentes do rio Potinga (PR), até o alto do rio Timbó (SC). Outra ocorrência
significativa está situada a nordeste, margem direita do rio Iguaçu, na sub-bacia do rio
Verde. Apresentam alta susceptibilidade a erosão.
Nitossolo Vermelho Eutrófico e Distrófico (NVe e NVd)
Solos constituídos por material mineral que apresentam horizonte B nítico, com argila de
atividade baixa imediatamente abaixo do horizonte A ou dentro dos primeiros 50 cm do
horizonte B. Nos distróficos a saturação por bases é baixa (V<50%) e elevada nos
eutróficos. A coloração tem matiz 2,5YR ou mais vermelho na maior parte dos primeiros
100 cm do horizonte B. Estes solos estão concentrados na porção oeste da bacia, em
uma grande extensão que se estende desde o sul das cidades de Cascavel (PR) e
Medianeira (PR), até a sub-bacia do rio Capanema. Apresentam média susceptibilidade a
erosão.
Nitossolo Háplico Distrófico (NXd)
Solo constituído por material mineral que apresentam horizonte B nítico, com argila de
atividade baixa sob o horizonte A ou dentro dos primeiros 50 cm do horizonte B. A
VII - 43
saturação por bases é baixa (V<50%), na maior parte dos primeiros 100 cm do horizonte
B. Na porção central da bacia formam consideráveis extensões no sentido norte-sul,
desde o leste de Guarapuava (PR), até a divisa com Santa Catarina. Apresentam média
susceptibilidade a erosão.
Cambissolo Humico Tb Distrófico (CHd)
Solo constituído por material mineral apresentando o horizonte A húmico sobre B
incipiente. A saturação por bases é baixa (V<50%) em grande parte do horizonte B. A
maior extensão deste solo encontra-se nas sub-bacias dos rios Jordão, Pinhão e da Areia,
na região central da bacia hidrográfica do rio Iguaçu, desde a cidade de Guarapuava (PR)
até próximo a Palmas (PR). Apresentam susceptibilidade a erosão muito alta.
Cambissolo Háplico Distrófico (CXd)
Solo com baixa saturação por bases (V<50%) na maior parte do horizonte B. Ocupam
uma grande extensão na porção leste da bacia, envolvendo o alto curso do rio Iguaçu, Rio
da Várzea, rio Negrinho e rio Preto, próximo a cidade de Mafra (SC). Apresentam
susceptibilidade a erosão muito alta.
Neossolo Litólico Eutrófico (RLe)
Solo com horizonte A ou O hístico com menos de 40 cm de espessura, assente
diretamente sobre a rocha ou sobre um horizonte C ou Cr, ou sobre material com 90%
(por volume) ou mais de sua massa constituída por fragmentos de rocha com diâmetro
maior que 2 mm (cascalhos, calhaus e matacões) e que apresentam um contato lítico
dentro de 50 cm da superfície do solo. A saturação por bases é alta (V>50%) em todos os
horizontes dentro de 50 cm da superfície do solo. Ocorrem em extensões significativas
nas áreas de relevo mais movimentado, principalmente nas regiões montanhosas, entre
as serras de Capanema, do Jacu e do Iratim, na porção oeste; na serra do Espigão (SC),
no centro-sul; e nas serras Moema e do Mar, na porção leste da bacia. Apresentam
susceptibilidade a erosão muito alta.
O mapa de solos da bacia hidrográfica do rio Iguaçu está apresentado no desenho nº
UHEBI-MAC-FIS-022.
O Quadro 2.12 apresenta as extensões das unidades de mapeamento de solos e suas
respectivas proporções em relação à area total da bacia.
VII - 44
Quadro 2.12
Unidades de mapeamento de área
Grupo
Áreas (Km2)
%
CAMBISSOLO HÚMICO
10.243,09
15,61
CAMBISSOLO HÁPLICO
8.927,49
13,60
LATOSSOLO BRUNO
4.774,71
7,27
LATOSSOLO VERMELHO
9.269,28
14,16
NITOSSOLO VERMELHO
9.403,28
14,32
NITOSSOLO HÁPLICO
3.229,40
4,92
ARGISSOLO VERMELHO-AMARELO
5.920,62
9,02
13.869,88
21,10
65.637,75
100,0
NEOSSOLO LITÓLICO
TOTAL
Fonte: Embrapa, 1999; cálculos efetivados pela ENGEVIX/2004.
2.3 - Recursos, hídricos qualidade e usos da água
2.3.1 - Sistema estadual de gerenciamento de recursos hídricos
A bacia do rio Iguaçu está situada ao longo de toda a região sul do Estado do Paraná,
sendo uma bacia contribuinte ao rio Paraná, no município de Foz do Iguaçu. A bacia é
composta de inúmeros corpos d’água, e pode-se citar o rio Jordão e o rio da Areia como
dois de seus mais importantes, não por seu volume, mas por seus usos para
represamento. Na Região Metropolitana de Curitiba, o rio Passaúna, o rio Piraquara e o
rio Verde também possuem sua importância vinculada ao represamento. O rio Negro é
considerado um de seus afluentes mais importantes, devido à sua proximidade com a
represa de Foz do Areia, e as suas constantes cheias. Os principais municípios situados
na bacia são pelo lado paranaense: Curitiba e sua região metropolitana, São Mateus do
Sul, União da Vitória, Guarapuava, Pato Branco, Francisco Beltrão, Foz do Iguaçu e parte
de Cascavel.
A bacia do rio Iguaçu é de importância vital para o desenvolvimento do Estado do Paraná.
Curitiba, a capital, encontra-se localizada na bacia do alto Iguaçu, e, um importante
conjunto de hidrelétricas está instalada nesta bacia. Em função desta importância
estratégica, esta bacia foi utilizada para o desenvolvimento dos estudos de
implementação do sistema de recursos hídricos do Estado do Paraná (Lei 12.726 de 26
de novembro de 1999), principalmente a região do alto Iguaçu.
O sistema estadual de gerenciamento de recursos hídricos é composto pelo Conselho
Estadual de Recursos Hídricos – CERH/PR, Secretaria de Estado do Meio Ambiente e
Recursos Hídricos – SEMA, Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos
e Saneamento Ambiental – Suderhsa, Comitês de Bacia Hidrográficas e Agências de
Bacias Hidrográficas. O Sistema tem por objetivos:
-
Coordenar a gestão integrada das águas;
-
Arbitrar administrativamente os conflitos relacionados com os recursos hídricos;
VII - 45
-
Implementar a política estadual de recursos hídricos;
-
Planejar, regular e controlar o uso, a preservação e a recuperação dos recursos
hídricos e dos ecossistemas aquáticos do estado; e
-
Promover a cobrança pelos direitos de uso de recursos hídricos.
Na Figura 2.29 a seguir apresenta-se a estrutura do sistema de gerenciamento de
recursos hídricos no Paraná.
Figura 2.29
Estrutura do sistema de gerenciamento de recursos hídricos no Paraná
A Suderhsa (Superintendência de Desenvolvimento dos Recursos Hídricos e Saneamento
Ambiental) é responsável pela formulação e execução da política estadual de recursos
hídricos e pela implementação do Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos
Hídricos. Cabe igualmente à instituição a gestão do Fundo Estadual de Recursos Hídricos
e a Secretaria Executiva do Conselho Estadual de Recursos Hídricos.
A partir da emissão do Decreto nº 1651/03 a Suderhsa passa também a exercer as
funções de agência de água, responsável pela coordenação, elaboração e implementação
do Plano Estadual de Recursos Hídricos, dos Planos de Bacias Hidrográficas e pela
cobrança da água. A Suderhsa desenvolve as atividades relativas à gestão dos recursos
hídricos tanto superficiais quanto subterrâneos do Estado do Paraná.
Os comitês de bacias hidrográficas, órgãos regionais de caráter deliberativo e normativo,
são o fórum de decisão das ações a serem implementadas na sua área de abrangência.
Os comitês, com representação do estado, municípios, sociedade civil e usuários de
recursos hídricos, analisam, propõem, debatem e aprovam o plano de bacia hidrográfica e
as proposições das agências de bacia hidrográfica, em especial, os valores a serem
cobrados pelo uso dos recursos hídricos, o plano de aplicação dos recursos disponíveis, o
rateio de custo das obras de uso múltiplo, de interesse comum ou coletivo e o
enquadramento dos cursos d'água.
Na bacia do rio Iguaçu existem atualmente dois comitês instalados, o do alto Iguaçu, e o
do rio Jordão. Existe também a solicitação de instalação do comitê do médio Iguaçu. Na
região do baixo Iguaçu, onde se encontra o empreendimento ora em licenciamento, não
existe nenhum comitê em processo de instalação.
VII - 46
O mapa da hidrografia da bacia do rio Iguaçu é apresentado no desenho nº UHEBI-MACFIS-022.
2.3.2 - Usos da água na bacia do Iguaçu
Em função de ter sido a bacia do alto Iguaçu a escolhida para os estudos relativos ao
desenvolvimento e implementação do sistema de recursos hídricos do estado do Paraná
(Lei 12.726 de 26 de novembro de 1999), esta região teve uma importante quantidade de
recursos financeiros, provenientes de empréstimos internacionais (PROSAM/BIRB).
Um dos mais importantes estudos foi o cadastro de usuários de recursos hídricos do alto
Iguaçu. O objetivo principal deste estudo foi a definição do cadastro das captações de
água bruta superficial e subterrânea e dos lançamentos de efluentes nos corpos d’água,
na ótica de definir o universo dos usuários de recursos hídricos, e subsidiar a autoridade
competente na futura cobrança pelo uso da água. Este cadastro foi elaborado durante
mais de um ano com um exaustivo trabalho de cruzamentos de bancos de dados com
visitas aos diversos estabelecimentos em campo.
O universo considerado neste estudo refere-se às atividades que possuem captação
própria em manancial superficial e/ou subterrâneo e/ou descartam suas águas residuárias
fora do sistema público coletor de esgotos. As categorias de usuários envolvidas foram
indústrias, comércio e serviços (hospitais, hotéis e motéis, restaurantes, postos de
combustível, empresas comerciais relevantes), serviços de água e esgoto (captações de
água, estações de tratamento - ETEs e RALFs), condomínios e aterros. No quadro 2.13 a
seguir apresentam-se os valores aos diversos usuários pesquisados.
Quadro 2.13
Distribuição dos usuários de recursos hídricos no
alto Iguaçu (água para abastecimento)
Vazão captada
3
(m /mês)
%
Doméstico
18.588.114
89,48
Industrial
1.842.068
8,87
Hospitais
75.513
0,36
Hotéis/Motéis
14.682
0,07
Restaurante
6.102
0,03
Tipo de Usuário
Serviços
TOTAL
Posto de Combustível
11.309
0,05
Comerciais relevantes
25.225
0,12
Condomínios
209.826
1,01
Sub-Total Serviços
342.657
1,65
20.772.839
100
Pode-se observar que a maior parte dos usuários são domésticos. É importante ressaltar
que uma indústria ou uma atividade de serviços que utilize a companhia de saneamento
para abastecimento é considerada como usuário doméstico no quadro acima.
VII - 47
Outra informação relevante, é que foram investigados usuários que possuem outorga e
usuários que não possuem outorga. No caso do setor industrial, 90% dos usuários
possuem outorga, no caso de abastecimento doméstico, praticamente 100%, e no caso
do setor de serviços cerca de 35% possuem outorga.
Na bacia do rio Iguaçu como um todo, 97,5% do abastecimento público utiliza manancial
superficial e apenas 2,5% utiliza manancial subterrâneo. No caso de atendimento com
rede de coleta de esgoto, cerca de 30% da população urbana é atendida com rede de
coleta de esgoto, e cerca de 70% não possui esgoto coletado.
O processo de outorga é um instrumento de gestão não-estrutural, que visa a
racionalização do uso de um determinado recurso e o atendimento de diretrizes de
planejamento previamente fixadas. Esta racionalização é obtida através da concessão de
“parcelas” deste recurso aos interessados, levando em consideração as disponibilidades
existentes, de forma a atender racionalmente todas as demandas. Constitui-se, portanto,
em um instrumento pelo qual o poder público, através de um órgão que possua a devida
competência legal, confere a possibilidade de uso deste recurso.
No Estado do Paraná, a outorga de direito de uso de água é concedida pela
Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental –
Suderhsa, entidade autárquica estadual, dotada de personalidade jurídica de direito
público e vinculada à Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos.
A Figura 2.30 apresenta a distribuição percentual das vazões outorgadas por atividade em
todo o Estado do Paraná.
0,3% 0,4%
6,1%
4,8%
0,7%
Abastecimento Público
0,4%
Industrial
Irrigação
Piscicultura
23,7%
Lazer
Mineração
63,4%
Serviços
Outros
Figura 2.30
Vazões outorgadas por atividade no Estado do Paraná
Observa-se que 63,4% corresponde ao abastecimento público, 23,7% à indústria, 4,8% à
irrigação, 6,1% à piscicultura, 0,3% ao lazer, 0,4% à mineração, 0,7% aos serviços, e
0,4% a outros usos.
No caso específico da bacia do rio Iguaçu, a distribuição percentual das vazões
outorgadas está representada na Figura 2.31.
VII - 48
0,04%
0,47%
1,69%
6,11%
Abastecimento Público
1,12%
Industrial
0,54%
Irrigação
Piscicultura
21,01%
Lazer
Mineração
69,03%
Serviços
Outros
Figura 2.31
Distribuição percentual das vazões outorgadas por
atividade na bacia do rio Iguaçu
Observa-se que 69,3% corresponde ao abastecimento público, 21,01% à indústria, 1,69%
à irrigação, 6,11% à piscicultura, 0,47% ao lazer, 0,04% à mineração, 1,12% aos serviços,
e 0,54% a outros usos. Pode-se observar que os principais usuários possuem um
percentual parecido com os usos totais do estado.
2.3.3 - Qualidade das águas
Sabe-se que a qualidade da água de um corpo receptor, como um rio, é resultante tanto
da atuação do homem na natureza, através do uso e da ocupação do solo em
determinada região, quanto de fenômenos naturais. Isso se deve aos seguintes fatores:
−
−
Condições naturais: mesmo com a bacia hidrográfica preservada nas suas condições
naturais, a qualidade das águas superficiais e subterrâneas é afetada pelo
escoamento superficial e pela infiltração no solo, resultantes da precipitação
atmosférica. O impacto nas mesmas é dependente do contato da água em
escoamento ou infiltração com as partículas, substâncias e impurezas no solo. Assim,
a incorporação de sólidos em suspensão (ex: partículas de solo) ou dissolvidos (ex:
íons oriundos da dissolução de rochas) ocorre, mesmo na condição em que a bacia
hidrográfica esteja totalmente preservada em suas condições naturais. Neste caso,
tem grande influência a cobertura e a composição do solo.
Interferência do homem: a interferência do homem, quer de uma forma concentrada,
como na geração de despejos domésticos ou industriais, quer de uma forma dispersa,
como na aplicação de defensivos agrícolas ou fertilizantes no solo, contribui na
introdução de compostos na água, afetando a sua qualidade. Assim, a forma em que o
homem usa e ocupa o solo tem uma implicação direta na qualidade da água.
Dessa forma é fundamental o entendimento dos tipos de uso do solo na região de
abrangência do projeto, conforme já abordado em item anterior, objetivando uma melhor
avaliação da qualidade atual das águas, e também para melhor avaliar a qualidade futura
das mesmas.
VII - 49
No trecho superior da bacia do rio Iguaçu, temos a região metropolitana de Curitiba, onde
se concentra boa parte da população do estado (quase 3.000.000 de habitantes), e da
produção industrial. No trecho do chamado médio Iguaçu, temos a predominância de
pequenos e médios municípios, com destaque para os municípios de São Mateus do Sul
e União da Vitória, e para uma pecuária de pequenos e médios produtores e a exploração
florestal. Em seguida temos a região da bacia do rio Jordão, afluente da margem direita,
com destaque para o município de Guarapuava. Nesta região temos uma agropecuária de
porte mais robusto. O trecho seguinte, onde se tem a transição do médio para o baixo
Iguaçu, predomina também uma presença de pequenos municípios com destaque para
Laranjeiras do Sul. Pela margem esquerda do Iguaçu tem-se a bacia do rio Chopim.
Nesta bacia, em seu trecho superior, os solos são utilizados predominantemente para
pastagens e criação de gado. Estas atividades alternam-se com a agricultura pouco
extensiva, às vezes mecanizada. À medida que se avança para jusante, em direção aos
municípios de Clevelândia, Pato Branco e Itapejara do Oeste, as atividades agrícolas
predominam com níveis mais altos de mecanização. Embora em menor escala, a criação
de gado também ocorre em direção à foz do Chopim. Do ponto de vista da
industrialização, a bacia do Chopim é relativamente industrializada, principalmente em
sua margem esquerda. Os municípios de Palmas, Pato Branco, Francisco Beltrão e Dois
Vizinhos são os que apresentam a maior carga poluidora potencial industrial. No trecho
final do baixo Iguaçu, tem-se um predomínio de pequenos municípios, região esta onde
se localiza o empreendimento em estudo.
O rio Iguaçu e praticamente todos os seus tributários enquadram-se na classe 2 da
resolução Conama 357/05. Neste caso, os usos a que se destinam as águas de classe 2
são:
−
ao abastecimento doméstico, após tratamento convencional;
−
à proteção das comunidades aquáticas;
−
à recreação de contato primário (esqui aquático, natação e mergulho);
−
à irrigação de hortaliças e plantas frutíferas;
−
à criação natural e/ou intensiva (aquicultura) de espécies destinadas à alimentação
humana.
No Quadro 2.14 apresentam-se alguns limites dos parâmetros para a classe 2.
Quadro 2.14
Limites de parâmetros para a classe 2.
Coliformes
Totais
NMP/100ml
Coliformes
Fecais
NMP/100ml
DBO
(mg/l)
OD
(mg/l)
P total
(mg/l)
Turbidez
(UNT)
<= 5000
<=1000
<=5
>5
<=0,025
<100
Para a bacia do rio Iguaçu, foram analisados dados coletados pela rede estações da
Suderhsa, dispostas ao longo do Iguaçu e em alguns de seus afluentes. As variáveis
VII - 50
medidas na maioria delas são: oxigênio dissolvido (OD); demanda bioquímica de oxigênio
(DBO); demanda química de oxigênio (DQO); sólidos totais; turbidez; coliformes fecais;
Nitrogênio total (Nt); Fósforo total (Pt), e a vazão (Q).
Adicionalmente tem-se o Índice da Qualidade da Água (IQA) que é determinado pelo
produtório ponderado da qualidade de água atribuído a diferentes parâmetros
considerados (OD, DBO, coliformes fecais, temperatura, pH, nitrogênio total, fósforo total,
turbidez e sólidos totais), e para isso, foram estabelecidas curvas de variação de
qualidade da água de acordo com o estado ou condição de cada parâmetro.
A seguinte fórmula é utilizada para o cálculo do IQA:
n
IQA = ∏ qiwi
i =1
onde:
IQA = índice de qualidade das águas, um número entre 0 e 100;
qi
= qualidade do i-ésimo parâmetro, um número entre 0 e 100 obtido em função da
concentração ou medida do parâmetro;
wi = peso correspondente ao i-ésimo parâmetro, atribuído em função da importância
desse parâmetro para a conformação global da qualidade, um número entre 0 e 1.
sendo "n" o número de parâmetros que entram no cálculo (n = 8).
A qualidade das águas brutas, indicada pelo IQA numa escala de 0 a 100, pode ser
classificada para o abastecimento público segundo a gradação abaixo:
de 80 a 100: qualidade ótima
de 52 a 79: qualidade boa
de 37 a 51: qualidade aceitável
de 0 a 36: qualidade ruim.
As estações analisadas foram as seguintes:
No Alto Iguaçu:
-
AI20 – ETE Sanepar. No rio Iguaçu;
-
AI25 – Balsa Nova. No rio Iguaçu;
-
AI13 – Porto Amazonas. No rio Iguaçu.
No médio e baixo Iguaçu:
-
IG03 – São Mateus do Sul. No rio Iguaçu;
VII - 51
-
IG04 – Divisa. No rio Negro;
-
IG06 – Fluviópolis. No rio Iguaçu;
-
IG07 – União da Vitória. No rio Iguaçu;
-
IG19 – Santa Clara. No rio Jordão;
-
IG09 – Salto Santiago. No rio Iguaçu;
-
IG16 – Salto Osório Jusante. No rio Iguaçu;
-
IG25 – Flor da Serra. No rio Chopim;
-
IG12 – Salto Caxias. No rio Iguaçu;
-
IG17 – São Sebastião. No rio Andrada;
-
IG13 – Ponte Capanema. No rio Capanema;
-
IG20 – Estrito do Iguaçu. No rio Iguaçu;
-
IG14 – Porto Lupion. No rio Iguaçu;
-
IG15 – Parque Nacional do Iguaçu. No rio Iguaçu.
No caso das estações do alto Iguaçu, foram escolhidas três estações. A mais a montante,
AI20, num dos trechos mais poluídos do rio Iguaçu. Uma segunda estação, AI25, localizase em Balsa Nova após o trecho urbanizado e industrializado da Região Metropolitana de
Curitiba (RMC). A terceira estação, a última do alto Iguaçu, localiza-se a cerca de 60
quilômetros de Curitiba, onde o rio já está totalmente fora da área urbana e industrial da
RMC.
Na Figura a seguir, apresenta-se uma ilustração da posição das estações localizadas no
trecho médio e baixo do Iguaçu, cujos dados foram analisados. Foi possível organizá-las
de modo a gerar resultados que acompanham o fluxo do rio Iguaçu no sentido montante
para jusante. Assim sendo, as estações foram dispostas da seguinte ordem:
VII - 52
Figura 2.32
Localização das estações de qualidade das águas no
trecho do médio e baixo Iguaçu.
a.) Análise dos dados do alto Iguaçu
a.1)
Oxigênio dissolvido (OD), demanda bioquímica de oxigênio (DBO)
A determinação do oxigênio dissolvido é de fundamental importância para avaliar as
condições naturais da água e detectar impactos ambientais como eutrofização e poluição
orgânica.
Do ponto de vista ecológico, o oxigênio dissolvido é uma variável extremamente
importante, pois é necessário para a respiração da maioria dos organismos que habitam o
meio aquático. Geralmente o oxigênio dissolvido se reduz ou desaparece, quando a água
recebe grandes quantidades de substâncias orgânicas biodegradáveis encontradas, por
exemplo, no esgoto doméstico, em certos resíduos industriais, no vinhoto, e outros.
Os resíduos orgânicos despejados nos corpos d’água são decompostos por
microorganismos que se utilizam do oxigênio na respiração. Assim, quanto maior a carga
de matéria orgânica, maior o número de microorganismos decompositores e,
conseqüentemente, maior o consumo de oxigênio. A morte de peixes em rios poluídos em
geral se deve, portanto, à ausência de oxigênio e não necessariamente à presença de
substâncias tóxicas. Por isso, uma adequada provisão de oxigênio dissolvido é essencial
para a manutenção de processos de auto-depuração em sistemas aquáticos naturais e
estações de tratamento de esgotos. Através de medição do teor de oxigênio dissolvido, os
efeitos de resíduos oxidáveis sobre águas receptoras e a eficiência do tratamento dos
esgotos, durante a oxidação bioquímica, podem ser avaliados.
Ao contrário do ar, a água possui menos oxigênio, porque o gás não é muito solúvel. Um
rio considerado limpo, em condições normais, apresenta normalmente, de 8 a 10
miligramas de oxigênio dissolvido por litro. Essa quantidade pode variar em função da
VII - 53
temperatura e pressão. Aumenta em temperaturas mais baixas, ou quando a pressão é
mais alta e vice-versa. Em águas paradas ou lentas a oxigenação também é lenta.
A DBO de uma água é a quantidade de oxigênio necessária para oxidar a matéria
orgânica biodegradável por decomposição microbiana aeróbia para uma forma inorgânica
estável, isto é, avalia a quantidade de oxigênio dissolvido, em miligramas por litro, que
será consumida pelos organismos aeróbios ao degradarem a matéria orgânica. A DBO é
normalmente considerada como a quantidade de oxigênio consumido durante um
determinado período de tempo, numa temperatura de incubação específica. Um período
de tempo de 5 dias numa temperatura de incubação de 20°C é freqüentemente usado e
referido como DBO 5,20. Os maiores aumentos em termos de DBO, num corpo d'água,
são provocados por despejos de origem predominantemente orgânica.
A presença de um alto teor de matéria orgânica pode induzir à completa extinção do
oxigênio na água, provocando o desaparecimento de peixes e outras formas de vida
aquática. Um elevado valor da DBO pode indicar um incremento da micro-flora presente e
interferir no equilíbrio da vida aquática, além de produzir sabores e odores desagradáveis,
e ainda, pode obstruir os filtros de areia utilizados nas estações de tratamento de água.
Pelo fato da DBO somente medir a quantidade de oxigênio consumido num teste
padronizado, não indica a presença de matéria não biodegradável, nem leva em
consideração o efeito tóxico ou inibidor de materiais sobre a atividade microbiana.
Foram analisadas as concentrações médias do oxigênio dissolvido e da demanda
bioquímica de oxigênio para o trecho do alto Iguaçu em questão. Na Figura 2.33 pode-se
observar que os valores de OD são muito baixos nos trechos mais poluídos do rio, com
uma média de 1,16 mg/l, atingindo muitas vezes o valor zero. Este fato mostra que o rio é
um esgoto a céu aberto. Em Balsa Nova, o valor já salta para 3,28 mg/l, considerado
ainda muito baixo, mas já mostrando uma certa recuperação em relação aos valores
críticos dos trecho de pior qualidade. Estes valores mostram que no caso do OD o rio se
encontra fora de classe. Em Porto Amazonas, na estação AI13, o valor médio dá um salto
para 8,11 mg/l (dentro da classe), mostrando a capacidade do rio de se auto-depurar.
Na Figura 2.34, os valores de DBO são de 43,8 mg/l para a estação AI20, onde o rio
encontra-se totalmente comprometido. Na estação AI25 o valor já cai para 9 mg/l, mas
ainda fora de classe. Na estação AI13, o valor médio cai para 5 mg/l, que é o limite da
classe 2.
VII - 54
9,00
8,11
8,00
7,00
OD (mg/L)
6,00
5,00
4,00
3,28
3,00
2,00
1,16
1,00
0,00
AI20 - ETE Sanepar
AI25 - Balsa Nova
AI13 - Porto Amazonas
Figura 2.33
Oxigênio dissolvido médio nas estações do alto Iguaçu
50,0
45,0
43,8
40,0
35,0
DBO (mg/L)
30,0
25,0
20,0
15,0
9,0
10,0
5,0
5,0
0,0
AI20 - ETE Sanepar
AI25 - Balsa Nova
AI13 - Porto Amazonas
Figura 2.34
Demanda bioquímica de oxigênio média nas estações do alto Iguaçu.
a.2)
Nitrogênio total e fósforo total
O nitrogênio total (amônia, nitrato, nitrito e nitrogênio orgânico), é constituinte essencial da
proteína em todos os organismos vivos e está presente em muitos depósitos minerais na
VII - 55
forma de nitrato. O nitrogênio na matéria orgânica sofre trocas do complexo protéico de
aminoácidos para amônia, nitrito e nitrato.
O nitrogênio-nitrato é a principal forma de nitrogênio encontrada nas águas.
Concentrações de nitratos superiores a 5mg/l demonstram condições sanitárias
inadequadas, pois a principal fonte de nitrogênio nitrato são dejetos humanos e animais.
Os nitratos estimulam o desenvolvimento de plantas, sendo que organismos aquáticos,
como algas, florescem na presença destes e, quando em elevadas concentrações em
lagos e represas, pode conduzir a um crescimento exagerado, processo denominado de
eutrofização.
O nitrogênio-nitrito é uma forma química do nitrogênio normalmente encontrada em
quantidades diminutas nas águas superficiais, pois o nitrito é instável na presença do
oxigênio, ocorrendo como uma forma intermediária. O íon nitrito pode ser utilizado pelas
plantas como uma fonte de nitrogênio. A presença de nitritos em água indica processos
biológicos ativos influenciados por poluição orgânica, indicando uma poluição “nova”.
O nitrogênio amoniacal (amônia) é uma substância tóxica não persistente e não
cumulativa e, sua concentração, que normalmente é baixa, não causa nenhum dano
fisiológico aos seres humanos e animais. Grandes quantidades de amônia podem causar
sufocamento de peixes.
A concentração total de nitrogênio é altamente importante considerando-se os aspectos
tópicos do corpo d'água. Em grandes quantidades o nitrogênio contribui como causa da
metemoglobinemia infantil (síndrome do bebê azul).
O fósforo é originado naturalmente da dissolução de compostos do solo e da
decomposição da matéria orgânica. A origem antropogênica é oriunda dos despejos
domésticos e industriais, detergentes, excrementos de animais e fertilizantes. A presença
de fósforo nos corpos d´água desencadeia o desenvolvimento de algas ou outras plantas
aquáticas desagradáveis, principalmente em reservatórios ou águas paradas, podendo
conduzir ao processo de eutrofização. Sua presença limita, em grande parte das vezes, o
crescimento desses seres.
Foram analisados os valores médios para as estações estudadas, apresentados nas
Figuras 2.35 e 2.36. No caso do nitrogênio total o valor para a estação AI20 foi de 10,6
mg/l caindo para 3,82 mg/l na estação AI25 e 2,64 mg/l na estação AI13 em Porto
Amazonas. No caso do fósforo total o valor para a estação AI20 foi de 1,18 mg/l caindo
para 0,43 mg/l na estação AI25 e 0,158 mg/l na estação AI13 em Porto Amazonas.
Embora os valores decresçam rio abaixo, todos se encontram fora de classe.
VII - 56
12,0
10,6
10,0
Nitrogênio Total (mg/L)
8,0
6,0
3,8
4,0
2,6
2,0
0,0
AI20 - ETE Sanepar
AI25 - Balsa Nova
AI13 - Porto Amazonas
Figura 2.35
Nitrogênio total nas estações do alto Iguaçu.
1,40
1,18
1,20
FósforoTotal (mg/L)
1,00
0,80
0,60
0,43
0,40
0,20
0,16
0,00
AI20 - ETE Sanepar
AI25 - Balsa Nova
AI13 - Porto Amazonas
Figura 2.36
Fósforo total nas estações do alto Iguaçu.
a.3)
Coliformes fecais
As bactérias do grupo coliforme são consideradas os principais indicadores de
contaminação fecal. O grupo coliforme é formado por um número de bactérias que inclui
os gêneros Klebsiella, Escherichia, Serratia, Erwenia e Enterobactéria. Todas as bactérias
coliformes são gran-negativas manchadas, de hastes não esporuladas que estão
VII - 57
associadas com as fezes de animais de sangue quente e com o solo. O uso da bactéria
coliforme fecal para indicar poluição sanitária mostra-se mais significativo que o uso da
bactéria coliforme "total", porque as bactérias fecais estão restritas ao trato intestinal de
animais de sangue quente. As principais razões para a utilização deste indicador se deve
ao fato de que os coliformes apresentam-se em grande quantidade nas fezes humanas,
pois cada indivíduo elimina em média 100 bilhões de células por dia, e 1/3 a 1/5 do peso
seco das fezes é constituída por bactérias. Devido ao alto teor de coliformes fecais, o
corpo hídrico pode apresentar os seguintes problemas: presença de outros organismos,
como bactérias e vírus; aumento da probabilidade de ocorrência de doenças veiculadas
pela água, tais como cólera, febre tifóide, hepatite, disfunções estomacais, diarréia, entre
outras; além disso o rio pode apresentar odor.
No caso dos coliformes fecais, os valores são muito elevados para a estação AI20,
estando os valores 100% do tempo fora de classe. Na estação AI25, as análises mostram
que em 86% do tempo o rio está fora de classe, e na estação AI13 tem-se 52% dos
valores fora de classe. Neste caso também se observa uma recuperação rio abaixo.
Pode-se entretanto concluir que no caso de coliformes, a qualidade das águas no trecho
da bacia do alto Iguaçu, já se encontra bastante comprometida. Certamente isso é reflexo
do baixo índice de atendimento com coleta e tratamento de esgoto na bacia em estudo, e
também dos currais e pocilgas presentes nas propriedades rurais da bacia. Estudos têm
demonstrado que muitas vezes a ocorrência de chuvas incrementam as concentrações de
coliformes, em função do carreamento que ocorre para os rios dos esgotos presentes nas
valas negras, nos currais, pocilgas, e até mesmo nos pastos e nas ruas das cidades.
a.2)
Índice da Qualidade da Água – IQA
Para o IQA, têm-se os valores médios de 26 para a estação AI20, indicando qualidade da
água ruim; 46 para a estação AI25, indicando qualidade da água aceitável; e 64 para a
estação AI13,indicando qualidade da água boa.
b) Análise dos dados do médio e baixo Iguaçu
b.1) Oxigênio Dissolvido (OD), Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) e Demanda
Química de Oxigênio (DQO)
Demanda Química de Oxigênio (DQO) é a quantidade de oxigênio necessária para
oxidação da matéria orgânica através de um agente químico. Os valores da DQO
normalmente são maiores que os da DBO, sendo o teste realizado num prazo menor e
em primeiro lugar, servindo os resultados de orientação para o teste da DBO. O aumento
da concentração de DQO num corpo d'água se deve principalmente a despejos de origem
industrial.
A Figura 2.37 para o oxigênio dissolvido, mostra que há um aumento deste índice ao
longo do rio Iguaçu, e que em nenhuma das estações ele chega a ficar inferior ao limite
da classe, que é de 5 mg/l. Também se pode observar que o OD é levemente crescente
rio abaixo, indicando uma lenta recuperação.
Analisando a demanda química de oxigênio, inicialmente tem-se um decréscimo deste
índice rio abaixo, entretanto observa-se que o menor valor de DQO está na estação de
VII - 58
Salto Osório jusante. O valor é incrementado devido a contribuição do rio Chopim, e
mantém-se num patamar estável com a entrada do rio Capanema e Andrada, voltando a
cair levemente em direção ao Parque Nacional.
O gráfico da DBO tem um comportamento suave, variando pouco ao longo da bacia
hidrográfica, mas assim como a DQO, os valores registrados no trecho superior do Iguaçu
são maiores que o do baixo Iguaçu, sempre, entretanto, oscilando bem abaixo do limite da
classe.
12,00
9,62
10,00
8,65
OD (mg/L)
8,00
7,84
7,46
7,18
8,54
8,21
8,67
9,03
8,79
8,55
8,92
8,81
7,32
6,00
4,00
2,00
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a
0,00
ESTAÇÃO
Figura 2.37
Oxigênio dissolvido nas estações da bacia do médio e baixo Iguaçu
VII - 59
16,0
DBO
14,0
12,0
DBO : DQO (mg/L)
DQO
13,7
11,4
10,0
8,7
8,5
8,0
6,8
6,6
6,0
6,0
4,5
5,8
6,0
5,1
4,8
4,5
4,0
2,2
2,1
1,9
2,0
1,7
1,72,0
1,8
1,5
1,7
1,6
1,5
1,8
1,5
1,6
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ESTAÇÃO
Figura 2.38
DBO e DQO nas estações da bacia do médio e baixo Iguaçu - Sólidos totais e
turbidez
Os sólidos totais são medidos pela massa total dos sólidos em suspensão grosseira,
coloidal e dissolvidos presente na amostra.
A turbidez é um parâmetro que é afetado pelas frações de matéria orgânica ou inorgânica
com dimensões inferiores a 0,65 µm que estão em suspensão na água provocam a
absorção e a difusão da luz. O fenômeno está diretamente relacionado com o aporte de
material sólido para a água, principalmente pela erosão hídrica, interferindo diretamente
na qualidade da água. A turbidez causada pelo excesso de argila ou matéria orgânica nas
águas dos rios promove os seguintes efeitos: decréscimo na fotossíntese; formação de
agregados (complexos) com material tóxico e metais pesados (caso estes estejam
presentes) e aumento da temperatura da água.
Com o efeito da elevada turbidez ocorre um declínio da diversidade de organismos
aquáticos em virtude da menor penetração de luz no rio, causando um decréscimo na
fotossíntese líquida (principalmente das algas). Os organismos bentônicos podem ser
destruídos, pois diminui o oxigênio dissolvido, principalmente com o aumento da
temperatura. Logo, a turbidez pode influenciar nas comunidades biológicas aquáticas.
Além disso, afeta adversamente os usos doméstico, industrial e recreacional das águas.
Em rios que drenam áreas de solos predominantemente argilosos, os estudos têm
demonstrado existir uma importante correlação entre a turbidez da água e a concentração
de sólidos totais em suspensão, o que é o caso da bacia em análise.
VII - 60
Como há a correlação mencionada anteriormente, o comportamento destes índices, ao
longo do rio, são muito similares. Pode-se inicialmente observar um decréscimo dos
parâmetros. Entretanto há um crescimento da entrada do rio Chopim, inclusive dos
afluentes Capanema e Andrada. Este fato deve estar associado à crescente mecanização
agrícola rio abaixo. Deve-se, entretanto, estar atento ao fato de que os valores estão bem
abaixo do limite da classe.
140
Turbidez
Sólidos Totais
120
115
108
106
98
Sól. Tot (mg/L) : Turb (NTU)
100
87
84
81
80
67
66
83
71
62
59
60
42
40
29
27
22
21
23
18
16
20
12
8
7
17
12
13
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0
ESTAÇÃO
Figura 2.39
Sólidos totais e turbidez nas estações da bacia do médio e baixo Iguaçu
b.3)
Nitrogênio total e fósforo total
Os valores para os parâmetros fósforo total e nitrogênio total também decrescem do
trecho superior até a região da estação de Salto Santiago. A partir de Salto Osório, da
mesma forma que ocorreu com a turbidez e com os sólidos totais, houve um crescimento
nas concentrações de nutrientes, se estabilizando num patamar mais elevado. Este fato
tem alta probabilidade de estar associado a um incremento na agropecuária. Os valores
para fósforo total quase sempre estão fora de classe.
Deve-se ressaltar ser esta situação bastante comum nas águas de todos os rios
brasileiros, isto é, considerando-se o parâmetro fósforo total, na maior parte das vezes os
corpos d’água encontram-se fora de classe, mesmo que para quase todos os outros
parâmetros estejam enquadrados. Também se deve ressaltar que tal fato pode estar
relacionado ao limite muito rigoroso de fósforo total adotado na legislação brasileira, limite
este “importado” da legislação de países temperados, e aplicado indiscriminadamente
para águas correntes a lagos. Atualmente a Resolução Conama 357/2005 vem passando
por um processo de revisão. Há um consenso atualmente entre os especialistas, que seja
feita uma revisão dos limites presentes na resolução levando-se em conta o fato dos
VII - 61
ambientes aquáticos tropicais apresentarem uma capacidade assimiladora de fósforo
bastante superior àquela encontrada em climas temperados.
1,40
1,33
Nitrog. Total
Fosf. Total
Fósforo Total (mg/L); Nitrogênio Total (mg/L)
1,20
1,00
1,00
0,93
0,88
0,80
0,80
0,75
0,73
0,60
0,49
0,65
0,65
0,62
0,59
0,48
0,44
0,40
0,20
0,119
0,076
0,071
0,055
0,052
0,022
0,058
0,021
0,057
0,050
0,047
0,052
0,031
0,030
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0,00
ESTAÇÃO
Figura 2.40
Fósforo e nitrogênio total nas estações da bacia do rio Iguaçu
a.4)
Índice da Qualidade da Água
Para o IQA, tem-se os valores médios oscilando entre 70 e 80, indicando qualidade da
água boa.
c) Coliformes fecais
No caso de coliformes fecais, apresenta-se na Figura a seguir a porcentagem do tempo
em que o rio ficou fora de classe nas campanhas. Observa-se que no início a qualidade
melhora, com o rio ficando cada vez mais tempo nas classes. Entretanto, quando o rio
corta cidades como União da Vitória, volta a aumentar a porcentagem do tempo em que o
rio fica fora de classe. No caso do rio Jordão este drena os efluentes de Guarapuava.
Tem-se em seguida a entrada de afluentes importantes que drenam regiões onde os
municípios não tratam os esgotos, como o caso dos rios Chopim, Andrada e Capanema.
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15
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31,40
34,60
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45,00
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IG
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74
IG
03
% do tempo fora de classe para Coliformes Fecais
-S
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IQA
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IG
IG
03
VII - 62
100
76
79
60
40
20
0
ESTAÇÃO
Figura 2.41
Índice da qualidade da água nas estações da bacia do médio e baixo Iguaçu
40,00
42,50
29,00
33,00
25,00
25,60
20,00
15,30
17,90
8,80
5,00
0,00
Figura 2.42
Porcentagem do tempo em que o rio fica fora de classe para coliformes fecais
VII - 63
2.3.4 - Qualidade da água nos reservatórios
A seguir apresentam-se algumas informações referentes à qualidade das águas dos
reservatórios do rio Iguaçu. Estes dados fazem parte do monitoramento regular que o
Instituto Tecnológico Lactec realiza nestes corpos d´água. Deve-se ressaltar que os
valores dos parâmetros encontram-se sempre dentro da faixa apresentada nas estações
da Suderhsa.
a) Reservatório da usina hidrelétrica de Salto Caxias
Quadro 2.15
Localidade das estações na UHE de Salto Caxias
Distância à
Local
Barragem (km)
Rio Iguaçu – jusante a barragem
1,5
Reservatório de Salto Caxias – barragem
1,5
Braço do Reservatório (Rio Tormenta)
30
Braço do Reservatório (Rio Adelaide)
36
Braço do Reservatório (Rio Jaracatiá)
54
Rio Iguaçu – jusante de Salto Osório
92
DBO
10,0
DBO (mg/L)
8,0
6,0
4,0
2,0
N
TE
AT
I
AC
M
O
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NT
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0,0
ESTAÇÕES
Variação
Média
Figura 2.43
DBO na UHE de Salto Caxias
VII - 64
A
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12,0
10,0
8,0
6,0
4,0
2,0
0,0
NT
E
OD (mg/L)
OXIGÊNIO DISSOLVIDO
ESTAÇÕES
Variação
Média
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150,0
125,0
100,0
75,0
50,0
25,0
0,0
NT
E
ODsat (%)
% OD saturado
ESTAÇÕES
Variação
Média
Figura 2.44
Oxigênio dissolvido e saturado na água da UHE de Salto Caxias
VII - 65
FÓSFORO TOTAL
P (mg P/L)
0,05
0,04
0,03
0,02
0,01
O
NT
A
AT
I
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A
M
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A
G
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0,00
ESTAÇÕES
Variação
Média
NITROGÊNIO TOTAL
N (mg N/L)
2,50
2,00
1,50
1,00
0,50
M
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BA
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SA
NT
E
A
G
EM
0,00
ESTAÇÕES
Variação
Média
Figura 2.45
Fósforo e nitrogênio na água da UHE de Salto Caxias
b) Reservatório do rio Chopim.
Quadro 2.16
Localidade das estações no reservatório do rio Chopim
Local
Rio Chopin – montante a barragem
Distância à
Barragem (km)
3
Reservatório do rio Chopin – barragem
0,5
Rio Chopin – jusante a barragem
0,5
VII - 66
Oxigênio Dissolvido e DBO
10
90
8
85
7
6
80
5
4
75
ODsat (%)
OD(mg/L) : DBO(mg/L)
9
OD
DBO
% ODsat
3
2
70
1
0
65
JUSA BARR MONT JUSA BARR MONT JUSA BARR MONT
jul/99 jul/99 jul/99 jul/01 jul/01 jul/01 mar/03 mar/03 mar/03
Figura 2.46
Oxigênio dissolvido e saturado, e DBO da água no reservatório do rio Chopim
15
0,5
12
0,4
9
0,3
6
0,2
3
0,1
0
P total (mg/L)
N total (mg/L)
Fósforo e Nitrogênio
Nitrogênio
Fósforo
0
JUSA BARR MONT JUSA BARR MONT JUSA BARR MONT
jul/99 jul/99 jul/99 jul/01 jul/01 jul/01 mar/03 mar/03 mar/03
Figura 2.47
Oxigênio dissolvido e saturado, e DBO da água no reservatório do rio Chopim
VII - 67
Sólidos Totais e Turbidez
Sol Tot (mg/L) : Turb (NTU)
70
60
50
40
Sól. Totais
30
Turbidez
20
10
0
JUSA
jul/99
BARR MONT JUSA
jul/99
jul/99 jul/01
BARR MONT JUSA BARR MONT
jul/01
jul/01 mar/03 mar/03 mar/03
Figura 2.48
Sólidos totais e turbidez na água do reservatório do rio Chopim
c) Reservatório da Usina Hidrelétrica Segredo.
Quadro 2.17
Localidade das estações na UHE Segredo
Local
Rio Iguaçu - montante do reservatório - atracadouro
Reservatório de derivação do Jordão
Reservatório Segredo - proximidades da barragem
Rio Iguaçu - jusante da usina
OD(mg/L) : DBO(mg/L)
8
100
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
7
6
5
4
3
2
1
0
JUSA
BARR
JORD
% ODsat
Oxigênio Dissolvido e DBO
OD
DBO
ODsat
MONT
Figura 2.49
Oxigênio dissolvido e saturado, e DBO da água da UHE Segredo
VII - 68
0,8
0,035
0,7
0,03
0,6
0,025
0,5
0,02
0,4
0,015
0,3
0,2
0,01
0,1
0,005
0
P total (mg/L)
N total (mg/L)
Fósforo e Nitrogênio
Fosforo
Nitrogênio
0
JUSA
BARR
JORD
MONT
Figura 2.50
Fósforo e nitrogênio na água da UHE segredo
Sól Tot (mg/L) : Turb (NTU)
Sólidos Totais e Turbidez
60
50
40
Sól. Totais
30
Turbidez
20
10
0
JUSA
BARR
JORD
MONT
Figura 2.51
Sólidos totais e turbidez na água da UHE Segredo
2.3.5 - Hidrogeologia
A bacia do rio Iguaçu tem suas cabeceiras na Região Metropolitana de Curitiba-(RMC) e
se estende por cerca de 1100 km abrangendo uma área total de 69373 km2 até a sua foz
no rio Paraná. Do ponto de vista hidrogeológico recebe influência de quase todas as onze
unidades hidrogeológicas ocorrentes no estado do Paraná. As unidades que não
influenciam na descarga de base do rio Iguaçu são a Costeira e a Caiuá.
Dentre as demais, podemos considerar como as mais importantes a unidade PréCambriana Superior (Aqüífero Karst) e a do sistema aqüífero Guarani-SAG que contempla
os aqüíferos Botucatu e Serra Geral.
VII - 69
Deste modo de montante para a jusante a hidrogeologia da bacia do rio Iguaçu pode ser
subdividida nos seguintes compartimentos: alto, médio e baixo Iguaçu, obedecidos os
seguintes limites:
Alto Iguaçu – Compreende o trecho entre as nascentes do rio Iguaçu, representada pelos
seus principais formadores – rio Verde, Passaúna, Barigui, Belém, Atuba, Palmital e Iraí
até a foz do rio dos Papagaios, no limite dos municípios de Balsa Nova e Porto
Amazonas.
Médio Iguaçu – Compreende o trecho entre a foz do rio dos Papagaios e a foz do rio
Jordão.
Baixo Iguaçu – Compreende o trecho entre a foz do rio Jordão e a foz do Iguaçu, em cuja
área de abrangência encontra-se a área de influência indireta e direta do
empreendimento.
O mapa das unidades hidrogeológicas da bacia do rio Iguaçu é apresentado no desenho
nº UHEBI-MAC-FIS-022.
a) Compartimento do alto Iguaçu
O compartimento do alto Iguaçu compreende as unidades hidrogeológicas Pré-Cambriana
Inferior, Pré-Cambriana Superior, Paleozóica Inferior e Guabirotuba.
a.1)
Unidade Pré-Cambriana Inferior
Esta unidade compreende as rochas gnáissico-migmatíticas do Embasamento Cristalino,
nas quais o armazenamento de água subterrânea está condicionado ao maior ou menor
desenvolvimento das fraturas ou sistemas de fraturas que afetaram essas rochas.
Levantamentos de campo e estudos fotogeológicos revelam que os sistemas de fraturas
dominantes na área da região metropolitana de Curitiba (RMC) estão dispostos nas
direções preferenciais N30º-50ºW, N40º-60ºE e N-S.
O aqüífero cristalino fraturado, encontra-se coberto por um manto de intemperismo de
espessura variável - em geral entre 5 e 20 m - que lhe confere, localmente, características
confinantes ou semi-confinantes, favorecendo por outro lado condições para uma recarga
contínua do sistema através da drenagem vertical descendente.
Apesar dessas condições, o aqüífero cristalino, por sua própria natureza, não oferece
condições de armazenamento de volumes consideráveis de água subterrânea, muito
embora, em situações especiais - com zonas de fraturas desenvolvidas e abertas - seja
possível obter-se poços com vazões excepcionais da ordem de 100 m3/h.
Observa-se que, em cerca de 70% dos poços perfurados no cristalino na RMC, as
entradas de água se localizam entre 50 e 200 m de profundidade e que em somente 10%
estão compreendidas entre 200 e 300 m.
No universo de cerca de 700 poços cadastrados no banco de dados hidrogeológicos da
Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental -
VII - 70
Suderhsa, estes apresentam profundidade média de 124 metros, vazão média de 8
m3/hora. Informações recentes de poços com mais de 300 metros, demonstram um
aumento da probabilidade de obtenção de água subterrânea nestas condições.
Por outro lado 58% dos poços apresentam vazões compreendidas entre 2 - 10 m3/h e
que 18% têm vazões menores do que 2 m3/h. Além disso, verifica-se ainda, que as
vazões específicas dos poços do aqüífero cristalino fraturado, apresentam valores
variáveis desde 0,14 m3/h/m até 32 m3/h/m, o que revela a grande heterogeneidade do
sistema.
Os maiores valores das vazões específicas estão relacionados com fraturamentos que
estão interconectados com o aqüífero Karst (unidade Pré-Cambriana Superior),
apresentando nítidos reflexos nas características físico-químicas das águas.
Admite-se para a área aproximada da ocorrência 7.540 km2, um potencial hidrogeológico
de 5,6 l/s/km2.
De acordo com a distribuição iônica média, as águas subterrâneas do aqüífero Cristalino
podem ser classificadas como bicarbonatadas cálcicas, apresentando 140 mg/l (ppm) de
conteúdo médio de sólidos totais dissolvidos.
a.2)
Unidade Pré-Cambriana Superior
Composta pelas rochas Metamórficas do grupo Açungui (Filitos, Quartzitos e Mármores
Calcíticos e Dolomíticos), com especial destaque para a formação Capiru onde ocorrem
os mármores (Aqüífero Karst). Associados, ocorrem os diabásios da formação Serra
Geral, rochas de idade jurássico-cretácica que seccionam todas as seqüências inferiores,
mais antigas.
O caráter diferenciador é a capacidade de dissolução apresentada pelos mármores
existentes no compartimento das rochas Metamórficas, uma vez serem os mesmos
constituídos essencialmente de carbonatos de cálcio e magnésio.
Os processos de dissolução ampliam extraordinariamente o volume de vazios,
originalmente apresentado pelos fraturamentos existentes nos mármores, incrementando
concomitantemente a capacidade de armazenamento subterrâneo.
Desta forma, a alimentação da descarga de base da drenagem de superfície, bem como o
potencial do aqüífero nesta unidade, apresenta valores significativamente superiores dos
verificados na drenagem da unidade do embasamento Cristalino, justificando assim o seu
grande potencial quanto à disponibilidade de recursos hídricos subterrâneos.
Os poços perfurados nas rochas metamórficas, especialmente no aqüífero Karst, podem
obter vazões da ordem de até 1.000 m3/hora, dependendo do diâmetro e das
interferências geotécnicas do seu entorno.
Os valores da descarga de base por área de bacia (Q10-7)/km2, na unidade do complexo
Pré-Cambriana Inferior giram em torno de 4 l/s/km2, enquanto que para a unidade PréCambriana Superior são verificados freqüentemente descargas com valores acima de 10
l/s/km2.
VII - 71
Atualmente são explorados em torno de 1,0 m3/s do aqüífero Karst, abastecendo os
municípios de Almirante Tamandaré, Bocaiúva do Sul, Campo Largo, Campo Magro,
Colombo, Itaperuçu e Rio Branco do Sul.
Admite-se para a área total aproximada da ocorrência - 5.740 km2, um potencial
hidrogeológico de 8,9 l/s/km2.
De acordo com o banco de dados hidrogeológicos da Suderhsa, existem cerca de 115
poços perfurados na área de ocorrência do aqüífero Karst, apresentando vazão média
superior a 70 m3/hora e profundidade média de 55 m.
O aqüífero, quando submetido a condições de super exploração pode determinar
condições de instabilidade geotécnica locais, em decorrência dos rebaixamentos
acentuados dos níveis dinâmicos e/ou remoção do material de preenchimento de dolinas.
Do ponto de vista físico-químico as águas típicas provenientes do aqüífero Karst, no
Estado do Paraná podem ser classificadas como bicarbonatadas calco-magnesianas, com
amplo predomínio do cálcio e do magnésio sobre o sódio e com ph em torno da
neutralidade até algo alcalino.
No que se refere ao conteúdo de sólidos totais dissolvidos (STD), apresentam valores
entre 100 e 350 ppm, com um valor médio de 180 ppm.
a.3)
Unidade Guabirotuba
Constituída por uma seqüência de sedimentos
discordantemente sobre o embasamento Cristalino.
quaternários
que
repousam
Os sedimentos da bacia de Curitiba, excetuando-se os depósitos aluvionares recentes,
constituem a formação Guabirotuba. Tratam-se predominantemente de sedimentos
pelíticos, situados em sua maior parte na seqüência de topo, ocorrendo localmente lentes
de areias arcoseanas, geralmente na sua porção basal.
A área de abrangência da formação Guabirotuba é de 900 km2, em sua maior parte na
cidade de Curitiba, estendendo-se também para os demais municípios da RMC. As
espessuras máximas dos depósitos são da ordem de 60 a 80 m na porção central da
bacia de Curitiba.
A área onde é mais notável a ocorrência de areias arcoseanas está localizada na região
nordeste da cidade de Curitiba, nas proximidades do parque de exposição Castelo
Branco, no município de Pinhais - PR, na sub-bacia do rio Iraí.
Trata-se de um aqüífero do tipo primário, cujo armazenamento e fluxo da água estão
associados à porosidade natural das lentes de areias arcoseanas. Do ponto de vista
hidráulico, pode apresentar caráter livre, semi-confinado a confinado.
A produtividade média por poço é de 2 l/s ou 7,2 m3/h.
A água do aqüífero Guabirotuba pode ser classificada como do tipo bicarbonatada calcosódica, sendo tanto maior o grau de mineralização, quanto maior o grau de confinamento
VII - 72
das areias arcoseanas pela cobertura argilosa. Os teores de STD (sólidos totais
dissolvidos) variam de um máximo de 180 mg/l a um mínimo de 40 mg/l, apresentando
como valor médio 60 mg/l. Observam-se, localmente, teores anômalos de Fe e Mn, de 05,
a 5 mg/l, respectivamente. Estes teores, supõe-se, estão associados às argilas orgânicas
que ocorrem intercaladas aos níveis de areias arcoseanas.
No que se refere a qualidade em relação ao uso, as águas raramente apresentam
restrições para fins industriais e, via de regra, não necessitam de tratamentos para
abastecimento doméstico.
O grau de vulnerabilidade do aqüífero quanto à contaminação orgânica é baixo em razão
de estar, na maior parte de sua extensão, capeado por cobertura argilosa, o que permite a
ação dos processos de depuração dos eventuais efluentes lançados na superfície do
terreno.
a.4)
Paleozóica Inferior
Abrange as litologias do grupo Paraná (formações Furnas e Ponta Grossa),
compreendendo uma área total de aproximadamente 7150 km2, representadas
principalmente por siltitos, folhelhos e arenitos, estes últimos da formação Furnas e que
representam o maior potencial aqüífero da área. Admite-se um potencial hidrogeológico
de 3,6 l/s/ km2 para esta unidade.
Os cerca de 110 poços tubulares cadastrados no banco de dados hidrogeológicos da
Suderhsa apresentam profundidade média 202 metros e vazão média de 20 m3/hora.
De acordo com a distribuição iônica média, admite-se classificar as águas subterrâneas
da unidade Paleozóica Inferior como sendo bicarbonatadas sódicas, apresentando média
de 177 ppm (mg/l) de sólidos totais dissolvidos. Em situações em que predominam
contribuições da formação Ponta Grossa podem apresentar conteúdo maior de íon
sulfato.
b) Compartimento do médio Iguaçu
O compartimento do médio Iguaçu compreende as unidades hidrogeológicas Paleozóica
Média-Superior, Paleozóica Superior, Guarani e Serra Geral Sul.
b.1)
Paleozóica Média-Superior
Compreende litologias dos grupos Itararé (formações Campo do Tenente, Mafra e Rio do
Sul) e Guatá (formação Rio Bonito e Palermo), abrangendo uma área aproximada de
17400 km2, representadas principalmente por siltitos, folhelhos, calcários, camadas de
carvão e arenitos, estes últimos da formação Rio Bonito e que representam o maior
potencial aqüífero da área. Admite-se para esta unidade um potencial hidrogeológico de
5,6 l/s/ km2.
Existem cerca de 200 poços cadastrados no banco de dados hidrogeológicos da
Suderhsa, apresentando profundidade média de 154 metros e vazão média de 12
m3/hora.
VII - 73
De acordo com a distribuição iônica média, admite-se classificar as águas subterrâneas
da unidade Paleozóica Média-Superior como sendo bicarbonatadas cálcicas,
apresentando conteúdo médio de 120 ppm (mg/l) de sólidos totais dissolvidos.
b.2)
Paleozóica Superior
Compreende rochas do grupo Passa Dois (Formações Irati, Serra Alta, Terezina e Rio do
Rasto), abrangendo uma área de aproximadamente 17.400 km2, representadas
principalmente por argilitos, folhelhos, lamitos, siltitos, calcários e arenitos e calcarenitos.
Admite-se para esta unidade um potencial hidrogeológico de 3,6 l/s/km2.
Os melhores resultados na prospecção de água subterrânea nesta unidade estão
associados às rochas da formação Serra Geral – diabásios – seja por estruturas
discordantes (diques) ou concordantes (sills), que interceptam o pacote sedimentar das
unidades Paleozóicas. Tais estruturas determinam descontinuidades provocadas pela
própria intrusão ou pelo metamorfismo de contato (altas temperaturas) com as rochas
encaixantes, além de criarem verdadeiras barreiras hidráulicas que permitem o acúmulo e
circulação de água subterrânea.
Existem cerca de 30 poços cadastrados no banco de dados hidrogeológicos da Suderhsa,
apresentando profundidade média de 142 metros e vazão média de 6 m3/hora.
De acordo com a distribuição iônica média, admite-se classificar as águas subterrâneas
da unidade Paleozóica Superior como sendo bicarbonatadas sódicas, apresentando
conteúdo médio de 243 ppm (mg/l) de sólidos totais dissolvidos.
b.3)
Guarani
Compreende o aqüífero alojado nas rochas da formação Botucatu, atualmente
denominado de aqüífero Guarani, cuja denominação é decorrente da ocupação da
referida nação indígena coincidindo com a ocorrência do aqüífero em parte do subsolo da
região do Mercosul.
A reserva é imensa, com uma área total de 1.194.800 km2. Além do Paraná, ele atravessa
outros sete estados brasileiros (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais,
São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina). Também ocorre na Argentina, Paraguai
e Uruguai. No Brasil, a área do aqüífero Guarani é de 840.000 km2, e no Estado do
Paraná, de 131.300 km2.
Trata-se de um aqüífero do tipo regional confinado, uma vez que 90% de sua área está
recoberta pelos espessos derrames de lavas basálticas da formação Serra Geral.
No compartimento do médio Iguaçu ocorrem suas áreas de recarga, as quais localizam-se
nas bordas da bacia em faixas alongadas de rochas sedimentares que afloram na
superfície. A alimentação do aqüífero se dá por dois mecanismos: infiltração direta das
águas de chuva e das drenagens superficiais nas áreas de afloramento, e infiltração
vertical ao longo de descontinuidades nas áreas de confinamento, num processo mais
lento.
VII - 74
Não ocorre portanto, descarga para a drenagem superficial neste trecho e, sim, a recarga
do aqüífero, para a qual não se tem ainda elementos suficientes para ser devidamente
medida.
O pacote arenoso que constitui o aqüífero Guarani pode apresentar espessura variando
entre poucas dezenas a 800 m desde a borda aflorante até as regiões mais centrais da
bacia do Paraná.
As áreas de recarga são regiões onde o aqüífero Guarani encontra-se mais vulnerável. O
uso inadequado das terras localizadas nessas áreas pode, portanto, comprometer a
qualidade da água.
Desta forma, existe a necessidade de cuidados especiais quanto ao manejo dessas
áreas, em particular quanto à disposição de produtos tóxicos, lixo urbano, rejeitos
industriais e aplicação de agrotóxicos no solo. A gestão sustentável do aqüífero Guarani
depende, pois, da identificação e controle das fontes de poluição em toda sua extensão,
não só nas áreas de recarga direta, como também nas de confinamento.
As águas do aqüífero, sob o ponto de vista físico-químico, são do tipo alcalinobicarbonatada-cálcicas a calco-magnesianas, com teores médios de sólidos totais
dissolvidos (STD) na faixa de 180 mg/L. Os teores são variáveis e apresentam os
menores valores nas proximidades da área de recarga, da ordem de 120 mg/l.
b.4)
Serra Geral Sul
Compreende as rochas basálticas da formação Serra Geral abrangendo uma área total de
afloramento de aproximadamente 102.000 km2, subdividida em unidade Serra Geral Norte
(aproximadamente 64.000 km2) e Serra Geral Sul (38.000 km2).
Os derrames são geralmente conhecidos como efusivas basálticas ou simplesmente
basaltos, independentemente de sua eventual variação litológica. Na porção sul e central
da bacia do Paraná as porções inferiores das suítes vulcânicas são em geral de
composição básica. Em muitos locais, no topo dos derrames é verificada a ocorrência de
rochas ácidas, não raro porfiríticas, produtos da diferenciação magmática.
A circulação e acúmulo de água subterrânea nesta unidade são determinados pelas
zonas de fraturamento e falhamentos, bem como pelas descontinuidades entre os
derrames – zonas vesículo-amigdaloidais.
No compartimento do médio Iguaçu, dada a proximidade estratigráfica com o aqüífero
Guarani, a unidade Serra Geral Sul contribui para sua recarga, via fraturas e falhas
geológicas que os conectam.
c) Compartimento do baixo Iguaçu
O compartimento do baixo Iguaçu compreende as unidades hidrogeológicas Guarani e
Serra Geral Sul. Trata-se do compartimento de maior interesse para o empreendimento,
visto que suas áreas de influência direta e indireta estão assentadas sobre esse
compartimento.
VII - 75
c.1)
Guarani
Existem cerca de 50 poços cadastrados no banco de dados hidrogeológicos da Suderhsa,
apresentando profundidade média superior a 600 metros e vazão média de 100 m3/hora.
As águas do aqüífero, sob o ponto de vista físico-químico, são do tipo alcalinabicarbonatada-sódica, com teores médios de sólidos totais dissolvidos (STD) na faixa de
600 mg/l. Os teores são variáveis e apresentam os menores valores nas proximidades da
área de recarga, da ordem de 120 mg/l e maiores nas proximidades da porção central da
bacia do Paraná, onde os valores de STD podem chegar a 1.800 mg/l e podem evoluir
para a classificação como bicarbonatas-cloro-sulfatadas-sódicas.
O incremento dos principais parâmetros (sódio, cloretos, sulfatos, fluoretos, pH,
condutividade elétrica e sólidos totais dissolvidos) está condicionado tanto ao capeamento
dos basaltos, quanto dos diques de diabásio da formação Serra Geral, os quais podem
estabelecer células de confinamento de tamanho e circulação com a superfície variável,
que no decorrer do tempo de residência vão determinar a maior salinidade daquela
porção de águas do aqüífero Guarani.
No Estado do Paraná, os poços perfurados nesse aqüífero podem apresentar grandes
vazões, da ordem de até 1.000 m3/hora. O aqüífero também apresenta características
termais, com temperatura média de 32°C, com grandes variações da borda de
afloramento até as proximidades da calha do rio Paraná onde existem registros de
temperatura superior a 50°C.
Subordinadas às condições piezométricas, ocorrem neste compartimento grandes
surgências do aqüífero Guarani, particularmente na calha principal do rio Iguaçu e dos
seus principais afluentes, desde o rio Jordão, passando pelo rio Cavernoso, Chopim,
Cascavel, Capanema e Santo Antonio.
Trata-se portanto, de importante área de descarga do referido manancial, contribuindo
certamente com o fluxo de base da bacia do rio Iguaçu. No entanto, ainda não existem
estudos que permitam detalhar qual é efetivamente esta contribuição, porém inúmeros
são os relatos de surgências hidrotermais nas referidas calhas. Além disso, existem
diversos dados dos poços do aqüífero Serra Geral que apresentam nítida contribuição do
aqüífero Guarani, porém de difícil dissociação quantitativa entre os dois aqüíferos.
c.2)
Serra Geral Sul
A unidade aqüífera de interesse para este trabalho é a Serra Geral Sul que corresponde a
uma seqüência de derrames de lavas toleíticas, intermediárias e ácidas (estas últimas em
menor proporção). Essas rochas são originárias de vulcanismo fissural formando um
conjunto de cerca de 35 derrames, atingindo uma espessura máxima de 1529 m, em
Presidente Epitácio (SP), segundo Northfleet, et al. (1969).
Os derrames basálticos da formação Serra Geral tem porosidade e permeabilidade
primária desprezíveis e constituem aqüíferos heterogêneos e anisotrópicos. Os fatores
estruturais têm importância fundamental para as propriedades aqüíferas dessa formação,
estando o armazenamento de água condicionado às zonas afetadas por fraturamento
distensional, por fraturamentos atectônicos e, aos contatos interderrames, onde ocorrem,
VII - 76
nos derrames subjacentes zonas vesiculares e no sobrejacente, zonas de intenso
diaclasamento horizontal.
Os derrames são geralmente conhecidos como efusivas basálticas ou simplesmente
basaltos, independentemente de sua eventual variação litológica. Na porção sul e central
da bacia do Paraná as porções inferiores das suítes vulcânicas são em geral de
composição básica. Em muitos locais, no topo dos derrames é verificada a ocorrência de
rochas ácidas, não raro porfiríticas, produtos da diferenciação magmática.
De acordo com o banco de dados hidrogeológicos da Suderhsa, os poços mais produtivos
estão relacionados com a unidade Serra Geral Norte, caracterizada pelos derrames mais
básicos, que determinam espessuras de solo maiores, variando de 10 a 50 metros. A
unidade Sul é caracterizada por rochas de composição ácida, apresentando espessura
média de solo muito pequena – 0 a 10 metros - e vazões menores.
No total existem cerca de 2.500 poços cadastrados no banco de dados hidrogeológicos
da Suderhsa na unidade Serra Geral Norte e 550 poços na unidade sul, apresentando
profundidade média de 120 metros e 130 metros e vazão média de 18 m3/hora e 10
m3/hora, respectivamente.
Do ponto de vista físico-químico, as águas destas unidades são muito semelhantes,
podendo ser classificadas como bicarbonatadas-sódicas, com conteúdo médio de sólidos
totais dissolvidos de 145 mg/l (ppm), apresentando pH pouco superior a 7, no entanto,
sob condições piezométricas que assim favoreçam, ocorre uma mescla com as águas do
aqüífero Guarani, determinando como maior evidência o aumento nos valores de pH,
chegando a 8,5.
3 - Área de influência direta e indireta
3.1 - Clima e condições meteorológicas
Para a análise do clima e das condições meteorológicas da área de influência direta e
indireta foi realizado um estudo mais detalhado, utilizando a série de dados históricos das
estações meteorológicas de Cascavel, Foz do Iguaçu, Nova Prata do Iguaçu e Salto
Caxias, do Instituto Tecnológico (Simepar).
3.1.1 - Cascavel
Apesar de não se localizar dentro da área de influência do empreendimento, foi realizado
o estudo das condições meteorológicas de Cascavel, uma vez que esta se localiza muito
próxima á fronteira norte da área de influência indireta, portanto com condições
meteorológicas muito similares a esta região da área de influência indireta. Foi utilizada
uma série de dados de 01 de junho de 1997 a 11 de agosto de 2004.
VII - 77
Quadro 3.1
Valores máximos, médios e mínimos de precipitação,
temperatura e velocidade do vento em Cascavel
P
(mm/dia)
T (°C)
Velocidade do vento
(m/s)
Máximo
185,4
29
9,4
Mínimo
0
1,8
1,3
Média
4,943011 20,20408
4,105207
a) Precipitação
Figura 3.1
Precipitação diária em Cascavel
A máxima precipitação diária ocorreu em de 04 de dezembro de 2000, com um valor de
185,4 mm. A precipitação média diária é de 4,94 mm.
VII - 78
180_190
170_180
160_170
150_160
140_150
130_140
120_130
110_120
100_110
90_100
80_90
70_80
60_70
50_60
40_50
30_40
20_30
10_20
100
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
0_10
Frequência (%)
Histograma de Precipitação em Cascavel
Precipitação (mm)
Figura 3.2
Histograma de precipitação em Cascavel
Quadro 3.2
Freqüência de precipitação em Cascavel
P (mm)
0_10
10_20
20_30
30_40
40_50
50_60
60_70
70_80
80_90
90_100
100_110
110_120
120_130
130_140
140_150
150_160
160_170
170_180
180_190
Freqüência (%)
86,09934
5,121294
3,273007
2,271852
1,039661
0,847131
0,616095
0,269542
0,115518
0,115518
0,038506
0,154024
0
0
0
0
0
0
0,038506
Conforme apresentado pelo histograma (Figura 3.2 e Quadro 3.2), a maioria das
precipitações (86%) ocorrem com valores até 10 mm/dia. A alta precipitação ocorrida em
04 de dezembro de 2000, com um valor de 185,4 mm, é um evento severo isolado, com
uma freqüência de 0,0385%.
VII - 79
Precipitação mensal em Cascavel
Precipitação (mm)
600
500
400
300
200
100
0
jan
fev
mar
abr
mai
jun
jul
ago
set
out
nov
dez
Meses
média
máxima
mínima
Figura 3.3
Precipitação mensal em Cascavel
Em Cascavel os meses com maior precipitação média são outubro, novembro e
dezembro. Os meses com valores de médias mais secos são março, junho, julho e
agosto, apresentando os menores valores de precipitação média, máxima e mínima.
b) Temperatura
A temperatura média diária mínima ocorreu em 13 de julho de 2000, com um valor de
1,8°C, e a máxima ocorreu em 11 de novembro de 2003, atingindo 29°C. A temperatura
média é de 20,2°C.
Figura 3.4
Temperatura média diária em Cascavel
VII - 80
Histograma de Temperatura em Cascavel
60
Frequência (%)
50
40
30
20
10
0
0_5
5_10
10_15
15_20
20_25
25_30
Temperatura (°C)
Figura 3.5
Histograma de temperatura em Cascavel
Quadro 3.3
Freqüência de temperatura em Cascavel
T (°C)
Freqüência (%)
0_5
0,19253
5_10
1,963804
10_15
10,16558
15_20
26,91567
20_25
52,06007
25_30
8,702349
O histograma de temperaturas demonstra que 52% das temperaturas médias diárias se
encontram entre 20 e 25°C, com as temperaturas muito baixas, entre 0 e 5°C possuindo
uma freqüência de apenas 0,19%. As temperaturas entre 15 e 20°C ocorrem 26,9% dos
casos, entre 10 e 15°C em 10,2% e entre 25 e 30°C em 8,7% dos casos.
VII - 81
Temperatura média diária em Cascavel
Temperatura (°C)
35
30
25
20
15
10
5
0
jan
fev
mar
abr
mai
jun
jul
ago
set
out
nov
dez
Meses
média
máxima
mínima
Figura 3.6
Temperatura média diária em função dos meses do ano em Cascavel
Os meses mais quentes em Cascavel vão de dezembro a março, com temperaturas
médias da ordem de 23°C, mínimas de até 16°C, e máximas de até 28°C. A máxima
temperatura registrada foi de 29°C, em novembro. Os meses mais frios vão de junho a
agosto, com temperaturas médias de 16 a 18°C, máximas de até 26°C e mínimas de até
1,8°C.
c) Ventos
O vento máximo ocorreu em 13 de junho de 1997, com um valor de 9,4 m/s com uma
direção de 68 graus, ou seja, do quadrante ENE.
VII - 82
Figura 3.7
Velocidade do vento médio diário em Cascavel
Histograma de velocidade do vento em Cascavel
60
Frequência (%)
50
40
30
20
10
0
0_2
2_4
4_6
6_8
Velocidade (m/s)
Figura 3.8
Histograma de velocidade do vento em Cascavel
8_10
VII - 83
Quadro 3.4
Freqüência de velocidade do vento em Cascavel
Velocidade (m/s) Freqüência (%)
0_2
1,59763
2_4
48,3432
4_6
40,71006
6_8
8,57988
8_10
0,71006
Direção do vento em Cascavel
0°
35
30
315°
45°
25
20
15
10
5
270°
0
90°
135°
225°
180°
Figura 3.9
Direção do vento em Cascavel
Quadro 3.5
Freqüência de direção do vento em Cascavel
Direção (graus) Freqüência (%)
0
0,71006
45
32,66272
90
29,05326
135
20,94674
180
12,36686
225
3,19527
270
0,94675
315
0,05917
VII - 84
Os ventos predominantes em Cascavel encontram-se entre 2 e 6 m/s, totalizando 89%
dos dias. As direções predominantes são nos quadrantes nordeste (32,6%), leste (29%) e
sudeste (20,9%).
Intensidade e direção do vento em Cascavel
0°
80
60
315°
45°
40
ventos entre 0 e 2 m/s
20
270°
ventos entre 2 e 4 m/s
0
90°
ventos entre 4 e 6 m/s
ventos entre 6 e 8 m/s
ventos entre 8 e 10 m/s
225°
135°
180°
Figura 3.10
Intensidade e direção do vento em Cascavel
Velocidade do vento em Cascavel
Velocidade (m/s)
10
8
6
4
2
0
jan
fev
mar
abr
mai
jun
jul
ago
set
out
nov
dez
Meses
média
máxima
mínima
Figura 3.11
Velocidade do vento em função dos meses do ano em Cascavel
VII - 85
Quadro 3.6
Freqüência de intensidade e direção do vento em Cascavel
Velocidade (m/s)
Direção (graus)
Freqüência (%)
0
0
0_2
45
0
90
3,7037
135
37,03704
180
37,03704
225
14,81481
270
7,40741
315
0
2_4
0
0
45
13,95349
90
34,63892
135
29,37576
180
16,27907
225
4,65116
270
0,97919
315
0,1224
0
1,30814
45
47,67442
90
26,74419
135
13,51744
180
8,28488
225
1,74419
270
0,72674
315
0
0
1,37931
45
71,03448
90
15,17241
135
6,2069
180
6,2069
225
0
270
0
315
0
4_6
6_8
8_10
0
8,33333
45
58,33333
90
8,33333
135
16,66667
180
0
225
0
270
8,33333
315
0
VII - 86
Os ventos mais fortes, entre 8 e 10 m/s, predominam no quadrante nordeste, com 58,3 %
das ocorrências, assim como os ventos de 6 a 8 m/s, com freqüência de 71 % nesta
mesma direção. Por outro lado, os ventos mais fracos predominam nos quadrantes
sudeste (37%) e sul (37%). Os ventos de 2 a 4m/s predominam nas direções leste
(34,6%) e sudeste (29,5%). Entre 4 e 6 m/s a direção predominante é nordeste, com
47,7% das ocorrências.
3.1.2 - Foz do Iguaçu
Para a análise das condições meteorológicas de Foz do Iguaçu, foi utilizada uma série de
dados de 19 de julho de 1997 a 11 de agosto de 2004.
Quadro 3.7
Valores máximos, médios e mínimos de precipitação,
temperatura e velocidade do vento em Foz do Iguaçu
P
(mm/dia)
T (°C)
Velocidade do vento
(m/s)
Máximo
176,6
31,1
5,7
Mínimo
0
4,5
0,5
Média
5,46092 22,09392
1,82354
a) Precipitação
A máxima precipitação ocorreu no dia 14 de maio de 1998, com um valor de 176,6 mm.
Outro evento severo ocorreu no dia 18 de maio de 2002, quando observou-se uma
precipitação de 174 mm. A precipitação diária média é de 5,46mm.
Figura 3.12
Precipitação diária em Foz do Iguaçu
VII - 87
170_180
160_170
150_160
140_150
130_140
120_130
110_120
100_110
90_100
80_90
70_80
60_70
50_60
40_50
30_40
20_30
10_20
100
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
0_10
Frequência (%)
Histograma de Precipitação em Foz do Iguaçu
Precipitação (mm)
Figura 3.13
Histograma de precipitação em Foz do Iguaçu
Quadro 3.8
Freqüência de precipitação em Foz do Iguaçu
P (mm) Freqüência (%)
0_10
86,19345
10_20
4,563183
20_30
3,198128
30_40
2,028081
40_50
1,326053
50_60
0,74103
60_70
0,351014
70_80
0,390016
80_90
0,273011
90_100
0,312012
100_110
0,312012
110_120
0,117005
120_130
0,078003
130_140
0
140_150
0,039002
150_160
0
160_170
0
170_180
0,078003
A maior freqüência de precipitações ocorre com valores de até 10 mm/dia, com 86,2%
das ocorrências, porém ocorrem eventos severos isolados com precipitações de até 176,6
mm/dia.
VII - 88
Precipitação mensal em Foz do Iguaçu
Precipitação (mm)
600
500
400
300
200
100
0
jan
fev
mar
abr
mai
jun
jul
ago
set
out
nov
dez
Meses
média
máxima
mínima
Figura 3.14
Precipitação mensal em Foz do Iguaçu
Em Foz do Iguaçu, os meses em média mais chuvosos vão de outubro a janeiro, com
precipitações de 197 mm/mês em janeiro a 214 mm/mês em outubro. Os meses de de
junho e julho são os menos chuvosos em média, com valores de 116 mm/mês em junho e
86 mm/mês em julho. As mínimas precipitações mensais registradas ocorreram nos
meses de março, agosto e outubro, com valores de 2,6 mm/mês, 10,6 mm/mês e 19,6
mm/mês, respectivamente. Os meses de fevereiro, março, agosto e outubro registraram
as máximas precipitações mensais ocorridas, com valores de 548 mm/mês, 500 mm/mês,
530 mm/mês e 486 mm/mês, respectivamente.
b) Temperatura
A máxima temperatura média diária registrada foi 31,1°C, no dia 27 de dezembro de 1997
e a mínima foi de 4,5°C, no dia 13 de julho de 2000. A temperatura média é de 22°C
VII - 89
Figura 3.15
Temperatura média diária em Foz do Iguaçu
Histograma de Temperatura em Foz do Iguaçu
45
Frequência (%)
40
35
30
25
20
15
10
5
0
0_5
5_10
10_15
15_20
20_25
25_30
Temperatura (°C)
Figura 3.16
Histograma de temperatura em Foz do Iguaçu
30_35
VII - 90
Quadro 3.9
Freqüência de temperatura em Foz do Iguaçu
T (°C)
0_5
5_10
10_15
15_20
20_25
25_30
30_35
Freqüência (%)
0,039002
1,209048
7,76131
19,38378
40,52262
30,69423
0,39
A temperatura média diária mais freqüente em Foz do Iguaçu ocorre entre 20 e 25°C. As
temperaturas entre 25 e 30°C e 15 e 20°C também possuem uma boa freqüência, com
valores de 30,7% e 19,4%, respectivamente. Temperaturas muito baixas, com valores
médios diários entre 0 e 5°C possuem a uma freqüência muito baixa, com apenas uma
ocorrência em toda a série de dados.
Temperatura média diária em Foz do Iguaçu
Temperatura (°C)
35
30
25
20
15
10
5
0
jan
fev
mar
abr
mai
jun
jul
ago
set
out
nov
dez
Meses
média
Figura máxima
3.17
mínima
Figura 3.17
Temperatura média diária em função dos meses do ano em Foz do Iguaçu
Os meses de janeiro a março são os meses mais quentes em Foz do Iguaçu, com
temperaturas de 26°C. Os meses de junho a agosto são os meses mais frios, com
temperaturas de 17 a 18°C. A temperatura média diária mínima foi registrada em julho,
com um valor de 4,5°C, e a máxima ocorreu em dezembro, 31°C.
c) Ventos
O vento máximo registrado foi de 5,7 m/s, no dia 11 de setembro de 2000, com uma
direção de 177 graus, ou seja, do quadrante sul.
VII - 91
Figura 3.18
Velocidade do vento média diária em Foz do Iguaçu
Histograma de velocidade do vento em Foz do Iguaçu
70
Frequência (%)
60
50
40
30
20
10
0
0_2
2_4
Velocidade (m/s)
Figura 3.19
Histograma de velocidade do vento em Foz do Iguaçu
4_6
VII - 92
Quadro 3.10
Freqüência de velocidade do vento em Foz do Iguaçu
Velocidade do vento
(m/s)
Freqüência
0_2
62,67309
2_4
36,00241
4_6
1,2643
(%)
Os ventos predominantes em Foz do Iguaçu possuem intensidade entre 0 e 2 m/s,
ocorrendo em 62,67% dos registros. Os ventos entre 2 e 4 m/s possuem um freqüência
de 36% e os ventos entre 4 e 6 m/s 1,26%.
Direção do vento em Foz do Iguaçu
0°
35
30
315°
25
45°
20
15
10
5
270°
0
225°
90°
135°
180°
Figura 3.20
Direção do vento em Foz do Iguaçu
VII - 93
Quadro 3.11
Freqüência de direção do vento em Foz do Iguaçu
Direção (graus) Freqüência (%)
0
0,36123
45
13,78688
90
34,19627
135
25,10536
180
19,86755
225
5,05719
270
1,50512
315
0,0602
Em Foz do Iguaçu, os ventos predominantes são dos quadrantes leste (34%), sudeste
(25%) e sul (20%).
Intensidade e direção do vento em Foz do Iguaçu
0°
40
315°
30
45°
20
10
270°
ventos entre 0 e 2 m/s
0
90°
ventos entre 2 e 4 m/s
ventos entre 4 e 6 m/s
225°
135°
180°
Figura 3.21
Intensidade e direção do vento em Foz do Iguaçu
VII - 94
Velocidade do vento em Foz do Iguaçu
Velocidade (m/s)
6
5
4
3
2
1
0
jan
fev
mar
abr
mai
jun
jul
ago
set
out
nov
Meses
média
máxima
mínima
Figura 3.22
Velocidade do vento em função dos meses em Foz do Iguaçu
dez
VII - 95
Quadro 3.12
Freqüência de intensidade e direção do vento em Foz do Iguaçu
Velocidade do vento
(m/s)
Direção (graus) Freqüência (%)
0_2
0
0,09606
45
7,10855
90
32,08453
135
30,25937
180
26,12872
225
4,03458
270
0,28818
315
0
0
0,83612
45
25,41806
90
38,46154
135
16,38796
180
8,69565
225
6,52174
270
3,51171
315
0,16722
0
0
45
14,28571
90
19,04762
135
19,04762
180
28,57143
225
14,28571
270
4,7619
315
0
2_4
4_6
Os ventos mais fortes, entre 4 e 6 m/s possuem uma predominância no quadrante sul
(28%). Entre 2 e 4 m/s os ventos predominam no quadrante leste, com uma freqüência de
38%. Os ventos mais fracos, entre 0 e 2 m/s, predominam nas direções leste (32%),
sudeste (30%) e sul (26%).
VII - 96
3.1.3 - Nova Prata do Iguaçu
Para a análise das condições meteorológicas em Nova Prata do Iguaçu, foi utilizada uma
série de dados de 01 de junho de 1997 a 11 de junho de 2007.
Quadro 3.13
Valores máximos, médios e mínimos de precipitação, temperatura e velocidade do
vento em Nova Prata do Iguaçu
P (mm)
T (°C)
Velocidade do vento (m/s)
Máximo
139,8
29,3
8,8
Mínimo
0
3
1,2
Desvio padrão
11,86448
4,268168
1,242453
Média
4,572293
20,31284
3,992861
a) Precipitação
A precipitação diária média em Nova Prata do Iguaçu é de 4,6 mm/dia. A máxima
precipitação registrada, no período de 01 de junho de 1997 a 11 de junho de 2007 foi de
153,6 mm, no dia 03 de dezembro de 2001.
Figura 3.23
Precipitação diária em Nova Prata do Iguaçu
VII - 97
130_140
120_130
110_120
100_110
90_100
80_90
70_80
60_70
50_60
40_50
30_40
20_30
10_20
100
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
0_10
Frequência (%)
Histograma de Precipitação em Nova Prata do Iguaçu
Precipitação (mm)
Figura 3.24
Histograma de precipitação em Nova Prata do Iguaçu
Quadro 3.14
Freqüência de precipitação em Nova Prata do Iguaçu
P (mm) Freqüência (%)
0_10
86,03569
10_20
5,624515
20_30
3,374709
30_40
1,745539
40_50
1,59038
50_60
0,853375
60_70
0,155159
70_80
0,387898
80_90
0,116369
90_100
0,03879
100_110
0,03879
110_120
0
120_130
0
130_140
0,03879
Precipitações de até 10 mm/dia são os mais freqüentes em Nova Prata do Iguaçu, com
86% das ocorrências. Eventos severos como o ocorrido em 19 de junho de 1997 possuem
uma baixa freqüência, assim como precipitações acima de 90 mm/dia.
VII - 98
Precipitação (mm)
Precipitação mensal em Nova Prata do Iguaçu
400
350
300
250
200
150
100
50
0
jan
fev
mar
abr
mai
jun
jul
ago
set
out
nov
dez
Meses
média
máxima
mínima
Figura 3.25
Precipitação mensal em Nova Prata do Iguaçu
Em Nova Prata do Iguaçu, os meses em média mais chuvosos são setembro, outubro,
janeiro e fevereiro, com precipitações entre 169 mm em janeiro, até 208 mm em outubro.
Março, julho e agosto são os meses menos chuvosos em média, com precipitações de 67
mm, 93 mm e 106 mm, respectivamente. As máximas precipitações registradas foram nos
meses de abril, maio e outubro, com valores de 375 mm, 304 mm e 301 mm,
respectivamente. As mínimas precipitações mensais ocorreram nos meses de agosto (5
mm), fevereiro (8 mm), e março (10 mm).
VII - 99
b) Temperatura
Figura 3.26
Temperatura média diária em Nova Prata do Iguaçu
A máxima temperatura registrada na série de dados, ocorreu em 16 de dezembro de
2006, com 32,9°C, e a mínima ocorreu em 06 de julho de 2000, com 3°C. A temperatura
média é de 20,3°C.
Histograma de Temperatura em Nova Prata do Iguaçu
60
Frequência (%)
50
40
30
20
10
0
0_5
5_10
10_15
15_20
20_25
Temperatura (°C)
Figura 3.27
Histograma de temperatura em Nova Prata do Iguaçu
25_30
VII - 100
Quadro 3.15
Freqüência de temperatura em Nova Prata do Iguaçu
T (°C)
Freqüência (%)
0_5
0,07758
5_10
1,861908
10_15
10,82234
15_20
27,61831
20_25
48,06051
25_30
11,24903
As temperaturas mais freqüentes ocorrem entre 20 e 25°C (48%) e 15 e 20°C (28%).
Temperaturas muito baixas, entre 0 e 5°C, são pouco freqüentes, ocorrendo apenas em
0,078% dos registros.
Temperatura média diária em Nova Prata do Iguaçu
Temperatura (°C)
35
30
25
20
15
10
5
0
jan
fev
mar
abr
mai
jun
jul
ago
set
out
nov
dez
Meses
média
máxima
mínima
Figura 3.28
Temperatura em função dos meses em Nova Prata do Iguaçu
Os meses em média mais quentes ocorrem de dezembro a março, com temperaturas de
24°C. No período de junho a agosto ocorrem as menores temperaturas, entre 16 e 17°C.
A máxima temperatura registrada foi de 29,3°C, em dezembro, e a mínima foi de 3°C em
julho.
VII - 101
c) Ventos
Figura 3.29
Velocidade do vento em Nova Prata do Iguaçu
A velocidade média do vento em Nova Prata do Iguaçu é de 4 m/s. A velocidade máxima
registrada foi de 8,8 m/s, em 31 de outubro de 1999.
Histograma de velocidade do vento em Nova Prata do
Iguaçu
Frequência (%)
60
50
40
30
20
10
0
0_2
2_4
4_6
6_8
8_10
Velocidade (m/s)
Figura 3.30
Histograma de velocidade do vento em Nova Prata do Iguaçu
VII - 102
Quadro 3.16
Freqüência de velocidade do vento em Nova Prata do Iguaçu
Velocidade do vento
(m/s)
Freqüência
0_2
1,67765
2_4
52,60635
4_6
37,80707
6_8
7,36968
8_10
0,47933
(%)
A velocidade do vento mais freqüente em Nova Prata do Iguaçu é entre 2 e 4 m/s, com
53% de freqüência, e entre 4 e 6 m/s, com 38% de freqüência.
Direção do vento em Nova Prata do
Iguaçu
0°
50
315°
40
45°
30
20
10
270°
0
225°
90°
135°
180°
Figura 3.31
Direção do vento em Nova Prata do Iguaçu
VII - 103
Quadro 3.17
Freqüência de direção do vento em Nova Prata do Iguaçu
Direção (graus) Freqüência (%)
0
0,05992
45
8,32834
90
44,93709
135
27,32175
180
10,72499
225
5,5722
270
2,99581
315
0
A direção de vento predominante é do quadrante leste, com 45% de freqüência. Ventos
do quadrante sudeste possuem 27% de freqüência e do quadrante sul, 11% de
freqüência.
Intensidade e direção do vento em Nova Prata do Iguaçu
0°
80
315°
60
45°
40
ventos entre 0 e 2 m/s
20
270°
ventos entre 2 e 4 m/s
0
90°
ventos entre 4 e 6 m/s
ventos entre 6 e 8 m/s
ventos entre 8 e 10 m/s
225°
135°
180°
Figura 3.32
Intensidade e direção do vento em Nova Prata do Iguaçu
VII - 104
Velocidade do vento em Nova Prata do Iguaçu
Velocidade (m/s)
10
8
6
4
2
0
jan
fev
mar
abr
mai
jun
jul
ago
set
out
nov
dez
Meses
média
máxima
mínima
Figura 3.33
Velocidade do vento em função dos meses em Nova Prata do Iguaçu
VII - 105
Quadro 3.18
Freqüência de intensidade e direção do vento em Nova Prata do Iguaçu
Velocidade do vento
(m/s)
0_2
Direção (graus) Freqüência (%)
0
45
90
135
180
225
270
315
0
0
10,71429
50
28,57143
10,71429
0
0
0
45
90
135
180
225
270
315
0,1139
2,05011
32,80182
38,72437
16,28702
7,28929
2,73349
0
0
45
90
135
180
225
270
315
0
12,99525
59,74643
15,21395
4,27892
4,12044
3,64501
0
0
45
90
135
180
225
270
315
0
30,0813
61,78862
4,87805
0,81301
0
2,43902
0
0
45
90
135
180
225
270
315
0
25
75
0
0
0
0
0
2_4
4_6
6_8
8_10
VII - 106
Os ventos mais fortes, entre 8 e 10 m/s, predominam no quadrante leste, em 75% dos
registros. Ventos mais fracos, entre 0 e 2 m/s, predominam no quadrante sudeste, com
50% de freqüência, assim como ventos entre 2 e 4 m/s, com 39% de freqüência. Ventos
entre 4 e 6 m/s e 6 e 8 m/s predominam no quadrante leste, com 60% e 62% de
freqüência, respectivamente.
3.1.4 - Salto Caxias
Para a análise das condições meteorológicas em Salto Caxias, foi utilizada uma série de
dados de 01 de junho de 1997 a 10 de junho de 2007.
Quadro 3.19
Valores máximos, médios e mínimos de precipitação,
temperatura e velocidade do vento em Salto Caxias
P (mm/dia)
T (°C)
Velocidade do vento
(m/s)
Máximo
116,6
29,9
6,7
Mínimo
0
3,7
1,1
Média
4,014113 21,09057
2,983952
a) Precipitação
Figura 3.34
Precipitação diária em Salto Caxias
A partir da série de dados de 01 de março de 1999 a 10 de junho de 2007, a máxima
precipitação registrada em Salto Caxias ocorreu em 28 de outubro de 2005, com um valor
de 204 mm. A precipitação média é de 4 mm/dia.
VII - 107
110_120
100_110
90_100
80_90
70_80
60_70
50_60
40_50
30_40
20_30
10_20
100
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
0_10
Frequência (%)
Histograma de Precipitação em Salto Caxias
Precipitação (mm)
Figura 3.35
Histograma de precipitação em Salto Caxias
Quadro 3.20
Freqüência de precipitação em Salto Caxias
P (mm) Freqüência (%)
0_10
87,29839
10_20
5,443548
20_30
3,377016
30_40
1,663306
40_50
1,209677
50_60
0,453629
60_70
0,302419
70_80
0,100806
80_90
0,050403
90_100
0,050403
100_110
0,050403
110_120
0,050403
As precipitações até 10 mm/dia são as mais freqüentes em Salto Caxias, com 87% de
freqüência. Precipitações cima de 80 mm/dia possuem uma freqüência muito baixa.
VII - 108
Precipitação (mm)
Precipitação mensal em Salto Caxias
400
350
300
250
200
150
100
50
0
jan
fev
mar
abr
mai
jun
jul
ago
set
out
nov
dez
Meses
média
máxima
mínima
Figura 3.36
Precipitação mensal em Salto Caxias
Os meses em média mais chuvosos são outubro, fevereiro, dezembro e janeiro, com
precipitações de 236 mm, 180 mm, 171 mm e 164 mm, respectivamente. Os meses mais
secos são julho e agosto, com 73 mm e 62 mm, respectivamente. A máxima precipitação
registrada foi de 376 mm, em fevereiro, e mínima 3 mm, em agosto
b) Temperatura
Figura 3.37
Temperatura média diária em Salto Caxias
VII - 109
A máxima temperatura registrada foi de 29,9°C, em 01 de setembro de 1999, e a mínima
foi de 3,7°C, em 13 de julho de 2000. A temperatura média é de 21°C.
Frequência (%)
Histograma de Temperatura em Salto Caxias
50
45
40
35
30
25
20
15
10
5
0
0_5
5_10
10_15
15_20
20_25
25_30
Temperatura (°C)
Figura 3.38
Histograma de temperatura média diária em Salto Caxias
Quadro 3.21
Freqüência de temperatura média diária em Salto Caxias
T (°C)
Freqüência (%)
0_5
0,1008
5_10
1,663306
10_15
8,770162
15_20
23,73992
20_25
47,53024
25_30
18,24597
A temperatura predominante em Salto Caxias é entre 20 e 25°C, com 48% de freqüência.
Temperaturas muito frias, entre 0 e 10°C, possuem uma freqüência muito baixa.
VII - 110
Temperatura média diária em Salto Caxias
Temperatura (°C)
35
30
25
20
15
10
5
0
jan
fev
mar
abr
mai
jun
jul
ago
set
out
nov
dez
Meses
média
máxima
mínima
Figura 3.39
Temperatura em função dos meses em Salto Caxias
Os meses mais quentes vão de dezembro a março, com temperatura de 24°C. O período
mais frio é durante os meses junho e julho, com temperaturas de 16 e 17 °C.
c) Vento
Figura 3.40
Velocidade do vento em Salto Caxias
O vento médio em Salto Caxias possui velocidade de 3 m/s. O maior vento registrado foi
de 8,9 m/s, no dia 08 de março de 2002, com direção ENE.
VII - 111
Histograma de velocidade do vento em Salto Caxias
80
Frequência (%)
70
60
50
40
30
20
10
0
0_2
2_4
4_6
6_8
Velocidade (m/s)
Figura 3.41
Histograma de velocidade do vento em Salto Caxias
Quadro 3.22
Freqüência de velocidade do vento em Salto Caxias
Velocidade do vento
(m/s)
Freqüência (%)
0_2
10,7507
2_4
75,44022
4_6
13,06766
6_8
0,64875
A velocidade do vento mais freqüente em Salto Caxias é entre 2 e 4 m/s, com 75% de
ocorrência nos dados registrados. Os ventos mais fortes, acima de 6 m/s, possuem uma
baixa freqüência.
VII - 112
Direção do vento em Salto Caxias
0°
50
40
315°
45°
30
20
10
270°
0
90°
225°
135°
180°
Figura 3.42
Direção do vento em Salto Caxias
Quadro 3.23
Freqüência de direção do vento em Salto Caxias
Direção (graus) Freqüência (%)
0
0,09268
45
4,26321
90
42,81742
135
30,30584
180
12,23355
225
6,30213
270
3,89249
315
0
Em Salto Caxias a direção predominante do vento é do quadrante leste. Ventos do
quadrante sudeste também possuem uma boa freqüência.
VII - 113
Intensidade e direção do vento em Salto Caxias
0°
70
60
315°
45°
50
40
30
20
ventos entre 0 e 2 m/s
10
270°
0
ventos entre 2 e 4 m/s
90°
ventos entre 4 e 6 m/s
ventos entre 6 e 8 m/s
225°
135°
180°
Figura 3.43
Intensidade e direção do vento em Salto Caxias
Velocidade (m/s)
Velocidade do vento em Salto Caxias
8
7
6
5
4
3
2
1
0
jan
fev
mar
abr
mai
jun
jul
ago
set
out
nov
Meses
média
máxima
mínima
Figura 3.44
Velocidade do vento em função dos meses em Salto Caxias
dez
VII - 114
Quadro 3.24
Freqüência de intensidade e direção do vento em Salto Caxias
Velocidade do vento
(m/s)
0_2
Direção (graus) Freqüência (%)
0
45
90
135
180
225
270
315
0,86207
0
8,62069
43,10345
27,58621
13,7931
6,03448
0
0
45
90
135
180
225
270
315
0
4,05405
42,99754
31,69533
11,54791
6,14251
3,56265
0
0
45
90
135
180
225
270
315
0
8,51064
69,50355
12,05674
4,25532
1,41844
4,25532
0
0
45
90
135
180
225
270
315
0
14,28571
57,14286
28,57143
0
0
0
0
2_4
4_6
6_8
Os ventos mais fracos, entre 0 e 2 m/s, predominam na direção sudeste. Os ventos mais
fortes, entre 6 e 8 m/s, predominam na direção leste, assim como os ventos entre 2 e 6
m/s.
VII - 115
3.2 - Geologia / recursos minerais
3.2.1 - Características gerais
Na região de interesse afloram litologias Mesozóicas constituídas por basaltos com
esporádicas intercalações de arenitos interderrames, os quais caracterizam a denominada
formação Serra Geral, unidade topo + do grupo São Bento. Sobre essas rochas
encontram-se coberturas detríticas Cenozóicas.
As inúmeras fases tectônicas havidas na bacia sedimentar do Paraná incluem
movimentos epirogênicos, subsidências, transgressões e regressões marinhas, fases
erosivas e deposicionais, vulcanismo intenso e falhamentos.
O relevo caracterizado por fases de aplanamento, pediplanação e entalhamento fluvial,
enquadra-se na unidade geomorfológica denominada altiplano basáltico Paranaense,
cujos grandes traços morfológicos são resultantes das características típicas dos basaltos
submetidos aos mecanismos morfoclimáticos que atuaram na região durante os períodos
Terciário e Quaternário.
Quanto à rede de drenagem, o rio Iguaçu integra a bacia Platina como tributário da
margem esquerda do rio Paraná. Nota-se, ao longo do rio e seus afluentes, forte controle
estrutural da drenagem estabelecida sobre os principais lineamentos caracterizados por
fraturas indiscriminadas com direções NE, NW e N.
3.2.2 - Evolução geológica
A evolução geológica da bacia do Paraná (ALMEIDA, F.F.M. de et alii, 1981) processouse entre os períodos Siluriano e Cretáceo, durante, aproximadamente, 330 milhões de
anos. No entanto, o presente estudo enfoca, apenas, os períodos Jurássico-Superior e
Cretáceo-Inferior, mais ou menos 25 milhões de anos, nos quais insere-se a formação
Serra Geral, única unidade litológica aflorante na região de interesse UHEBI-ALL-GEO004.
Conforme o projeto Radambrasil - vol. 31 e 33, (1983), ao término dos fenômenos
tectonogenéticos havidos no Proterozóico Superior, a região submeteu-se, no
Cambroordoviciano, a uma recorrência magmática caracterizada por eventos plutônicos.
A origem desses eventos estaria relacionada a uma forte tectônica verticalista que
precedeu à estruturação das grandes bacias paleozóicas brasileiras.
Na seqüência, os eventos geológicos caracterizaram-se por intensos e extensos
processos erosivos que resultaram no estabelecimento de novo regime tectônico nesta
plataforma, originando, entre várias estruturas, a grande bacia do Paraná.
Os litotipos dessa unidade geotectônica têm seus registros iniciais reportados ao
Paleozóico Inferior (Siluro-Devoniano), depositados sobre uma extensa "peneplanície"
pré-cambriana resultante de progressiva fase de aplanamento desenvolvida em vastas
áreas, após um período de quietação da plataforma brasileira.
VII - 116
Quanto ao aspecto estrutural, a evolução tectônica da bacia resultou em considerável
quantidade de diáclases e extensas falhas normais, já que não ocorreram esforços de
compressão capazes de produzir dobramentos intensos.
Depois de decorrido longo período da evolução geotectônica iniciou-se, no Jurássico
Superior - Cretáceo Inferior, o fenômeno diastrófico denominado "Reativação
Waldeniana", evento tectonovulcânico que afetou profundamente a bacia sedimentar do
Paraná e no qual ocorreram deformações tectônicas acompanhadas de extenso
vulcanismo, inundando a bacia com grandes e, por vezes, espessos derrames basálticos.
Após o período de intensa tectônica e vulcanismo a bacia sofreu rápido ciclo erosivo
aliado a movimento de subsidência, sujeitando-se, a partir do final do Cretáceo a ciclos de
dissecação e aplanamento com processos erosivo-deposicionais relacionados às
variações climáticas e interferências tectônicas, permitindo a elaboração de superfícies
pediplanadas no Terciário-Quaternário, bem como de seus depósitos correlatos
(Coberturas detrito-Lateríticas).
O mapa de geologia e recursos minerais da área de influência direta é apresentado no
desenho nº UHEBI-AID-GE0-005.
3.2.3 - Unidades litoestratigráficas
A região é recoberta por solos de origem e espessura variadas, cujas características e
modo de ocorrência resultaram de fatores litoestratigráficos, estruturais e morfoclimáticos.
Esses solos compõem as coberturas detríticas de idade Terciário-Quaternária
(RADAMBRASIL - v. 31 e 33, 1983), nas quais podem ser reconhecidos sedimentos
aluviais e solos colúvio-residuais capeando rochas vulcânicas, principalmente basaltos. O
quadro abaixo, apresenta a seqüência estratigráfica da área em estudo.
Quadro 3.25
Seqüência estratigráfica da área estudada
Idade
Grupo
Terciário/ Quaternário Jurássico/Cretáceo
São Bento
Formação
Serra Geral
Botucatu
Litologias
Sedimentos aluviais e solos colúvio-residuais
Efusivas ácidas a intermediárias
Basaltos
Não aflora na área estudada
Adaptada de: Projeto Radambrasil, 1983
a) Aluviões atuais
Os aluviões atuais, embora restritos, existem em praticamente todos os cursos d'água,
constituindo depósitos onde se identificam formas típicas de planície fluvial como ilhas
aluviais, diques marginais e barras em pontal, nas quais encontram-se registros da
evolução dos rios no holoceno.
VII - 117
Os sedimentos são, em grande parte, compostos por areias quartzosas de granulação
fina, siltes e argilas, raramente ultrapassando poucos metros de espessura e são, em
geral, bem diferenciados da cobertura de solos residuais e coluviais.
As areias constituem depósitos de barra em pontal e os pelitos, de transbordamento,
ocorrendo localmente seixos de composição e diâmetros variáveis, dependendo da
localização do depósito.
b) Solos colúvio-residuais
Predominam solos coluviais e residuais formados pela meteorização “in situ” das rochas e
pelos mecanismos de movimentação gravitacional dos seus produtos, cujos perfis típicos
consistem de uma porção superficial de solos colúvio-residuais maduros, avermelhados,
mais espessos nas regiões altas e suavemente onduladas, podendo formar acumulações
consideráveis no sopé dos terrenos mais fortemente inclinados e recobrir os terraços
suaves típicos da região. Nos terrenos mais íngremes a escarpados, os solos são menos
espessos e mais pedregosos, podendo ocorrer colúvios pedregosos e depósitos de tálus
na base das escarpas.
Os solos colúvio-residuais maduros passam, gradativamente ou bruscamente, aos solos
residuais jovens subjacentes e sob estes, encontram-se horizontes de saprolitos típicos,
formados por núcleos remanescentes de rocha, arredondados, envoltos por material
decomposto, representando a transição entre rocha e solo.
c) Rochas vulcânicas
A unidade geológica dominante na região estudada é constituída, predominantemente,
por rochas efusivas de idade Jurássico-Cretácea, agrupadas na formação Serra Geral
(MAACK, 1947). Tratam-se de rochas ácidas a intermediárias e basaltos, sobrepostos aos
arenitos da Formação Botucatu (SCHOBBENHAUS FILHO et alii, 1975a).
A formações Serra Geral (topo) e a formação Botucatu (base) compõem o Grupo São
Bento (MÜLHMANN et alii, 1974).
−
Rochas ácidas a intermediárias
As rochas vulcânicas ácidas ou intermediárias têm ocorrência limitada, quase sempre
capeando regiões topograficamente altas e dando origem a solos pouco espessos e
férteis, freqüentemente, coincidindo com zonas de campos naturais.
Essas rochas são interpretadas como diferenciações do magma original ou modificações
do mesmo por assimilação de materiais mais superficiais. Porém, existem dúvidas quanto
sua gênese e posicionamento na seqüência estratigráfica, pois em alguns locais elas na
verdade são recobertas por derrames básicos mais recentes.
A espessura dos derrames ácidos pode ser considerável, ocorrendo neles variedades
tanto porfiríticas quanto maciças representadas por dacitos e riolitos sob forma tabular.
Sua coloração cinza-claro a cinza-médio, juntamente com outras peculiaridades como a
VII - 118
predominância dos tipos maciços, modo de fraturamento, alteração superficial, tipo de
regolito derivado e características geomorfológicas, os distingue facilmente dos basaltos.
−
Rochas basálticas
Os basaltos são rochas básicas subalcalinas que, nas variedades maciças, apresentam
coloração cinza-escuro a preto-acinzentado. Mineralogicamente são compostas
essencialmente por plagioclásios cálcicos com proporção menor de piroxênios e
porcentagem variável de minerais acessórios como titano-magnetita, apatita, olivina,
quartzo e outros.
Nas variedades mais grosseiras, os minerais formam cristais visíveis a olho nu, enquanto
nas variedades afaníticas uma proporção substancial é constituída por matéria vítrea.
Na seqüência efusiva da formação Serra Geral os basaltos compreendem 75% ou mais
da espessura total da unidade, na qual se reconhecem basaltos toleíticos, quartzo
basaltos e, localizadamente, rochas de caráter andesítico.
As exposições das rochas basálticas apresentam cores escuras, mas quando alteradas
superficialmente adquirem coloração amarelada, com amígdalas preenchidas por quartzo,
calcita ou nontronita.
Esses basaltos ocorrem sob a forma de derrames tabuliformes, cujas espessuras
individuais podem variar de cinco a mais de cinqüenta metros. Entretanto, a seqüência de
derrames pode atingir, em regiões como o oeste do Estado do Paraná, mais de 1000
metros de espessura, representando o empilhamento de várias dezenas de derrames
individuais (SOARES, 1981).
Cada derrame é formado por uma seqüência de litologias distintas. Nos derrames
relativamente espessos a seqüência é, geralmente, constituída por basaltos maciços ou
densos nos dois terços inferiores e por basaltos vesículo-amigdalóides e brechas
basálticas no terço superior. Eventualmente, a seqüência pode ser diferente nos derrames
delgados e, também, alguns derrames podem apresentar variações litológicas laterais
acentuadas ou dividir-se em subunidades.
Os basaltos amigdalóides e vesiculares, que têm presença constante no topo dos
derrames, são rochas avermelhadas ou acinzentadas, cheias de orifícios formados pelo
escapamento dos gases durante o resfriamento das lavas. Esses orifícios podem variar
em diâmetro, de milímetros a vários decímetros, apresentando preenchimentos parciais
ou totais de ágata, quartzo, zeólitas, calcita e argilo-minerais esverdeados (Nontronita).
As brechas basálticas são rochas avermelhadas e acinzentadas que, em geral, assinalam
o topo dos derrames. São constituídas por fragmentos de basalto vesículo-amigdalóide,
em que os vazios entre fragmentos são preenchidos por materiais variados: areia e silte
de origem detrítica superficial, minerais hidrotermais como calcita, zeólita, argilo-minerais
esverdeados ou pretos, ou até mesmo pela própria lava. Geralmente, se formam pela
fragmentação de crostas endurecidas no topo e frente dos derrames, como conseqüência
da movimentação da massa subjacente, ainda fundida. Alguns tipos de brecha se formam
por colapso, subdivisão ou movimentação tectônica dos derrames e têm características e
posicionamento mais irregulares e variados.
VII - 119
O topo dos derrames é esporadicamente marcado pela presença de camada delgada de
arenito ou siltito avermelhado, sobre a qual se deposita a camada de lavas do derrame
imediatamente superior. A superfície que separa um derrame do outro - contato entre
derrames – é geralmente muito nítida e importante para a caracterização estratigráfica,
litológica e geotécnica de um maciço basáltico.
3.2.4 - Aspectos estruturais
a) Feições atectônicas
Os derrames basálticos (RADAMBRASIL, 1983) apresentam uma série de estruturas
atectônicas importantes para a compreensão das características geomorfológicas, da
distribuição dos tipos de solos, e das características geotécnicas e hidrogeológicas dos
maciços, tanto de rochas como de solos.
A maior parte dessas feições resulta do modo de formação dos derrames e da sua
estrutura em camadas. Outras resultam dos fenômenos de descompressão que
acompanham a evolução da topografia.
Uma feição significativa é representada pelos contatos entre derrames. Outra é
representada pelo fraturamento colunar dos basaltos maciços, que divide a rocha em
prismas de seção transversal variada, às vezes hexagonal. Quando essas fraturas são
muito pouco espaçadas, origina-se uma estrutura chamada "micro-colunar".
No terço superior dos derrames são comuns fraturas subhorizontais originadas pelo modo
de resfriamento diferenciado das várias camadas de um derrame. Por outro lado, fraturas
sub-horizontais ou pouco inclinadas em relação às camadas podem resultar do alívio de
tensões que acompanha a erosão de um vale. Essas fraturas, tanto de resfriamento
quanto de descompressão, podem ser eventualmente muito extensas e permeáveis, às
vezes mostrando estriamentos do tipo "slickenside" e por isso chamadas "juntas-falha".
b) Feições tectônicas
A interpretação geológica em fotografias aéreas e imagens de radar (RADAMBRASIL,
1983), bem como observações de campo evidenciam os principais sistemas de
lineamentos tectônicos da região. Estes lineamentos caracterizam-se por zonas de
fraturamento subvertical e/ou falhas.
Os lineamentos são, às vezes, muito extensos, podendo ser acompanhados em
fotografias aéreas e imagens de radar por muitas dezenas de quilômetros. Podem,
também, apresentar rejeitos verticais e direcionais, medindo de poucos a várias dezenas
de metros.
Sobressaem dois sistemas de lineamentos orientados nas direções N 50-70 W e N 50-70
E, segundo os quais ocorrem falhas importantes. O primeiro sistema é aproximadamente
paralelo à direção dos diques de diabásio, no Estado do Paraná, relacionando-se
possivelmente com o mecanismo que permitiu as efusões basálticas. O segundo sistema
é aproximadamente paralelo aos dobramentos do embasamento pré-cambriano e pode
VII - 120
representar reativações de cisalhamentos profundos. Não coincide com a direção das
intrusivas básicas e parece mais "aberto", com circulação mais efetiva de água.
Também existem dois sistemas subordinados de lineamentos, orientados segundo as
direções N 0-20 W e N 20-30 E.
Esses lineamentos têm importância fundamental no desenvolvimento das formas de
relevo, já que os rios têm seus cursos claramente guiados pelos mesmos. Também a
circulação da água subterrânea é, em boa parte, controlada por essas estruturas.
3.2.5 - Estanqueidade do maciço rochoso
As seqüências ígneas, de modo geral, não são bons aqüíferos, pois as rochas que as
constituem são, via de regra, pouco permeáveis (Mapa hidrogeológico da América do Sul,
1996). A discrepância é grande quanto à produção de água, com tendências para baixas
vazões e índice relativamente elevado de poços improdutivos.
O aqüífero principal do maciço em discussão (Formação Serra Geral) é configurado pela
trama estrutural, constituída pelas fraturas tectônicas e atectônicas, bem como juntas
interderrames. A maior ou menor incidência dessas feições, coadjuvadas por fatores
litológicos como horizontes amigdalóides ou vesiculares, determinam a circulação e o
armazenamento transitório da água subterrânea.
As investigações para o EIA da UHE Salto Caxias, localizadas na região a montante do
sítio ora estudado para a UHE Baixo Iguaçu mostram vazões médias consideradas
modestas para poços tubulares profundos instalados nos basaltos, conforme registrado
no quadro 3.26. O quadro 3.27, por sua vez, apresenta a profundidade dos poços em
relação às vazões médias.
Quadro 3.26
Produtividade de poços localizados a montante da área estudada
Vazões (m³/h)
Nº Relativo de Poços (%)
0,0 a 0,5
15,8
0,6 a 2,0
19,0
2,1 a 5,0
33,4
5,1 a 10,0
25,4
> 10
06,4
Total
100,0
Fonte: EIA – UHE Salto Caxias / Copel (1998)
Verifica-se que 15,8% dos poços são considerados improdutivos e, apenas, 6,4% deles
ultrapassam 10 m³/h, confirmando a tendência para baixas vazões.
VII - 121
Quadro 3.27
Profundidade dos poços x vazões médias
Profundidade (m)
Vazões Médias (m³/h)
até 100
5,1
101 a 150
7,1
151 a 200
2,5
> 200
5,1
Média Geral
4,95
Fonte: EIA – UHE Salto Caxias / Copel (1998)
A média das vazões para profundidade até 100 metros (5,1 m³/h) é a mesma para
profundidades superiores a 200 metros (5,1 m³/h), além disso, nas duas faixas
intermediárias de profundidade, apesar das médias isoladas serem diferentes, a média
das duas é igual a 4,8 m³/h. Muito próxima das médias maiores (5,1 m³/h) e da média
geral 4,95 m³/h.
Esse comportamento indica certa homogeneidade do maciço rochoso, no que se refere às
estruturas que controlam a circulação das águas subterrâneas.
Na publicação “O Parque Nacional do Iguaçu” (SALAMUNI et alii, 1999), os autores
referem-se a poços tubulares profundos nos aqüíferos fraturados (Formação Serra Geral),
cujo “volume extraído é variável em função da existência ou não de extensos
alinhamentos” e registram a presença de poços “com produções superiores a 60 m³/h” e,
também, sua relação com as tramas estruturais que compõem o aqüífero.
Os dados obtidos das investigações para o EIA da UHE Salto Caxias são compatíveis
com os dados relativos à área do Parque Nacional do Iguaçu e adjacências. O modelo
geológico do aqüífero é semelhante nos dois estudos, porém, as vazões foram
apresentadas de forma diferente. No primeiro caso são médias de vazão dos poços e no
segundo caso são, apenas, referências de vazão isoladas.
Considerados os fatores hidrogeológicos, confirma-se que a maior parte das rochas
presentes na Formação Serra Geral tem baixa permeabilidade. Restando os horizontes
de basaltos amigdalóides e/ou vesiculares, associados às descontinuidades tectônicas e
atectônicas, como determinantes da estanqueidade do maciço.
3.2.6 - Erodibilidade dos solos
Nas áreas semelhantes ao Parque Nacional do Iguaçu, onde a cobertura vegetal
abundante alia-se ao caráter argiloso dos solos residuais de rochas basálticas, não ocorre
erosão superficial acentuada.
Naturalmente, esse quadro é modificado quando a ação antrópica remove a cobertura
vegetal. Portanto, as áreas consideradas mais suscetíveis à erosão são efetivamente
aquelas destinadas à atividade agrícola intensiva de ciclo curto, especialmente nos
períodos muito pluviosos.
VII - 122
Inexistem ravinamentos de grande porte, do tipo que é comum em áreas de rochas
areníticas. Quando existem, são diminutos e restritos a pequenas áreas sem expressão
em termos de mecanismo geral de carreamento de sólidos, conseqüentemente, com
exceção das épocas anormalmente pluviosas, o carreamento de sólidos para os rios é,
geralmente, moderado.
No caso da erosão fluvial, pode-se constatar que o atual estágio de evolução da
drenagem é predominantemente erosivo, observando que no rio Iguaçu a maior energia
arredondou as curvas enquanto nos rios menores, como por exemplo, Capanema,
Cotegipe e Andrada, permanece uma conformação angulosa, estreitamente relacionada
com o padrão de fraturas. Entretanto, a relativa pequena expressão dos aluviões
existentes no rio Iguaçu demonstra que o transporte de sólidos é, em geral, pequeno a
moderado.
3.2.7 - Recursos minerais
Embora a região de interesse não tenha tradição minerária, registra-se que são
conhecidas algumas ocorrências minerais (PETRI et all 1983; ANUÁRIO MINERAL
BRASILEIRO, 1995 a 2000 e DNPM-CONTROLE DE ÁREAS, 2004), entre as quais,
menciona-se a presença de cobre nativo, de quartzo/ametista, de ágata, de pirita, de
águas minerais, de rochas para britas, de argila e de areia/cascalho. Estes últimos
produtos são os mais representativos, visto que são utilizados ”in natura”.
Existem na região estudada 32 áreas requeridas para extração de basalto, 11 áreas
requeridas para extração e uso de águas minerais, oito áreas requeridas para extração de
areia, quatro áreas requeridas para extração de cascalho, sete áreas requeridas para
extração de argila, cinco áreas requeridas para extração de basalto/argila (desenho nº
UHEBI-ALL-GEO-004. Ressalta-se que em 2004 haviam quatro das áreas requeridas
para extração de areia, bem como uma área requerida para extração de basalto/argila, no
leito e margens do rio Iguaçu em áreas diretamente afetadas pela UHE Baixo Iguaçu.
Atualmente foram registradas mais quatro áreas para pesquisa e mineração de areia nas
proximidades do futuro eixo da barragem (desenho UHEBI-AID-GEO-005)
As ocorrências de cobre nativo são relativamente comuns nos basaltos, mas até o
presente momento nenhuma se revelou economicamente viável. Também as explorações
de quartzo/ametista, ágata e pirita são praticamente desconhecidas na área. Estão
registrados, na região estudada, dois pedidos de pesquisa para cobre e dois para ouro.
É freqüente a ocorrência de águas mineralizadas em poços tubulares, cuja mineralização
se dá pela presença de elementos abundantes nas rochas básicas, principalmente cálcio,
sódio e ferro (SALAMUNI et all, 1999). Essas ocorrências, quando em poços de grande
vazão, poderiam ser economicamente viáveis.
Porém, as fontes de águas superficiais apresentam freqüentemente vazões entre 150 e
300 l/h (EIA – UHE Salto Caxias / COPEL, 1993). Nesse caso, mesmo se mineralizadas,
o volume não tem qualquer expressão econômica. Na área de influência direta não há
registro de atividade legal referente à água mineral.
VII - 123
Quadro 3.28
Direitos minerários na região da UHE Baixo Iguaçu
Nº DO
PROCESSO
820461
820650
820943
826127
826178
1979
1986
1986
1988
1992
Licenciamento
Licenciamento
Licenciamento
Concessao de Lavra
Fase 97
Redram Construtora de Obras Ltda
Laercio Bonetti - Fi
Pavimar - Construtora De Obras Ltda
Pedreira Motter Ltda
Americo José Tondo
826014
826081
826567
1993
1993
1993
A. M. Simsen Lauxen & Cia Ltda
Redram Construtora De Obras Ltda
Construtora Castilho De Porto Alegre Ltda
826837
1994
Construtora Castilho De Porto Alegre Ltda
Basalto
900,00
826503
1995
Petrocon Construtora De Obras Ltda.
Basalto
49,53
826952
1996
Antonio Fialho Sobanski
Basalto
49,70
827013
827096
826289
1996
1996
1997
Requerimento de Lavra
Requerimento de Lavra
Requerimento de Lavra
Autorizacao de
Pesquisa
Autorizacao de
Pesquisa
Autorizacao de
Pesquisa
Autorizacao de
Pesquisa
Requerimento de Lavra
Requerimento de Lavra
Basalto
Basalto
Basalto
Basalto
Basalto
Basalto P/
Brita
Basalto
Basalto
1997
Concessao de Lavra
826217
2000
826441
826723
826724
826789
2000
2001
2001
2001
826081
2002
826105
826111
2002
2002
826272
2002
826002*
2003
826003*
826279
2003
2003
826293
2003
826556*
2003
826593
2003
826644
2003
826167
2004
826334
2004
826343
2004
826522
2004
826208
2005
826223
2005
Requerimento de Lavra
Autorizacao de
Pesquisa
Requerimento de Lavra
Requerimento de Lavra
Reg.de Extracao
Autorizacao de
Pesquisa
Requerimento de
Pesquisa
Reg.de Extracao
Autorizacao de
Pesquisa
Requerimento de
Pesquisa
Requerimento de
Pesquisa
Disponibilidade
Autorizacao de
Pesquisa
Autorizacao de
Pesquisa
Autorizacao de
Pesquisa
Autorizacao de
Pesquisa
Autorizacao de
Pesquisa
Requerimento de
Pesquisa
Autorizacao de
Pesquisa
Autorizacao de
Pesquisa
Autorizacao de
Pesquisa
Requerimento de
Pesquisa
Basalto
Basalto
Basalto
Água
Mineral
Água
Mineral
Basalto P/
Brita
Basalto
Basalto
Cascalho
50,00
50,00
50,00
826373
Petrocon Construtora De Obras Ltda.
Redram Construtora De Obras Ltda
Americo José Tondo
Estação De Aguas Minerais Vale Das
Araucarias Ltda
ANO
SITUAÇÃO
TITULAR
Teodoro Empresa De Mineração Ltda.
Petrocon Construtora De Obras Ltda.
Clair Bernadetti Tesser
Clair Bernadetti Tesser
Prefeitura Municipal Boa Vista Da Aparecida
Evandro Antonio Tondo
SUBSTÂNCIA
ÁREA
(HECTARES)
41,48
2,55
7,85
144,00
49,40
100,00
146,00
49,00
50,00
50,00
49,98
50,00
49,70
5,00
50,00
Construtora Castilho S.A.
Prefeitura Municipal De Santa Lúcia
Basalto
Basalto P/
Brita
Basalto
50,00
5,00
Waldemiro Antonio Bueno
Basalto
49,20
Extração De Areia Zucchi Ltda
Areia
30,57
Extraã├O De Areia Zucchi Ltda
Vermelho Construtora De Obras Ltda
Areia
Basalto
Argila
Refratária E
Basalto
Argila E
Basalto
35,08
49,00
Redram Construtora De Obras Ltda
Sérgio Vicente Antunes
Clair Bernadetti Tesser
Valdemar Sandi
Basalto
Água
Mineral E
Basalto E
Argila
Refratária
Água
Mineral
Água
Mineral
Água
Mineral
Água
Mineral
Thiago Veloso Maria
Basalto
Lucidio José Cella
Petrocon Construtora De Obras Ltda.
4r Agro-Pastoril Ltda
Joel Francisco Carminatti
Mauro Seuchuco
300,00
50,00
50,00
50,00
399,00
49,70
49,00
50,00
50,00
50,00
VII - 124
Nº DO
PROCESSO
ANO
SITUAÇÃO
TITULAR
Autorizacao de
Valdir Rothbarth
Pesquisa
Req.de Reg. de Ext.
Prefeitura Municipal De Lindoeste
Licenciamento
Materiais P/Construcao Civil Costamoro Ltda.
Licenciamento
Materiais P/Construcao Civil Costamoro Ltda.
Licenciamento
Materiais P/Construcao Civil Costamoro Ltda.
Licenciamento
Materiais P/Construcao Civil Costamoro Ltda.
Autorizacao de
826691
2005 Pesquisa
Elias Ferlin
Autorizacao de
826130
2006 Pesquisa
Pedreira Itatiba Ltda.
Autorizacao de
826131
2006 Pesquisa
Pedreira Itatiba Ltda.
Autorizacao de
826151
2006 Pesquisa
Pedreira Rio Quati Ltda
Requerimento de
826152
2006 Pesquisa
Pedreira Rio Quati Ltda
826202
2006 Req.de Reg. de Ext.
Prefeitura Municipal De Bela Vista Da Caroba
826438
2006 Licenciamento
Cerâmica Realeza Ltda.
826489
2006 Licenciamento
Vilson J. Fernandes E Cia Ltda
826575
2006 Licenciamento
Cerâmica Vanin Ltda
826576
2006 Licenciamento
Cerâmica De Telhas Sudoeste Ltda
826613*
2006 Licenciamento
Materiais P/Construcao Civil Costamoro Ltda.
826614*
2006 Licenciamento
Materiais P/Construcao Civil Costamoro Ltda.
826690
2006 Licenciamento
Cerâmica Boligon Ltda
826710
2006 Licenciamento
Olivio Wagner
Requerimento de
Extração De ┴Gua Mineral Klin E Santian
826746
2006 Pesquisa
Ltda
826026
2007 Licenciamento
Araupel S/A
826027
2007 Licenciamento
Araupel S/A
826028
2007 Licenciamento
Araupel S/A
Requerimento de
826079
2007 Pesquisa
Nelson Luiz Pereira Contini
Requerimento de
826080
2007 Pesquisa
Nelson Luiz Pereira Contini
Requerimento de
826081
2007 Pesquisa
Raimundo Tragino Bento
Requerimento de
826134
2007 Pesquisa
Raimundo Tragino Bento
826161
2007 Req.de Reg. de Ext.
Prefeitura Municipal De Ibema
Requerimento de
826167
2007 Pesquisa
João Yasuji Sakai
826256
2007 Licenciamento
Olivio Wagner
Requerimento de
826305
2007 Pesquisa
Pedreira Rio Quati Ltda
Requerimento de
826401
2007 Pesquisa
Mauricio Hoeflich
Requerimento de
826412
2007 Pesquisa
Ademar Fistarol
Fonte DNPM / agosto 2004 * Áreas com interferência direta no empreendimento
826261
826470
826559*
826560*
826578*
826584*
2005
2005
2005
2005
2005
2005
SUBSTÂNCIA
Basalto
Basalto
Areia
Areia
Areia
Areia
Água
Mineral
Basalto P/
Brita
Basalto P/
Brita
Basalto E
Argila
Refratária
Argila
Refratária E
Basalto
Basalto
Argila
Basalto
Argila
Argila
Areia
Areia
Argila
Basalto
Água
Mineral
Cascalho
Cascalho
Cascalho
Minério De
Cobre
Minério De
Cobre
Minério De
Ouro
Minério De
Ouro
Basalto
ÁREA
(HECTARES)
49,70
5,00
42,40
35,86
49,47
49,96
50,00
49,00
49,94
377,00
238,00
5,00
5,91
5,00
1,54
5,31
36,26
27,26
1,17
1,36
31,00
5,00
5,00
5,00
991,50
1000,00
999,98
999,98
5,00
Basalto
Basalto
5,00
1,36
Basalto
Água
Mineral E
Argila
Água
Mineral
50,00
225,00
50,00
3.2.8 - Risco sísmico
O risco sísmico, considerado em estudos dessa natureza, refere-se a sismicidade natural,
portanto, sujeito à alteração pela construção de reservatórios que possam produzir
sismos.
VII - 125
a) Sismicidade natural na região da UHE Baixo Iguaçu
A sismicidade natural na região estudada para implantação da UHE Baixo Iguaçu foi
pesquisada pelo observatório sismológico da Universidade de Brasília, cobrindo o período
entre 1960 e 2002. A área insere-se num círculo de raio igual a 300 km e centro
coincidente com o sítio do barramento, nas coordenadas 25° 30' Sul / 53° 40' Oeste. Os
quinze eventos sísmicos registrados apresentaram baixa magnitude (< 5,0 mB), com
hipocentros na crosta superior (profundidade < 25 km) e ocorreram a distâncias maiores
que 100 km do sítio do barramento, mostrando que a área possui atividade sísmica
natural baixa.
O sismo de maior magnitude registrada (4,5 mB) ocorreu em 1967, no Paraguai, cuja
distância calculada é da ordem de 241 km do sítio do barramento, enquanto os demais
não passaram de 2,8 mB.
Figura 3.45
Sismicidade natural na região da UHE Baixo Iguaçu
b) Sismicidade induzida por reservatórios (SIR)
A formação de grandes reservatórios d’água altera o regime de esforços crustais nas
regiões onde eles são implantados, bem como a maneira desses esforços serem
liberados nos terremotos (SIMPSON, 1986). A sismicidade resultante de tais alterações é
denominada sismicidade induzida por reservatórios (SIR).
O interesse pela SIR no Brasil começou no início da década de 70, após o fenômeno ter
sido registrado nos reservatórios Capivara-Cachoeira, localizado próximo a Curitiba, e
Carmo do Cajuru, no Estado de Minas Gerais. O ambiente sismotectônico do território
VII - 126
brasileiro (Interior de placa litosférica e baixo nível de sismicidade natural) e o número
relativamente grande de reservatórios constituem condições propícias para a
manifestação de SIR. Foram registrados dezenove casos de SIR no Brasil, sendo
dezesseis confirmados e três possíveis (MARZA et alii, 1999), no entanto, não há notícias
de danos às obras onde os mesmos ocorreram.
Com referência a sismos induzidos por reservatórios, a região estudada apresenta-se
pouco suscetível, visto que os instrumentos instalados para monitoramento nas UHEs Foz
do Areia, Segredo e Itaipu não registraram qualquer evento indicativo desses fenômenos.
O monitoramento da UHE Foz do Areia estendeu-se, continuamente, desde
aproximadamente um ano antes do enchimento do reservatório (1979), até 1991, quando
foi continuado pelo monitoramento da UHE Segredo.
Ressalta-se que há registros de dois sismos de magnitude muito pequena (< 0,5 mB), na
área da UHE Salto Santiago em abril e julho de 1976. Todavia, os eventos foram de
pequena magnitude e ocorreram durante a construção, portanto, existem dúvidas quanto
ao significado. Já na UHE Salto Osório não foram instalados sismógrafos e, também, não
houve registro de dados macrossísmicos após o enchimento do reservatório.
Considerando a similaridade geológica entre os sítios das UHEs já construídas na região
e da UHE Baixo Iguaçu, bem como dentre os reservatórios do rio Iguaçu é aquele que
tem o menor volume armazenado (Quadro 3.29), conclui-se que a possibilidade de
ocorrência de sismos induzidos é remota.
Quadro 3.29
Comparativo dos volumes de água acumulados pelos reservatórios do rio Iguaçu
Usina Hidrelétrica
Un.
Volume
armazenado
pelo reservatório
(10³ Hm³)
Foz do
Areia
Segredo
Salto
Santiago
Salto
Osório
Salto
Caxias
Baixo
Iguaçu
5.779
2.943
6.753
1.270
3.573
211,9
3.3 - Geomorfologia
3.3.1 - Aspectos gerais
A região de interesse insere-se no altiplano basáltico paranaense, cujos grandes traços
morfológicos são resultantes das especificidades típicas dos basaltos, em termos de
intemperismo e erosão, e dos mecanismos morfoclimáticos que atuaram na região no
período Quaternário e final do período Terciário. Esses últimos, de importância essencial,
teriam agido de acordo com o esquema poligenético proposto por Bigarella et al. (1975),
que reconhecem uma alternância de fases semi-áridas, de aplanamento e pediplanação,
e de fases úmidas, de entalhamento fluvial linear.
Dentro desse quadro, os divisores hidrográficos principais da região, formados por cristas
elevadas e relativamente planas, suavemente inclinadas no sentido do rio Paraná e do rio
VII - 127
Iguaçu, constituem remanescentes de uma extensa superfície aplanada, formada no início
do Quaternário.
Os episódios paleoclimáticos subseqüentes dissecaram essa superfície, reduzindo-a a um
mosaico de mesetas e platôs de extensões variáveis, cujas altitudes diminuem
gradativamente no sentido do rio Iguaçu, separados pelos vales onde se desenvolve a
rede hidrográfica atual.
Abaixo do nível das mesetas, as encostas apresentam topografia em degraus, típica da
geologia basáltica. Nela se observam zonas mais íngremes, em geral coincidentes com
as camadas de basaltos maciços e terraços suavemente inclinados, esculpidos na
transição entre os derrames.
Os terraços suavemente inclinados, cobertos por acumulações de solos avermelhados
com eventuais linhas de seixos (Rampas de colúvio), assinalam épocas semi-áridas mais
recentes, com as formas de morfogênese pedimentar um pouco mascaradas, na região
basáltica, pela geometria tabuliforme dos derrames.
As escarpas e encostas íngremes indicam, até certo ponto, as retomadas de erosão em
climas úmidos, embora seqüencialmente influenciadas pelas fases semi-áridas, assim
como os vales bem encaixados atestam fases de entalhamento fluvial linear.
Nos vales dos principais rios da região, os aluviões que ocorrem em certos trechos
formaram-se em fases úmidas sub-atuais a atuais de sedimentação, com algumas dessas
formações parcialmente recobertas por colúvios, indicando fases semi-áridas
relativamente recentes.
Com relação ao estágio atual de evolução da drenagem, pode-se constatar que a
tendência atual dos rios é predominantemente erosiva, observando que nos rios
principais, como o Iguaçu, a maior energia erosiva arredondou as curvas e que os rios
menores ainda mantêm uma conformação angulosa, estreitamente relacionada com o
padrão de fraturas.
Os saltos e cachoeiras, comuns na região, também resultam dessas fases erosivas. As
cachoeiras esculpidas no basalto, em geral, mostram quedas verticais devidas às
camadas de basalto colunar, enquanto as cachoeiras formadas nos locais de rochas
ácidas têm conformação diferente.
Visto em conjunto, o baixo rio Iguaçu é nitidamente conseqüente, isto é, direcionado pela
inclinação geral dos derrames para oeste, assumindo localmente feições subseqüentes,
adaptando-se às fraturas ou linhas de falha, particularmente nas direções noroeste-sudeste,
nordeste-sudoeste e norte-sul, que correspondem aos sistemas principais de lineamentos.
Os principais afluentes da margem esquerda, como os rios Capanema e Cotegipe,
mostram vales subseqüentes nas direções gerais noroeste-sudeste e aproximadamente
norte-sul, sendo igualmente de caráter subseqüente aqueles da margem direita,
direcionados a nordeste-sudoeste e, também, norte-sul.
Um dos aspectos morfológicos observados na região refere-se às pequenas depressões
circulares ou irregulares que ocorrem no topo das mesetas e platôs. Essas feições são
VII - 128
bastante comuns nas regiões basálticas, particularmente em áreas altas, relativamente
planas e próximas a escarpas de serras.
Sua origem não é bem conhecida, mas aparentemente tem relação com a drenagem
indecisa e a proximidade da superfície da rocha nestes pontos, podendo ocorrer solos
orgânicos em alguns desses locais.
Outra observação importante relaciona-se à identificação de feições morfológicas
decorrentes de escorregamentos de taludes e fenômenos correlatos, além daqueles
associados aos fenômenos de coluviação.
Nas fases semi-áridas, a ausência de cobertura vegetal ampla e o regime hidrológico de
enxurradas facilitam os mecanismos de coluviação, ou seja, de movimentação lenta dos
solos residuais encostas abaixo, com a sua acumulação nos terraços de menor declividade.
Já nas fases úmidas, além da erosão de caráter fluvial, as épocas anormalmente chuvosas
que se repetem de tempos em tempos provocam deslizamentos de taludes, a ponto desse
fenômeno constituir um fator morfogenético considerável. As cheias de 1983, por exemplo,
desencadearam centenas de escorregamentos de taludes em toda a região basáltica.
O mapa de geomorfologia da área de influência indireta é apresentado no desenho nº
UHEBI-ALL-GEO-006.
3.3.2 - Estabilidade de encostas
Durante as fases úmidas, o carreamento de sólidos para os rios aumenta
consideravelmente. Os deslizamentos de taludes são bastante comuns na região
basáltica, porém seu controle geológico é bem conhecido. Os escorregamentos ocorrem
principalmente nas acumulações coluviais relativamente espessas que recobrem os
terraços suavemente inclinados. Nesses horizontes, a circulação das águas de infiltração
é forçada a deslocar-se horizontalmente pela menor permeabilidade das camadas de
brecha basáltica e basaltos vesiculares, além da predominância de fraturas subhorizontais.
As pressões de percolação desenvolvidas contra as coberturas de solos coluviais criam
condições propícias aos deslizamentos, que são muito mais freqüentes nas épocas de
forte pluviosidade.
É importante notar que os deslizamentos de taludes, nessas áreas, não são função direta
da declividade do terreno e sim das espessuras de solos e do posicionamento dos
contatos de derrame e zonas de circulação sub-horizontal de água.
Esses deslizamentos podem variar desde simples escorregamentos de tipo rotacional,
que são os mais comuns, a eventos de maior intensidade, verdadeiras corridas de lama.
Afora as fases muito pluviosas, como a que vigora atualmente, nas áreas com cobertura
vegetal abundante e solos argilosos derivados dos basaltos a erosão superficial não se
apresenta muito acentuada, praticamente inexistindo áreas que possam ser destacadas,
por razões puramente geológicas, como especialmente suscetíveis a esses fenômenos.
VII - 129
Inexistem ravinamentos de grande porte, do tipo que é comum em áreas de rochas
areníticas. Quando existem, são diminutos e restritos a pequenas áreas sem expressão
em termos de mecanismo geral de carreamento de sólidos, conseqüentemente, com
exceção das épocas anormalmente pluviosas, o carreamento de sólidos para os rios é,
em geral, pequeno a moderado.
Todavia, esse quadro é modificado quando, por ação antrópica, é removida a cobertura
vegetal, como ocorre nas áreas de culturas de ciclo curto, de modo que as áreas
consideradas mais suscetíveis à erosão são efetivamente aquelas que estão atualmente
destinadas à atividade agrícola intensiva.
3.3.3 - Erodibilidade e declividade
A erosão traduz-se no desgaste que a superfície do solo poderá sofrer quando submetida
a qualquer uso, sem medidas conservacionistas. Está na dependência das condições
climáticas (especialmente do regime pluviométrico), das condições do solo (textura,
estrutura, permeabilidade, profundidade, capacidade de retenção de água, presença ou
ausência de camada compacta e pedregosidade), das condições de relevo (extensão da
pendente, declividade e microrrelevo) e da cobertura vegetal.
Conforme Mendes, (1984), a erodibilidade dos solos no Estado do Paraná pode ser
classificada nos graus:
-
Nulo (N) – solos praticamente não susceptíveis à erosão. Predominam solos com boa
permeabilidade e relevo aplanado com declives até 3%. Se os declives são próximos
de 3% os solos poderão apresentar erosão laminar ligeira;
-
Ligeiro (L) – solos pouco susceptíveis à erosão. O horizonte superficial ainda poderá
estar presente ou não. Apresentam declives entre 3% e 8%, além de condições
físicas muito favoráveis, como grande parte dos solos com horizonte B latossólico,
incluindo aqueles com textura argilosa e declives até 20%;
-
Moderado (M) – solos normalmente suscetíveis à erosão. Quando utilizados
indiscriminadamente para agricultura, a erosão apresenta-se moderada no início e
agrava-se rapidamente. Inicialmente ocorre a remoção de todo o horizonte A, em
seguida desenvolvem-se sulcos e voçorocas. Esses solos podem ter relevo suave
ondulado, porém são pouco profundos e/ou pedregosos, predominantemente do tipo
cambissolos ou podem ser argilosos, essencialmente de B textural ocupando relevo
ondulado;
-
Forte (F) - solos fortemente suscetíveis à erosão. Quando utilizados para agricultura a
erosão é reconhecida por fenômenos fortes na maioria da área e os danos no solo
são rápidos. Nesse grau de limitação predomina o relevo forte ondulado e a
proteção/controle da erosão, na maioria dos casos, é muito difícil e dispendiosa, ou
mesmo inviável;
-
Muito forte (F) – solos muito suscetíveis à erosão. O relevo é montanhoso e
escarpado, com declives maiores que 40%.
A altitude da bacia de estudo varia da cota 300 a 800 m. Nessa área, predominam
terrenos planos, ou seja, com declividades menores que 3% (desenho UHEBI-ALL-SOL-
VII - 130
08). Em áreas com variação hipsométrica de 500 para 600 m, aparecem terrenos com
relevo suave ondulado (3% a 6%) a ondulado (6% a 12%), de acordo com a classificação
de França, (1963). Apenas ao sul da bacia de estudo, aparecem terrenos com relevo
montanhoso, especialmente nos municípios de Barracão, Bom Jesus do Sul, Salgado
Filho e Manfrinópolis. Ao norte, também aparecem faixas de terrenos com relevo mais
movimentado, também em altitudes maiores (faixas de 500 m a 600 m).
Assim, os solos presentes na área, mormente Latossolos e Terras Roxas, apresentam
erodibilidade nula a ligeira, conforme critérios utilizados para o Estado do Paraná. Sob
manejo adequado, essa erodibilidade natural pode ser controlada e não prejudica a
utilização dos solos para o cultivo e a implantação de pastagens.
3.3.4 - Unidades de mapeamento na área de estudo
Na área de estudo, o relevo apresenta algumas variações morfométricas que foram
mapeadas segundo o conceito de sistemas de relevo apresentado em Ponçano, (1979).
As unidades mapeadas são apresentadas a seguir:
-
Cm - Colinas médias: predominam interflúvios com áreas de 1 km² a 4 km², topos
aplainados, vertentes com perfis convexos a retilíneos. Drenagem de média a baixa
densidade, padrão sub-retangular, vales abertos a fechados, planícies inferiores
restritas;
-
Msr - Morros com serras restritas: morros de topos arredondados, vertentes com
perfis retilíneos, presença de serras restritas. Drenagem de alta densidade, padrão
dendrítico a pinulado, vales fechados, planícies fluviais restritas;
-
Meb - Mesas basálticas: morros de topos aplainados a arredondados, vertentes com
perfis escalonados, com pequenas escarpas e exposição de rochas. Drenagem de
média densidade, padrão pinulado a subparalelo, vales fechados;
-
Mta - Morros basálticos de topos arredondados: topos arredondados a localmente
achatados e extensos, encostas com perfis escalonados, podendo haver escarpas
com exposição de rochas. Presença de espigões locais. Drenagem de média
densidade, padrão dendrítico, vales fechados;
-
Vee - Vale com encostas escarpadas: vertentes retilíneas a convexas, por vezes
escalonadas em patamares, com exposição de rocha. Vales fechados, formando
pequenos cânions.
A unidade Colinas médias (Cm) ocupa a maior parte da área, principalmente nas
nascentes do rio Cotegipe, e no divisor de águas entre os rios Santo Antônio e
Capanema. Na margem direita do rio Iguaçu, estende-se sobre a área do rio Benjamin
Constant, dentro do Parque Nacional do Iguaçu, e no divisor de águas dos rios Gonçalves
Dias e Andrada e também ao norte nas proximidades da sede municipal de Cascavel.
A unidade Morros com serras restritas (Msr) ocupa principalmente a porção sul da área
nas nascentes do rio Capanema. É composta por morros com amplitude de relevo de
cerca de 200 m, cristas estreitas, drenagem formando vales profundos, com rios
VII - 131
encachoeirados, encostas de alta declividade (superiores a 20º), por vezes mostrando-se
escalonados em patamares formados pela estrutura dos derrames basálticos, com solos
rasos (litólicos) muitas vezes expondo afloramentos de rochas.
A unidade Morros basálticos de topos arredondados (Mbta) ocupa a bacia do rio Sarandi a
sul e trechos isolados nas áreas dos rios Benjamin Constant e Andrada. Apresenta-se como
um relevo de platôs alongados que se estendem como divisores de águas, interrompidos por
vales profundos mapeados como Vales com encostas escarpadas (Vee).
Esses Morros de topos arredondados apresentam solos profundos, principalmente
Latossolo roxo, com intensa ocupação agrícola devido a suas boas características físicas
e químicas. Dentro da unidade os vales são pouco profundos podendo apresentar trechos
encharcados em períodos de grande pluviosidade.
A unidade Vales com encostas escarpadas (Vee) está relacionada à rede de drenagem
formada pelos rios Capanema, Floriano, Gonçalves Dias e Andrada. São rios com forte
controle estrutural, curvas acentuadas, trechos encachoeirados e fortemente erosivos.
Os vales apresentam de 100 m a 150 m de profundidade média, encostas em patamares
que correspondem aos diversos derrames basálticos, com exposição de extensos
paredões de rocha. Nas imagens de satélite utilizadas para o mapeamento podem ser
visualizados até cinco patamares.
As Mesas basálticas (Meb) constituem-se em um testemunho de uma superfície mais
elevada isolada, sobressaindo-se do relevo ao redor. Como ocupam áreas pequenas,
normalmente não podem ser mapeadas, por exemplo em mapas de escalas de
1:500.000.
A área a ser inundada pelo futuro reservatório da UHE Baixo Iguaçu apresenta na parte
mais próxima ao eixo da barragem, relevo suave ondulado, pontilhado por planícies
fluviais pequenas, restritas a desembocaduras dos rios Gonçalves Dias e Andrada. Na
porção mediana, observa-se um relevo mais movimentado, com declividades superiores a
45º em vários trechos, onde o reservatório praticamente não extrapolará a calha do rio
Iguaçu.
3.3.5 - Processos de origem fluvial
A área pode ser entendida como um grande geossistema, com predomínio de processos
fluviais, cujo entendimento é definido pela integração das variáveis de clima, solos,
rochas, declividade e cobertura vegetal e que, atualmente, se constitui no principal agente
modelador da paisagem da região.
De uma forma geral, na natureza, os rios estão em equilíbrio com seus fluxos, havendo
um balanço entre a descarga líquida, o transporte de sedimentos, a erosão e a deposição,
de tal modo que o rio mantém a proporcionalidade do tamanho de sua calha até a sua foz.
O sistema de drenagem pode ser considerado como um sistema aberto, onde ocorre
entrada de energia alimentada pelo clima local e pela estruturação física das rochas
(falhas e fraturas). A eliminação dos fluxos energéticos dá-se pela saída da água,
sedimentos e compostos em solução.
VII - 132
Existe uma inter-relação dinâmica entre o relevo mais abrupto e o vale do Iguaçu, que
permite uma constante troca de causa e efeito entre todos os elementos da bacia. Assim,
as mudanças de uso do solo, incluindo os processos naturais gravitacionais, que estão
ocorrendo nas encostas, determinam os processos erosivos e promovem a alteração da
dinâmica fluvial, responsável pela formação de uma grande variedade de núcleos
biológicos, estruturas e condições específicas que, em conjunto, determinam o
ecossistema.
O rio Iguaçu apresenta a ocorrência de formas meandricas, que representam esse estado
de relativa estabilidade do canal, configurando um ajustamento entre todas as variáveis
hidrológicas (velocidade do fluxo; declividade; largura e profundidade do canal;
rugosidade do leito; carga sólida e vazão).
Tal equilíbrio, no entanto, vem sendo alterado como resultado da atividade humana na
área, como, por exemplo, a substituição da vegetação natural por terras cultivadas e a
urbanização crescente.
3.4 - Solos
3.4.1 - Metodologia
A caracterização dos solos da área de influência direta e indireta da UHE Baixo Iguaçu,
baseou-se nas informações constantes do levantamento de reconhecimento de solos do
estado do Paraná (EMBRAPA, 1984). Para estimar a potencialidade dos solos com
referência a utilização agro-silvo-pastoril, foi empregada a metodologia preconizada pelo
sistema de avaliação da aptidão agrícola das terras (RAMALHO FILHO e BEEK, 1995).
3.4.2 - Solos da área de influência direta e indireta
De uma maneira genérica, os solos que constituem as áreas de influência do
empreendimento, originam-se de materiais retrabalhados provenientes de rochas básicas
referidas ao Mesozóico (sedimentação e magmatismo básico e alcalino) e ao Paleozóico
(cobertura sedimentar). Desta forma, predominam nas áreas de influência direta e
indireta, solos com texturas argilosas a muito argilosas, freqüentemente com mais de 60%
de argila.
Na formação do relevo regional constata-se uma efetiva atuação do sistema hidrográfico,
de movimentos epirogênicos e significativa influência morfoclimática, através da
ocorrência de alternância de períodos semi-áridos e úmidos. Na região, são freqüentes as
mesetas estruturais típicas de topos de derrames basálticos, que induzem a formação de
relevo suave ondulado a ondulado.
Nas áreas enfocadas, segundo os processos pedogenéticos atuantes, os solos podem ser
ordenados em quatro grupos:
-
Solos com horizonte B Latossólico;
VII - 133
-
Solos com horizonte B Textural;
-
Solos pouco desenvolvidos;
-
Solos Hidromórficos.
a) Solos com Horizonte B Latossólico
a.1)
Latossolo Bruno
Esta classe é constituída por solos minerais não hidromórficos desenvolvidos de material
fortemente intemperizado, o que resulta perfis profundos e bem drenados onde a lavagem
da sílica e bases oferece condições favoráveis para a formação de argilas de baixa
capacidade de troca, predominando sesquióxidos e caulinita. São de coloração bruno
avermelhada de matizes 5 YR e 10 YR, com horizonte A proeminente e altos teores de
alumínio trocável. Ocorrem em altitudes acima de 900 m, sob clima Cfb. Necessita para
viabilizar o aproveitamento agrícola, aplicação de grandes quantidades de calcário, além
de adubações fosfatadas. Como os demais Latossolos, são bastante resistentes à erosão
em condições naturais e sob cobertura vegetal nativa. Ocorre somente na porção sul da
área de influência indireta, em Santo Antônio do Sudoeste e nas áreas mais altas das
cidades de Barracão e Flor da Serra do Sul.
A unidade de mapeamento identificada na área de influência indireta foi:
LBd1 - LATOSSOLO BRUNO distrofico típico, álico A proeminente, textura argilosa
floresta subtropical perenifólia, relevo suave ondulado.
a.2)
Latossolo Vermelho
Solo mineral com horizonte diagnóstico B latossólico, de coloração dominantemente
bruno-avermelhado escuro no horizonte A e vermelho-acinzentado escuro no Bw, matiz
10 R, estrutura maciça muito porosa, e pequena diferenciação morfológica ente os
subhorizontes. São profundos com estrutura moderada a forte pequena granular no A; o
horizonte Bw é normalmente muito espesso com forte estruturação granular. O teor de
Fe2O3 está próximo de 20%.
Ocorre principalmente nas áreas mais próximas ao município de Cascavel, na porção
noroeste da área de influência indireta. Grandes extensões também aparecem no divisor
de águas, entre os rios Andrada e Gonçalves Dias, nas proximidades da cidade de Santa
Lúcia. Na margem esquerda do rio Iguaçu, nas proximidades das sedes de Realeza e
Santa Izabel do Oeste, localizam-se em relevo suave ondulado apresentando intenso uso
agrícola. Na área de influência direta o Latossolo Vermelho eutroférrico é o solo
dominante, quase sempre associado a Nitossolos Vermelhos eutroférricos.
As unidades de mapeamento identificadas na área de influência direta foram:
LVef1 – Associação LATOSSOLO VERMELHO eutroférrico típico A moderado,
textura argilosa, fase floresta tropical perenifólia, relevo suave ondulado e
praticamente plano + NITOSSOLO VERMELHO eutroférrico latossólico, A
VII - 134
moderado, textura argilosa, fase floresta tropical perenifólia, relevo suave
ondulado.
LVef2 – Associação LATOSSOLO VERMELHO eutroférrico típico, relevo suave
ondulado + NITOSSOLO VERMELHO eutroférrico típico, relevo suave ondulado e
ondudado, ambos A moderado, textura argilosa, fase floresta tropical perenifólia.
LVef3 – Associação LATOSSOLO VERMELHO Eutroférrico típico, A moderado,
textura argilosa, fase floresta tropical perenifólia, relevo suave ondulado e
praticamente plano + NITOSSOLO VERMELHO eutroférrico típico, A moderado,
textura argilosa, fase floresta tropical perenifólia, relevo ondulado.
LVef4 – Associação LATOSSOLO VERMELHO eutroférrico típico, A moderado,
textura argilosa, fase floresta tropical perenifólia, relevo suave ondulado e
praticamente plano + NITOSSOLO VERMELHO eutroférrico chernossólico,
textura argilosa, fase floresta tropical perenifólia, relevo ondulado.
LVef5 – Associação LATOSSOLO VERMELHO eutroférrico típico, A moderado,
textura argilosa, fase floresta tropical perenifólia, relevo suave ondulado e
praticamente plano + NEOSSOLO LITÓLICO eutrófico chenossólico, relevo forte
ondulado e montanhoso, substrato rochas eruptivas básicas + CHERNOSSOLO
ARGILÚVICO férrico saprolítico, relevo forte ondulado, ambos textura argilosa,
fase pedregosa floresta tropical subperenifólia + NITOSSOLO VERMELHO
distroférrico típico, A moderado textura, argilosa fase floresta tropical perenifólia,
relevo ondulado.
As unidades de mapeamento identificadas na área de influência indireta foram:
LVdf1 – LATOSSOLO VERMELHO distroférrico típico, álico A proeminente,
textura argilosa, fase floresta subtropical perenifólia, relevo suave ondulado;
LVdf2 – LATOSSOLO VERMELHO distroférrico típico, A moderado, textura
argilosa, fase floresta tropical perenifólia, relevo suave ondulado
LVdf3 – LATOSSOLO VERMELHO distroférrico típico, A proeminente, textura
argilosa, fase floresta subtropical perenifólia, relevo suave ondulado;
LVdf4 – LATOSSOLO VERMELHO distroférrico típico, A proeminente textura
argilosa, fase floresta subtropical perenifólia, relevo ondulado;
LVdf5 – LATOSSOLO VERMELHO distroférrico, A moderado, textura argilosa,
fase floresta subtropical perenifólia, relevo suave ondulado;
LVdf6 – LATOSSOLO VERMELHO distroférrico típico, A moderado, textura
argilosa, fase floresta subtropical perenifólia , relevo ondulado;
LVef1 – LATOSSOLO VERMELHO eutroférrico típico, A moderado, textura
argilosa, floresta tropical perenifólia, relevo suave ondulado e praticamente plano;
LVef3 – LATOSSOLO VERMELHO eutroférrico típico, A moderado, textura
argilosa, fase floresta tropical subperenifólia, relevo suave ondulado e
praticamente plano;
LVef2 – Associação LATOSSOLO VERMELHO eutroférrico típico, relevo suave
ondulado + NITOSSOLO VERMELHO eutroférrico típico sobre relevo suave
VII - 135
ondulado e ondulado, ambos A moderado, textura argilosa, floresta tropical
perenifólia.
a.3) Latossolo Vermelho
Compreende solos minerais, profundos a muito profundos, com textura argilosa,
coloração vermelho-escuro, muito porosos, bem drenados e com seqüência de horizontes
A, AB, BA e Bw. Caracterizam-se por ausência virtual de minerais primários facilmente
intemperizáveis, baixa capacidade de troca de cátions (CTC), predominância de argila 1:1
(caulinita) e sesquióxidos. Possuem muitos macroporos, estrutura de aspecto maciço
porosa com grânulos pequenos, textura argilosa, com freqüente ocorrência de cascalho
ao longo do perfil, e consistência friável, quando úmido, e plástico e pegajoso a muito
pegajoso, quando molhado, com transições entre os horizontes e subhorizontes
normalmente plana e gradual. Ocorre em uma pequena extensão na porção oeste da área
de influência indireta, ao sul de Foz de Iguaçu (SC).
A unidade de mapeamento identificada na área de influência indireta foi:
LVd1 – Latossolo Vermelho distrófico típico A moderado, textura média, fase
floresta tropical subperenifólia, relevo suave ondulado e praticamente plano;
b) Solos com Horizonte B Textural
Este grupo abrange as Nitossolos Vermelhos, que possuem perfis medianamente
profundos a profundos, textura argilosa, bem drenados. São solos moderadamente
suscetíveis à erosão e apresentam algum impedimento ao uso de máquinas agrícolas. Os
distróficos tem média a baixa fertilidade natural, reação ácida a moderadamente ácida e
deficiência em fósforo. Podem oferecer produções agrícolas sustentáveis desde que
sejam feita aplicações de corretivos (calagem) e adubações complementares, além de
práticas conservacionistas adequadas. Quando eutróficos, apresentam saturação por
bases alta, com teores relativamente elevados de nutrientes, exceto de fósforo. Estão
distribuídos principalmente nas partes mais baixas dos vales dos afluentes do rio Iguaçu,
em ambas as margens, inclusive nas proximidades do próprio rio Iguaçu. As maiores
extensões contínuas situam-se dentro da área do Parque Nacional do Iguaçu. Outras,
mais esparsas, distribuem-se na região das nascentes dos rios Capanema e Cotegipe,
nos fundos de vale.
As unidades de mapeamento identificadas na área de influência indireta foram:
NVef1 – NITOSSOLO VERMELHO eutroférrico chernossólico, textura argilosa,
fase floresta tropical perenifólia e relevo ondulado;
NVef2 – NITOSSOLO VERMELHO eutroférrico típico A moderado, textura
argilosa, fase floresta tropical perenifólia, relevo ondulado;
NVef3 – NITOSSOLO VERMELHO eutroférrico latossólico A moderado, textura
argilosa, fase floresta tropical perenifólia e relevo suave ondulado;
NVef4 – NITOSSOLO VERMELHO eutroférrico chernossólico, textura argilosa, fase
floresta subtropical perenifólia e relevo ondulado;
VII - 136
NVef5 – Associação NITOSSOLO VERMELHO eutroférrico típico A moderado,
textura argilosa, fase floresta tropical perenifólia, relevo ondulado + GLEISSOLO
INDISCRIMINADO, fase floresta tropical perenifólia de várzea, relevo plano.
NVdf1 – NITOSSOLO VERMELHO distroférrico típico A proeminente, textura
argilosa, fase floresta subtropical perenifólia e relevo ondulado;
NVdf2 – Associação NITOSSOLO VERMELHO distroférrico típico, relevo ondulado
+ LATOSSOLO VERMELHO distroférrico típico, relevo suave ondulado ambos A
proeminente, textura argilosa, fase floresta subtropical perenifólia;
NVdf3 – Associação NITOSSOLO VERMELHO distroférrico típico álico, relevo
ondulado + CAMBISSOLO HÁPLICO Tb distrofico típico, relevo forte ondulado,
substrato rochoso do derrame do Trapp ambos A proeminente, textura argilosa,
fase floresta subtropical perenifólia.
Na área de influência direta ocorrem sempre associados aos Latossolos Vermelhos
eutroférricos, em caráter subdominante.
c) Gleissolos
Compreende solos mal e/ou imperfeitamente drenados, desenvolvidos em ambiente
redutor condicionado pelo encharcamento. Apresentam cores cinzentas nos horizontes
subsuperficiais e, normalmente, o horizonte A tem coloração escura em razão da
decomposição mais lenta da matéria orgânica. Na área de influência indireta ocorre na
porção nordeste. Estes solos normalmente são ácidos e, quando drenados, podem ser
utilizados com pastagens e horticultura.
A unidade de mapeamento identificada na área de influência indireta foi:
GX1 – GLEISSOLO INDISCRIMINADO, textura argilosa, fase campo tropical de
várzea, relevo plano.
d) Solos pouco desenvolvidos
Constituído por solos minerais rasos, pouco desenvolvidos, com horizonte A assente
diretamente sobre a rocha matriz ou sobre um horizonte C de pequena espessura. De
maneira geral, são considerados inaptos ou de restrita utilização para agricultura
mecanizada. A pouca profundidade e a grande concentração de cascalhos, calhaus e
afloramentos rochosos, tanto na superfície como no interior do perfil, dificultam a
mecanização, limitando o uso de implementos agrícolas. Esse grupamento, nas áreas de
influência, é representado pelos Noessolos Litólicos que geralmente estão associados a
sítios com declividades acentuadas e fortes riscos de erosão. As maiores ocorrências
contínuas localizam-se na porção centro-sul, nas proximidades das nascentes do rio
Capanema, sobre relevo forte ondulado; na região interfluvial do rio Cotegipe, na margem
esquerda do rio Iguaçu, e na margem direita dos rios Andrada, Gonçalves Dias, Floriano e
Benjamin Constant, ocupando as áreas de maior declividade, associados aos Nitossolos
Vermelhos, situada no nível topográfico mais baixo.
As unidades de mapeamento identificadas na área de influência indireta foram:
VII - 137
Rle1 – Associação NEOSSOLO LITÓLICO Eutrofico Chernossólico, relevo forte
ondulado e montanhoso substrato de rochas eruptivas básicas + CHERNOSSOLO
ARGILÚVICO Férrico saprolítico, relevo forte ondulado, ambos de textura argilosa,
fase pedregosa floresta tropical subperenifólia + NITOSSOLO VERMELHO
distroférrico típico A moderado, textura argilosa, fase floresta tropical perenifólia e
relevo ondulado;
Rle2 – Associação NEOSSOLO LITÓLICO Eutrófico chernossólico fase pedregosa,
floresta subtropical subperenifólia, relevo forte ondulado e montanhoso, substrato
rochas eruptivas básicas + NITOSSOLO VERMELHO eutroférrico típico floresta
subtropical perenifólia, relevo forte ondulado + CHERNOSSOLO HÁPLICO Órtico
saprolítico fase pedregosa, floresta subtropical subperenifólia, relevo forte
ondulado, substrato rochas eruptivas básicas - todos A chernozêmico com textura
argilosa.
e) Gleissolos
Abrange solos formados sob ação do hidromorfismo, a partir de sedimentos alúviocoluvionares que geralmente ocorrem em relevo plano abaciado. As condições de
redução existentes no perfil são expressas pelo horizonte glei dentro dos 50 cm
superficiais. Podem ser de textura argilosa ou média, com fertilidade variável. Encontramse tanto sob florestas ciliares como em locais mais interiorizados no plano aluvial.
A unidade de mapeamento identificada na área de influência indireta foi:
GX2 – GLEISSOLOS INDISCRIMINADOS, textura argilosa, fase campo de várzea,
relevo plano.
3.4.3 - Legenda de solos e aptidão agrícola das terras
Nos Quadros 3.29, 3.30 e 3.31 estão discriminadas as unidades de mapeamento de solos
e a classe de aptidão do solo dominante, e as classificações para erodibilidade das áreas
de influência direta e indireta do empreendimento.
VII - 138
Quadro 3.30
Legenda de solos e aptidão agrícola - Área de influência direta
Símbolo
Unidade
Mapeamento
LVef1
LVef3
LVef2
LVef4
LVef5
Componentes
Associação Latossolo Vermelho eutroférrico típico A moderado textura argilosa fase floresta
subtropical perenifólia relevo suave ondulado e praticamente plano + Nitossolo Vermelho Eutroférrico
típico A moderado textura argilosa fase floresta tropical perenifólia relevo suave ondulado.
Associação Latossolo Vermelho eutroférrico típico A moderado textura argilosa fase floresta
subtropical perenifólia relevo suave ondulado e praticamente plano + Nitossolo Vermelho eutroférrico
típico A moderado textura argilosa fase floresta tropical perenifólia relevo ondulado.
Associação Latossolo Vermelho eutroférrico típico A moderado textura argilosa fase floresta
subtropical perenifólia relevo suave ondulado e praticamente plano + Nitossolo Vermelho eutroférrico
chernossólico textura argilosa fase floresta subtropical perenifólia relevo ondulado.
Associação Latossolo Vermelho eutroférrico típico A moderado textura argilosa fase floresta
subtropical perenifólia relevo suave ondulado e praticamente plano + Nitossolo Vermelho eutroférrico
chernossólico textura argilosa fase floresta tropical perenifólia relevo ondulado.
Associação Latossolo Vermelho eutroférrico típico A moderado textura argilosa fase floresta
subtropical perenifólia relevo suave ondulado e praticamente plano + Neossolo Litólico Eutrófico
chernossólico relevo forte ondulado e montanhoso substrato rochas eruptivas básicas + Chernossolo
Argilúvico férrico saprolítico relevo forte ondulado ambos textura argilosa fase pedregosa floresta
tropical subperenifólia + Nitossolo Vermelho eutroérrico típico A moderado textura argilosa fase floresta
tropical perenifólia relevo ondulado.
Símbolo
Aptidão
Agrícola
2bc
2bc
2bc
2bc
2bc
Quadro 3.31
Legenda de solos e aptidão agrícola - área de influência indireta
Símbolo
Unidade de
Mapeamento
Símbolo
Componentes
Aptidão
Agrícola
LBd1
Latossolo Bruno distrófico típico, álico A proeminente textura argilosa fase
floresta subtropical perenifólia relevo suave ondulado
2bc
LVdf1
Latossolo Vermelho distroférrico típico A proeminente textura argilosa fase
floresta subtropical perenifólia relevo suave ondulado
2bc
LVdf2
Latossolo Vermelho distroférrico típico A moderado textura argilosa fase floresta
subtropical perenifólia relevo suave ondulado
1(a)BC
LVdf7
Latossolo Vermelho distroférrico típico A proeminente textura argilosa fase
floresta subtropical perenifólia relevo suave ondulado
1(a)BC
LVdf3
Latossolo Vermelho distroférrico típico A proeminente textura argilosa fase
floresta subtropical perenifólia relevo ondulado
1(a)Bc
LVdf4
Latossolo Vermelho distroférrico típico A moderado textura argilosa fase floresta
subtropical perenifólia relevo suave ondulado
1(a)Bc
LVdf5
Latossolo Vermelho distroférrico típico A moderado textura argilosa fase floresta
subtropical perenifólia relevo ondulado
1(a)Bc
LVef1
Latossolo Vermelho eutroférrico típico A moderado textura argilosa fase floresta
tropical perenifólia relevo suave ondulado e praticamente plano
2bc
LVef3
Associação Latossolo Vermelho eutroférrico típico relevo suave ondulado +
Nitossolo Vermelho eutroférrico típico relevo suave ondulado e ondulado ambos
A moderado textura argilosa fase floresta tropical perenifólia
1ABC
LVd1
Latossolo Vermelho distrófico típico A moderado, textura média, floresta tropical
subperenifólia, relevo suave ondulado e praticamente plano
1(a)Bc
NVef1
Nitossolo Vermelho eutroférrico chernossólico textura argilosa fase floresta
tropical perenifólia relevo ondulado
1ABC
VII - 139
Símbolo
Unidade de
Mapeamento
Símbolo
Componentes
Aptidão
Agrícola
NVef2
Nitossolo Vermelho eutroférrico típico A moderado textura argilosa fase floresta
tropical perenifólia relevo ondulado.
1ABC
NVef3
Nitossolo Vermelho eutroférrico latossólico A moderado textura argilosa fase
floresta tropical perenifólia relevo suave ondulado.
1ABC
NVef4
Nitossolo Vermelho eutroférrico chernossólico textura argilosa fase floresta
subtropical perenifólia relevo ondulado
1ABC
NVef5
Associação Nitossolo Vermelho eutroférrico típico A moderado, textura argilosa,
floresta tropical perenifólia, relevo ondulado + Gleissolo indiscriminado, fase
floresta tropical perenifólia de várzea, relevo plano.
1ABC
NVef3
Nitossolo Vermelho eutroférrico latossólico A moderado textura argilosa fase
floresta tropical perenifólia relevo suave ondulado.
1ABC
NVef4
Nitossolo Vermelho eutroférrico chernossólico textura argilosa fase floresta
subtropical perenifólia relevo ondulado
1ABC
NVdf1
Nitossolo Vermelho distroférrico típico A proeminente textura argilosa fase
floresta subtropical perenifólia relevo ondulado
3(ab)
NVdf3
Associação Nitossolo Vermelho distroférrico típico relevo ondulado + Latossolo
Vermelho distroférrico típico relevo suave ondulado ambos A proeminente
textura argilosa fase floresta subtropical perenifólia
1(a)Bc
NVdf3
Associação Nitossolo Vermelho distroférrico típico álico relevo ondulado +
Cambissolo Háplico Tb distrófico típico álico relevo forte ondulado substrato
rochas do derrame do Trapp ambos a proeminente textura argilosa fase floresta
subtropical perenifólia
2bc
RLe1
Associação Neossolo Litólico eutrófico chenossólico relevo forte ondulado e
montanhoso substrato rochas eruptivas básicas + Chernossolo Argilúvico férrico
saprolítico relevo forte ondulado ambos textura argilosa fase pedregosa floresta
tropical subperenifólia + Nitossolo Vermelho distroférrico típico A moderado
textura argilosa fase floresta tropical perenifólia relevo ondulado.
6
RLe2
Associação Neossolo Litólico eutrófico chernossólico fase pedregosa floresta
subtropical subperenifólia relevo forte ondulado e montanhoso substrato rochas
eruptivas básicas + Nitossolo Vermelho eutroférrico típico A chernozêmico fase
floresta subtropical perenifólia relevo forte ondulado + Chernossolo Háplico
Órtico saprolítico fase pedregosa floresta subtropical subperenifólia relevo forte
ondulado substrato rochas eruptivas básicas todos textura argilosa.
6
GX1
Gleissolos Háplico indiscriminados textura argilosa fase campo de várzea relevo
plano
4p
VII - 140
Quadro 3.32
Legenda de solos e erodibilidade - área da bacia hidrográfica
Símbolo
Classe de
Erodibilidade
Componente
Unidade de
Mapeamento
LBd
LATOSSOLO BRUNO Distrófico
Média
LVd
LATOSSOLO VERMELHO Distrófico
Baixa
ARGISSOLO VERMELHO-AMARELO Distrófico
Alta
NITOSSOLO VERMELHO Distrófico
Média
PVAd
NVd
NXd
NITOSSOLO HÁPLICO Distrófico
Média
CHd
CAMBISSOLO HÚMICO Distrófico
Muito alta
CXd
CAMBISSOLO HÁPLICO Distrófico
Muito alta
RLe
NEOSSOLO LITÓLICO Eutrófico
Muito alta
O Quadro 3.32 apresenta as extensões e as proporções espaciais das unidades de
mapeamento de solos da área de influência indireta. O Desenho nº UHEBI-ALL-SOL-007
apresenta o mapa de solos da área de influência indireta e o desenho nº UHEBI-ALLSOL-008 o mapa de erodibilidade da área de influência indireta.
Quadro 3.33 –
Extensões e percentuais dos solos na área de influência indireta
Área
Grupo
km²
%
Latossolo Bruno
19,75
0,22
Latossolo Vermelho
51,13
0,99
Nitossolo Vermelho
2.442,91
26,8
Neossolo Litólico
2.853,55
33,07
Gleissolo
3.385,37
39,23
Total
8.629,15
100,00
O desenho nº UHEBI-AID-SOL-009 apresenta o mapa de solos e erodibilidade da área de
influência direta.
3.5 - Recursos hídricos, qualidade e usos das águas
3.5.1 - Qualidade das águas
a) Considerações iniciais, coleta e análises
Alguns municípios do oeste e sudoeste do estado, situados na área de estudo, têm como
base econômica a agroindústria, como por exemplo: Medianeira – destacando-se a
VII - 141
Frimesa e a Lar; Cascavel e Capanema – Cooperativas Agropecuárias; e Francisco
Beltrão – Sadia e Perdigão.
No município de Cascavel, a existência de terras férteis incentivaram a migração intensiva
de pequenos proprietários, na década de 50, havendo uma explosão da agricultura na
década de 60, com incentivos à exportação de mate, madeira e soja – esta última, já na
década de 70. Atualmente a agroindústria é a principal base econômica, estando a
produção de erva-mate, em processo de declínio.
A principal cooperativa da área de estudo, a Coopavel – Cooperativa Agropecuária
Cascavel Ltda - foi fundada em 1970, por um pequeno grupo de produtores que
buscavam, através do sistema de cooperativa, melhores condições de produção,
aquisição de insumos, armazenagem e acesso a mercados. A sede situa-se no município
de Cascavel, contando atualmente com 2.911 associados distribuídos em 24 municípios,
incluindo os seguintes, localizados na área de estudo: Capitão Leônidas Marques, Céu
Azul, Lindoeste, Realeza, Santa Izabel do Oeste e Santa Teresa do Oeste.
As principais atividades da cooperativa estão ligadas ao desenvolvimento de sistemas de
integração, com apoio de crédito e assistência técnica; produção de aves e suínos;
armazenagem e comercialização de soja, trigo e milho.
A cooperativa possui um frigorífico em Cascavel, com produção de 140.000 aves/dia e
500 suínos/dia, sendo a parte da produção de aves, exportada para mercados
internacionais da Ásia e Europa.
Quanto às condições técnicas de produção, a Coopavel mantém programas de
desenvolvimento e de qualidade, de forma a atender às exigências dos mercados internos
e externos. Em 2000, criou-se a Unicoop – Universidade Coopavel, voltada para a
capacitação técnica dos agricultores e produtores rurais da região.
As preocupações ambientais têm crescido gradualmente, através da observação dos
processos potencialmente poluidores, especialmente relacionados à suinocultura e à
utilização de agrotóxicos. A Coopavel tem licenciado junto ao IAP, os produtores de
suínos, bem como implantou um sistema de recolhimento do lixo tóxico, em especial, das
embalagens de agrotóxicos.
Em Capanema, destacam-se a cana-de-açúcar - com a produção de açúcar mascavo e
rapadura; a fruticultura; o cultivo de fumo, soja e trigo; e a criação de aves e suínos,
sendo boa parte, em sistemas de integração com o frigorífico Diplomata. Em 2002, houve
um aumento do plantio de fumo, com incentivo das multinacionais como Souza Cruz e
Meridional. Existem, também, no município, pequenas agroindústrias familiares, como por
exemplo, a Produtos Pinheiro da Associação Alto Pinheiro, onde há produção de açúcar
mascavo.
No município de Nova Prata do Iguaçu, a base econômica é a agricultura, sendo as
principais culturas: milho, soja, fumo, seguidas pelo feijão, trigo e algodão.
Em Capitão Leônidas Marques, também existem pequenas indústrias agropecuárias,
como a Produtos Biasi - que produz açúcar mascavo - e a Produtos Coloniais Klasener,
onde são produzidos, em conserva, pepinos, picles, beterraba, abobrinha e rabanete. As
VII - 142
atividades mais desenvolvidas nesse distrito são a criação de bovino de leite e lavouras
de milho, feijão e fumo.
A cultura do fumo tem sido mais recentemente incentivada na região por empresas como
a Souza Cruz, que promoveu incentivos para que os agricultores fornecessem sua
principal matéria-prima. Tais incentivos correspondem ao adiantamento de sementes e
insumos como adubos e a uréia, que são descontados quando a produção é entregue.
No distrito de Barra do Quieto, no município de Realeza, são desenvolvidos cultivos de
soja, milho e a criação de gado. O leite é comercializado junto à Cooagro, em Capanema;
Parmalat, em Enéas Marques e na Lacto, em Realeza.
No trabalho realizado durante o diagnóstico participativo (2004) identificou-se uma grande
preocupação e desconfiança da população da região no que diz respeito à contaminação
dos recursos hídricos pelos agrotóxicos utilizados na agricultura. Outro problema
relacionado à contaminação por agrotóxico, é o espalhamento aéreo quando há aplicação
em grande escala, que freqüentemente é espalhada pelo vento, atingindo os núcleos
habitados e os corpos d´água.
O Brasil é um dos líderes mundiais em consumo de agrotóxicos. Ao mesmo tempo, o país
carece de informações sistemáticas e de pesquisas sobre os impactos deste produto
sobre a saúde humana.
Segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola –
SINDAG, referentes ao ano de 2006, cerca de 51,97% das vendas de defensivos
agrícolas no Brasil, são provenientes dos Estados de São Paulo, Mato Grosso e Paraná.
Um grave problema relacionado à utilização dos agrotóxicos é o destino inadequado das
embalagens. Tanto os técnicos como as normas legais orientam que as embalagens
devem passar por processo de lavagem tríplice e depois serem devolvidas ao
comerciante, no prazo de 12 meses após a aquisição do produto (SINDAG, s/d).
A Lei 9.974/00 disciplinou o recolhimento e a destinação final das embalagens dos
produtos fitossanitários, dividindo responsabilidades a todos os agentes atuantes na
produção agrícola do Brasil, ou seja, agricultores, canais de distribuição, indústria e poder
público.
O Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (Inpev) é uma entidade
sem fins lucrativos criada para gerir a destinação final de embalagens vazias de
agrotóxicos. O instituto foi fundado em 14 de dezembro de 2001, entrou em
funcionamento em março de 2002 e representa a indústria fabricante de produtos
fitossanitários em sua responsabilidade de conferir a correta destinação final às
embalagens vazias destes produtos utilizados na agricultura brasileira.
O Inpev tem por missão gerir a destinação final de embalagens vazias de produtos
fitossanitários no Brasil, dar apoio e orientação à indústria, canais de distribuição e
agricultores no cumprimento das responsabilidades definidas pela legislação, promover a
educação e a consciência de proteção ao meio ambiente e à saúde humana e apoiar o
desenvolvimento tecnológico de embalagens de fitossanitários. É o responsável pelo
transporte adequado das embalagens devolvidas de Postos para Centrais e das Centrais
VII - 143
de Recebimento para destino final (Recicladoras ou incineradoras)
determinação legal (Lei nº 9.974 / 2000 e Decreto nº 4.074 / 2002).
conforme
Em 2006, mais de 23 mil toneladas de embalagens foram retiradas do campo, em todo o
Brasil. No final daquele ano, a estrutura de recebimento de embalagens era formada por
365 unidades, entre postos e centrais, que enviaram para destino final 19.634 toneladas
de embalagens. O instituto possui como associadas 66 empresas e sete entidades de
classe.
São passíveis de reciclagem 95% das embalagens vazias de defensivos agrícolas
colocadas no mercado. Para que possam ser encaminhadas para reciclagem, as
embalagens precisam ser lavadas corretamente (tríplice lavagem) no momento de uso do
produto no campo. São incineradas as embalagens não laváveis (5% do total) e as
embalagens que não foram tríplice-lavadas pelos agricultores.
No primeiro semestre de 2007, foram destinadas 10.995 toneladas de embalagens vazias
de defensivos agrícolas, volume 19,5% maior do que o alcançado no mesmo período do
ano anterior (9.200 toneladas entre janeiro e junho de 2006). Entre junho de 2006 e junho
de 2007, foram destinadas 21.427 toneladas de embalagens vazias.
O Estado do Paraná tem um histórico de comprometimento em estabelecer políticas para
a correta manipulação e destino final para as embalagens de agrotóxicos. Com esta
finalidade, em 1999, ainda no Governo Jaime Lerner, foi implantado o programa Terra
Limpa.
Em julho de 2007, o governador Roberto Requião autorizou a renovação do convênio
entre a Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMA), o Inpev e a
Universidade Federal do Paraná (UFPR), para orientar e capacitar agricultores
paranaenses na devolução e destinação correta das embalagens vazias de agrotóxicos.
O Paraná é referência na destinação final de embalagens vazias de defensivos agrícolas,
sendo responsável por 16% do total recolhido no país, entre os meses de janeiro a junho
de 2007. Em junho desse ano, foram devolvidas por agricultores paranaenses 373
toneladas de embalagens, o que representa 97% da produção consumida no estado e
garante ao Paraná a segunda colocação nacional, logo atrás do Mato Grosso com 424
toneladas (Quadro 3.35).
O programa de recolhimento de embalagens é coordenado pela Superintendência de
Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa), que é responsável pelo controle
da devolução das embalagens, fiscalização dos agricultores e das centrais de
recebimento, licenciamento ambiental dos pontos de coleta e treinamento dos técnicos
que recebem as embalagens.
O Inpev é responsável pelo transporte e destinação correta das embalagens vazias
coletadas nas centrais e encaminhadas para reciclagem ou incineração. A UFPR realiza o
trabalho de treinamento e pesquisa de campo, com o apoio de universitários e orientação
dos professores.
Com este convênio, foram capacitadas 4,7 mil pessoas no Paraná que atuam em 14
centrais de recolhimento e outros totalizando 75 pontos de recolhimento.
VII - 144
Os produtores rurais paranaenses têm à sua disposição uma ampla rede de unidades de
recebimento de embalagens vazias, formada por 14 centrais, localizadas nos municípios
de Cambé, Campo Mourão, Cascavel, Colombo, Cornélio Procópio, Maringá, Palotina,
Ponta Grossa, Prudentópolis, Francisco Beltrão, São Mateus do Sul, Guarapuava, Santa
Terezinha do Itaipu e Umuarama, além de outros 57 postos licenciados para o
recebimento.
Quadro 3.35 –
Destinação final de embalagens vazias por estado. Base: junho 2007 (kg).
Estado
Bem. Lavadas
Bem. Contaminadas
Total Geral
Mato Grosso
406.172
18.760
424.932
Paraná
340.581
33.018
373.599
São Paulo
265.880
18.540
284.420
Minas Gerais
167.982
11.710
179.692
Goiás
140.638
4.100
144.738
Mato Grosso do Sul
140.549
1.280
141.829
Bahia
118.538
10.730
129.268
Rio Grande do Sul
106.440
9.160
115.600
Santa Catarina
59.752
3.590
63.342
Maranhão
20.161
5.400
25.561
Rio de Janeiro
5.295
-
5.295
Piauí
11.550
-
11.550
Rondônia
11.060
-
11.060
Espírito Santo
-
3.440
3.440
Tocantins
-
2.310
2.310
Totais
1.794.598
122.038
Fonte: site do inPEV – www.inpev.org.br, acessado em 30 de julho de 2007.
1.916.636
Diante da situação, o governo do Paraná vem trabalhando nos últimos anos para
aumentar a quantidade de áreas destinadas aos produtos cultivados sem agrotóxicos. Na
safra 2005/2006 (ver Figura 3.46) o estado produziu 94.448 toneladas de produtos
orgânicos, um acréscimo de 17% na produção com relação a safra anterior. Outro número
importante é com relação ao aumento de produtores orgânicos que passou de 4.331 na
safra 2004/2005, para 6.520 na safra 2005/2006.
VII - 145
Figura 3.46
Evolução da Produção Orgânica no Paraná Safras 1996/97 a 2005/06
EVOLUÇÃO DA PRODUÇÃO ORGÂNICA NO PARANÁ
SAFRAS 1996/97 A 2005/06
94.448
77.971
Produção em toneladas
66.256
47.958
52.270
35.539
15.500
20.010 22.608
4.363
1996/97 1997/98 1998/99 1999/00 2000/01 2001/02 2002/03 2003/04 2004/05 2005/06
Fonte: Emater, 2006
No município de Cascavel, a sede da Crabi – Comissão Regional dos Atingidos por
Barragens do Iguaçu, assessorou os agricultores na implantação da agricultura orgânica,
com a orientação da ONG Assesoar, situada em Francisco Beltrão, recebendo também o
apoio de ONGs estrangeiras.
Capanema é referência para os municípios da área de estudo, situados na margem
esquerda do rio Iguaçu, na utilização da agricultura orgânica como alternativa de
produção, enquanto em Nova Prata do Iguaçu, com atuação da prefeitura, estão sendo
feitas campanhas para redução do uso de agrotóxicos, conjugadas ao incentivo de
utilização da agricultura orgânica.
b) Aspectos legais associados à qualidade das águas
Além da qualidade existente em uma determinada coleção hídrica, há também o padrão
de qualidade desejável, estando relacionado com os usos destinados da mesma, e
definidos em legislação específica.
O enquadramento dos cursos d’água objetiva adequar os usos atuais e pretendidos a um
nível de qualidade desejado, de tal forma que os compatibilize às atividades antrópicas,
com a manutenção do equilíbrio ecológico aquático (SUDERHSA, s/d).
VII - 146
A Resolução nº 357 do Conselho Nacional do Meio Ambiente, Conama, de 2005
estabelece a seguinte classificação para águas doces, de acordo com o uso
preponderante:
I – Classe especial – águas destinadas:
-
ao abastecimento doméstico sem prévia ou com simples desinfecção;
-
à preservação do equilíbrio natural das comunidades aquáticas.
II – Classe 1 – águas destinadas:
-
ao abastecimento doméstico após tratamento simplificado;
-
à proteção das comunidades aquáticas;
-
à recreação de contato primário (natação, esqui aquático e mergulho);
-
à irrigação de hortaliças que são consumidas cruas e de frutas que se desenvolvam
rentes ao solo e que sejam ingeridas cruas sem remoção de película;
-
à criação natural e/ou intensiva (aquicultura) de espécies destinadas à alimentação
humana.
III – Classe 2 – águas destinadas:
-
ao abastecimento doméstico, após tratamento convencional;
-
à proteção das comunidades aquáticas;
-
à recreação de contato primário (natação e mergulho);
-
à irrigação de hortaliças e plantas frutíferas;
-
à criação natural e/ou intensiva (aquicultura) de espécies destinadas à alimentação
humana.
IV – Classe 3 – águas destinadas:
-
ao abastecimento doméstico, após tratamento convencional;
-
à irrigação de culturas arbóreas, cerealíferas e forrageiras;
-
à dessedentação de animais.
V – Classe 4 – águas destinadas:
-
à navegação;
-
à harmonia paisagística;
-
aos usos menos exigentes.
VII - 147
As Portarias SUREHMA (nº 005/89; nº 003 a nº 013, de 1991; nº 016 e nº 017, de 1991;
nº 019 e nº 020, de 1992) enquadram os cursos d’água das bacias hidrográficas no
Paraná. De acordo com a Portaria Surehma nº 005/91 de 19 de setembro de 1991, os
cursos d’água da bacia do rio Iguaçu, de domínio do Estado do Paraná, foram
enquadrados como pertencentes à classe 2, com algumas exceções, entre as quais
citam-se as seguintes, por envolverem cursos d’água localizados na área de estudo:
-
Os cursos d’água situados no Parque Nacional do Iguaçu, bem como seus
formadores fora dos limites do Parque, desde o rio Gonçalves Dias e seus afluentes,
situados nos municípios de Céu Azul, Cascavel e Capitão Leônidas Marques, até o rio
São João e seus afluentes, situados nos municípios de Foz do Iguaçu e Santa
Terezinha do Itaipu, que pertencem à classe “1”.
-
Os cursos d’água utilizados para abastecimento público e seus afluentes, desde suas
nascentes até a seção de captação para abastecimento público, quando a área desta
bacia de captação for menor ou igual a 50 (cinqüenta) quilômetros quadrados, tais
como os abaixo relacionados, localizados na área de estudo, que pertencem à classe
“1”.
•
Rio Ampére, manancial de abastecimento público do município de Ampére;
•
Rio Jacutinga, manancial de abastecimento público do município de Boa Vista da
Aparecida;
•
Córrego Matadouro, manancial de abastecimento público da localidade de Alto
Alegre do Iguaçu, município de Capitão Leônidas Marques;
•
Rio Peroba e rio Saltinho, manancial de abastecimento público do município de
Cascavel;
•
Rio das Flores, manancial de abastecimento público da localidade de Juvinópolis,
município de Cascavel;
•
Rio Santa Cruz, manancial de abastecimento público do município de Nova Prata
do Iguaçu;
•
Rio das Antas, manancial de abastecimento público do município de Santa Izabel
do Oeste e do município de Santo Antônio do Sudoeste.
Neste contexto vale ressaltar que na região da área de influência em estudo existem
mananciais contemplados com recursos do ICMS Ecológico. No quadro a seguir
apresenta-se uma relação dos mananciais contemplados, área da bacia e o município que
faz a captação, ou seja, do município que é abastecido pelo manancial.
VII - 148
Quadro 3.36
Relação dos mananciais contemplados com o ICMS Ecológico na área em estudo
Area (km2)
Manancial
Rio Lajeado Grande
Município abastecido
124
Pérola do Oeste
Rio Lontra
126,5
Salto do Lontra
Rio Monteiro
90,57
Capitão Leônidas Marques
Rio Sarandi
112
Realeza
Rio Siemens
94,5
Capanema
Rio Tamanduá
52,3
Salgado Filho
Rio Tamanduá
127,75
Foz do Iguaçu
No quadro 3.37 apresentam-se os valores repassados anualmente aos municípios que
possuem mananciais de abastecimento público para municípios vizinhos pelo ICMS
Ecológico, além do impacto deste ICMS Ecológico sobre o ICMS total repassado a estes
municípios. Como pode ser observado, alguns municípios chegam a receber de 40 a
100% a mais de repasse do ICMS em função do ICMS Ecológico.
Quadro 3.37
Repasse e impacto fiscal de ICMS ecológico na área em estudo
Município
Impacto no
ICMS
Valor anual repassado em r$
2000
2001
2002
2003
0,01-5%
42.799,31
53.436,35
64.930,72
80.913,01
Bela Vista do Caroba
5-20%
25.686,39
32.515,84
51.966,99
77.826,24
Flor da Serra do Sul
40-100%
422.163,55
579.033,36
689.001,22
812.049,66
Nova Esperança do Sudoeste
5-20%
97.471,31
140.257,38
172.378,91
209.959,30
Planalto
20-40%
288.639,62
332.864,17
449.667,55
607.041,29
Pranchita
5-20%
23.359,36
29.432,24
45.434,93
68.055,50
Santa Izabel do Oeste
5-20%
135.513,87
166.634,00
201.592,03
246.947,58
Santa Lucia
20-40%
104.209,14
118.816,18
131.358,67
139.678,11
Santa Terezinha do Itaipu
20-40%
874.294,68
938.146,00
1.062.758,22
1.175.515,23
Ampere
Na seqüência apresenta-se a evolução da qualidade da água nestes mananciais
contemplados com o ICMS ecológico. O índice utilizado é baseado na qualidade da água
com enfoque na sua tratabilidade, e possui a seguinte classificação:
-
0 a 40: ruim; 41 a 52: aceitável
VII - 149
90
80
Índice da Qualidade do Manancial
70
RIO
RIO
RIO
RIO
RIO
RIO
RIO
LAJEADO GRANDE
LONTRA
MONTEIRO
SARANDI
SIEMENS
TAMANDUÁ
TAMANDUÁ
60
50
40
30
20
10
0
1995
1996
1997
1998
1999
2000
-
2001
53
a 80: boa; 81 a 100: ótima
Figura 3.47
Evolução do Índice de qualidade dos mananciais
que recebem ICMS Ecológico, na região
Pode-se observar que os rios Monteiro e Sarandi possuem suas águas mais
comprometidas, variando de aceitável a boa sua qualidade como manancial. Os outros na
maior parte do tempo têm suas águas consideradas boas para fins de abastecimento.
c) Coleta e análise de dados
A Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, através das duas
autarquias vinculadas: Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e
Saneamento Ambiental - Suderhsa e o Instituto Ambiental do Paraná - IAP, realiza
monitoramento da qualidade da água de rios e reservatórios do Estado do Paraná,
possuindo 147 pontos de amostragem, distribuídos pelas 16 bacias hidrográficas do
estado.
O Quadro 3.38 apresenta uma ficha descritiva de cinco postos de monitoramento,
localizados na bacia do rio Iguaçu, a jusante da UHE Salto Caxias. Dessas, apenas o
Posto Parque Nacional do Iguaçu (IG-15), localizado no município de Foz do Iguaçu,
encontra-se fora da área de estudo.
VII - 150
Quadro 3.38
Bacia do rio Iguaçu a jusante da UHE Salto Caxias
Ficha descritiva dos postos de monitoramento da qualidade da água
Características
CÓDIGO
Rio
Município
POSTOS DE MONITORAMENTO DE QUALIDADE DA ÁGUA
PARQUE
PONTE
ESTREITO DO
SALTO CAXIAS
NACIONAL DO SÃO SEBASTIÃO
CAPANEMA
IGUAÇU NOVO
IGUAÇU
65981500 65995000 65986000 65975000 – IG12
65979000 - IG17
IG13
IG15
IG20
Rio Iguaçu
Rio Capanema Rio Iguaçu
Rio Andrada
Rio Iguaçu
Capitão Leônidas
Boa Vista da
Planalto
Foz do Iguaçu
Matelândia
Marques
Aparecida
25º 31' 59"
25º 46' 11"
25º 37' 00"
25º 25' 59"
25º 33' 00"
53º 30' 00"
53º 36' 41"
54º 28' 59"
53º 31' 00"
53º 51' 00"
270,00
320,00
100,00
510,00
185,00
57.974,00
1.740,00
67.459,00
1.309,00
63.236,00
Classe 2
Classe 2
Classe 2
Classe 2
Classe 2
Latitude
Longitude
Altitude (m)
Área de drenagem (km²)
Classe do trecho do rio (1)
Fonte:Suderhsa,2002
Notas:(1) De acordo com a Portaria Suremma nº 005/91, de 19/09/1991
UH E
B A IX O IG U A Ç U
IG17
IG12
IG20
IG13
Figura 3.48
Postos de monitoramento de qualidade da água localizados na área de estudo
VII - 151
No Quadro 3.39, está apresentado o período de monitoramento disponível para cada
posto de monitoramento da qualidade d’água da área de estudo e o respectivo esforço de
amostragem despendido. Nos postos Ponte Capanema, Parque Nacional do Iguaçu e São
Sebastião, os dados estão disponíveis entre 1987 e 2005; em Estreito do Iguaçu Novo, de
1988 até 2001; para Salto Caxias, o período está compreendido entre 1990 e 1995.
Quadro 3.39 - Postos de Monitoramento da Qualidade da Água da Área de Estudo
Período Disponível e Esforço de Amostragem Dispendido
Estação
Nº De Amostras
Período De Amostragem
Salto Caxias
10
1990 – 1995
Ponte Capanema
31
1987 – 2005
Parque Nacional Iguaçu
39
1987 – 2005
São Sebastião
26
1987 – 2005
26
1988 – 2005
Est. Iguaçu Novo
Fonte: Suderhsa, 2002.
Nesses postos, são monitorados os seguintes parâmetros:
-
Temperatura da água;
-
Coliformes fecais;
-
Temperatura do ar;
-
Coliformes totais;
-
OD;
-
pH;
-
DBO (5,20);
-
Fosfato total;
-
DQO;
-
Condutividade específica;
-
Nitrato;
-
Sólido total;
-
Nitrogênio total Kjeldahl;
-
Turbidez.
Os Quadros 3.40 a 3.44 apresentam os resultados do monitoramento desses parâmetros
para os cinco postos estudados, destacando-se, em vermelho, os episódios em que foram
violados os limites estabelecidos pela Resolução nº 357/2005, do Conama.
VII - 152
Quadro 3.40
Dados de monitoramento da qualidade da água da área de estudo
posto de Salto Caxias
PARÂMETROS
DATA DA
COLETA
Coliformes
Fecais
OD mg/l
NMP/100m
l
pH
DBO (5,20) Nitrato
mg/l
mg/l
Fosfato
Total mg/l
Turbidez
UNT
Temp.
Sólido Total
da Água
mg/l
o
C
Coliformes
Totais
NMP/100ml
DQO
mg/l
Condutividade
Elétricaµ S/cm
Nitrogênio
Temp.
Total
o
do Ar C Chuva
Kjeldahl mg/l
Vazão
m³/s
16/06/1990
9,72
7.000
6,8
1,00
0,60
0,132
47,0
143
16
-
-
-
-
-
-
4.422,00
29/07/1990
10,46
900
7,4
1,00
1,00
0,061
23,0
141
16
-
-
-
-
-
-
3.628,00
06/03/1991
8,40
500
7,0
4,00
0,57
0,016
4,0
68
17
17.000
7,0
32
0,39
25
BOM
619,50
15/07/1991
10,92
500
7,1
1,00
0,54
0,053
13,0
74
13
500
5,0
49
0,36
10
BOM
1.026,00
21/08/1991
8,22
8
7,1
1,00
0,47
0,04
4,7
54
19
21
4,0
43
0,31
19
BOM
1.221,00
22/10/1991
8,90
8
7,4
1,00
0,32
0,044
5,5
67
26
130
5,0
34
0,27
33
BOM
1.034,00
15/04/1992
8,76
300
6,9
1,00
0,20
0,048
5,0
134
21
800
2,0
35
0,20
25
07/05/1992
8,18
3.000
7,0
2,00
0,37
0,066
12,0
66
21
28.000
3,0
42
0,37
24
BOM
1.925,00
12/09/1993
9,88
6
7,6
1,00
0,04
0,010
2,9
29
19
70
4,0
43
0,02
24
BOM
716,10
4
7,6
2,00
0,33
0,026
4,2
32
22
33
6,0
35
0,22
27
BOM
574,40
15/05/1995
6,90
Fonte: Suderhsa, 2002.
Notas:
(1) Em vermelho - Excede limite da classe
(2) Em azul - Valores estimados pela Suderhsa
CHUVA 1.862,00
VII - 153
Quadro 3.41
Dados do monitoramento da qualidade da água da área de estudo
posto de Ponte Capanema
PARÂMETROS
DATA DA
COLETA
Coliformes
Fecais
OD mg/l
NMP/100m
l
pH
DBO (5,20) Nitrato Fosfato Total Turbide Sólido Total
mg/l
mg/l
mg/l
z UNT
mg/l
Coliformes
Temp. da
Totais
o
Água C NMP/100m
l
DQO
mg/l
Condutividade
Elétricaµ S/cm
Nitrogênio
Temp. do
Total
o
Ar C
Kjeldahl mg/l
Chuva
Vazão
m³/s
16,70
26/04/1987
8,02
800
7,5
1,00
1,80
0,018
6,5
81
19
-
-
-
-
-
-
24/06/1987
10,36
700
7,4
2,00
1,20
0,035
6,2
92
12
-
-
-
-
-
-
21,30
01/08/1987
9,42
300
7,0
1,00
0,36
0,050
2,0
84
17
-
-
-
-
-
-
11,80
01/12/1987
8,20
110
7,5
1,00
0,75
0,015
7,5
88
27
-
-
-
-
-
-
22,10
19/05/1989
9,70
60
7,4
1,00
0,02
0,006
4,5
69
20
-
-
-
-
-
-
7,50
13/06/1989
9,40
1.300
7,4
1,00
0,18
0,046
23,0
101
15
-
-
-
-
-
-
20,10
29/08/1989
9,60
3.000
7,6
3,00
0,66
0,047
25,0
155
19
-
-
-
-
-
-
64,70
18/02/1990
6,84
800
7,9
1,00
0,75
0,071
16,0
47
25
-
-
-
-
-
-
9,90
08/11/1990
7,52
2.300
6,5
2,00
0,72
0,085
34,0
150
20
-
-
-
-
-
-
32,80
19/08/1991
8,02
50
7,4
1,00
0,41
0,026
7,4
57
17
500
2,0
76
0,27
15
BOM
12,80
17/09/1991
7,00
8
8,1
4,00
0,30
0,040
1,6
103
16
110
10,0
94
0,20
18
BOM
4,90
26/03/1992
7,90
5.000
7,5
2,00
0,60
0,093
37,0
128
24
90.000
5,0
68
0,40
32
BOM
231,8
0
13/04/1992
7,44
2.200
7,0
1,00
0,39
0,066
17,0
97
19
2.200
2,0
68
0,26
20
04/05/1992
8,82
1.300
7,0
2,00
0,54
0,075
28,0
113
20
11.000
3,0
73
0,36
23
BOM
03/08/1993
10,08
800
7,3
2,00
0,10
0,041
15,0
79
18
2.800
8,0
68
0,07
18
BOM
54,90
28/03/1994
7,66
11
7,6
2,00
0,15
0,010
1,0
82
23
1.300
11,0
78
0,10
25
BOM
12,10
14/05/1995
6,94
220
7,6
2,00
0,22
0,010
2,6
88
20
3.000
6,0
74
0,15
26
BOM
11,70
11/11/1996
7,98
5.000
7,4
4,00
0,80
0,104
0,0
123
24
7.000
5,0
66
0,40
28
BOM
30,54
18/05/1997
8,00
2
7,5
1,00
0,28
0,023
0,0
116
24
41
7,0
92
0,14
26
BOM
1,00
BOM
308,4
1
22/07/1997
8,46
7.000
7,1
4,00
0,90
0,141
0,1
113
19
17.000
6,0
61
0,45
21
CHUVA 63,90
90,10
VII - 154
Quadro 3.41
Dados do monitoramento da qualidade da água da área de estudo
posto de Ponte Capanema
PARÂMETROS
DATA DA
COLETA
Coliformes
Fecais
OD mg/l
NMP/100m
l
pH
DBO (5,20) Nitrato Fosfato Total Turbide Sólido Total
mg/l
mg/l
mg/l
z UNT
mg/l
Coliformes
Temp. da
Totais
Água oC NMP/100m
l
DQO
mg/l
Condutividade
Elétricaµ S/cm
Nitrogênio
Temp. do
Total
o
Ar C
Kjeldahl mg/l
Chuva
Vazão
m³/s
25/08/1998
8,20
15
7,3
1,00
0,62
0,140
0,1
135
22
90.000
9,0
64
0,31
26
BOM
103,5
9
03/05/1999
8,32
4
7,9
1,00
0,22
0,013
10,0
70
21
300
3,0
74
0,08
-
BOM
5,00
29/08/1999
11,50
230
8,0
1,00
0,48
0,017
1,3
80
22
300
6,0
84
0,24
25
BOM
3,80
26/10/1999
8,50
140
7,9
1,00
0,68
0,028
6,9
59
20
1.300
2,0
74
0,34
22
BOM
8,28
27/11/1999
7,50
170
7,8
2,00
1,04
0,025
5,0
113
26
1.400
15,0
95
0,52
34
BOM
3,70
25/04/2000
9,20
130
7,8
2,00
1,50
0,034
13,0
73
22
5.000
4,0
77
1,07
28
BOM
20,95
27/06/2000
9,00
2.300
7,8
1,00
0,62
0,038
15,0
86
19
2.300
2,0
72
0,31
24
BOM
25,43
15/08/2000
13,00
500
7,7
2,70
1,00
0,030
5,0
69
20
2.200
14,0
70
0,50
26
CHUVA
9,54
15/11/2000
7,50
70
7,6
3,10
1,60
0,042
10,0
193
18
22.000
5,9
82
1,17
20
BOM
14,21
14/06/2001
8,70
110
7,8
2,00
0,54
0,030
12,0
91
19
1.700
1,0
62
0,27
24
BOM
25,43
04/12/2001
6,30
500
7,3
2,00
Fonte: Suderhsa, 2002.
Notas:
(1) Em vermelho - Excede limite da classe
(2) Em azul - Valores estimados pela Suderhsa
0,62
0,065
60,0
107
22
-
4,3
65
0,31
19
CHUVA
8,43
VII - 155
Quadro 3.42
Dados do monitoramento da qualidade da água da área de estudo
posto do Parque Nacional do Iguaçu
PARÂMETROS
Coliformes
DATA DA
Fecais
COLETA OD mg/l
NMP/100m
l
pH
18/02/1987
7,62
1.700
7,4
1,00
0,29
0,076
37,0
95
24
30/06/1987
10,10
170
7,0
1,00
1,03
0,018
17,0
42
12/12/1987
8,78
800
7,1
1,00
0,95
0,035
20,0
89
25/03/1988
9,10
130
7,3
1,00
0,54
0,010
2,0
50
07/07/1988
11,22
30
6,6
2,00
0,87
0,019
15,0
94
17
-
-
-
-
26/09/1990
11,14
1.100
7,0
1,00
0,45
0,041
28,0
139
18
-
-
-
-
11/09/1991
8,76
50
7,3
1,00
0,64
0,057
2,6
60
21
230
2,0
38
0,11
32
05/12/1991
9,50
17
7,3
2,00
0,78
0,026
4,4
49
24
-
7,0
37
0,23
12/03/1992
9,30
300
7,2
2,00
1,09
0,012
18,0
104
27
8.000
9,0
341
0,41
25/05/1992
10,58
3.000
7,0
4,00
0,97
0,020
60,0
183
20
17.000
12,0
37
02/09/1993
10,18
140
7,4
1,00
0,17
0,020
3,3
49
18
3.000
3,0
23/03/1994
9,20
22
7,1
1,00
0,65
0,010
7,5
55
27
170
2,0
26/09/1994
9,86
22
7,5
1,00
0,73
0,022
6,2
83
24
800
4,0
09/05/1995
7,90
200
7,5
1,00
0,69
0,001
10,0
18
19
200
7,0
24/07/1995
10,42
170
7,6
1,00
0,38
0,061
6,5
66
18
5.000
7,0
17/10/1995
5,09
25
7,6
1,00
0,91
0,030
18,0
66
21
1.300
05/12/1995
8,40
1.700
7,5
3,00
0,59
0,010
3,5
60
28
3.000
27/03/1996
8,98
1.100
7,5
1,00
0,68
0,020
6,4
15
25
1.700
DBO (5,20) Nitrato Fosfato Total Turbide Sólido Total
mg/l
mg/l
mg/l
z UNT
mg/l
Coliformes
Temp. da
Totais
Água oC NMP/100m
l
Nitrogênio
Temp. do
Total
Ar oC
Kjeldahl mg/l
DQO
mg/l
Condutividade
Elétricaµ S/cm
-
-
-
-
17
-
-
-
28
-
-
-
29
-
-
-
Chuva
Vazão
m³/s
0
-
-
-
0
-
-
-
0
-
-
-
0
-
-
0
-
-
0
-
-
BOM
-
34
BOM
-
29
CHUVA
-
0,23
18
BOM
-
44
0,01
11
BOM
-
45
0,26
25
BOM
-
37
0,19
28
BOM
-
46
0,31
18
CHUVA
-
50
0,15
29
BOM
-
4,0
45
0,30
22
BOM
-
8,0
42
0,14
26
BOM
-
4,0
39
0,20
25
CHUVA
-
22/05/1996
9,48
23
7,3
3,00
0,51
0,010
2,5
9
18
300
5,0
57
0,09
23
BOM
22/09/1996
10,88
13
7,6
1,00
0,94
0,010
5,5
35
22
110
3,0
38
0,50
24
NUB
-
04/12/1996
9,60
8
6,6
1,00
0,81
0,017
4,5
58
27
500
3,0
40
0,36
37
BOM
-
04/03/1997
9,66
18
7,3
1,00
0,69
0,033
10,0
53
29
-
7,0
45
0,20
27
CHUVA
-
VII - 156
Quadro 3.42
Dados do monitoramento da qualidade da água da área de estudo
posto do Parque Nacional do Iguaçu
PARÂMETROS
Coliformes
DATA DA
Fecais
COLETA OD mg/l
NMP/100m
l
pH
Coliformes
Temp. da
Totais
Água oC NMP/100m
l
11/06/1997
10,34
4
7,5
1,00
0,80
0,002
12,0
48
18
17/09/1997
9,94
4
7,4
1,00
0,67
0,032
6,0
49
16
19/11/1997
8,90
70
7,2
2,00
0,69
0,098
17,0
65
27
350
18/03/1998
8,76
140
7,5
1,00
0,65
0,009
14,0
107
19
17/06/1998
10,16
23
6,5
1,00
0,71
0,017
10,0
33
20
07/10/1998
10,56
800
7,4
2,00
0,99
0,110
68,0
88
19
09/12/1998
8,70
300
7,5
1,00
0,61
0,006
14,0
47
22
05/05/1999
9,76
8.000
7,5
1,00
0,63
0,022
18,0
56
26/08/1999
11,70
1.000
7,1
1,00
0,66
0,009
5,5
30/09/1999
9,90
9
7,5
1,00
0,79
0,080
9,2
24/11/1999
9,60
2
7,5
1,00
1,17
0,028
3,6
Nitrogênio
Temp. do
Total
Ar oC
Kjeldahl mg/l
DQO
mg/l
Condutividade
Elétricaµ S/cm
520
5,0
37
0,19
17
CHUVA
-
2.300
2,0
38
0,17
15
BOM
-
4,0
32
0,41
35
BOM
-
2.300
8,0
33
0,26
18
BOM
-
1.700
6,0
29
0,09
19
BOM
-
7.000
6,0
35
0,35
22
CHUVA
-
1.700
3,0
19
0,16
26
CHUVA
-
24
8.000
7,0
38
0,04
-
CHUVA
-
24
20
3.000
6,0
38
0,20
0
BOM
-
47
23
800
5,0
39
0,26
25
BOM
-
29
25
140
3,0
36
0,59
23
BOM
-
DBO (5,20) Nitrato Fosfato Total Turbide Sólido Total
mg/l
mg/l
mg/l
z UNT
mg/l
Chuva
Vazão
m³/s
25/11/1999
9,50
7
7,3
1,00
0,94
0,021
4,1
33
21
300
5,0
37
0,41
23
CHUVA
-
16/07/2000
12,00
320
6,7
1,20
0,98
0,067
24,0
56
16
380
7,7
50
0,37
5
BOM
-
21/09/2000
10,00
110
7,6
1,00
1,32
0,027
12,0
31
21
80.000
1,0
43
0,42
32
BOM
-
07/12/2000
9,40
3.500
7,9
1,00
0,87
0,023
6,5
50
27
17.000
5,8
39
0,39
30
BOM
-
18/06/2001
10,50
20
7,5
2,00
0,79
0,028
11,0
36
19
70
1,5
37
0,33
14
BOM
-
11/09/2001
9,80
20
7,1
2,00
Fonte: Suderhsa, 2002.
Notas:
(1) Em vermelho - Excede limite da classe
(2) Em azul - Valores estimados pela Suderhsa
0,71
0,022
3,5
26
21
300
5,7
32
0,26
24
BOM
-
VII - 157
Quadro 3.43
Dados do monitoramento da qualidade da água da área de estudo
posto de São Sebastião
PARÂMETROS
Coliformes
DATA DA
Fecais
COLETA OD mg/l
NMP/100m
l
pH
Coliformes
Temp. da
Totais
Água oC NMP/100m
l
24/02/1987
7,98
1.700
8,0
1,00
0,18
0,059
32,0
111
22
27/04/1987
8,40
5.000
7,6
1,00
0,84
0,026
39,0
72
20
25/06/1987
11,80
320
7,1
1,00
1,22
0,087
54,0
144
20/04/1988
7,94
7.000
6,6
1,00
1,02
0,264
85,0
30/05/1988
8,86
13.000
6,8
2,00
0,94
0,081
56,0
03/08/1988
9,44
30
7,0
1,00
0,63
0,019
30/10/1988
8,48
23.000
6,7
3,00
2,80
1,196
29/11/1988
7,70
50
8,2
1,00
0,59
07/11/1990
7,50
1.700
6,9
1,00
07/05/1992
8,54
8.000
7,2
3,00
23/06/1996
8,44
30
7,6
16/10/1996
8,74
1.700
16/06/1997
9,60
17/08/1997
14/10/1997
Nitrogênio
Temp. do
Total
Ar oC
Kjeldahl mg/l
DQO
mg/l
Condutividade
Elétricaµ S/cm
-
-
-
-
-
-
-
-
13
-
-
-
-
295
24
-
-
-
-
-
-
27,60
142
16
-
-
-
-
-
-
55,00
9,3
62
15
-
-
-
-
-
-
12,50
2,5
56
21
-
-
-
-
-
-
25,20
0,033
2,0
93
26
-
-
-
-
-
-
3,50
0,51
0,048
32,0
80
18
-
-
-
-
-
-
39,70
0,69
0,151
12,0
145
22
30.000
6,0
39
0,46
27
BOM
55,20
1,00
1,30
0,010
6,3
125
17
170
2,0
56
0,75
17
BOM
12,52
7,0
2,00
0,62
0,091
49,0
74
19
50.000
7,0
43
0,31
24
BOM
110,2
5
11.000
7,2
2,00
1,04
0,053
98,0
160
18
50.000
14,0
40
0,52
16
BOM
34,30
8,74
34
7,3
3,00
0,20
0,002
14,0
33
20
8.000
4,0
38
0,09
22
BOM
36,11
7,84
50
7,0
2,00
0,20
0,002
20,0
75
20
8.000
5,0
45
0,09
-
BOM
79,66
23/06/1998
9,42
90
6,9
1,00
0,05
0,019
8,0
13
21
2.200
4,0
38
0,01
23
BOM
23,57
28/04/1999
8,98
4
7,5
2,00
0,18
0,022
18,0
25
20
5.000
3,0
39
0,06
25
BOM
29,81
30/08/1999
9,10
33
7,3
1,00
0,94
0,032
3,3
77
35
1.400
5,0
44
0,47
23
BOM
10,26
25/10/1999
8,60
170
8,8
1,00
2,60
0,037
15,0
16
23
1.700
7,0
40
2,02
25
BOM
65,00
28/11/1999
9,00
50
7,8
4,00
1,90
0,052
8,5
79
25
500
9,0
53
0,95
32
BOM
3,80
26/04/2000
9,20
220
7,9
1,00
0,50
0,030
7,0
52
22
500
1,0
46
0,25
28
BOM
10,61
DBO (5,20) Nitrato Fosfato Total Turbide Sólido Total
mg/l
mg/l
mg/l
z UNT
mg/l
Chuva
Vazão
m³/s
-
-
22,10
-
-
28,10
-
-
48,90
VII - 158
Quadro 3.43
Dados do monitoramento da qualidade da água da área de estudo
posto de São Sebastião
PARÂMETROS
Coliformes
DATA DA
Fecais
COLETA OD mg/l
NMP/100m
l
pH
Coliformes
Temp. da
Totais
Água oC NMP/100m
l
28/06/2000
8,70
20
7,6
1,00
0,15
0,014
7,0
47
19
16/08/2000
9,20
20
7,5
1,00
0,54
0,031
3,0
50
16
16/11/2000
8,50
600
7,5
1,00
0,24
0,040
16,0
60
04/09/2001
9,60
100
8,1
2,00
0,60
0,045
6,8
04/12/2001
8,30
150
7,3
2,00
Fonte:Suderhsa, 2002.
Notas:
(1) Em vermelho - Excede limite da classe
(2) Em azul - Valores estimados pela Suderhsa
0,28
0,049
6,1
Nitrogênio
Temp. do
Total
Ar oC
Kjeldahl mg/l
DQO
mg/l
Condutividade
Elétricaµ S/cm
22.000
2,0
49
0,04
13.000
1,4
43
0,27
22
23.000
4,7
50
36
27
-
2,3
52
22
-
3,6
DBO (5,20) Nitrato Fosfato Total Turbide Sólido Total
mg/l
mg/l
mg/l
z UNT
mg/l
Chuva
Vazão
m³/s
24
BOM
22,02
16
BOM
16,18
0,12
28
BOM
37,09
39
0,30
33
BOM
12,37
54
0,14
22
CHUVA 25,97
VII - 159
Quadro 3.44
Dados do monitoramento da qualidade da água da área de estudo
posto de Estreito do Iguaçu Novo
PARÂMETROS
DATA DA
COLETA OD mg/l
Coliformes
Temp. da
Totais
Água oC NMP/100m
l
Condutivi- Nitrogênio
dade
Total
Elétricaµ S/c Kjeldahl
mg/l
m
Coliformes
Fecais
NMP/100ml
pH
7,0
1,00
0,76
0,010
4,0
28
27
-
-
-
DBO (5,20) Nitrato Fosfato Total Turbide Sólido Total
mg/l
mg/l
mg/l
z UNT
mg/l
DQO
mg/l
Temp.
do Ar
oC
Chuva
Vazão m³/s
-
-
-
722,000
08/03/1988
7,72
11
22/04/1988
8,28
500
7,0
1,00
0,54
0,012
16,0
112
24
-
-
-
-
-
-
882,000
03/08/1988
9,80
2
6,7
1,00
0,28
0,010
7,5
52
28
-
-
-
-
-
-
1305,000
01/10/1990
8,86
500
7,2
1,00
0,52
0,012
26,0
182
19
-
-
-
-
-
-
3018,000
16/03/1992
8,26
230
7,1
2,00
0,60
0,050
14,0
54
24
1.100
9,0
37
-
26
CHUVA
926,000
21/05/1992
10,76
500
6,3
3,00
0,80
0,060
15,0
70
20
3.000
10,0
41
-
21
CHUVA
1712,000
28/09/1992
9,30
1.400
6,2
1,00
0,70
0,084
31,0
81
20
8.000
4,0
36
-
24
BOM
3407,000
03/05/1994
8,20
30
7,5
2,00
0,45
0,005
4,9
24
23
230
6,0
37
-
26
BOM
582,000
27/07/1994
9,18
5.000
7,0
1,00
0,68
0,078
14,0
25
23
5.000
4,0
62
-
26
BOM
414,00
26/05/1996
9,72
110
7,4
2,00
0,60
0,020
3,2
9
21
500
6,0
37
-
23
BOM
795,85
17/09/1996
9,44
30
7,2
2,00
0,68
0,020
6,5
15
19
170
9,0
37
-
26
BOM
1434,35
12/11/1996
8,52
280
7,0
1,00
0,59
0,052
13,0
27
23
900
6,0
-
-
26
CHUVA
2265,03
13/04/1997
8,84
2
7,1
3,00
0,82
0,004
5,0
18
26
2.200
9,0
34
-
24
BOM
806,00
13/08/1997
9,62
6
7,1
1,00
0,85
0,032
12,0
36
20
1.700
5,0
34
-
20
BOM
2216,85
18/11/1997
9,08
50
6,9
2,00
0,26
0,050
20,0
70
23
1.400
7,0
31
0,13
27
CHUVA
3700,80
16/04/1998
7,74
2.200
7,0
1,00
0,80
0,004
17,0
39
18
22.000
5,0
42
-
19
CHUVA
3473,60
27/05/1998
8,96
1.700
7,3
2,00
0,56
0,005
15,0
24
20
1.700
3,0
32
-
21
NUB
2304,09
24/11/1998
8,30
2
7,5
2,00
0,74
0,040
16,0
15
22
130
6,0
33
-
27
BOM
1446,14
29/08/1999
11,06
4
7,2
1,00
0,59
0,020
3,7
15
20
33
4,0
37,3
-
22
BOM
1305,00
27/10/1999
9,90
8
7,3
1,00
0,65
0,060
4,4
8
22
30
2,0
37,7
-
25
BOM
1104,60
14/03/2000
6,90
2
7,8
1,00
0,60
0,032
3,1
20
27
620
7,0
173,8
-
27
BOM
953,80
10/05/2000
7,90
300
7,6
1,00
0,65
0,034
5,0
16
22
500
4,0
45,4
-
19
BOM
1788,03
VII - 160
Quadro 3.44
Dados do monitoramento da qualidade da água da área de estudo
posto de Estreito do Iguaçu Novo
PARÂMETROS
DATA DA
COLETA OD mg/l
Coliformes
Fecais
NMP/100ml
DBO (5,20) Nitrato Fosfato Total Turbide Sólido Total
pH
mg/l
mg/l
mg/l
z UNT
mg/l
Coliformes
Totais
Temp. da
Água oC NMP/100m
l
DQO
mg/l
Condutivi- Nitrogênio
dade
Total
Elétricaµ S/c Kjeldahl
mg/l
m
Temp.
do Ar
oC
Chuva
Vazão m³/s
17/07/2000
10,00
70
6,9
1,00
0,89
0,024
5,0
16
16
70
4,2
49
-
12
BOM
1425,00
06/11/2000
8,50
110
7,4
1,00
0,80
0,030
11,0
16
22
130
1,4
43
-
27
BOM
1962,50
19/06/2001
8,70
20
7,0
2,00
0,75
0,060
7,3
25
19
20
10/12/2001
8,50
150
7,1
2,00
Fonte: Suderhsa, 2002.
Notas:(1) Em vermelho - Excede limite da classe
(2) Em azul - Valores estimados pela Suderhsa
0,80
0,010
5,3
96
24
9,2
37
-
12
CHUVA
1325,00
6,5
33,3
-
31
BOM
1465,00
VII - 161
A seguir é feita uma análise dos resultados dos parâmetros, bem como a comparação dos
mesmos com os padrões estabelecidos pela Resolução Conama n° 357 de 17 de março
de 2005, para a classe 2.
−
Temperatura do ar e da água
As variações de temperatura fazem parte do regime climático normal, e corpos d’água
naturais apresentam variações sazonais e diurnas. A temperatura superficial é
influenciada por fatores tais como: latitude, altitude, estação do ano, período do dia, taxa
de fluxo e profundidade.
Os valores da temperatura da água e do ar, obtidos nas medições, não mostraram-se
discrepantes em relação às características climáticas regionais.
−
Oxigênio dissolvido (OD)
Em todas as medições realizadas, o OD esteve acima do limite mínimo estabelecido para
a classe 2 (5,0 mg/l), com a maioria dos valores situando-se acima de 8,0 mg/l.
−
Demanda química de oxigênio (DQO) e demanda bioquímica de oxigênio (DBO)
O limiar da Resolução Conama n.º 357 , para a DBO, em águas de classe 2, é de 5 mg/l
de O2.
Os valores da DBO, dos pontos de amostragem considerados, situaram-se dentro do
limite estabelecido para a classe mencionada, tendo atingido, no máximo, 4 mg/l em todas
as medições.
O trecho do médio e baixo Iguaçu apresenta valores baixos de DBO, devido à baixa carga
poluente deste trecho e ao grande volume de vazão onde os poluentes da parte superior
do curso podem ser diluídos.
A maioria das indústrias no Estado do Paraná estão equipadas com instalações de
tratamento de água residual. Em média, a remoção da DBO varia entre 83 e 100% em
todas as áreas de bacia hidrográfica, exceto na bacia do Iguaçu onde a remoção é de
apenas 65%. A média da remoção da DBO do Paraná é de 97%.
A relação DQO/DBO em águas naturais pode variar em torno de 7,0 e 20,0, dependendo
de diversos parâmetros. Valores altos indicam uma elevada fração inerte (não
biodegradável).
Para os pontos analisados, a maioria dos valores situou-se um pouco abaixo da faixa
mencionada.
−
Nitrato
Nitrogênio nitrato é a principal forma de nitrogênio configurado encontrado nas águas.
Concentrações de nitratos superiores a 5 mg/l demonstram condições sanitárias
inadequadas, pois a principal fonte de nitrogênio nitrato são dejetos humanos e animais
(CETESB, s/d). Os nitratos estimulam o desenvolvimento de plantas, sendo que
VII - 162
organismos aquáticos, como algas e macrófitas, tendem a aumentar em biomassa na
presença destes.
Segundo a Resolução Conama nº 357, o valor máximo de nitrogênio nitrato para a classe
2 é de 10 mg/l.
Verifica-se que os valores do parâmetro estiveram de acordo com esse limite em todas as
medições realizadas situando-se, a maioria, abaixo de 1,0 mg/l.
−
Nitrogênio total Kjeldahl
O nitrogênio Kjeldahl é a soma dos nitrogênios orgânico e amoniacal. Ambas as formas
estão presentes em detritos de nitrogênio orgânico oriundos de atividades biológicas
naturais. Pode contribuir para a completa abundância de nutrientes na água e sua
eutrofização. Os nitrogênios amoniacal e orgânico são importantes para avaliar o
nitrogênio disponível para as atividades biológicas. A concentração de Nitrogênio Total
Kjeldahl em rios que não são influenciados pelo excesso de insumos orgânicos variam de
1,0 a 0,5 mg/l (CETESB, s/d).
A maior parte dos valores encontrados nas análises situou-se abaixo dessa faixa, tendose registrado apenas três violações em todas as medições efetuadas.
−
Coliformes fecais e totais
O uso do indicador coliforme fecal, para refletir poluição sanitária, mostra-se mais
significativo que o uso do coliforme total. Os coliformes fecais (em NMP) são bactérias (a
exemplo da Escherichia coli) oriundas do trato intestinal humano e animal. A presença de
coliformes fecais indica contaminação por fezes humanas e, portanto, sua potencialidade
em transmitir doenças. O acúmulo e extravasamento de dejetos para corpos d’água assim
como o despejo clandestino (acidental ou não) de resíduos podem provocar a
contaminação dos mesmos.
Segundo a Resolução Conama nº 357, os valores máximos de coliformes fecais e totais,
para águas da classe 2, são de 1.000 NMP/100 ml e 5.000 NMP/100 ml, respectivamente.
Nota-se que alguns valores estão acima desses limites estabelecidos. Nos postos Salto
Caxias e Ponte Capanema, os valores de coliformes fecais atingiram o valor de 7.000 e
22.000 NMP/100 ml, em junho de 1990 e julho de 2005, respectivamente. No caso do
Parque Nacional do Iguaçu e Estreito do Iguaçu Novo, os valores chegaram a 8.000
NMP/100 ml, em maio de 1999 e 5.000 NMP/100 ml, em julho de 1994 e 2005,
respectivamente. O maior valor das medições foi de 130.000 NMP/100 ml, no posto de
São Sebastião (rio Andrada), em outubro de 2005.
Em relação aos coliformes totais, valores muito altos foram registrados nos pontos Ponte
Capanema e Parque Nacional do Iguaçu, atingindo 90.000 NMP/100 ml (em março de
1992 e agosto de 1998) e 80.000 NMP/100 ml (em setembro de 2000 e 2005),
respectivamente. Para as estações de Salto Caxias, São Sebastião e Estreito do Iguaçu
Novo, os valores mais altos foram, respectivamente, 28.000 NMP/100 ml (em maio de
1992); 500.000 NMP/100 ml (em outubro de 2005) e 22.000 NMP/100 ml (em abril de
1998).
VII - 163
Esses valores altos podem ser explicados, em parte, pelo carregamento de dejetos
oriundos de áreas urbanas e rurais durante chuvas de maior intensidade. De fato, as
Figuras 3.48 a 3.57 mostram que valores elevados desses parâmetros normalmente estão
associados a maiores vazões dos corpos receptores. No trabalho realizado durante o
diagnóstico participativo, constatou-se ser prática regular e crescente o lançamento de
esgoto doméstico nas galerias de águas pluviais, de forma clandestina. A justificativa foi
de que as fossas na maior parte dos casos já se encontram saturadas e a sua
manutenção fica cada vez mais difícil, incentivando os lançamentos clandestinos. Estes
lançamentos acabam chegando nos rios, e de forma mais intensa quando há precipitação.
É importante salientar que no caso do posto IG-15- Parque Nacional do Iguaçu não se
dispõe de registros de vazão líquida, e mesmo assim os dados dos parâmetros de
qualidade da água foram apresentados. Nesta etapa é feita a hipótese de que os maiores
registros dos parâmetros analisados estão associados às maiores vazões.
8.000
5.000
7.000
4.500
4.000
6.000
3.500
5.000
3.000
4.000
2.500
3.000
2.000
1.500
2.000
1.000
1.000
500
0
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
classe II
Coliformes Fecais
Q (m³/s)
Figura 3.49
Coliformes fecais - posto 65975000 - IG12 – Salto Caxias
Q (m³/s)
Coliformes Fecais
(NMP/100ml)
Em fase posterior dos estudos, por análise de correlação de vazões líquidas, as mesmas
poderão ser geradas e alocadas no gráfico, além do que deve se ressaltar a necessidade
de dar início a campanhas de medição de descarga neste ponto.
7/12/2000
18/6/2001
13/6/1989
29/8/1989
18/2/1990
8/11/1990
19/8/1991
17/9/1991
26/3/1992
13/4/1992
4/5/1992
3/8/1993
28/3/1994
14/5/1995
11/11/1996
18/5/1997
22/7/1997
25/8/1998
3/5/1999
29/8/1999
26/10/1999
27/11/1999
25/4/2000
27/6/2000
15/8/2000
15/11/2000
14/6/2001
4/12/2001
2/7/2003
20/3/2005
25/7/2005
21/9/2005
350
300
VII - 164
Q (m³/s)
250
200
150
100
20/7/2005
19/5/1989
50
16/3/2005
1/8/1987
1/12/1987
0
11/9/2001
22.000
21/9/2000
21.000
16/7/2000
20.000
25/11/1999
19.000
30/9/1999
24/11/1999
18.000
26/8/1999
17.000
5/5/1999
16.000
9/12/1998
15.000
7/10/1998
14.000
17/6/1998
13.000
18/3/1998
12.000
19/11/1997
11.000
17/9/1997
24/6/1987
Q (m³/s)
11/6/1997
9.000
4/3/1997
10.000
4/12/1996
8.000
22/9/1996
7.000
22/5/1996
6.000
27/3/1996
5.000
5/12/1995
26/4/1987
COLI-FE (NMP/100mL)
17/10/1995
4.000
24/7/1995
3.000
9/5/1995
2.000
26/9/1994
0
23/3/1994
1.000
2/9/1993
Figura 3.50
Coliformes fecais - posto 65981500 - IG13 – Ponte Capanema
25/5/1992
9.000
12/3/1992
8.000
5/12/1991
Coliformes Fecais (NMP/100 ml)
7.000
11/9/1991
6.000
7/7/1988
26/9/1990
5.000
25/3/1988
4.000
12/12/1987
3.000
30/6/1987
2.000
18/2/1987
1.000
0
Figura 3.51
Coliformes fecais - posto 65995000 - IG15 – Parque Nacional do Iguaçu
Coliformes Fecais (NMP/100ml)
Coliformes Fecais (NMP/100 ml)
Coliformes Fecais (NMP/100 ml)
18/11/1997
16/4/1998
27/5/1998
29/8/1999
27/10/1999
14/3/2000
10/5/2000
17/7/2000
6/11/2000
19/6/2001
10/12/2001
13/8/2003
26/11/2003
17/3/2005
25/6/1987
20/4/1988
30/5/1988
3/8/1988
30/10/1988
29/11/1988
7/11/1990
7/5/1992
23/6/1996
16/10/1996
16/6/1997
17/8/1997
14/10/1997
23/6/1998
28/4/1999
30/8/1999
25/10/1999
28/11/1999
26/4/2000
28/6/2000
16/8/2000
16/11/2000
4/9/2001
4/12/2001
14/8/2003
2/12/2003
26/7/2005
120
100
VII - 165
Q (m³/s)
80
60
40
20
0
4000
3500
3000
2500
2000
1500
1000
500
0
Q (m³/s)
27/4/1987
Q (m³/s)
Q (m³/s)
24/11/1998
20.000
13/8/1997
18.000
13/4/1997
16.000
12/11/1996
14.000
17/9/1996
12.000
26/5/1996
10.000
3/5/1994
27/7/1994
8.000
28/9/1992
6.000
21/5/1992
4.000
16/3/1992
24/2/1987
COLI-FECAL (NMP/100mL)
Figura 3.52
Coliformes fecais - posto 65979000 - IG17 – São Sebastião
1/10/1990
2.000
0
5.000
4.000
3.000
2.000
1.000
0
3/8/1988
COLI-FECAL (NMP/100mL)
Figura 3.53
Coliformes fecais - posto 65986000 - IG20 – Estreito do Iguaçu Novo
8/3/1988
22/4/1988
VII - 166
30.000
5.000
4.500
4.000
3.500
20.000
3.000
15.000
2.500
2.000
10.000
Q (m³/s)
Coliformes Totais
(NMP/100ml)
25.000
1.500
1.000
5.000
500
0
0
CLASSE II1
2
3
4
5
6
Coliformes Totais
7
8
9
10
Q (m³/s)
Figura 3.54
Coliformes totais - posto 65975000 - IG12 – Salto Caxias
100.000
350
90.000
300
250
70.000
60.000
200
50.000
150
40.000
30.000
100
20.000
50
10.000
0
0
1
CLASSE II
3
5
7
9
11 13 15 17 19 21 23 25 27 29 31
Coliformes Totais
Q (m³/s)
Figura 3.55
Coliformes totais - posto 65981500 - IG13 – Ponte Capanema
Q (m³/s)
Coliformes Totais
(NMP/100ml)
80.000
VII - 167
80.000
Coliformes Totais
(NMP/100ml)
70.000
60.000
50.000
40.000
30.000
20.000
10.000
0
1
3
5
7
9
11 13 15 17 19 21 23 25 27 29 31 33 35 37 39
CLASSE II
Coliformes Totais
70.000
120
60.000
100
50.000
80
40.000
60
30.000
40
20.000
20
10.000
0
0
1
3
5
7
9
11 13
15 17 19
21 23 25
CLASSE II
Coliformes Totais
Q (m³/s)
Figura 3.57
Coliformes totais - posto 65979000 - IG17 – São Sebastião
Q (m³/s)
Coliformes totais
(NMP/100ml)
Figura 3.56
Coliformes totais - posto 65995000 - IG15 – Parque Nacional do Iguaçu
VII - 168
60.000
4.000
3.500
3.000
40.000
2.500
30.000
2.000
Q (m³/s)
Coliform es Totais
(NMP/100m l)
50.000
1.500
20.000
1.000
10.000
500
0
0
1
3
5
7
CLASSE II
9
11
13
Coliformes Totais
15
17
19
21
23
25
Q (m³/s)
Figura 3.58
Coliformes totais - posto 65986000 - IG20 – Estreito do Iguaçu Novo
−
Potencial hidrogeniônico (pH)
Esse parâmetro, por definir o caráter ácido, básico ou neutro de uma solução, deve ser
considerado, pois os organismos aquáticos estão geralmente adaptados às condições de
neutralidade e, em conseqüência, alterações bruscas do pH de uma água podem
acarretar o desaparecimento dos seres nela presentes. Valores fora das faixas
recomendadas podem alterar o sabor da água e contribuir para corrosão dos sistemas de
distribuição, ocorrendo, com isso, uma possível extração do ferro, cobre, chumbo, zinco e
cádmio, e dificultar a descontaminação das águas (CETESB, s/d).
De acordo com a Resolução Conama nº 357, para águas da classe 2, o pH deve estar na
faixa de 6,0 a 9,0. Todos os valores referentes às medidas realizadas situaram-se de
acordo com os limites estabelecidos.
−
Fosfato total
A liberação excessiva de fosfato na água pode levar à sua eutrofização, provocando o
desenvolvimento de algas ou outras plantas aquáticas em reservatórios ou águas
paradas. No meio ambiente, origina-se de fertilizantes, dejetos animais, esgotos e
detergentes.
O limite do Conama nº 357, para fosfato total, em águas de classe 2, é de 0,03 mg/l em
ambientes lênticos e até 0,05 mg/l em ambientes intermediários.
Conforme ilustrado nas Figuras 3.59 à 3.63, a seguir, grande parte dos dados analisados
encontra-se acima do limite máximo estabelecido, o que deve estar associado ao uso
intensivo de fertilizantes nos municípios, conforme mencionado no início deste tópico
(Considerações Iniciais).
VII - 169
0,150
5.000
4.500
4.000
3.500
0,100
3.000
0,075
2.500
2.000
0,050
Q (m³/s)
Fosfato Total
(mg/l)
0,125
1.500
1.000
0,025
500
0,000
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
CLASSE II
Fosfato Total
Q (m³/s)
0,150
350
0,125
300
250
0,100
200
0,075
150
0,050
100
0,025
50
0,000
0
1
3
5
7
9
11
13
15
17
19
21
23
25
27
29
31
CLASSE II
Fosfato Total
Q (m³/s)
Figura 3.60
Fosfato total - posto 65981500 - IG13 – Ponte Capanema
Q (m³/s)
Fosfato Total
(mg/l)
Figura 3.59
Fosfato total - posto 65975000 - IG12 – Salto Caxias
VII - 170
0,150
Fosfato Total
(mg/l)
0,125
0,100
0,075
0,050
0,025
0,000
1
3
5
7
9
11
13
15
17
19
21
23
25
27
29
31
33
35
37
39
CLASSE II
Fosfato Total
1,200
120
1,000
100
0,800
80
0,600
60
0,400
40
0,200
20
0,000
0
1
CLASSE II
3
5
7
9
11
13
Fosfato Total
15
17
19
21
23
25
Q (m³/s)
Figura 3.62
Fosfato total - posto 65979000 - IG17 – São Sebastião
Q (m³/s)
Fosfato Total
(NMP/100ml)
Figura 3.61
Fosfato total - posto 65995000 - IG15 – Parque Nacional do Iguaçu
VII - 171
0,100
4.000
3.500
3.000
2.500
0,050
2.000
Q (m ³/s )
F o sfato to tal
(m g /l)
0,075
1.500
0,025
1.000
500
0,000
0
1
3
5
7
9
11
13
15
17
19
21
23
25
CLA SSE II
Fosfato Total
Q (m³/s)
Figura 3.63
Fosfato total - posto 65986000 - IG20 – Estreito do Iguaçu Novo
−
Condutividade específica
A condutividade específica é uma expressão numérica da capacidade de uma água
conduzir a corrente elétrica. A mesma depende das concentrações iônicas e da
temperatura. Esse parâmetro fornece uma boa indicação das modificações na
composição de uma água, especialmente na sua concentração mineral, mas não fornece
nenhuma indicação das quantidades relativas dos vários componentes. A medida que
mais sólidos dissolvidos são adicionados, a condutividade específica aumenta. Altos
valores podem indicar características corrosivas da água (CETESB, s/d).
A maior parte das águas interiores dos Estados Unidos exibem condutividade elétrica
variando entre 50 e 500 µS/cm, enquanto que as águas altamente mineralizadas
apresentam valores entre 500 e 1.000 µS/cm (AWWA,1992).
Dentre as medições realizadas, verifica-se que a grande maioria dos valores situou-se
abaixo de 50 µS/cm, com exceção do posto Ponte Capanema, onde os mesmos
encontraram-se um pouco acima deste valor. Estes dados indicam uma baixa
concentração de minerais.
−
Sólido total
Valores elevados de sólidos totais podem causar danos aos peixes e à vida aquática,
podem se sedimentar no leito dos rios, destruindo organismos que fornecem alimentos,
ou também danificar os leitos de desova de peixes. Podem reter bactérias e resíduos
orgânicos no fundo dos rios, promovendo decomposição anaeróbia. Altos teores de sais
minerais, particularmente sulfato e cloreto, estão associados à tendência de corrosão em
sistemas de distribuição, além de conferir sabor às águas (CETESB, s/d).
VII - 172
Nas medições realizadas, os valores variaram entre 8 e 295 mg/l, o que a princípio não
acarreta preocupações na vida aquática, mas reforça a necessidade de monitoramento
dos sedimentos.
−
Turbidez
Alta turbidez reduz a fotossíntese da vegetação enraizada submersa e algas. Esse
desenvolvimento reduzido de plantas pode, por sua vez, suprimir a produtividade de
peixes. Logo, a turbidez pode influenciar nas comunidades biológicas aquáticas. Além
disso, afeta adversamente os usos doméstico, industrial e recreacional de uma água
(CETESB, s/d).
O limite do Conama nº 357, para águas de classe 2, de 100 UNT – Unidade nefelométrica
de turbidez, não foi violado em nenhuma das medições realizadas.
De acordo com as análises dos resultados dos parâmetros, verificou-se que alguns
valores ultrapassaram os limites estabelecidos para a classe de enquadramento,
especificado pela Portaria Surehma n.º 005/91 de 19 de setembro de 1991, o que reforça
a necessidade de melhorar a rede de monitoramento e adoção de instrumentos de
controle de efluentes.
−
Índice de qualidade da água – IQA
Como instrumento complementar à análise de comportamento da qualidade da água dos
recursos hídricos da bacia do rio Iguaçu, localizados a jusante da UHE Salto Caxias,
foram calculados os índices de qualidade da água (IQA) de cada um dos postos de
monitoramento efetuados.
Os resultados do IQA para os cinco postos considerados, são apresentados nas Figuras
3.64 a 3.68, juntamente com as medições de vazão referentes às datas de coleta das
amostras d’água.
Como pode se verificar, a partir da análise dessas figuras, a qualidade da água pode ser
classificada como razoável ou boa em todas as medições realizadas nos postos
estudados, exceto na de maio de 1997, do Posto Ponte Capanema, quando atingiu a
classificação “ótima”.
100
5000
90
4500
80
4000
70
3500
60
3000
50
2500
40
2000
30
1500
20
1000
10
500
Péssimo (0-25)
Ruim (26-50)
Razoável (51-70)
Bom (71-90)
15/5/1995
12/9/1993
7/5/1992
15/4/1992
22/10/1991
21/8/1991
15/7/1991
29/7/1990
6/3/1991
0
16/6/1990
0
Q (m³/s)
IQA
VII - 173
Ótimo (91-100)
IQA
Q (m³/s)
Figura 3.64
Resultado do cálculo do IQA – posto Salto Caxias
350
100
90
300
80
200
50
150
40
30
100
20
50
10
Péssimo (0-25)
Ruim (26-50)
Razoável (51-70)
Bom (71-90)
Ótimo (91-100)
25/7/2005
2/7/2003
14/6/2001
15/8/2000
25/4/2000
26/10/1999
3/5/1999
22/7/1997
11/11/1996
28/3/1994
4/5/1992
26/3/1992
19/8/1991
18/2/1990
13/6/1989
0
1/12/1987
0
24/6/1987
IQA
60
Q (m³/s)
250
70
IQA
Figura 3.65
Resultado do cálculo do IQA – posto Ponte Capanema
Q (m³/s)
VII - 174
1,2
100
90
1
80
70
IQA
50
0,6
40
Q (m³/s)
0,8
60
0,4
30
20
0,2
10
Péssimo (0-25)
Ruim (26-50)
Razoável (51-70)
Bom (71-90)
Ótimo (91-100)
21/9/2005
16/3/2005
18/6/2001
21/9/2000
25/11/1999
30/9/1999
5/5/1999
7/10/1998
18/3/1998
17/9/1997
4/3/1997
22/9/1996
27/3/1996
17/10/1995
9/5/1995
23/3/1994
25/5/1992
5/12/1991
26/9/1990
25/3/1988
0
30/6/1987
0
IQA
Q (m³/s)
Figura 3.66
Resultado do cálculo do IQA – posto Parque Nacional do Iguaçu
120
100
90
100
80
70
60
40
40
30
20
20
10
Péssimo (0-25)
Ruim (26-50)
Razoável (51-70)
Bom (71-90)
Ótimo (91-100)
26/10/2005
2/12/2003
4/12/2001
16/11/2000
28/6/2000
28/11/1999
30/8/1999
23/6/1998
17/8/1997
16/10/1996
7/5/1992
29/11/1988
3/8/1988
0
20/4/1988
0
27/4/1987
IQA
50
Q (m³/s)
80
60
IQA
Figura 3.67
Resultado do cálculo do IQA – posto São Sebastião
Q (m³/s)
VII - 175
100
4000
90
3500
80
2500
IQA
60
50
2000
40
1500
30
Q (m³/s)
3000
70
1000
20
500
10
Péssimo (0-25)
Ruim (26-50)
Razoável (51-70)
Bom (71-90)
Ótimo (91-100)
20/7/2005
26/11/2003
10/12/2001
6/11/2000
10/5/2000
27/10/1999
24/11/1998
16/4/1998
13/8/1997
12/11/1996
26/5/1996
3/5/1994
21/5/1992
1/10/1990
0
22/4/1988
0
IQA
Q (m³/s)
Figura 3.68
Resultado do cálculo do IQA – posto Estreito do Iguaçu Novo
d) Considerações finais
A poluição das águas origina-se de várias fontes, entre as quais se destacam os efluentes
domésticos e industriais e o deflúvio superficial urbano e agrícola, que, por sua vez, está
associado ao tipo de uso e ocupação do solo (FEMAP/MS, 2000).
Cada uma dessas fontes possui características próprias quanto aos poluentes que
carreiam: os efluentes domésticos apresentam contaminantes orgânicos biodegradáveis,
nutrientes e bactérias; os efluentes industriais, devido à diversidade das atividades,
apresentam contaminantes os mais variados possíveis; o deflúvio superficial urbano
(carga difusa) contém todos os poluentes depositados na superfície do solo e o deflúvio
superficial agrícola é dependente das atividades regionais, apresentando características
específicas (FEMAP/MS, 2000).
Dentre os parâmetros analisados, verificou-se que somente coliformes fecais, coliformes
totais e fosfato apresentaram valores fora do limite estabelecido pela Resolução Conama
n° 357, para a classe 2. Esse dado pode refletir o lançamento de esgotos não tratados, e
a lavagem de fertilizantes e nutrientes agrícolas.
Alguns municípios da área de estudo, têm como base da economia, a agroindústria e a
agricultura, como por exemplo, o cultivo de milho, trigo, fumo, feijão e soja; sendo possível
constatar a utilização de defensivos e fertilizantes agrícolas.
O uso de fertilizantes pode ter sido responsável pelo aumento da concentração de fosfato
nos rios, detectado a partir dos dados de monitoramento da qualidade da água cujos
VII - 176
valores, na maioria das medições efetuadas, violaram o limite estabelecido para a classe
2, segundo a Resolução Conama n° 357/2005.
Considerando-se a utilização de agrotóxicos na região, seria importante o monitoramento
de organoclorado, substância presente em pesticidas, e com um considerável poder
inseticida, mas extremamente nocivo à saúde, podendo ocasionar lesões hepáticas e
renais, e mutagênese.
É bastante preocupante, o quadro atual das águas superficiais, devido aos efluentes das
áreas agrícolas (defensivos e fertilizantes), como por exemplo, o rio Monteiro, informado
pela prefeitura de Capitão Leônidas Marques mas sem confirmação de monitoramento.
Em relação ao indice de qualidade da água – IQA verifica-se que, em todas as medições,
a classificação variou entre razoável e boa, com exceção da medição feita em maio de
1997 no posto Ponte Capanema, em que a classificação foi ótima.
3.5.2 - Serviços de saneamento
Nesta seção apresenta-se uma descrição dos aspectos relacionados ao saneamento
ambiental da região em estudo, com base nos dados da Pesquisa Nacional de
Saneamento Básico, realizado pelo IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística,
no ano de 2000.
Apresenta-se um conjunto de quadros e as análises respectivas, sobre a situação do
saneamento básico para os municípios da área de influencia indireta e direta.
No Quadro 3.45, pode-se observar que a maioria dos municípios apresentam algum tipo
de serviço de saneamento básico em todos os seus distritos, sendo o abastecimento de
água, por rede geral ou poço particular, o serviço presente na unanimidade dos distritos e
a rede coletora de esgoto, o mais ausente.
No Quadro 3.46, pode-se observar que a captação de água se dá principalmente de duas
formas, a superficial (rios/lagos) e por poços profundos (poços artesianos). Do total de 69
distritos, apenas 17 contam com tratamento convencional, 33 com desinfecção, 34 com
fluoretação e 14 não apresentam nenhum tipo de tratamento.
No Quadro 3.47, tem-se uma apresentação do volume de água distribuído. Somando-se a
quantidade de água distribuída em todos os municípios, tem-se um total de 7.682 m3 por
dia, sendo 970 m3 por dia sem nenhum tipo de tratamento. Dos outros 7.548 m3 por dia
que são tratados, 4.934 passam por tratamento convencional, e 4.264 por desinfecção.
No Quadro 3.48, mostra-se que dos 69 distritos, apenas seis apresentam o abastecimento
de água racionado. Em Francisco Beltrão, três de seus cinco distritos enfrentam o
racionamento devido a problemas na reservação da água. E no município de Planalto, um
de seus cinco distritos, enfrenta racionamento devido a períodos de estiagem.
No Quadro 3.49, observa-se que a quase totalidade dos distritos (61 no total) não
apresentam rede coletora de esgoto, entretanto 59 distritos utilizam fossa seca como
método alternativo de disposição final.
VII - 177
No Quadro 3.50, pode-se observar que apenas oito distritos coletam esgoto por redes, e
em sete deles este esgoto passa por tratamento, sendo o corpo receptor de todos eles um
rio.
No Quadro 3.51, apresenta-se uma avaliação da drenagem urbana. Todos os municípios,
com exceção de Bela Vista da Caroba, possuem sistema de drenagem e ruas
pavimentadas. Na maioria dos municípios o corpo receptor é um curso de água
permanente, sendo o sistema de drenagem subterrâneo presente em todos os
municípios, e o de drenagem superficial presente em 12 dos 31 municípios que tem rede
de drenagem.
No Quadro 3.52, observa-se que dos 32 municípios, todos apresentam os serviços de
limpeza urbana e coleta de lixo, e a maioria conta também com remoção de entulhos e
coleta de lixo especial. Neste estudo do IBGE, apenas sete apresentam coleta seletiva.
No trabalho do diagnóstico participativo, constatou-se que os municípios de Nova Prata
do Iguaçu, Capanema e Realeza possuem coleta seletiva. Somente os municípios de
Ampére e Santa Terezinha de Itaipu contam com o serviço de reciclagem.
No Quadro 3.53, é apresentado pelo estudo do IBGE, que um total de 35 distritos tem seu
lixo coletado. Em 16 deles uma parte vai para lixões, em 13 distritos parte vai para aterros
controlados, em 18 distritos parte segue para aterro sanitário, em 12 deles parte vai para
aterro de resíduos especiais. Usina de reciclagem existe em dois distritos e usina de
compostagem em um único distrito.
No Quadro 3.54, é mostrada que a quantidade de lixo gerada nos municípios fica em
torno de 381 toneladas por dia, sendo Foz do Iguaçu responsável por 168 toneladas dia.
Destas 381 toneladas, 98 seguem para lixões, 246 toneladas para aterros controlados, 34
para aterro sanitário e duas toneladas seguem diariamente para a estação de triagem do
município de Santa Terezinha de Itaipu. Com a entrada em operação dos aterros
controlados mencionados anteriormente os valores sofreram pequenas alterações.
No Quadro 3.55, apresenta-se informações sobre a localização do destino final do lixo.
Até o ano 2000, dos 32 municípios, 31 contam com uma área no próprio município para a
destinação do lixo, apenas em Serranópolis do Iguaçu não há tal área. Apenas nos
municípios de Foz do Iguaçu e Francisco Beltrão é que a localização do destino do lixo
encontra-se no perímetro urbano, para os demais municípios a destinação fica fora do
perímetro urbano e geralmente próximo a áreas com atividades agropecuárias.
Em 2007, segundo dados obtidos junto ao Departamento de Saneamento Ambiental da
Suderhsa, dentre os 399 municípios paranaenses, 258 deles contam com aterros
sanitários para o depósito de seus resíduos urbanos, o que equivale a adequada
destinação final de 65% dos resíduos urbanos gerados no Estado, e 141 municípios
descartam seus resíduos em lixões.
A partir de 2007 a política estadual de resíduos sólidos passou a apoiar uma nova
proposta, a qual visa incentivar a formação de aterros consorciados entre municípios –
diminuindo o número de locais impactados pelo depósito de lixo. O maior benefício da
formação dos consórcios é a centralização do recebimento dos resíduos, considerados
passivos ambientais, o que facilita o correto gerenciamento destes depósitos. A idéia é ter
VII - 178
o menor número possível de aterros e que contenham apenas materiais inúteis para
compostagem ou para reciclagem.
Em 13 agosto de 2007 a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos SEMA, por meio da Suderhsa, apresentou um estudo de viabilidade para a formação de
consórcios de aterros sanitários no Paraná prevendo a instalação de 58 aterros
consorciados no Estado, que irão atender 377 municípios - o equivalente a 97% da
população do estado.
Para a construção destes aterros regionalizados, o governo do estado irá investir ao longo
de quatro anos, R$ 15 milhões, oriundos dos recursos da PDE – Política de
Desenvolvimento Econômico do Estado (vide capítulo VI, item 1.3.5).
VII - 179
Quadro 3.45
Distritos, total, com algum e/ou sem serviço de saneamento básico, por tipo de serviço de saneamento básico - 2000
Distritos com algum serviço de saneamento básico
Municípios
Total de
distritos
Distritos sem rede geral de abastecimento
de água
Tipo de serviço
Total
Principal solução alternativa
Rede geral
de
distribuição
de água
Rede
coletora
de
esgoto
Limpeza
urbana e
coleta de
lixo
Drenagem
urbana
Total
Poço particular
Outra
Ampére
3
2
2
1
1
1
1
1
-
Barracão
2
2
2
-
1
1
-
-
-
Bela Vista da Caroba
1
1
1
-
1
-
-
-
-
Boa Vista da Aparecida
1
1
1
-
1
1
-
-
-
Bom Jesus do Sul
1
1
1
-
1
1
-
-
-
Capanema
4
4
4
-
1
1
-
-
-
Capitão Leônidas Marques
2
2
2
-
1
1
-
-
-
Cascavel
5
5
5
1
1
1
-
-
-
Céu Azul
1
1
1
-
1
1
-
-
-
Flor da Serra do Sul
1
1
1
-
1
1
-
-
-
Foz do Iguaçu
2
1
1
1
1
1
1
1
-
Francisco Beltrão
5
5
5
1
1
1
-
-
-
Lindoeste
1
1
1
-
1
1
-
-
-
Manfrinópolis
1
1
1
-
1
1
-
-
-
Matelândia
2
2
2
1
2
1
-
-
-
Medianeira
2
2
2
1
2
1
-
-
-
Nova Esperança do Sudoeste
1
1
1
-
1
1
-
-
-
Nova Prata do Iguaçu
1
1
1
-
1
1
-
-
-
VII - 180
Quadro 3.45
Distritos, total, com algum e/ou sem serviço de saneamento básico, por tipo de serviço de saneamento básico - 2000
Distritos com algum serviço de saneamento básico
Municípios
Total de
distritos
Distritos sem rede geral de abastecimento
de água
Tipo de serviço
Total
Principal solução alternativa
Rede geral
de
distribuição
de água
Rede
coletora
de
esgoto
Limpeza
urbana e
coleta de
lixo
Drenagem
urbana
Total
Poço particular
Outra
Pérola D'Oeste
2
2
2
-
1
1
-
-
-
Pinhal de São Bento
1
1
1
-
1
1
-
-
-
Planalto
5
5
5
-
1
1
-
-
-
Pranchita
2
2
2
1
1
1
-
-
-
Realeza
4
2
2
-
1
1
2
2
-
Salgado Filho
2
2
2
-
1
1
-
-
-
Salto do Lontra
1
1
1
-
1
1
-
-
-
Santa Izabel do Oeste
6
1
1
-
1
1
5
5
-
Santa Lucia
1
1
1
-
1
1
-
-
-
Santa Tereza do Oeste
1
1
1
-
1
1
-
-
-
Santa Terezinha de Itaipu
1
1
1
1
1
1
-
-
-
Santo Antônio do Sudoeste
3
3
3
-
1
1
-
-
-
São Miguel do Iguaçu
3
2
2
-
2
2
1
-
1
Serranópolis do Iguaçu
1
1
1
-
1
1
-
-
-
VII - 181
Quadro 3.46
Distritos, total e abastecidos, por tipo de captação, com tratamento da água, por tipo de tratamento - 2000
Distritos abastecidos
Tipo de captação
Municípios
Ampére
Barracão
Bela Vista da Caroba
Boa Vista da Aparecida
Bom Jesus do Sul
Capanema
Capitão Leônidas Marques
Cascavel
Céu Azul
Flor da Serra do Sul
Foz do Iguaçu
Francisco Beltrão
Lindoeste
Manfrinópolis
Matelândia
Medianeira
Nova
Esperança
do
Sudoeste
Total de
distritos
Total
Superficial
Poço
raso
Com tratamento da água
Poço Adutora
profun- de água
bruta
do
Adutora de
água
tratada
Total
3
2
1
1
1
4
2
5
1
1
2
5
1
1
2
2
2
2
1
1
1
4
2
5
1
1
1
5
1
1
2
2
1
1
1
1
1
2
2
1
1
1
1
1
2
2
-
2
1
1
3
5
1
1
5
1
1
2
2
1
1
1
1
-
1
1
1
2
4
1
1
1
1
1
2
1
1
1
1
2
2
5
1
1
1
1
1
1
2
2
1
1
-
-
1
-
1
1
Tipo de tratamento
Fluoret
Simples
ação
Não
Convendesinconvenfecção
cional
cional
(cloração)
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
2
1
5
2
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
2
1
1
1
1
-
-
1
1
Sem
tratamento
1
2
5
1
-
VII - 182
Quadro 3.46
Distritos, total e abastecidos, por tipo de captação, com tratamento da água, por tipo de tratamento - 2000
Distritos abastecidos
Tipo de captação
Municípios
Nova Prata do Iguaçu
Pérola D'Oeste
Pinhal de São Bento
Planalto
Pranchita
Realeza
Salgado Filho
Salto do Lontra
Santa Izabel do Oeste
Santa Lucia
Santa Tereza do Oeste
Santa Terezinha de Itaipu
Santo
Antônio
do
Sudoeste
São Miguel do Iguaçu
Serranópolis do Iguaçu
Total de
distritos
Total
Superficial
Poço
raso
Com tratamento da água
Poço Adutora
profun- de água
bruta
do
Adutora de
água
tratada
Total
1
2
1
1
2
1
1
1
1
1
-
2
-
1
-
1
1
2
1
5
5
3
-
2
1
1
4
2
2
1
-
2
-
-
4
2
1
-
1
-
-
2
2
1
-
2
-
1
1
1
-
-
-
6
1
1
-
-
1
1
-
-
1
1
1
-
-
1
1
1
3
3
3
1
Tipo de tratamento
Fluoret
Simples
ação
Não
Convendesinconvenfecção
cional
cional
(cloração)
1
1
1
1
1
1
1
Sem
tratamento
-
1
-
3
2
1
1
-
-
1
1
1
2
1
-
1
1
-
-
1
1
-
-
1
1
-
1
1
-
-
1
-
-
-
1
1
-
-
1
-
-
1
1
-
-
1
1
-
1
-
1
1
-
-
1
1
-
-
1
-
-
1
1
-
1
1
-
-
-
3
-
-
2
-
-
2
1
1
2
-
-
2
-
2
2
-
-
2
2
-
1
-
-
1
-
1
1
-
-
1
1
1
VII - 183
Quadro 3.47
Volume de água distribuída por dia, por existência e tipo de tratamento - 2000
Volume de água distribuída por dia (m³)
Com tratamento
Municípios
Tipo de tratamento
Total
Total
(1)
Ampére
981
Barracão
Sem
tratamento
Convencional
Nãoconvencional
Simples
desinfecção
(cloração)
981
971
-
10
-
1 070
1 045
1 045
-
-
25
135
135
-
-
135
-
1 037
1 037
1 037
-
-
-
80
80
-
-
80
-
Capanema
2 324
2 268
2 236
-
32
56
Capitão Leônidas Marques
1 432
1 432
1 300
-
132
-
Cascavel
41 561
41 561
35 576
-
5 985
-
Céu Azul
1 454
1 454
-
-
1 454
-
91
91
-
-
91
-
Foz do Iguaçu
64 754
64 754
64 754
-
-
-
Francisco Beltrão
12 101
11 700
11 700
-
-
401
Lindoeste
387
387
-
-
387
-
Manfrinópolis
153
153
-
-
153
-
Matelândia
1 556
1 530
-
-
1 530
26
Medianeira
6 948
6 650
6 030
-
620
298
Nova Esperança do Sudoeste
160
160
-
-
160
-
Nova Prata do Iguaçu
795
795
795
-
-
-
Bela Vista da Caroba
Boa Vista da Aparecida
Bom Jesus do Sul
Flor da Serra do Sul
VII - 184
Quadro 3.47
Volume de água distribuída por dia, por existência e tipo de tratamento - 2000
Volume de água distribuída por dia (m³)
Com tratamento
Municípios
Tipo de tratamento
Total
Total
(1)
Pérola D'Oeste
512
Pinhal de São Bento
Sem
tratamento
Convencional
Nãoconvencional
Simples
desinfecção
(cloração)
512
455
-
57
-
83
83
-
-
83
-
Planalto
871
822
617
-
205
49
Pranchita
510
480
-
-
480
30
Realeza
1 750
1 750
1 729
-
21
-
Salgado Filho
439
434
434
-
-
5
Salto do Lontra
784
784
784
-
-
-
Santa Izabel do Oeste
878
878
878
-
-
-
Santa Lucia
370
370
-
-
370
-
Santa Tereza do Oeste
58
58
-
-
58
-
Santa Terezinha de Itaipu
2 570
2 570
1 725
-
845
-
Santo Antônio do Sudoeste
1 536
1 506
-
-
1 506
30
São Miguel do Iguaçu
2 948
2 948
-
-
2 948
-
395
345
-
-
345
50
Serranópolis do Iguaçu
VII - 185
Quadro 3.48
Distritos, total e abastecidos, por existência e motivo do racionamento - 2000
Distritos abastecidos
Total
Total de
distritos
Municípios
Existência e motivo do racionamento
Total
Problemas na
reservação
Capacidade de
tratamento
insuficiente
População
flutuante
Problemas
de seca/ estiagem
Outro (1)
Não existe
racionamento
Ampére
3
2
-
-
-
-
1
1
Barracão
2
2
-
-
-
-
-
2
Bela Vista da Caroba
1
1
-
-
-
-
-
1
Boa Vista da Aparecida
1
1
-
-
-
-
-
1
Bom Jesus do Sul
1
1
-
-
-
-
-
1
Capanema
4
4
-
-
-
-
-
4
Capitão Leônidas Marques
2
2
-
-
-
-
-
2
Cascavel
5
5
-
-
-
-
-
5
Céu Azul
1
1
-
-
-
-
-
1
Flor da Serra do Sul
1
1
-
-
-
-
-
1
Foz do Iguaçu
2
1
-
-
-
-
-
1
Francisco Beltrão
5
5
3
-
-
-
-
3
Lindoeste
1
1
-
-
-
-
-
1
Manfrinópolis
1
1
-
-
-
-
-
1
Matelândia
2
2
-
-
-
-
-
2
Medianeira
2
2
-
-
-
-
-
2
1
1
-
-
-
-
-
1
1
1
-
-
-
-
-
1
Nova
Esperança
Sudoeste
Nova Prata do Iguaçu
do
VII - 186
Quadro 3.48
Distritos, total e abastecidos, por existência e motivo do racionamento - 2000
Distritos abastecidos
Total
Total de
distritos
Municípios
Existência e motivo do racionamento
Total
Problemas na
reservação
Capacidade de
tratamento
insuficiente
População
flutuante
Problemas
de seca/ estiagem
Outro (1)
Não existe
racionamento
Pérola D'Oeste
2
2
-
-
-
-
-
2
Pinhal de São Bento
1
1
-
-
-
-
-
1
Planalto
5
5
-
-
-
1
1
3
Pranchita
2
2
-
-
-
-
-
2
Realeza
4
2
-
-
-
-
-
2
Salgado Filho
2
2
-
-
-
-
-
2
Salto do Lontra
1
1
-
-
-
-
-
1
Santa Izabel do Oeste
6
1
-
-
-
-
-
1
Santa Lucia
1
1
-
-
-
-
-
1
Santa Tereza do Oeste
1
1
-
-
-
-
-
1
Santa Terezinha de Itaipu
1
1
-
-
-
-
-
1
3
3
-
-
-
-
-
3
São Miguel do Iguaçu
3
2
-
-
-
-
-
2
Serranópolis do Iguaçu
1
1
-
-
-
-
-
1
Santo
Sudoeste
Antônio
do
VII - 187
Quadro 3.49
Distritos, total e sem rede coletora de esgoto, por principal solução alternativa - 2000
Distritos sem rede coletora de esgoto
Principal solução alternativa
Total de
distritos
Total
Fossas sépticas
e sumidouros
Fossas
secas
Valas
abertas
Lançamento
em cursos
d'água
Outros
Sem
declaração
Ampére
3
2
-
2
-
-
-
-
Barracão
2
2
-
2
-
-
-
-
Bela Vista da Caroba
1
1
-
1
-
-
-
-
Boa Vista da Aparecida
1
1
-
1
-
-
-
-
Bom Jesus do Sul
1
1
-
1
-
-
-
-
Capanema
4
4
-
4
-
-
-
-
Capitão Leônidas Marques
2
2
-
2
-
-
-
-
Cascavel
5
4
-
4
-
-
-
-
Céu Azul
1
1
-
1
-
-
-
-
Flor da Serra do Sul
1
1
-
1
-
-
-
-
Foz do Iguaçu
2
1
-
1
-
-
-
-
Francisco Beltrão
5
4
-
4
-
-
-
-
Lindoeste
1
1
-
1
-
-
-
-
Manfrinópolis
1
1
-
1
-
-
-
-
Matelândia
2
1
-
1
-
-
-
-
Medianeira
2
1
-
1
-
-
-
-
Nova Esperança do Sudoeste
1
1
-
1
-
-
-
-
Nova Prata do Iguaçu
1
1
-
1
-
-
-
-
VII - 188
Quadro 3.49
Distritos, total e sem rede coletora de esgoto, por principal solução alternativa - 2000
Distritos sem rede coletora de esgoto
Principal solução alternativa
Total de
distritos
Total
Fossas sépticas
e sumidouros
Fossas
secas
Valas
abertas
Lançamento
em cursos
d'água
Outros
Sem
declaração
Pérola D'Oeste
2
2
-
2
-
-
-
-
Pinhal de São Bento
1
1
-
1
-
-
-
-
Planalto
5
5
-
5
-
-
-
-
Pranchita
2
1
-
1
-
-
-
-
Realeza
4
4
-
4
-
-
-
-
Salgado Filho
2
2
-
2
-
-
-
-
Salto do Lontra
1
1
-
1
-
-
-
-
Santa Izabel do Oeste
6
6
-
6
-
-
-
-
Santa Lucia
1
1
-
1
-
-
-
-
Santa Tereza do Oeste
1
1
-
1
-
-
-
-
Santa Terezinha de Itaipu
1
-
-
-
-
-
-
-
Santo Antônio do Sudoeste
3
3
-
3
-
-
-
-
São Miguel do Iguaçu
3
3
-
2
-
-
1
-
Serranópolis do Iguaçu
1
1
1
-
-
-
-
-
VII - 189
Quadro 3.50
Distritos com coleta de esgoto sanitário, com e sem tratamento de esgoto sanitário, por tipo de corpos receptores - 2000
Distritos com coleta de esgoto sanitário
Com tratamento de esgoto sanitário
Municípios
Ampére
Barracão
Bela Vista da Caroba
Boa Vista da Aparecida
Bom Jesus do Sul
Capanema
Capitão Leônidas Marques
Cascavel
Céu Azul
Flor da Serra do Sul
Foz do Iguaçu
Francisco Beltrão
Lindoeste
Manfrinópolis
Matelândia
Medianeira
Nova
Esperança
do
Sudoeste
Nova Prata do Iguaçu
Pérola D`Oeste
Pinhal de São Bento
Planalto
Sem tratamento de esgoto sanitário
Tipo de corpos receptores
Total de distritos
com coleta de
esgoto sanitário
Total
1
-
Tipo de corpos receptores
Rio
Mar
Lago ou
lagoa
Baía
Outro
Sem
declaração
Total
1
1
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
Rio
Mar
Lago ou
lagoa
Baía
Outro
Sem
declaração
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
1
1
1
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
1
1
1
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
1
1
1
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
1
1
1
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
1
1
1
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
VII - 190
Quadro 3.50
Distritos com coleta de esgoto sanitário, com e sem tratamento de esgoto sanitário, por tipo de corpos receptores - 2000
Distritos com coleta de esgoto sanitário
Com tratamento de esgoto sanitário
Tipo de corpos receptores
Total de distritos
com coleta de
esgoto sanitário
Total
Pranchita
Realeza
1
Municípios
Sem tratamento de esgoto sanitário
Tipo de corpos receptores
Rio
Mar
Lago ou
lagoa
Baía
Outro
Sem
declaração
Total
1
1
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
Salgado Filho
-
-
-
-
-
-
Salto do Lontra
-
-
-
-
-
Santa Izabel D’Oeste
-
-
-
-
Santa Lucia
-
-
-
Santa Tereza D’Oeste
-
-
Santa Terezinha de Itaipu
1
Santo Antônio do Sudoeste
Rio
Mar
Lago ou
lagoa
Baía
Outro
Sem
declaração
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
1
-
-
-
-
1
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
São Miguel do Iguaçu
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
Serranópolis do Iguaçu
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
VII - 191
Quadro 3.51
Municípios, total e os que possuem ruas pavimentadas no perímetro urbano,
por tipo de sistema de drenagem, por pontos de lançamento da rede - 2000
Municípios que possuem ruas
pavimentadas no perímetro urbano
Tipo de sistema de drenagem
urbana
Municípios com serviço de drenagem urbana
Pontos de lançamento da rede
Municípios
Cursos d'água
permanentes
Cursos
d'água
intermitentes
Áreas livres
públicas ou
particulares
1
1
1
1
1
1
1
1
-
1
-
-
1
-
-
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
-
1
-
-
1
1
-
-
-
-
Total
Ampére
Barracão
Bela Vista da Caroba
Boa Vista da Aparecida
Bom Jesus do Sul
Capanema
Capitão Leônidas
Marques
Cascavel
Céu Azul
Flor da Serra do Sul
Foz do Iguaçu
Francisco Beltrão
Lindoeste
Manfrinópolis
Matelândia
Medianeira
Nova Esperança do
Sudoeste
Reservatórios
de
Sem
Outros
acumulação
declaração
ou detenção
Total
Superficial
Subterrâneo
Sem
declaração
1
1
1
1
1
1
-
1
1
1
1
1
-
-
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
-
-
1
-
1
-
VII - 192
Quadro 3.51
Municípios, total e os que possuem ruas pavimentadas no perímetro urbano,
por tipo de sistema de drenagem, por pontos de lançamento da rede - 2000
Municípios que possuem ruas
pavimentadas no perímetro urbano
Tipo de sistema de drenagem
urbana
Municípios com serviço de drenagem urbana
Pontos de lançamento da rede
Municípios
Cursos d'água
permanentes
Cursos
d'água
intermitentes
Áreas livres
públicas ou
particulares
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
-
-
-
-
-
1
1
-
-
-
-
1
1
1
1
1
1
-
-
1
-
Total
Nova Prata do Iguaçu
Pérola D’Oeste
Pinhal de São Bento
Planalto
Pranchita
Realeza
Salgado Filho
Salto do Lontra
Santa Izabel do Oeste
Santa Lucia
Santa Tereza do Oeste
Santa Terezinha de
Itaipu
Santo Antônio do
Sudoeste
São Miguel do Iguaçu
Serranópolis do Iguaçu
Reservatórios
de
Sem
Outros
acumulação
declaração
ou detenção
Total
Superficial
Subterrâneo
Sem
declaração
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
-
-
1
1
1
-
-
1
1
1
1
-
1
1
1
-
VII - 193
Quadro 3.52
Municípios, total e com serviços de limpeza urbana e/ou coleta de lixo, por natureza dos serviços - 2000
Municípios com serviços de limpeza urbana e/ou coleta de lixo
Natureza dos serviços
Municípios
Total
Limpeza
urbana
Coleta
de lixo
Coleta
seletiva
Ampére
1
1
1
1
1
1
1
Barracão
1
1
1
1
-
1
1
Bela Vista da Caroba
1
1
1
-
-
-
-
Boa Vista da Aparecida
1
1
1
-
-
1
1
Bom Jesus do Sul
1
1
1
-
-
1
1
Capanema
1
1
1
-
-
1
1
Capitão Leônidas Marques
1
1
1
1
-
1
1
Cascavel
1
1
1
1
-
1
1
Céu Azul
1
1
1
1
-
1
1
Flor da Serra do Sul
1
1
1
-
-
1
-
Foz do Iguaçu
1
1
1
1
-
-
1
Francisco Beltrão
1
1
1
-
-
1
1
Lindoeste
1
1
1
-
-
1
1
Manfrinópolis
1
1
1
-
-
1
-
Matelândia
1
1
1
-
-
1
1
Medianeira
1
1
1
-
-
1
1
1
1
1
-
-
1
1
Nova Prata do Iguaçu
1
1
1
-
-
1
1
Pérola D’Oeste
1
1
1
-
-
-
1
Nova
Esperança
Sudoeste
do
Reciclagem Remoção de entulhos
Coleta de lixo
especial
VII - 194
Quadro 3.52
Municípios, total e com serviços de limpeza urbana e/ou coleta de lixo, por natureza dos serviços - 2000
Municípios com serviços de limpeza urbana e/ou coleta de lixo
Municípios
Natureza dos serviços
Total
Limpeza
urbana
Coleta
de lixo
Coleta
seletiva
Pinhal de São Bento
1
1
1
-
-
1
-
Planalto
1
1
1
-
-
1
-
Pranchita
1
1
1
-
-
1
1
Realeza
1
1
1
-
-
1
1
Salgado Filho
1
1
1
-
-
1
1
Salto do Lontra
1
1
1
-
-
1
1
Santa Izabel do Oeste
1
1
1
-
-
-
1
Santa Lucia
1
1
1
-
-
1
1
Santa Tereza D’Oeste
1
1
1
-
-
1
1
Santa Terezinha de Itaipu
1
1
1
-
1
1
1
Santo Antônio do Sudoeste
1
1
1
-
-
1
1
São Miguel do Iguaçu
1
1
1
1
-
1
1
Serranópolis do Iguaçu
1
1
1
-
-
1
1
Reciclagem Remoção de entulhos
Coleta de lixo
especial
VII - 195
Quadro 3.53
Distritos com serviços de limpeza urbana e/ou coleta de lixo, por unidades de destinação final do lixo coletado 2000
Distritos com serviços de limpeza urbana e/ou coleta de lixo
Unidades de destinação final do lixo coletado
Municípios
Total
Vazadouro a
céu aberto
(lixão)
Vazadouro
em áreas
alagadas
Aterro
controlado
Aterro
sanitário
Aterro de
resíduos
especiais
Usina de
compostagem
Usina de
reciclagem
Incineração
Ampére
1
-
-
-
1
-
-
1
-
Barracão
1
-
-
1
-
-
-
-
-
Bela Vista da Caroba
1
-
-
-
1
-
-
-
-
Boa Vista da Aparecida
1
-
-
1
-
1
-
-
-
Bom Jesus do Sul
1
-
-
-
1
-
-
-
-
Capanema
1
1
-
-
1
1
-
-
-
Capitão Leônidas Marques
1
-
-
2
-
1
-
-
-
Cascavel
1
-
-
-
6
1
1
-
-
Céu azul
1
-
-
-
1
-
-
-
-
Flor da Serra do Sul
1
-
-
-
1
-
-
-
-
Foz do Iguaçu
1
-
-
1
-
1
-
-
-
Francisco Beltrão
1
1
-
-
-
-
-
-
-
Lindoeste
1
-
-
1
-
1
-
-
-
Manfrinópolis
1
1
-
-
-
-
-
-
-
Matelândia
2
-
-
-
2
-
-
-
-
Medianeira
2
2
-
-
-
-
-
-
-
1
-
-
-
1
-
-
-
-
Nova
Sudoeste
Esperança
do
VII - 196
Quadro 3.53
Distritos com serviços de limpeza urbana e/ou coleta de lixo, por unidades de destinação final do lixo coletado 2000
Distritos com serviços de limpeza urbana e/ou coleta de lixo
Unidades de destinação final do lixo coletado
Municípios
Total
Vazadouro a
céu aberto
(lixão)
Vazadouro
em áreas
alagadas
Aterro
controlado
Aterro
sanitário
Aterro de
resíduos
especiais
Usina de
compostagem
Usina de
reciclagem
Incineração
Nova Prata do Iguaçu
1
-
-
1
-
1
-
-
-
Pérola D’Oeste
1
1
-
-
-
1
-
-
-
Pinhal de São Bento
1
-
-
1
-
-
-
-
-
Planalto
1
5
-
-
-
-
-
-
-
Pranchita
1
1
-
-
-
-
-
-
-
Realeza
1
-
-
-
1
-
-
-
-
Salgado Filho
1
1
-
-
-
-
-
-
-
Salto do Lontra
1
1
-
-
-
-
-
-
-
Santa Izabel D’Oeste
1
-
-
-
1
-
-
-
-
Santa Lucia
1
-
-
1
-
1
-
-
-
Santa Tereza D’Oeste
1
-
-
1
-
1
-
-
-
Santa Terezinha de Itaipu
1
-
-
1
1
1
-
1
-
Santo Antônio do Sudoeste
1
1
-
-
-
-
-
-
-
São Miguel do Iguaçu
2
-
-
2
-
1
-
-
-
Serranópolis do Iguaçu
1
1
-
-
-
-
-
-
-
VII - 197
Quadro 3.54
Quantidade diária de lixo coletado, por unidade de destino final do lixo coletado - 2000
Quantidade diária de lixo coletado (t/dia)
Unidade de destino final do lixo coletado
Municípios
Total
Vazadour Vazadouo a céu
ro em
aberto
áreas
(lixão)
alagadas
-
Aterro
controlado
Aterro
sanitário
Estação de
compostagem
Estação
de
triagem
Incineração
Locais
nãofixos
-
7
-
-
-
-
-
Outra
Ampére
7
Barracão
6
-
-
6
-
-
-
-
-
-
Bela Vista da Caroba
2
-
-
-
2
-
-
-
-
-
Boa Vista da Aparecida
2
-
-
2
-
-
-
-
-
-
Bom Jesus do Sul
1
-
-
-
1
-
-
-
-
-
Capanema
15
14
-
-
0
-
-
-
-
-
Capitão Leônidas Marques
12
-
-
12
-
-
-
-
-
-
Cascavel
2
-
-
-
2
-
-
-
-
-
Céu azul
9
-
-
-
9
-
-
-
-
-
Flor da Serra do Sul
0
-
-
-
0
-
-
-
-
-
Foz do Iguaçu
168
-
-
168
-
-
-
-
-
-
Francisco Beltrão
50
50
-
-
-
-
-
-
-
-
Lindoeste
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
Manfrinópolis
1
1
-
-
-
-
-
-
-
-
Matelândia
7
-
-
-
7
-
-
-
-
-
Medianeira
18
18
-
-
-
-
-
-
-
-
Nova Esperança do Sudoeste
0
-
-
-
0
-
-
-
-
-
Nova Prata do Iguaçu
0
-
-
0
-
-
-
-
-
-
VII - 198
Quadro 3.54
Quantidade diária de lixo coletado, por unidade de destino final do lixo coletado - 2000
Quantidade diária de lixo coletado (t/dia)
Unidade de destino final do lixo coletado
Municípios
Total
Vazadour Vazadouo a céu
ro em
aberto
áreas
(lixão)
alagadas
0
-
Aterro
controlado
Aterro
sanitário
Estação de
compostagem
Estação
de
triagem
Incineração
Locais
nãofixos
Outra
-
-
-
-
-
-
-
Pérola D’Oeste
0
Pinhal de São Bento
0
-
-
0
-
-
-
-
-
-
Planalto
2
2
-
-
-
-
-
-
-
-
Pranchita
1
1
-
-
-
-
-
-
-
-
Realeza
3
-
-
-
3
-
-
-
-
-
Salgado Filho
1
1
-
-
-
-
-
-
-
-
Salto do Lontra
5
5
-
-
-
-
-
-
-
-
Santa Izabel D’Oeste
3
-
-
-
3
-
-
-
-
-
Santa Lucia
6
-
-
6
-
-
-
-
-
-
Santa Tereza D’Oeste
7
-
-
7
-
-
-
-
-
-
Santa Terezinha de Itaipu
22
-
-
20
0
-
2
-
-
-
Santo Antônio do Sudoeste
4
4
-
-
-
-
-
-
-
-
São Miguel do Iguaçu
25
-
-
25
-
-
-
-
-
-
Serranópolis do Iguaçu
2
2
-
-
-
-
-
-
-
-
VII - 199
Quadro 3.55
Municípios com serviço de coleta de lixo, por existência de área no município para a
disposição final dos resíduos, por localização de destino do lixo - 2000
Municípios
Municípios com serviço de coleta
de lixo
Existência de área no
município para a
disposição final dos
resíduos
Municípios com serviço de coleta de lixo, que possuem áreas para disposição final dos resíduos
Localização de destino do lixo
Dentro do perímetro urbano
Total
Ampére
Barracão
Bela Vista da Caroba
Boa Vista da Aparecida
Bom Jesus do Sul
Capanema
Capitão Leônidas Marques
Cascavel
Céu azul
Flor da Serra do Sul
Foz do Iguaçu
Francisco Beltrão
Lindoeste
Manfrinópolis
Matelândia
Medianeira
Fora do perímetro urbano
Existe
Não
existe
Próximo à
residências
Próximo a áreas
com atividade
agropecuária
Próximo a
áreas de
proteção
ambiental
Outras
áreas
Próximo à
residências
Próximo a
áreas com
atividade
agropecuária
Próximo a
áreas de
proteção
ambiental
Outras
áreas
1
1
-
-
-
-
-
1
1
-
-
1
1
-
-
-
-
-
1
1
1
1
1
1
-
-
-
-
-
-
1
-
-
1
1
-
-
-
-
-
-
1
-
-
1
1
-
-
-
-
-
-
1
-
-
1
1
-
-
-
-
-
1
-
-
-
1
1
-
-
-
-
-
-
1
-
-
1
1
-
-
-
-
-
-
1
-
-
1
1
-
-
-
-
-
-
-
-
1
1
1
-
-
-
-
-
-
1
-
-
1
1
-
1
-
-
-
-
-
-
-
1
1
-
1
1
1
-
-
-
-
-
1
1
-
-
-
-
-
-
1
-
-
1
1
-
-
-
-
-
-
-
-
1
1
1
-
-
-
-
-
-
1
1
-
1
1
-
-
-
-
-
1
1
-
-
VII - 200
Quadro 3.55
Municípios com serviço de coleta de lixo, por existência de área no município para a
disposição final dos resíduos, por localização de destino do lixo - 2000
Municípios com serviço de coleta
de lixo
Municípios com serviço de coleta de lixo, que possuem áreas para disposição final dos resíduos
Existência de área no
município para a
disposição final dos
resíduos
Municípios
Localização de destino do lixo
Dentro do perímetro urbano
Total
Nova Esperança do Sudoeste
Nova Prata do Iguaçu
Pérola D’Oeste
Pinhal de São Bento
Planalto
Pranchita
Realeza
Salgado Filho
Salto do Lontra
Santa Izabel do Oeste
Santa Lucia
Santa Tereza do Oeste
Santa Terezinha de Itaipu
Santo Antônio do Sudoeste
São Miguel do Iguaçu
Serranópolis do Iguaçu
Fora do perímetro urbano
Existe
Não
existe
Próximo à
residências
Próximo a áreas
com atividade
agropecuária
Próximo a
áreas de
proteção
ambiental
Outras
áreas
Próximo à
residências
Próximo a
áreas com
atividade
agropecuária
Próximo a
áreas de
proteção
ambiental
Outras
áreas
1
1
-
-
-
-
-
-
1
-
-
1
1
-
-
-
-
-
-
1
-
-
1
1
-
-
-
-
-
-
1
-
-
1
1
-
-
-
-
-
-
1
-
-
1
1
-
-
-
-
-
-
1
-
-
1
1
-
-
-
-
-
-
1
-
-
1
1
-
-
-
-
-
-
1
-
-
1
1
-
-
-
-
-
1
-
-
-
1
1
-
-
-
-
-
1
1
-
-
1
1
-
-
-
-
-
-
1
-
-
1
1
-
-
-
-
-
-
1
-
-
1
1
-
-
-
-
-
-
1
1
-
1
1
-
-
-
-
-
-
1
-
-
1
1
-
-
-
-
-
-
1
-
-
1
1
-
-
-
-
-
-
1
-
-
1
-
1
-
-
-
-
-
-
-
-
VII - 201
3.5.3 - Hidrologia
a) Estudos de consistência dos dados fluviométricos e série de vazões médias mensais
Nos estudos hidrológicos realizados para a UHE Salto Caxias no âmbito dos estudos de
viabilidade foram desenvolvidas, análises de consistência dos dados fluviométricos da
bacia do rio Iguaçu, que compreenderam os postos do rio Jordão, rio Chopim e rio Iguaçu
entre União da Vitória e Salto Osório e em Salto Cataratas.
A série de vazões médias mensais, no eixo inventariado do Baixo Iguaçu, foi obtida por
regionalização, com base nos dados da série dos postos fluviométricos de Águas do Vere,
Salto Osório e Salto Cataratas.
Para a atual revisão de inventário, no eixo da UHE Baixo Iguaçu, a série de médias
mensais (de janeiro de 1931 a dezembro de 1996) foi complementada até abril de 2002,
por um estudo de correlação da série existente no sistema de informação do potencial
hidrelétrico brasilieiro – SIPOT, com a série de vazões médias mensais do posto Estreito
do Iguaçu Novo. O Quadro 3.56 a seguir, apresenta esta série de vazões (1931 a 2002),
para uma área de drenagem (AD) de 61.580 km². Na fase de Projeto Executivo os
estudos devem ser complementados com as novas vazões.
Quadro 3.56
UHE Baixo Iguaçu, rio Iguaçu – série de vazões médias mensais (M³/S)
ANO
JAN
FEV
MAR
ABR
MAI
JUN
JUL
AGO
SET
OUT
NOV
DEZ
MÉDIA
1931
1.504
757
670
452
3.528
3.480
2.037
836
1.902
1.463
1932
1.041
1.461
2.018
3.922
2.213
2.618
1.451
1.080
1.787
3.077
817
1.017
1.538
1.039
1.315
1933
557
611
639
369
427
266
309
199
421
900
686
371
1.919
480
1934
536
1.120
920
1.216
913
523
427
380
474
1.014
450
1.010
749
1935
536
414
833
567
358
1.170
1.266
2.325
2.826
7.208
1.853
1.216
1.714
1936
2.348
793
507
369
704
6.025
1.182
2.267
1.923
1.549
1.231
803
1.642
1937
1.082
808
1.287
1.154
813
642
450
612
644
2.032
2.739
1.144
1.117
1938
981
2.193
765
847
2.265
3.912
4.791
1.125
925
825
789
550
1.664
1939
639
798
1.377
908
1.366
1.007
1.324
544
1.028
737
2.640
3.915
1.357
1940
1.438
952
582
1.293
1.234
729
538
500
524
461
584
769
800
1941
971
2.320
1.128
1.039
1.313
1.682
1.072
2.732
1.305
1.316
1.696
2.124
1.558
1942
940
1.899
1.270
2.107
1.696
1.590
1.434
1.044
946
1.120
512
446
1.250
1943
360
618
518
347
398
1.710
960
1.342
1.069
1.373
1.080
536
859
1944
769
499
1.104
604
355
239
216
143
349
240
754
721
499
1945
241
419
768
366
275
382
1.401
536
441
658
626
612
560
1946
1.266
3.861
2.701
1.423
1.281
1.469
3.086
1.068
956
2.009
1.402
1.640
1.847
1947
1.138
1.419
1.292
848
824
1.667
1.113
1.546
2.971
2.520
1.005
1.047
1.449
1948
785
1.168
1.113
901
1.083
1.099
857
1.751
865
1.273
1.607
470
1.081
1949
442
265
530
1.228
1.036
1.298
573
449
525
624
360
278
634
1950
1.079
1.072
1.717
811
906
678
831
449
494
2.469
1.189
837
1.044
1951
983
1.734
2.462
783
415
328
445
213
179
1.533
1.824
1.280
1.015
1952
572
540
376
452
192
1.068
754
474
1.423
3.159
1.902
816
977
1953
718
831
664
615
509
715
502
347
1.467
2.278
2.783
1.020
1.037
1954
1.599
913
1.002
641
3.252
3.191
1.708
863
1.376
2.377
1.106
862
1.574
1955
708
455
669
1.102
1.965
4.627
4.110
1.774
1.455
529
389
412
1.516
1956
646
970
534
2.043
2.109
1.349
1.104
1.728
1.305
894
475
299
1.121
VII - 202
Quadro 3.56
UHE Baixo Iguaçu, rio Iguaçu – série de vazões médias mensais (M³/S)
ANO
JAN
FEV
MAR
ABR
MAI
JUN
JUL
AGO
SET
OUT
NOV
DEZ
MÉDIA
1957
605
1.347
655
486
569
1.260
4.045
6.484
6.275
2.343
1.862
1.042
2.248
1958
676
396
852
677
331
682
634
1.115
2.539
1.380
1.101
1.308
974
1959
896
1.369
729
697
825
1.006
714
777
1.008
770
496
513
817
1960
428
623
489
581
539
822
605
1.617
1.693
1.894
1.984
822
1.008
1961
669
584
2.216
1.209
1.134
946
602
332
1.540
2.242
2.506
1.196
1.265
1962
833
1.283
1.527
692
571
688
502
375
1.180
2.406
1.198
571
986
1963
619
1.259
1.197
995
688
423
259
216
234
2.096
3.409
1.461
1.071
1964
582
788
587
1.221
1.217
1.052
1.190
1.779
1.702
1.250
780
743
1.074
1965
580
1.039
961
626
2.841
1.261
2.554
1.405
1.393
3.436
2.238
2.636
1.747
1966
1.506
2.623
1.723
731
513
791
1.250
641
1.342
1.941
1.830
1.159
1.338
1967
1.155
1.285
1.892
895
389
840
786
801
927
679
783
1.084
960
1968
685
677
391
483
501
316
449
292
262
671
1.002
838
547
1969
1.939
1.070
1.091
2.296
1.548
2.837
1.769
755
677
2.020
1.564
948
1.543
1970
906
761
648
606
763
1.773
2.572
700
919
1.842
778
1.375
1.137
1971
3.997
1.417
1.360
1.560
2.676
3.212
2.295
1.179
925
1.227
607
518
1.748
1972
771
1.516
1.391
1.145
473
1.304
1.416
2.636
4.618
3.817
1.496
1.425
1.834
1973
2.169
2.096
1.190
974
2.122
2.226
2.217
2.156
3.365
3.313
1.831
860
2.043
1974
1.455
1.422
1.330
776
568
1.188
1.240
1.015
1.427
670
982
941
1.085
1975
1.244
1.138
931
695
533
837
726
1.401
1.835
3.635
1.754
3.129
1.488
1976
1.935
1.400
1.096
1.143
824
2.736
1.055
2.065
1.718
1.270
1.865
1.275
1.532
1977
1.439
1.518
1.149
1.091
483
825
664
797
780
1.588
1.506
1.437
1.106
1978
513
345
459
242
184
320
1.300
1.128
1.153
559
937
774
660
1979
524
343
487
584
3.422
964
756
1.318
1.675
3.520
3.560
2.192
1.612
1980
1.419
1.134
1.548
697
1.097
729
1.590
1.744
2.736
1.699
1.468
1.933
1.483
1981
2.194
1.382
758
995
827
711
441
366
421
1.117
1.341
2.717
1.106
1982
925
1.056
717
348
401
1.875
4.530
1.404
760
2.671
6.208
3.024
1.993
1983
1.697
1.693
3.172
1.858
6.163
4.257
11.608
2.694
2.727
2.674
2.014
1.177
3.478
1984
913
756
893
1.114
1.266
2.566
1.112
3.485
1.764
1.174
2.363
1.455
1.572
1985
579
1.287
750
1.678
796
526
476
412
418
367
637
209
678
1986
355
938
1.016
1.010
1.567
1.157
422
873
1.308
1.228
1.148
1.475
1.042
1987
1.422
1.670
537
991
4.975
3.223
1.467
915
548
1.161
1.182
733
1.569
1988
604
681
788
621
3.106
2.749
969
370
347
669
472
394
981
1989
1.747
2.961
1.536
1.187
2.138
584
1.133
1.833
4.130
1.872
889
547
1.713
1990
2.903
1.837
806
1.873
1.803
4.312
2.327
3.224
3.505
2.947
2.531
1.196
2.439
1991
517
523
421
576
402
1.984
1.223
866
382
1.164
1.026
1.374
871
1992
812
803
1.191
1.181
4.269
5.286
3.102
2.606
1.861
1.418
1.416
848
2.066
1993
1.041
1.464
1.398
1.017
2.676
2.026
1.721
1.074
1.798
5.101
993
1.399
1.809
1994
624
1.605
1.058
773
1.872
3.116
2.879
1.026
610
1.260
2.155
1.241
1.518
1995
5.393
2.194
1.310
1.007
499
798
1.991
596
1.105
2.182
987
780
1.570
1996
1.751
3.045
2.820
2.118
561
1.251
2.213
899
1.515
4.782
2.034
1.883
2.073
1997
1.813
3.649
1.647
902
1.135
1.978
1.790
2.887
1.598
5.625
5.053
1.954
2.502
1998
2.064
2.828
2.964
7.632
3.877
1.381
1.316
4.045
4.592
4.828
1.506
1.068
3.175
1999
1.092
1.563
1.227
1.615
1.166
1.686
2.854
1.334
1.421
1.199
876
1.075
1.426
2000
949
1.291
965
954
1.084
820
934
656
2.585
3.785
1.248
847
1.343
2001
1.283
4.098
1.922
1.775
1.268
1.181
1.624
1.672
1.435
3.194
1.451
1.331
1.853
2002
922
1.461
1.153
857
Mínimo
241
265
376
242
184
239
216
143
179
240
360
209
1.098
143
Média
1.153
1.321
1.144
1.105
1.382
1.633
1.567
1.300
1.498
1.976
1.501
1.161
1.395
Máximo
5.393
4.098
3.172
7.632
6.163
6.025
11.608
6.484
6.275
7.208
6.208
3.915
11.608
VII - 203
Como se pode ver, a partir da série de vazões médias mensais obtidas para a UHE Baixo
Iguaçu, o rio Iguaçu não apresenta uma sazonalidade muito marcante, com máximas de
cheias podendo ocorrer em outubro ou abril. A média de longo termo é 1.395 m³/s, sendo
a mínima média mensal de 143 m³/s registrada em agosto de 1944.
O Quadro 3.57 e a Figura 3.70, apresentam a curva de permanência de vazões médias
mensais, onde se percebe que a mesma apresenta um lento decréscimo a partir da vazão
de 2.000 m³/s, o que atesta a regularidade anual de chuvas na região.
Quadro 3.57
Curva de permanência
Permanência
Vazão (m³/s)
0
11608
5
3505
10
2727
20
1899
30
1506
40
1285
50
1113
60
938
70
778
80
612
90
455
95
369
100
143
VII - 204
14.000
12.000
Vazão (m³/s)
10.000
8.000
6.000
4.000
2.000
0
0
10
20
30
40
50
60
70
80
90
100
Probabilidade porcentagem acumulada (%)
Figura 3.70
Curva de permanência UHE Baixo Iguaçu
b)Transporte de sedimentos e assoreamento
Para a avaliação dos efeitos de assoreamento e da vida útil do reservatório em estudo,
foram determinados o deflúvio sólido médio anual, o peso específico aparente do material
retido e a eficiência de retenção dos sedimentos pelo reservatório, além do volume
característico deste, retirado da curva cota x área x volume.
Em função do nível de detalhamento admitido em estudos de inventário, as avaliações
aqui apresentadas se baseiam no “Diagnóstico das condições sedimentológicas dos
principais rios brasileiros - Eletrobrás (1998)” que contém o estudo de “Zoneamento
hidrossedimentológico prévio do Brasil”.
O referido estudo classifica a região do baixo Iguaçu como estando dentro da “Região sul
– zona sudoeste – S4”. Para a região da bacia do rio Paraná é fornecida uma
concentração média anual de suspensão (CMA) igual a 120 mg/l.
Na avaliação sedimentológica foi considerado, de forma simplificada, que os reservatórios
existentes no rio Iguaçu, a montante, e principalmente o da UHE Salto Caxias, localizado
junto ao final do futuro reservatório da UHE Baixo Iguaçu, poderiam reter praticamente
todos os sedimentos afluentes a estes reservatórios, afluência sedimentológica ao
reservatório da UHE Baixo Iguaçu limita-se apenas à contribuição da bacia incremental
entre a Usina de Salto Caxias e o local do novo barramento.
Definida a CMA, adotada para toda a região de interesse e com a vazão média de longo
termo (Qmlt) da bacia incremental (diferença entre a Qmlt da UHE Baixo Iguaçu e a Qmlt da
VII - 205
UHE Salto Caxias, obtida no SIPOT), foi calculada a descarga sólida em suspensão (Qss)
para o local em estudo, através da seguinte fórmula:
Qss = 0,0864 * CMA * Qmlt, onde:
Qss é a descarga sólida em suspensão, em ton/dia.
CMA é a concentração média anual de suspensão, em mg/l.
Qmlt é a vazão média de longo termo, em m³/s.
Para determinação da descarga sólida total (Qst) foi necessário estimar a descarga sólida
de arraste (Qas) como sendo igual a 20% da Qst, valor este usualmente utilizado em
estudos de inventário. Com isso, a Qst foi definida da seguinte forma:
Qst = Qss + Qas
Qas = 0,20 * Qst
Qst = 0,20 * Qst + Qss
Qst = Qss/0,8
Multiplicando-se a Qst por 365, foi obtido o deflúvio sólido médio anual (Dst) para o local de
interesse.
O peso específico aparente (γap) foi estimado com base no guia de avaliação de
assoreamento de reservatórios (ANEEL, 2000). Este guia estabelece que o γap pode ser
estimado em função do tamanho do reservatório, de acordo com as equações de Lara e
Pemberton, conforme descrito a seguir:
-
Nos pequenos reservatórios o material que fica depositado é predominantemente a
areia, com isso o γap pode variar de 1,4 a 1,5 t/m³;
-
Nos reservatórios médios o γap tem uma variação de 1,2 a 1,4 t/m³; e
-
Nos grandes reservatórios, onde somente pequenas quantidades de materiais finos
passam pelos condutos e vertedouro, o γap tende a variar de 1,1 a 1,3 t/m³.
Nesta avaliação, o reservatório do aproveitamento foi considerado como sendo de médio
a grande porte, adotando-se desta forma γap igual a 1,2 t/m³.
Para determinação da eficiência de retenção (Er) dos sedimentos no reservatório
utilizada a Curva de Brune recomendada pelo guia de avaliação de assoreamento
reservatórios (ANEEL, 2000) para médios e grandes reservatórios. Para utilização
Curva de Brune é necessário calcular a relação entre a capacidade máxima
reservatório (correspondente ao NA máximo normal) e o deflúvio médio anual afluente.
foi
de
da
do
Para avaliar o assoreamento do reservatório adota-se multiplicar o Dst por dois com o
objetivo de prever um aumento na produção de sedimentos com o tempo. Com isso,
VII - 206
Volume anual de sedimento (Sa) retido do reservatório é calculado através da seguinte
fórmula:
Sa = 2 * Dst * Er/γap
Calculado o volume anual de sedimento (sa), poder-se-ia definir a vida útil do
aproveitamento dividindo-se o volume do reservatório, abaixo da soleira da tomada
d’água, pelo volume anual de sedimento retido no reservatório.
Tendo em vista a peculiaridade do aproveitamento em estudo - de baixa queda, com
soleira da tomada d’água em cota muito próxima à do fundo da calha do rio – é previsto
um muro de proteção à tomada, em extensão ao que a separa do vertedouro, com topo
na mesma cota do canal de adução (El. 248,00). A esta cota está associado um volume
(morto) de 14,2 x 106 m³ e uma vida útil de 73 anos. De forma a avaliar também o
completo assoreamento do reservatório calculou-se a vida útil considerando o volume
total do mesmo.
A avaliação realizada mostra que o assoreamento do reservatório da UHE Baixo Iguaçu
não é motivo de preocupação, já que o tempo necessário para assorear o mesmo, por
completo, é de 845 anos, mais de 16 vezes superior à vida útil econômica do
aproveitamento. Com relação ao assoreamento do volume morto do reservatório,
observa-se uma vida útil satisfatória. Considerando o arranjo proposto para o
aproveitamento, em que o vertedouro, por estar localizado ao lado da tomada d’água e
em uma cota abaixo da cota do canal de adução, funciona como um grande
descarregador de fundo, desobstruindo os locais próximos à tomada d’água quando
estiver com suas comportas abertas, conclui-se que a vida útil real do aproveitamento é
maior que os 73 anos calculados.
c) Regime hidrológico do rio Iguaçu a jusante da Usina Hidrelétrica de Salto Caxias.
Como já mencionado a curva de permanência de vazões médias mensais do rio Iguaçu,
elaborada para o local da futura UHE Baixo Iguaçu, atesta a regularidade anual das
chuvas e do regime hidrológico dessa bacia hidrográfica. As vazões do ano médio (janeiro
a dezembro) oscilam entre 1105 m3/s a 1976 m3/s.
Este fato corrobora o grande potencial do rio para geração hidráulica, mesmo sem a
construção de reservatórios de regularização.
A usina de Baixo Iguaçu, assim como ocorre com a UHE Salto Caxias, está projetada
para operar a fio d’água, isto é, as vazões afluentes ao reservatório passam para jusante
através da estrutura de geração de energia (tomada d’água, conduto forçado e turbinas)
e/ou pelo vertedouro, sem alterar o regime hidrológico do rio Iguaçu a nível mensal.
No entanto, a nível horário, para atender a demanda de “pico” do sistema de distribuição
de energia brasileiro, cujo despacho de energia é determinado pelo ONS (Operador
Nacional do Sistema), verifica-se uma rápida variação das vazões defluentes pelo
aumento no número de máquinas (turbinas) entrando em operação para atender a
demanda de energia do referido sistema.
VII - 207
Esta súbita variação das vazões no rio Iguaçu a jusante da UHE Salto Caxias já haviam
sido relatadas pela população ribeirinha nos municípios de Capanema e Capitão Leônidas
Marques nos serviços de campo, e por ocasião do diagnóstico ambiental participativo.
No histórico de vazões operadas pela Usina de Salto Caxias, obtidas no banco de dados
da ANEEL, atestam esta variação brusca nas vazões que podem passar em poucas horas
de valores próximos de 570 m3/s a 1600 m3/s.
Para exemplificar esta fato apresentamos a seguir dois exemplos típicos desta oscilação
na operação das vazões da usina:
Quadro 3.58
Vazões de operação da UHE Salto Caxias
Datas e horários
2/1/2004
8
9
10
11
12
4/01/2001
7
8
9
10
11
12
13
14
Fonte: ANEEL (2004)
Vazões turbinadas
Vazões vertidas
Vazão defluente total (m3/s)
573,77
692,83
824,26
957,12
1092,61
0
0
0
0
0
573,77
692,83
824,26
957,12
1092,61
410,23
410,32
416,32
631,64
931,36
1200,32
1468,05
1547,79
0
0
0
0
0
0
0
0
410,23
410,32
416,32
631,64
931,36
1200,32
1468,05
1547,79
Pelos resultados apresentados no Quadro 3.56, pode-se notar que as vazões podem
duplicar e às vezes triplicar de valor, o que explica os problemas de erosão de margem
identificados a jusante da UHE Salto Caxias, principalmente no período de estiagem
quando o rio está com níveis baixos a nível diário e mensal.
3.5.4 - Usos das águas
Nesta seção apresenta-se uma descrição dos usos da água na área estudada, com base
no banco de dados de outorga da Superintendência de Desenvolvimento de Recursos
Hídricos e Saneamento Ambiental – Suderhsa. Este banco de dados não é completo, mas
dá uma idéia muito clara da distribuição dos usuários dos recursos hídricos. Em estudos
realizados no alto Iguaçu, sobre os usuários de recursos hídricos, foi demonstrado que os
usos já outorgados representam um alto percentual, em volume, dos usuários. Também é
importante mencionar que estas são outorgas pelo direito de uso da água.
O processo de outorga é um instrumento de gestão não-estrutural, que visa a
racionalização do uso de um determinado recurso e o atendimento de diretrizes de
planejamento previamente fixadas. Esta racionalização é obtida através da concessão de
“parcelas” deste recurso aos interessados, levando em consideração as disponibilidades
existentes, de forma a atender racionalmente todas as demandas. Constitui-se, portanto,
VII - 208
em um instrumento pelo qual o poder público, através de um órgão que possua a devida
competência legal, confere a possibilidade de uso deste recurso.
Nos processos de gestão de recursos hídricos, três tipos principais de licenças são
identificados:
-
Outorga de Instalação de atividades potencialmente poluidoras, ou Licenciamento
Ambiental;
-
Outorga de Lançamentos que alterem a qualidade dos corpos d´água; e,
-
Outorga de direito de uso da água, incluindo os usos consuntivos e não-consuntivos.
No Estado do Paraná, a outorga de direito de uso de água é concedida pela
Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental –
Suderhsa, entidade autárquica estadual, dotada de personalidade jurídica de direito
público e vinculada à Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos.
No ano de 1987, o Departamento de Concessão e Derivação da extinta Surehma iniciou,
através de um grupo de trabalho instituído pelo DNAEE, algumas atividades de análise da
Lei nº 7.109/79, que instituiu o sistema de proteção ao meio ambiente, e do Decreto
estadual nº 857/79, responsável pela sua regulamentação.
Após esta análise, este grupo de trabalho apresentou uma proposta de alteração do
Decreto nº 857/79, incluindo algumas considerações sobre a outorga de uso da água.
No ano de 1988, o Decreto estadual nº 4.141/88 alterou o Decreto nº 857/79, incluindo um
texto que seguia as considerações do grupo de trabalho da Surehma.
De acordo com esta legislação, a Surehma emitiu, em 21 de setembro de 1989, a Portaria
Surehma nº 004/89, que instituiu as regras para o início das atividades de concessão da
outorga no Estado do Paraná. As atividades internas na Surehma para operacionalização
dos procedimentos já estavam em andamento desde agosto de 1989.
A primeira outorga foi concedida no mês de janeiro de 1990, e permitia à Sanepar o uso
das águas do rio Passaúna, na região metropolitana de Curitiba, para abastecimento
público.
Inicialmente existiam três tipos de outorga:
-
Concessão: concedida aos usuários de maior volume de água, e permitia ao seu
portador o uso imediato da água;
-
Autorização: ou anuência prévia, concedida aos usos mais diversos, especialmente à
perfuração de poços, devendo ser transformada em concessão em no máximo 60
dias; e,
-
Permissão: concedida para usos até 10 l/s. (A permissão não é mais concedida desde
1996).
VII - 209
Atualmente a Suderhsa concede dois tipos de outorga, ambos para a concessão do
direito de uso da água. São eles:
Anuência prévia: concedida exclusivamente em casos de solicitação para a perfuração de
poços, ainda assim de forma preliminar. Por meio deste documento, o interessado recebe
uma autorização da Suderhsa para efetuar a perfuração do poço artesiano. Após aferir o
volume a ser retirado, o interessado deverá solicitar a emissão da outorga definitiva para
ter assegurado o direito de uso da água captada; e,
Outorga de uso: concedida em todos os outros casos, sendo o documento que assegura
ao portador o uso de determinada quantidade de água, estipulada em conformidade com
a Suderhsa.
A outorga de lançamentos não é concedida atualmente pela Suderhsa. Desta forma, a
regulação da qualidade dos efluentes é feita no licenciamento ambiental, e a sua
avaliação é realizada na fiscalização ambiental e suas penalizações. Ambas são
atribuições do Instituto Ambiental do Paraná – IAP.
No quadro a seguir apresentam-se os municípios da região estudada, e a vazão
outorgada por município. Deve-se chamar a atenção de que dois municípios não têm
registrado nenhuma outorga, o município de Pranchita e Planalto. Estes dois municípios
entretanto são abastecidos com água captada e registrada para abastecer outros
municípios. Outra observação importante é que a outorga para abastecimento público
está registrada no nome do município que se beneficia preponderantemente. Assim, a
captação para Capitão Leônidas Marques, que é feita na bacia do rio Monteiro num trecho
da bacia que está em Santa Lúcia, está registrada em nome do primeiro município.
VII - 210
Quadro 3.59
Vazão total de água outorgada por município
Município
Vazão total Outorgada (m3/dia)
Ampére
5625,7
Barracão
479,1
Bela Vista da Caroba
533,8
Boa Vista da Aparecida
1273,2
Bom Jesus do Sul
310,2
Capanema
3630,2
Capitão Leônidas Marques
3202,9
Cascavel
122238,54
Céu Azul
2161,44
Flor da Serra do Sul
35
Foz do Iguaçu
71422,35
Francisco Beltrão
16967,04
Lindoeste
Manfrinópolis
1086,5
96
Matelândia
9251,8
Medianeira
Nova Esperança do Sudoeste
8616,57
1108,4
Nova Prata do Iguaçu
1674,4
Pérola d'Oeste
2747,22
Pinhal de São Bento
Realeza
Salgado Filho
43,2
6222,25
845
Salto do Lontra
1325,26
Santa Izabel do Oeste
882,58
Santa Lúcia
2440
Santa Tereza do Oeste
1760
Santa Terezinha de Itaipu
2758
Santo Antônio do Sudoeste
12078,4
São Miguel do Iguaçu
8803,3
Serranópolis do Iguaçu
808
Na Figura 3.71 pode-se observar que o uso preponderante da água é para abastecimento
público, representando quase 73% do total em volume de água captada. Deve-se também
chamar a atenção que neste abastecimento público estão aquelas indústrias que
consomem água do sistema público de abastecimento. Este é o caso da indústria
Diplomata localizada no município de Capanema.
Os outros usos presentes são agricultura, barramento, comércio e serviço, indústria, lazer,
mineração, pecuária e piscicultura; com destaque para o volume outorgado para
piscicultura, comércio e serviço e indústria.
VII - 211
Na Figura 3.72, pode-se observar a distribuição da captação de água para abastecimento
público por tipo de manancial. Tem-se que 63% do total da água captada para
abastecimento é oriunda de água superficial de rios e córregos, 32% de poços e 5% de
minas. No caso dos poços tem-se cerca de 550 poços cadastrados no banco de dados
hidrogeológicos da Suderhsa na unidade Serra Geral Sul, área de abrangência dos
estudos, apresentando profundidade média de 120 metros e 130 metros.
Uso da água em toda a região
1,07%
0,06%
0,20%
0,70%
9,30%
72,89%
27,11%
Abastecimento público
Agricultura
Barramento
Comércio / Serviço
Indústria
Lazer
Mineração
Outros
Pecuária
Piscicultura
7,12%
4,47%
1,37%
2,82%
Figura 3.71
Distribuição percentual do uso da água em toda área estudada.
Captação de Água por Tipo de Manancial
32%
Poço
Mina
63%
Água Superfcial
5%
Figura 3.72
Distribuição percentual da captação de água por tipo de manancial.
VII - 212
Estes poços da unidade Serra Geral, são motivo de grande preocupação por parte da
população local, já que existem casos de contaminação por pesticida. No trabalho
realizado durante o diagnóstico participativo (2004) a população demonstrou grande
preocupação com estes aspectos relacionados à contaminação das águas da região com
agrotóxico.
Nas Figuras 3.73 a 3.102 são apresentas as distribuições percentuais das outorgas de
todos os municípios da região que as possuem. Na maior parte dos municípios o uso
preponderante é o abastecimento público. Alguns municípios possuem um uso mais
diversificado, podendo-se destacar os seguintes usos em porcentagem:
-
Industrial – Céu Azul, Francisco Beltrão, Lindoeste, Medianeira, Nova Esperança do
Sudoeste, Realeza, Santa Tereza do Oeste, São Miguel do Iguaçu;
-
Comércio e serviço - Foz do Iguaçu;
-
Piscicultura - Nova Esperança do Sudoeste, Salto do Lontra, Santa Izabel do Oeste,
Santa Tereza do Oeste, Santa Terezinha de Itaipu, Santo Antônio do Sudoeste, São
Miguel do Iguaçu e Serranópolis do Iguaçu.
-
Agricultura - Salto do Lontra, Santa Izabel do Oeste, Santa Terezinha de Itaipu, e São
Miguel do Iguaçu.
1,65%
0,05%
Ampére
1,13%
0,53%
Abastecimento público
Comércio / Serviço
Indústria
Pecuária
Piscicultura
96,63%
Figura 3.73
Distribuição percentual das outorgas no município de Ampére
VII - 213
Barracão
7%
Abastecimento público
Indústria
93%
Figura 3.74
Distribuição percentual das outorgas no município de Barracão
Bela Vista da Caroba
Abastecimento público
2%
Agricultura
98%
Figura 3.75
Distribuição percentual das outorgas no município de Bela Vista da Caroba
VII - 214
Boa Vista da Aparecida
3,51%
3,33%
Abastecimento público
Agricultura
Lazer
93,16%
Figura 3.76
Distribuição percentual das outorgas no município de Boa Vista da Aparecida
Bom Jesus do Sul
Abastecimento público
100,00%
Figura 3.77
Distribuição percentual das outorgas no município de Bom Jesus do Sul
VII - 215
Capanema
Abastecimento público
2%
Indústria
1%
Pecuária
8%
Lazer
89%
Figura 3.78
Distribuição percentual das outorgas no município de Capanema
1,28%
7,65%
Capitão Leônidas Marques
0,80%
5,18%
Abastecimento público
Agricultura
Indústria
Outros
Piscicultura
85,10%
Figura 3.79
Distribuição percentual das outorgas no município de Capitão Leônidas Marques
VII - 216
0,06% 0,76%
Cascavel
0,33%
4,11%
0,17%
Abastecimento público
Agricultura
Comércio / Serviço
Indústria
Lazer
Mineração
Outros
Pecuária
Piscicultura
8,89%
2,93%
3,31%
79,44%
Figura 3.80
Distribuição percentual das outorgas no município de Cascavel
Céu Azul
Abastecimento público
Comércio / Serviço
Indústria
Outros
Pecuária
Piscicultura
7,65%
8,71%
0,13%
47,52%
30,27%
5,72%
Figura 3.81
Distribuição percentual das outorgas no município de Céu Azul
VII - 217
Flor da Serra do Sul
Abastecimento público
100%
Figura 3.82
Distribuição percentual das outorgas no município de Flor da Serra do Sul
0,11%
0,15%
2,70%
Abastecimento público
Foz do Iguaçu
Agricultura
0,08%
Comércio / Serviço
3,27%
Indústria
0,76%
Lazer
Mineração
13,26%
Outros
Pecuária
Piscicultura
0,54%
79,13%
Figura 3.83
Distribuição percentual das outorgas no município de Foz do Iguaçu
VII - 218
Francisco Beltrão
1,01%
Abastecimento público
Agricultura
Barramento
Comércio / Serviço
Indústria
Lazer
Pecuária
Piscicultura
2,72%
1,75%
34,51%
58,23%
0,97%
0,21%
0,60%
Figura 3.84
Distribuição percentual das outorgas no município de Francisco Beltrão
Lindoeste
Abastecimento público
Agricultura
Comércio / Serviço
Indústria
15,80%
0,55%
0,73%
82,92%
Figura 3.85
Distribuição percentual das outorgas no município de Lindoeste
VII - 219
Manfrinópolis
Abastecimento público
100%
Figura 3.86
Distribuição percentual das outorgas no município de Manfrinópolis
Matelândia
0,43%
0,05%
0,12%
0,16%
Abastecimento público
Barramento
Comércio / Serviço
Indústria
Pecuária
Piscicultura
36,50%
62,74%
Figura 3.87
Distribuição percentual das outorgas no município de Matelândia
VII - 220
Medianeira
Abastecimento público
Agricultura
Comércio / Serviço
Indústria
Lazer
Pecuária
Piscicultura
2,96%
1,12%
1,16%
24,82%
0,45%
64,19%
5,30%
Figura 3.88
Distribuição percentual das outorgas no município de Medianeira
Nova Esperança do Sudoeste
9,15%
Abastecimento público
Indústria
Piscicultura
13,99%
76,85%
Figura 3.89
Distribuição percentual das outorgas no município de Nova Esperança do Sudoeste
VII - 221
Nova Prata do Iguaçu
4,09%
Abastecimento público
Indústria
Pecuária
4,45%
91,45%
Figura 3.90
Distribuição percentual das outorgas no município de Nova Prata do Iguaçu
Pinhal de São Bento
Abastecimento público
100%
Figura 3.91
Distribuição percentual das outorgas no município de Pinhal de São Bento
VII - 222
Pérola d' Oeste
2,90%
Abastecimento público
Indústria
97,10%
Figura 3.92
Distribuição percentual das outorgas no município de Pérola D´Oeste
Realeza
Abastecimento público
1,28%
Comércio / Serviço
Indústria
Piscicultura
31,16%
1,07%
66,49%
Figura 3.93
Distribuição percentual das outorgas no município de Realeza
VII - 223
Salgado Filho
2,23%
Abastecimento público
Comércio / Serviço
Indústria
2,70%
95,07%
Figura 3.94
Distribuição percentual das outorgas no município de Salgado Filho
Salto do Lontra
14,94%
0,48%
Abastecimento público
Agricultura
Indústria
Pecuária
Piscicultura
2,01%
19,12%
63,45%
Figura 3.95
Distribuição percentual das outorgas no município de Salto do Lontra
VII - 224
Santa Izabel do Oeste
30,42%
Abastecimento público
Agricultura
Comércio / Serviço
Indústria
Outros
Piscicultura
31,07%
2,82%
6,95%
0,21%
28,53%
Figura 3.96
Distribuição percentual das outorgas no município de Santa Izabel do Oeste
Santa Lúcia
Abastecimento público
100%
Figura 3.97
Distribuição percentual das outorgas no município de Santa Lúcia
VII - 225
Santa Tereza do Oeste
Abastecimento público
Agricultura
Indústria
Lazer
Pecuária
Piscicultura
7,65%
0,96%
6,38%
10,11%
4,78%
70,13%
Figura 3.98
Distribuição percentual das outorgas no município de Santa Tereza do Oeste
Santa Terezinha de Itaipu
32,44%
Abastecimento público
Agricultura
Comércio / Serviço
Indústria
Lazer
Outros
Pecuária
Piscicultura
45,14%
11,09%
2,20%
3,32%
0,81%
2,80%
2,19%
Figura 3.99
Distribuição percentual das outorgas no município de Santa Terezinha do Itaipu
VII - 226
Santo Antônio do Sudoeste
Abastecimento público
Agricultura
Comércio / Serviço
Indústria
Piscicultura
31,65%
0,32%
67,67%
0,01%
0,34%
Figura 3.100
Distribuição percentual das outorgas no município de Santo Antônio do Sudoeste
São Miguel do Iguaçu
Abastecimento público
Agricultura
Comércio / Serviço
Indústria
Lazer
Pecuária
Piscicultura
27,97%
41,41%
0,97%
2,11%
15,57%
1,69%
10,27%
Figura 3.101
Distribuição percentual das outorgas no município de São Miguel do Iguaçu
VII - 227
Serranópolis do Iguaçu
18,22%
Abastecimento público
Piscicultura
81,78%
Figura 3.102
Distribuição percentual das outorgas no município de Serranópolis do Iguaçu
VII - 228
4 - Referências bibliográficas
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Download

Capítulo VII – Diagnóstico do Meio Físico