UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO
ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL – UNIJUÍ
VOLMIR DE SIQUEIRA
INDUSTRIALIZAÇÃO, URBANIZAÇAO, ÊXODO
RURAL NO SUDOESTE DO PARANÁ
IJUÍ-RS
2012
INDUSTRIALIZAÇÃO, URBANIZAÇAO, ÊXODO
RURAL NO SUDOESTE DO PARANÁ
Trabalho de Conclusão do Curso
apresentado
ao
Curso
de
Licenciatura
em
Geografia
da
Universidade Regional do Noroeste
do Estado do Rio Grande do Sul –
UNIJUI, como requisito parcial à
obtenção do título de Licenciatura em
Geografia.
Autor: Volmir Siqueira
Orientador: Prof°. Dr. Leonardo Dirceu Azambuja
IJUÍ-RS
2012
RESUMO
A urbanização brasileira tornou-se um fator determinante na organização do espaço
a partir, sobretudo, da década de 1940, quando a industrialização cresceu muito
com a instalação, principalmente, de muitas empresas estrangeiras no território.
Neste contexto, o presente trabalho visa apresentar uma caracterização geral do
processo de industrialização, urbanização e êxodo rural no Sudoeste do Paraná.
Buscamos, nesta reflexão, demonstrar o desenvolvimento dos principais centros
urbanos regionais, bem como, caracterizar, as principais mudanças que ocorreram
no desenvolvimento histórico da região. Metodologicamente utilizamos numa série
histórica os dados dos Censos Demográficos do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), como parâmetro para a análise. O processo de industrialização
no Sudoeste paranaense é bastante recente, com início na década de 1970 nos
setores madeireiro, mobiliário e alimentício. Porém, é a partir do final dos anos 1980
que começa a diversificação dos ramos industriais. Surgem novos setores, não
ligados diretamente à produção agrícola, como as indústrias de plásticos, de
eletrodomésticos e a de confecções, a qual possui o maior número de
estabelecimentos e pessoal ocupado no Sudoeste, provocando mudanças
significativas na economia regional, principalmente, onde há concentrações nos
chamados parques industriais. Tal expansão está relacionada com os incentivos
infra estruturais e tributários de prefeituras municipais aos industriais e pela
presença de mão de obra extremamente barata.
Palavras-chave: urbanização; industrialização; êxodo rural
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ..........................................................................................................06
1. INDUSTRIALIZAÇÃO E URBANIZAÇÃO NO BRASIL
1.1 Urbanização e Êxodo Rural no Brasil..................................................................08
1.2 Industrialização e Urbanização no Brasil.............................................................12
2. O SUDOESTE DO PARANÁ
2.1 Processo de Industrialização no Sudoeste do Paraná........................................19
2.2 Urbanização e Êxodo Rural no Sudoeste do Paraná..........................................31
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INTRODUÇÃO
Este trabalho é uma pesquisa bibliográfica sobre as relações existentes entre
o processo de industrialização, urbanização e o êxodo rural. No primeiro capítulo
fazemos uma abordagem mais ampla mencionando essas relações num contexto
nacional. Já no segundo capítulo tratamos sobre industrialização, urbanização e
êxodo rural no Sudoeste do Paraná. Nesse comparativo de acontecimentos entre o
“todo” Brasil, e a “parte” Sudoeste do Paraná, se estabelece um paralelo de eventos
semelhantes, principalmente no aspecto sócio econômico.
Observamos que tanto as causas, como as consequências do êxodo rural são
diversas, mas o que se evidencia como principal causa é o processo de
industrialização, que certamente gerou fatores positivos e negativos para os
segmentos sociais e econômicos.
O declínio da ocupação no campo ocasionando o êxodo rural e
consequentemente o crescimento das cidades, principalmente das grandes
metrópoles, é apontado pelo aumento significativo do setor terciário. A história
registra a urbanização como antecedente a industrialização, porém, esta se
intensificou com o crescimento industrial.
As migrações internas, que em poucas décadas esvaziaram as áreas rurais
do país e sustentaram o enorme crescimento da oferta de mão de obra para os
mercados industriais do centro-sul brasileiro deram substância a um processo
acelerado de urbanização em todo o território, concomitante a uma expressiva
concentração populacional nas regiões de maior dinamismo econômico.
Buscamos analisar o processo de urbanização na mesorregião Sudoeste do
Paraná, evidenciando a origem dos centros urbanos e seu desenvolvimento
histórico, atribuindo destaque para o processo de crescimento dos espaços e
subespaços urbanos regionais, que posteriormente tornaram-se cidades. Na
sequência, fazemos a análise do processo de espacialização urbana no Sudoeste
paranaense. Utilizamos a noção espaço-tempo como referencial para análise, ou
seja, as periodizações, em que, estes “pedaços” do tempo foram definidos pelas
décadas em que os dados populacionais do IBGE foram coletados, sendo estes os
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Censos Demográficos do IBGE de 1960, 1970, 1980, 1991, 1996 e a Contagem
Populacional de 2010. Por fim, objetivamos aprofundar a análise da urbanização no
Sudoeste paranaense, agrupando e demonstrando algumas características e
possíveis tendências deste processo nesta região.
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1. INDUSTRIALIZAÇÃO E URBANIZAÇÃO NO BRASIL
Neste capítulo, iremos contextualizar e analisar a situação migratória em
estudo de forma mais ampla. Esse processo se estabelece de acordo com as
necessidades sócio - econômicas predominantes em cada região, sendo importante,
contextualizar a pesquisa bibliográfica sobre o assunto, do geral para o específico,
ou seja, de nível nacional para o regional.
1.1 Urbanização e Êxodo Rural no Brasil
As migrações internas, que consistem num fluxo populacional e que alteram a
situação demográfica das regiões, decorrem de alterações sociais e espaciais
verificadas nas regiões brasileiras, e em grande número de nossos Estados. O
Êxodo Rural possivelmente foi uma das maiores transformações que ocorreram em
todo Brasil, ocasionando efeitos inevitáveis.
O fenômeno é antigo e remonta pelo menos ao século XVII, decorrente de
vários motivos e prosseguem de uma ou de outra região, das áreas mais pobres
para as mais desenvolvidas, das zonas rurais em direção às maiores cidades,
ocasionando um problema grave para um país ainda despovoado: o êxodo rural em
benefício de uma crescente urbanização.
De acordo com Santos e Silveira:
A mecanização e depois a cientificização do mundo rural contribuíram,
certamente, para a queda da participação da população rural na população
total do Brasil, que passou de 68,76% em 1940 para 54,93% em 1960,
32,30% em 1980 e 21,64% em 1996. ( 2005, p. 211)
A imigração do homem do campo para as cidades parece vir de várias
causas, como a seca que castiga algumas regiões do país, os incentivos agrícolas,
os baixos preços de produtos, a política agrícola do governo que visa incentivar a
produção de produtos destinados à exportação e ainda, conforme (Santos e Silveira,
9
2005, p. 213) “... devido a uma combinação explosiva de uma estrutura fundiária, (...)
e da modernização capitalista do campo”. Além disso, há um efeito de atração, onde
os meios de comunicação apresentam as cidades, como fontes da realização dos
desejos, criando assim uma ilusão em “morar na cidade”.
O enfoque histórico costuma destacar a vocação estrutural do capitalismo a
um desenvolvimento desigual no espaço. As diferenças entre o campo e a cidade,
bem como as desigualdades entre as regiões aparecem como fatores determinantes
e explicativos dos fluxos de população (Vainer, 1996). Nessa visão a saída de uma
região é resultado de conflitos antagônicos entre capital e o trabalho, os quais
continuam nos locais de chegada, já que fazem parte do capitalismo. As razões de
saída são priorizadas em relação aos fatores de atração, que nunca teriam força
suficiente para tirar as pessoas de seu meio social. A ideia de migração espontânea
é fortemente combatida sob esta perspectiva, enfatizando-se o direcionamento dos
fluxos de acordo com as necessidades do modelo econômico, responsável pelas
determinações estruturais.
A migração campo cidade é um processo universal, em que as populações
rurais transferem-se para as cidades, trocando, portanto as atividades rurais pelas
atividades urbanas, principalmente na indústria, comércio e servições.
De acordo com Santos e Silveira:
A ideologia do consumo, do crescimento econômico e do planejamento
foram os grandes instrumentos políticos e os grandes provedores das ideias
que iriam guiar a reconstrução ou a remodelação dos espaços nacionais,
juntamente com a da economia, da sociedade e, portanto, da política. Para
realizar qualquer desses desígnios impunha-se equipar o território, integrálo mediante recursos modernos. O caminho da integração do território e da
economia apontado para todos os países era tanto mais facilitado e tanto
mais rápido quanto maior o número de opções a atingir e a organizar (2005,
p. 47).
Em países desenvolvidos, que realizaram sua transformação industrial e por
isso dispõem de um grande setor secundário, é a tecnologia e a mecanização no
campo que liberam cada vez mais mão de obra, que parte assim para as cidades,
onde será absorvida pelas indústrias e pelas funções terciárias delas decorrentes.
Desta forma, é um movimento positivo visto que cada vez menos população no
campo produz cada vez mais, ao mesmo tempo em que a urbanização se apoia na
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oferta crescente de empregos, principalmente no comércio e nos serviços. Nesse
sentido a ideologia se concretiza sendo que há uma integração entre territórios e
recursos modernos.
Por outro lado nos países subdesenvolvidos, onde a industrialização é fraca o
fenômeno tem outra dinâmica. Acontece que a grande população rural, com fracos
rendimentos frente à carência de recursos tecnológicos e, portanto, com baixo nível
de vida, se sente atraída pela perspectiva de um emprego urbano, o que representa
melhora no padrão de vida, migrando em larga escala para as cidades.
Ocorre então que, possuindo uma fraca industrialização, a cidade não
apresenta uma oferta de empregos compatíveis com a procura, em razão de que,
não absorve boa parte da mão de obra migrante, mesmo porque, esta carece de
qualificação, havendo em consequência, a marginalização populacional, o que vai
refletir-se na formação de favelas.
Assim, o volume de população rural que aflui às cidades nos países
subdesenvolvidos cria uma série de problemas urbanos, não só a sua morfologia,
mas também em matéria de empregos, de assistência médico social, de habitação,
de transportes, de educação e de abastecimento.
Segundo Santos e Silveira:
[...] apesar da industrialização, o país conserva uma série de condições de
subdesenvolvimento, muitas vezes agravadas pelo crescimento econômico,
a saber, disparidades regionais pronunciadas, enormes desigualdades de
renda e uma crescente tendência ao empobrecimento das classes
subprivilegiadas [...] Santos e Silveira (2005, p. 51)
A mão de obra das classes que não foram absorvidas pela indústria, tende a
uma terceirização forçada, visto que ainda o sistema produtivo se mostra cada vez
mais independente de recursos nacionais havendo então, o aumento da demanda
de trabalho autônomo.
No Brasil há uma forte urbanização que decorre da combinação de fatores.
Na verdade, a precariedade de condições de vida em boa parte das áreas rurais
brasileiras, em contraste com certas conquistas dos trabalhadores urbanos tem
ensejado o êxodo rural e criado com isso, todo um elenco de problemas nas grandes
cidades, que não apresentavam capacidade de gerenciar esses problemas, como a
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escassez de moradia, falta de saneamento básico, precariedade nas condições de
vida dos operários.
No Brasil, a maioria da população migrou para o meio urbano, em poucas
décadas, levando em conta que o processo industrial de 1930, acelerou-se na
década de cinquenta, o que coincide, com a fase de desenvolvimento industrial,
quando houve muitos investimentos internacionais, formando um mercado nacional
centralizado, criando oferta de empregos e assim reforçando os atrativos exercidos
pelas cidades.
Até 1960, o Brasil conservou a maior parte de sua população no meio rural. A
partir dessa década, entretanto, as facilidades de deslocamento determinada pelas
novas rodovias mudaram o panorama, concentrando a cada ano uma porcentagem
maior de habitantes nos centros urbanos.
Com isso, Santos e Silveira, afirmam que:
A industrialização e a produção agrícola mais moderna [...] constitui o
conteúdo mais visível do novo processo territorial. Acelera-se a tendência à
disparidade estrutural de um espaço nacional já diferenciado, com a
produção de uma situação em que se torna mais clara a existência de uma
periferia e de um polo [...], as desigualdades assim instaladas tendem a
agravar-se cada vez mais. ( 2005, p. 46)
A migração do campo para a cidade é um processo universal rumo ao
desenvolvimento econômico, em que as populações rurais transferem-se para as
cidades trocando, portanto, as atividades rurais pelas atividades urbanas, isto é,
indústria, comércio e serviços. Motivados pela atração salarial exercida pelas
cidades
grandes,
a
facilidade
de
deslocamento
que
se
amplia
com
o
desenvolvimento de vias de comunicações e as condições incertas da vida rural em
muitas regiões do país, favorecem o fenômeno da urbanização e transformam a vida
de nossas cidades (sobretudo capitais), quase sempre incapazes de absorver
profissional e socialmente a população decorrente do êxodo rural.
As migrações internas no Brasil constituíram e ainda constituem um
gravíssimo problema social pelo ajustamento forçado que impõem ao retirante,
problemas econômicos, quer pelo despovoamento a que submetem suas regiões de
origem, principalmente pela mudança da atividade econômica do migrante, quer pela
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aglomeração nos centros urbanos. Assim agricultores transformam-se bruscamente
em operários que estão longe de substituir o indivíduo preparado para tal fim.
1.2 Industrialização e Urbanização no Brasil
A modernização das economias, o emprego cada vez maior da tecnologia, o
progresso dos transportes, a intensificação dos intercâmbios faz com que o mercado
de consumo que assume a hegemonia de todo o sistema de produção, impondo
cada vez mais a necessidade de barateamento dos custos e despertando a procura
de melhores lucros. Urge, a racionalização da produção, com o emprego de pouca
mão de obra, alta mecanização e tecnologia, o que esbarra muitas vezes nos
obstáculos causados por regimes de pequenas propriedades, que não comportam
grandes investimentos. Nestas condições, a tendência é a ampliação da malha
fundiária.
A constante evolução do homem faz com que ele, de maneira inevitável,
altere o equilíbrio natural do ambiente. Para (Sanches, 2005, p. 212), “cada dia mais
sofistica os mecanismos de extrair da natureza recursos que [...] podem alterar de
modo profundo a funcionalidade harmônica dos ambientes naturais”. Sendo que, há
sempre uma preocupação imediatista visando lucros.
Sobre a evolução, técnico industrial e a qualidade de vida, Sanches (2005)
afirma ainda que:
“O avanço técnico e cientifico e o crescente processo de industrialização,
seja nos países ricos, seja nos pobres, nos capitalistas ou nos socialistas,
vêm progressivamente interferindo, agredindo e alterando a natureza, em
benefício dos interesses imediatos dos homens” (Sanches, 2005, p. 211).
Enquanto o homem se utilizava da natureza para sua sobrevivência, se via
também mais próximo da natureza. A partir do acréscimo do conhecimento técnico
cientifico, principalmente com o capitalismo, os interesses das sociedades humanas
ficam mais para questões econômicas do que ambientais.
Conforme Santos e Silveira:
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[...] a invenção e difusão das máquinas e a elaboração de formas de
organização mais complexas permitem outros usos do território. [...] o
período técnico testemunha a emergência do espaço mecanizado. São as
lógicas e os tempos humanos impondo-se à natureza. ( 2005, p. 31).
A industrialização e a urbanização são partes de um processo histórico de
evolução do feudalismo para o capitalismo. Situação em que tanto as
transformações políticas como as econômicas são vistas como projeto social da
burguesia na construção do capitalismo.
O avanço tecnológico torna-se praticamente um fenômeno incontrolável e
imensurável de forma global, definindo o desenvolvimento como um processo amplo
de transformações abrangendo a totalidade da sociedade.
É visível que a industrialização é o principal fator da urbanização no Brasil na
medida em que ela provocou a formação de centros de polarização, que receberam
um grande contingente populacional resultante do êxodo rural.
A modernização agrícola aumenta a produção, a produtividade e a
rentabilidade da agricultura, porém, traz como consequência, principalmente, o
desemprego de um grande número de trabalhadores rurais. A mecanização agrícola
é um processo que se expandiu nas décadas de setenta e oitenta. Geralmente
impulsionado pelo aumento da produção de soja para exportação.
Havia no Brasil um fenômeno paralelo ao da mecanização. Sempre
ocorreram sucessivas concentrações de propriedade em áreas antes ocupadas por
pequenas propriedades. Nesse processo de ocupação os pequenos proprietários
são desalojados pela grande propriedade e empurrados para fronteiras mais
distantes ou para os centros urbanos.
Considerando que nossa exportação depende, em grande parte, da
agricultura e que nossa industrialização é, predominantemente, apoiada na
transformação de produtos agrícolas, acentua-se então, a gravidade desse
desequilíbrio.
A diminuição do interesse pela agricultura acaba, indiretamente, encarecendo
a vida nas cidades, e desajustando ainda mais esses migrantes. A falta de uma
qualificação profissional leva o homem do campo a aceitar o subemprego e, com
ele, o marginalismo social.
De acordo com Oliveira:
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A generalização do trabalho assalariado, a separação do local de trabalho
de domicílio, [...] tornaram o estilo de pensar e viver radicalmente diferente
daqueles encontrados nas sociedades agrícolas, regidas geralmente pelos
ciclos da natureza. [...]. Sem dúvida, porem, as cidades e, mais ainda, as
metrópoles tornaram-se o habitat da maior parte da população mundial,
impondo um estilo de vida que pouco ou nada era regulado pelos padrões
típicos das sociedades agrícolas ( 2001, p. 13).
A alteração das relações de trabalho na agricultura, parceiros e meeiros,
colonos e moradores das fazendas são substituídos por assalariados temporários
(boias frias), que residem nos centros urbanos e trabalham no campo em períodos
de colheita ou plantio. Essa situação cresceu com a promulgação do Estatuto do
Trabalhador Rural (1964), que assegurava aos trabalhadores do campo os direitos
garantidos para os trabalhadores urbanos. Essa lei, que tinha como objetivo
beneficiar os moradores rurais acelerou sua expulsão, pois os tornava mão de obra
mais cara.
Há um crescimento considerável das áreas periféricas das grandes cidades.
Para reforçar essa constatação para o caso brasileiro, podem-se considerar os
dados do IBGE, conforme Maricato:
A concentração urbana foi uma das características desse crescimento
(urbano): 32,9% da população urbana moram em 11 metrópoles, onde estão
também 82,1% dos domicílios localizados em favelas do total nacional, o
que revela o caráter concentrador da pobreza urbana nas metrópoles
(Maricato, 2006, p. 215).
Essa é uma realidade que desperta interesse de profissionais de diversas
áreas: sociólogos, urbanistas e arquitetos, planejadores urbanos, psicólogos,
geógrafos, políticos e religiosos sobre o complexo problema relacionado à garantia e
qualidade de vida, havendo toda uma preocupação por diversos meios culturais e
científicos em compreender a vida dos que moram em espaços marginais.
O crescimento exponencial de algumas das principais cidades brasileiras e o
aumento da população urbana, que tem ocorrido nos últimos anos em todo o país, e
também a simples visão da paisagem urbana da maioria das cidades, mostram não
só os contrastes físicos como também as contradições sociais e as hierarquias sócio
espaciais, o que é uma realidade bastante presente nas cidades brasileiras, onde
cada vez mais são produzidos lugares periféricos.
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As grandes cidades apresentam um aspecto de “dualismo”: de um lado,
elevado padrão urbanístico com áreas bem equipadas, bem servidas, destinadas às
camadas mais ricas da sociedade, de outro, áreas periféricas, desassistidas e
muitas vezes com ausência completa de infraestrutura, onde vive a população mais
pobre.
Essa urbanização excessiva nas ultimas décadas do século XX ocorreu
também como resultado de uma mudança produtiva na economia do país, que
ocasionou intensos movimentos migratórios do campo para a cidade, citados
anteriormente e, posteriormente até houve alguns avanços significativos no âmbito
das condições sanitárias da vida urbana.
A urbanização intensa, mais do que tudo, provocou um crescimento
concentrado em algumas grandes cidades; esse fenômeno que pode ser
denominado “metropolização” tem sido apontado para explicar a dinâmica urbana de
cidades do mundo inteiro. No Brasil, e em outras regiões da periferia do capitalismo,
esse processo ocorre com traços peculiares, entre os quais parecem ser recorrentes
a ampliação de grandes cidades, regiões ou aglomerações urbanas em algumas
áreas mais que em outras.
O critério principal nessa categorização é o crescimento descontrolado da
população urbana resultante da globalização da economia de mercado e
responsável por muitos outros problemas, que presenciamos diariamente como o
aumento da violência, não só nos grandes centros, mas em todo o país de uma
forma geral, resultado de um desequilíbrio demográfico causado principalmente pela
evasão do campo, onde a família, que é a base da sociedade, é a mais afetada e
consequentemente há uma mudança nas demais relações sociais. Surge uma
transformação radical de hábitos, o ritmo de vida, das pessoas sofre grandes
alterações. As famílias já não encontram mais momentos para se reunir, pois cada
membro trabalha em horários diferentes.
Com pouca escolaridade as pessoas oriundas da agricultura, não encontram
um bom emprego. O homem e a mulher despreparados para o mercado de trabalho
enfrentarão os trabalhos mais forçados e com baixa remuneração. Os filhos, mesmo
em idade escolar, são muitas vezes obrigados a trabalhar para ajudar no orçamento
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da família, parando com os estudos e o que é mais grave, abrindo mão da infância.
Alguns passarão a maior parte do tempo na rua, expostos a todo perigo.
Para Santos e Silveira, novas características do processo migratório tem
especial importância, pois delas resultam novos desenhos espaciais:
A questão da fluidez do espaço apresenta-se agora em outros termos. Como
a informação e as finanças passam a ser dados importantes, se não
fundamentais, na arquitetura da vida social, o espaço total de um país, isto
é, o seu território enquanto suporte da produção em todas as suas
instâncias, equivale ao mercado. Desse ponto de vista distinguem-se, no
país, áreas onde a informação e as finanças têm maior ou menor influência,
da mesma maneira que antes a questão se colocava quanto aos produtos e
à mão-de-obra. Embora as estatísticas por elas mesmas não o digam,
definem-se agora densidades diferentes, novos usos e uma nova escassez
( 2005, p.53).
As tendências atuais, marcadas pelo pós-fordismo e pelo neoliberalismo,
apontam para uma fragmentação e descontinuidade na qual o espaço ganha novos
atributos e significados. A desindustrialização, o desemprego tecnológico, a
desmetropolização e a “dissolução” da metrópole (Santos, 1993), indicam novas
características para as migrações.
Com a globalização, as informações e as tecnologias de um modo geral,
estão presentes de maneira uniforme em todo o território brasileiro e no mundo.
Conforme Santos e Silveira:
O mundo de hoje é cenário do chamado “tempo real”, porque a informação
se pode transmitir instantaneamente. Desse modo, as ações se concretizam
não apenas no lugar escolhido, mas também na hora adequada, conferindo
maior eficácia, maior produtividade e maior rentabilidade aos propósitos
daqueles que as controlam... ( 2005, p. 98)
O fato de a tecnologia estar presente em todos os lugares faz com que os
recursos de um modo geral estejam ao alcance, mesmo para o cidadão do campo
que deixa então de ser visto como uma pessoa desinformada, passando a se sentir
incluído na sociedade.
A concentração demográfica inevitavelmente ocasionada pela industrialização
é um fenômeno de macro urbanização, que de acordo com (Santos e Silveira, 2005,
p.206) “[...], ganhou, nas últimas décadas, importância fundamental: concentração
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da população e da pobreza, contemporânea da rarefação rural e da dispersão
geográfica das classes médias [...]”.
Os mesmos autores afirmam que segundo dados de 1999, aumenta o
desemprego no Brasil, no período:
Novas formas técnicas e organizacionais, como a informatização e a
automação das tarefas tanto nas atividades agropecuárias quanto na
indústria e nos serviços, os novos modos de circulação, os atuais tipos de
contratação e as políticas trabalhistas, conduziam, entre outros aspectos, a
uma precarização das relações de emprego e a um aumento do
desemprego [...]. (Santos e Silveira, 2005, p. 220)
Esse fato é um círculo vicioso que cada vez toma proporções maiores.
Havendo uma grande difusão de recursos tecnológicos. E como dizem (Santos e
Silveira, 2005, p. 226), “A modernização agrícola foi, ao mesmo tempo, causa e
consequência dessa difusão”.
A preocupação com educação e saúde, também é um fator considerável para
a saída do trabalhador do campo para cidade, em busca de mais recursos, sendo
que havia pouco investimento nesses aspectos. Atualmente em meios rurais são
ofertadas as escolas do campo, que segundo as diretrizes curriculares possuem
fundamentos básicos característicos às necessidades do aluno do campo, para
então atender as peculiaridades regionais, culturais, sociais e econômicas das
famílias do campo.
Como afirma Santos (1996), a urbanização no Brasil é um fenômeno
determinante na sua organização e transformação espacial. Entre 1940 e 1980,
ocorre uma espécie de inversão quanto ao lugar de residência da população
brasileira. A taxa de urbanização no Brasil durante esse período aumenta de 26,35%
para 68,86%. Nesses quarenta anos, a população total do Brasil triplica, enquanto
que a população urbana se multiplica por sete vezes e meia. Na década de 1990, a
população urbana brasileira ultrapassa os 77%, apresentando um índice quase igual
ao da população total de 1980 Santos (1996).
Segundo o autor, é entre o período de 1970 a 1980 que o crescimento da
população urbana supera o da população rural. Isso significa que o processo de
urbanização no Brasil conhece uma aceleração, consolidando-se na década de
1980. Desse modo, o forte movimento de urbanização que se verifica a partir do fim
18
da Segunda Guerra Mundial, mostrou-se associado a um intenso crescimento
demográfico, resultado da natalidade elevada e menor índice de mortalidade,
resultado dos progressos sanitários e, pela melhoria relativa nos padrões de vida.
Outro elemento da ascendente urbanização brasileira está, ligada diretamente aos
processos hegemônicos de expansão e concentração do capitalismo mundial,
desencadeados nos países subdesenvolvidos através da industrialização.
Analisando a história brasileira, percebemos que desde o tempo da
colonização os movimentos migratórios estão associados a fatores econômicos.
Qualquer região do país que receba investimentos produtivos, públicos ou privados,
que aumentam a oferta de emprego, receberá também pessoas dispostas a
preencher os novos postos de trabalho.
Assim, nesse contexto em que a urbanização se alastra espacialmente, as
características gerais do processo de urbanização se fazem presentes nos diversos
espaços e subespaços que compõe o território brasileiro, inclusive na mesorregião
do Sudoeste paranaense, que teve praticamente uma inversão populacional nos
espaços urbanos e rurais que trataremos no capítulo seguinte.
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2. O SUDOESTE DO PARANÁ
Neste capítulo trataremos sobre industrialização e urbanização no Sudoeste
do Paraná. Faremos uma abordagem mais regional sobre esses processos, que são
reflexos das tendências nacionais, para estabelecer um paralelo de eventos
semelhantes, principalmente no aspecto sócio econômico.
2.1. Processo de Industrialização no Sudoeste do Paraná
A região Sudoeste do Paraná está localizada no Terceiro Planalto
Paranaense
e
de
acordo
com
o
IPARDES
–
Instituto
Paranaense
de
Desenvolvimento Econômico e Social (2004) abrange uma área de 1.163.842,64
hectares, que corresponde a cerca de 6% do território estadual. Ela faz fronteira, a
oeste com a República da Argentina, através da foz do Rio Iguaçu e, ao sul, com o
Estado de Santa Catarina. Possui como principal limite geográfico, ao norte, o Rio
Iguaçu. É constituída por 37 municípios, dos quais se destacam pelas dimensões
populacionais e também por seus níveis de urbanização, os municípios de Pato
Branco, Francisco Beltrão e Dois Vizinhos.
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Figura 1 – Mapa do Estado do Paraná dividido em Regiões:
Fonte: Disponível em http://www.agroecologiaparana.com.br/mapa-do-parana acesso em 27 de
novembro de 2012.
21
Figura 2 - Mapa da Micro Região do Sudoeste do Paraná
Fonte: Disponível em http://www.agroecologiaparana.com.br/mapa-do-parana, acesso em 27 de
novembro de 2012.
Para Flores (2009), o processo de urbanização no Sudoeste do Paraná,
região povoada a partir da década de 1940, teve como principal fator a
industrialização, que foi de grande importância para o desenvolvimento desta região,
gerando inúmeras transformações socioeconômicas. Neste contexto, algumas
empresas se destacaram historicamente. A maior parte da indústria regional ainda
se concentra nos municípios de Francisco Beltrão, Pato Branco, Dois Vizinhos,
Ampere, Coronel Vivida, Chopinzinho, Capanema e Santo Antônio do Sudoeste.
22
A População total da região do Sudoeste do paranaense de acordo com
dados do Censo Demográfico do IBGE de 1960 era de 225.347, habitantes, onde
88% da população morava na zona rural e apenas 12% pertencia a zona urbana. O
município de Pato Branco tinha a população rural cinco vezes maior que a urbana, e
era na época considerado o maior núcleo urbano daquela região. Depois vinha
Francisco Beltrão, com a população rural de 50.507 habitantes e 4.989 habitantes
urbanos, sendo uma urbanização de apenas 9%. Enquanto que os demais
municípios eram detentores de um grau de crescimento situado entre 13 e 6%, como
por exemplo, Santo Antônio do Sudoeste com 23.864 habitantes rurais e apenas
1.280 urbanos.
A elevação populacional urbana é reflexo de uma maior dinâmica nos centro e
de uma migração continua de camponeses para as cidades. Nos anos 90 a
tendência à urbanização no Sudoeste do Paraná continua forte e crescente. De
acordo com o Censo Demográfico de 1991, a p0opulação total da região estava em
523.958 habitantes, com uma população rural de 277.238 habitantes, enquanto a
população urbana chegava a 246.720 habitantes. Logo, o grau de urbanização do
Sudoeste Paranaense atingem os expressivos 47%.
Atualmente, podemos verificar a diferença populacional, tanto entre a
população urbana e rural, como em relação à população total do Sudoeste do
Paraná, observando os dados da tabela abaixo:
Tabela Populacional da Região Sudoeste do Paraná, por Município, segundo Censo 2010.
Município
População Total
População Urbana
População Rural
Capanema
18.526
11.150
7.376
Planalto
13.654
6.068
7.586
Pérola do Oeste
6.761
3.187
3.574
Bela Vista da
Caroba
3.945
1.041
2.904
Pranchita
5.628
3.605
2.023
Santo Antonio do
18.893
13.711
5.182
23
Sudoeste
Bom Jesus do Sul
3.796
933
2.863
Barracão
9.735
7.008
2.727
Flor da Serra do Sul 4.726
1.644
3.082
Salgado Filho
4.403
2.254
2.149
Manfrinópolis
3.127
652
2.475
Pinhal de São
Bento
2.625
1.166
1.459
Ampere
17.308
13.257
4.051
Santa Izabel do
Oeste
13.132
7.421
5.711
Realeza
16.338
11.796
4.542
Francisco Beltrão
78.943
67.449
11.494
Marmeleiro
13.900
8.824
5.076
Renascença
6.812
3.485
3.327
Nova Esperança do 5.098
Sudoeste
1.744
3.354
Enéas Marques
6.103
2.126
3.977
Verê
7.878
3.281
4.597
Salto do Lontra
13.689
7.431
6.258
Dois Vizinhos
36.179
28.095
8.084
Nova Prata do
Iguaçu
10.377
6.067
4.310
Boa Esperança do
Iguaçu
2.764
953
1.811
24
Cruzeiro do Iguaçu
4.278
2.623
1.655
São Jorge D'Oeste
9.085
5.214
3.871
Sulina
3.394
1.390
2.004
Saudade do Iguaçu 5.028
2.503
2.525
São João
10.599
6.735
3.864
Chopinzinho
19.679
12.508
7.171
Itapejara D'Oeste
10.531
6.987
3.544
Coronel Vivida
21.749
15.445
6.304
Bom Sucesso do
Sul
3.293
1.581
1.712
Pato Branco
72.370
68.091
4.279
Vitorino
6.513
3.988
2.525
Mariópolis
6.268
4.469
1.799
TOTAL
497.127
345.882
151.245
Fonte: http://www.ibge.gov.br/cidadesat/topwindow.htm?1 acesso em 27 de Novembro de 2012.
Ao analisarmos os dados do Censo de 2010 podemos perceber que a
população total do Sudoeste paranaense diminuiu, em relação a década de 90, mas
quanto a população urbana, houve um acréscimo acentuado, contrapondo a rural
que nesse caso sofreu um decréscimo considerável.
De acordo com dados do IBGE (2007), os municípios mais industrializados da
região são os que possuem populações urbanas maiores e, os municípios menos
industrializados possuem cidades com populações pequenas. Em ambos os casos,
a maioria dos moradores são operários que trabalham nas indústrias.
Como afirma Corrêa (1970), a formação inicial dos núcleos urbanos no
Sudoeste paranaense, foi o resultado da necessidade de comercialização dos
produtos rurais e distribuição de bens e serviços relacionados às necessidades de
25
venda e compra de produtos pelos colonos, gerando as migrações do campo para
as cidades especialmente intra regionais. Estas migrações eram especialmente de
famílias de pequenos agricultores oriundo principalmente de Santa Catarina e Rio
Grande do Sul.
Outro fator importante para o surgimento dos núcleos urbanos foi a existência
de algumas serrarias distribuídas pelo território do Sudoeste paranaense, que
provocaram em decorrência do fenômeno, um núcleo cuja função inicial foi a
industrial e que constituíram fator de atração de população, pois foram importantes
no sentido da ocupação, estimulando a abertura de estradas para o transporte.
Fase que antecedia a colonização, uma companhia madeireira instalava uma
serraria no meio da mata, surgindo em torno dela um aglomerado de função
industrial, onde alguns comerciantes se estabeleciam para atender às necessidades
dos operários. Desse modo, com a penetração espontânea de colonos nas áreas
pertencentes ou não às madeireiras, formava-se um núcleo populacional, que
passava a ser o ponto focal importante daquele lugar, que até então era
predominantemente rural.
Nesses núcleos havia incentivo para a instalação de estabelecimentos
comerciais, de prestação de serviços e outros, os quais foram atividades
responsáveis pelo crescimento das cidades.
Como diz Corrêa (1970), a cidade de Realeza tem seu início, enquadrada
neste processo, pois surge em decorrência da instalação, por volta de 1960, de uma
serraria das indústrias CAZACA Ltda., que loteou as terras em torno do seu
estabelecimento industrial. O resultado disso foi o surgimento de um núcleo urbano,
que, mais tarde, veio a se tornar o atual município de Realeza. A cidade de Santa
Isabel do Oeste também teve as suas origens assemelhadas a este processo.
Na argumentação de Corrêa (1970), a rede de centros urbanos, caracterizase por ser muito recente, o que traduzia a ocupação recente da região pelos colonos
produtores e consumidores. Assim sendo, esse caráter da rede de centros aparece
claramente quando se verifica o número de centros administrativos existentes em
1950 e 1960. Para o autor, em 1950, em toda a região Sudoeste paranaense
existiam apenas duas vilas: Pato Branco e Chopinzinho, que faziam parte,
26
respectivamente, dos municípios de Clevelândia e Palmas, cujas sedes municipais
situam-se fora da região.
Em 1960, quando a população regional tinha ascendido de cerca de 65.000
habitantes (em 1950) para 225.347, já existiam 7 sedes municipais e 18 vilas. Das
24 cidades existentes em 1969, em 1960, onde 9 eram vilas e 8 constituíam
povoados. Das 57 vilas existentes em 1970, só existiam 9 em 1960; as outras foram
constituindo-se em povoados. Assim, conforme Corrêa (1970) a formação da rede
de centros iniciou-se entre 1945 e 1960. Deste modo, o aparecimento de centros
urbanos no Sudoeste paranaense decorreu das necessidades dos colonos
produtores-consumidores.
Entendemos que todos os centros urbanos do Sudoeste paranaense
passaram, numa primeira fase, a se vincularem com as áreas rurais próximas. O
crescimento desses centros esteve sempre ligado às necessidades do mundo
colonial, ou seja, da zona rural, mas a diferenciação entre eles processou-se de
acordo com as facilidades que tiveram de se tornarem focos de áreas maiores e
mais povoadas.
Os centros, que se diferenciaram dos demais, foram: Pato Branco, Francisco
Beltrão, Chopinzinho, Coronel Vivida, Capanema, Santo Antonio do Sudoeste,
Barracão e Dois vizinhos, enquanto as demais sedes municipais permaneceram com
atuação, quer de compra de produtos rurais, quer de venda de bens de consumo,
limitada, basicamente, às áreas rurais próximas.
De acordo com Corrêa (1970), outro elemento importante no processo, é que
os numerosos centros urbanos do Sudoeste paranaense não se originaram
concomitantemente. Com o povoamento, verificou-se, primeiramente, a ocupação na
periferia oriental, centro-meridional e ocidental da região, em função disso,
apareciam às sete primeiras sedes municipais, sendo elas respectivamente: Pato
Branco, Coronel Vivida, Chopinzinho, Francisco Beltrão, Capanema, Santo Antonio
do Sudoeste e Barracão. Entre eles, a diferenciação mais notável ocorre ao centro
urbano de Pato Branco, o qual se destaca dos demais como principal núcleo de
distribuição de bens e serviços em fase inicial. Seu domínio regional se origina da
sua formação originaria a mais tempo, que se fez acompanhar, até 1950, de uma
posição vantajosa face à circulação e face à área mais densamente ocupada da
27
região. Além de Pato Branco, na década de 1920, existiam outros pequenos núcleos
urbanos, que viviam também da troca de produtos característicos da região: Chopim,
sede da antiga e pouco expressiva colônia militar (atualmente Chopinzinho),
Barracão, que era fronteira dos núcleos de Dionísio Cerqueira pertencendo ao
estado de Santa Catarina, Bernardo de Irigoyen, pertencendo à Argentina; e Santo
Antonio, atual Santo Antônio do Sudoeste, ao lado do núcleo argentino de San
Antônio.
Em 1930, já se percebia uma diferenciação entre os núcleos urbanos da
região, pois a erva-mate deixava de ser o produto mais valorizado. Essa diferença
encontra uma de suas razões no fato de que o aumento de população que se
verificou até este período, se fez, sobretudo, em torno e nas proximidades de Pato
Branco. Segundo Boneti (1998), essa população era, em parte, constituída de lusobrasileiros, que viviam do novo produto valorizado da região, os suínos, que se
criavam soltos no mato e eram engordados na roça de milho.
O aumento da população em torno de Pato Branco deve-se ao fato de que,
desde a década de 1930, o aglomerado se constituía em “ponto final” de uma
estrada carroçável. Para Corrêa (1970), Pato Branco era o ponto final da circulação
rodoviária, ligando-se a União da Vitória e a Porto União, por uma precária linha de
ônibus. Vinculada, assim, a estas cidades, a vila de Pato Branco era, em 1940, o
principal centro da região, comprando e distribuindo produtos em todo o território do
Sudoeste paranaense.
De acordo com Corrêa:
Em 1948, quando começavam a surgir os povoados de Mariópolis, Vitorino,
Enéas Marques e Coronel Vivida, Pato Branco destacava-se nitidamente
dos demais núcleos, possuindo firmas varejistas que distribuíam, entre
outros artigos, máquinas de costura, cofres, pneumáticos, aparelhos de
rádio, ferragens, etc. Possuía, ainda, entre outros estabelecimentos, uma
torrefação de café, selaria, oficina mecânica, escritório de contabilidade, um
recém-inaugurado hospital dotado de aparelho de raio X, e uma de suas
firmas possuía uma filial na Vila Marrecas, o atual município de Francisco
Beltrão (Corrêa, 1970, p. 132).
Entre os anos de 1950 e 1955, quando o povoamento começou a se estender
por toda a região do Sudoeste paranaense, tendo surgido em decorrência de sete
sedes municipais, a cidade de Pato Branco contava com 3.434 habitantes em 1950,
28
e deste modo, como bem afirmou Corrêa (1970), reforçou a sua posição de
localidade central mais importante, adquirindo novas funções exclusivas, tais como:
curso ginasial, estação de rádio e agência bancária. Porém, a partir de 1950, a Vila
Marrecas, que se torna posteriormente o município de Francisco Beltrão,
progressivamente se transforma no mais importante centro coletor da produção rural
e forte rival de Pato Branco na distribuição de bens de consumo. Entretanto, a
função regional de distribuição de Pato Branco ali permaneceria e se ampliaria.
Alguns comerciantes, ligados ao comércio colonial de compra e venda de
produtos, ao perceberem que Pato Branco perdia aquela hegemonia para Francisco
Beltrão, se especializaram. Contavam, para isso, com a existência de um mercado
em ampliação. De acordo com Corrêa (1970, p. 132), “é o caso, por exemplo, da
firma O. N. Amadori & Cia Ltda., cuja origem remonta a fins da década de 1940,
como firma de comércio colonial, em 1957, constituía-se em concessionária da
Ford”.
Também alguns comerciantes distribuidores, habituados a manterem contato
com o mercado consumidor e vendo esse mercado se ampliar e ser conquistado por
Francisco Beltrão especializaram contatos já estabelecidos com firmas de fora da
região e a existência de certo capital acumulado, que lhes garantiriam uma base
para a especialização, já parcialmente garantida pela expansão do mercado. Corrêa
(1970) cita o exemplo da empresa DIVECAR, cujas origens remontam a 1947,
quando foi fundada uma oficina mecânica e comércio de autopeças e, em 1959,
transformou-se em concessionária da Chevrolet.
Para Corrêa (1970), tanto a concessionária da Ford como a da Chevrolet
constituíram, em 1968, atributos funcionais exclusivos de Pato Branco. Sendo o
principal centro de distribuição do Sudoeste, lá se estabeleceram com exclusividade
na região, com novas firmas de distribuição de bens e serviços material dentário, em
1960, médicos de olhos, ouvido, nariz e garganta, em 1963, órgãos administrativos
regionais, de 1962 a 1967.
Flores (2009) afirma que a partir da década de 1970, o capital financeiro teve
grande importância na modernização da agricultura e na instalação de novas
unidades industriais como os casos dos segmentos do vestuário e de embalagens
plásticas. Esse capital teve atuação tanto na agricultura como na indústria e
29
desintegrou um complexo rural existente no Sudoeste do Paraná, o qual se
mantinha com uma pequena produção mercantil tanto de grãos, carnes, como de
atividades artesanais, o que “alguns pensadores marxistas”, chamariam de pequena
indústria rural.
Conforme o autor, a partir dos anos de 1980, mesmo sendo num período
compreendido por uma fase recessiva do ciclo de desenvolvimento econômico, é
possível observar um crescimento em alguns países, enquanto que outros
enfrentam dificuldades tecnológicas em introduzir inovações para tornar o trabalho
mais produtivo.
Nessa região do Paraná, houve alguns condicionantes na instalação das
indústrias a partir de 1990, entre os quais, a obtenção de algumas matérias primas;
a formação social, constituída por pequenos proprietários de terras, fator que
permitiu a chegada da indústria avícola, pois eles cediam suas terras como hipoteca
nos empréstimos necessários para a construção dos aviários e a mão de obra na
criação das aves. De modo geral, a mão de obra é de custo atraente comparando as
outras regiões do país.
O autor afirma ainda que, o Sudoeste paranaense apresenta, em alguns
casos, como nos segmentos avícola e de eletrodomésticos, certos complexos
industriais. A renda da terra apresenta-se como um problema ao processo de
urbanização e o sistema capitalista de produção encontra estratégias para
subordinar a renda da terra. No caso dessa região é verificada a importância das
políticas municipais, na doação ou empréstimos de terrenos, barracões industriais e
na maioria dos casos, incentivos fiscais para atrair novas empresas, principalmente
nos municípios de Francisco Beltrão, Pato Branco, Dois Vizinhos e Ampere.
A relevância das inovações nas unidades industriais é percebida por Flores
(2009), sendo que, algumas investem na aproximação da empresa com os clientes,
outras, aperfeiçoam métodos produtivos, com o objetivo de reduzir custos de
produção e melhorar a qualidade do produto final, e ainda existe outra forma de
inovação que ocorre por meio de capitalistas empreendedores, onde os proprietários
foram representantes comerciais, o que fez com que se tornassem bons
conhecedores das necessidades da demanda.
30
A industrialização representa um processo de suma importância para o
desenvolvimento do Sudoeste paranaense, que contribuiu consideravelmente para
retirar essa região do isolamento, integrando-a tanto na economia nacional, como
internacional.
Conforme Flores (2009):
Contrariando certos movimentos sociais, ONG S, etc., que acreditavam que
a economia urbana, inclusive a indústria, não consegue absorver a força de
trabalho liberada pela agricultura e, então procuram incentivar a contenção
do êxodo rural, ficando o homem no campo; verificamos que, apesar de
todas as inovações que eliminam postos de trabalho, a economia (indústria,
comércio e serviços), consegue aumentar absolutamente a oferta de
trabalho (...), verificamos que a indústria contribuiu notavelmente para o
processo de urbanização regional, além de contribuir para a geração de
renda. Também verificamos que essa renda gerada, apesar da
concentração inerente ao sistema capitalista de produção, resultou numa
melhoria das condições de vida (...).
Para Flores, mesmo com a migração do camponês para as cidades, na região
do Sudoeste do Paraná, a indústria absorveu a mão de obra, e por outro lado, a
produção no campo, mesmo com menos trabalhadores, teve um aumento na
produtividade, devido inovações tecnológicas ocorridas pela industrialização também
na agricultura.
Nesse sentido, a posição hierárquica de Pato Branco é visível e deve-se à
capacidade de seus comerciantes em tirar proveito da situação que possuíam num
passado próximo, quando perceberem mudanças nas relações, se especializaram
para sobreviverem e, consequentemente para obterem mais lucros, sendo que,
desse modo, mantiveram para Pato Branco a posição de principal centro urbano do
Sudoeste paranaense.
A diferenciação de Pato Branco dos demais núcleos encontra as suas bases,
em última analise, na maior especialização de seus serviços ofertados, que até
então, puderam propiciar uma posição de “domínio” regional. Esta especialização foi
indubitavelmente de caráter determinando para gerir um centro polarizador na região
Sudoeste paranaense. Assim, o que se deve ressaltar é o fato de que, além do
Sudoeste paranaense ser uma região de ocupação recente, já na década de 1960,
se verifica o aparecimento de uma rede de localidades centrais urbanas, como
31
categorias hierárquicas bem definidas, e o que as definiu foi o caráter da relação
produção e consumo desenvolvido na região, como bem afirmou Corrêa (1970).
2.2 Urbanização e êxodo Rural no Sudoeste do Paraná
Na década de 1960, a maior parte da população do Sudoeste paranaense
vivia na zona rural. De acordo com os dados do Censo Demográfico do IBGE de
1960, a população total era constituída de 225.347 habitantes. O grau de
urbanização da região ficava em torno de 12%, consequentemente, 88% da
população vivia no campo. Nesse período, a maioria dos municípios apresentava
uma população rural superior à urbana. Em média, a população rural do município
de Pato Branco era formada por 41.248 habitantes, e a população urbana ficava em
torno de 10.333 habitantes, com a população rural praticamente cinco vezes
superior à urbana. A urbanização de Pato Branco, em 1960, era de 20%, o que
tornava, o principal núcleo urbano da região.
Nesse período, a maioria dos municípios apresentava uma população rural
superior à urbana. O grau de urbanização de Pato Branco, em 1960, era de 20%, o
que o tornava, o principal núcleo urbano da região.
O município de Francisco Beltrão, disputava nessa década o posto de
principal centro urbano da região.
Os outros municípios que existiam nessa década eram: Capanema, que
possuía, cerca de 23.864 habitantes localizado na zona rural e 2. da região do
Sudoeste paranaense em 1970, já demonstravam uma população urbana bem
maior. Em consequência, o grau de urbanização destes municípios se mostrava
mais considerável. Pode-se verificar que Itapejara do Oeste e Chopinzinho
apresentavam um grau de urbanização entre 21 e 26%. Capanema, Realeza, Santa
Izabel do Oeste e Ampére tinham seus graus de urbanização situados na faixa de 15
a 19%. Chopinzinho, São João, Dois Vizinhos, Verê Enéas Marques, Salto do
Lontra, Salgado Filho, Barracão e Pérola do Oeste, apresentavam seus graus de
urbanização entre 7 e 12%.
32
Esse crescimento da urbanização regional que foi mostrado nos dados acima
acontece principalmente, acompanhando a tendência geral do Brasil nesta década,
que, de acordo com Santos (1996):
(...) entre 1960 e 1970 no Brasil, se intensifica e se afirma à vocação a
aglomeração, a urbanização ascende sobre as forças da concentração
fundiária, o êxodo rural, as oportunidades de trabalho, que surgem neste
aglomerado urbano que se forma rapidamente atraiam enormes
contingentes de migrantes, que sonham com uma vida melhor, e com mais
oportunidades para sobreviver (1996, p. 31).
Na década de 1980, a urbanização do Sudoeste paranaense continua
crescendo e se desenvolvendo, aumento de serviços, empregos e, também a
população. A região, possuía, de acordo com os dados do Censo demográfico de
1980, aproximadamente 521.249 habitantes, mas ainda, nessa época, a população
rural é muito superior à população urbana, sendo a rural em torno de 354.343
habitantes, e a população urbana de 166.906 habitantes. Com isso, o grau de
urbanização regional eleva-se para 32%, dando um salto considerável em relação à
década de 1970, praticamente duplicando a população que residia na zona urbana
e, como verificado pelo IPARDES (2004), com uma taxa de crescimento urbana
bastante elevada, em torno de 7,6% a. a.
O município de Pato Branco, nessa década apresentava-se, com uma
população rural de 14.467, e a população urbana situava-se em 31.470 habitantes,
superando, dessa forma, pela primeira vez, a população rural. O grau de
urbanização situa-se, surpreendentemente, em 68%. Seu crescimento urbano, de
1970 a 1980, é de 51%.
De acordo com Magalhães (1996), Pato Branco, no contexto regional:
(...) foi um dos primeiros municípios a ter maior população rural do que
urbana, resultado, principalmente, de um forte êxodo rural que desloca
pessoas para a cidade de Pato Branco e de outras cidades localizadas na
própria região do Sudoeste. Outro fator importante, é que moradores da
33
zona rural de Pato Branco, neste êxodo, se dirigem para outros centros,
principalmente a região metropolitana do Paraná, e para os Estados de São
Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Amazônia (1996, p.
39).
Outro município que, na década de 1980, alcança uma maior população
urbana que rural é Francisco Beltrão. A população rural, era de 20.473 habitantes e
a urbana de 28.289 habitantes. Portanto, o grau de urbanização atinge a marca de
58%. O crescimento da população urbana, de 1970 a 1980, é de 53%. De um modo
geral, essa década reflete um aumento significativo em um grande número de
municípios da região para com sua população urbana.
Em verdade, Coronel Vivida, Realeza e Mariópolis, têm o grau de urbanização
entre 40 e 37%. Já, Dois Vizinhos, São Jorge do Oeste, Renascença, Vitorino,
Itapejara do Oeste, Santo Antônio do Sudoeste, Santa Izabel do Oeste e Capanema
apresentam uma urbanização entre 32 e 25%. Os municípios que apresentavam
menor grau de urbanização, nessa década, se situavam entre 22 e 10%, sendo
estes; Chopinzinho, São João, Salto do Lontra, Enéas Marques, Verê, Barracão,
Salgado Filho, Marmeleiro, Pérola do Oeste e Planalto. Desse modo, a década de
1980 marca, principalmente, o aumento considerável da população urbana,
refletindo em um aumento no grau de urbanização de todos os municípios que
formavam o território do Sudoeste na presente década e também, como reflexo
disso, dois municípios (Pato Branco e Francisco Beltrão) superaram a casa dos 50%
de população urbana no contexto regional.
Assa elevação populacional urbana que se observa no período, é um reflexo,
de uma maior dinâmica nos centros e de uma migração contínua de camponeses
para as cidades. Nos anos de 1991 a tendência à urbanização no Sudoeste do
Paraná continua forte e crescente. De acordo com o Censo Demográfico de 1991, a
população total da região estava em 523.958 habitantes, com uma população rural
de 277.238 habitantes, enquanto a população urbana chega a 246.720 habitantes.
Logo, o grau de urbanização do Sudoeste paranaense atinge os expressivos 47%.
A ascendente população urbana é reflexo de um processo de migração ruralurbana muito intenso nesta região. No que se refere ao crescimento dos centros ao
crescimento dos centros, verifica-se uma elevação da complexidade da malha
urbana, refletindo em um surgimento de uma infraestrutura urbana maior, com maior
34
número de empregos, serviços especializados e maior distribuição dos produtos
rurais que, mesmo com a diminuição da população rural, aumenta a produtividade
através da modernização agrícola.
O município de Pato Branco, como verificado em outras décadas, apresenta,
em 1991, uma população urbana superior a rural. A população rural era de 12.269
habitantes, já sua população urbana eleva-se para 43.406. Seu grau de urbanização
situa-se em 77%. O crescimento urbano de 1980 a 1991 é de 27%. Mesmo sendo
um município com características de produções agrícolas bem fortes e presentes,
este já demonstrava uma população muito presente, habitando na zona urbana de
maneira bem expressiva.
Francisco Beltrão tem sua população urbana aumentada de maneira
significativa, para 45.622 habitantes, já a população rural, continua a diminuir,
situando em 15.650 habitantes fazendo com que seu grau de urbanização eleva-se
para 64% e o crescimento urbano de 1980 a 1991, é de 38%. Este crescimento
urbano é reflexo de uma maior atração de pessoas para esta cidade, em virtude das
demais indústrias, que ali se instalaram. Nesse sentido, que merece destaque a
Sadia S/A, que instala um frigorífico, no município, gerando muitos empregos na
cidade e criando, assim, uma dinâmica econômica.
O município que merece destaque em termos de crescimento populacional
urbano é Dois Vizinhos, pois sua população urbana chega em 43.406 habitantes,
tendo um crescimento urbano, de 1980 a 1991, de 45%. Já a população rural situase em 18.065 habitantes. Logo, o grau de urbanização eleva-se para 55%. Isso
acontece em virtude da instalação do Frigorífico da Sadia S/A, que gera uma atração
de pessoas para a cidade, e, portanto, uma maior dinâmica urbana para o município.
Nessa década, a maioria dos municípios do Sudoeste paranaense tem um
acréscimo elevado na população urbana, consequentemente seus graus de
urbanização se torna mais expressivos no contexto regional. Coronel Vivida,
Mariópolis, Itapejara do Oeste, Cruzeiro do Iguaçu, Realeza, Ampére e Santo
Antônio do Sudoeste, apresentam grau de urbanização entre 55% e 43%.
Os municípios de Chopinzinho, São João, São Jorge do Oeste, Nova
Esperança do Sudoeste, Bela Esperança do Iguaçu, Santa Izabel, Pérola do Oeste,
35
Saudade do Iguaçu, Marmeleiro, Vitorino, Capanema e Nova Prata do Iguaçu,
apresentam grau de urbanização entre 40 e 33%.
Já os municípios de Sulina, Verê, Renascença, Flor da Serra do Sul,
Barracão, Pranchita, Planalto e Salto do Lontra, apresentavam grau de urbanização
entre 32 e 22%. Outros municípios, com menor expressão em sua população
urbana, são: Enéas Marques, Manfrinópolis, Salgado Filho, Bom Jesus do Sul e Bela
Vista da Caroba, que apresentam de 17 a 9% em grau de urbanização.
Desse modo, a população urbana cresce principalmente em função da
migração da população rural e urbana para as cidades que, dessa maneira, se
tornam maiores. Porém, isso não reflete em termos de transformações espaciais
mais profundas, na paisagem dos centros urbanos sudoestinos, exceto os mais
complexos, como Pato Branco, Francisco Beltrão e Dois Vizinhos. A região ainda
continua como centro de produção agrícola, apenas contando com serviços urbanos
mais especializados e uma malha urbana de fluxos e fixos mais complexa e mais
valiosa economicamente. Em função disso, os centros urbanos criam um maior
dinamismo, tanto para o escoamento da produção agrícola, como para o comércio,
com a prestação de serviços privados e serviços públicos.
A população rural do Sudoeste do Paraná, em 1996, era de 217.973
habitantes, e a população urbana situava-se em 254.452 habitantes. O grau de
urbanização nesse ano situava-se em 54%. Contudo, este aumento da população
urbana não reflete em crescimento da população regional, que no ano de 1996,
diminui para 472.425 habitantes. Cerca de 9% a menos de população total no
Sudoeste em relação ao ano de 1991.
O município de Pato Branco atinge, em 1996, 48.921 habitantes urbanos,
cerca de 84% de grau de urbanização, com crescimento populacional urbano, de
1991 a 1996, de 11%. Mas a população rural diminui para 8.829 habitantes.
O município de Francisco Beltrão apresenta, em 1996, uma população urbana
muito considerável, possuindo aproximadamente 52.031 habitantes, e 13.699
habitantes na zona rural. Logo, seu grau de urbanização ascende aos expressivos
79%, e seu crescimento populacional urbano de 1991 a 1996, é de 12%. O mesmo
processo migratório que esvazia a zona rural ascende a urbanização e desloca
migrantes para outros centros.
36
O processo tem influência decisiva para com o desenvolvimento urbano de
Francisco Beltrão. O fator que merece destaque, para o crescimento urbano desta
cidade, se deve à produção do Frigorífico da Sadia S/A, que se instala na cidade e
cria um maior dinamismo. A empresa, que atua na produção de alimentos, atrai um
contingente expressivo de habitantes em áreas próximas à sua localização
geográfica, bem como influencia na dinâmica populacional da cidade e do campo.
Contudo, o que merece destaque, é seu papel enquanto capital industrial que
necessita de maior mão de obra para produção/expansão, que reflete diretamente
no aumento da população urbana e dessa forma, da expansão urbana no município.
Outro município importante, enquanto centro dinâmico urbano para a região é
Dois Vizinhos que, no ano de 1996, apresenta população urbana com 21.669
habitantes, já a população rural neste mesmo ano, é de 10.415 pessoas. O grau de
urbanização é de 67%. O município tem uma dinâmica urbana muito parecida com o
município de Francisco Beltrão, principalmente, por deter em seu território outro
frigorífico da Sadia S/A, que atrai população para as proximidades da empresa,
criando maior dinamismo à cidade e, portanto, destacando-se por ter uma
considerável população urbana, no cenário regional do Sudoeste paranaense.
De modo geral, a maior parte dos municípios em 1996 apresenta um grau de
urbanização superior em relação aos anos anteriores. Contudo, isto não reflete em
termos quantitativos de população total regional, mas estritamente qualitativos,
quando se atem a “olhar” o grau de urbanização. Neste cenário o município de
Coronel Vivida apresenta uma população urbana de 13.481 e uma população rural
de 10.557 pessoas. Logo, seu grau de urbanização ficava em torno de 56%.
Outros municípios do Sudoeste tiveram seu grau de urbanização elevado, fato
que não reflete em aumento de números totais da população dos municípios.
Verificam-se, os casos de Mariópolis, Saudade do Iguaçu, Realeza, Ampére, Santo
Antônio do Sudoeste e Barracão, que apresentavam seus graus de urbanização
entre 67 e 49%. Em outros municípios, como Chopinzinho, Itapejara do Oeste, Bom
Sucesso do Sul, Vitorino, Renascença, Marmeleiro, Salgado Filho, São João, São
Jorge do Oeste, Cruzeiro do Iguaçu, Nova Prata do Iguaçu, Santa Izabel, Santo do
Lontra, Pranchita, Pérola do Oeste, Capanema e Planalto verificavam-se graus de
urbanização entre 46 e 32%. Já os municípios de Sulina, Verê, Enéas Marques,
37
Nova Esperança do Sudoeste, Pinhal de São Bento e Boa Esperança do Iguaçu
apresentavam de 30 a 16% o grau de urbanização.
Alguns municípios, com menor expressão em grau de urbanização, são: Flor
da Serra do Sul, Manfrinópolis, Bom Jesus do Sul e Bela Vista da Caroba, com 9% e
3% respectivamente.
Sob o ângulo da urbanização, o ano de 1996 ascende à tendência do
Sudoeste paranaense com o aumento de sua população urbana na maioria dos
municípios que compõe a região. Isto acarreta, em números gerais de população
regional, em uma diminuição da população, onde migrantes de origem rural se
deslocam para centros mais dinâmicos do próprio Sudoeste (Pato Branco, Francisco
Beltrão e Dois Vizinhos) e, principalmente, para outros centros, onde merece
destaque a região metropolitana de Curitiba. Também, ocorre deslocamento para
alguns municípios do estado de Santa Catarina (principalmente Joinvile e
Florianópolis) e para os estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso,
Rondônia, Amazônia e o Acre (Magalhães, 1996; Magalhães, 2003).
É no ano de 2000 que a população urbana reflete números significativos em
termos regionais e, consequentemente, na produção do espaço urbano. A
população total permanece estável em relação ao ano de 1996. São em torno de
472.626 habitantes no Sudoeste no ano de 2000. Contudo, o crescimento se deve
ao aumento da população urbana regional. São cerca de, 286.434 pessoas. Logo, a
população rural é de 186.192 habitantes. O grau de urbanização, no ano de 2000,
chega à marca considerável de 61%. Dentre os 37 municípios que compõe a região,
18 destes têm seu grau de urbanização acima de 50%, e, 19 deles, têm grau de
urbanização abaixo de 50%. Portanto, pode-se perceber que, praticamente, metade
dos municípios do Sudoeste têm grau de urbanização acima de 50%. Portanto,
pode-se observar que, praticamente, metade dos municípios do Sudoeste têm grau
de urbanização acima de 50%.
Portanto a maioria dos municípios do Sudoeste do Paraná, no ano 2000, tem
diminuição da população rural e, consequentemente, ocorre aumento da população
urbana.
Neste cenário urbano, o município de Pato Branco é o que apresenta o maior
grau de urbanização, reafirmando a tendência que se fazia presente em anos
38
anteriores. No ano de 2000, o município atinge os surpreendentes 91% de grau de
urbanização. A população urbana é de 56.805, enquanto a rural é de apenas 5.429
habitantes. Logo, o crescimento populacional urbano, no período de 1996 a 2000, é
de 16%. Isso se deve a uma maior modernização/mecanização da agricultura do
município e, consequentemente, a uma maior demanda de pessoas para a cidade,
êxodo rural. A cidade, ao se tornar um centro maior, atrai mais habitantes, os quais
se deslocam de outros municípios do próprio Sudoeste paranaense, bem como de
outras regiões do Paraná e até de outros estados brasileiros, principalmente do Rio
Grande do Sul e Santa Catarina. Logo, observa-se que este município atinge, no
ano de 2000, maior dinamismo; na divisão territorial do trabalho aparece cada vez
maior, resultado diretamente ligado à instalação, de diversas empresas que atuam
em seu território, destacando-o, como verificado pelo IPARDES (2004, p. 23), como
um centro tecnológico regional.
Já, Francisco Beltrão é outro município que ganha destaque enquanto centro
urbano. No ano de 2000, é o maior município em termos populacionais da região. A
população urbana atinge 54.831 habitantes, sendo que a rural situa-se em 12.301
pessoas. O grau de urbanização é o segundo maior da região, por volta de 81%. O
crescimento populacional urbano, de 1996 a 2000, é de 5%. Desse modo, esta
realidade se deve também, a modernização agrícola, que expulsa habitantes do
campo para cidade e, com a atuação de diversas empresas no município, tendo
como principal, a Sadia S/A, que cria maior dinamismo à economia da cidade,
através da geração de aproximadamente 2.000 empregos diretos, no ano de 2000. A
importância da empresa na construção do espaço urbano é tanta que nos arredores
da mesma, constitui-se um centro urbano, que serve diretamente de mão de obra
para o complexo industrial, denominada de “cidade norte”.
Outro município de destaque no cenário regional urbano é Dois Vizinhos, que
no ano de 2000, tem população urbana de 22.382 pessoas e população rural de
9.604 habitantes. Logo, o grau de urbanização é de 69%. O crescimento da
população urbana foi de 3%. Sendo assim, a cidade cria um maior dinamismo
urbano o que também se verifica pela atuação de uma unidade da Sadia S/A, que
gera muitos empregos, agregando muita mão de obra, fazendo crescer o espaço
urbano do município.
39
Em 2000, os municípios Coronel Vivida, Mariópolis, Realeza, Ampére, Santo
Antônio do Sudoeste e Barracão têm grau de urbanização entre 69 e 60%. Já os
municípios de Chopinzinho, Saudade do Iguaçu, São João, São Jorge do Oeste,
Cruzeiro do Iguaçu, Nova Prata do Iguaçu, Santa Izabel, Salto do Lontra,
Capanema, Pranchita, Marmeleiro, Renascença, Vitorino e Itapejara do Oeste,
situam o graus de urbanização de 54 e 42%.
Dentre os municípios com menor expressão urbana no ano de 2000, verificase os casos de Bom Sucesso do Sul, Verê, Sulina, Pinhal de São Bento, Salgado
Filho, Planalto e Pérola do Oeste, que têm grau de urbanização entre 40 a 28%.
Outros municípios, como: Flor da Serra do Sul, Manfrinópolis, Bom Jesus do Sul,
Nova Esperança do Sudoeste, Enéas Marques, Boa Esperança do Iguaçu, Bela
Vista da Caroba, situam o grau de urbanização entre 23 e 9%.
Nos anos 2000-2010, a taxa de crescimento da população urbana
permaneceu elevada, ainda que tenha sofrido uma queda expressiva em relação ao
nível de 1991-2000 e se situe abaixo da taxa média nacional. Mas é importante
chamar a atenção para o acentuado refreamento do ritmo de perda populacional do
campo paranaense. O Censo de 2010 revelou um estoque superior a 1,5 milhão de
habitantes no meio rural, volume ainda considerável de população.
É bem verdade que, quanto maior o volume da população rural, menor tende
a ser o ritmo de decréscimo nos períodos subsequentes. É preciso considerar
também o fato de que, não raro, há um descompasso entre a expansão
populacional, decorrente do avanço de loteamentos e ocupações irregulares para
fora dos limites da cidade definido pelas legislações municipais e o ajuste dessas
legislações.
Muitas vezes um Censo Demográfico ou uma Contagem Populacional
classifica como população rural contingentes de moradores que deveriam ser
considerados urbanos se revisado legalmente os contornos da área urbana
municipal. Mesmo com essas ressalvas, é possível supor que alguns fatores
econômicos ou sociais que prevaleceram na década atual e cujos efeitos rebatem
sobre a vida rural – dentre outros, fases prolongadas de preços favoráveis no
mercado, maior integração de pequenos agricultores às agroindústrias paranaenses,
os benefícios da previdência rural, programas sociais, como Bolsa Família – possam
40
ter motivado, em maior ou menor grau, a permanência de pessoas residindo no
campo. Ainda do ponto de vista prospectivo, estima-se que o processo de
urbanização, traduzido pelo aumento dos índices de grau de urbanização, prossiga.
41
3. CONCLUSÃO
Com essa pesquisa bibliográfica podemos concluir que as relações existentes
entre o processo de industrialização, urbanização e o êxodo rural, no Sudoeste do
Paraná são fatores presentes também em um contexto nacional. Ao analisarmos os
dados sobre o Sudoeste do Paraná, enfrentamos dificuldades em encontrar dados
demográficos referentes a populações de alguns municípios, principalmente dos
anos anteriores a 1960, até porque, muitos desses municípios só surgiram bem mais
tarde. Então, no primeiro capítulo foi pesquisado numa abordagem mais ampla
mencionando essas relações em um contexto nacional, pois, os fatos nunca
acontecem apenas numa escala maior, sem que haja uma relação direta, oriundas
de uma escala menor.
Sobre a industrialização, apesar de ter sido de grande importância para a
urbanização, seria errado pensar que por si só ela explicaria como se deu esse
processo, mesmo porque, a indústria não teve a capacidade de absorver todos os
trabalhadores que se dirigiram para as grandes cidades da região. Da mesma forma
que devemos levar em consideração que o êxodo rural não é decorrente apenas do
poder de atração que essas cidades exerciam, a questão da concentração de terras
e a falta de incentivos governamentais que contribuíssem para a fixação do homem
no campo, entre outros fatores, influenciaram diretamente na expulsão deste.
O crescimento desordenado e o inchaço das grandes cidades, entre outros
fatores, provocaram essa "fuga", da mesma forma que temos vários exemplos de
pequenas e médias cidades que estão se aproveitando desse filão para se
especializarem em certos segmentos do setor produtivo e impulsionarem o seu
desenvolvimento.
A evolução da taxa de urbanização no Brasil indica a importância e a
velocidade das transformações. O fenômeno é significativo e os diferentes índices
refletem diferenças qualitativas ligadas à forma e ao conteúdo da urbanização. Tal
fato é resultado do impacto da divisão social e territorial do trabalho que ocorreu, ao
longo deste século.
Podemos concluir que o Brasil, de um modo geral, teve uma crescente
urbanização, que provocou o êxodo rural e a industrialização. Com essa pesquisa
42
bibliográfica concluímos que o Sudoeste do Paraná com os movimentos migratórios,
bem como suas causas e consequências, não se diferenciaram muito de outras
regiões brasileiras.
No segundo capítulo foi direcionada uma análise sobre industrialização,
urbanização e êxodo rural no Sudoeste do Paraná. Foi possível observar de forma
comparativa a existência de eventos semelhantes entre o todo Brasil e a região em
estudo, principalmente, que são consequências sócio econômicas e migratórias,
ocasionando, portanto, mudanças espaciais e demográficas. O que se evidencia
como principal causa é o processo de industrialização, que certamente gerou fatores
positivos e negativos para os segmentos sociais e econômicos.
Há uma distribuição das funções produtivas entre as cidades. Estas passam a
regular, através do trabalho intelectual, não somente a produção urbana, mas
também a produção rural. Com a revolução dos transportes e das telecomunicações,
paralela às novas formas de crédito e consumo, há maior acessibilidade física e
financeira dos indivíduos. A formação de metrópoles ocorre onde as inovações
tecnológicas estão mais presentes.
Com a expansão recente da moderna economia de serviços de apoio à
produção surgiu uma nova urbanização, marcada pela demanda e consequente
aumento exponencial de trabalho intelectual. As cidades de todos os níveis acolhem
os
novos
trabalhos
altamente
especializados
e
qualificados,
envolvendo
profissionais voltados à inovação tecnológica e à regulação mais eficaz da
distribuição e circulação dos produtos. Justamente estas novas demandas do
sistema produtivo é que encontram correspondência, por sua vez, em uma maior
demanda de urbanização.
A difusão da modernização, especialmente a partir da década de 70, modifica
os sistemas de transportes e telecomunicações, integrando o território. Por outro
lado, as mudanças tecnológicas, devidas à difusão da informática e da eletrônica,
permitem um maior controle à distância dos processos produtivos. Tudo isso
favorece a desconcentração industrial, com a instalação de fábricas modernas em
diversos pontos do País.
43
Com uma agricultura mais moderna, o expansivo desenvolvimento industrial e
financeiro, e também com níveis superiores dos sistemas de saúde, educação, lazer
e serviços.
Um conjunto de fatores, representado por um ambiente econômico de
programas e de subsídios para alguns insumos voltados para agricultura, abriu
espaço para uma nova etapa de tecnologias direcionadas a eficiência no processo
de produção.
Diante das exigências dos produtores e do mercado tecnológico inovador, a
agricultura vem se adaptando com a utilização de estratégias eficientes e
vantajosas.
O crescimento industrial teve papel importante, para o declínio da ocupação
no campo e consequentemente o aumento populacional das cidades, no período em
que a tecnologia encontrava-se centralizada, intensificando os problemas de ordem
social, política, ambiental e também econômica. Resultado de uma tendência
imediatista, a qual modifica o ambiente evidenciando a utilização das tecnologias
sem muita, ou talvez nenhuma preocupação quanto à agressão aos ecossistemas,
principalmente com a centralização das indústrias em determinados lugares
ocasionando desequilíbrio de densidade demográfica no meio rural e urbano.
Observamos que o município de Pato Branco aparece com o destaque
regional, por oferecer uma gama de funções mais especializadas nas áreas da
educação, ciência e tecnologia. Já o município de Francisco Beltrão, com funções de
comércio e serviços mais voltadas a dar apoio às atividades da indústria e
agropecuária, consegue dinamizar sua economia e assim ter um crescimento urbano
considerável.
De um modo geral, com os dados analisados, podemos concluir que os
municípios que tiveram maiores índices de urbanização foram Pato Branco e
Francisco Beltrão e que isso só ocorreu devido à centralidade destes e também aos
investimentos e incentivos fiscais, o que serviu de atrativo para a instalação de
grandes indústrias, gerando mais empregos e aumento no fator econômico da
população.
44
Enquanto que a urbanização brasileira ocorreu de forma rápida e
desorganizada, com caráter concentrador e excludente, como reflexo de todo um
processo de modernização da sociedade e da economia de nosso país, observamos
em contrapartida uma nova tendência para a atualidade. A desconcentração
industrial tem contribuído para que ocorra a desmetropolização, mas isso não
significa o fim ou retrocesso das metrópoles, pois é visto como um fenômeno
recente que consiste na “fuga” de pessoas e empresas dos grandes centros
inchados e saturados para cidades de pequeno e médio porte.
Contudo, o processo de urbanização no Sudoeste paranaense vem
desencadeando mudanças significativas, tanto na produção do espaço urbano das
cidades, quanto para as espacialidades rurais da região. Nesse contexto, a
paisagem urbana do Sudoeste paranaense, sobretudo de seus principais centros
urbanos, vai sendo transformada, gerando novos processos, novas formas, novos
significados.
45
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