SEMANÁRIO NACIONAL OPERÁRIO E SOCIALISTA
CAUSA OPERÁRIA
WWW.PCO.ORG.BR/CAUSAOPERARIA • FUNDADO EM JUNHO DE 1979 • ANO XXX • Nº 504 • DE 19 A 25 DE OUTUBRO DE 2008 • R$ 3,00
OS MERCADOS RECONHECEM: O MUNDO ESTÁ À BEIRA DA
RECESSÃO
A crise financeira veio para ficar e os mercados de todo o mundo já reconhecem que a crise não
é mais financeira, mas atinge a
economia de conjunto. Com a demonstração dada pelas bolsas de
valores de todo o mundo, onde as
perdas são incalculáveis, a crise
vai ainda se desenvolver por muito tempo.
A situação da crise financeira
nos países é irrepreensível em demonstrar que a recessão está em
pleno desenvolvimento.
Isto significa que a crise capitalista entrou, oficialmente, em
uma nova fase.
Os Estados Unidos figuram
como um dos principais países
afetados pela crise, mas a recessão já atingiu a Europa, o Japão e
está caminhando a passos largos
em todas as direções. Leia a análise política semanal nesta edição na página 4.
GREVES
Crescem as
mobilizações
operárias por
todo o País
Número de greves em 2008 já
supera os últimos quatro anos, apesar da política das direções de apoio
aos patrões e ao seu governo. De
acordo com dados divulgados pelo
DIEESE, o ano de 2008 está superando a marca de greves no ano
passado quando foram verificadas
316 greves, com um total de 28.519
horas paradas. Página 10
RIO DE JANEIRO
Leia também o editorial:
Colocar os banqueiros
estelionatários na cadeia
Os governos imperialistas estão completamente perdidos em meio ao que já se mostrou claramente como a maior
crise capitalista da história e que vai desenvolver em uma crise revolucionária de igual dimensão.
DENGUE
RELAÇÕES MACABRAS
O País infectado Bush autorizou as torturas da CIA contra prisioneiros
Enquanto os sucessivos governos
burgueses não fizeram mais que salvar
os lucros dos bancos, volta-se o ponteiro da história: 64% das cidades estão
em situação de epidemia. Página 5
Há menos de um mês de deixar o
poder, o presidente Bush sofre mais um
golpe. Após pesquisas de popularidade
indicarem um apoio de apenas 19%
para o governo Bush, o presidente nor-
te-americano é agora denunciado como
torturador. Claro que as torturas na prisão iraquiana de Abu Ghraib, Guantánamo e muitas outras prisões secretas
coordenadas pela CIA são feitas com
total consentimento de Bush e do seu
gabinete, porém desta vez as acusações
não partem de grupos de defesa dos
direitos humanos, mas de jornais como
The Washington Post. Página 17
BOLÍVIA
A IV INTERNACIONAL E
AS LUTAS OPERÁRIAS
Lula intervém
mais uma vez
em favor do
PMDB
O ministro da Justiça, Tarso
Genro, gravou um depoimento no
programa eleitoral do candidato à
prefeitura do Rio de Janeiro,
Eduardo Paes (PMDB), sobre
segurança e defendendo que este
será o melhor governador para o
estado, para a qual o governo e o
Ministério da Justiça repassariam
verbas. Página 7
AFEGANISTÃO
Evo Morales:
Norte-americanos
manifestação “sem cercados pela
distinção de classe” insurgência
As grandes greves
de Mineápolis
O presidente boliviano convocou uma manifestação de fachada para pressionar os parlamentares de direita a aprovarem a lei
de convocatória do referendo
constitucional. O seu partido, o
MAS, convocou até mesmo a oposição golpista para participar da vigília. Página 18
O Afeganistão se tornou um pesadelo para as tropas estrangeiras ainda maior do que a ocupação do Iraque. Com o
pior nível de violência desde o início da
ocupação, com vários territórios reconquistados pelo Talebã, principalmente no
Sul e Leste, onde estão acontecendo pesados confrontos entre a insurgência e
os norte-americanos. Página 19
CONTRA AS MULHERES
Leia nesta edição a terceira
parte da tradução inédita em português do capítulo do livro do
trotskista norte-americano James
P. Cannon, A história do trotskismo norte-americano (1928-1938)
sobre a participação dos trotskistas dos anos 30 nas lutas operárias nos EUA. Página 12
PERSEGUIDO NA UNICAMP:
“Punição, esse é o
diálogo da diretoria do
Instituto de Geociências”
O Estudante Danilo Prado de
Oliveira, do Instituto de Geociências da Universidade de Campinas,
perseguido pela reitoria da universidade, foi entrevistado por Causa
Operária. Página 15
“Opus Dei” norte-americana quer
impor o fim do direito ao aborto
Manifestantes simulam a técnica utilizada pela CIA em protesto em Washington.
UMA REVOLUÇÃO ARTÍSTICA EM 1917 - PARTE VIII
Ivan Turguêniev e o movimento
de libertação dos servos
A “esquerda”
pequeno-burguesa
de joelhos diante
do governo Lula e
da frente popular
BAURU-SP - PÁGINA 13
Polícia invade
casa e prende
mulher por aborto
CORREIOS
A traição de mais uma
campanha salarial
Na negociação realizada na 2ª feira, a Comissão de Negociação da ECT
apresentou a indecente proposta de
mais 1% sobre a também indecente
proposta de reajuste salarial já apresentada. Também propôs a esmola de
R$ 100,00 (que eles chamam de adicional) somente para os operadores de
triagem e transbordo (OTT‘s).
o Bando dos Quatro aprovou a pro-
POLÊMICA
Burocratas e intelectuais, encantados com a “estabilidade” do capitalismo, exaltam o governo, o capitalismo e fazem pouco caso da luta
operária. Página 8
A organização católica Cavaleiros
de Colombo, dos EUA, comparada à
Opus Dei, é autora da pesquisa-farsa
que afirma que 84% da população
norte-americana é favorável a restrições ao aborto. Página 13
posta miserável da ECT em vários
estados para abrir caminho para a ECT
impor o PCCS da escravidão. O diretor de Recursos Humanos, Pedro Bifano, foi totalmente claro e explícito
ao declarar que na próxima semana
pretende finalizar as negociações do
PCCS e que todos os adicionais farão
parte do PCCS, bem como os critérios para o seu recebimento. Página 11
12 DE OUTUBRO DE 1968
Nesta edição, apresentamos o início
da trajetória de Turguêniev, escritor
liberal que em seus primeiros anos
escreveu uma das obras capitais dentro do movimento de libertação dos
servos na Rússia. Seguidor já da tendência realista em literatura, em sua
obra transparece toda a luta revolucionária que era travada no país em seu
tempo, com sua grandiosidade e contradições. Página 20
CMYK PÁG. Nº 01 - JCO 504
Ibiúna: o Congresso clandestino
Página 16
CAUSA OPERÁRIA
19 DE OUTUBRO DE 2008
KARL MARX, VIDA E OBRA
ATIVIDADES
2
WWW.PCO.ORG.BR
Prepare-se para o XXIII Acampamento Acompanhe a crise financeira pelo
de Férias da AJR ouvindo o curso de
jornal diário do PCO na Internet
formação política da última edição
O jornal diário do PCO na In- esta terá sobre as condições de de hipotecas de alto risco nos
EUA, que arrastou consigo um
ternet, o Causa Operária Online, vida da população.
A Aliança da Juventude Revolucionária já está preparando a 23ª
edição do seu já tradicional Acampamento de Férias. O tema escolhido para o curso de formação
marixsta é, novamente, a vida e
a obra de Karl Marx, dando continuidade ao curso anterior e tratando, nesta edição, da atividade
de Marx durante o período mais
revolucionário do século XIX.
Tal como no curso realizado
no XXII Acampamento de Férias, entre 26 de julho e 2 de agosto, em Ibiúna no interior de S. Paulo, onde os principais aspectos da
concepção marxista do mundo,
o materialismo, a dialética e outras noções fundamentais, a edi-
O companheiro Rui Costa Pimenta, durante o curso em janeiro.
tas dos participantes e o debate
realizado durante
toda a exposição.
As aulas serão
publicadas ao longo das próximas
semanas e até o
final de outubro o
curso completo
estará no ar. As
aulas 1, 2 e 3 já
podem ser ouviO eixo central é o estudo do marxismo.
das e são de grande importância
ção do acampamento que será re- para a compreensão dos temas
alizada em janeiro trará o estudo que serão retomados na próxima
aprofundado da obra de Marx, edição do curso de formação marabordando as idéias do Manifes- xista em janeiro.
to Comunista e seu trabalho
como guia teórico e organizador Ouça também os
do movimento operário na revo- cursos anteriores
lução de 1848 na Europa.
As aulas ministradas pelo
Uma parcela significativa dos
companheiro Rui Costa Pimen- cursos já realizados nas edições
ta, presidente nacional do PCO, anteriores do Acampamento da
nas últimas férias estão disponí- AJR também estão disponíveis para
veis para download em áudio na serem ouvidos pela Internet. O
Internet, bem como as pergun- acervo da Rádio PCO conta ainda
com o curso sobre a monumental
obra de Marx, O Capital, realizado em janeiro deste ano, além de
outros temas de grande importância e interesse como a Revolução
Russa de 1917 e muitos mais.
Cartas
res podem enriquecer o debate, tornar as coisas mais claras.
O que é o
Acampamento?
O curso realizado nas férias
pela Aliança da Juventude Revolucionária e o Partido da Causa
Operária tem por objetivo servir
de base para um estudo aprofundado da obra da Karl Marx,
introduzindo os conceitos e temas fundamentais e abrindo as
portas para a leitura direta da obra
de Marx e Engels.
Realizado consecutivamente
há mais de dez anos, o Acampamento de Férias da AJR já reuniu centenas de jovens em um
ambiente de lazer e convivência
socialista, em total oposição ao
conservadorismo e o carreirismo existente nos meios universitários burgueses.
Opinião
Jornal Causa Operária
Estou gostando de ter comprado o jornal da Causa Operária. Fazia tempo que não
comprava um jornal destes.
Valorizo muito o trabalho dos
que vão na contra-lógica do
sistema. Vocês são o espelho
do que fomos, do que essencialmente somos. Vocês não
têm papas na língua, não se
importam com dinheiro ou
poder. Vocês são necessários.
Rolando Lazarte
João Pessoa, PB
Bom dia! Já faz bastante tempo que recebo o boletim do
partido (embora não tenha tempo de ler sempre) e acho muito
interessante. No entanto, percebo que os textos quase nunca têm autoria. Na minha opinião, é importante saber quem
está escrevendo. Se me permitem a sugestão, acho que vocês
deveriam informar a autoria em
todos os textos divulgados no
site. Também seria interessante se existisse a possibilidade de
deixarmos nossa opinião, porque mesmo que os textos sejam
instrutivos, ainda sim é a opinião de uma pessoa. Acredito
que as opiniões de outros leito-
Lenildo Nasário Júnior
Santo André, SP
Análise das Eleições
A análise do PCO das eleições está bem acima da média.
Basta fazer um contraste
com a análise estúpida e triunfalista do PSTU.
Quem vê as análises desse
partido pensa que obteve votações gigantescas, mas, aqui
na cidade onde moro - Belo
Horizonte - não obteve nem
metade dos votos da eleição
anterior.
traz a cobertura completa dos desdobramentos da crise financeira
mundial com atualizações de hora
em hora.
A maior crise de todos os tempos, que levou banqueiros, especuladores, governos e a imprensa burguesea ao desespero, vem
sendo analisada minuciosamente
pelo único jornal operário e socialista diário na Internet, com artigos tratando das principais questões em profundidade, informações em tempo real e a análise
marxista, a única que permite uma
verdadeira compreensão científica e precisa do seu caráter e profundidade.
Na seção do Causa Operária
Online criada especialmente para
abrigar os artigos relacionados à
crise, o leitor encontrará, além da
cobertura diária da crise, uma
ampla retrospectiva dos principais
acontecimentos e do seu desenvolvimento. além da análise da situação econômica do Brasil, das
implicações da crise para a economia nacional e os efeitos que
A recessão, confirmada pelos
principais economistas nos países capitalistas mais desenvolvidos do mundo, deve ser analisada nos menores detalhes e entendida pela classe operária e a juventude brasileiras, para que uma
reação à altura seja levantada pelos setores mais avançados do
movimento operário e, em primeiro lugar, pelo partido da classe
operária revolucionária. A imprensa partidária vem
acompanhando e analisando esta
crise desde
sua gestação
em 2006 e
2007, dando
grande destaque para o episódio que marcou o
início do seu desenvolvimento, com a
quebra do mercado
número significativo de bancos e
instituições do sistema financeiro.
Visite a página do jornal diário
do PCO na Internet e confira.
Acesse também a edição digital do
jornal Causa Operária e confira
os artigos que analisaram, no calor dos acontecimentos, os principais desdobramentos da crise
até agora.
www.pco.org.br/crisefinanceira
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A edição semanal de Causa
Operária já pode ser encontrada nas bancas de jornal de todas
as regiões do País, nas principais
capitais e cidades do Rio Grande
do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro,
Minas Gerais, Espírito Santo, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande
do Norte, Sergipe, Alagoas, Brasília, Goiás, Amazonas e Rorai-
ma.
Confira na página do jornal na
Internet a relação completa com
endereços das bancas que recebem seu jornal semanalmente.
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garanta a leitura semanal do seu
jornal nacional, operário e socialista.
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ção e ajude a ampliar mais ainda
a distribuição do jornal. Leve
Causa Operária para as bancas
da sua cidade e ajude a imprensa
independente, de defesa dos interesses dos trabalhadores da cidade e do campo, da juventude,
das mulheres e dos negros. Ligue
para (11) 5584-9322 ou escreva
para assinaturas@ pco.org.br
A votação da chamada esquerda foi ridícula em todos os
partidos.
Nenhum partido - e mesmo
as facções “de esquerda” do
PT e do PSDB - conseguiu eleger um vereadorzinho sequer...
Belo Horizonte, somando
nulos, brancos e não comparecimento, teve mais de meio
milhão de abstenções!
Tudo isto aponta não mais
para a falência, mas para a
morte da esquerda que, aqui
em nossa cidade, não tem mais
condições de aparição pública.
Só para ilustrar esse fato,
veja-se que o candidato mais
votado nos bairros operários é
um candidato do PMDB que se
apresenta como “independente”. E foi só esse voto operário
num candidato pretensamente
independente que impediu uma
vitória acachapante no primeiro turno de uma aliança entre a
oligarquia e o PT.
Assim, discordo que haja
uma “onda conservadora”. O
que há é um proletariado em
busca de um caminho para derrotar o PT em um momento
em que a esquerda, por limitações e oportunismos dos mais
diversos, não quer e não pode
se apresentar nem como força eleitoral.
Aqui em BH, pelo menos, a
opção operária foi clara e sadia: Derrotar o PT e a oligarquia - coligados - a qualquer
custo.
Saudações,
Denis Reis
Belo Horizonte, MG
Causa Operária Online
Muito boa a cobertura da
crise. Tenho acompanhado todos os dias, vibrando com a
crise dos capitalistas e bancos
que tanto nos sugaram. Só no
jornal online de vocês tenho
conseguido ter uma dimensão
real da crise que a mídia burguesa tanto procura esconder.
Saudações,
José Renato dos Santos
São Paulo, SP
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O Causa Operária está baseado em um claro programa político e no
marxismo e, por este motivo, esforça-se para ser uma tribuna das necessidades e dos anseios das massas exploradas de trabalhadores da cidade
e do campo, dos negros, das mulheres e da juventude oprimida. Neste sentido, as páginas do nosso jornal estão abertas para que qualquer trabalhador faça dele um veículo das suas denúncias contra a exploração e opressão de qualquer setor da sociedade. Convidamos, ainda, nossos leitores
a fazer desta página um espaço para discussão das idéias relacionadas a
esta luta que julguem importante.
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CAUSA
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Fundado em junho de 1979
Semanário de circulação nacional
Ano XXX - nº 504 - R$ 3,00
de 19 a 25 de outubro de 2008
Editor - Rui Costa Pimenta - Tiragem - seis mil exemplares - Redação - Av. Miguel
Stéfano nº 349, Saúde, São Paulo, Capital, CEP 040301-010 - Telefone (11) 55896023 - Sede Nacional - São Paulo - Av Miguel Stéfano, nº 349, Saúde, São Paulo,
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cartas, pedidos de assinaturas ou de informações sobra as publicações Causa
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CAUSA OPERÁRIA
19 DE OUTUBRO DE 2008
3
Antipartidarismo e
Colocar os banqueiros estelionatários na cadeia ideologia imperialista
Editoriais
O
s banqueiros estão cometendo o maior estelionato do
País, nas duas últimas semanas o governo Lula liberou mais de R$ 160 bilhões para os bancos brasileiros
não sofrerem com a crise. O governo despejou esta
fortuna nos cofres para que fosse dado um alívio no mercado de
crédito e empréstimos que está estagnado com a crise de crédito
que existe no exterior.
O governo aprovou Medidas Provisórias que dão total liberdade
para que o Banco Central brasileiro possa tomar decisões sem
nenhum tipo de controle. O resultado foi a liberação quase que
integral dos depósitos compulsórios dos bancos que em duas
semanas tornaram disponíveis mais de uma centena e meia de bilhões
de reais. O dinheiro deveria ser repassado dos bancos para as
empresas e consumidores para continuar alimentando a produção
industrial do País e nada aconteceu. Os jornais informam que os
banqueiros estão comprando títulos da dívida pública para buscar
lucrar com a crise.
É o maior estelionato da década, tudo patrocinado pelo governo
pró-imperialista de Lula, do ministro da Fazenda, Guido Mantega
e do representante dos banqueiros nacionais e internacionais no
Banco Central, Henrique Meireles.
Depois que o escândalo veio à tona, o presidente Lula, para fazer
uma média, disse nesta quinta-feira, dia 15, que “o Banco Central
vai ter que tomar uma atitude, tomar o dinheiro de volta, pegar o
compulsório outra vez”. A farsa pode ser facilmente detectada, pois
a declaração feita por Lula ocorreu ao mesmo em que o Banco
Central liberou mais verbas de depósitos compulsórios para os
bancos. Nesta mesma quinta-feira, dia 15, o BC liberou mais R$
3,6 bilhões em depósitos compulsórios para os bancos, ou seja,
o governo libera a verba para o banqueiros sem nenhum tipo de
fiscalização, é dinheiro de graça.
Os banqueiros e capitalistas em geral, ao contrário do que diz
a propaganda burguesa, não têm interesse algum em investir no
suposto “bem estar do País”, do “desenvolvimento econômico”,
em supostamente salvar o capitalismo ou outras maravilhas da
propaganda ideológica burguesa, mas simplesmente a salvar os seus
próprios lucros. Este dinheiro entregue aos bancos vai ser revertido não para a indústria, investimentos, crédito etc., mas para gerar
lucros para os banqueiros com a compra de títulos da dívida pública.
O governo Lula queima reservas para favorecer os banqueiros.
Quem não sabe que não existe ninguém menos altruísta que os
banqueiros? Querem exclusivamente salvar a própria pele, salvar
a si mesmos. Tudo com a permissão do governo de banqueiros de
Lula que, enquanto isso, paga R$ 30 para uma família do programa
Bolsa-Família, R$ 415,00 de salário mínimo etc. Transfere a riqueza do País sem nenhuma cerimônia para os banqueiros parasitas.
A overdose do sistema financeiro
N
ão se trata de torcer pelo fim do mundo. Os realistas são
freqüentemente acusados de enxergarem um tom nega
tivo em tudo, mas sim, estamos presenciando a maior
crise de toda a história do capitalismo. O maior colapso financeiro
dos últimos 80 anos, o fracasso das ocupações do Iraque e do
Afeganistão, a situação revolucionária em todo o mundo abaixo da
linha do Equador, a revolta nos países mais pobres do mundo contra
a fome, os recordes sobre recordes do preço do petróleo e tantos
outros fatores mostram com clareza que a crise do imperialismo
segue ladeira abaixo.
Estamos vivendo a histórica crise de outubro de 2008. As bolsas
nunca chegaram a níveis tão alarmantes e pela primeira vez na
história o Partido Republicano dos EUA, o partido modelo do
imperialismo, é obrigado a tomar medidas que consideram socialistas para salvar um punhado de criminosos em Wall Street. É
preciso prendê-los todos antes que eles comecem a se jogar dos
edifícios, como em 29.
Estamos presenciando um momento histórico. Vimos também
nas últimas semanas EUA, Europa e Japão realizarem os maiores
roubos da humanidade. O maior saque da história.
Os governos europeus estão injetando juntos mais de US$ 2,5
trilhões, enquanto que só os EUA US$ 700 bilhões, dos quais US$
250 bilhões acabaram de ser sacados para a compra das ações
podres das instituições financeiras norte-americanas. Essa montanha de dinheiro público que poderia simplesmente matar a fome
no mundo da noite para o dia será tragado pela Goldman Sachs,
Citibank, Bank of America, JP Morgan Chase e muitos outros.
Após a injeção na veia do sistema financeiro com overdose, as
bolsas demonstraram na terça-feira uma ligeira alta nos mercados
em todo o mundo, apesar da bolsa da Islândia cair incrivelmente
77%. A alta que durou apenas algumas horinhas, no entanto, recebeu uma cobertura da imprensa burguesa como se toda a crise
estivesse resolvida. Foi uma felicidade geral. As capas dos jornais
traziam fotos dos corretores de ações sorrindo, num tremendo
alívio.
Na realidade, um conto da carochinha. A economia está com
as veias entupidas e por mais que se injete dinheiro, o sistema nunca
mais será o mesmo. Aguardem os próximos capítulos.
Iraque, Afeganistão e Paquistão... todos contra o imperialismo
U
m relatório emitido pela inteligência norte-americana clas
sificou a situação no Paquistão “muito sombria” diante
da crescente onda de insurgência, cujo epicentro é a região
tribal na fronteira junto ao Afeganistão e que se espalha por todo
o País.
Para um dos oficiais que participaram da redação do texto, o
Paquistão está “sem dinheiro, sem energia e sem governo”. Desde
que este país assumiu como ponto de lança o programa do imperialismo na sua “luta contra o terrorismo”, empregada logo após
os ataques de 11 de setembro contra os EUA, a crise nunca fora
tão profunda. O então presidente e general Pervez Musharraf, que
havia subido ao poder em 1999 por meio de um golpe militar,
quebrou o acordo com o Talebã e a Al-Qaeda e em troca de muito
dinheiro iniciou uma perseguição contra estes grupos. A partir daí
a história mudou para o Paquistão e todo o corredor de países desde
o Oriente Médio até o Sudeste asiático. Nos seus 60 anos de existência, o Paquistão, emergido da crise do imperialismo já na década de 60, quando o Reino Unido não pôde conter as inúmeras
revoluções nas suas colônias, está “no limite”, como classifica o
próprio texto divulgado pelos EUA.
Após quase vinte anos no poder, tempo necessário para levar um
país à sua pior crise política, nem mesmo a saída do impopular e
assassino Musharraf foi capaz de conter a crise. A ex-premiê, Benazir
Bhutto poderia ser a promessa de um novo fôlego para o país, mas
seu assassinato em pleno comício eleitoral acabou com a última carta
ge da semana
Char
Charg
do bolso do colete. Musharraf renunciou sem ser obrigado a deixar
seu cargo militar, dando lugar à oposição do Partido Popular do
Paquistão (PPP), cujo Bhutto era a líder. Nada pode conter a queda
livre do país chave para a estabilização de toda a região.
O Paquistão é o país de confiança do imperialismo em meio ao
nicho de países instáveis e revoltosos. Por isso a queda do Paquistão é o mesmo que dizer a queda do Iraque e do Afeganistão, onde
uma enorme massa de trabalhadores se revolta contra a ocupação
do imperialismo.
O país também é vítima de outras crises laterais, como a alta
do preço dos alimentos - que embora esteja ocultada pela imprensa
burguesa por causa da crise econômica, está longe de terminar.
O Paquistão está desestabilizado a um pontoclaramente revolucionário. Se antes o imperialismo não conseguia controlar as
ocupações do Iraque e do Afeganistão, a tarefa agora se tornou
totalmente impossível. O colapso financeiro mundial também diz
muito respeito à esta crise, uma vez que os bancos de investimentos são os mesmos que administram as contas da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e das Forças Armadas dos
EUA. Se do ponto de vista econômico a manutenção da crise está
inviável, militarmente a situação está se tornando cada vez mais
difícil.
O que está acontecendo no Paquistão e em toda a sua zona de
influência é a expulsão das tropas norte-americanas e da OTAN
pela insurgência e pela revolta popular.
RUI COSTA PIMENTA
derrocada dos regimes políticos stalinistas do Leste Europeu nos anos 90 deu lugar a ampla confusão política: morte
do socialismo, crise do socialismo, fracasso do stalinismo, fracasso do leninismo e do marxismo, o fim da história, a vitória
do capitalismo.
Entre os agentes mais ativos de difusão desta mitologia política
estiveram, por um lado, os próprios ex-stalinistas, o que é natural, na
medida que procuram dar uma cobertura ideológica para a sua ação
política contra-revolucionária, a qual constitui um dos elementos
decisivos nestes processos e, de outro, as diversas variantes de dissidências do stalinismo, tais como as antigas organizações foquistas
dos anos 70. A crise do stalinismo chegou a um ponto de fissão com
a revolução polonesa do início da década de 80 que soou o dobre de
finados para a dominação da burocracia, tal como havia se dado até
ali. A glasnost e a perestróika de Gorbachov foram uma resposta contrarevolucionária da burocracia a esta crise de características terminais.
O conteúdo desta resposta foi o ingresso do conjunto da burocracia na via de restauração do capitalismo na URSS e nos países do
Leste Europeu, primeiramente, mas das burocracias de todos os
demais estados operários em seguida (Cuba, China, Vietnã, Coréia
etc.). Para a burocracia, o que estava em jogo era proceder a uma
transição, digamos assim, a frio, para o capitalismo, onde manteria
sua dominação política e transformar-se-ia em classe proprietária e
exploradora.
O que determinou o caráter convulsivo e explosivo do atual processo político e econômico nesses países foi a completa incapacidade da burocracia de colocar em prática o seu programa restauracionista. O golpe de agosto de 1991 na URSS e o literal desmoronamento da Alemanha Oriental, com a sua subseqüente anexação pela
RFA são os pontos culminantes deste fracasso.
O que temos diante de nós é, portanto, uma situação de características nitidamente revolucionárias, onde o status quo político mundial
não pode ser mantido em lugar algum e entrou em uma etapa de
dissolução e tentativas de recuperação do equilíbrio perdido em meio
a gigantescas mobilizações de massa.
A ideologia da “morte” ou da “crise” do socialismo está longe de
ser uma mera interpretação distorcida dos fatos, mas cumpre um papel
político real, uma função ideológica na luta de classes. O limite da
atual crise, que somente pode ser adequadamente definida como uma
crise histórica do capitalismo, está dado pela ausência de uma direção revolucionária da classe operária. Este, no entanto, é um limite
que de forma alguma é uma barreira fixa, mas que se recoloca, se
reposiciona sistematicamente a partir da própria evolução da crise
impulsionada pelos seus fatores objetivos (decomposição econômica, desagregação da burguesia etc.). A classe operária em cerca de
dois séculos de lutas criou poderosas organizações sindicais e políticas, as quais, inclusive sob a direção atual erguem-se como obstáculo às investidas capitalistas contra as condições de vida das massas e são um fator de agravamento da crise. As situações revolucionárias, como a atual, somente podem existir sob a forma da luta entre
a revolução e a contra-revolução, sendo que seu ponto de equilíbrio
não se encontra entre estas duas componentes da situação, mas pode
ser dada apenas pela vitória de uma sobre a outra. Nestas circunstâncias, todas as conquistas históricas da classe operária são inúteis
sem uma direção revolucionária.
O imperialismo é consciente desta situação em altíssimo grau
e, justamente por isso, uma das suas trincheiras ideológicas fundamentais é a luta contra a organização revolucionária da classe
operária mundial.
Esta é a essência de todo o democratismo imperialista que domina
completamente todas as variantes políticas mundiais. Ao contrário
do que apregoaram muitos, a nova onda democrática está longe de
ser apenas uma válvula de descompressão da situação política de
características revolucionárias surgida na segunda metade da década de 70 e que levou à crise das ditaduras militares sustentadas pelo
imperialismo mundial e à crise do leste. Na realidade, a democracia
é uma arma política utilizada para se opor às tendências revolucionárias das massas mundiais a partir da experiência do Irã, Nicarágua,
El Salvador e da própria Polônia, também nos anos 70.
Nesse sentido, a ideologia formulada a posteriori, sobretudo pelos
stalinistas convertidos em adeptos da democracia, mas também por
outras tendências pequeno-burguesas que buscam influenciar a classe
operária, de que a idéia de um partido revolucionário está superada
demonstra antes de tudo a sua oposição visceral à tomada do poder
pelo proletariado para a qual a construção de um partido revolucionário é um sine qua non.
é completamente anacrônica. Os sindicatos municipais ao invés
de sindicatos nacionais, agrupados em federações sem qualquer função prática, os diversos sindicatos por categoria e outras deformidades são uma relíquia de um passado remoto, preservada artificialmente pela burguesia durante várias décadas. Agora, justamente este
êxito em impedir o desenvolvimento da organização operária se transforma em uma contradição explosiva quando os trabalhadores ingressarem em um período de lutas.
A
Como eles disseram...
“O imperialismo norte-americano não pode estender mais, nem
sequer manter sua posição atual no mundo, sem fazer um grande
corte na parte do poder mundial atualmente entre as mãos de
outras potências imperialistas, sem atacar o nível de vida das
massas dos Estados Unidos, da América Latina, da Europa e da
Ásia, os quais explora direta ou tira proveito indiretamente. De
modo que, estendendo seu poder para todo o mundo, o
capitalismo dos Estados Unidos introduz em seus próprios
fundamentos a instabilidade do sistema capitalista mundial. A
economia e a política dos Estados Unidos dependem das crises,
das guerras e das revoluções em todas as partes do mundo”.
Leon Trótski
Os Estados Unidos após a crise de 1929
Datas
22 de outubro de 1954
Falecia o escritor modernista Oswald de Andrade
24 de outubro de 1929
A Bolsa de Nova Iorque sofria a queda catastrófica que
ficou conhecida como "quinta-feira negra"
Frases da semana
"A preocupação com a solvência de um grande número de
instituições nos EUA e na Europa empurrou o sistema financeiro global para a beira de um derretimento sistêmico", Dominique Strauss-Kahn, diretor-gerente do FMI, na reunião anual do órgão, em Washington
"Essa situação se parece muito, historicamente, com 1929
e as emoções que pairavam no ar nos meses e anos seguintes
à quebra", Steve Fraser, historiador norte-americano,
autor do livro "Wall Street:America's Dream Palace"
CAUSA OPERÁRIA
19 DE OUTUBRO DE 2008
ANÁLISE POLÍTICA SEMANAL
À beira da recessão mundial
Há mais de um ano da crise financeira mundial, os
governos imperialistas estão completamente perdidos
em meio ao que já se mostrou claramente como a maior
crise capitalista da história e que vai desenvolver em
uma crise revolucionária de igual dimensão
A crise financeira veio para ficar
e os mercados de todo o mundo já
reconhecem que a crise não é mais
financeira, mas atinge a economia de
conjunto. Com a demonstração
dada pelas bolsas de valores de todo
o mundo, onde as perdas são incalculáveis, a crise vai ainda se desenvolver por muito tempo.
A situação da crise financeira nos
países é irrepreensível em demonstrar que a recessão está em pleno
desenvolvimento.
Isto significa que a crise capitalista entrou, oficialmente, em uma
nova fase.
Os Estados Unidos figuram como
um dos principais países afetados
pela crise, mas a recessão já atingiu
a Europa, o Japão e está caminhando a passos largos em todas as direções.
Crise global
A crise é generalizada: nos Estados Unidos, somente em setembro
foram 159 mil demissões. No total já
são, somente este ano, 760 mil trabalhadores desempregados, sendo
o nono corte mensal de empregos no
País e o maior corte em cinco anos.
Em alguns setores, como o manufatureiro, foi simplesmente o 27º corte
consecutivo, ou seja, há mais de dois
anos que este setor vem demitindo
trabalhadores. Das 73 mil demissões
efetuadas em agosto, 56 mil eram do
setor manufatureiro. Em setembro,
das 159 mil demissões, 51 mil foram
deste setor. Outros setores importantes que realizaram os cortes nos
postos de trabalho foram os setores
de construção civil, com 35 mil demissões em setembro, e o de vendas
no varejo, com o maior corte em cinco
anos, o que equivale a 82 mil vagas
perdidas no mês passado. O índice
de desemprego nos Estados Unidos
chegou a 6,1% e atinge um percentual maior para negros e latinos. O
desemprego nestas classes é de
11,4% e 7,8%, respectivamente,
enquanto entre os brancos, o desemprego está abaixo da média
nacional, em 5,4%.
Segundo um economista de
Nova Iorque, este grau de desemprego nos Estados Unidos já indica
recessão, “Estamos com perdas de
emprego tipicamente vistas nos
estágios iniciais de uma recessão
econômica. Provavelmente estamos
em uma.” (International Business
Times, 14/10/2008).
A produção industrial norteamericana também está vivendo os
piores momentos. Na última quintafeira, dia 16, foi anunciada pelo
Departamento de Trabalho norteamericano uma redução expressiva
neste setor. A queda foi de 2,8%, a
maior em mais de 30 anos. Desde o
mês de dezembro de 1974, auge da
crise na década de 1970, a queda na
produção nas indústrias norte-americanas não era tão grande.
Um setor bastante afetado é o
automobilístico, já bastante debilitado por toda esta etapa de crise. As
grandes montadoras de carros, GM,
Ford, Chrysler, Toyota etc. tiveram
quedas nas vendas de mais de 30%,
as piores dos últimos 35 anos. A GM
já programou o fechamento de duas
fábricas e a demissão de pelo menos
1.600 funcionários nos Estados Unidos. Na Europa, paralisou a produção em 100%. Em muitas fábricas os
operários estão de férias coletivas.
Demissões também vão ocorrer nas
unidades da Daimler nos Estados
Unidos, de onde serão mandados
para casa 3.500 trabalhadores. Já a
norte-americana Pepsico anunciou
a demissão de 3.300 trabalhadores.
O consumo também caiu drasticamente; somente em setembro a
queda foi de 1,2%. A queda no
consumo de combustível, por exemplo, caiu a níveis muito baixos. O
consumo de petróleo reduziu em 800
mil barris por dia, o menor nível em
26 anos. Para completar, houve um
recorde no número de norte-americanos que receberam “cupons de
alimentação”. Foram 29,05 milhões
de norte-americanos que receberam
este auxílio que beneficia famílias
mais pobres dos Estados Unidos,
uma espécie de bolsa-família. Este
número indica que há um exército de
miseráveis no País.
A situação na Europa e Ásia é
muito semelhante. As bolsas européias tiveram desvalorização de
43% nos nove meses de 2008. Países imperialistas como a Inglaterra,
França, Espanha, Itália e Alemanha
estão com altos índices de desemprego, redução da atividade industrial e aumento da inflação. França
e Reino Unido já apresentaram crescimento negativo em dois semestres
deste ano. Ainda na Europa, a Islândia entrou em falência depois que o
prejuízo nas bolsas do País somaram
12 vezes o tamanho da economia islandesa. A venda de carros também
está em baixa na Europa, com queda
de 8,2% em setembro.
O Japão somente nesta semana
teve perdas de mais de 14% na bolsa
de Tóquio e está também sofrendo
drasticamente com a crise, que fez
com que suas exportações caíssem.
O superávit da balança comercial
japonesa teve queda, em setembro,
de 52,2%. A produção industrial
também teve baixa. Em 12 meses, de
agosto de 2007 a agosto de 2008, a
indústria japonesa teve redução de
6,9%. Isto leva o País a uma forte estagnação produtiva.
Da orgia financeira
ao pesadelo
capitalista
Para entender a crise atual é necessário fazer uma retrospectiva de
como ela começou.
Nos anos 60 e 70, a quebra do
sistema financeiro mundial implantado pelos vencedores da guerra na
Conferência de Bretton Woods veio
abaixo com a desvalorização do
dólar, abrindo um período de instabilidade que, não apenas não se
fechou até agora, como se aprofundou, colocando o problema da liquidação total deste sistema e do próprio dólar. Em 1973-4, todos os países imperialistas, sincronizadamente, ingressaram em um período de recessão profunda que indicava a
completa liquidação do período de
crescimento artificial do capitalismo
nos anos 50. A partir daí, a crise
combinou-se com uma escalada
inflacionária mundial. Não se tratava de uma crise “cíclica”, as quais
são também não apenas cíclicas,
mas um desenvolvimento geral da
crise, mas de uma nova etapa de crise,
uma espécie de retomada da crise do
pré-guerra. O fundamento da crise
foi o próprio crescimento capitalista do pós-guerra, obtido através da
destruição massiva de forças produtivas durante a guerra e por meios
artificiais de aumento do crédito, dos
gastos estatais (indústrias armamentistas). Esta crise levou tanto as
empresas como os estados nacionais à falência virtual, que foi tolhida por uma política limitada de destruição das forças produtivas para
criar novas áreas de lucratividade,
em particular para o capital especulativo (privatizações, ataque às conquistas operárias, liquidação de
países inteiros).
Com as derrotas operárias que
encerraram, a etapa de lutas revolucionárias da classe operária nos
anos 70 e 80 abriu-se uma janela
temporária para a estabilização da
moeda e para os lucros financeiros.
O marco político foi a vitória da burocracia chinesa em 1989, que criou
um mercado de mão-de-obra barata, a mais barata do mundo para
impelir os lucros e abrir caminho para
o investimento especulativo.
Em 1997, a crise das bolsas asiáticas, seguidas da crise argentina
em 2000 dava os sinais claros de
esgotamento deste período que
nada mais foi que um fôlego tomado pelos capitalistas através de
expedientes que apenas agravavam
a crise, levando, por exemplo, a bolha
financeira a uma situação impagável.
A crise liquidou, também, um dos
principais nichos de lucratividade
que eram as empresas de informática e de alta tecnologia, que enfrentavam um mercado saturado e lucro
decrescente.
Em meados de 2000 a 2003 houve, como parte destes expedientes,
um boom no mercado imobiliário
norte-americano, que contagiou
centenas de investidores em todo o
mundo, que passaram a comprar
títulos de hipotecas, pois elas estavam supervalorizadas, o que gerou
lucros exorbitantes durante um grande período. Foi um cassino financeiro amparado pelo estado.
Entre 2004 e 2006, houve uma
reviravolta no mercado imobiliário,
a taxa de juros teve um aumento
brusco, subiu de 1% para 5,35% e
os títulos hipotecários começaram
a subir de maneira bastante brusca
que fez com que os preços dos imóveis caíssem e a inadimplência subisse exponencialmente. Entre os
títulos imobiliários, o que provocou maior estouro foram os investimentos de alto risco, chamados
“subprime”, títulos feitos sem nenhuma garantia de pagamento por
parte do comprador. Bastou isso
para que a crise se generalizasse.
Como os títulos hipotecários estavam todos espalhados e não se
tinha nenhuma precisão de onde
estes estavam, houve uma pulverização destes “subprime”. No início de 2007, estes títulos começaram a dar claros sinais de crise. Em
abril de 2007, uma agência financeira norte-americana, especializada
em “subprime”, New Century Financial, pediu falência e demitiu
metade dos funcionários, pois as
dívidas com os títulos de alto risco
eram insustentáveis. Este foi o primeiro sinal de que o mercado de
“subprime” estava entrando em colapso.
Dois meses depois, em julho,
outro importante banco, o Bear Stearns, declarou aos seus investidores que não haveria dividendos
devido ao “subprime”. Juntamente
com esta notícia, o Fed, Federal
Reserve, banco central dos Estados
Unidos, fez uma estimativa de que
os rombos com os títulos de investimentos de alto risco iriam gerar uma
dívida de US$ 100 bilhões. Um valor
bastante modesto para os dias de
hoje, mas que na época impressionou muito os investidores dando a
entender que a crise era muito grave.
O dia D
O “marco inicial” da crise financeira mundial e da atual etapa de crise
capitalista que perdura e se desenvolve até hoje foi o dia nove de
agosto de 2007. Neste dia, um importante banco francês, PNB Paribas,
anunciou a seus investidores que
estava sem dinheiro em caixa (falta
de liquidez) para quitar eventuais
saques. Isso bastou para que as
bolsas de todo o mundo entrassem
em pregões consecutivos de perdas
históricas com aumento da desconfiança dos investidores. Neste dia
também foi bastante marcante a intervenção maciça dos bancos centrais de todo o mundo que, juntos,
injetaram no mercado mais de 200
bilhões de dólares em um único dia,
superando outros acontecimentos
onde este tipo de medida foi tomada, como o atentado às torres gêmeas em 11 de setembro de 2001.
A partir deste dia, seria constante a intervenção do Banco Central
Europeu (BCC), do Fed, dos bancos
centrais do Japão e de outros países
para dar aos bancos centenas de
bilhões de dólares.
Uma das medidas adotadas para
tentar amenizar a crise foi a redução
dos juros. O Fed, por exemplo reduziu em 17 de agosto, a taxa de juros
para 5,75%, al:um corte de 0,5%.
Depois esta taxa caiu pela metade.
Em outubro, começam a surgir,
em cascata, uma lista de bancos
grandes que anunciavam prejuízos
no setor de investimentos imobiliários. O gigante Citigroup admitiu
ter prejuízo de US$ 40 bilhões em seis
meses. O banco suíço UBS apresentou perdas de US$ 3,4 bilhões e o
Merrill Lynch anunciou US$ 7,9
bilhões de dívidas ligadas ao setor
de “subprime”.
Em dezembro de 2007, o Fed em
conjunto com outros cinco bancos
centrais, estruturaram um plano de
empréstimos para socorrer os bancos em crise. Neste mês também, o
presidente George W. Bush aprovou um pacote que iria destinar uma
mesada para os norte-americanos,
por meio do desconto de impostos,
no valor total de US$ 150 bilhões. O
objetivo era provocar um aumento
do consumo, fato que não ocorreu.
2008: Falências em
massa, estatizações
em massa
Em 2008, ao contrário do que
propagandeava os analistas burgueses, a crise teve um salto de
qualidade no seu desenvolvimento. Iniciou-se uma quebradeira geral em bancos e instituições financeiras até então sólidas nos Estados
Unidos, algumas até centenárias. O
primeiro da lista foi o banco hipotecário britânico Northern Rock, que
foi estatizado pelo governo inglês.
Mais de um mês depois, outro
banco entrou em falência e não
qualquer banco, mas nada menos
que o quinto maior dos Estados
Unidos, o Bearn Stearns, que foi
comprado às pressas pelo JP Morgan Chase depois que teve uma
desvalorização descomunal. Passou de valer US$ 18 bilhões para
US$ 240 milhões em um ano.
Em oito de abril, o FMI (Fundo
Monetário Internacional) reajustou
o prejuízo da crise para US$ 1 trilhão
e declarou que setores como as
dívidas das empresas e o crédito
pessoal já estavam sendo afetados.
Em 21 de abril, o banco da Inglaterra fez a primeira grande intervenção estatal, liberando 50 bilhões de
libras para os bancos falidos em
forma de títulos do governo.
Entre o final de abril e o início
de junho, três grandes bancos
tentaram a todo custo conseguir
dinheiro para se manterem em
pé. Os britânicos Royal Bank of
Scotland e Barclays e o suíço
UBS, tentaram levantar mais de
US$ 30 bilhões, pois todos estavam profundamente endividados com os títulos podres do
setor imobiliário.
Em 13 de julho, outro gigante
entre os bancos de hipotecas, o
IndyMac, pediu falência nos Estados Unidos. Este era o segundo
maior banco do gênero no País. Um
dia depois, em 14 de julho, o governo norte-americano evitou a falência das duas maiores agências financiadoras de hipotecas dos Estados Unidos, a Fannie Mae e Freddie Mac, que juntas controlam
US$ 5,3 trilhões em títulos hipotecários, referente a metade de todo
o mercado. A falência destas duas
instituições levaria a uma quebradeira mundial. Posteriormente, a
estatização destas instituições foi
formalizada pelo governo norteamericano.
Colapso
generalizado
Em quatro de agosto, um dos
maiores bancos europeus, o HSBC,
anunciou redução de lucros em
28%, todos referentes ao mercado
imobiliário. No dia 30 de agosto, o
ministro da Fazenda britânico disse
que a economia inglesa estava em
sua pior crise dos últimos 60 anos.
Ainda no início de agosto, a economia dos Estados Unidos sofreu um
baque ao saber que o índice de desemprego estava em 6,1%.
Em 10 de setembro, o banco
Lehman Brothers, o quarto maior
dos EUA, teve perdas de US$ 3,9
bilhões entre maio e julho de 2008.
Cinco dias depois, o Lehman Brothers entrou em falência, mas sem
ajuda financeira. Um dia depois, 16
de setembro, o Merrill Lynch também entrou em concordata, mas foi
comprado, também às pressas, por
US$ 50 bilhões pelo Bank of America. Ainda neste dia, o governo
norte-americano anunciou que iria
dar US$ 85 bilhões para salvar a
maior seguradora do mundo, a AIG,
da falência total. Com este dinheiro,
o governo Bush passou a ter 80%
de controle sobre a seguradora.
Em 25 de setembro, a maior instituição de poupança dos Estados
Unidos, Washington Mutual, também entrou em falência e foi vendida para o Citigroup que dias depois
também comprou outro grande banco norte-americano que pediu concordata, o Wachovia.
Na Europa, o banco belga Fortis
foi estatizado pelos países Luxemburgo, Holanda e Bélgica. Na Alemanha, o Hypo Real State também
foi estatizado e na Islândia, os três
principais bancos do País também
foram adquiridos pelo governo.
Pacotes anticrise
O desespero fez com que o governo Bush, juntamente com o Fed
e o Tesouro norte-americano, apresentassem um pacote de US$ 700
bilhões para salvar a economia dos
Estados Unidos. O pacote foi inicialmente rejeitado pelos deputados
republicanos do Congresso norteamericano, mas depois de mudanças
que deram maior controle sobre este
dinheiro, o pacote foi aprovado e se
tornou um fiasco, pois não surtiu
nenhum efeito positivo no mercado
financeiro.
A Inglaterra ainda estatizou mais
um banco, o Bradford & Bingley
com 50 bilhões de libras. E tanto o
governo inglês, como o da Islândia,
Irlanda, Portugal, Itália, Alemanha
entre outros decidiram garantir praticamente todos os depósitos dos
bancos, para dar liquidez (dinheiro
em caixa) diretamente para estas
instituições financeiras e assim
evitar um colapso geral no mercado
financeiro europeu, pois neste ritmo,
os correntistas iriam retirar todo o dinheiro dos bancos.
No início de outubro, os líderes
da zona do euro aprovaram também
um pacote anticrise de mais de US$
2 trilhões de dólares para salvar a
economia européia. O pacote surte
efeito positivo nas bolsas e fez com
que houvesse ganhos recordes em
vários mercados financeiros do
mundo.
A alegria durou pouco, apenas
um dia, e a incerteza e a insegurança
diante da crise voltou a assolar os
mercados, resultando em prejuízos
de mais de 10% nas bolsas da Ásia,
Europa, Estados Unidos e Brasil.
Aprendendo com a
crise de 1970
Na década de 1970 houve uma
crise, de menor intensidade, mas
semelhante à que está ocorrendo
hoje. Durante a década de 1970, os
bancos internacionais, com excesso
de liquidez, resultado da crise de superprodução que levaria à recessão
conjunta dos países imperialistas em
74, em especial os norte-americanos,
concederam altos empréstimos aos
países latino-americanos e outros
países atrasados, responsáveis por
um período de crescimento transitório, para explodir logo em seguida,
quando o governo norte-americano
aumentou consideravelmente as taxas de juros de 12% para 18% e depois 21%, para tentar conter a inflação disparada pela crise do petróleo
e pela desvalorização do dólar nos
anos anteriores.
O sistema financeiro e a política
monetária norte-americana criaram
um processo inflacionário ao injetar
capital fictício para sustentar o crescimento econômico. Em 1973, a alta
dos preços do petróleo promoveu
a aceleração de uma nova crise e o
dólar chegou a desvalorizar 10% em
fevereiro desse ano.
Esse fato causou a queda de
exportações desses países e a uma
crise de liquidez. Vários tiveram que
renegociar suas dívidas e outros
pediram moratória. Nesta crise, o
governo dos EUA procurou salvar
os principais bancos, o que não conseguiu evitar que mais de 40 deles
fossem à falência. A solução encontrada pelo governo norte-americano foi transformar a crise na América Latina, criada por eles mesmos,
em nova fonte de financiamento
para o imperialismo, através do
aperto destes países, mais especificamente da sua população, com
POLÍTICA
4
aumento de impostos, desvalorização da moeda e corte de gastos.
Estes dados indicam que é puro
mito a idéia de que os bancos “saudáveis” foram atingidos por uma crise inesperada. Na realidade, os bancos estão em situação de crise desde os anos 70 e sobrevivem sobretudo de expedientes governamentais.
Não é difícil imaginar que o mesmo pode acontecer hoje, já que os
países do BRIC, entre eles o Brasil,
estão sendo chamados para ajudar
na crise financeira mundial, pois
estariam em melhor situação.
afetando a balança comercial do Brasil e que são uma das principais fontes de arrecadação de fundos feita
pelo País. Desde o começo do ano,
as exportações brasileiras estão em
queda, mas apresentam resultados
superiores às importações, pois o
valor das matérias-primas teve cotação alta durante boa parte do ano.
Agora, com a queda brusca dos preços e o agravamento da crise que
está diminuindo a produção industrial dos países, como os Estados
Unidos e a China, o Brasil exportará
menos ainda, com o agravante de
que o preço está bem menor.
Brasil é um dos
mais afetados pela
crise financeira
Empréstimo de
dólares
O Brasil não está nem um pouco
imune aos efeitos da crise financeira mundial. Muito pelo contrário, é
um dos mais afetados, segundo uma
pesquisa divulgada pela rede de notícias BBC. Nesta pesquisa, são
relacionados os principais países
que estão sendo afetados pela hecatombe financeira que tomou conta do mundo há mais de um ano. O
Brasil aparece ao lado dos imperialistas, Estados Unidos, Alemanha,
França, Reino Unido, Japão etc. A
conclusão da pesquisa é óbvia, o
Brasil está seriamente ligado às principais economias do mundo e possui um mercado financeiro bastante desenvolvido que não tem como
ficar isolado da crise financeira que
afeta primordialmente os Estados
Unidos e a Europa.
Outros fatores devem ser levados em consideração. A economia
brasileira se sustenta na venda de
commodities, as quais serão profundamente afetadas pela recessão
geral, como já se pode ver na queda
dos preços do petróleo que os especuladores abandonam celeremente em busca de outras fontes de
lucratividade.
A maioria das empresas e bancos
brasileiros está envidada em dólar
e, por isso, a escalada incontível do
dólar elevará estas dívidas ao ponto de impossibilitar seu pagamento.
A subida do dólar, que o governo
Lula faz esforços frenéticos para
conter, é o resultado inevitável da
fuga do capital especulativo, mas
também da fuga do capital das próprias empresas brasileiras, que buscam refúgio no exterior ou em outros
ativos fora do mercado financeiro.
A situação social do Brasil, elogiada pelos governos, é de uma
desigualdade social terrível, ou seja,
extremamente vulnerável a qualquer abalo econômico, como, por
exemplo, a inflação, tornando o país
uma bomba relógio. Este dado também é uma herança dos anos anteriores da crise, onde o povo pagou
para empresas falidas não falirem.
A situação brasileira é, ao contrário do que apregoa o governo, extremante crítica e exige um programa de
emergência para enfrentá-la.ep:
Mercado financeiro
Diante do fato de o Brasil estar
participando da crise, é fácil constatar como isso acontece. Um dos
primeiros fatores a serem destacados deve ser o mercado financeiro
do Brasil. A Bovespa, Bolsa de
Valores de São Paulo, é a maior da
América Latina e movimenta cerca
de 70% de todos os negócios desta
região. Com a crise financeira, as
ações da Bovespa tiveram queda
livre, algumas sendo desvalorizadas
mais de 50%. A saída de dólares
ultrapassou os US$ 3,5 bilhões até
meados de setembro. Esta saída
reflete diretamente no funcionamento da Bovespa, pois os recursos
estrangeiros correspondem, em
média, a 30% de tudo que a bolsa
movimenta. Em setembro, por exemplo, os investidores estrangeiros
foram responsáveis por 36,6% de
tudo o que foi negociado na bolsa
paulista.
Queda vertiginosa
das commodities
Outro fator que está levando o
Brasil para o furacão da crise econômica é a desvalorização dos preços
das commodities ou matérias-primas. Isso porque a Bovespa tem um
grande número de empresas que trabalham e especulam em torno de
commodities. O índice da Bolsa de
São Paulo, o Ibovespa, é formado
por 48,37% de empresas de matérias-primas agrícolas e metálicas.
Sendo que as empresas de commodities metálicas compõem 42,89%
do índice. É praticamente a metade
de todos os negócios da Bovespa.
Entre as principais, ou mesmo as
mais importantes da bolsa brasileira, estão a Vale do Rio Doce, que trabalha, por exemplo, com o minério de
ferro, matéria-prima largamente exportada, e a Petrobrás, com o petróleo. Com a desvalorização generalizada das ações destas empresas a
bolsa registrou perdas gigantescas
no último período, pois as ações da
Vale e da Petrobrás correspondem
a 33,29% de toda a movimentação
do índice Ibovespa. Para se ter uma
idéia dos efeitos da crise sobre estas ações, basta saber que nos nove
primeiros meses deste ano, os títulos da Vale desvalorizaram 33,74%
e os da Petrobrás, 34,45%. O baixo
valor das commodites também está
Apesar de não haver crise, como
diz o governo Lula, várias medidas
já foram tomadas para contê-la.
Uma delas é a venda de dólares para
o mercado financeiro a fim de impedir a supervalorização da moeda
norte-americana que teve um aumento bastante expressivo nas
últimas semanas, chegando a valer
R$ 2,40. Lula já emprestou, em dólar,
mais de US$ 3 bilhões para que o
valor da moeda norte-americana
baixasse frente ao real, pois assim
não afetaria as importações e a alta
da inflação. Estes efeitos sentidos
estão afetando em cheio a economia brasileira, principalmente no
mercado financeiro, mas os problemas também serão direcionados
para a indústria, o comércio etc. afetando o desemprego, os aumentos
salariais, a inflação, ou seja, o País
inteiro.
Catástrofe, sim;
imprevisível, não
Os jornais do mundo, com grande destaque para a malfadada imprensa brasileira, anunciaram que
os pacotes de ajuda aos bancos, trilhões de dólares, seriam capazes de
amainar a crise. Informaram, maliciosamente, que não se trata de crise
econômica geral, mas de uma
“mera crise financeira”.
O que derrubou as bolsas vertiginosamente nesta semana, deveriam ter explicado ao País, não tem
remédio. A economia ingressou,
como era muito previsível, em uma
recessão geral. Poderá, inclusive,
ser a primeira recessão verdadeiramente mundial da história do capitalismo.
Também aí a desinformação impera. A recessão tende a ser muito
mais profunda do que apregoa a imprensa capitalista e tende, de fato,
para uma depressão econômica
global.
Fica claro que a farta distribuição de dinheiro aos bancos só
serviu mesmo para aliviar os banqueiros, não para estabilizar nada.
Isto foi feito conscientemente.
O que está em pauta, na forma de
uma imensa catástrofe econômica
(há quem sempre diga que não devemos falar em catástrofe, que temos que ser realistas...), nada mais
é que uma manifestação ou, se quisermos, uma nova etapa da crise
histórica do capitalismo.
Neste momento, todas as medidas tomadas para tentar conter a
crise que se estabeleceu nos anos
70 se voltam contra os feiticeiros internacionais da economia que agitam, impotentes, as suas varinhas
de condão.
A imensa bolha financeira especulativa se desfez e arrasta a economia com ela. A crise de superprodução se impõe e todo o dinheiro fictício tende à sua realização com não
dinheiro.
A crise é também política. O imperialismo perdeu o controle das
suas aventuras, que já eram um sinal claro da crise, no Iraque e no Afeganistão. O enfraquecimento do
capitalismo levará a um enfraquecimento geral da dominação imperialista e a situações revolucionárias
por todos os lados.
A recessão geral de 1974, muito
menor que a atual, produziu Portugal, Nicarágua, Irã, El Salvador,
Polônia etc. e abalou os regimes
políticos capitalistas e da burocracia stalinista no mundo todo.
A crise é também ideológica. Os
que cantaram a queda do Muro de
Berlim como se fosse o final do comunismo, agora choram neste segundo muro das lamentações que é
o muro da rua em Nova Iorque.
Agora, é preciso dizê-lo claramente, é a hora do comunismo, recém ressuscitado do seu túmulo
fictício. É a hora da luta de classes
em grande escala.
Sobre todas estas questões é necessário à esquerda revolucionária
proletária e às massas realizar um
profundo balanço e traçar uma perspectiva de longo alcance. É preciso
lutar pela independência da classe
operária diante da burguesia e dos
traidores das frentes populares ao
estilo do PT, um dos maiores obstáculos na etapa que se fecha e base
para a sustentação da orgia financeira que agora se transformou em
pesadelo capitalista.
O capitalismo tornou-se do dia
para a noite de uma miragem de
grande progresso, um peso insustentável para todo o mundo. É preciso mobilizar, em torno a um programa revolucionário socialista, as forças da classe operária e dos povos
oprimidos para um grande enfrentamento político. Esta é a perspectiva
aberta para toda a próxima etapa.
CAUSA OPERÁRIA
19 DE OUTUBRO DE 2008
DENGUE
O País infectado
Enquanto os sucessivos governos burgueses não fizeram
mais que investir para salvar lucros dos bancos e
empresários, volta-se o ponteiro da história: 64% das
cidades têm epidemia da dengue
As notícias sobre a dengue,
um enorme mal no País que
afeta milhões de pessoas, foram extirpadas dos jornais no
último período, mesmo não
tendo sido sanada a crise epidêmica do início do ano. Na
realidade, esta crise nunca esteve tão grave como agora.
Um anúncio do próprio Ministério da Saúde desta segunda-feira revelou que nada menos que 3.500 municípios brasileiros de um total de 5.564,
ou seja 63,9%, estão infestados pela dengue.
As notícias e balanços sobre o fato foram amenizados
em meio às eleições e à crise
financeira, mas a notícia para
a qual foi dado pouquíssimo
destaque pela imprensa burguesa foi anunciada com muita
O anúncio feito pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão, foi acompanhado de um
suposto pacote emergencial,
que nada mais é que um engodo para não resolver a crise.
Este anunciou que haverá um
aumento para a prevenção da
dengue em apenas R$ 128 milhões (R$ 40 milhões em publicidade) para os mais de 3.500
municípios, dentre os quais
estão capitais dos estados mais
infectados e outras grandes
cidades (Baixada Santista,
Campinas, Ceará, Sergipe,
Rio, Amazonas, Pará, Pernambuco, Bahia, Rio Grande do
Norte, Alagoas, Minas, Goiás.
Baixada Santista e Rondônia),
ou seja, uma esmola para uma
política de aparências diante do
que é provavelmente a maior
muito mais em propaganda
para amenizar a crise política
do governo, mas não para remediar a profunda crise de
Saúde.
Para se ter uma idéia do que
significam os R$ 128 milhões,
só os gastos do governo do
Rio de Janeiro com a dengue,
previstos para este ano eram de
R$ 20 milhões (dos quais a prefeitura de César Maia gastou
cerca deR$ 704 mil até o final
de março, 3,5% do previsto
total e 14% do previsto para o
período).
O resultado disto foi que de
janeiro a agosto deste ano, o
número de casos da doença foi
42,7% maior do que no mesmo período de 2007.
Enquanto isso, os
governos
carrascos do povo
tiram bilhões da
população para
dar aos
banqueiros
Nos três primeiros anos do
mandato de Lula foi diminuída a verba calculada em relação ao PIB
(Produto Interno Bruto)
destinada para
a saúde, para
1,60%.
O governo
de Sérgio Cabral (PMDB),
entre 2003 e
2006 reduziu
em cerca de 20
milhões o investimento e
logo em seguida ocorreu
uma crise epidêmica
de
3.500 municípios brasileiros de um total de 5.564, ou seja 63,9%, estão
grandes proinfestados pela dengue.
porções no Rio
de Janeiro que
naturalidade pelo Ministério da epidemia da história do país, e se espalhou por todo o País.
Em abril deste ano, a epideSaúde nesta segunda.
uma verba que será usada
MORTE SEVERINA
Mortalidade infantil no
Nordeste é a maior do País
O sucateamento do Sistema
Único de Saúde (SUS) realizado
por inúmeros governos da burguesia, impõe à população do
Nordeste, região mais pobre do
país, um massacre silencioso de
crianças. Imortais são as palavras
do poema Morte e Vida Severina
de João Cabral de Mello Neto, que
descreve a miséria do nordestino,
“é que a morte severina ataca em
qualquer idade, e até gente não
nascida”.
Em conseqüência da aniquilação da saúde pública as crianças
nascem (ou morrem!) em situação precária, devido a inúmeros
problemas ocasionados pela falta de assistência como pré-natal.
Segundo dados da Organização
Mundial da Saúde (OMS), no
Brasil, cerca de 50% das mulheres não têm acompanhamento
médico na hora do parto e 30%
sequer fazem exame pré-natal.
De acordo com o relatório da
Unicef, a região Nordeste tem a
maior taxa de mortalidade infantil
do País. Na região a taxa de mortalidade infantil é quase 50% mais
alta que a média nacional, uma vez
que a média do País é de 21,2
crianças que morrem para cada mil
nascidos vivos, e no nordeste esse rendimento familiar mensal de até
número sobe para 31,6 mortes. ¼ de salário mínimo per capita.
Apesar da gritante média nordes- Os dados da PNAD 2007 mostina, essa expectativa pode ser bem tram que quanto mais nova a crimaior. Cícera Moura, superviso- ança, maior a probabilidade de
ra do Núcleo
de Informação
e Análise em
Saúde da Sesa,
declarou que
“temos 80% de
cobertura de
investigação de
óbitos e de nascidos vivos”
(Diário do Nordeste Online,
13/10/2008).
Vários estados do Nordeste ocupam
as primeiras
posições do
Na região Nordeste a taxa de mortalidade
ranking de
infantil é quase 50% mais alta que a média
mortalidade nacional, uma vez que a média do País é de
infantil. Se21,2 crianças que morrem para cada mil.
gundo os dados publicados pelo IBGE (Ins- estar em situação mais vulnerátituto Brasileiro de Geografia e vel, qualquer que seja a região do
Estatísticas), na sua Síntese de País. O Nordeste (51,6% da poIndicadores Sociais – 2007, “No pulação total) é a região que reNordeste, 39,2% das crianças conhecidamente apresenta o
menores de 6 anos vivem com maior percentual de pessoas
mia de dengue avançou em vários estados do País e em mais
de 30 cidades os casos chegaram a ser considerados de calamidade pública.
No Rio de Janeiro, se concentrou 40% dos casos, e foram confirmadas até abril 92
mortes e 110.783 casos, sendo 67 mortes apenas na capital, onde ocorreram 59.044 de
casos.
Os dois governos foram os
principais responsáveis pelo
alastramento da epidemia que
teve como epicentro o Rio de
Janeiro no início deste ano e
que agora toma ainda maiores
proporções.
O completo descaso com
uma epidemia gravíssima é ditado agora ainda mais pela política do governo Lula diante
da crise econômica.
Ao passo que no País os
bancos nunca lucraram tanto
em toda história do País quanto no governo Lula, este acaba
de aprovar um pacote que em
algumas semanas de crise é
centenas de vezes maior que a
verba que vai ser destinada ao
combate à dengue, para beneficiar um punhado de banqueiros, enquanto milhões de pessoas sofrem com a crise da
dengue no país. O governo
Lula, no último dia 12, pouco
depois de considerar que o
País não seria afetado pela
crise, injetou nos cofres dos
bancos nada menos que R$ 75
bilhões, isso no setor que mais
lucrou no governo Lula
De 2003 a 2007, os lucros
dos bancos no Brasil aumentaram mais de 90%, passando de
R$ 1,332 trilhões para R$
2,559 trilhões.
O governo Lula, para facilitar o repasse de verbas públicas para os bancos, na última
semana assinou a Medida Provisória (MP) nº 442 autorizando e dando autonomia para o
Conselho Monetário Nacional
(CMN) do Banco Central para
comprar papéis de empresas e
com rendimento familiar mensal
de até ½ salário mínimo per
capita. Quando se destaca apenas a população jovem da região
(de 0 a 17 anos), o percentual
nessa faixa de rendimento de até
½ salário mínimo (SM) per capita passa para 68,1%. Destes,
36,9% viviam com somente até
¼ de salário mínimo de rendimento familiar. Entre as crianças
menores de seis anos do Nordeste, o percentual das que viviam
com até ¼ de salário mínimo de
rendimento familiar é ainda mais
expressivo: 39,2%” (sitío do
IBGE, Síntese de Indicadores
Sociais – 2008).
Alagoas (51,9‰) e Maranhão
(40,7‰) continuam com as maiores taxas de mortalidade infantil, a Paraíba ocupa a terceira
posição.
A alta taxa de mortalidade infantil no Nordeste, e no País de
forma geral, demonstra para a
classe trabalhadora que a única
saída é se opor ao sucateamento
da saúde pública lutando pela
estatização da saúde. Esta luta
deve ser travada contra os responsáveis pela privatização e o sucateamento do SUS, ou seja, contra
o governo burguês, onde os interesse vitais da maioria da população, como o direito à própria vida
(!) não tem a menor relevância, já
que o governo Lula distribuía o
dinheiro da saúde e de outros
serviços essenciais para salvar os
banqueiros.
POLÍTICA
bancos em crise.
O dinheiro do Tesouro do
País, usado na crise, assim
como do BNDES e Banco Central é dinheiro público.
Esta política é diretamente
a maior responsável pela imensa crise dos serviços públicos
do País, a política de roubo da
população para dar aos banqueiros, colocando o governo
quase a serviço direto e Executivo dos bancos.
Todas as declarações do
governo de que não há verba
para investir em Saúde, educa-
5
ção, saneamento, ou seja, serviços básicos à população cai
por terra com a intervenção estatal bilionária, que expõe ainda mais a política criminosa
deste governo.
Deve partir daí uma grande
campanha da população apoiada em suas entidades, sindicatos e entre os estudantes pelo investimento público para resolução dos problemas e atendimento das necessidades da população e pelo fim do repasse de
verbas para salvar os parasitas
nacionais e estrangeiros.
DENGUE
Epidemia em Campinas
Os milhões de brasileiros,
que dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde
(SUS), pagam caro pela política do regime burguês de
aniquilação deste serviço. A
população sofre com a epidemia da dengue que atinge cerca de 64% das cidades. Segundo o ministério da Saúde o
número de vítimas de dengue
subiu 42,7% neste ano, pulando de 514.598 casos em 2007
para 734.384.
Na região do Nordeste,
mais pobre do País, a maioria
dos estados sofre com a epidemia, sendo o principal foco
da epidemia em todo o País Os
estados de Alagoas, Bahia,
Ceará, Sergipe. Rio Grande do
Norte. A epidemia também
está presente nos estados do
Espírito Santo, Goiás, Minas
Gerais, Pará, Rio de Janeiro e
Rondônia.
No estado de São Paulo,
Campinas, segunda maior cidade do Estado, é a principal
cidade ameaçada pela epidemia. Segundo a Secretaria de
Municipal de Saúde, de janeiro a julho de 2007, Campinas
notificou 18.569 casos de
dengue. Deste total, foram
confirmados 4.300, sendo
3.549 de residentes de Campinas, 579 de moradores de
outros municípios e 172 casos
estão em investigação quanto
ao local de moradia. O coeficiente de incidência é de 335
casos para cada grupo de 100
mil habitantes. A epidemia da
dengue é o resultado da falta de
serviços essenciais, pois a
cada ano a dengue vem se alastrando. De 1998 para 2007, os
casos de dengue pularam de
1.395 por ano para 8.227.
A epidemia demonstra a situação de calamidade pública
enfrentada dia-a-dia pela maioria esmagadora da população
que necessita do semi-destruído Sistema Único de Saúde. A
dengue assim como a malária,
mortalidade infantil, falta de
leitos, entre tantos outros problemas enfrentados pelos que
necessitam da saúde pública é
o resultado da política dos
governos burgueses de cortes
de verbas, privatizações, que à
custa da morte da população
distribui as verbas da saúde do
povo para os empresários donos de hospitais privados e
para salvar a saúde do sistema
financeiro que está na UTI.
MIGALHAS PARA A REFORMA
AGRÁRIA
Governo que dá bilhões
para banqueiros acena com
esmola para os sem terra
Para fingir que combate a
crise ambiental, o INCRA lança projetos ambientais em assentamentos rurais do Estado
de Sergipe, investindo o montante irrisório de 310 mil para
auxiliar mais de 700 famílias
em 20 assentamentos da região, ou seja, menos de R$ 400
reais por família.
O Projeto “inovador” financiado pelo INCRA (Instituto
Nacional de Colonização e
Reforma Agrária) e coordenado pela Embrapa Tabuleiros
Costeiros (Aracaju – SE), tem
como discurso promover o
desenvolvimento sustentável
implantando unidades de experimentação agroecológica em
assentamentos rurais do Estado de Sergipe
Projetos como esse têm sido
implementados em assentamentos da reforma agrária em
diversos estados brasileiros
numa clara política de acobertar os verdadeiros desmatadores e são reflexos da pressão
ambiental imposta pelo governo que, para defender os latifundiários, culpa a reforma
agrária pelo desmatamento de
área de floresta e degradação
ambiental.
Dessa forma, o governo faz
demagogia dizendo que estimula a produção dos assentamentos sem destruir o ambiente, enquanto assenta pessoas
em áreas de florestas, nas piores terras e longe de cidades
acarretando diversos problemas aos assentados e inflando
os números da reforma agrária.
Enquanto isso, Lula doa
bilhões aos banqueiros, privatiza a floresta amazônica e legaliza terras dos latifundiários.
Isso tudo com a conivência da
direção corrupta e atrelada ao
governo do MST, que muitas
vezes está ligada a projetos que
fazem demagogia ambiental.
Os sem-terra devem passar
por cima de suas direções
pelegas e atreladas ao governo Lula e se mobilizarem para
assegurar suas conquistas e
garantir recursos para produção e não apenas fazer propaganda ambiental enquanto os
verdadeiros parasitas dos trabalhadores sugam dinheiro
para manter seus privilégios.
SÃO PAULO
SEM-TETOS
2.322 famílias são
despejadas no Maranhão
O defensor público do estado do Maranhão e também responsável pelo Núcleo de Moradia e Defesa Fundiária da
Defensoria Pública do Estado,
Alberto Guilherme Tavares de
Araújo e Silva, elaborou um
relatório sobre os despejos realizados na Grande São Luís.
O documento também trata da
omissão do Estado diante das
atrocidades cometidas contra
as famílias pobres sem-teto,
alvo da violência por parte da
PM e dos governos durante a
ação de despejo.
O relatório teve como base
de pesquisa as matérias publicadas nos jornais e apurou que
entre maio de 2007 e setembro
de 2008, cerca de 11 despejos
em massa foram realizados
nos municípios de São Luís,
São José de Ribamar e Paço de
Lumiar. Segundo os dados
apresentados no documento
no período de um ano mais de
2.322 famílias foram atingidas, ou seja, mais de nove mil
pessoas, se levar em consideração a estrutura básica familiar de quatro pessoas.
De acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto Getúlio Vargas, o Maranhão se
encontra no quinto lugar do
ranking de déficit em habitação
no País. Segundo o defensor
Alberto Tavares o objetivo do
documento “é chamar a atenção da sociedade e do poder
público sobre os direitos constitucionais desta população carente de moradia, previsto na
Constituição Brasileira, no Estatuto das Cidades (Lei n°
10.257/2001) e nas normas
internacionais dos Direitos
Humanos do Comitê dos Direitos, Econômicos, Sociais e
Culturais da ONU, que afirma
que os despejos não devem
levar as pessoas a ficar sem
abrigo nem torná-las vulnerável à violação de outros direitos humanos, como também o
governo deverá tomar todas as
medidas apropriadas para assegurar habitação alternativa,
reinstalação ou acesso a terrenos produtivos, conforme o
caso” (Jornal Pequeno, 12/10/
2008). “E o governo, tanto federal, estadual, como municipal são responsáveis em garantir programas de habitação à
população de baixa renda. Tem
casos em que a própria União
é a responsável pela execução
do despejo, quem deveria está
garantindo o direito à habitação, como foi o caso da desocupação do Recanto do Cohafuma, em agosto deste ano”,
acrescentou o defensor público (Idem).
O relatório foi enviado para
o UN-Habitar – Programa das
Nações Unidas para Assentamentos Humanos; Ministério
das Cidades; Secretaria Especial de Direitos Humanos da
Presidência da República; Secretaria de Estado de Infra-Estrutura e Cidades; Secretaria
de Estados dos Direitos Humanos e Tribunal de Justiça do
Estado do Maranhão, a fim de
chamar a atenção do poder
público diante do caos promovido pelos governos.
Os despejos forçados foram
autorizados e executados durante o assassino e corrupto
governo de Jackson Lago
(PDT), que na mesma época
em que promovia os despejos
fechava acordo de exploração
de petróleo e gás natural do
Maranhão, na Bacia de Barreirinhas com o presidente da
Devon Energy, Companhia Internacional de Exploração e
Produção de Petróleo, Murilo
Marroquim, além de promover
uma série de ataques contra os
trabalhadores e sem-terras,
uma prática já corriqueira entre os governos burgueses que
visa beneficiar apenas as grandes construtoras e os especuladores de terra.
População se revolta por falta
de água na favela Real Parque
das vias da Marginal, ateando
fogo em objetos. O protesto, que
se iniciou às 19 horas,
apesar da presença da polícia, só terminou com a
chegada de técnicos da
Sabesp por volta das 22
horas, que alegaram não
ter conhecimento da falta
de água da região.
Manifestações espontâneas como essas vêm
Os moradores, revoltados com a
sendo cada vez mais cosituação, bloquearam uma das vias muns em bairros populada Marginal.
res, aonde a situação da
população
é mais prejudicada
da-feira (13), moradores da
favela Real Parque, zona sul de com a falta de serviços públicos,
São Paulo, fecharam uma das arrocho salarial, alto impostos e
pistas da Marginal Pinheiros para grandes repressão por parte da
protestar contra o total descaso polícia. As manifestações de cada Sabesp. Os moradores estão ráter espontâneo que estão
sem água há alguns dias depois acontecendo são cada vez maique uma obra para a instalação ores em todo o Paíse são um
de um poste deixou três quartei- prenúncio de grandes mobilizarões da favela completamente ções do conjunto do proletariado contra a burguesia que cosem água.
Os moradores, revoltados meça a surgir em escala naciocom a situação, bloquearam uma nal.
Em uma manifestação espontânea ocorrida nesta segun-
CAUSA OPERÁRIA
19 DE OUTUBRO DE 2008
STF
Juízes acusados de impedir
investigações a telefônicas
O presidente da CPI dos grampos acusou o STF,
principalmente Cezar Peluso de aceitar uma liminar
para impedir as operadoras de enviar informações sobre
as escutas telefônicas ao órgão
Em meio à CPI dos Grampos, que trata das escutas telefônicas feitas clandestinamente pela Abin (Agência Brasileira
de Inteligência) e pela Polícia
Federal com o que ficou evidente há alguns meses atrás a ajuda
das empresas de telefonia privadas, os próprios membros da
CPI acusam-se por encobrir
estes fatos.
O presidente da comissão,
Marcelo Itagiba (PMDB-RJ),
acusou o STF (Supremo Tribunal Federal), do qual o próprio
presidente, Gilmar Mendes, teria sofrido escutas há mais de um
mês, de encobrir e dar aval para
que as empresas de telefonia não
repassem dados sobre as escutas e principalmente dos pedidos
de escutas feitos pela Justiça.
O ministro do STF aceitou
liminar das operadoras de telefone que não necessitarão mais
passar os números dos ofícios
das autorizações judiciais que
permitiram e prorrogaram as
interceptações telefônicas para
a Comissão Parlamentar de Inquérito.
“O Supremo [está cerceando] com decisões que invadem
as atribuições do Congresso
Nacional (...)No Brasil, existem
três Poderes, cada um com a
sua competência e atribuição.
Uma Comissão Parlamentar de
Inquérito nada mais é que o Congresso em investigação, que tem
as suas diretrizes estampadas
as próprias contradições internas e expõe o funcionamento do
Estado. O STF tem tomado
cada vez mais as funções do
Congresso Nacional, especialmente no que concerne a dar
privilégio aos maiores criminosos, como os banqueiros e parlamentares, e também para legislar, especialmente nos casos
A burguesia, que sempre apoiou os métodos para
estabelecer um controle cada vez maior sobre a população,
acirra as próprias contradições internas e expõe o
funcionamento do Estado.
constitucionalmente. A partir do
momento que um outro poder
interfere, impedindo o exercício
pleno, desde que não haja violação dos direitos individuais, é um
cerceamento da atividade do
Congresso”
declarou
Itagiba(Terra, 14/10/2008).
A burguesia, que sempre
apoiou os métodos para estabelecer um controle cada vez
maior sobre a população, acirra
mais estratégicos contra a população. Tal fato mostra a farsa da democracia brasileira,
uma vez que os juízes, que fazem as vezes do Congresso,
sequer são eleitos, mas indicados pelo próprio governo, ao
qual servem de auxiliar.
A CPI, da qual participam os
próprios parlamentares que são
acusados de promover as escutas, tem a função de encobrir os
MANAUS
De uma vez todos os vereadores
são acusados de corrupção
Mais um escândalo de corrupção envolvendo parlamentares estourou hoje em um estado brasileiro, no qual foi
comprovado o envolvimento
de todos os vereadores. O escândalo desta vez ocorreu em
Manaus.
Estes são acusados pelo
Ministério Público de em 14
meses terem desviado mais de
R$ 1 milhão de auxílio-educação que recebem, para 143
pessoas, parentes e funcionários.
O auxílio aprovado por projeto-de-lei em 19 de março de
2007 já era criminoso, concedendo R$ 3.000 por mês para
cada gabinete de vereadores,
para auxiliar no pagamento de
universidades para os vereadores.
Os gastos, que constaram
Os escândalos de corrupção deste tipo mostram uma
completa desagregação do regime político.
no relatório do Ministério Público mostram que os vereadores usaram a verba em universidades particulares para
funcionários e parentes, fraldas descartáveis e chocolates,
para transporte de estudantes
e para assinatura de provedores de internet.
Um caso mostra o absurdo
do repasse de verbas para parentes, o do vereador Fran-
CENSURA
TRE do Rio cassa liberdade de
expressão e impede
panfletagem nas eleições
a de que os panfletos continham acusações contra o candidato do PV, já que mencionava o candidato como preconceituoso
com os moradores das favelas, fazendo
uma referência
ao episódio
onde Gabeira
afirmou que a
vereadora Lucinha (PSDB)
era uma “analfabeta política”
e criticava sua
política de implantação do
Lixão de Paciência dizendo
que se tratava
de uma “visão
suburbana”.
O que está
em jogo não
são as supostas
Esse tipo de proibição é um primeiro passo para a censura total e completa das acusações feimanifestações da população, em especial dos trabalhadores, como já ocorre. tas nos panfletos, tão pouco
(16) na zona norte da capital,
Além do material, o TRE se eles fazem a defesa de qualcerca de seis mil panfletos de mandou prender as quatro pes- quer que seja o candidato, e
propaganda contra o candida- soas que estavam na Kombi. sim a censura que tanto o TRE
to do PV, Fernando Gabeira. Os panfletos tinham a assina- quanto o TSE vêm implantanO material foi encontrado den- tura da Associação dos Mora- do durante as eleições, proitro de uma Kombi junto com dores do Morro São José da bindo desde a distribuição
mais três mil panfletos de cam- Pedra, em Madureira. A des- material de propaganda e impanha do também candidato culpa dada pelo TRE para fa- pedindo o debate durante as
Eduardo Paes (PMDB) e da zer a apreensão do material era eleições, como por exemplo
Em mais um ato de censura, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio de Janeiro
apreendeu nessa quinta-feira
vereadora eleita Clarisse Matheuse (PMDB) além de 30 faixas com o conteúdo: “Sou suburbano com muito orgulho”.
fatos e colocar estes sob controle dos principais interessados.
O mesmo presidente da CPI
dos Grampos, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), que criticou o STF esta semana, teria
recebido R$ 10 mil nas eleições
de 2006 de Dório Ferman, sócio
de Daniel Dantas, um dos donos
da Brasil Telecom, acusado
como um dos financiadores de
uma empresa norte-americana,
a Kroll, para fazer trabalho de
escutas clandestinas de seus
adversários no setor de telefonia.
Este respondeu à imprensa
admitindo o fato, na tentativa de
acobertar que é apoiado pelo grupo de Daniel Dantas, homem do
esquema corrupto do banco
Opportunitty. “Não estabeleci
nenhuma relação de amizade com
Ferman (...) Se eu recebi e estou
investigando isto demonstra a
minha isenção (...) A doação foi
há dois anos atrás e não existia
nenhum procedimento contra
essa pessoa. A doação quer apenas dizer que a pessoa acredita no
meu trabalho” (Jornal do Brasil,
8/8/2008), disse em uma manifestação de cinismo sem precedentes há dois meses.
Foi divulgado pela própria
CPI, em agosto deste ano, que
64 mil pessoas foram gravadas
pela PF apenas em 2007. Segundo outro dado, divulgado pelas
empresas de telefonia, de janeiro a dezembro de 2007, a PF
teria 409 mil grampos autorizados em todo o País, uma verdadeira indústria do grampo.
As empresas de telefonia atuavam conjuntamente com esta
máfia e agora recebem o aval do
mais alto escalão da Justiça brasileira para cercear ainda mais a
liberdade individual e promover
a quebra de sigilo da população.
cisco Nascimento Gomes
(PMN), que deu R$ 27 mil
para que os filhos pagassem
um curso de medicina em uma
universidade particular.
Como 2º secretário da Mesa
Diretora seu salário já é de R$
15 mil.
Dos 37 vereadores, 17 já foram reeleitos nestas eleições
municipais.
Tal nível de escândalo havia
atingido na última vez todos os
parlamentares em um estado
vizinho, Rondônia, em 2005.
Dos 24 deputados estaduais,
23 foram envolvidos em desvios de vencimento de funcionários do governo, muitos
deles fantasmas.
Os escândalos de corrupção
deste tipo mostram uma completa desagregação do regime
político nos estados do norte do
País, provando que as eleições
são dominadas pelos corruptos
para que se reelejam e perpetuem seu domínio da máquina
pública apesar da aberta desmoralização do Estado, que é
conhecida de todos.
impondo restrições ao que os
candidatos podem falar no programa de televisão e rádio e
tentando impedir a campanha
pela internet. O objetivo é impedir o debate político entre a
população, para que tudo continue como está, objetivo alcançado nestas eleições, que
teve o mais alto índice de reeleição de candidatos desde o
fim da ditadura militar.
Essa proibição não foi a primeira exercida pelo TRE no
Rio. Já no primeiro turno, o Tribunal fez um recolhimento
geral de materiais eleitorais nas
favelas, desta vez com a alegação de impedir o curral eleitoral do tráfico, que se revelou
agora como mero pretexto para
proibir toda e qualquer discussão.
Enquanto os grandes monopólios, como as emissoras de
televisão e de rádio, trataram de
suprimir por sua própria conta
o debate, excluindo deliberadamente de sua programação o
tribunal se encarregou de censurar os candidatos dos partidos menores, na internet, que
é um meio mais democrático,
onde se pode livremente e quase sem custo fazer uma boa
propaganda e travar um debate.
Esse tipo de proibição é um
primeiro passo para a censura
total e completa das manifestações da população, em especial dos trabalhadores, como já
ocorre. A justiça utiliza do mesmo argumento para impedir a
mobilização e organização da
população explorada diante dos
ataques dos governos burgueses, a quem a justiça está a serviço. Por isso, toda e qualquer
proibição deve ser repudiada
pelos trabalhadores e pela população de um modo geral.
POLÍTICA
6
NORTE
As oligarquias se
reelegem
Confirmando o imobilismo
que marcou esse processo eleitoral, o Norte do país foi onde
mais as oligarquias locais se
beneficiaram do esquema antidemocrático das eleições.
Em Macapá, Boa Vista,
Porto Velho e Rio Branco, os
principais candidatos na disputa eram aliados dos senadores
José Sarney (PMDB-AP),
Tião Viana (PT-AC) e Romero Jucá (PMDB-RR).
Na capital do Amapá, o segundo turno será entre Camilo Capiberibe (PSB), em aliança com o Psol, que é vice na
chapa, e Roberto Goes (PDT);
em Manaus, disputam o exgovernador Amazonino Mendes (PTB) e o prefeito Serafim
Corrêa (PSB).
Na capital do Acre, o prefeito Raimundo Angelim (PT) é
o herdeiro político do senador
Tião Viana e seu irmão, o exgovernador Jorge Viana. A família Viana por sua vez controla politicamente o estado há
mais de vinte anos, desde os
tempos da Arena e PDS.
No estado, o PT representa
a oligarquia. Elegeu 17 dos 22
prefeitos, perdendo apenas na
cidade Cruzeiro do Sul, segundo maior colégio eleitoral, para
o PMDB. Aliás, o PT possibilitou que o PMDB ganhasse em
outras três prefeituras, o que
não acontecia há muito tempo.
O monopólio eleitoral do PT
e seus aliados se estendeu a
Rondônia, onde a família Viana investe para capitanear o
próximo governo do Acre. O
escolhido foi o petista Roberto Sobrinho, que foi eleito em
2004, e agora reeleito para a
prefeitura de Porto Velho.
Na capital onde o Psol se
aliou aos caciques e concorre
ao segundo turno com o PSB,
a disputa está entre o candidato de Sarney, Roberto Góes
(PDT), e Camilo Capiberibe,
afilhado e parente do ex-senador e ex-governador José Capiberibe.
Em Manaus, Amazonino
Mendes foi para o segundo turno com o atual prefeito Serafim
Corrêa. Amazonino foi governador do estado, além de prefeito da capital por duas vezes
e senador por um mandato.
As alianças que se firmaram
no norte não foram muito diferentes das do resto do País,
inclusive repetindo acordos
entre antigos “adversários”.
Foi assim que o atual prefeito
de Boa Vista, Iradilson Sampaio (PSB) conseguiu se reeleger. Os caciques do PMDB
na região, como o senador
Romero Jucá (PMDB-RR), os
ex-governadores Neudo Campos e Flamarion Portela, além
de cinco dos oito representantes do estado na Câmara dos
Deputados, apoiaram a candidatura de Sampaio.
FARSA ELEITORAL
Prefeito reeleito despejou
mil títulos falsos nas
eleições
A falsificação de cerca de
mil títulos eleitorais demonstram que as eleições burguesas são uma farsa, sem qualquer controle da população,
organizadas para conter a
crise política do regime
A operação batizada de
Voto Nulo, realizada pela Polícia Federal prendeu sete
pessoas envolvidas no esquema de compra de votos,
que envolvia a Justiça eleitoral e a própria prefeitura. Na
lista dos presos consta o
nome do prefeito reeleito da
cidade de Porto de Pedras
(AL), Rogério Farias; o vereador do município, Oseas
Mendes e o juiz eleitoral da cidade, Rivoldo Sarmento.
O juiz é acusado de fornecer os dados eleitorais para a
confecção de títulos e documentos de identidade falsificados. A investigação partiu
da prisão de dez pessoas, que
estavam com títulos eleitorais e carteiras de identidades
falsas.
Está claro para a população que as eleições são uma
farsa. O entrelaçamento da
máquina administrativa e a
justiça deixam claro que o
circo eleitoral é armado para
manter no poder a burguesia
e seus partidos, que se revezam.
Ao passo que a burguesia
desfruta da proteção da justiça eleitoral, o Partido da
Causa Operária foi alvo de
intensos ataques, sendo duramente perseguido. Em
São Paulo, por exemplo, a
justiça eleitoral reconheceu
inúmeros candidatos mafiosos e inimigos do povo como
Maluf, Marta Suplicy, Kassab e Alckmin e tentou impugnar a companheira Anaí
Caproni, candidata pelo partido à prefeitura da cidade de
São Paulo. O que está por
trás destes ataques? O fato
de o PCO apresentar nas
eleições um programa que
representa os interesses populares, dos trabalhadores e
dos demais setores oprimidos da sociedade, como a juventude, as mulheres e os
negros, sendo o único partido das eleições a defender
um programa socialista e
revolucionário.
A reeleição, a compra de
votos, falsificações de títulos,
entre outras maneiras de controle das eleições demonstram que a população não tem
nem a sombra de um poder de
decisão e controle sobre as
eleições, mas que esta é, ao
contrário, uma máquina que
funciona quase automaticamente na reeleição dos mesmos candidatos das forças
políticas tradicionais.
ALTA DOS ALIMENTOS
Protesto do MST
deixa Lula de fora
O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST),
realizou nesta sexta-feira
(17) uma série de protestos
pelo Dia Internacional em
Defesa da Soberania Alimentar. Os atos são encenações
de pura demagogia armadas
pela direção do MST, Via
Campesina e Assembléia
Popular, ditos como mobilizações de luta contra as grandes empresas como a WallMart, Bunge e Cargill como
responsáveis pelo aumento
dos preços dos alimentos,
através da especulação financeira. Outro ato ocorre no
município de São Mateus do
Sul, no Paraná, onde mulheres camponesas fecharam
cancelas do pedágio.
A melhor contribuição que
o MST poderia dar à luta conta a alta dos preços seria a luta
pela expropriação do latifúndio e a denúncia do governo
Lula (o qual ainda é apoiado
por grande parte do movimento), que é responsável
pela política de favorecimento do grande capital agrário,
banqueiros e outros especuladores.
Não se trata de fazer protestos que dêem visibilidade
ao movimento ou de encenar
uma mobilização, mas promover uma luta real no campo e na cidade. Neste sentido, o primeiro passo é justamente ter um programa. Os
camponeses devem lutar por
medidas como investimentos
na agricultura familiar e a realização de uma reforma agrária com expropriação do latifúndio sem indenização e
controle das agroindústrias
pelos próprios trabalhadores.
CAUSA OPERÁRIA
19 DE OUTUBRO DE 2008
GREVE DA POLÍCIA CIVIL
Governo Serra reprime
violentamente manifestação
A crise no interior do aparelho repressivo traz à tona
claramente a crise latente no Estado
A imprensa notificou espantada o primeiro conflito entre as
policias Militar e Civil, que estão em greve a mais de um mês
na cidade de São Paulo. O confronto aconteceu na ultima
quinta (16), próximo à sede do
governo do estado de São Paulo (Palácio dos Bandeirantes),
quando os policiais em greve
tentaram romper a barreira organizada pela PM para evitar que
os centenas de manifestantes
chegassem a sede do governo.
A repressão à manifestação por
reivindicações salariais acabou
com 26 feridos, entre policiais
civis, militares e trabalhadores.
Os policiais civis estavam
reunidos em frente ao estádio do
Morumbi. Por volta das 15h,
uma comissão formadas por 14
sindicalistas aguardavam um
representante do governo de
José Serra (PSDB) para negociar. Impacientes com o descaso do governo, os policiais civis se dirigiram à barreira da PM,
formada por três cordões de
isolamento que contava com
policiais civis, 40 carros e 50
motos do Garra, 30 carros do
GOE, em um contingente de
260 policiais. Nos outros dois
cordões estavam policiais militares da Tropa de Choque, da
Cavalaria e da Força Tática.
A tentativa de chegar ao Pa-
lácio dos Bandeirantes foi reprimida duramente pela policia militar, que investiu contra os manifestantes atirando, como tradicionalmente fazem nas manifestações da população, com
bombas de gás lacrimogêneo e
ram-se por vota das 17h, mas a
situação permaneceu tensa. Os
policiais civis gritavam “vendidos”, “pelegos” e “puxa-saco
do governo”. Por volta das 18h,
outro conflito estourou, quando um primeiro-tenente da PM
tentou passar pelos manifestantes. Os manifestantes deixarem
a região por volta das 20h10. O
saldo da repressão da PM foram
A repressão à manifestação por reivindicações salariais acabou
com 26 feridos, entre policiais civis, militares e trabalhadores.
realizando disparos de armas de
fogo e de balas de borracha. Os
policiais civis reagiram e as ruas
de São Paulo viraram um cenário de uma guerra civil, como
relata Mariza Cunha, carcereira
em Ribeirão Preto, “de repente
começaram a jogar bomba. Pensei que iria morrer”, (Folha de
São Paulo, 16/10/2008).
Os conflitos diretos encerra-
26 feridos, sendo dois trabalhadores do hospital que estavam
próximo ao local esperando ônibus, e um cinegrafista da Record. Os ferimentos eram diversos, alguns apresentavam queimaduras de primeiro e segundo
graus na mão, no rosto e no
abdome, fraturas expostas, ferimentos de pistolas e de borracha.
POLÍTICA
O governador do PSDB criticou a manifestação atrelando
esta a interesses eleitorais, desviando o foco da ação fascista
da PM, condenando a manifestação dos policiais civis. “O
momento político-eleitoral aparece como motor dessa manifestação. Na verdade, são ativistas sindicais e militantes políticos diretamente [envolvidos]”.
(...) “Com isso, quem perde é a
base -os policiais estão sendo
manobrados por lideranças sindicais que sequer repassam a
eles as informações corretas sobre o pacote de medidas proposto pelo governo” (...) (idem).
Kassab, candidato reeleição
pelo DEM, também se pronunciou atacando a manifestação
legitima por melhorias salariais.
“O movimento mistura reivindicações legítimas com o oportunismo de pessoas motivadas
pela política e pela eleição”
(idem).
É a clássica manobra da burguesia, agora utilizada contra os
elementos do próprio aparato
repressivo. Não há manifestação porque a política do governo é ruim. Todas as manifestações são interesses excusos. O
ex-exilado Serra copia servilmente os métodos da ditadura
militar.
Ao se posicionar a cerca dos
supostos policiais civis armados
Serra demagogicamente disse: “o
uso de armas não é permitido fora
do serviço estrito de defesa da
segurança da população. A arma
é entregue para defender a população contra o crime, não é para
pressionar por aumento. Eu defendo movimento reivindicatório, o direito de reivindicar. Agora, fazer a reivindicação armado
não tem cabimento.” (idem). Ao
contrário de toda campanha da
burguesia de que é necessário investir na segurança pública para
manter o cidadão bem protegido, a policia serve apenas aos interesses dos governos atuando
contra a população mais pobre.
Este é o verdadeiro significado da
campanha pelo desarmamento
da população, uma vez que esta
fica à mercê da repressão, sem
7
do Estado, aponta a uma investida da burguesia contra os direitos democráticos da população, de liberdade de manifestação e organização. Qualquer categoria que se levante contra a
arrocho salarial imposto pelos
governos patronais é duramente reprimida pela Policia Militar.
A burguesia procura a todo
A crise no interior do aparelho repressivo traz à tona
claramente a crise latente no Estado, que já veio à tona no
caso dos professores e, agora, com muito mais violência.
ter o direito a auto-defesa, como
nas favelas onde a policiais militares formam grupos de extermino para assassinar negros, torturar a população, ou ainda agem
sob a força da lei retirando camelôs das ruas, perseguindo perueiros, desalojando famílias semteto e sem-terra, assassinando
índios, reprimindo estudantes
ocupantes de reitorias, agindo violentamente a qualquer manifestação contra a opressão do governo burguês.
A repressão da Policia Militar à liberdade de manifestação
dos elementos do próprio aparelho repressivo do Estado capitalista revoltados com a crise
custo acabar de forma legal
com o direito de greve, mas
como não consegue, procura
acabar com a liberdade de organização pela força das armas.
Este é o fundamental papel do
aparelho repressor do Estado,
como podemos comprovar a
cada ação policial.
A crise no interior do aparelho repressivo traz à tona claramente a crise latente no Estado,
que já veio à tona no caso dos
professores e, agora, com muito mais violência. Com o agravamento da crise econômica,
esta crise deverá se ampliar em
uma crise generalizada do regime político burguês.
RIO
RIO DE JANEIRO
Lula intervém mais uma vez
em favor do PMDB
O ministro da Justiça, Tarso nistérios estão nas mãos de em governos direitistas como no
caso do Rio de Janeiro, goverGenro, gravou um depoimento PMDB.
Esta também é mais demons- nos de tipo policial.
no programa eleitoral do candiO governo Lula se apóia nos
dato à prefeitura do Rio de Ja- tração da preparação de um bloneiro, Eduardo Paes (PMDB), co suprapartidário advindo de coronéis do campo e da cidade,
sobre segurança e defendendo figuras dos vários partidos bur- tendo no Maranhão também
que este será o melhor governa- gueses, diversos blocos da bur- apoiado o clã dos Sarney.
Nas capitais, o
dor para o estado,
PMDB mostra um
para a qual o gocompleto enfraqueciverno e o Minismento dos partidos
tério da Justiça retradicionais, tendo
passariam versido rejeitado nas
bas.
principais capitais,
Além de defencomo São Paulo,
der o candidato de
mostrando como este
Cabral, governo
é um resquício do
dos recordes em
que era há cerca de 15
assassinatos nas
anos.
favelas do Rio,
No entanto, a doque chegou a quatro civis mortos Esta também é mais demonstração da preparação de um minação quase que
por policiais a cada bloco suprapartidário advindo de figuras dos vários partidos criminosa no Rio de
dia no último se- burgueses, diversos blocos da burguesia que são base de Janeiro das eleições
sustentação do governo Lula
com as milícias tenmestre, segundo
números da própria secretaria de guesia que são base de susten- tando estabelecer o voto de casegurança, a presença de Genro tação do governo Lula, especi- bresto, mostrou ser favorável
nas eleições é estrategicamente almente na direita, como no ao governo vigente, o que expõe
pensada pelo governo Lula. Esta caso do PSDB em Minas Ge- um controle da máquina pública criminosa a partir do mais
é a defesa do acordo com o go- rais.
O PMDB é o pilar deste blo- alto escalão do Estado. O goververno Cabral e com o PMDB,
principal partido da base do go- co, assim como o foi com todos no Lula já demonstra que irá
verno tanto nos municípios, os últimos governos, por ser o continuar apoiando o investicomo no parlamento, para a qual partido representante da bur- mento em maior repressão no
se vislumbra já as eleições de guesia tradicional que mais do- Rio para se reeleger sobre a base
2010, além de cargos dentro do mina a máquina pública a partir do massacre da população tragoverno. Hoje, cinco dos 11 mi- dos municípios, mas sobretudo balhadora.
SÓ NO SEGUNDO TURNO
TSE autoriza propagandas e opiniões
sobre candidatos na internet
A decisão atual do TSE, de
impor até o momento a restrição
a que sítios na internet pudessem
expressar qualquer opinião, seja
favorável ou contrária aos candidatos, impedindo qualquer discussão e impondo a lei da mordaça foi revogada.
Depois que um mandado de
segurança foi apresentado pelo
jornal O Estado de S. Paulo e pela
Agência Estado contra o impedimento da livre informação nas
eleições, o presidente do TSE,
Carlos Ayres Britto, retrocedeu
na medida. Este em sessão desta
quinta-feira (17) do tribunal, desconsiderou a lei 9.504, de 1997,
que equipara legalmente as empresas de internet às de rádio e TV,
que tinha sido usada complementando o artigo 21 da Resolução
22.718 do TSE que dizia que “as
disposições deste artigo [de proibição de propaganda] aplicam-se
às páginas mantidas pelas empresas de comunicação social na internet e demais redes destinadas
à prestação de serviços de telecomunicações de valor adicionado”.
Carlos Ayres Britto havia declarado dois dias antes de julga-
mento que “Ao contrário das
emissoras de rádio e televisão, a
imprensa escrita desfruta do mais
desembaraçado tratamento jurídico em tema de liberdade de
pensamento, de comunicação e de
informação. Daí não me parecer
constitucionalmente defensável
submetê-la à vedação do parágrafo quinto do artigo 21 da Resolução 22.718” (Agência Brasil, 15/
10/2008).
A medida adotada no primeiro
turno, de impedir qualquer sítio de
divulgar sua opinião, vigorando
mesmo em grande parte do 1º
turno que os próprios partidos
não poderiam ter em sua página
o apoio aos seus candidatos, fica
ainda mais clara agora como uma
tentativa de censura para impedir
o debate e a discussão política ou
mesmo a divulgação das propostas dos candidatos que, na situação de crise que vive o regime político, podem representar uma
ameaça, mesmo que secundária
ao fechado processo eleitoral.
Em agosto, em pleno primeiro
turno, o ministro do TSE, Joaquim Barbosa negou liminar do
portal iG de mesmo teor.
A decisão agora, em meio às
eleições do segundo turno, mostra que a intenção da burguesia era
de impedir qualquer debate igual,
especialmente nos meios de comunicação mais massivos como
a internet, de mais fácil acesso à
campanha do que a televisão ou
o rádio, completamente monopolizados.
O segundo turno é um retrato
do que pode haver de mais antidemocrático, uma vez que é a
imposição de dois candidatos da
preferência da burguesia no qual
a população é obrigada a votar,
mesmo já tendo votado no seu
candidato no primeiro turno. É
justamente aí que a justiça eleitoral procura que os candidatos e
seus partidos tenham mais espaço entre a população.
Ao contrário, no primeiro turno, os partidos que não dominam
a máquina pública são relegados
às piores condições possíveis de
concorrência (tempo escasso,
nenhuma verba do Estado, censura nos principais debates).
O TSE expõe a mancomunação de toda a justiça eleitoral com
os partidos burgueses.
Os dois candidatos da polícia e da
repressão fazem demagogia eleitoral
Em um debate eleitoral no
Rio promovido pela Folha de
S.Paulo, os candidatos Fernando Gabeira (PV) e Eduardo Paes (PMDB), na última
quinta-feira (17) no Cine
Odeon, centro da capital fluminense, declararam ambos já
terem fumado maconha, mas
que são contra a descriminalização das drogas.
A declaração foi feita para,
ao mesmo tempo fazer demagogia liberal com o eleitorado
e defender igualmente a repressão policial. Por um lado,
Paes afirma ter feito a experiência, mas diz que não simpatizou com a droga e que esta
tem que ser reprimida.
“Essa é a grande angústia
do carioca. Antes a polícia era
reguladora do tráfico. Com o
governador Sérgio Cabral isso
mudou. No meu governo eu
não vou empurrar essa obrigação de combate para o Estado” ( JB Online, 16/10/
2008)
“Fumei, traguei e não gostei (...) Vi pessoas próximas
a mim se perderem na droga.
A origem dessa violência
toda é a disputa pelo ponto de
venda de drogas. A apologia
é um mal” (Terra,16/10/
2008).
Já Gabeira, que foi um conhecido defensor da legalização das drogas, disse que apesar de ter mais experiência
com a droga, é contra a legalização: “Eu jamais deixarei de
respeitar as crenças religiosas
e a opinião da população. Eu
não fumo mais porque não é
aconselhável desrespeitar a
lei” (Terra,16/10/2008).
No dia 27 de agosto de
2008, em sabatina para a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Gabeira declarou:
“O foco agora não é legalização. Neste momento, eu
não seria a favor da legalização. Foi uma discussão um
pouco inútil, perdi energia. A
colocação do debate entre
legalizar ou não coloca os dois
lados numa posição insatisfatória. Sem uma polícia moderna, eficaz e honesta, você
não consegue nem reprimir
nem legalizar. A nova discussão que proponho é reformar
a polícia” (O Globo, 27/8/
2008).
Ambos os candidatos mostram que para governar o Rio
de Janeiro, cidade onde é mais
evidente a repressão policial
no País, é necessário estar totalmente alinhado com esta.
Gabeira nem sequer se esforça para fazer uma fachada
de esquerda quanto ao apoio
da polícia. Chegou a visitar no
dia 17 de julho as instalações
do Batalhão de Operações Especiais (Bope), uma das mais
odiadas facções policiais cariocas, na favela Tavares Bastos, na Zona Sul do Rio, para
elogiar a relação dos policiais
com os moradores. Gabeira
recebeu na ultima quinta (17)
apoio do Sindicato de Policiais Civis do Rio de Janeiro.
Estes declararam inclusive
que estão ajudando a reprimir
as panfletagens contra Gabeira.
“Nós, como policiais, somos agentes garantidores. Na
presença de uma infração pe-
nal somos obrigados a agir.
Nesse caso, existe uma colaboração do pessoal que está
apoiando a campanha para que
consigamos identificar as gráficas clandestinas, quem está
fazendo crime eleitoral e, se
flagrados, serão presos - afirmou um dos diretores do Sindpol, Francisco Chao” (O
Globo, 17/10/2008).
Os dois candidatos são a
mesmíssima coisa: ambos são
apoiados pela direita e pela polícia. Paes, do PMDB, é do
partido de Sérgio Cabral que
cometeu um recorde de assassinatos de civis do Rio de
Janeiro. Gabeira é apoiado
igualmente pela polícia, e ainda pelo DEM e o PSDB, que
na prefeitura da cidade atuam
conjuntamente com Cabral.
A defesa da não legalização
das drogas está profundamente ligada à necessidade
de manter o estado e o principal financiamento policial e
do tráfico, que têm um acordo em torno da venda de drogas.
A legalização significa que
as drogas não mais ficariam
nas mãos de um monopólio,
que por ser ilegal incentiva
uma rede de criminalidade e
violência, mas passariam a ser
controladas pelo Estado e tratadas como um problema de
saúde pública e não mais
como um crime, bem como
seus usuários, que receberiam
um tratamento adequado e
não seriam tratados igualmente como criminosos.
Isto está em completa oposição ao aparelho criminoso
que é o estado policial atual.
ALAGOAS
Juiz eleitoral é preso
Nestas eleições se reelegeram figuras das mais corruptas, acusadas de inúmeros
processos, mostrando que as
eleições são apenas uma maneira de permitir a permanência da burguesia, odiada pelo
povo, no poder, com a ilusão
de que se estaria mudando as
pessoas que controlam o Estado.
Este foi o caso da cidade
de Porto das Pedras (AL). Ali
foi reeleito nada menos que o
arqui-corrupto Rogério Farias (PTB), irmão de PC Farias, um dos maiores criminosos das contas públicas da
história do País, ex-tesoureiro da campanha presidencial
de Fernando Collor de Mello
e participante da quadrilha
dos anões do orçamento.
A reeleição de Farias só foi
possível graças ao fato de que
o juiz eleitoral de Porto de Pedras (AL), Rivoldo Costa Sarmento Júnior, recebeu propina no valor de R$ 80.000,00
mil reais.
Este foi preso em uma operação espalhafatosa da Polícia Federal, chamada de Operação Voto Nulo, organizada
também pelo Ministério Público Eleitoral e pela Justiça
Federal. Na operação, foram
cumpridos 20 mandatos de
prisão, incluindo de Rivoldo
e de Rogério Farias.
Estas operações servem
apenas para fazer uma fachada de justiça eleitoral, já que
em nenhum momento estes
criminosos permanecem na
cadeia.
A quadrilha, que incluía
secretários municipais e vereadores, falsificava votos
usando carteiras de identidade falsas, o que possibilitava que a mesma pessoa votasse mais de uma vez, com
nome diferente.
Este fato é um instantâneo
das eleições e é também um
retrato da situação nacional
de imobilismo eleitoral, das
eleições dominadas pelas
máquinas públicas (prefeituras e governos estaduais),
que mostra que as figuras
mais odiadas do País se reelegem ou impondo um
completo cerco à discussão
para a população ou à força,
através da corrupção, do
exército nas ruas do País
etc.
CAUSA OPERÁRIA
19 DE OUTUBRO DE 2008
POLÊMICA
8
B A L A N Ç O A CRISE E A CLASSE OPERÁRIA PELOS OLHOS DA ESQUERDA PEQUENO-BURGUESA
A “esquerda” pequeno-burguesa de joelhos
diante do governo Lula e da frente popular
Burocratas e intelectuais, encantados com a
“estabilidade” do capitalismo, exaltam o governo, o
capitalismo e fazem pouco caso da luta operária
O agravamento da crise econômica pegou a esquerda pequeno-burguesa de “calça curtas”,
para valer-se de uma expressão
tradicional, indicativa da falta de
maturidade de certos indivíduos ou do despreparo destes diante de certas questões.
Na luta política o maior ou
menor preparo e a conseqüência diante dos acontecimentos
decorre, antes de qualquer coisa, dos interesses que estão em
jogo. Assim, por exemplo, a
burguesia fez questão de não
enxergar a crise, porque esta traz
consigo claros sinais de esgotamento de um regime econômico, social e político completamente caduco como é o capitalismo, cuja “estabilidade” ou
sobrevida lhe assegura a manutenção dos descomunais privilégios sociais de que desfruta à
custa da miséria da maioria da
população. Evidentemente, que
a burguesia não quer ver que o
sistema estruturado em função
dos seus interesses se constitui
– como aconteceu com os sistemas que o precederam – em
um profundo obstáculo ao desenvolvimento das forças produtivas e à própria existência de
bilhões de seres humanos, ao
mesmo tempo em que condena
a vida de outros bilhões a uma
existência de privações e sofrimentos (fome, doenças, miséria
etc.) cujas condições para superação já se tornaram possíveis,
mas que não podem ser colocadas em execução pela forma de
apropriação da produção existente na sociedade atual.
Com tal posição, a burguesia
– outrora – classe social revolucionária transformou-se em
classe conservadora e contrarevolucionária, cujos interesses
são irreconciliáveis e incompatíveis com os da maioria da
sociedade.
As posições
conservadores da
pequena-burguesia
Em meio à crise histórica do
capitalismo, iniciada no começo
do século a burguesia mundial
conseguiu produzir um período
de crescimento artificial nos
anos 50 que se reverteu a partir
dos anos 70 em uma crise ainda
mais profunda. Esta crise foi enfrentada pelo imperialismo mundial por meio de uma expropriação da classe operária sem precedentes na história da humanidade: desemprego crônico de
até 20% da força de trabalho,
genocídio de centenas de milhões de pessoas (em guerras,
“conflitos” regionais, massacres, epidemias, fome etc.); eliminação e/ou dilapidação de direitos sociais conquistados anteriormente em áreas essenciais
como saúde, educação, previdência etc. por meio das privatizações e outros mecanismos;
apropriação pela burguesia de
uma parcela crescente dos recursos do Estado (sustentado
pelos impostos pagos pelos trabalhadores) para “socorrer” os
monopólios capitalistas em processo de coma; em resumo, por
uma destruição massiva das forças produtivas.
Para conquistar o apoio de
parcelas médias da sociedade, a
burguesia realizou uma pequena
distribuição migalhas entre estes
setores e, principalmente, procurou conquistar suas consciências por meio de uma intensa
campanha de propaganda ideológica acerca da perenidade do
capitalismo, apoiada na capitulação ideológica da esquerda
pequeno burguesa, stalinista,
ex-foquista, nacionalista, maoísta e, inclusive, “trotskista”.
As maiores organizações desta esquerda, como o PT, CNA
da África do Sul, OLP etc. assumiram a responsabilidade diretamente pela administração do
Estado burguês em total oposição às massas populares em um
enorme processo de corrupção
política.
Beneficiada com uma pequena parcela daquilo que a burguesia expropriou da classe operária – e também de determinadas
parcelas da pequena-burguesia
(pequenos proprietários de ter-
ras, pequenos comerciantes
etc.) - o setor da pequena-burguesia ligada à estrutura burocrática do Estado (nas universidades, nos sindicatos, nos órgãos públicos etc.) – justamente um dos seus setores mais
frágeis (e que não concorrem diretamente com os grandes capitalistas, mas são seus funcionários) - assumiu nas últimas décadas posições cada vez mais
conservadoras e, em muitos
casos, abertamente contra-revolucionárias em consonância
com a política de colaboração de
classes oficial.
Desta forma, esta burocracia
e “intelectualidade” – de direita
ou de esquerda - constitui-se
cada vez mais em uma ala profundamente conservadora cujos
interesses aproximaram-se cada
vez mais com os da burguesia,
justamente no momento em que
esta historicamente tem as posições mais reacionárias de toda
a sua existência.
Nestas condições, como em
todas as épocas históricas, estes setores – longe de poderem
se constituir em formuladores
de uma política de superação do
regime social existente – só
podem ser deslocados de “suas”
posições reacionárias (na verdade posições da burguesia) pela
pressão real da luta de classes do
único setor revolucionário da
sociedade atual, a classe operária.
Exaltação do
capitalismo
No Brasil, foi justamente a
mobilização revolucionária da
classe operária no final da década de 80 que levou uma significativa parcela desses setores da
classe média a se deslocarem à
esquerda, procurando cavalgar
no ascenso operário para, no
interior deste, defender e conquistar seus próprios interesses
que, por um curto período e em
aspectos muitos específicos,
eram confundidos com os interesses do proletariado.
Deste modo, constitui-se
entre a burocracia sindical e
universitária uma ampla gama de
“esquerdistas” que, por certo
período, esteve ao lado da classe operária.
Na medida em que a burguesia conseguiu – temporariamente
– deter este ascenso, principalmente graças à política de colaboração de classes da frente
popular, defendida como a “alternativa de esquerda” por essa
pequena burguesia “radicalizada”, esses “esquerdistas” foram
assumindo cada vez mais posições conservadoras, na medida
em que conseguiam satisfazer
parte de suas necessidades sociais, com as migalhas recebidas
da burguesia.
Nos sindicatos, por exemplo,
a burocracia sindical, ao mesmo
tempo em que a classe operária
retrocedia em suas condições de
vida e trabalho, aumentava seus
privilégios e conquistava privilégios com recursos do Estado,
ganhava postos nos parlamentos, obtinha o reconhecimento e
benefícios dos governos capitalistas com os quais colaborava.
Nas universidades e na sociedade em geral, os “intelectuais”
de esquerda, ao mesmo tempo
em que retrocediam o ensino
público (em favor do privado),
em que se aumentava a repressão à juventude e se degradavam
as condições gerais de vida dos
trabalhadores (inclusive das universidades), uma minoria (em
geral de “esquerda”) conquistava uma ascensão social e política inédita (verbas, cargos,
projeção acadêmica, postos no
parlamento e na administração
do Estado, principalmente nos
governos de “esquerda” burguesa e pequeno-burguesa).
Hoje, diante do agravamento
da etapa de crise histórica do
capitalismo, esta “esquerda”
assume cada vez mais posições
conservadoras, “enxerga”
como passageiro o colapso do
capitalismo e “desacredita” na
possibilidade de uma saída revolucionária, ou seja, impulsionada pelos trabalhadores diante da
crise.
Esta posição tem muitas variáveis que vão desde a – cada
vez mais difícil – defesa da perenidade do capitalismo e da sua
suposta capacidade eterna de
superação das crises por meio de
fantasiosos mecanismos de regulação econômica que teriam
feito desaparecer a anarquia própria do regime capitalista, baseado na competição e destruição
de parcelas das forças produtivas em benefício do lucro de
uma minoria, até as posições
“mais esquerdistas” de que, não
sendo possível o triunfo da revolução socialista, deveria-se
buscar realizar governos de esquerda, “éticos” etc. dentro do
próprio capitalismo para se chegar a uma nova realidade social,
pelo caminho do entendimento
e da conciliação de classes.
Toda esta ideologia está amparada em uma superestimação
do papel da própria classe média e subestimação da classe
operária, a quem estaria reservado o papel de seguir as posições
pseudo-revolucionárias da esquerda pequeno-burguesa.
Esta posição assume as variadas formas, desde a necessidade de que a classe operária – ao
invés de constituir organização
política própria, um partido
operário revolucionário – apóie
os partidos da esquerda burguesa ou pequeno-burguesa, como
o PT, Psol, PSTU etc., até que
se oriente (e tenha como exemplo de “luta”) movimentos sociais profundamente conservadores por seus objetivos e, mais
ainda, pela política reacionária
de suas direções, como é o caso
do MST.
Nascido da verdadeira situação de guerra civil no campo,
pela expropriação crescente dos
camponeses pobres e pela existência de uma massa de milhões
de trabalhadores rurais sem terra, o movimento dominado por
uma pequena-burguesia cada
vez mais dependente do Estado,
comprometida com a política
pró-latifúndio do governo Lula
e nutrido com parcela do orçamento público - insuficiente para
atender às necessidades dos assentados, mas gorda o bastante
para garantir privilégios para a
direção do movimento – é apontado ainda hoje pelo “esquerdistas” do Psol, PSTU e outros
como um exemplo de luta, quando praticamente já não realiza
luta alguma (não há ocupações
de latifúndios liderados pelo
MST; as ocupações realizadas
por camponeses pobres dissidentes do movimento ou independentes, não são apoiados por
sua direção; não denunciam o
governo por conta dos massacres que seguem ocorrendo
contra os sem terra, como em
Rondônia, recentemente etc.,
por conta de sua política de
colaboração com o governo e o
próprio latifúndio, agindo apenas para manter as aparências esquerdistas que, além de simpatias da “esquerda”, lhe servem de
moeda de negociação com os
governos burgueses e lhe confere uma certa autoridade para
conter as tendências explosivas
presentes entre os trabalhadores
e a juventude.
Crença na
burocracia e....
Essa pequena-burguesia não
apenas procura disseminar a
idéia da perda de força da classe
operária (ocultando a realidade
econômica, cuja única base real
é a exploração da classe produtiva da sociedade), como procura estimular (tal qual a burguesia) a crença em supostos falsos
superpoderes dos que defendem
os interesses dos capitalistas,
como é o caso do governo Lula.
“Analisando” o problema
das greves em crescimento no
País nos últimos meses, resultado da reação da classe operária a um longo período de
expropriação levada adiante
pelos governos burgueses desde a década de 90 e mantido
pelo governo Lula, os burocratas “intelectuais” ou “técnicos”
da esquerda procuram apresentar outra perspectiva.
O DIEESE, por exemplo,
assim como todos os órgãos e
“analistas” com relações políticas com o governo Lula, bem
como o próprio governo, procura apresentar como causa prin-
cipal do aumento das greves o
“cenário econômico”, com destaque para o crescimento do PIB
(de 5,2% até junho) e da demanda interna (+ 6,81%, no mesmo
período).
De acordo com Clemente
Ganz Lucio, diretor técnico do
DIEESE, “o cenário econômico
ainda é favorável e os sindicatos
aproveitam para pedir reajustes
compatíveis com os ganhos que
as indústrias obtiveram ao longo do ano” (idem).
Evidentemente que os trabalhadores - que lutam mesmo nas
condições mais adversas para
defender-se dos ataques dos
patrões e seus governos – procuram valer-se dos períodos de
crescimento econômico, por
mais curtos que sejam, para recuperar parte do que lhes foi
roubado. Isto é justamente o que
procuram ocultar estes senhores: que o governo Lula – mantendo, no essencial, a mesma
política econômica da era FHC
– deu continuidade à expropriação da classe operária e de outros setores explorados, retirando dos salários, aposentadorias,
gastos em serviços públicos essenciais etc. para garantir os
lucros dos bancos e outros monopólios.
O que já é completa mitologia
política é creditar estas greves
aos “sindicalistas”.
O aumento das greves reflete, por um lado, justamente a
reação a esse período de expropriação dos salários em que todas as categorias acumularam
enormes perdas. Por outro lado,
é visível que o debilitamento
político do regime burguês –
diante dos primeiros sinais de
crise econômica – provocou um
enfraquecimento das amarras
políticas que bloqueavam a evolução da luta da classe operária.
Assim, a onda de greves que se
desenvolve – ainda que embrionariamente – expõe as tendências da classe trabalhadora a superar os limites políticos estabelecidos anteriormente pelo fortalecimento da política de colaboração de classes impostos
pela frente popular encabeçada
pelo PT, principalmente nos sindicatos. A onda de greves, longe de ser um processo impulsionado pelos sindicatos (ou seja,
por suas direções burocráticas)
é o resultado de uma pressão que
os trabalhadores, diante do arrocho salarial, impõem sobre suas
direções sindicais e sobre os patrões. Tanto é assim que estas
são – em quase 100% dos casos
– o resultado de uma ultrapassagem (ainda que momentânea)
das direções sindicais pelos trabalhadores, tanto é assim que
estas são evitadas e derrotas pela
ação consciente destas direções
e não como querem fazer crer os
sindicalistas, esquerdistas, analistas e governistas que essas
lutas estariam sendo impulsionadas diretamente pela burocracia
que as sabotou abertamente (e
ainda as sabota) nos últimos
anos.
Que a onda de greves exprime uma evolução política por
cima da vontade das direções
sindicais “lulistas” ou “de oposição” comprova a greve dos
bancários que, além de enfrentar os banqueiros, confronta-se
com um dos setores da burocracia sindical mais atrelados ao
governo e à sua política patronal, em primeiro lugar em favor
dos banqueiros e a suspensão, na
data de hoje, da greve dos correios como parte do acordo da
maioria da burocracia da categoria (PT-PCdoB-PSTU-Psol)
com o governo e a direção da empresa (veja matéria nesta edição).
Apesar da política dessas direções, a crise e a tomada de
consciência dos trabalhadores –
diante da política traidora de suas
direções - tende a aprofundar
esta onda em níveis há muito não
vistos.
Outra mistificação do mesmo
argumento está em que Lula
estaria sendo “progressista” ao
promover uma etapa de crescimento. Os interessados analistas não levam em consideração
os meios e os limites utilizados
para obter este transitório crescimento. De um lado, Lula transformou o País em um paraíso
para o capital especulativo e
obteve um crescimento localizado atravé de uma abundância de
crédito que está se transformando agora no seu oposto. Tudo indica que Lula será responsável
pela outra etapa de ascenso, mais
radical, ao colocar abaixo completamente a economia nacional
após o seu efêmero período de
crescimento.
... no governo Lula
Outro argumento não menos
ridículo e absurdo - mas também
amplamente divulgado - é o
apresentado pelo sociólogo e
professor, Ricardo Luiz Coltro
Antunes (fundador do Psol, e
um dos principais “pensadores”
da “frente de esquerda”, PSOLPsol-PCB-PV-PSB-PDT etc.) e
da Conlutas. Para ele, as greves
decorreriam de um “fator emocional” que teria sido “decisivo
para estimular os movimentos
grevistas”. Segundo ele, “sindicatos ligados ao PT e à CUT,
como são muito lulistas, estão
cumprindo o chamamento do
presidente Lula, quando disse que esse era o momento de
os trabalhadores se mobilizarem” (idem). O “lulismo” e o
“governismo” das direções sindicais teriam, então, este viés
positivo, “emocional” de impulsionarem as greves do último período e provavelmente de épocas passadas e futuras quando
o próprio Lula for a favor das
greves!
Uma idéia tão impressionante quanto a de que Lula, o chefe
do governo que faz a festa dos
banqueiros, distribuindo os recursos da população para “salvar” e garantir os lucros dos
banqueiros, que impulsiona todo
tipo de negociatas que favorecem grandes monopólios capitalistas nos mais diferentes setores, como reconhece o próprio
Antunes, para quem “nunca um
governante remunerou tão bem
os capitais”, justamente contra
a classe operária, seria o grande
motivador das greves. Lula, um
poderoso freio das lutas populares e artífice da transformação
dos sindicatos e da CUT em um
comitê eleitoral de políticos
burgueses, estaria agora “impulsionando as greves”.
O mesmo Ricardo Antunes,
professor titular de sociologia
no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp, apresentado pela esquerda e pela própria imprensa
burguesa com um dos “mais
conceituados especialistas da
área do trabalho no país” e que
se considera como “intelectual
do trabalho” em entrevista ao
programa Faixa Livre Bandeirantes (25/09/08), não economizou palavras para reproduzir
a imagem vendida pelas “pesquisas” da burguesia (que
como acabam de comprovar os
resultados eleitorais só podem
merecer crédito de iludidos ou
dos patrocinadores que encomendaram os resultados) de que
Lula é o ser humano mais popular da história do Brasil com afirmações tais como “a sensação
que temos é que Lula está no
ápice de sua popularidade”;
que as ações do governo na área
da economia “vem lhe rendendo um avanço de popularidade”, uma vez que, supostamente, “o Brasil começou a
ter níveis de crescimento de
5%... o que significa que um
volume grande de trabalhadores que estavam na infor-
malidade ingressem em empregos formais”.
Nem mesmo os pseudo-intelectuais do PT são capazes de tal
apologia ao líder quanto este “intelectual” da Frente de Esquerda.
Não se trata apenas de reforçar a campanha pró-Lula do
governo e da burguesia (que
veêm no governo da frente popular uma necessidade para a
contenção do movimento operário) mas da total capitulação e
exaltação do governo que está
distribuindo bilhões para os banqueiros às custas da expropriação da população sob a base de
uma “análise” de que seu governo representaria avanços para a
população (com o que coincide
com a propaganda do PT) uma
vez que, segundo o ideólogo do
PSOL, Lula “tem uma popularidade tão alta” porque “a
população consegue ver no
nível de ampliação do assistencial [do governo] uma situação melhor que as anteriores”, uma vez que o atual governo seria, para Antunes, diferente do anterior, pois “o governo
FHC era marcado por uma insensibilidade muito grande”.
Fica evidente que para este e
outros esquerdistas (é claro que
por conta do ângulo de privilégios que têm para observar a
crise e as ações do governo), o
governo Lula seria um governo
com dupla faceta, como que
uma “mãe para os ricos e um pai
para os pobres” (como se referiam, no passado, a Getúlio Vargas) uma vez que como ele próprio explica, ao final da entrevista (que pode ser conferida na
internet), este “remunera os
capitais como ninguém... e
remunera pela base os estratos mais pauperizados” e ainda “faz uma cooptação dos
setores sindicais”, a qual como
vimos acima não seria tão malévola, já que os sindicalistas lulistas seriam os impulsionadores
das greves.
Uma ideologia
reacionária
Tais formulações brilhantes
correspondem a uma ideologia
reacionária que não é nova, que
vem se gestando nos últimos
anos, procurando servir de base
de “esquerda” a organizações
burguesas como é o caso do Psol
e a manobras burocráticas reacionárias contra a unidade do
movimento operário (como no
caso do Conlutas – do PSTU e da Intersindical – do Psol) e a
sua própria luta que não seria
mais do que um reflexo “emotivo” da vontade política da burocracia (esta sim progressista).
Para estes setores, a classe operária estaria ultrapassada enquanto classe revolucionária, seria talvez a vez dos “intelectuais
do trabalho” .... isto é, a pequena burguesia privilegiada.
Estas e outras questões devem ser profundamente analisadas, porque são um instrumento de confusão política entre a
juventude e os setores do movimento operário que querem –
ainda mais agora diante da crise
– debater sinceramente uma alternativa revolucionária à falência do capitalismo.
(Continuamos
na próxima edição).
CAUSA OPERÁRIA
19 DE OUTUBRO DE 2008
PROFESSORES - SP
Pós-graduação para ganhar 50 reais
Governo Serra (PSDB) propõe programa de pósgraduação que visa ocultar verdadeiras causas da
falência do ensino, responsabilizar professores e
“premiá-los” com esmolas
A Secretaria de Estado da
Educação (SEE) anunciou em seu
site (www.educacao.gov.sp.br)
o fechamento de parceria com a
USP, Unesp e Unicamp, para
oferecer a partir de 2009 cerca de
110mil vagas para cursos de especialização – pós-graduação lato
sensu - em 16 áreas para todos
os 160 mil professores estaduais
de ciclo 2 (5ª a 8ª) do Ensino Fundamental e de Ensino Médio, além
dos cerca de 20 mil professorescoordenadores, supervisores e
diretores de escolas.
O governo tucano apresenta
o projeto como sendo o “maior
programa de formação continuada do Brasil”, em uma espécie
de disputa com o Ministério da
Educação (comandado pelo PT)
que – neste exato momento –
está anunciando um plano com
características semelhantes, de
alcance nacional.
O “programa de prós-graduação”, segundo a SEE possibilitaria aos professores “além de
mais conhecimento... ascensão
na carreira”.
Nem uma coisa, nem outra é
verdade.
Nenhuma
“formação”...
Há muito existe na rede estadual de São Paulo, como em todo
o País, uma campanha governamental – amplamente apoiada
pelos reacionários meios de
comunicação burguesa – que
procura apresentar os docentes
como os maiores responsáveis
pelo verdadeiro caos estabelecido no ensino público. Para eles
a “culpa”, antes de tudo, seria
dos professores.
Tal campanha não tem outro
objetivo senão atribuir ao professorado a responsabilidade que é
do próprio governo, por uma
situação que não é obra do acaso, mas fruto de uma ação consciente, planejada, premeditada
de destruir o ensino público em
favor do ensino privado e de
economizar recursos público
com a Educação para despejalos nos cofres dos banqueiros e
outros sanguessugas.
O “programa” não é mais do
que um aspecto dessa campanha. Ao invés de medidas reais
que poderiam assegurar mudanças significativas na Educação
(em primeiro lugar o aumento
dos salários dos professores, a
redução do número de alunos
por sala de aula, o fim da “aprovação automática”, o aumento de
verbas que permitam um verdadeiro aparelhamento das escolas
cuja estrutura remonta ao início
do século passado – naquilo que
as instituições da época tinham
de mais precário – etc.) o governo aponta para a “formação dos
professores”, omitindo também
que esta é um produto, em primeiro lugar, da degradação total do ensino nas escolas e universidades públicas e privadas
(“lojas de diploma”) largamente
apoiado pelos “críticos” dos
professores e, em segundo lugar, dos baixíssimos salários dos
professores que impedem um
atividade cultural regular compatível com o nível desejável
entre os mestres(compra de livros, jornais, ida ao teatro, cinema, viagens etc.) e da impossibilidade de acesso verdadeiros a
cursos, seminários nos principais centros de estudo do País
que – apesar dos pesares – ainda são as universidades públicas.
...apenas
“sarespização”
O “programa” não ataca nenhum desses problemas uma
“DIA DO PROFESSOR”
No fundo do poço
Como em todos os anos,
neste 15 de outubro, parlamentares usarão das tribunas para
“saudar” os mestres, governos
por meio de seus órgãos de
Educação e outros tecerão louvores ao “papel fundamental da
educação” e sindicalistas falaram de suas “lutas” e “vitórias”
em favor da categoria. Um verdadeiro festival de hipocrisia que
procura ocultar que a data transcorre no momento em que a categoria vive os piores momentos
de sua história e quando a Educação, em geral, e o ensino público, em particular, vive um
verdadeiro apagão, em primeiro
lugar, pelo ataque sistemático
àqueles que são os seus maiores
sustentáculos, os mais de dois
milhões de professoras e professores espalhados pelo País.
A “prioridade” que todos dizem dar à Educação poderia ser
desmentida de diversas formas.
Mas usemos como comparação
o tratamento dado à discussão
em torno piso nacional do magistério como o dispensado à
adoção de um plano de assistência aos bancos em crise para se
ter uma medida da verdadeira
importância dispensada ao ensino público no País.
Foram necessários anos de
debates no apodrecido Congresso Nacional, centenas de reuniões entre governantes de todas
as esferas para se estabelecer a
implementação gradual do miserável piso salarial nacional de R$
950, a partir de 2010 (quando a
inflação já terá corroído boa
parte desse valor). Um valor já
recebido pela maioria dos professores do País e muito abaixo até
mesmo do que deveria ser o
salário mínimo (o mais inferior
de todos) de um trabalhador brasileiro. Este, de acordo com o
que preconiza a Constituição
Federal, que estabelece que deva
ser suficiente para atender às
necessidades vitais do trabalhador e de sua família com alimen-
vez que, de acordo com a própria SEE, “todos os cursos serão a distância, via internet, com
carga de 360 horas”, sendo que
“terão encontros presenciais
ainda a serem definidos – no
mínimo dois por semestre, além
de provas presenciais”. Ou seja,
não se trata sequer de um verdadeiro “programa de formação”, mas como já tem se verificado de uma série de palestras
(online), sem toda a estrutura
ainda necessária a um verdadeiro trabalho de formação (livros,
reuniões, discussões, tempo livre etc.) o qual serviria simplesmente como parte do verdadeiro programa de doutrinação na
reacionária ideologia antieducacional que o Estado vem procurando incutir entre os mestres.
Comprova isto, o fato de que
o governo determinou às universidades que os cursos “tenham
como base o currículo da rede
e os resultados do Saresp (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São
Paulo)”, ou seja, longe de verdadeiros cursos universitários que
tenham como caráter estudar,
discutir e propor soluções para
a evolução do processo de ensino-aprendizagem, o que se pretende é oferecer uma espécie de
“treinamento” para que os professores produzam “melhores
resultados” (meros índices que
não refletem qualquer melhoria
no mundo real) com as mesmas
condições degradantes atuais.
Esta política já integra a rotina “pedagógica” dos tucanos
que vêm buscando transformar
o professor em meros aplicadores de apostilas e provas preparadas pela burocracia da SEE e
das universidades contratada
pelo governo com salários e
condições muitos superiores às
dos professores da rede.
A secretária de Estado da
Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, afirma – inclusive - que se espera com o projeto é formar “professores capacitados para sanar dificuldades
específicas de nossos estudan-
tes”. Isso em uma rede em que
a questão não são “dificuldades
específicas”, mas um caos generalizado, que torna uma “missão quase impossível” ensinar e
aprender pela falta de condições
elementares.
A única coisa que se pretende
de fato é criar condições para que
se apresentem melhores resultados em provas como Saresp e
ENEM, que como o Vestibular,
não avalia nada de importante a
não ser que os alunos foram
devidamente preparados para
realizarem tais provas. Uma conduta que contraria até mesmo o
limitado princípio legal, da LDB,
de que “a avaliação deve ser continua e cumulativa, com preponderância dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos” e que
de que o aprendizado e a avaliação devem levar em conta as
particularidades locais da escola, do estudante etc.
tação, moradia, saúde, transporte, vestuário, educações, previdência, cultura, lazer etc., não
poderia ser inferior a R$ 2.500.
Os que dizem defender a educação não consideram que o professor tenha direito sequer a tal
mínimo, o que dirá considerar
que a força de trabalho do professor deveria ser remunerada
ainda – como qualquer outra no
capitalismo – considerando-se
que para produzi-la e reproduzila (com a devida qualidade é
claro) é necessário investimentos maiores em formação educacional e cultural. O que pressuporia que, além das necessidades gerais de qualquer trabalhador, maiores gastos com
educação, cultura etc.
O que esperar de uma educação
que tem como piloto um professor
de Língua Portuguesa, cujo salário não permite acesso à compra de
livros. Um professor de História ou
Geografia, que não só não pode
viajar e conhecer minimamente a
realidade sobre a qual vai ensinar,
como também não têm – maioria
das vezes – sequer equipamentos
e acessórios que lhes permitam
aceso regular à internet etc.
Em contrapartida, em um
único dia, justamente na véspera
do dia do professor, o governo
Lula – apoiado por todos os demais – acaba de aprovar um
pacote que visa garantir aos bancos R$ 100 bilhões para enfrentar a atual crise financeira, isso
depois de ter mantido a política da
era FHC de distribuir o dinheiro
expropriado da população (via
impostos e outros) para os cofres
dos banqueiros, num total de mais
de R$ 2 trilhões na última década. Isto sim é uma prioridade, para
eles. O resto é conversa fiada.
O resto é uma política de
destruição consciente do ensino
público, para favorecer os banqueiros e os tubarões do ensino
privado, pois como disse recentemente o ministro da Educação,
“ninguém vai querer pagar a
escola privada, se a escola pública for boa”.
Uma política que tem como um
dos pilares o arrocho salarial dos
professores que, em alguns estados, inclusive ricos como São
Paulo, chegam a receber hoje
menos de 30% do que recebiam há
“Valorização” +
“ascenção” = R$ 50
De acordo com a SEE o programa possibilitaria aos professores “ascensão na carreira”, uma vez que “com a carga
de 360 horas, passarão a acumular 44 pontos, se estiverem
há pelo menos quatro anos no
mesmo cargo” podendo, então, trocar de nível pelo que
“recebem 5% de aumento salarial”.
O piso salarial do professor
PEBII da rede estadual de São
Paulo que poderia ser “agraciado” pelo “maior programa de
formação continuada do Brasil”
é de cerca R$ 1.000 (para 30h
semanais), o que equivale a
pouco mais de R$ 6 por hora
aula. Os defensores da política
educacional tucana acrescentaram que este magnífico salário
tem outros acréscimos como o
monumental “vale refeição” de
R$ 4, insuficiente para que o
professor possa ter direito a almoçar, sozinho, sem a família,
MOVIMENTO OPERÁRIO
9
Com esta e outras medidas,
o governo procura estimular a
divisão e o carreirismo no interior da categoria – amparado na
desmoralização e corrupção da
burocracia sindical – criando a
idéia de que a única “evolução”
possível é a da aceitação dos
“programas” do governo e da
“ascensão” nos reacionários
marcos estabelecidos pelo governo que além de “pós-graduações” fajutas incluem a disputa de cargos de capatazes do
governo nos “concursos” de
coordenadores pedagógicos,
supervisores etc. (também amplamente divulgados pela burocracia sindical).
Ao contrário desta via tortu-
osa e incapaz de transformar não
só os destinos da Educação
pública no Estado de São Paulo,
mas também as condições de
vida de qualquer professor individualmente, o único caminho é
a luta coletiva da categoria, juntamente com os demais setores
da comunidade escolar – estudantes, pais e funcionários –
contra o governo reacionário e
sua política de destruição do
ensino público, bem como contra a burocracia sindical reacionária e pró-tucana que controla
os sindicatos e as organizações
estudantis, travestidos de “esquerdistas”.
Para tanto, é necessário fortalecer organização independente da categoria – por fora da
estrutura viciada do sindicato , a partir das escolas e levantar
um verdadeiro programa de luta,
que entre outras questões fundamentais defenda:
· Para melhorar a educação,
em primeiro lugar repor o que
foi roubado dos salários dos
professores: piso salarial R$ 3
mil; tíquete alimentação de R$
20 para todos os dias do mês.
· Melhores condições de trabalho e estudo: máximo de 25
alunos por sala de aula; fim da
“aprovação automática”; computadores para os alunos, com
internet, em todas as salas de
aula; compra de laptops para
todos os professores com livre
acesso à internet garantido pelo
Estado.
· Abaixo a ditadura nas escolas: eleição pela comunidade
escolar de todos os diretores,
coordenadores pedagógicos;
fim do assédio contra alunos,
funcionários e professores, não
à avaliação dos efetivos.
· Criar condições para o professor estudar e evoluir: redução da jornada de trabalho para,
no máximo, 30 h semanais (20h
aula+5h de trabalho pedagógico
coletivo+horas livres), sem redução dos salários; livre ingresso do
professor nas universidades públicas estaduais e federais, com
liberação da jornada de trabalho
para o professor estudar e evoluir profissionalmente; plano de
cargos e salários com verdadeira evolução funcional deliberado
pela categoria.
três décadas atrás. Será necessáriomaisprovasda“prioridade”dada
à educação e do “valor” que tem o
“mestre” para estes serviçais dos
bancos e demais parasitas?
Toda esta política que destrói
as condições de vida e trabalho
dos educadores e mina o presente
e o futuro de milhões de crianças e jovens, tem um amplo
apoio daqueles que nesta data
preparam “festinhas” para os
professores: a burocracia sindical que domina os gigantescos
sindicatos dos professores (entre os maiores do País, como
expressão de certo nível de
consciência política do magistério) em benefício próprio e daqueles a que servem. Esta burocracia está bem e tem o que
comemorar (diante de seus objetivos mesquinhos e traiçoeiros), enquanto à categoria esta
cada vez pior.
Comemoram o miserável piso
nacional, mas eles nem de longe
pensam em viver com os R$ 950
que consideram um “avanço”.
Comemoram as promessas dos
políticos (como no Rio em que
todos os candidatos se disseram
favoráveis ao fim da aprovação
automática), porque suas vidas
cotidianas não têm mais relação
com o inferno que os professores são obrigados a suportar nas
escolas, pela degradação das
condições de ensino aprendizagem que atinge os alunos, pela
ditadura dos diretores e demais
burocratas do ensino, que lançam a defender a política antieducacional dos governos inimigos da educação.
Se há algo a celebrar é o fato de
que em muitas escolas e regiões esta
política reacionária contra os professores e a educação, ficam cada
vez mais claras e cresce a consciência da necessidade de revolucionar a organização e luta dos professores, contra tais direções traidoras, para defender seus salários,
seus empregos e o ensino público,
gratuito e de qualidade para todos.
Neste dia do professor, uma
saudação aos milhares de professores leitores de nosso jornal e a
todos os que lutam para derrotar a
política reacionária do capitalismo
a quem não interessa mais do que,
como dizia Marx, “educar os homens como máquinas”.
três dias por semana (são no
máximo 22 tíquetes por mês).
Fica claro que para os bons vivants da burocracia da SEE e
para as máfias políticas que
controlam a Educação e todo o
Estado, que desfrutam de salários e vantagens muito superiores dos professores para defenderem os interesses dos grandes
capitalistas, os professores deveriam ficar contentes com estas migalhas que o governo “generosamente” pretende conceder.
Esta política só segue de pé
graças à colaboração da “esquerda” (PT, PSTU, PCdoB, Psol)
que controla o sindicato da categoria (APEOESP) ‘segurando a
categoria para o governo bater”,
divulgando esses “maravilhosos”
planos do governo e traindo abertamente os professores, como na
última greve, quando assinaram
um acordo de volta ao trabalho
sem consultar a categoria, aceitando todas as medidas de Serra
contra a categoria como o misero reajuste de 5%, o desconto dos
dias parados e a manutenção da
legislação que permite a demissão
de mais 70 mil professores temporários (ACT’s) no próximo
ano e de outros milhares de efetivos (em estágio probatório) nos
anos seguintes.
Contra esta farsa,
mobilizar a
categoria
MEC
A política do PT é a mesma dos tucanos, ou vice-versa
Três dias após o governo José
Serra (PSDB) anunciar o “maior
programa de formação continuada do Brasil”, o governo Lula
(PT), por meio do Ministério da
Educação (MEC) também lançou
o Sistema Nacional Público de
Formação dos Professores, anunciando investimentos de R$ 1 bilhão, a partir do próximo ano.
Irmanado na mesma política
tucana de que o problema central não são os baixos salários e
as más condições de ensino e
aprendizagem – que integram
um plano sistemático de destruição do ensino público –, o ministro petista Fernando Haddad
disse que “a formação de professores precisa ser o eixo central
da melhoria da qualidade do
ensino no País” (O Globo, 10/
10/2008). Pois, segundo ele, “do
contrário o Brasil não atingirá as
metas do Plano de Desenvolvimento da Educação em 2021,
que prevê um nível médio de
aprendizado semelhante ao de
países desenvolvidos” (idem).
Para o PT, assim como o
PSDB, o problema de fato não
é a melhoria de questões essenciais como as condições salariais e de trabalho do professor e
as condições de aprendizagem
do aluno, mas a “apresentação
de resultados”, de índices que
formalmente levem o País ao
“nível” (rebaixado, no estágio
atual) dos países desenvolvidos.
Uma falsa evolução como a que
se viu no último ENEM, em que
a média subiu cerca de 40% em
relação à prova do ano anterior,
apesar de que – evidentemente
– não houve uma melhora nem
de 40%, nem de 1%, no ensino
médio neste período.
Não faz muito tempo, o ministro declarou que “se o ensino
público fosse bom, ninguém
estudaria nas escolas privadas”,
mostrando a verdadeira relação
que existe entre a destruição
proposital da educação pública
(do ensino básico à universidade) em favor dos tubarões do
ensino pago, os quais têm sido
amplamente favorecidos pelos
projetos do governo de repasse
de verbas públicas sob os mais
variados pretextos, incluindo o
pagamento de mensalidades
nestas universidades decadentes
para setores mais pobres e oprimidos da população, ao invés da
abertura de vagas e da larga
ampliação dos investimentos no
ensino público.
Da mesma forma que o governo tucano, o petista apresenta a “formação dos professo-
res” como “eixo central”, justamente porque não quer tocar
nos problemas centrais: aprovou como piso nacional – a ser
implementado até 2010 – o
valor miserável de R$ 900,
mantém arrochados os salários
dos docentes universitários e,
para não deixar dúvidas, inclui
no próprio “sistema de formação” a proposta de pagar “bolsas de R$ 1.200 a professores
universitários que passem a
atender novas turmas”, com os
quase 600 professores que diz
quere atingir, sendo “300 mil
novas vagas de licenciatura nas
universidades públicas para os
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O CARÁTER POLÍTICO E IDEOLÓGICO DO PARTIDO
DO SOCIALISMO E LIBERDADE
Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operára e editor do jornal Causa Operária
LIVRARIA DO PCO: Avenida Miguel Stéfano, nº 349 – Saúde, telefone 5589-6023 ou na página do partido: www.pco. org.br
docentes que não têm formação
superior, e outras 300 mil vagas
para quem deseja fazer uma
segunda graduação”(idem).
Esta coincidência de idéias, de
“programas”, de tudo enfim que
seja contra o ensino público e o
magistério, da parte dos governos tucanos e petistas, é o real
motivo pelo qual as direções sindicais (APEOESP, ANDES,
PROIFES e outras centenas de
sindicatos de trabalhadores da
educação) e organizações estudantis, todos dirigidos pela “esquerda” comprometida com estes governos não movam uma
palha contra os “projetos” desses
governos e em favor dos educadores, dos estudantes e do ensino público.
CAUSA OPERÁRIA
19 DE OUTUBRO DE 2008
MOVIMENTO OPERÁRIO 1 0
GREVES
Crescem as mobilizações operárias por todo o País
Número de greves em 2008 já supera os últimos quatro
anos, apesar da política das direções de apoio aos
patrões e ao seu governo
De acordo com dados divulgados pelo DIEESE - Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos o ano de 2008 está superando a marca de greves no ano
passado quando foram verificadas 316 greves, com um total de
28.519 horas paradas.
Segundo Clemente Ganz Lucio, diretor-técnico do Dieese,
“de 2004 a 2007 o número de
greves manteve-se mais ou menos o mesmo, na faixa de 300
por ano. Ainda não temos o
balanço fechado, mas neste ano
o número cresceu consideravelmente, principalmente as paralisações de um dia” (Valor Econômico, 13/10/08).
O DIEESE, assim como todos os órgãos e “analistas” com
relações políticas com o governo Lula, bem como o próprio
governo, procura apresentar
como causa principal do aumento das greves o “cenário
econômico”, com destaque
para o crescimento do PIB (de
5,2% até junho) e da demanda
interna (+ 6,81%, no mesmo
período).
Reação à
expropriação
De acordo com Ganz Lucio, “o
cenário econômico ainda é favorável e os sindicatos aproveitam
para pedir reajustes compatíveis
com os ganhos que as indústrias
obtiveram ao longo do ano”
(idem).
Evidentemente que os trabalhadores - que lutam mesmo nas
condições mais adversas para
defender-se dos ataques dos patrões e seus governos – procuram
valer-se dos períodos de relativa
estabilidade econômica para recuperar parte do que lhes foi roubado. Isto é justamente o que
procuram ocultar estes senhores:
que o governo Lula – mantendo,
no essencial, a mesma política
econômica da era FHC – deu
continuidade à expropriação da
classe operária e de outros setores explorados, retirando dos salários, aposentadorias, gastos em
serviços públicos essenciais etc.
para garantir os lucros dos bancos
e outros monopólios.
O aumento das greves reflete,
por um lado, justamente a reação
a esse período de expropriação
dos salários em que todas as categorias acumularam enormes
perdas. Por outro lado, é visível
que o debilitamento político do
regime burguês – diante dos primeiros sinais de crise econômica
– provocou um enfraquecimento
das amarras políticas que bloqueavam a evolução da luta da classe
operária. Assim, a onda de greves
que se desenvolve – ainda que embrionariamente – expõe as tendências da classe trabalhadora a
superar os limites políticos estabelecidos anteriormente pelo fortalecimento da política de colaboração de classes impostos pela
frente popular encabeçada pelo
PT, principalmente nos sindicatos. A onda de greves, longe de
ser um processo impulsionado
pelos sindicatos (ou seja, por suas
direções burocráticas) é o resultado de uma pressão que os trabalhadores diante do arrocho salarial impõe sobre suas direções
sindicais e sobre os patrões.
Tanto é assim que estas são – em
quase 100% dos casos – o resultado de uma ultrapassagem (ainda que momentânea) das direções sindicais pelos trabalhadores, tanto é assim que estas são evitadas e derrotas pela ação consciente destas direções.
PSOL: “Graças a
Lula”
Outro argumento não menos
ridículo e absurdo - mas também
amplamente divulgado - é o apresentado pelo sociólogo e professor da Unicamp, Ricardo Antunes (ligado à “frente de esquerda”, PSOL-PSTU). Para ele as
greves decorreriam de um “fator
emocional” que teria sido “decisivo para estimular os movimentos grevistas”. Segundo ele, “sindicatos ligados ao PT e à CUT,
como são muito lulistas, estão
cumprindo o chamamento do
presidente Lula, quando disse que
esse era o momento de os trabalhadores se mobilizarem” (idem).
O “lulismo” e o “governismo” das
direções sindicais teriam então,
este viés positivo, “emocional” de
impulsionarem as greves do último período e provavelmente de
épocas passadas e futuras quando o próprio Lula for a favor das
greves.
Uma idéia tão impressionante
quanto a de que Lula o chefe do
governo que faz a festa dos banqueiros, distribuindo os recursos
da população para “salvar” e garantir os lucros dos banqueiros;
que impulsiona todo tipo de nego-
ciatas que favorecem grandes
monopólios capitalistas nos mais
diferentes setores, justamente
contra a classe operária, seria o
grande motivador das greves,
Serve apenas para mostrar que a
dupla Psol-PSTU nada mais são
que apologistas baratos do governo Lula, do seus governo “democrático” e de “crescimento
econômico”.Na realidade, os sindicalistas do PT e do PCdoB, com
a ajuda do Psol e do PSTU se
dedicam a paralisar ao máximo o
movimento operário e suas greves.
Crise e mais greves
Segundo o estudo do DIEESE,
“as greves de maior repercussão
foram a dos funcionários dos Correios, categoria que reúne 108 mil
trabalhadores, que durou 21 dias,
e a dos auditores-fiscais da Receita
Federal, de 52 dias”, às quais se
poderia acrescentar – entre outras
– a os professores da rede estadual
de São Paulo (que chegou a mobilizar cerca de 30 mil em passeatas e assembléias), todas elas derrotadas pela política de suas direções, contrárias às greves, apesar
de serem “lulistas” e “governistas”; os trabalhadores das monta-
doras de São Paulo e do Paraná,
em setembro; dos Metalúrgicos
de Campinas e Região, que pararam 40 mil trabalhadores de 27
empresas por pelo menos uma
hora, como acontece – nestes dias
- com o metalúrgicos de São
Paulo, com as quais as direções
sindicais procuram evitar uma verdadeira greve, buscando acordos
por empresa, sempre com resultados inferiores para os trabalhadores.
Que a onda de greves exprime
uma evolução política por cima da
vontade das direções sindicais
“lulistas” ou “de oposição” comprova-a greve dos bancários, que
além de enfrentar os banqueiros,
confronta-se com um dos setores
da burocracia sindical mais atrelados ao governo e à sua política
patronal, em primeiro lugar em
favor dos banqueiros e a suspensão, na data de hoje, da greve dos
correios como parte do acordo da
maioria da burocracia da categoria (PT-PCdoB-PSTU-Psol) com
o governo e a direção da empresa
(veja matéria nesta edição).
Apesar da política dessas direções a crise e a tomada de consciência dos trabalhadores – diante da política traidora de suas direções - tende a aprofundar esta
onda em níveis há muito não vistos.
”CENTRAIS”
GENERAL MOTORS
Burocracia “indecente”
Montadora deixará quase 3.000
trabalhadores sem emprego nos EUA
O jornal do PCdoB na internet, Vermelho, anunciou na
última terça-feira, que “Juntas, centrais fazem grande
protesto por trabalho decente”, referindo-se ao ato
realizado em São Paulo e outras capitais em atendimento à
convocação da Jornada Mundial pelo Trabalho Decente,
organizada pela Organização
Internacional do Trabalho
(OIT).
O “grande protesto” segundo os “comunistas” reuniu
cerca de 500 pessoas na capital paulista, onde ser realizou
o maior de todos os atos, do
País. Além da burocracia da
CTB (do PCdoB e PSB), também participaram da atividade
dirigentes sindicais da CUT,
Força Sindical, UGT (União
Geral dos Trabalhadores),
CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil) e Nova
Central.
Em plena greve dos bancários que paralisa dezenas de
milhares de trabalhadores do
País e no momento em que categorias das mais importantes
do País, como metalúrgicos,
petroleiros, trabalhadores dos
correios etc. estão em plena
campanha salarial e, acima de
tudo, quando o mundo é sacudido por um verdadeiro terre-
moto do sistema financeiro –
como parte da crise histórica
do capitalismo – os maiores
aparatos sindicais do País que
têm em suas estruturas milhares de sindicatos e centenas de
milhares de dirigentes sindicais e arrecadam centenas de
milhões de reais, não conseguiram agrupar de fato nem
300 pessoas. Ou seja, nem a
direção das centrais e seus assessores estavam presentes.
É claro que estes não pretendiam de fato mobilizar ninguém, empenhados que estão
em liquidar com as greves, assinar acordos miseráveis
(como no caso dos correios,
metalúrgicos etc.) que não
oferecem nenhuma garantia
para os trabalhadores diante
da crise, na qual o governo
apoiado por toda esta burocracia está despejando bilhões
nos cofres dos banqueiros e
outros exploradores do povo.
Os burocratas que gastaram milhões dos trabalhadores
nas campanhas eleitorais de
seus candidatos e dos partidos
burgueses que integram e/ou
apóiam, seguindo as lições do
seu mestre Lula precisam “fazer uma média”, fingir que
estão “na luta”, lançar em seus
orçamentos gastos de milhões
com mobilizações que não
existem, patrocinar “grandes
protestos”.
Além do caráter golpista
deste e de outros eventos, seu
tamanho e quase nenhuma repercussão mostram o verdadeiro isolamento da burocracia diante das necessidades e
da realidade dos trabalhadores
que dizem “representar”.
Contra esta burocracia apodrecida e corrupta, mais do
que nunca, é preciso construir
uma mobilização independente dos trabalhadores.
Além de fazer “média” e
“caixa 2” a manifestação serviu para apoiar o governo, as
centrais encaminharam mensagem ao ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi,
em que “modestamente”,
com a “cara-de-pau” tradicional da burocracia e dos políticos burgueses, “ “enaltecem a união de todo o movimento sindical brasileiro na
jornada em defesa do trabalho
decente, originalmente sugerida pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e
reclama uma atuação mais
enérgica do ministério e do
governo para coibir a crescente precarização das relações trabalhistas, enfatizando
a necessidade de combater a
terceirização”.
A General Motors anunciou
que vai encerrar as atividades em
duas fábricas nos Estados Unidos. A primeira unidade que será
fechada está situada no estado
de Wisconsin e é responsável
pela produção de utilitários esportivos, o encerramento das
atividades está previsto para 23
de dezembro. A outra unidade,
de pintura de metais, tem o fechamento previsto para o fim de
2009 e está situada no estado de
Iowa. A produção de veículos na
região já estava prevista, mas o
anúncio antecipa a data. A planta em Wisconsin também fabrica caminhões de médio e pequeno porte que continuarão a ser
fabricados até maio.
As duas unidades empregam, juntas, 2.700 trabalhadores, que serão demitidos. A
medida, segundo posição da
própria empresa, foi tomada
devido à queda nas vendas de
automóveis nos EUA. Um efeito direto da crise financeira na
economia real.
A notícia desmente a versão
da empresa sobre as férias coletivas dadas no Brasil. Os trabalhadores das unidades de São
Caetano do Sul, São José dos
Campos e Mogi das Cruzes foram surpreendidos com um
comunicado da GM de que haveria férias coletivas entre os
dias 20 de outubro e 2 de novembro. Será paralisada parcialmente e setorialmente a produção do Corsa, Zafira e Montana.
A medida vai atingir mais de
12 mil metalúrgicos nas três
unidades, são 10 mil em São
Caetano, 2.000 em são José dos
Campos e cerca de 800 em
Mogi das Cruzes. Três dias
antes do anúncio, a empresa
havia terminado um PDV (programa de Demissões Voluntárias) na unidade de São José,
mas não chegou a anunciar o
número de adesões, que provavelmente foram baixas.
Apesar de toda a profundidade da crise internacional e da
drástica queda das vendas de
veículos, a Anfavea (Associação Nacional dos fabricantes de
veículos Automotores) afirmou
que as decisões de GM e Fiat –
que também convocou férias
coletivas para 2 mil funcionários – nada têm a ver com a crise. O presidente da Anfavea, Jackson Schneider, afirmou ainda que ”o mercado interno não
dá sinais de ter sido afetado pela
turbulência externa” (Portal do
Sindicato dos Metalúrgicos do
ABC http://www.smabc.org.
br). Ainda segundo Schneider o
que houve foi a penas um desaquecimento da demanda dos
países compradores como África do Sul, México e Argentina.
Nos Estados Unidos, as vendas da GM tiveram uma queda
de 15,8%. Enquanto que, há um
ano, as vendas atingiram um
total de 337.640 mil unidades,
nesse ano, foram vendidas um
total de 284 mil unidades nos
EUA.
As férias coletivas e o PDV
são um primeiro sinal de que
uma situação semelhante se
aproxima no Brasil. Com o desenvolvimento da crise o quadro vai se agravar e deve levar,
necessariamente, a demissões,
pois os patrões vão jogar o ônus
da crise nas costas dos trabalhadores. Uma pesquisa do
IBGE (Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística) indicou
que já no final do ano a crise
deve afetar os empregos industriais e uma declaração do diretor do DIEESE de que 700.000
postos de emprego serão diminuídos em 2009. Os trabalhadores devem ter uma política
para enfrentar esse cenário que
está por vir; recessão, inflação
e desemprego.
PROFESSORES EM GREVE DE FOME
CAMPANHA SALARIAL METALÚRGICOS
Trabalhar por amor, de
barriga vazia e sem reclamar
Sindicatos da Força Sindical
continuam campanhas isoladas
Professores de escolas de
assentamentos da reforma
agrária e de escolas itinerantes iniciaram nesta semana,
segunda-feira (13), protestos
em frente à Secretaria de
Educação do Rio Grande do
Sul.
Os manifestantes resolveram fazer greve de fome contra a política de destruição da
educação e pelo total desrespeito a que são tratados por
parte do governo estadual,
que desde janeiro não paga
seus salários.
As escolas itinerantes foram criadas no Estado há 12
anos, e são reconhecidas pelo
Conselho Estadual de Educação, funcionando sob responsabilidade do governo do Estado.
As condições desses pro-
fessores são agravadas a dos
demais servidores estaduais
de educação, pois além de
sofrerem os ataques promovidos pelos governos burgueses, que retiram dinheiro
público para o atendimento
de interesses privados, sofrem no seu dia-a-dia com a
política de violência imposta
aos trabalhadores do campo:
“Depois dos despejos a gente fica sem lona, material,
sem condições de dar aula”,
relatou uma das manifestantes a Agência Brasil de Fato.
Denunciaram também o
sofrimento dos alunos: “Essas crianças estão sob risco
da polícia, sob ameaça do latifúndio, passam frio e fome
nos acampamentos, já que
estão junto da família na luta
pela reforma agrária”.
O Pelotão de Choque da
Brigada Militar foi acionado
na mesma noite, para despejar os 28 professores que
iniciaram a greve de fome,.
Para o governo estadual do
PSDB, da governadora Yeda
Crusius esses professores
não podem se manifestar,
devem sofrer calados e esperar a vontade do governo
em resolver a questão de
seus salários.
Fica evidente mais uma
vez que dinheiro que falta aos
trabalhadores sobra para
salvar os capitalistas, os especuladores financeiros, e
que todos os governos burgueses estão comprometidos
até a alma no cumprimento
desse papel, seja nos estados
ou no governo Federal, de
Lula.
VISITE A PÁGINA DO PARTIDO DA
CAUSA OPERÁRIA E DA CORRENTE
ECETISTAS EM LUTA
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www.pco.org.br/correios
Na última semana, mais precisamente na quarta-feira, o sindicato metalúrgico de São Paulo,
filiado à Força Sindical, anunciou
paralisações das fábricas do grupo 2 (Máquinas e equipamentos e
eletroeletrônicos) diante da recusa dos sindicatos patronais, Sindimaq e Sinaees, em negociar e
apresentar uma contraproposta.
Diferente dos sindicatos da categoria dominados pela CUT, em
que a data-base dos grupos e conseqüentemente as campanhas
salariais são em períodos diferentes, no caso dos metalúrgicos filiados à Federação dos Metalúrgicos do Estado São Paulo, da Força
Sindical, a data-base – 1º de novembro - e as campanhas salariais são unificadas. Isso significa
que o resultado das negociações
do sindicato de São Paulo será o
mesmo para outros 54 sindicatos
no estado, representando mais de
700 mil trabalhadores.
O eixo da campanha salarial é
decidido por uma plenária que reúne os 55 sindicatos do estado, ou
seja, a decisão sobre as reivindicações ficam restritas à alta cúpula da
burocracia sindical, uma insignificante minoria. Entre as reivindicações está o aumento salarial de
20%, incluindo perdas salariais e
aumento real, fim das terceirizações, jornada de trabalho de 40
horas semanais e cumprimento da
Convenção 158 da Organização Internacional do Trabalho que dispõe
contra demissão imotivada. Como
se pode ver, uma pauta em grande
medida demagogia, que ignora a inflação futura e outros pontos que
a burocracia está pronta a sacrificar imediatamente.
Mesmo assim, tudo isso, na
realidade é um disfarce para uma
política de total conciliação entre
a burocracia sindical e os patrões.
A resposta à recusa dos sindicatos patronais em apresentar a
contraproposta foi a negociação
por fábrica, que significa que os
trabalhadores perdem qualquer
possibilidade de unificar sua luta
em torno não só das reivindicações econômicas mas sociais e
políticas que favoreçam toda a
categoria. Ou seja, fica assim liquidada a possibilidade de qualquer luta real. Na quarta, quinta e
sexta-feira, dias em que ocorreram negociações com cada fábrica do grupo 2 separadamente,
foram assinados 40 acordos.
Todos eles que garantindo 11,1%
de aumento salarial, cerca de
metade do que estava sendo pedido, mas que a burocracia apresentará, como fazem todas as
burocracias, como uma grande
vitória. Sobre as outras reivindicações nada é falado pela impren-
sa da burocracia sindical e nem
pela imprensa burguesa.
A burocracia anunciou, durante os três dias, que a categoria
havia entrado em greve e que
seriam feitas paralisações. No
entanto, os dirigentes sindicais
apenas faziam pequenas reuniões
nas entradas dos turnos para informar os trabalhadores do andamento das negociações. Isso sem
contar que os 11% obtidos com
as negociações foi exatamente o
valor conseguido pelos sindicatos
metalúrgicos de todo o estado
dominados pala CUT e pela Conlutas, cujas negociações são feitas com os mesmos representantes dos patrões, por se tratar basicamente das mesmas empresas.
Na segunda-feira, duas fábricas de São Paulo ainda não haviam conseguido o acordo. São 220
trabalhadores da Kato Estamparia,
na zona Leste, e os 120 da M.T.U
do Brasil, que mantêm a “paralisação”. Em Guarulhos, cujo sindicato da categoria também é filiado à Força Sindical, houve o
mesmo esquema das paralisaçõesrelâmpago na semana passada.
Trabalhadores de algumas empresas - ABB (Parque Cecap), Molas
Aço (Vila Endres) e Omel (Cumbica) - aprovaram por unanimidade o estado de greve, até que as reivindicações sejam atendidas.
CAUSA OPERÁRIA
19 DE OUTUBRO DE 2008
MOVIMENTO OPERÁRIO 1 1
TRAIÇÃO DE MAIS UMA CAMPANHA SALARIAL
Bando dos Quatro aprova proposta miserável da ECT em vários
estados para abrir caminho para a ECT impor o PCCS da escravidão
O diretor de Recursos Humanos, Pedro Bifano, foi
totalmente claro e explícito ao declarar que na próxima
semana pretende finalizar as negociações do PCCS e que
todos os adicionais farão parte do PCCS, bem como os
critérios para o seu recebimento
Na negociação realizada na 2ª
feira a Comissão de Negociação da ECT apresentou a indecente proposta de mais 1%
sobre a também indecente proposta de reajuste salarial já apresentada. Também propôs a
esmola de R$ 100,00 (que eles
chamam de adicional) somente
para os OTT‘s.
No caso da licença-maternidade de seis meses, a empresa
simplesmente teve o desplante
de declarar que colocará em
prática a lei aprovada (que é
obrigação, uma vez que é lei),
no entanto, não garante que
pagará o auxílio-creche das
mães nestes dois meses: uma
política de humilhação da categoria.
Na reunião o diretor de Recursos Humanos, Pedro Bifano, foi totalmente claro e explí-
cito ao declarar que na próxima
semana pretende finalizar as negociações do PCCS e que todos
os adicionais farão parte do
PCCS, bem como os critérios
para o seu recebimento. Na
reunião foi dito à empresa que
o adicional de 30% faz parte de
acordo homologado no TST e
que não estaria subordinado ao
PCCS.
PCCS vai definir
todos os adicionais
A Comissão da ECT foi taxativa informando que todos os
adicionais estão no PCCS e serão regidos por ele, com critérios previamente estabelecidos.
Na reunião o Bando dos Quatro
(PT-PCdoB-PSTU-Psol) esta-
va totalmente unificado com a
política de fechar o acordo da
campanha salarial naquela reunião, a qual se encerrou na
madrugada contando com cenas bizarras como o representante do PT- Francisco Silva –
diretor do sindicato do Pará, representando a Articulação Sindical no Comando de Negociação, pedindo agressivamente
ao diretor de Recursos Humanos, Pedro Bifano, que encerrasse a negociação e se retirasse da sala, justamente no momento em que o mesmo considerava uma proposta, feita pela
companheira Anaí Caproni, de
negociar uma nova proposta de
acordo coletivo junto com o
PCCS na próxima semana.
Obviamente atendendo de
pronto o pedido, que era quase
uma ordem, da maioria do Comande de Negociação, Pedro
Bifano encerrou a negociação.
O motivo para a urgência no encerramento das negociações da
campanha salarial com a aceitação desta miserável proposta
é justamente o PCCS.
A atual proposta de acordo
coletivo é mais uma ajuda para
a aprovação do cargo amplo de
agente de correios, uma vez que
encerra a campanha salarial
antes da decisão de questões
fundamentais no PCCS, como
a regulamentação do adicional
de 30% para os carteiros e os
outros adicionais e toda a reformulação do contrato de trabalho dos ecetistas.
Bando dos Quatro
a serviço de quem
manda na ECT
A traição desta campanha
salarial, que com certeza vai
facilitar muito a tentativa da
empresa de impor o cargo amplo trará um dos maiores prejuízos já sofridos pela categoria e abrirá um fosso ainda
maior entre a base dos sindicatos dirigidos pelo Bando dos
Quatro e a burocracia, que dirige pela força e pela fraude
estas entidades, totalmente
corrupta, a serviço do PMDB e
da política de privatização da
ECT, uma vez que é este partido que controla a ECT e, portanto, os recursos, os cargos e
todos os privilégios que a burocracia tão bem conhece.
Em São Paulo, a assembléia
começou em horário avançado,
esperando uma definição do
Bando dos Quatro em Brasília
de como encerrar a campanha.
PCdoB e PSTU trabalharam
publicamente juntos a favor do
encerramento da campanha salarial, uma vez que o representante da Conlutas, Ribamar era
orientado pelo PCdoB para declarar que nova assembléia somente seria no dia 29...para discussão do PCCS.
Foram feitas inúmeras votações para forçar a aprovação da
proposta, uma vez que os trabalhadores vaiavam sequer a leitura do índice indecente proposto pela ECT e aceito pelo
Bando dos Quatro no Comando de Negociação.
A companheira Anaí Caproni, como membro do Comando
de Negociação, não estava presente na assembléia e, mesmo
assim, foi aplaudida pelos trabalhadores quando souberam
que ela havia se oposto à assinatura da proposta indecente de
acordo coletivo, mostrando o
nível de insatisfação dos trabalhadores com o encerramento
da campanha salarial.
Em vários estados praticamente não houve assembléia,
uma vez que a burocracia já
vem preparando há várias semanas o encerramento da campanha. Em Santa Catarina a
diretoria do sindicato informa
que as “assembléias” são realizadas com 9 pessoas, enquanto outros declaram que não iriam sequer realizar assembléia,
como é o caso do Ceará.
A partir de amanhã estes e
outros sindicatos que não tem
nenhuma representatividade diante dos trabalhadores vão falar em nome da categoria para
aceitar o acordo coletivo miserável e facilitar para a ECT
impor o PCCS da escravidão
com a divisão da categoria.
CTO JAGUARÉ
LIVROS DIDÁTICOS - SUPER EXPLORAÇÃO
Pelo pagamento do adicional de
30% a todos os motoristas
Aumento de 70 mil toneladas de
serviço sem nenhuma contratação
Mais de 15 trabalhadores motoristas do CTO Jaguaré, em São
Paulo, não estão recebendo o
pagamento dos R$ 260,00 referentes ao adicional de risco. A
empresa não está pagando o benefício de maneira integral aos
trabalhadores alegando que estes
estão na reserva, isto é, não estão
exercendo a atividade de “distribuição e coleta”. Esta situação,
obviamente, não é exclusiva do
CTO Jaguaré, mas se repete com
todos os motoristas dos Correios
espalhados pelo país.
Este adicional vem sendo pago
aos trabalhadores da área de entrega dos Correios desde novembro do ano passado. Na época, a
burocracia sindical do PTPCdoB-PSol-PSTU/Conlutas,
que dirige a Fentect – Federação
Nacional dos Trabalhadores dos
Correios – fez um acordo com o
governo e com a direção da ECT
(Empesa Brasileira de Correios e
Telégrafos) para apoiar o veto
presidencial ao projeto de periculosidade, que concederia automaticamente 30% de reajuste salarial aos mais de 100 mil trabalhadores da empresa, para trocar por
um abono, pago para apenas uma
parcela da categoria, os carteiros.
No caso dos motoristas, que a
princípio, juntamente com outros
setores da empresa – como os
OTT’s (Operadores de Triagem
e Transbordo), atendentes comerciais etc. – tinham ficado de
fora da lista dos setores que receberiam o adicional, só conseguiram passar a receber o benefício
após a greve realizada em abril,
Começou no final do mês
passado a operação de distribuição de livros didáticos realizada pela ECT (Empresa
Brasileira de Correios e Telégrafos), em parceria com o
FNDE (Fundo Nacional de
Desenvolvimento da Educação). Devem ser entregues
103 milhões de livros didáticos
para cerca de 140 mil escolas
públicas dentro do Programa
Nacional do Livro Didático
(PNLD) e do Programa Nacional do Livro Didático para o
Ensino Médio (PNLEM).
A operação é considerada a
maior operação de distribuição de livros didáticos do
mundo e já foi premiada pelo
World Mail Awards, pela Associação Brasileira de Movimentação Logística (ABML) e
pela Escola Nacional de Administração Pública (ENAP).
Tudo isso, é claro, às custas
do sangue do trabalhador ecetista.
Segundo dados da própria
empresa, os Correios precisarão de 3,5 mil viagens de carretas para entregar os livros
para cada um dos 37 milhões
de alunos do País. Além disso, toda a carga, que equivale
à metade da produção de livros
do País, representa 70 mil toneladas a mais de trabalho
para categoria. E o mais absurdo: a ECT orgulha-se em
dizer que o prazo para a entrega de toda a carga é de “apenas cinco meses”. Isso sem
contar que até o final do ano,
mais 1,6 milhão de livros do
Programa Nacional do Livro
Didático para a Alfabetização
de Jovens e Adultos (PNLA)
começarão a ser distribuídos.
Para piorar ainda mais a situação, a operação acontece
no final de ano, quando o
número de encomendas e correspondências aumenta e os
setores ficam lotados de carga. Com os livros didáticos, a
quantidade de carga deve aumentar no mínimo 30%. Tudo
isso sem que a empresa aumente o número de funcionários. As contratações, quando
acontecem em algumas diretorias regionais são feitas a
conta gotas. Pelo contrário: há
demissões em grande número
e milhares de trabalhadores
afastados por licença médica
em decorrência do trabalho
extenuante na empresa.
As excessivas horas-extras, que se tornaram rotina
nos setores, principalmente
para os carteiros e OTTs
(Operadores de Triagem e
Transbordo), são a regra no
final do ano, já que há um
aumento natural devido às
festas. Em várias ocasiões já
foram denunciados por Ecetistas em Luta casos de CDDs
(Centros de Distribuição Domiciliar) onde carteiros são
obrigados a fazer uma jornada de até dez horas devido ao
acúmulo de correspondências
para a entrega. Nos CTEs
(Centros de Tratamento de
Encomendas) e CTCs (Cen-
tros de Tratamento de Correspondências) os OTTs são
obrigados a fazer horas-extras, têm que enfrentar a falta
de materiais de trabalho, o
atraso das cargas e a falta de
funcionários.
Foi diante desse quadro
alarmante que o Bando dos
Quatro, que dirige a Fentect
(Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios),
aprovou, na greve de julho,
junto com a ECT o Banco de
Horas. Na prática, o Banco de
Horas é uma maneira da empresa não precisar pagar horas-extras para os trabalhadores.
É a brecha para os chefes
“punirem” os grevistas, obrigando-os a trabalhar de graça
para a ECT, ficando até mais
tarde por causa dos livros.
Enquanto aumenta a produção, os lucros da ECT, os prêmios e o tão propagandeado
“reconhecimento público dos
Correios”, o trabalhador ecetista está submetido às doenças ocupacionais geradas pelo
excesso de peso e os movimentos repetitivos que o emprego exige.
dão que tanto a direção da empresa e como os sindicalistas
do Bando dos Quatro (PTPCdoB-PSTU-PSol) da Fen-
tect querem empurrar goela
abaixo de toda a categoria,
particularmente agora com a
traição da campanha salarial,
através da aceitação da proposta miserável da empresa
nos sindicatos dirigidos pelo
Bando dos Quatro.
quando a direção da empresa disse que não mais pagaria o adicional aos carteiros.
Entretanto, no final de junho,
quando a empresa ameaçou novamente cortar o adicional de R$
260,00 que estava sendo pago de
maneira linear, os trabalhadores
realizaram outra greve obrigando
a empresa a transformar o adicional, no caso dos carteiros, em
30% do salário, beneficiando os
trabalhadores mais antigos de
casa, e impedindo que fosse estabelecido, pelo menos até o atual
momento, um sistema de metas
que condicionaria o recebimento
do adicional.
Os motoristas, que por sua vez,
também se beneficiariam com a
transformação do abono linear em
30% do salário, já que em sua
maior parte são trabalhadores de
nível III, isto é, com mais de 15
anos de casa, continuaram a receber o valor de R$ 260,00 de
maneira linear, sendo que, na realidade, ainda proporcional aos
dias em que fazem o trabalho de
entrega na rua. Essa foi uma das
traições do Bando dos Quatro (PTPCdoB-PSol-PSTU/Conlutas) da
Fentect, que encerraram a greve
assinando um acordo com a
empresa que além de deixar os
motoristas na mão, também implementou, como forma de punição aos grevistas, o pagamento
dos dias parados através do banco de horas.
O acordo, que limita o recebimento do adicional apenas aos trabalhadores que se enquadram diretamente nas tarefas de “distribui-
ção e coleta”, é um prejuízo muito grande para toda a categoria,
em especial aos motoristas que,
como a empresa está promovendo uma onda de terceirizações
muito grande no setor de transporte, a maior parte desses trabalhadores se encontram em estado de
“reserva”, ou seja, estão com suas
linhas de entrega extintas e realizam outros tipos de trabalho na
ECT, como por exemplo o transporte de materiais e cargas de um
setor ao outro, sem que isso, oficialmente, se caracterize como
atividade de “distribuição e coleta”.
A medida também está sendo
usada como forma de punição dos
trabalhadores, uma vez que basta
o chefe tirar o funcionário da linha,
colocando um terceirizado ou
mesmo outro motorista no lugar,
que é automaticamente feito o
corte no salário, ou de maneira
integral ou de pelo menos dos dias
em que ele não estava na linha.
A medida é uma arbitrariedade
muito grande por parte da ECT,
que só ocorre por conta da colaboração da burocracia sindical da
Fentect. Por conta disso, a Oposição Ecetistas em Luta está agendando uma reunião com trabalhadores do transporte do CTO Jaguaré para discutir o problema e
entrar com uma ação judicial para
fazer a empresa efetuar o pagamento do benefício integral aos
trabalhadores, independente de
estarem ou não na “reserva”, uma
vez que essa é uma situação provocada pela própria ECT, que quer
economizar nos salários dos trabalhadores com a terceirização.
PLANO DE CARGOS, CARREIRAS E SALÁRIOS
Correio quer PCCS para impor condições no
pagamento do adicional de 30% aos carteiros
O acordo homologado pelo
Tribunal Superior do Trabalho (TST), que foi assinado
pelo Bando dos Quatro (PTPCdoB-PSTU-PSol) da Fentect, e pela direção da ECT –
Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos – no dia 21 de
julho de 2008, estabelece no
seu artigo 2º que:
“A ECT pagará em definitivo, a título de adicional,
30% do respectivo salário
base, exclusivamente para
todos os carteiros que trabalham na distribuição e coleta
em vias públicas, com efeito
retroativo a junho de 2008,
ajustando-se aos valores já
pagos.
O referido adicional será
suprimido nas seguintes hipóteses:
a) No caso de concessão
legal de qualquer mecanismo
sob o mesmo título ou idêntico fundamento/natureza,
atividade de distribuição e/ou
coleta em vias públicas, a fim
de evitar a configuração de
acumulação de vantagens;
b) Quando o empregado
não mais exercer a atividade
de distribuição e/ou coleta em
vias públicas.”
O objetivo central deste
acordo, que pôs fim a greve
nacional de 21 dias dos trabalhadores dos Correios contra
o não cumprimento do Termo
de Compromisso assinado
pelo governo e pela direção da
empresa, foi além do estabelecimento do banco de horas
como forma de punição dos
grevistas, a criação de condições para que a direção da empresa, através do Plano de
Cargos, Carreiras e Salários,
possa suprimir o adicional de
30% dos salários dos carteiros, senão acabando com ele
por completo, mas impondo
uma série de condições para o
pagamento do referido valor.
O acordo homologado pelo
TST não oferece qualquer garantia aos trabalhadores sobre
a manutenção do adicional de
risco da forma como ele está.
Ao contrário, deixa claro em
seu texto, que o adicional vai
ser substituído por outro sob
o mesmo “título” ou “idêntico
fundamento/natureza”.
A substituição seria feita a
partir da reformulação do
PCCS, onde a empresa pretende condicionar o recebimento do adicional a um sistema nazista de avaliação das
metas de produtividade, como
o GCR, e do absentismo do
trabalhador. Querem a todo
custo transformar o benefício
em mais um mecanismo de
pressão sobre o carteiro, que
para recebê-lo integralmente
terá que se submeter a uma série de exigências da empresa.
Este acordo assinado pelo
Bando dos Quatro no mês de
julho é pior que o Termo de
Compromisso assinado no final de 20e07 pelo Ministro das
Comunicações, Hélio Costa, e
pelo presidente da ECT, Carlos Henrique Custódio. Naquele documento, que na época foi utilizado para torpedear
a luta da categoria exigindo a
sanção presidencial ao projeto de Lei da Periculosidade, os
carteiros ainda receberam
como garantia a incorporação
definitiva do abono 30% aos
salários a título de adicional de
risco, sem que isso estivesse
subordinado a qualquer restrição que pudesse ser imposta
pela chefia nos setores.
Por isso, a única maneira
dos trabalhadores carteiros
garantirem a manutenção do
adicional de 30%, de maneira integral e irrestrita, aos salários, é através da luta para
derrubar o PCCS da escravi-
-Pela contratação imediata
de mais funcionários!
-Aumento do contingente
de trabalhadores no fim do
ano!
- Triagem e entrega dos livros didáticos somente com
contratação de efetivo suplementar;
BANDO DOS QUATRO SE DIVIDE
PCdoB-PSTU impõem
assinatura de acordo traidor
A Fentect enviou balanço
do resultado das “assembléias” que definiram o acordo
coletivo deste ano. Nele fica
claro que o eixo organizativo
no interior do bloco PTPCdoB, Psol, PSTU para forçar a aprovação da indecente proposta feita pela empresa foi a aliança PCdoBPSTU.
Em São Paulo o PCdoB só
conseguiu a aprovação com a
colaboração aberta do PSTU,
os quais dirigiram a assembléia e trabalharam para desorganizar a votação e o fim
da campanha salarial impondo uma nova assembléia somente no dia 29, onde só seria discutido o PCCS.
No Rio de Janeiro e em
Brasília o PCdoB impôs a
aprovação, obviamente, sem
enfrentar nenhuma oposição
de verdade.
O sindicato de Pernambuco, único dirigido pelo PSTU,
aprovou a proposta seguindo a
orientação do PCdoB, repetindo o que aconteceu na campanha salarial do ano passado,
quando defenderam o fim da
greve e aceitação da proposta
junto com o PCdoB em São
Paulo.
Alguns sindicatos dirigidos
pelo PT não aprovaram a proposta da empresa mostrando
que o PSTU é, neste momento, mais abertamente defensor
da política do governo se comparado aos próprios sindicalistas do PT, partido oficial do governo.
As mudanças que estão
acontecendo na direção da
ECT, com o controle do PMDB
e a retomada da maior parte
dos cargos de confiança por
este partido vão colocar o
PCdoB e seu apoiador o
PSTU, como o núcleo ativo da
política da empresa, cabendo ao
PT, em crise total, um papel secundário.
O PCdoB durante décadas foi o braço sindical do
PMDB, além da preferência
eleitoral por este partido, do
qual fez parte durante décadas, inclusive contra o PT, antes deste partido ser governo
nos estados.
Não por acaso o sindicato
do Rio de Janeiro, a mais antiga das entidades dirigida pelo
PCdoB no Correio, apoiou diretamente o PCCS, fazendo
campanha contra o termo de
oposição ao Plano de Cargos,
Carreiras e Salários. Em Brasília a diretoria do sindicato,
também do PCdoB, anunciou
a filiação da ADCAP (a associação patronal de técnicos
postais do Correio) à central
sindical do PCdoB. Está mais
do que claro que o PMDB, ou
seja, a direção da ECT, com
seus técnicos e gerentes escolheu o PCdoB como seu instrumento político para controlar os trabalhadores.
CAUSA OPERÁRIA
19 DE OUTUBRO DE 2008
TEORIA 12
75 ANOS ATRÁS A IV INTERNACIONAL E AS LUTAS OPERÁRIAS
As grandes greves de Mineápolis
linha de frente de militância,
não como reação subjetiva - isto
é visto em toda greve - mas
como postura deliberadamente
assumida, baseada na teoria da
luta de classes, que não se pode
ganhar nada dos patrões a não
ser que se tenha a vontade de
lutar por isso e a força para
mantê-lo.
A terceira contribuição do
trotskismo à greve de Mineápolis - e talvez, a mais interessante - foi que conhecemos os
mediadores do governo em seu
próprio terreno. Uma das coisas
mais lamentáveis observáveis
naquele período foi ver como
em uma greve após a outra os
trabalhadores foram desmembrados e sua greve quebrada
pelos “amigos do trabalho”
sob a aparência de mediadores
federais.
Esses pulhas escorregadios
diplomática do “protocolo”
das negociações, mas esta era
a essência da nossa atitude.
Bem, nunca arrancaram um
centavo dos líderes trotskistas
da subsede Local 574. Tomaram uma dose de negociações e
diplomacia da qual ainda estão
se recuperando. Desgastamos
três deles antes da greve se
DFHUWDU¿QDOPHQWH
O truque favorito dos hoPHQVGHFRQ¿DQoDFRQKHFLGRV
como mediadores federais naqueles tempos era juntar líderes
grevistas imaturos em uma sala,
jogar contra sua vaidade, e
induzí-los a se comprometerem
com algum tipo de compromisso que não estavam autorizados
a fazer. Os mediadores federais
convenciam os líderes grevistas
de que eles eram “figurões”
que deviam tomar uma atitude
“responsável”. Os mediadores
sabiam que concessões feitas
por dirigentes em negociações
muito raramente poderiam ser
desfeitas. Não importava o
quanto os trabalhadores pudessem se opor, o fato de que os
dirigentes já haviam se comprometido em compromissos
públicos criava desmoralização
QDV¿OHLUDV
Este procedimento esfacelou muitas greves em diversos
lugares naquele período. Não
funcionou em Mineápolis.
Nosso pessoal não era formado
GH³¿JXU}HV´GDQHJRFLDomR
Deixaram claro que sua autoridade era extremamente
limitada, que eles eram de fato
a ala mais moderada e razoável
do sindicato e que se dessem
um passo em falso poderiam
ser substituídos nas negociações por outros tipos. Isso foi
de um certo impacto para os
fura-greves que haviam vindo
a Mineápolis com suas facas
para um rebanho desavisado.
De vez em quando Grant Dunne
crição, mas não é esse o caso.
Não era óbvio para a grande
maioria dos líderes grevistas
daquele tempo.
A quinta e arrematadora
contribuição que o trotskismo
deu à greve de Mineápolis foi a
publicação do boletim diário da
greve, o Daily Organizer (Organizador Diário). Pela primeira
vez na história do movimento
operário americano, grevistas não ficaram dependendo
da imprensa capitalista, não
foram aterrorizados por ela,
não tiveram a opinião pública
desorientada pelo monopólio
capitalista da imprensa. Os
grevistas de Mineápolis publicaram seu próprio jornal
diário. Isso não foi feito por
meio milhão de mineradores de
carvão, cem mil trabalhadores
do setor automotivo e siderúrgico, mas por um sindicato
local de cinco mil motoristas de
caminhão, um novo sindicato
em Mineápolis que tinha uma
história aparecia na imprensa
capitalista sobre novos desenvolvimentos na greve. Os trabalhadores não acreditavam. Eles
esperavam pelo Organizer para
ver o que era verdade de fato.
Distorções feitas pela imprensa
de incidentes da greve e histórias completamente inventadas
que teriam destruído a moral de
muitas greves não funcionavam
em Mineápolis. Mais de uma
vez, entre a multidão que cercava
a sede da greve, quando a mais
recente edição do Organizer
era entregue, podia-se ouvir
comentários como: “Você viu o
que o Organizer diz. Eu te disse
que aquela história no Tribune
era uma mentira deslavada”.
Esse era o sentimento geral dos
trabalhadores em relação à voz
dos trabalhadores na greve, o
Daily Organizer.
Esse instrumento poderoso
não custou um centavo. Pelo
contrário, o Daily Organizer
lucrou desde o primeiro dia e
era acrescentado ao Comitê. Ele
apenas se sentava num canto
sem dizer nada, somente franzindo a testa quando se falava
em concessões. A greve foi uma
luta dura e amarga, mas nos
divertimos bastante planejando as reuniões de negociação
do sindicato com os mediadores. Desprezávamo-los a
todos seus truques, artifícios
astutos e intenções hipócritas
de camaradagem e amizade
pelos grevistas. Não eram nada
além de agentes do governo em
Washington, que por sua vez é
agente da classe empregadora
como um todo. Isso era perfeitamente claro para um marxista
e nós os tratamos como insultantes para eles imaginarem que
poderíamos nos deixar levar
pelos métodos que empregaram
com os iniciantes. Tentaram
duramente. Aparentemente
não conheciam outros métodos. Mas não avançaram até
chamamos outro camarada cuja Estados Unidos, mas pelo mun- ou “Sentimo-nos obrigados a que fossem ao fundo do caso,
WDUHIDHVSHFt¿FDHUDRUJDQL]DU do afora, com o trotskismo em publicar algo nos jornais contra pusessem pressão nos patrões
os desempregados para ajudar ação no movimento operário vocês se não forem mais razo- H¿]HVVHPFRQFHVV}HVDRVLQna greve. Esse era Hugo Oehler de massas. O trotskismo con- áveis e responsáveis”. Então dicato. A experiência política
que era um trabalhador das tribuiu multiplamente com esta colocavam os inexperientes coletiva do nosso movimento
massas e sindicalista muito greve o que fez toda diferença grevistas em salas de reunião, foi muito útil ao lidar com os
capaz. Seu trabalho em Mi- entre a greve de Mineápolis mantidos lá por horas e horas mediadores federais. Diferenneápolis foi a única coisa boa e centenas de outras greves D¿RHRVDWHUURUL]DYDP(VWH temente de sectários estúpidos,
que ele chegou a fazer por nós. naquele período, algumas das foi o procedimento usual que não os ignorávamos. Algumas
Logo depois ele pegou a doença quais envolviam mais trabalha- esses canalhas cínicos empre- vezes iniciávamos discussões.
do sectarismo. Mas até então dores em localidades e setores garam.
Mas nunca deixamos que nos
Oehler estava bem e contribuiu mais importantes. O trotskismo
Eles vieram à Mineápolis XVDVVHPQmRFRQ¿DPRVQHOHV
um tanto à greve. Além disto, contribuiu com a organização todos engomados para uma em nenhum momento. Nossa
arrumamos um advogado para e preparo até dos últimos de- nova performance. Estávamos estratégia principal na greve
o sindicato, Albert Goldman. talhes. Isto é algo novo, isto é sentados esperando por eles. era lutar até o fim e não dar
Sabíamos de experiências pré- DOJRHVSHFL¿FDPHQWHWURWVNLVWD Dissemos: “Venham. Vocês nada para ninguém, mas devias que um advogado é muito Segundo, o trotskismo intro- querem negociar, não que- cidir tudo na luta. Essa foi a
importante numa greve, se você duziu em todos os planos e rem? Tudo bem. Está certo”. contribuição do trotskismo de
puder arranjar um bom. É mui- preparativos do sindicato e da É claro que nossos camaradas número quatro. Pode parecer
to importante ter seu próprio JUHYHGRFRPHoRDR¿PXPD puseram na linguagem mais ser uma simples e óbvia pres-
liderança trotskista. Essa liderança entendia que publicidade
e propaganda são altamente
importantes e que é algo que
muito poucos dirigentes sindicais sabem. É quase impossível
expressar o tremendo efeito do
jornal diário. Não era grande,
apenas um tablóide de duas
páginas, mas anulou completamente a imprensa capitalista.
Depois de um dia ou dois não
nos importávamos mais com o
que os jornais diários dos patrões diziam. Eles publicavam
todos os tipos de coisas, mas
QmRID]LDPXLWDGLIHUHQoDQDV¿leiras da greve. Eles tinham seu
próprio jornal e levavam suas
reportagens a sério. O Daily
Organizer cobria a cidade como
um cobertor. Grevistas na sede
costumavam pegá-lo direto das
prensas. O coletivo de mulheres
o vendia em cada taberna da
cidade que tinha fregueses da
classe trabalhadora. Em vários
saloons nos bairros operários
deixava-se um embrulho de
jornais no bar deixando do
lado uma lata com um furo
para colher a contribuição por
eles. Muitos por um dólar foram coletados desta maneira e
cuidadosamente vigiados pelos
balconistas amigáveis,
Sindicalistas costumavam vir
das lojas e pátios ferroviários
todas as noites para pegarem
embrulhos do Organizer para
serem distribuídos entre os homens em seus turnos. O poder
daquele pequeno jornal, sua inÀXrQFLDVREUHRVWUDEDOKDGRUHV
é indescritível. Eles acreditavam
no Organizer e em nenhum outro
jornal. Ocasionalmente uma
manteve a greve quando não
havia mais dinheiro. A renda
do Daily Organizer pagava as
despesas diárias do comissariado. O jornal era distribuído
gratuitamente a quem quer que o
quisesse, mas quase todo trabalhador simpatizante dava desde
um níquel a um dólar por cópia.
O moral dos grevistas foi mantido em alta por ele, mas acima
de tudo, o papel do Organizer
era o de um educador. Todos os
dias o jornal trazia as notícias
da greve, algumas piadas sobre
os patrões, algumas informações sobre o que acontecia no
movimento operário. Havia até
uma tirinha diária desenhada por
um camarada local. Então havia
um editorial passando lições das
vinte e quatro horas passadas,
dia após dia, apontando o caminho a ser seguido. “Isto é o que
aconteceu. Isto é o que vem pela
frente. Esta é nossa posição”. Os
trabalhadores em greve estavam
armados e preparados com antecedência para cada movimento
dos mediadores do Governador Olson. Seríamos marxistas
fracos se não pudéssemos ver
com vinte e quatro horas de antecedência. Fizemos isso tantas
vezes que os grevistas começaram a tomar nossas previsões
como notícias e a apoiarem-se
nelas como se fossem. O Daily
Organizer foi a maior de todas
as armas no arsenal da greve de
Mineápolis. Pode-se dizer sem
considerar muito que de todas
DVFRQWULEXLo}HVTXH¿]HPRVD
mais decisiva, a que conduziu à
vitória, foi a publicação do jornal
diário. Sem o Organizer a greve
nunca teria sido ganha.
Leia nesta edição a terceira parte da tradução inédita
em português do capítulo do livro do trotskista norteamericano James P. Cannon, A história do trotskismo
norte-americano (1928-1938) sobre a participação dos
trotskistas dos anos 30 nas lutas operárias nos EUA
Em nosso movimento nunca porta-voz que o aconselhe e
brincamos com a idéia absur- proteja seus interesses legais.
da de que somente aqueles Há todo tipo de altos e baixos
diretamente relacionados a em uma greve muito disputaum sindicato eram capazes de da. Algumas vezes as coisas
ajudar. As greves modernas ficam muito quentes para os
necessitam de direção política líderes grevistas de “má fama”,
mais do qualquer outra coisa. então se pode sempre colocar
Se nosso partido, nossa Liga um advogado à frente a dizer
como o chamávamos naquele calmamente: “Vamos discutir
tempo, deve sua existência à isso juntos e ver o que a lei
ajuda dos camaradas locais. diz”. Muito útil especialmente
Como sempre ocorre com os quando se tem um advogado
líderes sindicais, especial- tão brilhante e leal quanto Al
mente em épocas de greve, Goldman.
estavam sob o peso e a presDemos tudo que podíamos à
são de milhares de detalhes. greve a partir de nossa central
Um partido político, por outro em Nova Iorque, sob o mesmo
lado, transcende os detalhes e princípio mencionado ante-
generaliza a partir das questões
principais. Um líder sindical
que recusa a idéia de receber
aconselhamento político na
luta contra os patrões e seus
governantes, com seus dispositivos astuciosos, armadilhas,
e métodos de exercer pressão,
é cego, surdo e mudo. Nossos
camaradas de Mineápolis não
eram deste tipo. Vieram a nós
para pedir ajuda.
Mandamos bastante força
nesta situação. Fui até lá cerca
de duas semanas antes de a segunda greve irromper. Depois
que eu estive lá por uns dias,
concordamos em mandar mais
ajuda - uma equipe inteira, na
verdade. Duas pessoas a mais
foram trazidas de Nova Iorque
para o trabalho jornalístico:
Shachtman e Herbert Solow,
um experiente e talentoso jornalista que simpatizava com
nosso movimento naquela
época. Tomando emprestada
a idéia da greve de Toledo,
riormente. Eu deveria servir
de diretriz para todo tipo de
atividade de um partido sério,
ou uma pessoa séria se for o
caso. Este é o princípio: Se você
vai fazer qualquer coisa, pelo
amor de Deus, faça-o direito.
Nunca titubeie, nunca faça as
coisas pela metade. Fora com
o morno! “Pois é o morno, e
nem quente ou o frio, que eu
cuspirei fora”.
A greve começou em 16 de
Julho de 1934 e durou cinco
semanas. Pode-se dizer sem
o mínimo exagero, sem medo
de contradição alguma, que
a greve de Julho-Agosto dos
caminhoneiros e assistentes
de Mineápolis entrou para os
anais da história do movimento
operário norte-americano como
uma de suas maiores, mais heróicas, e melhores organizadas
lutas. Além do mais, a greve e
o sindicato advindo dela estão
identificadas para sempre no
movimento operário, não só nos
vinham, tiravam vantagem
da ignorância, inexperiência
e inadequação política dos
dirigentes locais e os asseguravam de que estavam lá como
amigos. Sua tarefa era “acalmar
o problema” exortando concessões do lado mais fraco.
Inexperientes e politicamente
desinformados, os dirigentes
grevistas eram suas presas.
Tinham um procedimento, uma
fórmula para pegar os desavisados: “Não estou lhes pedindo
para fazerem uma concessão
aos patrões, mas concedam-me
algo para que eu possa ajudálo”. Então, depois que algo foi
deixado de lado pela culpabilidade: “Eu tentei conseguir
uma concessão equivalente dos
patrões, mas eles recusaram. Eu
acho que seria melhor se vocês
fizessem mais concessões: a
opinião pública está se voltando
contra vocês”. E então a pressão e as ameaças: “Roosevelt
vai fazer um pronunciamento”
CAUSA OPERÁRIA
19 DE OUTUBRO DE 2008
CONTRA AS MULHERES
Opus Dei norte-americana quer impor
o fim do direito ao aborto nos EUA
A organização católica Cavaleiros de Colombo, dos
EUA, comparada à Opus Dei, é autora da pesquisa-farsa
que afirma que 84% da população norte-americana é
favorável a restrições ao aborto
debate entre os candidatos republicano e democrata, ocasião em que o republicano
Jonh MacCain reafirmou sua
posição “totalmente contra o
aborto”. Confirmando que a
“pesquisa de opinião” só pode
ser uma farsa, e uma aberta
campanha da Igreja a favor do
candidato republicano e sua
vice, a ultra-conservadora
Sarah Palin.
Às vésperas das eleições “pró-escolha”, termo utilizado
presidenciais nos Estados nos EUA para definir os que
Unidos, a principal organiza- apóiam a legalização do aborção católica do país, divulgou to - “esconde a existência de
uma pesquisa onde, suposta- um amplo consenso entre os
mente, 71% dos eleitores e norte-americanos sobre o fato
84% do total dos norte-ame- de que o aborto deveria ser sigricanos se mostraram favorá- nificativamente restringido”.
veis a alguma forma de restri- Segundo a pesquisa, apenas S e g u r a d o r a
ção para a prática do aborto. 8% dos norte-americanos católica
Os Cavaleiros de Colom- acreditam que a interrupção da
bo, que encomendaram a pes- gravidez deve estar disponível
A ordem dos Cavaleiros de
quisa ao também católico para a mulher em qualquer moMarist College nos EUA, vem mento da gravidez e 13% Colombo é uma organização
sendo chamada de “o braço gostariam de proibi-la em de leigos católicos, fundada
em 1882 pelo padre americaforte da Igreja” e já foi elogi- qualquer circunstância.
ada por papas e presidentes
A manobra da pesquisa, no Michael McGivney. É a
por seu fiel apoio à Santa Sé.
Entre diversos temas, a pesquisa afirma
que 32% dos norte-americanos concordam
com o aborto apenas
nos casos de estupro,
incesto, ou para salvar a
vida da mãe, enquanto
24% gostariam de limitá-lo a apenas os primeiros três meses de
gravidez e 8% aos primeiros seis meses. Para
outros 15%, o aborto
deveria ser praticado
apenas para salvar a vida
da mãe.
Segundo a pesquisa
das organizações religiosas, o país possui 70
A organização católica Cavaleiros de Colombo, dos EUA quer
milhões de católicos,
atacar os direitos democráticos das mulheres, como o aborto.
entre os quais 65% se dizem praticantes e 35%
se dizem não praticantes. A solicitada por tão importante maior organização católica do
diferença entre eles estaria na organização católica dos Es- mundo. Segundo dados divulobediência aos dogmas da tados Unidos e executada pela gados em sua página na InterIgreja. Por exemplo, 59% dos não menos fiel organização net, são 1,7 milhão (2008) de
católicos praticantes seriam católica (os colégios Maristas membros espalhados entre
contrários ao aborto, enquan- estão espalhados pelo mundo Estados Unidos, Canadá, Méto 65% dos não praticantes inteiro, inclusive no Brasil), xico, Caribe, Filipinas, Guam
seriam a favor da escolha da em véspera eleitoral, revela o e Polônia.
Quando comparamos com
tamanho do envolvimento da
mulher.
A pesquisa também falou Igreja com o processo eleito- o contingente da Opus Dei,
ente outras coisas sobre a ral e político nos EUA e no que nos EUA possui, oficialunião civil e o casamento ho- mundo e, em particular, com mente, 3.000 membros, permossexual. E afirma que 70% a ala direita do partido republi- cebemos a dimensão dessa
organização. Sua capacidade
dos eleitores, assim como cano.
de arrecadação impressiona e
Diante
disso,
façamos
algu70% de todos os católicos
praticantes votariam em um mas considerações: a pesqui- revela suas relações sociais.
candidato que defenda o sa feita por organizações ca- Só no ano passado ofereceu
matrimônio unicamente entre tólicas, sobre uma população doações no valor de 143 mium homem e uma mulher e católica, a respeito de dogmas lhões de dólares a diversas
que garanta uma vitória na católicos, que o papa tem per- instituições.
Este poder financeiro imcorrido o mundo para se proguerra do Iraque.
nunciar a respeito, não pode plica logicamente em que a
ser minimamente levada a sé- organização é amplamente fiA manobra da
rio. E ainda utilizar esses su- nanciada pelo Estado imperipesquisa em
postos dados sobre toda a po- alista norte-americano para
véspera eleitoral
pulação de um país onde o servir como tropa de choque
aborto foi conquistado pela ideológica da sua política de
luta organizada das mulheres direita.
Na ocasião da divulgação da há 35 anos, é menos confiável
Seus objetivos iniciais tepesquisa, Carl Anderson, pre- ainda.
riam sido “ajudar a fortalecer
sidente dos Cavaleiros de CoMais, a notícia percorreu a fé dos homens da paróquia
lombo, afirmou que a utiliza- o mundo na última quarta-fei- de St. Mary, em New Haven,
ção do termo “pro-choice” – ra (14), horas antes do último e prover assistência financeira
a imigrantes e em caso de
morte, auxílio a viúvas e órfãos dos associados.”
“Hoje fazemos isso, e ajudamos as famílias a assegurarem seu futuro financeiro,
através de nossa carteira de
máxima qualificação em seguros de vida, seguros de largo prazo e produtos de anuidades”, afirma o “cavaleiro
supremo”, presidente da organização. O último balanço da
seguradora católica divulgado
esse ano, deu conta de um
ativo que está avaliado em seis
bilhões de dólares.
Mas será que deus vai proteger os cavaleiros da crise
mundial? Segundo Carl Anderson, sim. “Sem dúvida,
posso afirmar que não há razão para preocupações com o
valor de seu seguro de vida e
anuidades com a Cavaleiros de
Colombo.”
Os capitalistas que hoje
sobrevivem com o dinheiro do
governo norte-americano,
também afirmavam isso há
três meses atrás. Basta lembrar o que aconteceu, em setembro (17) com a principal
seguradora dos EUA, a AIG
(American International
Group) que foi - temporariamente – salva da falência pelo
governo Bush, com um empréstimo de US$ 85 bilhões.
Se deus não salvar a seguradora católica da falência, talvez eles ainda possam recorrer a outro aliado, o governo
Bush.
A maçonaria da
Igreja
As características de seita
secreta e semelhanças dessa
organização com a maçonaria
estão além dos aspectos da
“solidariedade” financeira.
Um texto disponível na Internet, que teria sido publicado
originalmente em 1913, sob o
título Slaves of the Godsmith,
de H. George Buss, apresenta um juramento que seria assinado pelos membros da ordem prometendo extrema lealdade ao papa, sobre e acima
de qualquer lealdade aos líderes do país, ou à Constituição.
O texto apresenta a ordem
como seguidora da “Superior
Geral da Companhia de Jesus,
fundada por Santo Inácio de
Loyola”, os famosos Jesuítas,
e apresenta o papa “como
chefe universal em toda a Terra, que em virtude das chaves
para abrir e fechar, dadas à
Sua Santidade por meu Salvador Jesus Cristo, tem ele poder para depor os reis, príncipes, estados, comunidades
e governos hereges e fazer
com que eles sejam segura-
MULHERES 1 3
mente destruídos.” Entre outras promessas de guerra e
morte de hereges. O que pode
ser, apesar de absurda, uma
explicação do apoio à condenação e morte das mulheres,
consideradas hereges por
causa do aborto.
Outro texto, esse de um expadre Chiniquy, acusa a organização de ser instrumento do
Vaticano para fortalecer a
Igreja especialmente em países onde as Constituições garantem “excessivas” liberdades democráticas, e limitações à ação da Igreja, incentivando seus representantes
no Congresso a trabalharem
para absorver os imigrantes
da Europa e da América do
Sul que eram católicos; “se
um número grande o suficiente de imigrantes for trazido
para cá, Roma espera obter a
destruição da nossa Constituição por meio das urnas eleitorais”.
Papa igual a Bush
Assim como confia, valoriza e reconhece a atuação da
Opus Dei e do papa nazista Pio
XII, Ratzinger também reconhece os “serviços” dos Cavaleiros ao Vaticano. No início desse ano, ele assinou um
decreto possibilitando conceder a canonização a McGivney, o fundador da ordem, que
pode vir a ser o primeiro santo nascido nos Estados Unidos.
Em sua recente visita aos
EUA, o papa Ratzinger se encontrou com a presidência
dos Cavaleiros de Colombo e
em seu breve discurso manifestou sua gratidão aos serviços e obra realizada pela organização, tida como “força de
renovação na Igreja”.
Certamente o serviço a que
o papa se refere é a sistemática campanha em defesa da
“família”, que pretende na
verdade acabar com o direito
ao aborto nos países onde
atua, financiando campanhas
contra as conquistas democráticas das mulheres, inclusive apoiando e elegendo candidatos conservadores.
Em discurso proclamado
na 126º Convenção anual, “o
Cavaleiro Supremo Carl Anderson assinalou que é dever
dos católicos dizer ‘não’ aos
políticos que promovem ou
aceitam o aborto.”
E ainda confirmou a campanha de perseguição às mulheres, expressando a necessidade de “estabelecer uma radiante linha de separação entre
eles (os católicos) e aqueles
políticos que defendem o regime do aborto de Roe vs.
Wade”.
E se referindo às eleições
presidenciais afirmou que
“este ano milhões de votantes
católicos simplesmente dizem
‘não’; não a cada candidato de
cada partido político que apóia
o aborto”. Eis o serviço a que
se referia o papa. O apoio declarado da Igreja como força
INTENSIFICA-SE A CAÇA ÀS BRUXAS
Polícia invade casa e prende mulher por aborto
Na noite da última quartafeira (15), a Polícia Militar na
cidade de Bauru, em São Paulo, invadiu a casa de uma mulher para prendê-la em flagrante pelo “crime” de aborto.
Segundo divulgou o Jornal
da Cidade, a polícia chegou à
casa da mulher depois de uma
suposta denúncia anônima, o
que em si já configura uma total arbitrariedade. No início a
mulher teria negado, mas acabou confessando.
Agora não se trata mais fazer discursos, invadir clínicas,
mas de invadir a própria casa
das pessoas e usar sabe-se lá
de que métodos para tirar delas uma confissão.
Em nome da condenação,
prisão e perseguição da mulher, a polícia cometeu diversas irregularidades, como de
praxe da organização, verdadeiros crimes, como invasão
de privacidade, invasão de domicílio (provavelmente não
tinham mandado), rasgando
princípios constitucionais:
“são invioláveis a intimidade,
a vida privada, a honra e a
imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização
pelo dano material ou moral
decorrente de sua violação” e
que “a casa é asilo inviolável do
indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consenti-
mento do morador, salvo durante o dia, por determinação
judicial”, artigo 5º da Constituição, inciso X e XI respectivamente. Além de atentado contra a autonomia e dignidade das
mulheres, bem como aos direitos democráticos já conquistados.
Daqui a pouco vai sair o
“Tropa de Elite para as Mulheres”. É evidente que a cruzada
moral da Igreja Católica e da
direita (e da esquerda) está realizando uma escalada. Já não
se trata aqui de uma campanha
moral da direita religiosa, pela
prevalência de seus dogmas
sobre toda a população, mas
uma verdadeira inquisição,
onde o Estado (em todas as
suas instituições) se aliou à
Igreja para condenar as mulheres.
Caso essa denúncia seja
mesmo verdadeira, certamente foi resultado e motivada por,
essa sim criminosa, campanha
das mais diversas religiões, que
se uniram nessa caça às bruxas.
A campanha ostensiva da
Igreja é a principal responsável por toda essa barbárie.
Basta ver algumas declarações
de membros da Igreja.
Em 2007, o frei franciscano Nilo Agostini, que é doutor
em Teologia Moral, professor
da PUC do Rio de Janeiro e do
Instituto Teológico de Petrópolis, esteve em Bauru e falou
sobre aborto.
Vejamos uma entrevista sua
a um órgão de imprensa da Diocese de Bauru:
“Como conseguimos, no
nosso dia-a-dia como cristãos
e cidadãos, nos manifestar a
respeito disso? Resposta: primeiro, não entrando na onda
de uma mentalidade abortista
e ter sempre como preocupação a defesa da vida... Uma sociedade com raiz cristã é a favor da vida e, portanto, dirá
sempre não ao aborto. Está na
hora de irmos em “cima dos
telhados” e dizermos o que
brota de nossas raízes. (grifo
nosso).
“Por outro lado, se cruzarmos os braços, um dia irão
nos cobrar porque nos silenciamos nessa hora. Um dos
anúncios primordiais da Igreja é estar em favor da vida. Em
deuteronômio, Deus diz: “eu
coloco diante de vocês a vida
e a morte. Escolham a vida,
para que vivam, você e sua
descendência de maneira estável sobre a Terra”.
Tem também a “Campanha
da Fraternidade” desse ano
com o tema “escolhe pois a
vida”, as marchas das organizações contra o aborto, a uti-
conservadora, pela manutenção do poder da principal potência do mundo capitalista de
hoje nas mãos dos mais reacionários republicanos.
Não foi em vão a visita exclusiva que o presidente George Bush fez ao Papa no país
sede da Igreja Católica, em
junho desse ano. Segundo
agência de notícias do Vaticano “Santo Padre renovou ao
presidente, antes de tudo, sua
gratidão pela calorosa e especial acolhida recebida nos Estados Unidos e na Casa Branca durante sua viagem do mês
de abril passado e pelo compromisso na defesa dos valores fundamentais. Depois falaram dos principais temas da
política internacional: as relações entre os Estados Unidos
e a Europa, Oriente Médio e o
compromisso pela paz na Terra Santa, a globalização, a crise alimentar e o comércio internacional, a aplicação dos
Objetivos do Milênio.”
Em defesa das
mulheres e do
Estado laico
O caso Roe vs. Wade e a
histórica decisão da Suprema
Corte Norte Americana que,
em 1973, estabeleceu que a
maioria das leis contra o aborto nos EUA violavam “o direito constitucional à privacidade” e obrigou todas as leis
federais e estaduais a serem
modificadas é motivo de fúria
dos setores conservadores.
Só nos últimos anos, por
exemplo, extremistas de direita
e fanáticos católicos já mataram médicos e empregados de
clínicas. Muitas sofreram
atentados com bombas ou foram incendiadas.
Nos dois recentes mandatos
de George W. Bush, a cruzada contra as mulheres se ampliou. Além de diversos estados estarem impondo restrições ao aborto, na tentativa de
impedir o acesso e mesmo
cassar esse direito das norteamericanas, o presidente
Bush, com apoio dos democratas, nomeou um jurista
católico para a Suprema Corte, em 2005, demonstrando
total apoio à campanha da
Igreja contra o aborto. Com
John Roberts, somam-se cinco católicos, de nove juízes vitalícios da Suprema Corte dos
EUA.
Tal caçada aos direitos das
mulheres revela que a conquista do direito ao aborto, bem
como dos direitos essenciais
às mulheres, não significam
uma vitória completa e nem
mesmo será capaz de resolver
o problema da mulher na sociedade capitalista.
Na verdade, a luta pelo aborto legal é a ponta de lança para
a luta pelas liberdades democráticas da mulher, dos negros, da juventude e de toda
classe operária, isto é, dos
setores explorados.
homem.
É mais que urgente uma
campanha nacional em defesa das mulheres e de seus direitos. Nenhuma mulher pode
ser punida por aborto. O movimento organizado de mulheres, o movimento popular,
sindical, estudantil e camponês precisa reagir diante dessa investida que hoje se con-
lização de fetos em missa, a por causa de um aborto feito
visita ao papa a diversos paí- em condição insalubre, inseses do mundo condenando gura, e a polícia foi até lá para
principalmente o aborto, mas prendê-la!
também os métodos contraEssas são apenas algumas
ceptivos, os outdoors espalhados por diversas capitais contra o aborto, a
tropa de choque da direita no Congresso Nacional
que conseguiu rejeitar em
duas comissões (a de Seguridade Social e Família
e a de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados projetos que há
mais de uma década estavam na pauta e pretendiam descriminalizar o
aborto, a musa da direita
e da Frente de Esquerda,
Heloísa Helena, em atos
públicos se manifestando
contra o aborto...
Tudo isso só podia resultar em clínicas sendo
fechadas e mulheres indiCaso essa denúncia seja mesmo verdadeira, certamente foi
ciadas aos milhares,
como aconteceu em resultado e motivada por, essa sim criminosa, campanha das mais
diversas religiões, que se uniram nessa caça às bruxas.
Campo Grande, Mato
Grosso do Sul, onde quase 10.000 mulheres foram ex- ações, nos dois últimos anos, centra contra as mulheres,
postas publicamente como cri- dos setores mais atrasados e que são um setor – assim
minosas e investigadas pela conservadores da sociedade como negros - que estão no
polícia e dezenas condenadas que não conseguem vislum- último nível na escala social
pela justiça; e agora esse caso brar a possibilidade da con- no capitalismo, mas que em
de Bauru, onde uma mulher quista pelas mulheres de direi- seguida se dissemina contra
teve sua casa invadida por tos que resultem numa maior toda a classe trabalhadora e
policiais. Ela estava sangrando liberdade ou igualdade com o explorada.
CAUSA OPERÁRIA
19 DE OUTUBRO DE 2008
UNIFESP
Fim dos processos contra os estudantes:
pela liberdade de organização
Contra a ditadura na universidade, fazemos um
chamado aos estudantes de todo o País a organizar uma
ampla e intensa campanha de defesa dos estudantes
perseguidos na Unifesp
Os estudantes da Unifesp,
que no último período se mobilizaram para derrubar a ditadura existente dentro da universidade e em defesa de melhores condições de ensino e
assistência estudantil, estão
sendo ameaçados de expulsão
pela burocracia que dirige a insituição. A mesma burocracia
que esteve envolvida, direta ou
indiretamente, nos escândalos
de corrupção que causaram a
queda do ex-reitor, Ulysses
Fagundes Neto, acusado pela
justiça de ter desviado do orçamento universitário, junto
com seus aliados, uma quantia de quase R$ 200 milhões de
reais.
O motivo das sindicâncias é
a ocupação da reitoria que
ocorreu no dia 14 de junho e
que foi brutalmente reprimida
pela violência policial a mando
de Fagundes Neto. Os policiais entraram no prédio da reitoria da Unifesp, localizado na
Vila Clementino, em São Paulo, e agrediram, junto com os
seguranças da universidade, os
estudantes mesmo depois que
estes já não ofereciam mais
resistência.
Até o presente momento,
mais de quinze estudantes já
foram intimados a depor para
a comissão disciplinar. Esta comissão é formada quase na sua
totalidade por professores titu-
lares que apoiaram a gestão do
antigo reitor, mesmo depois das
inúmeras denúncias, até o momento de sua renúncia. Para
condenar os estudantes, a reitoria da Unifesp está usando, assim como fez quando tentou
punir os estudantes que ano
passado ocuparam o campus
Guarulhos contra o Reuni, os
dados da Polícia Militar, o que
demonstra mais uma vez o envolvimento da universidade
com o aparelho repressivo do
Estado.
A repressão tem
um claro caráter
político
As mobilizações estudantis
que ocorreram no primeiro semestre pediam a saída do reitor,
como na UnB, onde o reitor foi
UNIFESP
obrigado a renunciar por causa da ocupação da reitoria. A
partir de então, como continuidade do movimento iniciado
anteriormente, as lutas evoluem em um claro sentido: questionam diretamente a estrutura
de poder da universidade. Uma
ditadura dos professores mais
graduados que se tornaram
uma extensão do Estado dentro das administrações universitárias. Na Unifesp, local que
até agora é a maior expressão
desta luta, os estudantes que
acamparam mais de mês em
frente a reitoria exigindo mudanças colocaram em sua pauta
de reivindicações o governo
tripartite proporcional com
maioria estudantil e o boicote às
eleições para novo reitor.
O que está por trás de toda
a repressão ao movimento estudantil é a tentativa da reitoria
de manter seus privilégios in-
MOVIMENTO ESTUDANTIL 1 4
dividuais e o de grupos capitalistas que representam. Por este
motivo, querem calar a voz dos
estudantes que estão lutando
contra esta estrutura de poder
que beneficia somente esta meia
dúzia de parasitas em detrimento dos verdadeiros interesses da
universidade e da comunidade
acadêmica.
É a tentativa de intimidar e
calar um movimento que adquire cada vez mais um caráter
fundamentalmente político,
algo que pode ser comprovado
pelo enfrentamento cada vez
maior do movimento estudantil com a reitoria e o Governo.
Fim da
perseguição ao
movimento
estudantil
Segundo informações obtidas com um professor ligado à
Adunifesp (Associação dos
Docentes da Unifesp), que revelou ter obtido informações
com pessoas ligadas a administração universitária, a reitoria da
Unifesp pretende expulsar alguns alunos para que isto sirva
como uma “punição exemplar”, causando um clima de
pânico e terror, para desta forma, tentar calar o movimento
estudantil.
Junto à tentativa de expulsar
estes estudantes, somam-se
outros casos. Dois estudantes
estão respondendo por um ato
que não cometeram; arrancar
as câmeras instaladas para
punir e vigiar os estudantes no
campus Guarulhos, principalmente seus atos políticos. Neste caso, mesmo com o processo em andament,o a Comissão
Disciplinar já encaminhou uma
condenação ao órgão responsável pela punição! Outro estudante em Santos pode ser punido por um desentendimento
com a professora, entre outros
casos.
A luta dos estudantes da
Unifesp é a mesma que a de
diversas universidades: contra
a política do governo, a ditadura
das reitorias e por melhores
condições de ensino e permanência. Por este motivo é preciso organizar uma campanha
nacional contra a tentativa de
expulsar os estudantes da Unifesp e contra a destruição das
universidades públicas.
ESALQ
Boicotar as eleições para reitor Estudantes punidos de forma sumária
Através de um processo totalmente viciado que serve apenas para perpetuar a atual estrutura de poder, onde os professores são ampla maioria em
detrimento dos funcionários e
principalmente dos estudantes,
a atual reitoria da Unifesp, composta por pessoas do mesmo
grupo político do ex-reitor,
Ulysses Fagundes Neto, convocou uma eleição para a escolha do novo reitor.
Trata-se de um processo de
consulta onde os membros da
comunidade não tem qualquer
poder de participação. O voto de
um professor, seguindo a pro-
porção do Consu (Conselho
Universitário), vale mais que o
voto de aproximadamente 72
estudantes. Após esta consulta
o próprio Consu pode alterar o
resultado da votação quando
for formada a lista tríplice que
será enviada para que o presidente indique um dos nomes.
No final de tudo, quem escolhe
é Lula.
A confirmação da verdadeira fraude que é esta eleição pode
ser confirmada pelo nome dos
possíveis candidatos a reitor:
Nestor Schor, Luís Eugênio
Mello e Walter Albertoni. Todos
apoiaram incondicionalmente a
gestão de Fagundes Neto e já
foram pró-reitores. Mello e Albertoni ocuparam os cargos na
antiga gestão e ambos estão
sendo investigados pelo Ministério Público por corrupção.
Por entender que não basta
mudar o nome, mas sim a estrutura de poder, os estudantes
aprovaram, em assembléia geral,
o boicote às eleições. Esta campanha deve ser ampliada e intensificada com a aproximação do
processo para que possa ser
esclarecido ao conjunto dos
estudantes o verdadeiro funcionamento da universidade e de
sua estrutura de poder.
AJR publica cartaz pelo boicote as eleições-farsa
Com a onda de repressão, a
diretoria não está perdoando
nem as organizações estudantis.
Atlética, DAs, CAs e estudantes são vítimas da ditadura da diretoria que censura, processa e
pune sem sequer dar chance dos
estudantes se defenderem
Os inúmeros estudantes que
foram ou estão sendo processados pela diretoria da ESALQ
não estão tendo chance nem de
se defender. Em esquemas típicos de uma ditadura, as punições
já estão decididas quando o estudante recebe a notificação sobre o ocorrido.
Houve casos em que o estudante recebeu uma intimação
para comparecer a uma reunião
e quando chegou ao local, a
diretoria estava com advogado
e documentos que o incriminavam, para intimidá-lo. Em outros casos, estudantes foram
impedidos de utilizar espaços
essenciais da universidade,
como a biblioteca, salas de informática, aulas e até mesmo, casos absurdos em que alguns
estudantes foram proibidos de
freqüentar ao restaurante universitário, pois estariam suspensos.
Essa é a política dos governos federal e estadual, de tratar
os estudantes como se fossem
criminosos, enquanto defendema permanência e expansão,
por exemplo, das fundações e
empresas privadas que são parasitas dentro da universidade,
sugando recursos públicos para
enriquecer alguns poucos e que
são a via aberta para a privatização da universidade. A perseguição, repressão e censura aos
estudantes em todos os terrenos
e nos mínimos detalhes, são
uma tentativa da burocracia da
universidade em impedir que
estes se levantem contra o sucateamento e a conseqüente
privatização da universidade.
Os estudantes devem se unir
em torno de uma campanha
contra a repressão e punição aos
estudantes, que cada vez mais
se generaliza e ocorre nas universidades de todo o país.
ESALQ
Para ampliar a campanha
pelo boicote às eleições-farsa está sendo publicado um
cartaz pela AJR nesta semana. Após os escândalos de
corrupção que envolveram o
ex-reitor, Ulysses Fagundes
Neto, e o levaram a renunciar com medo da mobilização
estudantil, a burocracia universitária que apoiou o reitor
corrupto até o último segundo está convocando uma
eleição para tentar pôr panos
quentes na crise. Contra
esta manobra da reitoria, os
estudantes aprovaram em
assembléia geral a proposta
de boicotar as eleições. A
campanha deve ser ampliada com essas e outras iniciativas.
Estudantes são processados pela
diretoria por uso do Centro de Vivência
A Diretoria e a Prefeitura do
Campus da Escola Superior de
Agricultura “Luiz de Queiroz”
estão processando estudantes
que utilizaram o Centro de Vivência (CV), local onde são
realizadas atividades culturais e
festas.
A diretoria da ESALQ nesses
últimos tempos vem aumentando a repressão contra os estudantes e limitando o uso dos
espaços estudantis. A diretoria
justifica a repressão devido ao
uso do álcool, entrada de pessoas da comunidade piracicaba-
na e, quando não encontram outras desculpas, chegam ao extremo de alegar excesso de pessoas nos espaços, de forma totalmente arbitrária.
Cerca de 40 estudantes estão
sendo processados devido a
essa política. Os estudantes
chegaram a realizar uma manifestação em abril de 2007, onde
o Conselho do Campus criou
uma Comissão para Estudo e
Elaboração de proposta para a
utilização do CV. Essa comissão
não condiz com a realidade dos
estudantes, pois não correspon-
de às suas reivindicações, sendo só mais um espaço burocrático manipulado pela diretoria.
Apesar do uso de álcool dentro da universidade ser proibido
aos estudantes é liberado no
restaurante dos professores,
nos churrascos de departamentos (alguns realizados semanalmente) e comemorações de pósgraduandos. Nestes casos, a
utilização de bebidas alcoólicas
é feita sem nenhuma restrição
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CAUSA OPERÁRIA
19 DE OUTUBRO DE 2008
MOVIMENTO ESTUDANTIL 1 5
ENTREVISTA
Relato de estudante perseguido na Unicamp:
“Punição, esse é o diálogo da diretoria do Instituto de Geociências”
O Estudante Danilo Prado de Oliveira, do Instituto de
Geociências da Universidade de Campinas,
perseguido pela reitoria da universidade, foi
entrevistado por Causa Operária
Causa Operária: Danilo,
você pode explicar o que levou
à sua punição?
Danilo: A gente chegou das
férias e, simplesmente, nos deparamos com uma parede construída no lugar da porta ainda com
os blocos visivelmente sem colocar qualquer acabamento, assim,
os blocos no lugar da parede. Uma
grade enorme entre a porta maior
e essa outra porta menor que foi
fechada, justamente para as pessoas não poderem ter acesso pelo
Centro Acadêmico até as dependências internas do prédio da Engenharia Básica.
E isso foi tudo feito nas férias
com alegação da diretoria de que
as férias seriam um momento
ideal para que esse tipo de mudança fosse feita. E nós nos deparamos inicialmente com isso sem a
gente ter sido consultado.
Eu não estou aqui numa posição contra defender o patrimônio
público, como possíveis pessoas
mal intencionadas que queiram
roubar coisas, e eu particularmente não acho certo roubar coisas
públicas, mas como que a gente
poderia fazer uma segurança para
proteger esse patrimônio público?
Aí que está, a gente não é consultada, os estudantes não são consultados, não participam desse
processo.
E é contra essa imposição e
esse autoritarismo que eu me
coloco, porque a gente não participa dos programas, das idéias
e dos planos que são postos ao
nosso instituto? Os alunos apenas
são, no máximo, comunicados
das coisas, não há um diálogo.
Causa Operária: Quais decisões foram tomadas na assembléia dos estudantes?
Danilo: Dia 28 de agosto foi
feita uma Assembléia, Quatro
horas de construção coletiva, da
qual saiu deliberado e decidido que
estaríamos mandando um ofício
comunicando que queríamos
aquela porta de volta na parede que
foi construída até a próxima quintafeira da semana seguinte.
A diretoria, posteriormente
convocou alguns membros, pelo
que eu sei, do centro acadêmico.
E a galera saiu com medo, ficou
claro que se alguma coisa fosse
feita poderia haver punições.
Ele propôs pôr uma janela basculante no Centro Acadêmico.
Isso tudo aconteceu entre o dia
28 de agosto e a primeira quinzena do mês de setembro, e nós
estamos agora na segunda semana do mês de outubro, e nem uma
janela basculante foi posta...
Ou seja, eles interferem no
nosso espaço de forma arbitrária,
autoritária, e se você diz alguma
coisa e não concorda, você está
passível a sofrer punição. Essa
que é a realidade.
Causa Operária: E o que
ocorreu depois disso?
Danilo: Passei em sala avisando aos menos informados que
teve uma assembléia, foi tirada
uma decisão coletiva.
Tudo foi feito às claras. Se o
coordenador do curso estava na
sala de aula ou não, não escondi
nada de ninguém, o tempo todo
disse que tinha sido deliberado a
reconstrução da porta e, é lógico,
se você vai reconstruir, vai reinstalar uma porta, você tem que
quebrar primeiro o que f
oi autoritariamente construído.
Então, eu expliquei que estava disposto a fazer valer a decisão que a assembléia tomou. Só
que não sozinho, que eu precisava de mais pessoas comigo, que
eu não iria tomar uma atitude
isolada até porque eu sei que a
direção utiliza sempre esse argumento contra os alunos: ‘-ah, foi
uma ação isolada, não é legítima’,
sempre querendo deslegitimar
uma ação que vai contra os interesses, os projetos autoritários
por parte da direção, pró-reitoria
ou reitoria.
Infelizmente eu estou sendo
punido por nada que foi feito.
O que ele está chamando de
vandalismo foi uma ação coletiva,
então o coletivo é vândalo? E não
é esse o caso, porque foi discutido, foi votado democraticamente.
Agora, simplesmente exibi as
ferramentas, eu estava com uma
marreta e uma talhadeira disposto a fazer alguma coisa, no sentido que foi decidido.
Causa Operária: Como chegou a notícia de que você estava sendo punido?
Causa Operária: Houve uma
denúncia de que você vai receber outra punição pelo mesmo
motivo, pode explicar o que
está acontecendo?
Danilo: Primeiro eu recebi um
e-mail dizendo que, por ordem da
direção eu deveria ir até a sala do
diretor. O diretor queria falar comigo foi por causa dos acontecimentos que ocorreram no prédio
da Engenharia Básica.
Só que, se for pra tratar assunto do coletivo, eu não vou cometer o mesmo erro que eu cometi
antes, onde, através de um abaixo-assinado questionando o fato
dos alunos não poderem consumir bebida alcoólica dentro do
campus, e que em festa de posse
de reitor e diretor podia. Baseado
em informações que eu sempre
soube que ocorriam, embora eu
nunca tivesse participado de festas dessas, porque sempre fui barrado.
O diretor simplesmente, pelo
mesmo autoritarismo que o caracteriza, colou um papel na porta do
nosso Centro Acadêmico, na porta da Engenharia Básica, e no corredor do instituto, relatando que se
tivesse outro barzinho dessa natureza no nosso Centro Acadêmico, seria passível de punição dentro do estatuto do regimento da universidade.
Foi feito o abaixo-assinado
com aproximadamente 200 assinaturas, e eu fui sozinho na sala
falar com ele. A diretora associada do instituto, professora Sílvia
Figueroa, me perguntou se eu
provava que em festa de reitor e
diretor tinha bebida alcoólica. Eu
disse que não, eu não poderia
provar. Acabou, xeque-mate.
Então, eu disse que não iria conversar com ele a menos que a
conversa fosse no nosso Centro
Acadêmico com a participação de
mais estudantes e toda a comuni-
Danilo: Isso. Eu recebi uma
punição de 15 dias por parte da
Direção. Essa punição chegou
através de um documento que eu
assinei ciente na noite do dia 9 de
setembro. No dia 10, dia seguinte, foi montada uma Comissão
Interdepartamental composta por
representantes do corpo docente e discente. Eu tenho o documento em mãos assinado pelos
professores presentes. Através
de e-mails a direção diz que eu não
fui punido por dizer algo que eu
penso, expressar uma opinião, ou
estar disposto a desconstruir uma
ação autoritária por parte da Diretoria do IG, não, eles dizem que
eu fui punido por incitar o vandalismo dentro de sala de aula.
Então, o que eu fiquei sabendo? De que já teria sido concordado com o agravo da minha
punição, ou seja, o diretor montou uma comissão de sindicância
interna. Mas, a única comissão
que foi montada que eu conheço,
chama CID, Comissão Interdepartamental, se existiu outra comissão punitiva em relação a
minha pessoa, eu desconheço,
porque o primeiro documento
punitivo, isso tem que ficar bem
claro, o foi assinado por um único homem: Ávaro Penteado
Crósta, diretor do Instituto. Mas
eu sei a professora Sílvia Fernando Figueiroa está plenamente a
favor, inclusive quando eu fui
levar comunicados em sala de
aula, enquanto eu distribuía e
falava que eles já tinham tirado a
minha cerveja, já tinha tirado a
minha visão, por que puseram
uma parede, e aí eu perguntei ‘o que mais vão tirar de mim, meu
pensamento, minhas pernas, mi-
BUROCRACIA ESTUDANTIL
Democracia a la Psol: eleição em 15 dias
As inscrições de chapa
para concorrer às eleições do
DCE da Unicamp foram convocadas. Sem ampla divulgação, a maioria dos estudantes
sequer imagina que o processo já começou. Assim, através de fraudes, o mesmo grupo se mantém no DCE, há
quase uma década, mesmo
totalmente desvinculados de
suas reivindicações e necessidades.
Aqueles que pretendem lançar chapa para as eleições terão que se submeter a uma
série de normas absurdas que,
ao invés de incentivar a mobilização, só servem para afastar os estudantes do movimento estudantil.
O estatuto das eleições foi
definido na última reunião do
CRU, Conselho de Representante de Unidade. Os representantes do CRU, em sua
maioria, são, ou militantes do
Psol e integrantes do DCE, ou
apoiadores do Psol. Assim, o
próprio Psol já pré-definiu as
normas a que estarão submetidas as eleições do DCE de
maneira que facilite sua permanência na entidade.
Tudo é feito às pressas para
garantir que não sejam feitas
discussões a respeito da atuação nociva da política da frente popular no movimento estudantil. Eles querem que os estudantes não façam um balanço dos acontecimentos, tentando frear o movimento numa
tentativa de adiar o momento
em que os estudantes superarão esta casta que controla as
entidades para fins particulares, e não em favor da universidade pública e gratuita.
Num dos primeiros artigos
do Estatuto das eleições já podemos perceber a fraude:
“O Conselho de representante de unidades, CRU, deverá eleger uma Comissão eleitoral, que será encarregada de
organizar o processo eleitoral
(...) A CE será composta por
CA´s eleitos pelo CRU dia 14/
10, preferencialmente em número ímpar”.
Ou seja, o DCE, que domina o CRU, vai escolher os
Centros Acadêmicos onde
tem mais apoio para compor
uma comissão eleitoral deles
mesmos e assim controlar
toda a eleição.
Para a participação da Comissão eleitoral, o estatuto
diz:
“Os critérios de participação mínimos nas reuniões
para que seus membros tenham direito a votar são: presença mínima em 2/3 das
reuniões ordinárias e em 50%
das reuniões extraordinárias”.
Mais uma maneira de restringir a ampla participação
dos estudantes nas eleições e
a fiscalização sobre a lisura
do processo. Essa norma impede que estudantes que não
se sentem à vontade para freqüentar o Centro Acadêmico
por causa da política de esvaziamento do movimento estudantil do Psol, ou, aqueles
que não puderam estar presentes nas reuniões por causa do horário, qualquer outro
motivo, como a própria divergência com as reuniões,
possam votar em representantes para a Comissão eleitoral e quem acaba votando
são eles mesmos, uma vez que
os Centros Acadêmicos escolhidos pelo CRU são justamente aqueles onde há representantes do DCE na gestão.
Esse artigo permitiu que
no ano passado uma militante do Psol fosse “eleita” pelo
Centro Acadêmico de Pedagogia (CAP/Psol) para fazer
parte da Comissão Eleitoral.
O problema é que essa militante já não freqüentava a
faculdade, tão pouco as reuniões do Centro Acadêmico,
ferindo seu próprio estatuto.
Além disso, essas reuniões
ordinárias onde são escolhidos os representantes da
Comissão Eleitoral passam
dade do Instituto de Geociências.
Essa foi a resposta de diálogo,
o mesmo diretor que diz que está
aberto ao diálogo, só que ele só
está aberto ao diálogo com gente
que concorda com ele. O diálogo
é através da punição, esse é o diálogo da diretoria do Instituto de
Geociências.
por debaixo dos panos sem a
menor divulgação.
A comissão eleitoral deve
ser escolhida em assembléia
geral dos estudantes com uma
ampla participação estudantil,
e não ficar fechada entre as
quatro paredes dos centros
acadêmicos esvaziados.
Dominada a Comissão
Eleitoral, o Psol organiza um
esquema que garanta as urnas
e as cédulas a seu favor. Os
locais onde ficam as urnas
são chamadas de Mesas Receptoras (MR). Os mesários
são indicados pelos Centros
Acadêmicos e pela Comissão
Eleitoral, assim, somente os
“amiguinhos do Psol” é que
compõem as MR´s.
“Os CA´s devem indicar os
locais e horários de funcionamento das MR´s, em cada um
dos dias de votação, garantindo também a lista de nomes dos
mesários que as comporão”.
Ou seja, além do Psol escolher
quem serão os mesários, escolhe também os locais onde deverão ser abertas as urnas. No
ano passado, locais onde a
maioria dos votos era para a
AJR (Juventude do PCO), a
urna permaneceu aberta por
pouco tempo ou em horários
em que não havia estudantes.
Houve casos também em que,
embora o Centro Acadêmico
tenha indicado um local, o DCE
abriu urna em outro completamente diferente.
As urnas são abertas somente em locais de seu interesse e em horários que lhes
convém, ficando mais fácil
fraudar inclusive as cédulas,
uma vez que nenhum mesário
solicita documentos com foto
para a assinatura da lista de
nomes. Assim, qualquer estudante pode assinar qualquer
nome de qualquer lista, uma
vez que não precisa comprovar sua identidade.
O DCE exige também que
sejam 20 inscritos por chapa
obrigatoriamente, assim, um
estudante que tenha uma pro-
posta de programa não consegue se inscrever livremente para apresentá-la ao conjunto dos estudantes se não
conseguir mais 19 assinantes
da chapa. O interesse do Psol
é restringir o número de chapas inscritas, diminuindo o
debate entre elas e o número
de estudantes mobilizados.
Mesmo que o DCE seja o
Diretório Central dos Estudantes, pós-graduandos, estudantes técnico-servidores
administrativos e alunos especiais não podem se candidatar, mesmo sendo estudantes que compõe a mesma
categoria, ficando assim, sem
representação.
Os militantes do Psol atuam da mesma maneira que os
grandes corruptos da burguesia ao promover eleições
totalmente fraudadas, sem
discussão com os estudantes
para se manter no poder de
entidades que sequer representam a categoria. Eles usam
dos DCE´s e CA´s como palanques eleitorais, escolinhas
para a formação de quadros
para o governo.
É através de eleições fraudulentas, pouca divulgação dos
acontecimentos e nenhum debate com o movimento estudantil que este grupo, antes do
PT e hoje do Psol, se mantém
na gestão do DCE há quase 10
anos. Os estudantes já não
acreditam mais na representação do DCE, procuram se organizar de maneira independente e contra a própria gestão.
As entidades estudantis,
embora conquistadas em luta
do movimento estudantil,
passaram por uma política intensiva de desmoralização e
esvaziamento por parte do
bando dos quatro (PTPCdoB-Psol-PSTU), agindo
na contramão do movimento
em defesa da universidade
pública.
As eleições de DCE e Centro Acadêmico já não têm o
menor vínculo com as lutas
estudantis, servem somente
para aprofundar a crise que se
abriu com a política de traição
destes grupos ao movimento
de luta dos estudantes.
nhas mãos?’. Foi na aula dela que
eu disse isso, ela disse que eu bebia
no centro acadêmico, sendo que
eu não falei isso. Eu falei que um
dia eu já bebi nessa universidade.
Então, é tudo feito para me para
me desmoralizar.
Então, tudo me leva a crer que
querem eleger alguém. Porque eles
usam o lado fraco, né? Porque foi
questionado nessa reunião até a
forma como eu me visto, que eles
acham estranho. O que eles são
agora, consultores de moda também?
Mas isso é importante, essa
dupla punição. Eu to sendo punido duas vezes pela mesma coisa,
nunca vi isso! Puniu, achou que
não foi o suficiente, aí ele montou
uma comissão para me punir
mais?
Causa Operária: Você já foi
punido outras vezes?
Danilo: Já fui sim, quando eu
era calouro e recebi a primeira
punição. Foi nas primeiras semanas de aula. Eu estava numa aula
de Biologia, no IB. Estava na aula
e a professora tava explicando
tudo muito rápido. E todo mundo
olhando pro alto.
Aí, eu queria entender alguma
coisa que ela estava dizendo. Só
que tinha coisas batidas e outras
coisas interessantes, e eu queria
entender.
Aí eu cheguei e falei: ‘-Professora, a senhora está explicando
tudo num ritmo muito rápido e tal,
eu não to entendendo onde a senhora quer chegar com tudo
isso...’ Sabe o que a professora
respondeu para mim? Ela disse: ‘Ah, você não está contente com
o jeito que eu dou aula? Você pode
se retirar da aula. Você já respondeu presença? A universidade é
livre’. É esse o conceito de liberdade, eu tenho que me retirar da
sala de aula. Ou seja, ela não pode
melhorar a aula dela, o conceito de
liberdade é eu poder me retirar.
Eu fiquei muito indignado e
respondi para ela: ‘-E a universidade é lugar de professor competente’. E aí ela me disse: ‘-E de
alunos educados’. E aí, eu me
retirei e voltei de novo, e por conta
desse entra e sai, desse transtorno, o que ela fez: pedir a minha
cabeça pro antigo coordenador de
graduação, que é o professor
Celso D. Carneiro. E você sabe
como que ele me suspendeu? Eu
e ele numa sala sozinho, sem representante discente nenhum. Foi
a primeira punição que eu tive
nessa universidade. O coordenador de graduação me suspendeu,
só ele.
Causa Operária: Você acha
que essa punição que teve agora é uma perseguição a você?
Danilo: Olha seria fácil eu dizer, ‘-ah, eu acho que é uma perseguição a mim’. Mas, eu creio
que no mínimo, independente de
ser eu o Danilo, é pegar um aluno
já meio visado.
Me pune por uma coisa que
nem consta, mesmo que fosse
incitamento ao vandalismo, o vandalismo não foi feito. Se você
causar distúrbio ou baderna você
também pode ser punido. É uma
coisa muito da interpretação do
que é distúrbio, algazarra e do que
é mobilização política. E eu acho
que é muito subjetivo, muito frágeis essas deliberações.
Eu estou vendo todo o processo de perda do espaço dos estudantes no decorrer dos anos,
compreende? Então, a gente tá
perdendo cada vez mais espaços,
cada vez mais catraquizações ‘apenas um instrumento de controle’. Não, também serve como
instrumento de inibição a catraca,
não é só para melhor monitorar
todo mundo.
E aí é isso, assim. Então é todo
esse processo de construção de
aparatos restritivos, coercitivos e
que, de boa, a gente usa o discurso da segurança, mas isso é segurança pra quem e para quê? Até
certo ponto, isso deve ser amplamente discutido sim, só que a discussão não se concretiza, e as
ações arbitrárias elas se concretizam nos espaços sim.
Quero deixar bem claro o seguinte: A reitoria e a Diretoria, a
Pró-Reitoria procuram descredibilizar os estudantes. Eles procuram, seja bem claro isso, denegrir
os estudantes, dizendo que eles
são baderneiros. Totalmente sem
embasamento as coisas, como
sempre.Como sempre.
MORADIA UNICAMP
Administração fecha ateliê e joga
fora os materiais artísticos
Na terça-feira, quando um grupo de moradores se reuniu para
fazer as reuniões semanais de discussão dos problemas da moradia,
se depararam com o Ateliê trancado.
A administradora, Josely (PT),
tomou posse da chave e a bloqueou
na administração, assim, estudantes teriam que obrigatoriamente
pedir autorização para freqüentar o
Ateliê. Além de bloquear a chave, a
administração jogou fora parte dos
materiais artísticos que moradores
utilizavam para desenvolver seus
trabalhos.
OAteliêfoiconquistadoporuma
mobilização de estudantes, numa
tentativa de transformar uma das
salas de estudos em um espaço de
produção artística e discussões
políticas. É no Ateliê, por exemplo,
que a Reunião dos Moradores vem
acontecendo semanalmente há alguns meses.
A Reunião dos Moradores é um
problema para a administração
porqueéjustamentenelaemquesão
pautadas as arbitrariedades da administradora, os projetos organizados pelos estudantes, as discussões
para assembléia e os posicionamentos dos Representantes Discentes
no Conselho Deliberativo. Ou seja,
a administração promoveu um verdadeiro ataque à organização independente dos moradores ao fechar
o Ateliê.
A administração alegou que
havia estudantes usando drogas no
local e um estudante dormindo na
sala. Na verdade, a intenção da
administração é tentar ao máximo
desmobilizar os estudantes, como
deixou claro na última reunião do
Conselho Deliberativo ao fugir da
discussão colocada pelos estudantes e alegar que eles, a burocracia
da universidade, estariam muito
mais interessados na Moradia do
que os próprios moradores.
A desculpa das drogas é a mesma que a Kátia (FCM), ex-administradora derrubada pela ocupação
dos estudantes, assumia para atacar diretamente os moradores; cancelar festas, impedir projetos e bloquear materiais. Não por acaso, a
nova administradora, Josely, do
mesmo instituto que Kátia, toma as
mesmasposições,perpetuandoaditadura da burocracia na Moradia.
A administração tomou tal atitude justamente num momento em
que os moradores estão cada vez
mais revoltados com a burocracia.
Areformadementira,obloqueio
de equipamentos, materiais e correspondências, a proibição do acesso aos espaços coletivos, as dificuldades em desenvolver projetos e a
proibição de festas são conseqüências de uma administração dirigida
pela burocracia universitária, por
um grupo de professores que sequer moram na moradia. O único
interesse desses professores é contar pontinhos, acumular funções e
receber mais por isso, ou seja, interessesparticularesquenemdelonge colocam a administração a serviço dos moradores.
A reitoria da Unicamp já está se
preparando para uma revolta ainda
maior dos moradores, uma vez que
a ocupação de 2007 foi deliberada
emumaassembléianaMoradia,por
isso tenta acalmar os ânimos dos
moradores “presenteando” as casas com fogões e geladeiras novos.
Os moradores não podem se deixar
levar por isso.Enquanto dá alguns
“presentes”, a burocracia espera o
silêncio e cumplicidade dos moradores para continuar o sucateamento da Moradia, a reforma de mentirinha, que coloca em risco a vida
dos moradores e para aumentar a
repressão contra todos; moradores,
visitantes e principalmente aqueles
que se levantarem contra a ditadura dos professores na moradia.
São os estudantes que moram na
Moradia quem mais conhecem
suas necessidades, o que é prioridade, onde investir o orçamento. A
compra dos fogões, geladeiras e as
camas que ainda virão, por exemplo, aconteceu por insistência dos
moradores que lutavam contra o
fato de, enquanto a administração
gastava mais da metade da verba da
moradia em paisagismo, haver estudantes dormindo no chão.
Portanto, somente uma administração feita pelos moradores é
que pode corresponder aos seus
próprios interesses.
CAUSA OPERÁRIA
19 DE OUTUBRO DE 2008
12 DE OUTUBRO DE 1968
HISTÓRIA 16
MOVIMENTO ESTUDANTIL
A polícia da Força Publica
vinha de Sorocaba, o 7º Batalhão
Policial, enquanto que os civis
eram do DOPS. A tropa estava
fortemente armada. Além de
através
da
Agência
para
o
Demetralhadoras leves e munição,
mesmo
dia
em
que
Fidel
Castro
Há 40 anos, quase mil estudantes foram presos de uma
senvolvimento,
USAID.
traziam também caixas com
e
outros
guerrilheiros
cubanos
só vez na cidade de Ibiúna, em São Paulo, ao tentarem
O
acordo
MEC-USAID
teve
bombas.
realizaram
o
assalto
ao
Quartel
realizar de forma clandestina o 30º Congresso da União
O plano para locomover mil
Moncada, marcando o início da como objetivo reestruturar a uniNacional dos Estudantes. Este foi o último ato de luta do
revolução cubana vitoriosa em versidade em função do técnico estudantes de todo o Brasil para
movimento estudantil contra a ditadura naquele ano, que
1959, os operários da Cobrasma, DVVDODULDGRVHPLTXDOL¿FDGR o interior de São Paulo não seria
viria a decretar o Ato Institucional nº 5, abrindo caminho
em Osasco, começaram uma requerido como mão-de-obra fácil.. Mas o plano, embora muipara o período Médici
greve. A cidade foi fechada da grande corporação capita- to mal pensado, provavelmente
pelos militares e o movimento lista e diminuindo ao máximo em função das disputas internas
Foi em pleno feriado que uma
Foram 920 presos, todos estu- só terminou com todos os tra- os custos de sua formação. Foi, do movimento estudantil, foi
enorme operação policial foi dantes, na maioria universitários, balhadores sendo presos. Esta também, uma tentativa de apro- empregado com a máxima dismontada para desmantelar o que vindos de todas as partes do País, era a primeira manifestação da fundar a situação subalterna do ciplina dos estudantes.
seria até então a última tentativa que não chegaram nem mesmo a organização operária contra a País no terreno da tecnologia,
Carros particulares partiam à
do movimento estudantil de or- realizar o 30º Congresso da UNE, ditadura após um breve período aumentando a dependência do noite conduzindo os estudantes
ganizar a luta contra a ditadura ainda clandestino. Vale lembrar de quatro anos de refluxo. O imperialismo. Impulsionou-se até uma parte da rodovia Raposo
militar naquele explosivo ano de que cerca de mil estudantes golpe, porém, impediu que as o desenvolvimento das escolas Tavarez. De lá, os estudantes
1968, que acabou resultando na também foram presos durante o
entravam na carroceria de capromulgação do Ato Institucio- cerco policial na PUC (Pontifícia
minhões e partiam até o Bairro
nal nº 5, o AI-5, decreto que deu Universidade Católica) de São
dos Alves. Uma primeira leva de
lugar ao governo Médici, onde se Paulo, em setembro de 1977,
estudantes chegou numa quintafeira de manhã ao sítio.
LQWHQVL¿FDDUHSUHVVmRPLOLWDU
quando o movimento estudantil
O que poderia ser um mero
O decreto ampliava os pode- precedeu a luta do movimento
acaso, entretanto, alertou os
res formais da ditadura, que já operário contra a ditadura.
militares quando um caseiro foi
havia acabado com os partidos
naquele mesmo dia até o sítio
políticos e o Congresso e criado Do Calabouço a
Murundu cobrar uma dívida do
dois partidos fantoches que eram Ibiúna
proprietário. Foi aí que avistou
a Arena (Aliança Renovadora
“mais de 500 homens armados
lutas de Osasco se tornassem privadas (esta empresa capitalis- na serra de São Sebastião”.
uma mobilização geral da classe ta da educação e seus mercadores Este foi o informe que o rústico
de diplomas ocupa hoje 80% homem passou para o então
operária.
O histórico ato de 1º de maio da rede escolar, ao passo que, prefeito Semi Isa, que contatou
de 1968 também é um dos exem- em 1964, representava apenas o delegado Otavio de Camargo
plos máximos da tendência 25%). Ao mesmo tempo elimina que, por sua vez, contatou a Serevolucionária dos trabalhado- toda uma parte das despesas cretaria da Segurança e DOPS.
res, que ultrapassavam as dire- orçamentárias do Estado criando Decidiu-se que o sítio seria
ções burguesas da burocracia uma espécie de novo imposto invadido no mesmo dia à noite
sindical apoiada pelo regime, sobre a população (as anuidades ou no sábado pela manhã.
No local, as instalações eram
mas também o freio político da pagas pelos alunos).
Esta reforma implicava tam- extremamente precárias. Para
esquerda conciliadora com a
burguesia, em particular o sta- bém, na transformação do ensino
Em 1968, o movimento estu- linismo. Durante o ato realizado de 1° e 2° graus, visando adapNacional), cassado direitos políticos de opositores, acabado GDQWLOEUDVLOHLURFRPRUHÀH[R na praça da Sé, com a presença tar o conjunto da estrutura ao
com as eleições direitas para da crise capitalista, levantou-se do governador indicado pela mercado de trabalho do grande
presidente, estados e capitais contra o regime após diversos ditadura, Abreu Sodré, os ope- capital e aliviar a pressão sobre
e realizado a intervenção nos outros episódios marcarem este rários presentes em número o ensino superior, que mesmo
sindicatos operários. No entan- ano, como, por exemplo, o pri- esmagador, com a participação com a escalada privatista nunca
to, o principal é que o decreto meiro deles em 1968, no dia 28 de diversas oposições sindicais, foi capaz de atender à demanda.
é parte de um golpe dentro do de março, quando os estudantes passaram por cima da polícia, to- Isto foi feito com a profissiogolpe que visa a encerrar a opo- organizavam uma manifestação maram e queimaram o palanque. nalização do ensino de 2°grau,
sição que se manifesta dentro do para protestar contra o alto preço Desesperado, o governador se visando desviar o jovem, com
Congresso Nacional, fechando-o da comida servida no restaurante escondeu dentro da Catedral da uma caricatura de formação
sob o eufemismo de “recesso universitário Calabouço, no Rio sé e foi depois retirado da praça SUR¿VVLRQDOSDUDRPHUFDGRGH
parlamentar” por tempo inde- de Janeiro. O estudante Edson por um helicóptero.
trabalho antes do ingresso na a realização das assembléias
foram levantadas tendas de lona
terminado e, principalmente, a Luiz de Lima Souto, 17 anos,
Exatos um mês antes da greve universidade.
repressão às manifestações de não participava do protesto, da Cobrasma, outro episódio
A ditadura adaptou, à sua ma- e o local de dormir foi improvimassa e às organizações estu- estava apenas almoçando e foi marcaria a história do País e neira, a escola à vida e vinculou o sado num galpão, mas a maioria
dantis e operárias que haviam morto pelos disparos da polícia uma das tantas demonstrações “trabalho intelectual ao trabalho preferia dormir no local das asconseguido se rearticular sob o enviada ao local para reprimir de luta contra a ditadura. No dia manual”. Utilizando-se de méto- sembléias, onde ninguém podia
a marcha.
regime militar.
26 de junho ocorria a Passeata dos autoritários (criação de leis, entrar calçado devido à intensa
Este primeiro grande episódio dos cem mil, no Rio de Janeiro, portarias, decretos, etc), promo- lama produzida pela chuva.
. Os militares no poder lançaEra nestas condições que
vam uma ofensiva total contra de mobilização popular mostra- em protesto contra a repressão, YHXPDGHVTXDOL¿FDomRJHQHUDOLos trabalhadores e estudantes va que o movimento estudantil a censura e a morte de Edson zada e um baixo nível de ensino, cerca de mil estudantes pretenque naquele mesmo ano haviam não estava enclausurado dentro Luís. Esta foi a maior passeata em todos os níveis de educação, diam realizar o 30º Congresso
demonstrado uma grande capaci- das universidades, mas tinha contra a ditadura. Após quatro em função de obter mão-de-obra da UNE. Algumas delegações
dade de mobilização contra o re- o apoio do povo que via cada DQRVGHUHÀX[RDVPRELOL]Do}HV barata e semi-especializada para nem conseguiram chegar até o
gime que, no entanto, teve como vez mais a ditadura, velha já de HVWXGDQWLVURPSLDPGH¿QLWLYD- trabalhar nas grandes empresas ORFDOWDPDQKDHUDDGL¿FXOGDGH
OLPLWDomRGHFLVLYDRIDWRGH¿FDU quatro anos, como um fracasso mente o silêncio para protestar que seriam a tônica do “milagre de acesso.
O congresso seria iniciado
restrita a determinados centros econômico e político. A cada contra o plano de privatização econômico”.
num sábado, mas os estudantes
como Osasco, na ocupação da ação do movimento, a cada pas- do ensino público iniciado em
O movimento dos
foram acordados pelos disparos
Cobrasma, São Paulo e Rio nas seata ou manifestação, a polícia grande escala pelos militares
estudantes
era destacada com sua cavalaria
de mais de 250 policiais que
manifestações estudantis, etc.
cercavam o acampamento.
Neste dia 12 de outubro de para dispersar a multidão e esta- A educação dos
militares
As caravanas de estudantes
2008 completaram-se 40 anos da belecer a paz e a ordem.
chegavam de todos os estados O movimento dos
A cada ação das forças redissolução do 30º Congresso da
Desde o golpe de 64, a dita- do Brasil. Ponto de encontro: militares
União Nacional dos Estudantes pressivas, dezenas de milhares
pela brutal repressão exercida se reuniam nas ruas. O que era dura militar atingia a sua maior sítio Murundu, no bairro dos
Quase mil estudantes foram
pela ditadura militar brasileira, para ser um enterro se trans- crise. O processo de desmonte Alves, a uns vinte quilômetros
na cidade de Ibiúna, um dos formava numa mobilização de da educação pública chegara ao do centro de Ibiúna pela estrada presos de uma só vez, sem nenhuma resistência. Tratava-se
últimos episódios da luta das massas. A cena de uma multi- seu auge. Nessa época, as pro- de São Sebastião.
Toda essa movimentação foi da parte mais consciente do
massas contra a ditadura neste dão tomando as ruas do centro porções entre o ensino público
do Rio de Janeiro e São Paulo e privado era de 25% a 75%, recebida com estranheza pela movimento estudantil, ainda
interlúdio de 1968.
A entidade havia sido fechada apavorava os generais, pois estes respectivamente, situação que, vizinhança. Os comerciantes, que os partidos políticos que o
durante o golpe de 64, e no dia 2 sabiam que o movimento dos diga-se de passagem, permanece por exemplo, começaram a dirigiam, mantinham sua base
de abril, segundo dia do golpe, a estudantes seria apenas a ponta até hoje e vem se aprofundando perceber a enorme quantidade atrelada a uma política burguesa,
sede nacional, localizada no Rio de um iceberg. Debaixo havia desde o período da “reabertura”, de compras que eram feitas em que teria como resultado que
de Janeiro, foi incendiada pelos ainda toda a massa proletária. passando pelo governo FHC até supermercados, farmácias e estes militantes enveredassem
padarias. Um grupo de estudan- em grande número para o foOs acontecimentos de Osasco o governo Lula.
militares.
A repressão contra o movi- tes, maltrapilhos e cabeludos, quismo, uma política de luta
A pacata cidade de Ibiúna, e do 1º de maio de S. Paulo,
interior de São Paulo, com seus bem como de Contagem eram mento estudantil e operário seria chegou a pedir nada menos que armada minoritária, realizada à
margem das massas e, em parapenas seis mil habitantes na a demonstração da tendência ao vital para implementar os planos dois mil pães.
Comandado pelo delegado ticular, da classe operária, com
época, foi o cenário que registrou ascenso operário que o regime do imperialismo para a educação
brasileira. O regime militar es- José Paulo Bomcristiano, a um programa burguês naciouma das maiores operações de precisava conter.
Os estudantes se tornaram a tava no poder para levar adiante operação para prender os estu- naista e democrático e baseada
prisão em massa da história do
Brasil. Os cerca de mil policiais voz política da luta democrática as reformas do imperialismo. dantes daquele congresso que em uma análise equivocada da
da Força Pública e do DOPS contra o regime militar, com o Para a educação, uma reforma estava proibido pela ditadura situação política baseada em
destacados para invadir o lama- apoio incondicional da popula- universitária estava na ordem- foi gigantesca. Contou com a uma grande superestimação da
cento sítio Murundu chegaram ção e dos trabalhadores. Estes se do-dia. Estava em marcha um participação de mais de 200 luta democrática e da debilidade
no dia do credenciamento dos organizariam logo mais tarde, no acordo entre a ditadura militar policiais do DOPS e da Força da ditadura. Esta outra etapa de
luta terminaria em um completo
mesmo ano. No dia 26 de julho, e o governo norte-americano, Pública.
estudantes.
Ibiúna: o Congresso clandestino
A partir daí a organização dos
estudantes é levada gradualmente
à paralisia e a mais profunda e
estudantes. A sede da UNE na degradante integração ao Estadopraia do Flamengo foi invadida, burguês, tornando-se um apêndice
e queimada. A representatividade do Ministério da Educação. Em
da entidade foi retirada pela Lei 1985, com a subida de Sarney
Suplicy de Lacerda e em 1968, foi ao governo, a direção da UNE,
destruída pelo regime militar.
presidida pelo atual deputado
A partir de 1974, o movimento Aldo Rebello dá apoio integral
estudantil começa a reagrupar-se ao governo reacionário e próUHLYLQGLFDQGRR¿PGDGLWDGXUD imperialista.
militar e a vigência das liberEm 1986, o PCdoB é derrubadades democráticas. Em 1977, do da direção da UNE por uma
os estudantes saem às ruas por frente única de toda a esquerda
todo o País e em 1980 no Con- que se encontrava em sua maioria
gresso de Salvador, na Bahia a dentro do PT.
União Nacional dos Estudantes
Após a formação da frente poé reconstruída.
pular PT-PCdoB e outros partidos
Durante o processo de transição burgueses, no Congresso 1989,
do regime político, que fez parte o conjunto da esquerda que se
de toda uma operação da burgue- encontrava na direção da UNE,
sia para conter a crise do regime com exceção da AJR, entrega
militar que se aprofundou com o a diretoria da entidade de volta
ascenso do movimento operário para o PCdoB através da manobra
em 1978, a União da Juventude de constituição de uma diretoria
Socialista (UJS), juventude do proporcional.
PCdoB, torna-se direção da UNE,
Em 1992 depois da campacom o apoio da burguesia com a nha pelo Fora Collor, em que
qual estava aliada no MDB.
os estudantes se mobilizaram
A UNE ontem e hoje
A União Nacional dos Estudantes
(UNE) foi criada em 11 de agosto
de 1937, na Casa do Estudante do
Brasil no Rio de Janeiro, o então
Conselho Nacional de Estudantes, em um período contra-revolucionário que antecedeu o golpe
do Estado Novo semi-facista de
Getúlio Vargas. Esteve nas mãos
do governo ditatorial e seguiu o
nacionalismo burguês durante
a República Liberal. Nos anos
60, a direção da UNE passa de
forças como o stalinismo (PCB)
e o nacionalismo burguês para a
esquerda pequeno-burguesa que
rompe com o stalinismo após
revolução cubana. Em 1964,
a direção da UNE é dominada
pela Ação Popular, organização
católica que evolui para posições
de defesa do socialismo.
A partir do golpe de 1964,
com o início do regime militar,
manteve-se na clandestinidade.
A ditadura perseguiu, prendeu,
torturou e executou centenas de
e derrubaram o presidente, a
direção da UNE faz um acordo
com a burguesia para apoiar o
governo Itamar Franco, vice de
Collor, através do seu presidente
Lindbergh Farias que, juntamente
com a direção do PT e da CUT,
traem vergonhosamente a luta
das diretas em favor dos grandes
capitalistas. Em troca, o governo e
a burguesia em geral garantiram à
burocracia estudantil o monopólio
da emissão das carteirinhas de
PHLDHQWUDGD$SDUWLUGLVVR¿FRX
institucionalizado o recebimento
de milhões do governo pela UNE,
fortalecendo um mecanismo de
contenção das lutas dos estudantes
através da corrupção de suas direções. Através deste esquema de
corrupção, o movimento estudantil entra em um longo período de
paralisia e os laços entre a direção
da entidade estreitam-se cada vez
mais com os sucessivos governos
burgueses. As diretorias proporcionais, com PT, PSol (esquerda
do PT) e PSTU serviram de apoio
a esta política criminosa.
Esse papel contrário aos reais
interesses dos estudantes que
cumpre a direção da UNE tornase evidente se analisarmos sua
participação nas últimas lutas
travadas pelos estudantes. Em
2005, na campanha das universidades estaduais contra o veto
de verbas do governo Alckmin,
que se desenvolveu em uma greve
nas universidades estaduais e
mobilizou milhares de estudantes
nas ruas de São Paulo, a direção
da UNE simplesmente não tomou parte na luta. A UJS, como
direção da UNE, não cumpriu
o que seria sua obrigação de
suposta direção do movimento
estudantil nacional e estadual;
não organizou todos aqueles
estudantes que estavam em luta
contra o governador.
Apesar do tamanho do movimento, sua dispersão e a falta
de uma organização levaram os
estudantes a uma derrota diante
do governo, inclusive jogandoos a uma brutal repressão da tropa de choque da Polícia Militar
de São Paulo.
Em 2007, a mobilização dos
GHVDVWUHFRPRVDFUL¿FRGHFHQtenas de militantes abnegados e
dedicados.
)RUDPSRVWRVHP¿ODLQGLDQD
e seguiram até os ônibus e caminhões da polícia estacionados na
estrada de São Sebastião. De lá,
o comboio seguiu para o presídio
Tiradentes, no centro de São
Paulo, mais tarde demolido.
Antes de chegar à capital, o
comboio passou pelas cidades
próximas – Vargem Grande,
Cotia e no centro de Ibiúna – para
a população ver quem eram os
“perigosos subversivos”.
Os estudantes chegaram ao
presídio de Tiradentes por volta
das 19h, onde foram divididos
nas minúsculas celas. As condições oferecidas eram ainda mais
precárias do que as encontradas
no congresso. Para comer, os
estudantes derretiam suas escovas de dentes com isqueiros
para adaptar uma colher. Outros
improvisavam com a própria
carteirinha estudantil ou com
as mãos mesmo.
Ficaram presos por pelo menos uma semana, sendo submetidos a interrogatórios e torturas
psicológicas e físicas. Depois
disso foram levados presos até os
seus respectivos estados, sendo
algumas delegações liberadas
em São Paulo. Mas cerca de
70 estudantes – os principais
dirigentes de organizações como
PCB, Ação Popular e outros –
foram mantidos no presídio.
A prisão dos estudantes em
Ibiúna não foi um acontecimento
qualquer que passou desapercebido da população. O próprio
governador de São Paulo, Abreu
Sodré, o mesmo que foi escorraçado pelos trabalhadores no
ato de 1º de maio na Praça da
Sé, disse que agiu com energia
“para reprimir a agitação e a subversão quando determinei, após
horas de angustia e apreensão, a
prisão de estudantes subversivos
que participavam do congresso
da UNE”.
A mobilização estudantil
em 1968, no Brasil e no mundo, geralmente é tratado pela
imprensa burguesa como uma
história, parte do passado, daquela juventude cuja revolta é
apresentada como se não tivesse
fundo político e econômico
algum, mas fosse apenas um
problema de comportamento,
ou seja, psicológico.
Ao contrário, o movimento
estudantil de 1968 foi político,
resultado da crise capitalista, a
que a ditadura conseguiu dar uma
saída temporária após a derrota
das massas através do “milagre
econômico” dos anos 70. Não
foi apenas uma manifestação
democrática, mas levantou, a
partir das reivindicações e da luta
democrática uma clara tendência
à aliança com a classe operária
e à luta pelo socialismo. Os
estudantes de 68 ultrapassaram,
ainda que com sérias limitações,
a política stalinista de colaboração de classes abrindo uma crise
no PCB que buscava frear a luta
contra a ditadura.
As lutas de 68 são, nesse
sentido, um importante objeto
de análise e de aprendizado para
o movimento estudantil que
procura neste momento erguer
a cabeça em todo o Brasil.
estudantes, iniciada com a ocupação da reitoria da USP, que se
espalhou por mais de dez estados,
uma mobilização histórica pela
autonomia universitária e contra
a destruição do ensino público,
foi um movimento que passou
totalmente por fora da UNE e por
cima da direção do PCdoB e dos
seus aliados.
Portanto, apenas expulsando a
UJS da direção da UNE e construindo uma nova direção para o
movimento estudantil a partir das
bases é que será possível para os
estudantes retomar suas entidades
e torná-las novamente um instrumento de luta e de organização
nacional dos estudantes.
Somente com a derrota da burocracia e sob controle das bases
estudantis, a UNE e as demais
entidades serão reconstruídas
para a luta e para a vitória do
movimento estudantil contra
o governo e a burguesia pela
aliança operário-estudantil, pela
autonomia universitária e maioria
estudantil, pelo governo operário
e pelo socialismo.
CAUSA OPERÁRIA
19 DE OUTUBRO DE 2008
TORTURA
INTERNACIONAL 1 7
RELAÇÕES MACABRAS
Bush autorizou as torturas da CIA contra prisioneiros
Revela-se agora, formalmente, a existência de
memorandos em que Bush autorizou pessoalmente a
aplicação de técnicas de tortura em interrogatórios
contra supostos “combatentes inimigos”
Há menos de um mês de deixar o poder, o presidente Bush
sofre mais um golpe. Após pesquisas de popularidade indicar
pela CIA são feitas com total
consentimento de Bush e do seu
gabinete, porém desta vez as
acusações não partem de grupos de defesa dos
direitos humanos, mas de jornais como The
Washington
Post.
Em sua edição
de quarta-feira
(15), o jornal revela que ao menos
duas vezes Bush
autorizou por escrito o uso de técnicas de tortura
contra prisioneiros supostamente
ligados à Al Qaeda. Fontes do governo e da inteligência norte-americana afirmaram
terem tido acesso
Agora que Bush está deixando o poder, não à dois memorandos secretos emiparam de surgir denúncias.
tidos pela Casa
um apoio de apenas 19% para Branca em 2003 e 2004.
o governo Bush, o presidente
Sob condição de anonimato,
norte-americano é agora de- os entrevistados denunciaram
nunciado como torturador. que após o escândalo de Abu
Claro que as torturas na prisão Ghraib, a CIA aconselhou o
iraquiana de Abu Ghraib, governo de se afastar das deciGuantánamo e muitas outras sões sobre as técnicas de tortura
prisões secretas coordenadas em interrogatórios, por isso soREINO UNIDO
licitavam a aprovação de Bush
por meio de documentos que
davam o respaldo da Casa Branca à CIA.
Um primeiro documento
fora emitido em 15 de setembro
de 2001 - quatro dias após os
atentados contra o World Trade Center e o Pentágono - mas
não satisfez a CIA, pois embora
o governo autorizasse a CIA a
matar e capturar integrantes da
Al Qaeda, o “memorando de
notificação” não mencionava
nada sobre a condução dos interrogatórios. Por isso no início
de 2002 um novo documento
foi emitido, desta vez com a
aprovação do Departamento de
Estado sobre a aplicação do
“waterboarding” (simulação de
afogamento).
Tortura dentro da
Casa Branca
Segundo as fontes citadas
pelo Washington Post, membros da CIA realizaram reuniões na Casa Branca com a participação da atual secretária de
Estado e à época assessora de
Segurança Nacional, Condoleezza Rice, o vice-presidente,
Dick Cheney, e o então secretário de Estado, Collin Powell. Nessas reuniões a CIA
demonstrava aos presentes as
técnicas de tortura mais usadas nos interrogatórios. Bush
não participava destas sessões
realizadas entre 2002 e 2003 para
preservar sua imagem diante de
um eventual escândalo.
Além deles, participavam também destas reuniões macabras o
procurador-geral,
John
Ashcroft, o diretor da CIA, George Tenet, e o então secretário
de Defesa, Donald Rumsfeld,
que assistiam a simulações sobre
diferentes técnicas de tortura no
detalhe em sessões realizadas em
uma das salas da Casa Branca.
Os “métodos severos de interrogatório” - eufemismo para tortura - mais usados pelos agentes
da CIA é o “waterboarding” (afogamento), além de técnicas de
golpes, batidas, privação do sono
e outras variações de tortura.
Assim que os métodos eram
aprovados, entrava em cena o Ministério da Justiça para dar legalidade à tortura e blindar todos os
funcionários que autorizaram o
uso das técnicas. O Ministério
emitiu vários documentos legalizando a tortura (parte destes documentos foi divulgada com base
em uma lei que obriga a divulgação de documentos secretos).
“Quem poderia imaginar que
nos EUA, no século XXI, os altos funcionários da cúpula executiva se reuniam de maneira rotineira na Casa Branca para aprovar a
tortura?”, disse o senador Edward
Kennedy (La Jornada, 13/4/
2008), escandalizado com as
denúncias feitas pelo ABC News
em abril deste ano.
A denúncia do Washington
Post aparece como se fosse uma
grande novidade e uma surpresa para o mundo. Os integrantes do governo dos EUA são profissionais em coordenar um programa de tortura internacional
contra seus prisioneiros inocentes e indefesos. O que era feito
em Abu Ghraib, o que é feito em
Guantánamo e em tantas outras
prisões clandestinas é o método
que hoje são usadas pelos militares norte-americanos.
Rumo ao colapso
Agora que Bush está deixando o poder, não pára de surgir
denúncia sobre denúncia. Até
mesmo a Suprema Corte considerou recentemente a prisão sem
acusação formal inconstitucional. Um verdadeiro milagre se
não fosse o medo da burguesia
Os "métodos severos de interrogatório" mais usados pelos
agentes da CIA é o “waterboarding”.
normal da CIA. Além disso, não
é só o presidente Bush e sua
equipe que merece o título de
torturador, mas todos os outros
governos anteriores, incluindo
aquele que financiou as ditaduras militares na América Latina,
que ensinavam e treinavam os
soldados brasileiros, argentinos,
chilenos, bolivianos e peruanos
a usarem as técnicas de tortura
do agravamento da crise, já grande, do regime político norteamericano.
Esta é a “democracia” que o
imperialismo quer levar para o
mundo, verdadeiras masmorras
espalhadas pelo mundo, onde se
aplicam todo o tipo de violência,
censura e mentira. Fechar todas
estas prisões é um bem para a
humanidade.
TAMBÉM NA EUROPA
Governo britânico se divide em torno de lei antiterrorista
Por 309 votos a 118, a Câmara dos Lordes rechaçou o
projeto do impopular primeiroministro britânico, Gordon
Brown, que ampliava de 28
para 42 dias o tempo de prisão
preventiva para “suspeitos de
terrorismo”. O projeto havia
sido aprovado pela Câmara dos
Comuns em junho por uma
pequena diferença de apenas
nove votos.
O golpe contra Brown acontece logo após a Suprema Corte dos EUA considerar inconstitucional uma lei sobre a prisão
sem acusação formal e sem
direito ao habeas-corpus para
supostos “combatentes inimigos” - lei que faz parte do conjunto de medidas do chamado
Ato Patriótico (Patriotic Act),
aprovado em outubro de 2001
e que legalizou o uso da tortura
em interrogatórios e a prisão
por tempo indeterminado.
À frente da oposição está a
ministra do Interior, Jacqui
Smith, que anunciou no começo da semana que irá redigir um
novo texto para o projeto. De
acordo com este ovo texto, o
pedido para se estender o pra-
zo de prisão preventiva só poderá ser feito diante de um promotor e com a autorização de
um juiz que dará permissão
para uma comissão parlamentar dar a palavra final.
A derrota devastadora de
Brown na Câmara dos Lordes
é de autoria dos membros de
seu próprio partido, o Partido
Trabalhista, incluindo até mesmo figuras como a baronesa
Eliza Manninghanm-Buller, exchefe do MI5, serviço de inteligência secreto. Segundo ela
mesma, o projeto era “desnecessário e ameaçava as liberdades civis”.
Esta não é a primeira derrota
do governo no Parlamento. Até
antes de 2001, ano em que
aconteceram os atentados de
11 de setembro nos EUA, a
prisão preventiva no Reino
Unido era de 48 horas. Após os
atentados, o então premiê Tony
Blair tentou ampliá-la para 90
dias, mas também sofreu uma
derrota na Câmara dos Comuns. O prazo de 28 dias foi
aprovado após os atentados de
2005 em Londres que mataram
52 pessoas. A lei ainda prevê
que, após os 28 dias detidos,
o suspeito deverá ser indiciado caso existam provas contra ele. Do contrário ele deve
ser imediatamente liberado.
Segundo um estudo realizado
pela organização britânica Li-
Os liberais de carteirinha afirmam que a rejeição da lei prova
que o Reino Unido “continua a
ser a mais antiga democracia no
mundo” - embora a Irlanda do
Norte continue, desde a revolução de Oliver Cromwell, no sé-
Por 309 votos a 118, a Câmara dos Lordes rechaçou o projeto
do primeiro-ministro britânico, Gordon Brown.
berty, o Reino Unido possui
atualmente o tempo de prisão
preventiva mais longo do mundo, depois dos EUA, que estabelece tempo indeterminado.
culo XVII, sendo dominada pela
Inglaterra.
Na verdade, a rejeição do projeto não tem um significado
meramente interno, exclusivo da
ASSASSINATO EM LONDRES
porte de Londres que mataram
52 pessoas. A orientação da
polícia imediatamente aos ataques foi de atirar para matar.
O então governo de Tony
Blair, junto à promotoria, manipulou de forma clara desde
o princípio todas as evidências que levaram à morte de
Jean Charles.
“Tudo que sei é que uma das
opções era deixá-lo correr,
porque ele não levava nada, e
que houve uma desavença entre a direção (da operação)”,
disse o policial Owen (Associated Press, 13/10/2008).
Até hoje ninguém foi acusado individualmente pela morte de Jean Charles. No final de
outubro de 2007, a Scotland
Yard, Polícia Metropolitana
de Londres, foi condenada
pela Justiça pela morte do brasileiro. A instituição foi condenada ao pagamento de multa no valor inicial de 175 mil
libras, cerca de R$ 634 mil, e
segunda parte estipulado em
mais 385 mil libras cerca de
R$ 1,394 milhão. A condenação, no entanto, foi uma manobra para blindar os policiais
que participaram da operação,
a chefe da polícia, Ian Blair, e
o então premiê britânico,
mobilização deste século aconteceu há mais de 40 anos, com
a aprovação dos Direitos Civis
dos Negros em 1963 que aboliu
oficialmente a Lei de Segregação.
Não fosse a enorme mobilização
dos negros, que à parte de Martin Luther King, formaram todo
um cinturão de revolta pelos estados sulistas não só contra a repressão da Ku Klux Klan, da
polícia, da imprensa e dos governos, mas também contra a burocracia pelega do movimento
negro vendida para a burguesia
racista.
A atual crise econômica, o
fracasso das ocupações do Iraque e do Afeganistão, a alta do
preço dos alimentos e do petróleo e a defensiva dos dois maiores representantes do imperialismo mundial - EUA e Reino Unido - são apenas alguns dos sintomas iniciais de uma crise colossal que já dura décadas, desde os anos 60, quando a guerrilha vietnamita, o Oriente Médio
e a América Latina sacudiram os
pilares que sustentam o regime
capitalista. Desta vez, porém, o
que já estava rachado começa a
desabar.
O KATRINA DOS RICOS
Policial admite ter alterado provas
sobre a morte de Jean Charles
Um policial que participou
da desastrosa operação que
resultou na morte do brasileiro Jean Charles de Menezes
admitiu que alterou as provas
do crime para dificultar as investigações e favorecer a Polícia britânica.
O agente identificado apenas como Owen confessou
em um tribunal que apagou do
seu computador uma linha de
texto com informações importantes. Os dados foram
deletados no dia 7 de outubro
de 2005, duas semanas após
o início do inquérito. O trecho
apagado por Owen dizia que
a responsável pela operação,
Cressida Dick, disse que Jean
Charles não precisava ser
abordado, pois “não estava
carregando nada”.
No dia 22 de julho de 2005,
o eletricista Jean Charles de
Menezes foi assassinado na
estação de metrô Stockwell
do metrô, no centro de Londres, com oito tiros pelas
costas - sete deles na cabeça
- disparados pela polícia, que
alegou ter confundido o brasileiro com um “terrorista”.
O assassinato do brasileiro
se deu um dia após os atentados contra o sistema de trans-
política britânica, mas faz parte
de uma crise de conjunto de
todo o regime capitalista e do
imperialismo.
Nos EUA, a Suprema Corte
considerou ilegal uma lei chave
do Ato Patriótico de George W.
Bush, após autorizar a libertação
de 14 prisioneiros chineses muçulmanos presos em Guantánamo.
É a própria Suprema Corte
que dá o aval sobre as leis mais
antipopulares e reacionárias propostas no Congresso. No caso
de Guantánamo, a base militar
localizada em Cuba, ativada pelo
Exército dos EUA em 2002, centenas de prisioneiros de origem
árabe são torturados e humilhados, sem qualquer acusação
contra eles e pelo tempo que
Washington considerar necessário. No entanto, diante da
maior crise sofrida pelo imperialismo, época do maior colapso
econômico dos últimos 80 anos
pelo menos, a burguesia dos
EUA e seus aliados temem, após
tantos anos de controle total, um
novo levante popular contra o
governo e as instituições. Nos
EUA, a maior e mais importante
Tony Blair.
Desde o início das investigações acerca da morte do
brasileiro, uma guerra de versões sobre como foi a operação policial estampa as capas
dos jornais até hoje. A polícia chegou a alegar que Jean
Charles tinha se comportado
de maneira muito suspeita
quando abordado por policiais (à paisana). Informações
que posteriormente se mostraram falsas indicavam que
Jean Charles teria até mesmo
pulado a catraca fugindo dos
policiais, o que justificaria,
segundo eles, os oito tiros
pelas costas.
A última tentativa da polícia de jogar a culpa no brasileiro foi a divulgação de uma
montagem fotográfica que
trazia metade do rosto do
brasileiro e a outra metade do
suspeito Hussein Osman,
com quem supostamente teria sido confundido.
Um dia antes da sua morte, agentes policiais encontraram evidências de que um
dos responsáveis pelos atentados do dia 21 de julho residia num bloco de apartamentos no Sul da cidade, mesmo
prédio onde Jean Charles
morava. Quando ele saiu de
casa para trabalhar, já estava
sendo seguido por policiais à
paisana que não sabiam ao
certo se ele era mesmo ou o
responsável pelo atentado, o
homem-bomba Hussein Osman.
A chefe da operação, Cressida Dick, foi promovida pelo
chefe da Scotland Yard após a
morte de Jean. Ela disse que
Jean Charles “teve o azar de
morar no mesmo bloco de apartamentos de Osman e ser parecido com ele”. Isso seria suficiente para justificar os sete
tiros na cabeça de uma pessoa
inocente.
Está mais do que provado
que de fato o jovem brasileiro
foi assassinado, revelando a
enorme repressão que a população dos países supostamente democráticos sofrem, principalmente os mais pobres e estrangeiros oriundos de países
oprimidos pelo imperialismo
como o Brasil.
O julgamento do caso Jean
Charles, que a todo o momento procura proteger a polícia e
o governo, coloca em evidência o verdadeiro caráter do
estado de direito nos países
“democráticos” imperialistas.
Califórnia sob estado de
emergência
Os incêndios que causaram
até agora dois mortos e queimaram mais de 2.500 hectares em
Los Angeles estão devastando
o estado norte-americano da
Califórnia. Já chegaram aos arredores de Los Angeles e agora avançam para a costa, forçando o governador e ator
Arnold Schwarzenegger a decretar estado de emergência.
“Podíamos ter um exército
aqui e não seria suficiente para
parar as chamas. O vento aqui
é rei e dita tudo aquilo que nós
fazemos”, disse o chefe dos
bombeiros de Los Angeles,
Mario Rueda (The Washington
Post, 15/10/2008).
Há quase uma semana o
fogo se espalha pela Califórnia
incontrolavelmente. Todos os
esforços realizados até agora
não demonstraram nenhum
efeito. Os bombeiros pediram
ao governador a ajuda da Guarda Nacional.
Apesar do verdadeiro inferno que se tornou a Califórnia,
ao menos duas pessoas morreram, um sem-teto encontrado
carbonizado ao lado de seu cão,
próximo à uma auto-estrada, e
um aviador que caiu por causa
da fumaça.
Cerca de quatro mil pessoas deixaram suas casas já consumidas pelas chamas.
“Conseguimos cheirá-lo as-
sim que saímos à rua. A fumaça é muito espessa e mesmo
dentro de casa a qualidade do
ar é muito baixa e os meus olhos
ardem”, disse um morador da
rica região de Hidden Hills
(BBC, 15/10/2008).
O incêndio que se espalha
pela Califórnia, iniciado no domingo (12), acontece uma semana antes do aniversário de
um ano dos incêndios que
obrigaram a maior retirada de
população da história da Califórnia.
Uma catástrofe desta proporção dá a idéia de como ricos
e pobres são tratados na “terra
das oportunidades”. Enquanto
o furacão Katrina matou mais
de 1.800 pessoas em 2005 nos
bairros mais pobres de Nova
Orleans, dois incêndios que
devastaram alguns dos bairros
mais ricos do mundo deixaram
até agora menos de 10 mortos,
sendo que a maioria deles eram
pobres, latinos e sem-teto.
O governo Bush age com
muita eficaz para salvar as pessoas e as propriedades dos milionários de um dos estados mais
ricos do mundo do que com os
negros e pobres da cidade de
Nova Orleans. Estas “tragédias”
revelam que o governo não se
interessa pelo povo, pelos trabalhadores, mas somente com os
ricos e brancos.
CAUSA OPERÁRIA
19 DE OUTUBRO DE 2008
INTERNACIONAL 1 8
BOLÍVIA COLABORAÇÃO DE CLASSES
Evo Morales: manifestação “sem distinção de classe”
Evo Morales convocou uma manifestação de fachada
para pressionar os parlamentares de direita a aprovarem
a lei de convocatória do referendo constitucional. O
MAS convocou até mesmo a oposição golpista para
participar da vigília
Com a presença de pelo menos cinco mil pessoas, o presidente boliviano Evo Morales
inaugurou na segunda-feira
(13) em Caracollo, cidade localizada no departamento de Oruro, a “Marcha pela Dignidade da
Bolívia” para pressionar a direita
a aprovar no Congresso a lei de
convocatória do referendo
constitucional.
No seu primeiro dia, a mobilização avançou cerca de 30
quilômetros e tem como meta
chegar à La Paz na próxima
segunda-feira, dia 20.
Sindicatos, camponeses e
indígenas se concentraram em
frente a um palco instalado pela
prefeitura de Oruro para receber o presidente Morales, além
do ministro de Coordenação
com os Movimentos Sociais,
Sacha Llorenti, e o porta-voz do
governo, Iván Canelas.
Segundo informou a direção
da Central Operária Boliviana
(COB), a maior central sindical
do País, 140 organizações de
trabalhadores deram início à
marcha.
O ato começou com a chegada de Evo Morales, que discursou para os presentes no seu
tom reconhecidamente ultramoderado, pedindo a conciliação “sem distinção de regiões
nem classe social”.
“Tomara que amanhã os
congressistas, nossos parlamentares, passam aprovar uma
lei que garanta a aprovação da
Constituição” (La Razón, 14/
10/2008).
Ele destacou também os trechos do projeto constitucional
que dizem respeito às autonomias departamentais, proposta
que desencadeou no mês pas-
sado um levante de pequenos
grupos de caráter fascista nos
departamentos controlados pela
oposição pró-imperialista. Estes
grupos, embora sejam minoritários, são financiados pelos governadores e presidentes dos
Comitês Cívicos das regiões
que reivindicam sua autonomia
em relação ao governo central
(Santa Cruz, Pando, Beni e
Tarija). Após a direita realizar
uma série de ocupações de prédios governamentais, bloquear
estradas, espancar e assassinar
trabalhadores, o governo e a
oposição aceitaram se reunir
formalmente em Cochabamba
para discutir um acordo nacional. O acordo, no entanto, está
mais do que fracassado, uma
vez que a direita vê na política
de Evo de contenção das massas revoltadas, uma possibilidade e um ponto de apoio para
levar à frente os interesses do
imperialismo de dividir a Bolívia
para se apoderar dos recursos
naturais do País.
Ao invés de Morales organizar o povo contra o que ele
mesmo chamou de “golpe de
Estado civil”, prefere se sentar
junto com aqueles que assassinam os trabalhadores bolivianos
e que estão à serviço de Washington e da CIA e que buscam
a todo custo dividir o país.
Apesar do acordo fracassado,
Morales disse que o tema sobre
as autonomias “melhorou na
mesa de diálogo e na presença
da comunidade internacional”.
Diga-se de passagem que a “comunidade internacional” a que
Morales se refere são os grandes representantes do imperialismo e os seus lacaios, como a
União Européia, a Organização
dos Estados da América (OEA)
e a Igreja Católica.
Marcha de quem
contra quem?
A alternativa encontrada pelo
governo para pressionar a direita foi a realização de uma
marcha com a participação
não só dos trabalhadores
bolivianos, mas também da
direita fascista e racista,
das gangues que espancaram camponeses, indígenas e mulheres, que assassinaram mais de 20 pessoas em Pando - resultando
na prisão do governador
deste departamento.
O governo fez questão
de deixar claro que não se
trata de uma manifestação
contra a oposição e a oligarquia, mas uma marcha pela
“dignidade da Bolívia”, uma
fórmula vaga e envergonhada para pressionar o
Parlamento a aprovar a lei
de convocatória do referendo constitucional, ou
seja, para chegar a um acordo
com o imperialismo sobre a base
do atual regime burguês às custas das necessidades das massas.
“Se [Rubén] Costas, [Mario]
Cossío, se os prefeitos [governadores], comitês cívicos, querem autonomia departamental,
que se somem à marcha para
garantir autonomias indígenas,
camponesas e departamentais”,
disse Morales (Idem).
Os camponeses realizaram
no mês passado manifestação
que chegou a reunir mais de 20
mil pessoas contra a tentativa de
golpe de Estado civil e pela renúncia do governador de Santa
Cruz, Rubén Costas, um dos
principais articuladores do golpe, acuando os golpistas. Evo
tirou-os da fogueira.
Instantaneamente toda a tropa de choque fascista e os governadores da oposição, diante
da ameaça de um novo levante
popular que só nos últimos cinco anos derrubou dois presidentes, concordaram em resolver a
crise pela via institucional e legal. Em seguida, Morales desmobilizou o povo boliviano e no-
ta, mas para evitar um novo levante popular contra ela, ao mesmo tempo em que busca negociar com a direita um acordo que
permita estabilizar a situação
sem liquidar os representantes
bolivianos do imperialismo. Por
isso, a marcha governista não
traz nenhuma política realmente combativa e de defesa dos interesses de classe dos trabalhadores. Além de ser
uma “vigília”, sem nenhuma intenção de se opor à
oposição que quer dividir
o País, o conteúdo oficial
da manifestação é o de
apoiar as medidas reformistas e burguesas do governo de tentar resolver a
crise através da colaboração de classes, “dialogando” com a direita golpista.
O próprio referendo já em
si uma forma de manter o
movimento de massas
atrelado à burocracia e ao
governo, limitando ao
máximo seu poder revolucionário e independente.
O governo de Evo MoEvo Morales e seus dirigentes burocratas são forçados a chamar
rales é incapaz de levar uma
novamente o povo às ruas de maneira ultracontrolada
política de classe para os travamente a direita implodiu o até que se aprove a lei de con- balhadores, isto é, independente
diálogo em Cochabamba. A ex- vocatória dos dois referendos. da burguesia. O governo está ao
periência mostrou que não res- Morales espera que os congres- lado da burguesia, do setor nacita outra opção para o governo a sistas aceitem a proposta antes onalista que ainda segura o reginão ser convocar uma outra ma- que a marcha chegue à La Paz. me da ameaça de uma revolução.
nifestação, a mais moderada pos- O presidente da Coordenadora Por isso as massas bolivianas não
sível, para que esta não se trans- Nacional pela Mudança (CO- devem depender de um governo
forme num levante insurrecional NALCAM), Fidel Surco, disse que quer fazer acordo com a bure saia do controle da burocracia que a possibilidade de um cer- guesia, com a direita vendida ao
do MAS.
co ao Congresso Nacional está imperialismo, e não com a massa
Uma das principais exigênci- “descartada”.
de famintos que luta pelo direito
as dos manifestantes é a aprovaà terra e pela melhoria das suas
ção pelo Congresso da lei de
condições de vida.
convocatória do referendo que Política de
Os trabalhadores devem ledecidirá sobre o tamanho de um colaboração de
vantar suas próprias reivindicalatifúndio e também a lei que classes
ções de maneira independente
convocará o referendo sobre o
da burguesia e do MAS, levanprojeto da nova Constituição
tando um programa revolucioEvo Morales e seus dirigen- nário e socialista. A Bolívia nePolítica do Estado (CPE), que no
momento está sendo barrado tes burocratas são forçados a cessita um partido operário para
pelos senadores da oposição de chamar novamente o povo às escapar ao abraço de urso da
ruas de maneira ultracontrola- frente popular do nacionalista
direita.
Para a lei ser aprovada, o Par- da, não para pressionar a direi- Evo Morales.
COLÔMBIA
Indígenas se mobilizam em todo
País em protesto a assassinatos
Ao menos nove pessoas ficaram feridas na sexta-feira
(17) em confrontos entre in-
vão nos massacrar”, destacou
um comunicado o conselho
Regional Indígena do Cauca
Os trabalhadores rurais no interior do país vivem sob
estado de guerra civil.
dígenas e policiais no Sudoeste do País. Comunidades indígenas bloquearam a estrada
pan-americana desde o fim de
semana e até agora duas pessoas morreram e várias dezenas ficaram feridas.
Os indígenas reivindicam
uma reforma agrária e pedem
o fim dos assassinatos contra
os líderes indígenas. Mais de
20 indígenas foram assassinados apenas neste ano a
mando dos latifundiários.
Mais de sete mil indígenas
estão mobilizados na região
de María, a 600 quilômetros
ao Sudeste de Bogotá. O movimento se solidariza também
com a greve de cortadores de
cana no estado vizinho do
Vale.
Durante os confrontos, a
polícia atirou com balas de
verdade sobre a manifestação. “Atacam-nos com fuzis,
(EFE, 17/10/2008).
Um dos dirigentes dos protestos, Daniel Pinãcué, disse
que os indígenas não tinham
armas: “Não temos armas,
não somos homens de armas,
mas, se nos levarem a retomá-las, este será o último caminho para defender as comunidades aborígines deste
país” (Idem).
A ação repressiva foi toda
encoberta, mas não conseguiu
esconder a prisão de três estrangeiros ligados à organização Repórteres Sem Fronteiras, que acompanhavam os
protestos e documentaram o
massacre.
O governo Uribe, cão de
guarda do imperialismo na
América do Sul, está no poder
para perseguir e assassinar
camponeses e indígenas, roubando suas terras e expulsando-os de suas casas para en-
tregá-las aos grandes latifundiários. No seu governo. Segundo documentos levantados pela Anistia Internacional,
pela Human Rights Watch e
pelo próprio Departamento de
Washington na América Latina, só no primeiro mês de
2001, ao menos 200 civis foram mortos em 27 massacres.
Desde 1999, 78% destes massacres são realizados por grupos paramilitares, como a
AUC (Autodefesas Unidas da
Colômbia), um dos beneficiados pelo Plano Colômbia, o
programa financiado pelos
EUA que mantém uma rede
clandestina de paramilitares
de extrema-direita. Trata-se
da mesma política de “guerra
ao terrorismo”, criada pelos
EUA após os atentados de 11
de setembro, adaptada para a
dois milhões de pessoas abandonaram suas casas e foram
para outros lugares, sendo que
75% destes refugiados são em
geral mulheres e crianças.
Muitos se deslocam para o
Equador, Bolívia ou Brasil.
Parte dos camponeses e indígenas são expulsos pelo
exército ou paramilitares. Estas áreas concentram 95% da
biodiversidade do país. Empresas norte-americanas e o
Banco Mundial investem em
grandes projetos hidroelétricos, petrolíferos e exploração
de minério.
A região mais rica em petróleo está localizada em Puntamayo, no Sul do país. E é justamente neste local onde o Plano Colômbia foi experimentado pela primeira vez. Além do
petróleo, os recursos hídricos
têm um interesse vital para o
maior consumidor de água do
mundo.
O governo colombiano já
consumiu mais de US$ 4 bilhões desde o inicio do programa e os EUA pretendem investir muito mais se as opera-
Mais de sete mil indígenas estão mobilizados
na região de María.
América Latina.
Os trabalhadores rurais no
interior do país vivem sob estado de guerra civil. Cerca de
lamento precisa dar dois terços
do seu apoio. Apesar de Morales ter a maioria parlamentar,
não completa os dois terços necessários, pois enquanto o
MAS controle a Câmara dos
Deputados, a oligarquia, por
sua, vez, controla o Senado.
O objetivo da manifestação é
manter uma vigília em La Paz
ções forem aplicadas para a
repressão de manifestações e
a crescente militarização do
estado colombiano.
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NOTAS
Confronto deixa
dez mortos na
Turquia
Um confronto entre militares turcos e militantes curdos perto da fronteira com o
Iraque deixou quatro soldados e cinco militantes mortos, informou o Exército da
Turquia. Já os militantes afirmaram que derrubaram um
helicóptero turco. Outro soldado teria sido morto e 15
soldados feridos no acidente com o helicóptero, segundo a versão do Exército turco, divulgada em um comunicado na internet.
Os quatro soldados foram
mortos ontem, quando militantes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão
(PKK) abriram fogo contra
eles após uma explosão na
província de Hakkari, segundo o comunicado.
Hakkari é onde as fronteiras
da Turquia, do Iraque e do
Irã se encontram. Os militares também afirmaram que
cinco militantes do PKK foram mortos em dois confrontos separados em
Hakkari e na província vizinha de Sirnak, também fronteiriça com o Iraque.
O PKK luta por autonomia no sudeste de Turquia
desde 1984. Dezenas de milhares de pessoas já morreram nesses confrontos.
Protestos pródetentos levam
milhares às ruas na
Venezuela
Milhares de familiares de
detentos venezuelanos protestaram contra os abusos e
as más condições das prisões. É a maior manifestação do tipo no país.
O Observatório Prisional
da Venezuela, um grupo
sem fins lucrativos que monitora as cadeias, disse que
o protesto começou na semama passada, com uma
greve de fome em uma das
prisões, e acabou espalhando-se pelo país. Estão par-
ticipando da manifestação
centenas de familiares de
presos, incluindo crianças.
O Ministério do Interior
disse que 6.500 parentes de
presos sentaram-se em sinal
de protesto em oito cadeias,
segundo a mídia local.
A violência dentro das cadeias mata centenas de detentos a cada ano. O grupo
relatou no ano passado que
mais de 500 detentos foram
mortos na prisão no ano passado e outros oito em protestos semelhantes. A manifestação desta semana é muito
maior do que o comum.
ONU renova
missão no Haiti
comandada pelo
Brasil
O Conselho de Segurança
da ONU decidiu unanimemente na terça-feira (14),
pela renovação da missão no
Haiti. A força, liderada pelo
Brasil, permanecerá pelo
menos mais um ano no país,
de acordo com a decisão.
Com a decisão, tomada
por 15 votos a 0, a missão foi
estendida até 15 de outubro
de 2009. O mandato manteve o número de tropas no
Haiti em 7.060, e o de soldados em 2.091.
Já há quatro anos a ONU
mantém a missão no Haiti. Ao
longo desse tempo, a situação
da população haitiana só tem
piorado. Além da crescente
escassez de alimentos (há
hoje 2,5 milhões de haitianos
passando fome, número quatro vezes maior que em 2007),
a população é reprimida e violentada pelos exércitos estrangeiros. É fato conhecido
por toda a comunidade internacional os abusos cometidos
pelos exércitos, tanto que a
ONU, em comunicado cedido após a decisão pela renovação da missão no Haiti,
afirma que “condena vigorosamente as graves violações
contra as crianças afetadas
pela violência armada, bem
como o estupro e outras formas de abuso sexual às garotas”. Apesar de “condenar vigorosamente” tais abusos, ela
mantém por pelo menos mais
um ano as missões que, no
fim, apenas servem para reprimir uma população.
CAUSA OPERÁRIA
19 DE OUTUBRO DE 2008
INTERNACIONAL 1 9
AFEGANISTÃO FIM DA LINHA
Tropas norte-americanas estão cercadas pela insurgência
A ocupação do Afeganistão alcançou seu maior nível
de violência desde o seu início, com a insurgência talebã
conquistando muito mais territórios, incluindo as regiões
em torno de Cabul
O Afeganistão se tornou um
pesadelo para as tropas estrangeiras ainda maior do que a ocu-
quistados pelo Talebã, principalmente no Sul e Leste, onde
estão acontecendo pesados
O Afeganistão se tornou um pesadelo para as tropas
norte-americanas.
pação do Iraque. O País está vivendo seu pior nível de violência desde o início da ocupação,
com vários territórios recon-
confrontos entre a insurgência
e militares norte-americanos.
Segundo o enviado da Organização das Nações Unidas (ONU)
ao país, Kai Eide, a crise das tropas este ano é o pior desde que os
EUA encabeçaram a invasão do
Afeganistão para derrubar o governo talebã em outubro de 2001.
“Em julho e agosto presenciamos
o maior número de atentados e
enfrentamentos desde 2002”, disse o emissário da ONU (El País,
14/10/2008).
Ele disse que os insurgentes
já chegaram até as regiões em
torno da capital Cabul e que os
ataques contra funcionários estrangeiros aumentou sensivelmente, como os ataques contra
agentes da “ajuda humanitária”.
O que deveria ser um plano
rápido e eficiente - e principalmente não muito dispendioso se tornou um fardo para o governo norte-americano. Já em
fevereiro deste ano, o Senlis
Council, órgão da Rede de Fundações Européias, elaborou um
estudo revelando que o Talebã
já dominava 54% do Afeganistão, “incluindo zonas rurais, algumas capitais de distrito e comunicações importantes”.
Além disso, os insurgentes
representam um “significativo
controle psicológico e ganham
cada vez mais legitimidade aos
olhos dos afegãos, povo com
um longo histórico de mudanças
de aliança e de regime”.
Fadada ao fracasso
Desde que o Talebã foi deposto, em 13 de novembro de 2001,
a ocupação jamais conseguiu
estabilizar o regime. O atual governo do presidente Hamid Karzai está completamente contaminado pela corrupção e pela desmoralização. Foi no Paquistão,
vizinha do Afeganistão, que a organização se refez. Aproveitaram o rigoroso inverno para reagrupar os quadros e se rearmaram, aparentemente, com o
apoio das populações tribais.
Acordo com o
Talebã
A forma menos humilhante
para os EUA assumirem de frente a derrota no Afeganistão é
propor um acordo com o Talebã. Embora Washington não tenha se pronunciado oficialmente, o presidente afegão, Hamid
Karzai, disse que pediu ao rei
Abdallah, da Arábia Saudita, minosos que não merecem a
que ajude a mediar negociações confiança da população”.
com o Talebã para encerrar o
Os EUA afirmaram não ter
conflito no País.
entrado em contato com neO presidente afegão disse nhum líder talebã, mas afirmou
que não houve
nenhum encontro por enquanto, mas apenas
um pedido de
“reconciliação
nacional”.
“Nos últimos
dois anos, eu
enviei cartas ao
rei da Arábia
Saudita e mensagens, e eu
pedi a ele, como
líder do mundo Os insurgentes já chegaram até as regiões
islâmico, pela
em torno da capital.
segurança e
prosperidade do Afeganistão e que incentiva o governo afegão
pela reconciliação no Afeganis- e o próprio Talebã a iniciarem
tão... ele deve nos ajudar”, dis- logo um processo de reconcilise Karzai (Reuters, 30/9/2008). ação nacional.
O imperialismo sabe que não
O governo afegão admitiu
também ter tentado contato vá- tem mais nenhuma chance nem
rias vezes com o líder do Tale- no Afeganistão e nem no Iraque,
bã, Mulá Omar, mas este res- por isso está tentando formalipondeu através de uma mensa- zar acordos, oferecer vantagens
gem publicada em um sítio na e comprar dirigentes da insurInternet que os membros das gência. Tudo o que for possível
forças de segurança afegãs são para evitar uma repetição da
“ladrões, contrabandistas e cri- guerra do Vietnã.
PAQUISTÃO ”TALEBANIZAÇÃO”
O “problema” para o qual o imperialismo não tem solução
As zonas onde predominam
os ritos tribais e as tradições
arcaicas de ajuntamentos familiares de uma cultura primitiva e
religiosa, com cerca de 20 milhões de habitantes no total de
mais de 170 milhões no Paquistão, são o maior desafio encontrado pelo imperialismo mundial para garantir estabilização da
sua invasão do Iraque e do Afeganistão no Oriente Médio.
A zona Noroeste do Paquistão, na região que faz fronteira
com o Afeganistão, está dominada por uma mescla de grupos
ligados ao Talebã e à rede de grupos islâmicos da Al Qaeda.
Fechada ao acesso das forças estrangeiras e até mesmo do
exército de seu próprio país, a
zona que se estende por menos
de 10.000 km² entre os rios
Tochi e Gomal está sob controle do “emirado islâmico do Uaziristão”, segundo o comentarista Farruj Salem, citado pelo diário espanhol El País nesta segunda-feira.
Os talebãs que controlam a
região se formaram a partir de
2001, quando se armaram para
tomar a defesa de seus correlatos afegãos, então sob ataque do
imperialismo. A ação de alguns
milhares de combatentes, mal
armados e vivendo em condições precárias, apoiados por
uma massa indistinta arregimentada pelos partidos islâmicos – a
maioria, 75%, de sunitas, enquanto que os xiitas formam
outros 20% - foi disparada pelos para dominar o petróleo do Ori- seus negócios ilícitos, o principal
bombardeios norte-americanos ente Médio. Pelo contrário, a dis- sendo a droga procedente do Afecontra talibãs e membros da Al paridade entre as forças em com- ganistão [o ópio e a heroína]”.
A guerra pelo controle do peQaeda. Unidos pela etnia comum, bate se destaca logo à primeira
tróleo já havia se transformado
os pastun foram divididos artifi- vista.
cialmente pela Linha Durand, a
O imperialismo acusa os líde- em uma “guerra contra as drofronteira de mais de dois mil qui- res religiosos e políticos da po- gas” no ano de 2006, como este
lômetros imposta pelos britâni- pulação islâmica na fronteira jornal já havia denunciado à época:
cos em 1893.
“Logo no começo da
A região atraiu migrantes
invasão, em 2001, produde mais de 17 nacionalidaziram-se no Afeganistão
des, além dos afegãos, che200 toneladas de ópio, sechenos, uzbeques, turcogundo dados da UNODC.
manos que já haviam se
“Até o final deste ano,
refugiado no Afeganistão
o cultivo do ópio ultrapastendo visto fracassar seus
sará todos os recordes,
esforços para combater os
chegando a uma produção
regimes que emergiram nos
de 6.100 toneladas oriunpaíses centro-asiáticos adda principalmente das
vindos da dissolução da
províncias de Kandahar e
União Soviética.
Helmand, no sul do país.
Este enclave islâmico
É justamente nesta região
foi, em grande medida, alionde se encontram os
mentado pela própria polímaiores focos de resistêntica do imperialismo nortecia contra a ocupação imamericano, que aliciou forperialista”, dizia a edição
ças árabes para combater a
de Causa Operária OnliUnião Soviética nos anos
ne de 11 de outubro de
oitenta e deixou para trás
2006.
seus combatentes e seus
Também no ano passacontatos com os mujaidim
do, afirmávamos que “sob
afegãos.
A rede de organizações Este enclave islâmico foi alimentado pela o controle de dezenas de
milhares de tropas e com
dispersas que constitui o
própria política do imperialismo.
bilhões de dólares invesTalibã e a Al Qaeda, sem
uma centralização efetiva, nem com o Afeganistão de se bene- tidos na ‘reestruturação’ do país,
hierarquia de comando que lhes ficiarem e financiarem o “terro- o Afeganistão está cultivando 193
garanta organização suficiente rismo” com o dinheiro vindo do mil hectares de flores de ópio.
“O relatório da ONU [divulgapara sequer se equiparar ao enor- tráfico de drogas. Segundo El
me poder militar e organizativo País, “os delinqüentes uniram do em agosto de 2007], no enostentado pela união de forças do forças com os talibãs, já que a tanto, não revela as verdadeiras
imperialismo na sua ofensiva ausência do Estado favorece causas do aumento da produção
de ópio. Ao contrário, desfere
uma acusação contra a insurgência e a parcela da população
mobilizada contra a ocupação
promovida pelo imperialismo
norte-americano, atribuindo a
estes a responsabilidade por ter
dobrado a quantidade de ópio
produzido no país ao mesmo
tempo em que se defendem, nas
ruas, da agressão militar.
“A imprensa internacional
procura ocultar o que é evidente para todos, e que no Brasil é
bastante conhecido de toda população, que é a estreita relação
entre o Estado e suas instituições
com o crime organizado e operações altamente lucrativas
como o tráfico de drogas. Não
é coincidência que a produção de
ópio tenha aumentado justamente no período em que o país vem
sendo tutelado pelo imperialismo
norte-americano à frente das
tropas da OTAN” (idem, 27/8/
2007).
O fato de que o imperialismo
esteja atolado há seis anos no
Iraque e no Afeganistão e tudo
o que se desenvolve e se amplia
à sua volta é o descontentamento e a atividade das camadas que
se inflamaram com maior vigor
contra a dominação imperialista, ao ponto de conseguir frear
sua ofensiva e retardar seus
objetivos mostram a profunda
debilidade da situação do imperialismo.
A desestabilização do Paquistão, arrastado pela crise política
e econômica internacional para
o centro dos acontecimentos,
pode significar a perda de controle do imperialismo sobre duas
crises que se desenvolvem paralelamente, no Oriente Médio e no
Sul da Ásia.
A situação da economia paquistanesa se deteriora rapidamente com as reservas de moeda estrangeira se esvaindo e a
moeda desvalorizando, o débito em conta corrente se expandindo e o país colocado à sombra da crise financeira do imperialismo e das bolsas asiáticas.
Os crescentes níveis de descontentamento social e a opressão a que está submetida a população conduzem a uma enorme crise, uma vez que o imperialismo não conta com virtualmente nenhum apoio popular
dos dois lados da fronteira.
Assim como, por exemplo,
a vitória das forças nacionalistas republicanas católicas na Irlanda, foi uma vitória revolucionária contra o imperialismo
mundial, no combate entre as
forças opressoras que promovem o atraso social e econômico de todo o mundo e aqueles
dirigidos pelo Talebã, ainda que
estas sejam forças ideologicamente retrógradas, a vitória
contra o imperialismo é uma
vitória social do povo afegão.
É o sinal da desestabilização do
imperialismo e parte do declínio da sua dominação mundial.
SUDESTE ASIÁTICO CRISE NA FRONTEIRA
Ressurge mais um foco
de conflito na Ásia
Desde o recente conflito na
fronteira entre o Camboja e a
Tailândia, que resultou até agora na morte de dois soldados
cambojanos durante os combates registrados nos últimos
dias, a tensão cresce cada vez
mais entre os dois países. O governo tailandês pediu para que
sua população civil abandone o
Camboja o mais rápido possível diante da perspectiva de um
conflito iminente.
Os conflitos estão acontecendo numa antiga zona disputada pelos dois países, próximo
ao templo hindu de Preah Vihear, alvo desde junho passado de
discordâncias entre o governo
da Tailândia e grupos nacionalistas, após estes descobrirem
que o governo tailandês apoiou
a iniciativa do Camboja de propor à UNESCO que incluísse o
templo na lista de patrimônios
da humanidade.
O templo de Preah Vihear,
localizado a 400 quilômetros ao
Norte da capital Phnom Penh,
na fronteira com a Tailândia,
entrou recentemente para a lista
da UNESCO como um patrimônio pertencente ao Camboja. Nacionalistas tailandeses iniciaram então protestos e peregrinações até o local e reivindicam para seu País esta construção.
A escalada da crise levou
centenas de soldados tailandeses e cambojanos a partirem
para os dois lados da fronteira.
Desde 1962 o Tribunal Internacional da Justiça de Haia determinou que as ruínas do templo
são de soberania cambojana,
mas a Tailândia até agora sempre se colocou contra a decisão.
Militares cambojanos e tailandeses, no entanto, concordaram em realizar patrulhas
conjuntas para evitar novos
confrontos. Segundo o comandante do Exército do Camboja,
general Srey Deok, apesar do
acordo entre ambas as partes de
não recorrerem às armas, disse que as duas tropas mantêm
posições de ataque e que a população que vive na região já
começou a fugir.
A primeira troca de tiros começou no dia 3 de outubro,
quando soldados tailandeses pisaram em uma mina. Ambos os
governos se acusam de terem
iniciado o conflito. Desde então os confrontos aumentaram.
Milhares de turistas de todo
o mundo visitam anualmente o
templo, sendo uma importante
fonte de renda para a região.
A convulsão social e política se estende do Oriente Médio
até o cordão de países do Sul da
FRACASSO DA OCUPAÇÃO ÚLTIMOS DIAS
Ásia. Os governos do Afeganistão, Paquistão, Índia, Nepal,
Butão, Bangladesh, Mianmar,
Tailândia e Camboja enfrentam
um agravamento da situação.
A invasão do Afeganistão e
depois do Iraque pelo imperialismo norte-americano em
2002-2003 desencadeou um
processo revolucionário que
vem levantando a população de
todos os países da região e se
expande pelos países do Sul
Asiático com extrema velocidade.
Os regimes políticos de todos os países do Sul Asiático
possuem um eixo próprio de
crise e revelam que é impossível sustentar o mito de que a democracia se estabeleceu como
regime de paz, estabilidade e
prosperidade.
Os governos dos países que
constituem o Sul Asiático são
todos regimes autoritários e alinhados com o imperialismo
norte-americano.
A história de crise de cada
país se confunde com a do vizinho e estão entrelaçadas por
disputas territoriais e pela divisão imposta de fora, na sua
maioria, pelo imperialismo britânico que, para conter a crise
que levou à desagregação de
sua dominação sobre o baixo
Oriente, impôs a divisão dos países à medida de sua conveniência. Os países mais profundamente dependentes do imperialismo norte-americano, hoje,
são os que enfrentam as maiores crises.
Acordo entre EUA e Iraque
fixa prazo para desocupação
Às vésperas do mandato do
Conselho de Segurança da ONU
expirar, o governo iraquiano e
norte-americano firmaram um
novo acordo para a retirada das
tropas. Caso o acordo for aprovado pelo Parlamento iraquiano,
as tropas norte-americanas deverão deixar o País até o final de
2011. A permanência das tropas
só poderá ser prorrogada além
do prazo fixado caso o governo
iraquiano assim deseje, dependendo das condições políticas do
País.
Entretanto, o porta-voz do
Departamento de Estado dos
EUA, Sean McCormack, negou
qualquer acordo. “Os iraquianos
ainda estão conversando entre si.
E nós com eles” (Reuters, 16/10/
2008).
O texto do acordo foi encaminhado aos políticos locais e
depois deverá ser submetido ao
Parlamento. Se for aprovado,
substituirá uma resolução do
Conselho de Segurança da ONU
aprovado em 2003, que expira no
dia 31 de dezembro, e que deu
até agora “respaldo legal” para a
ocupação iniciada em março de
2003. Legal para quem? A ONU
sempre foi um instrumento de
manobra política controlada
pelo imperialismo para aprovar
os seus interesses bélicos no
mundo. A ocupação do Iraque foi
um dos maiores crimes contra a
humanidade que teve como único objetivo dominar o petróleo iraquiano e implementar mais bases
militares no Oriente Médio.
Se o acordo bilateral for aprovado, os militares norte-americanos perderão a imunidade e poderão ser julgados por tribunais locais. “Dentro das suas bases estarão sob as leis norte-americanas. A lei iraquiana será aplicada
no caso dessas tropas cometerem
graves e deliberados atos de felonia fora de seus quartéis”, explicou o porta-voz do governo iraquiano, Alí al Dabag (AFP, 16/10/
2008).
Esta é a primeira vez em cinco
anos que o governo iraquiano
poderá ter autoridade sobre a
presença militar norte-americana
e a primeira vez que o governo
Bush aceita a fixação de um cronograma.
O porta-voz iraquiano disse
que a desocupação começaria
com a saída das tropas de aldeias
e cidades menores até meados de
2009 até uma retirada total em
2011, a não ser que o próprio
governo iraquiano peça a permanência das tropas estrangeiras.
“Em 2011 o governo da época
vai determinar se precisa de um
novo pacto ou não, e o tipo de
pacto vai depender dos desafios que enfrentar” (Reuters, 16/
10/2008).
A menos de três semanas das
eleições presidenciais, este é o
acordo mais realista de previsão
da retirada das tropas desde o
início da ocupação.
A maioria dos grupos que
compõe o governo iraquiano é
favorável ao cronograma, mas
tem a oposição política do clérigo xiita Moqtada al-Sadr.
“Enquanto houver um soldado norte-americano em nossa terra, não aceitaremos pacto algum e não votaremos por
esse acordo”, disse o deputado Ahmed Al Masoudi (Idem).
A ocupação está sendo negociada pelo corrupto governo
iraquiano, títere do imperialismo. Uma negociação institucional que prevê uma retirada
pelos fundos, ocultando a derrota militar do imperialismo.
Com o fracasso do governo
Bush, nenhum dos dois concorrentes à presidência terá
condições de levar à frente a
mesma política dos últimos oito
anos. Nem o democrata Barack Obama e nem o republicano John McCain estão dispostos a carregar nas costas um
fardo tão pesado como a ocupação do Iraque.
CAUSA OPERÁRIA
19 DE OTUBRO DE 2008
CULTURA 20
Uma revolução artística em 1917
O PROCESSO
REVOLUCIONÁRIO
EXPRESSO
ATRAVÉS DA
HISTÓRIA
DA LITERATURA
RUSSA
A morte de Nicolai Gógol em
1852 marca também o início
da trajetória literária de outro
grande romancista russo, Ivan
Turguêniev, que lançava naquele ano seu primeiro livro,
“Notas de um caçador”. O texto
era uma reunião de contos sobre as duras condições de vida
que eram impostas aos camponeses russos durante o período
da servidão. Num período de
violenta repressão política levada à frente pelo czar Nicolau
I, tal publicação desagradou
terrivelmente a monarquia,
que imediatamente destituiu
o sensor encarregado pela
liberação do manuscrito. Prender o escritor, entretanto, não
era conveniente e resolveu-se
aguardar algum futuro deslize
de Turguêniev. Tal fato ocorreu
apenas algumas semanas depois, quando foi publicado em
Moscou um artigo exaltando
Gógol, artigo que já havia sido
censurado em São Petersburgo.
Pela desobediência ao regime,
o literato foi desterrado para
sua cidade natal, obrigado a
viver quase dois anos em prisão
domiciliar. Iniciava-se assim a
carreira literária de Ivan Sergueivitch Turguêniev, um dos
maiores romancistas russos.
A revolta contra a
monarquia
Desde cedo sensibilizado com
a situação vivida pelos camponeses servos de gleba em
seu país, Turguêniev foi um
dos muitos estudantes de sua
época a assistirem, revoltados,
os brutais castigos e humilhações infligidos aos mujiques.
Esses jovens, filhos de ricos
senhores de terras, convencidos de que tais arbitrariedades
eram inerentes à estrutura da
são resgatados e seguem em
viagem. Tal fato seria narrado
posteriormente na novela Um
incêndio no mar.
Aventuras em terras
estrangeiras
Chegando à capital alemã, através de seu mais novo amigo,
o jovem anarquista Mikhail
Bakunin, Turguêniev insere-se
dentro de um círculo estudantes liberais russos onde estavam presentes futuros grandes
intelectuais, tais como Granovski, Stanquevitch, Nevérov e
se não apenas do famoso crítico russo Bielinski, que havia
sido desterrado pelo czar; mas
também de escritores franceses
que compunham uma parte expressiva da vanguarda literária
européia, como os românticos
George Sand e Musset, o expoente do realismo francês,
Gustave Flaubert, e o consagrado compositor, Frederik
Chopin. Ao lado de tais companhias, passaram-se quatro
anos, período em que Várvara
não cansou-se de suplicar que
voltasse. Mas o escritor resolve
retornar apenas quando tem
série de contos, sempre com
o mesmo subtítulo, que iriam
compor seu primeiro livro.
A reunião dos contos, editados em 1852, receberiam afinal
o famoso título de Histórias de
um caçador. Descuidadamente,
a censura deixa passar o livro,
do qual a maioria dos contos
em seu interior já havia sido
publicada em separado. O
detalhe curioso é que, se os
contos pareciam inofensivos
isoladamente, quando editados em um só corpo e lidos
em conjunto, adquiriam novo
alcance. Forneciam uma pin-
rias, Turguêniev afirmaria: “Eu
cresci entre surras e tormentos”. Quem mais sofria com seu
gênio, no entanto, não eram
suas crianças, mas sim os quase
5.000 servos camponeses que
viviam em sua propriedade.
Ivan, a maior testemunha de
seus caprichos, cresce cultivando grande sentimento de indignação frente aos permanentes
maus tratos e arbitrariedades,
fatos que se enraizariam profundamente em sua psicologia,
como o trágico destino da vida
de seu meio irmão, o servo de
gleba Porfirio Codriatchev. Ele
era filho bastardo de seu pai
com uma serva e teve, quando jovem, a oportunidade de
estudar na Alemanha ao lado
de Turguêniev, adquirindo
grande instrução e formandose em medicina. Mesmo sob
as súplicas de Ivan para que
Várvara desse liberdade a seu
irmão, esta sempre declinou
do pedido, mantendo até o fim
da vida o pobre Porfírio como
seu médico particular e fazendo
questão de tratá-lo com o mesmo desprezo com que tratava
todos os seus servos. Tragicamente, quando Codriatchev
consegue sua liberdade pelas
mãos de Ivan, após a morte
de Várvara, já havia tido sua
carreira e sua existência destruídas pela vodka.
A formação de um
aristocrata liberal
para todos os jovens alunos das
escolas, Turguêniev envolveuse rapidamente entre os grupos
estudantis mais politizados e
em pouco tempo estava compondo versos políticos no estilo
romântico byroniano, então
em moda. Duas dessas melhores composições acabaram
publicadas na revista O Contemporâneo e acidentalmente
caíram nas mãos de sua mãe
Várvara. Encolerizada com o
conteúdo político dos poemas,
ela resolveu transferi-lo para a
Universidade de Petersburgo
que, a seu ver, possuía uma instrução mais severa e eficiente, à
maneira alemã. Várvara nunca
conseguiu, porém, sufocar os
ideais liberais de seu filho.
Após a morte de seu pai, a
vida ao lado da mãe tornara-se
insuportável. Sem conseguir
rebelar-se abertamente contra
ela, mas incapaz de tolerar
seus caprichos, o jovem Ivan
Sergueievitch consegue manobrar a situação e ser enviado
para concluir seus estudos na
Alemanha. Seu meio irmão,
Porfirio Codriatchev, é enviado junto dele para policiar
sua vida naquele país, mas
em pouco tempo torna-se seu
mais fiel confidente e parceiro
na vida boêmia que ele adota
em Berlim.
Ainda no barco que rumava
à Alemanha, o jovem escritor
tem sua primeira aventura
em terras estrangeiras. Um
incêndio bota fogo na embarcação e todos os tripulantes são
obrigados a pularem ao mar.
Após dois dias a deriva, eles
teria cumprido, não deixa de
mostrar o papel fundamental
que esta coletânea de contos
desempenha no contexto da
literatura russa. Diversas vezes a obra já foi comparada
ao célebre romance Cabana do
Pai Tomás, obra capital do movimento abolicionista norteamericano, de Harriet Beecher
Stowe, que retrata os intensos
conflitos vividos entre os escravos norte-americanos e os
ricos proprietários de terras
no sul dos Estados Unidos, que
deixava claro o quão revoltante
era o regime de escravidão.
Poucos anos após a publicação
da obra, iniciou-se a violenta
Guerra Civil norte-americana,
pela libertação dos escravos.
Tais livros são da maior
importância, na realidade,
porque são a expressão, para a
mentalidade nova de um novo
público progressista, de um
movimento real que está em
marcha dentro da sociedade.
Nesta obra, Turguêniev revela todo o seu papel político
e literário como a grande expressão nas letras do movimento geral na sociedade russa
apoiado pela burguesia, pela
intelligentsia e parte da aristocracia pelo fim da servidão.
Ele é o grande porta-voz do
movimento que conduziu às
reformas de 1861.
O documento elaborado
pelo ministro czarista, revelava também de maneira clara
o profundo mal estar causado
entre a aristocracia pela obra
de Turguêniev. Imediatamente o descuidado censor que
deixou passar a publicação foi
destituído de seu cargo. Consideraram, entretanto que não
seria conveniente desterrar o
escritor, devido à repercussão
da obra e a popularidade que
gozava o escritor. Colocaram,
por outro lado, Turguêniev
sob estreita vigilância, prontos
para apertar o cerco em seu
primeiro deslize.
A censura czarista
Desde cedo, Turguêniev esteve
exposto às idéias radicais que
eram levadas à Rússia pelos
ventos da revolução burguesa
na França. Tendo mudado com
sua família em 1827 para Moscou, após ter se declarar-se antirepublicano e antiabolicionista, segundo um decreto do czar
Nesta edição apresentamos o início da
trajetória de Turguêniev, escritor liberal
que em seus primeiros anos escreveu
uma das obras capitais dentro do
movimento de libertação dos servos
na Rússia. Seguidor já da tendência
realista em literatura, em sua obra
transparece toda a luta revolucionária
que era travada no país em seu tempo,
com sua grandiosidade e contradições
monarquia czarista, formavam
uma elite intelectual a favor
da deposição do czar. Eram os
reflexos, dentro da atrasada
estrutura feudal russa, do impulso que a revolução burguesa
teve nos países europeus, e que
na Rússia teve seu desenvolvimento sufocado após a derrota
de Napoleão, em 1812. Tais
jovens eram alimentados pelas
idéias revolucionárias e republicanas levadas pelo terremoto
da Revolução Francesa até o
longínquo Império Romanov.
Eles eram a expressão, na esfera ideológica, da penetração
capitalista dentro da economia
feudal agrária de seu país. Seus
anseios eram os anseios da
camada mais desenvolvida da
população de seu tempo, os
chamados liberais. Clamavam
pelas transformações que só
uma revolução burguesa poderia trazer. Esse era o sentido
progressista que permeava toda
a literatura de Turguêniev.
Nascido em Orel, em outubro de 1818, Ivã Sergueievitch
Turguêniev era membro de
uma família pertencente à
nobreza feudal decadente.
Seu pai, Sergio Nicolaievitch
foi um pequeno proprietário
de terras que ascendeu socialmente casando-se com Várvara
Petrovna, uma das jovens mais
ricas da nobreza russa de sua
época. Tendo enriquecido subitamente, Várvara tornou-se
uma mulher vaidosa, despótica
e brutal. Era ela quem conduzia
com mão de ferro a educação de
seus filhos e a administração
dos negócios. Em suas memó-
PARTE VIII - Ivan Turguêniev e o movimento de libertação dos servos
Efrémov. Nestes anos, estavam
todos deslumbrados com a
filosofia hegeliana e baseados
nessas orientações, discutiam
energicamente os possíveis
rumos para o desenvolvimento
da sociedade russa.
Em 1840, é obrigado por
sua mãe, que se sentia profundamente solitária e infeliz, a
voltar para a pátria. Lá ele permanece por cerca de três anos,
período em que tenta lecionar,
desiste, arruma um emprego
público, enamora-se de uma
serva, tem com ela uma filha
e acaba apaixonando-se por
Paulina Viardot, cantora célebre em sua época e por quem
Turguêniev iria nutrir uma
paixão platônica, fiel e infeliz
por toda a vida. Viardot, apesar
de não ser exatamente bonita,
era citada como uma mulher
extremamente cativante e sensual, a quem o poeta Heine se
referiria como “uma paisagem
monstruosa e exótica”.
Ao final da temporada de
caça, em 1843, Ivan Sergueivitch segue em viagem para Paris
com o casal Viardot. Além da
pressão de sua mãe, ele também
sentia-se sufocado pelo clima
terrivelmente conservador em
que vivia a Rússia sob Nicolau
I, onde todos os aspectos retrógrados do País o atormentavam
mais do que nunca antes, após
ter respirado os ares liberais da
Europa daqueles anos. Em suas
memórias, desabafa: “Quase
tudo o que via ao meu redor
despertava em mim sentimentos de confusão, de indignação,
de repulsa enfim. Eu preciso ou
submeter-me e seguir com humildade pelo caminho traçado,
acompanhando de perto a pista
comum, ou romper de uma vez
com todos e tudo, ainda que
arriscando-me a perder grande
parte do que me era tão caro e
que tinha colocado tão próximo
do coração. E assim fiz...”.
Nos círculos
intelectuais de Paris
Seguindo a Paris com o casal
Viardot, Turguêniev aproxima-
notícias de que a mãe estava
em seu leito de morte.
Após a morte de Várvara,
Turguêniev vê-se não apenas livre do fardo de sua companhia,
como também dono de todas
as propriedades, da qual era o
único herdeiro. As novas preocupações de como administrar
as propriedades da família,
seguram-no na Rússia por algum tempo. Turguêniev viria a
libertar seus servos, de acordo
com a sua ideologia liberal.
Em suas memórias biográficas, Turguêniev fixa o
início oficial de sua carreira
em 1843, com a publicação de
seu poema Paracha, que contou
com a aprovação do famoso
crítico Bielinski. Ao conhecer
o jovem escritor, Bielinski faz
comentários entusiásticos sobre seus talentos a um amigo:
“é um homem extremamente
inteligente; conversar e discutir com ele constitui um alívio
para minha alma... É sempre
agradável ter pela frente um
homem cuja opinião independente e firmada, ao chocar-se
com a de outro, produz chispas...”. Bienlisnki fazia parte
do grupo ocidentalista de
escritores e livre pensadores
progressistas, e introduziu
assim o jovem liberal entre a
intelligentsia russa.
O ciclo de
contos Histórias
de um caçador
Mas seu nome ficaria fixado realmente na cabeça dos leitores
russos, apenas com a publicação de seu primeiro conto Khor
e Calínitch, cujo editor publicou
com o subtítulo - História de um
Caçador. O texto, lançado na
revista literária Sovreménic, O
Contemporâneo, foi muitíssimo
bem recebido pelo público da
época. É nesta etapa de tranqüilidade de sua vida, quando
passa o tempo administrando
as propriedades que herdara,
entre passeios pelo campo,
leituras e caçadas, período
que dura três ou quatro anos,
que escreve e publica toda a
tura tão completa do ambiente opressivo em que viviam
os servos e sua maneira de
ser, com colorações sensíveis
e comoventes, sempre em
contraste com a mesquinhez
e pobreza de espírito de seus
senhores nobres.
A repercussão produzida
com a publicação da obra foi
enorme. Acaloradas discussões
surgiram entre os círculos
intelectuais e revolucionários.
Todos os nobres e pequenoburgueses comentavam o “inconveniente” retrato pintado
por Turguêniev. As esferas
governamentais ficaram alvoroçadas. A ilustre condessa
Rostoptchín, influente entre
os altos funcionários públicos
considerou a obra francamente
subversiva e revolucionária, e o
ministro da Instrução-Pública
chegou a apresentar um relatório ao czar Nicolau I, onde
considerava que: “Depois de
haver lido com atenção especial as Histórias de um caçador,
devo dizer que os nobres proprietários são apresentados
sob aspectos ridículos, caricaturais e ainda ofensivos à sua
honra (...)”.
Um tributo à
libertação dos servos
A obra Histórias de um caçador
situa-se como um marco no
movimento revolucionário,
que culminaria com o fim do
regime de servidão, em 1861.
Sua popularidade decorre em
grande medida do fato de
que ao retratar com grande
sentimento a dura vida dos
mujiques russos, tornava ainda
mais clara a revoltante situação
desumana a que era submetida
a esmagadora maioria da população na Rússia controlada pelo
atrasado Império Romanov.
Muitos consideram que foi
essa a obra que inspirou todo
o movimento libertador russo, diz-se ainda que este livro
estava na mesa de Alexandre II
quando este assinou o decreto.
Apesar do exagero em relação
à influência que tal escrito
A oportunidade não tardou
a aparecer. Com a morte do
escritor Gógol no mesmo ano,
Turguêniev escreveu artigo
exaltando o escritor. Em essência, o artigo não continha
nenhuma linha que pudesse
ofender nem o mais conservador dos russos, mas a burocracia monarquista encontrou um
pretexto para vetar o artigo ao
se deparar com o seguinte trecho: “Ele está morto, esse homem a quem temos o direito,
o doloroso direito outorgado
por sua morte, de chamá-lo de
‘grande’”. E no entender dos
burocratas, “grande”, só poderia ser o czar. Inicialmente,
o texto foi censurado em São
Petersburgo, mas contrariado
com tal arbitrariedade, Turguêniev envia-o para ser publicado
em um periódico moscovita.
Sob o título de “Carta de São
Petersburgo”, o jornal Notícias
de Moscou publicou o artigo. Essa desobediência era o
motivo que a polícia política
precisava para colocar as mãos
no literato e declarar sua prisão
durante um mês.
Ao ser arremessado em sua
cela, porém, as filhas do diretor
da prisão, leitoras assíduas e
grandes admiradoras de Turguêniev, conseguiram que seu pai
autorizasse manter o escritor
não no presídio, mas na própria
residência deles (!). Durante
o mês em que permaneceu
“encarcerado” no apartamento
da família do diretor, entre as
discussões literárias e as reuniões para o chá, Turguêniev
ainda escreve seu conhecido
conto Mumu.
Mas apenas foi libertado, o
escritor é desterrado para sua
cidade natal, condenado a viver
em suas terras em regime de
prisão domiciliar. Apenas em
1854, quase dois anos mais
tarde, consegue sua liberdade,
devido à intervenção junto
ao governo de seus colegas e
admiradores, como o poeta
Alexei Tolstoi e a rica senhora
Smírnova, matrona das letras
russas.
Sem esperar mais, Turguêniev parte para o estrangeiro, ansioso por encontrar os
Viardot e seus demais amigos
literatos franceses. Estava por
se iniciar o período mais fértil
da carreira literária do escritor,
quando em 1856, inicia-se o
ciclo de suas célebres novelas
que lhe valeriam o posto de
primeiro plano na literatura
russa de seu tempo.
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