IV Encontro Nacional de Estudos da Imagem I Encontro Internacional de Estudos da Imagem 07 a 10 de maio de 2013 – Londrina-PR EDUCAÇÃO, FOTOGRAFIA, CIDADANIA: intencionalidade em favor da reconstituição da memória de Londrina e região Guilherme Henrique de Oliveira Cestari 1 A fotografia possui caráter de memória, identidade e presença. Ao relacionar elementos significantes, tem potencial para formar opiniões e influir em pensamentos e condutas. Coexistindo com linguagem textual e infográfica em função de um tema específico, a imagem fotográfica vê-se inserida no espaço midiático, um ambiente supostamente de discussão e debate de assuntos de interesse à sociedade. A proposta do programa Folha Cidadania, iniciativa do jornal Folha de Londrina em parceria com entidades públicas e privadas, é abordar semanalmente temas que possam ser utilizados em sala de aula de modo a estimular a leitura em alunos do ensino fundamental. Por meio da análise da intencionalidade do fotógrafo e de entrevistas, verificar-se-á se as informações articuladas em uma reportagem do projeto são realmente efetivas para a formação de leitores críticos e cidadãos. Palavras-chave: Folha de Londrina; Folha Cidadania; norte do Paraná. The photography has memory, identity and presence character. Linking significant elements, has the potential to shape opinions and influence thoughts and behaviors. Coexisting on the basis of a specific topic with textual and infographic language, the photographic image is inserted into the media space, supposedly an environment of discussion and debate of issues of interest to society. The Folha Cidadania program proposal, initiative of the newspaper Folha de Londrina in partnership with public and private entities, is addressing weekly themes that can be used in the classroom to encourage reading in elementary students. Through the analysis of the intentionality of the photographer and interviews, this paper will check if the information articulated in a report of the project is really effective for the formation of critical readers and citizens. Key-words: Folha de Londrina; Folha Cidadania; northern Paraná. 1 Bacharel em Design Gráfico pela Universidade Estadual de Londrina, mestrando em Comunicação pela mesma instituição. Bolsista CAPES. E-mail: [email protected]. 1373 IV Encontro Nacional de Estudos da Imagem I Encontro Internacional de Estudos da Imagem 07 a 10 de maio de 2013 – Londrina-PR 1. Introdução A fotografia, por sua relação indicial de aparente realismo com o objeto referente, é empregada em discursos que visam persuadir, conscientizar e formar opiniões. O meio fotográfico apropria-se de realidades passadas para suscitar lembranças. A memória contempla processos que envolvem especulação e criação por parte do leitor. No espaço midiático, o testemunho fotográfico coexiste com outros tipos de texto e imagem, que, articulados, reforçam o sentido da mensagem a ser transmitida. Esta sintonia intertextual não priva os interlocutores de realizarem leituras subjetivas do conteúdo, relacionando tais informações a seus conhecimentos e vivências prévias. Por respaldar discursos formadores de opinião, pressupõe-se que a imagem tem potencial para influenciar a conduta do leitor. Para que seja expressiva, a coexistência de pontos de vista, característica de um espaço democrático, presume abordagens e metodologias que privilegiem a multidisciplinaridade. Salas de aula e espaços midiáticos podem ser interpretados como metáforas ou microcosmos da sociedade em que estão inseridos. A mentalidade cidadã constrói-se com base na complexidade do pensamento, que contempla inter-relações entre fenômenos e seus contextos. Morin (2007) problematiza a produção de conhecimento considerando realidades ao mesmo tempo solidárias e conflitivas e, por isso, verdadeiramente democráticas. Valorização histórica e identitária fazem-se essenciais para esta dinâmica, uma vez que permitem, entre outras atitudes, posturas críticas diante do cenário público na atualidade. Como forma de divulgação institucional, veículos de comunicação concebem e articulam projetos em favor da formação cidadã. É de bom tom que uma organização empresarial midiática possua iniciativas que visem integração social e cultural. As informações que circulam na mídia impressa constituem em si uma leitura da realidade, característica de determinada cultura e sociedade e, por isso, têm caráter documental. Presume-se que a seleção de fatos considerados relevantes, informativos ou noticiosos atenda a critérios que variam de acordo com os interesses do público leitor. Tendo em vista esta situação, desenvolver-se-á um estudo crítico com foco na análise fotográfica, na atuação pedagógica e nos diálogos de ambos com memória, identidade, atuação cidadã e educação. A pesquisa contribuirá para a compreensão das relações entre 1374 IV Encontro Nacional de Estudos da Imagem I Encontro Internacional de Estudos da Imagem 07 a 10 de maio de 2013 – Londrina-PR intencionalidade do fotógrafo, significação da imagem em determinado contexto e potenciais interpretações do leitor. Suplemento semanal do jornal impresso Folha de Londrina, identificado como uma iniciativa abrangente na mídia da região, o Folha Cidadania é um projeto oriundo da parceria entre o setor privado, secretarias municipais e entidades sociais. Utilizar-seão descrições iconográficas para analisar a expressividade e o impacto sociais deste programa, em especial, sobre os estudantes de ensino fundamental, que cursam o quinto anoi. Tanto aplicação de um método de análise do discurso fotográfico quanto realização de entrevistas com os responsáveis pela produção do conteúdo contribuirão para a discussão acerca do material: o conjunto de imagens articuladas nas reportagens do projeto atende os requisitos elementares para incentivar crianças e adolescentes a adquirirem consciência e hábitos cidadãos? 2. Significação e realidades A compreensão de uma fotografia presume leitura e, consequentemente, escrita. A linguagem fotográfica é composta por códigos relativamente abertos, articulações visuais nos níveis formal e sintático permitem interpretações menos específicas e mais subjetivas. O aparente automatismo imediato do processo fotográfico pode fazer com que o ofício do fotógrafo pareça mais ligado ao aparelho do que ao próprio indivíduo. Boni (2000) destaca a importância de compreender os processos de escrita da fotografia, decifrar os recursos e intencionalidades articulados pelo fotógrafo ao determinar certo recorte no tempo e no espaço. Os significantes estão diretamente ligados às formas nas quais a mensagem se manifesta. Formas, de acordo com a percepção e o repertório do interlocutor, dão respaldo à interpretação, produzindo significado. Cada elemento de uma imagem fotográfica pode constituir um significante e, assim, orientar olhar, pensamento, interpretação e conduta do leitor. Imagens mentais, valores, emoções, mensagens suscitados pelo significante constituem o significado. Um significante é capaz de produzir diversos significados, conforme sua relação com o repertório do leitor, que, por sua vez, também atua como significante, ainda que interiorizado. Os elementos de significação atuam em conjunto com significante e repertório para delinear uma mensagem específica, limitando, de certa forma, a subjetividade. Transparecem a intencionalidade do fotógrafo e do meio, ilustrando, por vezes, 1375 IV Encontro Nacional de Estudos da Imagem I Encontro Internacional de Estudos da Imagem 07 a 10 de maio de 2013 – Londrina-PR determinado discurso, idealizado pelos então emissores. Processos de pós-produção podem fazer vir à tona instâncias ficcionais que atuam como elemento de significação. Relações entre significante e significado não são de mera causa e efeito. A representação, fenômeno característico do processo sígnico, faz vir à tona um objeto ausente, não acessível imediatamente. Permite um contato parcial entre leitor e objeto, que acontece, no caso dos signos visuais, por meio da aparência. Kossoy (1999b) identifica no processo fotográfico a existência de primeira realidade e segunda realidade. Aquela diz respeito ao tempo e espaço contínuos dos quais foi retirado o breve recorte fotográfico, a realidade em si, o momento que pertence ao passado. A segunda realidade se refere à imagem, que, oriunda de um recorte da primeira, possui um viés ficcional, um contexto próprio, que permite a rememoração da primeira realidade, mas nunca o acesso integral à mesma. Daí a constatação de que fotografia é memória e, portanto, identidade. Como rastro de luz, delimita e prolonga tempo e espaço, permite pensamento, imersão e especulação criativos acerca de passado, presente e futuro, é sintoma, testemunha parcial de seu tempo. Perpetuação temporal e subjetividade na interpretação permitem que as implicações estéticas da fotografia confundam-se com as instâncias éticas e lógicas do ato fotográfico. A realização do momento fotográfico implica, de acordo com Kossoy (1999a, 1999b), em três constituintes básicos: elementos constitutivos, coordenadas de situação e produto final. Para uma análise coerente da imagem, deve-se interpretá-la como resultado de um ato, esforço, decorrente de uma ou mais motivações, conscientes ou inconscientes. O jogo de forças (intencionalidades, tecnologias, interesses, discursos, contextos, experiências pessoais, memórias) que resulta na fotografia deve ser problematizado no método analítico adotado. Por elementos constituintes, subentendem-se os aparatos necessários para a produção da imagem: assunto (objetos/temas abordados pela imagem), fotógrafo (quem fará a tomada fotográfica) e tecnologia (o equipamento utilizado para tal). Tais constituintes encontram-se inseridos em uma situação espaço-temporal. A cooperação entre eles originará o produto final: relato predominantemente icônico, versão da primeira realidade. Para a produção da mensagem o fotógrafo não dispõe de pleno controle da realidade, deve com ela negociar para, por meio de seus elementos, explicitar e traduzir suas ideias. 1376 IV Encontro Nacional de Estudos da Imagem I Encontro Internacional de Estudos da Imagem 07 a 10 de maio de 2013 – Londrina-PR O fotógrafo é um filtro cultural, social, estético. Faz escolhas para construir significados que podem revelar e denunciar preconceitos, convicções, valores, opiniões. O aparelho fotográfico é um filtro científico, técnico. Os graus de influência de tantos fatores sobre uma realidade comum acabam por imensuráveis quando não embasados por pesquisa histórica, linguística, etnográfica e antropológica. A própria fotografia, além de mostrar-se resultado de processos multidisciplinares, desencadeia tantas outras linhas de raciocínio. Inúmeras possibilidades de reinterpretação e manipulação do dito produto final aumentam a complexidade dos pensamentos por trás da mensagem fotográfica, tratá-la com inocência é menosprezar o valor cultural de pontos de vista representativos. Ao leitor, quando em um espaço democrático, é conferida a liberdade e o desafio de interpretar de forma crítica a imagem fotográfica. A fotografia, quando tomada com atenção e dedicação, permite ao homem que se situe ideológica e ontologicamente diante de realidades possíveis, que articule e meça as consequências de seus atos diante de probabilidades, que reflita sobre as atitudes do outro. 3. História, sociedade, jornalismo e fotografia A fotografia é um produto social, industrial, histórico e, em seu caráter documental, pode ser utilizada como recurso pedagógico, orientado à argumentação e à conscientização. Uma imagem é resultado de modelos históricos, antropológicos, políticos, econômicos e culturais, sistemas de pensamento externos ao controle do autor, que, por sua vez, de acordo com as possibilidades dadas pelo contexto, articula criativamente formas de maneira a gerar significantes. Quando publicada, a imagem coexiste com outras informações, externas à mesma. O espaço híbrido (textual, infográfico, fotográfico), destinado à reportagem informativa e, por vezes, à reflexão crítica, é dotado de cargas polifônicas e de intertextualidade. Problematizar-se-á a fotografia diagramada no jornal impresso sem perder de vista outros elementos, igualmente parciais e subjetivos, que com ela interagem. A inter-relação da fotografia com o ecossistema que a rodeia acaba por orientar o campo de visão do interlocutor. Esquemas explicativos podem desafiar as expectativas e o olhar do leitor, convidando percepção e cognição a trabalharem juntas para colocarem-se diante da mensagem proposta. Pesquisas em fontes históricas se pautam em recortes, versões e especulações sobre o acontecido. Não existe, então, apenas uma história da fotografia. Sousa (2000) 1377 IV Encontro Nacional de Estudos da Imagem I Encontro Internacional de Estudos da Imagem 07 a 10 de maio de 2013 – Londrina-PR permite refletir acerca da fotografia enquanto interventora cultural e social. A maneira com que se articulam realidades fotográficas no espaço social resulta de convenções, correntes, modelos vigentes em cada época. A consciência dos pensamentos predominantes em cada período permite compreender características do fotojornalismo nos dias de hoje. Kossoy (1999a) destaca a legitimidade de diversos tipos de fonte histórica, os múltiplos suportes, naturezas e formas de memorar poderão servir como elementos de significação às fotografias analisadas. Para entender o contexto em que a imagem foi capturada e publicada, recomenda-se buscar diálogos entre fontes escritas manualmente e impressas, fontes iconográficas originais e impressas, fontes orais e fontes objetosii. Todo material que transpareça rastros ou evidências do estilo de vida e pensamento da época é significativo. As noções de verdade e realismo inerentes à fotografia são fatores culturais e históricos, mais relacionados à credibilidade de determinada técnica e meio do que à peça fotográfica em si. Pressupor que as fotografias são artefatos de gênese pessoal, social, cultural, ideológica e tecnológica permite compreender o valor de documento de uma imagem fotográfica. Supõe-se um teor documental e informativo na notícia jornalística. Por lidar com uma atividade complexa, multilateral, subjetiva e transdisciplinar, é conveniente que o fotógrafo compreenda globalmente o processo comunicacional que evolve preparação, criação, publicação e análise fotográficas. Familiarizado com leitura e produção de na linguagem visual, ciente das possibilidades e limitações técnicas e com intenções relativamente específicas, o autor converterá potencialidades em manifestações visuais. Para Sousa (2000), fotógrafo e veículo veem-se inseridos em uma esfera de liberdade, criatividade e responsabilidade. Da fotografia partem cinco forças que influem no pensamento do interlocutor e, por conseguinte, podem embasar, de diferentes maneiras, atitudes cidadãs: Ação pessoal, ação social, ação ideológica, ação cultural e ação tecnológicaiii. Nota-se a ação pessoal na influência individual do autor, suas memórias, opiniões e intenções. A ação social interpreta o ato fotográfico como resultante da interação entre pessoas, organizações, instituições, interesses, escolhas etc. A ação ideológica leva em conta o entendimento do mundo e da realidade por parte do(s) produtor(es), como interpretam a situação referida na imagem. A ação cultural vê a fotografia como parte da diversidade característica da produção cultural, 1378 IV Encontro Nacional de Estudos da Imagem I Encontro Internacional de Estudos da Imagem 07 a 10 de maio de 2013 – Londrina-PR contempla o uso de padrões culturais pré-existentes na construção da obra. Finalmente, a ação tecnológica busca desmistificar a suposta neutralidade da tecnologia, que interfere no resultado final nos níveis estético, ético, funcional e temático. 4. Recepção, complexidade e atuação cidadã A constituição de ambientes democráticos presume diálogo, reflexão, argumentação, além de constante manutenção. A democracia é um sistema artificial, frágil, contraditório e que pressupõe igualdade de expressão e manifestação àqueles interpretados como cidadãos. O poder democrático tem o compromisso de conceder espaço a seus opositores. O olhar democrático é dotado de racionalidade, argumentação, clareza. Procura-se lançar uma “luz dura” ao tema da discussão, de modo que fiquem esclarecidas as intenções de cada debatedor acerca do assunto abordado. Diante da exposição de diversos pontos de vista, realizam-se análises, comparações, explorações, ajustes em cada proposta, de maneira que as atitudes tomadas sejam em favor da maioria. Na ágora, praça pública em que os considerados cidadãos gregos discutiam projetos políticos, configurando um ambiente plural e multidimensional onde coexistem uma série de perspectivas, “... a comunicação não permite estabelecer hierarquias perceptivas de altura, mas uma infinitude de pontos de estância, diversas posições para os participantes.” (MARTÍN-BARBERO; REY, 2004, p.85). O respeito mútuo à expressão individual é chave para a pluralização dos temas discutidos no espaço democrático. Conforme Dagnino (2004), acompanhados de deveres e responsabilidades, direito à diferença e à autonomia constituem o caráter democrático e potencialmente cidadão de espaços, discussões ou pensamentos. Considerando o caráter esclarecedor do espaço democrático, a indicialidade fotográfica parece, à primeira vista, perfeita para formar cidadãos. No entanto, a plena e inocente confiança na imagem fotográfica pode acarretar no oposto, contribuindo para o surgimento de discursos autoritários e hegemônicos. Assim como os espaços político, pedagógico, cultural e midiático, é preciso que as realidades e linguagens fotográficas sejam continuamente problematizadas e complexificadas. A manifestação da cidadania é plural, presume aprendizado constante. Maleável e flutuante de acordo com as necessidades da sociedade, não pode ser reduzida a uma série de leis e preceitos fixos, engessados. A ação cidadã transparece dinamismo e adaptabilidade, características da cidadania. É impossível formar cidadãos contemporâneos, conscientes da complexidade 1379 IV Encontro Nacional de Estudos da Imagem I Encontro Internacional de Estudos da Imagem 07 a 10 de maio de 2013 – Londrina-PR de seu tempo, adotando métodos puramente especializados maniqueístas, pragmáticos e silogísticos. As tecnologias podem ser reconfiguradas em favor da construção de espaços de conscientização identitária e atuação política, social e cultural. Os efeitos de representação associados aos aparatos tecnológicos influenciam a percepção do mundo em instância individual e coletiva, pública e privada. A fotografia, imagem que é resultado da relação entre homem e aparelho, pode ser utilizada para problematizar e discutir acontecimentos sociais, valorizar identidades culturais, aproximar gerações etc. Para atuar em favor da cidadania, a fotografia precisa atender a condição específica de estar inserida em um ambiente minimamente democrático, não hegemônico. De acordo com Morin (2004), os desafios do ensino na contemporaneidade, marcados por uma dualidade paradoxal, consistem em modernizar a cultura e culturalizar a modernidade. O diálogo entre pensamento científico (com ênfase no pragmatismo, na racionalidade e na lógica) e pensamento humanista (que lida com linguagens poéticas, históricas e expressivas) deve ser promovido de modo a compexificar os fenômenos da realidade. Cultura e curiosidade passam a ser interpretadas como experiências de vida. Modelos pedagógicos abrangentes e generalistas podem dar novas interpretações a velhas certezas e vícios oriundos da hiperespecialização teórica da ciência. O pensamento para a cidadania, sempre incompleto e inacabado, contempla contínua formação moral, crítica e ética realizada de forma colaborativa. A adoção de olhares e métodos não especializados tem maiores chances de gerar no aluno uma consciência de pertencimento ao contexto estudado. A identificação do interlocutor com o material de estudo embasa uma espécie de ecologia do saber, na qual o conteúdo teórico se vê intimamente relacionado com o mundo real. Quando problematizada, contextualizada e situada em um espaço democrático, a fotografia se revela uma importante ferramenta para o estabelecimento de diálogos e relações entre estudos científicos e pensamento criativo. A compreensão da imagem fotográfica é caracterizada por processos objetivos e subjetivos que acontecem simultaneamente e não podem ser desvencilhados. A fotografia respalda a multidisciplinaridade à medida que contribui para a elaboração de hipóteses sobre os contextos, realidades, discursos e intencionalidades nela caracterizadas. Por meio da fotografia, que serve de estímulo e provocação ao pesquisador, e de modelos abertos de descrição e análise, fenômenos políticos, sociais, 1380 IV Encontro Nacional de Estudos da Imagem I Encontro Internacional de Estudos da Imagem 07 a 10 de maio de 2013 – Londrina-PR históricos, biológicos e culturais podem ser colocados em discussão. Uma figura, então, pode servir a diversas disciplinas, ao passo que seu discurso aberto permite diversas interpretações e pontos de vista. Recomenda-se ao fotógrafo, ao produzir material para a educação, a consciência de que, na imagem capturada, é importante que estejam contempladas, de maneira polifônica e didática, as mais diversas possibilidades de aproximação pedagógica. 5. A Folha segundo ela mesma De acordo com o portal de notícias do jornal Folha de Londrinaiv, a publicação surgiu em 13 de novembro de 1948 com edições semanais. Na década de 50, em razão de uma explosão demográfica, passou a ter edições diárias. Acompanhando tecnológica e informacionalmente as tendências dos principais jornais do país, a estrutura da organização buscou modernizar-se a fim imprimir mais quantidade com maior qualidade. Digitalização dos arquivos e informatização de toda a cadeia produtiva, ocorridos nos anos 80, são fatores que determinam tanto a inserção das fotografias nas páginas do jornal quanto recepção e leitura do público. Na década de 90, Londrina firmou-se como terceira maior cidade do sul do Brasil, enquanto a Folha foi o primeiro jornal do mundo a receber a certificação internacional ISO 9002. Atualmente, os 40 mil exemplares impressos diariamente atingem em média 120 mil leitores. As edições são distribuídas em Londrina, 300 outras cidades do Paraná e no sul dos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul. Aproximadamente 90% dos leitores são assinantes. O jornal atinge, em maior quantidade, os públicos A e B. No breve texto que diz respeito ao perfil do jornalv, expressões como “credibilidade”, “compromisso”, “ética”, “qualidade”, “independência editorial”, “profissionais renomados” e “abordagem dos fatos como eles realmente acontecem” procuram imprimir confiança e solidez, não é citado qualquer tipo de subjetividade, parcialidade ou viés opinativo, ainda que estes estejam invariavelmente presentes na linha editorial do jornal. Na seção nomeada “Ideologia”vi o termo não é utilizado com carga política ou negativa, a este tópico são apenas destinadas “Missão”, “Visão” e “Valores” da empresa, enfatizando nos textos palavras-chave que remetem a uma abordagem realista e verdadeira dos fatos. Constata-se por meio do slogan (“O jornal do Paraná”) e do vídeo institucionalvii que à empresa é interessante confundir sua própria história com a trajetória do povo pioneiro do norte do estado, tido como “gente empreendedora, corajosa e, acima de 1381 IV Encontro Nacional de Estudos da Imagem I Encontro Internacional de Estudos da Imagem 07 a 10 de maio de 2013 – Londrina-PR tudo, trabalhadora”. Depoimentos que constam no vídeo colaboram para enfatizar a relação buscada pela Folha entre cidadania, identidade e memória regional: “Assim como a cidade, a Folha cresceu rápido, norteada pelo ideal de mostrar de forma verdadeira a história de todo um estado.”, “A Folha de Londrina é um jornal moderno, confiável. Tem contribuído através das colunas de serviço para a melhoria do conhecimento dos seus leitores, isso melhora muito a condição de cidadania da população.” viii , “Não medimos esforços para denunciar, exaltar, oferecer alternativas, debater, mostrar os fatos de forma ampla, contribuir para a cidadania e a democracia.”. Adiante, ainda no vídeo institucional, utilizam-se termos e imagens orientados a uma abordagem mais emocional, informal, pessoal e afetiva. O caso de “Klayton Rodrigues de Souza, o menino poeta”, de origens pobres que, ao ter seu trabalho publicado, ganhou uma bolsa de estudos. O jornal, utilizando depoimentos do próprio, se reserva ao direito de ressaltar que mudou a vida do hoje estudante de enfermagem. As decisões editoriais futuras também ganham espaço no vídeo com ares de ousadia e inovação no ambiente digital, sempre com responsabilidade. O programa Folha Cidadania reflete a regionalidade e a atuação democrática propostas pelo veículo. Completando 18 anos, oriundo de parceira entre escolas públicas e particulares e secretarias municipais de educação, evoluiu de forma a promover atividades de cunho pedagógico, entre orientações, palestras e oficinas, tanto aos alunos como aos professoresix. Oito cidades aderiram à proposta: Londrina, Cambé, Rolândia, Ibiporã, Jataizinho, Fênix, Alvorada do Sul e Arapongas. Com o objetivo de incentivar a leitura entre os estudantes de quarta série, a iniciativa mostra-se atuante não só no ambiente escolar, mas também entre as famílias dos jovens. Apropriando-se de depoimentos de professores e coordenadores pedagógicos, a reportagem apresenta e esclarece a atuação do programa, destacando que o “Cidadania” evolui a cada dia. O slogan “Ler para ser” enfatiza de forma simples a importância da leitura para a formação humanista e cidadã. 6. Olhares sobre o processo Delimitou-se, para este artigo, o corpus a uma reportagem, tida como representativa do caráter regional, histórico e cidadão do Folha Cidadania: “Memória viva no norte do Paraná”, publicada no dia 12 de junho de 2012. A análise a ser realizada não é meramente descritiva. Serão realizados outros acompanhamentos, 1382 IV Encontro Nacional de Estudos da Imagem I Encontro Internacional de Estudos da Imagem 07 a 10 de maio de 2013 – Londrina-PR identificações, descrições e análises com base nas discussões propostas neste primeiro momento. A descrição formal da fotografia será utilizada, também, em favor de compreender a intencionalidade do fotógrafo e do meio. Tais intenções e discursos serão comparados com entrevistas realizadas com a jornalista responsável pelo projeto e pela reportagem, Ana Paula Nascimento, e com o fotógrafo, Anderson Coelho. Segundamente, verificar-se-á o impacto do projeto nas escolas, por meio de entrevistas com um responsável pedagógico que se utilize do conteúdo. Esta pesquisa admite a importância do equilíbrio entre teoria científica e depoimento pessoal. As entrevistas foram orientadas por questionários previamente elaborados, porém, foi concedida ao entrevistado liberdade para articular sobre o tema. 7. Resultados Figura 1: Fotografia principal da reportagem “Memória viva do Norte do Paraná”. Fotografia: Anderson Coelho Fonte: Folha de Londrina, edição 19.141, ano 63, 12 de junho de 2012, Folha 2, p.4-5. A (figura 1) tem maior destaque na diagramação, situada logo acima do título, ocupa o espaço central da página dupla. Suas medidas são 21 por 31,5 cm. Na legenda, localizada no canto superior direito, lê-se: “Alunos do oitavo e nono anox do ensino fundamental do colégio Sesi puderam conhecer melhor a história da cidade por meio dos relatos dos pioneiros Aya Ono, 84 anos, Joaquim Antônio Braz, 82 anos”. Na página, diagramada acima da imagem, a expressão “Resgate histórico”, impressa em 1383 IV Encontro Nacional de Estudos da Imagem I Encontro Internacional de Estudos da Imagem 07 a 10 de maio de 2013 – Londrina-PR letras grandes, funciona como título e introduz o tema ao leitor. Esta é a única fotografia da reportagem que mostra os pioneiros. Joaquim é situado próximo ao centro da figura, sua expressão e gestualidade indicam que está com a palavra, enquanto Aya, também referida na reportagem, apenas ouve. A luz que reflete sutilmente no rosto do pioneiro contribui para destacar seu semblante sério e sereno. O plano médio, que, normalmente, tem a função de interagir sujeito ao ambiente, é utilizado convenientemente, uma vez que a maioria dos alunos ao redor mostra-se atenta à explicação. A escolha do plano médio permitiu o enquadramento de um pequeno e antigo projetor de slides, situado à frente do orador, evidência de que, além do testemunho oral, utilizaram-se outros tipos de mídia para a exposição do conteúdo. O foco é ajustado para que a figura dos pioneiros fique mais nítida, enquanto os equipamentos antigos e os alunos ao fundo são levemente desfocados. O ângulo de tomada é de sutil mergulho, permitindo inferir que o fotógrafo situou a câmera em uma altura pouco acima da cabeça do senhor Joaquim. A posição gestual do pioneiro denota expectativa e didaticidade; apesar de imóveis na fotografia, suas mãos e trejeito sugerem movimento. Diferentemente, Aya é retratada em uma posição mais estática e contemplativa. Por causa das cortinas, do uniforme dos alunos e da camisa de Joaquim, predominam cores frias na composição, que tem um tom azul-acinzentado e contraste relativamente uniforme. Sintaticamente o conjunto mostra-se harmônico, não há elementos geométricos que denotem tensão, desequilíbrio ou desestabilidade. O momento retratado é expositivo, de atenção e respeito aos falantes. 1384 IV Encontro Nacional de Estudos da Imagem I Encontro Internacional de Estudos da Imagem 07 a 10 de maio de 2013 – Londrina-PR Figura 2: Segunda imagem da reportagem “Memória viva do Norte do Paraná”. Fotografia: Anderson Coelho Fonte: Folha de Londrina, edição 19.141, ano 63, 12 de junho de 2012, Folha 2, p.4-5. A (figura 2) tem menor destaque na composição da página. Possui 9,7 cm de altura por 15 cm de largura. Na legenda que acompanha a fotografia: “Objetos antigos como um telefone com discador ajudaram os convidados a relembrarem fatos importantes”. Apesar de o texto da legenda fazer referência ao relato dos pioneiros, a imagem mostra apenas discentes em contato com aparelhos antigos. O uso do plano americano, em que os indivíduos são retratados do joelho para cima, a presença de vários alunos na cena e a postura e gestualidade de cada um reforçam a ideia de discussão e integração entre a classe. O telefone antigo nas mãos dos garotos é enquadrado próximo ao centro geométrico da imagem, enquanto os elementos humanos aparecem em volta da mesa. A atenção dos alunos está voltada aos aparelhos. A cena toma a forma de um momento de exploração coletiva espontânea em que se permitiu aos jovens não apenas olhar e ouvir, mas tocar, sentir e debater. O foco é relativamente uniforme, elementos ao fundo e à frente apresentam nitidez aproximada. Para melhor enquadrar o grupo de alunos, o fotógrafo capturou a imagem na altura da cabeça de um dos meninos, possivelmente sugerindo ao leitor que compartilhe do olhar exploratório dos jovens. A mesa e os objetos expostos são observados sob a perspectiva do ângulo de mergulho, o que transmite a ideia de que os materiais foram dispostos de forma acessível ao alcance e à análise. O recurso do contraste poderia ter sido mais bem 1385 IV Encontro Nacional de Estudos da Imagem I Encontro Internacional de Estudos da Imagem 07 a 10 de maio de 2013 – Londrina-PR explorado na construção da fotografia, a fim de destacar o objeto em mãos. Caso não fosse possível adequar angulação ou iluminação durante a tomada fotográfica, existem recursos de pós-produção que permitem a seleção de parte da imagem e o aumento do contraste da mesma. Tons e cores são uniformes e predominantemente suaves, frios e acinzentados, à exceção dos ornamentos ao fundo que, colados na parede da sala de aula, apresentam cores quentes, mas não a ponto de interferir determinantemente na leitura da imagem. No contexto da reportagem, a cena fotografada possui alto teor de colaboração e socialização. É a mais representativa no que se refere a um ambiente democrático de produção de conhecimento. Figura 3: Terceira imagem da reportagem “Memória viva do Norte do Paraná”. Fotografia: Anderson Coelho Fonte: Folha de Londrina, edição 19.141, ano 63, 12 de junho de 2012, Folha 2, p.4-5. A (figura 3), situada à direita inferior da página, possui 11 cm de altura por 17,5 cm de largura. A breve legenda esclarece: “A máquina de escrever despertou a curiosidade dos estudantes”. A aplicação do plano detalhe evidencia a interação entre estudante e tecnologia. Apesar da presença dos colegas de classe, que parecem estar aguardando a vez para mexer na máquina, a composição prioriza as mãos e o ato de digitar do discente. Foco e contraste são manipulados de modo a valorizar a digitação. O leitor é novamente convidado a acompanhar movimento e ação do personagem e voltar seu olhar à máquina. Tonalidade e coloração se assemelham aos analisados anteriormente, permitindo supor que esta imagem foi capturada no mesmo ambiente (ou 1386 IV Encontro Nacional de Estudos da Imagem I Encontro Internacional de Estudos da Imagem 07 a 10 de maio de 2013 – Londrina-PR em um similar) que as anteriores. Interesse, curiosidade e iniciativa podem respaldar modelos pedagógicos muldisciplinares e multisensoriais. Texto e fotografia unem-se na reportagem de maneira a sugerir uma sequencialidade para os fatos. Primeiramente se deu a exposição das lembranças e memórias dos pioneiros, posteriormente priorizou-se a interação entre alunos e tecnologias antigas. Apesar do caráter indicial e ilustrativo das imagens fotográficas, faz-se impossível saber, apenas com base nas figuras, o tamanho da sala de aula ou quantos alunos estavam presentes. As fotografias publicadas são imagens-ação, referem-se a diferentes etapas da aula, buscam representar os processos comunicacionais e didáticos que ali aconteceram: explicar e esclarecer (figura 1), explorar, socializar, colaborar e debater (figura 2) e participar e interagir (figura 3). Em nenhuma das fotografias analisadas há indivíduos olhando diretamente ou posando para a câmera, o que transmite a ideia de espontaneidade e naturalidade: o repórter fotográfico aparentemente não interferiu diretamente nos processos que ali ocorriam. Ao leitor é dada a sensação de observá-los passivamente. Em contrapartida, as interações entre os indivíduos na fotografia foram priorizadas: conversas, demonstrações, discussões, olhares, curiosidade. Existem ainda, na página dedicada ao Folha Cidadania, imagens periféricas de tamanho menor e teor mais ilustrativo. Enumeram-se, entre elas, retratos de quatro alunos que deram depoimento sobre a atividade realizada em sala de aula (fotografias de Anderson Coelho), capas de livros infantis (em que os créditos indicam “Reprodução”), comentados e sugeridos na seção Leiturinha, além de duas fotografias que surgem de referências no texto principal, cujos créditos são atribuídos apenas ao “Arquivo FOLHA”, que estabelecem uma conexão com o texto principal, a primeira delas evidencia a participação de dona Iáiá (Aya Ono) no longa-metragem Gaijin II – ama-me como sou, gravado em Londrina, a outra esclarece sobre a produção de café durante as décadas 50 e 60 no norte do estado. 1387 IV Encontro Nacional de Estudos da Imagem I Encontro Internacional de Estudos da Imagem 07 a 10 de maio de 2013 – Londrina-PR 8. Discussão e considerações Tabela 1: Esquema comparativo entre os dados obtidos na análise. Fonte: elaborado pelo autor. A (Tabela 1) permite um panorama das relações entre fotografia, mídia e elementos constituintes de um modelo pedagógico complexo, democrático e participativo. A análise iconográfica do recorte proposto assevera que os espaços midiático e escolar podem operar como microcosmos da sociedade nas quais estão inseridos. Cada indivíduo que colabora para que ele seja construído é provido, necessariamente, de uma intencionalidade. O uso exclusivo do material publicado no Folha Cidadania não atende a todas as necessidades. A noção de que existem diversos suportes, linguagens e organizações midiáticas, cada qual com sua respectiva política editorial, possibilita que o estudante transite entre vários meios de modo a comparar as opiniões e a versão dos fatos apresentadas por cada um. Colaborar com a formação contínua dos cidadãos é responsabilidade da mídia, da escola e da família, de maneira que a fotografia pode ser utilizada nestes ambientes de modo diferentes para estimular os hábitos da leitura e da reflexão crítica. 1388 IV Encontro Nacional de Estudos da Imagem I Encontro Internacional de Estudos da Imagem 07 a 10 de maio de 2013 – Londrina-PR Referências BONI, Paulo César. O discurso fotográfico: a intencionalidade da comunicação no fotojornalismo. São Paulo, 2000. Tese (Doutorado em Ciências da Comunicação) – ECA/USP. DAGNINO, Evelina. Sociedade civil, participação e cidadania: de que estamos falando? In: Daniel Mato (coord.), Políticas de ciudadanía y sociedad civil entiempos de globalización. Caracas: FACES, Universidad Central de Venezuela, 2004, p. 95-110. KOSSOY, Boris. Fotografia história. 2. ed. Cotia: Ateliê Editorial, 1999a. ______. Realidades e ficções na trama fotográfica. Cotia: Ateliê Editorial, 1999b. MARTÍN-BARBERO, Jesús; REY, Germán. Os exercícios do ver: hegemonia audiovisual e ficção televisiva. 2. ed. São Paulo: Senac, 2004. MORIN, Edgar; ALMEIDA, Maria da Conceição, CARVALHO, Edgar de Assis (Orgs.). Educação e complexidade: os sete saberes e outros ensaios. 4. ed. São Paulo: Cortez, 2007. SOUSA, Jorge Pedro. Uma história crítica do fotojornalismo ocidental. Florianópolis: Letras Contemporâneas, 2000. i O Ministério da Educação propõe, em documento de julho de 2004, a ampliação da duração do ensino fundamental de oito para nove anos. Desta maneira, a antiga quarta série equivale ao atual quinto ano. Cf. <http://goo.gl/9dk4S>. Acesso em: 01 jul. 2012. ii Cf. Kossoy (1999a, p.65-73). iii Cf. Sousa (2000, p.225-230). iv Disponível em: < http://www.folhaweb.com.br/quemsomos/?menu=2>. Acesso em: 01 jul. 2012. v Disponível em: <http://www.folhaweb.com.br/quemsomos>. Acesso em: 01 jul. 2012. vi Disponível em: <http://www.folhaweb.com.br/quemsomos/?menu=3>. Acesso em: 01 jul. 2012. vii Disponível em: <http://www.folhaweb.com.br/quemsomos/?menu=6>. Acesso em: 01 jul. 2012. 1389 IV Encontro Nacional de Estudos da Imagem I Encontro Internacional de Estudos da Imagem 07 a 10 de maio de 2013 – Londrina-PR viii Depoimento do cardiologista Carlos Rodrigues presente no vídeo institucional da Folha de Londrina a partir dos 2 minutos e 21 segundos de duração. ix Dados disponíveis na reportagem “Folha Cidadania: há 18 nos incentivando o gosto pela leitura”, datada de 24 de abril de 2012, escrita por Ana Paula Nascimento. x Apesar de o Folha Cidadania voltar-se a alunos do quinto ano, esta reportagem se refere especificamente a atividades realizadas com discentes do oitavo e nono ano. 1390