FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS ESCOLA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ECONOMIA PAULO ROGÉRIO RIBEIRO ABREU RIBEIRO O IMPACTO DE NORMAS SOCIAIS NO MERCADO DE AÇÕES BRASILEIRO Rio de Janeiro 2012 PAULO ROGÉRIO RIBEIRO ABREU RIBEIRO O IMPACTO DE NORMAS SOCIAIS NO MERCADO DE AÇÕES BRASILEIRO Dissertação para obtenção do grau de mestre apresentada à Escola de PósGraduação em Economia. Área de concentração: Mercado de ações. Orientador: Tiago Couto Berriel Rio de Janeiro 2012 Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Mario Henrique Simonsen/FGV Ribeiro, Paulo Rogério Ribeiro Abreu O impacto de normas sociais no mercado de ações brasileiro / Paulo Rogério Ribeiro Abreu Ribeiro. - 2012. 19 f. Dissertação (mestrado) - Fundação Getulio Vargas, Escola de PósGraduação em Economia. Orientador: Tiago Couto Berriel. Inclui bibliografia. 1. Ações (Finanças). 2. Normas sociais. I. Berriel, Tiago Couto. II. Fundação Getulio Vargas. Escola de Pós- Graduação em Economia. III. Título. CDD – 332.6322 À minha esposa, Tatiana, aos meus pais, Aparecida e Claudio, e à minha avó, Odette, por todo o carinho e apoio incondicional ao longo de todos esses anos. RESUMO Este estudo busca verificar se normas sociais impactam o mercado de ações brasileiro analisando o retorno de ações dos setores que mais estão susceptíveis a serem vistos como nocivos para a sociedade: os produtores de bebidas alcoólicas, cigarros e armamentos. Buscando responder a nossa pergunta, o retorno das ações da Ambev, Souza Cruz e Forjas Taurus foram analisados. Palavras-chaves: Normas sociais. Mercado acionário brasileiro. ABSTRACT This study aims to verify if social norms impact Brazilian stock market analyzing the return of the stocks of the sectors which are more prone to be seen as harmful for the society: the alcoholic beverages, cigarettes and weapon producers. Trying to answer this question, the returns of Ambev, Souza Cruz and Forjas Taurus stocks were analyzed. Keywords: Social norms. Brazilian stock market. Sumário 1. Introdução .................................................................................................................. 7 2. Metodologia ................................................................................................................ 9 3. Dados......................................................................................................................... 13 4. Resultados................................................................................................................. 15 5. Conclusão ................................................................................................................. 19 6. Bibliografia ............................................................................................................... 20 1. Introdução As normas sociais representam comportamentos e valores dentro de uma sociedade. Constituem regras, explícitas ou implícitas, que um grupo utiliza para classificar como adequados ou não adequados valores, crenças e atitudes. O objetivo desta dissertação é verificar se as normas sociais geram custo significativo para que investidores, em especial investidores institucionais, financiem empresas produtoras de bebidas alcoólicas, cigarros e armamentos. Não existe uma única definição para o conceito de norma social. Pode-se enxergar, por exemplo, que a norma social se reflita no ato cuja utilidade para o agente que o realiza dependa de certa forma das crenças ou ações de outros membros da sociedade. Há normas sociais contra atividades relacionadas ao vício. Consequentemente, existem investidores que não desejam estar envolvidos direta ou indiretamente com empresas que produzem bebidas alcoólicas ou cigarros, por exemplo. Além disso, empresas produtoras de armamentos também podem não ser bem vistas pela sociedade pela inevitável associação à violência. O Social Investment Forum, que representa um conjunto de empresas, instituições e profissionais norte-americanos engajados em investimento responsável e sustentável, estima que US$ 3,07 trilhões de um total de US$ 25,2 trilhões de ativos sob gestão no mercado americano passam por algum tipo de filtro considerando as normas sociais. Há diversos tipos de investidores no mercado acionário brasileiro: fundos de pensão, investidores institucionais, investidores estrangeiros e investidores pessoas físicas, por exemplo. Tais investidores, como integrantes da sociedade, estão sujeitos às suas normas e, logo, suas decisões de investimento são, em diferentes graus, influenciados por essas. Espera-se que quanto mais aberta e publica seja a carteira de um investidor, mais este estará́ sujeito às pressões causadas pelas normas sociais. Portanto, fundos de pensão e investidores institucionais, que devem divulgar informações sobre a composição das suas carteiras bem como a motivação de possuírem essas posições aos seus clientes, devem estar mais sujeitos a tais tipos de pressão, fazendo com que seja socialmente mais custoso para esses agentes possuírem ações de empresas com atividades associadas, direta ou indiretamente, ao vicio e à violência. Os fundos de pensão brasileiros possuem, segundo a ABRAPP – Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar, aproximadamente R$ 600 bilhões sob gestão no final de 2011, dos quais 31% estão alocados em ações, revelando a sua relevância no mercado acionário brasileiro. Com isso, este trabalho busca verificar a existência de impactos nos preços das ações de empresas que não são bem vistas segundo as normas da sociedade. 2. Metodologia Buscamos verificar se normas sociais impactam o mercado de ações brasileiro analisando o retorno de ações dos setores que mais estão susceptíveis a serem vistos como nocivos para a sociedade: os produtores de bebidas alcoólicas e de cigarros. Enquanto o álcool já́ foi reconhecido pela sociedade como prejudicial à saúde há muito tempo, os efeitos negativos do cigarro apenas foram reconhecidos na década de 1960. Ainda assim, a Organização Mundial da Saúde afirmou que das 58,8 milhões de mortes ocorridas globalmente em 2004, 5,4 milhões estavam associadas ao consumo de tabaco. O período analisado já́ abrange a visão moderna da sociedade quanto aos efeitos nocivos do cigarro à saúde. Levando em consideração a liquidez das ações, escolhemos analisar a Ambev e a Souza Cruz, uma vez que essas se enquadram nos setores escolhidos e suas ações possuem liquidez relevante. Por fim, analisaremos também a Forjas Taurus, produtora de armamentos, mas cujas ações apresentam menor liquidez. A Ambev é a maior cervejaria da América Latina e a maior indústria privada de bens de consumo do Brasil, estando presente em 14 países, em operações que envolvem a produção e a comercialização de cervejas, refrigerantes e outras bebidas não-carbonatadas, malte e subprodutos. A empresa é líder em 6 dos mercados onde opera: Brasil, Argentina, Canadá, Paraguai, Uruguai e Bolívia, possuindo três marcas entre as 25 cervejas mais consumidas no mundo: Skol, Brahma e Antarctica. A Ambev apresentou receita liquida de R$ 27 bilhões em 2011 e um lucro liquido de R$ 8,6 bilhões nesse mesmo ano. A Souza Cruz é uma empresa brasileira produtora de cigarros, subsidiaria da British American Tobacco, tendo sido fundada em 1903 no Rio de Janeiro. A empresa atua em todo o ciclo de produção, desde o cultivo e o processamento de fumo, até a fabricação e a distribuição do cigarro, tendo as marcas de seus cigarros vendidas em mais de 180 países do mundo. A Souza Cruz é líder do mercado nacional, possuindo seis das dez marcas mais vendidas no Brasil, produzindo cerca de 80 bilhões de cigarros por ano. Sua participação de mercado é de 61%, tendo apresentado R$ 5,5 bilhões de receita liquida em 2011 e lucro liquido de R$ 1,6 bilhão. Ambas as empresas apresentam ações com excelente liquidez no mercado domestico, estando presentes na composição do Ibovespa e sendo empresas bastante relevantes no país. Portanto, tendo em vista todos os pontos levantados, achamos que essas empresas deveriam representar o foco de analise deste trabalho. A terceira empresa analisada é a Forjas Taurus, que é fabricante de armas de fogo, produzindo revólveres, pistolas, carabinas, armas de pressão e armas policiais para o mercado interno e internacional. Sua receita líquida foi de R$ 618 milhões em 2011, apresentando lucro líquido de R$ 37 milhões. Como grupo comparável, criamos um índice de consumo, que tem por objetivo oferecer uma visão segmentada do mercado acionário, medindo o comportamento das ações das empresas representativas dos setores de consumo cíclico e não-cíclico. As empresas que compõe esse índice são: Alpargatas, Brasil Foods, Grendene, Lojas Americanas, Natura, Pão de Açúcar e Localiza. Todas possuem pesos iguais no índice criado. Dentro do setor de consumo cíclico, foram analisadas as empresas Alpargatas, Grendene, Lojas Americanas e Localiza. A Alpargatas produz e comercializa calçados e artigos esportivos (equipamentos e vestuário) no mercado interno e internacional. Criadora das sandálias Havaianas, engloba ainda diversas marcas esportivas, além de atuar no setor de varejo esportivo local. Com valor de mercado de R$ 5,8 bilhões, obteve receita de R$ 2,6 bilhões em 2011 e lucro líquido de R$ 309 milhões. Grendene é uma empresa focada na produção de calçados, predominantemente sandálias. A companhia é envolvida nos mercados de todas as faixas etárias no Brasil e exporta para diversos países. Com valor de mercado de R$ 2,8 bilhões, obteve R$ 1,5 bilhões de receita e R$ 305 milhões de lucro líquido em 2011. Lojas Americanas é uma empresa que opera uma vasta rede de lojas varejistas em diversas cidades em todo o território nacional (além do comércio eletrônico). A empresa vende artigos de consumo em geral (perecíveis e semiduráveis) de diversos setores, incluindo alimentício. A empresa também concede crédito ao consumidor através de sua subsidiária Facilita. Com valor de mercado de R$ 13 bilhões, teve de receita R$10 bilhões em 2011, com lucro liquido de R$ 304 milhões. Localiza é uma empresa especializada no aluguel de automóveis através de sua rede própria e de suas franquias no Brasil e na América Latina. Preferencialmente, a companhia opera através do aluguel diretamente nos aeroportos. Além do aluguel, também faz o comércio de automóveis usados e oferece serviços de frota. Com valor de mercado de R$ 6,4 bilhões, obteve de receita R$ 2,9 bilhões em 2011, com lucro líquido de R$ 292 milhões. No setor de consumo não cíclico, as empresas analisadas foram BR Foods, Natura e Pão de Açúcar. BR Foods é a holding operacional de um grupo industrial especializado em comida processada, predominantemente resfriada e congelada. A empresa possui criação própria dos animais, produzindo em larga escala para o mercado interno e externo, além de massas e derivados de soja. Com foco na América Latina, possui presença mundial com escritórios em pontos estratégicos do globo. Com valor de mercado de R$ 29,6 bilhões, obteve R$ 25,7 bilhões de receita e lucro líquido de R$ 1,4 bilhão em 2011. A Natura é uma empresa especializada na produção de cosméticos e produtos de limpeza e uso pessoal. Predominantemente no mercado local, os produtos são focados no tratamento da pele, higiene pessoal e fragrâncias. Com valor de mercado de R$ 18,6 bilhões, obteve R$ 5,6 bilhões de receita e R$ 831 milhões de lucro liquido em 2011. A holding do grupo Pão de Açúcar opera no comércio varejista geral, incluindo o setor alimentício. A estrutura inclui supermercados, lojas varejistas de eletroeletrônicos, lojas de conveniência, comércio eletrônico e uma rede logística de distribuição ampla. Focada no mercado interno, possui valor de mercado de R$ 26,2 bilhões. Em 2011, obteve R$ 46,6 bilhões de receita e um lucro de R$ 720 milhões. O índice MSCI Brazil Small Cap busca medir o desempenho de uma carteira composta por ações de empresas listadas na BM&FBovespa com os 14% menores valores de mercado. A participação de cada empresa no índice é ponderada pelo seu free-float e valor de mercado. No final de fevereiro de 2012, as dez maiores participações nesse índice eram: Br Properties (5,88%), CIA de Saneamento de Minas Gerais-COPASA (3,90%), Iochpe-Maxion (3,72%), Marcopolo (3,65%) e Kroton (3,07%). Já o índice MSCI Brazil Large Cap visa medir o desempenho de uma carteira composta por ações de empresas listadas na BM&FBovespa que representam 85% do valor de marcado total. A participação de cada empresa no índice é ponderada pelo seu free-float e valor de mercado. No final de fevereiro de 2012, as cinco maiores participações nesse índice eram: Petrobras PN (9,81%), Vale PN (8,16%), Itaú Unibanco (8,14%), Petrobras ON (7,19%) e Bradesco (6,14%). Nós testamos se as ações dessas empresas que enfrentam resistência por parte das normas sociais apresentam retornos superiores aos de seu grupo comparável através da criação de um portfólio hipotético comprado igualitariamente nas ações dessas duas empresas e vendido no índice de consumo, que representa o seu grupo comparável. Utilizamos o modelo de fatores para realizar a nossa análise. Além disso, utilizamos o CAPM e variações do nosso modelo de fatores para realizar uma análise de robustez do nosso modelo. 3. Dados Nós utilizamos os dados do Bloomberg para obtermos os históricos de preços das ações da Alpargatas, Ambev, Brasil Foods, Souza Cruz, Grendene, Lojas Americanas, Natura, Pão de Açúcar, Localiza e Forjas Taurus, bem como os índices IBOVESPA, os índices MSCI Brazil Small Cap e MSCI Brazil Large Cap e o CDI. O período de junho de 2007 foi escolhido como início da nossa análise, pois foi quando o índice MSCI Brazil Small Cap foi criado e seu histórico disponibilizado para consulta pública. A análise tem por fim o início do mês de fevereiro de 2012, resultando em 57 amostras mensais. Como dados, utilizamos os retornos mensais dos ativos. Nas nossas regressões temporais, as variáveis dependentes os retornos mensais de uma carteira hipotética comprada em ações da Ambev, Souza Cruz ou Forjas Taurus e vendida no grupo comparável, representado pelo índice de consumo que construímos e definimos anteriormente. Essa variável dependente é a SIN x CONSUMO. A variável explicativa IBOV EX-CDI representa o retorno mensal do IBOVESPA líquido do retorno mensal do CDI, que é utilizada neste trabalho como a taxa livre de risco. A variável explicativa SMALL x LARGE é o retorno mensal de uma carteira hipotética comprada no índice MSCI Brazil Small Cap e vendida no índice MSCI Brazil Large Cap. As variáveis explicativas RAZÃO P/E e RAZÃO P/BV representam, respectivamente, as razões os múltiplos de preço sobre lucro e preço sobre valor contábil da carteira comparável em relação aos mesmos múltiplos da carteira de sin stocks. O múltiplo price-to-book (P/BV) compara o valor de mercado de uma empresa em relação ao seu valor contábil, apresentado no balanço do último trimestre disponível. Se o valor contábil da empresa for confiável, esse múltiplo busca identificar o quanto um investidor está pagando além do valor de liquidação da empresa, caso essa fosse liquidada. Já o múltiplo price-earnings, P/E, mensura o valor de mercado de uma empresa em relação ao lucro apresentando por esta nos últimos 12 meses disponíveis. Quanto mais alto o P/E, mais os investidores estão pagando para cada unidade de lucro da empresa. Uma interpretação comum e razoável que justifica números altos de P/E é a expectativa de crescimento de lucro da empresa nos anos vindouros. Por fim, a constante ALFA representa o excesso de retorno do portfolio comprado na carteira sin stocks e vendido na carteira de consumo mencionada anteriormente. O modelo que utilizamos para tentar capturar esse excesso de retorno é apresentado a seguir: SIN x CONSUMOt = ALFA + b1t * IBOV EX-CDIt + b2t * SMALL x LARGE t + b3t * RAZÃO P/Et + b4t * RAZÃO P/BV t + et t = 1,…, 57 (Equação 1) 4. Resultados Para tentar responder a nossa pergunta inicial, os examinamos o retorno das ações da Ambev, Souza Cruz e Forjas Taurus. Se realmente há um custo gerado pelas normas sociais de tal forma que esse imponha limites na arbitragem, então nos deveríamos verificar que essas ações possuem um retorno superior às suas comparáveis ao longo do período analisado. Os retornos carteira de sin stocks ex-consumo, composta pela Ambev, Souza Cruz e Forjas Taurus, do IBOVESPA descontado do CDI e da carteira small caps versus large caps são apresentados na figura abaixo: Figura 1: Retornos da carteira de sin stocks ex-consumo, do IBOVESPA ex-CDI e da carteira small caps versus large caps. A tabela abaixo indica os retornos de cada uma das carteiras supracitadas no período, bem como o seu retorno anualizado. Como podemos observar, a carteira de sin stocks apresentou desempenho bastante superior ao da carteira de consumo, ganhando em médio 8,82 pontos percentuais ao ano dessa. Ainda, no mesmo período, as small caps superaram também de forma significativa as large caps, apresentando um retorno superior em 6,32 pontos percentuais ao ano. Já o índice IBOVESPA apresentou um retorno 23,52% inferior ao do CDI no mesmo período. Ativo SIN x CONSUMO IBOV_EX_CDI SMALL x LARGE Retorno total 49.39% -23.52% 33.79% Retorno anualizado 8.82% -5.49% 6.32% Tabela 1: Retornos das carteiras analisadas. A figura 2 ilustra a evolução da razão entre o P/L da carteira de consumo e o P/L da carteira de sin stocks. Como podemos observar, a carteira de consumo apresentou um P/L consistentemente superior ao da carteira de sin stocks. Isso, de fato, pode indicar que, no início do período analisado, a carteira de consumo estava cara em relação à carteira de sin stocks. Figura 2: Razão do P/L da carteira de consumo sobre o P/L da carteira de sin stocks. A figura 3 mostra um comportamento bastante semelhante ao indicado na figura 2, ilustrando a evolução da razão entre o P/BV da carteira de consumo e o P/BV da carteira de sin stocks. Como podemos observar, a carteira de consumo também apresentou um P/BV consistentemente superior ao da carteira de sin stocks. Isso também pode indicar que, no início do período analisado, a carteira de consumo estava cara em relação à carteira de sin stocks. Figura 3: Razão do P/BV da carteira de consumo sobre o P/BV da carteira de sin stocks. A seguir, apresentamos o resultado da regressão do modelo representado pela equação 1, bem como a regressão do modelo CAPM e os testes de robustez do modelo original. ALFA IBOV EX-CDI SMALL x LARGE SIN x CONSUMO DESVIO-PADRÃO P-VALOR 0.0052 0.0043 22.74% -0.3425 0.0890 0.03% SIN x CONSUMO DESVIO-PADRÃO P-VALOR 0.0051 0.0030 8.41% -0.3293 0.0807 0.01% -0.3615 0.1005 0.07% SIN x CONSUMO DESVIO-PADRÃO P-VALOR 0.0054 0.0038 15.13% -0.3382 0.0809 0.01% -0.3869 0.1027 0.04% SIN x CONSUMO DESVIO-PADRÃO P-VALOR 0.0059 0.0035 9.21% -0.3203 0.0798 0.02% -0.3903 0.1007 0.03% SIN x CONSUMO DESVIO-PADRÃO P-VALOR 0.0055 0.0030 7.03% -0.3168 0.0829 0.04% -0.3879 0.1025 0.04% Tabela 2: Resultado das regressões. RAZÃO P/E RAZÃO P/BV -0.0110 0.0098 26.31% -0.0132 0.0082 11.52% -0.0028 0.0024 24.38% -0.0150 0.0135 26.62% Podemos observar, dessa forma, que o modelo apresentado na equação 1 captura um excesso de retorno de 0,55% ao mês do portfolio comprado na carteira sin stocks e vendido na carteira de consumo, com um p-valor de 7,03%. Quando o modelo de CAPM foi aplicado, observamos um excesso de retorno de 0,52%, mas com um p-valor alto, de 22,74%. É interessante notar que nesse modelo, o retorno do IBOVESPA ex-CDI explica em grande parte o retorno da variável dependente SIN x CONSUMO, com p-valor de 0,03% e coeficiente -0,3425, sendo coerente com o retorno negativo apresentado pelo IBOVESPA ex-CDI no período e o retorno positivo demonstrado pela carteira SIN x CONSUMO. Ao adicionarmos a carteira de small caps versus large caps, observamos um excesso de retorno de 0,51% ao mês, com p-valor de 8,41%, representando um resultado estatisticamente mais significativo do que o apresentado pelo CAPM. Quando, além disso, adicionamos a variável explicativa RAZÃO P/E ou a variável explicativa RAZÃO P/BV, o excesso de retorno fica em 0,54% e 0,59%, com p-valor de 15,13% e 9,21% respectivamente. O modelo original, que incorpora todas as variáveis explicativas apresentadas anteriormente é o que apresenta melhor p-valor para o excesso de retorno dentre os modelos analisados. Ainda, todos os modelos apresentam coeficientes com sinais e magnitudes coerentes entre si. 5. Conclusão Conforme podemos observar nas regressões apresentadas anteriormente, o nosso modelo, que incorpora como variáveis explicativas o excesso de retorno do Ibovespa contra o CDI, o retorno de um portfolio de small caps contra large caps, os indicadores de preço sobre lucro e preço sobre valor contábil do portfolio de sin stocks e da cesta de consumo, conseguiu detectar excesso de retorno nas ações de empresas de bebidas alcóolicas, cigarros e armamentos em 0,55% ao mês, com pvalor de 7,03%. Assim, esse o retorno excedente obtido com o modelo mostra um desempenho significantemente superior ao grupo comparável e indica a magnitude econômica que as normas sociais podem causar no mercado acionário brasileiro. Resultados semelhantes foram encontrados no mercado americano por Hong (2009), que obteve um excesso de retorno de 0,26% com um portfolio comprado em sin stocks e vendido em empresas comparáveis e modelo semelhante ao utilizado neste trabalho. No mesmo estudo, Hong amplia o universo de análise para englobar Canadá, França, Alemanha, Itália, Holanda, Espanha, Suíça e Reino Unido. Em todos os países, resultados similares são obtidos. Dessa forma, o nosso estudo nos ajuda a verificar que as normas sociais podem gerar, de fato, custo significativo para que investidores, em especial investidores institucionais, financiem empresas produtoras de bebidas alcóolicas, cigarros e armamentos no Brasil. 6. Bibliografia BULOW, J. ; KLEMPERER, P. The tobacco deal. Brookings Papers on Economic Activity, 1998. 323p. CASE, A. ; KATZ, L. The company you keep: the effects of family and neighborhood on disadvantaged youths. NBER Working Paper no. 3705, 1991. ELSTER, J. 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