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dos hospitais da área metropolitana de Lisboa
Hospital de Santa Maria
sexta-feira,  de setembro, h
Orquestra Metropolitana de Lisboa
Christian Ludwig direção musical
Tchaikovski
Suites dos bailados O Lago dos Cisnes e O Quebra-Nozes
Há onze hospitais que prestam cuidados a crianças:
Santa Maria, Santa Marta, Estefânia, São Francisco Xavier,
Maternidade Alfredo da Costa, Instituto Português de
Oncologia, Fernando Fonseca (Amadora-Sintra), Garcia de
Orta (Almada), Reynaldo dos Santos (Vila Franca de Xira),
Barreiro e Cascais. Como sabemos, há muitas crianças e jovens que passam
horas, dias, meses até, internados, por vezes em isolamento
total.
Estão bem estudadas as propriedades paliativas da música,
que ajudam o processo de recuperação e criam um melhor
ambiente para todos, pacientes, médicos, enfermeiros.
São por isso necessários leitores de CD portáteis para equipar
estas unidades hospitalares, bem como gravações com
repertório adequado a este tipo de espaços.
Este concerto, com um programa que apela ao mundo
mágico da infância (com as suites dos bailados O Quebra
Nozes e O Lago dos Cisnes, de Tchaikovski), visa recolher
fundos para concretizar este projeto.
Pela primeira vez desde que está no hospital, o meu filho sorriu outra vez...
testemunho de uma mãe quando, subitamente na enfermaria, se ouviu o
timbre agudo de um violino.
O ambiente hospitalar é inóspito, pouco amigável para uma criança,
longe da sua casa, da sua escola e dos seus amigos, sujeita a intervenções
que desconhece e que lhe causam pavor ainda antes de lhe causar dor.
A ciência tem procurado encontrar evidência de que a música estimula o
desenvolvimento cognitivo, melhorando a compreensão da leitura ou a
aprendizagem da matemática. Este possível efeito Mozart gerou polémica
e foi negado, mas continua a ser reconhecido que tocar um instrumento
e ler uma pauta aumenta a concentração, melhora o desempenho e a
aquisição de outras competências.
Questionam-se também os efeitos terapêuticos da música nas
crianças doentes e a mais-valia de momentos musicais nos hospitais.
A música acompanha-nos desde a vida intrauterina. O feto aprende
o ritmo com os batimentos cardíacos maternos e identifica Mahler,
mexendo-se (dançando?) mais ou menos, conforme gosta ou não da
sinfonia que a mãe grávida está a ouvir. Os prematuros têm menos
apneias (paragens respiratórias) e melhores saturações de oxigénio se, na
incubadora, lhes for proporcionado ouvir qualquer das Quatro Estações
de Vivaldi.
A criança internada no hospital tem um olhar vago, comportamentos
regressivos, não percebe a restrição da atividade e o cenário gerador
de ansiedade e depressão. Talvez não seja possível encontrar evidência
científica de que a música diminui o stress, a dor ou os dias de
internamento, mas um músico treinado e a sua linguagem corporal e facial,
mais eficaz do que uma gravação, tem um enorme impacto emocional a
que ninguém é indiferente e muito menos uma criança doente.
Até volta a sorrir.
Maria do Céu Soares Machado
Diretora do Departamento da Criança do Hospital de Santa Maria
Música de Bailado | Orquestra Metropolitana de Lisboa | Christian Ludwig direção musical
Piotr Ilitch Tchaikovski (1840-1893)
–Suite do bailado O Lago dos Cisnes
(arr. de Daryl Griffith)
I. Cena
II. Valsa
III. Dança dos cisnes: Allegro
IV. Dança dos cisnes: Andante
V. Dança dos cisnes: Tempo de valsa
VI. Dança de pares
VII. Dança húngara (czardas)
VIII. Dança espanhola
IX. Dança napolitana
X. Cena final
Notas ao programa por Rui Campos Leitão
As suites de bailado reúnem as «melhores partes» musicais de um
espetáculo cénico dançado; uma prática que era habitual no decorrer da
segunda metade do século XIX. Neste concerto temos a oportunidade
de ouvir duas das mais célebres entre as que nos chegaram. Isso deve­‑se,
em boa parte, à sua presença recorrente nos meios de comunicação e
entretenimento. Com efeito, é impossível escutar estas duas obras sem
que logo nos acorra uma agradável sensação de reconhecimento; seja
porque soam melodias que sabemos trautear, ou porque identificamos
efeitos orquestrais característicos que há muito fazem parte da nossa
tradição musical. Valsas, marchas, mazurcas e sucessivos padrões rítmicos
de dança evocativos de estereótipos musicais de diferentes culturas
– espanhola, italiana, árabe, russa, chinesa… – precipitam­‑se numa
vertigem que nos leva a questionar sobre os limites do talento que
permitiu a Tchaikovski escrever música como esta.
Nos nossos dias, de entre as infinitas maneiras de ouvir uma
interpretação ao vivo destas partituras (aqui em adaptações de Daryl
Griffith para orquestra de dimensão clássica), referem­‑se de seguida
duas. Numa primeira opção, podemo­‑nos abandonar nos meandros da
música, em si mesma, deixando os efeitos sonoros invadirem a nossa
condição de estar, numa aparente passividade que requer todavia a
mais generosa disponibilidade. A segunda, remete para o baú da nossa
experiência de vida: para quem já assistiu a representações destes
bailados, será pretexto para revisitar essas memórias; para a maior parte
dos restantes, será porventura possível recordar cenas de uma mão
cheia de filmes, jogos de computador, livros, musicais ou anúncios
publicitários.
Para alimentar a fantasia valerá aqui a pena evocar muito
sinteticamente os enredos sobre os quais o compositor russo trabalhou
–Suite do bailado O Quebra-Nozes
(arr. de Daryl Griffith)
I. Abertura miniatura
II. Marcha
III. Dança da fada do açúcar
IV. Dança russa, Trépak
Christian Ludwig direção musical
Orquestra Metropolitana de Lisboa
Cesário Costa direção artística
Nascido em Colónia em 1978, estudou violino com o Prof. Saschko
Gawriloff, na University of Music and Performing Arts de Colónia, tendo
mais tarde ingressado na Guildhall School of Music and Drama, em
Londres, na classe do Prof. David Takeno. A sua formação em música de
câmara foi realizada com o Quarteto Alban Berg.
Como solista, apresentou­‑se com a Berliner­‑Sinfonie­‑ Orchester, Radio
Symphony Orchestra (Saarbrücken), Radio Symphony Orchestra (Pequim)
e a Franz Liszt Chamber Orchestra (Budapeste). Participou igualmente
em vários festivais de música, incluindo o Festival de Davos (Suíça),
Dresdner Musikfestspiele e o Rheingau Musikfestival.
Christian Ludwig viu a sua carreira de violinista interrompida por
um problema que lhe afetou uma das mãos, tendo então começado
a estudar direção de orquestra, com o Prof. Klaus Arp, e de coros, com
o Prof. Georg Grün, na University of Music and Performing Arts de
Mannheim. O programa de estudos incluía a direção de várias orquestras
estatais: Stuttgart Philharmonic Orchestra, Württembergisches Chamber
Orchestra (Heilbronn), Reutlinger Phiharmonie, Südwestdeutsche
Philharmonie (Konstanz) e também a State Orchestra of the Krim
(Ucrânia). Como bolseiro, dirigiu A história do soldado, de Stravinsky, e
o Concerto de Violino de Lou Harrison. Participou em masterclasses
dirigidas por Mario Venzago, Sylvain Cambreling e Dmitri Kitajenko. Em
setembro de 2005, Christian Ludwig iniciou um mestrado em direção de
orquestra na Royal Academy of Music, em Londres, com Sir Colin Davis,
Colin Metters e George Hurst. Em novembro de 2007, foi convidado
para dirigir a Cologne Chamber Orchestra. O sucesso alcançado em
Munique (Prinzregententheater), Colónia (Philharmonie) e Paris (Théatre
des Champs­‑Elysées) levou a novos convites. A partir da temporada de
2008/2009, foi nomeado diretor musical da Cologne Chamber Orchestra.
O seu nome aparece igualmente ligado à direção de produções de
óperas como «O Barbeiro de Sevilha» de Rossini, «Cosi fan tutte» de
Mozart e «Turandot» de Puccini na National Opera of Korea.
O seu CD de estreia será lançado ainda em 2011, para a etiqueta
Naxos, com a integral das Serenatas de Robert Fuchs.
A Orquestra Metropolitana de Lisboa (OML) estreou­‑se no dia 10 de
Junho de 1992. Desde então, os seus músicos asseguram uma extensa
atividade que compreende os repertórios barroco, clássico e sinfónico
– integrando, neste último caso, os jovens intérpretes da Orquestra
Académica Metropolitana. Distingue­‑se igualmente pela versatilidade
que lhe permite abordar géneros tão diversos como a Música de Câmara,
o Jazz, o Fado, a Ópera ou a Música Contemporânea, proporcionando a
criação de novos públicos e a afirmação do caráter inovador do projeto
da Metropolitana. Esta entidade, que tutela a orquestra, tem como
singularidade o inter­‑relacionamento das práticas artística e pedagógica,
beneficiando da convivência quotidiana de músicos profissionais
com alunos das suas escolas – a Academia Superior de Orquestra, o
Conservatório e a Escola Profissional Metropolitana. Este desígnio faz
parte da identidade da OML, à semelhança de uma participação cívica
que se traduz na regular apresentação em concertos de solidariedade
e eventos públicos relevantes. Cabe­‑lhe, ainda, a responsabilidade de
assegurar programação anual junto de várias autarquias da região centro
e sul, para além de promover a descentralização cultural por todo o país.
Desde o seu início, a OML é referência incontornável do panorama
orquestral nacional. Além­‑fronteiras, e somente um ano após a sua
criação, apresentou­‑se em Estrasburgo e Bruxelas. Deslocou­‑se depois
a Itália, Índia, Coreia do Sul, Macau, Tailândia e Áustria. Em 2009 tocou
em Cabo­‑Verde, numa ocasião histórica em que, pela primeira vez, se
fez ouvir uma orquestra clássica naquele arquipélago. No final de 2009
e início de 2010, efetuou uma digressão pela China. Tem gravados onze
CDs – um dos quais disco de platina – para diferentes editoras, incluindo
a EMI Classics, a Naxos e a RCA Classics.
Ao longo de quase duas décadas de atividade, colaborou com
maestros e solistas de grande reputação nos planos nacional e
internacional, de que são exemplos os maestros Christopher Hogwood,
Theodor Guschlbauer, Michael Zilm, Arild Remmereit, Nicholas Kraemer,
Lucas Paff, Victor Yampolsky, Joana Carneiro, Brian Schembri, ou os
solistas Monserrat Caballé, Kiri Te Kanawa, José Cura, José Carreras,
Felicity Lott, Elisabete Matos, Leon Fleisher, Maria João Pires, Artur
Pizarro, Sequeira Costa, António Rosado, Natalia Gutman, Gerardo
Ribeiro, Anabela Chaves, António Meneses, Sol Gabetta, Michel Portal,
Marlis Petersen, Dietrich Henschel, Thomas Walker, Mark Padmore,
entre outros. Em sucessivos períodos, a direção artística esteve confiada
aos maestros Miguel Graça Moura, Jean-Marc Burfin, Álvaro Cassuto
e Augustin Dumay, sendo desde a temporada de 2009/2010 da
responsabilidade de Cesário Costa.
V. Dança árabe
VI. Dança chinesa
VII. Dança das flautas de mirlitão
VIII. Valsa das flores
e que fez subir ao palco do Teatro Bolshoi, na ocasião com recurso
ao movimento dançado. N’O lago dos cisnes tudo acontece no reino
do feiticeiro Rothbart, que transformou a princesa Odette num cisne
branco. À noite, esta recuperava a aparência humana, mas só poderia ser
libertada do feitiço por um homem que a amasse verdadeiramente. Com
efeito, o príncipe Siegfried enamora­‑se de Odette durante uma caçada.
Porém, quando tudo parecia bem encaminhado, Rothbart disfarça­
‑se juntamente com sua filha Odile, iludindo o príncipe e levando­‑o a
quebrar o nobre juramento que havia feito. O final não é feliz. Prevalece
o amor verdadeiro, mas o feiticeiro, furioso, inunda as margens do lago
fazendo Siegfried afogar­‑se. Odette também morre, com o sofrimento
causado pela perda do seu amado; por amor, portanto.
Já n’O Quebra­‑Nozes, conta­‑se a história de uma menina que se
deixou encantar por um brinquedo. Clara e seu irmão Fritz esperavam
ansiosamente a chegada dos seus familiares na noite de Natal; em
particular de seu tio, que construía brinquedos mecânicos. Este ofereceu
a Clara um presente muito estranho, um quebra­‑nozes de madeira com
aparência de soldadinho de chumbo. Ao deitar­‑se, a menina entrou
num sonho… espetacular. Ao comando de outros soldados, também
de brincar, o corajoso Quebra­‑Nozes enfrenta o Rei dos Ratos e seu
exército, conseguindo vencer com a ajuda de Clara. É este o início de
uma amizade muito especial que conduz depois a grandes aventuras.
Vão juntos à Terra dos Doces, conhecem a Rainha das Neves e a Fada do
Açúcar. Entretanto, o Quebra­‑Nozes transforma­‑se num belo e jovem
príncipe e juntos dançam sem parar.
De uma maneira ou de outra – e de tantas outras, ainda –, a
experiência de escuta é sempre determinada pelas preferências e
disposição individuais. Embalados por música de sonhar, tudo fica
entregue à imaginação de cada um.
A ouvir vamos, pois então!
ORQUESTRA METROPOLITANA DE LISBOA
Primeiros Violinos
Ana Pereira (concertino)
Adrian Florescu
Diana Tzonkova
Carlos Damas
Alexêi Tolpygo
Liviu Scripcaru
Segundos Violinos
Ágnes Sárosi
Eldar Nagiev
José Teixeira
Daniela Radu
Anzela Akopyan
Elena Komissarova
Violas
Irma Skenderi
Valentin Petrov
Gerardo Gramajo
Andrei Ratnikov
Flautas
Ricardo Alves (convidado)
Violoncelos
Marco Pereira
Peter Flanagan
Ana Cláudia Serrão
Jian Hong
Clarinetes
Jorge Camacho
Ana Maria Santos **
Tímpanos
Fernando Llopis
Fagotes
Franz Dörsam
Percussão
Carlos Almeida (convidado)
Trompas
Ricardo Silva (convidado)
Jerôme Arnouf
Harpa
Stéphanie Manzo
Contrabaixos
Ercole de Conca
Vladimir Kouznetsov
*
Alunos da Academia Superior de Orquestra da Metropolitana
**Ex-Aluno da Academia Superior de Orquestra
Oboés
Bryony Middleton
Trompetes
Sérgio Charrinho
Rui Mirra
Trombones
Reinaldo Guerreiro **
Piano
Alexandra Simpson
Download

Hospital de Santa Maria sexta-feira, de setembro, h Orquestra