UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA – UNAMA CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIA – CCET CURSO DE ENGENHARIA CIVIL PROPOSTA DE UMA CASA AUTO-SUSTENTÁVEL COM USO DE TECNOLOGIAS ECO-EFICIENTES FRANCEMILDO CONCEIÇÃO COSTA FERREIRA LEONARDO PANTOJA LOPES JÚNIOR BELÉM - PA 2008 UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA – UNAMA CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIA – CCET CURSO DE ENGENHARIA CIVIL PROPOSTA DE UMA CASA AUTO-SUSTENTÁVEL COM USO DE TECNOLOGIAS ECO-EFICIENTES FRANCEMILDO CONCEIÇÃO COSTA FERREIRA LEONARDO PANTOJA LOPES JÚNIOR Trabalho de Conclusão de Curso submetido à banca examinadora do Curso de Graduação em Engenharia Civil do Centro de Ciências Exatas e Tecnologia da Universidade da Amazônia, como requisito para a obtenção do título de Engenheiro Civil. BELÉM - PA 2008 2 FRANCEMILDO CONCEIÇÃO COSTA FERREIRA LEONARDO PANTOJA LOPES JÚNIOR PROPOSTA DE UMA CASA AUTO-SUSTENTÁVEL COM USO DE TECNOLOGIAS ECO-EFICIENTES Trabalho de Conclusão de Curso submetido à banca examinadora do Curso de Graduação em Engenharia Civil do Centro de Ciências Exatas e Tecnologia da Universidade da Amazônia, como requisito para a obtenção do título de Engenheiro Civil. Banca Examinadora: ___________________________________________ Profº Dr. Alberto Carlos de Melo Lima (Orientador) Professor Titular/CCET-Unama Engenheiro Civil –Doutor em Hidráulica e Saneamento Pesquisador do Núcleo de Qualidade de Vida e Meio Ambiente ___________________________________________ Profª. Elzelis de Aguiar Muller (Co-Orientadora) Professora Adjunta/CCET-Unama Engenheira Civil e Sanitarista – Especialista em Engenharia Ambiental ___________________________________________ Profº Dr. Benedito Coutinho Neto Professor Titular/CCET-Unama Engenheiro Civil – Doutor em Engenharia de Transportes Pesquisador do Núcleo de Qualidade de Vida e Meio Ambiente Julgado em: ____/____/_____ Conceito: ________________ BELÉM - PA 2008 3 DEDICATÓRIA Aos nossos amigos, família, e mestres pelo incentivo e compreensão. E em especial aos nossos pais que, com tanto esforço, dedicação e abdicações lutaram para que nós alcançássemos os nossos objetivos, a estes a eterna gratidão de seus filhos. 4 AGRADECIMENTO À Universidade da Amazônia; Ao nosso orientador professor Dr. Alberto Carlos de Melo Lima, que nos ajudou na elaboração deste Trabalho de Conclusão de Curso, com contribuição de seus conhecimentos e tempo. A nossa co-orientadora professora Elzelis de Aguiar Muller, que se dispôs à análise crítica e orientação deste trabalho; E a todos que contribuíram na elaboração deste trabalho. 5 “Os que confiam no SENHOR serão como o monte de Sião, que não se abala, mas permanece para sempre.” Salmo 125:1 6 RESUMO O presente trabalho teve como objetivo principal desenvolver um projeto de uma casa auto-sustentável que pudesse ser útil a pequenas comunidades rurais e/ou urbanas de nossa região que não são atendidas totalmente pelas concessionárias de energia elétrica e de abastecimento de água para consumo humano. Dessa forma, dentro da tendência mundial de desenvolvimento sustentável, o projeto da casa auto-sustentável visou o aproveitamento da energia solar e das águas de chuva como forma de manter-se independente das concessionárias. Como a energia solar e da chuva são abundantes na região norte e disponíveis o ano inteiro, o projeto apresenta em suas instalações de água fria o uso de água de poço e da chuva e o uso sol como forma de geração de energia. No caso do abastecimento da água de poço, foi apresentado um sistema de bombeamento ligado a painéis solares que captam a energia do sol e a convertem em energia elétrica. Para o aproveitamento da água de chuva, que tem altos índices pluviométricos na região norte, um sistema de coleta foi desenvolvido para armazenar água de chuva em um reservatório e abastecer a caixa de descarga do vaso sanitário. Uma análise de custos compara o fornecimento de energia convencional (concessionárias de energia elétrica) para o funcionamento de uma instalação de recalque convencional com a que usa a energia solar, mostrando que a economia é bastante significativa ao longo de 20 anos, que é o tempo de vida útil dos painéis solares. PALAVRAS-CHAVE: Casa auto-sustentável; Eficiência energética, Energia solar, Água de chuva. i 7 ABSTRACT The present work had as main goal to develop a project of an auto-sustainable house that could be useful the small rural communities and/or urban of our region that are not attended totally by the electric power carriers and of water supply to consume human. Thus, inside the world tendency of sustainable development, the project of the auto-sustainable house aimed the utilization of the solar energy and of the rainy waters as form of keeping itself independent of carriers. Like the solar energy and of the rain are abundant in the Northern region and available the whole year, the project introduces in their facilities of cold water the well water use and of the rain. In the case of the supply of the well water, it was introduced a pump system linked for solar panels that captivate the energy of the sun and convert her in electric power. For the utilization of the rainy water, which has high indices rain in the Northern region, a collection system was developed to store rainy water in a reservoir and to supply the box of discharge of the sanitary vase. A costs analysis compares the supply of conventional energy (electric power carriers) for the operation of an installation of emphasizes conventional with to what uses the solar energy, showing that the economy is very significant along 20 years, which is time of useful life for solar panels. KEY-WORDS: Support House; Energetic Efficiency; Sun Energy, Water Rain. 8 ii LISTA DE FIGURAS FIGURA 3.1: Maquete do Projeto................................................................................. 19 FIGURA 3.2: Sistema de Coleta e Tratamento da Água de Chuva.............................. 20 FIGURA 3.3: Tipos de Turbinas Eólicas de Eixo Horizontal......................................... 24 FIGURA 3.4: Tipos de Turbinas Eólicas do Eixo Vertical............................................. 25 FIGURA 3.5: Detalhe de um Aerogerador.................................................................... 25 FIGURA 3.6: Esquema de um Sistema Eólico de Energia............................................ 26 FIGURA 3.7: Sistema Térmico de Geração de Energia Elétrica (CalifórniaEUA).............................................................................................................................. 29 FIGURA 3.8: Mapa Solarimétrico do Brasil Apresentando as Médias Diárias de Insolação no Brasil........................................................................................................ 30 FIGURA 3.9: Parâmetros Utilizados na Determinação da Radiação no Plano do Coletor........................................................................................................................... 31 FIGURA 3.10: Esquema de um Sistema Fotovoltaico.................................................. 33 FIGURA 3.11: Sistema Fotovoltaico de Bombeamento de Água para Irrigação (Capim 36 Grosso - BA)..................................................................................................... FIGURA 3.12: Sistema de Bombeamento Fotovoltaico – Santa Cruz I (Mirante do Paranapanema - SP)..................................................................................................... 37 FIGURA 3.13: Esquema de Funcionamento de Sistema de Aproveitamento de Água de Chuva....................................................................................................................... 41 FIGURA 3.14: Esquema Geral de Caixa ou Reservatório com Utilização de Crivo para 42 Filtrar a Água e Sistema Manual de Retirada da Mesma..................................... FIGURA 3.15: Esquema Geral da Caixa ou Reservatório para Água de Chuva com Escada de Acesso para Limpeza.................................................................................. 43 FIGURA 3.16: Áreas de Captação de Água de Chuva................................................. 57 FIGURA 3.17: Desenho Esquemático do Sistema de Coleta de Água de Chuva............................................................................................................................ 59 FIGURA 3.18: Sistema de Coleta de Água de Chuva: I Calha de Condução, II Calha de Condução Vertical.................................................................................................... 59 FIGURA 3.19: Sistema de Desvio dos Primeiros Estantes de Chuva.......................... 60 FIGURA 3.20 Filtro Vortex (WFF)................................................................................. 61 FIGURA 3.21: Filtros de Descida.................................................................................. 62 FIGURA 3.22: Montagem do Filtro de Descida............................................................ 62 9 iii FIGURA 3.23: 3P Filtro Volumétrico............................................................................. 64 FIGURA 3.24: 3P Sifão Ladrão - Dado Técnicos......................................................... 65 FIGURA 3.25: 3P Quebra Pressão............................................................................... 65 FIGURA 3.26: 3P Quebra Pressão............................................................................... 66 FIGURA 3.27: 3P Sifão Ladrão (Montagem)................................................................ 66 FIGURA 3.28: Representação Esquemática da Instalação Piloto de Tratamento de Água de Chuva.............................................................................................................. 68 FIGURA 3.29: Volume de Água em Circulação na Terra............................................. 79 FIGURA 3.30: Tipos de Aqüíferos Quanto à Porosidade.............................................. 71 FIGURA 4.1: Localização Geográfica do município em relação ao Estado do Pará............................................................................................................................... 74 FIGURA 4.2: Limites Município de Benevides.............................................................. 75 FIGURA 4.3: Placa Solar KC 85 T................................................................................ 81 FIGURA 4.4: Instalação de Recalque que usa bomba injetora.................................... 82 FIGURA 5.1: Planta baixa da casa auto-sustentável.................................................... 84 FIGURA 5.2: Detalhes da instalação de água fria mostrando as modificações necessárias para instalação dos reservatórios.............................................................. 85 FIGURA 5.3: Esquematização da instalação da bomba submersa e dos painéis solares........................................................................................................................... 86 GRÁFICO 4.1: Precipitação de 1989 a 1999................................................................ 77 GRÁFICO 4.2: Umidade Relativa do Ar de 1989 a 1999................... .......................... 78 GRÁFICO 4.3: Média de Insolação de 1989 a 1999................................................... 79 GRÁFICO 5.1: Comparação de Custo de Instalação de Bombas Convencional x Fotovoltaico para um ano ............................................................................................ 95 GRÁFICO 5.2: Comparação de Custo de Energia da Bomba Convencional x Fotovoltaico em um ano............................................................................................ 10 iv 96 LISTA DE TABELAS TABELA 3.1: Refere-se às Usinas Eólicas em Operação no Brasil............................ 23 TABELA 3.2: Vantagens e desvantagens do uso da Energia Eólica.......................... 27 TABELA 3.3: Calculo de Energia................................................................................ 27 TABELA 3.4: Modelos de Módulos Solares - Latitudes Aproximadas das Capitais Brasileiras e Inclinações Sugeridas para Coletores Solares Planos ENSOL.......................................................................................................................... 32 TABELA 3.5: Modelos de Placas Fotovoltaicas........................................................... 35 TABELA 3.6: Produção Hídrica no Mundo por Região................................................ 38 TABELA 3.7: Produção Hídrica entre os países da América do Sul............................ 39 TABELA 3.8: Valores Médios dos Parâmetros da Chuva, Coletados nos Diversos Tipos de Coberturas....................................................................................................... 44 TABELA 3.9: Padrões de Potabilidade, Estabelecidos pela Portaria nº. 518/2004, do Ministério da Saúde................................................................................................. 45 TABELA 3.10: Padrões de Potabilidade da Água....................................................... 47 TABELA 3.11: Estimativa do Consumo de Água........................................................ 55 TABELA 3.12: Valores Usuais de C............................................................................ 56 TABELA 4.1: Dados da média mensal de Precipitação.............................................. 76 TABELA 4.2: Tabela com a média mensal da Umidade Relativa do Ar ..................... 77 TABELA 4.3: Tabela da média mensal da Insolação.................................................. 79 TABELA 4.4: Tabela com as especificações das placas solares................................ 81 TABELA 5.1: Descrição da Edificação......................................................................... 87 TABELA 5.2: Descrição de Consumo.......................................................................... 88 TABELA 5.3: Descrição do Custo do sistema convencional........................................ 92 TABELA 5.4: Descrição do Custo do sistema fotovoltaico........................................... 94 11 v SUMÁRIO RESUMO....................................................................................................................... i ABSTRACT................................................................................................................... ii LISTA DE FIGURAS..................................................................................................... iii LISTA DE TABELAS.................................................................................................... iv 1 INTRODUÇÃO........................................................................................................... 15 2 OBJETIVOS............................................................................................................... 17 2.1 OBJETIVO GERAL................................................................................................. 17 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS................................................................................... 17 3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA...................................................................................... 18 3.1 CASA AUTO-SUSTENTÁVEL................................................................................ 18 3.2 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA.................................................................................... 20 3.3 ENERGIA EÓLICA.................................................................................................. 22 3.3.1 Energia Eólica no Mundo..................................................................................... 22 3.3.2 Energia Eólica no Brasil....................................................................................... 23 3.3.3 Conversão da Energia Eólica............................................................................... 24 3.3.4 Tipos de Turbinas Eólicas.................................................................................... 24 3.4 ENERGIA SOLAR................................................................................................... 27 3.4.1 Radiação Solar..................................................................................................... 28 3.4.2 Ângulo de Incidência dos Recursos Solares de Inclinação de um Dispositivo Solar.............................................................................................................................. 30 3.4.3 Componentes do Sistema Fotovoltaico................................................................ 32 3.4.4 Dimensionamento de Sistemas de Geração Fotovoltaicos e de Bancos de Baterias......................................................................................................................... 33 3.4.5 Modelos de Painéis.............................................................................................. 34 3.5 APROVEITAMENTO DA ÁGUA DE CHUVA.......................................................... 37 3.5.1 Disponibilidade de Recursos Hídricos em Nível Mundial..................................... 37 3.5.2 Recursos Hídricos no Brasil................................................................................. 39 3.5.3 Aproveitamento de Água Pluvial.......................................................................... 40 3.5.4 Captação.............................................................................................................. 42 3.5.5 Análise Físico-Químicas e Bacteriológicas.......................................................... 46 3.5.6 Análise Física da Água da Chuva........................................................................ 48 12 3.5.7 Características Químicas...................................................................................... 50 3.5.8 Análise Bacteriológica da Água da Chuva............................................................ 53 3.5.9 Estimativa de consumo.......................................................................................... 54 3.5.10 Coeficiente de Runoff......................................................................................... 55 3.5.11 Precipitação Pluviometrica.................................................................................. 56 3.5.12 Área de Captação............................................................................................... 57 3.5.13 Tecnologias de Aproveitamento.......................................................................... 58 3.5.14 Filtros Vortex (WFF)............................................................................................ 60 3.5.15 Filtros de Descida................................................................................................ 61 3.5.16 Filtro Volumétrico................................................................................................. 63 3.5.17 3P Sifão Ladra.................................................................................................... 64 3.5.18 Tratamento de Água de Chuva.......................................................................... 66 3.6 ÁGUA SUBTERRÂNEA.......................................................................................... 68 3.6.1 Qualidade das Águas Subterrâneas...................................................................... 69 3.6.2 Aqüíferos............................................................................................................... 70 3.6.3 Mananciais Subterrâneos...................................................................................... 71 3.6.4 Vantagens da Utilização das Águas Subterrâneas............................................... 72 4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS.................................................................. 73 4.1 Localização............................................................................................................. 73 4.2 Dados Climatológicos.............................................................................................. 75 4.3 O Projeto da casa auto-sustentável......................................................................... 80 4.3.1 Painéis Solares..................................................................................................... 80 4.4DIMENSIONAMENTO DA INSTALAÇÃO DE ÁGUA FRIA............................................................................................................................... 82 5 RESULTADOS.......................................................................................................... 83 5.1 PLANTA BAIXA DA CASA AUTO-SUSTENTÁVEL............................................... 83 5.2 DIMENSIONAMENTO DO SISTEMA DE CAPTAÇÃO DE ÁGUA DE CHUVA......................................................................................................................... 87 5.3 DIMENSIONAMENTO DE BOMBA INJETORA..................................................... 89 5.4 CALCULO DO SISTEMA FOTOVOLTAICO PARA BOMBEAMENTO DE ÁGUA DE POÇO..................................................................................................................... 5.5 CONSUMO DE ENERGIA DO SISTEMA CONVENCIONAL 90 X FOTOVOLTAICO.......................................................................................................... 93 5.6 COMPARAÇÃO DE CUSTO................................................................................... 95 13 5.7 COMPARAÇÃO DE CUSTO DE IMPLANTAÇÃO DO SISTEMA CONVENCIONAL E FOTOVOLTAICO X TEMPO........................................................ 96 6 CONCLUSÃO.............................................................................................................. 98 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.............................................................................. 100 ANEXOS......................................................................................................................... 14 ________________________________________CAPÍTULO 1 1 INTRODUÇÃO Atualmente um assunto que vem se destacando em diversas áreas é o Desenvolvimento Sustentável que de um modo geral visa utilizar os recursos naturais de forma racional sem agredir o meio ambiente e principalmente preservar o futuro das gerações. A região amazônica rica em recursos naturais tornou-se facilmente alvo da cobiça alheia. Preservar este patrimônio é uma questão de sobrevivência, já que os recursos naturais do planeta estão se esgotando. A humanidade tem utilizado diversas fontes de energia, que poluem o meio ambiente, particularmente, a que utiliza a queima de combustíveis fósseis, carvão, eletricidade, etc. Esta última merece destaque, pois é a mais empregada, quer seja nos sistemas mais simples (lâmpadas, motores elétricos) como os mais complexos (computadores, geladeiras, automóveis, fábricas, etc.). Atualmente, existem programas voltados a racionalizar o uso desta fonte de energia principalmente, junto às comunidades e órgãos públicos, de forma eficiente, combatendo o desperdício e preservando o meio ambiente, daí surge o conceito de eficiência energética. Mas, a eficiência energética, não está restrita somente, a redução do consumo de energia elétrica, por meio de sua utilização mais racional, mas, também, nos serviços públicos de abastecimento de água e tratamento de esgoto e na aplicação de processos e equipamentos de maior rendimento energético para reduzir o consumo e aumentar a produtividade. Também se faz presente, na preservação do meio ambiente, buscando novas tecnologias, voltadas ao uso inteligente e eficiente. Frente a essa nova tendência, buscou-se neste trabalho, contribuir na preservação dos recursos naturais, apresentando um modelo de habitação que viesse a empregar o conceito de eficiência energética. A idéia inicial seria de apresentar um projeto de uma casa auto-sustentável, que seria capaz de se auto15 sustentar, ou no máximo de conseguir resolver todas as suas necessidades econômicas e sócio-culturais. A reciclagem de materiais de construção civil é uma das opções mais significativas na construção, pois, a construção emprega diversos materiais na construção que favorece de certa forma a degradação do meio ambiente, assim, desenvolver projetos que empreguem materiais reciclados na construção de casas trará benefícios a médio ou longo prazo. Como alternativa de fornecimento de energia elétrica e água à casa autosustentável, tem-se como melhores opções o aproveitamento da energia solar e as águas de chuva. Desta forma, este trabalho apresenta uma proposta de uma casa autosustentável que aproveite a energia solar como fonte de energia elétrica e a água de chuva no consumo não-potável. 16 _______________________________CAPÍTULO 2 2 OBJETIVOS 2.1 OBJETIVO GERAL Esse trabalho teve como alvo principal a elaboração de uma casa autosustentável que fosse útil às pequenas comunidades que vivem em áreas rurais ou urbanas, adaptando em suas instalações de água fria técnicas de aproveitamento de água de chuva e da energia solar, visando torná-la independente de concessionárias de abastecimento de água para consumo. 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS 1) Levantamento bibliográfico sobre casas auto-sustentáveis, energia solar, e de aproveitamento da água de chuva; 2) Elaboração de um projeto arquitetônico de uma casa auto-sustentável; 3) Dimensionar as instalações de água fria aproveitando a água de chuva; 4) Dimensionar sistema de bombeamento que usa a energia solar como fonte de energia; 5) Comparação entre os custos envolvidos no caso de bombeamento por energia elétrica (centrífuga) e por bombas movidas a energia solar. 17 _______________________________CAPÍTULO 3 3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 3.1 CASA AUTO-SUSTENTÁVEL Um dos conceitos mais abordados atualmente que visam uma arquitetura ecológica é o da casa auto-sustentável que tem como objetivo construir uma casa utilizando estratégias que levem à sustentabilidade para que ela fique como referência e modelo para usuários em potencial (Sattler, 2008). Segundo o autor, no Brasil, existe um modelo igual para todo o país, como se fosse padrão, afirmou que isso pode ser diferente, pois temos condições climáticas muito diferentes em todo o território. Segundo Ribeiro (2008) um projeto de uma casa auto-sustentável foi desenvolvido por alunos de uma escola. A casa é toda feita com materiais recicláveis e madeiras reflorestadas. As janelas foram projetadas para aproveitar ao máximo a luz natural, fazendo com que dessa forma, a luz elétrica seja usada o mínimo possível. As luminárias da casa são espelhadas aumentando assim o efeito de iluminação sem que sejam necessárias mais luzes acesas durante a noite. Um outro projeto de casa auto-sustentável será desenvolvida em Porto Alegre, segundo Sattler (2008). A casa, segundo o autor, é a primeira fase desse projeto e, por isso funciona como piloto. Ela será construída no município de Alvorada, na região metropolitana de Porto Alegre, e ficará pronta dentro de quatro meses a partir de seu ínicio. A área, doada pela prefeitura de Alvorada, fica junto ao horto local e servirá como uma unidade já batizada pelos pesquisadores de Centro Experimental de Tecnologias Habitacionais Sustentáveis. Viggiano (2008) desenvolveu um projeto de uma casa auto-sustentável a partir da “holística de auto-suficiência de energia” (figura 3.1). O autor buscou em seu projeto a urgente necessidade de soluções para alguns problemas emergentes, como a carência de abastecimento de água das regiões urbanas, o déficit de geração de energia, além das constantes crises de abastecimento e o impacto ambiental dos sistemas de esgoto. 18 Geração de energia eólica Sistema de ventilação e iluminação Captação de água da chuva Paredes com madeiras reflorestadas. FIGURA 3.1: Maquete do Projeto, em madeira. FONTE: Viggiano (2008) A casa possui arquitetura bioclimática para dar conforto ambientais aos mais diversos rigores do clima, além da utilização de materiais de construção adequados, inclusive estudo da ventilação e da insolação, do impacto ambiental, da vegetação e de aspectos culturais. Quanto à eficiência energética, visando à redução de energia elétrica o autor optou pela utilização de geração de energia eólica iluminação natural e o aquecimento solar da água do chuveiro. Viggiano (2008) optou pela captação das águas de chuva (figura 3.2) por meio do telhado e calhas que direcionaram as águas até reservatórios com capacidade de 7.500 litros e dois de 2.000 litros que davam autonomia de água por até 25 dias. 19 FIGURA 3.2: Sistema de Coleta e Tratamento da Água de Chuva FONTE: Viggiano (2008) As águas de chuva eram com fins não-potáveis devido ao pH elevado e contaminação por fezes de roedores, aves e sujeiras nos telhados tendo que excluir a primeira águas. O projeto teve a participação de diversas empresas que consideraram o projeto como uma solução para alguns problemas emergentes. 3.2 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA Os recursos naturais no planeta estão escasseando e uma das metas atuais de preservação dos recursos naturais é a utilização racional destes recursos. Daí surgiu o conceito de eficiência energética que tem como meta usar menos energia para fornecer a mesma quantidade de valor energético. A principal fonte de energia utilizada pelo homem é a energia elétrica. Por conta disto, a industria tem desenvolvido equipamentos, motores elétricos, lâmpadas eficientes Para se ter uma idéia uma lâmpada incandescentes comum tem uma eficiência de 8% (ou seja, 8% da energia elétrica usada é transformada em luz e o restante aquece o meio ambiente), enquanto que, a eficiência de uma lâmpada fluorescentes compacta, que produz a mesma iluminação, é da ordem de 32% INEE (2008). A utilização abusiva das fontes de energia de origem de combustíveis fósseis, como o petróleo (que representa 37% do consumo), o carvão (27%), o gás natural e o urânio, contribuem grandemente para a libertação de dióxido de carbono 20 para a atmosfera trazendo conseqüências desastrosas para o nosso planeta, como as chuvas ácidas, o aquecimento global e a redução da camada de ozônio Wikipédia (2008). De acordo com a Agência Internacional de Energia, se forem construídos edifícios energeticamente eficientes, processos industriais e de transporte podem reduzir as necessidades energéticas do mundo em 2050 por um terço, e será essencial no controle das emissões globais de gases com efeito de estufa. Inclusive adotar medidas nos serviços de abastecimento de água e tratamento de esgoto, que na aplicação de processos e equipamentos de maior rendimento energético que possam refletir na redução de consumo e aumentar a produtividade (CPFL, 2008). A utilização das energias renováveis como fonte de energia para consumo das necessidades energéticas, tem grandes potencialidades no meio rural, mas, pode ser empregada no meio urbano, com uso de tecnologias apropriadas como climatização, aquecimento de águas de piscinas é uma das formas mais eficientes de reduzir o consumo de energias de combustíveis fósseis. Fedrizzi (1997) afirmou que a redução de energia elétrica com o uso de painéis solares é uma opção vantajosa, com redução de até 60% no consumo de energia para aquecimento de águas sanitárias. As principais fontes de energias renováveis são a energia solar, a eólica (ventos), a hidráulica (correntes de rios), biomassa (biodigestores) e a geotérmica (calor da Terra). Os programas de eficiência energética não pode deixar de levar em consideração as energias renováveis. As duas estão intimamente ligadas quando a questão é sustentabilidade. 21 3.3 ENERGIA EÓLICA 3.3.1 A Energia Eólica no Mundo No mundo, a energia eólica vem apresentando um grande avanço tecnológico. Esse avanço é por conta de questões ambientais, incentivadas pelo atendimento às metas do protocolo de Kyoto, EWEA apud Kleber Freire, 2006. Durante a última década a capacidade instalada no mundo aumentou rapidamente de 2,5 GW em 1991, para 58,4 GW no final de 2005. O continente europeu lidera em capacidade instalada, favorecidos pelas boas condições de vento adequado em alguns países, seguido pelo continente americano, com os parques eólicos instalados nos EUA, principalmente na Califórnia SLOOTWEG; KLING, 2003. Freire (2006) atenta que em países densamente povoados, próximos a mares de águas rasas, observa-se a construção de vários parques eólicos “offshore” como é o caso de muitos países no noroeste da Europa. Como toda tecnologia tem suas vantagens e desvantagens a energia eólica não é diferente, as principais vantagens e desvantagens estão expressas na tabela 3.2. Segundo Freire (2006), na Europa, atualmente, a Alemanha com uma potência instalada de 16,65 GW é o primeiro país do mundo na utilização da energia eólica. Segundo EWEA apud Kleber Freire (2006) a Alemanha tem como meta ampliar a participação da energia eólica para 25% da sua necessidade de energia elétrica até o ano de 2010. A Espanha aparece como segundo país do mundo com maior capacidade instalada, totalizando 8,27 GW de geração eólica, em terceiro vem os Estados Unidos com uma potência instalada de 6,74 GW. Em quarto lugar encontra-se a Dinamarca com uma potência instalada de 3,08 GW. 22 3.3.2 A Energia Eólica no Brasil Segundo Freire (2006). Atualmente no Brasil, existem 10 empreendimentos de geração eólica em operação, num total de 28,55MW de potência instalada. Entretanto, já foram outorgados, pela ANEEL, 128 novos empreendimentos, totalizando 5642,34 MW de capacidade, a serem instalados em diversos estados, aguardando o início da construção. TABELA 3.1: Refere-se às Usinas Eólicas em Operação no Brasil USINA EÓLICA DE: POTÊNCIA (KW) LOCALIZAÇÃO PROPRIETÁRIO Fernando de Noronha - PE 225 PE CBEE/FADE/UFPE Prainha 10.000 Aquirraz - CE Wobben Wind Power Taíba 5.000 Morro do Carmelinho 1.000 Gouveia - MG Palmas 2.500 Palmas - PR Mucuripe 2.400 Fortaleza - CE Wobben Wind Power Bom Jardim 600 Bom Jardim da Parque Eólico do Santa Serra - SC Catarina Olinda 225 Olinda - PE CBEE/FADE/UFPE Horizonte 4.800 Água Doce - SC São Gonçalo do Amarante - CE Wobben Wind Power CEMIG Centrais Eólica do Paraná Central Nacional de Energia Eólica FONTE: ANEEL – Banco de Informação de Geração (BIG) A quantidade de energia disponível no vento varia de acordo com as estações e as horas do dia. A topografia e a rugosidade do solo também são de suma importância na distribuição de freqüência de ocorrência de velocidade do vento em um local. Além disso, a quantidade de energia eólica extraível numa região depende das características de desempenho, altura de operação e espaçamento horizontal dos sistemas de conversão de energia eólica instalados. 23 3.3.3 Conversão de Energia Eólica Segundo Vitruvius (2008), um aero-gerador consiste num gerador elétrico movido por uma hélice, que por sua vez é movida pela força do vento. A hélice pode ser vista como um motor a vento, cujo único combustível é o vento. Segundo o autor, quantidade de eletricidade que pode ser gerada pelo vento depende de quatro fatores: da quantidade de vento que passa pela hélice, do diâmetro da hélice, a dimensão do gerador e o rendimento de todo o sistema. O gerador é ligado por um conjunto acionador a um rotor constituído de um cubo, e duas ou três pás. O vento aciona o rotor que faz girar o gerador até produzir eletricidade. 3.3.4 Tipos de Turbinas Eólicas As turbinas podem ser de dois tipos: Turbinas eólicas com eixo horizontal e Turbinas eólicas com eixo vertical. Turbinas eólicas de eixo horizontal: podem ser de uma, duas, três, quatro pás ou multipás. A de uma pá requer um contrapeso para eliminar a vibração. As de duas pás são mais usadas por serem fortes, simples e mais baratas do que as de três pás. As de três pás, no entanto, distribuem as tensões melhor quando a máquina gira durante as mudanças de direção do vento. As multipás não são muito usadas, pois são menos eficientes. FIGURA 3.3: Tipos de Turbinas Eólicas de Eixo Horizontal. FONTE: VITRUVIUS, 2008. 24 Turbinas eólicas do eixo vertical: não são muito usadas, pois o aproveitamento do vento é menor. As mais comuns são três: SAVONIUS, DARRIEUS E MOLINETE. FIGURA 3.4: Tipos de Turbinas Eólicas do Eixo Vertical. FONTE: VITRUVIUS, 2008. FIGURA 3.5: Detalhe de um Aerogerador. FONTE: VITRUVIUS, 2008. 25 FIGURA 3.6: Esquema de um Sistema Eólico de Energia. FONTE: CRESESB, 2008. Segundo VITRUVIUS (2008), a potência máxima das turbinas não ultrapassa 59,3% de eficiência. Este valor é também chamado de limite de BETZ e já foi provado cientificamente. Exemplo de alguns aero-geradores construídos: • 1890-1910 – Dinamarca / 23m de diâmetro / 3 pás / 200kw • 1931 – Rússia / 30m de diâmetro / 3 pás / 100kw • 1941 – Estados Unidos / 54m de diâmetro /2 pás / 1.250kw • 1959 – Alemanha / 34m de diâmetro / 2 pás / 100kw • 1978 – Estados Unidos (NASA) / 50m de diâmetro / 2 pás / 200kw • 1979 – Boeng USA /100m • 1980 – Growian (Alemanha) / 100m de diâmetro / 3mv 26 TABELA 3.2: Vantagens e desvantagens do uso da Energia Eólica VANTAGENS DESVANTAGENS É uma fonte de energia segura e renovável; Impacto visual: sua instalação gera uma grande modificação da paisagem; Não polui; Impacto sobre as aves do local: principalmente pelo choque delas nas pás, efeitos desconhecidos sobre a modificação de seus comportamentos habituais de migração; Impacto sonoro: o som do vento batendo Suas instalações são móveis, e quando nas pás produz um ruído constante retirada, pode-se refazer toda a área utilizada; (43dB(A)). As casas do local deverão estar pelo menos, a 200m de distância. Tempo rápido de construção (menos de 6 meses); Recurso autônomo e econômico; Cria-se mais emprego. FONTE: VITRUVIOS, 2008. 3.4 ENERGIA SOLAR O Sol é a nossa principal fonte de energia e pelo fato de ser 334.000 vezes maior do que a Terra e também pela energia radiante se dispersar à medida que se afasta da fonte radiante, a Terra acaba por receber somente dois milionésimos de toda a energia emitida por esta estrela. Essa energia radiante apresenta aproximadamente 173x10 15 W, onde utilizamos o raio da circunferência da Terra e calculamos com a constante solar até que encontramos a energia recebida na Terra. Que pode ser calculada da seguinte forma (tabela 3.3): TABELA 3.3: Calculo de Energia Área projetada da Terra = πxr 2 =(6.3x106)2 x 3,14 = 124x1012 m2; Constante Solar = 1395 W/m2; Energia recebida = 124x1012 x 1395 = 173x1015 W FONTE: MODIFICADO DE ARAÚJO - 2004 27 Essa quantidade de energia solar nos permite aproveitá-la basicamente de dois modos: a produção de energia elétrica e de energia térmica. A energia elétrica pode ser obtida através de painéis fotovoltaicos que são um conjunto de células fotoelétricas juntas, onde cristais de silício estimulados pelos fótons da luz solar geram energia elétrica Ider (2008). No caso da energia térmica a energia solar aquece determinadas superfícies, e pode ser usada para aquecer água ou alimentos em câmaras escuras como em fornos solares. Segundo Araújo (2004), descreve em seu trabalho sobre aproveitamento da energia solar que existem três tecnologias diferentes empregadas para capturar a energia solar que são assim distribuídas: • Solar térmica: usando energia solar para aquecer líquidos; • O efeito fotovoltaico: a eletricidade gerada pela luz solar; • Solar passiva: o aquecimento de ambientes pelo design consciente de suas construções. O autor comentou que usar construções para coletar o calor do sol era uma técnica aplicada desde o tempo da Grécia antiga. Outras formas de arquitetura que visavam o aproveitamento da energia solar também foram desenvolvidas pela arquitetura muçulmana, que usaram os minaretes de mesquitas como chaminés solares. Atualmente, segundo Araújo (2004) a tecnologia de energia solar passiva é a que está sendo mais comercialmente desenvolvida, entre todas as tecnologias solares, e compete muito bem em condições de custo com as fontes de energia convencionais. 3.4.1 Radiação Solar O Brasil por estar próximo da linha do equador não se observa grandes variações na duração solar do dia. Entretanto, devido aos grandes centros produtores estarem distantes da linha do equador com é o caso de Porto Alegre, capital brasileira mais meridional (cerca de 30º S), a duração solar do dia varia de 10 28 horas e 13 minutos a 13 horas e 47 minutos, aproximadamente, entre 21 de junho e 22 de dezembro, respectivamente (ANEEL, 2008). Segundo o autor, para maximizar o aproveitamento da radiação solar, deve ser ajustado à posição do coletor ou painel solar de acordo com a latitude local e o período do ano em que se requer mais energia. No Hemisfério Sul, por exemplo, um sistema de captação solar fixo deve ser orientado para o Norte, com ângulo de inclinação similar ao da latitude local. FIGURA 3.7: Sistema Térmico de Geração de Energia Elétrica (Califórnia-EUA); FONTE: National Renewable Energy Laboratory (EUA) Apud Aneel (2008). A média diária de insolação solar no Brasil pode ser observada no Mapa Solarimétrico (figura 3.7) do Brasil (Atlas Solarimétrico do Brasil, 2000). 29 FIGURA 3.8: Mapa Solarimétrico do Brasil apresentando as Médias Diárias de Insolação no Brasil. FONTE: Atlas Solarimétrico do Brasil (2000). Apesar de obter isenções de impostos como IPI e ICM, o mercado de coletores solares no país, hoje em 500 mil m², ainda é pequeno se comparado ao de países como Estados Unidos e Canadá e, ainda, muito distante de Israel, onde o uso da energia solar é obrigatório e faz parte do projeto de construção das casas. Especialistas no setor apontam o Brasil como privilegiado, com uma média anual de 280 dias de sol, possibilitando um retorno de investimento garantido e rápido quanto maior for à necessidade do uso desta fonte energética FEDRIZZI (2007). 3.4.2 Ângulo de Incidência dos Recursos Solares de Inclinação de um Dispositivo Solar Segundo FEDRIZZI (2007), a energia solar captada por uma superfície varia em função de inúmeros parâmetros como a orientação da superfície em 30 relação ao sol, à hora do dia, o dia do ano, a latitude e as condições atmosféricas. Para uma maior captação da irradiação solar, os coletores devem ter certa orientação em relação ao azimute γ do local e certa inclinação β, em relação à horizontal. Esta inclinação em geral se reduz proporcionalmente à latitude do local de tal forma que para pequenas latitudes a melhor inclinação pode ser até mesmo de 0º (zero) graus. γ - Ângulo entre a projeção da normal à superfície do coletor no plano horizontal e o meridiano local, sendo 0o para o sul, 180o para o norte e leste positivo, oeste negativo. (-180º ≤ γ ≤ 180º). β - Ângulo entre a superfície em questão (neste caso o coletor) e a horizontal. Graus - Mesmo que a inclinação ideal seja de 0º graus, é aconselhável na prática uma inclinação mínima de 5º graus para evitar acúmulo de material sólido na superfície do coletor. FIGURA 3.9: Parâmetros Utilizados na Determinação da Radiação no Plano do Coletor. FONTE: FEDRIZZI (2007). 31 Na tabela 3.4 abaixo, temos as latitudes e os ângulos de inclinação no plano dos painéis solares, das capitais brasileiras facilitando o calculo. TABELA 3.4: Modelos de Módulos Solares - Latitudes Aproximadas das Capitais Brasileiras e Inclinações Sugeridas para Coletores Solares Planos ENSOL. Cidade Latitude Inclinação Cidade Aracaju/SE 10º55' S 21º Manaus/AM 03º08' S 13º Belém/PA 01º28' S 11º Natal/RN 05º45' S 16º Belo Horizonte/MG 19º 28' S 30º Palmas/TO 08º10' S 20º Boa Vista/RR 02º49' N 13º Porto Alegre/RS 30º02' S 40º Brasília/DF 15º 47' S 26º Porto Velho/RO 08º45' S 19º Campo Grande MS Cuiabá/MT 21º34' S 15º 35' S 32º 26º Recife/PE Rio Branco/AC 08º10' S 09º58' S 18º 20º Curitiba/PR 25º25' S 35º Rio de Janeiro/RJ 22º54' S 33º Florianópolis/SC 27º35' S 38º Salvador/BA 12º55' S 23º João Pessoa/PB Macapá/AP 07º06' S 00º 02' N 17º 10º N ou S Teresina/PI Vitória/ES 05º05' S 20º18' S 15º 30º Maceió/AL 09º 40' S FONTE: ENSOL. Energia Solar (2007) Latitude Inclinação 20º 3.4.3 Componentes do Sistema Fotovoltaico O sistema fotovoltaico apresenta dois tipos de correntes conhecidos como corrente continua que tem capacidade de potencia de 12V que utiliza painéis ou módulos de células fotovoltaicas, suportes para os painéis, controlador de cargas de baterias e banco de baterias, já na corrente alternada para potencias de 110/220V que utiliza além dos elementos anteriores da corrente continua também é utilizado entre as baterias e o consumidor um inversor de corrente com potência adequada. Este inversor converte a corrente continua (DC) das baterias em corrente alternada (AC). A maioria dos eletrodomésticos utiliza a corrente alternada. 32 FIGURA 3.10: Esquema de um Sistema Fotovoltaico FONTE: Solarterra, 2008 adaptado de FEDRIZZI (2007). 3.4.4 Dimensionamento de Sistemas de Geração Fotovoltaicos e de Bancos de Baterias FEDRIZZI (2008) afirmou que para obter o cálculo do número de módulos necessários deve-se conhecer os níveis de radiação solar típicos da região, à capacidade de produção dos módulos variarem com a radiação. Segundo o autor devemos seguir os seguintes passos, para obter a quantidade de módulos necessária: 1) Calcular o Consumo Total da Instalação em Ah (Amper hora). 2) Determinar em que local se realizará a instalação; 3) Com base nos valores da tabela de radiação identificar qual das cidades mais se aproxima do local de sua instalação. Identificar qual é a radiação média anual desta localidade em kWh/m² dia (última coluna da tabela); 4) Multiplicar o valor encontrado pela corrente nominal do módulo solar escolhido. Para isto recorrer à tabela do fabricante do módulo solar; 33 5) Supondo que a localidade da instalação seja em Teresina e o módulo solar escolhido seja o modelo com corrente nominal de 4.4A, teremos: geração do módulo = radiação x corrente nominal = 5.49 x 4.4 = 24.15 Ah/dia; 6) O número de módulos solares para este sistema será: no módulos = Consumo Total / Geração Módulo = 23.21 / 24.15 = 0.96 = 1; 7) Arredonda-se o valor encontrado para um múltiplo inteiro. Portanto um módulo de 4.4 A de corrente nominal é suficiente para esta instalação; 8) Para o cálculo do banco de baterias de acumuladores deve-se obter a capacidade na seguinte fórmula: Cap.= 1,66 x Dtot x Aut. Onde: 1,66: fator de correção de bateria de acumuladores que leva em conta a profundidade de descarga admitida, o envelhecimento e um fator de temperatura. Dtot: Consumo total de energia da instalação em Ah/dia (amper. Hora/dia). Aut: dias de autonomia. No exemplo adotado será: Cap. Bat. = 1.66 x 23.21 x 5 dias = 192 Ah Escolhe-se o modelo de bateria com valor normalizado imediatamente superior ao que resulte deste cálculo. Caso a capacidade encontrada seja superior ao maior modelo comercial disponível então o banco de baterias deverá ser montado com elementos múltiplos ligados em paralelo. Recomenda-se nestes casos que o no de baterias conectadas em paralelo não exceda 6 elementos (SOLARTERRA, 2008). 3.4.5 Modelo de Painéis Na Tabela 3.4 abaixo está representado os painéis comercializado pela empresa RF COM, onde será utilizado como base para proposta deste trabalho. 34 35 TABELA 3.5: Modelos de Placas Fotovoltaicas Modelo e Tipo S25 V Tensão do Sistema W 12 Potência Máxima W 24 Potência de Pico Mínima (STC) A 22,5 Corrente @ Potência Máxima V 1,45 Tensão @ Potência Máxima A 16,5 Corrente de curto-circuito V 1,5 Tensão em circuito aberto Ah/d 21,4 Capacidade de carga diária* 7,3 Tecnologia Poli Comprimento 9,70% Largura Espessura (c/caixa de conexão) Espessura (frame de alumínio). Peso Código S36 ST40 12 36 33,5 2,18 16,5 2,3 21,4 10,9 poli 10,30% 12 40 36 2,41 16,6 2,7 23,3 12,1 CIS 9,40% Power Max Plus 50 12 50 45 2,94 17 3,26 21,5 14,7 Poli 10,80% Caixa de Terminais Power Max Ultra 70-P PowerMax Ultra 75-P PowerMax Ultra 80-P PowerMax Ultra 85-P 70 70 66,5 4,29 16,3 5,15 21 21,5 mono 11,1 75 75 71,25 4,52 16,6 5,25 21,4 22,6 mono 11,9 80 80 76 4,73 16,9 5,35 21,8 23,7 mono 12,7 85 85 80,75 4,94 17,2 5,45 22,2 24,7 mono 13,9 Mm Mm Mm Mm 550 449 45 38 12mm dia ext 635 550 45 38 Kg 3,4 4,4 7,0 5,5 7,6 7,6 7,6 7,6 29691 19692 15845 31975 31976 31977 31978 31979 FONTE: RF COM Sistemas Ltda. – 2008. 4mm² bitola 1293 328 35 35 861 536 34 34 1200 527 56 34 1200 527 56 34 1200 527 56 34 1200 527 56 34 A figura 3.11 apresenta um exemplo de sistema flutuante de bombeamento de água para irrigação, instalado no Açude Rio dos Peixes, Município de Capim Grosso – BA. O sistema é formado por 16 painéis M55 da Siemens e uma bomba centrífuga de superfície Mc Donald de 1 HP DC. Em época de cheia, o sistema fica a 15 m da margem do açude e bombeia água a uma distância de 350 m, com vazão de 12 m3 por dia. Trata-se de uma parceria entre o National Renewable Energy Laboratory – NREL, o Centro de Pesquisas de Energia Elétrica – CEPEL e a Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia – COELBA, tendo ainda a participação da Secretaria de Agricultura e Irrigação do Estado da Bahia e da Associação de Moradores de Rio do Peixe ZILLES, FEDRIZZI, TRIGOSA, SANTOS (2000). Outro exemplo de bombeamento fotovoltaico de água, á região do Pontal do Paranapanema (Extremo-Oeste do Estado de São Paulo), é apresentado na Figura 3.12. O reservatório tem capacidade de armazenamento de 7.500 litros e altura manométrica de 86 metros, abastecendo 43 famílias. O sistema fotovoltaico é constituído de 21 módulos MSX 70, com potência nominal de 1.470 Wp USP; IEE, (2000). Entre novembro de 1998 e janeiro de 1999, cerca de 440 famílias foram beneficiadas em todas as sociedades, ZILLES, FEDRIZZI, TRIGOSA, SANTOS (2000). FIGURA 3.11 Sistema Fotovoltaico de Bombeamento de Água Para Irrigação (Capim Grosso BA) FONTE: Centro de Referência para a Energia Solar e Eólica Sérgio de Salvo Brito - CRESESB. 2000. Disponível em: www.cresesb.cepel.br/cresesb.htm. 36 FIGURA 3.12 Sistema de Bombeamento Fotovoltaico – Santa Cruz I (Mirante do Paranapanema SP). FONTE: UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO – USP. Instituto de Eletrotécnica e Energia – IEE. Formação Técnica. São Paulo: 2000. A Figura 3.11 e 3.12 exemplifica um sistema de atendimento domiciliar instalado no âmbito do projeto Ribeirinhas. Esse projeto constitui uma ação estratégica do Programa Nacional de Eletrificação “Luz no Campo” e tem como objetivo a implantação, em localidades ribeirinhas na região amazônica, de sistemas baseados em fontes alternativas para geração de energia elétrica. O projeto é conduzido pelo CEPEL e pela ELETROBRAS, em colaboração com a Universidade Federal do Amazonas ZILLES, FEDRIZZI, TRIGOSA, SANTOS (2000). 3.5 APROVEITAMENTO DA ÁGUA DE CHUVA 3.5.1 Disponibilidade de Recursos Hídricos em Nível Mundial UNIÁGUA (2006) apud Marinoski (2007) em seus estudos mostram que a disponibilidade de recursos hídricos compreende todos os recursos de água, tanto 37 superficiais quanto subterrâneas em uma determinada região ou bacia hidrográfica, para qualquer uso. Do volume total de água existente no planeta, é estimado que apenas 2,5% sejam de água potável ou simplesmente água doce, sendo que grande parte deste volume não está facilmente acessível. Apenas 0,266% deste total se encontra em lagos, rios e reservatórios, estando o restante distribuído na biomassa e na atmosfera sob a forma de vapor. Deste modo, estima-se que somente 0,007% de toda a água doce do planeta encontra-se em locais de simples acesso para o consumo humano. Tomaz (2001) apud Marinoski (2007), nos informa que o percentual de 68,9% de água doce estão congelados nas calotas polares do Ártico, Antártida e nas regiões montanhosas. Já a água subterrânea compreende em torno de 29,9% do volume de água doce no planeta. Segundo o autor, a água no planeta encontra-se distribuída de forma não uniforme, sendo que na Ásia e na América do Sul se concentram os maiores volumes disponíveis. A Ásia detém a maior parcela mundial deste recurso, totalizando aproximadamente 31,6%, e alcançando vazões de 458.000 km³/ano. Os menores potenciais são encontrados na Oceania, Austrália e Tasmânia. Os valores de produção hídrica por região do mundo estão apresentados na Tabela 3.6. TABELA 3.6: Produção Hídrica no Mundo por Região Região do Mundo Vazão (km³/ano) Porcentagem (%) Ásia 458.000 31,6 América do Sul 334.000 23,1 América do Norte 260.000 18 África 145.000 10 Europa 102.000 7 Antártida 73.000 5 Oceania 65.000 4,5 Austrália e Tasmânia 11.000 0,8 1.448.000 100 Total FONTE: TOMAZ, 1998 apud Marinoski 2007 38 3.5.2 Recursos Hídricos no Brasil No Brasil podemos encontrar abundância de recursos hídricos estimada em 35.732 m³/hab/ano, sendo considerado um país “rico em água”. Além disso, em relação ao potencial hídrico mundial, o Brasil conta com 12% da quantidade total de água doce no mundo (TOMAZ, 2001apud Marinoski 2007). Entre os países da América do Sul, o Brasil se destaca por possuir uma vazão média de água de 177.900 km³/ano, o que corresponde a 53% da vazão média total da América do Sul, conforme é apresentado na Tabela 3.7. TABELA 3.7: Produção Hídrica entre os países da América do Sul. América do Sul Brasil Outros países Total Vazão (km³/ano) 177.900 156.100 334.000 Porcentagem (%) 53 47 100 FONTE: Marinoski (2007). Segundo Aneel (2007) apud MARINOSKI (2007), a disponibilidade hídrica do Brasil encontra-se, na maior parte, distribuída em bacias hidrográficas. As principais bacias hidrográficas do Brasil são do Rio Amazonas, do TocantinsAraguaia, do São Francisco, do Atlântico Norte Nordeste, do Uruguai, do Atlântico Leste, do Atlântico Sul e Sudeste, dos Rios Paraná e Paraguai. Verificam-se no Brasil, que as regiões mais populosas são justamente as que possuem menor disponibilidade de água, por outro lado onde há muita água ocorre baixo índice populacional. A exemplo disso pode-se citar a Região Sudeste do Brasil, que dispõe de um potencial hídrico de apenas 6% do total nacional, porém conta com 43% do total de habitantes do país, enquanto a Região Norte, que compreende a Bacia Amazônica, apresenta 69% de água disponível, contando com apenas 8% da população brasileira GHISI (2006) apud Marinoski (2007). 39 3.5.3 Aproveitamento de Água Pluvial MAY, (2004) ao estudar o aproveitamento das águas de chuva apontou a existência de vários aspectos positivos no uso de sistemas para aproveitamento de água pluvial, que possibilitam reduzir consideravelmente o consumo de água potável diminuindo os custos de água fornecida pelas companhias de abastecimento e minimizam riscos de enchentes e preservar o meio ambiente. Com isso, podemos citar outras vantagens do aproveitamento de água de chuva SIMIONI et al, (2004) apud Marinoski (2007): § Utiliza estruturas existentes na edificação (telhados, lajes e rampas); § Baixo impacto ambiental; § Água com qualidade aceitável para vários fins com pouco ou nenhum tratamento; § Complementa o sistema convencional; § Reserva de água para situações de emergência ou interrupção do abastecimento público. Para pensarmos em um sistema de abastecimento de água pluvial, pensamos primeiro na sua viabilidade dependendo essencialmente dos seguintes fatores: precipitação, área de captação e demanda de água. Além disso, para projetar tal sistema devem-se levar em conta as condições ambientais locais, clima, fatores econômicos, finalidade e usos da água, buscando não uniformizar as soluções técnicas. A água de chuva pode ser utilizada em várias atividades com fins não potáveis no setor residencial, industrial e agrícola. No setor residencial, pode-se utilizar água de chuva em descargas de vasos sanitários, lavação de roupas, sistemas de controle de incêndio, lavagem de automóveis, lavagem de pisos e irrigação de jardins. Já no setor industrial, pode ser utilizada para resfriamento evaporativo, climatização interna, lavanderia industrial, lavagem de maquinários, abastecimento de 40 caldeiras, lava jatos de veículos e limpeza industrial, entre outros. Na agricultura, vem sendo empregada principalmente na irrigação de plantações MAY & PRADO (2004). Segundo MAY (2004) os sistemas de coleta e aproveitamento de água de chuva em edificações são formados por quatro componentes básicos: áreas de coleta; condutores; armazenamento e tratamento. O funcionamento de um sistema de coleta e aproveitamento de água de pluvial consiste de maneira geral, na captação da água da chuva que cai sobre os telhados ou lajes da edificação. A água é conduzida até o local de armazenamento através de calhas, condutores horizontais e verticais, passando por equipamentos de filtragem e descarte de impurezas. Em alguns sistemas é utilizado dispositivo desviador das primeiras águas de chuva. Após passar pelo filtro, a água é armazenada geralmente em reservatório enterrado (cisterna), e bombeada a um segundo reservatório (elevado), do qual as tubulações específicas de água pluvial irão distribuí-la para o consumo não potável onde mostram na Figura 3.13. . FIGURA 3.13: Esquema de Funcionamento de Sistema de Aproveitamento de Água de Chuva. FONTE: Marinoski (2007) Em áreas para captação de água de chuva, comumente utiliza-se materiais como: telhas galvanizadas pintadas ou esmaltadas com tintas não tóxicas, superfícies 41 de concreto, cerâmicas, policarbonato e fibra de vidro. As calhas também devem ser fabricadas com materiais inertes, como PVC ou outros tipos de plásticos, evitando assim, que partículas tóxicas provenientes destes dispositivos venham a ser levadas para os tanques de armazenagem MACOMBER (2001) apud MARINOSKI (2007). 3.5.4 Captação O sistema de capitação de água de chuva é a maneira mais rápida de se obter grandes volume de água em um período de tempo bastante reduzido, e de razoável qualidade. Existem duas maneiras que são as mais conhecidas de se captar: a primeira é utilizando o telhado e calhas da casa, e a segunda é revestindo o subsolo de uma área de encosta com plástico e canalizando a água, pré-filtrada pelo solo, até uma caixa ou reservatório, apresentado na Figura 3.14 e 3.15. A sua armazenagem poderá ser feita em uma caixa separada ou diretamente na cisterna, caixa central (SOECOMG, 2008). FIGURA 3.14: Esquema Geral da Caixa ou Reservatório para Água de Chuva com Escada de Acesso para Limpeza. FONTE: Soecomg (2008). 42 FIGURA 3.15: Esquema de Caixa ou Reservatório com Utilização de Crivo para Filtrar a Água e Sistema Manual de Retirada da Mesma. FONTE: Soecomg (2008). 3.5.5 Qualidade da Água de Chuva Tomaz (2003) apud Martins e Nascimento (2006) em seus estudos sobre aproveitamento da água de chuva assegurou que para se ter conhecimento da qualidade da água de chuva devem-se diferenciar as analises em quatro formas distintas, quais sejam: § Antes de atingir o solo; § Após escorrer pelo telhado; § Dentro do reservatório; § No ponto de uso. Cada uma dessas quatro formas apresenta peculiaridades distintas nos elementos químicos e bacteriológicos encontrados nas analises e dependem muito da localização geográfica da área de precipitação, do tipo de atividades exercidas no entorno, etc., em fim vários fatores podem influenciar nessas analises dependendo da área a ser analisada. 43 Vários estudos foram realizados por Gould 2003 apud Tordo 2004 e mostram que, devido ao contato com a superfície do telhado, a água coletada de chuva não apresenta os padrões de potabilidade da OMS para água potável, principalmente quanto aos critérios da qualidade microbiológica. Outra preocupação se deve à poluição por metais pesados ou outros produtos químicos. Segundo estudos realizados por Tordo, 2004, Na região de Blumenau (SC), para avaliar a qualidade da água em três diferentes tipos de cobertura, quais sejam: fibrocimento, cerâmica e metálica; com relação aos parâmetros - pH, alcalinidade total, cloretos, cor aparente, dureza total, ferro total, sílica, turbidez e coliformes - e cujos resultados demonstraram que o telhado de fibrocimento apresenta uma capacidade de neutralizar os ácidos e, presentes na água da chuva, maior que as outras duas coberturas estudadas, cujo valor médio, encontrado, foi 6,99, e uma alcalinidade total média de 37,06 ppm. Quanto ao aspecto bacteriológico, às amostras apresentaram elevada quantidade de organismos patogênicos e, em algumas amostras, a turbidez e a cor aparente não alcançaram o padrão de portabilidade e, portanto, não é recomendada para consumo humano, sem prévio tratamento por filtração e desinfecção. Tais valores constam da Tabela 3.8. TABELA 3.8: Valores Médios dos Parâmetros da Chuva, Coletados nos Diversos Tipos de Coberturas. Fibrocimento Parâmetros PH Alcalinidade Total (ppm) Valor Médio Cerâmica Valor Valor Máximo Mínimo Metálica (Zinco) Valor Médio Valor Máximo Valor Mínimo Valor Médio Valor Valor Máximo Mínimo 6,99 8,63 5,57 5,73 6,82 5,21 4,70 6,82 4,13 37,06 55,96 18,00 11,73 16,00 8,00 9,71 16,00 8,00 5,09 11,28 1,41 3,72 5,64 2,82 6,85 5,64 2,82 Cloretos (ppm) Cor Aparente (uH) Dureza Total (ppm) 17,33 95,00 4,00 18,45 43,00 7,00 18,71 43,00 4,00 60,44 108,00 20,00 21,91 48,00 3,00 35,14 48,00 20,00 Ferro Total (ppm) 0,35 2,85 0,068 0,32 2,02 0,026 0,23 2,02 0,073 Sílica (ppm) 3,18 16,74 0,00 2,92 13,21 0,212 1,70 13,21 - Temperatura (ºC) 25,22 27,00 25,00 25,09 27,00 24,00 25,00 27,00 25,00 2,34 1,79 0,28 1,70 5,00 0,20 2,13 5,00 0,24 280,79 1299,70 0,00 236,93 900,00 2,00 269,00 >1600,00 Ausente 1453,85 >2419,60 1,00 1054,45 >1600,00 39,50 934,40 >1600,00 140,80 Turbidez (uT) Escherichia coli (NMP/100mL) Coliformes totais (NMP/100mL) FONTE: Cipriano, 2004 44 Segundo Cipriano, 2004, o padrão de potabilidade da água, para consumo humano, vigente no Brasil, consta da Portaria nº. 518, de 25 de março de 2004, do Ministério da Saúde, publicada no Diário Oficial da União, e discorre sobre procedimentos e responsabilidades, inerentes ao controle e à vigilância da qualidade da água, para consumo humano. Nele estabeleceu-se o padrão de potabilidade da água, para o consumo humano, e constam outras providências. Ainda, ali, estabeleceram-se os limites máximos, permitidos, para dezenas de parâmetros, os quais precisam ser respeitados para toda a água que se destine para consumo humano. Pois, toda água, destinada ao consumo humano, deve obedecer ao Padrão de Potabilidade e ao Padrão de Aceitação para Consumo Humano e está sujeita à vigilância em nome da qualidade da água. Os parâmetros da tabela 3.9 são apontados na Portaria 518/2004. TABELA 3.9: Padrões de Potabilidade, Estabelecidos pela Portaria nº. 518/2004, do Ministério da Saúde. Parâmetros Limites Máximos PH Alcalinidade total (ppm) Cloretos (ppm) Cor Aparente (ppm PtCo) Dureza Total (ppm) Ferro Total (ppm) Sílica (ppm) Temperatura Eucherichia coli (NMP/100ml) Coliformes Totais (NMP/100ml) 6,0 a 9,5 -250 15 500 0,3 -1 Ausência Ausência . FONTE: Cipriano, 2004. Cipriano (2004) ao estudar formas de tratamento para as águas de chuva com diferentes tipos de coberturas, concluiu o seguinte: 1) Coberturas de Fibrocimento e Amianto - Embora não sejam mais usadas em telhados de residências, ainda se encontram em muitas residências antigas. As fibras de amianto são perigosas à saúde quando inaladas em quantidades suficientes. O telhado deve ser 45 deixado intocável até que as fibras e vestígios do amianto sejam eliminados, devido ao corte ou perfuração. Os métodos de limpeza com alta pressão também devem ser evitados e as áreas ou placas que estiverem deterioradas devem ser substituídas por amiantoslivres; 2) Cobertura de Telha Cerâmica ou de Concreto - A superfície da telha de cimento ou da cerâmica colorida oxida-se com o tempo, e detritos dessa oxidação podem ser escoados para os tanques de armazenamento colorindo a água. A água pode tornar-se tóxica, devido à pintura das telhas. Pinturas à base de chumbo (incluindo primer) são tóxicas e não apropriadas para uso potável. A água proveniente de ambientes com pintura acrílica – em cuja composição entram produtos químicos e detergentes - não deve ser coletada no primeiro fluxo. Materiais derivados do betume (piche) geralmente não são recomendados, por conter substâncias perigosas e por causar gosto na água; 3) Cobertura com Madeira Tratada - Os produtos químicos usados para tratamento ou preservação das telhas de madeira utilizadas na Austrália são a base de água com cobre, cromo, arsênio e boro, à base de óleo com alcatrão, ou solventes orgânicos, como o pentaclorofenol; 4) Folhas Metálicas de Chumbo - O chumbo é um veneno cumulativo que provoca vários efeitos à saúde, principalmente ao sistema nervoso central, não se recomendando a utilização desse material em áreas de captação de água de chuva para fins potáveis. 3.5.5 Análise Físico-Químicas e Bacteriológicas A qualidade da água é determinada por sua composição física, química e bacteriológica. Para o consumo humano é necessário que á água seja potável, isto é, livre de mataria suspenso visível, cor, sabor e odor, de quaisquer organismos capazes de provocar enfermidades ou de quais quer substância orgânicas ou inorgânicas que 46 possam produzir efeitos fisiológicos prejudiciais (MINISTERIO DA SAÚDE, PORTARIA Nº 1469). Segundo Netto (2000), as características principais para análise física da água são as seguintes: cor, turbidez, pH, sabor, odor, temperatura e condutibilidade elétrica. Já as principais características químicas são: pH, alcalinidade, dureza, ferro, magnésio, cloretos, sulfatos, sólidos totais, impurezas orgânicas, nitratos, oxigênio dissolvido, demanda de oxigênio, fenóis, detergentes e substâncias tóxicas, são mostradas na tabela 3.10. No que diz respeito às características biológicas são coliformes fecais, coliformes totais, entre outros e são determinados através de exames bacteriológicos e hidrobiológicos. TABELA 3.10: Padrões de Potabilidade da Água Características Padrão de Potabilidade (ppm) ou mg/l Máxima recomendada Máxima tolerada Turbidaz (sílica) 1 5 Cor (esc. Cobalto) 10 15 Física Odor inobjetável (ausência de odor objetável) Sabor inobjetável (ausência de odor objetável) Químicas Manganês (em Mn) – 0,1 Chumbo (em Pb) – 0,1 Cobre – 3 Zinco – 5 Ferro (em Fe) – 0,3 Arsênico (em Se) 0,05 0,1 Selénio (em Se) – 0,05 Cromo Hexavalente – 0,05 Fluoretos 1 1,5 Cloretos (Cl) – 250 Compostos de Fenol – 0,001 Sulfatos (SO4) – 250 Dureza (CO3Ca) 100 500 Cloro livre 0,2 0,5 Sólidos totais 500 1000 pH pHs (ph de saturação) 6 e isenção de alcalinidade cáustica Bacteriológica N.m.p. (nº mais provável de coliformes por 100 ml) Águas tratadas 90% tempo inferior a 1 100% tempo inferior a 10 FONTE: Segundo portaria nº 518. - 2004. 47 3.5.6 Análise Física da Água da Chuva Segundo OLIVEIRA E AMARAL (2004), as principais análise física da água são: cor, turbidez, sabor, odor, temperatura. Essas características envolvem praticamente aspecto de ordem estética e psicológica, exercendo uma influência no consumidor, pois que, dentro de determinados limites, não tem relação com inconvenientes de ordem sanitária. Contudo, sendo perceptíveis pelo consumidor, independentemente de um exame, o seu acentuado teor pode causar certa repugnância a consumidores mais ou menos exigentes; pode também favorecer uma tendência para a utilização de águas de melhor aparência, porém de má qualidade sanitária, com prejuízo para a segurança. Segundo o autor, os exames físico é o menos importante dos exames e análises que caracterizam a qualidade de uma água: seu resultado não deve ser interpretado separadamente de outros exames e análises. O mesmo mostra as seguintes características: Cor: é determinada pela alteração na aparência da água através de substancias dissolvidas ou em suspensão, dependendo da qualidade do material presente. A cor pode ser facilmente removida da água por coagulação física. Sento sensível ao pH, a sua remoção torna-se mais acessível em pH baixo, ou seja, em meio ácido. Turbidez: é uma característica decorrente de presença de substância em suspensão, ou seja, de sólidos suspensos, finalmente divididos em estado coloidal, e de organismos microscópicos. A turbidez é uma característica própria das águas correntes, sendo em geral baixa nas águas dormentes. Foi inicialmente medida determinando-se na espessura da camada de água necessária para que desapareça da vista a chama de uma vela padronizada; os padrões de medida são constituídos por suspensões de sílica ou formazina em água destilada, expressas em mg/l ou em ppm da denominada UTJ (Unidade Jackson de Turbidez) ou OFT (Unidade Formazina de Turbidez), respectivamente. Praticamente são utilizados aparelhos que operam pelo princípio da comparação entre o efeito Tyndall produzido por iluminação lateral da amostra e o feixe de luz obtido por transparência, a partir da mesma fonte luminosa. O sistema 48 atual de medição é aquele que emprega o processo de nefelometria, ou seja, através de uma fotocélula mede-se a quantidade de luz que emerge perpendicularmente de um feixe luminoso que passa pela amostra. Segundo o Ministério da Saúde, Portaria nº 1469 de 29 de dezembro de 2000, artigo 16º, o valor o valor máximo permitido para o parâmetro turbidez é de 5 UNT (Unidade Nefelométrica de Turbidez). Sabor e Odor: as características do sabor e do odor são consideradas em conjunto, pois geralmente a sensação de sabor decorre da combinação de gosto mais odor; são características que provocam sensações subjetivas nos órgãos sensitivos do olfato e do paladar, causadas pela existência de substâncias como matéria orgânica em decomposição, resíduos industriais, gases dissolvidos, algas, etc. No caso particular de sais dissolvidos em concentrações elevadas, o gosto é sentindo, sem que se sinta o odor ou o sabor, como por exemplo, cloreto de sódio. Os gostos são quatro, a saber: doce, amargo, ácido e salgado. Da combinação destes com os vários tipos de odor, resultam os sabores. O sabor e odor são características que podem estar presentes nas águas correntes ou dormentes. As águas subterrâneas raramente possuem características de sabor e odor perceptíveis, a não ser o decorrente de sais dissolvidos em excesso. Quanto ao odor assinala-se métodos americanos (“Standar Mehods for the Eamination of Water and Sewage”) que estabelecem um padrão de medida baseados na determinação da máxima diluição da amostra em que o operador treinado é capaz de perceber algum cheiro. Quanto ao sabor não existe nenhum processo de medida. Levando em conta estas dificuldades os padrões de potabilidade em geral estabelecem que as águas, quanto ao sabor e odor, devem ser inobjetíveis, ou seja, deve haver ausência de sabor e de odor. Temperatura: particularmente para uso doméstico a água deve ter temperatura refrescante. 49 3.5.7 Características Químicas Segundo AMARAL E OLIVEIRA (2004) as características químicas das águas são devidas à presença de substancias dissolvidas, geralmente avaliáveis somente por meios analíticos. São de grande importância, tendo em vista as conseqüências sobre o organismo dos consumidores, ou sob o aspecto higiênico, bem como sob o aspecto econômico; assinale-se ainda a utilização de certos elementos como cloretos, nitritos e nitratos bem como o teor de oxigênio consumido como indicadores de poluição, permitindo-se concluir se a poluição é recente ou remota, se é maciça ou tolerável. As características químicas das águas são determinadas por meio de análises químicas, seguindo métodos adequados e padronizados para cada substância. Os resultados são fornecidos em concentração da substância em mg/l (miligrama por litro). Na determinação das características químicas das águas, os principais aspectos a serem considerados, são: pH: o pH é utilizado universalmente para analisar as características ácidas ou alcalino de uma solução. O parâmetro pH mede a concentração do íon hidrogênio, podendo ser analisado colorimetricamente ou eletrometricamente. Com a análise do potencial hidrogeniônico da água é possível verificar a ocorrência de corrosividade quando o pH é baixo ou incrustações nas tubulações do sistema de distribuição com o pH alto. Segundo o CONAMA, 1986 apud May, 2004 na resolução nº 20 de junho de 1986, artigo 26º, o parâmetro pH pode variar entre 6 e 9. Segundo USEPA 1992 e Hespanhol 2003, o pH deverá estar entre 6-9. O Ministério da Saúde, portaria nº 1469 de 29 de dezembro de 2000, artigo 16º recomenda que o pH da água esteja entre 6 e 9,5. Alcalinidade: a alcalinidade é devida à presença de bicarbonatos, carbonatos e hidróxidos, quase sempre de alcalinos ou alcalino terrosos (sódio, potássio, cálcio, magnésio etc.). 50 Agressividade: A tendência da água a corroer os metais pode ser conferida pela presença de ácidos minerais (casos raros) ou pela existência em solução de oxigênio, gás carbônico e gás sulfídrico. De modo geral, o oxigênio é fator de corrosão dos produtos ferrosos, o gás sulfídrico dos não ferrosos e o gás carbônico dos materiais à base de cimento. Salinidade: o conjunto de sais normalmente dissolvidos na água, formado pelos bicarbonatos, cloretos, sulfatos e, em menor quantidade, pelos demais sais, pode como já foi dito, conferir à água um sabor salino, já focalizado, e uma propriedade laxativa (sulfatos). O teor de cloretos pode ser indicativo de poluição por esgotos domésticos (próxima ou remota); verifica-se pela comparação de várias análises, após estudos de condições e situações locais. De modo geral a salinidade excessiva é mais própria das águas profundas que das superficiais, sendo, porém, sempre influenciada pelas condições geológicas dos terrenos banhados ou lixiviados. Dureza: é uma característica conferida à água pela presença de sais alcalino-terrosos (cálcio, magnésio, etc) e alguns metais, em menor intensidade. Quando os sais são bicarbonatos (de cálcio, de magnésio, etc.), a dureza é denominada temporária, pois pode ser eliminada quase totalmente pela fervura. Quando é devida a outros sais é denominada permanente. Uma nomenclatura mais lógica, e que deve ser adotada, é a que denomina as durezas em: devidas aos carbonatos e aos não-carbonatos. A dureza é caracterizada pela extinção de espuma formada pelo sabão, índice visível de uma reação mais complexa, o que dificulta o banho e a lavagem de utensílios domésticos e roupas, criando problemas higiênicos. As águas duras, em função das condições desfavoráveis de equilíbrio químico, podem incrustar as tubulações. Ferro e Manganês: O ferro, com certa freqüência, associado ao manganês, confere à água um sabor, ou melhor, uma sensação de adstringência e coloração avermelhada, decorrente da precipitação do mesmo. 51 As águas ferruginosas mancham as roupas, durante a lavagem, os aparelhos sanitários e podem provocar deposições em tubulações. O manganês é semelhante ao ferro, porém menos comum, e a sua coloração característica é marrom, e, quando na forma oxidada é preto. Impurezas Orgânicas e Nitratos: O termo impurezas orgânicas é aplicável a um número de constituintes de origem animal ou vegetal, que podem indicar uma poluição recente ou remota. Incluem-se neste item: a matéria orgânica, em geral, e o nitrogênio sob as diversas formas (orgânico, amonical, albominóide, nitroso e nítrico). Seguindo o nitrogênio um ciclo que o conduz à mineralização total, sob a forma de nitratos, é possível avaliar o grau e a distância de uma poluição, pela quantidade e forma de apresentação dos derivados azotados. Independente de sua origem, que também pode ser mineral, os nitratos presentes na água, em quantidades maiores, provocam em crianças o estado mórbido denominado cianose ou metemoglobinemia. Toxidez Potencial: Certos elementos ou compostos tóxicos por natureza podem estar presentes na água. Geralmente constituem o produto de lançamentos industriais poluidores ou de atividades humanas. Podem ser citados cianetos, cromo hexavalente (cromatos) e cádmio resultado de cromações e eletro-deposições; arsênico, resultado de usos agrícolas; cobre, zinco e chumbo pelo uso de tubulações com águas solventes; Fenóis e Detergentes: O progresso industrial moderno vem incorporando os compostos fenólicos e os detergentes entre as impurezas encontradas em solução na água. Sempre decorrente de fatores poluidores, estão constituindo problemas numa fase em que está se tornando comum o termo “reuso” da água. O fenol é tóxico, mas muito antes de atingir teores prejudiciais à saúde já constitui inconveniente para águas que tenham que ser submetidas ao tratamento pelo cloro, pois combina com o mesmo, provocando o aparecimento de gosto e cheiro desagradáveis. 52 Os detergentes, em mais de 75% dos casos, constituídos de Alkyl benzeno sulfonatos (ABS) são indestrutíveis naturalmente, e, por isso, sua ação perdura em abastecimento de água a jusante de lançamentos que os contenham. O mais visível inconveniente reside na formação de espuma quando a água é agitada; nas concentrações maiores trazem conseqüências fisiológicas; Radioatividade: O desenvolvimento da indústria nuclear trará certamente problemas de radioatividade ambiente e as águas de chuva poderão carrear a contaminação, quando esta já não for por lançamento direto. O assunto está sob controle das entidades oficiais especializadas. Nas regiões sul-americanas ainda não se constitui motivo de preocupação. Contudo, existem vários tipos de indústrias (não-nucleares), que lançam subprodutos radioativos na água, como, por exemplo, tintas fosforescentes, o que pode vir a constituir um problema. 3.5.8 Análise Bacteriológica da Água da Chuva Segundo Expolador, 2002 apud May, 2004, coliformes fecais são bactérias permanentes ao grupo de coliformes totais. São caracterizadas pela presença de enzima β-galactosidade e pela capacidade de fermentar a lactose com produção de gás em 24 horas à temperatura de 44-45ºC, em meios contendo sais biliares ou outros agentes tenso-ativos com propriedades inibidoras semelhantes. Além da presença de fazes humanas e de animais podem, também, podem ser encontradas em solos, plantas ou quaisquer efluentes contendo matéria orgânica. Segundo Expolador, 2002 apud May, 2004, o método utilizado para verificar a presença de coliformes fecais baseia-se na filtração de volumes adequado de água, através de uma membrana filtrante com porosidade de 0,45 μm. Com a contagem das colônias permite-se calcular a densidade de bactérias presente na atmosfera da água. A contagem dos coliformes fecais (colônia) serve para determinar: • Avaliação e controle da qualidade bacteriológica da água mineral e potáveis de mesa, na origem, no processo e no produto de mesa; 53 • Avaliação e controle de água tratada; • Avaliação e controle de qualidade de mananciais e corpos d’água; • Avaliação e controle das condições de sistema industriais. Segundo Expolador (2002) apud May (2004), o grupo dos coliformes totais inclui todas as bactérias na forma de bastonetes gram-negativos, não esporogênicos, aeróbios ou anaeróbios facultativos, capazes de fermentar o lactose com produção de gás, em 24 a 48 horas a 35ºC. O índice de coliformes totais avalia as condições higiênicas, já o índice de coliformes fecais é empregado como indicador de contaminação fecal, avaliando as condições higiênico-sanitária deficientes visto presumir-se que a população deste grupo e constituída de uma alta proporção de E. Coli. (Escherichia coli). Bactéria que pertence ao grupo coliformes têm como habitat o trato intestinal do homem e de outros animais. 3.5.9 Estimativa de Consumo Para Feitosa e Filho (2003), o consumo médio de água por pessoa por dia, conhecido por consumo “per capta" de uma comunidade é obtido, dividindo-se o total de seu consumo de água por dia pelo número de pessoas servidas. O consumo de água depende de vários fatores, sendo complicada a determinação do gasto mais provável por consumidor. No Brasil, costuma-se adotar quotas médias "per capta" diárias de 120 a 200 litros por pessoa. Vickers (2001) apresentou em seus estudos a estimativa de consumo de água para o uso interno e externo, conforme mostra a tabela 3.11. 54 TABELA 3.11: Estimativa do Consumo de Água Uso interno Descargas na bacia sanitárias Chuveiros e banheiras Máquinas de lavar roupas Máquinas de lavar pratos Torneiras internas Uso externo Jardim Piscina Lavagem de carro Lavagem de área externa % do Consumo 20 a 25% 15 a 20% 10 a 15% 2 a 5% 5 a 10% Água de Chuva Sim Não Sim Não Não 25 a 30% 0 a 5% 0 a 5% 0 a 2% Sim Sim Sim Sim FONTE: Tomaz – 2003. Deve-se adotar 80 litros d’água por pessoa/dia. No caso de bacia sanitária com caixa de descarga deve-se acrescentar mais 40 litros, ou seja, 120 litros (em média 2 descargas por dia). Nos projetos de abastecimento público de água, o "per capita" adotado, varia de acordo com a natureza da cidade e o tamanho da população. A maioria dos órgãos oficial adota 200 litros/habitante/dia para as grandes cidades, 150 litros/habitante/dia para médias e pequenas. A Fundação Nacional de Saúde acha suficiente 100 litros/habitante/dia para vilas e pequenas comunidades. Em caso de abastecimento de pequenas comunidades, com carência de água e de recursos é admissível até 60 litros/habitante/dia. 3.5.10 Coeficiente de Runoff Para Tomaz (2003) apud May (2004) para efeito de cálculo, o volume de água de chuva que pode ser aproveitado não é o mesmo do precipitado. Assim são estimadas que vão de 10% a 33% do volume precipitado. O Coeficiente de Runoff é a perda de água por evaporação, vazamentos, lavagem do telhado, etc. Utiliza-se a letra C para indicar o coeficiente de Runoff. Segundo Azevedo Netto (1998) afirmou que do volume total de água precipitado sobre o solo, apenas uma parcela escoa sobre a superfície constituindo as 55 enxurradas, os córregos, os ribeirões, os rios e os lagos. O restante é interceptado pela cobertura vegetal e depressão do terreno, infiltra e evapora. A proporção entre essas parcelas, a que escoa e a que fica retida ou volta à atmosfera, depende das condições físicas do solo – declividade, tipo da vegetação, impermeabilização, capacidade de infiltrações, depressões. A tabela 3.12 apresenta as faixas de valores do coeficiente de Runoff (C) para diferentes superfícies. TABELA 3.12: Valores Usuais de C Natureza da bacia Telhados Superfícies asfaltadas Superfícies pavimentadas e paralelepípedos Estradas macadamizadas Estradas não pavimentadas Terrenos descampados Parques, jardins, campinas C 0,70-0,95 0,85-0,90 0,75-0,85 0,25-0,60 0,15-0,30 0,10-0,30 0,50-0,20 FONTE: Azevedo Neto - 1998 Segundo Tomaz (2003), apud Martins e Nascimento (2006), cita que o valor do coeficiente de Runoff, de acordo com a literatura, varia entre 0,70 a 0,90. 3.5.11 Precipitação Pluviométrica A precipitação é a quantidade de chuva que cai do céu, sendo um dos fatores que atuam diretamente no potencial de captação. O índice anual de chuva do local onde se deseja instalar o sistema é uma informação fundamental. O índice pluviométrico mede quantos milímetros chove por ano em um m². Esta precipitação deve ser estabelecida em função de dados médios mensais publicados em nível nacional, regional ou local e também em função da série histórica de chuvas na região de implantação do sistema Peters (2006). 56 3.5.12 Área de Captação A área de captação é aquela onde ocorre toda a coleta da água de chuva que será armazenada. É um dos pontos principais que são levados em consideração no dimensionamento, pois a partir desta, é que será determinada a quantidade de água de chuva que poderá ser captada e aproveitada. Comumente, estas áreas são as superfícies dos telhados, as áreas impermeabilizadas (lajes, áreas de estacionamentos, pátios) ou drenagem do solo Figura 3.16. Geralmente a água é captada dos telhados das residências e das indústrias. A captação da água de chuva através dos telhados é considerada mais simples e em sua maioria produz uma água de melhor qualidade comparada aos outros sistemas Peters (2006). a) Telhado b) Área impermeabilizada - Laje c) Telhado e Pátio FIGURA 3.16: Áreas de Captação de Água de Chuva FONTE: Waterfall (2002). Segundo Peters (2006) as coberturas devem ser projetadas e executadas de acordo com as normas técnicas. Elas podem ser inclinadas, pouco inclinadas ou planas, pois, para cada tipo de material há um tipo de inclinação e um fator de 57 escoamento (C) onde, para captação de água de chuva, deve-se escolher aquele que possui menor absorção de água contribuindo para a diminuição das perdas. 3.5.13 Tecnologias de Aproveitamento Diante da falta de água potável no Brasil e no mundo, o mercado está buscando novas tecnologias para que a água reaproveita seja de boa qualidade. Segundo Martins e Nascimento (2006) as tecnologias das águas de chuvas devem integrar as seguintes técnicas: § Coleta das águas de chuvas dos telhados, coberturas e outros; § Armazenamento das águas de chuvas em reservatórios, etc; § A verificação da qualidade das águas de chuvas; § Abastecimento local pelo uso das águas de chuvas; § Drenagem do excesso das águas de chuvas provocado pelas chuvas intensas; § Eliminação da água coletada no início das chuvas. Ainda segundo o autor, são os telhados a superfície para captação de água de chuva, os quais já estão prontos. Às vezes serão necessárias a colocação de calhas, condutores verticais e coletores horizontais, a construção do reservatório de auto-limpeza e do reservatório de acumulação da água de chuva, que poderá ser apoiado sobre o solo ou enterrado. Segundo Tordo (2004) é apresentado na Figura 3.17 o desenho esquemático do sistema de captação de água de chuva. A água escorre do telhado cerâmico para as calhas (a), e destas para o condutor (b). Neste condutor, existe uma derivação (c) para o bloco H e um sistema de descarte (d) de 20 litros da chuva inicial. 58 FIGURA 3.17: Desenho Esquemático do Sistema de Coleta de Água de Chuva. FONTE: Tordo (2004). (a) (b) FIGURA 3.18: Sistema de Coleta de Água de Chuva: a) Calha de Condução, b) Calha de Condução Vertical. FONTE: Tordo (2004). 59 FIGURA 3.19: Sistema de Desvio dos Primeiros Estantes de Chuva FONTE: Marinoski, 2007. Segundo Saferain 2007 apud Marinoski 2007, a válvula de desviador horizontal da SafeRain é projetada principalmente para ser instalada nas tubulações aéreas que alimentam um tanque de água ou o tanque da cisterna. Já a válvula do desviador vertical é projetada para ser instalada na parte de baixo da tubulação onde é alimentando o tanque. 3.5.14 Filtros Vortex (WFF) Dentre os produtos oferecidos pela Aquastock, esta os filtros tipo Vortex da Wisy que são instalados no ponto de união da tubulação que drena a água de chuva de diversos condutores verticais. Utilizam um princípio original de filtragem – de tensão superficial – que garante grande eficiência, separando a água de chuva de impurezas como folhas, 60 alhos, insetos e musgo, com mínima perda de água e exigência de manutenção mínima. (a) (b) FIGURA 3.20: Filtro Vortex (WFF), (apresentado na figura a e b) FONTE: Aquastock, (2008) 3.5.15 Filtros de Descida Os filtros de descida Wisy são instalados diretamente na tubulação de descida dos telhados. Com seu princípio original de filtragem, separam a água de chuva de impurezas como folhas, galhos, insetos e musgo, que seguem pelo tubo normalmente. 61 FIGURA 3.21: Filtros de Descida FONTE: Aquastock, (2008) FIGURA 3.22: Montagem do Filtro de Descida FONTE: Aquastock, (2008) As características desse filtro são: § Filtra áreas de telhado de até 150 m²; § Capta cerca de 90% da água; § Filtra partículas de até 0,28mm; § Qualidade superior, com fabricação em aço inox ou cobre; § Funcionamento absolutamente seguro, não há nenhuma obstrução na seção da tubulação; § Fácil instalação com encaixe telescópico, não exige mão de obra especializada e pode ser instalado em construções existentes; § Baixa necessidade de manutenção; § Pode ser conectado a qualquer reservatório; § Diversos acessórios de montagem; § Disponível nos diâmetros 75, 80 e 100 mm. 62 3.5.16 Filtro Volumétrico Segundo Martins e Nascimento (2006), O filtro volumétrico tem alto grau de eficiência, independentemente do volume que passa. O filtro elimina continuadamente as sujeiras é auto-limpante com grandes intervalos entre as revisões. O conjunto filtrante pode ser retirado facilmente para limpeza. O equipamento é constituído de PE e aço inox em peneira em aço inox com tela de 0,26m e altura de 47cm com desnível entre entrada e saída de 30cm e tem capacidade para processar a água de 2 x 100m² de telhado. • Funcionamento do filtro: 1) A água de chuva, ao chegar ao filtro é "freada" na represa superior, sendo então conduzida para descer nas cascatas, pelo princípio do super-represamento; 2) A limpeza preliminar se dá pelo princípio das cascatas. A sujeira mais grossa (folhas etc.) é desce pelas cascatas e vai direto para a galeria pluvial/de esgoto; 3) A água de chuva, já livre das impurezas maiores, passa então pela tela (malhas de 0,26mm) abaixo das cascatas. Devido ao desenho especial da tela ela conduz a sujeira fina por ela retida também para a canalização, i.e. ela é auto-limpante. Com isso se obtém intervalos grandes de manutenção; 4) A água limpa se encaminha para a cisterna; 5) A sujeira vai para a canalização pluvial ou de esgoto. 63 FIGURA 3.23: 3P Filtro Volumétrico FONTE: Martins e Nascimento (2006) 3.5.17 3P Sifão Ladrão Este equipamento tem os seguintes princípios de funcionamento: 1) Quando o nível no tanque/na cisterna aumenta, a água de chuva passa pelas entradas do tipo skimmer do sifão e é descartada na galeria pluvial ou no sistema de infiltração, se houver. Pequenas partículas, como pólen, eventualmente existentes na superfície da água, são, graças ao desenho das aberturas, aspiradas e eliminadas; 2) O volume d’água excedente é, junto com o pólen, descartado para fora do reservatório. Diâmetro da saída DN 100; 3) Selo hidráulico pelo efeito da sifonagem; 4) Proteção contra a invasão de roedores (sobretudo ratazanas!) pelo desenho estreito das saídas aspirantes. 64 O sifão retira impurezas da superfície da água, bloqueia cheiros da galeria pluvial e impede a entrada de roedores e outros animais. As figuras 3.24; 3.25; 3.26 e 3.27 apresentam as características deste sifão, bem como as opções de montagem. FIGURA 3.24: 3P Sifão Ladrão - Dado Técnicos FONTE: Martins e Nascimento (2006) FIGURA 3.25: 3P Quebra Pressão FONTE: Martins e Nascimento (2006) 65 FIGURA 3.26: 3P Quebra Pressão FONTE: Martins e Nascimento (2006) FIGURA 3.27: 3P Sifão Ladrão (Montagem) FONTE: Martins e Nascimento (2006) 3.5.18 Tratamento de Água de Chuva O tratamento da água pluvial depende da qualidade da água coletada e de seu uso final. A coleta de água para fins não potáveis não requer grandes cuidados de purificação, embora certo grau de filtragem, muitas vezes, seja necessário. Para 66 um tratamento simples, podem-se usar processos de sedimentação natural, filtração simples e cloração. Em caso de uso da água de chuva para consumo humano, é recomendado utilizar tratamentos mais complexos, como desinfecção por ultravioleta ou osmose reversa MAY & PRADO (2004) apud Marinoski (2007). Em seus estudos TORDO (2004), disse que o tratamento é uma forma de remover os poluentes e melhorar a qualidade da água de chuva, sob o aspecto microbiológico, para fins potáveis. Sendo que, Duas etapas podem ser levadas em conta no processo de tratamento da água de chuva: a filtração lenta e a desinfecção por radiação ultravioleta, com comprimento de onda de 254 nm. A filtração consiste na remoção das partículas suspensas e coloidais e de microorganismos presentes na água por sua passagem através de um meio poroso. Juntamente com essas partículas, a filtração remove também os microrganismos que a elas estiverem associados. Em geral, a filtração é a principal responsável pela produção de água com qualidade condizente com o Padrão de Potabilidade (Di Bernardo, 1993 apud Tordo 2004). Cipriano (2004) desenvolveu na FURB, um sistema piloto de tratamento e desinfecção da água de chuva. O filtro lento foi utilizado por apresentar as seguintes vantagens: § Operação simples; § Custo operacional baixo; § Boa eficiência na remoção de microorganismos patogênicos; § Boa eficiência para águas com baixa turbidez. A água coletada é conduzida para o reservatório (1) e segue para um filtro lento de areia (6), passando por um medidor de vazão (3). Após a passagem pelo filtro, a água é desinfetada por radiação ultravioleta, com comprimento de onda de 254 nm (9), apresentado na Figura 3.28. 67 FIGURA 3.28: Representação Esquemática da Instalação Piloto de Tratamento de Água de Chuva. FONTE: Tordo (2004) 3.6 ÁGUAS SUBTERRÂNEAS Segundo KETTELHUT, COIMBRA E AMORE (2001) a água subterrânea corresponde à parcela mais lenta do ciclo hidrológico e constitui nossa principal reserva de água, ocorrendo em volumes muito superiores ao disponível na superfície. As mesmas preenchem espaços formados entre os grânulos minerais e as fissuras das rochas que se denominam aqüíferos, onde é representado pala parcela da chuva que se infiltra no subsolo e migram continuamente em direção às nascentes, leitos de rios, lagos e oceanos. Os aqüíferos, ao reterem as águas das chuvas, e desempenham papel fundamental no controle das cheias, essas águas encontram proteção natural contra os agentes poluidores ou perdas por evaporação. A contaminação, quando ocorre, é muito mais lenta e os custos para recuperação podem ser proibitivos. 68 FIGURA 3.29: Volume de Água em Circulação na Terra. FONTE: Ministério do Meio Ambiente (2001). 3.6.1 Qualidade das Águas Subterrâneas Durante o percurso no qual a água percola entre os poros do subsolo e das rochas, ocorre à depuração da mesma através de uma série de processos físicoquímicos (troca iônica, decaimento radioativo, remoção de sólidos em suspensão, neutralização de pH em meio poroso, entre outros) e bacteriológicos (eliminação de microorganismos devido à ausência de nutrientes e oxigênio que os viabilizem) que agindo sobre a água, modificam as suas características adquiridas anteriormente, tornando-a particularmente mais adequada ao consumo humano SILVA (2003) apud UNIÁGUA (2008). Com isso, a composição química da água subterrânea é o resultado combinado da composição da água que adentra o solo e da evolução química influenciada diretamente pelas litologias atravessadas, sendo que o teor de substâncias dissolvidas nas águas subterrâneas vai aumentando à medida que prossegue no seu movimento SMA (2003) apud UNIÁGUA (2008). 69 As águas subterrâneas apresentam algumas propriedades que tornam o seu uso mais vantajoso em relação ao das águas dos rios: são filtradas e purificadas naturalmente através da percolação, determinando excelente qualidade e dispensando tratamentos prévios; não ocupam espaço em superfície; sofrem menor influência nas variações climáticas; são passíveis de extração perto do local de uso; possuem temperatura constante; têm maior quantidade de reservas; necessita de custos menores como fonte de água; as suas reservas e captações não ocupam área superficial; apresentam grande proteção contra agentes poluidores; o uso do recurso aumenta a reserva e melhora a qualidade; possibilitam a implantação de projetos de abastecimento à medida da necessidade WREGE (1997) apud UNIÁGUA (2008). 3.6.2 Aqüíferos Aqüífero é um grupo de formação geológica que pode armazenar água subterrânea, através dos seus poros ou fraturas. Podem ser utilizado pelo homem como fonte de água para consumo, se for rentável e não causarem impactos ambientais. Um aqüífero pode ter extensão de poucos quilômetros quadrados a milhares de quilômetros quadrados, pode também apresentar espessuras de poucos metros a centenas de metros REBOUÇAS et al, (2002) apud UNIÁGUA (2008). Os aqüíferos mais importantes do mundo, seja por extensão ou pela transnacionalidade, são: o Guarani - Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai (1,2 milhões de km2); o Arenito Núbia Líbia, Egito, Chade, Sudão (2 milhões de km2); o KalaharijKaroo -Namíbia, Bostwana, África do Sul (135 mil km2); o Digitalwaterway vechte - Alemanha, Holanda (7,5 mil km2); o SlovakKarst-Aggtelek -República Eslováquia e Hungria); o Praded - República Checa e Polônia (3,3 mil km2) (UNESCO, 2001); a Grande Bacia Artesiana (1,7 milhões km2) e a Bacia Murray (297 mil km2), ambos na Austrália. Em um recente levantamento, a UNECE da Europa constatou que existem mais de 100 aqüíferos transnacionais naquele continente ALMASSY e BUZAS, (1999) citado em UNESCO (2001) apud UNIÁGUA 2008). 70 FIGURA 3.30: Tipos de Aqüíferos FONTE: BOSCARDIN BORGHETTI et al. (2004), adaptado de IGM (2001) 3.6.3 Mananciais Subterrâneos Em estudos realizados por, KETTELHUT, COIMBRA E AMORE (2001) afirmaram que a água vem do subsolo, podendo aflorar ou ser elevado à superfície através de obras de captação (poços). As reservas de água subterrânea provêm de dois tipos de lençol d água ou aqüífero, apresentado na figura 3.30) • Aqüífero livre ou freático: É um reservatório de água subterrânea, oriumda da infiltração da água da chuva nos solos. Encontra-se de forma livre, com sua superfície sob a ação da pressão atmosférica. Em um poço perfurado nesse tipo de aqüífero, a água em seu interior terá o nível coincidente com o nível do lençol e a alimentação ocorre geralmente ao longo do próprio lençol. • Aqüífero confinado ou artesiano: É aquele cujas águas encontram-se confinadas entre duas camadas de solo impermeáveis e sujeitas a uma pressão maior que a pressão atmosférica. Em um 71 poço profundo que atinge esse lençol, a água subirá acima do seu nível, podendo atingir a boca do poço e produzir uma vazão continua, de forma jorrante. 3.6.4 Vantagens da Utilização das Águas Subterrâneas Em geral apresentam uma boa qualidade para o consumo humano, apesar de serem vulneráveis a contaminação. Sua obtenção ocorre de forma facilitada, embora nem sempre em quantidade suficiente. E finalmente sua localização também ocorre de forma facilitada, por ser encontrada em obras de captação nas proximidades das áreas de consumo. 72 ____________________________________________CAPÍTULO 4 4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Para atingir os objetivos propostos neste trabalho, iniciaram-se os trabalhos com levantamento de dados bibliográficos que levaram em consideração a literatura da área com trabalhos de abordagens das técnicas de construção de casa autosustentável, eficiência energética, energia solar, energia eólica, aproveitamento da água da chuva para uso não potáveis e conceitos de águas subterrâneas. Frisa-se que o projeto apresentado aqui foi adaptado do trabalho de Magno e Souza (2007) que desenvolveram um projeto arquitetônico para pequenas comunidades rurais, no caso a população atendida foi a do município de Benevides (PA), que além do projeto foram contemplados com a casa (construída parcialmente), através de iniciativa de professores e alunos do curso de engenharia civil da Universidade da Amazônia. Desta forma, este projeto acrescenta ao trabalho de Magno e Souza (2007) a redução do consumo de energia elétrica e água nas instalações de água fria. Assim, todo o dimensionamento apresentado neste trabalho teve como foco principal o município de Benevides (PA) (pelas razões aqui já descritas), particularmente, nos cálculos das placas solares e dos reservatórios de armazenamento de água de chuva onde foi necessário obter dados de insolação, umidade do ar e precipitações da região. 4.1 Localização de Benevides (PA) O Município de Benevides está localizado na região metropolitana de Belém, capital do Estado do Pará e possui uma extensão territorial geográfica de 176 Km². A sede do Município está localizada na Rodovia BR-316, sentido Belém/Brasília e têm as seguintes coordenadas geográficas, 01º 21”48’ S e 48º 14” 24’ W Gr. 73 A Figura 4.1 mostra com maiores detalhes a localização de Benevides, que ao Norte limita-se com o município de Santa Bárbara, ao sul com o rio Guamá, a oeste com os municípios de Marituba e Ananindeua e a leste com Santo Izabel do Pará. O município de Benevides possui uma área de aproximadamente 188 Km². FIGURA 4.1: Localização Geográfica do município em relação ao Estado do Pará FONTE: Secretária de Estado e de Planejamento (2007). 74 FIGURA 4.2: Limites Município de Benevides FONTE: Cunha e Oliveira 4.2 DADOS CLIMATOLÓGICOS A segunda etapa deste trabalho foi baseada no estudo de dados climatológicos obtidos na EMBRAPA-PA (Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuária – Amazônia Oriental), como dados de chuva, umidade do ar e insolação diária. Com estes dados verificou-se os índices pluviométricos da região e os períodos do ano com maior quantidade de chuva para verificar se a quantidade de chuva precipitada é suficiente para atender o volume de água necessário ao vaso sanitário. Os dados de umidade do ar são uma informação adicional no dimensionamento e estão em consonância com a precipitação. Os dados de insolação serão úteis na definição dos painéis solares e indicam os dias com maior incidência de raios solares. 75 O Município de Benevides (PA) possui um clima megatérmico único, com temperatura elevada durante todo o ano com média de 26º C e pequena amplitude térmica, como em toda região nordeste do Pará. Os meses mais quente são os de setembro a dezembro, sendo,que nessa época, a média das máximas vai a acima de 32º C. Com regime pluviométrico elevado, chega a ultrapassar, normalmente, os 3000 mm/ ano. As chuvas não se distribuem igualmente por todo o ano e apresenta maior incidência de dezembro a maio, enquanto o período mais quente coincide com o menos chuvoso (junho a novembro). A umidade relativa do ar gira em torno de 85%. O gráfico da figura 4.1 apresenta as médias mensais da chuva na região metropolitana de Belém, região próxima à cidade de Benevides e que mostra tendência de chuva na região. A Tabela 4.1 representa a precipitação o corrida na região nos últimos 11 anos. TABELA 4.1: Dados da média mensal de Precipitação DADOS DE PRECIPITAÇÃO 1989 A 1999 ANO 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 JAN 365,7 239,3 415,7 425,7 428 368,2 342,4 394,1 345,8 435,2 236,5 FEV 508 383,9 455,8 710,8 357,5 424,5 386,9 345,6 342,9 342,6 348,9 MAR 353 269,8 470,1 429,5 418,8 485,1 418,9 592,1 508,7 368,6 379 ABR 515 350,3 307,2 183,5 318,3 427,4 435,2 379,8 491,6 497 367,5 MAI 439,2 163,2 275,3 404,7 226,8 357 473,8 260,8 271,6 185,6 363,1 JUN 302,8 136,1 161,9 118,9 127,1 236,6 162,6 309,2 61 186,7 131,1 JUL 240,5 202,1 30,4 170,4 156,3 99,5 187,6 142,1 76 111,8 54,4 AGO 123,6 235,3 54 84,7 254,4 140,8 59,5 185,2 105 133,6 87,7 SET 271,5 106,7 28 121,2 110,9 136,5 105 132,8 28,1 106,4 135,1 OUT 265,8 124,7 157,3 44,2 168,2 119,2 147,4 113,6 6,9 85,2 94 NOV 89,9 136 37,8 68,5 286,5 168,1 228 144,6 94,3 183,3 61,2 DEZ 414,9 181,5 119,8 111,9 285,5 330,2 337,4 161,3 244 272,4 359,8 MÉDIA ANO 324,16 210,74 209,44 239,50 261,53 274,43 273,73 263,43 214,66 PP(mm) ANO 3889,9 2528,9 2513,3 FONTE: 2874 3138,3 3293,1 3284,7 3161,2 2575,9 242,37 218,19 2908,4 2618,3 autor (2008). O gráfico 4.1 mostra a média das precipitações ocorrida na região nos anos de 1989 a 1999, nos meses de janeiro a dezembro. Podemos observar no gráfico que nos meses de janeiro a junho temos uma grande intensidade de chuva na região, e nos meses de julho a dezembro temos uma queda considerável, onde podemos 76 considerar um período de estiagem, o gráfico 4.1 também mostra que no mês de março foi apresentado o índice mais alto de precipitação enquanto no mês de Média mensal de precipitação (mm) setembro obteve-se um baixo índice de precipitação. 450,0 400,0 350,0 300,0 250,0 200,0 150,0 100,0 50,0 0,0 JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ Período: 1989 - 1999 GRÁFICO 4.1: Precipitação de 1989 a 1999. Umidade Relativa do Ar A tabela 4.2 abaixo mostra a umidade relativa do ar no período de 1989 a 1999. TABELA 4.2: Tabela com a média mensal da Umidade Relativa do Ar TABELA DE UMIDADE DO AR 1989 A 1999 ANO 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 JAN 88 86 90 85 26,1 88,2 88 88 89 88 87 FEV 90 90 89 90 89 89,8 89 89 86 86 90 MAR 89 88 90 90 90 90 88 89 89 89 91 ABR 91 87 90 88 90 89 90 89 89 88 89 MAI 88 84 86 82 85 87,6 89 87 84 84 88 JUN 85 83 83 82 82 83,1 81 81 76 83 82 JUL 83 83 79 82 83 81,9 81 81 79 84 82 AGO 80 82 79 81 83 81,8 78 82 83 82 82 SET 82 80 77 80 81 80,9 78 81 77 83 84 OUT 82 79 81 77 83 81,1 78 79 75 82 82 NOV 80 82 77 77 84 82 81 79 83 81 DEZ 86 84 78 78 85 83,4 84 84 83 85 84 MÉDIA ANO 85,33 84,00 83,25 82,67 80,09 85,16 83,83 84,25 82,42 84,75 85,17 UR % ANO 1024 1008 999 992 961,1 936,8 1006 1011 989 1017 1022 Fonte: Embrapa-Pa 77 O gráfico 4.2 mostra a média das unidades relativas do ar ocorrida na região nos anos de 1989 a 1999, nos meses de janeiro a dezembro. Podemos observar no gráfico que nos meses de janeiro a junho temos uma grande intensidade de chuva na região, com isso uma alta umidade, nos meses de julho a dezembro temos uma baixa em relação da umidade do ar no gráfico 4.2 nota-se que no mês de D EZ V NO T O U ET S JU L A G O JU N AI M AB R R A M FE V 92,0 90,0 88,0 86,0 84,0 82,0 80,0 78,0 76,0 74,0 JA N Média mensal da umidade relativa do ar (%) outubro obteve-se um baixo percentual de umidade relativa do ar. Período: 1989-1999 GRÁFICO 4.2: Umidade Relativa do Ar de 1989 a 1999. Insolação Na tabela 4.3 mostra os valores de insolação da região. 78 TABELA 4.3: Tabela da média mensal da Insolação. ANO 1989 1990 JAN 154,8 188,4 FEV 91,8 72,5 MAR 113,4 116,4 ABR 92,8 183,9 MAI 169,9 235,4 JUN 219,1 255,9 JUL 249,4 256,1 AGO 260,3 262,1 SET 249,1 256,3 OUT 238,3 250,5 NOV 212,2 203,6 DEZ 140,9 183,1 MÉDIA ANO 182,67 205,35 Bs(h) ANO 2192 2464,2 FONTE: Embrapa-Pa TABELA DE INSOLAÇÃO 1989 A 1999 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 98,5 135,4 107,3 119,5 137,2 153,3 105,5 122 142,9 119,2 118,4 80,8 108,5 73,7 141,5 149,9 169,1 111,2 80,3 91,4 107,3 106 118,7 96 124,9 111,8 130,3 149 165,3 142,3 134,9 91,9 116,4 142,2 187,5 153,4 178,2 241,3 209,6 159 154,9 170,2 222,1 216,7 142,6 227,5 261,9 246,1 250,9 240,9 247,3 268,3 236 213,5 233,6 265,5 231 248,4 273,7 248,1 281 230,3 257,9 229,7 266,4 256,1 269,7 294,9 271,1 251,8 264,2 255,3 225,6 251,4 257,4 231,7 271,1 252,2 250 245,9 243,4 211 255,6 242,7 240,5 268,3 265,4 251,2 251 250 211,7 227,4 190,7 0 209,9 209,3 208 192,6 233,2 184,5 201,7 168,6 189 195,7 205,1 187,9 191,3 173,7 179,07 206,81 186,66 171,51 194,24 197,99 203,57 201,53 192,28 2148,8 2481,7 2239,9 2058,1 2330,9 2375,9 2442,8 2418,4 2307,4 O gráfico 4.3 mostra a média das insolações ocorrida na região nos anos de 1989 a 1999, nos meses de janeiro a dezembro. Podemos observar no gráfico que nos meses de janeiro a junho é mais baixa em relação ao período de julho a dezembro devido a ocorrência da chuva, mostrando o mês de junho com maior índice Media Mensal de Insolação de insolação . 300,0 250,0 200,0 150,0 100,0 50,0 0,0 JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ Periodo 1989-1999 GRÁFICO 4.3: Umidade Relativa do Ar de 1989 a 1999. 79 4.3 O PROJETO DA CASA AUTO-SUSTENTÁVEL Na terceira etapa foi desenvolvido o projeto arquitetônico com as alterações necessárias, para que fosse implantado o sistema de coleta de água de chuva e o sistema de bombeamento de água de poço, com o uso de placas solares. No que diz respeito à concepção do projeto de coleta de água de chuva, vendo sua viabilidade na região através dos valores de precipitação, foi pesquisado quais tecnologias existentes na aplicação do sistema. Posteriormente foi desenvolvido um projeto onde é mostrado toda parte de coleta feita pelo telhado da residência com passagem da água pela calha de captação em seguida por um componente que fará o descarte das primeiras águas, em seguida a mesma vai ser armazenada em uma caixa d’água e ficará disponível para uso do vaso sanitário. 4.3.1 Painéis Solares Na quarta etapa foram desenvolvidos métodos que mostram a aplicação da energia solar através da utilização das células fotovoltaicas onde o dimensionamento do sistema fotovoltaico se torna simples quando se conhece a voltagem e os pontos de consumo. Para a escolha do painel do solar (figura 4.3) deve-se encontrar a capacidade de geração de energia em Ah (Ampérie.hora), que é conseguido através do resultado da potência dividida pela tensão do sistema, onde o resultado será dividido novamente pelo tempo médio de insolação. 80 FIGURA 4.3: Placa Solar KC 85 T FONTE: Solar Brasil (2008) A tabela 4.4 exemplifica as características elétricas de um painel solar. TABELA 4.4: Tabela com as especificações das placas solares. CARACTERÍSTICAS ELÉTRICAS Potência Nominal = Watt pico Tolerância Potência (Watt por dia) Corrente (Amper por dia) Corrente Nominal (Amper) Corrente Curto- Circuito (Amper) Tensão Nominal (Volts) Tensão de Circuito Aberto (Volts) DIMENSÕES: Peso (Kg) Altura (mm) Largura (mm) Espessura (mm) KS 5 T 5 KS 10 T 10 +10%/ - +10%/ 5% 5% 25 50 1,45 2,90 0,29 0,58 KS 20 T 20 KC 40 T KC 50 T KC 65 T KC 85 T KC 130 TM 43 54 65 87 130 +10%/ 5% 100 5,80 1,16 +15%/- +15%/- +10%/ - +10%/ - +10%/ 5% 5% 5% 5% 5% 215 270 325 435 650 12,40 15,55 18,75 25,10 36,95 2,48 3,11 3,75 5,02 7,39 0,31 0,62 1,24 2,65 3,31 3,99 5,34 8,02 17,40 21,70 16,40 21,70 17,40 21,70 17,40 21,70 17,40 21,70 17,40 21,70 17,40 21,70 17,60 21,90 1,50 206 352 22 1,80 305 352 22 2,90 540 380 22 4,50 526 652 54 5,00 639 652 54 6,00 751 652 54 8,30 1007 652 58 11,90 1425 652 58 FONTE: Solar Brasil (2008). 81 4.4 DIMENSIONAMENTO DA INSTALAÇÃO DE ÁGUA FRIA Nesta etapa, dimensionou-se um sistema de coleta de água de chuva por meio de telhados, calhas e condutores que conduziriam a água coletada a um reservatório de 1.000 Litros instalados sob o telhado da casa. Os cálculos levaram em consideração os índices pluviométricos locais que foram os do município de Belém por inexistência de dados de chuva na região de Benevides. Um sistema de recalque também foi dimensionado para a casa autosustentável, no qual é composto de uma bomba (submersa) que succionará a água de um poço até uma caixa d´água de 1000 Litros externa a casa e colocada em uma torre. A bomba é movida a energia fornecida pelos painéis solares. Não foram encontradas bombas centrífugas ou injetoras no mercado que tivessem como fonte de energia a solar, somente movidas a motores de combustão e energia elétrica. No entanto, foi dimensionada também uma bomba injetora que usa a energia elétrica de concessionárias para avaliação de custos (Figura 4.4). FIGURA 4.4: Instalação de Recalque que usa bomba injetora FONTE: www.geocities.com Dez. 2008. 82 ________________________________________CAPÍTULO 5 5 RESULTADOS 5.1 PLANTA BAIXA DA CASA AUTO-SUSTENTÁVEL O projeto da casa auto-sustentável aqui apresentado foi adaptado do projeto desenvolvido por Magno e Souza (2007) e modificado na estrutura do telhado para que fosse possível instalar o reservatório de 1000 Litros sob o telhado, como pode ser observado na planta baixa e nos detalhes do corte a água de chuva é coletada pelo telhado e direcionada pelas calhas e condutores ao reservatório para abastecer somente a caixa de descarga do vaso sanitário. No entanto, apesar de a região ser bastante abundante de chuvas, podem existir períodos atípicos que venham a reduzir ou não ter chuvas, prejudicando dessa forma o abastecimento do vaso sanitário. Assim, foi direcionada ao reservatório uma ligação direta com o reservatório externo que atende toda a edificação com a água de poço. Vale lembrar que antes de ser usada a água de poço é necessário realizar todos os exames físicos-químicos-bacteriológicos e verificar se estão dentro dos parâmetros de potabilidade estabelecidos com a Portaria nº 518/04 do Ministério da Saúde, se não atenderem é necessário a construção de um micro-sistema de tratamento de água para torná-la potável. Como pode ser observado no detalhamento (corte) a casa deverá ser suprida por água bombeada de um poço escavado no local com diâmetro mínimo de 6 polegadas e escavado com 30 metros de profundidade. O detalhe apresenta uma bomba injetora succionando água até o reservatório externo também de 1000 Litros e seu dimensionamento foi obtido para efeito de comparação entre os custos de bombeamento com energia elétrica (injetora) e a que usa a energia solar (bomba submersa). Os detalhes da bomba submersa bem como dos painéis solares são mostrados no esquema da Figura 5.3. 83 FIGURA 5.1: Planta baixa da casa auto-sustentável FONTE: Adaptado de Magno e Souza (2007) 84 85 CAIXA D'AGUA 1000 LITROS calha para coleta de água saída da cisterna(fechada c/ uma válvula) cisterna para coleta das primeiras águas, com fechamento atraves de bóia CAIXA D'AGUA 1000 LITROS entrada da caixa d'agua segue para o sanitário Registro de Gaveta Aberto Registro de Gaveta Aberto Válvula de Retenção entrada externa de água FIGURA 5.2: Detalhes da instalação de água fria mostrando as modificações necessárias para instalação dos reservatórios. poço artesiano 86 FIGURA 5.3: Esquematização da instalação da bomba submersa e dos painéis solares. 5.2 DIMENSIONAMENTO DO SISTEMA DE CAPTAÇÃO DE ÁGUA DE CHUVA No dimensionamento das instalações de água fria da casa auto-sustentável foi considerado para efeito de cálculo 5 habitantes com consumo percapita de 120 L/hab.dia. A tabela 5.1 discrimina a quantidade de habitantes por dependência. TABELA 5.1: Descrição da Edificação Ambiente Quarto Sala Banheiro Área de lavagem Quantidade 2 1 1 1 FONTE: Criação do Autor – 2008 Segundo Vickers (2001), o consumo do vaso sanitário é considerado como em torno de 20% do consumo diário, logo, tem-se o seguinte: 1) Consumo diário = 120 x5 = 600 L / dia. 2) Consumo do vaso sanitário 20% do consumo= 600 x 20% = 120 L / dia. A tabela 5.2 apresenta uma estimativa do consumo diário, mensal, anual e em seis meses. Este período de seis meses (dezembro a maio) é o mais chuvoso durante o ano, conforme dados climatológicos apresentados na tabela 4.1 e, portanto o mais passível de aproveitamento. 87 TABELA 5.2: Descrição de Consumo CONSUMO 20% C.D VASO SANITÁRIO TABELA DE CONSUMO C. DIÁRIO C. MENSAL 120 3600 C. ANUAL 43.200 6 MESES 21.600 Para o calculo do volume de água coletada pelo telhado foi considerado uma área de 67 m² de projeção, um precipitação de 0,347m. Dados esses obtido pela média das precipitações de janeiro a junho de 1989 a 1999 da Tabela 3.14 Também foi considerado um coeficiente de runoff de 0,8. Média mensal anual = 347,33mm. Q = 0,347 x67 x0,8 Q = 18,61m³ / ano. Uma caixa de vaso sanitário tem um volume comercial de 6 litros, logo: 6 x5hab / dia = 30 L / hab.dia Considerando, ao mês: 30 x30 = 900 L / hab.mês E no período de 6 meses: 900 x 6 = 5.400 m ³ / ano. Na verificação do volume de água coletado pelo telhado e o consumo do vaso sanitário, temos o seguinte: 88 18,61m³ / ano f 5,4m³ / ano Que demonstraram que o consumo de água coletado da chuva é suficiente para o abastecimento da descarga do vaso sanitário. 5.3 DIMENSIONAMENTO DE BOMBA INJETORA Para o projeto em estudo foi dimensionado uma bomba injetora. O modelo esquemático abaixo mostra um projeto utilizando bomba injetora e os parâmetros a serem considerados para o cálculo da altura manométrica, que para esse caso específico considera-se a altura manométrica de recalque apenas. O número e tipo de conexões são variáveis, na prática, para cada situação específica. Calculo da vazão: Q= 5 x120 = 0,3 m 3 / h 2h QB = 0,3(m 3 / h) / 3600s = 8,33x10 −5 m 3 / s Diâmetro de Recalque DR = 1.3 x 8,33 x10 −5 x 4 2 24 DR = 6,37mm = 1 / 2" Ds = 20mm = 3 / 4" (8,33 X 10 −5 )1, 75 hf R = 0,0008695 X (0,013) 4 , 75 hf R = 0,5115m H MAN = 6,60 + 0,5115 + 14 = 21,1m 89 Potência de Bomba Pot = 1000.Q.H MAN 75.η 1000.8,33.10 −5.21,1 = 0,75 CV 75.053 ou 3 / 4 de CV Pot = De acordo com os valores de altura manométrica, vazão e potência o modelo de bomba sugerido para as especificações indicadas é a Bomba (SCHENEIDER MBI- 1I 1-25) A bomba foi especificada para o projeto com base na tabela encontrada no em anexo 2, levando em consideração o calculo da vazão (Q), e a profundidade (m). 5.4 CALCULO DO SISTEMA FOTOVOLTAICO PARA BOMBEAMENTO DE ÁGUA DE POÇO Para o dimensionamento da bomba e das placas solares foi levada em consideração a vazão (Q) e a profundidade do poço (m). Dados esses calculado anteriormente no dimensionamento da bomba injetora. Especificação da Bomba Corrente máxima de 4,1 A Alimentação 24 Vdc Dados obtido no anexo 02, tabela especificada pelo fabricante. 90 Calculo de potência é obtida pela formula: Vol (v) é usado para medir tensões. Ampère (A) é usado para medir corrente. Watt (w) é usado para medir a potência é o resultado da multiplicação da tensão pela corrente. W = VxA W = 4,1x 24 W = 98,4Wh Painel solar usado no sistema será o modelo SQ80 ou SQ160. Levantamento de custo de implantação do sistema Convencional x Fotovoltaico. A tabela 5.3 mostra os valores de custo do sistema de bombas convencional, desde a construção do poço artesiano, mão de obra e material. 91 TABELA 5.3: Descrição do Custo do sistema convencional. CUSTO DE MATERIAL E MÃO DE OBRA DE IMPLANTAÇÃO DO SISTEMA CONVENCIONAL Valor ITENS DESCRIÇÃO Unid. Quantidade Unitário Valor Total 1 MÃO DE OBRA ELÉTRECISTA VB 1 150 2 MÃO DE OBRA ENCANADOR VB 1 250 TOTAL 400 MAO DE OBRA PARA EXECUÇÃO DO POÇO 1 MÃO DE OBRA DO FURO PILOTO mts 30,00 R$ 45,00 R$ 1.350,00 2 ALARGAMENTO DO FURO 6" PARA 12".14 mts 30,00 R$ 20,00 R$ 600,00 3 FILTRO GEOTÉCNICO DE 75 mm mts 30 R$ 50,00 R$ 1.500,00 R$ 3 BOMBA INJETORA SCHNEIDER MB-1I1-25 UN. 1 R$ 330,00 330,00 TOTAL R$ 3.780,00 MATERIAL HIDRAÚLICO 1 CURVA DE 90º DE 20 mm UN. 1 R$ 3,30 R$ 3,30 TUBO PVC DE 20 mm UN. 8 R$ 22,00 R$ 176,00 VALVULA DE RETENÇÃO LEVE VERTICAL 13 2 UN. 1 R$ 35,00 R$ 35,00 mm 3 TUBO PVC DE 13 mm UN. 8 R$ 25,00 R$ 200,00 4 REGISTRO DE GAVETA 13 mm UN. 2 R$ 30,00 R$ 60,00 R$ 5 CAIXA D'ÁGUA DE 1000L UN. 1 R$ 211,90 211,90 6 VALVULA DE PÉ E CRIVO 20 mm UN. 1 R$ 26,00 R$ 26,00 7 TÊ DE 13 mm UN. 4 R$ 1,30 R$ 5,20 TOTAL R$ 717,40 TOTAL GERAL R$ 4.897,40 FONTE: Autor O levantamento de custos do sistema fotovoltaico são apresentados na tabela 5.4 na qual estão inseridos somente os custos de materiais de instalação. Não estão relacionados os custos de mão-de-obra e outros serviços. 92 TABELA 5.4: Descrição do Custo do sistema fotovoltaico. CUSTO DE MATERIAL E MÃO DE OBRA DE IMPLANTAÇÃO DO BOMBEAMENTO COM SISTEMA FOTOVOLTAICO Valor ITENS DESCRIÇÃO Unid. Quantidade Valor Total Unitário 1 MÃO DE OBRA ELÉTRECISTA VB 1 400 2 MÃO DE OBRA ENCANADOR VB 1 250 TOTAL 650 MAO DE OBRA PARA EXECUÇÃO DO POÇO 1 MÃO DE OBRA DO FURO PILOTO mts 30,00 R$ 45,00 R$ 1.350,00 2 ALARGAMENTO DO FURO 6" PARA 12".14 mts 30,00 R$ 20,00 R$ 600,00 3 FILTRO GEOTÉCNICO DE 75 mm mts 30 R$ 50,00 R$ 1.500,00 TOTAL R$ 3.450,00 MATERIAL HIDRAÚLICO 1 CURVA DE 90º DE 20 mm UN. 1 R$ 3,30 R$ 3,30 2 TUBO PVC DE 20 mm UN. 8 R$ 22,00 R$ 176,00 VALVULA DE RETENÇÃO LEVE VERTICAL 3 UN. 1 R$ 35,00 R$ 35,00 13 mm 4 TUBO PVC DE 13 mm UN. 8 R$ 25,00 R$ 200,00 5 REGISTRO DE GAVETA 13 mm UN. 2 R$ 30,00 R$ 60,00 6 CAIXA D'ÁGUA DE 1000L UN. 1 R$ 211,90 R$ 211,90 7 VALVULA DE PÉ E CRIVO 20 mm UN. 1 R$ 26,00 R$ 26,00 8 TÊ DE 13 mm UN. 4 R$ 1,30 R$ 5,20 TOTAL R$ 712,20 SISTEMA FOTOVOLTAICO R$ 2.700,00 R$ 1.350,00 1 PLACAS SOLARES KS 85 UN. 2 R$ 2.600,00 R$ 2.600,00 2 BOMBAS SHURFLO 9325 24V UN. 1 R$ 5.300,00 TOTAL TOTAL GERAL FONTE: R$ 10.112,20 Autor 5.5 CONSUMO DE ENERGIA DO SISTEMA CONVENCIONAL X FOTOVOLTAICO Bomba injetora O consumo de energia gasto para o funcionamento da bomba durante duas horas dia: Potência da Bomba= 3/4 Cv = 0,567 kw. Energia: Energia = Potência x Tempo 93 Energia= 0,567 Kwx 2h = 1,134 Kwh (consumo da bomba dia) Consumo Anual: Ca = 1,134 x365(dias ) = 413,91Kwh(ano) Preço gasto com concessionária: Preço = 413,91x0,69 = R$285,59 Reais ano Consumo de energia gasto com sistema fotovoltaico, caso fosse pago para concessionária: W = corrente x tensão W = 4,1x 24 W = 98,4Wh Tensão em Kwh: 98,4 = 0,0984 KwhX 2h = 0,1968 Kwh (consumo da bomba dia) 1000 Consumo Anual: Ca = 0,1968 KwhX 365(dias ) = 70,06 Kwh Preço gasto caso fosse pagar para concessionária: 94 Pr eço = 70,06 KwhX 0,69 = R$48,34 Re ais _ ano 5.6 COMPARAÇÃO DE CUSTO Comparando os custos iniciais podemos ver a diferença de preço existente entre os dois sistemas, em percentagem chegando a 52,15%, onde mostra o gráfico 5.1. Comparação de Valores em R$ R$ 12.000,00 R$ 10.000,00 R$ 8.000,00 R$ 10.112,20 R$ 6.000,00 R$ 4.000,00 Convencional Fotovoltaico R$ 4.897,40 R$ 2.000,00 R$ 0,00 1 GRÁFICO 5.1: Comparação do custo de instalação de bombas convencional x fotovoltaico para um ano. O gráfico 5.1 mostra que o custo inicial do sistema de bomas no modelo convencional é mais viável economicamente comparado ao do modelo fotovoltaico. Para o custo de energia, o gráfico 5.2 mostra a diferença de preço entre os sistemas, onde foi verificado em percentagem uma diferença de 490%, portanto a bomba fotovoltaica se torna mais viável economicamente. 95 Comparação de Custo de Energia em R$ R$ 300,00 R$ 250,00 R$ 200,00 Bomba Injetora R$ 285,59 Bomba Fotovoltaica R$ 150,00 R$ 100,00 R$ 48,37 R$ 50,00 R$ 0,00 1 GRÁFICO 5.2: Comparação do custo de energia de bombas convencional x fotovoltaico em um ano. 5.7 Comparação de custo de implantação do sistema convencional e fotovoltaico x tempo. O custo que vão ser analisados abaixo leva em consideração a vida útil dos painéis solares especificado pelo fabricante que é de 20 anos. Também será comparado o valor gasto com o uso de bombas com sistema convencional com o uso de energia fornecido por concessionária. Custo do sistema convencional: Valor de implantação (Vi): R$ 4.897,40 Reais, valor fornecido pela tabela 5.3 Consumo de energia (Ce): R$ 285,59 Reais ano. Custo de energia para 20 anos. Ce = 285,59 x 20 = R$5,711.80(reais ) Custo total: Ct = Vi + Ce Ct = 4,897,40 + 5,711.80 = R$10,609.20 O preço de energia utilizado para o calculo foi do período 06/12/2008, não foi levado em consideração os reajustes de imposto. 96 Custo com sistema fotovoltaico: Valor de implantação (Vi): R$ 10,112,20 Reais, valor fornecido pela tabela 5.4 Consumo de energia (Ce): R$ 48,34 Reais ano. Custo de energia para 20 anos. Ce = 48 x 20 = R$960,00(reais ) Custo total: Ct = Vi + Ce Ct = 10,112.20 + 900,00 = R$11,012,20 Na comparação feita com o custo de implantação do sistema convencional, com a energia elétrica que seria gasta ao longo de 20 anos, mostrou que o sistema fotovoltaico terá um custo mais alto em torno de R$ 403,00 (quatrocentos e três reais) mais caro. Ressalta-se que o valor calculado para mão-de-obra e manutenção não foi previsto as alterações com valores de imposto ao longo desse período. 97 ______________________________________________CONCLUSÃO 6. CONCLUSÃO As conclusões deste trabalho a partir dos objetivos inicialmente propostos são as seguintes: § Os dados climatológicos como os de chuva, umidade do ar e insolação de Belém obtidos junto a Embrapa/Pa forneceram um panorama das alturas pluviométricas, e permitem a concepção do projeto, particularmente, no dimensionamento do sistema para utilização na descarga do vaso sanitário e na avaliação da radiação solar; § A planta baixa foi modificada para atender os objetivos deste trabalho quanto à coleta de água de chuva e localização dos painéis solares, reservatórios e poços e pode ser considerada satisfatória quanto a sua eficiência; § O dimensionamento do sistema de coleta e armazenamento de água de chuva seguiu o proposto por Tordo (2004) e é considerado também satisfatório principalmente com o sistema de descarte que despreza os primeiros minutos de chuva; § O projeto apresenta dois sistemas de bombeamento, um pelo método convencional (bomba injetora) e outro que usa o aproveitamento da energia do sol como fonte de energia (bomba submersa) e foram dimensionados para que houvesse critério de escolha entre um sistema e outro. O sistema fotovoltaico mostrouse oneroso no inicio da implantação do projeto, mas, vantajoso ao longo do tempo; § O reservatório de coleta de água de chuva foi projetado para prevê também a falta de chuva, sendo suprido em épocas de escassez pela água do reservatório externo (água de poço); 98 § A dificuldade maior encontrada no projeto é a de determinar a vazão do poço que abastecerá o reservatório externo, mas, que pode ser encontrada através de testes de capacidade do poço. Uma análise da qualidade da água do poço é necessária, visto que as áreas urbanas tem os lençóis d´água contaminados, o mesmo deve ser verificado em áreas rurais, caso o projeto seja implantado nessas áreas. 99 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS § AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA – ANEEL. Aplicações de Energia Solar. Disponível em < www.aneel.gov.br > Acesso em 05 Mar. 2008. § BOTELHO, Manuel Henrique Campos. Águas de Chuva: Engenharia de Águas Pluviais nas Cidades. São Paulo: Edgard Blücher, 1985. § CASA AUTONÔMA. 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