FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO E NEGÓCIOS DE
SERGIPE- FANESE
MATHEUS BRITO MEIRA
GUIA DE ESTUDOS
Aracaju
2014
REFLEXÕES SOBRE A DIDÁTICA DO ENSINO SUPERIOR 1
Matheus Brito Meira2
Precipuamente, devemos tentar conceituar o que seria Didática, que para nós nada
mais é do que a arte de ensinar sendo que a mesma está relacionada aos métodos de ensinoaprendizagem, bem como com as técnicas de sua exposição.
Após estas considerações procederemos a uma breve análise evolutiva que nos foi
apresentada no módulo referente à didática do ensino superior, no curso de pós-graduação em
Direito Tributário.
A Didática surgiu graças à ação de Ratiouio (1571-1635) e Jan Amos Comenius
(1592-1670), que atuaram em países nos quais se havia instalado a Reforma Protestante.
Comenius descreveu a didática como sendo a “arte de ensinar tudo a todos”.
No Brasil tivemos a figura dos padres jesuítas como sendo os principais
educadores de quase todo o período colonial, atuando de 1549 a 1759, sendo cediço que a
sociedade de então era de economia agrário-exportadora, explorada pela Metrópole, logo, a
educação não era considerada como um valor social dos mais importantes.
Dessa forma, não se poderia pensar em uma prática pedagógica e muito menos em
uma Didática que buscasse uma perspectiva transformadora na educação.
Após os jesuítas, não surgiram no país grandes movimentos pedagógicos, como
também são poucas as mudanças sofridas pela sociedade colonial e durante o Império e a
República, como é possível se observar da leitura do livro 1822 do escritor e jornalista
Laurentino Gomes.
O professor Júlio Moreira dos Santos Neto, em seu artigo intitulado “A Eficácia
da Didática do Ensino Superior” (http://meuartigo.brasilescola.com/educacao/a-eficaciadidatica-ensino-superior.htm), nos ensina:
A partir do final do século XIX, a Didática passou a buscar fundamentos
também nas ciências, especialmente na Biologia e na Psicologia, graças às
pesquisas experimentais. No início do século XX, surgem os movimentos de
reforma escolar tanto na Europa quanto na América. Por conseguinte, esses
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Produção textual apresentada aos alunos da disciplina de Direito Tributário.
Advogado. Procurador do Município de Aracaju/SE. Especialista em Direito do Estado/UFBA e em Direito
Tributário/FIJ. Professor universitário.
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movimentos reconheciam a insuficiência da didática tradicional e aspiravam
a uma educação que levasse em conta os aspectos psicológicos envolvidos
no processo de ensino. Essas tendências pedagógicas são denominadas de
Pedagogia da “Escola Nova”. Esses movimentos surgiram dentro de um
contexto histórico-social que teve como foco principal o processo de
industrialização, com a burguesia reafirmando a supremacia de sua classe e
difundindo suas idéias liberais.
A Escola Nova tinha a pretensão de ser um movimento de renovação
pedagógica, e fundamentalmente técnico, que buscava a aplicação educativa
de conhecimentos derivados das ciências do comportamento. No entanto, a
partir do século XX á didática passou a seguir os princípios da Escola Nova.
Nessa perspectiva, passou-se a valorizar os princípios de atividade, liberdade
e individualização. Exclui-se a visão de que a criança era um adulto em
miniatura, acreditando nela como um ser capaz de se adaptar a cada uma das
fases de sua evolução. A idéia basilar da Escola Nova é de que o aluno
aprende melhor por si próprio. A preocupação com as diferenças individuais
e a utilização do lúdico educativo passaram, portanto, a ter maior destaque.
Nesse momento a Escola Nova passou a considerar o aluno como sujeito da
aprendizagem. O professor ficaria incumbido de colocar o aluno em
situações de mobilização global de suas atividades, possibilitando a
manifestação de atividades verbais, escritas, plásticas, ou de qualquer outro
tipo. O centro da atividade escolar não seria, no entanto, nem o educador
nem a matéria, mas o aluno ativo e investigador. Ao professor caberia
essencialmente incentivar, orientar e organizar as situações de
aprendizagem, adequando-as às capacidades e as características individuais
dos alunos.
No Brasil, os conceitos da Escola Nova foram conhecidos na década de 1920
e com muito prestígio após a Revolução de 1930, graças ao trabalho de
educadores como Fernando de Azevedo, Anísio Teixeira e Lourenço Filho.
Estes conceitos, portanto, receberam enumeras criticas, principalmente de
educadores clássicos. A Escola Nova foi acusada de não exigir nada dos
alunos, de abrir mão dos conteúdos tradicionais e de acreditar ingenuamente
em sua espontaneidade. Mesmo com as mudanças entrelaçadas da
Revolução de 1930, não foram suficientes para abalar significativamente o
conservadorismo das elites brasileiras. A Escola Nova não conseguiu
modificar de maneira significativa os métodos utilizados nas escolas
brasileiras.
Do início da década de 1950 a 1970 o ensino da Didática privilegiou
métodos e técnicas de ensino com vistas a garantir a eficiência da
aprendizagem dos alunos e a defesa de sua neutralidade científica. O
tecnicismo passa a assumir um posicionamento fundamental da educação e
principalmente no ensino da didática. A didática passou a salientar a
elaboração de planos de ensino, a formulação de objetivos, a seleção de
conteúdos, as técnicas de exposição e de condução de trabalhos em grupo e a
utilização de tecnologias a serviço das atividades educativas. A didática
passa a ser vista como um conjunto de estratégicas para o alcance da
obtenção da educação, confundindo-se com a metodologia do ensino. Seus
propósitos eram, entretanto, os de fornecerem ajudas metodológicas aos
educadores para ensinar bem, sem se perguntar a serviço do que e a quem
ensina.
Após essa análise de cunho histórico devemos tecer considerações sobre o que
seria um bom professor, que para os estudiosos do tema seria o indivíduo que domina o
conteúdo, possui formas adequadas de apresentar a matéria e tem bom relacionamento com os
discentes.
Para Júlio Moreira dos Santos Neto:
O que mais se considera importante é o conhecimento de que
professor dispõe, em relação à matéria que ensina. Nesse sentido, o
educador que conhece bem os conteúdos da disciplina que ministra,
demonstra muito mais segurança ao ensinar, expõe com maior
propriedade e é capaz de responder sem maiores dificuldades as
perguntas formuladas pelos alunos. No entanto, há outros fatores a
serem considerados, já que alguns professores mostram ser mais
competentes que outros para manter os alunos atentos, para explanar
conceitos complexos e para criar uma ambiente agradável em sala de
aula. Assim, pode ser considerado que a efetiva prática do professor
universitário está envolvida nos conhecimentos específicos
relacionados à matéria, as suas habilidades pedagógicas e à sua
motivação (grifos nossos).
Com o estudo do tema descobrimos a importância da Didática nas escolas e
faculdades bem como lhe dar com os alunos de forma científica, apresentando as técnicas
corretas para o ensino-aprendizado eficiente e, sobretudo, prazeroso tanto para o docente
como para o discente.
Vimos que os alunos devem ser constantemente motivados, instados a se
manifestar nas aulas, o conteúdo deve ser passado de maneira leve e com exposição de casos
práticos a fim de facilitar a compreensão da matéria em estudo.
Por fim, o educador deve dominar o conteúdo da disciplina que ministra, mas
apenas isso não basta (a didática não se resume a um plano de aula) deve este ser
transformador estar motivado, demonstrar entusiasmo com a matéria contagiando assim o
alunado favorecendo a sua aprendizagem.
REFERÊNCIAS
SANTOS NETO, Julio Moreira dos. A Eficácia da Didática do Ensino Superior.
Disponível
em:
http://meuartigo.brasilescola.com/educacao/a-eficacia-didatica-ensinosuperior.htm. Acesso: 15 de ago. 2012.
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