Correio do estado segunda-feira, 7 de Janeiro de 2013 Política ficha suja e abusos Justiça foi implacável com 4 prefeitos eleitos em Mato Grosso do Sul Dois municípios estão sendo governados por vereador e dois pelo segundo mais votado divulgação Batalha. Fauzi venceu nas urnas, mas não resistiu aos votos de juízes divulgação Ficha Suja. Enelvo foi cassado por ter contas rejeitadas pelo TCE adilson trindade e jéssica benitez A Justiça Eleitoral foi implacável na aplicação da Lei da Ficha Limpa com prefeitos eleitos em Mato Grosso do Sul, deixando dois municípios sem prefeitos e nos outros assumiram os segundos mais votados por causa da violação à legislação na campanha eleitoral. Em Sidrolândia e Bonito o eleitor será convocado pela Justiça a voltar às urnas no dia 3 março para escolher o novo gestor. Há ainda o risco de o prefeito Zé Henrique Trindade (PDT), de Aquidauana, também ser cassado se a Justiça acolher a denúncia do Ministério Público. Ele é acusado de contratar funcionários públicos para trabalhar na sua campanha eleitoral. Se isto ocorrer, nova eleição deve ser realizada também no município. Zé Henrique perdeu a disputa para o então prefeito Fauzi Suleiman (PMDB), cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por causa da inelegibilidade do seu vice, Vanildo Neves (PSDB) em decorrência da rejeição de contas pelo Tribunal de Contas do Estado quando era presidente da Câmara Municipal. Fauzi acabou ainda sendo expurgado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) em mais duas representações. Ele foi acusado de usar a máquina administrativa na campanha elei- Saiba Nova eleição em Bonito será no dia 3 de março Oficialmente somente a cidade de Bonito aparece no calendário das eleições suplementares elaborado pelo Tribunal Superior Eleitoral. Será 3 de março. toral e distribuir cestas básicas do programa social “Família Feliz” em troca de voto. Fauzi já vinha enfrentando guerra com o Ministério Público e a Justiça da Comarca. Ele chegou a ser afastado por três vezes do cargo e retornou por força de liminar do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ/MS), mas não resistiu a posição implacável da Justiça Eleitoral. Em Sidrolândia, Enelvo Felini (PSDB) também venceu a disputa nas urnas para voltar a administrar o município. Porém não levou. O seu registro de candidatura foi cassado pelo TSE em consequência de irregularidades insanáveis praticadas durante a passagem pela prefeitura. As contas de 2004 foram rejeitadas pelo Tribunal de Contas do Estado. Enelvo foi condenado pela Corte Fiscal por não aplicar, como determina a Constituição Federal, 60% dos recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef). Como obteve mais de 50,1% dos votos válidos, o segundo mais votado não está legitimado pelas urnas para administrar o município. A decisão, portanto, foi pela realização de novas eleições. Enquanto isso, o presidente da Câmara Municipal, eleito no início do ano, vereador Ilson Peres (PSDB) vai governar Sidrolândia até a posse do novo prefeito eleito extemporaneamente. A situação política não é diferente em Bonito, pois o vencedor nas urnas com 52,05% do voto popular, exprefeito Geraldo Marques (PDT), acabou sendo abatido pelos votos dos ministros do Tribunal Superior Eleitoral. Ele teve suas contas rejeitadas de 2001 a 2002 pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e acabou se tornando inelegível como impõe a Lei da Ficha Limpa. Marques é acusado de improbidade administrativa por não conseguir comprovar o uso de R$ 14.035,76 do Fundo Nacional de Saúde (FNS). Outra guerra política envolvendo o PT e PSDB com o PMDB aconteceu em Porto Murtinho. O petista Heitor Miranda perdeu a eleição para Rosângela Baptista (PMDB), mas acabou assumindo a prefeitura devido àcassação do registro da candidatura da rival. Ela foi acusada de comprar votos com o seu aliado, então prefeito Nelson Cintra (PSDB). Heitor perdeu nas urnas, por causa deste abuso, mas ganhou na Justiça Eleitoral. Juti A prefeita de Juti, Isabel Cristina Rodrigues (DEM), conhecida popularmente por Bel, teve o seu registro de candidatura cassado pela Justiça Eleitoral por abuso de poder político e de autoridade, se beneficiando da máquina pública para conquistar votos. Ela era vice-prefeita e secretária municipal de Educação da cidade. Bel foi acusada de utilizar caminhão do município para a montagem de palco em sua campanha eleitoral. Ela conseguiu ser diplomada e empossada por força de medida cautelar concedida pelo Tribunal Regional Eleitoral. A medida, no entanto, não é garantia da efetivação da prefeita no cargo porque o TRE pode tanto manter a decisão de cassação do diploma e do mandato quanto mantê-la no cargo. A confirmação da cassação do mandato levará a Justiça Eleitoral realizar novas eleições em Juti porque a Bel obteve mais de 50% dos votos válidos. 3 Não vivemos um Estado de exceção, vivemos em um Estado Democrático de Direito em que os direitos são respeitados” José Guimarães, líder do PT na Câmara contas irregulares Bernal deve enfrentar processo de cassação paulo ribas adilson trindade O PMDB inicia hoje a sua luta para cassar o mandato do prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (PP), por ter a sua prestação de contas rejeitada pela Justiça Eleitoral da primeira instância, além de outras irregularidades apontadas pelos advogados. O Ministério Público acusou Bernal de gastar irregularmente, em dinheiro vivo, R$ 590 mil na sua campanha eleitoral. Ele não teria comprovado os gastos, além de exceder o limite de R$ 30 mil as despesas pagas em dinheiro vivo durante toda a campanha. O promotor eleitoral Alexandre Raslan sugeriu a cassação do registro da candidatura de Alcides Bernal por considerar as irregularidades insanáveis, bem como de praticar ilegalidades confessáveis. A Justiça Eleitoral acolheu o parecer de Raslan e cassou o registro. Mesmo assim, Bernal foi diplomado e empossado. Mas o PMDB não desistiu da luta de requerer a cassação do mandato do prefeito Alcides Bernal. “As provas contra o prefeito são robustas”, comentou o advogado Valeriano Fontoura. Hoje, ele pretende protocolar a representação na Justiça Eleitoral pedin- Sem trégua. Valeriano pretende protocolar hoje a representação do a cassação do prefeito. Na representação, Valeriano vai revelar outras irregularidades de Alcides Bernal. Uma delas é a omissão dos gastos das viagens de avião de ministros de Estado e do senador Francisco Dornelles (RJ), presidente nacional do PP. Para o advogado, esta omissão é considerada gravíssima. Há ainda a contratação de centenas de cabos eleitorais sem registro na prestação de contas do prefeito. “As provas são comprometedoras. Agora cabe à Justiça julgar”, afirmou o advogado.