UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO CENTRO DE TECNOLOGIA E GEOCIÊNCIAS GRADUAÇÃO EM GEOCIÊNCIAS Mapeamento Gravimétrico e Cintilométrico das estruturas da Bacia Paraíba (Parte Oriental) entre os paralelos Ponta do Funil (PE) e Pitimbú (PB). Edlene Pereira da Silva Recife, 2006 Laboratório de Geofísica Aplicada UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO CENTRO DE TECNOLOGIA E GEOCIÊNCIAS GRADUAÇÃO EM GEOCIÊNCIAS Mapeamento Gravimétrico e Cintilométrico das estruturas da Bacia Paraíba (Parte Oriental) entre os paralelos Ponta do Funil (PE) e Pitimbú (PB). Monografia Aluna: Edlene Pereira da Silva Orientadores: Joaquim Alves da Motta Lúcia Mafra Valença Laboratório de Geofísica Aplicada 2 SUMÁRIO Dedicatória Agradecimentos Resumo Abstract Lista de Figuras Lista de Fotos Lista de Tabelas 1- Introdução...................................................................................................................................... 1.1- Objetivo................................................................................................................................. 1.2- Localização, Vias de Acesso e Aspectos Fisiográficos......................................................... 1.3- Materiais e Métodos ........................................................................................................... 01 02 03 05 2- Geologia........................................................................................................................................ 2.1- Introdução............................................................................................................................ 2.2 - Evolução dos conhecimentos Geológicos........................................................................... 2.3 - Evolução dos conhecimentos Geofísicos............................................................................ 2.4 – Evolução Tectônica das Bacias de Pernambuco e da Paraíba............................................ 2.4 - Unidades Litoestratigráficas............................................................................................... 10 10 11 16 21 22 3- Gravimetria.................................................................................................................................... 3.1- Fundamentos do Método...................................................................................................... 3.2 - Instrumentação Utilizada.................................................................................................... 3.2.1 - Descrição e princípio de funcionamento dos principais instrumentos para efetuar as medidas de gravidade....................................................................................................... 3.3 - Procedimento de campo na área ........................................................................................ 3.4 - Interpretação dos dados....................................................................................................... 3.4.1 - Descrição Qualitativa do Mapa Bouguer................................................................. 3.4.2 - Análise do Mapa Residual......................................................................................... 3.4.3 - Análise do Mapa Regional........................................................................................ 3.4.4 - Comparação dos mapas Topográfico e Geológico (CPRM, 2002)........................... 3.5 - Resultados do Levantamento Gravimétrico........................................................................ 27 27 32 34 35 38 39 42 44 45 47 4 - Radiometria.................................................................................................................................. 4.1 - Características do Método................................................................................................... 4.2 - Instrumentação Utilizada ................................................................................................... 4.2.1 - Descrição e princípio de funcionamento dos cintilômetros:.................................. 4.3 - Procedimento em campo..................................................................................................... 4.4 - Confecção do mapa............................................................................................................. 4.5 - Interpretação....................................................................................................................... 4.6 – Resultados do Levantamento Radiométrico....................................................................... 48 48 49 49 50 51 52 55 5 - Conclusões do Trabalho............................................................................................................... 56 6 - Referências Bibliográficas............................................................................................................ 57 7- Anexos........................................................................................................................................... 63 7.1 - Anexo 1: Background e Anomalia Radioativa.................................................................... 63 7.2 - Anexo 2: Mapa de Contorno Estrutural sugerido para o Embasamento da área................ 65 3 LISTA DE FIGURAS FIG. 1 - Área de estudo (destacada em vermelho) juntamente à área de estudo a oeste, ambas sobrepostas ao mapa geológico da CPRM (2002)....................................................................................02 FIG. 2 - Mapa do Brasil, mostrando a região Nordeste destacada ao lado..............................................03 FIG. 3 - Mapa da região nordeste mostrando o estado de Pernambuco e da Paraíba, destacando onde está inserida a área de estudo....................................................................................................................03 FIG. 4 - Mapa de localização das cidades de Recife e Olinda - estado de Pernambuco, Nordeste do Brasil.........................................................................................................................................................03 FIG. 5 - Localização do afloramento da Ponta do Funil na praia de Barra de Catuama, PE....................06 FIG. 6 - Mapa Topográfico, com os pontos plotados partes integrantes das Folhas Itamaracá (MI-1293) e João Pessoa (MI-1214). Escala 1:100.000.............................................................................................08 FIG. 7 - Localização da Bacia da Paraíba e sua compartimentarão em sub-bacias, mostrando a influência dos lineamentos pré-cambrianos na sua estruturação e divisão (Barbosa, 2004)....................10 FIG.8 - Província Borborema (Fonte: http://www.isteem.univ-montp2.fr/TECTONOPHY/rheology/bre sil/borborema_field.html).........................................................................................................................13 FIG. 9 - Comportamento estrutural da Bacia da Paraíba: rampa inclinada para o Atlântico, segundo Barbosa & Lima Filho (2004, 2005).........................................................................................................14 FIG. 10 - Perfil geológico ao longo da linha de costa entre o Alto de Mamanguape e o Alto de Barreiros, mostrando os domínios da Bacia da Paraíba e de Pernambuco...............................................15 FIG. 11 - Evolução tectônica das bacias de Pernambuco e da Paraíba segundo Lima Filho (2005).......22 FIG. 12 - Coluna Litoestratigráfica da Bacia da Paraíba (Sub-bacias de Alhandra e Miriri). Barbosa 2004..........................................................................................................................................................23 FIG. 13 - Mapa Gravimétrico Bouguer da área de estudo (destacada) juntamente com a área vizinha a oeste..........................................................................................................................................................39 FIG. 14 - Mapa Gravimétrico Bouguer mostrando os alinhamentos sugeridos.......................................42 FIG. 15 - Mapa Gravimétrico Residual da área de estudo (destacada) juntamente com a área vizinha a oeste..........................................................................................................................................................43 FIG. 16 - Mapa Gravimétrico Regional da área de estudo (destacada) juntamente com a área vizinha a oeste..........................................................................................................................................................44 FIG. 17- Mapa Gravimétrico Bouguer com o posicionamento dos Perfis A-B e C-D.............................45 FIG. 18 - Perfil A-B..................................................................................................................................46 FIG. 19 - Perfil C-D..................................................................................................................................46 4 FIG. 20 - Mapa Radiométrico destacando as área de mapeamento..........................................................51 FIG. 21 - Mapa Radiométrico da área de estudo, gerado no Surfer.........................................................52 LISTA DE FOTOS Fotos 1 - Afloramentos das Formações Gramame e Maria Farinha. na Ponta do Funil, praia de Barra de Catuama....................................................................................................................................................06 Fotos 2 - Afloramentos das Formações Gramame e Maria Farinha, na Ponta do Funil, praia de Barra de Catuama....................................................................................................................................................06 Foto 3 - Observações de Campo: Afloramentos da Formação Barreiras.................................................07 Foto 4 - Observações de Campo: Afloramentos da Formação Barreiras.................................................07 Foto 5 - Observações de Campo: Rodovias da área em estudo................................................................07 Foto 6 - Gravímetro La Coste & Romberg, usado no levantamento........................................................33 Foto 7 - E-map Garmin – usado para posicionamento de estações..........................................................33 Foto 8 - Obtenção de posicionamento no Rio Goiana, com E-map Garmin............................................33 Foto 9 - Altímetro utilizados nos levantamento altimétrico: 2 digitais da marca Barigo e 6 analógicos da marca Thomen...........................................................................................................................................34 Foto 10 - Psicrômetro Lambrecht utilizado em campo.............................................................................34 Foto 11 - Base Gravimétrica: Igreja Matriz N. Sra. do Rosário, no Centro de Goiana............................36 Foto 12 - Afloramentos à margem do Rio Goiana....................................................................................37 Foto 13 - Afloramentos à margem do Rio Goiana....................................................................................37 Foto 14 - Afloramentos à margem do Rio Goiana....................................................................................37 Foto 15 - Afloramentos à margem do Rio Goiana....................................................................................37 Foto 16 - Afloramentos à margem do Rio Goiana....................................................................................37 Foto 17 - Manejo do cintilômetro em campo...........................................................................................49 5 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Correspondência entre radiação e unidade litológica, segundo os autores Manso, Motta e Correia..................................................................................................................................................... 54 6 A LAURA, minha mãe À memória do meu pai, EVARISTO 7 AGRADECIMENTOS À minha família, em especial meus pais, pessoas que mais amo e me orgulho na vida, a quem devo tudo que sou e o que conquistei; a meus irmãos, Edleuza, Eduardo, Ediluze e Emanoel e a meus tios Luiz e Rosa pelo apoio e incentivo, principalmente nos momentos difíceis. A todos expresso minha enorme gratidão. Ao grande amigo e orientador Prof. Dr. Joaquim Alves da Motta, pelas valiosas orientações e pelo constante e paciente auxílio no esclarecimento de dúvidas. A Watson, meu companheiro, pelo apoio, incentivo e auxílio na confecção deste relatório. Aos colegas do LGA, Everton, pelas proveitosas discussões e parceria nos trabalhos de campo e laboratório e a Luciana e João, pelo companheirismo e auxílio ao longo do desenvolvimento de todo trabalho realizado. Aos professores Lúcia Maria Valença Mafra, Paulo de Barros Correia, Valdir do Amaral Vaz Manso, pelas críticas e sugestões apresentadas. Aos colegas Elida, Lucas e Cleyton, pelo apoio nos trabalhos de campo e Antônio, Francisco, Débora e Emília pelo fornecimento de dados e informações. A todos os professores do Departamento de Geologia e aos professores Lucivânio Jatobá, do Departamento de Geografia, Ana Lúcia Bezerra Candeias, do Departamento de Engenharia Cartográfica e André Padilha, do Departamento de Letras pela dedicação e transmissão dos conhecimentos, auxiliando em minha formação. Ao Programa de Desenvolvimento de Recursos Humanos PRH-26 / ANP / UFPE que tornaram possível a realização deste trabalho. A todos os colegas e funcionários da UFPE que contribuíram de alguma forma para mais essa conquista. Nossos sinceros agradecimentos... 8 RESUMO O presente trabalho, realizado na região entre Goiana - PE e Pitimbú - PB consiste de estudo geológico e mapeamento geofísico com método potencial (Gravimetria) e radiométrico em escala regional, resultando na geração dos mapas radiométricos e de controle estrutural do embasamento da área estudada, a fim de relacionar estruturas a ocorrências de petróleo e gás. Do ponto de vista radiométrico, a área não apresenta concentrações significativas de minerais radioativos, sendo medidos em toda a sua extensão valores em torno do background. Assim sendo, a radiometria apresentou-se como uma ferramenta útil na diferenciação de tipos litológicos. Com relação à gravimetria, foram constatadas anomalias caracterizadas por alinhamentos paralelos à costa, os quais mostram valores invertidos devido à descontinuidade de Mohorovicič e, associados a estes, lineações perpendiculares à costa (norte-sul), reflexos prováveis do desnivelamento de blocos, representados pelos grabens de Goiana e Itapessoca e o Alto estrutural ou Horst Santa Tereza, descritos neste trabalho. Palavras-chave: Geofísica, Gravimetria, Radiometria, Arcabouço Estrutural. 9 Abstract The present work, carried out in the region from Goiana - PE and Pitimbú – PB, Brazil, consists of a geological study and geophysical survey involving potential method (gravimetry) and radiometry in regional scale, resulting in the generation of the radiometric maps and the basin’s structural control maps in the studied area, with the intention of relating structures to oil and gas ocurrence. From the radiometric view-point, the framed area does not show significant concentrations of radioactive minerals, having been measured in all of its extent values around the background. This way, radiometry has proven to be a very useful tool to differentiate among various lithological types. Relatively to gravimetry, anomalies were found characterized by lineations parallel to the shoreline, which present inverted values due to Mohorovicič discontinuity and, associated to them, lineations perpendicular to shoreline (north-south), probable signs of block uneveness, represented by Goiana and Itapessoca grabens and the structural heights or Horst Santa Tereza, described in this work. Keywords: Geophysical, Gravimetry, Radiometry and Framework. 10 1 - INTRODUÇÃO A análise do arcabouço estrutural de uma bacia, de sua composição litológica e dos processos envolvidos em sua gênese possibilita avaliar o potencial produtor de óleo e gás que a mesma apresenta. O desenvolvimento de estudos geológicos torna-se imprescindível e quando associado à Geofísica consolida-se como uma fonte preciosa e segura de informações, por esta possibilitar a identificação, o posicionamento e a caracterização de estruturas presentes na bacia. O presente trabalho apresenta o resultado do mapeamento gravimétrico - estrutural de parte das sub-bacias Olinda e Alhandra, ambas pertencentes à Bacia da Paraíba (visualizar a Fig. 7), a qual ocupa a faixa costeira entre o Lineamento Pernambuco e a Falha de Mamanguape ao norte da cidade de João Pessoa, na Paraíba (Feitosa & Feitosa, 1986 e Barbosa, 2004). O trabalho geológico foi desenvolvido principalmente através da elaboração do Mapa Radiométrico da área de estudo, comparando-o posteriormente com informações do Mapa geológico de Pernambuco (CPRM, 2002 e 2004) e com valores de Mapeamentos Radiométrico de áreas vizinhas, realizados por Manso (1982), Correia (1986) e Motta (1986); Também foram elaborados os Mapas Gravimétricos Bouguer, Regional e Residual com o intuito de fornecer informações para compor um mapa de contorno estrutural do embasamento, por estes possibilitarem a elucidação das estruturas presentes na região estudada, no esforço de, dentro das condições possíveis, contribuir para aumentar o grau de conhecimento da Bacia da Paraíba. 11 1.1 - Objetivo O presente relatório tem como objetivo primordial contribuir com novas informações, interpretativas e conclusivas favoráveis ao estudo relacionados com hidrocarbonetos e/ou sua possível ocorrência em parte da Bacia da Paraíba, através de estudo geológico e mapeamento geofísico com método potencial (Gravimetria) e radiométrico como parte necessária à conclusão da graduação em geologia pela Universidade Federal de Pernambuco, tendo o apoio do Programa de Recursos Humanos (PRH-26), da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Neste trabalho procurou-se melhor estudar o posicionamento Tectono-gravimétrico da Bacia Paraíba para o conhecimento de novas estruturas relacionadas à ocorrência de petróleo e gás. No âmbito da Geofísica foram realizados levantamentos gravimétricos com análises qualitativas na área de interesse. Utilizou-se também método radiométrico (cintilometria), com o objetivo de auxiliar o modelamento geológico, compilando os dados referentes à área de estudo (destacada em vermelho na Fig. 1) e também à área de estudo a oeste, referente ao mapeamento de Menor (inédito), a fim de posicionar as rochas sedimentares em relação ao embasamento, estando ambas sobre o mapa geológico da CPRM (2002). LEGENDA Q NQb Kg Kb APgm Depósitos quaternários indivisosos: areias, silte, argilas, vasas diatomáceas, sedimentos turfáceos de ambiente flúvio-lacustre, areias de cordões litorâneos sub-atuais e atuais; sedimentos de mangue, lagunares, aluvionares, planície de maré, cobertura eluvial arenosa e paleodunas. Formação Barreiras: Arenitos finos a médios ou conglomeráticos, com intercalações de siltitos e argilitos, dominantemente associados a sistemas fluviais. Formação Gramame: Calcarenitos, calcários arenosos e calcários Formação Beberibe: Arenitos friáveis médios a finos, cinzentos a creme, mal selecionados, com intercalações de camadas sílticoargilosas e presença de leitos conglomeráticos. Complexos gnaissicos-migmatíticos, ortognaisses e augen gnaisses FIG. 1 - Área de estudo (destacada em vermelho) juntamente à área de estudo a oeste, ambas sobrepostas ao mapa geológico da CPRM (2002). 12 1.2 - Localização, Vias de Acesso e Aspectos Fisiográficos. A área de estudo está situada na Região Nordeste do Brasil, abrangendo os limites entre os extremos do litoral norte do Estado de Pernambuco e sul do Estado da Paraíba (Vide mapas de localização da área, Fig. 2, 3 e 4), incluindo as praias de Ponta de Pedras, Carne de Vaca, Catuama (na Cidade de Goiana-PE), e Acaú (Município de Pitimbú - PB). PITIMBÚ PB ACAÚ PE FIG. 2 - Mapa do Brasil, mostrando a região Nordeste destacada ao lado. PONTAS DE PEDRA PONTA DO FUNIL(B. CATUAMA) FIG. 3 - Mapa da região nordeste mostrando o estado de Pernambuco e da Paraíba, destacando onde está inserida a área de estudo. FIG. 4 - Mapa de localização das cidades de Recife e Olinda estado de Pernambuco, Nordeste do Brasil. Geograficamente, a área está localizada em parte das Folhas Itamaracá (MI-1293) e João Pessoa (MI-1214), ambas publicadas pela SUDENE na escala de 1:100.000, cujas coordenadas geográficas limites são longitude 286.000 e 304.000 e latitude 9.150.000 e 9.174.000, compreendendo uma área de 327,726Km2. A principal via de acesso à área, partindo de Recife é a rodovia BR-101 norte (asfaltada), distando 60 km do Recife, com a área de estudo encontrando-se bastante recortada por estradas, em sua maioria, não pavimentadas e de difícil acesso, por se tratar de uma área de canavial. 13 Fisiograficamente, a área é caracterizada por um relevo composto por Planície Costeira e Tabuleiros Costeiros nos quais ocorre solo arenoso e síltico arenoso. A área encontra-se nas Mesorregiões da Mata Setentrional Pernambucana e da Mata Paraibana litoral sul, sendo enquadrada, segundo W. Köppen num Clima tipo As’ (clima quente e úmido, com regime de chuvas de outono – inverno). A temperatura média anual oscila em torno de 24º C e a precipitação anual varia entre 2.200 e 1.000 mm (Andrade, 2003). A rede hidrográfica da área é relativamente densa e caracterizada por rios de caráter dendrítico. O principal coletor de águas é o Rio Goiana, que corre no sentido oeste-leste, tendo sua importância devida a, entre outros, servir para atividades de pesca e como rio turístico. Também podemos citar o Rio Mega Ó, paralelo ao principal, e o Rio Capibaribe Mirim como os rios de menor expressão, mas com importância atribuída, respectivamente, a pesca e como captador de água para irrigação no plantio de cana-de-açúcar. As formações vegetais predominantes, segundo Andrade (2003) são do tipo Floresta subperenifólia (árvores de grande porte, que refletem o clima As’) e Formações Litorâneas (manguezais, matas de restinga, e formações de praia), apresentando na área solos podzólicos - Solos Profundos e bem desenvolvidos (SUDENE, 1985). 14 1.3 - Materiais e Métodos Os procedimentos adotados para a confecção deste trabalho envolveram efetivamente três fases principais, as quais constaram primeiramente de uma definição da área de estudo e pesquisa bibliográfica, posteriormente iniciou-se etapas de campo, para aquisição de dados e finalmente uma fase em laboratório que envolveu processamento dos dados e interpretação dos resultados. Numa fase preliminar, foi definida a área a ser mapeada, a escala de trabalho e as principais metas a se atingir, tendo início extensas atividades de levantamento bibliográfico, referente aos dados geológicos, estratigráficos, geofísicos e paleontológicos disponíveis sobre as unidades estudadas e sobre a Bacia Paraíba em geral. Foram adquiridos mapas geológicos e topográficos, assim como fotografias aéreas, que permitiram um prévio conhecimento das estruturas locais existentes na região. A fase referente ao campo, foi dividida em 11 etapas, irregularmente distribuídas, onde se desenvolveram estudos geológicos e geofísicos concomitantemente na área de estudo e na área de estudo a oeste, correspondente à área de mapeamento de Everton Menor (Inédito). Nela foi realizado reconhecimento geológico preliminar, buscando-se a observação da geomorfologia da região, juntamente com levantamentos gravimétrico e radiométrico em escala de 1:100.000. Em alguns dos poucos afloramentos existentes, observaram-se afloramentos naturais, como, na praia da Barra de Catuama (Fig. 5- Localização com as fotos 1 e 2 da área de estudo), onde se pôde diferenciar as Formações Maria Farinha e Gramame, notando-se o posicionamento estratigráfico, com medição de estruturas, visando a uma melhor interpretação das unidades e uma correlação espacial dos afloramentos. Nessa etapa ocorreu coleta sistemática de amostra de sedimentos em alguns trechos. 15 FONTE: Moraes, 2005. FONTE: Moraes, 2005. FONTE: Moraes, 2005. Fotos 1: Afloramentos das Formações Gramame e Maria Farinha. na Ponta do Funil, praia de Barra de Catuama. Fotos 2: Afloramentos das Formações Gramame e Maria Farinha, na Ponta do Funil, praia de Barra de Catuama. FIG. 5 – Localização do afloramento da Ponta do Funil na praia de Barra de Catuama, Pernambuco e as fotos da área de estudo (Fotos 1 e 2). Pôde-se também visitar alguns poucos afloramentos da Formação Barreiras (Fotos 3 e 4), mas existe grande escassez de afloramentos na área escolhida para realização dos estudos devido a esta ser, em boa parte, dominada por plantio de cana-de-açúcar, apresentando solo removido, o que representou dificuldades para o mapeamento geológico, recorrendo por esse motivo ao método radiométrico na tentativa de determinação da litologia da região. 16 FONTE: João Rodrigues. Tavares Júnior. FONTE: João Rodrigues Tavares Júnior. Fotos 3 e 4 - Observações de Campo: Afloramentos da Formação Barreiras Os levantamentos gravimétricos e radiométricos foram realizados estabelecendo-se estações ao longo de toda a rede viária acessível na área (Foto 5). As estações foram estabelecidas num espaçamento que variavam de ½ até 2 ½ km uma da outra e os dados obtidos nas estações foram plotados em mapa topográfico (Fig. 6), integração das Folhas Itamaracá (MI-1293) e João Pessoa (MI-1214), ambas FONTE: A autora. publicadas pela SUDENE e de escala 1:100.000. Foto 5- Observações de Campo: Rodovias da área em estudo. 17 Fonte: SUDENE, 1986. FIG. 6 – Mapa Topográfico, com os pontos plotados partes integrantes das Folhas. Itamaracá (MI-1293) e João Pessoa (MI-1214). Escala 1:100.000. A coleta de sistemática de amostras foi realizada em alguns dos afloramentos situados na área a oeste, obedecendo aos critérios das técnicas usualmente utilizadas para esse tipo de trabalho, a fim de se obter amostras representativas da litologia da região e sem contaminação por elementos orgânicos. Não chegaram a ser colhidas amostras na área de estudo, uma vez que essa só apresenta sedimentos da bacia e as formações de interesse estavam nas áreas de contato entre o embasamento e a bacia, a oeste. 18 Os trabalhos desenvolvidos em laboratório constaram basicamente das seguintes fases: 1- Correções gravimétricas dos dados; 2- Confecção e interpretação dos mapas gravimétricos; 3- Tratamento dos dados radiométricos, plotando as estações no mapa topográfico; 4- Confecção do mapa radiométrico com as curvas de anomalias radiométricas, sendo oportunadamente interpretadas; 5- Análise da amostra coletada (da área vizinha a oeste); 6- Confecção do Mapa Estrutural. As correções gravimétricas efetuadas para cada estação da área pesquisada, com a finalidade de se determinar o mapa Bouguer final, foram tratadas utilizando-se programas como Bloco de notas, CORBAR (correções barométricas), CORGRAV (correções gravimétricas); depois de realizadas as correções, confeccionaram-se no OASIS-MONTAJ os Mapas Gravimétricos Bouguer, Residual e Regional, partindo-se em seguida para as interpretações qualitativas dos mesmos. Em trabalho paralelo utilizaram-se programas como o Excel e o Surfer, para gerar o mapa radiométrico, que foi posteriormente interpretado. 19 2 - GEOLOGIA 2.1 - Introdução A Bacia da Paraíba é uma bacia costeira, considerada de idade Mesozóica, formada por “pilhas” sedimentares relacionadas unicamente à evolução Atlantiana, incluindo também os estágios de golfo e do mar (Cretáceo Superior e Cenozóico) (CPRM, 2001). Ela apresenta-se como uma faixa estreita da costa nordeste do Brasil, ocupando o litoral norte do Estado de Pernambuco e parte do litoral sul do Estado da Paraíba. Nesta pesquisa considera-se que ela está geologicamente situada na faixa costeira entre o Lineamento Pernambuco e o alto estrutural de Mamanguape ao norte da cidade de João Pessoa, na Paraíba (Feitosa & Feitosa, 1986 e Barbosa et al., 2004; Fig. 7). FIG. 7 - Localização da Bacia da Paraíba e sua compartimentarão em sub-bacias, mostrando a influência dos lineamentos pré-cambrianos na sua estruturação e divisão (Barbosa, 2004). 20 2.2 - Evolução dos conhecimentos Geológicos A formação das bacias marginais brasileiras é atribuída à separação dos continentes SulAmericano e Africano e diversas teorias tentam explicar como se deu a fase final de abertura e formação do Oceano Atlântico, estabelecendo a ligação entre o Atlântico Equatorial e Central e o Atlântico Sul. Os trabalhos iniciais sobre a Bacia da Paraíba foram realizados por autores, onde encontramos alguns deles citados a seguir, salientando que a grande maioria considerava as bacias de Pernambuco e da Paraíba formando um único bloco, denominado Bacia Pernambuco-Paraíba. Os atuais conhecimentos geológicos evoluíram a partir de trabalhos tais como os de Beurlen (1962), um dos primeiros pesquisadores a sugerir que o processo de separação dos continentes ocorreu a partir do desenvolvimento de riftes do Triássico Superior ao Cretáceo Superior, ao longo do atlântico Sul, tendo suas idéias baseadas nas correlações estratigráficas e no conteúdo fossilífero ali existentes. Para ele, a ligação final entre os continentes esteve localizada na área entre Recife e João Pessoa no Nordeste do Brasil, correspondente à faixa Nigéria - Gabão no Continente Africano e a ruptura teria se iniciado pelo Atlântico Sul. Baseados em dados paleogeográficos, paleontológicos e estratigráficos, autores como, Premoli Silva & Boersma (1977), Scheibnerová (1981), Dias Brito (1985a, 1985b, 1995, 1987, 2000) e Viana (1998), contestaram a proposta de uma ligação final entre o Brasil e a África feita por Beurlen (1962), discordando principalmente em relação ao fator tempo que o mesmo teria determinado para a ocorrência da última barreira entre o Atlântico Sul (Setentrional-Equatorial) com o Atlântico norte e o Tétis, o qual varia, segundo aponta nas análises sedimentares e paleontológicas realizadas por cada autor. Em 1982, Rand & Mabesoone considerando aspectos paleogeográficos e estratigráficos, defenderam a hipótese da abertura total da região entre Recife e João Pessoa datar de apenas a partir do final do Maastrichtiano. Acreditavam ainda que esta região sofresse estiramento e afinamento litosférico, 21 que evoluiu para um homoclinal sendo a que permaneceu por mais tempo conectada à placa africana, durante a formação do Oceano Atlântico Sul. Como mecanismo de rifteamento, Françolin & Szatmari (1987) sugerem que a abertura do sistema rift Atlântico se dá por uma rotação horária da América do Sul em relação à África, estando um pólo de rotação localizado aproximadamente a 7°S e 39°W. Como resposta a esse esforço rotacional, a Bacia Potiguar seria uma das áreas mais afetadas, registrando em seu arcabouço tectônico a ação das forças atuantes e a área entre Touros e João Pessoa é apontada como a última área a estar ligada ao continente africano representando uma barreira de interrupção ao avanço do rifteamento Atlântico, durante o Albiano. Asmus & Carvalho, 1978, observaram que ao longo de sua história geológica, os fenômenos tectônicos ocorridos na Bacia da Paraíba, eram diferentes dos que ocorreram nas áreas adjacentes, ao norte, na Bacia Potiguar e ao sul nas bacias Pernambuco e Alagoas. Em trabalho publicado em 1991, Mabesoone & Alheiros afirmam que a Bacia PernambucoParaíba, possui como característica estrutural um padrão homoclinal, apresentando diferenciação de preenchimento lítico-sedimentar, motivo pelo qual propuseram ela ser subdividida em três sub-bacias denominadas de Olinda, Alhandra e Miriri, separadas respectivamente pelas falhas de Goiana e ItabaianaPilar. Já da porção do sul do Lineamento Pernambuco até o Alto de Maragogi estaria a sub-Bacia Cabo, denominada posteriormente Bacia de Pernambuco. Conforme Lima Filho (1996, 1998a, 1998b) em sua concepção estratigráfica, a evolução da faixa sedimentar presente ao sul e a norte do Lineamento Pernambuco não compartilham a mesma seqüência sedimentar, possuindo características diferenciadas e histórias deposicionais distintas, fato que o conduziram a separá-las, denominando-as respectivamente de Bacia de Pernambuco e Bacia da Paraíba. Para ele, a Bacia da Paraíba possui uma suave inclinação estrutural para leste, com sub-bacias encaixadas em grandes falhamentos de sentido leste e apresenta profundidades entre 300 e 400m na região litorânea. 22 Já a Bacia de Pernambuco foi definida como uma faixa sedimentar situada ao sul do lineamento Pernambuco até o Alto de Maragogi-Barreiros. Segundo Santos (1996), o embasamento é formado por rochas pré-cambrianas, pertencentes à Província Borborema, que estão inseridas no chamado Domínio Transversal, correspondente à região limitada pelas zonas de cisalhamento de Patos e de Pernambuco (Fig. 8). FIG.8 - Província Borborema (Fonte: http://www.isteem.univ-montp2.fr/TECTONOPHY/rheology/bresil/borborema_field.html). Barbosa et al., 2003 baseados em trabalhos paleontológicos e pesquisas estratigráficas desenvolvidos na porção emersa da bacia concluíram existir um registro diferenciado entre as sub-bacias da Bacia da Paraíba e propuseram um modelo de carta estratigráfica da Bacia da Paraíba, onde foi sintetizada a sedimentação Meso-Cenozóica, encontrando-se nela as formações Beberibe, Gramame, Maria Farinha, Itamaracá e Barreiras, descritas posteriormente. 23 Barbosa & Lima Filho (2004, 2005), concluem que a mesma se comporta estruturalmente como uma rampa inclinada para o atlântico (Fig. 9), mostrando grande diferenciação no padrão de evolução em relação às vizinhas, como as Bacias de Pernambuco e Potiguar, com rifte sofrendo uma evolução tardia (Turoniano? - Campaniano), provavelmente devido à espessura crustal entre o Lineamento Pernambuco e o Lineamento Patos (PB) e utilizando dados de poços e de seções sísmicas reconstruíram o comportamento regional da Bacia da Paraíba, determinando seus domínios, como mostrado no Perfil da Fig. 10. FIG. 9 – Comportamento estrutural da Bacia da Paraíba: rampa inclinada para o Atlântico, segundo Barbosa & Lima Filho (2004, 2005). Os dados de poços do Projeto Fosfato (CPRM) e de poços de água, possibilitaram a Barbosa (2004) descrever melhor as unidades estratigráficas existentes na área de estudo, embora, nenhum deles tenham chegado a atingir o embasamento da bacia, não permitindo, segundo o autor descreve, conclusões mais detalhadas sobre o comportamento estrutural da faixa sedimentar. Um desses poços é o Poço 1 GN03-PE, perfurado na cidade de Goiana, dentro da área de estudo (Fig. 10), o qual atravessou as camadas da Formação Barreiras e da Formação Gramame chegando até os sedimentos da Formação Itamaracá (descritas adiante). 24 FIG. 10 - Perfil geológico ao longo da linha de costa entre o Alto de Mamanguape e o Alto de Barreiros, mostrando os domínios da Bacia da Paraíba e de Pernambuco (Barbosa & Lima Filho, 2005). 25 2.3 - Evolução dos conhecimentos Geofísicos Os primeiros estudos geofísicos desenvolvidos no Nordeste foram realizados desde 1961. Mais de dez anos depois, estes trabalhos executados isoladamente, foram reunidos em apenas um e intitulado “Estudos Geofísicos da Faixa Sedimentar Costeira Recife - João Pessoa“, executado pelo Prof. LD Helmo Rand, professor e pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco (Rand, M. H., 1967). Neste trabalho foi realizado um levantamento magnetométrico e radiométrico na praia de Jaguaribe na ilha de Itamaracá, assim como perfis magnetométricos e sondagens sísmicas de reconhecimento na faixa sedimentar ao norte do Recife. A conclusão mais importante é a não existência, nos arredores do Recife, de uma estrutura simples do tipo plataforma, com embasamento mergulhando suavemente para Leste, como muitas vezes foi admitido. A evidência de uma estrutura de blocos falhados é muito forte. Além disto, a faixa sedimentar pode ser um graben alongado, pelo menos de Gaibú ao sul, até Itamaracá ao norte, ou ainda mais para norte; neste caso, o bloco de Itamaracá seria a continuação do bloco do mar que subiu a leste. Todos os resultados obtidos até a publicação deste trabalho indicaram uma semelhança surpreendente com a Bacia Sergipe-Alagoas, o que levou a se pensar que o graben hipotético de Pernambuco poderia ser estruturalmente uma continuação do graben Sergipe-Alagoas. Nos “Estudos Geofísicos na Faixa Litorânea Sul de Recife” (Rand, 1976) foram definidas as grandes estruturas presentes sendo separada, a Bacia do Recife, em duas sub-bacias. A Sub-Bacia Sul, limitada ao Norte pelo Lineamento Pernambuco e Sub-Bacia Norte indo desde este Lineamento até João Pessoa (PB). Rand (op.cit.) identificou blocos altos e baixos caracterizando um movimento de blocos positivos e negativos (blocos Piedade, Gaibú, Suape, Serinhaém, Rio Formoso e Coroa Grande) condicionados por um sistema de falhas subparalelas a costa . Nesta ocasião já foram propostos estudos particularizados para os blocos negativos por, possivelmente, apresentarem grandes espessuras de sedimentos (Sub-bacia de Piedade). 26 Neste trabalho também foi identificado a presença de duas intrusões de rochas básicas, em subsuperfície, que possivelmente correspondem a antigos “hot spot”. Localizados a NW de João Pessoa (PB) e SE de Ipojuca (PE). Concluiu-se ainda, que a sub-bacia Sul é controlada a oeste por um escalonamento de falhas, formando um meio graben o qual é cortado por um sistema de falhas. O deslocamento magnético (20 a 30 km) do Lineamento Pernambuco sugere um papel importante do mesmo na separação final dos continentes Americano e Africano. Nesta ocasião, foram identificados os grandes lineamentos estruturais (Lineamento Pernambuco e Lineamento Paraíba) associados ao movimento de deriva entre os Continentes da América do Sul e África. Outros menores alinhamentos foram também identificados, como estruturas associadas ou não aos lineamentos maiores, dentre estas o Lineamento Goianinha (ao norte). O entendimento da existência da estrutura em rift subparalela a costa, desenvolvida a partir do movimento de separação entre os dois continentes, já estava consolidado e os resultados gravimétricos mostraram uma outra grande estrutura positiva que seria a subida do manto no sentido oeste – leste subparalela a costa. Esta estrutura se sobrepõe e mascara o efeito dos sedimentos depositados nestas bacias dificultando seu estudo em escala regional (Rand, 1977). No mapa Bouguer as curvas de isoanomalia são dispostas paralelamente à costa, aumentando em valores para leste. Isso caracteriza uma subida da descontinuidade de Mohorovicic de oeste para leste, antes de chegar à bacia litorânea. Lineações perpendiculares à costa são observadas, o que divide a Bacia Paraíba em vários blocos. O limite norte da bacia é marcado por um degrau que coincide com o vale do Rio Goianinha (RN) e o limite sul, por outro degrau que se localiza no vale do Rio Goiana (PE). Com trabalhos gravimétricos e magnetométricos, o autor diferencia a bacia que ele denomina de Bacia João Pessoa em duas sub-bacias: uma limitada ao sul pelo Lineamento Paraíba e Lineação Goiana e a segunda ao norte, situada entre o Lineamento Paraíba e a Lineação Goianinha. A essas ele denominou, respectivamente, de sub-bacia sul e sub-bacia norte. O mapa Bouguer também evidencia grandes anomalias de caráter profundo como a que ocorre a NW de João Pessoa, que ao ser relacionada com uma esfera teria 13 km de diâmetro e uma 27 profundidade máxima calculada de 20 km. Essa anomalia seria conseqüência da subida de um antigo “hot spot” que se localizou na crosta inferior e agora produz uma anomalia gravimétrica. Analisando o comportamento estrutural da região compreendida pelas bacias de Pernambuco e da Paraíba, Rand (1976, 1978) utilizando dados geofísicos, confirmou que a ruptura final entre os dois continentes Sul-Americano e Africano ocorreu nesta região. Ele propôs o modelo landbridge, ou ponte terrestre no qual, os proto-oceanos Atlântico Sul e Atlântico Equatorial marcariam o nordeste em forma de rifts estreitos, começando a crescer através da expansão do assoalho oceânico nas regiões do Rio Grande do Norte e de Alagoas. Isso foi atribuído à atuação do sistema de falhas transversais, Lineamentos Pernambuco e Paraíba, possibilitando uma ligação entre Pernambuco-Paraíba e a Nigéria, com as mesmas atuando em regime de transcorrência em ambos os continentes e posteriormente como falhas transformantes entre as faixas do assoalho marinho, nos dois lados da cordilheira Meso-Atlântica. Em 1977, Rand confirmou a subida do manto para leste e grande anomalia positiva a NW de João Pessoa resultante da presença do Hot Spot Paraíba e detectou anomalias negativas causadas por corpos graníticos de menor densidade. Ainda em 1986, Rand, no trabalho "Anomalias Gravimétricas em redor do Recife", através da integração entre dados gravimétricos obtidos em volta do Recife (Rand, 1986) e no mar até o platô do Recife identificou várias anomalias alinhadas tanto na direção N-S, como E-W. Neste contexto o Lineamento Pernambuco aparece como uma linha contínua separando dois padrões distintos de anomalias cujas formas evidenciam o seu caráter dextral, com rejeito entre 20 e 25 km. Além das anomalias positivas que traduzem a presença de rochas básicas, principalmente do platô submarino, as anomalias negativas foram caracterizadas como resultado da resposta de rochas graníticas ou sedimentares. Neste sentido, um alinhamento de anomalias negativas de direção NNE-SSW foi chamado de alinhamento das bacias de Barra de Serinhaém, Suape e Piedade com mais uma pequena bacia a norte do Lineamento Pernambuco. Foram feitas estimativas de cálculos para as profundidades dessas bacias, sendo que para a Bacia de Barra de Serinhaém foi estimada uma profundidade maior do 28 que 1000 m, para a Bacia de Piedade, mais de 2300 m e para a Bacia de Suape a Petrobras furou um poço de 3000 m e não chegou ao embasamento. Nessa época foi feita uma comparação entre a profundidade estimada para Piedade e Suape e a anomalia Bouguer da Bacia de Suape é 10 mgal menor do que a de Piedade. O que significava dizer que a Bacia de Piedade podia ser mais profunda do que a de Suape, isto é, maior do que 3000 m. Ainda em 1982, Manso, procedeu ao estudo sedimentológico das coberturas TerciárioQuaternárias e ao levantamento geofísico (Radiometria, Magnetometria e Gravimetria) da região de Itabaiana (PB). Os estudos sedimentológicos mostraram que as coberturas são de origem fluvial de clima seco. A Radiometria não apresentou valores anômalos que justificassem concentrações de minerais radioativos, mas serviu como uma boa ferramenta para separar litologias. Quanto à magnetometria três faixas anômalas foram detectadas e relacionadas a corpos básicos intrusivos. Com relação à gravimetria foi constatado na porção norte da área um gradiente regional alto, reflexo provavelmente do “Hot Spot” Paraíba, a NW de João Pessoa. No extremo leste, a anomalia negativa da Bacia Pernambuco - Paraíba é mascarada e anulada pelo forte gradiente regional que aumente no mesmo sentido. No sudeste a anomalia negativa de direção NE-SW está relacionada a um corpo granítico de densidade menor do que sua encaixante. Motta, também em 1986, procedeu à modelagem 2D do suposto Hot Spot Paraíba obtendo valores da ordem de 18,5km para a base da estrutura e 13km para o seu centro de massa. Como a descontinuidade de Mohorovicic encontra-se nesta ordem de profundidade, o autor aponta para a possibilidade da subida anômala do manto superior ter causado um intumescimento local o que geraria anomalia semelhante. Em 1986, Correia, no seu trabalho nas proximidades da cidade de Pedra de Fogo (PE), identificou cinco feições cuja representação mais proeminente está na região centro-leste da área. Esta anomalia que é observada a partir de um patamar de 26 mgals a leste da área e cujos valores vão 29 diminuindo até -4 mgals, sugere um corpo granítico intrusivo menos denso encaixado no complexo gnáissico-migmatítico. Por outro lado esse corpo granítico provoca uma anomalia magnética positiva, cuja variação chega a 150 nano tesla, explicada como conseqüência da menor susceptibilidade magnética do corpo granítico em relação à sua encaixante. Em 1994, um levantamento gravimétrico em semi-detalhe foi procedido na região do granito do Cabo de Santo Agostinho por Motta et al. O mapa Bouguer mostrou feições circulares, positivas de rochas não aflorantes com profundidades de 70 a 100m atribuídas a ocorrência de basaltos. Estruturas planares com leve mergulho para SE, foram relacionadas aos derrames de traquito que ocorre em toda a região. Também se notou leve tendência de subida no gradiente, no sentido W-E e o modelamento gravimétrico em 2D identificou dois sistemas de falhas com blocos deslocando-se para leste em forma de semi-rift. O primeiro sistema com rejeitos superiores a 100m de forte inclinação, possivelmente corresponde aos primeiros estágios de deriva dos continentes e o segundo com rejeitos menores, com igual vergência, possivelmente corresponde a um segundo evento tectônico, posterior ao início do ciclo de sedimentação da bacia. Em 2004, Silva et al. procedeu a uma reavaliação do estudo pretérito de integração e gravimetria entre os paralelos de Goiana (PE) e Sapé (PB). O novo mapa residual gerado e modelos atualizados ofereceram uma visão mais apurada das feições presentes com especial atenção às espessuras do sedimento no extremo Leste da área onde foram modelados coberturas com espessuras superiores a 500m (valores muito maiores aos obtidos anteriormente). Em 2005, Menor, et al. procedeu a novo modelamento da estrutura negativa anteriormente identificada como uma intrusão granítica a leste de Itabaiana, propôs a ocorrência do Arenito Beberibe nesta área modelando uma estrutura em graben com profundidade de 400m preenchida pelo arenito. 30 2.4 - Evolução Tectônica das Bacias de Pernambuco e da Paraíba Lima Filho et al. (2005) propuseram uma seqüência evolutiva para as bacias de Pernambuco e da Paraíba (Fig.11), que foi descrita por Morais (2005) na seguinte sequência: Durante o Aptiano, possivelmente o lineamento de Pernambuco se movimentou na área afetada pelo rifteamento (Bacia de Pernambuco), deslocando a depressão em dois setores: o graben de Olinda (abortado devido à espessura crustal existente ao norte deste lineamento) e o graben de Piedade. Neste período, os esforços foram de direção NW (Matos, 1999). Durante o Albiano, os esforços extensionais continuaram, com presença de um magmatismo que não ultrapassou o lineamento de Pernambuco, não afetando, portanto, a Bacia da Paraíba. Do final do Turoniano ao Santoniano, ocorreu uma subsidência ao norte, devido à flexão da plataforma entre este lineamento e o alto de Touros, provocada por um deslocamento distencional entre as placas sul-americana e africana. Na Bacia da Paraíba, as depressões provocadas pela subsidência de alguns blocos foram preenchidas pelos clásticos da Formação Beberibe, inclusive recobrindo o graben de Olinda. A região ao norte do alto de Mamanguape, até Natal, começou a receber sedimentação (Formação Itamaracá) devido ao início da transgressão marinha provocada pela continuidade de flexão da rampa. Durante o Campaniano, a transgressão se instala em todas as sub-bacias da Bacia da Paraíba, devido à rápida subsidência da rampa. E durante o Maastrichtiano, ocorre uma calma tectônica, sendo depositada na Bacia da Paraíba os carbonatos plataformais da Formação Gramame. 31 FIG. 11 - Evolução tectônica das bacias de Pernambuco e da Paraíba segundo Lima Filho et al. (2005): 1 - Rift do Cupe; 2 - Zona de cisalhamento de PT; 3 - Lineamento Pernambuco; 4 - Alto de Tamandaré; 5 - Graben de Olinda; 6 - Graben de Piedade; 7 - Cabo de Santo Agostinho; 8 - Graben do Cupe; 9 - Sub-bacia de Canguaretama; 10 - Sub-bacias de Alhandra e Miriri; 11 - Sub-bacia de Olinda; 12 - Talude da Bacia da Paraíba; 13 - Alto de Mamanguape; 14 - Alto de Goiana. 2.5 - Unidades Litoestratigráficas A área estudada compõe-se de várias unidades litoestratigráficas, as quais foram reunidas por Barbosa et al. (2003), que elaboraram um modelo de carta estratigráfica para a Bacia da Paraíba considerando todas as unidades encontradas nas três sub-bacias que a compõe (Ver Fig. 12). Nela encontram-se: a sequência siliciclástica de mar baixo/transgressiva do Coniaciano – Campaniano englobando as formações Beberibe e Itamaracá, a seqüência carbonática de mar alto/Regressiva englobando as formações Gramame e Maria Farinha e por fim as Formações Superficiais Cenozóicas, representados pela Formação Barreiras e por depósitos quaternários de diversas origens. 32 FIG. 12 – Coluna Litoestratigráfica da Bacia da Paraíba (Sub-bacias de Alhandra e Miriri). Barbosa 2004. • Formação Beberibe (Kb): designa os clásticos grossos neocretácios, conforme definido por Kegel (1955). Trata-se, segundo Mabesoone & Alheiros (1991), de uma seqüência essencialmente 33 arenosa, com uma espessura média de 200 m, em geral sem fósseis, constituída de arenitos friáveis, cinzentos a cremes, mal selecionados, com componente argiloso. A Formação Beberibe ocorre na sua maioria em sub-superfície principalmente ao longo da faixa costeira entre o rio Goiana e a falha de Canguaretama. Em estudos realizados em fósseis das camadas sedimentares localizadas no vale do rio Beberibe, Beurlen (1967a) afirma que essa unidade possui idade Santoniana-Campaniana, podendo estender-se até o Maastrichtiano. • Formação Itamaracá: Denomina os clásticos grossos e finos neocretácios interdigitados e sobrepostos aos arenitos da Formação Beberibe (Kegel 1955), correspondendo à deposição de sedimentos de ambientes transicionais de idade campaniana. Esta formação foi incluída por Beurlen (1967a, 1967b), na base da Formação Gramame. Lima Filho & Souza (2001) propuseram a retomada da Formação Itamaracá como unidade independente, pois a camada de fosfato pode ser considerada como um marco estratigráfico que ocorre em toda a bacia. Este marco representaria uma seção condensada marcando o topo de uma seqüência transgressiva, uma superfície de inundação máxima. • Formação Gramame (Kg): Reúne os calcários fossilíferos maastrichtianos aflorante em Recife e João Pessoa (Oliveira, 1940). Segundo Mabesoone & Alheiros (1991), essa formação, dada a sua ampla presença, apresenta-se dividida em três fácies, definidas, por calcarenitos e calcários arenosos, muito fossilíferos, na base, interdigitando-se com fosforitos e, no topo, calcários biomicríticos argilosos, com uma fácies supra-mesolitoral, uma fosfática e uma marinha plena. Segundo Beurlen (1967b), a fauna é abundante e caracterizada pela presença de gastrópodes, 34 cefalópodes, crustáceos, equinodermas, dentes e escamas de peixe, típicos de ambiente marinho relativamente calmo, de águas quentes e não muito profundas. Essa formação tem idade determinada como Maastrichtiano, mostra um caráter transgressivo sobre os arenitos Beberibe e, no topo, passa sem interrupção para os calcários da Formação Maria Farinha. • Formação Maria Farinha (Pamf): Designa os calcarenitos puros e argilosos paleocênicos sobrepostos aos carbonatos da Formação Gramame (Oliveira, 1940). Os dados sísmicos indicam que esta formação ocorre também na plataforma continental, provavelmente com idades mais novas (Brow et al 1983). Seu conteúdo fossilífero indica idade terciária inferior. É uma unidade que apresenta intercalações de níveis de argila, que parecem representar fases de exposição com desaparecimento da fração carbonática. No topo ainda pode aparecer areia de praia. Sua fauna também é abundante, sendo possível identificar gastrópodes, biválvios, equinodermas, nautilóides, etc, originários de um ambiente marinho de pouca profundidade e próximo à costa. Unidade tipicamente regressiva, a Formação Maria Farinha apresenta idade paleocênica, podendo chegar até o início do Eoceno. Barbosa (2004), afirmou que a Formação Maria Farinha (inferior) parece está restrita aos baixos da Sub-bacia Olinda, provavelmente devido à remoção de seus sedimentos por erosão diferenciada da plataforma em relação às outras sub-bacias (Miriri-Alhandra), ao norte, ou possivelmente por sua deposição nesta região ter sido impedida pela ação do evento de regressão. • Formação Barreiras (NQb): definida por Moraes (1930), designa os sedimentos neocenozóicos dispostos em falésias junto ao mar, ao longo de extensos trechos da costa brasileira. Ela foi também formalizada por Kegel (1955), como aflorando na atual Bacia da Paraíba. Mabesoone et al. 35 (1972) promoveram este conjunto a grupo, mas Alheiros et al (1988) reconduziram–no ao status de formação, afirmando ser essa unidade caracterizada pela presença de fácies típicas de um sistema fluvial entrelaçado e de fácies transicionais para leques aluviais. A primeira delas é composta por depósitos de granulometria variada, apresentando cascalhos e areias grossas a finas, de composição feldspática e coloração creme amarelada, com intercalações de microclastos de argila/silte. A ausência de fósseis no Grupo Barreiras leva à incerteza quanto a sua idade, com isso, alguns autores a consideram como do Terciário Médio ao Pleistoceno, Oligoceno a Pleistoceno (Mabesoone et al., 1972) ou Plioceno Inferior a Superior (Suguio et al., 1986). • Depósitos Quaternários Indivisosos (Q): são constituídos por sedimentos terrígenos (areias, silte, argilas, conglomerados, vasas diatomáceas e paleodunas), sedimentos turfáceos de ambiente flúvio lacustre e sedimentos de mangue, correspondendo às seqüências aluvionares ou elúvio/ coluvionares. 36 3 - GRAVIMETRIA 3.1 - Fundamentos do Método a) Gravidade Sabemos da existência de uma força que atua nos corpos próximos a superfície e também em todo o espaço intergalático, a qual se denomina “Força Gravitacional”, devido à contribuição dada por Isaac Newton, aos 23 anos. b) Gravitação Corresponde a tendência dos corpos de se moverem cada um em direção ao outro. O corpo próximo à superfície também exerce atração em relação à terra, embora não seja percebido devido à tamanha força que a Terra exerce em tais corpos. Ex: Assim como a Terra exerce atração sobre uma maçã, a maçã exerce uma atração sobre a Terra, só que essa força é infinitamente menor, sendo imperceptível e isso ocorre porque a massa da Terra é muito superior à massa da maçã (Fr = m.a). Lei da Gravitação de Newton F = G.m1.m2 R2 G= constante gravitacional (6,67. 10-11 N.m2/kg2). A força gravitacional depende da separação entre as duas partículas, mas não da localização. Além disso, a força não se altera pela presença de outros corpos. A força depende ainda de G, mas só se o valor de G variar, ou seja, multiplicando o valor de G por 10, o valor de G passaria a ser 6,67. 10-12 com esse valor nós seriamos esmagados pela força de gravidade, contudo se ao invés de multiplicar nós dividirmos, o valor de G 37 passará a ser 6,67. 10-10 com esse valor nós poderíamos saltar por prédios, pois a força de gravidade iria diminuir. Quando soltamos uma partícula próxima à superfície da Terra, ela experimenta uma força gravitacional, a qual provoca uma aceleração chamada de aceleração gravitacional ag. Pela 2º Lei de Newton esta força e aceleração de gravidade estão relacionadas por: Fr = m.ag ; F = G.M.m r2 Î m.ag = GM.m r2 Î Ag = G.m r2 É importante salientar que g (aceleração de queda livre) não é exatamente igual à ag (aceleração gravitacional); da mesma forma que o peso não é exatamente igual à Força gravitacional, pelos seguintes motivos: A Terra não é uniforme: sua massa específica varia radialmente; A Terra não é uma esfera; A Terra está girando. Portanto, se desprezássemos o movimento de rotação da Terra, tornando-a um referencial inercial, então teríamos g = ag. c) A Gravidade Terrestre e o Princípio de Isostásia Fatores que influenciam o valor da gravidade: • Altitude • Latitude • Marés 38 • Altitude G = g.M R2 Assim, quanto maior a altitude menor será a Força de gravidade. • Latitude A Terra é uma elipsóide de rotação, cujos pólos são achatados e o equador abaulado, sob a ação do movimento de rotação no sentido Oeste-Leste, está sujeita a uma Força centrífuga que tende a afastar os corpos do eixo, tendo no equador seu valor máximo e nula nos pólos. Assim, quanto maior a latitude maior será à força de gravidade (força resultante, pois o valor da gravidade é constante), conseqüentemente menor será a força centrífuga, pois são forças contrárias, só que a força de gravidade é sempre maior. • Marés Sob a influência da atração da Lua, secundariamente do Sol, a superfície dos oceanos sofre oscilações, ora se elevando, ora baixando, duas vezes por dia. Quando as forças do Sol e da Lua agem no mesmo sentido formam-se as grandes marés, e quando se acham em oposição, as marés são menores, sendo o nível mais alto denominado de preamar e o mais baixo de baixa mar. A própria Terra sofre a ação destas forças de maré, e como não é infinitamente rígida, sua superfície sólida se deforma da mesma maneira que a superfície livre da água, contudo não com a mesma magnitude. d) Redução da gravidade ao geóide Há três correções a serem feitas: 39 • Ar livre (altitude) • Bouguer • Topográfica (correspondem às massas situadas em cima da estação, depressões situadas por baixo do nível da estação: montanha + vale.). Anomalias - A anomalia gravitacional corresponde à diferença entre o valor da gravidade corrigido e o valor teórico da gravidade no esferóide para latitude e longitude da estação. Anomalia de ar livre: Gravidade observada + cor. de Ar livre – grav. teórica Anomalia de Bouguer: Gravidade observada + cor. de Ar livre – cor. de Bouguer + cor.top. - grav. teórica Correção da deriva instrumental A deriva é a diferença entre duas leituras realizadas em uma mesma estação em um certo intervalo de tempo. Estas leituras teoricamente deveriam ser iguais, contudo não são devido à infidelidade do gravímetro como ocorre com todos os instrumentos de precisão. Portanto, as leituras do instrumento devem ser corrigidas com os valores que obtemos da deriva, de tal maneira que os valores corrigidos se aproximem o mais possível aos que tivemos obtido de todas que havíamos realizado simultaneamente e com o mesmo instrumento. 40 e) Interpretação 1) Obtenção do Mapa de Anomalias Bouguer Ao realizar observações no campo medimos as variações relativas da componente vertical do campo gravimétrico terrestre. Os valores obtidos devem ser corrigidos para si ter em conta os seguintes fatores: • Variações da gravidade ao longo do dia, produzido pela posição do sol e da lua (efeito lunisolar ou das marés) e por deriva instrumental. • Diferenças de altitude das estações gravimétricas entre si e em relação ao plano de referencia (correção de ar livre, correção de Bouguer e correção topográfica). • Forma da Terra: Esferóide normal que dá lugar à correção de latitude. Uma vez corrigidos, os valores observados da gravidade se apresentam em um mapa de Anomalias de Bouguer, em que estão situadas todas as estações gravimétricas, trazendo curvas de isoanomalias. Porém, pela teoria potencial sabemos que a interpretação dos campos de potencial nunca é única, já que sempre será possível dispor de uma série de distribuições de massa que produzam o mesmo efeito gravimétrico. Por exemplo, um corpo de grande dimensão, com um pequeno contraste de densidade e próximo a superfície produziria uma anomalia gravimétrica semelhante à originada por um corpo de menor volume, com um grande contraste de densidade e estando a uma maior profundidade. A interpretação gravimétrica pode ser qualitativa e quantitativa. A qualitativa, objetivada neste trabalho, determina as anomalias existentes na zona, e sua provável relação com estruturas do tipo 41 anticlinal, sinclinal, etc. A quantitativa trata de determinar o volume, massa e profundidade das massas que produzem as anomalias gravimétricas. 2) Interpretação Geológica O mapa de Bouguer mostra a soma de todos os efeitos devido a todas as massas presentes tanto em profundidade como em superfície, ou seja, é dizer, que o mapa de Bouguer mostraria a soma dos efeitos das rochas sedimentares próximas, do embasamento ígneo, e incluso do magma no interior da Terra. Constata-se assim, que no mapa de anomalias de Bouguer as variações amplas serão devido a pequenos contrastes de densidade profundas ou distantes, geralmente no embasamento, e as variações curtas serão produzidas por contrastes de densidade mais próximos. Assim, podemos concluir que o principal objetivo da interpretação gravimétrica seria: a) A separação dos efeitos das massas profundas e superficiais: b) O cálculo do mapa residual, c) O cálculo do mapa de segundas derivas. 3.2 - Instrumentação Utilizada O levantamento gravimétrico foi executado utilizando-se dois gravímetros da marca La Coste & Romberg: Um, modelo G939, utilizado na primeira etapa e o outro modelo G-994 (Foto 6), utilizado nas demais etapas; ambos tem precisão de 0,01 mgal e aparência externa idêntica. O posicionamento 42 das estações foi obtido com o uso do E-map Garmin (Foto 7) com precisão que varia de 7 à 20 m para Foto 6 - Gravímetro La Coste & Romberg, usado no levantamento. Foto 7 - E-map Garmin – usado para posicionamento de estações. FONTE: A autora. FONTE: Joaquim A. da Motta. FONTE: A autora. posicionamento da base e dos pontos de observação (estações) (Foto 8). Foto 8 - Obtenção de posicionamento no Rio Goiana, com E-map Garmin. Os valores de campo foram reduzidos com o software Oasis Montaj versão 6.0. Os valores de anomalia Bouguer estão correlacionados a Rede Gravimétrica Fundamental Brasileira com valores de exatidão da ordem de +/- 0,02 mgal. A Fórmula Internacional de Gravidade de 1967, segundo Turcotte (1982), foi adotada como referência para correções de latitude, considerando ainda o valor de 2,67 gr/cm3 para a densidade Bouguer. Foram utilizados no levantamento altimétrico 8 altímetros sendo 2 digitais da marca Barigo e 6 analógicos da marca Thomen (Foto 9). Os dados altimétricos de campo foram corrigidos com uso do programa Corbar com precisão de um metro. Os dados adquiridos foram utilizados para a obtenção das altitudes relativas às estações, associado ao levantamento barométrico. 43 FONTE: A autora. Foto 9 - Altímetro utilizado nos levantamento altimétrico: 2 digitais da marca Barigo e 6 analógicos da marca Thomen. Para o controle de temperatura, úmida e seca, foram utilizados dois psicômetros elétricos da FONTE: Joaquim Alves da marca Lambrecht, ficando um na base e o outro na intinerância (Foto 10). Foto 10 – Psicrômetro Lambrecht utilizado em campo 3.2.1 - Descrição e princípio de funcionamento dos principais instrumentos para efetuar as medidas de gravidade: O pêndulo serve para fazer medidas absolutas e relativas da gravidade; a balança de torsão e o gravímetro servem unicamente para medir a gravidade relativa. Atualmente na prospecção somente se empregam os gravímetros. 44 O Gravímetro O gravímetro é um instrumento que mede as pequenas variações da componente vertical da gravidade, sendo classificados em gravímetros estáveis e instáveis. O fundamento do gravímetro é muito simples. Na essência consiste em uma massa (m) suspendida por uma mola ou sistemas de molas ou fibras de torsão. As pequenas variações da gravidade se traduziram em variações do peso (mg). • Gravímetros Estáveis São aqueles em que o cambio da longitude da mola é medido diretamente por meio de uma adequada amplificação óptica, mecânica ou elétrica. • Gravímetros instáveis Os gravímetros instáveis contam de uma massa M suspensa instavelmente por uma mola ou sistemas de molas. 3.3 - Procedimento de Campo na Área O levantamento gravimétrico foi realizado em escala regional, na área de estudo e na área a oeste, com espaçamento variando entre ½ até 2 ½ km, a depender do comportamento geofísico da área, e da porção de interesse da bacia (borda, vale, etc). 45 Para a escolha da base Gravimétrica, obedeceram-se os seguintes critérios: • A base encontra-se georeferenciada a um ponto de 1ª Ordem que possui coordenadas, altimetria e valor de gravidade absoluta conhecida; • Apresentou uma distância razoavelmente pequena em relação às estações (pontos de medições) tornando o trabalho desenvolvido viável, sem necessidade de se realizar transferência de base, por localizar-se numa área central, entre as áreas mapeadas; • O local escolhido apresentou relativa estabilidade gravimétrica, não ocorrendo variações muito grandes nas leituras durante o dia de trabalho. Inicialmente houve o estabelecimento da base gravimétrica na entrada principal da Igreja Matriz no Centro da cidade de Goiana - N. Sra. do Rosário (Foto 11), um ponto de segunda ordem com altitude de 13 metros e coordenadas conhecidas, localizado no centro das áreas conjuntas do Projeto (correspondente FONTE: Everton Neves Menor. aos mapeamentos de Edlene e Menor, inicialmente citado) sendo posicionado na área de estudo a oeste. Foto 11 – Base Gravimétrica: Igreja Matriz N. Sra. do Rosário, no Centro de Goiana. 46 As estações foram determinadas e suas leituras plotadas em um mapa topográfico na escala de 1:100.000. Estas estações gravimétricas foram determinadas ao longo de estradas principais e carroçáveis da área (Fotos 12, 13 e 14), e excepcionalmente em caminhos próximo a margens de rios (Fotos 15 e 16), caracterizando dessa maneira uma malha do tipo não regular, com a finalidade de posteriormente Fotos 14 - FONTE: A autora. Fotos 13 FONTE: A autora. Fotos 12 - FONTE: João Rodrigues. T. Júnior confeccionar um mapa gravimétrico para identificação e localização de estruturas presentes na área; Fotos 16 - FONTE: A autora. Foto 15 - FONTE: A autora. Fotos 12, 13 e 14 - Afloramentos ao longo de estradas principais e carroçáveis da área. Fotos 15 e 16 - Afloramentos à margem do Rio Goiana. 47 Ao longo do levantamento gravimétrico, procurava-se sempre observar feições ou eventos que indicassem possíveis informações a respeito do comportamento estrutural e/ou movimentos recentes na bacia, relacionando-o ao posicionamento do mesmo. Em dois dos dias de campo foram registradas atividades sísmicas (microsismo) nas regiões de borda do graben de Goiana, um deles na praia de Acaú (na área de estudo) e outro próximo ao Rio Goiana, na BR-101 (na área de estudo a oeste). Estes sismos foram detectados pela instabilidade de leitura do gravímetro inviabilizando a leitura do equipamento, durante a ocorrência do mesmo e são atribuídos à acomodação que ocorre no graben onde se encontra encaixado o Rio Goiana. 3.4 - Interpretação dos dados O levantamento gravimétrico cobriu uma área de 327,726Km2, com um total de 213 estações, cujo espaçamento das estações variava entre ½ e 2 ½ km uma da outra, a depender do comportamento geofísico da área. Ele foi realizado acompanhado de levantamento altimétrico, o qual possibilitou a redução dos dados (correção de ar-livre, Bouguer, e topográfica), utilizados para a geração posterior dos Mapas Gravimétricos Bouguer, Residual e Regional. Para interpretação dos dados de gravimetria foram feitos três tipos de mapas diferentes. O Mapa Gravimétrico Bouguer feito após as correções descritas, em cada estação e os Mapas Gravimétricos Regional e Residual, obtidos por técnicas de separação de anomalias, sendo ambos de grande utilidade para se definir o que é anomalia regional ou profunda e o que é anomalia residual, local ou superficial. 48 3.4.1 - Descrição Qualitativa do Mapa Gravimétrico Bouguer Analisando o Mapa Gravimétrico Bouguer na área de estudo juntamente com a área vizinha a oeste (ver Fig. 13), observa-se que as curvas de contorno são caracterizadas pelas seguintes feições: PITIMBÚ ACAÚ GOIANA PONTAS DE PEDRA PONTA DO FUNIL FIG. 13 - Mapa Gravimétrico Bouguer da área de estudo (destacada) juntamente com a área vizinha a oeste. 49 1. Alinhamentos Sub-Paralelos à costa: Sub-paralelismo das curvas de isoanomalias em relação à costa que, grosso modo, pode ser subdividido em três patamares os quais apresentam diferentes densidades com valores crescentes no sentido de oeste para leste, sendo estes deduzidos no sentido de aprofundamento da bacia. Por se tratar de uma bacia sedimentar, esse comportamento torna-se contraditório, pois, a densidade do embasamento apresenta valores mais elevados em relação ao pacote sedimentar. Logo, esperava-se uma diminuição da anomalia no sentido da bacia, o que não observamos na área. Essa feição regional é citada por Rand (1977) em seus trabalhos sobre a gravimetria da Bacia João Pessoa, onde é ressaltada a existência de um forte gradiente mascarando o contraste de densidade entre os sedimentos e o cristalino e afirma que a causa desse gradiente deve originar-se nas profundidades maiores dentro da crosta. Para justificar isso ele propõe que a própria descontinuidade de Mohorovicic deve subir progressivamente já na faixa cristalina antes de chegar à bacia litoral. Essa feição provavelmente reflete a primeira fase do rifteamento que culminou na separação dos continentes Africano e Sul-Americano, onde cada curva de contorno paralela à costa possivelmente representa os semi-riftes ocorridos durante a deriva. Essa é a principal feição evidenciada na área de estudo. 2. Alinhamentos Sub-Perpendiculares à costa: Uma segunda feição gravimétrica destacada no sentido norte – sul do mapa é caracterizada por lineações transversais sub-perpendiculares à costa, as quais limitam áreas onde se observa uma alternância de intervalos de valores de gravidade mais positivo e menos positivo. Isso se torna bastante evidenciado principalmente na faixa central do mapa, onde a alternância dos valores gravimétricos é facilmente 50 percebida devido o forte contraste de cores. À medida que se aproxima da bacia, nota-se que as inflexões das curvas de isoanomalias vão suavizando, assim também como ocorre na direção do embasamento (no extremo oeste do mapa). Estruturalmente temos feições alongadas que caracterizam blocos positivos e negativos os quais se intercalam e são limitados por esses alinhamentos, mostrando basculamento em degrau ou tipo grabens e horst. Nesta área encontramos rios que costumam se encaixarem em lineações ou falhas, apresentando aspecto retilíneo característico, como, o Rio Goiana posicionado encaixado na lineação Goiana, descrita e localizada por Rand & Manso (1990). Relembramos que os valores que aparecem caracterizando os blocos positivos e negativos acima descritos encontram-se invertidos, devido a influência da descontinuidade de Mohorovicic, já citada. Dois blocos gravimétricos nos chamam a atenção (Fig.14): um localizado na porção central do mapa (A) e logo abaixo deste outro grande bloco (B) que se apresentam como positivo, mas na realidade são blocos negativos correspondentes respectivamente à Lineação Goiana e a Lineação Itapessoca, ambas apontadas por Rand & Manso (1990) em seus trabalhos geofísicos na faixa costeira do nordeste do Brasil. Observa-se para norte a continuidade da compartimentação em blocos da Bacia João Pessoa Sul, não sendo esta melhor detalhada, devido atingir o limite norte da área de estudo. Essa segunda feição observada pode ser atribuída a uma segunda fase do rifteamento ocorrido, durante a formação do atlântico. Segundo o mapa Bouguer gerado salienta-se que gravimetricamente não há indícios do cristalino na área de estudo, entretanto na área vizinha a oeste o mesmo pôde ser detectado, concordantemente em alguns pontos com o Mapa Geológico. Na figura 14 podemos ver como se sugere que estejam posicionados os alinhamentos acima descritos. 51 A B FIG. 14 - Mapa Gravimétrico Bouguer mostrando os alinhamentos sugeridos. 3.4.2 - Análise do Mapa Residual Comparando-se o mapa de campo residual gravitacional (Fig. 15), com o mapa de campo regional gravitacional (Fig. 16) observamos que o mesmo mantém, em parte, a mesma configuração, no sentido de norte para sul, de blocos basculados com direção leste - oeste e anomalias alternando entre positivas e negativas. 52 PITIMBÚ ACAÚ GOIANA PONTAS DE PEDRA PONTA DO FUNIL FIG. 15 - Mapa Gravimétrico Residual da área de estudo (destacada) juntamente com a área vizinha a oeste. Já, os patamares antes caracterizados no mapa Bouguer, no campo residual não se apresentam tão nítidos, pois, devido a estruturas superficialmente localizadas, os blocos não se apresentam tão uniformes. Diversas anomalias sobressaem-se, entretanto, tais pontos de destaque tratam-se de elevações pontuais, atribuídas à pequena profundidade das estruturas. Devemos lembrar que todos os mapas gravimétricos apresentam-se com valores de gravidade invertido, devido à tendência da Regional onde se constata a subida da descontinuidade de Mohorovicic, já citada anteriormente. 53 3.4.3 - Análise do Mapa Gravimétrico Regional Observando-se os Mapas Gravimétricos Bouguer e Regional (Fig. 16) percebe-se uma aproximação nos padrões de curvas, com o Mapa Regional Gravimétrico obedecendo, de forma geral, o posicionamento das estruturas apontadas no Mapa Gravimétrico Bouguer. PITIMBÚ ACAÚ GOIANA PONTAS DE PEDRA PONTA DO FUNIL FIG. 16 - Mapa Gravimétrico Regional da área de estudo (destacada) juntamente com a área vizinha a oeste. Essa semelhança sugere que as principais anomalias apresentam caráter profundo. Verifica-se que existem variações discretas no gradiente, comparando-se algumas partes do mapa, como, por exemplo, 54 na porção norte e também na porção sudeste da área de estudo. Contudo, o que predomina, no aspecto geral observado nas curvas, é o fato de os contornos apresentarem-se relativamente melhor suavizados no mapa regional, em relação ao Mapa Gravimétrico Bouguer, mas ambos obedecem ao mesmo padrão estrutural. 3.4.4 – Perfis Com a finalidade de propor uma idéia no que concerne ao posicionamento das estruturas sugeridas para a Bacia da Paraíba, na área estudada, sem, no entanto ter ocorrido uma análise quantitativa do Mapa Gravimétrico Bouguer, foram elaborados dois perfis A-B e C-D, apontados no mesmo (Fig.17). FIG. 17- Mapa Gravimétrico Bouguer com o posicionamento dos Perfis A-B e C-D. 55 - Descrição dos Perfis: 1. Perfil A-B: Como podemos observar, posiciona-se com direção W-E, estendendo-se ao longo do Vale do Rio Goiana, com aproximadamente 32 km de extensão e encontra-se apresentado na Fig. 18. Neste perfil podemos notar uma estrutura em rampa sugerida para o embasamento cristalino, no sentido de oeste-leste. FIG. 18 – Perfil A-B 2. Perfil C-D: Posiciona-se no Mapa Gravimétrico Bouguer (Fig. 17) com direção levemente rotacionada Norte-Sul e extensão de aproximadamente 29 km, cortando os grabens de Goiana e Itapessoca (blocos negativos) sugeridos por Manso e Rand (1990) e o horst, denominado neste trabalho como Horst Santa Tereza (bloco positivo entre os grabens). Neste perfil (Fig. 19) podemos notar a estrutura de blocos basculados proposta para o embasamento cristalino. Horst Santa Teresinha FIG. 19 – Perfil C-D 56 3.5 - Resultados do Levantamento Gravimétrico Como produto do mapeamento gravimétrico da área de estudo foi gerado o que sugerimos como Mapa de contorno estrutural do embasamento da área de estudo juntamente com a área de estudo a oeste, apresentado no Anexo 2. Este apresenta os grabens de Goiana, ao Centro e Itapessoca mais ao sul, já identificado por Rand e Manso (1990) nos seus trabalhos gravimétricos e aqui sugeridos como áreas interessantes para furos estratigráficos ou hidrogeológicos e entre estes o Alto estrutural ou Horst Santa Tereza. Ao norte, verifica-se a possível ocorrência de outro graben, não sendo, entretanto possível uma segura confirmação do mesmo, devido este se encontrar no limite da área de estudo, sugerindo-se, portanto estudos geofísicos futuros para melhor detalhar estruturas circunvizinhas. Durante as etapas de campo registrou-se a ocorrência de “sismicidade”, nas regiões de borda do Graben Goiana, indicativo forte de que a área se encontra em estágio de “acomodação de blocos”, no caso, o Graben de Goiana. 57 4 - RADIOMETRIA A Radiometria é a parte da geofísica que pode ser entendida como o conjunto de técnicas de inferir medidas de acordo com a radioatividade dos materiais. 4.1 - Características do Método A radioatividade é definida, de acordo os princípios físicos, como a desintegração espontânea do núcleo atômico, resultando na emissão de energia radiante e partículas de massa de sua constituição interna. Do ponto de vista da prospecção geofísica, os componentes do átomo de interesse das radiações são os prótons e os nêutrons. O próton é a unidade positiva fundamental de eletricidade. O número de prótons no núcleo identifica o elemento por caracterizar o número atômico do elemento. O nêutron é a partícula eletricamente neutra que durante a desintegração radioativa pode dividirse em um próton, o qual permanece no núcleo e um elétron, o qual é emitido. Se uma substância é radioativa, ela pode emitir naturalmente três tipos de radiações: • Raios α → Radiações corpusculares de carga positiva, composta por dois prótons e dois nêutrons, possuindo alto poder de ionização e pequeno poder de penetração. • Raios β → Radiações corpusculares que possuem carga –1, constituídas por elétrons originados da quebra dos nêutrons. São menos ionizantes e mais penetrantes que as partículas α. • Raios γ → São ondas eletromagnéticas, como os raios x ou a luz, mas com menor comprimento de onda (λ). Das três radiações, ela é a menos ionizante, por não apresentar cargas, mas tem um alto poder de penetração, motivo pelo qual são usados contadores de raios γ ao invés de 58 contadores de raios α ou β na prospecção radiométrica. Os principais elementos radioativos são urânio (U), tório (Th) e potássio (K), sendo o urânio o mais usado atualmente. 4.2 - Instrumentação Utilizada O Equipamento utilizado para efetivação do trabalho de campo foi o cintilômetro de contagem total, de fabricação nacional, marca MICROLAB, equipado com um cristal de Iodeto de sódio e calibrado para medir radiações em contas por segundo (cps). É um tipo de instrumento de prospecção radiométrica podendo medir radiações de até 15.000 cps. É de fácil manejo, sendo bastante prático em trabalhos dessa FONTE: A autora. natureza, e apropriado para prospecção radiométrica autoportada, conforme podemos ver na figura 17. Foto 17 – Manejo do cintilômetro em campo. 4.2.1 - Descrição e princípio de funcionamento dos cintilômetros O elemento sensível destes instrumentos é um cristal (scheelita, naftaleno, sulfeto de zinco, iodeto de Sódio ativado por Tálio) ou massas de plásticos ativadas. Esses materiais têm a propriedade de emitirem lampejos de luz (cintilações) para cada raio-gama que o atinge e é absorvido. Como todos os raios que incidem são praticamente absorvidos, a sensibilidades destes instrumentos é muito maior (cerca de 100 vezes) que a dos tubos Geiger. As cintilações libertadas pelos cristais são detectadas por um cátodo 59 em um tubo fotomutiplicador que emite uma nuvem de elétrons para cada cintilação. Esses elétrons são acelerados no campo elétrico de um certo n0 de elétrons; Quando esses elétrons atuam sobre os eletrodos causam a emissão de elétrons secundários do eletrodo (multiplicação do número original de elétrons) com o resultado de que é emitido através do tubo um grande feixe de elétrons para cada raio-gama que tenha atingido o cristal. Esses pulsos de corrente são posteriormente amplificados e indicados em um medidor como contagens/seg, ou como a razão de intensidade em miliröntgens/hora (mr/h). A sensibilidade do cintilômetro é relacionada, de certo modo, com o tamanho do cristal. Enquanto os cristais de equipamentos portáteis têm uma área de 1”x1”, os equipamentos aerotransportados têm cristais de até 16”x10”. Eles podem ser usados em conexão com espectrômetos, o que torna possível separar a radiação devida ao Potássio, da devida ao Urânio e Tório. 4.3 - Procedimento em campo O levantamento radiométrico realizado na área constou basicamente da obtenção de leituras de radiação total, utilizando o cintilômetro nas diversas estações estabelecidas na área de estudo e na área vizinha a oeste. As estações, num total de 226, localizavam-se, 13 delas, em pontos estratégicos do levantamento geológico e as demais nos mesmos pontos do levantamento gravimétrico, tendo um espaçamento que variava entre ½ até 2 ½ km uma da outra. Situavam-se ao longo de rodovias principais e carroçáveis da área e em alguns casos em caminhos, veredas ou próximo às margens de rios, determinando desse modo uma malha não regular, com a finalidade de posteriormente confeccionar um mapa radiométrico para compreensão da litologia da área de estudo juntamente à área vizinha a oeste. 60 4.4 - Confecção do mapa Tomaram-se 226 estações distribuindo-os numa malha irregular, conforme podemos ver plotado no mapa abaixo (Fig. 20), destacando a área corresponde mapeamento (da autora), juntamente com a área a oeste correspondente ao mapeamento realizado por Menor (inédito). Área de Menor (inédito) Área de estudo PITIMBÚ ACAÚ GOIANA PONTAS DE PEDRA PONTA DO FUNIL FIG. 20 – Mapa Radiométrico destacando as área de mapeamento. 61 4.5 – Interpretação No mapa plotado na Fig. 21, correspondente à área de estudo isolada, podemos observar que não registramos valores de cintilometria anômalos, encontrando apenas diferenciações sutis nos valores de radiação, que auxiliam na identificação da litologia da área. PITIMBÚ ACAÚ PONTAS DE PEDRA PONTA DO FUNIL FIG. 21 – Mapa Radiométrico da área de estudo, gerado no Surfer. 62 Notamos que na área, os maiores valores parecem estar relacionados com afloramentos da Formação Barreiras. Observamos, no entanto, valores mais altos nas extremidades sudeste e noroeste do mapa, mas, estes representam apenas erros de borda de mapa gerados pelo programa e não anomalias radiométricas. Na figura 20, temos a área de estudo acrescida da área a oeste correspondente ao mapeamento realizado por Menor (comunicação verbal, ainda não publicado). Se analisarmos em conjunto os mapeamentos, notamos um pequeno acréscimo nos valores de radiação na porção central a oeste da malha em pontos que provavelmente correspondem à exposição do cristalino, o qual não se encontra exposto na área de estudo. Nos trabalhos desenvolvidos em regiões vizinhas por Manso (1992), Motta (1986) e Correia (1986), observamos que esses autores consideraram nas suas áreas de estudo variações de radioatividade existentes numa mesma unidade litoestratigráfica, mas procuraram estabelecer, com um bom nível de precisão, uma classificação para as mesmas no que se refere à correspondência entre radiação e unidade (Ver tabela 1). Os valores mínimos atingidos foram atribuídos a uma faixa de radiação equivalente à faixa cósmica do ar, indicando valores de Areia quartzosa (areia branca), onde é registrado que não há presença de nenhum conteúdo contendo urânio ou potássio. Com a passagem das areia branca para a Cobertura sedimentar o nível de radiação aumenta, caracterizando a presença de certa quantidade de argila. No Barreiras, o nível de radiação aumenta um pouco mais, devido além da presença do potássio nas argila a um possível conteúdo de minerais radioativos em seus estratos. Ao cristalino é atribuído os mais elevados valores de radiação pela provável presença do potássio em suas rochas, sendo mais radioativas aquelas mais ricas em feldspato potássico. 63 UNIDADE Background da área em estudo Areia quartzosa (areia branca) Cobertura sedimentar Sedimentos do Barreiras Rochas cristalinas Valor Radiação em cps/s MANSO (1992) MOTT A (1986) CORREIA (1986) 10 - 100 20 - 90 10 - 100 10 - 15 20 – 30 10 - 15 30 - 40 30 - 40 30 - 45 50 - 70 50 - 70 50 - 70 75 - 100 75 - 90 75 - 100 Tabela 1 - correspondência entre radiação e unidade litológica, segundo os autores Manso, Motta e Correia. Em relação ao mapeamento desenvolvido nas área reunidas (Áreas de Everton e Edlene) foi calculado o background e o valor estatístico das áreas de estudo, conforme exposto no anexo 1. Baseado nesses dados podemos afirmar que os dados concordam com o que foi encontrado pelos trabalhos dos autores acima citados, no que se referem aos valores mais altos de emissões radiométricas estarem situados em porções do embasamento, enquanto os mais baixos são atribuídos à área de sedimentos aluvionares. Na tentativa de fazer uma correspondência com o Mapa Geológico (CPRM, 2002), podemos afirmar que, especificamente na área de estudo, os valores mais altos correspondem aos afloramentos do Barreiras e os mais baixos aos sedimentos do Quaternário, sem haver diferenciações significantes para as Formações Gramame e Beberibe. 64 4.6 - Resultados do Levantamento Radiométrico O levantamento radiométrico abrangeu aproximadamente 327,726Km2 de área mapeada, onde foram percorridas rodovias com cintilômetro (Autoportada) a fim de detectar possíveis anomalias. Entretanto nada foi detectado acima dos padrões normais de radiação (Background). Assim sendo, o método geofísico (radioatividade), teve mais utilidade com relação a sua utilização no mapeamento geológico, auxiliando a diferenciar unidades litoestratigráficas pelo seu nível de radiação, do que na prospecção de materiais radioativos, que sem dúvida é sua maior finalidade. A tentativa de se estabelecer uma relação entre as unidades litoestratigráficas e o background característico correspondente (nível de radiação) teve resultado satisfatório em toda área de pesquisa. Entretanto, em uma mesma unidade litoestratigráfica nota-se uma variação do nível de radiação, em função da diversidade mineralógica da unidade considerada. Comparando o mapa radiométrico da área em estudo, juntamente com a da área a oeste, notamos que o mesmo apresenta pontos com pequeno aumento dos valores de radiação em relação à área de pesquisa provavelmente atribuídos a esta conter trechos com porções do embasamento da bacia exposto, embora o mesmo encontre-se alterado. 65 5 - CONCLUSÕES - Em relação à litologia, foram encontrados poucos afloramentos naturais na área estudada, durante os trabalhos de campo. Estes continham apenas sedimentos da Bacia da Paraíba, não se registrando a presença de afloramentos expondo seu embasamento, indicando que o mesmo provavelmente encontrase encoberto pelas camadas sedimentares. - A ocorrência de “sismicidade”, nas regiões de borda do Graben Goiana é indicativo forte de instabilidade tectônica da área sendo sugerido estudo sismológico na área atingida. - O mapeamento gravimétrico realizado apresenta resultados concordantes com os trabalhos realizados por Rand no que concerne aos alinhamentos paralelos à costa, apresentando valores invertidos devido à descontinuidade de Mohorovicic. -Associado a estes, lineações perpendiculares à costa (norte-sul), mostram basculamento de blocos, representados pelos grabens de Goiana e Itapessoca (Rand e Manso, 1990) e o Alto estrutural ou Horst Santa Tereza descrito neste trabalho. Os grabens de Goiana e Itapessoca são sugeridos como áreas interessantes para furos estratigráficos ou hidrogeológicos. -Algumas estruturas limítrofes não puderam ser melhor estudadas. Estas podem responder a questões não resolvidas no presente trabalho, sendo proposto complemento de estudo para estas áreas. - Em relação ao Mapa Radiométrico gerado, nada foi detectado acima dos padrões normais de radiação (background). Assim sendo, o método geofísico radioatividade apresentou mais utilidade no mapeamento geológico, diferenciando algumas unidades litoestratigráficas pelo nível de radiação, como a Formação Barreiras, com valores mais altos e os sedimentos do quaternário, que apresentaram os mais baixos valores, devido aos mesmos se mostrarem desprovido de minerais radioativos. 66 6 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALHEIROS, M. M., FERREIRA, M. G. V. X. 1993. Definição da Formação Beberibe na Faixa Recife João Pessoa. In: XV Congresso de Geologia do Nordeste – Natal, RN. Sociedade Brasileira de Geologia, Núcleo Nordeste. Boletim 13. p. 51. ALHEIROS, M. M.; LIMA FILHO, M. F.; Monteiro, F. A. J., & OLIVEIRA, J. S. 1988. Sistemas deposicionais na Formação Barreiras no Nordeste Oriental. In: Congresso Brasileiro de Geologia, 35, Goiana, SBG. V.2, p.753-760. ANDRADE, M. C. O. 2003. Atlas Escolar de Pernambuco. João Pessoa – GRAFSET - 2ª Edição. 160 p. ARAÚJO, R. D. 1994. Levantamento Geofísico nos arredores do Cabo de Santo Agostinho. Centro de Tecnologia e Geociências. Universidade Federal de Pernambuco. Relatório de graduação. Recife-PE. 64 p. ASMUS, H. E.; CARVALHO, J. C. 1978. Condicionamento tectônico da sedimentação nas bacias marginais do Nordeste do Brasil (Sergipe-Alagoas e Pernambuco-Paraíba). PROJETO REMAC – Aspectos estruturais da margem continental leste e sudeste do Brasil. Rio de Janeiro. PETROBRÁS/CENPES. 4: p.1-24. BARBOSA, J.A., SOUZA, E.M., LIMA FILHO, M.F., NEUMANN, V.H. 2003. A estratigrafia da Bacia Paraíba: uma reconsideração. Estudos Geológicos, Recife, 13: 89-108. BARBOSA J. A. 2004. Evolução da Bacia Paraíba Durante o Maastrichtiano-Paleoceno – Formações Gramame e Maria Farinha, NE do Brasil. Centro de Tecnologia e Geociências. Universidade Federal de Pernambuco. Dissertação de Mestrado. 229 p. BARBOSA A. J., LIMA FILHO. 2005. Os domínios da Bacia da Paraíba. 3° Congresso Brasileiro de P&D em Petróleo e Gás, Salvador. BEURLEN, K. 1962. O desenvolvimento paleogeográfico do Oceano Atlântico Sul. Arquivos de Geologia. Escola de Geologia, Universidade Federal de Pernambuco. (2): p.21-36. BEURLEN, K., 1967a. Estratigrafia da faixa sedimentar costeira Recife - João Pessoa. Boletim Geológico. São Paulo - SP. 16(1): p.43-53. BEURLEN, K. 1967b. Paleontologia da faixa sedimentar costeira Recife-João Pessoa. Boletim Geológico. São Paulo - SP. 16(1): p.73-79. CORREIA, P. B. C. 1986. Geofísica e sedimentologia da Região de També e Pedra de Fogo – PB. Dissertação de Mestrado, UFPE - Recife. 152 p. 67 CPRM – Serviço Geológico do Brasil. 1999. Mapa geológico da RMR - Região Metropolitana de Recife. Escala 1:50000. CPRM – Serviço Geológico do Brasil. 2001. Geologia e recursos minerais do Estado de Pernambuco. Wanderley, A. A.; Santos, E. J. (orgs). Recife – PE. 101 p. il. 2 mapas Escala 1:500000. CPRM – Serviço Geológico do Brasil. 2002. Geologia e recursos minerais do Estado da Paraíba. SANTOS, E. J.; FERREIRA, C. A.; SILVA JR. J. M. (orgs). Recife, 142 p. il. 2 mapas. Escala 1:500000. CPRM – Serviço Geológico do Brasil. 2004. Carta Geológica do Brasil ao milionésimo. CD-ROM da Folha SB. 25 (Natal) - Folha SC. 25 (Recife). Escala 1:1000000. DIAS BRITO, D. 1985a. Calcisphaerulidae do Albiano da Bacia de Campos, Rio de Janeiro, Brasil. Investigações taxonômicas: biocronoestratigráficas e paleoambientais. In: Brasil, MME, DNPM. Col Trab. Paleont. Brasília. Geologia 27, Paleontologia e Estratigrafia 2: 295-306. DIAS BRITO, D. 1985b. Calcisphaerulidae e microfósseis associados da Formação Ponta do Mel da Bacia Potiguar, Brasil: considerações paleoecológicas e biocronoestratigráficas. In: Brasil, MME, DNPM. Col Trab. Paleont. Brasília. Geologia 27, Paleontologia e Estratigrafia 2: 307- 314. DIAS BRITO, D. 1987. A Bacia de Campos no Mesocretáceo: uma contribuição à paleoceanografia do Atlântico Sul primitivo. Rev. Bras. Geoc. 17(2): 162-167. DIAS BRITO, D. 1995. Calciferas e microfácies em rochas carbonáticas pelágicas mesocretáceas. Tese de Doutorado – Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre. 688 p. DIAS BRITO, D. 2000. Global stratigraphy, paleobiogeography and palaeoecology of AlbianMaastrichtian pithonellid calcispheres: impact on Tethys configuration. Cretaceous Research, 21: 315-349. DOBRIN, M. B. 1975. Introdución a la Propección Geofísica. Barcelona. Ediciones Omega. 245p. FEIJÓ, F. P. 1994. Bacia Pernambuco-Paraíba. In: Boletim de Geociências da Petrobrás. Rio de Janeiro, Petrobrás, 8(1): p.143 – 148. FEITOSA, E. C.; FEITOSA, F. A. C. 1986. Considerações sobre a Bacia Potiguar – Bacia Costeira Pernambuco-Paraíba. Departamento de Geologia, Universidade Federal de Pernambuco. Série Estudos Geológicos. 8: p.71-78. FRANÇOLIN, J. B. L.; SZATMARI, P. 1987. Mecanismo de rifteamento da porção oriental da margem norte brasileira. Revista Brasileira de Geociências. 17(2): p.196-207. KEGEL, W. 1955. Geologia do fosfato de Pernambuco. Boletim da Divisão de Geologia Mineral. Rio de Janeiro. DNPM. Nº 157. 54p. 68 LIMA FILHO, M. F. 1996. Correlação da Bacia Cabo com as Bacias do Oeste Africano. Simpósio dos Aspectos Tectônicos, Deposicionais e Evolutivos de Bacias Rift. In: XXXIX Congresso Brasileiro de Geologia. Salvador, Bahia. Anais... 5: p.347-349. LIMA FILHO, M. F. 1998a. Análise estratigráfica e estrutural da Bacia Pernambuco. Universidade de São Paulo, São Paulo, Tese de Doutorado, 180p. LIMA FILHO, M. F. 1998b. The main tectonic-magmatic events in Pernambuco basin (NE Brazil). In: Mabesoone, J. M. (ed.) Contribuições científicas do LAGESE (Laboratório de Geologia Sedimentar) para o projeto IGCP No. 381 “Correlações Mesozóicas no Atlântico Sul”. Universidade Federal de Pernambuco. Departamento de Geologia. Publicação Especial 4. Recife - PE. LIMA FILHO, M. F.; SOUZA, E. M. 2001. Marco estratigráfico em arenitos calcíferos do Campaniano da Bacia Paraíba: estratigrafia e significado paleoambiental. In: XIX Simpósio de Geologia do Nordeste. Anais... p.87-88. LIMA FILHO, M. F; BARBOSA J. A.; NEUMANN, V.H; SOUZA, E. M. 2005. Evolução estrutural comparativa da Bacia de Pernambuco e da Bacia da Paraíba. X Simpósio Nacional de Estudos Tectônicos e IV International Symposium on Tectonics of the Brazilian Geological Society CuritibaPR. MABESOONE, J. M.; TINOCO, I. M.; COUTINHO, P. N. 1972. The Mesozoic-Tertiary Boundary in Northeastern Brazil. Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology. 4: p.161-185. MABESOONE, J. M.; SILVA, A. C. 7 BEURLEN, K. 1972. Estratigrafia e origem do Grupo Barreiras em Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. São Paulo, Rev. Bras. Geociências. V.2, n. 3, p173-188. MABESOONE, J. M.; ALHEIROS, M. M. 1988. Origem da bacia sedimentar costeira Pernambuco Paraíba. Revista Brasileira de Geociências. São Paulo. 18(4): p.476-482. MABESOONE, J. M.; ALHEIROS, M. M. 1991. Base Estrutural - Faixa sedimentar costeira de Pernambuco, Paraíba e parte do Rio Grande do Norte. In: Estudos Geológicos. Recife – PE. Universidade Federal de Pernambuco. Departamento de Geologia. Estudos e Pesquisas. v.10. Série B. p.33 – 43. MANSO, V. A. V. 1982. Geofísica e Sedimentologia da Região de Itabaiana - PB. Dissertação de Mestrado, UFPE - Recife. 96 p. MATOS, R.M.D. 1999. History of the northeast Brazilian rift system: kinematic implications for the break up between Brazil and West Africa. In: Cameron, N.R; Bate, R.H, Clure, V.S. (eds). The oil and gas habitats of the South Atlantic. Geol. Soc. Spec. Publ., 153: 55-73. MENOR, E. A.; AMARAL, A. J. R. 1979. O comportamento mineralógico da sedimentação fosfática na Bacia Sedimentar Costeira Pernambuco - Paraíba. In: IX Simpósio de Geologia do Nordeste. Natal – RN. Boletim (7): p.271-282. 69 MENOR E. N., SILVA E. P., MOTTA J. A. 2005. Definição de Estruturas na Bacia Paraíba (NE do Brasil) com Modelagem Gravimétrica em 2 d. 3º Congresso Brasileiro de P&D em Petróleo e Gás. MORAES REGO, L. F. 1930. Notas sobre a geologia do Território do Acre e da Bacia do Javary. Manaus, C. Cavalcante. 45p. MORAIS, D.M.F., MENOR, E., VILA NOVA, F., PEREIRA, E., BARBOSA, J.A., LIMA FILHO, M., NEUMANN, V.H. 2004. Evidência de Neotectonismo na Bacia Paraíba (Sub-bacia Olinda), NE do Brasil. Simpósio da Região nordeste sobre Pesquisa e Desenvolvimento em Petróleo e Gás Natural, 1, Recife, Anais, 29-30. MORAES, D. M. F. 2005. Geologia da Porção central da Sub-Bacia de Olinda, Bacia da Paraíba. Centro de Tecnologia e Geociências. Universidade Federal de Pernambuco. Monografia. 64 p. MOTTA, J. A. 1986. Reconhecimento Geofísico e Sedimentológico da Região de Cajá - Santa Rita Paraíba. Dissertação de Mestrado, UFPE - Recife. 155 p. MOTTA, J. A., ARAÚJO R. D., LIMA FILHO, M. F. 1994. Levantamento geofísico nos arredores do Cabo de Santo Agostinho. Centro de Tecnologia e Geociências. Universidade Federal de Pernambuco. Relatório. 64 p. NOVA, F.A. M. V. 2005. Mapeamento geológico e Estrutural da porção sul da Sub-bacia Olinda, Bacia da Paraíba. Centro de Tecnologia e Geociências. Universidade Federal de Pernambuco. monografia. 54 p. OJEDA, H. A. O. 1981. Estrutura estratigrafia e evolução das bacias marginais brasileiras. Revista Brasileira de Geociências. São Paulo - SP. 11(4): p.257-273. OLIVEIRA, P. E. 1940. Invertebrados cretácicos do fosfato de Pernambuco. Div. Geol. Min. DNPM. Bol. 172, 35p. PREMOLI SILVA, I. & BOERSMA, A. 1977. Cretaceous planktonic foraminifers – DSDP Leg 39 (South Atlantic). In: Perch-Nielsen, K. & Supko, P., Init. Repts. DSDP, Washington (U.S. Govt. Printing Office), 40:1025-1061. RAND, H. M. 1967. Estudos geofísicos na faixa sedimentar costeira Recife – João Pessoa. Sociedade Brasileira de Geologia, Boletim, 16(1): p.87 – 99. RAND, H. M. 1976. Estudos Geofísicos na Faixa Litorânea ao Sul de Recife. Tese de Livre Docência. Universidade Federal de Pernambuco. Recife, 112 p. RAND, H. M. 1977. Reconhecimento gravimétrico da Bacia João Pessoa. Bol. Núcleo Nordeste. Soc. Bras. Geol.. 6 – Atas VIII Simp. Geol. Nordeste, Campina Grande, 429-438p. 70 RAND, H. M. 1978. Análise gravimétrica e magnetométrica da estrutura superficial da faixa costeira do Nordeste brasileiro. In: XXX Congresso Brasileiro de Geologia. Recife - PE. Anais... 5: p.23362346. RAND, H. M.; MABESOONE, J. M. 1982. Northeastern Brazil and the final separation of South America and Africa. Paleogeogaphy, Paleoclimatology, Paleoecology. 38: p.163-183. RAND, H. M. 1985. Ligação “landbridge” (ponte intercontinental) entre Pernambuco-Paraíba e Nigéria-Camarões. In: Fanerozóico Nordestino. Universidade Federal de Pernambuco. Departamento de Geologia. Textos Didáticos. Série D. v.1. p. 44. RAND, H. M. 1986. Anomalias Gravimétricas em redor do Recife. Bol. Estudos Pesquisas, 8, 1986. Dept° Engenharia de Minas, UFPE. Recife, PE. 79-85p. RAND, H. M. & MANSO, V. A. V. 1990. Mapas Gravimétricos e Magnetométricos da Faixa Costeira do Nordeste do Brasil. XXXVI Congresso Brasileiro de Geologia. Natal - RN. Anais... 5: p.24312438. RODRIGUES, J. L. 2002. Atlas Escolar da Paraíba. João Pessoa – GRAFSET - 3ª Edição. 120p. SCHEIBNEROVÁ, V. 1981. Paleogeographical implication of Cretaceous benthic foraminifers recovered by the DSDP in the western South Atlantic Ocean. Cretaceous Research., 2:1-18. SANTOS, E. J. 1996. Ensaio preliminar sobre a geologia os terrenos e acrescionária na Província da Borborema. In Congresso Brasileiro de Geologia 39, Salvador. Anais. v.7 p. 47-50. SANTOS, E. J. 2000. [CD ROM] Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil. Belém do São Francisco. Folha SC.24-X-A. Estado de Pernambuco, Alagoas e Bahia. Escala 1:250.000. Geologia e metalogênese. Recife: CPRM, 2000. Disponível em 1 CD. SILVA E. P., MENOR E. N., MOTTA, J. A. 2004. Gravimetria Regional entre os Paralelos Goiana (PE) e Sapé (PB): Uma Reavaliação Conceitual. 4ª Reunião Anual de Avaliação PRH26/ANP/MCT. SOUZA, E. M. 1999. Levantamento radiométrico das unidades estratigráficas da Bacia Paraíba. Centro de Tecnologia e Geociências. Universidade Federal de Pernambuco. Dissertação de Mestrado. 152 p. SZATMARI, P.; FRANÇOLIN, J. B. L.; ZANOTTO, O.; WOLFF, S. 1987. Evolução tectônica da margem continental brasileira. Revista Brasileira de Geociências. 17(2): p.180-188. SUDENE DRN. 1985. Levantamento Exploratório - Uso Atual e Potencial dos Solos do Nordeste. Recife, Ministério da Agricultura. SUGUIO, K.; MEIS, M.R.M. & TESSLER, M.G. 1986. Atas do IV Simpósio do Quaternário no Brasil. Rio de Janeiro: CTCQ-SBG. 71 TOMÉ, E. T. R. 2005. Estudo dos carbonatos da Formação estiva, Bacia de Pernambuco. Relatório de Graduação. Centro de Tecnologia e Geociências. Universidade Federal de Pernambuco. Monografia. 60 p. TURCOTTE, D. L.; Schubert, G. 1982. Geodynamics applications of continuum physics to geological problems. Ed. John Wiley & Sons. New York. VIANA, M. S. S. 1998. The Albian Proto-Atlantic way and its influence on the South AmericanAfrican life. 3th Annual Conference of the SAMC project 381 (IGCP-IUGS), Comodoro Rivadavia. Boletin de la Associación Paleontológica del Golfo San Jorge, Ed. Esp. 2, 32-34. 72 7 - ANEXOS 7.1 - Anexo 1: Background e Anomalia Radioativa – Determinação do Background e Valor Limiar pelo Processo analítico: A prospecção geofísica baseia-se na comparação dos valores encontrados sem mineralização, com os dados observados nas proximidades dos corpos mineralizados que são geralmente anômalos em relação ao conjunto. Conseqüentemente o passo inicial de qualquer interpretação geofísica consiste na definição do valor que limita os dados anômalos e regionais, limite este denominado de valor limiar, enquanto que a média dos valores observados é denominada de background. – Determinação do Background e Anomalia Radioativa estatísticos: Partindo dos dados obtidos nas medições de campo (malha do anexo 3), e utilizando as ferramentas da estatística, obtivemos a determinação do background e do valor limiar, na tentativa de detectar possíveis anomalia na área, seguindo os seguintes passos: 10 Passo – Determinação do caráter da população Cálculo do intervalo de classe pela formula de Stuges: IC = A/ 1+3,32 log N, onde, A = Amplitude da população e N = Número de dados IC = 45 / 1 = 3.32 log 226 = 45/8,82 = 5,10 (aproximadamente 5) 73 2o Passo – Confecção da tabela de freqüência observada Limite da classe ( fi ) 00 – 05 04 06 – 10 23 11 – 15 60 16 – 20 52 21 – 25 52 26 – 30 21 31 – 35 04 36 – 40 05 41 – 45 02 46 – 50 03 Lim.Classe 00 – 05 06 – 10 11 – 15 16 – 20 21 – 25 26 – 30 31 – 35 36 – 40 41 – 45 46 – 50 3 Passo – Cálculo do background e do valor limiar pelo processo analítico Ponto Central (li) Log li Freqüência (fi) fi log li Fi (log li)2 2,5 0,39794 04 1,591760 0,633425 7,5 0,87506 23 20,12640 17,61184 12,5 1,09691 60 65,81460 72,19269 17,5 1,24304 52 64,63790 80,34747 22,5 1,35218 52 70,31349 95,07667 27,5 1,43933 21 30,22599 43,50525 32,5 1,51189 04 6,047530 9,143165 37,5 1,57403 05 7,870156 12,38787 42,5 1,62839 02 3,256780 5,30330 47,5 1,67669 03 5,030080 8,433904 SOMATÓRIO 226 274,9147 344,6356 Obs: O ponto central de cada classe (li) representa a média aritmética dos extremos reais da classe. Mg = Antilog (∑ fi logli/N) Mg = Antilog 274.9147/226 = Antilog 1.2164367 = 16,43 (= aproximadamente 16) Background = Média geométrica = 16 Sg = Antilog de ∑ fi(logli)2/N – ( ∑ fi log li / N)2 Sg = Antilog de 344,6356 / 226 – ( 274.9147/2)2 Sg = antilog de 1.5249 – 1.4797 Î Sg = antilog 0,212602916 Î Sg = 1.63 Valor limiar = Mg.Sg2 = 16 x (1.63)2 = 42,51 cps (= aproximadamente 42) 74 7.2 – Anexo 2: Mapa de Contorno Estrutural do Embasamento sugerido para a área em estudo: Graben ??? Graben de Goiana (Segundo Rand e Manso, 1990) Horst Santa Tereza Graben de Itapessoca (Segundo Rand e Manso, 1990) 75 76