PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS CADERNO II – Informação de Base Comissão Municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios do Seixal Agosto de 2008 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL NOTA PRÉVIA O presente Plano Municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios do Concelho do Seixal foi elaborado pela Comissão Municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios (CMDFCI) do concelho do Seixal com base nas normas definidas pela Direcção-Geral dos Recursos Florestais (DGRF, 2007a; DGRF, 2007b). EQUIPA TÉCNICA - AFLOPS Coordenação Executiva e Institucional Nuno Santos Fernandes Coordenação Técnica Vanda Acácio Dispositivo Operacional DFCI Diogo d´Ajuda Equipa Técnica Fernando Lopes Filipa Vidas Isabel Ramos 2 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL Índice 1. CARACTERIZAÇÃO FÍSICA ..................................................................................................... 5 1.1. Enquadramento Geográfico e Administrativo ..................................................................... 5 1.2. Modelo Digital de Terreno .................................................................................................. 6 1.3. Declives.............................................................................................................................. 7 1.4. Exposição........................................................................................................................... 8 1.5. Hidrografia.......................................................................................................................... 9 2. CARACTERIZAÇÃO CLIMÁTICA............................................................................................ 10 2.1. Rede Climatológica .......................................................................................................... 10 2.2. Temperatura ..................................................................................................................... 10 2.3. Humidade ......................................................................................................................... 12 2.4. Precipitação...................................................................................................................... 13 2.5. Ventos dominantes........................................................................................................... 15 3. CARACTERIZAÇÃO DA POPULAÇÃO................................................................................... 17 3.1. População residente por censo e freguesia e densidade populacional ............................ 17 3.2. Índice de envelhecimento e sua evolução ........................................................................ 19 3.3. População por sector de actividade.................................................................................. 20 3.4. Taxa de Analfabetismo..................................................................................................... 21 4. CARACTERIZAÇÃO DO USO DO SOLO E ZONAS ESPECIAIS ........................................... 23 4.1. Ocupação do Solo ............................................................................................................ 23 4.2. Povoamentos Florestais ................................................................................................... 25 4.3. Áreas protegidas, Rede Natura 2000 e Regime Florestal ................................................ 27 4.3.1. Áreas protegidas ........................................................................................................... 27 4.3.2. Rede Natura 2000 ......................................................................................................... 27 4.3.3. RAN e REN ................................................................................................................... 29 4.3.4. Regime Florestal ........................................................................................................... 31 4.4. Instrumentos de gestão florestal....................................................................................... 31 4.5. Zonas de recreio florestal, caça e pesca .......................................................................... 33 4.6. Romarias e Festas ........................................................................................................... 34 5. ANÁLISE DO HISTÓRICO E DA CASUALIDADE DOS INCÊNDIOS FLORESTAIS .............. 36 5.1. Área ardida e Ocorrências – Distribuição Anual ............................................................... 36 5.2. Área Ardida e Ocorrências – Distribuição Mensal ............................................................ 39 5.3. Área Ardida e Ocorrências – Distribuição Semanal.......................................................... 40 5.4. Área Ardida e Ocorrências – Distribuição Diária............................................................... 41 5.5. Área Ardida e Ocorrências – Distribuição Horária ............................................................ 43 5.6. Área Ardida por Tipo de Coberto Vegetal......................................................................... 45 5.7. Área Ardida e Ocorrências por Classes de Extensão....................................................... 45 5.8. Pontos de Início e Causas................................................................................................ 46 5.9. Fontes de Alerta ............................................................................................................... 48 5.8. Grandes Incêndios ........................................................................................................... 50 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS......................................................................................... 51 7. ANEXOS - CARTOGRAFIA..................................................................................................... 53 Mapa 20 – Mapa do Enquadramento Geográfico do Concelho do Seixal ............................... 54 3 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL Mapa 21 – Mapa Hipsométrico do Concelho do Seixal ........................................................... 55 Mapa 22 – Mapa de Declives do Concelho do Seixal.............................................................. 56 Mapa 23 – Mapa de Exposições do Concelho do Seixal......................................................... 57 Mapa 24 – Mapa Hidrográfico do Concelho do Seixal............................................................. 58 Mapa 25 – Mapa da População Residente (1981/1991/2001) e da Densidade Populacional (2001) do Concelho do Seixal ................................................................................................. 59 Mapa 26 – Mapa do Índice de Envelhecimento (1981/1991/2001) e sua Evolução (1981-2001) do Concelho do Seixal............................................................................................................. 60 Mapa 27 – Mapa da População por Sector de Actividade (2001) do Concelho do Seixal....... 61 Mapa 28 – Mapa da Taxa de Analfabetismo (1981/1991/2001) do Concelho do Seixal ......... 62 Mapa 29 – Mapa do Uso e Ocupação do Solo do Concelho do Seixal ................................... 63 Mapa 30 – Mapa dos Povoamentos Florestais do Concelho do Seixal................................... 64 Mapa 31 – Mapa da Rede Natura 2000 do Concelho do Seixal.............................................. 65 Mapa 33 – Mapa das Zonas de Recreio Florestal do Concelho do Seixal .............................. 66 Mapa 34 – Mapa das Áreas Ardidas do Concelho do Seixal (1990-2006) .............................. 67 Mapa 35 – Mapa dos Pontos de Início e Causas dos Incêndios (2001-2006) do Concelho do Seixal....................................................................................................................................... 68 Mapa 36 – Mapa dos Grandes Incêndios do Concelho do Seixal (1990-2006)....................... 69 4 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL 1. CARACTERIZAÇÃO FÍSICA 1.1. Enquadramento Geográfico e Administrativo O concelho do Seixal insere-se na Área Metropolitana de Lisboa (AML) e na sub-região da Península de Setúbal (NUTIII1), localizando-se na margem sul do estuário do Tejo. Pertence ao distrito de Setúbal, sendo limitado a Oeste pelo concelho de Almada, a Sul por Sesimbra, a Leste pelo Barreiro, e a Norte pelo Estuário do Tejo, através do qual tem ligação a Lisboa (Figura 1). Insere-se no Núcleo Florestal do Sul, Circunscrição Florestal do Ribatejo e Oeste e AML. A sua posição geográfica favorável na AML e na Península de Setúbal, a menos de 20 minutos da capital através de ligação rodoviária, ferroviária e fluvial, a par com as boas acessibilidades, têm conduzido nas últimas décadas a um rápido desenvolvimento, captação de investimento privado e crescente urbanização, que alteraram o carácter tradicional do concelho. Figura 1. Enquadramento geográfico do concelho do Seixal e concelhos limítrofes 1 NUTS – Nomenclatura de Unidades Territoriais para fins Estatísticos 5 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL O concelho do Seixal tem 9546 ha de área, subdividida em 6 freguesias: Aldeia de Paio Pires, Amora, Arrentela, Seixal, Corroios e Fernão Ferro (Quadro 1). O enquadramento geográfico está representado no Mapa 20 – Mapa do Enquadramento Geográfico do Concelho do Seixal (capítulo 7. Anexos – Cartografia). Quadro 1. Enquadramento administrativo Circunscrição Florestal Sul Núcleo Florestal Área Metropolitana de Lisboa Distrito Setúbal Concelho Seixal Freguesia Área (ha)* Aldeia de Paio Pires 1596,30 Amora 2436,20 Arrentela 1017,30 Seixal 372,80 Corroios 1710,90 Fernão Ferro 2412,50 Total Concelho 9546 *Fonte: CAOP (Carta Administrativa Oficial de Portugal) 1.2. Modelo Digital de Terreno A fisiografia gera variações climáticas que influenciam a distribuição e composição da vegetação presente, assim como a progressão dos incêndios, condicionando ainda o seu combate. A influência directa do relevo no fogo pode assumir três aspectos essenciais (Ventura e Vasconcelos, 2006): 1. em vales estreitos o fogo pode propagar-se de uma vertente para a outra por radiação e/ou projecção de material incandescente ou em chamas; 2. em ravinas pode ocorrer o “efeito de chaminé”, que aumenta a velocidade de propagação do incêndio e provoca um fogo com elevada intensidade que sobe rapidamente por um desfiladeiro; 3. em terreno inclinado, as chamas fazem um ângulo em relação ao terreno, aumentando a radiação incidente e portanto a taxa de aquecimento dos combustíveis, o que diminui o tempo de ignição e torna o fogo mais rápido. 6 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL Indirectamente, o relevo condiciona a temperatura, a precipitação, e a orientação do local em relação ao sol, influenciando o tipo de combustível existente e a sua humidade, o que por sua vez irá condicionar o comportamento do fogo. A orografia cria assim microclimas e altera os padrões do vento em altitude (Ventura e Vasconcelos, 2006). No concelho do Seixal o relevo é pouco acentuado, com altitudes a variar entre os 0 m (cota mínima) e os 80,6 m (cota máxima), aumentando de Norte para Sul, correspondendo as maiores altitudes ao limite Sul do concelho, na Quinta dos Morgados e Pinhal do General (freguesia de Fernão Ferro), e Verdizela (freguesias de Amora e Corroios). Quase 80% do concelho está abaixo da cota de 50 m. O relevo no concelho do Seixal não constitui assim um factor limitante às intervenções na maioria dos espaços florestais, e permite uma 1.ª intervenção rápida no combate aos focos de incêndio. O modelo digital do terreno no concelho do Seixal está representado no Mapa 21 – Mapa Hipsométrico do Concelho do Seixal (capítulo 7. Anexos – Cartografia), mostrando a variação altimétrica do concelho, através de uma gradação de cores correspondente às diferentes classes de altitude. 1.3. Declives O declive condiciona fortemente as características de um incêndio, relacionando-se positivamente com a progressão do fogo, ou seja, quanto maior o declive, maior é a proximidade da chama relativamente aos combustíveis situados nos andares superiores do coberto vegetal. Esta facilidade de progressão traduz-se nas características da chama, que adquire maiores dimensões, e na maior velocidade de propagação do fogo. O concelho do Seixal é maioritariamente plano, com declives pouco acentuados. A classe de declive mais baixo (0-5%) ocorre em mais de metade da área concelhia (62%). Há 8% da área do concelho do Seixal com declives entre 13 e 30% e apenas 3% com declive superior a 30% (em algumas linhas de festo dispersas pelo concelho). 7 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL Os declives no concelho do Seixal não constituem assim um factor limitante às intervenções na maioria dos espaços florestais, permitindo uma 1.ª intervenção rápida no combate aos focos de incêndio. O declive está representado no Mapa 22 – Mapa de Declives do Concelho do Seixal (capítulo 7. Anexos - Cartografia), subdividido em cinco classes de declive: 0-5%, 6-8%, 9-12%, 13-30 e >30% . 1.4. Exposição A exposição é a orientação geográfica de um terreno, correspondendo a um determinado grau de insolação que vai influenciar o teor de humidade dos combustíveis e sua consequente inflamabilidade. Assim sendo, a exposição é um factor que também vai ter impacto na progressão do fogo. As exposições viradas a sul são mais soalheiras, logo, apresentam condições mais favoráveis à progressão de um incêndio, porque os combustíveis que aí se localizam sofrem uma maior dessecação, para além de que o ar circundante é mais seco devido à maior radiação solar a que está exposto. As exposições norte, com condições de maior humidade e menor insolação, facilitam o crescimento da vegetação, acumulando portanto mais combustível (Fernandes, 2007). A distribuição das diferentes exposições no concelho do Seixal é heterogénea, predominando no entanto as encostas expostas a Norte (32% da área concelhia), seguida pela exposição Este (28% da área concelhia) e Oeste (25% da área concelhia), e ocorrendo em menor área as encostas expostas a Sul (11% da área concelhia). Apesar das áreas potencialmente mais inflamáveis (Sul) ocuparem uma percentagem reduzida no concelho, deverá existir especial cuidado na planificação das acções de vigilância nestas áreas, sobretudo quando coincidentes com declives mais acentuados (ver Mapa 22) e cargas de combustíveis mais elevadas (ver Caderno I, subcapítulo 2.1.), por constituírem um maior risco para a progressão rápida de incêndios. A exposição está representada no Mapa 23 – Mapa de Exposições do Concelho do Seixal (capítulo 7. Anexos - Cartografia), subdividida em cinco classes: sem exposição, Norte, Sul, Este e Oeste. 8 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL 1.5. Hidrografia No concelho do Seixal a principal bacia hidrográfica é a Bacia Hidrográfica do Tejo, na sua fase mais a jusante. As linhas de água são na sua maioria sazonais, situação frequente no regime dos cursos de água de menor dimensão, profusas por todo o concelho, sobretudo nas freguesias de Fernão Ferro, Arrentela e Aldeia de Paio Pires. Estas linhas de água apresentam um elevado valor natural, pela importância que adquirem como locais de refúgio para espécies de fauna. As linhas de água de carácter permanente podem constituir uma faixa de interrupção de combustível se o coberto vegetal das suas margens estiver bem gerido. Por outro lado, as linhas de água podem ser o maior veículo para a propagação do fogo se a vegetação das suas margens estiver bastante desenvolvida, com espécies arbustivas como silvas e caniços, sobretudo quando o regime do curso de água é sazonal, o que é frequente no concelho do Seixal. Os açudes e charcas assumem assim grande importância no combate aos fogos. A hidrografia do concelho do Seixal está representada no Mapa 24 – Mapa Hidrográfico do Concelho do Seixal (capítulo 7. Anexos – Cartografia). 9 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL 2. CARACTERIZAÇÃO CLIMÁTICA 2.1. Rede Climatológica A caracterização climática da área de estudo foi obtida com base na análise dos registos históricos publicados em INMG (1991). A análise climática baseou-se nos dados entre 1954 e 1980 da estação climatológica do Montijo-Base Aérea, dada a sua localização, altitude e disponibilidade de dados. As estações climatológicas ou udométricas mais próximas do concelho do Seixal apresentam-se no Quadro 2. Quadro 2. Caracterização da rede climatológica do concelho do Seixal Longitude (meridiano de Greenwich) Altitude Entidade gestora Tipo de estação 38º 42`N - 9º 03’ W 14 m Instituto de Meteorologia Climatológica Vila Nogueira de Azeitão 38º 51`N (concelho de Setúbal) - 9º 01` W 126 m Instituto da Água Udométrica - 9º 24` W 97 m Instituto de Meteorologia Climatológica Estação Meteorológica Latitude Montijo-Base Aérea (concelho de Montijo) Monte da Caparica (concelho de Almada) 38º 49`N 2.2. Temperatura A temperatura do ar é um parâmetro condicionado por diversos factores locais, como a latitude, o relevo, a exposição da superfície ao sol e aos ventos, e a proximidade a grandes massas de água, entre outros. O Gráfico 1 apresenta a variação anual da temperatura entre 1954 e 1980 (média mensal das médias, média mensal das máximas, e valores máximos) para o concelho do Seixal. 10 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL A temperatura média do ar varia entre 10,4 ºC em Janeiro (mês mais frio) e 22,5 ºC em Agosto (mês mais quente), correspondendo a um valor médio anual de 16,2 ºC. O valor máximo da temperatura média máxima ocorre em Agosto (28,8 ºC) e o valor máximo registado na série temporal de 27 anos observada (1954-1980) foi de 39,4 ºC em Julho (Gráfico 1). Se tomarmos por referência o valor médio anual da temperatura do ar, é possível dividir o ano em dois períodos: ⇒ Período mais quente de Junho a Setembro (temperatura média mensal superior a 20ºC); ⇒ Período mais frio de Outubro a Maio (temperatura média mensal inferior a 20ºC). A época estival (Junho, Julho, Agosto e Setembro) representa assim o período crítico de ocorrência de incêndios, dadas as temperaturas médias mensais mais elevadas nesta época (superiores a 20ºC), que resultam numa maior inflamabilidade dos combustíveis florestais, o que por sua vez origina um maior risco de ignição e maior velocidade de progressão do fogo. Os dispositivos operacionais de prevenção e combate aos incêndios são assim reforçados nos meses de Junho, Julho, Agosto e Setembro (ver Caderno I). Gráfico 1. Temperatura (ºC) mensal no concelho do Seixal: média das médias, média das máximas, e valores máximos entre 1954-1980 (estação climatológica de Montijo-Base Aérea) 45 Temperatura Mensal (ºC) 40 35 30 25 20 15 10 5 0 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Média Mensal Jul Ago Set Out Nov Dez 10,4 11,3 12,9 15,0 17,5 20,2 22,4 22,5 20,9 17,7 13,4 10,5 Média das máximas 14,8 15,8 17,7 20,0 22,9 25,8 28,5 28,8 26,6 22,9 18,1 14,9 Valores máximos 21,0 22,5 27,1 29,5 37,5 39,0 39,4 39,0 38,0 34,8 29,6 20,9 11 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL Os modelos de alteração climática projectam um aumento da frequência de secas para as regiões de clima mediterrânico (Cubash et al. 1996, McCarthy et al. 2001) e um aumento generalizado da temperatura em Portugal para um horizonte temporal de 100 anos (Santos et al. 2001). De facto, as temperaturas médias anuais têm registado um aumento claro em Portugal, com os 6 anos mais quentes registados nos últimos 12 anos (período 1931-2000) (Cabrinha e Santo 2000; Miranda et al., 2002). Sob este cenário, prevê-se um aumento substancial do risco meteorológico de incêndio em todo o país, e consequentemente, um aumento da frequência de fogos florestais (Santos et al. 2001). 2.3. Humidade A humidade relativa do ar é definida como a razão entre a concentração de vapor de água existente e a concentração que seria necessária para se produzir saturação à mesma temperatura. A humidade relativa é a variável que melhor expressa o ponto de saturação e portanto a ocorrência de precipitação. O Gráfico 2 apresenta a humidade relativa mensal média às 9h e às 15h, entre 1954 e 1980 para o concelho do Seixal. O valor médio mensal da humidade relativa às 9h varia entre 71% (Junho e Julho) e 90% (Dezembro e Janeiro), e às 15 h entre 52% (Agosto) e 75% (Dezembro e Janeiro), para a série temporal de 1954-1980. O valor médio anual da humidade relativa foi de 80% e 63% às 9h e 15h, respectivamente, para o período de 1954-1980. A variação da humidade relativa é significativa ao longo do ano e inversa à da temperatura: os meses mais secos são também os mais quentes e correspondem aos meses de Verão, como é característico de um clima mediterrânico (Junho, Julho, Agosto e Setembro). Nestes meses (incluindo Maio), em que a humidade relativa é inferior a 60%, e tal como já foi referido, os dispositivos operacionais de prevenção e combate aos incêndios são reforçados (ver Caderno I). 12 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL Gráfico 2. Humidade relativa (%) mensal no concelho do Seixal: média mensal (às 9h e às 15h) entre 19541980 (estação climatológica de Montijo-Base Aérea) 100 90 70 60 do ar (%) Humidade Relativa 80 50 40 30 20 10 0 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Média mensal às 9h 90 87 83 76 72 71 71 72 78 83 87 90 Média mensal às 15h 75 70 66 60 57 56 53 52 58 64 70 75 2.4. Precipitação A precipitação é um parâmetro que deve ser analisado sob dois aspectos: a quantidade total anual e a sua distribuição ao longo do ano. O Gráfico 3 apresenta a precipitação mensal total e a precipitação mensal máxima diária (médias calculadas a partir dos valores registados entre 1954 e 1975), para o concelho do Seixal. Tal como a humidade relativa, a precipitação varia inversamente com a temperatura, e os meses mais quentes coincidem com os de menor ocorrência de precipitação, sendo esta uma característica fundamental do clima mediterrânico, estando por isso este tipo de clima associado a uma elevada ocorrência de fogos. Neste tipo de clima, a precipitação concentra-se nos meses de Outubro a Março, quando ocorre aproximadamente 80% do total da precipitação anual. Na região do concelho do Seixal, a precipitação anual é 576,9 mm (dados de 1954-1975), muito variável ao longo do ano. Grande parte da precipitação média mensal ocorreu no Inverno (57%, de Novembro a Fevereiro) e Primavera (28%, de Março a Maio), entre 1954 e 1975 (Gráfico 3). No mesmo período de tempo, apenas 6% da precipitação (média mensal) ocorreu nos meses estivais (de Junho a Setembro), mais secos e quentes (clima mediterrânico). 13 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL O mês de Julho foi o mês mais seco, em que a precipitação mensal (total e máxima diária) foi quase nula entre 1954 e 1975. Pelo contrário, os valores máximos diários de precipitação atingiram os 63 mm em Novembro. Comparando a evolução ao longo do ano, é possível constatar que de Novembro a Abril os valores da precipitação mensal total são superiores aos da precipitação máxima diária, enquanto que de Maio a Outubro ocorre precisamente o contrário. A diminuição de precipitação reflecte-se na diminuição da humidade dos combustíveis e, consequentemente, no incremento do risco de ignição dos mesmos. Para além disso, a precipitação que ocorre nos meses anteriores à época crítica (Verão) favorece o crescimento dos combustíveis finos, o que origina fogos mais rápidos no Verão. A existência de meses com precipitação inferior a 20 mm poderá reflectir-se também no restabelecimento do nível de água dos pontos de abastecimento dos meios de combate, podendo comprometer a eficiência do plano operacional de combate a incêndios, sendo por isso necessário avaliar anualmente a operacionalidade da rede de pontos de água (Plano Operacional), sobretudo em anos muito secos. Gráfico 3. Precipitação (mm) mensal no concelho do Seixal: precipitação média mensal total e precipitação média máxima diária entre 1954 e 1975 (estação climatológica de Montijo-Base Aérea) 100 90 Precipitação (mm) 80 70 60 50 40 30 20 10 0 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Total 81,5 81,8 90,3 42,2 32,5 12,5 0,4 3,7 16,5 52,2 86,6 76,7 Máxima diária 58,6 43,3 59,1 36,5 32,1 27,4 2,5 22,4 48,6 39,3 63 46,4 14 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL 2.5. Ventos dominantes A velocidade e direcção do vento desempenham um papel fundamental no comportamento do fogo, condicionando frequentemente a velocidade de expansão e direcção da frente do fogo. Para além disso, o vento aumenta a taxa de evaporação dos combustíveis facilitando a sua ignição, facilita a propagação ao inclinar as chamas, pondo-as em contacto com os combustíveis, alimenta a combustão com oxigénio, e contribui ainda para o aparecimento de focos secundários através do transporte de material em combustão (Silva, 2002; Fernandes, 2007). Nos dias de muito calor e simultaneamente muito vento, o perigo é muito maior porque o vento aumenta a progressão e desenvolvimento do incêndio. Quanto mais forte o vento sopra, mais rápido o fogo se propaga. Para além disso, o fogo gera ventos próprios que são quase 10 vezes mais rápidos do que o vento ambiente. O vento também pode alterar a direcção do fogo e ventos fortes podem elevar o fogo em altura e criar um incêndio de copas. O vento é caracterizado através do seu rumo (8 direcções) e da sua velocidade (expressa em km/h). Quando a velocidade do vento é igual ou inferior a 1 km/h, consideram-se os dias de calma (C’). O regime de circulação atmosférica na área de estudo apresenta, como é frequente na maioria das estações, um ciclo anual bem definido pelas frequências dos rumos e, menos nitidamente, pelas velocidades. No Quadro 3 apresentam-se os valores médios mensais da frequência (f, %) e velocidade média (v, km/h) do vento, para cada rumo para o período de 19541980, para o concelho do Seixal. Quadro 3. Médias mensais da frequência (f, %) e velocidade média (v, km/h) do vento, para cada rumo no concelho do Seixal, entre 1954 e 1980 (estação climatológica de Montijo-Base Aérea) N Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro f v f NE v f E v f SE v f S v f SW v f W v f NW v C` f 11,7 16,0 20,4 28,7 34,5 36,6 42,3 41,5 27,7 22,2 19,4 15,6 20,4 18,6 19,9 21,3 20,6 19,0 19,5 19,2 17,5 16,7 17,2 18,9 17,3 16,2 15,3 15,1 12,1 11,0 12,0 13,3 10,8 15,4 23,3 27,6 15,8 16,1 17,7 18,0 18,1 16,8 17,3 17,8 16,8 15,2 15,3 16,2 8,9 8,4 7,5 4,5 2,4 1,6 1,3 1,1 2,4 5,4 7,2 8,0 12,6 16,6 15,8 17,0 17,5 15,8 12,8 16,0 12,2 13,6 14,4 13,5 4,5 4,1 3,8 2,5 0,8 0,8 0,6 0,6 1,2 2,8 3,9 3,4 16,2 20,7 16,7 18,2 16,5 10,5 15,8 16,2 11,3 16,0 16,9 18,4 7,8 7,1 5,3 3,7 1,8 2,1 1,3 1,4 3,4 7,0 5,2 3,9 19,9 25,1 20,2 22,5 20,2 17,2 14,8 24,5 17,4 21,0 23,4 20,3 9,7 9,8 9,5 6,0 6,0 4,8 1,5 2,6 5,8 5,4 6,0 5,4 23,8 25,3 21,1 22,3 22,9 20,0 18,2 17,4 19,7 20,3 23,0 21,4 12,5 13,8 15,1 15,1 18,4 17,5 14,2 12,0 17,1 12,4 9,3 9,0 19,5 22,8 20,9 19,9 19,4 18,6 16,5 16,4 16,1 17,7 18,9 20,6 7,6 9,0 9,8 12,0 14,2 15,9 14,8 13,6 14,7 10,5 7,8 7,3 19,6 20,2 17,3 17,7 17,4 15,9 14,8 15,0 14,3 15,4 18,8 19,4 20,1 15,6 13,3 12,4 9,6 9,8 12,0 13,9 16,8 19,0 17,8 19,3 15 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL Na região do Seixal os ventos sopram mais frequentemente de Norte (N) durante todo o ano, sobretudo nos meses de Verão (Maio a Setembro). O rumo Nordeste (NE) também é frequente nos meses de Inverno (entre Novembro e Fevereiro), enquanto que os rumos Oeste (W) e Noroeste (NW) são mais frequentes nos meses de Verão. As maiores velocidades são atingidas quanto o vento sopra do quadrante Norte (N), Sul (S) e Sudoeste (SW), sendo a velocidade do vento um parâmetro muito variável ao longo do ano. Nos meses coincidentes com o período crítico (meses de Verão) os incêndios florestais apresentam assim uma maior probabilidade de frequência e de velocidade de propagação sobre os rumos Norte (N), Sul (S) e Sudoeste (SW). Estes resultados devem ser tomados em consideração na implementação da rede de faixas de gestão de combustível. Note-se ainda que os incêndios que resultam em grandes áreas ardidas em Portugal estão normalmente associados a ventos que sopram de leste no Verão, que provocam uma temperatura do ar extremamente elevada e humidade relativa do ar muito baixa (< 10%) (Fernandes, 2007). 16 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL 3. CARACTERIZAÇÃO DA POPULAÇÃO A caracterização da população tem por base os dados estatísticos dos Censos 1981, 1991 e 2001 do Instituto Nacional de Estatística (INE, 1981; INE, 1991; INE, 2001). 3.1. População residente por censo e freguesia e densidade populacional Ao longo do últimos 20 anos, o concelho de Lisboa tem perdido população para os concelhos vizinhos, sobretudo para os concelhos situados na margem sul do Tejo (DGRF, sem data). Desta forma, observa-se um grande crescimento da população residente entre 1981 e 2001 no concelho do Seixal (Quadro 4). O concelho do Seixal sofreu assim em poucas décadas uma grande transformação de um concelho de características predominantemente rurais, para um concelho com ocupação urbana polarizada pela faixa ribeirinha (Câmara Municipal do Seixal, 1992). Em 2001 o concelho do Seixal tinha cerca de 150271 habitantes, o que perfaz uma densidade populacional de 1605 habitantes/Km2, sendo o segundo concelho mais populoso da península de Setúbal, logo depois do concelho limítrofe de Almada. A população no concelho distribui-se de forma irregular pelas 6 freguesias, evidenciando-se a forte influência das vias de comunicação sobre a distribuição da população (rede rodoviária e mais recentemente a abertura da linha ferroviária ligando a margem Sul de Lisboa à capital). As freguesias de Amora, Corroios e Arrentela são as que registam maior peso no total populacional do concelho. Nas freguesias de Amora e Corroios, o ritmo do crescimento populacional abrandou entre a década 1981-1991 e a década 1991-2001: as taxas de variação da população residente foram de 29,16% em 1981-1991 e 14,14% na freguesia da Amora e de 38,98% em 1981-1991 e 31,14% na freguesia de Corroios. A freguesia de Fernão Ferro foi a que registou o maior aumento populacional: 170% em apenas 10 anos (1991-2001), constituindo uma área de elevado risco de incêndio dado o seu perfil de interface urbano/floresta em rápida expansão. 17 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL Pelo contrário, a freguesia com a sede de concelho – Seixal, foi a única que registou um decréscimo da população residente entre 1981 e 2001 (Quadro 4). Quadro 4. População residente em 1981, 1991 e 2001 e densidade populacional em 2001 para as freguesias do concelho do Seixal População residente (n.º de habitantes) Densidade Populacional Variação Variação em 2001 81-91 (%) 91-01 (%) (n.º habitantes/Km2) 10937 13,33 33,88 904 44676 50991 29,16 14,14 1868 18765 22402 28609 19,38 27,71 2980 25499 35439 46475 38,98 31,14 2750 (2) 3979 10753 170,24 425 Seixal 3108 2247 2506 -27,70 11,53 1044 Concelho 89169 116912 150271 31,11 28,53 1605 Freguesia 1981 1991 2001 7208 8169 Amora 34589 Arrentela Corroios Aldeia de Paio Pires Fernão Ferro (1) Notas: (1) - Por ter sido criada em 1993, não existem dados demográficos individualizados para a freguesia de Fernão Ferro, anteriores a 2001. Assim, com base na população residente nos lugares que passaram a integrar esta freguesia, estimou-se que a população residente em 1991 rondaria os 3979 habitantes. Esta população distribuía-se pelas freguesias de Aldeia de Paio Pires, Amora e Arrentela. Para estas estimativas, utilizaram-se os dados do INE, por subsecção estatística. (2) - Não dispomos de dados por subsecção estatística para 1981 e por isso não é possível estimar valores. A densidade populacional no concelho do Seixal confirma as assimetrias entre freguesias. As freguesias mais interiores, isto é, mais afastadas dos grandes eixos de ligação (Aldeia de Paio Pires e Seixal), registam valores de densidade populacional mais baixos que as freguesias mais a Oeste e mais densamente povoadas, como Arrentela, Corroios e Amora (Quadro 4). A freguesia de Fernão Ferro é a que regista o valor mais baixo de densidade populacional (425 hab/Km2) marcando a transição para o concelho limite de Sesimbra. Esta situação fundamentase pela ruralidade que ainda se faz sentir naquela freguesia e pela vasta área florestal que ocupa o território. Mais uma vez se acentua a interface urbano/floresta característica desta freguesia. Quanto maior a densidade populacional, maior será o número de ocorrências esperado, associadas na sua grande maioria a comportamentos negligentes e intencionais (Silva e Catry, 2006). Assim sendo, as regiões com elevada densidade populacional e em expansão confinantes com áreas florestais, constituem áreas de elevado risco de incêndio. 18 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL A população residente por censo e freguesia (1981/1991/2001) e densidade populacional (2001) representa-se no Mapa 25 – Mapa da População Residente (1981/1991/2001) e da Densidade Populacional (2001) do Concelho do Seixal (capítulo 7. Anexos – Cartografia). 3.2. Índice de envelhecimento e sua evolução O concelho do Seixal era o concelho mais jovem do distrito de Setúbal em 2001, com o índice de envelhecimento (n.º de pessoas idosas por cada 100 jovens) mais baixo do distrito (Quadro 5). Esta situação comprova o aumento significativo de população jovem no concelho, muito dependente da vida activa na capital. Quadro 5. Índice de Envelhecimento em 2001 para os concelhos do distrito de Setúbal Concelho Índice Envelhecimento em 2001 (%) Alcochete Almada Barreiro Moita Montijo Palmela Seixal Sesimbra Setúbal 103,61 116,10 124,35 79,58 113,74 99,21 60,3 97,65 96,73 Contudo, apesar de baixo quando comparado com os concelhos adjacentes, o índice de envelhecimento no concelho do Seixal aumentou entre 1981 e 2001 (Quadro 6), o que permite confirmar o envelhecimento da população. 19 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL Quadro 6. Índice de envelhecimento em 1981, 1991 e 2001 e sua evolução 1981-2001 para as freguesias do concelho do Seixal Índice de Envelhecimento* (%) Evolução Freguesia 1981 1991 2001 Aldeia de Paio Pires 24,24 35,90 59,48 145,38 Amora 15,44 27,69 55,47 259,26 Arrentela 24,36 36,90 58,06 138,34 Corroios 12,95 26,67 55,13 325,71 Fernão Ferro (1) (1) 90,03 (1) Seixal 97,41 245,24 162,04 66,35 Concelho 18,82 32,2 60,3 220,40 1981-2001 * Índice de Envelhecimento = (65+anos /0-14 anos) x 100 indivíduos (1) a freguesia de Fernão Ferro foi criada em 1993, logo, não existe informação que permita aferir o Índice de Envelhecimento da freguesia de Fernão Ferro em 1981 e 1991. A população mais envelhecida em 2001 encontra-se na freguesia de Seixal: cerca de 162 idosos (população com mais de 65 anos de idade) para cada 100 jovens (com menos de 14 anos de idade). Por outro lado, a freguesia de Corroios é a mais jovem do concelho. Apesar de Corroios ser a freguesia mais jovem do concelho em 2001 (com um índice de envelhecimento de 55,13%), é também a que apresenta o maior aumento do índice de envelhecimento entre 1981 e 2001 (325,71%) (Quadro 6). O índice de envelhecimento (1981/1991/2001) e sua evolução representa-se no Mapa 26 – Mapa do Índice de Envelhecimento (1981/1991/2001) e sua Evolução (1981-2001) do Concelho do Seixal (capítulo 7. Anexos – Cartografia). 3.3. População por sector de actividade No concelho do Seixal o sector terciário (serviços) emprega a maioria da população residente (cerca de 72%), seguido pelo sector secundário (indústria) com 27% da população residente, e por último pelo sector primário (agricultura e pescas) com menos de 1% da população residente (Quadro 7). 20 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL A distribuição da população residente segundo o sector de actividade é relativamente homogénea pelas freguesias, predominando o sector terciário em todas elas, sobretudo em Corroios e Seixal (Quadro 7). Quadro 7. População residente (%) por sector de actividade em 2001, para as freguesias do concelho do Seixal Sector Primário Sector Secundário Sector Terciário Freguesia (%) (%) (%) Aldeia de Paio Pires 0,6 35,2 64,2 Amora 0,4 28,3 71,3 Arrentela 0,5 30 69,5 Corroios 0,3 22,5 77,2 Fernão Ferro 0,8 31,6 67,6 Seixal 0,6 23,1 76,3 Concelho 0,4 27,4 72,2 O crescimento do sector terciário e a redução do sector primário registados nas últimas décadas em áreas que eram predominantemente rurais como a área em estudo, mas que actualmente presenciam a expansão dos seus centros urbanos mais jovens (como a freguesia de Fernão Ferro), tem contribuído para o abandono generalizado dos espaços agrícolas e florestais, e consequente aumento do risco de incêndio. A população por sector de actividade (%) em 2001 apresenta-se no Mapa 27 – Mapa da População por Sector de Actividade (2001) do Concelho do Seixal (capítulo 7. Anexos – Cartografia). 3.4. Taxa de Analfabetismo A taxa de analfabetismo em 1981, 1991 e 2001 para as freguesias do concelho do Seixal apresenta-se no Quadro 8. A taxa de analfabetismo registou uma forte regressão entre 1981 e 1991 para todas as freguesias do concelho do Seixal (Quadro 8). O aumento do nível de instrução na área em 21 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL estudo enquadra-se na tendência nacional para o período observado. Contudo, entre 1991 e 2001 regista-se um ligeiro aumento desta taxa nas freguesias de Amora e Corroios, o que contribui para um ligeiro aumento da taxa de analfabetismo ao nível do concelho entre 1991 e 2001 (Quadro 8), provavelmente relacionado com o acentuado envelhecimento da população (ver Quadro 6). Em 1991, Fernão Ferro era a única freguesia que apresentava uma taxa de analfabetismo superior à taxa de analfabetismo nacional (11%). Em 2001, todas as freguesias do concelho do Seixal registavam uma taxa de analfabetismo inferior à nacional (9%) (Quadro 8). Quadro 8. Taxa de analfabetismo em 1981, 1991 e 2001 para as freguesias do concelho do Seixal Taxa de Analfabetismo Freguesia 1981 1991 2001 Aldeia de Paio Pires 13,20 5,51 5,10 4,30 4,73 Amora Arrentela 9,69 5,67 5,38 Corroios 12,55 6,60 3,30 3,61 Fernão Ferro - 11,64 7,58 Seixal 17,05 10,23 6,97 Concelho 10,02 4,71 4,78 A taxa de analfabetismo em 1981, 1991 e 2001 por freguesia apresenta-se no Mapa 28 – Mapa da Taxa de Analfabetismo (1981/1991/2001) do Concelho do Seixal (capítulo 7. Anexos – Cartografia). 22 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL 4. CARACTERIZAÇÃO DO USO DO SOLO E ZONAS ESPECIAIS 4.1. Ocupação do Solo A ocupação do solo foi elaborada com base em informação cartográfica proveniente da Câmara Municipal do Seixal e AFLOPS, posteriormente validada através de levantamentos de campo, obtendo-se uma classificação final para a ocupação do solo da área de estudo. A ocupação do solo da área de estudo foi classificada em 6 grandes classes: 1. Superfícies aquáticas (estuários, cursos de água, lagoas, albufeiras, charcas, etc); 2. Agricultura (espaço destinado à produção agrícola, em regime intensivo ou extensivo, constituído por terras aráveis com culturas permanentes, prados e pastagens); 3. Áreas sociais (áreas urbanas de habitação, comércio ou actividades industriais, podendo englobar desde grandes cidades a pequenas povoações e habitações dispersas no espaço rural); 4. Floresta (todos os espaços ocupados por povoamentos florestais ou formações não arbóreas como medronheiro, aroeira, carrasco, zambujeiro e alfarrobeira, com um grau de coberto superior ou igual a 10%; inclui-se nesta classe de espaço as áreas ardidas, desde que a sua ocupação anterior seja igualmente florestal, as áreas de povoamentos florestais sujeitas a corte raso, as áreas arborizadas e ainda as galerias ripícolas e zonas húmidas com vegetação típica ribeirinha e com vegetação arbustiva infestante como silvas, canas, etc.); 5. Improdutivos (afloramentos rochosos, praias, pedreiras e áreas de exploração mineira, correspondendo a superfícies estéreis, sem potencialidades para a produção agrícola ou florestal); 6. Incultos (espaços não agricultados ou florestados, com cobertura vegetal de porte arbustivo ou herbáceo de origem natural, resultante da degradação das comunidades florestais, do pousio agrícola, do abandono dos terrenos, da renovação da vegetação após a acção do fogo, do abate de floresta para exploração de madeira, ou ainda do desenvolvimento de pastagens espontâneas; incluem-se neste sistema de ocupação os terrenos que, estando mobilizados para arborização, não estejam ainda semeados ou plantados). 23 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL A ocupação do solo predominante no concelho do Seixal é a social (4570,54 ha), ou seja, áreas urbanas consolidadas e dispersas, seguida pela ocupação florestal (3085,83 ha) (Quadro 9). Mais uma vez se observa que o Seixal é um concelho de forte interface urbano/floresta, pelo que o ordenamento florestal e as medidas definidas no plano de acção (Caderno I) devem ser direccionadas para esta realidade. A ocupação florestal é mais elevada nas freguesias de Amora e Fernão Ferro (1058,14 e 911,92 ha, respectivamente), sendo também em Fernão Ferro que a ocupação social é maior (1368,92 ha), confirmando-se a forte interacção entre áreas urbanas e áreas florestais nesta freguesia, com carácter peri-urbano (Quadro 9). A ocupação do solo apresenta-se no Mapa 29 – Mapa do Uso e Ocupação do Solo do Concelho do Seixal (capítulo 7. Anexos – Cartografia). Quadro 9. Ocupação do solo (ha) no concelho do Seixal, por freguesia Ocupação do Solo (ha) Agricultura Floresta Improdutivos Incultos Áreas Sociais Superfícies Aquáticas 114,31 395,13 16,29 117,12 718,14 235,24 Amora 78,89 1058,14 92,16 90,43 859,31 257,16 Arrentela 139,84 208,83 0,00 6,63 607,44 54,49 Corroios 20,46 506,54 65,29 58,49 897,01 163,01 37,23 911,92 0,00 94,31 1368,92 0,00 Seixal 7,26 5,27 5,03 2,14 119,72 233,35 Concelho 397,99 3085,83 178,77 369,12 4570,54 943,25 Freguesia Aldeia de Paio Pires Fernão Ferro Fonte: Câmara Municipal do Seixal e AFLOPS 24 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL 4.2. Povoamentos Florestais A distribuição das espécies florestais pelas freguesias do concelho do Seixal apresenta-se no Quadro 10. A espécie florestal dominante no concelho do Seixal é o pinheiro bravo, ocupando cerca de 74% (2291,41 ha) da área florestal total do concelho, acrescida de 10% (313, 32 ha) quando misturada com pinheiro manso. O eucalipto aparece em terceiro lugar com cerca de 5,5% (173,28 ha) de área florestal no total concelhio. As restantes espécies são pouco representativas e incluem o sobreiro e o pinheiro manso em povoamentos puros ou mistos, e outras folhosas e resinosas diversas. A distribuição geográfica dos povoamentos florestais no concelho do Seixal apresenta-se no Mapa 30 – Mapa dos Povoamentos Florestais do Concelho do Seixal (capítulo 7. Anexos – Cartografia). 25 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL Quadro 10. Distribuição das espécies florestais (ha) no concelho do Seixal, por freguesia Pinheiro Bravo dominante com Eucalipto Pinheiro Bravo dominante com Pinheiro manso Pinheiro Bravo dominante com Sobreiro Pinheiro manso dominante com Pinheiro bravo Pinheiro manso dominante com Sobreiro Eucalipto dominante com Pinheiro bravo Área Florestal Total Pinheiro Bravo 395,13 172,54 0,00 183,00 0,00 1,39 2,54 0,00 7,78 0,00 22,12 5,77 Amora 1058,14 835,66 0,00 6,91 10,94 49,23 53,75 24,95 29,16 18,62 7,61 21,32 Arrentela 208,83 191,53 7,29 0,00 0,00 6,96 0,00 0,00 0,09 0,00 0,00 2,97 Corroios 506,54 339,02 20,02 2,77 0,00 0,00 3,81 0,00 129,47 7,07 4,37 0,00 911,92 752,67 0,24 120,65 0,00 4,17 20,09 0,00 6,79 0,00 0,00 7,32 Seixal 5,27 0,00 0,00 0,00 0,00 5,27 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Concelho 3085,83 2291,41 27,56 313,32 10,94 67,00 80,20 24,95 173,28 25,68 34,10 37,37 Pinheiro manso Eucalipto Sobreiro Folhosas e Resinosas diversas Aldeia de Paio Pires Fernão Ferro Fonte: Câmara Municipal do Seixal e AFLOPS 26 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL 4.3. Áreas protegidas, Rede Natura 2000 e Regime Florestal A identificação e localização das áreas protegidas e áreas de Rede Natura 2000 são fundamentais para o planeamento da defesa da floresta contra incêndios. Estas áreas apresentam um elevado valor cultural, social e científico, motivo pelo qual devem ser prioritárias para a intervenção numa situação de ocorrência de fogo. 4.3.1. Áreas protegidas Não há áreas protegidas no concelho do Seixal. 4.3.2. Rede Natura 2000 A Rede Natura 2000 é uma rede ecológica europeia composta por áreas de importância comunitária para a conservação de determinados habitats e espécies, nas quais as actividades humanas deverão ser compatíveis com a preservação destes valores, com vista a uma gestão sustentável (ICN, 2006). Esta rede é formada por Zonas de Protecção Especial – ZPE (Directiva Aves – Directiva n.º 79/409/CEE) e Sítios Classificados (também designados por Zonas Especiais de Conservação – ZEC – Directiva Habitats, Directiva n.º 92/43/CEE). As ZPE englobam os locais mais representativos para a protecção de aves não cinegéticas, incluindo os respectivos ninhos, ovos e habitats (Anexo I da respectiva Directiva) e os Sítios Classificados englobam os locais mais representativos para a conservação dos habitats de espécies da flora e da fauna constantes dos anexos da respectiva Directiva. As Directivas Aves e Habitats foram transpostas para o direito nacional pelo Decreto-Lei n.º 140/99, de 24 de Abril, com a redacção que lhe foi dada pelo Decreto-Lei n.º 49/2005, de 24 de Fevereiro. O único sítio da Rede Natura existente no concelho do Seixal é o sítio PTCON0054 Fernão Ferro/Lagoa de Albufeira, uma Zona Especial de Conservação (ZEC) estabelecida pela 27 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL Resolução do Conselho de Ministros nº176/2000 de 5 de Julho. O Sítio PTCON0054 Fernão Ferro/Lagoa de Albufeira foi posteriormente classificado pela Comissão Europeia como “Sítio de Importância Comunitária da Região Biogeográfica Mediterrânica Fernão Ferro/Lagoa de Albufeira” por decisão da Comissão das Comunidades Europeias de 19 de Julho de 2006. Tem uma área total de 4413 ha, 26% da qual no concelho do Seixal (1164, 75 ha, Figura 2). A importância desta área prende-se com o facto de incluir uma das raras paisagens de paleodunas paludificadas do Sudoeste Europeu. Tem características predominantemente florestais, sendo a paisagem dominada pelo pinheiro bravo (Pinus pinaster), para além de lagoas permanentes, com vegetação de elevado valor de conservação e vários endemismos. A gestão desta área rege-se pela legislação geral aplicável. Figura 2 . Localização da área de ZEC no concelho do Seixal A Rede Natura 2000 do concelho do Seixal está representada no Mapa 31 – Mapa da Rede Natura 2000 do Concelho do Seixal (capítulo 7. Anexos - Cartografia). 28 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL 4.3.3. RAN e REN A Reserva Agrícola Nacional (RAN) destina-se a defender as áreas de maiores potencialidades agrícolas, ou aquelas que foram objecto de importantes investimentos destinados a aumentar a sua capacidade produtiva, tendo como objectivo o progresso e a modernização da agricultura portuguesa (o pleno aproveitamento agrícola dos melhores solos e a sua salvaguarda). A Reserva Agrícola Nacional é constituída principalmente por solos de Capacidade de Uso das classes A e B, bem como por solos de baixas aluvionares e coluviais. O regime jurídico da RAN (a definição das áreas constituintes, bem como as especificidades de uso e de manutenção dessas áreas) foi estabelecido pelo Decreto-Lei n.º 169/89 de 14 de Junho, alterado pelo Decreto-Lei n.º 274/92 de 12 de Dezembro. As áreas da RAN estão cartografadas à escala 1:25 000, e publicadas em Portaria no Diário da República. Contudo, com a ratificação e publicação dos Planos Directores Municipais (PDM), aquelas Portarias caducam e a carta da RAN é a constante dos PDM. Nos solos da RAN são proibidas as acções que diminuam ou destruam as suas potencialidades agrícolas, sendo as actividades agrícolas objecto de tratamento preferencial em todas as acções de fomento e apoio à agricultura, desenvolvidas pelas entidades públicas. A utilização não agrícola de solos da RAN carece sempre de prévio parecer das Comissões Regionais de Reserva Agrícola (CRRA), junto das quais poderá ser instruído o processo de pedido de utilização não agrícola de solos da RAN. A Reserva Ecológica Nacional (REN) foi instituída pelo Decreto-Lei n.º 321/83 de 5 de Julho, tendo sido o seu regime jurídico revisto no Decreto-Lei n.º 93/90 de 19 de Março, alterado pelo Decreto-Lei n.º 79/95 de 20 de Abril e pelo Decreto-Lei n.º 180/2006 de 6 de Setembro. Nestes documentos foram definidas como áreas de REN todas as áreas indispensáveis à estabilidade ecológica do meio e à utilização racional dos recursos naturais, com vista ao correcto ordenamento do território. Nos solos classificados como REN são assim proibidas todas as acções que diminuam ou destruam as suas funções e potencialidades, nomeadamente vias de comunicação e acessos, construção de edifícios, aterros e escavações, destruição do coberto vegetal e da vida animal. Como excepção estão as operações relativas à florestação e exploração florestal decorrentes de projectos aprovados ou autorizados pela Direcção Geral dos 29 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL Recursos Florestais (DGRF). Os terrenos integrados na REN serão obrigatoriamente identificados em todos os instrumentos que definam a ocupação física e o ordenamento do território, nomeadamente os planos de ordenamento e os planos directores municipais. No concelho do Seixal a RAN ocorre em 274,05 ha, e a REN ocorre em cerca de 1000 ha, estando classificadas as seguintes zonas costeiras e ribeirinhas (Figura 3): Sapal/Baía (611.3 ha); Faixa de protecção do sapal (171.35 ha); Praias e dunas litorais (110.25 ha); Zonas ameaçadas pelas cheias (93.77 ha); Faixa de protecção de zonas húmidas (31.27 ha). Figura 3. RAN e REN no concelho do Seixal 30 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL 4.3.4. Regime Florestal Em 24 de Dezembro de 1901 foi publicado o Decreto que define o conceito de regime florestal, tendo como objectivo criar e fomentar um património florestal. Neste decreto é determinada a arborização, conservação e exploração de terrenos considerados de utilidade pública que ficaram sujeitos a restrições. O regime florestal aplica-se a terrenos e matas públicas ou privadas, a áreas submetidas ao regime cinegético especial e a áreas de pesca concessionada ou reservada, nas águas interiores. Tem como objectivos fundamentais a criação, a exploração e conservação da riqueza silvícola, enquadrada na economia nacional e o revestimento florestal dos terrenos cuja arborização seja de qualidade pública. Estes espaços estão sujeitos a restrições legais de utilidade pública que condicionam o exercício do direito de propriedade. Estas restrições e condicionantes resultam do reconhecimento da necessidade de salvaguardar o solo a usos inadequados. De acordo com informação da Direcção-Geral dos Serviços Florestais e Aquícolas (DGSFA), datada da década de 70, existem as seguintes propriedades privadas no concelho do Seixal submetidas ao Regime Florestal (RF): “Niza”, 159 hectares, submetida ao RF de simples polícia; “Quinta Nova”, 195 hectares, submetida ao RF de simples polícia; “Quinta do Conde”, 650 hectares, sujeita ao RF. Não existe cartografia digital destas áreas. Não existem propriedades sob gestão da DGRF submetidas ao RF no concelho em causa. 4.4. Instrumentos de gestão florestal Segundo a Lei de Bases da Política Florestal (Lei n.º 33/96 de 17 de Agosto), a gestão das explorações florestais deve ser efectuada com base nas normas de silvicultura definidas no Plano Regional de Ordenamento Florestal (PROF) correspondente, ficando as matas públicas e comunitárias, as matas privadas com área superior à definida no PROF respectivo, bem como as 31 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL explorações florestais inseridas em Zonas de Intervenção Florestal (ZIF) obrigadas à existência de um Plano de Gestão Florestal (PGF). Os PGF´s são instrumentos que vão permitir melhorar o conhecimento do material lenhoso existente e a manutenção do espaço florestal, informação relevante para a produção florestal e a prevenção dos incêndios. O concelho do Seixal insere-se no PROF da Área Metropolitana de Lisboa (AML), cuja área mínima a partir da qual as explorações florestais privadas devem estar obrigatoriamente submetidas a um PGF é de 100 hectares. Contudo, até à data, ainda não foram entregues à DGRF Planos de Gestão Florestal referentes a propriedades florestais do concelho. No entanto, a inexistência de PGF’s aprovados pela DGRF não implica necessariamente que as propriedades florestais não pratiquem já uma gestão planeada e com orientações específicas de sustentabilidade da produção e de defesa dos espaços florestais contra agentes abióticos, como os incêndios florestais. As implicações da inexistência de PGF’s na área de estudo em termos de DFCI reflectem-se na dificuldade de articulação entre os vários instrumentos de ordenamento e de gestão e na carência de um instrumento de planeamento e de operacionalização das intervenções florestais com vista à redução de combustíveis lenhosos e restantes medidas de DFCI. As Zonas de Intervenção Florestal são figuras de ordenamento territorial e florestal de grande importância para a gestão da floresta, que permitem a definição de uma dimensão mínima viável para a execução de intervenções nos espaços florestais, assim como reduzir as condições de ignição e de propagação de incêndios florestais, e dar coerência territorial e eficácia à acção da administração central e local e dos demais agentes com intervenção nos espaços florestais. As áreas prioritárias para a constituição de uma ZIF ocorrem maioritariamente em regiões caracterizadas pela fragmentação da propriedade rural, onde os proprietários são na sua maioria ausentes, sendo o abandono dos espaços florestais a principal causa para o aumento de combustíveis lenhosos e para o elevado risco de incêndio. Para além da dimensão média das explorações florestais, existem outros critérios considerados para a criação de uma ZIF, nomeadamente: o índice de risco de incêndio, a percentagem de espaços florestais e espaços arborizados na área da ZIF, a percentagem de área ardida e a área proposta para ZIF. Não existem Zonas de Intervenção Florestal (ZIFs) nem Planos de Gestão Florestal (PGFs) no concelho do Seixal. 32 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL 4.5. Zonas de recreio florestal, caça e pesca A única zona de recreio florestal identificada no concelho do Seixal é o parque de campismo da Sociedade de Campismo e Caravanismo Parque Verde, localizado na freguesia de Fernão Ferro (Figura 4). Figura 4. Zonas de Recreio Florestal no concelho do Seixal Não há zonas de caça nem zonas de pesca no concelho do Seixal. O parque de campismo constitui assim a única zona de recreio florestal do concelho do Seixal, estando representado no Mapa 33 – Mapa das Zonas de Recreio Florestal do Concelho do Seixal (capítulo 7. Anexos Cartografia). 33 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL 4.6. Romarias e Festas A identificação das romarias e festas é importante para a identificação dos dias do ano em que a movimentação e concentração de pessoas é maior em certos locais, sobretudo quando ocorrem actividades com risco de incêndio como churrascos ou lançamento de foguetes, perto de espaços florestais, podendo originar focos de incêndio por negligência ou acidente. As romarias e festas do concelho do Seixal descrevem-se no Quadro 11. Quadro 11. Romarias e festas no concelho do Seixal Mês de realização Dia de início/fim Freguesia Lugar Designação Maio 27 (Domingo) Arrentela Casal do Marco Procissão em Honra de Nª. Sra. da Paz Seixal Seixal Junho Última semana (22 a 1 de Julho 2007) Festas Populares de S. Pedro Comissão de Festas do Casal do Marco Tel: 212217116 C.M. Seixal – Tel: 212 275 732 Junta Freguesia do Seixal Tel: 212 275 390 Seixal Seixal Arrentela Arrentela Procissão em Honra de S. Pedro Festas Populares da Arrentela Paróquia do Seixal Tel: 212 213 550 Junta de Freguesia da Arrentela Tel: 212 277 360 Última semana (21 a 29 - 2007) Fernão Ferro Fernão Ferro Festas Populares de Fernão Ferro Junta de Freguesia de Fernão Ferro Tel: 212 120 498 28 Fernão Ferro Fernão Ferro Procissão em Honra de N. Sra. da Boa Hora Conselho Pastoral de Fernão Ferro Tel: 212 121 165 1.ª semana Aldeia de Paio Pires Aldeia de Paio Pires Festas Populares da Aldeia de Paio Pires 5 Aldeia de Paio Pires Aldeia de Paio Pires Procissão em Honra de N. Sra. da Anunciada Junta de Freguesia da Aldeia de Paio Pires Tel: 212 273 800 Paróquia da Aldeia de Paio Pires Tel: 212 215 092 11 a 15 Amora Amora 15 Amora Amora 19 a 25 Corroios Corroios 1 Arrentela Arrentela Festas Populares de Amora Procissão em Honra de N. Sra. de Monte Sião Festas Populares de Corroios Procissão em Honra de N. Sra. da Soledade Junta de Freguesia de Amora Tel: 212 268 730 Paróquia de Amora Tel: 212 240 070 Junta de Freguesia de Corroios Tel: 212 535 814 Paróquia de Arrentela Tel: 212 211 026 29 Segunda semana (11 a 15 – 2007) Julho Agosto Novembro Organização Fonte: Câmara Municipal do Seixal Deve salientar-se que as Festas Populares de São Pedro, realizadas na última semana de Junho, coincidem com o dia do ano com maior registo de ocorrências (28 de Junho, com 19 ocorrências), e com o dia do ano com maior registo de área ardida (24 de Junho, com 46 ha), entre 1996 e 2006. Outros dias com n.º de ocorrências significativo e coincidentes com estas 34 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL festas são os dias 29 e 30 de Junho (com 16 e 14 ocorrências, respectivamente) (ver subcapítulo 5.4., Gráfico 9). Deve notar-se também que as Festas Populares da Arrentela, realizadas na segunda semana de Julho, são coincidentes com alguns dos dias do ano com maior registo de área ardida (14 de Julho com 41,9 ha) e maior registo de ocorrências (11 e 15 de Julho, ambos com 15 ocorrências) (ver subcapítulo 5.4., Gráfico 9). As Festas Populares da Aldeia de Paio Pires realizadas na 1.ª semana de Agosto, e as Festas Populares da Amora realizadas de 11 a 15 de Agosto, coincidem também com dois dias com n.º significativo de ocorrências, nomeadamente, o dia 3 de Agosto (com 14 ocorrências) e o dia 11 de Agosto (com 16 ocorrências), respectivamente (ver subcapítulo 5.4., Gráfico 9). Refira-se ainda que segundo o artigo 29º do Decreto-Lei n.º 124/2006, de 28 de Junho, não é permitido o lançamento de qualquer tipo de foguetes durante o período crítico (período definido por Portaria do Ministro da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas, decorrente de condições meteorológicas de elevado risco de incêndio), sendo que a utilização de fogo-deartifício nos espaços rurais se encontra sujeita a autorização prévia da respectiva câmara municipal. 35 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL 5. ANÁLISE DO HISTÓRICO E DA CASUALIDADE DOS INCÊNDIOS FLORESTAIS A análise temporal das estatísticas de incêndios foi efectuada com base em informação disponibilizada pela Direcção-Geral dos Recursos Florestais (DGRF), referente ao histórico de incêndios para o período 1980-2006 (distribuição anual) e 1996-2006 (distribuição mensal, semanal, diária e horária, por tipo de coberto vegetal, e fontes de alerta). 5.1. Área ardida e Ocorrências – Distribuição Anual O Gráfico 4 apresenta a distribuição anual da área ardida e n.º de ocorrências entre 1980 e 2006 para o concelho do Seixal. No período 1980-2006 registou-se um aumento significativo do n.º de ocorrências no concelho do Seixal, de cerca de zero ocorrências antes de 1995 para valores que rondam as 100 ocorrências a partir de 1995. A área ardida também tem vindo a aumentar, tendo ocorrido a maior área ardida em 1993. As áreas ardidas entre 1990 e 2006 estão representadas no Mapa 34 – Mapa das Áreas Ardidas do Concelho do Seixal (1990-2006) (capítulo 7. Anexos - Cartografia). Gráfico 4. Distribuição anual da área ardida (ha) e do n.º de ocorrências (1980-2006) para o concelho do Seixal 600 200 160 400 120 300 80 200 40 100 0 0 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1989 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 Área ardida (ha) 3,1 22,9 0,0 Nº de ocorrências 4 65 0 10,4 109,6 29 82 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 7,0 491,5 5,8 0 0 0 0 0 3 31 7 38,7 67,2 7,9 32,2 15,3 6,3 27,4 44,0 57,8 64,3 18,9 19,3 165 86 145 109 165 91 116 110 92 68 114 95 36 N.º de ocorrências Área ardida (ha) 500 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL O Gráfico 5 apresenta a distribuição da área ardida e n.º de ocorrências entre 2001 e 2005 (média) e em 2006 por freguesia, para o concelho do Seixal. Entre 2001 e 2005 a freguesia da Aldeia de Paio Pires é a que apresenta a maior área ardida (média), seguida pelas freguesias de Arrentela, Fernão Ferro e Amora (por ordem decrescente de área ardida média). Em 2006 a maior área ardida ocorreu na freguesia de Amora, seguida pela freguesia da Aldeia de Paio Pires. As freguesias de Seixal e Corroios registaram as menores áreas ardidas entre 2001 e 2006. Por outro lado, Corroios registou o maior número de ocorrências em 2006, pelo que estas ocorrências correspondem assim a fogos de reduzida dimensão (Gráfico 5). Contudo, talvez haja necessidade de reforçar a fiscalização e vigilância na freguesia de Corroios durante o ano de 2007, para que se possa diminuir o elevado número de ocorrências verificado em 2006. 16 40 14 35 12 30 10 25 8 20 6 15 4 10 2 5 0 0 Aldeia de Paio Pires Amora Arrentela Corroios Fernão Ferro Seix al 1,02 Área ardida 2006 3,78 12,04 0,56 0,42 1,45 Média área ardida 2001-2005 14,19 7,03 9,27 2,50 9,06 0,85 23,00 19,00 11,00 35,00 13,00 13,00 13,20 24,00 13,60 19,80 21,60 3,20 Es+paços florestais Nº ocorrências 2006 Média n.º ocorrências 2001-2005 N.º de ocorrências Área ardida (ha) Gráfico 5. Distribuição da área ardida (ha) e do n.º de ocorrências em 2006 e média no quinquénio 2001-2005, por freguesia, para o concelho do Seixal A distribuição anual da área ardida representa-se na Carta 14 (Anexos - Cartografia). No Gráfico 6 podem visualizar-se as áreas ardidas e número de ocorrências por espaços florestais em cada 100 hectares, entre 2001 e 2006. Para obter estes valores consideraram-se as áreas de espaços florestais por freguesia (Quadro 12). 37 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL Quadro 12. Área de espaços florestais (floresta e matos, ha e %) por freguesia, para o concelho do Seixal Freguesia Área espaços florestais (ha) Área espaços florestais (%) Aldeia de Paio Pires 540,93 14,77 Amora 1168,90 31,91 Arrentela 263,15 7,18 Seixal 21,34 0,58 Corroios 561,56 15,33 Fernão Ferro 1107,53 30,23 Total Concelho 3663,41 100 Fonte: Câmara Municipal do Seixal Gráfico 6. Distribuição da área ardida (ha) e do n.º de ocorrências em 2006 e média 2001-2005 por espaços florestais, em cada 100 hectares, e por freguesia, para o concelho do Seixal 6 70 5 60 50 4 40 3 30 2 20 1 0 10 Aldeia de Paio Pires 0 Amora Arrentela Corroios Fernão Ferro Seix al Área ardida em 2006 em cada 100 hectares 0,70 1,03 0,21 0,08 0,13 4,77 Média área ardida 2001-2005 em cada 100 2,62 0,57 3,52 0,45 0,82 3,96 N.º ocorrências 2006 em cada 100 hectares 4,25 1,63 4,18 6,23 1,17 60,90 Média n.º ocorrências 2001-2005 em cada 2,44 2,05 5,17 3,53 1,95 14,99 hectares 100 hectares 38 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL Ao comparar-se o Gráfico 6 com o Gráfico 5, verifica-se que a área ardida aumentou para a freguesia do Seixal e diminuiu para as freguesias de Fernão Ferro e Amora, comparativamente com as restantes freguesias. Quando a área ardida é representada em relação aos espaços florestais existentes (rácio área ardida/área florestal – ver Gráfico 6), o valor de área ardida vai variar inversamente com o valor da área de espaços florestais. Assim, apesar da freguesia do Seixal apresentar um dos mais baixos valores de n.º de ocorrências e área ardida no concelho do Seixal, os fogos que aqui ocorrem representam a maior área ardida e ocorrências por área de espaços florestais entre 2001 e 2006 (Gráfico 6), já que esta freguesia é a que possui menor área florestal do concelho (0,58%, Quadro 12). Por outro lado, os valores de área ardida e n.º de ocorrências por área de espaços florestais diminuem nas freguesias de Amora e Fernão Ferro porque estas freguesias integram as maiores áreas florestais do concelho (cerca de 30%, Quadro 12), compensando assim a área ardida. Tendo em conta a maior área florestal das freguesias de Fernão Ferro e Amora, atribuiu-se um maior esforço de vigilância móvel e 1.ª intervenção a estas freguesias, através dos locais estratégicos de estacionamento e zonas de vigilância móvel marcados nas mesmas (ver Caderno I, subcapítulos 3.3.3. e 3.3.4.). 5.2. Área Ardida e Ocorrências – Distribuição Mensal O Gráfico 7 apresenta a distribuição mensal da área ardida e n.º de ocorrências entre 1996 e 2005 (média) e em 2006 para o concelho do Seixal. Em média nos últimos 10 anos (1996-2006), os incêndios florestais ocorreram sobretudo nos meses de Junho Julho, Agosto e Setembro. Julho destaca-se como o mês com área ardida e n.º de ocorrências bastante mais elevadas que os restantes meses, sendo portanto o mês mais crítico em termos de fogos florestais. Apesar de marginais, Março, Maio e Outubro também apresentam algumas ocorrências. Dezembro é o único mês em que não se registaram incêndios no período 1996-2006 (Gráfico 7). Saliente-se que no ano de 2006, os incêndios de maiores dimensões ocorreram em Julho (cuja área ardida perfaz 81% da área total que ardeu durante o ano), tendo o n.º de ocorrências sido 39 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL igualmente elevado em Julho e Setembro, aproximadamente o dobro das ocorrências registadas em Agosto e Junho (Gráfico 7). Gráfico 7. Distribuição mensal da área ardida (ha) e do n.º de ocorrências em 2006 e média 1996-2005 18 30 16 25 14 20 10 15 8 6 10 4 N.º de ocorrências Área ardida (ha) 12 5 2 0 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Área ardida 2006 0,00 0,00 0,00 0,03 0,32 1,66 15,53 0,70 0,99 0,05 0,00 0,00 Média área ardida 1996-2005 0,06 0,07 0,26 0,15 0,41 8,78 13,37 6,78 3,15 0,89 0,21 0,00 0 0 0 4 6 11 25 14 25 6 1 0 1,10 2,30 2,40 3,50 6,30 20,80 27,90 21,40 16,00 3,90 1,60 0,60 Nº ocorrências 2006 Média n.º ocorrências 1996-2005 0 5.3. Área Ardida e Ocorrências – Distribuição Semanal O Gráfico 8 apresenta a distribuição semanal da área ardida e n.º de ocorrências entre 1996 e 2005 (média) e em 2006 para o concelho do Seixal. A área ardida média no período 1996-2005 ocorreu sobretudo à Segunda e Quarta, valor que representa cerca do dobro da média registada para os restantes dias úteis (Terça, Quinta e Sexta). Os fins de semana (Sábado e Domingo) apresentam uma área ardida média bastante inferior, cerca de 6% do valor total da semana (Gráfico 8). Em 2006, a Quinta-feira é o dia da semana que apresenta a área ardida mais elevada mas um valor baixo de ocorrências quando comparado com os restantes dias da semana. Assim, os fogos que deflagraram às Quintas em 2006 são fogos de maior dimensão (Gráfico 8). 40 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL Tanto para 2006, como para o período 1996-2005, o n.º de ocorrências não se concentra em nenhum dia da semana em particular, distribuindo-se por todos os dias da semana. Desta forma, pode concluir-se que os incêndios que ocorreram ao Sábado e Domingo entre 1996-2005 são de reduzida dimensão, já que a área ardida média foi bastante baixa nestes dias (Gráfico 8). Gráfico 8. Distribuição semanal da área ardida (ha) e do n.º de ocorrências em 2006 e média 19962005 16 20 14 18 Área ardida (ha) 14 10 8 12 10 6 8 6 4 4 2 0 2 Seg Ter Qua Qui Sex Sáb Dom Área ardida 2006 1,37 0,15 1,71 14,04 1,32 0,53 0,16 Média área ardida 1996-2005 8,43 4,39 8,26 4,12 4,63 1,80 2,52 N.º ocorrências 2006 Média n.º ocorrências 1996-2005 N.º de ocorências 16 12 11 15 18 11 15 8 14 13,8 15,2 17,8 14,7 15,9 16,1 14,2 0 5.4. Área Ardida e Ocorrências – Distribuição Diária O Gráfico 9 apresenta a disribuição diária da área ardida e n.º de ocorrências ao longo do ano, entre 1996 e 2006. Nos últimos 11 anos, a maior área ardida (24% do total ardido) ocorreu nos dias 24 de Junho (46,2 ha) e 14 de Julho (41,9 ha), enquanto que as ocorrências registaram os valores mais elevados nos dias 28 Junho (com 19 ocorrências), 11 de Agosto e 29 Junho (com 16 ocorrências), 11 e 15 de Julho (com 15 ocorrências), 30 de Junho e 3 de Agosto (com 14 ocorrências). Salienta-se também o facto de existirem poucos dias do ano sem nenhuma ocorrência registada, no período de 1996 a 2006. 41 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL Gráfico 9. Distribuição dos valores diários acumulados da área ardida e do n.º de ocorrências (1996-2006) 50 Área ardida (ha) 40 Area Ardida (ha) N.º Ocorrências 18 2 dias críticos 24% do total ardido 24 Junho 14 Julho 16 35 14 30 12 25 10 17 e 18 de Julho 20 8 15 6 22 Junho 10 4 5 2 0 0 1-Jan 21-Jan 10-Fev 2-Mar 22-Mar 11-Abr 1-Mai 21-Mai N.º de ocorrências 45 20 10-Jun 30-Jun 20-Jul 9-Ago 29-Ago 18-Set 8-Out 28-Out 17-Nov 7-Dez 27-Dez 42 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL 5.5. Área Ardida e Ocorrências – Distribuição Horária Analisando a distribuição gráfica horária da área ardida e n.º de ocorrências para o período de 1996 a 2006 para o concelho do Seixal (Gráfico 10), verifica-se que o maior registo de área ardida ocorreu no período entre as 14:00h e as 16:59h (cerca de 257 ha, que correspondem a 70,7% da área ardida total), seguido dos períodos das 13:00h às 13:59h (cerca de 20,05 ha) e das 17:00h às 17:59h (16,63 ha). O maior número de ocorrências foi registado no período entre as 15:00h e as 15:59h, com 130 ocorrências, e entre as 14:00h e as 14:59h, com 110 ocorrências. Os períodos horários observados como mais críticos correspondem às horas de maior circulação da população (tais como a hora de almoço e saída dos empregos), e a horas de maior pico de calor. Exceptua-se o período horário das 21:00h às 21h59 (com 14,31 ha ardidos). Estes resultados são importantes para a programação das acções de sensibilização junto das populações, prevenção, vigilância, 1.ª intervenção e combate. O reforço da vigilância e 1.ª intervenção deverá incidir prioritariamente sobre o período das 13h às 22h. 43 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL Gráfico 10. Distribuição horária da área ardida e do n.º de ocorrências (1996-2006) 3 Períodos Críticos 70,7% da Área Ardida 100 140 25,79% do total ardido 90 120 80 21,47% do total ardido 100 23,44% do total ardido 60 80 50 60 40 30 N.º de Ocorrências Área ardida (ha) 70 40 20 20 10 0 0 00:00- 1:00- 2:00- 3:00- 4:00- 5:00- 6:00- 7:00- 8:00- 9:00- 10:00- 11:00- 12:00- 13:00- 14:00- 15:00- 16:00- 17:00- 18:00- 19:00- 20:00- 21:00- 22:00- 23:0000:59 1:59 2:59 3:59 4:59 5:59 6:59 7:59 8:59 9:59 10:59 11:59 12:59 13:59 14:59 15:59 16:59 17:59 18:59 19:59 20:59 21:59 22:59 23:59 Area ardida N.º Ocorrências 0,56 3,83 5,33 1,14 40 24 20 18 1,34 0,42 12 5 1,15 0,11 1,07 0,16 1,90 3,35 12 15 12 12 31 34 9,02 20,05 85,22 93,79 78,07 16,63 2,85 59 64 110 130 99 96 75 8,85 70 7,56 14,31 5,47 69 65 41 1,45 51 44 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL 5.6. Área Ardida por Tipo de Coberto Vegetal Entre 1996 e 1998 grande parte da área ardida ocorreu em zonas ocupadas por matos; a partir de 1998 a situação inverte-se e a área ardida de povoamentos florestais é bastante superior à dos matos, com excepção do ano de 2004. Este facto poderá estar relacionado com a classificação menos precisa das áreas ardidas antes de 1998, ou seja, áreas florestais que eram classificadas como matos (Gráfico 11). Gráfico 11. Distribuição da área ardida (ha) por espaços florestais (1996-2006) no concelho do Seixal 70 Área ardida (ha) 60 50 40 30 20 10 0 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 Área ardida - Pov oamentos 3,72 2,17 2,70 10,80 2,40 20,10 34,50 49,40 10,80 10,10 18,20 Área ardida - Matos 63,49 5,70 29,49 4,50 3,90 7,30 9,50 11,40 53,50 8,80 1,10 5.7. Área Ardida e Ocorrências por Classes de Extensão O Gráfico 12 mostra a distribuição da área ardida e o número de ocorrências por classes de extensão, que variam da classe 0-1 ha à classe >100 ha, para o concelho do Seixal. No período de 1996 a 2006 registaram-se fogos florestais nas classes de extensão entre 0 e 50 ha. Contudo, grande parte das ocorrências (93% do total de ocorrências) registadas no concelho do Seixal corresponde a fogos de pequena área ardida, entre 0 e 1 ha, seguida de 6 % de ocorrências com área ardida na classe de 1 a 10 ha. Pode assim concluir-se que a quase 45 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL totalidade das ocorrências nos últimos 11 anos (1996-2006) no concelho do Seixal corresponde a muitos incêndios de reduzida dimensão, provavelmente controlados atempadamente por equipas de 1.ª intervenção. Gráfico 12. Distribuição da área ardida e do n.º de ocorrências por classes de extensão (1996-2006) para o concelho do Seixal 200 1200 Área ardida (ha) 800 120 600 80 400 40 N.º de ocorrências 1000 160 200 0 0 0-1 1-10 10-20 20-50 50-100 >100 Area ardida (ha) 42,1443 172,5 63 85 0 0 N.º Ocorrências 1106 75 5 2 0 0 5.8. Pontos de Início e Causas Os pontos de início dos incêndios entre 1990 e 2006 encontram-se dispersos pelo concelho do Seixal, não se observando nenhum padrão para a localização dos mesmos. Os pontos de início e causas estão representados no Mapa 35 – Mapa dos Pontos de Início e Causas dos Incêndios (2001-2006) do Concelho do Seixal (capítulo 7. Anexos - Cartografia). As causas de incêndios são classificadas em seis categorias: 1. uso do fogo (queima de lixo, queimadas, lançamento de foguetes, fogueiras, fumar, apicultura); 2. acidentais (transporte e comunicações, maquinaria e equipamento, outras causas acidentais); 46 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL 3. estruturais (caça e vida selvagem, uso do solo, defesa contra incêndios, outras causas estruturais); 4. incendiarismo (inimputáveis, imputáveis); 5. naturais (raio); 6. indeterminadas. A análise das causas dos incêndios em Portugal está dificultada pela falta de qualidade dos dados disponíveis, com muita informação temporal em falta e relatórios incompletos, sendo difícil obter uma interpretação consistente e rigorosa da causalidade dos incêndios (Damasceno e Silva, 2007). No concelho do Seixal a informação sobre as causas de início para a maioria dos incêndios ocorridos entre 2001 e 2006 é quase inexistente. Num total de 572 pontos de início, apenas em 6 se identificaram as causas de início, classificadas em duas categorias: negligente (uso do fogo) (3 registos) e indeterminada (3 registos). Esta observação insere-se no padrão nacional, já que grande parte dos incêndios em Portugal tem origem em acção antrópica, frequentemente por negligência (CNR, 2005). Segundo a GNR do Seixal, grande parte dos incêndios no concelho do Seixal tem início junto às vias de comunicação, logo a limpeza da vegetação das bermas revela-se fundamental para a prevenção. A principal causa de ignição identificada pela GNR são as beatas dos cigarros atiradas para fora dos veículos, o que está de acordo com os dados fornecidos pela DGRF e com o padrão nacional (CNR, 2005). O fogo posto foi também apontado pela GNR do Seixal como uma segunda causa para os incêndios no concelho do Seixal. Outra causa para o início de incêndios apontada pelos bombeiros do concelho do Seixal são as queimas de sobrantes, realizadas durante o período crítico ou sem o devido acompanhamento. Note-se que a queima de sobrantes é proibida por lei no período crítico (Artigo 28.º do DecretoLei n.º 124/2006, de 28 de Junho), exceptuando-se as queimas de cumprimento obrigatório no âmbito de medidas fitossanitárias, tais como as queimas de despojos de pinheiro bravo realizadas no âmbito do Programa Nacional de Luta Contra o Nemátodo da Madeira do Pinheiro (PROLUNP). Nestes casos, a queima deverá ser realizada com a presença de uma unidade de um corpo de bombeiros ou uma equipa de sapadores florestais (de acordo com o Artigo 28.º, Decreto-Lei n.º 124/2006, de 28 de Junho). 47 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL 5.9. Fontes de Alerta O Gráfico 13 apresenta a distribuição do n.º de ocorrências por fonte de alerta entre 2001 e 2006 para o concelho do Seixal. Entre 2001 e 2006 os populares constituem a fonte de alerta de incêndios mais comum (44%), seguida pelo CDOS (35%). A fonte de alerta Outros e Postos de Vigia (PV) também são representativos. A utilização do 117 e o alerta dado pelos sapadores florestais representam valores marginais no total do tipo de fonte de alerta (Gráfico 13). Gráfico 13. Distribuição do n.º de ocorrências por fonte de alerta (2001-2006) Outros 117 Sapadores 12,23% 1,24% 0,18% CDOS 35,11% Populares 43,44% PV 7,80% O Gráfico 14 apresenta a distribuição do n.º de ocorrências por fonte e hora de alerta entre 2001 e 2006 para o concelho do Seixal. Os alertas dados pelos populares e pelo CDOS distribuem-se pelas 24 horas mas apresentam um pico das 14h às 19h59, e das 14h às 17h59, respectivamente. O alerta dado por “Outros” também se distribui pelas 24h. Por outro lado, o alerta dado através do 117 concentra-se entre as 13h e as 18h59. O alerta dado pelos postos de vigia (PV) é marginal, ocorrendo sobretudo entre as 13h e as 16h59. 48 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL Gráfico 14. Distribuição do n.º de ocorrências por fonte e hora de alerta (2001-2006) para o concelho do Seixal 90 80 7 70 9 Outros 40 6 4 6 1 6 0 22 30 19 Populares 4 20 12 11 8 11 13 20:00-20:59 21:00-21:59 14 CDOS 3 0 19:00-19:59 8 16:00-16:59 6 5 0 20 17:00-17:59 24 15:00-15:59 4 PV 21 15 9 4 20 17 22 13:00-13:59 9:00-9:59 10 12:00-12:59 8:00-8:59 12 11:00-11:59 10 4 1 2 10 6 10:00-10:59 03 2 02 4 3 7:00-7:59 0110 0 12 10 4 3 6:00-6:59 20 2 1 5:00-5:59 10 4:00-4:59 1 102 6 3:00-3:59 10 20 1 7 1 2:00-2:59 20 10 0 20 13 1:00-1:59 20 3 3 0 117 23 14:00-14:59 3 0 2 5 1 Sapadores 2 10 7 7 6 0 7 11 23:00-23:59 39 18:00-18:59 50 22:00-22:59 6 2 2 00:00-00:59 N.º de ocorrências 1 60 49 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL 5.8. Grandes Incêndios Registou-se apenas um grande incêndio (> 100 ha) no concelho do Seixal entre 1990 e 2006, ocorrido em 1993. Este incêndio está representado no Mapa 36 – Mapa dos Grandes Incêndios do Concelho do Seixal (1990-2006) (capítulo 7. Anexos – Cartografia). 50 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Cabrinha, V., Santo, F.E., 2000. Drought tendencies in mainland Portugal. In: Wilhite, D.A., Sivakumar, M.V.K., Wood, D.A. (Eds.), Early warning systems for drought preparedness and drought management. Proceedings of an expert group meeting. Lisbon, pp. 169-181. Câmara Municipal do Seixal, 1992. Memória Descritiva do Plano Director Municipal do Seixal. CNR. 2005. Orientações estratégicas para a recuperação das áreas ardidas em 2003 e 2004. Comissão Nacional de Reflorestação Equipa de Reflorestação, Secretaria de Estado do Desemvolvimento Rural e das Florestas. Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas. Lisboa. Cubash, U., Von Storch, H., Waskewitz, J., Zorita, E., 1996. Estimates of climate change in Southern Europe derived from dynamical climate model output. Climate Research 7, 129-149. Damasceno, P.; Silva, J.S. 2007. As causas dos incêndios em Portugal. Colecção Árvores e Florestas de Portugal. Volume 8 – Proteger a floresta, incêndios, pragas e doenças. Público, Comunicação Social, SA e Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento. Lisboa. p41-67. DGRF, sem data. Plano Regional de Ordenamento Florestal – Área Metropolitana de Lisboa (PROF – AML). Bases de Ordenamento. Direcção-Geral dos Recursos Florestais. DGRF. 2007a. Guia Técnico para Elaboração do Plano Municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios. Direcção-Geral dos Recursos Florestais. Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas. Lisboa. DGRF. 2007b. Normas para Elaboração do Plano Operacional Municipal 2007. Direcção-Geral dos Recursos Florestais. Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas. Lisboa. Fernandes, P. 2007. Entender porque arde tanto a floresta em Portugal. Colecção Árvores e Florestas de Portugal. Volume 8 – Proteger a floresta, incêndios, pragas e doenças. Público, Comunicação Social, SA e Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento. Lisboa. p69-91. 51 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL ICN. 2006. Plano Sectorial da Rede Natura 2000. Relatório (Volume I). Instituto da Conservação da Natureza. INE, 1981. Censos 1981: XII Recenseamento Geral da População. Instituto Nacional de Estatística. Lisboa. INE, 1991. Censos 1991: XIII Recenseamento Geral da População. Instituto Nacional de Estatística. Lisboa. INE, 2001. Censos 2001: XIV Recenseamento Geral da População. Instituto Nacional de Estatística. Lisboa. INMG, 1991. O Clima de Portugal. Normais Climatológicas da Região de “Ribatejo e Oeste” correspondentes a 1951 – 1980. Fascículo XLX. Volume 4 – 4.ª Região. Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica. Lisboa. McCarthy, J.J., Canziani, O.F., Leary, N.A., Dokken, D.J., White, K.S., 2001. Climate change 2001: impacts, adaptation and vulnerability. Cambridge University Press, Cambridge. Miranda, P, Coelho FES, Tomé AR, Valente MA. 2002. 20th century Portuguese climate and climate scenarios. In: Santos FD, Forbes K, Moita R, editors. Climate change in Portugal. Scenarios, impacts and adaptation measures - SIAM Project. Lisboa: Gradiva. p23-83. Santos, F.D.; Forbes, K.; Moita, R. 2001. Mudança climática em Portugal. Cenários, impactes e medidas de adaptação. Projecto SIAM. Sumário executivo e conclusões. Gradiva. Lisboa. Silva, J.S. 2002. As espécies florestais e a propagação do fogo. Manual de silvicultura para a prevenção de incêndios. Direcção-Geral das Florestas. Lisboa. Silva, J.S.; Catry, F. 2006. Forest fires in cork oak (Quercus suber L.) stands in Portugal. International Journal of Environmental Studies. 63: 235-257. Ventura, J.; Vasconcelos, M.J. 2006. O fogo como processo fisico-químico e ecológico. Incêndios Florestais em Portugal. Caracterização, impactes e prevenção. ISA Press. Lisboa. 52 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL 7. ANEXOS - CARTOGRAFIA Mapa 20 – Mapa do Enquadramento Geográfico do Concelho do Seixal Mapa 21 – Mapa Hipsométrico do Concelho do Seixal Mapa 22 – Mapa de Declives do Concelho do Seixal Mapa 23 – Mapa de Exposições do Concelho do Seixal Mapa 24 – Mapa Hidrográfico do Concelho do Seixal Mapa 25 – Mapa da População Residente (1981/1991/2001) e da Densidade Populacional (2001) do Concelho do Seixal Mapa 26 – Mapa do Índice de Envelhecimento (1981/1991/2001) e sua Evolução (1981-2001) do Concelho do Seixal Mapa 27 – Mapa da População por Sector de Actividade (2001) do Concelho do Seixal Mapa 28 – Mapa da Taxa de Analfabetismo (1981/1991/2001) do Concelho do Seixal Mapa 29 – Mapa do Uso e Ocupação do Solo do Concelho do Seixal Mapa 30 – Mapa dos Povoamentos Florestais do Concelho do Seixal Mapa 31 – Mapa da Rede Natura 2000 do Concelho do Seixal Mapa 33 – Mapa das Zonas de Recreio Florestal do Concelho do Seixal Mapa 34 – Mapa das Áreas Ardidas do Concelho do Seixal (1990-2006) Mapa 35 – Mapa dos Pontos de Início e Causas dos Incêndios (2001-2006) do Concelho do Seixal Mapa 36 – Mapa dos Grandes Incêndios do Concelho do Seixal (1990-2006) 53 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL Mapa 20 – Mapa do Enquadramento Geográfico do Concelho do Seixal 54 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL Mapa 21 – Mapa Hipsométrico do Concelho do Seixal 55 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL Mapa 22 – Mapa de Declives do Concelho do Seixal 56 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL Mapa 23 – Mapa de Exposições do Concelho do Seixal 57 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL Mapa 24 – Mapa Hidrográfico do Concelho do Seixal 58 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL Mapa 25 – Mapa da População Residente (1981/1991/2001) e da Densidade Populacional (2001) do Concelho do Seixal 59 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL Mapa 26 – Mapa do Índice de Envelhecimento (1981/1991/2001) e sua Evolução (1981-2001) do Concelho do Seixal 60 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL Mapa 27 – Mapa da População por Sector de Actividade (2001) do Concelho do Seixal 61 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL Mapa 28 – Mapa da Taxa de Analfabetismo (1981/1991/2001) do Concelho do Seixal 62 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL Mapa 29 – Mapa do Uso e Ocupação do Solo do Concelho do Seixal 63 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL Mapa 30 – Mapa dos Povoamentos Florestais do Concelho do Seixal 64 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL Mapa 31 – Mapa da Rede Natura 2000 do Concelho do Seixal 65 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL Mapa 33 – Mapa das Zonas de Recreio Florestal do Concelho do Seixal 66 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL Mapa 34 – Mapa das Áreas Ardidas do Concelho do Seixal (1990-2006) 67 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL Mapa 35 – Mapa dos Pontos de Início e Causas dos Incêndios (2001-2006) do Concelho do Seixal 68 PLANO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DO CONCELHO DO SEIXAL Mapa 36 – Mapa dos Grandes Incêndios do Concelho do Seixal (1990-2006) 69