Dantas et al. • Avaliação da exposição interna de pacientes de medicina nuclear Avaliação da exposição interna de pacientes de medicina nuclear devido à incorporação de 99Mo como impureza radionuclídica presente em eluatos de 99mTc B.M. Dantas, A.L.A. Dantas, E.A. Lucena, W.O. Sousa, C.O.A. da Silva, R.S.S. Souza and B.S. Ribeiro RESUMO Radiofármacos marcados com 99mTc são utilizados em medicina nuclear para diagnóstico por imagem. Dependendo da qualidade e integridade do gerador, o 99Mo pode ser extraído da coluna no momento da eluição, aumentando a dose interna do paciente e degradando a qualidade da imagem. Segundo a IAEA, o limite de 99Mo nos eluatos é de 0.15 microCi por miliCi 99mTc. Este trabalho visa avaliar a exposição interna de pacientes devido à incorporação de 99Mo. Foi realizado um levantamento da concentração de 99Mo em eluatos coletados em cinco clínicas do Rio de Janeiro. As atividades de 99mTc e 99Mo foram determinadas, respectivamente, com activímetro e com detector cintilador de NaI. Todos os eluatos apresentaram atividades detectáveis de 99Mo, mas apenas uma pequena fração das amostras excedeu o limite da IAEA. A incorporação de 99Mo foi estimada em cinco pacientes submetidos a diagnóstico com 99Tc-MDP através de monitoração in vivo com detector NaI no Contador de Corpo Inteiro e medições in vitro de urina com detector HPGe no laboratório de Bionálise do IRD. Todos os pacientes apresentaram atividades detectáveis de 99Mo no corpo inteiro e na urina. As doses internas, estimadas com base em modelos biocinéticos e dosimétricos de molibdênio sugeridos pela ICRP, situam-se na ordem de microsieverts/exame. Verificou-se também o metabolismo do molibdênio em presença do fármaco MDP através de estudo in vivo utilizando ratos wistar. Os animais foram 99 99 divididos em dois grupos e inoculados respectivamente com Molibdato e Mo+MDP. As 99 atividades de Mo captadas nos órgãos não apresentaram diferença significativa entre os dois grupos, demonstrando que a presença de MDP não altera a biodistribuição. Recomenda-se que as clínicas de medicina nuclear implementem programas rotineiros de controle de qualidade de impurezas de 99Mo em eluatos de 99mTc. ABSTRACT Radiopharmaceuticals labeled with Tc are widely used in nuclear medicine for image diagnosis. Depending on the quality and integrity of the Tc-generator, 99Mo may be extracted from the column as a radionuclidic impurity increasing patient dose unnecessarily and degrading image quality. The maximum concentration of 99Mo in the eluates (MBT), suggested by the IAEA, is 0.15 microCi per miliCi of 99mTc. This work aims to evaluate internal exposure of nuclear medicine patients due to undesired incorporation of 99Mo. A survey of 99Mo concentration in eluate samples was carried out in five nuclear medicine centers. 99mTc and 99Mo were measured respectively with a dose calibrator and with a NaI scintillation detector. All eluate samples presented detectable 99Mo activities but only a small fraction exceeded the IAEA MBT limit. The Incorporation of 99Mo by five patients submitted to diagnostic with 99Tc-MDP was evaluated through in vivo monitoring performed with a NaI at the IRD whole body counter and urine samples measured with a HPGe at the IRD Bioassay Laboratory. All patients presented detectable activities of 99Mo in whole body and in urine. Bioassay results were interpreted using the standard metabolic model of molybdenum established by the ICRP. Internal effective doses were in the order of micro sieverts per examination. The possible modification of 99Mo standard metabolism in the presence of MDP was investigated through a study of biodistribution using wistar rats. Twelve animals were divided in two groups inoculated respectively 99Molibdate and 99 Mo+MDP. Uptake values did not present significant differences among the groups showing equivalent results to the biokinetic model of molybdenum suggested by the ICRP. It is advisable that nuclear medicine centers should implement a routine quality control of radionuclidic 99 99m impurity of Mo in Tc eluates. 99m Palabras claves: Exposición Interna, Medicina Nuclear, 99mTc Instituto de Radioproteção e Dosimetria – IRD/CNEN 28 [email protected] Brasil Revista Latinoamericana de Protección Radiológica, 2011 Dantas et al. • Avaliação da exposição interna de pacientes de medicina nuclear INTRODUÇÃO Apesar dos recentes avanços na área de medicina nuclear, com o desenvolvimento de novos radionuclídeos, o 99mTc ainda permanece como o mais utilizado para diagnóstico em medicina nuclear, sendo aplicado em aproximadamente 80% dos exames. O 99mTc é obtido nos laboratórios de radiofarmácia a partir da eluição de um gerador 99Mo-99mTc. O Molibdênio-99 (t1/2 = 66 h) decai por emissão beta para 99mTc 99 (86%) e Tc (14%),emitindo fótons de 740 e 778 keV (Fig.1) Figura 1. Esquema de decaimento de 99Mo 99 Mo (66.0 h) (86%) 99m Tc (6.01 h) (14%) v 99 Tc (2.13 x 10 y) 3 O Mo é adsorvido no gerador em alumina (óxido de alumínio) na forma de molibdato (MoO42-). Com o decaimento do 99Mo ele se transforma em pertecnetato 99m ( TcO4 ). Quando o eluente (solução salina) passa através da coluna de alumina do gerador (Fig.2), o 99mTcO4- é extraído, enquanto que o molibdênio fica retido na camada de óxido de alumínio(1). Idealmente, a solução eluída do gerador deveria ser livre de impurezas radionuclídicas. Entretanto é possível a presença de 99Mo no eluato e, como consequência do envelhecimento e possíveis defeitos de produção ou danos causados por manipulação incorreta, o 99Mo pode, eventualmente, ser extraído mais intensamente e tornar-se um contaminante no eluato administrado aos pacientes. 99 Figura 2. Representação esquemática do gerador 99Mo-99mTc A presença de 99Mo na solução do radiofármaco representa uma dose de radiação desnecessária ao paciente. Deve-se 99 ressaltar que o coeficiente de dose efetiva interna do Mo é 99m cerca de 50 vezes maior que a do Tc. Esta diferença é associada à emissão de partículas beta e às altas energias dos 99 fótons emitidos pelo Mo. Além disso, dependendo da atividade da impureza radionuclídica, a própria qualidade da imagem do diagnóstico pode ser prejudicada. No Brasil, os geradores de tecnécio são produzidos no IPEN (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares), e estão disponíveis comercialmente na faixa de atividade de 250 a 2000 mCi (9250 a 74000 MBq). O IPEN adota em seu Sistema de de Garantia de Qualidade o limite máximo de impureza radionuclídica (MBT) sugerido pela IAEA(2), isto é, 0.15 kBq of 99Mo por 1 MBq of 99mTc. Por outro lado, as Normas brasileiras de radioproteção estabelecidas pela Comissão Nacional de Energia Nuclear, não obrigam as clínicas a realizarem testes de controle de qualidade rotineiros nos eluatos, o que atualmente depende apenas de iniciativas individuais dos radiofarmacêuticos responsáveis pela operação dos geradores de tecnécio nos Serviços de Medicina Nuclear. O senso comum entre os profissionais da área é de que concentrações de impurezas superiores a 0.1% são de ocorrência muito improvável. Entretanto, um artigo apresentado em uma conferência sobre Física Médica no Brasil relatou níveis de molibdênio superiores a 0.15 kBq/MBq em 7.4% das amostras de eluato analisadas, sendo este levantamento realizado em clínicas de medicina nuclear localizadas na cidade de Recife(3). Além disso, em estudo preliminar realizado por Dantas et al(4) foi detectada incorporação de 99Mo em um paciente de medicina nuclear ao qual havia sido administrada uma dose de 20 mCi de 99TcSestamibi para realização de cintilografia cardíaca. Tais estudos sugerem a necessidade de maior aprofundamento neste problema. Em face do exposto, este artigo descreve uma série de três estudos desenvolvidos no IRD visando a elucidação das questões relacionadas à exposição de pacientes devido à ocorrência de impurezas radionuclídicas de 99Mo em eluatos de 99mTc. Tais estudos compreendem três fases, a saber: (1) realização de um levantamento de impureza radionuclídica em serviços de medicina nuclear; (2) monitoração de um grupo de pacientes submetidos a exames de cintilografia óssea utilizando 99mTc-MDP e (3) verificação da biocinética do 99Mo em presença de MDP. Revista Latinoamericana de Protección Radiológica, 2011 29 Dantas et al. • Avaliação da exposição interna de pacientes de medicina nuclear MATERIAIS E MÉTODOS Levantamento de impurezas de 99Mo em eluatos Foram coletadas 108 amostras de eluatos, cedidas voluntariamente por cinco clínicas de medicina nuclear localizadas na cidade do Rio de Janeiro. Os geradores utilizados por estas clínicas tinham capacidade de 250, 500, 750 e 1000 mCi. As amostras eram coletadas em frascos de eluição e as atividades de 99mTc determinadas com os activímetros disponíveis nos próprios laboratórios de radiofarmácia das clínicas onde os eluatos foram coletados. Os eluatos eram, então, transportados para o Laboratório de Monitoração In Vivo (LABMIV) do IRD, tendo seu volume completado para 4 mL, sendo o frasco de eluição posicionado na geometria de contagem com o detetor de cintilação NaI(Tl)8x4, instalado no Contador de Corpo Inteiro do IRD(5) (Figura 3). As atividades de 99Mo nos eluato eram então corrigidas para o momento da eluição realizada na clínica, calculando-se o parâmetro MBT, definido como a proporção 99 99m entre as atividades de Mo e Tc. Figure 3. Medição do frasco de eluição com detetor NaI(Tl)8”X4” O cálculo da dose interna dos pacientes foi executado com o software AIDE(6) e baseou-se na atividade de 99Mo injetada, na atividade determinada no corpo inteiro através das monitorações in vivo e nas análises in vitro da concentração de 99Mo nas amostras de urina. Ressalta-se que a atividade injetada nos pacientes foi determinada previamente medindo-se diretamente a atividade do 99Mo contida nos frascos de eluição utilizados nas clínicas de medicina nuclear para preparação do radiofármaco a ser administrado a cada um dos pacientes estudados. Biodistribuição de 99Mo Foram utilizados 12 ratos Wistar (Rattus norvegicus), com idades entre 4 e 6 meses, cedidos pelo biotério da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Os animais foram mantidos sob o mesmo protocolo de alimentação (ração e água ad libitum), temperatura de 22±5ºC, umidade na faixa de 45 a 65 % e ciclos de 12 horas claro/escuro. Os doze animais foram divididos em dois grupos, anestesiados com tiopental de sódio a 6.7% e inoculados por injeção via plexo ocular, respectivamente, com 0.3 mL solução de 99 Molibdato e 99Molibdato+MDP. Após decorridos os tempos de 10 minutos para o grupo inoculado com 99Molibdato e 120 minutos para o grupo inoculado com 99Molibdato+MDP, os animais foram sacrificados em câmara de Co2. Os órgãos de interesse para o estudo de biodistribuição foram separados imediatamente, pesados com precisão de 0.01g e medidos com o sistema de detecção tipo NaI(Tl) 8x4 instalado na Unidade de Contador de Corpo Inteiro do IRD. Monitoração de 99Mo nos pacientes RESULTADOS Foram monitorados cinco pacientes voluntários submetidos a exames de cintilografia óssea com 99mTc-MDP. As monitorações in vivo foram realizadas na Unidade de Contador de Corpo Inteiro do IRD, de 4 a 8 dias após a realização do exame, utilizando-se um detector de cintilação tipo NaI(Tl)8x4. O limite de detecção da técnica é de 402 Bq para mulheres e 408 Bq para homens. Levantamento de impurezas no eluatos Foram também coletadas amostras de urina de 24 horas dos pacientes e analisadas no Laboratório de Bioanálises do IRD utilizando-se um sistema de espectrometria gama tipo HPGe. As atividades de 99Mo determinadas nas amostras foram normalizadas em Bq.L-1. 30 A Tabela 1 apresenta os valores de MBT das 108 amostras de eluatos analisadas. Todas as amostras apresentaram 99 atividades detectáveis de Mo. Deve-se ressaltar que a grande maioria das amostras apresentaram valores de MBT abaixo do limite de 0.15 Ci de 99Mo/mCi de 99mTc, isto é, apenas 2 em 108 amostras (1.9%) excederam o limite sugerido pela IAEA. Estas duas amostras foram fornecidas por uma clínica que utiliza gerador de 750 mCi. Uma terceira amostra em que o valor de MBT situou-se próximo ao limite foi eluída de um gerador de 1000 mCi. Entretanto, os resultados obtidos, não são suficientes para sugerir alguma relação entre o MBT e o modelo de gerador. Revista Latinoamericana de Protección Radiológica, 2011 Dantas et al. • Avaliação da exposição interna de pacientes de medicina nuclear Baseado na determinação das atividades de 99Mo e 99mTc no momento da eluição do gerador, é possível determinar o tempo máximo de utilização do eluato para ser administrado ao paciente de forma que o valor de MBT esteja abaixo dos limites sugeridos pela IAEA. Tabela 1 – Faixas de valores de MBT determinados nos eluatos coletados em clínicas de medicina nuclear do Rio de Janeiro Amostras de Eluatos MBT (μCi 99Mo/mCi 99mTc) 82 < 0.010 7 0.011 - 0.020 8 0.021 - 0.040 6 0.041 - 0.060 2 0.060 - 0.100 1 0.144 1 0.166 1 0.245 Monitoração de pacientes A Tabela 2 apresenta os valores de dose efetiva comprometida estimados com base em: (1) atividades de 99 Mo determinadas nos eluatos medidos antes de serem administrados aos pacientes (considerados como valores de referências para efeito de comparação entre as metodologias estudadas), (2) monitorações in vivo nos pacientes e (3) análises radiométricas das amostras de urina. Tabela 2 – Estimativa de dose interna dos pacientes devido à incorporação de 99 Mo presente como impureza radionuclídica em eluatos de 99mTc Paciente Dose efetida comprometida estimada (Sv) Eluato Monitoração In Vivo Bioanálise In Vitro DBX 2.627 7.537 10.63 DBY 1.297 1.607 7.129 DCA 0.134 0.738 2.591 DCB 0.030 0.4266 3.295 DCC 0.030 0.6474 2.179 As doses efetivas comprometidas dos pacientes variaram na faixa de 0.03 a 2.6 Sv, utilizando o valor de referência como base de cálculo, isto é, as atividades de 99Mo determinadas diretamente nos eluatos. Para efeito de comparação, usandose o limite de dose de público de 1mSv ou, ainda, a dose de 4.6 mSv, devido à administração de 20 mCi de 99mTc para exames de cintilografia óssea, conclui-se que são desprezíveis as doses internas estimadas nos pacientes estudados devido à incorporação de 99Mo como impureza radionuclídica presente nos eluatos. Revista Latinoamericana de Protección Radiológica, 2011 Biodistribuição A Figura 4 apresenta o resultado do experimento de biodistribuição de 99Mo administrado aos animais nas formas 99 99 de Molibdato livre e Molibdato+MDP. Figura 4. Resultado comparativo da biodistribuição de 99Mo Os resultados obtidos na biodistribuição são equivalentes, em termos de atividade proporcional entre os órgãos, ao que seria esperado de acordo com o modelo biocinético de molibdênio sugerido pela ICRP(7). De acordo com este modelo a maior concentração do molibdênio administrado via injeção é captado pelo fígado e rins. Tal comportamento foi confirmado pelos dados experimentais obtidos neste estudo. DISCUSSÃO Embora o Mo tenha sido detectado tanto em eluatos quanto nos pacientes monitorados, fato diretamente associado à alta sensibilidade dos sistemas de detecção disponíveis no Setor de Dosimetria Interna do IRD e utilizados neste estudo, os valores de dose interna associados são todos relativamente baixos, o que atesta a boa qualidade dos geradores produzidos pelo IPEN. 99 Com relação à biocinética do 99Mo no corpo humano, observa-se que, utilizando-se os dados de monitoração in vivo obtidos neste estudo, a meia vida biológica calculada para os pacientes foi de 15.7 dias, ou seja, cerca de 3.8 vezes inferior ao valor sugerido pelo modelo da ICRP, que é de 60.3 dias. Isto significa que, de acordo com o modelo, o 99Mo seria retido no corpo humano mais tempo do que revelado pelos dados experimentais. É importante ressaltar que a meia vida biológica observada neste estudo apresenta maior concordância com os valores sugeridos em publicação mais (8) recente do grupo de Giussani . O estudo de biodistribuição realizado com animais fornece suporte adicional aos cálculos de dose interna aplicados aos pacientes, os quais foram baseados na hipótese inicial de que 99 o Mo permanece livre, independente da presença do 31 Dantas et al. • Avaliação da exposição interna de pacientes de medicina nuclear fármaco, seguindo assim, sem alteração, o modelo padrão de biodistribuição disponível na literatura. Destaca-se o fato de que, embora o fármaco MDP apresente alta afinidade pelo tecido ósseo, sua administração em combinação com 99 Molibdato não constituiu fator importante para modificar significativamente a biodistribuição esperada do radionuclídeo. Os resultados obtidos neste estudo destacam, finalmente, a importância da implementação de procedimentos nas clínicas de medicina nuclear no sentido de se controlar rotineiramente a presença de 99Mo nos eluatos de 99mTc. Tais procedimentos garantiriam a qualidade dos radiofármacos em relação à pureza radionuclídica, reduzindo as doses internas desnecessárias e otimizando as exposições dos pacientes. REFERÊNCIAS (1) Marques, F. L. N.; Okamoto, M. R. Y.; Buchpiguel C. A. Alguns Aspectos Sobre Geradores e Radiofármacos de Tecnécio-99m e seus Controles de Qualidade. Radiol. Brás. 34(4), 233-239 (2001). (3) Khoury, H. J.; Nogueira, F.; Lopes Filho, F. J. Evaluation of the Quality Control of radiopharmaceuticals used at the nuclear medicine clinics of Recife-PE. Radioprotecção, Lisboa, 2, n. 2-3, 79-86 (2003). (4) Dantas, B. M.; Dantas, A. L. A.; Marques, F. L. N.; Bertelli, L.; 99 Stabin, M. G. Determination of Mo Contamination in a Nuclear 99m Medicine Patient Submitted to a Diagnostic Procedure with Tc. Braz. Arch. Biol. Technol., 48, Special, 215-220 (2005). (5) Oliveira, C. A. N.; Lourenço, M. C.; Dantas, B. M.; Lucena, E. A. and Laurer, G. R. The IRD/CNEN whole body counter: Background and calibration results. Radiat. Prot. Dosm., 29(3), 203-208 (1989). (6) Bertelli L, Melo DR, Lipsztein J, Cruz-Suarez R. AIDE: Internal Dosimetry Software.Radiation Protection Dosimetry 130, n. 3: 358–367; (2008). (7) International Commission on Radiological Protection (ICRP), 1993. Age-dependent doses to members of the public from intake of radionuclides: Part 2 - Ingestion dose coefficients”. Publication 67, Pergamon Press: Oxford. (8) Guissani, A., Catone, M.C., Bartolo, D., Internal dose for Ingestion of molybdenum radionuclides based on a revised biokinetic model. Health Physics, 2000, 78: 46-52. (2) International Atomic Energy Agency, Technical Reports Series No. 454, Quality Assurance for Radioactivity Measurement in Nuclear Medicine. IAEA (2006) 32 Revista Latinoamericana de Protección Radiológica, 2011