O VULCANISMO CRETÁCICO NA BORDA LESTE DA BACIA DO PARANÁ NO ESTADO DE SÃO PAULO Responsáveis: Profs. Drs. Fábio Braz Machado (UNIFESP) e Antonio José Ranalli Nardy (UNESP). INTRODUÇÃO A Formação Serra Geral ocupa a última unidade geológica da Supersequencia Gondwana III na Bacia do Paraná (anexo), é tida como uma das maiores manifestações intracontinentais de lavas do planeta e, além disso, a maior sequência de rochas continuamente expostas do território brasileiro. De fato, o magmatismo fissural não só apresenta-se associado aos estágios precoces da ruptura do sul do Pangea e abertura do Oceano Atlântico Sul (subfase de Rifteamento II), como também alterou substancialmente o modelado do relevo cenozoico de toda porção sudeste da Plataforma Sul Americana. O grande volume de magma sobretudo basáltico é superior a 600 000km 3 em uma área próxima de 917 000km2 (Frank et al.,2009), atinge 75% da Bacia do Paraná (Fig. 1) cobrindo áreas do sul e sudeste do Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai. Para Erlank et al. (1984), Duncan et al. (1989), Milner et al. (1995), Marzoli et al. (1999), Marsh et al. (2001), Jerram and Stolhofen (2002), Ernesto et al. (2002), Ewart et al. (2004) e Bryan and Ernst (2008) existem características petrológicas, geoquímicas e geodinâmicas evidentes na gênese comum que envolvem as atividades vulcânicas na América do Sul e aquelas no Etendeka traps na costa oeste africana que contempla a Huab Basin, no noroeste da Namíbia, e mais ao norte já no sudeste da Angola, as bacias de Kwanza e Namibe. Neste mesmo contexto, já extrapolando os limites da Bacia do Paraná, o magmatismo recebe o nome de Paraná Continental Flood Basalts (PCFB) ou ainda Paraná-Etendeka Continental Flood Basalts (e.g. Bryan and Ernst, 2008). Menos usual também é denominada de Província Magmática do Paraná. Acompanhando o grande volume de lavas é comum a ocorrência de intrusões ígneas em seus mais variados tipos, em absoluta maioria constituídas por rochas de composição básica, são fenômenos comuns na região sudeste do Brasil, onde se observa um grande número desses corpos. Dados geocronológicos de 40Ar/39Ar destas rochas fornecem idades variando entre 129,9 ± 0,1 Ma e 131,9 ± 0,4 Ma (Ernesto et al., 1999). Esse período de tempo é praticamente o mesmo obtido para a fase principal de extrusão dos derrames de lava da Formação Serra Geral, ou seja, 133 - 132 Ma (Renne et al., 1992, 1996), mostrando que estas rochas intrusivas estão relacionadas ao vulcanismo extrusivo. Diferente da porção sul e central da PCFB que fortemente afetada por processos tectônicos de natureza distensiva (e.g. Sinclinal de Torres) e grandes desníveis topográficos formando serras 1 e escarpas, a região norte é totalmente carente de afloramentos. Dificultando ainda mais exposição das rochas na região ocorre a Bacia Bauru sotoposto aos basaltos (resultando de processos de soerguimento marginal no final do cretáceo). Além disso, manchas de coberturas inconsolidadas de influência flúvio-lacustre como as formações Rio Claro e Sta. Rita do Passa Quatro também são comuns, além da pediplanização intensa próximo as bordas dos derrames gerando grande quantidade de solos evoluídos que podem chegar até 15 metros de espessura. Neste sentido, o objetivo desta excursão é a contextualização geral sobre a estrutura e textura das rochas vulcânicas e intrusivas básicas em locais (Fig. 1) considerados didáticos pelas universidades locais. Serão vistos tipos de contato discordante e concordante com unidades sedimentares, bem como tipos de lava, evidências de diferenciação in situ e ocorrência de xenólito. Também serão discutidos conceitos gerais sobre geomorfologia vulcânica e algumas Formações Geológicas da Bacia do Paraná do Pós-Permiano. Figura 1 – Percurso esquemático da excursão saindo de São Paulo. No mapa de sistematição a área da Paraná Continental Flood Basalts. Legenda: 1 – áreas adjacentes; 2 – Unidades sedimentares pré-vulcânicas; 3 – basaltos; 4ab – membros ácidas Chapecó e Palmas; 5 – Bacia Bauru; 6 – Estruturas sinclinais; 7 – Estruturas anticlinais; 8 e 9 – Alinhamentos tectônicos e magnéticos. 2 GEOLOGIA LOCAL Abaixo são descritas as unidades sedimentares que serão visitadas, ao final apresenta-se a coluna litoestratigráfica local (Fig. 2) e o mapa geológico simplificado (Fig. 3). Grupo Itararé (Neocarbonífero) Segundo Pires (2001) e Castro (2004), o Grupo Itararé se distingue das outras formações pela grande espessura do pacote sedimentar e heterogeneidade dos litotipos, ao contrário das outras unidades que são menos diversificadas, com características e padrões de campo facilmente identificáveis, tais com litologia, cor, textura, granulometria, estrutura e conteúdo fossilífero. Os sedimentos são de idade permocarbonífera, bastante expressivos na Bacia do Paraná, com espessura máxima de até 1200 m. Constitui-se predominantemente por arenitos, diamictitos, siltitos, argilitos, ritmitos e folhelhos; subordinadamente possui camadas de carvão ou sedimentos carbonáticos em locais isolados. Quanto ao conteúdo fossilífero presente, segundo Pires (2001), inclui microfósseis e macrofósseis vegetais, invertebrados (gastrópodes, bivalves, braquiópodes, insetos, foraminíferos, espículas de esponjas, crinóides, ofiuróides, asteróides, ostracodes, escolecodontes e icnofósseis, interpretados como seres vermiformes, artrópodes e outros icnofósseis mal definidos, além de vertebrados, representados por peixes e anfíbios. Formação Tatuí (Eopermiano) Segundo Petri (1964) e Gimenez (1996), a Formação Tatuí representa o registro da sedimentação pós-glacial na porção nordeste da Bacia do Paraná, como parte da sequência sedimentar do Grupo Tubarão. Esta unidade correlaciona-se com as formações Palermo e Rio Bonito, pertencentes ao Grupo Guatá, que representam o início do ciclo pós-glacial nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Litologicamente, a Formação Tatuí é constituída em maioria por clastos finos, principalmente siltitos, e subordinadamente arenitos, calcários, folhelhos e chert. No conjunto, representa uma sedimentação bastante uniforme, que contrasta com a heterogeneidade litológica característica do Grupo Itararé. As camadas arenosas ocorrem em toda sua extensão, mesmo que subordinadas no registro da unidade, distribuindo-se desde a borda atual até as porções mais centrais da Bacia do Paraná no Estado de São Paulo. 3 Soares (1972) definiu informalmente a ocorrência de dois membros: o membro inferior predominantemente constituído de siltitos de cor marrom-arroxeado, escuro, às vezes branco, com acamamento fino a espesso, mais raramente laminado, localmente incluindo arenitos finos com estratificação plano-paralela e delgadas camadas calcárias de cor cinzenta arroxeada, e sílex; e o membro superior, representado por um pacote de siltitos cinzaesverdeados ou amarelo-esverdeados, mais raramente verdes, com freqüentes intercalações de arenito fino, maciço, com pequenas concreções calcárias. Segundo Petri (1964), a Formação Tatuí representa um trato de mar alto, correspondendo a uma fase pós-glacial do final do Supergrupo Tubarão, onde teriam sido criados baixos geomórficos, através da escavação de paleovales, que só foram preenchidos pela fase transgressiva de mar alto. Apresentam-se um pouco espessas em superfície, sendo a espessura máxima da ordem de 130 m no sul de São Paulo, valor que diminui para o nordeste e norte em direção a borda da bacia sedimentar. Grupo Passa Dois Formação Irati (Neopermiano) Segundo Padula (1968) e Gama Jr. et al. (1982), a Formação Irati ocupa a unidade inferior do Grupo Passa Dois, sendo dividida em membros Assistência e Taquaral, a passagem entre ambos é gradual. O Membro Assistência que apresenta litologia bem mais variada que o Taquaral, destacandose a presença de calcários parcialmente dolomitizados e de folhelhos pirobetuminosos. Sobrepondo o primeiro, ocorre o Membro Taquaral é de natureza pelítica. Sendo constituída por argilitos, folhelhos de cor cinza claro a escuro, e siltitos. Na base pode ocorrer camadas delgadas de arenitos de granulação fina a grossa, seixoso, ou conglomerado com seixos de sílex e quartzo de até 5 cm de diâmetro, além de dentes de crustáceos marcando o topo da sequência. Os répteis Mesosaurus brasilienses Mac Gregor e Steroternum tumidium Cope são encontrados no Membro Assistência, e os crustáceos Paulccaris e Clarkecaris no Membro Taquaral, são os fósseis mais característicos da Formação Irati, servindo como guias. O ambiente de deposição da Formação Irati parece representar um ambiente marinho transgressivo de águas rasas, preferencialmente plataformal na formação do Membro Assistência, onde o ápice da transgressão marinha teria sido responsável pela deposição do Membro Taquaral, segundo Schneider et al. (1974) e Perinotto (1992). Quanto a espessura, no Estado de São Paulo, segundo Schneider et al. (1974), não ultrapassa os 50 m, sendo a média em torno de 25 m. 4 Formação Corumbataí (Neopermiano) A Formação Corumbataí é caracterizada pela coloração predominantemente avermelhada dos lamitos, maior frequência de estruturas denotativas de águas rasas, exposição subaérea e maior abundância de calcários, particularmente os coquinóides, silicificados ou não, segundo Rohn (1988). Segundo Schneider et al. (1974), a parte inferior da Formação Corumbataí é composta por siltitos, argilitos, e folhelhos cinzento a roxo-acinzentados nos afloramentos, podendo possuir cimentação calcária e lembrando a Formação Irati, totalizando em espessura cerca de 130 m no Estado de São Paulo. É composta por uma sucessão de camadas siltosas, ritmicamente alternadas com lâminas de delgadas camadas cuja litologia varia entre argilosa e arenosa fina, tanto vertical como horizontal. As cores vermelha e arroxeada passam a predominar nas partes médias e superior da formação, onde também ocorrem lentes e bancos calcários com até meio metro de espessura. As estruturas sedimentares presentes são estratificações plano paralelas, cruzadas e de baixo ângulo, flaser, ritmicidade e marcas onduladas. O contato subjacente desta formação se faz de modo concordante, mas seu contato com a Formação Pirambóia, sobrejacente, faz-se por discordância erosiva. Já o ambiente de deposição, segundo Schneider et al. (1974), é bastante discutido, porém considera-se que a parte inferior foi depositada em ambiente marinho de águas rasas em condições climáticas redutoras, e a porção superior em condições oxidantes sob influência de marés. Formação Pirambóia (Neotriássico) Segundo Soares (1972) e Assine et al. (2004), os sedimentos da Formação Pirambóia se estendem desde a divisa dos estados de São Paulo e de Minas Gerais até o Paraná, em uma faixa de largura variável de 5 a 50 km, com espessura máxima em torno de 300 m. Na região sul o equivalente a Formação Pirambóia é denominado de Grupo Rosário do Sul. A Formação Pirambóia é composta por arenitos esbranquiçados, amarelados e avermelhados, médios a muito finos, síltico-argiloso, com grãos polidos, subangulares e subarredondados, com intercalações de finas camadas de argilitos e siltitos. As principais estruturas são estratificações cruzadas planares, acanaladas e as plano paralelas. Assine et al. (2004) e Almeida et al. (2012) sugerem que a Formação Pirambóia tenha ocorrido em ambiente fluvio-lacustre, com influência eólica, sendo que alguns poucos autores consideram como tipicamente eólica. 5 O escasso registro fossilífero da unidade, segundo Soares (1972), resume-se a restos de vegetais, conchóstracos e ostrácodas, sem valor cronológico considerável. A deposição dos sedimentos da formação foi entre o Eotriássico e o Neojurássico, mais precisamente do Mesotriássico ao Eojurássico, limitando-se no topo com a Formação Botucatu (Juro-Cretáceo) e com a Formação Corumbataí (Neopermiano). Grupo São Bento Formação Botucatu (Eojurássico) Segundo Soares (1972) a Formação Botucatu no Estado de São Paulo, está exposta em uma faixa contínua às fraldas das serras basálticas e em suas escarpas, com cerca de 150 m de espessura e apresentando como característica estratificações cruzadas planares de grande porte e tangenciais na base, são comuns corpos maciços nas sequências aflorantes. Em trabalho recente Almeida et al. (2012), após Assine et al. (2004), descrevem a Formação Botucatu como constituída quase que inteiramente de arenitos de granulação fina a média, uniforme, com boa seleção de grãos com alta esfericidade. São avermelhados e exibem estratificação cruzada, planar ou acanalada de médio a grande porte. O ambiente de deposição destes arenitos é tipicamente desértico, com forte influência eólica, que iníciou no Eojurássico e perdurou até o Cretáceo. Segundo Machado et al. (2015), descrevendo processos de mistura de lava com areia inconsolidada úmida (peperitos), existem evidencias claras sobre áreas de oásis nos limites norte da bacia no deserto em questão. Formação Serra Geral (Eocretáceo) A Formação Serra Geral é o resultado de um evento vulcânico de natureza fissural que inundou cerca de 75% de toda a Bacia do Paraná, segundo as informações contidas em Bellieni et al. (1986b) e Marques & Ernesto (2004). O volume de magma estimado é próximo a 780 000 km3, contudo certamente este valor é muito maior, tendo, visto o processo erosivo fortemente atuante após o evento vulcânico (Gallagher et al, 1994). Os pacotes de lavas depositaram-se sobre os arenitos da Formação Botucatu, cujo contato é cordante e abrupto, gerando muitas vezes intertraps, cuja origem esta relacionada a uma pausa no evento vulcânico, ou até mesmo na penetração do magma, na forma de sills, nos sedimentos pré-vulcânicos. Cabe ressaltar que na parte norte da bacia, os derrames ocorrem 6 sobre o embasamento cristalino, enquanto que na parte sul, na ausência do Arenito Botucatu, sobre os sedimentos lacustres e triássicos da Formação Santa Maria. A natureza das rochas geradas é essencialmente básica e de caráter toleítico. Termos diferenciados, de composição ácida também estão presentes sem, entretanto, atingir 3% do volume total de rochas segundo Bellieni et al. (1986b), Piccirillo et al. (1988) e Nardy (1995) Nardy et al. (2002). Assim sendo, segundo estes mesmos autores, pode-se caracterizar estratigraficamente a Formação Serra Geral como sendo constituída essencialmente por três litotipos facilmente reconhecíveis através de suas características petrograficas e geoquímicas, sendo eles: Rochas basálticas e andesi-basalto toleíticos, com coloração cinza escura e negra, maciços ou vesiculares, subfaneriticos de granulação variando de média a densa, sendo predominante a textura intergranular. Ocorrem em praticamente toda a extensão da Bacia do Paraná. Rochas ácidas do tipo Chapecó, representados por dacitos, riodacitos, quartzo latitos e riolitos, hipohialinos, porfiríticos a fortemente porfirítico, com fenocristais de plagioclásio com até 2 cm de comprimento. Ocorrem no centro da Bacia do Paraná. Rochas ácidas do tipo Palmas, correspondem a riolitos e riodacitos, tipicamente afíricos, com estrutura “sal-e-pimenta”, hipohialinos a hemihialinos. De maneira geral, as rochas de composição ácida estão preferencialmente presentes nos estados de Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Já as rochas intrusivas, segundo Almeida (1986), Bellieni et al. (1984b) e Zalán et al. (1985), tratando-se dos sills, estão em maioria encaixadas nos sedimentos paleozóicos da Bacia do Paraná, sendo relativamente comum em toda sua extensão, tendo como área aflorante principalmente a parte leste do limite da bacia. 7 Figura 2 - Coluna Litoestratigrafica da região estudada. 8 Figura 3 - Mapa Geológico da região estudada (CPRM, 2010). Legenda na Fig. 2 9 ROTEIRO Dia 01 de agosto, 7h30 Saída do Howard Johnson Hotel Rua Tavares Cabral, 61, 05423-030. Parada no posto Serra Azul (30min) 10h30: Ponto 1 – Pedreira Cavinato Limeira (SP) 22°36'27.76"S; 47°21'40.26"O/ 550m Observação dos três níveis principais do lacólito com evidências de diferenciação in situ. Diabásio leucocrático e mesocrático, hipovítreo a holocristalino, encaixado em sedimentos periglaciais do Grupo Itararé. Apresenta veios quartzo-feldspáticos tardios em contato difuso com o diabásio e, na porção superior da pedreira a presença de uma grande massa de arenito (xenólito) engolfada durante o processo de intrusão. SiO2 56,35 49,88 55,76 49,14 52,57 52,10 TiO2 1,99 3,34 2,34 3,91 3,06 3,33 Al2O3 12,49 13,54 12,53 12,98 12,58 12,52 Fe2O3 14,13 14,60 13,50 15,70 14,35 14,99 MgO 1,61 3,19 2,19 4,54 3,12 3,33 CaO Na2O 5,29 3,40 7,72 2,98 5,87 3,62 8,63 2,35 7,13 3,31 6,95 3,04 K2O 2,60 1,54 2,55 1,20 1,89 1,81 P2O5 0,82 0,61 0,93 0,56 0,75 0,72 Soma 98,69 97,40 99,28 99,01 98,75 98,79 Nb 82 28 77 28 40 36 Zr Y Sr 620 105 502 258 46 498 574 103 442 218 36 407 349 53 457 319 54 462 As rochas leucocráticas são holocristalinas, subfaneríticas com granulação grossa a densa. Amostras representativas observadas ao microscópio mostram textura intergranular, constituídas por 35% de plagioclásio, 13% de piroxênio, 10% de minerais opacos e 40% de matriz microgranular e 2% de apatita. Os cristais de plagioclásio são prismáticos à aciculares, alguns com mais de 1 cm de comprimento, a média fica em torno de 0,5 mm. Os cristais de piroxênio são representados principalmente por 6% de pigeonita e 7% de augita. A pigeonita é ripada, com até 0,5 cm de comprimento, diferente da augita granular e anhedral. Os cristais ocorrem entre os de plagioclásio, sempre com contatos irregulares. Na matriz microgranular é possível encontrar minerais de alteração como argilo-minerais esverdeados, cloritas e até biotitas como possível resultado da uralatilização do piroxênio . Como minerais primários ocorrem cristalitos bastante aciculados e microcristais de plagioclásio e augita. 10 12h30: Almoço no Posto Graal Topázio Limeira (SP) Preço médio de R$25,00 por pessoa http://www.redegraal.com.br Tempo limite – 13h20 14h00: Ponto 2 – Pedreira Sta. Barbara do Oeste Sta. Barbara do Oeste (SP) 22°43'7.27"S; 47°26'4.94"O/ 541m Observação do sill de diabásio mesocrático, com disjunções colunares, intrudido na Formação Tatuí com ocorrência de mega xenólito. Tempo Limite 15h30 16h: Ponto 3- Mirante e trilha em São Pedro (SP) 22°31'9.27"S; 47°55'43.25"O/ 848m Basalto fino. Trilha ecológica de fácil acesso para observação da geomorfologia associada a dissecação das rochas mesozoicas da Bacia do Paraná. 11 Tempo Limite – 17h30 12 18h: Chegada e pernoite em Brotas (SP) Pernoite em Brotas (SP), no Hotel Broto d’água (http://www.pousadabrotodagua.com.br/) 19h30:Jantar no restaurante Brotas Bar http://www.brotasbar.com.br/ Dia 02 de agosto, 7h00 (Café da manhã em conjunto no hotel) Tempo Limite – 08h00 8h20: Ponto 4 - Rodovia Brotas – Jaú, BR 369, km152 Brotas (SP) 22°14'49.32"S; 48°21'4.27"O/ 601m Contato concordante entre a Formação Botucatu e Formação Serra Geral. Dois derrames básicos sendo o superior hipovítreo. O derrame inferior apresenta-se como do tipo pahohoe composto enquanto que o superior como do tipo blocky. SiO2 51,86 51,43 51,19 TiO2 3,45 3,72 3,50 Al2O3 12,62 13,14 12,94 Fe2O3 14,67 14,57 14,76 MgO 4,07 4,22 4,13 CaO 7,76 7,67 7,54 Na2O 2,34 2,41 2,47 K2O 1,71 1,70 1,75 P2O5 0,45 0,47 0,47 LOI 0,81 0,51 0,69 Soma 99,72 99,83 99,43 Nb 30 26 31 Zr 317 298 303 Y 54 44 48 Sr 446 468 553 Porção hipocristalina: Hipocristalina, subfanerítica com granulação fina a vítrea, a textura da rocha é intergranular e intersertal, sendo em volume composta por 30% de plagioclásio, 25% de piroxênio, 15% de opacos, 1% de minerais de alteração e 29% de matriz vítrea. Os cristais de plagioclásio são prismáticos e ripiformes, comprimento médio de 0,1 mm, bastante equigranular, com composição em torno de An55. Apresentam bordas corroídas pela matriz vítrea (textura intersertal). Os cristais de piroxênio, apenas augita, são menores que os de plagioclásio, granulares e anhedrais. Já os opacos são prismáticos, subhedrais a anhedrais. Os cristais de olivina ocorrem na forma de psudomorfos granulares, substituídos por argilomineral de coloração esverdeada, com tamanho na ordem de 0,1 mm. Os minerais de alteração são representados por biotita, provavelmente proveniente da alteração da augita. 13 A matriz é vítrea, ocupando os interstícios dos cristais de plagioclásio, constituídos principalmente por cristalitos e a própria massa vítrea de coloração amarronzada. Porção hipovítrea: Hipovítrea, subfanerítica com granulação vítrea a densa, a textura é intersertal, ocorrem pequenos cristais de plagioclásio dispersos na massa vítrea representando aproximadamente 7% do volume da rocha, além de 2% de piroxênio, 1% de amigdalas, 90% de matriz vítrea. Os cristais de plagioclásio são levemente ripiformes, com bordas corroidas, textura intersertal e terminações em “cauda de andorinha”. Ocorrem geminações do tipo albita, e a composição aproximada é An30. Os cristais de piroxênio são provavelmente augita, a identificação é dificultada pelo tamanho dos cristais, ocorrendo somente na forma de micrólitos. Já as amigdalas são todas preenchidas por argilo-mineral, e chegam a até 1 mm. A matriz é vítrea, escura, de coloração preta. Tempo Limite –09h30 11h00: Ponto 5 – Pedreira Partecal Rio Claro (SP) 22°30'51.27"S; 47°34'42.09"O/ 570m Sill com cerca de 2m de espessura com feições em jump encaixado na Fm. Irati. SiO2 TiO2 Al2O3 Fe2O3 MgO CaO Na2O K2O P2O5 Soma Nb Zr Y Sr 49,73 3,44 12,91 15,45 4,32 8,29 2,52 1,38 0,48 98,51 20 206 34 391 Hipocristalina, subfanerítica com granulação fina a densa, a rocha apresenta textura predominantemente intergranular e isoladamente intersertal. Em volume, a rocha é composta por aproximadamente 40% de plagioclásio, 35% de piroxênio, 23% de matriz microgranular e 2% de minerais acessórios. Os cristais de plagioclásio apresentam a forma prismática com bordas fortemente corroídas pela matriz, são comuns as geminações do tipo albita e Carlsbad. A composição média é em torno de An55. Cerca de 10% dos cristais apresentam a textura intersertal, com terminações em “cauda de andorinha”. O tamanho máximo é de 3 mm, com média próxima de 1 mm. Os cristais de piroxênio apresentam a forma anhedral e granular, bastante alterados pela matriz, quase sempre em contato irregular com os cristais de plagioclásio, sendo classificados, 14 sobretudo como augita, em menos de 1% ocorre pigeonita. Alguns cristais de augita apresentam-se urolatizados nas bordas, com cristalização de hornblenda. Os minerais opacos possuem as formas granulares (anhedrais e subhedrais) e aciculados (engolfados pela matriz), sendo também comum cristais esqueletiformes. A matriz é constituída por microcristais de plagioclásio, apatita e cristalitos, além de argila esverdeada como mineral de alteração. 13h00: Almoço na Churrascaria Estância Gaúcha Rio Claro (SP) Preço médio de R$25,00 por pessoa Tempo Limite 14h00 16h30: Chegada prevista em São Paulo Howard Johnson Hotel 15 Modificado de Milani (20013) do Cretáceo em diante. 16 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA, F.F.M. Distribuição regional e relações tectônicas do magmatismo pós-Paleozóico no Brasil. Revista Brasileira de Geociências, v. 16, n. 4, p. 325 – 349, 1986. ASSINE, M.L.; PIRANHA, J.L.; CARNEIRO, C.D.R. Os paleodesertos Pirambóia e Botucatu. In: NETO, V.M.; BARTORELLI, A.; CARNEIRO, C.D.; BRITO-NEVES, B.B.de. (Coordenadores), Geologia do Continente Sul-Americano: Evolução da Obra de Fernando Flávio Marques de Almeida. São Paulo: Editora Beca, 2004, p. 77-92. BELLIENI, G., COMIN-CHIARAMONTI, P.,MARQUES, L.S., MARTINEZ, L.A., MELFI, A.J., NARDY, A.J.R., PICCIRILO, E.M., STOLVA, D. 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