Jornadas Saúde
Unidades de Saúde :
Processos de Integração e Partilha de Informação
Contributo das TIC
para uma Prestação de Cuidados de Saúde
mais Racional e Adequada
Espinho, 26 de Outubro de 2005
José Castanheira, IGIF-Porto
Jornadas Saúde
ENQUADRAMENTO
Desde a primeira metade da década de 90, que as Tecnologias de Informação e
Comunicação (TIC), eram já consideradas fundamentais na articulação de
cuidados e consequente contributo para uma prestação de cuidados mais
racional e adequada.
Dado o tempo entretanto decorrido, deveríamos estar hoje a discutir estratégias
onde a partilha de informação fosse um facto consumado e não, a discutir
estratégias para implementar a partilha de informação e a analisar casos
pontuais de sucesso.
Mas,
Æ Se era assim há cerca de 10 a 15 anos então, o que tem sido feito para
resolver esta situação – que estratégias ?
Æ Se há algo que tem vindo a ser feito então, o que falhou para que este
tema continue a estar hoje na agenda dos responsáveis pelas TIC ?
Vamos ver se chegamos a algumas conclusões …
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AGENDA
• Breve análise do que foi feito nos últimos 15 anos
• Década de 90 ( até 98 ) – Sem verbas comunitárias
• Últimos 7 anos – Com verbas comunitárias
• De 99 a finais de 2001 - “evolução tecnológica – criar bases para a área clínica”
• De 2002 até à data – “gestores oriundos da privada”
• Alguns dados actuais
• Conclusões
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DÉCADA 90 - “DIAGNÓSTICO”
...
H
H ≅ 100
Cuidados de Saúde
H
especializados
Integração de cuidados
SNS
Partilha de Informação
CS ≅ 360
EXT ≅ 2000
...
CS
Cuidados de Saúde
CS
Primários
EXT
...
EXT
EXT
...
EXT
O ponto de entrada no Serviço Nacional de Saúde (CS e EXT)
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DÉCADA 90 - “ESTRATÉGIA”
1.
A nível institucional, criar um Sistema de Informação básico e estruturante:
•
Gestão e controlo do fluxo de utentes/doentes:
•
•
Normalizar um conjunto mínimo de dados clínico-administrativos:
•
•
•
2.
Saber quem entra/sai, que cuidados de saúde recebeu e com que recursos;
Para viabilizar a facturação e produção de estatísticas
Para permitir e facilitar as comunicações entre hospitais e centros de saúde;
Infra-estruturas locais
– Redes locais, equipamentos (servidores e postos de trabalho);
A nível inter-institucional, viabilizar a transferência electrónica de dados:
•
Criar e definir uma infra-estruturas de comunicações inter-intituições:
•
•
Definir protocolos entre instituições para partilha de informação:
•
•
Utilizando a tecnologia mais adequada: ISDN, X25, Frame Relay, ATM, etc.
Serviços a partilhar, regras, níveis de acesso, confidencialidade, etc;
Analisar compatibilidade entre os sistemas de informação envolvidos de forma a
garantir a implementação dos protocolos e normalização da informação:
•
Necessidade de um elemento integrador de informação inter-institucional
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DÉCADA 90 - “RESULTADOS”
Tecnicamente, já é
possível a partilha de
informação e serviços
entre as instituições !!!
HOSPITAL
SONHO
1991- 1ª Instalação
1995 – 2ª Versão
Organização
CARTÃO DE UTENTE DO SNS
REDE INFORMAÇÃO DA SAÚDE - RIS
Projectos/actividades:
CENTRO DE SAÚDE
SINUS/CARTÃO
96-97 - 1ªs Instalações
1 – Software Aplicacional desenvolvido pelo IGIF:
- SONHO (Acordo INESC)
- SINUS
- CARTÃO UTENTE DO SNS
2 – Infra-estruturas
- RIS - Rede de informação da Saúde
- Redes Locais para hospitais (só para Sonho);
- Redes locais para os CS/Ext (só para SINUS)
- Equipamentos Informáticos e Bases de Dados
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1999 A FINAIS DE 2001 - “DIAGNÓSTICO”
Æ Sonho e Sinus eram uma referência a nível Nacional;
Æ A experiência demonstrava que, para facilitar a articulação de cuidados e
partilha de informação entre instituições, o Sonho e o Sinus deveriam ser um
único sistema -“Backbone” clínico-administrativo que atravesse todo o SNS;
Æ Os médicos querem ser eles a efectuar alguns registos no Sonho mas, a
interface é pouco amigável e não está orientada para a actividade médica;
Æ Os Hospitais vão adjudicando soluções para informatizar as diferentes
especialidades clínicas e solicitam apoio ao IGIF para as integrar entre si,
tendo o Sonho como elemento integrador – eliminar ilhas de informação;
Æ O Ministério necessita de uma base clínico-administrativa actualizada e
estável para avançar com o prometido “módulo clínico” dos CSP;
Æ O Ministério pondera avançar com algumas iniciativas que implicam a
utilização de SI por parte dos médicos (PE de CIT’s e Medicamentos);
Æ A tecnologia utilizada no Sonho e Sinus estava (está) obsoleta;
Æ Começam a aparecer dinheiros comunitários para as TIC;
Æ As instituições não têm redes locais estruturadas e globais (ilhas de inf …);
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1999 A FINAIS DE 2001 - “ESTRATÉGIA “ Op A
O Ministério/IGIF decide avançar com a actualização tecnológica e funcional do
SINUS e SONHO, criando um único sistema de informação que satisfaça,
genericamente, os seguintes requisitos:
- Incluir todas as funcionalidades dos actuais Sinus e Sonho (... actualizações);
- Viabilizar as iniciativas do Ministério para a área clínica;
- Criar uma plataforma que viabilize a integração funcional das diferentes
aplicações clínicas de cada Hospital – estruturar PCE;
Estamos em 1999 !!!
DIFICULDADE
Os problemas inerentes à problemática do ano 2000 (...), impedem a
conclusão destes trabalhos de actualização tecnológica do Sonho e Sinus
em tempo útil - há vários hospitais a solicitar a instalação do SONHO (...).
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1999 A FINAIS DE 2001 -“ESTRATÉGIA”- Op B
Desenvolver uma camada de software em tecnologia Web, sobre o Sinus e
Sonho, que viabilize a evolução para os SI da área clínica e permita aos
médicos, de imediato, efectuarem registos no Sonho e Sinus. Deve então:
- Disponibilizar ao médico funcionalidades básicas para a actividade diária e
relacionadas com a informação processada no Sinus e Sonho – gestão da
agenda, elaboração de relatórios, registos de alguns dados clínicos, etc.);
- Viabilizar as iniciativas do Ministério na implementação de alguns
processos que interferem com a actividade do médico - Prescrições
Electrónicas de Medicamentos e Baixas (CIT);
- Em termos de futuro, esta camada de software (midleware) deve ainda:
Æ A Nível Hospitalar – Implementar uma plataforma integradora de
aplicações clínicas de modo a dotar o hospital das condições
necessárias para construir o seu PCE;
Æ A Nível dos CSP – Esta camada será temporária até desenvolver um
módulo clínico para os CSP.
Lançar o Concurso Público para o Módulo Clínico dos CSP.
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1999
A FINAIS DE
2001 - “RESULTADOS”
Centro/Extensão
de Saúde
Hospital
W
Y
K
SAPE (CIPE)
SAPE (CIPE)
Z
(…)
MÓDULO
CLÍNICO
Conc. Público
XXI
Backbone clínico-administrativo do SNS
Data Center
Redes locais - XXI
RIS
COMUNICAÇÕES
SONHO
COMUNICAÇÕES
> 50
SAM
SAM
SINUS/CARTÃO
Redes locais - XXI
> 100
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A PARTIR DE 2002 - “DIAGNÓSTICO”
Æ SAM e SAPE, desenvolvidos e testados em algumas instituições – dissem/;
Æ Em meados de 2001 a Ministra da Saúde tinha feito uma apresentação pública
da prescrição electrónica de medicamentos e tinha lançado um piloto a nível
nacional em 5 hospitais e 5 CS;
Æ Em finais de 2001 início de 2002, foram efectuados alguns Workshops a
nível Nacional organizados pelas ARS’s e IGIF, para apresentação do SAM e
SAPE aos profissionais de saúde (a actual Sec. Estado esteve presente numa
destas apresentações) – Foi gerada grande expectativa nos profissionais;
Æ No início de 2002, o Ministério da Segurança Social (através do CDSSS do
Porto) e o Ministério da Saúde (através do IGIF e ARS Norte), recebem um
relatório sobre o resultado do teste piloto das baixas (em termos económicos
“combate à fraude”, os resultados são de tal ordem que a vontade do CDSSS
do Porto é expandir de imediato o sistema a todo o distrito !!);
Æ Concurso público do Módulo clínico para os CSP está na fase final;
Æ Estão a ser utilizados os dinheiros comunitários para dotar os hospitais e
centros/extensões de saúde de redes locais estruturadas e globais;
Æ Estão verbas cativadas na Saúde XXI para o Data Center.
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A PARTIR DE 2002 - “ESTRATÉGIA”
1.
Tivemos duas alternâncias políticas (meados de 2002 e Março de 2005);
2.
Pela primeira vez (...) o pelouro do IGIF para a área das TIC é gerido
por gestores vindos da privada, oriundos de empresas com interesses na
Saúde (...) – desde o último semestre de 2001 até à data.
Æ Praticamente, tudo, é posto em causa;
ÆEm finais de 2001 é solicitado um estudo estratégico a uma empresa
privada – é entregue durante o 1º trimestre de 2002;
ÆEm finais de 2003 é solicitado um estudo estratégico a uma empresa
privada e, no início de 2004, e é efectuado um esclarecimento a nível
Nacional (...);
ÆÚltimo trimestre de 2005, está a decorrer um concurso para mais um
estudo na área das estratégias (...);
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A PARTIR DE 2002 - “RESULTADOS”
Com esta sucessão de estratégias é difícil falar de resultados pelo que, vou
apenas constatar alguns factos.
Æ O Concurso Público do Módulo Clínico é suspenso em meados de 2002 !!;
ÆApesar do atraso, em meados de 2004 foram elaborados planos para
instalar o SAM e SAPE, que levaram à construção de um Data Center no
IGIFP-Porto e à adjudicação de alguns milhares de PC’s/impressoras
para os gabinetes médicos. Contudo, apesar dos milhões de euros gastos,
estes planos foram abortados (...);
Æ Para uma instituição instalar o SAM e/ou SAPE (e são muitas que o
pretendem e desesperam dadas as expectativas criadas e o tempo já
decorrido), além de terem de adjudicar equipamentos com verbas
próprias, ainda têm de meter uma “cunha” ao CA do IGIF (...) – há
orientações para não se fazer manutenção evolutiva destes sistemas de
informação (...);
Æ Apesar da indefinição, algumas empresas não têm dificuldade em obter
financiamento da Saúde XXI para projectos que, em termos funcionais,
são concorrentes com o SAM (...) – o IGIF é uma das entidades que dá
pareceres à saúde XXI (...);
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SAM - DADOS ACTUAIS - INICIATIVAS DO MINISTÉRIO
Æ O SAM implementa a PE de Medicamentos:
- A funcionar desde 2001;
- Utilizada por mais de 3.000 médicos que já prescreveram via SAM
mais de 10 Milhões de receitas.
Æ O SAM implementa a PE de Baixas com ligação à Seg. Social:
- A funcionar desde 2001 entre o CDSSS do Porto e 15 a 20 CS;
- Utilizada por cerca de 400 médicos que já prescreveram via SAM
mais de 40.000 CIT’s;
Æ O SAM implementa a PE de MCDT’s para os convencionados:
- A funcionar desde finais de 2004;
- Utilizada por mais de 1.200 médicos que já prescreveram via SAM
mais de 2 Milhões de credenciais;
Se o combate à fraude, a PE de medicamentos, baixas e MCDT’s, estão
na actual agenda política então, porque não se avança com a instalação ?
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CONCLUSÕES
Como vimos, há produtos desenvolvidos “dentro de portas”, a funcionar
em algumas instituições onde, além da boa receptividade que têm por
parte dos profissionais de saúde, já demonstraram ter capacidade para
obter resultados de curto prazo nas áreas consideradas prioritárias pelo
actual governo, designadamente:
- Prescrição Electrónica de Medicamentos ... Receita Electrónica (C.F);
- Prescrição Electrónica de Baixas (CIT) e ligação à Seg. Social;
- Prescrição Electrónica de MCDT’s para os convencionados (C.F.);
- Articulação de cuidados hospitalares e CSP.
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CONCLUSÕES
Numa base de seriedade, competência, isenção e defesa dos interesses do
Estado, requisitos que os contribuintes, beneficiários do SNS e profissionais
de saúde, exigem aos responsáveis pelas TIC da Saúde, confesso que tenho
dificuldade em perceber certas decisões, como por exemplo, a de não
incentivar e apoiar as instituições de saúde a instalar estes produtos (está a
ser feito exactamente o oposto !!) - a maior parte dos investimentos em tempo
e dinheiro, já foram efectuados e, além do mais, se esta decisão fosse tomada,
daria mais margem de manobra para o desenvolvimento de novos projectos.
Em minha opinião, a actualização tecnológica de alguns sistemas de
informação, ou o desenvolvimento de novos sistemas, ou os estudos
estratégicos que estejam a ser efectuados, ou mesmo, as transformações que
se pretendem fazer no IGIF, não justificam este tipo de decisões - com estes
ou outros motivos, este é o cenário que temos vindo a assistir nos últimos 2
a 3 anos ... “morte lenta”.
Jornadas Saúde
CONCLUSÕES
Temo que o facto de existir, ... temporariamente, muito dinheiro para as
Tecnologias de Informação e Comunicação da Saúde, nos conduza a uma
“estratégia”, cuja execução seja orientada para servir interesses que não os
da Administração Pública (prioridade), conduzindo ao investimento em
projectos de interesse relativo e, eventualmente, inconsequentes e/ou
insustentáveis a médio prazo – “dando de barato a relação preço/benefício
de alguns projectos em que se tem investido milhões bem como, o facto de
alguns desses projectos serem concorrências com os sistemas já desenvolvidos
pelo Ministério com base em “estratégias” definidas em 2001 !!“.
Jornadas Saúde
Obrigado.
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