UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE – UNESC CURSO DE PSICOLOGIA MANOLLA GOULARTE BOFF MORTE, PSICOLOGIA E ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO CRICIÚMA, DEZEMBRO DE 2009 1 MANOLLA GOULARTE BOFF MORTE, PSICOLOGIA E ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado para obtenção do grau de Psicóloga no Curso de Psicologia, da Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC. Orientador: Prof. MSc. Jeverson Rogério Costa Reichow CRICIÚMA, DEZEMBRO DE 2009 2 MANOLLA GOULARTE BOFF MORTE, PSICOLOGIA E ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO Trabalho de Conclusão de Curso aprovado pela Banca Examinadora para obtenção do Grau de Psicóloga, no Curso de Psicologia, da Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC, com linha de Pesquisa em Qualidade de Vida. Criciúma, 01 de dezembro de 2009. BANCA EXAMINADORA Prof. Jeverson Rogério Costa Reichow – Mestre – (Unesc) - Orientador Prof. Yara Jurema Hamen Llanos –Especialista – (Unesc) Janir Terezinha da Silva Faraco – Especialista – (Hospital São José) 3 Este trabalho eu dedico a minha mãe, por sempre me incentivar na busca pelo amadurecimento profissional e pessoal. 4 AGRADECIMENTOS Eu agradeço... A “Deus”, primeiramente, por se mostrar sempre presente em minha vida, e por sempre me dar forças nos momentos de adversidade; Aos meus familiares por acreditar em mim, e por se mostrarem sempre compreensivos; Aos meus amigos pelas noites de conversa afora acerca das dificuldades individuais e em comuns, pelas festas e alegrias compartilhadas, e pela fidelidade; Ao meu orientador de TCC, pela compreensão, pela amizade, e sabedoria, transmitidas a cada encontro; A minha orientadora de estágio clínico, pela amizade, compreensão, sabedoria, e acolhidas ao longo do ano; A professora Regina Teixeira, em especial por ter proporcionado minha primeira experiência profissional, e por sempre me incentivar no caminho da pesquisa, e sempre ter acreditado em mim; A todos os meus mestres, por serem grandes responsáveis por meu amadurecimento profissional e pessoal, e por me incentivarem num caminho continuo de busca; A todos que de alguma forma colaboraram para construção deste trabalho, seja pelas idéias, pela disponibilidade em responder a minhas dúvidas e a facilitar meu acesso a referências bibliográficas belíssimas; A mim mesma, por ser persistente em meus objetivos e pela dedicação; Muito Obrigada! 5 De todas as pegadas A do elefante é a maior; De todas as meditações da mente A da morte é a maior. Buda 6 RESUMO O presente Trabalho de Conclusão de Curso, tem como temática: Morte, Psicologia e Estratégias de Enfrentamento. Se utilizando de uma revisão bibliográfica a cerca dos temas morte, psicologia e estratégias de enfrentamento a fim de compreender a relação entre estes, e abordando temas interligados tais como: as diferentes visões de morte através das religiões e culturas; o sentido de vida e de morte para a cultura ocidental contemporânea; a visão de morte a partir da psicologia, conforme a fases do desenvolvimento humano; e as estratégias de enfrentamento utilizadas por pacientes terminais, bem como as elaboradas por profissionais da saúde e principalmente pelos profissionais da área da psicologia como o método RIME. Concluindo-se que tal revisão pode demonstrar o quanto novas formas de estratégias de enfrentamento colaboram para as práticas dos cuidados paliativos, ao entender o ser humano em sua totalidade e ao integrar espiritualidade e religiosidade às práticas tanto dos profissionais da saúde quanto nas do próprio psicólogo hospitalar. Palavras-chave: Morte; Psicologia; Estratégias de Enfrentamento. 7 LISTA DE ABREVIATURAS EQM – Experiências de Quase-Morte OMS – Organização Mundial da Saúde RIME – Relaxamento Imagens Mentais e Espiritualidade 8 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO..........................................................................................................9 2 DIFERENTES VISÕES DE MORTE SEGUNDO ALGUMAS RELIGIÕES E CULTURAS................................................................................................................12 2.1 A morte para a tradição Cristã..........................................................................13 2.2 A morte para a doutrina Espírita Kardecista...................................................17 2.3 A morte para a doutrina Budista.......................................................................19 2.4 A morte para a filosofia Iogue...........................................................................25 3 PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO, SENTIDO DE VIDA E DE MORTE, E TRANSCENDÊNCIA..................................................................................................32 3.1 Sentido de vida e de morte................................................................................33 3.2 Visão da psicologia sobre o morrer sob o ponto de vista da criança...........36 3.3 Visão da psicologia sobre o morrer sob o ponto de vista do adolescente..39 3.4 Visão da psicologia sobre o morrer sob o ponto de vista do adulto............42 3.5 Visão da psicologia sobre o morrer sob o ponto de vista do idoso.............44 3.6 Morte e Transcendência....................................................................................46 4 MORTE, PSICOLOGIA E ESTRATÉGIA DE ENFRENTAMENTO........................52 4.1 Atitudes diante da morte e do morrer segundo Kubler-Ross........................53 4.2 Preparando para a morte: o método RIME.......................................................56 4.3 Espiritualidade e Religiosidade como estratégias de enfrentamento...........60 4.4 Morte e Psicologia Hospitalar...........................................................................65 5 CONCLUSÃO.........................................................................................................69 REFERÊNCIAS..........................................................................................................73 9 1 INTRODUÇÃO Este Trabalho de Conclusão de Curso é requisito parcial para a avaliação na disciplina de TCC, para a graduação no curso de Psicologia da Universidade do Extremo sul Catarinense – UNESC. Com o passar dos tempos e com a mudança que está ocorrendo em relação aos paradigmas vigentes na área da saúde até então, se percebeu a quantidade de trabalhos realizados por profissionais da área de cuidados paliativos em relação a utilização de estratégias de coping (enfrentamento), considerando a espiritualidade e a religiosidade como práticas importantes para a compreensão do ser humano como um ser integral. Ao encontro disso, o fato da psicologia hospitalar ter se desenvolvido tanto nos últimos tempos, estimulou a área da saúde e principalmente as instituições hospitalares a contratarem estes profissionais a fim de comporem as equipes multidisciplinares ou interdisciplinares existentes, apresentando-se como resultado disso, grandes feitios em termos de desenvolvimento de estratégias de enfrentamento. Kubler-Ross (médica suíça, erradicada nos EUA), bem como Ana Catarina Elias (psicóloga brasileira), dentre outros profissionais da área da saúde, demonstram de forma brilhante o quanto o trabalho com a espiritualidade e com a religiosidade está rendendo bons frutos quando focado ao tratamento de pacientes que estão sofrendo com a eminência da morte. Tal tema se apresentou de maneira relevante para autora, na medida em que durante todo percurso acadêmico, até mesmo antes disso, a questão da morte e do morrer, sempre causou uma grande inquietação pessoal. 10 Sendo reforçada tal escolha na disciplina de Modelos Emergentes em Psicologia, quando a autora obteve contato com a Psicologia Hospitalar por meio de um trabalho, o qual possibilitou o contato com pacientes terminais oncológicos, observando-se a importância de um tratamento mais humanizado e uma visão de ser humano mais totalizante por parte da equipe cuidadora, bem como o desenvolvimento de estratégias de enfrentamento que compreendessem melhor o processo terminal. Na revisão bibliográfica foram utilizados 17 artigos e 21 livros, os quais estão listados nas referências no final do trabalho. Sendo os artigos encontrados em bibliotecas virtuais como a do Hospital João Evangelista Espírita, ou em bases de dados como: Google Acadêmico, Scielo, e BVS. Os livros são do acervo da biblioteca da Unesc, da biblioteca da própria autora, e de outras bibliotecas de amigos e colegas. Após o período de pesquisa do material, procedeu-se a leitura dos mesmos. A leitura orientada, separando os temas, proporcionou a sistematização dos conteúdos em tópicos da revisão, a saber: • Diferentes visões de morte a partir das religiões Cristã, Espírita Kardecista e Budista, e da filosofia Iogue; • Sentido de vida e de morte segundo a cultura ocidental contemporânea; • Visão da Psicologia sobre o morrer, sob o ponto de vista da criança, do adolescente, do adulto, e do Idoso; • A morte e a Transcendência; • Morte, Psicologia e Estratégias de Enfrentamento; • Atitudes diante da morte e do morrer segundo Kubler-Ross; • Preparando para a morte: o método RIME; 11 • Espiritualidade e Religiosidade como Estratégias de Enfrentamento; • Morte e Psicologia Hospitalar. Estima-se com esta revisão contribuir para os estudos referentes à psicologia, a morte e as estratégias de enfrentamento, visto que estes campos interligados estão ainda em fase de desenvolvimento e amadurecimento nas universidades brasileiras. Abrindo portas para futuras pesquisas empíricas que objetivem investigar a relação entre a morte, psicologia e estratégias de coping. 12 2 DIFERENTES VISÕES DE MORTE SEGUNDO ALGUMAS CULTURAS E RELIGIÕES O estudo sobre a morte é sempre muito polêmico na medida em que não se pode falar sobre ela sem citar as crenças dos indivíduos, as quais na maioria das vezes estão relacionadas a religiões e culturas. Dentre os questionamentos existenciais que o ser humano se faz, a incerteza sobre o que há depois da morte, se é que há, causa muitas dúvidas e até mesmo medo, principalmente em pessoas que estão em processos terminais da vida. Segundo Hellern, Notaker e Gaarder (2002), assim como as origens do homem requerem uma explicação, a maioria das pessoas se preocupa em saber o que acontecerá com elas quando morrerem. E então a religião aparece com o papel de esclarecer a morte de diversas formas, cada qual conforme sua filosofia e crenças. Segundo Elliot, Feinstein, e Krippner, (apud, KRIPPNER, 2002, p. 9), [...] algumas religiões não dependem de uma vida após a morte, ou da crença em uma alma imortal. Outras, entretanto, descrevem a entrada no infinito como, de maneiras variadas, emergindo da escuridão da luz, matando dragões ou destruindo demônios, a gloriosa abertura dos portões do céu, ou a revelação de entidades divinas. Percebe-se que as religiões querem explicar questões relacionadas à vida e a morte dos seres humanos. Seus ensinamentos e filosofias vêm enriquecidos por ritos, festas, símbolos, normas de conduta, instituições, que exercem a função de amarrar ou retomar o que é realmente importante na vida (HEERDT; BESEN; COPPI, 2005). 13 “Ainda segundo Heerdt; Besen e Coppi (2005, p. 18) os mesmos autores, a religiosidade é sem dúvida a dimensão que mais dá sentido à vida do ser humano não o deixando virar máquina, número”. E como o sentido de vida e de morte normalmente é pensado de forma recorrente por quem está morrendo, e para as pessoas envolvidas em tal processo, a religião acaba servindo como um instrumento importante ao ser humano. Segundo Hellern, Notaker e Gaader (2002), a religião nunca é vinculada apenas ao intelecto. Ela envolve igualmente as emoções, que são tão essenciais na vida humana quanto o intelecto e a capacidade de pensar. Explicando talvez o porquê, de as religiões terem tantos adeptos ainda, visto que se vive hoje em um mundo o qual o pensamento materialista cartesiano tenta predominar. Por dar importância a uma visão integral de ser humano, acredita-se que tal visão também deve ser empregada ao processo da morte e do morrer, iniciando dado trabalho por uma revisão sobre algumas religiões por acreditar que as crenças religiosas sejam grandes aliadas na maior parte dos casos, das estratégias de enfrentamento tanto para o cuidador, quanto para quem está sendo cuidado. 2.1 A morte para a tradição Cristã O Cristianismo surgiu com a vida, a atuação, a morte, a ressurreição e a ascensão de Jesus de Nazaré, que para os Cristãos é o messias prometido, o Filho de Deus. O messias então vem para terra, concebido pela Virgem Maria, para revelar Deus aos homens (HEERDT; BESEN; COPPI, 2005). 14 O Cristianismo crê em um só Deus (monoteísta), tendo como um de seus símbolos a cruz, que simboliza a Santíssima Trindade. “A Trindade1 representa o Pai, o Filho e o Espírito Santo, sendo que estas três pessoas não surgiram num momento específico da história, mas existem desde sempre e se revelaram ao longo da história” (HEERDT; BESEN; COPPI, 2005, p. 105). Dentre os rituais característicos do Cristianismo um dos principais é o Batismo, que significa um ato de iniciação para comunidade Cristã, que seria um novo nascimento (HELLERN; NOTAKER; GAARDER, 2002). Segundo os mesmos autores um segundo rito importante é o da Eucaristia que representa a memória do corpo de Cristo, mas que possui algumas variações conforme a interpretação que cada Igreja faz da Bíblia2. Segundo Heerdt, Besen e Coppi (2005), pouco se sabe sobre a juventude de Jesus Cristo, mas que por volta dos 30 anos de idade, deixou o trabalho e a família e começou a pregar. Nesse tempo seu primo João Maria já fazia isso também, e tinha um pequeno grupo de discípulos. Os ensinamentos de Jesus Cristo segundo Hellern, Notaker e Gaarder (2002), se davam por meio de parábolas, que nada mais eram do que comparações ou imagens, utilizadas para exemplificar uma verdade mais profunda. Em suas pregações, Jesus colocava o amor a Deus e ao próximo, como prioridade, encorajando os pobres e os mais fracos e perdoando os pecadores. “Tinha uma atenção particular pelos pecadores e sofredores: Não vim para os justos, mas para os pecadores” (Mt 9, 13) (HEERDT; BESEN; COPPI, 2005, p. 102). 1 2 O Pai é Deus, o Filho é Jesus Cristo, e o Espírito Santo é enviando pelo Pai e pelo filho, é também Deus. O ser humano chega ao conhecimento das três pessoas pela forma como elas operam: o Pai como criador, o Filho como salvador e o Espírito Santo como santificador (HEERDT, BESEN E COPPI, 2005, p. 105). Bíblia: Significa os livros. Refere-se aos livros que compõe a Bíblia, também denominados de Escrituras Sagradas, devido ao seu caráter canônico, isto é, enquadrados em um cânon, ou padrão, como livros sagrados, diretamente inspirados por Deus (HEERDT, BESEN E COPPI, 2005, p. 107). 15 Com isso Jesus Cristo vem a terra com a proposta de mostrar o reino do pai, que começa a se realizar na história, no meio das pessoas visando tirar do ser humano a condição de oprimido, de escravo, e dignificá-lo como filho de Deus (HEERDT; BESEN; COPPI, 2005). Anunciando também o Reino de Deus. O Reino de Deus [...] se caracteriza pela instauração da fraternidade, da bondade, da misericórdia, da justiça, da igualdade, da paz. Aí se entende porque Jesus disse: “Nem todo aquele que diz Senhor, Senhor, entrará no Reino do Céu. Só entrará aquele que faz a vontade do meu pai que está no céu” (Mt 7,21) (HEERDT; BESEN; COPPI, 2005, p. 103). Segundo os mesmos autores, o reino de Deus é uma realidade presente no tempo e no mundo, mas a sua plena realização acontecerá apenas quando a história terminar ou se consumar. Isso quer dizer, no dia do Juízo Final, que simboliza a volta de Jesus Cristo para terra, o qual julgará os vivos e os mortos, designando ao Reino de Deus aqueles que forem dignos de merecimento. O Cristianismo alimenta uma profunda convicção na ressurreição: “O Espírito que ressuscitou Jesus Cristo dos mortos também dará a vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós” (Rm 8, 11) (HEERDT; BESEN; COPPI, 2005, p. 104). Sendo assim Jesus através de suas pregações, expiação, e ressurreição veio reparar o dano causado ao relacionamento entre os homens, e entre Deus e os homens. Gerando assim a remissão dos pecados do homem, e a salvação para quem acredita em Cristo. “Pela graça fostes salvos, por meio da fé, e isso não vem de vós, é o dom de Deus”, diz Paulo à Igreja de Éfeso (Efésios 2,8) (HELLERN; NOTAKER; GAARDER, 2002, p. 166). Paulo falando sobre o poder de Jesus sobre a vida e a morte, conclui que se eles acreditavam que Jesus morreu e ressuscitou, eles também deveriam crer que Deus levaria com Jesus todos aqueles que morressem unidos a ele. E, em sua 16 epístola aos romanos, Paulo escreve que Cristo o libertou da lei do pecado e da morte (HELLER, NOTAKER E GAARDER, 2002). É um conceito bíblico que a vida na terra tem valor intrínseco. Portanto, em toda a Bíblia, a morte é vista como algo negativo. Paulo (discípulo de Cristo), chama a morte de “O Ultimo Inimigo”. E é a vitória de Jesus sobre a morte, com sua ressurreição, que forma a base para a esperança Cristã na vida eterna (HELLERN, NOTAKER, E GAARDER, 2002, p. 168). Segundo Harbin (2002), cada indivíduo passa pela ressurreição e julgamento na hora de sua morte. Portanto, com a morte a pessoa rompe com seu corpo físico, e vai para um lugar intermediário onde teria uma segunda chance de se arrepender dos pecados, por isso julgamento, e depois disso iria para o céu onde ocorreria a ressurreição para a vida eterna, ou iria para o inferno se não se arrependesse dos pecados. Em suma o que o Cristianismo prega em relação à morte é que quem levou uma vida de pecados, mas que se arrependa antes de morrer, encontrará a salvação. Depois da morte é como se tivesse uma segunda chance para se arrepender antes de ir para o céu ou para o inferno. “Já há condenação e juízo, o homem está apenas aguardando cumprir a sentença, mas existe a possibilidade de ser inocentado, mesmo que já tenho sido culpado e julgado” (HARBIN, 2002, p. 20). Alves (2002) coloca que a vida na terra para o Cristianismo, não tem valor, é o vale de lágrimas onde os banidos filhos de Eva choram, esperando o Céu, no qual está Deus e Jesus Cristo. E o termo chorar é utilizado para referenciar a vida disciplinada e sem pecados que somente consegue ser conquistada com renuncia e sofrimento. 17 2.2 A morte para a doutrina Espírita Kardecista A origem do espiritismo se deu em Nova York (EUA), quando duas irmãs da família Fox, Katherine e Margaretha, ao estalarem seus dedos perceberam que o som era repetido por alguém. Ao procurarem uma explicação, concluíram que se tratava de manifestações inteligentes de espíritos (HEERDT; BESEN; COPPI, 2005). “A notícia logo se espalhou e atraiu inúmeras pessoas. Logo as irmãs Fox foram levadas à Europa” (LANG, 2008, p. 174). Essa instituição se expandiu, ocasionando o surgimento de outras como mesas girantes, que respondiam a perguntas, copos procurando letras do alfabeto entre outras. Tais fenômenos citados acima, atribuídos a espíritos, ocorriam através de pessoas que tinham poder de mediunidade3; Hippotyte Lion, pedagogo, interessouse pelos mesmos. Surgindo então na França em 1857 como doutrina o Espiritismo, a partir da publicação do Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, pseudônimo do professor Hoppolyte Lion (HEERDT; BESEN; COPPI, 2005). Considerado a obra básica do espiritismo, o livro de Kardec, codifica a doutrina espírita, resumindo-a em cinco pontos: 1) Existência de Deus, como inteligência cósmica responsável pela criação e manutenção do universo; 2) Existência da alma ou espírito, que conserva a memória mesmo após a morte e assegura a identidade individual de cada pessoa; 3) Lei da reencarnação, pela qual, todas as criaturas retornam à vida terrena e vão sucessivamente, evoluindo no plano intelectual e moral, enquanto expiam os erros do passado; 4) Lei da pluralidade dos mundos, isto é da existência de vários planos habitados, que oferecem um âmbito para a evolução do espírito; 5) Lei do carma, ou da causalidade moral, pela qual se ligam as vidas sucessivas do espírito, dando-lhe destino condizente com os atos praticados (HEERDT; BESEN; COPPI, 2005, p. 192). 3 Mediunidade: Meio de acesso a novas verdades, e de trocas de experiências entre seres encarnados e espíritos. É uma faculdade por meio da qual o médium (pessoa dotada de elevada capacidade de percepção extra-sensorial), manifesta os mais diversos dotes, como vidência, clarividência, clariaudiência, levitação, telecinesia, psicografia, emissão de ectoplasma, cura e outros. É uma prática racional, fruto da persistência e continuidade, todas as pessoas podem desenvolver a mediunidade, mas para isso é preciso estudo e preparo (HEERDT; BESEN; COPPI, 2005, p. 193). 18 Segundo Kardec (2001), o mundo espírita é o mundo normal, primitivo, eterno, preexistente, e sobrevivente a tudo, sendo o mundo corporal secundário, ou seja, sua inexistência não alteraria a essência do mundo espírita. Para o espiritismo, a figura de Jesus Cristo é considerada um referencial de comportamento moral e o espírito mais evoluído que já passou pela terra (HEERDT; BESEN; COPPI, 2005). Voltando ao que foi falado anteriormente sobre mundo espiritual e mundo corporal, é importante ressaltar que há na pessoa, segundo o espiritismo, três elementos que o compõe: o corpo, a alma e o perispírito. O corpo é matéria o qual o espírito entra para se purificar, a alma é o espírito encarnado no corpo, e o períspirito é o laço que une a alma ao corpo (HEERDT; BESEN; COPPI, 2005). Segundo o mesmo autor, o perispírito acompanha a alma após a morte, ele é invisível, porém, pode se tornar visível quando os espíritos se comunicam e aparecem. Quando se torna visível tem a mesma aparência da última encarnação. Um dos princípios básicos do espiritismo é o Livre-arbítrio o qual se refere à liberdade de escolha dos seres humanos frente à vida, sendo cada ser responsável por traçar seu destino e responsável por suas conseqüências. A conseqüência dos atos dos seres humanos influencia diretamente, a uma evolução espiritual mais lenta ou rápida, existindo por isso uma hierarquia dos espíritos (HEERDT; BESEN; COPPI, 2005). Todos os espíritos se melhoram (progridem) passando pelos diferentes graus da hierarquia espírita, esta melhora se efetua por meio da encarnação, que é imposta a uns, como expiação, e a outros, como missão (KARDEC, 2001). A missão é dada somente aos espíritos mais evoluídos, enquanto aos outros menos evoluídos pagam por erros cometidos em outras encarnações e continuam em seu processo. 19 Kardec (2001, p. 24) diz que: “a vida material é uma prova que lhes cumpre sofrer repetidamente, até que hajam atingido a absoluta perfeição moral”. Segundo o mesmo autor tal perfeição é caracterizada por seres chamados de anjos, os quais são os espíritos puros. As almas foram todas criadas por Deus em igualdades de condições, ou seja, ignorantes. No entanto, tomam caminhos diferentes, do bem ou do mal, em função da sua liberdade de arbítrio (HEERDT; BESEN; COPPI, 2005). Tais espíritos sendo bons ou maus influenciam também os espíritos encarnados, que se deixam levar ou não conforme seu grau de evolução. Por fim os espíritas acreditam que, A finalidade da vida é aprender e evoluir como espírito, a fim de propiciar o aperfeiçoamento, da qualidade de vida do planeta e trazer a sabedoria e o amor do mundo espiritual para o mundo físico. Isso pode ser alcançado quando aprendemos tudo o que pudemos sobre a vida – e sobre nós mesmos – e também através do contato com seres (encarnados ou não), no outro lado, a fim de receber as revelações desejadas (HEERDT; BESEN; COPPI, 2005, p. 195). Para o espiritismo a vida serve para a evolução da consciência, e para se obter mais felicidade e satisfação. Portanto Kardec (2001) diz que: os espíritos sendo eles os ministros de Deus, e os agentes de sua vontade, têm por missão instruir e esclarecer os homens, abrindo uma nova era para a regeneração da humanidade. 2.3 Morte para a doutrina Budista O fundador do budismo foi o filho de um rajá, Sidarta Gautama (c. 560-480 a.C), que nasceu no Himalaia, em território do atual Nepal. Sua mãe faleceu logo após seu nascimento, e foi substituída por sua irmã (SIMÕES, 1985). Segundo a 20 lenda logo depois que nasceu deu oito passos nas quatro direções, e a cada passo nasceu uma flor (HEERDT; BESEN; COPPI, 2005). “O príncipe nasceu no seio da fortuna e do luxo. O rajá ouvira uma profecia de que seu filho ou se tornaria um poderoso governante ou tomaria o caminho oposto e abandonaria o mundo por completo” (HELLERN; NOTAKER; GAARDER, 2002, p. 52). Segundo os mesmos autores, a última opção ocorreria somente se o príncipe tomasse contato com as carências e sofrimentos do mundo. Em função disso o rei acabou privando seu filho de qualquer contato com a vida fora do palácio lhe proporcionando, prazeres e diversões. Ainda jovem Sidarta, por meio de casamento arranjado pelo pai, casou-se com sua prima e mantinha um harém de lindas dançarinas (HELLERN; NOTAKER; GAARDER, 2002). “Aos 20 anos, sua esposa deu a luz a seu único filho Rahula. Neste mesmo período apesar de viver nas mordomias, não conseguia encontrar a paz que tanto buscava” (HEERDT; BESEN; COPPI, 2005, p. 60). Um dia levado pelo desejo de conhecer o mundo e suas realidades, abandonou o palácio e passou a perambular pelas ruas da cidade, encontrando um ancião, um doente, um morto, e enfim um eremita pedindo esmolas. Após este episódio, ficou tão impressionado a ponto de abandonar tudo e a todos e se tornar eremita para buscar a explicação e a solução para o sofrimento. E foi ao encontro de um grupo de eremitas brâmanes4 em busca da certeza e do absoluto que dessem um sentido à vida. Torna-se então discípulos dos ascetas Alara Kalama e Uddaka Ramaputta, exercitando-se nas diversas práticas da ioga. Mas tais práticas não o satisfazem. Passa então seis anos vivendo no mais puro ascetismo 4 Brâmanes: é o nome dado aos sacerdotes que dentro do sistema de castas da Índia, ocupam o grau mais elevado da hierarquia de classes (HELLERN, NOTAKER E GAARDER, 2002). 21 entregando-se a jejuns e penitencias mortificadores. A lenda conta que nessa época ele se alimentava com um grão apenas de arroz por dia (SIMOES, 1985, p. 23). Após um período de muitas restrições às quais quase o levaram a morte, Sidarta chega a conclusão de que a tortura em si é vã e sem saída, e que a vida de privações não valia mais do que a vida de prazeres que levara anteriormente. Aos 35 anos, abandonou o mosteiro e percorreu seu próprio caminho, feito de solidão e meditação (HEERDT; BESEN; COPPI, 2005). Aos 35 anos, sentado sob uma figueira (a árvore da sabedoria), e após ter vencido Mara, o demônio das ilusões, caiu em profunda meditação – sendo este o momento em que ocorreu a iluminação (SIMOES, 1985). A partir disso Sidarta tornou-se Buda, e convencido de ter encontrado a origem da dor e o modo de superá-la, pregou seu primeiro sermão sobre a iluminação, aceito até hoje por todo fiel budista (HEERDT; BESEN; COPPI, 2005). O que Buda viu, foi resumido nas quatro nobres verdades. Primeira: toda existência é dukkha, ou seja, insatisfatória e cheia de sofrimento. Segunda: o dukkha deriva do tanha, o desejo ou apego, que significa o esforço constante de encontrar algo permanente e estável num mundo transitório. 5 Terceira: o dukkha pode cessar totalmente, e isso é o nirvana . Quarta: tudo pode ser alcançado pelo caminho óctuplo. Esses oito passos não precisam ser seguidos na ordem (HEERDT; BESEN; COPPI, 2005, p. 61). O caminho das oito vias consiste na experiência de Buda, o qual acreditava que na vida se devia evitar os extremos, não se vivendo nem no prazer extravagante como também na autonegação exagerada (HELLERN; NOTAKER; GAARDER, 2002). O caminho para dar fim ao sofrimento é o caminho do meio. 5 Nirvana: é um estado em que todo o carma já foi esgotado e a lei do renascimento foi rompida. Assim o Nirvana é uma condição que se pode experimentar no aqui-agora. Pode ser tão intensa que o budista sente que ela esta queimando o mundo inteiro. E quando ele enfim volta ao mundo, tudo que encontra são cinzas frias. O Nirvana final, que a pessoa atinge quando morre, é irreversível, é a extinção última. 22 Buda o descreveu em oito partes: 1) perfeita compreensão, 2) perfeita aspiração, 3) perfeita fala, 4) perfeita conduta, 5) perfeito meio de subsistência, 6) perfeito esforço, 7) perfeita atenção, 8) perfeita contemplação (HELLERN; NOTAKER; GAARDER, 2002). Levar uma vida normal segundo Buda, “é refrear todas as tendências egoístas e todos os desejos que perturbam nossa mente; é o caminho que abre os olhos, e dá compreensão, que leva a paz, a sabedoria e a plena iluminação, ao Nirvana” (SIMÕES, 1985, p. 26). Buda ao dominar seu desejo de viver, que antes o atava a existência, parou de produzir carma e, portanto, não estava mais sujeito a lei dos renascimentos (HELLERN; NOTAKER; GAARDER, 2002). Segundo os mesmos autores seu caminho estava aberto para atingir o nirvana final, mas o deus Brahma6 solicitou a ele para que difundisse seus ensinamentos. Segundo o budismo o carma é a escravização do ser humano por uma série de renascimentos. “Como todas as ações tem conseqüências, o princípio propulsor por trás do ciclo de renascimento-morte-renascimento são os pensamentos do homem suas palavras e seus atos” (HELLERN; NOTAKER; GAARDER, 2002, p. 54). Assim os esforços realizados em uma vida em direção a perfeição são herdados pela próxima existência, que pela lei do carma, acaba conduzindo o indivíduo cada vez mais perto do fim das reencarnações (SIMOES, 1985). Quando isso ocorre se atinge o verdadeiro conhecimento, a ausência dos desejos, o Nirvana. O carma não é fatalista nem predeterminado. Carma significa a nossa habilidade de criar e mudar. É criativo porque podemos determinar como e por que agimos. Nós podemos mudar. O futuro esta em nossas mãos, e nas mãos de nosso coração. Disse o Buda: como tudo é impermanente, fluido e interdependente, o modo como agimos e pensamos inevitavelmente muda o futuro (RINPOCHE, 2002, p. 133). 6 Brahma: é um deus para a cultura indiana (HELLERN, NOTAKER, E GAARDER, 2002). 23 Segundo Heerdt, Besen e Coppi, (2005), as formas de viver o budismo são fundamentalmente duas: a pertença à ordem dos monges e monjas, e a fraternidade dos leigos. A comunidade laica supre os monges materialmente e estes levam ensinamentos espirituais aos leigos. Os monges e monjas vivem sob regras mais rigorosas, em relação aos leigos, levando uma vida de simplicidade e pobreza. Desde os dias do Buda, eles costumam obter o pouco de que necessitam para sobreviver pedindo esmolas, o que não é tido de forma alguma como degradante (HELLERN; NOTAKER; GAARDER, 2002). Pode-se dizer desta forma que monges e leigos são interdependentes, visto que mesmo que um budista não venha a se tornar um monge em sua vida atual, se ele ajudar a sustentar um mosteiro, pode aspirar a ser um monge na próxima encarnação (HELLERN, NOTAKER E COPPI, 2002). Buda durante 44 anos se dedicou a pregação de sua doutrina juntamente com seus monges; desde então o budismo é considerado religião missionária. No ano de sua morte (483 a.C), 500 monges compilaram a Doutrina (Dharma), a Disciplina (Vinaya) e o primeiro Sutra (coleção de sermões de Buda), chamado-os de Tripitaka (HEERDT, BESEN E COPPI, 2005). O Tripitaka consiste nas regras designadas aos monges (Vinaya), nos ensinamentos morais, que contém os sermões e a vida de Buda (Sutra), e a Doutrina da salvação, ou catecismo budista (Abhidarmha) (HEERDT; BESEN; COPPI, 2005). Com a morte de Buda sua doutrina continuou sendo difundida, sofrendo algumas variações e dividindo em duas tendências: uma mais liberal e outra mais conservadora. 24 A mais liberal recebe o nome de Mahayana (o grande veículo), predominante no norte da Ásia, sendo característico principalmente pelo budismo tibetano. E a linha mais conservadora (escolas dos antigos), se concentra mais ao sul da Ásia. A visão tibetana é a qual será enfocada nos estudos posteriores. Para o budismo tibetano a vida e a morte são vistas como um todo, onde a morte é o começo de um novo capítulo da vida. Sendo a morte um espelho no qual o inteiro significado da vida é refletido (RINPOCHE, 1999). O estado intermediário entre a morte e o renascimento, é o bardo o qual tanto pode ocorrer na vida quanto na morte. [...] os bardos são momentos críticos em que as possibilidades de liberação, ou iluminação são intensificadas. [...] na vida existem 4 bardos interligados, o primeiro é o da vida, o segundo o da morte e do morrer, o terceiro é o do pós-morte e o quarto o do renascimento (RINPOCHE, 1999, p. 29). Os bardos servem para mostrar que tanto durante a vida quando nos momentos de transição (morte-renascimento), precisa se dar importância à construção do eu, e ao bem estar dos outros e do meio, para assim segundo Rinpoche (1999), viver e morrer sem se arrepender. Segundo o budismo o grande problema da humanidade é o apego, visto que para eles aprender a viver é aprender a soltar. E essa é a tragédia, e a ironia da sociedade contemporânea em geral, a luta pela permanência. Ela não só é impossível, como leva o ser humano exatamente a dor que tanto quer evitar. Para o budismo o preparo para a morte se faz durante toda a vida, sendo de extrema importância a consciência nesse momento, com um domínio mental tão lúcido, desanuviado e sereno quanto possível (RINPOCHE, 1999). 25 Segundo o mesmo autor normalmente os monges solicitam seus mestres na hora da morte, e recitam mantras, os quais ajudam a manter a consciência em determinado momento. [...] então meu mestre se sentou ao seu lado e o conduziu através de Phowa, a prática para direcionar a consciência no momento antes da morte. Há várias maneiras de fazer esta prática, e a que usou na ocasião culminou com o mestre pronunciando a vogal “A” três vezes. Quando meu mestre proferiu o primeiro “A”, ouvimos Lama Tseten acompanhá-lo de forma bem audível. Da segunda vez sua voz era menos nítida, e da terceira fez-se o silencio. Ele havia partido (RINPOCHE, 1999, p. 23). O último pensamento ou emoção que se tem antes de morrer obtém um efeito determinante e extremamente poderoso no futuro imediato de quem está morrendo (RINPOCHE, 1999). Ao analisar-se esta última fala, é de extrema importância que as pessoas (sendo cuidadores ou familiares), mentalizem pensamentos e emoções positivas e ajudem quem está em eminência de morte a ter os mesmos, auxiliando-o para que seu momento de transição seja o mais saudável e consciente possível. 2.4 Morte para a filosofia Iogue7 Em sua mais antiga forma conhecida, o ioga parece ter sido a prática da introspecção disciplinada, ou da concentração meditativa, associada a rituais de sacrifício (FEUERSTEIN, 2001). O mesmo autor diz que é sob esta forma que o ioga se nos apresenta nos quatro Vedas, os primeiros e mais sagrados livros do Hinduísmo. O ioga, por ser em sua forma mais antiga, intimamente ligado ao ritual dos antigos indianos, desenvolveu no curso do tempo, um imenso conjunto de 7 Visto que na literatura iogue encontrou-se uma grande variação quanto a escrita da palavra optouse por adotar um padrão no presente trabalho. 26 documentos de práticas e elaboradas teorias induzidas por elas (FEUERSTEIN, 1977). Algo de importante a se ressaltar é que o legado iogue foi transmitido oralmente de mestre para discípulo por muitas gerações. “Um iogue é quem pratica uma técnica científica para entrar em contato com Deus, seja esse iogue, casado, solteiro, um homem mundano, ou alguém que tenha laços religiosos formais” (YOGANANDA, 2008, p. 233). O mesmo autor ainda traz que um iogue empenha-se num procedimento definido, realizado passo-apasso, pelo qual o corpo e a mente são disciplinados e a alma libertada. O ioga segundo Weil (1999), mais especificamente o ioga tântrico, acredita que o ser humano contém níveis de energia sutis, ou seja, um sistema de campos ou círculos energéticos, chamados de Chakras. Têm-se inúmeros desses pontos no corpo os quais existem em potencial, mas podem ser ativados mediante a uma evolução resultante em geral, de um trabalho sobre nós mesmos. Os seres humanos podem ter sua mente voltada a cada um desses níveis, e a evolução da consciência do homem consiste na subida progressiva da energia, por exemplo: se uma pessoa é jogadora de futebol, este se concentrará mais em atividade de ataque e defesa e esta energia estará mais ligada aos primeiros chakras, a contraponto que caso esta mesma pessoa se apaixone sua consciência se focará ao nível do coração. “Pantânjali, o venerável rishi8, define “ioga” como controle das oscilações da substância mental” (YOGANANDA, 2008, p. 234). Seu ioga Sutras, com explicações breves e magistrais, formam um dos seis sistemas de filosofia hindu, contendo ensinamentos práticos e teóricos (2001). 8 Rishi: Literalmente videntes, foram os autores dos Vedas (livros sagrados do hinduismo), numa época remota indefinida (YOGANANDA, 2008, p. 47). 27 Segundo Barbosa (1999), e baseados nos Ioga Sutras, a prática correta do ioga, produz em nossa mente o surgimento da inteligência corporal, e transforma nossa vida material numa metáfora da própria criação e dos desígnios do universo. Com isso se extingue a possibilidade do erro, da dor, e da impermanência nas atividades de nossa mente. A iluminação de nossa consciência, pela realização do ioga, nos traz para dentro de nossa fonte espiritual e nos faz sentir a perfeita integração com Deus, com a humanidade e com todas as forças naturais (BARBOSA, 1999, p. 40). Os iogas Sutras contem os métodos mais eficazes para alcançar a percepção direta da verdade. Pela prática das técnicas do Ioga, o homem abandona para sempre os campos estéreis da especulação e experimenta cognitivamente a verdadeira essência (YOGANANDA, 2008). Essa verdadeira essência nada mais é que a consciência focada no mais alto nível energético, um nível expansivo. A espiritualidade de Pantânjali compreende oito aspectos conhecidos como os membros do ioga: 1) disciplina; 2) auto controle; 3) Postura; 4) controle da respiração; 5) recolhimento dos sentidos; 6) concentração; 7) meditação; 8) Êxtase (FEUERSTEIN, 2001). “Esse é o caminho dos oito passos do ioga9 que conduz a meta final de Kaivalya (o absoluto), um termo que pode ser melhor explicado como a realização da verdade além da percepção intelectual” (YOGANANDA, 2008, p. 236). O caminho dos oito passos é seguido pelos praticantes de Hatha ioga, uma modalidade de ioga especializada em posturas corporais, e técnicas que promovem a saúde e longividade, produzindo resultados físicos espetaculares, mas é pouco usada pelos iogues interessados na libertação espiritual. 9 Não confundir com o nobre “Caminho dos Oito Passos” do budismo, um guia para a conduta da vida humana, citado no capitulo sobre 2.3: Morte para a Doutrina Budista. 28 Com isso duas práticas de ioga direcionadas a pessoas que estão em eminência de morte serão enfocadas, sendo uma baseada na ioga da morte, ou morte criativa (praticada pelos budistas tibetanos), e outra, é a kriya ioga, conhecida como uma antiga ciência. Mas antes de explicá-las, existe um conceito primordial do ioga sem o qual é impossível compreender a experiência de ampliação de consciência alcançada por um iogue, e também não será possível de se compreender o processo de morte o qual será explicado posteriormente. Segundo o conceito iogue de inconsciente, 10 [...] o caminho da realização do si-mesmo tem dois aspectos principais. O primeiro é a impassibilidade, que consiste em desvencilhar-se da falsa identificação com o não-si-mesmo – isto é, com o quanto pertence aos diversos níveis da natureza. O segundo aspecto é a prática de identificação do si-mesmo mediante a reiterada concentração meditativa e êxtase (FEUERSTEIN 2001, p. 302). Segundo o ioga da morte, ou ioga criativo, toda pessoa deve se preparar para a morte o quanto antes, afinal de contas ela pode chegar a qualquer hora. Gandhi quando levou o tiro final, sua prece da morte estava tão internalizada, que sua última palavra instantânea foi Ram, um dos nomes de Deus (GOSWAMI, 2005). Os tibetanos sugerem três práticas para auxiliar a abordagem criativa da morte. São elas: a prece da morte, que é uma prática de devoção; o sacrifício perfeito, que é uma prática de virtude ativa; e a contemplação sem esforço, que é a prática de Jnana (sabedoria/inquirição) (GOSWAMI, 2005). A prece da morte consiste em ter um mantra pessoal, o qual se tornará presente na vida da pessoa mesmo inconscientemente. Significa rezar para o Buda 10 Si-mesmo: sujeito da consciencia. Vide tambem “si-mesmo individual e si-mesmo quântico. Si-mesmo individual: o conteúdo do ego e o caráter que, juntos, definem o si-mesmo individual. Si-mesmo quântico: Modalidade primaria do sujeito do si-mesmo situado além do ego, onde reside a verdadeira liberdade, criatividade e não-localidade da experiência humana. Não-localidade: influência ou comunicação instantânea sem qualquer troca de sinais através do espaço-tempo; uma unidade indivisa, uma inseparabilidade que transcende espaço-tempo (GOSWAMI, 2005, p. 293). 29 Amitabha, enquanto se pensa na terra das bênçãos, a versão budista do céu. Sendo que tal prece pode ser incorporada às praticas de ioga também. A meditação pode ser feita com um dos nomes de Deus (Maomé, Alá) (GOSWAMI, 2005). O sacrifício perfeito baseia-se na percepção de que o sacrifício voluntário é um modo altamente eficaz de chegarmos à natureza da verdade (GOSWAMI, 2005). Com isso a idéia é a empatia, a qual se sentirá dor e sofrimento para aliviar a dor da humanidade. Por exemplo: Alguém que está preces a morrer passa a sentir a dor dos outros seres e através da meditação reza por sua melhora a ponto de tentar sentir estas sensações em si. A prática do sacrifício pelos demais leva a descoberta da alteridade nos outros, que é a descoberta do verdadeiro amor – um amor que não é condicionado por a outra pessoa ou entidade ter parentesco comigo. Quanto mais o ser humano percebe que pode amar os outros, menor o domínio de seu ego sobre eles (GOSWAMI, 2005, p. 223). Por fim o Caminho de Jnana, consiste em descobrir a consciência, mantendo-se dentro de sua natureza, dentro do momento presente, sem permitir distrações. Este é o verdadeiro significado da frase: morrer conscientemente. Quando a contemplação se torna substancial e imponderável, e não exige esforço o indivíduo encontra-se no fluxo natural da consciência (GOSWAMI, 2005). “Se o praticante se mantém na natureza da mente [consciência], conseguirá despertar plenamente, tornando-se um Buda no estagio chamado de corpo absoluto ou clara luz no momento da morte” (GOSWAMI, 2005, p. 225). Segundo o Senhor Krishna (apud, YOGANANDA, 2008), existe uma técnica chamada de kriya Ioga que se sobrepõe aos ascetas que disciplinam o corpo, e ao jnana ioga (citado anteriormente). O Kriya Iogue usa sua técnica para impregnar e nutrir todas as células do seu corpo com luz imperecível, e conservá-las magnetizadas. De forma científica ele 30 torna a respiração desnecessária sem, com isso entrar em estados de sono subconsciente ou inconsciente (YOGANANDA, 2005). O kriya Ioga é um método simples, psicofísico, pelo qual o gás carbônico é retirado do sangue humano e substituído por oxigênio. Os átomos desse oxigênio adicional são transmutados em energia vital para rejuvenescer o cérebro e os centros da coluna vertebral. Ao interromper o acúmulo de sangue venoso, o iogue é capaz de diminuir ou evitar a deterioração dos tecidos; o iogue avançado transmuta suas células em pura energia. No passado, Elias, Jesus, Kabir e outros profetas foram mestres no uso do Kriya Ioga, ou alguma técnica similar, pela qual desmaterializavam seus corpos livremente (YOGANANDA, 2008, p. 245). Segundo o mesmo autor, num período de três anos um iogue pode conseguir com seu próprio esforço e inteligência o mesmo resultado que a natureza pode produzir em um milhão de anos (YOGANANDA, 2008). Não deixando de frisar que esse caminho mais curto percorrido, somente ocorre, com iogues muito desenvolvidos, sob orientação de um guru, que os orienta e prepara cuidadosamente, corpos e cérebros para receber a energia gerada pela prática intensiva. Quando o iogue está em seus estados iniciais de união com Deus, a consciência funde-se ao espírito cósmico; sua energia vital é retirada e seu corpo parece morto, ou imóvel e rígido, num estado de animação suspensa do qual a iogue tem plena consciência. Entretanto na medida em que avança, ele entra em comunhão com Deus e deixa de se preocupar com o corpo, acontecendo até mesmo nos momentos de vigília em meio às exigências de suas obrigações mundanas (YOGANANDA, 2008). Quando o iogue alcança o poder de desconectar de todos os sentidos, é algo simples para ele unir-se mentalmente seja com os reinos divinos ou com o mundo material. Ele não é mais trazido pela energia vital, à esfera mundana de 31 sensações tumultuosas e inquietudes mentais. Mestre do corpo e da mente, ele consegue a vitória sobre seu último inimigo a morte (YOGANANDA, 2008). 32 3 PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO, SENTIDO DE VIDA E DE MORTE, E TRANSCENDÊNCIA. Nesse capítulo se tem por objetivo explanar assuntos acerca da visão de morte e a compreensão cognitiva respectivas às idades do desenvolvimento humano, baseado na psicologia do desenvolvimento, assim como verificar o que é o sentido de vida e qual o sentido de morte na cultura ocidental contemporânea, e por fim apresentar estudos os quais abordam uma visão emergente sobre a morte e o morrer a partir da psicologia transpessoal. Segundo Carneiro e Abritta, (2008), o homem durante toda a sua existência buscou construir sentido para sua razão de ser e de estar no mundo. Viktor Frankl (apud CARNEIRO; ABRITTA, 2008, p. 2), “afirma que a sobrevivência do ser depende da capacidade de orientar a própria vida em direção a um “para que coisa”, ou um “para quem”, ou seja, a capacidade do ser de transcender-se”. Com isso o ser humano que se sente capaz e sabe da importância de ajudar os outros, e que se envolve em projetos e causas para beneficiar um meio social, se mantém certo de seu sentindo vital, portanto se sente importante. Com o passar dos tempos e com a movimentação da sociedade em direção a um egoísmo e falta de solidariedade e compaixão para com o outro se percebe um vazio existencial em massa. Tal vazio acaba se refletindo também por as pessoas idealizarem uma eterna juventude, resultante da visão de sociedade capitalista, que padroniza coisas e pessoas, ditando o que é felicidade ou não (Kovács, 2005). Essa visão materialista acaba afastando o ser humano cada vez mais da sua essência implicando na 33 negação do envelhecimento e da morte, percebendo-se dada visão como geral em todas as fases de desenvolvimento humano (Kovács, 2002). Por fim se traz justamente uma visão emergente da morte e do morrer (psicologia transpessoal), a qual quebra os padrões da visão predominante da sociedade contemporânea, justamente para retomar a naturalidade nos processos e transformações físico-psiquico-socio-espirituais sofridos pelo ser humano ao longo do seu desenvolvimento, apresentando a morte como uma etapa do continuum do qual a existência humana faz parte. 3.1 Sentido de vida e de morte O homem com o passar dos tempos foi construindo motivos para comprovar sua existência, os modificando, conforme a evolução da humanidade. As conquistas foram tantas que se chegou a um tempo (contemporaneidade) o qual, os objetivos de vida se tornaram padrões, levando as pessoas a se questionarem sobre o sentido de vida. Segundo Carneiro e Abritta (2008), na sociedade atual tudo está tão pronto a ponto de ser consumido que as pessoas não estão mais construindo um sentido para tal. Viktor Frankl, psiquiatra austríaco criador da logoterapia, nos diz que o ser humano tem liberdade pessoal para se impor um caminho, em que agirá com responsabilidade para com a vida sendo este seu sentido vital (apud GOMES, 1992). “Viktor Frankl insistia que a liberdade para o homem é a forma de expressão mais humana e é incondicionável” (apud GOMES, 1992, p. 28). O papel das psicologias então é ajudar as pessoas que sofrem com a opressão cotidiana, a 34 descobrir que a liberdade é o seu destino, que está na sua consciência, e é privilégio da espécie humana que sofre com o fantasma da finitude. Rinpoche (1999), constatou que na civilização contemporânea ocidental as pessoas são ensinadas a negar a morte, crendo que ela nada significa a não ser aniquilação e perda. Ou então pensam que como ela chega para todos não há com o que se preocupar, sendo uma boa teoria até que se esteja morrendo. Todas as grandes tradições espirituais do mundo inclusive o Cristianismo, dizem que a morte não é o fim [...] o que acaba gerando nas pessoas um sentido sagrado para se alcançar esta vida futura. Mas não obstante a esses ensinamentos, a sociedade atual é em larga escala um deserto espiritual, em que a maioria das pessoas pensa que esta vida é tudo que existe (RINPOCHE, 1999, p. 25). Segundo Carneiro e Abritta (2008), outro elemento importante que se perdeu ao longo dos tempos, e que ajudava o ser humano a dar sentido a sua vida, é o ritual. A ocupação do homem com rituais e tradições o ajudava a simbolizar seus valores, crenças, pensamentos e desejos. Viktor Frankl durante o período que estava nos campos de concentração observou que, os companheiros de prisão, vivenciando uma angústia intensa, se apegavam a fé, surgindo uma esperança no futuro, a qual fazia brotar um sentido de vida, e a crença em Deus (apud GOMES, 1992). Frankl em sua teoria (1920), considera que o ser humano tem uma dimensão chamada por ele de noética, ou seja, a espiritualidade imaculada, o Deus vivo na intimidade da pessoa humana. Segundo Rinpoche (1999), as pessoas que não crêem numa vida após a morte, criam uma sociedade fixada em resultados à curto prazo, sem ter a menor preocupação com as conseqüências de seus atos. Com isso, parece que a 35 sociedade em sua grande maioria está tomando esta configuração ao se considerar que a compaixão verdadeira é quase algo inexistente. Frankl ao considerar o ser humano como bio-psico-sócio-espiritual, “percebe que além das dimensões somáticas, corporais e psicológicas há uma terceira dimensão que é própria e autônoma em si” (apud GOMES, 1992, p. 45). E essa dimensão espiritual foi recalcada pela opressão com o passar dos tempos, as pessoas estão com seu Deus íntimo carente de expressão em várias formas, seja de amor ao próximo, afetividade, interesse pelos outros, criatividade, etc. Frankl constatou que se a pessoas ficarem muito presas em si mesmas e esquecerem do que tem ao seu redor, perderão sua orientação no mundo, o sentido de vida, e mergulharão num grande vazio existencial (apud GOMES, 1992). Situação esta cada vez mais propensa a ocorrer a medida que as pessoas em função da tecnologia e facilidades do mundo contemporâneo acabam diminuindo cada vez mais o contato com o meio. Por isso Rinpoche afirma que (1999, p. 28): “a maioria das pessoas morre despreparada para morrer assim como, viveram despreparadas para viver”. Segundo o mesmo autor a sociedade ocidental contemporânea perde cada vez mais a noção do essencial da vida, se prendendo a padrões para a obtenção de um sucesso que talvez nunca ocorra da forma esperada, ou quando acontecer, tal pergunta surgirá: E agora, o que eu faço? O sentido de se viver foi confundido com a quantidade de bens materiais adquiridos, com o apego as coisas e as pessoas. 36 3.2 Visão da psicologia sobre o morrer sob o ponto de vista da criança Com o passar dos tempos e principalmente com a tecnologia a disposição de todos, inclusive das crianças, os esforços a fim de esconder a morte e o morrer dos mais novos se tornaram em vãos, na medida em que se percebe a quantidade de filmes, desenhos, e programas abordando este fato inerente a vida do ser humano. Segundo Kovács (2005), as crianças e adolescentes convivem diariamente com imagens de morte, e ao mesmo tempo, são poupados pelos pais ou parentes próximos para não as entristecer. Ao encontro disso também existe o fato do grande aumento de casos de câncer e AIDS em crianças e adolescentes, que vivenciam o estar doente, se abstendo das atividades prazerosas importantes para a sua idade e para a formação da identidade. As crianças ao permanecerem longos períodos hospitalizadas, convivendo constantemente com a perspectiva da morte, acabam sofrendo muito, por estarem lidando com algo que é normalmente atribuído ao envelhecimento do ser humano. Com isso Kubler-Ross (1998, p. 10), médica suíça, erradicada nos EUA, nos diz o seguinte: O fato de permitirem que as crianças continuem em casa, onde ocorreu uma desgraça, e participem da conversa, das discussões e dos temores, faz com que não se sintam sozinhas na dor, dando-lhes o conforto de uma responsabilidade e luto compartilhados. É uma preparação gradual, um incentivo para que encarem a morte como parte da vida, uma experiência que pode ajudá-las a crescer e amadurecer. Segundo Kovács (2005), existe um despreparo tanto dos pais quanto dos profissionais da saúde para lidar com a questão da morte com a criança. Os pais muitas vezes acabam ocultando a verdadeira situação, e os médicos se vêem 37 frustrados frente a uma tentativa incansável de luta pela vida, e frente aos pais e aos familiares quanto precisam dar a notícia de um mau prognóstico. Para que se possa instruir pais, equipe cuidadora hospitalar, professores e todo um meio social, é interessante de se ressaltar que dependendo da idade da criança e sua compreensão de mundo, a forma como uma notícia relacionada a morte e o morrer deve ser dada é diferenciada. Segundo Torres, a psicanálise ortodoxa afirma que os pensamentos acerca da morte somente aparecem depois do período edipiano, como produto simbólico do medo da castração; os teóricos piagetianos afirmam que a compreensão de conceitos somente se dá quando as estruturas cognitivas da criança atingem as operações formais, no início da adolescência (1999, p. 25). Tais teorias levam a entender que nos primeiros anos de vida da criança elas nada compreendem a respeito da morte, o que ocasionou nos últimos tempos, num interesse acerca de como as crianças conceitualizam a morte. Segundo Maurer (apud TORRES, 1999), a criança desde a tenra idade antes dos dois anos começa a ter seu primeiro contato com a morte, em função das experiências de dormir e acordar, experimentando os estados de “ser” e “não ser”. Kovács (2002), também cita as primeiras separações maternas como representação importante da morte para a criança, na medida em que a criança se sente desamparada percebendo que sem a mãe não consegue viver. Sem contar que ao longo do seu desenvolvimento o contato com a morte também ocorrerá, pela perda de um animal de estimação, ou de um parente, sendo importante deixar a criança manifestar seus sentimentos e participar dos rituais para elaborar seu luto assim como os adultos. Segundo Nagy (apud TORRES, 1999), a criança até os 5 anos de idade não vê a morte como irreversível, mas a percebe como gradual e temporária. Nesta 38 etapa do desenvolvimento, em razão do animismo infantil, a morte é percebida como um evento impossível. Entre as idade de 5 a 9 anos, a criança já entende a morte como irreversível, mas não ainda como inevitável (NAGY apud TORRES, 1999). A autora coloca que há uma tendência para personificar a morte, como se alguém viesse buscar a pessoa. Dos 9 anos em diante a morte é vista então, como a cessação das atividades do corpo e como inevitável a todos os seres humanos independentemente de idade. Torres (apud KOVÁCS, 2002) a partir de pesquisas realizadas ligadas aos períodos de desenvolvimento cognitivo de Piaget, constatou que no período préoperacional (2 aos 7 anos), “a criança não nega a morte, mas é difícil separá-la da vida; atribuído a fatores externos a impossibilidade de viver. Não percebem a morte como definitiva e irreversível “(2002 p. 53). Já no período das operações concretas (7 aos 12 anos), as crianças distinguem entre seres animados e inanimados, e percebem a morte como algo irreversível, buscando aspectos como a imobilidade para defini-la. E por fim no período das operações formais (12 em diante), a criança já reconhece a morte como um processo interno, implicando em cessação da atividade fisiológica. A partir disso a criança sabe dar explicações lógico-categoriais de causalidade, definindo a morte como parte da vida (TORRES apud KOVÁCS, 2002). Ressaltado que o principal quando se trata de morte com a criança, mesmo que ela seja o enfermo que corre risco de morte, é que sempre seja avisado dentro da sua capacidade de compreensão, para assim poder também elaborar da sua forma dada situação, e criar suas estratégias de enfrentamento. 39 Uma informação importante a respeito da morte na infância é que em algumas situações, o elemento culpa aparece fortemente, até mais ou menos uns 9 a 10 anos, relacionado ao pensamento mágico e onipotente infantil e com os elementos de sociabilização, que levam a desejos de morte de tal forma, que se ocorre uma morte, é inevitável que a criança estabeleça uma relação entre esses desejos e a morte efetiva. Segundo Koocher (apud TORRES 1999, p. 162), “é sempre aconselhável que se peça a criança, o que lhe foi ensinado a respeito da situação a qual ela passa, obtendo assim a oportunidade de corrigir qualquer distorção”. E então perguntar qual foi sua compreensão a respeito do que foi falado, e saber se a criança está sendo atendida no que deseja saber. Portanto, não existe uma forma padrão para lidar com a criança a respeito da morte, porque além dela possuir uma compreensão diferenciada dependendo da idade, também terá influência da forma como foi criada, suas crenças e valores. Cabendo assim aos responsáveis por lidar com essa, o cuidado em passar somente as informações as quais a criança julga importante para ela. Segundo Kovács (2002, p.24), “a criança bem amada e cuidada se vê forte e poderosa, com um sentimento de invulnerabilidade e apoio, que colaboram para o estabelecimento da individualidade”. Logo o seu medo frente a morte irá depender da natureza e vicissitudes próprias do seu processo de crescimento. 3.3 Visão da psicologia sobre o morrer sob o ponto de vista do adolescente Apesar de obter a capacidade cognitiva de perceber as características essenciais da morte, o adolescente se encontra nessa fase num processo complexo 40 ao se perceber que emocionalmente ele se apresenta muito distante da morte, sentindo-se como herói frente a vida. Segundo Kovács (2002), o período da adolescência acontece como uma das maiores transições do ser humano, caracterizando-se pela maior ocorrência de lutos, ao se considerar que o adolescente perde seu corpo infantil, sua identidade de criança e precisa elaborar a perda de seus pais infantis. “Paradoxalmente o adolescente não se deixa afetar pela idéia de morte pessoal, por projetá-la para um futuro bem distante, como se fosse uma defesa contra a vulnerabilidade e finitude” (TORRES, 1999, p. 142). O adolescente então frente a tantas transformações em sua vida e em seu corpo, como o desenvolvimento da sexualidade, os relacionamentos amorosos, uma escolha vocacional, se vê como querendo experimentar esse mundo de novidades (KOVÁCS, 2005). Segundo Erikson (apud TORRES, 1999), para o adolescente a grande tarefa dessa idade é adquirir identidade, se definir como pessoa, e para isso desafia o mundo e rompe todos os limites. Segundo Kovács (2002), de um lado a exuberância vital do adolescente o permite ter uma percepção maior de sua condição física, e de outro, faz com que ele não admita ver esse corpo, como um corpo que dói, sangra, definha e morre. Desta forma, para o adolescente, a morte ou sua simples ameaça, acaba tendo uma significação e um sofrimento muito maior do que nas outras fases do desenvolvimento humano. Ficando determinado tal período, como foco de muitos estudiosos, em função do grande paradoxo em que se apresenta; uma força incrível para viver, a contraponto de um período de altos riscos para que ocorram mortes inesperadas. 41 Sendo tais riscos explicados, pelas extravagâncias dessa idade, ou melhor, por não haver um respeito em relação aos limites (KOVÁCS, 2002). O que implica na procura por atividades que desenvolvam o limite físico, como os esportes de um modo geral, atividades como guiar carros, motos e outros tipos de transportes, bem como o uso de drogas e entorpecentes, por acreditar que a morte é um fenômeno que ocorre somente com o outro. Para o adolescente mesmo quando a morte ocorre com um amigo ou com alguém muito próximo, tal acontecimento sempre acaba sendo por ele atribuído por descuido, por uma irresponsabilidade pessoal, ficando evidente que o adolescente regride um pouco em termos de pensamento as fases infantis. Outra situação em que o adolescente regride também, mas em termos de comportamento, é quando precisa se afastar do meio social e principalmente dos amigos em função de estarem enfermos. Segundo Torres (1999), os adolescentes quando precisam ficar hospitalizados em função de uma doença, se tornam mais dependentes dos pais e da equipe cuidadora. Segundo kovács (2002), outro dado relevante sobre esse período, é que as tentativas de suicídio são muito freqüentes, decorrentes geralmente pelos adolescentes não teres suas expectativas concretizadas frente a relacionamentos e realizações amorosas. Reforçando ao que já foi falado até então, quanto a intensidade de sentimentos, e de como vivem suas vidas nessa fase. A adolescência, portanto, segundo Kovács (2002, p. 57), “é um período do desenvolvimento em que a vida e a morte encontram o seu auge, a vida pela sua possibilidade de desenvolvimento pleno, e a morte como uma continuação dessa plenitude”. Apesar de o adolescente dar a entender o tempo todo que esta não existe. 42 3.4 A Visão da psicologia sobre o morrer sob o ponto de vista do adulto Após a adolescência, o ser humano entra na idade adulta, etapa a qual a morte vai além dos conceitos de universalidade (ocorre com todos) e irreversibilidade (não tem volta, acontecimento definitivo). Segundo Papalia (2006), no início da idade adulta, o jovem frente a recente conclusão de seus estudos, início da carreia profissional e início de um casamento, tem a idéia de morte distante de si, na medida em que possui muitos planos e sonhos e vontade em realizá-los. A mesma autora, diz que o jovem adulto atingido por doenças ou por um dano fatal, tende a ficar extremamente frustrado, podendo isso se converter em raiva, e tornando o tratamento médico num processo muito difícil. Apesar da sede de realização de uma vida individual que está começando, segundo Kovács (2002), o jovem adulto diminui seus impulsos e arroubos, tornando-se mais calmo e ponderado, pois se permanecesse no ritmo da fase anterior poderia adoecer. Com o amadurecimento do jovem, o adulto ao longo dos seus 35 anos em diante passa a re-significar a morte. Segundo Hohendorff e Melo (2009), a morte passa a ter um significado social também, pois o falecimento de um idoso na família, acarreta em mudanças de papéis e funções na mesma. O que acorre é que sempre que um idoso da família morre, acontece uma movimentação no sistema de gerações, refletindo na aproximação do adulto com a sua própria morte. Jung (apud KOVÁCS, 2002), chamou esta fase de metanóia, ou metade da vida, quando a própria pessoa faz uma avaliação do que foi a sua existência até então. 43 Segundo Papalia (2006), na meia idade, a maioria das pessoas percebe mais claramente que vai de fato morrer, seus corpos passam a sinalizar que já não estão mais tão jovens, ágeis e vigorosos quanto antes. Para Kovács (2002, p. 7): Os fatos concretos, ajudam as pessoas a avaliarem o que se alcançou em relação à profissão, às posses, à família, aos filhos, ou a quaisquer pontos considerados vitais. Quando se chega ao topo da montanha e admira a paisagem à volta, a descida parece ser obrigatória [..] a descida representa a segunda metade da vida, potencialmente tão criativa quanto a primeira, só que de um outro ângulo. Surge a partir daí a possibilidade da própria morte e isso traz um novo significado para a vida. A partir disso não se tem mais todo tempo do mundo, e o limite não aparece mais como algo a ser extrapolado, mas sim, a ser conhecido e admitido. Uma pesquisa realizada por DiGiulio (apud PAPALIA, 2006), constatou que durante a idade adulta, os adultos mais velhos lidam melhor com perda do conjugue do que os adultos jovens. Entretanto, Lundt (apud, PAPALIA, 2006), diz que a idade não é um aspecto importante ao processo de luto, mas sim, sua habilidade de enfrentamento. Embora o luto muitas vezes demore a ser elaborado, a maioria dos casados por seu fim reconstrói sua vida, sendo que solidão, tristeza e depressão, com o passar dos tempos dão lugar a confiança na capacidade de viverem sozinhos. Outra morte considerada por Papalia (2006), como uma das mais difíceis de elaborar durante a idade adulta, é a dos filhos; poucos pais estão preparados para lidar com este tipo de situação. Por fim, percebe-se que apesar da maturidade atingida com a idade adulta, a morte continua sendo vista como algo ameaçador, causador de medo e sofrimento. Segundo Kovács (2002), o símbolo da foice, frequentemente usado nas 44 representações de morte, dá essa idéia de corte. Se aproximando cada vez mais do ser humano ao longo do seu desenvolvimento, até chegar a velhice cujo fim, é claramente a morte. 3.5 Visão da psicologia sobre o morrer sob o ponto de vista do idoso O conceito velhice é muito discutido entre teóricos hoje em dia, em função de essa palavra ser atribuída a algo que não tem mais utilidade, que está ultrapassado. E apesar da conotação que a palavra “velho” possui, hoje em dia é possível de se perceber velhos com mais sede de viver do que muitos jovens. Segundo Goldfarb (apud SANTANA, 2008), o envelhecimento está ligado à consciência da finitude, que se instaura ao longo da vida nas diferentes experiências de proximidade com a morte. Se existe algo comum entre todos os seres humanos, independente de classe social, estado civil, preferência sexual, religião, é o envelhecimento (a não ser que não se consiga manter vivo para chegar a esta fase do desenvolvimento), e a morte. Segundo Santana (2008), ao levar-se em consideração a sociedade na qual estamos (que tem medo e nega a morte), não é de se surpreender que a morte desejada pela maioria das pessoas que chegam a velhice é aquela que ocorre durante o sono, uma morte natural, inconsciente, sem dor. A dor e a dependência do outro seja em função de uma condição física e/ou mental, são as coisas mais temidas pelo idoso, evidenciando-se que em muitos casos a pessoa prefere a morte – acabando realmente a tentar - a ficar nessa condição, por se sentir impotente, por sua auto-estima ter praticamente se acabado, e principalmente por achar que está causando muito incômodo a todos a sua volta. 45 Segundo Kovács (2005), as estatísticas da OMS, indicam um aumento significativo no número da população idosa em todo o mundo. Entretanto a preocupação que se tem por parte dos estudiosos dessa área é que apesar do prolongamento da vida não está ocorrendo uma preocupação com qualidade de vida da mesma. Ainda Kovács (2005, p. 4), conclui que “do ponto de vista social, muitos idosos são obrigados a continuar trabalhando mesmo depois de aposentados, amargando grandes dificuldades financeiras, depois de trabalhar praticamente durante toda a vida”. Sabe-se que o idoso paga por sérias conseqüências em continuar mantendo um ritmo que não é mais coerente com sua condição física, psicológica e espiritual. Em função de uma sobrecarga o idoso pode adoecer e até mesmo morrer. Kovács e Vaiciunas (2008), constataram que em função do grande número de perdas sofridas nesse período, as pessoas idosas podem acabar ampliando sua busca espiritual. Papalia (2006), reforça a colocação anterior, ao dizer que a fé, a crença em Deus, e o apego por uma religião, são considerados pelo idoso grandes aliados para o enfrentamento da morte. O medo da morte assim como nas outras fases do desenvolvimento humano, aparece fortemente nesse período a ponto que enquanto alguns se entregam e esperam por ela, outros aproveitam a vida e principalmente alguns privilégios que possuem por terem conquistados sua aposentadoria, por não precisarem mais trabalhar, e pela preocupação com os filhos ter diminuído. Segundo Erikson (apud PAPALIA, 2006), o idoso ao invés de se render ao desespero pela incapacidade de reviver o passado de forma diferente, deve se esforçar para obter um senso de coerência e integridade. 46 As pessoas que são bem sucedidas nessa tarefa final de integração, adquirem um senso de ordem e significado de sua vida na ordem social mais ampla, do passado, do presente, e do futuro. A virtude que pode desenvolver-se durante esse estágio é a sabedoria, uma preocupação informada e imparcial com a própria vida diante da própria morte (ERIKSON apud PAPALIA, 2006, p. 707). Nessa fase o ser humano frente a novas configurações de sua vida, e tendo que admitir suas limitações e mudar sua visão frente ao mundo e as possibilidades, algumas vezes se entrega ao desespero, e em outras tenta resignificar sua vida, através da espiritualidade. Segundo Kovács (2002), a busca por um sentido de vida é uma busca que se torna privilegiada a partir de um a determinada fase da vida, que é a chamada de terceira idade. Nessa fase da vida o ser humano fica com mais possibilidades de escolha na medida em que suas responsabilidades diminuem. Por fim a partir de Kovács e Vaiciunas (2008) compreende-se que a maior preocupação do idoso é a distanásia que nada mais é que o prolongamento do processo de morrer, com muito sofrimento, envolvendo tratamentos, cujos benefícios são significativamente menores, do que os sofrimentos que provocam. O idoso tem medo da dor, medo de perder sua autonomia, medo de ser reduzido a “problema para os outros”, e principalmente de ter a morte como assombramento permanentemente. O idoso quer ser ouvido, amado e compreendido, e respeitado assim como nas outras etapas do desenvolvimento. 3.6 Morte e transcendência Afinal de contas o que acontece com o ser humano quanto este morre? Esta é uma pergunta que todas as pessoas se fazem, a partir do momento que compreendem a morte como um fenômeno irreversível. 47 Segundo Weil (1999), o ser humano por vezes durante sua existência se questiona em relação aos seus afazeres, e se realmente compensa se sacrificar e trabalhar, ou invés de fazer as coisas que gosta, tal pensamento se caracteriza àqueles que acham que com a morte tudo acabará. Segundo D’Assumpção (1991), “para se compreender a morte é necessário se compreender a vida”. E com isso ela quis dizer que a pessoa precisa ter um sentido na sua vida, precisa perceber em “essência” qual o sentindo de sua existência, e destaca-se justamente a palavra essência para salientar que esta não está ligada ao apego às pessoas e as coisas, mas sim a uma felicidade verdadeira. Weil (1999), destaca algo importante a respeito da morte, segundo ele, o ser humano não se dá conta que no seu processo de desenvolvimento ele sofre várias mortes, iniciando-se no momento que deixa de ser um embrião para se tornar um feto, depois quando deixa de ser um feto e através do nascimento se torna um ser humano, quando deixa de ser criança e se torna um adolescente, observando suas várias modificações corporais e mentais, etc. Ainda segundo Weil (1999), existem três teorias as quais os seres humanos podem crer, a primeira diz que com a morte nada mais resta, que tudo que é vivo tem um começo e um fim, e que todas as funções organísmicas são resultantes do funcionamento fisiológico. Ou seja, a vida começa no nascimento, e termina com a morte. Na segunda teoria (intermediária), a morte é vista como parcial, por se considerar que apesar de a morte cessar qualquer atividade humana (corporal, psíquica, e espiritual), as idéias e feitos em vida continuam influenciando sobre outras pessoas, exemplo disso, são os livros, obras de arte e teorias. 48 E por fim a terceira teoria a qual será adotada nesse trabalho, advinda da quarta força da psicologia, chamada transpessoal. Esta acredita que a existência é provisória, porém a vida é eterna, como se a morte do indivíduo fosse apenas uma metamorfose, a qual o corpo energético abandona o corpo físico, assim como uma lagarta se transforma em borboleta. Segundo França e Montanari (2008), “existe uma energia vital que organiza e anima o corpo físico, cuja ausência, pelo fenômeno da morte, provoca a desagregação celular, e a conseqüente dissipação cadavérica”. Os mesmo autores ainda dizem que a origem desta energia ou o destino dela após a morte, é melhor explicada pelo âmbito religioso do que cientifico. A tese da morte como metamorfose sustenta que “o corpo físico do ser humano serviria de laboratório ou sistema de transformação e criação de outro ser de densidade energética mais refinada e imperceptível aos cinco sentidos, o ser psíquico” (WEIL, 1999, p. 105). O ser humano, portanto, transforma energia material em energia psíquica, sendo o instrumento desta transformação. Weil (1999), explica que no universo existe energia em forma de matéria, que é transformada pelas plantas em energia vital. O homem a transforma em energia mental, psíquica ou de consciência. Estas energias podem ser melhores explicadas através dos chakras11, que são níveis mais refinados de energia. Com isso entende-se que o grande obstáculo para se obter consciência desses níveis mais refinados de energia, são os apegos do ego, que vive sua existência na ilusão do espaço-tempo. Para ocorrer uma evolução para níveis mais refinados de energia o ser humano precisa se desapegar do seu ego e mergulhar no 11 Chakras: significa roda, campo, ou círculo energético. Temos em nosso corpo inúmeros destes centros ou níveis energéticos; eles existem em potencial mas podem ser ativados mediante uma evolução resultante, em geral, de um trabalho sobre nós mesmos. 49 seu self individual, que não é nada mais que o self universal, representado dentro de cada um de nós. E o self é o responsável por deixar o corpo físico na hora da morte. Do ponto de vista da transpessoal, não há a preocupação de se ficar evitando proposições sobrevivencialista da consciência, pelo contrário, está-se questionando fatos e pesquisando fenômenos que evidenciem esta sobrevivência, tanto com procedimentos científicos para o estudo da consciência, quanto na experiência vivida das pessoas ou nos ensinamentos das grandes tradições místicas (FRANÇA E MONTANARI, 2008, p. 94). Portanto não há porque se evitar isso, quando se adota um modelo holístico12 da natureza humana, estudando o ser humano de maneira totalizante e integradora, ao invés de um modelo fragmentado como se fez até bem pouco tempo atrás. Ao considerar o ser humano como bio-psiquico-social-espiritual, a psicologia consegue entendê-lo de forma total. Kubler-Ross, passou sua vida a estudar a morte e o morrer (WEIL, 1999), e contribui imensamente para esse campo não somente por ter descoberto que o ser humano passa por algumas etapas antes de morrer (Choque, negação, revolta, barganha, depressão, e aceitação), as quais serão detalhadas no próximo capítulo, como também por ter observado em centenas de entrevistas realizadas com pacientes terminais, que a morte é apenas uma passagem para um outro modo de viver. Sua pesquisa baseava-se em testemunho de pessoas que tiveram experiências chamadas de quase-morte, as quais saíram de seus corpos, ou tiveram visões de seres em outra dimensão. Segundo Weil (1999, p. 106), “a própria KublerRoss, teve uma experiência desta que a convenceu definitivamente da inexistência da morte”. 12 Modelo Holístico: enfoque global, interdisciplinar, em que tudo é considerado: os métodos experimentais e experienciais, racionais e intuitivos, descritivos e especulativos. 50 D’Assumpção (1991), cita um psiquiatra norte-americano Raymond Moody, o qual desenvolveu uma pesquisa com pacientes que tiveram a chamadas morte clínica13, e pessoas que sofreram de acidentes gravíssimos, com perda mais ou menos longa de consciência. E constatou que estes, independentemente de religião e credos, tiveram experiências as quais depois de alguns zunidos para uns, músicas para outros, sabiam contar exatamente quais foram os procedimentos tomados pelo médico para reanimá-los, sem contar que em algumas situações sabiam até contar parte de conversas que ocorreu entre as pessoas que estavam ali naquele momento, e podiam atravessar paredes, e objetos. Weil, (1995), ressalta que o fenômeno de experiências de sair do corpo não ocorre somente com pacientes terminais ou reanimados, mas também com pessoas que passaram por sessões de relaxamento profundo, meditação, sono e o sonho, em alguns casos de psicoses, sob efeito de drogas, estados estes chamados de alterados de consciência. Ainda segundo Weil (1995), aquilo que denominamos de morte corresponde a uma mudança de estado de consciência, iguais àquelas observadas nas experiências chamadas “saída do corpo”. Com a diferença de que com a morte ocorre uma transformação de energia que forma diferentes sistemas, percebidos por que continua vivo como inexistentes. Assim com as experiências de saída do corpo, e a da visão de seres em outra dimensão por pessoas ainda vivas nesse plano, é forçoso reconhecer que os dois tipos de vivencia se completam no sentido de reforçar a hipótese de sobrevivência e continuidade da vida emocional, mental e espiritual, depois da transformação do corpo físico, a qual chamamos de morte (WEIL, 1999, p. 112). 13 Morte Clínica: paralisação da função cardíaca e da função respiratória. 51 Portanto acredita-se a partir da visão transpessoal, que as pessoas que tiveram a oportunidade que vivenciar experiências de consciência cósmica (Ex: Nirvana, EQM), ou seja, experimentaram a morte em vida, e obtiveram a aprendizagem dessa passagem. Quando a morte acorreu de fato, que a pessoa precisou deixar o corpo físico, não sentiu dificuldades em dar este salto visto que já havia dado, num processo de morte e renascimento na própria existência individual. Por fim, tal capítulo tinha como objetivo elucidar alguns aspectos emergentes em psicologia, relacionados à morte e ao morrer já que esses são um dos enfoques deste trabalho, além de também querer mostrar a importância de perceber o ser humano de uma perspectiva mais integral e totalizante. 52 4 MORTE, PSICOLOGIA E ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO Até então se falou muito sobre morte e morrer, sobre a visão de morte da sociedade contemporânea ocidental, sobre a visão de morte relacionada às fases do desenvolvimento humano, sobre o sentido de vida e de morte, sobre a visão de morte de algumas religião/crenças, sobre a morte e transcendência, e principalmente sobre a importância de compreender o ser humano em todas as suas dimensões (corporal-psiquico-socio-espiritual). Tal compreensão se faz importante tanto durante a vida como também, quando a pessoa está sob eminência de morte. Portanto, tal capítulo falará sobre as estratégias de enfrentamento utilizadas pelos moribundos, assim como as estratégias desenvolvidas por profissionais da área da saúde a fim de compreender o ser humano nesse processo de transição em sua completude, atendendo as suas necessidades mais essenciais. Kubler-Ross (1998), já citada em outros capítulos, assim como Ana Catarina Elias – psicóloga brasileira – responsável por desenvolver o método de “Relaxamento, imagens mentais, e espiritualidade” (RIME), nos elucidarão que a muito já está ocorrendo uma preocupação com a humanização dos tratamentos nos hospitais. Visto que os hospitais a partir do século XX se tornaram os locais designados ao atendimento dos moribundos, será apresentado algumas modificações em relação ao manejo da dor bem como o desenvolvimento dos cuidados paliativos, mostrando a importância do profissional de psicologia como integrante das equipes multiprofissionais hospitalares. 53 4.1 Atitudes diante da morte e do morrer segundo Kubler Ross Segundo Kovács (2002), Kubler-Ross foi a grande revolucionária do século XX, por ter demonstrado em suas práticas hospitalares a importância de ouvir os pacientes nas suas necessidades, como seres humanos. Kubler-Ross, percebeu que a melhor forma de compreender o processo de morrer, para poder ajudar de uma forma mais eficaz, era pedindo que seus pacientes em fase terminal fossem seus professores. Com isso Kubler-Ross (1998), constatou que os pacientes terminais dependem muito do conforto verbal ou não verbal, do médico, e sentem-se encorajados ao saber que se fará todo o possível, se não para prolongar a vida, ao menos para aliviar seu sofrimento. Salientando que o alívio do sofrimento está relacionado aos cuidados humanos por parte não só do médico como também, dos demais responsáveis por isso, e da própria veracidade do prognóstico. Por exemplo: se uma paciente aparece com um caroço na mama, um médico atencioso deve prepará-la para um eventual tumor maligno e dizer-lhe, que uma biopsia irá revelar a natureza real do tumor. Segundo Kubler-Ross (apud, KOVÁCS, 2002), o problema não está em contar ou não para um paciente sobre ele ter uma doença grave, mas sim em como fazer isso. Tal tarefa consiste em transmitir o diagnóstico, e ao mesmo tempo dar acolhida e esperança, dar informação quanto aos procedimentos que serão realizados, e principalmente garantir a presença freqüente do médico. Segundo Kubler- Ross (1998, p. 199), “o informe sobre tempo de vida que dispõe é algo dispensável visto que geralmente não é correto e traz angústias desnecessárias”. 54 Segundo Kubler-Ross (apud KOVÁCS, 2002), o paciente ao receber o diagnóstico, até a sua morte, passa por cinco estágios os quais serão elucidados a seguir, não esquecendo de frisar que tais estágios não são regras ao se considerar que muitos moribundos acabam morrendo sem ter vivenciado todos. No primeiro estágio ocorre o que Kubler-Ross nomeou de negação e isolamento, que é quando o paciente recebe a notícia de uma doença terminal e normalmente se expressa com frases do tipo: “Não pode ser comigo”. Típica da crença ocidental de achar que a morte nunca será comigo, não encarando ela o tempo todo. A negação funciona como um pára-choque depois de noticias inesperadas e chocantes, deixando que o paciente se recupere com o tempo, mobilizando outras medidas menos radicais. Isso não significa, entretanto, que o paciente não queira ou não se sinta feliz e aliviado em poder sentarse mais tarde com alguém e poder conversar sobre sua morte próxima (KUBLER-ROSS, 1998, p. 44). Comumente a negação não acontece por muito tempo, sendo substituída logo por uma aceitação parcial. Após esta fase vem o segundo estágio chamado de Raiva, que é quando a negação é substituída por um sentimento de raiva, de revolta, inveja e de ressentimentos. Segundo Kubler-Ross (apud KOVÁCS, 2002), os pacientes terminais que passam por esta fase normalmente se questionam com perguntas do tipo: por que eu? Nessa fase do tratamento visitas tanto da equipe cuidadora quanto da família podem ser uma tarefa muito difícil, por despertarem nestes o sentimento de culpa. Entender a raiva e facilitar sua expressão é a melhor forma de ajudar o paciente. Passando a fase da raiva o paciente entra no terceiro estágio chamado de barganha, que se caracteriza por um retrocesso a fase infantil de comportamento quando a criança passa a se comportar bem para alcançar o que deseja. A 55 barganha normalmente está relacionada à crença em Deus, pedindo a ele que caso se comporte melhor, será atendido em seu pedido, e determinados pedidos são feitos geralmente em silêncio. Kubler-Ross (1998), salienta a importância de tal estágio na e medida que tais promessas de melhoras de comportamentos, possam estar ligadas a alguns aspectos de culpas relacionadas ao surgimento da doença. O paciente frente a ter de se submeter a novas cirurgias, hospitalizações, começa a apresentar novos sintomas, e torna-se mais debilitado e magro, não podendo mais esconder a doença. Surge então o quarto estágio denominado por Kubler-Ross de Depressão, o qual alheamento, estoicismo, raiva e revolta cederão lugar a um sentimento de grande perda. Perda em relação ao corpo, as finanças, a família, ao emprego, a capacidade de realizar certar atividades profissionais e de lazer (KUBLER-ROSS, 1998). Segundo a autora é um estado de preparação para a perda das coisas, que precisa ser respeitado. O papel dos cuidadores nessa situação, é deixar o paciente se expressar em relação aos seus sentimentos e não contrapor a eles. “Cabe diferenciar um momento de depressão, ainda ligado a uma reação contra a doença, e este estágio, que é a elaboração de um luto de perdas que já foram vividas” (KUBLER-ROSS apud KOVÁCS, 2002, p. 200). Por fim, o paciente que tiver tido tempo necessário (isto é que não tiver tido uma morte súbita e inesperada), e tiver recebido alguma ajuda para superar todo o seu processo conforme foi visto até então, chegará ao estágio de Aceitação. O paciente que chegou a esta fase, após ter realizado a despedida dos seus seres queridos, por vezes se manifesta com uma grande tranqüilidade. 56 Segundo Kubler-Ross (1998), o paciente nessa fase caracteriza-se por se parecer desligado, dorme não mais como uma fuga, mas como um repouso, antes da grande viaje. É importante, segundo a mesma autora, que os profissionais identifiquem quando se trata de uma desistência precoce de luta contra a doença e a morte, porque ainda há vida, diferente de um paciente que realizou sua trajetória tendo chegado ao fim com paz. 4.2 Preparando para a morte: o método RIME Hoje com o início de um novo milênio, uma mudança significativa está ocorrendo quanto aos paradigmas14 que norteiam o conhecimento científico, evidenciando-se uma profunda modificação de idéias e percepções de mundo. A base da ciência clássica é o pensamento racional, cartesiano, dual e reducionista, ainda adotados por muitos. Em contraposição a um modelo que é emergente chamado de nova ciência, que iniciou-se no século XX, decorrente de descobertas importantes no campo da física, biologia, psicologia, e medicina, baseando-se num pensamento circular, monista e sistêmico (ELIAS; GIGLIO, 2001). A partir disso uma série de pesquisas começaram a ser desenvolvidas dando abertura, a novas concepções de ser humano e aos fenômenos que o envolvia. Com o crescimento de terapias alternativas, focadas a uma visão mais integral de ser humano, a OMS, colocou na orientação dos princípios básicos que devem nortear um programa de cuidados paliativos, o princípio de integrar ao tratamento médico tradicional aspectos psíquicos e espirituais. 14 Paradigma: Segundo Kuhn, é um conjunto de crenças que são aceitas durante um determinado período de tempo pela comunidade cientifica. 57 Segundo Elias e Giglio (2002), a partir do século XX, pesquisas abordando a importância da inclusão da Espiritualidade nos tratamentos médicos convencionais e dando suporte para a ampliação da visão de ser humano para uma abordagem bio-pico-social e espiritual, começaram a ser publicadas, no cenário internacional da área médica. Saunders (apud ELIAS E GICLIO, 2001), formulou um conceito de Dor Total, o qual abrange o sofrimento físico, social, espiritual, mental e financeiro do paciente, incluindo também o sofrimento dos familiares e da equipe médicohospitalar. Elias denomina de Dor Simbólica da Morte, a Dor Psíquica e a Dor Espiritual identificadas. Operacionalizamos o conceito de Dor Psíquica como o medo do sofrimento e o humor depressivo, representado por tristezas, angústias e culpas frente às perdas, e o conceito de Dor Espiritual como o medo da morte e do pósmorte, idéias e concepções em relação à espiritualidade, sentido da vida e da morte, e culpas perante Deus (ELIAS apud ELIAS E GIGLIO, 2001, p. 24). Ana Catarina Elias – psicóloga brasileira - em 1998, desenvolveu a intervenção RIME (Relaxamento, Imagens Mentais e Espiritualidade), quando começou a trabalhar com crianças e adolescentes com câncer em fase terminal, e observou sofrimento psicológico e espiritual importante nesses doentes. A idéia de Espiritualidade adotada por este método de intervenção é compreendida como a relação do indivíduo com uma área mais transcendental de sua psique e as mudanças resultantes dessa meditação, e a vivencia do amor incondicional, obtida por meio dos relatos das pessoas que tiveram as ditas experiências de quase-morte (JUNG apud ELIAS; et al., 2007). 58 Elias ao buscar um método que pudesse amenizar a dor desses doentes, por sincronicidade, descobriu relatos de Kubler-Ross e Mood Jr, que observavam que após as pessoas passarem por EQM, haviam minimizado o seu medo da morte. Segundo Elias, et al (2007), Elias logo teve um insight e induziu a visualização dos elementos descritos por estes doentes que vivenciaram as EQM a crianças e adolescentes que se encontravam na fase fora de possibilidades de cura, começando a delinear a intervenção RIME. Tal intervenção foi desenvolvida por Elias em sua dissertação de mestrado, a qual teve como público alvo, mulheres adultas com câncer terminal. Tendo por objetivo re-significar a dor simbólica da morte, se enquadrando no modelo de psicoterapia breve, que visa a recuperação do equilíbrio homeostático, que se expressa no alivio dos sintomas. Os sintomas são a dor psíquica, e a dor espiritual. As técnicas de visualização foram propostas por dissociação, sugestão direta, e sugestão indireta. Segundo Carvalho (apud, ELIAS E GIGLIO, 2002), a dissociação permite que o paciente foque seu pensamento em outro tempo e espaço diferente do tridimensional no qual está inserido. Por meio da sugestão indireta, podia-se induzir o paciente a focar sua atenção em imagens mentais, tranqüilas, prazerosas, revigorantes, a partir de suas preferências e escolhas. Enquanto que pela sugestão direta, podia-se fazer afirmações aos pacientes por meio de imagens ou citações as quais têm por finalidade ajudar a acabar com a dor, o sofrimento e o medo. Sessões de orientação familiar devem ser realizadas de forma complementar a aplicação dessa intervenção psicoterapêutica com o objetivo de oferecer um espaço para os familiares falarem sobre a doença e a morte do paciente, relatarem sua visão sobre a dor simbólica da morte deste, e receberem orientação sobre uma possível forma mais adequada de conduta que eles, parentes, possam oferecer para o paciente, nessa fase de cuidados paliativos (ELIAS E GIGLIO, 2002, p. 118). 59 Portanto através do método RIME, os pacientes terminais têm ainda em vida a chance de se conscientizar de sua transformação de ser físico, em ser espiritual de forma serena e digna. Miller (apud, ELIAS E GIGLIO, 2001), em uma entrevista com mais de 200 sacerdotes, e líderes espirituais, constatou que a jornada pós-morte pode ser subdividida em quatro etapas as quais serão explicadas a seguir. A primeira chama-se Espaço de espera, se referindo à transformação do ser físico em espiritual. A segunda é a Fase de julgamento, na qual a vida do indivíduo é julgada como também avaliada o destino do espírito. Na terceira, chamada de Reino das possibilidade, o espírito desfruta de seu julgamento ou se submete a ele, passando a existir nas paragens do pós-morte. E por fim a quarta etapa, o Retorno ou Renascimento, momento em que o espírito retorna a vida em um novo corpo ou então se junta ao todo universal. Cabe salientar que tais etapas foram apresentadas com a finalidade de explicar que o RIME, assemelha-se a primeira, ao tentar criar o cenário mental de um mundo espiritual belo e reconfortante para a pessoa que está sobre iminência de morte (ELIAS; GIGLIO, 2001). Tal método de intervenção foi utilizado por Ana Catarina Elias também em sua tese de doutorado como treinamento para profissionais da área da saúde, percebendo-se que tanto os profissionais quanto os pacientes na maioria das vezes, responderam positivamente a aplicação desta intervenção. Outro dado relevante segundo (ELIAS et al., 2007), é que a re-significação da dor espiritual acontece de forma processual, constatando-se que apesar de não se padronizar um intervalo de tempo entre as sessões, os pacientes referem piora 60 de bem-estar quando os intervalos são maiores, sugerindo-se assim, que estes ocorram o mais breve possível, dentro das condições e possibilidades do doente. 4.3 Espiritualidade e religiosidade como estratégias de enfrentamento Como pode-se perceber no sub-capítulo anterior, o método RIME, é um grande exemplo de como na atualidade já está ocorrendo uma atenção em termos de cuidados paliativos ao se considerar o se humano em sua integridade. O Capítulo presente, portanto, objetiva abranger esse conhecimento ao se apresentar como a espiritualidade e a religiosidade estão sendo consideradas como grandes aliadas às estratégias de enfrentamento, para pessoas que estão sofrendo com eminência de morte. A atenção ao aspecto da espiritualidade se torna cada vez mais necessário as praticas de assistência à saúde, sendo que cada vez mais a ciência se curva frente a grandeza e a importância que a espiritualidade tem para compreensão do ser humano como integral. O ser humano sempre está em busca de se completar, e a transcendência se torna a essência do ser na medida em que este se percebe perto do fim. Em cuidados paliativos, perguntamos ao paciente o que ele considera importante realizar nesse momento de sua vida, e trabalhamos com o controle dos sintomas. Buscando conferir ao paciente todas as condições necessárias para as suas realizações nesse momento singular. E a dimensão da espiritualidade torna-se realmente de grande importância (PERES et al., 2007, p. 2). Portando entende-se a espiritualidade em cuidados paliativos como o alicerce para o movimento da transcendência, ajudando na busca pelo significado de tal fenômeno, a morte. Segundo Lawler e Youger a espiritualidade e o envolvimento 61 em religiões organizadas podem proporcionar aumento do senso de propósito e significado da vida, que são associados a maior resiliência e resistência ao estresse relacionado às doenças (apud PANZINI; BANDEIRA, 2007). Outra evidencia significativa sobre a importância da espiritualidade e da religiosidade para o bem estar físico e psicológico, foi a inclusão da categoria “problemas religiosos e espirituais”, como uma categoria diagnóstica inserida no DSM-IV, reconhecendo que os temas religiosos e espirituais podem ser o foco da consulta e do tratamento psiquiátrico/psicológico (PERES; SIMÃO; NASELLO, 2007). Segundo Peres et al (2007), numerosos estudos apontam fatores nãobiológicos, como o suporte social e as estratégias de enfrentamento (coping), como fundamentais na percepção de dor dos pacientes. Estes também evidenciaram, que emoções negativas como depressão e ansiedade correlacionam-se também com piora na percepção da dor de cada indivíduo. Coping, segundo Stroppa e Moreira-Almeida (2008 p. 3), “pode ser melhor definido, como o conjunto de estratégias utilizadas por uma pessoa para se adaptar a circunstâncias de vida adversas ou estressantes”. E assim aliviar a sua dor seja ela originada por quaisquer dimensões humanas. As estratégias de coping pressupõem avaliação cognitiva do fenômeno estressante, podendo ser classificadas, segundo sua função, como estratégias focadas na emoção (dirigidas a regulação da resposta emocional), ou estratégias focadas no problema (ações práticas dirigidas à solução do evento estressor). Pargament (apud PANZINI; BANDEIRA, 2007), autor de referência no tema, diz que quando as pessoas se voltam para religião para lidar com o estresse acontece o coping religioso, que é o uso de crenças e comportamentos religiosos 62 para facilitar a resolução de problemas, e prevenir ou aliviar conseqüências emocionais negativas de situações de vida estressantes. Em outras definições o coping religioso descreve o modo como os indivíduos utilizam sua fé para lidar com o estresse e os problemas da vida, ressaltando-se que a fé pode incluir religião, espiritualidade ou crenças pessoais. Embora os termos religião e espiritualidade em muitos estudos ainda se apresentem como sinônimos, cabe aqui, ressaltar que Stroppa e Moreira-Almeida fizeram uma distinção entre espiritualidade, religião e religiosidade. Segundo Koenig, espiritualidade é uma busca pessoal pela compreensão das questões últimas acerca da vida, do seu significado, e da relação com o sagrado, e o transcendente, podendo ou não conduzir ou originar rituais religiosos e formação de comunidades. Hufford [...], diz que espiritualidade se refere ao domínio do espírito, ou seja, a dimensão não material, extrafísica da existência que pode ser expressa por termos como: “Deus, ou Deuses, almas, anjos e demônios”, se refere a algo invisível e intangível que é a essência da pessoa (apud, STROPPA; MOREIRA-ALMEIDA, 2008, p. 3). A religião para Koenig, é a um sistema organizado de crenças, práticas, rituais, e símbolos com a finalidade de facilitar a proximidade com o sagrado e o transcendente. E para Hufford, é um aspecto institucional da espiritualidade, sendo as religiões organizadas em cima da idéia de espírito (apud, STROPPA; MOREIRAALMEIDA, 2008). E, por fim, a religiosidade que nada mais é que, o nível de envolvimento religioso e o reflexo desse envolvimento na vida da pessoa, o quanto isso influencia no seu cotidiano, seus hábitos, e em sua relação com o mundo (STROPPA; MOREIRA-ALMEIDA, 2008). Segundo os mesmos autores a religiosidade pode se manifestar de duas formas, sendo a primeira intrínseca na qual o indivíduo tem na religião o seu bem maior. E outras necessidades são vistas como de menor importância, e na medida 63 do possível, vão sendo colocadas em harmonia com sua orientação e crença religiosa. E a manifestação extrínseca que é quando a religiosidade é utilizada como meio para obter outros fins ou interesses, para proporcionar segurança, consolo, sociabilidade, distração, status e auto-absolvição. A primeira manifestação de religiosidade normalmente está associada à personalidade e a um estado mental saudável. Com isso, apesar da religiosidade e da espiritualidade normalmente estarem associadas a melhoria da qualidade de vida, existe alguns casos os quais os indivíduos podem se prejudicar mais por causa principalmente de suas religiões, como por exemplo: ao se culparem por alguma situação ou por não conseguirem dar o perdão a si mesmos ou a outras pessoas. Com o intuito de identificar tais questões e comprovar a eficiência da utilização da espiritualidade e da religiosidade como estratégias de enfrentamento, já que tantos pacientes demonstram a importância de trabalhar tais esferas (PERES et al., 2007). Pargament (apud STROPPA; MOREIRA-ALMEIDA, 2008) e colaboradores elaboraram uma escala de coping religioso e espiritual, para avaliar os aspectos de coping positivos e de coping negativos, apresentados pelos pacientes. Segundo Stroppa e Moreira-Almeira, muitos dos trabalhos realizados nas últimas décadas sugerem que religiosidade e espiritualidade podem ter um impacto significativo sobre a saúde física. Isso se faz tanto como recurso de prevenção em pessoas saudáveis quanto de coping por pessoas enfermas. Por outro lado, crenças e atividades religiosas extremada podem produzir efeitos negativos sobre a saúde de uma pessoa, como proibição de vacinas, medicamentos, transfusões de sangue etc. (STROPPA; MOREIRA-ALMEIDA, 2008, p. 6). 64 Segundo Peres et al (2007), em 1999 foi realizada uma pesquisa por Steinhauser, a qual avaliou percepções do paciente, da família, dos médicos e de outros profissionais e voluntários, questionados sobre a importância de 44 atributos de qualidade de cuidados no final da vida. Foram acatados somente 26 questionários os quais consideraram em unanimidade, o controle da dor e de outros sintomas, preparação para a morte, atingir um senso de plenitude, ser capaz de tomar decisões sobre os tratamentos propostos, e ser tratada como uma pessoa da maneira mais completa possível, como questões importantes ao tratamento dos pacientes enfermos. Porém, ocorreram discrepâncias com significativa estatística sobre espiritualidade, sendo esta considerada pelo paciente, como os aspectos mais importantes, enquanto que para os médicos e os demais profissionais da saúde, como algo irrelevante. O que acabou caracterizando que muitos profissionais da saúde “perdem uma excelente oportunidade de avaliar os aspectos espirituais do paciente, por interpretarem ou pré-julgarem essa dimensão do cuidado como muito abstrata ou utópica” (PERES et al., 2007, p. 8). Portanto entende-se como de suma importância que os profissionais da saúde estejam alertas quanto às necessidades dos pacientes e quanto as suas abordagens frente a eles e a família, ao se perceber a relevância do trabalho com cuidados paliativos e a integração do alívio entre a dor física, emocional, e espiritual, seja a última dimensão trabalhada por intermédio religioso ou não. Sendo importante destacar que não somente é importante cuidar da dor crônica e física para então poder cuidar das questões emocionais e espirituais, como também averiguar se o agravamento de determinado quadro clínico não esteja 65 ocorrendo em função das dimensões emocionais e espirituais serem as responsáveis por tal quadro. Por fim, pode-se compreender por meio deste sub-capítulo que a equipe cuidadora multiprofissional hospitalar, encontra-se frente a uma mudança de paradigma em relação aos cuidados paliativos, ao se considerar o quanto os trabalhos envolvendo a espiritualidade e a religiosidade é eficaz, principalmente para os pacientes, quando são bem encaminhados pelos profissionais responsáveis. 4.4 Morte e Psicologia Hospitalar Com o passar dos tempos e frente ao contexto atual da sociedade contemporânea a qual em sua grande maioria ainda não sabe lidar com a morte por ter medo, e negá-la, existe uma corrente humanista que a pouco tempo está lutando por tratamentos o quais consideram os seres humanos como integrais, nas instituições de saúde, e principalmente nos hospitais. Tal corrente segundo Junqueira e Kovács (2008), objetiva a formação de cursos que abordem o tema morte e morrer e a habilidade em lidar com pessoas sobre eminência de morte, bem como todos os envolvidos nesse processo. E também a inclusão do tema morte nas cadeiras universitárias dos cursos da área da saúde (medicina, enfermagem, psicologia, nutrição, dentre outros). Segundo Peres, Simão e Nasello, (2007, p. 10), também se faz necessário, [...] o reconhecimento da espiritualidade como componente essencial da personalidade e da saúde por parte dos profissionais; esclarecer os conceitos de religiosidade e espiritualidade com os profissionais; incluir a espiritualidade como recurso de saída na formação dos novos profissionais; adaptar e validar escalas de espiritualidade/religiosidade à 66 realidade brasileira e treinamentos específicos [...] para a área medica e psicológica. Para a psicologia se dará uma ênfase especial ao compreender o quanto tal área tem se desenvolvido em relação a suas práticas, verificando-se que com o passar dos tempos e principalmente hoje com esta corrente mais humanista em termos de cuidados paliativos, e estratégias de enfrentamento, evidenciou-se o crescimento do multidisciplinares número ou de psicólogos interdisciplinares como nos componentes hospitais, das originando equipes a nova especialização de psicologia hospitalar. Cabe aqui enfatizar, que apesar do crescimento do número de profissionais da psicologia atuando nessa área, o número ainda é relativamente inferior à quantidade de médicos e enfermeiros compondo as equipes multidisciplinares dos hospitais (FOSSI; GUARESCHI, 2004). Segundo Gorayeb (2001, p. 1), o papel do psicólogo hospitalar é essencial para “apoiar o paciente, esclarecê-lo, informá-lo, levar a equipe a se relacionar efetivamente com ele, dar-lhe todas as informações sobre aspectos específicos de sua patologia e de seu prognóstico”. Favorecendo a uma harmonia tanto a equipe cuidadora, quanto a saúde do paciente. Ainda o mesmo autor, ressalta a importância de o psicólogo lidar bem com questões sobre a sua própria morte para então saber lidar com pacientes terminais. Cabe aqui salientar que esta não é a única função do psicólogo hospitalar – lidar com a terminalidade – mas que por o tema deste trabalho ser a morte, tal prática será a enfocada. Segundo Fossi e Guareschi (2004), a profissão da psicologia, assim como outras que estão ganhando espaço no âmbito hospitalar, ainda sofre com um 67 processo de quebra de paradigmas, por em muitos casos o modelo biomédico tradicional ser o vigente. Tal modelo impede e limita o trabalho dos profissionais da psicologia, bem como de outras áreas, sem contar o quanto ainda ocorre relações de saber poder, o que acaba por interferir muito tanto ao tratamento do paciente quanto ao próprio relacionamento de uma equipe profissional cuidadora que deveria trabalhar interdisciplinarmente. Kovács (2005), cita o quão importante se faz para as equipes multidisciplinares dos hospitais discussões relacionadas a morte e ao morrer, a chamada bioética, que discute temas como eutanásia, distanásia, suicídio assistido, sedação, analgesia, bem como a falta de qualidade de vida dos doentes e pacientes que estão sobre eminência de morte. Os locais por excelência para este tipo de discussão são os hospitais, já que é o cenário principal de mortes, por vezes com muito sofrimento e dor, e profissionais que se sentem perdidos sobre como lidar com o fim da vida e a aproximação da morte. A supervisão de casos difíceis pode servir como base para esses encontros de bioética. Além dos hospitais, fóruns de discussão de bioética podem ser propostos nas universidades, escolas e demais instituições de saúde e educação (KOVÁCS, 2005, p. 7). A educação para a morte, é uma das teclas em que a autora Kovács (2005), insiste muito ao perceber que grande parte dos problemas que ocorrem na atualidade relacionados a saúde e a doença, se dão pelas pessoas não saberem lidar com a morte. Por sorte percebe-se um movimento crescente por parte de muitos profissionais da saúde em investir em pesquisas e desenvolver métodos para que tal questão seja tratada com mais habilidade por parte de educadores e profissionais da saúde. Segundo Gorayeb (2001, p. 9), “em todas as áreas do conhecimento é imprescindível uma adequada atuação calcada no conhecimento e na eficiência”. 68 Portanto para que se possa construir uma profissão de respeito junto aos outros profissionais da área da saúde, cabe ao psicólogo hospitalar produzir cada vez mais e melhor, solucionar problemas, criar modelos, e produzir melhorias de qualidade de vida. Nesse sentido é responsabilidade intransferível dos hospitais e principalmente dos universitários, produzir conhecimentos calcados em atividades de pesquisa que venham a revelar as melhores maneiras de atuação em cada circunstancia (GORAYEB, 2001). Quando os hospitais universitários brasileiros produzirem um conjunto ordenado de conhecimentos sobre a ação dos psicólogos nos hospitais, essa classe profissional não precisará mais disputar seu lugar nesse espaço de trabalho. E será assim solicitada a estar sempre presente, participando ativamente na atenção diferenciada e integral a saúde dos usuários desse serviço de saúde. 69 5 CONCLUSÃO Esta pesquisa procurou compreender a relação entre a morte, psicologia e estratégias de enfrentamento, verificando-se a importância da percepção do ser humano como integral (bio-psiquico-socio-espiritual), pelos cuidadores da área da saúde, e em especial pelo psicólogo hospitalar. Também, observou-se o quanto a espiritualidade e a religiosidade estão se apresentando positivamente, quando utilizadas como estratégias de enfrentamento em casos de terminalidade, tanto pelas equipes cuidadoras quanto pelos próprios pacientes terminais. Para a construção deste trabalho a acadêmica realizou estudos acerca de temas como: Teologia, Filosofia Iogue, Psicologia Humanista (Logoterapia) de Viktor Frankl, Psicologia do Desenvolvimento, Tanatologia, Psicologia Transpessoal, Física Quântica, Religiosidade, Espiritualidade e Psicologia Hospitalar, proporcionando uma pesquisa bibliográfica interdisciplinar, para uma melhor revisão e compreensão do tema, e para a construção dos capítulos. Como se pode perceber ao longo do trabalho, temas como a morte e a transcendência sempre mobilizaram a humanidade, a qual em tempos remotos vivia em sua busca constante, através das conquistas cotidianas, de um sentido de vida. Tal sentido com o passar dos tempos foi se perdendo na medida em que o acesso a tudo se facilitou em função da tecnologia, e em que os objetivos de vidas foram se tornando padrões e confundidos até mesmo com o próprio sentido de vida. Viktor Frankl, ao tratar brilhantemente sobre o sentido de vida, percebeu que o ser humano possui uma dimensão noética, a qual simboliza a espiritualidade imaculada, ou seja, o Deus vivo dentro de cada pessoa. Ficando tal dimensão 70 evidenciada em algumas situações, quando o ser humano passa por estresse intenso, como no caso desse psiquiatra durante o holocausto. Tal dimensão humana apresenta-se muito nas práticas religiosas, como no Cristianismo, no Espiritismo Kardecista e no Budismo, como expressão de fé em algo superior chamado de Deus, ou qualquer nome referenciado, representando este ser superior que é algo onisciente e onipresente. Esta dimensão espiritual, no entanto, é compreendida pela psicologia transpessoal, como a capacidade que os seres humanos têm de ampliar seus estados de consciência e transcenderem, ou seja, é a capacidade que a consciência humana tem de ultrapassar os limites corpóreos. Sendo que tais práticas são evidenciadas tantos nas meditações iogues, quanto nas experiências ditas como saída do corpo. Em tais situações, a ampliação da consciência acontece em decorrência da formação da dimensão espiritual, a qual é mais bem explicada através da energia vital, a qual compõe todos os seres humanos e que segundo Weil (1995), abandona o corpo físico quando ocorre a morte. Segundo o mesmo autor, com a morte acorre a transformação de energia que forma diferentes sistemas, percebidos por quem continua vivo como inexistentes. Com isso através de estudos realizados por Kubler-Ross, e Raymond Moody, com pacientes terminais, acerca das experiência de saída do corpo, e mais especificamente das experiências de quase morte. Novas perspectivas em termos de cuidados paliativos e estratégias de enfrentamento foram possibilitadas ao se perceber a gama se estudos acerca da inclusão da espiritualidade e da utilização da religiosidade como meio para despertar a mesma, estão sendo desenvolvidos e publicados. 71 Ana Catarina Elias, psicóloga brasileira, ao desenvolver seu método RIME, mostrou a importância de utilizar as experiências de quase morte, a incorporação das estratégias de enfrentamento na medida em que se utilizou dos relatos de experiências de visualizações, percepções auditivas, e sonoras, para induzir seus pacientes terminais a terem as mesmas percepções, podendo assim, se prepararem para a morte e diminuir sua dor psíquica e espiritual. O trabalho de Ana Catarina Elias, demonstra o quanto a psicologia se mostra importante ao integrar as equipes multidisciplinares e interdisciplinares dos hospitais, por se compreender que tais instituições são responsáveis por lidar com a morte com maior freqüência, e ao considerar que dados profissionais, têm muito a contribuir em relação aos cuidados paliativos e a criação de estratégias de enfrentamento. O Psicólogo hospitalar ao considerar-se como componente de uma área emergente, apresenta-se como um profissional que precisa ter responsabilidade, assim como em outras áreas de trabalho, para obter o respeito e a credibilidade nessa nova área de atuação. Realizando não somente suas práticas com seriedade como também, pesquisas com qualidade podendo demonstrar que suas práticas são bem embasadas. Por fim acredita-se que a psicologia hospitalar, bem como o trabalho com os pacientes terminais de uma forma mais humanizadora, continuará a se desenvolver ao se perceber o quanto os profissionais da área da saúde e em especial da área da psicologia, então preocupados em quebrar antigos paradigmas e buscar formações universitárias que não somente considerem relevantes a morte e morrer, como também ensinem de forma significativa tais processos. 72 Com isso, percebe-se como de extrema importância dado trabalho, bem como a continuação de pesquisas referentes a ele e a novas práticas que venham a somar cada vez mais para uma corrente que humaniza o atendimento dos serviços hospitalares, para que então um dia, a morte deixe de ser tão temida e passe a ser enfrentada como mais uma fase da transformação vital. 73 RERERÊNCIAS ALVES, Ruben. Fora da Beleza Não Há Solução. Isto É. São Paulo, (v. 1629), (dez/2000), (p. 31-33). 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