UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS ADMINISTRATIVAS, CONTÁBEIS, ECONÔMICAS E DA COMUNICAÇÃO CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS LUCIANE BRENTANO CANEPPELLE SISTEMA DE CUSTOS PARA UMA PROPRIEDADE RURAL: PRODUÇÃO LEITEIRA TRÊS PASSOS (RS) 2012 LUCIANE BRETANO CANEPPELLE SISTEMA DE CUSTOS PARA UMA PROPRIEDADE RURAL: PRODUÇÃO LEITEIRA Trabalho de Conclusão de Curso apresentado no Curso de Ciências Contábeis da UNIJUI, como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Ciências Contábeis. . Profª Orientadora: Ms. Eusélia Paveglio Vieira TRÊS PASSOS (RS) 2012 AGRADECIMENTOS Agradeço aos meus pais, Nestor e Júlia, pelo amor, respeito, carinho e pelo incentivo que sempre me deram para seguir em frente. Aos meus irmãos, Fernando e Felipe, pelo amor. Ao querido Giordano, pelo apoio, ajuda, carinho e compreensão. Obrigada por tudo! À minha querida orientadora professora Eusélia, pela paciência, dedicação e compreensão durante todos esses anos, que não foram poucos. Pela verdadeira mestre que é, transmitindo sua sabedoria e experiência. A todos os meus colegas e amigos que fiz durante esses sete anos. Pela amizade, carinho, aprendizados trocados. Por tornar mais fácil e prazerosa as longas viagens a Ijuí. Aos professores do curso de Ciências Contábeis, pelo ensinamento, e dedicação, nestes anos. A todos que torceram por mim, que contribuíram de uma forma ou de outra para esta formação. Muito obrigada a todos! “Ainda que eu fale todas as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor sou como o bronze que soa ou o sino que retine... mesmo que tivesse toda a fé a ponto de, transportar montanhas, se não tiver amor, não serei nada.” Apóstolo Paulo 4 LISTA DE QUADROS Quadro 1: quantidade/mês de litros de leite vendidos...............................................52 Quadro 2: Custo da silagem por hectare e por animal...............................................54 Quadro 3: Custo com pastagem de verão .................................................................55 Quadro 4: Custo da pastagem de inverno..................................................................57 Quadro 5: Custos Diretos Variáveis por litro de leite .................................................58 Quadro 6: Custo com mão de obra............................................................................60 Quadro 7: Custos Indiretos Variáveis ........................................................................61 Quadro 8: Custo com depreciação ............................................................................63 Quadro 9: Custo Indireto Fixo por Litro .....................................................................64 Quadro 10: Custo Total por Litro (método absorção) ................................................65 Quadro 11: Custo Total por Litro pelo Custeio Variável.............................................66 Quadro 12: Receita Liquida por Litro..........................................................................68 Quadro 13: Receita Líquida recebida.........................................................................69 Quadro 14: Demonstração de resultado – Valor Unitário..........................................70 Quadro 15: Demonstração de resultado – Valor Total...............................................71 Quadro 16: Ponto de Equilíbrio..................................................................................72 Quadro 17: Margem de Segurança Operacional (MSO) ...........................................73 5 LISTA DE GRAFICOS E FIGURAS Figura 1: Fluxograma do processo de produção leiteira ...........................................51 Figura 2: Quantidade/mês de litros de leite vendido .................................................52 Figura 3: Custo da Silagem de Milho por Hectare .....................................................55 Figura 4 : Custo da Pastagem de verão por hectare..................................................56 Figura 5: Custo Direto Variável (CDV) Por Litro.........................................................59 Figura 6: Custo indireto Variável por litro(CIV) Por Litro ...........................................62 Figura 7: Média do custo total pelo método de custeio por absorção…………….….65 Figura: 8: Média do custo total pelo método variável…………………………………..67 Figura 9: Margem de contribuição unitária.................................................................70 Figura 10: Resultado Final.........................................................................................72 Figura11: Quantidade vendida x quantidade no PE...................................................74 Figura 12: Margem de Segurança Operacional.........................................................75 6 SUMÁRIO INTRODUÇÃO.............................................................................................................8 1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESTUDO ..................................................................9 1.1.1 Área de Conhecimento Contemplada .....................................................9 1.1.2 Caracterização da Organização...............................................................9 1.1.3 Problematização do Tema .....................................................................10 1.1.4 Objetivos.................................................................................................11 1.1.4.1 Objetivo Geral...................................................................................11 1,1.4.2 Objetivos Específicos........................................................................12 1.1.5 Justificativa ....................................................................................12 1.1.6 Metodologia do Trabalho ....................................................................13 1.1.6.1 Classificação da Pesquisa...................................................................13 1.1.6.2 Plano de Coleta de Dados...................................................................16 1.6.2.1 Instrumento de Coleta de Dados.........................................................16 1.1.6.3 Plano de Análise e Interpretação dos Dados......................................17 2 REVISAO BIBLIOGRAFICA...................................................................................18 2.1 Contabilidade ..............................................................................................18 2.1.1 Origem e evolução da contabilidade .....................................................18 2.1.2 Conceitos de contabilidade....................................................................20 2.1.3 Objeto da contabilidade..........................................................................21 2.1.4 Funções e objetivos da contabilidade....................................................22 2.1.5 Usuários e seu campo de atuação.........................................................22 2.2 Contabilidade rural e contabilidade agropecuária........................................23 2.2.1 Conceitos................................................................................................23 2.2.2 Objeto e finalidades ...............................................................................24 2.2.3 Objetivos.................................................................................................25 2.3 Contabilidade de custos...............................................................................26 2.3.1 Origem e evolução da contabilidade de custos .....................................26 2.3.2 Conceitos de contabilidade de custos....................................................27 2.3.3 Objetivos da contabilidade de custos.....................................................27 2.3.4 Objetos da contabilidade de custos........................................................28 2.4 Terminologia aplicada à contabilidade de custos ........................................28 2.4.1 Desembolso............................................................................................29 2.4.2 Gastos.....................................................................................................29 2.4.3 Custos.....................................................................................................30 2.4.4 Despesas................................................................................................31 2.4.5 Perdas.....................................................................................................31 2.4.6 Desperdício.............................................................................................32 2.4.7 Investimento............................................................................................32 2.5 Princípios fundamentais aplicados à Contabilidade de Custo....................33 2.6 Classificação dos custos.............................................................................34 2.6.1 Custos diretos.........................................................................................35 2.6.2 Custos indiretos......................................................................................35 2.6.3 Custos fixos............................................................................................36 2.6.4 Custos variáveis...........................................................................................37 2.7 Custos com materiais diretos.......................................................................38 2.8 Custos com Materiais indiretos....................................................................39 7 2.9 Custos patrimoniais: depreciação................................................................39 2.10 Custos com mão de obra...........................................................................40 2.10.11 Custos com Mão de Obra Direta........................................................40 2.10.2 Custo com Mão de Obra Indireta.........................................................41 2.11 Custos indiretos de produção.....................................................................41 2.11.1 Departamentalização............................................................................41 2.12 Métodos de custeio....................................................................................42 2.12.1 Método de custeio variável ou direto....................................................42 2.12.2 Custeio por absorção ...........................................................................44 2.13 Análise custo x volume x lucro...................................................................45 2.13.1 Formação do preço de venda...............................................................46 2.13.1 Margem de contribuição.......................................................................46 2.13.2 Ponto de equilíbrio...............................................................................47 2.13.3 Margem de segurança.........................................................................48 3 ANÁLISE DO CUSTO, VOLUME E RESULTADO DA PRODUÇÃO LEITEIRA: Estudo de caso.........................................................................................................49 3.1 Descrição do Processo de Produção ..................................................................49 3.2 Levantamento dos Custos com Materiais ...........................................................52 3.3 Cálculos do Custo com Mão- de- obra ................................................................58 3.4 Apurações dos Custos Indiretos ..........................................................................59 3.5 Cálculos do Custo Total ......................................................................................63 3.5.1 Custo Total – Método de Custeio por Absorção ...............................................64 3.5.2 Custo Total – Método de Custeio Variável .......................................................65 3.6 Análises do Custo x Volume x Resultado.............................................................66 3.6.1 Análise do Preço de Venda ..............................................................................66 3.6.2 Margem de Contribuição ..................................................................................68 3.6.3 Ponto de Equilíbrio ...........................................................................................71 3.6.3 Margem de Segurança Operacional ................................................................72 3.7 Análises de Resultados .......................................................................................74 CONCLUSÃO............................................................................................................76 REFERÊNCIAS..........................................................................................................78 8 INTRODUÇÃO A Contabilidade de Custos tem por objetivo organizar, analisar e interpretar os custos dos produtos. Tendo o papel de auxiliar o gestor no processo de tomada de decisão, organizando os dados para apurar os custos de produção. Tendo em vista que o produtor não intervém no preço de venda do leite, é essencial o desenvolvimento de um sistema de custos na propriedade leiteira, para que o produtor seja capaz de avaliar os custos de produção, tendo um controle mais preciso dos seus gastos, sendo útil na análise da margem de contribuição e do ponto de equilíbrio dentre outros indicadores importantes, visualizando os pontos positivos e os negativos para o gerenciamento de suas atividades. A propriedade em estudo não possui um sistema de custos adequado para auxiliar em seu gerenciamento. Em vista disso foi necessário desenvolver um sistema que auxilie na gestão, mostrando qual a real situação da propriedade e objetivando assim um aumento dos resultados. Sendo assim, o objetivo desse trabalho se constituiu em propor um sistema de custo, que apure os custos de produção, analisando os resultados e a viabilidade da atividade leiteira em uma propriedade rural de médio porte. O primeiro capitulo do relatório, apresenta a contextualização do estudo, onde foi contemplada a área de conhecimento, a problematização, a caracterização do campo estudado, o objetivo geral e específicos, a justificativa e os procedimentos metodológicos. No capítulo seguinte trata-se da revisão bibliográfica, onde se buscou embasamento teórico em diversos autores sobre temas relacionados à contabilidade geral, contabilidade de custos e contabilidade rural. Na seqüência foi desenvolvido o estudo aplicado, onde foi realizado na propriedade, desde o levantamento do processo de produção de leite, até a composição do custo de produção e das análises dos resultados. Finalmente o relatório apresenta a conclusão e a bibliografia utilizada na realização do mesmo. 9 1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESTUDO Este capítulo apresenta os componentes básicos para a elaboração do Trabalho de Conclusão do Curso, desde a definição do tema, problema, objetivos, justificativa e a metodologia que foi utilizada na sua realização. 1.1.1 Área de Conhecimento Contemplada Na Ciência Contábil as áreas de atuação são diversificadas e oferecem possibilidades, dentre elas a Contabilidade de Custos, que tem por objetivo gerar as informações, servindo de instrumento no gerenciamento de qualquer atividade. Este trabalho foi realizado na área Contábil, focando a Contabilidade de Custos na atividade rural, especificamente na produção leiteira, tendo em vista que o produtor não tem participação na formação do preço de venda do leite, auxiliando o proprietário a gerenciar suas atividades. 1.1.2 Caracterização da Organização O estudo foi realizado em uma propriedade rural de médio porte, que está localizada na região celeiro do Rio Grande do Sul, no interior da cidade de Crissiumal. Esta é administrada por um proprietário com ajuda de mais dois funcionários que são responsáveis pelo manejo do rebanho e de todos os trabalhos relacionados ao campo. A propriedade possui 30 hectares de terra própria, 70 ha de terra arrendada, sendo dois hectares destinadas a infra-estrutura (moradia, dois galpões, estrebaria, potreiro) e três hectares de mata virgem. O proprietário trabalha com diversos tipos de sementes, dependendo da estação do ano. No Inverno a produção agrícola é dividida, sendo que cerca de 40 hectares são plantados com aveia para pastagem dos animais e o restante é cultivado com trigo, principalmente para manter o solo fértil e limpo. No verão a quantidade de pastagem plantada é reduzida para cinco hectares, porém são cultivados em média 25 hectares de milho para silagem e 60 há 10 de soja. Porém há rotação de culturas, sendo que há épocas em que o produtor opta por plantar mais milho para silagem em prejuízo da produção de grãos. Em média, a produção diária total de leite produzido pelas vacas é de 1800 litros de leite, onde o proprietário estabeleceu dois turnos de ordenha, um pela manhã e um ao entardecer. O leite é recolhido todo dia por um caminhão granel até os tanques da empresa BOM GOSTO, que encaminha o mesmo para as indústrias de laticínios. A propriedade possui atualmente 68 vacas em lactação, das quais 64 são da raça Holandesa, e quatro são da raça Jersey. Há ainda 84 animais que subdividem-se entre vacas secas, novilhas prenhas e terneiras. A alimentação dos animais é composta por silagem, ração, feno e pastagem. Os bezerros que nascem na propriedade apenas permanecem se forem fêmeas, sendo que os machos são descartados pelo produtor, que os doa a outros produtores. Não há bois na propriedade, e a inseminação é feita artificialmente pelo próprio produtor, com a utilização de sêmen de alta qualidade genética. 1.1.3 Problematização do tema A contabilidade de custos é uma importante ferramenta de gestão nas organizações, pois oferece os dados para a medição dos resultados, gerando informações para o melhor gerenciamento por parte do empresário rural, que por meio dela é possível avaliar qual a melhor decisão a ser tomada. É muito importante avaliar o desempenho de uma propriedade que trabalha com a produção leiteira, já que o preço de venda não pode ser calculado pelo produtor. É possível avaliar o seu funcionamento, calcular quais os gastos, o custo da mão de obra, as decisões a serem tomadas para que se possa alcançar, os objetivos desejados com mais eficiência, explorando as tecnologias que possibilitam aumentar o desempenho da produção. Sendo assim, toda e qualquer propriedade rural precisa ser vista como um empreendimento e gerenciada como tal, necessitando de um sistema de custos que possa dar suporte ao produtor, principalmente na atividade leiteira, onde o preço de venda já está dado, e o produtor precisa gerenciar os seus custos para buscar o 11 melhor resultado. Na grande maioria dos casos os produtores menores não utilizam nenhum instrumento de gestão ou controle de custos, fazendo com que os mesmos tomem decisões precipitadas que acabam danificando e desequilibrando toda a produção por falta de informações. Uma enorme dificuldade encontrada pelo produtor é a instabilidade do preço de venda do leite, que varia mensalmente, fazendo com que, quem produz mais, ganhe mais, ou seja, quanto maior o volume produzido, maior será o valor pago por litro. O custo da produção do leite envolve cálculos que precisam de muita atenção e no Brasil são poucos os produtores que tem conhecimento dos custos que envolvem a produção. Um bom sistema de custos pode auxiliar o produtor a aumentar o resultado da produção leiteira, obtendo informações úteis para o gerenciamento e planejamento e assim possibilitando mais rentabilidade para seu negócio. Diante desse aspecto, questiona-se: Qual é a contribuição do desenvolvimento de um sistema de custos na análise da relação custo, volume e resultado da produção leiteira? 1.1.4 Objetivos Conforme Vergara (2009) o objetivo é um resultado a ser alcançado, ele dá resposta ao problema. 1,1.4.1 Objetivo Geral Propor um sistema de custos para a propriedade em estudo, apurando os custos que envolvem a produção leiteira, a margem de contribuição e o ponto de equilíbrio auxiliando na análise da relação custo, volume e resultado, visando a gestão. 12 1,1.4.2 Objetivos Específicos Revisar a bibliografia referente à contabilidade de custos com enfoque na atividade rural, sistemas de custeio, análise custos, volume e resultado; Analisar a relação do custo, volume e resultado. Descrever o processo da produção leiteira; Levantar os custos da produção do período; Apurar os custos utilizando o custeio por absorção e custeio variável; 1.1.5 Justificativa Apresentando uma grande importância para economia brasileira, o leite é um dos produtos mais importantes da agropecuária brasileira, conforme pesquisas realizadas pela Embrapa (2002). Surgiu o interesse em realizar o estudo do custo da produção do leite, sendo que o produtor não tem participação na formação do preço de venda. A agricultura e a pecuária juntamente com a atividade rural tem suma importância na atividade econômica do país, merecendo um olhar especial dos profissionais da área contábil. Tanto a propriedade de pequeno, quanto a propriedade de grande porte necessitam de acompanhamento gerencial para que o produtor possua em mãos dados confiáveis para a tomada de decisão e o acompanhamento, visando melhorias no seu negócio. Nesse sentido, a contabilidade de custos é fundamental para o planejamento, o gerenciamento e principalmente para auxiliar na tomada de decisão. Por meio desse estudo o gestor tem disponível as informações necessárias para controlar e gerenciar todas as despesas e receitas, possibilitando a ele avaliar os resultados obtidos. Sendo assim, este estudo, possibilitou ao produtor informações úteis, analisando a viabilidade da produção em sua propriedade e o gerenciamento da 13 atividade leiteira de forma segura, auxiliando na tomada de decisão, obtendo dados claros e confiáveis. Para o curso de Ciências Contábeis da UNIJUI, este trabalho fica disponível como base de estudos e pesquisa aos alunos, à sociedade e a quem possa vir a estudar custos na produção leiteira. A escolha deste tema possibilitou a acadêmica, ampliar os conhecimentos da área contábil, especialmente no que tange à aplicação dos conceitos de custos estudados durante o curso em um caso real. Desta forma, torna-se possível a solidificação daquilo que foi objeto de estudos durante a graduação, em especial o que se refere a custos. 1.1.6 Metodologia do Trabalho Este tópico apresenta a classificação da pesquisa realizada, o método no qual o trabalho está fundamentado. 1.1.6.1 Classificação da Pesquisa Conforme Vergara (2007), a pesquisa se divide em dois critérios, quanto aos fins e quanto aos meios. E conforme Gil (2010), pode-se também classificar o estudo segundo a área de conhecimento, a afinidade, o nível de explicação e os métodos adotados. Na metodologia, foram utilizados conceitos e práticas relacionadas à contabilidade rural e de custos, com enfoque na área leiteira. a) Do Ponto de Vista da sua Natureza A pesquisa exposta neste estudo classifica-se como aplicada, pois tem a finalidade de resolver os problemas no local estudado pelo pesquisador, conforme 14 citado por Vergara (2004, p. 47), “a pesquisa aplicada é fundamentalmente motivada pela necessidade de resolver problemas concretos, mais imediatos, ou não”. Portanto, essa pesquisa se classifica como aplicada porque estudou a melhor alternativa para propor um sistema de custeio que apure os custos de produção da atividade leiteira da propriedade, proporcionando informações sobre os custos de produção e também sobre indicadores de resultado, como margem de contribuição e ponto de equilíbrio. b) Do Ponto de Vista de seus Objetivos Do ponto de vista de seus objetivos, a pesquisa se classifica como exploratória, descritiva e explicativa. As pesquisas exploratórias têm como principal finalidade desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e idéias, tendo em vista, a formulação de problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis para estudos posteriores. De todos os tipos de pesquisa, estas são as que apresentam menor rigidez no planejamento. Habitualmente envolvem levantamento bibliográfico e documental, entrevistas não padronizadas e estudos de caso (GIL, 1999, p.43). Conforme Vergara (2007), a pesquisa exploratória é desempenhada onde existe pouco conhecimento acumulado e sistematizado, assumindo a forma de pesquisa bibliográfica, documental e estudos de caso. Assim sendo, a pesquisa efetuada na propriedade rural escolhida para este estudo pode ser denominada como exploratória, já que o conhecimento nela demonstrado é predominantemente empírico e praticamente não documentado. Também pode-se enquadrar a pesquisa como descritiva, pois esta tem por objetivo descrever as características de certa população e estudar as características de um grupo, podendo utilizar-se de técnicas de coletas de dados como o questionário e a observação sistemática (GIL, 2010). A pesquisa explicativa, conforme o mesmo autor, tem como principal objetivo identificar os fatores que colaboraram para o acontecimento dos fenômenos, aprofundando os conhecimentos, explicando os porquês das coisas. Para Gil (2010, 15 p.28) “o conhecimento cientifico está assentado nos resultados oferecidos pelos estudos explicativos”. Assim sendo, este trabalho se propôs a estudar a propriedade rural, como forma de exploração e documentação do conhecimento, para então, após a coleta dos dados por meio de entrevistas e observação, aprofundar o conhecimento. c) Do ponto de Vista dos Procedimentos Técnicos Neste estudo foram utilizados livros e artigos publicados sobre o assunto. Por este motivo, este trabalho se classifica como uma pesquisa bibliográfica, documental, de levantamento de dados e estudo de caso. Segundo Gil (2010) a pesquisa bibliográfica é elaborada a partir de material já publicado como livros, jornais e revistas. “A principal vantagem da pesquisa bibliográfica reside no fato de permitir ao investigador a cobertura de uma gama de fenômenos muito mais ampla do que aquela que poderia pesquisar diretamente’’ (GIL, 2010, p.30)”. Conforme Vergara (2004, p. 48): Investigação documental é realizada em documentos conservados no interior de órgãos públicos e privados de qualquer natureza, ou com pessoas: registros, anais, regulamentos, circulares, ofícios, memorandos, balancetes, comunicações informais, filmes, microfilmes, fotografias, videoteipe, informações disquetes, diários, cartas pessoais e outros. Segundo Gil (2010), a pesquisa por levantamento é a interrogação das pessoas sobre o tema em estudo, onde o principal objetivo é conhecer o comportamento das mesmas. Dessa forma, este trabalho coincide com o conceito de Gil, já que se utilizou da interrogação direta das pessoas envolvidas na atividade. E finalmente se classifica como estudo de caso, pois “consiste no estudo profundo e exaustivo de um ou poucos objetos, de maneira que permita seu amplo e detalhado conhecimento” (GIL, 2010, p.37). 16 d) Quanto à forma de abordagem do problema A pesquisa classifica-se como qualitativa, conforme Minayo (1993, p. 21): Aprofunda-se no universo dos significados, motivos, dos valores e das atitudes. Esse conjunto de ações humanas é entendido como parte da realidade social, onde o ser humano através de suas atitudes possa pensar e interpretar suas ações a partir da realidade vivida e compartilhar a experiência com seus semelhantes. 1.1.6.2 Plano de Coleta de Dados Segundo Lakatos e Marconi (1990) O Plano de coleta de dados pode ser alcançado de três maneiras: pesquisa documental, pesquisa bibliográfica e contato direto. A coleta de dados foi baseada e fundamentada por meio de estudos teóricos, através de pesquisa bibliográfica e documental. Foram realizadas visitas na propriedade, acompanhada de entrevistas despadronizadas com o propósito de entender o processo da produção, levantamento dos custos, e assim propor um sistema de custos para a propriedade. 1.6.2.1 Instrumento de Coleta de Dados São as formas utilizadas no processo de coleta de dados, para realizar o estudo. Observação: De acordo com Lakatos e Marconi (1990, p. 79), “a observação é uma técnica de coleta de dados utilizada para se obter informações, mas não é apenas da maneira em ver e ouvir as coisas, mas também de analisar os fatos e fenômenos que almejam ser estudados.” Uma das formas de observação utilizada nesse trabalho foi a de maneira sistemática, onde sem meios técnicos especiais os fatos são registrados e 17 recolhidos, sendo uma experiência causal, mas registrando os dados necessários da pesquisa científica (LAKATOS e MARCONI, 1990). Também foram utilizadas as técnicas de observação não participante, que é quando o pesquisador presencia o fato, mas não participa dele; observação individual, realizada pelo pesquisador. Entrevista: é a maneira com que o pesquisador se apresenta ao investigado fazendo-lhe perguntas. É onde o pesquisador quer coletar as informações e o investigado apresenta a fonte das mesmas (GIL, 1999). A pesquisa foi realizada com entrevistas despadronizadas, que, de acordo com Marconi e Lakatos (1996, p. 85): Na entrevista despadronizada ou não estruturada o entrevistador tem a liberdade para desenvolver cada situação em qualquer direção que considere adequada. É uma forma de poder explorar mais amplamente uma questão. Em geral, as perguntas são abertas e podem ser respondidas dentro de uma conversação informal. 1.1.6.3 Plano de Análise e Interpretação dos Dados A análise e apresentação dos dados da pesquisa foram realizadas por meio dos tópicos relacionados na seqüência: a) Consolidações teóricas; b) Levantamento dos custos da produção leiteira; c) Estruturação de um sistema de custo; d) Análise dos custos, volume e resultado do produto; e) Proposição de soluções para os problemas porventura identificados. 18 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA A elaboração da revisão bibliográfica teve como finalidade fundamentar a área em estudo para melhor compreensão e aprofundar o conhecimento relacionado com o tema por meio da teoria, na leitura de artigos e livros, baseando-se em diversos autores. 2.1 Contabilidade Neste item são apresentados conceitos de contabilidade, sua evolução, objetivos, objetos, funções, origem e campo de atuação. 2.1.1 Origem e evolução da Contabilidade A Contabilidade passou a existir a partir do momento em que as pessoas sentiram a necessidade de medir e controlar aquilo que possuíam. A história da contabilidade, caminha junto com a história da civilização humana e veio ao longo do tempo evoluindo e desenvolvendo novas e mais aprimoradas técnicas. Conforme Sá (apud BASSO, 2011, p.19), “a história da Contabilidade nasce com a própria civilização, em uma espontânea forma de ter conhecimento sobre as utilidades ou riquezas que o homem ia acumulando”. Conforme os estudos de Sá apud Basso (2011) as origens da contabilidade se classificam em seis fases: fase dos registros primitivos, fase dos registros simples, fase dos registros complexos, fase dos registros sistematizados, fase dos estudos pré-científicos, e a fase da doutrina científica e filosófica do conhecimento contábil. O primeiro período é marcado pelas três primeiras fases e conhecida como a “Contabilidade do Mundo Antigo” que começa na pré-história e se estende até o ano de 1202 d.C. Nessa época, na França, foi comprovado a existência na forma primitiva os registros contábeis feitos em grutas de pedras com identificação de objetos, quantidades e animais, demonstrando os controles patrimoniais estudados pelos homens primitivos (BASSO, 2011). 19 Segundo Iudícibus apud Basso (2011), o limite entre a Contabilidade Antiga e a Contabilidade Moderna, foi marcada na Itália, com a publicação de um livro, contendo informações sobre calculo empresarial, de Leonardo Fibonacci, intitulado de “Liber abaci”. O segundo período vai de 1202 a 1494 da era cristã, marcada pela quarta fase denominada de “Sistematização Contábil.” Buscando um método vigoroso de escrituração, o frade Luca Pacioli demonstrou como sistema de escrituração adequado para o controle do patrimônio, o “Método das Partidas Dobradas”, onde a cada débito deverá ter um lançamento de crédito correspondente. Para Basso (2011) esse método consiste em que cada débito corresponda a um crédito equivalente, ou seja, para cada lançamento de crédito, haverá um lançamento de débito. Para o mesmo autor, o terceiro período, é denominado de período da “Literatura Contábil” que vai de 1494 a 1840, onde foram lançados diversos livros, explanando o conhecimento contábil e a evolução das tecnologias de registros, tudo isso provocada pela revolução Industrial, obra do desenvolvimento comercial e industrial. Nessa época começaram a aparecer escolas vinculadas ao pensamento contábil, como a Escola Contista, desenvolvendo a “Teoria das Cinco Contas” apontando cinco principais objetivos para o comércio: Dinheiro, Mercadorias, Efeitos a Pagar, Efeitos a Receber e Lucros e Perdas. Surgindo também, até o ano de 1840, as escolas Personalística, a Neocontista, a Controlística, a Aziendalística e a Patimonialística. O quarto período começa a partir do ano de 1840 e é marcado pela quinta fase, denominada de período da “Contabilidade Científica”, foi quando os estudiosos da área descobriram o verdadeiro objeto de estudo, o patrimônio. Deixaram de focar nas formas de escrituração, e procuraram esclarecer os fatos, criando uma ciência que constitui leis, princípios e normas para controlar, registrar, observar e estudar o patrimônio. Nessa mesma época a Contabilidade foi firmada como ciência, ciência do controle econômico, dando início à era do “Controlismo” (BASSO, 2011). A partir do início do século XX, surge a escola Norte Americana, que se destacava na aplicação da contabilidade no campo operacional, apontando o início 20 da contabilidade no Brasil. Esse progresso foi fruto da globalização e da evolução das empresas. A contabilidade passou por vários processos de evolução, desde os registros feitos em pedras rústicas, até os mais complexos sistemas eletrônicos encontrados atualmente. A contabilidade está se modernizando cada vez mais, acompanhando as mudanças do mundo globalizado. Da antiga caneta de tinteiro para o mundo computadorizado, proporcionando agilidade para melhorar os resultados das entidades. Um dos grandes motivos para o seu desenvolvimento da contabilidade foi a necessidade de acompanhar sua evolução. O avanço da contabilidade está relacionado ao progresso econômico, institucional e social da sociedade, tendo seu ponto mais alto atingido nas economias de mercado (IUDÍCIBUS, 2003). Pode-se dizer que vivenciamos um novo período com evidências de grandes modificações na Contabilidade aplicada as organizações em geral em decorrência da adoção, legalização, normatização, e implantação no país das normas internacionais de Contabilidade. 2.1.2 Conceitos de Contabilidade A partir do contexto da evolução da Contabilidade apresentado no item anterior, desenvolveu-se os conceitos de Contabilidade. Para Herrmann Jr. (apud Basso 2011, p.25). Contabilidade é a ciência que estuda o patrimônio à disposição das aziendas, em seus aspectos estático e dinâmico e em suas variações, para enunciar, por meio de fórmulas racionalmente deduzidas, os efeitos da administração sobre a formação e a distribuição dos reditos. Franco conclui que contabilidade: É a ciência (ou técnica, segundo alguns) que estuda, controla e interpreta os fatos ocorridos no patrimônio das entidades, mediante o registro, a demonstração expositiva e a revelação desses fatos, com o fim de oferecer informações sobre a composição do patrimônio, suas variações e o resultado econômico decorrente da gestão da riqueza patrimonial (FRANCO, 1992, p.21). 21 Basso, entende que a Contabilidade é definida: como conjunto ordenado de conhecimentos, leis, princípios e métodos de evidenciação próprios, é a ciência que estuda, controla e observa o patrimônio das entidades nos aspectos quantitativo (monetário) e qualitativo (físico) e que, como conjunto de normas, preceitos e regras gerais, se constitui na técnica de coletar, catalogar e registrar os fatos que nele ocorrem, bem como de acumular, resumir e revelar informações de suas variações e situação, especialmente de natureza econômico-financeira e, complementarmente, controla, registra, e informa as situações impactantes de ordem socioambiental decorrentes de ações praticadas pela entidade no ambiente em que está inserida (BASSO, 2011, p.26). Nessa mesma linha de pensamento Franco (1992, p.19) define contabilidade “como arte, como técnica ou como ciência, de acordo com a orientação seguida pelos doutrinadores ao enquadrá-la no elenco das espécies do saber humano.” Franco (1992, p.19) também define a contabilidade sendo “um conjunto de conhecimentos sistematizados, com princípios e normas próprias, ela é, na acepção ampla do conceito de ciência, uma das ciências econômicas e administrativas”. A Contabilidade estuda a composição, variações e estados do patrimônio, o qual interage com o homem e a sociedade como um todo. Desta forma, podemos entender a Contabilidade como uma ciência social, do grupo das ciências econômicas e administrativas (BASSO, 2011). 2.1.3 Objeto da Contabilidade Conforme Basso (2011, p.27), “o objeto da contabilidade é o Patrimônio, geralmente constituído por um conjunto de bens, direitos e obrigações pertencentes a uma determinada entidade”. “O patrimônio, que a contabilidade estuda, analisa e controla, registrando e informando, através das demonstrações contábeis, todas as ocorrências nele verificadas” (FRANCO, 1992, p.20). Pode ser compreendido por dois aspectos, o qualitativo e o quantitativo. O qualitativo “considera bens, direitos e obrigações do ponto de vista da sua natureza” Basso (2011, p.27). Já o quantitativo considera o valor econômico e monetário dos elementos. 22 2.1.4 Funções e Objetivos da Contabilidade Seu objetivo de estudo é, pois, o patrimônio, e seu campo de aplicação o das entidades econômico-administrativas, assim chamadas aquelas que, para atingirem seu objetivo, seja ele econômico ou social, utilizam bens patrimoniais e necessitam de um órgão administrativo, que pratica os atos de natureza econômica e financeira necessários a seus fins (FRANCO,1992, p.19). Conforme Basso (2011, p.29) podem ser classificados como principais objetivos da Contabilidade: - controlar (física e monetariamente) os elementos patrimoniais e suas variações; - apurar os resultados decorrentes das variações ocorridas no patrimônio da entidade; - evidenciar a situação patrimonial, econômica e financeira da entidade, bem como suas tendências; - atentar para o cumprimento de normas, leis e demais dispositivos emergentes da legislação aplicável aos negócios da entidade; - fornecer informações sobre o patrimônio aos seus usuários, de acordo com suas necessidades. É para gerar informações úteis que o contabilista utiliza-se das funções acima relacionadas. Dessa forma, pode auxiliar no gerenciamento e no acompanhamento das organizações. Além disso, a Contabilidade vale-se dos seguintes princípios: - controlar o patrimônio da entidade física e financeiramente; - com todas essas funções relacionadas é que o contabilista pode gerar informações úteis para o acompanhamento das organizações e auxiliar no seu gerenciamento. Para que a entidade possua um controle e tenha as informações desejadas, a contabilidade possui os objetivos abaixo: - controlar (física e monetariamente) o patrimônio da entidade; - apurar os resultados decorrentes das variações ocorridas no patrimônio da entidade; - evidenciar a situação patrimonial, econômica e financeira da entidade, bem como as suas tendências; - atender o cumprimento das normas, leis e demais dispositivos emergentes da legislação aplicável aos negócios da entidade; - fornecer informações sobre o patrimônio aos seus usuários, de acordo com as suas necessidades (BASSO, 2005, p. 25). 2.1.5 Usuários e seu campo de atuação De acordo com Basso (2005, p. 26), os usuários da contabilidade “são as pessoas físicas ou jurídicas com interesse na Entidade, que se utilizam das informações contábeis desta para seus próprios fins, de forma permanente ou transitória”. 23 Assim sendo, usuários são aquelas pessoas que possuem algum interesse na empresa, e que se utilizam de informações para tomada de decisões, ou para terem em suas mãos informações contábeis que tornem possível identificar a saúde financeira da empresa, no intuito de garantir o retorno de seus investimentos, ou mesmo para averiguar se a empresa tem condições de honrar seus compromissos. Então se pode classificá-los em administradores, diretores, executivos, sócios, acionistas, instituições financeiras, fornecedores e mesmo clientes, além de autoridades governamentais de diversos níveis. Percebe-se, portanto, a importância que a informação contábil detém na sociedade em geral, posto que com o saudável crescimento da organização, os demais negócios da comunidade podem desenvolver-se através da circulação do capital e da geração de riqueza e renda. Quanto mais os capitais circulam na comunidade, mais as pessoas que ali vivem terão capital para comprar ou investir. Sá (2006) afirma que o conhecimento contábil é de imensa utilidade para toda a sociedade. Basso (2005) destaca o quanto é vasto o campo de atuação da contabilidade, classificando-a nos seguintes ramos: Contabilidade Comercial; Contabilidade Pública; Contabilidade Bancária; Contabilidade Rural Contabilidade de Construtoras; Contabilidade de Condomínios Contabilidade Industrial; Contabilidade de Cooperativas Contabilidade de Fundações; Contabilidade de Seguradoras; e Contabilidade Hospitalar. Devido à grande importância da contabilidade, podemos entender que a área contábil é um campo de trabalho muito fértil, e pode produzir muitas oportunidades de trabalho para estudantes formados na área, dada sua importância para qualquer tipo de organização. 2.2 Contabilidade Rural e Contabilidade Agropecuária Na seqüência, apresenta-se alguns conceitos de Contabilidade Rural e Agropecuária. 24 2.2.1 Conceitos Crepaldi (1998) define Empresa Rural como sendo uma unidade de produção onde exercem-se atividades agrícolas e/ou pecuárias com a finalidade de obter renda. Ele afirma, ainda, que a atividade pode ser desenvolvida de forma familiar ou patronal. Ou seja, o autor engloba no conceito de Empresa Rural tanto a pequena propriedade explorada pela família, quanto a grande propriedade que utiliza-se de mão de obra exclusivamente contratada. Por ser um instrumento que auxilia a tomada de decisões, é de fundamental importância a contabilidade Rural dentro de uma Empresa Rural, especialmente na execução das atividades e no controle operacional da empresa. Conforme Crepaldi (1998, p. 75), “a Contabilidade Rural é um dos principais sistemas de controle e informação das empresas rurais.” Contabilidade Rural é um instrumento da função administrativa que tem como finalidade: -controlar o patrimônio das entidades rurais; - apurar o resultado das entidades rurais; - prestar informações sobre o patrimônio e sobre o resultado das entidades rurais aos diversos usuários das informações contábeis (CREPALDI, 1998, p. 76). A Contabilidade Rural pode ser entendida como a Contabilidade Geral aplicada às empresas rurais, pois, de acordo com Marion (2006) há a contabilidade geral ou contabilidade financeira, que passa a denominar-se de acordo com a atividade praticada, e de acordo com o tipo de organização. 2.2.2 Objetos e finalidades A Contabilidade Rural provê informações úteis para gerenciar a atividade, reduzindo custos ou despesas. Sendo o Planejamento uma das finalidades da Contabilidade Rural (CREPALDI, 1998). Santos e Marion (1996, p. 43) descrevem que: um sistema de custos completo tem atualmente objetivos amplos e bem definidos, que refletem sua importância como ferramenta básica para a 25 administração de qualquer empreendimento, especialmente na agropecuária, onde os espaços de tempo entre produção e vendas, ou seja, entre custos e receitas, fogem à simplicidade de outros tipos de negócio, exigindo técnicas especiais para apresentação não dos custos, mas dos resultados econômicos do empreendimento. Crepaldi (1998) acredita que o patrimônio das entidades rurais é o objeto da Contabilidade Rural. Ora, se a Contabilidade Rural é um dos ramos da Contabilidade Geral, podemos dizer que as finalidades relacionadas à esta também aplicam-se àquela. As finalidades relacionadas à Contabilidade Rural, dessa maneira, são as seguintes: - orientar as operações agrícolas e pecuárias; - medir o desempenho econômico-financeiro da empresa e de cada atividade produtiva individualmente; - controlar as transações financeiras; - apoiar as tomadas de decisões no planejamento da produção, das vendas e dos investimentos; - auxiliar as projeções de fluxos de caixa e necessidade de crédito; - permitir a comparação da performance da empresa no tempo e desta com outras empresas; - conduzir as despesas pessoais do proprietário e de sua família; - justificar a liquidez e a capacidade de pagamento das empresas junto aos agentes financeiros e outros credores; - servir de base para seguros, arrendamentos e outros contratos; - gerar informações para a elaboração do Imposto de Renda (CREPALDI, 1998, p. 76). Ainda para Crepaldi (1998), a informação produzida pela Contabilidade Rural deve ser de caráter confiável, ágil, elucidativo e ainda ser uma fonte para tomada de decisão. Em outras palavras, o caráter das informações obtidas deve ser preciso e inspirar confiança; as informações devem ser apresentadas em tempo hábil para surtirem efeitos; e deve vir de encontro ao usuário da informação, de acordo com seu conhecimento, para que seja elucidativo. Assim, será uma fonte extremamente rica para que o administrador do patrimônio tome as melhores decisões possíveis. 2.2.3 Objetivos A seguir relata-se a definição dos principais objetivos da Contabilidade Rural conforme Crepaldi: A Contabilidade Rural, dentro do sistema de informações da Empresa Rural, auxilia sobremaneira na geração de informações para o planejamento e o 26 controle das atividades e, por conseguinte, sua estrutura, quer seja apresentação das informações quer seja no registro e avaliação, deverá atender a essa finalidade (CREPALDI, 2005, p. 85). 2.3 Contabilidade de Custos A contabilidade de custos preocupa-se em fornecer dados comparativos, controlar os custos, apurar o resultado e identificar o lucro, mas acima de tudo está voltada a tomada de decisão (SANTOS e MARION, 1996). Para que se possa entender melhor o assunto estudado, apresentamos, nesta parte, alguns conceitos de custos, especialmente dentro da atividade rural. 2.3.1 Origem e evolução da Contabilidade de Custos A contabilidade passou a existir a partir do momento em que as pessoas sentiram a necessidade de medir e controlar aquilo que possuíam. A contabilidade acompanha a história da civilização humana, registrando seus gastos e suas perdas. No inicio da atividade mercantil, a Contabilidade Geral supria as necessidades externas da empresa. Com o surgimento das indústrias, as necessidades foram crescendo e esta, já não era suficiente, pois não atendia as necessidades dos administradores que precisavam de informações confiáveis e um controle de seus custos (BOMFIM; PASSARELLI, 2008). A partir daí que a Contabilidades de custos ganhou seu espaço dentro das organizações. Havendo a necessidade, de avaliar a entidade por dentro, tendo um controle mais preciso dos valores dos estoques, acompanhamento, rateio dos gastos e todos os controles paralelos e lançamentos contábeis, tornou-se indispensável (BOMFIM; PASSARELLI, 2008). O trabalho do contador ficou mais difícil com o surgimento das indústrias. Os dados necessários para fazer a contabilidade não eram fáceis de se obter. Foram desenvolvidos vários métodos de custeio, como o custeio por absorção ou o tradicional, custeio variável ou direto. 27 Com a evolução da Contabilidade de Custos percebeu-se que o controle dos mesmos é indispensável, pois é por essa ferramenta que poderemos analisar qual a real situação da nossa empresa e avaliar qual a melhor decisão a ser tomada. 2.3.2 Conceitos de Contabilidade de Custos A contabilidade de custos é de suma importância para as organizações, através desses controles a empresa gerencia e controla o seu patrimônio. Segue abaixo conceitos de Contabilidade de Custos: “Sistema de Custos é um conjunto de procedimentos administrativos que registra, de forma sistemática e contínua, a efetiva remuneração dos fatores de produção empregados nos serviços rurais” (SANTOS e MARION, 1996 p. 33). Para Crepaldi (1999, p.15), “Contabilidade de Custos é uma técnica utilizada para identificar, mensurar e informar os custos dos produtos e/ou serviços”. “A contabilidade de custo mensura e relata informações financeiras e nãofinanceiras relacionadas à aquisição e ao consumo de recursos pela organização” (HORNGREN et al., 2000, p.2), fornecendo informações para a contabilidade geral e financeira. Leone (1997, p.17), ainda descreve a contabilidade de custos como sendo “uma atividade que se assemelha a um centro processador de informações, que recebe (ou obtém) dados, acumula-os de forma organizada, analisa-os e interpretaos, produzindo informações de custos para os diversos níveis gerenciais”. 2.3.3 Objetivos da Contabilidade de Custos Para Santos e Marion, os objetivos da contabilidade de custos são: - auxiliar a administração na organização e controle da unidade de produção, revelando ao administrador as atividades de menor custo e as vantagens de substituir umas pelas outras. - permitir uma correta valorização dos estoques para apuração dos resultados obtidos em cada cultivo ou criação. 28 - oferecer bases consistentes e confiáveis para projeção dos resultados e auxiliar o processo de planejamento rural, principalmente quando o administrador precisa decidir o que plantar, quando plantar e como plantar. - orientar os órgãos públicos e privados na fixação de medidas, como garantia de preços mínimos, incentivo à produção de determinado produto em escala desejada, estabelecimento de limites de crédito etc. (SANTOS e MARION,1996, p.33). Cabe ressaltar que, segundo Padoveze (2003), o escopo inicial da contabilidade de custos foi determinar os custos dos produtos como o objetivo de avaliar os estoques industriais, para poder conhecer os custos dos produtos vendidos, de forma a obter lucro com a venda. Medeiros define os objetivos da contabilidade de custos da seguinte maneira: - fornecimento de dados para apuração do Custo e avaliação dos Estoques; - fornecimento de informações à administração para o controle das operações e atividades da empresa, visando o controle dos Custos de Produção; - fornecimento de informações para planejamentos, orçamentos e tomadas de decisões; - atendimento a exigências físicas e legais (MEDEIROS, 1997, p.18). 2.3.4 Objetos da Contabilidade de Custos Define-se objeto de custo o elemento do qual se deseja ter o custo específico apurado. Em outras palavras, objeto de custo é o elemento que será objeto de mensuração monetária, com finalidade de se obter o custo unitário ou total desse elemento. Um objeto de custo pode ser um produto, um serviço, uma mercadoria, uma atividade, uma departamento, uma divisão, um processo, um recurso etc. (PADOVEZE, 2003, p.40). Para Leone (1997, p.25) “A contabilidade de Custos atua sobre a empresa, seus produtos, seus serviços, os componentes operacionais e administrativos”. 2.4 Terminologia aplicada à Contabilidade de Custos Conforme Perez Jr. et al. (2005), a terminologia da área de custos é muito própria, por esse motivo é importante definir os termos utilizados na contabilidade de custos, a fim de que sejam evitados quaisquer erros na interpretação dos conceitos aplicados à área. 29 2.4.1 Desembolso Conforme Perez Jr et al. (2005) desembolsos são as “saídas de dinheiro do caixa ou do banco. Os desembolsos ocorrem devido ao pagamento de uma compra efetuada a vista ou de uma obrigação assumida anteriormente”. Para Bornia (2002) o desembolso ocorre no momento do pagamento, por exemplo: se uma compra for efetuada com prazo de 90 dias para o pagamento, o desembolso ocorrerá somente após noventa dias. Desembolso significa retirar dinheiro do caixa, pagar uma conta e/ou duplicata. É quando o dinheiro sai do poder de uma pessoa passando à outra, para aquisição de um bem/serviço (MARTINS, 1998). Exemplos de desembolso são: pagamento de salário dos funcionários, compra de matéria-prima a vista, pagamento de empréstimo bancário e despesas provisionadas no período anterior (PEREZ JR et al., 2005). 2.4.2 Gastos Conforme Bomfim e Passarelli, (2008, p.49) gastos são: os valores monetários de todos os desembolsos e compromissos assumidos pela empresa no desempenho das suas operações de produção de bens e serviços, de apoio a essas operações (inclusive de engenharia do produto), de venda ou pós-venda. Para Crepaldi (1998, p 89) gasto na empresa Rural pode ser classificado como o “sacrifício que a entidade arca para a obtenção de um bem ou serviço, representado por entrega ou promessa de entrega de ativos.” O gasto somente se realiza quando os serviços prestados os bens adquiridos foram propriedade da Empresa Rural. Segundo Martins (1998, p. 25), gasto é o “sacrifício financeiro com que a entidade arca para a obtenção de um produto ou serviço qualquer, sacrifício esse representado por entrega ou promessa de entrega de ativos”. 30 Percebemos que as definições de gastos dos três autores são semelhantes, embora Martins (1998) a defina de forma mais clara e concisa. Podendo o gasto ser classificado em custos, despesas, Investimentos, perda ou desperdício. Onde a principal diferença contábil entre custos e despesas é que as despesas podem ser debitadas no período em que são incorridas ou pagas, enquanto os custos só são debitados quando houver a venda do bem ou serviço (BOMFIM, PASSARELLI 2008). Exemplos de gastos citados por Crepaldi (1998): são gastos com aquisição de insumos; com energia elétrica; com assistência técnica (serviço do agrônomo e do veterinário); com aluguel de terras; gasto com aquisição de máquinas e equipamentos agrícolas; gasto com mão de obra. 2.4.3 Custos Fazendo uma analogia entre empresa e empresa rural, o custo, para Bornia (2002), pode ser entendido como o valor dos insumos, ou seja, trabalho humano, energia elétrica e materiais, utilizados no processo de fabricação dos produtos agrícolas. A definição de custos na contabilidade Rural é o “gasto relativo a bem ou serviços utilizado na produção rural; são todos os gastos relativos à atividade de produção” (CREPALDI, 1998, p.89). São exemplos de custos citados por Crepaldi (1998): lubrificantes e combustíveis usados nas máquinas agrícolas, salários do pessoal da propriedade rural, gastos com mão de obra, insumos utilizados no processo agrícola. “Todos os gastos no processo de produção e criação entendemos como Custo: Mão de obra, Energia Elétrica, Desgaste das Máquinas utilizadas para produção, embalagem etc.” (SANTOS e MARION, 1996, p.35). Para Franco (1992, p.45) “custo é o preço pelo qual se obtém um bem ou serviço”. O custo é de extrema importância em qualquer entidade, pois é a partir dele que a empresa alcançará seus objetivos. 31 2.4.4 Despesas Podemos considerar despesas como sendo os gastos no consumo de bens e serviços utilizados para manutenção dos negócios da empresa e necessários para que a mesma gere receitas (PEREZ JR et al., 2005). Segundo Santos e Marion (1996, p. 35) despesa “é todo o consumo de bens ou serviços para a obtenção de Receita”. Despesa na Contabilidade Rural é o “gasto com bens e serviços não utilizados nas atividades produtivas e consumidos com finalidade de obtenção de receitas” (CREPALDI, 1998, p.89). Onde custos são todos os gastos realizados com produtos agrícolas até estarem prontos e o restante são despesas. Para Bornia (2002, p.40) “despesa é o valor dos insumos consumidos com o funcionamento da empresa e não-identificados com a fabricação. São reconhecidos como despesas, os custos incorporados nos produtos produzidos pela Empresa Rural, no momento em que são vendidos. Podemos citar alguns exemplos: energia elétrica consumida no escritório, conta telefônica do escritório, gasto com combustíveis, encargos sociais de pessoal de escritório de administração e as refeições do pessoal de administração (CREPALDI, 1998, p.90). 2.4.5 Perdas Perdas é o gasto não planejado, inesperado e imprevisível. Pode ser definido como: gastos anormais ou involuntários que não geram um novo bem ou serviço, tampouco receitas e são apropriadas diretamente no resultado do período em que ocorre. Esses gastos não mantêm nenhuma relação com a operação da empresa e geralmente ocorrem de fatos não previstos (PEREZ JR et al., p.19). Crepaldi entende que perda na Contabilidade Rural: “é um gasto não intencional decorrente de fatores externos fortuitos ou da atividade produtiva normal da Empresa Rural” (CREPALDI, 1998, p.90). 32 Conforme Santos e Marion (1996, p. 35) perda “é um gasto involuntário, anormal, extraordinário. Ex.: desfalque no caixa, inundações graves, incêndio etc.” 2.4.6 Desperdício Dentro do contexto atual da sociedade, com o advento do capitalismo e da globalização, desperdício é considerado como prejuízo, já que é um valor que não poderá ser incorporado ao preço de venda do produto. Por essa razão, o desperdício deve ser identificado e evitado dentro da organização. Para Perez Jr et al. (2005, p. 19), desperdício são os “gastos incorridos nos processos produtivos ou de geração de receitas e que possam ser eliminados sem prejuízo da qualidade ou quantidade dos bens, serviços ou receitas geradas.” Bornia (2002, p.41) entende que “desperdício é o esforço econômico que não agrega valor ao produto da empresa nem serve para suportar diretamente o trabalho efetivo”. 2.4.7 Investimento Conforme Martins, investimento tem o seguinte conceito: Todos os sacrifícios havidos pela aquisição de bens e serviços (gastos) que são estocados nos Ativos da empresa para baixa ou amortização quando de sua venda, de seu consumo, de seu desaparecimento ou de sua desvalorização são especificamente chamados de investimentos (MARTINS, 1998, p. 25). Crepaldi (1998, p.89) entende que investimento na Contabilidade Rural é o “gasto com bem ou serviço ativado em função de sua vida útil ou de benefícios atribuíveis e períodos futuros”. De acordo com Padoveze (2003) investimentos são gastos realizados em função da vida útil do bem, ou benefícios futuros. Realizados em custos e ativos ou despesas. 33 São exemplos de investimentos na Contabilidade Rural segundo Crepaldi (1998): aquisição de imóveis rurais, móveis e utensílios e de insumos, e as despesas pré-operacionais. 2.5 Princípios de Contabilidade Os Princípios de Contabilidade são classificados, de acordo com o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) em: Principio da Entidade, Continuidade, Oportunidade, Registro pelo Valor Original, Competência, Prudência. (RESOLUÇÃO CFC N.º 750/93 alterada pela RESOLUÇÂO CFC Nº 1.282 DE 28.05.2010) Os Princípios aplicados a Contabilidade de maior relevância para a Contabilidade de Custos e Rural são explicados da seguinte maneira: Princípio da Entidade: de acordo com este princípio, há a necessidade de separar o patrimônio dos sócios e proprietários do patrimônio da sociedade ou organização, de forma que um não se confunda com o outro (CREPALDI, 2003) [...] a contabilidade deve reconhecer as operações relativas à empresa, sem misturá-las com a de seus proprietários ou terceiros. Assim sendo, a contabilidade de custos reconhecerá como custo da produção apenas os gastos incorridos pela empresa em seu processo produtivo, não reconhecendo, por tanto, gastos incorrido por outras empresas, mesmo que pertencentes ao mesmo grupo empresarial (PEREZ JR et al., 2002, p.60). Princípio do Registro pelo valor original: ordena que os componentes do patrimônio tenham seu registro inicial efetuado pelos valores ocorridos na data das transações havidas com o mundo exterior à Entidade, estabelecendo, pois, a vigamestra da avaliação patrimonial: a determinação do valor monetário de um componente do patrimônio. (RESOLUÇÃO CFC Nº 750/93 DE 29/12/93, E ALTERAÇÕES POSTERIORES). Princípio da Continuidade: este princípio “pressupõe que a Entidade continuará em operação no futuro e, portanto, a mensuração e a apresentação dos componentes do patrimônio levam em conta esta circunstância”. Princípio da Competência: De acordo com Perez Jr. et al. (2005), os princípios da competência e da confrontação revelam grande importância devido o fato da realização ocorrer no momento em que há o reconhecimento da receita, 34 enquanto a competência e a confrontação nos indicarem o momento em que são reconhecidas as despesas e os custos vinculados àquela receita. Ou seja, há a apropriação dos custos ligados à receita reconhecida no período de sua realização. Portanto, o Principio Contábil da Competência pressupõe que as despesas devem ser registradas no período em que foram incorridas, como é descrito no texto da Resolução CFC nº. 1.282/10, transcrito abaixo: Art. 9º O Princípio da Competência determina que os efeitos das transações e outros eventos sejam reconhecidos nos períodos a que se referem, independentemente do recebimento ou pagamento. Parágrafo único. O Princípio da Competência pressupõe a simultaneidade da confrontação de receitas e de despesas correlatas (Redação dada pela Resolução CFC nº. 1.282/10). Princípio da Prudência: este princípio denota que os registros contábeis devem ser efetuados de forma cautelosa, ou seja, quando houver mais de uma hipótese aceitável para mutações patrimoniais capazes de produzir alterações no patrimônio líquido, deve-se optar pelo que resulte menor patrimônio líquido. Segue abaixo a definição da Resolução para este princípio: Art. 10. O Princípio da PRUDÊNCIA determina a adoção do menor valor para os componentes do ATIVO e do maior para os do PASSIVO, sempre que se apresentem alternativas igualmente válidas para a quantificação das mutações patrimoniais que alterem o patrimônio líquido. Parágrafo único. O Princípio da Prudência pressupõe o emprego de certo grau de precaução no exercício dos julgamentos necessários às estimativas em certas condições de incerteza, no sentido de que ativos e receitas não sejam superestimados e que passivos e despesas não sejam subestimados, atribuindo maior confiabilidade ao processo de mensuração e apresentação dos componentes patrimoniais (Redação dada pela Resolução CFC nº. 1.282/10). 2.6 Classificação dos Custos Os custos podem ser classificados em Diretos, Indiretos, Fixos e Variáveis. 35 2.6.1 Custos Diretos Os custos classificam-se como diretos, quando forem identificados diretamente ao produto, não sendo necessário o rateio para determiná-los. Para Bomfim e Passarelli (2008, p.51) “Custos diretos são aqueles que podemos identificar como pertencendo a este ou aquele produto, pois há como mensurar quanto pertence a cada um, de forma objetiva e direta.” Podemos citar como exemplo de Custos diretos as matérias-primas, as embalagens, a mão de obra direta, energia elétrica consumida, dentre outros. “Custos diretos são aqueles que podem ser diretamente (sem rateio) apropriados aos produtos agrícolas, bastando existir uma medida de consumo (quilos, horas de mão de obra, ou de máquina, quantidade de força consumida etc.)” (CREPALDI, 1998, p. 91). Perez Jr et al. (2005, p. 25), acreditam que Custos Diretos são os custos que podem ser quantificados e identificados no produto ou serviço e valorizados com relativa facilidade. Dessa forma, não necessitam de critérios de rateio para serem alocados aos produtos fabricados ou serviços prestados, já que são facilmente identificados. Santos e Marion entendem que: Custos diretos são os identificados com precisão no produto acabado, através de um sistema e um método de medição, e cujo valor é relevante, como: horas de mão de obra; quilos de sementes ou rações; gastos com funcionamento e manutenção de tratores (SANTOS e MARION, 1996, p.42). O custo é considerado direto se o mesmo for identificado e sua participação medida no produto final, existir uma ligação direta com o produto final, não tiver chance de ser confundido com outros produtos (PADOVEZE, 2003). 2.6.2 Custos Indiretos Padoveze (2003) classifica como gastos indiretos aqueles que não podem ser classificados em gastos diretos, ou seja, eles somente podem ser atribuídos a produtos e serviços por meio de critérios de distribuição, como rateios, por exemplo. 36 Assim sendo, estes gastos (também nominados como gastos comuns) não podem ser alocados aos produtos diretamente. Iudícibus entende que custos indiretos podem ser chamados de gastos gerais de fabricação, e escreve que: Os gastos gerais de fabricação, também chamados custos indiretos industriais, incluem todos os demais custos incorridos na produção (inspeção, manutenção, almoxarifado, supervisão, administração da fábrica, depreciação, energia, seguros etc.) e são, em geral, atribuídos aos produtos por meio de rateios. Tais custos são geralmente aplicados com base no número de horas ou valor da mão de obra direta, ou horas-máquina etc. (IUDÍCIBUS, 2003, p.126). Para Santos e Marion (1996, p.42) “custos indiretos são aqueles necessários à produção, geralmente de mais de um produto, mas alocáveis arbitrariamente, através de um sistema de rateio, estimativas e outros meios”. Custos indiretos são os custos incorridos no processo de produção, onde são utilizados rateios para apropriá-los ao produto (BOMFIM e PASSARELLI, 2008). “Custos indiretos, para serem incorporados aos produtos agrícolas, necessitam da utilização de algum critério de rateio. Exemplos: aluguel, iluminação, depreciação, salário de administradores” (CREPALDI, 1998, p.91). Leone (1997, p.55) acredita que “o custo é considerado indireto apenas porque seu valor não é significativo”. Para que seja feito o rateio correto, calcula-se quanto cabe a cada produto, todos os custos que não são relacionados diretamente com o produto como, por exemplo: lubrificantes, material de higiene, limpeza e combustíveis (BOMFIM e PASSARELLI, 2008). 2.6.3 Custos Fixos São chamados de Custos fixos aqueles que não variam com a atividade de produção. Podemos citar como exemplos: os alugueis, os impostos, os seguros etc. ”Os custos fixos variam conforme o tempo e não de acordo com o nível de atividade, isto é, serão incorridos durante determinado período de tempo, ainda que nenhuma 37 atividade de produção tenha ocorrido nesse período” (BOMFIM e PASSARELLI, 2008, p.53). Os custos fixos são classificados em três tipos, conforme Bomfim e Passarelli (2008, p.53): custos fixos da capacidade instalada, que se refere à depreciação; custos operacionais fixos da fábrica, os seguros e impostos; despesas fixas programadas, que se refere à publicidade e marketing da entidade. Segundo Crepaldi (1998, p.92) “custos fixos são aqueles cujo total não varia proporcionalmente ao volume produzido. Por exemplo: aluguel, impostos etc”. “Custo fixo é um custo que não se altera em montante apesar de alterações num direcionador de custo” (HORNGREN et al., 2000, p.21). Conforme Santos e Marion (1996, p.43) custos fixos na atividade rural: São os que permanecem inalterados em termos físicos e de valor, independentemente do volume de produção e dentro de um intervalo de tempo relevante. Geralmente são oriundos da posse de ativos e de capacidade ou estado de prontidão para produzir. Por isso, também são conhecidos como custos de capacidade. Ex.: depreciação de instalações, benfeitorias e máquinas agrícolas; seguro de bens; salário de técnicos rurais e chefias. Os custos são fixos em um intervalo de tempo, dependendo da faixa de produção, podendo variar conforme o volume da produção agrícola. Exemplos: Imposto Territorial Rural e a depreciação dos equipamentos agrícolas (CREPALDI, 1998). 2.6.4 Custos Variáveis Custos variáveis são aqueles que variam dependendo do volume produzido. Se em um mês a empresa produzir menos, os custos variáveis diminuirão na mesma proporção. Se, por outro lado, a produção aumentar, aumentarão também os custos variáveis. De acordo com Crepaldi (1998), os custos variáveis estão ligados com o volume produzido. Se nada por produzido, o custo variável será nulo e o mesmo aumenta conforme a produção agrícola. Exemplos: depreciação dos equipamentos 38 agrícolas, quando for em função das horas máquinas trabalhadas, gastos com horas extras na produção. São variáveis, “os custos que variam proporcionalmente a intensidade ou naturalidade da produção” (BOMFIM e PASSARELLI, 2006, p.55). Custos variáveis, “são aqueles que variam em proporção direta com o volume de produção ou área de plantio. EX.: mão de obra direta, materiais diretos (fertilizantes, sementes, rações), horas máquina” (SANTOS e MARION, 1996, p.42). 2.7 Custos com Materiais Diretos São os custos com materiais que fazem parte da estrutura do produto, e, por isso, representam o principal custo direto. Os materiais diretos podem ser visíveis, tal como as embalagens, ou invisível, como os componentes que alteram-se e podem até desaparecer durante o processo (PADOVEZE, 2003). De acordo com Perez Jr et al. (2005, p.26) materiais diretos são “matériasprimas, materiais de embalagem, componentes, e outros materiais necessários à produção, ao acabamento e à apresentação final do produto”. Material Direto é o custo de qualquer material diretamente identificável com o produto que se torna parte integrante dele. São exemplos: a matéria prima, material secundário e embalagens (CREPALDI, 1999, p.41). De acordo com o mesmo autor, a fórmula para a identificação do custo do material é: MD=EI+C-EF MD: Materiais Diretos EI: Estoque Inicial C: Compra Líquidas EF: Estoque Final 39 Materiais diretos são todos os que compõem o material produzido ou comercializado. 2.8 Custos com Materiais Indiretos Denominam-se custos de materiais indiretos aqueles comprados e requisitados para utilização no processo fabril, sem contudo fazerem parte do produto, ou seja, não constam da estrutura do produto. São materiais necessários para auxiliar o processo produtivo, tanto para a utilização pelo pessoal envolvido nos processo e atividades industriais, como para os equipamentos utilizados nos processos diretos e nas atividades indiretas (PADOVEZE, 2003, p.44 e 45). Conforme Perez Jr et al. (2005) materiais indiretos são aqueles aplicados nas atividades auxiliares de produção, ou seja, o relacionamento com o produto não é importante. 2.9 Custos Patrimoniais: Depreciação Considera-se como insumo industrial de depreciação a perda de valor dos ativos imobilizados utilizados no processo industrial. Normalmente a perda de valor dá-se pelo uso e desgaste ou pela obsolescência. Assim, a diferença entre o valor do bem novo e o valor do bem usado é denominado depreciação (PADOVEZE, 2003, p.25 e 26). [...] a depreciação de um equipamento representa o valor da parcela daquele equipamento “consumida” no período. Evidentemente, a máquina não tem uma parte consumida, mas vai se desgastando com o tempo e o uso. Portanto, a depreciação representa a perda de valor do equipamento no período considerado (BORNIA, 2002, p.169). Quando constante por determinado período, a depreciação é considerada custo fixo, porém, quando calculada com o tempo, horas de uso de equipamento, torna-se custo variável de produção (BORNIA, 2002). 40 2.10 Custos com Mão de obra Os custos com mão de obra relaciona-se com os gastos com salários e encargos do pessoal que trabalha na produção ou no suporte, sendo eles custos com mão de obra direta e mão de obra indireta. 2.10.11 Custos com Mão de Obra Direta Mão de obra direta são os gastos com pessoal envolvido com a confecção dos produtos finais da empresa, ou seja, quem tem contato direto com a manipulação ou opera máquinas e equipamentos necessários à elaboração dos produtos finais (PADOVEZE, 2003). Conforme Bomfim e Passarelli (2008, p.103) ”classificamos como mão de obra direta o esforço humano despendido diretamente na transformação da matériaprima em produto acabado”. Os Custos com a mão de obra que se refere à produção são atribuídos aos produtos em fabricação e depois transferidos para os produtos acabados (BOMFIM e PASSARELLI, 2008). Segundo Santos e Marion (1996, p.53) “Considera-se mão de obra direta na agropecuária as pessoas que prestam serviços de forma direta e mensurável, e com gastos relevantes, nas operações agrícolas e no manejo de animais.” Sendo possível verificar quem fez o trabalho, quantas horas trabalhou e o volume das tarefas executadas. Na Contabilidade rural, mão de obra direta “representa custos relacionados com pessoal que trabalha diretamente na produção, por exemplo, o empregado que opera uma plantadeira” (CREPALDI, 1998, p.93). No Brasil, a mão de obra direta tem muita importância no cálculo do custo total de produção, representando uma boa porcentagem dos gastos diretos de determinadas culturas como a horticultura e a fruticultura (SANTOS e MARION, 1996). 41 2.10.2 Custo com Mão de Obra Indireta A mão de obra indireta caracteriza-se por não ser exclusiva de um produto ou produtos finais e por trabalhar para determinadas atividades de apoio à fábrica como um todo, necessárias a todos os produtos indistintamente. Mesmo que, eventualmente, os esforços estejam sendo direcionados a determinado produto, não há um processo repetitivo de esforço despendido para os produtos (PADOVEZE, 2003, p.49). Mão de obra indireta “é representada pelo trabalho realizados nos departamentos auxiliares nas indústrias ou prestadoras de serviços e que não são mensuráveis em nenhum produto ou serviço executado” (PEREZ JR et al., 2005). Segundo Crepaldi (1999), mão de obra indireta é aquela em que algum critério de rateio deve ser utilizado, para que seja corretamente apropriada no custo dos produtos finais. 2.11 Custos Indiretos de Produção A distribuição dos custos indiretos é feita através de métodos de rateio, departamentalização e centros de custos, que serão conceitualizados abaixo. 2.11.1 Departamentalização Departamentalização “é a divisão da empresa em áreas distintas, de acordo com as atividades desenvolvidas em cada uma dessas áreas” (PEREZ JR. et al., 2005, p. 45). Dependendo da organização à qual se aplica, as áreas podem ser denominadas como centro de custos, centro de despesas, setores ou departamentos. Ainda de acordo com Perez Jr. et al. (2005), a palavra departamentalização origina-se do vocábulo departamento. Departamento, por sua vez, pode ser definido como “uma unidade operacional representada por um conjunto de homens e/ou máquinas de características semelhantes, desenvolvendo atividades homogêneas dentro de uma mesma área. A divisão em departamentos não se restringe apenas à área industrial, podendo também ser aplicada às áreas administrativas, comerciais e financeiras. 42 “Departamento é a unidade mínima administrativa na qual sempre existe um responsável (CREPALDI, 1999, p.66)”. Cabe ao organograma da entidade definir e evidenciar seus departamentos. No processo de produção, a departamentalização é aplicada nos processos de produção muito complexos, sendo divididas em departamento produtivo e departamento de serviços, sendo que estes diferenciam-se daqueles pelo fato de que este não compreende os produtos finais, mas apenas os demais serviços que são prestados na organização (CREPALDI, 1999). Ainda conforme Crepaldi (1999), após a departamentalização os custos são rateados sobre os produtos, já que, enquanto os departamentos produtivos têm os custos apropriados diretamente sobre os produtos, os de serviços trabalham para várias áreas, sendo necessária a sua realocação com cada departamento. 2.12 Métodos de Custeio Para mensurar corretamente a receita dos produtos e serviços prestados por uma empresa, é necessário que se mensure corretamente seu custo, sendo que, para tal, são utilizados alguns métodos de custeio (PADOVEZE, 2003), os quais serão vistos a seguir. “Quanto mais procedimentos de absorção tiver um método, menor a margem de lucro que aparece na análise de rentabilidade unitária” (PADOVEZE, 2003, p.161). Existem dois tipos de custeio: custeio variável ou direto e o custeio por absorção. A diferença entre eles é o grau de variabilidade dos gastos usados para cada um deles (BOMFIM e PASSARELLI, 2008). 2.12.1 Método de Custeio Variável ou Direto “Esse método considera somente os custos variáveis para determinação dos custos de produção, ou seja, mão de obra direta, máquinas diretas e insumos agrícolas” (SANTOS e MARION, 1996, p. 43). Esse método não é aceito na 43 legislação fiscal, podendo ser utilizado na apuração dos resultados gerenciais, pois os custos fixos são avaliados como despesas correntes sendo debitadas diretamente nos resultados. Para o custeamento dos produtos da empresa, o custeio variável ou direto avalia apenas os gastos variáveis, eliminando a necessidade de rateios (BOMFIM e PASSARELLI, 2008). Padoveze (2003) separa os conceitos de custeio direto e custeio variável, ao contrário de alguns autores que os apresentam como sendo idênticos. Sobre custeio direto, o autor afirma que esse método utiliza, para custeamento dos produtos, apenas os gastos diretos a cada um dos produtos e serviços de uma empresa, sejam eles custos (gastos da área industrial), sejam despesas (gastos da área comercial). Portanto, nesse método, são utilizados para cálculo do custo unitário dos produtos tanto os custos (e despesas) diretos variáveis quanto os fixos. Os custos diretos variáveis são incorporados ao custo dos produtos pelo seu custo unitário específico, e os custos diretos fixos, pelo custo médio em função da quantidade vendida (PADOVEZE, 2003, p. 78). Sobre custeio variável, o autor afirma: Esse método de apuração do custo unitário dos produtos e serviços considera tão-somente os custos e despesas variáveis de cada produto ou serviço, sejam eles diretos ou indiretos. Esse método busca um custo unitário do produto ou serviço sem nenhuma dúvida em termos de mensuração monetária, já que, ao utilizar apenas elementos variáveis e, portanto, com valor unitário para cada unidade de produto perfeitamente definido, não usa nenhum conceito de cálculo médio. Essa caracterísitica torna esse método o cientificamente recomendável para todos os propósitos de previsões e tomada de decisão (PADOVEZE, 2003, p. 78). Medeiros (1997, p. 83) decreve que custeio direto ou variável “fundamenta-se na separação e identificação dos Custos Variáveis e dos Custos Fixos, isto é, nos que oscilam na proporção do Volume de Produção e Vendas e que se mantêm estáveis perante esse mesmo volume, dentre certos limites”. Ainda segundo Medeiros (1997), para que haja um correto registro dos gastos e dos custos variáveis e fixos de produção, o custeio direto necessita de um bom sistema contábil, conferindo maior confiabilidade nos resultados dos custos por unidade. 44 Conforme Crepaldi (1999, p. 151), “nesse método de custeio, os custos fixos tem o mesmo tratamento das despesas, pois são consideradas despesas do período independentemente de os produtos terem ou não sido vendidos”. De acordo com Padoveze (2003, p. 313), o critério de custo direto/variável “é coerente com a análise custo/volume/lucro, ao determinar, na formação do preço de venda, a margem de contribuição de cada produto. Cientificamente, é o mais recomendado. Na atividade agropecuária, a adoção desse método de custeio pode trazer alguns pontos positivos: - Os custos dos produtos agropecuários podem ser comprados em bases unitárias, independentemente do volume de produção. - Facilita o tempo e o trabalho despendidos tornando mais prática a apuração e apresentação das informações. - Melhor controle dos custos fixos, por se apresentarem separadamente nas demonstrações. - Facilita a elaboração e controle de orçamentos e determinação e controle de padrões. - Fornece mais instrumentos de controle gerencial (CREPALDI 2005, p.234). 2.12.2 Custeio por absorção “Quando, ao custear-se os produtos fabricados pela empresa, são atribuídos a esses produtos, além de seus custos variáveis, também os custos fixos, diz-se que se está usando a modalidade de custeio por absorção” (BOMFIM e PASSARELLI, 2008, p.58). Atribuindo os custos fixos aos produtos fabricados, é necessário utilizar-se de rateios. Demonstrando uma grande falha no método de custeio por absorção como ferramenta de controle (BOMFIM e PASSARELLI, 2008). Custeio por absorção para Leone (2000, p. 242), é “aquele que faz debitar ao custo dos produtos todos os custos da área de fabricação, sejam eles custos definidos como custos diretos ou indiretos, fixos ou variáveis de estrutura ou operacionais”. Padoveze (2003) comenta que o método de custeio por absorção transmite a idéia de que: 45 após a apuração do custo unitário dos produtos e serviços com os custos diretos e variáveis, há a necessidade de que os produtos e serviços também “absorvam” os demais custos indiretos, para que se tenha uma idéia do custo unitário total, ou seja, um valor de custo unitário com todos os custos apropriados aos produtos e serviço (PADOVEZE, 2003, p.79). Leone (1997), define custeio por absorção como sendo aquele que faz debitar do custo do produto os custos indiretos ou diretos, fixos ou variáveis, operacionais ou de estrutura. Dessa forma, todo o produto ou serviço absorve parte dos custos relacionados à produção. Para Martins (1998, p. 41) custeio por absorção “consiste na apropriação de todos os custos de produção aos bens elaborados, e só os de produção; todos os gastos relativos ao esforço de fabricação são distribuídos para todos os produtos feitos”. Padoveze (2003) argumenta que o método de Custeio por Absorção é a técnica mais utilizada pelas empresas, pela simplicidade em sua utilização e pela sua aderência aos princípios contábeis aceitos, embora, segundo o autor, possua desvantagens teóricas a respeito de sua utilização. Nesse método de custeio, todos os custos de produção são apropriados aos produtos. Os custos de produção podem ser apropriados diretamente, como é o caso do material direto e mão de obra direta, ou indiretamente, como é o caso dos custos indiretos de fabricação (CREPALDI, 1999, p. 148). 2.13 Análises Custo x Volume x Lucro Conforme Iudícibus (1989, p.59) “a análise de relação custo/volume/custo é uma das técnicas mais antigas e eficientes de análise de custos”. Podendo transformá-la em poderoso instrumento de tomada de decisões. Bornia (2002) enfatiza a análise de custos para auxiliar a tomada de decisões de curto prazo, especialmente a análise dos custos variáveis, já que os custos fixos independem do que a empresa decide. Cabe ressaltar que, segundo o mesmo autor, quando analisado sob a ótica de longo prazo, todos os custos tornam-se variáveis. 46 2.13.1 Formação do preço de venda De acordo com Perez Jr. et al. (2005) há muitos fatores econômicos que podem influenciar a formação de preço, tais como a concorrência, os clientes, os gastos e o governo, o que dificulta identificar e quantificar cada uma das variáveis envolvidas. De acordo com Santos (2009, p. 139) alguns fatores que interferem na formação do preço são: - a quantidade do produto em relação às necessidades do mercado consumidor; - a existência de produtos substitutos a preços mais competitivos; - a demanda esperada do produto; - o mercado de atuação do produto; - os níveis de produção e de venda que se pretende ou que se pode operar; - os custos de fabricar, administrar e comercializar o produto; - os níveis de produção e de venda desejados etc. Bornia (2002, p. 59), nos dá uma fórmula para o cálculo do preço de venda a partir dos custos, adicionando a estes uma margem de lucro: Preço = Custo + Lucro O mesmo autor afirma que, “na ótica da empresa moderna, o preço de venda é determinado pelo mercado, transformando a equação em” (BORNIA, 2002, p. 60). Preço = Custo + Lucro O lucro, na segunda equação, passa a ser a variável independente da equação, sendo determinado pelo preço de mercado do produto, subtraído da despesa que a empresa consegue atingir (BORNIA, 2002). 2.13.2 Margem de Contribuição Para a tomada de decisões gerenciais de curto prazo, é de fundamental importância a aplicação dos conceitos que envolvem a margem de contribuição 47 (BORNIA, 2002). Ela pode ser entendida como “a diferença entre o preço de venda e a soma dos custos e despesas variáveis” (PEREZ JR. et al., 2005 p. 196). Crepaldi (1999, p. 154) apresenta um conceito semelhante, ao afirmar que “a margem de contribuição é a diferença entre o preço de venda e a soma dos custos e despesas variáveis”. Bornia (2002, p. 71), afirma que “a margem de contribuição unitária representa a parcela do preço de venda que resta para a cobertura dos custos e despesas fixos e para a geração do lucro por produto vendido.” A margem de contribuição unitária pode ser obtida através da fórmula (PEREZ JR. et al., 2005, p.195): MC= PV – (CV + DV) Onde: MC: margem de contribuição; DV: soma das despesas variáveis; CV: soma dos custos variáveis; PV: preço de venda 2.13.3 Ponto de Equilíbrio O ponto de equilíbrio representa a quantidade que uma organização precisa produzir/vender para cobrir todos os seus custos e despesas fixas e variáveis necessárias no processo de produção (PADOVEZE, 2003). Ou seja, é o ponto onde a empresa atinge um nível de vendas que não gera lucro ou prejuízo (PEREZ JR. et al., 2005 p. 196). Conhecendo o ponto de equilíbrio, a empresa pode conhecer o mínimo de atividade em que deve operar, seja a nível global ou individual por produto (PADOVEZE, 2003). O ponto de equilíbrio é representado da seguinte maneira: PE = Custo Fixo Receita – Custo variável x 100 48 2.13.4 Margem de Segurança Margem de Segurança é “o excedente das vendas da empresa sobre as vendas que representam o ponto de equilíbrio” (BORNIA, 2002, p.80). É possível utilizar a margem de segurança para determinar quantas unidades a empresa pode parar de produzir/vender sem obter prejuízo. Além disso, a margem de segurança pode ser expressa tanto em valores ou unidades quanto em valores percentuais, (BORNIA, 2002). Padoveze (2003, p. 290) segue o mesmo raciocínio, ao afirmar que “a margem de segurança pode ser definida como o volume de vendas que excede às vendas calculadas no ponto de equilíbrio. O volume de venda excedente, para se analisar a margem de segurança, pode ser tanto das vendas orçadas, como o valor real das vendas.” Margem de Segurança = Volume de vendas - Ponto de Equilíbrio (em unidades) 49 3 ESTRUTURA DE UM SISTEMA DE CUSTOS APLICADO À PRODUÇÃO LEITEIRA Neste capitulo, foi analisada a rotina diária da propriedade, sendo que o principal objetivo é o cálculo do custo da produção leiteira, visando um maior controle dos custos e um melhor planejamento. Foi descrito o processo de produção, custos com mão de obra, classificação dos custos com materiais, custos indiretos, custo total pelo método de custeio variável e por absorção, seguidos da apuração da margem de contribuição, ponto de equilíbrio, margem de segurança operacional, e, na seqüência, foi realizada a análise dos resultados. 3.1 Descrição do Processo de Produção O processo de produção de leite ocorre através da ordenha, a qual é realizada duas vezes ao dia, uma ao amanhecer e outra ao cair da noite. A ordenha matinal inicia-se as 5h e 45min, quando o proprietário maneja as vacas do potreiro para a sala de ordenha. A sala possui capacidade para a extração do leite de oito vacas simultaneamente. Enquanto as matrizes produtoras são alimentadas com silagem, ração, feno e sal mineral, passam por um processo de higienização que antecede a aspiração do leite, onde inicialmente elas tem o ubre lavado com água e sabão. Após a higienização o leite é aspirado por uma ordenhadeira com cinco conjuntos de teteiras e transferido por meio de uma canalização diretamente para um resfriador a granel com capacidade de armazenamento de três mil litros. O leite fica resfriado a uma temperatura de 3ºC. até o momento da coleta, que é feita diariamente. Os animais são divididos em lotes de acordo com a sua produtividade. Assim, as matrizes que produzem mais estão incluídas no primeiro lote – que normalmente é composto por vacas em fase inicial de produção leiteira, e tem um tratamento diferenciado a fim de produzirem mais leite. As matrizes do segundo lote produzem um pouco a menos que as do primeiro, principalmente devido à idade. O terceiro lote é composto por novilhas e vacas em fase final de produção leiteira, e, por isso, produzem menos leite que as dos dois lotes anteriores. 50 A principal função dos lotes é diferenciar o tratamento. Uma matriz de primeiro lote pode produzir até 50 litros de leite em um dia, enquanto as do terceiro lote comporta matrizes de mais baixa produção, nesse momento entre 10 e 12 litros diários. Após saírem da ordenha, todos os animais, inclusive novilhas, são conduzidos a galpões de alimentação, piquetes de pastagens e água fresca. Os lotes ficam em separado, e, nesta hora, recebem tratamento diferenciado. Enquanto a média de ração recebida pelas matrizes do primeiro lote é, em média, 7 Kg por dia, as do terceiro lote dificilmente recebem mais de 3 Kg. A alimentação de cada animal corresponde a cerca de 30 Kg diários de alimento, distribuídos entre silagem, ração, feno, pasto e sal mineral. Após o trato, as vacas são levadas ao piquete de descanso onde ficam até o processo de ordenha da tarde. Após cada ordenha, a ordenhadeira é higienizada com a utilização de água quente, detergente especial para o equipamento e água fria. O processo de produção da propriedade em estudo é representado pela figura 1: Processo de produção manhã Processo de produção tarde Ordenha e alimentação Ordenha e alimentação Galpão de alimentação Galpão de alimentação Piquete de descanso Piquete de descanso Figura 1: Fluxograma do processo de produção leiteira. Fonte: Dados conforme pesquisa Atualmente a propriedade possui 68 vacas produtoras e 9 vacas secas, sem contar com as novilhas que ainda não entraram em processo de produção. A seguir 51 apresenta-se o Quadro 1 com a quantidade mensal de litros de leite vendidos durante os meses estudados. Quadro 1: quantidade/mês de litros de leite vendidos Mês Quant./litro Valor unitário(R$) Valor total(R$) Agosto/2011 60.169 0,85 51.200,84 Setembro/2011 66.443 0,77 51.205,30 Outubro/2011 59.791 0,87 51.936,43 Novembro/2011 63.718 0,83 52.581,76 Dezembro/2011 66.335 0,80 52.852,62 Janeiro/2012 64.024 0,86 55.142,86 Fevereiro/2012 57.869 0,84 48.556,04 Março/2012 50.967 0,85 43.163,00 Fonte: Dados conforme pesquisa Na seqüência, a Figura 2 permite observar que o maior volume vendido de litros de leite foi em Setembro/2011, com 66.443 litros, seguido dos meses de Dezembro/2011, com 66.335 litros, e Janeiro/2012, com 64.024 litros. Figura 2: Quantidade/mês de litros de leite vendido. Fonte: Dados conforme Quadro 1. 52 3.2 Levantamento dos Custos com Materiais Na produção leiteria, considera-se custo com materiais o custo com os alimentos consumidos diariamente pelas vacas em lactação e as secas, tais como silagem, pastagem de inverno e verão e feno, produzidos na propriedade, e sal mineral e ração, que são comprados. A silagem foi produzida na propriedade duas vezes neste ano, uma no início de janeiro (50 há) e a outra em maio (24 há), sendo que a quantidade produzida é suficiente para dois anos. O custo da silagem de milho começa na preparação do solo. Nesta etapa é feita a dessecação, o plantio da semente de milho, o tratamento com adubos, aplicação de uréia para auxiliar o crescimento, inseticida para o controle das pragas e a aplicação de herbicidas para controlar as ervas daninhas. Após três a quatro meses inicia-se a produção da silagem, com o corte da planta de milho ainda verde por meio de uma ensiladeira. Após o corte, a massa verde triturada pela ensiladeira é despejada em duas carretas puxadas por tratores. Nas carretas, a massa resultante desse processo é armazenada em um silo, que nada mais é do que uma espécie de aterro. A massa lá despejada é, então, socada com o auxílio de um quarto trator, para depois ser vedada totalmente com lona preta, ficando depositado durante aproximadamente 21 dias para que ocorra a fermentação. Durante todos os meses do ano a silagem é utilizada na alimentação das vacas, tanto na ordenha pela manhã como da noite. Na análise do custo da silagem, foi considerado o valor gasto por hectare produzido, sem levar em conta a depreciação das máquinas, que foram relacionadas como Custo Indireto de Produção. No Quadro 2 podem ser observados os custos com a silagem de milho por hectare e por animal. 53 Quadro 2: Custo da silagem por hectare e por animal Silagem por hectare Unidade SC (60000 Sem.) Hectare 1 200,00 200,00 13,96 Inseticida para sementes LT 0,30 300,00 90,00 6,28 Dessecante – Clifosato LT 4 5,50 22,00 1,54 SC (350 Kg) 7 50,00 350,00 24,44 LT 1,00 70,00 70,00 4,89 SC (200 kg) 4 50,00 200,00 13,96 Combustível – plantio Litros 25,0 1,96 49,00 3,42 Combustível - corte de silagem Horas 29,00 13,11 380,24 26,55 Mão de obra Horas 19 3,50 66,50 4,64 Mt 3,00 1,50 4,50 0,31 1.432,24 100 Semente de Milho Adubo Formula DAP Herbicida Uréia Lona R$ Total Área Plantada Duração da silagem 105.985,76 74 33.783,78 Mês 24 Custo Total por mês Total de animais 4.416,07 152 Custo silagem por animal Total de vacas produtoras Custo silagem das vacas produtoras % 74,00 Custo Total do Plantado Rendimento Médio de Silagem (kg) Total por há 29,05 68 1.975,61 Fonte: Dados conforme pesquisa Conforme demonstrado no quadro anterior, pode se perceber que o custo com a produção de silagem é de R$ 1.432,24 por hectare. O custo total da silagem para 74 hectares foi de R$ 105.985,76, que representa um custo mensal de R$ 4.416,07, já que a silagem será consumida ao longo de 24 meses. Dividindo-se o custo mensal (R$ 4.416,07) pela média de animais da propriedade (152) tem-se um resultado de R$ 29,05, que representa o custo por animal. O rendimento médio por hectare foi de 33.783,78 kg, sendo considerado baixo para a atividade, que costuma render, em uma situação normal, acima de 45 mil kg por hectare. Este baixo rendimento deve-se a estiagem, e, embora não comprometa a estimativa de duração da silagem, acaba elevando seu custo. Na Figura 3, que segue, pode ser visualizado a composição dos custos com a silagem de milho. 54 Figura 3: Custo da Silagem de Milho por Hectare. Fonte: Dados conforme quadro 2. Verifica-se que o maior valor gasto na produção foi com o Combustível de corte da silagem, o qual correspondeu a 26,55% do custo total por hectare de silagem produzido. Para computar este custo, foi observado o tempo despendido por cada trator utilizado, bem como o consumo de diesel de cada um deles por hora trabalhada. O adubo utilizado no plantio foi o segundo maior valor gasto, R$ 350,00, correspondente a 24,44% do custo total da silagem, seguido pela uréia e pela semente de milho, que correspondem a 13,96% cada. Na seqüência, o Quadro 3, apresenta os custos para a produção de pastagem de verão e seu custo por animal. Quadro 3: Custo com pastagem de verão Custo da pastagem de verão Dessecagem Aveia de Verão (capim sultão) Adubo Fórmula Uréia – Nitrogênio Combustível Total por hectare Hectare plantado Total pelo plantio Tempo de duração da pastagem Total por Mês Total de animais na propriedade Custo pastagem por animal Fonte: Dados conforme pesquisa Unidade L KG KG KG Hora Por Hectare 4 60 250 400 3 R$ 7,00 2,00 1,10 1,30 8,00 Custo Hectare % 28,00 120,00 275,00 520,00 24,00 967,00 5 4.835,00 Mês 5 152 152 967,00 6,36 2,90 12,41 28,44 53,77 2,48 100 55 A pastagem também é produzida na propriedade, sendo plantada em duas épocas do ano, uma no verão e outra no inverno. No verão a pastagem plantada é a aveia de verão (capim sultão). Ela é cultivada em outubro, três hectares, e em dezembro, dois hectares. Dessa forma os animais terão pasto fresco e verde todos os meses. Para o plantio, primeiramente é necessário dessecar o solo, e depois colocar a semente de aveia enriquecida com o adubo e a uréia. O custo por hectare do plantio de aveia de verão foi de R$ R$ 967,00. Desse valor, 53,77% corresponde à uréia, seguido pelo adubo, com 28,44%, e pela semente de aveia, 12,41%. A área plantada nessa época foi de cinco hectares, consumida em cinco meses, com um custo total de R$ 4.835,00 e um custo mensal de R$ 967,00. Dividindo-se o custo mensal pela quantidade média de animais, temse o valor de R$ 6,36 por animal. Na Figura 4 pode-se visualizar os custos com a pastagem de verão. Figura 4 : Custo da Pastagem de verão por hectare. Fonte: Dados conforme quadro 3. A pastagem de inverno é plantada nos meses de maio, 20 hectares e junho, 20 hectares. O sistema de plantio é o mesmo utilizado na pastagem de verão. 56 No Quadro 4 está relacionado o custo da pastagem de Inverno por animal produtor. Quadro 4: Custo da pastagem de inverno Custo da pastagem de inverno Unidade Por Hectare Dessecagem L 4 7,00 28,00 3,02 Aveia KG 80 1,00 80,00 8,63 Adubo KG 250 1,10 275,00 29,67 Uréia KG 400 1,30 520,00 56,09 Combustível Hora 3 8,00 24,00 2,59 927,00 100 R$ Custo Hectare (R$) Total por Hectare Hectare plantado 40 Total por plantio Tempo de duração da pastagem 37.080,00 7 Total por Mês Total de animais na propriedade 5.297,14 152 Custo pastagem por animal Total de vacas produtoras % 34,85 68 Custo total da pastagem das vacas 2.369,77 Fonte: Dados conforme pesquisa O custo total por hectare da pastagem de inverno é de R$ 927,00, sendo que, deste custo, a uréia responde por 56,09%, equivalente a R$ 520,00, enquanto o adubo corresponde a 29,67%, ou seja, R$ 275,00 por hectare. Na pastagem de inverno há formação de 40 hectares de aveia, o que dura por sete meses. A produção anual da pastagem tem um custo total de R$ 37.080,00. Se ratearmos o custo total da pastagem pelo tempo de sua duração, o custo mensal fica em R$ 5.297,14, enquanto o custo por animal ficará em R$ 34,85. Do feno usado na alimentação dos animais, uma parte é comprada de terceiros e outra parte é proveniente das pastagens de inverno formadas pelo produtor. Geralmente a pastagem de inverno é mais abundante, pois na safra de verão é comum as áreas próprias para plantio serem cultivadas com soja e milho, ainda que este último, na maioria das vezes, seja utilizado apenas para silagem. Já no inverno, o produtor cultiva aveia. Esta é misturada no composto utilizado para trato dos animais. 57 No Quadro 5 foi especificado o custo direto variável por litro de leite produzido. Quadro 5: Custos Diretos Variáveis por litro de leite CDV Agosto Silagem Pastagem Ração Sal Feno Vacina Setembro Outubro Total CDV Produção mensal/litros CDV por Litro Fevereiro Março 1.975,61 1.975,61 1.975,61 1.975,61 1.975,61 1.975,61 1.975,61 1.975,61 432,61 432,61 432,61 432,61 2.369,77 2.369,77 2.369,77 2.369,77 12.823,20 14.180,40 14.180,40 14.180,40 16.216,20 15.561,00 14.929,20 14.437,80 1.000,80 1.051,20 1.008,00 979,20 1.180,80 1.152,00 1.123,20 1.094,40 608,00 608,00 608,00 608,00 608,00 608,00 608,00 608,00 - 125,00 - - - 2.455,20 2.455,20 2.455,20 2.455,20 2.455,20 19.295,41 20.703,01 20.659,81 20.756,01 24.805,58 24.121,58 23.460,98 22.940,78 - Depreciação animais Novembro Dezembro Janeiro 2.455,20 2.455,20 2.455,20 60.169 66.443 59.791 63.718 66.335 64.024 57.869 50.967 0,32 0,31 0,35 0,33 0,37 0,38 0,41 0,45 Fonte: Dados conforme pesquisa Na produção leiteria, são considerados custos variáveis todas os gastos com alimentação e a depreciação especifica dos animais. Como alimentação considerase pastagem, silagem, ração, e o feno. Já na depreciação foi considerada a vida útil das vacas produtoras de leite. Sendo obrigatória a vacinação contra a febre aftosa no Rio Grande do Sul, os animais da propriedade recebem uma dose a cada seis meses. Isto é necessário para prevenir que essa doença contagiosa ataque os animais de casco fendido, como é o caso das vacas. No período analisado, houve aplicação da dose da vacina no mês de novembro, no valor de R$ 250,00. Dividindo-se esse valor pela quantidade de animais que havia em novembro (136), e multiplicando-se o resultado obtido pela quantidade de animais produtores (68), chega-se a o custo de R$ 125,00 de vacina contra a Aftosa aplicada nos animais produtores. O restante do custo foi considerado custo indireto variável. Apurando-se os custos diretos variáveis, pode-se verificar o valor do custo mensal e o custo por litro de leite. Segue, abaixo, gráfico evidenciando o custo variável por litro de leite produzido. 58 Figura 5: Custo Direto Variável (CDV) Por Litro Fonte: Dados conforme quadro 5. O custo Variável por litro de leite oscilou durante os meses de pesquisa. Isso porque a quantidade de leite produzida não é a mesma em todos os meses. O maior custo por litro foi no mês de março R$ 0,45, quando a quantidade produzida foi menor, 50.967 litros; já no mês de setembro o custo por litro foi de R$ 0,32, enquanto a quantidade de leite produzida foi maior, 66.443 litros. A estiagem que ocorreu nos meses de dezembro a março não afetou significativamente o resultado da produção. Isto porque o proprietário possuía uma boa quantidade de silagem estocada. Somente no mês de março houve uma queda na quantidade de produção leiteira, aumentando consequentemente o custo por litro de leite. 3.3 Cálculos do Custo com Mão de obra Na propriedade analisada o custo com mão de obra ocorre de maneira indireta. O valor do pró-labore do proprietário é de R$ 5.000,00 mensais, enquanto seus dois funcionários recebem R$ 800,00 cada um por mês. 59 Os custos com mão de obra dos dois funcionários contemplam R$ 1.269,31 cada, considerando acréscimo de insalubridade (20%) e demais encargos trabalhistas, como é possível verificar no Quadro 6. Quadro 6: Custo com mão de obra Salário Base Insalubridade 20% Subtotal Funcionário 1 (R$) Funcionário 2 (R$) 800,00 800,00 160,00 160,00 960,00 960,00 Provisão férias 8,33% 79,97 79,97 Provisão 13º salário 8,33% 79,97 79,97 1/3 ferias 2,78% 26,69 26,69 1.146,62 1.146,62 Subtotal Pró-labore (R$) 5.000,00 5.000,00 5.000,00 Previdência 2,70% 30,96 30,96 FGTS 8% 91,73 91,73 1.269,31 1.269,31 5.000,00 2.538,63 5.000,00 Total Total de Salários Fonte: dados conforme pesquisa. 3.4 Apurações dos Custos Indiretos Os custos indiretos classificam-se como fixos e variáveis. Custos indiretos variáveis são os gastos realizados na atividade, que variam conforme o volume produzido, como os gastos com silagem, por exemplo. Já os custos indiretos fixos, não dependem da quantidade produzida, pois não estão ligados a produção. A depreciação é considerada como custo indireto fixo, já que independe da quantidade produzida. 60 Quadro 7: Custos Indiretos Variáveis Agosto Silagem animais não produtores Pastagem de Inverno dos não produtores Pastagem De Verão dos não produtores Setembro Outubro Novembro Dezembro Janeiro Fevereiro 2.062,55 2.033,50 1.859,20 1.743,00 2.474,35 2.439,50 2.230,40 2.091,00 - - - - - - - - 483,36 483,36 483,36 477,00 Vacinas 2.178,75 2.207,80 Março 2.207,80 2.178,75 125,00 Telefone 10,00 10,00 10,00 10,00 10,00 10,00 10,00 60,00 Água 133,33 133,33 133,33 133,33 133,33 133,33 133,33 133,33 Energia Higiene e Limpeza da ordenhadeira 800,00 800,00 800,00 800,00 800,00 800,00 800,00 800,00 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 Veterinária 700,00 700,00 700,00 700,00 700,00 700,00 700,00 700,00 6.230,23 6.166,33 5.782,93 5.652,33 60.169 66.443 59.791 63.718 66.335 64.024 57.869 50.967 0,10 0,09 0,10 0,09 0,07 0,07 0,08 0,09 Total: Produção por mês/ litro Custos Indiretos Variáveis / litro 4.355,44 4.384,49 4.384,49 4.399,08 Fonte: Dados conforme pesquisa. No período estudado, não houve gastos com manutenção de equipamentos utilizados na atividade, tais como ordenhadeira e resfriador, por exemplo. Houve apenas o custo com a limpeza do equipamento, que mensalmente passa por uma revisão realizada pela assistência técnica especializada. O custo com a água refere-se apenas à manutenção do poço artesiano. O produtor tem um custo elevado de energia elétrica devido à climatização do espaço destinado à alimentação dos animais. Já o custo com telefone é inexpressivo, já que o mesmo é muito pouco utilizado na atividade. Os custos com energia e veterinária foi feito uma calculo médio mensal de gasto, por isso ficou o mesmo valor para todos os meses. Há um veterinário contratado para prestar assistência permanente aos animais da propriedade, sendo que apenas o custo com as doses para vacinação contra febre aftosa são apartados do custo com veterinária, devido ao volume de doses necessário. Há também os custos com alimentação dos animais não produtores, que compreende a silagem e a pastagem. 61 O gráfico seguinte mostra o custo indireto variável (CIV) por litro de leite produzido. Figura 6: Custo indireto Variável por litro (CIV) Por Litro Fonte: Dados conforme quadro 7. No gráfico anterior, percebe-se que o valor dos custos indiretos variáveis por litro de leite não oscilaram muito, ficando entre R$ 0,10 nos meses de agosto e outubro e R$ 0,07 nos meses de dezembro e janeiro. No verão os CIV foram menores principalmente devido a quantidade de pastagem plantada nessa época do ano, apenas 5 hectares, enquanto no inverno são plantados 40 hectares. A redução do CIV também está relacionada ao aumento da produção naquele período. No quadro abaixo pode ser observado o custo com depreciação. Levou-se em consideração a vida útil dos bens relacionados. No cálculo foi empregado o método linear de depreciação. 62 Quadro 8: Custo com depreciação Custo (R$) Valor Residual Valor a ser depreciado Meses Depreciação mensal Parte da propriedade Máquinas e equipamentos Trator NW 4X4 85CV 90.000,00 9.000,00 81.000,00 180 450,00 150,00 Trator MF 4X4 80CV 85.000,00 8.500,00 76.500,00 180 425,00 141,67 Trator MF 290 86cv 30.000,00 3.000,00 27.000,00 180 150,00 50,00 Trator MF 65 X 20.000,00 2.000,00 18.000,00 180 100,00 33,33 3 Ensiladeiras 42.500,00 4.250,00 38.250,00 120 318,75 106,25 Desensiladeira 17.000,00 1.700,00 15.300,00 120 127,50 42,50 Misturador de ração elétrico 4.000,00 400,00 3.600,00 120 30,00 10,00 Triturador elétrico 5.000,00 500,00 4.500,00 120 37,50 12,50 Ordenhadeira canalizada 30.000,00 1.500,00 28.500,00 120 237,50 237,50 Distribuidor de esterco 14.000,00 700,00 13.300,00 120 110,83 110,83 Refrigerador 3000 L 25.000,00 1.250,00 23.750,00 120 197,92 197,92 3 Carretões 39.000,00 3.900,00 35.100,00 120 292,50 292,50 100,00 5,00 95,00 12 7,92 7,92 35.000,00 3.500,00 31.500,00 120 262,50 87,50 2.000,00 200,00 1.800,00 120 15,00 5,00 Pulverizador de barras 12.000,00 1.200,00 10.800,00 120 90,00 30,00 Instalação 2 Galpõesgaragem/depósito 45.000,00 2.250,00 42.750,00 300 142,50 142,50 2 Galpões para feno 15.000,00 750,00 14.250,00 300 47,50 Sala de Ordenha 35.000,00 1.750,00 33.250,00 300 Galpão para alimentação 35.000,00 1.750,00 33.250,00 300 Abrigo dos animais 65.000,00 3.250,00 61.750,00 300 205,83 205,83 5.000,00 250,00 4.750,00 300 15,83 15,83 Aparelho de cerca elétrica Semeadeira Distribuidor de uréia Estábulo para Bezerros Total depreciação Estrutura 650.600,00 1.504,58 Animais Vacas 261.887,50 26.188,75 235.698,75 96 2.455,20 2.455,20 Novilhas 114.000,00 11.400,00 102.600,00 96 1.068,75 1.068,75 Terneiras 13.300,00 1.330,00 11.970,00 24 498,75 498,75 Total depreciaçao Animais 389.187,50 4.022,70 Fonte: Dados conforme pesquisa. Conforme Quadro 8, o total depreciado das Estruturas foi de R$ 1.504,58, (máquinas, equipamentos e instalações prediais). Foi considerado como Custo Direto Variável o valor depreciado das vacas, R$ 2.455,20. Já os valores depreciados das novilhas e das terneiras, R$ 1.567,50, foram classificados como Custo Indireto. 63 No quadro a seguir, está demonstrado o Custo Indireto Fixo por litro, o qual compreende os animais não produtores, o pró-labore e as depreciações da estrutura. Quadro 9: Custo Indireto Fixo por Litro. Descrição Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Janeiro Fevereiro Março Depreciação da Estrutura 1.504,58 1.504,58 1.504,58 1.504,58 1.504,58 1.504,58 1.504,58 1.504,58 Dep. animais não produtores 1.567,50 1.567,50 1.567,50 1.567,50 1.567,50 1.567,50 1.567,50 1.567,50 pró-labore 5.000,00 5.000,00 5.000,00 5.000,00 5.000,00 5.000,00 5.000,00 5.000,00 Funcionários Total Custos Fixos produção por mês/litro Total custo fixo/litro 2.538,63 2.538,63 2.538,63 2.538,63 2.538,63 2.538,63 2.538,63 2.538,63 10.610,71 10.610,71 10.610,71 10.610,71 10.610,71 10.610,71 10.610,71 10.610,71 60.169 66.443 59.791 63.718 66.335 64.024 57.869 50.967 0,18 0,16 0,18 0,17 0,16 0,17 0,18 0,21 Fonte: Dados conforme pesquisa. De acordo com quadro anterior, no período analisado o maior custo indireto fixo por litro de leite foi no mês de março R$ 0,21, e, o menor foi no mês de setembro e dezembro R$ 0,16. Pode-se observar que o custo fixo total é o mesmo em todos os meses (R$ 10.610,71), o que varia é a quantidade produzida em cada mês. No mês em que o custo fixo por litro foi maior, a quantidade produzida foi menor, aumentando os custos fixos por litro. Assim como o mês em que o custo fixo por litro foi menor, a quantidade produzida foi maior. 3.5 Cálculos do Custo Total Para calcular o custo total de produção pode-se utilizar dois métodos, o custeio por absorção e o custeio variável. Segue quadro demonstrativo do custo apurado pelo método de custeio por absorção. 64 Quadro 10: Custo Total por Litro (método de custeio por absorção) Descrição Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Janeiro Fevereiro Março Custos Diretos 19.295,41 20.703,01 20.659,81 20.756,01 24.805,58 24.121,58 23.460,98 22.940,78 Custos Indiretos Variáveis 6.230,23 6.166,33 5.782,93 5.652,33 4.355,44 4.384,49 4.384,49 4.399,08 Total dos Custos Variáveis 25.525,65 26.869,35 26.442,75 26.408,35 29.161,02 28.506,07 27.845,47 27.339,86 Custos Indiretos Fixos 10.610,71 10.610,71 10.610,71 10.610,71 10.610,71 10.610,71 10.610,71 10.610,71 Custo Total 36.136,35 37.480,05 37.053,45 37.019,05 39.771,73 39.116,78 38.456,18 37.950,57 (/) Produção de Leite 60.169 66.443 59.791 63.718 66.335 64.024 57.869 50.967 Custo Total por Litro Leite 0,60 0,56 0,62 0,58 0,60 0,61 0,66 0,74 Média 22.092,90 5.169,42 27.262,32 10.610,71 37.873,02 61.164,50 0,62 Fonte: Dados conforme pesquisa. Pelo método de custeio por absorção, o custo por litro de leite sofreu variação durante o período analisado. No mês de março o custo por litro foi o maior, calculado em R$ 0,74, seguido pelo mês de fevereiro R$ 0,66. O menor custo foi de R$0,56 no mês de setembro. O que influenciou na variação do custo foi a diferença da quantidade de leite produzida em cada mês. Na figura seguinte, pode-se observar a média dos custos do período analisado. Figura: 7: Média do custo total pelo método de custeio por absorção Fonte: Dados conforme quadro 10. 65 Conforme o gráfico, em média, o custo direto é o maior calculado sobre o litro de leite R$ 22.092,90, representando 58% dos custos totais; seguido pelo Custo indireto fixo, de R$ 10.610,71, que corresponde a 28%; e o custo indireto variável, com 14%, no valor de R$ 5.169,42. No método de custeio variável, apenas os custos variáveis são considerados, possibilitando ao produtor o gerenciamento e a tomada de decisão, pois evidencia os custos que variam conforme a produção. Segue quadro demonstrativo do custo apurado pelo método de custeio variável. Quadro 11: Custo Total por Litro pelo Custeio Variável. Descrição Custos Diretos Custos Indiretos Variáveis Total dos Custos Variáveis Custo Total (/) Produção de Leite Custo Total por Litro Leite Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Janeiro Fevereiro Março Média 19.295,41 20.703,01 20.659,81 20.756,01 24.805,58 24.121,5 8 23.460,98 6.230,23 6.166,33 5.782,93 5.652,33 4.355,44 4.384,49 4.384,49 25.525,65 26.869,35 26.442,75 26.408,35 29.161,02 28.506,0 7 27.845,47 27.339,86 27.262,32 25.525,65 26.869,35 26.442,75 26.408,35 29.161,02 28.506,0 7 27.845,47 27.339,86 27.262,32 60.169 66.443 59.791 63.718 66.335 64.024 57.869 50.967 61.164,50 0,42 0,40 0,44 0,41 0,44 0,45 0,48 22.940,78 22.092,90 4.399,08 0,54 5.169,42 0,45 Fonte: Dados conforme pesquisa. Conforme o quadro anterior se observa que o maior custo por litro de leite foi no mês de março R$ 0,54, seguido pelo mês de fevereiro R$ 0,48. No mês de dezembro o custo total por litro de leite foi de R$ 0,44, sendo que esse foi o mês em que o custo variável foi o de maior valor em todo o período analisado R$ 29.161,02. Também em dezembro observou-se o maior número de animais na propriedade (164). Já o menor valor foi observado no mês de setembro R$ 0,40. Na seqüência, segue o demonstrativo dos custos que compõe a média, que é de R$ 0,45 por litro de leite, pelo método de custeio variável. 66 Figura: 8: Média do custo total pelo método variável. Fonte: Dados conforme quadro 11. Analisando a figura 8, percebe-se que os custos diretos são os que mais interferem na formação da média do custo unitário do leite. 3.6 Análises do Custo, Volume e Resultado No que se refere à análise do custo, volume e resultado, foi analisada a margem de contribuição, o preço de venda do leite, a quantidade produzida, o ponto de equilíbrio e a margem de segurança operacional, os quais estão descritos a seguir. 3.6.1 Análise do Preço de Venda Uma das dificuldades encontradas pelo produtor é a instabilidade do preço de venda do leite, pois o mesmo não é estipulado pelo produtor e sim pelas empresas compradoras. O preço do leite varia mensalmente, fazendo com que quem produz mais, ganha mais, ou seja, quanto maior o volume produzido, maior será o valor pago por litro. Isso ocorre devido à redução do custo de transporte do leite (com redução dos postos de coleta), e da melhor qualidade do leite comercializado, que costuma ser maior entre os produtores que empregam mais tecnologia. 67 Segue o quadro demonstrativo do volume de leite vendido pela propriedade durante os meses analisados, o valor recebido por litro, descontos de Fundesa e Funrural. Quadro 12: Receita Liquida por Litro. Mês Preço do leite bom Qualidade Tanque de Expansão Total por litro valor bruto FUNRURAL 2,3% FUNDESA 0,05% Valo Liquido Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Janeiro Fevereiro Março 0,82 0,04 0,77 - 0,87 - 0,83 - 0,80 - 0,86 - 0,84 - 0,85 - - - - - - - - - 0,85 0,77 0,87 0,83 0,80 0,86 0,84 0,85 0,0196 0,0177 0,0200 0,0190 0,0183 0,0198 0,02 0,0195 0,0004 0,0004 0,0004 0,0004 0,0004 0,0004 0,0004 0,0004 0,83 0,75 0,85 0,81 0,78 0,84 0,82 0,83 Fonte: Dados conforme pesquisa. Conforme valores apresentados pode-se constatar que no primeiro mês analisado, agosto, o produtor recebeu R$ 0,04 a mais por litro de leite, devido à qualidade, além do valor pago normalmente por litro. No mês seguinte, porém, o proprietário mudou de empresa e passou a não receber mais esse valor, mesmo usando tecnologias avançadas e de alta qualidade. Do valor bruto é descontado a Fundesa (0,05%), que nada mais é que um seguro indenizatório no caso de ocorrer epidemias na propriedade, e o Funrural (2,3%), que é a Contribuição Social Rural, para custear a seguridade e a aposentadoria do proprietário pelo INSS. No quadro seguinte, está representada a receita líquida do período estudado. 68 Quadro 13: Receita Líquida recebida Mês Produção mensal litros Preço de venda/ litro Agosto Total: 51.200,84 FUNRURAL 2,3% FUNDESA 0,05% TOTAL LIQUIDO: Setembro Outubro Novembro Dezembro Janeiro Fevereiro Março 60.169 66.443 59.791 63.718 66.335 64.024 57.869 50.967 0,85 0,77 0,87 0,83 0,80 0,86 0,84 0,85 51.205,30 51.936,43 52.581,76 52.852,62 55.142,86 48.556,04 43.163,00 1.177,62 1.177,72 1.194,54 1.209,38 1.215,61 1.268,29 1.116,79 992,75 22,87 23,66 22,72 24,21 25,21 24,71 21,99 20,38 50.003,92 50.719,17 51.348,17 50.000,35 51.611,80 53.849,86 47.417,26 42.149,87 Fonte: Dados conforme pesquisa. Conforme o quadro anterior, janeiro foi o mês que mais gerou receita para a propriedade, R$ 53.849,86. Este foi o segundo mês com maior produção, 64.024 mil litros e o segundo maior valor pago por litro, R$ 0,86. Pode-se observar que em setembro foi o mês que obteve o maior volume de litragem, 66.443 mil litros, e o menor valor pago por litro, apenas R$ 0,77. Isso indica que setembro foi um mês em que houve muita produção leiteira na região, pois devido à grande oferta, houve redução no preço pago pela empresa. 3.6.2 Margem de Contribuição Margem de contribuição é a quantia em reais que sobra do preço de venda, ou seja, a diferença entre o montante dos custos e das despesas variáveis e o preço de venda da mercadoria. A seguir, no quadro 14, apresenta o calculo da margem de contribuição unitária, o resultado pelo valor unitário e o resultado total. 69 Quadro 14: Demonstração de resultado – Valor Unitário. Descrição Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Janeiro Receitas 0,8509505 0,77066508 0,8686329 0,8252262 0,7967531 0,8612842 Custo Variável 0,42 0,40 0,44 0,41 0,44 0,45 Despesa Variável – FUNRURAL 0,0196 0,0177 0,0200 0,0190 0,0183 0,0198 Despesa Variável – FUNDESA 0,0004 0,0004 0,0004 0,0004 0,0004 0,0004 Margem de Contribuição Unitária 0,41 0,35 0,41 0,39 0,34 0,40 Custo Fixo 0,18 0,16 0,18 0,17 0,16 0,17 Fevereiro Março 0,839068 0,846881 0,48 0,54 0,0193 0,0195 0,0004 0,0004 0,34 0,29 0,18 0,21 Despesa Fixa Resultado Litros ao Mês Resultado Final 0,23 0,19 0,23 0,22 0,18 0,23 0,15 60169 66443 59791 63718 66335 64024 57869 50967 13.665,72 14.329,11 11.840,07 14.733,08 8.961,08 4.199,30 13.864,00 12.523,86 0,08 Fonte: Dados conforme pesquisa. O resultado em todos os meses analisados foi positivo, ou seja, a produção cobriu todos os custos fixos e os custos e despesas variáveis. Mesmo no mês de março quando a produção foi menor. Segue gráfico evidenciando a margem de contribuição unitária do período analisado. Figura 9: Margem de contribuição unitária. Fonte: Dados conforme quadro 14. 70 Conforme gráfico pode-se observar que os meses de agosto e outubro foram os que tiveram a maior margem de contribuição unitária, R$ 0,41 por litro de leite. O mês de março foi o que teve o menor valor em contribuição unitária, R$ 0,29, mesmo assim, com essa baixa margem, o resultado da propriedade foi positivo em todos os meses. No quadro seguinte foi analisada a margem de contribuição total da propriedade. Quadro 15: Demonstração de resultado – Valor Total. Descrição Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Janeiro Fevereiro Março Receitas 51.200,84 51.205,30 51.936,43 Custo Variável 25.525,65 26.869,35 26.442,75 Despesa Variável – FUNRURAL 1177,62 1177,72 1194,54 Despesa Variável – FUNDESA 22,87 23,66 22,72 Margem de Contribuição total 24.474,71 23.134,57 24.276,43 52.581,76 52.852,62 55.142,86 48.556,04 43.163,00 26.408,35 29.161,02 28.506,07 27.845,47 27.339,86 24.939,82 22.450,77 25.343,79 19.571,79 14.810,01 Custo Fixo 10610,71 10610,71 10610,71 10610,71 10610,71 10610,71 Despesa Fixa Resultado Final 13.864,00 12.523,86 13.665,72 14.329,11 11.840,07 14.733,08 8.961,08 4.199,30 10610,71 10610,71 1209,38 1215,61 1268,29 1116,79 992,75 24,21 25,21 24,71 21,99 20,38 Fonte: Dados conforme pesquisa. Observa-se que em todos os meses a propriedade conseguiu cobrir suas despesas e custos variáveis e fixos. O maior resultado obtido foi no mês de janeiro, R$ 14.733,08, e o menor foi de R$ 4.199,30 no mês de março, que também obteve o menor volume de produção (50.967 mil litros) e a menor receita (R$ 43.163,00). Na seqüência, segue o gráfico demonstrativo do resultado final durante o período analisado. 71 Figura 10: Resultado Final. Fonte: Dados conforme quadro 15. 3.6.3 Ponto de Equilíbrio O ponto de Equilíbrio identifica o volume mínimo de litros de leite que precisa ser vendido para cobrir os custos e despesas. Se for identificado um Ponto de Equilíbrio nulo, significa que não houve lucro nem prejuízo naquele mês. A seguir, apresenta-se demonstrativo do Ponto de Equilíbrio em reais e em litros dos meses analisados. Quadro 16: Ponto de Equilíbrio Produto Custo fixo total Margem contribuição unitário Ponto Equilíbrio em litros Ponto Equilíbrio em R$ Agosto 10.610,71 Setembro Outubro 10.610,71 10.610,71 Novembro Dezembro 10.610,71 10.610,71 Janeiro Fevereiro Março 10.610,71 10.610,71 10.610,71 0,41 0,35 0,41 0,39 0,34 0,40 0,34 0,29 26.086 30.474 26.133 27.109 31.351 26.805 31.373 36.516 23.485,39 22.700,31 22.371,04 24.979,26 22.197,50 23.086,71 26.324,32 30.924,36 Fonte: Dados conforme pesquisa. Para arcar com os gastos da produção leiteira mensal, a propriedade teria que produzir o volume de litros demonstrado no quadro anterior nos respectivos 72 meses. Dessa maneira observa-se que no mês de março foi necessária uma maior produção para cobrir os gastos da produção leiteira, 36.519 litros, que corresponderam a R$ 30.924,36. Isso devido à baixa margem de contribuição unitária, resultante de um alto custo fixo e variável no mês. 3.6.3 Margem de Segurança Operacional A Margem de Segurança Operacional refere-se à diferença do volume atual de vendas e a quantidade do Ponto de Equilíbrio. Segue o quadro demonstrativo da margem de segurança operacional. Quadro 17: Margem de Segurança Operacional (MSO) MSO Quantidad e vendida Quantidad e no PE MSO MSO % Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Janeiro Fevereiro Março Média 60.169 66.443 59.791 63.718 66.335 64.024 57.869 50.967 61.164,50 26.086 30.474 26.133 27.109 31.351 26.805 31.373 36.516 29.480,91 34.083 35.969 33.658 36.609 34.984 37.219 26.496 14.451 31.683,59 57% 54% 56% 57% 53% 58% 46% 28% 51,19% Fonte: Dados conforme pesquisa. Conforme quadro, pode-se observar que a propriedade teve como média 51,19% de Margem de Segurança Operacional, ou seja, produziu 31.683,59 litros a mais do que o necessário para igualar ao Ponto de Equilíbrio. A venda em todos os meses foi suficiente para cobrir todos os custos. Segue gráfico demonstrativo da quantidade vendida e da quantidade no Ponto de Equilíbrio. 73 Figura 11: Quantidade vendida x quantidade no PE. Fonte: Dados conforme quadro 17. Conforme figura 11, a quantidade vendida em relação ao Ponto de Equilíbrio foi maior em todos os meses analisados. No mês de janeiro a quantidade vendida ficou 58% acima do Ponto de Equilíbrio, e em março 28% acima. Segue gráfico que evidencia a Margem de Segurança Operacional em percentual e suas variações no período analisado. 74 Figura 12: Margem de Segurança Operacional. Fonte: Dados conforme quadro17. A margem de segurança caiu para 28% nos mês de março, a quantidade de leite produzido nesse mês foi inferior aos outros meses analisados, isso devido à estiagem, que refletiu mais nesse mês. 3.7 Análises de Resultados Feita as análises, identificados os custos, o cálculo pelo método variável e absorção, os indicadores do custo, volume e resultado nesses meses de estudos, pode ser apontados alguns aspectos. Durante o período analisado, a Margem de Contribuição foi positiva em todos os meses, demonstrando que a receita mensal da produção leiteira é suficiente para arcar com todas as despesas e custos da mesma. Isso mesmo no mês de março, quando a produção e a Margem de Contribuição foram menores. Pode-se verificar que em média a propriedade produziu 31.683,59 litros a mais do que o necessário para igualar ao Ponto de Equilíbrio, ou seja, em todos os meses o volume de produção ultrapassou o volume no Ponto de Equilíbrio e gerou um resultado positivo. 75 Na análise do custo, volume e resultado percebe-se que em alguns meses a produção leiteira foi maior e em outros foi menor. Isso devido a quantidade de vacas produtoras no mês, o valor pago por litro e os fatores ambientais, como por exemplo, a estiagem que afetou o volume de produção no mês de março. Com o objetivo de desenvolver um sistema em que o proprietário possa verificar e analisar os custos da produção e o resultado obtido, o proprietário poderá melhorar o gerenciamento da propriedade, tomando a decisão correta em determinada situação, aumentando assim, a sua rentabilidade. 76 CONCLUSÃO Desde o início, este trabalho propôs-se a responder à seguinte pergunta: qual é a contribuição do desenvolvimento de um sistema de custos na análise da relação custo, volume e resultado da produção leiteira? A partir desta questão, o trabalho desenvolveu-se na busca, embasada em bibliografia diversificada, de conceitos de Contabilidade Geral, Rural e de Custos, a fim de edificar um alicerce sólido aonde a pesquisa, o trabalho de campo e a posterior análise dos dados obtidos pudesse gerar o resultado esperado. A propriedade rural onde foi realizado este trabalho de campo foi escolhida por ser uma das mais tradicionais, rentáveis e sólidas da região onde está estabelecida, o que contribuiu ainda mais para a fidedignidade das informações colhidas e das análises obtidas. Assim sendo, o resultado esperado foi obtido; e foi possível, através do estudo, identificar os pontos fortes e fracos da empresa rural, o que pode contribuir para que seja feito um melhor gerenciamento da atividade desenvolvida a partir do sistema de custos. Para que fosse atingido o objetivo geral deste trabalho, foi necessário, em primeiro lugar, revisar a bibliografia pertinente à Contabilidade de Custos, com enfoque na atividade rural. Dessa forma, foram buscados diversos autores no intuito de consolidar a teoria para fundamentar a análise de custos, volume e resultado a ser aplicada na propriedade objeto deste estudo. A relação de custo, volume e resultado foi feita através da classificação dos custos identificados na atividade leiteira. Foram identificados, neste processo, os diversos tipos de custos envolvidos. Foi a partir do estudo de caso que a teoria começou a se transformar em prática. Ou seja, a partir do estudo da rotina da propriedade foram identificados e classificados, através de planilhas e gráficos, os custos associados à cada etapa da produção leiteira. Pudemos reparar, nessa etapa do desenvolvimento do trabalho, o elevado custo com a alimentação das vacas produtoras, alavancado pelo uso da ração adquirida de terceiros. Evidenciaram-se os custos fixos que, por serem 77 independentes da quantidade de leite produzida, provocam a redução nos ganhos por litro da propriedade nos meses em que a produção do leite é menor. A apuração dos custos através da utilização do custeio por absorção evidenciou a influência que a quantidade de leite produzida em cada mês provoca no custo por litro. Nos meses de menor produtividade, este custo mostrou-se, via de regra, maior. Isto porque os custos fixos mantêm-se inalterados nos meses de alta e de baixa produção. Já o método de custeio variável colaborou para alcançar o conhecimento a respeito dos custos que variaram conforme a produção. De modo geral, este trabalho alcançou o objetivo geral a que se propôs, gerando conhecimento que possibilita ao produtor uma melhor tomada de decisão e um melhor gerenciamento de sua atividade. Como concluinte do curso, percebo que a prática foi fundamental para sedimentar os conhecimentos teóricos aprendidos ao longo do curso, especialmente na área de custos. Além disso, contribuiu para gerar conhecimento e informações úteis ao produtor, auxiliando-o no gerenciamento de sua atividade diária, e a quem venha a estudar custos na produção leiteira. 78 REFERÊNCIAS BASSO, Irani Paulo. Contabilidade Geral Básica. 4.ed.. Ijuí: Unijui, 2011. Contabilidade Gral Básica. 3 ed. Ijuí, Unijuí, 2005. 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