Cíntia Dalila Covêlo Sequeira Tavares Relatório de Estágio Universidade Fernando Pessoa Faculdade Ciências da Saúde Porto, 2015 Cíntia Dalila Covêlo Sequeira Tavares Relatório de Estágio Universidade Fernando Pessoa Faculdade Ciências da Saúde Porto, 2015 Cíntia Dalila Covêlo Sequeira Tavares Relatório de Estágio __________________________________ (Cíntia Dalila Covêlo Sequeira Tavares) Relatório de estágio apresentado à Universidade Fernando Pessoa como parte dos requisitos para a obtenção do grau de licenciado em Ciências da Nutrição. Orientadores: Dra. Helena Àvila e Dra. Patrícia Costa Coorientador: Professor Doutor Jorge Rodrigues Índice I. Introdução ............................................................................................................................. 1 Estágio 1 – Uniself, S.A .................................................................................................................. 2 II. Objetivos ............................................................................................................................... 2 Objetivos gerais ......................................................................................................................... 2 Objetivos específicos ................................................................................................................. 2 III. Local, duração e orientação do estágio ............................................................................ 3 IV. Caracterização da empresa Uniself, S.A ............................................................................ 4 1. Restauração Coletiva ......................................................................................................... 4 2. Atividades realizadas ......................................................................................................... 5 Unidades escolares................................................................................................................ 8 Unidade Hospitalar................................................................................................................ 9 Unidade prisional ................................................................................................................ 11 V. Atividades complementares................................................................................................ 11 VI. Conclusões....................................................................................................................... 12 Anexos ......................................................................................................................................... 13 Anexo 1 – Folhas de Assiduidade ............................................................................................ 14 Anexo 2 – Declarações de tempo e Qualidade – Estágio na empresa Uniself, S.A ................. 16 Anexo 3 – Prospeto de apresentação da empresa “Uniself – Técnicos de Alimentação” .. 17 Anexo 4 - Fichas Técnicas Uniself ............................................................................................ 18 Anexo 5 – Sinalética sobre Reciclagem ................................................................................... 19 Anexo 6 – Email aos Trabalhadores da Uniself ....................................................................... 22 Anexo 7 – “Por um planeta mais sustentável” ........................................................................ 23 Anexo 8 – Trabalho sobre MHSA – Receção e Armazenamento de Matérias-primas ............ 24 Anexo 9 – Comentário e consenso do artigo “Agricultura Humana e Valores”...................... 25 Anexo 10 – Trabalho Congresso APN ...................................................................................... 26 Anexo 11 – Certificado de Presença de Ação de Formação: Sistema Integrado de Gestão e Manual de Higiene e Segurança Alimentar - Uniself .............................................................. 27 Anexo 12 – Logótipos Clube de Investigação - Uniself............................................................ 28 Anexo 13 – Trabalho em PowerPoint “Reciclagem” ............................................................... 29 Anexo 14 – Check-list atualizada ............................................................................................. 35 Anexo 15 – Plano de formação, guia e certificado de Realização do Curso de Compostagem Caseira e Desperdício Alimentar ............................................................................................. 35 Anexo 16 – Participação Ciclo de Debate: Ordem dos Nutricionistas: “Visão Política em Saúde e Alimentação” ............................................................................................................. 39 Estágio 2 – Hospital Escola UFP ................................................................................................... 40 II. Objetivos ................................................................................................................................. 40 Objetivos gerais ....................................................................................................................... 40 Objetivos específicos ............................................................................................................... 40 III. Local, duração e orientação do estágio.................................................................................. 41 1. Caracterização do HE-UFP ............................................................................................... 41 IV. Restauração coletiva, Alimentação e Nutrição do Hospital Escola UFP ................................ 41 V. Atividades realizadas no estágio ............................................................................................. 42 1. Avaliação clínica e aconselhamento alimentar, no âmbito de consulta externa............ 42 2. Acompanhamento nutricional, e verificação das prescrições dietéticas, estado clinico e satisfação do doente, em regime de internamento. .............................................................. 43 3. Auxílio nas operações de produção e distribuição de refeições, e envolvimento em processos de gestão de restauração hospitalar ...................................................................... 44 4. Atividades complementares............................................................................................ 46 VI. Conclusões....................................................................................................................... 47 VII. Bibliografia ...................................................................................................................... 48 Anexos ......................................................................................................................................... 49 Anexo 1 – Parecer de estágio da coorientadora e orientador – HE; Declaração de tempo, HE ................................................................................................................................................. 50 Anexo 2 – Folhas de Assiduidade, HE ..................................................................................... 53 Anexo 3 – Requisitos para a avaliação por Bioimpedância ..................................................... 54 Anexo 4 – Consultas externas de nutrição .............................................................................. 55 Anexo 5 – História Alimentar ................................................................................................. 56 Anexo 6– Folha de Resultados InBody 230 ............................................................................. 57 Anexo 7 – Folha de registo – Doentes internamento ............................................................. 58 Anexo 8 – Check-list atualizada para a o HE ........................................................................... 59 Anexo 9 – Requerimento – Proposta de melhoria no setor de Restauração HE ................... 62 Anexo 10 – Exemplar de inventário dos produtos alimentares, no HE .................................. 63 Anexo 11 – Pedido de inserção de opção “Dieta pastosa” ao Sistema Informático ............... 64 Anexo 12 – Sinalética para HE ................................................................................................. 65 Anexo 13 – Trabalho “Maciez da Carne” ................................................................................ 66 Anexo 14 - Quantificação Restos no Prato – Tabuleiros Internamento.................................. 68 Anexo 15 – Recomendações para Doente Internado Diabético ............................................. 70 Anexo 16 – Rastreio em S. Cosme – Gondomar...................................................................... 71 Anexo 17 – Quinta da Azenha, Gondomar – “Hospital Faz de Conta” – Atividades com Crianças ................................................................................................................................... 72 Anexo 18 - Questionário de Satisfação com o Serviço de Alimentação HE ............................ 73 Anexo 19 - Programa e Certificado de Participação no Fórum de Empregabilidade da Ordem dos Nutricionistas e Resumo ................................................................................................... 75 Anexo 20 – Certificado de participação na Palestra “Gestão de Conflitos em Organizações de Saúde: Princípios e Competências” – Academia Ufp .............................................................. 77 Anexo 21 – Certificado e Resumo de Presença no Seminário Alimentação Hospitalar – Ordem dos Nutricionistas ....................................................................................................... 79 Anexo 22 – Certificado de Presença Congresso Anual da APNEP ........................................... 81 Anexo 23 – Estudo e análise dos doentes em internamento no HE - UFP.............................. 82 I. Introdução Dos longos anos académicos, ficou presente a aquisição de conhecimentos científicos, ligados à área de Ciências da Nutrição. O contacto com temas da saúde, como Anatmofisiologia, Genética Médica, Histologia, Biologia Molecular e Celular, entre outros, e ainda, a centralidade e foco de especialização, no que concerne à alimentação e nutrição, construíram as bases de que necessito para realizar-me profissionalmente, de forma autónoma e responsável. Como tal, o programa curricular dita uma componente prática e um trabalho complementar, com o correspondente de 30 ECTS, que se cumprem no 2º semestre, do 4º ano, de licenciatura Ciências da Nutrição, a decorrer na Universidade Fernando Pessoa. A realização do estágio visa a aplicação prática, da panóplia de conhecimentos obtidos, a interação com grupos multidisciplinares, a demonstração e desenvolvimento de atitudes de empenho e de interesse no aperfeiçoamento, a comunicação e utilização de linguagem adequada, com os demais profissionais e todos os restantes elementos, com que se objetiva deparar internamente e/ou externamente ao local de atividade. É fundamental a assistência e apoio à comunidade, estimulando e persistindo na importância da adoção de um estilo de vida saudável, devendo deste fazer parte uma alimentação variada, completa e equilibrada, aliada ao complemento de exercício físico diário. São vários os ramos que interseto, como a Restauração Coletiva em meio hospitalar e escolar, a Nutrição Clínica, a Nutrição Comunitária e a Investigação Científica, sendo que todos se complementam e representam a virtuosidade do curso que ambiciono concluir. Para efeitos de avaliação semestral, é desenvolvido o presente relatório, que inclui detalhadamente os objetivos a atingir, e a explicação de cada atividade realizada, durante o estágio curricular. 1 Estágio 1 – Uniself, S.A II. Objetivos Objetivos gerais - Conhecer o local de estágio, quanto à sua organização e funcionamento. - Conhecer a estrutura e organigrama da empresa. - Cumprir boas práticas de conduta pessoal e zelo pelas instalações do local de trabalho. - Aplicar metodologia de higiene e segurança alimentar, com base nos princípios de HACCP e Codex Alimentarius. - Fomentar relações de trabalho em equipa e de espírito crítico, analisando e partilhando factos e dúvidas, positiva e pertinentemente. - Aplicar conhecimentos adquiridos ao longo do curso, acrescentando iniciativa e empenho na realização das tarefas solicitadas. - Compreender e realizar, de forma responsável, procedimentos alusivos à gestão da empresa, respeitando o Manual de Higiene e Segurança alimentar, Manual de Qualidade da Uniself, e todos os documentos respetivos. - Idealizar e esquematizar tópicos-chave, no que diz respeito à qualidade e segurança alimentares, responsabilidade social, sustentabilidade ambiental e segurança no trabalho, a fim de interiorizar a orgânica de atuação de um nutricionista numa empresa de restauração coletiva. Objetivos específicos - Cooperar e intervir nas atividades propostas: 1. Elaborar projetos e atividades, no âmbito de qualidade e segurança alimentar, conforme as necessidades vindouras, das unidades. 2 2. Realizar sessões de formação a colaboradores e grupos envolventes. 3. Verificar o cumprimento de ementas, relativamente aos pré-requisitos definidos em Caderno de Encargo, analisando e corrigindo. 4. Realizar fichas técnicas, de refeições contempladas em ementas, destinadas a concurso, para uma dada unidade. - Elaborar trabalhos de investigação inovadores e/ou com vista a atualização e melhoramento de modelos e modos de atuação empresariais. - Acompanhar e alcançar a capacidade de realizar auditorias em unidades de restauração coletiva: 1. Consolidar a mecânica de ação processual, e posteriormente aplicar na prática, detetando possíveis não conformidades e respondendo com medidas corretivas; 2. Preencher check-lists, elaborar relatórios de visita e planos de melhoramento de unidades. - Participar em ações de formação, cursos e seminários relacionados com a área de estágio. - Colaborar em unidades de produção, com o apoio das nutricionistas, junto das equipas de manipuladores de alimentos. III. Local, duração e orientação do estágio O estágio decorreu na empresa de Restauração Coletiva – Uniself, S.A, tendo passado inicialmente pelo escritório, com a finalidade de apreender a orgânica estrutural, organizacional e procedimental. Posteriormente, visitei várias unidades, tendo permanecido em algumas por mais tempo, estas distribuídas a norte do país. Divididas em escolas, hospitais e estabelecimentos prisionais, foi nelas, que contactei com as diferenças e especificidades características de cada uma, e que assimilei conteúdos e formas técnicas de proceder. A duração compreendeu o período de 13 de Fevereiro de 2014 a 22 de Abril de 2014, tendo contemplado a carga semanal de 40 horas distribuídas uniformemente pelos dias, perfazendo um total de 332 horas de contacto (Anexos 1 e 2). 3 Estive sob orientação da nutricionista Helena Àvila, Diretora da Qualidade, na empresa Uniself, S.A. Nas diferentes etapas, contei com o apoio da equipa a trabalhar nos escritórios e unidades escolares e hospital, situadas a norte do país. Estive sob a supervisão assídua, aquando da permanência em unidades de nutricionistas. Acompanhei a Dra. Maria João, nutricionista da direção da qualidade, em visitas técnicas e sessões de formação a unidades. Assim, revelou-se como tendo um papel fundamental na minha integração na estrutura da empresa, inclusivé na explicação das especificidades de atuação, consoante o local de intervenção. No escritório, esclareceu dúvidas relativamente às atividades que me eram confiadas. IV. Caracterização da empresa Uniself, S.A A Uniself S.A é uma empresa fundada em 1981, com um carácter de gestão próprio de restaurantes e refeitórios de clientes. Possui uma equipa coesa e profissional a concretizar objetivos traçados, com vista a garantir a salubridade dos alimentos, e consequentemente, das refeições servidas, minimizando os custos e assegurando a máxima qualidade dos serviços que presta, com a maior eficiência (Anexo 3). 1. Restauração Coletiva É uma área de trabalho transversal, cujas refeições produzidas se destinam a um determinado público-alvo, com necessidades peculiares. Nas unidades hospitalares a variabilidade de dietas é superior, devido à amplitude de doenças observada. Também, a debilidade que muitos doentes apresentam, faz com que haja um cuidado acrescido na produção de refeições, tendo de ser garantidos níveis microbiológicos mínimos e aceitáveis, e qualidade organolética das mesmas. Nas unidades escolares, a gestão centra-se em quatro momentos fulcrais, dos quais os dois primeiros são mais relevantes: lanches, almoços, piqueniques e dias festivos. O serviço de restauração nos hospitais e prisões difere dos das escolas, pois está caracterizado pelo constante movimento diário, não havendo momentos com atividade reduzida. No meio escolar, trabalha-se para uma população em aprendizagem, podendo conjugar o ato da alimentação com a educação, construindo pratos saudáveis e exemplos ilustrativos de hábitos que devem adotar. A aproximação dos alunos àquilo que está a ser desenvolvido é fundamental, permitindo 4 assim o despertar da consciência, e a consequente sensibilidade, perante as dúvidas que possam ser suscitadas futuramente. A Uniself atua nos diferentes meios, obstinando-se a cumprir com o que acorda com o cliente. Para conduzir as suas ações conta com: o Diretor Geral, o Diretor Norte, o Secretariado, a Direção da Qualidade, a Direção Comercial, o Departamento de Compras, os Inspetores, os Responsáveis das Unidades, colaboradores (cozinheiros, despenseiros, motoristas, outros), fornecedores e técnicos de manutenção. 2. Atividades realizadas - Manual de Higiene e Segurança Alimentar (MHSA) – O primeiro passo deteve-se com a leitura e compreensão do MHSA. Nesse manual, estavam implícitas as Boas práticas de Higiene e as Boas Práticas de Fabrico, os princípios e etapas do HACCP, respeitantes à legislação 852/2004, Codex Alimentarius e ISO 9001. Recebi uma cópia do MHSA, acompanhando-me ao longo do estágio, representando uma ferramenta de esclarecimento de qualquer dúvida no âmbito de atuação, e apresentando implicitamente todas as formas operacionais, desde a receção até à distribuição de refeições. Do mesmo modo, foi-me pedida a realização da análise de PPR’S, isto é, do programa de prérequisitos, descritas no MHSA. Cumprindo o estipulado, partilhei sugestões de melhoria, complementando o que já estava mencionado. - Ementas, segundo o caderno de encargos e fichas técnicas das ementas – Verifiquei, com a colaboração de uma colega estagiária, a conformidade das ementas que me foi apresentada. A partir do caderno de encargos disponibilizado, prosseguimos à análise da mesma, efetuando as devidas correções, assegurando assim o cumprimento dos requisitos descritos. Após ter feito a substituição de alguns pratos e de métodos de confeção de refeições, foi-me solicitada a colaboração, para a emenda das fichas técnicas relativas às ementas da unidade em questão. Até à data não tinha quaisquer conhecimentos de como eram realizadas, tendo aprendido no momento, com uma nutricionista que se prontificou a explicar-me. As fichas técnicas servem como referência demonstrativa da quantidade, aferida per capita, das refeições produzidas, denominada “capitações”. Emitem a designação, os ingredientes, o modo de preparação e a composição nutricional do prato em menção (Anexo 4). 5 - Elaboração da planta da empresa, da sinalética, do email aos profissionais e da carta de sustentabilidade ambiental – Com o objetivo de fomentar a consciência relativamente à importância da poupança e da reciclagem, construi formas visuais elucidativas, de maneira a convencer, auxiliar e incentivar os elementos integrantes da empresa a colaborar para a contribuição de um planeta mais saudável. A planta da Uniself incluiu todos os pontos de depósito de resíduos, com a indicação das cores, onde se podiam colocar certos tipos de materiais. Na realização destes trabalhos foi tida em conta a dimensão do espaço, e os materiais existentes, adequando por sua vez a sinalética criada, à realidade presente. Por fim, conjuntamente com outros estagiários, foi pensado e escrito um email a comunicar a implementação deste sistema, com vista a preocupação ambiental, e a responsabilidade perante a mesma, no local de trabalho. (Anexos 5, 6 e 7). - Organização de Dossiês, Pastas SIG (Sistemas Integrados de Gestão) e cacifos temáticos – consistiu na separação de documentos informativos, estudos, atividades, entre outros, por várias temáticas, como por exemplo: Gastronomia, Food Service, Informação Nutricional, Responsabilidade Social, Segurança Alimentar, Nutrição – Saúde, Doença e Bem-estar, etc. - Atualização do Manual de Receção ao estagiário – foi solicitado um complemento ao Manual de Receção ao estagiário, na Uniself, com vista a melhorar e a esclarecer acerca dos seus direitos e deveres. - Apresentação em PowerPoint: MHSA – Receção de matérias-primas e Armazenamento – com o objetivo de apresentar ao grupo de estagiários, foi assumido, por cada um, o papel de executar a atividade proposta. No meu trabalho, recorri não só ao que estava descrito no MHSA, como também, à experiência e anotações dos relatórios de visita, que detalhavam as principais anomalias higio-sanitárias verificadas aquando da realização de auditorias (Anexo 8). - Comentário e consenso de um artigo “Agr Hum Val” (Anexo 9). - Terminologia em Restauração Coletiva – A partir de um trabalho da Dra. Helena Àvila, já desenvolvido por pessoas que integraram a empresa em anos anteriores, foi proposta a atualização do mesmo, procurando em referências credíveis, definições mais completas e corretas. Porventura, poderia acrescentar novos conceitos, mais 6 recentemente utilizados na gíria profissional da restauração coletiva e que ainda não estavam contemplados no documento. Por aprovação da orientadora e sugestão de uma estagiária, decidiu-se elaborar um documento completo e descritivo, com a terminologia utilizada no ramo, adotando não só a descrição detalhada dos conceitos, como também a tradução para inglês e espanhol. Dada a dimensão do objetivo, ainda não se concluiu o que já foi iniciado. - Impressão de boletins de análise microbiológica e de relatórios de visita – aleatoriamente eram realizadas, por profissionais do laboratório externo, análises microbiológicas, respeitando um protocolo de inocuidade e utilizando utensílios estéreis na recolha de amostras. A análise era feita aos pratos de refeição, mãos de colaboradores, ou equipamentos e utensílios, procedendo consequentemente à deteção do teor microbiano presente. Eram seguidos critérios de avaliação rígidos, tendo cada unidade de ter um número bacteriológico e/ou fúngico aceitável, ou seja, dentro dos intervalos definidos. Os relatórios de visita provinham de auditorias executadas em unidades pertencentes à empresa. - Organização de exemplares existentes na empresa, para elaborar um manual – atividades outrora desenvolvidas em unidades, como jogos e receitas para crianças, alusivos ao Dia Mundial da Alimentação, ao S. Martinho e a outros dias festivos. Folhetos, marcadores de livros, histórias e tradições constituíam grande parte dos exemplares agrupados, com o objetivo de elaborar um manual. - Trabalho para o XIII Congresso da APN – Surgiu a necessidade de desenvolver um trabalho, aproveitando os recursos humanos e materiais e o permanente contacto com diferentes unidades. Comecei a estruturá-lo e, posteriormente, juntaram-se mais três elementos, que contribuíram para a concretização do mesmo. Coube-me analisar aproximadamente quatrocentos relatórios de visita, com a finalidade de conhecer as principais não conformidades, registadas após auditorias (Anexo 10). - Clube de Investigação - Na empresa ocorriam reuniões mensalmente, com o propósito de investigar estratégias para divulgação e desenvolvimento empresarial, e de compilar atividades de êxito outrora realizadas, por exemplo, em escolas. Vários elementos da Mesa propunham ideias novas, e depois de discutidas e escolhidas para levar a cabo, eram distribuídas e registadas. Como tal, responsabilizei-me por redigir as atas de reuniões, que sucediam após o término das mesmas. 7 - Participação na Ação de Formação sobre o MHSA e Sistema Integrado de Gestão – Dirigida pela oradora Helena Àvila, foram clarificadas determinadas especificidades, que exigem um alerta maior (Anexo 11). Com o avançar do tempo, e já com um grupo coeso, decidiu-se trabalhar o layout de projetos futuros, criando um logótipo. Automaticamente participei, realizando alguns esboços, que posteriormente foram enviados à equipa, para escolher o melhor. O logótipo número três foi o mais votado (Anexo 12). Também num dos trabalhos do clube propus alguns títulos. Unidades escolares Numa primeira fase, o estágio consistiu no acompanhamento de uma nutricionista a unidades escolares, em que decorriam visitas técnicas e ações de formação. Por um período longo, fui registando particularidades e técnicas de ação, que me ajudassem a desenvolver um trabalho rigoroso. Visitei tanto escolas de confeção local, como de refeições transportadas. As primeiras tinham na sua constituição, uma zona de preparação e de confeção, estando equipadas de uma forma completa, derivado o número de refeições produzidas, para distribuir internamente e externamente. Também cumpriam uma rota até às escolas que as recebiam. Já as segundas obedeciam a infraestruturas mais restritas, uma vez que só acolhiam e distribuíam as refeições confecionadas duma outra escola. As visitas técnicas sucediam com maior frequência, em unidades escolares de confeção local. Dada a complexidade dos sistemas de gestão, e de recursos humanos e materiais distintos e variáveis, tornou-se essencial a adequação e a confirmação da conformidade e do cumprimento dos procedimentos, verificando: registo diário de HACCP; documentação obrigatória; conhecimento das colaboradoras acerca das suas funções e deveres mediante o local trabalho; a organização e higiene na operacionalização; as infraestruturas, equipamentos e utensílios; a rastreabilidade e rotulagem dos produtos alimentares e não alimentares; a segurança no trabalho. Tudo se resumia à certificação da assertividade da execução, indo esta de encontro com as normas descritas no Manual de Higiene e Segurança Alimentar, desde a receção à distribuição, e dos requisitos promulgados pelo próprio cliente. As ações de formação eram sobre o que havia mais dúvidas e falhas, aquando as visitas técnicas a unidades. Os temas eram relativos à segurança alimentar, intitulados: ” 8 Rastreabilidade, Alergias e Intolerâncias alimentares” e “Reciclagem”. Participei na atualização da primeira apresentação, e na elaboração da segunda. (Anexo13). As escolas onde ocorreram as sessões localizavam-se em três locais distintos. Numa segunda etapa, segui para a compreensão e observação mais aprofundada dos modelos de gestão, levados a cabo nas escolas do Municípios do Porto, permanecendo em algumas por mais tempo, com o apoio da nutricionista responsável. Abarquei todo o conjunto das necessidades prioritárias, a nível de operações e de características de cada escola. Em cada uma: conheci os colaboradores, o número de refeições produzidas, a organização e sistema de distribuição de lanches e de almoços; visualizei o empratamento, registando se ia de acordo com as capitações estipuladas no caderno de encargos, e com aspecto apelativo, aceitável e adequado; tomei nota da afixação de planos de higienização e da sinalética obrigatória com a identificação das zonas e equipamentos; confirmei o preenchimento dos registos diários de HACCP, documentação respeitante ao dossier Sistema Integrado de Gestão (SIG); acompanhei a recolha de amostras e o registo de temperaturas de exposição de refeições, as operações de preparação e confeção de alimentos, e a respetiva higienização às instalações, equipamentos e utensílios; verifiquei se a rastreabilidade e o armazenamento dos produtos alimentares estavam a ser efetuados devidamente; aprendi a realizar encomendas, de uma forma eficaz e estratégica, e outras atividades. A nutricionista deume a conhecer o programa WinRest, onde formalizava as encomendas e realizava a faturação de Guias de remessa e de transporte das matérias-primas, demonstrando que também era possível efetuar devoluções dos produtos. Em todas as unidades cumpri com a elaboração de check-lists e de relatórios de visita, desenvolvendo e colocando em prática medidas corretivas, que depois de cumpridas, eram registadas no Plano de Melhoramento de Unidade (PMU). Unidade Hospitalar Estive durante duas semanas numa unidade hospitalar, pelas nutricionistas Catarina Quelhas e Heloísa, que me orientaram neste período, aprendi e apliquei conhecimentos interligados com Higiene e Segurança alimentar, durante duas semanas. Inicialmente, apresentaram-me os colaboradores e verifiquei a organização das instalações, os respetivos procedimentos técnicos, horários e particularidades do serviço de restauração 9 hospitalar. Iniciei com a visita às instalações, entretanto, li e analisei o manual de dietas vigente, e de seguida verifiquei o modo de realização do empratamento da refeição do almoço. O estabelecimento estava equipado com um sistema de distribuição de refeições a quente, cujos carrinhos de transporte, possuíam dois componentes – frio e quente. O tabuleiro dispunha de duas divisórias, sendo que na esquerda estavam elementos frios, tais como água, sobremesa, copo, talheres, suplemento (quando aplicável), e na direita os quentes, como a sopa e o prato. Adiante, os carros eram ligados ao sistema de aquecimento, com a duração de vinte minutos, prosseguindo para as carrinhas conduzidas até ao local de distribuição, garantindo assim a manutenção da temperatura. Excecionalmente, isto é, em situações imediatas, cuja imprevisibilidade imperava, como por exemplo, quando os utentes realizavam análises ou exames que exigiam a sua permanência no hospital, as refeições seguiam em tabuleiros diferentes, não submetidos a um aquecimento. Foi-me concedida a possibilidade de aprender e compreender a orgânica e funcionamento processual do empratamento e consequente distribuição. Mais tarde, fui capaz de intervir, com a ajuda da nutricionista, na verificação dos componentes dos tabuleiros, de acordo com a dieta instituída a cada um, para que fossem cumpridas todas as especificidades descritas no Manual de dietas e Caderno de Encargos disponíveis. Com o tempo, tive a autonomia para preencher os registos diários de HACCP, incluindo os registos de temperatura dos equipamentos de frio, os registos de temperaturas de exposição, entre outros. As nutricionistas propuseram que fizesse um estudo relativo às refeições intermédias, produzidas diariamente, na unidade hospitalar, e com a finalidade de obter os custos de cada tipo de dieta, por dose, e ainda, de garantir o cumprimento do que estava documentado. Na véspera de término desta etapa, aprendi a elaborar um inventário, que é feito mensalmente, intervindo com a colaboradora responsável pela tarefa. No papel, eram anotados todos os produtos alimentares e não alimentares em stock, no fim do dia de ação. No momento em que estava integrada e familiarizada com o sistema estrutural e organizacional do espaço de restauração coletiva, auditei internamente, procedendo à atualização de uma lista de verificação pré-existente, dividindo certos critérios e 10 integrando outros novos (Anexo 14). Como referências, revi o Manual de Higiene e Segurança Alimentar da empresa e li documentos de certificação APCER 9001 e APCER 22000. Desta forma, objetivei um trabalho mais minucioso e exigente, com o propósito de corrigir eventuais não conformidades. Ao longo desse período de estágio executei duas auditorias, neste espaço. Posteriormente, procedi ao preenchimento da lista de verificação atualizada, de seguida, à redação do relatório de visita, e por fim, ao registo do Plano de Melhoramento de Unidade, adotando ações corretivas o mais precocemente, e sempre que possível. Deixei um agradecimento a todos os que me marcaram e ajudaram a superar mais uma etapa, ensinando-me e colaborando comigo nas atividades e estudos que programei concluir. Unidade prisional Aquando a visita inicial a unidades, foi-me concedida a oportunidade de conhecer o sítio que fornece refeições para prisões. Estando só um dia, não desenvolvi atividades. V. Atividades complementares - Curso de Compostagem Caseira e Desperdício Alimentar - alcancei novos conhecimentos, no que concerne a métodos de minimização de desperdício alimentar, consciencialização e acerca de estruturas e entidades responsáveis pela regulação de lixos, nas cidades – vigorando a responsabilidade social e ambiental (Anexo 15). - Ciclo de debates: “Visão Política em Saúde e Alimentação” – Ordem de Nutricionistas estiveram presentes deputados convidados, tendo sido aberta uma discussão sobre a situação atual da alimentação e nutrição em Portugal; empregabilidade nos diversos sectores alimentares; outros. Assisti a duas sessões, ocorrentes dia 17 e 24 de Março de 2014, com Teresa Caeiro do CDS/PP e Carla Cruz do PCP, respetivamente. (Anexo 16) 11 VI. Conclusões Após o término desta etapa, concluo que a Restauração Coletiva é uma área que exige conhecimentos de gestão, de modos operacionais e organizacionais, implícitos numa cozinha onde são produzidas um número considerável de refeições, posteriormente distribuídas a grupos-alvo específicos. No decorrer do estágio ultrapassei adversidades, e concretizei as atividades que me foram confinadas. A adaptação foi relativamente difícil, uma vez que as unidades curriculares relacionadas não abrangeram grande parte dos conteúdos, e que permitiam uma integração e identificação com os procedimentos de um nutricionista, no ramo em questão. Apesar disso, constato que aprendi bastante com as especialistas em nutrição e colaboradores, que se disponibilizaram a ensinar-me e a explicar-me pormenores a considerar numa prática profissional diária. Os trabalhos que desenvolvi, ajudaram-me a ser mais organizada e a aprofundar conhecimentos. Também, o incentivo à pesquisa permanente, durante o período em que permaneci no escritório, demonstrou-se como sendo fundamental para apreender toda a orgânica de uma empresa de restauração coletiva. Realço, por fim, que o contacto que obtive com diversas tipologias de unidades de produção de refeições, e de profissionais, transmitiu-me a capacidade de observar e valorizar o que é levado a cabo, com a exímia intenção de perfecionismo, no trabalho de restauração. Mais do que qualquer norma e regra, aprendi que a confeção de pratos, padece do amor que lhes é dado. 12 Anexos 13 Anexo 1 – Folhas de Assiduidade 14 15 Anexo 2 – Declarações de tempo e Qualidade – Estágio na empresa Uniself, S.A 16 Anexo 3 – Prospeto de apresentação da empresa “Uniself – Técnicos de Alimentação” 17 Anexo 4 - Fichas Técnicas Uniself 18 Anexo 5 – Sinalética sobre Reciclagem 19 20 21 Anexo 6 – Email aos Trabalhadores da Uniself 22 Anexo 7 – “Por um planeta mais sustentável” 23 Anexo 8 – Trabalho sobre MHSA – Receção e Armazenamento de Matériasprimas 24 Anexo 9 – Comentário e consenso do artigo “Agricultura Humana e Valores” 25 Anexo 10 – Trabalho Congresso APN 26 Anexo 11 – Certificado de Presença de Ação de Formação: Sistema Integrado de Gestão e Manual de Higiene e Segurança Alimentar - Uniself 27 Anexo 12 – Logótipos Clube de Investigação - Uniself 28 Anexo 13 – Trabalho em PowerPoint “Reciclagem” 29 30 31 32 33 34 Anexo 14 – Check-list atualizada 35 36 Anexo 15 – Plano de formação, guia e certificado de Realização do Curso de Compostagem Caseira e Desperdício Alimentar 37 38 Anexo 16 – Participação Ciclo de Debate: Ordem dos Nutricionistas: “Visão Política em Saúde e Alimentação” 39 Estágio 2 – Hospital Escola UFP II. Objetivos Objetivos gerais - Contactar e intervir com a comunidade profissional hospitalar e grupos envolventes, aplicando os conhecimentos teóricos e práticos, e termos técnicos, adquiridos ao longo do curso. - Compreender a realidade hospitalar, operando eticamente e profissionalmente junto do doente, elucidando-o acerca da importância da alimentação na evolução positiva do seu estado clínico, educando-o e incentivando-o a cumprir as prescrições dietéticas instituídas. - Realizar atividades e desenvolver estratégias de melhoria, de forma autónoma e responsável, sempre que solicitadas ou necessárias, com base em evidências científicas e pedidos. - Acompanhar, colaborar e seguir consultas externas de nutrição, obtendo a capacidade de apreender e seguir eficazmente os procedimentos integrantes da atividade diária de um nutricionista. - Contribuir para melhorias no setor de restauração hospitalar, tendo em conta a organização das infraestruturas, modelos de gestão operacional, recursos humanos e materiais disponíveis. Objetivos específicos - Auxiliar nas operações de produção e distribuição de refeições, e participar em processos de gestão de restauração hospitalar. - Dar acompanhamento nutricional, verificar as prescrições dietéticas, e o estado clinico e satisfação do doente, em regime de internamento. 40 - Adquirir competências de avaliação clínica e aconselhamento alimentar, no âmbito de consulta externa. - Participar em atividades organizadas pelo departamento de comunicação do HE e em seminários e congressos, relacionados com a área de estágio. - Desenvolver estudos, e elaborar questionários de satisfação com o serviço de restauração hospitalar e materiais de apoio. III. Local, duração e orientação do estágio O estágio curricular decorreu no Hospital Escola Universidade Fernando Pessoa, sob a orientação da nutricionista Patrícia Costa e coorientação do diretor clínico Jorge Rodrigues. A duração compreendeu um período de aprendizagem de trezentos e sessenta e oito horas, com início a 6 de Maio de 2014 e término a 26 de Janeiro de 2015, com uma fase de interrupção de 19 de Junho de 2014 a 14 de Janeiro de 2015. (Anexos 1 e 2). 1. Caracterização do HE-UFP É um hospital recente, inaugurado em Dezembro de 2012, e que inclui cuidados primários, secundários e terciários abrangidos pelas mais diversificadas disciplinas profissionais, tais como: enfermagem, fisioterapia, psicologia, medicina, terapia da fala, e outros, contemplando a atuação clinica e cirúrgica. De cariz inovador e pedagógico, objetiva a integração de alunos, a concluírem o ciclo de estudos universitário, no ambiente profissional, apresentando as ferramentas necessárias para a formação e qualificação profissional dos mesmos. IV. Restauração coletiva, Alimentação e Nutrição do Hospital Escola UFP A RAN do HE-UFP engloba as consultas externas, o acompanhamento dos doentes em regime de internamento e a restauração hospitalar, cabendo à responsável nutricionista Dra. Patrícia Costa, gerir e responder a todas as solicitações pertinentes. Sendo que 41 todos os ramos se intersetam, a minúcia das ações executadas deve ser constante, evitando descontentamentos, e garantindo, desta forma, a satisfação dos utentes com o serviço prestado. V. Atividades realizadas no estágio 1. Avaliação clínica e aconselhamento alimentar, no âmbito de consulta externa As consultas de nutrição eram marcadas, com antecedência, pelos utentes, estando estes devidamente informados acerca dos pré-requisitos que tinham que cumprir até ao momento de avaliação (Anexo 3). Numa primeira consulta, com duração de aproximadamente noventa minutos, respeitava-se a sequência de procedimentos: - Avaliação inicial: dados pessoais (nome, sexo, idade); motivo de consulta; antecedentes familiares e pessoais relevantes; dados bioquímicos; historial clínico; terapias medicamentosas ou suplementação; função gastrointestinal (frequência, quantidade e consistência de dejeção evacuada, conforto pós-prandial, inexistência de sintomas de desconforto durante o processo digestivo); hora do dia com maior apetite (preferencialmente por alimentos doces e/ou salgados) e com maior fome, ditando os principais motivos; frequência de ingestão de bebidas açucaradas; historial de tentativas de melhoria do estado nutricional (por exemplo: ganho ou perda de peso; adoção de um estilo de vida saudável – prática de exercício físico e instituição de uma alimentação variada, completa e equilibrada) (Anexo 4). - História alimentar: horários, locais, composição e quantidade das refeições; hábitos alimentares; métodos de confeção habitualmente usados; gordura de adição utilizada; alimentos preferidos e preteridos; alergias e intolerâncias alimentares; ingestão hídrica diária (Anexo 5). - Avaliação antropométrica: peso; estatura; índice de massa corporal (IMC) (WHO, 2006), perímetros da anca, cintura e bicep. Os instrumentos utilizados foram: a balança, a fita métrica e o estadiómetro. 42 - Avaliação da composição corporal, por bioimpedância, através do equipamento InBody 230 – massa musculosquelética (MM), em Kg e percentagem (total e segmentada); massa gorda (MG), em Kg e percentagem (total e segmentada); massa livre de gordura (MLG), em Kg, taxa de metabolismo basal (TMB), em Kcal; água corporal total (ACT), em Kg; relação cintura quadril (RCQ), em percentagem. - Aconselhamento alimentar e elaboração do plano alimentar – envolvia-se o utente, aquando a escrita do plano alimentar, acordando com as sugestões dadas pela nutricionista e preferências do indivíduo; elucidava-se acerca dos aspectos menos positivos na sua alimentação, aconselhando-o a procurar e incluir outras opções; salientava-se o facto de o plano não ter de ser visto como meio para uma mudança de hábitos temporária, mas sim permanente, em que com o complemento de exercício físico regular, contribuiria inevitavelmente para a conservação e maximização da saúde. A avaliação da composição corporal era feita através de um equipamento de bioimpedância In Body 230 com propriedades tetrapolares, em que uma corrente elétrica atravessava os tecidos orgânicos, sofrendo a resistência destes, e dando resultados de leitura fácil, para posterior interpretação. De seguida, imprimia-se uma folha, explicando detalhadamente os dados obtidos (Anexo 6). Os registos de avaliação inicial e história alimentar eram colocados no sistema informático Siemens Soarian ®, que continha todos os parâmetros de avaliação, permitindo numa outra consulta, a comparação de dados recentes com os anteriores. Já nas consultas de seguimento, monitorizava-se o estado nutricional e questionava-se o utente das dificuldades que teria tido no cumprimento do que tinha sido acordado, esclarecendo-o, por conseguinte, das dúvidas que o pudessem acompanhar. Também, caso fosse desejado ou premeditado, procedia-se à alteração do plano alimentar. 2. Acompanhamento nutricional, e verificação das prescrições dietéticas, estado clinico e satisfação do doente, em regime de internamento. Os utentes eram admitidos para cuidados paliativos, ou reabilitação, ou descanso do cuidador – por média e longa duração, ou cirurgia, portadores de quadros patológicos diversificados, e alguns, complexos, em que a intervenção de um nutricionista era requerida. Com um leque de doenças maioritariamente crónicas, como a obesidade, 43 dislipidemia, hipertensão, diabetes mellitus, acresceu o cuidado de acompanhar as prescrições dietéticas, modificando-as sempre que necessário, e ainda, de trabalhar a motivação do utente, para cumprir o que lhe tinha sido instituído, explicando a constituição e o contributo da alimentação na melhoria do seu estado clinico. Por vezes, o internamento prolongado e o estado de doença avançado, ou a polimedicação, ou o impedimento da utilização da via oral para ingerir os alimentos recorrendo à alimentação entérica, alteravam o estado nutricional do indivíduo acamado. Assim, observavam-se perdas de massa muscular, traduzindo-se na redução de peso e no aumento da propensão para a formação de úlceras de pressão, que por sua vez contribuíam para um hipercatabolismo. Dessa maneira, era prossuposta a ação de um profissional capaz de suprir as necessidades nutricionais, suplementando ou elaborando uma dieta específica para o caso em questão, sendo, então, pedida a colaboração de nutrição. Como aprendiz, fui assimilando as dificuldades sentidas pelos doentes e as diversas patologias existentes, e apliquei conhecimentos técnicos adquiridos ao longo do curso. O acompanhamento dos pacientes internados era realizado através do conhecimento e atualização da sua ficha clínica informatizada, e da comunicação com os enfermeiros e auxiliares que proferiam anomalias ocorrentes, numa dada instância. Criei uma folha de registo (Anexo 7). Diariamente eram efetuadas visitas aos utentes em regime de internamento de forma a serem asseguradas e tratadas todas as questões de foro nutricional e alimentar destes. 3. Auxílio nas operações de produção e distribuição de refeições, e envolvimento em processos de gestão de restauração hospitalar No serviço de restauração do HE-UFP, desempenhava várias funções. Realizava e verificava o empratamento, diariamente, respeitando as prescrições dietéticas. Anotava num modelo de preenchimento existente, dados inerentes à ação. Em primeiro lugar, fiz uma auditoria interna, atualizando a check-list que tinha elaborado no outro estágio. Entretanto apliquei-a, e descrevi as anomalias no relatório técnico (Anexo 8). Depois de analisar e conhecer o sistema organizacional, e o modo de comunicação entre a cozinha e o serviço de enfermagem, foi decidido com o conhecimento de todos os intervenientes, a elaboração de um requerimento, dirigido ao diretor do HE-UFP, com 44 sugestões de melhorias no setor de restauração coletiva (Anexo 9). Foi também possível realizar um inventário de produtos alimentares, da despensa da cozinha (Anexo 10). Após algum tempo de integração e de conhecer o modo operacional dos profissionais, apercebi-me de que a implementação de estratégias de melhoria, que porventura seriam mais eficazes e permitiriam a fluência de trabalho, era uma mais valia. Com a colaboração da Dra. Patrícia Costa, revi as prescrições dos doentes para que pudessem estar constantemente atualizadas e adaptadas ao estado nutricional dos doentes. O sistema informático vigente não tinha programada a opção “dieta pastosa” - que muitas vezes se encontrava nos detalhes das prescrições, aparecendo “dieta mole de consistência pastosa”, confundindo com as que apresentavam somente a denominação “dieta mole”. Assim, eram permanentes as dúvidas e perdas de tempo relativamente às refeições dos utentes, devido à ausência e dificuldade no acesso a uma informação uniforme, por todos os profissionais. Com o objetivo de solucionar o referido, foi introduzida em sistema informático essa nova opção, revelando-se positiva, de imediato (Anexo 11). A formação às colaboradoras de restauração era dada no momento em que executavam as suas funções. Insisti na explicação das dietas hipoproteicas, hipolipidicas e hipossalinas, dado que as duas primeiras tinham começado a ser utilizadas pelos prescritores, há pouco tempo, e após visualização e alteração de dietas. Quanto às operações de produção de refeições: anteriormente as papas com farelo de trigo eram maioritariamente rejeitadas, devido ao seu aspecto pouco apelativo, e logo que apurei o modo de preparação, mencionei alternativas, a fim de que satisfizessem as expectativas dos pacientes. Depois da mudança, transmiti aos doentes que experimentassem novamente o lanche, e que certamente estaria de acordo com os seus gostos e situação clinica. Resumiu-se numa intervenção positiva, em que a qualidade organolética foi aprovada pelos mesmos e pelos prestadores de cuidados e auxiliares, que os acompanhavam. Semanalmente visualizava os equipamentos de frio, a recolha de amostras e o estado das instalações, equipamentos e utensílios; alertava para cuidados de desinfeção das mãos e técnicas de preparação de alimentos, com a finalidade de evitar contaminações cruzadas. 45 4. Atividades complementares - Sinalética de identificação de zonas – cozinha HE (Anexo 12). - Trabalho “A maciez da carne” (Anexo 13). - Quantificação de Restos no Tabuleiro (Anexo 14). - Documento informativo de instrução e apoio para utente que passava os fins-desemana fora do meio hospitalar, com diabetes, e a fazer dieta pastosa (Anexo 15). - Rastreio de alimentação, S. Cosme – Gondomar (Anexo 16). - “Hospital Faz de Conta” – Crianças da Quinta da Azenha, Gondomar (Anexo 17). - Questionário de satisfação dos utentes, com o serviço de restauração hospitalar (Anexo 18). - Seminário de Empregabilidade (Anexo 19). - Palestra “Gestão de conflitos em Organizações de saúde” (Anexo 20). - Seminário de Alimentação Hospitalar, em rastreios de alimentação e atividades com crianças (Anexo 21). - Congresso da APNEP XVI – visualizei apresentações com temas diversos relacionados com alimentação e nutrição, realizados por oradores que integram vertentes profissionais distintas; ampliei conhecimentos contactando com estudos, produtos alimentares diversos, materiais científicos e informações atualizadas (Anexo 22). - Estudo e análise dos doentes internados no HE-Fernando Pessoa (Anexo 23). 46 VI. Conclusões O estágio curricular que decorreu no estabelecimento de saúde HE-UFP contemplou as áreas de Nutrição Clínica, Nutrição Comunitária, Restauração Coletiva e Investigação Científica. Tendo abarcado esses ramos, o percurso intenso fez e continuará a fazer sentido, na medida em que me atribui o acréscimo da responsabilidade. Com um universo amplo de novas informações, estudei e distribuí, nomeadamente aos doentes, a importância da alimentação para a manutenção do estado de saúde, motivando-os e esclarecendo-os nas dúvidas que os assolavam. Por sua vez, a multidisciplinariedade revelou-se essencial e eficaz na gestão do estado clínico dos utentes internados, em que a comunicação constituiu um elemento chave. Por vezes era difícil convencer os mais debilitados a alimentarem-se devidamente. Não obstante, gradualmente conseguiu-se cativá-los a seguir com as prescrições instituídas, e dar-lhes o acompanhamento e a instrução que necessitavam para confiar nos cuidados prestados. Sempre elucidados de que a alimentação saudável é uma das coadjuvantes mais consideradas na saúde, conferindo-lhes conforto, colaboraram e consideraram a importância da atuação de um nutricionista, num estabelecimento de nutrição. Na restauração houve melhorias constantes, em termos de técnicas operacionais respeitantes do Código de Boas Práticas de Higiene e Segurança Alimentar, e de produção de refeições com qualidade, principalmente sob o ponto de vista organolético. Por fim, as atividades em contexto comunitário permitiram que interagisse com faixas etárias diferentes, e que lançasse o desafio de despoletar o interesse sobre a alimentação. Foi de salutar a dedicação, a educação e o profissionalismo de todos os trabalhadores com quem privei durante este período. Embora tenha adquirido conhecimentos nos outros anos curriculares, neste estágio prosperei e consolidei o que fora aprendido, não só alcançando os objetivos perspetivados, como também tendo ganho e aprendido a imprescindibilidade dos detalhes e da parte humana. Conquistei os doentes e recebi o maior reconhecimento que se pode obter: o sorriso, o agradecimento e o bem-estar, deles. Do Hospital-Escola Fernando Pessoa trago mais do que o que levei; trago boas experiências que me acompanharão no futuro, e me farão lembrar do quão profissional tenho de continuar a ser, sempre que me dedicar à prática das ciências da nutrição. 47 VII. WHO (2006) Bibliografia “Body Mass Index – BMI” [Em linha]. Disponível <http://www.euro.who.int/en/health-topics/disease-prevention/nutrition/a-healthylifestyle/body-mass-index-bmi>. [Consultado em 03/07/2014] 48 em Anexos 49 Anexo 1 – Parecer de estágio da coorientadora e orientador – HE; Declaração de tempo, HE 50 51 52 Anexo 2 – Folhas de Assiduidade, HE 53 Anexo 3 – Requisitos para a avaliação por Bioimpedância 54 Anexo 4 – Consultas externas de nutrição 55 Anexo 5 – História Alimentar 56 Anexo 6– Folha de Resultados InBody 230 57 Anexo 7 – Folha de registo – Doentes internamento 58 Anexo 8 – Check-list atualizada para a o HE 59 60 61 Anexo 9 – Requerimento – Proposta de melhoria no setor de Restauração HE 62 Anexo 10 – Exemplar de inventário dos produtos alimentares, no HE 63 Anexo 11 – Pedido de inserção de opção “Dieta pastosa” ao Sistema Informático 64 Anexo 12 – Sinalética para HE 65 Anexo 13 – Trabalho “Maciez da Carne” 66 67 Anexo 14 - Quantificação Restos no Prato – Tabuleiros Internamento 68 69 Anexo 15 – Recomendações para Doente Internado Diabético 70 Anexo 16 – Rastreio em S. Cosme – Gondomar 71 Anexo 17 – Quinta da Azenha, Gondomar – “Hospital Faz de Conta” – Atividades com Crianças As crianças levaram os seus peluches às diferentes especialidades do Hospital Faz de Conta. À consulta de Nutrição foram cerca de cinquenta crianças, que aprenderam: a avaliar o perímetro da cinta dos seus peluches – verificando se apresentavam risco de desenvolver doenças do coração; a dar uma alimentação saudável aos seus peluches; a pesar a determinar se deveriam ter mais cuidados com alimentação. Todas compreenderam a função de um nutricionista, e admitiram ser muito importante para que os seus peluches tivessem saúde. 72 Anexo 18 - Questionário de Satisfação com o Serviço de Alimentação HE 73 74 Anexo 19 - Programa e Certificado de Participação no Fórum de Empregabilidade da Ordem dos Nutricionistas e Resumo 75 76 Anexo 20 – Certificado de participação na Palestra “Gestão de Conflitos em Organizações de Saúde: Princípios e Competências” – Academia Ufp 77 78 Anexo 21 – Certificado e Resumo de Presença no Seminário Alimentação Hospitalar – Ordem dos Nutricionistas 79 80 Anexo 22 – Certificado de Presença Congresso Anual da APNEP 81 Anexo 23 – Estudo e análise dos doentes em internamento no HE - UFP 82 83