anais do 2º encontro nacional de pesquisadores em dança (2011) Dança: contrações epistêmicas Dança na Escola: um discurso sobre o senso comum. A Arte como Troca Mabile Borsatto1 Faculdade de Artes do Paraná Introdução A dança na escola enquanto forma de arte e área de conhecimento, pede um olhar que interrogue sobre nossos corpos, nossas ações, sensações e relações e com os outros. Com a dança, propomos tornar mais visível o corpo que é ambiente e reconhece o contexto em que coexiste. Na busca por entender essas conexões entre corpo e ambiente, a pesquisa apresenta a seguinte problemática: É possível produzir uma dança que seja resultado da interação do senso comum com o conhecimento científico? Assim acredita nas hipóteses de aproximação entre os entendimentos de senso comum, conhecimento científico e artístico, no diálogo entre teoria e prática e na formulação de uma dança movida pelas noções de ambigüidade e complexidade. Objetivos Geral: →Possibilitar a conexão de informações em dança como geradoras de vínculos críticos, relacionando as informações da realidade coletiva e os conteúdos da dança contemporânea, efetivando modos de realizar dança correlacionada com o mundo. Específicos: 1 Mabile Borsatto é formada em Bacharelado e Licenciatura em Dança pela Faculdade de Artes do Paraná mesma instituição onde fez Especialização Interdisciplinar em Artes e Ensino das Artes. Trabalha com dança na escola há três anos no Colégio Nossa Senhora Medianeira e no Projeto Piá em Curitiba – PR com público de crianças e adolescentes. É pesquisadora em Dança contemporânea integrante da Entretantas Conexão em Dança realizando projetos artísticos e pedagógicos. www.portalanda.org.br/index.php/anais anais do 2º encontro nacional de pesquisadores em dança (2011) Dança: contrações epistêmicas →Apontar a dança como troca de informações a partir da sua capacidade de integrar o corpo no contexto/ambiente em que coexiste. →Entender que dança na escola emerge como resultado da relação entre conhecimento do senso comum, científico, bem como, do contexto educacional. →Identificar que a construção da aula de dança de maneira compartilhada provoca reflexão e criação de conhecimentos. →Formular a experiência da linguagem em dança como uma manifestação coletiva com táticas de descentramento e construção de múltiplos sentidos frente à habitualização do cotidiano escolar. Desenvolvimento Metodológico A pesquisa resultou das experiências teóricas e práticas de ensino em dança no Colégio Nossa Senhora Medianeira, com alunos de 4 a 14 anos e no Projeto Piá da Vila Torres com alunos de 6 a 15 anos de idade. No colégio curitibano Nossa Senhora Medianeira, a dança é realizada como atividade extracurricular, e por isso, existe conectada com o pensamento educacional que rege o funcionamento da escola, bem como com os conhecimentos e disciplinas curriculares. No Projeto Piá da Vila Torres, caracterizado pela participação de uma comunidade menos favorecida economicamente e de vulnerabilidade social, a dança faz parte de mais uma atividade dentro do seu cronograma rígido e pouco reflexivo. No entanto, tanto o Colégio Medianeira, como o Projeto Piá foram, sem dúvida, ambientes muito importantes para o surgimento das inquietações desse trabalho, bem como para reflexão e teste de suas hipóteses. Trata-se de uma problemática que tenta se resolver apostando nas ideias de aproximação entre os entendimentos de senso comum, conhecimento científico e artístico, no diálogo entre teoria e prática e na formulação de uma dança movida pelas noções de ambigüidade e complexidade. Entender que as informações do senso comum podem construir dança é um modo aqui escolhido para desenvolver a ideia que a dança, na escola, é resultado de uma troca com quem www.portalanda.org.br/index.php/anais anais do 2º encontro nacional de pesquisadores em dança (2011) Dança: contrações epistêmicas a experimenta, visto que a metodologia lida com as informações dos participantes e as reelabora juntamente com os conhecimentos específicos da dança. O aluno tem a chance de se tornar propositor no que se refere a decidir e modificar de maneira diferenciada o processo de seleção e realização dos conhecimentos de dança. A participação de professores e alunos faz com que a criação seja co-responsável provocando a reflexão das hierarquias da própria dança na escola. Essa responsabilidade mútua apresenta-se como relação das ações compartilhadas, das diferentes respostas e insistentes dúvidas que emergem entre quem constrói e experimenta o processo de aprender dança. Os padrões e as novas formas de representação do movimento dentro dessa maneira de se relacionar com a dança podem criar relações de ambiguidade e complexidade do corpo, espaço, e tempo, gerando uma construção de conhecimento em dança a partir da troca de informações entre corpo e contexto. Assim, acredita-se que o ato de construir conhecimento, nessa perspectiva pedagógica e artística, está associado às probabilidades de relação entre os saberes e sua correlação com o ambiente, e que tais possibilidades podem produzir novas estruturas de movimento e conceituação da expressão artística feita na escola. Conclusão As aproximações entre a ideia de senso comum e conhecimento científico podem produzir novas formas de ensino-aprendizagem e tais possibilidades podem resultar em novas estruturas de movimento e conceituação da expressão artística feita na escola, principalmente porque promove a troca de saberes nesse entendimento de contexto, que é particular e compartilhado. A dança na escola como um espaço relacional e reflexivo de saberes apresenta-se como resultado de interação e constitui-se em um infinito e instável processo de construção e modificações ao longo do tempo. Bibliografia www.portalanda.org.br/index.php/anais anais do 2º encontro nacional de pesquisadores em dança (2011) Dança: contrações epistêmicas Conhecimento científico e Senso comum – Boaventura de Souza Santos e Rubem Alves Dança e Contexto – Humberto Maturana, Jussara Setenta e Helena Katz Complexidade e Ambiguidade – Edgar Morin e Zygmunt Bauman www.portalanda.org.br/index.php/anais