papel de suma importância. O monarca português era representado como a “cabeça
do reino” e considerado como divino. Destaque que, no contexto histórico da época
moderna, religião e poder articulavam-se na mentalidade daqueles que viveram em
Portugal e em seus domínios ultramarinos.
4 - Para finalizar, peça que os alunos reflitam a respeito do significado da prática da festa de
Corpus Christi não só ao longo da Idade Moderna na América portuguesa, mas também
atualmente no Brasil. Proponha que seja feita uma pesquisa sobre essa festa nos dias de
hoje tanto na região onde vivem quanto no resto do Brasil. O objetivo da atividade é
estabelecer a ideia de que esses significados podem variar de acordo com a região do país.
Peça que identifiquem as semelhanças e diferenças com tais festividades na época colonial
e elaborem um cartaz a ser apresentado para a turma.
SAIBA MAIS NA RHBN
Diversas características sobre os festejos e procissões na América portuguesa estão presentes no
artigo “Páscoa, tempo de festa”, de Georgina Santos [RHBN nº 43, de abril de 2009]. (www.
rhbn.com.br/pascoa)
Este encarte pode ser impresso no site ( w w w. r ev i s t a d e h i s t o r i a . c o m . b r )
c o o r d e n a d o r d o p ro j e to
Caro(a) professor(a),
A Revista de História da Biblioteca Nacional criou, no Portal do
Professor do MEC, um Fórum de História do Brasil para debater a
aplicação deste encarte. Comente sua experiência pedagógica, tire
dúvidas, sugira novas ideias e discuta conosco os caminhos para
uma educação de qualidade que começa na sala de aula.
Esperamos sua valiosa contribuição no Portal do Professor.
Acesse: www.rhbn.com.br/portaldomec
Você também pode acessar o site da RHBN (www.
revistadehistoria.com.br) ou o Twitter (www.twitter.com/RHBN).
e e d i to r a ç ã o
Luciano Figueiredo
(Universidade Federal Fluminense)
Enc arte Do
Professor
ano 5 | nº 58 | Julho 2010
Este material foi elaborado com a finalidade de oferecer sugestões de trabalho na sala de aula. As
atividades apresentadas têm como características o aspecto lúdico e o estímulo à criatividade e à
curiosidade, à formação dos valores da vida social e à construção de identidades que busquem a
igualdade no acesso aos bens culturais e sociais.
História e Mentalidades
É
muito corriqueiro o entendimento de um mundo social não histórico pelas crianças e
os jovens, pois vários deles imaginam que as sociedades não se transformam. A longa
duração, como base fundamental da história das mentalidades, aponta para a capacidade
de mudança e recriação humana. Faz-se necessário apresentar aos alunos que a
constante reinvenção da sua própria história é possível, na medida em que aspectos que parecem
já ter existido sempre, como as nossas reações por meio de sentimentos, afetos e imaginação,
foram construídos e reconstruídos diversas vezes. As emoções, a religiosidade, as visões de
mundo, bem como as comemorações, a organização familiar e todas as formas de viver que
se mantêm desde tempos imemoriais constituem aquilo que se considera como mentalidades
coletivas e remetem ao que os seres humanos têm em comum com os outros do seu tempo. O
estudo desses sentimentos e práticas, baseados em uma repetição que não é individual, recupera
a noção de “longa duração” na pesquisa histórica. As estruturas mudam lentamente, e só é
possível entendê-las quando se amplia o leque de estudos no tempo e se verifica que as rupturas
são raras e o campo das permanências é mais duradouro que o imaginado. Ensinar História
levando em conta a longa duração e o conceito de mentalidades significa perceber as relações
entre rupturas e permanências e compreender até o que é cotidiano e íntimo como diferente.
p ro d u ç ã o e x e c u t i va
Cristiane Nascimento
concepção e realização
Silvana Bandoli Vargas e
Roberta Martinelli (Colégio
Pedro II)
p ro j e to g r á f i c o
Isabela da Silveira
c o n s u lto r i a p e dag ó g i c a
Oldimar Cardoso (USP/
Universität Augsburg)
c o p i d e s qu e
Ana Lucia Normando
EncarteJunho_58.indd 1
Revista de
História da
Biblioteca
Nacional
Atividade 1
A leitura do texto “Seleção questionável”, de Fábio Koifman, é a base do exercício
proposto para o 9º ano do Ensino Fundamental visando analisar a política de recepção
de imigrantes durante o governo de Getúlio Vargas. A atividade deve ser desenvolvida
quando estiver sendo trabalhado o conteúdo referente a esse momento da História do
Brasil e as propostas de legitimação política no período pós 1930.
9º
ano
E n s
Funda i n o
menta
l
História
1 - Professor(a), divida a turma em grupos de quatro alunos e solicite que leiam o texto.
As expressões que não sejam do conhecimento dos alunos devem ser anotadas e seus
significados procurados no dicionário. Outras expressões também importantes são indicadas
pelo professor(a), como: gerações, critério étnico, ideias eugenistas, doenças congênitas,
matriz, capacidade de fusão, assimilável/inassimilável, miscigenação, política do branqueamento
e atos discriminatórios. Sugere-se um trabalho com o filme “A Onda” [The Wave], o que
permitiria aos alunos a compreensão de alguns princípios que regem a discriminação.
11/23/10 1:13:55 AM
2 - Durante o período Vargas, 1930/1945, foram elaboradas políticas de estado que buscavam
garantir a predominância de uma população considerada ideal: branca, europeia, católica,
assimilável. A grande preocupação, não só do governo, mas da elite política e intelectual da
época, era com a formação da nacionalidade e do povo brasileiro, sendo recorrente a ideia
de que o atraso do país era provocado pelo grande número de população “não branca”.
Professor(a), valendo-se das expressões anotadas pelos alunos, elabore um quadro sobre
o governo Vargas. Nele, devem ser anotados quais eram os “elementos” considerados
ideais em uma política assimilacionista e aqueles inadequados e indesejáveis, assim como as
características de cada um dos grupos.
3 - Com os alunos, elabore uma linha cronológica em que a Constituição de 1934, o Levante
Comunista de 1935 e a decretação do Estado Novo em 1937 estejam presentes. A partir
desses três marcos temporais, solicite aos grupos que anotem as mudanças pertinentes
à entrada de imigrantes no Brasil. Nesse mesmo período, década de 1930, as mudanças
no cenário europeu fizeram com que um grande número de judeus buscasse refúgio em
outros países. Como os judeus são atingidos pela legislação anti-imigracionista brasileira?
Qual a justificativa do governo varguista para julgá-los como indesejáveis? Cabe aqui
fazer menção à conjuntura da Segunda Guerra Mundial, como também ao contexto do
surgimento do fascismo anterior a ela.
4 - As anotações elaboradas pela turma devem servir de apoio para que sejam discutidas
as condições atuais das relações étnicas no Brasil. Professor(a), solicite aos alunos que
elaborem um tutorial a respeito das políticas de branqueamento levadas a termo no
governo Vargas. Para isso, devem ser recuperadas todas as anotações da aula. Os alunos, de
posse dessas informações, devem escrever uma notícia de jornal em que uma família judia,
após ser perseguida na Europa, chega finalmente ao Brasil. As expectativas, as dificuldades
no percurso, o estabelecimento na nova terra e as relações com outros grupos de
imigrantes compõem o texto. Professor(a), a fim de que sejam evitados anacronismos,
que, caso existam, devem ser corrigidos, utilize o artigo da RHBN. As notícias devem
ser apresentadas oralmente para o restante da turma, quando as questões relativas aos
preconceitos e discriminações podem ser objeto de discussão. Neste momento, torna-se
perceptível para os alunos que os afetos e sentimentos permanecem mesmo quando as
condições objetivas que os criaram já se perderam.
SAIBA MAIS NA RHBN
Outros aspectos da vida dos judeus no Brasil na década de 1930 são apresentados no texto
“Muralha anti-semita”, de Maria Luiza Tucci Carneiro [RHBN nº 20, de maio de 2007]. (www.
rhbn.com.br/muralhaantisemita)
Atividade 2
O público-alvo desta atividade são as turmas do 1º ano do Ensino Médio no
contexto dos conteúdos sobre o Império português na Idade Moderna e/ou a
sociedade colonial da América portuguesa no século XVIII.
1º
ano
E n si
n o
M é
d i o
1 - Professor(a), inicie a aula apresentando o artigo “Santo Guerreiro”, de
História
Beatriz Catão Cruz Santos, acerca da celebração de São Jorge nas festas
religiosas realizadas no Império português no século XVIII. Solicite que os
alunos observem e comentem as imagens do santo que aparecem nas páginas 76 e 78.
EncarteJunho_58.indd 2
No quadro, registre as informações, concluindo que ele é retratado na primeira imagem
de armadura em seu cavalo, enquanto, na segunda imagem, aparece trajando roupas de
um oficial romano. A seguir, leia em voz alta o texto da página 76 e o primeiro parágrafo
da página 78. Pergunte aos alunos o que eles entenderam da leitura e registre suas
impressões no quadro. Comente que um dos objetivos da História é estudar as mudanças
e permanências ao longo do tempo. O texto em questão caracteriza as seguintes
informações: Existem indícios da presença de São Jorge em celebrações religiosas em
Portugal desde a Idade Média, durante o reinado de D. João I (1385-1433). Tais festividades
não só se mantiveram ao longo da Idade Moderna, como também foram difundidas nas
demais partes do Império, inclusive na cidade do Rio de Janeiro; ainda hoje é possível
observar a presença de festividades em torno do santo. Em sua homenagem, o dia 23
de abril foi decretado como feriado no Estado do Rio de Janeiro a partir de 2002, sendo
celebrado com missas, salvas de canhão, banda de música, cavalgada, carreata e feijoada. No
final desta atividade, apresente o quadro:
476
1453
Idade Média
Em 1387, São Jorge torna-se
patrono do país passando a
figurar nas procissões lusitanas.
1789
Idade Moderna
No século XVIII, a festa se
espalha pelos domínios
ultramarinos portugueses.
2002
Idade Contemporânea
Em 23 de abril de 2002, o dia
de São Jorge torna-se feriado
no Rio de Janeiro.
2 - Dando continuidade ao exercício, os alunos, reunidos em grupos, devem ler o restante do
artigo e responder as seguintes perguntas: a) Quem era responsável pela preparação e
realização da festa de Corpus Christi? b) Indique as diferenças existentes entre a celebração
de Corpus Christi na cidade de Lisboa e aquela praticada na cidade colonial do Rio de
Janeiro, na América portuguesa. c) Com base nas informações do texto e na observação
das imagens de Debret, liste os grupos sociais que faziam parte de tal festividade na
cidade de Lisboa (centro do Império português) e na cidade colonial do Rio de Janeiro.
Professor(a), neste momento, apresenta-se uma boa oportunidade para refletir sobre
as diferenças entre a sociedade do reino português e a sociedade colonial da América
portuguesa. E ainda: d) Compare as informações descritas no texto sobre a forma de
realização dessa festa no período da Idade Média e no período da Idade Moderna.
Explique o que mudou, na prática, de uma época para a outra. e) Reflita sobre o significado
das celebrações do Corpus Christi no contexto da Idade Moderna. Quais grupos sociais
e instituições tal festividade pretendia exaltar? As respostas devem ser lidas por um
representante de cada grupo, e cabe ao professor não só corrigir como também realizar
uma síntese das ideias e questões que surgirem.
3 - Retomando alguns pontos do que já foi discutido no exercício anterior, o professor(a)
deverá explicar aos alunos que tanto no reino português como em seus domínios
ultramarinos o momento da festa era uma oportunidade privilegiada, quando os diversos
grupos sociais se integravam e demarcavam visualmente as suas posições no sistema
hierarquizado de relações característico do Antigo Regime, ocasião na qual o monarca
procurava fortalecer o seu poder perante os seus súditos, assim como também a Igreja e
a Câmara demarcavam, respectivamente, o poder religioso e local. O grande investimento
dispensado na realização de festividades explica-se, em larga medida, pelo impacto político
de tais eventos numa época em que a representação simbólica do poderio desempenhava
11/23/10 1:13:55 AM
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